Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial O Colégio Militar e a sua Missão estratégica para o País e a Lusofonia
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o longo da sua longa e prestigiada história de mais de 208 anos de existência, o Colégio Militar tem assumido um papel de enorme relevância na sociedade Portuguesa, papel esse amplamente reconhecido nas inúmeras e importantes condecorações que o seu Guião orgulhosa e merecidamente ostenta. Fruto da visão, carácter e vontade de um homem ímpar da nossa história - o Marechal António Teixeira Rebello – o Colégio Militar tem-se afirmado, ao longo de mais de dois séculos de vida, como uma Escola de excelência académica, assente nos princípios e valores que sempre nortearam a Instituição Militar, “dever e servir”, num ambiente caracterizado pela exaltação da Portugalidade e promoção da Solidariedade, Camaradagem e Disciplina. Se dúvidas possam ainda subsistir quanto à enorme valia do “modelo educativo” de características únicas ministrado no Colégio Militar, elas não resistirão a um escrutínio sério, se atentarmos quer ao contributo relevante prestado por muitos Antigos Alunos, ilustres e menos ilustres, em todos os domínios da história de Portugal dos últimos dois séculos, quer à resiliência demonstrada por uma Instituição que atravessou períodos tão conturbados como as invasões francesas, Independência do Brasil em 1822, a Guerra Civil de 1828 a 1834, a instauração da República em 1910, as duas Guerras Mundiais na primeira metade do século XX e mais recentemente, a Revolução de Abril de 1974, adaptando-se sempre às profundas transformações daí decorrentes. Com a Revolução de Abril de 1974 e a consequente independência de todas as antigas Colónias, a Lusofonia, como emulação de uma herança cultural única, a qual se deseja preservar e desenvolver como uma real vantagem competitiva, num mundo cada vez mais global, mas também cada vez menos Atlântico, o Colégio ganha foros de rele-
vância estratégica para o nosso País que ninguém ousa pôr em causa. Mas se ninguém ousa pôr em causa este desígnio, acreditamos também que ninguém, conhecedor da nossa realidade e de boa-fé, poderá pôr em causa o papel que o nosso Colégio Militar teve, tem e poderá vir a ter, como instrumento vital para a construção de um espaço Lusófono por todos ambicionado. Para ilustrar o que acabamos de comentar, damos como exemplo dois nomes separados entre si 200 anos. O primeiro, um dos mais renomados historiadores brasileiros do século XIX, Francisco Adolfo Varnhagen, o Antigo Aluno 114/1825, bem como, mais recentemente, do Joaquim Tobias Dai, o Antigo Aluno 125/1993, economista formado no ISEG em Lisboa, de nacionalidade Moçambicana, recentemente eleito Presidente da AMECOM - Associação Moçambicana dos Economistas e a quem dedicamos um espaço nesta edição da ZacatraZ na rubrica “Antigos Alunos em Destaque”. Num outro registo, mais marcante e muito inspirador, foi a recente inauguração no passado mês de Junho, da Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello, na Cidade da Praia em Cabo Verde, cerimónia que contou com a presença do seu promotor, o Ten. Cor. Cavalaria, Rui Miguel Laboreiro Risques da Costa Ferreira, Antigo Aluno 516/1976, que se fez acompanhar de três Alunos finalistas. O entusiasmo e carinho com que esta iniciativa que teve o apoio da Direcção do Colégio Militar e da AAACM, e da qual damos também merecida e orgulhosamente, um amplo destaque nesta edição da ZacatraZ - foi acolhida pelas autoridades militares e civis de Cabo Verde, atestam de forma inequívoca, a dimensão estratégica do grande valor que o Colégio Militar tem, e poderá ter, na construção e desenvolvimento de um espaço Lusófono do qual nos possamos orgulhar de deixar
como legado às gerações vindouras. A actual Direcção da AAACM não tem quaisquer dúvidas sobre este valor intangível, mas real e inestimável e revê-se na forma como o mesmo está incorporado na Missão do Colégio Militar, expressa no Documento “Vamos Apoiar o Colégio” que foi entregue pela anterior Direcção, em Abril de 2010, ao CEME. Nele se assume o compromisso de tudo fazer para apoiar e divulgar iniciativas que, como esta, se entenda possam contribuir para este desígnio. A actual Direcção da AAACM espera também que as autoridades que tutelam o Colégio Militar, não só comunguem desta mesma visão, como dela dêem o seu testemunho através das acções correspondentes, reiterando uma vez mais a sua inteira disponibilidade para colaborar de forma leal e empenhada quer na sua discussão, quer na sua realização. Voltando ao exemplo de Cabo Verde, que consideramos tratar-se de uma iniciativa de elevado mérito e grande valor simbólico, queremos, em nome da Comunidade de Antigos Alunos, manifestar ao “nosso” Rui Miguel Laboreiro Risques da Costa Ferreira e a todos quantos nela colaboraram, o reconhecimento pelo êxito desta sua “empreitada” e o desejo de que a mesma frutifique. Por último, queremos também testemunhar ao Rui Miguel Laboreiro Risques da Costa Ferreira, no momento em que cessa as suas funções enquanto Comandante do Corpo de Alunos no Colégio Militar, o nosso grande apreço pela forma sempre empenhada como exerceu aquelas exigentes funções – expressa no respeito e amizade que soube granjear junto dos Alunos e a simpatia que conseguiu conquistar junto da Associação de Pais e Encarregados de Educação – fazendo votos dos maiores êxitos na nova etapa da sua vida profissional.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL N° 184 - Julho/Setembro - 2011 45° Ano FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Vasco Santos Pinheiro (254/1982) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
CAPA O ZACATRAZ do Pedro Maria da Costa Maya (407/1955) que participou na Jornada de Vela e Sardinhada na Feitoria
Foto: Afonso Maya
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
ARTIGOS À VENDA NA AAACM
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307 TIRAGEM - 1350 exemplares
PUBLICAÇÕES
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Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar
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50 €
II Volume da História do Colégio Militar
50 €
III Volume da História do Colégio Militar
35 €
O Espírito do Colégio Militar
60 €
Os Jardins do Colégio Militar
35 €
Raiva e Luz
10 €
Qualquer dos produtos pode ser adquirido na Secretaria da AAACM, assim como polos, t-shirt, emblemas, etc...
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.
Sumário
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Dos Antigos Alunos
08 Comunicados da Direcção da Associação
09 Carta manuscrita do Marechal Teixeira Rebello
16 Penafiel 2011 18 Padre Braula Reis
«acróstico do Roberto Durão»
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Dos Antigos Alunos AA em destaque
19 Vela e Sardinhas juntam
Antigos Alunos na Feitoria
20 Os Governos da República 1910-2010
Do Colégio
22 Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello
Colaboração
31 O Professor Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
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Dos Antigos Alunos O Torneio de Bridge de 2011 da AAACM
35 A “novela”da Matemática e do Português
37 Angola 1961 40 Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
52 Mudanças de idade... 54 Redes Sociais. O “Sem Perfil”! 55 O emergir do podcast 58 Em Homenagem ao Capitão Nuno Simões (42/1935)
Recordando
60 Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
64 Os que nos deixaram
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Do Colégio
Um caso de devoção colegial
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
Antigos alunos
em Destaque
Manuel Coelho Mendes da Rocha (166/1923) Homenagem prestada pela Região Sul da Ordem dos Engenheiros cedeu a Arantes e Oliveira como Director desse organismo, funções que desempenhou entre 1954 e 1974. Num livro evocativo dos 60 anos da fundação do LNEC foi afirmado que “essa instituição se veio a revelar da maior credibilidade e prestígio nacional e internacional, uma das que mais fez em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do país”. Cite-se ainda que Manuel Rocha foi Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico e da Universidade Nova de Lisboa, Ministro da Habitação e das Obras Públicas, membro da Academia Nacional das Ciências dos E.U.A. e Doutor Honoris Causa por diversas Universidades portuguesas e estrangeiras.1
© Foto Gonçalo Leal de Matos
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anuel Rocha, aluno número 166 do Colégio Militar entre 1923 e 1930, foi uma figura incontornável na história da Engenharia Nacional e Internacional. O seu curriculum vitaeé impressionante dando conta de uma actividade imensa e valiosíssima, tanto em Portugal como em inúmeros países estrangeiros. No ano do seu falecimento, 1981, a Revista da AAACM prestou-lhe uma sentida homenagem no seu número 64 por meio de duas evocações, uma da autoria do seu Comandante de Batalhão, o Eng. João Carlos Escudeiro (136/1924), e outra do seu dilecto Amigo Brigadeiro Armando José Marques Girão (426/1917). Registamos algumas palavras desses seus camaradas: “O Manuel Rocha foi um homem calmo, metódico, regrado, disciplinado e simples, qualidades tão requeridas pela sua ímpar actividade como consequência do invulgar nível científico que atingiu, mercê de trabalho afincado e de espírito lúcido e crítico.
No Colégio Militar o Rocha foi um aluno médio, como tantos. As suas notas não eram baixas, mas também não eram altas. Emparceirava nas pândegas comuns, como qualquer outro. No curso só tinha e deixou amigos. Saídos do CM, ele e mais cinco foram para o Técnico: O Escudeiro, 136/1924, o Pinto Basto, 101/1924, o Carvalho Xerez, 107/1924, o Beirão da Veiga, 163/1923 e o Furtado Antas, 387/1923. Lá correu o primeiro ano, mas depois o Manuel adoeceu, perdeu um ano em tratamentos e convalescenças – e voltou modificado. Leu e meditou muito nesse período; o seu espírito dilatou-se, abriu-se a outras aspirações a exigências – e daí em diante não mais parou de se destacar no ilimitado espaço intelectual. Em 1938 concluiu no IST o curso de engenharia civil com a mais alta classificação concedida nesse ano.” Entre muitas outras evocações da sua carreira profissional, recorde-se que Manuel Rocha exerceu um papel preponderante na criação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Com efeito ficou-se a dever-lhe a fundação do Centro de Estudos de Engenharia Civil do IST, organismo que veio a ser integrado como elemento fulcral no lançamento do LNEC. O primeiro director do LNEC, entre 1947 e 1954, foi outro distinto antigo aluno do Colégio Militar, o Eng. Eduardo Arantes e Oliveira, externo entre 1918 e 1922. Em 1954 foi nomeado Ministro das Obras Públicas, cargo em que se conservou até 1967. Manuel Rocha, verdadeira alma mater do LNEC como muito bem lhe chamaram, su-
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
Tendo contribuído, de forma decisiva, para o prestígio da profissão e da Ordem dos Engenheiros, o Conselho Directivo da Região Sul daquele organismo entendeu homenagear a vida e obra deste notável antigo Menino da Luz no ano corrente, em que se completam 30 anos sobre a sua morte, e no dia em que a Região Sul celebrou, pela primeira vez, o seu Dia Regional. Com a presença de sua viúva, Dra. Maria Teresa Rocha, a cerimónia de homenagem decorreu no passado dia 14 de Maio, junto à estátua que o celebra, na Avenida António Augusto de Aguiar, em frente à Sede da Região Sul da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa, onde foi colocada uma coroa de flores. “Com a deposição de uma coroa de flores neste monumento, apenas pretendemos assinalar a sua memória, já que, por mérito, ficou na história da Engenharia e na história da Ordem dos Engenheiros”, referiu o Eng.º Carlos Mineiro Aires, Presiden-
te do Conselho Directivo da Região Sul. A Região Sul da Ordem dos Engenheiros editou uma excelente brochura para assinalar este seu primeiro Dia Regional, referindo-se à figura do Eng.º Manuel Rocha nos seguintes termos: “ Pessoas com a sua dimensão fazem-nos cada vez mais falta Manuel Coelho Mendes da Rocha nasceu na Figueira da Foz em 1913 e faleceu em 1 de Agosto de 1981. A sua longa actividade como cientista e engenheiro encontra-se amplamente reconhecida através das numerosas contribuições que produziu, em várias áreas, com particular relevo na da Mecânica dos Solos. Foi um dos fundadores da Mecânica das Rochas como ramo autónomo da Geotecnia, tendo sido Presidente da Sociedade Internacional de Mecânica das Rochas entre 1966 e 1970. Na Ordem dos Engenheiros, Manuel Rocha foi eleito, em 1976, como Presidente Nacional, tendo contribuído para o prestígio da profissão e a boa imagem do Enge-
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nheiro. Relançou os Congressos, estabeleceu em moldes actualizados as acções destinadas à formação permanente dos Membros e programou a realização de iniciativas tanto no País, como internacionalmente”. Recordamos ainda as palavras com que o Boletim Informativo da Ordem dos Engenheiros encerrava a notícia do seu falecimento em 1981: “A vida e obra do Engenheiro Manuel Rocha constituem assim um exemplo a meditar e a seguir por todos os que se interessam pelo progresso da nossa Pátria. O país e a engenharia portuguesa estão de luto, pelo desaparecimento de um dos seus vultos mais respeitáveis e prestigiosos. Morreu um Homem”!
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Para a consulta de mais elementos sobre a sua carreira profissional, recomendamos a biografia inserta na obra “O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa” de José Alberto da Costa Matos (96/1950), pág241.
Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos (112/1956) © Foto cedida pela Associação de Fuzileiros – Revista Desembarque
Condecorado na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, com a Grã-Cruz da Ordem de Aviz.
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ernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos (112/1956), Vice-Almirante, nasceu em Alhandra a 9 de Novembro de 1946 e foi admitido no Colégio em 1956 aí permanecendo até 1964. Muito se poderia escrever sobre a sua brilhante carreira ao serviço de Portugal e da Armada. Aqui ficam referenciadas, de forma sucinta, algumas marcas desse invejável percurso. Concluído o curso da Escola Naval que frequentou de 1965 a 1969, foi promovido a Guarda-Marinha, cumprindo de seguida a sua primeira comissão de embarque a bordo do draga-minas NRP “Santa Cruz”. Em Março de 1974, já com o posto de Primeiro-Tenente e após ter frequentado os cursos de especialização em Comunicações e em Fuzileiro Especial, cumpriu uma comissão em Moçambique como Comandante do Destacamento nº 10 de Fuzileiros Especiais. Posteriormente, em Janeiro de 1977, após comissões de embarque em outros na-
vios, foi nomeado Comandante do navio patrulha NRP “Mandovi”. Em Janeiro de 1978 assumiu funções de Imediato do Centro de Comunicações da Armada, vindo mais tarde a assumir a sua chefia. De Outubro de 1983 a Agosto de 1987 desempenhou as funções de Comandante de Defesa Marítima do Porto da Horta acumulando com as de Capitão de Porto e, posteriormente, também em acumulação, com as de Director da Estação Radionaval da Horta. Em Agosto de 1987 foi nomeado Comandante da corveta NRP “Afonso Cerqueira”, cargo que exerceu até Novembro de 1989. No período de 1989 a 1992, já Capitão-de-Fragata, exerceu funções no Estado-Maior da Armada. Em Maio de 1992, assumiu o Comando da fragata NRP “Vasco da Gama” onde, até Abril de 1996, viveu um período de intensa actividade operacional que incluiu a operação “Cruzeiro do Sul” no Atlânti-
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
co Sul e seis meses de integração na STANAVFORLANT durante a operação “SHARPGUARD”. Em seguida comandou a Esquadrilha de Escoltas Oceânicos, tendo em acumulação desempenhado as funções de Comandante da “PORTUGUESETASKGROUP”. No período de Agosto de 1997 a Agosto de 2000 serviu como Adido Naval junto das Embaixadas de Portugal em Washington DC e Ottawa, acumulando as funções de Representante Nacional de Ligação ao SACLANT. Depois de frequentar o Curso Superior Naval de Guerra assumiu, em Setembro de 2001, a Chefia da Divisão de Informações do Estado-Maior da Armada. Foi promovido ao posto de Contra-Almirante em 24 de Maio de 2002 e, em Dezembro desse ano, foi designado Comandante do Corpo de Fuzileiros, cargo que desempenhou até 15 de Novembro de 2005. Promovido a Vice-Almirante em 11 de Outubro de 2005, assumiu as funções de Comandante Naval em 16 de Dezembro de 2005. Ao longo da sua carreira o Vice-Almirante Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos recebeu diversos louvores e condecorações de que se destacam, Ordem Militar de Avis grau de Grande Oficial, Medalhas de Serviços Distintos graus de Ouro e de Prata, Medalhas de Mérito Militar de 1ª e de 2ª classe, Medalhas de Cruz Naval 2ª classe, Medalha de Comportamento Exemplar grau Ouro, Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas em Moçambique, Medalha da Legião de Mérito dos EUA e Medalha NATO da Operação “SharpGuard”.
Américo José Guimarães Fernandes Henriques (352/1956) Condecorado na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, com o grau de Comendador da Ordem de Santiago.
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mérico José Guimarães Fernandes Henriques (352/1956), Coronel de Infantaria, nasceu em Lisboa a 25 de Maio de 1946 e foi admitido no Colégio em 1956. Para além da sua brilhante carreira militar, tem-se distinguido pela investigação e pelos trabalhos publicados relacionados com a História Militar. Aqui ficam registadas referências que mostram a riqueza do seu percurso militar e de investigador. Diplomado pela Academia Militar, iniciou a sua carreira em 1970, ano em que foi promovido a Alferes de Infantaria. Concluiu os cursos de Educação Física Militar, de Estado-Maior em Portugal e no Reino Unido e de pára-quedismo do Exército dos Estados Unidos da América. Desempenhou funções de instrutor na Academia Militar, no Centro Militar de Educação Física Equitação e Desportos, no Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria em Tavira e na Escola Prática de Infantaria. Comandou a Companhia de Atiradores no 1º Batalhão Motorizado da 1ª Brigada Mista Independente, estando colocado no Regimento de Infantaria 15 em Tomar. Foi Comandante de Batalhão na Escola Prática de Infantaria em Mafra, Oficial de Informações no Estado-Maior do Exército, pertenceu ao Gabinete do Chefe do Estado Maior do Exército, desempenhando também as funções de Chefe de Estado Maior do Comando Operacional dos Açores e de Chefe do Gabinete do Governador Militar de Lisboa. Professor de História Militar do Instituto de Altos Estudos Militares e professor convidado da Universidade dos Açores e do Centro Cultural Santa Ana em Almendralejo-Espanha. Prestou serviço na Guarda Nacional Republicana, onde foi Adjunto do Chefe das Operações no Comando Geral. Adido Militar de Portugal nos Estados Unidos da América e no Canadá e Oficial de Informações na Divisão de Informações
Estratégicas do Quartel General da NATO em Bruxelas, sendo responsável pela área do Médio Oriente. É membro do Conselho Cientifico da Comissão Portuguesa de História Militar. Como conferencista e desde os finais dos anos 80, proferiu conferências em Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos da América, sendo de destacar as conferências proferidas no Parlamento (Lisboa) sobre a Guerra Peninsular; na Câmara Municipal da Figueira da Foz sobre a 1ª Invasão Francesa; nas cerimónias oficiais do 10 de Junho, em Lisboa, sobre a figura de D. Nuno Alvares Pereira; no Campo de Batalha do Buçaco na cerimónia evocativa do 2º centenário da Batalha do Buçaco; em Lavos sobre o desembarque das Forças britânicas em 1808; em Almeida, Viseu, Mangualde, Chaves, Porto, Coimbra, Vila Nova de Cerveira, Mafra, Évora, Elvas, Estremoz, Torres Vedras, Tavira, Santarém, Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira, Tomar, Amarante, Badajoz (Espanha), sobre o tema geral das Invasões Francesas e Linhas de Torres Vedras. Em Waterloo (Bélgica) e em Lisboa sobre a personalidade do Duque de Wellington. Em Ypres (Bélgica), em La Lis (França), em Mafra e em Viseu sobre a 1ª Guerra Mundial. No campo de batalha de Gettysburg (Estados Unidos) sobre a Guerra Civil Americana. Em Mérida, Badajoz, Almendralejo, Cáceres e na Escola Superior de Guerra de Madrid (Espanha) sobre a Independência de Portugal e a Crise de 1580. Em Estremoz, Santo Aleixo da Restauração e Elvas, sobre as Campanhas da Restauração. No Colégio Militar, Pupilos do Exército, Instituto de Odivelas e Academia Militar, sobre a Guerra Peninsular, a Revolução da Maria da Fonte e o período da Guerra Civil e da Guerra da Patuleia. Em Beja, Sesimbra, Lisboa (TurfClub), e Tavira, sobre a problemática das lutas civis, do Miguelismo, do fim da Monarquia e da realidade portuguesa face ao ideal Monárquico e, em Pombal e Tavira, sobre o 25 de Abril.
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em destaque
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As suas visitas guiadas, com conferências e posterior debate, têm focado especialmente o período histórico das guerras peninsular e da aclamação, bem como a crise de 1383-1385, no campo de Batalha de Aljubarrota (cerimónias oficiais do 14 de Agosto) e no de Alpalhão em conferência sobre o Santo Condestável; no Convento de Cristo, as Ordens do Templo e de Cristo; Revolução da Maria da Fonte e as guerras civis do século XIX, na região de Povoa de Lanhoso. Tem vários trabalhos de História Militar publicados em Portugal, no Reino Unido e na Bélgica. Foi premiado no Curso de Estado-Maior do Reino Unido pelo trabalho de História Militar “As linhas de Torres Vedras e os Princípios da Guerra”. Tem igualmente trabalhos sobre o período do Liberalismo, das campanhas da Guerra Peninsular e da revolução do 5 de Outubro. É autor e apresentador da série em DVD “Reis de Portugal”, editada pelo Circulo de Leitores, e das introduções aos livros “Os oficiais do Exército do Rei D. Miguel” e “Os oficiais do Exército do Rei D. Pedro”. Possui vários louvores e condecorações nacionais, dos Estados Unidos da América e do Brasil, onde destaca a Medalha de Ouro de Serviços Distintos e a Comenda da Ordem Militar de Santiago de Espada. Como ponto mais alto da sua carreira militar, tem o desempenho de uma comissão de serviço na Região Militar de Moçambique, em 1972 e 1973, no Batalhão de Comandos de Moçambique.
Joaquim Tobias Dai (125/1993) Eleito Presidente da Associação Moçambicana dos Economistas (AMECON)
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oaquim Tobias Dai foi eleito por unanimidade para Presidente da Associação Moçambicana dos Economistas (AMECON), substituindo neste cargo o actual ministro da Indústria e Comércio, tendo na altura referido em entrevista que esta eleição era a resultante de um trabalho árduo e constante. Joaquim Dai nasceu em Moçambique onde fez os seus estudos primários na Escola da Frelimo, EP A Luta Continua e no Colégio Nyamunda, tendo posteriormente sido admitido no Colégio Militar que frequentou entre 1993 e 2001. Licenciou-se em Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia e Gestão (Lisboa), após o que iniciou a sua carreira profissional desempenhando funções em diferentes organismos e grupos empresariais tais como o Instituto Superior de Tecnologias e Gestão (Maputo), MZEXICTOS, Lda- Consultoria, Tecnologia, Outsoursing e Software, Mozambique Insitution of Comunication, Technology and Information, Promosoft (Moçambique), Letshego Financial Services, S.A., Câmara de Comércio Moçambique Portugal,PRIOFoods, SA. Tem também organizado e participado em diversas conferências da sua área de formação, visando temas relacionados com o “negócio”, o “empreendedorismo” e o “investimento”, publicando regularmente artigos de opinião em revistas e jornais de Moçambique.
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Dos Antigos Alunos Comunicados da Direcção da Associação
Comunicados da Direcção
da Associação Sobre o artigo “Instituições de classe” publicado no jornal “Público” O Professor Vital Moreira (VM) publicou em 2 de Agosto de 2011 no jornal “Público” um artigo de opinião onde defende a extinção do Colégio Militar, do Instituto Militar dos Pupilos do Exército e do Instituto de Odivelas. Trataremos aqui apenas do Colégio Militar. VM acha que o Colégio Militar deve ser extinto ao fim de 208 anos de serviço, porque: “ (…) é preciso extinguir a noção de “sociedade militar”, como noção oposta à de “sociedade civil” tendo aquela instituições e formas de vida separadas, incluindo quanto à educação dos seus descendentes em instituições privativas.”. “(…) as forças militares e de segurança devem focar-se no seu “core business” (…)”. “(…) não consta que entre as missões das forças militares se conte a missão de ministrar ensino básico e secundário aos filhos dos seus membros, (muito menos a outros).” “(…) as forças militares e de segurança só devem ter instituições privativas e regalias (…) onde tal seja exigido pelas especificidades (…) da condição militar (ou seu equivalente no caso das forças de segurança).”. Quanto às razões que poderiam obstar à extinção VM apenas considera “por um lado, a tradição; por outro lado, a escassa poupança financeira”. Quanto a estes dois possíveis óbices VM diz que “a tradição pouco ou nada justifica” e que “o valor não é despiciendo”. O Colégio Militar não é uma “instituição privativa” dos militares é antes uma Escola com um projecto educativo baseado num modelo de educação militar, que sempre privilegiou a excelência académica, modelo esse assente nos princípios e valores que sempre nortea-ram a Instituição Militar, “dever e servir”, num ambiente caracterizado pela exaltação da Portugalidade e promoção da Solidariedade, Camaradagem e Disciplina e hoje frequentada maioritariamente por filhos de civis. Ao longo de mais de dois séculos este modelo de educação tem entregado à sociedade Portuguesa cidadãos que agem de forma muito diferenciada e competente em todos os sectores da sociedade. Muitas vezes essas intervenções são originais, decisivas e únicas. Muitas vezes foram heróicas. Não é aqui o local para citar exemplos, mas teremos muito gosto em informar o Professor Vital Moreira sobre a história e a natureza
do Colégio Militar, que pelo seu mérito como Escola, é hoje uma Instituição de referência em Portugal. Uma Escola com este registo merece ser estudada e utilizada como modelo em Portugal e no espaço Lusófono (era interessante VM verificar, por exemplo, o número e a actividade dos Antigos Alunos do Colégio Militar cidadãos dos PALOP). VM acha que deve ser extinta. Nós achamos que deve continuar o bom serviço que presta e sempre prestou a Portugal. O “core business” dos militares, na expressão um tanto exótica de VM, é algo que exige dedicação total (tendo como limite a entrega da própria vida). A eficiência e eficácia na execução das missões ligadas à defesa e segurança ganha com a oferta de profissionais que desde cedo conheçam a instituição militar e por ela sejam conhecidos. Melhorar a qualidade de recrutamento faz parte do “negócio” das forças armadas e das forças de segurança. No momento de dificuldade que vivemos torna-se mais fácil argumentar com os custos “não despiciendos” para propor tudo, tanto o que se justifica como o que é totalmente desprovido de sensatez. Desprovido de sensatez, mas não de sentido: é bastante honroso para os jovens alunos que seja sobre as suas Escolas e assim, sobre eles próprios, que incida este ataque à instituição militar.
