Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial
Delegados de Curso, uma Rede essencial para o fortalecimento da ligação entre todos os Antigos Alunos e de apoio à actividade da Direcção da Associação. Embora não reconhecida estatutariamente, a figura do Delegado de Curso é, desde há já longos anos, uma realidade entre a nossa Comunidade de Antigos Alunos do Colégio Militar. De uma maneira geral este papel, de uma forma espontânea, informal e desestruturada, mas eficaz, tem recaído naturalmente naqueles que uma vez terminada a sua etapa Colegial, vão permanecendo ao longo da sua vida, atrevemo-nos a afirmar, como “o elo mais forte” de cada curso, encarregando-se de manter actualizados os seus contactos, organizando encontros e as tradicionais romagens ao Colégio por ocasião da celebração de datas especiais, sejam de entrada, sejam de saída. É convicção da actual Direcção da Associação, tal como já o fora de outras que a antecederam, que este papel, de indiscutível valor para a manutenção da coesão dos respectivos cursos, poderia e deveria ser potenciado como elemento fundamental quer para o reforço da ligação e coesão entre todos os Antigos Alunos, quer de apoio à sua actividade. Esta convicção é ainda reforçada pelo facto de ser hoje, mais do que nunca, inadiável mobilizar a nossa vasta e diversificada Comunidade de Antigos Alunos para o insubstituível papel que lhe cabe no apoio que é necessário prestar quer ao Colégio, quer também àqueles Antigos Alunos - e são infelizmente cada vez em maior número - que precisam de ajuda nos tempos difíceis e marcados pela incerteza, que atravessamos. Foi com este propósito que os Delegados de Curso previamente “identificados”, foram convocados para uma reunião que teve lugar no passado dia 25 de Novembro de 2011 - data do jantar anual da AAACM que decorreu no Hotel Pestana Palace em Lisboa – reunião na qual a Direcção teve a oportunidade de apresentar a Visão para o Futuro de Colégio (Moção de Estratégia aprovada na AG de 24 de Março de 2010), bem assim como o Plano da Actuação da Direcção para o triénio 2011/2013. Nesta ocasião, foi igualmente partilhada junto dos Delegados de Curso presentes (ver lista ….na pagina 13 desta Revista) a visão da Direcção sobre a operacionalização desta “Rede”, nomeadamente nos domínios operacional e estratégico. No plano operacional, caberá aos Delegados de Curso a actualização e gestão dos contactos e endereços de todos os camaradas do seu curso, e desde
logo, a responsabilidade da difusão das mensagens e iniciativas da Direcção, bem como da recolha de opiniões e detecção de todas as situações que entendam sejam relevantes para a vida do Colégio e da Associação. Terão também, naturalmente, um papel fulcral quer na angariação de novos Sócios, quer no alerta para situações de Antigos Alunos susceptíveis de justificarem a intervenção da Associação no âmbito da Solidariedade. No plano estratégico, esta “Rede“ funcionará, por um lado e por delegação, em representação informal da Associação em situações específicas, e por outro, como um Órgão Consultivo da Direcção - com representatividade distinta e complementar à do Conselho Supremo - nomeadamente em matérias de âmbito mais complexo que exijam alinhamento e coesão em termos formais e públicos. De facto, hoje mais do que nunca, é indispensável assegurar que todas as iniciativas de Antigos Alunos sejam convenientemente coordenadas e enquadradas, evitando-se assim acções individuais que possam – não obstante bem-intencionadas – colidir, por desfasadas ou paralelas, com acções da Direcção já em curso, e nem sempre com visibilidade pública junto das instituições que tutelam o Colégio. Caberá à Direcção da Associação, obviamente, a responsabilidade de dotar esta “Rede” das informações necessárias à prossecução destes objectivos, bem assim como da formalização e coordenação dos contactos regulares a estabelecer periodicamente ao longo do ano, para este efeito. Sem esquecer os aspectos relacionados com o património físico e histórico-cultural, as relações com o Colégio, a comunicação e o desempenho financeiro, serão os temas relacionados com a promoção da ligação entre os Antigos Alunos, o apoio ao Colégio e a solidariedade, as prioridades que nortearão a actividade da actual Direcção da Associação, e é sobre elas que nos deteremos um pouco, pois são elas também as áreas onde o contributo dos Delegados de Curso poderá ser mais relevante. No tocante ao apoio ao Colégio, ele é hoje mais importante que nunca. Por muito que nos custe admiti-lo, temos de reconhecer, sem hesitações ou eufemismos, que o nosso Colégio está a atravessar uma fase particularmente adversa, pois perdeu atractividade junto da sociedade, o desempenho académico é abaixo do desejável, e enferma de um modelo de gestão pouco eficiente para responder aos desafios dos dias de hoje. Pese embora permaneça como o estabelecimento de ensino com a mais elevada notoriedade da zona da Grande Lisboa, reconhecido como uma escola de formação de elites e com um património intangível único na sociedade Portuguesa, o Colégio Militar é hoje uma “estrela” à qual é necessário restaurar o brilho de outrora. Alinhada e comprometida com a Visão e as reformas que constam do documento “Vamos Apoiar o Colégio“ - já divulgada nesta Revista e que foi
também partilhada na reunião com os Delegados de Curso em Novembro passado a que acima aludimos - a Direcção da Associação reiterou essa mesma posição, quer ao Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional na audiência que lhe foi concedida, a seu pedido, em Setembro de 2011, quer posteriormente aos membros da Comissão encarregue pelo Senhor Ministro de Defesa Nacional de avaliar o futuro dos Estabelecimentos Militares de Ensino, com quem se reuniu em Dezembro último. Em ambas as ocasiões, teve a Direcção da Associação também a oportunidade de manifestar a sua total disponibilidade para colaborar com a Tutela no desejável e urgente processo de mudança. Podemos afirmar que a AAACM é hoje um interlocutor reconhecido pela Tutela. Procuraremos que a nossa visão venha a ser a matriz de desenvolvimento futuro do Colégio Militar. Todavia, admitindo que possamos vir a ser confrontados com potenciais soluções ou modelos que não correspondam exactamente àqueles que defendemos, comprometemo-nos também a trabalhar no sentido de gerar os consensos e a coesão que o momento actual aconselha. No tocante à Solidariedade, a actuação centrar-se-á na criação de uma bolsa de emprego e no amparo na velhice e apoio de emergência. O respectivo Regulamento está já aprovado pela Direcção. No plano do emprego, será criada uma bolsa de emprego e de estágios no “site“ da Associação. No que respeita ao apoio à velhice e de emergência estão definidos os critérios de eleição, sempre em situações onde comprovadamente estejam em causa a satisfação das necessidades básicas de um qualquer Antigo Aluno, com um limite de 6.ooo € por cada caso. Para o efeito, será também criada uma rede de voluntários que cobrirá os domínios social, médico, jurídico e psicológico. Foi também constituído um Fundo de Solidariedade no valor de 20.000 € destinado exclusivamente a este fim para o corrente ano. Nesta hora de tantas incertezas quer em relação ao nosso País, quer em relação à Casa que nos formou como homens e que acaba de comemorar 209 anos de uma vida ímpar, cumpre-nos o dever de tudo fazer para garantir o seu futuro, sem tréguas nem ambiguidades. O Colégio Militar é uma “estrela” que, estamos certos, recuperará o seu brilho, se forem introduzidas as reformas que se impõem, pois como bem frisou o Senhor Ministro da Defesa Nacional na Abertura Solene a que presidiu, os princípios que são incutidos no Colégio Militar são aqueles que um Estado verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca! Depositamos grande esperança no contributo dos Delegados de Curso para esta nossa causa, que é de Todos os Antigos Alunos. Estamos gratos a todos aqueles que já se disponibilizaram para assumir este compromisso, ou que venham a fazê-lo no futuro. Bem Hajam!
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Fundada em 1965 N° 186 - Janeiro/Março - 2012 FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Vasco Santos Pinheiro (254/1982) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
CAPA Sã convivência e camaradagem colegial © Foto: LEONEL TOMAZ
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307
ARTIGOS À VENDA NA AAACM
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94
PUBLICAÇÕES
Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores. PREÇO: 25 €
PREÇO: 12 €
PREÇO: 6 €
PREÇO: 25 €
PREÇO: 5 €
Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar
PREÇO: 12 €
PREÇO: 3 €
50 €
II Volume da História do Colégio Militar
50 €
III Volume da História do Colégio Militar
35 €
O Espírito do Colégio Militar
60 €
Os Jardins do Colégio Militar
35 €
Raiva e Luz
10 €
Qualquer dos produtos pode ser adquirido na Secretaria da AAACM, assim como polos, t-shirt, emblemas, etc...
Sumário
Dos Antigos Alunos
07 Curso de 1961/1968 08 Curso de 1983/1991 09 Ordem de Mérito Cor de Pinhão 11 Jantar de Natal no Porto 12 Família Colegial 13 Lista de Delegados de Curso
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Dos Antigos Alunos AA em Destaque
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Do Colégio
Do Colégio
29 Batalhão Colegial
3 de Março
Colaboração
39 São 86... até hoje! 43 O Carinhas 44 Florilégio do Natal - 2011 45 Os desenfianços no Colégio Militar 47 Recordações Colegiais - Coisas
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Do Colégio
Récitas Colegiais
dos meus Calistos
49 Camerone - A Legião Estrangeira e o Colégio
52 Informática a custo ZERO! 53 O último foi o primeiro Recordando
55 Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
58 Memórias de António da Costa Macedo
65 Há 70 anos atrás... 66 Os que nos deixaram
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Colaboração
Os “Meninos da Luz” e a Marinha. Uma visão global
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque
Antigos alunos
em Destaque
António Ferreira Alves (86/1934)
A
presentou o livro de sua autoria, intitulado “Tempo Iavulu, Memórias de Danje-Ia-Menha” Angola (1949-1975), no dia 18 de Novembro no auditório da Biblioteca Municipal da sua terra natal – Penafiel e no dia 26 de Novembro em Lisboa, na Casa da Cultura dos Olivais, onde foram vários os Antigos Alunos que fizeram questão de estar junto dele neste dia tão importante para si. Andou por todo o lado em Angola. Foi chefe de posto nos mais remotos locais que se pode imaginar. Ajudou a criar aquilo que viriam a ser povoações. Assistiu ao desenvolvimento de um país. Recorda o dia em que foi descoberto petróleo em Angola. Recorda os tempos em que se viajava de tipóia pelo sertão africano. Este livro apresenta um conjunto de “estórias” e vivências de 26 anos em que este nosso camarada administrou territórios e onde marcou o seu cunho quer a nível de infra-estruturas e obras quer na parte afecti-
va de tantas amizades que fez e deixou… Este livro é importante memória para a compreensão da administração territorial africana para lá das leis e regulamentações; importante para a compreensão das relações entre as populações; importante para o conhecimento etnográfico e geográfico; importante para se perceber como se vivia em Angola do século passado. Estas memórias foram vividas em parte num tempo de guerra – a guerra colonial/ independência - e nenhuma destas “estórias” a ela se referem, pois Angola foi muito mais que um tempo de guerra… Angola foi (é) um sonho, uma terra de felicidade, de desenvolvimento, de miscigenação e de bem-estar… é dessa Angola que se vos fala, uma Angola feliz até ao dia em que por circunstâncias já conhecidas em Março de 1975 o autor e família vieram embora da sua terra: “Agora era a última viagem da minha vida deste continente africano para a Europa… Com as últimas imagens íamo-nos afastando daquela terra tão promissora que espero e desejo que se torne num futuro que se adivinha como o país mais próspero e florescente da África Austral, se os angolanos fizerem por isso.” Qual a importância deste livro? Nas palavras do vereador da Câmara Municipal de Penafiel, “este é um livro de leitura obrigatória para todos que já estiveram em Angola e para todos aqueles que pensam em deslocar-se para lá. António Ferreira Alves é um profundo conhecedor deste País, e o seu livro leva-nos de norte a sul aos lugares mais belos e imagináveis.”
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque
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Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço de Faria, universalmente conhecido como Eduardo Lourenço, foi distinguido com o Prémio Pessoa 2011. Este prémio, instituído em 1987, destina-se a galardoar figuras que, no ano anterior à sua atribuição, tenham tido papel relevante nas áreas da cultura e da ciência.
O
Júri, em comunicado sobre a escolha ter recaído em Eduardo Lourenço, escreveu: “Num momento crítico da História e da sociedade portuguesa, torna-se imperioso e urgente prestar reconhecimento ao exemplo de uma personalidade intelectual, cultural, ética e cívica que marcou o século XX português”, homenageando “a generosidade e a modéstia desta sabedoria, que tendo deixado uma marca universal nos Estudos Portugueses e nos Estudos Pessoanos, nunca desdenhou a heterodoxia nem as grandes questões do nosso tempo e da nossa identidade”, prémio que prestigia o filósofo e a sua intervenção na sociedade “ao longo de décadas de dedicação, labor e curiosidade intelectual, que o levaram à constituição de uma obra filosófica, ensaística e literária sem paralelo”, referindo também “Eduardo Lourenço é um português de que os portugueses se podem e devem orgulhar. O espírito de Eduardo Lourenço foi sempre reforçado pela sua cidadania atenta e actuante. Portugal precisa de vozes como esta. E de obras como esta”. Na entrega do prémio, o Presidente do Júri disse: “Não há dúvida que o nosso premiado é uma referência e o nosso país precisa de referências”. Eduardo Lourenço nasceu a 23 de Maio de 1923, embora conste do assento de nascimento a data de 29 de Maio, em São Pedro do Rio Seco do concelho de Almeida. Entrou para o Colégio em 1934 tendo concluído o curso em 1940 e, após admissão na Faculdade de Ciências, desiste dos cursos preparatórios aí ministrados e presta provas de aptidão com destino à Licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas. Em 1946
defende a tese subordinada ao tema O Sentido da Dialéctica no Idealismo Absoluto (mais tarde publicada, em parte, em Heterodoxia I), concluindo o acto de licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas com 18 valores. Ao longo da sua carreira foi Assistente de Filosofia na Universidade de Coimbra, Leitor na Universidade de Hamburgo, na Universidade de Heidelberg, na Universidade de Montpellier e na Universidade de Grenoble, Professor convidado na Universidade da Baía, Professor associado da Universidade de Nice e Professor convidado da Universidade Nova de Lisboa. Para além do Prémio Pessoa agora concedido, foram-lhe atribuídas as seguintes distinções: Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, Medalha de Ouro da Cidade da Guarda, Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Bolonha, onde foi criada a Cátedra Eduardo Lourenço de História da Cultura Portuguesa, homenageado no Congresso Internacional Jardins do Mundo, Prémio Extremadura para a Criação, homenageado pela revista brasileira Metamorfoses, homenageado pela Biblioteca Municipal da Maia, Cavaleiro da Legião de Honra de França, Prémio Vergílio Ferreira 2001, Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres, Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa, Officier de L’Ordre de Mérite, Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade de Coimbra, Prémio Camões 1996, Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade do Rio de Janeiro, Prémio António Sérgio 1992, Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon 1988.
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho (124/1945) Presidente da Assembleia Geral da AAACM foi condecorado com a Medalha de Serviços Distintos, grau Prata. Mais um Antigo Aluno a ser distinguido pelos brilhantes serviços prestados ao país.
Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca (47/1956) A “Revista de Marinha”, que actualmente se publica por força do empenhamento e determinação do seu Editor e Director Henrique Alexandre da Fonseca, comemorou o 75º Aniversário. A sessão comemorativa teve lugar no Clube Militar Naval onde o Dr. Tiago Pitta e Cunha, especialista de assuntos relacionados com a economia do mar, dissertou sobre o tema “Portugal e o Mar”. Nesta sessão foi também entregue o prémio “Revista de Marinha” atribuído, por um júri independente, ao Professor Armando Mar-
ques Guedes pelo seu artigo “A nova geopolítica do Atlântico Sul”, considerado o melhor artigo publicado na revista no ano de 2011. Por amabilidade da “MSC Cruzeiros” foi sorteado, entre todos os assinantes da “Revista de Marinha”, um cruzeiro para duas pessoas. Parabéns ao nosso Camarada Henrique Alexandre da Fonseca, a quem desejamos os maiores sucessos na espinhosa missão de levar por diante esta publicação do maior interesse para todos os que se interessam pelos assuntos do mar nas suas múltiplas vertentes.
João Carlos Lombo da Silva Cordeiro (304/1957) e António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) Participaram no caderno de Economia do “Expresso” onde abordaram aspectos das suas actividades profissionais e das entidades pelas quais são responsáveis. João da Silva Cordeiro analisa a situação das farmácias e a problemática das condições de operação actuais no serviço público de dispensa de medicamentos às populações.
António Saraiva de Reffóios abordou a questão da responsabilidade social corporativa (RSC) relacionada com as actividades da Nestlé e do impacto económico-social e ambiental nos países onde esta Organização produz e vende os seus produtos.
Ângelo Eduardo Felgueiras e Sousa (498/1976) A revista do “Expresso” incluiu uma reportagem, com diversas fotografias onde se vê a Barretina, em consequência da subida deste Antigo Aluno ao Monte Vinson na Antártida cujo cume está a 4 892 metros de altitude, subida onde completou o feito de “Escalar os sete picos mais altos dos sete continentes”. Ângelo Felgueiras levou a cabo todas estas escaladas segundo o lema “Escalar por uma causa”, delas conseguindo diversos fun-
dos que foram aplicados em obras de filantropia ajudando Instituições e criando estruturas com vista a melhorar a condição de gentes mais desprotegidas. Está de parabéns o Ângelo Felgueiras pela façanha que acaba de concluir e pelo seu espírito de ajuda aos que mais precisam neste País onde existem tantas carências.
António Manuel Pereira da Cunha Ribeiro Valente (217/1978) Recebeu o Prémio BES Inovação, por ter concebido os painéis Opencell que vêm revolucionar o mundo dos painéis estruturais. Para o distinguido «este prémio representa o reconhecimento institucional em Portugal e vem complementar o reconhecimento já conseguido no mercado europeu e nos Estados Unidos».
Com este novo tipo de painéis há uma maior facilidade de inspecção para controlo de qualidade e verificação de segurança, para além de não requerer tecnologias especiais de fabricação e permitir uma utilização mais livre com materiais que podem ser cem por cento recicláveis.
Dos Antigos Alunos Curso de 1961/1968
Curso de 1961/1968, Romagem dos 50 anos de Entrada 25 de Novembro de 2011
3/1961 14/1961 20/1961 24/1962 34/1960 53/1961 91/1961 110/1961 133/1961 139/1961 146/1961 171/1961 202/1961 203/1961 211/1961 245/1961 257/1960 270/1960 275/1961 277/1960 289/1961 361/1960 365/1961 367/1961 374/1960 400/1961
Pedro Roberto Meneres Cudell 406/1962 Jorge Manuel Tavares Salavessa Moura 416/1962 António José Ravasco Bossa Dionísio 420/1961 José Pedro de Lucena 425/1961 Raul Teles Boudry de Carvalho 447/1960 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva 536/1961 Nuno Maria Reis de Matos Silva 537/1960 José Manuel Consolado Fajardo 542/1961 Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva 543/1960 António Alberto Bastos Carriço 554/1961 Luís Alexandre de Oliveira Mateus de Magalhães 555/1961 José Luís Chaves de Almeida Fernandes 560/1961 José Manuel Garcia Gil Conde 571/1961 Luís Miguel Pinto de Abreu Soares de Albergaria 573/1961 Fernando José Mena Gravito 575/1961 Carlos Manuel Freitas de Castro Leal 576/1961 Pedro Domingos de Sousa e Holstein Campilho 586/1961 António Henriques Marques da Silveira e Lorena 589/1961 Manuel José Pimenta de Castro Machado 593/1961 Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca 595/1961 Manuel Krusse Fanha Vicente 596/1961 Miguel da Câmara e Almeida Pinto 599/1961 Carlos Manuel Moreira de Almeida Santos 602/1961 Pedro Maia Serpa de Vasconcelos 609/1962 Nuno Ferreira de Barcelos 612/1962 José Francisco Machado Norton Brandão
José António Godinho de Abreu Novais Mário Filipe de Araújo Gonçalves de Lima Miguel João de Oliveira Sequeira Marcelino Francisco José Machado Norton Brandão Gabriel João Duarte de Figueiredo Augusto José Neves de Sousa António Jorge de Vicente Ribeiro António Alberto Corte Real Frazão Hermano Duarte de Almeida e Carmo Carlos Manuel Leal Barroso Hipólito Fernando Martins Machado da Silveira Joaquim José Ferreira da Silva José Luís Sousa Pinto de Figueiredo Manuel Maria Bastos de Oliveira Martinho José Luís Teixeira Pereira Soares Vítor Manuel de Carvalho Madeira Ferreira José Manuel Granja Gomes da Silve João Manuel Gomes Pereira Carmona António José Ferreira Lourenço Joaquim Manuel da Costa Domingues José Luís Cabral da Gama Lobo Salema António José Ferreira Fernandes da Ponte José Henrique Pereira Leite da Silva Jorge Manuel Miranda Themudo Barata André Grant Aires de Abreu
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Dos Antigos Alunos Curso de 1983/1991
Curso de 1983/1991, Romagem dos 20 anos de Saída 11 de Novembro de 2011
6/1983 16/1983 28/1983 57/1982 84/1982 154/1983 178/1983 188/1983 189/1983 193/1983 237/1983 241/1983 271/1982 330/1983 372/1983 390/1983 412/1982 413/1982 414/1983 434/1983 440/1983 442/1983 447/1983 453/1983 457/1983 458/1983 465/1983 466/1983 468/1983 482/1983
Rodrigo Maria de Abreu Seabra de Albuquerque João Lourenço Teixeira Lopes de Sousa Maciel Mário Jorge Fidalgo Barbas de Matos Nuno Miguel Almeida e Sousa Elias de Sousa Francisco António Exposto de Olivença André Dias Alves Correia Fausto da Silva Delca Lopes do Pombal Miguel Assis das Neves Carneiro de Góis José Miguel Varela Anastácio de Azevedo Barroso Gonçalo Nuno de Oliveira de Bastos e Silva Luís Carlos da Silva Serafim Tiago Nuno Neto Jerónimo dos Reis Morais Luís Miguel Cabral de Sousa Aragão Pedro Filipe Paulo Marinho Falcão João Vasco da Gama Barros João Pedro Mendes Carneiro Gomes João Carlos Ferreira Rosa Bruno de Melo Alves Pinto José Manuel Magrinho Dias José Miguel Paes Godinho Manuel Fernandes Vaz José António Fernandes Amaral Pedro Miguel Saraiva Pinheiro Luís Miguel da Silva Esteves Duarte Nuno de Bastos e Silva Marques Moreira Jorge Pedro Ferreira Lopes Paulo Tiago de Oliveira Rodrigues Alves Costa Telmo Lau Hing Luís Gabriel Barbos Vicente Rodrigues Alexandre Manuel de Moura Teixeira Vieira
Dos Antigos Alunos Ordem de Mérito Cor de Pinhão
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Ordem-De-Mérito Cor-De-Pinhão 2012
Zacatraz pelos fairways de Portugal
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m 2012, temos a Ordem de Mérito Cor-de-Pinhão (OM-CP) na sua 5ª edição. E para comemorar os 5 anos de existência, vai ter várias novidades, tanto no seu formato, como nas provas paralelas. Como nas anteriores edições, os Opens que constituem a OM-CP, vão disputar-se nos campos da Grande Lisboa, com a excepção da Final. Belas, Aroeira, Tróia, Peru, Ribagolfe e Quinta da Marinha são os campos da “época regular”. A Final em 2012 será jogada a duas voltas em strokeplay-ecletic (uma das novidades para 2012). O local ainda não está confirmado, pois estão a ser negociadas as condições, mas apontamos para o novíssimo campo Royal Óbidos, um course com design de Seve Ballesteros. Veremos se conseguiremos acordar condições interessantes para todos. Haverá o Open alusivo ao 3 de Março, onde a pontuação sofre um acréscimo de 50%, mas para não haver desculpas de putts falhados por excesso de ginjinha, só será disputado no dia 18 de Março no Ribagolfe II. É importante que todos marquem esta data no respectivo calendário com antecedência, mesmo aqueles que por razões de agenda não podem jogar os restantes torneios da OM-CP: O Quinto Open, da Quinta Edição OM-CP, será um teste à destreza e course management dos golfistas cor-de-pinhão. Será o Open Five Stixs, onde só se poderão levar 5 tacos para o campo. Os prémios para os vencedores das respectivas categorias (Nett / Gross), driver Callaway e putter Odyssey, serão entregues no jantar ou almoço da Final 2012. Outra das novidades para 2012, é a inserção
dos resultados dos torneios OM-CP na FPG (Federação Portuguesa de Golfe), contando assim para efeitos de gestão de HCP (handicap). O “duelo” CM vs SJB (São João de Brito) também está presente no calendário OM-CP de 2012, e com a responsabilidade de defesa do título de 2011, ganho em Ribagolfe. Assim como a Bebes Masters, que mais uma vez será disputada em Texas Scramble e permitirá a recolha de fundos para o Fundo Solidariedade da AAACM. No final da “época” (Novembro), em formato Ryder Cup, e capitaneada pelos campeões Nett e Gross, haverá a Páteo Das Osgas Cup. Os pormenores serão divulgados mais tarde no site e blog da OM-CP. Espero que em 2012, a OM-CP tenha a presença de grande parte dos golfistas antigos alunos, e supere a adesão de 2011. Não esquecer o site da OM-CP (http://sites.google.com/site/golfecordepinhao), o blog (http://golfecordepinhao.blogspot.com) e email para inscrições (cordepinhao@gmail.com). Toda a informação está e estará devidamente actualizada nos sites acima indicados. O Alto Comissariado da Ordem-de-Mérito Cor-de-Pinhão tem este ano a seguinte constituição: - Luís Miguel Caramelo Gião (165/1985), - Ricardo Duarte Paiva Floreano (194/1989), - Francisco José Rodrigues Aidos (398/1982). Boas tacadas (há que acabar com o cliché dos artigos sobre golfe)...! AC OM-CP
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Dos Antigos Alunos Jantar de Natal no Porto
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“Jantar de Natal” no Porto O
s antigos alunos residentes no “Grande Porto” reuniram-se no habitual jantar de Natal no dia 15 de Dezembro, na Messe dos Oficiais, à Praça da Batalha. O convívio foi caracterizado pela franca camaradagem, como é nosso timbre. Uma vez mais registamos com muito agrado e sentimento de muita gratidão, a comparência do Presidente da Direcção, António Reffóios (529/1963) e do Martiniano Gonçalves (9/1958) que se deslocaram de Lisboa propositadamente para estarem connosco, com o óbvio sacrifício que tal implica. Na fase final do jantar, o António Reffóios transmitiu-nos tão abreviadamente quanto possível os principais objectivos do Plano de Actuação da Direcção para 2011/2013. Deu particular e vincada ênfase à área da solidariedade face ao conhecimento da situação de grandes dificuldades económicas (mormente por carência de emprego) de muitos antigos alunos, problema que, infelizmente, tende para agravamento. O Costa Matos (96/1950), Presidente do Conselho Supremo, referiu depois e também o mesmo problema, apelando a que todos contribuamos o mais possível para o Fundo de Solidariedade.
Participaram neste jantar natalício de convívio os antigos alunos: António Reffóios (529/1963) ● Martiniano Gonçalves (9/1958) ● João Maria da Costa P.M. Faria Araújo (79/1973) ● Manuel José Martins Rodrigues (261/1940) ● Cristiano de Sousa Moreira (321/1941) ● António Rui Prazeres de Castilho (147/1948) ● Carlos Manuel Amado de Campos (259/1948) ● José António Campos Resende Santos (24/1949) ● José Alberto da Costa Matos (96/1950) ● José Manuel Simões Ramos de Campos (319/1950) ● Raul Manuel Tamagnini Mendes Carvalho (87/1953) ● Francisco Xavier B. Cardoso de Menezes (6/1956) ● António Norton de Matos Carmo Pereira (522/1959) ● António C. Cyrne Pacheco Lobato Faria (373/1969) ● Albino M. Pereira de Sousa Botelho (342/1961) ● Jorge Fernando da Cruz Cordeiro (27/1963) ● Carlos M. Carrilho Roma Torres (35/1963) ● Manuel Maria de Castro Lemos (423/1963) ● José Augusto Morais de Oliveira (296/1964) ● António José Mesquita da Cruz (329/1965) ● Bruno Pinto Basto Soares Franco (281/1970) ● Paulo César Alves Bacelar (403/1970) ● António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso (176/1971) ● Vasco Manuel Felgueiras Ferreira (340/1971) ● Guilherme E. Lickfold de Novais e Silva (488/1971) ● Angenor Guerreiro Ranhada Rolo (199/1974) ● José Eduardo da Costa Silva Pereira (391/1974) ● Augusto José Ferreira de Matos (688/1974) ● Luís Narciso Lopes Rodrigues Morais (253/1993) ● Amândio Emanuel Lopes Ribeiro (368/1993) ● Daniel Uria Teixeira (494/2003). O Delegado no Porto José Manuel Simões Ramos de Campos 319/1950
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”, realizado no final do ano passado. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
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Dos Antigos Alunos Família Colegial
Família Colegial
Troca de e-mails pela Internet Lisboa, 8 de Novembro de 2011 Para Sara Couto
Lisboa, 9 de Novembro de 2011 Para José Manuel Soares de Oliveira
Sara,
Boa tarde,
No seguimento do nosso muito simpático encontro durante o almoço dominical em Cascais, e tendo em atenção os estreitos laços de sua Família ao Colégio Militar, procurei naturalmente documentação sobre os seus familiares Meninos da Luz. Infelizmente, do seu Avô, o José Fernando Gomes Marques, 345 de 1940, não consigo encontrar uma foto e uma curta mensagem que possuo. Esses elementos estão num dos livros de recordações que fazíamos, a que chamávamos “calistos”, e que eu não sei onde está. Mas prometo que se encontrar esses dados, lhos enviarei com muito gosto. Fui “graduado” do seu Avô no ano em que ele entrou, 1940, e apreciei sempre muito as suas qualidades. Na vida profissional não nos encontrámos muito, embora tivéssemos sido ambos engenheiros, embora de especialidades bastante diferentes. Acompanhei porém a sua carreira, e guardo dele uma impressão de grande admiração. Espero voltar ao seu simpático restaurante, e estou às suas ordens se lhe puder ser útil. Um beijinho da minha Mulher, outro meu
Foi com agrado que li o mail que enviou amavelmente à minha filha Sara, e foi com emoção que li as palavras que escreveu em relação a meu pai, José Fernando Gomes Marques (345/1940), figura que muito admiro, embora já não esteja entre nós desde há um ano a esta parte1.
José Manuel Soares de Oliveira (112/1936)
PS - Envio cópia desta mensagem a meu irmão Luís, o 137/1939, que foi do curso do tio Gabriel.
Pois o Colégio Militar está no nosso sangue: filha, neta, irmã, sobrinha e prima de antigos alunos! O pai do meu pai, e portanto um dos nossos avós, foi o coronel Joaquim Fernando Gomes Marques, entrado para o Colégio em 1914 com o número 326. Este nosso avô foi comandante dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, actividade que marcou muito a sua vida profissional. E que contribuiu para a alcunha clássica dos meus familiares! O meu irmão, o Nuno Maria (230/1966), é professor de Educação Física lá no Colégio Militar. O meu primo Joaquim José (86/1965), filho do tio Gabriel Dores (120/1938), vive no México. O meu tio Joaquim José, irmão da minha Mãe, era o 88/1943. Há ainda os irmãos do meu pai, os tios Luís Jorge (84/1942) e Joaquim Fernando (248/1944). E os filhos do tio Luís Jorge, o Luís Manuel (427/1969) e o Fernando (326/1979). Somos uma grande Família Colegial! Eu e as minhas primas, claro, frequentadoras dos célebres chás dançantes. E sempre no 3 de Março descíamos a Avenida ao lado dos meninos da Luz… A madrinha do meu filho também é “ex-aluna”, filha do Carlos José Almeida e Brito (350/1938). A minha filha Sara é como eu, vemos uma barretina na lapela dum casaco, metemos conversa! E pelos vistos foi muito agradável esta troca de galhardetes! Junto uma foto, por sinal das últimas fotos do Pai, no dia em que fez 80 anos. Tinha saído na véspera do hospital. Na foto estamos eu, o meu filho, que é fuzileiro, a Sara, e meu Pai. Permita-me enviar-lhe a si e a sua esposa um beijinho e um Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz! E a Sara está também a associar-se ao Zacatraz…
Lisboa, 3 de Maio de 2009 - 80º aniversário de José Fernando Gomes Marques (345/1940)
Ana Gomes Marques 1
NR - Evocação no “ZacatraZ” nº 179 de Abril/Junho de 2010, pág. 65.
