Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial O Professor Dario ficará para sempre connosco! Fomos no passado dia 22 de Abril confrontados com a morte inesque tiveram o privilégio de privar com o Professor Dario, em parperada e prematura do nosso muito querido Dario, para muitos dos ticular os “seus alunos”. que frequentámos o Colégio Militar entre os anos de 1962 e 1995 o Homem bom, íntegro, de carácter e de palavra, com enorme senexemplo de Mestre que nos marcou de forma indelével para toda tido do dever e de servir, educava e liderava pelo exemplo. Mana nossa vida, pela excepcional qualidade profissional e humana de tinha com os “seus alunos “ uma relação baseada na lealdade, que deu mostra ao longo das confiança e respeito mútuos, mais de três décadas que serque perdurou para o resto das O COLÉGIO MILITAR foi sempre para o Dario uma das grandes prioviu o nosso Colégio. nossas vidas. ridades da sua vida. Nascido a 19 de Dezembro de Por iniciativa da Direcção da Nele entrou em 7-10-1962 como estagiário e tenente. A sua en1935 em S. Vicente, o ProfesAAACM e com o consentimentrega foi total e o seu trabalho centrava-se em todos os alunos, sor Carlos Dario Fernandes to da sua Família e da Direcção procurando que cada um fizesse render ao máximo as suas poingressou no Colégio Militar do Colégio Militar, a sua vigília tencialidades. Para isso era preciso QUERER e ACREDITAR, não em 1962 então como alferes e Missa de corpo presente tihavendo espaço para desistir ou fracassar. miliciano, na qualidade de veram lugar na Sala de Armas Nunca abdicou dos seus princípios e valores, procurando tamprofessor de Educação Física. do Colégio. Ao promover esta bém transmiti-los aos seus alunos. Disciplina, entrega, vontade, Aposentou-se a 31 de Agosto iniciativa, fizemo-lo com o sensolidariedade, espírito de justiça e de luta, eram exigências semde 1995, após 33 anos de sertido de lhe prestar uma justa e pre presentes nas suas funções de educador. Para ele, todos os viço ininterruptos de enorme sentida homenagem, mas fizeMENINOS da LUZ tinham que ser íntegros, para poderem ser relevância e mérito, como mo-lo também na certeza de cidadãos válidos. Por questões de saúde reformou-se em 1995, o atestam os inúmeros louque esta seria a sua escolha! com anos e anos lectivos, sem um único tempo de faltas. vores com que foi agraciado Na homilia proferida na Missa Conhecia todos os seus alunos pelos números e alcunhas. Viquer pela Direcção do Coléde corpo presente o celebranbrava com as reuniões de curso, encontros e notícias de sucesso gio Militar, quer pelo CEME, te, antigo Capelão do Colégio, dos seus antigos alunos. bem como a Medalha de D. Major Padre Borges da Silva, Do COLÉGIO MILITAR partiu em 23-4-2012, para a sua última Afonso Henriques. Mereceu referiu-se à Comunidade de morada, rodeado por tantas gerações de MENINOS DA LUZ. destaque na galeria dos ProAntigos Alunos como a sua Partiu o vosso tenente, o vosso professor, mas sobretudo ... um fessores homenageados na outra Família, uma expressão grande AMIGO edição comemorativa da Hisfeliz que espelha bem a deditória do Colégio Militar edicação que o Professor Dario Maria Adelaide Patrício Fernandes tada em 2003, da autoria do sempre devotou ao Colégio e José Alberto da Costa Matos aos “seus alunos”, e o respeito (96/1950). Era também sócio honorário da AAACM por deliberae amizade que todos lhe dedicávamos. ção da Assembleia Geral de Março de 1986. Por ocasião da vigília, um Antigo Aluno comentou …”este gajo não Das suas inúmeras realizações no âmbito profissional ficaram morreu”… expressão também ela feliz, que traduz de forma simples, para a história a qualidade excepcional da classe especial de gimas eloquente, que o professor Dario ficará para sempre connosco! nástica, onde se destacavam os “gafanhotos”, e os diversos títuA toda a sua Família, em especial à sua Mulher, Exma. Senhora los conseguidos no âmbito do Desporto Nacional Escolar, quer D. Maria Adelaide Patrício Fernandes, seus Filhos, Nora e Genro, individual quer colectivamente, com destaque para os que foram prestamos nesta ocasião e em nome de todos os Antigos Alunos conseguidos no voleibol. do Colégio Militar, uma sentida homenagem, certos de que sabeMas foi sem dúvida a sua qualidade humana ímpar que o tornou remos honrar a memória deste singular Mestre e Amigo. um verdadeiro símbolo do espírito Colegial para todos aqueles Até sempre Dario. Que a Tua Alma descanse em paz.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 N° 187 - Abril/Junho - 2012 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
CAPA
Professor Carlos Dario Fernandes © Foto: Leonel Tomaz
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307
ARTIGOS À VENDA NA AAACM
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94
PUBLICAÇÕES
Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224 DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA:
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NO VO
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ASSINATURA: 15,00 €
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Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar
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50 €
III Volume da História do Colégio Militar
35 €
O Espírito do Colégio Militar
60 €
Os Jardins do Colégio Militar
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II Volume da História do Colégio Militar
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Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.
Sumário
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Dos Antigos Alunos
04 AA em Destaque 05 Assembleia Geral de 16 de Março de 2012 06 Visita da AAACM ao Brasil 28 Antigos Alunos Comemoram o 3 de Março 32 Ecos da FEITORIA
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Do Colégio
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37 “Ginástica encontra-se com a Música”
Colaboração
39 Os TOP + da REDE 40 Serei (mesmo) amigo do ambiente? 42 O Marketing de Guerrilha – uma revolução 43 Aluno 23/1905 Silva Pereira, Defensor de Chaves
Recordando
45 Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
49 Ou Tóquio ou nunca 51 Cartas à Redacção 52 Os que nos deixaram
Dos Antigos Alunos
Visita da AAACM ao Brasil
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e o golfe
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Dos Antigos Alunos
Entrevista a Martiniano Gonçalves
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Miguel Henrique Dias Sereno
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Do Colégio
A Estante de Honra
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque
Antigos alunos
em Destaque
José António de Magalhães Araújo Pinheiro (290/1966) No dia 29 de Março de 2012 (Dia do Especialista da Força Aérea Brasileira) teve lugar na Embaixada do Brasil, em Lisboa, a cerimónia da condecoração do Chefe do Estado Maior da Força Aérea Portuguesa, General José António de Magalhães Araújo Pinheiro, Antigo Aluno 290/1966, com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Aeronáutico do Brasil. Presidiu à cerimónia e impôs a condecoração o Embaixador Mário Vilalva na presença de altas individualidades militares e civis, de familiares, de amigos e de camaradas do homenageado.
© Foto Embaixada do Brasil - Cerimónia da condecoração
“ORDEM DO MÉRITO AERONÁUTICO A Ordem do Mérito Aeronáutico criada pelo Decreto-Lei nº 5.961, de 1º de novembro de 1943, se destina a premiar os militares da Aeronáutica Brasileira que tenham prestado notáveis serviços ao País ou se hajam distinguido no exercício de sua profissão, assim como para reconhecer assinalados serviços prestados à Aeronáutica por personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras e, ainda, por Organizações Militares e Instituições Civis, nacionais ou estrangeiras. A insígnia da ordem é uma cruz potenciada, separada, em esmalte branco e com bordas em ouro; entre os braços da cruz, as pás de um hélice também em ouro. No centro um disco azul com a inscrição MÉRITO AERONÁUTICO e
ao centro do disco o gládio alado da Aeronáutica. No reverso um disco semelhante com a insígnia nacional circundada pela legenda REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL nas mais antigas e REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL nas fabricadas a partir de 1971. A Ordem compreende os seguintes graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro. A Excelentíssima Senhora Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Vana Rousseff, Grã-Mestra da Ordem do Mérito Aeronáutico, houve por bem admitir no Corpo de Graduados Especiais da Ordem do Mérito Aeronáutico, no Grau de Grande Oficial, o General-Aviador José António de Magalhães Araújo Pinheiro, por haver prestado assinalados serviços à Aeronáutica Brasileira. Brasília, 23 de outubro de 2011”
Dos Antigos Alunos Assembleia Geral de 16 de Março de 2012
Assembleia Geral de
16 de Março de 2012 Nos termos do Artº 16 dos Estatutos, reuniu em 16 de Março de 2012 a Assembleia Geral Anual da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar com a seguinte Ordem de Trabalhos: 1. Apreciação e votação do Relatório e Contas do Exercício de 2011 2. Apreciação e votação do Orçamento para 2012 3. Eleição de novos membros (3) para o Conselho Supremo (nos termos do Artº 34 dos Estatutos) 4. Apreciação e deliberação sobre o convite dirigido à AAACM para participação na sociedade REDEME – Rede de Estudo e Apoio aos Estabelecimentos Militares de Ensino do Exército 5. Informações da Direcção A Assembleia reuniu às 18 horas em segunda convocatória por não se encontrar presente o quorum suficiente para deliberar validamente às 17h30. O Presidente da Assembleia, tendo verificado a regularidade da constituição da Assembleia, deu início aos trabalhos anunciando um período de 30 minutos para a discussão de assuntos a tratar antes da entrada na Ordem de Trabalhos. Questionada a Assembleia, verificou-se a não existência de qualquer assunto a tratar, pelo que foi posta à votação a aprovação da acta da Assembleia Geral anterior com dispensa da sua leitura, o que foi aprovado por unanimidade. Seguiu-se a apreciação e votação do Relatório e Contas do exercício de 2011, tendo o Presidente da Direcção
– António Reffóios – feito uma apresentação dos principais factos ocorridos em 2011, no que foi apoiado pelo Tesoureiro – Vítor Novais Gonçalves – na parte respeitante às contas do exercício, tendo-se seguido a aprovação por unanimidade do documento e dos votos de agradecimento e saudação nele propostos. De igual modo, o Orçamento para 2012 mereceu a aprovação unânime da Assembleia, tendo sido realçado o reforço da verba para acções de Solidariedade para 20 mil euros, facto possível pelo apoio financeiro dado pelos Antigos Alunos à constituição de um Fundo Específico para esta finalidade. Seguiu-se a votação da proposta conjunta do Conselho Supremo e da Direcção, para a eleição, que mereceu a aprovação da Assembleia, dos seguintes novos membros para o Conselho Supremo, em substituição de três Conselheiros Efectivos que passaram ao estatuto de Conselheiros Vitalícios: - José Eduardo Martinho Garcia Leandro – 94/1950 - Vasco Paulo Lynce de Faria – 21/1960 - Francisco Miguel Teixeira de Sousa Ferreira – 23/1972 Foram igualmente reconduzidos para um segundo mandato de 5 anos os seguintes Conselheiros Efectivos: - Manuel de Mendonça Tavares da Silva – 116/1950 - João Ribeiro da Fonseca Calixto – 314/1947
Seguiu-se a análise da proposta do Núcleo Impulsionador de Conferências da Cooperativa Militar (NICCM) recebida pela Direcção de participação da Associação numa sociedade em conjunto, entre outras, com as Associações de Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação dos Pupilos do Exército e do Instituto de Odivelas. O assunto foi largamente debatido, tendo-se concluído pela existência de sobreposição do objecto desta sociedade com o Objectivos Principais estatutários (Art.º 3º) da nossa Associação pelo que a Assembleia, concluiu, votando negativamente, a não adesão a este projecto. Finalmente, e a terminar a Assembleia, o Presidente da Direcção fez uma exposição sobre os trabalhos em curso na Associação e sobre as expectativas relativas aos trabalhos que se encontram, igualmente em curso, no âmbito das reformas que o Ministério da Defesa se propõe realizar no Colégio Militar, Instituto dos Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Segui-se um ZACATRAZ pelo Colégio tendo, pelas 21horas, o Presidente dado a Assembleia por encerrada.
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Dos Antigos Alunos Visita da AAACM ao Brasil
Visita da AAACM ao Brasil por ocasião das Comemorações 123º Aniversário do Colégio Militar do Rio de Janeiro N
o momento em que está em curso uma análise sobre o futuro dos EME por uma Comissão nomeada pelo Senhor Ministro de Defesa Nacional, considerou a Direcção da AAACM ser desejável e oportuno aprofundar o conhecimento sobre Colégios congéneres existentes em outros países, como forma de reforçar e complementar o contributo que a AAACM tem vindo a prestar ao Ministério da Defesa Nacional neste domínio. Dada a ligação antiga entre o nosso Colégio
serva, Senhor Comendador Coronel José Galaor Ribeiro, que presidiu durante dois mandatos à Direcção da Associação dos Antigos Alunos dos Colégios Militares do Brasil (AACM) e é também, desde o ano de 1995 Sócio Honorário da AAACM, a mesma foi acolhida com enorme entusiasmo por este grande Amigo de Portugal e do nosso Colégio Militar, que desde logo se prontificou a “ apadrinhar “ esta iniciativa junto dos mais altos responsáveis do Exército Brasileiro que tutelam os 12 Colégios
Condecoração do Aluno Coronel Comandante do Batalhão pelo Presidente da AAACM por amável deferência e a convite do Presidente da AACM do Brasil
Militar e os Colégios Militares do Brasil, em particular o Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) - bem expressa nas visitas realizadas, em diferentes ocasiões, nas últimas décadas, por Alunos destas duas Escolas - mas também, a relação de grande amizade existente entre a AAACM e a Associação dos Antigos Alunos dos Colégios Militares do Brasil (AACM), entendeu a Direcção da AAACM realizar uma visita ao Brasil com aquele objectivo. Partilhada a ideia com o ilustre Militar na Re-
Militares actualmente existentes no Brasil. E se assim se prontificou, melhor o fez! Por recomendação do Senhor Comendador Coronel Galaor Ribeiro, a Direcção da AAACM formalizou o pedido para a referida visita junto do Adido Militar do Brasil em Lisboa, Senhor Coronel Pitrez que, igualmente, e de forma muito eficaz, comunicou, no espaço de poucos dias, quer a autorização para aquele efeito, quer também a disponibilidade do Senhor General de Brigada Luis
António Silva dos Santos, responsável da Direcção de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA), estrutura que tutela todos os Colégios Militares do Brasil, em conceder uma audiência aos representantes da AAACM. Também por sugestão do Senhor Comendador Coronel Galaor Ribeiro, a viagem foi organizada por forma a que a comitiva da AAACM pudesse participar nas comemorações do 123º aniversário do CMRJ no Domingo, dia 6 de Maio. E a viagem não poderia ter tido melhor começo! Participámos numa celebração que decorreu durante a manhã, com a presença dos 2.400 Alunos e de mais cerca de 4.000 pessoas, entre Professores e outros Servidores do CMRJ, Familiares e Antigos Alunos dos diferentes Colégios Militares do Brasil. A cerimónia foi presidida pelo responsável pelo Departamento de Educação e Cultura do Exército, Senhor General de Exército Ueliton José Montezano Vaz, num ambiente de grande exaltação dos Antigos Alunos do Colégio e suas virtudes. Aos representantes dos Meninos da Luz presentes – António Reffóios (529/1963), Presidente da Direcção, José Banazol (631/1968), Vice-Presidente da Direcção, e Martiniano Gonçalves (9/1958 ), Membro do Conselho Supremo, estavam reservadas duas enormes manifestações de consideração e generosidade. Por iniciativa do Presidente da AACM do Brasil, Senhor Coronel na Reserva Fernando Pinto Duarte, coube ao António Reffóios a honra da imposição da Medalha Graça Couto de Aplicação e Estudo - Medalha inspirada no 1º Aluno Comandante de Batalhão, TC Aluno José Pereira Graça Couto em 1894 - que é atribuída pela AACM ao Aluno (a) que mais se distingue nos estudos, disciplina, valores éticos e morais e convívio com os companheiros, atribuída este ano ao Aluno Coronel Comandante do Batalhão. Posteriormente, foram os representantes dos Meninos da Luz convidados a acompanhar o Presidente da AACM, à frente de todos os demais Antigos Alunos, no desfile que tradicionalmente se segue.
Dos Antigos Alunos Visita da AAACM ao Brasil
O Comendador Coronel Engenheiro José Galaor Ribeiro com o Presidente e o Vice-Presidente da AAACM
Dois gestos carregados de simbolismo que nos honraram e comoveram a todos! Conforme o programa da visita, seguiu-se no dia 7 de Maio, 2ª feira, a audiência concedida pelo General de Brigada Silva dos Santos. Na ocasião, este Oficial General que tutela toda a “rede“ de CM do Brasil, teve a oportunidade de nos dar conta quer da Missão desta rede - Assistência à Família Militar através de uma estrutura capacitada para prestar um ensino com os mais elevados padrões de qualidade, ao dispor, preferencialmente, dos filhos de todos os servidores das Forças Armadas, a um custo altamente competitivo comparativamente às escolas privadas de reconhecido mérito - quer também sobre a Organização que tutela, dando particular destaque à excelência dos resultados escolares que, ano após ano, o sistema tem propiciado. De destacar que esta rede de Colégios Militares serve hoje cerca de 14.000 alunos, de ambos os sexos, em regime de externato, com predominância de filhos de militares. Devido à reconhecida excelência do ensino ministrado nos Colégios Militares do Brasil – de entre os cerca de 29.000 estabelecimentos do Ensino Fundamental (6º ao 12º Anos) existentes no Brasil, os 12 Colégios Militares encontram-se nos primeiros 300 no “ranking“ em termos de resultados académicos, sendo que um deles se encontra entre os 10 primeiros..! Por força desta comprovada e reconhecida qualidade de ensino e de preços de mercado muito competitivos, a procura é muito elevada, havendo normalmente cerca de cem can-
didaturas por cada vaga, o que permite naturalmente uma selecção de bons candidatos. Os Senhores General de Brigada Silva dos Santos e Coronel Zamith da DEPA acompanharam em seguida a comitiva da AAACM a uma visita ao Forte de S. João no Rio de
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Janeiro, onde está instalada a Escola de Capacitação Física do Exército e onde decorreu uma visita seguida de almoço, a convite do seu Comandante, Senhor General de Brigada José Eustáquio Nogueira Guimarães, que contou também com a presença de outros Oficiais Superiores da Escola. No dia 8 de Maio, 3ª feira decorreu a visita ao Colégio Militar do Rio de Janeiro, (CMRJ) onde a comitiva da AAACM foi recebida pelos Senhores Coronel Comandante, Coronel Sub-Comandante e demais oficiais do Comando. Na ocasião, o Coronel Sub-Comandante fez uma apresentação sobre a realidade da rede dos Colégios Militares do Brasil, e deteve-se naturalmente sobre o CMRJ. Posteriormente, seguiu-se uma visita às instalações do Colégio. Neste mesmo dia visitámos também as instalações da AACM que se encontram dentro do CMRJ, tendo sido recebidos pelo respectivo Presidente da Direcção que estava acompanhado por um conjunto de outros membros da respectiva Direcção. Reunião informal, de troca de informações, onde ficou bem patente a vontade de poderem retribuir a visita por ocasião das comemorações do próximo 3 de Março do CM em Lisboa. No dia 9 de Maio, 4ª feira, decorreu a visita
O Guião da AACM do Brasil abrindo o desfile com o Presidente da AACM, Antigos Alunos e os três membros da comitiva portuguesa
Desfile de Antigos Alunos na cerimónia das Comemorações
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Dos Antigos Alunos Visita da AAACM ao Brasil
Com o General Luís António Silva dos Santos, Director de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA)
ao Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF), uma cidade com cerca de 500 mil habitantes no Estado de Minas Gerais. Colégio recente, inaugurado em 1994. Instalações modernas e modulares, bem diferente do conjunto ar-
com a disponibilidade e simpatia que lhe são reconhecidas nos fez sentir em nossa casa, e a quem estamos, naturalmente, muito gratos! Regresso a Lisboa no dia 10 de Maio, com a confirmação da relevante missão dos Colégios
No CM de Juiz de Fora (Minas Gerais) com o Director do Colégio e o Coronel Zamith da DEPA que de forma inexcedível acompanhou a comitiva portuguesa durante toda a sua estadia no Brasil
quitectónico do CMRJ. Todavia, um modelo de funcionamento em tudo idêntico ao do CMRJ, com cerca de 880 Alunos. Fomos recebidos pelos Senhores Coronel Comandante, Coronel Sub-Comandante e demais membros do Comando. Participámos num almoço comemorativo onde, periodicamente, se celebram aniversários e promoções de civis e militares que servem o CMJF, almoço ao qual se seguiu uma prolongada visita às instalações. Durante todas estas visitas, a comitiva da AAACM contou sempre com a presença atenta e bem-disposta do Senhor Coronel Zamith, Oficial Superior da DEPA amavelmente destacado para este efeito. Durante a nossa permanência no Brasil contámos também, e muito especialmente, com a presença amiga do Sócio Honorário da AAACM, Senhor Comendador Coronel José Galaor Ribeiro que, com sacrifício pessoal mas sempre
Militares do Brasil no âmbito da assistência às famílias dos militares, mas também da sociedade em geral, através da oferta de um modelo assente em três pilares essenciais: a excelência do ensino, a prática desportiva e os valores da instituição militar como elemento estruturante essencial para a promoção da cidadania, em condições extremamente competitivas. Pese embora algumas diferenças substanciais decorrentes de se tratar de um modelo de externato misto, regressamos também com a convicção reforçada sobre alguns dos aspectos que refutamos essenciais introduzir ou alterar no actual modelo de funcionamento do nosso Colégio, nomeadamente: a existência de uma Direcção Pedagógica na dependência directa do Director do Colégio, com responsabilidades também no âmbito do apoio estruturado e profissionalizado aos alunos com dificuldades - recorrendo, sempre que necessário, a Oficiais na situação de reserva – e uma selecção criteriosa quer dos oficiais quer do corpo docente que prestam serviço nos colégios, aliada a uma autonomia administrativa e financeira. Por último, de destacar também o reconhecimento da Associação dos Antigos Alunos como parceiro privilegiado. Um abraço amigo de profunda gratidão a todos quantos no Brasil tornaram esta viagem possível e nos acolheram com tanta generosidade. Bem hajam! António Saraiva de Reffóios (529/1963) José de Ataíde Banazol (631/1968) Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)
Com o Sub-Comandante do CM do Rio de Janeiro e os Oficiais Superiores que receberam a comitiva Portuguesa
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e o Golfe
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Os Antigos Alunos e o Golfe A
prática do golfe, este maravilhoso jogo praticado pelos escoceses há alguns séculos e regulamentado desde o século XIX, está enraizada há muitas décadas entre os antigos alunos do Colégio Militar. Contudo, somente no princípio deste século é que começaram a organizar-se torneios e convívios golfísticos entre antigos alunos. Tudo começou com o Torneio Barretina no final de 2001 no Algarve, Tavira, aproveitando o Campo do Benamor da propriedade do Gonçalo Martins Dias (239/1972). O resultado foi um sucesso. O Torneio Barretina foi-se repetindo até 2005, no final de cada ano, para a reunião e convívio da família colegial golfista, com especial relevância no ano de 2003. Como seria óbvio pela época que se atravessava, o golfe também se associou às comemorações do Bicentenário do Colégio Militar e do Centenário da AAACM, tirando partido da mobilização e sucesso registados nos torneios realizados no Algarve. A proposta de realização de um torneio, extensível à família colegial e convidados, foi aceite pela Comissão das Comemorações, e resultou num enorme sucesso, pois o torneio, disputado mais uma vez em Tavira, mobilizou entre antigos alunos, familiares e convidados, mais de 200 pessoas. Não foi nada fácil à organização colocar todos os jogadores a jogar e a tempo do jantar de honra! Em Julho de 2002, revivendo duelos de outros tempos noutras modalidades mais exigentes fisicamente, disputou-se no Lisbon Sports Club o primeiro encontro entre os antigos alunos do CM e os antigos alunos do São João de Brito. As relações de amizades existentes entre os antigos alunos das duas instituições saíram reforçadas e impuseram a sua repetição nos anos subsequentes, sempre com enorme sucesso e cada vez maior mobilização dos antigos alunos do Colégio Militar. Tornou-se basicamente uma tradição a realização deste encontro. Dos sete encontros disputados até à data, incluindo o realizado no passado mês de Outubro de 2011 no campo do Ribagolfe, o Colégio Militar venceu seis. Neste último Encontro que ganhámos, tínhamos na equipa golfistas que tinham andado no Colégio Militar desde os anos quarenta, José Caeiro (41/1949) capitão de equipa, até aos anos noventa, numa demonstração como o golfe atravessa gerações bem distintas de Meninos da Luz. No ano de 2011, tentando recuperar a mística dos Torneios Barretina, decidimo-nos pela criação, conjuntamente com a AAACM, da Taça Teixeira Rebelo. Este troféu, a manter pela AAACM, disputa-se anualmente em data próxima do 3 de Março para celebração do aniversário do Colégio Militar entre antigos alunos. Em 2011 os vencedores foram o Carlos Pardal (100/1947) em Net e o Henri-
que Catarino (155/1969) em Gross. Já em 2012 o vencedor Net foi o Francisco Balula Cid (152/1985) e o João Boaventura (17/1954) em Gross. Em qualquer dos casos o mais importante foi o convívio no almoço e nos greens entre muitas gerações de antigos alunos. Em 2013 a Taça Teixeira Rebelo disputar-se-á novamente numa data próxima do 3 de Março. Só têm que marcar na agenda.
Carlos Pardal (100/1947), Vasco Rocha Vieira (127/1950), Carlos Teixeira da Silva (34/1956) e José Caeiro (41/1949)
José Nogueira (125/1957), Victor Ferreira (576/1961), o Aluno Comandante do Batalhão 2010/11 (306/2005), João Boaventura (17/1954) e o Mário Roncon (333/1955)
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Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e o Golfe
Já mais recentemente, em 2007, um grupo de antigos alunos, entrados em meados dos anos 80 para o Colégio Militar, que se estavam a iniciar na modalidade, resolveram começar a organizar convívios golfistas. O sucesso foi tão grande, tanto a nível do convívio (almoços) como da adesão de mais jogadores, que pouco tempo depois decidiam-se pela criação da Ordem de Mérito Cor-de-Pinhão (OM-CP) para aumentar a frequência dos torneios e dar um maior enquadramento golfista aos convívios.
João Silveira Machado (187/1985), Pedro Cortés (125/1985), José Caeiro (41/1949) e Pedro Fernandes (3/1982)
Noutra área completamente distinta, mas muito importante para o desenvolvimento dos alunos e progresso da modalidade, a Direcção do Colégio Militar lançou o desafio: criação de um campo de minigolfe no Colégio. Responderam ao desafio o Mário Roncon (333/1955) e o Ricardo Roncon (226/1981), elaborando os projectos de engenharia para a futura Academia de Golfe do Colégio Militar, aguardando-se agora a criação das condições necessárias para que a obra se possa fazer. Uma planta do que se pretende construir é apresentada em seguida. Reconhecem-se o João Santos (263/1951). Pedro Fernandes (3/1982), Paulo Martins de Almeida (150/1983), Fernando Castelo (138/1983), António Filipe (33/1985), Ricardo Floriano (194/1989), Joaquim Pinheiro (633/1968), Henrique Catarino (155/1969), Rodrigo Albuquerque (6/1983), Luís Lopes dos Santos (21/1966), Pedro Cortés (125/1985), Luís Gião (165/1985), Alexandre Cardoso (492/1985) e o João Santos (244/1989)
Assim sendo, desde o ano de 2008 que se disputa regularmente a OM-CP, tendo cerca de 10 torneios ao longo do ano civil para definição do Campeão anual. Para a organização da Ordem é escolhido anualmente um Alto Comissariado que define as regras das competições, prepara o calendário e os campos onde os torneios são disputados, para além de tratar da logística específica de cada evento. Os campeões em 2011, grandes mestres da regularidade de resultados, foram o Rafael Veloso (423/1989) em Net e o Henrique Catarino (155/1969) em Gross. Parabéns aos campeões. No final dos anos civis tem vindo a ser disputada a Bebes Cup, torneio em honra do Pedro Cortés (125/1985) a viver em Macau e que somente no Natal pode participar nos torneios da OM-CP. Em 2011 a Bebes Cup transformou-se na Bebes Solidarity Cup e passou a funcionar como mais um veículo de recolha de fundos para a AAACM – Fundo de Solidariedade. O torneio foi disputado no dia 17 de Dezembro na modalidade de pares e contou com 32 participantes entre antigos alunos e convidados. O torneio foi muito disputado e acabou sendo ganho pela dupla composta pelo Pedro Fernandes (3/1982) e João Silveira Machado (187/1985), mas mais importante que isso foi o facto de termos conseguido reunir 1.585 euros para o Fundo Solidariedade da AAACM.