Sobre a instalação de uma escola com primeiro ciclo do ensino básico no Colégio Militar A AAACM tem acompanhado os desenvolvimentos recentes sobre o processo instalação do primeiro ciclo do ensino básico no Colégio Militar, que resultaram na suspensão desse processo. Sobre este assunto a AAACM considera o seguinte: 1) O processo redundou em prejuízo para a Instituição Colégio Militar, mostrando uma imagem de desorganização e conflito que não é compatível com a organização, concentração nos alunos e serenidade que devem existir nas escolas, e do qual o Colégio Militar sempre foi e é um exemplo. 2) Em Abril de 2011, sendo já pública a intenção de instalar o primeiro ciclo no CM, a AAACM manifestou, o seu apoio à iniciativa, afirmando ser imprescindível garantir a qualidade necessária para a escola “ser reconhecida e atrair um
número crescente de alunos”. Este apoio foi reiterado na última edição da revista “Zacatraz”, em Junho de 2011, sabendo-se já nessa altura que as candidaturas ao 1º ciclo ultrapassavam largamente as vagas disponíveis. 3) Não conhecendo os pormenores do processo que conduziu a este desfecho, mas admitindo que possam existir razões técnicas, jurídicas, administrativas ou políticas, que o possam justificar, a AAACM lamenta que não tenha sido possível evitar os prejuízos para os alunos e suas famílias. O Colégio Militar é uma escola e nas escolas os alunos devem estar em primeiro lugar. 4) A AAACM está solidária com a posição pública sobre este assunto da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar (APEEACM), a qual representa a parte mais lesada neste processo – os alunos e as suas famílias. Mais: 5) A AAACM considera ser muito útil a instalação do primeiro ciclo do ensino básico no CM. Esta medida, entre muitas outras medidas de carácter estrutural, estão expressas no documento “Visão para o Futuro do Colégio Militar”, ratificado pelo Conselho Supremo e pela Assembleia Geral da AAACM. Este documento resultante de uma longa e aprofundada reflexão da nossa Associação, foi apresentado ao Estado-Maior do Exército em Abril de 2010. 6) O Colégio Militar contém, no presente, um conjunto de valências e potencial extremamente positivos e amplamente reconhecidas pela sociedade Portuguesa. O Colégio Militar tem uma infra-estrutura, tangível e intangível, única e bem equipada com todas as condições para ser um estabelecimento de ensino de excelência com capacidade para: • Responder às mais exigentes necessidades educativas e formativas actuais; • Assegurar um contributo estratégico para o desenvolvimento de Portugal e sua relação com os PALOP, bem como para as Forças Armadas. • Ser rentável, não representando qualquer custo para o Estado. 7) A AAACM está apta e disponível para junto da tutela discutir todas as questões ligadas ao presente e futuro do CM e dessa disponibilidade dará conta ao Ministério da Defesa Nacional. Acreditamos no futuro do Colégio Militar e no seu valor para o futuro de Portugal. Apoiaremos sempre de forma proactiva, empenhada e responsável quem queira valorizar este bem, valorizando desta forma o nosso País.
Dos Antigos Alunos Carta manuscrita do Marechal Teixeira Rebello
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Carta manuscrita do
Marechal
TeixeiraRebello T
eve a anterior direcção da AAACM a óptima iniciativa e o grande sentido de oportunidade de comprar num leilão uma carta manuscrita do fundador do Colégio, o Marechal Teixeira Rebello. Esta carta passa agora a fazer parte do acervo histórico da nossa Associação, o qual, esperamos, possa vir a ser exposto publicamente num futuro próximo. Infelizmente esta carta escrita pelo punho do próprio fundador, não versa sobre nenhum assunto colegial. Pois na data em que foi escrita, Julho de 1799, ainda não existia o nosso Colégio, em-
bora fosse muito provável que essa ideia, dada a sua proximidade temporal, já estivesse a germinar na cabeça de Teixeira Rebello. Não deixa contudo de ser muito interessante, pois o seu assunto versa sobre a defesa da cidade de Lisboa, com os seus pontos fortes e fracos e, pormenor muito interessante, é redigida com uma minúcia e detalhe muito grandes. Como nota final, mantivemos a ortografia original pois parece-nos que isso em nada prejudica a sua leitura, a qual fica com um outro colorido.
Ill. mo e Ex. mo Senhor Remeto a V.Ex.ª a folha de despesa feita a semana passada nas obras de concerto e factura de reparos como também no concerto de quartéis. Enquanto ao carretâmediguo a V. Ex.ª que se não perde tempo mas a grande ruína em estava não permite concluir-se o seu reparo com a brevidade que desejo, não obstante poder V. Ex.ª contar com o serviço de toda a artilharia desta repartição para qualquer acção ainda que seja porfiada, pois que se acha já remediado tudo o que he mais essencial. Esta praça e todos os fortes della dependentes, estão passavelmente artilhados e igualmente prontos com as suas palamentas e muniçoens a fazer fogo ao primeiro instante, achando-se a suas guarniçoens, suposto que pequenas, nomeadas a postos e exercitadas do modo possível, no que tem posto todo o cuidado e actividade o governador desta praça. Como V. Ex.ª me tem permitido a liberdade de dizer os meus sentimentos sobre pontos da minha profição achando-me por V. Ex.ª empregado, passo a mostrar quais são os juízos que formo sobre a defensa da costa desde o cabo da Roca para cá: estes, quando não forem conformes, tem somente // de não fazer perder a V. Ex.ª o tempo de os ter, e por castigo dessa culpa sejãoelles desterrados para baixo da mesa e eu fico confiado em que os meus bons desejos de servir ao Príncipe e de agradar a V. Ex.ª sejão os garantes que me obtenhão de V. Ex.ª o perdão. A costa desde Cascais até onde a serra de Sintra entra no mar precipitadamente e toma o nome de roca tem para sua defença cinco fortes e tres baterias cuzandose os fogos naquelles onde a praia permitte mais accissibilidade; ellahe por toda a parte quasi coberta de pedra, formando huma boa defença natural e o mar poucas vezes se acha ali sossegado; contudo he muito possível desembarcar nas praias do Guincho 300 ate 400 homens, os quais serião bastantes para fazer calar todos os fortes daquella costa e vir pôr em desordem a guarnição de Cascais, valendo-se disto para fazer desembarcar aqui alguns mil homens com que possa encommodar as fortalezas que defendem o porto de Lisboa, pois que à excepção da Torre de S. Julião, nenhuma das outras tem defença pela parte de terra: para remendar este encoveniente que alias me parece atendível, // porque o inimigo não duvida de fazer algum sacrifício para conseguir o seu intento penso eu que seria conveniente termos hum corpo de 600 ate 800 homens compactos entre o lugar de Arêas e o da Torre como seus postos avançados nas alturas do barril (…) na iminência que commandão as praças do Guincho e das baterias que lhes ficão à esquerda ficando em distancia de tiro seguro de peças de campanha. O corpo collocado entre os sobre ditos lugares estará em medida de poder acudir a qualquer parte desta Costa ou a Cascais quando as circunstancias o exigão, devendo ter consigo quatro peças de campanha com as bestas competentes para as puxar e para mais pronta comunicação assim destas, como da tropa, será necessário aperfeiçoar algumas irregularidades de pouco momento que tem o terreno ao longo da costa. Nesta pressa há uma bateria assas elevada, e em lugar interessante, que por infeite lhe tinhão levantado merloens, e como lhes impedissem o fogo, e manobra das peças que ali se achão, apiei-os de unânime acordo // com o governador ficando nós com mais satisfação quanta verificarce-nos ao desmanchar, ter sido feita á barba na sua primeira construção. Eu desejo atirar alguns tiros com bala para conseguir (…) aos meus oficiais a distancia sobre o mar que podem atirar seguros com algumas peças de vários calibres; assim espero que V. Ex.ª convenha nisto o que eu farei mediando todo o cuidado e economia. Deus guarde à pessoa de V. Ex.ª muitos annos Cascais 20 de Julho de 1799. De V. Ex.ª Subdito e Creado mais obrigdo Antº Teixeira Rebello
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Dos Antigos Alunos Carta manuscrita do Marechal Teixeira Rebello
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Dos Antigos Alunos Carta manuscrita do Marechal Teixeira Rebello
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Dos Antigos Alunos O Torneio de Bridge de 2011 da AAACM
O Torneio de Bridge
de 2011 da AAACM © Foto Leonel Tomaz -Um aspecto da sala durante a disputa do Torneio
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umprindo uma tradição que já se continua desde há 27 anos, voltou a realizar-se em 16 de Julho de 2011 o Torneio de Bridge anual da AAACM. Tal evento muito deve ao José Manuel Soares de Oliveira (112/1936), sempre muito devotado à causa do Colégio, da Associação dos seus Antigos Alunos e à associação e convívio entre estes, que não tem poupado esforços para que ele se realize e que tem também devotadamente servido a causa do bridge português, a cuja Federação Portuguesa presidiu durante numerosos anos e de cuja Federação Europeia é Vice-presidente honorário. Este Torneio que já ganhou notoriedade no meio bridgista, mercê do rigor da sua organização, do interesse dos prémios e do número e qualidade dos participantes (quotando-se como uma das provas nacionais de uma única sessão mais participadas), situação que em grande parte se deve ao mérito do seu organizador que, de ano para ano, vem mostrando neste e noutros acontecimentos, o seu apego à sua condição de Menino da Luz, honrando e enaltecendo a nobreza de procedimento que é timbre da grande generalidade de quem teve o privilégio de ter envergado a “farda cor de pinhão”. Está pois de parabéns o José Manuel Soares de Oliveira e toda a equipa que, sob a sua competência desde sempre manifestada em tudo a que mete ombros, realizou com êxito mais este Torneio Anual de Bridge.
Depois da utilização das salas da antiga sede na Calçada Marquês de Abrantes, posteriormente das instalações na Feitoria e, mais tarde, dos espaços no restaurante anexo ao Quartel Velho, a prova passou a ser disputada no próprio Colégio, umas vezes num dos seus amplos refeitórios e outras, como no ano corrente, nas excelentes instalações da zona do anfiteatro, no hall do Edifício de Aulas. Esta prova de 2011 contou com a participação de 50 pares, número inferior ao habitual, o que deve atribuir-se à data tardia para este género de actividades, numa altura em que muita gente já goza as suas férias ou reserva os fins-de-semana para se ausentar da
calorenta Lisboa. De qualquer modo a participação de uma centena de jogadores deve ser considerada como muito positiva e manifesta o grande interesse com que os praticantes da modalidade aderem a esta iniciativa da AAACM. A organização prática da prova esteve confiada a Luís Ahrens Teixeira que contou com a prestante colaboração de Leonel José Tomaz e de Miguel Mercês de Mello, uma equipa que desempenhou as suas funções de forma primorosa. A direcção do torneio foi mais uma vez assegurada pelo árbitro nacional Luís Oliveira, a cuja competência técnica e capacidade de diálogo se presta merecida homenagem.
Dos Antigos Alunos O Torneio de Bridge de 2011 da AAACM
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3º - Paulo Dias - Manuel Netto – 58,6% 4º - Manuela Araújo - Inocêncio Araújo – 57,8% 5º - Teresa Kay - José Lopes – 54,0% 6º - A Pereira Silva - João Ferreira – 53,7% 7º - José Belo - António Cardoso – 53,4% 7º - José Egreja - Paulo Braula Reis – 53,4% 7º - Ana Luísa Brito - Acácio Figueiredo – 53,4% 10º - Pedro Durão - Afonso Rodrigues – 51,9% 11º - José A Oliveira - Carlos Cabrinha – 50,6% 12º - Júlio Marques - Diamantino Delgado – 50,0% 12º - Rui Mesquita - Nuno Lopes – 50,0% 14º - Paulo Coelho - Artur Castanha – 49,6% 15º - Maria João Militão - Carlos Rodrigues – 48,7% 16º - Rui Avelar – Germano Pó – 45,3% 17º - São Pinto Costa - Luísa Reis – 44,6% 18º - Alípio Gomes - Pedro Gil – 44,4% 19º - Passu Ranchordas - Kantilal Jamnadas – 44,0% 20º - João Videira - Casimiro Talhinhas – 40,2% 21º - Jorge Graça - João Chaves – 39,8% 22º - Paula Carvalho - António Carvalho – 36,8% 23º - Ita Cruz - Luísa Ribeiro – 36,4% © Foto Leonel Tomaz - José Soares de Oliveira (112/1936), vencedor na linha NS, recebendo os prémios que lhe foram entregues pelos Presidente e Vice-Presidente da Direcção da AAACM, António Saraiva de Reffóios (529/1963) e José António Banazol (631/1968)
Os participantes foram divididos em duas séries, jogando-se em ambas os mesmos jogos, o que permite estabelecer uma única classificação. Os prémios foram oferecidos por empresas prestigiadas como são o BPI, a Pierre Fabre, nome sonante no campo dos produtos de cosmética, pelo tradicional Grupo Legrand, o grande especialista a nível mundial em infra-estruturas eléctricas, e ainda pelo Quinto Naipe e pelos próprios Colégio Militar e AAACM. A sua entrega aos contemplados, que constam da lista anexa, foi feita pelos Presidente e Vice-Presidente da Direcção da AAACM, António José Saraiva de Reffóios (529/1963) e José António Ataíde Banazol (631/1968), durante uma sessão muito animada e participada. Os vencedores de cada linha foram os pares Adolfo Steiger Garção e José Manuel Soares de Oliveira (112/1936), em NS, e Paulo Gonçalves Pereira e António Palma em EO. Porém, porque o regulamento do torneio estabelecia que os prémios eram destinados a pares que não incluíssem dois jogadores classificados no ranking nacional em 1as Espadas ou Copas, caso dos vencedores em EO, o primeiro prémio dessa linha foi atribuído aos segundos classificados, o jovem par Mariana Nogueira e Francisco Pereira Gonçalves. A prova contou com a participação dos seguintes antigos alunos do Colégio: José Manuel Soares de Oliveira (112/1936) José Gualberto Nascimento Matias (245/1936) Rui Joaquim Azevedo de Avelar (25/1960) João Francisco Teixeira Chaves (220/1965)
José Augusto Nunes Egreja (305/1965) Jorge Alberto Monteiro Graça (225/1966) Paulo Domingos Neves Coelho (206/1969) Gonçalo José Venceslau Cardoso (177/1995) Francisco Braz Fernandes (226/2000) Redacção da Revista ZacatraZ
CLASSIFICAÇÃO GERAL N-S 1º - Adolfo Steiger – J Soares de Oliveira – 62,5% 2º - Eduarda Reis - José Belmar – 59,3% 3º - Carlota Mello - Luís Correia – 58,3% 4º - Miguel Slewinski - António Pyrrait – 56,9% 5º - Rose Fernandes - Belarmino Martins, 55,3% 6º - João Morais -Carlos Ferreira – 53,3% 7º - Boaventura Almeida - J Morgado Melo, 53,1% 8º - Lena Espírito Santo - Lourdes Centeno – 52,9% 9º - Lourdinhas Cruz - Heloísa Moreira – 52,6% 10º - Clara Lopes - José Matias – 52,2% 11º - José Moreira - José Pausinho – 51,7% 12º - Cilita Ferreira - Herculano Ferreira – 51,5% 13º - Margarida A Correia - Miguel d’Alpoim – 51,4% 14º - Maria José Raposo - Paulo Cruz – 50,8% 15º - Maria Emília Cabral - António Falcão – 50,3% 16º - Joana Brígido - José Moraes – 50,0% 17º - Beatriz José - João Fanha – 48,9% 18º - Bé Oliveira - José Morais – 47,9% 19º - Gonçalo Cardoso - Francisco Fernandes – 47,4% 20º - Rui Almeida - Jorge Petrucci – 47,3% 21º - Rosário Abreu - Fernando S Miguel – 47,3% 22º - Luísa Santos - Gonçalo Albuquerque – 42,6% 23º - C Corte Real - Luís Rodrigues – 42,3% 24º - Isabel Andrade - Ana Lupi – 40,5% 25º - Salete Talhinhas - Isabel Soares – 40,2% 26º - Teresa Lino Neto - LuisPyrrait – 33,5% E-O HC - Paulo G Pereira - António Palma – 62,2% 1º - Mariana Nogueira - Pereira Gonçalves – 61,6% 2º - João Bayam - Alberto Nobre – 59,5%
LISTA DOS PREMIADOS GERAL 1º NS - José Manuel Soares de Oliveira / Adolfo Steiger 1º EO- Mariana Nogueira / Francisco Pereira Gonçalves 2º NS - Eduarda Reis / José Belmar 2º EO - João Bayam / Alberto Nobre 3º NS - Carlota de Mello / Luis Correia 3º EO- Paulo Dias / Manuel Netto 4º NS - Miguel Slewinski/António Pyrrait 4º EO- Manuela Araújo / Inocêncio Araújo
JÚNIORES 1º - Mariana Nogueira / Francisco Pereira Gonçalves
SENIORES 1º- Miguel Slewinski / António Pyrrait
MISTO 1º- Manuela Araújo / Inocêncio Araújo
CASAL 1º - Joaquina Ferreira / Herculano Ferreira
ANTIGOS ALUNOS COLÉGIO MILITAR (pares incluindo antigos alunos do IO e do CM, ou parentes próximos) 1º - Rose Fernandes / Belarmino Martins
SENHORAS 1º - Helena Espírito Santo / Lurdes Centeno
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Dos Antigos Alunos Penafiel 2011
Penafiel 2011 © Foto CÉLIA – Laboratório Krysphoto
a justiça referir que o Bacalhau à Braz da Albertina bate tudo o que existe com esse título! E que o seu leitão à Santa Fé pede meças ao melhor que se faz na Bairrada!
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a sua nona edição consecutiva, cumpriu-se no dia 18 de Junho de 2011 o calisto encontro anual da Velha Guarda em Penafiel. O António Ferreira Alves (86/1934), mais conhecido pela sua alcunha de Bóbó pela qual foi tratado durante a vida inteira, entende manifestar e materializar desse modo o seu entranhado amor pela res colegial, procurando prolongar no tempo a camaradagem e a vivência que encheram as nossas vidas nos nossos tempos de Meninos da Luz. Esta reunião em Penafiel tem-se vindo assim a transformar num símbolo da nossa gratidão colectiva ao Colégio que nos formou para a vida. E o solar de Santa Fé, que nos tem acolhido em todas estas reuniões anuais naquela bela cidade nortenha, bem merece ser olhado como um prolongamento das instalações colegiais nesta celebração a
um tempo de reconhecimento, saudade e enorme alegria. O Bóbó foi encorajado nesta iniciativa, desde o seu início em 2003, por sua Mulher, D. Margarida Almeida Strecht Ferreira Alves. O seu falecimento em 2005, longe de o desencorajar, foi ocasião de associar a sua memória à continuidade do encontro colegial, cumprindo desse modo o desejo que ela lhe manifestou especificamente antes de falecer. Nos aspectos práticos da reunião surge em grande plano a neta Paula, mais conhecida pela Paulinha, distinta professora em Coimbra, uma verdadeira “Menina da Luz” pelo seu espírito e pela sua actividade. A ela e às suas colaboradoras, em particular a excelente e simpática cozinheira Albertina, devemos a primorosa organização prática deste encontro. No particular da gastronomia, é de toda
Neste dia 18 de Junho reuniram-se em Penafiel os 18 antigos alunos mencionados no quadro anexo. Conforme ali se indica, além dos antigos alunos dos cursos de 36 e 37, contámos com a presença de alguns mais antigos, com relevo para o João António Ferreira Lamas (75/1931), que foi o “alferes” da nossa 1ª em 1936, e de outros mais novos! Presente também, por especial convite do Ferreira Alves, a D. Maria Helena Soares de Oliveira, mulher do 112/1936 e mãe do 399/1968. Diversos antigos alunos manifestaram a sua adesão ao encontro, embora não pudessem participar no mesmo por razões ponderosas. Entre eles o Mário Falcão (314/1936), por razões de saúde, e o recém-eleito Presidente da Direcção da AAACM, o António José Saraiva de Reffoios (529/1963), por um seu filho se casar na mesma data. Todos eles, tal como os que já deixaram o nosso convívio, estiveram connosco, no nosso pensamento, no nosso diálogo e na nossa saudade. Em nome dos participantes, o Luís Manuel Teixeira Diniz (110/1936), o antigo aluno mais graduado de entre os presentes, Comandante da 1ª em 1942/1943, saudou o Bóbó e os seus familiares e colaboradores, e evocou os ausentes. Convidado pelos organizadores, o José Alberto da Costa Matos (96/1950), Presidente do Conselho Supremo da AAACM, proferiu depois a “oração de sapiência”.
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Dos Antigos Alunos Penafiel 2011
© Foto CÉLIA – Laboratório Krysphoto
Começou por dizer que considerava esta reunião anual um exemplo notável desse grande valor colegial que é a Camaradagem, salientando que ela se manifestava em duplo sentido: do Ferreira Alves para com os camaradas seus contemporâneos na Luz, e destes para com ele, uma vez que o sabem impossibilitado de os abraçar em qualquer outro local onde pudessem reunir-se. Informou de seguida os presentes sobre alguns aspectos ou factos da actividade colegial, começando pela entrada em funcionamento no Colégio no próximo ano lectivo, em regime de externato, do ensino primário, lembrando que tal medida, aparentemente inovadora, era afinal o retorno ao que acontecia quando da génese do Colégio de Educação Militar da Feitoria em que, aos alunos, alguns dos quais com menos de dez anos, se ensinava “Escrita e Primeiras Letras”, sendo seu professor o sargento Costa Veloso. Apelou a que como antigos alunos, déssemos o nosso apoio aos novos “pequeninos meninos da Luz” e aos seus pais, estando presentes quando da abertura das suas aulas. Referiu-se depois ao número de candidatos inscritos para as provas de admissão ao Colégio no próximo ano, (comparando-o com anos anteriores); às boas classificações dos alunos finalistas, que são os “ratas” do Bicentenário (ano em que foi feito um raro esforço de marketing que possibilitou um bom recrutamento de novos alunos, com resultados à vista); aos constrangimentos resultantes da subordinação a algumas das directivas emanadas
© Foto CÉLIA – Laboratório Krysphoto
do Ministério da Educação, bem como à requisição, qualidade e permanência de docentes; e à actual origem social dos colegiais comparada com a dos seus tempos de alunos. Satisfez de seguida a curiosidade de alguns dos presentes dizendo que se encontrava a investigar a biografia de antigos alunos com percursos de vida notáveis, mas que não se inseriam no livro “O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa”, tendo em vista a publicação de uma outra obra titulada de “Colégio Militar, Berço de Grandes Portugueses”. Para aguçar a expectativa, desvendou que foram antigos alunos o primeiro português a efectuar um voo sobre território nacional, o nosso primeiro engenheiro florestal, o criador do parque da Gorongoza em Moçambique, o primeiro engenheiro aeronáutico nacional, o criador e organizador do Museu Grão Vasco e o único colegial que foi, simultaneamente, aluno e professor de si mesmo e dos seus colegas de curso. Terminou agradecendo a generosidade do convite, a excelência do acolhimento e o empenho da Paulinha que, como disse, é já como que a “primeira antiga aluna honorária”. Rematou dizendo que, como o Ferreira Alves não pode deslocar-se ao Colégio, como desejaria, lhe trazia o Colégio até ele – e ofereceu-lhe um quadro com uma fotografia aérea a cores, em que ainda se vêem os antigos pavilhões do Desenho e Trabalhos Manuais, o edifício das Ciências e o da 2.ª Companhia de alunos, emoldurado a castanho e verde, as cores do uniforme dos Meninos da Luz. Finalmente, registe-se ainda que o Luís
Manuel Quintino Rogado (196/1936), na sequência do que tem vindo a fazer nos anos anteriores, ofereceu ao Bóbó mais uma obra-prima da sua arte pictórica: desta vez um quadro tendo como tema um jardim público de Penafiel. A Velha Guarda continua presente! Obrigado Bóbó! Obrigado Paulinha! Obrigado Colégio! O Curso de 1936/1943
Os Convivas Antigos Alunos do Encontro Penafiel 2011 75/1931 João António Ferreira Lamas 15/1934 D. Agostinho de Sousa Coutinho (Rata do Encontro) 86/1934 António Ferreira Alves 263/1935 Francisco Coelho de Moura 347/1935 Raul de Freitas dos Reis Pereira 2/1936 Luís Melo de Oliveira 73/1936 Fernando Henrique Voss Wahnon 110/1936 Luís Manuel de Freitas Teixeira Dinis 112/1936 José Manuel Soares de Oliveira 188/1936 Eugénio de Sequeira Varejão 196/1936 Luís Manuel Quintino Rogado 282/1936 Manuel Primo de Brito Limpo Serra 302/1936 José Luís Almiro Canelhas 386/1936 João António Ferreira Cerveira do Amaral 10/1937 João de Aragão e Rio 327/1937 José da Paz Olímpio 121/1943 Nuno Álvaro Bastos de Bívar (Rata do Encontro) 96/1950 José Alberto da Costa Matos
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Dos Antigos Alunos Padre Braula Reis - «acróstico do Roberto Durão»
Ao nosso Padre e Amigo Braula Reis Meu amigo e Con-Frade ou, melhor, Com-Padre Permita que lhe ofereça este acróstico que «tenta» ser o seu retrato, como o vejo e sinto. Não gosto de acrósticos, confesso, e ainda menos de definir Alguém que não é passível nem se pode revestir de qualquer definição: É ele apenas, assim como é e assim será. Contudo, aí vai com a sua compreensão … “mea culpa”!
