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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

FAKE NEWS:

Novembro e Dezembro/2017 . Ano 4 . Nº 25

NÃO COMPARTILHE

CRIAR OU REPASSAR NOTÍCIAS FALSAS PELA INTERNET EVIDENCIA INTERESSE INDIVIDUALISTA QUE CRIAR OU REPASSAR NOTÍCIASNEGATIVAS FALSAS PELAS REDES SOCIAISRESPONSABILIDADE EVIDENCIA INDIVIDUALISMO QUE IGNORA CONSEQUÊNCIAS E DESCONSIDERA COM O COLETIVO IGNORA CONSEQUÊNCIAS E DESCONSIDERA RESPONSABILIDADE COM O COLETIVO


O MUNDO EM 2030: SEGUNDO DOMENICO DE MASI, SOLIDARIEDADE PRECISA SUBSTITUIR A COMPETITIVIDADE EM PACTO SOCIAL QUE RESGATE A ARTE DE VIVER. 5

Acervo Curso de Enfermagem /UCS

Reprodução/Setor de Projetos Civis/UCS

Fotos Claudia Velho/UCS

FAKE NEWS: FENÔMENO PÓSMODERNO REVELA PRIORIZAÇÃO DE INTERESSE INDIVIDUAL SEM RESPONSABILIDADE COM O COLETIVO. 8

PRAÇA DOS FUNDADORES: MEMORIAL PARA A PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA DA UCS. 14

60 ANOS DE ENFERMAGEM: CURSO FOI PRECURSOR NO ENSINO SUPERIOR EM SAÚDE EM CAXIAS DO SUL. 12 1ª GINCANA UNIVERSITÁRIA: PORQUE VIVER UMA UNIVERSIDADE VAI MUITO ALÉM DA SALA DE AULA. 16

Fundação Universidade de Caxias do Sul Presidente do Conselho Diretor: Ambrósio Luiz Bonalume

Universidade de Caxias do Sul Reitor: Evaldo Antonio Kuiava Vice-Reitor: Odacir Deonisio Graciolli Pró-Reitor Acadêmico: Marcelo Rossato Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Nilda Stecanela Pró-Reitor de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico: Odacir Deonisio Graciolli Diretor Administrativo e Financeiro: Cesar Augusto Bernardi Chefe de Gabinete: Gelson Leonardo Rech

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Produção: Assessoria de Comunicação UCS Setor de Imprensa e Mídias Digitais Edição: Ariel Rossi Griffante Revisão: Ariel Rossi Griffante, Cristina Boff, Gabriela Zanesi e Josmari Pavan Lewisnki Foto de capa: Claudia Velho/UCS Design gráfico: Mdona Comunicação Supervisão: Dimas Augusto Felippi Tiragem: 5.000 exemplares Contato: 54.3218.2116; argriffante@ucs.br; imprensa@ucs.br Versão digital: www.ucs.br/revista-ucs

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REESTRUTURAÇÃO DE CURSOS

MAIS AUTONOMIA E PROTAGONISMO AOS ALUNOS A Universidade de Caxias do Sul foi criada para construir o futuro da região Nordeste do RS. Isso conferiu à instituição uma necessária postura de vanguarda. De alinhamento constante com tendências nacionais e mundiais de desenvolvimento para se manter capacitada a propor inovações educacionais, tecnológicas, sociais e culturais. Ano de complemento do cinquentenário, 2017 foi de celebração do cumprimento desta missão até aqui. E acabou por se constituir também em um novo marco: o de direcionamento do futuro da Universidade em seu compromisso com o Ensino Superior. Com o lançamento do Projeto de Reestruturação dos Cursos de Graduação, em outubro, a UCS entrega à comunidade acadêmica uma reformulação pedagógica que estabelece a modernização dos processos de ensino a partir da ampliação do uso de metodologias ativas de aprendizagem. Em consonância com conceitos utilizados nos países mais desenvolvidos do mundo, a proposta confere maior autonomia ao acadêmico – que dispõe de mais flexibilidade curricular e de sistemas de pagamento – tendo como culminância o estudante como protagonista de sua trajetória educacional. As mudanças resultam da elaboração, ao longo dos últimos três anos, do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o período 2018-2021, e do novo