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Dos Antigos Alunos Lista de Delegados de Curso
Lista de Delegados de Curso Nome
Nº
Curso
Telefone
Bernardo Ayala Pedro Serradas Duarte Luís Barbosa José Eduardo Rosado Pinto Frederico Rosa Santos José Luís Mota José Tribolet João Mourão José Brandão Rui Almeida Luís Fernando Reis em falta em falta António Pedro Mieiro em falta José Banazol António Faria Fernandes António Mateus Francisco Nobre Luís Vaz Serra João Macara Carlos Ayala Botto Afonso Lopes Paulo Delfino Pedro Chagas Carlos Lourenço Jorge Gustavo Rocha Frederico Morais João Paulo Gomes Nelson Lourenço Miguel Barroso Sérgio Lourenço João Cruz Frederico Macias Tiago Baleizão Miguel Sereno (inoperacional) Tiago Salvado Santos Nuno Domingues Filipe Pires Marques Ricardo Lapão Francisco Lamy da Fontoura João Fonseca Samuel Ma João Alves Ricardo Galvão Cristóvão Marques Nuno Alves Caetano Mário Camões João Simões Eduardo Corvacho Tomás Virtuoso
171 192 71 329 78 4 230 552 400 40 429
1953/60 1954/61 1955/62 1956/63 1957/64 1958/65 1959/66 1960/67 1961/68 1962/69 1963/70 1964/71 1965/72 1966/73 1967/74 1968/75 1969/76 1970/77 1971/78 1972/79 1973/81 1974/82 1975/83 1977/84 1977/85 1978/86 1979/87 1980/88 1981/89 1982/90 1983/91 1984/92 1985/93 1986/92 1987/95 1988/96 1989/97 1990/98 1991/99 1992/00 1993/01 1994/02 1995/03 1996/04 1997/05 1998/06 1999/07 2000/08 2001/09 2002/10 2003/11
bernardo.ayala@gmail.com pedroserradas@gmail.com luisfbarbosa@life.com rosadopinto@mail.telepac.pt fredericorosasantos@yahoo.com jose.a.mota@fpc.pt triboletster@gmail.com j.mourao@aquasis.pt josebrandao@netcabo.pt rui.almeida@ist.utl.pt luisfbreis@gmail.com
917603048 962423764 934901535 213126654 962437395 964040566 965041026 932511099 919837876 917287965 914292528
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962663174 919989418 964801845 937122482 919926478 939850000 965654337 914908391 962732349 966221516 217500601 919690914 914858868 914404308 919561619 919202820 219314161 964866432 966850347 968582257 966252952 934254007 934256287 918870775 918352214 960024527 967772680 934632607 963567490 963167504 918637222 911909030 917815420 918401060 916658545 919550946
375 631 454 57 338 559 273 32 237 252 357 23 25 253 223 377 189 179 368 505 200 331 231 87 178 50 94 404 29 110 347 359 99 401 453 343 164
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Do Colégio 3 de Março
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
3 de Março de 2012 (209 anos) Decorreram nos passados dias 3 e 4 de Março as cerimónias comemorativas do 209º aniversário do Colégio, com um programa análogo ao adoptado nos últimos anos. No dia 3 (sábado) as cerimónias decorreram no Colégio e no dia 4 (domingo) deu-se o tradicional desfile ao longo da Avenida da Liberdade, que todos os anos fica por nossa conta por cerca de uma hora, seguido da celebração da missa na igreja de S. Domingos. Estes dois eventos são sempre os pontos altos das comemorações, sem os quais não podemos passar. No dia 3, logo ao início da manhã, foi hasteada a Bandeira Nacional. As cerimónias começaram então com o Batalhão Colegial formado na Parada Nova, em que prestou continência ao Exmo. Director do Colégio Coronel Tirocinado Fernando Cóias Ferreira, tendo sido içado de seguida o Guião do Colégio, ao som do Hino Colegial,
© Foto Leonel Tomaz
cantado pelo Batalhão, sob o comando do Aluno nº 57 António Cavaleiro de Ferreira, com acompanhamento pela Banda do Exército e pela Fanfarra do Regimento de Artilharia Anti-Aérea nº1. Seguiu-se a habitual alocução pelo Presidente da Direcção da Associação dos Antigos Alunos, o António Reffóios (529/1963), que viveu o seu primeiro 3 de Março na sua actual função. Transcrevemos de seguida o seu discurso. «Senhor Director do Colégio Militar Uma primeira palavra para V. Excelência - Senhor Coronel Cóias Ferreira - na qualidade de anfitrião desta casa, a quem cumprimento, em nome de toda a comunidade de AA com toda a consideração e estima pessoal, cumprimento esse que é extensivo, naturalmente, a todos os Militares e Civis que servem esta nobre casa. Caríssimos Pais e Familiares de Alunos do Colégio Militar
Quero também saudar de forma muito particular e fraterna os pais e familiares dos actuais alunos do Colégio aqui presentes. Estou certo de que não vos arrependereis. Permitam-me assim que vos felicite pela decisão de confiarem ao Colégio Militar a educação dos vossos filhos. Saúdo muito especialmente os pais e familiares dos “ratas”, que pela 1ª vez nos acompanham neste dia tão especial para todos nós. Meninos da Luz…!...Alunos e Antigos Alunos do Colégio Militar Falo-vos pela primeira vez na condição de presidente da AAACM, por ocasião da celebração de mais um ano de vida do nosso Colégio, e creiam, é para mim algo verdadeiramente muito especial, que me dispenso de adjectivar, mas que é sobretudo uma honra que farei por merecer. Começo por lembrar todos aqueles que já nos deixaram e que constituem o que designamos por “Família Colegial”. São eles, naturalmente, os antigos alunos do Colégio já desaparecidos, mas também todos aqueles, igualmente já desaparecidos, militares e civis, que serviram o Colégio com competência e galhardia, durante mais de dois séculos de uma história única, e da qual fazem parte por direito próprio. Só há presente porque existe um passado, e a memória dos nossos é-nos muito grata. Iniciamos hoje e aqui as comemorações do 209º aniversário do Colégio Militar, a 2ª instituição de ensino mais antiga do nosso país, criada pelo Marechal Teixeira Rebello em 1803, com o nome de “Colégio da Feitoria”ou mesmo, “Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte”. Fruto do inconformismo e da visão deste insigne Militar nascido em 1750 no seio de uma modesta família transmontana, e que se tornaria no 1º comandante português do Regimento de Artilharia da corte criado em 1764, o Colégio Militar, fruto de um modelo único alicerçado na promoção da excelência acadé-
Do Colégio 3 de Março
mica e num conjunto de valores e princípios que sempre nortearam a Instituição Militar, tais como, a honradez, a disciplina, a camaradagem e o amor à pátria, é hoje uma Instituição com um património intangível ímpar no nosso país. Um património ímpar …. Como bem o atesta, desde logo, a sua invulgar longevidade. Nascido pouco tempo antes das invasões francesas que marcaram o princípio do século XIX, o Colégio Militar sobreviveu - atrevo-me a afirmar - como poucas instituições o conseguiram, a alterações que marcaram profundamente o decurso da nossa história dos últimos dois séculos, tais como, a Independência do Brasil, a Guerra Civil de 1828 a 1834, a instauração da República em 1910, a revolução de 28 de Maio de 1926 que conduziu à instauração do regime do estado novo, e mais recentemente, á revolução de Abril de 1974. Um património ímpar…bem expresso na forma como muito Antigos Alunos se têm distinguido na defesa da soberania, na defesa da liberdade e na construção e desenvolvimento do nosso país, seja nos teatros de áfrica às missões internacionais, seja na política, na ciência, no ensino e na economia, e até na chefia do estado. Um património ímpar… também justamente reconhecido pela sociedade, como o atesta de forma singular o facto do seu estandarte ser o mais condecorado de Portugal, ostentando entre outras, a mais alta condecoração de Portugal, “a Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”, com que foi agraciado no ano de 1920. Em suma, um legado único, como ainda recentemente o reconheceu de forma inequívoca, Sua Excelência o Senhor Ministro da Defesa Nacional na cerimónia da Abertura do Ano Lectivo no passado dia 28 de Outubro a que se dignou presidir, e na qual afirmou, passo a citar: “Os alunos do Colégio Militar absorvem aqui os valores e princípios que um estado verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca ”. Pois bem, este legado constitui uma enorme responsabilidade para todos quantos têm a nobre e estimulante missão de prosseguir a obra iniciada pelo fundador do Colégio Militar há 209 anos. Desde logo, a responsabilidade de todos quantos, Militares e Civis, têm o privilégio, porque é de um privilégio que se trata, de servir esta casa. A todos, quero deixar uma palavra de estímulo e de confiança na qualidade do seu trabalho e natureza do seu compromisso. Mas hoje, e nesta ocasião, quero deter-me nas responsabilidades que cabem aos Antigos e actuais Alunos. Quanto aos Antigos Alunos e à AAACM Os Antigos Alunos, que estimamos serem cer-
ca de 5000 ainda vivos, são uma comunidade vasta e diversificada, e estão representados na AAACM, que é também ela, uma instituição centenária, que celebra este ano 109 anos de vida, pois nasceu no ano da comemoração do centenário do Colégio Militar em Março de 1903, então com a designação de Associação dos Antigos Alunos do Real Colégio Militar. Pese embora as grandes transformações surgidas na sociedade desde a sua fundação, as razões que então levaram um conjunto de Antigos Alunos à criação desta Associação, permanecem hoje tão relevantes como há um século atrás, e são elas que formatam e norteiam a actividade da Direcção da Associação. Na verdade, as gerações vão-se sucedendo, com as características e desafios próprios do seu tempo, mas sempre imbuídas pelo mesmo espírito e o mesmo ideal de camaradagem e amor ao Colégio, todas elas com o mesmo desígnio de zelar pela instituição que os formou, e perpetuar o seu futuro. É assim, fiel ao lema - SERVIR - e ao espírito colegial, que a AAACM assume o compromisso de promover a união entre todos os Antigos Alunos, independentemente da sua raça, origem e estatuto social, convicções políticas ou religiosas. É também fiel à sua razão de existir, que a AAACM mantém como matriz de actuação o apoio ao Colégio e a solidariedade. É do apoio ao Colégio que hoje vos quero falar. Assumindo a responsabilidade que lhe cabe, a AAACM tem vindo, ao longo dos anos, a acompanhar, como lhe compete, a evolução do Colégio Militar. A Associação tem uma visão clara para o futuro do Colégio, e das reformas que considera serem urgentes introduzir por forma a dotá-lo das condições que permitam melhor responder aos desafios dos tempos de hoje, tempos de incerteza em que a única certeza é a mudança constante, em que a capacidade de adaptação - de que o Colégio tem dado mostras ao longo da sua existência - é afinal, como o foi sempre, uma condição necessária à sua própria sobrevivência. Esta visão, e as medidas que lhe estão associadas foram, em devido tempo, partilhadas, quer com a Direcção do Colégio Militar, quer com as respectivas tutelas Militar e Política, com quem a AAACM tem o dever institucional e moral de colaborar de forma empenhada e leal. É isso que fizemos, e é isso que continuaremos a fazer. Na verdade, nas diversas audiências que nos foram concedidas, quer pelo CEME, quer, mais recentemente, pelos mais altos responsáveis políticos que tutelam o Colégio Militar, ficou também expressa, mais do que a nossa disponibilidade, a nossa firme vontade em continuar a acompanhar todos os assuntos relacionados
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com o Colégio Militar, no respeito óbvio do papel que sabemos nos está reservado. E queremos continuar a fazê-lo porque, atrevo-me a dizer, sem eufemismos ou reservas, somos um interlocutor indispensável. Na verdade temos, no seio da nossa comunidade de AA, todas as competências para este efeito: - conhecemos e valorizamos, ouso dizer, como nenhuma outra comunidade civil, a realidade e o papel insubstituível da Instituição Militar neste domínio. - temos profissionais de mérito reconhecido em áreas como a ciência , a educação e o ensino, a gestão das organizações , a comunicação e o marketing. -temos um conhecimento da realidade colegial único, próprio da nossa vivência. -temos, acima de tudo, um sentimento de gratidão e um amor ao Colégio que nos move, sem reservas. No decurso das referidas audiências e do discurso que já atrás aludi, proferido por Sua Excelência o MDN nos claustros deste Colégio, há poucos meses, ficou-nos também uma certeza - o compromisso da tutela política relativamente ao futuro do Colégio Militar, mantendo-se fiel às suas raízes, isto é, as de uma escola pública, de cariz Militar, tutelada pelo Ministério da Defesa, ao serviço do país na formação de elites civis e militares. É um compromisso que nos anima. Enquanto única entidade que representa todos os AA do CM, bater-nos-emos para que a nossa visão venha a ser a matriz de evolução e desenvolvimento futuro do Colégio Militar, muito embora reconheçamos que haverá aspectos que requerem uma avaliação que está por fazer. Seremos também o garante da coesão entre todos os AA nestas matérias. Queremos ser parte da solução e nunca parte do problema. Saberemos avaliar, com o sentido comum que a nossa responsabilidade exige, eventuais alterações ao modelo que propomos, sempre e quando tal não colida com o que consideramos ser a essência do modelo do Colégio Militar, comprovada por mais de 200 anos de história de que Portugal e os portugueses se podem e devem orgulhar. Dirijo-me agora a vós actuais Alunos do Colégio Militar Os Alunos foram, são e serão sempre, a razão de ser deste nosso Colégio. Os Alunos, foram, são e serão sempre, também, os melhores embaixadores desta realidade única que é ser “Menino da Luz”, designação feliz que todos os por aqui passam ostentam, com orgulho e sentimento de pertença, para o resto das suas vidas. Pois bem, ser Menino da Luz é ter a possibilidade
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Do Colégio 3 de Março
de partilhar uma experiência de vida e de aprendizagem com características únicas, e é assim, em bom rigor, um privilégio raro cujo significado bem conhecemos. Mas ser Menino da Luz, é também, como já disse, uma responsabilidade, como bem o define o exigente Código de Honra do Aluno do Colégio Militar. Inspirado nas virtudes Militares, nomeadamente a coragem, a lealdade, a honradez, a camaradagem, a disciplina, o espírito de servir e o amor à pátria, é este código que formata os valores que devem orientar a vossa vivência colegial, e que todos devem procurar cumprir, sem esquecer naturalmente o esforço e inteligência que devem dedicar aos vossos estudos, razão primeira da vossa presença no Colégio. Uma palavra especial para os “ratas”. Após a vossa integração no Batalhão Colegial no 1º de Dezembro, têm amanhã o vosso grande desafio do 1º desfile na Avenida. É um marco importante na nossa vida colegial. Estou confiante que o farão com o garbo e alegria de sempre. Uma palavra também muito especial para os graduados finalistas. Este será um ano particularmente exigente pela responsabilidade acrescida que têm de liderar os Alunos mais novos, para além das vossas obrigações escolares. Apelo à vossa generosidade. Apelo também a que sejam indutores de esperança junto de todos os vossos camaradas mais novos. Apelo, sobretudo, ao vosso exemplo e sentido de justiça, elementos indispensáveis a uma liderança eficaz. Este será o vosso último “3 de Março”, aquele que ficará para sempre na vossa memória e nos vossos corações. Será seguramente uma comemoração à altura dos pergaminhos do nosso Colégio. Termino, como vem sendo hábito em anos anteriores, pedindo ao Aluno Comandante do Batalhão, o 57, António Cavaleiro de Ferreira, que o primeiro Zacatraz destas comemorações seja por Portugal, a Pátria que o nosso Código de Honra nos diz para amar e respeitar.» A cerimónia na Parada Nova terminou, da forma já usual, com o acto de acender a Chama Colegial, símbolo do Espírito do Colégio, o nosso património imaterial, que une os actuais e antigos Alunos e todos aqueles que de qualquer forma o serviram com devoção e dedicação. Seguiu-se, na Parada do Corpo de Alunos, a recepção ao Exmo. Tenente General Francisco António Correia, Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, que foi a entidade que este ano presidiu às cerimónias. As devidas Honras Militares foram-lhe prestadas pela 4ª Companhia, sob o comando do Aluno nº60 Couceiro Braga. As cerimónias seguintes decorreram nos Claustros, a nossa «SALA DE HONRA», cujas paredes têm sido, ao longo dos anos, testemunhas de
todos os momentos altos da vida colegial. Nos Claustros as cerimónias contaram com a presença de altas patentes das Forças Armadas, de Adidos Militares estrangeiros, de representantes da Escola Naval , das Academias Militar e da Força Aérea e de representantes dos estabelecimentos Militares de Educação e Ensino irmãos, os Institutos de Odivelas e os Pupilos do Exército, de Pessoal Docente e não Docente do Colégio, de familiares de Alunos e de Antigos Alunos de várias gerações, que no seu conjunto constituíram uma moldura humana colorida e condigna para os actos solenes que se realizaram. Com o Batalhão Colegial em impecável formatura, procedeu-se à integração no mesmo do Estandarte Nacional, acompanhada das Honras Militares regulamentares. Em continência ao nosso Estandarte Nacional, o mais condecorado do Exército Português e portador das insígnias do grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre Espada do Valor Lealdade e Mérito, o Batalhão apresentou armas e cantou, com todo o vigor, o Hino Nacional. É uma cerimónia sempre igual e sempre nova, que nos faz bem à alma e que não deixa de nos emocionar. Seguiu-se, no Átrio Principal do Colégio a cerimónia de homenagem aos Antigos Alunos mortos em campanha, com a deposição de uma
Instrução e Doutrina do Exército, Meu General Comandante, A presença de Vossa Excelência neste dia solene do ducentésimo nono aniversário do Colégio Militar constitui para todos nós uma honra e a certeza da atenção que merece do exército. Excelentíssimo Senhor Deputado à Assembleia da República, Doutor Hélder Sousa Silva. Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara de Oeiras, Doutor Paulo Vistas. Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais. Excelentíssimos Senhores Antigos Directores e Subdirectores do Colégio Militar que eu saúdo na pessoa do Senhor Tenente-General Perry da Câmara aqui presente. Excelentíssimos Senhores Directores do Instituto dos Pupilos do Exército e do Instituto de Odivelas a quem saúdo de forma particular pelo que nos une na missão que cumprimos. Excelentíssimos Senhores Presidentes das Associações de Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, A presença de Vossas Excelências simboliza a importância do acompanhamento das actividades desta instituição por toda a comunidade colegial que muito prezamos. Nas pessoas de Vossas Excelências saúdo todos os Antigos Alunos, Pais e Encarregados de Educação pre-
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coroa de flores junto ao Busto do Fundador, com uma oração evocativa e com os toques de clarim regulamentares. Acto contínuo, usou da palavra o Exmo. Director do Colégio, que se dirigiu a todos os presentes nos seguintes termos: «Excelentíssimo Senhor Tenente-General Francisco António Correia, Ilustre Comandante da
sentes nesta cerimónia. Distintos convidados. Estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários que servem no Colégio Militar a quem dirijo um palavra de apreço pelo trabalho que vem sendo feito em prol da nossa missão. Caros Alunos e Antigos Alunos, Os 209 anos que hoje comemoramos são o
Do Colégio 3 de Março
testemunho evidente do Colégio Militar como instituição secular que soube, ao longo da sua história, impor-se perante muitas dificuldades e desafios, através da evolução de um projecto de ensino que, pela sua identidade própria, sempre mereceu referência no contexto nacional. Para além do propósito filantrópico do Marechal António Teixeira Rebelo, ainda como Coronel Comandante do Regimento de Artilharia da Corte, o nascimento do Colégio Militar foi desde sempre marcado pelo interesse castrense
que concorreu a necessidade de conjugar, em permanência, as linhas do pensamento pedagógico associado à implantação do ensino liceal, com o apoio à família militar assente no internato e a preparação militar dos Oficiais do Exército, directamente ou através da prioridade de admissão à Escola Militar, conforme aconteceu após a segunda guerra mundial. Foram 209 anos de intenso trabalho que originaram este património, desde sempre assegurado e acompanhado com os recursos e a
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numa educação e preparação de jovens para a carreira das armas, num ambiente de sérias dificuldades para o país desde o começo do século XIX, em pleno movimento cultural do iluminismo na Europa, face ao exíguo dispositivo de escolas e à expulsão dos jesuítas de Portugal, a par das guerras peninsulares em curso. A instabilidade política e as sucessivas reformas no âmbito do ensino ao longo do século XIX, que determinaram inúmeras mudanças e experiências curriculares, a par da utilização de diferentes instalações pelo Real Colégio Militar, marcaram uma intensa dinâmica de mudança no seu primeiro século de vida, a que se seguiu a instabilidade da implantação da república e os difíceis períodos das duas guerras mundiais, já no século XX. No entanto, sabemos que as muitas reformas ocorridas no Real Colégio Militar anteciparam a adopção do ensino liceal em Portugal, pelo Ministro Passos Manuel, embora só mais tarde tivesse sido reconhecida a respectiva equiparação. De facto, o pioneirismo, a diferença e a qualidade do ensino sempre marcaram a postura do Colégio Militar a nível nacional, para o
atenção do exército que merece o nosso apreço, a par das muitas pessoas que aqui, antes de nós, deram o seu melhor, desde directores aos mais simples funcionários, os quais merecem todo o nosso respeito consubstanciado no assumir de uma responsabilidade que nos cabe na continuação desta obra. Da mesma forma que, todos os que hoje servimos e estudamos neste Colégio, abraçamos convictamente esta responsabilidade, também esperamos que esta Instituição continue a ser devidamente reconhecida pelo país neste início do século XXI, rumo ao futuro. Neste dia de aniversário importa recordar muitos dos Antigos Alunos já falecidos que deram a sua vida pela pátria em diferentes campanhas militares, desde as guerras peninsulares às campanhas ultramarinas, ou que foram cidadãos exemplares e se destacaram em diferentes áreas de actividade na nossa sociedade, contribuindo para elevar bem alto o bom nome do Colégio Militar. Para todos eles o nosso apreço pela sua vida digna e pelo seu trabalho de mérito, aos quais não foi alheia a formação que aqui receberam. Esta evocação
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do passado, mais do que justificar o presente, serve-nos de exemplo, de reflexão e de estímulo para o futuro, no sentido de vencermos os desafios que nos venham a ser apresentados. Para isso contamos com o apoio do Exército e de toda a Comunidade Colegial, em prol do fundamento deste projecto educativo em que todos continuaremos a acreditar desde que não seja posta em causa a identidade própria do Colégio Militar, assente nos princípios e valores castrenses que o enformaram. É neste sentido que encaramos as mudanças que vierem a acontecer a curto prazo, no âmbito do Estabelecimentos Militares de Ensino em geral, e do Colégio Militar em particular, na certeza que estaremos atentos também às oportunidades que o futuro nos possa oferecer e para as quais o Colégio Militar estará preparado, como sempre aconteceu ao longo da sua história. Caros Alunos, neste dia dirijo-me particularmente a vós. Comemorar o aniversário do Colégio Militar é comemorar também a vossa presença nesta casa que lhe dá todo o sentido e materializa a razão da sua existência e da nossa missão. Ser Menino da Luz não é opção pelo facilitismo, pelo ócio ou pelo lazer, nem tão pouco se justifica apenas por tradições, comportamentos e práticas reconhecidas ou identificadas pelos Alunos em cada momento da vida desta Instituição, mas essencialmente pela adopção de uma postura de exigência no estudo, no relacionamento colegial leal e saudável e na disciplina individual e colectiva aceite naturalmente, que decorre do cumprimento dos princípios e valores enunciados no vosso Código de Honra e caracteriza a forma de ser e de estar do Aluno do Colégio Militar. É esta exigência que justifica, muitas vezes, as maiores expectativas da comunidade colegial em todos vós, relativamente a alunos de outras escolas, sabendo nós que vos é pedido também muito mais no que respeita à vossa capacidade de autonomia e esforço de trabalho para que obtenham sucesso escolar. Sempre assim foi e continuará a ser, porque se trata de um requisito próprio da vida colegial, enquanto assente num regime de internato e condição maior da própria identidade desta casa. Nos últimos anos os desafios colocados aos alunos têm acrescido pela maior diversidade curricular, pela exposição das classificações e rankings escolares, pela maior mobilidade de docentes e funcionários, pela maior transparência da vida colegial perante a sociedade, com consequências no comportamento e forma de estar dos alunos, a par da evolução das especificidades da sua vida interna no Batalhão Colegial. Todos reconhecemos que o regime de semi-internato dos alunos de hoje, é diferente dos seus antecessores que aqui pas-
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saram a sua juventude em pleno internato. Por outro lado vivemos numa sociedade com repercussões sobre as famílias e na forma de educar que cada vez mais se reflectem no comportamento dos alunos mais novos, tornando mais desafiante a sua adaptação e integração na vida colegial, onde o regime de semi-internato obriga a uma maior co-responsabilização das próprias famílias, bem como maior capacidade de afirmação, dedicação e empenho pedagógico dos que aqui servem e maior cuidado no acompanhamento por parte dos Alunos Graduados. Mas este é o mundo em que vivemos e temos que encontrar os caminhos que permitam adaptarmo-nos a esta nova realidade, sem que coloquemos em causa a identidade desta casa, impondo e não prescindindo, ao nível interno, dos princípios e dos valores que prevaleceram ao longo da sua história. Este é o nosso dever e contributo mínimo para a própria sociedade onde nos inserimos, quando lhe entregamos cidadãos que pretendemos mais bem preparados para a vida social e profissional. A capacidade de reconhecermos e aceitarmos esta nova realidade é vital para que consigamos posicionarmos perante o futuro naquilo que é essencial para a qualidade da educação comportamental e do ensino nesta escola, através de um projecto educativo diferente das outras escolas que continue a garantir a sua identidade e perenidade. A mudança é sempre difícil, mas a capacidade do Aluno do Colégio Militar se adaptar a novas situações sempre foi seu apanágio e tenho a certeza que assim continuará a ser convosco e com os vossos sucessores, tal como aconteceu com os que vos antecederam e que passaram por períodos bem mais difíceis como os que aqui já referi. Mas ser Menino da Luz é também satisfação e
alegria de viver e pertencer a uma comunidade assente na amizade e na camaradagem, que reflecte a sua identidade particularmente neste seu dia festivo, momento especial para mostrarem o vosso orgulho que transparece no garbo como se apresentam perante a Comunidade Colegial nestes claustros seculares e amanhã quando desfilarem perante Lisboa em plena Avenida da Liberdade. O vosso garbo reflecte por excelência a própria imagem do Colégio Militar e por isso este orgulha-se muito de vós! Façam por merecer esta confiança agora e sempre. Meu General, Distintos convidados, Termino agradecendo a presença de todos os que se dignaram a assistir a esta singela cerimónia, onde uma vez mais relevo as Mães, Pais e Antigos Alunos aqui presentes, pelo particular significado que transmitem em todas as cerimónias e actividades deste Colégio. Muito obrigado a todos e parabéns ao Colégio Militar por mais este seu aniversário. Tenho dito!» Concluída a alocução do Exmo. Director do Colégio, teve lugar a imposição de condecorações e a entrega de prémios. Foram condecorados com a Medalha de D. Afonso Henriques: - O Major António Borges da Silva. - A Dr.ª Prof.ª Maria Amélia Figueiredo Santos (representada pelo seu marido). - A 1º Cabo Mariline da Cruz Gonçalves. Foram condecorados com a Medalha de Comportamento Exemplar: - O Coronel José Contente Fernandes. - O Tenente Nuno Ramos Gonçalo. - O 2º Sargento Jorge Cardoso Vieira. - O 1º Cabo Augusto Vilela de Barros.
- A Soldado Patrícia Meireles Carvalho. Foram condecorados com a Medalha Comemorativa de Serviços Especiais. - O Capitão Sandro Nunes Serronha (Timor 2009/2010). - O Tenente Nuno Ramos Gonçalo (Kosovo 2007/2008). - O 1º Sargento Diogo Maia Ventura (Afeganistão 2007/2008). Receberam a placa do Exército relativa à passagem à Aposentação cinco elementos dos corpos Docente e não Docente, dois deles com mais de 30 anos de serviço no Colégio. Foram vidas inteiras de trabalho a servir o nosso Colégio. Estes elementos foram: - Prof. António Morgado Gama (32anos de serviço). - Prof. Lourenço da Conceição Frazão (23anos de serviço). - Prof. Fernando Carvalho Araújo (22anos de serviço). - Prof. Joaquim Correia Leal (16 anos de serviço). - Ass. Téc. Leonel da Silva Tomaz (34 anos de serviço). Foram ainda distribuídas placas comemorativas a 6 servidores com mais de 25 anos ao serviço do Colégio. Quanto aos Alunos os prémios atribuídos foram os seguintes: - Prémio «Educação Física» Aluno nº 287, Paulo Dias. - Prémio «Esgrima» Aluno nº 197, Francisco Carvalho. - Prémio «Equitação» Aluno nº 239, António Taurino. - Prémio «Instrução Militar» Aluno nº 120, Gonçalo Pais. O Aluno nº 197, estava ausente, a participar no Campeonato da Europa de Cadetes na Croácia,
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que foram acompanhando o Batalhão no seu percurso. Chegado o Batalhão ao monumento aos Mortos da Grande Guerra (em cujo número se contaram vários Antigos Alunos) aí se passou em continência à direita ao próprio monumento e às entidades aí postadas, à frente das quais se encontrava o Exmo. Tenente-General Comandante da Instrução e Doutrina do Exército que retribuiu a continência prestada. Lá estava também ao alto, em continência, o guião da nossa Associação. Que pena não o vermos também a desfilar integrado na formatura, como fazem os nossos camaradas do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Bato-me por esta ideia há anos, espero ainda vê-la tornar-se uma realidade. Chegado o Batalhão à Praça dos Restauradores lá estavam mais Antigos Alunos, alguns pendu-
e a fanfarra postada no local do coro da igreja, sobre a porta de entrada principal do templo. A missa foi celebrada pelo Capelão do Colégio Padre Rui Almeida Lopes, sendo a primeira leitura feita pelo Director do Colégio e a segunda leitura feita pelo Aluno Comandante de Batalhão. A leitura do Evangelho foi feita pelo Capelão, que proferiu de seguida uma bela Homilia, ao nível daquelas a que nos habituou ao longo de muitos anos o nosso «camarada» Braula Reis, a quem daqui saudamos. Na continuação da celebração da missa foi entoado o toque de silêncio, em memória dos Antigos Alunos falecidos, em particular por aqueles que deram a sua vida pela Pátria. É sempre um momento emocionante, em particular para os mais velhos, que recordam com saudade os seus camaradas que já nos deixaram, mas que continuam sempre presentes nos nossos espíritos. Seguiu-se o toque da alvorada, sinal da vitalidade dos actuais Alunos, que se espera que sejam dignos da memória dos que já partiram, continuando sempre a servir a Pátria e a honrar o nome do Colégio. Celebrada a Comunhão, dada a Bênção a todos os presentes e finda a Missa, foi entoado pelo Coro do Colégio o Hino Nacional. De seguida os Alunos foram levantar as armas deixadas no Palácio da Independência e tomaram os autocarros que os levaram de volta para o Colégio. Que saudades dos tempos em que a seguir à Missa voltávamos a marchar a caminho do Terreiro do Paço, passando em frente às escadarias do Teatro D. Maria II, onde os Antigos Alunos, em massa, nos aplaudiam. Até se nos arrepanhava a pele da cara. Ao fim da tarde lá voltámos ao Colégio para o tradicional jantar de confraternização no Refeitório dos Alunos. Não é precisa muita imaginação para se adivinhar o que foi a ementa. Apesar disso, aqui vai ela, para aqueles que não estiveram presentes e que já padecem de falhas de memória: caldo verde, «amarelo» e arroz doce. O jantar esteve muito animado, com Antigos Alunos de várias gerações, desde os novatos até aos mais veteranos. Como sempre deu gosto ver alguns cursos que, ano após ano, marcam presença com uma forte representação. Foi mais uma bela jornada de confraternização. Apesar de se prolongar por dois dias passou-se num instante. Sabe sempre a pouco. Para o ano haverá mais. Assim o esperamos. © Foto Leonel Tomaz
tendo o seu prémio sido recebido pelo seu pai Carlos Rio Carvalho, Antigo Aluno 307/1971. A encerrar as cerimónias de sábado dia 3, o Batalhão Colegial desfilou através do Átrio Principal do Colégio, em continência à esquerda ao Busto do Fundador, o Marechal Teixeira Rebello, continuando em continência às Entidades presentes, postadas já fora do edifício do Colégio, no jardim. O Batalhão continuou então a sua marcha ao longo da Estrada da Luz, até à Parada do Corpo de Alunos. Para os mais curiosos, lembramos que foi na celebração do primeiro centenário do Colégio, em 2 de Março de 1903, que foi inaugurado o Busto do Fundador, em cerimónia presidida por El-Rei D. Carlos. Na Ordem de Serviço nº 61, desse mesmo dia, determinava-se que «sempre que o Batalhão Colegial tenha de sair e entrar, debaixo de forma, no Edifício do Colégio, seja feita a continência regulamentar na passagem por diante do Busto do Marechal António Teixeira Rebello, como preito de homenagem devida à memória do ilustre e benemérito fundador e primeiro director deste estabelecimento de educação e ensino». Assim foi determinado, assim tem sido feito ao longo de mais de um século e esperamos que assim se continue a fazer ao longo de muitos mais anos. Domingo dia 4 de Março foi o dia grande das comemorações, com o desfile do Batalhão ao longo da Avenida da Liberdade. É o dia pelo qual todos os Alunos anseiam ao longo do ano, para poderem mostrar publicamente o orgulho que sentem, ao marchar com todo o garbo, integrados nos seus pelotões e nas suas companhias, que querem sempre que sejam as melhores. A grande interrogação que todos têm em mente no dia do desfile é a de saber como é que vai estar o tempo. Quando eu era Aluno, a primeira coisa que fazia ao toque da alvorada do 3 de Março, era espreitar o céu pelas janelas da camarata, para ver se estava de sol ou de chuva. Este ano felizmente esteve de sol. O Batalhão formou na zona do Marquês de Pombal, tendo os comandantes das diferentes companhias e da escolta feito a comunicação ao Comandante de Batalhão que as mesmas se encontravam prontas. Procedeu-se de seguida à continência ao Estandarte Nacional e à sua integração na formatura, dando-se então início ao desfile. Contornada a rotunda do Marquês de Pombal, começaram a ouvir-se, rasgando os ares, os gritos vibrantes de ZACATRAZ soltados pelos Antigos Alunos postados ao longo da Avenida,
rados no monumento, que de novo aclamaram o Batalhão com o maior dos entusiasmos, antes deste terminar a sua marcha na praça do Rocio. Depois, foi ver a Escolta desfilando garbosamente, a galope, Avenida abaixo, acompanhada pelos Antigos Alunos mais novos, que optam por correr umas boas centenas de metros, a acompanhar a Escolta, tentando por vezes assustar os cavalos, pondo assim à prova a destreza dos nossos cavaleiros. Seguiu-se a missa na igreja de S. Domingos. Como de costume os Alunos seguiram para o interior do templo, enquanto os Antigos Alunos se distribuíam pelo referido templo e pelo exterior, em alegre convívio, em muitos casos acompanhado, como de costume, por umas boas ginginhas, consumidas logo ali à porta do botequim «A Ginginha». O seu proprietário deve aguardar todo o ano com ansiedade pelo aniversário do Colégio, que lhe proporciona sempre um dia de receita acrescida. Na igreja de S. Domingos tivemos, como é habitual o coro do Colégio postado por trás do altar, o Estandarte Nacional, O Guião do Colégio e o Guião da nossa Associação em guarda de honra ao altar
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Do Colégio Récitas Colegiais - Mais de um século de Tradição
José Alberto da Costa Matos (96/1950)
RÉCITAS COLEGIAIS
Mais de um século de Tradição O
s dicionários definem “récita” como uma “representação teatral de declamação, canto, etc”, sendo que, neste “etc”, podem caber tantas outras formas de representação quantas as ditadas pela criatividade dos autores, incluindo o chamado teatro de “revista”. Todavia, enquanto na récita a representação é confiada a amadores, na revista a interpretação cabe a profissionais. A récita está muitas vezes associada ao meio estudantil ou às colectividades e constitui um género de teatro popular que parodia factos, personagens, discursos ou atitudes do poder, das chefias, das elites e das classes ou grupos dominantes, no qual é feito amplo recurso à crítica, ao humor, ao ridículo e à caricatura. Esta forma de teatro surgiu em Paris, nos finais do século XVIII, inserido no vaudeville, um espectáculo “revue de fin d’année” que fazia um balanço crítico dos principais acontecimentos do ano, recorrendo a vários quadros que combinavam o canto, a dança e a declamação. Com o tempo foi adquirindo um maior sentido humorístico, tornando-se então numa comédia cujas piadas eram dirigidas à burguesia capitalista. A Portugal chegou por meados do século XIX e, segundo se crê, a primeira “revista” foi levada à cena em Lisboa, em 1852, no Teatro do Ginásio. Tinha por título ”Festejo dum Noivado” e era da autoria de Braz Martins. Seguiram-se-lhe várias outras, noutros teatros, tornando-se mesmo num espectáculo de agrado popular, ainda hoje subsistindo, embora com menos fulgor. De estrutura muito variada, possuía normal-
Récita de 1996
mente dois ou três actos, começando com uma abertura que captasse a atenção da plateia e terminando com uma grande apoteose. O seu objectivo essencial era divertir o público através da crítica, da caricatura e de umas quantas cançonetas fáceis de memorizar, fosse pela sua rima, fosse pelo seu ritmo. Para os puristas da crítica literária, tratava-se de um género de teatro menor. Assim o entendia, por exemplo, o escritor francês e crítico de teatro Adolphe Brisson (1860-1925), contemporâneo dos primeiros tempos deste género teatral, que dele tinha má impressão porque criticava o poder e os seus detentores e porque constituía uma ameaça para a burguesia. Esta linha de juízo depreciativo foi ganhando adeptos entre aqueles que eram criticados e acabou com o tempo por conduzir à censura e mesmo à sua proibição, como, por exemplo, veio a acontecer na Alemanha nazi. No Portugal do Estado Novo, apesar da lupa
e do filtro da censura, lá se ia conseguindo, subtil ou sub-repticiamente, fazer chegar a crítica ao público, designadamente quando Salazar e o seu apego ao poder eram o alvo principal. Mas as mensagens a transmitir podiam logo começar pelo título do espectáculo, como acontecia, por exemplo, em “Enquanto houver Santo António”, “Sempre em pé” ou “Daqui ninguém me tira”. Feita esta breve introdução, recuemos uma vez mais no tempo e situemo-nos no então Real Colégio Militar por volta de meados do século XIX. Até 1835, por volta da sua transferência para Rilhafoles, a dança já fazia parte da componente de formação dos alunos, uma vez que se entendia que, dada a sua condição de futuros oficiais, aquela lhes seria necessária quando frequentassem os meios próprios da sua condição social. Seria também por essa altura que a aprendizagem da música veio integrar os programas do ensino colegial.
