revistaUCS UCS
UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
Janeiro e Fevereiro/2017 . Ano 4 . Nº 22
Primeiro reitor, Virvi Ramos assina ata na solenidade de instalação da UCS, no Cine Teatro Ópera, em 15 de fevereiro de 1967.
ILUMINANDO O FUTURO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL CELEBRA MEIO SÉCULO DE EXISTÊNCIA EM 2017 CONSOLIDADA COMO A MAIS IMPORTANTE INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO
UCS 50 ANOS: CELEBRAÇÕES ENVOLVERÃO COMUNIDADES ACADÊMICA E REGIONAL AO LONGO DO ANO
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PERSPECTIVAS ECONÔMICAS: SETORES PRODUTIVOS DA REGIÃO DEVEM INICIAR RECUPERAÇÃO EM 2017, MAS PRECISAM INOVAR PARA COMPETIR A LONGO PRAZO.
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Claudia Velho
AMOR: COMO RAMOS DA PSICANÁLISE E DA NEUROCIÊNCIA EXPLICAM A BUSCA POR VÍNCULOS
10 Água
PESQUISA: BIOTECNOLOGIA DA UCS INTEGRA PROGRAMA NACIONAL DE COMBATE AO ZIKA VÍRUS
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SAÚDE: TRABALHO DO CURSO DE MEDICINA PARA OMS VIABILIZA CAPACITAÇÕES INTERNACIONAIS
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Fundação Universidade de Caxias do Sul Presidente do Conselho Diretor: Ambrósio Luiz Bonalume
Universidade de Caxias do Sul
Reitor: Evaldo Antonio Kuiava Vice-Reitor: Odacir Deonisio Graciolli Pró-Reitor Acadêmico: Marcelo Rossato Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Nilda Stecanela Pró-Reitor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico: Odacir Deonisio Graciolli Diretor Administrativo e Financeiro: Cesar Augusto Bernardi Chefe de Gabinete: Gelson Leonardo Rech
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revistaUCS Produção: Assessoria de Comunicação UCS/ Setor de Imprensa e Mídias Digitais Edição: Ariel Rossi Griffante Revisão: Cristina Beatriz Boff e Vagner Espeiorin Foto de capa: Ari Pastore/acervo IMHC-UCS Design gráfico: Carmem Meira Theodoro/ Ouse Design Comunicação Supervisão: Dimas Augusto Felippi Tiragem: 5.000 exemplares Contato: 54.3218.2116; argriffante@ucs.br; imprensa@ucs.br Versão digital: www.ucs.br/revista-ucs
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UCSTORE
FORTALECENDO A MARCA UCS
A UCStore funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 21h, e aos sábados, das 9h30min às 12h.
A UCS inaugurou, em novembro, a loja UCStore e as novas instalações da Farmácia Escola, ambas na Galeria Universitária do campus-sede. Voltada para valorizar e disseminar a marca UCS, a UCStore comercializa produtos variados e é também um espaço para estudos de casos e trabalhos de conclusão de curso para estudantes das áreas de Administração, Marketing e Design. O espaço oferece mais de 200 itens entre vestuário, material escolar, bolsas femininas, sacolas ecológicas, pastas, mochilas, kits (churrasco, chimarrão e vinho), toalhas e acessórios, entre outros. São aceitos pagamentos nos cartões Banricompras, Visa e Mastercard, com parcelamento em até três vezes. Entre as finalidades da loja, também se destaca a prospecção de ideias para novos produtos que possam ser confeccionados e comercializados, valorizando a criatividade e o espírito empreendedor da comunidade acadêmica.
EXERCITANDO O CUIDAR DAS PESSOAS Desde 2004 funcionando no Bloco S, a UCS Farmácia Escola passa a ocupar as salas 2 e 3 da Galeria Universitária. Além da comercialização de medicamentos e de produtos de perfumaria, o espaço mantém o objetivo de proporcionar ao acadêmico de Farmácia a vivência da prática profissional supervisionada, por meio de estágios curriculares ou bolsas de trabalho. A partir de março devem ser disponibilizados serviços como medida de pressão arterial, testes de glicemia capilar e acompanhamento fármaco-terapêutico. A manipulação de medicamentos, existente nas instalações anteriores, também será retomada. O estabelecimento cumpre com os requisitos de funcionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Farmácia (CFF). Possui licença atualizada expedida pela autoridade sanitária local e atende às Boas Práticas Farmacêuticas para o controle do funcionamento, dispensação e comercialização de produtos e para a prestação de serviços em drogarias.
FARMÁCIA ESCOLA
Fotos Claudia Velho
A UCS Farmácia Escola funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 15h e das 16h às 20h. 3
Ari Pastore/acervo IMHC-UCS
Em primeiro plano, o bispo Dom Benedito Zorzi, o prefeito Hermes João Webber e o primeiro reitor, Virvi Ramos: fundadores no coquetel pós-instalação da UCS, na Catholica Domus, primeira sede da reitoria, em 15/02/1967.
50 ANOS ILUMINANDO O FUTURO NASCIDA DO CRESCIMENTO ECONÔMICO REGIONAL, UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL PASSOU A INDUTORA DO DESENVOLVIMENTO AO LONGO DAS DÉCADAS, TENDO FORMADO 100 MIL PESSOAS ATÉ O MOMENTO ARIEL ROSSI GRIFFANTE - argriffante@ucs.br Década de 1950. A industrialização brasileira, implantada na Era Vargas (1930-1945), se expandia no contexto do Pós-Guerra durante o novo mandato getulista (1951-1954) e seria a base do desenvolvimentismo sobre o qual se centraria o governo de Juscelino Kubitschek, na segunda metade do período (19561961). O aumento de oportunidades de empregos e serviços, a qualificação da produção e a diversificação de atividades econômicas exigiam competências profissionais capazes de fazer frente ao crescimento do país em ritmo exponencial. Já assentada na produção industrial a partir de produtos agrícolas, Caxias do Sul começava a acompanhar o movimento nacional com os empreendimentos em metalurgia. Estava preparado o cenário 4
para que formações em nível superior entregassem ao mercado uma mão de obra capaz de combinar e fazer girar as diversas engrenagens que a nova composição econômica apresentava, atendendo às crescentes e às novas demandas sociais em diferentes áreas por meio do conhecimento. Em um período de apenas quatro anos, de 1957 a 1960, cinco cursos superiores começam a funcionar na cidade: o de Enfermagem, cuja escola fora iniciada em 1954 pela Sociedade Caritativo-Literária São José; os da Faculdade de Ciências Econômicas e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, fundadas pela Mitra Diocesana; o da Faculdade de Direito de Caxias do Sul, criada pela Associação Cultural e Científica Nossa Se-
nhora de Fátima; e o da Escola Municipal de Belas Artes, instituída pela Prefeitura em 1949 e que em 1960 passou a ser denominada de Ensino Superior. Em 1966, o prefeito Hermes João Webber, o bispo diocesano Dom Benedito Zorzi e o presidente da Associação Fátima, Virvi Ramos, vislumbraram a maturidade da cidade para ter reunidos os cursos superiores em uma instituição universitária, oficializada em 10 de fevereiro do ano seguinte, por decreto presidencial. A solenidade de instalação ocorreria cinco dias depois, no Cine Teatro Ópera, seguida de coquetel na Catholica Domus, sede da primeira reitoria. Nascida do desenvolvimento, a UCS passou, de imediato, a ser referência para o desenvolvimento.