Projeto Pedagógico Institucional (PPI), que balizam os programas e ações relacionadas ao ensino, pesquisa, extensão e inovação da Universidade. Para sua aplicação, todos os docentes da instituição passarão por processo de capacitação e atualização até o início do próximo semestre letivo, por meio do Programa de Formação para Professores. APRENDIZAGEM ATIVA As metodologias ativas de aprendizagem estão inseridas no modelo da Pedagogia da Inovação, do qual a UCS se tornou certificadora para a região Sul do Brasil após três anos de parceria com a Universidade de Ciências Aplicadas de Turku, da Finlândia, referência mundial na abordagem, que atua com o desenvolvimento de competências pessoais para gerar inovação. “O mundo inteiro está reformulando a educação, acompanhando as transformações da sociedade. Com esta reestruturação, estamos privilegiando a autonomia do estudante na construção da sua aprendizagem, tornando-o sujeito ativo de seu processo formativo”, aponta o reitor Evaldo Kuiava. “O futuro trará cada vez mais possibilidades para o indivíduo assumir o protagonismo de seu projeto de vida. Ao inovar na essência da nossa missão, procuramos fornecer as melhores condições para uma aprendizagem de excelência e colaborativa à caminhada de cada aluno”.

Reitor Evaldo Kuiava: alinhamento com os modelos educacionais mais avançados do mundo. Claudia Velho/UCS

COMPETÊNCIAS PARA A INOVAÇÃO O Projeto de Reestruturação dos Cursos de Graduação tem como base a implantação de metodologias ativas de aprendizagem, maior interdisciplinaridade entre cursos, atividades práticas e integração de conhecimentos. A proposta deriva dos preceitos da Pedagogia da Inovação e, em linhas gerais, contempla: w A autonomia do estudante durante todo seu percurso formativo; w A flexibilidade curricular, que amplia as opções de aprendizagem do estudante; w Metodologias de aprendizagem ativa, para desenvolvimento de competências inovadoras e que colocam o estudante na condução de seu processo de aprendizagem; w A pesquisa como princípio educativo; w O uso das tecnologias na aprendizagem e uma nova formatação do espaço de ensino, que se expande para além da sala de aula; w A utilização da Educação a Distância como modalidade de ensino, otimizando tempo e recursos e ampliando o acesso à Universidade, que abrange 70 municípios;

w A interdisciplinaridade e integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação; w A integração entre a graduação e a pós-graduação; w A flexibilização no sistema de pagamento, com a possibilidade de estender a quitação para além do tempo do curso. O novo modelo curricular será implantado, gradativamente, a partir de março de 2018 para os estudantes ingressantes. Os currículos em andamento não serão alterados, no entanto, as mudanças oriundas do processo de reestruturação beneficiarão toda a comunidade acadêmica no que se refere à aplicação das metodologias ativas em múltiplos espaços de aprendizagem. 3


ASSISTÊNCIA JURÍDICA GRATUITA TEM SERVIÇOS AMPLIADOS Um dos mais importantes trabalhos oferecidos pela UCS à comunidade, o Serviço de Assistência Jurídica Gratuita (SAJU) de Caxias do Sul funciona, desde outubro, no Bloco 24 do campus-sede. As instalações ampliadas permitirão, de acordo com a coordenadora, Nadja Porto França, acrescentar orientações na área trabalhista a profissionais não sindicalizados, melhorar o atendimento a famílias em situação financeira crítica e fortalecer a atuação do Centro de Conciliação e Mediação. Outra vantagem com a nova sede

é a maior facilidade de acesso para a população, uma vez que o bloco conta com parada de ônibus bem em frente. Os atendimentos em questões jurídicas cíveis, em especial na área de Direito de Família, Direito Previdenciário, Lei Maria da Penha e crimes de menor potencial ofensivo, as orientações jurídicas, o ajuizamento de processos e o acompanhamento em audiências seguem sendo executados. Além disso, o SAJU também assiste, de forma contínua, a Rede de Proteção à Mulher, formada por várias instituições e

órgãos do município. Com 25 anos de atuação, o SAJU se constitui em serviço de referência para a população carente. Além de Caxias do Sul, o programa funciona nas demais cidades com campus da UCS: Vacaria, Bento Gonçalves, Farroupilha, Canela, Nova Prata, Guaporé e São Sebastião do Caí. No campus-sede, o atendimento ocorre das 8h às 21h, de segunda a sexta-feira. Contatos podem ser feitos pelo telefone 54.3218.2276 ou pelo endereço de e-mail saju1.ucs@gmail.com.