Bom e Bravo Rebelde mas Realista Altruísta. Umano com o H de Honra e Humildade Lutador Amante da Verdade. Rindo do esplendor farsista Ergueste à vida um Canto Idealista Santo. Ouvi dizer que vai deixar a sua Paróquia de S. Domingos. «Eles não sabem … mas mentem ...porque não é verdade. Enganam-se porque mesmo que de lá saia a sua presença física, humana, já lá ficaram as suas sementes para novos, sempre vivos frutos, como os que nos deixou lá no nosso Colégio da LUZ.
Um grande, infindo abraço, com toda a Alma, sem “acrósticos” … deste seu amigo “ad Nunc, ad Semper” Roberto Ferreira Durão 15/1942
Dos Antigos Alunos Vela e Sardinhas juntam Antigos Alunos na Feitoria
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Vela e Sardinhas
juntam Antigos Alunos na Feitoria!
A
pesar de ser um encontro habitual não deixa de ser notícia. Mais uma vez passámos um dia excelente! Este ano o encontro decorreu no dia 7 de Julho e reuniu cerca de 80 participantes dos quais mais de 20 participaram nos Mini Cruzeiros de Vela. Como vem sendo hábito foi um dia “de encomenda”, um ambiente fantástico, bons ventos com óptimas condições para a prática de vela, sardinhas e serviço excelentes. Em relação aos Antigos Alunos Velejadores devemos assinalar que já participaram nestes encontros 10 veleiros de cruzeiro, merecendo um destaque especial pelo nome que ostenta e por ser a maior embarcação presente o ZACATRAZ, veleiro Jeanneau de 49 pés, do proprietário e skipper Pedro da Costa Maya (407/1955). Por curiosidade juntamos o programa do Mini Cruzeiro: • 10h00 -10h30: Chegada das embarcações à Marina de Oeiras • 10h30: Encontro dos skippers no Café Sport Peters e distribuição das tripulações de convidados pelos veleiros
Este ano a Preia-Mar foi às 10h22 pelo que os veleiros que vieram de Lisboa tiveram que zarpar pelas 08h00 para conseguirem chegar à Marina de Oeiras a tempo! Em relação à componente Sardinhas voltámos a verificar uma presença de Antigos Alunos de todas as faixas etárias, muito acompanhados com as respectivas famílias. O local reúne de facto excelentes condições para as crianças andarem à solta com total segurança. Especificamente sobre a qualidade das sardinhas houve muitos elogios, menções honrosas, louvores …e até quem garantisse não ter comido sardinhas tão boas nos famosos arraiais dos Santos Populares! Mais uns 50 anos com esta qualidade e as “Sardinhas da Feitoria” entram no registo das nossas Tradições! Os organizadores estão de parabéns, um obrigado especial a todos os skippers que trouxeram os seus veleiros e em especial ao Pedro Antão e à sua escola de náutica e vela, “Patrão Mor”, por ter assegurado o apoio necessário na Marina de Oeiras. Sem dúvida mais um grande momento de lazer e confraternização Colegial na nossa Feitoria!
• 11h00 -13h00: Mini Cruzeiro AAACM com Partida e Chegada na Marina de Oeiras • 16h00 -17h00: Partida das embarcações para os locais habituais de amarração.
Vitor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves 666/1971
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Dos Antigos Alunos Os Governos da República 1910-2010
Os Governos da República 1910-2010 N
o início do mês de Julho, nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, foi feito o lançamento de um novo livro da autoria conjunta de quatro pessoas, das quais três são antigos alunos do Colégio. Trata-se de um livro de grande fôlego e de grande interesse para a História recente de Portugal, com o título Os Governos da República 1910|2010. Os autores do livro são: Alberto Laplaine Guimarãis, Bernardo Dinis de Ayala (171/1953), Manuel Pinto Machado (92/1953) e Miguel Félix António (302/1972). Não tivemos oportunidade de estar presentes na sessão de lançamento na Câmara de Lisboa, mas acabámos por estar presentes numa segunda sessão de lançamento do livro, realizada no Clube Militar Naval, com o objectivo da sua divulgação na comunidade da Marinha, da qual um dos autores do livro, o Comandante Pinto Machado, é membro, na sua qualidade de oficial da Armada. Nesta segunda sessão, a apresentação do livro esteve a cargo de um outro antigo aluno do Colégio, o Vice – Almirante João Nuno Ferreira Barbosa (16/1956). Reproduz-se em seguida o texto dessa apresentação, que nos elucida sobre a natureza do livro e sobre a sua importância, não só para os investigadores e estudiosos da nossa História, mas também para os curiosos acerca da mesma, como é o nosso caso. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
“Por insistência dos autores do livro “ Os governos da República, 1910-2010”, cabe-me fazer hoje a sua apresentação, o que muito me honra, mas faço-o consciente da sua dificuldade, pois não se trata de um livro vulgar. Esta obra, da autoria de Alberto Laplaine Guimarães, Bernardo Diniz de Ayala, Manuel Pinto Machado e Miguel Félix António, é essencialmente, uma lis-
tagem exaustiva de todos os personagens que exerceram os cargos de Presidentes da República, ou integraram todos os governos desde 5 de Outubro de 1910 até aos nossos dias, bem como dos organigramas dos respectivos governos. Os autores já em 2000 publicaram o livro intitulado “Os Presidentes e os governos da República no século XX”, mas desde logo decidi-
ram lançar-se num novo projecto contendo mais informação histórica e política, abrangendo os cem anos da República Portuguesa, recentemente assinalados no passado 5 de Outubro. O livro não trata da história da proclamação da República nem dos seus antecedentes, mas é uma visão que fixa a memória histórica do período abrangido, que hoje ainda é alvo de
Dos Antigos Alunos Os Governos da República 1910-2010
muito estudo e discussão. As gerações actuais tendem a imaginar que a mudança de regime teria sido um terramoto político e cultural. Aparentemente não foi assim. Desde 1834 que a monarquia constitucional se parecia com uma república, o próprio rei D. Carlos afirmou que Portugal era uma república com um rei, o que foi particularmente verdade no tempo de Fontes Pereira de Melo. Já depois do 5 de Outubro vozes monárquicas diziam que agora a república iria ser uma monarquia sem rei. Claro que os republicanos logo se aperceberam disto e proclamaram que “ a república é para o povo, o governo é para os republicanos”. O que sucedeu a seguir é da história. E é de uma parte fundamental do que sucedeu a seguir que o livro se ocupa. Longe de ser uma árida listagem de nomes e organigramas de ministérios, inclui valiosa informação que foi desenterrada pelos autores em exaustiva investigação, investigação essa que se socorreu de inúmeras fontes, muitas vezes contraditórias ou imprecisas. Foi preciso ler, re-
ler, comparar e concluir durante muitos meses de labor e dedicação para chegar a este resultado. Assim, encontramos no livro as cronologias dos Chefes de Estado e as biografias dos Chefes de Governo que são deveras interessantes e de indiscutível valor para investigadores e estudiosos. A análise dos números que se tiram deste trabalho também é assaz curiosa ou mesmo divertida. De facto, espanta qualquer um que em cem anos tenha havido 18 Presidentes da República, alguns de curto mandato, como Mendes Cabeçadas com 18 dias e Gomes da Costa com 22 dias, ou longos mandatos, como Óscar Carmona, com 25 anos. Já no que respeita a Governos, houve 81, o que dá uma média de 8 por cada 10 anos. Houve um, o 22º ministério, que ficou conhecido como o dos cinco minutos, enquanto outros duraram muito, com especial destaque para o 56º, que atravessou, sob a chefia de Salazar, 32 anos. É também interessante analisar a participação de militares nos governos, o que foi normal na primeira república e
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depois do 25 de Abril. Já que estamos aqui num meio naval, deixem-me dizer ter verificado que era normal encontrar oficiais de marinha como ministros da Marinha, das Colónias ou dos Negócios Estrangeiros. Mas não só. Sabem quantos foram Ministros da Agricultura? Três! Estamos pois, perante uma obra de inegável valor, obrigatória nas bibliotecas institucionais e académicas, pois facilita a consulta e o acesso à informação sobre todos os que nos governaram nos últimos cem anos; tudo compilado num único volume. Ajuda-nos a melhor conhecer o passado, o que é indispensável para nos situar no presente e projectar o futuro. Queria ainda salientar o prefácio do professor Adriano Moreira, que se expande sobre os poderes do Presidente da República com a sua magistral clareza e sabedoria, o que muito enriquece a obra. Resta-me felicitar os autores pelo seu trabalho de investigação e pela obra em si, que é um grande contributo para o estudo do mais recente século da nossa história.”
Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti. Liga: 919 671 787
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Do Colégio Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello
Rui Miguel Laboreiro Risques da Costa Ferreira 516/1976
Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello N
o âmbito do projecto humanitário dos livros para Cabo Verde, iniciado em 2007, foi finalmente consolidada a iniciativa com a inauguração da Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello, junto das Forças Armadas, na cidade da Praia, em Santiago.
Em representação do CM e da AAACM deslocou-se ao arquipélago, de 4 a 7 do passado mês de Junho, uma delegação composta pelos alunos Tomás Virtuoso (164), João Faleiro (264) e António Reffóios (529), chefiada pelo então Comandante do Corpo de Alunos, TCor Rui Miguel Costa Ferreira (516/1976).
O principal objectivo deste projecto é proporcionar aos alunos a oportunidade de perceberem outras realidades e de revelarem a solidariedade, filantropia e a componente humanitária, que apesar de cada vez mais parecer afastar-se dos valores preconizados pela sociedade em que nos inserimos, continua muito enraizada
na formação dos Meninos da Luz. Depois, garantir aos alunos, e a toda a família colegial, a oportunidade de praticar tais valores. Seria de todo desejável juntar, em torno deste projecto, o Colégio, a AAACM e a Associação de Pais, nesta primeira vertente de envio de livros para apoiar o ensino e a divulgação da língua portuguesa.
Do Colégio Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello
digida e assinada pelos quatro elementos da comitiva do Colégio. Tanto o retrato como os 3 livros foram oferecidos pela AAACM. No momento foi ainda assinada uma carta de compromisso bilateral, que se reproduz no final deste texto e irá ser encadernada como primeira página do livro de honra para registo das visitas e eventos que ali ocorram, livro que será oferecido à Biblioteca. Foi possível aos nossos alunos perceberem outras realidades, e com isso melhor sentirem a importância destas iniciativas. Resta agora (saber) passar essa imagem. Em muito breves depoimentos dos alunos poder-se-á avaliar o impacto desta iniciativa e os nobres valores que dela emergem.
E
m Maio procedeu-se ao envio de 2.500 Kg de livros e manuais escolares. Juntamente com eles seguiu uma placa de pedra preta, a lembrar o basalto vulcânico, que foi orgulhosamente descerrada no dia 6, na presença do Exmo. Vice-CEMFA das FA de Cabo Verde, Cor Jorge Paulo Monteiro. No interior da biblioteca foi colocado um retrato do Marechal Teixeira Rebello e, numa mesa próximo, os três volumes da História do Colégio Militar com uma dedicatória re-
“Há imagens que valem mais que mil palavras. Nunca fez tanto sentido para nós este dito, depois desta jornada por terras cabo-verdianas, de onde, por certo, trouxemos muito mais do que aquilo que lá deixámos. Deixámos 2 toneladas e meia de livros, inúmeras canetas, lápis de cor e cadernos… trouxemos incontáveis expressões de alegria e gratidão, incalculáveis demonstrações de afecto e incredulidade… Mais do que tudo, regressámos com o espírito cheio de uma simplicidade e humildade marcantes, que a ninguém deixa indiferente…” 164/2003 – Tomás Virtuoso
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“Ir a Cabo Verde nunca esteve nos meus planos nem sequer foi alguma vez uma ideia para um destino de férias. Quando surgiu este projecto e me foi dito que integraria este grupo, foi com surpresa e alguma curiosidade que o encarei. Pensei que para além do projecto de iniciar uma biblioteca com a marca do nosso Colégio, seria uma experiência interessante, levar o nome do Colégio Militar a outras paragens, em tempos também portuguesas, mas também uma oportunidade de viajar, conhecer outro País, ir à praia. Nada do que possa agora escrever ou dizer poderá expressar o que foi participar da concretização deste projecto. A forma como fomos acolhidos, o carinho e gratidão que todos sem excepção nos expressaram, encheram-me de orgulho, felicidade e também de gratidão. Ter tido a oportunidade de conhecer as condições em que aquele povo, aquelas crianças e aqueles jovens da minha idade vivem, sem nada, comparando com tudo o que eu tenho, fez-me dar muito mais valor a tudo aquilo a que tenho acesso diariamente muitas vezes sem valorizar nada. Para além de tudo aquilo que trago para sempre comigo do Colégio Militar, tudo o que aprendi, que vivi nestes 8 anos de Colégio, esta experiência enriqueceu-me, fez-me crescer e pensar em repetir experiências como esta. Obrigado Senhor Tenente-Coronel Costa Ferreira por esta ideia e pela sua concretização. Obrigado por ter sido integrado neste projecto. Pode contar comigo quando quiser. Obrigado à AAACM por ter apoiado e possibilitado a realização deste Projecto.” 529/2003 – António Reffóios
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Do Colégio Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello
Fomos recebidos de forma indescritível, com amabilidade e simpatia, amizade e carinho que não se esquecem facilmente. Receio que estejamos mais próximo de perceber o significado da palavra Morabeza. Mas ficou muito claro o quão importante pode ser este projecto, em mais tantas outras vertentes que podem ser por nós abraçadas. E é de facto isto que importa, mais do que o que se fez, tudo o mais que se pode e deve fazer. Tudo isto se materializou num mais forte incentivo para fazer mais e mais em prol do desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida de alguém.
O
utro objectivo foi e é o de promover e apoiar a divulgação e o ensino da língua portuguesa, nesta que é, de entre todas as ex-colónias, a que apresenta melhores resultados escolares. Com a criação deste pólo cultural no Quartel Eugénio Lima, junto das FA de Cabo Verde, pretende-se apoiar não só os militares e seus familiares, mas estende-lo também aos estudantes e cidadãos da periferia, que se queiram deslocar ao local. De referir que são apoiados aqui cerca de quarenta pupilos, órfãos ou moradores distantes, em regime de internato, para assim poderem frequentar a escola.
“(…) Aquando da nossa chegada fomos recebidos pelo Exmo. Sr. Tenente-Coronel João Drujco e foi, logo de início, notável a sua enorme simpatia e hospitalidade. O mesmo sentimos por parte de todos os militares com quem contactámos, desde o Exmo. Vice Chefe do Estado Maior das Forças Armadas até ao condutor, o Soldado Nelson . Foi-nos proporcionado um programa que, do ponto de vista cultural e humanitário, foi riquíssimo. Deparámo-nos com situações que nos marcaram, devido à contrastante diferença no modo de vida. Tal era a simplicidade e humildade daquele povo, que num pequeno gesto, por exemplo, de oferecer uma caneta, a gratidão evidenciada era imensa. Este povo não vivia nas melhores condições porém disponibilizaram-nos sempre o melhor que tinham. Com esta viagem tão preenchida, com as experiências que dela advieram, com as pessoas com quem nos relacionámos e criámos laços de amizade incutiu em nós um, ainda maior, espírito de entreajuda e solidariedade. Há que dar continuidade a este projecto, pois é uma mais-valia tanto para o Colégio, como para a população cabo-verdiana.”
264/2003 - João Faleiro
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F
livros. Mas nesta curta estadia, ao som alegre e contagiante do Fu-ná-ná, houve ainda tempo para visitar os dois ex-líbris histórico-culturais da ilha, a Fortaleza de S. Filipe e a Cidade Velha, património da humanidade, e o Campo de Concentração do Tarrafal. E foi por esta ocasião que presenciei um dos momentos mais intensos, quando os alunos, por sua iniciativa, juntaram o dinheiro que ainda lhes restava e, frente
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ao local de venda de artesanato, optaram antes por comprar bolas de futebol que depois ofereceram às crianças das escolas ao longo do caminho de regresso à cidade. Na cidade da Praia encontramos os monumentos mais emblemáticos do tempo colonial em considerável estado de preservação, com os nomes das ruas, tal como ficaram desde a década de setenta. E lá estava também o busto do nosso
alta envolver mais as mães, pais e EE dos alunos na área de roupas, fardas do antigo modelo de cotim, que podem muito bem servir os rapazes do internato, assim como roupas de cama, brinquedos, etc. Falta desenvolver a área informática para criação de uma sala de ensino e utilização dos computadores que acumulam pó nos sótãos e garagens de tantos antigos alunos e amigos do CM. Falta revelar todo um conjunto de necessidades que se levantaram no local, desde prateleiras para a biblioteca, cadeiras e secretarias para o espaço de leitura, etc. Pensando em voluntariado, não deve ser complicado fazer deslocar a Santiago uma equipe de alunos, EE e/ou outros, para desenvolver acções de apoio, como pintar escolas, montar prateleiras, organizar torneios de futebol ou xadrez, dar aulas de português ou informática, … e sempre mais Alexandre Serpa Pinto, que foi lá Governador e cujo nome ainda hoje ali é respeitado. Para além dos objectivos definidos, que foram largamente alcançados, tivemos a sorte de ser acolhidos na aldeia dos Rabelados. Oferecemos um caixote de livros infantis e a promessa de enviar mais, além de lápis, canetas e cadernos. Fomos recebidos pelo chefe, o Sr. Tchetcho, que manifestou o seu agrado e abertura aos novos desafios e perspectivas que também nós apresentámos. Ele comprometeu-se a seleccionar três crianças da sua comunidade para iniciarem estudos, na cidade da Praia, com o apoio do Centro dos Pupilos, já no próximo ano lectivo. Para saber mais sobre esta comunidade dos Rabelados aconselha-se uma visita através do link: http://as-nossas-viagens.blogspot.com/2007/ 07/rabelados.html
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gradecimentos à Transinsular, que continua a disponibilizar-se para levar os nossos livros, (a quem passo mais uma vez a merecida propaganda e agradecimento) e ao Pedro Batista Esteves Virtuoso (616/1967). Agradecimento sincero à Misericórdia de Santarém, aos Escuteiros do Agrupamento 52 de Santarém, ao meu querido amigo Pedro Godinho, à Junta de Freguesia de S. Francisco Xavier e à amiga Drª Sónia Carrilho. A todos os que têm colaborado e apoiado. A todos os alunos e seus familiares e amigos. Obrigado Ângelo Felgueiras (498/1976) pelo apoio e simpatia com que nos brindaram durante as viagens. Obrigado Pedro Roberto Menéres Cudell (3/1961), Presidente do BES Cabo Verde, obrigado Eduardo Miguel da Costa Santos (489/1975), Responsável de marketing do BES Cabo Verde, por tudo.
Agradecimento ao Senhor Coronel José Teles Alface, Adido de Defesa em Cabo Verde, pela disponibilidade e simpatia com que nos recebeu.
“Solidariedade por pouco mais de 1 euro Nos tempos que correm estamos habituados a ouvir falar de solidariedade através de ONG, grandes projectos, logísticas complicadas, avultados montantes de dinheiro, mas não tem que necessariamente ser dessa forma. A oferta de um contentor de livros escolares e didácticos a par com a inauguração da biblioteca Marechal Teixeira Rebello, na cidade da Praia em Cabo Verde, é um bom exemplo disso. A boa vontade e o empenho dos alunos, pais e (não sei quem participou mais no projecto) levou até à ilha de Santiago este projecto que
para quem conhece a realidade de Cabo Verde como eu conheço, sabe que vai fazer a diferença e proporcionar o conhecimento a dezenas de crianças carenciadas. Aliás, a solidariedade pode ser até mais simples e disso tive a prova quando o grupo de alunos do CM ao presenciarem um grupo de crianças a brincar com uma bola de “trapos” se lembraram de comprar meia dúzia de bolas para distribuírem pelas escolas por onde passassem. Gesto simples não é? Pois só quem teve o privilégio de observar a alegria de quem recebeu as bolas (quer crianças quer professores) é que consegue compreender a grandeza do gesto e como tão pouco pode fazer a diferença. De uma coisa estou certo, estes alunos nunca serão esquecidos por aquelas crianças, assim como os que vierem a usufruir dos livros dados nunca se esquecerão do CM que lhes proporcionou um local digno e repleto de livros para estudarem ou simplesmente lerem.” Eduardo Miguel da Costa Santos (489/1975)
Do Colégio Biblioteca Marechal António Teixeira Rebello
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1. Agência Lusa: http://noticias.sapo.mz/ lusa/artigo/12670273.html 2. Expresso das Ilhas: http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/ id/25326
Na fotografia da esquerda estão o Tomás Virtuoso (164), o António Reffóios (529), o João Faleiro (264), Sexa Vice-CEMFA Cor Jorge Monteiro, TCor Costa Ferreira (516/1976), TCor João Drujco Director da Escola Militar. Na fotografia da direita reproduz-se a placa que foi descerrada.
N
um balanço rápido e justo pode considerar-se que a missão foi um sucesso, a todos os níveis. As portas estão abertas e estão criadas condições para se fazer muito mais. Soubemos entretanto que, conforme fora prometido, três jovens da comunidade dos Rabelados se encontram já em adaptação ao internato para iniciarem o ano escolar
como estudantes. Em emissão de 7 de Junho, às 14h00, da RTP África e no 8 de Junho, também pelas 14h00, da RTP Notícias, foram projectados filmes e amplamente noticiado a jornada realizada em Cabo Verde. Fica o convite para visitarem a cobertura que a nossa acção mereceu por parte de outra comunicação social, através dos seguintes links:
Indicação do acesso automóvel para entrega de livros destinados a Cabo Verde
3. ANGOP – Agência AngolaPress: http:// www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/ noticias/africa/2011/5/23/Patrono-Colegio-Militar-Portugal-nome-Biblioteca-das,b087fa55-bc0a-44f1-b9d7-0ccc4b81d955.html 4. SIC NOTICIAS: http://sicnoticias.sapo. pt/Lusa/2011/06/11/cabo-verde-patrono-do-colegio-militar-de-portugal-da-nome-a-biblioteca-das-forcas-armadas Por razões inesperadas e contrariamente à informação passada no artigo da última edição da Revista, os livros podem ser entregues na AAACM, através de contacto prévio para o Nº 922017647, Senhor Sérgio Prada, sendo o acesso facultado no local indicado no esquema anexo.
