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Revista ZacatraZ nº 182

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Editorial Revista “ZACATRAZ”

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Martiniano Gonçalves (9/1958)

Presidente da Direcção no mandato 2008-2010

Editorial Passaram três anos; balanço do Mandato 2008 - 2010.

F

oram eleitos em 9 de Março na Assembleia Geral Anual da Associação os novos Órgãos Sociais para o triénio 2011-2013, terminando, assim, o mandato de três anos da anterior Direcção. Em hora de balanço, e correndo o risco de a autocrítica não ser isenta, atrevo-me a enumerar as principais actividades em que a Direcção a que presidi esteve envolvida bem como o que consideramos que ficou por fazer. De entre as realizações que consideramos positivas destacamos a revisão dos Estatutos, o apoio ao Colégio, nomeadamente através da iniciativa « Vamos Apoiar o Colégio » e aquando dos ataques externos de que foi alvo em particular em 2009, o aumento significativo do número de sócios activos, a grande mobilização dos Antigos Alunos em torno da nossa acção, o lançamento da Newsletter mensal que já completou 25 edições, o lançamento de um novo Site com funcionalidades potenciando o seu desenvolvimento, a renovação da Revista agora baptizada «ZacatraZ», as acções de Solidariedade principalmente na área da criação de emprego e apoio aos desempregados, o acréscimo da solidez financeira da Associação, a aproximação aos Alunos através, nomeadamente, da institucionalização da Recepção aos Pais dos Ratas e das sessões de Orientação Profissional para lá do aumento da frequência dos contactos informais com os Graduados, os sucessos desportivos ao nível nacional na Esgrima e Pentatlo Moderno com os triunfos ob-

tidos, de forma recorrente, nos campeonatos nacionais das diferentes categorias… Mas o tempo passou demasiado depressa, e muito ficou por fazer ! Não resolvemos o deficit financeiro crónico da Revista, não conseguimos organizar a nossa Biblioteca, não desenvolvemos a Base de Dados de Antigos Alunos tanto quanto seria possível nela integrando atributos diversos que enriqueceriam o nosso património moral, não tornámos o Site interactivo, não estruturámos o funcionamento da área da Solidariedade nomeadamente criando uma Bolsa Virtual de Emprego como era nosso propósito, não levámos tão longe como queríamos a recuperação do património imobiliário do Quartel da Formação tendo os nossos sucessos ficado, apenas, ao nível dos projectos de novas construções e remodelações que Antigos Alunos que connosco colaboraram graciosamente fizeram, e … muito mais ficou por realizar. Aos Órgãos Sociais eleitos na Assembleia Geral de 9 de Março e, em particular, à nova Direcção que saúdo na pessoa do seu novo Presidente – o nosso camarada António Reffóios 529/1963 -, desejo, em nome da Direcção cessante, as maiores felicidades no desempenho das tarefas que durante os próximos três anos vão enfrentar, registando com satisfação o propósito de continuidade da acção que vimos desenvolvendo expresso no «Compromisso para o triénio 2011-2013» que apresentou aos sócios na Assembleia.

Termino este último Editorial, que assino já como ex-Presidente da Direcção, agradecendo a todos os que neste triénio nos apoiaram através do seu contributo, ouvindo-nos, criticando-nos ou connosco participando nas diversas iniciativas que desenvolvemos. Destaco, em particular, o Senhor General Chefe do Estado Maior do Exército - General Pinto Ramalho - a Direcção do Colégio na pessoa dos Directores com que tivemos o prazer de colaborar - General Raul Passos e Coronel Tirocinado Cóias Ferreira - , a Associação de Pais e Encarregados de Educação com quem, nomeadamente nas fases de ataques externos ao Colégio, tivemos uma acção coordenada com evidentes bons resultados, aos servidores militares e civis do Colégio que sempre corresponderam quando solicitados a colaborar, aos nossos camaradas Antigos Alunos que acorreram entusiástica e generosamente a todas os nossos pedidos de auxílio e que muito frequentemente nos estimularam com sentidas manifestações de carinho pela nossa acção. Um agradecimento final se impõe : aos Alunos do Colégio, que são em primeira instância o objecto directo da nossa missão de apoio ao Colégio, que pelo seu garbo e aprumo e pela sua manifestação de fé nos valores em que acreditamos, nos estimularam mantendo vivo e intensificando o nosso sentimento de gratidão para com o Colégio.


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Ficha Técnica

CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente Vice-Presidente 1º Secretário 2º Secretário

Manuel Carlos Teixeira do Rio Carvalho - 124/1945 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 João Miguel Jardim de Abreu Ferreira Pinto - 261/1980

DIRECÇÃO Presidente Vice-Presidente Secretário Tesoureiro 1º Vogal 2º Vogal 3º Vogal 4º Vogal 5º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente 3º Vogal Suplente

António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios - 529/1963 José António Madeira de Ataíde Banazol - 631/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Pedro Manuel do Vale Garrido da Silva - 53/1961 Francisco Maria Sarmento Cavaleiro de Ferreira - 58/1977 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Mário Maria Duarte Afonso Camões - 401/2000 Gustavo Lopes da Costa Pinto Basto - 227/2000 Tiago Simões Baleizão - 200/1987

Ficha Técnica PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL N° 182 - Janeiro/Março - 2011 45° Ano FUNDADOR Carlos Vieira da Rocha (189/1929) DIRECTOR Mário Margarido e Silva Falcão (314/1936) CHEFE DE REDACÇÃO Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) REDACÇÃO Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa (71/1957) Vasco Santos Pinheiro (254/1982) João Carlos Agostinho Alves (110/1996)

CONSELHO FISCAL Presidente 1º Vogal 2º Vogal 1º Vogal Suplente 2º Vogal Suplente

José Manuel Spínola Barreto Brito - 539/1963 António Emídio da Silva Salgueiro - 461/1972 Eurico Jorge Henriques Paes - 306/1957 João Luís de Mascarenhas e Silva Schoerder Coimbra - 54/1984 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960

CAPA Escultura evocativa dos 200 Anos

Autor: Escultor José João Carneiro de Brito Foto: Sérgio Garcia

ENTIDADE PROPRIETÁRIA E EDITOR Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar MORADA DO PROPRIETÁRIO e SEDE DA REDAÇÃO Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Tel. 217 122 306/8 Fax. 217 122 307

ARTIGOS À VENDA NA AAACM

TIRAGEM - 1350 exemplares DEPÓSITO LEGAL Nº 79856/94 Nº DE REGISTO NO ICS 100010 ISSN 0872-8224

PUBLICAÇÕES

DESIGN e EXECUÇÃO GRÁFICA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS SÓCIOS DA AAACM NÚMERO AVULSO: 4,00 € ASSINATURA: 15,00 €

PREÇO: 25 €

PREÇO: 12 €

PREÇO: 6 €

PREÇO: 25 €

PREÇO: 5 € Os artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores.

Outras Publicações I Volume da História ao Colégio Militar

PREÇO: 12 €

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50 €

II Volume da História do Colégio Militar

50 €

III Volume da História do Colégio Militar

35 €

O Espírito do Colégio Militar

60 €

Os Jardins do Colégio Militar

35 €

Raiva e Luz

10 €

Qualquer dos produtos pode ser adquirido na Secretaria da AAACM, assim como polos, t-shirt, emblemas, etc...


Sumário

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Dos Antigos Alunos

04 A Associação tem novos Órgão Sociais 09 Antigos alunos em Destaque

04

A AAACM na Liga All Stars

10 Macau nos Anos da Revolução

Dos Antigos Alunos

Portuguesa 1974-1979

Eleitos os novos Membros dos Órgãos Sociais

11 Todos os portos a que cheguei 12 Sonho de Sorte 13 Taça Teixeira Rebello Torneio de Golfe

Do Colégio

14 Colégio Militar 208 Anos 3 de Março de 2011

14

Colaboração

Do Colégio

24 Recordar as origens, as ameaças

Colégio Militar 208 Anos 3 de março de 2011

e algumas opiniões acerca do Colégio

29 A história de todos nós 30 Nunca marcharemos sozinhos 31 O Colégio e a República 32 Projecto - Fim do Império 35 Os Três Reis Magos 38 O lado negro da força 39 Será Uma Questão de Moda? Recordando

40 A minha vida no Colégio 43 Cenas colegiais de tempos idos 47 Homem Aranha 51 Os que nos deixaram

24

Colaboração

Recordar as origens, as ameaças e algumas opiniões acerca do Colégio


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Dos Antigos Alunos A Associação tem novos Órgãos Sociais

Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves 666/1971

A Associação tem novos Órgãos Sociais Tendo sido eleitos na Assembleia Geral do passado dia 9 de Março novos órgãos sociais, o António Reffoios, novo Presidente da Direcção apresentou-nos em grandes linhas alguns aspectos que caracterizam a actual equipa e os principais objectivos para o mandato de 2011 a 2013.

Como surgiu a actual lista? Em poucas palavras eu diria que surgiu após um desafio persistente e convincente do Martiniano Gonçalves ao qual eu aderi com a maior honra, mas também com a consciência clara que substituir a equipa que agora terminou o mandato é um enorme desafio. A equipa liderada pelo Martiniano Gonçalves fez um excelente trabalho e imprimiu uma nova dinâmica na actuação da Associação. As expectativas e exigências passaram para um patamar mais alto. É uma enorme responsabilidade que teremos de saber assumir. Pessoalmente sinto-me extremamente honrado. O Colégio teve e tem uma enorme importância na minha vida. Sempre me man-

tive ligado à Família Colegial, ainda tenho um filho no Colégio e colaborar com a Associação é uma missão, ou se quiserem uma “causa”, que assumo com naturalidade e uma grande alegria. Por outro lado, como tenho uma vida profissional activa muito exigente não foi fácil aceitar esta responsabilidade. Aqui eu diria que a emoção foi mais forte do que a razão, mas estou certo que com o contributo da excelente equipa que conseguimos formar estaremos à altura do compromisso que vamos assumir. Neste momento os novos órgãos sociais estão eleitos e a nossa prioridade é actuarmos de forma consistente com os fundamentos, funcionamento e missão que nos irão enquadrar.


Dos Antigos Alunos A Associação tem novos Órgãos Sociais

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AAACM, FUNDAMENTOS E FUNCIONAMENTO E MISSÃO SUSTENTABILIDADE Modelo organizativo Comissões definidas Valorização do património Associados e receitas de quotizações

PILARES Estatutos Antigos Alunos Tradições Tutela

ACTUAÇÃO

MISSÃO Apoiar o Colégio Solidariedade

Desenvolver relação com os principais grupos alvo: - Conselho Supremo - Antigos Alunos - Direcção CM - CEME - Associação de Pais - Estabelecimentos de Ensino Militares Divulgar e promover a AAACM junto da Sociedade Civil

Principais objectivos para o novo mandato? O principal objectivo é e não podia deixar de ser, manter e reforçar o papel da Associação enquanto “família” que nos mantém unidos em torno dos valores em que acreditamos e que são a essência da ética Colegial.

Duas áreas merecem um destaque especial neste momento e enquadram-se nas linhas de actuação definidas pela anterior Direcção, que partilhamos totalmente e pretendemos continuar: “Apoiar o Colégio” e “Solidariedade”.

É essa ligação fortíssima, marcada por valores e por uma vivência educativa única, que nos une e que nos permite actuar em conjunto, em múltiplas áreas e junto de um universo alargado de entidades com quem nos relacionamos.

Nas próximas semanas os novos órgãos sociais irão ter oportunidade de trabalhar em conjunto e a curto prazo serão divulgados planos de actuação concretos em cada área de intervenção.

“APOIAR O COLÉGIO” MISSÃO DO COLÉGIO

VISÃO

- Escola de excelência académica - Princípios e valores da Instituição Militar “dever e servir” - Ambiente caracterizado pela Solidariedade, Camaradagem e Disciplina - Contribuição estratégica para o País : Cidadania, Defesa Nacional e PALOP - Três pilares educativos : Académico + Desportivo + Militar - 1º e 2º ciclo Alunos Externos, 3º ciclo e Secundário - Regime duplo - Academia de Desporto aberto ao exterior. - Tutela do Exército, com autonomia progressiva de gestão.

“SOLIDARIEDADE” MISSÃO DA ASSOCIAÇÃO

Definir, promover e liderar um modelo que corresponda aos desígnios da AAACM no âmbito da Solidariedade

VISÃO

Através da Comissão de Solidariedade, definir claramente o âmbito, fontes de financiamento e metodologia de afectação de recursos


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Dos Antigos Alunos A Associação tem novos Órgãos Sociais

Que critérios utilizaste na elaboração da lista? Na constituição dos novos órgãos sociais houve uma enorme preocupação em assegurar uma continuidade em relação ao que vinha sendo feito nos últimos anos. Desta forma as duas palavras-chave em todo o processo foram CONTINUIDADE e RENOVAÇÃO. Houve naturalmente a preocupação de reunir Antigos Alunos com experiências e idades distintas por forma a assegurar a complementaridade e representatividade necessárias. Resumindo, podemos dizer que a composição dos novos Órgãos Sociais resulta do conjunto das prioridades que foram previamente definidas: 1. Alinhamento e partilha da Visão. 2. Presença significativa de membros dos Órgãos Sociais cessantes. 3. Alargamento a gerações mais novas. 4. Diversidade. 5. Compromisso.

Quero aproveitar a oportunidade para deixar um abraço muito reconhecido ao Martiniano Gonçalves pelo seu contributo para a formação das listas que compõem os novos Órgãos Sociais. Para além dos recem eleitos na Assembleia Geral iremos contar naturalmente com o apoio importantíssimo do Conselho Supremo, dos Antigos Alunos que participarão nas Comissões constituídas para cada área, nas acções que vão sendo promovidas e também nas iniciativas individuais que serão sempre bem-vindas. Nos tempos em que vivemos, o apoio de todos à nossa Família Colegial é cada vez mais necessário e o nosso lema, “um por todos, todos por um” espero que seja cada vez mais uma realidade essencial das nossas vidas.

ORGÃOS SOCIAIS 2011-2013 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente

Manuel Rio Carvalho

124/1945

Coronel Tirocinado de Infantaria

Carreira Exército. Sub-Dir.e Director Int. do CM

Vice-Presidente

Duarte Manuel Costa Freitas

199/1957

Engenheiro Mecânico

Gestor. Admin.do Grupo Hipogeste. Reformado

1º Secretário

Frederico Rosa Santos

78/1957

Engenheiro Electrotécnico

Gestor. Direcção da Rádio Difusão Portuguesa. Reformado

2º Secretário

João Ferreira Pinto

261/1980

Advogado

Sociedade de Advogados João Ferreira Pinto Associados

Presidente

António Reffóios

529/1963

Lic. em Gestão de Empresas

Administrador Delegado da Nestlé portugal

Vice-Presidente

José Banazol

631/1968

Coronel de Cavalaria

Secretário-Geral da Comissão Portuguesa de História Militar

Secretário

Pedro Chagas

357/1977

Engenheiro Informático

Administrador Novabase

Tesoureiro

Vítor Novais Gonçalves

666/1971

Lic. em Gestão de Empresas

Administrador da SEMAPA e da ZOOM Investiment

1º Vogal

Carlos Rio Carvalho

307/1971

Eng. e Mestre em Silvicultura

Empresário. dministrador de ERENA

2º Vogal

Pedro Roriz

519/1959

Empresário

Jornalista e Empresário

3º Vogal

Pedro Garrido da Silva

53/1961

Lic. em Gestão de Empresas

Empresário e Admin. de empresas de logística e distribuição

4º Vogal

Francisco Cavaleiro de Ferreira

58/1977

Engenheiro Industrial

Regional Manager na Multi Mall Management Portugal

5º Vogal

Luís Virtuoso

72/1973

Lic. e Mestre em Educação Fisica

Director de Externato Maristas de Lisboa

1º Vogal Suplente

Mário Camões

401/2000

Lic. em Gestão de Empresas

Vice-Pres. do Núcleo de Estudantes de Gestão do ISCTE-IUL

2º Vogal Suplente

Gustavo Pinto Basto

227/2000

Estudante de Veterinária

Professor de viola, cantor e guitarrista

3º Vogal Suplente

Tiago Baleizão

200/1987

Lic. em Microbiologia e Genética

Business Strategy & Operation Lead da Pfizer

Presidente

José Manuel Spínola Barreto Brito

539/1963

Lic. em Finanças

Auditor. CEO da DELOITTE. Admin. Grupo Joaquim Chaves

1º Vogal

António Emídio da Silva Salgueiro

461/1972

Coronel de Artilharia

Comandante do Contingente Nacional-Afeganistão

2º Vogal

Eurico Jorge Henriques Paes

306/1957

Lic. em Direito

Carreira Diplomática. Embaixador

1º Vogal Suplente

João Luís Schoerder Coimbra

54/1984

Lic. Contabilidade e Administração Pública

Responsável do Centro de Empresas de Lisboa do BPN

2º Vogal Suplente

João Sanches de Miranda Mourão

552/1960

Engenheiro Electrotécnico

Grupo Webuild e empresas do Grupo Águas de Portugal

DIRECÇÃO

CONSELHO FISCAL


Dos Antigos Alunos A Associação tem novos Órgãos Sociais

Manuel Rio de Carvalho

Manuel Costa Freitas

Frederico Rosa Santos

João Ferreira Pinto

António Reffoios

José Banazol

Pedro Chagas

Vítor Novais Gonçalves

Carlos Rio de Carvalho

Pedro Roriz

Pedro Garrido

Francisco Cavaleiro Ferreira

Luís Virtuoso

Mário Camões

Gustavo Pinto Basto

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Dos Antigos Alunos A Associação tem novos Órgãos Sociais

Tiago Baleizão

José Barreto Brito

António Salgueiro

Eurico Pais

João Coimbra

João Mourão


Dos Antigos Alunos Antigos alunos em Destaque / A AAACM na Liga All Stars

Antigos alunos

em Destaque

Eduardo Lourenço de Faria (92/1934) A revista “Única”, do “Expresso”, fez uma longa entrevista com o filósofo, convidando-o a passear por entre muitos dos monumentos existentes em Itália. Para além do passeio, Eduardo Lourenço falou de muitas coisas, tendo afirmado «a história de Portugal é das menos trágicas que conheço de entre os países europeus»...

Tomaz Júlio de Azevedo e Guimarães Metello (462/1958) Continua a ser presença regular nas páginas do Caderno de Economia do “Expresso”. Desta feita pelo facto da “Euroatlantic”, empresa de aviação que dirige, esperar facturar 50 milhões de euros, em 2011, nos Estados Unidos.

Pedro Mendonça de Queiroz Pereira (140/1959) Presidente da Portucel, que foi “Prémio Barretina” em 2010, surge novamente em “alta” no Caderno de Economia do “Expresso”. A Portucel continua a fazer parte das poucas empresas que em Portugal parecem viver num “mundo à parte”, tendo tido em 2010 um crescimento de 26,5% no volume de negócios e de 100,4% nos lucros, aumentou em 25% as exportações para cerca de 1,2 mil milhões de euros. Um desempenho justificado, em parte, pela entrada em funcionamento da nova fábrica de Setúbal.

Luís Abel Magro Moutinho (281/1959) Professor Universitário na Escócia, em entrevista concedida ao “Expresso”, refere «… as emoções estão a chegar à roupa. É um caminho novo aberto pela tecnologia sensitiva a que chamamos haptic (funciona através do toque). (...) Em vez de telefonar a alguém, posso enviar, simplesmente, um abraço», e considera que «as tendências globais do consumo acabam por ser, naturalmente, as tendências da moda. (...)». Filho de dois grandes nomes da então Emissora Nacional, Maria Leonor e Pedro Moutinho, Luís Moutinho é mais um português com reconhecido sucesso no estrangeiro.

José António de Magalhães Araújo Pinheiro (290/1966) Nomeado por Decreto do Presidente da República 15-A/2011 para o cargo de Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. O referido Decreto foi publicado no Diário da República I Série Nº 38, 1º Suplemento de 23 de Fevereiro de 2011.

A AAACM na Liga All Stars Nos últimos anos, AAACM tem tido um papel crescente e dinamizador no âmbito social, bem como em outros desígnios, de índole desportivo, cariz humanitário e, ainda, vocacionada para a difusão, defesa e notoriedade da instituição que ela consiste. Actividades que têm sempre na sua base, a consolidação e fortalecimento dos laços de solidariedade, elo de ligação entre os antigos e actuais alunos do Colégio Militar, sob a égide dos valores, princípios e tradições. Arreigados neste espírito, a AAACM criou uma equipa de futebol 8, que vai disputar a Liga de Futebol All Stars. A Liga All Stars é uma competição de futebol 8, decomposta em 6 divisões. É constituído por Liga, Taça e Liga dos Campeões, em que cada torneio tem a duração de 6 meses, num total mínimo de 21 jogos. A equipa chama-se AAACM, alinhada por um plantel de 12 atletas e vai disputar a Liga C2, tendo como objectivo primeiro a subida de divisão. Os campeões das distintas ligas têm prémios monetários e em marcas desportivas. É um torneio com enorme visibilidade, onde pontificam jogadores dos demais sectores da vida social e laboral, traduzindo-se numa montra essencial para a difusão da AAACM e da sua missão e, por consequente do Colégio Militar. Para informações actualizadas e detalhadas sobre este projecto, consultar o blogue da equipa em www.zacatrazunited.blogspot.com ou contactando-me directamente para o 919 179 808. Nuno Miguel Vieira Pássaro 256/1998

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Dos Antigos Alunos Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979

Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979 R

ealizou-se no passado dia 10 de Março o lançamento do livro “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979” da autoria de José Eduardo Martinho Garcia Leandro (94/1950), onde é abordada a sua vivência durante este período como Governador de Macau. Na sessão de lançamento, muito concorrida, presidida pelo Senhor General Ramalho Eanes e sendo a obra apresentada pelo Senhor Dr Almeida Santos, para além de diversas Entidades intelectuais, militares, civis e políticas, marcaram presença muitos Antigos Alunos que assim quiseram homenagear o seu Camarada do Colégio.