Fica ainda a nota que o Carlos Pardal (100/1947) e o José Caeiro (41/1949) foram membros da equipa portuguesa que se sagrou em 2010 campeã europeia de Senior Master Amateur, capitaneada pelo Carlos Pardal, e que no ano de 2011 foram apurados 6 antigos alunos para a Final Nacional do Campeonato de Empresas, Expresso BPI, disputado entre 19 e 20 de Novembro de 2011 na Ilha Terceira, Açores. O mais feliz acabou por ser o Pedro Castanheira (459/1985), que, classificando-se em terceiro lugar com a equipa Longshot, foi apurado para a Finalíssima Nacional a disputar no mês de Abril em St. Andrews, na catedral do golfe mundial. Desejamos-lhe as maiores felicidades para o torneio, que sendo naquele local só pode ser inolvidável.
Dos Antigos Alunos Os Antigos Alunos e o Golfe
Pedro Castanheira (459/1985), Afonso Lopes (237/1976), João Silveira Machado (187/1985), Alexandra Costa, José Sabbo (11/1973), Nuno Monge (101/1974) e José Dias (414/1983)
Esperamos que mais jogadores de golfe antigos alunos possam aderir aos torneios da OM-CP e participar nos encontros e torneios que vão sendo realizados no âmbito da AAACM, aumentando o nível da competição e a confraternização entre todos. Identificados como jogadores de golfe somos para cima de 100, mas muitos há que ainda não participaram nos torneios que organizamos, eventualmente por desconhecimento. Os contactos são golfe-cor-pinhao@yahoogroups.com e cordepinhao@gmail. com, bem como o site da OM-CP (http://sites.google.com/site/ golfecordepinhao) e o blog golfecordepinhao.blogspot.com. São todos bem-vindos.
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Para terminar não posso deixar de reproduzir aqui as palavras do Luís Soares de Oliveira (137/1939), decano antigo aluno jogador de golfe, na sequência da celebração da nossa primeira vitória sobre o São João de Brito em 2002, e que expressa na plenitude o que se vive no golfe: “Soberba ocasião para gozar aquilo que representa a eterna beleza do Desporto ou seja, a vitória do espírito sobre a matéria. A matéria, no caso, é aquela bolinha pequena e caprichosa que nós procuramos fazer voar gloriosamente pelos ares para, no final, a enterrarmos ingloriamente numa cova. Quando conseguimos fazê-lo, no tempo e forma exigida, experimentamos a sensação sublime de que somos nós – e não a Natureza – quem decide o destino das coisas. É uma ilusão momentânea. Todos sabemos disso. Mas, afinal, o que não é ilusão? E esta tem por si o ser maravilhosa. Quem não a experimentou ainda tem que o viver.” Quem ainda não experimentou, aceite o conselho e experimente! Depois não se esqueçam todos de nos contactar e envolver-se na dinâmica de reunião e convívio que o golfe está a propiciar a antigos alunos de todas as idades. Afonso Correia Lopes 237/1976
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
Entrevista conduzida por Martiniano Gonçalves (9/1958)
Entrevista a
Martiniano Gonçalves (9/1958) Martiniano Nunes Gonçalves, nasceu em Lisboa em 1948 e entrou para o Colégio em 1958 onde lhe foi atribuído o número 9. Terminou o Curso Colegial em 1965, ano em que foi Comandante da 4ª Companhia de Alunos. De 1965 a 1971 frequentou o Instituto Superior Técnico onde se licenciou em Engenharia Mecânica, tendo nos dois últimos anos sido Monitor de cadeiras do Curso de Engenharia Mecânica. Foi Regente na Universidade de Lourenço Marques (Engenharia Mecânica) e, em Lisboa, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Gestão e Administração de Empresas). Cumpriu o serviço Militar na Marinha onde permaneceu três anos, período em que continuou, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, o Curso de Economia iniciado em Moçambique. Desenvolveu a sua actividade empresarial como investidor, gestor e consultor em Portugal em áreas diversificadas que vão da arquitectura e engenharia aos serviços financeiros, capital de risco, saúde, comércio, publicidade e indústria, tendo, no estrangeiro, nomeadamente em França, Suíça, Bulgária e Moçambique, investido em capital de risco, fusões e aquisições, recuperação de empresas industriais e, recentemente, na criação de uma plataforma empresarial na Suíça para investimentos na Ásia e Europa de Leste. É actualmente Administrador Delegado de um grupo (serviços e indústria) com filiais na Suíça, Espanha, Inglaterra e Grécia. Na Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar desempenhou o cargo de Tesoureiro (2005-2007) e de Presidente da Direcção (20082010), sendo actualmente membro do Conselho Supremo. No Colégio, pela sua prestação literária e física durante os sete anos que aí permaneceu, foi condecorado com 9 medalhas de ouro e 5 de prata. Em 2010 foi agraciado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador (Duque de Caxias)
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
ZacatraZ - Gostava de começar por te pôr algumas questões relacionadas com a tua passagem pelo Colégio e a tua vida profissional. Como encaras, mais de 50 anos após entrares para o Colégio, o período que lá viveste? Foste um bom aluno e um dos mais medalhados de sempre. Em que é que isso te marcou? Martiniano Gonçalves - Foram 7 anos de grande felicidade vividos num ambiente de grande liberdade com amigos que me ficaram para toda a vida; encontramo-nos, às vezes sem nos vermos há algumas dezenas de anos, e é como se tivéssemos estado a conversar no dia anterior na camarata antes (ou depois) do toque de silêncio: as conversas continuam com a mesma naturalidade com que foram começadas 50 anos antes. Ter sido um bom aluno foi qualquer coisa que foi acontecendo, não foi uma obsessão ou sequer uma preocupação: talvez me tenha gerado a ideia de que a vida se pode levar para a frente desde que se queira e se cumpram algumas regras. As medalhas talvez tenham criado, no subconsciente do adolescente que era, a convicção que me acompanhou para o resto da vida de que aquilo que se faz bem feito tem retorno: naquelas idades e naquele contexto, as medalhas eram uma das medidas desta verdade. O sistema como funcionava em termos educativos criou-me hábitos de trabalho sem ter que ser um “marrão”. O Colégio, pela grande qualidade e dedicação dos professores e oficiais que lá estavam, pela organização que tinha e desde que nela nos enquadrássemos, ensinava, no seu dia-a-dia, que era possível, além de estudar, fazer muitas coisas ao mesmo tempo com sucesso: praticar muitas modalidades desportivas, ginástica, hipismo, …, namorar, fazer malandrices, “cavanços”, ajudar o próximo – Conferência de S. Vicente de Paulo que desapareceu!!! – etc.,. Isto, seguramente, muito contribuiu para o tipo de organização pessoal e autodisciplina que, sem esforço, assimilei. Outro aspecto relevante do sistema era a competição sã em que estávamos permanentemente envolvidos, sem atropelos e com respeito total uns pelos outros: éra-
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recreios, depois do jantar nos Gerais, em tudo o que era um bocadinho de tempo livre: ficou-me, para a minha vida profissional, a prática da competição de forma leal e a noção de que o sucesso se consegue sem prejudicar o parceiro do lado. E como pano de fundo, gerou em mim grande respeito e adesão aos princípios de grande nobreza da Instituição Militar; pena é que não saiba mostrar ao país tudo o que faz de bem feito...mas isso é outra conversa...
mos levados a superar-nos nas ginásticas, nos campeonatos de tudo e mais alguma coisa, desde o ping-pong ao futebol, entre turmas, entre anos, entre pequenos grupos que informalmente se juntavam para competir e assim se distraíam nos
O Colégio, pela grande qualidade e dedicação dos professores e oficiais e pela organização que tinha, ensinava que era possível, além de estudar, fazer muitas coisas ao mesmo tempo com sucesso…
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
ZacatraZ - Lembras-te de alguns acontecimentos de que guardas memória? Martiniano Gonçalves - Só me lembro das coisas boas..., aliás, não havia coisas menos boas...! (risos). Estou a lembrar-me de algumas e também de acontecimentos externos ao Colégio que tiveram incidência na nossa vida de alunos. Lembro-me da “malta” no banho a gritar “mais quente, mais quente, mais quente” e a refilarmos com o Artur (Servente) que para nós era o responsável por a água não aquecer à temperatura que queríamos, das sabatinas na camarata nos “5 Estudos”
…gerou em mim grande respeito e adesão aos princípios de grande nobreza da Instituição Militar… para o Exame do 5º ano (hoje 9º) sobre as capitais dos países africanos, das manteigas do pequeno almoço que guardávamos por baixo dos cantos das mesas do Refeitório para comermos com pão ao almoço, da gritaria “primeiros para a repetição”, da “mocada” no 1º de Dezembro, dos “velhões” do 4º pelotão da 4ª com o Barrete para trás a marcharem com passo lento, … do Presidente da República na Abertura das Aulas (o que deixou de acontecer...), dos meus graduados quando fui “Rata” que para mim eram uns tipos enormes que já tinham barba, de ter que coser um botão do blusão no dia seguinte a ter entrado no Colégio utilizando aquela grande instituição que era o “Pequeno Equipamento” com agulhas, carrinhos de linhas, botões e outras coisas mais, da “malta”, no inverno, a apanhar sol no intervalo das aulas nas varandas (que hoje já não existem) dos Claustros, da invasão da Índia e do início da guerra em Angola (Pais de Alunos e Oficiais do Colégio mobilizados...), das idas ver o Benfica nos Campeões Europeus, “cavar” para ir ver o Holiday on Ice ao Coliseu, dos treinos para o “3 de Março” com o Simões (Capitão) e mais tarde o Afonso (Capitão) a marchar até ao Campo Grande, das patru-
…aquela grande instituição que era o “Pequeno Equipamento” com agulhas, carrinhos de linhas, botões e outras coisas mais... lhas, da classe especial de ginástica e um grande “estoiro” que dei no 7º ano nos preparativos para a Festa Final em que o Dario (Professor), mercê da sua intervenção, – uma autentica placagem que me fez! - terá impedido que para além de um braço e de uma vértebra me partisse todo num salto de mini-trampolim, da greve da fome no meu 4º ano que está agora a fazer 50 anos (o Batalhão todo sem comer durante uma semana, o silêncio no Refeitório, e o apoio
dos mais velhos aos mais novos com o que se arranjava por fora para eles comerem às escondidas), etc. E, de forma muito sentida e agradecida, lembro-me daqueles Professores e Oficiais que além de nos ensinarem matemática, português, etc., tinham um enorme carinho por nós, e dos Moca, Abílio, Miranda, Carranço, Ramalho – esses grandes Homens! - e muitos outros que eram nossos companheiros na nossa intensa vida fora das aulas, e que, hoje, o regime da subcontratação ao exterior de grande parte dos serviços de apoio ao Colégio, fez desaparecer. É uma perda inestimável! É uma parte importante do seu património que o Colégio perdeu! Queres que continue? São memórias sem fim! ZacatraZ - Ficamos por aqui. Como ocorreu a tua transição para a faculdade após a saída do Colégio?
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
Martiniano Gonçalves - Entrei no Técnico com algum excesso de confiança que acabou logo em Dezembro na primeira frequência de Geometria Descritiva: tive um 4 (até então apenas tinha tido uma negativa no 4º ano do Colégio em... Religião e Moral porque num ponto em que se perguntava se um ateu podia ser moral defendi que sim... e o professor, o Capelão, não achou graça à heresia) o que me permitiu “acordar”. A seguir a este episódio voltei ao ritmo do Colégio: estudava todos os dias um bocadinho e não estudava especialmente para os exames. Na restante vida do dia-a-dia nada mudou: continuei a dar-me com os amigos e amigas como sempre me dei, nunca senti aquela “verdade” de que o internato limitava o convívio e gerava traumas, ... admito que seja verdade nalguns casos, mas nunca me senti diminuído ou menos normal por ter estado interno, nem penso que isso tenha afectado as pessoas com quem convivi (família, amigos, ...). E continuei feliz, a viver com alegria como tinha vivido no Colégio, não obstante me ter faltado o tempo para fazer todas aqueles extras de que muito gostava e que o Colégio nos proporciona sem darmos por isso, sem esforço: a ginástica, a equitação, as competições, etc. ZacatraZ - A tua vida profissional foi muito variada logo desde o início. A que se deve? Como começou, e porque não seguiste a carreira militar? Martiniano Gonçalves - Ficou-me, do Colégio, o hábito de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e de sermos capazes de as compatibilizar: aquela disciplina e aquele horário muito cheio fomentavam este tipo de capacidade e organização pessoal. No penúltimo ano do Técnico comecei a trabalhar numa empresa e fui Monitor de Engenharia Mecânica, e quando me formei fui para Moçambique onde regi umas disciplinas do curso de Engenharia Mecânica e fiz o 1º ano de Economia. Durante os 3 anos de serviço militar, que fiz em Lisboa na Marinha, fui Assistente da Faculdade (ISCTE), continuei o curso de Economia em Económicas (ISCEF, hoje ISEG), trabalhava na empresa francesa a que fiquei ligado 20 anos e … jogava acti-
CANDIDO GOMES ALVES (O MOCA)
vamente na Bolsa... com dinheiro emprestado... não posso dizer por quem... (risos) podes dizer que eu não escrevo... não escrevo...
Este hábito de estar, em simultâneo, em várias frentes foi depois muito desenvolvido nos 5 anos em que vivi em França trabalhando numa empresa em que a formação generalista que as nossas escolas nos davam foi muito útil, pelo que, no meu caso, foi aproveitada e intensificada quer através da gestão em simultâneo de negócios e empresas em diversos países e culturas (os choques petrolíferos tinham gerado novos países subdesenvolvidos ricos que necessitavam de infra-estruturas)
E, de forma muito sentida e agradecida, lembro-me dos Moca, Abílio, Miranda, Carranço, Ramalho – esses grandes Homens!-que, hoje, o regime da subcontratação ao exterior de grande parte dos serviços de apoio ao Colégio, fez desaparecer. É uma perda inestimável! É uma parte importante do seu património que o Colégio perdeu!
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quer para intervenções em áreas que iam da Engenharia, à Finança, ao Direito Internacional, à Fiscalidade, etc.. Foram anos de grande intensidade profissional e abertura pessoal ao Mundo quando em Portugal se davam os primeiros passos do pós-25 de Abril, com a sociedade portuguesa, no meio de incertezas e perturbações, a procurar encontrar o seu caminho e iniciar a construção das suas instituições e das suas ligações ao exterior. Ainda hoje tenho dificuldade em dedicar-me exclusivamente a uma única actividade; a variedade distrai-me e funciona como um factor de equilíbrio impedindo o fastio da monotonia. E tive sempre atracção por situações com algum risco / desafio, de ver até onde era capaz de chegar; a ideia de um emprego para a vida foi qualquer coisa de que nunca gostei: foi, entre outras, uma das razões por que não segui a carreira militar e fugi de trabalhar em grandes empresas. Esperar que o tempo passe, dependendo de terceiros, para que se abra uma vaga para poder dar um passo em frente na via e realização profissional é, para mim, uma ideia muito desagradável: a antiguidade não pode ser um posto, não pode ser o factor que estabelece o poder hierárquico; é um princípio que entendo como parcialmente necessário por a maturidade aumentar com a idade, contribuindo, assim, para a estabilidade das organizações tradicionais, mas, se rigidamente aplicado - e é a tendência porque, independentemente das consequências a prazo, é mais cómodo e fácil gerir assim - contribui para o não aproveitamento das capacidades de cada um, gerando perdas para a sociedade e frustrações pessoais. As organizações têm que ser capazes de, permanentemente, não só se renovarem e reconstruírem, como estimularem os indivíduos a superar-se a si próprios: só assim as sociedades se enriquecem não apenas no
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
plano material mas, igualmente, nos planos cultural e humano; é indispensável extrair de cada um o máximo do que tenha para dar à sociedade: é uma questão moral. Mas, voltando à tua pergunta... Daí, o meu afastamento, logo desde cedo,
tar, já tinha dois filhos...): criar empresas, de preferência industriais, fazendo-o em plena liberdade de acordo com as nossas convicções e “à nossa maneira”, pô-las em velocidade de cruzeiro, sentir que o produto da nossa criação já anda por si, e
da ideia de ser militar, em boa parte por eu sentir a Instituição Militar como demasiado rígida e compartimentada, relativamente hermética, fechada sobre si própria, não obstante, naquela época, estar muito aberta e interactiva com a sociedade, uma vez que a guerra em África a isso obrigou. Compreendendo, no entanto, que no exercício da sua vocação, por exemplo em teatro de operações e noutras situações, essa rigidez e disciplina são factores críticos para garantir um tipo de resposta que, sem esse modelo de organização, não seria possível. Mas talvez que esse relativo fecho sobre si própria seja, em tempo de paz, uma das razões para uma certa incompreensão da Instituição Militar pela sociedade. Além disso, sempre quis viver mais do que de um ordenado fixo mensal, pelo que procurei sempre actividades complementares com características de negócios (não comércio nem especulação... a Bolsa ficou para trás... era apenas um complemento necessário do ordenado do serviço mili-
vendê-las, dá muita satisfação. E recomeçar de novo, em áreas sempre diferentes, ou recuperar empresas em dificuldades e dar-lhes vida nova, foram, também, actividades em que estive envolvido e que grande satisfação me deram. ZacatraZ - Mudando de tema. Falemos da Associação. Desde quando és sócio? O que motivou o teu envolvimento mais recente? Martiniano Gonçalves - Saí do Colégio em 1965 e fiz-me sócio em 1966. Depois de logo nos primeiros anos ter participado em iniciativas da Associação (classe de ginástica, equipa de voleibol, jantares dos cursos e pouco mais) como forma de continuar a encontrar e conviver com a “malta”, afastei-me de Portugal e seguiu-se uma longa “travessia do deserto” que só terminou há cerca de 10 anos. Sempre que estava em Portugal, mantive a ida à Avenida e ao Colégio nos “3 de Março”, mas pouco mais fiz que isso. Penso que é o percurso mais comum entre
os Antigos Alunos (AA): a vida afasta-nos e só mais tarde, quando as preocupações com a educação dos filhos começam a desaparecer, as suas vidas encaminhadas, e alguma estabilidade material e profissional já foi conseguida, voltamos a “lembrar-nos” do Colégio e a aproximar-nos. Já não me lembro como e porquê aproximei-me do Tavares da Silva (116/1950) quando ele era Presidente da Direcção (ele não me conhecia nem eu a ele) e acompanhei do exterior o último ano do seu mandato tendo colaborado nalguns estudos com vista à revisão dos Estatutos de 1995 o que acabou por só acontecer no mandato em que fui Presidente da Direcção. Creio que houve três razões principais para me aproximar recentemente da Associação: a primeira por motivos estritamente emocionais: voltar a estar perto e satisfazer a saudade do Colégio - um microcosmo único! - em que fui feliz; depois, por imperativo cívico, pois considero que podendo organizar a vida pessoal para o fazer, temos a obrigação de compensar a sociedade pelo que ela nos deu de bom; o Colégio está, em grande parte, na base do que sou e sinto-me satisfeito com a vida; e, finalmente - e aqui existe algum interesseirismo - porque senti na Associação uma oportunidade para ter grande satisfação pelo tamanho do desafio, contribuindo para a transformar de uma estrutura pouco activa, antiquada, cinzenta, numa organização, viva e mobilizadora, com um enorme potencial de bem fazer no quadro da nobreza da sua missão estatutária: o apoio ao Colégio - o que é muito difícil de exercer! - e a prática da solidariedade entre os AA que, na conjuntura económi-
Há muitos AA, de todas as idades, em situações psicológica e materialmente muito críticas: há casos de fome, de desemprego pontual e continuado, de doença grave sem apoio…
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
ca e social em que estamos, é uma tarefa muito pesada que exige imaginação, dedicação e rompimento com acções tradicionais para satisfação das necessidades. Há muitos AA, de todas as idades, em situações psicológica e materialmente muito críticas: há casos de fome, de desemprego pontual e continuado, de doença grave sem apoio, etc. ZacatraZ - Manifestas um grande interesse pela comunidade dos Antigos Alunos, o que te levou a fazeres as duas edições do “Quem é Quem”. Porquê essa motivação?
ções para que as relações entre nós, AA, fossem facilitadas. Dar a conhecer a todos nós quem somos, onde estamos, o que fazemos, como nos contactarmos é satisfazer uma necessidade elementar: foi a origem do “Meninos da Luz – Quem é Quem”. A primeira edição de 2006 identificava as profissões e os contactos de 1960 AA, a de 2008 já chegou a 3.138; no âmbito das pesquisas efectuadas, foi, também, possível determinar que estamos vivos cerca de 5.000 e que cerca de 12.000 passaram pelo Colégio desde 1803, o que nos dá a dimensão, quando feita a comparação
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3.500 AA levando ao seu conhecimento situações precárias de camaradas nossos, aumenta, forçosamente, o grau de eficiência das soluções.
… estamos vivos cerca de 5.000 ... cerca de 12.000 passaram pelo Colégio desde 1803,… Mas não basta disponibilizar a informação no “Quem é Quem”, no Site, na Revista, etc.: é necessário promovê-la junto da nossa comunidade. Essa é, também, uma das missões da Associação: manter viva a chama da acção e a mobilização para o apoio ao Colégio e para a prática da solidariedade entre nós.
Martiniano Gonçalves - O “produto” do Colégio somos nós, os AA. O Colégio só tem sentido se produzir gente com características estruturantes da sociedade. Individual e separadamente não teremos tanta eficácia em termos de intervenção e de certos tipos de contributo para o país, como se o fizermos de forma organizada. Vejo a Associação como muito mais do que “um clube” onde se juntam alguns saudosistas que fazem uns jantares para reviverem o passado e os amigos; tem que ser uma organização aberta virada para o universo dos AA, contribuindo, de forma organizada, para todos eles e para a sociedade. Pelo que, era indispensável criar as condi-
O “produto” do Colégio somos nós, os AA. O Colégio só tem sentido se produzir gente com características estruturantes da sociedade.
com os outros estabelecimentos de ensino, do que somos e da densidade de grandes portugueses com contributo de relevo para Portugal que foram educados no Colégio; o livro posteriormente editado “O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa” é disso a evidência. Outra razão mais concreta foi criar condições para que a solidariedade pudesse ser exercida mais eficazmente. Ter os meios, como já acontece desde a segunda edição, para contactar através de e-mail
ZacatraZ - Ainda sobre as Bases de Dados de Antigos Alunos. Em que sentido pensas que devem evoluir? Martiniano Gonçalves - Estou inteiramente de acordo com as duas frentes definidas pela actual Direcção para o seu mandato. Por um lado, disponibilizá-las no site da Associação a fim de viabilizar um acesso mais fácil e a sua actualização em contínuo pelos próprios, protegendo o seu acesso e respeitando a privacidade dos envolvidos: existem meios técnicos para o fazer com segurança. Por outro, enriquecendo e alargando o seu conteúdo, registando para cada Anti-
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
go Aluno elementos diversos e curriculares como, por exemplo, se é filho de AA ou de militar, se pertence a famílias com muitos AA identificando-as, se representou Portugal e em que circunstâncias, se esteve ou está ligado à vida política, etc,. Estou a trabalhar nalgumas destas áreas, e aproveito para deixar aqui o convite a quem queira associar-se desde que esteja decidido a trabalhar com continuidade. ZacatraZ - O que mais marcou a tua passagem pelas duas Direcções da Associação? Quais as suas principais realizações?
... foi grande a honra e satisfação de, durante 6 anos, ter colaborado, em cumplicidade extrema, com duas extraordinárias equipas de trabalho, em que as únicas razões que determinaram as nossas decisões foram a Associação e o Colégio.
Martiniano Gonçalves - No plano pessoal, foi grande a honra e satisfação de, durante 6 anos, ter colaborado, em cumplicidade extrema, com duas extraordinárias equipas de trabalho, em que as únicas razões que determinaram as nossas decisões foram a Associação e o Colégio. Foi, igualmente, um período de grande envolvimento afectivo de todos nós com o Colégio de que resultou uma dedicação inexcedível às suas causas. Relativamente aos trabalhos realizados, a mudança das instalações da Marquês de Abrantes para o Largo da Luz abriu um novo horizonte para a nossa acção. Eu sintetizaria as principais acções em quatro grupos. No plano institucional distingo a Revisão
dos Estatutos, a assinatura do Protocolo com o Exército Português que institucionaliza a relação da Associação com o Colégio, a criação da sociedade PM34, Lda, integralmente pertencente à Associação o que permitiu optimizar a sua gestão, a saída definitiva dos militares do Quartel da Formação, o grande aumento do número de sócios e a visita do Presidente da República à nossa Sede. Relativamente a aspectos patrimoniais, o facto de em 2002 a concessão do Quartel da Formação pelo Ministério da Defesa ter sido alterada para 36 anos, ao mesmo tempo que transferiu para nós o elevadíssimo encargo da sua conservação, veio viabilizar a gestão daquele património
Direcção da AAACM no triénio 2008/2010
numa perspectiva com outra dimensão: já reconstruímos uma parte dos edifícios onde instalámos a nova Sede em que inaugurámos uma réplica do busto do Marechal Teixeira Rebello que se encontra no Colégio e foram realizadas obras e alocadas instalações com outros horizontes temporais (Posto de Transformação e nova rede eléctrica própria, Lar das Antigas Alunas de Odivelas, Teatro, Restaurante, ...). Ainda no plano patrimonial, registámos as marcas “Menino da Luz”, “Zacatraz” e “Barretina” como propriedade da Associação, adquirimos um Manuscrito do Marechal Teixeira Rebello de 1799 em que a força do seu carácter está bem patente, realizámos o projecto de arquitectura de remodelação do edifício principal do Quar-
No plano institucional distingo a assinatura do Protocolo com o Exército Português que institucionaliza a relação da Associação com o Colégio, … tel, já aprovado pelo IGESPAR, com base na volumetria anterior ao terramoto de 1755 o que, preservando inteiramente a sua traça, lhe confere uma nova dimensão estética e económica, bem como os projectos de arquitectura para a recuperação da área das antigas oficinas, tendo, ainda, no plano financeiro reforçado a solidez da Associação. Nas relações com o Colégio, estivemos na primeira linha de fogo, com intervenções públicas, nos ataques que foram feitos ao Colégio em diversas ocasiões nos órgãos de comunicação, tivemos uma boa relação de colaboração com o Director General Raul Passos, existindo, no entanto, um enorme potencial de capacidades e competências da Associação ainda não aproveitado, iniciámos a fase mais recente – agora intensamente prosseguida e ampliada pela actual Direcção da Associação – de colaboração no processo em curso das suas reformas, e no plano da relação com os Alunos e Famílias partici-
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
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...destaco o grande passo em frente dado pela actual Direcção (da Associação) com a criação de um Fundo destinado exclusivamente a estas acções (de Solidariedade) a que a “malta” acorreu generosamente.
pámos na formação de Graduados, lançámos sessões de orientação profissional para os finalistas e participámos desde a primeira vez, em conjunto com o Colégio, na Recepção aos Pais do Ratas. Finalmente, a relação com os AA, aspecto fundamental para a viabilização da nossa missão. A criação de uma Newsletter periódica, a reformulação do Site e da Revista com o novo nome “ZacatraZ”, os livros editados “Meninos da Luz - Quem é Quem”, “O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa”, “Para Lá do Colégio Militar uma Associação Centenária”, “Os Ratas”, foram factores que nos permitiram uma maior ligação com os AA. Destaco ainda a criação dos “Prémios Barretina”, a realização de diversos eventos com particular relevo para o lançamento do “Jantar Anual da Associação”, a “Homenagem aos Atletas Olímpicos”, a “Comemoração dos 50 Anos da Escolta a Cavalo”, no plano do desporto a criação de uma “Sala
...estivemos (a Associação) na primeira linha de fogo, com intervenções públicas, nos ataques que foram feitos ao Colégio em diversas ocasiões nos órgãos de comunicação, …
d’Armas” (a maior do país!) com resultados assinaláveis no panorama da Esgrima nacional e onde os Alunos do Colégio têm a possibilidade de treinar e competir com atletas mais evoluídos, o desenvolvimento dado ao Pentatlo Moderno em que atletas femininas em representação da Associação têm tido elevado desempenho, etc. As crises que já referi e este conjunto de iniciativas contribuíram fortemente para a grande mobilização dos AA que se manifestou em torno da defesa pública do Colégio, na participação nas jornadas de reflexão, em que se debateram e definiram as linhas mestras do documento “Vamos Apoiar o Colégio” e no contributo para a reformulação das acções de solidariedade agora nas vertentes de criação de empregos e no reforço de valores que passou a ser possível afectar anualmente ao apoio de AA necessitados. Neste aspecto destaco o grande passo em frente dado pela actual Direcção com a criação de um Fundo destinado exclusivamente a estas acções a que a “malta” acorreu generosamente. ZacatraZ - Num dos teus discursos no “3 de Março” referiste-te também ao nosso “número” no Colégio. Que importância lhe atribuis? Martiniano Gonçalves - O número é aquilo que liga antecessores e sucessores ao longo das gerações de Meninos da Luz.
