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Criador de marca

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Robério Sampaio, estilista e proprietário da io

Criador de

MARCA O estilista Robério Sampaio começou a trabalhar com moda aos 18 anos. Consolidado no mercado com a Sarttore, apostou em voo solo com a io e já abriu três lojas, uma em Aracaju

Texto PEDRO FERNANDES pfernandes@grupoatarde.com.br Fotos REJANE CARNEIRO rcarneiro@grupoatarde.com.br

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obério Sampaio, 42, nasceu, como ele mesmo diz, vendo roupa sendo feita. A mãe costurava vestidos de noiva no bairro do Pau Miúdo, e, em meio a tanto tecido, linha e tesoura, a sua vida profissional começou a se definir quase que compulsoriamente. Tanto que aos 18 anos já trabalhava com confecção de roupas. Em 1990, abria sua primeira loja no Shopping Barra, a Sarttore, e começava a contribuir para a criação de um circuito de moda feita na Bahia e com um jeito baiano. Quando diz que é só mais um na multidão, ao lhe perguntar sobre que lugar ocupa no cenário local, não parece usar de falsa modéstia. Sabe que tem muita gente fazendo bons trabalhos por aqui, mas que é um dos poucos estabelecidos comercialmente,

que paga aluguel e gera empregos. Sua fala objetiva, de respostas sucintas, cautelosas, mas não incompletas, deixa claro que ele não precisa usar esse expediente. Tem mais o que fazer. Por isso a pressa, o foco. Quando em 2006 desfez a sociedade com a irmã Ana Verena e seguiu em “careira solo” com a io (as últimas letras do seu nome e sobrenome), teve de começar do zero. Queria pôr suas próprias ideias em prática. “Tem uma hora que você não quer mais consultar sua mãe se você pode sair. Você sai. O Robério queria fazer as coisas dele sem precisar nos ouvir, coisas em que a gente não acreditava. Acho louvável ele querer seguir seu próprio caminho”, conta Ana Verena. E decidiu fazer isso quando já tinha seu nome inscrito entre os criadores baianos e uma perspectiva de inserção no mercado

nacional. Da parceria com o figurinista da Rede Globo Cao Albuquerque, saíram trabalhos que apareceram em novelas como As Filhas da Mãe e programas como Comédia da Vida Privada, e chegou a levar uma coleção para uma edição do Fashion Rio. Eloysa Simão, organizadora da semana de moda carioca, do Barra Fashion e outras mais pelo País, diz que não dá para saber se a cisão das marcas atrasou essa viagem rumo ao eixo Rio-São Paulo, onde as coisas acontecem de fato, mas considera-o um dos bons estilistas locais. “Do ponto de vista criativo, seu trabalho poderia estar inserido em qualquer mercado”, diz. Antes de tomar seu próprio caminho, a io passou por um processo de transição. “Eu tive medo de sair e recomeçar com uma marca nova, então durante um ano as marcas conviveram. As lojas ainda eram


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Sampaio na fábrica da sua grife, que emprega cerca de 100 pessoas. A marca tem três lojas, uma em Aracaju

Sarttore, mas comecei a trabalhar a coleção da io dentro das lojas que ficaram comigo para que o consumidor começasse a se acostumar”. O medo não o impediu de ver que o desafio também tinha seu outro lado. “Foi extremamente difícil, mas também foi extremamente instigante e recompensador”. É essa ousadia que Cao Albuquerque ressalta na personalidade de Robério. Tanto pela forma como encarou essa nova fase, quanto pelo seu pioneirismo na construção de um mercado de moda na Bahia. “Ele fez um desfile com Mariza Orth, Daniela Mercury, e no outro ano foi criado o Barra Fashion”, conta. Três anos passados do tal recomeço, um passo depois do outro, hoje tem duas lojas em Salvador e uma em Aracaju e emprega de 80 a 100 pessoas, a depender da época do ano. O plano, ainda sem cronograma definido, é fortalecer ainda mais a grife por aqui e depois levá-la para outras praças, primeiro Norte e Nordeste e, depois, se der, rumar para o Sul. “Recife é incrível, Manaus é absurdamente boa. O shopping

«Você acaba se inspirando no desejo do consumidor. No que as pessoas efetivamente usam para ir a uma festa» Robério Sampaio, criador

de Manaus é lotado de gente comprando o tempo inteiro, talvez porque não tem praia, ou porque eles sejam ricos mesmo. Belém também é incrível”.

BUROCRATA E CRIADOR Quando resolveu fazer faculdade, Robério começou arquitetura e administração ao mesmo tempo. Não terminaria nenhuma das duas. Largou primeiro administração. Arquitetura, embora tivesse algo a ver com moda no que diz respeito a formas e volumes, ele deixou faltando um ano e meio para acabar. Já sabia o que queria e o que não queria, que era perder tempo. “Eu trabalhava com roupa e era bem-sucedido e não queria ficar mais um ano e meio só para ter um diploma que eu não ia usar”.

É esse pensamento prático, que faz com que o trabalho do estilista, do artista, siga em frente. Por isso se considera tão administrador quanto estilista, embora sinta mais prazer em criar que lidar com números e questões burocráticas. “Tem épocas que puxam mais para um lado e épocas que puxam mais para o outro. Época de coleção e de desfile, tento me ocupar menos com o empresarial, que é extremamente necessário. Um mal necessário. (Risos)”. O seu lado criador sente mais facilidade na elaboração de peças masculinas. Meio que cria para si próprio. Sua outra metade vê no público feminino uma maior rentabilidade. “A mulher é uma consumidora mais atenta. Ela responde mais rápido a qualquer mudança. Ela percebe mais rápi-

do e consome mais rápido. Ela aumenta sua venda e abaixa sua venda imediatamente. Se você oferece um trabalho melhor, um vestido mais incrível, ela te devolve imediatamente. O homem é mais devagar em perceber as mudanças”. É o administrador que comemora o fato de a crise econômica atual não ter atingido o setor. “Começamos o ano vendendo um pouco mais que no mesmo período do ano passado”. Mas é o criador que tem a confiança de que se fizer um bom trabalho, uma boa coleção e der o melhor de si, será capaz de driblar tanto marolinhas quanto tsunamis. A época agora é de entressafra. Faz o trabalho burocrático, mas já está começando

a pensar nas próximas coleções. A inspiração, ele costuma buscar, por exemplo, no trabalho de um artista plástico, uma cultura de um povo, numa única cor ou um estado de espírito.

URBANO Essas ideias acabam somadas à vibração que vem do consumidor e à ideia que ele faz que quem seja o seu público, alguém urbano, uma pessoa que trabalha e estuda, que viaja e que ao mesmo tempo precisa estar bem-vestida, mas de um jeito informal, mais esportivo. Segundo ele, o baiano se encaixa bem na sua proposta, devido à informalidade adotada no nosso cotidiano até em mo-

mentos um tanto formais. “Você acaba se inspirando no desejo do consumidor. No que vira moda nas ruas, no que as pessoas efetivamente usam para ir a uma festa, a um evento. Isso é o trabalho dos estilistas filtrado pelo consumidor. A rua retroalimenta o trabalho do estilista”. Atento às mudanças políticas e de perspectivas culturais do momento, como a eleição de um presidente negro para os Estados Unidos e a vitória no Oscar de um filme que se passa na Índia, começa a pensar num verão mais próximo da exuberância, do kitch e do colorido que vem do oriente, quebrado por ideias minimalistas ou tecidos tecnológicos. Mas nada está definido ainda. O momento é de gestação. «


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Criador de marca by Pedro Fernandes - Issuu