Dos Antigos Alunos Todos os portos a que cheguei

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TODOS OS PORTOS A QUE CHEGUEI

T

eve lugar o lançamento do livro onde onde são abordadas as diversas etapas da vida pública de Vasco Joaquim Rocha Vieira (127/1950), com especial relevância para o período de cerca de nove anos em que esteve investido nas funções de Governador de Macau, o último Governador deste Território. Aqui ficam registadas duas referências quanto à personalidade do nosso Camarada e ao conteúdo da obra editada. «Merecedor era Vasco Rocha Vieira da distinção da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito com que a Nação assinala, ao Povo, os seus melhores filhos, para a todos servirem pelo menos de exemplo e de motivo de reflexão. Tal não aconteceu, o que, só por si, já é surpreendente e e incompreensível; mas mais surpreendente e mais incompreensível foi assistir à tentativa de assassinato cívico de um homem que tanto serviu o País, perpetuado através da manipulação comunicativa da chamada questão Fundação Jorge Álvares.» António Ramalho Eanes ln Prefácio

A memória colectiva guarda a imagem de Vasco Rocha Vieira com a bandeira Nacional colada ao peito, em 19 de Dezembro de 1999, a poucas horas do retorno de Macau à soberania da República Popular da China, expressão de um processo de transição bem-sucedido e último acto de uma governação que constitui um ponto alto da história de Portugal e motivo de orgulho para os Portugueses. Outra seria a memória se, em 1966, Jorge Sampaio tivesse nomeado um novo Governador para o território, como inicialmente pareceu ser sua intenção. Assim não aconteceu e o recém-eleito Presidente da República confirmou no cargo Vasco Rocha Vieira, que havia sido escolhido cinco anos antes por Mário Soares para Governador, num período complexo da vida de Macau. No entanto, a partir de então, Rocha Vieira ver-se-ia confrontado com problemas inesperados e atitudes de difícil explicação no seu relacionamento com o Presidente Sampaio. Muitos aspectos desse relacionamento surgem agora à luz do dia, permitindo aos leitores ter uma visão mais completa do papel do último representante da soberania portuguesa em Macau no encerramento do ciclo do Império. O presente livro não se limita ao período de cerca de nove anos no Palácio da Praia Grande, mas percorre outras etapas da vida pública de um português que deixou uma marca de competência e de carácter no exercício das suas responsabilidades. Recuando no tempo, o testemunho de Vasco Rocha Vieira introduz-nos ainda nos bastidores da sua intervenção institucional ou de simples cidadão em fases marcantes da vida do País, do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975 ao lado de Eanes, e de chefe do Estado-Maior do Exército com apenas 36 anos a Ministro da República para os Açores nos anos de consolidação da autonomia regional. Sem deixar de ser um livro sobre um menino que nasceu em Lagoa, cresceu em Moçambique até aos dez anos, foi aluno do Colégio Militar e escolheu a carreira das Armas, este é, antes de mais, um livro sobre a história recente de Portugal e sobre um dos seus protagonistas, Vasco Rocha Vieira. Texto da contra-capa


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Dos Antigos Alunos Sonho de Sorte

SONHO DE SORTE O

nosso camarada, antigo aluno Alberto Mendes Quadros (87/1938), acaba de publicar o livro “SONHO DE SORTE”, editado pela Chiado Editora e cujo lançamento se efectuou no passado 15 de Dezembro. Embora seja um livro de ficção, a mensagem que contem, merece ser divulgada. A sua leitura torna-se muito interessante, não só pelo seu conteúdo, mas também pelo estilo leve e agradável que o autor adoptou. O autor ofereceu alguns exemplares à Associação, revertendo o produto da sua venda para os cofres da AAACM. Álvaro Augusto da Fonseca Sabbo 133/1938

Sugestão Parabéns pelo novo formato da Revista!

Não seria interessante reservar uma página, ou duas, para pequenos comentários ou notícias e até sugestões enviados por Antigos Alunos, à semelhança da Time na sua inbox ou do Correio do Leitor da Visão. Penso que seria muito variado, dava hipótese a pequenas contribuições de um leque mais alargado de Antigos Alunos, e sempre íamos sabendo alguma coisa daqueles de que nos lembramos e dos outros.

Nota da Redacção

João Manuel de Sousa Fernandes 47/1962

A sugestão é óptima e a ZacatraZ fica a aguardar que ela tenha impacto no universo dos Antigos Alunos, fazendo votos para que os comentários, notícias e artigos nos cheguem para deste modo tornarmos a nossa Revista melhor e mais atraente.

Candidaturas ao Colégio Militar para o ano lectivo 2011/2012 Estão abertas as inscrições para os Ratas que vão entrar em 2011. Já levaste um candidato ao Colégio? Ainda vais a tempo. Ele que leve um Amigo também. Para mais informações consulta o site do Colégio Militar.


Dos Antigos Alunos Taça Teixeira Rebello – Torneio de Golfe

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TAÇA Torneio de Golfe TEIXEIRA REBELLO D

isputou-se no dia 27 de Fevereiro de 2011, a Taça Teixeira Rebelo, o torneio de golfe que reúne os Antigos Alunos golfistas num evento próximo do “3 de Março”, para mais fácil lembrança entre todos. Aproveitando uma bonita manhã de Sol no Ribagolfe I, mais de 40 jogadores Antigos Alunos jogaram 18 buracos e no final desfrutaram de um belíssimo almoço no qual foram distribuídos prémios, gentilmente cedidos pela Labrador através do Martiniano Gonçalves (9/1958) e BES Cabo Verde através do Pedro Roberto Meneres Cudell (3/1961), aos que mais se destacaram. O torneio de golfe – Taça Teixeira Rebelo conta com o alto patrocínio da AAACM, e tem uma Comissão de Honra constituída pelo Senhor Director do Colégio Militar, o Presidente da AAACM, o Comandante de Batalhão Aluno (306/2005) e o Antigo Aluno golfista mais antigo, neste último

caso, o Luís Eduardo Almeida Soares de Oliveira (137/1939). A Comissão de Honra participou no almoço que se seguiu ao torneio, onde, numa curta alocação, o Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, Director do Colégio Militar, revelou interesse em colocar o golfe como uma actividade extracurricular para os Alunos se iniciarem na modalidade, o que se espera venha a acontecer em breve. Aproveitando a presença no torneio dos dois integrantes da equipa campeã da Europa de Senior Master de Golfe Amador, o Carlos José Sanches Vaz Pardal (100/1947) e o José Manuel de Vasconcelos Caeiro (41/1949), o Presidente da AAACM prestou-lhes uma justa homenagem oferecendo-lhes dois livros do Colégio Militar. Os grandes vencedores do torneio foram, em Nett, o Carlos José Sanches Vaz Pardal

Distribuição de prémios, da esquerda para a direita: Afonso Lopes, Director do CM Coronel Tirocinado Cóias Ferreira, Martiniano Gonçalves, Carlos Pardal e Zé Caeiro.

(100/1947) com 36 pontos e, em Gross, o Henrique Manuel de Carmona Catarino (155/1969) com 24 pontos. Para além do Torneio Taça Teixeira Rebelo, os Antigos Alunos golfistas têm vindo a disputar, desde 2008, a Ordem de Mérito Cor-de-Pinhão que reúne torneios ao longo do ano civil. O próximo torneio disputar-se-á no Bom Sucesso no dia 10 de Abril, estando as inscrições abertas através do email (cordepinhao@gmail.com <mailto:cordepinhao@gmail.com>). Para mais informações sobre os outros torneios poderão também consultar o site da Ordem de Mérito, http://sites.google. com/site/golfecordepinhao/home. Contamos com todos.

Fotografia de conjunto dos participantes.

José Afonso Correia Lopes 237/1976


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Do Colégio Colégio Militar 208 Anos - 3 de Março de 2011

Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949

Colégio Militar

208 Anos 3 de Março de 2011 D

ecorreram nos dias 5 e 6 de Março as cerimónias comemorativas dos 208 Anos do Colégio com o programa padrão que tem vindo a ser adoptado nos últimos anos. A impossibilidade nos tempos que correm de fechar ao trânsito a Avenida da Liberdade em dia laboral tem determinado que o desfile (o ponto alto das comemorações) se realize num Domingo próximo ao dia 3 de Março, umas vezes por

©Foto Gonçalo Leal de Matos

antecipação e outras a posteriori. Este ano, por coincidência, em justaposição com as designadas Férias de Carnaval. Logo pela manhã do dia 5 (Sábado) foi hasteada a Bandeira Nacional e com o Batalhão formado na Parada Nova, pelas 9 horas, foi prestada continência ao Director Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira e içado o Guião do Colégio ao som do Hino Colegial cantado por todos os Alunos, acompanhados pela Banda do Exército.


Do Colégio Colégio Militar 208 Anos - 3 de Março de 2011

O Presidente da Associação Martiniano Gonçalves (9/1958) que iria terminar o seu mandato na semana seguinte proferiu, pela última vez nesta qualidade, as seguintes palavras muito especialmente dirigidas aos actuais Alunos, tendo dito: «Senhor Director do Colégio Militar: Uma primeira palavra para Vossa Excelência - Senhor Coronel - na qualidade de anfitrião desta Casa, a quem cumprimento de uma forma muito particular pela simpatia que a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar tem pelo desempenho de Vossa Excelência enquanto Director desta Instituição e pela cortesia e consideração com que publicamente se tem referido à nossa Associação. Muito obrigado, Senhor Director! Batalhão, Antigos Alunos, Meninos da Luz! Falo-vos pela última vez como Presidente da Associação do Antigos Alunos do Colégio Militar, e não posso deixar de vos transmitir que é com emoção que me dirijo a vós, e, mais em geral, à nossa comunidade. Na comemoração do 208º aniversário do Colégio vou referir-me a alguns temas que considero importantes para o esclarecimento de ideias e valores que contextua-

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quero agora dedicar uma palavra sentida àqueles que, tal como vós – Alunos - e nós – Antigos Alunos - pertencem também à nossa grande Família : são, de entre todos os que aqui trabalham, os que mercê da sua dedicação a esta Casa merecem de pleno direito ser, por nós, considerados como pertencentes à Família Colegial. lizam o Colégio Militar e o seu espírito na sociedade actual. Em anos anteriores dediquei-me, neste dia, particularmente aos Ratas e aos Graduados, a quem tem o poder institucional – o Exército – e quero agora dedicar uma palavra sentida àqueles que, tal como vós – Alunos - e nós – Antigos Alunos - pertencem também à nossa grande Família : são, de entre todos os que aqui trabalham, os que mercê da sua dedicação a esta Casa merecem de pleno direito ser, por nós, considerados como pertencentes à Família Colegial. Na nossa travessia, na maior parte dos casos, de 7 ou 8 anos aqui passados, a dedicação de todos aqueles que nos ajudaram a crescer fez-nos homens. Foram os oficiais, os professores, os empregados civis, e dentro destes, porque actuam fora do âmbito escolar e disciplinar, os fâmulos ou serventes ou vigilantes tiveram e têm particular destaque.

tezas dos «Senhores Alunos»… e foram e são nossos companheiros e, diria “cúmplices” – passe a carga negativa da palavra - em muitas outras actividades e peripécias. Tudo numa relação perene, que em quase todos os casos inclui o amor com que se dedicam ao Colégio, geração de Ratas após geração de Ratas, e cuja imagem e recordação nos acompanha para o resto das nossas vidas. Foram muitos e seguramente continuarão a ser muitos !

Foi e é grande a sua importância na nossa formação: pela forma com que nos trataram e vos tratam, pelo exemplo de dedicação, pela contribuição para a nossa aprendizagem a viver no Colégio e na vida.

O conceito de Família envolve esta perenidade das relações entre as partes: Família é para toda a vida; quem está de passagem não pertence à Família ; exceptuam-se aqueles que pela sua dedicação e envolvimento, mesmo em períodos mais curtos, contribuem de forma intensa para o Colégio, e que, orgulhosa e reconhecidamente, adoptamos como membros da Família Colegial.

Ensinaram-nos, castigaram-nos, acarinharam-nos, brincaram connosco, arranjaram-nos bolama, ajudaram-nos nos «cavanços», acompanharam-nos nas competições desportivas, trataram dos nossos cavalos, aturaram as iras e as tris-

A educação no Colégio assenta em três pilares: a componente escolar, a vertente desportiva e a formação militar e para a liderança, que só no seu conjunto, e de forma harmoniosa, permitem a formação de homens dentro dos princípios e visão


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Foram os oficiais, os professores, os empregados civis, e dentro destes, porque actuam fora do âmbito escolar e disciplinar, os fâmulos ou serventes ou vigilantes tiveram e têm particular destaque. Foi e é grande a sua importância na nossa formação: pela forma com que nos trataram e vos tratam, pelo exemplo de dedicação, pela contribuição para a nossa aprendizagem a viver no Colégio e na vida. Ensinaram-nos, castigaram-nos, acarinharam-nos, brincaram connosco, arranjaram-nos bolama, ajudaram-nos nos «cavanços», acompanharam-nos nas competições desportivas, trataram dos nossos cavalos, aturaram as iras e as tristezas dos «Senhores Alunos»… e foram e são nossos companheiros e, diria “cúmplices” – passe a carga negativa da palavra - em muitas outras actividades e peripécias. Tudo numa relação perene, que em quase todos os casos inclui o amor com que se dedicam ao Colégio, geração de Ratas após geração de Ratas, e cuja imagem e recordação nos acompanha para o resto das nossas vidas. com que o Fundador iniciou em 1803 esta bela história que é o nosso Colégio. E todos - mas todos sem excepção - os que aqui trabalham têm responsabilidades na contribuição para a realização da nobre missão que é educar no Colégio Militar. O Colégio é um espaço com uma vivên-

cia familiar única; para os que por aqui não passaram como Alunos, o verdadeiro teste á sua condição de membros desta Família é o de percepcionarem que adquiriram este sentimento de pertença a este espaço de amor e liberdade. Peço aqui aos Militares, aos actuais Professores, e aos Civis em geral que aqui prestam os seus serviços, que subscrevam, sem reservas, e actuem no seu dia-a-dia de acordo com o nobre princípio de SERVIR – VIRTUDE e DEVER da Instituição Militar e TIMBRE desta Casa - e que mereçam, assim, ter no seu currículum que trabalham no Colégio Militar, ultrapassando a simples e, neste caso redutora, relação profissional entre prestadores de serviços e a respectiva entidade empregadora. Exigindo-se-vos inovação, iniciativa, dedicação, determinação e persistência na acção, em nenhum outro estabelecimento teriam a oportunidade de participar de forma tão completa e tão intensa na educação e não apenas no ensino destes jovens; daí a vossa enorme responsabilidade. Se o fizerem, tornar-se-ão referências que ficarão na memória dos Alunos para o resto das suas vidas e retribuirão, assim, o privilégio que é servir nesta escola ímpar em Portugal. Não desmereçam esta oportunidade! Dirijo-me agora, em particular, a vós, Alunos do Batalhão. Quero dizer-vos que vocês são a expressão viva do Colégio que me fez feliz, do Colégio que eu e a grande maioria dos Antigos Alunos amamos, dos princípios em que fomos formados, em que acreditamos e que, para bem de Portugal, é indispensável que continuemos a preservar. Porque tivemos o privilégio de por aqui passar – e é de privilégio que efectivamente se trata -, temos a responsabilidade, vós e nós, de transferir para a prática do nosso dia-a-dia os seus princípios e os seus valores : é o grande ónus que todos nós, e em particular os finalistas que neste ano saiem do Colégio, vamos transportar até ao fim das nossas vidas.

Falo-vos agora de um valor que se vem solidificando há mais de 200 anos e que se mantém actual, e de um fenómeno do novo Sec XXI a que não podemos ser estranhos. Refiro-me em primeiro lugar ao número : ao vosso número no Colégio. O número é aquilo que liga gerações de Meninos da Luz : antecessores e sucessores.

O Colégio é um espaço com uma vivência familiar única; para os que por aqui não passaram como Alunos, o verdadeiro teste á sua condição de membros desta Família é o de percepcionarem que adquiriram este sentimento de pertença a este espaço de amor e liberdade. Os Antigos Alunos não promovem reuniões e encontros entre todos os Silvas, os Fonsecas ou os Antónios. Nas visitas que todos os anos os Cursos e a Velha Guarda fazem ao Colégio, os Antigos Alunos, nessas manifestações de continuidade e amor ao Colégio, não procuram e não se reúnem com os Alunos do Batalhão que têm o mesmo nome ou o mesmo apelido, mas sim com os que têm o mesmo número: o elo moral e afectivo « Antecessor – Sucessor» é uma realidade que não pode por novas práticas ser destruído ou mesmo menorizado. A pergunta que fazemos uns aos outros quando não nos conhecemos na rua, e é a Barretina na lapela que nos diz que nos estamos a cruzar com um Aluno ou um Antigo Aluno, é quase sempre a mesma : « Qual é o teu número ? Qual o teu ano de entrada ? » Peço aqui, em particular às Senhoras Professoras e aos Senhores Professores, e ainda aos Militares e Civis que servem no Colégio e a vós Alunos, que mantenham o


Do Colégio Colégio Militar 208 Anos - 3 de Março de 2011

O número é aquilo que liga gerações de Meninos da Luz : antecessores e sucessores. Os Antigos Alunos não promovem reuniões e encontros entre todos os Silvas, os Fonsecas ou os Antónios. Nas visitas que todos os anos os Cursos e a Velha Guarda fazem ao Colégio, os Antigos Alunos, nessas manifestações de continuidade e amor ao Colégio, não procuram e não se reúnem com os Alunos do Batalhão que têm o mesmo nome ou o mesmo apelido, mas sim com os que têm o mesmo número: o elo moral e afectivo « Antecessor – Sucessor» é uma realidade que não pode por novas práticas ser destruído ou mesmo menorizado.

número bem vivo, utilizando-o preferencialmente em vez do nome. Não contribuam para a diluição de um ícone que marca fortemente a nossa comunidade. Tratar pelo número será desumanizar ou despersonalizar? (como já ouvi dizer…)

©Foto Leonel Tomás

Os símbolos têm que ser entendidos em toda a sua dimensão racional, ética, estética e afectiva, e de uma forma mais geral, contextualizá-los em termos morais e culturais.

Sem prejuízo do tratamento entre Alunos pela alcunha, tratar pelo número é uma forma de não diferenciar pelo apelido mais conhecido ou mais sonante, do rico ou do pobre, do africano ou do europeu ; é, seguramente, a forma mais democrática e igualitária de relacionamento no dia-a-dia. Em segundo lugar, falo-vos, agora, do exercício da camaradagem em que vós – Alunos – aqui são educados, e que tem como sucessora, após a saída do Colégio, a prática da Solidariedade entre os Antigos Alunos. Não esqueçamos que precisamente 100 anos após a fundação do Colégio, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar foi criada com o objectivo de «socorrer antigos alunos, suas viúvas e órfãos que se encontrassem privados de meios de subsistência » como se lê nos estatutos então aprovados. Esta nossa missão – a prática da Solidariedade - terá um âmbito tanto mais abrangente e eficaz quanto maior a ligação e a nossa proximidade no interior da nossa comunidade. Na sociedade em que vivemos os meios de comunicação, se convenientemente utilizados, são, frequentemente, um importante contributo para o sucesso das campanhas em que nos envolvemos, pelo que a sua utilização intensa entre nós constitui um factor fundamental que temos vindo a desenvolver nomeadamente através do

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Site, da Revista trimestral e da Newsletter mensal da Associação. Um aspecto incontornável do mundo actual é a utilização de redes sociais, com destaque para o Facebook em que muitos de vós já estão presentes com participação muito activa e outros apenas nele vão, agora, dando os primeiros passos. Deixo aqui um apelo aos utilizadores do Facebook e àqueles que ainda o não são, para que se liguem às páginas do Colégio Militar e da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar numa afirmação pública da dimensão da nossa comunidade, solidificando a rede que somos e propiciando a sua utilização em iniciativas futuras no âmbito da prática da Solidariedade. Termino dizendo-vos que não vos vou perdoar se amanhã na Avenida me desiludirem: quero ouvir esses calcanhares a bater, quero ver esse olhar em frente de esperança na Vida, esse aprumo e essa felicidade nos vossos corações, mostrando-nos a nós Antigos Alunos, que ali vamos estar convosco com os nossos Zacatrazes, que o Colégio Militar continua a ser um espaço de esperança e virtude, em que se ensina a acreditar no futuro e que fará os vossos Pais e Portugal sentirem o orgulho de vos terem como filhos e os Antigos Alunos como irmãos. Para os Ratas esta será a primeira vez que irão sentir essa enorme emoção que é desfilar na Avenida. Quando chegarem à Igreja de São Domingos e sentirem o grande orgulho e a

Sem prejuízo do tratamento entre Alunos pela alcunha, tratar pelo número é uma forma de não diferenciar pelo apelido mais conhecido ou mais sonante, do rico ou do pobre, do africano ou do europeu ; é, seguramente, a forma mais democrática e igualitária de relacionamento no dia-a-dia.