Do Colégio Récitas Colegiais - Mais de um século de Tradição
Foi porém nos fins de 1848, quando o Colégio foi transferido para a parte sul do convento de Mafra, que veio a verificar-se o seu primeiro contacto físico com a arte de Gil Vicente. Com efeito, no piso térreo daquela parte do convento, existia então um aposento com cerca de 250 m2 que, havia uns sete ou oito anos, fora criado por um grupo de oficiais então aquartelados no Convento, para nele instalar uma sala de representação teatral ou para realização de sessões musicais, tendo nele construído uma plateia, um palco, um camarote real e um balcão com uma balaustrada pintada a azul e ouro. Embora não se conheçam documentos que permitam saber como foi utilizado tal espaço, é contudo de presumir que os colegiais e os seus mestres lhe tenham dado conveniente utilidade, tanto mais que se sabe, isso sim, que «(...) Alguns anos após a sua instalação, o teatro foi entregue aos cuidados de escolhidos oficiais do Colégio Militar (...), distinguindo-se pelo seu esmero o alferes Silva Monteiro que, empenhado em valorizar aquela casa, pintou cenários e um pano de boca com a vista do Convento.»1
De regresso à Luz em 1858, iam decorridos dez anos e era director o general Palmeirim, quando o teatro passou a ser apoiado e assumido não só como actividade lúdica, mas também como complemento da aprendizagem da língua portuguesa, passando mesmo a ter um «Regulamento para o Teatro Colegial»2 que, no seu artigo 1.º, definia o seguinte: «O teatro é destinado à diversão do corpo colegial, e para exercícios de declamação.» Havia, segundo o regulamento, um director do teatro e um professor responsável pela declamação, e os ensaios tinham lugar em tempo que não prejudicasse a aplicação ao estudo, ou a preparação para exames de frequência e finais, acrescentando ainda que só podiam «tomar parte activa nas representações teatrais e a auxiliar as mesmas, os alunos que, a um comportamento excelente reunam gosto e aptidão, e com nota de suficiente nas informações mensais». Apesar de não se terem encontrado até agora documentos que nos revelem quais as obras e autores representados, sabe-se contudo que tais eventos tinham lugar na véspera de um feriado e que tinham grande impacto social, sendo mesmo necessário um convite formal para a eles se assistir. Em dias de espectáculo o porteiro do Colégio vestia então o seu melhor uniforme, com espada à cintura, e as senhoras eram conduzidas aos seus lugares pelo braço dos alunos graduados e também dos do 6.º ano. Os anos foram passando e após uma segunda e breve estada em Mafra (18701873) o Colégio instalou-se definitivamente na Luz, onde ainda se encontra e, desde então até 1903 (ano do 1.º Centenário), as representações teatrais foram sempre realizadas em instalações improvisadas que eram preparadas e decoradas para esse efeito. Mas estes espectáculos mantinham no entanto o mesmo relevo e a exigência de convite. Em 1884, por exemplo, um convite autenticado com o selo branco do Colégio e manuscrito em boa caligrafia, dizia o seguinte: “Real Collegio Militar – Os alumnos d’este collegio têem a honra de convidar v. ex.ª para a recita que se deve realisar n’este edifício no dia 13 de junho de 1884 às 8 horas e meia”. Oito anos depois, em 1892, o general Morais Sarmento (antigo aluno) assumiu
1 - Guilherme José Ferreira de Assunção em «À Sombra do Convento» (1978). 2 - Ordem do Colégio n.º 69, de 21 de Abril de 1868.
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o cargo de director e empenhou-se desde logo na construção de uma instalação permanente destinada a «fazer realizar pelos alunos não somente representações de comédias, como conferências literárias e científicas, recitações de poesias escolhidas nas línguas ensinadas no Colégio, concertos musicais, etc.».
Com esta sua decisão, Morais Sarmento iria tornar realidade uma velha aspiração de sucessivas gerações de alunos, das quais ele também fizera parte.
Assim nasceu o actual teatro «Príncipe D. Luís Filipe», inaugurado em 2 de Março de 1903. Foi levantado nos chamados “Quartéis Velhos”, ou “Formação” (actualmente confiada à Associação dos Antigos Alunos) e possuía um palco espaçoso, uma plateia com capacidade para cerca de duzentos lugares, um balcão com mais uns cinquenta, e uma frisa de boca normalmente destinada ao director e seus convidados ou acompanhantes. No dia da inauguração foram ali representadas pelos alunos duas comédias em um acto: na primeira parte «Roca de Hércules», de Manuel Pinheiro Chagas (antigo aluno 118/1853) e, na segunda, «O Portador d’esta», de Augusto César Ferreira de Mesquita (antigo aluno 22/1853).
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Do Colégio Récitas Colegiais - Mais de um século de Tradição
Durante a 1.ª Grande Guerra (1914-1918), não foram levadas à cena no teatro “D. Luís Filipe” quaisquer representações, porque o Quartel Velho esteve ocupado por um Grupo de Metralhadoras do Exército. Mas em 1913, a 31 de Maio, sabe-se que os alunos do 7.º ano apresentaram no Teatro da República (que outro não era que o Teatro S. Luís, com nome alterado como consequência de mudança de regime em 5 de Outubro de 1910), apresentaram, como se ia dizendo, uma récita em que na 1.ª parte foi levada à cena a comédia em um acto “ O Comissário é uma Rosa” e, na última parte, a comédia, também em um acto, “Inglês sem Mestre”, sendo ensaiador Acácio Antunes (autor e tradutor teatral nascido em 1853) e dirigindo a parte musical o maestro Caldeira.
Mal se desanuviaram as preocupações do conflito mundial, e apesar do teatrinho colegial ainda não estar utilizável, porque dele haviam desaparecido todos os aprestos que ali tinham colocados nos anos que antecederam o impedimento do Quartel Velho, foram contudo postas em cena algumas récitas noutros locais. Assim, quando necessário, transformavam-se em verdadeiros teatros os gerais ou as camaratas das Companhias de alunos, a que não faltava uma conveniente decoração, o palco, a iluminação e até o estrado sobrelevado para a orquestra. Mas detenhamo-nos um pouco sobre o que aconteceu com as récitas nos anos que então se seguiram. 1918 – Promovida pelos alunos do 7.º ano, a favor da Associação Filantrópica, teve lugar a 11 de Abril, no Teatro Nacional, uma festa em que foram representadas as comédias teatrais “Não tem Título” e “Os supersticiosos”, tendo os finalistas sido ensaiados pelos actores Augusto de Melo (professor do Conservatório) e João Galazans. 1919 – Na camarata da 6.ª Companhia, lá ao fundo, junto aos lavatórios (que
serviam de camarim dos “actores”), foi montado um palco sobre as “caixas de pau” dos enxovais, com lençóis a servir de pano de boca e aí, no dia 09 de Abril, teve lugar a representação das comédias “Simplício, Castanho & Companhia” e “A Ceia dos Ex-Colegiais” (parodiando a “Ceia dos Cardeais” do antigo aluno Júlio Dantas) da autoria dos alunos finalistas Viriato Silva (173/1912) e Carlos Magalhães (184/1912), em que os personagens eram três majores reformados de Infantaria, da Guarda Fiscal e de Administração Militar, além de um “tarata” serviçal e atento. 1920 – Neste ano arte de Gil Vicente voltou ao teatro do Quartel Velho (“D. Luís Filipe”), e nele foram realizados três espectáculos, a que se juntou um quarto representado no Teatro S. Luís. No dia 20 de Março, houve uma récita promovida pelos alunos da 7.ª Companhia a favor da Associação Desportiva (que então existia no Colégio Militar).
Foi representada a revista em 3 actos “Piparotes, Cartucheiras e Flatetes”, da autoria dos alunos Tomás Alcaide (326/1912), Carlos Branquinho (328/1912) e Alfredo Leite (197/1910), com a colaboração do Reverendo da Conceição (351/1912) que escreveu uns versos. Era uma peça de crítica aos usos e costumes do Colégio, cheia de piadas aos professores e oficiais que nele serviam. A 09 de Maio, os alunos do 5.º ano promoveram no teatro do Quartel Velho a re-
presentação das comédias “Inglês e Francês” e “Ressonar sem Dormir”. Pouco depois, no dia 21 de Maio, no Teatro S. Luís, decorreu uma récita extraor-
dinária a favor da Associação Filantrópica, promovida pelos alunos do 7.º ano, com a representação das comédias em dois actos “Na Boca do Lobo”, de Carlos Borges, e “Santos & Comp.ª”, de Augusto César de Vasconcelos, tendo os ensaios sido dirigidos pelo actor João Galazans . Finalmente, a 12 de Junho, no teatro do Quartel Velho, foram representadas pelos alunos da 4.ª Companhia, em benefício da Associação Filantrópica e da Associação Desportiva, as comédias de um só acto “Grandes Aflições de um Esposo” e “Uns Donos de Casa Respeitáveis” 1921 – O sucesso alcançado no ano anterior, bem como a vontade e a determinação demonstradas pelos finalistas, motivaram o general Bernardo de Faria, grande director de então, para a necessidade de ser recuperado com urgência o pequeno teatrinho colegial e graças a esse interesse, neste ano, no teatro “D. Luís Filipe” (Quartel Velho) os alunos da 5.ª Companhia apresentaram em 27 de Fevereiro duas comédias, ambas em um acto, intituladas “Criado Distraído” e “Os Doidos com Juízo”, após as quais se seguiu um baile. No mês seguinte e no mesmo local, foi a vez de alguns alunos da 7.ª Companhia representarem a comédia em dois actos “Zaragueta”. Depois, em 21 de Maio, foi representada pelos alunos, no Teatro S. Luís, a peça “N’outros tempos”, da autoria de Pedro Álvaro Bandeira (antigo aluno 197/1882) e António Álvares Guedes Vaz (antigo aluno 13/ 1883). 1922 – Neste ano foi desenvolvido um projecto teatral semelhante ao do ano ante-
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rior. Assim, a 18 de Fevereiro, no teatro “D. Luís Filipe” (Quartel Velho) os alunos da 6.ª Companhia representaram, a favor da Associação Filantrópica, a “tragédia herói-cómica” em três actos “Fábia”, seguida de baile. No dia 01 de Abril, no mesmo local e também a favor da Associação Filantrópica, a 4.ª Companhia apresentou a comédia “Pouca Vergonha” e a “tragédia herói-cómica” “Morte de Catimbas”, numa adaptação do aluno José César de Sá (antigo aluno 367/1916). Depois houve baile com um quinteto tipo “jazz band”. Quatro dias depois, a 05 de Abril, foi a vez da récita dos alunos do 7.º ano, que teve lugar no Teatro S. Luís. Pelos finalistas, ensaiados pelo actor João Galazans, foram representadas as comédias “Casa de Doidos” e “Os Quatro Cantinhos”. 1923 – Neste ano o teatro colegial saiu para fora de Lisboa e apresentou-se em Santarém, Coimbra, Porto, Braga e Viana do Castelo, durante a excursão efectuada entre 24 de Março e 5 de Abril. Foram aí representadas a comédia «Inglês sem Mestre», numa tradução de André Brun, e a farsa musicada «O Entremez do Dr. Cupido», também da autoria de André Brun, com música de Fernando Moutinho, as quais alcançaram sucesso assinalável em todas aquelas cidades. Do espectáculo no Porto, realizado no teatro Sá da Bandeira cedido gratuitamente pelos artistas Lucília Simões e Eurico Braga, o jornal «Comércio do Porto», referia: «O público riu constantemente com a representação desse hilariante número, cuja representação foi excelente.» Mas as coisas não se ficaram por aqui porque, a 27 de Janeiro, os alunos do 6.º ano puseram de pé no teatro “D. Luís Filipe” uma récita a favor da Associação Filantrópica. Representaram na 1.ª parte do espectáculo a opereta em dois actos “A Viúva Alegre em Cascais”, enquanto a 2.ª parte foi preenchida com canções populares. 1924 – Em Fevereiro foi representada no Teatro D. Luís Filipe a peça “O Visconde de Paula Ranso”, da autoria de Serzedelo Coelho (antigo aluno 263/1905) e Botelho Moniz. 1925 – Em Fevereiro foi representada no Teatro D. Luís Filipe, a favor do Jornal do Colégio e do Monumento aos Ex-Alunos, a peça em verso num só acto do antigo aluno Júlio Dantas (114/1887) “O 1023”, seguin-
do-se uma parte musical e, antecedendo o baile de gala, o entreacto em verso “Cartas de Amor”, da autoria de Armando Páscoa (395/1916) e Góis Mota (256/1918). 1926 – Em 04 de Fevereiro, a favor do monumento aos Antigos Alunos, foi representada no Teatro D. Luís Filipe, pelos alunos do 5.º ano, a comédia “Benfica... Treze”, uma “charge” à vida colegial da autoria de Serzedelo Coelho (263/1905). Houve baile depois da representação. Ainda neste ano, os alunos do 7.º ano apresentaram uma récita em dois actos e cinco quadros a favor da Associação Filantrópica, intitulada “Favas Contadas”. Os quadros da revista chamavam-se “No Reino de Eolo”, “Cozido à Portuguesa”, “Verdades Farmacêuticas”, “Lá por Dentro” e o último, o da apoteose, “A Tradição”, neles estando incluídos 24 números musicais sob direcção do maestro Manuel Ribeiro. 1927 – Foram representadas duas peças de teatro a favor da dívida de guerra. Pelos alunos do 6.º ano a “O Deputado Independente”, e pelos do 7.º ano a peça “O Doutor 19”. 1928 - A 11 de Fevereiro, e a favor do monumento aos Antigos Alunos, os alunos do 7.º ano levaram à cena duas representações humorísticas, estilo “vaudeville”, intituladas “As Cartas da Carolina” e ”A Censura”, ambas da autoria de Pedro Álvaro Bandeira (antigo aluno 197/1882), tendo o Luís Galhardo (antigo aluno 143/1886) cedido os cenários e o guarda-roupa. À representação seguiu-se um baile em que se exigia traje de “soirèe”. Refira-se como curiosidade que na última actuava um grupo de “Boys e Girls” e que um dos “boys” foi o aluno n.º 33. António de Spínola, futuro Presidente da República. Neste mesmo ano, a favor da Associação Filantrópica e do Jornal dos pobres do Recolhimento da Albergaria de Lisboa, foram representadas duas peças teatrais: pelos alunos do 6.º ano “O Senhor Roubado”, em três actos, de Chagas Roquette e, em repetição, “As Cartas da Carolina”, esta a cargo dos finalistas. 1929 - A favor da Associação Filantrópica foram representadas duas peças teatrais ao estilo “vaudeville”: “A Família Paredes”, de Pedro Álvaro Bandeira (antigo aluno 197/1882), pelos alunos do 6.º ano e, pelos do 7.º, “O Camaradão”, também do Pedro Álvaro Bandeira, com música de Raúl Fer-
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rão (antigo aluno 205/1901). Em qualquer dos casos seguiu-se-lhes um baile. 1930 – Realizou-se uma “Festa Literária e Artística” com canto, poesia e música pela Tuna colegial. 1931 – Voltou a ter lugar a “Festa Literária e Artística” com poesia e canções pelo orfeão colegial. 1932 – No Teatro Nacional D. Maria I foi representada, pelos alunos finalistas, a comédia “O Ilustre Governador”, de Pedro Álvaro Bandeira (antigo aluno 197/1882) e António Álvares Guedes Vaz (antigo aluno 13/ 1883). 1933 – Neste ano não se realizaram representações teatrais. 1934 – Integrada nas comemorações do “3 de Março”, os alunos do 2.º ano levaram à cena a comédia “Duelo por Amor”. 1935 – Em Fevereiro, fazendo parte da festa dos finalistas, foi por estes posta em cena, com apoio de professores e oficiais, a revista “Melancia à Faca”, de Mário Duque e João Reis, seguindo-se o habitual baile de gala. 1936 – Antecedendo o baile dos finalistas, e com o apoio de uma comissão de professores e oficiais nomeada para o efeito, foram pelos alunos do 7.º ano representadas:
Na 1.ª parte, a comédia musical em um acto “Que Teimoso”, de Pedro Álvaro Bandeira (antigo aluno 197/1882), com
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Antecedendo o baile, houve ainda, no refeitório dos alunos (actual museu colegial), uma ceia volante e, madrugada dentro, um chocolate quente. 1943 – No dia 27 de Março, na camarata da 1.ª Companhia, preparada especialmente para o evento, teve lugar a festa dos finalistas com a representação da peça “Amar em seco”, da autoria do aluno 112/1936, José Manuel Soares de Oliveira. Seguiu-se a actuação da “Orquestra Pitagórica” dirigida pelo aluno 403/1935, Carvalho Rodrigues.
música do maestro Manuel Ribeiro e, na 2.ª parte, “Branco e Preto”, uma fantasia em um acto do aluno Gusmão Nogueira, também com música do maestro capitão Manuel Ribeiro, professor de Canto Coral. Os cenários foram executados pelos alunos que, por especial deferência, contaram com o apoio da professora de canto e piano Ema Cordeiro na parte musical, e com a professora de dança Encarnacion Fernandez nas marcações coreográficas. 1937 – Pelos alunos do 6.º ano foi posto em cena um espectáculo musicado com duas partes, seguidas de um baile. Na 1.ª parte foi representada uma fantasia da autoria do aluno Hidalgo Barata (251/1932), com música do capitão Manuel Ribeiro, professor de Canto Coral, intitulada “Quasi de Graça”, ensaiada pelo actor Eduardo Raposo. 1942 – Em Fevereiro, antecedendo o Carnaval, os colegiais do 7.º ano levaram à cena uma récita sem título que era um misto de representação teatral e de variedades. Teve lugar na camarata da 1.ª Companhia, adaptada a sala de espectáculos e também a salão onde teve lugar o baile que sucedeu à récita. Na 2.ª parte foram executados pela orquestra colegial “Sextina” vários números musicais, alguns com versos do coronel Cardoso dos Santos (antigo aluno 194/1887), e a composição “A Alegria”, do maestro Cruz e Sousa (antigo aluno 79/1903). Seguiu-se um baile que teve o concurso das vedetas do teatro Corina Freire, Irene Isidro e Maria Sampaio, além do actor Raúl de Carvalho (antigo aluno 155/1912). Ainda neste ano, fazendo Parte do Festival Vicentino, os alunos do 5.º ano representaram o “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente. 1938 – Não se realizou récita. 1939 – A festa dos finalistas constou unicamente de uma ceia e baile, que decorreu numa das camaratas dos alunos, devidamente decorada e adaptada para esse efeito, sendo coordenada por uma comissão constituída por professores e oficiais. 1940 e 1941– Com a 2.ª Guerra Mundial a ensombrar o mundo e os portugueses, e por força da escassez de recursos, os alunos do 7.º ano realizaram a sua festa de finalistas em moldes semelhantes ao ano anterior.
Os finalistas contaram com alguns apoios, designadamente nos ensaios e montagem, de um tenente miliciano então em serviço no Colégio e que sabia bastante de teatro, bem como de um oficial da Marinha, o 1.º tenente Noronha, cunhado de um dos “actores”, que realizou um excepcional trabalho de caracterização das “bailarinas”.
Contaram com a colaboração do tenente miliciano Fernandes, natural de Coimbra, para cantar fados de Coimbra (actuou disfarçado) e, inclusivamente, tocou na orquestra colegial que acompanhou a apresentação. Mas houve também a ajuda dos tenentes milicianos Duarte e Amaral, e dos alferes Carlos Sárria (antigo aluno 68/1929), Cruz, Ramalho e Grilo. Realizou-se depois, pela madrugada fora, um baile de gala abrilhantado por duas orquestras. 1945 – Em 03 de Fevereiro teve lugar na camarata da 1.ª Companhia, transformada e decorada para esse efeito, a festa dos finalistas que, além de um baile, incluiu a
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comédia crítica e caricatural aos costumes colegiais, num único acto, “O Sonho de uma Noite de Inverno”, do professor Carlos Chaby (49/1910), tendo os finalistas tido o apoio dos professores/capitães Vieira da Fonseca (antigo aluno 241/1909) e Bastos de Carvalho (decoração). Os principais protagonistas da récita eram o célebre “Cabo 20” e o “Oliveira”, porteiro do Colégio. 1946 – A festa dos finalistas decorreu quase ao findar do ano lectivo, constando do já tradicional baile e da comédia crítica aos costumes colegiais “Auto do Menino da Luz “, da autoria do professor Carlos Chaby (49/1910), representada da camarata da 1.ª Companhia adaptada a teatro e salão de dança.
Os alunos tiveram o apoio dos professores/capitães Vieira da Fonseca (antigo aluno 241/1909), Carmo e Beirão de Brito, e do pintor Almada Negreiros (pai do “rata” 144, José de Almada Negreiros, entrado nesse ano lectivo para o Colégio Militar). 1947 – Como usual, em Fevereiro, os alunos do 7.º ano celebraram a sua despedida levando à cena no teatro “D. Luís Filipe” (Quartel Velho), uma adaptação humorística do “Auto da Barca do Inferno”, para a qual contaram com o empenho do professor capitão Júlio Martins, autor do texto.
Tiveram ainda a colaboração de outro professor, o capitão Bastos de Carvalho, para os cenários e também na decoração da camarata da 1.ª Companhia, onde decorreu o baile de gala que se seguiu à representação, e que aquele mestre transformou numa réplica de
uma rua de Macau, não esquecendo na iluminação os conhecidos balões chineses. 1949 – Em 19 de Fevereiro a festa dos finalistas teve lugar na camarata da 1.ª Companhia, sendo representada a récita “Piadas do Diabo”, da autoria do professor de língua portuguesa Júlio Martins.
Colaboraram ainda os professores major Lacerda Machado (encenação) e Jaime da Silva (parte musical). Fizeram também parte da comissão de apoio o professor capitão Medeiros, o tenente Esteves Martins e alferes Pereira de Carvalho. Depois do espectáculo teatral houve baile de gala. A montagem do som esteve a cargo dos Serviços Técnicos da Emissora Nacional. 1950 – A festa dos finalistas realizou-se em Fevereiro, no último sábado antes do Carnaval, constando da representação, pelos alunos, da peça de teatro “O meu destino é a Luz”, da autoria de Jaime da Silva Mota, tenente professor de Português, que também ajudou na encenação e realização. Seguiu-se-lhe o baile de gala.
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Como em 1949 havia sido inaugurado o novo edifício do ginásio, que dispunha então de um magnífico palco, foi aí que o espectáculo e o baile tiveram aí lugar. 1951 – Não houve representação teatral, mas apenas o baile de gala dos finalistas, que teve lugar a 27 de Janeiro no edifício do ginásio. Para tal evento foi nomeada uma comissão de apoio constituída pelo major Bastos de Carvalho, capitão Júlio Martins e tenentes Jaime Mota, Moreira e Esteves Martins. 1952 – A festa de despedida dos finalistas teve lugar a 9 de Fevereiro, no edifício do ginásio, com representação da récita “Olhai o Lírio dos Campos”, num único acto, cujos textos críticos foram da autoria dos alunos e do professor de Português Jaime da Silva Mota.
A decoração e cenários couberam ao major Bastos de Carvalho, mas os finalistas tiveram ainda com o apoio dos professor capitão Guedes da Silva e dos tenentes Esteves Martins e Pereira de Carvalho. Antecedendo o baile de gala, houve ainda um sarau de variedades em que cantaram: Maria José Valério, Tony de Matos, Fernando Queijas e Laura Puchol. 1953 – A festa de despedida dos alunos do 7.º ano, foi realizada a 7 de Fevereiro no edifício do ginásio.
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Foi levada à cena a récita de um acto “Sem Classificação Especial”, escrita e ensaiada pelos alunos com o apoio do professor capitão Júlio Martins, cenários do professor major Bastos de Carvalho e direcção de coros do professor Jaime da Silva. Seguiu-se-lhe o baile de gala com serviço de ceia permanente. 1954 – A 13 de Fevereiro decorreu no edifício do ginásio a festa dos finalistas, tendo-se iniciado com a representação de récita com textos do professor Jaime Mota, e encenação do professor de Desenho major Balula Cid. Terminada a representação teatral seguiu-se o baile de gala e ceia, para o que contaram com o apoio do capitão Nuno Simões e do tenente Martins. 1955 – Não houve representação teatral, mas apenas o baile de gala dos finalistas, que teve lugar a 27 de Janeiro no edifício do ginásio. Para coordenar e apoiar a concretização do evento foi nomeada uma comissão constituída pelo major Bastos de Carvalho, capitão Júlio Martins e pelos tenentes Jaime Mota, Moreira e Esteves Martins. 1956 – Não houve representação teatral, mas apenas o baile de gala dos finalistas, que teve lugar a 28 de Janeiro no edifício do ginásio, com decorações a cargo do major Balula Cid. Actuaram diversos artistas da Rádio e do Teatro e houve serviço de ceia permanente
1957, 1958 (1 de Fevereiro), 1959 (17 de Janeiro), 1960 (20 de Fevereiro), 1961 (28 de Janeiro), 1963 (2 de Fevereiro) e 1964 (1 de Fevereiro) - nestes anos houve uni-
camente baile de gala com serviço de ceia permanente, no edifício do ginásio. 1965 – A 22 de Fevereiro teve lugar no edifício do ginásio o baile de gala dos finalistas, com serviço de ceia permanente e, a 2 de Junho, um sarau recreativo e cultural com intervenção de alunos de todos os anos, com coordenação dos professores Júlio Martins, Jaime Mota e Cruz Pinto, em que foram ditos ou representados diversos textos e adaptações de conhecidas obras, finalizando com a actuação do Orfeão do 1.º ciclo (alunos dos três primeiros anos). 1968 - Em Fevereiro realizou-se no edifício do ginásio o baile de gala dos finalistas, com serviço de ceia permanente e, a 11 de Junho, teve lugar um sarau artístico, com intervenção de alunos de todos os anos, com coordenação do capitão Vila Verde e dos professores Júlio Martins, Galhardo e Bilstein Sequeira, em que actuou o Orfeão colegial e foram recitadas poesias. 1969 – A 14 de Junho decorreu o baile de gala dos finalistas e respectiva ceia, neste ano com a novidade de ter como cenário o claustro do Colégio, especialmente preparado para o efeito, tendo havido o apoio dos professores Bilstein Sequeira, Dario Fernandes e padre Valdomiro. 1970 – A festa dos finalistas teve lugar a 12 de Junho no mesmo local e com o mesmo figurino do ano anterior, cabendo o apoio aos professores Pereira de Carvalho, Dario Fernandes e arquitecto Ribeiro de Oliveira. 1971 – Neste ano retomou-se o levar à cena de uma récita mas foi introduzida uma mudança que ainda hoje subsiste. Reconhecendo-se que os graduados, viviam (e vivem) absorvidos com múltiplos afazeres e sobrecarregados de enormes responsabilidades, passou para o curso pré-finalista a missão de representar aquela récita. Assim, em 20 de Maio, os alunos do 6.º ano puseram em cena uma adaptação cómica, com vários quadros, de “Todo o Mundo e Ninguém”, sendo eles próprios os autores do texto, executores da encenação e autores da parte musical. Mas ainda neste ano, a 12 de Junho, teria também lugar o agora tradicional baile de gala dos finalistas e respectiva ceia, no espaço privilegiado do claustro do Colégio. 1972 – Foi adoptado um formato idêntico ao do ano anterior, com o baile de gala a
12 de Junho, registando-se o apoio dado pelos professores Bilstein Sequeira, Dias de Freitas e escultor Brito. A partir de então, o modelo adoptado, e que se vem repetindo, passa por uma récita levada à cena em Janeiro/Fevereiro, no teatro “D. Luís Filipe”, pelos alunos do penúltimo ano.
Vêm-no fazendo com mais ou menos criatividade e com maior ou mais restrito apoio, seja da parte de professores e oficiais, seja mesmo de actores exteriores ao Colégio. Depois, em Junho, efectua-se o baile de gala dos finalistas, com serviço de ceia, sendo utilizado o claustro como espaço privilegiado para concretização do evento, após receber as necessárias transformações decorativas. Posto isto, deixarei para as gerações mais recentes o relato pormenorizado das récitas dos últimos quarenta anos, mas sempre farei referência a alguns aspectos que importa não esquecer.
Para darem vida a tais espectáculos, os alunos do 6.º ano contaram, como regra, com uma comissão de apoio constituída por dois oficiais e um professor de Português. Fizeram parte destas comissões, entre outros, os professores Carlos Dias, Mário do Carmo (conhecido dos alunos pelo “Avô Cantigas”), Celeste Silva e Bastos Moreira (major, professor de Desenho e antigo aluno). Para os ensaios e realização, houve também a colaboração de actores de teatro como foi o caso do Rui Luís (que para o efeito se deslocava de
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propósito para Lisboa, ficando a dormir no edifício da enfermaria) e é o caso do Luís Esparteiro (antigo aluno).
Mas há uma outra personagem que, não sendo professor, nem oficial, nem actor, tem sido, desde 1985, um elemento indispensável à concretização das várias récitas: o técnico Leonel Tomaz, encarregado da Secção de Audiovisuais e do Anfiteatro, que é uma espécie de “faz tudo” e foi, até há bem pouco, uma estimada figura colegial de referência, especialmente para os alunos. De tudo quanto ficou para trás, importa sublinhar e reter alguns aspectos fundamentais. ● O teatro, enquanto actividade pedagógica e simultaneamente lúdica, existe no Colégio Militar desde 1868; ● Mandado construir pelo director do Colégio general Morais Sarmento e inaugurado em 2 de Março de 1903, o teatro «Príncipe D. Luís Filipe» primeiro, o ginásio a partir de 1949 e, desde 1985, o anfiteatro, têm sido os palcos onde os alunos vêm, de há muito, exercitado a sua capacidade de realização e representação teatral;
● Desde o último quartel do século XIX, as récitas colegiais, entendidas como representação teatral de amadores, eram sobretudo comédias de um único acto. Em 1920, um grupo de finalistas imprimiu às récitas colegiais um novo estilo de representação, mais próximo da “revista”, aumentando o número de actos e quadros, introduzindo-lhe a componente musical (instrumental e/ou coral) e inserindo nos textos a vertente crítica e caricatural, quer das actividades colegiais, quer também dos respectivos protagonistas (fossem eles directores, professores, oficiais ou até mesmo simples funcionários).
Esta alteração do paradigma da récita acabou por vingar e, com maior ou menor imaginação e uma mais aberta ou subtil acutilância, subsiste ainda hoje. Importa contudo sublinhar que, se muitos textos de jocosa crítica foram e são da autoria dos alunos, muitos outros houve que foram imaginados e escritos por professores do Colégio, sem que isso se traduzisse em desrespeito ou quebra disciplinar. ● Pelo menos a partir da criação do teatro “D. Luís Filipe”, os alunos que punham de pé as récitas contavam com o apoio formal de professores, de oficiais, e até, exteriores ao Colégio, de actores, maestros e professores das artes do espectáculo, quer isoladamente quer sob a forma de uma comissão nomeada para o efeito
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pela Direcção do Colégio, a qual incluía, como norma, o professor de Português e, sempre que possível, com um outro de Desenho ou com aptidão para as artes plásticas. ● Até 1971 as récitas foram por norma levadas à cena pelos alunos finalistas, Porém, reconhecendo-se que os graduados tinham múltiplos afazeres e que sobre eles pendiam importantes responsabilidades as quais lhes limitavam o tempo necessário para o efeito, desde então a récita anual passou a constituir incumbência dos alunos do penúltimo ano. ● Apesar de algumas intermitências, a “Récita” realizada pelos alunos dos últimos anos do Colégio Militar constitui uma Tradição com mais de um século de existência, que importa à Direcção do Colégio preservar e apoiar, aos professores estimular, ajudar e explorar do ponto de vista pedagógico e formativo, e aos alunos conservar como tradição, elevar o nível do ponto de vista artístico e de conteúdo dos textos, não esquecendo que a crítica ou caricatura constituem um exercício de liberdade muito exigente e difícil, sobretudo quando se estuda numa instituição que preserva a dignidade, o respeito, e a disciplina entendida no seu conceito mais elevado. Mas também os antigos “Meninos da Luz” podem e devem dar aos actuais alunos, a quem compete manter a tradição, a sua colaboração e ajuda, particularmente aqueles que estão relacionados com actividades artísticas, teatrais ou musicais, mas também os que são escritores e profissionais da televisão.
Era bom que, mais do que criar dificuldades, todos se unissem com o propósito de fazer mais e melhor, não esquecendo que as Récitas colegiais já constituíram um importante acontecimento social que exigia convite, realizassem-se elas no Colégio, nos teatros de Lisboa ou até nos de outras cidades.
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Do Colégio Récitas Colegiais - Mais de um século de Tradição
Nesse tempo, a qualidade dos limitados meios técnicos e materiais eram bem diferente da de agora... mas, porventura, também a dos meios humanos o é!!! Notas: Durante o trabalho de pesquisa realizado para este artigo, constatei que nos registos, biblioteca e arquivos do Colégio existem lacunas documentais acerca das récitas de alguns anos (1925, 1944, 1948, 1966 e 1967). Verifiquei também que, desde 1974, tais lacunas são como que uma constante, pois quase não existem programas das récitas, não se conhece quem foram os “actores e interpretes”, quem apoiou as representações e muito menos quais os textos escritos e utilizados. As novas tecnologias e a fácil divulgação da imagem, ao contrário do que seria de esperar, fizeram com que o arquivo histórico colegial se transformasse num “deserto” em matéria de fotografias impressas em papel das récitas realizadas. Por isso, seriam bem
Récita de 1943
recebidas as contribuições (originais ou cópias de documentos e de fotografias) que possam ser dadas por antigos alunos dos períodos em questão. Podem entregá-las ou enviá-las por correio dirigidas à AAACM, para depois serem depositadas no arquivo histórico do Colégio. Finalmente, é meu dever aqui deixar registo da prestimosa colaboração que me foi dada pelos camaradas e amigos Fer-
reira Alves (86/1934), Joaquim Cavalheiro (131/1935), Soares de Oliveira (112/1936), Pezarat Correia (10/1943), António Marquilhas (67/1944), Rio Carvalho (124/1945), Gabriel Teixeira (315/1947), Barão da Cunha (150/1948), Gonçalo Salema (371/1949), Martiniano Gonçalves (9/1958). José Alberto da Costa Matos 96/1950
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”, realizado no final do ano passado. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
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Do Colégio Batalhão Colegial
Martiniano Gonçalves (9/1958)
Batalhão Colegial de 2011/2012 Filhos de Antigos Alunos e de Profissionais das Forças Militares e de Segurança
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um universo de 366 alunos constantes da lista do Batalhão do ano lectivo 2011/12 a que tivémos acesso, constatamos o seguinte:
- 110 (30,1%) alunos são filhos de Profissionais das Forças Militares e de Segurança (FM e FS) - 36 (9,8%) alunos são filhos de Antigos Alunos (AA) dos quais 11 são (apenas 3% !!!), igualmente, filhos de Profissionais das FM e FS. Dos resultados da análise efectuada, ressalta ainda que dos 24 finalistas, apenas 2 são filhos de AA e 8 de Profissionais das FM e FS. O gráfico permite observar uma maior concentração de filhos de FM e FS nos 7º, 8º e 9º anos, sendo a tendência descendente a partir do ano lectivo iniciado em 2009 (alunos actualmente no 7º ano), atingindo o número de filhos de AA um máximo -7- nos actuais alunos do 9º ano (entrados em 2007) e entrando em queda em 2008. Globalmente poderá concluir-se que as quedas acentuadas que se observam nos últimos anos resultam, seguramente – e entre outras razões a ter em conta na reforma do Colégio a realizar - de um déficit de conhecimento, quer nas Forças Militares e de Segurança, quer nos Antigos Alunos. Competirá aos interlocutores privilegiados destes dois conjuntos de Pais o seu conveniente esclarecimento e a promoção activa das vantagens competitivas do Colégio.
