“Desenho da autoria de Fernando Edgard Collet-Meygret de Mendonça Perry da Câmara (143/1940), oferecido à Revista da AAACM”.
SUMÁRIO
04 Corpos Sociais da Associação para o triénio 2008-2010 05 Artigos à venda na Associação 06 Editorial
DA ASSOCIAÇÃO 10 106º Aniversário da AAACM FICHA TÉCNICA
PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL N° 177 - Outubro/Dezembro - 2009 44° Ano Fundador Carlos Vieira da Rocha (189/1929) *** Director Mário M. e Silva Falcão (314/1936) Chefe de Redacção Gonçalo Salema Leal de Matos (371/1949) Relações Públicas Vasco Santos Pinheiro (254/1982) Pelouro da Juventude João Carlos Agostinho Alves (110/1996) Ricardo Neto Galvão (347/1997) Nuno José Lopes da Costa Alves Caetano (99/1998) Francisco Rodrigues dos Santos (128/1998) Capa: A Chama Colegial
Foto: Sérgio Garcia
17 Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio 31 Solidariedade - Uma rede de amor 33 Como nasceu a já enraizada tradição da colocação do Capote e da Barretina na Cruz do Zimbório do Colégio 34 A toponímia portuguesa e o Colégio Militar 35 Protocolos 36 Acordos Comerciais 39 Constituição do Conselho Supremo da AAACM em 2009 40 Ser ou não ser ex-Aluno 41 Os Ratas de 1959 voltaram ao Colégio
DO COLÉGIO 44 Secretário de Estado do Desporto condecora o Colégio Militar 45 Cerimónia de Imposição das Graduações 49 Carta dirigida ao Senhor Director do Colégio Militar pela APEEACM 50 Para memória futura... 66 Abertura Solene do Ano Lectivo 2009/2010 78 A Nossa Luz
COLABORAÇÃO 82 Barretina 83 O Futuro do Rotary está nas Suas Mãos 84 Blogosfera, Lixo não reciclável
RECORDANDO 86 Os 10 88 “A Circunstância do Estudo Exíguo” 89 Antigos Alunos do Colégio Militar em destaque 90 Foi bonito de viver 92 A Band of Brothers 93 Os que nos Deixaram Revista da AAACM
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Entidade proprietária e Editor: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar Morada do proprietário e sede da Redação: Quartel da Formação - Largo da Luz 1600-498 Lisboa Telefone: 21 712 23 06/8 - Fax: 21 712 23 07 E-mail: revista@aaacm.pt Tiragem: 1400 exemplares Depósito Legal n° 79856/94 Periocidade Trimestral N° de Registo no ICS – 100010 ISSN 0872-8224 Design e Execução Gráfica:
Distribuição gratuita aos Sócios da AAACM Número Avulso: 4,00 € Assinatura: 15,00 €
UM POR TODOS, TODOS POR UM
(Os artigos publicados são da Responsabilidade dos seus Autores)
CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRIÉNIO 2008-2010 MESA DA ASSEMBLEIA GERAL Presidente: Vice-Presidente: 1.º Secretário: 2.º Secretário:
José Eduardo Martinho Garcia Leandro - 94/1950 Bernardo Manuel Diniz de Ayala - 171/1953 Luís Baptista Esteves Virtuoso - 72/1973 Ricardo Neto Galvão - 347/1997
DIRECÇÃO Presidente: Vice-Presidente: Secretário: Tesoureiro: 1º Vogal: 2º Vogal: 3º Vogal: 4º Vogal: 5º Vogal: 1º Vogal Suplente: 2º Vogal Suplente: 3º Vogal Suplente:
Martiniano Nunes Gonçalves - 9/1958 José Maria Rebocho Pais de Paula Santos - 644/1968 Pedro Miguel Correia Vala Chagas - 357/1977 João Sanches de Miranda Mourão - 552/1960 Mário Margarido e Silva Falcão - 314/1936 Frederico Eduardo Rosa Santos - 78/1957 Duarte Manuel Silva da Costa Freitas - 199/1957 Carlos Francisco da Silva do Rio Carvalho - 307/1971 Samuel Ma - 29/1995 Fernando Nuno Lamy da Fontoura - 75/1959 Manuel Pedro da Costa Pereira Roriz - 519/1959 Vitor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves - 666/1971
CONSELHO FISCAL Presidente: 1º Vogal: 2º Vogal: 1º Vogal Suplente: 2º Vogal Suplente: 4
Revista da AAACM
Pedro João Reis de Matos Silva - 449/1958 João do Passo Vicente Ribeiro - 153/1958 António Cortez Freire Damião - 236/1959 João Luís de Mascarenhas e Silva Shoerder Coimbra - 54/1984 António Luís Henriques de Faria Fernandes - 454/1970
Artigos à Venda na A.A.A.C.M.
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©Foto: Gianni Sallustio
©Foto: Gonçalo Leal de Matos
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EDITORIAL
EDITORIAL Como quaisquer cidadãos, os Antigos Alunos do Colégio Militar são sujeitos à apreciação pública, que relaciona as boas ou más acções praticadas com a formação recebida das respectivas escolas oriundas, embora na maioria dos casos não as saiba identificar, excepto no caso do Colégio Militar, que não abdica de representar uma das mais conhecidas escolas portuguesas. Independentemente de outras razões, isso obriga os actuais ou antigos “Meninos da Luz” a usarem um comportamento digno perante a Sociedade. Não obstante, é obrigação de qualquer Antigo Aluno, que tiver um desvio comportamental, assumir os erros próprios, deles se penitenciarem e pedir desculpa aos antigos e actuais camaradas, em cumprimento da máxima colegial Um por todos. Felizmente, ou por causa da formação recebida nos claustros da Luz, os seus colegiais continuam a ser motivo de orgulho e a apresentarem-se como modelos de cidadania e portuguesismo. O Director da Revista Mário Margarido e Silva Falcão 314/1936
... ... ... ... Outubro foi um mês difícil e perturbado para o Colégio e para os Antigos Alunos. Factos concretos que, sob a terminologia de “violência”, terão ocorrido no Colégio há alguns anos, e que, a confirmarem-se, condenamos e devem ser objecto de tratamento no quadro da lei e princípios reguladores em vigor na sociedade em que vivemos, foram, publicamente, explorados e gerado um circo mediático sem precedentes. Trata-se de factos que, em Fevereiro passado e noutra fase dos processos judiciais em instrução, tinham já sido objecto de divulgação pública, tendo-se agora associado à sua mediatização iniciativas de partes interessadas em denegrir a imagem do Colégio. Que fique claro que não nos inspira qualquer sentimento ou objectivo de “branqueamento” das situações em questão. Não têm razão os que, com intenções no mínimo duvidosas e cada vez mais claras e visíveis, procuram difundir na opinião pública a existência de um conluio tácito da Direcção do Colégio, da comunidade dos Antigos Alunos e dos Alunos do Batalhão no sentido de ocultar a “barbárie”(!!!) que grassa no Colégio e a “cortina de silêncio que protege os agressores”. Muita gente falou, escreveu e até alguns que têm merecido respeito público opinaram sobre factos que não conhecem, extrapolando interpretações e opiniões do domínio do “politicamente correcto” totalmente desajustadas da realidade da vida do dia a dia dos alunos. De referir, ainda como negativa, a perturbação interna e a instabilidade criada nos alunos durante todo o período em que os acontecimentos foram mediatizados com evidente e significativo prejuízo da sua condição de estudantes e de adolescentes, a notável prestação do General Raul Passos - Director do Colégio – na sua intervenção em directo no Telejornal da SIC, e pela primeira vez dois factos: a agressão pública de uma força política ao Colégio e a intervenção, também pública, das Mães em defesa da escola em que confiam para a educação dos seus filhos. De tudo isto, ressaltam a constatação da utilização de factos concretos para generalizar ataques à essência da Instituição Colégio Militar, a existência de interesses cada vez mais visíveis e de naturezas diferentes empenhadas nesses ataques, o desconhecimento efectivo por parte dos órgãos de comunicação e da sociedade sobre o Colégio, os seus valores e a sua importância para a sociedade. Factos que não podem deixar indiferentes aqueles que por responsabilidade directa ou por obrigação estatutária se encontram envolvidos no universo do Colégio: a tutela e a nossa Associação. No que nos respeita, anunciaremos muito em breve um conjunto de iniciativas no sentido de sermos mais proactivos no apoio a uma Instituição que muito faz pelo nosso país e que merece todo o nosso carinho.
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Revista da AAACM
O Presidente da Direcção Martiniano Gonçalves 9/1958
DA ASSOCIAÇÃO
Revista da AAACM 7 ©Foto Gonçalo Leal de Matos
ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO
106º Aniversário da AAACM A comemoração do 106º Aniversário da nossa Associação teve lugar a 23 de Outubro de 2009 com a concentração dos Antigos Alunos nos Claustros, sendo a “Velha Guarda” constituída por Todos aqueles que entraram no Colégio até ao ano de 1949. Na Biblioteca foram apresentados cumprimentos à Direcção. Na altura, o Director, Major General Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos, que se encontrava acompanhado pelo Subdirector Coronel João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), num breve improviso de boas-vindas referiu que a presença de antigos Alunos no Colégio constitui um aspecto didáctico para aqueles que actualmente o frequentam que vêem nestas romagens o espírito de coesão e de camaradagem que perdura pelos anos fora e foi cimentado na vivência tida dentro das suas paredes. Referiu-se em seguida ao momento que se vive de ataques na comunicação social a pretexto de situações antigas e cujos processos decorrem dentro do seguimento que lhes é devido, reafirmando a sua determinação na defesa do Colégio que tem de ser conduzida com firmeza mas com muita serenidade. Por todos os presentes foi saudado e ovacionado pela sua elevação e determinação com que, num canal de televisão, fez frente às atoardas com que o Colégio vem sendo ciclicamente confrontado. O Presidente da Associação também em breves palavras, agradeceu a disponibilidade sempre manifestada pela Direcção do Colégio para realização destas romagens e grande hospitalidade com que sempre são recebidos os antigos Alunos.
©Foto Leonel Tomás 8
Revista da AAACM
ASSOCIAÇÃO 106º Aniversário da AAACM
No Largo da Luz foi prestada homenagem ao Colégio e no Átrio do Fundador foi deposta uma coroa de flores junto do busto do Marechal Teixeira Rebello, tendo na altura o Aluno Comandante da 1ª Companhia, Luís Filipe Rodrigues Pires (302/2002), lido em voz alta o texto inscrito numa placa alusiva ao monumento respeitante aos Alunos PÁGINAS DA HISTÓRIA O Colégio Militar traçou a continua a traçar páginas da nossa História, na pessoa de cada um dos seus alunos e na consciência colectiva da sociedade portuguesa. Este monumento representa algumas dessas páginas, arrancadas à História para eternizar os feitos e os nomes de alunos que deram a sua vida pela defesa da Pátria e das suas convicções. São, pois, páginas da nossa História em cuja escrita participaram estes alunos. Páginas percorridas por duas linhas que simbolizam o denominador comum a estes homens a a muitos outros alunos do Colégio: a sua ligação ao Colégio Militar e os feitos que deixaram impressos na História de Portugal. Na página central as linhas cruzam-se, símbolo da discórdia que as guerras liberais trouxeram ao país. Com este monumento, pretendemos não só homenagear estes alunos do colégio, mortos em combate, mas também enaltecer o exemplo daqueles que souberam cumprir com honra os desafios que a vida lhes colocou. 3 de Março de 2009 Escultora Ana Tristany
A CHAMA COLEGIAL foi acesa pelo mais antigo Menino da Luz presente, João António Ferreira Lamas (75/1931), pelo Presidente da AAACM, Martiniano Gonçalves (9/1958) e pelos Alunos Luís Filipe Rodrigues Pires (302/2002) e Guilherme Lopes Costa Ferreira (158/2009), o Batalhãozinho. Na Capela foi rezada Missa de Sufrágio pelos Antigos Alunos, Oficiais, Professores e Funcionários do Colégio Militar, já falecidos. Uma breve visita às instalações, com destaque para o Museu Colegial que de cada vez que o visitamos nos surpreende sempre pela grande qualidade da exposição que oferece sobre o Historial do Colégio. A tradicional fotografia nas escadarias da Enferma com os Sucessores contou este ano também com os Alunos ligados por laços familiares às gentes da Velha-Guarda. Com a presença do Director, Subdirector, Comandante do Corpo de Alunos, Oficiais e Órgãos Directivos da Associação e todo o Batalhão Colegial, decorreu no refeitório o almoço de confraternização e homenagem à Velha-Guarda, não tendo este ano sido servido o “amarelo” e havendo do tradicional menu apenas o “caldo verde” e o “vinho do Porto”. O Roberto Ferreira Durão (15/1942) lembrou o Mário Silva Falcão (314/1936) que por motivo de doença não se encontrava presente, enaltecendo as suas qualidades e exemplo, um Menino da Luz com uma enorme devoção e amor pelo seu Colégio, o seu espírito de servir a Associação desde sempre e de há longos anos como Membro do Conselho Supremo e da Direcção e como Director da nossa Revista. Um Zacatraz forte e vibrante foi bradado pelo seu rápido restabelecimento e regresso ao nosso convívio. De seguida, com a presença do Director e Subdirector, Major General Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos e Coronel João Paulo Noronha da Silveira Alves Caetano (609/1973), da Senhora D. Ana Maria Pinto Soares Hoeppner Presidente da Direcção da AAAIO, Membros do Conselho Supremo e da Direcção da AAACM, muitos Antigos Alunos e o Aluno Carlos Miguel Moura de Carvalho (11/2003) tetraneto do Marechal Teixeira Rebello, na nossa Sede foi inaugurado um Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO Protocolo de Cooperação entre CM e AAACM
busto em bronze do Fundador, réplica do que se encontra no Colégio, colocado no arco central da sala principal e ladeado nos dois arcos restantes por fotografias de fundo em grande formato de um Aluno Porta-Estandarte e de um Aluno Rata. O Presidente da Direcção Martiniano Gonçalves (9/1958) proferiu as seguintes palavras:
“A réplica do busto do Marechal Teixeira Rebelo existente no átrio do Colégio Militar desde as comemorações do seu 1.º Centenário, que vamos descerrar neste local, encerra um triplo simbolismo: ©Fotos Leonel Tomás
Em primeiro lugar, pretende ser um gesto de infinita gratidão dos Antigos Alunos do “seu” Colégio, ao homem, ao militar e ao cidadão que foi capaz de erguer uma das mais antigas instituições nacionais que se manteve desde então em ininterrupta actividade. Sem ele o Colégio não existiria. E sem o Colégio não existiria a nossa Associação. Em segundo lugar, pretendemos que a sua presença diária entre aqueles que fazem parte dos corpos sociais da Associação ou que nela servem, constitua um estímulo para que, seguindo o seu exemplo, possamos ter a força, a determinação e a vontade capazes de nos obrigar a fazer mais e melhor e a irmos mais além. 10
Revista da AAACM
ASSOCIAÇÃO 106º Aniversário da AAACM
E, finalmente, é nosso propósito que os Antigos Alunos que frequentam as nossas instalações, ao encararem o Fundador, encontrem nele a motivação, a coragem e a firmeza necessárias para enfrentarem as dificuldades da vida e para prosseguirem na defesa dos valores éticos e de cidadania que ele nos deixou e que imprimiram, enquanto Meninos da Luz, a nossa formação como homens. Teixeira Rebello cultivou as virtudes da honra, da lealdade, da disciplina, do altruísmo, da humildade e do sentido do dever. Resignado na adversidade, adverso a conflitos e paciente com as incompreensões e injustiças, soube sempre ser generoso para todos aqueles que precisavam de auxílio. Discreto e humilde nos seus êxitos e extraordinariamente determinado no cumprimento da sua missão, orgulhoso e respeitador da sua Pátria, da sua condição de militar e de português, ele é bem um exemplo para todos, especialmente nos tempos de hoje. Curvemo-nos perante o militar insigne, o ilustre pedagogo, o amante do saber e da ciência, o cidadão impoluto e altruísta, o homem de rija têmpera e determinação, cuja principal obra é, sem dúvida, o seu Colégio Militar, esse sim, o autêntico e grandioso monumento à sua memória.”
©Foto Leonel Tomás
Foi também descerrada uma fotografia da Velha Sede da Calçada Marquês de Abrantes e da placa de mármore que durante longos anos identificou a entrada da nossa Associação. O Samuel Ma (29/1995) fez uma breve exposição acompanhada de projecções do que vai ser o novo “site” da Associação que em breve estará disponível na Internet, facultando melhor informação e maior facilidade de consulta, num ambiente mais agradável de comunicação entre a Família Colegial. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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©Fotos Leonel Tomás 12
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ASSOCIAÇÃO 106º Aniversário da AAACM
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ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio Realizou-se no dia 19 de Novembro de 2009, no Salão Belém do Pestana Palace Hotel em Lisboa, um jantar reunindo um elevado número de Antigos Alunos que manifestaram o seu apoio ao Colégio onde viveram parte da sua juventude e que recordam com muita saudade, não só pelos laços de camaradagem e amizade que perduram para toda a vida como também pela excelência da formação que nele é ministrada e constitui um forte alicerce para os desafios da vivência neste mundo. O Presidente da Associação, Martiniano Gonçalves (9/1958), abordou a problemática da
não vir e me pediram para vos saudar em seu nome; daqui lhes enviamos a nossa solidariedade e os nossos desejos de que exerçam as suas funções de graduados com sucesso e com bons resultados escolares” agradecendo, de seguida a presença de todos “estamos aqui 400 Antigos Alunos” - , e assinalando, em particular, as presenças de dois convidados, “o Senhor General Vaz Antunes que durante cerca de 2 anos foi Comandante da Instrução e Doutrina do Exército e a quem, pela sua acção, o Colégio ficou muito a dever, pelo que o consideramos um nosso amigo e um Amigo do Colégio Militar, e o nosso querido Capelão Padre Braula Reis, sócio honorário da Associação que hoje completa 87 anos e a quem vou agora entregar uma recordação deste dia e para quem peço uma grande salva de palmas.” Referiu, depois, justificando a realização deste jantar que “Estamos aqui, por um lado para celebrar o passado e o presente, e por outro para preparar o futuro.
A entrega dos Prémios Barretina 2009 celebra o passado que nos educou e também o presente com o exemplo de alguns dos muitos Antigos Alunos que se encontram na sociedade para ela contribuindo de forma notável e nem sempre conhecida. ©Foto Miguel Mercês de Mello
situação actual e traçou objectivos de acção para uma melhor garantia do futuro relacionado com o interesse do Colégio. Começou por referir, para além de muitos Antigos Alunos que enviaram mensagens de apoio duas ausências muito particulares:
“a do 314/36, o Mário Falcão, Director da nossa Revista, Membro da Direcção e do Conselho Supremo a quem a Associação e o Colégio muito devem - que por motivo de doença não pode estar presente; daqui lhe enviamos os nossos desejos de rápido restabelecimento” e a dos “alunos finalistas do Colégio que manifestaram o desejo de estar presentes, mas que por circunstâncias diversas acabaram por
De facto, os Prémios Barretina 2009 celebram “os nossos heróis”, os frutos do que o Colégio Militar melhor faz: preparar-nos para a vida e identificar-nos com os valores que defende. Não nos formata, nem nos igualiza. Por isso, somos diferentes. E os Prémios Barretina 2009 celebram precisamente a excelência dessa diferença. A diferença que, como vereis quando os Prémios forem distribuídos, vai • do gestor de uma multinacional ao artista consagrado; • do médico e investigador ímpar, orfão de um herói que nunca conheceu, ao militar ilustre em tempo de paz e em tempo de guerra; Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO
• de um homem de ciência investigador de renome, aquém e além fronteiras, ao engenheiro e professor que tão bem tem procurado ligar a universidade às empresas; • de dois irmãos, ambos arquitectos internacionalmente reconhecidos, ao professor do Colégio que, a par de uma distinta carreira de serviço público, pela sua dedicação e sentido do dever os seus alunos não mais esquecem; • e do homem de Estado, que com saber e inteligência tem sido de enorme importância para a vida da nossa Associação a um grande amigo do Colégio Militar, que não sendo Antigo Aluno, soube sempre distinguir o essencial do acessório e compreender os valores e a mística do nosso Colégio. Iniciou depois a sua análise “sobre o Colégio, a nossa Associação e o futuro das duas instituições“ começando por referir que “Não obstante tratar-se de acontecimentos que ainda estão muito frescos na nossa memória e que abalam os sentimentos de praticamente todos nós, não vou referir-me à vergonhosa recente campanha anti-Colégio montada em cima de factos que poderão ter alguma adesão com a realidade, e ao circo mediático que daí resultou.
Limito-me a este respeito a constatar que, para além de uma enorme falta de conhecimento dos órgãos de comunicação e da sociedade em geral sobre o Colégio, a sua missão e a sua contribuição para a sociedade, dois factos são novos e relevantes neste recente ataque: • a agressão pública de uma força política ao Colégio, evidenciando o seu carácter ideológico e, consequentemente, não conjuntural deixando antever a sua continuação sob esta ou outras formas; • e a intervenção, também pública e objectiva, das Mães em defesa da escola em que confiam para a educação dos seus filhos, numa manifestação de amor e isenção acima de qualquer suspeita. Referindo-se ao Colégio disse que:
“O Colégio necessita de um tratamento de fundo e não de medidas avulsas para curarem alguns dos seus desajustamentos relativamente à sociedade em que vivemos!” O Colégio encontra-se numa fase de adversidade que o marca e ameaça profundamente...”, tendo salientado entre outras, “a diminuição do número de alunos e de candidatos,... um pior desempenho pedagógico de que resulta
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ASSOCIAÇÃO
Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
a má classificação no ranking nacional, e a exploração mediática de casos de violência” E continuou:
”Não iludamos a questão: A continuação desta situação, gera um risco crescente de encerramento do Colégio a maior ou menor prazo.“ Lembrou seguidamente a obrigação moral e institucional da Associação de agir “sempre que o Colégio, os seus princípios, valores e tradições necessitam de ser defendidos” tendo em conta os Estatutos da Associação e o facto de “ A Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar é a guardiã e tem a obrigação de ser a divulgadora dos valores e da identidade do Colégio Militar, projectando-o no futuro, através da acção e da coesão de todos os que se revêem nesses mesmos valores e identidade. Disse depois que o “Colégio conta com três vias de intervenção, institucional e funcionalmente independentes, cada uma tendo que assumir a responsabilidade das suas acções e também das suas omissões, sendo a primeira “constituída pela cadeia hierárquica que vai do Director do Colégio ao Chefe do Estado Maior do Exército, à tutela política das Forças Armadas e ao Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, a segunda “pelos pais e encarregados de educação e pela Associação de Pais; e a terceira “por nós - os Antigos Alunos - e a nossa Associação: somos a única das três vias de intervenção que não age ou por obrigação profissional – caso da via hierárquica – ou por interesse directo durante um período limitado de tempo – que é o caso dos Pais e encarregados de educação”.
em relação a aspectos do funcionamento interno, e a distinção pouco clara entre o papel dos militares e dos civis no dia a dia do Colégio” enquanto são realçados positivamente “tratar-se de um estabelecimento de ensino em que se procura o rigor e o civismo, onde se formam elites e onde se têm acesso à prestigiada comunidade dos Antigos Alunos”, o que permite concluir que “ por um lado, não só o Colégio tem ainda muito para oferecer ao País, como o País precisa do Colégio, e, por outro, é possível oferecer o que a sociedade pretende mantendo os valores essenciais da identidade do Colégio - Solidariedade, Disciplina, Liderança e Portugalidade.“ E continuou, afirmando com base em casos ocorridos em colégios militares de outros países que ultrapassaram fases idênticas às que o Colégio atravessa actualmente, que “Acreditamos que o mesmo é possível fazer no nosso caso, mediante trabalho a realizar com determinação, vontade de reformar e atempadamente.” E pôs a questão: “Devemos Assistir ou Actuar?”, respondendo de seguida: “As razões expostas levaram a Direcção da Associação a decidir assumir uma posição proactiva de apoio no que concerne o funcionamento do Colégio e as suas perspectivas de desenvolvimento” informando o apoio do Conselho Supremo a esta posição.
Passou , seguidamente a dizer “como a Direcção da Associação vê o momento presente, e quais os principais vectores das medidas de fundo que entendemos indispensáveis.”
E continuou afirmando “Vamos cumprir o nosso dever: não aceitamos ser meros espectadores na degradação da Instituição face a eventuais indecisões ou reacções não atempadas dos restantes parceiros com responsabilidades sobre o Colégio”, estando consciente que ”Trata-se de uma decisão com elevado risco, mas preferimos actuar e falhar do que ficar a assistir dizendo que estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance“.
E informou que “estudos de opinião recentes efectuados por entidades independentes e profissionais, demonstram que apesar de necessitar de mudanças para se tornar mais atractivo como opção escolar, se trata de uma excelente escola”, destacando esses estudos como aspectos negativos “um desconhecimento em relação à possibilidade de acesso de filhos de não militares, algum desconforto
Manifestou a sua convicção de que se trata de “uma actuação difícil”, destacando que” a Associação não tem poder formal para intervir no Colégio”, “não obstante inquestionáveis manifestações de respeito e consideração, a tutela – direito que não questionamos - não mostrou até agora abertura para uma abordagem interventiva e estruturada em conjunto com a Associação”, e, finalmente, “a Associação só Revista da AAACM
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será uma entidade credível neste processo se representar de facto os Antigos Alunos” apelando para “cerrarmos fileiras e falarmos a uma só voz”. Concluindo que “Há, portanto, que intervir de forma pensada, construtiva e temos que encontrar mecanismos de assegurar o contributo de todos” e salientando que “Ir para a “guerra dos comunicados e entrevistas” só prejudica o Colégio: na opinião pública existe a tentativa de fazer crer que existe um conluio entre a hierarquia que superintende no Colégio, os Alunos e os Antigos Alunos, pelo que com os órgãos de comunicação condicionados por este estigma é difícil, com este tipo de comportamento, fazer a sociedade assimilar as mensagens certas e os conteúdos que correspondem à verdade. E “Por outro lado, para além de não estarmos preparados para participar neste tipo de situações em que a sua mediatização escapa ao nosso controle, os pontos negativos, que existem, têm sempre mais notoriedade que os positivos…mesmo que sejam menos e de muito menor importância”. Informou de seguida que “o caminho que entendemos adequado e que escolhemos come20
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çou pela realização de um trabalho de fundo sobre a situação e evolução do Colégio, tendo já sido Identificado um conjunto de medidas que são urgentes e indispensáveis para se iniciar uma inversão do actual ciclo negativo, e definimos um conjunto de áreas, igualmente, ou talvez mais importantes e menos urgentes, e que requerem um trabalho mais profundo.” E deu como exemplos das medidas urgentes: • Divulgação do Colégio e angariação de candidatos; • Gestão pedagógica e desempenho académico; • Funcionamento interno e uso da força e de castigos físicos. “Relativamente às questões que requerem um trabalho de reforma mais profundo e com natureza estruturante – a apresentar nos próximos meses –“, destacou alguns dos grandes capítulos a considerar referindo “para cuja análise partimos em total abertura sem quaisquer atavismos, ideias pré-concebidas ou posições de princípio, e sobre os quais temos que ter posições claras perante a sociedade” tendo igualmente referido algumas das áreas a serem tratadas.
ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
Referiu-se “finalmente, à capacidade de comunicação da Associação” dizendo que “Tendo em conta o actual contexto de mediatização em torno da vida do Colégio, consideramos este ponto de capital importância: o que está em causa não permite amadorismos!” particularizando a necessidade de uma “abordagem mais eficaz na sua comunicação com o exterior e isto implica estar preparada e ter apoio profissional que lhe permita: • Uma conveniente gestão de situações de ataque público ao Colégio de cuja necessidade, e na ausência de apoio técnico especializado, resultou já a criação de um Conselho da Comunicação composto por elementos da Direcção e por Antigos Alunos profissionais das áreas da comunicação e do marketing; • A divulgação da interacção do Colégio, da Associação e da comunidade dos Antigos Alunos com a sociedade – ponto fundamental em todo este processo; • A promoção da notoriedade de Antigos Alunos que se distinguem; • A realização profissional das nossas Publicações. Informou depois já existir um projecto realizado com uma agência de comunicação tendo como objectivos principais • “Estabelecer a verdade, actualizar, reforçar a confiança e respeitar os valores do Colégio Militar • Criar visibilidade relativamente às acções realizadas pela Associação e pelo Colégio • Criar confiança e relações duradouras com os media” projecto cujos custos a Associação não tem capacidade de suportar sem o apoio dos Antigos Alunos. Antes de terminar testemunhou ainda que “Temos o maior e mais sincero empenho em que a tutela acolha o nosso apoio e actue com energia, determinação e atempadamente para o bem do Colégio” e, “temos também a esperança de que seja por ela entendida, valorizada e reconhecida a importância estratégica do Colégio para as Forças Armadas e para o País e que desta forma mereça o seu empenho”.
