revistaUCS UCS
UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
Agosto e Setembro/2016 . Ano 4 . Nº 21
VOCÊ É A NATUREZA CIÊNCIAS E RELIGIÕES CONCORDAM: LEGADO DA VIDA ÀS FUTURAS GERAÇÕES PASSA PELA ECOLOGIA INTEGRAL, EM QUE A PERCEPÇÃO DA UNIDADE ENTRE TUDO O QUE EXISTE RESULTA NO CUIDADO INDIVIDUAL PELO COLETIVO - CONCEITO QUE ORIENTA AÇÕES AMBIENTAIS DA UCS
Fotos Claudia Velho
PESQUISA: EXTRATO DE PINHAS PODE AJUDAR NO TRATAMENTO DO CÂNCER
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PROJETOS ACADÊMICOS: LUVA COM SENSORES CONTROLA MÃO ROBÓTICA POR BLUETOOTH
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ECOLOGIA INTEGRAL: RESPEITO À VIDA CONTRA A CRISE SOCIOAMBIENTAL
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BRUNO SEGALLA: O ARTISTA TIDO COMO ATEU QUE ESCULPIA A FÉ E A MATERNIDADE
CURSOS DE EXTENSÃO: PREPARAÇÃO RÁPIDA E IMEDIATA PARA O MERCADO
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Acervo Câmara de Vereadores/Pioneiro
Fundação Universidade de Caxias do Sul
Produção: Assessoria de Comunicação UCS/ Setor de Imprensa e Mídias Digitais
Universidade de Caxias do Sul
Edição: Ariel Rossi Griffante Revisão: Cristina Beatriz Boff, Josmari Pavan e Vagner Espeiorin Foto de capa: Claudia Velho Design gráfico: Carmem Meira Theodoro/ Ouse Design Comunicação Supervisão: Dimas Augusto Felippi Tiragem: 5.000 exemplares Contato: 54.3218.2116; argriffante@ucs.br; imprensa@ucs.br; Versão digital: www.ucs.br/revista-ucs
Presidente do Conselho Diretor: Ambrósio Luiz Bonalume
Reitor: Evaldo Antonio Kuiava Vice-Reitor: Odacir Deonisio Graciolli Pró-Reitor Acadêmico: Marcelo Rossato Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Nilda Stecanela Pró-Reitor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico: Odacir Deonisio Graciolli Chefe de Gabinete: Gelson Leonardo Rech Diretor Administrativo e Financeiro: Cesar Augusto Bernardi
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Claudia Velho
#VEMPRAUCS PROGRAMA DE VISITAS, ABERTO A ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO E À COMUNIDADE EM GERAL, PROPORCIONA A EXPERIÊNCIA DE VIVENCIAR A UNIVERSIDADE O programa de visitas #VemPraUCS tem movimentado o Campus-sede e o Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul. Centenas de estudantes de escolas da cidade e da região estão, desde o início do segundo semestre deste ano, conhecendo os espaços da nstituição e inserindo-se na experiência de ‘viver uma universidade’ antes mesmo do ingresso na Educação Superior. Com o desprendimento característico da idade, os alunos do 3º ano do Ensino Médio têm sustentado a iniciativa ao levar, para dentro do ambiente acadêmico, a curiosidade em descobrir novos caminhos, instigada pelas descobertas e pelos aprendizados proporcionados pela inserção no contexto universitário. Essas percepções têm consolidado o #VemPraUCS como um conjunto de iniciativas de relacionamento com a comunidade escolar e em geral, que se estenderá até o final do ano. Daniele Lenzi, 17 anos, da Es-
cola Estadual Décio Martins Costa, de Picada Café, conheceu um dos laboratórios de Física do Bloco G acompanhada do coordenador do curso, professor José Arthur Martins. “Foi sensacional. Nunca pensei que a Física fosse tão prática”, destacou, logo após realizar diversos experimentos em que pode aplicar conhecimentos adquiridos até então no Ensino Médio. Se para Daniele a experiência do #VemPraUCS foi surpreendente, para Juliano Finn, 17, do 3º ano da Escola Padre Werner, de Nova Petrópolis, tratou-se de uma confirmação. O estudante conversou com a coordenadora do curso de Ciências Econômicas, Jacqueline Corá por mais de 30 minutos, oportunidade que endossou suas expectativas sobre a carreira acadêmica. “Ter um contato direto com os professores do curso vale muito a pena. Eu tinha algumas dúvidas quanto à grade curricular, mas agora estou convicto e preparado”, assegura.
COMO FUNCIONA w O #VemPraUCS visa proporcionar, aos alunos de Ensino Médio e à comunidade em geral, a oportunidade de vivenciar o universo acadêmico, informar-se sobre seus cursos de interesse e tirar dúvidas quanto ao mercado de trabalho. w Escolas interessadas em oportunizar a seus alunos de Ensino Médio o conhecimento da estrutura, dos ambientes e das atividades da UCS, além do contato com professores, pesquisadores e acadêmicos devem inscrever as turmas no programa de visitações guiadas pelo campus-sede. w O agendamento deve ser feito até 2 de dezembro, com pelo menos sete dias de antecedência, por meio do site www. ucsminhaescolha.com.br. w A UCS disponibiliza uma agenda online com os dias para visitação e as opções de cursos disponíveis, podendo os alunos serem inscritos para atividades em grupo ou individuais. w O programa de visitas #VemPraUCS é gratuito. O deslocamento até os campi é de responsabilidade da escola.