Os AA não promovem reuniões e encontros entre os Silvas, os Fonsecas ou os Antónios. Nas visitas que todos os anos os Cursos e a Velha Guarda fazem ao Colégio, os AA não procuram e não se reúnem com os Alunos que têm o mesmo nome ou o mesmo apelido que o seu, mas com os que têm o mesmo número: o elo moral e afectivo “ Antecessor – Sucessor “ é uma realidade que marca fortemente a nossa comunidade e que não pode, por novas práticas, ser destruído ou diluído. A pergunta que fazemos uns aos outros quando não nos conhecemos na rua, e é a Barretina na lapela que nos diz que nos estamos a cruzar com um Aluno ou um AA, é quase sempre a mesma : “Qual é o teu número ? Qual o teu ano de entrada ?” É importante que, em particular os Professores, e ainda os Militares e Civis que servem no Colégio e os próprios Alunos, mantenham o número bem vivo utilizando-o preferencialmente em vez do nome. Já ouvi dizer que tratar pelo número contribui para desumanizar ou despersonalizar. Os símbolos têm que ser entendidos em toda a sua dimensão racional, ética, estética e afectiva, e contextualizados em termos culturais. Sem prejuízo do tratamento entre Alunos pela alcunha, tratar pelo número é uma forma de não diferenciar pelo apelido mais conhecido ou mais sonante, do rico ou do pobre, do africano ou do europeu; é, seguramente, a forma mais democrática e igualitária de relacionamento no dia-a-dia.
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
O número é aquilo que liga antecessores e sucessores ao longo das gerações de Meninos da Luz. A pergunta que fazemos uns aos outros quando não nos conhecemos na rua, e é a Barretina na lapela que nos diz que nos estamos a cruzar com um Aluno ou um AA, é quase sempre a mesma : “Qual é o teu número ? Qual o teu ano de entrada ?” ZacatraZ - Mudemos de tema: como vês o Colégio de hoje? Martiniano Gonçalves - O Colégio é sempre um tema complexo: nenhum outro colégio tem, na sua História e na dos seus AA, a expressão e a notoriedade na sociedade que o Colégio tem; e é complexo, também, pelo facto de ser uma unidade militar e não deixar de ser uma instituição pública que está no mercado do ensino onde não concorre com os liceus mas com os colégios privados. Além de que, a sociedade e nós próprios – AA - exigimos do Colégio muito mais eficiência e contributo para Portugal do que de qualquer liceu ou colégio. Isto levanta questões de gestão importantes e complexas, o que, nos dias de hoje, exige competências que a estrutura / regimento do Colégio não prevê e que, portanto, não tem. Eu não sei comandar uma unidade militar e não sou menos por isso; do mesmo modo que um militar não será competente em todas as áreas da gestão de uma instituição militar que está num mercado cuja vida é regulada, também - e em grande parte - por regras que são ditadas por técnicas e experiências que a formação militar não inclui! Os militares têm no seu ADN a humildade perante o sucesso o que admiro e louvo; não são educados para fazer o marketing
das suas actividades, dos seus resultados, de tudo o que têm de positivo, mas as regras do jogo no mercado do ensino são outras: quem não se mostra não existe, quem não comunica convenientemente não dá a conhecer os seus méritos... isto é tão evidente! E o Colégio, queiramos ou não, está inserido num contexto de mercado, é um ”produto” que a sociedade consome, ... ou então deixemos de falar que temos poucos Alunos, que a sociedade não conhece o Colégio, que os próprios militares não conhecem o Colégio, como se tem constatado nos últimos anos através de inquéritos e sondagens que a Associação promoveu, de artigos que gente que não sabe do que fala escreve em órgãos de comunicação, etc., e não se pense que basta fazer umas publicidades ou pôr uns outdoors virados para a 2ª circular para resolver necessidades de
… a sociedade e nós próprios – AA -exigimos do Colégio muito mais eficiência e contributo para Portugal do que de qualquer liceu ou colégio. comunicação e promoção da imagem: não se pode cair na simplificação de confundir comunicação com publicidade! São necessárias competências específicas no tratamento destas questões: não bastam boas vontades; hoje, no Colégio, tem que haver profissionalismo em todas as frentes da gestão – e a comunicação é uma das frentes com enorme importância - numa instituição como aquela onde se trata de educação com as responsabilidades históricas, presentes e futuras que tem na nossa sociedade. Não é retórica: subscrevo integralmente as recentes palavras do Ministro da Defesa Nacional
Os militares têm no seu ADN a humildade perante o sucesso o que admiro e louvo; …
quando diz que Portugal precisa do “produto” do Colégio: os seus AA. Estás a ser crítico sobre a forma como o Colégio é gerido nesta vertente da comunicação... Estou, e ao dizer isto estou de boa-fé convencido de que, pondo-a em causa, estou a dar um contributo positivo para essa área da gestão do Colégio. O timbre negativo que é hoje atribuído às palavras “internato” e “militar” exige uma comunicação estruturada e honesta que não se compadece, na gestão do Colégio, com acções pontuais resultantes de boas vontades ou do jeito de A ou B para “estas coisas”.
E o Colégio, queiramos ou não, está inserido num contexto de mercado, é um ”produto” que a sociedade consome … Não se trata de descobrir nada, mas, também, não se pense que basta copiar o que outros fazem. De qualquer modo, veja-se o que – de forma profissionalizada – se faz nalguns bons colégios privados com as “jornadas portas abertas” no final de cada trimestre e em ocasiões específicas (e.g. quando abrem inscrições para o ano seguinte) em que os Directores recebem e mostram às famílias e aos potenciais “clientes” - os pais de futuros Alunos - as instalações, os trabalhos dos Alunos, a organização e funcionamento, os meios em geral de que dispõem, as suas necessidades e recursos e os seus sucessos.Nesta área da projecção ao exterior, a Associação durante dois anos mobilizou, suportando os custos dos transportes, escolas primárias para visitarem o Colégio o que teve consequências positivas no aumento das candidaturas e da selecção nas admissões. No primeiro ano (2005) foram enviadas 696 cartas para escolas públicas de Lisboa com um resumo informativo sobre o Colégio, contactaram-se directamente para visitas ao Colégio 77 escolas primárias de que resultaram 21 visitas que envolveram 483 Alunos. Verificou-se que 48,3% dos rapazes se manifestaram espontaneamente
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
O timbre negativo que é hoje atribuído às palavras “internato” e “militar” exige uma comunicação estruturada e honesta … interessados no Colégio e que destes 19% tornaram a visitar o Colégio para obter mais informação ou proceder à candidatura. No ano seguinte foram 69 as escolas contactadas resultando em 17 visitas ao Colégio num total de 573 Alunos. Outras iniciativas de apresentação pública do Colégio tiveram igualmente origem na Associação: lembro um período de 3 semanas em que o Colégio esteve presente no Almada Forum com AA e Mães de Alunos – Mães que alcunhámos de “Mães Contentes” por estarem satisfeitas com a educação que o Colégio ministrava aos seus filhos - que estiveram “de serviço” prestando informações a quem passava e mostrava curiosidade pelo Colégio. Foi uma iniciativa que continuou em anos seguintes, nomeadamente no Centro Comercial Colombo e no Oeiras Parque, tendo depois passado por um período em que o impacto positivo sobre o Colégio diminuiu uma vez que passou a ser um evento conjunto com os Pupilos e Odivelas, tendo voltado recentemente a ser feito em separado pelo Colégio. Por outro lado, o Colégio tem condições únicas para, de forma sistemática e natural, mostrar à sociedade as suas capacidades únicas: basta abrir as portas à cidade e permitir a utilização das suas instalações para as mais diversas práticas. Não se entende a existência de meios subaproveitados como os campos para a prática de desporto, desde natação, futebol, hipismo, rugby, etc. que são utilizados em percentagem mínima (apenas pelos Alunos) do tempo em que estão disponíveis. Já não falo na eventual utilização de salas de estudo para Alunos externos e outras actividades mais ligadas ao ensino escolar que a sociedade hoje reclama e de que necessita. Argumentos como a falta de pessoal para o fazer não são admissíveis. A Associação
prontificou-se a colaborar assumindo responsabilidades contratuais sem qualquer benefício material para si – pelo contrário, com eventual proveito para o Colégio -, de forma a viabilizar a utilização deste enorme património pela sociedade... mas este potencial de generosidade e competências nunca foi aproveitado pelo Colégio em toda a dimensão que seria possível. A Associação tem, ainda, disponibilizado por diversas vezes AA profissionais especialistas em comunicação para colaboração nestas áreas, mas apenas, uma ou outra vez, houve utilizações pontuais e não acções sistematizadas e com continuidade, quando é sabido que acções deste tipo têm que ser estrategicamente organizadas, com finalidades concretas e desempenho monitorizado. ZacatraZ - Falaste em internato. O que pensas do internato no Colégio? Martiniano Gonçalves - O internato concorre fortemente para desenvolver aspectos da personalidade como a aproximação e a tolerância, o trabalho em conjunto, a maturidade e a responsabilidade, a amizade e a solidariedade, além de que permite um horário diário comprido o que favorece a organização pessoal, o aumento do ritmo e da capacidade de trabalho e da concentração dos Alunos. Como em tudo, existem aspectos negativos, mas não é por acaso que nos Estados
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Unidos e no Reino Unido se volta ao regime de internato para a formação de elites logo a partir da adolescência. Não posso, no entanto, deixar de notar que o que constitui o internato no Colégio são 3 das 7 noites por semana que lá são dormidas (trata-se mais de um semi-internato do que de um internato!), o que não é suficiente para que esta questão deixe de ser apontada, por muita gente – talvez desconhecedora ou mal informada -, como um factor negativo. Mas o Colégio existe para servir o país, devendo, portanto, adequar-se às necessidades sentidas pela sociedade, pelo que deve contemplar a existência de Alunos externos, reorganizando o seu sistema de enquadramento e formação dos Alunos de forma a não serem perdidos os aspectos positivos do internato. Continuo, no entanto, a acreditar que o rendimento máximo em matéria de formação dos Alunos é conseguido no regime de semi-internato actual com algumas pequenas adaptações. ZacatraZ - Fala-se muito das reformas necessárias e a Associação no teu mandato deu um enorme contributo para uma proposta de reformas a levar a cabo. Como se chegou a esse documento e que importância tem para o processo de reforma do Colégio? Martiniano Gonçalves - O documento que sob a designação “Vamos apoiar o Colégio” é o principal pilar das propostas de reformas do Colégio que desde 2010 a Associação vem propondo às tutelas política e militar, vem na sequência de um conjunto de acções de AA e de algumas Direcções da Associação no mesmo sentido, mas realço, desde já, o reforço e a solidez que, em termos estratégicos, a actual Direcção da Associação tem dado com a sua participação neste processo. Fazendo um pouco de história, em 2001 três AA dos quais dois estão há alguns anos na Direcção da Associação e um no Conselho Supremo, preocupados com a diminuição do número de candidaturas ao Colégio, promoveram a realização de um estudo de mercado de que resultou um documento designado “Abordagem ao reposicionamento estratégico da Ins-
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
O internato concorre fortemente para desenvolver aspectos da personalidade como a aproximação e a tolerância, o trabalho em conjunto, a maturidade e a responsabilidade, a amizade e a solidariedade, … tituição” contendo índices comparativos com escolas privadas, estudos de mensalidades, análises sobre a origem familiar dos Alunos, etc., que esteve na base de uma reunião com a Secretaria de Estado do Ministério da Defesa. A mesma equipa continuou o trabalho colhendo ideias e opiniões em reuniões com a Direcção do Colégio, Oficiais e Professores, com as Direcções de colégios privados, auscultações a familiares de Alunos, AA e militares com filhos no Colégio e produziu em Junho de 2003 novo documento com 50 páginas fortemente ilustradas com as análises realizadas, que abordou, com caracter muito concreto e aplicado à realidade da vida do Colégio, questões estratégicas em novos encontros com a Direcção, Corpo Docente e Oficiais do Colégio, Associação
de Pais e também com organismos da tutela entre os quais a Secretaria de Estado da Defesa (16/6/2003). Em articulação com este estudo foi realizado no Colégio um conjunto de jornadas sobre temas de educação, com participação de oradores da sociedade civil muito qualificados nas diferentes matérias. Em 2006, novo documento de iniciativa da Direcção da Associação - “O Colégio Militar como instrumento estratégico nacional” - foi submetido à apreciação de diversas individualidades de prestígio nacional tendo sido objecto de pareceres favoráveis em toda a sua extensão que muito contribuíram para a consolidação do pensamento estratégico que está na base dos fundamentos das nossas actuais propostas. Nele são identificadas cinco dimensões em que o Colégio Militar acrescenta valor estratégico à oferta educativa em Portugal: Valor estratégico no quadro do Sis-
“Vamos apoiar o Colégio” é o principal pilar das propostas de reformas do Colégio que desde 2010 a Associação vem propondo às tutelas política e militar, … tema Educativo, onde materializa alguns dos conceitos estruturantes a que o sistema educativo deve dar resposta; Valor estratégico no quadro da política de Defesa, na sua intersecção com a Educação; Valor estratégico no quadro da competitividade, obtendo bons resultados na preparação de líderes e profissionais diferenciados, estruturantes da vida económica, social, cultural e política; Valor estratégico no quadro da Instituição Militar, onde os Alunos do Colégio são um universo de recrutamento privilegiado, e os AA são diferenciados quanto ao conhecimento que têm da Instituição Militar; Valor estratégico no quadro da Lusofonia, apoiando a resposta dos Países Lusófonos ao desafio educativo global, suportada por uma verdadeira rede de valores.
E considera-se que a realização da dimensão estratégica do Colégio implica redefinições no quadro institucional vigente e que, em qualquer quadro, será necessário manter as características essenciais da instituição, cultivar a qualidade educativa e valorizar os patrimónios, num ambiente de competição no mercado educativo. Em síntese, conclui-se que os eixos de um programa de acção para a mudança incluirão o enquadramento institucional, o financiamento, o modelo de gestão e também a definição dos próprios limites da mudança, concluindo-se que a análise destes eixos na sua intersecção com as cinco dimensões estratégicas identificadas, constitui a matriz adequada à consolidação do processo de reforma, e que o modelo de gestão decorrerá em grande medida do valor relativo que for atribuído a cada uma das cinco dimensões estratégicas, mas, principalmente, do imperativo de uma gestão eficaz num ambiente de competição. Mas “Vamos apoiar o Colégio” sendo o pilar principal da acção não esgota o tema. Outras propostas foram, igualmente, nos últimos 4 anos entregues aos poderes político e militar e à Comissão encarregue pelo Ministro da Defesa Nacional de analisar a situação actual dos Estabelecimentos Militares de Ensino. Refiro-me a outro conjunto de documentos que trata temas como “Formação para a Liderança e Enquadramento de Graduados”, “Organização e Director Pedagógico”, “Medidas Urgentes (Dez 2010)”,
…cinco dimensões em que o Colégio Militar acrescenta valor estratégico à oferta educativa em Portugal: no quadro do Sistema Educativo, no quadro da política de Defesa, na sua intersecção com a Educação; no quadro da competitividade, no quadro da Instituição Militar, no quadro da Lusofonia, …
Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
vidades complementares, instalações pedagógicas e equipamentos do Colégio, valores cívicos e humanistas (Pátria, dever, servir, responsabilidade, coragem, disciplina, ...), potencialidades do Colégio para constituir um estabelecimento piloto nos domínios formativo e pedagógico, .... Instrução Primária,... prioridade no acesso às Academias Militares..., revisão do sistema de mensalidades para os Militares, etc.
“Educação – Raparigas vs Rapazes”, a par de diversos Memorandos com elementos comparativos com outras instituições e análises sobre o funcionamento interno, autonomia pedagógica e curricular e para o recrutamento do Corpo Docente, acti-
… os eixos de um programa de acção para a mudança incluirão o enquadramento institucional, o financiamento, o modelo de gestão e também a definição dos próprios limites da mudança, concluindo-se que a análise destes eixos na sua intersecção com as cinco dimensões estratégicas identificadas, constitui a matriz adequada à consolidação do processo de reforma, …
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resistências internas e incapacidades pessoais, emperra e não produz resultados. Educar jovens é uma missão nobre para ser desempenhada pelos melhores! No limite, uma má reforma com bons executantes é, provavelmente, preferível a uma boa reforma com maus executantes ou com falta de condições para a executarem. Neste aspecto, a questão mais importante é quem e com que espírito de missão,
O Colégio precisa de reformas em que se dê um sinal claro da sua importância para o país. O Colégio tem que ser um tema com uma elevada prioridade para os poderes político e militar, tal como o foi no passado, o que, simbolicamente, se traduziu em o Estandarte Nacional do Colégio ser o mais condecorado de todas as unidades militares; este facto é disso uma evidência e uma consequência ; e coerentemente, a escolha de oficiais para o Colégio tem que ser um reflexo desse grau de prioridade. Realço, ainda, no “Vamos apoiar o Colégio”, o aspecto fundamental que adquire a autonomia administrativa e financeira como elemento condicionante de uma gestão eficiente e sustentável do Colégio no quadro de qualquer reforma que venha a fazer-se. ZacatraZ - Como pensas que devem ser implementadas as reformas? Martiniano Gonçalves - O Colégio precisa de reformas em que se dê um sinal claro da sua importância para o país. O Colégio tem que ser um tema com uma elevada prioridade para os poderes político e militar, tal como o foi no passado, o que, simbolicamente, se traduziu em o Estandarte Nacional do Colégio ser o mais condecorado de todas as unidades militares; este facto é disso uma evidência e uma consequência; e coerentemente, a escolha de oficiais para o Colégio tem que ser um reflexo desse grau de prioridade. Por outro lado, tenho um grande receio de que venha a passar-se com as reformas e sua implementação o que se passa com a Justiça em Portugal: legisla-se, diz-se que as leis que temos são boas, mas a sua aplicação, por conservadorismos, vícios,
abertura e autonomia as vai dirigir e implementar. A sua escolha não pode ser feita por escala segundo critérios meramente administrativos. Aí vamos ter dificuldades: tem que haver uma ruptura com a actual cultura dominante. É necessária continuidade num processo deste tipo, não é possível fazê-lo com militares e civis que entram para o Colégio, estão lá um ano a conhecer a Casa, e ao fim de mais um ano, se não for antes, são deslocados para outra instituição ou unidade militar: forçosamente que uma Casa onde valores intangíveis com mais de dois séculos persistem não é facilmente assimilável nas suas dimensões mais importantes – a cultural e a moral – por quem tem a responsabilidade de a dirigir ou enquadrar em todos os níveis da hierarquia, pelo que a selecção e a continuidade da permanência são factores críticos numa fase de implementação de mudanças. Daí que a Associação tenha sugerido nos documentos que entregou às tutelas a utilização, por exemplo, mais intensa de oficiais na situação de Reserva. Preocupa-me esta questão das pessoas: quem vai para o Colégio, com que abertura de espírito, com que cultura, capacida-
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Martiniano Gonçalves
É necessária continuidade num processo deste tipo, não é possível fazê-lo com militares e civis que entram para o Colégio, estão lá um ano a conhecer a Casa, e ao fim de mais um ano, se não for antes, são deslocados para outra instituição ou unidade militar… de de liderança, tipo de inteligência, e em que medida a sua estadia pode ser menos interessante para o prosseguimento da sua carreira militar ou profissional... Não culpo os que lá estão; há no Colégio pessoas com enorme capacidade e generosidade e outras que não entendem onde estão, mas a culpa não é delas: é do sistema que viabilizou a sua escolha e viabiliza a sua permanência. No mínimo a reforma tem que contemplar este aspecto da selecção e gestão das pessoas: é uma condição ”sine qua non”. E a resposta estará na percepção que os poderes político e militar tenham da complexidade do problema e das soluções que encontrem para o resolver. Não quero pôr em causa a vontade, mas fica-me o receio e a dúvida de que, no meio de tantos problemas existentes no país e nas Forças Armadas, seja atribuída ao tema a prioridade necessária. ZacatraZ - O MDN falou de internacionalização do Colégio . O que pensas sobre isto? Martiniano Gonçalves - Faz-me todo o sentido o que o Ministro diz, e suponho que nas sua palavras estarão implícitas duas formas de internacionalização, qualquer delas no âmbito dos países de língua oficial portuguesa. A globalização concorre para a perda da identidade das nações pelo que os laços culturais entre povos adquirem uma maior importância no seu relacionamento e na
… há no Colégio pessoas com enorme capacidade e generosidade e outras que não entendem onde estão,… formação de massa crítica que lhes dê peso na cena internacional e na defesa dos seus interesses directos: a língua, a História, a cultura em geral são meios de revitalização e consolidação das relações, por vezes adormecidas ou mais distantes, entre os povos. Trazer Alunos dos PALOP para o Colégio é
trabalhos recentes em que estivemos envolvidos, temos em todas os antigos territórios portugueses AA, com intervenção relevante nas sociedades locais, desejosos de colaborar em projectos deste tipo. Mas outra frente poderá encontrar-se em ligações a estabelecer com Colégios Militares de outros países europeus (Itália por exemplo), ou com os Colégios Militares do Brasil - país com uma palavra importantíssima na cena mundial nas próximas décadas – com a institucionalização, por exemplo, de programas inspirados no modelo “Erasmus” ... O que é, igualmente, importante é que esta perspectiva de internacionalização que agora ouvimos, concorra para a formação dos nossos Alunos “abrindo-os” ao Mundo desde cedo e enquanto “bebem” o
Trazer Alunos dos PALOP para o Colégio é uma forma inteligente e barata de, em países com parte da sua História em comum com a nossa, criar elites que catalisarão as relações com Portugal … … levar até esses países o “know how” da criação e desenvolvimento de um Colégio Militar local ... vai no mesmo sentido.. uma forma inteligente e barata de, em países com parte da sua História em comum com a nossa, criar elites que catalisarão as relações com Portugal quando voltarem para os seus países: é apostar no futuro com pequenos investimentos no presente. De igual modo, levar até esses países o “know how” da criação e desenvolvimento de um Colégio Militar local segundo os princípios e o modelo actualizado do nosso Colégio Militar vai no mesmo sentido. Aí está um “produto” que Portugal pode exportar com sucesso. De tal maneira estou de acordo com esta perspectiva, que já uns anos antes de a ideia ter sido expressa publicamente pelo Ministro, a Direcção da Associação a que presidi teve iniciativas destes dois tipos com alguns países de expressão oficial portuguesa. Assim haja vontade política para o fazer, e tenho a convicção de que a nossa Associação de Antigos Alunos poderá constituir uma enorme mais-valia nestes processos: para além da experiência já adquirida nos
Código de Honra nos anos de permanência no Colégio, e que esta política de abertura e de intercâmbio de experiências e relações com os colégios de outros países seja mais um factor a contribuir positivamente para o posicionamento de Portugal nas suas relações com esses países.
Dos Antigos Alunos Entrevista a Miguel Henrique Dias Sereno
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Entrevista conduzida por João Carlos Agostinho Alves (110/1996)
Entrevista a
Miguel Henrique Dias Sereno (331/1988)
Miguel Maat
Miguel Henrique Dias Sereno, entrou para o Colégio em 1988, com o número 331. Saiu em 1996, tendo sido Comandante da 3ª Companhia no 8º ano. Ingressou na Academia Militar onde concluiu o curso de Engenharia Militar. Actualmente encontra-se a prestar serviço na Escola Prática de Engenharia em Tancos, com a patente de Capitão. A sua paixão pela música levou a que nunca abandonasse o desejo de ter uma carreira musical, tendo sucesso já verificado e é uma amostra promissora de um futuro que se antevê e se deseja brilhante. Nesta sua faceta usa o nome artístico de Miguel Maat.
ZacatraZ - Entraste para o Colégio em 1988. Quais foram as razões que levaram a que te tornasses um “Menino da Luz”? Miguel Maat - O meu pai Pára-quedista da Velha Guarda e minha mãe Enfermeira colocaram-me no CM. Nunca fui pressionado a ficar, sendo que no limite o “contrato” foi ficar 1 ano à experiência e depois decidiria por mim. E assim foi … optei por ficar neste lugar de seculares tradições e particulares emoções. ZacatraZ - Quais são as coisas que recordas da tua vivência colegial?
Miguel Henrique Dias Sereno (331/1988) está na 1ª fila e é o 3º a contar da esquerda
Miguel Maat - Recordo muitos momentos, embora com maior precisão possa enumerar: Os primeiros tempos de adaptação e os primeiros amigos; O ensino exigente, o estímulo dos professores, dos Graduados e dos Oficiais; O apoio dos mais antigos nos momentos de dificuldade e as acções correctivas face a desvios no comportamento do meu curso; O lema “Um por Todos e Todos por Um” e tudo o que significa para o bem e para o mal; O «Spelliking», a «Mocada», a «Noite dos
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Dos Antigos Alunos Entrevista a Miguel Henrique Dias Sereno
Fantasmas», o «Despeneiranço» e todas as outras tradições seculares; A educação cívica, moral e o Código de Honra; A fantástica experiência de ser Graduado “Comandante da 1ª Companhia de Alunos” e a oportunidade de contribuir para a formação inicial dos “Ratas” de uma forma tão envolvente que justificou os 7 anos anteriores de esforço e dedicação.
de antigos alunos que segue a carreira militar vinha já a diminuir. O que te levou a ver esta como uma boa escolha?
Engenheiros Civis Portugueses, criada em 1869 e que os seus fundadores foram três Engenheiros Militares?
Miguel Maat - Embora tenha entrado no Instituto Superior Técnico em Engenharia Mecânica a minha opção sempre foi Engenharia Militar, muito por “culpa” de meu pai, que conviveu lado a lado com a Escola Prática de Engenharia em Tancos e me foi explican-
ZacatraZ - Quais foram as funções que já tiveste de desempenhar? Qual foi a que mais te marcou?