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Não esqueçamos que precisamente 100 anos após a fundação do Colégio, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar foi criada com o objectivo de «socorrer antigos alunos, suas viúvas e órfãos que se encontrassem privados de meios de subsistência » como se lê nos estatutos então aprovados. Esta nossa missão – a prática da Solidariedade - terá um âmbito tanto mais abrangente e eficaz quanto maior a ligação e a nossa proximidade no interior da nossa comunidade. satisfação de terem vivido momentos que ficarão para sempre inesquecíveis, vão sentir-se felizes e vão ter a sensação única de confiança e de pertença a uma Família: esta Família dos Meninos da Luz que será vossa para sempre. Serão momentos de grande intensidade, sentirão essa alegria muito especial que partilharão com os vossos irmãos e Pais que aqui saúdo pela decisão de vos terem trazido para o Colégio Militar! Vou deixar-vos como terminei esta minha intervenção nos últimos anos. Sorriam para o futuro! O Colégio e Portugal precisam dessa confiança e desse sorriso! Peço agora ao 306 de 2005 - o Comandante do Batalhão - que o primeiro Zacatraz deste “3 de Março” seja um Zacatraz por Portugal, a Pátria que o Código de Honra nos diz para amar e honrar.» A cerimónia na Parada Nova terminou com o acendimento da Chama Colegial, Chama que perpetua o espírito das grandes tradições que irmanam todos os que tiveram o privilégio, de uma forma ou de outra, de fazerem parte da Família Colegial. Na Parada do Corpo de Alunos, a 4ª Companhia prestou as Honras Militares ao Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General Mário de Oliveira Cardoso, que preside às cerimónias. Nos Claustros, com a presença de Oficiais dos três Ramos das Forças Armadas, de Adidos Militares estrangeiros, representações de Forças Militares e Militarizadas, das Academias do Exército, Marinha e Força Aérea, do Instituto de Odivelas,

©Foto Leonel Tomás

do Instituto dos Pupilos do Exército, de Professores e Servidores do Colégio, de Familiares dos actuais Alunos e de muitos Antigos Alunos, foi feita a integração do Estandarte Nacional na Formatura e cantado por todos os presentes o Hino Nacional. O Estandarte do Colégio ostenta as seguintes condecorações: Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito; Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública; Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo; Ordem de Mérito Militar dos Estados Unidos do Brasil; Ordem Militar de S. Tiago da Espada; Ordem Militar de Rio Branco, do Brasil; Medalha de Ouro de Serviços Distintos; Medalha do Pacificador da República Federativa do Brasil; Medalha Marechal Trompowski da República Federativa do Brasil; Medalha da Ordem Militar de Avis, Membro Honorário. No Átrio do Fundador foram homenageados os Mortos do Colégio Militar com uma oração evocativa e os toques regulamentares.

O Director, Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Joaquim Alves Cóias Ferreira, usou da palavra o que fez nos seguintes termos: «Excelentíssimo Senhor Tenente-General Mário de Oliveira Cardoso, ilustre Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Meu General, A presença de Vossa Excelência honra-nos muito, ao dignar-se presidir a esta cerimónia de comemoração do ducentésimo oitavo Aniversário do Colégio Militar, ao mesmo tempo que simboliza o reconhecimento institucional do Exército da nobre missão desta Casa. Senhores Oficiais Generais, Excelentíssimos Senhores Antigos Directores e Subdirectores do Colégio Militar que eu saúdo na pessoa do Senhor Tenente-General Joaquim Cavalheiro aqui presente. Senhores Adidos de Defesa,


Senhores Presidentes e Representantes dos órgãos sociais da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, da Associação do Pais e Encarregados de Educação e da Liga dos Amigos do Colégio Militar. Quero aqui deixar uma palavra de particular apreço ao Senhor Engenheiro Martiniano Gonçalves, que participa nesta cerimónia pela última vez na qualidade de Presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, pela postura de grande disponibilidade que sempre demonstrou em colaborar com a direcção e com os alunos deste colégio, ao longo de 6 anos, designadamente em períodos de maior dificuldade. Senhor Engenheiro, o Colégio Militar está grato ao Antigo Aluno Número 9 de 1958 pela atenção e dedicação que sempre lhe dispensou. Distintos convidados, Estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários que servem no Colégio Militar, Caros Alunos e Antigos Alunos do Colégio Militar, A vossa presença nestes seculares claustros constitui motivo de orgulho e, à semelhança das inúmeras placas comemorativas cravadas nas paredes que nos rodeiam, resultantes da veneração das diferentes gerações de Antigos Alunos, é a prova da perenidade sólida de uma instituição que se impôs ao longo dos duzentos e oito anos que estamos a celebrar. As instituições são obras das pessoas que nos antecederam e que, conforme aconteceu no Colégio Militar, aqui deixaram muito do seu saber e do seu trabalho, pelo que merecem todo o nosso respeito, admiração e a justa homenagem, a começar na pessoa do seu fundador, Marechal António Teixeira Rebelo, insigne militar, possuidor de uma determinação, de tal forma inabalável, que tornou possível esta obra quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade política e sob a ameaça das forças militares napoleónicas.

Evoco aqui a grande força de vontade e o elevado espírito de missão dos oficiais e sargentos que assumiram funções docentes, sob o comando do então Coronel Teixeira Rebelo, e, sem que para isso recebessem qualquer compensação, percorreram o caminho desde a criação, em 3 de Março de 1803, do então Colégio de Educação do Regimento de Artilharia da Corte, até à sua existência legal como Real Colégio Militar, por portaria de 24 de Abril de 1813, e que levou, mais tarde em 1888, ao seu reconhecimento público com a atribuição do direito ao uso do respectivo Estandarte Nacional que hoje integra o Batalhão Colegial. Estes foram os alicerces que, juntamente com o empenhamento de todos os que serviram, ensinaram e estudaram no Colégio Militar ao longo de dois séculos, sedimentando um conjunto de princípios e valores morais e cívicos, transmitidos de geração em geração, possibilitaram estarmos hoje a comemorar mais um aniversário. Importa neste momento evocar também os muitos antigos alunos que se distinguiram nas diversas áreas de actividade da nossa sociedade, incluindo a mais alta magistratura da Nação, e que dessa forma projectaram a imagem do Colégio no exterior, associando-a a um ensino de exigência, de rigor e de qualidade que consolidou o valor desta instituição como um património ao serviço do País. Homenageamos ainda os Antigos Alu-

Foi deste modo que o Colégio Militar se afirmou como Instituição, onde ao longo do tempo se foram sedimentando Princípios, Valores e Tradições que lhe deram uma identidade única no panorama do ensino básico e secundário em Portugal, a qual merece o nosso respeito e admiração e lembra a responsabilidade de continuar esta obra pelos que actualmente aqui servem e estudam.

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©Foto Leonel Tomás

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nos que honraram e amaram a Pátria, conforme o dever primeiro do Código de Honra do Aluno do Colégio Militar, dando a vida por ela nas Guerras Peninsulares, nas Guerras Liberais, nas Campanhas de Pacificação em África, na Primeira Guerra Mundial, na Guerra Civil de Espanha e nas Campanhas Ultramarinas. Todos eles representam, no sentido mais profundo, o vínculo desta Casa à Instituição Militar, comungando valores e virtudes, e estarão sempre na memória de todos quantos partilham o ideal do Colégio Militar. Foi deste modo que o Colégio Militar se afirmou como Instituição, onde ao longo do tempo se foram sedimentando Princípios, Valores e Tradições que lhe deram uma identidade única no panorama do ensino básico e secundário em Portugal, a qual merece o nosso respeito e admiração e lembra a responsabilidade de continuar esta obra pelos que actualmente aqui servem e estudam. As qualidades e formas de estar ao serviço do país dos que nos antecederam devem servir de exemplo e orientar a nossa postura profissional, designadamente nos tempos difíceis de hoje onde cada vez mais se apela à educação e ao ensino como arma de resposta aos desafios do futuro.


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A História ajuda-nos a não repetir erros mas, atenção, não nos dá soluções dogmáticas para o que teremos de enfrentar. Com base no nosso património histórico, temos que encontrar o nosso caminho para continuar a afirmar a identidade do Colégio Militar na sociedade, em geral, e na Instituição Militar em particular. E isto depende, em primeira instância, da qualidade do trabalho de todos quantos aqui servem e estudam, mas também da compreensão e apoio daqueles que têm uma relação directa de responsabilidade e afecto por esta escola. Falo naturalmente do Exército e das Associações de

Com base no nosso património histórico, temos que encontrar o nosso caminho para continuar a afirmar a identidade do Colégio Militar na sociedade, em geral, e na Instituição Militar em particular. E isto depende, em primeira instância, da qualidade do trabalho de todos quantos aqui servem e estudam, mas também da compreensão e apoio daqueles que têm uma relação directa de responsabilidade e afecto por esta escola. Falo naturalmente do Exército e das Associações de Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação. Antigos Alunos e de Pais e Encarregados de Educação. Estamos convictos que o Colégio Militar continuará a ser um projecto válido no futuro na medida em que evidencie a mais-valia da educação dos seus alunos, a qualidade do seu ensino, garantindo mais e melhores opções de acesso ao ensino superior, e a sua opção de internato, face a uma sociedade que, cada vez mais, mostra dificuldades de estruturação familiar e de disponibilidade de tempo para a educação e acompanhamento dos seus filhos. Acresce ainda a im-

desígnio de “O Colégio Militar prestar um serviço de excelência no âmbito do ensino básico e secundário a nível nacional, regido por princípios e valores de cariz militar e assente num modelo de gestão eficiente, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis e intervenientes na sociedade portuguesa” portância de clarificar o seu papel e âmbito no apoio social que presta, bem como o programa de actividades de índole castrense, com vista a obter uma maior adesão por parte dos alunos para concorrerem às academias militares. A nossa visão rege-se pelo desígnio de “O Colégio Militar prestar um serviço de excelência no âmbito do ensino básico e secundário a nível nacional, regido por princípios e valores de cariz militar e assente num modelo de gestão eficiente, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis e intervenientes na sociedade portuguesa”, pelo que importa assegurar os seguintes objectivos: - Garantir a especificidade e identidade do Colégio Militar, designadamente na educação em regime de internato, reflectindo-se na consolidação firme de valores militares que determinam uma forma própria de estar dos seus Alunos, com maior exigência, disciplina, rigor e camaradagem; - Praticar um ensino ecléctico nas vertentes académica, comportamental, desportiva e cultural, vocacionado para a formação de futuros cidadãos responsáveis e com capacidade de iniciativa e liderança em diferentes áreas de actividade na nossa sociedade, em geral, e das Forças Armadas em particular; - Alargar o ensino básico ao 1.º Ciclo e melhorar os processos internos de aprendizagem com vista a aumentar o rendimento escolar dos Alunos, o que proporcionará mais candidatos e uma selecção mais criteriosa, traduzindo-se num universo de alunos com menor atrição entre a sua entrada e saída

desta escola e com maior sucesso na admissão ao ensino superior; - Melhorar o processo de gestão escolar, adoptando sistemas adequados de indicadores de educação e de gestão integrada, assentes cada vez mais em tecnologias de informação. Este é o caminho que, conscientemente, materializará o nosso sucesso e no qual acreditamos profundamente. A todos, professores, oficiais, sargentos, praças, funcionários e alunos, exorto que continuemos a trabalhar afincadamente para elevar mais alto os padrões do ensino, da aprendizagem e do funcionamento administrativo-logístico no Colégio Militar. Excelentíssimo Senhor General Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Ilustres Convidados, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Ao comemorarmos hoje a história do nosso passado, afirmamos a justiça do reconhecimento da missão do Colégio Militar em prol da Nação, com o peso da responsabilidade que nos cabe agora e no futuro próximo. Termino agradecendo uma vez mais a presença de todos, neste dia de aniversário do nosso Colégio que bem merece os nossos parabéns. Tenho dito!»

Ao comemorarmos hoje a história do nosso passado, afirmamos a justiça do reconhecimento da missão do Colégio Militar em prol da Nação, com o peso da responsabilidade que nos cabe agora e no futuro próximo.


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José Marques Campos, os Assistentes Técnicos Maria da Graça da Luz Fonseca Tomaz e Leonel José da Silva Tomaz, o Encarregado Operacional Américo de Almeida Ralo, a Assistente Operacional Anabela Nunes Violante Pernica e com a Medalha de Serviços Especiais Líbano 2009 o Primeiro-Sargento Carlos Alberto da Silva Pereira, tendo também sido entregues as Placas do Exército aos Professores Guilherme Alexandre Louro Almeida, Adília Graziela Andrade Cardoso e José João Prata Martins. Foram entregues os Prémios Instituídos pelo Comando de Instrução e Doutrina do Exército e pelo Colégio Militar aos Alunos 264 João Faleiro «Educação Física», 177 Artur Dias «Esgrima», 111 Pedro Guerreiro «Equitação» e «Instrução Militar».

© Fotos Leonel Tomás e Sérgio Garcia

De seguida teve lugar a imposição de condecorações e a entrega de prémios, tendo sido condecorados com a Medalha de Serviços Distintos Grau Prata o Major General Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos, antigo Director, com a Medalha de Comportamento Exemplar no Grau Ouro o Coronel João Paulo de Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), actual Subdirector, e o Coronel Hélio Arsénio Pinto Santos Silva, no Grau Prata o Major António Rodrigues Borges da Silva e o Capitão Emanuel Jorge Monteiro Umbelino, no Grau Cobre a Primeiro Cabo Mariline da Cruz Gonçalves, com a Medalha D. Afonso Henriques – Mérito do Exército de 2ª Classe o Tenente Coronel Helder Jorge Coelho Alves, de 4ª Classe os Primeiro-Sargento Mário José Camasão Silva e Simão

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Alguns dos Agraciados neste 3 de Março

O Batalhão Colegial desfilou em continência ao Marechal Teixeira Rebello e às Entidades presentes, marchando pela Estrada da Luz desde os Claustros até à Parada do Corpo de Alunos.

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o Domingo, com previsão de céu nublado e possibilidade de aguaceiros havendo mesmo chuviscos ao inicio da manhã, o tempo acabou por se associar às comemorações presenteando-nos com um dia de sol radioso. Antes do início do desfile a chuva parou e só voltou a aparecer quando terminou a Missa em São Domingos. O Batalhão e a Escolta a Cavalo desfilaram pela Avenida da Liberdade com o garbo e a determinação que os caracteriza, em continência ao Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General Mário de Oliveira Cardoso, que era acompanhado pelo Director do Colégio Coronel Tirocinado de Artilharia Fernando Cóias Ferreira,

de Oficiais e Entidades civis e militares que se encontravam junto do Monumento dos Mortos da I Grande Guerra, juntamente com Professores e Servidores do Colégio e de um elevado número de Antigos Alunos. Seguiu-se a Missa na Igreja de São Domingos concelebrada pelo Major-Capelão Padre Borges da Silva e coadjuvado pelo antigo Capelão do Colégio Padre Braula Reis, Prior de São Domingos. Da Liturgia da Palavra coube ao Director do Colégio a 1ª Leitura tendo a 2ª Leitura sido feita pelo Aluno 164 Tomás Gomes Teixeira Esteves Virtuoso. O Padre Braula Reis leu o Evangelho e na Homília o Major-Capelão Padre Borges da Silva disse:

«No princípio Deus criou a luz e deu-lhe origem na liberdade. Foi precisamente na avenida da liberdade que os senhores alunos da luz marcharam. Não passearam, não deambularam, mas empenharam-se num passo firme, comprometido, colectivo. Não se quer dizer que o indivíduo não seja importante... Sim é importante, e na sua importância adere responsavelmente a uma causa comum, afere o passo, eleva o olhar muito para além do horizonte e evolui na avenida da liberdade não à deriva, mas com rumo... O rumo da luz, da lucidez dos valores onde bebeu o crescimento e o desenvolvimento da pessoa. Caríssima Família Colegial, amigos e ir-


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© Foto Leonel Tomás

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Candidatos ao Colégio (os dois primeiros à esquerda) e os mais novos Antigos Alunos

neste dia e nesta celebração o efémero toca o eterno, os horizontes ultrapassam a física e projectam-se no infinito, o passado vivencia-se no presente e mostra vigor para o futuro... mãos em Jesus Cristo, neste dia e nesta celebração o efémero toca o eterno, os horizontes ultrapassam a física e projectam-se no infinito, o passado vivencia-se no presente e mostra vigor para o futuro... É neste contexto que vos proponho uma reflexão breve, assente nos textos bíblicos próprios deste domingo, que acabamos de escutar. Os textos bíblicos afirmam, antes de mais, o primado da coerência, o primado da integridade, o primado da sintonia entre o dizer e o fazer, o primado do pleno acordo entre o falar e o agir, o primado do conteúdo sobre a forma, o primado do carácter: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai”. As palavras são importantes, os discursos têm o seu lugar, as intenções também” os propósitos igualmente, mas

é nas práticas que se afere a qualidade, a verdade, a coerência. Que interessam os anúncios, as declarações de intenções, as negociações, os projectos, os planos, as apresentações com tecnologias de vanguarda se, depois, as práticas se afastam do caminho que as palavras pressupunham? Qual o relevo das palavras que não assumem o respectivo conteúdo? Que interessa o marketing profissionalmente bem executado se depois o produto concreto não existe ou é uma desilusão? A palavra, os planos, os projectos podem suscitar a esperança, mas são as práticas que lhes dão consistência ou que as podem transformar em publicidade enganosa. Temos um código de honra ímpar... somos uma escola de valores ... temos uma história única ... temos antecessores ilustres e nobres ... a nossa herança coincide em muitos momentos com a história de Portugal... mesmo o nosso marchar é nobre e firme ... Importa, de forma perseverante, numa contínua avaliação do desempenho, aferir as práticas, viver com conteúdo, construir com rumo, edificar com lucidez, não esquecer as referências do fundador... Mais do que pela aparência da casa, pela imagem, pelos adereços, Jesus dirige a

sua atenção para os fundamentos e para a constituição do terreno onde assentam os alicerces. É o tipo de terreno e a consistência dos alicerces que garantem o edifício. Escutar e assentar os alicerces nos valores eternos, que o texto bíblico denomina “vontade de Deus”, é garantia de vida segura mesmo nas maiores adversidades. E o que será esta “vontade de Deus”? Justiça, verdade, amor e respeito pelo próximo, solidariedade, misericórdia, responsabilidade, comunidade... Valores que fazem parte do código de honra que nos é familiar. Ora os alicerces estão directamente relacionados com o período de formação da pessoa. É certo que a formação da pessoa perpassa todo o ciclo da vida, mas os estudos indicam a infância e a adolescência como o período áureo dessa mesma formação: o que se apreende na infância e juventude tende a perpetuar-se na vida adulta. O terreno é consistente, é rocha mãe, é firme... prova disso são os frutos de qualidade que dele brotaram e que elevaram o nome de Portugal, muitas vezes em momentos de adversidade ... É certo que o contexto histórico pode tentar à construção em terreno arenoso... é mais fácil, mais rápido, conquista aplausos imediatos... mas os ventos, as intempéries e a fragilidade da


Do Colégio Colégio Militar 208 Anos - 3 de Março de 2011

construção não demoram a colocar em risco a dignidade das pessoas e a soberania de um povo ... Portanto o nosso amor por Portugal e pelo humanismo deve-nos manter firmes na construção fundamentada em valores provados. Gozamos de liberdade de opção... Os valores são sempre uma proposta a que se pode aderir ou não. E há múltiplos valores com cotações muito diversas... Os textos bíblicos não se referem a qualquer comissão de mercado de valores mobiliários ou imobiliários, mas aos valores de vida... A bênção corresponde à casa construída sobre a rocha, à adesão aos valores de eternidade, à adesão aos valores que se associam à vontade de Deus. A maldição corresponde à casa construída na areia... à entrega aos valores efémeros, à adesão ao materialismo/ consumismo... à dependência de modas, tendências e ventos... Caríssima Família Colegial, a dignidade, a verticalidade, a nobreza de atitudes, o carácter ou a falta dele dependem em muito das nossas opções... das nossas escolhas, do uso da nossa liberdade ... dos valores a que aderimos ... A fé e o amor de Deus permitem-nos marchar na avenida da liberdade, com rumo, na certeza de que o empreendedorismo sério não pode existir sem dimensão ética... sem assentar na rocha dos valores como os que se encontram plasmados no nosso código de honra. Que a graça de Deus nos continue a fortalecer os músculos da fé, nos eleve o olhar para horizontes de esperança, e nos alimente a lucidez na escolha de caminhos com rumo, no serviço a Portugal e à humanidade.» Com o toque de silêncio, magistralmente executado pela Fanfarra do RAAA1 com a grande qualidade a que nos vem habituando desde há alguns anos, foram evocados os Antigos Alunos que deram a vida ao serviço da Pátria. Referenciados pelo Capitão António Pedro Nolasco Pinto, que entrou no Colégio da Feitoria em 1796 (então colégio agregado ao Regimento de Artilharia da Corte sob o comando do Coronel Teixeira Rebello – preciosa informação de objectividade fornecida pelo José Alberto da Costa Matos (96/1950) profundo conhecedor da História respeitante ao Colégio desde a sua génese até aos nossos dias) tendo

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© Foto Leonel Tomás

posteriormente transitado para o Colégio Militar, morto na Batalha de Arapilles em 22 de Julho de 1812, Tenente Eduardo Augusto Prieto Valadim (132/1876) morto em Moçambique no ano de 1890 e General Carlos Miguel Lopes Silva Freire (246/1917) morto em Chitado (Angola) a 10 de Novembro de 1961. À citação dos nomes os Alunos e os Antigos Alunos disseram: PRESENTE. O toque de Alvorada ecoou pelas velhas paredes calcinadas da Igreja de São Domingos, dando-nos a sensação da eterna presença daqueles que pela sua grandeza “se vão da lei da morte libertando”. Finda a Missa e entoado o Hino Nacional, o Batalhão levantou as armas recolhidas no Palácio da Independência e regressou ao Colégio, tendo tido lugar, pelas 18 horas, a Cerimónia do Arrear da Bandeira Nacional. O tradicional jantar oferecido pela Direcção do Colégio no Refeitório dos Alunos (este ano com menor afluência por força do período de férias que muitos apro-

veitam para se ausentarem para outros destinos), constituído pela muito apreciada ementa colegial de caldo verde, “amarelo” e arroz doce (este ano faltou o vinho do Porto), constituiu mais uma vez um momento ímpar da reunião na maior camaradagem e boa disposição dos mais variados níveis etários de Antigos Alunos, desde os que terminaram o seu Curso no ano transacto até aos que com mais de oitenta anos manifestaram a sua vitalidade e identidade com tudo o que se relaciona com o Colégio. É todo o conjunto de emoções vividas ao longo do ano em tudo o que se relaciona com o Colégio, mas com impacto muito especial os dois dias em que se celebra o 3 de Março, que fazem a mística e a diferença do que é ter sido ou ser «Menino da Luz» e tudo o que fica para além disso. Mais um 3 de Março que terminou às zero horas quando foi apagada a Chama Colegial, mas já com o pensamento e ante vivência do que se irá realizar no próximo ano.


