Editorial Revista “ZACATRAZ”
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Presidente da Direcção António Saraiva de Reffóios (529/1963)
Editorial Escola Primária no Colégio Militar
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ma excelente notícia! Uma grande responsabilidade! Um compromisso da AAACM! Como já tivemos oportunidade de divulgar na Newsletter do passado mês de Abril, o CEME e a Direcção do Colégio Militar tomaram a decisão de integrar no âmbito do seu projecto educativo o 1º Ciclo do Ensino Básico, do 1º ao 4º Ano de escolaridade - Escola Primária - já a partir do próximo ano lectivo de 2011/2012. Tal como foi então anunciado, esta Escola funcionará dentro das instalações do Colégio, e poderá ser frequentada por crianças a partir dos 6 anos de idade, de ambos os sexos, em regime de externato. Em termos de admissão, será dada prioridade a filhos de Militares e Funcionários Civis com vínculo ao Ministério da Defesa Nacional e filhos de Antigos Alunos do Colégio Militar, bem como aos que tenham irmãos matriculados no Colégio Militar e outros Estabelecimentos de Ensino Militares. É sem dúvida uma excelente notícia. Assim, saúda-se esta decisão, que corresponde a uma das medidas consideradas estratégicas para a desejável e inadiável mudança que acreditamos ser indispensável para tornar o nosso Colégio mais atractivo para a sociedade de hoje, sem naturalmente prescindir dos aspectos estruturantes, valores e identidade que o conformam há mais de dois séculos de existência, e de que todos nos orgulhamos. Lembramos, a este propósito, que esta mesma medida consta, entre outras, do Documento que em Abril de 2010 foi apresentado e entregue ao CEME, fruto de uma iniciativa lançada pela anterior Direcção da AAACM - denominada “ Vamos Apoiar o Colégio “- que contou com a colabora-
ção de muitos Antigos Alunos e foi, em devido tempo, sufragada pelo Conselho Supremo, e posteriormente aprovada por unanimidade em sede de AG da AAACM, documento esse aliás amplamente divulgado na Revista Zacatraz nº 180 de Julho / Setembro de 2010. Na verdade, dos estudos recentemente realizados junto de Pais com filhos com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos de idade da zona da Grande Lisboa, realizados com o apoio de entidades credenciadas para o efeito, a possibilidade da “continuidade” emerge como um dos factores mais relevantes na selecção do estabelecimento de ensino para os seus filhos em idade de ingressar no 1º Ciclo do Ensino Básico, e assim, esta medida contribuirá decisivamente, estamos certos, para alargar a base de recrutamento de novos Alunos, tão necessária quer à imperiosa melhoria da qualidade dos candidatos, quer à rentabilização da infra-estrutura actualmente existente. Nesta ocasião, e ainda a este propósito, importa também salientar que o acesso privilegiado a estabelecimentos de Ensino Superior, o programa desportivo ministrado, e a qualidade do ensino hoje escrutinada através dos “rankings” estabelecidos em função do aproveitamento dos Alunos são considerados, por mais de três quartos dos entrevistados nos estudos já referidos, como determinantes, ou muito relevantes, no momento da sua decisão. Consideramos assim que a adopção desta medida por parte da Tutela Militar e actual Direcção do Colégio Militar - as entidades que têm o privilégio de dirigir uma Instituição tão prestigiada quanto é o nosso Colégio - é, pelo atrás expos-
to, reveladora de um sentido de oportunidade com que nos regozijamos. Mas, estamos cientes também que a natureza do projecto em causa, o seu valor estratégico e as expectativas que legitimamente suscita, representam, exactamente pelas mesmas razões, uma responsabilidade histórica que não pode ser indiferente a Todos aqueles que vulgarmente designamos como Família Colegial. Neste sentido, a actual Direcção e demais Corpos Sociais da AAACM, para além de saudarem e congratularem-se com esta iniciativa, assumiram, desde logo, o compromisso de colaborar na sua divulgação entre a Comunidade de Antigos Alunos, o que foi feito através da Newsletter e é agora motivo para este Editorial. Por outro lado, consciente da valia do contributo que a Comunidade de Antigos Alunos pode prestar a tão ambicioso projecto, a Direcção da AAACM transmitiu, de forma inequívoca, quer ao Director do CM, Coronel Tirocinado Cóias Ferreira, quer posteriormente ao CEME, General Pinto Ramalho em audiência que amavelmente nos concedeu no passado dia 20 de Maio, a sua disponibilidade em colaborar, de forma leal e empenhada, no desenvolvimento desta iniciativa nos termos em que aqueles responsáveis e respectivas entidades que tutelam o Colégio Militar assim entendam. É mais um desafio que abraçaremos com a alegria, determinação e sentido do dever próprios daqueles para quem a preservação da imagem e prestígio do Colégio e a sua afirmação no futuro não são negociáveis.
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Ficha Técnica
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário
Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980
DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987
Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Nº 183 - Abril/Junho - 2011 45° Ano FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva (53/1961) Vasco Santos Pinheiro (254/1982) João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Mário Maria Duarte Afonso Camões (401/2000)
CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente
José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960
CAPA NUNO de BÍVAR (121/1943), aos 78 anos saltando o obstáculo Nº 6 no Concurso da Semana Equestre Militar de 2011 Foto: Paulo Marques
ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar
ARTIGOS À VENDA NA AAACM
MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307
PUBLICAÇÕES
TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224 DESIGN e EXECUÇÃO GRÁFICA
PREÇO: 25 €
PREÇO: 12 €
PREÇO: 6 €
PREÇO: 25 €
PREÇO: 5 €
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €
Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar
PREÇO: 12 €
PREÇO: 3 €
50 €
II Volume da História do Colégio Militar
50 €
III Volume da História do Colégio Militar
35 €
O Espírito do Colégio Militar
60 €
Os Jardins do Colégio Militar
35 €
Raiva e Luz
10 €
Qualquer dos produtos pode ser adquirido na Secretaria da AAACM, assim como polos, t-shirt, emblemas, etc...
Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.
Sumário
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Dos Antigos Alunos
07 Conselho Supremo 08 Constituição do Conselho Supremo 09 Não os esquecemos 10 Antigos Alunos em Destaque 20 Medalaha do Pacificador 21 Taça General António
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Dos Antigos Alunos
Discurso de posse do Presidente da Direcção
Xavier Correia Barreto
22 Entrevista a Nuno Bívar 24 3 de Março 28 O Jantar do Oeste na Quinta do Castelo
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Todos diferentes... mas todos iguais
Do Colégio
Dos Antigos Alunos
34 “Meninos da Luz” vencem a
Antigos Alunos em Destaque
4º Edição do concurso N@Escolas
Colaboração
36 Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
41 Ainda o Marechal Gomes da Costa 43 Projecto - Fim do Império 44 Genética Animal 45 Portugal e as suas Línguas 49 Biossegurança
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Do Colégio
Projecto “Livros para Cabo Verde”
Recordando
53 Recordações dos meus tempos do Colégio 58 Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas 61 Recordando o tempo passado 62 Os que nos deixaram
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Colaboração
Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
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Dos Antigos Alunos Discurso de posse do Presidente da Direcção
Discurso de posse do Presidente da Direcção Não foi apresentado qualquer Programa pela Direcção agora empossada, a qual trabalhará em 2011 com base no Orçamento aprovado nesta Assembleia Geral de 9 de Março de 2011. Contudo, e a exemplo de anos anteriores, gostaria todavia de vos deixar, em nome da Direcção que acaba de ser eleita, em breves minutos, uma mensagem onde procurarei resumir em linhas gerais, o que apelidamos de “Compromisso para o triénio de 2011-2013 sob o signo da Continuidade e Renovação”.
A composição das Listas que integram os Corpos Sociais da AAACM agora eleitos para o triénio de 2011-2013 reflecte desde logo um compromisso de Continuidade relativamente ao trabalho desenvolvido nos últimos anos, em particular pela Direcção liderada pelo Martiniano Gonçalves (9/1958) mas também, a convicção das oportunidades que uma Renovação sempre oferece.
Dos Antigos Alunos Discurso de posse do Presidente da Direcção
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composição das Listas que integram os Corpos Sociais da AAACM agora eleitos para o triénio de 2011-2013 reflecte desde logo um compromisso de Continuidade relativamente ao trabalho desenvolvido nos últimos anos, em particular pela Direcção liderada pelo Martiniano Gonçalves (9/1958) mas também, a convicção das oportunidades que uma Renovação sempre oferece. A Continuidade é garantida quer pela partilha dos Fundamentos da AAACM, do seu Funcionamento e Missão, quer pela presença de um conjunto significativo de Antigos Alunos que transitam dos Órgãos Sociais que agora terminaram o seu mandato. A Renovação é assegurada sobretudo por uma presença significativa Antigos Alunos de gerações mais novas, mas também por uma desejável diversidade. No tocante aos Pilares em torno dos quais se regerá a actividade da Associação importa salientar que a mesma será sempre norteada tendo como fim último a promoção e fortalecimento da união entre Todos os Antigos Alunos do Colégio Militar, no estrito cumprimento dos Estatutos da AAACM, no respeito intransigente pelas Tradições do Colégio e no compromisso solene de uma colaboração atenta e leal com a Direcção do CM e respectiva Tutela. Enquanto Associação sem fins lucrativos mas com responsabilidades assumidas que se deseja de âmbito cada vez mais abrangente e perene, é vital dotar a mesma dos meios indispensáveis à sua actividade de forma sustentável e devidamente estruturada. Muito embora o actual modelo de Funcionamento reflicta já estes quesitos, é também uma realidade, já reconhecida por anteriores Direcções, que a situação merece uma particular atenção. Na verdade, a Sustentabilidade do modelo, no plano organizativo, passará pelo reforço da actual equipa administrativa, com uma clara segregação e especialização de funções entre os responsáveis pelas diferentes actividades e um reporte estruturado junto dos elementos da Direcção responsáveis pelos distintos pelouros. No plano Financeiro, será também indispensável um reforço das receitas
com carácter regular e de maior previsibilidade, nomeadamente as provenientes quer da quotização, quer da exploração do património a cargo da Associação. Para este efeito, o aumento dos Associados e a criação de condições para a exploração de áreas do património ainda não concessionadas serão uma prioridade neste domínio. As Comissões de Novos Antigos Alunos e do Património Quartel da Formação assumirão a liderança destes processos. No tocante ao Modelo de Actuação, nada de novo quanto ao reconhecimento das entidades e /ou organizações com as quais a Direcção da AAACM mantém uma relação privilegiada, nomeadamente
...tendo em conta o “deficit” evidente no que respeita ao conhecimento quer da Associação, quer do seu papel, por parte da sociedade civil em geral, e até junto da comunidade de AA do CM, é crítico o desenvolvimento de um Plano de Comunicação por forma melhorar esta realidade.
a Comunidade de Antigos Alunos do CM, o Conselho Supremo da AAACM, a Direcção do CM e respectiva Tutela, a Associação de Pais dos Alunos do CM, os demais estabelecimentos de Ensino Militares, e as Associações dos AA dos Institutos de Odivelas e dos Pupilos do Exército. Porém, e tendo em conta o “deficit” evidente no que respeita ao conhecimento quer da Associação, quer do seu papel, por parte da sociedade civil em geral, e até junto da comunidade de AA do CM, é crítico o desenvolvimento de um Plano de Comunicação por forma melhorar esta realidade. A Comissão de Comunicação, assumirá a responsabilidade deste processo. A Missão da AAACM, tal como a entendemos, é aquela que decorre dos seus Esta-
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tutos e se pratica desde a sua criação em 1903, e que se traduz no Apoio ao Colégio e Solidariedade. Quanto ao Apoio ao Colégio esta Direcção subscreve na íntegra o conteúdo das propostas que em Abril de 2010 foram apresentadas ao CEME, fruto de uma iniciativa lançada pela anterior Direcção denominada “ Vamos Apoiar o Colégio “, que contou com a colaboração de muitos AA, e que em devido tempo foram sufragadas quer pelo Conselho Supremo, quer pela AG da AAACM, e posteriormente divulgadas quer através da nossa Revista da Associação, quer em diversas intervenções feitas desde aquela data, pelo Presidente da Direcção cessante. A este respeito, cumpre-nos todavia, nesta ocasião, reforçar a nossa firme disposição em contribuir, conjuntamente com as demais entidades, nomeadamente da Direcção do CM e Associação de Pais dos Alunos do CM, para que sejam postas em marcha as iniciativas e medidas então apresentadas com carácter de urgência, nomeadamente, as que respeitam à necessidade de introduzir uma gestão pedagógica especializada como forma de melhorar o nível de aproveitamento dos Alunos, a reformulação urgente da política de mensalidades e condições de acesso às Academias Militares como forma de atrair mais candidatos (em particular filhos de Militares e de Antigos Alunos), e a revisão do modelo de funcionamento interno e de intervenção dos Graduados como forma de garantir a segurança dos Alunos e uma liderança mais eficaz. Embora compreendendo que a natureza de alguns dos aspectos que fazem parte integrante da Visão desejada para o Colégio, em particular os relacionados com o âmbito do ensino, o seu regime e utilização das suas infra-estruturas, sejam susceptíveis de uma avaliação que está por fazer, não deixaremos de porfiar para que esta mesma Visão possa constituir a matriz de desenvolvimento futuro do Colégio. Relativamente a esta dimensão, creio ser evidente para todos os que estão ligados ao CM que a figura do seu Director será determinante para que se possam levar a cabo as iniciativas e medidas que en-
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Dos Antigos Alunos Discurso de posse do Presidente da Direcção
Embora compreendendo que a natureza de alguns dos aspectos que fazem parte integrante da Visão desejada para o Colégio, em particular os relacionados com o âmbito do ensino, o seu regime e utilização das suas infra-estruturas, sejam susceptíveis de uma avaliação que está por fazer, não deixaremos de porfiar para que esta mesma Visão possa constituir a matriz de desenvolvimento futuro do Colégio. tendemos se impõem. O esforço visível e sério que o actual Director (que não é AA) tem vindo a fazer para conhecer e entender o Colégio, a sua vida e o seu espírito, são, sem margem para dúvidas, um sinal evidente de que estarão criadas as condições para uma colaboração leal e eficaz em prol da desejada melhoria do nosso Colégio. No que respeita à Solidariedade, queremos, sem hesitações, manifestar o nosso firme propósito em trabalhar no sentido de definir, promover e liderar um modelo que possa corresponder aos anseios da nossa Associação numa matéria que nos é tão cara e tão necessária nos tempos difíceis que estamos a atravessar. Sabemos da existência de um número crescente de AA que estão a passar dificuldades. De outros nem teremos porventura conhecimento. Assim, e no curto prazo, esta circunstância exige que estejamos alerta e mobilizados para poder ajudar os que precisam, seja na forma de donativos, seja de acções coordenadas pela Direcção através da Comissão de Solidariedade.
A esta Comissão de Solidariedade caberá também a tarefa prioritária de estudar e propor à Direcção um modelo em que estejam claramente definidos o seu âmbito, fontes de financiamento e afectação dos recursos. Como medidas a ponderar desde logo,
Temos a noção clara do excelente trabalho e resultados da Direcção que nos antecedeu. Congratulamo-nos com isso, e desde já assumimos o compromisso de honrar essa herança, forma maior de mostrar a nossa gratidão. uma sensibilização e comunicação entre a Comunidade de AA, a constituição de uma Base de Dados para este efeito, uma quotização suplementar e, naturalmente, a rentabilização do património. Temos a noção clara do excelente tra-
Antigo Aluno usa a Barrtina
balho e resultados da Direcção que nos antecedeu. Congratulamo-nos com isso, e desde já assumimos o compromisso de honrar essa herança, forma maior de mostrar a nossa gratidão. Neste momento, cumpre-me também, com gosto, fazer um agradecimento sentido ao Martiniano Gonçalves pelo seu contributo para que esta lista fosse uma realidade! Num registo mais pessoal, quero agradecer a Todos os que me acompanham nesta viagem que agora se inicia. Todos foram e são uma primeira escolha. Todos me mostraram uma total disponibilidade e confiança. Sinto-me muito honrado e motivado para levar por diante tamanho desafio e assim ser merecedor da confiança que Todos em mim depositaram. Bem hajam. Presidente da Direcção António Saraiva de Reffóios 529/1963
SOLIDARIEDADE
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
“POR FAVOR NÃO DESISTAS” porque nós não desistimos de ti.
LIGA: 919 671 787
Dos Antigos Alunos Conselho Supremo
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Conselho Supremo N
a Assembleia Geral do passado dia 25 de Março foi eleito para o Conselho Supremo o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) que nesta data cessou as funções de Presidente da Direcção da AAACM. A sua devoção à causa do Colégio e dos Antigos Alunos e a tenacidade já demonstrada para enfrentar os desafios que lhe são postos, são garantia de que neste Órgão Estatutário irá desenvolver trabalho de mérito na defesa e consolidação da Família Colegial. Aqui fica o registo da sua eleição e do seu curriculum com os desejos dos maiores êxitos na nova missão que lhe foi confiada.
Martiniano Nunes Gonçalves, Engenheiro Mecânico, nascido em Lisboa em 1948 . A) Formação e Actividade Académica Colégio Militar - 1958-1965; Comte da 4ª Companhia – nº 9 IST Engenharia Mecânica - 1965-1971 Universidade Lourenço Marques, ISCTE e ISCEF - Economia - 1971 - 1975 Monitor do IST de 1969 a 1971, Regente da Universidade de Lourenço Marques (Eng. Mecânica) 1971-72 e do ISCTE (Gestão e Administração de Empresas) de 1972 a 1975. B) Actividade empresarial em Portugal
C1 - fora de Portugal 1973 -1993 - Base: Paris
B1 - Entre 1973 e 1976 criou e desenvolveu um grupo de 9 empresas operando nas áreas do projecto de arquitectura e engenharia, comercialização de produtos farmacêuticos, publicidade, publicações técnicas, e indústrias de cerâmica, metalomecânica e electricidade.
Director Geral Estrangeiro do Grupo CERIC (Paris) - construção de fábricas de cerâmica - para as empresas não francesas (Presidente das sociedades do Grupo em Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Egipto, Irão, Tunísia, Argélia, Marrocos, Brasil, Venezuela, e responsável da área de negócios na URSS)
B2 -lnvestwood SA - de 1999 a 2002 - Presidente do Conselho de Administração e CEO (Holding de um grupo industrial de 14 empresas, nas áreas da alimentação e dos painéis de madeira resultante da cisão do MBO realizado ao Grupo TAGOL (Mendes Godinho). B3 -Centro Médico Renascimento SA - desde 2000 - clínica médica – Administrador B4 -DM, SA (desde 1980) e SQUIZE, SA (desde 2002) – Presidente do Conselho de Administração - Gestão de participações sociais, Indústrias alimentares, serviços de gestão e consultoria e Imobiliária C) Actividade como Gestor
C2 Em Portugal de 1973 até ao presente C21 1973-1983 Ceríc Portuguesa - Gerente Director Geral C22 1982-1993 Grupo INC - Director Geral de um Grupo de empresas na área do comércio automóvel, (Ford, SEAT), rent-a-car, lubrificantes AGIP, Imobiliária C23 1993-1999 - TAGOL SA - Presidente do Conselho de Administração e CEO de um grupo de 32 empresas maioritariamente industriais (oleaginosas, madeiras, alimentar, trading, ... )
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Dos Antigos Alunos Constituição do Conselho Supremo
C24 2004-2007 - PME Investimentos SA - Sociedade de Investimentos / gestora de fundos / capital de risco - Administrador com o pelouro das áreas de investimentos e controle de participadas. C25 desde 2009 - MGS SGPS - Administrador Delegado de um grupo de 12 empresas (serviços e industriais) com filiais na Suíça, Espanha, Inglaterra e Grécia. D) Actividade como Consultor e Investidor fora de Portugal Como Consultor e empresário nas áreas da recuperação de empresas, fiscalidade e operações financeiras de aquisições, fusões e investimentos, para além de cerca de 24 anos de actividade em Portugal, participou no estrangeiro em missões do Banco Mundial em Moçambique, realizou investimentos nomeadamente em França (operações de capital de ris-
co, startups industriais (Europacte-Lyon, Viveris Management-Marseille, Sodesa - Grenoble, EDF Partenaires - Paris, Charbonnages de France Grenoble), Bulgária e Suiça (Investrade Lausanne/Sofia, trading de bens industriais) e desenvolveu na Suíça uma plataforma empresarial (Genève e Lausanne) para investimentos na Ásia e Europa de Leste. E) Direcção da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar 2005 a 2007 - Tesoureiro 2008 a 2010 - Presidente F) – Condecorações Colégio Militar (1958-1965): 9 medalhas de ouro e 5 de prata; Brasil: Medalha do Pacificador (Duque de Caxias) - 2010
Constituição do Conselho Supremo da
AAACM Maio de 2011 Conselheiros Efectivos
Conselheiros Vitalícios
José Eduardo Carvalho de Paiva Morão (256/1946)
António Fuschini Serra (58/1927)
José Luís Câncio Martins (268/1946)
Álvaro Nuno Lemos da Fontoura (Ext/1931)
José Alberto Lopes Carvalheira (301/1946)
João Salgueiro Pinto Ribeiro (47/1935)
João Manuel Ribeiro da Fonseca Calixto (314/1947)
Joaquim Lopes Cavalheiro (131/1935)
Jorge Alberto Gabriel Teixeira (315/1947) - Secretário
José Manuel Soares de Oliveira (112/1936)
José Baptista Pereira (318/1947)
Rui Manuel Figueiredo de Barros (62/1936)
António Eduardo Queiroz Martins Barrento (40/1948) – Vice-Presidente
Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936)
Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal (145/1948)
Fernando de Mendonça Perry da Câmara (143/40)
João Augusto de Oliveira Ayala Botto (254/1948)
Pedro José Rodrigues Pires de Miranda (372/1940)
José Alberto da Costa Matos (96/1950) - Presidente
Ricardo Manuel Simões Bayão Horta (25/1946)
Manuel de Mendonça Tavares da Silva (116/1950)
Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950)
Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958)
Duarte Pio de Bragança (97/1960)
José Manuel Nunes Salvador Tribolet (230/1959)
Dos Antigos Alunos Não os esquecemos
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Não os esquecemos P
assam este ano 50 anos sobre o início da guerra de África, na qual calculo que terão participado bem para cima de meio milhar de antigos alunos do Colégio, dos quais uma grande quantidade pertence ainda ao número dos vivos. O que todos esses homens teriam para contar dava com certeza para encher muitos livros. Os louvores e condecorações que muitos deles receberam, são para todos nós motivo de orgulho e são a prova mais eloquente do valor do Colégio Militar como escola de formação de homens sempre prontos a servir o seu país, mesmo nas circunstâncias mais adversas. De entre os nossos camaradas que fizeram a guerra de África infelizmente nem todos voltaram. Cerca de duas dezenas aí pereceram, incluindo três camaradas do meu curso. Esses homens, que incluo na categoria dos nossos heróis, não podem ser esquecidos. Para que eles se mantenham bem vivos na nossa memória colectiva, relembro aqui os seus nomes e os teatros de operações em que tombaram.
• Alferes António Prates Dórdio Cravidão (46/1953) - Angola 1966
• Tenente Jorge Manuel Cabeleira Filipe (98/1945) - Angola 1961
• Furriel Francisco José Ferreira Pina (472/1958) - Moçambique 1973
• Tenente-coronel João Horta Galvão Ferreira de Lima (334/1917) - Angola 1961
Ao relembrar estes homens cuja vida a guerra ceifou, na maioria ainda na sua juventude, veio-me à memória a carta de Mouzinho de Albuquerque ao Príncipe-Real D. Luiz Filipe, quando refere as campanhas de Moçambique de 1895. Escreveu ele: “Alguma coisa sofremos, é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes e a não poucos prostravam em terra para sempre as fadigas e as doenças. Tudo suportámos de boa mente porque servimos El-Rei e a Pátria, e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda. Por isso nós também merecemos o nome de soldados; é esse o nosso maior orgulho.” Nós todos também tivemos a honra de vestir a farda do nosso Colégio, onde também nos ensinaram a ser soldados. Aqui deixo pois para nossa recordação os nomes dos nossos camaradas do Colégio caídos na última guerra do que foi o Império Português. Não os esquecemos, honremos a sua memória.
• General Carlos Miguel Lopes da Silva Freire (246/1917) - Angola 1961 • Tenente-coronel Fernando Carlos Teixeira da Câmara Lomelino (99/1931) - Angola 1961 • Capitão Óscar Fernando Monteiro Lopes (375/1939) - Angola 1962 • Capitão António Lopes Machado do Carmo (96/1943) - Guiné 1963 • Alferes Médico João Augusto do Carmo Cabral de Andrade (77/1947) - Angola 1965 • Alferes José Crisóstomo Gomes Bação Leal (89/1954) - Moçambique 1965 • Capitão Ricardo Ferreira Ivens Ferraz (235/1938) - Angola 1965
• Capitão Manuel Carlos da Conceição Guimarães (328/1947) - Guiné 1967 • Alferes Piloto Aviador Raul José Caetano Couvreur (283/1956) - Angola 1968 • Tenente Pára-quedista António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - Angola 1968 • Alferes Piloto Aviador Manuel António Salgueiro Lopes (205/1955) - Angola 1968 • Capitão José Manuel da Costa Martins (296/1950) - Angola 1970 • Alferes Médico Miguel Barroso Silvério Marques (408/1955) - Angola 1972 • Alferes Carlos Eduardo Leal de Carvalho Afonso (267/1959) - Angola 1973
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque / Noronha Feyo
Antigos alunos
em Destaque
José Maria de Castro Soromenho Noronha Feyo (41/1942) Doctor Honoris Causa, a título póstumo, ao Professor Doutor José Maria Castro Soromenho e Noronha Feyo (41/1942) outorgado no passado dia 28 de Abril pela Universidade Técnica de Lisboa, na Faculdade de Motricidade Humana.