Manuel Henrique Dias Sereno (331/1988) Capitão de Engenharia no Líbano e num momento da sua faceta artística musical
ZacatraZ - Actualmente, a música tem um papel importante na tua vida. Nos teus tempos de Colégio, já era algo a que dedicavas muita atenção ou era mais um passatempo? Como foi o despertar da tua vocação musical? Miguel Maat - Desde sempre mantive uma forte ligação à música. A minha mãe iniciou-me no órgão electrónico logo desde os 5 anos. No CM pertenci ao Orfeão durante todos os 8 anos, primeiro como «soprano» e posteriormente como «baixo». Aos 12 anos, na camarata do 4º ano, ao ver um dos graduados tocar viola interessei-me desde logo pelo instrumento e comecei a tentar dar os primeiros acordes. Posteriormente pertenci durante alguns anos à Banda Rock que actuava em Juntas de freguesia e Escolas. ZacatraZ - Quando terminaste o Colégio, ingressaste na Academia Militar. Isto aconteceu numa altura em que o número
do as áreas de actividade desta arma. Curiosamente voltei ao IST no fim do curso para terminar a licenciatura em Engenharia Civil, integrado no curso de Engenharia Militar. Aproveito para referir uma curiosidade… sabias que a actual Ordem dos Engenheiros, resultou da anterior Associação dos
Miguel Maat - Na Escola Prática de Engenharia desempenhei as funções de Comandante do Pelotão de Apoios Flutuantes da Companhia de Pontes, Comandante da Companhia de Defesa Nuclear Biológica e Química, Comandante da Companhia de Comando e Serviços e Chefe do Centro de Construções, entre outras. Ao nível de Forças constituídas em Forças Nacionais Destacadas, estive integrado na Unidade de Engenharia 8/FND/UNIFIL no Líbano durante o ano de 2010, onde desempenhei a função de Oficial de Recursos e Comandante do Destacamento de Apoio de Serviços, tendo sido esta função aquela que mais me marcou, quer pela intensidade e pelo afastamento da família, quer pelo crescimento pessoal e profissional que proporcionou. ZacatraZ - E a tua carreira musical, foi uma coisa que sempre desejaste perseguir ou foi algo que se proporcionou? Miguel Maat - Sempre desejei fazê-lo! Acho que ainda durante o CM pensei nisso! Após ingressar na Academia Militar em 1996 integrei a existente Banda Rock, que
Dos Antigos Alunos Entrevista a Miguel Henrique Dias Sereno
actuava essencialmente em festas de cariz interno e em intercâmbios culturais com as outras Academias (Naval e da Força Aérea). Ainda durante esse período juntei-me a um projecto musical da Escola Superior de Polícia, actual ISCPSI, a convite do Pedro Fortes do meu curso do CM. Findo o curso e tendo sido colocado na
Miguel Maat - Sim. Aquando a procura de eventuais editoras interessadas no projecto, apercebi-me que, no conceito da música “Indie Rock” surgida nos EUA e Inglaterra na década de 80, também eu pretendia manter a capacidade para organizar a minha própria agenda e não estar sujeito às exigências de uma editora convencional.
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rante o 1º trimestre do ano de 2012 não haveria concertos, por força de ter sido pai pela 2ª vez em Janeiro. A minha agente “Sílvia Balancho” e a sua equipa da «Bemditas - Criadores Culturais» estão em fase de alinhamento de espectáculos, para a partir de Abril poder começar a actuar em diversas salas de espectáculos do país. ZacatraZ - Como concilias a tua vida profissional com a vida artística e familiar?
Escola Prática de Engenharia em Tancos, afastei-me dos restantes elementos das diversas bandas. Foi o momento para formar o Conjunto Musical “Impressão Tua” e começar a tocar em bares e festas privadas acompanhado pelo meu grande amigo Hugo Cruz. Mais tarde a minha mulher juntou-se ao projecto como vocalista. Somente em 2010 é que surgiram as condições necessárias para poder avançar com o projecto de originais. Pode-se dizer que este álbum de originais foi o culminar e o início de um projecto de vida! ZacatraZ - Lançaste recentemente o teu álbum. Como foi recebido? Miguel Maat - A crítica foi muito favorável e incidiu principalmente na dinâmica em palco, assim como nas emoções transmitidas pela musicalidade e intensidade das canções ao vivo. ZacatraZ - O teu álbum é uma edição de autor. Existe alguma razão que te tivesse levado a optar por esta abordagem?
ZacatraZ - Dizes que o álbum foi parcialmente gravado em 2010. Mas em 2010 estavas no Líbano, como foi isso possível? Miguel Maat - É verdade! Após ter conhecido o João Madeira, produtor da maioria dos temas, começámos os ensaios para definir a estrutura dos mesmos. Findo este trabalho, em meados de 2010, fui para o Líbano, estando já o trabalho de pós produção entregue ao Nani Teixeira. Como os solos de saxofone e de guitarra não tinham ficado integralmente definidos, foi graças à Internet que foram delineados e trabalhados. Em 2011, após regressar, decidi introduzir uma canção que compus aquando a presença no Líbano, surgindo o tema “No meu Peito” com produção do Nani e participação especial do guitarrista Gonçalo Pereira. ZacatraZ - Como é que tem sido a tua agenda em termos de espectáculos? Miguel Maat - Dezembro de 2011 foi o mês de lançamento. Foi definido que du-
Miguel Maat - É complexo! Mas torna-se simples, quando a retaguarda familiar é estável. É uma questão de priorizar os acontecimentos e definir a importância relativa dos mesmos. Sendo militar tenho sempre de ter presente que em qualquer momento, como já sucedeu diversas vezes, posso ser chamado para exercícios, reuniões e outras actividades, à noite, ou durante o fim-de-semana. Assim, quando pretendo assegurar um compromisso tenho impreterivelmente de marcar férias. Muito importante é estar presente na vida dos meus filhos e sempre que possível dar tudo de mim à vida familiar. ZacatraZ - Quais são os teus planos para o futuro? Miguel Maat - Diversos a variados níveis. Ao nível musical, 2012 será o ano de divulgação do álbum “No silêncio dos teus olhos”. Pretendo partilhar com todos os que quiserem e puderem vir aos concertos as minhas canções, incluindo novos e poderosos temas, contribuindo e integrando a divulgação do nosso património musical, enaltecendo a nossa língua e exultando os nossos autores. Sempre em Português! Orgulhosamente em Português!
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos Comemoram o 3 de Março
Antigos Alunos
Comemoram o 3 de Março
3 de Março no Algarve S
ubordinado ao lema “ não venhas ao Algarve só de férias ou fim-de-semana, vem também para a almoçarada do 3 de Março” foi no dia 10 - o Sábado seguinte ao “três” como é hábito – juntaram-se ao pessoal residente no Reino dos Algarves muitos outros, vindos do Reino de Portugal (João Sabbo 17/1967, António Reffóios 529/1963, Martiniano Gonçalves 9/1958, Nuno Matos Silva 91/1961, Pedro Garrido 53/1961, Zé Banazol 631/1968, Menezes 423/1955, Abreu Novais 406/1961 e outros ainda) para celebrar a amizade, o convívio e a efeméride. Foi no restaurante Mussiene, junto a S. Bartolomeu de Messines, na estrada para o Algoz; logo ali à saída da auto-estrada, 40 km a sul da fronteira e de fácil acesso para os “de fora”. E foi em ambiente jocoso e bem-disposto que nos juntámos cinquentas e tais (e para o ano seremos mais…). Os méritos da organização deste ano vão para o Francisco Antunes 422/1955 (com “olho para a escolha do local e a gestão da logística”), para o Joaquim Palleta Marreiros 403/1965 - que testou e acompanhou a confecção do “amarelo” - tudo com o apoio moral e logístico do Pedro Quaresma 213/1964 e do Maná 78/1967 (que persistiu nos contactos, com a colaboração do Almeida Pires 492/1969 e de outros) e que, como era inevitável, nos presenteou com discursata à sua maneira e bem a seu gosto, em palco improvisado em cima duma cadeira, para deleite de todos. O Reffóios aproveitou a ocasião para falar sobre a situação actual da Associação e do Colégio. O Trindade 424/1955, ausente às mãos de odontologista, fez chegar saudações e o ausente e saudoso “simpático”, o Marinho Falcão 334/1954 não faltou à chamada, apesar de já ido. Esteve lá, no espírito de todos os presentes. O programa findou com um trio improvisado de viola, violino e flauta (Nuno Matos Silva 91/1961, João Cardeira da Silva 156/1967 e João Sabbo 17/1967, seguindo-se um tocante dueto, também de improviso, do violino em diálogo com a flauta. Enlevado na emoção subtil e sublime do duo, o João Sabbo acabou por não chegar a tempo a Lisboa, para acompanhar o coro na missa das seis da tarde.
Talvez pelas circunstâncias da despedida, não houve lugar a saídas extemporâneas para locais menos próprios (quem quiser que enfie a carapuça…) e cada qual voltou, parece, ao remanso do lar, mais satisfeito e consolado pelo ambiente de camaradagem e amizade que prevaleceu durante todo o repasto. “Sont allez, tous, à sa santé” Resumindo: este ano foi excelente. No próximo, será melhor certamente. E pr’a frente é que é o caminho!... Nota final: O “Amarelo de Carne” foi unanimemente considerado candidato ás 5 estelas do guia Michelin. O cozinheiro foi industriado pelo Joaquim Palleta Marreiros (403/1965) e o “escolhedor” do local foi o Francisco Antunes (422/1955). Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva 133/1961
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos Comemoram o 3 de Março
Bissau 3 de Março de 2011 Pelo seu significado, regista-se esta comemoração ocorrida há mais de um ano.
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proxima-se o 3 de Março, data em que as delegações da nossa Associação espalhadas pelo mundo celebram a fundação da Instituição que tivemos o orgulho e privilégio de frequentar. Não posso nem devo por isso passar por alto e não dar conhecimento que o dia 3 de Março de 2011 também foi celebrado em Bissau (Guiné) onde tive a oportunidade de encontrar, quando de uma missão de trabalho que me manteve naquelas paragens durante 14 meses, o Antigo Aluno Ismael Fati (139/1994), que daquele país é natural e aí reside. Os dois jantámos em Bissau no restaurante “A Padeira Africana” e mesmo sem o tradicional amarelo de carne tivemos oportunidade de brindar com um Zacatraz. Simbolicamente “criámos” a delegação da AAACM na Guiné-Bissau e tive oportunidade de o exortar para que de futuro se junte ao Luís Sanca (349/1994), que também ali reside e posteriormente vim a conhecer.
Aqui fica a fotografia que registou o acontecimento.
Carlos Manuel Mendes Caramês 42/1959
3 de Março em Londres D
ecorria já a última 5ª feira de Fevereiro quando finalmente tive a confirmação que tanto desejava: vou conseguir ir ao 3 de Março!!! Apressei-me a reservar os vôos e, com a hora de almoço concluída (prática muito pouco habitual pelo Reino Unido mas a qual vou conseguindo manter com relativo sucesso), foi com um misto de alívio e enorme satisfação que projectei mentalmente o reencontro com a “malta” Colegial e todos os momentos de saudoso convivio que iria certamente ter. Não seria a primeira vez que teria deslocações profissionais a impossibilitar-me de estar presente num aniversário do CM mas, estando a residir em Londres desde meados do ano passado, não teria nem o “prémio de consolação” ao participar num qualquer evento com os restantes companheiros de Curso, fora das datas das cerimónias oficiais. Já em plena contagem decrescente para a viagem a Lisboa, em troca de mails através de mailing-list Colegial, apercebi-me que estariam por Londres / Reino Unido um número bastante razoável (e crescente) de Antigos Alunos. Em jeito de plano de contingência (nunca se sabe quando poderá surgir novo fenómeno natural, qual vulcão Eyjafjallajökull, a limitar o tráfego aéreo), decidi lançar o desafio de organizarmos um jantar de Antigos Alunos em Londres, em data que ainda permitisse celebrar formalmente o 209º aniversário do CM. Recorrendo a todas as fontes e meios que me ocorreram (bases de dados “Quem é Quem II” e www.exalunoscm.com; mailing-
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos Comemoram o 3 de Março
-list colegio-militar@yahoogroups.com; grupos CM no Facebook e LinkedIn; AAACM – obrigado Miguel! – e no tradicional “passa a palavra”...), reuni contactos de aproximadamente 20 Antigos Alunos com registo de actividade recente em terras britânicas, dos quais 15 se confirmaram correctos e activos. Foi assim que tivemos 8 confirmações para o jantar que realizámos no passado dia 24 de Março no centro de Londres, resultando num convívo de muita cordialidade e bom humor, com representação de 7 Cursos & 3 Gerações Colegiais e com o incontornável registo fotográfico para a posteridade: 64/1983 Nuno Miguel Berrones Gomes Cristina da Silva 154/1983 André Dias Alves Correia 329/1985 João Gonçalo Leal Bravo da Costa 376/1986 Nuno Gabriel Barbosa Amado Lopes da Silva 200/1987 Tiago Simões Baleizão
428/1994 João Pedro Pascoal Marvanejo Barreto (445/1995 Hugo Filipe Carvalho Faure da Rosa – “cortanço” de última hora com direito a Ramalho no próximo jantar) Em termos de balanço final (e porque o texto já vai longo com tanta “palha” inicial para cumprir com o requisito de página inteira), para além de estarmos já com novo jantar agendado – 26 de Maio – constatando o sucesso da iniciativa inicial, penso que podemos assumir uma ilação consensual: está ao alcance de todos (e à distância de alguns simples e-mails) o promover eventos que aproximem, celebrem e reforcem a ligação entre Antigos Alunos, independentemente do lugar... no Mundo! Fica assim a sugestão, sobretudo para aqueles que poderão estar fisicamente mais distantes (já agora, porque não envolver os Delegados de Curso!?!). Entretanto, para quem esteja por estes lados e com vontade de recordar os “velhos” tempos e actualizar-se sobre o presente, é só dar sinal e... aparecer!
18/1990 António Miguel do Espírito Santo Silva Ribeiro
Tiago Simões Baleizão 200/1987 tbaleizao@clix.pt
3 de Março em Macau D
esta vez com a presença do Decano, Pedro Manuel Vilaça Ferreira de Castro (1/1956), compareceram no Clube Militar de Macau os Antigos Alunos actualmente a viver na Região Administrativa Especial de Macau para comemorar mais um aniversário do nosso Colégio. Alinharam no repasto: Pedro Manuel Vilaça Ferreira de Castro, (1/1956), Economista Vicente Manuel da Liz Bravo Ferreira (161/1957), Arquitecto Vasco Barroso Silvério Marques (404/1950), Economista Luís Filipe Andrade e Sá Machado (384/1961), Arquitecto Aníbal Carlos Castro Ferreira de Mesquita Borges (612/1964), Professor
Luís Augusto Pimenta de Castro Machado (209/1965), Técnico da AMCM Pedro Manuel Loureiro da Nazaré Cortés Fernandez (125/1985), Advogado Sentiu-se a ausência do Paulo Jorge Carrasqueiro de Araújo e Sá (518/1973) que, por motivos profissionais, não compareceu. A habitual boa disposição e camaradagem foram os pratos principais. Um sonoro Zacatraz ouviu-se à sobremesa. Ramalho ao Colégio Militar pelos seus 209 anos! e um Zacatraz a toda a Família Colegial.” Pedro Manuel Loureiro da Nazaré Cortés Fernandez 125/1985
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos Comemoram o 3 de Março
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3 de Março no Porto O
s Antigos Alunos residentes na área do Porto, reuniram-se em jantar de confraternização no dia 1 de Março, como habitualmente na Messe de Oficiais. Também desta vez tivemos a boa companhia do Presidente da Direcção da Associação, António de Saraiva Reffóios (529/1963) e do seu antecessor no cargo Martiniano Gonçalves (9/1958), que com óbvio sacrifício físico se deslocaram propositada e exclusivamente de Lisboa (e aí regressaram após o jantar) para estarem connosco. Na fase final do jantar beneficiámos da exposição do António Reffóios que actualizou as notícias que nos havia transmitido por ocasião do nosso “jantar de Natal” sobre a problemática relacionada com o número de concorrentes ao Colégio (muito baixo em relação ao desejável), a classificação no “ranking” das Escolas, sobre o que fazer para melhorar visivelmente o “quadro”que nos últimos tempos se tem apresentado algo preocupante. O José Alberto da Costa Matos (96/1950), Presidente do Conselho Supremo, aditou diversas considerações sobre o tema, esclarecendo mais ainda os presentes sobre as questões levantadas e as posições muito acertadas e esperançosas quanto a resultados práticos das últimas Direcções da Associação dos Antigos Alunos. Como sempre nestas ocasiões brindou-se pelo Colégio Militar na data de mais um aniversário e pelo êxito da Associação na prossecução dos seus grandes e generosos objectivos, rematando com o grito de ZACATRAZ, bem entoado pelo “rata” do grupo Filipe Manuel Liberato Jesus Fonseca (59/2001) e por todos correspondido. Estiveram presentes: António Saraiva de Reffóios (529/1963),
Presidente da Direcção da Associação, Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), António Malta Leuschner Fernandes (436/1933), Manuel José Martins Rodrigues (261/1940), Cristiano de Sousa Moreira (321/1941), Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira (236/1945), António Rui Prazeres de Castilho (147/1948), Carlos Manuel Amado de Campos (259/1948), José António Campos Resende Santos (23/1949), Manuel Alberto Botelho dos Santos Clara (368/1949), João Manuel Mendes de Araújo (84/1950), José Alberto da Costa Matos (96/1950), José Manuel Simões Ramos de Campos (319/1950), Luís Manuel Ferraz Pinto de Oliveira (138/1954), Francisco Xavier de Barros Cardoso de Menezes (6/1956), Afonso Henriques Mendes de Araújo (31/1958), António Norton de Matos Carmo Pereira (522/1959), João Paulo Wrem Abrantes da Silva (527/1959), Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho (342/1961), Rogério de Mesquita Pinto Ribeiro (283/1964), José Augusto Morais de Oliveira (296/1964), António José Mesquita da Cruz (329/1965), Álvaro Manuel Cruz Cordeiro (48/1967), Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970), Paulo César Alves Bacelar (403/1970), Agenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974), José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974), Jorge Manuel Noronha da Silveira Alves Caetano (641/1974), Luís Narciso Lopes Rodrigues Morais (253/1993), Luís Filipe Pinto Leite (384/1994), Filipe Manuel Liberato Jesus Fonseca (59/2001). O Delegado no Porto José Manuel Simões Ramos de Campos 319/1950
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
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Dos Antigos Alunos Ecos da FEITORIA
Jorge Alberto Gabriel Teixeira (315/1947)
Ecos da FEITORIA Entre terra, mar e céu, aqui o Colégio nasceu S
ituada na foz do Tejo, à ilharga do vetusto forte de São Julião da Barra, a FEITORIA é uma referência incontornável da nossa memória colectiva. Por muitas razões que seria fastidioso enumerar, é um símbolo um pouco esquecido por todos nós! É bem verdade que a sua pequena dimensão, o seu afastamento do símbolo máximo da nossa CASA – as instalações da Luz – e o pouco contacto que, alunos e antigos alunos, têm com ele, provoca, se não a indiferença, pelo menos a secundarização do seu papel na nossa história! É uma ingratidão que há que, com tempo, bom senso e paciência, fazer desaparecer. Não é fácil, eu sei, mas não chegam a sardinhada de Verão, as actividades culturais que ali se têm levado a cabo, as reuniões mensais de uns quantos antigos alunos e os períodos de férias que alguns alunos – poucos – ali gozam no Verão. O que falta afinal? Algo com significado mais profundo, um pouco mais solene, um relembrar periódico do enorme mérito de ali termos realmente nascido. Mais adiante, voltaremos ao assunto. Já com muitos anos vividos, com tempo, maturidade e recordações em quantidade, os antigos alunos que ali se reúnem mensalmente, olham a FEITORIA com outros olhos, sentem as coisas com outra tranquilidade, mas, sobretudo, com a sensibilidade de quem deseja que se não esqueçam os símbolos maiores da casa que
nos formou. E foi assim que, um belo dia, perante o excelente painel da autoria do Escultor João Brito – muitos anos professor do Colégio – nos interrogámos sobre a clareza do seu significado: uma homenagem ao fundador do Colégio, Marechal Teixeira Rebello. Não que para velhos antigos alunos tal fosse difícil, mas apenas porque nos lembrámos que, para gente nova, apressada e com enorme ânsia de gozar a vida, tal seria quase impossível! Embora a caminho do refeitório, o painel, pela suavidade do seu conteúdo e pela
© Foto Gonçalo Leal de Matos
ausência de legenda, não seria, só por si, capaz de desviar a atenção dos jovens veraneantes, e, muito menos, capaz de os fazer parar e pensar! E foi aí que nasceu a primeira ideia: legendar o painel de modo a atrair a atenção das pessoas e, sobretudo para os mais novos, relembrá-los do significado profundo de ter sido ali que o Colégio deu os seus primeiros passos! Em face de tudo o que se passou posteriormente, não vou perder a oportunidade de exaltar o espírito que presidiu à realização daquela pequena obra! Sobretudo
Dos Antigos Alunos Ecos da FEITORIA
porque vi, mais uma vez, o quanto pode o amor ao Colégio por parte de todos quantos a ele se sentem ligados, antigos alunos ou não! Foi bem o caso. Primeiro, haveria que obter a concordância da Direcção do CM. Nada mais fácil! Embora não antigo aluno, o actual Director tem mostrado uma enorme compreensão sobre o que nos caracteriza e uma total abertura perante as nossas sugestões; ele entende que os antigos alunos são parte imprescindível na gestão da nossa Casa. Depois, haveria que garantir a concordância do autor do painel. Todos conhecemos a sensibilidade dos artistas perante obras suas, o que se compreende e não discute. Para tal contacto, curiosamente, recorremos a um não antigo aluno (o Coronel Vaz Serra – para quem não saiba, licenciado em arquitectura); há que relevar o facto de este não antigo aluno ter sido professor no CM durante catorze anos, tê-lo sido em simultâneo com o Escultor Brito e o conhecer muito bem; e mais: ter feito tanto pelo CM que é sócio honorário da AAACM, sendo mesmo considerado por muitos, e com toda a justiça, um autêntico antigo aluno honorário! Tratou-se de seguida do conteúdo da legenda. Nada mais fácil: sendo um dos habituais convivas dos almoços um antigo aluno (Roberto Durão) que vive no mundo da poesia como peixe na água, logo foi encarregado de sujeitar a escrutínio as propostas que entendesse. Discutidas que foram, a aprovação recaiu sobre a seguinte legenda: Entre terra, mar e céu, aqui o Colégio nasceu. Homenagem ao Marechal Teixeira Rebelo. Restava a concretização da proposta aprovada. Mais uma vez, recorremos ao Coronel Vaz Serra. Contactos feitos, concluiu-se que haveria que, de novo, recorrer aos bons ofícios do Director do CM. Com a naturalidade de quem vive estes assuntos como se um de nós se tratasse, autorizou que fossem utilizados todos os meios do CM de que necessitássemos! E é aqui que entra mais um elemento, não antigo aluno, professor do CM, que concretizou, em azulejo o desenho da autoria do Coronel Vaz Serra: o Professor Saldanha. Como curiosidade, estes azulejos foram feitos a partir de uns quantos que tinham sobrado do painel e foram disponibilizados pelo Escultor Brito.
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© Foto Gonçalo Leal de Matos
Finalmente, restava a ingrata tarefa de os colocar na parede! E digo ingrata por várias razões: primeiro porque se não podia partir nenhum; segundo porque a sua colocação era melindrosa, dado que teriam que ficar perfeitamente integrados no painel já lá colocado! Onde iríamos nós arranjar um pedreiro de tal nível? Tudo se resolve, assim haja boa vontade de quem pode e sabe! Um telefonema para o Subdirector do CM – Coronel Caetano, antigo aluno e meu velho conhecido – e foi assunto arrumado! Restava a inauguração da obra! Pretendia-se um simples momento, apenas solene pelo significado e pelo sentimento. E assim foi. Tem sido hábito convidar, de vez em quando, o Director do CM para os almoços da Feitoria. Vai sempre com todo o gosto e é uma excelente companhia. Fala-se muito das coisas do CM; escuta com muita atenção os nossos desabafos e sentimentos. Por isso mesmo, e até porque muito tinha contribuído para que a obra tivesse sido levada a cabo, foi convidado para o dia aprazado, até porque, por muitas e diversas razões, a sua presença tinha sido sucessivamente adiada. Não se pode falar de cerimónia. Concentraram-se todos os presentes perante o painel, incluindo todos os intervenientes na concretização da pequena obra, previamente convidados.
Infelizmente, o Escultor Brito não pôde aparecer. Foram proferidas algumas palavras alusivas ao significado daquele pequeno aditamento e feito o agradecimento a todos quantos se tinham empenhado na sua execução, tendo sido, em particular, reconhecidas e enaltecidas as virtudes do trabalho em equipa. O Director usou também da palavra de que se salienta a referência à preciosa colaboração dos antigos alunos nos assuntos do CM.
Mais uma ideia.
Disse-vos acima que voltaria ao assunto do esquecimento da FEITORIA. Pois bem, antes de nos dirigirmos ao almoço, e na continuação das palavras proferidas naquela singela cerimónia, foi feito um apelo: há que pensar numa cerimónia, por muito singela que seja, a realizar na FEITORIA, no dia do aniversário do CM, ou nas suas proximidades, com vista a relembrar a todos que foi ali, naquele canto um pouco esquecido, que o CM nasceu, pela mão do seu fundador, o então Coronel Teixeira Rebello, Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, aquartelado no Forte de São Julião da Barra. Haverá quem não concorde que esta proposta faz justiça ao primeiro símbolo do nosso Colégio?
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Do Colégio A Estante de Honra
José Alberto da Costa Matos (96/1950)
Conhecem-na ? Q
uando se entra na magnífica Biblioteca que é a do Colégio Militar, ela posiciona-se, elegante e bem recheada, lá ao fundo, do lado direito, mesmo por baixo dos retratos a óleo dos antigos directores generais Joaquim Plácido Duarte Silva (1948-49) e Henrique Pereira do Valle (1949-51). Exteriormente nada a faz distinguir das demais estantes que guarnecem os contornos daquele belo e amplo aposento. Mas há algo que a torna diferente, e que a maior parte dos antigos e actuais alunos desconhece: o seu conteúdo! Mas comecemos por falar-lhes da Biblioteca. Em 24 de Abril de 1813, por portaria dessa data, o Colégio Militar da Feitoria, criado em 1802 pelo então coronel Teixeira Rebelo, foi oficialmente reconhecido como estabelecimento de ensino, sendo-lhe atribuída a nova designação de Real Colégio Militar. Decorridos pouco mais de oito meses, uma outra portaria, de 7 de Janeiro de 1814, determinou que o Colégio fosse instalar-se no antigo Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, no sítio da Luz, e estabeleceu os seus primeiros Estatutos os quais, como referia aquele diploma, teriam vigência até o rei determinar o contrário. Ora, no parágrafo XV do capítulo I do título I desses Estatutos, pode ler-se que «O Secretário (...) será também encarregado de cuidar no arranjo e ordem da Biblioteca do Colégio (...)». Quer isto significar que a biblioteca colegial teve a sua génese logo que o Colégio teve as primeiras normas estatutárias, embora a concretização física só tenha ocorrido após a sua instalação no edifício da Luz. Ou seja, daqui a dois anos, em 7 de Janeiro de 2014, a Biblioteca do Colégio faz 200
Do Colégio A Estante de Honra
anos, esperando eu que tal data venha a ser assinalada com um conjunto de eventos concordantes com a sua dignidade e vetusta existência. Talvez até, o respectivo planeamento devesse ser iniciado desde já. Mas retomemos o nascimento da Biblioteca para referir que, inicialmente, o governo de Sua Majestade concedia ao Colégio «20$000 reis mensais para o fornecimento de livros para consultarem os Mestres e para serem fornecidos os dicionários de línguas aos alunos que os não tivessem». Contudo, no ano seguinte, o abono passou a ser anual, competindo depois à Congregação Literária definir quais os livros de que deveria ser provida a Biblioteca. As dificuldades de aquisição existentes naquela época foram responsáveis pelo lento evoluir do seu acervo, de tal sorte que em 1824 era referenciada a existência de apenas 63 obras. No ano seguinte, um reforço de fundos permitiu elevar o seu recheio para 380 volumes, quantitativo este que, para os menos avisados, até poderá parecer irrisório se comparado com o seu actual património. Nas décadas posteriores, a biblioteca colegial veio a sofrer os efeitos de sucessivas transferências do Colégio para Rilhafoles e para Mafra. Mas avancemos até ao começo do século XX, uma vez que os interessados nos pormenores da sua evolução poderão encontrá-los no capítulo “Ensino e Formação” do 1.º volume da «História do Colé-
gio Militar». Vamos então deter-nos um pouco no ano de 1901, quando o director do Colégio foi um notável antigo aluno - o general Morais Sarmento (44/1854) - que, nesse ano, foi responsável pela publicação do primeiro e único «Regulamento Interno» do Colégio. No capítulo III do seu título V constava então o seguinte. “Art. 526.° Haverá na biblioteca uma estante especial (Estante de Honra), devidamente decorada, a qual será destinada exclusivamente: 1.° Á guarda das obras científicas, literárias
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ou artísticas de qualquer natureza, que tenham sido elaboradas por antigos alunos internos ou externos do colégio militar, ou indivíduos que hajam feito parte do seu estado maior ou corpo instrutivo; 2.° Ao coleccionamento de todas as publicações ou trabalhos manuscritos, que possam interessar á historia do estabelecimento.” Refira-se a propósito que, naquele começo de século, a Biblioteca ainda não se encontrava instalada onde funciona actualmente, dado que a adaptação de tal espaço, bem como todo o seu mobiliário, estantes e decoração interior, apenas ocorreram em 1904, ficando isso a dever-se ao empenhamento pessoal do então director, coronel Raposo Botelho. Graças às aquisições que foram sendo efectuadas, às ofertas de instituições públicas e privadas, e às dádivas de antigos alunos, a Biblioteca do Colégio Militar reúne actualmente mais de 30.000 volumes Mas voltemos à tal estante lá ao fundo, do lado direito. Essa estante é, nem mais nem menos, que a «Estante de Honra» criada por Morais Sarmento, que ali se tem quedado já lá vão 108 anos. Ao longo de todo esse tempo, e enquanto na memória de todos se foi mantendo o propósito que levara Morais Sarmento a instituir aquela «Estante», a mesma foi sendo enriquecida com livros da autoria de antigos alunos, bem como de oficiais e professores que serviram no Colégio Militar.