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Colaboração Recordar as origens, as ameaças e algumas opiniões acerca do Colégio

José Alberto da Costa Matos 96/1950

Recordar as origens,

as ameaças e algumas opiniões acerca do Colégio Intervenção feita pelo José Alberto da Costa Matos (96/1950) no Painel I - “Património histórico de escolas seculares e sua relevância na sociedade portuguesa” do Seminário sobre os Estabelecimentos Militares de Ensino, que decorreu na Sociedade de Geografia no dia 26 de Janeiro do corrente ano, promovido pelo Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar.

A

lgures durante 1998, fui instado por uma comissão de antigos alunos no sentido de investigar e escrever a História do Colégio Militar, para ser publicada em 2003 quando das comemorações do seu Bicentenário. Bem... empurrado por um lado pelo dever de servir, e por outro pelo espirito de disciplina que aprendera no Colégio, lá me deixei embarcar numa aventura que já havia sido tentada por ilustres mestres e historiadores. Depois de quatro anos de trabalho árduo e diário, lá consegui escrever, ilustrar e pôr em seis quilos e meio de papel, aquilo que me haviam encomendado. Mas a coisa ainda estava no adro! É que, de então para cá, foram surgindo solicitações de revistas, da televisão ou de orga-

nizadores de conferências e seminários para abordar os mais variados aspectos relacionados com a História Colegial, uns mais fáceis, outros mais complexos ou então não suficientemente estudados. Mas confesso que, até hoje, ainda não me haviam pedido o “impossível” - contar em 20 minutos os mais de dois séculos da riquíssima e sempre surpreendente história do Colégio Militar. Resta-me portanto respigar uns breves tópicos, na esperança de poder despertar nalguns dos presentes a curiosidade em folhear e desfrutar das quase 1300 páginas dos seus dois volumes. Ao longo de várias décadas, em livros, discursos e revistas ou até, mais recentemente, em sítios da “internet”, tem sido

narrada, envolta em beneméritos propósitos e até com um certo romantismo, a criação do então chamado “Colégio Militar da Feitoria”, mostrando-a como uma iniciativa isolada de um comandante do Regimento de Artilharia instalado no começo do século XIX no forte de S. Julião da Barra, comandante esse que resolvera ministrar educação, não só aos filhos mais ou menos abandonados de muitos militares espalhados por todo o império português, mas também às crianças desprotegidas das proximidades. Na verdade as coisas processaram-se de modo um tanto diferente daquele que também me contaram quando era “menino da Luz”, versão essa que prevaleceu ao longo de anos e que consta, ainda hoje, no sítio oficial do Colégio Militar.


Colaboração Recordar as origens, as ameaças e algumas opiniões acerca do Colégio

Então como é que tudo terá acontecido? Em Maio de 1801, na sequência da rejeição de um ultimato espanhol para que Portugal abandonasse a secular aliança que mantinha com os ingleses, o exército vizinho avançou em território nacional através das fronteiras do Alentejo, dando início a uma campanha desastrosa que, para além de ter revelado a impreparação dos oficiais portugueses para o exercício do comando, acarretou ainda a perda de Olivença e obrigou-nos a aceitar uma paz humilhante. Para disfarçar a fraqueza e abandono a que havia chegado a defesa do país, os políticos, como sempre convém, cuidaram rapidamente de destituir o Marechal-General Comandante do Exército, o idoso duque de Lafões, substituindo-o pelo Marechal Conde de Goltz, um prussiano da escola de Frederico. Este novo Comandante do Exército, após uma visita de inspecção realizada em todo o País, apresentou ao governo um extenso relatório em que confirmava a necessidade urgente e profunda de reorganizar o exército, adequando-o de modo conveniente à defesa do reino e pondo as suas tropas em pé de igualdade com as dos estados mais bem apetrechados. Alarmado com a leitura do relatório, o então ministro da Guerra, D. João de Almeida Melo e Castro, mandou reunir de imediato um Conselho Militar a que ele próprio presidiu, constituído por nove oficiais generais portugueses e estrangeiros, escolhidos de entre os mais competentes, no sentido de analisar e deliberar sobre medidas a propor ao Governo. Nas reuniões efectuadas no início do ano seguinte, um escocês, tenente-general Forbes, referiu ser necessário, quando da sua admissão como cadetes, serem-lhes exigidas “qualidade, educação, conhecimentos, honra, probidade, desinteresse e amor de gloria”, devendo depois ser “obrigados a viver em comum debaixo da direcção de um oficial para isso determinado,... receber um soldo de dois tostões e vestuário decente à custa da Fazenda Real ... adquirindo então os conhecimentos da profissão que abraçavam”. Este conceito veio a ser depois pormenorizado pelo general de Cavalaria francês marquês de Viomésnil, propondo que, «para facilitar a aquisição dos conheci-

mentos preparatórios exigidos, fosse estabelecido um Colégio Militar, sustentado à custa do Estado, comum a todos os que pretendessem servir no Exército, no qual se entraria com a idade de 10 anos, após o que passariam aos corpos das diferentes armas, conforme a inclinação e a aptidão demonstradas, excepto os mais aptos que seriam destinados aos corpos de Engenharia e Artilharia, prosseguindo estudos num estabelecimento único, localizado em Lisboa, e sustentado pelo Estado.» Acontece que o receio político de que estas inovadoras ideias não vingassem fez com que o ministro Melo e Castro optasse pela prudência quanto à criação de tal colégio, tanto mais que a situação dos cofres da Coroa não era por essa altura a mais favorável. Decidiu-se pois por uma fase experimental, caseira e discreta, sem envolver novas despesas, para ver no que resultava. Veio-lhe então à mente que o Regimento de Artilharia da Corte albergava, desde há já uns anos, várias crianças afastadas de pais ausentes, embarcados ou órfãs de servidores do rei em diversas partes do mundo, as quais haviam sido autorizadas a ali disporem de abrigo, comida e vestuário, vivendo entregues ao ócio, carentes de algum cuidado e atenção, e para as quais o futuro era pouco promissor. Existia também no quartel uma «aula regimental», criada pelo Conde de Lippe cerca de quarenta anos atrás, destinada à aprendizagem dos militares, facto que, por certo, lhe teria proporcionado alguma experiência em matéria de ensino. Além disso estavam disponíveis algumas instalações num anexo onde em tempos funcionara a “Feitoria” da pedra destinada à construção do Forte de S. Lourenço da Cabeça Seca (o conhecido Bugio), e até no seu efectivo figuravam alguns militares com qualificações e com capacidade bastante para poderem leccionar. Mas ainda havia uma afortunada circunstância. É que, desde Fevereiro desse ano, o comando do Regimento fora pela primeira vez confiado a um oficial português, o então coronel Teixeira Rebelo, cuja fama era conhecida do ministro, designadamente a sua intervenção na campanha do Roussilhão, onde o mesmo se notabilizara pelo seu valor, zelo, tenacidade e saber, bem como pelo modo com que sempre cumprira com enorme coragem e firme-

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za todos as missões, designadamente as que exigissem grandes sacrifícios, canseiras e responsabilidades. Tratava-se ainda por cima de um oficial reservado, dado à reflexão e ao estudo, devoto dos livros e do conhecimento, excepcionalmente disciplinado, esmerado na sua educação, modesto nos seus êxitos e de igual modo resignado nas adversidades. «É este o homem certo para esta experiência!» – pensou o ministro, ali dando logo ordem para que viesse à sua presença. Cometeu-lhe então aquela missão específica, acrescentando que teria de a realizar apenas com os recursos humanos, materiais e financeiros do seu Regimento. Teixeira Rebelo, «idealista sem meios» foi assim o predestinado a quem coube a glória de erguer o Colégio, de lhe dar uma mística imorredoura, de o fazer vencer as provações que logo lhe advieram com as invasões napoleónicas e com a guerra peninsular, teve que o amparar e proteger contra invejas e ameaças, e de o corporizar de tal modo que aquele se confundia consigo próprio. Recrutou de imediato os seus primeiros 20 alunos entre as crianças do Regimento e proximidades e, como professores, serviu-se dos militares que tivessem frequentado a universidade de Coimbra ou mesmo as aulas regimentais, num total de 3 oficiais e 2 sargentos, todos eles voluntários para desempenhar gratuitamente mais aquelas funções. Num documento coevo manuscrito, designado «Lista nominal dos Alumnos do Collegio Militar, e de todos os empregados no mesmo» referente a Janeiro de 1811 e autenticado com a assinatura de Teixeira Rebelo, nele figura o professor de Português, como tendo sido ali empregado «Na formatura do Colégio. 4 de Agosto de 1802.», sendo ainda mencionados mais à frente alguns alunos como tendo sido admitidos dias depois, a 23. O começo de Agosto de 1802 é pois o momento da criação do que ficava então a ser conhecido por «Colégio Militar da Feitoria». E segurando-lhe a mão e guiando os seus titubeantes primeiros passos, lá estava o futuro marechal Teixeira Rebelo. A qualidade do ensino na experiência da Feitoria breve ganhou fama na capital, passando a ser procurado não só para filhos de militares das várias guarnições


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do reino, mas também de civis residentes em Lisboa, em breve se esgotando a sua capacidade. O colégio experimental foi prosseguindo na sua missão formadora e, quando em 1809 houve necessidade de enquadrar as tropas que enfrentariam as forças de Massena, Beresford não hesitou em recorrer à promoção de alguns militares, entre os quais se encontravam os irmãos e ex-alunos António e Sebastião Nolasco Pinto e Luís e Joaquim Neves Franco, cujas idades variavam entre os 16 e os 19 anos, os quais viriam a ter brilhante conduta em combate, demonstrando quão adequada e correcta fora a sua formação. Tendo a experiência resultado na prática e não cessando de aumentar a procura, dissiparam-se as incertezas do ministro. Por isso, afastada a última invasão francesa e aliviada a pressão da Guerra Peninsular, uma portaria de Abril de 1813 reconheceu oficialmente o colégio, agora com a designação de Real Colégio Militar, sendo-lhe destinado para se instalar o antigo Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, no sítio da Luz, onde passava a ter capacidade para 100 alunos. Teixeira Rebelo continuava na sua direcção e o curso colegial compreenderia seis anos lectivos. No ano seguinte uma outra portaria pôs em execução os seus primeiros Estatutos. Nesse mesmo ano, o Real Colégio Militar entrou em funcionamento na sua nova casa. Nos anos subsequentes foram sendo introduzidas melhorias, quer no estatuto quer no ensino, mas não tardou que os reflexos da guerra civil invadissem o Colégio, fundamentalmente através de actos de perseguição a professores, militares, empregados e até alunos, acusados de serem fiéis a D. Pedro, conduzidos pela mão de um novo director ali colocado pelos miguelistas com essa missão. Conseguida a paz, o Colégio Militar é transferido logo em 1835 para o edifício do extinto convento dos padres de S. Vicente de Paula, denominado de Rilhafoles, com a justificação de lhe proporcionar condições para aumentar o seu efectivo de alunos. Mas decorridos 13 anos, no findar de 1848, o governo tem a infeliz ideia de ordenar nova transferência, desta feita para a parte sul do convento de Mafra. Além dos malefícios estruturais que isso provo-

cou, essa mudança constituiu também um rude golpe para os pais, sobretudo para as viúvas, acabando uns e outros por se dirigir em petição ao parlamento para que regressasse a Lisboa ou, pelo menos, para mais próximo. Porém, só 10 anos mais tarde, em 1858, o Colégio Militar viria a regressar ao edifício da Luz. Em 1869, decorridos pouco mais de uns 10 anos, o ministro Sá da Bandeira ordenou peremptoriamente ao general Cláudio de Chaby, ex-aluno do Colégio e seu Chefe do Gabinete, que redigisse de pronto uma Proposta de Lei, para a dissolução do Colégio Militar, alegando para tal razões de natureza economicista. O ilustre general ficou estupefacto e consternado, entendeu que teria que se exonerar de imediato. Neste angustiante transe, decidiu-se por, em 24 horas, elaborar um plano de reorganização do Colégio em que eram reduzidas as suas despesas e apresentou-o ao ministro, acrescentando que não se tratava de uma desobediência, mas sim uma forma de o poupar ao desaire de ferir o coração do Exército, destruindo-lhe uma instituição que merecia a maior estima da grande maioria dos militares. O Marquês ficou calado por um momento e depois respondeu-lhe: «Pois bem. Lavre imediatamente o decreto da reorganização segundo esse plano». E assim foi travada uma iminente desgraça. Mais um ano e, no fim desse ano lectivo, foi a vez do marechal Saldanha impor uma reorganização radical que transformava o Colégio numa escola completa de infantaria e cavalaria para formação de oficiais e de sargentos, fazendo-o então voltar para Mafra. Mas, por razões de despesa, o decreto foi suspenso dois meses depois, permanecendo contudo o Colégio naquele convento até 1873, ano em que regressou definitivamente à Luz, onde desde então se conserva. Em 1886 os estudos do Colégio Militar ficaram harmonizados com os do curso geral dos Liceus centrais do reino, sendo equivalentes as matérias professadas em ambos, mantendo contudo o Colégio todas as suas instruções de natureza militar ou afins que lhe eram próprias. As continuadas convulsões que se seguiram à implantação da República e a ausência de estabilidade política, aliadas à limitada capacidade das instalações e

à desactualização de algum material didáctico fizeram com que o Colégio Militar acusasse em 1937 os efeitos de uma das fases menos boa da sua existência, havendo mesmo algumas vozes que diziam que não passava de um liceu e que, como tal, não se justificava. Porém, a Lei de Recrutamento e Serviço Militar publicada nesse ano fez inverter-lhe o rumo, pois determinava que as vagas abertas anualmente na Escola do Exército seriam preenchidas, em primeiro lugar, por candidatos vindos do Colégio Militar, e que este constituiria a principal base de recrutamento da Escola do Exército. Nestas circunstâncias, nesse ano é adoptado um maior rigor na satisfação das exigências de acesso ao Colégio, com vista a apurar melhores condições físicas em candidatos que mais tarde viriam a desempenhar funções de oficial. No ano seguinte, durante as férias, Salazar, que acumulava a pasta da Guerra, resolveu conhecer o Colégio Militar por dentro (prática que, infelizmente, os ministros não têm seguido nas últimas décadas). As virtualidades que lhe reconheceu, fizeram com que, de imediato determinasse as acções reconhecidas como mais urgentes, designadamente a remodelação do mobiliário das aulas, das salas de estudo, das camaratas e do refeitório, a aquisição de grandes quantidades de material didáctico e a autorização para ser instalada desde logo uma colónia de férias do Colégio, na Feitoria. Seguir-se-iam um vasto plano de remodelação das instalações existentes, a construção do ginásio, da piscina e do edifício do internato, a reorganização dos quadros de pessoal docente militar e civil e a reforma de 1944 que estabeleceu que este se destinava à preparação para ingresso na Escola do Exército, leccionando as matérias indispensáveis à frequência da Faculdade de Ciências ou de Engenharia, sendo considerado, para todos os efeitos legais como um liceu nacional com equivalência ao seu Curso Complementar de Ciências, mantendo porem a preparação específica para futuros oficiais das Forças Armadas. Com tal impulso, o Colégio ganhou uma dinâmica que lhe permitiu progredir no sentido do crescimento e corresponder às exigências decorrentes da Guerra do Ultramar. A partir de 1974, o Colégio passou a cumprir na íntegra as disposições


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do Ministério da Educação quanto à organização do curso, suas componentes lectivas e conteúdos programáticos, o que não se tem afigurado especialmente adequado. No extenso percurso de 208 anos que o Colégio Militar trilhou, a ginástica, a equitação, a instrução militar, a esgrima e os demais desportos foram sempre companheiros da aprendizagem literária, tal como logo de início o entendia o Fundador. Mas, para Teixeira Rebelo, eram igualmente fundamentais o carácter e os valores morais, os quais ele entendia como essenciais para que os seus alunos viessem a ser por inteiro homens e cidadãos, valores esses que se têm transmitido desde então de geração em geração e que assim vão continuar. É este conceito global de formação da mente, do corpo e do espí-

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rito que tem contribuído decisivamente para o sucesso da maioria dos ex-alunos do Colégio Militar, independentemente das actividades que tenham prosseguido. Teixeira Rebelo sentir-se-ia hoje interiormente orgulhoso se, por exemplo, soubesse que dos seus 14.000 “Meninos da Luz” 162 foram agraciados com a Ordem da Torre e Espada, mais de uma centena serviram o país como ministros, 57 como governadores-gerais ultramarinos e 29 atingiram a craveira de atletas olímpicos, e ainda que existem em Portugal 1036 praças, avenidas ou ruas a que foram atribuídos nomes de antigos alunos. Mas talvez não ficasse menos agradado se pudesse ler no Livro de Honra do seu Colégio o que ali deixaram escrito os três últimos Presidentes da República:

7 de Março de 1987 «Gostei muito de ter estado na festa do aniversário do Colégio Militar – instituição altamente prestigiada que tão bem tem servido Portugal. Assim, restabeleci uma antiga tradição, com a homenagem do Chefe de Estado – como lhe cumpre – ao trabalho patriótico realizado nesta Casa.»

Mário Soares

28 de Fevereiro de 1998 «Faço votos para que continuem, como até aqui, a honrar as vossas tão prestigiadas tradições e a formar Homens, bem preparados para uma vida democrática, de participação e de sucesso profissional. Bem hajam!»

Jorge Sampaio

1 de Março de 2008 «Nesta minha visita quero dar testemunho público da qualidade do ensino alicerçado numa cultura de valores éticos e morais que se pratica no Colégio Militar. Desejo as maiores felicidades a todos os que no Colégio Militar servem com orgulho e dedicação os interesses superiores de Portugal.»

Cavaco Silva É gratificante verificar que os titulares do mais alto cargo nacional, que até nem foram antigos alunos, reconheçam que o Colégio Militar: - realiza um trabalho patriótico; - respeita uma cultura de valores éticos e morais; - preserva prestigiadas tradições ; - prepara jovens para uma vida democrática; - e tem prestado bons serviços a Portugal. Assim sejam capazes de o apoiar, e fazer apoiar, na correspondente medida.


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Nota da Redacção

Lamentando não dispormos dos textos das diferentes intervenções, muitas delas feitas de improviso, aqui fica para memória futura o registo dos temas e dos oradores participantes no Seminário.

Restaurante Jardim da Luz premiado O Restaurante Jardim da Luz, que funciona nas instalações da AAACM e que é ponto de encontro de muitos Antigos Alunos do CM, foi premiado com “1 Garfo”, no Concurso Gastronómico “Lisboa à Prova 2010”, realizado no final do ano passado. Foi com natural satisfação que os concessionários do restaurante receberam a distinção, tanto mais que Qualidade de Serviço, Atendimento, Refeições e Preço eram os principais aspectos valorizados. Recorde-se que no “Jardim da Luz” há um menu “Colégio Militar”, que quando usado permite à AAACM receber 1 Euro por cada menu servido.


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Colaboração A história de todos nós

A história de todos nós Quando entramos para o Colégio... _ que alegria porque vestimos uma farda à militar ! ... _ e que saudades nós sentimos nesse dia dos entes queridos que tivemos de deixar. Vem distrair-nos a instrução de infantaria com um tambor à nossa frente _ Ra _ Ta –Plan! _ e à tarde, às vezes vem o “ fâmulo de dia” trazer uma cartinha da mamã... quando logramos ter saída extraordinária ou recompensa do trabalho semanal, que nos parece que é cruel e desumano nesta vida à alegria tão contrária, vamos ao “Chuta” ao Domingo, ou ao “Central”... e assim passamos no Colégio um longo ano.

“”””

No outro ano, aclimatados, dia adia, Sem já ser “rata” entramos logo em vida nova... Ainda nos “enchem a barretina” e se algum “pia” Apanha sempre, “por tabela” , uma sova... Se por acaso há prova escrita..._ Que arrelia Quando um “bico” não estudou, não “pesca nada”!... Baixa a correr, muito enrascado à enfermaria Com “intrujitite” que se cura a marmelada!... Vamos aos poucos começando a cabular!... As saídas ao domingo dá-lhe um ar, Que a cabulice acabou com essa mama... E a família então, por fim, vem-nos cá ver, não se esquecendo uma só vez de nos trazer bastos embrulhos carregados de “bolama”!... “””” Já se não grama o “atrombanço”, a fome aperta, E muito fartos desta vida sem descanso, Desencantamos um namoro _ Alice ou Berta _ E lá começa desde logo o “encravanço”!... Não mais pensamos em estudar e, com fervor, Escrevemos cartas à “pequena” noite e dia, Enormes cartas repassadas de poesia Para lhe dizermos quanto é grande o nosso amor. Vêm os arrufos; passa a haver desaguisados...

Até que enfim, enfim, ela nos manda passear... E, ao sentirmo-nos, assim abandonados, Dá-nos a gana, já bem tarde, para estudar, Mas somos todos nos exames chumbados Sem que haja “cunhas” com poder para nos salvar!... Não tendo nunca, em sete anos, sido um “urso”, Tendo estudado unicamente o que é preciso, E cabulado com jeitinho e com juízo, “pica-se” a gente quando, enfim acaba o curso. E ao transpormos o portão, sem uma praga, sem suspeitarmos das saudades que teremos do belo tempo que aqui juntos vivemos, vamos para a Vida, a correr, pela azinhaga. E alistamo-nos, depois, num regimento, bem convencidos de que a vida é bela porque abichámos já o posto de sargento... Mas dois prazeres, maiores ainda, nos vão dar: _ o ter nas mangas quatro “biscas” e uma estrela, e ter na “poche” doze “milhos” a saltar!...