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A história diz quem somos. O presente, quem queremos ser. Nos últimos 50 anos, a qualidade de ensino da UCS impulsionou o crescimento das pessoas, dos negócios e de toda a região. Mas tão importante quanto valorizar o passado, é saber que essa força transformadora vai iluminar ainda mais o futuro UCS – Há 50 Anos o Conhecimento Ilumina o Futuro
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PROGRAMAÇÃO COMEMORATIVA 2016 DEZEMBRO
Dia 15
w Abertura das comemorações do Cinquentenário da UCS
w Lançamento do Hino da Universidade
w Lançamento do selo comemorativo
w Natal em Família UCS
2017 FEVEREIRO w Publicação do caderno especial da história da Universidade ‘UCS - 50 Anos de Uma Universidade Comunitária’ Dia 10 w Missa solene na Igreja São Pelegrino Dia 15 w Encontro com os funcionários e lançamento do documentário ‘UCS 50 anos’ Dia 16 w Encontro com os professores
ABRIL Dia 6 w Quinta Sinfônica Especial ‘UCS 50 Anos’ - Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 Anos’ Dia 13 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 Anos’ em Canela w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 Anos’ em Canela Dia 20 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 Anos’ em Nova Prata w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 Anos’ em Nova Prata Dia 27 w Publicações de obras alusivas aos 50 anos da UCS
MARÇO Dia 15 w Volta às aulas especial (em todos os Campi)
w Lançamento do projeto ‘Minha História com a UCS’
Dia 18 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em São Sebastião do Caí w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em São Sebastião do Caí
Dia 25 w Solenidade em comemoração aos 50 anos da UCS e lançamento do Álbum do Cinquentenário
Dia 25 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em Farroupilha w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em Farroupilha
w Lançamento do hotsite ‘UCS 50 Anos’
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MAIO
JUNHO Dia 9 w Inauguração do Memorial dos Fundadores Dia 15 w Abertura do Intercom – Concerto Especial ‘Tropicália’ JULHO Dia 27 w Lançamento da reedição dos álbuns ‘Mérica, Mérica’ w Condecorações ‘UCS 50 anos’ AGOSTO w Seminário Integrado – Processo de Consolidação da UCS ‘Momentos Decisivos’ Dia 24 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em Flores da Cunha w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em Flores da Cunha SETEMBRO w Simpósio Internacional ‘Universidade do Século XXI’ e lançamento de publicação comemorativa da revista CHRONOS Dia 21 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em Guaporé w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em Guaporé Dia 29 w Lançamento do livro ‘UCS - Cinco Décadas em Imagens’
OUTUBRO Dia 9 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em Bento Gonçalves w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em Bento Gonçalves Dia 17 w Comemoração dos 25 anos do Encontro de Jovens Pesquisadores Dia 19 w Concertos de Integração da OSUCS ‘UCS 50 anos’ em Vacaria w Lançamento da Mostra Fotográfica ‘UCS 50 anos’ em Vacaria Dia 22 w Concerto da Primavera Especial UCS 50 Anos NOVEMBRO Dia 10 w Prêmio Inovação ‘UCS 50 Anos’ Dia 24 w Reinauguração da gruta e da trilha ecológica DEZEMBRO Dia 21 w Natal em Família UCS
PRODUZIR, SISTEMATIZAR E SOCIALIZAR O CONHECIMENTO Cinquenta anos se passaram tornando realidade a missão primordial da Universidade, expressada pelos fundadores, de ‘Produzir, sistematizar e socializar o conhecimento com qualidade e relevância para o desenvolvimento sustentável’, até hoje orientadora do cumprimento das ações institucionais. Entre as contribuições que confirmam a premissa, a de maior relevância é a formação de 100 mil profissionais, a grande maioria de atuação direta no desenvolvimento da região. Além disso, a expansão de sua área de abrangência, hoje alcançando 1,3 milhão de habitantes de 70 municípios, também denota a importância social, econômica e cultural da UCS
para todo o Nordeste do Rio Grande do Sul. Essa história será objeto de celebrações ao longo do ano jubilar. As comemorações foram abertas em dezembro passado, no Natal em Família UCS, com o lançamento do hino da Universidade, do selo dos 50 anos (ao lado) e da campanha institucional UCS – Há 50 Anos o Conhecimento Ilumina o Futuro. De fevereiro até dezembro com um calendário de ações e eventos diversificados (confira na página 6), a Universidade propõe envolver diferentes dimensões do universo acadêmico e contemplar a comunidade regional nas comemorações de seu cinquentenário.
UMA MARCA QUE IDENTIFICA A REGIÃO Ao lado de grandes empresas e entidades locais, a marca da Universidade de Caxias do Sul tornou-se um dos símbolos mais importantes da identificação da cidade e da região em nível estadual, nacional e internacional. Em cinco décadas de existência da UCS, foram utilizadas cinco versões de logotipo oficial:
ESTRELA DE SEIS PONTAS Passada uma década, a primeira mudança: estabeleceu-se a estrela ducal de seis pontas chanfradas como centro do brasão, sustentada por um obelisco indicando o ‘rumo para o alto’, em sintonia com o lema da UCS. As três tochas acesas acima são o símbolo heráldico tradicional das universidades. Surgem o azul e o vermelho, que se tornam as cores oficiais da instituição.
MODERNIZAÇÃO DOS TRAÇOS Nos anos seguintes, com traços arredondados, o logotipo evoluiu para um visual mais moderno e de fácil absorção, mantendo-se, no entanto, a composição essencial da identificação da UCS.
INDÚSTRIA E VITIVINICULTURA O primeiro logotipo, lançado no ano de instalação da UCS, era composto por uma roda dentada, representando a industrialização do município, cercando um cacho de uvas e uma folha de parreira, ambos estilizados, simbolizando a vitivinicultura, base da produção agrícola local. Em destaque, a sigla da instituição e, em um espaço retangular, o lema da Universidade, In Altum Ducit (do latim, ‘Conduzir Para o Alto’).
JUBILEU DE PRATA Em 1992, ano do Jubileu de Prata, um concurso para confecção de um símbolo que marcasse a data, inspirado nos elementos do brasão, resultou no logotipo específico da Universidade. O anterior permaneceu como marca da mantenedora da UCS, a Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS).
ATUALIDADE Em 2014, a marca sofre pequenas alterações para rejuvenescimento da identidade visual, adotando-se o formato atual com maior harmonização entre os elementos e destacando a sigla e o nome da Universidade.