Claudia Velho/UCS

SAIBA MAIS

Solenidade inaugural das novas instalações: melhor atendimento e facilidade de acesso.

w O Serviço de Assistência Jurídica é prestado gratuitamente à população carente w O atendimento é feito pelos alunos da disciplina de Estágio de Prática Jurídica, do último semestre do curso de Direito w Os alunos atuam em duplas ou trios, sob a supervisão direta dos professores, confeccionando minutas de peças processuais w No ano de 2016 foram atendidas 13.803 pessoas e, em 2017, até outubro, 8.600 pessoas w A maior parte dos atendimentos envolvem Direito de Família (divórcio consensual e litigioso, guarda, interdição, adoção, investigação/ reconhecimento/ reivindicatória de paternidade, pensão alimentícia, regulamentação de visitas e inventários de bens de pequeno valor) w Os professores supervisores são advogados cadastrados regularmente na OAB w O SAJU está vinculado a redes comunitárias públicas e sociais, o que facilita a comunicação institucional e resolução de casos através de outros órgãos, como a Defensoria Pública, o Ministério Público, os Conselhos Tutelares e os setores de Assistência Social das prefeituras

MULTIPLICIDADE CULTURAL MARCA 2ª EDIÇÃO DO JUNTOS NA DIVERSIDADE Vinte e uma atividades, realizadas em dez cidades da região, envolvendo cerca de 300 crianças e adolescentes, compuseram a segunda edição do projeto de incentivo à preservação linguística e cultural Juntos na Diversidade. Escolas, entidades, artistas e institutos folclóricos propuseram às comunidades, por meio da dança, música, teatro, estudos literários e outras expressões da arte popular, o aprendizado e a valorização das línguas de imigração (talian, polonês e alemão) e da nativa kaingang. Concebido no âmbito do Comitê Esta4

dual dos 140 anos da Imigração para as Colônias, sob a coordenação da Secretaria de Estado da Cultura, o projeto é gerido pela Universidade de Caxias do Sul (por meio do Instituto Memória Histórica e Cultural) e patrocinado pelo Banrisul, em um valor total de R$ 80 mil. Lançado em julho, o Juntos na Diversidade teve uma etapa inicial de preparação, na qual as instituições participantes desenvolveram as atividades artísticasculturais com as crianças e jovens. Além do aprendizado direto, cada grupo concebeu uma peça artística ou palestra, expo-

sição ou oficina, para o compartilhamento do processo criativo e das informações educativas a respeito da língua estudada. Em outubro, iniciaram-se as apresentações nas comunidades de origem (a relação das ações, entidades e localidades pode ser conferida na página do projeto no site da UCS por meio do link bit.ly/juntosnadiversidade). O evento de encerramento ocorre em 9 de dezembro, com a apresentação de cada um dos projetos inscritos, em Caxias do Sul, e com a entrega de troféus e diplomas às instituições participantes.


Claudia Velho/UCS

Abertura do Simpósio Universidade do Século XXI: redefinição da sociedade global será visível em 13 anos.

POR UM MUNDO SOLIDÁRIO SOCIÓLOGO DOMENICO DE MASI PROPÕE SUBSTITUIÇÃO DO PARADIGMA COMPETITIVO POR ECONOMIA DE DOAÇÃO PARA FAZER FRENTE AO MUNDO PREVISTO PARA 2030 ARIEL ROSSI GRIFFANTE - argriffante@ucs.br Centralização de riqueza e diminuição do emprego, o que deixa o poder de consumo em poucas mãos, colocando em risco o próprio modelo socioeconômico. Cada vez mais tecnologia – e, portanto, máquinas fazendo o trabalho humano – diminuindo a quantidade de postos de trabalho tradicionais. Como consequência, 50% das atividades profissionais concentradas na faixa da criatividade e da autonomia, com postos executivos-intelectuais e empregos operacionais dividindo a outra metade. Com mais pessoas tendo tempo livre, o desafio será saber o que fazer com ele. As perspectivas, que têm o ano de 2030 como referência, decorrem de transições resultantes do desgaste do neoliberalismo globalizado, o que já se revela em sintomas como o aumento da desigualdade entre ricos e pobres, a degradação ambiental, a crise do emprego na Europa, as migrações em massa provenientes de áreas de conflito, o crescimento do funda-