O
Noronha Feyo entrou para o Colégio em 1942, saiu em 1949 e teve o número 41; foi Ajudante de Comandante de Batalhão. Nasceu em 1932 e faleceu em 1990. Foi homenageado pela Câmara Municipal de Oeiras em Dezembro de 2007, tendo o seu nome sido dado à Escola E.B. 2 3, em Queijas, e ao Agrupamento Escolar de Oeiras.
termo, teve sempre interesses de carácter cultural e humanista, tendo escrito diversos livros e realizado dois programas culturais para a Televisão. Com os testemunhos nesta Revista de cinco Antigos Alunos pode constatar-se que o Noronha Feyo foi um Homem exemplar dignificando, ao mais alto nível, o nosso Colégio.
Nessa altura foi apresentado o seu resumo biográfico:
José Maria Myre Dôres
• Licenciado em Educação Física • Com 19 anos, foi Presidente da Direcção do Círculo Cultural e Teatro do Porto onde veio a leccionar na Escola de Teatro do Porto; • Director do Instituto Nacional de Educação Física, cargo desempenhado pela primeira vez por diplomado em Educação Física; • Presidente do Conselho Providencial de Educação Física e Desporto de Moçambique; • Director Geral de Desportos onde criou o Centro de Estudos de Investigação que levou à criação da Escola Universitária; • Inspector-Geral de Educação que influenciou no trabalho da Comissão Instaladora do Instituto Superior de Educação Física; • Vereador da Câmara Municipal de Oeiras (19851989) com os pelouros da Cultura e Desporto onde teve intensa e relevante actividade.
José Maria de Castro Soromenho Noronha Feyo (41/1942)
No Colégio ele foi um Amigo e camarada exemplar, formando o seu carácter com grande integridade moral. Bom aluno e atleta excepcional, nomeadamente no Atletismo, Voleibol, Basquetebol e Futebol. Quando saiu do Colégio foi tirar o curso do antigo INEF, Instituto Nacional de Educação Física. Logo no 1° ano sentiu a necessidade de se reformular o projecto pedagógico e científico do Instituto. Além da sua dedicação à educação física, no sentido mais lato do
47/1942
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o passado dia 28 de Abril a Reitoria da Universidade Técnica de Lisboa e a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) conferiram ao Professor Noronha Feyo (41/1942), a título póstumo, o grau de Doutor Honoris Causa. O Colégio Militar aparece de diversas formas associado a esta justíssima homenagem. Por um lado porque um significativo número de Antigos Alunos e seus amigos foram convidados e fizeram questão de estar presentes na cerimónia, José Myre Dores (47/1942), Cristiano Moreira (321/1941), Nuno Cepeda (310/1941), Silva Ramos (9/1942), José Valarinho (73/1943), Sena e Silva (149/1948), Mirandela da Costa (244/1949) e o 10 de 1943, um dos subscritores destas linhas (penitencio-me se algum outro Antigo Aluno esteve presente e me passou despercebido). Por outro lado porque foi ainda um Antigo Aluno, professor na FMH, que ali se licenciou (então ainda ISEF) quando o Noronha Feyo era Professor Convidado e que é também co-autor deste texto, o 420 de 1968, que fez a ligação entre a Faculdade e aquele grupo de Antigos Alunos. Por fim, porque o Professor-doutor Carlos Neto, presidente da FMH e que apadrinhou o doutoramento,
Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque / Noronha Feyo
não deixou, na sua brilhante oração laudatória, de lembrar que Noronha Feyo «foi aluno do Colégio Militar entre 1942 e 1949 e ainda hoje é conhecido por colegas como o aluno nº 41». A vida de Noronha Feyo foi, de facto, um percurso riquíssimo dedicado ao desporto, à educação em geral e à educação física em particular, à cultura, à investigação, ao desenvolvimento integral do ser humano e foi no Colégio que se revelou, com toda a pujança, o excepcional cidadão que veio a afirmar-se. Carlos Neto registou a sua inquietação intelectual e humanista que o levou a ser membro fundador do Circulo de Cultura Teatral do Teatro
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granjeava o apoio de todos para os seus ideais e projectos no âmbito cultural, artístico e desportivo. A sua visão de um mundo integrado, participativo e democrático.» O Colégio Militar sente-se honrado pelo justo reconhecimento de que foi objecto o seu ilustre antigo aluno José Maria Noronha Feyo.
Pedro Júlio de Pezarat Correia 10/1943 Pedro Luís Camecelha de Pezarat Correia 420/1968
Enquanto simbolismo – é um acto de cultura.
A filha de Noronha Feyo, Dr.ª Leonor Noronha Feyo, com a insígnia do doutoramento com que seu pai foi agraciado, tendo à sua direita o Professor-doutor Fernando Ramôa Ribeiro, Reitor da UTL e à sua esquerda o Professor-doutor Carlos Neto, Presidente da FMH e que apadrinhou o doutoramento.
Experimental do Porto, a sua vasta obra literária, os magníficos programas na Rádio Televisão Portuguesa «que (…) pela qualidade e excelência (…) ficaram na memória de todos os portugueses ao difundir a dimensão antropológica, sociológica, filosófica, pedagógica, literária e política do fenómeno lúdico e desportivo na vida humana e na sociedade contemporânea». Mas salientou também o homem de acção que deixou obra por onde passou: director do Instituto Nacional de Educação Física (INEF) aos 31 anos, presidente do Conselho Provincial de Educação Física de Moçambique onde criou a Escola de Educação Física de Lourenço Marques e um núcleo na universidade e, com a colaboração de Mirandela da Costa, lançou «a histórica e famosa experiência do Caniço de iniciação desportiva numa perspectiva humanista»; de regresso a Portugal assume o cargo de Director Geral dos Desportos e teve papel destacado na passagem do INEF a Instituto Superior de Educação Física (ISEF), aonde regressa como Professor Convidado; na já FMH tem papel importante na criação do Museu do Jogo, na instalação do Centro de Estudos e Projectos de Espaços e Lazer e, com outros colegas da Faculdade fundou a Sociedade Portuguesa de Educação Física. Como reconhecimento da sua notável obra a FMH homenageou-o em 1992 numa sessão pública em que foi criado o Centro de Estudos de Desenvolvimento do Desporto Noronha Feyo. A rica personalidade do Noronha Feyo está muito bem retratada na síntese com que o Professor Carlos Neto encerra o seu magnífico discurso: «Polémico, sonhador, criativo, e por vezes utópico,
Fazer uma homenagem a tão ilustre Professor, neste espaço – como ele gostava de dizer – entre os seus, os que amou com quem participou e partilhou tantas partes da vida, de uma forma simples, sem grandes parangonas na Comunicação Social, sem imagens na televisão; somente e apenas ditada por um sentimento profundo de respeito, de admiração, de gratidão, de amizade e de saudade. É uma homenagem para ser lida, constituindo um acto interior de cada um, sentindo a memória, e sentindo-se bem porque leu e recordou. Todos nascemos, crescemos, vivemos e morremos. Porém, neste linear e inexorável percurso – regido por leis que não mudamos – aparentemente igual para todos, tem, durante uma grande parte da vida, conteúdos muito diferentes. Aliás, é este facto que faz com que alguns Homens se distingam e façam parte da História, daqueles outros – uma grande maioria – que apenas a lêem a consultam ou meditam. Portugal e tantas parcelas e locais deste nosso país e instituições, tiveram a felicidade, o orgulho e porque não o mérito de conviver, organizar, assumir, beneficiar e partilhar com o cidadão José Maria Noronha Feyo.
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Referência exemplar, não uma qualquer referência – mas sim uma referência com assento histórico nos planos da Educação, da Cultura, da Política e do Desporto. Exemplar como Homem, cidadão e Familiar, profundamente idealista e Humano, teve o privilégio – sempre merecido – de, em qualquer espaço social, político ou desportivo, de ser sempre rodeado de AMIGOS – com letras maiúsculas – mais do que para além dos “tradicionais” e sempre conhecidos.
de culturas entre o Ocidente e o Oriente. Tão grande distância para o entender tão simples. O nascer de uma nova “Escola”. De um barracão decrépito e húmido, junto às palmeiras que bordejavam a bela baía do Espírito Santo, projectou uma equipa, lançou os caboucos da mais bela experiência social e desportiva que muitos profissionais de várias áreas do conhecimento tiveram o privilégio, raro, dela beneficiarem e intensamente viveram.
O primeiro Encontro
O ideário? Esse está bem expresso no primeiro editorial da Revista “Educação e Movimento”, “bíblia” e registo de todos os passos na construção do Desporto em Moçambique, como dimensão cultural e humana, e sua projecção no exterior. Nesse Editorial José Maria Noronha Feyo dizia-nos: “O Desporto resulta dos conhecimentos científicos básicos e dos novos conhecimentos adquiridos e da sua aplicação ao estudo da fenomenologia do movimento humano, dando origem por tal motivo, a diversificadas metodologias, qual espectro ignorado, e em cujo desenvolvimento em profundidade assenta o real progresso das disciplinas do Desporto. Da análise da história do Desporto e do movimento do trabalho humano, dos estudos etnográficos e da antropologia cultural ou da educação comparada, tem-se afirmado a importância das disciplinas do corpo na história cultural da humanidade. No mundo de hoje a expansão do Desporto, reflectida pelo complexo das suas instituições, massa de praticantes e espectadores, intercâmbio internacional, é um problema que preocupa os governos das nações de todo o mundo e exige um conjunto de dirigentes e educadores ao nível da evolução da ciência e da técnica, conscientes dos princípios morais e valores culturais adquiridos.”
O Professor José Maria Noronha Feyo, deu os seus primeiros passos no processo educativo no Colégio Militar, ali recebeu os primeiros valores e se destacou no plano desportivo. No Instituto Nacional de Educação Física se diplomou como Professor. Seguiu para o Norte do País procurando e exercendo a “licenciatura” da vida, intervindo na Escola como Professor, no associativismo desportivo como atleta, Treinador e como Dirigente, no teatro como Director, nos Centros de Férias como Animador Sócio Cultural, vivendo experiências humanas que se reflectiriam no seu futuro profissional.
O Reencontro Mais tarde, primeiro terço dos anos sessenta, é nomeado Director do Instituto Nacional de Educação Física, o regresso à Capital, onde inovaria, projectando mudanças, desafiando “Sistemas”, abrindo, então, a que foi a primeira Escola de formação de quadros em Desporto, para a comunidade. Projectou a sua Escola de Norte a Sul do País, levou a mensagem e um novo modelo desta Instituição a alguns países Europeus, e com os seus alunos percorreu Angola, proporcionando a todos quantos de perto com ele lideraram, o beber de uma dimensão ética, cultural e política, enfim de um novo devir. Ofereceu tanto, constituindo-se como exemplo, responsavelmente deu a tantas gerações uma referência poética, plena de verdade e de liberdade, e nesta assumir a sua escolha. As rosas que naquela Escola, o INEF, por ele foram plantadas, as árvores que ali cresceram e se entroncaram, ainda hoje deixam uma mensagem: por ali passou um Homem.
José Maria Noronha Feyo sabia sempre usar uma Rosa. Partindo para o grande desafio Sim! Moçambique é o grande apelo e tudo quanto já fervilhava no âmbito de um grupo de professores, por ele liderado, a ânsia de mudança, o concretizar, urgente, de sonhos e pensamentos que em tertúlia fraterna e amiga – alguns recordarão a velhíssima “tasca” “O Petit” de Algés – “laboratório” de terra batida, onde se foram investigando modelos, projectando soluções, criticando situações e onde se teve conhecimento do convite e nomeação do Professor José Maria Noronha Feyo para a Presidência do Conselho Provincial de Educação Física de Moçambique.
Não foi simples. Foi ousado. Do Atlântico para o Índico, travessia imensa, e lá o embate frutuoso
Noronha Feyo (1º à esquerda) com Camaradas do seu Curso na escadaria da Enferma
O Desporto e a Cultura! Em África, Moçambique, o cadinho da aventura social e desportiva no gerar de novas atitudes. Um grande jogo e um grande desafio que Noronha Feyo soube construir e lançar raízes. Corria o ano de 1968, afanosamente se preparava para o choque do futuro com uma equipa por ele constituída e liderada. Com a força que só ele sabia emanar e através de um seu poema, entre tantos que escreveu, estruturou a mensagem de um pro-
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jecto, o qual por belas palavras nos indicava a dureza dos desafios que viriam. O seu poema: AQUI VAI O HOMEM Tenho percorrido caminhos, Fazendo por fora o que por dentro não sinto. Mas não me queixo, nem falo deste destino de amor, gente e pedras, lágrimas e sorrisos. Aqui vai um homem, deixem-no passar e construir loucas aventuras, feitas de sol, estrelas e mar. Aqui vai um homem, Animado de terra, gente, flores. Deixem-no passar e cantar o amor eternamente.
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Noronha Feyo teve de partir...
Lisboa chamou... Em Moçambique ele demonstrou ao Mundo a capacidade organizadora das gentes moçambicanas com a realização do I Simpósio Internacional de Investigação Aplicada à Educação Física e ao Desporto. Ele instilou nas veias dos técnicos e dos dirigentes desportivos a confiança em si mesmos quando conceberam e realizaram o Mundial de Vela da Classe “Vaurien”, prova de tal dimensão e arrojo, para a época, que levou a que todos os países presentes, através dos seus representantes dissessem: Moçambique foi o Campeão.
Noronha Feyo dizia: Avançar...
Muitas iniciativas foram desencadeadas, “Educação e Movimento”, revista de impacto nacional e internacional, tudo registou e ao fim dos primeiros quatro anos, Noronha Feyo escrevia: “ ... Pretendemos que a nossa Revista dê aos Moçambicanos uma ideia actualizada do mundo científico e pedagógico do Desporto e, mesmo, aborde experiências estrangeiras, com as quais possamos cimentar edifícios nossos para amanhã.” Loucas aventuras davam lugar a edifícios novos. Todos os amanhãs responderam presente às demandas de Noronha Feyo. Porque não dizê-lo: Foi como que um Messias do Desporto e da Cultura. Ele realmente anunciou e previu uma nova época. Para Moçambique e para todos quantos viveram aquela bela aventura, “Educação e Movimento” ficou e ficará para sempre como a primeira tentativa de divulgação doutrinária, científica e técnica, no âmbito do Desporto. Noronha Feyo considerou-a, ainda, como bandeira de um movimento dinâmico e inovador, generoso em terras onde o futuro nos bate à porta momento a momento, incansável em seu desafio. Assim, com o seu comando sonhador, irreverente, criativo, mas tão simples, ele estruturou o Desporto Moçambicano e lhe criou as vigas mestras.
Equipa de futebol do Colégio que em 1948-49 ganhou o campeonato inter-escolar, vencendo na final os Pupilos por 1-0. Da esquerda para a direita, em cima: Carlos Campos (12/1942), José Luís Cortês (57/1941), Coelho de Moura (306/1941), Sousa e Faro (80/1941), Heitor Patrício (1/1942), Guerreiro Ferreira (95/1942), Melo Rodrigues (189/1940) e Monroy Garcia (38/1942); em baixo: Calça e Pina (24/1942), Marinho Falcão (19/1941), Noronha Feyo (41/1942), Pezarat Correia (10/1943), Blasco Gonçalves (51/1942) e Branco Ló (90/1942). Foi a única vez durante toda a passagem desta geração pelo Colégio que vencemos os Pupilos em futebol. O Noronha Feyo foi o autor do golo e, a título de curiosidade, o guarda-redes dos Pupilos era o Henrique Medina Carreira, hoje conhecido comentador televisivo.
O Homem que sonhou o “Caniço”. Espaço social, suburbano da então cidade de Lourenço Marques. Como foi difícil? O Desporto a princípio ali não tinha espaço. Era a Escola sem Desporto... Era o pensar sem o Corpo. Noronha Feyo, estrategicamente esperou. As escolas não tinham alunos! As “Mamanas” não procuravam os Centros de Saúde! Como resolver? O grito foi dado por Noronha Feyo: O Desporto. O Salto para o Futuro. E ordenou: Criem-se os Ginásios... ao ar livre..., as piscinas..., os campos polidesportivos..., o futebol..., a formação de monitores..., enfim a preparação para a Vida e o Desporto. O “Caniço” explodiu na alegria dos jovens... dos meninos a sorrir... das Escolas cheias... das “Mamanas” cantando e com os Monitores Desportivos fazendo acontecer o Desporto. Os “10 de Junho” terminaram e foram transformados nos Festivais da Juventude.Os papagaios coloridos e os pneus pintados a cores anunciando a Festa. Sim! Foi um Homem desmedidamente ambicioso no ágon Moçambicano, com equilíbrio, ponderação, calma e saber. Sim! Foi um Homem que lutou para que chegasse o dia em que o Desporto Moçambicano cessasse, e cessou, de ser uma vaga aspiração da juventude. Sim! Um Homem cujas metas se situavam, sempre no infinito, porque a corrida e a luta não tem limite. Os desafios não paravam: o desejo de criar na Universidade de Lourenço Marques a primeira Escola Nacional de Treinadores Desportivos... enfim a primeira licenciatura em Treino Desportivo. Os limites legais foram implacáveis. Foi então criada a Escola
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de Educação Física de Lourenço Marques. Só foi permitido ousar…. O desenvolvimento da Vela e a criação participada da maior frota, em três classes, do então todo do espaço Português. A representação na I Regata Cabo Rio de Janeiro, o Iate Adamastor, que lindo veleiro, lá esteve presente... o seu grande Timoneiro e Capitão foi Noronha Feyo. A Beira e o seu projecto da Natação, plataforma qualitativa para todo o Moçambique, três piscinas de dimensão “olímpica” (50x25), outras de menor dimensão, à disposição, pelo País, dos meninos de Moçambique. O Minibasquetebol na rua, no quintal, em todos os caniços... informal... criativo... inorganizado... mas! Uma Força. O Atletismo... formal e informalmente singrando na adaptação livre e criativa dos materiais... os Certificados de Aptidão Atlética. Enfim! Tal como a poesia... o Desporto aconteceu... porque aquele Homem, o Noronha Feyo, que nunca quis o nunca antes, o recorde, porque ele sabia como pedagogo, como atleta e dirigente, que ao recorde, se precoce, se sucede a melancólica queda do nunca mais. O regresso à “Metrópole”, expressão político-administrativa de então.
do tempo perdido, em busca de si mesmo ou na busca da eternidade do Homem. Sempre o mesmo humanista do movimento, o mesmo humanista que soube criar forças para que cada um de nós encontrasse as soluções. Um Homem que no contexto da Educação Física, o primeiro amor, e depois, no Desporto, fez a diferença. Para além de um Homem de pensamento, foi um Homem de acção e, pela acção, pelo ensino, pelo treino, pela intervenção pública e pelo amor e pela amizade, tentou – quanto a nós conseguindo – deixar sementes para que a sociedade, tal como a imaginava, através da Cultura e do Desporto, pudesse emergir com novos olhares sobre novos horizontes. Professor José Maria Noronha Feyo, as tuas sementes germinaram, tenhamos nós a capacidade de colher os seus frutos e acreditar que a Utopia é possível. Até um dia .... Numa qualquer “esquina” do Universo … para te dizermos, tal como na tua poesia, que um outro voo foi inventado. Arcelino Manuel Duarte Mirandela da Costa 244/1949
O Reencontro em Lisboa Noronha Feyo voltou, com a mesma determinação, uma visão universal e humana do mundo, disposto a correr riscos com a sua coragem e pureza. Enfim! Também aquilo porque tanto lutou, a Liberdade, ele veio encontrá-la e tendo percebido, bem cedo, que ela se pode ganhar e se pode perder. A data marcante de 25 de Abril de 1974 encerrou um projecto – a aquisição da Liberdade – mas um outro projecto de desenvolvimento em Liberdade germinou. Noronha Feyo exemplar na sua atitude, soube compreender que sendo a liberdade, na sua mais profunda natureza, inerente à pessoa humana, nem sempre há a liberdade de ter a liberdade. Ciente dessa tremenda responsabilidade, construiu o seu exílio em Alfama, com os seus poemas cantou e encantou todos quantos o puderam ouvir ou ler. Sonhou e concebeu a partir de Munique, aquando dos Jogos Olímpicos de 1972 – escrevendo com a dura experiência ali vivida, um belo opúsculo – “Os Jogos e os Homens”. Com base nesse texto recriou um espaço cultural para Portugal através de um belo tempo televisivo, belas imagens, lúdicas mensagens, o procurar compreender através do Jogo e do Desporto a raiz bem funda deste povo que ele tanto amou. Do exílio continuou sempre na busca da perfeição, para o Poder Local a sua Ágora e como autarca, na sua paixão última o Município de Oeiras. A este fez o legado de todo o seu saber, experiência criatividade e Amor. Desejando o futuro, não gastando esta palavra, para construir um ser humano física, moral e intelectualmente harmonioso. José Maria Noronha Feyo, foi um eterno insatisfeito, em busca
Amigo José Maria Noronha Feyo
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omo a ti, ele nos incutiu os mais elevados Valores humanos, culturais e morais; entre outros, o carácter, a camaradagem, a coerência e a solidariedade. No lugar onde queremos acreditar que estejas e a que ganhaste jus, te sentimos na verdadeira plenitude do Ser, da Paz e da Liberdade. Aí, não existem barreiras de espaço ou tempo, nem janelas com falsas e sombrias cortinas. Somos de facto “todos em um” e “um em todos”. Nós continuamos ainda (até quando?) cá por baixo,
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tendo-te bem presente na memória e lembrando-te não só como atleta e desportista de grande mérito que foste, mas também como homem não só na grandeza do corpo mas da alma e professor que aos seus alunos se oferecia com amor, generosidade e rigor. Nunca esqueceremos esses Jogos Tradicionais e Populares que tão bem nos ensinaste. Talvez um dia, assim espero, os joguemos aí contigo: A malha, o burro, as setas, as argolas, o arco, a roda, eu sei lá!... Para nós não morreste, apenas partiste. No nosso Colégio aprendemos isto que sempre nos uniu, e unirá por toda a Vida:
Alguns que aqui estão presentes andaram contigo no mesmo Colégio da Luz.
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Ninguém morre, só parte, Nunca nos deixa sós. Deixa muito de si Leva um pouco de nós. Aleluia! É com alegria e júbilo que te evocamos com Saudade e Poesia. Até breve. Bem hajas pelo que foste e és, Zé Maria!
Roberto Ferreira Durão 15/1942
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque / Nuno Bívar
Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943)
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campo, para servir de moldura à cerimónia de imposição da medalha. O Nuno Bívar entrou então em campo a cavalo e postou-se em frente á Reprise para se dar início à cerimónia.. Da tribuna de honra desceram então e deram entrada no campo de obstáculos, dois Secretários de Estado, o General Chefe do Estado-Maior do Exercito e os restantes Oficiais que compunham as suas comitivas. À sua espera no campo estava postado um aluno componente da Escolta a Cavalo do Colégio, em uniforme de parada, que segurava com garbo uma almofada de veludo
sobre a qual cintilava a venera a atribuir ao Nuno Bívar. Procedeu-se então à leitura do diploma justificativo da concessão da medalha, em que foi descrita toda a sua brilhante e extensa carreira desportiva, com início nos seus tempos de aluno do Colégio Militar. O Nuno Bívar apeou então da sua montada e perfilou-se perante o Secretario de Estado dos Desportos, que procedeu à imposição da medalha, sob uma trovoada de aplausos da assistência, que testemunhou assim a sua admiração ao homenageado e o seu prazer em estar ali a viver aquele momento único. © Foto Álvaro Sabbo
o passado dia 19 de Março tive o privilégio de assistir, em Mafra, à condecoração com a medalha de Bons Serviços Desportivos do Coronel de Cavalaria Nuno Bívar, o antigo aluno 121/1943, decano dos desportistas ainda em actividade de competição no nosso país. A outorga da condecoração em Mafra deveu-se ao facto de aí se ter realizado, nas magníficas instalações do CMEFD - Centro Militar de Educação Física e Desportos, a 55ª Semana Equestre Militar, que contou com a participação em competição do homenageado. O Nuno Bívar participou na prova principal do concurso de obstáculos, prova essa que recebeu a designação Comando do Exercito. Tratou-se de uma prova a duas mãos com cronometro, realizada no agora designado Campo Brigadeiro Henrique Calado (brilhantíssimo e saudoso concursista), em que o Nuno Bívar se classificou num honroso 4º lugar, que lhe soube a muito pouco. Se não tivesse tido um inoportuno «borrego» (se é que há «borregos» oportunos) na primeira mão, teria sido provavelmente o vencedor da prova. O Nuno Bívar com o espírito desportivo que é seu timbre, assumiu logo ali o deslize como sendo da sua responsabilidade, ilibando a sua montada de qualquer culpa. O deslize cometido não tirou no entanto qualquer brilho à sua actuação e estou certo que para o ano teremos mais e melhor. Só espero estar lá de novo na bancada para o aplaudir mais uma vez e alegrar-me com as suas proezas hípicas. A seguir à prova em que o Nuno Bívar participou, procedeu-se à apresentação da Reprise da Escola de Mafra, que constitui sempre um dos pontos altos das Semanas Equestres Militares. Nos tempos que correm, de redução aos mínimos absolutos dos efectivos das Forças Armadas e de cortes drásticos de todas as despesas, considero quase um milagre a continuidade da Reprise. É com certeza o fruto da carolice, ou paixão, de um punhado de homens que teimam em não deixar extinguir esta «luz» que de Mafra irradia. Honra ao Exército por manter vivo este objecto do nosso Património Cultural comum. Quando terminou a apresentação da Reprise permaneceu a mesma formada no
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Na assistência encontrava-se um grupo de antigos alunos, com o Coronel Álvaro Sabbo (133/1938) em destaque, que lhe testemunhou todo o nosso orgulho, brindando-o com um «Zacatraz» berrado a plenos pulmões e seguido, imaginem só, de um valente Ramalho, dado de maneira a não ferir os sensíveis ouvidos femininos das damas que integravam a selecta assistência. Houve de seguida abraços em profusão e o Nuno Bívar, com a satisfação estampada no seu rosto, lá se conseguiu desembaraçar de nós para ir confraternizar com os homens ali presentes dos dois Batalhões das suas comissões em África, o BCav2830 e o BCav3845. O facto de aqueles homens estarem ali presentes, com um cartaz e um guião dos seus Batalhões, 40 anos após as suas comissões em África para poderem viver ali em conjunto aquele momento com o seu «major», é um testemunho bem eloquente das qualidades humanas do Nuno Bívar. Foi uma jornada maravilhosa a que própria mãe natureza se quis associar. Em vez do tempo frio, ventoso e chuvoso característico de Mafra durante o mês de Março, esteve um tempo esplêndido, com um sol radioso e sem uma nuvem no céu. Melhor nem de encomenda. A meu lado durante a cerimónia estava o Sanches Osório (210/1951), meu comandante de companhia no meu 3º ano no Colégio, que nos dizia que aquele rapaz da Escolta a Cavalo do Colégio que ali tinha tomado parte na cerimónia, não iria esquecer aqueles momentos que ali vivemos até ao final da sua vida. Acho que tinha toda a razão, só lhe faltou dizer que nós próprios também não iremos esquecer esta justíssima e oportuna homenagem ao «jovem» Nuno Bívar, que constitui um verdadeiro exemplo para todos os desportistas. Penso que será extremamente pouco provável encontrar uma outra carreira desportiva tão ecléctica e tão longa como a sua. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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© Foto Pedro Alcântara Guerreiro (Aluno 111)
Cerimónia de condecoração do Coronel de Cavalaria Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar (121/1943) com a Medalha de Bons Serviços Desportivos, concedida nos termos dos artigos 2° e 6° do Decreto-Lei n. ° 55/86, de 15 de Março, pelo Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, conforme Despacho 104/SEJD/2010, de 4 de Novembro.