Ano
12º
11º
10º
9º
8º
7º
6º
5º
Ano de 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Entrada
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Colaboração Os “Meninos da Luz” e a Marinha. Uma visão global
Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal (145/1948) C/Almirante
Os “Meninos da Luz” e a Marinha 1
Uma visão global P
or ocasião do 150º aniversário do Colégio Militar, um distinto e saudoso professor de Português e Latim (Dr. Jaime da Silva Mota) publicou no órgão oficial dos alunos do Colégio um belo poema que ainda hoje muito me emociona e que não resisto a aqui recordar:
MENINOS DA LUZ – ALBA PLENA Os meninos brincavam na areia… Os meninos brincavam e ele sorria, Mas tinha pena, Que menino é esperança… E na tarde serena Ele marchava, e criava… E era já lua cheia! Ele quis. E foi tudo milagre do querer! Os meninos brincavam, mas tinham lições, E eram mais meninos, eram muitos mais… E o Colégio nasceu… Ele viu-o crescer E nunca mais morreu! E passam gerações E são filhos dos filhos dos primeiros pais, E os meninos são homens e sempre meninos, E os fados os fadaram p’ra altos destinos. Vem a morte e a guerra, o sangue na trincheira, As letras e as artes, a Pátria… Bandeira! O dia de hoje é – passado; O dia de ontem – porvir; Vigia o fogo sagrado, Rata, que queres? – SERVIR! A mesma chama: Alba Plena! A mesma luz… Lua cheia! Ó brisa, sopra serena: Brincam meninos na areia…
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Colégio nasceu mesmo junto ao Forte de S. Julião da Barra e assim é bem natural que alguns dos seus primeiros alunos se fossem deixando seduzir pelo fascínio do mar, enquanto brincavam na areia da vizinha praia da Torre, embalados pelo fluxo e refluxo das marés e a contemplar os veleiros e embarcações que se faziam à entrada e saída de Lisboa. Mais tarde o Colégio deixou para trás a Feitoria, esteve de passagem na Luz, deambulou, indeciso, por Rilhafoles e Mafra até regressar e se instalar definitivamente no nobre edifício fronteiriço ao Largo da Luz. E embora a partir daí algo distante da orla costeira, nem por isso nas sucessivas gerações de alunos deixou de haver uns deles, se bem que escassos, que sentiram despertar em si a vocação pela carreira naval. De facto, desde a Fundação até ao Bicentenário do Colégio, segundo os dados disponíveis (recolhidos após anos de pesquisa no Arquivo Central de Marinha e de consulta de bibliografia e diversas fontes abertas ao público), houve 322 antigos alunos que in-
gressaram nos quadros permanentes (QP) dos oficiais (incluindo aspirantes e cadetes) da Armada Real/Marinha de Guerra Portuguesa. Já no séc. XX, registaram-se ainda 56 antigos alunos que optaram por servir Portugal e a Marinha como oficiais do quadro de complemento da Reserva Naval, entre 1958 e 1990. Circunscrevendo-me aos QP, verifica-se que a esses 322 antigos alunos (cerca de 3% do total acumulado até ao ano do Bicentenário) há hoje a somar mais 11 “Meninos da Luz” em serviço na Marinha (quatro oficiais e sete aspirantes e cadetes), isto com referência a 1 de Outubro de 2011. Como tudo na vida, tem particular significado mencionar qual foi o primeiro antigo aluno a alistar-se na Marinha, ou seja o 52/1814, Pedro Alexandrino da Cunha. Alcançou o posto de capitão-de-mar-e guerra e a ele me dedicarei em especial mais adiante. Uma característica interessante a sublinhar é que esses 333 antigos alunos não se apresentam concentrados numa única classe
1 - Texto adaptado da comunicação à Academia de Marinha na Sessão Comemorativa do Bicentenário do Colégio Militar, 25 de Março de 2003.
Colaboração Os “Meninos da Luz” e a Marinha. Uma visão global
(isto é, quadro específico) dos QP. Apesar de existir manifesta preponderância da classe de marinha, vemo-los também a abarcar quase todas as restantes classes de oficiais, incluindo até a dos capelães! Este eclectismo é aliás mais uma prova da educação de excelência, multifacetada e integral recebida intramuros do Colégio, que assim não tem deixado de proporcionar aos futuros marinheiros o culto dos grandes valores e princípios sociais e morais da nossa civilização, bem como as necessárias bases formativas para as suas carreiras. Em termos cronológicos, assinale-se que para o oficialato naval ingressaram: • Desde a Fundação até meados do séc. XIX - 10 antigos alunos; • De 1850 a 1899 - 77 antigos alunos; • De 1900 a 1949 - 85 antigos alunos; • De 1950 a 1999 - 158 antigos alunos; • De 2000 a 2011 (Setembro) - 13 antigos alunos, a que corresponde o total de 333 antigos alunos. Em anexo a este artigo, e para que conste, encontra-se uma listagem dos oficiais de Marinha antigos alunos do Colégio Militar – nas situações do activo, da reserva e da reforma – à data de referência de 1 de Outubro de 2011. Neste universo dos “Meninos da Luz” que se dedicaram às lides da Marinha2 vamos naturalmente encontrar oficiais com diferentes níveis de progressão dentro das classes respectivas. Ao escolher alguns de-
CMG Pedro Alexandrino da Cunha (52/1814)
les, a título unicamente ilustrativo, além de incluir, como é devido, o número que tiveram ao ser admitidos ao Colégio, indicarei o posto mais alto atingido na carreira, as datas significativas, as condecorações nacionais mais elevadas (TE – Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; VM – Medalha de Valor Militar; e CG – Medalha da Cruz de Guerra) e ainda brevíssimas nótulas biográficas. Salvo escassas excepções pontuais, só irei aludir a camaradas que já soltaram amarras para a viagem derradeira. Por questões de espaço e de contexto, apenas me alongarei com o primeiro de todos nós, nautas colegiais, o já citado Pedro Alexandrino. Talvez pelo inusitado das circunstâncias, começo pela classe dos capelães, da qual dois antigos alunos fizeram parte. Trata-se do 23/1913, 2TEN CAP António da Fonseca Mendes Serrano (1902/1952), que serviu na Marinha no período 1939-1945 e que mais tarde, no regresso ao Patriarcado, foi elevado a cónego da Sé de Lisboa e nomeado prior da paróquia de S. Domingos. O outro foi o 23/1920, CFR CAP José Bernardino Correia de Sá (Asseca) (1910/1987), que, além de sacerdote, se licenciou também em Agronomia. Serviu como capelão durante cinco anos (1944-1949) e depois voltou como Capelão-Chefe da Armada em 1961. Posteriormente, foi designado cónego da Sé Patriarcal e prior da paróquia de São Domingues. Há aqui coincidências deveras espantosas: tiveram ambos o mesmo número no Colégio, sendo o mais novo sucessor directo do primeiro; serviram os dois na Marinha, ascenderam um e outro à dignidade de cónego, e por fim exerceram o seu múnus sacerdotal na mesma paróquia de Lisboa! No campo das ciências e da investigação do mar, é de apontar o EXT/1836, CFR Mariano Ghira (1828/1877) (TEcav) Engenheiro hidrógrafo, lente da Escola Politécnica e da Escola Naval; Deputado. Distinguiu-se a vários títulos: foi o primeiro-oficial de marinha “Menino da Luz” a ser condecorado com um grau da Torre e Espada; foi também o primeiro em que convergiram com sucesso as vertentes de homem de ciência, professor catedrático e militar valoroso em comandos no mar. Serviu no Brasil e na África
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Ocidental, num total de cinco anos. E neste mesmo campo há a acrescentar dois contemporâneos no Colégio, ambos engenheiros hidrógrafos: - 78/1845, VALM José Maria de Sousa Soares de Andréa Ferreira (1836/1901). Foi também um sábio astrónomo, que trabalhou largos anos no Observatório Astronómico de Lisboa. Foi mais tarde o primeiro director do Observatório Rainha D. Amélia, no Porto; - EXT/1846, VALM César Augusto de Campos Rodrigues (1836/1919). Deixou o Colégio muito cedo. Embora quase toda a sua vida profissional tenha sido dedicada à Astronomia, notabilizou-se, ainda jovem, numa comissão de embarque no Extremo Oriente. Espírito brilhante, foi o melhor aluno de sempre na cadeira de Mecânica Racional, classificado com 20 valores «… porque a escala mais não permitia», no dizer do catedrático. Exerceu o cargo de director do Observatório Astronómico de Lisboa durante 19 anos, tendo granjeado grande prestígio na comunidade científica internacional pela precisão dos seus trabalhos. Mais de meio século volvido sobre a Fundação do Colégio, no firmamento científico português passaram a cintilar, com brilho intenso, outros dois antigos alunos:
VALM Cesar Augusto Campos Rodrigues (EXT/1846)
- 18/1864, CMG António Artur Baldaque da Silva (1853/1915) Engenheiro hidrógrafo que se notabilizou com a publicação de cartas de navegação e de um valioso roteiro das costas e portos continentais do Reino. Conhecedor profundo da problemática das pescas e autor de uma obra de referência que o celebrizou, realizou numerosos
2 - A identificação de todos os oficiais de Marinha antigos alunos do Colégio Militar está reunida na Separata da «Revista da Armada», de Março de 2003.
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CMG António Artur Baldaque da Silva (18/1864)
trabalhos de hidrografia, oceanografia e outros de natureza marítima. A Marinha prestou-lhe homenagem escolhendo o seu nome para patrono de uma unidade naval e também de um curso de cadetes da Escola Naval; - 104/1872, VALM Hugo de Carvalho de Lacerda Castello Branco (1860/1944). Outro engenheiro hidrógrafo muito prestigiado, que chefiou importantes trabalhos hidrográficos e portuários em Angola, S. Tomé, Moçambique e Macau, escolhido para patrono de uma unidade naval. Foi sócio da Academia de Ciências de Lisboa e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Foi ainda Governador de Macau. Na segunda metade do séc. XIX houve vários oficiais da Armada Real cujos nomes ficaram para sempre associados às grandes expedições geográficas em África, com particular realce para as épicas travessias de Capelo e Ivens. Na realidade, com conhecimentos sólidos de trigonometria e muito à vontade no domínio das observações astronómicas, habituados aos rigores da vida de bordo (com os seus constantes perigos e grandes períodos de isolamento, além da falta de assistência hospitalar) e adaptados ao clima dos trópicos por via das suas longas comissões em África, os oficiais de Marinha estavam bem preparados para se lançarem a desbravar o mato dentro. Entre figuras conspícuas, surge-nos o 62/1870, 1TEN Augusto de Mello Pinto Cardoso (1859/1930) Companheiro e depois substituto do grande Serpa Pinto (então major e cônsul de Portugal em Zanzibar, e também antigo aluno 159/1859) na
memorável expedição de 1884-1886 aos territórios moçambicanos compreendidos entre o Lago Niassa e o Cabo Delgado, foi posteriormente governador do distrito de Inhambane. Sócio honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa, notável astrónomo amador, meteorologista e investigador matemático, cessou prematuramente a sua carreira naval, pedindo a demissão de oficial da Armada por, sendo monárquico convicto, não ter aceitado servir a República. Trinta e três anos após a sua morte, na sequência de uma reorganização administrativa, a povoação de Metangula, no distrito do Niassa, passou a ser designada, em sua honra, por Vila Augusto Cardoso, e assim permaneceu até 1975.
1891-1895 em Moçambique. Foi comissário do governo português na delimitação de fronteiras da África Central. Promovido por distinção a contra-almirante pela sua brilhante acção de comando das forças navais no Extremo Oriente em 1927; - 254/1878, 1TEN Victor Leite de Sepúlveda (1867/1943) (TEcav, TEof) Valoroso combatente de África, que se evidenciou no comando de uma força de desembarque para defesa imediata de Lourenço Marques. Participou nas campanhas contra os vátuas e os namarrais. Exerceu o cargo de governador do distrito de Inhambane. Lutou contra as forças revolucionárias do 5 de Outubro de 1910, após o que pediu a demissão de oficial da Armada por não querer servir a República;
1TEN Augusto de Melo Pinto Cardoso (62/1870)
No último quartel do séc. XIX e durante as primeiras décadas do século seguinte, numerosos foram os oficiais de Marinha que se notabilizaram por feitos heróicos em campanha, pelo que receberam as mais altas condecorações nacionais – Torre e Espada, Valor Militar e Cruz de Guerra. Desse conjunto, e apenas, repito, à guisa de exemplo, posso indicar os seguintes: - 185/1874, CTEN Álvaro Herculano da Cunha (1864/1915). Combatente de excepcional bravura, condecorado com dois graus da Torre e Espada (TEcav, TEof) e duas medalhas de ouro de Valor Militar (2 VMo). Distinguiu-se na Guiné nas campanhas de pacificação de 1891, 1894 e 1896, território de que foi também governador (1897-1898); - 5/1878, VALM Guilherme Ivens Ferraz (1865/1956) (TEof, VMp) - Notável combatente nas campanhas de pacificação de
VALM Guilherme Ivens Ferraz (51/1878)
CMG Filipe Trajano Vieira da Rocha (15/1881)
- 15/1881, CMG Filipe Trajano Vieira da Rocha (1870/1944) (TEcom, VMo) Alcançou grande prestígio pela sua acção de comando nos rios de Moçambique em 1895. Marinheiro de sólida formação científica, vincado espírito de sacrifício e grande resistência física, foi um dos pioneiros dos trabalhos geodésicos e hidrográficos de
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África, tendo feito parte de várias missões de delimitação de fronteiras entre 1904 e 1926, de que se salienta a missão do Barotse em 1912-1914 chefiada por Gago Coutinho, e ao qual sucedeu;
VALM Antonio Ladislau Parreira (183/1882)
- 183/1882, VALM António Ladislau Parreira (1869/1941) (TEcom, 2 TEcav) Militar e político, combateu nas campanhas de pacificação da Guiné em 1894 e Moçambique em 1895. Único oficial de Marinha, até hoje, a ser condecorado com três graus da Torre e Espada. Participou na preparação do 5 de Outubro de 1910, tendo sido promovido por distinção de 1TEN a CMG; - 159/1885, CMG António Emídio Taborda de Azevedo e Costa (1874/1940) (TEcom, TEof; CG/1c) Combatente das campanhas de pacificação da Guiné em 1904 e 1912. Condecorado com dois graus da Torre e Espada e a medalha da Cruz de Guerra de 1.ª classe. Durante a I Guerra Mundial voltou a destacar-se em comando no mar, no cumprimento de arriscadas missões de reboque e de assistência a comboios mercantes. Na esfera política, durante a monarquia e sob ambas as formas de regime republicano, até hoje, houve antigos alunos que foram ministros de diversas pastas de natureza civil; e cinco ministros da Marinha, designadamente: - 226/1876, CMG Joaquim Pedro Vieira Júdice Bicker (1866/1926) (TEcom; VMo) Valoroso combatente que se distinguiu em três campanhas na Guiné, território
que mais tarde veio a governar (19001903). Foi também governador de Cabo Verde (1911-1915). Durante a I Guerra Mundial comandou o batalhão expedicionário de marinha enviado em 1917 a Moçambique para fazer frente às forças alemãs invasoras. Foi também ministro da Marinha em 1920 e 1923, tendo sido o primeiro “Menino da Luz” a exercer esse alto cargo político; - 193/1880, CMG Abel Fontoura da Costa (1869/1940). Sábio matemático, autor e investigador brilhante da história e da marinharia dos descobrimentos portugueses. Lente da Escola Naval durante quase trinta anos consecutivos, sócio da Academia de Ciências de Lisboa, ilustre pedagogo, foi reitor do liceu do Carmo e fundador do liceu do Mindelo. Desempenhou o cargo de governador de Cabo Verde (1915-1918) e exerceu as funções de ministro da Marinha e de ministro da Agricultura, embora por escassos meses, em 1923;
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na ilha da Madeira, em 1931. Já na reforma, foi proposto e eleito para o honroso cargo de Administrador da Zona Internacional de Tânger, que exerceu de 1945 a 1948;
VALM Luís António de Magalhães Corrêa (164/1883).
- 218/1890, CMG Fernando Augusto Branco (1880/1940) (TEcav c/p) Militar e político. Foi combatente da I Guerra Mundial e notabilizou-se como um dos oficiais submarinistas pioneiros dessa arma em Portugal. Autor naval conceituado, desempenhou ainda as funções de ministro dos Negócios Estrangeiros (1930-1932) e de ministro da Marinha, interino, em 1931; - 187/1921, VALM Manuel Pereira Crespo (1911/1980). De elevada craveira intelectual, alicerçada numa formação humana muito profunda, teve acção de relevo na chefia da Missão Geo-hidrográfica da Guiné (1947-1957), onde os trabalhos realizados se provaram fundamentais para a actividade operacional do binómio navio -fuzileiro no território durante as déca-
CMG Abel Fontoura da Costa (193/1880)
- 164/1883, VALM Luís António de Magalhães Corrêa (1873/1960) (TEcav) Militar e político. Começou por se distinguir por feitos em combate na campanha de Maubara de 1893, em Timor; e mais tarde no comando das esquadrilhas de lanchas de Gaza e do Limpopo, em Moçambique. Foi governador de Macau e depois ministro da Marinha, tendo desenvolvido neste cargo acção relevante na consolidação do programa naval iniciado pelo seu antecessor e no restabelecimento da legalidade
VALM Manuel Pereira Crespo (187/1921)
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das de 1960 e 1970. Auditor muito apto e premiado dos cursos do Instituto Superior Naval de Guerra, foi professor das cadeiras de Organização e de Estratégia do mesmo Instituto. Serviu largos anos e com brilho no Estado-Maior da Armada. Foi o último ministro da Marinha, cargo de que pediu a exoneração (e também a passagem à reserva) em finais de Abril de 1974.
então assim designado, de Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), que exerceu no período 1994-1997. Refiro-me ao: - 163/1944, ALM João José de Freitas Ribeiro Pacheco (1934- …) (CG/1c) Com uma carreira bem diversificada, começou por se salientar como oficial de comunicações durante exercícios navais com
Em termos de estrutura de comando, três antigos alunos atingiram o vértice cimeiro da pirâmide hierárquica da Marinha. Os dois primeiros a ocupar esse cargo (de início designado por Major-General da Armada e, mais tarde alterado para Comandante Geral da Armada) foram os seguintes: - 131/1886, VALM Joaquim Anselmo da Matta Oliveira (1874-1948). Autor de livros e artigos de opinião de natureza histórica e de estratégia militar, foi um dos primeiros oficiais escolhidos para servir no Estado-Maior Naval, criado em 1919, órgão superior de estudo e planeamento que mais tarde veio ele próprio a chefiar. Desempenhou as funções de chefe de gabinete do ministro da Marinha e de Superintendente dos Serviços da Armada. Foi também governador de Macau; - 180/1899, VALM Fernando de Oliveira Pinto (1887-1961) (VMp; CG/2c; CG/3c) Combatente de África, foi porta-bandeira do famoso batalhão de marinha que actuou na campanha de ocupação do Cuanhama, no sul de Angola, em 1915, integrado na expedição do General Pereira d’Eça. Durante a I Guerra Mundial voltou a dar mostras de coragem e valentia no comando do caça-minas Augusto de Castilho, quando entrou em acção e atacou a tiro um submarino inimigo de grande deslocamento ao largo do cabo Raso. Esteve muitos anos ligado à Escola Naval como instrutor, professor e comandante. Exerceu ainda os cargos de Superintendente dos Serviços da Armada e de Presidente do Supremo Tribunal Militar. A este par de antigos alunos, mas já na última década do séc. XX, junta-se um terceiro que tomou posse do cargo máximo,
VALM Fernando de Oliveira Pinto (180-1899)
esquadras da NATO. Comandou um Destacamento de Fuzileiros Especiais (DFE) na Guiné, tendo sofrido um ferimento em combate. Foi comandante, interino, do Corpo de Fuzileiros, professor e subdirector do Instituto Superior Naval de Guerra, Comandante Naval dos Açores, director-geral do Instituto Hidrográfico, Superintendente dos Serviços do Pessoal da Armada e, fora da Marinha, director do Instituto da Defesa Nacional.
engenheiros hidrógrafos e de submarinistas, de cujos componentes fomos dando alguns exemplos. Resta mencionar os aviadores navais, bastando para o efeito os dois seguintes: - 191/1899, CTEN Eduardo Francisco de Azeredo e Vasconcelos (1889-1918). Foi o primeiro antigo aluno a ingressar na Aviação Naval (AV). Morto em campanha na I Guerra Mundial num acidente de voo durante uma missão de patrulhamento nas aproximações à barra de Lisboa. Promovido por distinção a capitão-tenente, a título póstumo; - 235/1901, CTEN João Lobo dos Santos Moreira (1891-1938) (VMp; CG/2c) Além de servir na AV, foi um valoroso combatente na I Guerra Mundial, tendo feito parte do famoso batalhão de marinha integrado na expedição ao sul de Angola, e acima citada, do General Pereira d’Eça, em 1915. Antes de finalizar, conforme já anunciado, com alguns dados biográficos mais extensos respeitantes ao primeiro antigo aluno a alistar-se na Armada (ou seja, Pedro Alexandrino da Cunha), que pertenceu à classe de marinha, desejo ainda referir-me, muito abreviadamente, aos diversos “Meninos da Luz” que foram os primeiros a integrar cada uma das restantes classes dos QP. Assim:
A classe de marinha, ao longo dos tempos, incluiu e mantém no seu seio determinadas especializações, tais como as de
© Foto Revista da Armada - Painéis de azulejo do Hospital da Marinha.
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Classe dos Engenheiros Construtores Navais
Classe dos Engenheiros de Material Naval3
Serviu praticamente toda a sua carreira na Direcção das Construções Navais, onde esteve envolvido em projectos e programas do seu âmbito profissional, no esforço de guerra em 1917 e 1918.Exerceu as funções de subdirector e director da referida direcção técnica.
Oriundo da classe de marinha, foi o primeiro oficial a chefiar aquela para onde se transferiu. Serviu como director de instrução no Grupo Nº 1 de Escolas da Armada. Foi ainda chefe do Gabinete de Estudos da Superintendência dos Serviços de Material da Armada.
Classe dos Médicos Navais
Classe do Serviço Especial
Oriundo do Exército, tirou o curso geral da Escola de Medicina Tropical e foi médico interno e subdirector do Hospital da Marinha. Prestou serviço de campanha em Moçambique. Exerceu ainda as funções de Inspector de Saúde Naval.
Oriundo da Reserva Naval. Serviu na Escola de Alunos Marinheiros e no Museu de Marinha.
212/1876, CFR ECN Álvaro de Carvalho Daun e Lorena (1865-1926).
173/1892, CMG MN João Theodomiro Ligório de Carvalho Miranda (1880-1959).
Classe dos Farmacêuticos Navais
187/1964, CMG FN António Manuel Beato Ribeiro da Cruz (1954-…). Tem estado sempre ligado às funções laboratoriais específicas da sua classe, de que é actualmente o elemento mais graduado e antigo.
Classe dos Engenheiros Maquinistas Navais
53/1916, 1TEN EMQ AV José de Faria e Silva (1905-1975). De invulgar competência técnica, habilitado com o curso de especialização em engenheiro-maquinista de aviação. Entre 1932 e 1942 desempenhou, sucessivamente, os cargos de engenheiro da esquadrilha de instrução e de instrutor na Escola de Aviação Naval Almirante Gago Coutinho. Foi chefe dos serviços fabris no Centro de Aviação Naval de Lisboa e ainda de adjunto técnico na Direcção de Aeronáutica Naval e no Comando Superior das Forças Aéreas da Armada.
217/1939, CMG EM Fernando António Martins Salvador (1929-…).
86/1950, CFR SGE José do Carmo Medeiros de Almeida (1940-…).
Classe de Fuzileiros
421/1955, CMG FZ José Luís Pereira de Almeida Viegas (1945-…). Oriundo da classe de marinha. Foi o chefe da nova classe para onde se transferiu. Exerceu o cargo de Comandante do Corpo de Fuzileiros.
Classe dos Engenheiros Navais
557/1970, CMG EMA António José Afonso Pires Carocho (1960-…).
Pertence ao ramo dos engenheiros de armamento naval. Prestou serviço na Direcção de Navios e esteve destacado na missão de apoio e recepção dos novos submarinos na Alemanha.
Classe de Administração Naval
90/1870, 1TEN AN Carlos do Nascimento da Silva Franco (1858-1902). É o mais antigo dos antigos alunos que optaram por integrar uma classe diferente da de marinha. Desempenhou funções na Divisão Naval da África Ocidental e serviu na Guiné. Esteve colocado no Arsenal de Marinha.
3 - Classe actualmente em extinção.
© Foto Marinha - NRP Tridente
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© Foto Marinha - NRP Sagres (ex-libris da Armada) e NRP Corte Real
A concluir este já longo discorrer sobre os “Meninos da Luz” e a Marinha – embora muito mais pudesse, e talvez devesse, ser dito caso isso fosse exequível, num outro contexto, sem as naturais limitações de espaço e outros justificados critérios de natureza editorial desta nossa bela revista ZacatraZ – é chegada altura de evocar a memória do antigo aluno, primeiro pioneiro nos domínios da corporação do Botão de Âncora, como através da História tem sido carinhosamente apelidada a Armada Real/Marinha de Guerra Portuguesa4. Nascido em Lisboa, no alvorecer de Oitocentos (1801), numa família naval, Pedro Alexandrino da Cunha veio a ficar órfão de pai antes de ter completado um ano de existência. Em 1814 foi admitido, como pensionista, no Real Colégio Militar onde recebeu o número 52 – tornando-se, na
notação tradicional, o aluno 52/1814. Após sair do Colégio em 1819, concluído o curso, Pedro Alexandrino assentou praça na Brigada Real de Marinha. Os seus primeiros passos como militar, entre 1821 e 1831, desenvolveram-se numa curiosa alternância entre o Exército e a Marinha, o que aliás, à época, não era coisa muito incomum. Na verdade, em 1821 foi promovido a alferes mas frequentou aulas e prosseguiu estudos na Academia de Marinha. Cedo abraçou a causa liberal e participou em movimentações revolucionárias, tendo estado preso na fortaleza de Peniche, embora durante um prazo curto. Envolveu-se depois na fracassada revolta do Porto e foi forçado a emigrar para Inglaterra, donde seguiu para os Açores com o primeiro contingente de oficiais exilados. Foi na ilha Terceira que decidiu voltar definitivamente à Marinha. Promovido
a 2.º tenente, após ter comandado duas escunas, regressou ao Continente com a esquadra liberal sob o comando do captain da marinha britânica, e agora vice-almirante Comandante-Chefe da Armada Real, Sir George Rose Sartorius. Já com o posto de capitão-tenente iniciou uma curta mas notabilíssima carreira no Ultramar como comandante da corveta Isabel Maria, cargo que exerceu durante cerca de cinco anos nas águas de Angola. Nessa altura (1836-1841), a Armada tinha aí como missão principal reprimir o tráfico da escravatura, o que se já era difícil devido à escassez de navios adequados, mais complicada se tornava pela pressão constante e ostensiva de unidades da marinha de Sua Graciosa Majestade britânica. Pedro Alexandrino, porém, teve um desempenho brilhante – a ponto de ter sido louvado pelo governo de Portugal e pelo próprio governo inglês – cruzando incansavelmente a costa angolana e zarpando até com a sua corveta para ir ocupar a praça de S. João Baptista de Ajudá, referenciada como local de grande concentração de traficantes esclavagistas. Além disso, em 1839 recebeu instruções do governador-geral de Angola para efectuar com o seu navio um reconhecimento «à costa do sul das possessões portuguezas na costa occidental de África», missão que cumpriu a preceito5, e que muito contribuiu para consolidar o seu prestígio como marinheiro. Em 1843 foi eleito deputado por S. Tomé e Príncipe e, dois anos mais tarde, foi nomeado governador-geral de Angola e consequentemente promovido ao posto imediato (capitão-de-mar-e-guerra), como era de lei nesse tempo. Com o seu espírito empreendedor e a experiência acumulada durante muitos anos de comando no mar estacionado em Angola, Pedro Alexandrino revelou-se um administrador de grande visão, sobretudo porque incentivou a ocupação do litoral do território, através da fixação do primeiro contingente de colonos em Moçâmedes. Em 1848 foi exonerado das suas funções governativas. Por todas as qualidades evidenciadas e a valia dos serviços prestados como governador, não surpreende
4 - A este respeito, foi o poeta José da Silva Mendes Leal, enquanto político encarregado da pasta ministerial da Marinha (1862-1864), o autor do famoso verso «A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla», a qual por ordem sua passou a ser inscrita, em lugar de honra, em todos os navios de guerra, e que perdura até hoje. 5 - Ver o relatório que elaborou e que posteriormente foi publicado no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 6.ª série, nº 4, de 1886
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6 - Francisco Maria Bordalo, citado por Joaquim Duarte Silva, Pedro Alexandrino da Cunha, Colecção Pelo Império, nº 49, Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1939, p.12
© Foto Marinha - Fuzileiros em acção táctica com um bote Zebro
o reconhecimento do povo angolano que, já depois da sua morte, decidiu erigir-lhe uma estátua em Luanda, por subscrição pública, a perpetuar a sua memória. Essa estátua, de bronze, foi solenemente inaugurada em 1871 pelo governador-geral, numa praça condigna, e representava Pedro Alexandrino de pé, envergando o grande uniforme de oficial superior da Armada Real. Em 1850 Pedro Alexandrino encontrava-se no Brasil, no comando da nau Vasco da Gama, quando lhe chegou a notícia do bárbaro assassinato, junto às Portas do Cerco, em Macau, do então governador, Comandante Ferreira do Amaral. O governo do Reino escolheu-o para substituir no cargo o seu amigo e camarada tão tragicamente desaparecido e assim Pedro Alexandrino chegou a Macau a bordo da corveta D. João I e tomou posse. Pouco depois o dispositivo naval no território foi reforçado com a chegada da fragata D. Maria II. No dizer de um escritor naval6, «…o novo governador dispunha-se, animoso, a exigir uma satisfação aos mandarins pela morte do seu antecessor…». Só que o Destino impediu que esse propósito se concretizasse: Pedro Alexandrino caiu doente e, para surpresa geral, após uma curta enfermidade, veio a expirar, ao cabo de apenas quarenta dias como governador. Face ao inesperado da sua morte, levantaram-se muitas suspeitas de envenenamento que, todavia, não chegaram a ser confirmadas pela autópsia, a qual antes identificou, como causa do falecimento, uma doença gastrointestinal crónica, aparentemente agravada por excesso de trabalho. E eis que assim tombou no seu posto, aos quarenta e nove anos de idade, o notável marinheiro que foi o primeiro de tantos “Meninos da Luz” a servir Portugal no mar.
© Foto Marinha - Helicóptero Lynx da Marinha em exercício com fuzileiros
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Colaboração Os “Meninos da Luz” e a Marinha. Uma visão global
Lista dos Oficiais de Marinha Antigos Alunos do Colégio Militar (Quadros Permanentes) Referida a 01OUT2011. 121/1923 164/1929 282/1936 330/1938 329/1939 252/1939 217/1939 1/1942 37/1942 174/1945 245/1944 163/1944 36/1947 130/1945 13/1944 99/1945 217/1946 257/1945 301/1946 134/1945 46/1945 82/1945 204/1946 21/1946 55/1946 291/1946 145/1948 333/1947 81/1947 235/1946 14/1947 289/1948 141/1949 30/1947 332/1950 86/1950 248/1952 190/1951 75/1951 88/1951 7/1951 404/1952 167/1952 228/1952 133/1953 427/1955 166/1953 98/1953 231/1953 434/1955 145/1954 92/1953 16/1956 14/1954 154/1954 192/1954 335/1955 421/1955 186/1955 391/1956 372/1956 194/1956 476/1958 46/1957 34/1956 112/1956 47/1956 179/1957 450/1958
VALM (Ref) Luciano Ferreira Bastos da Costa e Silva (24.10.13) CMG (Ref) José Ferreira Braga de Pina Cabral (11.08.17) CMG (Ref) Manuel Primo de Brito Limpo Serra (21.06.26) CMG (Ref) Fernando de Sousa Brito e Abreu (16.10.27) CFR (Ref) João Cristóvão Moreira (24.02.29) CMG (Ref) João Carlos Sherman de Macedo Alvarenga (10.05.29) CMG EM (Ref) Fernando António Martins Salvador (31.08.29) CMG (Ref) Heitor Prudêncio dos Santos Patrício (26.01.31) CMG (Ref) José Jaime Lara Ponces de Carvalho (22.06.32) CMG (Ref) José Fernandes Martins e Silva (24.10.32) CMG (Ref) Sérgio Augusto Vicente Ribeiro Zilhão (23.12.33) ALM (Ref) João José de Freitas Ribeiro Pacheco (13.09.34) CMG (Ref) Alexandre de Carvalho Wandschneider (09.10.34) CALM (Ref) Engrácio Lopes Cavalheiro (18.10.34) CFR EM (Ref) José António de Paiva Guedes da Silva (13.12.34) CTEN (Ref) Jorge Manuel Cid de Juzarte Lopes Jonet (30.01.35) CFR (Ref) Henrique de Jesus Palma Ferreira Pinto (09.04.35) CMG (Ref) Fausto José do Lago Domingues (11.10.35) VALM (Ref) José Alberto Lopes Carvalheira (01.11.35) CMG (Ref) Luís de Sá Machado Rebelo (18.11.35) CMG (Ref) António Abrantes Martins Godinho (24.11.35) CMG (Ref) João Geraldes Freire (13.12.35) CTEN (Ref) Eurico Fanha Neves da Costa (12.03.36) 1TEN (Ref) Alberto Manuel Barreto Pascoal Rodrigues (29.07.36) CMG (Ref) Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (21.09.36) CMG EM (Ref) Víctor Manuel Nogueira Novais Gonçalves (08.10.36) CALM (Ref) Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal (25.10.36) CMG (Ref) José Carlos Lobato de Faria Roncon (11.11.36) CMG (Ref) António Lucas Dias Costa (13.11.36) CALM (Ref) Isaías Augusto Pinto Gomes Teixeira (10.12.36) CALM (Ref) Pedro Manuel de Vasconcelos Caeiro (18.03.37) CTEN (Ref) João Pedro Marques Ferreira da Silva (24.03.37) VALM (Ref) Fausto Morais de Brito e Abreu (08.04.37) CMG (Ref) Manuel Mário de Oliveira de Seixas Serra (17.07.37) VALM (Ref) António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (31.01.40) CFR SEG (Ref) José do Carmo Medeiros de Almeida (13.02.40) CALM (Ref) João Manuel Velhinho Pereira Nobre de Carvalho (22.03.40) 1TEN (Ref) Rui Manuel Ramalho Ortigão Neves (25.04.40) CALM (Ref) Luís Sebastião Delgado de Rodrigues Nascimento (20.01.41) CTEN (Ref) Carlos Alberto Branco Martins da Rosa Garoupa (23.08.41) CFR (Ref) Luís António Pessoa Brandão (16.09.41) CMG (Ref) Jorge Manuel Barreto de Albuquerque (19.01.42) CFR (Ref) Francisco Alberto Calhau de Carvalho Rosado (10.07.42) ALM (Ref) José Manuel Castanho Paes (04.10.42) CMG (Ref) José Carlos Borges de Brito Subtil (15.10.42) CFR (Ref) António Eduardo Barbosa Alves (08.01.43) CTEN (Ref) Manuel Inácio Godinho Novais Leite (22.03.43) CMG EMQ (Ref) Carlos Manuel de Vasconcelos Carrasco (23.06.43) CMG (Ref) António de Costa e Sousa (26.06.43) CFR (Ref) Paulo Manuel de Mendonça Tavares da Silva (09.07.43) CMG (Ref) Henrique Arantes Lopes de Mendonça (14.10.43) CTEN (Ref) Manuel Maria de Meneses Pinto Machado (16.11.43) VALM (Ref) João Nuno Ribeiro Ferreira Barbosa (07.03.44) CMG EMQ (Ref) José Manuel Albuquerque Cabral de Sacadura (28.05.44) 1TEN (Ref) Leopoldo Câmara de Oliveira Bastos Jorge (11.09.44) CFR (Ref) Pedro Manuel de Almeida Serradas Duarte (22.09.44) CMG (Ref) João Manuel Balançuella Bandeira Ennes (07.04.45) CMG FZ (Ref) José Luís Pereira de Almeida Viegas (26.05.45) CMG (Ref) Pedro Manuel Ferreira de Bastos Moreira (29.06.45) CTEN (Ref) João Furtado de Azevedo Coutinho (25.07.45) CMG (Ref) Joaquim Manuel de Sousa Vaz Ferreira (04.03.46) 1TEN EMQ (Ref) Jaime Augusto de Oliveira Silvério Marques (26.03.46) CMG (Ref) José Luís Rodrigues Portero (30.05.46) VALM (Ref) Luís da Franca de Medeiros Alves (20.06.46) CTEN FZ (Ref) Carlos Manuel Pacheco Teixeira da Silva(18.08.46) VALM RES Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos (09.11.46) VALM (Ref) Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca (25.12.46) CTEN (Ref) Francisco José Pacheco da Silva Oliveira (20.04.47) CMG AN (Ref) José Alípio Barbosa dos Santos Leite (16.06.47)
260/1958 418/1958 222/1958 370/1958 241/1958 224/1958 215/1959 326/1959 502/1959 299/1959 575/1961 387/1960 20/1961 318/1961 132/1962 255/1962 238/1963 280/1963 310/1965 92/1964 522/1964 187/1964 167/1965 165/1965 93/1965 511/1966 377/1966 535/1966 373/1967 182/1967 583/1967 501/1967 392/1968 139/1968 641/1958 206/1969 557/1970 115/1972 111/1972 554/1973 377/1973 349/1975 527/1974 385/1976 163/1976 358/1977 346/1977 92/1977 4/1978 341/1980 387/1978 349/1980 109/1981 72/1981 300/1982 297/1986 152/1989 395/1995 480/1995 478/1996 462/1996 554/1998 91/2000 454/2000 259/2000 473/2002 208/2001 116/2002
CMG AN (Ref) Luís Augusto de Figueiredo Vasco dos Santos (19.09.47) VALM RES Rui Cardoso de Telles Palhinha (12.11.47) CFR (Ref) Pedro Arantes Lopes de Mendonça (01.03.48) CALM (Ref) João José Ferreira Rodrigues Cancela (25.03.48) VALM (Ref) José Carlos Margarido Lima Bacelar (11.05.48) CMG (Ref) Luís Rui Teodósio Rodrigues Pena (22.05.48) CALM (Ref) Fernando Delfim Guimarães Tavares de Almeida (17.01.49) CALM (Ref) António Pedro Moraes Soares (26.03.49) CMG (Ref) Rui Manuel de Sá Leal (16.06.49) CTEN (Ref) Jorge Eduardo Pereira Dores Costa (13.10.49) CMG EMQ (Ref) José Luís Teixeira Pereira Soares (26.02.50) CTEN (Ref) Fernando Carlos Barata de Lima da Fonseca (28.02.50) CALM AN RES António José Ravasco Bossa Dionísio (06.05.50) 1TEN AN (Ref) Raúl Monteiro de Sousa Machado (25.07.50) CMG EMQ RES João Carlos Beleza Gonçalves Vaz (22.08.51) CFR FZ (Ref) Rui Miguel Guedes Reis Trigoso (29.10.51) CMG AN RES João Carlos Colaço Alegre Branco (08.02.52) CMG RES Carlos Alberto Restani Alves Moreira (06.06.53) CMG MN (Ref) José Manuel Rio Pereira (22.11.53) CMG MN (Ref) António Carlos Jorge Cardoso Tavares (21.03.54) CMG RES Vítor Manuel de Sousa Meneses de Lorena Birne (05.04.54) CMG FN António Manuel Beato Ribeiro da Cruz (29.08.54) CFR (Ref) José Manuel dos Santos Carvalho (26.10.54) CFR FZ (Ref) Luís Jorge Rodrigues Semedo de Matos (10.02.55) CMG RES Febo Nuno de Oliveira Vargas de Matos (03.03.55) CFR (Ref) António Vítor Duarte Domingues (20.12.55) CFR MN (Ref) João Manuel Costa Casqueiro de Sampaio (20.03.56) CFR (Ref) José Pedro Rodrigues de Almeida Pico (23.10.56) CFR (Ref) Francisco Emílio Neves da Piedade Vaz (18.01.57) CMG EMQ (Ref) José Eduardo Goulão Marques (01.09.57) CFR EMQ (Ref) Fernando Jorge Teixeira Barroso de Moura (03.09.57) CALM Luís Miguel de Matos Cortes Picciochi (04.09.57) CMG RES Jorge Fernando Veiga de Matos e Sá (26.05.58) CALM Rui Manuel Costa Casqueiro de Sampaio (05.07.58) CMG RES Mário João Maia Rodrigues Mendes de Almeida Russo (09.08.58) CMG Paulo Domingos das Neves Coelho (22.11.58) CMG EMA António José Afonso Pires Carocho (22.03.60) CMG Vladimiro José das Neves Coelho (30.03.62) CTEN AN RES Fernando Manuel Afonso Teixeira Coelho (17.07.62) CMG RES Nuno Miguel Teixeira Esteves (23.02.63) CMG Fernando Contreiras Braz de Oliveira (11.12.63) CFR Pedro Miguel de Antas Torre (09.02.64) CMG António Manuel Gonçalves Alexandre (05.03.65) 1TEN SEP José António Neves Ferreira (28.09.65) CFR Nuno Filipe Cortes Lopes (16.06.66) CFR António José de Jesus Neves Correia (21.12.66) CFR EN-MEC Nuno Miguel Bulcão Sarmento (06.05.67) CFR EN-MEC Luís Manuel Guimarães Ribeiro da Silva (02.10.67) CFR Luís Nicholson Lavrador (23.06.68) CTEN Raúl Manuel Pato Risso (27.06.68) CFR AN Nuno Miguel Costa Gaspar Duarte Ramos (25.08.68) CTEN Luís Manuel de Oliveira Pimentel Pestana Malhado (19.09.69) CTEN AN Eduardo Manuel Vicente de Araújo Lomba (18.03.71) CTEN Bruno António Teixeira Rodrigues Ferreira Teles (23.09.71) CTEN Rui Pedro Nabais Nunes Ferreira (17.04.72) 1TEN AN Luís Miguel Dias Lourenço (14.02.76) 1TEN João Frederico Vasconcelos Beleza Vaz (04.08.79) 2TEN EN-MEC José Marques Valente Carreto (04.05.85) 2TEN FZ Pedro Filipe da Fonseca Freire (02.11.85) 2TEN Guilherme Pereira Rosinha (25.11.85) GMAR Tiago Emanuel Lopes Monteiro (16.09.86) ASPOF Rui Miguel Santos Esteves (19.08.88) CAD João Paulo Serafim Lobato (17.01.90) CAD Frederico Araújo Abreu Fidalgo de Oliveira (30.07.90) CAD Domingos Alexandre Ferreira Ribeiro de Carvalho (16.10.90) CAD FZ Tiago Miguel Fonseca Paiva de Sousa Teles (10.05.91) CAD AN Fradique André Martins dos Santos (13.11.91) CAD Ricardo Alexandre Clemente Pires Lopes Correia (08.07.92)7 7 - Transitou para a Academia da Força Aérea no ano lectivo 2011-2012
Colaboração São 86... até hoje!
