Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial
Ministro da Defesa Nacional Honra o Colégio Militar ao Presidir à Cerimónia de Abertura do Ano Lectivo de 2011/2012
N
o passado dia 28 de Outubro, sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional honrou o Colégio Militar ao dignar-se presidir à Cerimónia de Abertura do Ano Lectivo de 2011/ 2012 deixando, de forma clara, uma mensagem de Valor, de Responsabilidade e de Futuro! Se a presença do mais alto responsável político pela tutela do Colégio Militar nesta marcante Cerimónia, a segunda em 37 anos de democracia, é já em si mesmo assinalável por se tratar de um sinal inequívoco de consideração e respeito pela Instituição, a mesma revestiu-se também de um significado acrescido e relevante. Na verdade, e apesar de não se encontrar previsto no Programa da Cerimónia anunciado e distribuído a todos os presentes, o Ministro da Defesa Nacional, Dr. José Pedro Aguiar Branco, proferiu na ocasião, nos vetustos Claustros no nosso Colégio e perante o Batalhão Colegial, Direcção e demais Servidores do Colégio Militar, Entidades Civis e Militares Convidadas, Pais e Encarregados de Educação, assim como uma vasta representação de Antigos Alunos, um discurso notável pela clareza de ideias e sentido de Estado que então transmitiu. Deste discurso que, devidamente autorizados, transcrevemos na íntegra neste número da nossa Revista Zacatraz, destacamos: - O reconhecimento e apreço que demonstrou pelo Valor de um legado ímpar de mais de dois séculos de História, assente num modelo único alicerçado na promoção da excelência académica e de um conjunto de valores e princípios que sempre nortearam a Instituição Militar - bem expresso na forma como muitos Antigos Alunos se têm distinguido na defesa da soberania, na defesa da liberdade e na construção e desenvolvimento do nosso País, seja nos teatros de África às missões internacionais, na política e na economia, e até na Chefia do Estado – que, fez questão de sublinhar,…“ valores e princípios que um Estado verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca “… - Uma clara noção quanto à Responsabilidade que um tal legado acarreta para todos quantos têm a nobre e estimulante missão de prosseguir a obra iniciada pelo Marechal Teixeira Rebello há mais de 208 anos, nomeadamente de honrar e valorizar o legado herdado e o património que a sociedade lhes confia, numa lógica clara de serviço público,
defendendo sem hesitações ou ambiguidades a sua identidade, mas sabendo adaptar-se às mudanças, exigências e novos desafios que um mundo cada vez mais global comporta, por forma a poder continuar a ser merecedor do reconhecimento e procura dos cidadãos e, assim, uma referência na criação de valor para o País. - O compromisso relativamente a um Futuro que, mantendo-se fiel à sua essência militar, defesa e exaltação da Portugalidade e missão de formar elites, exigirá, para além da já referida capacidade de adaptação a uma sociedade cada vez mais plural, multicultural e internacional, uma adequada gestão dos recursos disponíveis, assegurando assim a sua sustentabilidade. Em suma, para além do conhecimento e apreço que demonstrou, quer pelo modelo ímpar, quer sobretudo pelos valores e princípios que são incutidos nesta nossa Casa, este discurso foi considerado, creio poder afirmá-lo, pela esmagadora maioria, senão mesmo pela totalidade dos Antigos e Actuais Alunos presentes na cerimónia do passado dia 28 de Outubro, como uma confirmação por parte do Ministro da Defesa Nacional do seu reconhecimento quanto à nobre missão do Colégio Militar, e que considera também que a mesma dever ser prosseguida de forma sustentada e sustentável, no presente e no futuro, para bem de Portugal. A intenção que expressamente manifestou, no final do seu discurso, de estar presente nas cerimónias do próximo ano, “para celebrar este Colégio”, reforça esta mesma convicção. O aplauso generoso e emocionado com que Ministro da Defesa Nacional foi distinguido no final da sua intervenção nos claustros por todos os presentes, bem com a saudação final, plena de simbolismo – o nosso Zacatraz - que lhe foi prestada de forma sentida, pelos Antigos Alunos presentes após o desfile do Batalhão Colegial, foram a expressão desse sentimento que a todos contagiou. Na carta que em nome da Direcção da AAACM e da vasta Comunidade de Antigos Alunos que a mesma representa dirigimos ao Senhor Ministro, dando-lhe testemunho deste sentimento, fizemos também questão de sublinhar o que já tínhamos referido na audiência que a nosso pedido nos foi concedida no final do passado mês de Setembro, em seu nome, pelo Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional: A nossa firme disponibilidade
e vontade em contribuir para análise e estudo das reformas que se impõem introduzir no Colégio Militar face aos novos desafios do século XXI. Na referida audiência a que acima aludimos, e à qual comparecemos acompanhados pelo Presidente do Conselho Supremo da AAACM, fomos informados ter sido nomeada pelo Senhor Ministro da Defesa Nacional uma Comissão para avaliar o futuro dos Estabelecimentos Militares de Ensino, que é uma decisão que se saúda. Na verdade, desde há mais de uma década que as sucessivas Direcções da AAACM têm alertado para esta necessidade. A anterior Direcção fez em Abril de 2010 a entrega de um Documento ao CEME - Documento esse também entregue ao SED no decurso da audiência que nos concedeu - denominado “Vamos Apoiar o Colégio”, e do qual já demos amplo destaque nesta Revista, onde se encontram expressos quer a Visão, quer as medidas que urge tomar, especialmente as que visam criar condições para atrair mais candidatos (em particular filhos de Militares e de Antigos Alunos), para uma imperiosa melhoria da qualidade do ensino e nível de aproveitamento dos Alunos, permitindo também a criação de condições para a promoção de uma liderança mais eficaz, sem esquecer, naturalmente, a necessidade de assegurar a sua sustentabilidade através de um modelo organizativo diferente do actual. Embora compreendendo que a natureza de alguns destes aspectos que integram a Visão desejada para o Colégio requerem uma avaliação que está por fazer, e partindo do pressuposto que é esta exactamente a missão que terá sido confiada à Comissão atrás referida, não deixaremos de porfiar – se instados, como esperamos e nos foi comunicado, a dar o nossos contributo – para que esta mesma Visão deva constituir a matriz de desenvolvimento futuro do Colégio Militar. Temos consciência que os momentos que atravessamos, e os desafios que enfrentamos, são de enorme transcendência para o futuro do nosso Colégio. É um desafio que enfrentaremos com a convicção fortalecida pelo Conhecimento e Amor que temos ao Colégio. Mas é também um desafio que exigirá Racionalidade e Coesão, ingredientes que desde logo nos comprometemos promover junto de todos os Antigos Alunos empenhados nesta nossa nobre Causa.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL N° 185 - Outubro/Dezembro - 2011 45° Ano FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Vasco Santos Pinheiro (254/1982) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
CAPA Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional usando da palavra na Abertura Solene do Ano Lectivo 2011/2012
Foto: Atelier Sérgio Garcia, cedida por Sérgio Garcia (326/1985)
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
ARTIGOS À VENDA NA AAACM
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares
PUBLICAÇÕES
DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224 DESIGN e EXECUÇÃO GRÁFICA
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NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €
Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar
PREÇO: 12 €
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50 €
II Volume da História do Colégio Militar
50 €
III Volume da História do Colégio Militar
35 €
O Espírito do Colégio Militar
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Os Jardins do Colégio Militar
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Raiva e Luz
10 €
Qualquer dos produtos pode ser adquirido na Secretaria da AAACM, assim como polos, t-shirt, emblemas, etc...
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.
Sumário
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Dos Antigos Alunos
06 AAACM 108º Aniversário 24 Antigos Alunos em destaque 28 Curso de 1936/1943 Curso de 1949/1956
29 Curso de 1969/1976
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Palavras proferidas pelo Ministro da Defesa Nacional na Abertura Solene
Curso de 1986/1994
30 Torneio de futsal da Associação Do Colégio
31 Abertura solene do Ano Lectivo 37 186º Aniversário da Morte
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Colaboração
Jantar da Associação Prémios Barretina
de Teixeira Rebello
Dos Antigos Alunos
42 As Olimpíadas de Berlim 1936 45 1961- O fim da Índia Portuguesa 47 Aparições: A Fotografia de
Gérard Castello-Lopes 1956-2007
48 Dom Carlos I, Comandante
Honorário do Batalhão Colegial
50 Definição do diâmetro económico do Adutor de Castelo do Bode
51 Plácidas tardes de Outono 52 Cloud Computing 53 Reconhecimento 54 Projecto Fim do Império Recordando
56 Memórias da Índia 60 Antigos Alunos nas
Tropas Pára-quedistas
62 Os que nos deixaram
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Dos Antigos Alunos Entrevista Garcia Leandro
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Colaboração
Escrita e Primeiras Letras
4 Palavras proferidas por Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional
Palavras proferidas no Colégio por
Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional na Cerimónia
da Abertura Solene do Ano Lectivo 2011/2012
Senhor Chefe de Estado Maior do Exército, Senhor Director do Colégio Militar, Professores e alunos do colégio, Senhoras e senhores convidados, Digo-vos, sem circunstância ou protocolo, que é para mim uma honra dirigir-me, hoje, ao Colégio Militar na abertura solene do ano lectivo. Em 208 anos de história já passaram por este púlpito dezenas de ministros, primeiros-ministros e chefes de estado. Por este púlpito já passaram dois regimes, três repúblicas e dezenas de governos. Deste púlpito já se disseram centenas de discursos. Uns glorificando o passado, outros mais pessimistas com o presente, no tempo em que foram ditos, outros optimistas quanto ao futuro que se aproximava. Mas passaram os regimes, passaram os ministros disseram-se as palavras e o Colégio Militar permaneceu. Há 208 anos que é assim. Há 208 anos que o Estado Português investe não na instituição em si, porque essas nascem e morrem por decreto, mas nas pessoas. Nos alunos. Por aquilo que podem fazer cá dentro mas sobretudo por tudo aquilo que demonstram ser capazes de fazer lá fora.
Na sua longa história o Colégio Militar sempre fez justiça a esse legado. Os alunos do Colégio Militar absorvem aqui os valores e princípios que o Estado, verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca. Os alunos do Colégio Militar sempre se souberam distinguir. Na defesa da soberania. Na defesa da liberdade e na construção e desenvolvimento do país. Dos teatros de África às missões internacionais em que hoje estamos empenhados. Da política, à economia ou mesmo na chefia do estado. Não é seguramente por acaso que esta é a instituição de ensino que mais Chefes de Estado deu ao nosso país. E é por isso que Estado português investe no Colégio Militar. Para ter ex-alunos do Colégio Militar. Estes valores correspondem a um determinado modelo de ensino. A um determinado conjunto de princípios. O Colégio Militar é militar. Não é civil. E muito menos comercial. E é por isso que é o Ministro da Defesa Nacional que aqui está hoje. Não o presidente de uma cooperativa de ensino ou o Ministro da Educação.
Senhor Chefe de Estado Maior do Exército, Senhor director do Colégio Militar, Professores e alunos do colégio, Senhoras e senhores convidados, Neste tempo em que os recursos são cada vez mais limitados a República não tem necessidade, apenas, de mais uma escola secundária. De mais uma escola básica. O que a República necessita é do seu Colégio. Sustentado, sustentável mas militar. Porque acredito nisto, compreendam a minha surpresa quando fui convidado a despachar uma autorização desta casa que na prática podia ser assunto e tutela de outro qualquer Ministério. Não quero um colégio de elites, mas quero um colégio que forme elites. Elites para o país e para as Forças Armadas. Entre estas duas ideias tão semelhantes na semântica vai um mundo inteiro de diferenças na forma como vivemos os tempos e o tempo. Viver este tempo não é transformar em comercial o que é por natureza serviço público. Viver este tempo não é transformar em civil o que é por natureza militar. Só a ignorância ou um pensamento
5 Palavras proferidas por Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional
limitado pode acreditar que dessa confusão resulta um melhor Estado ao serviço das pessoas ou melhores pessoas para servir o Estado. Só a ignorância ou um pensamento limitado é incapaz de compreender que é da complementaridade das duas dimensões que resulta um todo mais harmonioso e equilibrado em benefício do bem comum. Repito. O colégio é tutelado pelo Ministério da Defesa. Desmilitarizar o Colégio, no seu formato ou na sua essência, significaria que este deixa de cumprir a sua vocação. Deixaria de cumprir o papel que há 208 anos lhe foi entregue. Mas viver este tempo significa, também, ir além das velhas ideias. Dos preconceitos amadurecidos num sistema de classes, castas ou de género que já não existem. Que nunca fizeram sentido e que não podemos continuar a promover. Significa isto que o Ministro da Defesa olhará para o sistema de ensino militar procurando gerir melhor os recursos. De uma forma mais racional e menos corporativa. Sem olhar a dogmas, géneros, antiguidades ou preconceitos de outros séculos. Espero que o colégio o faça da mesma forma. Nestas palavras está a vontade de ter uma instituição cada vez mais ao serviço do país mas também do seu legado cultural. Nestas palavras está a vontade de ter um colégio português, cada vez mais internacional. Virado cada vez mais para o mundo. Em 2012, deste mesmo púlpito, por onde já passaram tantos ministros, governos e se disseram tantas palavras, espero vir aqui, de novo, celebrar este colégio. Desejo a todos os professores e alunos do Colégio Militar um bom ano lectivo.
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Dos Antigos Alunos AAACM 108º Aniversário
AAACM
108º Aniversário
© Foto Miguel Mercês de Mello
O 108º Aniversário da nossa Associação foi comemorado no dia 3 de Novembro do corrente ano, homenageando o Colégio e o seu Fundador bem como aos mais de sessenta elementos da “Velha Guarda” que se apresentaram à chamada.
Dos Antigos Alunos AAACM 108º Aniversário
A
pós os cumprimentos à Direcção na pessoa do Subdirector Coronel João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), por motivo de ausência do Director, e assinado o Livro de Honra, foi homenageado o Colégio Militar junto do Monumento do Largo da Luz e o Fundador no átrio Marechal António Teixeira Rebello. Com uma Guarda de Honra da Escolta Colegial a pé, procedeu-se ao acender da Chama Colegial cerimónia participada por todos e levada a cabo pelo mais Antigo Aluno presente João António Ferreira Lamas (75/1931), pelo Presidente da Associação António José de Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), pelo Comandante do Batalhão, Aluno 57 António Maria Mendes de
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Almeida Cavaleiro de Ferreira e pelo “Batalhãozinho”, Aluno 432 André Filipe Sobral Trindade. Após a tradicional fotografia na escadaria do Palácio Mesquitela (Enferma) com os sucessores e alguns alunos familiares, seguiu-se o almoço com a presença do Subdirector e de diversos Servidores do Colégio, almoço composto pela tradicional ementa de caldo verde, amarelo de carne com salada, arroz doce e vinho do Porto.
O Presidente da Direcção, António Saraiva de Reffóios (529/1963), num breve improviso saudou todos os presentes e agradeceu à Direcção do Colégio a sua disponibilidade para mais vez acolher calorosamente aqueles que por aqui passaram há longos anos, permitindo-lhes o reviver das gratas recordações dos maravilhosos tempos que viveram na sua juventude.
Gonçalo Salema Leal de Matos
© Fotos Gonçalo Leal de Matos
371/1949
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957)
Jantar anual da
ASSOCIAÇÃO
© Foto Leonel Tomás
No passado dia 25 de Novembro realizou-se o jantar anual da nossa Associação. Tal como já se passou nos últimos dois anos, o jantar teve lugar nas magníficas instalações do Hotel Pestana Palace na zona alta de Alcântara. Estiveram presentes cerca de três centenas de Antigos Alunos em mais uma manifestação de apoio ao Colégio e à Associação. O programa da reunião compreendia, para além do jantar, uma intervenção do Presidente da Direcção da Associação, para apresentar um breve resumo da actividade da nova Direcção e os seus principais desafios futuros, a já tradicional atribuição dos Prémios Barretina e a imposição de barretinas aos novos Antigos Alunos, os finalistas do ano lectivo de 2010/2011.
Os novos Antigos Alunos
O Presidente da Associação, António Reffóios (529/1963), usando da palavra
re Espada de Valor, Lealdade e Mérito à nossa Bandeira (agora designada, vá-se lá saber porquê, por estandarte nacional). Os filmes que se seguiram apresentavam outras cerimónias da vida colegial, passadas nas décadas de 60 e também de 70 do século passado. Lá estava em todas as cerimónias, como era hábito na altura, o Presidente da República, o Almirante Américo Tomaz, tio de um dos Comandantes de Batalhão do meu tempo, o Luís Filipe Tomaz (176/52), que por coincidência foi um dos Prémios Barretina do presente ano. Concluído o repasto foi a vez do habitual
discurso do Presidente da Direcção da Associação, o 529/63, António Reffóios, que começou por agradecer ao Tomaz Metelo (462/58) a sua amabilidade em nos permitir usar, pelo 3º ano consecutivo as instalações do Pestana Palace para o nosso jantar anual. O Presidente fez um discurso curto mas incisivo, apresentando factos relativos à actividade da Direcção da Associação nos passados 8 meses, após a sua entrada em funções, e falando sobre as vertentes da actividade da Associação, que reputou da maior importância: o Apoio ao Colégio e a Solidariedade.
© Foto Leonel Tomás
Tal como nos anos anteriores, foram tomadas umas bebidas à chegada ao hotel, antes de seguirmos para a sala Belém, onde decorreu o evento. Concentrado todo o pessoal na sala e escolhidas as mesas, deu-se início à sessão, conduzida pelo nosso «mestre-de-cerimónias», o 519/59, de seu nome Pedro Roriz. A sessão iniciou-se com a distribuição das barretinas aos novos Antigos Alunos. Este acto constituiu uma novidade, pois a imposição das barretinas costumava ser feita em jantar privado, promovido pela Direcção da Associação, apenas com a presença da mesma e dos novos Antigos Alunos. A inclusão deste acto no jantar anual da Associação foi uma ideia feliz, pois dá outra força ao mesmo e permite que a comunidade dos Antigos Alunos tome conhecimento directo dos seus novos membros e lhes dê as boas vindas. A distribuição das barretinas correu porém de forma algo anárquica, o que lhe tirou solenidade e brilho. Esperemos que para o ano corra melhor, com base na experiência agora vivida. Concluída a imposição das barretinas, o Comandante de Batalhão do curso agora saído do Colégio, o Ali Kahn Sultanali, agradeceu a admissão dos membros do seu curso na comunidade dos Antigos Alunos e anunciou que iria ser apresentado um filme ilustrativo da passagem deste curso pelo Colégio. O filme exibido foi do agrado geral e constituiu um bom aperitivo para o jantar. Deu-se então início ao jantar, que me permito classificar em linguagem castrense como «Bom, Abundante e Bem Confeccionado». Durante o jantar foram exibidos alguns pequenos filmes, que foram vistos com curiosidade. O primeiro filme exibido apresentava vários episódios da vida colegial na década de 20 do século passado, em que sobressaia uma cerimónia militar no Largo da Luz em que a certa altura se via o Marechal Gomes da Costa comandando uma formatura de Antigos Alunos, oficiais do Exército e da Armada, que desfilava em continência diante da bandeira do Colégio. Se não estou em erro este desfile ocorreu por ocasião da imposição das insígnias da Ordem Militar da Tor-
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© Foto Leonel Tomás
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Os agraciados com os Prémios Barretina, não estando presente o Luís Reis Tomaz (176/1952).
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
No que respeita ao Apoio ao Colégio relembrou o documento «Visão para o Futuro do Colégio Militar», produzido no ano lectivo de 2009/2010 e ratificado pelo Conselho Supremo e pela Assembleia Geral da Associação, que foi posteriormente entregue ao Ministro da Defesa, com a declaração da disponibilidade da Associação para tudo o que fosse necessário. Referiu depois a Comissão criada no seio do Ministério da Defesa para estudo do futuro dos três estabelecimentos de ensino militar (Colégio, Pupilos e Odivelas) e aproveitou para relatar a presença do Ministro da Defesa na recente cerimónia de abertura solene do ano lectivo do Colégio. O ministro fez um discurso notável, que a todos os que assistiram ao acto surpreendeu pela positiva, em que manifestou a sua crença no futuro do Colégio e o alto apreço em que tem o Colégio e a comunidade dos Antigos Alunos, prometendo voltar ao Colégio no início do próximo ano lectivo. Foi o discurso que aguardávamos há anos. No que diz respeito à Solidariedade indicou o nosso Presidente que se pretende promover um modelo de acção interactivo e consistente com os desígnios da Associação e deu a novidade da criação de um novo Fundo de Solidariedade a suportar com donativos e quotas específicas. Deste fundo irão ser apresentadas anualmente as respectivas contas. Terminou o António Reffóios, a sua intervenção, recordando a necessidade de se pagarem atempadamente as quotas da Associação (apenas 40% dos sócios têm as suas quotas em dia), anunciando a realização da 1ªreunião dos Delegados de Curso e agradecendo a todo o pessoal que trabalha na Associação o apoio incondicional que lhe têm prestado. Concluído o discurso procedeu-se à imposição da Barretina a um novo Antigo Aluno Honorário, o Professor Sena Neves, acerca do qual e da sua notável acção no Colégio foi apresentado um artigo num dos mais recentes números desta nossa revista. Seguiu-se a tão aguardada distribuição dos Prémios Barretina 2011, atribuídos este ano de acordo com a lista que a seguir se apresenta:
Amigos do Colégio Militar
Professor Carlos Dario Fernandes
Colégio Militar no Mundo
Luís Abel Magro Moutinho (281/1959) Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz (176/1952)
Associação - Desporto
Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943)
Associação - Amor ao Colégio Militar Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
Associação - Cidadania
Ricardo Manuel Simões Bayão Horta (25/1946)
Associação - Dedicação
Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950) No final do presente artigo apresentam-se os currículos dos agraciados, que foram lidos antes das entregas dos respectivos prémios. A lista dos agraciados é de peso e os seus currículos falam por si. O «Amigo do Colégio Militar» Professor Dario Fernandes pôs a sala toda de pé num entusiástico e longo aplauso. A sua passagem de 33 anos pelo Colégio deixou em todos os seus alunos uma marca indelével que nunca é demais realçar e recordar. Constitui de facto uma referência moral e de dedicação na história do Colégio dos nossos dias. No que se refere aos prémios «Colégio Militar no Mundo» fomos todos surpreendidos pelo trajo escocês, a rigor (nunca esperei ver um Antigo Aluno de Kilt) com que se apresentou o 281/1959 o Luís Moutinho, na sua qualidade de Professor da Universidade de Glasgow. Ao 176 /1952 o Luís Filipe Tomaz não lhe foi possível comparecer, tendo sido condignamente representado pelo seu camarada de curso o 95/1952 Francisco Sousa Lobo. O 121/1943 o Nuno Bívar é um «caso de estudo» de longevidade e mérito desportivo, sempre em actividade ao mais alto nível. No seu discurso de agradecimento incentivou vivamente os mais novos à prática regular do desporto. Os benefícios de tal prática são de facto inegáveis e evidentes, basta olhar para este sempre jovem Menino da Luz.
O Gonçalo Salema de Matos (371/1949) é um caso excepcional de «Amor ao Colégio», tendo conseguido a notável proeza de «pôr na rua» esta nossa revista ao longo dos últimos 11 anos. É obra. O 25/1946 Ricardo Bayão Horta é uma figura pública de todos conhecida, sempre ao serviço da nossa sociedade nos mais variados cargos, o que nos suscita o maior respeito e orgulho. O José Garcia Leandro (94/1950) e o Martiniano Gonçalves (9/1958) têm umas «folhas de serviço» em prol da Associação que falam por si. A sua dedicação ao Colégio é de facto exemplar. Terminada a distribuição dos prémios foi a vez do actual aluno Comandante de Batalhão soltar a plenos pulmões um valente ZACATRAZ pelo nosso Colégio, no que foi secundado com entusiasmo por toda a assistência. Acto continuo foi a vez do pessoal começar a destroçar. Foi sem dúvida uma bela jornada. Foi bonito de viver. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Agraciados com os Prémios Barretina 2011
Professor Carlos Dario Fernandes (Sócio Honorário)
Luís Abel Magro Moutinho (281/1959)
Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz (176/1952)
Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943)
Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
Ricardo Manuel Simões Bayão Horta (25/1946)
Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)
José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950)
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Professor Carlos Dario Fernandes Sócio Honorário
Nasceu em Cabo Verde, veio para Lisboa, para ser pára-quedista, mas acabou por ir parar ao INEF (Instituto Nacional de Educação Física), antecessor da actual Faculdade da Motricidade Humana. Após muita insistência e algum desespero, por ver surgirem as mais diversas dificuldades para concretizar o seu objectivo, ser professor de educação física no Colégio Militar, acabou por ver realizado o seu sonho em Outubro de 1962, sonho esse que durou até 1995. O facto de ter vivido durante alguns anos nas instalações do Colégio fê-lo ter um conhecimento profundo do que era a vida colegial e estabelecer uma enorme relação de proximidade com os seus alunos e não só, tendo chegado a ocupar o cargo de Director do de-
partamento de Educação Física. Para além das suas funções de professor foi responsável pela criação da “Classe dos Gafanhotos”, que deu espectáculos nos mais diversos locais e que encerrou a sua actividade em Viseu em 1994, para além de ter participado no Festival Internacional de Ginástica de Lisboa, onde foi considerada a melhor e teve a honra de fechar o certame. A partir de 1965 passou a treinar a classe de ginástica e a equipa de voleibol da Associação, por escolha dos antigos alunos, classe e equipa de voleibol que, enquanto existiram, tiveram resultados e actuações de relevo. Foi convidado para Director do Estádio Universitário, Inspector Escolar de Educação Física em Moçambique e Inspector Superior do Des-
porto Universitário para a Universidade Técnica, mas por considerar prioritária a sua função como professor de educação física do Colégio Militar não aceitou nenhum dos convites. Entre as várias distinções que recebeu ao longo da sua carreira, destaque para a Medalha de Prata D. Afonso Henriques e para a Medalha de Serviços Distintos, ambas atribuídas pelo Chefe do Estado-Maior do Exército. Pela marca que deixou, nos cursos que tiveram o privilégio de o ter como professor e naqueles que puderam contactar com ele, e pela constante ligação que conserva ao Colégio, depois de ter sido nomeado sócio honorário da Associação, chegou a altura de entregar ao Prof. Dario Fernandes o Prémio Barretina - Amigo do Colégio Militar.
A partir daí a sua carreira inclui uma longa lista de posições académicas em universidades de todo o mundo, que vão de Portugal à China e dos Estados Unidos à Lituânia. Aí desempenhou funções de responsabilidades que incluíram a direcção de programas de doutoramento nas mais prestigiadas escolas do mundo na sua área de investigação. É, actualmente, Foundation Chair of Marketing na Universidade de Glasgow. Os seus interesses de investigação, se bem que centrados no marketing, na perspectiva da análise e previsão do comportamento dos consumidores, levaram-no a recorrer a meto-
dologias e técnicas de modelação matemática, tão abrangentes que incluem, por exemplo, as ligações das neurociências com o marketing. Além de ter publicado 25 livros, foi editor fundador do Journal of Modelling in Management (JM2). A sua produção científica conta, ainda, com mais de 130 artigos em jornais da especialidade, com revisão pelos pares. Hoje em dia é uma das referências mundiais da área do marketing razão que justifica que Luís Moutinho receba o Prémio Barretina - Colégio Militar no Mundo.