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medalha de bons serviços desportivos destina-se a galardoar indivíduos, organismos ou instituições nacionais ou estrangeiros pelos serviços prestados em favor do desporto nacional, nomeadamente os dirigentes e praticantes desportivos nacionais, pelo valor da sua actuação em funções de direcção ou na prática de actividades desportivas. Transporta a Medalha de Bons Serviços Desportivos o aluno da Escolta a Cavalo do Colégio Militar N° 511, Rui Domingues, materializando não só o princípio da profícua carreira desportiva do Coronel de Cavalaria Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar, iniciada naquele Estabelecimento Militar de Ensino em 1943, como, também, a ponte que o Cavalo pode estabelecer entre as gerações. Do despacho de concessão da Medalha de Bons Serviços Desportivos ao Coronel de Cavalaria Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar, consta:
Considerando os relevantes serviços prestados pelo Coronel Nuno Álvaro do Couto Bastos de Bívar, à causa desportiva, como praticante ecléctico, dada a variedade de modalidades que abraçou durante a sua longa carreira, nas quais sempre se destacou pelo brilhantismo das suas actuações, aliado a um desportivismo e correcção inexcedíveis, que fazem dele um exemplo para todos os desportistas e militares; Considerando que o seu espírito esclarecido e conduta ética irrepreensível, aliados a uma sólida preparação física de base, foram atributos essenciais para o reconhecido e notável desempenho como aluno do Colégio Militar, de 1943 a 1950, onde se sagrou campeão de ténis de mesa e foi representante daquele “Estabelecimento Militar de Ensino” nas modalidades de voleibol, basquetebol, atletismo e futebol, tendo sido campeão da extinta “Mocidade Portuguesa” nas três primeiras modalidades. No atletismo, para além de várias vezes ter sido campeão por equipas, representou a “Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar” concorrente aos “Campeonatos da Federação Portuguesa de Atletismo”, tendo sido, na categoria de cadete, campeão nacional e recordista no salto com vara e no lançamento de peso, e campeão nacional na estafeta 4x60m, em 1949 e 1950;
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Considerando que é autor do livro “O Ténis em 12 lições” publicado em 1976, além de ter colaborado em temas desportivos em várias publicações, de que se salientam os “Jornais do Colégio Militar”, a “Província de Angola”, o “Jornal do Exército”, o “Diário do Minho” e o “Boletim do Centro Hípico de Braga” de que foi Director e grande impulsionador; Considerando os seus serviços prestados em favor do desporto nacional e a sua prática de um vasto leque de actividades desportivas onde sempre sobressaiu, fazendo parte do seu currículo, inúmeros títulos individuais e colectivos, quer a nível nacional, quer em participações internacionais, e que os seus conhecimentos, competência e qualidades técnicas e humanas foram evidenciados em diversas vertentes, quer como praticante, quer como treinador, quer ainda como prelector; Considerando que, como cadete da Escola do Exército, sempre se salientou pela generosidade das suas acções, pela sua sã camaradagem, elevados dotes de carácter, lealdade e disciplina, tornando-se campeão universitário nas modalidades de Futebol, Andebol de Onze e Atletismo, em 1950. As suas prestações no Andebol de Onze levaram a que tosse contratado primeiro pelo “Sport Lisboa Benfica” (em 1951)} depois pelo “Clube Oriental de Lisboa” (em 1952) e posteriormente pelo “Sporting Clube de Portuga/” (de 1956 até 1961). De salientar, como praticante de Andebol: ter sido considerado “o melhor da semana” e “o melhor do ano”, pelo jornal desportivo “O Record”; ter representado por diversas vezes a “Selecção de Lisboa” tanto na variante de “Onze” como na de “Sete”; ter sido várias vezes campeão regional, vice-campeão nacional e campeão nacional, pelo Sporting; e ter sido três vezes internacional no “Andebol Onze”. Atendendo que se distinguiu no Pentatlo e no Tiro Desportivo - pistola de guerra (9mm) - modalidade na qual obteve vários títulos militares e regionais, sublinha-se o facto de, integrando a Equipa do Exército, ter conquistado, por três vezes (1958, 1959 e 1960), o “Campeonato das Forças Armadas”; Considerando que, como Oficial de Cava-
laria, continuou muito ligado à “Educação Física e Desportos”, tendo prosseguido a sua grande paixão pelas actividades gimnodesportivas e encarando a sua prática de forma digna e séria. Com o início da Guerra Colonial (1961) foi colocado em Angola onde colaborou no andebol local, criando a “Secção de Andebol 7” no “Clube Nuno Alvares”, destacando-se aí de forma notável como treinador-jogador vencendo três campeonatos (1962, 1963, 1964) nesta ex-província ultramarina. Considerando a dedicação à prática desportiva do “Ténis”, disputou diversos torneios da “Federação Portuguesa de Ténis”, obtendo bons resultados, destacando-se a vitória no “Campeonato Nacional de Equipas”, nas 3ª e 2ª categorias, em representação do “Sport Lisboa e Benfica” e, em representação do Exército, o “Campeonato das Forças Armadas” em 1974; Considerando o seu gosto pelo Hipismo, onde atingiu um nível notável, nomeadamente nos obstáculos, fez parte da Equipa Militar que participou nos Campeonatos do “Conseil/lnternacional du Sport Militaire” (1984) em Mafra, e em Fontainebleau/França (1988). Conquistou igualmente inúmeras classificações em “Grandes Prémios” em Provas da “Federação Equestre Portuguesa”;
Considerando, por último, que a sua longa, prestimosa e diversificada carreira é um exemplo de vontade, determinação e dedicação em prol do desporto, que importa reconhecer e premiar. A medalha foi imposta pelo Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Laurentino José Monteiro Castro Dias, acompanhado do Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional e Assuntos do Mar, Dr. Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcellos e do Senhor Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Luís Pinto Ramalho.
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Dos Antigos Alunos Antigos Alunos em Destaque / Henrique Alexandre Fonseca
Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca (47/1956)
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istinto Oficial de Marinha detentor de um extenso e notável currículo, comandou quatro navios sendo o primeiro comandante da fragata Corte Real (Meko 200), acumulou mais de 23.000 horas de navegação, serviu por diversas vezes no Estado-Maior do Comando Naval bem como no comando NATO CINCIBERLANT, foi Professor na Escola Naval, Superintendente dos Serviços do Material, tendo passado a seu pedido à situação de Reserva, como Vice-Almirante, quando se encontrava a desempenhar as funções de Comandante Naval. Ao longo da sua carreira frequentou diversos cursos de formação e de especialização na Marinha bem como o Naval Staff Course, nos EUA, sendo licenciado em Ciências Sociais e Políticas pelo ISCSP.
É membro activo da Academia de Marinha, Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, e Presidente da Confraria Marítima de Portugal e do Observatório da Segurança Marítima. Numa louvável iniciativa de grande mérito do Henrique Alexandre da Fonseca, a «Revista de Marinha», fundada em 31 de
Janeiro de 1937 por Maurício de Oliveira e cujo tema central é o Mar abordado nas suas múltiplas facetas com destaque para os assuntos relativos às respectivas ciências e às actividades portuárias, às Marinhas de Guerra, de Comércio, de Pesca e de Recreio, e que se foi mantendo ao longo do tempo numa presença ininterrupta junto dos seus inúmeros assinantes, deve a sua actual sobrevivência ao espírito e à tenacidade do Henrique Alexandre da Fonseca que com determinação segurou o leme não permitindo o trágico naufrágio que ditaria a sua irremediável perda. A ele se deve a continuidade desta publicação. Maurício de Oliveira, Jornalista que dedicou muito da sua escrita aos assuntos do Mar e da Marinha, foi autor dos livros «Armada Gloriosa» (1936), «Os Cruzadores da Marinha Portuguesa» (1966), «Os Submarinos da Marinha Portuguesa» (1970) e «Os Torpedeiros da Marinha Portuguesa» (1971). Henrique Alexandre da Fonseca, na qualidade de editor e director da «Revista de Marinha» e através da sua Editora Náutica Nacional, promoveu a segunda reedição da obra «Os Submarinos da Marinha Portuguesa» no ano em que se assinala o centésimo aniversário da assinatura do contrato de aquisição do «Espadarte». Do prefácio da 3ª Edição transcrevemos a seguinte referência que nos dá uma perspectiva clara do seu conteúdo: “Trata-se de um clássico, de um livro publicado em 1972, onde é relatada a história da nossa arma submarina a par com episódios da navegação da guerra submarina em geral e nos é dado o seu enquadramento histórico na vida nacional. É um texto muito interessante, ilustrado com numerosas fotografias, algumas muito curiosas, que se lê com rapidez e agrado, e onde estão repositadas tantas vivências, que já são História e que em nossa opinião merecem ser de novo publicadas e publicitadas.” A obra de Maurício de Oliveira já tinha sido em 1988 objecto de uma segunda edição, revista e aumentada com um capítulo relativo às décadas passadas de setenta e oitenta, redigido pelos então Cap. Ten. Con-
de Baguinho e 1º Ten. Borges Gonçalves. O texto desta segunda edição foi completado com um capítulo adicional contemplando o período desde os finais da década de oitenta até ao início da actividade das novas unidades, o NRP Tridente e NRP Arpão que constituem a V Esquadrilha, missão realizada com êxito pelo Contra-Almirante Álvaro Rodrigues Gaspar. O lançamento do livro teve lugar no Clube Militar Naval vendo-se na assistência Antigos Alunos do Colégio que se interessam por estes assuntos e quiseram acompanhar o seu Camarada nesta meritória iniciativa. Na «Revista de Marinha» Nº 959, de Janeiro de 2011, é feita uma referência à ZacatraZ, muito elogiosa, aludindo aos vários aspectos do seu conteúdo e do seu novo aspecto gráfico. Agradecemos as palavras amigas, estimulantes e encorajadoras para continuarmos na senda de uma melhoria constante com vista a que, cada vez mais, a nossa Revista seja um elo de ligação de toda a Família Colegial e a sua leitura do agrado de Todos. À «Revista de Marinha», com quem mantemos um acordo de permuta, desejamos a continuação dos seus êxitos e ao seu Editor/Director a concretização de todos os seus objectivos. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Dos Antigos Alunos Medalha do Pacificador
Medalha do
Pacificador
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or deliberação do Comandante do Exército Brasileiro (cargo que corresponde ao do nosso Chefe do Estado Maior) foram agraciados com a Medalha do Pacificador, em reconhecimento ao empenho manifestado em prol do desenvolvimento das relações de amizade e cooperação entre os Exércitos do Brasil e de Portugal, o Major-General Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos, antigo Director do Colégio Militar, o Engenheiro Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958) Presidente cessante da AAACM e o Coronel de Cavalaria Fernando Duarte Pina da Silva Ramos (9/1950). A imposição das comendas teve lugar no passado dia 26 de Novembro na Chancelaria da Embaixada do Brasil e foi presidida pelo Embaixador Mário Vilalva.
Nota da Redacção A Medalha do Pacificador foi instituída em homenagem ao Duque de Caxias, Patrono do Exército Brasileiro, destinando-se a agraciar autoridades, instituições e individualidades civis ou militares que sejam merecedores de honraria do Exército. A medalha em bronze, com a forma do escudo de armas do Duque da Caxias, tem no reverso as inscrições MEDALHA DO PACIFICADOR e DUQUE DE CAXIAS. A fita em seda tem cinco listas da mesma largura alternadas de azul e de vermelho. O Duque de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, filho do Marechal-de-Campo Francisco de Lima e Silva e de D. Mariana Cândida de Oliveira Belo, nasceu em 25 Agosto de 1803 (curiosamente no ano da Fundação do Real Colégio Militar) na fazenda de São Paulo, no Taquaru, Vila de Porto da Estrela da Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice Reino de Portugal. Em 1808, apenas com cinco anos de idade, é-lhe conferido o título de Cadete de 1ª Classe. Em 1818, com quinze anos, matriculou-se na Academia Real Militar, sendo promovido a Tenente em 1821. Tendo servido na unidade de elite do Exército do Rei, o 1° Ba-
talhão de Fuzileiros, cabe-lhe a honra de receber das mãos do Imperador D. Pedro I, a 10 de Novembro de 1822, a recém-criada Bandeira do Império. No Batalhão do Imperador teve o seu baptismo de fogo, recebendo o título de Veterano da Independência, de todos o que mais prezou durante a sua vida. Pela sua bravura e competência como comandante e líder são-lhe conferidas várias condecorações e atribuídos comandos sucessivos, atingindo o posto de Major. Promovido a Coronel é nomeado em 1839, por Carta Imperial, Presidente da Província do Maranhão e Comandante Geral das Forças em operações, onde desenvolveu relevantes serviços, altura em que lhe é outorgado o título nobiliárquico de Barão de Caxias. Quando ainda não tinha atingido os 40 anos de idade é promovido ao posto de Marechal-de-Campo graduado sendo, em 1866, Comandante-Chefe das Forças do Império e definitivamente provido no posto de Marechal do Exército.
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Dos Antigos Alunos Taça General António Xavier Correia Barreto
Taça General António Xavier Correia Barreto A
pós a presença no ano passado na Taça Capitão Rebordão de Brito, da qual a AAACM foi a grande vencedora, a Associação volta a marcar presença numa competição organizada pela Associação dos Pupilos do Exército (APE) agora na Taça General António Xavier Correia Barreto, em homenagem ao seu fundador. A competição apresentava duas partes distintas a ser jogada em dois fins-de-semana: uma fase com dois grupos de três equipas e outra fase, a eliminar, com as duas primeiras equipas de cada grupo. Na primeira fase a participação não começou de forma brilhante. A derrota logo no jogo de abertura não foi fácil de digerir, mas devido à falta de rotina da equipa acabou contudo por ser um resultado justo. Para o segundo jogo a equipa esteve mais concentrada, a juntar à motivação extra por estarmos a jogar com os eternos rivais da APE. É curioso que após anos e anos ainda se mantém aquela eterna competição saudável entre os dois colégios. Com a vitória neste jogo carimbámos a passagem à fase seguinte. A segunda fase começou da melhor forma possível com uma vitória sobre a equipa da Tap Carga, o que deixou a equipa muito moralizada para levar o “caneco” para o Largo da Luz. Essa motivação foi materializada com a vantagem inicial no derradeiro jogo, mas a equipa dos Traquinas, carrascos da fase de grupos acabaram por consumar a reviravolta e ganhar a desejada final. Contudo, nem só a vertente desportiva merece ser realçada. A componente humana desta equipa é de tal forma forte que mesmo que o sucesso desportivo não acontecesse esta equipa já era uma vencedora. Pois para além de todo o ambiente de descontracção e camaradagem que se vivia no seio da equipa, nota-se que “muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa”, que apesar de vidas diferentes, do fosso de idades que existe, os valores de todos e de cada um são os mesmos, fruto de um passado comum. Eu, na qualidade de um dos mais novos, penso que esta convivência, esta entreajuda entre mais novos e mais velhos, alguns deles com idade para serem meus pais, isso é o verdadeiro milagre da luz!
Tiago Cipriano Vidal 307/2000
Notícias Torneio Academia da Força Aérea A AAACM conquista o primeiro lugar Nos dias 10 e 11 de Março de 2011, decorreu na Base Aérea Nº 1 o torneio da Academia da Força Aérea para no qual a nossa Sala de Armas foi convidada a participar. Trata-se de um torneio militar com a participação de atiradores dos três Ramos das Forças Armadas e também das Forças de Segurança. A participação da AAACM resultou na conquista de todo o podium feminino, o 1º e o 3º lugares masculinos e o 2º lugar por equipas masculino. O Colégio conquistou o 1º lugar por equipas masculino.
Equipa da AAACM no Campeonato Allstars Excelente começo da equipa da AAACM, que compete na 3.ª Divisão do Allstars. Com quatro jogos realizados, soma duas vitórias, um empate e uma derrota. A equipa ocupa o sexto lugar da classificação. Na Taça, a derrota por 2-0 diante do Real Fanáticos, obriga a equipa da AAACM a vencer por três bolas de diferença, no segundo jogo. Mas nada é impossível.
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Entrevista Entrevista a Nuno Bívar
Entrevista conduzida por Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz 519/1959
Nuno Entrevista a
Bívar
A dedicação de Nuno Bívar (121/1943) ao desporto levou a que fosse distinguido com a Medalha de Bons Serviços Desportivos, entregue em Mafra, numa cerimónia que aconteceu no CMEFD (Centro Militar de Educação Física e Desporto.
A distinção é motivo para o Nuno Bívar dizer à “ZacatraZ”, o que sentiu quando soube que o iam condecorar: A condecoração para mim foi uma coisa formidável, porque foi o coroar duma vida desportiva e nunca pensei que, algum dia, seria condecorado. Mas olhando para o meu passado, mesmo antes de ter ido para o Colégio Militar sempre me conheci como um entusiasta do desporto, que o praticou com gosto, para além de ter feito o esforço de estar ligado a ele quer na vida militar, quer na vida civil, sempre que as circunstâncias o tornaram possível. Mas eu fui mais do que um praticante desportivo, que procurou arrastar
Entrevista Entrevista a Nuno Bívar
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os outros para a sua prática. É que tive sempre uma grande preocupação com as infra estruturas desportivas dos locais por onde passei. Por isso, preocupei-me em procurar melhorá-las e desenvolve-las, razão pela mantive uma constante e permanente ligação ao desporto, quer no âmbito militar, quer no âmbito civil. É por tudo isto e por ver o reconhecimento de todo o trabalho feito ao longo de uma vida que que esta condecoração me sensibilizou bastante. Como é que foste parar ao Colégio Militar? Vivia em Évora e não sabia da existência do Colégio Militar. Mas o facto do meu pai, de alguns dos meus tios e de um avô serem Antigos Alunos e de pertencer a uma família militar levou a que o meu pai tivesse optado por me colocar no Colégio, onde me dei sempre muitíssimo bem. Colégio Militar que te ajudou a potenciar o gosto pelo desporto? Quando estava em Évora, e tinha seis anos, gostava muito de ir para o quartel. E muitas vezes, quando os militares tinham instrução, eu, pequenito, ia lá para o fundo e fazia ginástica com eles e foi assim que tudo começou. Por essa altura, esteve em Évora um oficial de artilharia, muito ligado ao desporto, que tinha uma classe infantil de ginástica da qual fiz parte, antes de, quando era capitão, sair da tropa e vir dirigir as classes de ginástica do Benfica. Depois vim para o Colégio Militar, que achei e acho, como gosto de dizer, porque fui subdirector, que é uma escola formidável em todos os aspectos. E no domínio da actividade física, antigamente, mais do que nos tempos actuais, era um marco, porque fora do Colégio era quase o vácuo. Havia o Liceu Camões, o Colégio Manuel Bernardes, a Escola Agrícola da Paiã, mas eram excepções, porque eram muito poucos os locais de ensino liceal onde havia actividade física. Aqui, havia excelentes professores e tínhamos nos horários aulas de educação física, que eram na realidade aulas de educação física e não, como muitas vezes sucede, o mero entregar uma bola e dizer “joguem”. E para além da educação física, ensinavam-nos a lan-
© Foto Pedro Alcântara Guerreiro (Aluno 111)
çar ao cesto, a pegar numa bola de andebol, a saber tocar uma bola de voleibol, a praticar atletismo como deve ser. Acontece que esses ensinamentos foram algo de fantástico porque me permitiu aprender os princípios básicos e nunca mais os esquecer. Quando saí do Colégio Militar fui para a Academia Militar, que representei em andebol nos campeonatos universitários. Houve uma pessoa do Benfica que achou que eu tinha jeito e me convidou para ir para lá.Mas eu podia ter ido para o Sporting ou para o Porto, porque acima de tudo sou desportista e naquela altura éramos puros amadores e muitas vezes pagávamos para fazer desporto. Depois, ao longo de toda a minha vida mantive uma enorme ligação ao desporto, quer na vida militar, quer na vida civil.
De tudo o que praticaste, qual foi o desporto favorito? Pensando em tudo o que fiz nas mais diversas modalidades que pratiquei, tenho de reconhecer que aquele em que atingi maior destaque foi o andebol. Mas se perguntarem qual o que gosto mais, então a resposta é a equitação. Porque a equitação tem dois animais: um humano e outro não humano. E é da eficácia da combinação entre o desempenho dos dois que resulta a obtenção de resultados, o que a torna um desporto muitíssimo interessante.
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Dos Antigos Alunos 3 de Março no Algarve
3 de Março
Confraternização de Antigos Alunos 3 de Março no Algarve M
antendo-se o hábito de alternar entre o Barlavento e o Sotavento algarvios, este ano foi no Barlavento que se fez a almoçarada e o convívio do 3 de Março no “Reino dos Algarves e arredores”. Não foi a 3 mas foi a 12 de Março, no bem chamado “Pote Cheio”, no centro de Portimão. A organização foi do Maná (o Manuel Bernardo Dias Nunes, 78/1967), que se aprimorou na diligência, com sucesso reconhecido pelos cerca de 40 presentes.
Pairando sobre todos esteve a memória do Simpático, José Humberto de Ornelas Marinho Falcão (334/1954), ido no ano passado que, com o António Manuel Loureiro do Nascimento Gonçalves Trindade (424/1955) - este bem vivo e para as curvas - laboriosa e discretamente mas sempre presentes, juntaram o pessoal ao longo de anos. Vindos “de fora dos Algarves”, cá estiveram o Martiniano Nunes Gonçalves (9/1959), Presidente cessante da Direcção da Associação – o que proporcionou aos presentes fazerem-lhe público louvor do empenhado trabalho que desenvolveu e do ar fresco que trouxe à Associação - e o António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963), recém-eleito Presidente, que em boa hora e avisadamente compareceu e foi bem na discursata final. Simpática - e graciosamente - a festa foi abrilhantada pelo grupo musical “Haja Saúde” (que interpretaram temas da autoria de antigos alunos) na ocasião acompanhado ao violino pelo João Maria Maltez Cardeira da Silva (156/1967), discípulo do Carioca, como muitos dos mais velhos de nós. Para quem ande distraído e não saiba, o “Haja Saúde” é grupo com qualidade e reputação firmadas, impulsionado pelo Buzz (João Pedro Rodrigues Ferreira Quaresma, (213/1965), Director Clínico, e constituído por médicos, enfermeiros e administrativos do Hospital do Barlavento do Algarve, entre eles também o rebento André da Silva Couto Ferreira Quaresma (349/1992): está visto que quem sai aos seus não degenera… A ver vamos se o fervilhar de ideias e projectos, vindos dum e doutro, dão corpo à solidariedade que, no nosso caso, se resume num lema para a vida: “um por todos e todos por um”. Cá estamos e estaremos para isso. Texto: Joaquim Arnaldo Maltez Cardeira da Silva, 133/1961 Fotos: António Manuel Loureiro do Nascimento Gonçalves Trindade, 424/1955
António Carlos da Palma Estanislau, 376/1964
Dos Antigos Alunos 3 de Março em Évora e em Luanda
3 de Março em Évora
3 de Março em Luanda C
omo já vem sendo habitual realizou-se em Luanda no passado dia 3 de Março um jantar de Antigos Alunos. O jantar realizou-se no restaurante Chimarrão, situado na Ilha de Luanda, e estiveram presentes (da esquerda para a direita na fotografia): - Gonçalo Figueiredo (142/1984), - António Taurino (pai dos actuais alunos 239/2004 e 347/2005), - Nuno Rebelo (331/1962), - Pedro Costa Santos (155/1990), - Júlio Oliveira (270/1987), - Gonçalo Aguiar (287/1990), - António Melo (407/1968), - Henrique Jales (4/1972), - Miguel Mateus (99/1979) e José Correia de Araújo (112/1969).”