mentalismo religioso e o recrudescimento do extremismo político – ilustrado emblematicamente nas eleições deste ano na Alemanha quando, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, o ideário neonazista obteve representação no Parlamento, conquistando 89 (13%) das 631 cadeiras. Para o construtor dessas tendências, o sociólogo italiano Domenico De Masi, professor de Sociologia do Trabalho da Universidade La Sapienza, de Roma (uma das mais antigas, com 714 anos de existência, e maiores, com 150 mil alunos, do mundo), o exemplo germânico ilustra o fracasso dos três agentes de formação da sociedade – a família, a escola e a mídia – na sua missão de educar os mais jovens. O que aponta para outra constatação trazida pelo estudioso criador do conceito do ócio criativo: enquanto a tecnologia está fazendo seu trabalho no mundo pós-industrial, as ciências humanas têm falhado naquilo que lhes compete na construção de modelos para indivíduos e sociedade.

NOVO PACTO SOCIAL E é nesse ponto crítico que, segundo o teórico, se instalará uma inexorável necessidade de mudança de paradigma, propugnando a passagem do modelo econômico voltado ao mercado para um que priorize o humano, instituído a partir de um novo pacto social entre os diferentes, “capaz de redistribuir riqueza, trabalho, poder, saber, oportunidades e tutelas”. Para De Masi, que apresentou suas teses na Conferência Trends 2030, abrindo o Simpósio Universidade do Século XXI: Olhar o Presente, Criar o Futuro, no UCS Teatro, em setembro (mesma data em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da instituição) –, caberá às universidades ensinar esse novo modelo, baseado na educação humanista, uma vez que, observa, “é nos bancos acadêmicos que estão os jovens que serão protagonistas do mundo do trabalho” daqui a apenas – mas transformadores – 13 anos. 5


Fotos Claudia Velho/UCS

O FUTURO SERÁ DA CRIATIVIDADE Com a proposta de traçar o rumo para onde se dirige a sociedade mundial até o final da próxima década, recorte de tempo ao qual dedicou estudos realizados nos últimos seis anos na Europa, no Brasil e na China, Domenico De Masi abriu a conferência proferida na UCS estabelecendo uma premissa, embora básica, tão conhecida quanto negligenciada: “Para olhar para o futuro, é necessário conhecer o passado”. Dessa forma, localizou historicamente a organização social humana em duas grandes fases pontuadas pela Filosofia. A primeira, por Aristóteles, ao definir, no século III a.C. que, após as invenções da escrita, da roda, da irrigação, da cidade e da escola na Mesopotâmia (atual Iraque), as condições para a vida material estavam atendidas, devendo o homem voltar-se à evolução do espírito. Isso contribuiu para direcionar a sociedade ateniense ao refinamento do pensamento, da arte, da estética e demais ciências humanas. SOCIEDADE INDUSTRIAL Dezessete séculos depois, o inglês Francis Bacon (1561-1626) inverteu a equação, o que lhe garantiu o epíteto de fundador da Ciência Moderna. Engenhos como o moinho, a vela, a bússola e a pólvora, somados à riqueza que chegava das colônias provinda das Grandes Navegações, indicavam que a tecnologia impulsionaria a evolução do homem. Era tempo de o espírito dar novamente espaço às máquinas. Estava preparado o movimento que culminaria na Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, no liberalismo – e, 200 anos depois, na sua repaginação: o neoliberalismo. 6