“”””

E só depois de entrarmos na vida compreendemos toda a beleza dos sete anos que passámos neste Colégio protector a quem devemos a força indestrutível que criámos ... CAMARADAGEM dos alunos do Colégio Que liga os novos e os velhos toda a vida sem permitir que algum cometa o sacrilégio De vir quebrar esta cadeia tão unida! ...Se por acaso algum de nós, triste e sozinho, vergado ao peso de cruéis desilusões, tiver um dia, por ventura, a grande sorte de encontrar outro “ex-aluno” em seu caminho __ haja, embora, a separá-los gerações _ encontra amigo para a Vida e para a Morte!...

Júlio de Sousa Almeida Dias 145/1912 Nota: “Chuta “ era o futebol e “Central” era um cinema que havia em Lisboa.


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Colaboração Nunca marcharemos sozinhos

Nunca marcharemos sozinhos Num dos números da nossa revista, (não me recordo a data),ficou a “bailar-me nos ouvidos” e na alma esta frase lapidar: “nunca marcharemos sozinhos”. Esta frase foi tirada do inglês “you will never walk alone” que faz parte de um cântico do Liverpool e que os adeptos desse clube de futebol entoam para fortalecer o seu moral e vontade em todas as circunstâncias, seja na vitória ou na derrota. Ela nos toca e nos impele a nunca esmorecer, nunca desistir, sobretudo nos momentos mais difíceis. E essa frase vertida agora na nossa língua lusa, tão rica e forte, inspirou-me esta Poesia que dedico aos nossos jovens “Meninos da Luz” que, em todos os “3 de Março”, marcham com gosto e aprumo inexcedíveis: “Sempre jovens e convictos, marchai Desafios, sem temor, enfrentai Com vosso passo firme e ousado. Convosco vai a Pátria, Todo um Povo civil ou soldado. Sempre em frente, marchai! Os clamores da Pátria escutai Sem nunca desistir. Caminhai, caminhai Sabendo ler todos os sinais vivos e humanos, fraternais Nos bons ou nos maus momentos a vossa união e fé Vencerão fraquezas e tormentos. Não vos deixeis distrair, dividir pelos “arautos da desgraça” Nem pelo vento que hoje passa poluído e soprado Por quem vive na inveja ou num falso “progresso envenenado” Vai convosco a Beleza, o Brio, a Bondade De quem sabe viver a Liberdade com Respeito e Dignidade. Sois a alma traída de um Povo Que em vós nasce, desperta de novo. Ide! Com toda a Confiança e Paz, persistentes na Esperança Marcando sempre o compasso do vosso próprio passo. Vontade que não cede derrubando todos os fantasmas dos caminhos,”ervas daninhas” Por isso ficam certos, nunca marcharemos sozinhos!” Roberto Ferreira Durão 15/1942


Colaboração O Colégio e a República

Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957

O Colégio e a República U

ma regra não escrita, que contribui de forma decisiva para a coesão da comunidade dos Antigos Alunos, é a de não discutirmos entre nós, nem política, nem religião. Assim sendo, espero que o título deste pequeno artigo não assuste ninguém e que não pensem que com ele venho fazer a apologia da República em detrimento da Monarquia. É minha convicção que o Colégio tão bem se deu com a Monarquia, como se tem dado com a República, sendo natural que assim seja, pois um dos lemas do nosso Colégio, que chegou a estar inscrito no seu primeiro guião, é “SERVIR”, e quando pensamos em servir, não pensamos em servir regimes ou governos, mas sim em servir a Pátria. Esta postura do Colégio é que lhe permite orgulhar-se de ter tido, no tempo da Monarquia, uma bandeira nacional que lhe foi oferecida por uma Rainha, e um comandante de batalhão honorário

que era o Príncipe Herdeiro da Coroa de Portugal, orgulhando-se, ao mesmo tempo, de ter visto sair das fileiras dos seus Antigos Alunos cinco Presidentes da República, que ascenderam ao posto máximo de Marechal do nosso Exército e da nossa Força Aérea. O título deste artigo tem uma razão de ser muito simples. Fui ver a exposição intitulada “Viva a República” no edifício da Cordoaria, na Junqueira, em Lisboa, e nela deparei, como não podia deixar de ser, com muita coisa que fez recordar o Colégio e os seus Antigos Alunos. Quanto ao que me fez recordar o Colégio, saliento três coisas: uma fotografia de 1911, um filme relativo a uma grande parada militar em 1918, no tempo do “Presidente - Rei” Sidónio Pais e várias fotografias relativas ao seu funeral. A primeira fotografia, de Junho de 1911,

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menos de um ano após a implantação da República, mostra-nos uma classe de esgrima no jardim da enfermaria, que nessa época e durante muitos anos funcionou como ginásio ao ar livre. Lá se vislumbram, por trás da assistência, os belos painéis de azulejo de um dos muros que circundam o jardim e um conjunto de espaldares que estavam então colocados ao longo do mesmo muro. Esta fotografia fazia parte de um conjunto de fotografias ilustrativas da importância que os ideólogos do novo regime davam ao desporto. O filme relativo à parada militar de 1918 mostra-nos o batalhão colegial a desfilar, da forma garbosa usual, com a particularidade curiosa de mostrar que a formatura era liderada pelo comandante de batalhão e o seu ajudante, ambos a cavalo. Esta prática era herdada do tempo da Monarquia, pois é bem conhecida uma fotografia de uma revista passada ao batalhão colegial pelo príncipe D. Luís Filipe, na companhia do seu tutor Mouzinho de Albuquerque e do comandante de batalhão, os três a cavalo. As fotografias relativas ao funeral de Sidónio Pais mostram-nos vários aspectos da tropa postada ao longo do percurso, nomeadamente no Rossio, mas não mostram, infelizmente, a formatura da representação do Colégio. No entanto, a minha mente “voou” imediatamente para o Colégio, pois foi nesta mesma praça do Rossio, que nesse longínquo dia, os alunos integrados nessa formatura escreveram uma das páginas mais ilustres da história do Colégio. Quando soaram tiros e a multidão em pânico fugiu em todas as direcções, arrastando consigo a grande maioria dos militares das formações postadas naquela praça, a formação do Colégio não arredou pé, manteve-se firma na sua posição, dando a muitos dos militares mais velhos uma lição de coragem e disciplina. Este episódio já foi exaltado nas páginas desta nossa revista, penso que por mais de uma vez, por “cronistas” de grande mérito. Apesar disso, não resisto a recordá-lo. É bom e ajuda a fortalecer o nosso orgulho de Antigos Alunos, nomeadamente dos mais novos, que poderão não ter conhecimento deste feito.


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Colaboração Projecto - Fim do Império

Projecto

Fim do Império O projecto Fim do Império é, essencialmente, uma iniciativa no âmbito do voluntariado que integra duas vertentes complementares, a tertúlia e a colecção literária.

Tertúlia Fim do Império Teve início a 21 de Janeiro de 2009, na Livraria-Galeria Municipal Verney/Colecção Neves e Sousa, no centro histórico de Oeiras, numa iniciativa do Núcleo de Oeiras e Cascais da Liga dos Combatentes (L.C.), presidido pelo Coronel José Montez, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras (C.M.O.), personalizado através da técnica superior Dra. Maria José Rijo. O 1.º conjunto de cinco sessões desenvolveu-se até 20 de Maio, tendo sido abordadas cinco obras individuais e uma colectiva através de 10 prelectores. Após o verão, seguiu-se um 2.º conjunto de encontros, passando para a 3ª terça-feira, às 15h00, ou seja, 3 da tarde, o que facilita a memorização «333». Foi designado de Olhares Civis, com quatro sessões, entre Outubro de 2009 e Janeiro de 2010. Entre Fevereiro e Maio de 2010, foi a vez do 3.º conjunto, Olhares Militares, também com quatro encontros. Participaram os autores coronéis David Martelo (que se deslocou do Porto), Manuel Bernardo, Fernando Vouga (que se deslocou da ilha da Madeira) e Rui Marcelino; respectivamente, acompanhados pelos professores universitários Henrique Gouveia, Artur Anselmo, Sara Leite e General António Barrento (40/1948). A 18 de Maio, foi lançado o 1.º livro da colecção literária, da autoria do Coronel Dr. Rui Marcelino. Em 19 de Outubro de 2010, iniciou-se o 4.º ciclo, Olhares Jornalísticos, com o escritor João Paulo Guerra, autor de O Regresso das Caravelas, e uma participação de 63 pessoas, tendo sido distribuído um questionário.

16 nov 2010, lançamento do 2º livro da colecção – Assistência onde se reconhecem os Generais Tomé Pinto, autor de posfácio, Ramalho Eanes, autor de prefácio e Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes, Dr. Paulo Vistas, vice-presidente da CMO e Dr. António Carrelhas (159 /1947), colaborador no livro.

A 16 de Novembro de 2010, realizou-se a 15ª sessão da tertúlia e 2ª do ciclo, com o lançamento do 2.º livro, da autoria do Coronel Dr. Manuel Barão da Cunha (150/1948), e do caderno Bibliografia sobre o Fim do Império, com mais de 150 pessoas presentes, incluindo: presidente e vice-presidente da C.M.O.; General Ramalho Eanes, autor do prefácio; Tenentes Generais Chito Rodrigues, Rocha Vieira (127/1950), Tomé Pinto, Marques Pinto, Gabriel Teixeira (315/1947), José Pimentel; Professor Doutor Henrique Gouveia, que apresentou o livro; autor; editor; e presidente do núcleo da Liga de Oeiras e Cascais.

No total das 15 sessões, foram abordadas 15 obras literárias, incluindo quatro romances, duas narrativas romanceadas, dois ensaios, dois livros de memórias, um diário e duas colectâneas de testemunhos; e a obra artística, literária e documental de Neves e Sousa. Estas reflexões abrangeram a generalidade dos antigos territórios ultramarinos portugueses, com especial incidência sobre Angola, Moçambique e Guiné. O objectivo principal da tertúlia é o de tentar contribuir para uma reflexão, o mais serena possível, sobre o importante período histórico do fim do nosso império, tentando compreender a existência


Colaboração Projecto - Fim do Império

de diversos olhares, já que a guerra, que coincidiu com essa época, variou sensivelmente ao longo do tempo e do espaço e consoante cada observador ou participante. Para o efeito, é convidado, para cada sessão, um autor de uma obra literária sobre este tema, o qual, por sua vez, pode convidar outra personalidade para o acompanhar na mesa. Normalmente, cada sessão dividida em duas partes de cerca de 45 minutos cada, reservando-se a 1ª parte para intervenções da mesa e a 2ª para diálogo da mesa com a assistência, sobre o tema do dia. O número de pessoas tem rondado entre 40 e 50, com excepção de: sessão de encerramento do 1º ciclo, a 5ª, que atingiu mais de 100; a 11ª e 12ª, em 16 de Março e 20 de Abril p.p., com cerca de 60 presenças cada; a 13ª com cerca de 120; 14ª com 63; e 15ª com mais de 150.

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O General Ramalho Eanes entrega o livro ao ex-combatente Dá Mesquita

Colecção Fim do Império Desde Maio de 2009, iniciou-se o trabalho de uma comissão de representantes de Câmara Municipal de Oeiras, Liga dos Combatentes e Comissão Portuguesa de História Militar, constituída, respectivamente, por Dr. Manuel Machado (275/1961), Coronel José Montez e Dr. Pedro Ramalhete; para a qual foi convidado, como coordenador, o Coronel Dr. Manuel Barão da Cunha, sócio da LC e assessor principal reformado da CMO, que já coordenava a tertúlia, igualmente em regime de voluntariado, ou seja, sem quaisquer encargos. O objectivo inicial desta comissão foi o de ponderar sobre a melhor forma de formalizar uma cooperação tripartida (CMO/ LC/CPHM), tendo em vista o lançamento da colecção literária Fim do Império. Entendeu-se que os objectivos propostos poderiam ser alcançados através da elaboração de um Protocolo de Cooperação, entretanto assinado pelos presidentes da CPHM e da LC e pelo vice-presidente da CMO. O objectivo actual da comissão é o de acompanhar o desenvolvimento do projecto Fim do Império, nas suas duas componentes, tertúlia e colecção literária, assegurando a necessária articulação, apoios, prestação de contas e divulgação.

Aspecto geral da Assistência

O principal objectivo da colecção literária é o de tentar dar voz a quem não a tem, em termos de editoras comerciais, e em altura oportuna, de modo a evitar a perda de importantes depoimentos e de outros documentos que permitirão, desde já, aumentar os conhecimentos e a compreensão de cada português interessado na sua História; e que poderão, no futuro, ser fontes importantes para investigadores. Pretende-se que as edições tenham uma boa relação custo/qualidade, isto é, incluindo revisão cuidadosa, letra facilmente legível e custo acessível.


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Colaboração Projecto - Fim do Império

Os primeiros livros da colecção Fim do Império

Ciclos da Tertúlia

A colecção integrará, em alternância, obras esgotadas ou inéditas, como é o caso do n.º 1, Crónica dos meus últimos dias de Timor e outras histórias de guerra, do Coronel Dr. Rui Marcelino, lançado a 18 de Maio de 2010, com apresentação do general António Barrento, com cerca de 120 presenças. Seguiu-se, em 16 de Novembro de 2010, o lançamento do 2.º livro, Tempo Africano, aquelas longas horas em oito andamentos, e do caderno Bibliografia sobre o Fim do Império.

• 14DEZ2010 - 16ª sessão e 3ª do 4º ciclo: com jornalista (SIC, Expresso e Sábado) Ana Sofia Fonseca, autora de Angola, terra prometida – a vida que os portugueses deixaram, ed. Esfera dos Livros, 2009; • 18JAN2011, 17ª sessão e 4ª e última do 4.º ciclo: com Fernando Farinha e Carlos Matos Gomes, autores de Guerra Colonial, um repórter em Angola. Em 2011, 50.º aniversário quer do início da guerra em Angola quer da invasão da Índia, prevê-se a realização de ciclos alusivos, integrando os lançamentos de, no mínimo, dois livros sobre Angola e de um referindo a queda da Índia.

Outras sessões de divulgação Na sequência da realizada em Lisboa, na livraria Barata, em 30 de Junho de 2010, com o 1º livro; aconteceu outra, na livraria Lello, no Porto, em 23 de Novembro de 2010, abrangendo os dois primeiros livros da colecção Fim do Império, sendo a apresentação feita pelo Coronel tirocinado Costa Matos (96/1950) e tendo participado outros Antigos Alunos como superintendente-chefe José Ramos de Campos (319/1950), delegado da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar no Porto (319/1950), arquitecto Cristiano Moreira (321/1942), António de Castilho (147/1948) e Carlos Campos (259/1948). E outra, em Lisboa, no Palácio da Independência, em 15 de Dezembro, tendo a CPHM sido representada pelo seu secretário-geral coronel José Banazol (631/1968).

Livros à venda • Em Lisboa: Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, Liga dos Combatentes, Palácio da Independência (CPHM), Livraria Ferrand. • Em Oeiras: Livraria-Galeria Municipal Verney, Palácio do Egipto, loja municipal do Centro Comercial de Oeiras, sede da Liga dos Combatentes, IASFA. • No Porto: sede da Liga dos Combatentes e Livraria «Lello». • À cobrança, através da Liga dos Combatentes (lcombatentesoeiras@sapo.pt)

O 4.º ciclo incluiu duas sessões:

Tempo Africano – aquelas longas horas em oito andamentos é um livro em que participam vários Antigos Alunos do Colégio, nomeadamente:

• Manuel Barão da Cunha, 150/48, autor;

• Tenente-general Vasco Rocha Vieira, 127/50, posfácio; • Almirante Ribeiro Pacheco, 163/44, posfácio; • Dr. António Sena e Silva, 149/48, testemunho de Angola; • Coronel Ruben Domingues, 196/48, idem; • Coronel Dias Antunes, 221/48, testemunho de Moçambique; • Carlos Góis Pinto, 201/47, idem; • Dr. António Carrelhas, 159/47, idem; • Coronel Álvaro Varanda, 347/48, idem; • Pedro Cunha, 222/73, fotografias; • Tenente-general Alcide Oliveira, 163/52, referido; • Eng. Alves de Paula, 62/48, idem; • Coronel Oliveira Soares, 332/47, idem; • General António Barrento, 40/48, idem; • Eng. António Nogueira, 262/48, idem; • Marechal António Spínola, 33/20, id; • Coronel Blasco «Giriban», 51/42, id; • Tenente Cabeleira Filipe, 98/45, id; • Coronel Cidraes, 334/47, id; • Eduardo Naugton, 278/47, id; • Coronel Fernando Cavaleiro, 147/29, id; • Eng. Fonseca e Silva, 369/49, id;

• Doutor João Freire, 246/53, id; • Major Mendes Paulo, 132/43, id; • Coronel Filomeno Garcia, 311/47, id; • Doutor Luís Thomaz, 176/52; • Engenheiro Machado Dray, 217/50, id, • Capitão Manuel Guimarães, 328/47, id; • Dr. Manuel Machado, 275/61, id; • Coronel Marinho Falcão, «Bolinhas», 19/42, id; • Coronel Luís Marinho Falcão, 35/48, id; • Coronel José Marinho Falcão, 75/37, id; • Pedro Marinho Falcão, 20/52, id; • Coronel Martins Rodrigues, 261/40, id; • Coronel Matos Guerra, 89/42, id; • Coronel Mensurado, 252/46, id; • Coronel Negrão, 146/48, id; • Coronel Nuno Bívar, 121/43, id; • Coronel Sanches Osório, 210/51, id; • Eng. Pedro Lagido, 330/47, id; • Tenente-general Ricardo Durão, 17/38, id; • Comandante Tito Xavier, 335/47, id; • Coronel Francisco Cunha, 53/47, id.

Além destes 44 Antigos Alunos, é também referido o próprio Colégio, várias vezes, assim como professores, como Braula Reis, Jaime Mota, Júlio Martins e Coronel Cardoso. Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948

Pelos seus Autores foram entregues à AAACM os seguintes livros cujo produto da venda reverte como adiante se indica:

Tempo Africano - Aquelas longas horas em 8 andamentos 10 Exemplares - PVP 17,00 € - para a Liga dos Combatentes (12€), para a AAACM (5€) Crónica dos meus últimos dias em Timor 10 Exemplares - PVP 12,00 € - para a Liga dos Combatentes (9€), para a AAACM (3€) Bibliografia sobre o Fim do Império 10 Exemplares - PVP 3,00 € - para a Liga dos Combatentes (2€), para a AAACM (1€)


Colaboração Os Três Reis Magos

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António Rafael Passarinho Franco Preto 67/1950

OS TRÊS REIS MAGOS Porque razão são denominados na língua inglesa como “THE THREE WISE MEN”?

A Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos vista por vários artistas através dos tempos1.

(From thebiblerevival.com)

In Christian tradition the Magi 2 are also known as the Three Wise Men3, The Three Kings, or Kings from the East The Adoration of the Magi is the name traditionally given to the Christian subject in the Nativity of Jesus in art in which the three Magi, represented as kings, especially in the West, having found Jesus by following a star, lay before him gifts of gold, frankincense, and myrrh, and worship him. In the church calendar, this event is commemorated in Western Christianity as the Feast of the Epiphany (January 6). The Orthodox Church commemorates the Adoration of the Magi on the Feast of the Nativity (December 25). In the Eastern church a variety of different names are given for the three, but in the West the names have been settled since the 8th century as Caspar, Melchior and Balthasar. 1 - Este artigo é escrito em Inglês e em Português de acordo com o que achei mais apropriado (e fácil) em cada momento. 2 - The word Magi is a Latinization of the plural of the Greek word magos (μαγος pl. μαγοι), which is a derivative from Old Persian Magupati. 3 - A pesquisa feita sobre este assunto foi com o único objectivo de descobrir porque é que na língua Inglesa os 3 Reis Magos são referidos como The Three Wise Men.


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Colaboração Os Três Reis Magos

‘The Journey of the Magi’ by James Tissot ( 1836 – 1902)

O tema “A Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos” foi pintada por centenas de artistas ao longo dos tempos. Decidi incluir neste artigo cópias de seis dessas obras (escolhidas pelas diferentes opções artistícas tomadas pelos seus autores para representarem o mesmo tema):

Benozzo Gozzoli – 1460 (a única mula entre tantos cavalos...)

Este quadro foi encomendado a Benozzo Gozzoli pela família Medici que governou a cidade de Florença de 1434 a 1737 (!).

Gentile da Fabriano – 1423

O quadro representa membros da família Medici desfilando em parada (à maneira dos Reis Magos) através da província da Toscânia. Consideram muitos que Cosimo de Medici (1389-1464), o fundador da dinastia política dos Medici, é representado neste quadro, montado numa mula; só Reis, Duques, Papas e os mais altos dignatários apareciam nas pinturas da época montados em mulas (e não em cavalos). A esta família pertenceram três Papas: Papa Leão X (Giovanni di Lorenzo de’ Medici) 1513 – 1521, Papa Clemente VII (Giulio di Giuliano de’ Medici ) 1523 – 1534 e Papa Leão XI (Alessandro Ottaviano de’ Medici) 1605 e duas rainhas de França: Catherine de Medici , (1547-1559) e Marie de Medici , (1600 – 1630).

Fra Angelico e Filippo Lippi – 1430

Brasão da família Medici

Botticelli – 1475


Colaboração Os Três Reis Magos

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Leonardo da Vinci – 1481

Murillo – 1660

Sobre a expressão ‘The Three Wise Men’ ...da Enciclopédia Britânica: The Magi of ancient Persia were a powerful priestly caste. While it is disputed whether they were followers and first propagandists of Zoroaster, who reformed the Iranian religion during the late 7th and early 6th centuries BC, these Persian Magi were long respected for their profound religious knowledge...