E concluiu:
Os tempos de hoje não são de adeus às armas. São de mobilização. Mobilização de cada um de nós pelo Colégio, por tudo o que representa de uma causa justa, de valores que sabemos permanentes, de um futuro que queremos tão marcante quanto o seu passado. Nunca como hoje foi tão necessário responder: Presente! Nunca como hoje foi tão necessário unir esforços de forma inteligente, calma, e coordenada. Nunca como hoje foi tão necessário falar a uma só voz. Se soubermos responder a este apelo, estamos convictos que de nós se dirá no futuro que a nossa missão foi cumprida! E o Colégio Militar continuará a ser para as gerações vindouras o que tem sido para todos nós: a escola sem igual que nos identifica, que nos une, que nos emociona, que é e será sempre o nosso orgulho! Pelo Colégio, Zacatraz, Zacatraz, Zacatraz, …
Procedeu-se à entrega dos Prémios Barretina, este ano atribuídos aos agraciados a seguir referenciados:
Tenente-General João Nuno Jorge Vaz Antunes João Nuno Jorge Vaz Antunes, 57 anos, foi promovido a Tenente - General em 22 de Maio de 2007 e desempenha desde 30 de Junho de 2009 as funções de Inspector-Geral do Exército. Habilitado com o Curso de Infantaria da Academia Militar possui, entre outros, o Curso Geral de Comando e Estado-Maior, o Curso Superior de Comando e Direcção do Instituto de Altos Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO
Estudos Militares, o Estágio de Estados-Maiores Conjuntos (IDN) e o Curso de Estado-Maior do Exército Português e Italiano. Ao longo da sua carreira, prestou serviço em várias Unidades, Estabelecimentos e Órgãos
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do Exército, nomeadamente na Escola Prática de Infantaria , no Regimento de Infantaria Nº 15, no Instituto de Altos Estudos Militares, no Quartel-General do Campo Militar de Santa Margarida, e no Gabinete do General Chefe do Estado-Maior do Exército. Graduado em Brigadeiro-General desempenhou funções no Estado-Maior da União Europeia, sendo o Chefe da Divisão de Informações Militares. Desempenhou as funções de Comandante da Instrução e Doutrina do Exército entre 18 de Junho de 2007 e 29 de Junho de 2009. Da sua folha de serviços constam 16 louvores, dos quais 4 concedidos pelo General Chefe de Estado-Maior do Exército, 9 por Oficiais Generais, 3 por outras entidades militares, além de várias condecorações de que sobressaem 4 Medalhas de Prata de Serviços Distintos, as Medalhas de Mérito Militar de 2ª e 3ª Classe, a Medalha D. Afonso Henriques de 1ª e 2ª Classe e as Medalhas de Comportamento Exemplar nos graus de Ouro e Prata. Foi ainda agraciado com a Medalha de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis e a Medalha de Ouro do Mérito Municipal concedida pela Câmara Municipal de Mafra. Durante o período em que desempenhou as funções de Comandante da Instrução e Dou22
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trina do Exército, foi relevante a sua acção no que aos Estabelecimentos Militares de Ensino respeita, em particular ao Colégio Militar, destacando-se o permanente apoio e disponibilidade no acompanhamento das suas actividades, o incentivo na procura de melhores e mais eficazes soluções pedagógicas que projectassem o Colégio como Escola de Excelência, bem como na melhoria efectiva do nível de aproveitamento escolar dos seus alunos. Destacam-se, ainda, a persistente e reiterada procura de reforço e melhoria qualitativa dos recursos humanos, o apoio directo e indirecto às múltiplas iniciativas de beneficiação de infra-estruturas decididas pela Direcção do Colégio, a busca de sinergias ou o aproveitamento das iniciativas ao nível do Ministério da Educação - de que a aplicação do Plano Tecnológico é um exemplo -, o incentivo às actividades com visibilidade externa e o empenho e envolvimento pessoal na potenciação do trabalho conjunto a realizar entre a Direcção do Colégio e Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar. Por último, e sem prejuízo de outras acções de relevo em apoio ao Colégio, é imperativo referir o muito importante e constante apoio nos momentos difíceis por que o Colégio Militar passou no período em que desempenhou as referidas funções e que se reflectiram na pronta e permanente atenção com que foram acompanhados todos os factos ocorridos ou em curso. Pelas razões apontadas e em reconhecimento do valioso contributo do seu desempenho para a causa do Colégio Militar, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar atribui ao Tenente-General Vaz Antunes o Prémio Barretina de 2009 – “Amigos do Colégio Militar”.
Pedro José Rodrigues Pires de Miranda – Antigo Aluno nº 372/1940 Pedro José Rodrigues Pires de Miranda, 80 anos, Antigo Aluno 372/1940 licenciou-se em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico em 1953. Terminado o curso, fixou-se em Londres onde trabalhou numa empresa de engenheiros consultores durante dois anos, sendo posteriormente sido admitido para a área de Operações e Marketing da British Petroleum Company.
ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
De 1985 a 1987 foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do X Governo Constitucional. Nas cerimónias comemorativas do Dia de Portugal e das Comunidades de 2009, foi condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. É Presidente do Conselho Supremo da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar desde 2007.
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Em 1957 regressou a Portugal para integrar os quadros da BP portuguesa. Voltou à Grã-Bretanha em 1967, ainda como quadro da BP para desempenhar as funções de Assistant Regional Co-Ordinator South Europe, sendo Director de Marketing da BP Portugal. Em 1971, já em Portugal, ingressa na Petrosul como Director e, um ano depois, na Sonap como Administrador. Em 1975 partiu para o Brasil, onde permaneceu durante mais de um ano, trabalhando na companhia petrolífera Ipiranga como Assessor da Administração. Novamente em Portugal, foi em 1976 nomeado Administrador da Petrogal desempenhando as funções de Presidente do Conselho de Gerência entre 1982 e 1985, cargo que ocupou novamente em 1987/1988.
Pode dizer-se que o Pedro Pires de Miranda tem tido uma vida pública distinta, útil, diversificada e eficaz, mas com uma acção sempre marcada pela simplicidade e pela simpatia. Esta é uma conjunção rara e um verdadeiro gerador de profundo respeito e admiração. Temos um grande orgulho no Pedro Pires de Miranda, mas mais que o orgulho vale o exemplo luminoso que ele representa para todos nós e também para as recentes gerações de Meninos da Luz.
Roberto Ferreira Durão – Antigo Aluno nº 15/1942 Roberto Ferreira Durão, 77 anos, Antigo Aluno 15/1942 é Coronel de Cavalaria Comando, na situação de Reforma Extraordinária (DFA) e é Licenciado com o Curso Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.
Em 1988 foi nomeado Curador da Fundação Oriente e no início da década de 1990 Administrador da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Em 1991 é nomeado Presidente do Conselho de Administração da Alcantara, subsidiária portuguesa da Tate & Lyle. Em 1992, após a operação de privatização, volta à Petrogal agora como Administrador não executivo. Notabilizou-se ainda no desempenho de cargos públicos em 1978 como Ministro do Comércio e Turismo do III Governo Constitucional, em 1979 como Presidente da Comissão para a Integração Europeia, e em 1980 como Embaixador itinerante para assuntos petrolíferos do Governo liderado por Francisco Sá Carneiro.
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Cumpriu três Comissões no antigo Ultramar (Goa 61/62 – onde foi feito prisioneiro; Angola 62/64 e 70/72 , fez o Curso de Comandos e foi 2º Cmandante do CIC de Angola. Revista da AAACM
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Em 1967 e 1968 foi Comandante do Corpo de Alunos do Colégio Militar, voltando ao Colégio em 1976 como Professor de Educação Física e Assistente de Estudos, onde permaneceu 22 anos até 1998. Desportista e grande animador do Pentatlo Moderno, reanima em 1977 a actividade da Federação Portuguesa do Pentatlo Moderno, após um período de cerca de 5 anos marcado pela sua inactividade, muito contribuindo para a evolução que a modalidade veio a ter até aos nossos dias. Além de muitos artigos, tem publicados 2 livros de Poesia, fez diversas traduções (nomeadamente a tradução integral do “Cyrano de Bergerac” de Rostand), sendo também um excelente declamador, sempre disponível para o apoio aos alunos do Colégio e às iniciativas da Associação, bem como para as respectivas Revistas, Espectáculos e Recitais. Desde há muitos anos que se tem dedicado à Comissão de Solidariedade dando apoio pessoal aos Antigos Alunos mais necessitados. O Roberto Durão disse um dia que pertence a três ordens: Cavalaria, Comandos e Colégio Militar. Como aluno, oficial e professor dedicou ao Colégio trinta anos da sua vida, continuando hoje a servi-lo na Solidariedade. Como poeta, tem dedicado ao Colégio obras expressivas e que são fontes de coesão. Pertence e honra três ordens, mas a uma delas dedica um óbvio e distinto amor.
José Manuel Nunes Salvador Tribolet – Antigo Aluno nº 230/1959 José Manuel Nunes Salvador Tribolet, 59 anos, Antigo Aluno 230/1959, Comandante de Batalhão em 1965/1966 licenciou-se em Engenharia Electrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico (IST), em 1971 com alta classificação. A partir de 1972 frequentou o Massachussetts Institute of Technology (MIT), onde, em Janeiro de 1975 obteve o grau de “Master of Science in Electrical Engineering”, e em Junho de 1977, o grau de “Doctor of Science on Electrical Engineering and Computer Science” e em 1979 o grau de Agregado em Engenharia Electrotécnica, no IST. É Professor Catedrático de Sistemas de Informação do IST. 24
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Foi investigador no Accoustics Research Department dos Laboratórios Bell, nos EUA, onde se deslocou regularmente como cientista convidado durante toda a década de 80, e onde passou semestres sabáticos em 1981-82 e 1988-89. Foi cientista convidado do Basic Research Laboratory da NTT em Tokyo, de Fevereiro a Maio de 1989. Foi membro do ESPRIT Advisory Board, da UE, de 1986 a 1993. Foi Presidente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores de 1984 a 1988 e do Departamento de Engenharia Informática do IST entre 2000 e 2002. Foi Vice-Presidente para a Pós-Graduação do Departamento de Engenharia Informática até 2007. Presentemente é Responsável pelos Programas de Formação Avançada (DFAs) do 3º ciclo Bolonha, para Profissionais. É Presidente da Direcção do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC), desde a sua fundação em 1980. É membro da Academia de Engenharia de Portugal, desde a sua fundação. É Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros e do Conselho de Acreditação e Qualificação desde 2004. O José Tribolet é uma das referências da Engenharia Portuguesa. O currículo académico e de gestor de projectos, revela bem a sua personalidade criativa, enérgica e determinada, com uma orientação permanente para a concretização. O José Tribolet é uma personalidade reputada e credível, uma reserva permanente de capacidade na sua área de actuação. Como é atributo dos bons Professores o Tribolet é uma referência para os jovens, e em particular das dezenas de jovens Antigos Alunos que trabalham na sua área e que já começaram a seguir-lhe o bom exemplo.
Vasco Paulo Lynce de Faria – Antigo Aluno nº 21/1960 Professor licenciado de Matemática a leccionar no Colégio Militar desde 1982.
ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
Curso de Alta Direcção da Administração Pública do Instituto Nacional de Administração (2005). CARGOS POLÍTICOS Secretário de Estado do Desporto (Outubro de 1999 a Setembro de 2000). CARGOS DESEMPENHADOS EM EMPRESAS PÚBLICAS
Secretário-Geral do Comité Olímpico de Portugal (1989/92). Chefe da Missão Olímpica Portuguesa aos Jogos Olímpicos de Inverno, em Calgary, Canadá (1988). Adjunto do Chefe de Missão Olímpica aos Jogos Olímpicos, em Seoul, Coreia do Sul (1988). Vogal da Comissão Executiva do Comité Olímpico de Portugal (1985/88).
Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Portugal Vela 2007, S.A. (2005/2008).
Membro do Conselho Nacional do Projecto Vida em representação do Comité Olímpico de Portugal.
Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Portugal 2004, S.A. (2001/2005).
Presidente da 1ª Comissão de Atletas do Comité Olímpico de Portugal (1982/84).
Vogal do Conselho de Administração da Sociedade Gestora do Autódromo Fernanda Pires da Silva, S.A. (2003). CARGOS DESEMPENHADOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Coordenador da Comissão Interministerial criada no âmbito da fase final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 (2002/2004). Presidente do Instituto Nacional de Desporto (1996/99). Presidente do Conselho Nacional Anti-Dopagem (1996/99). Presidente do Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto (1998/99). Membro da Comissão “Desporto - Século XXI” (1998). Director do Estádio Universitário de Lisboa (1990/96). CARGOS DE DIRIGENTE DESPORTIVO A NÍVEL NACIONAL Presidente do Comité Olímpico de Portugal (1993/96). Presidente do Conselho Superior de Desporto (1994/96). Membro do Conselho de Administração da Fundação do Desporto em representação do Comité Olímpico de Portugal (1995/99). Presidente da Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Rugby (2004/08).
CARGOS DE DIRIGENTE DESPORTIVO A NÍVEL INTERNACIONAL Membro do Conselho de Administração da Agência Mundial Anti-Doping (WADA), em representação da União Europeia (2000). Membro da Comissão Academia Olímpica e Educação Olímpica do Comité Olímpico Internacional, nomeado a título individual pelo Presidente do Comité Olímpico Internacional, em 1994. Membro da Comissão da Juventude da Associação dos Comités Nacionais Olímpicos da Europa (A.C.N.O.E.). HONRAS E LOUVORES Agraciado com o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique por Sua Excelência o Presidente da República, pelos serviços prestados na organização do Euro 2004 (Julho de 2005). Membro Honorário do Comité Olímpico de Portugal. Membro Honorário da Federação Portuguesa de Atletismo. A actividade do Vasco Lynce tem marcado o desporto em Portugal. Em particular nas últimas duas décadas, é notável o número e a importância dos cargos e missões onde aplicou com sucesso a sua capacidade de execução e coordenação. Foi membro do governo e ocupou cargos de alta direcção na administração pública, sendo que o impacto da sua acção é sensível e perdura Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO
em muitos temas, dos equipamentos desportivos à luta contra o dopping. O Vasco Lynce é um dirigente desportivo com acção dentro e fora de Portugal, tendo sido Presidente do Comité Olímpico Português e desempenhado relevantes cargos com projecção internacional. Recentemente, foi o principal responsável da Sociedade que realizou o Campeonato do Mundo de Classes Olímpicas de Vela realizado em Cascais em 2007. Enquanto faz tudo isto, o Vasco Lynce é professor de Matemática no Colégio desde 1982, um excelente e dedicadíssimo professor que tem ensinado centenas de alunos. Este facto só aparentemente surpreende, olhando para o percurso do Vasco Lynce verifica-se que tem conseguido realizar acções importantes. É patente que considera que ser professor, e ser professor no Colégio é uma dessas acções importantes.
José Manuel Kruss Fanha Vicente – Antigo Aluno nº 289/1961 José Manuel Kruss Fanha Vicente, 58 anos, Antigo Aluno 289/61, foi duas estrelas da 3ª em 1968 tendo-se licenciado em Arquitectura em 1976, profissão à qual se dedicou durante dois anos. Mestre em Ciências da Educação com uma tese sobre “Comunidades de Leitores” na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa. Em 1978 torna-se professor do Ensino Secundário e Formador de Formadores certificado pela Universidade de Braga. Aos 18 anos começou a declamar poesia, acompanhando Zeca Afonso e vários outros cantores e poetas que lutavam contra o regime político com palavras e canções. Ficou particularmente conhecido do grande público pela sua participação num famoso concurso de televisão intitulado “A visita da Cornélia” em 1977. É poeta com vários livros de poesia publicados, romancista e autor de literatura para a infância e a juventude. Tem escrito para rádio, teatro, cinema e televisão, tem participado em Congressos Internacionais de poesia e ensino. O Zé Fanha é um notável poeta, notório também porque dá voz a poesia, à sua e à de outros poetas. 26
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Ele próprio se declarou radicalmente Português, mesmo quando Portugal não correspondia aos seus ideais de liberdade, justiça e solidariedade. Poeta, radicalmente Português, Antigo Aluno do Colégio Militar, são três atributos que o Zé Fanha assume e, notoriamente dá a conhecer sobre si, nunca faltando a nenhum dos três. O Colégio cultiva ideais e todos nós sabemos que lá se ouve a voz dos poetas. Este não é excepção.
António José Sousa Valles e Saraiva de Reffóios – Antigo Aluno nº 529/1963 Licenciado em Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia de Lisboa, frequentou diversos cursos de Marketing e Management, dos quais se destacam o Marketing Seminar I e II e o Management Seminar em Rive-Reine, Suíça, o Business Program for Executives em New Jersey, EUA e o Program for Executive Development no International Institute for Management Development (IMD) em Lausanne, Suíça. Iniciou a sua carreira em 1977 como Consultor na Deloitte Haskins & Sells. Em 1980 ingressa na Nestlé Portugal como adjunto da Direcção-Geral e passados dois anos é nomeado responsável pela Gestão de Marketing das marcas Nescafé e Ricoré. Em 1986 assume a Direcção de Marketing da Warner Lambert Portugal (Divisão Adams) e, posteriormente, a Direcção-Geral da Esselte Meto Portugal, Lda. Em 1990 regressa à Nestlé Portugal como responsável da Comcafé – Comercial de Café, Lda. Gerindo o conjunto das marcas de café adquiridas pela Nestlé Portugal – Sical, Tofa e Christina – integrando, desde essa data o Comité de Direcção da Nestlé Portugal. Em 1992 acumula a Direcção de Foodservices e lidera o processo de aquisição da Buondi ao Grupo RAR. Em 1998 é destacado para a Polónia onde permanece dois anos como Administrador-Delegado de uma empresa de confeitaria adquirida pela Nestlé e, posteriormente, um ano como Director de Vendas do Grupo Nestlé na Polónia.
ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
Em Janeiro de 2001 regressa a Portugal como responsável pela Direcção de Alimentação da Nestlé Portugal, S.A., que engloba o conjunto das Unidades de Negócio de Nutrição, Bebidas, Chocolates e Culinários. É desde 1 de Maio de 2006 Administrador-Delegado e Director-Geral do Grupo Nestlé em Portugal. O António Reffóios é um gestor com uma carreira exemplar ao serviço de uma grande empresa multinacional. A posição que ocupa e a evolução da sua carreira diz bem da excelência do seu desempenho profissional. Numa economia reconhecidamente deficitária em boa gestão, o António Reffóios contribui para o activo. A prosperidade faz-se com gestores assim, muito mais do que com grandes declarações. Este é um magnífico exemplo de que matéria é feita a importância da comunidade dos Antigos Alunos na sociedade Portuguesa.
Diogo Jorge Ventura Oliveira e Carmo – Antigo Aluno nº 69/1971 Diogo Jorge Ventura Oliveira e Carmo, 48 anos, Antigo Aluno 69/1971, Comandante de Batalhão em 1977/1978 terminou em 1985 com alta classificação o Curso de Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina de Lisboa. É Médico Especialista nas áreas de Otorrinolaringologia, Cirurgia Cérvico-Facial e Cirurgia Plástica Facial. Trabalhou também nos melhores centros de Otorrinolaringologia e Cirurgia Plástica Facial dos Estados Unidos onde efectuou vários estágios de pós-graduação e “Fellowship” em Cirurgia Plástica Facial: Brooke Army Medical Center no Texas, University Illinois Chicago em Chicago, House Ear Institute em Los Angeles e Hospital Johns Hopkins em Baltimore. De 1988 a 1995 foi médico do Quadro Permanente do Exército, tendo sido director do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Militar Principal. Exerce actualmente a sua actividade profissional no Hospital CUF-Infante Santo, em Lisboa. O curriculum académico e científico desenrolou-se no Departamento de Imunologia da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, no De-
partamento de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e actualmente no Centro de Otorrinolaringologia do Hospital CUF. Participa regularmente e de forma activa em congressos, cursos de pós-graduação, seminários e reuniões científicas com numerosos trabalhos científicos apresentados e publicados em diversas revistas da especialidade em Portugal e no Estrangeiro pelos quais já foi várias vezes premiado por diversas organizações internacionais, dstacando-se dois louvores e uma condecoração pelo Director do Serviço Saúde do Exército dos Estados Unidos da América em 1994: “Medalha da Academy of Health Sciences, US Army”. Em Setembro de 2008, em Chicago, em reunião que juntou 8500 participantes de todo o Mundo foi-lhe atribuído pela Academia Americana de Otorrinolaringologia - o seu Prémio de Honra (“Honor Award”) destinado aos seus membros efectivos que, em pelo menos 5 anos consecutivos, mais se destacam na sua colaboração com esta organização através de trabalhos científicos, aulas, seminários, cursos e outras actividades relevantes. Desde Setembro de 2009 é o “National Delegate” da Academia Europeia de Cirurgia Plástica Facial em Portugal. O Diogo Oliveira e Carmo é um excelente médico, reconhecido em Portugal e no estrangeiro, de forma muito relevante. Acima de tudo, é reconhecido por todos aqueles que trata. A capacidade técnica e científica servidas pela grande inteligência, intensidade e concentração que coloca em tudo o que faz, são marcas de um profissional de altíssimo nível e prestígio. O Diogo Oliveira e Carmo é um exemplo de excelência da maior relevância no universo do Colégio Militar.
Nuno Mateus – Antigo Aluno nº 169 /1971 Nasceu em Castelo Branco, em 1961 e licenciouse em Arquitectura, em 1984, (Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Em 1987 fez o “Master of Science in Architecture and Building Design”, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO
Trabalhou com Peter Eisenman, em Nova Iorque, de 1987 a 1991 e com Daniel Libeskind, em Berlim, em 1991, entre outros. Tem ensinado em diversas Escolas de Arquitectura, foi Director do DA/UAL, Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa de 2004 a 2007 e exerce actualmente a docência no DA/UAL, Projecto III e VI, na FA/ UTL Projecto V e ESARC-UIC (Barcelona) em Proyectos II. É desde 1997 orientador individual de Projecto Final (6ºano) na ESAP. Em 1991 fundou a ARX Portugal Arquitectos, com José Mateus. O trabalho da ARX tem obtido diversas distinções e prémios dos quais de podem salientar o “International Architecture Awards“, The Chicago Athenaeum, EUA, 2006 (Biblioteca Municipal de Ílhavo), “Prémio AICA”, Associação Internacional dos Críticos de Arte / Ministério da Cultura 2003, Nomeação para o “Prémio Secil 2002”, nomeação para o “Prémio Mies Van Der Rohe 2002” e “XXI Encontro Internacional do UIA”, Berlim, Alemanha, 2002 (Museu Marítimo de Ílhavo). Para além de inúmeros artigos em jornais e revistas generalistas ou especializadas, foram já publicadas 3 monografias sobre o trabalho da ARX: “Uma Segunda Natureza” (Blau) e “Realidade Real” (CCB) em 1993 e “Museu Marítimo de Ílhavo” (Caleidoscópio), em 2004. O trabalho da ARX foi objecto de uma Exposição Monográfica, “Realidade Real” que inaugurou o Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém (CCB) em Junho de 1993. Desde então tem integrado exposições colectivas ou monográficas, um pouco por todo o mundo. A arquitectura do Nuno Mateus é conhecida e premiada à escala mundial. Desde os primeiros tempos da sua carreira que o Nuno Mateus contactou, trabalhou e aprendeu com figuras de referência da arquitectura mundial, contribuindo para projectar o seu talento. Em Portugal o Nuno e o José Mateus e o seu Atelier (ARX) são justamente reconhecidos entre os melhores. Seria sempre difícil escolher uma obra específica para aqui, embora algumas tenham recebido importantes distinções. Isto é assim porque que a obra do Nuno Mateus é vasta, amplamente reconhecida, e marca de forma inovadora a arquitectura e o urbanismo em Portugal. Merece por isso ser conhecida, visitada e utilizada mais do que ser citada. 28
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José Mateus – Antigo Aluno nº 170 /1973 Nasceu em Castelo Branco, em 1963 e licenciou-se em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FAUTL), em 1986. É Presidente da Assembleia Regional Sul da Ordem dos Arquitectos. Foi vice-presidente da Direcção da mesma Secção Regional no Triénio 2005-2007. Director da primeira Trienal de Arquitectura de Lisboa em 2007. Foi docente na Escola Superior de Artes Decorativas de Lisboa (ESAD), no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE), e também professor convidado na Escola Superior de Arquitectura da Universidade Internacional da Catalunha (UIC-ESARQ), em Barcelona. É actualmente professor associado convidado de Projecto II de Arquitectura no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Autor/coordenador da revista semestral Linha (Arquitectura, Design e Paisagem) do semanário Expresso, foi também autor/coordenador das duas séries de televisão Tempo & Traço para a Sic-Notícias. É participante regular no programa Na Ordem do Dia da TSF. Conferencista em Portugal, Espanha, EUA, Hungria, Inglaterra, Brasil, Bélgica e Itália. Integrou o Júri do Prémio de Arquitectura da Bienal de São Paulo em 2003 e European Espanha 2007. Fundou, com Nuno Mateus, a ARX Portugal em 1991. Em 1993, o trabalho da ARX foi objecto da Exposição “Realidade Real” no CCB e integrou inúmeras outras, nomeadamente a “Percurso/ Útvonal – ARX Portugal” (Budapeste, 2000), a “Influx 0.1” (Fundação de Serralves, 2002), a “Contaminantes/Comunicantes” (Lisboa, 2000) e a Trienal de Nara (1994). Com o Centro Regional de Sangue do Porto, integrou a exposição “Architettura e Design del Portogallo 19982004” da Trienal de Milão. Os projectos da ARX foram objecto de inúmeros prémios, menções e nomeações, nomeadamente o International Architecture Award 2006 para a Biblioteca Municipal de Ílhavo (The Chicago Athenaeum) e o Prémio AICA 2003 (Associação Internacional dos Críticos de
ASSOCIAÇÃO Jantar anual da Associação, apoio ao Colégio
Arte) para o Museu Marítimo de Ílhavo, também nomeado para os Prémios SECIL 2002 e Mies van der Rohe 2002. Para além de projectos, artigos e referências em periódicos e revistas especializadas, foram publicadas três monografias sobre o trabalho da ARX: Uma Segunda Natureza (Blau, 1993), Realidade Real (CCB, 1993) e Museu Marítimo de Ílhavo (Caleidoscópio, 2004). A arquitectura do José Mateus é conhecida e premiada à escala mundial. Em Portugal o José e o Nuno Mateus e o seu Atelier (ARX), são justamente reconhecidos entre os melhores. Para além da sua actividade como professor de arquitectura e dirigente da Ordem dos Arquitectos, o José Mateus tem também um percurso importante na divulgação da Arquitectura, dirigindo e colaborando em publicações, participando em programas de televisão e rádio, realizando conferências, dirigindo exposições e mesmo sendo júri de importantes prémios internacionais. João Paulo dos Santos Gomes – Antigo Aluno nº 223/1981 João Paulo dos Santos Gomes, 38 anos, Antigo Aluno 223/1981, Comandante de Batalhão em 1988/1989 terminou em 1994 com alta classificação o Curso de Química Aplicada, ramo de Biotecnologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Entra para o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge em 1995, para o Laboratório Nacional de Referência de Infecções Sexualmente Transmissíveis, inicia o Doutoramento em 2001, na área da Biologia Molecular, em colaboração com o laboratório norte-americano Children’s Hospital Oakland Research Institute da Califórnia que termina em 2006, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa, com Louvor e Distinção. Em 2007 recebe, na Alemanha, o Prémio Europeu “Pathogenomics PhD Award”, o qual premeia as três melhores teses de doutoramento na Europa na área do estudo do genoma de agentes patogénicos para o Homem. Na tese que originou este Prémio, incluem-se estudos que permitiram identificar um grau muito elevado de variabilidade genética bem como os
mecanismos através dos quais essa variabilidade é gerada, numa bactéria que é a maior causa mundial de infecções bacterianas sexualmente transmitidas, bem como a responsável pela doença ocular “tracoma”, a maior causa mundial de cegueira susceptível de prevenção. Os resultados apresentados permitiram constituir uma importante base de dados sobre a variabilidade genética de antigénios dessa bactéria e abrindo novas perspectivas sobre a possibilidade de desenvolvimento de uma vacina adequada ao combate a estas infecções. - Em 2008 é nomeado Responsável da Unidade de Investigação do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; - Tem desenvolvido toda a sua carreira profissional, estudando o genoma e a expressão de genes de agentes bacterianos infecciosos como Chlamydia Trachomatis, bem como os causadores da gonorreia e sífilis. Os resultados destes estudos estão publicados em inúmeras revistas científicas internacionais. O João Paulo Gomes é um investigador nacional e internacionalmente reconhecido numa área científica moderna e em rápida evolução. Por outro lado é um investigador muito obviamente útil: combate doenças estudando a genética dos agentes que as provocam, e coordena investigadores que fazem o mesmo que ele. O João Paulo Gomes é um exemplo de excelência no nosso universo, um daqueles capazes de fazer sonhar um jovem, no silêncio de um laboratório, ou no alarido de um geral, enquanto projecta no futuro a sua vida. Todos os agraciados presentes, em breves improvisos, glorificaram o Colégio que contribuiu para a sua formação e manifestaram o quanto se sentiam honrados com a distinção que lhes havia sido conferida. Como curiosidade e recordando os bons tempos vividos no Colégio, às diferentes mesas do jantar foram dados os seguintes nomes: “5 Estudos”, “Alvorada”, Amarelo de Carne”, “Boiada”, “Bolama”, “Calixto”, “Cama ao Poço”, “Camarata”, “Cavanço”, “Conselho da Sétima”, “Copa à Glória”´“Cúpula”, “Encravanço”, “Enferma”, “Falca”, “Feijão Artilheiro”, “Flatetes”, “Furriéis”, “Fussanga”, “Garganeirice”, “Geral Revista da AAACM
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da Companhia”, “Graduados”, “Ir à Quarta”, “Ir para o coco”, “Javardice”, “Mocada”, “Páteo da Infia”, “Páteo das Osgas”, “Páteo dos Fâmulos”, “Pelanca”, “Primeiros para a repetição”, “Privação de saída”, “Puxar ao Coco”, “Ramalho ao Último”, “Ratas”, “Sala de Armas”, “Speliking”, “Vem aí o Homem!”. O encontro terminou com um Zacatraz bradado a “meia voz” dado o adiantado da hora e perante o compromisso assumido de que não seria perturbado o sossego dos utentes do Hotel. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Solidariedade – Uma rede de amor Solidariedade é um termo que na actualidade é frequentemente mencionado - e isso é bom! Porque melhor ou pior entendido na sua substância, vai-se afirmando como esteio do relacionamento humano, num apelo à importância do tu e dos eles, nas nossas vidas, como factor de enriquecimento interior e de equilíbrio. E se estivermos atentos facilmente encontramos no tecido social uma proliferação emergente de associações e outras instituições que
focalizam os seus objectivos na solidariedade, constituindo-se algumas delas em redes sociais, num esforço bem-intencionado de aproveitamento de sinergias. Mas vivemos tempos de rápidas mudanças, que exigem mudanças de paradigmas. As concepções estruturais antigas não suportam mais as novas dinâmicas e as rupturas sucedem-se, quer prolongando situações inexequíveis, quer atrofiando como forças de bloqueio, o desenvolvimento. Revista da AAACM
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E tudo isto vem a propósito de solidariedade – aparentemente uma coisa tão simples, que em boa verdade assim é mas que muitas vezes se complica. E complica-se com as organizações, elas sempre centros de disputas de hegemonias e de poder o que implica na tendência para a centralização onde a força centrípeta acaba por reduzir, ou mesmo por anular, a força centrífuga necessária para uma solidariedade efectiva e eficaz. Consultei o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e confesso que fiquei surpreendido, porque entre as doze definições descritas de solidariedade, não encontrei uma só vez que fosse, a palavra “amor”. E aqui pergunto-me – será que anda assim tão arredado do amor ao próximo, aquilo que se anda por aí a chamar de solidariedade? Pois então digo-vos que é tempo de se deitar fora esse paradigma de solidariedade sem amor, porque essa é aquela que se fornece como um produto, suportado por regras e estratégias de marketing – um produto oco, sem vida que alimente sentimentos e actos, que aqueçam a alma mesmo que não haja pão. Esta é a proposta da solidariedade que aqui vos trago – a “solidariedade-amor” para a qual não são necessárias nem regras, nem direcções, nem sofisticadas organizações, nem publicidades, nem emblemas, nem estandartes. Não se trata de uma nova forma de solidariedade, pois desde há muito, que tem um nome que é a mais linda mensagem proferida em 2000 anos de história: “Amai-vos uns aos outros…” e que bem se entende, independentemente de diversas convicções religiosas, por ser linguagem do coração.