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Dos Antigos Alunos 3 de Março em Macau e em Miami
3 de Março em Macau C
omo já é tradição, reuniram-se no Clube Militar os Antigos Alunos que estão presentemente na Região Administrativa Especial de Macau para comemorar mais um aniversário do nosso Colégio. Estiveram presentes: Vicente Bravo, 161/1957, Arquitecto Vasco Silvério Marques, 404/1950, Economista Luís Sá Machado, 384/1961, Arquitecto Aníbal Mesquita Borges, 612/1964, Professor Luís Machado, 209/1965, Técnico da AMCM Paulo Sá, 518/1973, Advogado Rui Cardoso, 94/1984, Engenheiro, que se encontrava na RAEM em viagem de trabalho Pedro Cortés, 125/1985, Advogado Sentiu-se a ausência do Decano Pedro Castro, 1/1956, que não se encontrava em Macau no dia 4 de Março. As conversas da malta, comuns a todas as gerações decorreram com a habitual boa disposição e camaradagem. Ramalho ao Colégio Militar pelos seus 208 anos e um Zacatraz a toda a Família Colegial”. Pedro Manuel Cortés Fernandez 125/1985
3 de Março em Miami N
o passado dia 4 de Março teve lugar no Restaurante Old Lisbon, em Miami, o almoço de confraternização dos Antigos Alunos do Colégio Militar que se encontram nesta cidade. Estiveram presentes o 677/1972, António Manuel da Silva Inácio Quelha, Senior Vice-President do UBS em Miami, e o 405/1953, Manuel de Lucena, Advogado. Recordámos com saudade os nossos tempos de ratas no CM bem como a visita organizada há anos atrás pelo Bernardo de Ayala e pelo Carlos Beja de vários camaradas do nosso curso aqui a esta cidade. Um Zacatraz pela importante data celebrada. Manuel Lucena 405/1953
Dos Antigos Alunos 3 de Março no Porto
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3 de Março no Porto F
omos quase meia centena (47 para ser preciso) de Antigos Alunos residentes no Grande Porto (e arredores) que se reuniram em jantar de confraternização e homenagem ao Colégio Militar em mais um aniversário da sua fundação. Como vem sendo costume, há muitos anos, o encontro teve lugar na Messe de Oficiais do Porto, na Praça da Batalha, no próprio dia 3 de Março. Foi um convívio em que imperou a franca camaradagem com a natural recordação de inúmeros episódios marcantes na vida de cada um aquando da sua “estadia” no nosso Colégio. Alguns dos infalíveis destas nossas reuniões não puderam estar presentes, por razões várias e sérias, como foi o caso, por exemplo, do Paz Olímpio (327/1937) residente em Coimbra, por arreliadora greve de comboios... Tivemos uma vez mais o grato prazer de contar com a presença do nosso Presidente da Direcção, Martiniano Gonçalves (9/1958), que desta vez “se fez acompanhar” do António Reffoios (529/1963), próximo futuro Presidente da Direcção da nossa Associação. Tivemos, portanto, o privilégio de ouvir ambos, do primeiro um “ponto da situação” sobre o andando da vida da Associação e do Colégio - com algumas notas positivas e de esperança sobre o futuro próximo - e do Reffoios o enunciado das intenções sobre a conduta da próxima Direcção da Associação, que, essencialmente - e bem em nosso entendimento - deseja prosseguir com afinco “o caminho” do antecedente traçado. O Costa Matos (96/1950), Presidente do Conselho Supremo, ofereceu ao Martiniano Gonçalves, a título pessoal, uma reprodução em tela do quadro a óleo do Marechal Teixeira Rebelo que se encontra exposto na Biblioteca do Colégio, com isso desejando significar o nosso reconhecimento pelo facto de ter sido este o Presidente da Direcção que mais vezes se deslocou ao Porto propositadamente para estar presente nas nossas reuniões, contribuindo assim fortemente para o fortalecimento da nossa camaradagem e principalmente para a actualização do conhecimento acerca das actividades da Direcção da Associação.
Estivemos presentes: • 9/1958 - Martiniano Nunes Gonçalves - Presidente da Direcção do AAACM; • 529/1963- António José Sousa Valles e Saraiva de Reffoios; • 436/1933- António Malta Leuschner Fernandes; • 79/1937- João Maria da Costa P.M. Faria Araújo; • 261/1940- Manuel José Martins Rodrigues; • 321/1941- Cristiano de Sousa Moreira; • 181/1945- Manuel Joaquim Brou Ramos Lopes; • 236/1945- Luís Augusto Nunes de Almeida Bandeira; • 140/1946- Carlos Manuel Menezes Pinto Machado; • 147/1948- António Rui Prazeres de Castilho; • 259/1948- Carlos Manuel Amado de Campos;
• 23/1949- José António Campos Resende Santos; • 84/1950- João Manuel Mendes de Araújo; • 96/1950- José Alberto da Costa Matos; • 319/1950- José Manuel Simões Ramos de Campos; • 234/1952- José Faceira Teixeira; • 87/1953- Raul Manuel Tamagnini Mendes de Carvalho; • 6/1956- Francisco Xavier de Barros Cardoso de Menezes; • 31/1958- Afonso Henriques Mendes de Araújo; • 486/1958- João de Lencastre de Mello Sampayo; • 522/1959- António Norton de Matos Carmo Pereira; • 168/1960- José João Caldeira Pinto; • 342/1961- Albino Manuel Pereira de Sousa Botelho; • 27/1963- Jorge Fernando da Cruz Cordeiro; • 35/1963- Carlos Manuel Carrilho Roma Torres; • 423/1963- Manuel Maria de Castro e Lemos; • 283/1964- Rogério de Mesquita Pinto Ribeiro; • 296/1964- José Augusto Morais de Oliveira; • 329/1965- António José Mesquita da Cruz; • 572/1969- João Manuel Sanches Roma Moreira Lobo; • 281/1970- Bruno Pinto Basto Soares Franco; • 403/1970- Paulo César Alves Bacelar; • 176/1971- António Jaime Tavares Coutinho Lanhoso; • 199/1974- Agenor Guerreiro Ranhada Rolo; • 391/1974- José Eduardo da Costa Silva Pereira; • 641/1974- Jorge Manuel Noronha da Silveira Alves Caetano; • 688/1974- Augusto José Ferreira de Matos; • 65/1980- Pedro Bastos; • 453/1983- Luís Miguel da Silva Esteves; • 383/1984- João José Pacheco de Almeida Tété; • 232/1985- Marcos Faceira Teixeira; • 272/1990- Bernardo Vasconcelos de Carvalho; • 253/1993- Luís Narciso Lopes Rodrigues Morais; • 368/1993- Amândio Emanuel Lopes Ribeiro; • 384/1994- Luís Filipe Pinto Leite; • 59/2001- Filipe Manuel Liberato Jesus Fonseca; • 494/2003- Daniel Uria Teixeira;
O Delegado no Porto José Manuel Simões Ramos de Campos 319/1950
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Dos Antigos Alunos O Jantar do Oeste na Quinta do Castelo
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
O Jantar do Oeste na
© Foto Gonçalo Leal de Matos
Quinta do Castelo
Os primeiros a chegar à Quinta do Castelo
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ais uma vez o Jantar Anual do Oeste, nome de baptismo tardio mas que parece ter sido adoptado e bem aceite, teve lugar na aprazível Quinta do Castelo do nosso Camarada António José de Azeredo Lopes (350/1954) que, juntamente com seu filho António de Azeredo Lopes (378/1981), nos receberam com a amizade, o calor e a simpatia que os caracterizam. Este encontro, iniciado já lá vão vinte anos, resultou duma iniciativa do Núcleo do Oeste dos Antigos Alunos, inicialmente com o intuito da confraternização dos residentes naquela Região que frequentaram o Colégio. Foi seu fundador e impulsionador o Victor Manuel de Oliveira Santos (365/1949).
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© Foto Gonçalo Leal de Matos
Dos Antigos Alunos O Jantar do Oeste na Quinta do Castelo
O Anfitrião e os mais Antigos – João Carlos Geraldes (245/1952), Francisco Solano de Almeida (188/1951), Vítor Oliveira Santos (365/1949), António Azeredo Lopes (350/1954) e José Barata Correia (28/1949)
Com os dotes de bom relacionalmente e dinamismo do Vítor Oliveira Santos, rapidamente este encontro de camaradagem e boa confraternização foi alargado para além das fronteiras do Oeste, nele participando actualmente alguns dos nossos Camaradas da região limítrofe e que a ele se associam com o maior agrado na partilha de recordações dos bons anos vividos no nosso Colégio. O espírito desta iniciativa está agora nas mãos do Luís Fernando Bernardes dos Reis (429/1962) e do Fernando Faustino Roque do Vale (518/1959) a quem, nos últimos anos, foi conferida a tarefa de promover e organizar estes encontros. Da lista que adiante se transcreve, para além do Anfitrião, salientamos a presença do actual presidente da Associação, António José de Sousa Valles e Saraiva de Reffóios (529/1963) e do Presidente cessante Martiniano Nunes Gonçalves (9/1958), dos convidados Professor Carlos Dario Fernandes (sócio Honorário Nº 2 da AAACM), de José Augusto Matias, irmão do 415/1965 e amigo de muitos dos presentes, e dos Servidores civis do Colégio Mário da Nazaré Caixado Couzinho (Márinho) e José Luís Pontes. O jantar bem servido e de excelente qualidade foi acompanhado por bons vinhos de produção de Antigos Alunos e por eles oferecidos, destacando-se os produzidos na Quinta do Castelo, produção de pequena quantidade e de grande qualidade para consumo caseiro na exploração da propriedade e deleite dos amigos do proprietário e o excelente Cerejeiras da Companhia Agrícola do Sanguinhal pertencente ao Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca (277/1960).
© Foto Gonçalo Leal de Matos
O Francisco Solano de Almeida (188/1951) num breve improviso saudou o dono da casa a quem agradeceu a hospitalidade, saudando igualmente a presença do Presidente da Associação e de todos os Antigos Alunos que mais uma vez se reúnem no fortalecimento dos laços de união e camaradagem que os caracterizam. Terminou com um forte Zacatraz pelo Colégio e pela AAACM. O Vítor Manuel de Oliveira Santos (365/1949), decano dos Antigos Alunos do Oeste, proferiu algumas palavras de saudação e agradecimento ao nosso anfitrião, solicitando ao Presidente da Associação que transmitisse a perspectiva da Direcção relativamente à sua actuação no mandato
que teve início no passado mês de Março. O António Saraiva de Reffóios (529/1963) referiu o compromisso da nova Direcção de honrar a que a antecedeu, salientando o notável trabalho por ela desenvolvido, propondo-se manter a união dos Antigos Alunos, desenvolver o apoio ao Colégio o qual constitui uma grande oportunidade e não um problema, exercer influência junto da Instituição Militar realçando o papel ímpar do Colégio na História de Portugal, apoiar e desenvolver a Solidariedade. Referiu também que a Associação disponibilizou a marca “Meninos da Luz”, registada em seu nome, para poder ser utilizada na Escola Primária que irá funcionar no Colégio no próximo ano.
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Dos Antigos Alunos O Jantar do Oeste na Quinta do Castelo
Estiveram presentes por ordem de antiguidade:
A mesa onde se encontravam o Presidente da AAACM António Saraiva de Reffóios (529/1963), o Presidente cessante Martiniano Gonçalves (9/1958) e o Organizador do jantar Luís Bernardes dos Reis (429/1962)
Terminou solicitando uma salva de palmas para o Martiniano Gonçalves (9/1958) pelo trabalho e acção desenvolvida na Direcção antecedente por ele presidida. O nosso anfitrião, António José de Azeredo Lopes (350/1954), disse nada terem de lhe agradecer, antes pelo contrário, era ele que a todos agradecia a presença, manifestando o enorme prazer que sentia neste convívio e ressaltando que o mérito destes encontros se devia ao Vítor Oliveira Santos, ao Luís Bernardes dos Reis e ao Fernando Roque do Vale. O Colégio tinha para si um valor muito especial. Para além de ter tido o privilégio de o frequentar como aluno bem como o seu filho, pode servi-lo como Oficial, Instrutor Militar, Professor e Secretário-Geral. O Colégio é parte integrante da minha vida, afirmou. O João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), actual Subdirector, referiu que o Colégio no seu interior tem sofrido uma transformação positiva, os Alunos estão imbuídos da necessidade de estudar e bastante motivados, tendo o actual 12º ano média de 18 valores. Os valores da Seriedade, da Integridade, da Lealdade e da Camaradagem continuam a ser cultivados e constituem o padrão de conduta que hoje, como desde sempre, têm norteado os Alunos do Colégio.
© Foto Gonçalo Leal de Matos
As candidaturas para a sua frequência têm vindo a aumentar e as perspectivas são de que tal tendência se mantenha e atinja valores ainda mais altos. Todavia, não significa que não haja muito para se fazer e objectivos a alcançar que requerem o esforço de toda a Família Colegial e daqueles que querem ver este Colégio centenário sempre no lugar que por direito próprio lhe pertence. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
28/1949 365/1949 371/1949 154/1951 188/1951 245/1952 168/1953 270/1953 5/1954 110/1954 237/1954 350/1954 292/1955 409/1955 423/1955 63/1955 135/1956 274/1956 275/1956 190/1957 242/1957 9/1958 493/1958 215/1959 236/1959 392/1959 501/1959 518/1959 77/1960 231/1960 277/1960 552/1960 146/1961 400/1961 579/1961 64/1962 140/1962 206/1962 429/1962 614/1962 157/1963 529/1963 539/1963 16/1964 118/1964 153/1964 363/1964 464/1964 94/1965 196/1965 393/1965 415/1965 483/1965 205/1969 666/1969 473/1970 618/1970 121/1971 329/1972 609/1973 641/1974 257/1978 118/1979 352/1979 223/1981 226/1981 340/1981 378/1981 380/1981
José Eduardo de Almeida Barata Correia Vítor Manuel de Oliveira Santos Gonçalo Salema Leal de Matos Carlos Manuel da Silva Monteiro Francisco Manuel Vidigal Solano de Almeida José Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes Luís Manuel Caldeira Pinto João Nuno Bellegarde Bello da Conceição Eduardo Henrique Vidigal Solano de Almeida Mário Quintanilha de Sampaio Nunes António Manuel da Costa Vieira Lisboa António José de Azeredo Lopes Manuel Augusto Moutinho da Silva Pereira José Manuel Vasconcelos de Magalhães Manuel Agostinho Freire de Menezes António dos Santos Castro Fernando José Raposo Marques Cavaleiro Mário Carlos de Sousa Tavares Mário João Conde de Carvalho Pereira Diogo José Brochado de Abreu Arnaldo José Lima dos Reis Maya Martiniano Nunes Gonçalves Luís Filipe da Silva Rocha Fernando Delfim Tavares de Almeida António Cortez Freire Damião Feliciano José Mora Moniz dos Santos José António Governo Picciochi Fernando Faustino Roque do Vale Joaquim José Arranhado Bação Carlos de Alpoim Vieira Barbosa Carlos João Fernandes Pereira da Fonseca João Sanches de Miranda Mourão Luís Alexandre Mateus de Magalhães José Francisco Machado Norton Brandão Manuel Quintino Filipe da Silva João Lopo Pinto Cancella de Abreu José Manuel Lopes Piairo António Manuel Restani Graça Alves Moreira Luís Fernando Bernardes dos Reis José Manuel Cabanas Nunes Pantaleão João António Feio Pereira António José Valles e Saraiva de Reffoios José Manuel Spínola Barreto Brito Carlos Alberto de Brito Pina Luís Carlos Fonseca Mourão da Costa Campos José Nunes do Rosário e Silva Leitão Francisco António Henriques Esteves João Manuel Simões de Carvalho António Alexandre Castanheira Coelho Luís Alberto de Brito Correia de Matos José Eduardo Jorge Eiras Dias João Carlos Romão Matias José Manuel Pais Sampaio Eduardo Manuel Abreu de Oliveira Pegado Eduardo José de Carvalho Marques Sérgio Vasco Travassos Marques de Lemos Alberto Luís e Silva Maria dos Santos Pedro Jorge Vieira Correia de Oliveira Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano Jorge Manuel Noronha da Silveira Caetano Pedro Nuno Gonçalves Alexandre Pedro Miguel Noronha da Silveira Caetano Pedro Miguel Coutinho de Oliveira Pinto João Paulo dos Santos Gomes Luís Ricardo da Silva e Costa Roncon Santos Dário Duarte Mendes Prates António Mucharreira de Azeredo Lopes Miguel de Oliveira Baptista da Costa Freire
Dos Antigos Alunos Todos diferentes...mas todos iguais
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Todos diferentes... mas todos iguais. N
o meu primeiro dia de Faculdade tive aulas com um professor cego. Apresentámo-nos, como parecia ser uma prática comum com aquele sujeito, dizendo o nome, de onde vínhamos e para onde íamos, “se é que fazíamos alguma ideia”, dizia-nos ele. “Afonso Scarpa, sou Antigo Aluno do Colégio Militar, e...” interrompeu-me. “Mais um! Finalmente! Parece que vêem às mijinhas, mas vêm! Afonso, não é assim?”, “É sim, Sr. Professor...” – comecei a escorregar pela cadeira, lentamente - “Ouça, tenho-lhe a dizer que já conheci muitos Antigos Alunos do seu Colégio. É – e faço questão que todos aqui o ouçam bem – raro encontrar pessoas com tanto para dar, com “eles” no sítio e com tanto espírito!”. A minha chegada à Faculdade ficou marcada logo naquele dia. Eu, no fundo, tinha uma só certeza: escolhi Direito, entrei na faculdade, e a minha vida nunca mais ia ser a mesma, quer como estudante, quer como pessoa. Saí do Colégio faz quase 3 anos – perdoem-me aqueles que já saíram há quanto
tempo mais - e hoje, como em cada dia que passa, sinto que seria um “objecto humano” moldado de uma forma totalmente diferente, se na minha tão curta vida não tivesse existido o capítulo “Colégio Militar”. É unânime tudo isso, porque todos o sentimos, pelo que não cumpre de forma alguma dizer, outra e uma vez mais, aquilo que sempre ouvimos da boca dos Antigos Alunos, quando nos encontrámos e os olhámos como conhecidos a quem tinha sido injectado um vírus “socializador”, criando uma mutação muito estranha daquilo que foi o nosso graduado e nos mandou alinhar pela direita, ou engraxar as botas. O nosso “mundo” no Colégio tornou-nos especiais. Mas não há ilusões possíveis: humano nascido torto, nem como aluno, nem como Antigo Aluno do Colégio se endireita. É a experiência prematura ou amadurecida de cada um que o diz. Toda a gente muda, para melhor, para pior, para algo diferente. E se é verdade que “temos muito para dar” e somos bem-educados – pelo me-
nos tendencialmente mais do que os outros -, que muitos de nós “os têm no sítio... será também verdade que somos, aqui e ali, com aquele ou com o outro, um tanto ou quando imbecis. Eu terei sido, sou muitas vezes e creio que vou continuar a ser, infelizmente. E quem não é? O Colégio deu-me contudo, ao lado da minha família, um instrumento que faz toda a diferença. Uma coisa que pesa “arrobas” na minha consciência mas que, ao mesmo tempo, a faz tornar mais leve. O instrumento é irrenunciável e toca, como um sino, à semelhança de quando fazia alguma “das boas” e não queria dar o passo em frente, assumindo-o na formatura. Chama-se “Respeito”, e mesmo quando o omito para qualquer coisa na minha vida, o sino acaba por tocar, mais tarde ou mais cedo. O que, só por si, me faz ficar eternamente grato.
Afonso Castelo dos Reis Lopez Scarpa 222/2000
Homenagem ao Padre Braula Reis Realiza-se no próximo dia 6 de Setembro pelas 13 horas, no Restaurante Jardim da Luz, um almoço de homenagem ao Padre Braula Reis (antigo Capelão do Colégio) que termina a sua missão como Prior da Igreja de São Domingos e regressa definitivamente a Coimbra. Estão abertas as inscrições através da Secretaria da Associação, esperando-se grande afluência de todos os que foram seus alunos.
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Do Colégio Projecto “Livros para Cabo Verde”
Projecto
“Livros para Cabo Verde” C
omo alguém terá referido, “Um homem sonhou e fez”. Neste caso, “Outro homem plagiou o sonho, pediu ajuda e fizeram”. Fizeram ainda muito pouco. Mas muito pode e será feito. Em 2007, quando fui prestar serviço no Colégio, reparei que os alunos deixam uma quantidade significativa de livros, porque já não querem nem precisam. Logo me ocorreu que estes livros eram um bem muito valorizado e escasso em muitos locais que me são familiares e para pessoas que nos são tão próximas. Podia fazer a diferença num qualquer contributo do CM ao apoio do ensino e divulgação da língua portuguesa, além-fronteiras. De forma mais ou menos tímida e discreta, juntei-os, para ver o que dava. Trouxe mais os que tinha em casa. Pedi aos amigos e a alguns funcionários e amigos do Colégio.