Luís Abel Magro Moutinho Antigo Aluno 281/1959
Entrou para o Colégio Militar em 1959 e teve o número 281. Começou por ser conhecido por ser filho de Maria Leonor e Pedro Moutinho, locutores da Emissora Nacional e da RTP, duas referências da rádio naquele tempo. Saiu, cedo, do Colégio e integrou a Filarmónica Fraude conjunto que, no fim dos anos 60, discutia com os Skeiks e os Conchas, o apoio das “teenagers”. “Animais de estimação” foi o maior sucesso do conjunto. Depois, voou para fora do país e doutorou-se, em 1982, na Universidade de Sheffield.
Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz Antigo Aluno 176/1952
Entrou para o Colégio Militar em 1952, onde teve o número 176, foi Comandante de Batalhão, em 1959, ano em que deixou o Colégio, onde concluiu a alínea f, com 19 valores. Nesse mesmo ano, mas em Setembro, concluiu a alínea c no Liceu Nacional de Oeiras. Licenciou-se em Historia, na Faculdade Letras, em 1965, com 17 valores, com uma dissertação intitulada “Os portugueses em Malaca 1511 – 1580”. A sua ânsia de conhecimento levou-o a frequentar cursos livres de Sânscrito, de que tem diploma, Amarico, Chinês e Concanim, Possui entre outros o diploma superior de malaio-indonésio, a Licence d’Etudes Indiennes Classiques, e é doutorado Honoris Causa, em História, pela Universidade Nova de Lisboa.
Foi professor na Faculdade de Letras de Lisboa, no Seminário Diocesano de Dare (Timor), na Universidade dos Açores, no Institut National des Langues et Civilisations Orientales, em Paris, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na Universidade Católica Portuguesa, e como professor visitante na Univertis Kebangsaan Malaysia, em Bangi, na Malásia. Orientou dezenas de doutoramentos e mestrados, fez parte de dezenas de júris de provas académicas, publicou dezenas de trabalhos históricos, filológicos, etnográficos, de índole teológica e literários e dedicou-se também às traduções e à fotografia. É membro de dezenas de associações culturais e científicas, que vão de Lisboa à Malásia, pas-
sando, entre outros sítios, por Paris. Fala, para além de português, castelhano, francês, italiano e inglês, grego moderno, malaio-indonésio e tétum e rudimentos de neerlandês, amarico (etíope-moderno), chinês (mandarim e cantonense), concanim, persa moderno e árabe literal. Com uma vida dedicada ao estudo e divulgação da presença portuguesa no mundo, o Luís Reis Thomaz, por alcunha “abade”, recebe o Prémio Barretina - Colégio Militar no Mundo. Como o Luís Reis Thomaz não pode estar presente, por compromissos internacionais, recebeu o prémio o Francisco Sousa Lobo (95/1952), seu camarada de curso.
Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
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Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar Antigo Aluno 121/1943
Entrou para o Colégio Militar em 1943 onde foi o 121. No Colégio foi Campeão de Ténis de Mesa, Voleibol, Futebol e Atletismo e nos Campeonatos da extinta Mocidade Portuguesa foi Campeão de Voleibol e Atletismo. No Colégio representou a AAACM nos Campeonatos Federativos de Atletismo, tendo sido Campeão Nacional e Recordista Nacional. Na antiga Escola do Exército foi Campeão Universitário de Andebol, Fute-
bol e Atletismo. Em Andebol (campeonatos federativos) foi campeão Nacional pelo Benfica (Juniores), Campeão Nacional pelo Sporting (Seniores) nas modalidades de 7 e 11, e internacional, tendo sido considerado o melhor jogador do ano em 1956. Em Tiro (Pistola de Guerra) foi 3 vezes consecutivas Campeão das Forças Armadas. Em Ténis (Federação Portuguesa de Ténis) foi Campeão Nacional. Em Hipismo foi internacional pela
Equipa Militar e 4 vezes Campeão de Portugal de Veteranos. Realizou conferências e colaborou em jornais, revistas e TV sobre temas desportivos variados. É autor de um livro sobre Ténis. Foi condecorado em 2011 pelo Governo Português com a Medalha de Bons Serviços Desportivos. É por essa enorme dedicação ao desporto, que o Nuno Bívar recebe o Prémio Barretina – Associação – Desporto.
Gonçalo Salema Leal de Matos Antigo Aluno 371/1949
Nasceu em Coimbra, em 1939, e entrou para o Colégio Militar em 1949, onde teve o número 371. Do Colégio seguiu para Évora, onde se formou como Engenheiro Técnico Agrário e fez formação complementar em Ovinicultura, com apresentação de tese e sua defesa com o título “Estudo de Núcleos de Merino Precoce e de Southdown”. Participou depois em várias acções de formação, nos mais diversos cursos sempre com o objectivo de saber mais e apresentou trabalhos em diversos seminários. Entre os diversos cargos e funções que
desempenhou destaque para o de Adjunto do Chefe de Serviços Técnicos da Junta Nacional da Cortiça, de Responsável pelo Gabinete Agronómico da Região Sul da EDP, de Director na Companhia de Electricidade de Macau, de perito da lista oficial do Ministério da Justiça, integrando, neste momento, a lista do Círculo Judicial do Tribunal da Relação de Évora, sendo o Perito Avaliador responsável pelas “Bases de Avaliação e Cálculo das Indemnizações do Projecto IC6 – Catraia dos Poços/Venda de Galizes”.
Para além disso é Patrão de Costa e de Alto Mar, tem o Curso de Condução “Audi TT Driving” ministrado por pilotos de ensaios da Audi e foi condecorado com a Medalha do Pacificador (Duque de Caxias). É, desde 2000, Chefe de Redacção da Revista “Zacatraz”, revelando uma permanente e indestrutível amizade para com o Colégio Militar e a Associação. É por causa dessa amizade que Gonçalo Leal de Matos recebe o Prémio Barretina - Associação - Amor ao Colégio.
Ricardo Manuel Simões Bayão Horta Antigo Aluno 25/1946
Fez 75 anos no sábado. Entrou para o Colégio em 1946, tendo o número 25, e daí foi para o Técnico onde se formou em Engenharia Química Industrial. De seguida voou para a Universidade de Birmingham onde adquiriu os títulos de Master of Science e Philosophy Doctor, antes de regressar ao Técnico para se doutorar e onde chegaria a Professor Catedrático.
Foi engenheiro e secretário-geral da Siderurgia Nacional, Membro do Conselho Geral do Banco Comercial Português, Presidente de várias instituições e membro não executivo do Conselho de Administração da Shin-Etsu, empresa sediada em Tóquio. Integrou cinco Governos Constitucionais, dois como Secretário de Estado e três como Ministro. Foi condecorado com a Grã Cruz da Or-
dem Militar de Cristo, em 1983. Pertence a sete instituições de natureza científica e profissional, é sócio da Associação e membro do Conselho Supremo. Pelo seu exemplo como cidadão de forte carácter, sempre pronto a colocar os seus conhecimentos e disponibilidade ao serviço do país e da Associação, Ricardo Bayão Horta recebe o Prémio Barretina - Associação - Cidadania.
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Dos Antigos Alunos Jantar Anual da Associação - Novos AA - Prémios Barretina
Martiniano Nunes Gonçalves Antigo Aluno 9/1958
Entrou para o Colégio Militar, em 1958, onde teve o número 9 e foi comandante da 4.ª em 1964/1965 Do Colégio rumou ao Técnico, onde se formou em Engenharia Mecânica, tendo nesses tempos integrado a equipa de voleibol e a classe de ginástica da Associação. Não contente com o facto de ser engenheiro, foi fazer o curso de Economia Em Portugal, entre 1973 e 2002 criou e desenvolveu empresas nas áreas da arquitectura, engenharia, produtos farmacêuticos, publicidade, publicações técnicas, indústrias de cerâmica, metalomecânica e electricidade Como Gestor, e com base em Paris desempenhou, entre 1973 e 1993, funções de Director Geral Estrangeiro do maior Grupo mundial de engenharia das indústrias de cerâmica, sendo Presidente das
sociedades do Grupo em diversos países europeus e norte de África, Egipto, Irão, Brasil e Venezuela, e responsável da área de negócios na antiga URSS. Ainda fora de Portugal e como Consultor e Investidor, desenvolveu, nos últimos 15 anos, actividades nas áreas da Recuperação de Empresas, Fiscalidade e Corporate Finance, participou em missão do Banco Mundial em Moçambique, realizou investimentos em França e na Bulgária em operações de capital de risco, startups e trading de produtos industriais e iniciou na Suíça uma plataforma empresarial para investimentos na Ásia e Europa de Leste. É desde 2000, sócio de três Antigos Alunos numa Clínica Médica de que foi Administrador, centrando desde 2004 as suas actividades na Administração de sociedades de Capital de Risco, Corporate Finance e, mais recentemente, na Gestão de
Participações Sociais de uma holding de seis empresas de serviços. É Presidente do Conselho de Administração de duas outras sociedades holding de que é accionista maioritário, operando nas áreas das Indústrias alimentares, Serviços de Gestão e Administração e Imobiliária. Para além de toda esta intensa actividade profissional, que o faz passar muito tempo fora do país, dedicou-se à Associação, onde foi Tesoureiro, entre 2005 e 2007, Presidente entre 2008 e 2010, com um mandato que marcou uma viragem nos caminhos a trilhar, e Membro do Conselho Supremo, desde Março de 2011. É por toda essa dedicação ao Colégio e à Associação que o Martiniano Gonçalves recebe o Prémio Barretina - Associação - Dedicação.
José Eduardo Martinho Garcia Leandro Antigo Aluno 94/1950
Frequentou o Colégio Militar, onde teve o número 94, entre 1950 e 1957, seguindo depois para o Curso de Artilharia da Academia Militar. A guerra no Ultramar levou-o a cumprir missões militares em Angola (1962/1964 e 1970/1972), na Guiné (1965/1967) e em Timor como Chefe de Gabinete do Governador (1968/1070), para ser o primeiro Governador de Macau, pós 25 de Abril, o que daria origem ao livro “Macau nos anos da Revolução Portuguesa – 1974/1979”, publicado este ano. Mais tarde, desempenhou, entre outras as funções de Conselheiro Militar da Delegação de Portugal junto da NATO, em Bruxelas, Comandante da Componente Militar da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, Vice – Chefe do Estado-Maior do Exército, Director do Instituto da Defesa Nacional, Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Superior Militar e Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.
Foi professor do Instituto de Altos Estudos Militares, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas, da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e lecciona no Instituo Superior de Ciências de Informação e Administração de Aveiro. Representou Portugal nas mais variadas reuniões internacionais e tem realizado diversas conferências em Portugal e no estrangeiro, no âmbito do Ensino Superior Militar, da Estratégia das Relações Internacionais, da Gestão das Crises, dos Sistemas Colectivos de Segurança e das Missões de Apoio à Paz, temas que o fazem entrar em nossas casas, com alguma frequência, via televisão. Na actualidade é Presidente da Assembleia Geral do Observatório de Segurança Marítima, Curador e Administrador da Fundação Jorge Álvares, Curador da Fundação Casa de Macau e do Instituto da Democracia Portuguesa, Vice-Presidente do Conselho Geral da Universidade Aber-
ta, Membro do Conselho Técnico-Científico do Instituto Superior de Ciências de Informação e Administração de Aveiro e Académico Correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Ao longo da sua carreira recebeu 20 condecorações, com destaque para a Cruz de Guerra de 2.ª Classe, de Comendador da Ordem Militar de Aviz, cinco medalhas de Serviços Distintos, sendo uma de ouro, Grã-Cruz de Mérito Militar, Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha Comemorativa da ONU, pelo desempenho no Sahara Ocidental, Comendador da Ordem Nacional de Mérito de França e Medalha do Pacificador (Duque de Caxias) do Brasil. Foi Presidente da Direcção da AAACM, entre 2005/2008 e Presidente da Assembleia Geral no mandato seguinte, 2008/2011. Pela sua permanente dedicação à causa do Colégio Militar e à Associação, José Garcia Leandro recebe o Prémio Barretina - Associação - Dedicação.
Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
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Entrevista conduzida por
Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
Entrevista a
José Eduardo Martinho
Garcia Leandro (94/1950)
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residente da Direcção da AAACM no período 2005/2008 e Presidente da sua Assembleia Geral no mandato 2008/2011, Tenente-General, nasceu em Luanda, Angola no ano de 1940. Frequentou o Colégio nos anos de 1950 a 1957 e o Curso de Artilharia da Academia Militar de 1957 a 1961. Cumpriu cinco comissões de serviço no ex-Ultramar, sendo duas em Angola (1962/64 e 1970/72) e uma na Guiné (1965/67), em situações de guerra, uma em Timor como Chefe de Gabinete do Governador de Timor (1968/70), tendo sido Governador de Macau entre 1974 e 1979. No âmbito do ensino foi Professor do Instituto de Altos Estudos Militares e Professor convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas entre 1999 e 2005, para o Mestrado de Estratégia, bem como, da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Autónoma de Lisboa, sendo desde 2003/04 professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, para o Mestrado de Segurança e Defesa, e, desde 2009 do Instituto Superior de Ciências de Informação e Administração de Aveiro (ISCIA).
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Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
Entre as funções que desempenhou salientam-se as de Conselheiro Militar da Delegação de Portugal junto da OTAN (PODELNATO) Bruxelas, Comandante Operacional do Exército, Comandante da Componente Militar da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), Director do IAEM, Vice - CEME, Director do Instituto da Defesa Nacional, Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Superior Militar e Presidente do OSCOT (Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo), sendo também um dos membros fundadores da PASC (Plataforma Activa da Sociedade Civil) em Janeiro de 2010. Representou Portugal em muitas reuniões internacionais, tem publicado vários trabalhos e artigos e proferido diversas conferências em Portugal e no Estrangeiro no âmbito do Ensino Superior Militar, da Estratégia, das Relações Internacionais, da Gestão de Crises, dos Sistemas Colectivos de Segurança e das Missões de Apoio à Paz. Actualmente é Presidente da Assembleia Geral do Observatório de Segurança Marítima (ISCIA), Curador e Administrador da Fundação Jorge Álvares, Curador da Fundação Casa de Macau e do Instituto da Democracia Portuguesa, Vice-Presidente do Conselho Geral da Universidade Aberta, Membro do Conselho Técnico-Científico do ISCIA e Académico Correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa. É autor do livro “Macau nos anos da Revolução Portuguesa - 1974/1979” publicado pela GRADIVA em 2011. Ao longo da sua carreira foi agraciado com as seguintes condecorações: - Cruz de Guerra de 2ª Classe; - Comendador e Cavaleiro da Ordem Militar de Aviz; - 1 Medalha de Ouro de Serviços Distintos; - 4 Medalhas de Prata de Serviços Distintos; - Grã-Cruz de Mérito Militar; - Medalhas de Mérito Militar de 2ª e 1ª classe; - Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; - Medalha de D. Afonso Henriques (Patrono do Exército) de 2ª classe; - Medalha da Defesa Nacional de 1ª classe; - Medalhas de Prata e Ouro de Comportamento Exemplar; - Medalhas Comemorativas das Campanhas no Ultramar: Angola (63/64 e 71/72) e da Guiné (65/67); - Medalha Comemorativa de Expedições ao Ultramar: Macau (74/79); - Medalha Comemorativa da ONU-MINURSO 1996; - Comendador da Ordem Nacional de
Mérito de França - 2002; - Medalha do Pacificador (Duque de Caxias) do Brasil -2007. ZacatraZ - Ingressaste como aluno do Colégio Militar em 1950. Quais foram as razões que conduziram a que te tornasses um “Menino da Luz”? Garcia Leandro – Foi a vontade do Meu Pai que considerava o CM uma escola de excepção; aliás, eu tinha feito até à 3ª classe na Escola Primária de Tancos, estando Meu Pai (na altura Capitão) colocado na BA3. Conseguiu transferência para Lisboa no Natal de 1949 (4ª classe) para que eu pudesse concorrer ao CM tendo a família em Lisboa. ZacatraZ - Quando o teu curso deixou o Colégio em 1957, cerca de 30 alunos (50 % do curso) ingressaram na então Escola do Exército (1ºano comum antes das opções pelos Ramos das Forças Armadas). Nas últimas duas décadas, o número médio dos que entram para as Academias Militares e para a Escola Superior de Polícia ronda os 4 a 5 (12 % dos que terminam o curso no Colégio). Como é que se explica esta tão radical modificação de opções? Garcia Leandro – Antes de mais o meu Curso é especial, tanto no efectivo total do 7º ano, como na percentagem dos que foram para a EE (depois AM). A situação exposta tem a ver com a mudança da sociedade, mas esta tem balançado como as marés e com falta de visão do longo prazo, embora tenhamos muitas responsabilidades internacionais. A sociedade
actual, por ignorância, não vê que existam grandes ameaças militares para o Pais e os sucessivos Governos, face a problemas mais prementes têm descurado as Forças Armadas; estas, por vezes, também são demasiado fundamentalistas nas soluções que apresentam e nos modelos que defendem, não ajudando para o encontro de soluções conjuntas e aproveitamento de sinergias. Acontece que, para muitos jovens e suas famílias, a carreira militar é muito dura, com muitos requisitos, obrigações e avaliações, mas com poucas compensações. Acontece, porém, que o mundo está a dar uma enorme cambalhota (a maior crise desde o final da II Grande Guerra), com mais convulsões sociais e guerras que podem envolver a Europa. EUA e UE estão a perder poder. Como irão reagir a essas dificuldades? Nessa altura haverá algumas mudanças violentas, e... talvez com atraso… tenhamos de recuperar o tempo perdido. ZacatraZ- Depois da construção do novo edifício do Corpo de Alunos, inaugurado em Outubro de 1958, o Colégio ficou com capacidade para alojar 700 alunos. Contudo, actualmente, e tal como no teu tempo de colegial, apenas tem cerca de 400. Como se explica esta reduzida procura por uma Instituição que continua a ser uma referência a nível nacional? Garcia Leandro – Julgo que o actual edifício do Corpo de Alunos (inaugurado em 1958) não foi construído com o objectivo de receber 700 alunos; aconteceu que devido à
Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
Guerra do Ultramar houve necessidade e a capacidade de ser feita essa adaptação, mas creio que nunca ultrapassou os 600. De qualquer modo, é mais uma vez, uma questão de comportamento da sociedade, são modas. Acontece que no Reino Unido a sociedade tem sempre dado uma grande importância aos colégios internos. Têm de ser feitas algumas adaptações no sistema existente no CM sem lhe retirar o carácter. Por outro lado, o ensino secundário está hoje divulgado por todo o País e muitos pais, face aos muitos perigos existentes na sociedade actual, querem ter os filhos perto de si diariamente. Isto responsabiliza muito mais a estrutura enquadrante do CM e as entidades que o tutelam; não podem existir falhas. Mas também tem a ver com as despesas, já que são mais pesadas que numa Escola perto de casa. ZacatraZ- Como justificas o apego ou mesmo amor que a quase totalidade dos Antigos Alunos do Colégio Militar dedica à Casa que os educou? Garcia Leandro – É algo que tem passado de geração em geração com a mesma força; tem a ver com os valores e a História do CM, mas principalmente com o crescimento de meninos a jovens homens feito em conjunto, ultrapassando as dificuldades individuais como se aquelas de todos fossem e onde a camaradagem e o Código de Honra são valores intemporais. Não conheço outra Escola em Portugal que tenha escrito um Código de Honra que a todos obriga e que é levado a sério. ZacatraZ - Contrariamente ao que acontecia num passado não muito distante, hoje são vários os Antigos Alunos que não matriculam os seus filhos no Colégio Militar. A maioria justifica-se com a mulher que, dizem, discorda de tal solução devido ao regime de semi-internato colegial (os alunos apenas se conservam todo o dia no interior do Colégio às terças e quintas). Parece-te que as mães (ou os filhos) são tão carentes do ponto de vista afectivo a ponto de não prescindirem da sua companhia durante o curto espaço de tempo que, em metade da semana,
antecede o deitar? Ou parece-te existirem outras razões? Garcia Leandro – Não sei qual é a explicação; embora acredite que devem existir vários factores que a isso levam. Muitas famílias actuais parecem-me menos sólidas e com dificuldades em ultrapassar obstáculos exigentes. Mas terá também a ver com as médias de concurso ao Ensino Superior em que os finalistas do CM são prejudicados, face a todo o outro tipo de obrigações e responsabilidades que sobre si recaem. ZacatraZ- Estudos e reflexões que foram sendo realizados na última década, apontam para que a frequência aumentaria se o Colégio admitisse alunos em regime de externato. Ora o Colégio, intermitentemente, teve alunos externos desde 1825, num total de 285, sendo 20 o maior número dos admitidos como tal, em 1838 e 1868. Concordarias com a aceitação generalizada de externos? Em que medida achas que isso descaracterizaria o Colégio? Garcia Leandro – As duas afirmações são verdadeiras, mas também a sociedade mudou muito. Sem perder o seu carácter, o CM tem de se adaptar aos novos tempos e aos desejos das famílias, pois continua a ser uma referência de qualidade
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e de formação multifacetada em todo o País. Sondagens indicam que é o Colégio mais conhecido do País. ZacatraZ- Quais os aspectos em que a frequência de externos no Colégio Militar colide com o seu normal funcionamento? Garcia Leandro – É uma questão de modelo. O CM tem tido como grande valor acrescentado o facto de os mais velhos serem, em parte, responsáveis pela condução dos mais novos, como Graduados. Esta característica singular tem feito do CM a verdadeira única Escola de Jovens Líderes que o País dispõe, numa sociedade que tem um grande (trágico) deficit de liderança. Os Graduados têm grandes responsabilidades, em idade que nas outras Escolas tal obrigação não existe, o que os faz crescer muito em maturidade. Com a idade que têm fazem muitos erros, uns compreensíveis e outros não, mas, a maior parte, têm feito um bom trabalho, havendo casos de Graduados excepcionais. Tem sido dito que se existisse a frequência maioritária de externos, estes não poderiam ser Graduados, já que só viveriam metade da vida colegial; se todos fossem externos poderia ser um Colégio muito bom, só que não era este, passaria a ser outro. Não deixa de ser verdade, mas, actualmente, tem de ser reequacionada a situação para permitir que mesmos exter-
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Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
nos os finalistas possam ser Graduados; a grande questão relativamente ao número de alunos tem a ver que actualmente a maioria das famílias não quer o internato ou até o semi-internato. Assim sendo e para aumentar o total de alunos o CM terá de se abrir mais, de um modo equilibrado, ao externato. Depois de entrarem e de estarem ambientados muitos alunos virão a optar pelo semi-internato. ZacatraZ- É verdade que das razões, por que a frequência do Colégio Militar não é maior residem, no facto de serem pouco conhecidas as suas condições de admis-
são e porque os pais e avós de potenciais candidatos continuam a pensar que o Colégio se destina a filhos de militares? Ou, pelo contrário, têm a ver com o valor da mensalidade, com o facto de ser internato e também por não ter frequência mista? Garcia Leandro – Há algum desconhecimento que se tem tentado corrigir, nomeadamente com muito apoio da AAACM e da APEECM. Tem havido Pais que desejam uma educação exigente e quando descobrem o CM ali colocam os filhos. É claro que as exigências colegiais, nada
têm a ver com o laxismo que hoje ocorre em grande parte das Escolas do País. A mensalidade não é cara para todo o conjunto de actividades, curricular e extracurricular, não esquecendo as despesas inerentes ao internato, que o CM proporciona; acontece, que nalguns casos, nomeadamente o das Forças Armadas e das Forças de Segurança são os Pais que ganham mal. É muito fácil fazer a comparação das mensalidades pagas e dos serviços prestados pelos Colégios Particulares. Creio que o MDN, o MAI ou os Ramos das FA e os responsáveis pelas FS deveriam dar um apoio financeiro aos militares e pessoal da FS que ali queiram colocar os filhos, mas o seu orçamento actual torna tal intenção quase impossível. Por outro lado, havendo hoje muitas Escolas Secundárias no País, para quem viva fora da Grande Lisboa as despesas aumentam seguramente quando os filhos vêm para o CM. A questão do internato e da frequência mista estão relacionados com o tipo de modelo, a que já respondi. No entanto, a AAACM tem estado sempre disponível para, com o MDN, o EME e a Direcção do CM, estudar as melhores soluções para o futuro, com o espírito construtivo de quem quer adaptar este reconhecido património do ensino em Portugal, já secular, aos tempos de hoje. Mas tal só pode acontecer, se nos quiserem ouvir e não tiverem antecipadamente soluções que desejam impor. E também que o façam com um espírito de melhorar o existente e não de o destruir. Já houve tentativas conhecidas … … ZacatraZ- Achas que na sua vida normal os Antigos Alunos do Colégio Militar conservam, no seu convívio com os restantes cidadãos, os seus modelos de comportamento e o conjunto de valores cívicos, éticos e patrióticos lá adquiridos? Acreditas que tais valores têm importância ou significado na sociedade em que actualmente vivemos e norteiam com êxito o comportamento e as atitudes dos Antigos Alunos ao longo da sua vida pessoal e profissional? Garcia Leandro – A resposta instintiva é afirmativa, embora não disponha de uma base científica ou estatística e a mi-
Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
nha opinião possa ser subjectiva, baseada apenas na minha geração (e pode ter havido grandes mudanças). Acontece, que por vezes, há um desfasamento entre uma formação baseada em valores recebida no CM e uma sociedade que os parece ter perdido. Mas, mesmo para aqueles que não os cumprem, o Código de Honra, a camaradagem e o serviço à Comunidade, são valores que lhes foram transmitidos. Em consequência, no “salve-se quem puder” do mundo actual aqueles que deixaram de os cumprir têm essa noção da diferença, e são mesmo, por vezes, afastados pelos seus Cursos. Acontece, infelizmente, que na sociedade portuguesa actual há muitos adultos com funções de responsabilidade, com a obrigação de ser referências para a comunidade, que já não sabem diferençar entre o Bem e o Mal, o que se vai transmitindo aos jovens, no que a televisão ajuda muito. Ocorre, por vezes, que o muito respeito pelos valores colegiais nos pode prejudicar na selva que é a sociedade actual; há exemplos concretos que me dispenso de citar. Mas temos muitos exemplos de grandes sucessos e comportamento irrepreensível em todo o tipo de profissões de AA dos 30 aos 50 anos, de gerações muito mais novas que a minha. Como facto concreto, pode ser mencionado que em todos os escândalos político-partidários e económico-financeiros que têm abalado a nossa sociedade não aparecem Antigos Alunos do Colégio Militar. ZacatraZ- Houve concordância entre as graduações do teu curso e o sucesso na vida profissional? Garcia Leandro – Não me parece que seja muito importante. É uma questão que depende de muitos factores e as Graduações não devem ser sacralizadas, nem definem alguém para sempre. Apenas dizem respeito a 7/8 anos da longa vida de um homem, na fase (muito difícil) da adolescência e de grandes transformações físicas e mentais, de grandes exigências pessoais e da dinâmica de grupo, a que cada um reage de modo diferente, não se podendo fazer extrapolações para
o futuro; acresce que a decisão sobre as Graduações também é conjuntural e, embora haja grande cuidado, poderia com outros responsáveis colegiais aparecerem soluções diferentes. No meu tempo, não me parece que houvesse tanta preocupação dos finalistas a tal respeito, contrariamente ao que hoje acontece. O meu Curso, os finalistas de 1956/57, era muito grande, com três turmas e mais de 60 alunos (situação nunca repetida). Havia um Pelotão de Furriéis, sendo evidente que poderiam ter sido feitas outras escolhas, mas não sei se na vida real houve uma regra dominante. Em princípio, os mais graduados poderiam ter mais sucesso e o contrário também poderia acontecer. Não disponho de um levantamento completo da situação de todos, mas houve, em todas as actividades, gente de grande sucesso profissional, independentemente da graduação que tiveram no 7º ano. Não me parece que possa ser feita uma relação directa, embora o trabalho possa ser executado sobre vários Cursos separados no tempo. ZacatraZ- Durante o corrente ano o Colégio diligenciou no sentido de passar a ministrar o 1.º ciclo do Ensino Básico em regime de externato misto, a partir
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do presente ano lectivo. Todavia, tardiamente, tal iniciativa acabou por não ter a anuência do Ministério da Defesa. Que opinião tens sobre esta ampliação do leque do ensino colegial? Garcia Leandro – A ideia é boa e de há muito que vinha sendo pensada por AA, ainda quando eu era Presidente da Direcção; a Direcção seguinte (2008/2011) avançou com o assunto em coordenação com a Direcção do CM (e comigo, como Presidente da AG), o que teve boa receptividade do CEME. O processo começou a ser trabalhado com o Ministério da Educação em Out/Nov de 2010 de quem se recebeu a concordância; os estudos económicos e financeiros apontavam para uma capacidade de auto-sustentação deste novo grupo de alunos externos. Ocorreu uma conjuntura infeliz ligada à mudança de Governo e à grande crise financeira que o País vive; o Governo anterior não despachou o assunto e o actual (acabado de chegar e talvez mal informado) assustou-se com a novidade, fundamentalmente de eventuais custos imprevistos, e suspendeu (em Agosto) o que já estava em andamento. A APEECM ainda assumiu (e muito bem) pagar a despesas se houvesse qualquer prejuízo, mas o MDN não foi capaz de avançar, o que foi muito mau, pois havia 70
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Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
alunos matriculados para esse ciclo escolar. Creio que a posição do actual MDN é positiva, como se verificou com o seu discurso no Colégio em 28 de Outubro quando da abertura do ano lectivo, e, depois dos estudos que mandou fazer, o 1º Ciclo do Ensino Básico pode ser uma realidade no ano lectivo 2012/13, no caso de não surgir qualquer surpresa muito desagradável; espero que não. ZacatraZ - Do longo rol de encargos que te foram confiados, conta-se também o de Presidente da Direcção da AAACM e o de Presidente da sua Assembleia Geral. Durante os teus mandatos, quais foram as maiores dificuldades que tiveste que vencer e o que é que te deu maior satisfação ter conseguido? Garcia Leandro – Na Direcção foi um período difícil (2005/08), na sequência do Bicentenário, da mudança das instalações da AAACM para o Largo da Luz e com algum mau ambiente que existia, entre alguns Sócios e AA, à volta da Associação. Foi apresentado um Programa de Actividades à Assembleia-Geral para o Triénio, que creio ter sido cumprido, embora a adaptação do antigo Quartel da Formação para Sede da Associação vá passar por várias Direcções, já que é uma longa e dispendiosa obra. Em vez de falar em dificuldades (as financeiras existem sempre), gostaria de falar em trabalhos. Assim a primeira grande preocupação era unir os AA, desde os 90 aos 18 anos, já que a AAACM não pode ser só para os mais seniores; para isso desenvolveram-se muitas actividades conjuntas e fizeram-se duas edições (2006 e 2008) do livro “Meninos da Luz – Quem é Quem”, além do apoio aos jovens e aos mais velhos. Na minha Direcção havia AA dos 80 aos 20 anos; também se integraram jovens AA no corpo redactorial da Revista. As grandes dores de cabeça tiveram a ver com a adaptação do novo espaço para Sede da AAACM, com todas questões que a envolveram, sendo de referir, a construção do posto de distribuição da EDP, os vários problemas relacionados com o Teatro e o Restaurante, todos resolvidos. Com o apoio de alguns AA, foi reconstruído um edifício de 1639 para nova Sede, além de, depois de
muito trabalho e diligências, terem arrancado as obras para o Lar de Idosos (Casa Nova) da responsabilidade da AAAIO, mas que passou por quatro Direcções da nossa Associação, que sempre lhe deram o seu melhor apoio. Esta obra foi inaugurada em Janeiro de 2010, nunca se podendo esquecer o notável e contínuo trabalho da Ana Maria Pinto Soares Hoepner e do João Ayala Botto. Havia uma dificuldade permanente que se foi tentando resolver, relacionado com a melhoria do contacto com os AA e sua mobilização para as actividades da Associação, que foram muitas. Para isso o site foi construído e melhorado, mas foi com a Direcção seguinte (2008/2011) que foi dado um grande salto qualitativo, com a Newsletter e o contacto pessoal, ambos por via electrónica. A mudança de gerações permite concluir que a maior parte já utiliza o computador. De todo o trabalho feito existe hoje uma Base de Dados, sempre em actualização, que servirá também para um melhor apoio aos mais necessitados, através de novas acções da Comissão de Solidariedade que (infelizmente) tem muito trabalho à sua frente. Também a ligação ao CM nunca foi esquecida, estando-se sempre disponível para a sua Direcção, e tendo desencadeado e organizado visitas de Escolas do Ensino Básico ao Colégio, bem como, tendo iniciado várias acções de divulgação em grandes espaços públicos.