Mais informações: equipe UCS Minha Escolha Fones: 54.3218.2074 / 3218.2017 e-mail: ucsminhaescolha@ucs.br 3
Claudia Velho
ARAUCÁRIA CONTRA O CÂNCER PESQUISA CONSTATA QUE FALHAS DA PINHA POSSUEM COMPOSTOS CAPAZES DE MODULAR O METABOLISMO DE CÉLULAS TUMORAIS E NÃO TUMORAIS 4
CRISTINA BEATRIZ BOFF – cbboff@ucs.br Popularmente conhecida como pinheiro-brasileiro, a Araucaria angustifolia, encontrada no Hemisfério Sul, ganha mais uma utilidade além daquelas conhecidas, como na ornamentação, no paisagismo ou, simplesmente, pelo sabor de seus pinhões. A atividade biológica desta árvore é alvo de estudo no Laboratório de Estresse Oxidativo e Antioxidantes, que integra o Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul. A Araucaria angustifolia apresenta pinhas constituídas por pinhões e brácteas – que são as falhas, ou seja, pinhões que não se desenvolveram, normalmente descartadas como resíduos. Entretanto, estudos realizados pelo grupo de pesquisa do laboratório, coor-
denado pela professora Mirian Salvador, demonstram que o extrato proveniente das brácteas possui quantidades significativas de polifenóis, compostos fenólicos capazes de modular, diferentemente, o metabolismo de células tumorais e não tumorais. MENOR TOXICIDADE O aumento da incidência de neoplasias em nível mundial expõe a necessidade contínua do desenvolvimento de novos fármacos para a terapêutica do câncer. “A pesquisa de novas moléculas a partir de extratos naturais representa uma abordagem valiosa quando se buscam novos medicamentos com maior especificidade e menor toxicidade”, salienta
Mirian. Assim, a pesquisa, que conta com o apoio da FAPERGS e do CNPq, busca estudar os efeitos biológicos e os mecanismos de ação de brácteas de Araucaria angustifolia, procurando encontrar moléculas com atividade biológica. “Os resultados até o momento demonstram que o extrato natural de resíduos da pinha apresenta potencial para ser utilizado como fonte de moléculas bioativas na terapêutica do câncer. Futuros estudos, entretanto, são necessários para tentar identificar qual(is) substância(s) são capazes de exercer efeito no metabolismo das células de câncer e quais são os alvos de ação específicos destas”, ressalta a pesquisadora. Claudia Velho
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A PESQUISA A PARTIR DE EXTRATOS NATURAIS REPRESENTA UMA ABORDAGEM VALIOSA
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MIRIAN SALVADOR, coordenadora do Laboratório de Estresse Oxidativo e Antioxidantes do Instituto de Biotecnologia
Doutoranda Cátia dos Santos Branco e a orientadora Mirian Salvador: busca de constatação da efetividade terapêutica.
CONTINUIDADE EM TESE DE DOUTORADO Cátia dos Santos Branco, orientada pela professora Mirian Salvador, dá continuidade à pesquisa sobre o extrato proveniente das brácteas de Araucaria angustifolia em seu doutorado em Biotecnologia, intitulado Atividade antiproliferativa de extrato de ‘Araucaria angustifolia’ em células tumorais de laringe HEp-2. Ela explica que, com os casos crescentes de câncer na população mundial, vê-se a necessidade de impulsionar as pesquisas buscando identificar novos compostos com efetividade na terapêutica do câncer. “Nesse contexto, os produtos naturais se
constituem em uma fonte promissora de moléculas químicas em potencial. Em nossa pesquisa, estamos utilizando um extrato rico em compostos bioativos proveniente de resíduos da pinha de Araucaria angustifolia que apresenta importante efeito antitumoral in vitro”, descreve. Dessa forma, o estudo busca identificar quais classes de moléculas são responsáveis por esse efeito, e quais os alvos moleculares de ação destes compostos, contribuindo assim para a pesquisa de novos fármacos antitumorais, tendo como base os produtos naturais. 5
Claudia Velho
A PESQUISA
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PRODUTOS NATURAIS SE CONSTITUEM EM UMA FONTE PROMISSORA DE MOLÉCULAS EM POTENCIAL
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CÁTIA DOS SANTOS BRANCO, doutoranda em Biotecnologia
“ PROPRIEDADES ALIMENTÍCIAS, MEDICINAIS E INDUSTRIAIS As araucárias – robustas árvores que podem chegar até 50 metros de altura – apresentam sexos separados, ou seja, há uma planta masculina, produtora de pólen; e outra planta feminina, a qual dá origem às sementes, conhecidas como pinhões. O biólogo Felipe Gonzatti, curador do Herbário da UCS, explica que, na Primavera, ambas produzem as pinhas, que vão dar origem às estruturas reprodutivas da espécie. “Após a pinha jovem feminina receber o pólen transportado pelo vento, um longo processo de formação das sementes se inicia, com duração de dois anos até o amadurecimento das sementes (pinhões). As flores presentes na pinha não fecundadas pelo pólen acabam desenvolvendo somente as es6
truturas externas da semente, sem o embrião no seu interior, e são chamadas de falhas, ou pinhões chochos”, descreve. O pinhão é uma semente que apresenta altas reservas de amido, que nutre a planta jovem no início do seu desenvolvimento. As sementes também servem à alimentação de animais como a gralha-azul e as cutias, além de ter participação na cultura regional – como base para a alimentação de populações indígenas e dos primeiros imigrantes italianos. USOS ALTERNATIVOS A araucária foi intensamente explorada como fonte de madeira, chegando à ameaça de extinção. Usos alternativos dos ramos e folhas (grimpas ou grin-
fas) e das falhas ocorrem na realização de compostagem de adubo, como cobertura alternativa para o solo, para a confecção de artesanato e para o tingimento natural de lãs. Na medicina popular, nós, cascas do tronco, brotos e semente são utilizados no tratamento de bronquite, asma, tosses, problemas nos rins e doenças sexualmente transmissíveis, entre outras. Já os pinhões são relatados como úteis no combate da azia, anemia e tumores. Os óleos extraídos das sementes possuem indicação para dores musculares, articulares, inflamações e infecções. A resina extraída da casca tem aplicação industrial, fornecendo alcatrão, óleos diversos, terebintina e breu.
A pesquisa na UCS envolve doutorandos em Biotecnologia e bolsistas de iniciação científica. Uma parte do trabalho foi realizada no Canadá, em parceria com os pesquisadores Gustavo Scola (que realizou mestrado e doutorado em Biotecnologia na UCS), Ana Cristina Andreazza (graduada pela UCS) e Cátia dos Santos Branco (aluna de doutorado em Biotecnologia na UCS). Conta, também, com a publicação de diversos artigos científicos e com depósito da patente Processo de produção de extrato de ‘Araucaria angustifolia’ e extrato obtido e composição compreendendo extrato (PI 1001084-0) no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), com autoria de Mirian Salvador, Patrícia Kelly Wilmsen Dalla Santa Spada e Fabiane Michelon.