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LENTA, GRADUAL E RESTRITA PARA A DOUTORA EM ECONOMIA MARIA CAROLINA GULLO, SETORES PRODUTIVOS DA REGIÃO COMEÇAM A SE RECUPERAR EM 2017, MAS PRECISAM AGREGAR INOVAÇÃO ÀS EXPERTISES TRADICIONAIS PARA GARANTIR SUA COMPETITIVIDADE
ARIEL ROSSI GRIFFANTE - argriffante@ucs.br Enquanto movimentos sociais, artistas e intelectuais reivindicavam que a anistia a refugiados políticos, no final do governo de Ernesto Geisel (1974-1979), fosse “ampla, geral e irrestrita”, o então presidente mantinha a posição anunciada no início do mandato, de uma abertura política “lenta, gradual e segura”. Articulada pelo general nascido em Bento Gonçalves (RS), a anistia viria, em forma de lei, em agosto de 1979, com o país já sob comando do carioca João Figueiredo, último presidente do período militar (1964-1985). Os enunciados de três palavras cada, no entanto, perduraram na mentalidade social brasileira como lemas conceituais por mais alguns anos. Passadas as décadas, ainda servem para ilustrar a diferença entre anseio e perspectiva quanto à recuperação econômica do país – curiosamente em época de recrudescimento de antagonismos entre ideias de modelos econômicos e regimes governamentais. Enquanto empresários, para recuperar competitividade, desejam reformas “amplas, gerais e irrestritas”, quem espera por
emprego ou melhores salários gostaria de aplicar os mesmos adjetivos ao definir o contexto de oportunidades de trabalho almejado para 2017. No entanto, a atribulada situação política do país e os reflexos da recente degradação econômica – além de entraves históricos como a alta carga tributária, o combate ineficiente à sonegação e a deficiente aplicação dos recursos públicos – sugerem uma reestruturação da economia muito mais próxima do “lenta e gradual”. Como em um cenário de instabilidade não há a condição de “segura”, fica incompleto o paralelo com o slogan militar. A retomada econômica nacional e regional tem muito mais propensão de acontecer valendo-se de uma derivação de um dos conceitos do lema concorrente: não será de forma ampla e nem geral, mas sim bastante restrita. AMPLIAÇÃO DA MATRIZ ECONÔMICA Estas perspectivas se amparam nas projeções de empresários, analistas e especialistas de mercado para o próxi-
mo ano – pelo menos dentro do que é possível vislumbrar em meio à nebulosidade provocada pela crise institucional instaurada nas esferas federais do poder a partir dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, e que deve se arrastar até a eleição presidencial de 2018. Em Caxias do Sul, uma destas especialistas é a doutora em Economia Maria Carolina Gullo, diretora do Centro de Ciências Sociais da UCS e membro do Conselho Temático e da Diretoria de Economia e Finanças da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC). Em entrevista nas páginas a seguir, a professora aponta para uma expectativa de crescimento discreto da economia da região e de estancamento da redução de postos de trabalho. Ela também avalia as dificuldades e oportunidades dos setores produtivos locais, sobretudo ressaltando a necessidade de se agregar conceitos de inovação à matriz econômica tradicional, de modo a evitar seu esgotamento e a garantir a capacidade de geração de emprego e renda no longo prazo. 7
Claudia Velho
revistaUCS: Quais as perspectivas da economia da região para 2017? Prof. Maria Carolina Gullo: A economia de Caxias do Sul foi a mais atingida com a crise em função do perfil econômico da cidade, bastante dependente do setor metalmecânico, sobretudo automotivo. Mas a partir da análise dos indicadores econômicos, entende-se que o pior já passou, e que lentamente a economia local, mais do que a regional, deve voltar a crescer. Estamos reconquistando mercados perdidos no exterior e, em relação às importações, percebe-se uma substituição por produtos nacionais, o que incrementa a produção regional. No entanto, os resultados na economia vão depender dos movimentos políticos e econômicos realizados ainda em 2016. É urgente a necessidade de reformas como a tributária, a política e a da previdência, que possibilitem o destravamento do crescimento econômico nacional e regional.
Diretora do Centro de Ciências Sociais, Maria Carolina Gullo: interação entre o ‘tradicional’ e o ‘novo’ pode colocar Caxias do Sul e região no protagonismo de uma nova economia.
Esta possível recuperação chegaria a reverter o cenário de redução de empregos instalado desde 2014? O desemprego foi maior em 2015. De janeiro de 2016 até outubro deste ano, o ajuste no mercado de trabalho continuou acontecendo, porém, em velocidade e intensidade menores. Se a previsão de crescimento do PIB estiver correta e chegarmos a 1%, como aposta o mercado, a tendência para 2017 é de que o fechamento de vagas deve ser cada vez menor, podendo estabilizar a partir do segundo semestre.
timentos para este setor são de médio e longo prazo. Mas movimentos em busca da implantação de outros modais, como o trem e o aéreo, precisam continuar para se alcançar uma matriz de transportes à Além dos fatores macroeconômicos, que re- altura das necessidades da região. Tamsultaram na crise do setor metalmecânico, o bém há estudos sobre alternativas às esempresariado local aponta o histórico gargalo tradas já existentes, mas requerem tempo logístico do segmento – referindo aos elevados e recursos para saírem do papel. O certo custos para o transporte do aço desde as si- é que não podemos ficar esperando pelo derúrgicas do centro do país e, depois, para o governo, de lá não virão recursos. A soluescoamento da produção, pela defasagem dos ção passa por parcerias público-privadas modais de transporte. O que é possível fazer ou simplesmente privatização. Embora este último a respeito enquanto não termo nos reocorre a construção do meta a lemAeroporto Internacional branças não de Cargas e Passageiros EM INFRAESTRUTURA muito agraem Vila Oliva, tida como NÃO PODEMOS dáveis, como solução? FICAR ESPERANDO os pedágios Em termos de infraesexistentes até trutura não há muito o PELO GOVERNO. pouco tempo, que fazer no curto praDE LÁ NÃO não é possível zo, apenas reparos nas fazer mágica. principais vias de acesVIRÃO RECURSOS Nem a União, e so à cidade. Os inves-
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muito menos o Estado, têm condições de abraçar investimentos desta envergadura. Teremos que fazer escolhas. Quando se cogita a participação do poder público no desenvolvimento econômico, costuma-se apontar a concessão de incentivos para a instalação de indústrias. Isso ainda é um mecanismo necessário e eficiente? De que outros modos o poder público pode contribuir com a geração de emprego e renda? Se você perguntar ao setor produtivo se ele deseja incentivos fiscais, é claro que ele vai dizer que sim. Quem não gostaria de ter descontos nos impostos ou de obter uma linha de crédito com juros subsidiados para investir? Mas não se trata de querer. No momento, o governo não tem condições de realizar uma política de incentivos como fez em 2009. O setor produtivo terá que buscar alternativas. A maior contribuição que os governos federal e estadual podem dar, no momento, é promoverem as reformas necessárias para recuperar as contas públicas e criar
um ambiente mais favorável aos negócios, a partir de regras definidas e que sejam devidamente cumpridas. Isso gera estabilidade política e econômica que favorece a toda a sociedade.
rotas do turismo de lazer e do turismo ecológico. Além disso, a UCS é uma das poucas universidades que tem um programa de pós-graduação stricto sensu em Turismo, ou seja, conhecimento temos de sobra para auxiliar neste processo de redescobrimento do potencial econômico de Caxias do Sul.
produtivo local se manter competitivo, investir em inovação já se estabelece como necessidade? Penso que o TecnoUCS chega em um momento bastante oportuno, principalmente para Caxias do Sul, onde o modelo econômico apresenta esgotamento e precisamos converter a expertise e o espírito empreendedor em novos produtos, com mais tecnologia, com inovação. Isto possibilitará o resgate da competitividade das empresas locais e da região, colocando a produção industrial em um novo patamar. É preciso não esquecer do setor de serviços, o que mais cresce e que, por natureza, tem agregado tecnologia. Este setor tem sido importante aliado da indústria e do setor primário e deve continuar exercendo um papel cada vez maior na atividade econômica. Seu lugar em um parque tecnológico é vital.