Não deixem mais que esse sagrado impulso de amar o próximo se deixe asfixiar por razões estruturantes e condicionalismos “convenientes” ou de bem parecer. Deixai que se expanda livremente o vosso afecto e abarcai ao vosso redor toda a obra da criação. Envolvei nesse amor a vossa família, os vossos amigos, antigos companheiros e colegas mas também o homem da rua, o pedinte, o doente, o moribundo. E aprontai-vos porque ireis receber o retorno desse amor – abri as janelas da vossa alma. Não vos deixeis mais encarcerar pelo medo, vivei a vossa própria libertação na descoberta de um amor globalizante que rompe todas as limitações do ser. A doença, a angústia, o desespero, o ódio, a inveja, a insegurança, alimentam-se dos vossos medos e os medos só se podem combater e neutralizar com a energia expansiva do amor. Por isso, senão por outro motivo, amai, amai, amai e compreendereis então o que é a solidariedade. Falai com os vossos familiares, os vossos amigos, os vossos camaradas e exercitai entre vós a pratica do amor fora do vosso próprio círculo de relação. Combinai entre vós acções a desenvolver e com outros círculos que podereis motivar, completai valências de actuação formando redes, que sem que se apercebam encontrarão a sua própria sustentabilidade na medida do que for necessário. Não acrediteis, nem desacrediteis do que vos digo, experimentai apenas. Não custa nada e garanto-vos que serão surpreendentes os resultados. José Pereira da Rosa 280/1949
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Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
"por favor não desistas", porque nós não desistimos de ti.
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ASSOCIAÇÃO
Como nasceu a já enraizada tradição da colocação do Capote e da Barretina na Cruz do Zimbório do Colégio Folheando as revistas antigas da AAACM, deparámos no seu número 15 com um interessante artigo em que o autor esclarece como foi iniciada a tradição de colocar um Capote e uma Barretina na Cruz do Zimbório, no último dia de aulas. Como nos parece que alguns Alunos e Antigos Alunos ignoram como nasceu tal tradição, resolvemos reproduzi-lo aqui. A Redacção
ZIMBÓRIO – Serigrafia de Jacinto Luís ©Foto Gonçalo Leal de Matos Revista da AAACM
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ASSOCIAÇÃO Como nasceu a já enraizada tradição da colocação do Capote e da Barretina na Cruz do Zimbório do Colégio
No ano lectivo de 1923/1924 era eu, o 254, comandante da 3ª companhia e, para cumprir em determinado dia, cuja data já não me recordo, as obrigações de aluno de dia, fui apresentar-me à alvorada ao oficial de dia, o nosso querido Capitão Moacho, infelizmente já falecido, o que não admira pois eu já passei os 60 anos. Depois de aguardar um pouco, dirigimo-nos à 2ª Companhia, do comando do aluno Simas (407/1916) e, ao atravessarmos os claustros, diz-me o Capitão: - Ó Beltrão: O que são as ironias do destino! Como um papel se foi prender na cruz do Zimbório! Porque eu tinha a vista da mocidade – 16 anos – mais nítida do que a do nosso Capitão Moacho, verifiquei logo tratar-se de um lenço amarrado à Cruz! É claro que cochichei logo com o Simas numa oportunidade de conversa, durante a revista, e fui dizendo a todos os Comandantes de Companhia. À hora do almoço não se falava doutro assunto. O Director, o saudoso General Bernardo de Faria, com o seu bom senso, não ligou, mas mesmo os oficiais do Colégio acharam piada. Até aqui, embora o “Químico”(autor da proeza) tivesse demonstrado agilidade, a história não tem nada de extraordinário. O que é porém notável é que, no dia seguinte, a Cruz do Zimbório apareceu vestida de Capote e Barretina com uma vassoura atravessada. Razão: apostas desse tão engraçado Menino da Luz que foi o “Químico”. Seria escusado acrescentar que, embora todos os alunos soubessem quem foi à Cruz do Zimbório executar estas habilidades, nem a Direcção do Colégio nem os oficiais conseguiram informação de quem tinha sido, prova daquela lealdade, amizade e confiança que, com raras excepções, têm sido o apanágio dos Meninos da Luz. José Gil de Gouveia Beltrão 231 /1916
A toponímia portuguesa e o Colégio Militar Após a leitura desta importante peça da já longa vida do Colégio Militar, não se pode deixar de propô-la a todos os verdadeiros “Meninos da Luz” e aos portugueses em geral. Graças ao incontestável talento do José Alberto da Costa Matos (96/1950), com provas já dadas nos 2 primeiros volumes da “História do Colégio Militar” e na autoria de outras várias obras colegiais, esta última publicação, para além de permitir uma boa revisão da história pátria, revela muitos actos valorosos de portugueses que tiveram a honra de frequentar o Colégio Militar. Um dos principais interesses deste livro é mostrar como poderemos encontrar Antigos Alunos na defesa intransigente dos mais variados regimes ou opções políticas, sem prejuízo das amizades contraídas nos claustros do Colégio. Também é de realçar a absoluta isenção do Costa Matos na apresentação desapaixonada dos muitos e variados curricula, recheados de actos valorosos de antigos “Meninos da Luz”. Insiste-se em que esta publicação não interessa apenas aos Antigos Alunos do Colégio Militar mas também a todos os leais portugueses que se revêem nos actos heróicos de tantos insignes portugueses, a que ainda se poderiam juntar muitos ilustres contemporâneos como Rocha Vieira, Pires de Miranda, Garcia Leandro, Baião Horta, Câncio Martins e muitos outros. Mário Silva Falcão 314/1936 34
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Constituição do Conselho Supremo da AAACM em 2009
Constituição do Conselho Supremo da AAACM em 2009
Membros vitalícios com mais de 80 anos de idade
Almirante António H. Galvão de Almeida Brandão (1) 346/1923
Coronel Álvaro Nuno Lemos da Fontoura
Ten-General Joaquim Lopes Cavalheiro, vice-Presidente 131/1935
Engº Mário Margarido e Silva Falcão
ext. /1931 314/1936
Membros vitalícios com menos de 80 anos de idade
Ten-General José Baptista Pereira
316/1947
Membros efectivos
Professor Dr Ricardo Manuel Simões Bayão Horta
Ten-General Vasco Joaquim Rocha Vieira
Dom Duarte Pio de Bragança
25/1945 127/1950 97/1960
Engº Pedro José Rodrigues Pires de Miranda, presidente 372/1940
Ten-General José Eduardo de Carvalho Paiva Morão
Coronel José Alberto da Costa Matos
96/1950
V-Almirante José Alberto Lopes Carvalheira
301/1946
Engº João Augusto de Oliveira Ayala Botto
254/1948
256/1946
Engº José Luís Câncio Martins
268/1945
Ten-General José Alberto Gabriel Teixeira
315/1947
C-Almirante Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal
145/1948
Engº Manuel Mendonça Tavares da Silva
116/1950
Dr João Ribeiro da Fonseca Calixto
314/1947
Membros com mais de 80 anos de idade
Engº Rui Manuel Figueiredo de Barros Coronel João Salgueiro Pinto Ribeiro
62/1936 47/1935
Engº José Manuel de Almeida Soares de Oliveira
112/1936
Ten-General Fernando de Mendonça Perry da Câmara
143/1940
Ten-General José Fernando Lopes Gomes Marques
345/1940
Faleceu em 4 de Outubro de 2009
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ASSOCIAÇÃO Ser ou não ser ex-Aluno
Ser ou não ser ex-Aluno Contava-me a minha avó que o meu avô, velho coronel, manifestava o gosto que teria se eu fosse um dia aluno do Colégio Militar. Dizia ele que ali se arranjavam amigos para toda a vida. Mas a vida dá as suas voltas, e as voltas da minha não passaram pelo Colégio. Andei de um lado para o outro e foi em Ponta Delgada que acabei o curso do liceu. Dali vim para a Escola do Exército. Já quase no fim da minha vida militar, prestava eu serviço no EMGFA, na Comissão Executiva de Obras Militares, quando recebi um telefonema do Director do Colégio, o General Calixto e Silva. Queria que eu fosse para lá, para professor. Disse-me que o Colégio Militar tinha poucos professores militares e que gostaria que os alunos vissem mais gente fardada à sua frente. Queria, como dizia em tom de brincadeira, militarizar o Colégio Militar. Ser professor foi coisa que nunca me passara pela cabeça e do Colégio pouco mais conhecia que a porta aonde ia buscar um dos meus filhos quando aluno. Mas disse-lhe logo que sim. Lá fui. E por lá fiquei catorze anos. Com quase meio século de atraso cumpria, em certa medida, o desejo do meu avô. Ensinava Desenho e Geometria Descritiva e, como arquitecto, ia dando umas “ajuditas” que os Directores me destinavam. Mas aprendi mais do que aquilo que ensinei. Aprendi a conhecer uma geração muito mais nova e a gostar dela, a admirar a sua aplicação e as suas capacidades, o seu senso de humor e as suas brincadeiras e até os seus disparates. Fui uma espécie de colega dos meus alunos quando foram para Tancos tirar o brevet de pára-quedistas e eu, mesmo já velhote, saltei com eles e com eles, e com alguma vaidadezinha, perdoem-me, formei no palco do ginásio para receber as respectivas insígnias. Aborrecia-me quando tinham maus resultados, alegrava-me quando triunfavam, zanguei-me com alguns, acamaradei com muitos, fiquei amigo de todos. E também fiquei a saber que o meu avô tinha razão quando falava do Colégio. 40
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Ia eu a meio daqueles catorze anos quando o Presidente da AAACM, o Eng. Rui Barros, me convocou para ir à sua sede. Tinham-me distinguido, e naturalmente honrado, fazendome sócio honorário da Associação. Dei-o a conhecer aos meus alunos do 12º ano e manifestei o gosto que teria se um ou dois deles me acompanhassem à cerimónia. Foi na presença deles e também do meu filho Luís, ex-aluno 559/72, que recebi a barretina com o fundo quadrado branco. O azulejo, como eles diziam. Mal acabou a reunião um dos meus alunos veio logo perguntar-me se quando saísse do Colégio também me podia tratar por tu. Trateme ele como me tratar, a verdade é que eu, com a perfeita noção de que me estou a apropriar de algo que não me pertence, em vez de sócio honorário gosto mais de dizer que sou ex-aluno honorário. Isto traz-me discussões amigáveis com amigos meus, ex-alunos verdadeiros, que me dizem que é tudo a mesma coisa, o que eu sei que não é, e que até devia usar sempre a barretina igual à deles. Sempre tenho resistido para não fazer o que me parece um abuso. Já basta o dizer-me “ex-aluno”, embora enfraqueça a força do “ex-aluno” com um “honorário” à frente. Recentemente foram mais longe. Espetaramme uma barretina na lapela, com o aviso, feito em voz que pretendia ser autoritária, que não tinha o direito de a tirar dali. Querem obrigar-me a fazer o que eu quero, mas julgo que não devo. E o pior é que me fazem fraquejar. Não vou dizer quem foram. Mas se alguma vez for interpelado por uso indevido da barretina, que fiquem ao menos a saber que, sem ser inteiramente inocente, não mereço ser só eu a pagar pelos pecadores. Afinal, será que sou mesmo ex-Aluno? José da Câmara Vaz Serra Ex-Aluno Honorário nº 27 Coronel de Infantaria
ASSOCIAÇÃO Os Ratas de 1959 voltaram ao Colégio
Os Ratas de 1959 voltaram ao Colégio Passados 50 Anos, em 20 de Outubro de 2009, os Ratas de 1959 reuniram-se no Colégio na tradicional romagem de saudade. Comemorando a ocasião e registando memórias do passado saudoso, um dos componentes deste Curso resolveu em boa hora registar em livro recordações dos 7 anos vividos no Colégio. Trata-se de uma obra bem estruturada e de leitura fácil que, embora referenciada ao Curso de entrada de 1959, qualquer Antigo Aluno nele encontra episódios semelhantes aos que cada um viveu na sua passagem pelo Colégio Militar. Seria bom que em todos os Cursos, tal como aconteceu também com o Curso 1950/1957, aparecesse um “carola” que metesse ombro a tarefa idêntica. Estar-se-ia a registar episódios que de outro modo vão sendo esquecidos e que o decorrer dos tempos nos farão sempre sorrir recordando o passado, episódios que vividos em diferentes épocas serão muitas vezes comuns a todos nós.
As ilustrações são da autoria de Pedro Massano (487/1958).
O autor do livro, Rui Manuel de Sá Leal (502/1959) ofereceu à Associação 60 exemplares que poderão ser adquiridos por quem estiver interessado, revertendo o produto da venda integralmente para os cofres da AAACM. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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Está de novo à disposição da Família Colegial o restaurante da Associação, agora com o nome de “Jardim da Luz” e concessionado a profissionais do ramo, os proprietários do conhecido restaurante “Gravatas” que tinha sido adoptado
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ultimamente pelos Antigos Alunos para as suas programadas reuniões de curso. O “Jardim da Luz”encontra-se aberto todos os dias com excepção da Segunda-Feira. Reservas pelo telefone 21 715 60 87.
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DO COLÉGIO Primeiras árvores no Bosque Teixeira Rebello
Secretário de Estado do Desporto condecora o Colégio Militar O Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, condecorou o Colégio Militar com o Colar de Honra de Mérito Desportivo, de acordo com o Despacho nº 23028/2009, publicado no Diário da República, 2.ª Série – N.º 203 – 20 de Outubro de 2009. Trata-se de mais um reconhecimento público dos valores que o Colégio Militar defende, com destaque para os ex-alunos que estiveram em acção nas várias edições dos Jogos Olímpicos, de Paris (1924) a Barcelona (1992). Considerando que o Colégio Militar, uma das mais antigas e prestigiadas escolas do País, vai festejar o seu 205.º aniversário de existência, no próximo dia 1 de Março de 2008; Considerando o esforço, a dedicação, a tenacidade e a persistência colocadas pelos seus alunos na prática de diversas modalidades desportivas; Considerando que o património cultural e desportivo de que dispõe, sempre renovado e aumentado, contempla não só os aspectos desportivos, mas também os culturais e sociais, que honram o Colégio Militar pela sua qualidade e dignidade; Considerando que a divisa «Um por todos, todos por um», deixa bem claro o espírito de camaradagem e de solidariedade que une os «meninos da Luz»;
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Considerando a vertente humanística que ao longo dos seus 205 anos de existência tem norteado as suas actividades; Atendendo a que os galardões concedidos por diversas entidades são o sinal evidente do apreço e do reconhecimento com que o trabalho desenvolvido é avaliado; Considerando que os ex-alunos se exaltaram a si próprios e exaltaram de uma maneira ímpar a instituição além fronteiras, bem como o nome de Portugal, ao participarem nos Jogos Olímpicos de Paris (1924), Amesterdão (1928), Berlim (1936), Londres (1948), Helsínquia (1952), Melbourne (1956), Roma (1960), Tóquio (1964), México (1968), Munique (1972), Los Angeles (1984), Seoul (1988) e Barcelona (1992); Considerando justo enaltecer o Colégio Militar pelo seu brilhante percurso na data em que festeja 205 anos de vida: Determina-se que seja concedido, ao Colégio Militar, o colar de honra ao mérito desportivo, nos termos dos artigos 5.º e 6.º do Decreto-Lei n.º 55/86, de 15 de Março. 12 de Outubro de 2009. - O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino José Monteiro Castro Dias.
DO COLÉGIO Cerimónia de Imposição das Graduações
Cerimónia de Imposição das Graduações No dia 8 de Setembro de 2009 teve lugar a cerimónia de imposição das Graduações para o Ano Lectivo de 2009-2010. No acto foram proferidas pelo Director do Colégio Militar, Major-General Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos, as palavras de grande significado que a seguir se transcrevem.
©Foto Sergio Garcia
“Exmos. Convidados, caros Senhores Alunos e Familiares, Camaradas, Corpo Docente e Funcionários do Colégio, Um novo ano lectivo aproxima-se a passos largos, e com esta singela cerimónia cumprimos anualmente a primeira e uma das mais antigas e marcantes tradições do Colégio Militar – a graduação dos alunos mais velhos. Passaram-se 147 anos desde que no remoto ano lectivo de 1862-63 o aluno 159, Serpa Pinto foi investido nas funções de comandante do Batalhão Colegial. Passados tantos anos, temos legitimidade para nos interrogar se, em pleno século XXI, esta
metodologia de enquadramento dos alunos mais novos e a consequente prática de comando e de liderança pelos mais velhos, terá validade. A resposta por parte do actual corpo directivo que inicia o quarto ano de funções, é claramente afirmativa. Acreditamos que a formação comportamental ministrada ao longo de sete anos, foi de elevada qualidade e porque reconhecemos que juntamente com docentes e funcionários, os alunos constituem um dos três pilares fundamentais da cultura colegial que se deve pautar pelo escrupuloso cumprimento do Código de Honra. Revista da AAACM
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DO COLÉGIO
DO COLÉGIO Cerimónia de Imposição das Graduações
Este modelo de enquadramento só tem paralelo, no panorama de ensino nacional, nos Colégios irmãos dos Pupilos e de Odivelas que permite aos alunos mais velhos, assumirem responsabilidades junto dos mais novos e transmitir-lhes, através de uma sã camaradagem e de um convívio de proximidade, as tradições e as atitudes comportamentais e cívicas que são apanágio dos Meninos da Luz. Desta forma saberão prestigiar a Instituição que representam e
no final do ano, obterem o sucesso escolar que todos desejamos. A importância dos graduados, no sucesso comportamental e escolar do ano lectivo que se inicia, releva a importância deste acto que é público e testemunhado pelos mais altos responsáveis do Colégio, das associações, bem como por familiares e amigos e ainda toda a comunidade colegial que se quis juntar em redor dos seus graduados, em sinal de solidariedade e de esperança.
©Foto Sergio Garcia
Senhores Alunos, Em cerimónias anteriores não me tenho cansado de referir que não é fácil ser aluno do Colégio Militar, em especial na última etapa e no exercício das várias funções como graduados. Ireis praticar o comando e a liderança que devem ser exercidos através do exemplo e da correcção de atitudes, assumindo as responsabilidades inerentes aos cargos que vos são confiados. Tereis um papel relevante na formação e na integração dos alunos mais novos, mas sempre inseridos numa estrutura hierarquizada e integrada à luz das virtudes militares. Para tal tereis que diariamente cultivar o autodomínio, a coesão, 46
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a entreajuda e a camaradagem, elementos essenciais de uma liderança empenhada e dedicada. Para podermos, em consciência, tomar a decisão mais adequada relativamente a cada um de vós, tudo fizemos para vos conhecer nas várias facetas. Este conhecimento incluiu, a ponderação de vários elementos e factores, tais como, a avaliação escolar e comportamental ao longo da vossa já longa permanência no Colégio, a observação atenta e exigente dos docentes e funcionários ao longo dos anos, a realização de provas psicotécnicas de liderança e
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a frequência do Estágio de Graduados que hoje formalmente termina. Nesta acção de formação pretendemos complementar, reforçar e reiterar a importância de vários aspectos na vossa formação ética e comportamental. Para tal incluímos matérias consideradas relevantes tais como, o conhecimento das verdadeiras tradições colegiais, dos deveres inerentes às várias funções que ireis desempenhar, as noções sobre justiça, a importância da comunicação, a resolução de conflitos, sendo ainda a todos ministrado, um curso de suporte básico de vida, na Escola do Serviço de Saúde Militar. Para que o Estágio alcançasse os seus objectivos muito contribuiu a participação amiga e sempre solidária, das Associação dos Antigos Alunos e a Associação de Pais e Encarregados de Educação, bem como um conjunto de personalidades de elevado prestígio e competência, que se dignaram juntar-se a vós e aos quais endereçamos os nossos mais profundos agradecimentos. Procurámos pois, dentro das nossas capacidades e com o tempo disponível, prepararvos o melhor possível, para os inúmeros
desafios com que ireis ser confrontados, no exercício das respectivas funções de comando. Toda a informação relevante a vosso respeito, foi coligida e posteriormente analisada em Conselho Pedagógico. O seu competente parecer foi objecto de decisão por parte do Conselho Escolar Geral, que aprovou as vossas graduações, e sobre as quais faz votos que tenham sido acertadas e adequadas à personalidade de cada um. O compromisso que há pouco haveis assumido e que foi testemunhado por todos, culmina o processo de graduação que conforme tenho referido, não é um mero acto de folclore colegial, nem montra de vaidades de cada um. Deve ser encarado por todos os presentes nesta Cerimónia, como um momento de elevado simbolismo e pleno de significado. Estes factores relevam a importância das funções que vós ireis desempenhar e que irão trazer como consequência, novas e acrescidas responsabilidades. É certamente um momento de alegria, por ter finalmente chegado a vossa hora, para cumprir e realizar o que sonharam ao longo dos anos e a vossa conduta irá por
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DO COLÉGIO Cerimónia de Imposição das Graduações
certo prestigiar o “Vosso” Colégio. Este será o vosso legado e a melhor forma de agradecer ao Colégio, tudo o que ele vos deu em termos de formação e educação.
tado aos alunos mais novos. Como tal têm a obrigação e a responsabilidade, de o devolver no próximo ano com a qualidade acrescida fruto do vosso trabalho e dedicação.
Embora não detenham o comando completo, por não vos ser delegada qualquer competência disciplinar, o exercício das vossas funções, só pode ser exercido pelo recurso aos valores morais que decorrem da ética colegial, pelo exemplo, pelo desenvolvimento intelectual que advém da vossa maior idade e que se materializam diariamente através da autodisciplina e da correcção de atitudes.
Acredito nas vossas capacidades e vontade em fazer mais e melhor. O ano lectivo será em larga medida aquilo que vos propuserdes fazer. O Colégio Militar tem que afirmarse como um espaço seguro, saudável e alegre que são sinónimos de uma juventude responsável. Aproveitem da melhor forma, a mais-valia do internato, que vos permite fazer amizades que perduram ao longo da vida e das quais os ex-alunos tanto se orgulham. Saibam com inteligência desenvolver o respeito pelo próximo, a entreajuda, a autonomia, o trabalho em equipa que irão fortalecer, em todos, a autoconfiança e auto-estima. Sejam alegres, responsáveis, camaradas e se possível amigos, honrem o vosso Colégio e façam com que os alunos mais novos se sintam, para o resto da vida, orgulhosos dos seus Graduados. Nunca se esqueçam que um verdadeiro Comandante, deve acima de tudo ser respeitado e nunca temido pelos seus subordinados.
Sereis deste modo e a partir de hoje, os mais directos colaboradores dos oficiais do Corpo de Alunos e da Direcção e como qualquer militar investido em funções de comando, tereis doravante o dever de cuidar dos interesses dos vossos camaradas mais novos. Deveis tratá-los com humanidade, ajudá-los a cumprir através de vosso aconselhamento e exemplo, mobilizando vontades e coordenando esforços, fazendo com que todo o Batalhão dignifique o Colégio em que se inclui o sucesso escolar, tão necessário à vossa progressão académica num futuro já próximo. Faço votos que saibam honrar as vossas graduações. Os vossos camaradas mais novos estarão atentos e com os olhos postos em vós, sereis para eles e a partir de hoje, exemplos a seguir quando a sua hora chegar. Nunca se esqueçam que não herdaram o Colégio, simplesmente o pediram empres-
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Termino como já o faço há quatro anos, desejando-vos a todos, com toda a sinceridade e de todo o coração, os maiores sucessos escolares e colegiais.” Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos Major-General Director do Colégio Militar
DO COLÉGIO Carta dirigida ao Senhor Director do Colégio pela APEEACM
Texto da carta dirigida ao Senhor Director do Colégio Militar pela APEEACM
ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DOS ALUNOS DO COLÉGIO MILITAR
ASSUNTO: ASSEMBLEIA GERAL DE 13/11
Exmo. Senhor General Director do Colégio Militar A Associação de Pais e Encarregados de Educação do Alunos do Colégio Militar, realizou no passado dia 13 do corrente uma Assembleia Geral bastante participada, apesar de ter sido realizada numa sexta-feira, tendo estado presentes praticamente metade dos Encarregados de Educação dos alunos do Colégio Militar. A Assembleia votou e aprovou por unanimidade todos os pontos seguintes à excepção do ponto 5 por maioria (com uma abstenção): 1. Repudiar energicamente o uso abusivo e ilegal da imagem dos alunos do CM para alimentar acções de natureza política e notícias na comunicação social. 2. Repudiar energicamente o clima de instabilidade criado na Instituição pela difusão de notícias e discussão alargada e desinformada de temas que dizem respeito à vida interna do CM, com grave prejuízo para os alunos. 3. Expressar o apoio à direcção do CM no seu esforço de melhoria do CM na área do reforço da segurança e melhoria de infra-estruturas e equipamentos, bem como nas posições públicas assumidas na defesa da Instituição e dos seus alunos. 4. Afirmar a necessidade da continuação da melhoria na área pedagógica, nomeadamente na sua coordenação e integração plena no todo da Escola. Queremos que todos os alunos finalistas 2009/2010 ingressem no Ensino Superior nas suas 1ª ou 2ª opções. Propomos encontrar medidas personalizadas que o assegurem. 5. Saudar e agradecer os esforços das Associadas e Associados que desenvolveram acções de resposta directa ou de activação de mecanismos institucionais de defesa dos interesses dos Alunos do CM. 6. Mandatar a Direcção para representar os Encarregados de Educação dos Alunos do CM para defender, pelos meios que entenda adequados, a imagem, tranquilidade e bem estar dos Alunos, no contexto de eventuais novas campanhas ou surtos de discussão alargada e desinformada sobre o CM. Relativamente ao ponto 3, uma vez que Pais, Professores e demais educadores têm responsabilidades no acompanhamento escolar dos alunos, propomos uma reunião de trabalho que reúna representantes das três entidades para que se possam discutir abordagens de coordenação de esforços conjuntos nos sentido de conseguir fazer um acompanhamento eficaz e permanente que atinja os objectivos referidos e que todos ambicionamos. Queremos informar que relativamente ao ponto 6, os Pais vão organizar-se em grupos de trabalho de forma a fornecer ao Colégio um conjunto de informação e ideias que possa ser utilizadas na promoção da Instituição.