Claudia Velho
COMO FUNCIONA w A luva possui sensores internos que captam os movimentos dos dedos e da mão humana, registrados por um microcontrolador acoplado. w Por meio de sinais elétricos, o controle transmite os gestos para a mão robotizada, que os reproduz com boa precisão. w A comunicação entre os equipamentos ocorre por bluetooth (tecnologia sem fio que permite a troca de dados entre dispositivos digitais através de ondas de rádio).
A MÃO QUE
CONTROLA A PRÓTESE ACADÊMICO DESENVOLVE CONCEITO DE LUVA SENSORIZADA QUE COMANDA MOVIMENTOS DE MÃO ROBÓTICA POR BLUETOOTH ANDRÉ SEBBEN – asramos@ucs.br A Universidade de Caxias do Sul mantém linhas de pesquisa nos mais variados campos científicos em seus programas de pós-graduação – a modalidade Stricto Sensu conta, atualmente, com 16 cursos de mestrado e sete de doutorado. A pesquisa como meio de aprendizado e produção de conhecimento, entretanto, estende-se também aos acadêmicos de graduação – que podem tanto atuar como bolsistas dos programas de pósgraduação como também, no período de conclusão do curso, desenvolver projetos autorais em que apliquem conceitos estudados durante a formação. É o caso de Tomaz Fernandes Júnior, 21 anos, do curso de Engenharia de Controle e Automação. Como projeto de conclusão de estágio curricular, ao final do
primeiro semestre deste ano, ele trabalhou na elaboração de uma luva com acelerômetro e sensores analógicos flexíveis para captação dos movimentos da mão humana. O equipamento registra os movimentos cinéticos e os transmite a outros dispositivos eletrônicos por meio da tecnologia bluetooth. MÚLTIPLAS APLICAÇÕES A aplicabilidade dessa inovação é ampla, avalia o estudante, uma vez que o conceito se refere ao comando remoto de outros equipamentos à distância. “Esta tecnologia pode ser utilizada desde a execução de procedimentos cirúrgicos até o controle de robôs para, por exemplo, o desarme de bombas”, opina. “Outra aplicação possível é em próteses de mem-
bros humanos, que poderiam captar os estímulos musculares de braços e pernas e reproduzir os movimentos de mãos e pés com bastante exatidão”, completa o professor-orientador do projeto, Maurício Zardo Oliveira. O projeto da luva sensorizada foi integrado ao experimento de Lucas Thomazoni, 24 anos, que no final de 2015, como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), também em Engenharia de Controle e Automação, desenvolveu um protótipo de mão robótica, com movimentos acionados por motores elétricos, impresso em 3D no Laboratório de Prototipagem Rápida da UCS. “Ambos os trabalhos tratam de uma prova de conceito, e servem como motivadores para projetos futuros”, define Zardo, também orientador de Lucas. 7
ARIEL ROSSI GRIFFANTE argriffante@ucs.br
SIM, TODOS SOMOS UM
Claudia Velho
NÃO É FRASE DE EFEITO. CIÊNCIAS E TRADIÇÕES ESPIRITUAIS CONFIRMAM UNIDADE ENTRE HUMANIDADE, SERES VIVOS E O PLANETA – ENTENDIMENTO PRIMORDIAL PARA QUE HAJA VIDA A SER LEGADA ÀS FUTURAS GERAÇÕES 8
No eterno debate entre ciência e religião, ao menos uma convergência é fundamental: tudo está interconectado. Pelo ramo científico concreto, seres vivos e inanimados partilham, do ponto de vista da Química, elementos básicos em nível atômico. Ao mesmo tempo, a Biologia ensina sobre a interdependência dos ecossistemas. Ciências que transitam pela subjetividade, como a Sociologia e a Psicologia, por sua vez observam a constituição de indivíduos e coletividades como indissociável das inter-relações ambientais e culturais. Em paralelo, as mais diferentes tradições espirituais têm em comum a premissa da inseparatividade entre humanidade, formas de vida e o planeta enquanto conceituados como criaturas e criação. Apesar da obviedade advinda de visões capazes de contemplar crédulos e céticos (de qualquer dos lados pelo qual se escolha avaliar), ainda vivemos, predominantemente, como se não fosse assim. Segundo o Banco Mundial, mantido o ritmo de consumo atual, se a população global chegar aos 9,6 bilhões de pessoas estimados em 2050, serão necessários recursos três vezes superiores à capacidade da Terra para abastecer a humanidade – acarretando em provável colapso ambiental planetário. Tal perspectiva fez com que a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) incluísse o consumo e a produção responsáveis como um dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável a serem alcançados até 2030. O propósito é subdividido em quatro metas: w Reduzir à metade o desperdício mundial de alimentos per capita na venda a varejo w Alcançar uma gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais w Racionalizar os subsídios aos combustíveis fósseis w Alcançar uma gestão ambientalmente racional dos produtos químicos ao longo de seu ciclo de vida
‘QUE NECESSIDADE TEM DE NÓS ESTA TERRA?’
CUIDADO DA CASA COMUM A Laudato Si e a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em 2015, inspiraram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a promover a Campanha da Fraternidade de 2016 sob o tema Casa Comum, Nossa Responsabilidade. “A responsabilidade pela Casa Comum é de todos, dos governantes e da população. Há que se ter em mente que justiça ambiental é integrante da justiça social”, defende a entidade, na justificativa da campanha.
O apelo pela substituição do estilo de vida consumista por um sustentável constitui-se no cerne da primeira encíclica inteiramente de responsabilidade do Papa Francisco, a Laudato Si (em português Louvado Sejas, subtitulada Sobre o Cuidado da Casa Comum), publicada em 18 de junho de 2015. Pelo documento, a mais alta comunicação papal, o pontífice propõe o conceito de Ecologia Integral – abarcando as dimensões humana, social e ambiental e sua interdependência – para defender, de modo muito mais filosófico do que dogmático, a unificação da humanidade contra a degradação ambiental, evidenciada pelas mudanças climáticas. A partir de indagações como Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos? e Que necessidade tem de nós esta Terra?, Francisco estabelece a reflexão sobre a indissociabilidade entre o meio ambiente e o ser humano para propugnar uma ‘conversão ecológica’, em que o cuidado integral perpassa dimensões de indivíduos e comunidades até abranger a ‘Casa Comum’.