A contundência com que a crise econômica atingiu o setor industrial caxiense é indicativo de que o modelo tradicional alcançou seu limite, havendo risco de O TecnoUCS propõe a retrocesso? Ou ele ainda é ampliação da matriz forte o suficiente para coneconômica regional DIVERSIFICAÇÃO duzir o desenvolvimento? com base em tecnoloNÃO SIGNIFICA É necessário mudar/amgia, inovação e pesquipliar a matriz econômica sa. De que modo esses ABANDONAR O SETOR regional? conceitos podem ser METALMECÂNICO, Já temos um certo conagregados pelas emMAS BUSCAR NICHOS senso de que a matriz presas locais? econômica de Caxias Vivemos a sociedade QUE PRECISEM do Sul precisa ser revisdo conhecimento, DESTA EXPERTISE ta. O modelo de ‘dobrar na qual tecnologia, chapa’ e produzir para pesquisa e inovação a cadeia automotiva andam juntas. Isto Como está o cenário da Economia Criativa e durou mais de 60 anos, não é novo. A ques- das startups na região? De que forma esses mas precisa ser repensado. Temos a ex- tão é que os países menos desenvolvidos, conceitos inovadores podem se compatibilizar pertise do setor metalmecânico, no entan- como o nosso, sempre foram ‘comprado- com o modelo industrial tradicional e colaborar to, precisamos explorar outros setores que res’ de tecnologia. Pesquisar e inovar leva com a geração de desenvolvimento? precisam desta competência. Reitero que tempo e pode custar muito caro. Normal- Este ambiente proposto pela sociedade quando se diz que a matriz carece de di- mente apenas as grandes empresas e/ou do conhecimento desperta o animal spiversificação isso não significa abandonar multinacionais possuem um setor de pes- rit de Keynes, ou seja, a atual conjuntura o setor metalmecânico, mas buscar novos quisa e desenvolvimento. As demais são econômica força as empresas a se reinnichos em atividades que precisem desta ‘copiadoras’ ou buscam parcerias para ventarem, e isto passa pelo processo de expertise. Podemos usar este setor para desenvolver seus produtos. Sei que esta inovação que requer, via de regra, mais as atividades voltadas para a saúde, por afirmação acima não agrada, mas Schum- tecnologia e conhecimento. As startups exemplo, produzindo instrumentos, equi- peter (um são embriões desta nova forma pamentos, próteses, enfim materiais que dos mais de pensar e agir em relação aos necessitam do setor metalmecânico. importantes negócios. Se juntarmos a vontaSE JUNTARMOS economistas de de inovar com o empreendeA VONTADE DE Quais atividades têm melhor potencial de ex- da primeira dorismo que faz parte do nosso INOVAR COM O ploração? metade do DNA, os resultados serão muito No setor da saúde, mantendo o exemplo, século XX e positivos. No entanto, é preciso EMPREENDEDORISMO temos o melhor e maior campo de pesqui- dos primeilembrar que os resultados adQUE FAZ PARTE DO sa da região na nossa universidade, com ros a convindos de pesquisa e desenvolos cursos da área, o Hospital Geral, a Clí- siderar as vimento ou de startups não são NOSSO DNA, OS nica de Fisioterapia, o Instituto de Medici- i n o v a ç õ e s auferidos em curto espaço de RESULTADOS SERÃO na do Esporte e outros tantos laboratórios. tecnológicas tempo, mas em médio e longo MUITO POSITIVOS Juntos com outras áreas do saber, como como impulprazo. Por outro lado, vivenciar as engenharias, e com o setor industrial, sionadoras um ambiente de inovação é podem se desenvolver novos produtos, do desencondição essencial para que como já está acontecendo na interação volvimento as startups se desenvolvam, e entre a Medicina e a Engenharia no de- capitalista) já dizia, na década de 1940, a universidade tem possibilitado este amsenvolvimento de próteses, mas podemos que uma inovação é uma ação de um biente e está ajudando a difundi-lo a partir avançar muito mais. empreendedor que estará sozinho em um do TecnoUCS e do StartUCS. Portanto, teOutro setor que pode ser melhor trabalha- determinado mercado até ser copiado pe- mos a oportunidade de fazer o ‘tradicional’ do é o turismo, bastante explorado regio- los demais. Segundo ele, nem todos são interagir com o ‘novo’, e o resultado disnalmente, mas ainda pouco em Caxias do empreendedores, alguns são somente ad- so será uma matriz econômica oxigenaSul. Temos feiras importantes, um festival ministradores. da, moderna, cujos frutos devem colocar de blues, belas paisagens e lugares boCaxias e região como protagonistas de nitos na área rural que podem entrar em A partir disso pode-se dizer que, para o setor uma nova economia.
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NAS TRAMAS DA CIÊNCIA AO ANALISAR AS MOTIVAÇÕES ROMÂNTICAS HUMANAS, PSICANÁLISE E NEUROCIÊNCIA COMPARTILHAM UMA CERTEZA: AS CRISES DE ‘SOFRÊNCIA’ NÃO SÃO UMA PERFEITA ILUSÃO VAGNER ESPEIORIN – vaespeio@ucs.br A fila anda. Cleópatra, rainha do Egito, transformou sua vida amorosa em um trampolim para alcançar seus objetivos. Teve um filho com o imperador romano Júlio César, mas quis o destino que o governante fosse morto. Em seu lugar, assumiu Marco Antônio. Sedutora, Cleópatra conquistou também o novo imperador, ampliou seu reinado e se transformou em ícone da História. O amor pode ser isso: poder. Diferente de Cleópatra, o arganaz-da -pradaria, um pequeno roedor que habita especialmente a América do Norte, não vê com bons olhos o avanço da fila. A espécie é conhecida por manter relacionamentos de longo prazo, uma raridade entre os mamíferos (menos de 5% das espécies são monogâmicas). Além de fiéis, os arganazes compartilham os cuidados com a prole. O amor pode ser isso: compromisso. Milhares de anos após Cleópatra e em um contexto bem diferente das pradarias – mais especificamente no concreto das grandes cidades –, o Tinder já conglomera mais de 100 milhões de perfis, 10 10
milhões só no Brasil. O aplicativo utiliza georreferenciamento para apresentar prováveis pretendentes ao usuário. O match é o sinal de que ambos os internautas topam um papo ou até um encontro para além da virtualidade. O amor pode ser isso: curtição. Poder, compromisso e curtição são algumas das faces de um sentimento muito desejado: o amor. Não se trata aqui da situação incondicional que pauta os contratos de vivência entre familiares, mas sim de sua forma mais próxima do compromisso entre parceiros. Os gregos o chamavam de Eros. CONSUMO DE RELAÇÕES “A contemporaneidade trouxe a questão do amor. Como se, caso soubermos o que fazer na vida amorosa, saberemos como agir no mundo. Toda a expectativa de felicidade ficou concentrada no amor e no sexo”, explica a psicanalista Denise Maurano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que esteve na UCS para a aula inaugural do curso de especialização em Psicologia Clínica: Abordagem Psica-
nalítica do Sujeito Contemporâneo. Apesar de apresentado como condição para se estar bem-sucedido na vida, o amor esbarra nos problemas próprios desse tempo. “Há um consumo nas relações de amor e sexo, como se ser feliz fosse consumir objetos. Da mesma forma que se consomem coisas, se consomem relações amorosas. Tem-se aí uma falência. Nenhum objeto vai calar a ânsia do desejo”, adverte Denise. Apesar disso, os tempos atuais exploram novas formatações no modo de se relacionar. As configurações familiares se diversificaram e os ‘contratos’ de relacionamento não são os mesmos. Há espaço para experimentações, mas algumas condições são permanentes. “Há um movimento familiar que apela à proteção dos filhos e que clama por uma certa estabilidade para que isso aconteça. Faz sentido que isso exista, mas não existe só isso. A gente não se liga apenas para fazer filho ou família; a gente se liga porque é necessário. Ser humano é tão difícil que você precisa se amparar no outro”, define a especialista.