Instalada a Sociedade Industrial (17501950) o mundo viu crescer, no período, sua população de 80 milhões para 4 bilhões, e a expectativa de vida de 40 para 70 anos, consagrando o progresso pela tecnologia. Mesmo recurso que, com a Revolução Digital, viria a consolidar a sociedade pós-industrial, no final do século XX – e que hoje, paradoxalmente, coloca em risco seus fundamentos, devido à capacidade de geração de bens sem a correspondente geração de empregos. SOCIEDADE DIGITAL Assim, o Primeiro Mundo ocidental chega à atualidade com três estratos profissionais divididos na mesma proporção: o físico-operacional, que diminui, é transferido ao Terceiro Mundo ou confiado aos imigrantes; o executivo-intelectual, que vai se estendendo a todos os setores; e o criativo que, influenciado pela cultura digital, vinculado à motivação, desprendido das estruturas convencionais e inseparável do modo de vida e da rotina do indivíduo, reformula a relação do homem com o trabalho, com a sociedade, com o mundo e consigo mesmo. É a partir da observação da contemporaneidade fortemente definida pelas tecnologias digitais que De Masi traça as tendências para os próximos anos em dez áreas, com as perspectivas e limitações, oportunidades e ameaças, perdas e ganhos que o contexto produz. E é sobre a abordagem da criatividade que o sociólogo propõe o pacto social capaz de (ou imprescindível para) fundar uma nova sociedade. Mais humana e, portanto, mais autônoma, solidária e livre.

AQUELE QUE É MESTRE NA ARTE DE VIVER ALMEJA A EXCELÊNCIA EM QUALQUER COISA QUE FAÇA

DOMENICO DE MASI, CITANDO PROVÉRBIO ZEN


2030 EM DEZ ÁREAS Tendências para 2030 conforme Domenico De Masi: w Na Demografia – As pessoas viverão mais e o mundo terá 8 bilhões de habitantes. “Serão 1 bilhão a mais de bocas para alimentar, mas também 1 bilhão de cérebros a mais para criar soluções”. w Na Ecologia – Desde já as crises ambientais e a desigualdade social são os maiores desafios em todo o mundo. É necessário recuar imediatamente os níveis de consumo, pois o uso de recursos naturais já supera a capacidade de reposição do planeta. w Na Tecnologia – A Engenharia Genética vencerá muitas doenças; a Inteligência Artificial substituirá muito trabalho intelectual; a nanotecnologia vai relacionar equipamentos entre si e eles conosco. Carnes como alimentos poderão ser produzidas a partir de células. As sementes estarão nas mãos de duas grandes companhias. w Ubiquidade – Com as tecnologias digitais será impossível se isolar. Os nativos digitais surgem como novos sujeitos sociais, sem fronteiras, que não distinguem patrimônio próprio e alheio e não se atrelam ao trabalho formal.

DOAÇÕES CONTRA COLAPSO DO SISTEMA Para “ir contra o que foi provocado pelo neoliberalismo” – especialmente a concentração de riqueza, que pode colapsar o próprio sistema, e o esgotamento de recursos pela devastação ambiental, que tende a inviabilizá-lo –, Domenico De Masi alerta para a necessidade de “um novo pacto social, entre homens e mulheres, jovens e idosos, autóctones e imigrantes, ricos e pobres, empregados e desempregados”. A proposta é de mudança da lógica econômica da competitividade para uma centrada na solidariedade, caracterizada pela doação – desde tecnologias obsoletas e opções de trabalho para aqueles que nada possuem até de recursos, conceitos e virtudes. Estas o sociólogo ilustrou com citações de grandes pensadores mundiais: w Doação de ócio criativo: “Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre seu trabalho e seu tempo livre (…) Almeja simplesmente a excelência em qualquer coisa que faça” (provérbio Zen) w Doação da indignação: “Eles finalmente conquistaram a virtude implacável de reconhecer a idiotice no início e não poder mais tolerá-la” (Flaubert) w Doação das visões: “Devo estudar a política e a guerra de modo que meus filhos tenham a possibilidade de estudar a matemática e a filosofia, a navegação, o

comércio e a agricultura; para poder fornecer a seus filhos a possibilidade de estudar a poesia, a música e a porcelana” (John Adams) w Doação da felicidade: “Felicíssimo é o homem que fez feliz o maior número de outros homens. Se escolhermos na vida a posição na qual podemos melhor trabalhar para a humanidade, nenhum peso pode nos afligir, porque os sacrifícios serão em benefício de todos” (Karl Marx) w Doação da loucura: “Em cada um de nós temos um grão de loucura, sem a qual seria imprudente viver” (Garcia Lorca)