DO CONSUMISMO À SOLIDARIEDADE Em 184 páginas, o papa parte da análise da crise ecológica destacando as mudanças climáticas como “um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas” e o acesso à água potá-
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OS PROBLEMAS AMBIENTAIS SÃO INSEPARÁVEIS DOS CONTEXTOS HUMANOS E DA RELAÇÃO DE CADA PESSOA CONSIGO MESMA
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PAPA FRANCISCO
vel como “direito humano essencial, fundamental e universal”. Também defende a preservação da biodiversidade, considerando animais e vegetais não apenas como recursos exploráveis, mas como seres vivos com valor por si mesmos.
w Ciência comunitária – A argumentação localiza o excesso de antropocentrismo na origem da crise ecológica: “O ser humano assume uma posição centrada exclusivamente em si mesmo e no próprio poder, da qual deriva uma lógica que justifica todo tipo de descarte, humano ou ambiental, que trata o outro e a natureza como simples objetos”. w No lugar disso, o papa defende o progresso científico com visão comunitária: “É preciso assegurar um debate científico e social a partir de linhas de pesquisa autônomas e interdisciplinares que possam trazer benefício coletivo”. w Ecologia integral – Como caminho de reversão, a encíclica propõe o paradigma da Ecologia Integral, considerando-se a unidade entre a natureza e o ser humano e estendendo a perspectiva às relações com as instituições: “Os problemas ambientais são inseparáveis dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos e da relação de cada pessoa consigo
Francisco critica ainda “a falta de disponibilidade do ser humano em mudar estilos de vida, produção e consumo”, apelando para a criação de “um sistema normativo que inclua limites invioláveis e assegure a proteção dos ecossistemas”.
mesma. Há uma única e complexa crise socioambiental, que atinge a qualidade de vida humana”. w De tal modo, salienta o pontífice, comprometerse com escolhas solidárias e o bem comum “é a melhor maneira de deixar um mundo sustentável às gerações futuras”. w Conversão ecológica – Parte da educação como desafio central e clama por formas e instrumentos eficazes de governança global. “O ambiente é um dos bens que os mecanismos de mercado, com base no cálculo financeiro de custos e benefícios, não estão aptos a defender ou a promover adequadamente”, sustenta Francisco. w Com base nisso, o papa pede “uma mudança nos estilos de vida e modelos de produção capaz de reduzir impactos ambientais”, definindo que a responsabilidade com os outros e com o mundo fundamenta-se em serem inseparáveis “a preocupação com a natureza, a justiça social e a paz interior”. 9
O desenvolvimento sustentável e a Ecologia Integral propostos pela Unesco e pela encíclica papal estão nos fundamentos da atuação do Instituto de Saneamento Ambiental (ISAM) da Universidade de Caxias do Sul. Tais princípios partem, justamente, da visão de unicidade – e, portanto, interdependência – entre todas as coisas, partilhada pela diretora do órgão, Vania Schneider. “Ecologicamente falando, você é o que come, bebe e respira; a natureza de fora é a mesma de dentro. Portanto, saúde e qualidade de vida são consequências da saúde do ambiente em que o indivíduo vive”, diz a bióloga por formação, com mestrado em Engenharia Civil e doutorado em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento. Para a especialista, a proposição da Unesco e as exortações do papa e da Campanha da Fraternidade para, sobretudo, uma mudança comportamental e conceitual (de pessoas, empresas e governos) para fazer frente às alterações climáticas e ao excesso de consumo, passam pela entendimento da humanidade como apenas um dos muitos elementos do meio ambiente – sendo aquele que mais o impacta. “As consequências quanto ao equilíbrio dos ecossistemas e, assim, da vida como um todo, recaem sobre nós mesmos”, salienta. EFEITOS UNIVERSAIS De tal modo, a emergência da conscientização sobre os reflexos do consumismo também se baseia na característica essencial dos ecossistemas: “Qualquer intervenção no meio ambiente tem efeitos universais”, destaca a professora. A observação encontra amparo em estudos espalhados pelo mundo que, em comum, apontam para o risco real de um colapso ambiental global. A divergência se dá apenas quanto ao prazo: 30 anos para os mais pessimistas, 100 para os menos. Segundo Vania, o limiar resultante da exploração excessiva dos recursos naturais e da poluição seria a escassez hídrica e, por consequência, de alimentos. A saída passa pela compreensão universal sobre a ecologia integral: “Evoluímos em tecnologia e cultura, mas perdemos a concepção ambiental. A ecologia é a ciência do todo, fundamentada na física e na química e estruturada na biologia. O ser humano não está isolado: você é a natureza”. 10
Divulgação ISAM/UCS
ECOLOGIA INTEGRAL ORIENTA ISAM-UCS
Técnicas do ISAM executam monitoramento de recursos hídricos: referência nacional em saneamento ambiental.
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A ECOLOGIA É A CIÊNCIA DO TODO. O SER HUMANO NÃO ESTÁ ISOLADO: VOCE É A NATUREZA
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VANIA SCHNEIDER, diretora do Instituto de Saneamento Ambiental-UCS
GESTÃO AMBIENTAL INSTITUCIONAL
SERVIÇOS PARA MUNICÍPIOS E EMPRESAS
w “A responsabilidade socioambiental ocorre formando recursos humanos, mas também fazendo o dever de casa”. Com esta síntese, a professora Vania Schneider define a diretriz do ISAM na gestão ambiental de todas as unidades da UCS em Caxias e na região.
w Diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento consolidaram a atuação do ISAM em planejamento ambiental, gerenciamento de resíduos e estudos hidrológicos, resultando em uma prestação de serviços que alcança municípios e empresas de todo o país – em ações alinhadas à metas da Unesco em gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais.
w O trabalho abrange as quatro áreas do saneamento: resíduos, água, drenagem e efluentes. w Com técnicos das áreas de Engenharia Química, Engenharia Ambiental e Biologia, o instituto cuida do licenciamento ambiental, referente às instalações, funcionamento e serviços, junto aos órgãos públicos, das diversas instâncias da instituição. w As ações de inovação e desenvolvimento também dependem dessa atuação. A UCS tem mais de 60 laboratórios onde são gerados resíduos perigosos que precisam estar licenciados para que se possam obter recursos de financiamento à pesquisa.
w O ISAM se diferencia pela geração de conhecimento e pela mobilização social agregadas à execução de serviços. “Ocorrem o trabalho técnico em si, a capacitação dos recursos humanos locais e a educação das comunidades ligadas à realidade atendida”, descreve a prof. Vania.
w O ISAM também será responsável por licenciar e fiscalizar a instalação de empresas no Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação – TecnoUCS. w Cabe ainda ao instituto o monitoramento dos territórios ocupados pelos campi da UCS, de modo a planejar e adequar a ocupação do solo e dos recursos naturais em cumprimento às exigências para licenciamento.