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Do Colégio A Estante de Honra
Assim, um visitante que hoje aproxime a face dos vidros da «Estante de Honra» e se detenha um pouco o olhar a lombada das obras dispostas nas várias prateleiras, vai encontrar nomes de conhecidos autores como Pinheiro Chagas (118/1853), Abel Botelho (5/1867), Teixeira Botelho (63/1874), Ferreira Martins (45/1885), Júlio Dantas (114/1887), Matos Sequeira (219/1890), António Sérgio (178/1894), Carlos Selvagem (202/1901), Luís Albuquerque (89/1929) ou Eduardo Lourenço (92/1934). Porém, numa segunda e mais pormenorizada pesquisa vão começar a surgir-lhe muitos outros nomes de antigos colegiais como, por exemplo, Serpa Pinto (159/1858), Figueiredo de Barros (166/1896), Pedro Bandeira (197/1882), Ribeiro de Carvalho (130/1900), Leonel Martins Vicente (413/1917), Carlos Vieira da Rocha (189/1929), Joaquim Mensurado (252/1946) e muitos outros. Na «Estante de Honra» há também várias biografias referentes a antigos alunos ilustres como, por exemplo, Henrique de Carva-
lho (143/1853), Tomás Alcaide (236/1912) ou Humberto Delgado (398/1916). Mas, de um modo geral, alinham-se nas suas prateleiras os mais variados tipos de livros: narrativas, ensaios, novelas, monografias, antologias, memórias, romances, peças de teatro, compêndios, livros de história, livros de guerra e de poesia e livros didácticos, além de anuários e outras obras que nos falam sobre o Colégio Militar. Este importantíssimo repositório do trabalho e da capacidade intelectual de antigos alunos, de professores e de oficiais que serviram no Colégio, tem padecido nas últimas décadas de uma certa “anemia”. De facto, nos tempos mais recentes, a «Estante de Honra» não tem sido alimentada com um quantitativo de obras proporcionado ao incremento de edições e de autores que, no mesmo período, se tem verificado em Portugal. Será que isto acontece por esquecimento dos antigos alunos, professores e oficiais que têm escrito obras de qualquer tipo dos que atrás se enumeraram, ou será que a maioria
desconhece a existência da tal estante, lá ao fundo da Biblioteca, do seu lado direito ! Qualquer que seja a razão, atrevo-me a fazer um APELO a todos quantos têm obras publicadas, de qualquer natureza, e ainda não o não tenham feito, que ofereçam ao Colégio um exemplar de cada uma dessas obras, nelas escrevendo a dedicatória: “À Estante de Honra da Biblioteca do Colégio Militar”. Podem entregá-las pessoalmente na Biblioteca, podem enviá-las por correio, ou podem entregá-las na sede da AAACM (que as encaminhará para o seu destino final). Se esquecerem o apelo, irão per-der-se lamentavelmente peças importantíssimas do extraordinário historial do Colégio e daqueles que nele estudaram ou serviram. E já agora, para os que não se importarem de fazer mais um pequeno esforço de generosidade, lembro-lhes que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar tem também uma biblioteca na sua Sede... Fiz-me entender?!!!
Do Colégio “Ginástica encontra-se com a Música”
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“Ginástica encontra-se com a Música” T
eve lugar no passado dia 23 de Março o Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino cuja organização cabe rotativamente ao Colégio Militar, ao Instituto de Odivelas e ao Instituto dos Pupilos do Exército, realizado este ano no Pavilhão Multiúsos da Câmara Municipal de Odivelas e subordinado ao tema “Ginástica encontra-se com a Música”. O evento foi presidido pelo Comandante de Instrução e Doutrina do Exército, Tenente-General Francisco António Correia, com a presença da Presidente da Câmara de Odivelas, Dr.ª Susana de Fátima Carvalho Amador, do Director de Formação Major-General João Manuel dos Santos Carvalho, do Director de Educação Major-General João Miguel de Castro Rosas Leitão (441/1963), do Director e do Subdirector do Colégio Coronel Tirocinado de Artilharia Joaquim Alves Cóias Ferreira e Coronel de Infantaria João Paulo de Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), do Director e Subdirectora do Instituto de Odivelas Coronel de Infantaria José Paulo Bernardino Serra e Dr.ª. Margarida Sá Dantas e do Subdirector do Instituto dos Pupilos do Exército Coronel de Infantaria João Miranda Soares. © Foto Centro de Audio-Visuais do Exército
A título particular esteve presente o antigo Comandante de Instrução e Doutrina Tenente-General João Nuno Jorge Vaz Antunes, actual Adjunto Operacional do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. No início do sarau foram homenageados os Antigos Alunos de Odivelas e do Colégio que ao longo dos tempos participaram em diferentes Olimpíadas. Os que ainda se encontram entre nós e os representantes daqueles que pela lei natural da vida já partiram deste mundo, receberam placas evocativas das suas participações e da homenagem que lhes foi prestada. A assistência, que seguiu muito interessada as excelentes exibições, teve oportunidade de ver um festival de grande qualidade de execução em que participaram, por ordem de entrada, a Orquestra Ligeira do Exército, o Colégio Militar, o Instituto de Odivelas e Instituto dos Pupilos do Exército, o Ginásio Clube de Odivelas, a Associação de Ginástica de Lisboa, o Ginásio Clube Português e a Federação de Ginástica de Portugal e que apresentaram um alargado conjunto de classes de ginástica nas mais diversas disciplinas, com praticantes femininas e masculinos de diferentes classes etárias. A organização do Festival esteve este ano a cargo do Colégio Militar e aqui se regista a forma cuidada como tudo foi delineado e a excelente coordenação que permitiu o êxito desta manifestação, em boa hora levada a cabo, que permite conhecer a excelência da prática de actividades gimnodesportivas nas Instituições Militares de Ensino e bem assim o conhecimento e divulgação de outras entidades dedicadas a estes propósitos e que têm dado grandes contributos não só para o seu desenvolvimento no nosso País bem como para a conquista de posições de relevo em manifestações internacionais de diversa ordem. O Festival foi encerrado com todos os presentes entoando o Hino Nacional. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Do Colégio “Ginástica encontra-se com a Música” Foram homenageados 362/1959 Maria Isabel Joglar 225/1912 Helder Eduardo de Sousa Martins
Tiro
129/1908 Luís da Costa Ivens Ferraz 262/1906 D. Domingos António de Sousa Coutinho (Funchal)
Hipismo 1928/Amesterdão
200/1912 Luís Falcão Mena e Silva Hipismo 231/1916 José Gil de Gouveia Beltrão
Hipismo 1936/Berlim - 1948/Londres - 1960/Roma
17/1917
Hipismo 1948/Londres
João Eduardo Gamarro Correia Barrento
1984/Los Angeles
Hipismo 1924/Paris - 1928/Amesterdão - Londres/1948 Hipismo 1936/Berlim Hipismo 1936/Berlim
424/1917 Fernando António Cerqueira Silva Paes 147/1929 Fernando José Pereira Marques Cavaleiro
Hipismo 1948/Londres - 1952/Helsínquia
71/1931
João Carlos Craveiro Lopes
Hipismo 1952/Helsínquia - 1960/Roma
90/1932
Álvaro Francisco Torres de Andrade e Silva
Esgrima
8/1934
Joaquim Miguel de Matos Fernandes Duarte Silva
Hipismo 1952/Helsínquia - 1956/Estocolmo - 1960/Roma - 1964/Tóquio
Hipismo 1948/Londres - 1952/Helsínquia - 1956/Estocolmo 1952/Helsínquia
317/1936 António Augusto de Sampaio e Melo Pereira de Almeida Hipismo 1952/Helsínquia - 1960/Roma 17/1938 Ricardo Fernando Ferreira Durão Pentatlo 1952/Helsínquia 339/1938 António Cid de Jusarte Lopes Jonet Pentatlo 1952/Helsínquia 306/1933 João Abel da Costa Barros Magalhães Cruz Azevedo
Hipismo 1956/Estocolmo
133/1938 Álvaro Augusto Fonseca Sabbo
Hipismo 1956/Estocolmo - 1960/Roma
229/1934 Mário Avelino Sardoeira Delgado
Hipismo 1960/Roma
45)/1934
Jorge Eduardo Rodriguez y Tenório Correia Matias
Hipismo 1960/Roma
67/1944
António Francisco Martins Marquilhas
Esgrima
1960/Roma
186/1940 José Manuel Cayola Carpinteiro
Tiro
1964/Tóquio
307/1955 Francisco Agostinho de Jesus da Silva
Esgrima
1968/México
12/1942
Hipismo 1972/Munique
Carlos Fernando Valente Ascensão Campos
198/1949 Vasco Luís Pereira Esteves Ramires
Hipismo 1972/Munique
37/1970
Roberto Pedro Peig Dória Durão
Pentatlo 1984/Los Angeles
37/1970
Roberto Pedro Peig Dória Durão
Esgrima
1988/Seoul
132/1969 João Francisco Braga Marquilhas
Esgrima
1984/Los Angeles
424/1960 António Manuel Dias Chaves Ramos
Hipismo 1992/Barcelona
556/1970 Ricardo Bettencourt Sardinha Portela Ribeiro
Hipismo 1992/Barcelona
562/1967 Jorge Eduardo Dias Correia Matias
Hipismo 1992/Barcelona
396/1968 Carlos Manuel de Vasconcelos e Sá Grave
Hipismo 2004/Atenas
Foram ainda referenciados pela sua ligação aos Jogos Olímpicos: António Jorge Afonso Abreu Matos (244/1959), Vasco Paulo de Lynce Faria (21/1960), José Maria Rebocho Pais de Paula Santos (644/1968) e Luís Filipe Castanheira Coelho (94/1972).
© Foto Centro de Audio-Visuais do Exército
Colaboração Os TOP + da REDE
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José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995
Os TOP + da REDE C
heia de inutilidades anda a rede e quanto mais se navega, mais lixo se encontra. Tantos são os sites que depois de parecerem úteis, se mostram uma enorme perda de tempo. Tantas vezes necessitamos de fazer determinada tarefa e... eis senão quando, depois de perder muito tempo à volta de determinado site, chegamos à conclusão que não preenche os requisitos mínimos. A Internet é um óptimo oceano para pescar, onde muito bom peixe se consegue apanhar, mas, muitas são as botas velhas que se vêm colar à rede. Apresento sete dos sites mais úteis da Internet. A lista é infindável. Mas aqui ficam sete. Para quem costuma utilizar PDF’s com alguma regularidade, já lhe aconteceu querer fazer copy & paste de algum texto e não ser possível. Com o onlineocr.net é possível reconhecer os caracteres presentes num PDF. Nem todos os caracteres são reconhecidos, mas pode-se mostrar extremamente útil, caso haja pouco tempo para copiar um documento. Quem é que já não se quis lembrar de um nome de uma música em particular, mas não conseguiu? Está mesmo “debaixo da língua”. Se
conseguirmos trautear dez segundos da música, o midomi.com é bem capaz de o encontrar na sua base de dados com milhares de temas. Algo que a Internet nos trouxe foi poder comunicar em qualquer lugar e a qualquer hora, sem limitações e a custo reduzido. Com o livestream.com é possível transmitir em directo qualquer evento. Imagine que está a produzir algum evento e deseja que este seja transmitido pela Internet, com o livestream. com é possível fazê-lo em streaming. Talvez a próxima cerimónia do nosso Colégio já seja transmitida online para que todos os Antigos Alunos de longe possam assistir. Os editores de imagem profissionais são extremamente dispendiosos e normalmente os gratuitos têm tal simplicidade que se tornam inúteis. Com o Sumopaint é possível editar e criar algumas imagens e obter um óptimo resultado. A ideia destes criadores asiáticos foi fazer com que de forma fácil, sem instalar qualquer software no PC e sem ter qualquer conhecimento de produção gráfica, pudesse criar as suas obras. Para os amantes de séries, no sidereel.com po-
dem ter acesso aos resumos, títulos, imagens, informações e muito mais. Será que vale a pena comprar o último DVD do Magic City? No Sidereel temos a resposta. O chipin.com não é o site das “pedinchas”, mas quase. Para quem tem algum projecto, alguma obra de cariz social, ou simplesmente deseja apoio monetário para pintar a casa, o Chipin é o site ideal. Em poucos cliques dizemos quais são os nossos objectivos e a data em que queremos que fiquem concretizados. Caso apareça algum ou alguns interessados em concretizar o nosso sonho podem contribuir. Caso o valor por nós pedido seja doado na totalidade o Chipin transfere-nos o dinheiro para a conta. Caso o montante não seja atingido nas doações todo o valor é devolvido aos beneméritos. Para quem julga que os fax já saíram de moda, aqui fica esta pequena pérola. Eis a forma de enviar gratuitamente fax através da Internet e sem ter o dispendioso aparelho de fax. A versão gratuita tem algumas limitações, mas a versão paga permite o envio sem qualquer limitação.
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Colaboração Serei (mesmo) amigo do ambiente?
Francisco Teixeira d’ Aguiar Norton Brandão (282/1996)
Serei (mesmo) amigo do ambiente? H
á uns dias deitei-me na cama e lembrei-me que, ao desligar a televisão na minha sala, só o tinha feito com o comando e, ao contrário do que dizem as “regras” do bom comportamento ambiental, tinha deixado a televisão em modo standby. Portanto, a boa acção seria levantar-me e ir desligá-la definitivamente...ou será que não seria assim tão boa? Vejamos os dois lados desta acção: Se, por um lado, eu não me levantasse para desligar a televisão, suponhamos que ela ficaria em modo standby durante as minhas 8 horas de sono. Qual seria o impacte ambiental de ela ficar assim? Calcular o impacte ambiental das nossas acções é demasiado complexo, por isso vou simplesmente estimar a quantidade de um combustível fóssil que se gastaria. Com um consumo médio de 3 W[1], a televisão em modo de standby gastaria 86 400 J de energia durante as 8h.
E, concluindo, a televisão em standby gastaria 1,88 x 10-16 % da reserva mundial de carvão.
3 x 8 x 60 x 60 = 86400 J
Para simplificar as contas, vamos assumir que toda essa energia que eu gastaria vinha de açucar que eu tenha comido, que é 100% composto por hidratos de carbono. Os hidratos de carbono têm 4 kcal/g[7], o que significa que a energia consumida na minha caminhada equivale a 1,167 gramas de açúcar.
Segundo dados da REN, em 2011 o carvão contribuiu para 18% da produção de electricidade em Portugal[2]. Portanto, temos 15 552 J produzidos por carvão para alimentar a televisão no modo de standby. 86400 J x 18 % = 15552 J O carvão tem uma densidade de energia de, aproximadamente, 24 MJ/kg[3] e uma central termoeléctrica tem uma eficácia aproximada de 40% na transformação de carvão em electricidade (a central de Avedøre é uma das mais eficientes do mundo, com uma eficácia de 49%[4]). Portanto, para manter a televisão em modo standby durante as 8h, gastar-se-iam 1,62 g de carvão. 24 x 106 J 1000 g
=
15 552 J
40 % x m
6 m 15 552 x 1000 ÷ 24 x 10 = 1,26 g 40 %
Em Janeiro de 2009, as reservas mundiais de carvão estimavam-se em 948 mil milhões de toneladas curtas[5] (uma tonelada curta são 2000 libras e uma libra é, aproximadamente, 454 g), isto é, 8,607 x 1017 gramas de carvão. 948 x 109 x 2000 x 454 g = 8,608 x 1017 g
1,62 x 100% = 1,88 x 10-16 % 8,608 x 1017 Se, por outro lado, eu me levantasse para ir desligar a televisão, teria de percorrer a minha casa até à sala de estar e voltar, esforço esse que não seria feito se deixasse a televisão como estava. Neste percurso cronometrei-me pouco mais de 30 segundos. Com um andar que consome 560 kcal/h[6], gastei 4,667 kcal nesse percurso. 560 kcal 3600 s
=
x
30 s
4,667 kcal 4 kcal = 1g x
x = 560 x 30 = 4,667 kcal 3600
x = 4,667 x 1 = 1,167 g 4
Uma vez mais, calcular o impacte ambiental deste consumo de açúcar é uma tarefa hercúlea, mas vamos ser conservadores e ver o consumo de combustível fóssil numa das inúmeras parcelas que faz esse açúcar chegar à minha boca. Suponhamos então que o açúcar é transportado por via rodoviária 300 km até ao supermercado mais próximo de minha casa. Sabendo que, a título de exemplo, o Pingo Doce utiliza, entre outros, camiões DAF LF Híbridos[8] (com 12 toneladas), que eles podem ter uma carga até 7,5 toneladas[9] e que o seu consumo se pode estimar em 30 L/100 km (o seu consumo sem carga é cerca de 17 L/100 km[10]), então a quantidade de açúcar que consumi corresponde a 1,556 x 10-5 % da carga do camião e seria responsável, então, pelo gasto de 1,400 x 10-5 L de gasóleo.
Colaboração Serei (mesmo) amigo do ambiente?
1,167 g
7500000 g 30 L
100 km
=
x 100% = 1,556 x 10-5 %
x
x = 300 x 30 = 90 L
300 km
90 L x 1,556 x 10
-5
100
% = 1,400 x 10-5 L
No processo de refinação de petróleo, por cada barril de petróleo (um barril de petróleo tem 42 galões, o que equivale aproximadamente a 159 L), cerca de 10 galões são aproveitados para Diesel[11]. Assim, os 1,400 x 10-5 L de gasóleo que consumiria correspondem a 3,334 x 10-6 L de petróleo que tiveram de ser extraídos. 10 42
=
x
1,400 x 10-5 L
x = 3,334 x 10-6 L
Concluindo, em Janeiro de 2011 estava provada a existência de 1,47 biliões de barris em reservas de petróleo em todo o mundo[12], pelo que então eu seria responsável pelo gasto de 1,43 x 10-18 % da reserva mundial de petróleo. 3,334 x 10-6 L 1,47 x 1012 x 159
x 100% = 1,43 x 10-18 %
Comparando as duas hipóteses, o meu organismo, ao caminhar para desligar a televisão, teria um impacte nas reservas de petróleo mundiais cerca de 131 vezes inferior ao do impacte que a televisão em modo standby teria nas reservas mundiais de carvão. 1,88 x 10-16 % 1,43 x 10-18 %
≈ 131
Resumindo, para que ambas as hipóteses tenham um impacte semelhante nas reservas de combustível fóssil mundiais, a televisão teria de ficar em modo standby durante um máximo de 3 minutos e 40 segundos. 8 x 60 x 60 = 220 s= 3 min 40 s 131 Com estas infindáveis contas não quero sugerir a ninguém que desligue ou não a televisão, com base no tempo que vão estar ausentes, até porque estes resultados são baseados em estimativas extremamente grosseiras. A verdade é que, em 2004, no Reino Unido, os aparelhos em standby foram responsáveis por 8% do consumo doméstico de electricidade[13]. Eu apenas quero demonstrar que não existem acções inócuas. Cada acção que tomamos, por muito amiga do ambiente que seja, tem um “reverso da medalha”, nem que seja porque os nossos próprios corpos gastam mais energia do que aquela que seria gasta se estivéssemos quietos.
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E é por isto que reduzir é melhor que reutilizar e reutilizar é melhor que reciclar. Se o resultado final é semelhante, a acção menos trabalhosa é a mais amiga do ambiente. É claro que não advogo que a nossas vidas devam ser regidas a um extremo por causa do impacte ambiental que têm as nossas acções. O objectivo de tudo isto é nós e as gerações vindouras sermos igualmente felizes no curto, médio e longo prazo. No final de contas, confesso que só iria desligar a televisão se estivesse com uma insónia... Referências: [1]: http://standby.lbl.gov/summary-table.html [2]:http://www.centrodeinformacao.ren.pt/PT/InformacaoTecnica/DadosTecnicos/ REN%20Dados%20T%C3%A9cnicos%202011.pdf [3]: http://hypertextbook.com/facts/2003/JuliyaFisher.shtml [4]:http://www.dongenergy.com/EN/business%20activities/generation/electricity%20generation/Primary%20power%20stations/Pages/avedore%20power%20 station.aspx [5]: http://www.eia.gov/energyexplained/index.cfm?page=coal_reserves [6]:http://caloriecount.about.com/calories-burned-walking-a506 [7]:http://www.caloriesperhour.com/tutorial_gram.php [8]:http://www.pingodoce.pt/pt/servicos/responsabilidade-social/logistica-e-transporte/ [9]:http://www.daf.eu/UK/Trucks/Model-range/Pages/DAF-LF-Hybrid.aspx [10]:http://www.comunicauto.pt/Pt/artigos/pesados/21/ distribui%C3%A7%C3%A3o-urbana-tarefa-especificada.aspx [11]:http://www.eia.gov/energyexplained/index.cfm?page=diesel_home [12]:https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html [13]:http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/http://www.berr.gov.uk/files/ file31890.pdf
Nota: todos os sites foram consultados dia 06/04/2012 entre as 18h e as 20h.
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Colaboração O Marketing de Guerrilha – uma revolução
Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
O Marketing de Guerrilha uma revolução
O
termo Marketing de Guerrilha vem da guerrilha bélica, isto é, um tipo de guerra não convencional no qual a principal estratégia é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes, chamados de guerrilheiros. Em geral, tácticas de guerrilha são usadas por uma parte mais fraca contra uma mais forte. Se por um lado os guerrilheiros muitas vezes carecem de equipamento e treinamento militar adequados, por outro contam com a ajuda de populações que os defendem e com ataques-surpresa ao inimigo, sem necessidade de manter uma linha de frente. O conhecimento do terreno de combate também é uma arma bastante usada na guerra de guerrilhas. Por princípio, as ferramentas de Marketing de Guerrilha são utilizadas por empresas menores com o objectivo de combater grandes concorrentes ou simplesmente sobreviverem. O Marketing de Guerrilha, como descrito por Jay Conrad Levinson no seu livro Guerrilla Marketing de 1982, utiliza-se de maneiras não convencionais para executar suas actividades de marketing e com orçamentos “apertados”. Levinson diz que peque-
nas empresas empreendedoras são diferentes de empresas grandes, pequenos negócios não são versões menores de um negócio grande. Por causa da falta de recursos dos pequenos negócios, estes precisam usar diferentes tipos de estratégias. O Marketing de Guerrilha está intimamente associado à criatividade, ousadia, interacção como o consumidor e a todo um pensamento out-of-the-box por parte de quem planeia este tipo de acções. Pretende-se com acções de guerrilha criar impacto nas pessoas, criar uma experiência memorável nas pessoas e provocar o efeito de boca-a-boca entre pessoas que experienciaram uma campanha de guerrilha e as suas conhecidas, que, bem-sucedido tornar-se-á viral. De uma forma generalizada, a sociedade encontra-se saturada de comunicação, time share na televisão mais a rádio, grandes campanhas em outdoors, marketing directo por telefone, correio convencional e electrónico que, apesar de chegar a um público mais vasto, aborrecem os consumidores e representam “apenas mais um anúncio na televisão, entre muitos”! Assim,
já existem grandes empresas a utilizar o Marketing de Guerrilha no seu Marketing Mix para atingirem os corações e mentes de seus públicos-alvo e trazerem atitude para suas marcas. Já existem mesmo em Portugal algumas agências de comunicação dedicadas à Guerrilha, trabalhando com grandes marcas Portuguesas como a Super Bock FC Porto, TAP, TMN, etc.
Para mostrar que o vidro é quase indestrutível, a empresa colocou 1 milhão de dólares num caixilho no meio da rua!
Para promover a nova série televisiva sangrenta Dexter, sobre um assassino, o canal FOX colocou corante vermelho em fontes públicas, urinóis de centros comerciais, e distribuiu corpos falsos com indícios de homicídio
“Precisa de um grelhador?” Ligue para o número indicado abaixo da sarjeta
Recordando Aluno 23/1905 Silva Pereira, Defensor de Chaves
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Aluno 23/1905 Silva Pereira
Defensor de Chaves U
ma das minhas referências bibliográficas relativas à história do Colégio é o livro da autoria do Major Balula Cid intitulado «O COLÉGIO MILITAR através das ordens e livros de correspondência colegial 18031960». É uma obra interessantíssima e que, tal como o seu autor indica no início da mesma, nos permite fazer uma viagem no tempo, ao longo de mais de século e meio, umas vezes sorrindo, outras vezes meditando. Neste livro encontram-se factos variadíssimos da vida colegial, alguns deles verdadeiramente surpreendentes. Um destes factos, que recentemente detectei, deu origem a um louvor notável concedido a um aluno no ano longínquo de 1912, ou seja, há precisamente um século. Este louvor foi publicado na Ordem de Serviço nº 34, de 30/10/1912 e rezava assim: «Louva-se, por determinação do Ministro da Guerra, o Aluno do 7º ano, nº 23, Eduardo Proença da Silva Pereira, pela dedicação, coragem e valentia de que deu provas, no combate de 8 de Julho, em Chaves» Este louvor, apesar de curto e conciso, é verdadeiramente extraordinário, por referir um aluno que entra em combate, dando provas de valentia e coragem tais, que originaram uma determinação do próprio Ministro da Guerra, para
que o mesmo aluno fosse louvado em Ordem Colegial. Segundo o louvor, o combate deu-se em Chaves, em 8 de Julho de 1912, o que permite imediatamente concluir que se trata da defesa de Chaves pelas forças republicanas, para suster a segunda incursão ao norte do país pelas forças monárquicas vindas da Galiza, comandadas pelo célebre
Capitão Henrique Paiva Couceiro, que pretendia a reimplantação da Monarquia em Portugal. Para enquadrarmos esta acção militar no seu tempo é necessário reportarmo-nos à implantação da República, em Outubro de 1910. Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910, Paiva Couceiro, herói das guerras de África, foi dos poucos oficiais que se bateu com toda a convicção em defesa do regime vigente, iniciando aí a sua acção como «Paladino da Monarquia», como mais tarde foi designado. A descrição sumária dos factos a seguir apresentada é baseada na obra «NOBRE POVO. Os anos da República», de Jaime Nogueira Pinto, da Esfera dos Livros, onde se pode encontrar uma descrição circunstanciada dos mesmos. É um livro cuja leitura recomendamos aos interessados na nossa História. Implantada a República, Paiva Couceiro deixa o serviço militar activo. No início de 1911, indignado com o rumo tomado pela «coisa pública», pede uma audiência ao Ministro da Guerra, Coronel Correia Barreto. O Ministro recebe-o a 16 de Março e Couceiro sugere-lhe a realização de um plebiscito, para que fosse o povo a escolher entre a Monarquia e a Republica, ficando assim a facção vencedora legitimada pela escolha popular. O Ministro recomenda-lhe a apresentação da ideia por escrito, para a poder levar ao governo. Couceiro assim faz, decidindo intimar o governo a responder-lhe num prazo de 24 horas. O governo respondeu dentro do prazo fixado, emitindo um mandato de captura do fogoso Capitão. Prevenido a tempo, Couceiro foge para Espanha, onde se junta aos exilados monárquicos concentrados na Galiza, que o recebem como um messias. Em Outubro de 1911, Paiva Couceiro comanda a primeira incursão monárquica a Trás-os-Montes. Consegue reunir cerca de mil homens, armados apenas com cerca de 150 espingardas e 80 pistolas. Couceiro e os seus homens pensavam que com a sua acção constituiria um rastilho que iria incendiar o Norte e depois o resto do país e derrubar o regime republicano. Na noite de 4 para 5 de Outubro (um ano após a implantação da Republica), Couceiro e a sua coluna entram em Portugal e marcham sobre Vinhais, onde encontram uma força de cerca de 100 homens, do Regimento de Infantaria 19, de Chaves, comandada pelo Capitão José Viana de Andrade, que lhes faz frente. Constava entretanto em Vinhais, que vinham mais tropas a caminho, para suster as forças monárquicas. Face a esta situação, a coluna de Couceiro retrocede para a Galiza, perseguida na sua retirada, chegando a haver escaramuças antes de cruzar a fronteira. A segunda incursão monárquica dá-se em Julho de 1912. É uma acção de maior envergadura, com três frentes: uma no Minho sobre Valença e duas sobre Trás-os-Montes.