DO TEMPO DA PEDRA (até 4000 A.C.)
DE OUTRAS ÉPOCAS A idealização do outro como objeto de felicidade é algo relativamente recente. Apenas no século XVIII o casamento passou a ser visto como uma relação pautada pelo amor. “Essa forma de tratar amor e sexo é algo da contemporaneidade. Na história da sexualidade, os casamentos se davam em torno da aliança. O que se fazia com a sexualidade só se falava nos confessionários”, comenta Denise Maurano. Na contemporaneidade, o amor passa a ser um pacto de sexualidade, explica a psicanalista. Isso é um projeto atual, sustentado pelo amor romântico e que vem ganhando novos formatos. E como era em outros tempos?
Os homens caçavam e as mulheres cuidavam do abrigo. Essa divisão clássica tem sentido a partir do período neolítico, conhecido como Idade da Pedra Polida, quando o homem passou a domesticar animais e começou a monogamia. Antes, na Idade da Pedra Lascada, a poligamia era liberada. Liberal, por sinal, também era o comportamento da época. Pinturas rupestres indicam que nossos antepassados não eram nada comportados sexualmente.
EROS PRA QUE TE QUERO (4000 A.C. - 476 D.C.) Para os gregos, Afrodite era a deusa do amor, mas também da beleza e da sexualidade. Era a mãe de Eros, esse sim dedicado apenas às causas do amor. Conta a lenda que o jovem deus se casou com Psiquê, com quem teve Hedonê, a deusa do prazer. Amor, sexualidade e prazer formam, assim, uma dinastia na mitologia grega. No berço da democracia, a monogamia se efetivou. E essa premissa foi acompanhada por Roma. Porém, como bons legisladores, foram os romanos a perceber que nem tudo é para sempre: foi criado o divórcio. As regras, naquele tempo, eram rígidas e nada igualitárias. Traição era punível, mas apenas se a mulher cometesse o adultério.
É PECADO! (476 - 1453)
E AGORA? (1789 - atualidade)
O amor na contemporaneidade ganha sentido na idealização do outro, especialmente na lógica de que a felicidade se concentra na constituição de uma vida em comum com o ser desejado. A lógica do amor mergulha também na paixão. “A paixão focaliza um posicionamento que está aquém e além do amor. O sujeito habita definitivamente o outro, não a si mesmo. Mais do que preencher uma falta, a paixão é uma modalidade de entrega totalmente cega, em que o sujeito se perde”, explica Denise Maurano.
LIBERAL, MAS NEM TANTO (1453-1789)
Para definir o amor e o sexo na Idade Média, uma palavra é suficiente: proibido. Nem pensar em sexo era permitido. A prática era condicionada apenas à reprodução. Os casamentos eram arranjados e os noivos, em grande parte das vezes, sequer se conheciam. No período surge o cinto de castidade, que os senhores feudais podiam usar em suas esposas. Por ser um apetrecho pouco higiênico, muitas mulheres morriam vítimas de infecções. O amor cortês também data da Idade Média e estava ligado à idealização, especialmente da mulher. O termo ‘fazer a corte’ vem daí.
Eram tempos menos rígidos, mas nem por isso houve grande liberação comportamental na Idade Moderna. A maior mudança ficou por conta dos casamentos. Com a Reforma Protestante, algumas religiões, como a Anglicana, passaram a permitir o divórcio. O amor – ah! – começou a despontar, e alguns casamentos já ocorriam por causa dele. O avanço da ciência trouxe conhecimentos relacionados à saúde sexual. O médico Gabriele Falloppio descobriu as trompas uterinas e criou o primeiro preservativo masculino, afinal, a sífilis se disseminava na Europa.
O problema é que, em tempos hedonistas, o sofrimento ‘deve’ ser descartado. “No consumismo contemporâneo, a ideia é virar a página. Ficar triste é brega”, observa. Na prática, porém, isso não dá certo. “Se você faz uma aposta de solução da vida pela via da paixão ou pela via do encontro amoroso, e isso se perde, tem um luto a ser feito. E luto implica numa despossessão dolorosa, porque você depositou naquela pessoa o seu patrimônio”, reflete. Enfim, independentemente de época, amar é problema – ou também solução.
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AS SUBSTÂNCIAS DO APEGO Ocitocina. Compreender o amor nas suas bases biológicas depende muito desse neurotransmissor. Há décadas essa substância foi identificada por sua atividade hormonal, auxiliando nas contrações uterinas no parto e na liberação do leite materno, entre outras. Mas ela também contribui para relações de longo tempo. No sistema nervoso, a ocitocina age na criação de vínculo. E pode ser de qualquer tipo: entre amigos, pais e filhos e até entre humano e animais de estimação. “Essa substância está envolvida em todo tipo de vínculo positivo, sendo um dos elementos essenciais para um relacionamento
amoroso, romântico. Quando se olha nos olhos de alguém com quem se tem algum vínculo, o corpo libera ocitocina. É uma situação de retroalimentação, de reforço”, exemplifica o professor de Neurociência da UCS, Lucas Fürstenau de Oliveira. MONOGAMIA BIOLÓGICA Recorda do arganaz-da-pradaria? Pela sua característica monogâmica, cientistas se dedicaram a estudar a espécie. Além de comprovar a ação da ocitocina, os pesquisadores perceberam que outra substância age no corpo quando falamos de amor: a vasopressina – neurotransmissor mais presente no macho que está relacionado à formação de território. Especula-se que o casamento entre ocitocina e vasopressina seja o responsável
pela constituição biológica do amor. Os dois neurotransmissores são tão íntimos que compartilham de uma casa em comum. Explicação: para qualquer substância agir no cérebro, ela precisa de um receptor nas células. Como as duas substâncias são muito parecidas, a ocitocina pode se ligar em um receptor de vasopressina, e a vasopressina pode se ligar em um receptor de ocitocina. “É difícil diferenciar quem está agindo e em qual receptor”, aponta o professor. No arganaz-da-pradaria a vasopressina tem tanta força que determina a fidelidade entre os parceiros, tanto que, se outro macho for atrás de uma fêmea que já tem par, vai dar briga. “Extrapolando para o lado masculino, seria a ideia de possessividade. Mas, por enquanto, isso só se observou no modelo animal”, ressalva Oliveira.