Rapidamente tínhamos perto de 1 Ton. E agora? Para onde? E como? … Encontrei um artigo num jornal diário que, a respeito do desempenho escolar dos vários países, destacava Cabo Verde como o melhor “aluno” de entre as ex-colónias. Uma das
respostas estava encontrada. Lembrei-me do Pedro Batista Esteves Virtuoso (616/1967) que de pronto se disponibilizou. E cumpriu. Através da Transinsular (a quem passo a merecida propaganda e agradecimento) foi possível fazer chegar estes livros, aliás, manuais escolares, a Cabo Verde. Foi solicitado o apoio do Adido de Defesa, que coordenou e fez chegar os livros a algumas escolas da região da cidade da Praia, Santiago, Cabo Verde. Decorria o ano de 2008. Apesar de muito apreciada, esta iniciati-
va, pecava por não dar nada de troca à formação dos alunos do Colégio. Além disso dissipou-se por não ter um ponto de referência quer no terreno, quer cá, por forma a cativar mais vontades. Enquanto recomecei a juntar mais livros pensei que não deveria ser difícil concentrar tudo num local, numa biblioteca. Poderia muito bem ser uma Biblioteca Marechal Teixeira Rebello. Soava bem. Mas precisava de mais apoios, mais ajuda, mais pessoas que acreditassem nisto. Em simultâneo, era urgente enquadrar este projecto, de forma positiva e activa, na formação dos nossos Meninos da Luz. Pela dúvida, no início de 2009, já tínhamos perto de 1 Ton de livros, mais uma vez. E a vontade de os levar com uma comitiva de Colégio. Entretanto, fui colocado no Comando da NATO em Oeiras e depois projectado para a Etiópia a fim de integrar a missão da União Africana na Somália. Com receio de que o projecto caísse no esquecimento, solicitei ao Alexandre Santos (514/1970) que desse um empurrão e segurasse na criança até ao meu regresso. Correu muito bem. Neste mesmo ano de 2009, foi e levou com ele dois alunos e uma professora. Embora não tenha detalhes, tenho que referir o Francisco Manuel Martim Pereira do Valle (471/1969)
Do Colégio Projecto “Livros para Cabo Verde”
que sei ter apoiado esta missão. E claro, mais uma vez e sempre, a Transinsular. Mas depois, mais nada (?). Em 2010, infelizmente, não aconteceu nada. Quando o projecto começava a ter expressão, corria o risco de cair no esquecimento. Quando em Setembro voltei a ser colocado no CM, rapidamente se juntaram 2,5 Ton de livros e manuais escolares. Desta vez perdi a vergonha. Agradecimento sincero à Misericórdia de Santarém, aos Escoteiros do Agrupamento 52 de Santarém, ao meu querido amigo Pedro Godinho, à Junta de Freguesia de S. Francisco Xavier e a todos os que têm colaborado e apoiado. A todos os alunos e seus familiares, amigos e demais, que já contribuíram com os seus livros ou tencionam faze-lo. Mas o importante é que já estão lá estes 2.500 Kg e muitos mais se lhes irão juntar. Desta vez vão para um espaço próprio. A Biblioteca Marechal Teixeira Rebello, junto das Forças Armadas de Cabo Verde. E vai ser descerrada uma placa e colocado um retrato do Marechal. E vamos lá lançar a primeira pedra. E perceber esta outra realidade e as suas necessidades. E trazer essa nova para os meninos da luz a perceberem e aprenderem a importância da filantropia e da solidariedade. Vamos fazer crescer esta biblioteca, vamos alargar esta acção às áreas que for possível, levando, quando oportuno, alunos, familiares, antigos alunos, e demais voluntários para ajudar quem precisa e agradece. Juntando livros e prateleiras, dando aulas de português ou informática, organizando torneios de futebol ou xadrez, pintando paredes ou arrancando capim. O que são duas ou três semanas nas férias de cada um? Este é o desafio que temos que lançar ao Colégio e a todos que com ele estão relacionados. Vamos ensinar aos nossos alunos mais alguns valores que a sociedade insiste em esquecer. Mostremos também a esta nossa sociedade o quão diferente conseguimos ser. Pela Biblioteca Marechal Teixeira Rebello e por este Projecto, peço um forte ZACATRAZ! Quanto aos livros, façam-nos chegar ao Colégio. Telf 962457293 Rui Miguel Laboreiro Risques da Costa Ferreira 516/1976
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Do Colégio “Meninos da Luz” vencem a 4º Edição do concurso N@Escolas
”Meninos da Luz”
vencem a 4ª Edição do concurso N@Escolas promovido pelo Diário de Notícias
F
oi na segunda-feira, dia 23 de Maio, que se soube da notícia grafada no título: Os “Meninos da Luz” são campeões, mais uma vez… Todos ficamos radiantes com as notícias que todas as semanas chegam até nós pela internet, pelas revistas ou pelas newsletters a informar que o Colégio vence campeonatos nacionais de esgrima, de pentatlo moderno, de atletismo… Enfim, já estamos habituados a ser bons no desporto! O que não temos estado tão habituados ultimamente – e infelizmente – é a ganhar “campeonatos” de “desporto para o cérebro”, ou seja, de inteligência, mas esta realidade está a mudar e a prova é exactamente a que me leva a escrever este artigo, a recente vitória do concurso N@Escolas. Este concurso é um projecto educativo do Diário de Notícias onde podem participar todas as escolas do país, com as equipas que quiserem participar. Assim, na edição deste ano participaram 600 escolas e mais de 1500 alunos! O concurso tem várias fases: Numa primeira fase, os alunos tinham de escrever um editorial de jornal e uma pequena biografia de uma personalidade que tivessem gosto em entrevistar. Esta personalidade tinha de estar ligada ao painel temático em que a equipa estava a concorrer. Havia 6 painéis: “Internacional”, “Política”, “Economia”, “Desporto e o sucesso escolar”, “Sociedade” e “Cultura”. Nós escolhemos o tema “Sociedade” sobre o qual desenvolvemos um editorial sobre o voluntariado e escolhemos a Dr.ª. Isabel Jonet (Presidente da Federação dos Bancos Alimentares) como individualidade a entrevistar. E assim foi, passámos a primeira fase sem qualquer problema e tivemos a sorte de conseguir entrevistar mesmo a Dr.ª Isabel Jonet que, muito amigavelmente, se ofereceu desde logo, de forma muito voluntariosa, para nos ajudar no que fosse necessário. A 2ª fase foi organizar um congresso onde entrevistássemos a nossa convidada. A Dr.ª Isabel Jonet veio ao Colégio e tivemos uma manhã de sexta-feira muito agradável onde pudemos discutir os temas mais interessantes da solidariedade e do voluntariado mais especificamente. Chamou-se a esta fase “Dia DN – Road Show” e as fotografias podem ser consultadas no link http://nescolas.dn.pt/index.php?a=roadshow1011&a ction=roadshowg&id=6
Depois do congresso entrámos numa fase em que tivemos de fazer uma reportagem vídeo a par de uma biografia e de uma reportagem por escrito sobre a forma como correu o congresso que tivemos de organizar. Foi a fase mais trabalhosa tendo em conta o apertadíssimo mapa de actividades (e de testes) que os Colegiais sempre têm! Este documento pode ser visualizado no seguinte link http://nescolas.dn.pt/index.php?a=reportagem1011&action=recebidos&idw=5 Feito isto, enviámos para a internet os dados e estes ficaram sujeitos a uma votação e à apreciação de um júri supostamente idóneo… Foi aqui que as coisas correram mal. Plenamente confiantes de que tínhamos passado à próxima fase (a “Grande Final”!), fomos consultar os dados quando estes foram publicados na internet e, qual não foi o nosso espanto quando vimos que tínhamos ficado para trás! “Como é que é pos-
sível?” – Perguntou alguém – “Malta, venham ver as equipas que nos passaram à frente, são péssimas” – disse outro – “Deve ter sido um erro” – concluí eu, por fim, que olhei para a cara incrédula do resto da equipa e me senti de súbito desiludido. Mas à boa maneira colegial, as coisas não ficaram por aqui. Aliás, eu até já tinha mandado um mail para a organização do concurso com uma reclamação sobre a falta de rigor que detectámos em algumas estruturas do concurso – mail que, até hoje aguardo resposta… Ter-nos-ão “chumbado” devido ao mail? Quem sabe… Reparámos que no sítio do N@escolas, na página onde podíamos ver os finalistas, havia também uma secção que se denominava “Suplentes”, secção onde o nome “Meninos da Luz” constava logo em primeiro lugar. Ao início pensámos “fica para a próxima”, mas passadas umas horas já estávamos a pensar em telefonar para a organização ou escrever uma carta a reclamar… A verdade é que eles se anteciparam a nós e entraram em contacto com o nosso professor para lhe fazer uma proposta que para eles devia parecer maliciosa, uma vingança pelo mail, mas que para nós não nos assustou nada, até nos agradou. Então a proposta era irmos à final “surgiu uma vaga” – diziam eles – mas num painel diferente do que estávamos inscritos. “Qual?”, “Desporto”. Nem foi preciso acrescen-
Do Colégio “Meninos da Luz” vencem a 4º Edição do concurso N@Escolas
tar mais nada. Começámos logo a pensar em outras coisas que tínhamos para fazer durante esse dia, já com a sensação de dever cumprido de quem consegue alcançar um objectivo difícil de se alcançar. Faltavam poucos dias para o dia da grande final e finalmente recebemos informações sobre o modo como se iria processar a final, quem eram os convidados, que tipo de perguntas é que se pretendiam. Como bons Meninos da Luz que somos, receber informações de véspera é coisa que não nos assusta grandemente, fazê-las de véspera, então, é que é a nossa especialidade. Fizemos um excelente trabalho de pesquisa durante um fim-de-semana, preparámos guiões e estudamos os entrevistados. Fizemos bem o “trabalho de casa”, não queríamos chegar à final sem ser para ganhar aquilo… A final tinha um formato extremamente complexo teoricamente, mas muito simples na prática. Havia debates, surpresas, conferências de imprensa, alunos para aqui, alunos para ali, entrevistas para cá, entrevistas para lá. Quanto mais procurávamos saber como é que ia ser a final mais confusos ficávamos… E tudo correu de forma normal: “tenham calma, façam as perguntas de forma natural” – dizia o professor (a.k.a. Tenente) Teixeira - “não se preocupe sêtor” – mandou alguém. De facto, naturalidade e calma foi o que não nos faltou… Quando lá chegámos deparámo-nos com uns bandos de hooligans, vestidos a rigor: “viemos ganhar a Europa” era o que uma T-Shirt dizia. Eram “apenas” as claques. Ainda não tínhamos entrado no S. Jorge e estávamos a deliciar-nos com o espectáculo – algo barulhento, diga-se – das claques, quando se chega a nós uma senhora com uma ar de estranha felicidade, de quem se sente aliviada por não ser a responsável pela gestão de 50 jovens sedentos por uma vitória, dispostos a furar os tímpanos a qualquer um que duvidasse da sua vontade de vencer. Nós também tínhamos a nossa claque… Estávamos todos impecavelmente de cor-de-pinhão e não estávamos à espera de ir a um sítio mais parecido com um estádio de futebol do que propriamente com um cinema centenário. Só serviu para termos a certeza de que realmente o Colégio Militar ainda marca a diferença em relação aos restantes jovens da sociedade. Parecíamos uns gentlemen britânicos no meio da floresta amazónica… Éramos o único reduto civilizacional naquele antro de claques. Riamo-nos… Depois de entrarmos e recusarmos respeitosamente colocar a T-Shirt N@Escolas em cima da nossa farda de pano, fomos assistir a umas boas vindas da parte do DN, como uma locutora de rádio do género “Miley Cyrus” a fazer uma alegre animação da plateia. Finalmente chegou o momento que tanto esperámos. “Vamos mostrar quem somos e vamos ganhar isto” – pensávamos. Sentaram-se na mesa um professor universitário da FMH, um médico e capitão de Rugby da selecção nacional e o seleccionador nacional de Judo. Não nos intimida-
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ram, eram simpáticos e receptivos às perguntas. Questionámos, voltámos a questionar e tirámos notas. Estava feita a conferência de imprensa, restava-nos esperar pelo resultado da decisão do júri. Fomos lanchar e fomos chamados para o auditório. Queríamos saber o resultado, mas ele tardava em chegar. Primeiro sortearam entradas para o Bon Jovi, depois câmaras fotográficas e ainda deu tempo para ser feito muito barulho. Finalmente chegaram os envelopes, o nosso coração começou a palpitar… “Os vencedores da categoria internacional são…” “Os vencedores da política são..” “Vá lá digam os vencedores do desporto” – pensei. “E os grandes vencedores da categoria desporto são…. (pausa) A nossa equipa era constituída por três alunos do 8º (12º) ano e dois do 7º(11º): Tomás Virtuoso (comandante da 1ª 164/2003), André Florêncio (** 2ª 412/2003), Bernardo Serrão Brochado(*** 1ª 450/2003), José Afonso (* 1ª 20/2004) e Nuno Nina Santos (* 1ª 28/2004), respectivamente. Estávamos em pulgas, mas tínhamos ouvido a tarde inteira elogios, o que nos fazia sentir uma confiança e pouco nervosismo para a situação. (pausa) … Os Meninos da Luz” (…) Que sensação. Nem soubemos como reagir! “Ganhámos” era apenas o que dizíamos uns para os outros, não sei se em jeito de afirmação ou se era uma questão que colocávamos a nós próprios. À medida que íamos descendo as escadas fomos recebendo os parabéns e felicitações das equipas mais desportivistas. Ganhamos uma viagem à Europa, uma assinatura anual do DN, uns livros, mas acima de tudo ganhou o nosso Colégio prestígio, muito prestígio. Pelo que quem está de parabéns somos todos nós e não apenas a minha equipa. A mensagem que se agora impõe é o repto às gerações vindouras para que perpetuem o bom nome do Colégio através de iniciativas deste género em que tenham a possibilidade de participar. Não nos pode bastar ser os melhores da nossa turma ou do nosso curso, temos de querer ser os melhores de Portugal. Aproveitamos para agradecer a colaboração de todos os que tornaram este sonho possível e pelo apoio que sempre recebemos de várias gerações diferentes de antigos e actuais alunos. Bernardo de Valadares Serrão e Fernandes Brochado Aluno 450/2003
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Colaboração Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
José Alberto da Costa Matos 96/1950
Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz» Há uns tempos, numa conversa com algumas pessoas, durante a qual me posicionei como ouvinte atento, lá ia intervindo de vez em quando para salientar que determinada personalidade mencionada no diálogo era Antigo Aluno do Colégio Militar. Estas minhas intervenções foram-se repetindo duas, três, cinco, sete vezes, até que alguém teve este desabafo: “Bolas!... Mas haverá alguém de jeito neste país que não seja Antigo Aluno do Colégio?!!
H
á uns tempos, numa conversa com algumas pessoas, durante a qual me posicionei como ouvinte atento, lá ia intervindo de vez em quando para salientar que determinada personalidade mencionada no diálogo era Antigo Aluno do Colégio Militar. Estas minhas intervenções foram-se repetindo duas, três, cinco, sete vezes, até que alguém teve este desabafo: “Bolas!... Mas haverá alguém de jeito neste país que não seja Antigo Aluno do Colégio?!!” Fiquei a pensar durante uns dias nesta observação que, ainda agora, amiudadamente recordo. Todavia, era um facto que eu não mentira, nem inventara Antigo Alunos...!! Se alguma “culpa” havia naquelas circunstâncias, ela não era minha, era deles e do Colé-
gio que os educara. Depois, pus-me a imaginar que, conhecendo cada um de nós aqueles que são mais próximos da sua geração, o certo é que nos escapam-nos muitos outros, mais antigos, sobre os quais pouco ou nada sabemos. Quando muito poderemos, perante um nome, procurar no “Quem é quem” se ele foi antigo aluno do Colégio Militar... Mas sobre a qua-
, era um facto que eu não mentira, nem inventara Antigo Alunos...!! Se alguma “culpa” havia naquelas circunstâncias, ela não era minha, era deles e do Colégio que os educara.
se totalidade dos antigos “Meninos da Luz” desconhecemos aquilo que foram como Homens e como Cidadãos, bem como o que fizerem pelo País ou pela sua Sociedade durante a sua existência. A norma mais comum é que “morreu... esquece-se!”. Há coisa de uns quatro a cinco anos, quando me resolvi a descobrir quais os Antigo Alunos cujos nomes figuravam na toponímia portuguesa, tinha como objectivo tentar divulgar diversos Antigo Alunos que não faziam parte do lote habitualmente mencionado nos discursos oficiais a título de exemplos representativos do mérito do Colégio Militar enquanto estabelecimento militar de ensino e formação (Serpa Pinto, Gomes da Costa, Pinheiro Chagas, Tenente Valadim, Carmo-
Colaboração Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
na, Pereira d’Eça, Craveiro Lopes, Abel Botelho, Spínola, Monteiro Torres, Humberto Delgado, Henrique de Carvalho, Costa Gomes, etc.). E no “3 de Março” de 2009 lá teve lugar a cerimónia de apresentação do livro “O Colégio Militar na toponímia portuguesa”. Recordo-me de ter então afirmado que, para além dos que constavam naquela obra, havia muitos outros Antigos Alunos que, pelos mais variados motivos, tinham também atingido uma notoriedade que não conhecíamos, e até acrescentei (imprudência a minha!...) que ainda gostaria de vir a divulgá-los num futuro trabalho.
a história do Colégio Militar é uma insondável “caixinha de surpresas”... Mas não é menos verdade que a comunidade dos seus Antigos Alunos é também um surpreendente manancial de homens notáveis e de cidadãos exemplares, que carece ser conhecida e amplamente divulgada. Por causa desta “imprudência”, passei desde então a “bisbilhotar” a vida de centenas de “Meninos da Luz” já falecidos, e o que tenho desvendado surpreende-me a cada momento. Costumo aliás dizer que a história do Colégio Militar é uma insondável “caixinha de surpresas”... Mas não é menos verdade que a comunidade dos seus Antigos Alunos é também um surpreendente manancial de homens notáveis e de cidadãos exemplares, que carece ser conhecida e amplamente divulgada. É evidente que uma parte importante do que foram essas vidas resultou da personalidade, do carácter e da influência paterna, mas hoje não tenho dúvidas de que a parte restante foi muito marcada pelo modelo educativo do Colégio, pelo seu ensino exigente, pelo culto dos seus valores e pela prática de princípios éticos e sociais que permanecem como elementos complementares da personalidade de cada um, balizando o
«o Colégio Militar, longe de embotar o raciocínio dos seus alunos, estimula-lhes, isso sim, a liberdade de pensar, proporciona-lhes o exercício da criatividade individual e leva-os à necessidade de fundamentar e assumir o modo como agem ou como pensam. percurso das suas carreiras profissionais e servindo de farol quando tiveram que tomar decisões, em especial as que, pelos efeitos que podiam ter no rumo dos acontecimentos ou no destino de pessoas, eram por isso mais difíceis ou complexas. A diversidade de trajectos de vida, a multiplicidade de profissões e a diversidade e realizações que se nos deparam torna-se de facto uma evidente demonstração prática de que «o Colégio Militar, longe de embotar o raciocínio dos seus alunos, estimula-lhes, isso sim, a liberdade de pensar, proporciona-lhes o exercício da criatividade individual e leva-os à necessidade de fundamentar e assumir o modo como agem ou como pensam. E isto é coisa bem diferente da existência de regras de vivência e de funcionamento colectivo que, afinal, existem em todos os grupos sociais, quaisquer que eles sejam. O Colégio Militar procura hoje, como sempre, dotar cada um dos que nele têm o privilégio de estudar, de um conjunto de valores intemporais e de um punhado de conceitos éticos e de cidadania que os capacite de
Dignidade, Dever, Responsabilidade, Honra, Coragem, Liberdade, Justiça, Solidariedade e amor à Pátria são valores que só podem incomodar aqueles que não são capazes de os assumir e praticar, ou por interesse pessoal, ou por incapacidade.
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serem cidadãos livres e independentes e de poderem servir o Portugal e os seus concidadãos. Dignidade, Dever, Responsabilidade, Honra, Coragem, Liberdade, Justiça, Solidariedade e amor à Pátria são valores que só podem incomodar aqueles que não são capazes de os assumir e praticar, ou por interesse pessoal, ou por incapacidade. Aquilo que o “Menino da Luz” faz depois de deixar o Colégio Militar depende apenas da sua livre e exclusiva vontade. Mas as ferramentas para vencer, essas leva-as consigo na mente. Foram-lhe oferecidas na sua segunda “casa”, naquela em que cresceu durante grande parte da sua adolescência» - como escrevi na introdução de “O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa”. Sem pretender dar conselhos a ninguém, atrevo-me a lembrar que talvez não fosse desajustado de todo que os pais e os avós de jovens prestes a concluir o 1.º ciclo do ensino básico, avaliassem bem as vantagens que o Colégio pode proporcionar aos seus filhos ou netos, preparando-os para serem adultos de verdade. É que 208 anos de experiência e inquestionáveis resultados constituem “carta de recomendação” que mais nenhum estabelecimento de ensino poderá apresentar. Ainda que seja muito cedo para revelar os resultados da minha “bisbilhotice” - como atrás lhe chamei – talvez possa ir adiantando algumas facetas curiosas de antigos alunos, as quais, provavelmente, poucos ou nenhuns conhecerão. Vamos então a isso, por ordem de antiguidade, partindo do mais antigo para o mais moderno.
Sem pretender dar conselhos a ninguém, atrevo-me a lembrar que talvez não fosse desajustado de todo que os pais e os avós de jovens prestes a concluir o 1.º ciclo do ensino básico, avaliassem bem as vantagens que o Colégio pode proporcionar aos seus filhos ou netos, preparando-os para serem adultos de verdade.
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Colaboração Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
JOÃO MARIA DE MAGALHÃES Nasceu a 8 de Outubro de1835.
projectou a arborização da serra de Monsanto, bem como de outras áreas envolventes, que, contudo, só se concretizaria decorridas que foram mais de sete décadas.
ADRIANO AUGUSTO DE PINA VIDAL
Nasceu em Elvas a 3 de Setembro de 1841.
Estudou no Colégio Militar, onde foi admitido em 1846 como aluno n.º 144. Em 1850, concluído o curso colegial, assentou praça como voluntário. Depois de ter concluído o curso de Infantaria, foi promovido a alferes em 29 de Junho de 1852, contava então 17 anos de idade, tendo atingido o posto de general de brigada em 1894. Em Setembro de 1860, foi encarregado pelo governo de frequentar o curso de Engenharia Florestal na Escola Florestal Imperial de Nancy, tornando-se em 1866 no primeiro engenheiro florestal português. Dois anos depois, em 1868, propôs e
Frequentou o Colégio Militar, no qual foi admitido como aluno n.º 47 em 1851. Durante o curso foi premiado nas cadeiras de Matemática e de Ciências Naturais, em que obteve Medalha n.º 2 (prata) no ano lectivo de 1856-57. Ainda aluno finalista, tendo ocorrido o falecimento do professor de Matemática do seu curso, foi então escolhido para o substituir, acontecendo assim a situação excepcional de ter sido simultaneamente estudante e professor. Ao longo da sua carreira foi ainda professor da Escola do Exército, professor e reitor da Faculdade de Ciências de Lisboa, e docente em vários outros estabelecimentos de ensino, vindo a atingir em 1903 o posto de general de divisão.
JOÃO ANTÓNIO PERY DE LINDE
Nasceu em Lisboa a 1 de Novembro de 1861. Foi admitido como aluno do Colégio Militar em 1873, tendo-lhe sido atribuído o n.º 115. Em 1920, enquanto governador da Companhia de Moçambique, criou o que é hoje o Parque Nacional da Gorongoza no território de Manica e Sofala, que então era administrado por aquela Companhia.
Com efeito, por despacho de 18 de Outubro daquele ano, mandou estabelecer uma reserva de cerca de 1000 quilómetros quadrados na Circunscrição da Gorongoza, para “protecção, propagação e conservação da vida selvagem e da vegetação espontânea, e ainda para conservação dos objectos de interesse estético, geológico, pré-histórico, arqueológico ou de outro interesse científico, em benefício e para recreação do público, e no qual é proibido caçar, abater ou capturar animais e destruir ou colher plantas”, como veio a ser publicado no Boletim Oficial n.º 6 da Companhia de Moçambique.
FRANCISCO ANTÓNIO DE ALMEIDA MOREIRA Nasceu em Viseu, a 25 de Novembro de 1873.
Colaboração Redescobrindo o Colégio e os «Meninos da Luz»
Estudou no Colégio Militar, onde foi admitido como aluno em 1885, com o n.º 118, após o que frequentou o curso de oficial de Infantaria na Escola do Exército Uma das suas principais actividades, realizada com rara competência, dedicação e carinho, foi a criação e organização do Museu Regional de Grão Vasco, em Vi¬eu, criado em Dezembro de 1915.
Com o posto de capitão, foi o seu primeiro director, a ele se ficando a dever não só a constituição do notável recheio do museu, mas também a sua divulgação através de obras literárias e de conferências realizadas em Viseu, Aveiro, Lisboa, Porto e Rio de Janeiro, entre outras. Realizou também estudos de história e fez crítica de arte. Doou à cidade de Viseu a sua residência, nela se encontrando instalado o ”Museu Almeida Moreira” dotado de um recheio constituído por biblioteca, pinturas, mobiliário, porcelanas, esculturas além de várias outras peças que lhe pertenciam.
Após o curso no Colégio Militar, frequentou a Escola Politécnica onde, entre 1898 e 1901, fez os estudos preparatórios para a admissão ao curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, que veio a concluir em 1905, mais uma vez, com excelentes classificações. No início de Outubro deste mesmo ano foi promovido a alferes, tendo atingido o posto de coronel em 1928. Foi fundador do Aeroclube de Portugal, sendo seu sócio n.° 1.
Em 1898, com 10 anos, foi admitido no Colégio Militar tendo-lhe sido dado como aluno o n.º 219. Tornou-se de imediato uma celebridade colegial porque, apesar de criança, usava um monóculo, que nunca mais abandonaria, e que lhe valeu desde logo a alcunha de “Mirolho”. Enquanto colegial foi um aluno regular, distinguindo-se porém pela habilidade de mãos de que era dotado, sendo portanto brilhante nas disciplinas de Desenho e de Trabalhos Manuais.
Após brilhantíssimo curso efectuado em 1915-16 na Escola Superior de Aeronáutica e Construções Mecânicas de Lousane (Suíça), em resultado do qual se tornou no primeiro engenheiro aeronáutico português. Quando da reorganização em Portugal da Aeronáutica Militar, levada a cabo em 1918, foi nomeado director do Parque de Material Aeronáutico, então instalado no campo de Alverca do Ribatejo, que era conhecido por “Feira do Major”, posto que então ocupava Ribeiro de Almeida.
CAETANO ALBERTO DA SILVA SANCHES DE CASTRO
Nasceu em Lisboa a 27 de Março de 1888.
PEDRO FAVA RIBEIRO DE ALMEIDA Nasceu em Lisboa a 13 de Dezembro de 1880. Estudou no Colégio Militar onde, em 1892, foi admitido como aluno n.º 164, vindo a concluir o curso colegial em 1898. Durante o curso foi premiado com as medalhas de ouro de História (1895) e de Filosofia (1897), e as medalhas de prata de Geografia (1894), de Latim (1895), Matemática (1897) e de Comportamento Exemplar (1896 e 1897).
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Frequentou a Escola de Aviação de Voisin, em França. Logo que foi “largado”, regressou de comboio a Portugal, acompanhado de um avião “Voisin Antoinette” de 40cv, devidamente desmontado. Com a sua natural vocação mecânica fez ele próprio a montagem da aeronave num improvisada base que estabeleceu num terreno plano situado no Mouchão da Póvoa de Santa Iria. Testado o motor e os instrumentos, no dia 10 de Setembro de 1912 efectuou quatro curtos voos de ensaio que fizeram dele o primeiro português a efectuar um voo sobre território nacional Deste feito foi lavrada a seguinte acta: “Nós abaixo assinados, testemunhamos ter visto no dia dez de Setembro de mil novecentos e doze, o Sr. Alberto Sanches
O Colégio Militar foi seleccionado para participar no Projecto-Piloto, Fado – Património da Humanidade.
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de Castro, voando em aeroplano á altura aproximada de cinco metros, atravessando parte do Mouchão da Póvoa: e a fim de que este voo o primeiro realizado por um português em terras de Portugal em aeroplano com motor, fique registado, lavramos a presente acta. Seguem-se as assinaturas: “Norberto Gonçalves, António Canelas, Eugénio Ferreira, António Pinto, António Pinola e Francisco Gonçalves”. Irrequieto, engenhoso e aventureiro, dedicou-se a várias actividades: pintura, caricatura, jornalismo, decoração, docência, comércio de automóveis (com stand nos Restauradores) e publicidade (como o conhecido logotipo do vinho do Porto “Sandeman” com uma silhueta negra de chapéu de aba larga).
José Alberto da Costa Matos 96/1950
A Câmara Municipal de Lisboa apresentou, em Junho de 2010, a candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO). Esta candidatura pressupõe a elaboração de um Plano de Salvaguarda integrado no património do Fado que prevê o desenvolvimento e implementação de um programa educativo envolvendo os vários ciclos e níveis de ensino. É neste contexto que o Museu do Fado está a promover um projecto-piloto, lançando o convite às escolas da cidade de Lisboa, para apresentação de propostas na área educativa. O Colégio Militar empenhou-se neste Projecto, coordenado pela Professora Alexandra Coutinho, apresentando a sua proposta, através da qual foi uma das 4 escolas seleccionadas para o Projecto-Piloto. A proposta do CM prevê o desenvolvimento de quatro acções: - Visitas de estudo ao Museu do Fado; - Realização no CM de um concerto de Fado; - Promoção de trabalhos de Pesquisa sobre ex-alunos com ligação ao Fado; - Realização de um Concurso para interpretação de temas de Fado. A candidatura ajuda-nos a redescobrir, a conhecer, a compreender melhor e a consolidar, todos juntos, o papel fundamental que o Fado tem no nosso olhar sobre nós próprios, na nossa consciência da identidade portuguesa, na nossa capacidade simultânea de sermos quem somos, mas de estarmos permanentemente abertos ao mundo. Quando a consagração da UNESCO chegar, como esperamos, será a segunda vitória, porque a primeira já a conquistámos nós mesmos.