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Para memória futura… O Colégio Militar A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona. E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre o Colégio Militar. Devo esclarecer que não frequentei o Colégio, embora com pena minha, porque o meu Pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no Colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro. Não tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram. As recentes notícias dão uma ideia do Colégio como uma escola de sevícias e de maus tratos. Problemas de maus tratos em escolas sempre existiram e devem ser combatidos com determinação pelas autoridades da escola em causa, mas não faz da escola uma instituição a fechar. Lembro-me bem de, há uns anos na minha Faculdade, terem ocorrido praxes indignas das nossas caloiras e imediatamente o Director de então tomou medidas para que tal não voltasse a acontecer. E não aconteceu. O CM não é excepção, mas o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa com uma longa tradição de serviço ao País. Recordo, com alguma tristeza, que uma das “regalias” de um militar morto em combate em África era os filhos terem educação gratuita no CM. Por esse facto e por as pensões de sobrevivência serem, à época, absolutamente miseráveis (recordo-me de casos concretos), havia sempre vários órfãos no Colégio. Fazia parte das obrigações dos graduados (ou seja, alunos finalistas do CM) terem não só uns ratas (alunos caloiros) como seus protegidos mas também cuidarem dos dramas de algum aluno cujo pai tivesse morrido. Quem conhece ex-alunos do Colégio sabe que têm uma organização e uma coesão ímpar em qualquer outra escola. Falam do Colégio com saudade e têm um respeito pela instituição como ninguém tem da sua escola. Nela se fizeram amizades que perduram para toda a vida e alguns dos meus melhores amigos são ex-alunos do CM e devo confessar que são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade. O Colégio Militar dá educação em sentido pleno do termo. Tem um ensino de excelente qualidade e dá quadros de valores que nenhuma outra escola garante. Em 1975, numa acção de dinamização organizada para os alunos do Colégio por gente afecta ao PCP – Varela Gomes, Faria Paulino e outros – começaram a atacar a instituição e a apelidarem os alunos de príncipes privilegiados. Um aluno dos mais novos, ou seja com uns 11 anos, levanta-se e calmamente diz que é filho de um oficial que morreu em combate, que se não fosse o Colégio não poderia estudar e não percebia onde estava o príncipe. Os protestos generalizaram-se (teve lugar uma gigantesca boiada, usando terminologia do CM) e a comissão de dinamização foi forçada a sair pela porta dos fâmulos – porta de serviço – e não pela porta principal. Foi o enxovalho total, apesar de os oficiais tentarem, em vão, acalmar os alunos. É gente de fibra. Aliás sempre foi assim. Faz parte da sua história mais antiga que quando teve lugar o atentado a Sidónio Pais gerou-se, naturalmente, o pânico entre a população e as unidades militares ajudaram à turbamulta. A única unidade que manteve a calma, ajudou a população e evitou mais mortos foi exactamente uma unidade do Colégio. Portanto, a tradição vem de longe. O ensino tem uma qualidade excepcional e que não é possível sem um internato, onde os laboratórios de línguas e as salas de estudo estão ao lado do picadeiro e da sala de esgrima. Qualquer 50
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pai, cá fora, que tente dar a mesma formação passaria o tempo a servir de motorista do filho. É, aliás, uma tradição muito antiga dos melhores colégios ingleses. Como professor na universidade, sempre que tenho conhecimento de que um aluno meu veio de CM, posso testemunhar o aprumo, o à vontade, a auto-confiança e o profissionalismo com que está na aula. Tudo isto, em flagrante contraste com os colegas, especialmente os mais betinhos. Além disso, como os alunos são tratados por igual, têm um número (que vem antes do nome), andam vestidos com farda e os filhos de pais ricos não se distinguem dos filhos de pais pobres. Também por isso, o convívio democrático hierarquizado é a regra. Ainda bem. O contraste é gritante com o que se passa nas nossas escolas. E a anarquia, quase geral em que vive o ensino secundário, tem horror ao Colégio Militar, obviamente. Aliás, a verdade é mais funda: a anarquia quase geral da nossa sociedade tem horror à instituição militar. Uma instituição organizada, como a militar, que cultiva os valores da honra, , da camaradagem, da disciplina e do dever para com a pátria, não pode ser bem vista pela sociedade actual. A nossa vida colectiva – a civil – privilegia o oportunismo, habituou-se aos casos de corrupção (com ou sem fundamento), tem uma imprensa virada para o escândalo e uma televisão com novelas que são difusoras da falta de valores e da ausência dos bons costumes. O Colégio Militar poderá acabar mas as razões estão na nossa sociedade e não dentro dos muros do Colégio. O horror à decência é dos indecentes. Luís Campos e Cunha Professor Universitário Texto publicado no PÚBLICO de 13 de Novembro de 2009 e transcrito por amável cedência do Jornal e do seu Autor.
Amigos, Por este andar vão conseguir acabar com o Colégio Militar. Há-de acabar por morrer de morte natural... por falta de alunos. Qual é o pai que diante destas notícias, pondera matricular o seu filho de 10 anos em tal palco de atrocidades? Acredito que, hoje em dia, o Colégio Militar deve ser das escolas mais seguras do nosso país. É que não há espirro dado lá dentro que não venha parar cá fora. Que o diga a mãe da vítima da perfuração de tímpano...é tão seguro que ela ainda lá tem dois filhos! Pela minha parte, não me apetece ser insultada de mãe megera e desnaturada que sujeita os filhos a tais horrores, nem me apetece que os meus filhos sejam apontados na rua como possíveis agressores ou vitimas, seja de maus tratos ou de pedofilia. Penso que diante da crescente agressividade da campanha contra o Colégio, chega de acções individuais que não nos têm levado longe. Chegou o momento de nos unirmos, mesmo, a sério, com vontade. Se realmente achamos que o Colégio traz benefícios aos nossos filhos, então chegou o momento de o provar, reunindo a Família Colegial, todos os que tiveram, têm e terão ligação ou simpatia pelo Colégio: ex-Alunos de todas as gerações, pais, avós, professores, jornalistas, gente influente no nosso país. Não numa manifestação exaltada e histérica mas numa manifestação serena mas firme das nossas convicções, eventualmente organizada pela AAACM. É que, pelo menos em número, nós somos mais do que os que nos querem deitar abaixo. Eu alinho!
Sofia Meess Mãe de Aluno
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Sobre o Colégio Militar O texto que se segue foi escrito na prisão há 50 anos no âmbito de um processo de “medidas de segurança” movido pela pide (em que os arguidos tinham direito de fazer uma exposição sobre os “antecedentes longínquos da sua delinquência”). Penso que ainda tem actualidade num momento em que a Comunicação Social tanto fala do Colégio Militar. A sua divulgação revela (a quem o souber ler) algo que não foi referido no debate de ontem num canal televisivo sobre o Colégio Militar: a grande solidariedade entre os seus Alunos e o facto dos regulamentos rígidos, nomeadamente militares, poderem contribuir para formar homens livres e não cidadãos submissos. Um soldado em sentido é um homem livre. (Mandam no seu corpo, mas não no seu espírito. O próprio regulamento o defende. Há quem o não compreenda). O Colégio Militar e os Pupilos do Exército, não são casos únicos. Têm qualidades e defeitos e o que lá se passa não deve escapar à Lei. Mas a Educação não se destina a formar cidadãos para viverem sozinhos num mundo sem solidariedade protegidos pelo Procurador Geral da República e por advogados como o senhor Garcia Pereira. O problema da Solidariedade, que falta ou é pouca em inúmeros sectores em que devia existir, é um problema central da Educação. É, provavelmente, o que mais vai determinar a qualidade do nosso futuro. Por isso, o desaparecimento do Colégio Militar, uma escola com mais de 200 anos, uma daquelas em que o sentimento de solidariedade entre os seus Alunos é mais forte e perdura ao longo de gerações, não seria uma perda pontual, mas uma perda para todo o nosso sistema educativo. Convinha que o Professor Fernando Rosas fizesse um esforço para o compreender, para não se empenhar em batalhas erradas. (22 de Outubro de 2009) António de Morais Sarmento dos Santos Lucas e Costa Brotas 30/1940
PS Uma pequena nota histórica. Quando o Salazarismo criou a Mocidade Portuguesa quis, também, naturalmente, impô-la no Colégio Militar. Mas depois recuou. A bandeira da Mocidade só lá esteve hasteada um dia e depois nunca mais. É assim que eu tenho o gosto de nunca ter sido da Mocidade Portuguesa. A.B.
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Em 1940 entrei para o Colégio Militar. Estive lá 7 anos. Se V.Ex.ª Senhor Juiz, perguntar a algum dos meus camaradas de então como é que eu era, certamente responderá: - Era um tipo “porreiro”. Nós éramos todos uns tipos “porreiros”. A minha família foi para os Açores. As comunicações eram um bocado irregulares. De uma vez recebi 7 cartas de minha Mãe e uma de meu Pai. Não se pode dizer que a guerra me afectasse muito. Eu estava num colégio que me encantava e tinha mais família em Lisboa. Fiquei numa ocasião muito zangado por me não ter sido permitido ir passar as férias aos Açores. Acabei por ir para uma praia. Afora isto, e a “campanha da batata doce” em que as batatas do Colégio Militar foram substituídas por batatas doces, a guerra em nada me incomodou. A vida do Colégio enchia-nos. Nada de verdadeiro está escrito sobre o Colégio Militar. Talvez algumas 52
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piadas, mas sobre a vida da “malta” ainda ninguém escreveu nada que se aproveitasse. E no entanto o Colégio Militar merecia um livro. Duvido que algum dia venha a ser escrito e, na falta dele, guardo a fotografia de uma turma que não sei qual é tirada junto às escadas da Enfermaria. Gosto de ver aqueles miúdos com a cara a rebolar-se de gozo e os olhos a rirem-se para a máquina. Tínhamos uma terrível queda para as manifestações colectivas e um código de honra muito apurado que permitia com rigor saber o que era “canalhice” e o que não era. Havia também a vida oficial do Colégio. Ouvíamos lá muitos discursos, mas tínhamos uma sensibilidade muito apurada e quando um oficial se excedia em elogios a um Senhor Ministro, todo o Batalhão Colegial sabia perfeitamente que ele estava a “lamber as botas” ao Senhor Ministro. Fazíamos muito desporto e havia lá um sentimento de irreverência e fora da lei, que muito me agradava, e que os “meninos da Luz” perdem rapidamente quando saem do Colégio. Aos domingos, quando o Batalhão era enfiado para dentro da Igreja, se o oficial de dia não tinha cuidado, ao atravessarmos os claustros, muitos de nós fugíamos para as camaratas ou para o alto da quinta para jogar futebol. E eu estou firmemente convencido, de que se há um Deus no Céu, ele gosta mais dos miúdos que fogem da missa para ir jogar futebol. O meu mundo era perfeitamente sólido, mas além disso havia o mundo em guerra. Resisti com a Inglaterra quando ela lutava sozinha. Zanguei-me com os alemães quando meteram barcos nossos no fundo e num dia em que ouvi um ardina dizer que a Rússia entrara na guerra, saí para a rua para ver de que lado é que era. Contei aviões abatidos e submarinos metidos no fundo. Avancei com os exércitos por cima dos mapas. Entrei na marcha para a Vitória. Escrevia-se então com letra grande e, no final, a ideia de que a Inglaterra tinha ganho a guerra enchia-me o coração. Depois caiu a primeira bomba atómica e desconheci o problema humano e interessei-me pelo assunto “cientificamente”. Nessa altura começou a falar-se em Liberdade. Numas férias em que fui à cidade da Guarda, junto à estação, ouvi dois camponeses que falavam sobre a falta de batata e a fome que tinha havido nos anos da guerra. Achei muito estranho ouvir falar em fome. Toda a gente tinha falado em volfrâmio, mas de fome, e propriamente daquela maneira nunca tinha notado. É claro que eu sabia que as pessoas pobres passavam fome, creio mesmo que achava que os pobres tinham fome por culpa própria, mas sempre tinha identificado a palavra fome com pessoas e nunca com região. Começou então a falar-se em Liberdade e “reviralho”. Parece que ia haver eleições. Num sábado em que sai do Colégio, ao tomar a camioneta para a Amadora, o condutor lia alto a “República” para todos. Lembro-me que o artigo dizia que o povo “votava” rasgando os cartazes do governo. Num domingo à noite, um carro de reparações da Carris ficou encravado no Rossio. Os operários ficaram parados sem nada que fazer e houve um que disse: -“É uma greve de braços caídos”. E é este dito de um operário, no centro da cidade, que marca o momento em que senti pesar menos medo no meu País. Sempre que me lembro de 1945, pergunto quem foram aqueles dirigentes da oposição que permitiram a continuação do actual regime. Estas coisas emocionavam-nos no Colégio Militar. Havia uma canção destas canções escolares muito cantadas que começava: “Olé que somos da Esquerda, Olé vivam os esquerdistas…”O meu sétimo ano organizou-se em democracia parlamentar. A oposição estava em maioria. Eu era da oposição. Votamos a cor dos bilhetes para a “récita”. Os oficiais mandaram-nos imprimir sem nos consultar. (1956) António Brotas
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Senhor Deputado Fernando Rosas, Sou mãe de um aluno que frequenta o Colégio Militar há 4 anos, para onde foi depois de uma experiência de um ano numa escola pública em que era maltratado física e psicologicamente por colegas e ignorado por professores, tendo perdido o ano com cinco negativas e apoio psicológico. No ano seguinte, já no Colégio Militar, ficou no quadro de honra com média de 14,5 e, decorridos 4 anos, adora o Colégio e está “de rastos” com o que tem sido dito na comunicação social. Assim, uma vez que ouvi as suas declarações na RTPN, não posso deixar de manifestar a minha opinião sobre as mesmas. Compreendo as motivações profissionais do Dr. Garcia Pereira no assunto, mas confesso que tenho alguma dificuldade em perceber o empenho do BE em geral e de V. Exa. em particular na condenação de um Colégio, que pode ter regras que não são compatíveis com a V/ visão do ensino, pode ser criticado nalguns aspectos, mas que não merece a campanha persecutória e sistemática que lhe tem sido movida. Não pretendo desculpabilizar actos que só aos tribunais compete avaliar e, se for o caso, condenar. Parece-me, porém, que não cabe a V. Exa., nem a qualquer partido político, condenar uma instituição de ensino da forma exacerbada e degradante como o têm feito e, com isso, rebaixar todos os alunos que a frequentam e que ficam desestabilizados com todo o circo mediático que isso gera. Especialmente quando V. Exas não têm conhecimento - nem procuram conhecer - todos os lados da questão. Talvez devessem informar-se porque razão os pais de 400 alunos defendem o Colégio e porque é que a mãe de dois dos alunos queixosos, ao que soube, mantém os filhos no Colégio! Como mãe e cidadã não aceito uma tomada de posição desta força e dimensão por parte de membros da Assembleia da República quando não vi - nem vejo - o mesmo empenho, igual indignação e o pedido de urgente condenação (como hoje V. Exa tão veementemente manifestou) com os graves problemas com que o Estado de Direito se debate e a vergonha que foi e continua ser o processo de pedofilia da Casa Pia. Talvez os meninos pobres e desprotegidos desta instituição, cujo processo não mereceu da PGR a consideração de “violência escolar” que justifica a celeridade do processo dos alunos do CM, não constituam para V. Exas. uma causa com que se identifiquem por não permitir o ataque a instituições da estrutura (militares ou outras). Permita-me um conselho final: a próxima vez que V. Exa falar publicamente do Colégio Militar será importante investigar antes sobre se não estarão em causa eventuais interesses no fecho de um Colégio com 19 hectares no centro da capital, que, a existirem, V/ Exa e o partido que representa estarão inadvertidamente a ajudar. Com os melhores cumprimentos, Isabel Dias Mãe de Aluno
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AOFA Associação de Oficiais das Forças Armadas COMUNICADO (2009OUT22).
OS ACONTECIMENTOS NO COLÉGIO MILITAR 1. Vêm os órgãos de comunicação social dando notícias em profusão acerca de situações de maustratos sobre alunos do Colégio Militar (CM), que serão da responsabilidade de colegas seus, a propósito de um processo judicial em que o Ministério Público já deduziu a respectiva acusação. 2. A AOFA tem, antes de mais, que saudar os órgãos de comunicação social que, paralelamente a essas notícias, se preocuparam, também, em ouvir a opinião de destacadas figuras públicas, ex-alunos do CM, que foram unânimes em reconhecer a excelência do seu ensino, colocando ênfase particular na formação que receberam como cidadãos e nos particulares laços que unem as várias gerações que por lá vão passando. 3. Não podendo concordar com a ocorrência daquelas situações, que, a confirmarem-se, condena, a AOFA entende que, para uma melhor compreensão do problema, o sucedido no CM não pode ser desligado do que, infelizmente com muita frequência, acontece nos restantes estabelecimentos de ensino, sendo que, neste caso, com uma agressividade de tal ordem que leva a que até professores tenham sido alvo de violência. 4. No que respeita aos acontecimentos verificados no CM importa realçar que, segundo o que vem sendo noticiado, a instituição terá procedido a averiguações, na sequência das quais os seus responsáveis determinaram os castigos que, face ao regulamento interno, entenderam adequados. 5. Por outro lado, ao que consta, um inquérito ao CM, que contou com a participação do Ministério da Educação, terá apresentado conclusões, em que, para além de alguns problemas, sem grande significado, detectados (por sinal sem nada terem a ver com a matéria que vem sendo noticiada), o que seria de esperar numa instituição com a sua dimensão, é dado relevo a aspectos positivos na forma como cumpre a missão que lhe está cometida, urgindo, por isso, que a bem da transparência, da verdade e do necessário equilíbrio na informação, o respectivo relatório seja rapidamente tornado público pelo Ministério da Defesa Nacional. 6. Cumpre, também, ter presente que, devido às características que possui, com um pouco comum enquadramento e acompanhamento dos alunos, o CM estará em excelentes condições para retirar do sucedido as ilações que eventualmente se imponham e introduzir as correspondentes medidas correctivas, provavelmente, aliás, de uma forma que não seria possível em qualquer outro estabelecimento de ensino. 7. A AOFA não pode deixar de lamentar que, a pretexto de acontecimentos indiscutivelmente infelizes, se esteja a denegrir a imagem de uma instituição de referência, com mais de 200 anos de existência, que tem dado ao País alguns dos seus melhores quadros civis e militares, o que reflecte, no fundo, a irrecusável existência e perenidade de Valores nela solidamente enraizados. 8. Estranhando não ver igual empenho mediático perante o que vem sucedendo nos restantes estabelecimentos de ensino, a AOFA espera bem que tal não signifique estarmos perante uma qualquer campanha, habilmente conduzida por terceiros, visando, para além do mais, desacreditar a Instituição Militar no seu todo e, com isso, atingir o que de mais sublime tem a Condição Militar: os Valores Éticos e Morais que nela subjazem de forma esmagadoramente maioritária e que têm permitido a Portugal sobreviver como Nação Soberana e Independente há quase nove séculos. O PRESIDENTE
Carlos Manuel Alpedrinha Pires Coronel de Artilharia
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Discriminação… Não sei como é que este texto chegou às mãos dum colega meu (professor que não tem nada a ver com o Colégio Militar) e que mo reenviou, mas, para mim como ex-Aluno do Colégio Militar, é um verdadeiro bálsamo saber que, além dos ex-Alunos, há mais pessoas que se apercebem do ridículo da situação. É óbvio que existe uma agenda por trás deste (e de outros recorrentes) ataques ao Colégio Militar. Um partido político a manifestar-se contra uma Instituição de Ensino? O que se segue? O PSD a manifestar-se contra um clube de futebol, o CDS a manifestar-se contra a farmácia Rebolo ou a CDU a manifestar-se contra a padaria Miquelina? Tem-se avançado com a hipótese da especulação imobiliária e futuros negócios com os extensos terrenos do CM numa zona altamente valiosa de Lisboa e de um lobby Maçónico que tem interesse em acabar com o CM. Se é verdade ou não, não sei, o que é certo é que é muito estranha esta sanha contra uma instituição com 206 anos de existência e muitas provas de valor dadas. De referir que é a unidade mais condecorada de todo o Exército Português e deu à Nação vários homens de valor: Presidentes, Poetas, Escultores, Pintores, Cientistas, Militares, etc. A mim, como professor, parece-me ainda mais estranho que se implique com uma instituição de ensino em que não há casos de indisciplina contra os professores, não há drogas, etc. Ainda na semana passada um aluno foi esfaqueado na Escola Secundária de Mafra (relacionado com drogas) e não houve esta comoção contra a escola. O mesmo aconteceu há 2 anos quando eu leccionava em Salvaterra de Magos (autarquia do Bloco) e não me lembro de nenhum advogado “high-profile” nem de nenhum deputado do Bloco de Esquerda se ir manifestar contra a Escola e a sua direcção. Parece que quando são os criminosos (menores ou não) a mandar nas escolas o BE acha que são uns coitadinhos que a sociedade discriminou e que devem levar, sei lá, mais subsídio ou uma casa nova, quando são alunos mais velhos a disciplinar miúdos mais novos que se portaram mal (e a prevenir que se tornem em criminosos), deve-se não só mandá-los para a cadeia (porque fazem parte dos “ricos”) como também acabar com a instituição que os educa. Também se chama a isto discriminar caso não tenham reparado... Vá-se lá perceber este mundo louco em que vivemos... Pedro Miguel Pereira Cordeiro 277/1979
O Colégio Recentemente, em viagem fora do país, dum grupo de pessoas que não conhecia saiu um miúdo que, ao ver-me de barretina na lapela, se me dirigiu nestes termos: “Olha, eu também sou do Colégio”. Demos um abraço e encetámos ali um breve diálogo perante o espanto e admiração de quem nos rodeava. Isto é o Colégio. Duas gerações bem distantes no tempo, subitamente próximas e fraternalmente unidas pelo espírito duma Instituição. Não é fácil definir o que nos prende ao Colégio. Sabemos, sim, que ali fizemos amigos para a vida; que certos valores como camaradagem, fraternidade, lealdade, altruísmo e honra que ali aprendemos, vivendo-os, durante esses anos marcantes da nossa formação como indivíduos, deixaram, naturalmente, um registo profundo; que o elo a que ele nos une se tem mostrado superior a todas as vicissitudes e divergências individuais; que sempre que o recordamos ou, efectivamente, lá voltamos sentimos que não é apenas a nossa adolescência que revisitamos mas todo um mundo de coisas de que precisamos e queremos preservar. É por tudo isto que tanto nos emocionamos ou inquietamos com quanto, de bom ou de mau, se fale, escreva ou aconteça ao Colégio, nestes dias fúteis duma sociedade que perdeu valores e se afunda na corrupção. Diogo Baptista Coelho 343/1947
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Meus Velhos, “Ouço-vos” como sempre com atenção redobrada. De vós e em vós sinto a minha voz. Neto duplamente, filho e pai de ex-Alunos, eu, ex-Aluno me confesso. E se em cada um seu próprio ser, foi no segredo do crescer “parte de nós e em nós” que aprendemos a falar a uma só voz. No entanto, por mais ética, poética ou épica que a nossa formação tenha sido, nós só mudamos o tempo quando de facto acontecemos. E acontecemos colectiva ou individualmente, acontecemos enquanto gente, pais, profissionais ou cidadãos. O nosso testemunho é inverosímil e aleatório, creio, porque sempre acreditámos que a verdade “vem ao de cima” e que “se fará justiça”. Acreditámos que havia uma ordem de equilíbrio. Foi assim? Entretanto quanta surpresa e choque quando na verdade tudo pode ser uma grande mentira. E assim será sempre “o copo meio cheio e meio vazio” o que a mim nada me satisfaz. Afinal, o que é pode não ser e o que não é pode ser? A mim isto revolta-me. Chega de compactuar com a resultante óbvia de todos os eventos que nos podem unir pela negativa. Não sou contra quem é contra, reajo ao desafio, mas para esses dispenso apenas o meu respeito pela sua ignorância e intencional perversão. Esses são um mal menor, apenas a não subestimar. “Deles será o reino dos céus”. Sou contra quem é a favor da não mudança. O Colégio é um ser vivo e como tal tem no seu estado de saúde altos e baixos. Hoje, qualquer sinal de violência é doença. Não há nuance neste facto. Auto defesa, agressividade e afirmação, virilidade (sem género), e tudo ao serviço da paz, estão bem e são essenciais. Fora disto é comprometer presente e futuro. O passado, esse, respeita-se nas mensagens, lições e exemplos de carácter que nos pode trazer, mas não se imita, porque chega até nós descontextualizado. Há muita e gratuita violência na nossa actual sociedade, despotismo, roubos e violações nas escolas. Isso tem de acabar no mundo inteiro e em cada comunidade, terra, país ou cidade, à vez. Esta gradação da mudança criará ilhas de evolução. Os primeiros a saber mudar farão a diferença. Acredito que o ser humano, na sua vertente animal, tem como motor de muitas das suas actuações a imitação irracional, mesmo em assuntos que pressupõem análises até muito racionais. É aqui que a mudança deve começar, uma actuação não bloqueada encontra na sequência de eventos que a antecede, mesmo que remotamente, a justificação ou dúvida que garantem a tolerância e ou não reacção à respectiva prática. Repito, hoje qualquer manifestação de violência é doença. Por perversão e imitação existe violência nas escolas de Portugal. Por imitação existe violência no Colégio Militar. Aqui, pela natureza formativa de uma escola de valores, estes actos são sempre e de algum modo reflectidos, ainda que sob profundo equívoco. Por exemplo, deixar uma filha de 11 anos à porta da sua escola rezando para que ela nesse dia não seja violada não deve ser fácil. A zona á muito pesada e não se pensa nisso a não ser ao de leve: “ela é rija, sai aos seus, com ela ninguém se mete”. Isto altera a realidade? Não! E permite sobreviver? Sim, a alguns. Provavelmente ilude mais os pais do que os filhos. Deixar um filho de 13 anos na cancela de um colégio rezando para que “as coisas não se descontrolem” porque os valores que estão em causa valem a pena, é fácil? Revista da AAACM
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Para mim não foi. E pensar: “ele é rijo e não há-de acontecer nada de mal”, altera a realidade? Não. E permite sobreviver? Sim, a alguns, mas ao tal colégio seguramente que não. Daqui para a frente o assunto não tem discussão. Como mudar? Como em tudo: 1) onde estamos, 2) onde temos de chegar, 3) e como? Quando? Ontem! (Uma dica prática, válida ou não: artes marciais intensíssimas nos nossos colégios militares desde o inicio. Com verdadeira escola são uma excelente maneira de banir a cobardia, responsabilizar a agressividade natural à sobrevivência e afirmação dos valores da vida, e repudiar, bloquear e conter todas as formas de violência.)