COMO E POR QUE ESCOLHEMOS A psicologia evolucionista procura explicar comportamentos humanos a partir dos princípios de seleção natural e seleção sexual, conforme explica o professor Lucas Fürstenau de Oliveira. De acordo com esse campo do conhecimento, as escolhas amorosas se apresentam como resultantes de uma série de fatores orgânicos e de adaptação. Na década de 1990, um estudo transcultural sobre relacionamentos analisou respostas de 10 mil pessoas. O trabalho acabou embasando cientificamente alguns apontamentos do senso comum, mas também serviu para romper certos estigmas.
Recursos financeiros, por exemplo, são considerados pouco importantes para a definição do par. As mulheres dão mais atenção a isso, porém, quanto mais igualitária a cultura, menos importa esse fator. “É curioso, porque a gente fala de amor, mas essa característica (financeira) parece ter relevância”, afirma Oliveira. A aparência costuma ter uma pontuação maior no homem escolhendo a mulher do que o contrário. Mais especificamente, a imagem de jovialidade. Quanto mais estrogênio tiver a mulher, maiores ficam os olhos e mais delicados os traços – que são características juvenis – e também maiores os seios.
CIO DESONESTO Pode parecer brincadeira, mas não é. As escolhas de parceiro no longo prazo estão condicionadas ao cio desonesto. Diferentemente das outras espécies mamíferas, as mulheres não apresentam sinais externos do período reprodutivo. Por isso, para garantir a reprodução, desenvolveram-se características como mamas inchadas permanentemente e lábios carnudos. “Esse sistema é o que se chama de cio desonesto: a aparência de que a fêmea humana está constantemente no cio”, explica Oliveira, com base na psicologia evolucionista. “Com isso, o homem ficou perto para garantir que, havendo reprodução, a prole seria dele, investindo na criação do filho. Especula-se que passou a existir o amor a partir daí, para facilitar a convivência de longo prazo”, complementa.
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E OS FEROMÔNIOS? As discussões em torno da influência dos feromônios na espécie humana são um tanto controversas, mas, indica o professor, eles agem sim sobre o comportamento humano. Pontualmente, essas substâncias funcionam para indicar algo, seja demarcação de território (caso da urina dos cachorros) ou até uma situação de perigo. Entre humanos, podem atuar na escolha de curto prazo, direcionada à reprodução. Como a ação da substância não é percebida conscientemente, a resposta comportamental nem sempre fica clara para o indivíduo.
Apoiado em pesquisas, o professor diz que muitas mulheres podem escolher parceiros a partir da distinção genética, tendendo a buscar aqueles com a menor compatibilidade possível. “A ideia é que, com menor semelhança genética, a criança tenha uma senha de sistema imunológico diferenciado”, esclarece. Assim, conforme o professor, biologicamente quem escolhe é a mulher. Enquanto o homem é mais atraído pelas características influenciadas pelo estrogênio, a mulher deseja mais um sistema genético diferenciado do dela.
Claudia Velho
PROJETO COORDENADO PELA UCS INTEGRA PLANO NACIONAL COM 69 PESQUISAS PARA ENFRENTAMENTO DO AEDES AEGYPTI
Coordenadora Mariana Roesch Ely e a pesquisadora Caroline Menti: estudos no Laboratório de Genômica, Proteômica e Reparo de DNA
NO CERCO AO ZIKA
VÍRUS
CONCEIÇÃO AFONSO – mccafons@ucs.br Com a aprovação de um projeto de pesquisa que propõe o aperfeiçoamento do processo de diagnóstico de Zika vírus (ZKV), a Universidade de Caxias do Sul passa a fazer parte do mutirão internacional convocado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a realização de ações voltadas para a prevenção e combate às doenças. Coordenado pela doutora em Biologia Molecular Mariana Roesch Ely, a proposta de pesquisa da UCS é uma das 69 selecionadas por uma chamada pública interministerial pela qual o governo federal vai investir R$ 65 milhões na prevenção, diagnóstico e tratamento do vírus Zika e doenças correlacionadas. Com desenvolvimento previsto para quatro anos, o projeto da UCS receberá cerca de R$ 1 milhão e envolverá estudantes de mestrado e doutorado dos programas de pós-graduação em Biotecnologia, em Engenharia e Ciência dos Materiais e
em Engenharia de Processos e Tecnologias. DIAGNÓSTICO MAIS RÁPIDO Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (mesmo caso da dengue, chikungunya e febre amarela) ou por via sexual, o Zika vírus causa doença infecciosa em humanos, com risco aumentado para síndromes congênitas e distúrbios neurológicos em adultos e fetos. Em nível de epidemia, a OMS registra que, desde 2015, o vírus se espalhou por 70 países. No Brasil, os últimos números da entidade dão conta de 190 mil pessoas infectadas, com cerca de 2 mil casos confirmados de microcefalia em decorrência da infecção. O diagnóstico de rotina é realizado por meio de análises laboratoriais normalmente demoradas e que exigem mão de obra especializada. Nesse contexto, entre os vários desafios que se colocam para a comunidade científica mundial para prevenir
e combater o ZKV, um deles é o desenvolvimento de métodos de diagnóstico mais rápidos e acessíveis, de modo a antecipar decisões que envolvam o tratamento das doenças correlacionadas. É este desafio que os pesquisadores da UCS e instituições parceiras pretendem superar com o desenvolvimento de um imunossensor magneto-elástico que, utilizando nanopartículas de ouro, tenha sua massa final sobre a superfície aumentada o que, consequentemente, deverá ampliar o sinal de ressonância, resultando em análises mais rápidas e precisas se comparadas às metodologias atuais. Facilidade de operação, uma boa relação custo-benefício e a aplicabilidade no Sistema Único de Saúde são atributos desejados para este novo método. É intenção dos pesquisadores que os resultados do projeto possam embasar novas políticas públicas de saúde e contribuam para a capacitação de recursos humanos na área. 13
TRABALHO TEM BASE DE QUATRO ANOS De acordo com a professora Mariana Roesch Ely, os trabalhos com biossensores magneto-elásticos foram iniciados na UCS em 2012, com a cooperação entre o Laboratório de Genômica, Proteômica e Reparo de DNA e o Laboratório de Caracterização Magnética, da qual resultou um estudo com sensores com a finalidade de capturar bactérias através de um método de detecção com ligação
antígeno-anticorpo. Dele resultaram três dissertações de mestrado sobre biossensores e cinco pedidos de registro de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), todos envolvendo sensores magneto-elásticos. “Com base nos excelentes resultados do primeiro quadriênio, pensou-se em desenvolver um sensor voltado para a detecção de Zika vírus, partindo do
mesmo preceito experimental, utilizando uma reação com antígeno-anticorpo para captura de antígenos e anticorpos virais”, explica a coordenadora. Com a liberação dos recursos por parte das agências de fomento, assegurada em novembro passado pela Capes, do Ministério da Educação (veja mais na página ao lado), as pesquisas devem começar no primeiro semestre de 2017.