w Economia – A concentração de riqueza aumenta na medida em que cresce a cota do PIB destinada a remunerar o capital financeiro e diminui aquela que remunera o trabalho. Se isso continuar, alerta De Masi, serão catastróficas as consequências no equilíbrio econômico, ecológico e social. w Trabalho – Nanotecnologia e robótica levarão à perda consistente de postos de trabalho, que não serão repostos. Nos países desenvolvidos, 25% dos empregados serão operacionais; 25% estarão em tarefas executivas-intelectuais; e 50% realizarão atividades criativas. w Lazer – Para o sociólogo, “todos são capazes de trabalhar, mas poucos sabem viver o tempo livre”. Com isso, “da mesma forma como hoje nos preparamos para o trabalho, será imprescindível a preparação para o tempo livre, para evitar o tédio e a depressão e para haver crescimento intelectual”. w Ética e Estética – O mundo será mais rico, mas continuará desigual. A vantagem competitiva dependerá da confiabilidade das pessoas e da qualidade e da estética dos produtos, além de sua performance, superando as exigências de quem compra. w Cultura – A invasão das tecnologias não vai suplantar a criatividade humana. O modelo americano será ameaçado pelo chinês. A produção do saber será feita por muitos e transmitida para muitos. Criatividade, empatia e coragem serão as habilidades mais desejadas no trabalho. w Androginia – As mulheres serão maioria nas universidades e no mercado de trabalho, estando no centro do sistema social e com mais gerenciamento de poder. Valores femininos (estética, subjetividade, emotividade, flexibilidade) serão absorvidos pelos homens, prevalecendo, nos estilos de vida, a fluidez sexual, a pansexualidade e a androginia.

Mercado profissional: 50% do trabalho humano será voltado a desenvolver soluções criativas.

FORMAÇÃO HUMANISTA É TAREFA DAS UNIVERSIDADES No entendimento de De Masi, cabe às universidades – onde os aspectos humanos do conhecimento, além dos tecnológicos, devem ser igualmente contemplados –, instruir a sociedade pós-industrial para o novo pacto social e para a economia da solidariedade e da doação. Para tanto, propõe seu conceito mais conhecido, o do ócio criativo, pelo qual desfaz a distinção entre trabalho e tempo livre ao estabelecer que todas as experiências de vida podem ser enriquecedoras e produtivas, desde que impregnadas de criatividade.

“Com cada vez mais máquinas fazendo o trabalho humano haverá necessidade de redistribuir riquezas e oportunidades, e também muito mais tempo livre”, observou, para, tomando tal constatação como ponto de inflexão à mudança, sugerir uma perspectiva ainda utópica, certamente idealista, mas reconhecidamente potencial: “Podemos refazer a sociedade grega, não tendo escravos como eles tinham, mas usando a tecnologia em favor da humanidade, de maneira que todos tenham a chance de ser mestres na arte de viver”. 7


Claudia Velho/UCS

CONFIRA ANTES DE REPASSAR NA PÓS-MODERNIDADE, AS REDES SOCIAIS SE TORNARAM TERRITÓRIO DA ‘PÓS-VERDADE’, PELA QUAL A OBJETIVIDADE DOS FATOS É DISTORCIDA PELAS EMOÇÕES INERENTES ÀS OPINIÕES. TERRENO FÉRTIL PARA A DISSEMINAÇÃO DE NOTÍCIAS FALSAS, AS FAKE NEWS VAGNER ESPEIORIN – vaespeio@ucs.br O primeiro dia de outubro de 2017 ficou marcado por um massacre na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos. Da janela de um prédio, Stephen Paddock matou 59 pessoas e feriu mais de 500 a tiros. Em poucos minutos o mundo estava sabendo da tragédia. Mas a veracidade das informações já estava comprometida. Ao mesmo tempo em que grandes veículos de comunicação cobriam o acontecimento e pessoas compartilhavam as primeiras postagens, muitas notícias falsas começaram a circular pela internet. Redes sociais, blogs e portais de buscas auxiliavam na divulgação dessas versões, que ora denunciavam o atirador como aliado do Estado Islâmico, ora diziam que Paddock era um radical de esquerda que odiava Donald Trump, presidente dos EUA. Portais bem conhecidos foram acusados de não barrar a proliferação dos conteúdos. Google e Facebook, duas das empresas responsáveis pela maior fatia do tráfego na rede, foram chamados para esclarecer possíveis falhas na circulação de informações. Em pouco tempo, o mundo havia sido tomado por boatos. Se notícias erradas sempre existiram no jornalismo, a atualidade trouxe uma 8