SEGREGAÇÃO DE RESÍDUOS Todo o material descartado na UCS é depositado na Central de Armazenamento e Triagem de Resíduos, com área construída de 200 m², onde são efetuadas a segregação e a destinação:: w Líquidos perigosos – Um total de 42 tipos de resíduos líquidos de laboratórios – que, em 2015, totalizaram 5.734 litros – são enviados para tratamento no Rio de Janeiro, onde as substâncias são extraídas, neutralizadas ou incineradas. w Sólidos perigosos – Embalagens, reagentes, luvas, papéis e todo o tipo de material contaminado por produtos químicos
são coletados a cada 15 dias e enviados para aterro específico, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em 2015, foram recolhidos 2.273 kg desse tipo de material. w Resíduos de serviços de saúde – Os resíduos biológicos e químicos são coletados duas vezes por semana e recolhidos para incineração por empresas terceirizadas.
Daniela Schiavo/arquivo UCS
HOSPITAL GERAL Em consonância com as normas para estabelecimentos hospitalares, a destinação de resíduos do HG conta com um planejamento específico, com separação prévia e coleta três vezes por dia por setor. w Os sólidos e líquidos perigosos (classe I) e resíduos de papel são gerenciados jonto com o restante gerado no campus. w Resíduos infectados e pérfuro-cortantes são encaminhados à incineração. O ISAM também é responsável pela gestão ambiental do Hospital Geral, executando: w Licenciamentos ambientais para operação e para eventuais alterações estruturais w Gerenciamento da geração de resíduos w Apoio a programa permanente de capacitação de colaboradores para o gerenciamento de resíduos w Planejamento de ações para garantir a ecoeficiência dos processos internos
OUTROS RESÍDUOS SÓLIDOS w Papel e papelão formam cerca de 95% dos resíduos gerados na UCS. O material é vendido semanalmente para reciclagem, sendo o único que reverte em receita. Em 2015 ,foram recolhidos 30.460 kg. w Os eletroeletrônicos são destinados a empresas especializadas na reciclagem de componentes. Em 2015, foram encaminhadas 1.585 unidades.
w Pilhas e baterias são enviados para reaproveitamento do lítio (que, combinado com o cobalto, permite a luminosidade das telas touch).. w Lâmpadas fluorescentes são embaladas em plástico e papelão e destinadas à reciclagem terceirizada. Somente em 2015 foram coletadas 16.778 unidades inutilizadas.
w O instituto também se constitui em contexto de aprendizagem, contando, atualmente, com 32 acadêmicos e bolsistas em projetos de pesquisa e serviços. PRINCIPAIS ATIVIDADES w Monitoramento de resíduos sólidos: suporte a prefeituras na elaboração de Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos w Estudos hidrológicos: monitoramento de bacias urbanas; estudos de configuração e vazão hídrica; quantificação e avaliação de águas subterrâneas; impacto da produção rural sobre os recursos hídricos; captação de água para irrigação, entre outros. w Monitoramento ambiental de recursos hídricos: estudos do impacto de atividades industriais que geram efluentes e resíduos lançados em corpos hídricos. w Desenvolvimento de Sistemas de Informações Ambientais e mapeamentos de uso e ocupação do solo utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIG). w Saiba mais: 54.3218.2507 www.ucs.br/institutos/isam 11
ACERVO DO ESCULTOR CAXIENSE, CUJA MORTE COMPLETOU 15 ANOS EM AGOSTO, ESTÁ ABRIGADO NO CAMPUS 8 DA UCS Escultura de gestante no Centro de Artes e Arquitetura: infância como filho de parteira influenciaria valores e olhares do artista. 12
Fotos Claudia Velho
OS BRUNOS EM SEGALLA
VAGNER ESPEIORIN – vaespeio@ucs.br Feito de argamassa armada, Jesus medita do alto de seus 27 metros, diante da cidade praticamente inteira. Apesar da 1,5 tonelada e da rigidez do concreto, o semblante do messias transmite serenidade e pouco lembra o sofrimento que foi submetido à cruz – figura mais comum em altares e outros espaços religiosos. Em 1991, quando foi criada a imagem que daria origem ao monumento que fica junto aos Pavilhões da Festa da Uva, Bruno Segalla (1922-2001) estava perto de completar 70 anos. Da vida agitada na arte e no trabalho, é possível que o escultor – paradoxalmente – projetasse sobre a obra um desejo perturbador para quem havia se dedicado à incansável luta política durante a ditadura militar (19641985): a busca pela tranquilidade. Como na construção que seria erguida em 2004, as oposições permeiam a obra do artista caxiense, cuja morte completou 15 anos em agosto. Monumento mais visível da cidade, o Jesus Terceiro Milênio foi criado por um ateu considerado comunista – conforme comenta a professora Loraine Slomp Giron em documentário produzido sobre a vida do artista. Os traços do monumento destoam, de um modo geral, de grande parte da obra do autor, baseado em um tracejado mais rústico, menos preciso e leve, característico da estética e do estilo do artista. Porém, Segalla deu ao Cristo as características humanas presentes em praticamente todos os seus trabalhos. “Não é possível definir a obra do Bruno Segalla em um único estilo artístico. De maneira geral, sua representação é definida por traços expressionistas”, contextualiza a coordenadora pedagógica do Instituto Bruno Segalla e professora do curso de Licenciatura em Artes Visuais da UCS, Sinara Boone. Nessa linha de expressão, os sentimentos e as experiências de vida do artista andam lado a lado com as técnicas da produção artística. DOS IDEAIS À EXPRESSÃO E não falta vida nas criações de Segalla. Seja a expressão da própria ou das de quem compartilhou momentos, angústias ou desejos. Há vida na representação da grávida, no encontro de casais, na mãe que carrega os filhos, na mulher que amamenta, no homem que empunha o metal. “Direitos humanos e a representação
feminina são temas presentes na obra do escultor. Do ponto de vista da técnica, seus trabalhos não se preocupam em retratar a beleza, mas em expressar sentidos”, considera Sinara. Assim, a força de suas criações é conduzida pela rigidez com que trabalha o metal, pela agressividade que traça a fisionomia de grande parte de seus personagens, pelas cenas que representa. “Percebo, em muitas criações, a ideia de que um carrega o outro. O elemento social está presente aí: como na sociedade, dependemos uns dos outros”, reflete a professora. A distorção das proporções pode ser explicada pelas influências de estilos que lembram a estética cubista. Considerada uma das escolas mais importantes do século XX, o Cubismo inverteu a lógica de representação. A partir dele, os artistas deixaram a busca pela perfeição na retratação de imagens realistas. Nessa perspectiva, muitas esculturas de Segalla projetam-se pela valorização de aspectos que reforçam determinadas mensagens artísticas. Ao representar homens e mulheres trabalhadores, o artista dá dimensões mais amplas às mãos e aos pés – partes do corpo responsáveis pela técnica. Nas grávidas, a expansão do ventre retoma a ideia da responsabilidade e a condição que a própria mãe guarda sobre seu filho.