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Martiniano Gonçalves 9/1958
São 86... até hoje! E
stá ainda muito presente na nossa comunidade o discurso que o Ministro da Defesa Nacional fez na Cerimónia de Abertura do Ano Lectivo 2011/2012, de que transcrevo as referências que fez a uma das vertentes da dimensão futura do Colégio pretendida pelo Estado: a da sua internacionalização. Disse o Ministro: “Há 208 anos que o Estado Português investe não na instituição em si… mas nas pessoas. Nos alunos. Por aquilo que podem fazer cá dentro mas sobretudo por tudo aquilo que demonstram ser capazes de fazer lá fora. Os alunos do Colégio Militar absorvem aqui os valores e princípios que o Estado… precisa, hoje mais do que nunca. O Estado português investe no Colégio Militar. Para ter ex-alunos do Colégio Militar. Não quero um colégio de elites, mas quero um colégio que forme elites. Nestas palavras está a vontade de ter uma instituição cada vez mais ao serviço do país mas também do seu legado cultural. Nestas palavras está a vontade de ter um colégio português, cada vez mais internacional. Virado cada vez mais para o mundo. “ Destas afirmações extraídas do discurso, com a preocupação de que a sua selecção não as descontextualizasse do todo (sublinhados meus), creio poder concluir-se o seguinte : - no seu investimento no Colégio, porque aqui as pessoas absorvem os valores e princípios de que o Estado necessita, • o Estado português privilegia as pessoas à instituição, por tudo aquilo que elas demonstram ser capazes de fazer lá fora • o Estado investe para ter ex-alunos do Colégio Militar - a expectativa do Estado é que sejam formadas elites e que o Colégio seja uma instituição cada vez mais ao serviço do país, cada vez mais internacional, cada vez mais virado para o Mundo. Em síntese, é perspectivado um maior alargamento do âmbito da função do Colégio na sociedade actual, considerando-o, deseja-
velmente, como uma sementeira de elites que sirva o país, cada vez mais internacional e virada para o Mundo. Sem prejuízo de desenvolvimento futuro desta matéria, atentemos, agora, nalguns dados estatísticos relacionados com a passagem pelo Colégio de alunos provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Os registos encontrados evidenciam que entraram no Colégio, até hoje, 86 “Ratas” provenientes dos PALOP, dos quais 49 originários de Angola, 20 de Moçambique, 11 da Guiné-Bissau, 5 de São Tomé e Príncipe e 1 de Cabo Verde.
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Colaboração São 86... até hoje!
As primeiras admissões ocorreram em 1989 com 4 “Ratas” de São Tomé e Príncipe, a que acresceu, da mesma origem, novo “Rata” em 1990, não se tendo verificado, até hoje, mais admissões de alunos oriundos deste país. O quadro e o gráfico seguintes mostram o contributo de cada país para o “Batalhão de alunos dos PALOP”:
O número de alunos provenientes dos PALOP, em simultâneo no Batalhão, atingiu, em 1998, o seu máximo com 35 alunos e o mínimo – 5 alunos – ocorreu em 1989, encontrando-se no início do ano lectivo 2011-2012 15 alunos dos diferentes países (11 de Angola, 3 de Moçambique e 1 de Cabo Verde)
“Ratas” por origem Angola Moçambique Guiné-Bissau São Tomé e Príncipe Cabo Verde
49 20 11 5 1
Angola – Moçambique – Guiné-Bissau – Cabo Verde – São Tomé e Príncipe
A observação do gráfico evidencia uma tendência crescente da admissão de alunos até 1995, e decrescente desde aquele ano até ao presente, traduzindo, muito provavelmente, a inexistência de uma política de fomento da criação destes potenciais “embaixadores de Portugal” nos seus países de origem.
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Relativamente ao número de anos que permaneceram no Colégio a disparidade é grande: 35 alunos (22 de Angola, 8 de Moçambique, 4 da Guiné-Bissau e 1 de São Tomé e Príncipe) pertenceram ao Batalhão durante 5 ou mais anos, 19 estiveram no máximo 2 anos (8 de Angola, 7 de Moçambique, 2 da Guiné-Bissau e 2 de São Tomé e Príncipe) e 17 entre 3 e 4 anos (8 de Angola, 5 da Guiné-Bissau, 2 de Moçambique e 2 de São Tomé e Príncipe).
Permanência no Colégio (anos) Angola Moçambique Guiné-Bissau São Tomé e Príncipe Cabo Verde
<3 3-4 >4 8 8 22 7 2 8 2 5 4 2 2 1 1
Bat 11 3
1
Dos 15 alunos que se encontravam no Batalhão à data do início do corrente ano lectivo, a distribuição por número de anos de permanência no Colégio era a seguinte: 1 aluno com 8 anos, 2 com 6 anos, 1 com 4 anos, 6 com 2 anos e 5 “Ratas”.
Sendo adquirido que o período da adolescência assume clara importância na formação, entre outros, dos conceitos e dos valores dos homens, ocorre então perguntar: - no actual contexto político da vida das sociedades em que o fenómeno da globalização tende a contribuir para a perda da identidade cultural das nações, os alunos dos PALOP – se o Colégio conseguir efectivamente formar elites - ao voltarem para os seus países de origem não constituirão um importante catalisador do relacionamento de Portugal com algumas das nações que neste século vão, seguramente, adquirir enorme importância estratégica no plano mundial? - porquê o abandono - se não real, pelo menos aparente – do investimento na formação no Colégio Militar de alunos oriundos dos PALOP? - numa fase da vida nacional em que a internacionalização é indispensável para a sustentabilidade do país, deverá Portugal prescindir destes seus potenciais “embaixadores” nos seus países de origem? Poderão antecipar-se razões de natureza económica. Independentemente de acordos bilaterais ao nível dos Estados que poderiam resolver com custos aligeirados os aspectos financeiros e logísticos, não parece válida esta afirmação.
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Colaboração São 86... até hoje!
Repare-se no seguinte exemplo que constitui um caso concreto que adiante se descreve: a entrada de 5 alunos dos PALOP, por ano, conduziria a uma permanência em contínuo de cerca de 40 alunos no Batalhão (alguns alunos reprovarão num ou noutro ano pelo que, de facto, o seu número total poderá ultrapassar ligeiramente os 40) devendo a sua permanência ser mantida apenas até que reprovassem pela segunda vez (em linguagem colegial “iriam para o coco quando chumbassem a segunda vez”). Não obstante tratar-se de um falso custo – na realidade será muito menor - devido ao pressuposto de que um aluno custa o valor da mensalidade para alunos filhos de civis, e ao facto de a infra-estrutura do Colégio suportar um número de alunos muito maior que o actual sem que todos os custos unitários aumentem proporcionalmente, o esforço financeiro anual (quando em cada um dos 8 anos do Batalhão estivessem 5 alunos) seria de 272.400 euros (681 euros x 10 meses x 40 alunos), valor insignificante e com peso orçamental mínimo, quando comparado com os benefícios dele resultantes. Nesta matéria foram várias, e variadas, as experiências recentes em que a nossa Associação se viu envolvida e contribuiu com estudos, projectos e desenvolvimento de relações em processos de internacionalização do Colégio. Na sua maior parte tratou-se de projectos resultantes da colaboração com antigos alunos com residência nas nossas antigas colónias, indo desde a criação de delegações locais da nossa Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar até à criação de Colégios Militares. Infelizmente, dificuldades da mais variada ordem impediram, até ao presente, o sucesso de qualquer dos projectos em que estivemos envolvidos.
Um deles, ocorrido em 2009/2010, evidenciou o interesse de grandes empresas portuguesas, em parceria e colaboração com a nossa Associação, financiarem parte destes custos. Em concreto, foi estudada a hipótese de durante os oito anos do curso, e com início no ano lectivo 2010/2011, fazer entrar em cada ano 2 alunos de Angola, 1 de Moçambique, 1 da Guiné e 1 de Cabo Verde, existindo - numa participação articulada entre empresas, AAACM e antigos alunos - alguns antigos alunos disponíveis para contribuir para os enxovais, outros para garantirem as viagens anuais de vinda e retorno ao país de origem e, ainda outros, para assegurarem o apoio e enquadramento em Portugal aos alunos em causa. A iniciativa – exclusivamente de natureza privada - acabou, devido a razões externas ao processo, por não vir a ser concretizada, mas ficou a experiência de que imaginação, vontade e sentido de missão de entidades privadas e da nossa Associação constituem factores que, se articulados com uma estratégia bem definida pelo próprio Estado, poderão concorrer para agilizar processos que conduzirão a uma maior interligação de base cultural de Portugal com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Gostaríamos que os desejos de internacionalização do Colégio manifestados nas palavras do Ministro da Defesa Nacional, contemplassem a existência de apoios a iniciativas do tipo da descrita. Mas não resisto a questionar-me: Será que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar está a ir mais além do que as obrigações do próprio Estado? Para além do conjunto de “Ratas” que se encontram na Biblioteca, as fotografias inseridas neste texto respeitam a: João Machaieie (106/1999); Wilson Sulude (167/204); Mamadu Candé Júnior (181/204); Emerson Kachiungo (42/2006).
Colaboração O Carinhas
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Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (55/1946)
O Carinhas D
efinitivamente eu só sei contar histórias que se passaram comigo e sempre metendo a Marinha pelo meio, mas estas sei que são verdade e que me dizem qualquer coisa. Apesar de jogar com regularidade no Euromilhões e às vezes no Totoloto, sempre pensei que sair um prémio chorudo era daquelas coisas que só aos outros é que podem acontecer, tal como certas histórias que vejo contadas em certas revistas. O Euromilhões e o Totoloto, infelizmente, continuam teimosamente a não me sair mas, desta vez, a tal história de Marinha que só acontece aos outros, desta vez, aconteceu comigo e como se compreenderá, foi para mim como se me tivesse saído o Euromilhões. Para melhor localizar a história começo por referir que o meu curso de Marinha (Curso Pêro de Alenquer 1954-1957) há já alguns anos que se reúne todas as terceiras terças-feiras de cada mês para almoçar no restaurante da antiga Cooperativa Militar, agora IASFA e isso voltou a acontecer em Maio de 2004, mais precisamente no dia 18, no dia em que esta história se passou. O meu curso de Marinha que tinha 36 cadetes, terá sido aquele que teve maior número de antigos alunos, éramos 10. O 46/1946 António Martins Godinho, eu o 55/1946 Mário Baptista Coelho, o 82/1945 João Geraldes Freire, o 102/1946 Carlos Marques Pereira, o 204/1946 Eurico Neves da Costa, o 217/1945 Henrique Ferreira Pinto, o 246/1946 Fernando Moreira Freire, o 257/1945 Fausto Lago Domingues, o 291/1946 Victor Novais Gonçalves e o 301/1946 José Lopes Carvalheira e ainda estamos 9 vivos e espero para durar. Naquele dia estivemos 11 no almoço e terminado o repasto, descemos pacatamente a rua de São José até ao largo da Anunciada e aí separamo-nos, uns continuaram pela rua do Coliseu, outros viemos pela avenida da Liberdade abaixo até aos Restauradores. Aí apanhei o primeiro táxi da fila e pedi para me levar a Campo de Ourique ao Jardim da Parada, onde tinha deixado o meu carro. Era um dia de muito calor, e o chauffeur que verifiquei depois ser daqueles que gosta de falar com os clientes, respondeu-me dizendo que “ainda bem porque no Jardim da Parada há lá um chafariz com água muito fresca e como se costuma dizer na Marinha…”. Já não me lembro o que ele disse que na Marinha se cos-
tuma dizer, mas para a história não tem a mínima importância. Perguntei-lhe então se tinha estado na Marinha e rapidamente me disse que sim, que tinha feito 4 anos de serviço militar de 1957 a 1961. Retorqui dizendo que tinha piada a coincidência, pois afinal tínhamos estado os dois ao mesmo tempo na Marinha e adiantei que tinha entrado para a Escola Naval em 1954 e saído em 1957. Nesta altura o nosso chauffeur começa a entusiasmar-se e conta-me que na praça de táxis de Lisboa havia vários “filhos da escola” (ou escolinhas maneira de na Marinha se designarem os indivíduos do mesmo curso ou da mesma incorporação) e que de vez em quando lá se reuniam sempre a falar de Marinha e a dar as notícias que cada um sabia. Nessa altura disse-lhe que vinha de um almoço do meu curso da Escola Naval, que tinha lugar todos os meses e que também nós naturalmente falávamos de coisas de Marinha. A partir daí começou a tratar-me por senhor comandante e perguntou-me onde é que eu tinha estado no período de 1957 a 1961. Nessa altura estávamos ainda na Avenida da Liberdade quase a virar para a Rua Alexandre Herculano. Lá lhe contei de forma resumida que depois da Escola Naval tinha estado embarcado em vários navios, que em 1960 tinha feito a especialização em comunicações em Vila Franca de Xira e que em 1961 tinha ido para a índia para o N. R. P. Afonso de Albuquerque, e logo de seguida pergunta-me se eu conhecia um senhor que devia agora ser comandante, que ele tinha conhecido em 2º tenente chamado Santiago Baptista Coelho que se casou em 1959 com uma senhora francesa no Funchal. Logo, logo pensei que o nosso chauffeur me tinha reconhecido e que estava a meter-se comigo, mas verifiquei de seguida que não era o caso e que o que ele estava a pretender era ter noticias minhas. Respondi-lhe evidentemente que era eu. Passados os primeiros momentos de surpresa, já íamos a meio da Rua Alexandre Herculano, o bom do nosso chauffeur diz-me “eu sou o Carinhas, era o grumete mais moderno no N.R.P. Santa Maria quando estivemos a fazer 2 faróis na Madeira e fui eu que fui a casa do senhor comandante em Campo de Ourique levar a
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Colaboração Florilégio do Natal - 2011
prenda de casamento da guarnição, um cinzeiro de pé porque o senhor comandante fumava muito”. Efectivamente, eu fui imediato do N.R.P. Santa Maria, um velho caça -minas a carvão, que em 1959 transportou os materiais e deu apoio logístico à construção dos faróis do Ilhéu Chão nas Desertas e do Ilhéu Ferro em Porto Santo, comissão que durou quase um ano e durante a qual me casei com a minha mulher de nacionalidade francesa, melhor dizendo bretã. E é verdade também que fumava muito e assim continuei estupidamente por muitos anos. Logo de seguida o Carinhas diz-me ”senhor comandante deixe-me dar-lhe um abraço”. Vai daí, para o carro a meio da Rua Alexandre Herculano, sai, eu também saio e lá demos um forte abraço, para depois seguirmos viagem. A cena repetiu-se evidentemente à chegada ao Jardim da Parada.
Exemplos desta ordem os antigos alunos da minha geração podem contar às centenas em relação ao nosso Colégio. Para mencionar apenas um, diria que me lembro como se fosse hoje, a alegria que todos tivemos durante a visita ao Colégio quando o meu curso lá voltou comemorando os 50 de entrada, alegria essa partilhada com os professores e os famúlos do nosso tempo o Moca, o Carnide e o Germano, os Carinhas da nossa adolescência, Os meus votos são para que mais tarde, os actuais alunos do Colégio possam ter recordações como esta.
Florilégio do NATAL – 2011 De um Filho para o Pai O humano e divino nos atrai E esta ideia partilho: Não foi Deus que foi seu Pai Mas Cristo que foi seu Filho.
No seguimento da conversa lá foi dizendo que durante toda a vida tinha vindo a saber de mim através dos filhos da escola taxistas, que sabia que eu tinha sido adido naval sem saber onde e que tinha estado preso em Goa. Disse-lhe que sim que tinha estado 6 meses prisioneiro de guerra em Pondá, mas que não tinha sido adido naval, mas que tinha estado na Missão Militar Portuguesa junto da NATO em Bruxelas e que depois tinha ficado na Bélgica no Quartel-general da NATO, como funcionário internacional civil até 2001. Ao despedimo-nos em Campo de Ourique, o Carinhas ia-me matando, disse que agora já podia dar noticias minhas aos escolinhas e mais (isto, eu não devia dizer, mas digo porque aqui é que ele me ia matando) “senhor comandante se guardo sempre da Marinha a melhor das recordações, muito se deve ao tempo que estive consigo no N.R.P. Santa Maria “. E com esta fiquei como que paralisado, nem me lembrei de lhe pedir o número de telefone ou de saber como é que podia voltar a vê-lo. Fico com a esperança de novamente o acaso me levar a entrar no primeiro táxi da fila e ser o táxi do Carinhas. Isto aconteceu com gente da Marinha, mas para mim podia ter sucedido com gente sem ter nada a ver com a marujada e representa os laços de amizade que se criam quando se é jovem numa corporação onde o convívio é quase familiar e são, sem se quebrarem os princípios básicos de uma instituição militar e que se podem manter durante uma vida inteira sem às vezes as pessoas se terem voltado a ver.
Já não ponho à lareira o sapatinho, Presentes já nem quero, isso que vale? Só quero a tua bênção, meu Caminho Mais vivo e mais aberto no Natal ... Mas não só nesse dia, em cada hora, Pois Jesus nasce em nós p’la vida fora. No mar, o pôr-do-sol há-de voltar E o que eu queria dizer veio afinal: Quando sem ser Dezembro for Natal Então Jesus virá p’ra nos salvar! Roberto Ferreira Durão (15/1942) Roberto Pedro Peig Dória Durão (37/1970)
Nota da Redacção Este poema chegou à Redacção quando a ZacatraZ 185 já se encontrava impressa e na fase de acabamento para distribuição, razão pela qual não foi publicado no número distribuído no Natal de 2011.
Colaboração Os desenfianços no Colégio Militar
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Belmiro Tavares Tenente Miliciano de Infantaria
Os desenfianços no
Colégio Militar Nota da Redacção
O texto que a seguir se transcreve, com a devida autorização do seu autor, foi publicado em 22 de Outubro de 2011 no blog «Luís Graça & Camaradas da Guiné», criado e editado pelo sociólogo Luís Graça e em que são co-editores Carlos Vinhal, Eduardo Magalhães Ribeiro, Virgínio Briote, com o objectivo de ajudar os ex-combatentes a reconstituir o puzzle da memória da guerra colonial na Guiné. Iniciado em Abril de 2004, constitui já a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência desta guerra. Em 29 de Setembro de 2011 tinha já atingido 2,9 milhões de visitas. Belmiro Tavares prestou serviço na Guiné tendo sido galardoado com o “Prémio Governador da Guiné” e, em 10 de Junho de 1966, foi condecorado com a Cruz de Guerra. Ingressou no Colégio Militar como voluntário para subalterno da 4ª Companhia, tendo posteriormente comandado a 1ª Companhia e em acumulação, durante alguns meses, a 2ª Companhia. Serviu o Colégio durante 6 anos, recordando dois grandes Comandantes de Companhia – Capitão Rueff Tavares (Tavares & Tavares e companhia) e o Capitão Barão da Cunha (o Francisco), os melhores Directores, Brigadeiro Nascimento e General Luís Deslandes, e os Comandantes do Corpo de Alunos de grande gabarito, irmãos Durão (Ricardo e Roberto). Foram-lhe conferidos dois louvores: o primeiro “por ser cumpridor”, o segundo foi razoável, nas palavras ipsis verbis do contemplado. Recorda com saudade os anos ali passados tendo estado “metido” em muitas peripécias porque ... nunca virou as costas ao “inimigo”. Teve duas alcunhas e meia: o Santo que a breve trecho passou a Espírito Santo e/ou só Espírito.
O
s alunos do COLÉGIO MILITAR eram todos (serão ainda?) internos. Passavam apenas o fim-de-semana em casa com os pais ou com os encarregados de educação; regressavam ao colégio no domingo, até às 22h00. Durante a semana viviam em autêntica “clausura”; não podiam receber chamadas telefónicas nem eram autorizados a comunicar com o exterior. Com certa frequência, porém, os alunos mais velhos desenfiavam-se durante a noite; iam até Carnide ou Benfica ou, por vezes, aventuravam-se a viajar até à Baixa da cidade. Cada um tinha os seus motivos e objectivos para dar o salto: namoro, lavar os olhos, o prazer de infringir a Lei, confortar o estômago, etc. No último caso o petisco mais frequente constava de ovos com
chouriço e, certamente, um copo de tinto... ou branco. Uma das incumbências especiais do oficial de dia era impedir que os alunos saltassem os muros depois de jantar ou depois do toque a recolher – tarefa extremamente ingrata de cumprir ou ... praticamente (quase) impossível. Falhada esta obrigação, o oficial de dia devia tentar averiguar se algum aluno se ausentara indevidamente e tudo fazer para surpreender o(s) faltoso(s) no regresso às instalações do Colégio Militar. Quando apanhados em flagrante – o que raramente acontecia - os prevaricadores eram punidos com três dias de privação de saída durante os fins-de-semana – pena aparentemente pesada – até porque durante sete ou oito anos – máximo – o aluno não podia ultrapassar quinze dias de castigo; se atingisse este limite,
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Colaboração Os desenfianços no Colégio Militar
o aluno era automaticamente expulso. Também era coagido a abandonar o Colégio Militar o aluno que “chumbasse” duas vezes; o mesmo acontecia a quem fosse atribuída duas vezes a nota de “MAU”... em comportamento durante todo o curso. Estes castigos podem até parecer, nos dias de hoje, fruto de legislação draconiana... mas não era tanto assim. Entre os alunos do Colégio Militar a camaradagem não era palavra vã; acontecia permanentemente. Sempre que um aluno cometia uma falta punível com privação de saída e já se encontrava muito perto do limite, logo outro aluno com “cadastro” limpo, ou com folga suficiente, se apresentava como sendo ele o infractor para que o companheiro não fosse expulso. Era uma maneira simpática de aliviar o fardo da disciplina para com os menos bem comportados. Muitas vezes tínhamos a convicção (ou até a certeza) de que o aluno que se acusava não era o prevaricador... mas se ele “jurava” que era... nada mais a operar que aplicar-lhe o castigo proporcional correspondente à falta que alegava ter cometido. Um dia eu estava de serviço e conversei longamente com quatro alunos do 7º ano (graduados) que eram os comandantes das quatro companhias de alunos; veio à baila o “peso” exagerado ou não dos castigos por fuga nocturna; os “graduados” entendiam que o rigor das penas era excessivo. Eu defendi o contrário e justifiquei: - Em primeiro lugar temos de ter em conta que mais de 90% dos transgressores (fugitivos) não são apanhados e, consequentemente não são castigados; os restantes são detectados apenas porque tiveram azar ou porque foram burros. Se o aluno tem azar, quem aplica a Lei nada pode fazer para além da aplicação do castigo determinado; se o aluno é burro (ou pensa que os outros o são), deve ser severamente punido e consequentemente expulso se atingir o limite legalmente estipulado, porque no Colégio Militar ... não pode haver vagas para atrasados mentais. Os alunos entenderam bem a segunda parte da minha exposição; perguntaram, no entanto, o que eu entendia por “azar”. Respondi com um exemplo dum caso recente e notório: - Azarado foi o nº X; vigiou cuidadosamente os movimentos do oficial de dia; teve a certeza que naquele momento o oficial de serviço não conseguiria detectá-lo; aproximou-se “distraidamente” sorrateiramente da porta que dá acesso à parada; correu per-
pendicularmente em direcção à Estrada da Luz; lançou as mãos ao cume do muro (mais de 2 metros de altura) que separa o Colégio Militar daquela via, saltando para o exterior; por pouco não “aterrou” em cima dum oficial que casualmente por ali passava àquela hora. Aquele oficial “lançou-lhe a luva” e foi entregá-lo ao oficial de dia. Não foi castigado... porque fez um bom planeamento da sua actuação... apenas não contou com o azar que quase o tramava. Além disso era um aluno bem comportado, o que pesou na decisão de não castigar. Um dia, estando eu de serviço, um bom bocado depois do toque a silêncio e apagada a iluminação, entrei numa camarata dos alunos mais velhos; havia apenas a luz de presença, as “vigias”; esta iluminação foi suficiente para me aperceber que em determinada cama havia um “boneco”. Os alunos usavam o travesseiro e por vezes até o capote para fazer o “boneco”, tentando ludibriar o oficial de serviço. Aquele boneco até estava mal feito o que não abonava a favor do transgressor. Esperei uns minutos! Fui até à sala de leitura; havia ali uma janela aberta por onde alguém teria eventualmente saído. Aguardei ali cerca de meia hora! Ninguém apareceu! Deitei-me no lugar do “boneco”! Um pouco mais tarde ouvi alguém sussurrar fora da camarata: - Passa agora! Caminho livre! Logo quatro alunos entraram eufóricos na camarata, convencidos do sucesso da sua aventura. Um deles, ao chegar junto da cama e, apercebendo-se que eu a ocupava, exclamou: - Essa está muito boa, meu Tenente! Mas os ovos com chouriço... ninguém nos tira! O resto logo se verá! Neste caso também não houve castigo; fiquei pela reprimenda, aquilo que os alunos ouviam com muita atenção (fingiam) mas que, habitualmente, entrava por um ouvido e velozmente saía logo pelo outro, sem qualquer efeito prático; tive em conta que um deles estava no limite da expulsão e ninguém poderia assumir aquela culpa, porque foram apanhados em flagrante; o tal que corria risco até nem era mau rapaz; estava prestes a concluir o 6º ano. Como se depreende, embora as punições parecessem duramente rigorosas... na prática não eram tanto quanto pareciam. Uns tinham boa sina para escapar incólumes; outros sendo surpreendidos, contavam apenas com o apelo ao coração e à benevolência de quem os interceptava. Havia muitos dias de sorte!
Antigo Aluno usa a BARRETINA
Colaboração Recordações Colegiais - Coisas dos meus Calistos
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Recordações colegiais Coisas dos meus Calistos N
Às vezes o Calisto é enriquecido com fotografias próprias e dos ”sócios” Eu tenho vários Calistos com estas características. Deles vou reproduzir alguns textos. Primeiro, a definição de calisto dada pelo Carlos Alberto de Barros Teixeira, o 309 de 1930.
O Calisto! O Calisto! Não é para sacrilégio! Ele encerra tudo isto, Recordações do Colégio. Recordar, lendo as histórias, Continhos, que nos seduz Tudo o que se passa Entre os “Meninos da Luz” As provas do meu 5.º ano Todos os dias antes das provas, que eram às 9 ou às 10 horas, havia um tempo de estudo que eu aproveitava para estudar alguns pontos da matéria das disciplinas de que ia ter provas. À tarde, depois do almoço, havia também dois tempos de estudos. Antes das horas marcadas assistíamos nos claustros à chegada dos professores. Alguns dos meus companheiros mostravam-se alegres; noutros, a sua cara mostrava um pequeno receio e, talvez, medo! Eu, felizmente para mim, mantive-me sempre sereno e com presença de espírito dois predicados que muito me valeram durante as provas. Ao acabarem as provas, ouviam-se as
mesmas perguntas: “Que ponto tiveste? Quem teve o ponto número? Respondeste às obrigatórias? A propósito do bom humor com que a maioria de nós ia, não posso deixar de narrar o seguinte: Íamos para uma das provas quando, no meio do quase silêncio que havia o Proença (194) gritou: “Eh malta, viva a paródia”. O professor de Latim, ao mesmo tempo director de classe, ouviu isto e, nesse dia e no seguinte, ao entrarmos para a sala de aula dizia: “ Entrem lá para esta paródia”. Ainda mais uma vez, quando nos dizia quais os que tinham ficado dispensados das provas orais, e falou das notas que tinha dado, um pouco favorecidas, disse: “O Proença bem dizia que isto ia ser uma grande paródia”. As provas escritas acabaram no dia 6. Alguns dos meus camaradas foram nesse dia para casa. Eu não quis ir. Fiquei no Colégio pois queria lá estar até ao dia das reuniões. Dia 12 era o dia marcado para se efectuarem às 11 horas. Muito antes dessa hora já esperávamos os professores. Eu antes das reuniões já sabia de fonte segura que estava dispensado a Inglês, Português e Desenho e que os professores destas disciplinas não davam notas abaixo de 12. Por sinal, na de Desenho houve uma nota inferior. Depois do almoço não estive muito tempo na companhia. Um dos bancos dos claustros era o meu lugar. Pelas 3 horas, saiu o primeiro professor,
O autor do texto Joaquim Augusto de Ascensão Filipe (118/1927)
o livro O COLÉGIO MILITAR, editado em 1953, comemorativo do 150.º Aniversário do Colégio, o autor Jaime Duarte de Almeida, que foi “Menino da Luz” e teve o número 12 de 1950, incluiu no vocabulário colegial o termo “Calisto” para designar o caderno de capa de oleado de pequenas dimensões, onde o seu proprietário inscreve, juntamente com horários e semanários, vários apontamentos de interesse particular.
o capitão Medeiros, de Ciências Físico – Químicas. Corremos logo para a porta da Biblioteca e tomámos de assalto o capitão Xavier. Foi este o primeiro professor a dar-nos os números dos que tinham de ir às provas orais e que eram ao todo 14. Eu não estava compreendido nesse grupo. Não quis saber de mais nada. A alegria era indescritível. Aqueles que tinham ficado dispensados saltavam de contentes e abraçávamo-nos e felicitávamo-nos uns aos outros. Aqueles que tinham de ir às orais estavam aborrecidos: quatro eram da minha turma. Um pouco mais tarde, abordei de novo outro professor, o tenente Gomes dos Santos, de quem procurei saber as notas com que tinha ficado dispensado. Ainda um pouco mais tarde do capitão Pinto da Silva, obtive a relação certa das minhas notas que tinham sido: Português 14; Latim 13: Francês 14: Inglês 14: Geografia e História 14: Ciências Físico – Químicas 14: Matemática 12 e Desenho 15, que me dão média de 13,7 ou melhor de 14 que me deu dispensa das provas orais.
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Colaboração Recordações Colegiais - Coisas dos meus Calistos
do outro, trocávamos impressões sobre as respostas às perguntas. No 2º período fizemos uma sociedade “Pilão & Chocolate” que vendia tabletes de chocolate e outras guloseimas. Formávamos a parelha da defesa do Sporting nos jogos de futebol contra a equipa do Benfica – Belenenses.
Os Sócios (da esquerda para a direita e de cima para baixo) Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930), Joaquim António da Silva Carvalho (73/1930), Carlos Afonso de Almeida Pinheiro (202/1930), Amadeu António de Freitas (295/1930), Tiago Adalberto de Brito Nascimento (308/1930), José Martiniano Moreno Gonçalves (384/1931).
Os meus sócios No Colégio tive grandes amigos, especialmente a partir de 1934, quando estava no 4º ano na 5ª companhia. Habitualmente, essas amizades começavam por estarmos na mesma companhia e sermos da mesma turma. Entre essas amizades houve algumas mais fortes em consequência de vários factores, tais como a proximidade das carteiras na sala de estudos, o sermos do mesmo clube desportivo, etc. Entre essas maiores amizades destaco as que me ligaram aos sócios que, a seguir, indico. * O 43, Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro, que tinha por alcunha o “Alfarazes”. A nossa amizade começou quando estávamos na 6ª companhia e constituímos uma sociedade comercial a “Alfarazes & Pilão”, que começou com o capital de 20$00. Vendíamos cigarros, tabletes de chocolate e amêndoas aos nossos companheiros, a pronto ou fiado para pagarem no regresso de casa, aos Domingos, por terem então mais dinheiro.