problemática ainda maior, pela velocidade com que fatos podem ser midiatizados. Contexto propício para um novo conceito que cerca a proliferação dos conteúdos deslocados da verdade: as fake news. O termo, do inglês, tem uma tradução bem simples: notícias falsas. Apesar dessa simplicidade, o dicionário britânico Collins elegeu-o como ‘palavra do ano’, pela grande repercussão que teve ao longo de 2017 – especialmente pela rapidez com que se ampliou sua dimensão. ÔNUS DA DEMOCRATIZAÇÃO Professor do curso de Jornalismo da UCS e do Programa de Pós-Graduação em História, Álvaro Benevenuto Junior explica que, desde o momento em que a imprensa se constituiu como meio de transmissão de informação, as fake news, seja por má intencionalidade ou por falta de verificação, deram seus primeiros passos. “Hoje, porém, elas existem com maior intensidade, pela repercussão em escala global e pela velocidade com que as informações circulam, em função, especialmente, do suporte digitalizado, que transformou a dinâmica da informação”, observa. Assim, não se pode pensar as fake

news sem se considerar a relação entre conteúdo informativo e redes sociais. Estas podem ter levado ao extremo o conceito de democratização da informação, ao criar suportes em que todos podem compartilhar opiniões. O professor salienta, porém, que embora muito democrática, essa produção não está organizada, mas individualizada. E quanto maior for a participação de pessoas sem compromisso com a produção e a disseminação de conteúdos, maior tende a ser a emissão de opiniões – e a distorção dos fatos. “No âmbito sociocultural as pessoas têm a liberdade de se posicionar em relação aos acontecimentos. Porém, quando se produz um material desconectado da realidade, esquece-se do compromisso com o fato histórico. A individualização da produção diminui a responsabilidade. E, sem isso, há uma falta de conhecimento sobre a informação e uma falta de consideração ao outro,”, pontua Álvaro. O caso do massacre em Las Vegas é um exemplo. Enquanto milhares compartilhavam fotos e relatos da tragédia, outros espalhavam informações inverídicas. Prova de que algumas medidas são essenciais para barrar as fake news.


A ORGANIZAÇÃO MIDIÁTICA

A INDIVIDUALIZAÇÃO DIMINUI A RESPONSABILIDADE. HÁ UMA FALTA DE CONSIDERAÇÃO EM RELAÇÃO AO OUTRO

ÁLVARO BENEVENUTO JR, PROFESSOR DE JORNALISMO E DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

De acordo com o professor Álvaro Benevenuto Junior, o sistema tradicional da mídia, na verdade, não é propriedade de ninguém. O jornalista é treinado e preparado para trabalhar com a captura de v e r s õ e s e, a partir delas, tentar chegar o mais próximo daquilo que aconteceu – com a responsabilidade de checar constantemente a veracidade do que compõe a versão. Às organizações midiáticas, cabe fazer a veiculação das informações checadas, avaliadas e ponderadas. Com as redes sociais, esse processo e o mercado ganharam elementos disruptivos que modificaram a lógica de se pensar a apuração dos conteúdos. A informação exclusiva repercute com mais força, mas como competir com uma produção individualizada, em que pessoas podem compartilhar informações direto do local do fato? O jeito, por um lado, foi estabelecer uma nova dinâmica, em que a interpretação da realidade ganhou mais realce na grande mídia. De outro modo, o caminho dos grandes veículos foi recorrer a um jornalismo de serviço, mais focado em necessidades da audiência, além de trabalhar com conteúdo mais inusitado e prático ao cotidiano das pessoas. Editora-chefe do jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, Andreia Fontana pode presenciar o processo de digitalização do jornalismo. Formada pela UCS, a jornalista começou a trabalhar em comunicação no ano de 1994. De lá para cá, acompanhou as mudanças que as tecnologias provocaram no modo de consumir informação. “O leitor, nossa razão de existir, era um sujeito distante. O contato era escasso, via telefone, fax e carta. Eram basicamente a formação e a experiência do jornalista e as discussões entre colegas que faziam a pauta e davam o direcionamento ao jornal”, recorda. A atualidade tecnológica possibilitou ao jornalista uma infindável quantidade de informação disponível. Mas, em pa-