“Three Wise Men” é uma bebida alcoólica (do tipo ‘bomba’ !) contendo em partes iguais:

Portanto, o termo “wise men” utilizado em Inglês para designar os Reis Magos significa “men with profound religious knowledge”! HOMENS COM PROFUNDO CONHECIMENTO RELIGIOSO!

que são três diferentes tipos de whiskey.

Satisfeita que foi a minha curiosidade relativamente à expressão inglesa “The three Wise Men” não resisto a terminar este artigo com uma explicação completamente diferente – e irreverente – para o significado da mesma expressão (evidentemente noutro contexto e que aliás nos pode colocar num estado muito alegre… embora artificial e transitório!).

• Jim Beam, • Johnnie Walker, • Jack Daniels

Desejo a todos vós que passem – ou tenham passado - no mês de Janeiro um alegre Dia de Reis!


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Colaboração O lado negro da força

O Lado Negro da Força R

ecordo-me da primeira pessoa que conheci que tinha um telemóvel. Estava na altura no segundo ano do Colégio (em 1998), quando vi um camarada do meu curso com um. Era um dos modelos que à altura se vendiam em promoções por 9999$. Se nos dias de hoje é perfeitamente habitual que um rapaz de 11 ou 12 anos tenha um telemóvel, naquela altura eram ainda relativamente incomuns. Naquele caso em particular era até compreensível esta “anomalia”, já que ele era de Freixo de Espada à Cinta e assim a família tinha uma forma de o contactar com facilidade durante as viagens longas de regresso a casa mas também durante os longos períodos que passava sem ir a casa. Desde essa altura até hoje não passou assim a tanto tempo mas já muita coisa mudou. O telemóvel passou de relativamente incomum e talvez um aparelho de algum luxo a instrumento indispensável no nosso dia-a-dia (tendo já ultrapassado o número de aparelhos o de habitantes no país), ao ponto de haver quem não passe absolutamente sem ele. Inegavelmente, várias vantagens e facilidades vieram com a entrada do telemóvel. Maior facilidade de comunicação, maior proximidade, possibilidade de mais facilmente obter ajuda entre situações de algum aperto até, nos modelos mais recentes, agenda, leitor de música e de livros e documentos entre outros milhares de diferentes aplicações. Não podemos deixar de perguntar, no entanto, se foram já facilidades e benefícios que obtivemos… Se, por um lado, obtivemos um aparelho de comunicação extremamente útil e versátil, há que pensar o que aconteceu com a nossa comunicação e até com a nossa vida. E n m refiro xo a kem eskreve 1 sms axim. O que acontece quando combinamos alguma coisa? Meia dúzia de informações relativamente vagas que acabam com um “quando lá chegar ligo”, não havendo lugar a planos, horas precisas, alternativas, entre outros. Para quem trabalha, veio trazer também muitas vantagens. Mas interroga-me se há alguém que não também sentido associado a essa facilidade o peso das grilhetas que o telemóvel traz consigo. A necessidade imperiosa de estar disponível a qualquer hora e em qualquer lugar e, caso não se esteja, a censura patente ou latente do nosso interlocutor quando “finalmente!” (assim nos diz, mesmo que tenham passado apenas cinco minutos após a tentativa de contacto original”) consegue falar connosco. Já para falar no pesadelo que se tornou para a paciência de qualquer pai. Primeiro surge como a necessidade de poder falar com

o filho em qualquer altura, no caso de alguma “emergência” (a minha prima aos 8 anos já tinha um telemóvel do “Imaginarium”, passo a publicidade). Depois surgem as preocupações porque não atendeu logo que os pais ligam (o que é logo descodificado pelo cérebro materno ou paterno como sendo um sinal inolvidável que algo de muito grave aconteceu!), ou então porque passam todo o tempo a mandar mensagens e não ligam a quem os rodeia (já para não falar do pensamento sobre com quem trocam essas mensagens todas). Longe de mim tentar fazer-me passar por velho do Restelo ou pintar um quadro mais negro do que na realidade ele é mas, já diz o nosso povo, no meio está a virtude e casos haverá em que, neste momento, a balança se encontra desequilibrada… João Carlos Agostinho Alves 110/1996


Colaboração Será Uma Questão de Moda?

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José João Marques Medeiros de Almeida 497/1995

Será Uma Questão de Moda?

A

moda molda o mundo em que vivemos. O nosso mundo é moldado pela moda. Se entendermos a moda como a tendência para o consumo, seremos todos vítimas da moda? Será a moda negativa ou leva ao aprimorar de tudo o que nos rodeia? Cada vez é mais comum vermos um conjunto de pessoas, possivelmente pertencentes a uma sociedade secreta ou levadas apenas pela tal moda, a ostentarem de forma desafiante, como se de um amuleto se tratasse, maçãs com uma leve dentada no lado direito. Colam autocolantes com as maçãs na traseira dos carros para que todos saibam que pertencem “ao grupo”, insistem em usar pins nas mochilas para que todos saibam o que lá vai dentro. De forma lenta e ostensiva tiram das malas os seus computadores brancos com formas arredondadas. Quando a moda nos levava para os telemóveis mais pequenos, começaram a usar telemóveis grandes que quase não cabiam nos bolsos das camisas. Começaram a usar uns ecrãs do tamanho de folhas de papel que nos fazem lembrar os filmes de ficção científica. São sem dúvida pessoas diferentes. Será esta ostentação uma questão de moda ou haverá algo mais por trás de todo este movimento? Como se de uma droga se tratasse, dizem que quando se torna adepto da maçã nunca mais se muda, multiplicam-se como cogumelos sites pela web que abordam a questão do “Apple Addicted”. A Apple conseguiu sem dúvida, desde o seu nascimento em 1979, por Steve Wozniak e Steve Jobs com o nome de Apple Computers, criar um autêntico império de seguidores que está gradualmente a crescer. Falar sobre os produtos da Apple acaba sempre por se tranformar num diálogo do tipo, “religioso extremista” e defender opiniões extremistas é no mínimo delicado. Como não estou a falar e estou a escrever não tenho ninguém que me possa contrariar, na pior das hipóteses recebo alguns e-mails de desagrado.

Co-fundador das empresas de informática Apple Inc.

A Apple consegue estar sempre um passo à frente em relação aos seus concorrentes de outras marcas, ou inventando ou pelo menos, dando a conhecer algumas invenções em larga escala. A Apple utilizou pela primeira vez o “duplo clique no rato”, o sistema de “drag-and-drop”, o ambiente gráfico e muitas outras funções que qualquer utilizador de PC também tem hoje à disposição. Rapidamente se expandiu dos computadores para os telemóveis (iPhone), leitores multimédia (iPod) e mais recentemente as tablets com o iPad. O Sistema Operativo que corre nos computadores Macintosh é efectivamente mais rápido e fiável que os Sistemas Operativos da concorrência. Esta questão está relacionada com um manancial de especificações, mas essencialmente com a base que está por trás desse Sistema. Para além das especificações técnicas de qualidade, a Apple tem-se preocupado em criar nos consumidores a necessidade de ter um dos seus produtos. A empresa conseguiu que em muitas séries e filmes de renome as personagens utilizem Mac’s, criando aos utilizadores dos produtos da marca, uma maior sensação de status. Nos primórdios dos computadores da Apple, um dos principais argumentos negativos estava relacionado com a reduzida quantidade de programas que estavam disponíveis, hoje em dia este problema está completamente superado. Algo que joga a favor da marca é a extrema preocupação com o design, quando se compra um produto da Apple não se compra só a máquina, mas sim um objecto com características completamente diferentes da concorrência. Os utilizadores de dispositivos da Machintosh abordam recorrentemente a questão da facilidade da utilização, consideram os computadores muito mais User Friendly que os computadores da concorrência. O principal problema relacionado com os produtos da marca tem a ver com o preço, todos os produtos têm um preço superior aos equivalentes de outras marcas. Sendo uma questão de moda ou não, trata-se de aparelhos extremamente interessantes a nível tecnológico e bastante apetecíveis para o utilizador tradicional de PC’s. A experimentar...


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Recordando A minha vida no Colégio

Recordações do Colégio do meu tempo

A minha vida no Colégio E

ntrei para o Colégio em Outubro de 1927 para o 1º. Ano e saí em Julho de 1936. Naquele tempo, as instalações do Colégio eram constituídas como indico. O bloco principal, com a frontaria norte voltada para o Largo da Luz era como se mantém. Apenas a compartimentação do espaço era diferente e alguns edifícios anexos foram demolidos. Nos Claustros, na face onde está o átrio de entrada, estavam os gabinetes do Director, do Subdirector, do Conselho Administrativo e a Secretaria. No lado direito do Claustros estavam o Museu de Física, com uma sala de aula, duas aulas, a sala da Associação Filantrópica, onde comprávamos o material escolar, e a entrada para o corredor que ia dar ao refeitório. No centro da face sul estavam a cozinha, a copa e o depósito dos géneros para a confecção das refeições. Na face esquerda havia um corredor com acesso à Biblioteca e à Sala de Armas. No lado esquerdo dos Claustros a entrada para o balneário, o gabinete do Oficial de Dia, um pequeno corredor, que dava para o exterior, a sala das consultas médicas e tratamentos e a central telefónica. Num pequeno piso intermédio encontravam-se a barbearia e a prisão, sendo o acesso feito por uma escada que dava para aquele corredor. Na face frontal do Claustros havia, para a esquerda e para a direita, uma larga escadaria que conduzia ao pavimento supe-

rior. Neste, ao centro, a capela, as instalações da 6.ª e 7.ª Companhias de Alunos e umas salas se aula. Na frente norte, ao lado do edifício principal havia um anexo onde estavam instaladas a 2.ª e 3.ª Companhias. Na face sul, um anexo onde estava instalada a 1.ª companhia e havia um recinto fechado onde era o recreio. As instalações de uma companhia tinham as seguintes dependências: - A sala de estudos; - O geral, uma ampla sala destinada ao recreio e onde se podia jogar o pingue-pongue, a malha, o burro e brincar; - A camarata, que era o dormitório; - A arrecadação onde se guardava o saco para a roupa suja e o calçado; - O lavatório e as retretes. Noutro anexo estavam as aulas de Física, de Ciências Naturais, com os respectivos museus, e a aula de Geografia. Nas traseiras do bloco principal havia um largo espaço onde estava o edifício do Pavilhão de Desenho com duas salas de aula e uma grande sala destinada aos trabalhos manuais em cartolina, cartão, madeira e metais. Era nesta sala que se fazia no fim do ano lectivo a exposição dos trabalhos. A pouca distância do edifício principal estava a Enfermaria, instalada num palacete que pertencera aos Condes de Mesquitela e fora comprado juntamente com a quinta onde estava implantado. De um dos lados do palacete havia um amplo espaço que era destinado aos exercícios de ginástica e de esgrima, ao

ar livre, e um rinque de ténis. Neste local também se aprendia a andar de bicicleta. Nos terrenos da quinta havia o edifício do ginásio, tendo junto as pistas para a prática do atletismo, e o picadeiro. No alto da quinta estavam o posto meteorológico, os campos para os jogos de futebol e de basquetebol e o campo de obstáculos para o hipismo. Ali realizavam-se, no encerramento do ano lectivo, as exibições de ginástica e as manobras de infantaria e de cavalaria, No Largo da Luz, no edifício que fora o convento dos freires da Ordem de Cristo, estava instalado o Quartel Velho. Neste havia o teatro Príncipe D. Luís Filipe, onde eram dadas as aulas de canto coral e se realizavam as representações teatrais das récitas do 7.º ano. Na aula de canto coral, no 1.º ano, a primeira coisa que aprendíamos era o hino do Colégio; ali se faziam os ensaios da tuna da qual eu fiz parte tocando violino. No edifício estavam também as casernas dos soldados, que prestavam serviço no Colégio, um pequeno picadeiro e cavalariças. O Corpo de Alunos compreendia sete companhias, as quais eram comandadas por um oficial. No Batalhão Colegial havia os seguintes graduados: - O comandante de batalhão, cujo distintivo era um galão com uma estrela; - Os comandantes de companhia, com um galão;


Recordando A minha vida no Colégio

- O ajudante do comandante de batalhão e os comandantes de pelotão, com três estrelas; - Os comandantes de secção com uma estrela. A rotina de um dia do regime escolar compreendia, desde a alvorada, às 06.30, até ao recolher às 21.30, sete tempos de serviços escolares nos quais se incluíam, além das aulas, os períodos de estudo, de manhã e à noite, e as actividades de educação física e preparação militar, nomeadamente, a esgrima, a equitação e a velocipedia. Aos alunos era concedido, além da saída geral aos fins-de-semana, outra a meio da semana, uma vez por mês, aos que tivessem muito bom aproveitamento escolar e comportamento. Os que não tinham saída podiam ter a visita de familiares aos domingos. Quando entrávamos para o Colégio, levávamos o enxoval, adquirido na Cooperativa Militar, composto por vários artigos, designadamente: - As fardas de pano e de cotim, o capote e as roupas interiores; - A barretina e o barrete; - As roupas de cama e as toalhas; - Uma caixa de madeira, com rodas, para guardar o enxoval e uma maleta para o transporte da roupa e dos livros, quando íamos para casa. No primeiro dia que estávamos no Colégio os graduados ensinavam-nos a fazer a cama, que era de ferro e alta, com um colchão e um enxergão de palha. Para cobrir a cama usava-se uma coberta com abas e que não podia fazer cova ao meio, pois, se tal acontecesse, tínhamos de voltar a faze-la. Entre o colchão e o enxergão, colocávamos as calças da farda de pano a fim de não se amarrotarem e manterem os vincos. Aprendíamos a arrumar o enxoval na caixa e os livros na carteira da sala de estudos. Antes da existência da carreira de carros eléctricos dos Restauradores para Carnide, íamos para o Colégio nos da carreira para Benfica, até ao Calhariz, onde começava a Azinhaga da Fonte e que ia terminar no Largo da Luz. Em Agosto de 1933, eu passara para o 5º. Ano e não podia reprovar mais nenhum ano (já reprovara dois anos) para concluir o curso no Colégio até aos 19 anos, idade limite para aí poder permanecer.

A fim de conseguir alcançar esse objectivo decidi estudar com mais afinco de modo a obter melhores notas. Comecei por, durante as férias grandes, estudar a matéria que ia ser ministrada no 5º. Ano o que era possível fazer pois os livros adoptados serviam para o 3º., 4º. e 5º. Anos Procedendo assim consegui obter boas notas passando a alinhar entre os melhores alunos desse ano. No terceiro período foi-me atribuída a classificação de “suficiente” no comportamento e fui punido com privação de saída nos fins-de-semana, durante um mês. O caso foi o seguinte. Quando tínhamos provas escritas, a fim de melhor nos prepararmos, pedíamos autorização para nos levantarmos antes do toque da alvorada. Fi-lo frequentemente, mas, um dia esqueci-me de fazer o pedido e fui apanhado pelo oficial de dia ao Colégio, que participou o facto à Direcção. Fui chamado ao Subdirector a quem expus o motivo da minha infracção. Ele aceitou a explicação elogiou-me porque mostrava aplicação ao estudo, porém, não podia deixar de me punir por ter infringido o regulamento. Em 21 de Agosto de 1933, fui promovido a comandante da 5. Companhia de Alunos podendo desde essa data usar o respectivo distintivo. Durante o ano eu vendia tabaco, bolos e tabletes de chocolate que comprava, quando nos Domingos regressava ao Colégio, numa tabacaria e numa pastelaria na Av. Duque de Ávila. Chegado ao Colégio, expunha as caixas com a bolama sobre a cama e os clientes iam comprando. De vez em quando, por iniciativa do 307, o Flausino, realizámos umas ceias cuja ementa era bacalhau cozido com batatas, sem tempero ou com o azeite das latas de sardinhas, pão que trazíamos do refeitório ou mandávamos comprar, sanduíches com ovo e chouriço e o indispensável vinho tinto, branco ou abafado. O vinho e as sanduíches eram comprados pelo fâmulo que prestava serviço na companhia. Nas ceias participavam vários sócios e realizavam-se no lavatório. Uma vez, eu e outros sócios fomos explorar o sótão para onde se entrava por uma abertura que havia no tecto do lavatório. O sargento que prestava serviço na com-

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panhia surpreendeu-nos e participou ao capitão Freitas, que comandava a companhia, o que havia acontecido. Ele mandou-me chamar e ao 307 e perguntou-nos o que tínhamos ido fazer ao sótão; confessámos que tínhamos ido explorar o local a fim de ali realizar ceias. Disse-nos, apenas, que para outra vez o fizéssemos com mais cuidado para não sermos apanhados. Tinha sido Aluno do Colégio e sabia bem o que faziam no seu tempo. Fizemos outras ceias em que não fomos surpreendidos e se realizavam na hora da 5ª. Refeição à qual não comparecíamos.

A Récita No 7º. Ano era de uso realizar-se a récita de despedida e a excursão. Fizemos a nossa récita que teve a finalidade de angariar a massa necessária para fazer a excursão. Representou-se uma comédia da autoria de Pedro Bandeira, Antigo Aluno do Colégio, e uma fantasia escrita pelo 14, Rui Gusmão Nogueira. A récita realizou-se no ginásio. Não fiz parte do elenco teatral; o meu serviço foi a venda de bilhetes e a indicação dos lugares aos espectadores. Após a representação houve baile que durou até às cinco horas da manhã. Dancei com umas raparigas que costumavam ir às festas por serem da família de outros Alunos.

A Excursão A excursão realizou-se de 2 a 8 de Abril Partimos do Colégio pelas nove horas. Transportavam-nos dois autocarros. A turma “A” ia no melhor e nele seguiam os professores tenente-coronel Álvares Pereira e os capitães Magro e Larcher. A turma “B” ia no outro, que designávamos por “fantasma”. Acompanhavam-nos os tenentes Garcia de Brito e Costa. Nos bancos da retaguarda do autocarro, designados por “galinheiro”, ia a charanga composta por mim, o 298 e o 320, que tocávamos bandolim, banjo e gaita-de-beiços. Os outros, o 33, o 116, o 122, o 225, o 293, o 322 e o 323 tocavam gaitas de cana. Durante toda a excursão, principalmente nos primeiros dias, a charanga fazia-se


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ouvir com o agrado dos outros companheiros e, nos intervalos da tocatana, o 298 cantava, acompanhado em coro por todos nós. Tocávamos as músicas então em voga: a Maria Anita, a Canção da Beira, do filme “A Severa”, e outras das mais conhecidas. Atravessada a cidade tomámos, no Cais do Sodré, o barco para Cacilhas e seguimos para Setúbal com paragem em Azeitão para o capitão Larcher se despedir da filha. Em Setúbal fizemos uma paragem para a malta desentorpecer as pernas e para o professor Larcher nos mostrar o Mioceno. Durante a excursão fizemos mais paragens para apanhar calhaus para o Museu de Mineralogia. Seguimos para Vendas Novas onde almoçámos na Escola Prática de Artilharia. Acabado o almoço partimos a caminho de Évora onde fomos recebidos no Quartel-general. Prestámos homenagem aos mortos da Grande Guerra. No local estavam tropas que esperavam os futuros Homens da Nação como um jornal da cidade publicava. Acabada a cerimónia fomos para a Casa Pia, onde ficámos alojados; depois, fomos visitar alguns museus e monumentos. Jantámos no Hotel Alentejano. Os oficiais da guarnição receberam-nos muito bem e alguns, Antigos Alunos do Colégio, andaram connosco pela cidade. Houve um baile em nossa honra ao qual assistiu o Comandante da Região Militar. Dancei algumas vezes e deitei-me tarde. No dia seguinte, demos um passeio a cavalo e fomos ao campo de obstáculos do Regimento de Cavalaria 5 onde toda a malta deu uma galopada na pista de corridas e houve quem saltasse obstáculos. No outro dia, após o pequeno-almoço, partimos para Estremoz onde almoçámos, seguindo depois para Elvas onde chegámos à tarde. Fomos recebidos no Batalhão de Caçadores pela guarnição militar da qual fomos hóspedes. Visitámos as fortificações e o Posto de T.S.F. Jantámos no Regimento de Cavalaria. Houve baile em que umas senhoras tocavam piano pois não havia orquestra. Como souberam que trazíamos instrumentos e um ex-Aluno arranjou um saxofonista o baile melhorou.

No dia seguinte, após o pequeno-almoço, demos um passeio a cavalo até ao Forte da Graça. Partidos de Elvas fomos almoçar, cheios de fome, a Portalegre no Hotel 21 e depois visitámos a Serra de S. Mamede. Era tardinha quando partimos para Castelo Branco. Passámos as Portas de Ródão já de noite, tivemos uma paragem por falta de gasolina e só chegámos a Castelo Branco às 22 horas. Ficámos num hotel que ainda não tinha sido inaugurado e, depois do jantar, fui-me deitar tendo dormido muito bem. De manhã, partimos para a Covilhã onde almoçámos ao meio dia. Fomos recebidos pelo Comandante Militar e prestámos homenagem aos mortos da Grande Guerra. O Presidente da Câmara botou discurso e assistimos a uma procissão. À tarde, fomos à Serra da Estrela mas não subimos às Penhas da Saúde porque os autocarros não podiam lá chegar. Fomos visitar umas fábricas de fiação e estivemos na Central Eléctrica. No dia a seguir fomos almoçar a Gouveia a pior refeição que tivemos durante a excursão. Na ida para Coimbra visitámos a central eléctrica de S. Romão. Chegámos Coimbra à meia-noite e fomos alojados no Governo Civil, em camas de três andares. No dia seguinte, vimos vários monumentos e passeámos pela cidade. À noite fomos ao cinema, à borla, por intermédio do Chefe da Polícia que nos arranjou isso. No último dia da excursão, partimos de Coimbra pelas oito horas. Fomos ao Mosteiro da Batalha prestar homenagem ao Soldado Desconhecido tendo colocado uma lápida que o capitão Décio de Freitas tinha levado para lá. Almoçámos nas Caldas da Rainha e, em corrida vertiginosa, entrámos em Lisboa pelo Lumiar às 17 horas.