Como Presidente da AG (2008/2011), para além de manter um excelente relacionamento com o Conselho Supremo e com a Direcção, fez-se uma grande revisão dos Estatutos da Associação dos Antigos Alunos, aprovada em Outubro de 2008. ZacatraZ– Os múltiplos e importantes cargos que exerceste como militar, quer em Portugal, quer no estrangeiro, as actividades e intervenções cívicas que protagonizaste após deixares o serviço activo, e o mérito que imprimiste a uns e a outras, fizeram de ti uma figura pública. Entendes que a formação que recebeste no Colégio Militar influenciou de algum modo o sucesso que sistematicamente alcançaste ao longo da tua vida, designadamente como Governador de Macau, quando tinhas então uma idade pouco comum no exercício de tão altas funções? Garcia Leandro – Obrigado pelas palavras amigas e talvez excessivas. Tudo quanto consegui ao longo da vida teve como base a educação recebida de Meus Pais, os valores cristãos (embora não seja praticante) e os do CM; por vezes fui prejudicado por ser tão fiel a tais valores, mas creio que o resultado final foi positivo. Depois do CM recebi conhecimentos académicos, técnicos e profissionais, mas nada de
Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
novo na área dos Valores. Outro aspecto é de salientar; o ter comandado forças em operações desde muito novo e ter sido responsável pelo apoio a populações locais no antigo Ultramar fez-me crescer rapidamente. Nenhuma geração desde a I Grande Guerra teve tanta autoridade moral e política como a minha, o que teve consequências no País, envolvendo também grandes frustrações pessoais. ZacatraZ– Recentemente publicaste um livro sobre o período do teu governo em Macau, documento de grande valia para o registo de acontecimentos desse tempo e com um conteúdo muito interessante, especialmente para quem esteve mais profundamente ligado àquele Território. Desse período gostarias de referir algum acontecimento que conserves como uma boa recordação? E um que recordes com mágoa? Garcia Leandro – Num período muito difícil (1974/1979) em que a Comunidade Portuguesa de Macau se dividiu, e depois de progressivamente terem ganho confiança em mim, tive sempre o apoio da Igreja Católica e da Comunidade Chinesa (quer dos chineses locais, quer dos representantes oficiosos de Pequim). Em Novembro de 1978 quando já estava decidida a minha saída para 1979 (e em-
bora disso a Comunidade Chinesa tivesse conhecimento), veio a Lisboa uma sua Delegação pedir ao Presidente da República para eu continuar; tal não era possível porque o processo já estava em curso, eu estava muito cansado (cheguei a ter um esgotamento por excesso de trabalho) e deveria cumprir os requisitos para a continuação da minha carreira militar. Não tenho más recordações, mas tenho pena de não ter correspondido a esta vontade de população chinesa. Eles só queriam mais 2 anos (começariam a surgir os resultados de todas as alterações estruturais implementadas e dos investimentos feitos)... ... (hoje parece simples, mas na altura eu estava muito cansado e era uma opção definitiva de vida). ZacatraZ– É teu entendimento que a China continuará a respeitar o quadro de direitos especiais da RAEM (Região Administrativa Especial de Macau) e dos seus cidadãos? Por quanto tempo mais? Garcia Leandro – Estou completamente convencido que sim até 2049, conforme acordado; contudo pode acontecer que a própria China se modifique até essa altura e haja uma adaptação natural aos valores da democracia; hoje, Pequim já está a fazer o planeamento do desenvolvimento do estuário do Rio das Pérolas, como um
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conjunto, incluindo Macau e Hong-Kong, o que é natural. Actualmente, já existe um Protocolo, patrocinado por Pequim para que a Universidade de Macau venha ter um novo Campus Universitário na Ilha da Montanha que está em construção acelerada. A primeira pedra foi colocada pelo Presidente da RPC em Outubro de 2010 e deve ser inaugurado em 2013. ZacatraZ– Cada povo tem os seus usos e costumes e é sabido que constitui ofensa para os chineses a devolução de prendas. Como é que lidaste com esta situação melindrosa durante o teu mandato como Governador do Território de Macau? Garcia Leandro – A situação não é tão simples, nem tão genérica. O meu livro explica isso; a situação em 1974 era de grande instabilidade e os escândalos de carácter económico foram rebentando progressivamente, com grande cobertura mediática. Tive de definir regras muito claras sobre o assunto (por um Despacho publicado no Boletim Oficial de 6 de Dezembro) e eu tive de dar o exemplo (naturalmente para prendas de grande valor e que foram para o Museu (com o acordo dos ofertantes) e nunca para ofertas sem significado e também de pessoas modestas. É bom não esquecer que os capitalistas, empresários e comerciantes são sempre isso, independentemente da sua cultura nacional. Este tipo de actividades é muito parecido em todo o mundo. Mas tal comportamento pessoal ajudou a granjear o respeito da Comunidade Chinesa e da Portuguesa; já em 1976/77 o Dr. Carlos Assunção (Presidente da Assembleia Legislativa e grande advogado macaense) disse-me que os chineses apenas respeitavam aqueles que não podiam comprar (ou os muito ricos ou os muito honestos; naturalmente eu não fazia parte do primeiro grupo). Stanley Ho (da Sociedade Turismo e Diversões de Macau) disse-me o mesmo de outro modo. Desconheço o que se passou após a minha saída. ZacatraZ– Dos vários cargos militares que ocupaste, qual foi aquele em que te sentiste mais realizado? E do ponto de vista humano, qual foi para ti o mais gratificante?
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Entrevista Entrevista a José Eduardo Martinho Garcia Leandro
Garcia Leandro – Todos os lugares de Comando em teatro operacional, o Governo de Macau e o Comando da MINURSO, no Sahara Ocidental, bem como a Direcção do Instituto de Altos Estudos Militares. A resposta é a mesma para o segundo caso, mas as relações com as populações de Angola, Guiné, Timor, Macau e, mais tarde, no Sahara Ocidental (também dentro da estrutura da ONU, com quadros civis e militares de 40 países diferentes) deixaram recordações dos períodos vividos em comum que nuca poderei explicar completamente. Além de ter testemunhado in loco a capacidade única do nosso soldado para se relacionar com essas populações. Infelizmente, quando se fala desse período (1961/1974) a História está mal contada; passou-se mais tempo a ajudar as populações do que a combater. Tal ajuda era a outra face daquele combate. ZacatraZ– Enquanto desempenhaste as funções de Vice-CEME, e uma vez que o Colégio estava (como está) na dependên-
cia do Estado-Maior do Exército, houve algum acontecimento importante com ele relacionado, nesse período, que agora nos possas revelar? Garcia Leandro – Nada de especial, além do início da preparação das acções relacionadas com a Comemoração do Bicentenário que correram muito bem. Nesse período não houve qualquer crise. ZacatraZ-Entre as funções que desempenhaste conta-se a de professor do ensino superior. Do contacto que mantiveste com discentes de agora, que diferenças encontraste em relação à tua geração quando tinha a sua idade? Garcia Leandro – Gosto muito de ensinar gente mais nova, quer militares (embora neste caso já profissionais adultos e com experiências variadas com quem sempre se aprende), quer civis. Nas gerações mais novas, não há tantas diferenças como se apregoa; a generosidade, o entusiasmo e
a alegria são contagiantes. Acontece actualmente que a preparação com que vêm do Ensino Secundário em Português e História é muito fraca, por vezes chocante. Mas há muitos jovens de grande qualidade, com muita vontade de aprender e também fazendo grandes sacrifícios para estudar; são a minha esperança neste País mal frequentado, no referente “às chamadas” elites políticas económicas. ZacatraZ – Ao longo da tua carreira como militar e da tua vida pública lidaste, por certo, com vários Antigos Alunos do Colégio, seja na qualidade de colaboradores, seja na qualidade de amigos com quem se conta nas situações difíceis. Houve algum que te tivesse marcado? E outros que gostasses de referir de um modo especial? Garcia Leandro – Apenas uma coincidência muito curiosa. Quando entrei para o CM em 1950 o meu Chefe de Mesa no
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1º ano era o 174/1945, Martins e Silva (Biza), então Graduado da 1ª Companhia; quando eu saí definitivamente de Macau em Janeiro de 1979 a bordo da “Sagres” para Hong Kong era ele, como Capitão-de-fragata, o seu Comandante que surgiu novamente em momento, para mim, marcante. Coisas da vida... ZacatraZ – O que gostarias de dizer aos pais que hesitam ou desistem de tornar os seus filhos “Meninos da Luz”. Garcia Leandro – Não hesitem; façam a experiência e não se irão arrepender. Falem também com a APEECM. ZacatraZ – Da leitura do teu currículo fica-nos a impressão de que tiveste uma vida a muitos títulos invejável, recheada de funções do mais alto nível militar e político. Também tens essa sensação de plenitude? De todos os cargos em que estiveste investido qual o que te deixou as melhores recordações e qual o episódio que ao longo de toda essa vivência te lembras com maior saudade? Garcia Leandro – Tentei fazer sempre o melhor que pude, de acordo com os meus valores e consciência. Mas a grande sensação não é a de plenitude, mas sim a de permanente falta de tempo para fazer bem tudo quanto me é pedido ou que eu julgo necessário. De todos os cargos que desempenhei o que mais me marcou, por tudo quanto é conhecido e que, em parte, ficou registado no meu livro, foi o de Governador de Macau durante mais de 4 anos, o que é compreensível. Quando regressei em 1979 era diferente daquele homem que em Junho de 1974 tinha começado a visitar Macau, mas também era diferente de todos aqueles que cresceram, conviveram e estudaram comigo. Em termos de sofrimento, que se tem de ultrapassar, ficaram para sempre registados os mortos em combate, como se tivesse sido ontem. Quanto a episódios para sempre gravados na memória e na alma há três inesquecíveis. Em 1963, no norte de Angola, com base em S. Salvador, houve um Sargento e um
Soldado que foram feridos com gravidade pelo rebentamento de uma mina na roda direita de frente do atrelado tanque de água que estava ligado à viatura GMC onde seguiam. Antes de serem evacuados para Luanda foram sujeitos a uma primeira intervenção de emergência na Enfermaria de S. Salvador, não se sabendo qual o seu futuro; aconteceu que durante essa intervenção médica quiseram estar de mão dada comigo que era o seu Comandante de Pelotão; só pode compreender esta ligação de confiança e fraternidade quem alguma vez esteve em combate. Ambos sobreviveram, embora com algumas maleitas físicas. Já em 1965 comandava uma Companhia no sul da Guiné, na fronteira com a Guiné Conakri, ocupando dois aquartelamentos (Sangonhá e Cacoca); o efectivo era misto (além da Companhia europeia, tinha efectivos semelhantes de milícias locais), havendo guias e tendo dois milícias como guarda-costas. Numa emboscada, um dos milícias teve a percepção do que iria acontecer e colocou-se à minha frente. Foi ferido num braço, nada me tendo acontecido a mim. Não precisa de qualquer adjectivo, mas é algo de tão forte que não se pode esquecer. Também em Sangonhá, junto da fronteira, já com uma melhor situação militar, em meados de 1965 começou a regressar muita população que havia fugido no início da guerrilha, população que tinha de ser alimentada antes de seguir para as suas tabancas. Para o efeito a Companhia gastou muitos sacos de arroz e combinou-se como Chefe da População (um nalú, muito alto e de feições muito correctas) a plantação de um grande campo de arroz. Ele recebeu os sacos com o arroz e disse-me que quando da primeira colheita nos devolveria o arroz então emprestado, questão em que nunca mais pensei. Quando ocorreu a primeira colheita lá me apareceu ele a devolver o arroz que considerava emprestado. Se a maioria dos nossos políticos tivesse esta honestidade... ... A história desta estadia em Sangonhá e Cacoca está muito bem contada no romance histórico “Memórias dos Dias Sem Fim”, do grande escritor Luís Rosa, então Alferes daquela Companhia.
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Zacatraz - O que pensas da actual situação política e económica do nosso País? Garcia Leandro – Parafraseando o filme americano “Este País não é para velhos”, eu posso dizer que “Este País já não é para mim.” Já não tenho paciência para tanto disparate, misto de incompetência e desonestidade, no que ainda não envolvo o actual Governo, embora me assuste a missão (quase) impossível que recebeu e a falta de conhecimento que alguns dos seus membros têm da máquina do Estado, bem como do País real. Mas tenho esperança na honestidde e coragem do PM. Já o escrevi, a situação nacional que hoje vivemos era perfeitamente previsível e evitável; com regras, acompanhamento, exigência e honestidade não estaríamos assim. Todos nós acreditámos que a Democracia seria a salvação do País e muito acreditámos naqueles que têm sido eleitos. Acontece que fomos enganados pelos Partidos Políticos que se apropriaram da Democracia contra a população; a falta de controlo das Finanças Públicas é algo de inimaginável, mas ocorreu de modo cada vez mais grave desde 1995; o mau funcionamento da AR, dos Tribunais, a gestão incompreensível da RAM, de muitas Autarquias e de algumas Empresas Públicas, etc., deixam-nos mal e envergonhados. O novo Governo tem de refundar o Estado e ser rigoroso para que o País volte novamente a ser colocado sobre carris sólidos e exista futuro para Portugal. Muitos se aproveitaram da situação que irá ser paga por quem não teve (na maioria dos casos) qualquer responsabilidade, a vergonha cai sobre todos, o actual Governo tem uma missão, quase, impossível e aos irresponsáveis que aqui nos colocaram ...nada acontece.
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
Antigos alunos
em Destaque
Artur Ricardo de Matos Sequeira Coelho do Amaral (216/1980) Artur Amaral gere negócio Windows Phone na Microsoft
A área engloba a actividade e o ecossistema de parceiros em torno da plataforma Windows Phone 7. O novo director de negócio de Windows Phone da Microsoft é Artur Amaral. O cargo envolve a gestão da estratégia de desenvolvimento e crescimento do negócio de mobilidade do fabricante em Portugal, inclui a actividade em torno da plataforma Windows Phone 7 e a evolução do ecossistema de parceiros (fabricantes de dispositivos, operadores móveis e parceiros de desenvolvimento de aplicações), centrado no mesmo sistema. De acordo com um comunicado da empresa, os desafios imediatos do gestor englobam o lançamento em Portugal da próxima versão do Windows Phone – já totalmente em português e com serviços localizados.
O novo director está na Microsoft Portugal desde 2002. Com mais de 17 anos de experiência no sector das TI, Artur Amaral liderou nos últimos quatro anos a estratégia do fabricante em Portugal para a área da conformidade de software. Anteriormente desempenhou funções de director comercial para as telecomunicações e media, segundo a empresa. Licenciado em engenharia electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, Artur Amaral fez ainda um MBA em marketing na Universidade Católica. Ao longo do seu percurso profissional passou também pela Sun Microsystems e pela IBM, onde assumiu diversas funções de gestão comercial e de programas.
Homenagem ao Padre Braula Reis No passado dia 6 de Setembro, mais de uma centena da Antigos Alunos reuniram-se numa singela homenagem ao Padre José Maria Braula Reis (o nosso Capelão) que em breve deixará a Paróquia de São Domingos de que foi Pároco durante largos anos depois de ter servido no Colégio Militar, onde a sua passagem deixou marcas profundas e obra feita que todos reconhecem. Presença indispensável na Missa do 3 de Março, com as suas Homilias marcantes pelo seu profundo conhecimento do nosso Colégio e pelo amor que sempre lhe dedicou, almoçava com regularidade com vários dos nossos Camaradas que, invariavelmente, todas as semanas o procuravam em São Domingos para uma amena e agradável cavaqueira.
Também, de vez em quando, convivia nos almoços da Feitoria onde em devido tempo lhe foi prestada singela mas sentida homenagem. A jovialidade e espírito aberto que sempre o acompanhou, apesar da sua idade avançada mas vivida com muita energia, eram contagiantes nos encontros com Antigos Alunos, muito especialmente com os que tiveram o privilégio de serem seus discentes quando da sua passagem pelo Colégio. Junto da entrada da Capela, no andar superior dos Claustros, com a presença do Director, Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, do Presidente do Conselho Supremo José Alberto da Costa Matos (96/1950) e do Presidente da Direcção da AAACM António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios
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(529/1963), foi descerrada um lápide perpetuando a passagem pelo Colégio do Capelão Braula Reis. No uso da palavra foram enaltecidas as qualidades do homenageado, referindo-se que cerimónias como esta diferenciam o espírito do Colégio Militar que une e irmana todos os que por ele
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passaram ou nele serviram, em amálgama que o tempo não destrói e, antes pelo contrário, torna mais forte e coesa. O Costa Matos teve o encargo de relatar algumas das vivências do Colégio em que o nosso Capelão, de forma muito humana e amiga, actuava junto da pequenada com especial relevância para com os que tinham a família em sítios mais longínquos, com disponibilidades materiais pouco
abundantes e diferentes da generalidade dos seus Camaradas. Relatou o episódio em que um Aluno nestas condições (sem dispor daquele dinheiro de bolso para as costumadas “necessidades da pequenada” – guloseimas), foi abordado no recreio pelo Capelão que lhe propôs uma aposta de singelo contra cinco vezes mais em como era capaz de colocar a bola de basket no cesto, arremessando-a de distância considerável, quase impossível de êxito. O Aluno respondeu-lhe que não podia apostar pois que, se perdesse, não tinha forma de pagar. Prontamente, o Padre Braula Reis, disse-lhe: não faz mal, se ganhares recebes os cinco escudos (5$00, para um miúdo e para a época uma verdadeira fortuna), se perderes pagas-me quando fores grande e ganhares com o teu trabalho. Aceite a aposta, lançou a bola tendo deliberadamente falhado o cesto e entregue de imediato o valor contratado na aposta. Forma reveladora de uma certa maneira de estar em que deu alegria a um miúdo que via os outros comprar os rebuçados das colecções de jogadores de futebol sem o poder igualmente fazer, mas com uma grande delicadeza para não ferir os
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seus sentimentos e a sua sensibilidade. Era assim o Capelão Braula Reis e muitas outras histórias passadas poderiam ser referidas. O Padre Braula Reis, com a comoção natural que estas cerimónias ocasionam, agradeceu e começou a falar (como é seu hábito) para não mais parar. Valeu-nos a todos uma voz anónima da “multidão” que lhe lembrou que tinha de parar se não já não havia tempo para o almoço. Uma sadia gargalhada geral corroborou estas palavras e o objectivo foi conseguido. O almoço decorreu no Restaurante Jardim da Luz, nas instalações da sede da AAACM, num ambiente de excelente boa disposição e em mais uma manifestação da boa camaradagem em que estão irmanados os Meninos da Luz. Ao Capelão Braula Reis, que vai fixar residência em Coimbra, desejamos as maiores felicidades, esperando continuar a usufruir da sua presença sempre que possível e, especialmente, nas datas marcantes da vida do nosso Colégio e da Associação dos seus Antigos Alunos de que é Sócio Honorário. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Padre José Maria Braula Reis O Padre Braula Reis retirou-se da sua activa vida de Pároco de São Domingos. A sua vida, tantos os lugares e as missões, foi espantosa e é vastíssima a lista dos seus amigos e admiradores. A sua despedida foi bem a expressão disso mesmo, dada a presença de antigos alunos e amigos “em peso”. Há poucos anos, em artigo nesta revista, de parceria com o Luís Mendes de Almeida (285/1948), antigo comandante de batalhão, salientámos as extraordinárias qualidades de educador e formador e demos alguns exemplos da sua actuação como professor e como capelão do Colégio Militar. Nesta ocasião sinto-me impelido a dar um testemunho pessoal. Quando saí do Colégio não atingi a mais profunda dimensão do “salto em frente” que a acção educativa do Padre Braula Reis em mim provocou. Só mais tarde a reflexão e a experiência me permitiram avaliar o verdadeiro impacto da sua acção e perceber como foi fundamental no meu crescimento e desenvolvimento como pessoa e na minha
descoberta do cristianismo como núcleo principal da minha existência. Recordo-me hoje de muitas coisas, desse tempo, muitas conversas e até das confissões. Recordo-me de um livro de espiritualidade que me deu e que me transformou e que era um apelo a viver um cristianismo autêntico no meio das ocupações de uma vida comum, com coerência, coragem, inteligência e felicidade. Um outro livro que me facultou, já não me lembro se lho devolvi, narrava a experiência de um oficial da Força Aérea Espanhola, durante a guerra civil, e que procurava ser um bom cristão no meio de um conflito com permanentes voos operacionais. Esse livro foi fundamental porque eu, nessa altura, já estava fortemente imbuído dos valores militares eporque tínhamos atitudes que pareciam contradizer muitos cristãos desse tempo. Este exemplo de vida foi para mim uma grande descoberta. Lembro-me como o Padre Braula Reis, em conversa, me sugeria que procurasse ajudar, com a minha experiência de vivência cristã no Colégio, outros companheiros
que atravessavam algumas dificuldades. Recordo-me das suas aulas. Recordo-me como as suas provas escritas eram um desafio à criatividade dos alunos e por vezes as melhores notas eram para alunos que não eram crentes, com alguns dos quais se tornou grande amigo. Nas suas aulas o conhecimento de nós próprios era tema crucial, a construção de hábitos sadios e o aproveitar da adolescência como idade óptima para moldar o carácter, lembro-me da imagem que usou do ferro em brasa. Aliás usava muitas imagens para fazer compreender realidades complexas. Todos nós tivemos, na nossa vida, pessoas que nos fizeram melhores, para mim e decerto para muitos, O Padre Braula Reis foi uma delas. Como o “raio verde” naqueles fins de tarde raríssimos mas de uma beleza e uma paz sem igual, assim desejo que seja este tempo que agora começa para o Padre Braula Reis. Pedro do Canto Lagido 330/1947
27 Ângelo Eduardo Felgueiras e Sousa (498-1976)
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Dos Antigos Alunos Curso de 1936/1943 e Curso de 1949/1956
Curso de 1936/1943,
Romagem dos 75 anos de entrada Para celebrar os 75 anos de entrada, os sobreviventes do curso de 1936/1943 voltaram ao Colégio em 6 de Maio deste 2011 onde foram recebidos com a maior amabilidade pela actual Direcção e onde puderam recordar os seus tempos de alunos e conhecer os seus actuais sucessores. Foi uma jornada de grande significado para todos os participantes. Aqui fica o registo da foto do ano de 1938 onde se encontravam os componentes do Curso de 1936 e a que foi obtida a 6 de Maio, ambas tiradas na tradicional escadaria da Enferma. Estiveram presentes neste encontro: Luís Melo de Oliveira (2/1936); João Armando de Aragão e Rio (10/1937); Manuel Fonseca Salvação (31/1936); Horácio de Carvalho (33/1936); Fernando Lima Voss Wahnon (73/1936); João António Ferreira Lamas (75/1931), graduado da 1ª em 1936; Luís Manuel Teixeira Diniz (110/1936); José Manuel Soares de Oliveira 112/1936); Jorge Rilley Mota Faria (171/1936); Luís Manuel Quintino Rogado (196/1936); Vasco Valdez Bandeira (218/1936); José Gualberto Matias (245/1936); Manuel Brito Limpo Serra (282/1936); José Luís Almiro Canelhas (302/1936); José da Paz Olímpio (327/1937); João António Cerveira do Amaral (386/1936).