Colaboração Ainda o Marechal Gomes da Costa
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Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Ainda o Marechal Gomes da Costa N
o número 181 Outubro/Dezembro de 2010 da nossa revista, foi publicado um artigo meu intitulado “Uma faceta desconhecida do Marechal Gomes da Costa”, em que resumi um artigo do senhor Tenente Coronel Sousa Cruz, publicado na Revista Militar, com o título “Duas cartas geográficas de 1909 da autoria do então Major de Cavalaria Manuel de Oliveira Gomes da Costa”. Para minha surpresa, ainda eu não tinha recebido o meu exemplar da revista, já estava a receber uma mensagem de email do senhor Tenente Coronel Sousa Cruz, a comunicar-me que tinha gostado do artigo e a lamentar o facto de eu não ter referido ser ele também antigo aluno do Colégio, sendo o 168 de 1944. Apressei-me a responder-lhe, pedindo desculpa pelo meu lapso involuntário, pois não fazia ideia de que também ele fosse Menino da Luz. Aqui ficam também as minhas desculpas públicas. Também para minha surpresa, fui abordado, passados alguns dias, pelo Pezarat Correia (10/1943), que me informou de uma incorrec-
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Colaboração Ainda o Marechal Gomes da Costa
ção no meu artigo, que derivava do facto de se indicar no mesmo que Gomes da Costa tinha sido Oficial de Cavalaria, quando, na realidade, era Oficial de Infantaria. Como entretanto me recordei que tinha o livro de memórias do Marechal, que herdei da biblioteca do meu avô paterno, decidi tirar a questão a limpo e verifiquei que o Pezarat Correia tinha razão. Nas suas memórias, indica Gomes da Costa, que concluído o seu curso na Escola do Exército, foi promovido a Alferes graduado para Infantaria 11, em Tomar, tendo passado daí, “aborrecido daquela vida de província”, para Lisboa, para o 1 de Infantaria. No meu artigo anterior, indiquei que o artigo da Revista Militar em que me inspirei, apresentava fotografias constantes do seu livro de memórias, que seria interessante publicar na nossa revista. Assim sendo, tomo agora a liberdade de enviar cópias dessas fotografias para publicação com o presente texto. Penso não cometer uma ilegalidade, dado o livro de memórias ter sido publicado há mais de 80 anos. Refiro finalmente que Gomes da Costa relata no seu livro a sua experiência como Menino da Luz, de que transcrevo a parte inicial: “O grande, o enorme prazer que eu senti quando vesti, pela primeira vez, o meu uniforme de colegial! O grande e enorme prazer quando pus na cabeça o meu barrete, adquirido no velho Jorge Belo do Rossio! Foi meu tio Madeira quem se encarregou de me mandar fazer o uniforme e enxoval. Soldado verdadeiro da escola do Taborda, não transigia em regulamentos e o uniforme foi executado à risca: a calça muito larga em cima e estreita em baixo, o primeiro uniforme de botões amarelos
lisos e o segundo de botões de ferro envernizados de preto, à caçadora, a gola apenas com carcela de pano verde”
Daquilo que o Marechal nos conta, a vida no Colégio, naquela época, não era pêra doce. Era bem mais dura do que aquela que eu vivi. O “espírito do Colégio “ era, no entanto, o mesmo, como se pode ver através desta transcrição das suas memórias: “Havia um grande espírito de camaradagem e a mais odiada e repugnante traição era acusar. Ninguém acusava o outro: eu e todos nós fomos por vezes punidos por culpas doutros; mas ninguém acusava.
Era também ponto de honra, não deixar que um camarada fosse punido por culpas nossas: o delinquente, vendo o camarada acusado e a ponto de ser punido, denunciava-se – Meu Tenente, quem fez isso, fui eu.”
Refiro finalmente que Gomes da Costa, nas suas memórias, tem uma passagem curiosíssima, que é a descrição da viagem que fez, de Macau para Lisboa, antes de entrar no Colégio. Foi uma viagem de seis meses, na galera “Viajante”, pelo cabo da Boa Esperança. Viagem a lembrar as dos tempos do Vasco da Gama, fez-me pensar na enorme evolução que o mundo teve entre a infância e a morte do Marechal.
Candidaturas ao Colégio Militar para o ano lectivo 2011/2012 Estão abertas as inscrições para os Ratas que vão entrar em 2011. Já levaste um candidato ao Colégio? Ainda vais a tempo. Ele que leve um Amigo também. Para mais informações consulta o site do Colégio Militar.
Colaboração Projecto Fim do Império
Projecto
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Fim do Império A
tertúlia Fim do Império completou o seu 5.º ciclo, Olhares sobre Angola, a propósito do 50.º aniversário do início da guerra, com a apresentação seguida de debate de quatro livros da colecção também intitulada Fim do Império, em que participam e são referenciados muitos Antigos Alunos. As sessões tiveram lugar na Livraria Municipal Verney, no centro histórico de Oeiras, sendo um grande entusiasta da realização destes eventos o Manuel Júlio Matias Barão da Cunha (150/1948). Kinda, da autoria do Major Piloto-Aviador Carlos Acabado, que debutou aos 75 anos de idade, sendo acompanhado pelo Major-General da Força Aérea Martins Rodrigues e Coronel «Comando» Raul Miguel Socorro Folques (380/1952) - 15 de Fevereiro de 2011. Caleidoscópio, da autoria do Tenente-Coronel de Infantaria Rui de Freitas Lopes, que publicou o seu primeiro livro aos 88 anos de idade e foi acompanhado pelo Tenente-General do Exército José Lucena - 15 de Março de 2011. Descolonização de Angola – a Jóia da Coroa do Império Português, Editorial Inquérito, 1991, do Major-General Pedro Júlio de Pezarat Correia (10/1943), acompanhado pelo Coronel Piloto-Aviador Dr. José Villalobos Filipe – 5 de Abril de 2011. Angola 1961, da Baixa do Cassange a Nambuangongo e Operações em Angola (Prémio Ministro da Defesa 1999) da autoria do Tenente-Coronel Dr. António Pires Nunes, acompanhado pelo Coronel Ribeiro Soares – 17 de Maio de 2011.
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Colaboração Genética Animal
Genética Animal A
5 de Julho de 1996, nascia no Instituto Roslin, na Escócia, a Ovelha Dolly, o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta. Com ela nasciam também um conjunto de questões éticas e morais relativas à manipulação genética contrapostas com um conjunto de possíveis vantagens e possibilidades que daqui poderiam advir.
Actualmente, a discussão expande-se a outros pontos, nomeadamente aos organismos geneticamente modificados e, mais particularmente, a sua inclusão na alimentação, tanto animal como humana. Na União Europeia, estes organismos são já passíveis de ser utilizados, nomeadamente soja, milho e algodão, e outros estão em fase de discussão e avaliação. O recurso a estes organismos, que supostamente trazem algumas vantagens relativamente aos “naturais” como maior resistência a doenças, crescimento mais rápido, maior produção entre outros, suscita grandes discussões que podem ser observados com relativa regularidade nos meios de comunicação social, através de protesto e até destruição de culturas. Este é, sem dúvida, um ponto de delicada discussão e debate. Podemos ainda olhar a questão de um outro prisma. Desde a domesticação de diferentes animais que o Homem efectua uma forma
de selecção genética, ainda que em fase inicial de forma algo empírica e actualmente de uma forma mais científica. O objectivo seria seleccionar os animais que produzissem mais, que crescessem mais depressa, que tivessem uma prole maior, enfim, aqueles que mais se adequassem ao objectivo para o qual tinham sido domesticados. Este ponto assumiu, nos dias de hoje, um ponto de sofisticação capaz de nos deixar verdadeiramente espantados. Vejamos como exemplo a produção de aves, nomeadamente de frangos, já que nesta produção o nosso país é auto-suficiente e tem também um consumo bastante significativo, com 24Kg de carne frango por ano por habitante, em média. A produção industrial de frangos processa-se a três níveis. No topo da pirâmide, os aviários de selecção, onde são escolhidos os animais que manifestam as características desejadas pelos seleccionadores e que depois acabarão por determinar as características da quase totalidade de animais existentes. No nível imediatamente inferior encontram-se as explorações de multiplicação onde, como o nome indica, os animais escolhidos no primeiro nível são reproduzidos em grande escala. Por fim, e ao nível da base, estão as explorações de engorda, onde os pintos crescem até ao tamanho desejado pelo revendedor e pelo público. Ora, através disto, é-nos já possível compreender que a quase totalidade do produto final que nos chega está nas mãos daqueles que se encontram no topo da pirâmide, já que todos os restantes agentes trabalham em função daquilo que os seleccionadores apresentam. Mais interessante ainda, o facto de o grupo de seleccionadores a nível mundial ser extremamente reduzido, mais concretamente 4.
Estas empresas dominam o mercado de comercialização de frangos de engorda e da sua genética e atingiram actualmente um nível de sofisticação tal que os animais, ao serem entregues para multiplicação ou engorda vêm, literalmente, com um manual de instruções onde são definidos os padrões de crescimento ao dia, as necessidades alimentares para cada instante, entre outros factores, tudo calculado ao mais ínfimo pormenor. O que se tira como conclusão de tudo isto é a mera questão de que se nos incomoda a manipulação genética e a inclusão de organismos geneticamente modificados na nossa alimentação (ou mesmo que não o faça), é importante reflectir sobre outros pontos pertinentes da nossa actividade que nos leva a seleccionar animais para um determinado objectivo que nos pode interessar e a par disso transportamos características que a natureza eliminaria.
São outros exemplos várias raças de cães como o Bóxer, com um focinho com dimensões inferiores ao natural e que o tornam particularmente propensos a problemas respiratórios e outros ou o Basset Hound, em que as pregas abdominais são consideradas como elemento de beleza mas que podem impedir o animal de se conseguir reproduzir sem assistência humana. João Calos Agostinho Alves 110/1996
Colaboração Portugal e as suas Línguas
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António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950
PORTUGAL E AS SUAS LÍNGUAS
Mapa Anterior à existência de Portugal1
Mapa de Portugal Continental
Mapa da Área da Língua Mirandesa
‘LA LHÉNGUA MIRANDESA’ INTRODUÇÃO À LÍNGUA MIRANDESA Hai lhénguas que to is dies se morrem, i hai lhénguas que to is dies renácem Hai lhénguas cum sons scritores, i hai lhénguas de cuntadores Hai lhénguas que son de muitos, i hai lhénguas que poucos úsan Mas todas eilhas, se son llénguas de giente, son complexas na mesma.
NOTA PRÉVIA: Será que já habituei os leitores à pergunta sacramental: O que me levou a decidir escrever um artigo sobre a outra Língua Portuguesa – a Língua Mirandesa? A razão é muito simples: algumas semanas após ter escrito o artigo sobre ‘O Egipto e as suas Línguas’ dei por mim a pensar: então não será uma vergonha não escrever um artigo sobre o tema ‘Portugal e as suas Línguas’?
E assim nasceu este artigo que foi facilitado pelo facto de eu ser desde 1961 um leitor apaixonado da série de banda desenhada ASTÉRIX (textos de Goscinny e desenhos de Uderzo). Neste momento arrisco-me a admitir que muitos de vós estão a perguntar: que diabo tem uma coisa a ver com a outra?
1 -‘TIERRAS DESPOBLADAS’ – Assim era denominada a região geográfica na qual se incluía a área onde iria florescer ‘La Lhéngua Mirandesa’
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Colaboração Portugal e as suas Línguas
Acontece que foi publicado em Setembro de 2005 o primeiro número da série em causa (Astérix, O Gaulês) em Língua Mirandesa! – A capa está nesta página.… Claro que não resisti a comprá-lo e a deleitar-me, não com a história em si (que se encontra bem memorizada…), mas com uma comparação exaustiva dessa primeira aventura do fictício herói Gaulês, com as versões escritas, que já possuía, em Língua Francesa e Portuguesa. E foi assim que fui introduzido num estudo prático e divertidíssimo da nossa Língua Mirandesa! Finalizada que está esta nota prévia, vamos então entrar propriamente no artigo (que vai descrever quase tudo o que eu aprendi sobre esta nossa Língua minoritária!).
ORIGENS DA LÍNGUA MIRANDESA A Língua Mirandesa é uma Língua Românica falada no Norte da Península Ibérica, próxima do Português. É falada em Portugal, por umas 15.000 pessoas, principalmente residentes em aldeias do concelho de Miranda do Douro e em três aldeias do concelho de Vimioso, numa zona geográfica de aproximadamente 500 Km2, estendendo-se a sua influência a aldeias dos concelhos de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Bragança. A sua utilização tem pois como limites geográficos um quadrilátero (de forma aproximadamente trapezoidal)
com os seus vértices em Miranda do Douro, Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro. O Mirandês tem três dialectos (Mirandês Central ou Normal, Mirandês Setentrional ou Raiano, Mirandês Meridional ou Sendinês) e a maioria de seus falantes são bilingues ou trilingues, pois falam o Mirandês, o Português (Pertués) e o Castelhano. Os textos existentes mostram a inter penetração de traços fonéticos, sintácticos e vocabulares, das diferentes línguas, em que o Português é mais cantado, sendo considerado pelos Mirandenses, como Língua culta, fidalga e importante. A sua origem remonta ao período em que, numa zona muito mais vasta, incluindo Astúrias e Leão, algumas populações começaram a utilizar uma forma de expressão oral com muitos traços comuns entre si e que a distinguiam de outras também em formação: o Galego - Português e o Castelhano. A essa forma de expressão oral deu a tradição linguística a denominação de Leonês, denominação essa que tem vindo a ser substituída pela de Asturio-Leonês, mais conforme com a sua antiga extensão histórica e geográfica. Trata-se de uma forma de expressão oral que enfrentou os séculos sem o apoio de uma escrita específica, dado que no tempo da sua maior pujança se escrevia quase exclusivamente em Latim, e que passada essa época, só as línguas que correspondiam ao poder mais forte, politicamente centralizado e solidamente estabelecido, cultivaram e desenvolveram escritas organizadas e acabaram por estabelecer normas com tendência unificadora. Apesar disso, é possível à história desta Língua encontrar, sobretudo em documentos de cunho não literário, testemunhos escritos da existência e persistência desse antigo agrupamento linguístico ao longo dos séculos. A manifesta perda de influência daquele que foi o primeiro reino cristão da Península Ibérica e se viu politicamente absorvido pelo Reino de Castela, com carácter definitivo a partir do século XIII (1226), fez com que o Asturio-Leonês tivesse sido
progressivamente assimilado pelo Castelhano e visse goradas as suas possibilidades de expansão e de afirmação como Língua Nacional; isto não impediu no entanto, que do Asturio-Leonês tivessem permanecido alguns vestígios. O Mirandês, variedade do Leonês Ocidental, é disso um exemplo vivo (e o facto dessa zona geográfica se localizar em Portugal – portanto fora da influência e opressão política e linguística Castelhana - e ser utilizado numa zona mais ou menos isolada geograficamente, por estar rodeada por montanhas e rios, fez com que a Língua Mirandesa tivesse conseguido manter a sua existência e evolução ao longo dos séculos). EVOLUÇÃO DA LÍNGUA MIRANDESA Tendo a língua Mirandesa uma forte tradição oral e passando de pais para filhos ao longo dos tempos, só em 1882 começou a ser escrita e investigada por José Leite de Vasconcelos, ilustre filólogo, arqueólogo e etnógrafo português. Ele inicia a História literária Mirandesa publicando uma mão-cheia de poesias suas e de Camões num livro intitulado, “Flores Mirandesas”; recolhe nas aldeias do concelho de Miranda do Douro, vários contos, histórias, lendas, fábulas, provérbios, adivinhas, cantigas de amor, de humor, de devoção, etc.; escreve ainda, o ensaio “O Dialecto Mirandês”, com o qual ganhou o galardão das Sociedades das Línguas Românicas de Montpellier, e os “Studos de Filologie Mirandesa” I e II, em 1901. Manuel Sardinha traduz poesias de Antero de Quental. Bernardo Fernandes Monteiro traduz os quatro Evangelhos: São Lucas, São Marcos, São Mateus e São João, tendo Trindade Coelho publicado alguns excertos no jornal “O Repórter”, em 1896, e Gonçalves Viana outros, na “Revista de Educação e Ensino” com texto por ele revisto, escrevendo ainda textos vários em prosa que publica no jornal “O Mirandez”; António Maria Mourinho publica um livro de poesias de sua autoria, “Nossa Alma e nossa Terra” (em 1961), “Scoba Frolida An Agosto/Lhiênda de Nôssa Senhora de L Monte de Dues Eigreijas” (em 1979) e
Colaboração Portugal e as suas Línguas
“Ditos Dezideiros” (em 1995); Manuel Preto2 publica “Bersos Mirandeses” (em 1993); Moisés Pires publica “Eilementos de Gramática Mirandesa” e “Pequeinho Bocabulário Mirandês-Pertuês”, em 2004. Outros seguiram-lhes os passos, estando agora a escrita a florescer. Apresento as minhas desculpas antecipadas por eventuais inexactidões e omissões. Quem pesquisa está sempre sujeito a ter percalços. Foi dentro dum espírito de colaboração e interesse pelo desenvolvimento da Língua Mirandesa que foi estabelecida uma Convenção Ortográfica, inteiramente patrocinada pela Câmara Municipal de Miranda do Douro e levada a cabo por um grupo de entendidos linguistas, com vista a estabelecer regras claras para escrever, ler e ensinar Mirandês, bem como estabelecer uma escrita o mais unitária possível e consagrar o Mirandês como Língua minoritária de Portugal. O desenvolvimento, a vida moderna, a TV e as pressões do Português e do Castelhano são perigos que ameaçam o Mirandês nos dias de hoje. Por isso, em sua defesa, se têm tomado algumas medidas: O seu ensino oficial, como opção, nas escolas preparatórias do concelho de Miranda do Douro desde o ano de 1986/1987 (graças a uma autorização ministerial de 9 de Setembro de 1985); a publicação, pela Câmara Municipal de Miranda do Douro, de vários livros sobre e em Mirandês; a realização anual pela Câmara Municipal, de um festival da canção e de um concurso literário; o seu uso em festas e celebrações da cidade de Bragança (discursos, missas, etc.) e de vez em quando, na imprensa, rádio e televisão. VITALIDADE DA LÍNGUA MIRANDESA A Língua Mirandesa, além de ser uma língua perfeita, com todos os elementos que uma língua pode ter, quer quanto à fonética, quer quanto à morfologia e à sintaxe, é um legado riquíssimo dos nossos ascendentes com oito séculos de existência; tem vocábulos cheios de beleza e doçura; cria laços de união, fraternidade, familiaridade, afecto e bairrismo sadio entre os mirandeses; identifica-os e valoriza-os; enriquece-os culturalmente; torna-os mais conhecidos, falados e visitados.
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Asterix, l heirói destas abinturas. Pequeinho guerreiro, guicho i fino cumo las streilhas, dan-le siempre las missiones mais peligrosas. La fuorça subre-houmana d’Asterix bien de la pocion mágica de l druida Panoramix.
Todos estes factores foram certamente reconhecidos pela ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA quando, em 17 de Setembro de 1998, reconheceu oficialmente o Mirandês como uma Língua minoritária Nacional. Vamos terminar este artigo com três páginas dedicadas a ilustrar a vitalidade da nossa Língua Mirandesa e a sua condição de Língua Nacional (e não dialecto…): - Excertos das aventuras de ‘Astérix, O Gaulês’ , nas Línguas Mirandesa e Portuguesa. - Um conjunto escolhido de adivinhas e provérbios em Língua Mirandesa. - O texto de agradecimento da Comunidade Mirandesa – lido na Assembleia da República Portuguesa – por ocasião do reconhecimento oficial dos seus direitos linguísticos (no dia 17 de Setembro de 1998). É pois, repito, uma língua minoritária Portuguesa e não um dialecto. Nota Final – Não resisto a alertar os leitores para aquele que pessoalmente considero o pormenor mais delicioso de toda a escrita Mirandesa: o equivalente ao artigo definido ‘o’ (na Língua Portuguesa) e ‘el’ (na Língua Castelhana) é em Mirandês simplesmente a letra ‘l’ (que se lê ‘el’, claro!). Acho este pormenor, fabuloso, em termos de simplicidade de processos e demonstrativo de uma verdadeira autonomia linguística!
Lhéngua Mirandesa Asterix L Goulés Stamos an 50 antes de Jasus Cristo. Toda la Gália stá adominada puls Romanos…Toda? Nó! Ua aldé chena d’eirredutibles Gouleses rejiste inda i siempre al ambasor.
2 - Não é meu familiar. A minha família tem as suas origens em Sesimbra.
Oubelix ye l amigo anseparable d’Asterix. Ye accarreador de menhires i gusta muito de chicha de cochino muntés. Oubelix stá siempre pronto a deixar todo para ir atrás de l sou amigo an nuobas abinturas. Çque haba cochinos munteses i porrada a ringalheira. Abraracourcix ye l maioral de la tribo. Pimpon, çcunfiado i baliente, l bielho guerreiro ye respeitado puls sous homes i temido puls sous einemigos. Solo tem miedo dua cousa: que l cielo le caia na riba la cabeça. Mas, ye cumo el diç, ‘Manhana nun será la biespera desse die! Sinto-me un cachico zbalido, Panoramix!... Nó, Oubelix!... nun te dou la pocion mágica ! Te dixe miles de bezes que caíste andrento quando eras pequerrico! Estes Romanos son boubos!
Língua Portuguesa Astérix O Gaulês Estamos no ano 50 antes de Jesus Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos Romanos…Toda? Não! Uma aldeia habitada por irredutíveis Gauleses resiste ainda e sempre ao invasor. Astérix, o herói destas aventuras. Pequeno guerreiro de espírito sagaz e viva inteligência, a quem são confiadas sempre as missões mais perigosas. Astérix deve a sua força sobre-humana à poção mágica do druida Panoramix. Obélix é o amigo inseparável de Astérix. É carregador de menires e grande apreciador de carne de javali. Obélix está sempre pronto a abandonar tudo para seguir o seu amigo em novas aventuras. Desde que haja javalis e grandes cenas de pancadaria. Abraracourcix é o chefe da tribo. Majestoso, impulsivo e corajoso, o velho guerreiro é respeitado pelos seus súbditos e temido pelos inimigos.
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Colaboração Portugal e as suas Línguas
Só receia uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça. Mas, como ele próprio afirma, ‘Amanhã não será a véspera desse dia!
Qual yę la cousa, qual yę eilha Que quando chega a casa Lhougo se pon a la jinela?
Sinto-me tão fraquinho, Panoramix!...
Que yę, que yę Que antes de l ser Yá l era?
Não, Obélix!... não te dou a poção mágica! Já te disse, mais de mil vezes, que caíste dentro dela quando eras pequeno. Estes Romanos são loucos!
Adivinhas
(La lhéngua, L rio, L bitelo na barriga de la mai, L aire, L reloijo, L nobielho, L boton, La pescada) Mais bale um paixarico na mano Que dous a bolar.
Conheço ua sinhora Mui assinhorada Nunca sal a la rue I sięmpre stá molhada.
Provérbios
Lhargo cum’un camino, Funga cum’ un cochino.
Cesteiro que fai un cesto Fai un ciênto, Dando-le berga i tiêmpo.
Que yę, que yę Que passa na ribeira I nun molha l pie? You cuôrro i nun tengo pięrnas Assobio i nun tengo boca Mas nunca naide me biu I tengo bastante fuôrça. Que cousa yę? Ua casa cun doze damas Cada dama ten quatro quartos Todas eilhas ténen meias I ningua ten çapatos. Que yę, que yę Yę cumprido cumo ua strada Mas cabe nua mano cerrada?
Quien cuônta un cuônto Acrecénta-l’ un puônto.
Malo háia quien mal de mi diç: Malo háia quien me lo chega al nariç. Nun te fies an perro que nun lhadra, Nin an home que nun fala. Antre primos i armanos Nun metas las manos.
Filho sós, Pai serás, Cumo fazires, Assi acharás. Quien buôna semiênte sembra bun trigo cuôlhe.
La Lhéngua Mirandesa La Lhéngua Mirandesa, doce cumo ua meligrana, guapa i capechana, nun yê de onte, detrasdonte ou trasdontonte mas cunta cun uito séclos de eijistência. Sien se subreponer a la “lhéngua fidalga i grabe” l Pertués, yê tan nobre cumo eilha ou outra qualquiêra. Hoije recebiu bida nuôba. Saliu de l absedo i de l cenceinho an que bibiu tantos anhos. Deixou de s’acrucar, znudou-se de la bargonha, ampimponou-se para, assi, poder bolar, strebolar i çcampar l probenir. Agarrou l ranhadeiro para abibar l lhume de l’alma i l sangre dun cuôrpo bien sano. Chena de proua, abriu la puôrta de la sue priêça de casa, puso fincones ne l sou ser, saliu pa las ourriêtas i preinadas. Lhibre, cumo l reoxenhor i la chelubrina, yá puôde cantar, yá se puôde afirmar. A la par de l Pertués, a partir de hoije, yê lhuç de Miranda, lhuç de Pertual! (A par do Português, a partir de hoje, é luz de Miranda, luz de Portugal!). Texto de Agradecimento pelo reconhecimento dos direitos linguísticos da Comunidade Mirandesa. Assembleia da República Portuguesa Lisboa, 17 de Setembro de 1998
Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”, realizado no final do ano passado. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.
Colaboração Biossegurança
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Biossegurança Participação da Direcção de Saúde no exercício FELINO 2010 D
ecorreu nos dias 18 a 28 de Março de 2011, o Exercício Militar “Felino 2010”, em Angola, que visou organizar a acção das forças armadas da comunidade lusófona, no quadro das Operações de Apoio à Paz e de Ajuda Humanitária em situação de crise. Foram desenvolvidas operações de ajuda humanitária, com o apoio de Organizações Não-Governamentais, em campos de refugiados, consubstanciadas na entrega de alimentação, roupas e assistência médica. O exercício teve uma forte componente dos Serviços de Saúde Militar, que se encarregaram de empreender acções de reorganização do sistema de saúde, sobretudo no controlo das doenças epidémicas e num surto de febre hemorrágica. O exercício compreendeu três fases principais: a realização do treino cruzado, durante o qual existiu uma troca de experiências entre os participantes; a fase de planeamento das acções e a sua execução; e demonstrações militares reservadas a altas entidades. A necessidade da realização do Exercício Felino decorre da I Reunião de Ministros da Defesa da CPLP, realizada de 20 a 21 de Julho de 1998, no âmbito da qual foi acordada, por unanimidade, a realização de exercícios militares para o treino e preparação de unidades aptas para participação em Operações Humanitárias e de Apoio à Paz. Na sequência da referida reunião, Portugal foi, então, o primeiro país a acolher o Exercício Felino, em 2000, na região de Lamego, no formato com tropas no terreno. Desde então, o exercício, que se realiza todos os anos, destina-se ao treino e aprontamento das Forças da CPLP para o desempenho de missões de paz. Com base na actual conjuntura geopolítica internacional, o exercício visa também criar um cenário conjunto de situações que permitam um treino realista de quadros e tropas dos países da CPLP. Conduzir um treino cruzado visando a integração das Forças participantes e a troca de experiência na execução de técnicas específicas e na utilização de diferentes equipamentos e armamentos, permitindo e facilitando simultaneamente uma adaptação às condições em que se desenrolará a acção, constituí também um dos objectivos do exercício, que tem lugar desde 2000.