Estátua de Anna Rech: amostra de realismo.
Homenagem a Gigia Bandera: seio e bebê unidos representam a maternidade
DA OBRA À VIDA A maternidade cerca as criações de Bruno Segalla. Numa conversa com a arte abstrata, a representação da mãe que amamenta o filho ganhou o centro de Caxias do Sul. Encravada na Praça Dante Alighieri, a estátua em homenagem a Gigia Bandera traz uma diferença considerável em relação às demais do escultor. De formas lisas e traços arredondados, sem braços e sem cabeça, a mãe se conecta à criança pelo seio. Surreal, mas com um sentido precioso: para um recém-nascido, o seio da mãe é a ligação mais forte com o mundo – que permite a ele a condição da vida. O universo feminino e a maternidade são importantes na obra de Segalla como foram importantes em sua própria vida. O pai do escultor deixou a família na década de 1930. Restou à mãe, Maria Panarotto, a condição de mulher solteira 13
numa época em que esposas abandonadas não eram bem-vistas socialmente. Para garantir o sustento dos quatro filhos, tornou-se parteira. Era chamada, muitas vezes à noite, para ajudar a trazer à vida muitos bebês em Caxias. Não raro precisava levar os próprios filhos a tiracolo, entre eles Bruno. Nesse contexto, a imaginação do pequeno deu origem, na vida adulta, à representação de gestantes parindo ou contemplativas. DA ARTE À POLÍTICA A mulher se transformou em matéria-prima para o conteúdo artístico de Segalla. Na vida, uma o acompanhou: a esposa Almira. Ela cuidava da família enquanto Bruno trabalhava ou se envolvia na militância política. “Éramos uma família de cinco irmãos. A mãe cuidava da ordem da casa e da educação dos filhos.
Meu pai ficava mais preocupado com as questões políticas da época”, recorda Bruno Segalla Filho, que herdou do pai o gosto pelas esculturas. A política entrou na vida de Segalla pelo trabalho, quando atuava no setor metalmecânico na Metalúrgica Abramo Eberle. Nesse ambiente, aprendeu a lidar com o cobre e bronze, materiais que dariam forma a muitas de suas obras. E também ali despontou sua liderança comunitária. Chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul. “O pai se orgulhava de ter comandado a primeira greve de Caxias do Sul”, comenta o filho, sobre o simbolismo em parar as atividades na principal empresa da cidade. A atividade política, no entanto, rendeu muitos percalços. Apoiador de Leonel Brizola, Segalla lutou em defesa da
legalidade, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, e foi opositor da Ditadura Militar. Durante o período, foi preso em dois momentos. Em 1964, houve o rompimento com seu projeto político. Sindicalista, precisou deixar a atuação de lado. Suplente do parlamento estadual, teve esta condição cassada. Na segunda vez que se encontrou na prisão, sofreu tortura psicológica. Levado a Porto Alegre, foi colocado em uma solitária onde passou dias e noites isolado, com a luz da cela sempre acesa. Apesar das dificuldades, a luta política também construiu amizades, como a que manteve com o deputado federal Nadyr Rossetti e com Brizola após a Anistia de 1979. “Lembro de termos recebido Luis Carlos Prestes em nossa casa. Acho que foi em 1984. Uma noite inesquecível para o pai”, recorda Bruno Segalla Filho.
DO ALFINETE AO BUSTO Nas esculturas, Segalla imprimiu vivências em cada uma de suas criações. O foco na arte se deu com mais força após deixar o trabalho na metalurgia. Sua popularidade, porém, já era grande graças à produção de medalhas, bustos e placas comemorativas. Assim como na política, a porta de entrada para esse mundo de criação foi a própria Metalúrgica Eberle. Em Caxias do Sul, há esculturas de diferentes personalidades em pontos conhecidos da cidade, como a estátua do Padre Giordani, no Largo da Igreja São Pelegrino, e a de Anna Rech, no bairro ao qual ela deu nome. Em Porto Alegre, a sede da Assembleia Legislativa conta com um busto de Bento Gonçalves que faz alusão ao vento minuano, ideia resultante da total liberdade conferida ao artista para a produção. Se os bustos destacam-se pela imponência, as efígies em cabeças de alfinete impressionam pela dificuldade de execução – Segalla era um dos poucos que dominava a técnica. Trabalho minucioso que só pode ser feito – e visto – por microscópio. Getúlio Vargas, Ayrton Senna e Evita Perón foram algumas das personalidades esculpidas dessa forma pelo escultor. Segalla também gravava dizeres de até 135 letras na pequena peça. Em uma delas, há trechos do ‘Pai Nosso’. Em nome da mãe, o escultor deu origem a obras que, assim como contrastam com a cultura local, conseguem dialogar com os valores caxienses – ateu e comunista, não lhe faltou fé: tornou o monumento Jesus Terceiro Milênio um símbolo da cidade. Sinal de que Jesus Terceiro Milênio: muitos ‘Brunos’ coexistiam em Segalla. legado final à fé cristã. 14
Efígie de Ayrton Senna: reprodução em busto e sobre cabeça de alfinete
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EM MUITAS CRIAÇÕES HÁ UM QUE CARREGA O OUTRO. COMO NA SOCIEDADE, DEPENDEMOS UNS DOS OUTROS
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SINARA BOONE, coordenadora pedagógica do Instituto Bruno Segalla
Fotos Claudia Velho
O INSTITUTO Localizado atualmente no Centro de Artes e Arquitetura, junto ao Campus 8 da UCS, o Instituto Bruno Segalla (IBS) abriga o acervo do escultor caxiense e realiza periodicamente exposições com obras do artista. Além das visitações abertas à comunidade, o espaço combina ações educativas focadas especialmente no público de escolas. Conforme a professora Sinara Maria Boone, as atividades buscam promover a inclusão cultural das crianças e adolescentes, estimulando os pensamentos e relações sobre identidade, pertencimento, arte, memória e história nas novas gerações de caxienses. Além das esculturas, medalhas e placas, o instituto abriga os moldes de bustos e estátuas produzidas por Segalla, encontrados em diferentes espaços públicos. #dica: vale uma visita.