PROJETO DA UCS VISA DESENVOLVER MÉTODOS DIAGNÓSTICOS MAIS RÁPIDOS E ACESSÍVEIS SOBRE DOENÇAS CORRELATAS
Pesquisadores Machline Paim Paganella, Leonardo Rapone da Motta e Rosa Dea Sperhacke: participação do Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS.
Mateus Beltrami, Eduardo Stimamiglio Bastos, Frank Patrick Missell, Sandro Tomaz Martins e André Luís Possan: pesquisadores do Laboratório de Caracterização Magnética. 14
ESTRUTURAÇÃO w A chamada pública aprovada envolve três ministérios: da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq); da Educação (pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES); e da Saúde. w O projeto de pesquisa é coordenado pela doutora em Biologia Molecular, Mariana Roesch Ely, que também coordena, com o Dr. João Antônio Pegas Henriques, o Laboratório de Genômica, Proteômica e Reparo de DNA do Instituto de Biotecnologia (IB-UCS). w O Laboratório de Caracterização Magnética (do Centro de Ciências Exatas e da Tecnologia) da UCS, coordenado pelo Dr. Frank Patrick Missell, será responsável pelo desenvolvimento dos sensores magnetoelásticos.
CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO APLICADAS À PRESERVAÇÃO DA VIDA A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) confirmou o repasse de R$ 65 milhões aos 69 projetos selecionados no Seminário Marco Zero, realizado em Brasília em 30 de novembro passado. O objetivo é usar os resultados das pesquisas para o enfrentamento da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) declarada em função da alteração do padrão de ocorrência de microcefalia no Brasil, decorrente da infecção pelo vírus Zika. A chamada pública recebeu 530 projetos de pesquisa para as nove linhas temáticas. As propostas passaram por cinco etapas de análises por especialistas e consultores da Capes,
do CNPq, e do Departamento de Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Vigilância em Saúde, ambos do Ministério da Saúde. O prazo para execução dos projetos é de, no máximo, 48 meses. A iniciativa faz parte das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado pelo governo federal em dezembro de 2015. Do total, R$ 20 milhões fazem parte do orçamento do Ministério da Saúde, R$ 15 milhões do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) e R$ 30 milhões do Ministério da Educação (MEC), por meio da Capes. Fotos Claudia Velho
w Mais quatro laboratórios da UCS participam: w o Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde; w o Laboratório de Produtos Naturais e Sintéticos e o Laboratório de Diagnóstico Molecular, ambos do Instituto de Biotecnologia; w e o Laboratório de Processos Metalúrgicos, do Centro de Ciências Exatas e da Tecnologia. w Também participam do projeto pesquisadores: w do Instituto de Física da USP w do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas w da Universidade Feevale w do Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT) w do Laboratório Central (LACEN) da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (FEPPS), ligada à Secretaria Estadual da Saúde w e da Auburn University (EUA), compondo uma equipe multidisciplinar com competências específicas em Ciências da Saúde, Biotecnologia, Ciências Biológicas, Física, Química e Engenharia.
Trabalho pretende desenvolver imunossensor: pesquisadores esperam que resultados possam também embasar políticas públicas de saúde e capacitação de recursos humanos na área.
Nº DE PROJETOS POR LINHA TEMÁTICA: w Desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas - 6 w Desenvolvimento e avaliação de repelentes - 1 w Desenvolvimento e avaliação de estratégias para controle de vetores em seus vários estágios de desenvolvimento - 7 w Desenvolvimento de imunobiológicos - 3 w Desenvolvimento de tecnologias sociais e inovação em educação ambiental e sanitária - 2 w Inovação em gestão de serviços de saúde, de saneamento e de políticas públicas - 2 w Imunologia e virologia - 17 w Epidemiologia e vigilância em saúde - 22 w Fisiopatologia e clínica - 9 15
TRABALHO DE ACADÊMICOS DE MEDICINA DA UCS PARA A OMS PERMITIRÁ CAPACITAÇÕES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL PEDIÁTRICA EM TODOS OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ARIEL ROSSI GRIFFANTE – argriffante@ucs.br
PELA
condições ambientais na saúde das crianças e, no longo prazo, dos adultos. O projeto chegou à UCS por intermédio do coordenador do curso de Medicina, Emerson Rodrigues da Silva, integrante do Centro de Riscos Ambientais para a Saúde da Criança (CEHCH, na sigla em inglês), centro colaborador da OMS instalado na PUC/RS e do qual a Universidade de Caxias do Sul é parceira. “Iniciamos com a tradução do conteúdo dos módulos de treinamento porque isso era parte dos objetivos a serem cumpridos para a instalação do centro. Os alunos foram voluntários e selecionados de acordo com a participação nas atividades extracurriculares do curso de Medicina, como a Liga Acadêmica de Pediatria”, explica o coordenador, responsável pela supervisão do trabalho e revisão dos slides.
PROJETO-PILOTO Depois, uma equipe da OMS realizou a conferência final do material, diretamente na sede da entidade, em Genebra, Suíça. O processo todo durou pouco mais de dois anos até a publicação, no segundo semestre de 2016, no site da organização – disponível no link bit.ly/ OMSEducaçãoSaúde1 “Os próximos objetivos são implementar programas de educação em saúde ambiental pediátrica a partir de Caxias do Sul (como projeto-piloto das capacitações no Brasil) e desenvolver pesquisas que nos permitam conhecer a dimensão do problema em sua totalidade para, a partir das informações coletadas, propor intervenções visando à redução dos danos ambientais à saúde infantil”, adianta o professor Emerson.
SAÚDE DO MUNDO
Coordenador do curso de Medicina, Emerson Rodrigues da Silva: participação posiciona UCS na vanguarda de ações da Organização Mundial da Saúde. 16
Claudia Velho
Um trabalho voluntário, realizado ao longo de dois anos por 12 alunos de Medicina da Universidade de Caxias do Sul para a Organização Mundial da Saúde (OMS), vai auxiliar no treinamento de equipes de saúde visando à promoção de educação ambiental pediátrica nos países de Língua Portuguesa. Os acadêmicos Ana Carolina Jordão Cuimbra, Ana Paula Jacobs, Andressa Baseggio, Bianca Boff Sandi, Cecília Buratti, Fernanda Chiaradia, Guilherme Foletto, Jéssica Betti, Marieli Grassi, Mayara Brito, Roberta Florian e Stephanie Schäfer realizaram a tradução, do inglês para o português, de textos e de gráficos e apontamentos de 1,6 mil slides utilizados em um programa de módulos de capacitação da entidade mundial, direcionado à prevenção e intervenções sobre os efeitos das
OS MÓDULOS w Crianças não são pequenos adultos w Por que o foco nas crianças w Poluição intradomiciliar (indoor) w Poluição externa (outdoor) w Anamnese ambiental pediátrica w Doenças respiratórias w Origens ambientais e desenvolvimentistas da doença do adulto w Água w Biomarcadores e biomonitoramento humano w Câncer w Produtos químicos w Chumbo w Saneamento e higiene w Mudança climática global w Segurança alimentar w Alterações do neurodesenvolvimento w Alterações endócrinas w Radiação w Doenças imunes w Pesticidas w POPs – Poluentes orgânicos persistentes w Mercúrio w Tabagismo passivo w Outros metais pesados w Lesões de causa externa w Exposição ocupacional w Micotoxinas w Ruído w Indicadores de saúde ambiental pediátrica
Água
Água
Água
UM PROBLEMA GLOBAL w De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 92% dos habitantes do planeta vivem em locais onde a qualidade do ar não se enquadra nos padrões considerados saudáveis. w O ar contaminado possui partículas finas em suspensão, de menos de 2,5 micrômetros, que incluem sulfatos, nitratos e fuligem, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, representando risco grave para a saúde humana. w Os níveis de contaminação são especialmente elevados no Mediterrâneo Oriental, no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental. w Segundo dados da organização, em 2012 cerca de 6,5 milhões de mortes (equivalentes a 11,6% do total em todo o mundo) estiveram ligadas à contaminação do ar – mais do que a tuberculose, acidentes automobilísticos e as decorrências do HIV juntos. w Estes óbitos são provocados especialmente por doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, pneumopatia obstrutiva crônica e câncer de pulmão. w A contaminação do ar também aumenta o risco de infecções respiratórias agudas. w Cerca de 90% das mortes ligadas à poluição do ar ocorrem em países de renda média ou baixa.