Algumas coisas aconteceram comigo No regresso à Covilhã, depois da ida a Serra da Estrela, foi-nos distribuído um lanche e vinho branco. Fui duas vezes ao vinho, uma com o copo que servia para todos e outra com um copo de papel a fim de enganar quem o servia.

Como ao almoço já tinha bebido muito bem, depois de beber mais aqueles dois copinhos fiquei num lindo estado. Foi uma piela de verdade mas os que iam no “galinheiro” bebiam a valer, quando isso era possível. Com o Tenente-Coronel Alvares Pereira sucedeu o mesmo, pois, durante a excursão, fartava-se de beber. O capitão Magro era o comilão. A ementa dos nossos almoços era, quase sempre, bacalhau cozido com batatas ou bifes. Foi uma excursão agradável da qual todos trouxemos boas recordações nos sete dias que durou. Joaquim Augusto de Ascensão Filipe 118/1927


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Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal 145/1948

Cenas colegiais de tempos idos O

s tempos de que vos vou falar situam-se entre finais dos anos 40 e meados dos anos 50 do passado século XX, período em que cresci, estudei e me fiz homem no Colégio. Antes de prosseguir, anuncio que no meu espírito há um paiol da memória, tal como existem nos navios da Armada compartimentos específicos – paióis – destinados a guardar e arrumar material diverso, caso dos paióis de munições, de torpedos, da electricidade, da amarra, da máquina, do mestre, de géneros, etc. Desse meu paiol da memória, já bastante atulhado, não obstante as quebras de inventário (por força da idade que avança e dos neurónios activos que minguam), extraí hoje umas referências a quatro episódios que vivi ou presenciei, entremeadas com alguma dose de liberdade criativa. Ora escutem:

O tenebroso caso dos conspiradores de palmo e meio Tudo começou com o material escolar, adquirido no espaço da antiga “Filantrópica”, mesmo à beira dos claustros. Além dos cadernos diários, e entre outras coisas, fiquei na posse de dois modestos blocos de apontamentos, de papel muito fraco e de capa pardacenta, na qual estava estampada, em diagonal, uma simples palavra: Sebenta. Anos mais tarde, verifiquei que essa designação, no mundo universitário, se aplicava a volumes graves, impressos ou policopiados, segundo as lições magistrais de doutos lentes. Mas no Colégio, naqueles tempos idos, serviam

para, nas aulas, nós tirarmos à pressa uns apontamentos das diversas disciplinas, rascunhos ou gatafunhos esses que depois, durante os estudos, eram decifrados e passados a limpo, com grafismo a condizer, para os cadernos diários sujeitos à inspecção dos mestres. Já no meu segundo ano de internato (3º. ano do curso), após ter utilizado e descartado Sebentas ao longo da anterior fase de “rata”, surgiu a moda, um pouco generalizada, de personalizar aquelas capas pardacentas, glosando, diagonalmente também, cada letra da palavra em causa: S E B E N T A = Salazar É Burro E Não Tem Albarda

Ora aqui entra em cena a figura do nosso Capitão, comandante de companhia. Era um homem obstinado e sorumbático, sobre o qual, à nascença, o Criador não teria derramado em excesso os celestiais dons da inteligência. Além de olhos míopes, sempre de cariz franzido, possuía o estranho hábito de revistar, nas salas de estudo, as carteiras dos jovens alunos, quando estes não estavam presentes. Um dia, após levantar as tampas de uma, duas e mais carteiras, e de remexer no seu interior, eis que estaca e empalidece ao deparar com Sebentas ostentando aqueles dizeres execráveis! Podia lá ser, na companhia que comandava, ter-se cometido uma tamanha afronta ao prestígio do excelso líder da Nação!


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©Foto Arquivo Histórico do Colégio Militar - O Edifício da 2ª Companhia (em boa hora demolido) do tempo desta narrativa.

No mundo dos adultos, aquilo seriam indícios do germinar de alguma nefanda “conspiração”. Mas, intramuros do Colégio, os “agentes insidiosos”, embora de tenra idade, não poderiam também deixar de ser punidos. E assim foi: vários dias de privação de saída e, no final do período, nota de “Suficiente” ou inferior nas cadernetas de cada um. No que me toca, lá foi ao ar (ou, visto não ser aviador e sim marinheiro, lá foi borda fora) aquela que teria sido a minha primeira medalha de prata de aplicação literária. E ainda: no seu ímpeto justiceiro, o nosso Capitão nem reparou

que certas capas de Sebentas incluíam outras ingénuas citações, desenhos e alguns trocadilhos, que destruiriam cerce a sua absurda tese “conspirativa”. Por exemplo, este relacionado com as últimas eleições presidenciais da época, disputadas pelos candidatos Óscar Carmona (da Situação) e Norton de Matos (Oposicionista): Ós car Car mona = Óscar carmona Nor ton de Ma tos = Norma de tontos

O Latim é (também) uma língua muito traiçoeira No meu 5º ano e já velhão da “4.ª” tínhamos um professor de Português e Latim, alto e com boa aparência, que a malta toda respeitava e apreciava, não só pelas suas qualidades de mestre competente como pelo interesse que devotava ao ensino e aos alunos confiados a seu cargo. Era exigente, mas justo, como convinha, e organizava provas escritas de certo modo puxadas.


Recordando Cenas colegiais de tempos idos

Dr. Dias Miguel

A meio do segundo período, passou-nos uma prova escrita de Latim cujo texto, que teríamos de traduzir, se centrava em torno da passagem da Bíblia referente a José do Egipto, filho dilecto de seu pai e por isso alvo de doentia inveja por parte de seus irmãos. Esses irmãos, malfeitores, planearam desfazer-se de José numa gruta ou caverna no deserto, abandonando-o à sua sorte, por certo madrasta já que havia leões esfomeados nas redondezas. Posto em execução esse plano, deixando o inocente sozinho e indefeso no gélido negrume da noite, combinaram o que iriam depois contar ao progenitor, a quando do regresso a casa, de forma a não levantar desconfianças: «Vamos dizer ao nosso pai que, durante a noite, os leões assaltaram o acampamento e que o José morreu, comido por um leão».

Enfim, a prova escrita fez-se sem novidade, isto é, de acordo com o previsto, com maiores ou menores dificuldades em levar de vencida as subtilezas e escolhos da língua latina, com as suas declinações, nominativos, dativos, genitivos, acusativos e ablativos, a rosa pulchra est e os parvus, a, um (e sacanas, há, muitos) mai-las suas vozes, a activa e a passiva, os verbos lá escondidos bem no fim das frases, o dicionário que não chegava para dissipar muitas dúvidas de sintaxe, nem de tempos verbais – e daí a tentação por vezes irresistível de seguir por atalhos ínvios, a tentar adivinhar o sentido gramatical e o significado do texto. O pior foi, na semana seguinte, o dia da entrega dos pontos e o conhecimento das notas. É que o habitualmente sereno e afável professor mais parecia um gladiador enfurecido. Como é possível tamanha estupidez, tanta asneirada junta, vocês já com mais de dois anos de Latim! Então onde tinham a cabeça, para escrever enormidades deste calibre! Estava desconsolado, amargo e tonitruante; e censurava os erros grosseiros cometidos pelos alunos, cabisbaixos. Mas o cúmulo é este aqui, o senhor nº tal, corrido com um ”Mau”, que teve a lata de traduzir assim: «O José ficou a dormir na caverna... rezou um Pai Nosso, e depois comeu o leão» !!! Além de se espalhar em Latim, também não sabe que o Pai Nosso foi uma oração ensinada por N.S. Jesus Cristo, que só viveu na Terra muitos séculos depois de José do Egipto!!! Tal como o Português, a língua de Cícero, Virgílio, Júlio César e tantos outros era (e é) muito traiçoeira...

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Uma versão lusitana do “To Be or Not to Be” No mesmo ano lectivo e com o mesmo professor, ocorreu um episódio que passou o teste da memória. Como velhões que nos prezávamos de ser, a nossa turma já não permanecia formada no geral, frente à sala de aulas, depois do toque de campainha até à chegada do mestre. Isso era chão que deu uvas, associado às regras de outros anos, noutros gerais e companhias, quando ainda imberbes. No entanto, mesmo assim estivemos aí uns três minutos cá fora a aguardar o dito professor; mas como este não aparecia, todos nós entramos na sala. Nesta sala, para além da secretária do professor, do estrado subjacente, e das filas de carteiras da malta, restava um bom espaço livre ao fundo, a toda a largura. E nada mais natural seria do que se improvisar uma jogatana com bola de trapos, autêntica sessão de “futsal” avant la lettre. Tínhamos na turma uns quantos artistas, todos adeptos do futebol rasgadinho, que não temiam o contacto físico e que também se manifestavam ruidosamente, a favor ou contra, consoante as circunstâncias. O resto do pessoal, ou se abstinha (uma minoria) ou reforçava o coro dos aplausos, protestos e impropérios da praxe. De súbito, naquele paroxismo de decibéis à solta, abre-se a porta da sala de aulas e nela se recorta, estática e reprovadora, a figura do Professor, que lança para o ar, com voz sonorosa e timbre cortante, esta interrogação, quiçá retórica: Não sei se hei-de entrar, se de sair! Segundos depois, uma voz não identificada rompeu baixinho o silêncio: Então, saia! Com o bom senso e, sobretudo, com o sense of humour de que era possuidor (ao contrário do nosso Capitão de pouco saudosa memória), o mestre sorriu, entrou... e sem problemas deu início à sua lição.


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Ao referir-me ao “sense of humour” lembrei-me a propósito do que aconteceu durante o mesmo 5º ano com um outro professor, que já conhecíamos do ano lectivo transacto, quando começamos a ter aulas de Inglês. Tratava-se de um mestre castiço, bem aperaltado, vestindo fatos de bom corte, invariavelmente de cor castanha, e que costumava entrar na sala de aulas de luvas castanhas calçadas, deixando atrás de si uns vestígios aromáticos de lavanda. Por diversas vezes, após entrar, sentava-se à secretária, fitava-nos e estentóreo proclamava: Dicionários, chatice... Gramáticas, chatice! E num gesto amplo e teatral, atirava ao chão do estrado os pobres livros assim proscritos!

prejuízo naturalmente das provas escritas obrigatórias. Nessas chamadas, quando o aluno falhava na resposta a sucessivas perguntas, ou escrevia no quadro preto frases com vários erros de ortografia, o “Teacher” (era essa a sua alcunha colegial) dizia, num tom de enjoada repulsa: O homem chegue-se para lá... O homem cheira mal dos pés! Ao escutar tão impiedoso anátema, o “homem” lá ia sentar-se, acabrunhado (ou talvez não tanto), junto dos seus pares, que não escondiam sorrisos estampados na cara. Por outro lado, quando às vezes alguém era apanhado na aula com falta de atenção ou de compostura, o “Teacher”, lá do alto do seu trono, apontava o dedo ao infractor e fulminava: O homem é parvo... O homem quer levar um estalo! E o “homem” não tinha outro remédio que não fosse o de, arrastando os pés (mesmo que cheirassem mal), se aproximar do estrado e avançar a face, na qual o “Teacher” aplicava, teatralmente, um par de sopapos! Ora na nossa turma havia um aluno, alto para a idade e enxuto de carnes, com nariz adunco e espírito marialva, de risada franca e contagiante mas que sofria de um indefinível complexo quanto à língua de Shakespeare. Os maus resultados acumulavam-se mês após mês, em testes escritos e orais, até que ele se decidiu a pegar o touro pelos cornos (em sentido figurado, of course!). Começou, pois, a estudar com afinco, a treinar conversação em Inglês com a malta e, ao sentir-se confiante, pediu para ser chamado ao quadro. O “Teacher”, descalçando as luvas e puxando da caderneta, anuiu e disse:

A sua ideia de manobra, quanto ao ensino, seria a de privilegiar a leitura dos livros de texto (da série Essential English) escritos por autores britânicos, bem como praticar o vocabulário e dar grande ênfase às chamadas orais para tirar dúvidas e avaliar a progressão individual dos alunos, sem

Ó senhor tal, muito bem, vamos hoje então... subir a nota! E o nosso jovem – tal como Winston Churchill imortalizou, a respeito dos seus compatriotas combatentes numa fase da II Guerra Mundial – teve então a sua “Finest Hour”! Respondeu acertadamente a tudo o que lhe foi inquiri-

O Tormento de Sísifo, à maneira da “Pérfida Albion”

Dr. Almodôvar o “Teacher”

do, usou pronúncia correcta, escreveu sem erros e obteve um glorioso “Bom” no final desse recontro. Uma semana mais tarde, saboreando ainda os doces resquícios do seu êxito, tendo ligado à terra após ter vertido “sangue, suor e lágrimas” e, acima de tudo, firmado na crença de que não seria chamado tão cedo ao quadro, veio a desabar-lhe em cima um cataclismo cósmico. Sucedeu que, na primeira aula de Inglês, o mestre, tornando a descalçar as luvas e depois de consultar a caderneta, proferiu: Ó senhor tal, vamos hoje então... confirmar a nota! O mísero “senhor tal” espalhou-se ao comprido, teve metaforicamente que ir lavar os pés, o “Teacher” afinfou-lhe um “Mau” na caderneta, e voltou tudo ao princípio, com o herói caído a ter de rolar aquele pedregulho enorme encosta acima, na ânsia de chegar de novo ao cume idiomático da “cínica Inglaterra... bêbada impudente” que Guerra Junqueiro tanto invectivou.


Recordando Homem Aranha

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Homem Aranha

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5.º e 7.º anos do liceu, hoje ensino secundário e 7.º, 9.º e 11.º ano. O tempo era de reflexão e estudo mas também de relaxamento e abrandamento da pesada disciplina militar que a instituição, nascida em 3 de Março de 1803, impunha aos seus alunos, todos internos. Celebrávamos nesse ano 150 anos de vida do Colégio Militar, as tradições continuavam a ser mantidas e uma delas acontecia nesse período do ano. ©Foto Gonçalo Leal de Matos

ra Julho e terminava o ano escolar de 1953, no Real Colégio Militar de Lisboa, e o símbolo do encerramento das aulas (o capote na cúpula) lá estava a indicar ao colégio e aos passantes do Largo da Luz que terminavam as aulas e começava a curta época dos «cinco estudos», para aqueles, que ainda tinham que prestar exames, se poderem aperfeiçoar para as provas finais. Isso, nesse tempo, acontecia obrigatoriamente nos anos que correspondiam, sensivelmente, às idades de 13, 15 e 17 anos, o 3.º,

Aspecto actual do Edifício, francamente melhorado em ralação ao que existia ao tempo. A seta indica o local donde se deu a queda.


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O Colégio funcionava num antigo convento de sec. XVII e tinha, pela arquitectura da época, dois espaços marcantes: O claustro, onde o batalhão formava regularmente as suas quatro companhias, com um total de mais de 300 alunos, com idade entre os 10 e 17 anos. E a capela encimada por uma cúpula que, no seu topo, apresentava uma cruz de ferro da dimensão de um homem. Era o ponto mais alto do colégio, visível de todo a zona da Luz. No último dia de aulas, um aluno dos mais velhos, resguardado

pelas sombras da noite e supostamente ignorado pelos complacentes comandantes militares (normalmente também ex-alunos), subiria ao telhado levando um capote e uma barretina da farda, galgaria a cúpula agarrado ao cabo do pára-raios e vestiria a cruz com o capote e a barretina. Na manhã seguinte, lá estaria o sinal tradicional do fechamento do ano escolar, que só viria a ser retirado no término dos exames. O autor da proeza, que hoje, em 2010, ainda se realiza, era sempre oficialmente desconhecido.

António Pedro Carrelhas ao tempo do «Homem Aranha» e actualmente.

Nesse período dos cinco estudos, preparava-me seriamente para os últimos exames. Tinha 15 anos e, por obrigatoriedade do sistema vigente em Portugal teria, que optar entre “letras” ou “ciências”. Como a minha opção foi para o sector de Letras e Humanidades (Direito) não podia continuar no Colégio Militar vocacionalmente formador de profissionais das armas ou das ciências exactas. Dei duro! Queria sair com boas notas para ingressar no liceu, na vida civil e merecer um prémio anunciado que eu muito desejava, acompanhar a equipe nacional de vela às regatas internacionais que, nesse ano, ocorreriam em Nápoles, na Itália. Ainda me lembro de estudar durante a noite e, para aguentar, comer a seco café em grão e pão torrado feito com o fogo do papel de cadernos. Recordo com desagrado o amargo do grão e a fumaça do pão. Assim foram correndo os dias e os exames, aos poucos, vencidos com bons resultados. Estávamos a 17 de Julho e só faltavam

dois exames, a realizar no dia seguinte, após os quais já me poderia considera ex-aluno do Colégio Militar. No desenho seria examinado pelo capitão Roseiro Boavida, figura humana cujo nome se adaptava perfeitamente à personalidade. Na matemática, o «julgador» seria o capitão Manito Torres (o «Incas» por alcunha), o terror da rapaziada. Fim de tarde, últimas revisões, acompanhado pelo colega e grande amigo Francisco de Mello Sampayo, o 148, por alcunha o «Habitante de Júpiter», por sua estatura pequena mas entroncada e cabeça chata tipo «cearense». Basta de livros! Resolvi espairecer. Fui a janela da sala de aula, situada num 3.º andar alto daquele velho edifício monástico. Tomei ar, espreguicei-me, contemplei o amplo espaço por cima dos telhados do Museu das Ciências Naturais e dos Pavilhões de Desenho e Trabalhos Manuais, situados abaixo, no largo pátio térreo.

As altas árvores da quinta ainda reflectiam o início do poente dos longos dias de verão. Olhei para baixo e reparei que quase todo o edifício era circundado por uma cornija de pedra saliente, de cerca de 12 cm de largura, e que corria cerca de 1 metro abaixo do parapeito da janela. Ao longo dessa cornija, situavam-se outras janelas de outras dependências do mesmo andar. Tentação, inconveniência, irresponsabilidade, stress do trabalho, atracção pela aventura, acreditar nas histórias em quadrinhos e no «Homem Aranha»? Vislumbrei que por aquela cornija de pedra poderia ir de janela em janela pela parte de fora do edifício. Num átimo, passei do interior da sala para o exterior com os pés lateralmente apoiados na cornija e as mãos seguras no caixilho vertical da janela e no parapeito horizontal. Lá em baixo, a cerca de 10 metros do chão de terra do pátio, as dependências da cozinha e da lavandaria do colégio. Curioso, resolvi continuar a minha expedição de «Homem Aranha» e assim avancei na cornija devagar e com confiança, passando de janela em janela, largando o caixilho de uma quando segurava o da outra. Depois de duas ou três, acabaram-se as janelas e eu mais «aranha» do que nunca. Com os pés lateralmente apoiados na cornija, mas sem os poder tirar dessa posição, peito e rosto colados na parede lisa mas já sem caixilhos para agarrar, senti o perigo. Meu amigo Francisco de uma das janelas estendia-me a mão para regressar mas apercebi-me de que se aceitasse teria que fazer um movimento em desequilíbrio que nos arrastaria aos dois. Impossibilitado de sair da posição em que me encontrava, estudei a possibilidade de pular para telhado que se encontrava a uns cinco metros abaixo, nessa altura a 1ª companhia. Ainda bem que não o fiz, pois


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me teria certamente rasgado todo. Resolvi tentar o regresso, mas, num dos movimentos para segurar um caixilho da janela, os dedos escorregaram e o ponto de apoio e de salvação começou a fugir, primeiro lentamente e, depois, de repente, desabei de costas no abismo, ouvindo o grito desesperado do meu amigo Francisco.

Querer agarrar e o apoio escapar deve ter demorado uma fracção de segundo. Parei mentalmente, pareceu-me uma eternidade e essa sensação ainda hoje a vivo em pesadelos. Já me têm perguntado se eu, durante a queda, tive algum pensamento. Sim, um bem característico da inconsciên-

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cia dos 15 anos. Como eu era ginasticado e tinha boa preparação, devia preparar-me para aterrar com flexão de pernas. Coitado de mim que não me dei conta que vinha de costas e que não tinha recursos nem de gato nem de homem-aranha.

O Milagre ou o adágio popular «Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo» Como já referi, nesse pátio, onde me estatelei, funcionava a lavandaria do Colégio e, a cerca de 1,70 m do chão, encontrava-se um arame do estendal de secar a roupa. Foi esse arame, sobre o qual me atravessei de costas, que me amorteceu a queda fatal, permitindo que só sofresse fracturas expostas das pernas, mas não morresse. Mais: ao cair de costas no arame, o mesmo poderia ter-me cortado se não fosse ter sido protegido pelo largo cinturão de couro da farda militar. Esse cinturão ainda hoje o guardo como relíquia e amuleto. Muito tonto mas não inconsciente lembro o resgate e a ambulância para o HMP – Hospital Militar Principal na Estrela, onde meus pais e o director do colégio, general Granate, ainda me falaram antes de eu entrar de urgência na sala de cirurgia. Pela primeira vez vi meu pai chorar. Certa-

mente, reviveu o seu caso quando, aos 26 anos (1932), como 2.º tenente piloto-aviador da Marinha de Guerra Portuguesa, se acidentou gravemente ficando deficiente e com a carreira profissional cortada. O general Granate, vendo a minha grande excitação e preocupação por não ter podido completar os exames, para os quais tinha tanto estudado, assegurou-me uma 2ª chamada logo que melhorasse, o que aconteceu um mês depois, antes de entrar num período de várias cirurgias reconstitutivas. Passei os exames mas... sofri três cirurgias, passei nove meses engessado e de muletas, fiquei para a vida com uma hipersensibilidade óssea que me desaconselhou a jogar rugby ou futebol e ... não acompanhei a equipe portuguesa de vela às regatas de Nápoles.

O Director, Brigadeiro Granate

Conclusão Nem toda oportunidade é boa. Avalia antes de seguir o impulso. Nem sempre o «cavalo encilhado» nos leva onde queremos. Às vezes, a cilha ou barrigueira está mal apertada, vira a sela e... «caímos do cavalo».