Sob holofotes o Colégio revelará os seus superiores valores, até naqueles que por capricho dos tempos serão julgados por todos nós. Repito, julgados por todos nós que de uma forma ou de outra pactuámos com a não descontinuação radical de práticas de risco. 58
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Reafirmo, hoje qualquer manifestação de violência é doença. Nos Colégios Militares de Portugal estou convicto de que irá haver uma mudança profunda, uma ruptura total com práticas de risco, mesmo que apenas e tão só insinuadas. Será uma mudança de paradigma e não só uma alteração de condutas. E isto acontecerá de imediato, com a ajuda, o envolvimento e arrependimento de todas as gerações vivas, o empenho de todas as comunidades envolvidas, e, aos olhos de todos e debaixo da maior visibilidade. Aos que nos atacam não deverá ser dado descanso ao seu protesto, só assim se garante a maior visibilidade à justiça que será feita. Quando? Esta mudança já começou e irá estar concluída quando em cada um de nós não existir qualquer dúvida sobre estas matérias. Eu por mim não duvido que os valores do Colégio farão deste um Ser sobrevivente capaz de ultrapassar mais um “salto evolutivo”. As condições exteriores de compactuação com práticas de risco mudaram bruscamente, só sobreviverão, entre os mais fortes, os que aportarem características dos tempos que advêm. Os nossos Colégios Militares, Pupilos, Odivelas e Colégio, não serão dinossauros nestes tempos de escuridão. A falta de luz das sociedades actuais só será contraposta nas grandes escolas e ultrapassada por elevados valores, ideais e graus de exigência. Os nossos colégios inscrevem-se nesse grupo de escolas, saibamos arcar com a responsabilidade de sermos contemporâneos com o actual momento. Os nossos camaradas que serão julgados por nós, ademais na praça pública, terão pouca culpa se comparada à nossa que os precedemos, no mínimo, na dúvida, e de todos os que depois deles não evoluam e cresçam com a lição do seu exemplo. A esses nossos camaradas, a justiça “cá de fora” não pune mais do que a eles a sua consciência segura e implacavelmente já punirá. Estou convicto que isto será constatado e, com surpresa, observado pelos tribunais, que irão perceber que estarão a julgar todo um sistema educativo, tomando como foco o Colégio Militar, e todos sabemos porquê, e “no quadro das prioridades de política criminal - violência escolar” julgando só agora a velhíssima “palmatória” e os seus inevitáveis abusos. Pesado fardo para estes nossos camaradas. Qual avestruz deixámos que isto lhes acontecesse. Aos filhos de seus pais, nossos camaradas e iguais, que sofreram no corpo e alma como nós, o resultado dos equivocados excessos, só as verdadeiras manifestações de camaradagem por todos nós poderão devolver a paz que julgo, neste momento e para sempre, seriamente comprometida. Eles terão de ser doravante parte da solução e de forma nenhuma parte do problema. Assim, todos e cada um de nós e os graduados e alunos em causa, seremos responsabilizados por pensarmos como pensamos. Saibamos pois ser iguais a nós próprios, crescendo agora. ZACATRAZ João Eduardo Correia Barrento Sabbo 17/1967
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Provedor de Justiça alerta para imagens de alunos do Colégio Militar difundidas fora do contexto – mães de alunos contestam cobertura mediática O Provedor de Justiça alertou ontem que há imagens de alunos do Colégio Militar que estão a ser difundidas pela comunicação social sem o devido contexto, o que pode ferir o disposto no Código Civil, e afirmou que já recebeu mesmo reclamações. Comentário: Considero absolutamente lamentável o mediatismo que, de há alguns anos a esta parte, vem sendo dado aos supostos abusos ocorridos no Colégio Militar. O Colégio Militar é uma instituição com mais de 200 anos de história, tendo “oferecido” ao país notáveis profissionais das mais diversas áreas, desde a política ao desporto, passando pela economia, pelas letras, pelo cinema ou pelas ciências. A título elucidativo, refira-se que o Colégio Militar formou cinco (!) Presidentes da República. Mas, dir-se-á, não é isso que está em causa. É sim! O facto de se tratar de uma instituição de ensino exemplar, provoca na comunicação social e, por arrasto, na comunidade portuguesa, um absoluto sentimento de desconfiança. Ao abrigo do tão típico “complexo luso-pessimista”, logo se levantam vozes a suspeitar que alguma coisa há-de estar errada no Colégio Militar – o mérito não pode vir imaculado! É profundamente repugnante o facto de a comunicação social apenas difundir notícias referentes a um “tabefe” que um aluno deu a outro, olvidando por completo o brio e a excelência que presidem à formação dos alunos do Colégio Militar, assente no trabalho, na disciplina, no rigor, no ímpar espírito de camaradagem e de boa disposição. Uma agressão de um aluno a outro foi o que de melhor os media conseguiram encontrar para fazer face às alarvidades que se cometem por todas as escolas do país, embora a níveis profundamente mais graves e sem qualquer mérito que lhes sirva de “compensação”: refiro-me à violência levada a cabo por alunos contra professores (vg o mediático caso da escola Carolina Michaelis) e por professores contra alunos, refiro-me ao tráfico de droga existente nas escolas, refiro-me aos assaltos que se verificam sistematicamente dentro(!) das escolas, refiro-me ao insucesso escolar terceiro-mundista existente neste momento, refiro-me à falta de solidariedade entre alunos para o ultrapassar, bem como para por termo às injustiças, aos flagelos, que ocorrem diariamente nas escolas públicas e privadas do nosso país. Por falar em solidariedade entre alunos, termino com o lema do Colégio Militar: “Um por todos e todos por um!” Comentário de Camila da Cunha e Sá Petti Estudante do 12º Ano
Petição ao Excelentíssimo Senhor Provedor de Justiça (Entrada na Procuradoria de Justiça com data de 27/10/2009)
As Mães de Alunos do Colégio Militar que o presente subscrevem e com a identificação que acompanha, Vêm nos termos do Art. 23.º da Constituição da República Portuguesa e do art. 2.º, 3º e 24.º nº1 do Estatuto do Provedor de Justiça Apresentar queixa relativamente aos factos que no seu entender atentam e requerem a aferição e fiscalização dos direitos, liberdades e garantias, da legalidade, do Estado de Direito, e dos 60
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Direitos das Crianças e Jovens que frequentam o Colégio Militar em presença do que se passa a descrever: 1 – Nos últimos dias vieram a público as notícias constantes das cópias e CD em anexo. 2 – O Colégio Militar é uma instituição com um projecto educativo único no nosso País, que resulta de 200 anos de escola feita, e que tem na sociedade provas de reconhecido mérito; 3 – A nível Internacional integra-se na Família de estabelecimentos de ensino que assentam a sua estrutura educativa na organização militar moderna; 4 – Ao longo dos últimos anos milhares de Pais, no exercício do direito constitucional à liberdade de educação, têm optado pelo projecto educativo próprio do Colégio Militar para, consigo, dar aos seus filhos a educação que escolhem; 5 – A sociedade tem reconhecido nos homens formados no Colégio Militar valia, méritos e profissionalismo, no e ao serviço do País; 6 – A formação ministrada aos alunos do Colégio Militar implica sempre uma educação assente na responsabilidade que tem o seu expoente no papel do aluno graduado; 7 – Esse culminar do projecto educativo como qualquer outro também não é isento de riscos e implica, o acompanhamento adulto diferenciado. 8 – Nos últimos dias vieram a público notícias que: a) Usam, sem autorização, a imagem (fotografia) de alunos do Colégio Militar (crianças e jovens). As imagens são descontextualizadas e ilustram notícias injuriosas, colando assim a cara de crianças inocentes a crimes; b) Usam casos pontuais de comportamentos e atitudes incorrectos para generalizar a actuação dos alunos mais velhos; c) Imputam aos alunos do Colégio Militar alguns comportamentos ou práticas que não aconteceram; d) Veiculam como criminosos casos já tratados pelas instâncias judiciais e ali declarados não sancionáveis penalmente; e) Representam uma campanha caluniosa contra alunos, Pais e Encarregados de Educação e o próprio Colégio Militar a qual é fomentada: • Pela falta de verdade ou o uso incorrecto de meias-verdades; • Pela desproporção de atenção e divulgação dispensadas; • Pela repetição de factos ocorridos e noticiados em anos anteriores e sistematicamente apresentadas como se se tratassem de novos acontecimentos; 9 – Tais comportamentos públicos, em sede política e em notícias atentam contra: a) A Convenção de Haia - Protecção dos Direitos das Crianças e Jovens e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos (art. 8.º); b) A Constituição da República Portuguesa (art. 9.º alínea b), 26.º n.º1 e 2, 43.º); c) O Código Civil (art. 72.º); d) A presunção de inocência fixada em todo o ordenamento Penal Português. 10 – A autoria dos actos agora denunciados resulta dos elementos de prova que supra se identificam; 11 – Tais actos têm causado na comunidade escolar, nas famílias dos alunos (para além dos visados) profunda desestabilização e preocupação que prejudica o rendimento escolar, o normal funcionamento das instituições e a paz social; Termos em que, e no que mais doutamente se suprir, vêm solicitar a intervenção do Provedor de Justiça para que sejam tomadas medidas perante a Opinião Pública, as Instâncias Judiciais e Administrativas, que possam repor a legalidade na tutela: a) Do interesse colectivo difuso, que é a protecção do direito ao bom nome e reputação de todas as crianças e jovens e do Colégio Militar; Revista da AAACM
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b) E em concreto, o direito dos Pais à liberdade de escolha do projecto educativo dos seus filhos; c) Da protecção dos direitos dos alunos, crianças e jovens, o direito à presunção de inocência, o direito ao Bom Nome, o direito à reserva de vida privada, o direito à imagem, o direito à dignidade e o direito à intimidade. d) Da estabilidade, normal funcionamento e paz social que permita o efectivo rendimento escolar dos alunos do Colégio Militar. Lisboa, 25 de Outubro de 2009 Maria do Carmo de Almeida Gomes Teixeira Maria Isilda Viscata Lourenço de Oliveira Pegado Sofia Paiva Raposo Farrusco Meess Isabel Maria da Conceição Pereira do Rio Carvalho Isabel Maria Martins Dias Rosa Maria Serrão Sirgado Arnaut Pombeiro Manuela Paula Silva Machado Dionísio
NUNCA MARCHARÃO SOZINHOS! Na passada semana, foi o nosso Colégio notícia em vários órgãos da comunicação social, desde os jornais até à televisão. Infelizmente, as razões pelas quais foi notícia não foram as melhores. Tratou-se da aplicação de castigos corporais violentos, de que foram vítimas alguns alunos mais novos, às mãos dos seus graduados. No meu tempo também isso aconteceu, infelizmente, algumas vezes. Acontecia em geral com alguns graduados de segunda escolha, de mau carácter e de espírito mesquinho, que se compraziam em fazer os outros passar por agruras iguais ou piores àquelas pelas quais também eles teriam passado. Estes “despotistas”, como então lhes chamávamos, eram a excepção. Felizmente, a esmagadora maioria dos graduados que tive deixou-me a melhor das recordações. Os Comandantes de Companhia que tive foram todos impecáveis e foram exemplos que procurei seguir quando eu próprio fui graduado. A Instituição dos graduados no Colégio é um dos pilares da sua existência e o garante da continuidade das suas virtudes, das suas tradições e de um modelo educativo que deu os melhores frutos em mais de dois séculos da sua longa vida. O Colégio tem inimigos, bem conhecidos, para quem notícias como as que agora vieram a público, são sempre bem-vindas e lhes dão renovadas “munições” para o ataque à nossa Casa. Em momentos de pesar como este, os ex-Alunos têm de se unir e mostrar para o exterior uma solidariedade total com o Colégio. Os adeptos do Clube de Futebol de Liverpool são famosos na Grã-Bretanha pela sua fidelidade ao clube, nos bons e nos maus momentos. Em caso de derrota, em que os adeptos de muitos clubes que conhecemos, assobiam a sua equipa, os adeptos do Liverpool entoam o seu cântico de guerra para elevar a moral dos seus jogadores. Esse cântico intitula-se “You will never walk alone”. Temos de seguir este exemplo, e no próximo 3 de Março, comparecer em peso na Avenida e mostrar aos actuais Alunos, com a nossa presença e com os nossos gritos de incentivo, que NUNCA MARCHARÃO SOZINHOS. Ter-nos-ão sempre com eles. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957 62
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Imaginemos uma eventual entrevista… ...o que disser poderá ser muita coisa; histórias mirabolantes fruto da minha imaginação psicadélica; relato verídico e devidamente condimentado com personagens mais ou menos fictícias ou adaptadas; um documentário realista e exaustivo, há para todos os gostos... A transparência desprendida de objectivos, que não sejam o apuramento da verdade e factos aberrantemente contrários às normas de vivência em Sociedade, é de louvar. A transparência enviesada, obsessiva, tendencial, facciosa destrutivamente interessada, é uma tirania, como outras formas de opressão e abuso de poder. Quem prevaricou, abusou da autoridade que lhe foi outorgada, foi caso isolado, e que vá para a rua, ou seja demitido ou expulso do CM, ou do Exército, ou do Governo. Quem se manteve correcto, não deve ser prejudicado nem enxovalhado. Separe-se o trigo do Joio, assumam-se as culpas onde as houver que assumir. O CM só tem a ganhar com isso. Existe um Regulamento de Disciplina Interno do Colégio, baseado no Regulamento de Disciplina Militar, adaptado à realidade e funcionalidade colegial. Esse regulamento, embora passível de críticas e actualizações a recomendar, é, na sua generalidade, justo e civilizado. Tudo o resto, era código obscuro e discricionário. Como em qualquer sociedade ou mini-sociedade fechada. Não era lei, não era geral, nem regra, não era justo nem era sequer encorajado. Não estava escrito em nenhum manual, nem estava preconizado em nenhuma directiva ou conselho de quem quer que seja. Não era sequer, e isto é real, discutido entre quem o aplicava. Não se sabia bem de onde tinha vindo nem quem tinha inventado. Poderia ser um código socialmente correcto, humano. E era-o em espírito, não o era na prática, devido à tentação, ao desleixo e à banalização e consequentes abusos do mesmo. Por outro lado, esse código era necessário, porque o tal sistema fechado não funcionava sem elas no seu estado de maturidade, à altura. Simplesmente, não funcionava. Tive a oportunidade de tentar aplicar um código alternativo a nível local (ou seja, num grupo restrito de indivíduos) e não funcionou, pelo contágio a que os restantes os expunham. Todos os intervenientes, desde alto a baixo, desde o aluno ao pai do aluno, desde o Sargento ao General, desde o Professor ao Médico, desde o Fâmulo que limpava o geral, ao soldado que limpava as bostas dos cavalos, desde os vários Ministros da Educação ou da Defesa, aos vários Presidentes da Republica, tinham conhecimento de como o sistema funcionava. Todos. Essa é a verdade. Por mais que não consigam agora engolir, digerir e expulsar (eufemisticamente) a verdade cá para fora. À luz da sociedade da década de 30-40-50, do Século XX, o sistema funcionava. Durante o Século XIX e no início do Século XX, o sistema e o código de conduta eram bastante diferentes... mais Aristocrata, mais British! Era uma instituição que nesse período só recebia como alunos, os filhos da nata Aristocrática e Burguesa, civil e militar, da Sociedade, desde filhos da Realeza aos dos mais altos dignitários da altura. O elevar da burguesia e classe média no início do Século XX, um maior equilíbrio entre as classes sociais e consequente diminuição de estatuto, nível social, cultural e económico do aluno médio, retirou alguma da elegância, e altivez ao código de conduta colegial. Nesse período, os alunos do CM, eram equiparados socialmente a oficiais do Exército, aliás quase todos viriam a ser os futuros comandantes das forças militares e políticas. Alguns, eram convidados e recebidos na Corte Real, apenas por serem alunos do Colégio, que até se designava por RCM - Real Colégio Militar. Hoje em dia, ambos os códigos não escritos de conduta, nem um nem outro, funcionam. Não na geração da Banda Larga, Internet, dos 400 canais de TV, iPOD, iPhone, e do “não me toques que me desafinas o aparelho dos dentes”... Revista da AAACM
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Ex-alunos, alunos, familiares, funcionários e ex-funcionários, militares, responsáveis de cargos importantes, com o machado rente à cabeça apenas por estarem ou terem estado ligados ao CM. Não é justo, é violento. Decerto, haverá culpados. A Justiça se encarregará de o confirmar. Se para isso for incapaz, gradualmente, haverá soluções para a mensagem e factos reais ser transmitida aos Portugueses e aos que no mundo tomam o CM como referência. E existem muitos. Se me abordassem para uma entrevista, seria uma conversa instrutiva. Decerto uma lição para ambos. Para mim, sobre a profissão e deontologia jornalística. Para o jornalista, sobre o espírito colegial; sobre o que representa o CM. Caso o fim seja apenas o de denegrir o CM e o seu espírito mais genuíno, então o tiro pode ser que saia pela culatra. Neste preciso momento, após lerem isto, profissionais da Comunicação Social e da Classe Política, que estejam mais interessados em obter créditos corporativos e políticos, vão pensar duas vezes...! Mas estes gajos afinal são loucos! - pensarão... Não estarão muito longe da verdade, porque qualquer paixão, acaba por ser uma disfunção. Pensariam que o CM era a Casa Pia ou a Casa do Gaiato. Sem ofensa... Nunca foi, nunca será, nem tem nada a ver. Mas o engraçado é que é isso mesmo. O CM, para nós que o vivemos, é mesmo uma paixão, talvez mesmo a única que prevalece ao longo das nossas vidas, após tantos enganos e erros, nossos e dos outros, namoros e rupturas, casamentos e divórcios, projectos e desilusões, de euforias e desalentos. Uma instituição que sobreviveu às terríveis consequências das Guerras Napoleónicas, às importantes alterações sociopolíticas do Século XIX, à transição do regime Monárquico para o Republicano, à ditadura totalitária da qual sempre, em espírito e na prática, foi antagonista... aos ventos revolucionários de Abril, aos suores frios dos recentes cortes orçamentais dos nossos queridos políticos... não saberá, não terá força para achar o caminho para a renovação e a prosperidade? Desde que seja fisicamente possível, achará, saberá. Debater, discutir, reflectir e procurar soluções melhores para o futuro é uma coisa. Destruir, minar, urticária, anti-matéria... é outra. Não contem com os alunos ou os Ex-alunos do CM, para o destruírem. Que não restem dúvidas aos senhores do quarto poder, sobre o que representa o CM no coração de todos aqueles que algum dia fizeram continência e olharam à direita na saída dos claustros, marchando perante o busto do nosso Fundador. Não o fazíamos com mágoa, por frete, ou sacrifício, era com gana e coração aos saltos de brio, de orgulho. Um camarada do meu curso desmaiou de exaustão e inactividade, um dia, em cima da baioneta da sua espingarda Mauser, pouco mais curta que si próprio, enquanto o Batalhão formado no Claustro, aguardava receber o Presidente da Republica para que a bandeira do Colégio fosse condecorada com a Cruz de uma das Ordens mais reconhecidas. Cortou o pescoço junto ao maxilar, caiu redondo nas lajes frias e húmidas do Claustro, como uma pedra ele também. No dia seguinte, após ter sido assistido e devidamente enfaixado, ofereceu-se para desfilar de arma ao ombro e marchar vigorosamente batendo os calcanhares, que até se ouvem nas avenidas paralelas, os 2 kms da Avenida da Liberdade, desde o cimo do Parque Eduardo VII até à Igreja de São Domingos, no Rossio... à chuva. Não o autorizaram, claro, mas é preciso dizer mais? 64
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Os nossos camaradas, que se acham actualmente desiludidos, desalentados, marcados por alguma situação menos normal, levando a sentirem necessidade de se expressarem publicamente com mágoa.... um por um, havemos de os trazer ao nosso seio, ao nosso abraço, porque nunca o abandonaram, nunca foram abandonados, apenas se acharam perdidos no tempo e no espaço por alguns momentos infelizes. Um por um, serão de novo abraçados. Um por Todos. Todos por Um. Somos, do Colégio Militar. Avante, Meninos da Luz. João Alberto Gonçalves Simões 401/1977
CAROS AMIGOS, De facto sobra-me muito pouco tempo para manifestar a minha indignação por todo este processo, a meu ver, dolosamente falacioso, com que os media recentemente nos têm brindado, permitindo que muitos falem acerca do que não sabem. E pelos vistos nem tão pouco se preocupam de procurar saber, tal poderá ser o desígnio que os move no âmbito do que mais parece ser uma verdadeira cabala. Não é segredo para ninguém, como todos nós sabemos, que no nosso Colégio sempre se verificaram situações e cenas mais ou menos “indecorosas”, sendo que algumas delas (felizmente poucas) devido á acção de déspotas que, apesar de poucos, como é sabido sempre houve e infelizmente continuarão a existir, mas note-se que não apenas no Colégio mas também fora dele, de forma convenientemente disfarçada, como é aliás conveniente. E que aconteceria se fossem divulgadas as más vivências que de uma ou outra forma acontecem nas casas de todos nós? E sobretudo nas dos arautos que agora vêm colocar em causa a existência do próprio Colégio? É óbvio que igualmente muita coisa seria igualmente criticável, sobretudo quando se trata de educar jovens nos dias de hoje. Assim, não sendo de desculpar, hoje como ontem, as atitudes despóticas de alguns, que segundo suponho serão, como sempre foram, uma minoria, devendo, por isso mesmo, o próprio Colégio prevenir a imprescindível pedagogia que permita obstar a que tais elementos existam no Batalhão Colegial; também não deixa de ser verdade, segundo sinceramente quero acreditar, que o difícil, nos dias de hoje, é defender uma escola de carácter, como considero ser o Colégio Militar, numa sociedade que prefere enaltecer quem o não tem. Ora, a meu ver esse é o verdadeiro desafio que se põe aos defensores do Colégio Militar, visto que o terão de fazer num ambiente totalmente hostil. Basta pensar na situação em que está o ensino público, para logo percebermos quão titânica terá de ser a defesa dos ideias do Colégio. Com estas “dicas” que, ao correr da pena, entendi oportuno manifestar-vos, despeço-me convicto do relevante papel que a AAACM não deixará de ter na defesa daquela que é a mais antiga instituição portuguesa de ensino – o Colégio Militar – se exceptuarmos a Universidade de Coimbra, pese embora noutro âmbito de ensino desde logo de gente menos jovem e já adulta. Um abraço para todos José Joaquim Ferreira dos Santos Tavares 433/1966
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Abertura Solene do Ano Lectivo 2009/2010 A Abertura Solene do Ano Lectivo 2009/2010 realizou-se a 16 de Outubro, tendo a cerimónia sido presidida pelo Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, Tenente-General António José Mais de Mascarenhas. Este ano é de salientar uma forte presença de Antigos Alunos, de todas as idades, que quiseram manifestar o seu apoio ao Batalhão e a solidariedade para com os seus Camaradas que actualmente frequentam o Colégio. Com o Batalhão Colegial formado nos Claustros procedeu-se à Integração do Estandarte Nacional, tendo em seguida sido impostas condecorações aos seguintes Servidores do Colégio: Major José Carlos Reimão Teixeira (Medalha de Mérito Militar de 2.ª Classe); Cab Adj Inf, na disponibilidade – Sérgio Miguel Rodrigues Prada (Medalha D. Afonso Henriques – Mérito do Exército de 4.ª Classe); Ass.Tec. Maria do Rosário Marcelino Alves e Ass.Tec. Marília Santos Costa Mello e Mota (Placas de reconhecimento pelo tempo que serviram a Instituição Militar). Os “ratas” de 2009 fizeram a sua apresentação tendo sido lida a Ordem de Serviço que determina a sua admissão ao Efectivo Colegial. O Aluno Comandante de Batalhão saudou e deu as boas vindas aos novos Alunos com as seguintes palavras: “Exmo. Senhor Tenente General Comandante de Instrução e Doutrina Exmo. Senhor Major General Director do Colégio Militar Exmos. Militares, Professores e Funcionários Civis Exmos. Convidados; Alunos
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Inicia-se hoje, oficialmente, o ano lectivo 2009/2010 e, reunindo-se neste ano pela primeira vez, nestes Claustros, toda a Família Colegial, dirijo-me a ela na qualidade de Comandante de Batalhão. Falo em nome dos alunos graduados. Aos Pais e Encarregados de Educação. Agradecemos, desde já, a confiança que depositaram nesta nobre Casa para formar e desenvolver o carácter dos vossos educandos. Da nossa parte, garantimos todo o esforço necessário para que se formem Homens com “H” grande que, mais tarde, possam transmitir todos os valores e virtudes que aqui aprenderam. Valores como o Amor à Pátria, a Camaradagem, o Civismo, a Frontalidade e o Espírito de Corpo. Agradecemos e pedimos que continuem a confiar em todo o grupo de trabalho que dirige os vossos educandos porque nós tudo faremos para enaltecer o bom nome do Colégio, sendo o nosso grande objectivo propiciar a todos os melhores resultados em harmonia com a Instituição e as Famílias. Pedimos a vossa colaboração para que, no seguimento da boa educação que em casa dão aos vossos filhos, possamos desenvolver o que o Colégio tem de melhor nos vossos/nossos Meninos da Luz. Aos Alunos do Batalhão Colegial. Não exigimos de vós mais do que aquilo que cada um deverá exigir de si próprio. Temos metas bem definidas para este ano e, abaixo da excelência, nada é aceitável. Pedimos toda a vossa motivação e empenho para elevar o Colégio ao mais alto patamar. Se olharmos com atenção, não existe nenhuma outra comunidade onde se criem ligações pelo facto de terem frequentado a mesma escola na adolescência, de que resultem, como nós, 5000 Meninos da Luz vivos, dos quais cerca de 3.250 se mantêm atentos ao que se passa no Colégio e se entre ajudam. Queremos que se sintam em casa e que tenham orgulho em prestigiar o Colégio como verdadeiros Meninos da Luz que somos. Uma palavra especial aos novos alunos, os nossos Ratas.
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Vós sois a continuação da linhagem bicentenária de grandes homens que esta Casa formou. Sentimo-nos honrados pela vossa entrada nesta distinta Instituição. O acto simbólico a que irão assistir, o momento do Abraço ao Batalhãozinho, representa e marca o desejo sincero de boas vindas aos novos alunos do Colégio, a afirmação da camaradagem e o sentido de protecção com que podem contar todos os dias e em qualquer situação. Olhem para as dificuldades como desafios e confiem na nossa experiência como alunos graduados e irmãos mais velhos. Para finalizar, deixamos aqui um especial agradecimento a todos aqueles que acreditam em nós e em particular aos Antigos Alunos pelos bons exemplos que nos transmitiram, transmitem e, certamente, continuarão a transmitir no futuro. Continuemos então a fazer a História do nosso amado Colégio Militar! Nós exigimos, a sociedade carece e o País agradece. Assim o disse um Menino da Luz.” a que se seguiu a entrega do símbolo do comando (réplica da espada de D. Carlos) ao Comandante do Batalhão e o abraço deste ao “Batalhãozinho”. Na Parada Nova, ao som da Banda do Exército, o Batalhão Colegial desfilou em continência perante as Entidades presentes, Oficiais, Professores, Convidados, Familiares, Antigos Alunos e os novos Ratas. Como já vem sendo tradição, a Sessão Solene teve lugar no Ginásio onde o Director, MajorGeneral Raul Jorge Laginha Gonçalves Passos, proferiu as seguintes palavras:
“Exmo. Senhor Tenente-General Comandante da Instrução e Doutrina, meu Comandante, Permita que me dirija a V. Ex.ª para expressar a satisfação de toda a comunidade colegial por o termos entre nós e se dignar a presidir à nossa Abertura Solene.