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Recordando Aluno 23/1905 Silva Pereira, Defensor de Chaves
A incursão sobre Valença dá-se no dia 6 de Julho e é prontamente neutralizada pela guarnição daquela praça-forte. A segunda coluna a atacar destinava-se a criar uma manobra de diversão, marchando sobre Vila Verde, atraindo para aí parte da guarnição de Chaves, que seria o alvo do ataque principal. Esta coluna, comandada por Sousa Dias, atravessa a fronteira a 7 de Julho, sendo rechaçada no Alto de Santa Marta, pelas tropas republicanas comandadas pelo Capitão Maia Magalhães. A terceira coluna, que vai atacar Chaves, é comandada pelo próprio Paiva Couceiro, tendo como chefe do Estado-Maior o Capitão João de Almeida, o herói da campanha dos Dembos, em Angola. Esta coluna tinha cerca de 450 homens, com 360 espingardas e com duas peças de artilharia Maxim-Nordenfelt, desmontáveis e carregadas a dorso de mula. A coluna entra em Portugal pela zona de Montalegre e dirige-se a Chaves. Os republicanos pensando que o alvo da incursão era Montalegre, enviam para aí a sua tropa, com passagem por Sapiãos. Outras tropas já tinham saído de Chaves, para enfrentar a coluna de Sousa Dias, ficando assim a cidade apenas defendida por 160 militares do Regimento de Infantaria 19 e uma centena de civis republicanos voluntários, entre os quais estaria o protagonista da nossa história, o Aluno nº 23 Silva Pereira. Paiva Couceiro evitou a coluna republicana que se dirigia a Montalegre por Sapiãos e chega dia 8 de Julho a Chaves, cujos defensores, em inferioridade numérica, mandam chamar as duas colunas que tinham saído para Este e Oeste da cidade. Paiva Couceiro esperava que Chaves se rendesse e que parte da guarnição se passasse para o seu lado. Em vez disso, enfrentou uma dura resistência, que deu origem a baixas com significado em ambos os lados. O confronto principal ocorreu junto do cemitério e da carreira de tiro, a cerca de meio quilómetro da cidade. Os republicanos concentraram o seu fogo sobre as duas peças de artilharia do adversário, na tentativa de as neutralizar, atingindo os seus serventes, o que aos poucos foram conseguindo. À medida que as horas iam passando a situação dos monárquicos ia-se complicando, começando a faltar as munições. Paiva Couceiro ainda admite fazer um ataque a descoberto contra a cidade, discute essa hipótese com o Capitão João de Almeida, sendo a mesma abandonada, pois corresponderia a um acto suicida. Às quatro da tarde, Paiva Couceiro reconhece o insucesso do ataque e decide retirar, levando consigo as duas peças de artilharia, que acabam por ser abandonadas. Na retirada encontram a coluna de Sousa Dias e pernoitam em Soutelinho, havendo deserções nessa noite, com os desertores a seguirem directamente para Espanha. De madrugada ainda chega a haver uma escaramuça com soldados republicanos de um pelotão de Cavalaria, que tinha seguido a coluna monárquica e que depois retirou.
Pouco após a retirada dos monárquicos de Chaves, chegaram de regresso à cidade as forças republicanas que tinham saído para Montalegre e para defrontar a coluna de Sousa Dias. Foi pois no combate de Chaves, aqui sumariamente descrito, que se notabilizou o aluno nº 23, Eduardo Proença Silva Pereira. Frequentou o Colégio de 1905 a 1913, onde viveu a transição da Monarquia para a Republica, acabando por se tornar, ainda como aluno do Colégio, num dos heróicos «Defensores de Chaves», homenageados na toponímia lisboeta, na avenida paralela à Avenida da Republica que tem esta designação. Conseguimos apurar, no Arquivo Histórico Militar, que Silva Pereira seguiu a carreira das armas, como oficial do Exército. Do seu processo individual extraímos os factos mais relevantes que a seguir se apresentam. Concluído o seu curso no Colégio decidiu assentar praça como voluntário em Cavalaria 6, em Chaves, com o objectivo de continuar os seus estudos em Coimbra, tendo em vista o subsequente ingresso na Escola de Guerra. Nesse sentido, e a seu pedido, o Director do Colégio passa-lhe um atestado de conclusão do seu curso, em que consta a indicação da sua elevada aptidão física, que lhe granjeou a concessão de várias medalhas nos seus últimos anos de curso, nomeadamente duas palmas de prata e uma de ouro. Ingressou na Escola de Guerra, de onde saiu Aspirante a Oficial para o Regimento de Cavalaria 4, então em Lisboa. Em 1919, como Alferes, é transferido para Cavalaria 3, em Estremoz, mas é entretanto obrigado a passar à reserva, por ter contraído uma doença do foro gástrico, que o impedia de montar a cavalo. Teve assim uma curtíssima carreira militar o herói da nossa história, o que imaginamos que lhe terá causado um enorme desgosto. Acabou por morrer relativamente novo, em 1942, aos 47 anos de idade. O episódio da defesa de Chaves, em que o 23/1905 se salientou, é para mim de grande significado, por se dar a coincidência de um meu bisavô materno, o maestro João Carlos Pinto Ribeiro, ter também tomado parte no mesmo. Era ele, na altura, Capitão Regente da Banda de Infantaria 19, tendo 50 anos de idade. Na sua folha de assentos, na Secção «Campanhas e ferimentos», consta que «No ano de 1912 tomou parte nas operações na fronteira norte do concelho de Chaves contra os rebeldes armados e entrou no combate de Chaves, em 8 de Julho, pertencendo ao Regimento de Infantaria 19». O 23/1905 Silva Pereira foi dos mais novos «Defensores de Chaves», o meu bisavô terá sido dos mais velhos, senão o mais velho, desse grupo de combatentes de que Chaves ainda hoje se orgulha, celebrando o seu feriado municipal no dia 8 de Julho. Fotos: Ilustração Portuguesa
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
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Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas
Tropas Pára-quedistas Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) desporto era de prática diária obrigatória nas Tropas Pára-quedistas. Partiu pela primeira vez para África em 1959 e só voltou à Metrópole nos curtos intervalos entre comissões de serviço, que foram mais cinco, das quais três em Angola, sua terra natal (era natural de Novo Redondo), uma em Moçambique e uma na Guiné, onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974. Que me lembre, é o oficial pára-quedista que cumpriu mais comissões de serviço durante as Guerras de África.
L
embro-me muito bem do Mensurado no Colégio. Estava eu no 3.º ano e ele era “só” comandante da 4.ª e capitão da equipa de futebol. Um ídolo para a miudagem. Curiosamente, sendo ambos oficiais pára-quedistas durante cerca de trinta anos, só trabalhámos juntos em dois períodos muito curtos: quatro meses em 1972/73, durante o Curso de Promoção a Oficial Superior, e menos de dois meses, entre Janeiro e Março de 1975. Mas embora longe, sempre ia tendo notícias dele. Sei que continuou, por muitos anos, exímio praticante de todos os desportos colectivos tradicionais, com destaque para o futebol. Porém, como ele próprio recorda neste número da ZacatraZ, o tempo disponível para futebóis nunca mais foi igual àquele de que dispunha, quando jovem alferes, no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, mesmo tendo em conta que o
Equipa de Futebol campeã em 1953/1954 1º plano - Branco, 2º plano - Caeiro,
Graça, Sampaio, Mensurado, Pardal Patricio, Figueira, Passo, Ferreira, Nogueira, Antunes, Cap Simões
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Foi justamente no imenso território da sua Angola natal que teve a oportunidade de planear e conduzir algumas das mais empolgante e rentáveis operações de combate, conhecidas do vulgo como “saltos de rã”. Com o amigo Major Piloto-Aviador Luís Almada de Oliveira (125/1945), no comando dos meios aéreos, o Major Mensurado conduziu com sagacidade, maestria e elevado sentido do dever, as subunidades do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 21 nas dificílimas acções de pistagem que permitiam determinar as posições dos grupos guerrilheiros, os quais eram posteriormente obrigados a travar combate com os pára-quedistas. Os últimos anos da sua vida militar activa foram bastante complicados, conforme ele próprio relata neste número. Um desses episódios envolveu-nos a ambos. Recentemente regressados de África – ele da Guiné e eu de Moçambique – fomos colocados pelo Comandante do Regimento de Caçadores Pára-queditas, o então Coronel Rafael Durão (11/1941), no Batalhão Operacional, ele como comandante e eu como 2.º comandante. Em breve estávamos envolvidos nas ainda hoje mal explicadas peripécias do 11 de Março de 1975 e afastados do serviço activo. Para mim, episodicamente. Para ele, foi infelizmente o toque de finados como militar profissional.
A reforma permitiu-lhe, porém, dedicar-se à escrita. O seu primeiro livro, Que nunca por vencidos se conheçam, é um relato intimista sobre a forma como se relacionou com alguns superiores hierárquicos e um retrato cru de alguns homens em situações-limite. No segundo, Os Páras na
guerra, conta alguns episódios mais significativos da sua actividade operacional, com destaque para um tipo muito especial de operações de combate, conhecidas como “saltos de rã”, das quais ele foi um dos mais reputados especialistas e impulsionadores. O Nuno Mira Vaz (277/1950) nomeou-me escritor, que não sou, para a ZacatraZ. Aqui estou, por isso, a alinhavar meia dúzia de palavras para cumprir as suas ordens, pois eu não passei de um quase soldado raso, saneado em TEN.COR., por não ser “persona grata” ao regime, então vigente. Passei no Colégio Militar os melhores anos da minha juventude. Ali cimentei amizades indestrutíveis para toda a vida e ali tive as minhas maiores alegrias. É verdade que escrevi dois livros: no primei-
ro “Que nunca por vencidos se conheçam” contava as verdades nuas e cruas sobre alguns superiores hierárquicos; no segundo “Os Páras na guerra” contava alguns episódios da minha passagem pela guerra. O descrito no primeiro livro, do qual há muitas testemunhas presenciais (cerca de duzentas ou mais), transmite apenas a minha lealdade ao COR. PARA Rafael Ferreira Durão (11/1941), que era imensa, e só isso me moveu, para além das posteriores deslealdades que recebi e que foram muitas. Do segundo livro recebi bastantes elogios, que guardo para mim, e que foram muito gratificantes.
Entrei nas Tropas Pára-quedistas em 1959 e éramos, então, muito poucos, num simples Batalhão que começava o dia com uma aula de ginástica, todos em tronco nu, oficiais, sargentos e praças, fosse qual fosse o tempo, e em que o oficial instrutor era nomeado em ordem de serviço. E quando a messe de oficiais era ainda uma simples barraca de campanha. Vivia-se, naquele tempo, um ambiente de sã camaradagem em que o convívio era bastante agradável e amigo; com muito desporto, vencíamos quase todos os campeonatos da Força Aérea, de futebol, voleibol, basquetebol, andebol e tiro, além da prática de pára-quedismo de que éramos pioneiros em Portugal. A minha vida nas Tropas Pára-quedistas, tirando os desagradáveis episódios finais, foi muito realizadora e recompensadora, de que me orgulho, bem como dos meus abnegados soldados que sempre me acompanharam sem hesitações. Os episódios que mais me comoveram foram a morte do TEN. PÁRA António Manuel Pinto Assoreira (220/1951), sobre o qual escrevi uma dedicatória no jornal “O boina verde” que publicávamos em Luanda, e que não sei se ainda existe; e dos soldado Páras recordo em especial o Braga, que recebeu um tiro certeiro no coração, sem se saber de onde, e o “Quir-Quir”, ferido gravemente e que, já fora de perigo, no hospital, se desentubou para ir atrás de uma enfermeira e morreu. Cumpri seis comissões de serviço no Ultramar: uma em Angola, antes da guerra, antes de entrar para as Tropas Pára-quedistas. Já havia problemas na fronteira, tendo permanecido de reforço com dois pelotões do Exército, sem que nada de especial haja para contar, além das habituais pitorescas histórias coloniais. Após entrar, em NOV 59, nas Tropas Pára-quedistas cumpri, depois de 61, três comissões em Angola. Refiro-me a elas, com alguns episódios passados na guerra, nos livros que escrevi, e uma em Moçambique, sobre a qual nada escrevi, por não ser interessante falar de mortos, quando não havia helis para os evacuar em tempo útil. Na última comissão, 73/74 na Guiné, estive a comandar interinamente um Batalhão de Pára-quedistas, uma função que
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me realizou bastante, tendo criado ali boas amizades. Por fim, posso afirmar que gostei de colaborar com o 25 de Abril, e que me orgulho do bom trabalho então realizado. Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado 252/1946
Saltos de Rã É um tipo de operação anti-guerrilha especialmente indicada para executar em zonas de terreno aberto ou com clareiras e que exige muita determinação e espírito de missão por parte dos executantes. A coragem do combatente é igualmente um factor determinante do sucesso, pois o inimigo, tendo sido encurralado e consciente de que não tem escapatória, reagirá provavelmente com a máxima violência.
Na hora do combate decisivo, quando não pode haver hesitação ou recuo, a coragem é o ingrediente diferenciador. A primeira acção de planeamento consiste em definir duas linhas paralelas que assinalam o início e o fim previstos para a operação: suficientemente afastadas entre si para permitir espaço de manobra e perpendiculares ao rumo previsto para o deslocamento dos guerrilheiros. A primeira linha pode coincidir com a fronteira; a segunda, no interior do território nacional,
montada sempre que possível sobre um obstáculo difícil de transpor, podendo ser um rio de grande caudal ou uma escarpa. Na ausência de obstáculo com estas características, pode-se recorrer a um dispositivo de emboscada montada por forças amigas. Neste tipo de operação, o emprego de pisteiros é essencial, pois são eles quem referencia os locais de passagem das colunas inimigas, determinando igualmente há quanto tempo se verificou essa passagem. E para se conseguir uma boa mobilidade dos pisteiros, que lhes permita reduzir progressivamente o atraso em relação ao grupo que perseguem, é indispensável o recurso ao helitransporte. Em cada “salto de rã” encurta-se a distância para os guerrilheiros, o que permitirá, em determinada altura, cair em cima do grupo perseguido com tropas sempre frescas. Desse modo, pode-se escolher o local e a hora do embate final, em terreno favorável às nossas tropas e com o apoio do helicanhão. A partir do momento em que é detectada, ou denunciada, a travessia da fronteira por um grupo de guerrilha, os pisteiros são helitransportados para a zona, à procura de indícios da passagem; uma vez confirmada esta, inicia-se a perseguição segundo o rumo mais provável em cada situação concreta, com uma amplitude de quinze graus para cada lado desse rumo. Este sector de actuação pode ser corrigido em função de informações colhidas no terreno. Então, junto das primeira pegadas dos guerrilheiros detectadas pelos pisteiros, será colocado um grupo de combate helitransportado, bem como uma equipa de pisteiros para poderem seguir o rasto. Alguns quilómetros mais à frente e dentro do sector zonado na amplitude de 15 graus em relação ao rumo inicialmente definido, os pisteiros, de novo helitransportados e protegidos por um ou dois helicanhões, efectuarão novas pesquisas no solo, até se encontrarem novas pegadas; nesse local, será colocado de novo um grupo de combate helitransportado, com a convicção de que se encontrará muito mais perto do grupo inimigo do que na colocação anterior. Nesta altura, o primeiro grupo de combate é mandado parar, emboscando no local, aguardando um eventual retrocesso do grupo inimigo sobre o mesmo itinerário da ida.
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Se tudo correr como planeado, a procura do grupo inimigo continuará, através de saltos para a frente que encurtarão inexoravelmente a distância entre perseguidos e perseguidores, até ao momento em que se considere iminente o encontro. Então, devem reforçar-se os cuidados na utilização dos meios empenhados, tanto em terra como no ar, sendo desejável aumentar os efectivos de uns e de outros, em ordem a alcançar a relação mais favorável entre os potenciais de combate das nossas tropas e do inimigo. Note-se, ainda, que as acções de combate, desencadeadas em situação de extremo acosso, aconselham que os grupos de combate recebam apoio consistente por parte dos helicanhões. Pode acontecer que o grupo inimigo, ou a parte dele que conseguir escapar dos referidos combates, tome o caminho de volta sobre o itinerário utilizado na ida. Se tal acontecer, os guerrilheiros irão esbarrar nas emboscadas montadas pelos nossos grupos de combate que se deslocam em segundo escalão, e que permanecem nos locais mais indicados para essa finalidade. O sucesso das operações “salto de rã” pode pois ser alcançado em ambos os sentidos. Esta circunstância torna-as num dos tipos de acção militar mais rentáveis, para além de representarem um fortíssimo factor de desmoralização do inimigo. Bibliografia – Livros publicados pelo Joaquim Mira Mensurado
“Que nunca por vencidos se conheçam” Lusolivro, Lda. Lisboa 1993.
“Os Páras na Guerra (1961-63 1968-72)” Prefácio-Edição de Livros e Revistas - 2002. ISBN: 972-8563-74-4
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LISTA DE ANTIGOS ALUNOS QUE SERVIRAM NAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Alcino Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930) - falecido Rafael Ferreira Durão (11/1941) – falecido Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947) Capitão-médico BCP 32
Luís Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira (385/1949) Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951) António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - falecido Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961) Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964) Nuno Rolando Fernandes Thomaz Ferreira (496/1967) António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) Vítor Manuel Batista Leitão (261/1968) António José de Rogado Serra (521/1968) José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) João Francisco Braga Marquilhas (132/1969) Nuno Miguel de Azevedo Mafra Guerra (171/1969) Pedro Luís da Câmara Santa Bárbara (512/1969) Luís António de Lima Tinoco Tovim (566/1969) Paulo Renato Faro Geada (574/1970) Nuno Maria Rocha e Melo de Castro (648/1970) José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho (407/1971) Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972) Daniel Henrique Andrade de Carvalho (661/1972) Luís Filipe Pinto Cavaleiro (445/1973) Jorge Manuel Campos de Lima Gonçalves Damásio (487/1973) Frederico Manuel Assoreira Almendra (604/1973) Luís Filipe da Silva Malheiro de Passos Ramos (3/1974) Boanerges Fernando Macedo Lobato de Faria (258/1974) José Eduardo Cacela Pesquinha da Silva (404/1974) Rui Manuel Silva Ribeiro Pedro (689/1974) José António Nobre Pires (646/1979) Hugo Ribeiro da Silva Pugsley Inocêncio (92/1991)
Recordando um grande “Menino da Luz” que foi sempre muito dedicado ao Colégio e à Associação Poema da autoria de António Herculano de Miranda Dias (292/1925) Em 13 Outubro de 2004 No Restaurante “Meninos da Luz”
Ao curso de saída de 1953 Como sabes? Ser do curso de saída de 53 Ou de 33 Como eu sou. É igual É ser-se diferente Mas igual ao outro Aquele que foi como eu Menino E Oh Destino bem fino! Ser Pela vida fora Igual Ao que se foi Quando menino E que se é De tal maneira Que é verdadeiro O seu modo de ser Que belo é de ver Hoje, O que foi ontem E será Pela vida fora Milagre que não supera De poder encontrar É esse o valor do Milagre da Luz Para quê Dizer mais? Nota da Redacção
O Curso de Saída de 1953, á semelhança do que acontece com os diversos Cursos, reúne-se com periodicidade em almoços ou jantares de convívio e boa camaradagem onde se revêem e se recordam os bons tempos passados no Colégio. Num desses almoços participado por 24 Antigos Alunos daquele Curso, estes verificaram que numa mesa se encontrava o António Herculano de Miranda Dias (292/1925) que iria almoçar sozinho. Apesar da grande diferença de idades, dentro do espírito que caracteriza os “Meninos da Luz”, de imediato o António Miranda Dias foi convidado para se juntar na mesa e desfrutar da companhia alargada e mais animada dos seus camaradas mais novos. O António Miranda Dias esteve feliz, animado e bem-disposto fazendo jus às suas qualidades de bom conversador. No final, para quem o conheceu bem como à sua verve poética e ao seu jeito de num qualquer papel registar a sua espontânea poesia, não estranhará que de imediato fosse redigido o poema transcrito e que foi na altura lido pelo seu autor. A possibilidade de o reproduzir aqui e desta forma recordar o nosso Camarada Miranda Dias e a sua habitual forma de comunicação, deve-se ao Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (55/1946), o Bill, que faz parte do Curso de Saída de 1953 e guardou o original onde foi escrito o referido poema, facultando-nos o seu texto. Registamos e agradecemos a colaboração do Bill e apelamos para que façam chegar à ZacatraZ pequenas ou grandes coisas que ao longo dos tempos e na nossa vivência vão acontecendo e que de outro modo ficam para sempre perdidas se não se registarem e difundirem pela Família Colegial. “Coronel António Herculano de Miranda Dias (292/1925)” é o nome de uma das salas das instalações do Quartel da Formação que foram recuperadas e restauradas pela AAACM.
Recordando Ou Tóquio ou nunca
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Ou Tóquio ou nunca
S
endo o presente ano um ano olímpico, com os Jogos Olímpicos de verão em Londres, vieram-me à memória os meus tempos no Colégio. Quando eu estava no Colégio havia um grande entusiasmo pela Educação Física. Assim sendo, tínhamos boas equipas a participar (e a ganhar) nos campeonatos da Mocidade Portuguesa, em futebol, vólei, andebol e basquetebol, criou-se uma classe especial de ginástica, que representou o Colégio na Feira Mundial de 1958 em Bruxelas, e tínhamos uma série de pessoal a fazer umas boas marcas, para a época, em atletismo. Tudo isto se ficou a dever a um excelente «naipe» de professores de Educação Física que então tínhamos, nomeadamente o capitão Carvalho, o tenente Nuno Vitória, o tenente Mário Lemos, o tenente Bilstein Sequeira e o tenente Reis Pinto, todos da «escola» do então Instituto Nacional de Educação Física (INEF) e que prestavam serviço no Colégio como oficiais milicianos contratados. Destes professores os mais conhecidos fora do Colégio eram o Mário Lemos, treinador de atletismo, vólei e basquetebol, e o Reis Pinto, professor de classes de ginástica de várias instituições e clubes. Pode-se dizer que tivemos na altura no Colégio, aquilo a que os franceses chamam «la créme de la créme». No verão de 1960, estava eu na transição do meu 5º para o 6º ano, realizaram-se os Jogos Olímpicos de Roma. Todos os que se interessavam por desporto seguiam com avidez as notícias dos jogos. A informação que até nós chegava não era minimamente comparável àquela com que hoje em dia somos diariamente bombardeados, mas era a suficiente para nos mantermos entusiasmados. Recordo-me, por exemplo, do Lívio Berruti, um italiano que pôs o record dos
Jogos Olímpicos dos 100 metros em 10 segundos, recordo-me do John Thomas que saltou 2,14 metros em altura e recordo-me do quarteto norte-americano que correu os 4x100 metros em 44 segundos. Concluídas as férias e regressados ao Colégio, discutíamos entre nós e com os nossos professores de Educação Física estes feitos. O Reis Pinto tinha obtido uma série de filmes sobre as competições de ginástica, que nos exibiu e que nos deixaram com os olhos em bico. Isto não era de admirar, pois nessa altura a hegemonia mundial na ginástica, tanto masculina como feminina, era dos japoneses, que também tinham (e ainda têm) os olhos em bico. Só passados uns anos é que a dita hegemonia passou para a União Soviética e seus países satélites (os então chamados países de Leste). Com o entusiasmo próprio da idade, um grupo do meu curso, no qual eu me integrava, decidiu bravamente participar nos Jogos Olímpicos seguintes, que iriam ter lugar em Tóquio, em 1964. Resolvemos arranjar uma divisa para o nosso projecto e o melhor que conseguimos arranjar, para traduzir toda a nossa determinação, foi «OU TÓQUIO OU NUNCA». Ambição e bravata não nos faltavam, a capacidade para atingirmos o nosso objectivo é que era algo duvidosa. Cada um escolheu a modalidade em que pensava que teria mais hipóteses. Eu decidi optar pela esgrima, em que tivemos no 7º ano como instrutor o João Calixto (314/1947), a quem nunca confessámos o nosso objectivo, não fosse ele começar a rir-se de nós. Nos tempos vagos que tínhamos, que não eram muitos, o nosso pequeno grupo, em que todos estávamos convencidos que tínhamos «jeito» para a modalidade, lá se reunia no ginásio e aí treinávamos afincadamente. Fazia parte do nosso grupo de aspirantes a esgrimistas olimpicos o 307, Francisco Jesus da Silva, com a alcunha colegial o «Chico Selva», sempre muito entusiasta. Se na altura me tivessem pedido um vaticínio acerca das nossas possibilidades relativas de êxito, eu teria apostado no 100 o Latino Tavares, que eu considerava que era o mais «jeitoso» para a modalidade. No extremo oposto teria posto o «Chico», que até era canhoto, facto que perturbava aqueles a quem calhava em sorte treinarem-se com ele. Ainda no Colégio começámos a entrar em provas organizadas pela Federação. Lembro-me de termos participado numa prova, no meu 7º ano, no inicio da época, aberta a todas as categorias, em que até nós, sem qualquer categoria, pudemos participar. Lembro-me que
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perdi todos os combates em que participei, menos um. Num dos combates defrontei-me com o crónico campeão nacional da época, o Dr. Orlando Azinhais, que a brincar me foi «espetando» de toda a maneira e feitio, conforme lhe apeteceu. Eu pela minha parte nem lhe consegui tocar. Foi um trauma de que ainda hoje não recuperei. O único combate que consegui ganhar foi o último em que participei naquele malfadado dia. Em desespero de causa optei por me manter imóvel, de braço esticado, à espera que o adversário se viesse pacatamente «espetar» na ponta do meu florete. Para meu espanto e satisfação, o meu estratagema tosco e primário até resultou. O adversário começou por ficar furioso com a falta de agressividade da minha parte e resolveu atirar-se para cima de mim com toda a gana, mas pouco discernimento. O que eu pretendia aconteceu, ele acabou por se «espetar» mais vezes do que aquelas que me «espetou» e eu acabei por ganhar por um fio, sem honra nem glória. Saído do Colégio, eu deixei de praticar esgrima, tendo-me dedicado à ginástica, aos saltos de mesa alemã. Dos outros do nosso grupo alguns, incluindo o «Chico», continuaram a praticar esgrima e participavam nas várias provas que a Federação organizava na época. Chegados a 1964 ninguém do grupo conseguiu classificações que lhe dessem acesso aos Jogos Olímpicos e assim parecia ter ido por água abaixo o nosso movimento «OU TÓQUIO OU NUNCA». Aos poucos o entusiasmo foi passando, cada um foi deixando de competir, mas
a chama não se extinguiu. Sobrou um resistente e esse resistente era nem mais nem menos o nosso «Chico». Com enorme perseverança e verdadeira paixão pela modalidade, continuou a treinar-se afincadamente, acabando por se tornar campeão nacional de espada, sendo de seguida seleccionado, com toda a justiça, para representar Portugal nos Jogos Olímpicos do México, em 1968. Para uns, os Jogos Olímpicos do México são os Jogos em que o Dick Fossbury revolucionou o salto em altura, vencendo o concurso com o seu novo estilo de saltar, de costas para a fasquia, que ficou conhecido por «Fossbury Flop», ainda hoje adoptado por todos os saltadores. Para outros, os Jogos Olímpicos do México são os Jogos em que o Bob Beamon estabeleceu a fantástica marca de 8,90 m no salto em comprimento. Para mim, os Jogos do México são os Jogos em que o nosso «Chico» demonstrou, sem qualquer margem para dúvidas, que «querer é poder». Que grande lição ele deu ao nosso grupo de «jeitosos», que se ficou pelo mais completo anonimato. Por alguma razão foi ele o único finalista de 1962 que foi louvado em Ordem de Serviço do Colégio. O louvor foi-lhe concedido pela forma como ele sempre incentivou a malta da sua Companhia a praticar desporto. Durante a minha vida, tenho tido muitas oportunidades de apresentar o feito extraordinário do «Chico» como um exemplo a seguir. Ainda hoje, para mim, o seu feito é uma fonte de inspiração. Daqui lhe envio aquele abraço.