Modelagens em arame, argila e gesso (acima): etapas preparatórias até a fundição da escultura em cobre (abaixo)
A TÉCNICA Atualmente, o IBS abriga a exposição Terra, Fogo e Metal, com curadoria do artista plástico uruguaio Luis Mario Cladera. Mais do que uma perspectiva artística sobre as criações de Segalla, a mostra dá visibilidade aos processos técnicos do escultor. Modelagem, cunhagem e fundição são demonstradas por meio de moldes, chapas e ferramentas utilizadas pelo artista. Para criar a maioria de suas peças, Segalla desenvolvia processos que passavam desde o desenho, modelagem em argila e gesso – acertando contornos, fisionomia e detalhes da criação – para, em seguida, realizar a fundição em metais, no caso das esculturas – geralmente o cobre. Com o metal resfriado, o molde era retirado e a peça terminava de ser finalizada e polida, resultando na obra pronta.
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Fotos Claudia Velho
JOSMARI PAVAN – jpavan@ucs.br Independentemente da área de atuação, investir no desenvolvimento da carreira é fundamental mesmo em momentos de instabilidade econômica. Caracterizados pela duração breve, os cursos de Extensão oferecidos pela Universidade de Caxias do Sul são uma alternativa consistente para quem deseja aperfeiçoamento profissional com imediata aplicação no mercado e investimento reduzido. Disponibilizadas à comunidade geral e à acadêmica por meio da Coordenadoria de Extensão, as formações são organizadas em 12 grandes áreas, com base nos temas de ensino em graduação e dos programas de pesquisa existentes na UCS. Além dos cursos, uma variedade de ações, projetos, palestras e serviços oferecidos na modalidade contribuem para a capacitação completa dos participantes. DIFERENCIAL NA GRADUAÇÃO Responsável pela Coordenadoria de Extensão da Universidade, o professor Marcelo Faoro de Abreu destaca que, no contexto profissional, toda comunidade pode se beneficiar diretamente deste modelo de qualificação. O público que vive a Universidade, no entanto, pode – e deve – aproveitar as opções de Extensão como diferenciais na formação superior. “Os acadêmicos encontram nos cursos e atividades regularmente oferecidas pela Extensão um importante complemento para a trajetória universitária. É possível aprofundar aquilo que se aprende nas disciplinas de graduação. São dezenas de cursos, em todas as áreas do conhecimento, ofertados mensalmente”, explica. Faoro observa ainda que quase todas as atividades de Extensão podem ser aproveitadas como horas complementares, desde que respeitadas as regras aplicadas a cada curso de graduação, beneficiando também os acadêmicos.
ATUALIZAÇÃO CONSTANTE Os cursos de Extensão são proveitosos para além do contexto universitário. A coordenadora do curso de Ciências Econômicas da UCS, Jacqueline Corá, observa que, independentemente de o participante estar ou não em uma graduação, a modalidade promove atualização constante e o desenvolvimento de habilidades para as novas demandas do trabalho – o que é fundamental em um contexto de mudanças aceleradas. “Quanto mais incerto o cenário econômico, mais capacitado tem que estar o profissional. Se pensarmos que, diante de restrições orçamentárias, as empresas demitem e reorganizam sua estrutura produtiva e administrativa, terão melhores chances de competir nesse ambiente as pessoas mais preparadas. Isso só acontece quando continuamos buscando a qualificação e a atualização nas nossas áreas”, destaca a professora. 16
Acadêmica de RP Jennifer Manoel da Rosa: enfoque no incremento profissional.
EXTENSÃO
DO CONHECIMENTO PROGRAMAS E CURSOS REGULARES PROPORCIONAM CAPACITAÇÕES COM IMEDIATA APLICAÇÃO NO MERCADO
COMPLEMENTO PARA COMPETIR A acadêmica de Relações Públicas Jennifer Manoel da Roza, 25 anos, optou por expandir seus conhecimentos por meio da Extensão universitária. No primeiro semestre deste ano, ela realizou a formação complementar sobre o software InDesign, com ênfase na diagramação de impressos (jornais e revistas). “O curso de Extensão
foi importante para complementar o conhecimento obtido nas disciplinas da graduação, o que será muito útil no mercado de trabalho”, considera a estudante, acrescentando que a qualificação da professora ministrante e o bom nível dos equipamentos disponibilizados também asseguraram as condições de qualidade da capacitação.
OFERTAS EM 12 ÁREAS DO CONHECIMENTO Os cursos regulares de Extensão são organizados, normalmente, dentro das áreas de: w Administração e Negócios w Artes, Arquitetura e Design w Ciências Agrárias e Biológicas w Ciências Econômicas e Contábeis w Ciências Humanas
w Ciências Exatas e Engenharias w Ciências Jurídicas w Ciências da Saúde w Comunicação Social w Hospitalidade e Gastronomia w Informática w Letras e Linguística
ABRANGÊNCIA EM IDIOMAS, TURISMO E GASTRONOMIA
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AS MELHORES CHANCES SÓ ACONTECEM QUANDO CONTINUAMOS BUSCANDO QUALIFICAÇÃO
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Os cursos e atividades de Extensão abrangem também programas de ensino exclusivos da Universidade de Caxias do Sul com interface direta com a comunidade, como o UCS Línguas Estrangeiras (de idiomas), o Programa de Libras, o UCS Sênior (para pessoas acima de 50 anos) e a Escola de Gastronomia (formação de chefs e sommeliers), . Neste segmento, a ação mais recente foi a constituição da Escola de Viagens, pela qual desde o segundo semestre de 2015 são promovidas capacitações para acadêmicos e profissionais que atuam diretamente com turismo e hospitalidade em Caxias do Sul e região, qualificando a mão de obra para do setor. Confira, no box ao lado, as demais iniciativas em aperfeiçoamento profissional:
JACQUELINE CORÁ, coordenadora do curso de Ciências Econômicas
w Periodicamente são oferecidos cursos e oficinas para treinamento e qualificação, desenvolvimento pessoal e de rotinas acadêmicas – na média de 80 por mês. w Além dos cursos, também são realizadas mais de 500 atividades relacionadas à Extensão, que atendem cerca de 70 mil pessoas anualmente.