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Colaboração Biossegurança
A região de Cabo Ledo, na província do Bengo em Angola, acolheu, durante o período compreendido entre o dia 18 de Março até ao dia 28, o exercício Felino 2010, concebido para treinar forças militares com capacidade de intervenção em missões de manutenção de paz e ajuda humanitária sob a égide das Nações Unidas. Inserido num conjunto de manobras militares conjuntas e combinadas, o Exercício Felino foi desenvolvido no âmbito da cooperação técnico-militar entre os membros da CPLP. Nos termos do “acordo técnico” entre as forças armadas dos países membros, cada um dos Estados participou com 20 efectivos, com excepção de Angola, que participou com mais de 800 homens, e de Portugal, que contou com 29 participantes. O objectivo principal foi treinar para melhorar a eficiência no planeamento, comando, controlo e conduta nas missões de ajuda humanitária, manutenção de paz, busca e salvamento.
“O cenário do exercício Felino 2010”, que aconteceu na região de Cabo Ledo, nas instalações da Brigada de Forças Especiais de Angola, é fictício e simulou uma situação de crise humanitária com implicações de segurança, num ambiente permissivo, empregando dados geográficos reais do país. Sendo que, o cenário das manobras foi elaborado tendo em conta as necessidades de treino da Força Tarefa Conjunta/ Combinada (FTCC), no âmbito do Exercício Felino 2010. Em função do cenário, a Força Tarefa Conjunta/Combinada da CPLP realiza o exercício na área de operações, levando a cabo acções de paz, realizando missões de ajuda humanitária com o apoio das Organizações Não-Governamentais junto dos campos de refugiados, doando alimentação, roupa e assistência médica. O cenário do Exercício Felino 2010, em Cabo Ledo, foi marcado com uma demonstração e simulação de intervenção médica a doentes com o vírus de Ébola.
A intervenção médica foi realizada pelos Serviços de Saúde das Forças Armadas Angolanas com o apoio técnico na área de Biossegurança do Tenente-Coronel Farmacêutico Newton, do Brasil, e do Capitão Veterinário Pedro Miguel Tomás Silva (189/1991), de Portugal. Esta actividade teve como objectivo simular uma hipotética presença de doença de um vírus de febre hemorrágica na região. As acções realizadas foram de carácter preventivo para controlo de doenças de vírus de febre hemorrágica. A caracterização foi o reflexo do que aconteceu em 2005, na província do Uíge, onde as Forças Armadas Angolanas exerceram um papel fundamental na erradicação da doença. O objectivo deste exercício foi compreender quais as medidas de isolamento apropriadas de um surto de um vírus de Febre Hemorrágico e como utilizá-las para prevenir transmissões posteriores nas Instituições de Saúde nos vários países da CPLP.
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montado na área da Saúde pela Direcção dos Serviços de Saúde das Forças Armadas Angolanas. O exercício serviu para conhecimento mútuo de várias técnicas e tácticas combinadas entre as forças dos países membros da CPLP, no sentido de agirem em caso de necessidade e contribuiu para uma maior capacidade e coesão das Forças Armadas da CPLP. Estes exercícios foram considerados uma referência obrigatória na componente de defesa e segurança da comunidade e um exemplo de crescimento e maturidade institucional que se regista no seio da CPLP. Por outro lado, o Exercício Felino 2010 exerceu um papel importante para a comunidade, uma vez que permitiu experimentar, com êxito, as operações de ajuda humanitária, com apoio de organizações vocacionadas para tal em campos de refugiados, consubstanciado no fornecimento de bens alimentares, vestuário e assistência médica e medicamentosa. No dia do encerramento foi realizada uma demonstração estática, onde estiveram presentes os ministros angolanos da Defesa, da Saúde, Planeamento, Relações Exteriores, Assistência e Reinserção Social, Interior, Finanças, Comunicação Social e embaixadores dos países membros da CPLP; E teve por base a escolta de uma ambulância dos serviços de saúde, que transportava pessoal médico e amostras de sangue suspeito de estar contaminado com o vírus de Ébola, que foi atacada no troço São Bravo e Cabo Ledo por elementos não identificados. As forças de Fuzileiros Navais em missão de patrulha na orla marítima desembarcaram, atacaram e capturaram os rebeldes. No decurso desta situação, as unidades da CPLP infiltraram no local três helicópteros que fizeram a descontaminação do local com dois técnicos sanitários equipados com meios apropriados. Outro helicóptero aterrou junto da escolta, e as forças da CPLP recuperaram as
amostras de sangue, que transportaram para o laboratório de referência, garantindo a segurança dos materiais. Os cenários montados durante o Exercício Felino 2010 permitiram aos militares dos vários países da CPLP atingir os objectivos pretendidos, destacando-se o cenário
Pedro Miguel Tomás Silva 189/1991
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Colaboração Biossegurança
Notícia no “Jornal de Angola”, que fez a cobertura do exercício. Reportagem Jornal de Angola – André da Costa | Cabo Ledo - 26 de Março, 2011
Oficial médico realça técnica dos angolanos “A qualidade do atendimento aos doentes que ficaram afectados pelo vírus do Ébola, na República fictícia da Quiçalândia, foi destacado pelo médico veterinário do exército português, capitão Pedro Miguel Tomás Silva. Em declarações ao Jornal de Angola, Tomás Silva frisou que as Forças Armadas Angolanas (FAA) estão organizadas ao nível do pessoal médico e equipamentos utilizados para salvar vidas humanas. “É necessário dar os parabéns aos Serviços de Saúde das FAA pela qualidade e experiência dos seus técnicos e o empenho para salvar vidas humanas”, disse. Para o oficial médico do exército português, a metodologia aplicada pelos técnicos de saúde no terreno equipara-
-se à estudada na Europa. Tomás Silva disse também que a sua participação no Exercício Felino 2010, onde representa os serviços de saúde de Portugal, é positiva, na medida em que permite trocar experiências com colegas de outros países da CPLP, na vertente prática. Destacou os aspectos de organização, planeamento do exercício e felicitou o nível organizativo e a disciplina demonstrada pelo efectivo. A experiência adquirida, disse, permite afirmar que o vírus do Ébola provoca mortes na ordem dos 90 por cento. A experiência no terreno acrescentou, mostrou a importância em cumprir os procedimentos de segurança, desde o diagnóstico, enterro das vítimas e protecção de familiares das vítimas.”
Recordando Recordações dos meus tempos do Colégio
Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Recordações
dos meus tempos do Colégio E
mbora o espírito e as questões fundamentais permaneçam inalteráveis com o decorrer dos anos, mais enraizadas e mais firmes, as modificações próprias do evoluir dos tempos e da dinâmica das gerações vão acontecendo sem que o Colégio deixe de ser o que era, sempre foi e há-de continuar a ser. No meu tempo, quando entrávamos para o Colégio (para o 1º, 2º ou 3º ano) éramos considerados Ratas, título que perdíamos com o findar do ano lectivo. Actualmente existe uma situação prévia para os actuais Alunos serem promovidos a Ratas em que são apelidados de “turistas”. Sem que tal designação traga qualquer mal ao Mundo, confesso não simpatizar com o termo nem vislumbrar que essa diferenciação tenha alguma mais-valia para a vivência colegial.
Fotografia mais recente do que em 1949 mas ainda com a configuração daquele tempo 1 - Pavilhão da Química, 2 – Desportiva, 3 – Pátio da Infia, 4 – 1ª Companhia, 5 – Pavilhão de Desenho e Trabalhos Manuais, 6 – Pavilhão e Museu de Ciências Naturais, 7 – Pátio das Osgas, 8 – 2ª Companhia, 9 – 3ª Companhia, 10 – 4ª Companhia
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Recordando Recordações dos meus tempos do Colégio
Nos anos quarenta/cinquenta, a vida colegial concentrava-se no edifício principal dos Claustros e nalguns anexos agregados (hoje inexistentes e em boa hora demolidos) como eram as instalações da 1ª Companhia (pavilhão de um só piso e que em tempos serviu de picadeiro) onde se chegava por um corredor com início no acesso à Sala de Armas e Biblioteca, e o edifício da 2ª de 2 andares, situado em frente da Igreja da Luz e que, conjuntamente com o Laboratório de Física e as aulas de História e de Geografia, limitava o Pátio das Osgas. As Companhias bem como as salas de aula estavam integradas no corpo principal do Colégio e nos edifícios anexos já referidos. De fora e muito próximo estavam o Pavilhão das Ciências Naturais e respectivo museu, o Pavilhão dos Trabalhos Manuais, ambos localizados na actual Parada Nova mas muito próximos do tardoz do edifício dos Claustros, o Pavilhão da Química (actual Messe de Oficiais e Professores). Um pouco mais distante, logo a seguir à
Enferma, o Picadeiro, o ringue de hóquei em patins e o tanque de remo. O Ginásio, que tinha sido inaugurado no ano anterior ao da minha entrada, era o único edifício que havia para além do campo de futebol que se encontrava ainda em construção. Os terrenos, onde hoje existem o Edifício do Corpo de Alunos e respectiva Parada, bem como as oficinas, lavandaria e pavilhões de apoio, faziam parte da Quinta dos O’Connor Shirley, família muito numerosa e cujos rapazes frequentavam o Colégio Manuel Bernardes no Lumiar mas que connosco mantinham boas relações. Depois da Enferma havia uma estufa com plantas, a estufa do Fone – adaptação do von alemão para a fonética portuguesa – alcunha do Subdirector Coronel Vieira da Fonseca cuja figura lembrava a de um empertigado oficial alemão (figura que ao tempo aparecia com regularidade nos jornais e no cinema), e logo junto o tanque de remo, o campo de hóquei em patins e o picadeiro. No Quartel da Formação, actualmente
sede da Associação dos Antigos Alunos, estava aquartelado o contingente de Militares (Sargentos, Cabos e Soldados) que prestavam apoio ao Colégio, para além das lavandarias e das cavalariças que albergavam o apreciável conjunto de cavalos permanentemente ao serviço do Colégio, com excepção dos garranos que habitavam em estábulos existentes junto de uma horta (produtora de legumes para consumo interno) e localizada onde hoje se encontra o Pavilhão das práticas laboratoriais, de línguas e de informática. Nesse tempo o 1º e 2º ano tinham aulas de volteio (com garranos) e a partir do 3º ano todos os Alunos tinham aulas de Equitação duas vezes por semana. No Teatro Dom Luiz Filipe havia de vez em quando uma sessão de cinema e uma vez por ano um espectáculo de ilusionismo com a actuação de Max Lussafan e a sua Partennaire. Não sei por que razão mas era sempre ele (se por magreza do cachet ou por cunha no contratante) que se exibia anualmente para o Batalhão, passando por vezes as “passas do Algarve” com a nossa irreverência (dos mais velhos) que sistematicamente punham a descoberto ou para isso diligenciavam algumas magias que o Max trabalhosamente tentava levar à cena. A Partennaire, com o seu ar espampanante e formas bem torneadas, enchia o olho da miudagem. A 1ª Companhia ocupava o balcão e as 2ª, 3ª e 4ª Companhias ficavam na plateia por esta ordem desde o palco. Numa das frisas, normalmente na do lado direito, ficava o Oficial de Dia. O estado do tempo não nos molestava muito pois que, apenas tínhamos de enfrentar as suas agruras, na ida para o Picadeiro, para o Ginásio, para o Cinema e em trajectos muito curtos e rápidos para os Pavilhões das Ciências, da Química e dos Trabalhos Manuais. Todos os dias tinha lugar a Formatura do Almoço, em que era passada revista ao Batalhão pelo Oficial de Dia e, por vezes, pelo Brigadeiro-Director. Com bom tempo a 1ª e 2ª Companhias formavam na metade norte dos Claustros e a 3ª e 4ª Companhias na metade sul. Se chovesse, as Companhias formavam
Recordando Recordações dos meus tempos do Colégio
debaixo da arcada, uma em cada um dos lados do quadrado. Neste aspecto de enfrentar as inclemências do tempo éramos uns privilegiados em relação aos actuais Alunos que têm de percorrer maiores distâncias a céu aberto entre os diferentes locais onde se desenvolvem diariamente as suas actividades mas, em compensação, estes desfrutam hoje de magníficas instalações em nada comparáveis com as que então existiam. Terminada a revista, o Batalhão desfilava em continência encaminhando-se para o Refeitório que ficava onde hoje se encontra o Museu Colegial. A ligação dos Claustros à Parada Nova não existia sendo esse espaço e a Biblioteca dos Alunos ocupado pelas cozinhas onde se confeccionavam todas as refeições. Aí havia também uma pequeníssima sala que consistia na Messe de Oficiais. As refeições eram servidas pelos Fâmulos que envergavam casaco branco e as calças da sua farda castanho-escuro com um vivo verde na ilharga, comandados pelo seu chefe, o João Meia Lua assim alcunhado pela sua proeminente careca. As mesas eram de quatro e em cada uma delas havia uma garrafa de vinho que dava para quatro pequenos (muito pequenos) copos. Genericamente os mais novos não bebiam e as quota-parte que lhes correspondiam por vezes transitavam de mesa em mesa desde a 1ª até à 4ª Companhia. Algumas mesas instituíam no seu seio re-
gras complementares às regras gerais de compostura, de aprumo e de bem-estar. Lembro-me da minha mesa no meu terceiro ano no Colégio constituída pelo 117 José Machado Faria (três estrelas da 2ª), pelo 365 Victor Oliveira Santos e pelo 375 Fernando Rosário Duarte, o Mickey, (já falecido), onde quem tivesse nos exercícios escritos das diferentes disciplinas Bom ou Muito Bom tinha direito a comer as sobremesas dos restantes, salvo se algum deles nesse dia tivesse tido um Suficiente. Havendo mais do que um Bom (situação que não me ocorre tenha acontecido alguma vez), a regra era a divisão das sobremesas
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entre os que o conseguiam. Acontece que o Machado Faria era um aluno brilhante e os restantes elementos da mesa nem por isso. Não raras vezes, quando chegava o final da refeição, o Machado Faria exibia os seus Bom e Muito Bom e lá iam as nossas sobremesas. Quando na mesa algum de nós era aniversariante, no final do almoço aparecia o João Meia Lua com uma bandeja, 4 cálices e a tradicional garrafa de Vinho do Porto para se brindar a efeméride e homenagear o neófito que, mais tarde no Geral da Companhia, levava o competente “Ramalho”. O Refeitório dispunha de um sistema de som e um gira-discos. À 4ª Feira havia almoço-concerto promovido pelo Professor Jayme da Silva (o Zé Carioca), um grande Professor de Música e Canto Coral e Maestro do Orfeão que sob a sua regência atingiu os mais altos padrões de qualidade e de eficiência. O Orfeão, ao tempo, era constituído pela maior parte do efectivo do Batalhão Colegial. Poucos eram os que ficavam de fora e estes constituíam um grupo muito desafinado e sem qualquer jeito para as cantorias. Ora nos dias de almoço-concerto em cada mesa estava um programa, produzido através de stencil, sistema de reprodução de documentos avançado para a época e que hoje faria rir as nossas camadas mais jovens, onde se referenciavam as obras que iriam ser tocadas e número dos Alu-
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Recordando Recordações dos meus tempos do Colégio
nos que tinham feito o pedido antecipadamente. O programa era constituído por uma primeira parte de música clássica e a outra de música ligeira com as canções em voga e mais do agrado geral. Nesses dias não se conversava durante o almoço e o Professor Jayme da Silva passeava-se por todo o espaço com um pequeno maço de papelinhos na mão, que distribuía a quem os solicitasse, para serem feitos os pedidos dos trechos que iriam constituir o programa da próxima semana. Alguns mais atrevidos, quando o Professor Jayme da Silva estava de costas voltadas chamavam a sua atenção com o vulgar “pst, pst”, forma habitual de chamar os empregados de café. Este chamamento incorrecto e deselegante deixava o Professor Jayme da Silva furioso e ai daquele que por ele fosse apanhado. Nesse tempo a saída geral era uma vez por mês e era necessário ter bom comportamento. Havia umas saídas suplementares para os melhores Alunos. Todas as saídas tinham lugar no período da tarde de Sábado com regresso ao Colégio no Domingo até às dez e meia da noite. Fiz esta referência para registar mais outro acontecimento de carácter social que tinha lugar todos os Domingos: o Chá Dançante. O Chá Dançante realizava-se no Refeitório (onde algumas mesas eram retiradas para dar lugar à pista de dança) e a música era dada pelo sistema sonoro aí existente e, como os contemplados com saídas suplementares eram reduzidos, nos fins-de-semana havia sempre uma grande população colegial que recebia as visitas de Pais, Irmãs, Primas e Amigas, fazendo com que eles decorressem com grande animação. O Colégio fornecia o chá e as bebidas tradicionais (laranjada, etc. – a Coca-Cola ainda não existia em Portugal), as Famílias a bolama cujos excedentes eram confiados ao João Meia Lua que os fechava a sete chaves para os fornecer ao longo da semana aos seus donos. Alguns mais bisonhos, mais sornas e que não queriam vestir a farda de pano, passeavam-se nos varandins exteriores existentes nas 3ª e 4ª Companhias localizados no andar superior dos Claustros, respec-
tivamente, a poente e a nascente, e daí observavam com olhar crítico e a devida apreciação as visitas que iam chegando. Às sete horas era prestada a Guarda de Honra ao arriar da Bandeira e a visita terminava. Todo o movimento de entrada e saída de pessoas era feito pela porta principal, através do Átrio do Fundador, com o controle do Fâmulo Lopes, mais tarde pelo Henrique. Hoje este acesso só é aberto em dias festivos e as entradas e saídas processam-se através do Pátio dos Fâmulos. Os fins-de-semana passados no Colégio eram divertidos e cada um entretinha-se com o que melhor lhe aprouvesse (praticando desporto, lendo, jogando, etc.) sem estar sujeito a horários ou obrigações com excepção das horas de alvorada e recolher e das horas das refeições. Guardo gratas recordações desses dias vividos no Colégio em que a “Desportiva”, assim se chamava a casa onde se iam requisitar os patins, as bolas, etc., que ficava paredes-meias com o Pátio da Infia, estava por nossa conta. O banho não era diário e tinha lugar a hora certa, no final da tarde. O balneário situava-se junto da Sala de Armas onde hoje creio que se encontra um arquivo. Previamente, as turmas com banho escalonado, passavam pelas Rouparias onde recolhiam o seu saco (aos quadradinhos azul e branco tal como existem actualmente) com a roupa lavada e que servia
para devolver a roupa suja após o banho. Em ordem de marcha seguiam para o balneário que era o reino do Fâmulo Artur (boa pessoa mas que tinha ar de poucos amigos, ar esse que não correspondia à realidade) e que comandava as operações do alto de uma armação de madeira com três a quatro degraus posta no lado poente do enfiamento da bateria de chuveiros. Os chuveiros estavam colocados na linha longitudinal do balneário e eram separados por painéis de alto a baixo em mármore. Em frente de cada chuveiro e individualizado por painéis de madeira existia um banco, cabides e local para se pôr a roupa. Quando a rapaziada estava pronta para o banho, o Ventura subia ao seu palanque com uma chave para abertura das duas válvulas (quente e fria) e com ela dava três toques nos canos metálicos de grosso calibre e que abasteciam de água todos os chuveiros em simultâneo. Era o sinal de que o banho ia começar e esse mesmo sinal mais tarde significava que a água ia ser cortada. O corte invariavelmente dava lugar a uma série de protestos pois havia sempre alguém que ainda estava ensaboado. Parece que estou a ver o Ventura com um sorriso malicioso a voltar a abrir as válvulas para de seguida, em pleno Inverno a cortar a água quente gelando os ensaboados e em pleno Verão cortar a água fria, criando uma atmosfera de vapor em que
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nada se via, e escaldava os incautos que permaneciam debaixo do chuveiro. Em ambas as situações a rapaziada saltava dos chuveiros com saltos que envergonhavam as rãs mais ginasticadas o que fazia com que o sorriso do Ventura se abrisse ainda mais. Estas situações eram acompanhadas de veemente protestos que se traduziam nos maiores impropérios dirigidos ao Ventura que se mantinha impassível no seu posto de comando. É claro que de seguida o Ventura regulava a água para a temperatura correcta e ninguém saía sem o banho convenientemente tomado. Não me recordo de alguma vez ter tomado banho sem que esta situação não tivesse tido lugar. Acho que nós já estávamos à espera que acontecesse e para o Ventura não era dia se não nos pregasse a partida. Os Professores eram todos Oficiais do Exército com algumas muito poucas excepções: o Dr. António Manuel Almodovar (o teacher), Professor de Inglês, o Dr. Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca (o dom-dom), recentemente falecido, Professor de Francês, o Dr. Norberto Pina Lopes (o pina lápis), Mestre de Trabalhos Manuais, Monsieur Marc Jean Raoul Regagnon, Professor de Francês prático e Mister Williams, Professor de Inglês prático. A grande maioria dos Alunos não era da Área Urbana de Lisboa como agora acontece, mas antes dos mais diversos pontos do País. Assim acontecia porque Liceus e Colégios de nomeada apenas existiam nas capitais de Distrito com algumas excepções pontuais como era o caso do Colégio de Santo Tirso tido na época como um dos melhores e onde se praticava uma disciplina severa. Para as Famílias que não residiam nos grandes centros urbanos não restava outra solução senão a de enviar os seus filhos para colégios internos. O nosso Colégio era na altura muito requerido e cabe aqui uma referência ao grande contingente da Alunos oriundos de grandes cidades (onde tinham disponíveis bons estabelecimentos de ensino) com destaque para o Porto e para Coimbra. A possibilidade de frequentar o Colégio era muito disputada, havendo sempre um grande número de candidatos para as vagas postas a concurso. A admissão era rigorosa e havia que ultrapassar um conjunto de provas (intelectuais, físicas e psi-
cotécnicas) para se conseguir a almejada entrada. Nesse tempo, os meios de transporte e as estradas nada tem a ver com aqueles de que dispomos actualmente. Uma viagem de comboio de Lisboa ao Porto (excepção para os comboios rápidos – cerca de seis horas) demorava quase doze horas (partida de manhã cedo e chegada ao fim da tarde). O mesmo acontecendo nos percursos por estrada para as cidades da faixa interior ou do litoral algarvio, sem falar nos casos extremos de Vila Real de Trás-os-Montes e de Bragança. De tudo isto resultava que uma boa parte dos Alunos apenas ia a casa dos seus Pais nas férias. Os mais velhos podiam aproveitar as saídas por sua conta e risco, restando aos mais novos a existência de algum familiar residente em Lisboa que os acolhesse. Acontece que também havia um grande espírito de camaradagem e não raro os oriundos de sítios mais distantes passavam fins-de-semana em casa de camaradas, cujos Pais os acolhiam como se fossem filhos. Como todos sabemos a rapaziada nos primeiros tempos sente a falta dos mimos da casa paterna mas rapidamente se esquece de dar notícias. Não havendo as facilidades de comunicação hoje existentes (recordo que um simples telefonema de Ferreira para Lisboa podia demorar algumas horas para se conseguir – o telefone era manual, o número era pedido a uma central em Torres Novas que por sua vez a solicitava à central de Lisboa designada
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por Troncas e, quando todos estes factores se conjugavam, chegava a almejada voz do outro lado) e para que as Famílias não entrassem em pânico, semanalmente na Secretaria da Companhia era afixado um placard com a seguinte inscrição “Hoje é dia de escrever à Família”. Nesse dia cada um de nós tinha de entregar uma carta ou um postal dirigido aos seus Pais, fazendo a entregue ao Sargento da Secretaria que dispunha de uma relação, apoiada numa pequena tábua de madeira, onde constavam todos o nossos números e que ia sendo descarregada à medida que as entregas iam sendo feitas. O Bilhete-Postal era o mais simples e mais barato, sendo o espaço de escrita mais reduzido e, consequentemente, obrigando a um menor esforço de prosa. Havia quem de empreitada escrevesse tantos postais quantas as semanas do período, sempre com a mesma lengalenga, “Estou bem, como estão Todos, saudades e beijos”, os guardasse na carteira e nas Terças-feiras da obrigação entregasse um para dar cumprimento à norma estabelecida. Tempos muito diferentes dos que hoje se vivem (saídas a meio da semana e à 6ª feira, regresso ao Colégio à 5ª Feira ou à 2º feira de manhã) mas que se recordam com muita saudade e com a lembrança de dias muito bem vividos e passados.
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
Nuno António Bravo Mira Vaz 277/1950
Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas Nota introdutória da Redacção Sob a coordenação do Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) serão publicados na ZacatraZ textos relacionados com a presença de Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas, onde muitos deles serviram com glória, valentia e total entrega às missões que lhes foram confiadas, dignificando os princípios e os valores que desde tenra idade fazem parte de quem teve o privilégio de ter frequentado o Colégio Militar. A ZacatraZ, sabendo que noutros Ramos das Forças Armadas existem Antigos Alunos que igualmente se distinguiram nas missões que lhes foram confiadas, apela à Família Colegial para que esses relatos nos cheguem para publicação. A sua divulgação, para além de um acto de justiça, mostra o valor desconhecido de muitos dos nossos Camaradas do Colégio que escreveram brilhantes páginas da nossa história. Como tal, constituem um exemplo para os vindouros e o seu registo oportuno fará com que não se percam factos que de outro modo poderão ficar para sempre esquecidos no tempo.