Às vezes, havia uma discussãozinha quando fazíamos as contas e estas não estavam certas. * O 73, Joaquim António da Silva Carvalho, que tinha por alcunha o “Zeca”. Ele era companheiro de carteira do 43 na sala de estudos. Muitas vezes, no período de estudo da noite, ele contava anedotas do Siô Pereira, que ouvia na rádio. Eu, ele e o 43 constituíamos a “Trempe Fantástica” como nos designávamos por sermos muito amigos * O 202, Carlos Afonso de Almeida Pinheiro, que tinha por alcunha o “Bábá”. Fomos da mesma turma e estivemos na 5ª companhia em 1933 - 1934, no 5º ano. Durante os cinco estudos estudávamos juntos. Foi meu companheiro de carteira no 6º ano. * O 295, Amadeu António de Freitas, que tinha a alcunha de “Chocolate” por ser muito moreno. Foi na repetência do 4º ano que estivemos na mesma turma na 5ª companhia. Estudámos juntos muitas vezes e nas provas escritas, se estávamos próximos um
* O 308, Tiago Adalberto de Brito Nascimento, por alcunha o “Periquito”. Foi no 5º ano e na 5ª companhia que começou a nossa amizade. Fazíamos sociedade no tabaco, mas quem o comprava mais vezes era o Periquito, pois dispunha sempre de mais dinheiro do que eu. Apesar de eu comprar menos vezes, ele nunca me recusou o tabaco ou se zangou comigo. * O 384, José Martiniano Moreno Gonçalves mais conhecido por Martiniano. A nossa amizade começou em 1933, na 5.ª Companhia estando ele no 4.º ano e eu no 5º. Eu dava-lhe explicações de Inglês e de Desenho, pois eu era muito bom aluno nessas disciplinas. Um dia ele disse-me que tinha sido chamado a Desenho e tivera um 10. Eu achei que ele, pelo que sabia merecia melhor nota e fui perguntar ao professor que nota ele ia ter no fim do período, tendo-me respondido que seria um 10. Manifestei-lhe a minha estranheza por aquela nota porque não correspondia ao que o Martiniano sabia. Entretanto outro sócio foi chamá-lo. O professor perguntou-lhe se queria fazer um pequeno exame tendo o Martiniano respondido afirmativamente. O professor fez o interrogatório a que ele respondeu correctamente e deu-lhe 16 valores, a mesma nota que eu tivera, pois eu era um dos melhores alunos do 5º ano naquela disciplina. Joaquim Augusto de Ascensão Filipe 118/1927
Colaboração Camerone - A Legião Estrangeira e o Colégio
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
CAMERONE
A Legião Estrangeira e o Colégio Q
uando eu era miúdo começou a ser editado um semanário juvenil de banda desenhada, intitulado «Cavaleiro Andante», que rapidamente ganhou uma grande popularidade. Era destinado aos «jovens» dos oito aos oitenta anos e fui seu leitor assíduo desde o primeiro número, apesar de na altura não ter ainda 8 anos. Era publicado aos sábados e custava 18 tostões, o que ao tempo era dinheiro.
A Legião, 1940 Gare de Lyon, Paris (ALE)
Uma das primeiras histórias publicadas foi uma adaptação do romance «Beau Geste», cuja acção decorria no seio da Legião Estrangeira, no norte de África. Na altura toda a rapaziada ficou entusiasmada com a Legião, ficou a conhecer o seu característico quépi branco, sem qualquer insígnia, e muitos chegaram a sonhar vir um dia a pertencer à Legião.
No Colégio a admiração pela Legião também se fez sentir. Recordo-me bem, de há uns anos, ler nas páginas desta nossa Revista um discurso proferido por um Antigo Aluno de um curso alguns anos anterior ao meu, num aniversário da saída do seu curso do Colégio, em que dizia a dado passo, relatando a vivência do seu curso no Colégio «queríamos ir todos para a Legião Estrangeira». A Legião constitui uma tropa de elite, combateu por todo o mundo, penso que com excepção da Oceânia, e que foi sempre usada pela França como a sua primeira tropa de choque e em missões de sacrifício. Em dada campanha, um comandante da Legião incumbido de uma destas missões, reuniu os seus homens e fez-lhes um discurso curto, mas esclarecedor: «Legionários alistaste-vos para morrer, eu vou levar-vos para onde se morre». Para os legionários a Legião é como se fosse a sua pátria, daí a sua divisa «Legio pátria nostra». A Legião tem um historial riquíssimo e tem as suas tradições, que cultiva como se de uma religião se tratasse. O dia da Legião é o dia comemorativo de um dos seus combates mais célebres, que teve lugar no México, em Camarón, que os franceses
traduziram para Camerone. A razão de ser dessa comemoração é descrita por Douglas Boyd no seu livro com o título «The French Foreign Legion», que lhe valeu a sua nomeação como «Legionário Honorário». Recomendo a sua leitura a quem se interesse por este tipo de literatura. Demos então a palavra a Douglas Boyd: «Todos os anos, no dia 30 de Abril, a Legião comemora um aniversário. Não de uma vitória mas de uma derrota. Neste dia, onde quer que estejam reunidos legionários ou ex- legionários, numa cerimónia quase religiosa, observada até pelos homens que esperavam a morte em Dien Bien Phu, em 1954, um oficial ou um oficial subalterno lê em voz alta, em francês, uma história que todos eles co-
Fardas dos herois de Camerone (MLE)
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Colaboração Camerone - A Legião Estrangeira e o Colégio
nhecem de cor. Numa seca prosa militar que já foi numa ou noutra altura, lida em todos os sotaques do mundo, a história reza o seguinte: O exército francês cercava Puebla, no México. No dia 29 de Abril de 1863, o oficial no comando, Coronel Jeaningros, foi informado de que um grande comboio, transportando ouro equipamento de sítio e munições estava a caminho de Puebla. O seu ajudante, o Capitão Danjou, convenceu-o a enviar uma companhia ao encontro do comboio. Foi escolhida a 3ª Companhia, mas não tinha oficiais disponíveis para
Capitão Danjou
liderarem a patrulha. O Capitão Danjou assumiu pessoalmente o comando e os segundos tenentes Maudet e Vilain (o tesoureiro) ofereceram-se para o acompanhar. À 01H00 do dia 30 de Abril, os três oficiais e 62 homens da 3ª Companhia fizeram-se ao caminho. Depois de cobrirem 20 km, pararam em Palo Verde, pelas 07H00, para fazer café. Nesse momento o inimigo apresentou-se e começou imediatamente o combate. O Capitão Danjou ordenou a formação do quadrado defensivo, e conseguiu repelir várias cargas de cavalaria, infligindo pesadas baixas ao inimigo. Ao aproximar-se da estalagem de Cameron, um o grande edifício que compreendia um pátio rodeado por um muro com três metros de altura, ele decidiu defender-se no local para fixar o inimigo, e adiar o mais possível o ataque ao comboio. Enquanto os seus homens organizavam apressadamente a defesa da estalagem, um oficial mexicano instou o capitão
Danjou a render-se por estar em grande inferioridade numérica. A resposta foi «Temos cartuchos, não nos rendemos». Depois erguendo a mão direita, Danjou jurou lutar até à morte e obrigou os seus homens a fazerem o mesmo juramento. Eram 10H00. Até às 18H00, estes 60 homens, que não comiam nem bebiam desde a véspera, resistiram a 2000 mexicanos - 800 cavaleiros e 1200 infantes - apesar dos extremos calor e sede. Ao meio dia o Capitão Danjou morreu com uma bala no peito. Às 14H00, o segundo tenente Vilain foi morto com uma bala na testa. Nesse momento os mexicanos conseguiram pegar fogo á estalagem. Apesar do calor e fumo que fazia aumentar o seu sofrimento, os legionários continuaram a resistir, mas muitos tinham sido atingidos. Às 17H00, o Tenente Maudet dispunha apenas de 12 homens em condições de combater. Nessa altura o coronel mexicano reuniu os seus homens e disse-lhes que deviam ter vergonha por não conseguirem derrotar um punhado de valentes. Enquanto ele falava, um legionário que sabia espanhol traduzia as suas palavras para os outros legionários. De seguida o coronel Milán instou o segundo tenente Maudet a render-se, uma proposta que ele rejeitou com desdém. Os mexicanos lançaram o ataque final, através das brechas que tinham aberto nas paredes. Pouco depois restavam apenas
cinco homens a Maudet: o cabo Maine, e os legionários Catteau, Wensel, Constantin e Lèonard. Restando apenas um cartucho a cada um, fixaram baionetas e enfrentaram o inimigo num canto do pátio, de costas para o muro. A um sinal dispararam os seus rifles à queima-roupa e carregaram as suas baionetas sobre o inimigo. O segundo tenente Maudet e dois legionários caíram mortos. Maine e os seus dois camaradas iam ser massacrados quando um oficial mexicano se pôs à sua frente e gritou, «Rendição!». Eles responderam «Render-nos-emos se prometerem cuidar dos nossos feridos e nos deixarem ficar com as nossas armas». As suas baionetas ainda eram perigosas. O oficial retorquiu, «A homens como vocês não se recusa nada». Os 60 homens do capitão Danjou tinham cumprido o seu juramento, repelindo 2000 inimigos durante 11 horas. Mataram 300 e feriram outros tantos. Sacrificando-se para salvarem o comboio, cumpriram a missão que lhes tinha sido confiada. O Imperador Napoleão III decidiu que o nome Cameron seria inscrito na bandeira do Regimento Estrangeiro, e que os nomes de Danjou,Vilain e Maudet seriam gravados a ouro nas paredes dos Inválidos, em Paris. Em 1892 foi erguido um monumento no local da batalha, com a seguinte inscrição: «Aqui, menos de 60 homens enfrentaram um exército.
Legionários do 1º BEP, Março de 1954, Dien Bien Phu, Indochina (ALE)
Colaboração Camerone - A Legião Estrangeira e o Colégio
Foram esmagados pelo número. Aqui, em 30 de Abril de 1863, estes soldados franceses foram abandonados pela vida, mas não pela coragem. A pátria erigiu este monumento em sua memória». Este é o «récit officiel» - a história oficial. A verdade não terá sido tão linear. Danjou era um oficial distinto, que já tinha sido condecorado com a Legião de Honra na guerra da Crimeia. Presa ao seu antebraço esquerdo, usava uma mão de madeira, esculpida e articulada, pintada para se parecer com uma luva de cabedal, em substituição da mão que perdera quando o seu rifle explodira durante uma expedição na Cabília. A mão de madeira de Danjou foi recuperada, passando a constituir como que uma relíquia para a Legião. O coronel Milán que comandava as tropas mexicanas, ao ver os sobreviventes,
exclamou, «Pero no son hombres, son demónios». Até hoje todos os legionários sabem esta frase de cor. Até hoje «faire Camerone» significa para os legionários, combater até ao último homem. Sem que muitos o saibam, a Legião Estrangeira ainda hoje tem a sua marca no nosso Colégio. Tal marca é a passada lenta da marcha da 4ª Companhia, dos nossos «Veteranos». A Legião sempre se caracterizou por ter uma cadência de marcha mais lenta do que o habitual em todas as outras tropas. Marcha à cadência de 88 passos por minuto. Esta marcha lenta exaspera aqueles que têm de organizar o desfile anual das tropas no dia da tomada da Bastilha, o 14 de Julho, em Paris. A Legião marcha destacada de todas as restantes formações, encabeçada pelos seus porta-machados, com as suas barbas imponentes (outra tradição) e é a tropa que
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mais aplausos recebe dos parisienses na sua descida dos Campos Elísios. No meu tempo no Colégio, cantávamos no Orfeão, com o «Carioca», uma canção francesa cuja letra começava assim: «C’ est le beau régiment Qui passe Clairons sonnant Tambours battant Rataplan La foule vient, court Et se amasse Pour saluer Les combattants Rataplan, Rataplan, Rataplan» Bem se poderia aplicar esta letra a um desfile da Legião Estrangeira.
Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti.
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Colaboração Informática a custo ZERO!
José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995
Informática a custo ZERO! E
m tempos de privação económica, ou crise... Mas vamos evitar a palavra. O investimento em novas tecnologias é sempre um factor a considerar. É discutível se o valor despendido pelas empresas em novos sistemas informáticos é um capricho ou um investimento. Os informáticos querem sempre os últimos sistemas nas suas empresas, mesmo que estes não tragam grande vantagem competitiva, no entanto as administrações necessitam medir os custos até ao último pormenor. Apesar de ser ponto assente que cada vez é mais barato informatizar uma empresa, cada vez mais os custos têm que ser controlados. Com a panóplia de soluções que temos à disposição na hora de decidir, nem sempre é fácil tomar a opção mais correcta e ponderada. A moda e o olhar para a galinha da vizinha têm um valor elevado de mais para o benefício que normalmente traz. O software proprietário (software em que a cópia, distribuição e alteração são limitadas pelo programador) traz limitações que normalmente são impeditivas de realizar inúmeras tarefas, nomeadamente a alteração livre do software ou mesmo o acesso ao código-fonte. Sistemas Operativos como Windows e MacOS ou software como o MS Office, têm licenças normalmente dispendiosas para as potencialidades que os utilizadores necessitam. O software livre, livre de licenças, livre de limitações e livre de barreiras à plena utilização, é cada vez a escolha mais acertada para a maior parte das empresas. Durante algum tempo houve uma certa renitência na escolha, corria o boato que era software mais difícil de utilizar ou que tinha falhas devido à falta de testes. O fantasma que corria à volta do software livre, como o Linux no caso dos Sistemas Operativos, mas no caso das aplicações mais usadas pelos utilizadores, o OpenOffice, GIMP, Mozilla e milhares de outras, mostraram com o tempo que o OpenSource era, na grande maioria das vezes, a escolha mais acertada. As estatísticas já nos mostram que a nível de servidores (as máquinas que suportam todos os serviços online, Internet, intranets...) os Sistemas Operativos baseados em UNIX já superaram há muitos anos os seus concorrentes directos de código proprietário, como o Windows, por exemplo. Nos últimos anos as empresas de Software têm-se comportado como o cão que morde a mão do dono. Têm tratado os utilizadores como
dependentes de um circuito monopolistas em relação às aplicações e Sistemas Operativos. No mundo do software não são petições nem manifestações que alteram o rumo do desenvolvimento de aplicações. A arma do poeta é a caneta, a arma do programador é o teclado, mas, principalmente a inteligência. O aumento de comunidades de software Opensource está a crescer como uma praga de cogumelos e projectos de software livre são cada vez em maior número. Como se costuma dizer, para limpar a cidade temos que começar a limpar em frente à nossa porta. É extremamente importante cada um de nós fazer as escolhas mais correctas em relação ao software que utilizamos. É interessante perceber porque é que quando adquirimos um computador novo este já traz Sistema Operativo instalado e não temos hipótese de escolhê-lo. Sabendo nós que existem dezenas de Sistemas Operativos disponíveis na rede de forma gratuita, porque somos obrigados a pagar à priori uma licença. Mas a pergunta impõe-se... Se esse tal software é gratuito, de que vivem aqueles que o programam, divulgam e defendem? Simples, no mundo do opensource há várias formas de pagar o software. A primeira delas, já estamos habituados, mesmo que não o percebamos. Quando usamos o Facebook, jogamos aqueles jogos irritantes online ou editamos um texto no Google Docs como eu estou a fazer neste momento é-me imposta publicidade. Publicidade essa, que ... paga o Software. Uma forma mais democrática de usufruir de aplicações sem ter que pagar directamente por elas. A segunda forma de pagamento é o chamado “suporte”. Quando os sistemas atingem um determinado nível de complexidade, ao ponto de ser necessário um especialista para resolver dificuldades (como manutenção de Bases de Dados ou Segurança de Redes) as empresas ou comunidades que desenvolvem o produto, prestam um serviço de apoio e esse sim é pago. Sabendo nós que a maior parte dos utilizadores usam como aplicação principal nas suas máquinas o Browser (seja ele qual for... IE, Chrome, Mozzila) fará sentido pagar dezenas de euros por um sistema operativo, mais um anti-virus, mais um anti-spyware, mais um cliente de email, mais... A solução com certeza não será só uma. A solução não será, Software livre sempre e em força! Mas, certamente que uma grande quota de mercado passará por uma decisão livre de licenças e plena de utilização. Software Livre, SIM!
Colaboração O último foi o primeiro
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
O último foi o primeiro
O
s leitores mais atentos do último número da nossa Revista terão notado que havia uma aparente contradição entre os dois artigos da mesma em que se recordavam os factos ocorridos na Índia Portuguesa, durante a sua invasão, no final do ano de 1961. A contradição dizia respeito à identidade do piloto que comandou o último avião dos Transportes Aéreos da índia Portuguesa (TAIP) a descolar de Goa, já com a invasão em curso. No artigo «Memórias da Índia» do Mário
Baptista Coelho (55/1946, «Bill») indicava-se a certa altura o seguinte: «…. Aconteceu que um oficial de marinha, que era o comandante do último avião dos TAIP que saiu de Goa, se apercebeu da situação e foi a correr a Alcântara para avisar a minha mulher, que eu estava bem…» No meu artigo «1961 O fim da Índia Portuguesa», indiquei o seguinte: «Mais tarde soubemos que o pai do 5, o Tenente-Coronel Solano de Almeida, tinha
conseguido descolar de Goa, já durante a invasão, pilotando o último avião dos TAIP que partiu daquele pedaço do Império Português». Acontece que o pai do 5 não era um oficial oriundo da Marinha. Ao detectar esta contradição resolvi tirar as coisas a limpo e falei directamente com o 5/1954, o Eduardo Solano de Almeida, que me confirmou, verbalmente, que o comandante do último avião tinha sido efectivamente o seu pai.
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Colaboração O último foi o primeiro
Dado, eu ter pedido ao 5 que me emprestasse uma fotografia de um dos aviões dos TAIP, para ilustrar o meu artigo, ele fez chegar até mim os elementos de que dispunha sobre os TAIP, em que para além das fotografias, se incluíam outros documentos do maior interesse para a história daquela companhia de transporte aéreo. Entre os documentos recebidos figuravam duas páginas (paginas 14 e 15) do já desaparecido jornal «O DIA», de 23 de Julho de 1987, com o título «Um Documento inédito da invasão de Goa». Este documento inédito era uma entrevista do jornalista Marques Gastão ao Comandante Manuel Correia Reis, comandante do Super-Constellation «Vasco da Gama», da TAP, que descolou de Goa com este avião já durante a invasão. Esta entrevista terá sido escrita no dia 20 ou 21 de Dezembro de 1961, não tendo sido publicada na altura, por ter sido «cortada» pela censura. Dado a entrevista ser muito extensa resolvi transcrever da mesma apenas as partes que interessam directamente ao esclarecimento da nossa questão. «O Comandante Reis, que tinha chegado com o seu avião da TAP a Goa, às 5H30 da manhã do dia 18 de Dezembro, indicou que nesse dia houve 3 bombardeamentos ao aeroporto, sendo o último às 15H00,que foi de menor duração, mas não de menor intensidade do que os dois primeiros. Conta-nos o Comandante Reis o seguinte: «Após este bombardeamento voltei ao aeroporto com os mecânicos de voo António Coragem e Hipólito Dias, eram cerca de 17 horas. - O que se passou então? - Nova inspecção ao avião e á pista e por muito estranho que pareça, continuava a esperança de poder sair para Carachi, embora em condições cada vez mais precárias. Aproveitei também a oportunidade, nessa altura, para fazer uma ligeira inspecção ao avião DC4 dos TAIP, que estava em condições de voar, tendo verificado que estava aparentemente em boas condições. Regressei então ao hotel onde ultimei com o Sr. Tenente-Coronel Solano de Almeida, os planos para a saída dos dois aviões. Aguardámos que a noite chegasse, e dirigimo-nos ao aeroporto onde já se encontravam alguns refugiados. As luzes
do aeroporto haviam sido desligadas pelo Tenente-Coronel Solano de Almeida e pelo mecânico António Coragem. - Quem procedeu á remoção dos destroços da pista? - Foram o pessoal dos TAIP, a minha tripulação e julgo que também alguns dos refugiados. Terminado esse trabalho, verificámos que o máximo comprimento de pista disponível, em condições sofríveis, era de cerca de 700 metros e quanto à sua largura, só lhe posso dizer que nela cabia apenas o trem de aterragem… Foi então que informei os refugiados, entre os quais se encontravam duas senhoras e um bebé de 2 meses, dos riscos da descolagem… Eram um total de, 26 homens, 2 senhoras e o referido bebé de 2 meses, goeses e europeus…. - Como decorreu a descolagem comandante? Quem descolou primeiro? Você ou o comandante Solano de Almeida? - Tinha ficado previamente combinado com o Sr. Tenente-Coronel Solano de Almeida ser o avião DC4 dos TAIP, o primeiro a descolar, por duas razões: primeiro, por ser um avião menos rápido e segundo porque se fosse o «Vasco da Gama», o primeiro a descolar e se se desse um acidente pelas razões que já referi, o avião TAIP talvez não pudesse depois descolar. Porém fui eu o primeiro a descolar. - Como se deu então a descolagem? Tínhamos combinado, eu e o Tenente-Coronel Solano de Almeida, pôr os motores a trabalhar simultaneamente para não dar tempo às forças inimigas, que seriam alertadas pelo ruído dos motores dos aviões. Assim aconteceu, por entre a escuridão da noite e como se calcula todos nós estávamos ansiosos e cheio de preocupações. Quando o avião dos TAIP iniciou o movimento de rolagem e eu esperava que ele entrasse na pista, verifiquei que aquele avião parara subitamente, apercebendo-me que tinha qualquer deficiência na roda do «nariz». Olhei em meu redor e vi o fim da pista a «arder», julgo que devido a granadas incendiárias, possivelmente lançadas para efeito de regulação de tiro… Não havia pois tempo a perder. - Essa é a razão de ter descolado em primeiro lugar…. - Exacto foi essa a razão….»
A entrevista continuou com a descrição da chegada a Carachi do avião «Vasco da Gama» e do reencontro do Comandante Reis com as 3 tripulações da TAP que aí o aguardavam. Terminava essa descrição dizendo: «Era a libertação de um pesadelo tremendo, mas que ainda não havia terminado, pois nos faltava saber do avião dos TAIP, e do seu comandante Solano de Almeida». Disse seguidamente o Comandante Reis a terminar a sua entrevista: «Recolhi depois ao hotel e não cheguei a ver a aterragem do avião dos TAIP com o comandante Solano de Almeida… E tive pena… Queria felicitá-lo pelo seu feito, pelo seu grande feito… A chegada do avião dos TAIP deu-se cerca de três horas depois da aterragem do nosso Vasco da Gama». A entrevista aqui parcialmente transcrita mostra que foi efectivamente o Tenente-Coronel Solano de Almeida o último comandante dos TAIP a descolar do aeroporto de Goa. Segundo informação de que dispomos o primeiro avião dos TAIP a aterrar em Goa fê-lo no dia 10 de Agosto de 1955, tendo aos comandos o então Major Solano de Almeida. É caso para dizer que «O último foi o primeiro». Em contacto recente, com o «Bill», este disse-me que também pensava ter sido o Solano de Almeida o último a descolar de Goa, julgando que ele era oriundo da Marinha, o que deu origem à confusão. Não posso terminar sem referir dois factos seguintes: - O Comandante Solano de Almeida era pai do 5/1954, o Eduardo, mas também do 188/1951, o Francisco, mais conhecido pelo Chico Solano que foi Comandante da 4ª no ano lectivo de 1956/1957. - Da consulta que fiz aos elementos que me foram facultados pelo 5 fiquei ainda a saber que a 8/7/1961 a TAP inaugurou uma carreira regular para Goa, com uma frequência quinzenal. Esta carreira acabou por ter uma duração efémera, de pouco mais de cinco meses.
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
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Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas
Tropas Pára-quedistas Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Nota prévia Guilherme Ferraz saiu do Colégio em 1947, desconhecendo-se onde se encontra actualmente. Pouco depois de deixar o serviço militar, no início da década de sessenta, trabalhou algum tempo na Rádio Clube de Angola. A certa altura casou em segundas núpcias e foi viver para a África do Sul, onde se presume que ainda se encontra. O artigo que se segue incluído no presente número da ZacatraZ é da autoria do Tenente-coronel pára-quedista reformado Albano Marques de Carvalho, na altura furriel miliciano como o Ferraz e seu camarada no curso de pára-quedismo que frequentaram com êxito em Alcantarilla (Espanha).
O
Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz incorporou-se no Destacamento Militar português que, em 1955, frequentou em Alcantarilla, Espanha, na “Escuela” da especialidade, o curso de pára-quedismo militar. Era Sargento Miliciano de Infantaria. Foi brevetado em Junho daquele ano e assumiu, assim, na ordem do historial da especialidade, o brevet de pára-quedista militar número vinte e oito.
O Ferraz cedo difundiu orgulhosamente, entre a malta, a sua condição genética de “ex-aluno do Colégio Militar”. E reforçava o histórico credencial com o facto de dois oficiais, dos mais antigos e carismáticos do contingente, serem seus contemporâneos no Colégio, ainda que academicamente mais avançados; eram, ao tempo, os tenentes Alcínio Ribeiro e Rafael Durão. Quando, nos saltos sobre o plinto e nos vôos para a lona exibia ufanoso a plasticidade que o caracterizava, dizia orgulhosamente: “isto são emblemas do Colégio, pá!” Alfacinha de gema; de gestos finórios; dançarino exímio nos contorcionismos do “twist” – então em voga – foram atributos que a malandragem mais rústica levou a crédito do Guilherme para, contraindo o nome próprio, promover o Ferraz a “Gui”. E ficou o “Gui” para os amigos, que afinal eram todos. Em Espanha, as exigências do curso gastavam o corpo durante o dia. Mas as noites cálidas de Múrcia – capital da zona da “Escuela” – eram apelativas e o “Gui” usava-
-as com assídua frequência. Mas, já ali, não havendo “ceias de borla”, o endividamento – então ainda responsável – era o instrumento de recurso. Só que, não sendo então usual transferi-lo para geração vindoura, cedo chegaria a hora do cumprimento. Foi assim que, na Carregueira – onde o Destacamento aquartelou, regressado de Espanha –, o “Gui” foi dos mais lestos em avançar decidido, quando, em rigorosa formatura, o Comandante de Companhia – Tenente Alcino Ribeiro – ordenou solenemente: “Quem deve dinheiro, emprestado em Espanha, ao nosso capitão Leite de Faria: um passo em frente!” Sem surpresa, mais de metade da Companhia avançou, o “Gui” incluido. Só que a malta afirmava que, se os passos em frente tivessem contagem proporcional aos volumes dos débitos, o “Gui” teria marchado da Carregueira até Tancos. Em Janeiro de 1956 o “Gui” incorporou-se no efectivo do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, então criado, e sedeado em Tancos.
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Em 1957, foi qualificado como monitor de pára-quedismo, após ter frequentado o primeiro Curso de Instrutor e Monitor realizado em Portugal, conjuntamente com mais onze graduados. Face à legislação então vigente, o Sargento Miliciano Ferraz assumiu o compromisso de cumprir três anos de serviço nas Tropas Pára-quedistas. O rigor do Inverno de Tancos reforçava as angústias do “Gui” que difundia para a malta: “Gosto muito de vocês e dos pára-quedistas todos, mas amo Lisboa; é tão quentinha”... Em 1959 o Sargento Ferraz incorporou o Corpo de Instrutores e Monitores de um Curso de Pára-quedismo. A sua liberdade para os esporádicos “saltos” a Lisboa, a meio da semana, ainda que com ida e regresso na mesma noite, passou a ter
durante algum tempo. Mas uma noite, ou porque o “salto” em Lisboa fosse mais prolongado, ou porque o tráfego o entupiu como argumentou, a coisa complicou-se e o monitor chegou atrasado naquela manhã fria de Tancos. É certo que com pouco atraso, mas como comparecer atrasado à formatura era excomunhão assegurada, optou por se quedar no quarto. Os alunos do monitor Ferraz foram divididos pelos monitores restantes e o sargento de dia à Companhia, que era também monitor do curso, aproveitou um dos intervalos e foi ao quarto do “Gui”; combinaram entre si que o sargento de dia informaria o “indomável” Director do curso de que o sargento Ferraz tinha ido à enfermaria com uma indisposição intestinal. E foi, de fac-
Embarcando no JU-52 (Fevereiro de 1957)
controlo mais exigente. De facto, a pontualidade no Batalhão assumia compromisso quase religioso, mas, no que se referia a instrução pára-quedista, os atrasos mediam-se em segundos para os instruendos e implicavam pecado mortal dificilmente expiável para Instrutor ou Monitor. A irresistível atracção alfacinha levou o “Gui” a apetrechar-se com uma moto das mais potentes e modernas da época. Era uma “BSA”; com ela, voava para Lisboa às quartas depois dos compromissos militares e regressava pela madrugada, a tempo de se fardar condignamente e apresentar-se, em horário não prorrogável, na formatura matinal do curso. E a coisa correu bem
to, à enfermaria e parece que ali mesmo tomou o medicamento para a “soltura”! Na formatura da tarde, o monitor Ferraz já compareceu e explicou-se ao Director de curso. O capitão Seixas alertou o Ferraz com a sua voz peculiar: “Oh Ferraz, o nosso Curso é sagrado! Devias ter vindo mesmo que morto!” Tudo parecia ter ficado por ali, com a crença do Director do curso na maleita do monitor. Criou-se porém um grande incidente complementar ao quadro faltoso do “Gui”. Foi assim: - o mesmo sargento de dia que tinha colaborado na justificação da falta, conhecendo o historial pecador do Ferraz, resolveu pregar-lhe um susto. Assim, informou-
-o, durante o último intervalo da tarde, que deveria comparecer no gabinete do Comandante do Batalhão, após a instrução. A intenção era seguir a trajectória do “Gui” rumo ao Comando e travá-lo, em tempo útil. Algo ocorreu que levou o sargento de dia e, simultaneamente monitor, a atrasar-se na obrigatória diligência de travagem. Resultado: 1) o sargento Ferraz apresentou-se ao Comandante; 2) o sargento de dia quedou-se nos anexos do Gabinete de Comando aguardando, ansioso, o primeiro resultado da gorda trapalhada. Quando o sargento Ferraz saiu do gabinete, trazia ordem para se apresentar ali novamente, mas acompanhado pelo “intriguista”. É evidente que o “Gui”, apertado pelo Comandante, teve que identificar a origem da ordem de comparência. Apresentados os dois “pecadores” no gabinete do desassossego, a única pergunta do Comandante foi: “Desde quando é que os nossos sargentos estão autorizados a envolver o Comandante em brincadeiras pessoais?” Aí, o intriguista, resolveu assumir a responsabilidade total do pecado. Parece que argumentou alguma coisa parecida com: “O meu Comandante sabe que é muito difícil algum graduado ser chamado ao gabinete e sair impune; pretendi prolongar um pouco o incómodo do Ferraz; atrasei-me, lamentavelmente, na prevista anulação da ordem de apresentação; sou o único responsável pelo sarilho”. O Comandante rezou um sermão curto mas assertivo e terminou ordenando: “Retirem-se; vou pensar e em breve terão conhecimento da minha decisão”. Milagrosamente, passaram os dias e não aconteceu nada. Mas a “soltura” do “Gui” agravou-se porque sempre pensou que a chamada ao gabinete estava conectada com a falta da manhã; e o coração do sargento de dia parece ter ficado com sequelas para a vida! No início de 1961, o sargento Ferraz foi mobilizado para Angola, incorporado nos primórdios do que seria o BCP 21. No final do mesmo ano passou à disponibilidade, terminado que foi o cumprimento de três anos de serviço, ligado à sua condição de monitor. O “Gui” deixou saudades em todos os camaradas. Albano Marques de Carvalho Tenente-Coronel Pára-quedista (R)
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Albano Marques de Carvalho integrou o Destacamento Militar Português que frequentou, em Alcantarilla (Espanha), o Curso de Pára-quedismo Militar, sendo posteriormente incorporado no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, aquartelado em Tancos, com a graduação de Sargento Miliciano. Frequentou, com aproveitamento, o primeiro Curso de Instrutor/Monitor, realizado em Portugal e, na Escola de Águeda, o Curso de Formação de Oficiais após o que foi promovido a Alferes. Passou à Reserva com a patente de Tenente-Coronel, tendo fundado, conjuntamente com o Tenente-Coronel Pára-quedista António Frias, a empresa PARAGRUP, Lda., para continuar a sonhar com pára-quedas!
LISTA DE ANTIGOS ALUNOS QUE SERVIRAM NAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Publicamos novamente a lista de Antigos Alunos que serviram nas Tropas Pára-quedistas, por terem sido adicionados novos nomes em falta na que foi publicada no número 183 da ZacatraZ.
Alcino Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930) - falecido Rafael Ferreira Durão (11/1941) – falecido Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Francisco Manuel Alcântara Mota Ferreira (307/1947) – Capitão-médico BCP 32 Luís Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira (385/1949) Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951) António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - falecido Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961) Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964) Nuno Rolando Fernandes Thomaz Ferreira (496/1967) António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) Vítor Manuel Batista Leitão (261/1968) António José de Rogado Serra (521/1968) José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) João Francisco Braga Marquilhas (132/1969) Nuno Miguel de Azevedo Mafra Guerra (171/1969) Pedro Luís da Câmara Santa Bárbara (512/1969) Luís António de Lima Tinoco Tovim (566/1969) Paulo Renato Faro Geada (574/1970) Nuno Maria Rocha e Melo de Castro (648/1970) José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho (407/1971) Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972) Daniel Henrique Andrade de Carvalho (661/1972) Luís Filipe Pinto Cavaleiro (445/1973) Jorge Manuel Campos de Lima Gonçalves Damásio (487/1973) Frederico Manuel Assoreira Almendra (604/1973) Luís Filipe da Silva Malheiro de Passos Ramos (3/1974) Boanerges Fernando Macedo Lobato de Faria (258/1974) José Eduardo Cacela Pesquinha da Silva (404/1974) Rui Manuel Silva Ribeiro Pedro (689/1974) José António Nobre Pires (646/1979) Hugo Ribeiro da Silva Pugsley Inocêncio (92/1991)
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Recordando Memórias de António da Costa Macedo
Elementos recolhidos e coligidos por
Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
Memórias de
António da Costa Macedo (306/1919)
Colégio Militar - 7º Ano do Curso de saída de 1926
N
o ano de 1991, António Alfredo Sanches de Castro da Costa Macedo (306/1919) escreveu um conjunto de textos relacionados com situações em que tomou parte e que intitulou “Pequenas Memórias de quanto me foi dado viver, como finalista do Colégio Militar e como 1º Sargento-Cadete nas 4 revoluções de 1926 a 1931”. O primeiro desses textos, “Uma aventura rocambolesca de um Curso do Colégio Militar”, foi publicado na Revista Nº 166 (Janeiro/ Março de 2007) e nele se descreviam os preparativos, a execução e as consequências da marcha do 7º ano de 1925/1926 com destino ao Quartel da Pontinha, com o objectivo de se juntar ao movimento revolucionário do 28 de Maio liderado pelo General Manuel de Oliveira Gomes da Costa (66/1873), mais tarde Marechal do Exército e Presidente da Republica. Neste número publica-se o segundo texto, relacionado com a “Revolução de 7 de Fevereiro de 1927”, igualmente muito interessante e que teve lugar passados escassos meses após a saída do Colégio do Curso de Finalistas de 1926. Foi agora possível obter a fotografia que ao lado se reproduz e que respeita ao 7º ano que viveu a marcha para a Pontinha, bem como a identificação dos seus componentes, e onde se encontram alguns dos “Meninos da Luz” que participaram activamente no 7 de Fevereiro.