NOTA FINAL Não fomos a Tóquio mas o Colégio lá esteve representado, ao mais alto nível, pelo General Joaquim Miguel de Matos Fernandes Duarte Silva (8/1934), então Major, que com a sua égua “Jeune France” conquistou um brilhante quinto lugar no concurso de saltos. Foi um motivo de grande orgulho para todos nós.
Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti.
Recordando Cartas à Redacção
Cartas à Redacção A propósito do artigo «O último foi o primeiro», relacionado com a saída do último avião dos TAIP de Goa, no dia da sua invasão, que foi publicado no último número da nossa Revista, recebemos do José Carlos Correia Monteiro (184/1952), a seguinte carta que não resistimos a publicar:
Meu caro Luís, Tinha acabado de constatar no meu BI, o quanto estou velho, quando comecei a ler o teu artigo na última revista do Associação sobre os TAIP. Como recordar é viver, foi óptimo, porque o assunto levou-me aos anos 56/57 quando, aproveitando as idas dos aviões dos TAIP a Inglaterra para fazer manutenção, apanhávamos boleia e lá íamos nós a fazer figura de ricos. Bons tempos!!! Quando falas num tal de Marinha, piloto dos TAIP, tem razão de ser. O pai Solano tinha como 2º o Vasco Martins Rodrigues (67/1929) oriundo da Marinha que por ali esteve uns tempos. Vasco esse irmão do Manecas de Cavalaria (261/1940). Nesses tempos passados, o pai Solano era para nós o máximo, mais liberal e extrovertido fazia as nossas delícias com as suas histórias e peripécias por Carachi, etc. Conhecido como “one man airlines” fazia tudo naquela companhia - Comandante, homem de operações, chefe de manutenção, etc. Que por vezes despachava em cima de um bidon de gasolina em plena pista. Tempos em que as mangas de camisa se arregaçavam e dava origem a maravilhas. Voei com eles para Inglaterra e por cima do Golfo da Biscaia apanhámos uma tempestade terrível. O velho avião abanava, tudo rezava, vomitava e nós, Eduardo e eu, acagaçados não dizíamos peva. Quando tudo acabou o pai Solano com um sorriso brincalhão que alguns lhe conheciam, escondido pela sua cara de durão, disse: desculpem mas foi uma brincadeira do comandante. Tempos. Um abraço do Zé Monteiro (184/1952 - Balula)
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Instrução Velocipédica A formatura para esta instrução decorre no local onde actualmente e desde há longos anos se encontra o Jardim da Enferma. Este espaço era, na altura, utilizado para fins desportivos verificando-se no solo marcas delimitadoras dos campos de jogos. Na parede estão colocados espaldares que indicam que o recinto também era utilizado para aulas de ginástica. Ao tempo já existiam azulejos que, segundo José de Almada Negreiros (144/1945) terão sido realizados na segunda metade do Século XVIII por Francisco Jorge da Costa. Aparentemente, estariam a decorrer obras de conservação no Palácio Mesquitela (Residência dos Condes de Mesquitela), posteriormente residência do Director e, mais tarde durante longos anos, servindo de enfermaria e posto médico designados colegialmente por Enferma. Actualmente neste edifício encontram-se serviços da Direcção de Educação do Comando de Instrução e Doutrina do Exército e um pequeno posto de primeiros socorros.
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram Pedro Dario Fernandes (Sócio Honorário) PROFESSOR do COLÉGIO MILITAR Nasceu a 19 de Dezembro de 1935 - Faleceu a 21 de Abril de 2012
Professor Carlos Dario Fernandes
O Professor Dario Fernandes, exemplo ímpar no amor e carinho que dedicou ao nosso Colégio e aos seus Alunos, esteve em Câmara Ardente na Sala de Armas. O Colégio Militar que SERVIU ao longo de uma vida com a maior dedicação e todo o empenho, prestou-lhe esta significativa homenagem. A urna com os restos mortais do Professor Dario saiu da Sala de Armas com a Coberta Fúnebre da AAACM (onde sempre se sentiu plenamente integrado), que assim lhe prestou também uma derradeira homenagem muito merecida. Por todos os presentes foi bradado um vibrante Zacatraz, testemunho do respeito, amizade, consideração e grande estima que toda a Família Colegial lhe dedicava. A memória do Professor Dario será sempre recordada por todos nós como um exemplo das mais nobres qualidades humanas. Lá onde quer que esteja, estamos certos de que continuará a olhar por todos os seus Alunos e por todos os seus Camaradas do Colégio Militar.
O Professor Dario não partiu, Ele estará sempre entre nós. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
O Dario, como por todos era conhecido, dispensa quaisquer palavras. Estas, na realidade, são desnecessárias para quem teve o privilégio de o conhecer. Para ele o que verdadeiramente contava (e para todos assim deveria ser) não eram as palavras, mas os actos, as convicções, e a coerência. Justamente aí, ele foi mais até do que professor (disse Aristóteles que se «o professor ensina, o Mestre aprende»). Ele foi por isso um grande Mestre porque, pelo seu exemplo e generosidade, no muito que ensinou aos seus alunos, soube aprender também com eles pois sempre se preocupou em os ouvir, e compreender com paciência e tolerância. Como muito poucos, amou e Serviu o nosso, e seu, Colégio, com inexcedível brio, dignidade e grandeza aliando esta a um profundo sentimento de Humanismo e simplicidade. Figura impar de Homem inteiro e autêntico soube servir (humana e espiritualmente) ao longo de muitos anos o Colégio da Luz e, estou certo, que bem merece agora, a LUZ da Eternidade. A amizade, admiração e, sobretudo, a saudade que por ele sinto, eleva-me a alma e tolhe-me as palavras, como por certo aos seus alunos e outros professores que, com ele, se empenharam em busca de um Colégio cada vez, mais alto, fiel e perene nas suas raízes e reais valores. Assim, a par das nossas mais sentidas condolências para com toda a sua Família, se ergue um imenso coro ou hino colegial que se exprime e traduz numa só palavra: ALELUIA! Não morreu, ficou aqui, connosco, na barretina, na cú-
pula, nas colunas dos claustros que, como disse um antigo e inesquecível Director, «Estas paredes têm feitiço!».... É bem, verdade, ele apenas partiu sem nos deixar porque, se com ele levou algo (e foi muito) de nós próprios, muito mais foi o que deixou em todos nós e ao nosso Colégio. Roberto Ferreira Durão 15/1942 (Professor de 1976 a 1998)
Professor Dario Fernandes Sócio Honorário nº 2 Não fui aluno do professor Dario no Colégio. Ele entrou para o Colégio no ano lectivo seguinte ao da minha saída, pelo que na altura apenas o conhecia de vista, sabendo porém que ele rapidamente se tinha imposto no Colégio como um bom professor e um homem de carácter. O meu primeiro contacto directo com o Dario deu-se no decurso de uma missão ao Brasil, em Setembro de 1965, por ocasião da celebração do 4º centenário da ci-
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dade do Rio de Janeiro. A missão era composta pelas classes especiais de ginástica do Colégio, dos Pupilos e da Academia Militar, que aí fizeram várias exibições de ginástica e tomaram parte no grandioso desfile militar comemorativo daquela efeméride. O Dario dirigia então a classe de ginástica do Colégio, eu integrava a classe da Academia Militar. A apresentação daquela classe de ginástica do Colégio no Brasil, penso que terá sido a primeira grande prova de fogo a que o Dario foi sujeito e na qual demonstrou a sua grande competência técnica e capacidade de liderança, exercida com a maior das naturalidades e descrição. Preparou aquela classe à pressão, no mês de Agosto, na Feitoria. Conseguiu, num mês apenas, criar uma classe que dignificou o Colégio. O Professor Reis Pinto, que era então a referência da ginástica colegial, ficou verdadeiramente impressionado e fez-lhe um rasgado elogio. A partir de então e durante mais de 30 anos, o Dario não mais parou. Preparou sucessivas classes do Colégio e da nossa Associação, não cobrando nada por treinar estas últimas. Levou essas suas classes a tardes e noites de glória, no país e no estrangeiro, com exibições memoráveis. Todos terão, com certeza, gravadas nas suas memórias essas exibições, quer por nas mesmas terem participado, quer por às mesmas terem assistido. Todos os componentes dessas classes guardam nos seus corações o orgulho de a elas terem pertencido. São centenas de Antigos Alunos nestas condições. O Dario não era no entanto um professor interessado apenas nos alunos com maior aptidão natural para a ginástica, para com eles brilhar e fazer as suas classes especiais. Interessava-se por todos os alunos por igual e conseguiu fazer com que alunos com menores aptidões se superassem a si próprios, vindo a ser integrados naquelas classes, coisa com que nunca se tinham atrevido a sonhar. Durante cerca de 3 anos fiz parte da classe de ginástica da nossa Associação, ficando a conhecer bem o Dario. Aí nasceu a nossa grande amizade. No número 181 Outubro/Dezembro 2010 desta nossa Revista, foi publicado um arti-
go intitulado «Faça-se Justiça», em que foi publicado o louvor conferido pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército ao Dario, no final da sua carreira de professor no Colégio. Esse extraordinário louvor, que aqui de novo publicamos, expressa bem as admiráveis qualidades do Dario. Quem trouxe esse louvor ao conhecimento da redacção da Revista foi o António Rodrigues (319/1966), que nos escreveu uma carta que foi transcrita naquele artigo, sendo ela mesma um belo louvor. Nela se dizia que o Dario tinha sido como um segundo Pai para muitos alunos. Na realidade assim foi, sobretudo nos tempos da guerra do Ultramar, em que muitos Alunos tinham os seus pais ausentes, em sucessivas comissões em África. Foi o Dario que evitou que muitos deles «descarrilassem». Foi ao Dario que muitos deles ficaram a dever o facto de terem conseguido concluir os seus cursos no Colégio. O Dario para além de ter sido um excelente professor, foi também um notável educador. Educava pelo exemplo, única forma eficaz e legitima de o fazer. Era um homem de carácter, era um homem de rigor. O Dario ficou a constituir uma referência moral para todos aqueles que tiveram o privilégio de ser seus alunos, ou apenas de com ele conviver. Em boa hora e com toda a justiça, foi o Dario nomeado Antigo Aluno Honorário pela nossa Associação. Era assim um dos nossos, mas era sem dúvida um dos melhores de todos nós. Reconhecendo este facto, atribuiu-lhe a Associação um dos prémios Barretina 2011, na Categoria «Amigos do Colégio Militar». A entrega deste prémio ao Dario, no jantar comemorativo do 108º aniversário da Associação, realizado no Hotel Pestana Palace, foi um acontecimento memorável. Quando ele foi chamado ao estrado para receber o prémio, as centenas de Antigos Alunos que enchiam a vasta sala levantaram-se em uníssono e brindaram-no com uma estrondosa e prolongada salva de palmas, facto que nunca tinha ocorrido na atribuição destes prémios. Ainda bem que assim aconteceu, pudemos testemunhar-lhe, ainda em vida, toda a consideração e respeito que por ele nutrimos. O Dario faleceu abruptamente e deixou-nos em estado de choque. A notícia
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correu como fogo num rastilho e foi um toque a reunir. Levou-nos a acorrer em massa ao Colégio, para lhe prestarmos uma última homenagem. Honra à Direcção do Colégio Militar, por ter posto à disposição a Sala de Armas para nela podermos velar o corpo do Dario. Honra aos Alunos do Colégio Militar, por terem participado nessa «velada de armas». Honra ao Capelão do Colégio Militar, pela admirável homilia que proferiu, em que enalteceu devidamente as qualidades do Dario e nos lembrou que foi um mestre que nos levava a superar aquilo que nós pensávamos ser os nossos próprios limites. Foi homenageado na casa a que pertencia e tudo foi feito como se devia. O enorme ZACATRAZ com que nos despedimos dele, quando a urna ia a ser colocada no carro funerário, foi a nossa forma muito própria de lhe dizermos «Até sempre Camarada». O Dario faleceu, mas continuará sempre entre nós, pois guardaremos sempre a sua recordação nas nossas memórias. A encerrar esta minha singela homenagem, atrevo-me a fazer uma sugestão, que espero que congregue o apoio generalizado da nossa comunidade de Antigos Alunos e o empenho da Direcção do Colégio. Que seja dado ao ginásio do Colégio a designação «Ginásio Professor Dario Fernandes», que seria inscrita em lápide aí a colocar, juntamente com a sua fotografia. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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No Olimpo privado que vamos todos construindo ao longo da vida, pomos e dispomos deuses, e descobrimos alguns que já lá estavam sem que disso nos apercebêssemos até então. A todos eles desafiamos, em algum momento… - e não é para isso que servem os deuses, para serem desafiados a remeterem-se à condição humana?... Diz-se que são condescendentes, os deuses, com aqueles que ousam desafiá-los. Alguns, ancorados na sua inatingível eternidade, divertem-se, displicentes, com os erros dos humanos.
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Nesse Olimpo, há-os que caiem subitamente do pedestal; e outros, cujas estrelas e poderes se desvanecem, simplesmente, com o tempo… Mas há também aqueles que, de tão próximos com os humanos, permanecem incólumes, intocáveis, mais humanos ainda que os humanos a quem tocaram com a sua sábia, humilde, entrega. DARIO, boa viagem neste mês de Abril, Zacatraz e “allez, allez, à votre santé” Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva 133/1961
O Dario marcou de forma indelével gerações de alunos e a própria história do Colégio Militar. O Dario é um de nós.
Ao Homem, ao Amigo, ao Colega, ao Professor Dario, um Grande ZACATRAZ. Carlos Alberto Reis
Um grande Zacatraz! Deixa saudades como Professor e como Homem. A Família Colegial ficou mais pobre. Tiago Mariz
Grande Homem e Grande Professor. Foi ele que fez de mim o ginasta que fui durante 3 anos na classe especial do Colégio. Estará para sempre no meu coração. Um grande e sentido até sempre. Estará sempre presente no meio daqueles que tiveram a Honra de com este Grande SENHOR privar. ZACATRAZ! Vítor Capela
Que Deus tenha em sua paz uma das mais brilhantes estrelas guia da formação do carácter dos alunos do Colégio Militar. Eternamente fará parte daquela alma que sentimos que povoa os nossos claustros, e que somos todos nós. Aquele abraço e um emocionado Zacatraz ao Professor Dario! Até sempre! Rui Santos Sempre connosco e nós sempre com ele. Pedro Barreiros Deixo aqui expresso o meu pesar e a minha homenagem a um grande Homem, que soube honrar o Ensino e a Casa que representou durante muitos e bons anos. Um homem nobre, com uma alma de gigante, que soube transmitir valores e formar Homens, sempre em defesa do lema “Servir”! Professor Dario... até Sempre! ZACATRAZ! Rui Coelho Zacatraz! Grande Professor. Uma pessoa Enorme. Miguel Vasconcellos Devo-lhe muito, muito mesmo. Bom amigo um segundo pai. António Valente Encontramos muitos professores ao longo da vida mas poucos são os que ficam na memória e nos acompanham de alguma maneira muito depois de completarmos os estudos. Este Professor foi sem dúvida um deles. Que descanse em paz. Luís Tojais O Professor Dario é ÚNICO. Ricardo Rebordão de Brito Grande Homem. Um exemplo a seguir. ZACATRAZ! Francisco José Côrte-Real Que descanse em paz. Tive a sorte de o ter com o meu Professor do 1º ao último ano do CM. Muito Obrigado Professor Dario, até sempre. Miguel Palma Pinheiro Silva Grande Homem! Obrigado amigo e colega DARIO FERNANDES! Descansa em Paz! António Pedro Costa Fernandes Receba a minha profunda homenagem ao seu ESPÍRITO ELEVADÍSSIMO! Carlos Saraiva (110/1968)
Um grande Professor e um Enorme AMIGO. Sem dúvida o Professor com maior importância na minha formação enquanto Homem e Ser Humano. Obrigado por tudo Professor Dario, jamais o esquecerei. Um grande Zacatraz! Rodrigo Albuquerque Nunca poderei expressar com palavras a gratidão que sinto por si Professor! Até sempre! Rodrigo Abreu Muito obrigado por tudo o que nos deu e ao nosso Colégio. Os momentos que partilhámos deixarão para sempre a recordação de um Amigo e de um Professor que muito nos transmitiu. Será para sempre um de nós! O seu exemplo de carácter, amizade, profissionalismo, dedicação aos seus alunos e amor ao Colégio será para sempre uma fonte de inspiração. Que descanse em paz! ZACATRAZ! Jorge Manuel Alves Caetano Obrigado por tudo, meu Tenente! E não foi só no Voley ou nos “Gafanhotos”! Isso até terá sido o menos! Mas a referência como HOMEM... ÚNICA! RIP! João Paulo Alves Caetano O “nosso” Tenente Dario foi um dos homens que no Colégio nos proporcionou de forma apaixonada o sentido da responsabilidade, da amizade, do respeito e da camaradagem! Um exemplo para todos os portugueses! Jorge Gouveia da Costa Grande professor. Excelente amigo. Vamos sentir a sua falta. Que esteja em paz. Alexandre Duarte Silva Um homem que marcou gerações. Sentida homenagem. Hugo Dias Um grande Homem em tudo o que quisermos comparar com os demais. Dedicado aos Alunos, exigente na sua profissão, justo nas avaliações, amigo do CM e sempre fiel aos seus princípios. Foi um formador de excepção, um líder exemplar e uma inspiração para todos nós. Preservar a
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sua memória, será a melhor homenagem e a forma de lhe agradecer o tanto que fez. Jorge Esgalhado Já não chorava há tempos, ao ler esta triste noticia não pude conter as lágrimas, por tudo o que por mim fez e me ensinou não só fisicamente como em tudo o resto, Que descanse em paz. José Pereira Leite (602/1961) Vi-o pela última vez no passado 3 de Março, na cerimónia no Colégio. Não é de estranhar... não faltava a uma, tal como as colunas dos claustros também não faltam. Não tive oportunidade de lhe falar desta vez. Estava já a sair pelo portão e fiquei-me por um adeus enquanto o via fazer o que sempre o vi fazer nestes últimos anos: a abraçar alguém com entusiasmo e com um sorriso-de-vida-cheia. Adeus Dario! Os claustros ficam com menos uma coluna. Nelson Lourenço Durante os anos do Colégio são com certeza alguns os professores que nos marcam, agora conseguir encontrar um mesmo Professor de que todos nos lembramos imediatamente mal se fale no Colégio, só é possível num grande homem que sem duvida deixa saudades. Um grande Zacatraz! Manuel Lanhoso Gerações e gerações de Meninos da Luz devem a este GRANDE HOMEM o seu desembaraço e destreza física e respectivas qualidades morais associadas. ETERNA SAUDADE! Miguel Pombeiro Uma Luz que nunca se apagará... obrigado ... até sempre...ZACATRAZ! Nuno Ferreira Uma referência e um exemplo para todos nós. Será sempre lembrado com saudade. João Paulo Silva Um grande HOMEM e um grande MESTRE. Paz à sua alma. ZACATRAZ! Hugo Pugsley Inocêncio O Professor na altura Tenente foi o meu Professor no CM. Nunca o esquecerei. António Cid Alvares É um facto que a Vida é uma passagem... mas Aqueles que Marcam a nossa pela Positiva são Dignos da Nossa Memória e Agradecimento! Bem-haja nosso Tenente por Tudo o que Nos Ensinou e Transmitiu... Nunca será esquecido pela Família Colegial! Até Sempre... ZACATRAZ! João Socorro Apanhado de surpresa pela notícia choque. Homem bom. Meu professor de ginástica no CM nos anos 60. Inesquecíveis as exibições da “sua” classe especial de ginástica do COLÉGIO nos saraus no antigo PAVILHÃO DOS DESPORTOS agora denominado CARLOS LOPES. Até sempre tenente Dario. ZACATRAZ! Abel Soares de Macedo Professor Dario, um exemplo de persistência e brio, sempre apresentando tão dignamente a sua Classe Especial... Inesquecível! Carlos Saraiva (110/1968) Sem dúvida o Dario foi a pessoa que mais me marcou na minha passagem pelo Colégio. Devo-lhe muito e sou muito aquilo que ele me ensinou. ZACATRAZ. João Belfo O sentimento, a gratidão, a amizade e a saudade que nutrimos pelo Professor Dario está guardada no coração de gerações de antigos alunos
que com ele privaram uma vida intensa. O Professor Dario é um de nós! A sua memória está gravada a fogo nas paredes seculares do Colégio Militar. João A. Guardo com muito amor o último abraço que lhe dei. Foi no primeiro jantar a que fui e quis Deus que me fosse despedir dele. A minha despedida para alguém que vou guardar num lugar ao lado do meu pai. ZACATRAZ. António Valente Abençoado seja quem nos ensina valores e rigor. Foi o caso do Tenente Dario Fernandes que agora foi descansar após décadas a tirar o melhor de gerações de Alunos do Colégio Militar. Foi um privilégio de vida para todos nós ter um Professor que nos fazia exceder os nossos limites de conforto, em busca de algo mais elevado do que pensávamos ser capazes de atingir Há pessoas-jóias que guardamos no coração e na razão como faróis do nosso existir. O Tenente Dario é certamente uma dessas dádivas raras da vida. Obrigado sempre! António Mateus Aos 17 anos fiquei a dever-lhe ter-me salvo de um desastre de consequências imprevisíveis num salto de mini-trampolim na classe especial do Colégio; aos 64 fico a dever-lhe o exemplo de amor a uma causa e a todos nós produto dessa causa. Espero que tornemos a encontrar-nos. Martiniano Gonçalves Excelente professor de educação física, HOMEM camarada e amigo. Paz à sua alma. Comemorámos os 50 anos de entrada em Nov/2011, e lá nos acompanhou mais uma vez nessa nossa romaria, e sinto hoje como sempre sentirei o enorme abraço que trocámos, infelizmente o último. Acredito que o voltarei a abraçar noutra vida, oxalá assim seja. Bem hajas Dario por tudo o que nos deste. José Pereira Leite (602/1961) Deus levou-nos um grande EDUCADOR, brilhante Professor de Educação Física e Oficial distinto. O seu nome e a sua personalidade marcar-nos-ão para sempre. Que descanse em paz. Walter de Carvalho Faleceu o Dario Fernandes. Professor excelente da área da Educação Física, era pessoa de princípios e valores, determinado a fazer de cada um de nós um Cidadão exemplar. Era um Homem de Excelência. De Carácter. Tão excelente que lhe foi atribuído o grau honorífico de Antigo Aluno. Mas mais do que isso: era considerado (e não é nada fácil sê-lo...) por todos nós, seus antigos alunos, como um dos nossos - um genuíno Menino da Luz. Durante a sua vida colegial de muitos anos passada entre os claustros e o ginásio do Colégio Militar foi sempre um companheiro atento e solidário. Capaz de ouvir e ajudar. E de, na altura devida, nos transmitir a confiança necessária. E como voámos então... Sob o seu comando e orientação fiz parte de uma Classe Especial de Ginástica. De excelência, claro! E da qual guardo - sempre que nos encontramos uns com os outros e o recordamos - excelentes memórias. Até sempre, Dario! ZACATRAZ! João Paulo Bessa (200/1957)
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Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943) Coronel de Cavalaria Nasceu a 31 de Janeiro de 1933 - Faleceu a 10 de Abril de 2012
Elogio fúnebre a Nuno Bívar Lido no Funeral a 11 Abril 2012 por seu filho, Pedro Bívar • Que se pode dizer de um homem que viveu como quis e morreu como desejou? • De um homem independente, livre, que pautou a sua vida por princípios e opiniões firmes, imune a criticas ou juízos alheios e alheio a tudo o que não fosse ditado pela sua consciência e valores? • Que dizer do Homem, do Ex-aluno do Colégio Militar (Instituição que o marcou para toda a vida e à qual teve o maior orgulho de pertencer), do Soldado, do Desportista, do Cavaleiro, do Amigo, do Pai, do Avô, do Bisavô? • Que era bom Militar? Um atleta de elite? Corajoso? Temerário? Amigo do seu Amigo? Altruísta/Egoísta? De convicções profundas e inalteradas? Politicamente incorrecto? Com o coração perto da boca? (o que em ambos os casos lhe trouxe dissabores…) Demasiado frontal? Meticuloso até à exaustão? Trabalhador incansável? Perfeccionista? Bom Pai (apesar de pela sua independência parecer distante)? • Se calhar dele, de tudo isto se pode dizer um pouco. • Viveu como quis, e daí alguns o pudessem catalogar de egoísta. Mas se o foi, terá sido um egoísta saudável, pela positiva, optimista, construtor de coisas, condutor de homens. • Viveu rodeado dos seus Livros (sobretudo de Desporto e até escreveu um livro de ensino de Ténis, a sua paixão dos 30, 40 anos), dos seus filmes, das suas fotos, dos seus cavalos, dos seus amigos, das pessoas que amava. • Viveu à sua maneira! Imune ao tempo e às modas passageiras. • Nunca se aplicou tão bem a ninguém a canção do Sinatra. • A Família lá longe e cada vez mais perto. Os seus filhos, netos e bisnetos que amava cada vez com maior devoção. • Compreendíamos isso. Essa distância calculada e programada. Nada era feito ao acaso. • Mas ele, sempre presente nos momentos importantes, fazia-nos ver e sentir que essa distância era apenas ilusória. • Estivemos afinal sempre presentes. • Dele, que não se diga que passou despercebido ou indiferente por este mundo. • Excessivo em tudo. Nas muitas virtudes e alguns defeitos. • Para ele não havia zonas cinzentas! Tudo era claro e cristalino! • Gostasse-se ou não se gostasse, tinha de se comprar o pacote inteiro. • Era assim. Sem compromissos. • Amava tudo em excesso. O seu passado de Menino da Luz, a sua carreira militar, as suas “Guerras” (a de África e outras), a sua vida desportiva, os seus amigos, os seus cavalos… • Em tudo se empenhava a 200% • E Ai de quem lhe dissesse que era tempo de ”arrumar as botas”. • Ainda há pouco tempo confessou publicamente que era verdadeiramente feliz e que tinha uma vida totalmente preenchida. • Viveu como quis, Morreu como desejou! A dar 1 salto quase perfeito. • Dizem-me amigos entendidos, que no mundo não haveria muita gente a montar a cavalo com a sua idade, quanto mais a dar os saltos que dava diariamente, fizesse frio, chuva ou calor. • Partiu a galope para o outro lado, num salto igual a tantos outros, desta vez quase perfeito. • Que cavalgue feliz por esses campos do Além, no seu cavalo Rembrandt, a dar os saltos que idealizou e programou ao milímetro, agora sim perfeitos, que nós por cá continuaremos a apreciar e aplaudir. • Morreu um Homem, Morreu um Menino da Luz, Morreu um Soldado, Morreu um Herói de África, Morreu um Homem Feliz. Morreu o meu Pai! • Quem nos dera a todos, um dia partir assim. • PAZ À SUA ALMA! Do filho amigo, Pedro
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Posso dizer: «Viveu como queria e morreu como quis». Por isso, as duas únicas palavras que se me oferecem dizer a todos os seus Familiares, Amigos e Camaradas são apenas estas: GLÓRIA!... ALELUIA! Robert Ferreira Durão 15/1942
NUNO BÍVAR – TODOS POR UM
O tempo cavalgaste Qual Cyd Campeador Por isso te salvaste Em glória, sem temor. Nuno, tu só partiste... Pois em todos deixaste Um exemplo que persiste: Não morreste, ficaste. Valor e dignidade Te reflecte e traduz Porque foste, em verdade Um Menino da Luz! Que mais poderei dizer além desta simples Trilogia em verso onde tento definir o que foi e será sempre, para nós, o Nuno. Era do curso a seguir ao meu e sempre nos uniram fortes laços de camaradagem e amizade e um amor muito grande a tudo o que fosse Desporto. Foi um digno e eficiente Subdirector do nosso Colégio numa altura em que lá servi como Professor de Educação Física. Realço, acima de todas as suas qualidades de Homem, Militar e Cavaleiro, a persistência e determinação que punha em tudo o que fazia. Conheci muito poucos que soubessem como ele encarar a vida como um permanente desafio, uma victória sobre si próprio numa vontade férrea que o impelia a nunca desistir fossem quais fossem os obstáculos.