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Reprodução da Carta de Intenções que constituirá a primeira página do Livro de Honra de registo de visitantes
Do Colégio Um caso de devoção Colegial
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Um caso de
DEVOÇÃO COLEGIAL regista este exemplo de duas Pessoas que muito de si já deram em dedicação e amor ao Colégio e que, seguramente, continuarão a dar com a humanidade e eficiência com que desempenham as tarefas a seu cargo. No 3 de Março passado ambos foram condecorados com a Medalha de Dom Afonso Henriques – Mérito do Exército em reconhecimento dos serviços prestados. Transcrevemos os textos dos louvores que lhes foram conferidos os quais traduzem de forma eloquente o sentimento de como foram apreciados pelo seu desempenho e pelas suas qualidades:
© Foto Centro Audiovisual do Exército
O
s Assistentes Técnicos Maria da Graça da Luz Fonseca Tomaz e Leonel José da Silva Tomaz constituem um caso único, tanto quanto sabemos, de um casal em que ambos ao longo de muitos anos têm manifestado uma enorme dedicação ao serviço do Colégio, granjeando o respeito, admiração e amizade dos Meninos da Luz de sucessivos Cursos que por ele têm passado. O testemunho dos Alunos quanto a estes aspectos é unânime no reconhecimento do que antes se referiu e quem tem o privilégio de acompanhar com
alguma regularidade a vivência colegial pode observar a presença do Leonel Tomaz (Sócio Honorário da AAACM), para além das suas tarefas próprias, no acompanhamento e na ajuda de actividades relacionadas não só com as tradições do Colégio como também nas iniciativas colegiais promovidas pelos Alunos. Sua Mulher, embora no desempenho de funções não tão directamente relacionadas com os Alunos tem, pelo seu procedimento e devoção ao Colégio, conquistado igualmente o respeito e a amizade da Família Colegial. É com a maior satisfação que a ZacatraZ
MARIA DA GRAÇA DA LUZ FONSECA TOMAZ foi louvada “pelas extraordinárias qualidades pessoais e profissionais, evidenciadas nos últimos seis anos no desempenho de funções administrativas da sua categoria que lhe estão cometidas, na Secção de Pessoal, com extraordinário desempenho, muita dedicação, permanente disponibilidade, manifestando em todas as circunstâncias ser reconhecida pela sua coragem moral, revelando no âmbito técnico-profissional elevada competência e relevantes qualidades pessoais. Responsável pela elaboração de toda a documentação relativa aos vencimentos de militares, professores e funcionários civis que prestam serviço no Colégio Militar, sempre demonstrou grande empenho e capacidade quer na feitura de documentos quer na conferência dos vencimentos, estando sempre atenta a qualquer Irregularidade que tenha sido
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Do Colégio Um caso de devoção Colegial
processada ou não tenha sido tida em consideração pela RA/DSP. Também no tratamento e encaminhamento de assuntos relacionados com a ADM e ADSE, tem executado um trabalho primoroso e de qualidade, comprovando deste modo, os seus admiráveis dotes de organização e método, com singular dedicação e vontade de bem cumprir, desenvolvendo esforços, permanentes e sistemáticos de actualização dos seus conhecimentos, sendo em consequência frequentemente, chamada a executar outras tarefas, sem regatear esforços e sempre com o maior espírito de entreajuda. De uma grande disponibilidade, cooperante, generosa, com grande espírito de missão, de obediência, de sacrifício e abnegação exemplares e de atendimento, contribuindo assim para a eficiência e prestígio do cumprimento da missão do Colégio Militar e por consequência do Exército. Pelas qualidades que potenciam o mérito de trabalho produzida em quantidade e qualidade e o excelente ambiente de cooperação que criou, a Assistente Técnica Maria da Graça Tomaz, vem merecendo assim o respeito e a consideração de todos que com ela privam, devendo os serviços por si prestados serem devidamente considerados como relevantes, reconhecidos e testemunhados publicamente.” LEONEL JOSÉ DA SILVA TOMAZ foi louvado “pela forma muito competente, inteligente e de extraordinária dedicação ao Colégio Militar quer no âmbito da sua actividade funcional na estrutura interna escolar, bem como nas múltiplas e variadas actividades no exterior, em representação da Instituição, durante os últimos quatro anos no Colégio Militar. Profundo conhecedor da vida colegial, dos seus rituais e tradições, tomou-se um colaborador entusiasta e permanente em todos os eventos em que o Colégio Militar está presente, não só pela forma como o sente mas também pela inexcedível disponibilidade, espírito de abnegação e de sacrifício exem-
plares. A capacidade de organização de que é possuidor permitiu-lhe imprimir uma extraordinária dinâmica a todos os eventos que contaram com o seu prestimoso contributo, potenciadores do prestígio e do elevado conceito em que é tido neste Estabelecimento de Ensino Militar. Responsável por uma vasta área de apoio às actividades escolares desenvolve, no âmbito técnlco-profissional, elevadas competências a que alia natural desembaraço, grande serenidade e eficiência, sólida formação moral e profissional, contribuindo indiscutivelmente para um ambiente de harmonia, boa vontade e salutar entusiasmo na concretização plena de todas as tarefas que lhe são solicitadas. Possuidor de relevantes qualidades pessoais e profissionais, onde sobressaem a camaradagem, a inexcedível capacidade de trabalho, perseverança, dedicação ao serviço e espírito de missão, procura sempre as soluções adequadas para as situações mais inusitadas. A sua acção tem-se revelado decisiva na multiplicidade de actividades lúdicas e didáctico-pedagógicas desenvolvidas no Colégio Militar, não obstante hipotecar, com frequência, as suas horas de lazer, revelando um extraordinário desempenho, dedicação e elevada competência profissional. O grau de confiança e respeito obtidos junto dos alunos e a facilidade com que com eles se relaciona são igualmente reveladoras dos traços da sua personalidade comummente aceites por todos os que com ele têm o privilégio de privar e um contributo inexcedível à Direcção do Colégio Militar pelo apoio incondicional que proporciona no acompanhamento e desenvolvimento das seculares tradições. Este apoio e acompanhamento exemplar que reflectem a dimensão do Assistente Técnico Leonel, como homem e educador, que tem contribuído para a motivação e a formação humana e pedagógica dos alunos do Colégio Militar, ao longo dos oito anos do seu percurso escolar e colegial. A extrema dedicação e lealdade para com os Valores que esti-
veram na génese da criação do Colégio Militar, do “seu” Colégio, são indiscutivelmente a motivação e a razão de ser e que se traduzem numa entrega total aos “Seus Alunos”. Em certo sentido, é também um guardião das tradições e dos valores encerrados no Código de Honra do Aluno do Colégio Militar, a quem, devotadamente, tem dedicado a sua vida. Generoso, dotado de apreciáveis dotes de carácter, revelador de grande aptidão para bem servir nas diversas circunstâncias, o Assistente Técnico Leonel Tomaz é digno de total confiança e da maior credibilidade junto de toda a comunidade colegial. Funcionário sempre atento aos anseios e preocupações desta “família” e fonte geradora de propostas e Iniciativas válidas, coerentes e qualificadas, fazem com que o Assistente Técnico Leonel Tomaz, ao longo dos seus trinta e quatro anos ao serviço do Colégio Militar seja entendido como um inexcedível colaborador da Direcção, pela reconhecida coragem moral, prestigio, consideração e estima de toda a família e comunidade colegiais, sem excepção, devendo os muito bons e leais serviços prestados serem destacados, por contribuírem, significativamente para a eficiência, o prestígio e o cumprimento da missão do Colégio Militar e do Exército.” Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Colaboração O Professor Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
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José Alberto da Costa Matos 96/1950
O Professor
Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
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a Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) realizada em 9 de Março do corrente ano, por proposta da Direcção e parecer favorável do Conselho Supremo, foi eleito «Sócio Honorário» da Associação o antigo professor Dr. JOSÉ MANUEL SENA GODINHO NEVES. Recorde-se a propósito que, desde 1998, a comunidade de antigos alunos não voltara a conferir tão honrosa distinção a um docente do Colégio Militar. Com efeito, se fizermos uma retrospectiva, teremos que recuar até 1985, quando foram distinguidos como sócios honorários os primeiros docentes. Foram eles o Dr. Cristóvão Lima (Português e Latim), o Dr. Júlio Martins (Português e Latim), o Professor Jaime da Silva (Canto Coral) e o Dr. Navarro Brazão (Inglês). No ano seguinte foi a vez do Professor Pina Lopes (Trabalhos Manuais) e do Professor Dario Fernandes (Educação Física). Em 1988, o Dr. Cruz Pinto (Português e Latim) e o capitão Mário Saraiva (Físico-Químicas).
Decorridos sete anos, em 1995, a distinção contemplou o coronel Beirão de Brito (Físico-Químicas), o Dr. Peixoto da Fonseca (Francês), o Dr. António Dias Miguel (Português e Latim), o Dr. Pinto de Menezes (Português e Latim), o Dr. Neves Hen-
riques (Português e Latim), o Dr. Monteiro Romão (Filosofia), o Dr. Mário Garcia do Carmo (Português), o escultor José João Brito (Educação Visual), o Dr. Carlos Dias (Português) e o padre Valdomiro Leal (Moral). Em 1997 passou a ser sócio honorário o padre Braula Reis (Moral) e o capitão Joaquim Nunes (Português) e, um ano depois, o coronel Vaz Serra (Geometria Descritiva) e o padre Miguel Carneiro (Educação Musical). Importa por isso que se faça um registo histórico do recém distinguido e que, através dele, se dê a conhecer àqueles que não tiveram o privilégio de ser seus alunos, quem incarna tão notável exemplo de dedicação ao Colégio Militar e aos seus alunos O Professor Sena Neves nasceu em Castelo de Vide a 3 de Fevereiro de 1936. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Posteriormente iniciou o Curso de Ciências Pedagógicas na Facul-
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Colaboração O Professor Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
dade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo-o concluído na Delegação de Sá da Bandeira da Faculdade de Letras da Universidade de Luanda. Iniciou a sua actividade como professor do Colégio Militar em 1882, leccionando Matemática aos alunos do 6° ano (10.º) do curso que entrara no Colégio em 1977. Anteriormente, exercera a docência no Liceu Nacional D. João de Castro, no Liceu Nacional Passos Manuel, no Liceu Nacional Diogo Cão em Sá da Bandeira (Angola), na Secção de Matemática de Sá da Bandeira da Universidade de Luanda, na Escola Industrial Marquês de Pombal e na Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, até ingressar no Colégio Militar, no ano lectivo de 1982/83. Depois de tão diversificadas experiências de ensino, o que é que terá levado o Prof. Sena Neves a optar por um colégio interno e com uma formação de cariz militar, onde se exaltam os valores morais e da cidadania? Passemos para isso a palavra ao próprio: «Vim para o Colégio a convite do coronel Pinto Ribeiro (antigo aluno 47/1935), que aceitei sem hesitação, pois o Colégio era considerado uma escola prestigiante. Aqui vim encontrar alunos que superaram as minhas expectativas no que diz respeito à participação nas aulas, procurando sair delas com a matéria sabida, por oposição aos alunos normais, que mais pareciam assistentes de palestras que não lhes interessavam; pela capacidade de trabalhar em grupo e notável entreajuda entre os alunos; por sentir que entre estes havia uma sã camaradagem; e, o que mais me espantou, pelo assumir de responsabilidades em momentos decisivos.» Não admira, como tal, que se tenha integrado fácil e rapidamente no espírito, na vivência e nas especificidades próprias do Colégio Militar. Mas, para além disso, foi também capaz de criar e manter com os “meninos da Luz” excelentes relações mútuas (o que nem todos conseguem), sem que isso fizesse abrandar ou diminuir a exigência que entendia ser necessária a uma preparação que ficasse comprovada em exames nacionais e possibilitasse aos seus alunos o natural ingresso no Ensino Superior. O respeito pelo princípio de que, os três últimos anos lectivos de cada curso, de-
veriam ser leccionados por um mesmo professor, não lhe possibilitou ser professor de todos os cursos saídos do Colégio enquanto nele se manteve, porém esta circunstância em nada prejudicou o seu natural relacionamento com todos os alunos, tendo contudo especial respeito pelas funções dos alunos graduados e admiração pelo modo como aceitavam e assumiam as pesadas responsabilidades que lhe eram cometidas. As suas aulas constituíam demonstrações de clareza de exposição e de capacidade para captar e manter os alunos atentos e interessados, conservando depois uma permanente disponibilidade para ajudar aqueles que tivessem mais dificuldades. No campo do apoio pedagógico aos alunos, ficaram conhecidas, quer no Colégio quer fora dele, as fichas de exercícios acerca de cada um dos temas curriculares, as quais concebia e depois distribuía aos alunos, contendo dezenas de exercícios com grau de dificuldade crescente, dizendo-se mesmo que, quem fosse capaz de as resolver, tinha garantida uma boa nota em qualquer exame. Como corolário natural da sua actuação, em 1988, cerca de seis anos após da sua chegada à Luz, era-lhe conferido o seu primeiro louvor no qual o Director de então destacava a sua “reconhecida competência e as elevadas qualidades humanas e pedagógicas” bem como o “entusiasmo que dedica ao ensino e, em particular, aos
seus alunos, com quem mantém uma relação pedagógica muito favorável ao seu bom aproveitamento escolar”. Os alunos do Colégio, possuidores de um cáustico poder crítico mas, simultaneamente, dotados de uma capacidade de justa apreciação dos seus mestres, distinguem de modo muito correcto aqueles que lhes dedicam especial atenção, não só nos caminhos do ensino, mas também no acompanhamento que fazem das suas múltiplas actividades colegiais, acabando por encontrar maneiras muito suas e também não muito usuais de lhes manifestar um reconhecimento e afecto que perdura para sempre, e que transpõe alguns deles para lá da fronteira onde começa a espraiar-se a História do Colégio Militar. Vejamos então o que aconteceu com o Prof. Sena Neves. Quando passou a leccionar no Colégio do marechal Teixeira Rebello, fazia sempre uso de uma bata branca com rebuços e abertura com abotoadura pela frente. A utilização desta peça de vestuário não era nada habitual entre os professores, ainda que a mesma constituísse uma óbvia protecção contra o pó de giz resultante do escrever no quadro mas, sobretudo, contra a nuvem de pó que se forma quando entra em função o apagador. Porém, ainda mais estranho, era o facto dele nunca a abotoar e, mais do que isso, continuar a usá-la mesmo fora da sala de aula. De facto, nos intervalos ou nos períodos em que não se en-
Colaboração O Professor Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
contrava a leccionar, o Prof. Sena Neves mantinha envergada a sua bata branca, o que era especialmente notado nas deslocações que efectuava entre edifícios, designadamente quando se deslocava aos claustros para contactar o Serviço Escolar, ir à sala de professores ou frequentar o bar. Nessas deambulações, quando apanhava um pouco de vento, era vê-lo com a bata esvoaçando como se fora uma capa. E não tardou que surgisse a associação da imagem do herói da banda desenhada (Batman) com a imagem da
bata esvoaçante do professor. E logo os alunos lhe puseram a alcunha de “Bataman” (que isto de alcunhas constitui uma velha tradição no Colégio Militar). Só que, no Colégio, as alcunhas têm tendência para a simplificação, seja por abreviatura ou por síncope e, seguindo a tendência, não tardou a que passasse simplesmente a “Bata”, alcunha esta por que continua a ser conhecido e referido na comunidade colegial, e da qual o Prof. Sena Neves têm muito orgulho, por saber quanto isso significa para os seus antigos alunos e a importância e afecto que a mesma encerra. O primeiro curso a quem ensinou Matemática no Colégio foi o dos alunos admitidos em 1977, do qual foi professor nos três últimos anos lectivos. Desse curso fazia parte o Miguel Tribolet de Abreu (66/1977), hoje Professor no Departamento de Matemática do Insti-
tuto Superior Técnico e Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, que se refere ao Prof. Sena Neves do seguinte modo: “O «Bata» desempenhou um papel fundamental na minha formação matemática durante o ensino secundário, tendo todas as qualidades características de um grande professor, conhecimentos científicos e pedagógicos, gosto e dedicação pelo ensino, e capacidade de motivar os seus alunos para aprender e continuar sempre a progredir. Junta a isso um grande amor ao Colégio e aos seus valores,
que se enquadram de forma perfeita na sua maneira de ser e de viver.” Foi depois professor dos alunos que entraram no Colégio em 1979, 1983 e 1986. Pertencia a este curso o Pedro Afonso (503/1986), que nos deixa o seguinte testemunho: “O «Bata» foi muito mais que um professor de Matemática. Foi um explicador (para cada aluno), um treinador (para os exames nacionais), e um educador (preocupado com as avaliações dos seus discípulos). Que mais se pode querer de um «professor típico do Colégio Militar»?”. Depois ensinou Matemática aos “ratas” de 1989 e 1992. Detenhamo-nos um pouco sobre este curto mas tão afectuoso depoimento do Ricardo Monteiro (58/1992), que pertenceu a este último curso e foi Comandante do Batalhão de Alunos no último ano: “O «Bata» ficará para sempre
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na memória do nosso curso. Foi um excelente professor e um amigo, cujo serviço ao Colégio foi tão imaculado como a brancura da sua lendária bata”. Dos alunos que entraram no Colégio em 1995 resultaram os graduados do ano das comemorações do Bicentenário, e dele faziam parte dois “meninos da Luz” que guardam do Prof. Sena Neves estas tão meritórias quão curiosas imagens: João Dantas (53/1995), Comandante de Batalhão: “O «Bata», como amigavelmente o tratamos, é uma referência incontornável na nossa aprendizagem no Colégio, pelo seu rigor, entrega e esforço, e pela forma determinada como procurou sempre lutar pelo que era o melhor para o futuro dos seus alunos (algo a que na altura muitas vezes não sabíamos dar o verdadeiro valor). À nossa custa terá perdido alguns dos seus já poucos cabelos brancos, mas conquistou com certeza muita admiração e respeito de todo o curso de 1995/2003, que se expressa em todas as conversas sobre os tempos dos Colégio, em que as suas aulas e histórias são sempre recordadas com muita saudade”. Samuel Ma (29/1995), Porta-Estandarte Nacional e Membro da Direcção da AAACM: “O «Bata» foi o número «seven» de uma equipa fantástica de professores. Foi o «primo» que me ajudou a encarar a matemática como uma sinfonia de números e fórmulas que surgem e se agrupam de forma lógica e agradável. Foi coordenador de ano do meu curso, daí o número 7, que habitualmente é o jogador de futebol que coordena o jogo da equipa. Está escrito em inglês porque, lido da direita para a esquerda, corresponde ao seu apelido (Neves). E «primo» porque é como se fosse um amigo e porque o sete é um número primo.” O último curso do qual foi professor foi aquele que entrou em 1998 para o Colégio. Depois, em 2006, transitou oficialmente para a situação de reforma. Todavia, não se “reformou” da sua ligação ao Colégio Militar onde continua a ser frequente encontrá-lo. Na quietude do claustro revê uma parte importante da sua vida como mestre, e vai estimulando memórias de reencontro com os seus antigos alunos e com os professores seus velhos camaradas de
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Colaboração O Professor Sena Neves é Sócio Honorário da AAACM
docência. Mas, mais do que rememorar, empenha-se em algumas actividades, como a prestação de apoio pedagógico aos alunos, especialmente aos finalistas, a disponibilidade para apoiar colegas ou mesmo a Direcção do Colégio, a realização de entrevistas aos candidatos à admissão ao Colégio e às respectivas famílias integrando-se assim num processo que vem sendo seguido nos anos mais recentes, e também na Revista “Colégio Militar”, onde escreve sobre temas relacionados com a Matemática, mencionando-se os seguintes artigos que nela publicou desde a sua aposentação: “4 de Março - Dia Mundial do Pi” – Maio de 2006 “Números perfeitos” – Dezembro de 2006 “Números amigos” – Março de 2007 “António Aniceto Ribeiro Monteiro – Centenário do nascimento de um notável matemático” – Julho de 2007 “Prémios internacionais de matemática” – Setembro de 2007 “Luís Albuquerque, ex-aluno do Colégio Militar” – Abril de 2008 “ O número de ouro” – Setembro de 2008 “Um matemático policéfalo sempre
jovem: Nicolas Bourbaki” – Março de 2009 “As pontes de Konigsberg e a teoria dos Grafos” – Janeiro/Abril de 2010 “Evariste Galois – um jovem génio incompreendido, criador da teoria dos Grupos” – Maio/Julho de 2010 “A Sociedade Portuguesa de Matemática tem novo presidente” – Setembro/Dezembro de 2010 “Benoit B. Mandelbrot – o criador dos Fractais” – Janeiro/Abril de 2011. Além de ensinar, o Prof. Sena Neves também desempenhou no Colégio as funções de Adjunto do Serviço Escolar e de Coordenador de Ano. Foi também Chefe do Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e Desportos do IV e do V Governos Constitucionais. É autor do “Compêndio de Matemática” (volumes I, II e III) e do “Dicionário de Matemática” para o ensino secundário. E todos os anos, quando se realiza na Avenida da Liberdade o desfile do “3 de Março”, ele lá está, algures no ponto de continência junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, para se reencontrar com o Batalhão de Alunos e com o
seu Colégio Militar. Depois, já no Largo de S. Domingos, é a vez da confraternização com os seus antigos alunos, que sempre o saúdam afectuosamente como um dos professores e educadores que mais respeitam e admiram, e que mais marcou a sua juventude. Quando se lhe pergunta como interpreta tais manifestações e qual o porquê da sua estreita e continuada ligação ao Colégio, a sua resposta é simples e breve: «A minha dedicação ao Colégio Militar resultou da qualidade dos alunos que leccionei e do conhecimento da História desta instituição que é ímpar no sistema educativo nacional». Mas, a bitola de respeito, gratidão e admiração usada pelos alunos não terá sido coincidente com a que é usada pelas instituições e, estranhamente, o Exército nunca condecorou um homem que deveria ser apontado como exemplo a quantos nem sempre se apercebem da sua importância e influência como docentes, nem do privilégio que constitui ser professor do Colégio Militar.
Colaboração A “novela”da Matemática e do Português
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João José Brandão Ferreira TCor/PilAv (ref)
A “novela” da Matemática e do Português H
á cerca de 30 anos, mais coisa menos coisa, que andamos nisto: cada vez que há exames no secundário (e nunca se sabe para que servem e para o que contam…), e se conhecem as notas, logo se desencadeia grossa polémica sobre os (fracos) resultados e o pouco que os alunos sabem sobre as ditas matérias. Daqui se passam a esgrimir argumentos sobre o porquê das coisas e o que se deve fazer. Friso que assim se passa vai para 30 anos! Tem-se ouvido de tudo um pouco: que os exames são fáceis; que os exames são difíceis; que os exames têm erros; que não se pode obrigar os alunos a decorar; que as máquinas de calcular são boas, más e assim, assim; que os programas têm poucos autores contemporâneos, ou renascentistas, ou árcades, quiçá românticos, para já não falar nos realistas; não se liga à poesia; há poesia a mais; os alunos não estão preparados para a poesia; os alunos não gostam das disciplinas; o ensino deve ser lúdico; o aluno deve fazer o seu próprio caminho, segundo as suas faculdades e motivações; o ensino é demasiado formal; que os professores têm que saber motivar
os alunos; que reprovar causa danos psicológicos a quem estuda; que têm que se atender às diferenças sociais, que sei eu?! Dava para encher sebentas. Na sequência têm-se inventado as mais mirabolantes teorias e experiências pedagógicas, menos para resolver o problema do que para iludir as aparências. Os sucessivos governos têm lidado com a realidade aos ziguezagues e em regime de cata-vento. Eu, sinceramente, creio que o problema é de simples resolução e não carece de complicadas congeminações multidisciplinares onde entram catervas de pedo – psiquiatras, pedagogos, sociólogos, politólogos, psicólogos e outros “ólógos”, já que só descortino quatro razões para haver más notas às citadas disciplinas: • Os alunos não querem estudar; • Os alunos não têm capacidade para aprender; • Os professores não sabem ensinar; • Uma combinação das anteriores.