António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) A
ntónio Manuel Ribeiro Pinto Assoreira nasceu em 1938 na cidade de Luanda, Angola. Seu pai, transmontano de Carviçais, terminado o curso de medicina, seguiu para Angola na segunda metade dos “Anos Vinte”. Foi destacado para o Leste de Angola, onde assumiu, por mais de uma dezena de anos, a responsabilidade pelo levantamento da “doença do sono” em toda a região do Moxico. Em finais dos “Anos Trinta”, já casado com Maria Helena Ribeiro Assoreira, passa a ser responsável pelos serviços de saúde da área da Vila de Salazar, onde o nosso Assoreira e as suas três irmãs crescem e fazem os estudos primários em pleno ambiente africano, sendo relevante a educação austera ministrada no meio familiar. Mais tarde a família desloca-se para Luanda, onde o Dr. Assoreira passa a exercer a sua actividade médica.
Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
António Assoreira entrou no Colégio Militar em 1951, onde recebeu o nº 220, integrado na 2ª Companhia de Alunos. Aí absorveu o sentido de disciplina, de honra e de missão, características que dominaram o seu carácter. Terminado o Colégio, matriculou-se em Engenharia, no Instituto Superior Técnico, onde prosseguiu os seus estudos, interrompidos quando o apelo pela defesa da sua Terra foi mais forte. Com a formação da Unidade de Comandos, já em plena “Guerra de Angola”, decide interromper os estudos para nela se alistar, na sua primeira comissão de serviço. Pelos actos praticados nessa comissão, em operações de combate, foi condecorado com “Cruz de Guerra”. Em 1966, segue para Tancos, onde se integra nas Tropas Pára-quedistas. Terminados os Cursos de Pára-quedismo
e de Combate, participa no Curso de Instrutores e Monitores. Permanece no Regimento de Caçadores Pára-quedistas por cerca de um ano, ligado à área de instrução de combate, em aproveitamento da sua experiência acumulada. Foi nomeado então para uma segunda Comissão de Serviço na Guiné, agora no BCP 12. Decide então, antes de seguir para esta Província Ultramarina, passar uns dias de suas férias em Luanda, onde residia sua família. Decisão determinante para o seu destino, acabando por morrer em combate no Norte de Angola a 8 de Julho de 1968. O seu extraordinário comportamento nessa acção valeu-lhe a condecoração com a Medalha de Prata de Valor Militar com Palma.
Testemunhos de outros seus Camaradas A personificação da coragem e da camaradagem, testemunho do coronel reformado Villas-Boas, tenente pára-quedista à época. Estava em Tancos quando o Tenente Assoreira fez o curso de pára-quedismo. Havia, nessa altura, muitos oficiais prontos para embarcar para África. Aconteceu que foi decidido que esses oficiais deveriam fazer o curso de instrutores e monitores antes de partirem. Foi durante esse curso que verdadeiramente o conheci: jovial, sempre bem-disposto e bom camarada. Era miliciano, mas dotado de um espírito de missão que impressionava, o seu empenho era total e tudo fazia com alegria. Confesso que, logo aí, me deixei impressionar pela sua personalidade. Parti para Luanda pouco depois e, por isso, perdi o seu contacto até que ele por lá apareceu. Disse que tinha ido despedir-se dos pais porque iria para a Guiné. Durante o tempo que ali permaneceu de férias frequentou a nossa messe de oficiais e o Batalhão de Pára-quedista n.º 21. Daí, termos reatado a nossa relação de amizade. Terminadas as suas férias, estava previsto embarcar num avião de transporte da FAP com destino a Lisboa, devendo fazer a viagem fardado, como era imposto para os transportes militares. Aconteceu que, na noite anterior ao seu embarque, foi assalta-
Texto produzido por José Maria da Silva Gonçalves, que ingressou nas Tropas Pára-quedistas em Julho de 1966, como alferes miliciano. Posteriormente foi admitido na Academia Militar, onde terminou com êxito o Curso de Cavalaria. Passou à situação de reserva em 31 de Dezembro de 1981, com a patente de Major. Licenciado em Economia, é actualmente assessor comercial de um Grupo Franco-Brasileiro. Casou com a viúva do seu amigo Assoreira e orgulha-se muito desse passo, bem como do facto de a sua (como faz questão de sublinhar) filha Maria Marta Pina Assoreira o ter presenteado com 4 netos.
1 -Rafael Ferreira Durão (11/1941), na altura Tenente-Coronel, já falecido.
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da a carrinha que usava, tendo sido roubada a sua farda. Não dispondo de tempo útil para a obtenção de outro fardamento, apresentou-se no aeroporto em traje civil, tendo solicitado ao comandante da aeronave – um major piloto – autorização para trajar à civil dada a necessidade de comparecer atempadamente ao embarque para a Guiné, À inflexibilidade do comandante do avião em não permitir o traje civil, o Tenente Assoreira insistia no pedido de autorização, dada a sua consciência do imperativo de embarque para a Guiné, a partir de Lisboa. Talvez cansado de tanta insistência, o major piloto tê-lo-á empurrado exclamando “No meu avião não embarcam paisanos!”. Em resposta instintiva, o Tenente Assoreira desferiu um potente soco no oficial superior fazendo com que ele rebolasse a alguma distância. Começou aqui o calvário do Tenente Assoreira, dado que ficou sob prisão, à responsabilidade do Comandante Durão1 , no BCP21. Apesar da sua situação, não notámos qualquer alteração no comportamento do Tenente Assoreira. Antes pelo contrário, participava activamente na vida da unidade, ao ponto de solicitar ao Comandante que envidasse esforços no sentido de ele ser autorizado a participar em operações. Assim, acompanhou o 4º pelotão da 1ªCCP algumas vezes. Tive, então, a oportunidade de o ver trabalhar na mata. Digo que fiquei, desde logo, impressionado com a sua movimentação, com a capacidade de aplicação dos seus sentidos de audição e olfacto na detecção da presença do inimigo. Por outro lado, o seu conhecimento de pistagem e dos segredos da mata confirmava a ideia de que aquele era o seu habitat natural. Vi muita gente trabalhar na mata, mas ninguém como o Tenente Assoreira. O Comandante Durão e o Tenente Assoreira planearam desenvolver uma operação em determinada área do norte. A anteceder essa operação, lançaram uma outra de reconhecimento do terreno, na qual participei com o meu 4º Pel /1ªCCP. A operação decorreu sem qualquer problema com o IN. O Comandante Durão e o Tenente Assoreira trouxeram informações importantes para o lançamento da operação subsequente, de alguma envergadura, que haviam planeado e onde, infelizmente, veio a falecer o Tenente Assoreira e outros pára-quedistas e onde
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Recordando Antigos Alunos nas Tropas Pára-quedistas
o Comandante Durão foi também ferido. Fui então nomeado para ir ao aeroporto esperar o Dr. Assoreira, pai do falecido Tenente Assoreira. Chegava do norte de Angola, onde, já aposentado, detinha uma fazenda de café na região do Uíge. Expliquei-lhe o que tinha acontecido com seu filho informando-o que, de seguida, iria assistir à autópsia para conseguir libertar o seu corpo mais rapidamente possível. Qual não é o meu espanto quando o senhor fez questão de me acompanhar, assistindo firme a toda a autópsia. Se é verdade que era médico, senti que aí se impôs a sua condição de pai e percebi, então, de onde vinha a fibra do meu amigo Tenente Assoreira. Meus encontros com o Tenente Assoreira, testemunho do 1° Cabo Pára-quedista 100/66 Vasco Mendes, o “El Gatilho”, a residir actualmente em França. Encontrei-me com o tenente Assoreira por duas vezes. A primeira em Portugal, no curso de pára-quedismo, vindo ele dos Comandos. A segunda, em Angola. Eu pertencia ao 4º Pelotão da 1.ª CCP. Numa tarde dos primeiros dias de Julho de 1968, o tenente Assoreira contactou-me querendo saber se eu gostaria de participar como guia na operação a ser levada a cabo pela 3ª CCP na zona da “Grande Rocha”, a norte do Úcua, no Norte de Angola. Eu já havia participado em outras operações nessa zona. Iria para essa operação como voluntário, como o meu camarada Victor Sousa (conhecido por “Mercenário”). Na madrugada seguinte, por volta das 3 horas, a 3ª CCP seguiu em coluna de viaturas em direcção à zona de embarque de helicóptero a Norte de Luanda. E, já de dia, embarquei no primeiro Allouette-III, fazendo parte da equipa do tenente Assoreira, integrado no 3.º Pelotão, comandado pelo tenente Cordeiro. Minha equipa desembarcou na área da “Grande Rocha”, zona de mata densa, seguida das outras equipas. A 3ª CCP dividiu-se no terreno em quatro grupos. O Pelotão em que eu ia incorporado não tardou a ter contacto com o inimigo que se pôs em fuga. Encontramos dezenas de cubatas e população que foi enviada para a zona de segurança. Na manhã do dia seguinte, o tenente Assoreira chamou-me. Depois de me oferecer um pedaço de paio alentejano e um gole
de brandy, informou-me que nossa equipa sairia em pistagem dos vestígios do inimigo. Junto com nossa equipa seguiram também o comandante Durão, o tenente Cordeiro e o enfermeiro. Tendo progredido quase sempre fora do trilho, fomos emboscados após cerca de meia hora de progressão. Debaixo de forte fogo cruzado, vi o tenente Assoreira pôr-se de pé, de braço levantado em sinal de ataque e tombar, logo de seguida, gravemente ferido. Quando o fogo abrandou, corri para junto do tenente Assoreira deitando-me a seu lado até que o fogo adversário tivesse parado. Tendo constatado a gravidade dos seus ferimentos, de joelhos em terra, abri-lhe o camuflado enquanto chamava pelo enfermeiro. A poucos metros, estava o comandante Durão, também ferido, mas com menos gravidade. “Mendes, foi junto daquele embondeiro grande que eles abriram fogo… vou morrer”. “Não vai morrer não, vai ficar bom” respondi-lhe, enquanto lhe limpava os suores frios de seu rosto. Pouco a pouco, as forças começaram a faltar-lhe. Estava com uma forte hemorragia interna. “Sim, vou morrer”. Disse ele. Para acrescentar: “Diz aos meus pais que a minha namorada está grávida. Que cuidem dela.” Eu fiquei pensativo com este segredo. Segredo que depois transmiti ao nosso comandante Durão, repetindo as palavras do tenente Assoreira. O valente tenente Assoreira sabia bem que ia ficar por ali. Chamou-se o helicóptero para o transporte dos feridos. Após a evacuação, recebemos a comunicação pelo rádio que o tenente Assoreira tinha falecido. Nessa operação morreram também o furriel Barata, o furriel Caria Ramos e o soldado Luís Salgado. Essa foi a operação em que o nosso batalhão, o BCP 21, sofreu mais baixas até essa data. Meu tenente, até ao nosso próximo encontro! LISTA DE ANTIGOS ALUNOS QUE SERVIRAM NAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Solicitamos aos leitores que colaborem não só com os seus comentários como também com relatos de acontecimentos vividos ou de que tenham conhecimento, relacionados com o tema. Na lista apresentada procurámos ser exaustivos, no entanto, agradecemos que nos infor-
mem de algum Antigo Aluno que nela não conste e tenha pertencido às Tropas Pára-quedistas. Alcino Pereira da Fonseca Ribeiro (43/1930) - falecido Rafael Ferreira Durão (11/1941) – falecido Guilherme José de Gouveia Leite Ferraz (138/1944) Joaquim Manuel Trigo Mira Mensurado (252/1946) Luís Manuel da Fonseca Lobo de Oliveira (385/1949) Nuno António Bravo Mira Vaz (277/1950) Eduardo Maria Passarinho Franco Preto (76/1951) António Manuel Ribeiro Pinto Assoreira (220/1951) - falecido Fernando Martins Machado da Silveira (555/1961) Luís Augusto de Noronha Krug (269/1964) Nuno Rolando Fernandes Thomaz Ferreira (496/1967) António Vítor Reynaud da Fonseca Ribeiro (43/1968) Vítor Manuel Batista Leitão (261/1968) António José de Rogado Serra (521/1968) José Manuel Adão de Castro Lousada (289/1968) João Francisco Braga Marquilhas (132/1969) Nuno Miguel de Azevedo Mafra Guerra (171/1969) Pedro Luís da Câmara Santa Bárbara (512/1969) Luís António de Lima Tinoco Tovim (566/1969) Nuno Maria Rocha e Melo de Castro (648/1970) José Alberto de Magalhães Valdez Bragança Moutinho (407/1971) Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo (329/1972) Daniel Henrique Andrade de Carvalho (661/1972) Frederico Manuel Assoreira Almendra (604/1973) Luís Filipe da Silva Malheiro de Passos Ramos (3/1974) Boanerges Fernando Macedo Lobato de Faria (258/1974) Rui Manuel Silva Ribeiro Pedro (689/1974) José António Nobre Pires (646/1979)
Recordando Recordando o tempo passado
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Recordando o tempo passado
Curso de Entrada 1949-1950 O
2º Ano, Turmas B e C do Curso de Entrada de 1949/1950 e alguns «aderentes», na saída para uma Visita de Estudo ao Jardim Zoológico acompanhada pelos Professores Capitão António Vicente Teixeira e Capitão Jaime Pinto da Silva Mota, ambos na fotografia. Apesar das diversas diligências efectuadas não conseguimos identificar através da consulta realizada e do apelo à nossa memória (já lá vão 60 anos) alguns dos Camaradas do Curso e uns «pára-quedistas» que se agregaram e se encontram fardados de cotim na última fila. Esta fotografia foi-me enviada pelo Carlos Manuel Amado de Campos (259/1948). Se, ao recordar estes bons momentos da nossa vida passados no Colégio, algum dos leitores da ZacatraZ conseguir identificar os Camaradas da fotografia, agradecemos essa informação para completar o texto abaixo onde se nomeiam os que nela participaram. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
Na 1ª fila - 161/1949 Jorge José Clara Travassos Lopes Clara, 387/1949 Francisco Manuel Duarte Diniz Varanda, 372/1949 José Corte Real Gonçalves Dias, 198/1949 Vasco Luís Pereira Esteves Ramires, 23/1949 José António Campos Resende dos Santos, 147/1948 António Rui Prazeres de Castilho, 223/1949 Gabriel João Viegas Rebelo, 390/1949 António Baião de Almeida Pereira, 365/1949 Vítor Manuel Oliveira dos Santos, 363/1949 Manuel Pedro Gonçalves Peig Dória, 16/1949 Luís Fernando Barahona Mira da Silva Na 2ª fila - 371/1949 Gonçalo Salema Leal de Matos Na 3ª fila – ?, 11/1949 Manuel Eduardo Leal Vilarinho Pereira, 368/1949 Manuel Alberto Botelho dos Santos Clara, 180/1950 Fernando Augusto Parreira de Faria Blanc , 353/1948 António Carlos de Magalhães Arnão Metello, 288/1949 Duarte Nuno de Carvalho Gomes de Castro, 386/1949 João Weinstein, 271/1949 Rui Manuel Machado da Cruz, 358/1948 José Joaquim Matias Fernandes, 37/1949 Alfredo Manuel Coelho e Campos Ghira, 232/1948 José Manuel de Abreu Correia Branco, 28/1949 José Eduardo de Almeida Barata Correia, 259/1948 Carlos Manuel Amado de Campos, 173/1949 Guilherme José Veiga Clara, ?, 78/1950 José Manuel Marques Couceiro Neto, ?, 375/1949 Fernando José do Rosário Duarte, 152/1949 Francisco Maria Beira Ramos Rasteiro, ?, ?, 361/1948 José Manuel Nolasco da Silva Ferraz, 350/1948 José Manuel de Abreu Chagas Pinto, 156/1949 Ludgero Neves Roldão, ?
A propósito de
“A minha vida no Colégio”
N
o número 182 da ZacatraZ, na rubrica “Recordando”, o Joaquim Augusto de Ascensão Filipe (118/1927), na página 41 “A Excursão”, faz referência ao Capitão Larcher. Penso tratar-se da mesma pessoa que conheci e que, além de Professor, foi também Subdirector do Colégio, ainda antes do tempo dos meus irmãos mais velhos, José (358/1948) e Nuno (10/1950), e do seu neto Armando Larcher Brinca (18/1951). Quando eu entrei para o Colégio, em 1962, já não fazia parte do Corpo Docente o Senhor Coronel Larcher. Como não morávamos em Lisboa, nos primeiros anos fiquei muitos fins-de-semana no Colégio, e às vezes ia passá-los a casa de uns primos, e outras a casa do Senhor Dr. Larcher no Restelo, sempre muito acarinhado pela Senhora D. Isabel Larcher, isto porque eram amigos dos meus Pais. Mas era o Senhor Dr. Larcher, que já com alguma idade, mesmo assim tinha a paciência para me levar quase sempre ao cinema na matiné de Domingo antes de regressar ao Colégio. O Senhor Dr. Larcher, como eu o tratava, era um Homem de rara Cultura e Inteligência; anos mais tarde fui eu visitá-lo algumas vezes no seu quarto da Messe de Oficiais em Santa Clara, para onde entretanto se retirara, mas sempre rodeado dos seus preciosos livros. João Manuel de Sousa Fernandes 47/1962
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Recordando Os que nos deixaram
Os que nos deixaram Nuno Cordeiro Simões (42/1935) Tenente Coronel Antigo Mestre de Instrução Militar, Educação Física e Desportos do Colégio Faleceu a 20 de Dezembro de 2010
o número 182 da nossa revista saiu a notícia seca do falecimento do Nuno Cordeiro Simões (42/1935) apenas com a sua fotografia e sem qualquer texto dedicado ao mesmo. Presumo que esta lacuna se deva ao facto de nenhum dos amigos do seu tempo do Colégio ter tido atempadamente oportunidade de lhe escrever uma dedicatória condigna. Para suprir esta lacuna, aqui estou a dar o meu testemunho.
O nosso Capitão Simões era um caso especial entre os oficiais do Colégio daquele tempo. Sendo na altura um solteirão, vivia no Colégio e vivia para o Colégio. Era um homem de carácter, rigoroso e exigente consigo próprio e com os seus alunos, mas sem quaisquer exageros. Ao mesmo tempo que era exigente, era compreensivo em relação às «frescuras» da nossa mocidade, sabendo pôr-nos na altura certa no caminho certo, com meia dúzia de palavras de admoestação. Quando íamos para a Instrução Militar
crónica vencedora (em conjunto com a equipa dos Pupilos do Exército) dos campeonatos da Mocidade desse tempo. Relembro com particular saudade uma visita de estudo à Serra da Estrela, que com ele fizemos no meu 6º ano do Colégio. Relembro com particular admiração e respeito um episódio ocorrido na festa de encerramento do ano lectivo de 1957/1958, em que ele se queimou gravemente para socorrer um aluno que tinha ficado com o fato de combate em chamas. Tenciono dar testemunho deste episódio proxima-
Quando entrei para o 3º ano do Colégio, em 1957, o então Capitão Nuno Cordeiro Simões era o Instrutor Militar, tendo desempenhado no ano anterior a função de Oficial Comandante da Segunda Companhia, em que granjeou o respeito e a admiração dos alunos que compunham a mesma.
com ele, íamos sempre bem-dispostos e com vontade de aprender e de fazer as coisas bem-feitas. Quando ele estava de oficial de dia, esforçávamo-nos para marchar de forma impecável para o deixar satisfeito. A par das suas funções oficiais foi treinador da equipa de futebol do Colégio,
mente nas páginas desta nossa revista. Para o nosso Capitão Simões aqui fica a admiração e a saudade de um dos muitos alunos que lhe passaram pelas mãos. Descanse em paz.
Em memória de
Nuno Cordeiro Simões
N
Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
Recordando Os que nos deixaram
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“Ser grande, é abraçar uma grande causa” William Shakespeare
Uma Homenagem devida ao Capitão Nuno Simões, o “31”, que nos deixou. A última edição do “Zacatraz” publicou a notícia do falecimento do Nuno Simões duma forma que nos pareceu que era menos do que o que ele merecia. Sabemos que estas notícias aparecem, por vezes, muito em cima da data do encerramento da revista e que a direcção e edição não poderiam fazer melhor. Não é uma crítica, mas achámos que nos era legítimo e merecido dizer um pouco mais sobre o Simões. A nossa geração do Colégio, do final dos anos 40 e princípio dos anos 50, ficou muito marcada por dois “jovens” que se
ocuparam da nossa formação religiosa e militar. O Braula Reis e o Simões, que nos desculpem este trato sem cerimónia, mas que é um sinal de grande respeito e amizade. Quer um quer outro deram grande contributo à malta do Colégio, para nos ajudar a alterar e melhorar a nossa maneira de encarar os outros e o mundo em que vivíamos. Foram lufadas de ar fresco que, inicialmente, nem sempre foram bem compreendidas. O Capitão Simões deixou uma marca importante no desporto, particularmente no futebol, onde os resultados da sua acção foram reconhecidos. Mas, mais do que os resultados desportivos, ajudou a formar
Francisco Fernando Contreiras Lopes (65/1938) Licenciado em Ciências Geofísicas - Gestor Nasceu a 29 de Março de 1928 - Faleceu a 26 de Fevereiro de 2011
A 29 de Março de 1928 nasceu em Lisboa e foi o primeiro bebé a nascer na Maternidade Dr. Bensaúde, ainda antes da sua inauguração. Grande parte da sua infância foi passada em Tavira, terra natal da sua Mãe Dona Maria de Lourdes Aboim Ascensão Contreiras, e onde seu Pai, General Leonel Aleluia da Costa Lopes, à época Capitão, se encontrava colocado. Acompanhou a deslocação dos pais para Mafra, onde completou a instrução primária. Em 1938 Ingressou no Colégio Militar, facto que o viria a marcar durante toda a sua vida. Dizia “O nosso curso era e é especial”. Orgulhava-se de ser Menino da Luz. Terminado o curso do Colégio Militar ingressou no Instituto Superior Técnico e depois na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa onde se licenciou em Ciências Geofísicas. Concluída a licenciatura, ingressa nos quadros da Gaz Cidla, sendo colocado no Porto . Casou e do casamento nasceu uma filha.
Homens e grandes atletas, como o José Sampaio, o Zeca (Correia Branco) e tantos outros que, certamente, sempre o recordaram com saudade. Oficial Comandante da Segunda Companhia, com quem tivemos o privilégio de colaborar, o Simões era um exemplo de abertura e interesse pelos que passavam a fase difícil da adolescência. Sempre presente, atento a tudo e a todos foi, para os que o conheceram e com ele privaram, uma referência incontornável. A nossa saudade e o nosso reconhecimento. José Alberto Alves de Paula - 62/1948 Guilherme Luís Faria Câncio Martins - 126/1948 Graduados da 2ª em 1955/56
No Porto, onde permaneceu durante onze anos, fez inúmeros amigos tanto entre os seus pares como entre aqueles que profissionalmente dele dependiam. Dizia “tolerância e espírito de coesão dão sempre frutos”. Saiu do Porto, onde já era Subdirector, para assumir a Direcção da filial da Cidla em Coimbra e decorridos dois anos toma o lugar de Director Geral Comercial da Cidla em Lisboa. Esta posição impôs frequentes deslocações a África, à época portuguesa, onde regressou por diversas vezes, muito mais tarde, depois da independência daqueles países. De 1969 a 1971 foi Administrador Delegado pela Cidla na Gaz Âncora em Lourenço Marques. Em 1971 regressa a Lisboa em permanecendo no lugar de Director Geral até Maio de 1974, altura em que foi chamado para Administrador da Sacor, mais tarde Petrogal. Reforma-se ao completar 25 anos de serviço na empresa. Foi posteriormente consultor de várias empresas e empresário, mantendo um papel executivo até ao fim da década de oitenta. Reformado, de facto, passou a dedicar-se aos seus assuntos pessoais e familiares. Faleceu a 26 de Fevereiro de 2011 deixando uma profunda saudade, foi muito amado por sua mulher, filha, neta e neto e é recordado por eles como exemplo de honestidade e integridade. Notas biográficas elaboradas pela Viúva, Senhora Dona Ilda Maria Santiago Maciel Martins de Figueiredo Contreiras Lopes
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Recordando Os que nos deixaram
A mensagem do Ticas
I
sto passou-se há 70 anos na aula de Educação Moral e Higiene do 5º ano (hoje nono) do Colégio Militar. O Cónego Governo, professor da disciplina, propôs uma advinha à classe e esta era: - “Porque é que eu, sendo padre, estou aqui a ensinar Moral”? Seguiu-se o silêncio que caracteriza os momentos de grande perplexidade, mas este pouco durou. O 65, por alcunha o «Ticas», levantou o braço e disse: - “Porque sem Religião não há Moral”. O curso e o professor ficaram estupefactos com esta demonstração de precoce capacidade para estabelecer a relação entre as coisas. Verdade seja que o Cónego Governo tinha prometido 18 valores a quem decifrasse o enigma mas não foi este o objectivo que moveu «Ticas», Ele respondeu porque entendeu que o professor tinha na matéria genuína dúvida e pedia um esclarecimento. O Ticas era assim: - nada de exibicionismos mas sempre disponível para quem lhe pedia ajuda. O “Ticas”, de seu nome Francisco Fernando Contreiras Lopes (65/1938), era efectivamente dotado de capacidade de análise incomum. Avisado e homem de bom conselho, qualidades que aliás her-
dara de seu pai general - conhecido por Aleluia - a quem os outros generais do seu tempo se habituaram a pedir conselho nos momentos difíceis. Francisco cursou o Colégio Militar de 1938 a 1945, após o que estudou e licenciou-se em Geofísica. Foi pioneiro do gás liquido em Portugal e fez parte dos quadros do Gás Cidla e da Petrogal, de que foi administrador após a nacionalização, em 1974. Ao atingir a reforma e para matar o tempo, passou a gerir uma empresa de helicópteros a pedido do dono que era seu amigo. Nos últimos anos, dedicava-se exclusivamente à família e à gestão do seu património. Faleceu em 27 de Fevereiro último. A nós, restantes camaradas do curso, vai-nos fazer muita falta. Ele tinha a amizade em alto apreço e tudo fazia para a conservar. Valor supremo para ele era a harmonia e multiplicava-se para que esta prevalecesse em seu torno. Aqui lhe rendemos a nossa homenagem e deixamos também o nosso agradecimento pelos momentos inesquecíveis de agradável convívio que nos proporcionou. O curso de 1938/1945