Curso de 1949/1956,
Romagem dos 55 anos de saída A 4 de Novembro rumaram ao Colégio, após 55 anos da saída, alguns dos componentes do Curso 1949/1956. O reencontro, passado tanto tempo, de alguns de nós que por força dos diferentes rumos de vida acabam por não se verem durante muitos anos, é sempre um motivo de alegria e boa disposição onde se recordam os bons tempos do Colégio e as peripécias nele vividas durante a adolescência e juventude. Recordam-se também com saudade todos aqueles que infelizmente já não se encontram entre nós e os aspectos marcantes da boa convivência que com eles mantivemos. Na Biblioteca teve lugar a apresentação de cumprimentos à Direcção na pessoa do Subdirector Coronel João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973) por motivo de ausência do Director. O Subdirector agradeceu a nossa presença, referindo que a vinda ao Colégio dos seus Antigos Alunos é sempre um motivo de grande satisfação e também uma manifestação de vitalidade do amor e carinho que todos nutrem por esta secular Instituição. Traçou em seguida uma panorâmica da actual vivência do Colégio manifestando a convicção de que a sua identidade e continuidade não serão abaladas pela adversidade de marés que se desenvolvem ciclicamente ao longo dos tempos. O mau tempo que se fez sentir não permitiu a habitual cerimónia junto do Monumento da Largo da Luz. A homenagem ao Colégio e ao Marechal Teixeira Rebello realizou-se no Átrio do Fundador, a que se seguiu a missa celebrada na Capela do Colégio.
Dos Antigos Alunos Curso de 1969/1976 e Curso de 1986/1994
A visita ao excelente Museu do Colégio é sempre um momento muito agradável destas romagens e nela se recordam tantos e tantos Antigos Alunos que serviram com o verdadeiro sentido da palavra SERVIR. Antecedendo a tradicional fotografia na Escadaria da Enferma, foi descerrada a lápide que perpetua esta romagem, estando presentes o Comandante do Batalhão e o “Batalhãozinho”. No Refeitório dos Alunos foi servido o almoço onde se recordaram os “submarinos” tão do agrado de todos nós quando, naqueles longínquos anos da década de 50, os apreciávamos no velho refeitório ao tempo gerido pelo João Meia Lua, actualmente transformado no bem organizado Museu Colegial.
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Curso de 1969/1976, Romagem dos 35 anos de saída 30 de Setembro de 2011
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Curso de 1986/1994,
Romagem dos 25 anos de entrada
7 de Outubro de 2011 Estiveram presentes: 11 16 28 34 40 62 126 127 149 173 186 188 200 244 271 275 310 317 325 345 347 350 371
Manuel Eduardo Leal Vilarinho Pereira Luís Fernando Barahona Mira da Silva José Eduardo Barata Correia Luís José Passanha Braamcamp Sobral António Eduardo. Queiroz Martins Barrento José Alberto Alves de Paula Guilherme Luís Faria Câncio Martins Vasco Joaquim Rocha Vieira António Helder Monteiro Sena e Silva Guilherme José Veiga Clara João Diogo Weinstein Francisco Manuel Vidigal Solano d’ Almeida José Manuel dos Reis Moreira Arcelino Manuel Duarte Mirandela da Costa Rui Manuel Machado da Cruz Nuno Gonçalo Botelho de Medeiros João Manuel Castel-Branco Falcão Fernando Manuel Marques Moreira António Maria Bívar de Sousa Rui Armando de Sousa Carneiro Álvaro António Duarte Dinis Varanda José Manuel de Abreu Chagas Pinto Gonçalo Salema Leal de Matos
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Dos Antigos Alunos Torneio de futsal da Associação
Torneio de Futsal da Associação D
esde 2007 que a AAACMorganiza anualmente um torneio de futsal nos Campos Verdes do Colégio Militar. Esta actividade pretende estreitar os laços entre os diversos cursos,fomentando o espírito, o convívio e a prática desportiva de todos os antigos alunos num ambiente familiar, em que histórias e estórias são revivida e a competitividade dos jogos ajudam a relembrar esforços e conquistas do antigamente. Em Maio último, naquela que foi uma reedição do ano passado e pelo mesmo resultado,os Galácticos, Sad (curso 1998/2006) derrotaram os Stoners (curso 2000/2008) por 2-1,conquistando o seu primeiro título e pondo fim à “maldição das finais”, visto terem perdido as três anteriores em que participaram. De realçar ainda a participação de cursos da década de 80, o que só demonstra “Se o espírito vive, a chama perdura”! Nuno Miguel Vieira Pássaro 256/1998
Em cima, da esquerda para a direita: João Quintas (280/1998), André Abreu (211/2001), Armando Silva (137/1998), Duarte Vaz, Hugo Castro (135/1998) e Mister Pedro Silva (430/1998) Em baixo, da esquerda para a direita: João Ceriz (46/1998), Nuno V. Pássaro (256/1998), Diogo António (294/1998), Bruno Vitorino (17/1998) e Tiago Marques
A propósito do artigo
“Em Homenagem ao Capitão Nuno Simões (41/1935)” Pelo Manuel de Lucena (405/1953), um dos visados neste artigo e que reside nos Estados Unidos da América desde há longos anos, foi enviado o texto que aqui reproduzimos com todo o gosto. Assim ficamos a saber que somos lidos e qual a opinião sobre o que escrevemos. «Caro Luís Filipe, Li com muito agrado a tua excelente reportagem na revista Zacatraz acerca do incidente ocorrido na festa de fim do ano no CM em 1957, quando o grande amigo, o capitão Simões, era o ‘’chefe da enfia’’. Só não estou porem de acordo contigo quanto ao teor dos teus amáveis mas imerecidos comentários a meu respeito. No meio daquela confusão acabei por ter muita sorte pois o médico que tratou de mim no hospital militar tinha chegado há
algumas semanas da frente de combate na Coreia, onde tinha estado a fazer um estágio de 6 meses sobre novas técnicas de tratamento deste tipo de ferimentos, que até então eram normalmente tratados cobrindo as feridas com gaze, o que deixava quase sempre cicatrizes muito visíveis. Mal eu cheguei á Estrela, ele mandou imediatamente descobrir as minhas feridas na cara o que evitou que eu tivesse ficado com deformes faciais ou outras sequelas. Eu vou periodicamente a Portugal e sempre o Bernardo Ayala me organiza um almoço de curso que, da última vez em Maio passado, juntou quase 20 ratas de 53. Um abraço e estou á tua disposição por estes lados. Zacatraz, traz, traz! Manel»
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Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
Abertura solene o dia 28 de Outubro passado teve lugar a Cerimónia da Abertura Solene do Ano Lectivo 2011/2012 com a presença de Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional, Dr. José Pedro Aguiar Branco a quem, na Parada do Corpo de Alunos, foi prestada Guarda de Honra pela 4ª Companhia de Alunos, com Banda, Fanfarra e Guião do Colégio. Nos Claustros, o Batalhão Colegial sob o Comando do Aluno 57, António Maria Mendes de Almeida Cavaleiro de Ferreira, prestou continência a Sua Excelência o
Ministro da Defesa Nacional que presidiu à cerimónia, seguindo-se a integração do Estandarte Nacional, estando presentes os Senhores Chefe do Estado Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho, Comandante da Instrução e Doutrina, Tenente-General Francisco António Correia, Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Dr. Fernando Jorge Loureiro de Reboredo Seara (453/1966), Director de Educação, Major-General João Miguel de Castro Rosas Leitão (441/1963), Chanceler das Ordens Militares, General Vasco
Joaquim Rocha Vieira (127/1950), Director do Instituto dos Pupilos do Exército, Major General António Francisco Alves Rosa, Presidente da Associação dos Antigos Alunos, Dr. António José de Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), Director do Instituto de Odivelas, Coronel José Paulo Bernardino Serra, Vereador da Protecção Civil da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Manuel da Silva Brito, Director do Colégio Militar, Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira.
©Fotos Gonçalo Leal de Matos
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Do Colégio Abertura Solene do Ano Lectivo
Oficiais dos três ramos das Forças Armadas, Adidos Militares estrangeiros, representações dos Estabelecimentos de Ensino Militar e Estabelecimentos Militares de Ensino, Entidades civis, Corpo Docente e Servidores do Colégio, Familiares dos Alunos, Convidados e muitos Antigos Alunos. O Hino Nacional entoado com o acompanhamento da Banda do Exército, ecoou vibrantemente pelos velhos Claustros num frémito de forte emoção vivida por todos os presentes. Pelo Senhor Ministro da Defesa Nacional foram condecorados, com a Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército 2ª Classe, o Major José Carlos Reimão Teixeira e o Dr. António Valdemar Morgado Gama. Deram então entrada nos Claustros os novos Alunos do Colégio Militar que fizeram a sua apresentação à Comunidade Colegial, tendo sido lida, pelo Sargento-Chefe de Artilharia Pedro Santos, a Ordem de Serviço que os integra ao efectivo do Batalhão Colegial. Formalizada a tomada de posse do Aluno Comandante do Batalhão, recebendo a Réplica da Espada do Rei D. Carlos, foi abraçado o “Batalhãozinho”, Aluno 432 André Filipe Sobral Trindade, simbolizando as boas vindas de acolhimento dos mais antigos aos mais novos, tendo de seguida dito: “Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional Excelentíssimo Senhor General Chefe de Estado-Maior do Exército Ilustres Convidados Pais e Encarregados de Educação Antigos Alunos Todos nós agradecemos a presença de V. Exas. nesta cerimónia, simples mas cheia de significado para toda a família Colegial, por marcar o início de mais um ano lectivo, de trabalho, de dedicação, de esforço diário na procura constante de sermos melhores todos os dias para melhor servir o nosso país. Obrigado pelo incentivo da vossa presença. A todos me dirijo igualmente agradecendo a vossa presença que abrilhanta e apoia de forma inequívoca o ano lectivo que agora iniciamos. Os antigos alunos que, com a sua presença e experiencia, apoiam o Colégio, de for-
ma construtiva e sempre com o objectivo de melhorar. Peço-vos que mantenham essa atitude que tanto vos orgulhou quando eram alunos, cumprindo os valores que aprenderam nesta Casa, nomeadamente de cidadania e solidariedade. O ano lectivo que agora se inicia só é possível com o apoio de todos os servidores do Colégio Militar, da direcção aos docentes, passando por todos os que, de uma forma ou de outra, todos os dias trabalham para que esta casa melhore os seus níveis de sucesso e onde a comunicação aberta e eficiente deverá ser sempre uma ferramenta fundamental. Aos pais e encarregados de educação, dirijo-vos primeiro uma palavra de agradecimento. Agradecemos por terem acreditado no nosso Colégio colocando cá os vossos filhos, pela confiança que depositaram em nós no acompanhamento dos vossos filhos, facto que nos honra e engrandece por tudo o que isso significa. Compreendam que esta casa tem por base regras que deverão ser cumpridas para o seu bom funcionamento e formação completa dos vossos filhos, sendo os mais relevantes o nosso Código de Honra, o nosso lema “Servir” e a nossa divisa “Um por todos, todos por um”. É importante realçar que nós cimentamos esses valores diariamente. A educação dos alunos só será completa com o vosso acompanhamento e o empenho de toda a Comunidade Colegial. Por fim ao Batalhão Colegial e em particular aos novos alunos - os nossos “ratas”. Vós sois a base do Colégio Militar, sendo o nosso presente e o nosso futuro. Sejam bem-vindos a esta nobre casa. Fazendo agora parte desta família compete-vos, como todos os que por cá passaram, dedicar à vossa formação toda a dedicação, esforço e inteligência para que assim possamos continuar a avançar para níveis académicos, físicos e cívicos superiores. Lembrem-se que vós sois o futuro, mas o futuro começa agora porque entraram para uma casa com um passado exemplar, repleto de brio, patriotismo, coragem, união e lealdade. Hoje, como sempre, o Colégio é um reflexo da sociedade, que se mantém fiel
aos valores e princípios que a todos nos orgulham. Estamos cá para vos ajudar. Estejam à altura do desafio. Bem-vindos ao nosso Colégio Militar.” Falou então o Senhor Ministro da Defesa Nacional, proferindo palavras que pela sua importância transcrevemos em destaque, palavras que calaram fundo em toda a Comunidade Colegial e em todos aqueles que de qualquer forma estão ligados ao Colégio Militar, Entidade multissecular de grandes e nobres tradições sempre mantidas ao longo dos tempos. O Batalhão Colegial desfilou em continência na Parada Nova. No Ginásio decorreu a Sessão Académica presidida pelo Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Tenente General Francisco António Correia. Cantado o Hino do Colégio Militar, o Director Coronel Tirocinado Fernando Cóias Ferreira proferiu a seguinte alocução:
©Foto Gonçalo Leal de Matos
“Excelentíssimo Senhor Tenente-General Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Meu General Comandante, A presença de Vossa Excelência, ao dignar-se presidir a esta parte da Cerimónia de Abertura Solene do Ano Lectivo, honra-nos pelo significado e interesse que confere ao Colégio Militar e simboliza ainda o reconhecimento institucional do
Do Colégio Abertura Solene do Ano Lectivo
Agradecemos a todos os que nos quiseram honrar com a sua presença que muito dignifica esta cerimónia que marca o início do ano lectivo de 2011/2012. Um novo ano lectivo que é marcado neste dia festivo pela recepção dos novos alunos no Batalhão Colegial, conforme pudemos assistir nos Claustros, pela Lição Inaugural a proferir pelo professor Balança Lopes, Mestre em Ciências da Educação e professor de Física e Química neste Colégio, e a distinção dos alunos que mais se evidenciaram nas diferentes actividades escolares no ano lectivo passado, cumprido a tradição colegial de premiar o mérito. Foi este mérito que permitiu ao Colégio durante a sua existência ocupar uma posição de realce na comunidade educativa
Na sua pessoa saúdo todos os Antigos Alunos que ao longo da história deste colégio tem perpetuado o seu nome e a sua imagem como pessoas insignes da nossa sociedade ou como simples cidadãos responsáveis e cientes do seu dever. Senhores Adidos Militares de Países Amigos, Entidades instituidoras de prémios, a quem agradecemos o contributo para galardoar o desempenho dos nossos alunos, Digníssimos Convidados, Senhores Professores e Antigos Professores que merecem a nossa estima e consideração pelo trabalho que desenvolveram por este Colégio, Pais e Encarregados de Educação, Uma palavra de referência à respectiva Associação cujo Presidente, Professor Doutor Paulo Amaral, se encontra entre nós, Minhas Senhoras e meus Senhores, Caros Alunos e Antigos Alunos,
nacional, onde a disciplina, a organização e o método pedagógico permitiram formar cidadãos de referência nos mais diversos sectores da nossa vida pública e privada, entre os muitos alunos que formou ao longo da sua história. O Colégio Militar é uma escola diferente, com um projecto educativo próprio e resultante da simbiose histórica na procura permanente da conciliação da preparação académica com a preparação militar, num ambiente de internato que marcou indelevelmente a educação comportamental e a forma de estar dos seus alunos. Foi neste referencial que sempre se discutiram as diferentes reformas ao longo da sua história, desde a sua fundação como resultado de um modelo de escola regimental, introduzido pelo Conde de Lippe durante a reforma pombalina, passando pela maior complexidade da introdução do ensino liceal em
©Fotos Gonçalo Leal de Matos
Exército, Ramo que tem zelado por esta Casa desde a sua fundação e ao qual ela tem respondido com o seu melhor, não só no que respeita ao apoio da Família Militar, mas principalmente como referência numa educação centrada nas qualidades e virtudes militares que enformam o Código de Honra do Aluno do Colégio Militar e que vinculam esta escola perante a sociedade portuguesa com uma identidade própria, no âmbito dos ensinos básico e secundário. Excelentíssimos Senhores Oficiais Generais, Uma particular palavra de reconhecimento para os que me antecederam no cargo de Director. Excelentíssimo Senhor Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar,
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Portugal, com a reforma de Passos Manuel em meados do século XIX, a qual se veio a consolidar no Colégio Militar até meados do século XX, respondendo simultaneamente a exigências de recrutamento de oficiais para o Exército, e por isso garantindo a sua formação e preparação militar de base. Ao referido acresce o papel desta Instituição no apoio à Família Militar, o qual esteve no centro das atenções do seu Fundador, o então Coronel Teixeira Rebelo no cargo de comandante do Regimento de Artilharia da Corte, e que se manteve até aos dias de hoje, garantindo a educação de órfãos e filhos de militares mobilizados e destacados, substituindo muitas vezes a educação familiar por força das circunstâncias. Mas não esqueçamos a importância da formação de alunos de famílias não militares, que ao longo do tempo aderiram de forma voluntária, constante e significativa ao seu projecto educativo, contribuindo desta forma para a dinamização e assimilação de valores e qualidades castrenses na sociedade portuguesa. Esta é uma realidade histórica que marca a identidade do Colégio Militar na actualidade e ignorá-la é ignorar o quadro de princípios e valores que regem o seu funcionamento e que constituem o referencial do continuado esforço de adaptação desta instituição às exigências da sociedade, em cada momento da sua história de resiliência e sucesso, no ultrapassar dos muitos desafios que teve de vencer ao longo de dois séculos. As muitas placas comemorativas, cravadas nas paredes dos claustros, que resistem ao tempo marcado pelos inúmeros regressos dos seus antigos alunos que aqui deixaram a memória da sua juventude, são um dos registos dessa resiliência que periodicamente nos emociona a todos quantos aqui servimos. As dificuldades conjunturais do Colégio Militar, como das demais instituições, sempre aconteceram em diferentes momentos da sua história, sendo muitas vezes, deliberadamente ou por ignorância, confundidas no quadro de valores, princípios e regras que regem o seu funcionamento. Não nos podemos esquecer que estamos a falar de uma escola pública, sujeita a regras de gestão pública, mas que hoje, com as suas especificidades, tem de se afirmar no universo
Do Colégio Abertura Solene do Ano Lectivo ©Fotos Renato Oliveira
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das escolas privadas, designadamente nas questões que enquadram e condicionam a admissão de alunos. E aqui, temos que continuar a efectuar um esforço significativo, o qual passará pela implementação do 1.º Ciclo, logo que este seja autorizado, de forma a melhorarmos significativamente os níveis de aprendizagem e os critérios de admissão no 2.º e 3.º Ciclos; mas não só! Temos de continuar a melhorar as práticas internas, com uma melhor gestão administrativa e pedagógica, racionalizando processos e dinamizando o trabalho de equipa dos diferentes intervenientes, bem como melhorar a comunicação com o exterior ao nível do conhecimento do Colégio Militar na sociedade, em geral, e na Instituição Militar em particular. Estas foram as linhas de força do nosso trabalho durante o ano lectivo passado e assim continuaremos a efectuar o nosso esforço em prol desta escola. Os resultados dos Meninos da Luz são consequência da dinâmica escolar ecléctica no Colégio Militar, e é neste espectro alargado que devem merecer sempre a nossa apreciação e avaliação, designada mente no que se refere ao ano lectivo de 2010/2011. O Batalhão Colegial iniciou o anterior ano lectivo com 377 alunos e terminou com 352. No universo dos 264 Alunos que frequentaram todos os anos escolares do Ensino Básico, a taxa de aprovação foi de 92,6%, tendo obtido um desempenho académico 4,8% superior relativamente ao ano anterior, em termos de média interna do 9º Ano. No universo dos 88 Alunos que frequentaram todos os anos escolares do Ensino Secundário, a taxa de aprovação foi também de 92,6%, tendo obtido um desempenho académico 4,3% superior relativamente ao ano anterior, em termos de média interna. Nos Exames Nacionais do 11.º e 12.º Anos, refere-se que a média global do Colégio Mi-
litar aumentou 9,6% relativamente ao ano anterior e situou-se 12,5% acima da média nacional. Durante o anterior ano lectivo e conforme a tradição, o Colégio Militar fez-se representar em diferentes actividades incluídas no Desporto Escolar, Militar e Federado, bem como em cerimónias militares e de representação, palestras, visitas de estudo, projectos curriculares, concursos, eventos culturais, protecção do ambiente e solidariedade. Importa destacar: - A participação da Classe Especial de Ginástica em variados saraus e noutras escolas, contribuindo significativamente para a divulgação da imagem do Colégio Militar; - Os títulos de Campeão e Vice-Campeão Regional de Corta-Mato, no desporto escolar e nas categorias de Infantis B, Iniciados e Juniores; - O título de Vice-Campeão Nacional de Corta-Mato, no deporto escolar na categoria de Iniciados; - Os títulos de Campeão e Vice-Campeão Nacional de Espada, em iniciados por equipas e de Campeão do Exército de Espada e Sabre, por equipas, a que se juntaram muitos títulos individuais de diferentes alunos na modalidade de esgrima, com destaque para o aluno 43/Almendra que se sagrou Campeão Nacional de Espada, em iniciados, para o aluno 197/Carvalho que se sagrou Campeão Nacional de Sabre, em iniciados, e para o aluno 298/Vaz que venceu o Ranking Nacional de Espada em iniciados; - As 25 medalhas de ouro, 17 de prata e 12 de bronze, alcançadas na natação, no âmbito do desporto escolar; - O título de Vice-Campeão Nacional em Pentatlo, na categoria de Iniciados, bem como o 3.º Lugar no Campeonato Nacional de Infantis 2011, a par da participação no XIII Torneio Internacional de Barcelona;
- O 2º Lugar alcançado pelas equipas de Futsal de Infantis A e Juniores; - A participação na Semana Equestre Militar, em diferentes Concursos Nacionais Combinados de Equitação e a organização do Jumping do Colégio Militar 2011; - A participação muito digna do Batalhão Colegial nas cerimónias do Dia do Exército e do Dia de Portugal, ambos na cidade de Castelo Branco, e do Dia do Comando de Instrução e Doutrina em Évora, através da Classe Especial de Ginástica e da 4.ª Companhia de Alunos nas paradas militares; - O Aniversário do Colégio Militar, tendo comemorado os seus 208 anos, onde o Batalhão Colegial, a respectiva Escolta a Cavalo e o Orfeão se apresentaram de forma irrepreensível, designadamente no tradicional desfile na Avenida da Liberdade e na Missa ocorrida na Igreja de S. Domingos; - A participação nas “XXIX Olimpíadas de Matemática”, nos concursos “SuperTMatik - Cálculo Mental” e “Canguru Matemático”, onde os Alunos do Colégio Militar obtiveram bons resultados, destacando-se os alunos 196/Raposo e 287/Dias que no Canguru Matemático obtiveram o 1,º e 2.º Lugares de Cadetes, respectivamente, entre 76.326 participantes; - No Concurso de Ditado da Direcção de Educação, os alunos 91/Zoio, 266/Mesquita e 74/Fragoso obtiveram o 1º lugar, inexequo, e o Aluno 281/Sarmento obteve o 2.º Lugar; - A participação na 4.ª edição do Concurso N@escolas, do Diário de Notícias, onde o Colégio Militar foi a equipa vencedora no Painel de Desporto; - A participação pelo 3.º ano consecutivo no Projecto “Escola Electrão”, com a recolha de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos para reciclagem: - No âmbito do Modelismo a participação no ModelTróia-Edição 2011 e no torneio de
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pação e contributo no seu projecto educativo, directamente ou através da associação que vos representa. A educação de cada um dos alunos ganhará através desta responsabilidade partilhada, a qual faz todo o sentido na actual vivência de semi-internato do Batalhão Colegial. Na revisão que efectuámos no Regulamento Interno procurámos garantir uma maior intervenção da vossa parte na vida colegial e espero que ela venha a concretizar-se e a melhorar na prática do nosso dia-a-dia. Aos Pais dos novos alunos, o agradecimento pelo voto de confiança nesta escola e espero que saibamos responder às vossas expectativas. Aos novos Alunos, hoje admitidos formalmente no Batalhão Colegial, formulo o desejo de uma integração plena na vida do colégio, bem como de sucesso nos muitos desafios que irão enfrentar na busca de uma autonomia que vos irá ser preciosa no futuro. A vossa vida escolar deverá assentar no esforço de cada um para cumprir os respectivos deveres escolares, mas também na camaradagem e alegria que caracteriza a vida em comum dos alunos e que marcará determinantemente o vosso percurso escolar como Meninos da Luz. Aos Alunos que terminaram o curso secundário e passaram à condição de Antigos Alunos desejo os maiores sucessos no ensino superior e na vida profissional que vierem a abraçar, na certeza de que não esquecerão esta vossa Casa onde deixaram muitas recordações. Saibam dignificá-la ao longo da vossa vida! Aos actuais Alunos relembro a necessidade do vosso esforço no estudo e no trabalho diário de aprendizagem, com o apoio dos vossos professores, pelo que se exige da vossa parte dedicação e motivação para
vencerem as dificuldades e obterem um bom aproveitamento escolar que possa responder às vossas opções académicas e profissionais futuras. Muitas felicidades para este ano lectivo. Por último, dirijo-me aos Alunos Graduados Finalistas pela consideração que merecem face à responsabilidade do exemplo que assumiram perante os mais novos, apoiando no seu acompanhamento e adaptação à vida colegial interna. Este é o último, ano no Colégio Militar mas também aquele que responde às vossas expectativas como fina-listas e como graduados neste período final da vossa condição de alunos. Procurem terminar bem e com sucesso o vosso longo percurso escolar, com o necessário equilíbrio entre o trabalho individual e o vosso contributo para a harmonia da vida colegial, dentro dos princípios e das regras que a caracterizam. Desejo-vos sorte e que a motivação não vos falte. Meus Generais Ilustres Convidados Minhas Senhoras e meus Senhores Alunos Termino com a confiança no trabalho de todos quantos aqui servem e estudam e com a motivação de enfrentarmos o futuro com todas as dificuldades e desafios que nos sejam colocados, os quais constituirão motivo para tornar mais una e forte a comunidade colegial. As pessoas e as organizações revelam o que têm de melhor nos, tempos difíceis como aqueles que vivemos a nível nacional e o Colégio Militar, com o apoio do Exército, saberá estar à altura do seu passado no respeito por todos aqueles que ao longo da sua história contribuíram para edificar esta obra. Bem hajam!”