Ora se os alunos não querem estudar, a solução é simples: chumbam; Se não têm capacidade para aprender, a solução também é fácil: chumbam – em alternativa mudam de curso ou de vida; Se os professores não sabem ensinar, têm que ser corridos, isto é, chumbam de outra maneira – para que isto não se dê, têm que ser devidamente seleccionados, preparados e avaliados; Qualquer combinação das anteriores salta, outrossim, à evidência, que só o chumbo purifica. Ou seja todo este granizé não tem razão que o justifique, a não ser que não se tenha mais nada para fazer. Pode, porém, dar-se o caso do Ministério não acertar com regras, matérias e definição de objectivos – que é, aliás, o que tem acontecido, acrescido de mudanças constantes de critérios – nesse caso a coisa é mais complicada, pois tem que se mudar de ministério. Ora é justamente neste ponto que ainda nenhum governo teve coragem de mexer a sério: o Ministério da Educação foi um dos ministérios mais subvertidos a seguir ao 25 de Abril de 74, e ainda hoje não foi
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Colaboração A “novela”da Matemática e do Português
completamente saneado. Fica aqui o alerta para o actual inquilino da 5º de Outubro. Partindo do princípio que existe um programa adequado e que é cumprido, durante o ano lectivo, os conhecimentos dos alunos devem ser aferidos em competentes exames e testes, cuja bitola de exigência deve ser compatível com o grau de conhecimento que se pretende no escalão seguinte, até se chegar às competências que um novo profissional tem que possuir para poder viver de vida própria. Neste âmbito optou-se, até hoje, pela manutenção de dois erros colossais, a saber: um facilitismo desmedido e transversal a todo o ensino; um grau de exigência em “paralelepípedo” em vez de “funil Invertido”. Expliquemo-nos, ao contrário do ditado popular “de pequenino é que se torce o pepino”, passou a não se torcer nunca o pepino. Ou seja desde pequenino é só facilidades que, naturalmente, continuam pelos anos fora. Resulta que os jovens não são minimamente preparados, percepcionam uma ideia errada da escola e da vida e como passam de ano sem os conhecimentos básicos, a partir de certa altura não conseguem atinar com nada, somando ondas de frustração gigantescas e entupindo todo o sistema. O facilitismo vem, então, ao de cima nova-
mente, agora fortemente pressionado pelas promessas de vida fácil, com o fito de se ganhar votos nas eleições. Resulta que inundamos as universidades de analfabetos militantes, que suam as estopinhas para obterem um canudo (e os professores para lhes ensinar algo). Como todo o mundo deixou de acreditar no sistema de ensino e nos canudos, são as próprias “Ordens” profissionais e as empresas a quererem fazer exames de selecção e estágios de preparação, para eles poderem entrar no mundo real. Uma empresa privada não se pode dar ao luxo de ter incompetentes, senão fecha… Ou seja, tem sido o próprio sistema político que induz o descalabro. As estatísticas da União Europeia fazem o resto. Para aguentar o sistema educativo, mente-se continuadamente e despeja-se no dito cujo, euros aos milhões. Agora já não é possível nem esconder a demagogia e os maus resultados, e já não há dinheiro. Fazer reformas, contudo, vai encontrar oposição feroz, não só de quem se habituou ao facilitismo, como de todas as “estruturas” que se adaptaram a viver, ou a alimentar, este colossal embuste. Todavia, é bom lembrar, que a situação em que ora estamos teve origens ideológicas: a destruição de uma “ordem” para a imposição de uma outra; a massificação
do ensino, que levou ao nivelamento por baixo; a negação das elites – um erro de catastróficas proporções; o nivelamento hierárquico que provocou a falta de autoridade e disciplina; o falso principio de que todos somos iguais, que originou uma confusão de conceitos e posturas; o desregramento criminoso e as teorias idiotas originadas no Maio de 68, em França; a desresponsabilização larvar que resultou de tornar inimputável qualquer comportamento fora da norma (qual norma?), impossibilitando a aplicação de sanções, etc. Enfim, as asneiras são incontáveis e o desastre é extenso e profundo, e raros são os jovens que chegam ao mercado de trabalho com preparação adequada para enfrentarem a dureza da vida e serem cidadãos de corpo inteiro. Dou um alvitre, se a nível dos responsáveis, andam agora de mãos na cabeça e sem saberem o que fazer, ponderem o seguinte, até inventarem uma coisa melhor: vão verificar como era no meu tempo da instrução primária e do liceu (e, por favor voltem a chamar liceu às “escolas secundárias”), e implementem. Funcionava tudo. Funcionava tudo, até, muito bem. Aos quinze dias do mês de Julho do ano dois mil e onze
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”, realizado no final do ano passado. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
Colaboração Angola 1961
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Angola 1961
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oi há cinquenta anos, em 15 de Março de 1961, que teve início “oficial” a guerra em Angola, com o ataque maciço dos rebeldes da União dos Povos de Angola (UPA) às povoações, postos administrativos e fazendas da zona noroeste de Angola. O ataque foi devastador. Estima-se que tenham perecido cerca de 800 brancos, mortos em geral à catanada, alguns selvaticamente esquartejados, incluindo mulheres violadas e crianças. Juntamente com os brancos foram também mortos numerosos bailundos das fazendas do café, provenientes do planalto central de Angola. Em Março de 1961 estava eu no 6º ano do Colégio, onde recebemos com surpresa e consternação, tal como a população portuguesa em geral, a notícia daqueles acontecimentos, que foram determinantes para o resto da nossa vivência no Colégio e para toda a nossa juventude. Mal sonhávamos nós que era o inicio de uma longa guerra de 13 anos, que se estenderia posteriormente à Guiné e a Moçambique e para a qual a maioria de nós viria mais tarde a ser mobilizada. Iniciada a guerra recebíamos com sofreguidão no Colégio notícias da mesma através dos jornais e da rádio. Lembro-me também de ter ido visitar, num sábado á tarde, com vários camaradas, a sede do Serviço Nacional de Informação (SNI), no Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, uma exposição de fotografias da chacina do 15 de Março. Ficamos impressionadíssimos. As notícias que nos chegaram logo no início sublinhavam a resistência deses-
perada das populações de algumas pequenas povoações, que se tinham refugiado nas respectivas igrejas e postos administrativos, onde conseguiram resistir e sobreviver até à chegada de apoio por terra ou pelo ar. Foi assim que ficámos a conhecer os nomes de Mucaba, Damba, Sanza Pombo e outros. A reacção política e militar ao ataque sofrido começou a dar-se rapidamente, primeiro com o envio, por via aérea, para Angola de pequenas unidades de tropas pára-quedistas, seguida do envio, por via marítima, de unidades do Exército de maior dimensão. Estas últimas foram recebidas em apoteose pela população local, quando desfilaram ao longo da bela avenida marginal de Luanda. Foi a altura da célebre frase de Salazar «Para Angola, rapidamente e em força», objecto da adesão maciça e do apoio da população portuguesa. Os efeitos do início da guerra em Angola rapidamente se fizeram sentir no Colégio. Começaram a ser mobilizados oficiais e professores. Recordo-me da mobilização do Capitão Monteiro Lopes (375/1939) nosso instrutor de esgrima, do Tenente-Coronel Lomelino (99/1931), nosso assistente de estudos no 4º ano e do Capitão-miliciano Lufinha,
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Colaboração Angola 1961
professor de português e latim. Os pais e outros familiares dos alunos começaram também a ser mobilizados, bem como vários antigos alunos ainda do nosso tempo, aos quais nos sentíamos particularmente ligados, por alguns deles terem sido nossos graduados. Foram muitos os antigos alunos nestas circunstâncias, que não me é possível enumerar, mas recordo-me em particular do Fernando Robles (79/1951), que foi dos primeiros a seguir para o norte de Angola e do Santana Pereira (8/1949), que incorporava a coluna comandada pelo Tenente-Coronel Maçanita, que se notabilizou com a tomada de Nambuangongo, considerado na altura o principal bastião da UPA. Lembro-me de ter tido conhecimento deste feito na Ericeira, praia onde na altura passava férias, na transição para o meu 7º ano. No regresso ao Colégio, em Outubro de 1961, a guerra em Angola passou a ser o pano de fundo da nossa vivência. Logo
na cerimónia de abertura do ano lectivo, com presença do Presidente da Republica, Almirante Américo Tomaz, procedeu-se a uma cerimónia evocativa dos dois primeiros antigos alunos mortos em campanha em Angola, o Tenente-Coronel Câmara Lomelino (99/1931) e o Tenente Cabeleira Filipe (98/1945). Do Anuário do Colégio relativo ao ano lectivo de 1961-1962 extraio a narrativa dessa cerimónia, que a seguir transcrevo, bem como uma fotografia da mesma, com um grupo de alunos do 7º ano, sob o comando do já falecido Gusmão Nogueira (315/1954), que era o comandante da 4ª Companhia. “MORTOS PELA PÁTRIA EM ANGOLA Depois, na Sala de Honra, decorreu a emocionante cerimónia da evocação de dois ex-alunos que ao serviço da Pátria morreram na actual campanha de Angola. Ao fundo, por sobre um grande anteparo de tela branca, a bandeira nacional e o guião do Colégio, ladeados por alunos do 7º ano, com espada. Ao longo da sala postaram-se professores e outras entidades oficiais. As famílias dos heróicos ex-alunos entraram a seguir e logo Sua Ex.ª o Presidente da Republica e membros do Governo. Uma voz firme pronuncia a ordem de sentido. O clarim toca a silêncio. Um aluno do 7º ano proclama: «Tenente Jorge Manuel Cabeleira Filipe, ex-aluno nº 98, Presente!» «Tenente-coronel Fernando Carlos Teixeira da Câmara Lomelino, ex-aluno nº 99, Presente!» «Mortos pela Pátria em Angola» E o coro postado atrás do anteparo, prossegue a soleníssima evocação: «…E a quantos que por feitos valorosos se vão da lei da morte libertando...» As luzes apagam-se. O silêncio é impressionante. A emoção invadiu a sala. O senhor Director do Colégio, que recebera um pavio da ordenança, entrega-o a Sua Ex.ª
Colaboração Angola 1961
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Do anuário do Colégio do ano lectivo de 1961/1962 extraio dois passos da descrição das cerimónias então efectuadas. No início dessa descrição dizia-se: “Todo este ano lectivo, como o final do anterior, foi enformado pela vivência de Angola. O Ultramar como se frisou na sessão de abertura das aulas, incrustou-se no cerne dos portugueses, mormente na alma dos alunos do Colégio Militar, que viram partir às dezenas para as Províncias de Além-Mar, os seus pais e os seus irmãos, os seus mestres e instrutores. Entre os que partiram e os que aqui permaneceram criou-se uma corrente de vida cujos elos são a bravura e a abnegação, o respeito e a saudade, o orgulho mal contido que se represa em ondas de emoção e há-de um dia extravasar-se em acção consciente e pletórica de generosidade e alegre sacrifício” No final da descrição escrevia-se:
o Presidente da Republica, que acende o lampadário. Os alunos do 7º ano apresentam armas. Depois ouve-se o toque da alvorada na parada da Sala de Armas. Acendem-se as luzes. A esperança renasce.” No discurso do Director do Colégio, na mesma cerimónia de abertura do ano lectivo, a guerra de Angola também esteve naturalmente presente, da forma expressa no seguinte extracto do mesmo discurso: “Será nossa preocupação integrar cada vez mais a instituição na hora alta que se vive; impregnar todos os actos escolares da consciência do momento que estamos vivendo, da razão que nos assiste, do valor da nossa condição de povo multirracial. Além da lição do passado, temos a de nossos dias, verdadeira epopeia, não inferior às que a nossa Historia regista nas mais luminosas páginas. De umas e outras vamos haurir ânimo e ensinamentos para criar nos nossos alunos o espírito que os valorize, por tal forma que possam ser amanhã os fiéis continuadores nas tarefas que lhes forem exigidas para a continuidade de Portugal.” No decurso do meu 7º ano outros antigos alunos perderam a vida em campanha em Angola. Pereceram no desastre aéreo do Chitado o General Silva Freire (246/1917), Comandante da Região Militar de Angola e o Tenente-Coronel Ferreira de Lima (334/1917). Os corpos das vítimas deste desastre foram trazidos para Lisboa onde foram recebidos com todas as honras militares. Fui um dos nomeados para tomar parte na cerimónia militar e religiosa que foi realizada na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Na igreja compareceram o Presidente da Republica, o professor Salazar e todo o seu governo e as mais altas entidades militares. O ambiente não podia ser mais pesado, foi uma cerimónia impressionante. Os dois antigos alunos citados foram ainda devidamente homenageados na cerimónia do 3 de Março, no Colégio. As cerimónias de encerramento do ano lectivo de 1961/1962 foram também realizadas tendo como pano de fundo Angola e a figura Salvador Correia de Sá, herói da restauração da nacionalidade em Angola, após o domínio dos Filipes.
“Perante o Batalhão Colegial em aprumada formatura, o Sr. Capitão Jaime Pinto da Silva Mota pronunciou a sua alocução sobre a «Presença em Angola» em que evocou a figura de Salvador Correia de Sá. No final desta evocação, foi apresentada ao Batalhão Colegial uma espada da época da Restauração trazida por um aluno descendente de Salvador Correia de Sá, que era escoltada por três camaradas, um português de Angola à sua direita, um brasileiro à sua esquerda e um português da metrópole à retaguarda. Perante este símbolo, que foi deposto na Sala de Honra, desfilou o Batalhão Colegial ao som do hino «Angola é Nossa».” E FOI ASSIM que vivemos no Colégio o inicio da guerra em África, para a qual, tal como já referi, acabou por ser mobilizada a esmagadora maioria de nós. O meu curso acabou por ser o curso que pagou o tributo mais pesado para esta guerra, com três mortos em campanha em Angola. Morreram no Negage, na década de 60, em acidentes de aviação, os Alferes Milicianos Pilotos Aviadores Raul Couvreur (283/1956) e Salgueiro Lopes (205/1955). Morreu mais tarde, na década de 70, vítima de uma emboscada em Cabinda, o Alferes Médico Miguel Silvério Marques (408/1955). O nosso curso nunca os esquecerá. Permanecem vivos na nossa memória.
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
João Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira 70/1942
Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar C
om este artigo convido outros antigos alunos, com famílias de “longa duração”, para nos contarem aqui, no ZACATRAZ, como os seus laços familiares se foram prolongando, ao longo dos tempos, no Colégio Militar. O que vos conto são apenas curiosidades que mais não são do que isso mesmo, mostrando bem como o espírito do nosso Colégio é interiorizado, não apenas, pelos seus alunos e antigos alunos, mas também pelas respectivas famílias, fazendo elas também parte de um mistério que atravessou dois séculos, o “feitiço das suas paredes”, como diria o saudoso director General D. Luís da Costa Macedo (Mesquitela). Desejo agradecer ao meu primo e amigo açoriano, José Pracana Martins, o 80/1956 que, para além dos seus reconhecidos méritos como cantor, instrumentista e poeta, conseguiu compilar e relacionar a esmagadora maioria dos dados biográficos da família Sequeira à qual também pertence. Sem ele não teria sido possível escrever este artigo para a nossa Revista Zacatraz.
A génese humanista do Colégio Militar
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a passagem do século XVIII para o século XIX, em período de guerras sucessivas em Portugal, comandava o destacamento de Artilharia da Corte, no Forte de S. Julião da Barra, o então Coronel António Teixeira Rebello. Era um brilhante e prestigiado militar, de grande cultura e sensibilidade, com particulares preocupações humanitárias relativamente às famílias dos oficiais que, mercê da defesa da Pátria, se achavam em dificuldades na educação e sobrevivência dos filhos. Empenhou-se na fundação, ainda em 1802 do que designou por “pequeno Co-
légio de educação”, conforme consta da carta de 7 de Agosto de 1802, por si dirigida a D. João de Almeida de Mello e Castro, apresentando uma relação de 19 alunos, filhos e órfãos de oficiais, admitidos nesse ano no referido Colégio, ao mesmo tempo que todos assentavam praça com apenas uma dezena de anos, no posto de soldado ou cadete. Tratava-se pois de um Colégio militar, comandado por oficiais, destinado a filhos destes, que funcionou nas instalações da Feitoria junto ao Forte que comandava. Terão eles constituído o primeiro corpo de alunos desse pequeno Colégio, transformado, no ano seguinte (1803), no designado Colégio da Feitoria e, anos depois, no Real Colégio Militar. A relação nominal dos alunos citados na
referida carta compreende, para além dos seus nomes, as Unidades onde foram incorporados, bem como o nome dos respectivos pais. Ao contrário do Colégio dos Nobres, as restrições na admissão nada tinham a ver com a origem nobiliárquica dos candidatos, mas apenas com a idade e filiação militar. Conforme fotocópia da mesma carta, onde consta a relação dos alunos assinada pelo Coronel António Teixeira Rebello, terão sido estes os primeiros “ratas” da história do Colégio Militar:(Ortografia da época) • Henrique Severiano de Pratt e seu irmão • Fermino Henrique de Pratt, • Jozé Maria Luis de Sequeira, (meu trisa-
Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
vô paterno) e seu irmão • António Joaquim Luis de Sequeira, • Francisco Borges da Silva, • Jozé Francisco da Silva, • Sebastião Gustavo Pinho e seu irmão • António Pedro Nolasco Pinho • Raymundo Alves Martins, • Francisco Salazar Moscozo, • Veríssimo Alves da Silva e seus três irmãos • Thimoteo Alves da Silva, • Jozé Alves da Silva e • Manoel Alves da Silva, • Duarte Francisco de Mello, • Jozé da Silva, • Severino dos Reys, • Diogo Gil Bonifácio Ferreira • Jozé Thomas. O apoio à família militar, revelado pelo Fundador em 1802, institucionalizou-se no momento da sua criação, permanecendo através dos tempos. Poderei afirmar que no ano da minha admissão, em 1942, este objectivo mantinha-se consagrado na lei que estatuía o seu funcionamento, sendo uma forma de ajudar as famílias dos oficiais a sustentar e educar os seus filhos, nomeadamente os órfãos, espírito esse que constitui uma das mais antigas e belas tradições do Colégio Militar, como se fosse uma espécie de DNA da cultura colegial e que aqui rotulo de génese humanista do Colégio Militar. Esta “marca de origem” teve efeitos práticos muito importantes nos órfãos e nas famílias de oficiais deslocados nas diversas campanhas, desde a Guerra Peninsular. A solidariedade institucional moldou a consciência dos próprios alunos. Assim, cem anos mais tarde, com a criação da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, foi constituída a Comissão de Solidariedade para auxílio social aos antigos alunos em dificuldades. Tem sido pois uma forma de prolongar “na vida lá fora”, o lema colegial de “um por todos e todos por um”.
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A estratégia militar e as raízes prussianas da família
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o tempo do Marquês de Pombal eram exíguos, mal preparados e menos organizados os meios humanos de enquadramento das tropas portuguesas. Isso justificou a contratação em 1762 do Conde de Schaumbourg-Lippe, Marechal General do Exército Português, de origem prussiana, mas nascido em Londres.
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Olivença e Serpa. Ali casaram com portuguesas e constituíram família. Ali casaram também seus filhos (duas irmãs com dois irmãos) dando origem à família Verna e Bilstein, à qual pertenço pelo lado materno. Dessa região partiram para as campanhas contra as tropas de Napoleão, integrando unidades portuguesas. Estiveram na campanha do Roussillon, em 1801, com uma unidade comandada pelo próprio Coronel von Verna, enviada pelo Príncipe regente D. João, em auxílio da 2
O enquadramento do Exército português por oficiais estrangeiros intensificou-se a partir daí e alongou-se pelos reinados de D. Maria I e de D. João VI. O Colégio dos Nobres, com uma visão eminentemente elitista, logo redutora, não respondeu de forma eficaz às necessidades da organização militar do tempo. Essas carências foram parcialmente colmatadas com a “importação” de oficiais estrangeiros, muitos dos quais acabaram por se fixar em Portugal e constituir família por cá. No entanto a solução não podia limitar-se a isso: Era necessário reforçar a formação de oficiais portugueses Este foi, certamente, o outro grande motivo que animou o Coronel António Teixeira Rebello e os responsáveis pela estratégia de defesa do Reino, que esteve na base da fundação do Colégio Militar. Entre os Oficiais vindos da Prússia (escola de Esse-Cassel) com o Conde de Schaumbourg-Lippe, figuravam dois dos meus 5ºs avôs maternos, Ernst Friedrich von Verna, e Johann Reihnard Bilstein., chegados em 1764, isto é, no tempo do Marquês de Pombal. Ambos se situaram na região de Elvas,
Espanha, onde encontrou a morte, depois de um ferimento grave sem a assistência que normalmente se dispensava aos vencidos, conforme documento de meu avô materno (General Bilstein de Menezes, antigo aluno número 217/1881 do Real Colégio Militar). Estiveram também no Roussillon os seus genros, Tenentes João António e Miguel Reinaldo Bilstein, bem como o respectivo pai, Johan Bilstein, tendo o Miguel sido aprisionado pelos franceses, mas conseguindo evadir-se depois de assistir, indignado, à morte de seu sogro e comandante. João António Bilstein, meu 4º avô materno, casou na cidade de Elvas em 1796, com Maria Ernestina Verna. Ingressou no Exército português, na Arma de Infantaria, em 1788. À data da fundação do Colégio da Feitoria (1803) já era Capitão e veterano da guerra, pois além da campanha do Roussillon, participou nas campanhas da Catalunha, do Alentejo e das Beiras, designadamente na chamada Guerra das Laranjas. Notabilizou-se depois na Batalha do Buçaco e nas refregas das Linhas de Torres, contra as tropas de Massena (3ª Invasão).
José Maria Luiz de Sequeira (Aluno de 1802) e duas fotos do General Eugénio Augusto Almada Castro Bilstein de Menezes (70/1881)
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
car que durante este período tão difícil, o Colégio resistiu à ocupação de Lisboa pelas tropas de Junot em 1807/8, apesar dos saques e vandalismos que praticaram, roubando, violando e matando sem dó nem piedade. Que ilação me apetece tirar dessa realidade histórica? Talvez que esse “pesadelo” tivesse funcionado para o Colégio, logo à sua nascença, como uma espécie de vacina habilitando-o a resistir a outras fases problemáticas que foram acontecendo ao longo da sua gloriosa e já longa história.
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Ramo Paterno da Família
T
Durante a Guerra Peninsular, Portugal sofreu uma enorme sangria dos seus escassos quadros militares, uns porque morreram ou ficaram estropiados, outros porque acompanharam a família real e o governo para o Brasil. Isso veio agravar a situação já precária do Exército português, envolvido na Guerra contra Junot (1ª invasão). Valeram-nos as forças inglesas e respectivos quadros que, para além de comandarem as suas próprias tropas, também preencheram as lacunas dos quadros portugueses e espanhóis. Destacaram-se, neste período vários generais ingleses, principalmente Arthur Wellesley (Duque de Wellington) e William Beresford, que ocuparam os lugares cimeiros das forças aliadas. Mas também se destacaram generais portugueses, como Gomes Freire de Andrade, Bernardim Freire de Andrade, e Francisco da Silveira. As três invasões napoleónicas dão-se entre 1807 e 1812, mas a guerra com os franceses e até com as tropas espanholas, que intermitentemente se aliavam a estes, data ainda do final do Século XVIII. De 1803 a 1812, viveu-se intensamente um período de guerra no território nacional coincidindo com os primeiros 9 anos de existência do Colégio Militar. Não seria, por isso, expectável que a iniciativa do Coronel António Teixeira Rebello, pudesse sobreviver. É, no entanto, curioso verifi3 4
em especial importância nesta narrativa, a pessoa do Capitão José Joaquim Luiz de Sequeira, meu 4º avô paterno, subordinado do Coronel Teixeira Rebello no Regimento de Artilharia da Corte e que comandava a bateria posicionada na Torre de S. Vicente de Belém. Era casado com Maria Anna Eduarda Souza, de quem teve os seguintes sete filhos, constituindo para o caso deste artigo uma geração de referência:
Dos seis filhos homem, os dois mais velhos, José Maria e António Joaquim, foram admitidos em 1802 no pequeno Colégio de educação, a funcionar na Feitoria do Forte de S. Julião da Barra. À maneira da época, tinha decidido que o destino do outro filho, Joaquim Zeferino, seria a vida eclesiástica, por isso não o fez entrar no Real Colégio Militar. Após a sua morte e porque a vocação de Joaquim Zeferino era a carreira das armas, em confronto com sua mãe e seu irmão mais velho, revelando bem o seu carácter determinado e a sua coragem, não encontrou outra saída senão fugir de casa e alistar-se com apenas 15 anos, como soldado no Regimento de Infantaria nº 1, para combater o invasor francês, chegando, quarenta anos mais tarde e depois de muitos combates e actos de bravura, a Tenente General com 57 anos. Os demais irmãos ficaram ou no Colégio, ou com a viúva sua mãe, em situação “do maior desamparo e indigência” conforme ela própria descreve no requerimento que em 1809 dirige ao Príncipe D. João, pedindo para que os filhos Vasco Ricardo e José António fossem também admitidos no Real Colégio Militar. 4
José Maria Luiz de Sequeira, meu trisavô; António Joaquim Luiz de Sequeira; Gertrudes Magna da Conceição de Sequeira; Ten.-Gen. Joaquim Zepherino Luiz de Sequeira; Major Vasco Ricardo Luiz de Sequeira; Marechal de Campo José António Luiz de Sequeira; Capitão Francisco António Luiz de Sequeira, são os componentes dessa geração. O pai desta numerosa prole faleceu a 1 de Outubro de 1806, com 69 anos, deixando sua viúva e filhos em situação muito precária.
Major de Caçadores Vasco Ricardo Luiz de Sequeira (Aluno de 1809) Manuel da Silva Pracana Martins (240/1953) e José da Silva Pracana Martins (80/1956)
O requerimento foi despachado favoravelmente pelo General D. Miguel Pereira Forjaz, da Junta Governativa, que o enviou ao então General de Brigada, António Teixeira Rebello, para cumprimento, conforme documentos da época. Por indicação de meu pai sei que o meu trisavô José Maria Luiz de Sequeira, o primeiro antigo aluno da família, teve de desistir dos estudos a seguir à morte de seu pai em 1806, para poder ganhar a vida, pois cabia-lhe sustentar sua mãe viúva e seus irmãos.
Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
Como morgado de uma família em grande dificuldade, teve mesmo “de se virar” e fê-lo com grande garra, pois apareceu mais tarde, nos Açores (Terceira), onde se tornou no primeiro industrial de lacticínios do País. Esse registo consta do Museu de Angra do Heroísmo, acompanhado de reportagem fotográfica muito interessante. Os irmãos acompanharam-no na ida para os Açores e alguns por lá ficaram. Ele casou com D. Mariana da Conceição Pecquet, de origem francesa, minha trisavó. Teve dois filhos: o meu bisavô, Joaquim Hemetério Luiz de Sequeira, quadro superior da Administração Pública, que foi Par do Reino e Comendador, bem como seu irmão mais novo, António Joaquim Luiz de Sequeira, antigo aluno nº 119/1839, capitão de Cavalaria. O seu irmão, Tenente General Joaquim Zeferino Luiz de Sequeira, teve uma carreira fulgurante e verdadeiramente ímpar: Em 1810 participou na Batalha do Buçaco, onde foi gravemente ferido. Em 1813/1814, já combatia na perseguição dos franceses, em terras de Espanha e França, tomando parte nas batalhas dos Pirenéus, de Nivelle e Nive e na de Orthès em França, perseguindo as tropas de Napoleão. À semelhança de vários antepassados meus dos ramos paterno e materno, era um homem virado para o progresso, tendo assimilado os princípios da Liberdade da Fraternidade e da Igualdade, por isso se revelou um constitucionalista devoto que, começou a combater os absolutistas em 1823. Por essa causa, em 1828 conheceu, em Ponta Delgada, as masmorras de D. Miguel, de onde conseguiu evadir-se para se juntar de novo às tropas de D. Pedro IV. Depois de algumas vitórias nos Açores, embarcou para o Continente sob as ordens do Conde de Villa Flor e veio a desembarcar no Mindelo em 8 de Julho de 1832. Nesse mesmo ano tomou parte nas batalhas de Valongo, Souto-Redondo e noutras sortidas, onde comprovou a sua valentia e audácia. Ele é o 4º avô dos antigos alunos Manuel e José da Silva Pracana Martins, respectivamente, números 240/1953 e 80/1956. Passemos agora para o outro filho do Capitão José Joaquim, o José António Luiz de Sequeira entrado para o Colégio em 1809. Nasceu em 1801, seguiu a carreira das armas, tendo chegado ao posto de 5
Marechal de Campo, que ao tempo antecedia o posto de general de brigada. Como seu irmão Joaquim Zederino, foi um combatente pela carta constitucional. Esteve envolvido nas campanhas da Ilha Terceira contra as forças Miguelistas, e participou, com seu irmão, na expedição que desembarcou nas praias do Mindelo. Desconheço em pormenor o seu percurso, mas calculo que corresponderá a comportamentos militares notáveis pela sua rápida ascensão na carreira.
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quim Zeferino Luiz de Sequeira. O José Pracana enviou-me uma fotografia dessa placa. É curioso verificar que entre os nomes ali gravados figura também, entre outros, o nome do então TCor Manoel Joaquim de Menezes, comandante de Caçadores 12, pessoa central do ramo materno da minha família, que referirei adiante, pois constitui o primeiro encontro entre as famílias Sequeira e Menezes, ramos paterno e materno da minha família, que se cruzam mais tarde em dois casamentos, um na geração de meus avós e outro na geração de meus pais. 5
Do seu primeiro casamento, com D. Maria da Luz de Castro Borges de Morais Rego, teve um filho, chamado José Maria Borges de Sequeira (15/1841), que atingiu o posto de General de Brigada. Este, por sua vez, casou com D. Margarida Torres Borges de Sequeira, senhora que, calculem, com quase 100 anos chegou aos meus dias (tia Margarida) de quem tenho fotografia no jardim de casa de meus pais, em Cascais. Deste casamento houve um filho e uma filha: O filho foi o meu duplo tio Luís Guilherme Borges de Sequeira, antigo aluno nº 151/1883 e a filha, Maria Guilhermina Borges de Sequeira, que foi casada com o Comandante Pedro Fragoso Rio de Carvalho (174/1882). O obelisco erigido na Praia Arnosa de Pampelido (Matosinhos), homenageia os heróis do Mindelo, perpetuando a memória do desembarque já referido. Esse monumento tinha uma placa de pedra com os nomes dos comandantes das forças que ali desembarcaram. Entre eles figurava o então TCor Joa-
Coronel Professor Doutor Luís Guilherme Borges de Sequeira (151/1883)
Para ter uma ideia do conjunto de antigos alunos do ramo paterno, apresento um quadro cronológico resumido. Dos seis filhos homem do Capitão José Joa– quim Luiz de Sequeira (geração de referência) quatro são, supostamente, antigos alunos: José Maria, António Joaquim, Vasco Ricardo e José António. Isso contribuiu, certamente para a resolução dos problemas económicos de sua mãe. É uma dívida de gratidão que a minha família não deverá esquecer. No segmento etário dos bisavôs deste ramo, Joaquim Hemetério Luiz de Sequeira, filho de José Maria, não esteve no Colégio, contudo seu irmão, António Joaquim Luiz de Sequeira, foi o 119/1839. O meu bisavô teve três filhos, dos quais dois foram também antigos alunos: O meu avô paterno, Coronel de Artilharia Jorge Arthur de Almeida Luiz de Sequeira e seu irmão Carlos César de Almeida Luiz de Sequeira, respectivamente, o 186/1874 e o 216/1876.