DEMAIS AÇÕES w Programa Regional de Ação Conjunta: tem como público-alvo os professores da rede pública de ensino que atuam nos municípios de abrangência da Universidade. Por meio de cursos e oficinas com a participação de docentes da UCS, o programa qualifica o processo ensino-aprendizagem a partir das demandas identificadas pelos gestores de educação nas localidades. w Programa de Formação para Professores: foca na qualificação do corpo docente da instituição nos níveis de extensão, graduação ou pós-graduação, com atividades que atendem às novas demandas do ensino superior. w Capacitações em parceria: a Universidade tem estruturado parcerias com CICs e CDLs da região, passando a oferecer treinamentos e capacitações a gestores e equipes dos diversos setores da economia. w A Extensão Universitária congrega, ainda, ações de arte e cultura, de apoio ao aluno e de consultoria empresarial.
COMO PARTICIPAR Informações sobre a oferta mensal de cursos, valores e formação de turmas podem ser obtidas e acompanhadas diretamente pelos canais de comunicação da Coordenadoria de Extensão: w E-mail: extensaocursos@ucs.br w Telefone: (54) 3218.2145
w Site: www.ucs.br/extensão 17
Claudia Velho
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ZAKI Há quase 13 anos Zaki é morador do Zoológico da UCS. Recolhido de um cativeiro ilegal pela Polícia Ambiental de Vacaria em 2003, o puma havia sido domesticado muito jovem, o que significava alto risco à sobrevivência se devolvido à natureza - explica a bióloga do Zoo e mestre em Biotecnologia Claudia Borges Machado. O recinto 3 em que o animal vive simula, em 67m², seu habitat natural, atendendo a todas as exigências normatizadas pelo Ibama. O Puma concolor é o carnívoro mais amplamente distribuído nas Américas, ocorrendo do Canadá até o extremo sul da Patagônia. No Brasil, também é conhecido como onça-parda, leão-baio e suçuarana. A caça e a alteração do habitat pelo homem, com a consequente redução da disponibilidade de presas, são as principais ameaças à espécie.
UMA UNIVERSIDADE PREMIADA ÀS VÉSPERAS DE SEUS 50 ANOS, A UCS CONSOLIDA-SE COMO UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO VOLTADA PARA A PROMOÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E EXCELÊNCIA Quando se fala em excelência e qualidade de uma instituição de Educação Superior, pensa-se no que a faz ser excelente. Assim, inevitavelmente vem à memória a sua estrutura física, os cursos que por ela são oferecidos, os seus professores e pesquisadores, e as atividades de cunho científico, social e cultural que são intensamente nela desenvolvidas. A qualidade dos processos de ensino e aprendizagem de uma universidade passa, anualmente, pela avaliação de importantes órgãos reguladores, que medem o desempenho escolar dos estudantes, bem como avaliam a infraestrutura acadêmica em sua totalidade. É a partir disso que a instituição reformula suas diretrizes e estabelece metas para a melhoria de seu ensino, a fim de transformar-se em um verdadeiro espaço de excelência. Assim também é com a Educação Básica, a qual é avaliada, a cada ano, pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que possibilita o acompanhamento da qualidade da educação pela população brasileira por meio do cálculo da taxa de rendimento escolar
(aprovação) e do desempenho dos estudantes nos exames aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), como o Enem. É possível, ainda, que brasileiros e brasileiras acompanhem as informações acerca do desenvolvimento do próprio país no que se refere à educação, ao mercado de trabalho, à mobilidade social, à economia e à política, a partir do resultado de questionários aplicados em todo o Brasil, os quais vêm evidenciar suas transformações de modo a tornar pública a sua realidade. De fato, os resultados das avaliações dão um importante sinal e têm muito a dizer. No que diz respeito às instituições de Educação Superior, por exemplo, tanto internamente, como é o caso da Universidade de Caxias do Sul – com a sua Avaliação Online –, quanto externamente – com os exames do MEC e do Inep –, existem indicadores que dão conta de verificar sua qualidade para o seu contínuo aperfeiçoamento. Além desses mecanismos oficiais, hoje as universidades são avaliadas de diferentes maneiras. E um dos mais conceituados ava-
Claudia Velho
ARTIGO
EVALDO ANTONIO KUIAVA Reitor da Universidade de Caxias do Sul
liadores é o Ranking Universitário Folha (RUF), que desenvolve um diagnóstico anual da Educação Superior do Brasil. É por ele que as 195 universidades brasileiras – públicas, comunitárias e privadas – são classificadas nos quesitos Pesquisa Científica, Internacionalização, Inovação, Ensino e Mercado. Sob o prisma deste ranking, pelo quinto ano consecutivo a UCS conquistou o 2º lugar nacional em Inovação entre as instituições de Ensino Superior comunitárias e privadas. No mesmo segmento, a Universidade avançou do 7º para o 5º lugar em Pesquisa Científica – melhor posição desde a criação do ranking, em 2012 – entre 84 universidades. Às vésperas de completar os seus 50 anos, a Universidade de Caxias do Sul consolida-se como uma instituição de ensino voltada para a promoção de uma educação de qualidade e excelência. E, assim, como uma universidade premiada, quer continuar cumprindo com a sua missão: Produzir, sistematizar e socializar o conhecimento com qualidade e relevância para o desenvolvimento sustentável. 19
Universidade de Caxias do Sul Caixa Postal 1313 95020-972 - Caxias do Sul - RS