©Fotos Gonçalo Leal de Matos
Jogos de Simulação da Academia Militar; - Por último, a participação no projecto-piloto FADO - Património Mundial. Deixo aqui a minha palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por todos os professores, instrutores militares e funcionários que permitiram, com o seu ensino, coordenação e apoio, concretizar o trabalho meritório dos Alunos nas actividades referidas e em muitas outras que também tiveram lugar no anterior ano lectivo. O vosso empenho foi determinante nos resultados obtidos. Torna-se importante ainda referir as obras e trabalhos efectuados na conservação e requalificação de espaços, infra-estruturas e equipamentos, onde se releva a: - Remodelação dos balneários e pintura das paredes exteriores do Corpo de Alunos; - Remodelação de mobiliário e demais materiais de apoio às camaratas; - Remodelação de cozinhas de apoio ao refeitório; - Remodelação da lavandaria; - Reparação da cobertura do Pavilhão Morais Sarmento; - Remodelação dos balneários da piscina; - Remodelação do mini-auditório e das instalações sanitárias no edifício dos Claustros; - Recuperação dos muros e azulejos do jardim anexo ao Palácio Mesquitela; - Conclusão das obras relativas às moradias de apoio à Feitoria. Decorre ainda neste momento, por motivo de oportunidade de apoio da engenharia militar, a instalação de iluminação do campo de futebol que permitirá a sua utilização durante mais tempo, nomeadamente nos períodos do ano com menor duração de luz solar. Relativamente ao ano lectivo que hoje se inicia formalmente, importa referir que o Concurso de Admissão contou com 133 candidatos, dos quais foram seleccionados e admitidos 61 com a seguinte distribuição: 31 para o 5.º Ano, 18 para o 6.º Ano e 12 para o 7.º Ano. Actualmente o Batalhão Colegial dispõe de 355 alunos, sendo 249 do Ensino Básico, distribuídos por 14 turmas, e 106 do Ensino Secundário, distribuídos por 7 turmas. Excelentíssimos Pais e Encarregados de Educação, O Colégio Militar conta com a vossa partici-
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A Lição Inaugural, subordinada ao tema “Aquecimento Global: verdade ou mentira?”, foi proferida pelo Dr. José João Balança Lopes, Professor do Colégio há 17 anos e detentor de um vasto currículo académico e profissional. “Foi com agrado que recebi o convite da Direcção do Colégio Militar, para proferir a lição inaugural do ano lectivo 2011/2012, subordinada ao tema “Aquecimento Global: verdade ou mentira?” De forma clara e isenta, procurarei expor um tema muito actual, interessante e preocupante, para a nossa sociedade e sobretudo para as gerações futuras. • 16 Setembro – Dia Mundial para a Preservação da Camada do Ozono. • 22 Setembro – Dia Europeu sem Carros. • 29 Setembro – Dia Marítimo Mundial. • 5 Junho – Dia Mundial do Ambiente. O planeta aquece… O aquecimento global consiste no aumento progressivo da temperatura média do planeta, que se deve principalmente ao acréscimo das emissões de dióxido de carbono, ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, em especial nos países industrializados. O fenómeno acentuou o efeito de estufa, processo natural através do qual a Terra retém o calor na atmosfera. Estima-se que a temperatura média global aumentou 0,6o C, entre o final do século XIX e o momento actual. As consequências já se fazem sentir. Observam-se mudanças na distribuição mundial da precipitação: há regiões em que chove mais; outras, pelo contrário, que sofrem com a estiagem. Consequentemente, o fenómeno gera uma redistribuição da fauna e da flora, além da modificação dos ecossistemas e das actividades humanas. A Terra está a passar por um acelerado processo de aquecimento global, devido à acumulação na atmosfera de uma série de gases com efeito de estufa, produzidos pelas actividades humanas. Esses gases impedem a dissipação do calor, actuando como um cobertor à escala planetária. O principal responsável pelo aumento do efeito de estufa é o CO2 (dióxido de carbono), produzido na queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural). Também se deu um aumento na emissão
de óxidos de nitrogénio (NOx) e de dióxido de enxofre (SO2). Além disso, a desflorestação reduz a capacidade de retirar o dióxido de carbono do ar (fotossíntese). Esses factores causam um aumento gradativo da temperatura média da Terra, o que favorece o aquecimento global. Entre outros problemas associados a este fenómeno, enumeram-se a desertificação, as secas, as inundações e a destruição de ecossistemas. Alguns investigadores acreditam que o aquecimento actual da Terra corresponde a um período de recuperação, após a Pequena Idade do Gelo; e que a actividade humana não é factor decisivo para a actual tendência do aumento da temperatura global. No entanto, esta tese é combatida pela maioria da comunidade científica e pelos ambientalistas, devido à grande proporção da subida de temperatura nas recentes décadas, após a Revolução Industrial. Em 2008, mais de um terço da população mundial não estava familiarizada com o aquecimento global, sobretudo nos países em desenvolvimento, menos adaptados ao fenómeno do que os desenvolvidos. A América Latina tem a convicção de que as mudanças na temperatura são resultado da acção humana, enquanto a África, partes da Ásia e do Médio Oriente e alguns países da extinta União Soviética têm uma convicção oposta. O aquecimento global só surgiu na agenda política mundial, no final do século passado. Em 1992, realizou-se a primeira conferência internacional no Rio de Janeiro, conhecida por ECO 92. Nesta conferência, foi adoptada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O protocolo de Quioto foi assinado, em 11 de Dezembro de 1997, no Japão, e posteriormente ratificado em 15 de Março de 1999. Contudo, para o Tratado entrar em vigor, era necessário que 55% dos países, produtores de 55% das emissões, o ratificassem. Deste modo, só entrou em vigor a 16 de Fevereiro de 2005, depois de a Rússia o ratificar em Novembro de 2004. O Tratado de Quioto propõe um calendário que obriga os países-membros (principalmente os desenvolvidos) a reduzir, em pelo menos 5,2%, a emissão de gases do efeito estufa, em relação aos níveis de 1990, no
período entre 2008 e 2012. É o chamado primeiro período de compromisso, cujas metas de redução não são homogéneas, propondo níveis diferentes para os 38 paí-ses que mais emitem gases. Alguns países em desenvolvimento (como o Brasil, México, Argentina e Índia) não receberam ainda taxas de redução. Se o Protocolo de Quioto for implementado com sucesso, estima-se que a temperatura global reduza entre 1,4° C e 5,8° C, até 2100. No entanto, isso dependerá das negociações do período 2008/2012, porque existem comunidades científicas que afirmam categoricamente que a taxa de redução de 5%, em relação aos níveis de 1990, é insuficiente para a diminuição do aquecimento global. Alguns cépticos sobre o aquecimento global, pertencentes a comunidades científicas e políticas, discordam da teoria, na sua totalidade ou em parte, questionando-se sobre a existência do próprio aquecimento global e se a actividade humana contribui significativamente para o aumento de temperatura. Entre as personalidades que lutam contra o aquecimento, salientam-se: BjørnLomborg, Richard Lindzen, Al Gore, Fred Singer, Patrick Michaels, John Christy, Stephen McIntyre e Robert Balling. No entanto, a grande facção da comunidade científica não põe em dúvida se a Terra está ou não num processo de aquecimento. Os cientistas concordam que sim. O que discutem são as causas do aquecimento e as medidas preventivas para melhorar o futuro da humanidade. No decorrer do presente ano lectivo, os professores das várias áreas disciplinares do Colégio, em colaboração com os seus alunos do 2º, 3º Ciclos e Secundário, trabalharão o tema das mais diversas formas, tais como: artigos para a revista do C.M., jornais, debates, colóquios, peças de teatro, filmes e outras actividades, culminando, no final do ano, com a apresentação de trabalhos na Exposição Escolar.” Entregues os prémios e as medalhas aos Alunos que no ano transacto se distinguiram pela sua aplicação literária e física e as cartas de Curso aos Finalistas do ano de 2009/2010, a cerimónia foi encerrada com o Hino Nacional entoado por todos os presentes.
Do Colégio 186º Aniversário da Morte de Teixeira Rebello
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186º Aniversário da Morte de
Teixeira Rebello N
o passado dia 6 de Outubro foi evocado o Marechal António Teixeira Rebello por ocasião da passagem do ano 186 do seu falecimento. A cerimónia teve lugar nos Claustros e no Átrio do Fundador, com a presença do Batalhão Colegial, Director e demais Servidores do Colégio. Pelo Comandante da 1ª Companhia, Aluno 20 – José Afonso, foram proferidas as seguintes palavras: Excelentíssimo Senhor Coronel Director Excelentíssimos Servidores do Colégio Militar Reunimo-nos nestes históricos claustros para relembrarmos a vida e obra do fundador do Colégio Militar, Marechal Antó-
nio Teixeira Rebelo, no dia em que faz 186 anos que deixou a vida terrena. Neste mesmo dia, pela madrugada, na companhia dos seus alunos, ele partia, deixando para a eternidade uma obra que tinha iniciado 22 anos antes na Feitoria e que antevia um contributo tão significativo para o nosso país. É importante nestes momentos relembrar e compreender o exemplo do percurso de vida deste grande homem como único e como modelo a seguir. A sua coragem e perseverança estão bem patentes ao longo de toda a sua vida, tendo-o demonstrado desde bem cedo quando, com 14 anos, saia da sua aldeia para se alistar nas fileiras com o objectivo de servir o país. A sua visão de futuro e espíri-
to empreendedor leva-o a criar, em 1803, esta tão nobre casa – o Colégio Militar. Toda a família colegial se reúne aqui nesta ocasião como forma de agradecimento deste nobre projecto fundado solidamente nas virtudes e princípios que fazem com que, durante 209 anos, gerações e gerações estejam unidas em prol do mesmo objectivo – servir Portugal. Tudo isto foi possível graças a este grande benfeitor que soube servir o seu país e deixou as bases para que outros pudessem fazer o mesmo através do legado deixado e a vontade de servir “um por todos” e “todos por um” o mesmo objectivo, mais grandioso que o próprio individuo.
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Colaboração «Escrita e primeiras letras»
José Alberto da Costa Matos 96/1950
«Escrita e primeiras letras»
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queles que, durante as férias de Verão, deitam para o lado os jornais e esquecem os noticiários televisivos ou radiofónicos, nem devem ter dado por nada do que se passou! Mas os demais terão dado conta de que, no passado dia 8 de Agosto, a comunicação social veiculava uma notícia da agência Lusa, segundo a qual o governo decidira não dar luz verde à implementação do 1.º ciclo do Ensino Básico no Colégio Militar, por considerar “não estar demonstrado de forma inequívoca a viabilidade económica e financeira do projecto”. Porque poderá haver quem não seja suficientemente conhecedor do que é isto do tal 1.º ciclo, abra-se aqui um parêntesis para referir que, em Portugal, designa-se por “Ensino Básico” aquele que corresponde à escolaridade obrigatória, o qual tem uma duração de 9 anos e se distribui por três ciclos. O 1.º ciclo abrange quatro anos (correspondendo como que às quatro classes da antiga “instrução primária”), é ministrado em regime de monodocência e envolve a aprendizagem da língua portuguesa, a matemática, o estudo do meio e ainda a expressão plástica.
O 2.º ciclo tem uma duração de referência de dois anos (5.º e 6.º) e é ministrado por professores diferenciados consoante as disciplinas ou áreas disciplinares em que o ciclo está organizado. O 3.º ciclo estende-se por três anos (7.º, 8.º e 9.ª) e tem características organizativas semelhantes às do 2.º. É suposto que, após o Ensino Básico, os alunos possuam os saberes necessários à sua entrada na vida activa ou ao prosseguimento dos estudos, recebendo por isso o correspondente diploma. Os que pretendem continuar a estudar ingressam então no “Ensino Secundário” (uma espécie de 3.º ciclo liceal de antigamente), o qual é leccionado em três anos (10.º, 11.º e 12.º) e tem como objectivo conferir conhecimentos técnicos e científicos em áreas que proporcionem aos discentes adequada qualificação para prosseguirem estudos superiores ou para ingressarem na vida activa, pelo que abarca mais do que uma via educativa. Dito isto, e retomando as notícias vindas a público, concluía-se que o governo, pela pena do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, considerara, a 5 de Agosto, “não estarem reunidas as condi-
ções que permitam iniciar o 1.º Ciclo do Ensino Básico no Colégio Militar no ano lectivo de 2011/2012” (sic). Neste ponto da leitura, aqueles que não acompanharam o processo, devem estar a pensar: “Então, mas agora o Colégio queria ter uma escola primária com miúdos dos 6 aos 10 anos ?! Que estranha ideia era esta... O Colégio tem mais de dois séculos e, que se saiba, nunca teve uma tal «escolinha» ?!!”
É verdade!... Mas, de facto, o Colégio queria (e quer) ensinar, em regime misto e de externato, crianças a partir dos seis anos de idade. A ideia surgiu como uma das possíveis medidas para minimizar os efeitos da diminuição do número de candidatos
Colaboração «Escrita e primeiras letras»
a “meninos da Luz” que se vem verificando desde 2003, que parece ser o corolário de um conjunto de factores (que aqui não vem ao caso analisar), entre os quais se podem citar: a rejeição da sociedade portuguesa por tudo quanto seja ou use a designação “militar”; um certo preconceito em relação ao regime de “internato” (sobretudo, e decisivamente, por parte das mães, quando o actual regime colegial é mais, em boa verdade, o de um semi-externato, se compararmos o número de noites que, em cada semana, um aluno dorme no Colégio e em casa); e também o montante das mensalidades (embora, se tomarmos como referência um colégio com prestígio situado em Lisboa, se constate que este, em relação ao Colégio Militar, sendo apenas mais barato 5 €, todavia não fornece o pequeno almoço, o reforço alimentar a meio a manhã e o jantar, nem a lavagem e tratamento de todo o vestuário, não fornece roupa de cama e respectivo tratamento, não disponibiliza apoio médico e de enfermagem e não proporciona tão enorme diversidade de práticas desportivas, nomeadamente a equitação, esgrima, remo, rugby e pentatlo moderno). Mas voltemos à “escolinha”. A ideia tinha raiz numa prática de alguns estabelecimentos privados de ensino, onde se constata que, terminados os tais quatro anos do 1.º ciclo, os alunos optam por continuar no mesmo colégio nos ciclos seguintes e mesmo no secundário, dele saindo apenas quando transitam para o ensino superior. No tocante ao Colégio Militar, foi o Francisco Cavaleiro de Ferreira (58/1977) quem introduziu tal conceito como modalidade de acção exequível, chegando mesmo a elaborar, há coisa de uns quatro anos, um estudo muito completo para a sua concretização.
O tema foi retomado em 2009/2010, no âmbito da iniciativa “Vamos apoiar o Colégio Militar” conduzida pela AAACM, cujos estudos, largamente participados, e respectivas conclusões vieram a ser expostos quer à Direcção colegial, quer depois ao Chefe do Estado-Maior do Exército, acabando a ideia por merecer a receptividade de ambas as entidades. Na segunda metade de 2010 foram iniciados os trabalhos de planeamento de pormenor, designadamente quanto às infra-estruturas, equipamentos, exigências pedagógicas, pessoal docente, funcionamento, sustentabilidade económica, candidaturas e admissões. Em Dezembro desse ano e em Janeiro seguinte, o Colégio efectuou contactos preliminares e reuniões com a Direcção Regional do Ensino de Lisboa e Vale do Tejo (DREL), com vista a determinar se as acções projectadas satisfariam as exigências do Ministério da Educação para o 1.º ciclo, tendo acatado as sugestões e ajustamentos alvitrados por aquela Direcção. Introduzidos os ajustamentos no projecto, o mesmo foi presente em finais do mês seguinte no Estado-Maior do Exército e, no início de Março, era aprovado pelo respectivo general Chefe. No dia 6 Maio a proposta foi formalmente apresentada ao Ministro da Defesa Nacional (ainda com o governo socialista em exercício). No final desse mês o Ministério apresentou algumas questões e solicitou certos dados complementares que seriam necessários à elaboração de um parecer fundamentado por parte da Direcção Geral de Pessoal e Recrutamento Militar (DGPRM), os quais foram enviados no começo de Junho, voltando porém a ser pedidos mais dados, que foram mais uma vez remetidos. E o tempo foi decorrendo sem haver decisões. Caiu o governo, a 5 de Junho realizaram-se eleições e, duas semanas depois tomava posse um novo governo e um novo Ministro da Defesa Nacional. O tempo voltava a decorrer e aproximava-se a data limite para as candidaturas pelo que o ministério da tutela enviou o processo ao Ministério da Educação para que este se pronunciasse sobre o assunto.
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E a resposta, pelo Gabinete do Secretário do Ensino Básico, não se fez esperar. A 15 de Julho informava “não haver qualquer obstáculo do ponto de vista legal ou pedagógico à abertura do 1.º ciclo do Ensino Básico no Colégio Militar”. Em face desta resposta, o Estado-Maior do Exército deu instruções ao Colégio para abrir o concurso de ingresso no 1.º ciclo e iniciar os procedimentos considerados necessários ao início do ano lectivo de 2011/2012. Mas não tardaria a que tudo se invertesse.
Com efeito, após uma informação em que a DGPRM em que constava que “a implementação do 1.º cíclo do Ensino Básico no Colégio Militar carece de ser integrada num estudo, isento e exaustivo acerca da razoabilidade, viabilidade, sustentabilidade e manutenção dos estabelecimentos militares de ensino secundário, particularmente num quadro de profunda reforma do parque escolar e de reordenamento da rede escolar nacional, não estando reunidas as condições que permitam a iniciativa no ano lectivo de 2011/12”, a 5 de Agosto o Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional proferiu um despacho onde refere: “Considero não estarem reu-
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Colaboração «Escrita e primeiras letras»
nidas as condições que permitam iniciar o 1.º ciclo do Ensino Básico no CM no ano lectivo de 2011/12”, acrescentando que se afigurava que o proposto não cumpria o princípio prioritário do Governo de que “nenhuma medida com implicações financeiras será decidida sem uma análise quantificada das suas consequências no curto, médio e longo prazos e sem a verificação explicita da sua compatibilidade com os compromissos internacionais da República”, e que a “viabilidade do projecto não está suficientemente garantida”. Terminava assim, sem glória para o Exército e para o Colégio, e para desalento de todos, em especial para os pais daqueles que seriam os primeiros alunos da “escolinha”, uma aspiração que fora cuidadosamente estudada e projectada e tinha o acordo do Ministério da Educação. Pegando nas palavras do despacho do Secretário de Estado, esperemos que as condições estejam reunidas no ano lectivo de 2012/2013 se, face ao desenrolar deste processo, então já não subsistir qualquer receio por parte dos pais de futuros candidatos. Mas voltemos ao começo deste, porventura, já fastidioso relato para referir que muitos dos que, desde o início do processo, encararam com algum cepticismo a existência de uma “escola primária” no interior do Colégio, recorriam à tradição colegial para sustentar o modo pessoal como viam tal opção. Afinal, argumentavam, nos mais de duzentos anos da sua existência, nunca o Colégio Militar ministrou tal grau de ensino! Será que de facto foi assim?
Então como era o “ensino primário” até à época em que Teixeira Rebelo deu realidade ao «Colégio de Educação Militar do Regimento de Artilharia da Corte», também
designado por «Colégio da Feitoria»? Recuemos então no tempo e paremos no século XVIII, em pleno «Iluminismo», o movimento cultural de âmbito europeu que colocou em primeiro plano a educação, que pretendia enriquecida nos seus aspectos científicos e amplamente difundida. Mas, apesar de ter sido um fenómeno social de grande alcance, a concretização iria ser lenta e a universalidade do ensino uma meta distante. Nos países católicos o clero e as organizações eclesiásticas (sobretudo a Companhia de Jesus), tinham assumido a exclusividade quase total do ensino secundário, o qual constituía privilégio da burguesia e de alguns elementos da nobreza, sobretudo rapazes, que pretendiam preparar-se para vir a assumir cargos ou posições de poder. Todavia, nem todos eram destinados a uma aprendizagem de nível médio, ou mesmo superior.
O ensino elementar (ler, compreender e escrever) era ministrado também a muito poucos e tinha feição doméstica. Numa casa reuniam-se vários alunos e a aprendizagem era ministrada colectivamente por um mestre contratado para o efeito. Porém, nalgumas vilas e cidades existiam escolas paroquiais destinadas aos que não tinham educação domiciliária. Chegados ao começo da adolescência, alguns rapazes transitavam então para colégios de ensino secundário tutelados por eclesiásticos.
Mas, na primeira metade do século XVIII, era praticamente a Companhia de Jesus que detinha a exclusividade do ensino, não obstante a oposição que lhe era feita por Luís António Verney (1713-1792), que empenhou toda a sua vastíssima cultura, mas também o seu ódio ideológico, no combate à instituição jesuíta, sendo particularmente relevante a sua defesa da língua nacional em detrimento da latina, que era então utilizada e desenvolvida em toda a actividade escolar. Com o falecimento de D. João V, surgem em 1750 litígios entre a Coroa e a Companhia de Jesus quando da execução do Tratado dos Limites, na América do Sul, em que a troco da Colónia de Sacramento, Portugal receberia uma região que constituía uma espécie de «império» da Companhia de Jesus, que organizou e lançou milhares de indígenas numa guerra com Portugal e Espanha que deu lugar ao aniquilamento daqueles. Seria porém a tentativa de regicídio de D. José, em 3 de Setembro de 1758, que proporcionaria ao Marquês de Pombal os argumentos de que necessitava para liquidar a Companhia, ainda que não dispusesse de provas seguras do envolvimento directo da mesma no atentado. A 12 de Janeiro de 1759, era publicada a sentença de expulsão dos jesuítas de todo o território português, com confiscação de todos os seus bens. Os problemas que tal medida gerou no ensino tornaram-se desde logo evidentes.
Colaboração «Escrita e primeiras letras»
Por isso, em 28 de Junho desse ano, Pombal publicou um alvará em que determinava “que no ensino das classes e no estudo das Letras Humanas haja uma reforma geral, mediante a qual se restitua o método anterior à entrada dos jesuítas em Portugal, reduzido aos termos simples, claros e de maior facilidade”, criando também um Director Geral dos Estudos, subordinado ao governo para superintender nos serviços do ensino elementar e médio. O sistema de ensino primário e secundário concebido pela governação do Marquês de Pombal, foi sendo vagarosamente estruturado. Eram poucos os mestres e magras as fazendas para lhes pagar e muitos, sem recursos, acabavam por procurar outros empregos. Decorridos seis anos sobre a publicação do alvará, a situação do ensino nas “escolas menores” não seria muito a desejável. Havia casos em que era o pároco quem se prestava de algum modo a desempenhar a missão de mestre, como foi aliás o caso do pequeno António Teixeira Rebelo, nascido em Silhão nove anos antes do alvará pombalino, a quem o padre de Louredo, vendo nele um miúdo inteligente e interessado, foi ensinando algumas matérias decorrentes da sua condição de ministro da igreja católica, como foi o caso da gramática, do latim, da metafísica, da ética e da lógica.
Por essa altura, em 1762, três anos decorridos sobre as disposições de Pombal, ocorreram dois factos que importa salientar: em Abril, a instituição na fortaleza de S. Julião da Barra de uma aula em que “se dictem liçoens e fação exercicios praticos de
artilharia trez dias em cada semana, hora e meia de manhã, e uma hora de tarde” ; e, no começo de Julho, a nomeação do conde prussiano Guilherme de Schaumburg Lippe para o cargo de Marechal-General do Exército português, com a incumbência de o reorganizar, regulamentar, disciplinar e instruir. No ano seguinte, a fim de poder dispor de pessoal qualificado para o emprego técnico e táctico das mais evoluídas bocas de fogo, Lippe estabelece em cada regimento de artilharia uma aula de matemática e a respectiva biblioteca, aula essa em que, genericamente, se começava por ensinar a ler, escrever e contar, passando-se depois para a gramática portuguesa, lógica e aritmética e, finalmente, para o curso militar, o qual compreendia matemática, geometria, trigonometria, desenho, fortificação regular e de campanha, castrametação, ataque e defesa de praças e exercícios de campo, matérias estas leccionadas por militares estrangeiros a quem teve que recorrer. Aliás foi numa destas aulas que veio a estudar António Teixeira Rebelo. E, em parte, seria devido à experiência de ensino adquirida durante as quatro décadas seguintes pelo Regimento de Artilharia da Corte (S. Julião da Barra) que o então Coronel Teixeira Rebelo foi encontrar suporte para a criação em 1802 do seu “Colégio da Feitoria”, actual “Colégio Militar”. De facto, foi graças à desinteressada colaboração de alguns militares do Regimento que conseguiu os professores necessários à regência das várias cadeiras com que se
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iniciou o primeiro ano lectivo, missão esta de que os mesmos se houveram sem prejuízo dos serviços regimentais, e sem receberem qualquer remuneração ou subsídio além do seu vencimento militar. Para além daqueles a quem incumbia o ensino de certas matérias muito específicas (Fortificação, Esgrima e Moral), contavam-se mais os seguintes: • o sargento JOÃO XAVIER DA COSTA VELOSO, que ensinava “Escrita e Primeiras Letras”; • o cabo ANTÓNIO DA COSTA E SILVA, que ministrava a “Gramática Portuguesa”; • o tenente CARLOS RAIMUNDO XAVIER DINÍS VILAS BOAS, que era professor de “Desenho” • e CAETANO PAULO XAVIER, que leccionava “Matemática”. Conclui-se deste modo que aquilo que o Colégio começou por ensinar eram, afinal, os “estudos menores”, mais tarde denominados “instrução primária”, hoje sofisticadamente designados de “1.º ciclo do Ensino Básico”. Ou seja, a tal “escolinha” agora pretendida encontra afinal a sua raiz na Fundação colegial, assemelhando-se como que a uma espécie de regresso às origens, agora com um diferente propósito. As coisas que a História do Colégio Militar nos ensina !...