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
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A minha bisavó, casada com Joaquim Hemetério Luiz de Sequeira, era Morais de Almeida, família à qual pertencerem, além dos meus ascendentes directos, mais três antigos alunos com esse apelido, bem como outros três de apelido Almeida Beja, todos constantes do quadro resumo a seguir apresentado. Em 1842 entrou para o Colégio, como externo, outro bisavô, o Contra-Almirante João Carlos Adrião (Ext 1842), casado em primeiras núpcias com Isabel Cândido Romano de origem italiana, de quem teve uma filha, Beatriz Romano Adrião de Sequeira, que casou com o meu avô Jorge Arthur já citado. O meu bisavô Adrião após enviuvar, teve outra filha de um segundo casamento, a minha tia Aida Adrião antiga aluna do Instituto de Odivelas, avó de mais dois antigos alunos de apelido Sá Chaves com os númeross 370/1955 e 500/1967, que constam do quadro a seguir apresentado. O meu bisavô João Carlos Adrião foi um militar que sempre privilegiou a marinhagem e o comando de unidades navais, como atestam as suas condecorações. Teve uma vida muito agitada: Ainda como 1º Tenente salvou toda uma tripulação e passageiros de um navio mercante francês, que encalhou numa ilha deserta no mar de Moçambique, para onde ele seguia em comissão de serviço. Ali estiveram e sobreviveram alguns meses até serem encontrados e salvos. Mas essa 6
sobrevivência deveu-se à excelente liderança do jovem 1º Tenente, impondo-se ao comandante francês, que entrou em pânico e depressão com o naufrágio. Esta história ocupou os jornais da época. Outras histórias tiveram ao tempo grande impacto como a relativa a uma viagem que comandou, num antigo veleiro “Rainha D. Estefânia” entre Lisboa e Macau, navio esse que por lá ficou, pois não tinha condições de navegabilidade para voltar. Na geração dos avós para além do meu avô Jorge Arthur e seu irmão Carlos César, há mais cinco tios, três Almeida Beja, um Borges Sequeira e outro Morais de Almeida, ou seja, um total de sete antigos alunos. O meu avô paterno, Coronel Jorge Arthur de Almeida Luiz de Sequeira (186/1874), era um artilheiro que participou na guerra de 1914/18, em França, Não o cheguei a conhecer, pois faleceu quando eu tinha apenas dois anos. Estou empenhado em pesquisar um pouco mais sobre a sua carreira militar, pois as suas condecorações indiciam mais do que eu conheço. Sei que era um excelente professor de matemática desempenhando durante muitos anos a direcção do Colégio da Bafureira em S. João do Estoril ao qual ficou ligado pela sua enorme dedicação inteligência e capacidade de trabalho. Meu pai herdou essas virtudes, pois foi um excelente professor e explicador de matemática, leccionando, depois de pas-
Contra-Almirante João Carlos Adrião (Ext em 1842) e Coronel Jorge Arthur de Almeida Luiz de Sequeira (186/1874)
sar à reserva em Tenente-Coronel, no Lar dos filhos dos oficiais, em Oeiras, durante muitos anos. Tinha uma brilhante folha de serviços de que me orgulho, pois foi, certamente, o patrono da Artilharia anti-aérea, criador e director do respectivo Centro de Instrução em Cascais e em Queluz. Participou activamente, com o apoio de técnicos ingleses, na concepção e implementação da defesa anti-aérea da cidade de Lisboa durante a guerra de 1939/1945. Seu pai (meu avô Sequeira), apesar de antigo aluno do Colégio, quis que os seus três filhos seguissem uma carreira civil. Por isso terá afastado a hipótese de os fazer entrar no Colégio Militar, mas meu Pai, depois de cursar medicina, na altura da I Grande Guerra desistiu e decidiu ser militar, ingressando na então chamada Escola de Guerra.
Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
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Quadro Cronológico dos Antigos Alunos do Ramo Paterno Datas
Nº
1802 1802 1809/15 1809/? 1835/39 1839/45 1841/49 1842/49 1847/54 1855/61 1867/73 1870/75 1874/79 1876/82 1881/83 1883/87 1894/98 1938/47 1942/50 1953/60 1955/58 1956/60 1967/71 1967/72
S/Nº S/Nº S/Nº S/Nº 158 119 15 Ext 29 105 56 153 186 216 110 151 e 104 Ext 5 70 240 370 80 500 5
Nomes
José Maria Luiz de Sequeira António Joaquim Luiz de Sequeira Vasco Ricardo Luiz de Sequeira José António Luiz de Sequeira Francisco António de Sequeira António Joaquim Luiz de Sequeira José Maria Borges de Sequeira João Carlos Adrião Manuel Augusto de Novais Sequeira Carlos Augusto Morais de Almeida João António Sequeira de Almeida Beja António Joaquim Sequeira de Almeida Beja Jorge Arthur de Almeida Luiz de Sequeira Carlos César de Almeida Luiz de Sequeira Luiz Maria Sequeira de Almeida Beja Luiz Guilherme Borges de Sequeira Fernando de Carvalho Morais de Almeida Luís Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira João Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira Manuel da Silva Pracana Martins João Maria de Azevedo Sá Chaves José da Silva Pracana Martins Miguel Maria Bettencourt Sá Chaves Luís Miguel Figueira Menezes de Sequeira
Realço agora um antigo aluno que, para nós foi da maior importância, pois a par de meu avô materno de quem era cunhado e amigo desde os tempos do Colégio, teve uma influência decisiva na entrada de meu irmão e na minha, para o Colégio Militar. Refiro-me ao nosso duplo tio e padrinho de meu irmão, o Coronel Professor Doutor Luís Guilherme Borges de Sequeira.
Era um cientista que nunca desdenhou de ter sido também um combatente, nos seus tempos de Alferes de Artilharia, contra os Vátuas em Moçambique, participando, em 1895, sob o comando de Mouzinho de Albuquerque, na prisão de Gungunhana em Chaimite. Regressado a Portugal, com problemas articulares muito graves, dedicou-se ao desenvolvimento técnico e cientí-
Observações
Trisavô paterno Tio-trisavô paterno Tio-trisavô paterno Tio-trisavô paterno Tio-bisavô paterno Tio-bisavô paterno Tio-bisavô paterno Bisavô paterno Tio-bisavô paterno Tio-bisavô paterno Tio-avô paterno Tio-avô paterno Avô paterno Tio-avô paterno Tio-avô paterno Tio-avô paterno e materno Tio-avô paterno Irmão Próprio Primo Primo Primo Primo Sobrinho
fico da sua Arma de Artilharia, chegando ao posto de Coronel. Paralelamente fez o seu doutoramento em matemática, tendo chegado a professor e lente da Faculdade de Ciências de Lisboa e professor agregado do Instituto Superior Técnico. Leccionou durante dezenas de anos as cadeiras de Geometria Descritiva e Matemática, tendo havido gerações de engenheiros, oficiais 7
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Professor de Educação Física e Capitão Miliciano de Cavalaria Luís Manuel Bilstein de Menezes e Luiz de Sequeira (5/1938)
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
e matemáticos que muito o estimaram e respeitaram como seus alunos e também como colegas. Ainda hoje o livro que editou é procurado, não como uma relíquia histórica, mas como um manual que serviu de guia a quase tudo quanto se editou posteriormente. Pelo quadro resumo apresentado, verifica-se que, neste ramo da família, há um salto de uma geração na lista de antigos alunos do Colégio. Só 40 anos depois, entrou o meu irmão Luíz Manuel Bilstein da Menezes Luiz de Sequeira (5/1938). Poucos antigos alunos terão tido uma vivência do Colégio tão prolongada, superior a 30 anos, sendo 9 como aluno e 22 como professor de educação física e oficial do corpo de alunos. Como aluno foi brilhante nas actividades físicas, desde a ginástica, ao atletismo, à equitação, à instrução militar e à esgrima, mas mau estudante nas teóricas, chegando no entanto a comandante da 4ª Companhia, com dois chumbos pelo caminho. Tinha óbvias qualidades de comando, um profundo sentido de responsabilidade, generosidade e um sólido carácter, assente numa escala de valores e numa coragem moral e física extraordinárias, que o acompanharam até à morte. O último antigo aluno Sequeira foi o meu sobrinho Luís Miguel Figueira Menezes de Sequeira, professor de Educação Física, como seu pai, de quem foi sucessor com o número 5/1967. É hoje um excelente profissional do ensino secundário, fazendo parte do Conselho Directivo do antigo Liceu Filipa de Lencastre, em Lisboa. Treinador de râguebi da equipa de Agronomia, onde jogou durante vários anos, a ele me referirei adiante, ao tratar do ramo materno. Mercê da instabilidade da minha vida profissional nas décadas de 60 e 70, nenhum dos meus quatro filhos homem teve condições para entrar no Colégio Militar. Uma boa parte desse período estive em África, o que terá concorrido para os problemas escolares de meus filhos. Essa lacuna, com desgosto da minha parte, contribuiu para que nenhum deles quisesse que seus filhos, meus netos, apesar de bons alunos, entrassem no Colégio. Ficará para meus bisnetos satisfazer esse desejo, dando continuidade a esta longa cadeia familiar, que vem desde a fundação, há mais de 200 anos. 8
Ramo Materno da Família
N
este ramo da família existem três sub-ramos originais: O prussiano Verna e Bilstein e dois portugueses, Ribeiro de Menezes, e Gouvêa Homem. Os dois primeiros uniram-se nos meus trisavós, António de Vasconcelos Soares Ribeiro de Menezes, e Maria Helena de Verna e Bilstein. Os dois últimos no casamento de meus avós maternos, Eugénio Bilstein de Menezes e Maria Pia de Gouvêa Homem. Pelo lado Gouvêa Homem, a irmã de minha avó materna era casada com o Coronel de Artilharia Pedro Francisco Xavier de Brito. Tiveram descendência, entre eles o meu primo Dr. Jaime Gouvêa Homem Xavier de Brito (15/1904), professor de Matemática e Física em Lisboa durante largos
filhos antigos alunos, o também mestre de equitação Luís Vieira Xavier de Brito (314/1962), grande cavaleiro internacional e actual subdirector da Escola Nacional de Equitação e o Alberto Gomes Xavier de Brito (25/1987). Minha avó era prima em 1º grau de Mário de Gouvêa Homem (223/1883) que, por sua vez, teve um filho igualmente chamado Mário Gouvêa Homem (127/1906). Existe mais um primo, muito mais novo e que não conheço, chamado Eduardo Manuel Carvalho de Gouveia Homem (177/1971) que, segundo consta, vive em África no Zimbabué. Os mais novos descendentes do lado Gouvêa Homem são os manos José António Alexandre e Luís Aníbal Alexandre de Sant’Ana Pereira, respectivamente, nºs 50 e 372 de 1976, cuja avó, minha prima Lena acaba de falecer. 8
anos nos Liceus Pedro Nunes, Gil Vicente, Passos Manuel e na Escola Normal Superior, assistente de física na Faculdade de Ciências de Lisboa e Meteorologista Chefe do Serviço Meteorológico Nacional. Esteve na I Grande Guerra em França como Alferes miliciano da Companhia de Artilharia Pesada do CEP. Um neto deste casal, meu primo, foi o Coronel de Cavalaria Fernando Alberto Cardoso Pinto Xavier de Brito, antigo mestre de equitação do Colégio, que teve dois
Do lado Menezes as referências começam comManoel Joaquim de Menezes a quem D. Maria II atribuiu o título de Barão do Cabo da Praia e D. Pedro IV titulava de “o bravo”. É uma figura central que influenciou a postura liberal deste ramo da família. Assentou praça como soldado voluntário em 1796, início da grande reforma militar do Conde de Lippe. Teve o seu baptismo de fogo em 1801 nas batalhas da guerra da Laranja, sendo ferido e prisioneiro dos espanhóis em Flor da Rosa (Cra-
Luís Manuel Bilstein de Menezes e Luiz de Sequeira (5/1938) e seu filho Luís Miguel Figueira Menezes de Sequeira (5/1967)
Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
to), de onde se evadiu. Distinguiu-se nas acções de Toulouse e San Martin. Já era tenente em 1811, quando foi novamente ferido no assalto a San Sebastian sendo ali promovido a capitão por distinção e bravura. Tal como Joaquim Zeferino Luiz de Sequeira, esteve em Nive (França) onde foi ferido pela terceira vez. Foi promovido a Major em 1820, mas seguidamente perseguido pelo governo de D. Miguel, teve de se refugiar em Espanha de onde voltou quase de seguida. Em 1826 foi forçado a emigrar para Inglaterra, onde constituiu e formou o Corpo de Voluntários da Rainha
(D. Maria II), com que embarcou para a Terceira sendo-lhe confiado por D. Pedro IV, o 4º distrito, que se estendia do Forte de Santa Catarina do Cabo da Praia até ao Forte do Espírito Santo. Ai se notabilizou em várias batalhas, vencendo forças absolutistas de efectivo muito superior no dia 11 de Agosto de 1829. Depois de mais alguns combates nos Açores, em 1832 foi promovido a Tenente-Coronel e, com o seu Batalhão de Caçadores 12, embarcou para o Continente, desembarcando nas praias do Mindelo. Durante o resto da campanha por terras
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de Espanha e França, foi promovido a Coronel e em 1834, já como General de Brigada, foi nomeado governador de Trás-os-Montes, passando depois a comandar a Praça de Almeida, cargo que exerceu até à sua morte. Foi casado mas não deixou descendência. É curioso o paralelismo das carreiras deste bravo militar, meu tio tetravô do ramo materno, com o outro meu tio trisavô do lado paterno, Joaquim Zeferino, com quem desembarcou no Mindelo, notabilizando-se igualmente no combate de Souto Redondo, onde foi gravemente ferido pela quarta vez.
Quadro Cronológico dos Antigos Alunos do Ramo Materno
(a)
Datas
Nº
1835/42 1881/87 1883/88 1904/11 1906/13 1909/15 1962/70 1971/74 1987/95 1976/83 1976/83 1938/47(a) 1942/50(a) 1967/72(a)
113 217 e 70 223 15 127 124 314 177 25 50 372 5 70 5
Nomes
José da Conceição Soares Ribeiro de Menezes Eugénio Augusto de Almada Castro Bilstein de Menezes Mário de Gouveia Homem Jaime Gouveia Homem Xavier de Brito Mário de Gouveia Homem Pedro Inácio de Gouveia Homem Luís Vieira Xavier de Brito Eduardo Manuel Carvalho de Gouveia Homem Alberto Gomes Xavier de Brito José António Alexandre de Sant’Ana Pereira Luís Aníbal Alexandre de Sant’Ana Pereira Luís Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira João Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira Luís Miguel Figueira Menezes de Sequeira
Observações
Tio trisavô materno Avô materno Tio avô materno Primo materno Primo materno Primo materno Primo materno Primo materno Primo materno Primo materno Primo materno Irmão Próprio Sobrinho
Repetidos do outro quadro (ramo paterno)
Sua única irmã, Teresa Albina de Menezes, minha tetravó, foi casada com o General de Brigada António Soares Ribeiro. 9
9 General Manoel Joaquim de Menezes, Barão do Cabo da Praia, Dr. Jaime Gouvêa Homem Xavier de Brito (15/1904), 1º Sargento Cadete à saída do Colégio, mais tarde Alferes Miliciano em França durante a Grande Guerra de 1914/1918, e Mestre Luís Vieira Xavier de Brito (314/1962)
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
Tiveram nove filhos. O mais velho, meu trisavô, António Vasconcelos Soares Ribeiro de Menezes, representante do título de Barão do Cabo da Praia, nasceu em 1802 no Porto. Um dos seus oito irmãos, certamente dos mais novos, José da Conceição Soares Ribeiro de Menezes, foi antigo aluno do Real Colégio Militar com o número 113/1835, sendo por isso o primeiro antigo aluno do nosso ramo Menezes. Nada sei sobre o seu destino, a não ser que não deixou descendência. É o meu trisavô, António Vasconcelos, que faz a ligação com os antepassados prussianos, pois casou em Elvas com Maria Helena de Verna e Bilstein, filha de João António Bilstein e de Maria Ernestina de Verna, meus tetravôs prussianos. Esta última era filha de Ernst Friedrich von Verna e de Joaquina Almeida Castelo-Branco que liga aos Ataíde Banazol, com vários antigos alunos do Colégio, primos consanguíneos, não constantes desta pesquisa por falta de dados, mas que espero “venham a campo”, contar da sua/nossa ligação familiar. António Vasconcelos Soares Ribeiro de Menezes assentou praça com 19 anos em 1821, foi cadete no ano seguinte. Em 1827 foi desligado do Exército por D. Miguel, depois readmitido pelos liberais como Alferes em 1828 e promovido a Tenente em 1835, Capitão em 1843 e Major graduado em 1851, Participou em várias campanhas contra os absolutistas. Foi agraciado em 1841 como Cavaleiro de S. Bento de Avis, em 1846 como Cavaleiro da Torre e Espada e em 1847 como oficial da Torre e Espada. A sua vida foi extremamente complicada, alternando prisões com condecorações, demissões, reintegrações e dois exílios em Espanha. Isso reflectiu-se nas suas relações familiares, tendo-se separado de sua mulher e seus filhos, inviabilizando a entrada de meu bisavô no Colégio Militar. António Vasconcelos Soares Ribeiro de Menezes e Helena Verna e Bilstein, tiveram seis filhos, dos quais apenas um, o mais velho, deixou descendência, o meu bisavô, General de Brigada Júlio César Augusto Verna e Bilstein Ribeiro de Menezes. Nasceu em 1827, em Elvas. Foi casado duas vezes. Da primeira, de quem enviuvou em 1854 teve uma única filha Anna José Verna e Bilstein Soares Ribeiro de Menezes, aia da Rainha D. Maria Pia.
Era casada com o Coronel João Pedro da Silva Soares, militar em serviço na Corte, mas não deixaram descendência. Voltou a casar em Abrantes em 1856 com minha bisavó, Maria da Luz Almada Castro Gama Freire e Sousa, de quem teve outra filha em 1857, Maria da Luz Almada Castro Verna e Bilstein Soares Ribeiro de Menezes e mais três filhos, o tio Júlio que faleceu solteiro e sem descendência, o meu avô Eugénio e o meu tio José falecido com oito anos. Seu pai, Júlio César Augusto teve uma longa carreira militar iniciada quando assentou praça, como soldado, aos onze anos. A vida agitada de seu pai localizado no Norte, ou exilado, separado da família, enquanto ele, com sua mãe e irmãos viviam em Elvas, não permitiu a sua admissão no Colégio Militar.
Um pouco à semelhança de seu pai e de seu tio-avô (barão do Cabo da Praia), cujo título passou a representar depois da morte de seu pai, a sua vida também foi empenhada na luta pelos ideais constitucionalistas. Meu avô, General Eugénio Augusto Almada Castro Bilstein de Menezes entrou em 1881, para o Real Colégio Militar, com o número 217, número esse alterado para 70 logo no primeiro ano, sendo por isso meu antecessor. Fez um curso normal no Colégio, onde encontrou os seus principais amigos com quem conviveu ao longo dos tempos. A começar pelo seu cunhado já aqui citado, o Coronel e Professor Doutor Luís Guilherme Borges de Sequeira (151/1883).
General Eugénio Augusto de Almada Castro Bilstein de Menezes (217/1881) em França na Grande Guerra 1914/1918, como Major e como Tenente-Coronel Mãe, Maria da Luz Bilstein de Menezes de Sequeira, Pai, Tenente Coronel Joaquim de Sequeira quando Alferes na EPA em Vendas Novas
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
Ao contrário de seu pai e avô, era conservador, guardando um visceral desprezo pelos políticos. Tinha um fortíssimo carácter e um enorme sentido de justiça, que o levou, apesar do seu espírito disciplinado, a dar-se muito mal com o poder, pois não admitia prepotências de qualquer espécie e vindas fosse de quem fosse. Com a morte de seu pai, passou a representar o título de Barão do Cabo da Praia. A sua vida militar primou pelo permanen-
Avis, Oficial da Torre e Espada e respectiva fourragere pela condecoração da unidade que comandou. Foi durante alguns anos Comandante da Escola Prática de Artilharia em Vendas Novas, comandou as Regiões Militares de Évora e do Porto, e foi Director da Arma de Artilharia. Saiu do activo “a bater com a porta” por uma desconsideração do respectivo ministro, que decidiu nomear um “amigalhaço” para Presidente do Conselho de
te comando de tropas, de que muito se orgulhava. O seu gosto e interesse pela estratégia e a sua enorme cultura militar teriam feito dele um excelente oficial do Estado-Maior, contudo não dispunha do “jogo de cintura” necessário ao agrado dos seus chefes. A evidência dos actos e dos factos da sua carreira militar, com especial relevo para o comando do 4º Grupo de Baterias de Artilharia em operações de 6 meses consecutivos na Flandres, bem como o comando da Artilharia da 1ª Divisão Portuguesa e, por fim no comando da Artilharia de um Corpo de Exército inglês, impuseram que lhe tivessem enchido o peito de medalhas. Não faltaram as maiores veneras e condecorações, incluindo a comenda de S. Miguel e S. Jorge, inglesas, a Cruz de Guerra com palma francesa e entre outras portuguesas, a Cruz de Guerra 2ª classe, a Grã-Cruz da ordem de
Promoções a Oficial General, sendo ele o vogal mais antigo e com melhor folha de serviço.
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Não tendo filhos homem, a sua única filha, minha mãe, Maria da Luz Gouvêa Homem Bilstein de Menezes foi a pessoa que centrou as principais atenções e ternura de seu austero pai. Com ele aprendeu a montar e saltar à amazona, com ele, quando estiveram em Santarém, ia para a lezíria a cavalo, meter-se com os touros e fugir em grandes galopadas. Era destemida e valente e, especialmente, uma excelente mãe. Conhecia muito bem o “Cabo 20” através dos telefonemas que fazia para obter notícias nossas e pessoalmente para lhe entregar a sempre bem-vinda “bolama”, bem como toda a rotina colegial. De seu pai herdou inteligência, bom feitio, mas
João Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira (70/1942), no ano da entrada e no 7º ano do Colégio
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mau génio, autoritarismo mas compreensão, determinação, grande sentido de justiça, e uma forte personalidade. Acrescentou-lhe uma imensa generosidade, muito sentido de humor e um coração enorme onde a ternura transbordava, o que nos confortava e enchia de segurança, apesar do seu mau génio. Ela era uma presença muito viva naquela casa, que se estendia à vida colegial de meu irmão Luís e minha, sem que os restantes filhos (4) se sentissem desatendidos. Como só podíamos sair um ou dois fins-de-semana por mês, conforme tivéssemos más ou boas notas no período, a maioria das semanas tínhamos a sua visita, que ocupava a tarde de domingo. Como meu pai nunca teve automóvel, pois um Major com seis filhos não tinha orçamento para tais luxos, vinham de comboio de Cascais e de eléctrico até ao Largo da Luz. Quando havia saída, os transportes eram os mesmos, e lá ia eu, “rata” ou novato, sob apertada vigilância de meu irmão protector já “veterano”, devidamente fardados, com os botões a brilhar, as botas a luzir com as luvas calçadas. Saía-se no Sábado da parte da tarde e tínhamos de entrar no Colégio até às 21H00 de Domingo. Ao chegar a casa tínhamos o calor dos abraços e dos beijos de minha mãe e da minha avó Maria Pia. O cumprimento a meu pai era um pouco mais seco, embora afectuoso (dependendo das notas...), como mandavam as boas regras da masculinidade de então. Seguia-se um verdadeiro cerimonial consistindo no “ir falar ao avô”. Ele lá estava postado no seu escritório, sempre a fazer coisas que nós achávamos importantíssimas, mas que sabíamos aguardar ansiosamente a nossa chegada. Batíamos à porta e perguntávamos militarmente: “O avô dá licença?” De dentro nosso avô respondia; com voz de general “entrem!”. Nós entrávamos bem empertigados. Não dava para fazer a continência porque levávamos o barrete na mão, mas se por acaso ou excepção o encontro fosse no jardim, lá saíam duas continências “bem tiradas”. O cumprimento ao avô Menezes foi sempre até ele falecer (eu já era Capitão), com um beija-mão a que ele correspondia com um gesto vago semelhante a uma bênção, já que se afirmava ateu sem dúvidas metafísicas.