Curiosidades consequentes Por força deste acidente que ficou célebre nessa geração de alunos, vários episódios aconteceram pela vida fora.

Exames A 2ª chamada fora garantida pelo Director do Colégio e como era uma situação inusitada não tinha regulamento. O professor Boavida, do desenho, prontificava-se a fazer o exame no hospital. Fora meu professor dois anos e considerava o acto final um pró-forma. O professor Manito Torres, da matemáti-

ca, embora meu professor durante cinco anos, recusava-se a examinar no hospital porque o aluno poderia estar inferiorizado e ele não admitia conceder tratamentos diferenciados ou protectores. Assim, lá fui eu ao colégio, de ambulância e maca, para ser examinado nas duas matérias, as quais passei com louvor... Burocracias e rigores... Esses rigores eram característicos dos Incas. Quando, a 18 de Julho de 1953, dia seguinte ao do meu desastre, os meus condiscípulos o foram informar do acontecimento, ele reagiu: Como se justifica que um aluno da 3ª Companhia estivesse a estudar numa sala da 4ª Companhia? Como está ele?

Praia Nesse fim de verão, e após algumas cirurgias, consegui passar dias de férias numa praia da Galiza, em Espanha, a Playa América. Na minha situação física, engessado até a coxa e de muletas, pouco podia fazer. No entanto, António, «el de la pata rota», conseguiu ser apaparicado pela juventude feminina, com várias atenções, típicas dos 15 anos de então.

Visitas ao Colégio Nas visitas que se fazem ao colégio, para celebrar alguma efeméride, é costume os ex-alunos chamarem os jovens alunos que


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Recordando Homem Aranha

têm atribuído o mesmo número. Assim, chamei o 159 e, no pátio da Ciências, mostrei-lhe a janela do acidente e perguntei: Já alguma vez te contaram que há muitos anos houve um aluno que caiu daquela janela? O menear de cabeça indicava afirmativo. - Sabes quem era ele? - Não. - Fui eu! O garoto olhou para mim e, incrédulo, disparou: - Aldrabão!

Inspecção militar Em 1957 eu fazia 20 anos e, como todo o «mancebo», teria que ir «às sortes», ou seja, à inspecção militar, para o serviço militar, então obrigatório em Portugal. Uma longa fila de «mancebos» aguardam,

nus, que uma ampla mesa com oficiais fardados, incluindo os médicos, os questionem. Chegou a minha vez. - Sofre de alguma enfermidade? - Não, tenho boa saúde mas, recentemente, tive um acidente que me provocou alguma debilidade na perna. Caí de uma janela do Colégio Militar e... Coronéis, Majores, levantaram a cabeça fixaram os olhos em mim e alguém disparou: - Foste tu? Conta como foi. Todos sabiam do acidente, pois eram ex-alunos do Colégio Militar e queriam saber pormenores. Interrompeu-se a inspecção e eu, «nuzinho», sem sequer ter um bolso para apoiar a mão, meio encabulado, contei em pormenor como tudo tinha acontecido e identifiquei a janela que eles conheciam. No final, satisfeita a curiosidade da oficialidade a inspecção continuou...

50 anos do acidente, 17 de Julho de 2003. Almoçava eu no Largo da Luz, com alguns amigos, quando me lembrei que naquele dia deveria festejar a minha sobrevivência. Depois do almoço, dirigi-me ao Colégio e pedi para falar com o Director que eu não conhecia e a quem expliquei que gostaria de rever a janela de onde há 50 anos eu tinha caído. Surpreso ouvi dele a pergunta: – És o Carrelhas? «Tem gente que vive Tem gente que faz hora para morrer Alinhemos pois com os que querem viver.» António Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas 159/1947

Antigo Aluno usa a BARRETINA Solidariedade

Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,

“por favor não desistas” porque nós não desistimos de ti. Liga: 919 671 787


Recordando Os que nos deixaram

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Os que nos deixaram Fernando Bentes Prata Dias (48/1926) Médico Veterinário Nasceu a 15 de Dezembro de 1914 – Faleceu a 14 de Maio de 2010

C

reio que foi no jantar do “3 de Março” de 2008, então com os seus 94 anos, a última vez que esteve presente nos encontros promovidos pela Delegação do Porto da AAACM. Daí em diante, a sua falta passou a ser sempre notada, porque o Prata Dias primava por uma boa disposição que a sua longevidade não conseguia esbater. Na sua qualidade de decano dos ex-alunos portuenses, não hesitava em usar da palavra nos nossos jantares e, como regra, fazia apelo à sua bem viva memória para nos presentear com uma série de deliciosas histórias do seu tempo no Colégio Militar, as quais só terminava quando, por entre gargalhadas, algum dos presentes dizia: “Pronto!...por hoje já chega!” O Prata Dias era por isso, e será sempre, uma daquelas figuras inesquecíveis. Nasceu em Terrenho, uma pequenina

localidade a norte de Trancoso, faltavam dez dias do Natal do ano em que rebentara a 1.ª Grande Guerra. Era filho de Guilhermina Rosa Corsino Gonçalves Menezes e de Joaquim Augusto Prata Dias, coronel do Exército, Antigo Aluno do Colégio Militar (174/1883) onde fora também instrutor de ginástica e de esgrima. Tinha um irmão bastante mais velho, o Manuel Alexandre, que também foi “Menino da Luz” (181/1906), comandante do Batalhão Colegial e mais tarde engenheiro, que viria a prestar serviço militar em Moçambique durante o 1.º conflito mundial. Passou a infância em Lisboa, onde o seu pai prestava serviço, aí fazendo a instrução primária no Colégio de Santa Rita de Cássia. Depois, a 14 de Outubro de 1926, ingressou no Colégio Militar como aluno porcionista militar, sendo-lhe atribuído o n.º 48.

Do ponto de vista literário, o “48” não foi propriamente um aluno brilhante, mas primou inegavelmente pela regularidade com que alcançava o «10»! Ás vezes lá chegava ao «11» mas, no 4.º ano (1928/29), teve um “ligeiro percalço” nessa regularidade, não obstante, já no fim desse ano lectivo, o Director, num derradeiro esforço, o ter estimulado com “cinco estudos suplementares de castigo, por ter deficiente aplicação no estudo”. Mas não resultou e lá teve que repetir no ano lectivo seguinte. Em contrapartida, o “48” tinha um comportamento que mereceu em todos os anos lectivos (excepto naquele em que falhou o «10»...) louvor por «procedimento moral». Esta sua postura comportamental seria determinante na graduação que lhe foi conferida no 7.º e último ano: Comandante da 3.ª Companhia. E assim se manteve no exercício deste cargo porque, prestes a concluir o curso colegial, foi louvado pelo Director do Colégio porque, «como Comandante da 3.ª Companhia, ter manifestado o maior zelo e dedicação pela mesma, não só pelo exemplo que tem dado aos outros alunos, em ser extremamente educado, cuidadoso com o seu enxoval, livros e atavio pessoal, como pela maneira disciplinada e disciplinadora com que sempre tem conduzido a sua Companhia, contribuindo assim para facilitar imenso a minha missão». Concluídos os estudos no Colégio, ingressou na Escola Superior de Medicina Veterinária (Lisboa) onde veio a licenciar-se em 1939. Foi de seguida estagiar no Jardim Zoológico da capital e fez tirocínio no Laboratório Central de Patologia Veterinária de Lisboa. Cumpridos estes requisitos, o Dr. Prata Dias rumou ao Norte onde, de 1940 a 1942, foi médico veterinário da Câma-


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Recordando Os que nos deixaram

ra Municipal de Melgaço, acumulando o cargo de delegado da Junta Nacional dos Produtos Pecuários. Desceu então até à capital do distrito onde, nos treze anos seguintes (1942 a 1955) foi médico veterinário da Direcção Geral dos Serviços Pecuários de Viana do Castelo, funções estas que continuou a desempenhar durante dezoito anos (1957 a 1975), mas desta vez na cidade do Porto. De 1956 a 1957 fez uma comissão de serviço aos Açores, na ilha Terceira, após a qual se fixou no Porto para prestar serviço na Direcção Geral dos Serviços Pecuários, acumulando ainda os cargos de médico veterinário do Batalhão n.º 4 da Guarda Nacional Republicana, do Serviço de Alimentação do Hospital de S. João e da “Provimi Portuguesa” (fábrica de rações em Ovar), onde foi responsável pela produção de alimentos compostos. Em 1974-75 foi Director do Matadouro

Municipal, transitando de seguida para a Câmara Municipal do Porto onde, até 1980, foi Chefe da Divisão de Higiene Urbana. Paralelamente ao desempenho destes cargos, o Prata Dias foi também exercendo clínica privada, mantendo-se em actividade até aos 76 anos (1990). Mas o “48” não se ficava por aqui. Foi responsável pelo Serviço de Inseminação Artificial de Bovinos no distrito do Porto; médico dos Concursos Hípicos do Porto, Matosinhos, Ofir e Ovar e das touradas realizadas em Viana do Castelo e Póvoa de Varzim; presidente do júri do Concurso de Novilhos/Agro 71; e responsável pela representação da raça Arouquesa nos Concursos Nacionais de Bovinos de Santarém. Foi médico convidado da Organização do XIV Congresso Mundial de Avicultura (Madrid), regeu um Curso de Suinicultura (Baião) e proferiu diversas lições sobre Patologia e Profilaxia Sanitária na Estação

Domingos Sebastião Gama da Câmara Stone (301/1934) Faleceu em Janeiro de 2011

Nuno Cordeiro Simões (42/1935) Tenente Coronel Antigo Mestre de Educação Física e Desportos do Colégio Faleceu a 20 de Dezembro de 2010

de Fomento Pecuário de Entre Douro e Minho. Foi autor de “Noções Elementares de Propedêutica Cirúrgica Veterinária”. Foram-lhe conferidos 19 louvores por diversos organismos públicos, pela Junta Pecuária de Angra do Heroísmo (1957), pelo Comando Geral da GNR (1966 e 1976) e pela Câmara Municipal do Porto (1975), e também o reconhecimento da Comunidade Inglesa do Porto, pela disponibilidade, dedicação e competência que sempre colocou na sua actividade clínica privada. Era este o Prata Dias, o “48” que nos deixou aos 95 anos. Encontrar-nos-emos qualquer dia!

José Alberto da Costa Matos 96/1950


Recordando Os que nos deixaram

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Gérard Maria José Levêque Castello-Lopes (309/1936) Economista – Cineasta - Fotógrafo Nasceu em 1925 - Faleceu a 12 de Fevereiro de 2011

O

Gérard Castello-Lopes, filho da pianista Maria Antoinette Levêque e do criador da antiga e famosa firma de distribuição de filmes José Castello-Lopes, nasceu em Vichy, França, em 1925, e faleceu em Paris em 12 de Fevereiro de 2011. Além disso foi um bom desportista, tendo obtido títulos de campeão nacional nas modalidades de natação, esgrima e lançamento de peso (cfr José Cutileiro, “Expresso” 19.02.2011). A vocação e a formação de artista do Gérard Catello-Lopes conduziram porém a sua vida por outros caminhos, tendo-se dedicado ao cinema, como profissional e como crítico, e à fotografia, ramo artístico em que se afirmou como um especialista fora de série. Fez o seu curso secundário no Colégio entre 1936 e 1942, onde teve o número 309, e licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa. Nessa qualidade fez parte da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa, tendo por isso residido diversos anos em Estrasburgo, França. Mudou-se posteriormente para Paris onde teve a sua residência fixa para o resto da vida, muito embora dividisse o seu tempo entre a França e Portugal. Na actividade cinematográfica, foi assistente de realização dos filmes portugueses “Os pássaros de asas cortadas” (1962) e “Nacionalidade: Português” (1970), e participou activamente na fundação do Instituto Português de Cinema, a cujo júri presidiu entre 1991 e 1993. No campo da fotografia artística, iniciou a sua actividade em 1956 com uma formação de autodidacta, face à então ausência de cursos dessa especialidade no nosso país. Segundo os seus biógrafos, revelou-se um seguidor dos ensinamentos técnicos de Henri Cartier-Bresson, embora nas suas próprias palavras não se considerasse senão um amador nessa arte. A sua actividade no campo da fotografia artística só foi conhecida do público nos anos 80, através da sua primeira exposição “Fotografias de 1956 a 1982” apresentada em Lisboa pela Galeria Ether. Posteriormente, entre 1982 e 2004, realizou dezenas de exposições individuais e participou noutras colectivas, não só em variados locais de Portugal como em praticamente todos os países

da Europa Ocidental, e ainda nos Estados Unidos, na Tunísia e no Japão. O que não o impediu de declarar ao “Público” em 2004, por ocasião da exposição retrospectiva “Oui/Non” no CCB, que “nunca achei que era excepcional ou muito bom fotógrafo”. António Barreto, em artigo publicado naquele mesmo jornal em 13 de Fevereiro do ano corrente, afirma que Gérard “é seguramente o mais interessante fotógrafo português do século XX. Um dos mais, pelo menos ... Deixa-nos uma obra de reduzidas dimensões, várias vezes interrompida no tempo, mas de excepcional valor de testemunho de uma sociedade. A sua Lisboa dos anos cinquenta, retratada com sentido ao mesmo tempo poético e realista, adquiriu valor patrimonial ... Tratou a fotografia como uma grande arte”. José Manuel de Almeida Campos Soares de Oliveira 112/1936

AS ONDAS DA MEMÓRIA Quando morre um Amigo, vêm em catadupa os momentos que partilhámos com ele: conversas, reflexões, interrogações e … festas. Aqui queria só referir-me a uma frase que o Gérard dizia, na intimidade da amizade: “Nous ne sommes riches que de ce que nous donnons” E o Gérard deu muito: as formidáveis gargalhadas, as longas trocas de ideias sobre filmes, fotografias, viagens e muito mais. Não me lembro de ter abordado um só tema com o Gérard sem perceber como tinha já reflectido sobre o assunto. Na viagem da vida, o Gérard foi um grande companheiro. Anne M. Vécot da Cruz Filipe

Gérard Castello-Lopes e duas fotografias de sua autoria


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Recordando Os que nos deixaram

José Manuel de Abreu Correia Branco (232/1948) Director Comercial (Reformado) Nasceu a 11 de Outubro de 1937 - Faleceu a 5 de Janeiro de 2011

O

232, o Zeca, foi graduado de três estrelas, Ajudante do Comandante do Batalhão. Recebeu esta graduação porque, apesar de um bocado “despassarado”, era, creio que sem qualquer dúvida, o melhor atleta do nosso curso, o 7º ano de 1956.

Mas se era o melhor atleta do curso, só pelo seu feitio estouvado não foi um grande campeão nacional. De facto, apesar dos seus dotes físicos excepcionais, nunca cultivou devidamente a sua faceta desportiva, dedicando mais tempo à “reinação” do que aos treinos, não tendo o mínimo cuidado com dietas ou quaisquer regimes sadios, fumando desalmadamente (a malta, quando estava a fumar às escondidas, se ele pedia uma passa tinha medo de lha

dar, que ele expirava profundamente, esvaziava os pulmões e, depois, uma passa do Zeca era quase meio cigarro!...). Já depois de sair do Colégio, mas logo a seguir, conta-se que depois de uma noite muito animada, chegou ao estádio, fumou dois Português Suave... , foi correr os 400 metros barreiras e foi campeão ibérico! O “conta-se” só se refere aos detalhes, que campeão ibérico foi! Também jogou futebol, no Sporting. Mas era pedir-lhe muito. Não aguentava um regime de desporto a sério, demasiado espartano para o Zeca. E não foi um grande campeão, como podia ter sido. Foi trabalhar, esteve sempre ligado aos transportes aéreos, passou pela TAP, por empresas transitárias, muitos tempos por fora, correu a Europa, teve ligações no

Brasil, passámos meses e anos sem o ver. Depois, foi abrandando, foi-se “domesticando” e começou a aparecer mais. Recentemente íamos todos jantar de vez em quando. E ele juntava-se-nos, contava histórias giras, com boa disposição, com aquele espírito de “malta fixe”, uma ou outra confidência como se tivéssemos estado todos juntos na “semana passada” ao longo dos últimos cinquenta anos, mesmo já depois de muito doente. Ainda entrou em 2011, mas por pouco tempo. No princípio de Janeiro partiu, depois de um mau transe, finalmente em paz. Era casado com a Manuela e tinha duas filhas e netos. A nossa amizade para elas. Deixa-nos saudades. Os amigos do Curso, 7º ano de 1956


Recordando Os que nos deixaram

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José Luís de Arriaga Pinto Basto (428/1955) Arquitecto Faleceu em Janeiro de 2011

Em Memória do José Luís Faleceu no início do ano o 428/55, José Luís Pinto Basto, meu camarada de curso e com quem estabeleci fortes laços de amizade durante a nossa vivência comum no Colégio. O Zé Luís era um rapaz afável e um pouco reservada, que devido à sua simpatia natural angariava com facilidade amizades que perduraram até à sua morte. Nos nossos tempos no Colégio, o Zé Luís sobressaía dos restantes por ser um atleta de eleição. Recordo-me bem de um dos seus feitos atléticos, ocorrido no 3 de Março de 1961. Nesse dia houve o desfile do Batalhão Colegial da parte da manhã e um festival de atletismo da parte da tarde. Como ambos fazíamos parte da Escolta saímos a cavalo da Formação pouco passaria das oito da manhã. Fizemos a escolta ao carro do Ministro do Exército na Avenida da Liberdade, seguimos até ao Terreiro do Paço, após a missa em São Domingos e chegámos de

volta ao Colégio deviam ser cerca de duas da tarde. Tomado o almoço a correr, o Zé Luís foi-se equipar e seguiu num ápice para o estádio colegial, para participar em seis provas, para as quais tinha sido seleccionado. Não me lembro bem de todas as provas em que participou, mas recordo-me das suas provas nos saltos em altura e em comprimento, nas corridas de barreiras, que eram a sua especialidade, e no lançamento do peso. Em todas as provas em que participou subiu ao pódio, tendo conquistado, nessa tarde memorável, seis medalhas. Quando saiu do Colégio, o Zé Luís foi representar o Benfica, na especialidade dos 110 metros barreiras, tendo sempre obtido boas classificações. Veio depois o seu curso de arquitectura e uma mobilização para Angola, onde nos encontrámos, e onde serviu como alferes da Força Aérea nos aeródromos do Negage e do Toto. Foi

Gustavo Taborda Monteiro (409/2001) Arquitecto Faleceu em Janeiro de 2011

pena que tivesse terminado prematuramente a sua carreira atlética. Se tivesse continuado a competir, outros feitos dignos de registo estariam, sem dúvida ao seu alcance. Estou convencido que poderia ter sido um grande decatlonista. Os últimos anos da vida do Zé Luís foram penosos, devido à doença de que sofria. Ainda há poucos meses, apesar de já se encontrar fisicamente bastante afectado, esteve num dos nossos jantares de curso, o que nos deu grande satisfação. A doença levou a melhor, mas nunca deixarei de recordar o Zé Luís, com o seu porte atlético e com uma capacidade física impressionante, demonstrada naquela gloriosa tarde do 3 de Março de 1961. Descansa em paz companheiro. Até sempre. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957


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Recordando A Entrada

PROTOCOLOS

A anterior Direcção assinou um conjunto de protocolos de natureza cultural e/ou apoio social, os quais são de grande relevância para a Família Colegial. Assim sendo, é de todo o interesse a sua divulgação, podendo ser obtidos outros escrarecimentos através da AAACM. Miguel Mello: Tel. 217 122 306/08 / marketing@aaacm.pt

ASSOCIAÇÃO CORAÇÃO AMARELO

ROTARY CLUBE DA PORTELA

Esta associação é uma instituição particular de solidariedade social que tem como objectivo, entre outros, a promoção de iniciativas que visem apoiar pessoas em situação de solidão e/ou dependência, preferencialmente as mais idosas; o desenvolvimento, junto de entidades responsáveis, de iniciativas tendentes à sensibilização para a necessidade de melhorar a qualidade de vida dessas mesmas pessoas, bem como a criação de dinâmicas para a implementação, nas comunidades, de um serviço de apoio domiciliário integrado e de qualidade, em articulação com os serviços de saúde e de acção social. O acordo de cooperação com a AAACM prevê, entre outras acções para os seus Associados e cônjuges em situação de solidão e/ou dependência, apoio de assistência em regime de voluntariado em condições a serem definidas.

O acordo prevê a promoção de acções e iniciativas de cariz cultural e social, designadamente apoiando e realizando exposições, colóquios, seminários, conferências, estudos e outros eventos culturais relacionados com os objectivos das Instituições e que sejam de interesse para a comunidade. Contempla também apoio para contactos e assistência, através dos clubes Rotary e dentro do seu espírito de entreajuda, para facilidades no fornecimento de cadeiras de rodas e equipamentos afins, e alguns patrocínios na concessão de bolsas para programas de estudo.

LIGA DOS COMBATENTES

INSTITUTO NACIONAL PARA APROVEITAMENTO DOS TEMPOS LIVRES DOS TRABALHADORES O acordo de cooperação prevê que os sócios da AAACM se inscrevam como associados do INATEL, pagando apenas a quota anual e ficando isentos da taxa de inscrição. Prevê também que o INATEL facilitará à AAACm e seus associados, o acesso às suas estruturas e iniciativas (centros de férias, parques de campismo, unidades de turismo em espaço rural nos periodos de média e baixa ocupação, entrada no Teatro da trindade e participação nas excursões contantes da sua programação) aos preços praticados para os seus associados.

O acordo prevê a promoção mútua da protecção, do auxílio e da defesa dos legítimos interesses morais e materiais dos seus associados, com o provimento recíproco das suas necessidades sociais, promovendo acções e iniciativas de cariz cultural.

SOLIDARIEDADE

Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,

“POR FAVOR NÃO DESISTAS” porque nós não desistimos de ti.

LIGA: 919 263 665 ou 212 682 219


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