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Colaboração As Olimpíadas de Berlim 1936
Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949)
As Olimpíadas de
Berlim 1936 E
m 1936 tiveram lugar os Jogos Olímpicos de Berlim, cidade eleita em 1931 pelo Comité Olímpico Internacional após disputa com a cidade de Barcelona, únicas candidatas à realização deste importante acontecimento que chegaram à fase final. A escolha da Alemanha tinha uma carga política considerável, representando o regresso deste país às competições desportivas após a Primeira Guerra Mundial, ao mesmo tempo que constituía uma compensação pelo facto dos Jogos de 1916, atribuídos a Berlim, terem sido cancelados por força do conflito bélico então existente. Em 1933, Hitler e o partido nazi tomam o poder e logo começaram a surgir posições de segregação racial e de exclusão dos “não-arianos”. Em Abril foi instituída uma política de “somente para arianos” que envolveu todas as organizações atléticas alemãs. Por tal política, de entre outros foram atingidos Erich Seelig (boxe), Daniel Prenn (ténis) e Gretel Bergmann (atletismo), todos atletas pertencentes a clubes e a federações desportivas alemãs. Gretel Bergmann foi mais tarde recuperada. A expulsão destes atletas e as manifestações anti-semitas do governo nazi originaram um movimento de boicote a partir dos Estados Unidos da América, movimento liderado pelo presidente da União Atlética Amadora, Jeremiah Mahoney. Avery Brundage então presidente do Comité Olímpico dos EUA e que mais tarde viria a ser presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), sugeriu mesmo a retirada dos Jogos da Alemanha. Posteriormente, após breve visita
a este país, o mesmo Brundage mudou de opinião afirmando que os Judeus estavam a ser bem tratados e que os Jogos deveriam ser realizados em Berlim, manifestando-se sistematicamente contra o boicote e argumentando que a não participação dos EUA (delegação tradicionalmente muito numerosa) poderia pôr em risco a realização da Olimpíada. Entretanto, Hitler que prometera solenemente que seriam os “Jogos sem Racismo” e dava instruções para que não fossem ostensivas as práticas racistas, conseguiu evitar que o boicote progredisse, sendo igualmente neutralizadas tentativas idênticas que começaram a germinar noutros países. Como curiosidade refira-se que os Jogos Olímpicos de Inverno que se realizaram em Garmisch-Partenkirchen, numa acção que em nada tinha a ver com questões de racismo, foram boicotados pelos esquiadores austríacos e suíços devido à proibição de participação dos instrutores de esqui por serem considerados profissionais (o profissionalismo não era admitido nos Jogos). A Espanha foi o único país inicialmente inscrito que não participou nos Jogos de Berlim, chegando mesmo a propor a realização das “Olimpíadas Populares” em Barcelona. Esta iniciativa acabou por não se realizar por força da Guerra Civil Espanhola que deflagrou em Julho de 1936. Procurando dar uma imagem de que o regime era bom, o governo de Hitler suprimiu campanhas anti-semitas tendo, a pedido do conde Henri de Baillet-Latour (Presidente do Comité Olímpico Internacional), determinado que
fossem retirados cartazes à entrada de bairros e de localidades onde se lia “Juden sindnich terwünscht” – “Judeus não são bem-vindos”, ao mesmo tempo que foram aceites na delegação alemã atletas descendentes de judeus entre os quais Rudi Ball (hóquei no gelo), Helene Mayer (esgrima) e Gretel Bergmann (atletismo) que anteriormente havia sido expulsa da sua federação atlética. Hitler e o governo nazi não se pouparam a esforços para tornar as Olimpíadas um poderoso meio de propaganda do regime. O Estádio Olímpico foi projectado e construído pelos melhores engenheiros e todas as grandes industrias alemãs colaboraram para que os Jogos constituíssem um marco para a glória de Hitler. A 18 de Julho de 1936 foi difundido um memorando por todas as forças de segurança onde se dizia: “O desenvolver grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, é da maior importância para a imagem da nova Alemanha aos olhos de nossos convidados estrangeiros”. Nestes Jogos a Chama foi pela primeira vez transportada por estafeta desde Olímpia na Grécia até
Colaboração As Olimpíadas de Berlim 1936
Berlim, através da Europa, acontecimento em que participaram mais de 3.000 atletas. A 1 de Agosto de 1936, os Jogos foram abertos por Adolf Hitler no moderno e grandioso Estádio Olímpico de Berlim, num espectáculo grandioso donde emergia a esperança do Führer e do III Reich alemão de que os arianos teriam a supremacia e iriam ganhar a generalidade das medalhas. Para ficar para a posteridade, o governo alemão dispensou todos os recursos necessários para que a famosa cineasta ariana com grande dedicação ao regime e realizadora dos filmes de propaganda nazi, Leni Riefenstahl, produzisse o até então mais impressionante documentário sobre as Olimpíadas: “Os Deuses dos Estádios”. No pós guerra, Leni Riefenstahl foi a votada ao ostracismo pela indústria cinematográfica. Para além dos milhares de espectadores que no estádio assistiram à Abertura dos Jogos, muitos outros também tiveram a possibilidade de a acompanhar, bem como algumas das provas mais importantes, através da recém-inventada televisão. O governo nazi, alimentando um culto de superioridade e convencido de que os alemães seriam os melhores nas competições, tinha providenciado, para locais próprios espalhados pelo país, a projecção dos mais marcantes acontecimentos que iriam acontecer no decorrer das Olimpíadas, a qual seria feita em circuito fechado sobre grandes panos brancos rectangulares pendurados verticalmente. No final a Alemanha obteve 89 medalhas, sendo 33 de ouro, seguindo-se-lhe os Estados Unidos com 56 medalhas das quais 24 de ouro. Apesar da maior quantidade de medalhas obtidas pelos atletas alemães, na modalidade mais importante dos Jogos – o atletismo – um grupo de atletas negros norte-americanos conquistou a maioria das medalhas. Jesse Owens, só por si, ganhou medalhas de ouro no salto em comprimento e nas corridas de 100 metros, 200 metros e estafetas 4x100 metros. Conta-se que Hitler, desapontado com estes resultados e após a vitória de Owens no salto em comprimento, se retirou do estádio furioso quando este bateu o record mundial derrotando o campeão alemão Lutz Long. Existem dúvidas se assim terá acontecido ou se Hitler naquele momento já não se encontrava no estádio. A vitória norte-americana, para desespero do regime nazi, não foi possível ter passado desapercebida, não só pelos que a ela assistiram directamente como também pelos que a visionaram através da televisão. Muitos episódios, uns mais interessantes do que outros, terão acontecido ao longo do de-
curso da XI Olimpíada da Era Moderna. Aqui ficam alguns deles. Durante as provas, quando Jesse Owens esteve quase a falhar a tentativa de qualificação para o salto em comprimento, Lutz Long foi conversando com ele orientando-o e encorajando-o. O atleta alemão morreu em combate na Sicília integrado nas tropas da Wehrmacht. Pela sua atitude para com Owens foi condecorado pelo Comité Olímpico Internacional, a título póstumo, com a medalha Pierre de Coubertin. Spiridon Louis, um dos maiores heróis olímpicos e campeão da Maratona quarenta anos antes em Atenas nos I Jogos da Era Moderna, já velho e alquebrado, na cerimónia de Abertura entregou a Hitler um ramo de oliveira colhido nas montanhas sagradas de Olímpia em nome da paz entre os povos. O vencedor da Maratona foi o coreano SohnKee-chung que correu com cores japonesas sob o nome de KiteiSon. O Japão, um dos aliados da Alemanha nazi ocupava a Coreia. Sohn foi obrigado a competir pelos dominadores todavia, com grande frontalidade, coragem e sem receio de eventuais represálias, explicou sistematicamente à imprensa que o seu país era uma nação independente e que estava ocupada pelo Japão. Constrangido, no pódio olhando para o chão, ao som do hino japonês e sob o hasteamento da bandeira japonesa, recebeu a sua medalha de ouro. Nos anos 80, o
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COI reconheceu a sua nacionalidade e cassou a medalha referendada ao Japão. Nos Jogos Olímpicos de Seul (1988), SohnKee-chung, ídolo na sua Coreia natal e grande herói desportivo então com 75 anos, empunhava a tocha olímpica debaixo da grande ovação emocionada do seu verdadeiro povo. Estes breves apontamentos tiveram como finalidade revelar alguns aspectos que antecederam a realização dos Jogos Olímpicos de Berlim e algumas curiosidades com eles relacionadas
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Colaboração As Olimpíadas de Berlim 1936
para chegar ao ponto mais importante – Portugal na Olimpíada de Berlim 1936 e a sua relação com o nosso Colégio. O 15 de 1934, D. Agostinho de Sousa Coutinho, fez-nos chegar, com a amabilidade e delicadeza que o caracterizam, um conjunto de elementos relacionados com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, que integrava o seu Pai e onde Portugal ganhou uma medalha de bronze. A Austrália e as Filipinas foram os outros dois países que também obtiveram apenas uma medalha de bronze. Das 49 nações que participaram nos Jogos Olímpicos de Berlim, somente 32 conseguiram medalhas. A de Portugal foi ganha no Hipismo, no Prémio das Nações, com a seguinte classificação final: Alemanha 44 pontos; Holanda 51,5 pontos; Portugal 56 pontos. A Equipa Portuguesa era constituída pelo Marques do Funchal Capitão Domingos António de Sousa Coutinho (262/1906) – chefe da equipa, pelo Tenente Luiz Falcão Mena e Silva (200/1912) e pelo Tenente José Gil de Gouveia Beltrão (231/1916), todos, como se vê, “Meninos da Luz”. Os Cavaleiros Portugueses, na disputa do Grande Prémio das Nações da Olimpíada de Berlim, utilizaram as seguintes montadas: Capitão Sousa Coutinho – MerleBlanc; Tenente Mena e Silva – Fossette; Tenente José Beltrão – Biscuit. O Marques do Funchal, D. Domingos de Sousa Coutinho (261/1906), após a conclusão do curso da Escola do Exército, frequentou na Escola Prática de Cavalaria em Torres Novas um curso de aperfeiçoamento de equitação que concluiu com classificação muito elevada. Na sua carreira militar foi 2º Comandante e Comandante do regimento de Estremoz, tendo igualmente comandado o regimento do Porto. Ainda no activo, foram-lhe confiadas missões no estrangeiro de remonta de cavalos de desporto e de aquisição de carros de combate.
Tendo passado à situação de reserva com o posto de Tenente-Coronel, foi nomeado chefe das equipas nacionais de hipismo que participaram nas Olimpíadas de Roma (1960) e de Tóquio (1964), desempenhou funções de juiz internacional de provas hípicas e representou a Federação Equestre Portuguesa junto da Federação Equestre Internacional, tendo sido sempre muito estimado e considerado nas altas esferas do hipismo internacional. Pelo seu contributo ao desenvolvimento do desporto, pela Confederação do Desporto de Portugal sob proposta da Federação Portuguesa do Pentatlo Moderno, foi-lhe atribuído o Prémio Personalidade do Século XX. O Coronel Luís Falcão Mena e Silva (200/1912), notável concursista olímpico com actuação de relevo em muitas provas hípicas, para além de Berlim, participou nas Olimpíadas de Roma
(1960) e Londres (1948) onde igualmente ganhou uma medalha de bronze. O Capitão José Gil de Gouveia Beltrão (231/1916) que desde muito cedo se dedicou ao desporto hípico, vencendo diversas provas em que participou, faleceu prematuramente em grave acidente sofrido no campo do JockeyClub quando montava o Squalus. Em 1929 tinha frequentado a Escola de Cavalaria Italiana de Pirenoto. Berlim foi a última Olimpíada antes da Segunda Guerra Mundial. À época, já se ouvia na capital da Alemanha rumores de uma luta que acabaria por devastar a Europa. O conflito eclodiria em 1939, e as duas edições seguintes dos Jogos, programadas para Tóquio/1940 e Londres/1944, foram canceladas.
Colaboração 1961 O fim da Ínsia Portuguesa
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
1961 O fim da Índia Portuguesa O
ano de 1961, quando eu estava no final do meu curso no Colégio, foi um ano horrível para Portugal. Foi o ano do início da guerra em África, foi o ano da perda do forte de S. João Baptista de Ajudá (situado na costa do Daomé) e foi o ano da invasão da Índia Portuguesa pelas tropas da União Indiana. Apesar da distância entre Portugal e a Índia, pode-se dizer que na altura todos os rapazes e raparigas de Portugal tinham familiaridade com a Índia Portuguesa. Aprendíamos então na 4ª classe, a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, bem como os feitos heróicos dos grandes Vice-Reis da Índia, como o Afonso de Albuquerque (o Terrível) e o D. Francisco de Almeida. No 5º ano dos liceus levávamos todos uma esfrega suplementar com os Lusíadas, em que Camões se encarregava de nos ensinar o resto, mas em que o nosso interesse se dirigia com maior intensidade para a leitura da descrição da «Ilha dos Amores». Todos ficamos a saber que era melhor «experimenta-lo do que julgá-lo» mas que «julgue-o, quem não o puder experimentar». No meu caso pessoal, tive desde miúdo uma relação com a Índia Portuguesa. Primeiro por intermédio de um tio meu, na altura o Major Caeiro Carrasco, que para ali foi mobilizado quando eu teria os meus 7 anos e de quem me fui despedir ao cais
de Alcântara. No regresso da Índia trouxe-me como presente um pequeno barco de brinquedo, movido por meio do calor gerado por uma pequena lamparina de álcool, que era um assombro tecnológico na altura e que ainda hoje guardo em minha casa. O segundo contacto que tive com a Índia Portuguesa foi um pouco mais tarde por intermédio de um soldado que foi impedido do meu pai, soldado esse que também foi mobilizado para a Índia e que ficou conhecido na família como o «António da Índia». Ainda no meu tempo no Colégio consegui arranjar-lhe emprego como guarda de um jardim municipal de Lisboa, sua suprema ambição, por ser um emprego em que, como ele dizia, «não se fazia nenhum». Não se pode dizer que fosse um original. Deixemo-nos porém destas divagações ou «arabescos laterais» e vamos ao que interessa. No meu tempo no Colégio a Índia continuou sempre presente. Estava eu no 4º ano, a malta do 7º ano teve uma viagem memorável de fim de curso a Índia. Foram sob o comando do então Comandante de Batalhão, o 176 Luís Filipe Tomaz, que era um aluno brilhantíssimo e que se veio a tornar um reputado especialista em história do Oriente. Desfilaram em Goa, havendo ainda fotos desse desfile no Museu do Colégio. No meu 6º ano o meu «parceiro» de curso, o 61/1956 António Filipe
Tribolet, tinha o seu pai, então major, a comandar o Destacamento de Engenharia da Índia. O Tribolet foi lá visitar o pai durante as férias de Natal e descreveu-me depois como aquilo era. Pouco tempo mais tarde o seu pai terminou a comissão de serviço e foi rendido pelo então major Carlos Granate, que era nosso professor de Geometria Descritiva e sem qualquer dúvida um excelente professor. Era o «Granatão» que a malta do meu curso hoje recorda com respeito e saudade. Eu fui nomeado para me despedir do «Granatão» em nome de todos os seus alunos e ainda hoje me recordo dessa despedida no «incontorrnável» cais de Alcântara. No início do meu 7º ano no Colégio as coisas complicaram-se seriamente na Índia Portuguesa, que era alvo da cobiça da União Indiana desde a sua independência. Por ordem do governo indiano chefiado por Nehru, nos primeiros dias de Dezembro de 1961 os territórios portugueses foram cercados pelas forças da União Indiana. Centenas de pessoas foram evacuadas nos dias 12 e 13 de Dezembro. Quatrocentas pessoas (na maioria mulheres e crianças) partiram a bordo do navio «Índia», enquanto outras seguiam em avião para Carachi. As perspectivas eram as mais sombrias. Uma resistência eficaz por parte das tropas portuguesas era praticamente impossível. O efectivo militar português de
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Colaboração 1961 O fim da Ínsia Portuguesa
cerca de 3500 homens, com armamento obsoleto e escasso, era impotente face a uma força invasora de cerca de 50.000 homens, dispondo de aviação e de grandes vasos de guerra, elementos inexistentes do lado português. Salazar estava ciente dos contornos da situação. Soube-se mais tarde, que a 16 de Dezembro, Salazar enviou uma mensagem ao Governador-Geral da Índia Portuguesa, o General Vassalo e Silva em que dizia textualmente, a dada altura, o seguinte: «Não prevejo possibilidades de tréguas nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». Fácil de escrever sentado à secretária no Palácio de S. Bento, surrealista para quem estava no local sem meios apropriados para se defender. Na madrugada de 18 de Dezembro a União Indiana declarou guerra a Portugal e a invasão começou. A 19 de Dezembro as forças invasoras tomaram Pangim e deu-se a rendição das forças portuguesas. Salazar não perdoou essa rendição ao Governador-Geral, que seguiu para o exílio em França,
onde penso que acabou por morrer. As notícias que tínhamos no Colégio nesses dias cruciais eram escassas e estávamos preocupadíssimos. A nossa preocupação era agravada pelo facto de vários alunos terem familiares seus na Índia Portuguesa nomeadamente um camarada do meu curso, o 5/1954, Eduardo Solano de Almeida, que tinha lá o seu pai, o então Tenente-Coronel Solano de Almeida, que era o piloto-chefe dos Transportes Aéreos da Índia Portuguesa (TAIP). Tanto quanto me recordo fez-se uma velada de armas na noite de 18 para 19, na Sala de Armas, por turnos, com os alunos do 7º ano. No dia 19 não sabíamos o que se tinha passado e em que estado estavam as coisas. Lembro-me bem que estávamos a almoçar normalmente, quando entrou no refeitório o Capitão Manuel Cerqueira, mestre de equitação, que se dirigiu à mesa do comando, ao Comandante de Batalhão, e disse que não compreendia como podíamos estar todos a conversar normalmente, não sabendo se estariam vivos ou mortos os nossos militares na Índia nomeadamente o major Granate e o sargento André, que para lá tinham seguido há relativamente pouco tempo idos do Colégio. Caímos em nós, reconhecemos que o homem tinha razão e ordenou-se de imediato silêncio no refeitório e a abolição de batimentos nas formaturas, como era usual fazer-se no Colégio em sinal de luto. A partida para férias deu-se de seguida, com o pessoal com o moral em baixo pela perda da Índia Portuguesa. Soubemos mais tarde que o pai do 5, o Tenente-Coronel Solano de Almeida, tinha conseguido descolar de Goa, já durante a invasão, pilotando o último avião dos TAIP que partiu daquele pedaço do Império Português. E FOI ASSIM que vivemos no Colégio este episódio da nossa história. Vinte e cinco anos passados sobre a nossa saída do Colégio, lá voltámos em romagem de saudade, para recordar os anos aí passados. Um dos convidados que se reu-
niu connosco foi o «Granatão», então já Coronel reformado. Pedimos-lhe que nos desse uma aula. Não se fez rogado e deu mesmo a aula. Eu fui chamado ao quadro e saí de lá com uma negativa, por já não me lembrar como se determinava a intersecção de uma recta com o Beta 2/4. A seguir de «motu» próprio, falou-nos da Índia e da sua experiencia pessoal como combatente e prisioneiro de guerra. Não se ouvia uma mosca na sala. Acabou por nos contar como se sentira magoado, quando chegado da Índia resolveu ir ao Colégio e foi recebido com «indiferença» pelos seus pares. Tinha decidido não mais aí pôr os pés. Só estava ali naquele dia porque não tinha conseguido dizer que não aos seus alunos. Voltou ainda a acompanhar-nos ao Colégio quando celebrámos os nossos 40 anos de saída. Faleceu pouco tempo depois. Quanto aos naturais de Goa, Damão e Diu, pouco mais se soube deles nos anos seguintes. Foram «brindados» com a sua integração na União Indiana, sem que para tal fossem ouvidos ou achados. Em entrevista dada ao «Notícias Sábado» 264, suplemento do Diário de Noticias de 29/1/2011, o Professor Adriano Moreira, que foi nomeado Ministro do Ultramar pouco antes da invasão, afirmou o seguinte «Eu comparo muito a invasão de Goa com a invasão de Timor, porque a carta das Nações Unidas dizia que tornavam-se independentes todos os territórios com as fronteiras que o colonizador tinha estabelecido e a carta da Unidade Africana diz expressamente que não há alterações de fronteiras. Goa não pertencia ao império britânico, a União Indiana não tinha qualquer legitimidade para invadir, ocupar e integrar Goa. Foi uma total violação do direito internacional e só difere do que aconteceu em Timor porque não cometeram genocídio. O que fez a verdadeira independência de Timor foi a opinião mundial levantada pelas imagens do cemitério, não foi a nossa intervenção nem a inteligência dos discursos»
Nota final: Em meados dos anos 80, cerca de vinte anos após a invasão, em visita a Londres fui jantar a um restaurante em Leicester Square com a minha mulher, onde fomos servidos por um empregado de etnia indiana, que teria uns vinte e tal anos de idade. Ao ouvir-nos falar em português interrompeu-nos e disse-nos com um misto de satisfação e orgulho «Também sou português, sou de Goa». O episódio fala por si, não precisa de comentários.
Colaboração Aparições: A Fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2007
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Aparições: A Fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2007
© Foto Duarte Belo
O
BES Arte & Finança e a Fundação Calouste Gulbenkian tomaram a iniciativa de homenagear a memória do Gérard Castello-Lopes, o 309/1936, no ano da sua morte ocorrida em 20 de Fevereiro passado, promovendo uma exposição dedicada à sua obra de fotógrafo artístico, inaugurada em 23 de Setembro e com encerramento previsto em 12 de Janeiro de 2012, sob o título de “Aparições: A fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2007”. A exposição será em seguida transferida para Paris, e será apresentada no Centro Cultural Calouste Gulbenkian daquela cidade, a partir do mês de Abril do próximo ano. Esta retrospectiva de 50 anos da obra artística do nosso camarada colegial está patente ao público todos os dias úteis, en-
tre as 9 e as 21h00 nas salas do BES na Praça Marquês de Pombal, 3 – B, em Lisboa. Trata-se duma mostra inédita e de uma manifestação de elevado significado para a fotografia em Portugal, com um total de 153 imagens. Com a devida vénia, tomamos a liberdade de transcrever um comentário do Arquitecto Duarte Belo apresentado no seu blog informático “Cidade Infinita”, a quem pertence também a autoria da fotografia aqui reproduzida: Outra particularidade do mundo da fotografia é a impressão, a partir de uma mesma matriz, de imagens em diversos formatos. Também agora podemos ver, lado a lado, imagens de variadas dimensões, que, por
isso, assumem diversas significações. Não é o único na exposição, mas um exemplo notável é a fotografia da ‘pedra’, feita no Guincho em 1987, em que nos são apresentadas cinco diferentes impressões desta imagem enigmática. Um enorme rochedo parece flutuar sobre as ondas. Esta fotografia é uma síntese do trabalho de Gérard Castello-Lopes, do mundo que procurou e que aqui nos deixou plasmado numa única fotografia. Um enorme penedo como que se eleva do mundo subaquático, onde ele próprio fizera as primeiras fotografias. Uma reflexão sobre a imponderabilidade, sobre a ilusão do olhar que a fotografia tão bem explicita, talvez mesmo uma metáfora sobre o sentido de Portugal, a sua existência como Estado-Nação - a relação com o mar de que, ao mesmo tempo, nos queremos aproximar e fugir.
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Colaboração Dom Carlos I, Comandante Honorário do Batalhão Colegial
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Dom Carlos I,
Comandante Honorário do Batalhão Colegial A
o folhear alguns números antigos da revista «O Colégio Militar», encontrei no nº 100, de Julho de 1955, na secção «Evocando o Passado», um artigo que despertou a minha curiosidade. O artigo tinha como titulo «Uma cerimónia no palácio da Ajuda» e era ilustrado com uma fotografia do Príncipe Real D. Luís Filipe, envergando a farda de Comandante de Batalhão do Colégio. Pensei tratar-se de mais um artigo sobre este príncipe mas rapidamente constatei que se tratava de um artigo sobre o seu pai, o Rei D. Carlos, também ele Comandante de Batalhão Honorário do Colégio facto este que é desconhecido de muitos antigos alunos. Penso que este desconhecimento será derivado do facto de não haver qualquer fotografia de D. Carlos, enquanto príncipe real, fardado com o uniforme colegial. A condição de Comandante de Batalhão Honorário do Colégio de D. Carlos é devidamente assinalada na «Historia do Colégio Militar» da autoria do José Alberto da Costa Matos (96/1950). Da página 342 do volume I dessa obra transcrevo o seguinte parágrafo: «Em 1868 o Rei D. Luiz nomeou o seu filho, o Príncipe Real D. Carlos, comandante honorário do batalhão de alunos do Colégio Militar, com o propósito de dar um testemunho de apreço por este estabelecimento, não só como instituição destinada a premiar os distintos serviços do Exercito, mas também para habilitar os filhos dos oficiais do Exercito e da Marinha e ainda outros, a aperfeiçoarem-se nos importantes ramos da ciência militar; proporcionando-lhes simultaneamente os benefícios da educação» Na referida página da história do Colégio Militar está inserta uma fotografia do Príncipe Real D. Carlos fardado, mas não com a nossa farda. O artigo «Uma cerimónia no palácio da Ajuda» apresenta uma transcrição curiosíssima de um outro artigo, publicado em 1933, num número especial da revista «O Colégio Militar», comemorativo dos 130 anos da existência do Colégio. Este último artigo era da autoria do General João
Colaboração Dom Carlos I, Comandante Honorário do Batalhão Colegial
José Pereira Dias (40/1862) que no ano de 1968, em que se passou a cerimónia era o aluno Comandante de Batalhão. Nessa qualidade tomou parte na cerimónia por si descrita em 1933, sendo nessa data,
com mais de 80 anos de idade, o único sobrevivente dos participantes na mesma. Transcreve-se de seguida o artigo citado, que nos transporta numa viagem no tempo de mais de 140 anos. «Corria o ano de 1868. Era Rei de Portugal D. Luiz I, Ministro da Guerra o Coronel de Infantaria José Maria de Magalhães e Director do Colégio o General Augusto Xavier Palmeirim. Por carta régia de 25 de Junho desse ano, publicada em ordem colegial de 13 de Julho, foi nomeado comandante honorário do Batalhão o Príncipe Real D. Carlos, que mais tarde (1889 a 1908) foi o penúltimo rei do nosso país. E era comandante efectivo do Batalhão quem estas linhas subscreve. A referida carta régia foi lida em formação do Batalhão, achando-se presentes o Director, o Subdirector e Oficiais, e uma banda de música regimental, para abrilhantar o acto. À noite, foi iluminada a fachada principal do edifício, na qual fora colocado em lugar de destaque o retrato do Príncipe com a farda colegial. Dias depois, concedeu-nos S.M. uma audiência especial, onde o Director, acompanhado do corpo Docente, dos Oficiais de serviço e de uma deputa-
ção (comandante e ajudante do Batalhão e comandantes de Companhias) representante do corpo colegial, que lhe foi agradecer a honra concedida ao nosso Colégio e, ao mesmo tempo, entregar ao Príncipe Real o mapa da força do corpo que ele passava nominalmente a comandar. A audiência realizou-se no Palácio da Ajuda, onde El-Rei compareceu levando o Príncipe, que na altura tinha pouco mais de 4 anos de idade, pela mão, e tendo também comparecido o Ministro da Guerra. O General Palmeirim agradeceu ao Monarca a Honra que nos havia concedido, e em seguida todos os presentes desfilaram por diante de S.M. e do principezinho, beijando a mão a El-Rei como era da praxe, até que me chegou a vez de igualmente o fazer. Cumprida por mim esta homenagem, entreguei ao Príncipe o mapa da força, dirigindo-lhe a seguinte alocução, que ainda conservo na memória: «Permita-me V. A. Real que, em nome dos meus camaradas, os alunos do Real Colégio Militar, manifeste a V. A. a nossa satisfação pela elevada honra que nos foi conferida, e deponho nas suas mãos o mapa em que se designa a força do Corpo do digno comando de V. A., de cujos sentimentos da mais profunda e sincera gratidão para com V.A. Real me cabe a honra de ser fiel intérprete». Este pequenino discurso, que reproduzo de memória, foi redigido pelo então professor da cadeira de Desenho, Arquitectura e Topografia, Joaquim da Costa Cascais, justamente considerado no mundo literário como prosador, poeta e dramaturgo de elevado merecimento. El-Rei segredou ao Príncipe que agradecesse, e o Príncipe, tomando o mapa nas suas mãos inocentes, respondeu-me: «muito obrigado», e deitou a correr pela sala fora, onde ao fundo, espreitando a uma porta, se encontrava o Infante D. Afonso, seu irmão mais novo. O mapa estava traçado num quadrado, inscrito dentro de um círculo, que representava a roda de uma peça de artilharia, desligada do armão, e tendo cruzadas espingardas e bandeiras, tudo artisticamente desenhado e pintado a cores por um aluno chamado Tavares de Almeida, já falecido, de cujo número me não recordo.
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Tinha apenas duas assinaturas, a minha como comandante efectivo do Batalhão, e a do ajudante, o aluno nº 8, Luís António Alves Leitão, há dias falecido, octogenário como eu. E de todos quantos assistiram no Palácio da Ajuda, a este acto singelo, mas imensamente comovedor, sou eu o único sobrevivente….» Como puderam verificar foi uma viagem no tempo que valeu a pena. Até nos fala do Infante D. Afonso, mais tarde conhecido em Lisboa pelos seus gritos de «Arreda», donde derivou a sua alcunha, com que afugentava os peões que se atravessavam no caminho do seu automóvel, dos primeiros que vieram para Portugal. O artigo transcrito levanta-me três interrogações: Onde parará o retrato que foi exposto na frontaria do Colégio? Onde parará o mapa com a composição do Batalhão que foi oferecido ao Príncipe? O aluno Tavares de Almeida que desenhou o mapa será parente do director do Colégio com o mesmo apelido que foi meu camarada de curso no Colégio? Às duas primeiras perguntas alguém que dê resposta, quanto à terceira apenas posso adiantar que o «artista» de 1868 era o aluno nº 156/1862 João Tavares de Almeida, camarada de curso do autor do artigo (são estas as vantagens de se possuir um exemplar do livro «Meninos da Luz. Quem é Quem».
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Colaboração Definição do diâmetro económico do Adutor de Castelo do Bode
Definição do diâmetro económico do
Adutor de Castelo do Bode
(Uma prévia advertência. Podes passar adiante, mas informo-te que, mau grado o seu título, não se trata propriamente de um artigo técnico, mas tão só o contar de uma história que me aconteceu na minha vida profissional).