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Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
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O regresso ao Colégio era sempre doloroso, especialmente nos primeiros anos em que chegávamos a “botar lágrima”. Era uma lágrima discreta, que escondíamos dos homens da casa: “Um homem não chora, muito menos um militar!...”. É claro que os homens da casa fingiam não ver esses momentos de “fraqueza”. Recordo que passado o “drama” da despedida, nos encontrávamos na Estação de Cascais com os Jonet e os Alvarenga e, no Estoril, entravam os Madruga. Tudo meninos da Luz filhos de artilheiros do Quartel de Cascais, que regressavam ao Colégio no comboio das 19H33. A alegria do encontro e as histórias do fim-de-semana, apagavam os “traumas da despedida” e lá íamos todos em grande galhofa de malas carregadas de roupa, a correr para os eléctricos, normalmente cheios de Meninos da Luz. Lembro que um dia, o problema de apanhar o amarelo estava tão complicado, que meu irmão Luís, fazendo uso da sua hercúlea força, me enfiou pela janela do 13, com o capote vestido e as malas bem pesadas, pendurando-se depois no estribo. Segue-se, na escala cronológica, o meu irmão Luís Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira (5/1938) a quem me refiro pela segunda vez. As deficiências literárias que acompanharam o meu irmão na sua vida de aluno, deveram-se totalmente a uma muito má preparação na escola primária, que foi arrastando e agravando os disfuncionamentos resultantes da falta de bases. Acabaram por ser superadas mais tarde na vida profissional, onde os seus interesses intelectuais, científicos e pedagógicos, juntamente com a sua inteligência e capacidade de trabalho, fizeram dele um
competente e devotado professor de educação física, com uma visão muito lúcida sobre a educação física no Colégio, bem como sobre o próprio devir do mesmo. Pelos anos perdidos no curso liceal ultrapassou a idade para ingressar na Escola do Exército, Arma de Cavalaria, que era o seu sonho. Depois de completado o 7º ano e o Curso de Oficiais Milicianos em Torres Novas, alistou-se, como voluntário, na GNR, sendo admitido como Alferes de Cavalaria, onde desempenhou funções de subalterno no 4º Esquadrão, com grande dedicação e competência, conforme reza a sua folha de serviços. Durante esse período, licenciou-se no antigo INEF, tendo transitado para o Colégio Militar, no posto de Tenente Miliciano de Cavalaria, para o quadro de educação física. Para além de professor, foi temporariamente instrutor de equitação e comandante de Companhia, colmatando falhas de oficiais do quadro permanente, entretanto mobilizados para a guerra em África. Com o falecimento de nosso avô Menezes, passou a representar o título de Barão do Cabo da Praia, título que nos diz algo, apenas por relembrar a figura extraordinária do seu titular. Já como Capitão miliciano, numa mais que discutível e tendenciosa mobilização, partiu para Angola integrado num Batalhão de Cavalaria. Depois de já estar em missão na quadrícula (Muchaluando), informaram-no do “engano” e deram-lhe a opção de regressar de imediato a Portugal. Respondeu como era de esperar, isto é, que tinha uma Companhia à sua responsabilidade, por si instruída, e que só regressaria quando os seus subordinados também regressassem. Era esse o seu
carácter. Acabou por regressar mais cedo do que contava, pois numa missão de socorro a outra Companhia do seu Batalhão, emboscada e com poucas munições, o seu jeep pisou uma mina anti-carro e foi pelo ar num voo de 4 metros. Para além da morte do Alferes Pombeiro, seu subalterno e que ia a seu lado, ele sofreu fractura e esmagamento de vértebra e dezenas de ferimentos por estilhaços espalhados por todo o corpo. Mesmo ferido comandou com enorme valentia e determinação a reacção à emboscada, evitando o pior para as tropas que comandava. Nos dias que se seguiram, malgrado as dores que sentia e o diagnóstico do médico da Unidade, a besta do Major, 2º comandante do Batalhão, (que se vangloriava de ser informador da polícia política - PIDE, mas que acabou mais tarde por ser demitido de oficial do Exército por corrupção flagrante), compeliu-o a fazer um percurso de reconhecimento de 30 kms em jeep por picada, seguido de reconhecimento aéreo em helicóptero. Tudo aguentou sem um ai, pois sabia das intenções do Major e não era pessoa para dar parte fraca. Só depois disso o patife, cujo nome oculto por já ter morrido, o autorizou a ser evacuado para o hospital de Luanda, de onde imediatamente seguiu para Lisboa, ficando internado no HMP, dentro de um colete de gesso. É importante esclarecer que estes factos se passaram na ausência do Comandante efectivo do Batalhão, que era um Homem de bem, mas estava com baixa em Luanda, da qual veio a falecer. Daí resultou ter ficado deficiente das FA, com sucessivos problemas na coluna, que o acompanharam até ao fim da vida. Mesmo assim, logo que obteve a alta, regressou voluntariamente ao Colégio onde continuou a sua missão de professor de educação física, nunca se poupando à exemplificação dos exercícios que mandava fazer aos alunos, com os sacrifícios que se podem imaginar. Era esse o seu alto sentido de missão, a sua generosidade e o seu espírito de sacrifício. Nunca chegou a ser devidamente avaliado e premiado pela Instituição Militar, por serem conhecidas as suas posições progressistas, adversas ao regime então vigente, honrando a memória dos seus
13 João Manuel Bilstein de Menezes Luiz de Sequeira (70/1942), no CHO Lisboa – 4º ano e no treino para apresentação em Toledo quando da deslocação do batalhão Colegial a Espanha (7º ano)
Colaboração Uma Família de Antigos Alunos do Colégio Militar
antenhos. Ele foi, nesta segunda metade do século XX, um digno sucessor dos nossos antepassados que, no século XIX, se bateram corajosamente pela Justiça e pela Liberdade. A terminar esta sucessão do ramo Menezes vem, também pela segunda vez, o meu sobrinho Prof Luís Miguel Figueira Menezes de Sequeira (5/1967), que herdou de seu pai a frontalidade, o espírito de justiça, a generosidade e o profissionalismo. Essas suas qualidades militaram para que tivesse saído, a seu pedido, no final do 5º ano. A história do Colégio, como a história de qualquer outra organização, tem períodos melhores e outros piores. O Luís Miguel teve a pouca sorte de cruzar situações de uma menos boa época, que o levou a protagonizar a resistência contra algumas prepotências que se verificaram da parte de alguns graduados. Tal como seu pai, tinha e tem um físico que, mesmo no 5º ano, inspirava respeito aos do 7º. Ora ele, em matéria de justiça, não era, nem é, pessoa para “amochar”. Anunciavam-se por isso alguns vendavais que, na altura, não quis atravessar, porque intrinsecamente é uma pessoa pacífica e não violenta. Apesar de lamentar, acho que ele saiu pelas melhores razões. A nobreza do seu carácter faz com que seja hoje
o digno representante do título atribuído ao General de Brigada Manoel Joaquim de Menezes, após o falecimento de seu pai.
A concluir
G
osto muito da História das pessoas e dos grupos, por isso tenho especial apetência para descobrir as causas e os efeitos dos factos e dos comportamentos, bem como dos ambientes e acontecimentos, que os condicionaram. Procurei aprofundar as raízes da minha família no Colégio Militar, com especial curiosidade em descobrir a sua presença e o seu rasto nos dois séculos da História da sua existência. Por ali passaram mais de trinta alunos com o meu sangue - um pelotão. Dei relevo àqueles que directa ou indirectamente melhor conheço, uns porque com eles convivi de perto, outros porque as suas pequenas ou grandes histórias fazem parte de memória mais ampla. Em termos colegiais, o século XIX foi, para a minha família, bastante mais rico do que o XX, pois 70% dos seus antigos alunos ali se situaram. Acontece que o Colégio foi fundado no seu início e a nossa História foi dominada então por dois aconteci-
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mentos decisivos, as invasões napoleónicas e a guerra civil para implantação do regime constitucional. Embora não tenha conhecido a maioria dos meus antepassados, a reflexão a que me obriguei, deu para descobrir alguns traços herdados. Todos tiveram virtudes e defeitos, mas há qualquer coisa que atravessou o tempo deixando um rasto onde sobressai um certo inconformismo, por vezes mesmo rebeldia. Julgo que nesta espécie de Calixto familiar, acabei por perceber que esses traços não decorreram só dos condicionantes familiares. No Colégio a virtude da disciplina não verga a personalidade de cada um, por isso nos igualamos nos valores e nos diferenciamos no pensamento e na acção. Será isso que fomenta a nossa fraternidade? Será essa pitada de rebeldia e irreverência que nos faz rir com gosto das tropelias que íamos fazendo quando éramos alunos? Será isso que alimenta o nosso justo espírito crítico? Será isso que fortalece a nossa coragem de servir, sem ser servil? Julgo que sim! Aos vinte e oito dias do mês de Julho do ano dois mil e onze
Nota da Redacção Tem sido uma constante ao longo das gerações a existência de famílias em que muitos dos seus membros frequentaram o Colégio. A sua divulgação, para além do registo sistematizado e interessante da ligação familiar que os uniu, constitui um valioso contributo para o conhecimento da interligação de muitos Antigos Alunos a partir de alguém que, em determinada altura desde a fundação do Colégio, aí iniciou os seus estudos e preparação para a vida. Esta disposição familiar de dar continuidade à inscrição no Colégio dos seus descendentes, revela a confiança depositada nos princípios e nos ensinamen-
tos que ali são ministrados e nos valores desta Instituição multissecular. Não raro Antigos Alunos em que os seus ancestrais não frequentaram o Colégio, depois de por lá terem passado, matriculam os seus filhos e netos, quem sabe, iniciando “dinastias” que decorridas algumas décadas serão semelhantes às que actualmente existem. Apelamos ao espírito de servir e de colaboração dos Meninos da Luz para que nos façam chegar textos semelhantes ao que agora publicamos possibilitando, através da ZacatraZ, a sua divulgação que será certamente muito do agrado dos leitores para além de constituir um factor de valorização da nossa revista.
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Colaboração Mudanças de idade...
António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
Mudanças de idade… P
rovavelmente o/a leitor/a começa logo a mentalmente enumerar algumas (infância, adolescência, puberdade, juventude, idade adulta, …), ao mesmo tempo que franze o nariz por não conseguir antever que tipo de interesse poderá ter um artigo sobre este tema (ou que qualificação especial o autor pensa que tem). Torna-se pois necessário descansar o/a leitor/a: Não vou dissertar sobre algo que poderá ser pesquisado com o detalhe pretendido e o rigor indispensável em inúmeras publicações, mais ou menos científicas, sobre o tema em causa. Vou efectivamente abordar o assunto sob um novo prisma (pelo menos, assim o espero). Porque há sempre um novo ângulo de observação! Este contador de “estórias”1 escolheu abordar neste artigo quatro situações em que o protagonista de cada uma delas teve inesperadamente a noção de que – na perspectiva daqueles/as que num dado momento o rodeavam (o chamado ‘mundo exterior’) – e em contradição e/ou com desconhecimento da sua própria auto-avaliação – tinha ‘mudado de idade’. E tal facto tinha acontecido sem ter sido capaz de definir com precisão há quanto tempo se encontraria nesse estado para o qual o ‘mundo exterior’ o tinha acabado de alertar (não obstante se ver todos os dias ao espelho quando fazia a barba).
Espero ter despertado o suficiente interesse do/a leitor/a, garantindo a continuação da leitura… Na realidade, este tema ‘apareceu’ como assunto de conversa – durante alguns minutos – entre três dos participantes num recente almoço mensal (este foi precisamente no dia 5 de Novembro de 2008) dos antigos alunos do Colégio Militar do curso saído em 1957. Os três amigos em conversa eram o Coronel de Cavalaria João Garoupa (286/1950), o Engenheiro Civil António Cabral de Melo (341/1950) e o autor deste artigo, o licenciado em Ciências Físico-Químicas (com mais de 30 anos de experiência em marketing informático) António Franco Preto (67/1950). Estamos portanto na presença de três amigos com experiências profissionais de vida completamente distintas (o que torna sempre mais aliciante o conhecimento das posições individuais). Para facilidade de escrita vão as quatro “estórias” ser escritas na primeira pessoa do singular (aliás, tal como foram contadas), embora os protagonistas sejam diferentes, de “estória” para “estória” . Terminada que está esta introdução, chegou o momento de iniciarmos a descrição das quatro “estórias” e para cuja sequência escolhemos a idade real do protagonista de cada uma delas quando a situação ocorreu (em sequência ascendente).
Ficará ao cuidado do/a leitor/a a descoberta das suas ‘mudanças de idade’!
“Estória nº 1”
Desde que durante a minha adolescência atingi a minha altura definitiva (1m e 76 cm) travei uma luta intermitente mas ‘sem tréguas’ de parte a parte, contra um factor genético: a tendência para ser GORDO! Essa luta teve desde sempre como consequência uma enorme oscilação do meu peso corporal (consoante a duração dos meus períodos ‘vitoriosos’ que eram interrompidos periodicamente por ‘gloriosas’ recaídas!). Relembro com facilidade, exemplos de algumas dessas inúmeras oscilações: 76Kg (aos 16 anos), 82kg (17 anos), 76kg (18 anos), 90Kg2 (20 anos), 76kg (22 anos), 73kg (25 anos), 76-78kg (dos 31 anos aos 50 anos)…e a partir daí, uma lenta mas progressiva evolução com a idade, até aos actuais 86kg (68 anos).
1 A única razão pela qual escrevo “‘estória” (e não, história, como desejava) é pura e simplesmente para mostrar o meu desagrado pelo novo acordo ortográfico! Digamos que é uma declaração de protesto! 2 Consequências de ter ‘trabalhado em conjunto com os meus genes’ durante vários meses, o que me permitiu ficar – em Abril de 1960 – isento de todo o serviço militar (meses antes de começar a ‘Guerra Colonial’)!
Colaboração Mudanças de idade...
Tendo interrompido a prática do meu desporto favorito (andebol de 7) aos 25 anos, regressei a ele aos 31 anos, representando a IBM durante 2 anos, nos campeonatos corporativos organizados pela FNAT (antiga designação do INATEL). Face à enorme redução da qualidade e mobilidade das defesas adversárias, a minha produção goleadora média passou de uns normais 3 golos por jogo (durante os 7 anos em que representei o Instituto Superior Técnico nos campeonatos Federados) para uns 10 golos por cada jogo em representação da IBM. Nunca mais esquecerei um desses primeiros jogos, defrontando a forte equipa da CARRIS. Na minha posição de ‘pivot’, ia-me deslocando pelo meio da defesa adversária, aproveitando – quase ‘impunemente’ – a maior parte das bolas que me eram oferecidas pelo meu municiador de oportunidades, esse extraordinário jogador que dava pelo nome de João Estarreja. A certa altura da 2ª parte, ao sair do alcance físico do meu defensor directo, ouvi-o gritar (quase em tom de pânico) para um seu colega da defesa: Cuidado com esse gajo FORTE! Julgo que, como agradecimento, evitei – a partir desse momento – fazer mais golos na área de marcação directa desse meu defensor e no final do jogo cumprimentei-o efusivamente sem lhe explicar porquê (o que o deixou um pouco espantado!). Foi uma mudança de idade inesquecível! Tinha deixado de ser GORDO! Era FORTE!
o seu valor3 .Pouco tempo depois de iniciar a prova percebi pelos olhares de alguns soldados que o comandante estava em apuros! Fazendo de conta que não tinha reparado nos indicadores de mudança de idade, olhei para o relógio, fiz um gesto de aborrecimento como se me tivesse esquecido de qualquer coisa urgente e parei junto do controlador da prova, dizendo-lhe: Esqueci-me de que tenho um assunto urgente a tratar. Recomeçarei a prova quando tiver oportunidade. Ouvindo um respeitoso ‘Sim, meu comandante’, abandonei rapidamente o local. Durante uns tempos, fiz uma adequada preparação física e as provas decorreram sem incidentes (ou acidentes…). A partir desse momento passei a tomar mais atenção às ‘imperceptíveis’ – mas inexoráveis – mudanças de idade!
“Estória nº 3”
“Estória nº 2”
Com os meus 33 anos (contou o João Garoupa) comandava uma companhia do nosso exército, algures no interior de Angola. Sendo obrigatória a prestação periódica de determinadas provas de aptidão física, fiz saber ao elemento que tinha como responsabilidade ‘fazer acontecer’ as ditas provas, que me deveria chamar para as prestar, quando entendesse oportuno. Assim aconteceu. A 1ª prova que me foi indicada, foi a de correr – em determinadas condições e num percurso específico – durante 12 minutos. A distância percorrida era depois qualificada mediante
Teria eu os meus 55 anos (contou o António Cabral de Melo) quando um certo dia me desloquei de metropolitano para satisfazer uma necessidade decorrente dos meus afazeres profissionais. Nada de mais natural. Embora ainda não fosse a chamada ‘hora de ponta’, as carruagens iam cheias (sem lugares sentados disponíveis) e bem guarnecidas de passageiros de pé. Entrei e depois de procurar em vão algum lugar sentado disponível nas proximidades, resignei-me a viajar de pé, encostando-me a um daqueles varões metálicos que existem nos átrios interiores das carruagens. Foi então que – ‘vergonha das vergonhas!’ – uma rapariga com os seus 16/18 anos se levantou e gentilmente me ofereceu o lugar! Embora sentido um calor intenso na face (certamente acompanhado dum tom vermelho intenso!) não tive coragem de recusar e ocupei o lugar oferecido! O ‘mundo exterior’ tinha acabado de me
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atribuir uma idade que eu ainda hoje não tenho! Chamemos-lhe uma mudança de idade virtual 4!
“Estória nº 4”
A partir de uma certa altura na vida, deixamos de dar grande importância ao facto de fazer mais um ano (pelo menos foi esse o meu caso). Eu diria que isso me aconteceu quando entrei na casa dos 50. A vida estava estabilizada, o ‘stress’ profissional era mínimo, a experiência adquirida permitia-nos actuar de modo a satisfazermos os nossos interesses mais específicos sem grande dificuldade e – felizmente – tinha sido alcançada uma estabilidade financeira que reforçava ainda mais a nossa ‘paz de espírito’. Tinha a sensação de que o tempo corria devagar (e não o contrário, como é costume dizer-se). Tudo isso levava a que – de facto – não ligássemos grande importância ao facto de ter passado mais um dia 15 de Fevereiro. Até que finalmente – e sem explicação imediata aparente – senti uma depressão real acompanhando um desses dias ’15 de Fevereiro’! Essa depressão manteve-se durante uns dias. Precisamente o tempo que demorei a perceber a sua razão de ser! O que me levou a comentar para comigo próprio: ‘Andei estúpido durante uns dias, mas depois passou-me’! Mas foi necessário recuar no tempo até à minha infância e aos anos que passei em Vila Nova de Ourém5 .Relembro sim, os anos da 1ª e da 4ª classe (que lá fiz) os jogos de futebol no enorme largo em frente da casa do meu Avô6, ‘cheio’ de árvores que serviam de óptimas balizas e ainda sem a nova escola primária. Só não podia haver jogatanas quando era o dia da ‘feira do mês’ (onde se vendia de tudo)! Recordo ainda a impressão que me fazia ver – em pleno Inverno, com frio e muita chuva – a quantidade de miúdos da minha idade que passavam em frente da nossa casa, descalços e (pelo menos aparentemente) felizes! E – por último – não posso deixar de recordar ‘os velhos’ pertencentes à classe burguesa (como o meu Avô) que com 60 anos (Ah!) e mais, andavam todos de fato completo – normalmente cinzento – e chapéu. Alguns usavam também uma bengala, mesmo que não precisassem dela como auxiliar de locomoção. Era a mudança de idade! Eram de facto uns ‘velhinhos’! A minha já referida depressão aconteceu precisamente quando fiz 60 anos! E volto a dizer: ‘Andei estúpido durante uns dias, mas depois passou-me!’ Depois de tudo analisado e compreendido posso (honestamente) terminar esta 4ª “estória” com uma frase em Inglês: “I am proud of being a Senior Citizen”!
Teste de Cooper. O autor deste artigo acha que deve dar uma informação adicional que permite perceber melhor o acontecimento descrito. Na plenitude da sua juventude, aos 17 anos, no Colégio Militar, o António Cabral de Melo já tinha um aspecto físico tão fora do normal que tinha uma alcunha a condizer: “O VELHO”! 5 Recuso-me a chamar Ourém (actualmente cidade) à terra onde nasci e que já não conheço! 6 Quando por volta de 1910 saiu de Lisboa para viver lá, era o único médico de todo o concelho! 3 4
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Colaboração Redes Sociais. O “Sem Perfil”!
José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995
Redes Sociais. O “Sem Perfil”!
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meba, Amiguinhos, Bebo, Blip.fm, Couchsurfing, Google+, Facebook... todas diferentes, todas iguais... A necessidade de unir ou diferenciar. Explorar o ego dos utilizadores faz das redes sociais virtuais aquilo que são hoje. Há quem veja imensos benefícios nas redes sociais, e quem só encontre perigos e problemas. À partida, as redes sociais virtuais têm algo que as redes sociais não virtuais não conseguem oferecer: a falsa sensação de igualdade. A vantagem de encontrar colegas, amigos e família há muito esquecida, fazem com que estas plataformas estejam a crescer a um ritmo estonteante. Se inicialmente as redes sociais eram generalistas e dentro das mesmas os utilizadores organizavam-se como achassem melhor, hoje em dia não é assim. Temos redes sociais temáticas: os músicos juntam-se no Myspace, a Socialite Europeia agrega-se no aSmallWorld, amantes da fotografia depositam os seus trabalhos no Flickr, aqueles que pretendem criar laços laborais e criar redes de contactos profissionais registam-se no LinkedIn e todos os outros juntam-se no Facebook (a rede social com mais registos na actualidade, tendo já atingido os 750 milhões de utilizadores segundo as suas próprias estatísticas). Inicialmente colocava-se a questão de qual seria a idade indicada, ou se haveria idade indicada, para ingressar neste mundo das redes sociais. A entrada das crianças nestas redes traz problemas que até à data só existiam nos sistemas de chat, mas com a agravante de que nas redes sociais está constantemente disponível uma montra com todas as informações pessoais, fotos, gostos e muitas vezes informações sobre o círculo familiar mais próximo e o calendário de actividades diárias. Para além dos problemas com as crianças, que facilmente são vítimas de predadores que têm ao
seu dispor uma lista infindável de perfis. O Roubo de identidades foi na última década o principal crime na Internet, surge normalmente com as falsas promessas de privacidade e sigilo de dados que os clientes fornecem. Empresas como o Facebook ou o Hi5 têm apertadas medidas em relação à segurança da informação, mas nos últimos meses foram vítimas de
furtos de dados dos seus utilizadores; ao invés do que prometiam no contrato de registo, estas forneciam aos programadores de aplicações como o Farmville ou o Hitgirl dados pessoais que não deveriam ser fornecidos, tais como: nomes, moradas, telefones, datas de nascimento, entre outros. Estes dados serviam para que as empresas de software pudessem segmentar o seu mercado e publicitar as suas aplicações apenas ao target que lhes interessava. Se a tendência se mantiver, quem não tiver perfil nas principais redes sociais virtuais corre o risco de desaparecer, corre o risco de ficar fora das redes de amigos, já que, muito possivelmente, quando
chegar ao emprego no dia seguinte, todos estarão a discutir as fotos do filho de alguém, ou a falar das férias do colega novo, ou a terminar uma conversa que começou de madrugada e o “sem perfil” vai-se mantendo à margem. Em relação ao roubo de identidades, os especialistas em segurança informática estão a procurar os meios mais eficazes para terminar com a duplicação de perfis. É comum, artistas e políticos terem na rede dezenas de contas, fazendo com que a verdadeira conta, o verdadeiro perfil, aquele que realmente é gerido pelo próprio e que interessa ao público, perca o interesse porque a veracidade dos factos é posta em causa. A importância das redes sociais é tal que muitos políticos já têm colaboradores com a única função de lhes gerir as páginas de perfil. As redes sociais virtuais estão aí e para ficar, hão-de sofrer mutações, mas não irão desaparecer tão cedo. Há quem comece a substituir o uso do email por mensagens internas dentro das plataformas das redes sociais. Já há quem passe mais tempo no facebook do que com a família e os amigos de carne e osso. As redes sociais são a causa de um decréscimo da produtividade em inúmeras empresas. A utilização de sites como o Facebook ou o Hi5 já está bloqueado na maior parte das empresas, mas, mesmo com todas estas restrições o número de utilizadores cresce diariamente. Se há algum tempo era uma coisa de miúdos que passavam a vida no computador, agora é coisa de adultos! Há tantas vantagens e desvantagens que fazer a escolha acertada é complexo, para além disso não devemos esquecer a famosa frase de Aristóteles -
“Ter muitos amigos é não ter nenhum!”.
Colaboração O emergir do podcast
João Carlos Agostinho Alves 110/1996
O emergir do podcast V
ideo killed the radio star. Ou pelo menos esta era o que afirmava a frase que abria o refrão da música com o mesmo nome dos ingleses The Buggles, lançada em 1980. Concorde-se ou não com a afirmação, parece ser mais ou menos aparente que a televisão, o cinema e os jogos de vídeo, por exemplo, com a sua grande evolução registada nas últimas décadas, vieram ameaçar a rádio, ameaçando torna-la numa curiosidade do passado. Numa época em que abundam filmes no cinema e televisões em alta qualidade e em 3D é, no mínimo, compreensível a atracção que estes meios exercem, de modo particular entre os mais jovens. Até mesmo a própria oferta de música pelas rádios se viu limitada, com o acesso fácil a grandes quantidades de músicas e com meios cada vez mais acessíveis de as ouvir em todo o lado. Um bom exemplo disso mesmo é conseguido caminhando pela rua ou usando os transportes públicos, já que por todo lado abundam pessoas das mais diversas idades com headphones nos ouvidos, demonstrando isso mesmo. E quando a internet, graças à sua enorme capacidade de partilha de conteúdos e de modo extremamente fácil, poderia parecer o motor que daria o golpe de misericórdia na rádio, forneceu-lhe antes um campo de inovação e reinvenção. E eis que surge o podcast. O podcast é uma forma de partilha de conteúdos, mormente em formato áudio, através da internet. Assim, é-nos possível aceder à quase totalidade dos conteúdos programáticos que passam nas estações de modo extremamente fácil, para ouvir mais tarde no nosso leitor de mp3. São várias as estações nacionais que fazem isso mesmo, entre elas a Antena 1 ou a TSF onde, nos respectivos sites, podemos ver os diversos programas que elas passam durante o dia.