Joaquim Augusto Pinto Guedes (4/1917), Gaudêncio António da Rosa Garcia (41/1919), António Joaquim Rodrigues Queirós (48/1917), António Ribeiro Tasso de Figueiredo (5471918), Alberto Henrique Ferreira Basto (109/1918), Carlos Rodrigues Salas (111/1918), José Augusto Junqueiro Gonçalves de Freitas (132/1917), Fernando Gualter Queiroga Chaves (135/1919), Homero de Oliveira Matos (140/1918), António Baptista Ribeiro (146/1918), Luís Soares de Oliveira (154/1918), Amândio Manuel Pascoal Rodrigues (156/1916), José Fortunato Paulino Brandão Freire Themudo (157/1920), Mário Jaime de Machado Faria (158/1916), Raul Ciriaco da Cunha (160/1917), José das Neves Pacheco (173/1919), Nelson de Magalhães Figueiredo (184/1919), António Rebelo Neves Dinis de Ayala (185/1918), Joaquim dos Santos Dias (195/1918), Fernando de Sousa Medeiros Júnior (226/1919), César Spencer de Moura Braz (233/1919), Óscar Spencer de Moura Braz (234/1917), Manuel Ferro Marçal (236/1920), João Campos Costa (242/1919), Cláudio Pedro de Brito Pinhol (259/1919), Jorge Carneiro de Sousa Dias (266/1919), Antonino Fernandes Pereira da Cruz (273/1919), António M. Domingos de Campos Vidal (276/1919), Rodrigo Augusto Bonfim da Costa (284/1918), Joaquim Policarpo Mendes Dias (291/1919), José de Matos Correia (304/1918), António Alfredo Sanches de Castro da Costa Macedo (306/1919), João dos Santos Pereira (317/1918), António Maria de Sousa Sarmento (325/1919), Humberto de Carvalho Simas (364/1916), Manuel Américo David (378/1918), Carlos Alberto da Costa Botelho (380/1916), Carlos Pereira (418/1917), Américo do Carvalhal Esmeraldo (421/1917), José Policarpo Mendes Dias (431/1918), Manuel Avelino Barreira Antunes (436/1918), António Vasco da Costa (438/1918), Ramiro da Silva Gueifão (439/1918), Amílcar Hermínio Rosas (441/1918), Carlos Alberto de Serpa Soares (442/1918), Américo Chamiço Dias Heitor (444/1918), Luís Marques (445/1919), Luís Coelho de Aguiar (446/1919), Josino Francisco Costa de Azevedo (447/1919), Joaquim Nunes da Silva Araújo (451/1919), José Sérgio Pessoa (extº/1921), Manuel Engrácio Mateus (extº/1924). Integram este Curso mas não se encontram na fotografia: Fernando de Sousa Medeiros Júnior (226/1919), Óscar Spencer Moura Braz (234/1917) e Cláudio Pedro de Brito Pinhol (259/1919).
Recordando Memórias de António da Costa Macedo
“Eu Próprio”, aquando da Revolução de 7 de Fevereiro de 1927
E
ncorajado pelas amáveis apreciações que me te em feito a propósito do relato da fuga do “7º ANO DO COLÉGIO MILITAR” aquando do Memorável Movimento Nacional de 28 de Maio de 1926, aqui estou de novo a fazer um teste da minha memória passados que são 64 anos sobre a sangrenta revolução de 7 de Fevereiro de 1927... Mas, para tanto, convém voltar ao ano anterior, referindo alguns antecedentes. Quando da minha saída do Colégio Militar, em Junho de 1926, assentei praça como 1º Sargento Cadete, no 3º Grupo do Regimento de Artilharia nº 3, então aquartelado na Calçada da Ajuda, do lado esquerdo de quem sobe, logo a seguir às traseiras do Palácio de Belém. Era uma unidade com soldados bem instruídos por uma equipe de bons oficiais de que faziam parte os tenentes Aníbal e José da Silveira Machado, mais conhecida pelos “Machadinhos”, e que havia sido substituída, logo a seguir ao 28 de Maio, por uma outra, comandada pelo Major D. Miguel Pereira Coutinho e que integrava o meu irmão Carlos, ao tempo ainda Alferes da arma de Artilharia e que veio a ser, após uma carreira brilhante, General da Força Aérea1. Fiquei a viver provisoriamente no próprio Quartel, ocupando um quarto que existia num primeiro andar mesmo á entrada da porta das armas, do lado direito. Encontrava-me ao serviço activo. A minha vida fazia-se no quartel. Só à tarde, depois do chamado “toque da ordem”, saía para dar um passeio a cavalo para as bandas da Serra de Monsanto, então escalvada e sem o arvoredo que Duarte Pacheco em boa hora veio a plantar-lhe e, após o jantar, nas poucas noites em que não havia ordem de vigilância ou “prevenção”, ia com os demais cadetes até á esplanada do Casino de Algés apreciar as variedades e beber cerveja ou “carapinhada” - uma 1
bebida então muito em voga e que desde há muito desapareceu para todo o sempre … Mas eis que a unidade recebeu ordem para se transferir para o quartel de Campolide. Foram dias de uma compreensível e extenuante azáfama. Primeiro, mudou-se tudo quanto era coisa. E, ao fim de uma semana, sendo eu, por sinal, o “sargento de dia” e, portanto, pau para toda a obra, lá marcharam as baterias em extensa fila, Rua Maria Pia acima, para se juntarem no amplo quartel da Rua de Artilharia Um às que de Santarém (sede do Regimento) vinham convergindo para o novo quartel do Regimento de Artilharia 3. Foi uma trabalheira! Para que tudo ficasse devidamente acomodado e para todo o sempre, não houve a costumada rendição (“parada da guarda”) mas sim um esforço ininterrupto para que tanto o pessoal, como o gado, como o armamento e os variadíssimos serviços ficassem devidamente instalados assegurando o normal funcionamento de um regimento que acabara de mudar de casa e que tinha no seu “oficial de dia” e, por inerência, na minha jovem pessoa, o recurso para a resolução dos mil e um problemas que muito naturalmente, se apresentavam. Foi realmente uma grande trabalheira!... Mas acabei por ser rendido e, então, che-
Carlos Mário Sanches de Castro da Costa Macedo (394/1916)
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gou a vez de tratar de mim próprio alugando um quarto no exterior do quartel e não muito longe da “Escola Politécnica”, já que se encontrava à vista a abertura do novo ano lectivo em que eu, sem qualquer especial vocação, me propusera frequentar as cadeiras necessárias para uma eventual admissão à Escola Naval. Na devida altura entrei de licença para estudos - uma óptima regalia que então tinham os saídos do Colégio Militar. Ganhava-se menos, é certo, mas o suficiente para ir estudando... Mas os cursos eram inteiramente livres, não havia que assinar presenças nem exames de frequência. Só havia exames finais. Mas esses ainda estavam longe, e o Parque Mayer estava perto... Na esperança de encontrar melhor ambiente de trabalho mudei-me para casa do meu muito amigo e condiscípulo do Colégio Militar António Maria de Sousa Sarmento (325/1919), na Rua Almeida e Sousa, 33, Cave Direita, onde com a sua irmã, a bondosa Dona Efigénia, acolhia alguns condiscípulos, todos eles cadetes, que os ajudavam ao sustento do agregado familiar. Era uma espécie de pequena “república” mas com um carácter muito intimo e muito amigo, pois todos éramos do curso do dono da casa. Ali me juntei ao António Baptista Ribeiro (146/1918), ao José de Matos Correia (304/1918), ao Joaquim dos Santos Dias (195/1918), ao Herberto de Carvalho Simas (364/1917) e ali compareciam amiúde, por residirem nas proximidades, o Carlos Rodrigues Salas (111/1918), o António Domingos de Campos Vidal (276/1919) e mais um ou outro de que não me recordo ao certo. A boa da Dona Efigénia, bastante mais velha que o António, era uma Senhora muito bem-educada que a todos tratava com igual amizade e despendendo um grande esforço, pois estávamos em regime de pensão completa e dispunha de poucas ajudas. As nossas camas estavam agrupadas pelos poucos quartos existentes, o ambiente de estudo: não era nenhum, mas ao jantar encontrávamo-nos todos e vivíamos numa sã camaradagem, como adiante se verá. Daquela rua de Campo de Ourique, fazía
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mos as idas e vindas a pé, via Santa Isabel, para a Escola Politécnica. Isso fazíamos nós, mas, como já disse, o ambiente de estudo não era nenhum … Entretanto a vida política ia-se processando. Haviam decorrido apenas alguns meses sobre o “28 DE MAIO”. O General Óscar Carmona era o Presidente do Ministério. Meu pai, Coronel Adriano da Costa Macedo, continuava em Castelo Branco desempenhando as funções de Governador Civil do Distrito em acumulação com as de Comandante do Regimento de Obuses de Campanha. No princípio do mês de Janeiro de 1927, o Ministro do Interior, Dr. Ribeiro Castanho, apresentou ao Presidente do Ministério o seu pedido de demissão. Estaria cansado? Carmona, sempre cortês e livre de compromissos políticos não lha negou, mas impôs-lhe a condição de ser ele próprio a indicar-lhe o seu substituto … Ribeiro Castanho, igualmente livre de tutelas políticas (que saudosa independência!...) ter-lhe-ia dito que havia reunido amiudadamente todos os governadores civis do país e que, dessas reuniões, se lhe deparara como o mais indicado para eventualmente o substituir, o Coronel Adriano da Costa Macedo… Daí que meu Pai, tendo aceitado o convite que de imediato lhe foi feito
pelo General Carmona, tenha assumido as altas funções de Ministro do Interior - o segundo posto na escala hierárquica de todo o Ministério - em 28 de Janeiro de 1927. Decorridos apenas cinco dias sobre o seu empossamento, e sem que por isso lhe possa ser assacada qualquer responsabilidade, rebentou a 3 de Fevereiro, no Porto, a primeira revolução levada a efeito pelos defensores do regime deposto pelo “28 de MAIO”. E a luta iniciou-se rijamente, logo se anunciando que em breves dias se tornaria extensiva á cidade de Lisboa… Como filho do novel Ministro da Interior, tomei sobre mim a obrigação moral de proceder em conformidade e assim, logo, anunciei aos meus companheiros de casa que passaria a andar permanentemente fardado para me apresentar sem tardança no meu regimento tão depressa se soubesse que a revolução se havia propagado à Capital. E os meus companheiros, como que a gozar-me, riram-se de mim e logo me disseram que não o fizesse porque “estes gajos, com excepção do teu Pai, não mereciam semelhante sacrifício”.... Os dias iam-se passando, sempre, na expectativa de uma possível vitória dos revoltosos. Na manhã do dia 7, quando em volta da mesa da casa de jantar todos estávamos tomando o café com leite para, como de costume, seguirmos para a Escola Politécnica, eis que surge a esperada notícia de que a revolução se propagara a Lisboa! Levantei-me de imediato. “Vou para Artilharia 3”, disse eu! – “Mas quê, sempre vais?”, perguntaram em uníssono. E perante a minha resposta categoricamente afirmativa, logo veio ao de cima a tradicional camaradagem do Colégio Militar, pois todos eles, sem se consultarem entre si, logo me pediram para esperar uns minutos, apenas o tempo suficiente para também se fardarem para me acompanharem participando do mesmo risco!... E, em seguida, saímos de tropel acompanhados das benzeduras, amigas, da boa da D. Efigénia que, junto da porta, de todos se ia despedindo. E foi de tal forma a espontaneidade de todos que, já em plena rua, é que o Herberto Simas e o Joaquim dos Santos Dias deram conta de que não pertencendo á Artilharia de
Campolide, mas a um dos regimentos de Cavalaria sediados na Calçada da Ajuda, teriam que caminhar no sentido oposto percorrendo, igualmente a pé, através das “Terras do Sabido” e da Rua Maria Pia o longo caminho que os levaria para as bandas de Belém … A manhã estava bonita. Nada de movimento nas ruas. “Cheirava”, sim, a qualquer coisa de anormal. Mas não se ouvia um tiro, nem se sabia quem eram os revoltosos nem em que ponto estariam a concentrar-se... Cosidos com as paredes, de passo estugado, percorremos a Rua Ferreira Borges toda para, evitando o Largo do Rato, alcançarmos as Amoreiras e atingirmos o quartel de Artilharia 3, na altura com os portões fechados e com as sentinelas reforçadas. Como íamos fardados, foi-nos facultada a entrada. No interior, junto da Porta das Armas, concentravam-se dezenas de soldados e sargentos de outras unidades que ali se haviam acolhido, como que a aguardar destino. Lá dentro, na ampla Parada, concentravam-se importantes efectivos, prontos a actuar, da Artilharia a Cavalo de Queluz, do Regimento de Cavalaria 4, de Santarém, e, muito naturalmente, do próprio Regimento de Artilharia 3. Em redor, um pesado silêncio e uma enervante expectativa. Vejo um oficial superior com a patente de Coronel. Era o D. Luís da Cunha Menezes prestigioso comandante de Cavalaria 7. A ele me dirijo fazendo a minha apresentação nos termos da ordenança e oferecendo-me, como voluntário, para quanto fosse necessário. Aceitou-a com uma rasgada continência e disse-me para aguardar, junta ao muro, mesmo defronte daquelas dezenas de homens que pareciam aguardar destino. Entretive-me a observá-los melhor. Havia de tudo. Nem faltavam polícias e sargentos músicos da banda de Caçadores 5 que, como os demais, se haviam acolhido naquele quartel na incerteza de poderem alcançar as respectivas unidades. O ambiente era de cortar à faca. Poucos minutos passados, o Coronel Cunha Menezes chama-me com um aceno e pergunta-me de longe: - “Oh Cadete,
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quer, como voluntário que é, encarregar-se de uma missão difícil?” Caí em mim, senti-me chamado à realidade e com uma certa preocupação, pois uma coisa é a gente oferecer-se, e outra, bem diferente, é ser-se aproveitado nos termos indicados… Mas respondi imediatamente que sim. E ele, visivelmente satisfeito, dirige-se a quantos ali se encontravam, perguntando-lhes: - “Só voluntários, quem quer acompanhar o nosso Cadete?” Todos, ou quase todos, disseram prontamente que sim. Passados momentos, com uma generosa distribuição de espingardas e munições, mas apenas com uma única metralhadora, lá me vi eu a sair o portão, e com apenas 17 anos de idade, a comandar umas duas ou três dezenas de sargentos e soldados, todos mais velhos do que eu, constituindo uma tropa-fandanga a quem havia sido cometida a missão de “contactar um inimigo” que se sabia existir, mas que ninguém sabia quem era nem onde se encontrava… E, sem quaisquer instruções que compensassem a minha inexperiência, fecharam os pesados portões nas nossas costas (que desagradável sensação!) e tudo ficou entregue à responsabilidade do mais jovem, que eu era. Mas havia que agir. Sem que estivéssemos formados e sem vozes de comando, mandei que me seguissem, em fila indiana, Rua de Artilharia Um abaixo, na direcção do Largo do Rato. A ordem foi religiosamente cumprida. Vinham atrás de mim, em silêncio, de dedo no gatilho, não fosse surgir alguma surpresa. Sentia-me com uma grande responsabilidade. E, sozinho, comecei a pensar que seria mais aconselhável não entrarmos frontalmente no Largo do Rato. Sendo assim, olhei para trás e fiz-lhes sinal de que viraríamos à direita, tomando a estreita Rua de João Penha. Neste momento, vindo não sei de onde, sinto-me alcançado pelo Frederico José Victória Pereira (354/1917), antigo companheiro do Colégio Militar, um tanto mais velho do que eu mas que por ser apertas 2º Sargento Cadete, se colocou às minhas ordens. Deu-me alento a sua presença. Com ele combinei subirmos à imponente edificação da Mãe de Agua para, lá do alto e um
tanto resguardados pelo parapeito envolvente, melhor observarmos as ruas, as janelas e os telhados do casaria circunjacente. Nunca ali havíamos entrado. Transposta, por arrombamento, a porta do nº 10 da dita rua e franqueada a pequena escada exterior, ficámos encantados com a majestosa cisterna. Cautelosamente, subimos, só uns tantos ao magnífico terraço. Meio curvados, aproximámo-nos do grosso parapeito circundante e, a uma voz por mim dada, todos fizemos menção de erguer a cabeça procurando ver bem na sua frente. Mas ainda os nossos olhos não se encontravam afeitos á luminosidade da manhã, e já incessantes rajadas de metralhadora varriam de lés a lés o supracitado parapeito!... De pronto nos agachamos e para espanto nosso, verificámos que, mesmo a meu lado, só o Victoria Pereira teria sido atingido, borbulhando-lhe, de entre os olhos, um fio de sangue que lhe empapava as feições e alastrava sobre a farda... Que pouca sorte! Foram “eles” (os marinheiros comandados por Agatão Lança) que nos viram primeiro e que abriram fogo com toda a força das suas metralhadoras. Referenciados, como estávamos, não podíamos ripostar de imediato. Descemos pois aos janelões da cisterna e, daí, não só abrimos intenso fogo sobre
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a barricada que eles estavam construindo na Rua da Escola Politécnica, mesmo defronte da Igreja de São Mamede, como também, com alça a 600 metros, sobre os elementos da Guarda Nacional Republicana do quartel da Estrela, que também se encontravam revoltados e que furtivamente, um a um, procuravam atravessar o Largo de Santa Isabel tendo como ponto de apoio um marco de correio que lhes servia de trampolim. Momentos passados, sentimos cadenciados tiros de artilharia. Eram de uma peça do Grupo a Cavalo, que o destemido Tenente João Montalvão e Silva (7/1910) tivera a coragem de transportar, a braços da respectiva guarnição, paro o alto da Calçada Bento da Rocha Cabral, daí atingindo em fogo directo e sem qualquer resguardo (desse material de 75, para se tornar mais ligeiro, haviam sido retirados os escudos e demais anteparas) a barricada que estava a ser construída no seu enfiamento. Dava gosto olhar para aqueles soldados recrutas. Encorajados pelo seu comandante que, bem à sua maneira se mantinha hirto e de apito na boca não obstante debaixo do intenso fogo dos bravos marinheiros e dos franco-atiradores (revolucionários civis) que se encarrapitavam pelos telhados dos prédios mais altos, esses soldados, alheios ao crepitar das balas, moviam-se “por tempos”, tal como haviam aprendido na recruta. Semelhante exemplo chegou até nós. E, assim, não obstante o medo, que nunca me abandonou, saímos pela porta nº 7 da dita Calçada, e deitámo-nos ao longo do passeio entre os números 3 e 5, bem cosidos com a parede, mesmo defronte das actuais instalações da bem antiga Papelaria Fernandes. Se bem que um tanto resguardada em relação às linhas de tiro provenientes dos marinheiros e dos revolucionários civis que os apoiavam, a minha posição era “incómoda”, e tê-la-ia abandonado, regressando á Mãe de Água, se não fora o inesquecível espectáculo de presenciar, bem de perto e sem perigo de maior, o duelo que se estabeleceu entre o corajoso Alferes de Caçadores 5, Carlos Martins do Ó (137 /1915) que, sentado no chão, tendo entre as pernas uma metralhadora Vickers, com as costas apoiadas num can
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deeiro da iluminação pública que então existia mesmo à entrada da Rua de São Francisco de Sales, alvejando com milhares de tiros a barricada dos marinheiros, e as duas ou três metralhadoras de que eles se serviam para defesa da mesma... A fuzilaria era ensurdecedora! Parei de fazer fogo, atraído pelo que estava presenciando. As balas da Marinha, ora subindo, ora descendo, varriam de lés-a-lés a Calçada. Às tantas, uma dessas balas corta a coluna do candeeiro e, este, dobrando-se sobre si mesmo, estilhaça os vidros da lanterna sobre a cabeça do Martins do Ó… Ele, furioso, continua a vomitar metralha. Mas, em breve, vejo-o tornar-se extremamente pálido enquanto um jorro de sangue lhe empapa os calções... Um tiro certeiro atingira-o no baixo-ventre! Havia que o retirar, mesmo debaixo de fogo. E houve quem o fizesse, arrastando-o para a Rua de São Francisco de Sales que, como perpendicular à Calçada, estava a coberto do fogo dos marinheiros. Mas havia que substitui-lo. Na embocadura dessa transversal estavam uma boa meia dúzia de oficiais, alguns dos quais ostentando os novos uniformes, mais vistosos, com carcelas de cor e botões dourados pelo lado de fora dos dolmans. Entre eles, figura modesta, um capitão, com uma desajeitada farda de mescla com que o CEP, oito anos atrás, havia feito, em França a 1ª Guerra Mundial… Pequeno de estatura, mas incomensurável de coragem, destaca-se dos seus camaradas, empurra com um pé meio farda de palha e, com um salto de peixe, oculta-se por de trás desse resguardo simbólico e, servindo-se da metralhadora que Martins do Ó abandonara, abre um fogo intenso, em rajadas compridas, que foram calando, uma a uma, as metralhadoras que o alvejavam! Grande oficial! Quanto eu gostaria de ter sabido o seu nome para, tantos anos passados, o poder indicar a meus netos, reproduzindo-o aqui!... Mas a luta continuava. A meu lado, ao longo da valeta da rua, deita-se outro valoroso combatente: o então alferes de Infantaria João Caeiro Carrasco. Senti-me envergonhado no meio de tal gente. Eu já sabia, por ouvir aos outros, quanto era destemido o Alferes Carrasco. Baixote
mas largo de ombros era o tipo exacto de um combatente desembaraçado e raivoso, tão raivoso que até espumava!... Mais exposto do que eu, que continuava cosido com a parede, descarregava sem parar os tambores da sua Lewis, indiferente às balas com que o alvejavam os marinheiros da barricada de São Mamede… Às tantas senti um arrepiante sopro. Era uma bala que lhe havia rasado o couro cabeludo sem contudo fazer sangue… Deixou a metralhadora, levantou-se de um salto e, com as pernas bem abertas, olhando em frente, bem na direcção daqueles que o alvejavam, fez-lhes três “manguitos” - aquilo a que as pessoas bem-educadas chamam Armas de São Francisco!... Verdadeira temeridade mas, valha a verdade, o “inimigo” era nobre, pois entre surpreendido e admirado de tanta valentia, suspendeu as suas rajadas e deu tempo a que de novo se deitasse, poupando-lhe a vida. E eu? Eu senti-me um novato, sem qualquer experiência e sem o destemor desses brilhantes oficiais. Com Martins do Ó ainda estive uma vez, de passagem, no Rocio, tendo-lhe contado, como testemunha privilegiara que fui, as sucessivas fases do empolgante “duelo” em que ele acabou por ser ferido e retirado em condições bem dramáticas. Ele ouviu-me com gosto e curiosidade, até porque de tudo se havia esquecido. Nunca mais o vi e presumo que já nos tenha deixado há muitos anos. Com Caeiro Carrasco encontrei-me muitas vezes, e sempre lhe ia dizendo que ele era a minha vergonha, de tão valente que se mostrou… Era um bom amigo. Não posso deixar de aqui recordar que quando por volta de 1962 ele se encontrava, em plena Guerra do Ultramar, nas altas funções ele General Comandante Militar de Moçambique, estando de visita a uma unidade militar de Tete, já na despedida interpelou o respectivo comandante sobre se ali se encontrava, como esposa do Alferes Lousada, uma filha do Engº Costa Macedo? E como o Coronel Costa Campos e Menezes lhe tenha respondido afirmativamente, atrasou de mais de uma hora a descolagem do seu avião, pois, segundo afirmou, não queria regressar à base sem cumprimentar a nossa Maria Margarida...
E assim sucedeu. Sempre de decisão rápida dirigiu-se à Messe de Oficiais onde a Maria Margarida estava dando banho à Paula e à Catarina, então ainda muito pequeninas, e com ela estabeleceu um diálogo muito objectivo perguntando-lhe se preferiria a transferência do marido para Lourenço Marques ou qualquer outra coisa, “tudo porque era muito amigo de seu pai, desde há cerca de quarenta e cinco anos, quando juntos combatemos no Largo do Rato…” Saudoso General Carrasco! Com que emoção aqui o recordo pela grande lição de valentia que me deu quando ele simples alferes, mas cheio de profissionalismo, e eu um simples cadete, saído do Colégio Militar há apenas meia dúzia de meses!... Mal empregada “lição” visto que ao cair da tarde, e em Fevereiro anoitece cedo, senti um grande alívio ao abandonar a minha posição ao longo do passeio para recomeçar o tiroteio, de dentro da linda cisterna, hoje tão apreciada pelos visitantes, mas que naquela altura era uma tormentosa caixa-de-ressonância em que alternavam os sons secos dos nossos disparos com os enervantes silvos das balas que vinham de longe e que, entrando pelos janelões, se iam, projectar contra as paredes que nos abrigavam. E aqui convém referir, aguardando futura explicação, que de entre elas algumas haviam com um impacto diferente, como se tratasse de um ovo estrelado sobre uma frigideira muito quente. A imagem não dirá nada, mas essas balas eram de mau agoiro... Anoitecera. Não havia iluminação pública, nem tão pouco dentro da cisterna. Estávamos fatigados e... famintos. Refeição digna desse nome só o jantar da véspera, em casa da boa da D. Efigénia, já que o pequeno-almoço não chegou a ser saboreado. O tiroteio abrandou, mas não muito. Atirava-se ao acaso, mais para afastar o medo e para prevenir um possível assalto de qualquer das partes… Não nos víamos uns aos outros, mas, ouvindo o tiroteio, começámos a perceber que, embora numa posição de ponta de lança sobre o Largo do Rato ( a que a imprensa veio a designar por “Reduto dos Cadetes”) começámos a perceber, dizia eu, que não estávamos sós. Da Rua de São
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Filipe de Nery, da Rua das Amoreiras e da Rua do Sol ao Rato, todas convergindo sobre o Largo desse nome, partia fuzilaria que se contrapunha à dos revoltosos, cujo núcleo principal se abrigava por detrás da barricada que os marinheiros haviam construído junto à Igreja de São Mamede, bem no enfiamento da nossa Calçada de Bento da Rocha Cabral. Isso dava-nos alento. Mas o que se estaria passando no Porto? E as nossas munições, que começavam a rarear, ou melhor, a escassear? E as nossas comunicações com a retaguarda, estariam asseguradas? Começa a amanhecer. Para nosso desgosto, deparamos com um corpo estatelado na rua, um pouco adiante de nós, que reconhecemos ser de um pobre surdo-mudo que, na véspera nos fazia sinais de uma das janelas e que pela madrugada terá pago caro a sua saída para a via pública. Quem o teria atingido? Lá longe, esvaía-se em sangue o bravo tenente Mariano Moreira Lopes, com as pernas atravessadas por balas que o tornaram “inválido” mas que não lhe diminuíram, nem o valor, nem o espírito cristão com que daí para a frente e até morrer, mandava dizer todos os anos, na Igreja dos Mártires, uma missa por alma de, quantos morreram, de ambos os lados, na sangrenta revolução de que foi sacrificada vitima. Bela Alma! E que lindas uvas ele nos passou a mandar da sua lavra de Vila Nova de Ourém, terra que ele amava e que muito lhe ficou devendo!... Nessa manhã, duas bondosas senhoras que moravam na vizinhança, sabendo da nossa carência, mandaram-nos uma pequena travessa com três postazinhas de peixe frito que lhes haviam sobrado do jantar da véspera. Pouco mais de uma espinha terá chegado a cada um, mas ficámos-lhes extremamente gratos... Às tantas, vindo da retaguarda, visita-nos um tenente bem fardado, de boa figura, com a sua espada de infantaria a pender-lhe da cintura... Era o Assis Gonçalves, que anos mais tarde veio a ser secretário do próprio Dr. Oliveira Salazar e Governador Civil, salvo o erro, de Vila Real de Trás-os-Montes. Ouviu-nos com atenção e prometeu-nos que tomaria providências. Mas os revoltosos estavam com um fogo
mais vivo que o nosso, denotando abundância de munições. Encorajados por essa circunstância, invadem os jardins do Palácio Palmela e atingem a parte sobranceira ao Chafariz do Largo do Rato, para através dos intervalos dos balaústres da bonita cerca melhor nos alvejarem. O duelo foi rápido. E, apesar da nossa escassez de munições, depressa os desalojámos, dando origem ao pitoresco dizer de que “os fizemos ir beber água ao Rato”… Mas o nosso moral continuava a baixar… De tal forma, que se voltaram para mim, como filho do Ministro do Interior, pedindo-me para dar uma saltada à retaguarda, ao Regimento de Artilharia 3, a pedir “munições” para as armas e para as nossas bocas famintas... Aceitei, mas como alcançar o quartel se estávamos numa posição tão avançada e as ruas estavam varridas de metralha?... Tive então a ideia de utilizar o próprio Aqueduto das Águas Livres, cujo acesso eu vislumbrara na véspera quando da mal sucedida subida ao terraço na companhia do desafortunado Victória Pereira e dos homens que eu comandava. E assim fiz. Larguei a minha arma, muni-me de uma “Savage”, subi as escadas e caminhei sozinho pela Galeria que, por cima dos arcos, atravessa a Rua das Amoreiras. Ia, como é costume dizer-se, “com o coração na boca”... Ouvia-se nitidamente o tiroteio do Rato, a contrastar com o silêncio e o isolamento do local. E se os revoltosos, vindos do lado oposto, já ali estivessem apostados, prontos para nos atacar? Era o meu receio, mas depressa se desfez. Três ou quatro centenas de metros andados, deparei com uma galeria para a direita que me conduziu a um tanque. Estava nem mais nem menos no jardim do Palacete dos Ulrich, situado no gaveto da Rua das Amoreiras para o início da Rua Silva Carvalho …. Vivalma. Respirei fundo. Saí para a rua e, cosido com as paredes, depressa atingi o meu quartel. Logo à entrada no meio de uma natural azáfama, sinto-me chamado pelo meu nome próprio. Era o Capitão Manuel Augusto da Silva Pestana - o “Pestaninha” que eu conhecia desde Vendas Novas, como aspirante, instruendo de meu Pai e que, por essa razão, desempenhava desde há dias as funções de seu secretário... Dis-
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se-lhe ao que ia, mas ele não descansou enquanto não acedi a ir ao encontro de meu Pai que, com todo o Governo, se encontrava reunido na Sala da Biblioteca, no 1º andar, logo a seguir à Porta das Armas do regimento. De nada serviu apontar-lhe o meu desalinho, já sem alguns botões, com a gola esgargalada e a barba por fazer… Um tanto envergonhado, entrei na sala. O fumo era intenso. Meu Pai, que nada sabia das minhas andanças, encaminhou-se de imediato para mim. O Presidente do Ministério, o General António Óscar Fragoso Carmona (24/1882) destacava-se, como sempre, pela sua elegante presença. Estava de pé, um tanto encostado à ampla mesa central, tendo na mão um prato de esmalte de onde, a pouco e pouco, ia comendo o grão com massa, já frio, que havia sido confeccionado, na véspera, nos caldeirões do Quartel, para quantos ali se encontravam... Correspondeu com um aceno á minha continência e quis saber novas do sector em que eu estava combatendo. Além de meu Pai, que tinha sob a sua tutela a PSP e a GNR, todos o rodeavam com excepção do Coronel Abílio Augusto Passos e Sousa (63/1893) que, como Ministro da Guerra, assumira o Comando das operações e se encontrava deslocado para a zona do Porto. Lá fui dando as novas que me pediam, e nunca mais esqueci os olhares atentos do Comandante Jaime Afreixo, Ministro da Marinha, do Comandante João Belo, Ministro das Colónias, do General Alves Pedrosa, Ministro da Agricultura, do Dr. Manuel Rodrigues, Ministro da Justiça, e de mais alguns outros ministros incluindo o do meu próprio Pai, que parecia denotar uma certa vaidade por ver o seu filho mais novo alvo da atenção de tão ilustres personagens… Saí implorando mantimentos e munições para podermos prosseguir a luta, enquanto o meu Pai, que me acompanhou até à porta, me foi dizendo que meu irmão Carlos seguira por via marítima para o Porto, numa expedição destinada a reforçar o combate aos revolucionários, e que minha Mãe se encontrava bem na Messe de Oficiais de Santa Clara, se bem que um tanto assustada por uma bala perdida lhe ter entrado pela janela do quarto
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alojando-se na parede que estava na sua frente… Cumprida a missão, retirei-me para a Mãe de Água utilizando, sozinho, mesmo caminho. Aí fui recebido com satisfação, satisfação essa que se transformou em alegria quando, passada uma meia hora, chegaram abundantes cunhetes de munições e pesadas sacas de “casqueiro” (assim se chamava ao tempo o pão que a Manutenção Militar distribuía por todo o Exército) e de chouriço. Foi um “ver se te avias”, e a fartura foi tanta que, como recompensa, até encheu a casa das bondosas senhoras que nos tinham oferecido as tais postazinhas de peixe frito. O nosso fogo tomou novo alento. E mais recrudesceu quando se viu lá em baixo, vinda da Rua Alexandre Herculano, uma peça do Grupo a Cavalo, corajosamente comandada pelo Paulino Magalhães Correia (423/1917), transportada a braço por uma não menos corajosa guarnição, e que entrava “em bateria” mesmo no enfiamento da Rua da Escola Politécnica para dali disparar, em tiro directo, sobre a barricada dos marinheiros!... Eles alvejavam-na com frenesi, mas fugiam espavoridos logo que a viam prestes a disparar. E disparava mesmo, levantando nuvens de estilhaços e poeira, enquanto a peça retirava para voltar a ser carregada. E a cena repetiu-se umas três vezes, até que os cepos dos travões foram cavalgados pelos rodados e a peça ficou imobilizada enquanto, desta vez, era a sua guarnição a abandoná-la. E ali ficou, sem fazer mal a ninguém, mas sempre batida por uma metralha que a esventrou, de tantas as balas que incidiram sobre o seu “reforço da bolada”... Valente Paulino, nessa altura já com o monóculo que sempre usou até que, como Coronel, se tornou um brilhante comandante do Regimento de Lanceiros 2. Como recordação, triste, desse segundo dia de luta, não quero deixar de referir a morte do “Cabo 9”, do Grupo a Cavalo. Era um moço valente, que engraçou connosco e que estava em todo o lado, sempre combatendo. Mas uma bala atingiu-lhe a cabeça, estatelando-o no pavimento. O António Sarmento, sempre solícito e corajoso, quis evacuá-lo puxando-o pelas platinas da farda ao mesmo tempo que, com os pulsos lhe amparava a cabeça. Mas os botões das platinas não aguentaram o esforço que se lhes exigia e, saltando, fizeram com que a cabeça caísse secamente
sobre o lajedo, com um afloramento dos miolos no orifício de entrada da bala a demonstrar ao abnegado António Sarmento que o seu socorrido já estava morto e que, de momento, nada mais havia a fazer-lhe. Todos tivemos pena do “Cabo 9”, e aqui fica uma homenagem á sua valentia. Todos os meus companheiros da Rua Almeida e Sousa venceram o medo e portaram-se à altura. Mas o António Sarmento ultrapassou-nos, correndo por mais de uma vez pela Calçada abaixo, com outros corajosos companheiros, para tomar posição junto a quiosque que ali existia. Só que as balas eram tantas que tiveram sempre de retroceder correndo, Calçada acima, ferozmente perseguidos pelo tiroteio da parte contrária!... Nunca me passaria pela cabeça tal fazer... E assim chegou a noite desse segundo dia de luta. Já não havia fome. O pão e o chouriço não mais faltaram. Mas estávamos exaustos. Tal como na véspera, no meio da escuridão o fogo abrandara; mas tal como na véspera as rajadas não deixavam de se fazer de parte a parte, sempre com o receio de que a parte contrária aproveitasse o negrume da noite para fazer uma incursão. As horas sucediam-se lentamente. Sentados ao acaso, pelo chão, bendizíamos o abrigo que nos oferecia, mais uma vez, a Cisterna da Mãe de Agua. De quando em vez, um pouco ao acaso, lá íamos a qualquer dos janelões para dar uns tiros de presença que só serviriam para afastar o nosso sono... Já não sei precisar quando. Mas julgo que ao amanhecer chega-nos a almejada notícia de que os revoltosos do Porto se tinham rendido e que o Ministro da Guerra vinha por aí abaixo, na direcção de Lisboa para com a sua prestigiosa presença intensificar o combate em que estávamos empenhados. Recebemos a notícia com júbilo, e recrudescemos o nosso tiroteio, tanto mais que já não tínhamos falta de munições. Talvez que devido à fadiga, de pouco me lembro das horas que se seguiram. Mas lembro-me de que os revoltosos de Lisboa também apresentaram a sua rendição, salvo o erro, a meio da tarde. Houve uma euforia! Iríamos, finalmente, poder dormir? Qual quê?!... Veio, sim, a ordem de avançarmos e fazer a ocupação do terreno até ao Bairro Alto, inclusive... Nova tarefa, que não deixava de ter os seus perigos porque a notícia da rendição não te-
ria chegado aos franco-atiradores que nos alvejavam dos telhados fronteiriços ou àqueles que, uma vez vencidos, se refugiariam, com as suas armas, aqui e ali e, muito principalmente, nos prostíbulos daquele bairro, onde não faltariam “bons corações” a ocultá-los. Avancei pois com os meus homens e, ao chegar ao Largo da Igreja de São Mamede, deparei com o inacreditável... Junto à primeira das árvores então ali existentes, em volta da respectiva caldeira, estavam dois ou três caixotes abertos com balas dum-dum - umas balas internacionalmente proibidas, as tais balas que produziam um impacto diferente contra os muros da nossa posição!.. Quem as teria levado para ali? Quem teria autorizado o seu emprego, maculando a honra da nossa gloriosa Marinha de Guerra numa luta entre irmãos? Agatão Lança – o grande amigo companheiro de curso de Américo Tomaz?... Creio bem que não, mas aqui fica mais uma prova de que, infelizmente, a luta entre irmãos atinge uma ferocidade para além de todas as marcas... E a chamada “ocupação” prosseguiu. Eram muitas as patrulhas nela empenhadas. O Bairro Alto foi passado a pente fino, mas com um nó na garganta, pois estávamos à mercê de quem quisesse vender cara a sua liberdade… Passava da meia-noite quando sempre a pé, exaustos e estropiados, regressámos á Mãe de Água. Ali encontrámos no meio de um grande desalinho, pois havia caixotes, armas e munições por todos os lados, os companheiros de tantas horas de luta e outras caras que não conhecíamos, mas que tinham lutado nas imediações. De entre estas, encarei com a de um oficial de ombros largos, de monóculo, que condoído com a minha fadiga me ofereceu parte do seu fardo de palha para dormirmos lado a lado. E dormimos profundamente, só acordando quando o dia clareou! Foi assim que conheci o Capitão Pessoa de Amorim. E foi por isso que ambos nos abraçávamos com satisfação, recordando o facto, sempre que nos encontrámos ao longo dos anos que se seguiram. Termino aqui, pois tudo o mais que dissesse já ultrapassaria o período que quis registar servindo-me do que ainda estou guardando na minha razoável memória. Numa compreensível homenagem ao Colé-
Recordando Há 70 anos atrás...
gio Militar e à idolatria que todos ali temos pelo número e pelo ano de entrada, não deixei de os citar, pela forma costumada, a seguir ao nome de quantos ali receberam a sua educação, e a “formação” que, como filho, me levou a entrar voluntariamente, pelo lado das forças leais, nesta sangrenta Revolu-
ção. Creio que deixei bem claro que não fui um herói mas que soube cumprir, isso sim, o meu dever de filho do recente Ministro do Interior, Coronel Adriano da Costa Macedo, que de cada vez recordo com mais saudade.