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A presença do Comandante da Instrução e Doutrina constitui, naturalmente, um forte estímulo para todos quantos servem o Exército no Colégio Militar, em particular os seus alunos e os respectivos pais e encarregados de educação, bem como o inequívoco reconhecimento institucional, por parte de um membro do Conselho Superior do Exército, da validade e singularidade do projecto educativo deste, também seu, Colégio. Exmos. Senhores Oficiais Generais, Exmos. Senhores Presidentes da Associações de Antigos Alunos e da Associação de Pais e Encarregados de Educação, Exmas. entidades convidadas, Minhas senhoras e meus senhores, Caros alunos e ex-alunos, A todos os ilustres convidados que nos quiseram honrar com a sua presença, os nossos sinceros votos de boas vindas à cerimónia que, anualmente, comemora com alegria, esperança e de forma explícita o início de um novo ano escolar. O formalismo e a solenidade advêm da importância que todos nós, educadores, continuamos a dar à formação académica e comportamental dos nossos jovens educandos; a festa deve-se à juventude que nos chega, em cada ano, cheia de esperança, de alegria, de curiosidade e de vontade de aprender. Aproveitando a presença de todos os que se dignaram a festejar connosco esta efeméride, faremos, como habitualmente, o balanço crítico dos resultados obtidos no ano transacto; marcaremos formalmente o início das aulas com a lição inaugural subordinada ao tema “A esgrima na formação integral do aluno do Colégio”, que este ano irá ser proferida pelo Major Hélder Alves, Mestre de Esgrima do Colégio; por último, iremos distinguir os alunos que, ao longo do ano, tiveram aproveitamento e comportamento considerados dignos de reconhecimento público. Comemorámos no ano transacto 206 anos de um projecto educativo que se tem sabido adaptar ao contexto social e educativo sem, no entanto, perder a identidade que distingue os Estabelecimentos Militares de Ensino dos restantes a nível nacional. Este projecto educativo responsabiliza todos os elementos da comunidade educativa: alunos, docentes, pais, pessoal não docente e militares, garantindo uma unidade de critérios na formação de jovens em cidadãos livres, responsáveis e solidários, preparados para enfrentar com fé, coragem e entusiasmo, os obstáculos à sua realização pessoal. Esperamos que no final da preparação ministrada os nossos alunos sejam, tal como o foram no passado os seus antecessores, agentes na construção de uma comunidade nacional mais competente, fraterna, pacífica e feliz. Os alicerces institucionais de rigor, de valores e a qualidade do ensino praticado que orientam e em que se apoia, há mais de dois séculos, esta instituição são, no entanto, considerados por alguns cidadãos com responsabilidades como aberrações, e o conteúdo da formação de cariz militar como exótico. Quem tais afirmações profere esquece que os Estabelecimentos Militares de Ensino não são hoje regalias de militares, mas de toda a sociedade portuguesa que, com o apoio do Estado, permite dar aos seus filhos uma educação de excelência no âmbito académico e da cidadania. Às múltiplas dificuldades e resistências, sem cair na tentação do comodismo fácil, toda a comunidade colegial tem respondido, ano após ano, com persistência e competência para que o projecto educativo se continue a construir. A qualidade e a longevidade alcançadas pelo Colégio não são mais que o somatório das actividades e dos esforços voluntariosos de toda uma família colegial que quer melhorar, apoiada pela Instituição Militar em geral e pelo Exército em particular. Revista da AAACM
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O ano transacto foi repleto de acontecimentos que nos encheram de orgulho e de alegria. O Batalhão Colegial participou, como habitualmente de forma impecável, nas cerimónias do dia de Portugal e das Forças Armadas em Santarém, do Exército em Faro e do Comando da Instrução e Doutrina em Évora. Todos os alunos realizaram inúmeras visitas de estudo no âmbito da concretização dos respectivos currículos, a que se aliaram uma viagem de estudo a Paris com 44 alunos do 9.º ao 12.º ano e as de fim de ciclo, no âmbito da Geografia e História, com o objectivo de dar a conhecer o nosso país e, simultaneamente, fortalecer junto dos alunos o espírito de curso. Os finalistas deslocaram-se à Tunísia, agregando aos momentos culturais outros de lazer e de convívio. Durante o ano, requalificámos algumas infraestruturas das quais destaco o picadeiro, o ginásio, o pavilhão novo das aulas, a enfermaria e o corpo de alunos; inaugurámos o piso sintético do campo de futebol, agora também a valência de râguebi. No âmbito do plano tecnoló©Foto Sergio Garcia gico da educação, tudo está instalado e pronto, aguardando-se, somente, a ligação do sistema à rede de dados do Ministério da Educação. Relativamente à documentação estruturante do Colégio, foi aprovado o novo Regulamento Interno/Guia do Aluno, o Projecto Curricular e o Plano Anual de Actividades, cumprindo o disposto na legislação em vigor, e deu-se início à revisão do Projecto Educativo. Os trabalhos realizados e levados a conselho pedagógico em nada descaracterizaram a especificidade do Colégio Militar que continuará a ser uma instituição de ensino de cariz militar, centrada em valores e nos alunos que o frequentam. Permitam-me que, publicamente, deixe uma palavra de grande apreço aos vários elementos, civis e militares, que estiveram envolvidos nestas tarefas, pelo excelente trabalho realizado e pelo apoio que assim deram à acção directiva. No plano escolar e em termos de balanço, passo a apresentar alguns indicadores mais importantes relativos ao aproveitamento escolar e que, por serem mensuráveis, se constituem normalmente como referência para a avaliar o ensino ministrado. Assim, desde logo me apraz referir a melhoria, relativamente ao ano anterior, em todos os anos de escolaridade com a excepção dos obtidos pelo 12.º ano. Os resultados dos alunos do ensino básico apresentam consistência nos últimos três anos, mantendo-se as taxas globais de transição no 2.º ciclo e tendo--se alcançado os 100% no 3.º ciclo. Os resultados obtidos situaram-se ao longo dos últimos três anos sempre acima dos valores de referência nacional quer no 2.º, quer no 3.º ciclo. Em relação às provas de aferição do 6.º ano e aos exames nacionais do 9.º ano, no último triénio, o desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e em Matemática ultrapassam, claramente, os resultados nacionais, salientando-se a Matemática no 3.º ciclo que ficam 54,7, 41,4 e 33,2 pontos percentuais acima do valor de referência nacional. Relativamente ao 12.º ano e no ano que terminou, os alunos obtiveram uma taxa de sucesso de somente 62%, sendo o reflexo da instabilidade educativa e pedagógica que o Colégio viveu e que teve nefastas consequências quer para o aproveitamento escolar, quer para as candidaturas. 70
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No vector desportivo e em termos do desporto federado, felicito a sala de armas do Colégio pela participação em quinze torneios em que se obtiveram 13 medalhas de ouro, 14 de prata e 31 de bronze, sendo o Colégio Campeão Nacional de Sabre, Cadetes, a nível de equipas. Individualmente, o aluno 94, Vilas, sagrou-se Campeão Nacional de Sabre, Iniciados e o 177, Dias, é o actual Campeão Nacional de Sabre, Cadetes. No desporto escolar participámos em 4 torneios, nos quais conquistámos 19 medalhas de ouro, 17 de prata e 31 de bronze, sendo a nossa Sala de Armas vencedora dos prémios de Florete e de Espada do Desporto Escolar. O Campeonato Europeu de Pentatlo Moderno, no ano passado, realizou-se no Colégio Militar; comparecemos no Torneio Internacional de Barcelona, bem como nas 4 Etapas Nacionais desta Modalidade, respectivamente nas Caldas da Rainha, em Évora, Abrantes e Sines, bem como no Triatlo do Comando de Instrução e Doutrina em Évora. Destacamos ainda o 2.º lugar em futsal Juniores, e os 3.º lugares em andebol Junio©Foto Sergio Garcia res e voleibol Iniciados. Na modalidade de atletismo, os nossos alunos participaram no Mega-Sprint, Mega-Salto e Mega-Quilómetro, classificando-se, respectivamente, nos 5.º, 6.º e 11.º lugares das respectivas categorias. A nível do corta-mato, obtiveram os primeiros lugares em Infantis, Iniciados e Juniores. A todos os atletas, docentes e familiares que acompanharam e apoiaram de perto estes êxitos, a minha homenagem ao vosso esforço e dedicação. Em termos da participação externa, cultural e divulgação, o ano transacto foi o mais diversificado e rico a que assisti ao longo dos últimos três anos que estou convosco. A prestigiada classe especial de mesa alemã participou, com a habitual qualidade, em variados saraus dos quais destacaria as exibições no Centro Colombo, Festival da Direcção de Educação, Colégio S. João de Brito, Escola Secundária Pedro Nunes, Portugal Gym em Coimbra, Aniversário do CID em Évora, Dia de Portugal em Santarém, tendo culminado no 1.º Gym for Life em Dornbirn, Áustria. O nosso orfeão, também se apresentou condignamente nas comemorações do aniversário do Colégio, no Festival da Direcção de Educação, nas Janeiras cantadas a S. Ex.ª o Senhor Primeiro-Ministro no Palácio de S. Bento e ao General Comandante do Exército no Estado-Maior do Exército, bem como em múltiplas actividades internas. A modalidade de equitação participou em várias provas militares, de que se destacam as de Braga, Mafra, Vendas Novas e Estremoz. A Escolta a Cavalo comemorou os 50 anos da sua fundação, realçando-se, mais uma vez, a forma como se apresentou no dia do Colégio, bem como a sua participação, em Santarém, no dia de Portugal e das Forças Armadas. Permitam-me que saliente igualmente, com a vaidade que todos compreenderão, a participação nos seguintes concursos nacionais: “Na Senda de Darwin” que decorreu entre Setembro e Março, em que os alunos 68, Branco, 144, Semedo, e 407, Miguel, coordenados pelo Professor Rui Farinha, se classificaram em 3.º lugar; o “SuperTMatik”, coordenado pela Professora Luísa Falcão e em que o aluno 198, Gomes, conquistou o 4.º lugar entre 175.000 participantes de mais de 700 escolas; as “11 horas de Gestão”, com o apoio da Revista da AAACM
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Professora Olívia Paiva, em que a equipa do Colégio alcançou o 2.º lugar; e por fim, o Concurso de Ditado da Direcção de Educação em que os alunos obtiveram os 1.º e 3.º lugares. No domínio das artes, a participação do Colégio ao longo do ano deveu-se em grande medida ao entusiasmo contagiante da Professora Ana Tristany. O seu esforço e a dedicação aos alunos e ao Colégio acabaram por ser reconhecidos pelo Movimento de Arte Contemporânea que decidiu atribuir ao Colégio o prémio “Divulgação Pedagógico-Cultural”. De estudo, desporto, cerimónias militares e religiosas, cultura, mas também de solidariedade se faz um Menino da Luz. Assim, e sempre apoiados por todos, foi possível inaugurar em Cabo Verde a Biblioteca Marechal Teixeira Rebelo, contando com a presença da sua dinamizadora, a professora Cristina Reis, e de dois alunos que representaram o nosso Colégio. Esta acção foi apoiada pelo Eng.º Pedro Virtuoso da empresa Transinsular, a quem endereçamos os mais sinceros agradecimentos. A terminar a vertente da solidariedade, gostaria de, igualmente, referir que os nossos alunos conseguiram vender produtos que renderam mais de 600 euros e que foram entregues à Associação Sol, para apoio de crianças com SIDA. Em termos ambientais, o esforço foi compensado com a atribuição da bandeira verde para o ano lectivo 2009-2010, no âmbito do projecto Eco-Escolas a que se associou o projecto Escola-Electrão com a entrega de cerca de 5 toneladas de material eléctrico para reciclagem. Novos projectos e desafios estão já a ser pensados para o presente ano, em que pretendemos continuar a ser solidários e, desta forma, contribuir para a formação integral dos nossos alunos. Excelentíssimos pais e encarregados de educação, como tenho referido em cerimónias anteriores, o projecto educativo do Colégio encerra, no seu conteúdo, dois currículos que decorrem em simultâneo e ao longo de oito anos de escolaridade. Um visível, mensurável e de fácil leitura, como relatei, e outro oculto que encerra, no seu âmago, os valores éticos e comportamentais que, em conjunto vamos transmitindo aos vossos educandos. Este currículo, por ser oculto e difuso, só a vida adulta como cidadãos responsáveis se irá encarregar de avaliar. Os acontecimentos ocorridos no ano transacto e que são do conhecimento público não trouxeram a tranquilidade necessária para o desenvolvimento harmonioso do projecto escolar a que nos propúnhamos. Houve um capital de confiança que tínhamos adquirido ao longo de anos e que foi abalado. No entanto, em vez de nos derrubar e desmoralizar, tais acontecimentos fortaleceram a nossa firme convicção de que queremos continuar a lutar para permanecermos como modelo, no âmbito da cidadania, tema central desta Instituição, e que continua a ser motivo de orgulho. Todos estamos empenhados, mais uma vez no presente ano, em melhorar o aproveitamento escolar e promover, desde a mais tenra idade, uma cultura de rigor junto de todo o corpo discente, que se deve pautar pela exigência e pelo sentido de responsabilidade perante o trabalho. Este será um trabalho diário, metódico e regular que envolve toda a comunidade educativa em que se incluem fundamentalmente os pais e encarregados de educação, no papel que lhes incumbe no desenvolvimento harmonioso dos seus filhos. O Colégio continuará a constituir-se como um complemento fundamental da família, mas reconhecemos que em quaisquer circunstâncias nunca dará tudo aquilo que só os Pais e os entes mais queridos lhes podem dar, em termos de afectividade, de carinho e de amor. Como refere o Professor César das Neves, as euforias e os desânimos, as vitórias e derrotas, os sucessos e insucessos, a violência e o amor fazem parte da natureza humana e havemos sempre de viver com eles. Temos vindo a melhorar, e a minorar drasticamente os efeitos nocivos que nunca conseguiremos evitar por completo. Contamos convosco para que não se demitam e continuem a participar, de forma honesta e isenta, na educação e formação dos vossos filhos. 72
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A participação directa e entusiástica de todos, nas múltiplas e variadas actividades educativas e colegiais que decorrem ao longo do ano, irá reflectir-se na melhoria do funcionamento do Colégio, na qualidade do ensino e na auto-estima dos vossos educandos. Caros novos alunos, sois, este ano, os 54 melhores de um universo de apenas 92 candidatos ao Colégio. Convosco o Batalhão tem hoje 378 camaradas e amigos. Estão, desde já, de parabéns por terem passado nas provas de admissão e por poderem, hoje, envergar com orgulho a vossa “Farda de Pano”. Repetidamente tenho afirmado que não é fácil ser aluno do Colégio, em especial para os que acabaram de chegar. O tempo
©Foto Sergio Garcia
não chega para nada, as distâncias são grandes, as botas pesam, a continência é com a mão direita e alguns de vós são esquerdinos, as regras são muitas, a cama nunca está bem feita, os botões são uma maçada para arear, os amigos não são virtuais, têm saudades da mãe e da consola de jogos, tudo é novidade e não há ninguém que faça as coisas por vós. Mas dia a dia, as amizades e as cumplicidades vão-se construindo, em momentos que nunca esquecerão e que irão contribuir, de forma definitiva, para o vosso desenvolvimento. É neste ambiente que, pouco a pouco, vos será familiar que irão aprender a estudar, a liderar, a assumir responsabilidades e a ganhar autonomia. São competências que mais tarde vos irão permitir encarar os desafios nas diferentes situações da vida, com redobrado optimismo e confiança no futuro. Ireis crescer muito depressa e, por vezes, essa rapidez é dolorosa para vós e para os vossos pais. Cá estaremos para vos apoiar e guiar, mas terá de haver, da vossa parte, um querer muito forte em se tornarem, no futuro, “Meninos da Luz”. Contamos com a vossa vontade e trabalho para que obtenham muitos sucessos. Para todos, um grande abraço e votos das maiores felicidades escolares e familiares para o presente ano. Aos Alunos mais antigos, uma palavra de confiança. Falei da responsabilidade dos militares do Corpo de Alunos em vos enquadrarem, dos professores em vos motivarem e ensinarem e dos vossos pais que, por amor, tudo fazem por vós. O que esperamos então de cada um de vós? Somente que assumam as vossas responsabilidades e que saibam trabalhar em prol dos vossos objectivos. A sociedade é ávida de conhecimento e de competências Revista da AAACM
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científicas para estar à altura dos desafios do desenvolvimento e de sentido crítico para combater as desigualdades sociais. Ninguém irá escrever o destino por vós, pois é cada um de nós que escreve o seu caminho. Somos nós que fazemos o nosso futuro e a sorte dá muito trabalho. Contamos igualmente convosco para que, em comunhão, possamos distinguir as boas práticas e depurar o Colégio de qualquer elemento que se esconda por detrás de um falso conceito de camaradagem, deitando por terra anos de trabalho em prol da credibilização do “vosso” Colégio. Se alguma vez, ao longo da vossa caminhada na vida, estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que todos vos abandonaram, nunca desistam de vós mesmos. Padre António Vieira afirmou: “Nós somos o que fazemos. O que não se faz, não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos.” Exorto-vos, pois, a fazerem mais e melhor e a não desperdiçarem nenhum dia da vossa vida colegial. Caros camaradas, docentes e funcionários do Colégio Militar, a vossa adesão ao conteúdo dos Documentos Estruturantes aprovados em Conselho Escolar Geral são fundamentais para o bom ambiente académico e para sucesso escolar do corrente ano. Não sendo possível ter um colégio à medida de cada elemento da comunidade, teremos que cumprir e fazer cumprir as regras definidas para cada ano escolar. O trabalho desenvolvido no ano transacto servirá de referência para o que agora se inicia, com a esperança renovada no futuro e com as lições aprendidas do passado. Conto convosco e com a vossa competência profissional para fazer do ano lectivo 2009/2010 mais um ano repleto de sucessos escolares, culturais, desportivos e comportamentais. Somos dos colégios mais escrutinados por entidades externas. Em três anos, tivemos uma inspecção de finanças no primeiro ano, uma de segurança no segundo e, no ano transacto, uma conjunta do Ministério da Defesa com o Ministério da Educação. Não podia haver melhor avaliação externa e é, pois, com satisfação que vos digo termos feito o trabalho de casa: nada há a apontar à nossa honestidade, capacidade de organização e de trabalho, bem como de aplicação da justiça no cumprimento do Regulamento Interno / Guia do Aluno. Que as conclusões dos vários relatórios feitos pelas equipas de inspectores vos motivem a continuar o excelente trabalho desenvolvido, e que se enquadra na visão do nosso projecto educativo. Aos finalistas endereço as maiores felicidades. Fazemos votos que o ano findo tenha sido uma lição para a vida. Futuramente tereis de cumprir a vida como ex-alunos, doravante sois os 34 novos embaixadores da casa que vos formou. Usem os instrumentos académicos e comportamentais da melhor forma para se afirmarem na sociedade que agora vos recebe e assim podereis dignificar e honrar o Colégio que vos fez homens e cidadãos. Saibam ser felizes e fazer felizes quem vos rodear; nas várias profissões que haveis escolhido ou pelas quais ainda lutam, procurem elevar ainda mais alto o nome e o prestígio de Portugal. Meus Generais, Ilustres Convidados, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Caros Alunos, Não é tempo de resignação ou de fatalismo. Cada um de nós tem de ser fiel às obrigações da sua função e assumir as responsabilidades da sua condição. Só assim poderemos dizer aqui e agora, no início deste ano lectivo, que queremos encontrar as respostas para as dificuldades e que somos capazes de ultrapassar obstáculos e desafios com inteligência, com realismo, com determinação e com o trabalho de todos, contra os ventos do facilitismo, da indiferença, do egoísmo, do conformismo e da mediocridade. Sei que transmito o que vai no interior de muitos se afirmar, com convicção, que podemos e queremos continuar a ser uma instituição de referência da qual o Exército e o País se 74
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orgulhem. Acredito que queremos e podemos fazer um novo ano lectivo repleto de sucessos. Em nome de Sua Excelência o Comandante da Instrução e Doutrina do Exército, declaro formalmente aberto o ano lectivo 2009-2010. A todos agradeço o tempo que vos tomei e a atenção que me dispensaram.” O Major de Artilharia Helder Jorge Coelho Alves, Mestre Responsável pela Sala de Armas do Colégio, proferiu a Oração de Sapiência subordinada ao tema “A Esgrima na formação integral do Aluno do Colégio Militar”.
“Tendo sido convidado pela Direcção a proferir a Lição Inaugural do Ano Lectivo 2009-2010 subordinada ao tema “A ESGRIMA NA FORMAÇÃO INTEGRAL DO ALUNO DO COLÉGIO MILITAR”, aceitei com agrado o desafio, para, de uma forma clara expor um tema tão vasto, interessante e motivante na formação intelectual e física através da Esgrima. 1- HISTÓRIA DA ESGRIMA Quando se pretende abordar um tema com a complexidade da formação integral de um jovem, não podemos deixar de olhar para o passado e procurar entender o porquê da esgrima, fazer parte da formação de um jovem, nos tempos contemporâneos e de que modo o vai ajudar a se preparar para a vida de adulto. Hoje em dia quando falamos de Esgrima associamo-la ao desporto, mas todos temos a noção que, no passado, para além da arte e do desporto a sua aprendizagem era uma necessidade, pois muitas vezes a própria sobrevivência dependia da sua proficiência no manejo das armas. Não é possível falar de Esgrima sem considerarmos todas as suas formas de expressão ao longo dos séculos. Desde sempre o homem, para compensar a sua inferioridade, para se defender e atacar improvisou e inventou armas, de madeira, pedra e depois em metal. Utilizando bastões, lanças e objectos de ponta. Desenvolveu movimentos de ataque e defesa, passando assim a esboçar rudimentos de diversas modalidades desportivas actuais, entre elas, a Esgrima. No início, o seu objectivo foi facilitar a caça, resolver querelas particulares, ganhar vantagem nos combates entre tribos e mais tarde entre nações. Segundo o Tratado de Masaniello Parise, a Esgrima pode ser considerada como “expressão do instinto inerente ao homem de dominar os movimentos do seu corpo e da arma que tem na sua mão, da forma que lhe pareça mais eficaz, para se defender de quem o assalta e vencê-lo”. Com esta definição poderemos dizer que a Esgrima nasceu com o próprio homem. Para De Molière (Le Bourgeois Gentilhome), “esgrimir é a arte de tocar sem ser tocado.” A necessidade de tocar o adversário sem ser tocado converte a Esgrima numa arte difícil e complexa. Os olhos que observam e previnem, o cérebro que considera e decide, a mão que executa a decisão, tendo que pôr em harmonia a precisão com a velocidade para infundir a vida necessária à espada. Daqui se deduz ser a Esgrima uma arte capaz de conduzir o homem na escola da humildade e do cavalheirismo, no âmbito do pensamento e da acção, do equilíbrio, da beleza, da completa harmonia e controlo do corpo (Rodrigues, 1984). Actualmente, a Esgrima é praticada por crianças e adultos, de ambos os sexos e sem limite de idade, permitindo diversão e competição utilizando a inteligência e a destreza de movimentos na busca de “tocar sem ser tocado”. Actualmente realizam-se competições oficiais masculinas e femininas nas modalidades Florete, Espada e Sabre. Revista da AAACM
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2 - A EVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO O Renascimento surgiu na Itália, que era o principal pólo cultural e comercial daquela época. Ricos e poderosos membros da sociedade italiana despertaram, para a necessidade de superar a mentalidade feudal. O Renascimento difundiu-se por diversas nações europeias, sendo grandemente favorecido pelo rápido fortalecimento comercial e urbano, que atingiu grande parte da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, sendo caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição. Foram as grandes navegações do século XVI e a invenção da imprensa, realizada por Gutemberg, que exerceram uma grande influência no pensamento pedagógico renascentista. Com a revalorização da cultura greco-romana, alguns factos históricos nos séculos XIV e XV, influenciaram o pensamento pedagógico, favorecendo a superação do próprio homem. Durante o Renascimento despontam três grandes áreas de interesse: A Vida Real do Passado; O Mundo Subjectivo das Emoções; A Realidade da Importância do Desenvolvimento Físico. CAMBI APUD FELTRE (séculos XIV e XV), em sua “Casa Giocosa”, (fundada em 1423 em Mântua) propunha uma educação individualizada e o auto governo dos alunos. Preocupava-se, acima de tudo, com a formação integral do homem. “Já aflorava a valorização da aprendizagem, pois assim dizia um lema da Casa Giocosa:”Quero ensinar aos jovens a pensar, não a delirar’’. Este pensador foi considerado um precursor da Escola Nova, nestes novos currículos constavam exercícios físicos nos diferentes graus de ensino, tais como: A Educação Física; A Ginástica; A Dança; A Esgrima; Os Jogos e Competições Atléticas; 3 - DOMÍNIOS DE INTERVENÇÃO NA PERSONALIDADE DE UM JOVEM O Afectivo (o querer); O Cognitivo (o saber); O Motor (o poder). Existem muitos jovens com dificuldades em se inserirem num grupo, ou seja, com problemas de socialização. Apesar da Esgrima ser um desporto individual, na sua fase inicial de aprendizagem, é feita através de aulas colectivas. Este processo obriga o aluno a inserir-se no grupo e a interagir, pois é impossível atingir os seus objectivos sozinho. É necessário entender o seu parceiro de treino ou o seu adversário. O desenvolvimento do sentimento de conhecimento do oponente, das suas qualidades e defeitos, é um ponto de partida para a socialização. A Esgrima é um desporto de combate onde vontade de vencer é um factor determinante. A utilização de uma arma afasta os opositores e diminui o risco de reacções agressivas excessivas. Existe um menor risco de contacto físico, obrigando a controlar a impulsividade e a violência.
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Existe todo um cerimonial que envolve a Esgrima, é um sinal de entrega à actividade, as regras do jogo onde se respeita o adversário, o árbitro e o público. A atenção, a concentração e a decisão, são qualidades dominantes desenvolvidas com a prática da Esgrima. A situação face a face num espaço limitado em que o campo visual é restringido, obrigatoriamente favorece a concentração indispensável à observação das acções e reacções do oponente. As informações recebidas são diversas: Visuais (a proximidade da ponta do adversário, o controlo dos limites do terreno); Tácteis (contacto das lâminas, a posição dos dedos no punho); Auditivas (barulho das lâminas, voz do árbitro). Todo o processo exige uma forte estabilidade e um conjunto de acções ofensivas e defensivas, com ou sem arma, que servem para criar desequilíbrios no adversário e tirar vantagem dessas situações. O desenvolvimento normal de um jovem prevê um crescimento muito acentuado na adolescência. O centro de gravidade é alterado, as dimensões dos braços e pernas aumentam. Uma pedagogia interrogativa exigente permite uma adequada adaptação ao jogo do adversário, o que obriga ao desenvolvimento: Do Julgamento; Espírito Lógico; Capacidade de Síntese; Criatividade e Imaginação; Desenvolvimento da Memória e da Inteligência; Desenvolvimento da Capacidade de Reacção. No plano psicomotor a contribui eficazmente para o desenvolvimento do equilíbrio, do reforço muscular e da flexibilidade. Existe uma melhoria da coordenação entre os braços e as pernas. A sua prática é muito rica no domínio neuro-muscular. A procura e a manutenção do equilíbrio permanente são essenciais, sem as quais não seria possível efectuar mudanças de velocidade e direcção. A tomada de consciência de uma atitude postural correcta, obriga a uma adequada colocação correcta da cintura escapular e pélvica. 4 – CONCLUSÃO Para finalizar fico com a mesma convicção que tinha o Fundador do Colégio Militar (Marechal Teixeira Rebelo) expressa à 206 anos. A Esgrima era, é e continuará a ser uma disciplina importante na formação dos alunos do Colégio Militar, preparando-os para serem cidadãos completos e equilibrados, aptos a enfrentar os “combates” da vida moderna.” Tal como tem acontecido desde há alguns anos, foram entregues medalhas e prémios aos Alunos que no Ano Lectivo anterior se distinguiram na Aplicação Literária e na Aplicação Física, e as cartas de Curso aos Finalistas do ano de 2008/2009. O encerramento da cerimónia teve lugar com todos os presentes a entoarem o Hino Nacional. Pelas 18h00, com a competente Guarda de Honra foi arriada a Bandeira Nacional. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949
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A Nossa LUZ – e também a uma viagem empoeirada por livros e documentos desses tempos: o Palma Fernandes, a Caixa das Perguntas, a Selecta Literária, o “livro dos Cães”, os “calistos”, o “livro de Curso”, os “Anuários”, as “ordens de serviço”… e “A Nossa Luz”. Lembram-se deste último, que chegou até nós em 1960? Deixem-me citar uma vez mais o meu livrinho. Falando de regras e do seu cumprimento, dizia então assim:
Fez no passado dia 6 de Outubro 50 anos que, entre amedrontado e expectante, entrei com 10 anos no Colégio Militar. De lá saí sete anos passados – e quase um Homem! Do que hoje sou, muito lhe devo: aos princípios que me incutiu, à forma limpa de encarar a Vida e a sociedade, aos valores que me transmitiu e que, imunes à vertigem dos anos, sempre entendi deverem nortear a conduta das pessoas de bem. A proximidade daquela data fez-me reflectir sobre o que foi a nossa vivência no Colégio nesses longínquos anos 60 do século passado: “as alegrias e os desânimos que partilhámos, as expectativas que criámos, os medos, as pequenas derrotas e as grandes vitórias que nos temperaram o ânimo e moldaram o carácter”. Assim escrevi eu no prefácio de um pequeno livro onde decidi verter, entre histórias e memórias, essas mesmas reflexões. A sua construção, para além de um grato exercício de prospecção pelos cantos do passado, levou-me a auscultar camaradas – a quem recorri para confrontar factos e criticar rascunhos 78
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“…A coisa era linear, um pouco brutal talvez, e podia generalizar-se, na prática, a todos os aspectos da vida colegial: 1.º - havia regras; 2.º - as regras eram simples e do conhecimento de todos (no nosso 2.º ano foi mesmo editado, e por todos distribuído, o livro “A Nossa Luz”, um repositório completo das normas que devíamos seguir); 3.º - quem as transgredisse não se queixasse depois das consequências. E 4.º quem as cumprisse não era incomodado.
Com uma ligeira nuance que aprendemos rapidamente: o grupo prevalecia sobre o indivíduo…”. E por aí adiante. Assim referi eu “A Nossa Luz”. Mas em boa verdade tínhamos ali muito mais do que uma simples colectânea de “Normas para a orientação da vida colegial no Colégio Militar”, como ela própria se definia. “A Nossa Luz” também educava. Datada em alguns aspectos, como não podia deixar de ser, muitos dos ensinamentos que aí colhemos com 10, 11 anos de idade mantêm contudo uma surpreendente actualidade. Aqui ficam alguns deles, para reflectir, relembrar e sorrir, neste atribulado dealbar do século XXI. (E talvez – quem sabe? – para mostrar também aos netos…) A DISCIPLINA Ser alguém, como desejas ser e o Colégio pretende, é árduo, tem dificuldades que é preciso aprender e vencer. A primeira é venceres-te a ti próprio. Esse objectivo hás-de alcançá-lo ajudado principalmente pela disciplina.
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A disciplina consiste na obediência à determinação legal. Essa obediência deve ser consciente e voluntária, se a disciplina é sólida e eficiente.
ves nunca assim proceder. Aproveita o facto de teres notado e no teu íntimo censurado o que viste para, no futuro, nunca te deixares expor a criticas semelhantes pelos que te observam.