N
os anos setenta tive a sorte de ter participado na elaboração dos estudos das “Grandes Obras de Reforço de Abastecimento de Água à Região de Lisboa”, que dada a sua diversidade e complexidade, implicaram a constituição duma grande equipa de técnicos, envolvendo duas das maiores empresas de consultoria existentes à data, que trabalharam em conjugação com técnicos da EPAL(Empresa Pública das Águas Livres). É de referir a excelência da equipa da EPAL que integrava vários antigos alunos do Colégio, o Ernesto Manuel de Andrade e Silva Durão (227/1955) e o José Manuel Fortes dos Santos Ferreira (342/1955), tendo sido chefiada por largo período de tempo pelo Mário José Roncon Santos (333/1955). As referidas obras incluíam um importante adutor, com mais de 100km de extensão. O seu troço inicial estabelecia a ligação entre a barragem de Castelo do Bode e a estação de tratamento de águas da Asseiceira. Seguia-se o troço de maior extensão, que assegurava a adução das águas já tratadas até à região de Lisboa. No âmbito dos abastecimentos de água potável, este adutor continua a ser o maior existente em Portugal. A importância da obra em causa levou a que a definição do valor
do seu diâmetro tivesse merecido a elaboração de estudo económico muito cuidadoso. Não querendo ser fastidioso, não irei enumerar os passos da metodologia adoptada, mas acreditem que foi desenvolvida de forma muito exaustiva. Foram estudadas inúmeras hipóteses de solução, com e sem estações elevatórias intermédias e com valores do diâmetro variando, se a memória não me falha, entre os 1,40m e os 2,00m, tendo-se sido conduzido à seguinte solução: • 1ª fase de obras – construção dum adutor com 1.50m de diâmetro, permitindo aduzir em regime gravítico um caudal de 250 000 m3/dia; • 2ª fase de obras – construção duma estação elevatória, dez anos depois, que quando em funcionamento, permitiria elevar o caudal aduzido para a região de Lisboa para 375 000 m3/dia; • 3ª e 4ª fase de obras eram análogas às duas primeiras fases, atingindo-se no final uma capacidade total de adução de 750 000 m3/dia. Foi um estudo que exigiu um grande investimento de horas aos técnicos intervenientes e que me deu muito prazer em ter participado. Entretanto a EPAL teve que recorrer a um empréstimo do Banco Mundial, para executar a obra. Este facto implicou a deslocação a Lisboa de uma missão do Banco, chefiada por um técnico Chileno de que não recordo o nome (já lá vão mais de 30 anos), de idade rondando os 60 anos. Era um homem de cabelos todos brancos, transmitindo uma grande tranquilidade e que, contrariamente ao que aconteceu com outras missões do Banco, era de uma grande simpatia. Na primeira reunião havida em conjunto, depois de ter ouvido a exposição do estudo que tínhamos desenvolvido, o Chefe da missão começou por fazer um elogio muito simpático à qualidade do mesmo, esclarecendo, seguidamente, que as condições do empréstimo a conceder incluíam um período de diferimento inicial de 3 anos, seguido de um período de 12 anos para amortização do capital emprestado. Terminou a sua intervenção interpelando os presentes se não seria mais aconselhável encontrar solução que permitisse à EPAL não ter que procurar novos empréstimos,
Colaboração Plácidas tardes de Outono
enquanto não tivesse terminado o pagamento do que estava agora em negociação (na solução seleccionada ter-se-ia que procurar novo empréstimo, ainda com 5 anos por amortizar). De imediato se analisou o nosso estudo, onde se identificou que a solução que permitiria obter tal objectivo, passava pela definição do diâmetro 1,80m. Tendo-se constatado que se tratava de uma solução bem classificada no estudo económico desenvolvido, embora nos tenha sido solicitada uma nova ponderação, a mesma recebeu logo uma boa aceitação dos presentes. E esta é a história da definição do diâmetro do adutor de Castelo do Bode. Devo confessar que na altura, como principal responsável pela metodologia desenvolvida, senti uma certa frustração. Mas reconhecendo a justeza dos considerandos apresentados, rapidamente aderi à solução “sugerida”, com tanta simpatia, pelo Técnico do Banco Mundial.
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Perante esta história tenho que dar alguma razão ao “Economista” da velha anedota, que ao ser interpelado pelo Chefe que, anteriormente, lhe tinha posto a questão de saber quanto eram 2 mais 2, lhe respondeu que lhe faltava um dado, saber qual o resultado que o Chefe pretendia. Dá também para perceber como em Portugal, com tantos economistas de renome, situados na mesma área política, no momento difícil que atravessamos, não haja consenso nas soluções a adoptar. Concluindo e parafraseando gente importante desta terra, é bem verdade que … ... ”há mais vida para além dos números”.
Eduardo José Moreno Castelo Branco Cary 242/1950
João Carlos Agostinho Alves 110/1996
Plácidas tardes de Outono
A
inda que o sol nos tente (e talvez esteja a conseguir…) convencer que em Outubro é que chega o pico do Verão, o fim do dia que tende a ficar mais curto o que lá nos lembra que já estamos no Outono. E, ao voltar para casa ao fim do dia em que o sol se esconde cada vez mais cedo, sou frequentemente assaltado por memórias das tardes em que voltava à mesma hora das aulas para o Corpo de Alunos. Recordo com particular saudade as tardes de quarta-feira, dia de saída a meio da semana, mas que rapidamente se converteram em dias de divertimento acrescido. Se inicialmente ia sempre a casa nesses dias, isso depressa mudou para poder ficar no Colégio a jogar à bola com os amigos, para ir às sessões de cinema no
anfiteatro, pelas brincadeiras ou o simples “dolce farniente” pela camarata ou pelo geral da companhia. Olho agora para esses dias e lembro-me dessa altura em que a principal preocupação que nos assaltava era se íamos conseguir arranjar lugar num dos campos para jogar à bola... E ainda que nos lembremos também de dificuldades e momentos mais complicados, com o passar do tempo o nosso cérebro torna-se cada vez mais selectivo e escolhe principalmente as boas memórias, ficando os jogos de bola, os desportos inventados para ocupar os intervalos (alguns bem palermas, há que reconhece-lo), os amigos... Sou invadido por um sentimento de nostalgia, ao recordar essas plácidas tardes de Outono...
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Colaboração Cloud Computing
José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995
Cloud Computing C
loud Computing ou como dizemos em português, Computação em Nuvem é um conceito relativamente novo, mas uma ideia já muito antiga. A criação de um Super Computador, capaz de realizar tarefas instantaneamente, sem qualquer tempo de espera entre o pedido do utilizador e a resposta da máquina é o sonho de todos os que usam computadores. Quem não desespera enquanto aguarda que o computador termine alguma tarefa, grave um documento, abra uma página ou carregue o Sistema Operativo? A ideia deste paradigma seria criar uma máquina rápida e que não nos fizesse esperar, mas, quanto maior é a capacidade de processamento, maiores e mais complexas são as tarefas que atribuímos aos nossos PC’s. A ideia inicial do Cloud Computing não nasceu para satisfazer directamente o utilizador. O Cloud Computing nasceu quando os especialistas se aperceberam que o desenvolvimento de Super Computadores, desenhados especificamente para processarem bases de dados ou para decifrar chaves criptográficas, ficavam rapidamente obsoletos. Há muito que nos apercebemos das vantagens da Internet e as suas inúmeras aplicações, mas só há pouco tempo é que a comunidade científica decidiu utilizar verdadeiramente a Internet para criar vários Super Computadores. Com a disseminação do computador pessoal o mundo está repleto de máquinas que durante a maior parte do tempo que estão ligadas não utilizam por completo os recursos que têm disponíveis. Tanto a nível de processamento como de memória os PC’s são subaproveitados pelo utilizador convencional. O Cloud Computing é constituído por uma rede de computadores, a nuvem, que permite a algumas organizações utilizarem os PC’s dos seus afiliados (nós) para que possamos contribuir para um bem comum. A corrida pela descodificação do Genoma Humano só pode ser feita com o recurso a todas as
máquinas que estão espalhadas pelo mundo. Nos períodos em que as máquinas estão ligadas, mas não estão a ser utilizadas, criam uma nuvem de computadores com uma imensa capacidade de processamento que é utilizada para fins científicos. Este conceito de corporativismo está a crescer e a ganhar novos contornos. Os fins científicos que inicialmente foram propostos à comunidade mundial estão a ser postos em causa, visto alguns especialistas teorizarem sobre a possibilidade deste exército de máquinas zombies, disponíveis para
processar informação com uma velocidade superior àquela que alguma vez foi processada em toda a história, estarem a ser utilizada para fins menos científicos e mais militares ou mesmo terroristas. O conceito de Cloud Computing pode estender-se a outras áreas da computação como a do alojamento de dados. A possibilidade dos utilizadores, em qualquer lugar terem acesso aos seus documentos da mesma forma como tinham em casa é algo que fascina quem utiliza os Sistemas de Informação com alguma frequência, visto possibilitar a
utilização de computadores diferentes em locais diferentes, mas sempre com o acesso aos seus documentos pessoais. Se somarmos a panóplia de aparelhos que somos obrigados a usar diariamente, tablets, computadores, telemóveis, televisão interactiva... Percebemos que a disponibilização dos ficheiros pessoais de uma forma global traz inúmeras vantagens. Como sempre estas plataformas de Cloud Computing têm que ser utilizadas com conta, peso e medida, as questões de segurança estão diariamente a ser questionadas. A ideia de ter dados sigilosos em computadores públicos, mesmo que protegido por password e avançados meios de encriptação criam sempre alguma desconfiança ao utilizador. Ferramentas como o dropbox.com e o skydrive.live. com(drives virtuais gratuitas para armazenamento de ficheiros) ou o docs.google. com (conjunto de aplicações de escritório como processadores de texto e folhas de cálculo) ou mesmo o cloudo.com (ambiente de trabalho online semelhante ao ambiente de trabalho de um Sistema Operativo), estão a criar um conjunto de utilizadores dependentes deste tipo de tecnologia que não conseguirão trabalhar de outra forma. Tornar o trabalho mais simples é algo que este Cloud Computing tenta trazer ao mundo empresarial e pessoal. Deixar de andar com CD’s, Pen’s e outros dispositivos físicos de armazenamento de dados é já algo do presente e não um objectivo para o futuro. Mais do que uma tecnologia é um conceito novo, algo que foi criado para não ser testado em laboratório, mas directamente na casa do “cliente”. As grandes empresas do mundo das tecnologias estão certas de que será uma aposta de futuro e estão a migrar parte das suas plataformas para a nuvem. Esperemos que o pensamento de da Vinci não se aplique neste caso, “São fúteis e repletas de erros as ciências que não nasceram da experimentação, mãe de todo conhecimento”.
Colaboração Reconhecimento
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Mário Maria Duarte Afonso Camões 401/2000
Reconhecimento E
ra um dia perfeitamente comum de aulas na minha universidade, só que ia ter um exame a uma cadeira dentro de alguns minutos. Era uma Quinta-Feira e as novidades do fim-de-semana anterior já teriam sido partilhadas, pelo que não restava mais nada à conversa senão umas últimas revisões da matéria e de especulação de possíveis ratoeiras que poderiam presentear o nosso exame que se aproximava. Estávamos cinco amigos reunidos no pátio central da faculdade, pouco convictos de que as próximas duas horas seriam agradáveis. A cadeira era especialmente complicada e era visível a que a disposição não era espectacular. - Vamos então? – Suspirou uma amiga nossa sem grande vontade de sair efectivamente dali. - Vão andando que eu vou só ali… - respondi. - Fazer o quê!? Anda lá que já só faltam dez minutos e o auditório é longe! – Retorquiu nervosamente outro dos meus colegas. Não respondi dirigindo-me já apressadamente de encontro a rapaz que se estava no outro lado do pátio e sorri: - Estás todo bonito hoje! Qual a ocasião? Era o Ceriz (46/1998), vestia um blazer e calças de sarja beges e sapatos de vela. Na lapela, está claro, a barretina! - Tenho uma apresentação de um trabalho, não brincamos em serviço! – Respondeu rindo-se da abordagem. - Muito bem! Boa sorte então, a gente encontra-se daqui a um bocado para um café! Corri um pouco para alcançar o grupo de colegas que me acompanhavam anterior-
mente e fui logo confrontado com o sucedido. Perguntaram-me se eu já não o via assim há tanto tempo para o ir cumprimentar daquele jeito. Respondi que não. A Joana, uma amiga mais próxima e que já conheceu muitos antigos alunos do Colégio, decidiu avançar: – Não vale a pena discutir, eles são todos assim! Não reparaste que ele tinha um pin no blazer? É porque é ex-aluno do Colégio Militar! Eles parecem a família do “Padrinho” a tomar conta uns dos outros, irmãos até! Eu percebo logo quem é ex-aluno de lá quando vejo o Camões a falar com alguém. Parece diferente…enfim. Achei piada à constatação da minha amiga. Acredito que haja algo diferente na
forma como nos relacionamos uns com os outros. Na minha faculdade existem mais de dez antigos alunos a estudar e quase todos de cursos de entrada e saída diferentes, o que significa que não dormimos propriamente na cama do lado uns dos outros. Mas talvez haja sim, um reconhecimento, uma marca invisível porém indelével presente em cada um de nós que nos faça relacionar de uma forma especial. Uma coisa é certa: todos partilhámos o mesmo tecto durante os oito anos mais importantes da nossa formação e isso, é impossível negar. Reconhecemos nos outros aquilo que nós identicamente aprendemos e vivemos! Como poderíamos ser indiferentes?
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Colaboração Projecto Fim do Império
Projecto
Fim do Império O
projecto Fim do Império é um trabalho, essencialmente em regime de voluntariado, iniciado há cerca de três anos e que tem envolvido vários antigos alunos do Colégio Militar. A primeira vertente começou em Janeiro de 2009, na Livraria-Galeria Municipal Verney/Colecção Neves e Sousa, como iniciativa do Núcleo de Oeiras e Cascais, presidido pelo coronel Ataíde Montez, pai de antigos alunos do CM, sendo uma tertúlia mensal realizada à terceira terça-feira às 15h00, três da tarde, o que facilita a sigla «333», fácil de decorar. Por ela têm passado vários antigos alunos, quer na qualidade de prelectores, como o General António Barrento (40/1948) ou o Major-General Pezarat Correia (10/1943), quer na de participantes, como Tenentes-Generais Gabriel Teixeira (315/1947), do Conselho Supremo da AAACM e Vasco Rocha Viera (127/1950); Coronéis Roberto Durão (15/1942), Oliveira Soares (332/1947), Raul Folques (380/1952), Fernando Robles (79/1951) e Ribeiro da Fonseca (4/1952); Engenheiros Myre Dores (47/1942) e Pedro Lagido (330/1947); Drs António Carrelhas (159/1947), embora resida normalmente no Brasil, Sena e Silva (149/1948) e Manuel Vieira Pinto (382/1949), Mello e Motta (48/1945) e Pereira da Rosa (280/1949). A próxima sessão será em 15 de Novembro de 2011, integrada no 6.º ciclo da tertúlia, Olhares sobre a Índia, com o livro Sortilégio da Cobra, do tenente-general Mário Jesus da Silva (136/1949), já falecido, cunhado do Coronel Rio de Carvalho (124/1945), presidente da mesa da assembleia geral da AAACM, que será apresentado pelo General António Barrento (40/1948).
Sociedade Histórica da Independência de Portugal 1.a sessão - 26 outubro 2011, 16h00: Apresentação do 5º volume da coleção Fim de Império, Arcanjos e Bons Demónios, do ex-alferes miliciano em Angola, Daniel Gouveia.
2.asessão - 23 novembro 2011, 16h00 - Ciclo Olahres sobre a Índia: A Morte do Herói Português - Da Guerra em Angola à Invasão de Goa, um testemunho, do professor doutor Valentino Viegas. Apresentação do professor doutor Adriano Moreira.
3.asessão - 14 dezembro, 16h00: Sirius, do engenheiro Marques da Silva. Apresentação do coronel Carlos Matos Gomes.
4.asessão - 25 janeiro 2012, 16h00: Revisitar Goa, Damão e Diu, Obra colectiva. Apresentação do Tenente-general Chito Rodrigues, preseidente da direção central da liga dos Combatentes, e do coronel engenheiro Rogério Taborda, presidente do Núcleo Impulsionador das Conferências.
Na sessão seguinte, a 6 de Dezembro (por causa da quadra do Natal), será lançado o 6.º livro da colecção Fim do Império, Memórias do Oriente, obra póstuma do Coronel Luís Dias Antunes (221/1948), que integra textos do Capitão Carlos Dias Antunes (212/1939), Coronel Roberto Durão (15/1942), Capitão de Mar-e-Guerra Seixas Serra (30/1947), Dr. António Carrelhas (159/1947), Eng. António Nogueira (262/1948), Eng. Mendes de Almeida (285/1948), Dr. Vieira Pinto (382/1949) e Manuel Barão da Cunha (150/1948), coordenador do projecto. A edição será apresentada pelo Major-General António Marquilhas (67/1944). Desde Outubro de 2011, o projecto integra outra tertúlia, realizada em Lisboa, no Palácio da Independência (onde deixávamos as armas, quando íamos à igreja de S. Domingos, no 3 de Março), às quartas quartas-feiras, às 16h, quatro da tarde, pelo que nos socorremos da «fórmula» «444». O ciclo sobre a Índia encerra em 25 de Janeiro de 2012, com a apresentação do livro Revisitar Goa, Damão e Diu, pelo Tenente-General Chito Rodrigues
Colaboração Projecto Fim do Império
(presidente da Liga dos Combatentes) e pelo Coronel Taborda e Silva (92/1940), que também integra textos de Eng. António Brotas (30/1940), Coronel Roberto Durão (15/1942), Major-General Pezarat Correia (10/1943) e Almirante Brito e Abreu (141/1949). A outra vertente do projecto consiste na colecção literária Fim do Império que conta, desde 6 de Dezembro de 2011, com seis livros e uma separata com bibliografia sobre o período do fim do império. Dois desses livros são de antigos alunos e têm referências ao Colégio Militar, para além de colaborações de outros antigos alunos, como já se referiu a propósito de Memórias do Oriente. Mas, também Tempo Africano integra pos-fácios do Almirante Ribeiro Pacheco (163/1944) e do Tenente-General Rocha Vieira (127/1950) e colaborações de Sena e Silva (149/1948), Ruben Domingues (196/1948), Góis Pinto (201/1947), António Carrelhas (159/1947), Álvaro Varanda (347/1948) e Dias Antunes (221/1948). Os livros da colecção Fim do Império são editados pela DG Edições, onde contamos com o excelente apoio de Daniel Gouveia, e
6ociclo da tertúlia FIM DO IMPÉRIO “Olhares sobre a Índia“ Livraria-Galeria Municipal Verney Rua Cândido dos Reis, 90, no centro histórico de Oeiras Iniciativa do Núcleo de Oeiras e Cascais da Liga dos Combatentes com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras
1º Encontro, 18 de OUT de 2011, (3ªf), 15h: lançamento do 5º livro da Coleção “Fim do Império“, “Arcanjos e Bons Demónios“, do editor Daniel Gouveia, com o autor; “Olhares sobre a Índia“ 2º Encontro, 15 de NOV de 2011, (3ªf), 15h: “Sortilégio da Cobra“, do Ten.-Gen Mário Jesus da Silva, apresentado pelo Gen. António Martins Barrento; 3º Encontro, 15 de NOV de 2011, (3ªf), 15h: lançamento do 6º livro da Coleção “Fim do Império“, “Memórias do Oriente“ do Cor. Luís Dias Antunes, apresentado pelo Maj. António Marquilhas; 4º Encontro, 17 de JAN de 2012, (3ªf), 15h: “Enquanto se Esperam As Naus do Reino“, do Cap.-Mil.Cav. João Aranha Meneses, com o autor e Dra Ana Vieira de Castro.
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estão à venda na AAACM, revertendo uma parte da receita para a própria Associação. Tem, também, havido sessões pontuais de divulgação do projecto, nomeadamente: em Novembro de 2010, no Porto, com excelente apresentação de Coronel Costa Matos (96/1950), presidente do Conselho Supremo da AAACM; em Maio de 2011, em Évora; em Setembro, em Lagoa, com uma excelente apresentação por parte de Rocha Vieira (127/1950); em Outubro, no Porto. Seria interessante, em 2012, equacionar a hipótese de realizar uma na própria AAACM, em articulação com o Colégio, tanto mais que o coronel José Banazol é, simultaneamente, Vice-Presidente da AAACM e Secretário-Geral da Comissão Portuguesa de História Militar, Instituição que apoia o projecto, conjuntamente com a Liga dos Combatentes, Município de Oeiras e Sociedade Histórica de Independência de Portugal, cujo Presidente da Assembleia Geral é o Tenente-General da Força Aérea Baptista Pereira (318/1947). Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948
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Recordando Memórias da Índia
Memórias da Índia Nota prévia da Redacção Em Dezembro de 1961, deu-se a invasão da Índia Portuguesa pelas tropas da União Indiana. Cinquenta anos passados sobre tal acontecimento, que foi vivido no local por vários Antigos Alunos, que aí estavam colocados em comissão militar, achámos que seria interessante e oportuno publicar na nossa revista o testemunho de alguns desses Antigos Alunos. Nesse sentido, contactei o meu grande amigo, Mário Baptista Coelho (55/1946), o “Bill” que na altura era Oficial da guarnição do NRP Afonso de Albuquerque, navio este que se fez ao mar e que deu batalha às forças navais da União Indiana. Como seria de esperar, comecei por enfrentar uma recusa, mas passado algum tempo acabei por ter a sua colaboração, não sob a forma de artigo, mas sob a forma de carta.
Com a permissão do “Bill”, publicamos de seguida a sua carta, à qual retirámos apenas a sua parte inicial, que era de carácter estritamente pessoal. Consideramos este testemunho valiosíssimo e esperamos que esta opinião seja compartilhada por todos os leitores. Agradecemos ao “Bill” esta sua colaboração e esperamos que a mesma tenha continuidade em mais histórias interessantes da sua vida, de andarilho dos sete mares, que connosco queira partilhar. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Mário Jorge Santiago Baptista Coelho (55/1946)
“Sobre a Índia e a invasão já muita gente escreveu contando honestamente a sua verdade, sim porque nestas coisas de guerra o mesmíssimo facto é visto por cada um de forma diferente sempre com a tendência da pessoa se colocar no centro da acção. Por essa razão meu caro Luís não te vou contar nada da invasão em geral ou mesmo em particular do Afonso de Albuquerque onde eu estava embarcado.
Vou-me limitar a contar-te coisas talvez sem muito interesse para a maioria das pessoas, mas que para mim contaram e ainda contam muito. São pequenas histórias soltas que só aconteceram porque se deu a invasão e eu fui apanhado nesta embrulhada. Vou-te falar da minha nomeação para a Índia, da minha instalação em Caranzalem, da minha criada Rosário, da minha ida ao hospital ver o Comandante
Aragão e das consequências dessa visita, da vida no campo de prisioneiros de Pondá e enfim, penso que não resistirei, a falar mesmo que pouco sobre a recepção em Lisboa. Na minha viagem de Guarda-marinha em 1957 passámos por Goa e eu fiquei encantado com a terra, com as gentes e com a comida e fiquei com a ideia fixa de lá voltar. Em 1961 era eu 2º tenente e tinha acabado de me especializar em Comunicações e fui voluntário para servir na Estação Radionaval de Goa. Não fui nomeado para a estação mas sim para Chefe do Serviço de Comunicações do NRP Afonso de Albuquerque onde me apresentei a 10 de Outubro de 1961, depois de uma viagem de 20 dias no N/M Rovuma com a minha mulher e dois filhos, o Pedro e a Raquel de 19 e 7 meses. E refiro isto para te dizer que a ida da minha mulher e filhos foi autorizada pelo Ministro da Marinha que não podia deixar de estar ao corrente da situação na Índia Portuguesa. Eu não estava mas mesmo que estivesse se fosse nomeado tudo bem, terem-me autorizado a ida da minha mulher e dos filhos, essa é que eu não sou capaz de perdoar.
Recordando Memórias da Índia
Uma coisa que eu só soube à chegada a Goa, é que o navio estava à minha espera para ir para Karachi para entrar em doca seca para limpar o fundo e fazer pequenas reparações. E assim foi, dois dias depois arranquei para Karachi deixando mulher e filhos em Caranzalem numa casa que os camaradas do meu curso que já estavam no Afonso tinham alugado para mim, onde meti os tarecos que tinha levado. Regressei penso que por meados de Novembro a Goa, mas praticamente sem hipóteses de ver a família, porque começaram idas a Damão, Diu e Angediva. Entretanto logo à chegada em Outubro arranjei uma criada - a Rosário – que não estava autorizada a falar com os miúdos em português, só em concanin e a verdade é que quando regressei de Karachi os miúdos já percebiam o que ela dizia. Dá-se a invasão e a guarnição do Afonso foi para o Clube Militar Naval de Goa que ficava a dois passos de minha casa e da casa da Rosário. Um dia, acompanhado por um capitão indiano, fui a minha casa com a Rosário e dei-lhe tudo o que tinha em casa desde os móveis ao papel higiénico. Durante o período em que estive preso, até Maio de 1962, a Rosário visitou-me sempre que havia autorização e levava-me tudo o que podia desde os cigarros às bolachas e ia ouvindo as emissões da Emissora Nacional em que a minha mu-
lher e muitas outras iam falar, dizendo sempre a mesma coisa, pois a censura não autorizava mais. A coisa era tão estúpida que quando faleceu a minha Avó em Janeiro de 1962 tudo que puderam dizer era que ela andava adoentada. Não contente em dar-me o apoio que podia a Rosário ia escrevendo cartas a mim e à minha mulher em Lisboa, melhor dizendo, ia ditando cartas a um escriba, pois ela não sabia escrever. Mandou-nos várias que guardo religiosamente, mas há uma para mim e outra para a minha mulher que não resisto à tentação de inserir nestas linhas. Outra história que te vou contar, só agora é que dá para rir. Como disse antes de irmos para o Campo de Prisioneiros de Pondá, a guarnição do Afonso esteve no Clube Militar Naval de Goa e, como o Comandante Aragão tinha sido ferido e estava no hospital em Pangim, os indianos autorizaram que todos os dias fossem dois oficiais do navio visita-lo. Um dia calhou-me a mim e lá fui, mas com tanto azar que enquanto eu andava na visita, apareceu no Clube Militar Naval um jornalista goês que se dispôs a enviar telegramas para Lisboa dando a notícia de que estavam vivos e bem. Simplesmente eu e outro oficial não estávamos lá portanto nada de telegramas. Todas as mensagens e telegramas iam pa-
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rar directamente ao gabinete do Ministro da Marinha e a reacção natural foi de que se não dão notícias pode ser que estejam mortos. Com o andar dos dias esta dúvida começou a tornar-se quase uma certeza e a minha Mãe com formação católica nas Doroteias, ao 7º dia não aguentou mais. Decretou luto, toda a família passou em casa para dar os pêsames e a minha Mãe mandou celebrar a missa do 7º dia na Igreja de Santo Condestável em Campo de Ourique. Fomos transferidos para o Campo de Pondá e o mesmo jornalista voltou a aparecer e a oferecer-se para enviar telegramas e desta vez aproveitei a boleia e também mandei. Entretanto estava previsto que o N/M Índia onde regressaram todas as mulheres e crianças a Lisboa, entre ela as minhas, atracasse no cais da Alcântara ao fim da tarde do dia 29 de Dezembro. Para não chocar a minha mulher a família decidiu levantar o luto e só comunicar-lhe a minha “morte” no dia seguinte. Sucede que o meu telegrama chegou ao gabinete do ministro na mesma altura que o N/M Índia estava a atracar em Alcântara e aconteceu que um oficial de marinha que era o comandante do último avião dos TAIP que saiu de Goa, se apercebeu da situação e foi a correr a Alcântara para avisar a minha mulher que eu estava bem. Quando se juntou á família,
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Recordando Memórias da Índia
ralmente má, mas o imediato, um brahama muito britânico rapidamente explicou que não vinham visitar os vencidos mas cumprimentar os companheiros de armas que o destino fez que tivessem que combater. Convenceram-nos quando cada um sacou uma garrafa de whisky de bolso e bebemos um copo juntos. Isto já vai muito longo e para terminar meu caro Luís vou-te dizer que regressei a Lisboa no N/M Vera Cruz que manteve um excelente serviço a bordo, apenas se limitaram a desembarcar o pessoal feminino. Chegámos a Lisboa muito cedo e ficámos a pairar ao largo da entrada do Tejo. Quando atracámos em Alcântara, no cais estava uma companhia da PM formada em xadrez com as FBPs apontadas para o navio e a estibordo do lado do mar ela evidentemente disse que sabia que eu estava bem e é claro foi tida como não estando a regular bem. O raio do telegrama foi entregue em minha casa às 9 horas do dia seguinte e aí toda a gente respirou de alívio e eu, dentro dos princípios da minha Mãe, tive direito logo de seguida a uma missa de acção de graças. Entretanto eu continuava no Campo de Prisioneiros de Pondá, alojado com mais sete oficiais do Afonso num quarto que era em tempo normal para um alferes de engenharia, dormindo num colchão de arame e tendo como colchão o cartão de um frigorífico que não sei onde fui arranjar. Isto não seria mau se não houvesse que queimar o colchão de arame todas as semanas para matar os percevejos que pareciam pára-quedistas e se deixavam cair do teto. Este quarto e os outros quartos, tinham uma casa de banho com chuveiro mas a água só aparecia por volta das 4 da manhã, o que obrigava a ficar um de nós acordado até a água chegar, tomava banho e depois íamo-nos acordando em cadeia. Penso que a única coisa que estava em minha casa e que eu guardei foi uma telefonia que à noite estava ligada cá fora para se ouvirem as mensagens das famílias. Passado pouco tempo, porque aquilo que a censura deixava dizer era tão pouco, as
mensagens eram sempre iguais e já ninguém estava para ouvir. Comida foram praticamente 6 meses a comer uma espécie de sopa de couve branca que não era mais do que água com umas couves a boiar, mas lá se ia comendo aquilo mais as coisas que as visitas de goeses nos traziam. Um dia tivemos a visita inesperada do imediato e mais 3 oficiais de uma das fragatas que tinha estado em combate com o Afonso. A nossa primeira reacção foi natu-
estavam 2 lanchas da Policia Marítima navegando em sentidos opostos. Na chegada o pessoal de Marinha foi bem tratado, foi de autocarros para a Doca da Marinha onde veio o Ministro da Marinha, CEMA e muitos almirantes desejar as boas-vindas dando-nos 5 dias de licença. O pessoal do Exército foi uma vergonha, foram carregados em comboios como gado e dispersados por todo o País.