TREINAMENTOS DEVEM SER OFERECIDOS GRATUITAMENTE Os módulos de capacitação são disponibilizados de forma gratuita para consulta ou para a oferta de treinamento de equipes de profissionais de saúde. O uso do conteúdo, entretanto, precisa ser autorizado pela OMS, mediante solicitação, não sendo permitida a exploração comercial. O material contém dados de publicações científicas que sustentam os conceitos apresentados, auxiliando na capacitação do público-alvo. A divisão em módulos, cada qual abordando aspectos diferentes da saúde ambiental pediátrica, permite a seleção de conteúdos mais relevantes para determinada necessidade de
local ou público específico. As abordagens contemplam as principais formas e riscos de contaminação ambiental, como a poluição do ar (um dos principais agentes causadores de doenças no mundo), a exposição a metais pesados, o consumo indireto de resíduos de pesticidas, as doenças vetoradas pela água e, ainda, questões emergentes como as mudanças climáticas e sua relação com a saúde infantil. “Por uma série de aspectos fisiológicos e metabólicos, as crianças sofrem muito mais do que os adultos os efeitos da poluição. Além disso, muitas exposi-
ções a poluentes na infância acarretarão em doença na idade adulta, como ocorre em alguns tipos de cânceres”, exemplifica o professor Emerson. De acordo com o coordenador, a partir do primeiro semestre do próximo ano o Centro de Riscos Ambientais para a Saúde da Criança deve organizar a promoção das primeiras capacitações e estabelecer acordos com os órgãos públicos de saúde para começar a executá-las. O treinamento dos profissionais que ministrarão os módulos será realizado em parceria pelos cursos de Medicina da UCS e da PUC/RS. 17
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‘O ponto é a unidade mínima na arte e na comunicação visual: é o início de uma linha, que. por sua vez. forma imagens, letras, textos ou o que estiver na sequência da sua composição. A linha pode ser descrita como a junção dos pontos, ou ainda, o movimento de um ponto, se imaginarmos a trajetória dele no espaço. Pontos e linhas formam o todo, de tudo’ Prof. Silvana Boone - doutora em Artes Visuais 18
‘IN ALTUM DUCIT’ CONDUZIR PARA O ALTO NOSSO LEMA INSTITUCIONAL REPRESENTA O COMPROMISSO DE CONDUZIR AS PESSOAS A OUTROS PATAMARES POR MEIO DO CONHECIMENTO Neste 10 de fevereiro de 2017 celebramos 50 anos da criação da Universidade de Caxias do Sul. Momento de júbilo, agradecimento e reconhecimento. A UCS nasceu a partir de uma iniciativa da comunidade caxiense, a qual via na Educação Superior uma alternativa para o seu desenvolvimento. Passadas cinco décadas, a cultura, a política e a economia regional estão impregnadas pelo espírito universitário presente na formação de cerca de 100 mil profissionais que já passaram pelos espaços da Universidade. A história da UCS se mistura com a história regional e com a história de vida de milhares de pessoas. Nesses 50 anos, a comunidade acadêmica (professores, estudantes e funcionários) colaborou para que fossem honrados, ano após ano, os ideais concebidos pelos fundadores da instituição – Dom Benedito Zorzi, o Dr. Virvi Ramos e o prefeito Hermes Webber. Pode-se dizer, com orgulho, que os ideais renderam belos frutos. Com a presença da UCS, Caxias do Sul e a região conquistaram elevado grau de desenvolvimento econômi-
co, social e cultural, motivo de orgulho para os cerca de 1,3 milhão de habitantes de 70 municípios do Nordeste do Rio Grande do Sul. A comunidade local e regional também honrou, valorizou e acompanhou a história exitosa da sua Universidade, que beneficia a comunidade que a acolhe. Esse sucesso se evidencia pelos múltiplos indicadores, números e rankings. Vale aqui destacarmos o Ranking Universitário Folha (RUF), o mais conceituado levantamento sobre a educação universitária brasileira, em que a UCS ocupa hoje o segundo lugar nacional em Inovação e o quinto em Pesquisa Científica dentre as universidades comunitárias e privadas do país. De fato, a trajetória da UCS foi realizada por homens e mulheres conectados com o seu tempo e atentos com o futuro, buscando sempre inovar, se diferenciar e empreender com profundo senso comunitário. Cabe aqui recordar um verso de Horácio: Dimidium facti qui coepit habet: sapere aude – ‘Aquele que começou está na metade da obra: ouse saber’! Esse princípio, retomado pelo Iluminismo e por vezes
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ARTIGO
EVALDO ANTONIO KUIAVA Reitor da Universidade de Caxias do Sul
traduzido como ‘tenha coragem de usar o seu próprio entendimento’, podemos associar ao nosso lema institucional, In Altum Ducit – ‘Conduzir Para o Alto’, que representa o compromisso da instituição de conduzir as pessoas a outros patamares por meio do conhecimento, ampliando sua visão de mundo e propiciando-as fazer novas descobertas com o verdadeiro espírito universal e empreendedor. Manter a sua tradição e, ao mesmo tempo, ser contemporânea e inovadora, é o caminho que a UCS quer seguir. E nessa caminhada, ela continuará atuando para manter uma relação positiva e inspiradora com a sociedade local, regional, nacional e internacional, empregando esforços em busca da constante inovação, da sustentabilidade institucional e, acima de tudo, da excelência acadêmica. Nesta data festiva, reafirmamos o compromisso com a missão institucional de produzir, sistematizar e disponibilizar o conhecimento à toda sociedade. A todos que fazem parte desta história minha gratidão e meu reconhecimento. In Altum Ducit. 19
Universidade de Caxias do Sul Caixa Postal 1313 95020-972 - Caxias do Sul - RS
Há 50 anos, o conhecimento ilumina o
A história diz quem somos. O presente, quem queremos ser. Há 50 anos a excelência em ensino, pesquisa e extensão impulsiona o crescimento das pessoas e o desenvolvimento da região. E, tão importante quanto valorizar o passado, é saber que essa força transformadora vai iluminar ainda mais o futuro. www.ucs.br
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