A APLICAÇÃO A falta de tenacidade, de organização e de auto-disciplina são pontos fracos do nosso povo. Tens, desde jovem, de habituar-te a combater esses defeitos para, quando chamado a conduzir os outros, lhes poderes transmitir as qualidades que lhes faltam. O COMPORTAMENTO O teu comportamento traduz o índice da tua educação. A leitura deste livrinho e as indicações que te irão sendo dadas pelo pessoal do Colégio, aliadas à ideia que fazes do bem e do mal, indicarte-ão em quase todas as circunstâncias qual o procedimento que deves seguir. Há porém algumas regras infalíveis que deverás seguir sempre com intransigência: - Sempre que sejas incitado por alguém à prática de qualquer acto que nunca tenhas presenciado em público, nega-te antes de teres consultado o teu Comandante de Companhia. - Nunca frequentes esconderijos sob que pretexto for: o homem de bem não oculta os seu actos. - Não cedas a ameaças nem receies represálias por seguir estas regras. O SERVIÇO Como pequeno militar que és, sê intransigente nas exigências do serviço, quer para contigo próprio quer para com os outros. Assim conquistarás a consideração e a confiança da parte dos teus superiores, camaradas e subordinados, que tornará as relações de todos, fora do serviço, naturais, confiantes e, enfim, afectuosas como devem ser. O EXEMPLO Tanto os bons como os maus exemplos te devem servir de lição daquilo que deve ou não deve ser feito. Segue o bom e serve-te da falha que notares como lembrança de que não de-
O ESTUDO Estudar é antes de tudo compreender, depois fixar e aplicar. No estudo deverás ser metódico. Estuda sempre um pouco, mesmo que não tenhas necessidade imediata da matéria. Não te atrases. Não te regules pelos outros, regula-te por ti próprio, pois em matéria de aprendizagem não há dois homens iguais. O TREINO Desabitua-te de confiares nos milagres da improvisação, pois eles não existem. Somo um povo com grandes qualidades de adaptação e improvisação, e porque estas nos têm resolvido muitas vezes os problemas, temos a preguiçosa tendência de sob eles descansar. É um erro. É graças à persistente aplicação dos alunos desta Casa que o Colégio detém cinco recordes nacionais de iniciados. Mas não te envaideças e presta homenagem aos outros que, não tendo os meios que possuis, detêm para si os outros recordes. Mas acima de tudo é necessário que mantenhas o espírito desportivo. Prestigiou mais o Colégio a equipa de voley de 1959/60 ao acusar-se de uma falta que tinha passado despercebida ao árbitro e que lhe fez perder o jogo, do que o tivesse ganho. O CONVÍVIO SOCIAL Necessidades iniciais de sobrevivência levam o homem a não viver isolado, impondo-lhe uma existência em conjuntos sociais mais ou menos numerosos. Lembra-te sempre que as atenções que dispensares ao teu semelhante são também no teu próprio interesse, porque constituem a base do estabelecimento da amizade e da simpatia, chaves que abrem portas que nem a fortuna muitas vezes consegue transpor. Revista da AAACM
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- Nunca deixes, por comodismo, de ter uma atenção para quem a mereça.
- Procura interessar-te pelas coisas em que os teus pais se empenham.
- Não monopolizes a conversa.
- Organiza uma lista dos teus maus hábitos e procura corrigi-los.
- Não te queiras “meter pelos olhos dentro” de ninguém. - Esforça-te por mostrar consideração pelas outras pessoas. - Admite os teus erros e insucessos com bom humor. Não “embatuques”; confessa com boa cara: “Que grande fracasso!”, se for caso disso. - A graça é um dom muito subtil que só raros possuem; não a forces nem ridicularizes ninguém para ser engraçado. - Ouve delicada e atentamente as opiniões dos outros, mesmo que as consideres disparatadas.
- Se tiveres um desaire, se fores classificado pior do que julgas merecer, não peças, não adules, sê digno. Esforça-te apenas por, tão cedo quanto possas, demonstrar honestamente ao mestre e aos camaradas, com as provas que deres do teu saber, que foste deficientemente classificado. Em resumo: risca do teu dicionário as palavras “recomendação”, “adulação” e “fraude”, porque são impróprias de um aluno do Colégio. Só as instituições onde entram a Justiça e a Verdade subsistem e se dignificam – e o nosso Colégio tem de manter-se e continuar digno.
- Não te empenhes em discussões estéreis. - Aceita e aproveita mais a crítica que o elogio, mas não te faças demasiado rogado. - Não prejudiques a alegria das outras pessoas exteriorizando o teu aborrecimento. - Não excluas ninguém do teu convívio por motivo de preconceitos rácicos, políticos, religiosos ou de classe. Apenas o seu comportamento moral deve motivar o afastamento. - Não trates os mais velhos por “você” nem ridicularizes a sua geração. - Não menciones constantemente o nome de pessoas importantes para demonstrares ou fingires que as conheces. - Mostra aos teus amigos que numa emergência podem contar contigo. - Orienta os teus problemas contando contigo. Evita pedir auxílio mas sê prestável. - Não dances só com as moças que te agradem. Dança pelo menos uma vez com as que conheces. - Evita falar alto, com arrogância e não critiques toda a gente. - Pensa e actua. Toda a gente aprecia os jovens com iniciativa. - Quando estiveres em casa não desarrumes. Que ninguém sinta que a tua presença aumenta o seu trabalho. 80
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A FAMÍLIA Quanto à Família é preciso que te lembres: os laços que a ela te unem jamais podem ser esquecidos. Sai sempre que possas e vai a casa. Os teus pais são os teus melhores conselheiros. Trataos com carinho e orgulha-te deles. Sê sensato e livra-os de preocupações desnecessárias. A tendência natural para levar à família a solução dos teus problemas não deve ser exagerada. A maior parte deles são só teus; tu os deverás resolver. A tua estadia no Colégio traduz-se num esforço maior ou menor para os teus pais. Não dês pois origem a despesas suplementares por desmazelo, deteriorando seja o que for, e habitua-te a dar valor ao dinheiro que te dão para os teus extraordinários, moderando as tuas despesas. Toda a moeda mal gasta vai sobrecarregar injustamente quem aqui te mantém e poderia, se bem empregue, minorar as incomodidades a muitos portugueses que não têm a sorte de ter o teu nível de vida e que deves estimar como irmãos. Rui Manuel Sá Leal 502/1959
DO COLÉGIO A Celebração dos 50 anos de saída do Curso de 1952-59
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Reprodução do desenho do selo de €0,43 da serie comemorativa do Bi-Centenário do Colégio Militar
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COLABORAÇÃO
Barretina Pertences à Casa de uma história com significado... És a Paixão e a Insígnia; Símbolo de uma temerária inveja E apetecível sabedoria... Em ti, a existência tem o seu orgulho e agrado. Na cabeça, tu te impões, esbelta e fulgurante, Em nós, tens um valor exorbitante; Menino marcha a Avenida de arma empoleirada ao ombro E tu amiga, no alto brilhas, iluminando qualquer escombro. Dos teus cabelos verdejantes, chamas a atenção aos transeuntes e viajantes, Teus olhos dourados – (CM) - cegam o redor com gritos venerados, E possuis um sorriso impressionante e tão grande! A tua altivez é de espanto É de erguer o sobrolho Tens o encanto, Eu pisco o olho. Cânticos uníssonos e gritos guerreiros Menino arrepia e estremece Desalinha e esquece Nervoso tímido... Retoma a linha e recompõe a diagonal De Espírito embebido E com o seu empenho habitual... Marcha! Marcha de calcanhares sonantes Menino da Luz, força divinal! Tua presença cativante Capaz de afugentar A chuva, tempestades e Hades, Inquietude incessante Capaz de demonstrar O valor das tuas potencialidades. Jamais te queremos ao invés, Cravas a tua imagem Na lapela dos “Antigos” Trespassas a coragem, Pelo ideal que és! Obrigado, Barretina! Simão Ma 403/1996
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COLABORAÇÃO O Futuro do Rotary está nas Suas Mãos
O Futuro do Rotary está nas Suas Mãos A Roda Rotária é o símbolo do “Rotary International” que nos identifica mundialmente através dos 33.000 clubes distribuídos por 200 países. A roda exprime a dinâmica dos ideais e das acções, a cremalheira lembra-nos que não devemos actuar isolados mas antes engrenados com as comunidades reais através de colaborações e parcerias, potencializando capacidades e recursos. O Rotary não é uma organização hermética, fechada em si própria, limitada por dogmas, restringida a apenas alguns. O Rotary é um movimento aberto a todos os homens e mulheres de boa vontade capazes de amar o próximo apenas porque o próximo é um ser humano, independentemente de raças, de religiões, de convicções políticas. Um ser humano que dignificamos no reconhecimento do direito à diferença e que nos propomos ajudar desde que essa seja reconhecidamente a sua necessidade e vontade. Rotary é uma maneira de estar e actuar, comum a muitas pessoas que ainda não se identificam com este movimento que já envolve em todo o mundo 1,2 milhão de associados mas que esperamos a todo o momento se juntem a nós Rotary é uma oportunidade de servir a comunidade, de interagir com o mundo real, autêntico, o mundo das necessidades escondidas, envergonhadas, da solidão, do esquecimento. O Mundo está em mudança e temos que ser nós todos, os que sentimos os apelos da humanidade, que temos de unir vontades, esforços e recursos, para sermos agentes activos dessa mudança que queremos seja boa e sã. Nós rotários assumimos esse compromisso. E você?
John Kenny, Presidente do Rotary Internacional, no corrente Ano Rotário de 2009/2010 (o ano Rotário começa em 1 de Julho de cada ano e termina no dia 30 de Junho do ano seguinte) elegeu para este ano da sua presidência, o lema “O Futuro do Rotary Está em Suas Mãos”, que definiu assim na sua Mensagem como Presidente do RI: “…O trabalho do rotário traz imensos benefícios. Desfrutamos de um companheirismo ímpar uns com os outros e a enorme satisfação pessoal advinda do saber que somos úteis aos nossos semelhantes. Se você acredita no Rotary e na sua enorme capacidade de fazer uma diferença no mundo, é a hora de erguer o espírito e fazer o melhor trabalho que puder, de todo o coração, alma e mente. O Futuro do Rotary está nas Suas Mãos.” E assim é no Rotary Club da Portela. José Pereira da Rosa Secretário do RCP 2009/2010 280/1949 Revista da AAACM
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COLABORAÇÃO
Blogosfera, Lixo não reciclável Antes de ler já vemos onde irei chegar, o título é sugestivo e a cada um faz despertar sensações diferentes. À velha guarda a liberdade foi uma conquista, algo que custou a adquirir, a demanda de uma vida, arrancada a ferros ao regime. Aos mais novos pouca diferença faz, a liberdade foi algo nunca negado, reclamado constantemente mas com uma amplitude não definida. “Então e o direito de opinião?” esta foi a forma de criar lixo, tudo é opinião, à diarreia mental de qualquer idiota chamamos imprensa, temos que lhe dar liberdade. A liberdade de fazer e dizer aquilo que conjectura, sem prova, sem limites, sem honrar “aquela liberdade” que lhe foi oferecida. Dezenas de plataformas criadoras de Blogs foram aparecendo.
O escrutínio feito pelos pares deixou de ter importância, os compadrios e influências sobrepõem-se à opinião justa e construtiva. O poder caiu na rua, sobrevive quem não brilha, aquele que atinge a excelência e tem provas dadas na sociedade será apedrejado, apedrejado até cair. Melhor é ser medíocre, o medíocre é coitadinho, o excelente está a mais. A libertinagem, actual liberdade, destrói o nosso mundo. A melhor forma é não ler. Filtrar este lixo digital pela ausência de clientes, deixar que o mau morra intoxicado pelo seu cheiro a mofo. Seleccionar a leitura por autores e não por títulos, obrigar a que a divulgação da opinião seja dura e elitista e não mais uma história de cordel, efémera e vazia.
Fazendo uma pesquisa, todos opinam sobre tudo, desde os temas mais mundanos até à alta política, tocando nas ciências, raspando a tecnologia e desonrando a medicina. É possível encontrar de tudo um pouco, qualquer opinião pode ser defendida e certamente encontraremos nesta Blogosfera “provas incontornáveis” a defender o preto e o branco.
A escolha é feita pelos pares, enquanto os pares forem lixo, lixo teremos a infectar a blogosfera. Um lixo não reciclável e transmissor de doenças.
Como filtrar? Se assim é, como filtrar? Como sabemos o que ler e o que não ler? O que apoiar e o que ignorar…
José João Marques da Cunha Medeiros de Almeida 497/1995
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Somos vítimas do progresso tentando reciclar lixo não reciclável.
RECORDANDO
Ferramentas Trabalhos 85 Manuais Revista dos da AAACM ©Foto: Arquivo Histórico do Colégio Militar
RECORDANDO
Os 10 Sabemos que as reuniões de confraternização de antigos companheiros de escola não é exclusivo do nosso Colégio Militar, mas admito que as nossas têm particular significado pela frequência, pela participação e até pela diversidade. E creio que é uma das vias que mais concorrem para a caracterização e manutenção daquilo a que chamamos o espírito colegial e consideramos uma das nossas imagens de marca. Na maior parte das vezes as reuniões são geracionais, com predominância para as reuniões de cursos. Nesse particular penso que pertenço a um curso sui-generis, o de 1943-1950 e que, obviamente, integra todos os que por ele passaram, entrados para o 2.º e 3.º anos em 1944 e 1945, ou que a ele vieram parar “chumbados” do curso anterior, tendo concluído ou não o curso no Colégio. Reunimo-nos duas vezes por mês no restaurante da Asso-
ciação com número de presenças assinalável e, no jantar do 3 de Março no Colégio normalmente apertamo-nos para cabermos todos numa mesa. Pela regularidade dos nossos almoços constituímos como que um núcleo de convergência ao qual se vêm juntar amigos de outros cursos mais chegados que, quando lhes apetece, sabem que ali encontram um ambiente de convívio fraterno e alegre onde, sem saudosismos doentios, gostamos de recordar a vida que partilhámos no Colégio. E falamos de tudo, com tolerância e respeito pelas nossas diferenças mas também com a irreverência que foi a da nossa juventude, porque somos amigos e temos muito em comum. Mas estas reuniões são, como dizia, geracionais, de grupos que viveram no Colégio em conjunto, nas mesmas instalações, com os mesmos professores, com os mesmos oficiais
No topo da mesa o Aragão e Rio (1937-43); para a sua direita Branco Domingues (1952-59), Pezarat Correia (1943-50) e Hélder Salgueiro (1995-03); para a sua esquerda Guerra de Sousa (actual 10), Rodrigues de Carvalho (1979-87) e José Guerreiro (1987-95). 86
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RECORDANDO Os 10
e sargentos, os mesmos serventes, as mesmas regras internas, as mesmas “refractarices”, as mesmas tradições e códigos de conduta, os mesmos programas escolares e desportivos, as mesmas ementas, que conheceram as famílias uns dos outros e “raparam” atrás das mesmas “miúdas”. Enfim, o mesmo “meu tempo”. Até o jantar do 3 de Março no Colégio, apesar de abrangente a todas as gerações, acaba por ter uma tendência geracional porque se juntam nas mesas cursos mais ou menos chegados. Diferentes são os jantares de 3 de Março fora de Lisboa ou no estrangeiro que, por reunirem menos ex-alunos, são mais integradores. Vem isto a propósito porque, muito recentemente, a 12 de Setembro, participei numa reunião diferente e, essa sim, absolutamente transgeracional. Juntaram-se os ex-10 e esses, por definição, exactamente porque são antecessores e sucessores uns dos outros, nunca se juntaram como alunos. Por outro lado o 10 é um número baixo e, por isso esteve sempre preenchido. Creio que nunca terá havido um ano lectivo em que não houvesse no Colégio um aluno n.º 10. Claro que estas coisas só são possíveis quando há um “carola” com iniciativa e, neste caso, foi precisamente o mais novo, o Hélder Salgueiro (1995-2003), que teve a feliz ideia e persistiu até conseguir juntar seis ex-10 e mais o actual 10, o João Guerra de Sousa, entrado em 2003 e actualmente no 11º ano. Estiveram presentes: - João Aragão e Rio (1937-43), actual decano dos ex-10 vivos - Pedro de Pezarat Correia (1943-50) - Luís Branco Domingues (1952-59) - Nelson Rodrigues de Carvalho (1979-87) - José Morais Guerreiro (1987-95) - Hélder Alves Salgueiro (1995-03) - João Guerra de Sousa (2003-….) Isto é, dos treze entrados a partir de 1937 compareceram sete e mais dois, o António Pacheco Neves (1965-71) e o Carlos Pugsley Inocêncio (1974-79), responderam afirmativamente ao contacto mas não puderam comparecer por razões ponderáveis. Contamos que se juntem a nós num próximo convívio.
Dos restantes quatro, António Matias Fernandes (1950-52), António Pires Pombo (195965), Fernando Vargas Prado (1963-65) e José Sinde Monteiro (1971-74), desconhece-se o paradeiro. Talvez a publicação deste texto possa proporcionar a sua localização e aproximação. O almoço foi um sucesso, o Hélder está de parabéns e o Aragão e Rio, como se constata na foto, assumiu em pleno as responsabilidades do “mais antigo”. A maior parte de nós não nos conhecíamos uns aos outros, mas estivemos ali como se nos víssemos todos os dias. Confirmámos que de facto, para além das instalações que se renovam e substituem, para além dos professores oficiais, sargentos e serventes que se rendem, para além das épocas e dos ambientes envolventes que evoluem, para além do ”meu tempo”, há algo que perdura, uma linguagem, uma mística, tradições, que são, afinal, o que consubstancia o espírito colegial. Este género de encontros, porque genuinamente transgeracional, serão dos que melhor contribuem para dar razão ao ex-56 de 1889 José Maria Sardinha Pereira Coelho, major, jornalista e autor teatral, que em 16 de Junho de 1928 publicou no Diário de Notícias um artigo do qual extraio uma das frases de que mais gosto porque melhor identifica o espírito colegial: «Tu lá quem és? Um avançado? Um conservador? Um ateu? Um crente? Um desventurado? Um triunfador? Um vencido? Que importa? Estiveste no Colégio Militar? Viveste debaixo do mesmo teto que eu vivi? Há dez, há quinze ou há vinte anos? Comeste à mesma mesa? Dormiste na mesma cama? Guardas no peito as recordações daqueles anos de convivência? (…) Foste educado naquela exemplaríssima escola de camaradagem? (…) És meu irmão.» Pois é. Juntámo-nos ali irmãos que vão dos 83 aos 17 anos e que têm isto em comum – fizeram-se homens vestindo a mesma farda cor-de-pinhão. E sabem o que significa esta palavra que para outros não terá sentido mas que para nós tem o valor da solidariedade – ZACATRAZ. Pedro Júlio de Pezarat Correia 10/1943 Revista da AAACM
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RECORDANDO
RECORDANDO “A Circunstância do Estado Exíguo”
“A Circunstância do Estado Exíguo” No Instituto de Defesa Nacional, teve lugar o lançamento do livro “A Circunstância do Estado Exíguo”, de autoria do Professor Adriano Moreira. Independentemente do valor da obra no seu todo, dele transcrevemos com a devida vénia o seguinte parágrafo:
“ Como, em plano historicamente diferente, foram instituições como o Colégio Militar e o Instituto Militar dos Pupilos do Exército, que parecem dever ser hoje avaliados dentro da problemática da integração vertical dos subsistemas de ensino, tudo criações que fazem parte de um património que não deve ser alienado por critérios de gestão, porque o ensino, e os seus pilares históricos, devem ser sustentados como despesas de soberania.”
Solidariedade
Se este for o momento em que tudo te parece falhar e o desânimo te invade,
"por favor não desistas", porque nós não desistimos de ti.
Liga 91 967 17 87
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RECORDANDO Antigos Alunos do Colégio Militar em destaque
Antigos Alunos do Colégio Militar em destaque • António José Fonseca Cavaleiro de Ferreira (332/1950), Vice-Almirante, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Aviz, tendo o General Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas procedido à imposição da condecoração no passado dia 15 de Junho de 2009.
• Pedro Mendonça de Queiroz Pereira (140/1959) foi condecorado pelo Presidente da Republica com a Grã Cruz da Ordem de Mérito Industrial, no decorrer da cerimónia da inauguração da nova fábrica de papel da Portucel, empresa dirigida pelo distinguido. • Carlos de Alpoim Vieira Barbosa (231/1960) foi eleito Vice-Presidente da FIA (Federação Internacional do Automóvel) para a Mobilidade e Turismo. • Gonçalo de Medina Figueiredo de Barros (440/1967), Administrador da Ticket Restaurante de Portugal, celebrou um acordo com a Caritas para ajuda humanitária através desta organização junto de famílias em situação económica difícil, mediante a concessão de vouchers de alimentação.
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RECORDANDO
Foi bonito de viver Nos passados dias 5 e 6 de Junho comemorámos os 50 anos de existência da nossa Escolta a Cavalo. Foi uma bela festa. As direcções do Colégio e da nossa Associação estão de parabéns. Engendraram um bom programa que foi do agrado geral e que nos soube a pouco. As comemorações começaram no dia 5 com um jantar no refeitório dos alunos do Colégio, onde nos reunimos, talvez para cima de centena e meia dos cerca de 650 ex-alunos, que passaram pelas fileiras da escolta, durante os 50 anos da sua existência.
©Foto Sergio Garcia
Lá atacámos o inevitável “amarelo” e recordámos muitos dos episódios que vivemos, enquanto cavaleiros colegiais. Durante o jantar foram exibidos slides com as fotos dos 50 comandantes da escolta, que já tinham sido exibidos na festa de comemoração do último aniversário da Associação e que foram compilados pelo Samuel Ma, que tem sido de uma dedicação exemplar à nossa Associação.
Começou a sua intervenção, pedindo um minuto de silêncio em homenagem ao fundador da escolta, o então Capitão Manuel Cerqueira, o “Manel”, para aqueles que foram seus instruendos, figura inesquecível de oficial de Cavalaria, nas décadas de 50 e 60, no Colégio. Foi uma homenagem justíssima ao homem que teve um sonho e que o soube transformar numa realidade, que ainda hoje perdura.
No final do jantar o actual presidente da Associação, o Martiniano Gonçalves, ele próprio antigo membro da escolta, dirigiu a palavra aos comensais, para agradecer a nossa presença e para nos dar conta das muitas mensagens que recebeu a propósito do evento.
O Martiniano leu-nos várias mensagens que recebeu de antigos elementos da escolta, que não puderam estar presentes no jantar, tendome tocado particularmente duas dessas mensagens. A primeira foi do Comandante da escolta do meu curso, e grande amigo, o António
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RECORDANDO Foi bonito de viver
Tribolet (ex 61/56), que além de enviar uma mensagem, telefonou durante o jantar, da Arábia Saudita, onde se encontra a trabalhar, dizendo que estava em espírito conosco e que brindava pela Escolta, não com o tradicional cálice de Porto, interdito pela lei islâmica, mas com uma limonada, a bebida possível naquelas paragens. A outra mensagem que destaco, foi a enviada por um antigo soldado da Formação, tratador de cavalos, que também se quis associar em espírito à nossa comemoração. Esta manifestação traduz bem, para mim, o que é a Família Colegial e a força que a une. Desde o soldado ou o fâmulo mais modesto, até ao antigo aluno mais distinto, há um traço de união indestrutível, o Espírito do Colégio, que é o nosso bilhete de identidade comum. O acto deste antigo soldado, fez-me de novo recordar o “Manel”, que como Comandante da Formação, era querido e respeitado pelos seus soldados. Ele sabia transmitir-lhes o orgulho de serem também uma parte importante da comunidade colegial. No seu tempo, à saída da Formação, afixado junto às pesadas folhas verdes escuras do seu portão, estava um painel com a seguinte quadra: Ao saíres a Porta de Armas Sai com garbo e atenção Lembra-te, não vais sozinho Vai contigo a Formação Passados 50 anos, não esqueci esta quadra. Onde estará aquele painel? Merecia estar no Museu Colegial. O jantar do dia 5 reservou-nos ainda duas surpresas no seu final. A primeira, foi a projecção de um slide de 1947, com a imagem do PortaBandeira do Colégio e da sua escolta, todos a cavalo, a desfilarem em frente à tribuna de honra, na cerimónia da entrega do bastão de Marechal ao então Presidente da República, Óscar Carmona. Nessa cerimónia o Colégio
participou com dois esquadrões a cavalo. Eu já tinha conhecimento deste episódio inédito através de um ex- aluno, que nele tomou parte, mas nunca tinha tido oportunidade de ver qualquer imagem do mesmo. A surpresa final foi protagonizada pelo General Marquilhas, pai e avô de membros da Escolta, que nos lembrou que o que nos reunia ali, para além da nossa condição de ex-membros da Escolta, era a nossa paixão pelos cavalos, sem a qual não se é cavaleiro. Terminou a sua intervenção, liderando-nos no grito da nossa gloriosa Cavalaria. “Ao galope, ao galope, ao galope. À cargaaaaa!”. No dia 6, sábado, lá se realizou o habitual “jumping” anual do Colégio, onde se prestou homenagem aos antigos comandantes da Escolta, que foram chamados individualmente à pista, e a quem foram oferecidos conjuntos de recordações do evento. O momento foi assinalado como devia ser, com um valente “Zacatraz” do actual comandante da Escolta. Do “jumping” propriamente dito, não posso deixar de salientar a exibição do decano dos nossos cavaleiros no activo, o Nuno Bívar. Este “rapaz” de 76 anos é um exemplo e uma fonte de inspiração para todos nós. Penso que já há muito tempo terá decidido deitar fora o seu bilhete de identidade e deixado de fazer anos. Mantém uma frescura física e uma juventude de espírito verdadeiramente impressionantes, que lhe permitem continuar a conquistar os lugares de topo das provas em que participa. Que inveja me faz! (no bom sentido). Termino, sugerindo à Direcção da nossa revista, que publique na mesma as duas páginas do opúsculo que nos foi distribuído durante as comemorações, com as fotografias de todos os antigos comandante da Escolta. Ficarão assim para a posteridade, não só os seus números e nomes, já anteriormente publicados, mas também as suas fronhas. Luís Filipe Ribeiro Ferreira Barbosa 71/1957
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RECORDANDO
RECORDANDO A Band of Brother
A Band of Brother Pensei em vários títulos possíveis para este “post”, mas julgo que só o discurso de Henrique V às suas tropas antes da Batalha de Agincourt poderia fazer justiça a estes quatro ex-Alunos. Mais do que um “quem é quem” ou infindáveis “listas de ex-Alunos famosos”, estes sim, para mim representam o Colégio de que me orgulho.
O Batalhão de Cavalaria nr 2899 - conhecido pelos “Ás de Espadas” - teve durante a Guerra do Ultramar referências elogiosas na imprensa nacional por actos de bravura praticados no Leste de Angola e pela grande acção socioeconómica e cultural desenvolvida na zona de Catete. Por tudo isto foi o dito batalhão agraciado, colectivamente, com a medalha de prata de valor militar, a primeira atribuída nestas condições, depois da guerra de 1914/18, a um batalhão da metrópole. O comandante deste bravo batalhão era o, então tenente-coronel, Fonseca Lage (233/33), o segundo comandante era o major Martins Marquilhas (67/44), os comandantes de companhia capitão Costa Martins (295/50) que morreu em combate e o capitão Silva Duarte (153/51). O Batalhão de Cavalaria 2899, como já se disse, passou uma boa parte da comissão de serviço no Leste de Angola e recebeu do briga92
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deiro comandante da Zona Militar Leste (ZML) um louvor que reza assim: “O Batalhão de Cavalaria 2899, pela forma esforçada e dedicada como vem desempenhado a sua missão operacional. Tem a seu cargo extensíssima área onde o inimigo se furta normalmente ao contacto e só se revela pela traiçoeira implantação de engenhos explosivos por emboscadas ou flagelações fugazes. Estas circunstâncias fazem com que haja permanentemente necessidade de procurar o contacto em locais muito afastados, só acessíveis por meio de marchas a pé de enorme extensão por terrenos arenosos, atravessando rios e pântanos, sob o sol ardente ou em noites frígidas, com utilização prolongada de acções de combate. Todas estas incomodidades e perigos têm sido suportados galhardamente pelas tropas que, com um moral elevado e firme vontade, têm amplamente cumprido o seu dever. Todos estes factos fazem com que se entenda ser da mais elementar justiça tornar público este louvor que traduz o apreço que a ZML tem pela valorosa acção dos oficiais, sargentos e praças deste Batalhão”. Para o Costa Martins (295/1950), aqui fica o discurso do Rei Henrique V às suas tropas, e imortalizado por Shakespeare em Henry V: And Crispin Crispian shall ne’er go by, From this day to the ending of the world, But we in it shall be remember’d; We few, we happy few, we band of brothers; For he to-day that sheds his blood with me Shall be my brother; be he ne’er so vile, This day shall gentle his condition: And gentlemen in England now a-bed Shall think themselves accursed they were not here, And hold their manhoods cheap whiles any speaks That fought with us upon Saint Crispin’s day.
King Henry, V.iii in Blog do Quinze de 75 defreitas.blog.co.uk
RECORDANDO Os que nos deixaram
OS QUE NOS DEIXARAM ANTÓNIO HORTA GALVÃO DE ALMEIDA BRANDÃO (346/1923) Contra-Almirante – Membro vitalício do Conselho supremo Faleceu a 4 de Outubro de 2009
Vai depois para o norte do País comandar a Lancha de Fiscalização “Corvina” (1946/1949), tendo tido uma acção importante na defesa dos nossos recursos pesqueiros, frequentemente invadidos por barcos espanhóis, e com os quais teve alguns contactos não muito amigáveis. Ficou conhecido pela “Patrulha da Alvorada” porque partia para o mar ao anoitecer, ficando para lá dos barcos que por aí fainavam, evitando que pudessem fugir para além das nossas águas territoriais. Disse-lhe uma vez um desses detidos, para quem terá sido mais benevolente, que tinha “a cabeça a prémio” na comunidade dos pescadores espanhóis que aí actuavam. Mais tarde virá a ser comandante da “Flotilha de Draga-Minas” (1968/1969).
Faleceu no dia 4 de Outubro de 2009 o ContraAlmirante António Horta Galvão de Almeida Brandão. Filho de um também oficial de marinha – Jaime Pinto de Almeida Brandão, entra para o Colégio Militar no ano de 1923. Passa pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Escola Naval, como se fazia nessa época. Embarca pela primeira vez (1930) no Aviso de 2.ª Classe “República”. Em 1937 tira a especialização de Artilharia Naval. O seu segundo embarque fá-lo no histórico e representativo navio da nossa Armada, a “Fragata D. Fernando II e Glória” (1937/1938). Fará depois várias comissões nos Contra Torpedeiros, que eram na época, navios de topo da Marinha de Guerra Portuguesa: “Dão” (1938/1939), “Douro” (1941/1944), “Lima” (1945/1946), para voltar de novo ao Contra Torpedeiro “Dão” (1954/1956) como seu comandante.