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Colaboração O emergir do podcast
Entramos assim, num campo enorme de possibilidades, e de entre elas podemos destacar o podermos ouvir diferentes programas que passam à mesma hora em diferentes rádios ou que não poderíamos ouvir em directo devido ao horário (p.e. Governo Sombra na TSF e Contraditório na Antena 1, ambos às 19h de sexta-feira) ou podermos ouvi-lo quando nos apetecer ou for mais propício, durante uma corrida, a caminho do trabalho ou em qualquer outro momento sem qualquer intervalo ou interrupção. Também as televisões se juntaram a esta forma de comunicação, em particular a televisão pública, sendo possível descarregar dos seus sítios na internet programas e entrevistas (p.e. a Grande
Entrevista, disponível tanto em vídeo como unicamente em formato mp3). Outra grande ferramenta que nos é colocada à disposição é a hipótese de aprendizagem e de conhecer conteúdos diferentes, já que ao navegar “à deriva” por este meio nos são abertas inúmeras portas. Existem inclusivamente, sites que que dedicam exclusivamente à publicação de podcast das mais diferentes áreas, que passam da história, música, aprendizagem de línguas, geopolítica, entre muitos outros. Podem ser apontados como exemplo os sites Podcast Network, Podcast Directory ou Open Culture.
Colaboração O emergir do podcast
Este último, em particular, congrega grande interesse já que é uma iniciativa conjunta de várias universidades americanas, que aqui disponibilizam os conteúdos e aulas teóricas de diferentes cursos. Mas esta é só uma expressão mais recente daquilo que é o podcast. Este formato surgiu há algum tempo com a criação de programas e conteúdos com o objectivo exclusivo de serem divulgados pela internet. O pioneiro foi o norte-americano Adam Curry, antigo VJ da MTV, que se lançou neste meio por volta do ano 2000. Actualmente tem vários programas baseados exclusivamente neste meio, sendo aquele que obtém maior destaque o No Agenda Show, que reúne alguns milhões de ouvintes um
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pouco por todo o mundo. Nele, juntamente com o colunista John Dvorak fazem uma análise e desconstrução das notícias, em particular americanas mas também europeias e mundiais. Basta, no entanto, uma curta pesquisa para encontrar os mais vários conteúdos para satisfazer os mais variados interesses. Passem eles por dar umas gargalhadas (programas como Caderneta de Cromos da Rádio Comercial ou Portugalex da Antena 1), análise da actualidade nacional (Contraditório da Antena 1 e Governo Sombra da TSF) ou internacional (Visão Global da Antena 1), por aprender música sobre música clássica (Listening to Music da Universidade de Yale) ou uma oração diária (passo a rezar), são muito vastas as possibilidades ao alcance de um clique.
Muitos destes conteúdos estão também disponíveis através do iTunes, sendo que alguns estão mesmo optimizados para esta plataforma, na medida em que coordenam o áudio com vídeo ou imagens (útil, por exemplo, nas aulas de geopolíticas disponíveis no site Open Culture, onde o som é acompanhado por mapas). Por isso, importa só dedicar algum tempo e escolher aquilo que mais nos atrai, já que a partir daí estão garantidos muitos momentos de satisfação.
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Colaboração Em Homenagem ao Capitão Nuno Simões (42/1935)
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Em Homenagem ao Capitão
Nuno Simões (42/1935)
Ginástica de aplicação militar - Festa Final de 1958
N
o Nº183 de Abril/Junho de 2011, da nossa Revista, foi publicado um pequeno texto meu em memória do Nuno Cordeiro Simões (42/1935), que foi o oficial responsável pela Instrução Militar no Colégio durante alguns anos do meu curso. Nesse texto indiquei que tencionava voltar a recordá-lo num artigo em que relataria um episódio de que ele foi um dos protagonistas, ocorrido na festa de encerramento do ano lectivo de 1957/1958. Aqui estou a cumprir a minha promessa. Corria o ano de 1958, estávamos no mês de Junho e o período das aulas tinha acabado. Só faltava fazer a festa do encerramento oficial do ano lectivo. Para os sortudos que não tinham exames seguiam-se as férias, para aqueles que tinham exames seguia-se o período de 5 estudos, de preparação para os exames. No ano de 1958 a Instrução Militar preparou um número com uma entrada de choque, para impressionar logo a assistência. Esta entrada tinha dois elementos principais. O primeiro elemento consistia na aparição em cena do pessoal que fazia a exibição a rebolar por um plano inclinado abaixo. Este plano era formado por um grande estrado de madeira apoiado na sua parte superior na trave de
umas das balizas do campo de futebol e na parte inferior no piso do mesmo campo. Para tornar esta entrada em cena mais espectacular a base em terra do plano inclinado era regada com um pouco de gasolina, a que se pegava fogo, terminando assim o pessoal a sua descida a rolar através das chamas, o que fazia subir o nível de adrenalina dos executantes e da assistência. O segundo elemento da entrada de choque consistia na transposição de uma concertina de arame farpado com o pessoal acorrer sobre a mesma. Para tornar possível esta transposição o aluno que ia à frente atirava-se de barriga para cima do arame farpado, a fazer de “capacho”, e os que o seguiam pisavam o seu corpo e saltavam para o outro lado da concertina. Para que o primeiro aluno não ficasse todo furado pelas farpas do arame da concertina, levava este um plastron da esgrima vestido por baixo do fato de combate, o que o protegia contra aquele pequeno “incómodo”. Nos ensaios para a festa a coisa foi ensaiada com todo o realismo e até correu bastante bem, o
Colaboração Em Homenagem ao Capitão Nuno Simões (42/1935)
que prenunciava uma boa exibição no dia da festa. O aluno que ia em primeiro lugar na formação era o Manuel Lucena (405/1953) por alcunha o «Matateu», que concluía nesse ano o 5º ano. Era um tipo popular no Colégio e mais popular se tornaria com o seu protagonismo neste episódio. No dia da festa estava tudo a postos. Os «papás» e as «mamãs» dos meninos não imaginavam o que se iria passar, que era singelamente anunciado como um número de ginástica de aplicação militar, tendo-se dado então início ao número de “circo”. O número começou, como previsto, com a rega com gasolina da terra na base do plano inclinado. O encarregado de tal rega era o soldado que fazia serviço na Sala de Armas e que era um auxiliar da Instrução Militar. O dito soldado era um latagão, com um ar a dar para o abrutalhado, com um QI inversamente proporcional à sua envergadura física. O homem resolveu dar mais brilho ao espectáculo, regando abundantemente a terra com gasolina, e pegando-lhe fogo de seguida. O seu intento foi plenamente conseguido. O fogo pegou com toda a força, levantou-se um “chamaréu” anormalmente alto, mas não era altura para parar, o espectáculo tinha que continuar. O «Matateu» não hesitou, atirou-se a rebolar pela rampa abaixo e deu-se o que tinha que se dar. O «Matateu» passa a barreira de chamas a rebolar e sai da mesma com o fato de combate empapado em gasolina e a arder. O Capitão Simões, que estava postado na base do plano inclinado, vê o «Matateu» em chamas e não hesitou também um momento, atirou-se de barriga para cima dele, para com o seu corpo abafar o fogo 1
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que consumia o fato de combate do «Matateu» e que também já o estava a queimar no corpo. Gerou-se a confusão, várias pessoas precipitaram-se para os ajudar e devem ter sido evacuados rapidamente, de seguida, para a enfermaria. Não me recordo bem deste último detalhe. Passado um momento de choque, não houve qualquer dúvida, o espectáculo tinha que continuar. O aluno que estava em segundo lugar na formação era o João Novais (151/1951) do 7º ano por alcunha o “Diabo” (foi o primeiro de uma geração de 5 “Diabos” todos irmãos), que era meu graduado na 2ª Companhia. O “Diabo” atira-se a rebolar pela rampa abaixo, passa sem novidade as chamas da gasolina que entretanto já tinham amainado e arranca a correr para a concertina de arame farpado. Aí chegado, apesar de não ter qualquer protecção contra o arame farpado (o «Matateu» era o único que a tinha mas já estava fora de cena), não vacilou e atirou-se de peito para cima da concertina. Ali ficou ele, estendido sobre a mesma, com a restante formação a correr a passar por cima do seu corpo feito “capacho” e com as farpas do arame a cravarem-se mais e mais no seu peito e na sua barriga. No final teve de ser retirado de cima da concertina, pois já não estava em condições de lá sair pelos seus próprios meios. Não ficou também em bom estado. O «Matateu» e o Capitão Simões recolheram ao Hospital da Estrela, para serem tratados das suas queimaduras. Constou que teriam ficado a partilhar o mesmo quarto. O “Diabo” ficou-se pela Enfermaria do Colégio, a recompor-se das chagas que enfeitavam o seu peito, quais condecorações. Os alunos participantes nesta memorável sessão de Ginástica de Aplicação Militar foram todos louvados, tendo o «Matateu» e o “Diabo” tido direito a louvores individuais. Em pesquisa efectuada nos arquivos do Colégio consegui encontrar esses louvores, que são reproduzidos no final deste artigo (1). Não consegui encontrar qualquer louvor ao Capitão Simões. Estava convencido que tal louvor teria existido, mas parece que me enganei. Seria um louvor justíssimo, face ao espírito de sacrifício de que deu provas. Este episódio que nos dias de hoje seria politicamente incorrecto, que poria os paizinhos das criancinhas em estado de choque e que seria avidamente recebido pelos “médias” para mais uma oportunidade de ataque ao Colégio, é um episódio que considero exemplar. Nele se revelou o sentido do dever, a capacidade de decisão, a coragem física e o espírito de sacrifício que o Colégio transmite aos seus alunos. São estas e outras virtudes igualmente importantes, que fazem o «Espírito do Colégio», que os antigos alunos levam dentro de si até ao fim dos seus dias. Aos três actores principais deste episódio rendo as minhas homenagens. Dos três já só o «Matateu» está entre nós. Ainda muito recentemente apresentou a sua prova de vida, enviando-nos a sua fotografia de Miami, onde celebrou o 3 de Março a dois, em conjunto com o António Inácio Quelha (677/1972). Para o «Matateu» e já agora também para o 677, que não conheço, aqui vai o nosso abraço, com os desejos das maiores felicidades lá por terras do “Uncle Sam”. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
- Ordem de Serviço do Colégio Militar de 28 de Junho de 1958
LOUVOR • Que por proposta do Senhor Instrutor Militar louvo os alunos números 12- Seabra Gomes, 19- Correia Tiroa, 49- Pinto Simas, 75- Rodrigues Nascimento, 79- Leal Robles, 128- Bruno Soares, 132- Bentes Penedo, 174- Mota dos Santos, 210- Sanches Osório, 216- Alves Monteiro, 222- Leal da Costa, 241- Leite Ginja, 269- Velez Caldas, 295- Almeida Faria, 322- Heitor Lavrador, 395- Reis Araújo e 396- Reis Araújo, componentes de uma classe de ginástica de aplicação militar, por no decorrer da execução de um exercício, perante a assistência de Sua Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional e Sua Ex.ª o Subsecretario do Exército, de altas patentes do Exercito e de numeroso público, souberam dominar o pânico causado por um acidente, dando provas de elevado moral e coragem, qualidades estas dignas de menção e que são timbre dos alunos deste secular estabelecimento de ensino. • O aluno nº 405 Manuel Lucena, porque tendo voluntariamente participado numa classe de ginástica de aplicação militar a apresentar pelos alunos do 7º ano, na Festa de Encerramento dos Trabalhos Escolares do presente ano lectivo e constituindo um dos exercícios da lição o atravessar de chamas em marcha rolante, prontificou-se a ser o primeiro a atravessá-las de modo a que não se quebrasse a sequência dos exercícios, preocupando-se ainda, não obstante as dores das queimaduras que sofreu como consequência da sua corajosa atitude, em saber se alguém o tinha substituído num outro exercício que se seguia e que também exigia coragem e decisão. Pelo seu procedimento demonstrou o referido aluno grande coragem, elevada moral e nítida compreensão do dever de prestigiar o Colégio digno de menção. • O aluno nº 151 Leite Novais por no decorrer da exibição de uma classe de ginástica de aplicação militar durante a festa de encerramento dos Trabalhos Escolares do corrente ano lectivo, em face de um acidente que atingiu um seu camarada e que poderia ter provocado o abaixamento moral dos alunos da classe, soube manter o sangue frio e, dando mostras de coragem e decisão, o substituiu num exercício que consistia em lançar-se sobre uma concertina de arame farpado, apesar de não ter a devida protecção, o que lhe causou alguns ferimentos, conseguindo com o seu entusiasmo arrastar os seus camaradas e evitar a quebra de sequência da referida exibição. Pela sua atitude revelou o referido aluno elevada moral, muita coragem e entusiasmo no cumprimento do dever de prestigiar o seu Colégio digno de respeito.
Nota final: Alguns dias mais tarde o 151 era de novo louvado em Ordem de Serviço pela ajuda que prestou aos seus camaradas, durante o período dos 5 estudos, na sua preparação para os exames finais. Era de facto um verdadeiro Menino da Luz.
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas Alcínio Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930)
Alcínio era o nome que todos utilizávamos quando nos referíamos a ele. Umas vezes antecedido por Coronel, outras vezes não, mas sempre com uma sentida nota de simpatia e consideração por um comandante com o qual toda a gente trabalhava por gosto. Nascido em 16 de Julho de 1918, na Guarda, entra para o Colégio em 1930 com o número 43, tendo aqui concluído o ensino secundário em 1937. No último ano, foi comandante da 7ª Companhia de Alunos. Em 1940 alista-se como voluntário no Exército, tendo sido promovido a alferes miliciano em 15 de Setembro de 1941 no Regimento de Infantaria de Setúbal.
Nesta altura destaca-se como jogador de futebol no Comércio & Indústria (em Setúbal) e mais tarde no Vitória de Setúbal, antes de ser mobilizado para os Açores durante a II Grande Guerra Mundial. Em 1945 é admitido na Escola do Exército, onde conclui com êxito o Curso de Cavalaria. Colocado na Escola Prática de Cavalaria, aí é sucessivamente promovido a tenente e capitão, tendo desde logo dado nas vistas o seu desembaraço físico. Com efeito, encarregado de treinar a equipa representativa da EPC no Campeonato de Ginástica de 1952, conduziu a equipa à vitória no âmbito da 3.ª Região Militar e conseguiu o 3.º lugar, então como representante da mesma Região Militar, no Campeonato Nacional. Em 1955 oferece-se para prestar serviço nas Tropas Pára-quedistas, tendo obtido o seu brevet juntamente com a primeira leva de voluntários, em Alcantarilla, Espanha.
É colocado no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, em Tancos, onde desempenha funções de 2.º Comandante interino até 1958. Em Maio de 1961 assume o comando do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 21, em Luanda, tendo aí desenvolvido notável actividade durante cerca de dois anos. Foi nesta cidade que eu, jovem alferes, conheci o Tenente-coronel Alcínio e o seu filho António Vitor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968, claro!), a quem todos tratávamos por Tarzan. Tinha na altura 6 ou 7 anos e era uma alegria vê-lo na praia da Ilha a fazer pinos, flic-flacs e outras acrobacias, actuando sozinho ou com o pai baboso a servir de base. Voltei a encontrar o então coronel Alcínio em 1970, como Comandante do Comando de Agrupamento Operacional n.º 1 (CAOP 1), com sede em Teixeira Pinto, na Guiné.
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Aos cinquenta e dois anos mantinha, sem descurar as responsabilidades e os objectivos da função, o comportamento franco e jovial que o distinguia desde os seus primeiros tempos de oficial. Sempre que podia, punha o pára-quedas às costas, subia para um DO-27 e, perante o entusiasmo delirante da miudagem (e por que não dizê-lo, também dos militares dessas guarnições isoladas), saltava em queda-livre sobre um dos pequenos aquartelamentos que integravam o Comando Operacional a seu cargo. Nestas funções, que ele levava muito a sério e às quais se dedicava com a determinação dum verdadeiro chefe, acompanhava com frequência as unidades operacionais nas missões de combate, dando com isso um exemplo que muito o prestigiava aos olhos dos seus subordinados. Foi substituído em 1970 no comando do CAOP1 pelo Coronel Rafael Durão (11/1941). Depois, e até ao 25 de Abril de 1974, foi colocado na Direcção do Serviço de Instrução da Força Aérea, deslocando-se todos os anos às unidades de Pára-quedistas no Ultramar, permanecendo entre 2 a 3 semanas em cada uma delas, para se inteirar das suas necessidades operacionais. Na sequência do 11 de Março de 1975, foi nomeado Comandante do Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos, com a finalidade expressa de controlar os ânimos azedados pelos acontecimentos. É deste período a peripécia recordada mais à frente pelo Tenente-Coronel Cardoso e Castro. Em Julho de 1975 passa à reserva por ter atingido o limite de idade. Quando, no decurso dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, General Morais e Silva, lhe pede para ir a Tancos falar com os “revoltosos”, não hesita, e segue acompanhado apenas pelo condutor da viatura em que se deslocou. É recebido com honras militares, dorme em Tancos de 26 para 27 de Novembro e tem diversas reuniões com a comissão de sargentos, os quais acabam por pôr termo ao movimento. Tendo sido agraciado com várias condecorações, entre elas a medalha de Serviços Distintos com Palma (Angola) e a medalha de Valor Militar com Palma (Guiné), atribuídas por motivo de situações de combate, sempre foi defensor duma máxima de Winston Churchill segundo a qual “as condecorações não se pedem, não se recusam, mas não se usam”. Por isso nunca usou nenhuma condecoração quando fardado. Morre em 2 de Março de 1980 (Domingo), precisamente na altura em que o Colégio Militar desfilava na Avenida da Liberdade.
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Os sete Comandantes de Companhia em 1936-37 (da 1ª à 7ª da esquerda para a direita). Alcínio Ribeiro é o Comandante da 7ª Companhia
É sepultado no dia seguinte, tendo-se cumprido o seu desejo de fazer uso de traje civil e com a Barretina na lapela, como usava sempre. Por curiosidade: ele foi o 43/1930, o seu filho António Vitor Reynaud da Fonseca Ribeiro foi o 43/1968 e um dos filhos deste, o Salvador Teixeira Beirão Reynaud Ribeiro, foi o 43/1999. Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Coronel Alcínio Ribeiro Por razões conhecidas, o Senhor Coronel foi colocado a comandar o RCP na altura mais conturbada. Nessa altura existia uma lista de oficiais considerados suspeitos no processo do “11 de Março”, da qual eu fazia parte, e que se encontravam detidos no quartel a aguardar ordens do COPCON. A instabilidade psicológica grassava neste grupo, pois desconhecia-se quais seriam as consequências. As hipóteses menos agradáveis ventiladas com alguma frequência eram duas: prisão de Caxias ou fuzilamento! Eu era um jovem tenente, discordante de todas as tropelias praticadas pelos surpreendentes “democratas” que ainda hoje me atormentam. Numa tarde em que as novidades foram menos boas, dirigi-me ao Clube de Oficiais para tomar uma bebida, e, no Clube, estavam o Senhor Comandante Alcínio Ribeiro, só, em atitude serena, e num outro sofá o Major P... em conversa com o Capitão Preto. Não me tendo agradado a visão do dito Major, disse-lhe em tom ameaçador, de dedo apontado para ele: “se houver por aí algum rato que me queira pôr em Caxias eu irei sim, mas de pés para a frente, e só depois de limpar o sarampo a esse ou a esses ratos que por aí andam”. Após tal declaração dirigi-me ao bar, bebi uma imperial e saí porta fora. Refira-se que durante a cena o Senhor Comandante manteve a serenidade e não fez qualquer comentário. Passados alguns minutos, já no alojamento de oficiais, fui abordado por um companheiro de desdita que testemunhou a cena mas de cuja presença eu não me tinha apercebido. Muito razoavelmente, chamou-me a atenção para o facto de o Comandante ter assistido à ocorrência e de que eu não teria sido correcto em virtude da sua presença. Reconheci de imediato e, no mesmo dia, passadas algumas horas, dirigi-me ao Senhor Coronel Alcínio Ribeiro pedindo-lhe desculpa pelo sucedido. Ouviu serenamente as minhas desculpas e com toda a calma disse-me: “não ouvi nada do discurso que você fez, no entanto quero dar-lhe um conselho: você agora está na mó de baixo, portanto deve andar muito caladinho e logo que esta tempestade amaine, você agarra numa marreta e rebenta os cornos a estes cabrões, porque é disso que eles estão a precisar!” João António de Albuquerque Cardoso e Castro Tenente-Coronel Pára-quedista reformado
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
LISTA DE ANTIGOS ALUNOS QUE SERVIRAM NAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Publicamos novamente a lista de Antigos Alunos que serviram nas Tropas Pára-quedistas, por terem sido adicionados novos nomes em falta na que foi publicada no número 183 da ZacatraZ. Alcino Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930) - falecido Rafael Ferreira Durão (11/1941) – falecido Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Luís Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira (385/1949) Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951) António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - falecido Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961) Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964) Nuno Rolando Fernandes Thomaz Ferreira (496/1967) António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) Vítor Manuel Batista Leitão (261/1968) António José de Rogado Serra (521/1968) Reprodução de postal enviado pelo Coronel Alcínio Ribeiro (43/1930) para o seu Filho Victor Ribeiro (43/1968) que se encontrava no Colégio e que mais tarde também serviu nas Tropas Pára-quedistas. Este postal foi enviado de Teixeira Pinto, onde o Coronel Alcínio fora colocado como Comandante do CAOP 1.
José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) João Francisco Braga Marquilhas (132/1969) Nuno Miguel de Azevedo Mafra Guerra (171/1969) Pedro Luís da Câmara Santa Bárbara (512/1969) Luís António de Lima Tinoco Tovim (566/1969) Paulo Renato Faro Geada (574/1970) Nuno Maria Rocha e Melo de Castro (648/1970) José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho (407/1971) Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972) Daniel Henrique Andrade de Carvalho (661/1972) Luís Filipe Pinto Cavaleiro (445/1973) Jorge Manuel Campos de Lima Gonçalves Damásio (487/1973) Frederico Manuel Assoreira Almendra (604/1973) Luís Filipe da Silva Malheiro de Passos Ramos (3/1974) Boanerges Fernando Macedo Lobato de Faria (258/1974) José Eduardo Cacela Pesquinha da Silva (404/1974) Rui Manuel Silva Ribeiro Pedro (689/1974) José António Nobre Pires (646/1979) Hugo Ribeiro da Silva Pugsley Inocêncio (92/1991)
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Nota da Redacção: Este texto da autoria de António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) ao tempo no 4º ano, mais tarde Ten Pára-quedista morto em combate evocado no passado número da ZacatraZ, foi publicado na Revista “O Colégio Militar” Nº 100 de Julho de 1955. O texto em si e a nota à margem constituem referências bem elucidativas do seu carácter e da sua sensibilidade.
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram José Fernando Belo da Costa Cascais (105/1936) Oficial do Exército – Coronel de Infantaria (Reformado) Nasceu em 1925 - Faleceu a 4 de Agosto de 2011
Rui Francisco Corte-Real Negrão (213/1944) Oficial da Armada – Capitão de Mar e Guerra Nasceu a 16 de Abril de 1934 - Faleceu a 16 de Julho de 2011
Manuel Ricardo Baião Horta da Franca (33/1945) Gestor Faleceu em Julho de 2011
Abel José Azevedo de Lorena Gil de Matos (317/2001) Faleceu em Junho de 2011
Gustavo Taboada Monteiro (409/2001) Nasceu a 18 de Dezembro de 1989 - Faleceu a 16 de Janeiro de 2011
Gustavo… Tu foste, tu és, e serás sempre a maior referência, a maior imagem, o maior exemplo presente na minha vida. É um privilégio para mim ter tido a oportunidade de poder viver contigo estes anos. Falar de ti é um verdadeiro turbilhão de emoções. É uma mistura de orgulho por aquilo que representas e uma saudade enorme por não estares fisicamente presente ao lado daqueles que tanto te amam. O teu carácter forte e determinado, aliado à tua bondade infinita deixaram uma marca bem presente e profunda em todas as pessoas com quem conviveste. Apesar de todos os obstáculos que foram aparecendo na tua caminhada, sempre soubeste ultrapassá-los como ninguém, mostrando-nos a cada dia como lidar com a tua doença. Onde muitos se teriam revoltado, tu ensinaste-nos a sorrir e a ser felizes, e como fomos felizes ao teu lado… Igual a ti mesmo, sempre foste um verdadeiro Menino da Luz, dentro e fora do Colégio, sendo um verdadeiro modelo a seguir para todos ao teu redor. Sempre tiraste o melhor de tudo. Tanto das diversas situações que viveste, como das pessoas que foste encontrando na tua breve, mas recheada vida. Com a tua partida, ficamos todos mais pobres. Ficamos mais pobres pois não temos mais as tuas palavras de calma recheadas de saber. Ficamos mais pobres pois não temos mais o teu sorriso, sempre tão fácil e por vezes maroto que tantas vezes nos fez ganhar o dia, ou serviu como calmante nos nossos corações. Ficamos mais pobres pois perdemos o nosso irmão, o nosso amigo, o nosso Gustavo. Agora, resta lembrarmo-nos de ti com alegria por fazeres parte da vida de todos nós. Uma parte tão importante que nunca será, nem pode ser, esquecida. És realmente uma pessoa muito, muito especial… Termino com a certeza que as ligações que nos unem são bem mais fortes do que a distância que, neste momento nos separam, e com a convicção que nos encontraremos um dia. Em nome de todos aqueles que sentem a tua falta, um grande abraço e um forte Zacatraz. O teu Irmão Raphael Taboada Monteiro 401/2001