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N.B. Peço em especial para que responda-me esta carta com brevidade possível Caranzalem, 22 de Fevereiro de 1962
Caranzalem 12/4/62 Goa .Índia Exma. Sra. Mónica Primeiro que tudo estimarei imenso que esteja boa de saúde e que o seu marido também vá bem. Ficamos imensamente satisfeitos em recebermos a carta da Senhora que infelizmente não pudemos responder há mais tempo pois, a nossa mãe estava doente. Fui há dias visitar o seu marido no campo de Pondá. O Sr. Tenente ficou muito contente em lá nos ver. Ele felizmente está bom de saúde e, nós temos feito o pouco que podemos. De vez em quando mandamos lá algumas encomendas. Nós lembramos muito da Raquel e do Pedro. Infelizmente não tivemos a sorte de ver a Raquel andar e falar. Quando li a sua carta fiquei muito contente em saber que ela já fala e anda. Quando tiver outra oportunidade em ir visitar o seu marido no campo de Pondá, lá estarei. Quando a Sra. fala na Emissora de Lisboa eu sempre ouço e fico bastante satisfeita. Os companheiros do Sr. Tenente também vão bem. Nós felizmente vamos bem de saúde. Enviamos muitos beijinhos aos seus filhos. Peço que apresente os meus cumprimentos á família da senhora em França. O Aship manda-vos muitos beijinhos. Todas as pessoas de Caranzalem estão boas. A minha irmã teve uma filha que infelizmente tem um defeito na boca. Peço também o favor de apresentar os nossos cumprimentos á família do Sr. Tenente. Com toda a nossa amizade Abraços á Sra. e beijinhos aos pequenos Rosário
Exmo. Sr. Tenente Queira Deus que ao receber esta minha pobre carta, esteja o Sr. Tenente a gozar duma boa saúde. Peço desculpar-me, mas esta já é a segunda carta que eu te escrevo, em virtude de não ter notícias da primeira carta que foi enviada por intermédio Sr. Cap. Fangueiro. Peço eu com a minha gratidão, para que o Sr. Tenente não tenha ressei em pedir comigo, coisa qualquer que desejar e necessitar, não julga que não farei o possível de o enviar, porque, desde momento que tem uma facilidade de enviar coisas por via da Cruz Vermelha, não ficarei pobre fazendo esses possíveis. Peço para que me escreva e manda pedir as coisas necessárias, para assim eu poder enviar para outra oportunidade. Tenho a dizer que hoje, fizemos entrega na Cruz Vermelha em nome do Sr. Tenente o seguinte: 3 latas de fruta em calda, 2 dúzias de bananas, 1 pacote de bolachas, 2 maços de Tabaco Albany e um Pão-de-ló. Tenho a dizer que o pão-de-ló está um bocado fumado e por isso não leva a mal. Tenho a dizer mais que em tempo recebi uma carta da tua esposa e lendo-a ciente e satisfeito estou. Ela pediu-me que colhesse notícias do Sr. Tenente e escrevesse, para assim ela estar mais seguro e consolado. Já recebi a carta recebida da sua esposa. Alegrada da nossa vida ficamos, quando ouvimos as vozes da tua querida mãe e esposa, no Rádio da emissora Nacional. Também satisfeita ficamos, quando ouvimos da boca da tua esposa, que a Raquel já tem 3 dentes e com mais um da Índia. (Goa). Mesmo assim estamos sempre com os ouvidos atentos, para ouvir mais notícias, que esperamos da tua querida esposa falando pelo Radio. Termino esta com abraços de saudades de todos da minha casa De sincera e grata Rosário
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas
Tropas Pára-quedistas Rafael Ferreira Durão (11/1941)
N
a Revista da Associação número 174, publicado por ocasião do seu falecimento, ficou claro que Rafael Durão era, acima de tudo, um SOLDADO. Um enorme soldado. Os depoimentos prestados na altura destacaram as suas qualidades de militar íntegro e corajoso, norteado em permanência pelo cumprimento do dever. Todos que com ele privaram o recordam como um comandante duro e exigente, mas mais intransigente consigo próprio do que com os subordinados. Provou também ser um combatente de excepção. Como nos recordou o Mensurado no referido número da nossa revista, em razão dessa valentia e imprudência viria a ficar ferido numa emboscada em que cairia, quando em conjunto com o TEN/PARA António Ribeiro Assoreira (ex-aluno 220/51) com uma secção de apenas sete homens, pretendiam efectuar um golpe de mão, algures nas matas do Norte de Angola. Este último seria gravemente ferido no baço, enquanto o COR/PARA Durão ficaria apenas ferido. Mas o Duro, apesar de muito ferido, pedia aos páras, que os acompanhavam, que o deixassem ali escondido atrás de uns arbustos, armado com
apenas uma pistola - para que o inimigo não capturasse uma espingarda AR 10 - enquanto tentavam evacuar o TEN/PARA Assoreira para o salvar. Um indiscutível herói militar. Para muitos, “O” verdadeiro herói das Tropas Pára-quedistas. O chefe que se seguiria sem perguntar pela natureza do perigo que nos aguardava, porque Rafael Durão chegaria lá antes de nós, fossem quais fossem as circunstâncias. Não sou só eu quem o diz. Conforme nos contou o Mário Silva Falcão na citada revista, um sargento, antigo subordinado do Rafael Durão, confidenciou-lhe: algumas vezes discordei das suas ideias mas posso jurar que ele foi sempre, para mim, o único Homem que eu seguiria (concordando ou não com ele) para onde quer que fosse, nem que fosse para o fim do mundo”. E podemos lembrar também o testemunho dum ex-soldado pára-quedista: “Andava sempre connosco, em especial nas zonas de maior perigo. Um dia, na Guiné, caí dentro de um buraco onde acabara de explodir um míssil do inimigo. Fiquei gravemente ferido, quase sem me poder mexer e sangrando de uma perna meio despedaçada. Julguei que ali terminava os meus dias. No meio de outros projécteis que explodiam à nossa volta, ninguém por certo me poderia ir buscar. Já estava quase a desfalecer quando alguém entrou nesse buraco e me levou às costas, por entre fogo e fumo, que parecia um verdadeiro inferno. Foi o meu Comandante (Coronel Rafael Durão) o único que teve a coragem de fazer aquilo, salvando-me assim a vida. Nunca mais, enquanto viver, me esquecerei disso”. Na altura da sua morte afirmei também, na nossa revista, que ele era um chefe sempre atento ao bem-estar dos subordinados, interessando-se pelos seus problemas com uma determinação inexcedível. Era também um
camarada exemplar e, na intimidade, sabia ser caloroso e jovial, um amigo para todas as horas. É como o recordo: o sentimento dum missionário numa moldura de aço puro. Proponho-me agora recordar todos essas facetas menos conhecidas através de três histórias exemplares. Certo dia, tendo-se deslocado ao Aeroporto de Bissau, encontrou-se aí com um sargento pára-quedista acabado de desembarcar do avião para iniciar a comissão de serviço na Guiné. Como era seu timbre, o coronel Durão interessou-se de imediato por ele, perguntando-lhe pela saúde, para onde ia e para que serviço. Na resposta, o sargento lastimou-se por ter acabado de constatar que o camarada que vinha substituir, ao contrário do que ficara combinado, ainda não tinha abandonado a casa onde vivia, forçando-o a encontrar uma solução, que ele imaginava não ser fácil, para alojar a mulher e os quatro filhos. Rafael Durão não hesitou um segundo: - Vens comigo. Embarcou na viatura de serviço a família do sargento e dirigiu-se para a cidade, parando à porta da casa onde vivia com a sua mulher, uma senhora duma simplicidade e simpatia notáveis. Com o acordo dela, cederam à família do sargento a moradia do casal e foram dormir para um quarto nos fundos do quintal. Noutra ocasião, quando o coronel Durão comandava o CAOP 1, chega a Teixeira Pinto, no comando duma Companhia de Pára-quedistas para ali destacada, um jovem capitão. Após as apresentações regulamentares, Rafael Durão fica a saber que o seu jovem camarada está preocupado com um dos filhos, a precisar de uma intervenção cirúrgica sucessivamente adiada pelo cirurgião com pretextos diversos e, pelo menos na aparência, não muito respeitáveis. Como é seu hábito,
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
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LISTA DE ANTIGOS ALUNOS QUE SERVIRAM NAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Publicamos novamente a lista de Antigos Alunos que serviram nas Tropas Pára-quedistas, por terem sido adicionados novos nomes em falta na que foi publicada no número 183 da ZacatraZ. O Coronel Rafael Durão no comando das forças em parada nas cerimónias do 10 de Junho de 1972, em Bissau
Rafael Durão ouve e arquiva. Nessa mesma tarde desloca-se num DO-27 a Bissau. Ninguém jamais conheceu, com exactidão, os seus passos na capital da Guiné. Sabe-se, sim, que no dia seguinte, cerca da hora do almoço, aterrou de volta em Teixeira Pinto e logo mandou chamar o capitão, a quem deu de seguida a novidade: - O seu filho já foi operado e a operação correu bem. Nunca confessou a que métodos recorreu para convencer o cirurgião tão rapidamente. Mas nós, os que o conhecemos, desconfiamos que terá utilizado certos procedimentos expeditos e muito persuasivos, em que era mestre incontestado. Ainda em Teixeira Pinto: tendo sido convidado em cima da hora para partilhar uma feijoada com o pessoal da Companhia de Caçadores Pára-quedistas n.º 121, acedeu com gosto, fazendo jus à sua merecida fama de bom garfo. Sempre loquaz e bem-disposto, comeu e repetiu. Quando, de barriga cheia, bebia um café, chega o capitão comandante de uma outra Companhia destacada no CAOP 1. - Então, meu coronel, esqueceu-se de nós? – perguntou o oficial, entre ansioso e melindrado. O coronel Durão, de repente, lembrou-se do convite, aliás formulado já na véspera, para um almoço em que o prato forte era pato assado no forno. - Meu caro, peço-lhe muitas desculpas. A verdade é que me esqueci. - Temos estado à sua espera. Está tudo desolado, mas o cozinheiro, então, está inconsolável. Rafael Durão não hesita um segundo. Levanta-se da mesa e diz, prazenteiro, ao capitão: - Diga-me lá onde está esse pato, que já lhe trato da saúde. Dito e feito. Conduzido ao refeitório da dita 1 O Tenente Rafael Durão que comandou a patrulha que saltou pela 1ª vez no Arripiado, em Março de 1956
Companhia, aí atacou uma generosa dose de pato, que empurrou com dois copos de vinho do Dão. Já não me lembro se repetiu.
Coronel Durão
E
m finais de Setembro de 1970 apresentei-me em Teixeira Pinto a comandar a CCP121. Tinha acabado de chegar à Guiné para iniciar a minha primeira comissão de serviço. Era a minha estreia no Comando da Companhia e na Guerra. Não conhecia a Guiné e não conhecia o Sr. Coronel Rafael Durão. Após a apresentação da Companhia fui, de imediato, convocado para uma reunião a realizar no próprio dia com o Sr. Coronel. Nessa reunião, bastante longa, em que recebi uma lista enorme de procedimentos a fazer cumprir na Companhia, percebi, para além da exigência, da seriedade e do rigor, uma preocupação enorme pelo facto da Companhia estar a ser comandada por alguém sem experiência. Foi notória essa preocupação e manteve-se ao longo do mês em que comandei a Companhia praticando sempre uma relação de proximidade e de disponibilidade, atenta a todos os pormenores, transmitindo-me a confiança necessária para eu poder exercer, com alguma tranquilidade, o comando da Companhia. Considero que ter servido sob as ordens do Sr. Coronel Durão foi um privilégio e uma circunstância francamente generosa para o meu enriquecimento humano e profissional. Mais tarde, já depois do 25 de Abril e no Comando do RCP, mesmo nos momentos mais conturbados nunca permitiu que a sua honra e dignidade fossem beliscadas. João António de Albuquerque Cardoso e Castro Tenente-Coronel Pára-quedista reformado
João Cardoso e Castro, na altura Tenente Pára-quedistas, com o Coronel Rafael Durão, em Teixeira Pinto.
Alcino Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930) - falecido Rafael Ferreira Durão (11/1941) – falecido Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Luís Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira (385/1949) Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951) António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - falecido Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961) Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964) Nuno Rolando Fernandes Thomaz Ferreira (496/1967) António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) Vítor Manuel Batista Leitão (261/1968) António José de Rogado Serra (521/1968) José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) João Francisco Braga Marquilhas (132/1969) Nuno Miguel de Azevedo Mafra Guerra (171/1969) Pedro Luís da Câmara Santa Bárbara (512/1969) Luís António de Lima Tinoco Tovim (566/1969) Paulo Renato Faro Geada (574/1970) Nuno Maria Rocha e Melo de Castro (648/1970) José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho (407/1971) Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972) Daniel Henrique Andrade de Carvalho (661/1972) Luís Filipe Pinto Cavaleiro (445/1973) Jorge Manuel Campos de Lima Gonçalves Damásio (487/1973) Frederico Manuel Assoreira Almendra (604/1973)
Luís Filipe da Silva Malheiro de Passos Ramos (3/1974) Boanerges Fernando Macedo Lobato de Faria (258/1974) José Eduardo Cacela Pesquinha da Silva (404/1974) Rui Manuel Silva Ribeiro Pedro (689/1974) José António Nobre Pires (646/1979) Hugo Ribeiro da Silva Pugsley Inocêncio (92/1991)
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram José Lisboa de Carvalho Almeida (215/1934) Engenheiro Nasceu a 21 de Setembro de 1922 - Faleceu a 28 de Fevereiro de 2010 Nascido em 21 de Setembro de 1922, faleceu no passado dia 28 de Fevereiro de 2010 Engº. José Lisboa de Carvalho Almeida, que fez o curso liceal no Colégio Militar, para onde entrou em 1934 com o número 215. O Zé Lisboa, diminutivo pelo qual foi sempre tratado pelos seus amigos e camaradas, trabalhou toda a vida no campo da engenharia civil, especialidade em que se diplomou pela Faculdade de Engenharia do Porto. Iniciou a sua carreira na OPCA, tendo posteriormente passado a pertencer aos quadros da Câmara Municipal de Lisboa. Em associação com alguns familiares, fundou mais tarde uma empresa de obras, a SOGECO, Sociedade Geral de Construções Lda., que exerceu grande actividade nos trabalhos da área de Sines. Além de um excelente profissional, José Lisboa foi um homem simples e bom e um dedicado amigo do Colégio. À sua viúva, filha e filho apresentamos as nossas sentidas condolências.
Fernando Xavier Vidigal da Costa Cascais (105/1936) Oficial do Exército – Coronel de Infantaria (Reformado) Nasceu a 14 de Abril de 1925 - Faleceu a 5 de Agosto de 2011 Em campos de glória fulge Dourado pomo brilhante Que as lides do estudo alcançam: Mocidade – Avante! Avante!
O Fernando Costa Cascais nasceu a 14 de Abril de 1925 e faleceu a 5 de Agosto do ano corrente, 2011. Filho de oficial da Marinha, que fez serviço de transporte de tropas durante a Grande Guerra de 1914/1918 a bordo do Cruzador-Auxiliar “Pedro Nunes”, Fernando ficou órfão de Pai muito cedo, e foi por isso criado e educado por sua extremosa Mãe. Entrou para o Colégio no celebrado dia 11 de Outubro de 1936, com o número 105, e terminou o seu curso em Julho de 1943. No Colégio foi um elemento calmo, equilibrado, apreciado, excelente camarada,
estudante e atleta q.b. Em 1943 foi admitido como Cadete da Escola do Exército e em 1993 atingiu a situação de reforma no posto de Coronel. Durante a sua carreira tomou parte activa na actuação das Forças Armadas no Ultramar, tendo participado em expedições e campanhas em Goa nos anos de 1954 a 1957, no Norte de Angola de 1961 a 1963 e de 1972 a 1974, e na Guiné de 1965 a 1967 e de 1968 a 1970. Nos últimos anos de vida, teve períodos de grande incapacidade que, contudo, não lhe afectaram a vivacidade intelectual. Foi com apreciável estoicismo que
Recordando Os que nos deixaram
ultrapassou momentos de grande sofrimento, transmitindo a impressão de que “estava tudo bem! “ Fernando foi casado com D. Maria Luísa de Carvalho Belo da Costa Cascais, de quem teve quatro filhos, e de quem enviuvou em 4 de Outubro de 1989. Curiosamente, o Fernando foi o continuador de uma das mais antigas e tradicionais famílias de âmbito colegial, conforme se pode ver, por exemplo, no livro “Para lá do Colégio Militar, Uma Associação Centenária” da autoria dos Rui e Gonçalo Figueiredo de Barros, e ainda noutras publicações sobre o nosso Colégio. Dos elementos que consultámos concluímos que os seus Pais foram o já citado oficial de Marinha José Goulão da Costa Cascais (que não foi aluno do CM) e D. Alda Glória de Salinas e Sousa Vidigal, esta oriunda duma família residente em Goa, que os seus avós paternos foram José da Costa Cascais (Externo entrado no CM em 1868) e D. Maria Cristina de Sampaio e Eça Pestana Pinto Goulão, e que os seus bisavós paternos/paternos foram Joaquim da Costa Cascais, ou Cascaes como então se escrevia (115/1825) e D. Maria
Francisca Guedes Vilhegas de Quinhones, esta parente próxima (filha?) do antigo aluno do primeiro curso que existiu, o de entrada no ano de fundação de1802, António Guedes Quinhones, ainda s/número. Existiram mais dois filhos deste casal, portanto irmãos do José da Costa Cascais, que também frequentaram o Colégio a saber: o Joaquim (Externo/1852) e o Manuel, que teve o número 22, entrado em 1857. Registemos ainda que um dos filhos de Fernando, o José Fernando Belo da Costa Cascais, e um dos sobrinhos-netos do mesmo Fernando, o Miguel Mota da Costa Cascais Guiné, foram também Meninos da Luz, o primeiro o 80 do curso de 1965/1974, e o segundo o 269 do curso de 1984/1991, sendo por isso os continuadores colegiais desta ilustre plêiade dos Costa Cascais. Recordamos aqui que Joaquim da Costa Cascaes foi uma figura excepcional, a quem ficámos a dever a letra do hino do Colégio, hino esse publicado em Mafra no ano de 1854 sob a designação de “Hymno dos Alumnos do Real Collegio Militar”. O
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autor da música do hino foi Victorino José Peixoto, então empregado da Secretaria do Real Colégio Militar. Nascido em Aveiro em 1815, Joaquim da Costa Cascaes fez o curso do Colégio, onde teve o número 115, entre 1825 e 1831. Já oficial, foi professor das cadeiras de Desenho, Arquitectura e Perspectiva e Topografia Militar deste nosso estabelecimento de ensino entre os anos de 1838 e 1870. Foi além disso dramaturgo e poeta de grande merecimento, sendo ainda referido como um homem de extrema bondade. Joaquim da Costa Cascaes atingiu o posto de General de Divisão. Faleceu em 1898. O nosso camarada Fernando da Costa Cascais deixa muita saudade em todos quantos privámos com ele. Mas ao evocarmos aqui a sua Família Colegial, sentimo-lo ainda muito perto de nós. Paz à sua alma.
O Curso de 1936/1943
Carlos Manuel de Menezes Pinto Machado (140/1946) Economista Nasceu a 18 de Junho de 1936 - Faleceu a 29 de Outubro de 2011
Faleceu, após um grande e prolongado sofrimento, o Carlos Manuel de Menezes Pinto Machado (140/1946) Conhecemo-nos aos dez anos, já lá vão sessenta e cinco, e fomos sempre grandes amigos e companheiros. O Carlos era um excelente jogador de hóquei em patins e o meu maior crítico de futebol. No Colégio Militar, passávamos horas a jogar futebol de mesa com rodelas de madeira, que eram os nossos jogadores, um pequeno botão que era a bola e umas caixas de sapatos que eram as balizas, tudo sobre uma mesa de ping-pong. Ele representava o seu Porto e eu o meu Sporting. Eram jogos muito disputados onde ganhava sempre o melhor. Aliás chegámos a ser corridos de uma aula de francês para efectuar mais uma jogatana. Também jogávamos Hóquei, com bolas de ping-pong e réguas, um contra um na maio-
ria das vezes, para tentar meter a bola debaixo de um banco existente na companhia. Aí ele ganhava quase sempre. Aos fins-de-semana, quando não estávamos castigados,também nos encontrávamos em casa do Luís Faria de Carvalho “Vargas” (277/1946), meu vizinho em Lisboa, e jogávamos ao berlinde e ao pião, além das futeboladas no meio da rua (não havia carros, naquele tempo). Juntos crescemos, juntos fomos algumas vezes castigados por factos insignificantes e juntos também estivemos alguns anos com as nossas famílias em Luanda. Ele a trabalhar na “Cuca”, com a sua suave e encantadora Elvira e os seus filhos, e eu militar com a minha querida Manela e os meus filhos. Íamos muitos fins-de-semana, em grupo, comer uma boa mariscada na ilha do Mússulo e passávamos alegres serões em sua casa, onde pre-
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dominava o seu grupo de amigos do Porto. Posso dizer que éramos muito bons amigos, que estávamos quase sempre de acordo, excepto nos clubes de futebol, em que éramos rivais, embora não muito porque, noutros tempos, o Sporting, com os cinco violinos, dominava por completo. O Carlos sempre bem-disposto era um excelente contador de histórias e boas piadas. Ele trazia do Palácio de Cristal, para o Colégio, fogo-de-artifício que rebentávamos dentro da camarata, num espectáculo grandioso e inesquecível. E, também colocávamos cartuchos verdadeiros na casa de banho, que fazíamos rebentar numa pequena fogueira, num tiroteio que nos entusiasmava. O Carlos Pinto Machado era um Amigo Maravilhoso. Ao partir ficámos mais pobres: perdi um Grande Amigo, aliás o Colégio Militar perdeu um grande amigo de todos os que o conheceram. Talvez, ultimamente Carlos trouxesse em si o segredo do desaparecimento, mas o encanto da sua alma deixava transparecer uma beleza eterna de sentimentos puros, verdadeiros, que sempre estiveram presentes em
toda a sua vida de família, de amizades e de convívios. A maioria das pessoas perde a alma, o espírito ou o que se quiser chamar, no contacto com as coisas do mundo, mas o Carlos Pinto Machado foi e será sempre essa grandiosidade de Ser que perdurará na sua simplicidade de Grande Homem. A inteligência, a graça, a alegria contagiante e o seu coração límpido faziam do Carlos um amigo único e muito querido por quantos com ele conviveram de perto. O Carlos é como árvore de folhagem perene, jamais morrerá nos nossos corações. Ter sido seu Amigo foi uma Honra. A toda a sua Família parabéns pelo privilégio que tiveram na pessoa do Carlos. E os sinceros pêsames pela dor do seu desaparecimento físico. Mas continuará vivo nos recantos mais iluminados da nossa memória. Bem-Hajas Carlos por tanto que partilhaste com todos nós. A Família Mensurado Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado 252/1946
Ramiro Manuel Rodrigues Oliveira Botelho (69/1960) Artista Plástico Nasceu a 11 de Fevereiro de 1950 – Faleceu a 30 de Julho de 2011
Ramiro Botelho, artista plástico nascido a 11 de Fevereiro de 1950, na cidade da Praia da Vitória, faleceu na sua casa no passado fim-de-semana. Deixa como seu último trabalho os painéis de azulejos que embelezam o “O Passeio d’Os Sombras”, localizado junto à marginal da Praia da Vitória, cuja inauguração teve lugar na sex-
ta-feira, dia 29 de Julho, pela autarquia local, no âmbito do programa das festas concelhias. O artista plástico, que foi estudante do Colégio Militar até 1969, iniciou-se na pintura em óleo sobre platex e expôs pela primeira vez na Galeria Teia, em Ponta Delgada. Entre 1977 e 1981, no Brasil, dedicou-se à serigrafia e trabalhou com Rodrigo Cid, executando cenários, figurinos e decoração para teatro, televisão e publicidade. Já na ilha Terceira publicou poesia e crónicas no Jornal da Praia e no jornal “a União”, exercendo decoração comercial e produzindo óleos sobre tela e desenhos. Durante os anos 1991 e 1995, destaque para o trabalho em Lisboa com Diamantino Marques, colaborando em cenografias para teatro, concertos e arte pública, sendo que nesses últimos anos foi assistente de cena dos Madredeus. Regressado à Praia da Vitória, figurou nas exposições de artes plásticas do Ramo Grande e no I Encontro de Artistas Plásticos, expondo também individualmente. Foi responsável pela edição de oito postais ilus-
trativos da Praia da Vitória, desenhos sobre fotografia antiga, dedicando-se depois ao pastel com mostras impressionistas da Baía da Praia, das paisagens naturais das ilhas e das cerimónias das Festas do Divino Espírito Santo. Publicado em “a União” Jornal online, no dia 2 de Agosto de 2011