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António Alfredo Sanches de Castro da Costa Macedo 306/1919
Lisboa, 25 de Julho de 1991
Há 70 anos atrás …
Primeiro plano em baixo, da esquerda para a direita 295/1936 Rui Manuel Cabral Teles Palhinha ● 308/1936 José Pacheco Teixeira Gomes ● 209/1935 José Teixeira Sampaio ● 43/1937 Fernando Nuno Martins da Cunha ● 122/1937 Fernando Baltazar Tojeiro Falcão ● 386/1936 João António da Costa Crespo Ferreira Cerveira do Amaral ● 451/1935 Joaquim de Vilhena Ramires Ramos ● 154/1934 Arlindo Álvares Rodrigues Serrão ● 155/1934 Armando Augusto Correia de Oliveira ● 123/1937 Alberto Luís Neves do Amaral ● 152/1937 Leonel Raúl Tavares Belo Lobão Ferreira ● 355/1936 José Maria Aboim de Barros ● 110/1936 Luís Manuel de Freitas Teixeira Diniz ● 84/1935 Orlando Miguel da Cunha Costa Braga ● 190/1935 Rui Cordeiro de Oliveira Soares ● 33/1936 Horácio de Carvalho ● 63/1937 Cândido Ferreira Castelo Grande ● 340/1937 Jorge de Melo Gomes
Em pé, da esquerda para a direita 263/1935 Francisco Coelho de Moura ● 320/1936 João Baptista da Costa Catarino ● 213/1936 Jorge António Nugent Nogueira Soares ● 121/1936 Eduardo de Matos Correia ● 218/1936 Vasco de Almeida Valdez Bandeira ● 403/1935 Francisco Manuel de Carvalho Rodrigues ● 257/1936 Afonso Eduardo de Melo Lopes Mateus ● 59/1936 Alexandre de Matos Fernandes Duarte Silva ● 225/1936 António Mota Marques Vicente da Silva ● 288/1934 António Frederico de Araújo de Serpa ● 234/1935 Romeu Alves Martins ● 265/1937 José Alvarenga de Sousa Horta Correia Martins ● 302/1936 José Luís Almiro Canelhas ● 2/1936 Luís Melo de Oliveira ● 188/1936 Eugénio Maximiliano Ferreira de Sequeira Varejão ● 14/1936 Luís Fernando da Câmara do Vale Valente ● 18/1937 João Maria Campeão Patacho ● 88/1936 Vasco Emanuel de Noronha e Ávila Madruga ● 66/1939 Nuno Humberto Gama Lobo Victória ● 282/1936 Manuel Primo de Brito Limpo Serra ● 332/1937 Júlio César Pereira Marques Cavaleiro ● 166/1937 Sérgio Mário Couto Alexandrino ● 193/1937 José Alberto dos Santos Teixeira ● 163/1937 António Ribeiro Farinha ● 277/1935 Carlos Alberto Raposo de Mendonça ● 267/1937 Francisco José Domingues Canhão ● 105/1936 Fernando Xavier Vidigal da Costa Cascais ● Coronel Carlos Azevedo de Chaby ● Capitão Henri Dumont Nesbit ● 198/1937 Alfredo Fernandes de Oliveira ● 210/1935 António de Sequeira Varejão Castelo Branco ● 315/1936 Eduardo de Matos Coimbra ● 313/1936 Tiago do Nascimento de Sousa Cunha ● 327/1937 José da Paz Olímpio ● 159/1936 Álvaro Santiago Ponce Dentinho ● 51/1934 José Rafael Martins da Cunha ● 119/1934 Francisco Garcia da Romana Ribeiro ● 112/1936 José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira ● 116/1936 Sérgio Marques da Silva Moreira ● 196/1936 Luís Manuel Pereira de Sampaio Quintino Rogado ● 153/1937 Júlio António Jacobety Santos Vieira ● 171/1936 Jorge Manuel Gago da Câmara Rilley da Mota Faria ● 95/1939 Carlos Manuel Serra Carvalho Dias
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram Carlos Maria Bastos Carreiras (249/1931) Oficial do Exército (Coronel) - Engenheiro Militar Comandante do Batalhão em 1936/1937 Nasceu a 10 de Dezembro de 1919 - Faleceu a 11 de Fevereiro de 2012
Mais tarde, concluiu o Curso de Altos Comandos no Instituto de Altos Estudos Militares. Foi condecorado com as Medalhas de Mérito Militar de 2ª e 3ª Classes, Graus de Oficial de Cavaleiro da Ordem Militar de Aviz; Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e medalhas comemorativas de Campanha de Angola e Moçambique. Em nome de todos os Antigos Alunos do Colégio Militar, a AAACM presta uma homenagem sincera a este insigne Menino da Luz e apresenta à sua Família sentidas condolências. Paz à sua alma. A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
N
asceu em Elvas a 10 de Dezembro de 1919 e faleceu no passado dia 11 de Fevereiro em Abrantes. Filho de João António Carreiras e de Maria Joana Bastos Pinto, casou-se com a Exma. Senhora D. Maria Amélia de Almada Albuquerque Bobela Motta em 25 de Setembro de 1956, tendo tido seis filhos. Frequentou o Colégio Militar de 1931 a 1937, tendo sido Comandante de Batalhão. Prestou serviço militar nos Açores, Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique. De 1940 a 1944 frequentou a Escola do Exército e prestou serviço na Base Aérea das Lajes de 1946 a 1949. Trabalhou no Campo da Instrução Militar de Santa Margarida desde o seu início tendo aqui comandado o Batalhão de Engenharia 3. Foi Director das Obras de Construção dos Novos Aquartelamentos da Guiné e Cabo Verde de 1955 a 1957. Comandou a Escola Prática de Engenharia de 1968 a 1970 e a Engenharia de Moçambique de 1970 a 1972. Foi Governador da Província do Uíge em Angola em 1974/1975.
Deixou-nos agora um dos poucos que acabaram o curso no Colégio em 1937, vai fazer 75 anos. Entrei com ele para o 2º ano em 1931, já lá vão 80, e da meia dúzia que resta não posso deixar de lhe prestar a minha homenagem, além de tudo o mais por ter sido o Comandante de Batalhão do meu Curso. Não o faço por obrigação mas com o máximo empenho. Apenas se dá a circunstância de só ter estado com ele na 1ª Companhia, onde os contactos têm ainda muito de infantil e nunca termos pertencido à mesma turma. O Carreiras marcou logo de entrada a sua posição como o melhor aluno do curso e
nunca mais a largou. Foi, além disso, o único do Curso a quem foi atribuída a medalha de aplicação literária, e em vários anos. Era um excelente camarada, bom colega como estudante, senhor do seu valor, mas sem sobranceria nem soberba, comunicativo e aprazível, educado no trato. Concluído o Curso, de preparatórios para Engenharia, ele militar e eu civil, na Faculdade de Ciências, em que fomos colegas, só voltei a estar com ele em encontros no Colégio. O último foi na comemoração dos 70 anos de saída, em 2007. Uma sua filha acompanhou-o lá e entregou-o aos meus cuidados, atendendo à doença que o deficitava e que o levava a persistir em perguntar com insistência, quem e quando o iria buscar. Apesar disso, com a minha admiração, foi capaz de fazer a apresentação de cumprimentos ao Exmo. Director. Aproveito para apresentar os meus cumprimentos e o meu mais sentido pezar à sua viúva e à sua filha, na esperança de o vir a encontrar novamente, mas desta vez lá no assento etéreo onde ele certamente subiu. João António Ferreira Lamas 75/1931
O Presidente da República Marechal António Óscar de Fragoso Carmona (24/1882) a ser cumprimentado pelo Comandante do Batalhão Carlos Maria Bastos Carreiras (249/1931)
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Recordando Os que nos deixaram
Carlos Eugénio Soares de Oliveira de Chaby (49/1940) Engenheiro Civil - Gestor Comandante do Batalhão em 1944/1945 Nasceu a 25 de Outubro de 1927 - Faleceu a 7 de Janeiro de 2012
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entrada para o Colégio Militar constituiu no seu caso um enorme desafio colocado a um jovem adolescente. Seu pai, Carlos Cruz de Chaby, tinha sido Comandante do Batalhão em 1915-16 e obtivera todas as medalhas de aproveitamento nos estudos e uma de ouro, em educação física. Foi assim o primeiro colegial a cumprir as exigências do Regulamento da Medalha de Ouro de Procedimento Exemplar, instituída em 1908, pelo Rei D. Manuel II, para galardoar os bons alunos, bem comportados e aplicados nas actividades gimnodesportivas. Mens sana in corpore sano. Carlos filho propunha-se repetir a notável proeza de seu pai, embora partindo em desvantagem, por ter entrado para o terceiro ano. Durante todo o curso, não se permitiu a si próprio um minuto de descanso. Aplicação total, tanto nos estudos como nos desportos. Se, no campo dos estudos (que no CM se chama aproveitamento literário), a meta, em mérito absoluto, (média de 16) era para ele facilmente alcançável, já no desporto, o mérito era relativo. Teria que ser ou o melhor nos anos sem exame ou um dos dois melhores nos anos de exame. Por outras palavras, teria que superar a espantosa e nunca antes vista qualidade ginástica do 120, Gabriel Dores e a aptidão atlética do 44, Pedro Vieira da Fonseca (campeão interescolar do salto à vara e futuro fute1
bolista [e depois médico] do SL Benfica), do 17, Ricardo Ferreira Durão, (futuro recordista nacional de 110 metros barreiras), do seu rival 283, Carlos Santos André (futuro campeão nacional da mesma modalidade),do 339, António Jonet (que, juntamente com Ricardo, representaria Portugal nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, 1952, modalidade do Pentatlo Moderno) e do 106, José Ramires Ramos (veloz alentejano, campeão interescolar de 60 metros e de salto em comprimento), para não falar de outros de não menor valimento. No hipismo, teria que se bater com o 43, Fernando Cunha, um ribatejano que “tinha nascido em cima do cavalo” e, na esgrima, com o 325, Fadié Santos, filho e discípulo de um Mestre da modalidade. Enfim, era um naipe de se lhe tirar o chapéu e que valeu ao curso 1938-45 a fama do mais atlético de sempre (ou seja, até aí). Carlos de Chaby conseguiu a medalha de prata no 6º ano (então, ano de exame). Fê-lo pela via do eclectismo. Mercê de muito trabalho foi adquirindo qualidade em todos os campos. No hipismo, ganhou a Prova de Discípulos do Concurso Internacional de Lisboa, em 1944; no voleibol, era o melhor; na ginástica, tornou-se membro da classe especial; no atletismo, participou nos Interescolares e, no futebol, fez parte da equipe da sua turma. Também se revelou bom esgrimista. Nas provas finais
para a medalha marcou pontos em todas as especialidades e o apuramento deu-lhe o segundo lugar, atrás de Vieira da Fonseca. Foi assim o terceiro colegial1 a receber o prémio instituído pela Casa Real, nos primeiros 37 anos da sua vigência. Carlos de Chaby saiu fortalecido do exercício. Tornou-se auto confiante (aliás, virtude corrente entre antigos alunos), disciplinado e disciplinador, organizado e organizador e assim se comportaria na sua vida adulta. O estilo daqui resultante não o tornou popular em Portugal, sobretudo depois do 25 de Abril, mas viria a merecer-lhe respeito e alto apreço nos meios financeiros belgas, condição que lhe permitiu desempenhar no último quartel da sua vida papel de relevo no fortalecimento do elo europeu do nosso sistema bancário. Para todos nós do curso, ele foi o amigo que ajudou a manter-nos unidos e nos proporcionou uma referência útil na orientação de nossas vidas. Uma característica sua que todos reconhecemos é que, onde quer que estivesse ou passasse, a ninguém deixava indiferente O Curso de 1938/1945
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arlos Eugénio Soares de Oliveira de Chaby nasceu em Tomar, a 25 de Outubro de 1927. Descendente de uma família de militares, era filho do Brigadeiro Carlos Afonso de Azevedo Cruz de Chaby e de D. Maria Eugénia Soares de Oliveira, e neto do General Domingos de Oliveira, que foi Primeiro-ministro de Portugal de 1930 a 1932 e que exerceu as funções de Governador Militar de Lisboa em dois períodos, de 1928 a 1930 e de 1934 a 1938. Fez a instrução primária no Colégio Infante de Sagres em Lisboa, tendo entrado para o Colégio Militar em 1940 com o número 49, onde foi um aluno distintíssimo, e de cujo Batalhão de Alunos foi Comandante em 1944/1945. Entrou para o Instituto Superior Técnico em 1946, onde também se distinguiu e se formou com elevadas classificações, tendo sido convidado para assistente da cadeira
O segundo foi Rui Molarinho Carmo, 95/1927, que seguiu a Marinha e terminou a sua carreira como Contra-Almirante, Comandante Naval do Continente.
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Recordando Os que nos deixaram
3 de Março de 1945, à saída da Igreja de São Domingos. Carlos de Chaby (Comandante do Batalhão), Gabriel Dores (Ajudante do Batalhão) e Vieira da Fonseca (Comandante da 3ª Companhia)
de Desenho. Mais tarde, acrescentaria ao seu curriculum académico algumas cadeiras de Ciências Económicas. Ainda como aluno, foi Presidente da Associação dos Estudantes do IST, tendo como Vice-Presidente e seu colaborador directo outro antigo aluno do CM, o José Joaquim Fragoso (26/1938). Em 16 de Outubro de 1952, casou-se com Dona Maria Beatriz de Sequeira Pereira Coutinho. Terminado o curso no Instituto Superior Técnico (1951/52), o Carlos Chaby foi admitido na Caixa Geral dos Depósitos, onde teve uma carreira brilhante, ascendendo
rapidamente a Director por mérito próprio. Mas, ao fim de alguns anos (1964/65) a falta de perspectivas profissionais na CGD, que era então uma entidade pública burocratizada e politicamente condicionada, levou-o a optar pelo sector privado. Ingressou então como Administrador no Grupo da Companhia Previdente, constituído por diversas empresas industriais e comerciais, em estagnação. Dedicou-se à sua recuperação e modernização que levou a bom termo. Nesse enquadramento, face ao sucesso da sua actuação, foi convidado para traba-
Manuel Maria Myre Dores (118/1941) Engenheiro Civil Comandante do Batalhão em 1945/1946 Nasceu a 5 de Outubro de 1928 - Faleceu a 24 de Dezembro de 2011
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24 de Dezembro de 2011, em São Paulo, Brasil, com 83 anos faleceu o Manuel. Quando entrou para o Colégio já dois irmãos o tinham feito antes. O João (293/1930), engenheiro, já falecido. O Henrique (32/1936) coronel de cavalaria e do Estado-Maior. Depois do Manuel vieram mais dois irmãos. O José (47/1942) que foi comandante do Batalhão em 1949, engenheiro e o Armando (118/1946) ajudante do Batalhão em 1953, psicólogo. A ligação do Manuel ao Colégio era muito forte. Foi um aluno excelente, colega exemplar, comandante do Batalhão em 1945/1946. Era um atleta de competição, representou e ganhou muitas provas e medalhas para o Colégio. A camaradagem, entreajuda e as amizades eram praticadas e feitas com entusiasmo e autenticas e por isso fortaleceram-se e resistiram aos tempos e às circunstâncias.
lhar no Banco Espírito Santo, como Administrador, retomando assim plenamente a carreira bancária. Em 1975 a situação política obrigou-o a emigrar para Espanha. Em Madrid, preparou a compra do Gesbank, tendo trabalhado depois, na Bélgica, na Société Génerale de Banque, o maior banco belga e um dos expoentes bancários da Comunidade Europeia. Em 1980, voltou a Portugal, onde abriria, dois anos mais tarde, o escritório de representação do mesmo banco. Em 1985, com a abertura da banca à iniciativa privada, o escritório de representação, sob a direcção de Carlos de Chaby, assumiu a actividade bancária completa com o estatuto de Sucursal da Génerale de Bruxelas. Chaby passou então a Presidente do Comité de Gerência. Carlos de Chaby foi um gestor competente e qualificado, reconhecido como tal pelos seus pares. Era bom conversador, dotado de notável inteligência e espírito de humor. Ele e a sua mulher e outros casais católicos trouxeram para Portugal o Movimento das Equipas de Nossa Senhora (END). O Carlos de Chaby deixou-nos em 7 de Janeiro de 2012, o dia em que celebraria o nascimento de seu pai. Carlos não morreu, viverá na memória de todos os que o conheceram e que com ele privaram. João Sanches de Baêna
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Terminado o 7º ano do Colégio, foi para o Técnico (IST), como aliás um número significativo de alunos, onde se licenciou em engenharia civil. O Pai do Manuel era oficial do Exército, tinha servido em Angola e havia portanto uma atracção pelo território. O João (293) desempenhava funções nas “Obras Públicas” no Huambo. E o Manuel, acabado o curso e o serviço militar, casa e vai para Angola, trabalha com o João e posteriormente nas “Construções Técnicas” na construção da Empresa de Celulose do Alto da Catumbela. Em 1960 o Manuel, por razões que tiveram a ver com o seu posicionamento cívico face às circunstâncias da época e ajudado pelo irmão José (47) que também tinha ido para Angola, decide ir para o Brasil com a família e começar uma nova vida. Em São Paulo exerce a profissão de engenheiro, com sucesso, trabalhando em empresas de engenharia e colaborando como consultor em várias áreas de activi-
dade, criando assim uma valiosa rede de conhecimentos e amizade. Entretanto toma também a nacionalidade brasileira. Neste período o contacto com Portugal foi naturalmente mais ténue. Mas em 1970 a CUF vai iniciar os seus investimentos no mercado brasileiro e o Manuel é chamado para ser um dos pontos de apoio e contacto exploratórios nesta iniciativa. A partir daqui, o contacto com amigos e colegas portugueses é retomado, pois muitos “quadros” portugueses da mesma geração (que hoje estão entre 65/80 anos) que se tinham formado sobretudo no “Técnico” são envolvidos neste projecto. Foi um período que todos os envolvidos recordam com orgulho e alegria. Após o 25Abril1974 o Manuel colabora no Brasil com a ProFabril (que foi da CUF) e com empresas do IPE e as viagens a Portugal tornam-se regulares. Ninguém que tenha contactado o Manuel nas estadias ou viagens ao Brasil, durante o
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período incerto que vivemos em 1974/1976, pode esquecer a sua ajuda e interesse, em circunstâncias algumas vezes bem difíceis. As estadias do Manuel em Lisboa eram aproveitadas para encontrar todos os amigos e colegas. Havia sempre reuniões e convívios, onde se recordava o passado, se discutia o presente e se perspectivava o futuro, sempre com boa disposição. O Manuel sempre manteve uma grande curiosidade intelectual e gostava duma boa discussão e duma boa gargalhada. Depois de reformado ainda encontrou tempo e interesse para frequentar a Universidade para estudar assuntos sociais que sempre lhe interessaram. Para a Família (mulher, filhas, irmãos e irmã – a Teca – que os colegas dos irmãos bem conhecem) vão condolências e amizade. Foi um grande amigo que não esquecemos Pedro José Rodrigues Pires de Miranda 372/1940
José Carlos de Castro Arantes e Oliveira (182/1944) Engenheiro Civil - Empresário Nasceu a 19 de Novembro de 1934 - Faleceu a 25 de Novembro de 2011
João Pedro Marques Ferreira da Silva (289/1948) Oficial da Armada – Capitão-Tenente Nasceu a 24 de Março de 1937 - Faleceu a 26 de Dezembro de 2011
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ais um dos nossos que perdemos de vista para lá do horizonte da Vida! Falo do João Pedro, que em Outubro de 1948 entrou para o Colégio como rata do 2º ano, juntamente comigo e mais uns sete outros miúdos. Já o conhecia de anos atrás, dos salões do Ginásio Clube Português e do areal imenso das praias do Dragão Vermelho e do Paraíso, na Costa de Caparica. À entrada no Colégio, o João Pedro surgiu risonho e bem-disposto, alto e forte para a idade, com uns caracóis que a Mãe Clarisse tanto suspirou ao vê-los tombar em cascata com as tesouradas barbeirescas do Ramalho. No Colégio o João Pedro progrediu sempre sem problemas em termos de aproveitamento, evidenciando propensão para as ciências exactas a par de
um acentuado gosto por línguas estrangeiras: era fluente em inglês, tinha sólidas bases de francês e, ainda, desembaraçava-se razoavelmente em alemão. Era um atleta muito competitivo, dentro e fora do Colégio. Jogava futebol, à baliza ou como defesa, leal mas duro como uma rocha, e revelou-se um ousado cavaleiro e ágil atirador de esgrima. Nas férias de Verão caparicanas, praticava ténis, fazia raides de bicicleta e era guarda-redes de uma famosa (à época, entre a juventude banhista) equipa de hóquei em patins, os Pirilampos, cujo grande rival eram os Diabinhos da vizinha zona de Santo António. No 7.º ano o João Pedro foi graduado em comandante de secção (1 “estrela”, ou sorja) da 2ª Companhia. Concluído o curso, foi um
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dos vinte e cinco “Meninos da Luz” finalistas que frequentaram o Curso Geral Preparatório de 1954-1955 da Escola do Exército, na Amadora, após o que, ele e mais seis do nosso curso ingressámos na Escola Naval. Para o João Pedro e todos nós foram bonançosos os tempos de cadetes de marinha. Embora exigentes em termos de aplicação e estudo das matérias escolares, tínhamos ao nosso dispor um vasto leque de actividades desportivas, e aqui o João Pedro notabilizou-se como titular indiscutível da baliza da equipa de futebol (do curso e, subsequentemente, da própria Escola), vencedor do torneio interno de sabre e membro das equipas de natação e remo que representaram, quer a Escola Naval, quer o NE Sagres durante viagens de instrução de cadetes e guardas-marinhas. Deixada a Alma Mater do Alfeite e iniciada assim a carreira de oficial da Armada, o João Pedro cedo optou por especializar-se em Electrotecnia, evidenciando grande destreza e capacidade como chefe de serviço a bordo e em terra, designadamente no âmbito oficinal do Arsenal do Alfeite. Entretanto, como quase todos
nós do seu curso, o João Pedro cumpriu duas longas comissões de embarque no Ultramar: de 1959 a 1961, a bordo de uma fragata, nas águas de Moçambique e durante a qual veio a conhecer a Luísa que se tornou depois sua Mulher e extremosa mãe das suas cinco filhas; e, entre 1964-1966, no NRP Bartolomeu Dias, de novo em Moçambique e já em plena situação de campanha. De regresso à Metrópole, o João Pedro optou por passar à reserva e iniciar novas actividades profissionais fora da Marinha, dedicando-se mais tarde a trabalhos da esfera empresarial. Com o descalabro económico de Portugal decorrente dos desvarios do verão quente de 1975 o João Pedro infelizmente foi ficando cada vez mais sem condições para manter a sua firma, que acabou ser forçado a alienar, passando depois a exercer acções de consultoria técnica de diversa natureza. Há uns cinco, seis anos a sua saúde, até então rija e imutável, começou a fraquejar e a deteriorar-se. Partilhei ainda com ele e com um velho amigo comum dos tempos dos Pirilampos uma série de almoços mensais e passeatas a três à Capari-
ca, Setúbal, Sesimbra e Praia Grande, que a dada altura tivemos de por fim. E fui quem o levou de carro ao que veio a ser o seu último almoço anual do curso de Marinha, no Clube Militar Naval, em Lisboa. Neste dia de profundíssima tristeza, recordo, João Pedro, todos os momentos da nossa grande amizade sem hiatos e sem mácula, o teu espírito bondoso e conciliador, a tua Fé profunda e inquebrantável, o teu exemplo como chefe de Família, marido e pai; e a tua estóica aceitação do sofrimento nos dias finais do combate à doença que te vitimou. Todos os que te conheceram e contigo viveram tantas horas boas e más, João Pedro, no Colégio Militar, na Marinha, na Família, em Portugal e em toda a parte por onde os teus passos na vida te levaram, nunca te irão esquecer - e sabem que lá no Altíssimo sorris para nós com a ternura dos eleitos para a corte do Senhor. Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal 145/1948 E todos os membros do Curso 1947-1954 do Colégio Militar e do Curso “D. Duarte de Almeida” da Escola Naval.
Vasco Luís Pereira Esteves Ramires (198/1949) Oficial do Exército - Coronel de Cavalaria Nasceu a 10 de Julho de 1939 - Faleceu a 21 de Janeiro de 2012
V
asco. Deixaste-nos. Fisicamente partiste. Mas continuas connosco e lembro agora os diálogos que mantivemos nos últimos anos. Encontrávamo-nos raramente, mas esses diálogos sucediam como um ritual. Desfolhavas recordações que a minha memória não continha. Lembravas vivências. E isto
era intercalado com silêncios. Longos silêncios que se interrompiam com outras recordações. Viajavas no tempo e fixavas-te em espaços variados onde cabiam cavalos e pessoas. “O teu pai teve um cavalo…” E eu que julgava que os tinha conhecido era surpreendido com os detalhes. “A minha filha fez uma prova…” E eu escutava atento o falar e os silêncios. E só de tempos a tempos contribuía, acanhado, para o nosso diálogo. No teu falar e nos teus silêncios, na variedade dos lugares e do tempo, o tema central era o cavalo. E é bem natural que assim fosse. Numa época em que os cavaleiros militares iam desaparecendo, com o entusiasmo do teu pai, com a tua rara intuição para a equitação de obstáculos, foste um notável cavaleiro internacional e olímpico. A tua modéstia e simplicidade chocavam-se com a notoriedade que todos te reconheciam. Mas para ti o herói era sempre o cavalo e tu apenas o seu companheiro. Mas, para além de tudo isto, havia os tem-
pos que passámos juntos no Colégio; a nossa amizade e camaradagem sólida e duradoura; a tua generosidade onde coube emprestares-me um cavalo para eu levar a Barcelona; as notícias que sempre ia tendo de ti, em África… um desfilar de anos, de acontecimentos, uma amizade nunca gasta, e até a dificuldade dos diálogos dos últimos anos. Aí notava a tua doença, admirava a tua prodigiosa memória, respeitava as tuas ausências, destacava o teu respeito e amor pelos cavalos, a tua benevolência para com as outras pessoas, a tua amizade para com os teus amigos. Estes últimos diálogos foram de certo modo dolorosos para mim, por já não seres o Vasco de outrora, por estar mais longe de ti do que gostaria. Mas, mesmo assim, na minha saudade, para além da saudade da tua presença, vou ter até saudade dos teus silêncios. Descansa em paz, amigo. António Eduardo Queiroz Martins Barrento 40/1948
Recordando Os que nos deixaram
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Pedro Alberto Louzada Abrantes (181/1950) Médico Oftalmologista Nasceu a 27 de Junho de 1938 - Faleceu a 8 de Dezembro de 2011
O
nosso caro Pedro, querido Amigo, deixou-nos há pouco tempo. A sua partida já não foi surpreendente, talvez até já quase fosse desejada, como alívio do que foram os seus últimos dois ou três meses nesta vida. Deixou-nos uma imensa saudade; a sua jovialidade, o seu humor, que tanto nos divertiam; mas, acima de tudo, a sua Amizade incondicional, a sua eterna Lealdade, o espírito fraterno e solidário com todos, amigos ou não, deixam-nos um vazio tremendo. E chega a surpreender-nos que alguém, como de facto aconteceu, nos pergunte: “Pedro Abrantes? Quem era?” Para nós, esta pergunta é quase chocante; mas entendendo que haja pessoas que o não conhecessem, nós tentamos responder. O Pedro Abrantes nasceu em Moçambique, zona de Inhambane. O Pai comerciante, a Mãe farmacêutica, aí se conheceram, casaram e tiveram dois filhos, o Pedro mais velho, a irmã pouco depois. Mas o Pai Alberto Abrantes adoeceu gravemente, a família regressou à Metrópole, mas a doença não perdoou e o Pedro e a Rosália ficaram órfãos, andaria o Pedro pelos sete ou oito anos. A Mãe Alice tomou conta de tudo. Os filhos andaram nos colégios que escolheu e, após
uma passagem pelo Colégio Infante sagres, o Pedro veio para o nosso Colégio. Distinguiu-se na educação física – bom cavaleiro, classe especial de ginástica, bom em futebol e basquetebol, duas “medalhas de práticas – não tanto nas teóricas – chumbou o 4º ano e, no sétimo, cometeu a habilidade de passar com 10 a todas! Mas passou e entrou para a Faculdade de Medicina. Aí tudo se transformou. Concluiu um curso brilhante (18 de media, 20 na Tese), foi convidado e entrou num departamento de investigação científica da Gulbenkian. Mas… Quando em 1958 foi à inspecção militar, em consequência de alguns problemas do foro digestivo, ficou isento; mas, em 1967, já médico e com as guerras de África, foi reinspeccionado e verificou-se que, afinal, estava são como um pêro! Resultado: em 1967 é enviado para o norte do seu Moçambique natal, com um batalhão, como tenente médico. Lá se foi a investigação mas, em contrapartida, de tal forma se comportou tanto no tratamento dos seus militares doentes e feridos, como no apoio às populações locais que de lá trouxe uma honrosa condecoração, uma Medalha de Mérito Militar que, diz o Re-
gulamento, tem como objectivo galardoar quem revele excepcionais qualidades e virtudes militares, pelas quais deve ser especialmente apontado ao respeito e à consideração pública, o que, merecidamente, constituiu reconhecimento do seu grande valor e espírito humanitário. Não regressou logo a Portugal. Convidado para ser assessor do director de oftalmologia no hospital central e assistente na Faculdade de Medicina, ficou em Lourenço Marques, até 1974. Desenvolveu extraordinária actuação durante esse tempo, nomeadamente no âmbito da chamada “campanha de recuperação da cegueira curável” em que devolveu a visão a dezenas de pessoas do interior, de avançada idade, cegos desde a infância! E foi nessa altura que casou com a Susi e lhes nasceram o Miguel e a Inês. Depois regressou a Portugal e teve que “comer o pão que o diabo amassou”. Ou pior, teve que amassar o pão que alguns diabos comeram! Mas lutou, resistiu e apesar dos escolhos, nada conseguiu evitar que aqui desenvolvesse um carreira brilhante, cotando-se como um dos melhores oftalmologistas portugueses. Não somos nós, seus amigos que o dizemos; são os colegas de profissão, que o levaram à direcção de serviços dos hospitais de Lisboa, à chefia da Associação Portuguesa de Oftalmologia, a cargos influentes em associações de topo no panorama internacional. E, no meio de tudo isto, um Amigo espantoso, sempre leal, fraterno e solidário. Quem era o Pedro Abrantes? Era muito mais do que isto que nós contámos. Mas esta descrição poderá dar uma ideia a quem não o conheceu e fazer entender por que é que nós o estimávamos tanto, temos tantas saudades dele e lhe enviamos um enorme abraço. Os amigos do Curso, 7º ano de 1956
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Recordando Os que nos deixaram
Jorge Manuel Barreto de Albuquerque (404/1952) Oficial da Armada – Capitão de Mar-e-Guerra Nasceu a 19 de Janeiro de 1941 - Faleceu a 1 de Dezembro de 2011
Como camarada de curso do Jorge Albuquerque, quer no Colégio Militar quer na Escola Naval, é com tristeza e pesar que assisti à sua partida para esta última viagem. Não quis o destino que, após o intenso convívio da nossa juventude, nos cruzássemos em quaisquer situações relevantes ao longo dos percursos profissionais da nossa vida naval, mas sempre guardei dele a imagem de um homem generoso e de exemplar espírito de camaradagem, sempre pronto a dar a sua camisa a quem dela necessitasse, fazendo por isso jus à sua formação de “menino da Luz”. Excepcionalmente zeloso e competente nos cargos que exerceu na Marinha, conforme o atestam os diversos louvo-
res e condecorações recebidas, era também por carácter um idealista e possuía um temperamento acentuadamente emotivo, características que o levaram a empenhar-se de alma e coração na revolução do 25 de Abril e no período que lhe sucedeu, factos que infelizmente lhe vieram trazer alguns posteriores dissabores na sua carreira profissional e que o levaram a pedir a sua prematura passagem à reserva e subsequente reforma em 1992. E essa justificada amargura, embora emocionalmente contida, sempre lhe ficou no espírito até ao fim dos seus dias. Paz á sua generosa e honrada alma! José Manuel Castanho Paes 228/1952
Frederico Manuel Wang Nóbrega de Lima (136/1956) Gestor - Empresário Nasceu a 29 de Dezembro de 19438 - Faleceu a em Janeiro de 2012
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Em Memória do 136/1956
o início do mês de Fevereiro, num dos jantares mensais do meu curso, recebi a triste notícia do falecimento do 136/1956, o Frederico Manuel Wang Nóbrega de Lima.
O 136 era do curso à frente do meu, pelo que nos primeiros anos da minha estadia no Colégio pouco contacto tive com ele. O 136 tinha uma particularidade que o fazia sobressair no meio da malta. Tinha um cabelo muito louro, quase branco, e uns olhos muito azuis, herdados de sua mãe que era norueguesa. Era um nórdico no meio dos «mouros». Nórdicas eram também as suas lindas irmãs, que pela sua beleza, faziam sensação no Colégio, nas raras vezes que aí o iam visitar O Frederico perdeu o 5º ano, passou para o meu curso, e a partir daí tornámo-nos bons amigos. Era calmo de feitio, bem-humorado e um excelente camarada. Para além disso, jogava muito bem xadrez e fora do Colégio, aos fins-de-semana, jogava bridge, o que na altura e para a sua idade era um facto fora do comum. Lembro-me de ele chegar a fazer umas
partidas de xadrez com o nosso professor de inglês, o Almodôvar, também conhecido por «Tarzan», alcunha que se devia ao facto de ter saltado uma vez por cima de uma carteira para dar um tabefe num aluno que teimava em brincar com um lápis, em vez de estudar. No inicio de uma das nossas aulas, o Almodôvar chegou a elogiar o 136 pela luta que lhe tinha dado na véspera, em mais uma partida que tinham disputado. Até sempre Frederico. Talvez voltemos a jogar uma partida de xadrez, para tu me voltares a dar um xeque-mate ao fim de meia dúzia de jogadas. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957