É assim que nós, os amigos do Nuno Bívar, do Curso do Colégio saído em 1950, expressamos nesta ZacatraZ e intitulamos esta breve homenagem, ao sentido de camaradagem que o Nuno tão bem interpretou para todos nós. Por isso estas palavras que trazemos gravadas, saem do nosso peito com um sentimento de saudade da sua presença que agora não podemos ter, porque um inesperado acidente o roubou do nosso convívio. O Nuno foi sempre um exemplo de amigo e camarada que contribuiu para a grande unidade de todos os elementos do Curso. Foi desde menino, um sobredotado – e menino de 10 anos era quando em 1943 entrou para o Colégio –, de um vincado espírito competitivo. Não apenas no desporto, em que foi um ecléctico praticante que os seus excepcionais e precoces dotes físicos favoreceram, mas na vida em geral. Gostava de competir e competia para ganhar. Houve aqui um favorecimento gené-
tico porque o Nuno atingiu precocemente um índice de desenvolvimento físico mais rápido do que os seus camaradas, embora este tenha terminado mais cedo. Um exemplo disso foi a sua vitória num campeonato interno de ténis de mesa que teve lugar no Colégio e onde o Nuno superou todos os concorrentes, alguns com mais quatro ou cinco anos de idade e sabe-se como na adolescência uma pequena diferença etária corresponde a um muito maior desenvolvimento físico. Era assim o Nuno um notável exemplo de desembaraço físico. Praticava todos os desportos com prazer, grande dedicação e afinco. Quando ganhava gosto por qualquer desporto apaixonava-se. Então evidenciava uma persistência, tenacidade, dedicação, estudo do pormenor, que o transformava a breve prazo num especialista. Foi assim no andebol, no ténis e por último no hipismo. Esta persistência, determinação e rigor também a colocava na sua vida profissional, onde se distinguiu como militar de eleição em muito difíceis circunstâncias. No 6.º ano, com outros de nós, destacou-se nuns episódios que revelavam a rebeldia do curso, aliás vulgares no penúltimo ano, em que éramos já “veteranos”, “velhões”, conhecedores de todos os segredos da casa mas ainda sem responsabilidades de graduados, ambiente propiciador de um comportamento “refractário”, como lhe chamávamos, mas que não manchava o nosso carácter. Valeram-nos sanções disciplinares para todos e mais agravadas para um grupo restrito. Daí resultou que o Nuno não fosse, no 7.º ano, contemplado com a graduação a que aspirava e certamente merecia, comandante de companhia ou ajudante do batalhão, ficando-se como “sorja”. Mas no 7.º ano, em 1949-50, quando da memorável visita do Batalhão Colegial a Espanha (Madrid e Toledo), foi integrado na escolta à bandeira, ao lado do Estandarte Nacional, o Guião do Colégio, inovação que perdura e ao Nuno Bívar coube a honra de ser o primeiro porta-guião. Foi para ele uma meia vitória. A todos espantava nos últimos anos com a sua presença nos Concursos Hípicos de saltos de obstáculos, não só pela idade que tinha, mas pelos títulos de Campeão Nacional de Veteranos, que conseguiu em
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quatro anos: (2006, 2007, 2008 e 2010). Queremos também lembrar o tirocínio em Torres Novas onde alguns de nós aprenderam a ser oficiais de Cavalaria e adquiriram as capacidades que isso obrigava para o seu futuro. O Nuno foi um excelente oficial da Arma revelando ao longo do seu percurso invulgares dotes de comando. Perfilado perante a sua memória só lhe pedimos que lá nas longínquas paragens onde a sua alma plana, se lembre de nós para que um dia de novo reunidos possamos fazer entre as nuvens outras cavalgadas nocturnas faiscando nas calçadas como as que testemunham as tortuosas ruas de Torres Novas. Da sua ligação ao Colégio, que ele mantinha como um troféu, deve assinalar-se que, como coronel, foi chamado a desempenhar as funções de subdirector entre Março de 1982 e Novembro de 1983, que assumiu com todo o entusiasmo e dedicação que a instituição sempre lhe mereceu. Inesperadamente saíste da nossa “formatura”, mas o teu lugar ficará sempre bem guardado na nossa memória e nos nossos corações. Á Família do Nuno apresentamos as nossas muito sentidas condolências. TODOS perdemos UM BOM AMIGO. TODOS somos o Curso do Colégio Militar de 1943/1950 Conheci o Nuno Bívar em Angola, no ano de 1972, no distrito do Cuando-Cubango, também conhecido por «Terras do Fim do Mundo». Eu era então capitão e estava em Serpa Pinto, a dirigir a construção do que seria o Aeródromo Base nº 10. O Nuno, então major, estava em Mpupa, no extremo Sul do distrito, na zona da fronteira com a Namíbia, base do Batalhão de Cavalaria 3845, de que era oficial de operações. Quando ele vinha ao comando do sector, em Serpa Pinto, lá nos encontrávamos. Não sabendo de início que ele era antigo aluno do Colégio, simpatizei logo com ele. Era um tipo desempoeirado, desenrascado e voluntarioso, com forte personalidade, do género que as circunstâncias da altura exigiam e que o pessoal apreciava. Soube logo que ele era um grande desportista, tendo sido, entre outras coisas, internacional de andebol e
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sendo ainda um tenista de mérito. Cheguei a vê-lo jogar ténis em Luanda, durante uma das suas licenças, em que ia visitar a sua família, que aí se encontrava. Eram «clientes» da messe da Força Aérea, junto ao Liceu Salvador Correia de Sá, onde as suas duas lindas filhas e o seu filho estudavam.
bicentenário do Colégio, o Nuno, então com 70 anos, fez a «graça» de ganhar uma das provas, se bem me lembro a principal. Fiquei boquiaberto e comparticipei da sua alegria. Depois continuou sempre a competir, com a maior das naturalidades, como se os anos não passassem para ele. No ano passado, decidiu o Governo, em
Constava naquele tempo em Serpa Pinto, que o Nuno tinha mandado construir na Mpupa uma placa em betão para a aterragem de helicópteros, a qual, por «mero acaso», tinha saído com as dimensões próprias de um «court» de ténis. Em consequência, o Nuno lá tinha de se «sacrificar» e dar uso ao «court» com os parceiros improvisados que apanhava á mão. Muitos anos passados, confrontei-o com este boato picaresco. Não confirmou, nem desmentiu, fartou-se de rir. Regressados ao nosso rectângulo europeu, tive oportunidade de seguir a continuação da carreira desportiva do Nuno, agora nos concursos hípicos em que ele participava, em que deixou bem marcada a sua presença, demonstrando sempre um enorme querer, uma boa técnica e uma alegria de conviver e de participar, que nunca diminuíram ao longo dos anos. Em 2003, no «Jumping» comemorativo do
hora muito feliz, condecorar o Nuno, num acto de inteira justiça, com a medalha de Mérito Desportivo. A ocasião escolhida para a entrega da medalha foi a Semana Equestre Militar, realizada como sempre em Mafra, local ideal para a consagração deste desportista de eleição. Tive o privilégio de estar presente na cerimónia , da qual fiz a reportagem para esta nossa Revista (nº 183 Abril/Junho 2011), tendo salientado a justiça da concessão da medalha, como reconhecimento de uma carreira desportiva única, pela sua variedade, qualidade e longevidade. Também no ano passado e pelo mesmo motivo, a nossa Associação o distinguiu com a atribuição de um dos prémios BARRETINA 2011, o que noticiei no nº 185 Outubro/Dezembro, desta nossa Revista, em que afirmei que o Nuno constituía um verdadeiro «caso de estudo». Ainda bem que tudo se passou assim, pois todos tiveram a oportunidade de demons-
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trar ao Nuno, ainda em vida, toda a admiração e o respeito que por ele nutriam. A notícia da morte do Nuno foi brutal, mas resta-nos a consolação de saber que morreu dando satisfação à sua paixão de montar a cavalo. Tendo-se mantido um «rapaz» até ao fim, o Nuno não parava de fazer coisas novas e de fazer projectos. Nos últimos anos fazia reportagens vídeo das suas actividades hípicas, nomeadamente das celebrações dos seus dias de anos sempre a cavalo. Tive a sorte de ele me incluir na «lista de distribuição» dessas suas produções, que guardo em minha casa. Tinha agora, em princípio de produção, um conjunto de vídeos, que iria ter por título «O ABC da equitação», sobre o qual trocámos várias vezes ideias, tanto por telefone como por e-mail. Caro Nuno, quem sabe se poderemos ainda um dia vir a retomar o assunto, lá no lugar em que te encontras? Até sempre. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Conheci o Coronel de Cavalaria Nuno Bívar, em circunstâncias especiais e não muito comuns no nosso Exército, quando, como Comandante, foi designado para formar e instalar em Portalegre uma nova Unidade (Centro de Instrução de Polícia do Exército), e levou consigo um conjunto de oficiais de que eu fazia parte. Foi um trabalho árduo e enriquecedor, uma mistura permanente de honra e responsabilidade, uma experiência inolvidável para os que, sob a sua liderança, ergueram a obra. Durante o tempo em que permaneci naquela Unidade de Cavalaria, não só fiquei a sentir bem o pulsar do Homem, do Militar e do Desportista, como também o comandante rigoroso, na definição da sua própria linha
de tolerância em relação aos subordinados, independentemente da função ou posto. Mais tarde, voltámos a encontrar-nos no Colégio Militar, onde desempenhou as funções de Subdirector. Neste Estabelecimento de Ensino, e em razão duma maior proximidade que advinha da relação hierárquica, foi possível um estreitamento das relações pessoais já existentes. Depois disso, mantivemos um salutar relacionamento, sempre gerado e cimentado no entendimento e consideração mútuos, e aprofundado nos anos seguintes. A última vez que nos encontrámos ocorreu no ano transacto, na véspera de receber a Medalha de Bons Serviços Desportivos com que fora condecorado pelo Governo, quando eu convalescia duma intervenção cirúrgica. Sabendo da minha impossibilidade de comparecer à citada cerimónia, para a qual expressamente me convidara, não deixou de me visitar no hospital, gesto este que muito me sensibilizou e que define o nível de uma relação de amizade sólida, sã e desinteressada. Penso que se deve ao enquadramento a que me reportei e ao elo especial que nos unia, o facto de o Coronel Bívar ter deixado expresso o desejo de que eu, a acontecer um dia a sua morte, redigisse algo a seu respeito, para publicação na Revista da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. É o que agora faço, em singela homenagem e em cumprimento desse seu desígnio. Não me compete relevar a sua vida militar e desportiva, pois o percurso por si delineado ficou documentado e gravado nos louvores e condecorações que granjeou, ao longo do tempo. Todavia, considero que conheci uma figura ímpar, cujos defeitos e qualidades se fundiam numa simbiose que o distinguia dos demais. Recordo a sensibilidade e a emoção à flor da pele, a força e a energia de que era
Orlando José Sequeira da Silva (226/1944) Oficial do Exército - Coronel Faleceu a 24 de Fevereiro de 2012
dotado, bem como a generosidade e o carácter que não deixavam indiferentes aqueles que com ele tivessem privado. Recordo o temperamento ardente e impetuoso, a frontalidade do discurso, a coragem nas atitudes, a firmeza na decisão, o espírito organizado, metódico e disciplinado. Recordo a figura controversa da Instituição Militar do seu tempo: o Homem que, em determinado momento da sua carreira militar, e no meio das sequelas da revolução, se sentiu traído por alguns camaradas e amigos, facto este que o marcou profundamente, mais até do que ver bloqueada a sua ascensão na hierarquia. Recordo os seus conhecimentos polivalentes, a competência e prestígio a que se alcandorou como militar, treinador e desportista de eleição. Sábado, 7 de Abril deste ano! Um dia que parecia ser igual a tantos outros, quando o telemóvel toca e, no visor, surge o nome do Coronel Bívar. Como sempre acontecia, e acontecia com frequência, atendi e, num impulso, cumprimentei-o. Contudo, a voz do meu interlocutor não era a habitual...Era o filho Pedro a comunicar-me que o pai perdera a vida na sequência de um acidente a cavalo, ao cair após efectuar um salto. Demorei a reagir, abalado por uma notícia inesperada e trágica, que não queria aceitar como um facto real! Infelizmente, restava-me constatar o quanto a vida é efémera, traiçoeira e imprevisível. Partiu o Coronel Bívar. Partiu como viveu. Tentando sempre saltar todos os obstáculos, independentemente da sua natureza ou grau de dificuldade, pois era em si que ele mais confiava... Partiu, porque tinha de partir! Partiu, porque aquele seria o seu último salto... O eterno amigo Luís Manuel Coimbra
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Pedro Maria Ferreira Soares e Silva (283/1946) Técnico de Informática Nasceu a 20 de Novembro de 1935 - Faleceu a 3 de Janeiro de 2012
Faleceu o meu amigo Pré, o 283 Pedro Maria Ferreira Soares e Silva que entrou para o Colégio Militar em 1946. O Pedro nasceu a 20 de Novembro de 1935 em Alenquer e era filho do Coronel Luís Maria Soares e Silva, que foi Subdirector do Instituto dos Pupilos do Exército nos anos 50. O Pedro foi um dos 7 meritíssimos furriéis do curso 1946/1953, e sempre se revelou um individuo de inteligência superior, reservado, com um sentido de humor muito próprio, pensador e com uma capacidade critica apurada. Colaborou com excelentes escritos para um jornal criado por alguns do curso em 1952, chamado “O Despertar”, jornal este de que saíram apenas 4 números e que tinha como objectivo publicar notícias sem censura da Direcção do Colégio. A situação não era aceitável e a solução foi integrar os colaboradores deste jornal no corpo da redacção da revista “O Colégio Militar”. Terminado o curso do Colégio Militar frequentou o ano de preparatórios na Escola do Exército na Amadora, mas nitidamente não seria essa a sua vocação, pelo que
abandonou virando-se para a informática que, na altura, estava nos seus primórdios. Começou por trabalhar nos Serviços Cartográficos do Exercito e passado pouco tempo entrou para a IBM como técnico de informática, onde se tornou um profissional muito conceituado na sua área, e onde trabalhou até se reformar. O Pedro faleceu a 3 de Janeiro de 2012
no Carregado. Para o curso de 1946/53 e para a família enlutada, em particular para a Ana Maria, filhos e netos, as minhas sentidas condolências. Pré descansa em paz, um dia voltamo-nos a encontrar todos. Mário Jorge Santiago Baptista Coelho 55/1946
Mário Alfredo Brandão Rodrigues dos Santos (56/1949) Oficial do Exército – Tenente-Coronel Nasceu a 9 de Setembro de 1937 - Faleceu a 3 de Fevereiro de 2012
Frequentou o Colégio Militar, a Escola do Exército, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a Academia Militar e o Instituto de Altos Estudos Militares. Oficial do exército desde 1958, esteve colocado em Mafra, Porto, Braga, Amadora, Faro, Espinho, Trataria, Coimbra e Lisboa. Cumpriu comissões de serviço em Macau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Tem averbado na sua folha de serviço vinte e dois louvores e sete condecorações. Fez parte do “MOCAP” (Movimento dos Capitães) posteriormente designado por “MFA” (Movimento das Forças Armadas) que preparou, planeou e executou o 25 de Abril de 1974. Eleito para a “Assembleia dos 200” e para a “Assembleia do MFA”, aí se manteve até
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à extinção deste órgão do Movimento das Forças Armadas. Assessor do Conselho da Revolução. Promotor de Justiça do 1º Tribunal Militar do Porto. Candidato às eleições legislativas de 1987, como independente, pelo MDP/CDE.
Membro da Comissão Nacional de Apoio à Candidatura da Eng.ª Maria de Lourdes Pintassilgo à Presidência da República. Eleito em 1989 para a Assembleia Municipal de Penafiel como independente, pelos “Verdes”, integrado na CDU.
Sócio fundador da Associação 25 de Abril “A25A”. Sócio fundador da Associação de Politica Regional e Intervenção Local “APRIL”. A todos os seus Familiares apresentamos as nossas mais sentidas condolências.
José António Governo Picciochi (501/1959) Bancário reformado Nasceu a 13 de Dezembro de 1948 - Faleceu a 18 de Março de 2012
Adeus Picciochi, Partiste como viveste: de bem com todos, com a vida e com a morte. Sem angústias, sonhos de grandeza por realizar, traições, medos ou inimigos. Só com simpatia e amor pela vida. Quem se lembra de te ter visto zangado, ansioso ou com uma palavra mais ríspida para alguém, no tempo do Colégio? Sinceramente só me lembro de ti sorridente, empenhado nas bricolages do aeromodelismo e, pasme-se, da esgrima. Tu que te deste sempre bem com um corpo avantajado, que não deixava antever qualquer aptidão física especial, ainda menos num desporto que exigia destreza, rapidez e flexibilidade. Tentaste a Marinha, é certo, mas não insististe mais com graduações académicas que te proporcionassem uma vida mais competitiva e remuneradora, mas também mais afastada nos prazeres simples como a amizade, a família e das coisas que te davam prazer. E suportaste estoicamente uma vida de bancário, da qual te livraste logo que pudeste para te poderes concentrar nessas coisas boas. Fizeste uma casa com as tuas mãos, ganhaste amigos e gostos de campino na tua terra de adopção, para onde te escapavas sempre que podias e onde decidiste entregar as tuas cinzas, na mais deslumbrante demonstração de humildade e apego às tuas raízes mortais. E sempre independente e livre, em total respeito pela reputação do
nome que se confundia contigo e com a tua personalidade, de tal modo que foste dos poucos que teve o nome como alcunha. E deixaste tantas coisas: cartazes dos touros, plantas de que cuidavas com carinho extremo, engenhocas a perder de vista, esquemas maquiavélicos para cozinhar bons repastos para a família e amigos. Deixaste tudo isso e muito mais. Mas, verdadeiramente, o que tu deixaste foi uma lágrima ao canto do olho de todos os que privaram contigo, ou um choro inconsolável na tua família e amigos. E deixaste a memória de um homem simples mas grande no seu coração e na sua alma, que todos nós gos-
taríamos de copiar, se pudéssemos. Mas, infelizmente, muitos de nós já não vamos a tempo, pois gastámos muitas energias a conseguir coisas, a obter vantagens, posições, negócios, dinheiro. E esquecemo-nos do que é realmente importante na vida. Partiste cedo, querido amigo, mas partiste ainda a tempo de conseguires que alguns de nós repensemos a vida e te tomemos como exemplo. Obrigado, Picciochi! O nosso muito obrigado, do fundo do coração Fernando José Vieira Cardoso de Sousa 28/1960
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Daniel João Varela Simões (425/1996) Oficial do Guarda Nacional Republicana – Alferes de Infantaria Comandante da 4ª Companhia do CM em 2003/2004 Nasceu a 2 de Novembro de 1984 - Faleceu em Timor a 13 de Março de 2012
“As Palavras que nunca te direi…” Grande Daniel,
Sim, começo com Grande! És grande! Eras sempre aquele que pertencia às últimas fileiras num pelotão, eras aquele que dormia no fim da camarata, aquele que no 3.º ano já andava a marchar na 3ª. Companhia, eras aquele miúdo destemido que toda a gente na camarata
onde passas deixas aquela marca que ninguém esquece. Sim, tive o privilégio de crescer ao teu lado, e de chegar a um certo momento da minha vida e verificar que não tinha só um irmão... cheguei a sentir que o que nos une é tão forte que nem o tempo consegue afrouxar! e quando o digo é porque o sinto.
Quando soube da notícia, por três dias não consegui dormir. Só me vinha à cabeça as memórias! A tua imagem, a tua postura, as tuas palavras, a última conversa que tivemos... enfim, só me vem à cabeça saber que já não voltas de Timor com aquela postura que te caracteriza. Enfim, nós que cá estamos, choramos a tua saudade, brindamos à tua memória e ao teu exemplo, sentindo a tua presença a cada momento que estejamos juntos. Só me resta gritar um valente Zacatraz à tua memória meu irmão! “E quando baixar à terra mudo e frio, escrevam-me na campa este elogio: Menino, foi da Luz” Emanuel António Lucas Fernandes Bragança 354/1995
comentava que tinha conseguido feito alguma coisa tão corajosa que mais ninguém se atrevia. Acima de tudo, eras aquele rapaz de Coimbra, simples, bem-educado, e que com o exemplo que proporcionavas mudavas as mentalidades. Recordo-me principalmente de quando falávamos sobre a 4ª. Companhia na altura de decidir as graduações... e da mudança de mentalidades que queríamos proporcionar. Nada mais claro do que ter um Comandante à altura! Um gajo que não usava o barrete à farra fora do geral da companhia, que se vestia de forma aprumada, e que acima de tudo queria fomentar o respeito pelos horários. Lembro-me do meu irmão comentar em casa que finalmente já não havia um comandante da 4ª. Companhia assim há muito tempo. Fico feliz por saber que por
Como muitos de nós sabem, perdi o meu irmão hà pouco tempo. Sentia-me triste. Sim, menciono a tristeza, porque não sabia o que essa palavra significava. Sempre tive um percurso bom na vida, era aquele gajo pequenino que sempre estava com um sorriso. Naquele tempo, não conseguia dormir! Não sabia o que fazer! Mas sentia o que tinha de ser feito. Eu era aquele braço, corpo e cabeça que a família precisava. Mas ao mesmo tempo deparei-me com o “brilho” de ter as melhores pessoas do meu lado. E não estavam só ao meu lado...estavam ao lado da minha família. Faziam parte do mesmo tronco comum! Eles foram as pernas que me fizeram andar, e muitos deles nem conheciam os meus pais...nem sabiam quem eles eram. Mas uma coisa é certa, eles estavam lá, e de lá nunca saíram.
Elogio ao “Maria” Recordo o momento em que conheci o “Maria”. Foi o dia em que prestámos provas físicas de entrada para o Colégio, ele para o 2º ano e eu para o 1º. Tínhamos acabado as provas e emprestaram-nos uma bola de basquete que nos fez as delícias enquanto esperávamos já não sei por que coisa. Fizemos equipas e eu fiquei na equipa dele. E isso foi um motivo de uma grande alegria infantil por uma razão simples: ele era grande! Maior qualquer dos restantes jogadores (o que dava muito jeito a quem estava na equipa dele) o que levou a que durante o jogo lhe chamássemos “gigante”. Com o tempo, essa diferença de alturas foi-se esbatendo e ele deixou de parecer tão grande (com excepção do nariz, que manteve as suas generosas dimensões e por causa do qual gostávamos de gozar com ele). Mas houve uma coisa que o tempo não mudou e que fez com que ele continuasse a ser tão grande. Era o maior de coração, amigo dedicado, da maior generosidade e simplicidade possíveis. Estava sempre presente nos momentos de festa, por norma de volta do grelhador mas, acima de tudo, nos maus momentos, onde era o
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primeiro a levantar a cabeça e a oferecer-se para saltar por cima de todos os obstáculos. Infelizmente para todos nós, foi também o primeiro a partir. Em todas as pessoas com quem se cruzava deixou a sua marca. E isso ficou bem evidente no momento do seu funeral, com todas pessoas que o admiravam, respeitavam e dele gostavam a juntar-se para lhe prestar a devida homenagem. Por vezes parece-me que até o maior dos bandidos no momento da sua morte se torna numa pessoa extraordinária. No entanto, nenhuma destas palavras pretende ser um elogio já que, por mais belas que possam ser, nenhuma lhe faz justiça. Partiu em missão para Timor envolto no seu sorriso fácil, regressou envolvido pela bandeira nacional. Honra-se a Pátria de tal gente! João Carlos Agostinho Alves 110/1996
Escrever palavras referentes à morte (“antecipada”) de um amigo, de um camarada, encerra em si uma dicotomia difícil de contornar. Em abono da verdade, não as queria ter escrito! Não obstante, já que tive a oportunidade de o fazer, não podia deixar de encará-lo como uma última (?) homenagem - resultante da perspectiva de que a imortalidade que as palavras conferem aos factos por elas descritos é, efectivamente, um estímulo! - Que o “Maria Bica” (Daniel Simões 425/1996) seja recordado! Que seja recordado, não só por aqueles que já o guardam na memória, mas igualmente por quem não o conheceu pessoalmente. E que estes últimos “nos invejem” pelas experiências que com ele partilhámos! Era uma pessoa de aparência reservada, respeitador e confidente apenas ao seu círculo de confiança mais próximo, um “coração de leão” e “cavaleiro” na forma de estar! Não era de opinar se opinar fosse inútil! Contudo, se o momento era de agir, enquanto a maioria pensava no “como”, ele assumia-se incondicionalmente como a “ponta da lança”! Podia contar-vos detalhadamente algumas vivências que partilhei consigo: rebentar muros de tijolo com material pirotécnico; tiro de pistola de ar comprimido a partir de “scooter” em andamento; tra-
vessia do Mondego pela parte inferior do tabuleiro da ponte ferroviária de Coimbra para “sentir o comboio a passar por cima”; acampar em Castelo Branco durante o Inverno só para ver se “nos aguentávamos” com temperaturas a rondar o valor “zero”; as peripécias do curso de abertura manual (pára-quedismo desportivo) … Enfim. Tudo isto daria várias narrativas de episódios conhecidos por muito poucos. O “Patinha” - alcunha pela qual era conhecido pelos seus conterrâneos em virtude de ter usado gesso após uma cirurgia a que foi submetido no pé direito ainda antes de ser aluno do Colégio – tinha inúmeras histórias destas que marcaram a sua adolescência e que contrastavam com a sua aparência de “rapaz calmo e inofensivo”! Elencar estes episódios foi a forma que encontrei para dar uma noção (genérica!) do seu carácter e da sua forma de estar! É esta a minha homenagem! Por tudo o que tenho vindo a expor relativamente ao período em que foi aluno do CM, não é difícil entender que, já como Alferes, na primeira oportunidade que teve para integrar o contingente da GNR destacado em Timor, o “Bico” se tenha “chegado à frente”. Por tudo isto não é difícil imaginar que, já em Díli, debilitado e hospitalizado, tivesse solicitado que fosse informado à família que iria ficar incontactável em virtude de ir iniciar “uma missão nas montanhas” … E que não se preocupassem com ele! Depois de tudo isto, depois de todos os riscos que testemunhei (alguns dele apenas explicáveis pela “irreverência inconsciente” da adolescência) como pode ele “tombar” de causa (doença?) desconhecida? Ainda inconformado, apenas me ocorre, qual última lição, que a vida age do altar da sua soberania e omnipotência sem nos pedir opinião! - “Bico”, em meu nome e em nome dos que estarei a representar, até sempre! Simão Pedro Pereira Freire 132/1996
Todos os dias há acontecimentos infelizes que nos transformam. Hoje foi um irmão, amanhã podemos ser nós. Esta é a realidade da vida que temos e conhecemos. A irmandade que a Barretina tem implícita é um sentimento, não é uma ocasião. Vi recentemente, não me recordo onde, um texto em que a ideia que ali estava exposta era simples: O futuro condiciona mais o teu passado, do que o passado condiciona o teu futuro. E isto leva-me a outra reflexão. A perda do ‘Maria’ vai condicionar o meu futuro, perdi uma veia. Contudo, o facto de simplesmente achar que o futuro ia ser diferente e risonho, impediu-me de lhe dizer uma única vez o quão relevante na minha vida ele é, bem como o meu curso (96) e isso é inapagável. Vou a tempo com os restantes, vou aproveitar e abraçar enquanto posso. A vida não é uma ciência. Nuno Miguel Jacinto Félix 202/1996