Entre 1949 e 1954 foi Capitão de Porto da Nazaré, onde granjeou várias amizades entre armadores e pescadores desse nosso porto de pesca, com os quais manteve contactos e cordiais relações para além dessa época, e a quem revia quando aí se deslocava em passeio. Dessas amizades que o deixaram ligado à Nazaré, foi possível obter, quando o Contra-Almirante Almeida Brandão colaborou com o Museu da Marinha e com à Associação dos Amigos do mesmo, um barco típico daquela praia, quando já só talvez existia esse mesmo exemplar em condições de ser restaurado, e que hoje pode ser visto no Museu de Marinha. Mais tarde (1956/1961) foi nomeado “Director de Instrução da Escola de Artilharia”. Adjunto do Capitão do Porto de Lisboa (1961/1965). Segundo Comandante da Base Naval do Alfeite (1966). Chefe da “Segunda Repartição da Direcção do Serviço de Pessoal” (1966/1968) e (1969/1971). Professor efectivo do Curso de Altos Comandos do “Instituto de Altos Estudos Militares” (1971/1972) e (1974). Subdirector do “Instituto Superior Naval de Guerra” (1972/1973). Revista da AAACM
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RECORDANDO
A sua última e grande comissão de serviço, cumpriu-a em África, quando aceitou o comando da “Defesa Marítima da Guiné”. Tinha 60 anos. Sabia, sabíamos todos nós o momento difícil que se vivia naquela nossa parcela de África. Ele sabia-o mais do que ninguém, porque ia substituir um camarada de curso e um amigo muito ligado o Contra-Almirante Moura da Fonseca, mas nunca pensou em recusar. A dedicação, o amor e o empenho que durante mais de 50 anos foram os valores com que se relacionou com a Marinha de Guerra Portuguesa e a sua profissão, “obrigavam-no” a aceitar este seu último desafio. Várias vezes recebeu convites para exercer actividades profissionais fora da vida militar, decerto com melhores condições materiais, mas nunca deixou que os convites passassem disso mesmo. O 25 de Abril de 1974 dá-se consigo na Guiné. Foram, creio, momentos difíceis e felizes os que aí viveu, mas também de enorme responsabilidade. Por afastamento e vinda para Lisboa do então comandante-chefe Militar e Governador General Bettencourt Rodrigues, assume, por solicitação do MFA na Guiné, esse comando Militar interinamente até ser substituído, finalizar a sua comissão e regressar a Lisboa, onde passará à reserva em 1974 com alguma mágoa pelo fim da sua carreira. Ele foi para todos nós família e amigos mais chegados um exemplo de honestidade e rectidão. Tanto antes como depois, soube dizer sim como soube dizer não, tanto antes como depois se sentiu algumas vezes injustiçado, sem que isso o nunca tenha feito abandonar o profissionalismo com que sempre encarou a sua carreira. Os tempos de reforma levam-no a fazer aquilo de que muito gostava – investigação histórica, mormente relacionada com assuntos marítimos. A convite do CEMA de então, colaborou
na execução da história da intervenção da Marinha na Guerra do Ultramar. Sócio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, de que foi presidente da Assembleia-Geral e membro do Conselho Supremo, aí realizou várias conferências. O seu espírito associativo fá-lo igualmente colaborar com Direcções do Clube Militar Naval, tendo sido aí também, Presidente da Mesa da Assembleia-Geral. Como ex-aluno do Colégio Militar – 346/1923 e com o orgulho de ter pertencido a essa instituição, esteva sempre presente nos actos comemorativos quer do Colégio, quer com os relacionados com o seu curso. Nas comemorações dos 200 anos do Colégio Militar, foi o oficial de marinha representante dos ex-alunos daquela instituição, aceitando de bom grado o convite apesar da sua já provecta idade. Como corolário do seu amor à organização castrense, e porque foi combatente no ultramar, fez questão em ser sócio da Liga dos Combatentes onde tinha o número 55850. E por sua vontade, deixou escrito que desejava que as suas cinzas viessem a repousar na cripta da Liga dos Combatentes, no cemitério do Alto de S. João. O Contra-Almirante Almeida Brandão morreu aos 96 anos, e quando se morre com essa idade já poucos ou nenhuns amigos do seu tempo restam. Algumas linhas como estas escreveuas ele em memória de camaradas que antes de si partiram. Porque achamos que por ter vivido muitos anos não deixa de merecer preito que certamente lhe prestariam, só pudemos ser nós, a família, a fazê-lo. Como filho e em nome de toda a família e amigos, a nossa homenagem ao homem, ao marido, ao pai, ao avô, ao oficial de marinha cuja farda vestiu com tanto orgulho. Obrigado! José Manuel Carvalho de Almeida Brandão
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RECORDANDO Os que nos deixaram
Júlio Heitor Lino Ferreira (153/1931) Major do Exército Nasceu a 25 de Março de 1919 – Faleceu a 18 de Julho de 2009
José Afonso Antunes Palla (68/1936) Oficial do Exército Nasceu a 15 de Outubro de 1924 – Faleceu a 31 de Outubro de 2009
Foi desportista activo e dirigente, por diversas vezes condecorado e homenageado pela sua actividade em várias modalidades entre as quais o hipismo (como cavaleiro, director de pista, juiz e mesmo organizador de eventos), a natação, o pentatlo moderno, o hockey em patins e o rugby. Mais um amigo que partiu… Não posso deixar de recordar o que aprendi com o Zé Afonso Palla. Mais velho que o meu pai, sempre o vi como o “tio” amigo que cultivou, e fundamentalmente transmitiu, em permanência, a compreensão, a amizade, a dedicação, a coragem e a frontalidade. Mas para mim, recordo acima de tudo a fraternidade por que sempre pautou as suas acções, talvez aprendida na Luz. 1 grande abraço e que descanse em paz. José Maria Rebocho Pais de Paula Santos 644/1968
Manuel Joaquim Álvaro Maia Gonçalves (61/1941) Major General - Engenheiro Nasceu a 13 de Março de 1931 - Faleceu em Janeiro de 2009
Recordando o Maia Gonçalves (61/1941) Como escreveu umas vez o Director da revista, Engº Mário Falcão , os novos alunos do Colégio vestem a mesma farda e têm as mesmas possibilidades de evoluir. Tu, Maia Gonçalves, seguiste o teu caminho, e por mérito próprio, chegaste á “Galeria dos Comandantes de Batalhão” onde o primeiro retrato é o de Serpa Pinto! Na vida militar atingiste a patente de General e executaste diversas funções de muita responsabilidade, tendo também sido Professor e Director dos Cursos de Estado Maior do Instituto de Altos Estudos Militares. Como Engenheiro Militar e Gestor tiveste várias actividades, entre elas a de Administrador da Ana - Aeroportos de Portugal. Em todas as funções que desempenhaste, além da competência profissional do mais alto nível, manifestastes as tuas capacidades de liderança de grande qualidade sob o ponto de vista humano. Quando nos encontrávamos nos “3 de Março”, e noutras ocasiões, verifiquei como gostastes de ter estado no Colégio, e pelas conversas havidas admirei as tuas qualidades de carácter. Aqui fica, pois, registado e recordado com amizade o quanto prestigiaste o Colégio Militar. Alguns aspectos da vida do 61 (Elaborado com a colaboração da filha Drª Luísa Maia Gonçalves, Inspectora Superior e Directora da Investigação do SEF) Revista da AAACM
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RECORDANDO Os que nos deixaram
General Manuel Joaquim Álvaro Maia Gonçalves
- Nascido na Póvoa de Varzim, aos 13 de Março de 1931, filho de Álvaro Fernandes Gonçalves, oficial do Exército, licenciado em Economia e Finanças e de Maria Amália de Sousa Maia Gonçalves - Residente em Cascais - Casou, em 17 de Novembro de 1959, com Maria Luísa G. de Andrade Maia Gonçalves, com o curso de Engenharia Química, - Quatro filhos: sendo os três rapazes ex-Alunos do Colégio ESTUDOS DE BASE - Curso liceal no Colégio Militar, sendo Comandante do Batalhão Colegial em 1947/1948 - Curso de Engenharia, frequentando Engenharia Civil na Universidade do Porto e concluindo o Curso de Engenharia Militar na Escola do Exército em 1956. ALGUNS DOS ESTUDOS COMPLEMENTARES DE ÂMBITO MILITAR - Curso Geral e Complementar do Estado-
-Maior – 1968
- Curso Superior de Comando e Direcção– 1980/81 - Curso de Gestão de Recursos de Defesa da Escola de Monterey, Califórnia, U.S.A.) NO ÂMBITO CIVIL - Curso de Gestão Empresarial, no Instituto Nacional de Investigação Industrial - Programa de Alta Direcção de Empresa, IESE, Instituto de Estudos Superiores Empresariais (Universidade de Navarra) 1986/87 POSTOS MILITARES - General desde 1999. MISSÕES MILTARES - Quatro comissões no antigo Ultramar, duas por imposição e duas por escolha (Timor, Moçambique, Macau). - Comandante Militar do Comando Territorial Independente de Macau (1974-76) - Professor do Instituto de Altos estudos Militares (IAEM)) nas áreas de Engenharia e Organização e Administração 1971-74 e 1981-84, tendo publicado vários manuais sobre assuntos das suas áreas no IAEM 96
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- Oficial escolhido como um dos cinco convidados para o Orientation Tour nos E.U.A. (1972) - Adido Militar e Aeronáutico na Embaixada de Portugal em Londres (1978-80) - Vários louvores, dos quais oito de Oficial General e um de Ministro do Exército, várias condecorações nacionais e uma estrangeira, Commander of Royal Victorian Order, conferida por S.M. a Rainha Isabel II de Inglaterra. CARGOS CIVIS - Encarregado do Governo de Macau 1974 - Conselho de Gerência da ANA, Aeroportos e Navegação Aérea (1984-1995) - Administrador da Futuro-Sociedade Gestora de Fundos de Pensões (1993-1996) - Administrador da ADA - Administração de Aeroportos, Lda – Macau – (1994-1997) - Administrador da ANAM – Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira S.A. (1995-97). Referenciado, com textos e /ou fotos em obras publicadas, destacando ”Os Militares em Macau”, autoria P. Manuel Teixeira que lhe dedicou a obra como último Comandante Militar de Macau (CTIM e Imprensa Nacional de Macau 1976), obra que mereceu o prémio da Academia Portuguesa de História em 1977, constando em várias bibliotecas nacionais e na National Library – Londres. • Revistas “the Diplomatist” ed. Diplomatis Associates’ 1979-80 • ”Personalidades da Costa do Estoril” – 1ª edição – Dez 1995 ASSOCIAÇÕES PRINCIPAIS - Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar - Ordem dos Engenheiros, na especialidade de Engenharia Civil, Grau Sénior (nº 5.548) - British Institute of Management, no grau de FELLOW - Liga Multissecular de Amizade Portugal-China, Presidente da Direcção desde 1999, distinguido pelo Presidente da República Popular da China Hu Jiantao, acontecimento que mereceu honras de 1ª página na imprensa chinesa José Maria Myre Dores 47/1942
José Afonso de Almada Negreiros (144/1945) Arquitecto Faleceu a 25 de Setembro de 2009
A mensagem caiu, como uma bomba, no meu telemóvel. O Zé Almada tinha falecido. Dois dias antes tinha falado com ele, tendo-me dito que se sentia muito cansado, mas tudo estava bem. Tentando animá-lo, disse-lhe que quando chegasse a Lisboa o ia buscar para nos juntarmos com os amigos da tertúlia das terças-feiras em Oeiras. Infelizmente não consegui cumprir a promessa, por culpa de Caronte. O Zé foi meu graduado quando era rata na 1ª Companhia, comandada pelo saudoso “Gato“ (98/1945, Jorge Manuel Cabeleira Filipe). Ainda me recordo que o geral da nossa companhia foi completamente decorado por ele e pelo Filomeno (311/1947), com todos os bonecos do Walt Disney. Para nós, miúdos de dez anos, era um regalo para os olhos e já um prenúncio da sua futura vida profissional. Somente cerca de 48 anos depois tornei a cruzar-me com o Zé Almada. Foi durante a preparação dos 200 anos do Colégio Militar que nos tornámos a ver, tendo sido imprescindível no seu apoio técnico á Direcção da AAACM, da qual eu fazia parte. Revista da AAACM
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Posteriormente, tendo-lhe pedido apoio dentro da sua área profissional, tive ocasião de manter longas conversas com o Zé Almada, durante repetidas viagens para o Alentejo. Foi aí que fiquei a admirar profundamente a sua rectidão, o seu humanismo, a sua grande cultura. Muitas vezes tinha suaves explosões contra as injustiças, logo amenizadas pela sua voz calma. O seu amor ao Colégio Militar e às virtudes que lhe foram por ele inculcadas, camaradagem, lealdade, amor pátrio, verticalidade, eram motivo nas nossas longas conversas de viagem. Amigo Zé as saudades já agora me apertam e as nossas reuniões tertulianas serão outras sem a tua presença. No entanto estarás sempre presente. A nossa memória irá fazer-te viver junto de nós. Á tua Esposa e Filhas, que continuarão a tua Obra, os nossos sentidos pêsames. José Manuel Marques Pacífico dos Reis 363/1952
Tito Lívio Esteves Xavier (335/1947)
Oficial da PSP, Piloto-Aviador, Radioamador, Homem de sete ofícios Nasceu a 23 de Abril de 1937 – Faleceu a 27 de Outubro de 2009
Tito Lívio Esteves Xavier nasceu em Estremoz, em 23 de Abril de 1937. Foi o 335 de 1947 a 1955, sendo filho e neto de ex-Alunos, o 379/1916 e o 192/1890. Cumpriu, como Oficial Miliciano, comissões em Moçambique, entre 1957 e 1975, tendo sido: Adjunto Militar da OPV e Comandante Distrital da Guarda Fiscal, em Cabo Delgado; Piloto profissional de aviões e de helicópteros; Comandante piloto aviador da FAV 304 da FAP onde cumpriu mais de 800 missões, em cerca de 2000 horas de voo na zona de operações de Cabo Delgado; Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia. Regressando de Moçambique em 1975, foi integrado na PSP como Comandante Distrital, tendo sido requisitado pelo Ministério de Administração Interna, em 1994, para comandar o contingente português das Nações Unidas, em Moçambique e, posteriormente, nomeado “liasion officer” da CIVPOL. Foi louvado 16 vezes por Comandantes Gerais, Oficiais Generais, Governador-Geral de Moçambique e pelas Nações Unidas, tendo sido condecorado com a Medalha de Prata de Dedicação e Mérito do Governo-Geral de Moçambique e pelas Nações Unidas por Serviços Excepcionais e Relevantes. São de sua autoria diversos painéis de azulejos, dedicados à Heráldica Militar. Mensagens enviadas de Moçambique que revelam bem o carácter do Tito e do seu relacionamento. 98
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“Morreu Tito Xavier. A História é, regra geral, mal contada pelos vencedores. Com omissões, distorções e mistificações. Reservam para si o lugar dos heróis e relegam os outros à condição de vilões. Mas nada apagará a obra do Tenente Tito e dos seus vereadores. Nem a n/ amizade por ele. Bjs e abraços.” Um grande moçambicano não branco e membro da Frelimo
“Eu só contactei o Comandante Tito, que não conheci pessoalmente, por indicação de amigos, e tenho a agradecer a simpatia com que me tratou sempre. Coloquei a noticia da morte no blog voandoemmozambique. Mais uma vez os meus sentidos pêsames.” Maria Luísa Hingá
Amigo Tito Conheci o Tito Lívio Esteves Xavier em Outubro de 1948, nas instalações da 1ª Companhia do Colégio Militar, que já não existem. Era o 335 de 1947. George Orwel escreveu que «somos todos iguais mas há uns mais iguais». Diria que somos todos únicos mas há uns mais únicos. A ser correcto, o Tito era, certamente, um dos mais únicos. Já no Colégio, onde convivemos sete anos. No 7º e último ano foi graduado três estrelas da 4ª Companhia. Lembro-me, por exemplo, das botas altas que ele usava que eram extraordinariamente flexíveis e que afirmava terem pertencido a um antepassado. Ou do orgulho que, então, tinha no seu cabelo encaracolado onde punha “Bril cream” que, por vezes, me emprestava. Mas, já nessa altura, o Tito era o grande animador do curso. «Fazia a festa, deitava os foguetes…», não me lembro se «apanhava as caninhas» mas é possível, dados os seus dotes de “bricolage”. Depois, fomos para a Amadora para a, então, Escola do Exército, onde a popularidade do Tito foi partilhada por alunos e oficiais. Ter-lhe-ão dito que se abrisse as folhas passaria de ano. As folhas eram os apontamentos oficiais, designados por «sebentas» na universidade, e para as ler tinham, primeiro, de ser abertas com um objecto cortante já que não vinham guilhotinadas. Mas nem isso terá feito e, assim, a estadia do Tito na Escola do Exército foi curta. Seguiu-se uma vida intensa em Moçambique: como oficial miliciano, - partilhada com o nosso grande amigo José Serra Pinto, hoje Tenente Coronel de Infantaria aposentado, e com o, hoje,
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Tenente General Silvestre Martins; depois, como piloto de aviões e de helicópteros, aterrando em tudo que era sítio, ao serviço das populações; também com funções de comando na Polícia e na Guarda Fiscal, integrado na Defesa Civil de Moçambique; ou, ainda, como Presidente da Câmara de Porto Amélia. Em todas as situações e locais o Tito deixou marcas como era seu apanágio. Quando das eleições em Moçambique acompanhadas pela ONU, o Tito, já aposentado, foi convidado a integrar as forças policiais, tal era o seu prestígio por serviços prestados a Moçambique. E quando voltou a Porto Amélia foi uma festa! Já não via o Tito há anos quando, um dia, ao correr acompanhado pelo António Hélder (149/1948), como era costume, passa o Tito por nós num descapotável. Pára e diz: «Se isso der “tusa” avisem!»; e arranca de imediato. O Tito era assim, um repentista. As suas histórias são célebres, sendo grande parte das mais recentes passadas na tertúlia que agora se reúne às terças-feiras no restaurante «A Quinta» e da qual era o principal animador. Brincava com todos, incluindo ele próprio. Por exemplo, explicava que andava num automóvel descapotável para dar nas vistas, compensando o facto de ser «velho, feio e careca». Voltámos a conviver na Delegação de Oeiras e Cascais, presidida inicialmente pelo Diogo Baptista Coelho (343/1947) e, depois, pelo Jorge Teixeira (315/1947); na organização da comemoração dos 60 anos do início do nosso percurso conjunto no Colégio, precisamente há um ano, tendo o Tito feito a chamada aos que já nos deixaram, na sua voz muito bem colocada com anos de experiência de rádio amador, e tendo feito CD com a colecção de fotos do evento. Ou nas visitas ao Luís Dias Antunes (221/1948), com o José Serra Pinto, o Coronel Walter de Almeida, o Rui Oliveira Soares (332/1947), o José Pereira da Rosa (280/1949) e outros amigos ex-Alunos ou não. Sempre o Tito fez a festa, animando a malta. Na sua polivalência, o Tito esteve na base dos painéis de azulejos que estão na parede de uma antiga camarata na Feitoria, um a propósito dos 50 anos de saída do nosso curso do Colégio, colocado em 2005, e o outro em homenagem ao nosso amigo Capelão José Maria Braula Reis, sócio honorário da AAACM. Também participou na exposição feita em Oeiras, na Feitoria e na Livraria-Galeria Municipal Verney, na comemoração dos 200 anos do Colégio. Já não será possível o Tito estar connosco pessoalmente quando do próximo convívio da Delegação a 19 de Novembro, data do aniversário natalício do Padre Braula, nem se chegará a concretizar a nossa ida a casa do Ruben (196/1948) na serra do Açor, como estávamos a combinar, mas o Tito estará sempre connosco. Agora, altura em que, provavelmente, estará a montar uma parabólica ao S. Pedro, a nossa homenagem a ele, à sua bonita companheira de sempre, a Fernanda, que tratava carinhosamente por «Nanã», e à sua restante Família. O Tito confidenciou-me que a principal razão para sair da Escola do Exército era a de ir para Moçambique encetar a sua vida activa e casar, ou seja, cumprir a sua vocação de ser super-activo que não tinha paciência para perder mais anos a estudar quando poderia iniciar já a sua carreira na companhia da mulher da sua vida. Um «Zacatraz» ao Tito, como ele, o Marquilhas (67/1944) e o Durão (15/1942) tão bem sabem bradar… Fica bem. Manuel Júlio Matias Barão da Cunha 150/1948
Homenagem a Tito Lívio Esteves Xavier O telemóvel enviou-nos a notícia esperada, mas não desejada. O Tito tinha-nos deixado. Umas semanas antes tinha ele homenageado o nosso Zé Almada, que também nos tinha abandonado neste mundo, na última vez que se reuniu connosco na tertúlia do Atlântico. 100 Revista da AAACM
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Nenhum de nós queria acreditar que fosse verdade. O nosso Tito, cheio de vida e de bom humor, que tinha resistido a tantos percalços na existência, tinha partido. Resistiu, em Moçambique, a tiros repetidos no seu “teco-teco”, a uma tentativa de assassinato por um “turra”dentro do próprio avião, a uma aterragem sem pinga de combustível e foi ceifado por um miserável e ínfimo vírus. Seria? A vida continua mas muito mais difícil. Já não temos as suas brincadeiras antes dos almoços da tertúlia. Recordo-me daquele dia em que apareceu com as mãos enfeixadas em ligaduras, dizendo que se tinha queimado e aproveitou a boa vontade do Pontes (infelizmente já falecido) para comer todo o almoço dado por ele. E quando apareceu no Hotel Atlântico trajado de Bin Laden com um cinturão de explosivos fingidos ligados a um detonador de “opereta”. Realmente a vida continua mas mais cinzenta. Amava exacerbadamente a sua Pátria mas tinha um cantinho do coração para Moçambique e principalmente para Porto Amélia onde foi brilhante presidente da Câmara. Após a independência prestou importantes serviços nas forças da ONU durante o processo de paz. De uma linhagem de ex-Alunos do Colégio, todos os que passaram pela “ nossa Casa” eram para o Tito os melhores do Mundo. Qualquer desejo de alguém ligado ao Colégio era para o Tito um objectivo a realizar. A camaradagem para ele era fim absoluto. Artista, o Tito realizou-se a encher quase todas as unidades militares, da PSP e da GNR com brasões feitos de azulejos que ficam como sua marca neste mundo. Ás nas telecomunicações, ligou-se com operadores de rádio nos confins do universo. Parafraseando um artigo das antigas Selecções do Reader’s Digest , considero o Tito “o meu tipo inesquecível” de ex-Aluno do Colégio Militar. Com a sua dinâmica deve estar a revolucionar o lugar para onde foi, qualquer que ele seja. E é ai que eu o quero encontrar, quando o momento chegar. Á tua Esposa, Filhos e Família enlutada as nossas sentidas condolências. José Manuel Marques Pacífico dos Reis 363/1952
Fui surpreendido com esta triste notícia que me deixou completamente aturdido. Não queria acreditar que fosse verdade, mas infelizmente era mesmo realidade. Conheci o Tito no Colégio. Apesar de um pouco mais velho do que eu aí cimentámos laços de boa camaradagem. Os rumos de vida fizeram com que se passassem muitos anos sem que nos cruzássemos de novo. Ultimamente, há cerca de 9 anos, voltámos a encontrar-nos e tive o grato privilégio de novamente usufruir da sua regular e boa companhia em acontecimentos, reuniões e convívios relacionados com o Colégio. O Tito era um Homem Bom, sempre pronto a dar tudo o que tinha aos seus amigos, aos seus camaradas, a toda a gente. Este mundo fica mais pobre e é com muita mágoa que vemos partir aqueles que entre nós deveriam continuar a estar. A Todos os seus Familiares apresento as mais sentidas condolências. A presença do Tito não nos deixará jamais. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949 Revista da AAACM 101
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António Vital Fernandes Faia (71/1951) Coronel Tirocinado de Cavalaria Nasceu a 28 de Maio de 1939 – Faleceu a 18 de Outubro de 2009
O António, apesar do mal que o atormentava e por vezes com grande sacrifício, nunca deixou de aparecer, sempre que podia, nas reuniões mensais do seu Curso do Colégio. A sua presença, com a serenidade que o caracterizava, constituía sempre um motivo de alegria para os restantes convivas. Não o teremos mais connosco, mas em espírito o António estará sempre entre nós e continuará ao nosso lado. Natural da Vidigueira, depois de ter concluído os estudos no Colégio, ingressou na Escola do Exército/Academia Militar onde obteve a Licenciatura em Ciências Militares (Cavalaria). Fez quatro comissões de serviço no Ultramar, Moçambique (1961/1963) e Angola (1965/1967, 1969/1971 e 1972/1973). Prestou serviço nos Regimentos de Cavalaria 4, de Cavalaria 8, de Lanceiros 2 e na Escola Prática de Cavalaria. Em Angola (1974) exerceu o cargo de 2º Comandante do grupo de Cavalaria Dragões de Angola. Comandante do Presídio Militar de Santarém (1975/1976), Comandante da Polícia de Segurança Pública do distrito de Santarém (1976/1981), Comandante do Regimento de Cavalaria 4 de Santa Margarida (1987/1990), exerceu as funções de Sub-Director do Colégio Militar nos anos de 1992 a 1994. No Colégio fez parte da equipa de Andebol no ano lectivo 1956/1957, tendo sido neste mesmo ano Vice-Campeão colegial no lançamento de Disco. Em 1960 foi Campeão Nacional de Espada (3ª categoria). De 1998 a 2001 desempenhou o cargo de Secretário-Geral da Associação Central da Agricultura Portuguesa e desde 2003 era Administrador da Campus XXI, Saúde e Bem Estar, SA. Tendo sido distinguido ao longo da sua vida militar com inúmeros louvores, foi agraciado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma, com as Medalhas de Mérito Militar de 1ª, 2ª e 3ª Classes, Cavaleiro da Ordem Militar de Avis, Medalhas de Prata e de Ouro de Comportamento Exemplar e com as Medalhas Comemorativas das Campanhas de Angola e das Expedições a Moçambique. A sua Mulher, Maria Clara, a sua Filha, a seu Neto (70/2008) e restante Família manifestamos as nossas mais sentidas condolências. Gonçalo Salema Leal de Matos 371/1949 102 Revista da AAACM
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José Humberto de Ornelas Marinho Falcão (334/1954) Engenheiro Civil Nasceu a 19 de Agosto de 1944 - Faleceu a 22 de Junho de 2009 Por lamentável lapso, na notícia da última Revista relacionada com o triste falecimento deste nosso Camarada, foi inserida a fotografia do Carlos Caramês que teve a amabilidade de nos enviar o texto publicado. Aos Familiares do José Marinho Falcão, ao Carlos Caramês e aos Leitores da Revista apresentamos as nossas desculpas por este involuntário erro.
José Humberto de Ornelas Marinho Falcão nasceu em Lisboa no dia 19 de Agosto de 1944, tendo entrado para o Colégio Militar em 1954, com o nº 334, pertencia à numerosa família Marinho Falcão, ligada, por tradição, há muitos anos ao Colégio Militar. Por lá passaram (Bisavô 75/1870, tio bisavô, pai e primos, num total de 20. Após completar os estudos no Colégio Militar ingressou no Instituto Superior Técnico, no curso de Engenharia Civil, que acabou por concluir na Universidade de Luanda em 1969. Iniciou a sua actividade profissional no Laboratório de Engenharia de Angola, tendo trabalhado, nos serviços de Hidráulica e Geotecnia, em fiscalizações e ensaios para construção de fundações de pontes e barragens. Foi Assistente da Universidade de Luanda, a partir de 1970 tendo publicado diversos trabalhos de apoio à actividade docente, como por exemplo, textos didácticos (Mecânicas I e II, Resistência dos Materiais, Instalações Industriais I e II). Em complemento às actividades universitárias, entre 1970 e 1977, foi colaborador projectista na “Profabril” (Delegação de Angola), director técnico da firma “Sociedade Empreiteira de Terraplanagens de Angola- SETAL”, director técnico e vice-presidente do Conselho de Administração da firma de construção civil “PRECOL”, em Luanda. Em Agosto de 1977, em Lisboa, ingressou na firma “Arquitectura e Construções, Lda “, exercendo as funções de Director de Obras. Em Dezembro de 1978 foi convidado para o quadro da Empresa “Sociedade de Construções Soares da Costa, SA”, onde realizou um largo número de trabalhos como Director de Obras, tendo exercido, mais tarde, na Delegação do Algarve o cargo de Director de Produção (1990 a 1994). Foi ainda, autor de diversos projectos de arquitectura e betão armado e realizou estudos, projectos e pareceres no âmbito da sua actividade profissional em Sintra, Lisboa, Silves e Armação de Pêra. Revista da AAACM 103