ralelo, inaugurou o problema das fake news. Para Andreia, falta reflexão nesse mundo instantâneo sobre quão devastadora uma notícia falsa pode ser. “Por melhor que tenha sido a intenção do autor, ou por mais ingênuo que ele seja, muitos não se dão conta do perigo que é divulgar uma informação falsa”, argumenta Andreia. Ao ganhar milhares de compartilhamentos, comentários e (des) curtidas, as fake news podem colocar em xeque a reputação de empresas e pessoas. “Quantas verdades precisam ser ditas contra uma inverdade? A qualidade passa necessariamente pela checagem da informação”, defende. PÓS-VERDADE - Diante dessa realidade, muitas organizações midiáticas criaram editorias especializadas na confirmação de notícias. “Vivemos tempos de pós-verdade. Separar o joio do trigo ou jogar luzes sobre sombras acaba sendo uma necessidade jornalística da atualidade”, entende Andreia. Para compreender o termo pósverdade mencionado pela jornalista, é preciso mergulhar na lógica das redes sociais. Nessas novas mídias, o conceito pode ser visualizado na prática. É um meio em que o usuário está menos envolvido pela objetividade dos fatos e muito mais inclinado a recorrer a emoções e a crenças para defender suas posições. Assim como fake news, ‘pós-verdade’ também foi considerada ‘palavra do ano’, mas em 2016. A distinção foi dada pelo Dicionário Oxford, que frisou: “O prefixo ‘pós’ não se refere apenas ao tempo seguinte a uma situação, como em pós-guerra, mas sim a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante. Pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como foi”.

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A MÍDIA ALTERNATIVA Fake news, pós-verdade, notícia como mercadoria são conceitos bem compreendidos pela mídia alternativa, aquela que busca o lado menos ‘oficial’ da notícia. Jornalista formada pela UCS, Caroline Dall’Agnol optou por atuar em um destes veículos, o portal Desacato, de Florianópolis (SC), que, como o próprio nome diz, tem como ideia fundante ‘desacatar a hegemonia’. Desse ponto de vista, a jornalista observa que não é de hoje que as notícias efêmeras – e, por isso, mais passíveis ao erro – invadem as redes sociais. “O fenômeno do fetichismo no jornalismo como mercadoria já tem intrinsecamente esse propósito. E o jornalismo na internet, em que a velocidade da informação cobra do profissional rapidez e não qualidade, vem corroborar essa lacuna, em que a qualidade é deixada de lado e acaba sendo preenchida com falhas”, avalia. Segundo a jornalista, o fenômeno

das fake news precisa ser considerado mediante três perspectivas. A primeira delas se refere às notícias não checadas, ou pela falta de profissionalismo, ou pela exigência de rapidez da divulgação jornalística. Num segundo momento, a notícia falsa construída propositalmente para buscar cliques na internet, vinculados a anúncios publicitários em plataformas de acesso a conteúdo. Por último, a omissão ou negação dos fatos, “muito presente no jornalismo político”, exemplifica. “As fake news possuem interesses, sejam econômicos, sociais ou políticos, que acabam inviabilizando um olhar mais apurado sobre a realidade. Quando o jornalismo não é levado a sério, nasce a possibilidade da notícia se transformar em mercadoria”, critica.

COMPORTAMENTO > TECNOLOGIA Embora as fake news tenham ganhado força na medida em que o mundo virtual se popularizou, o comportamento dos usuários faz toda diferença, explica a professora Maria de Fátima Webber do Prado Lima, da Área de Conhecimento de Ciências Exatas e Engenharia da UCS. Especialista em Segurança da Informação, a docente ressalta que, mais do que a tecnologia, o modo de navegar e disseminar informações na rede acaba estimulando ou não a reprodução de notícias falsas. “Há vários aspectos envolvidos. É preciso, além da tecnologia, trabalhar com a cultura das pessoas. Se 10

o comportamento do usuário não mudar, se o usuário não averiguar a verdade das informações, nada vai adiantar”, reforça, destacando que, em termos de tecnologia, o internauta deve se prevenir, valendo-se da cautela tanto sobre aquilo que lê e compartilha como quanto às páginas em que navega, para evitar perda de dados. Nos últimos meses, como forma de diminuir a proliferação de conteúdos não verdadeiros, o Facebook fez uma mudança em sua plataforma: páginas não podem mais editar textos em links provenientes de outros sites. Mesmo assim, explica Maria de Fátima, esse controle se torna difícil, na medida em que a notícia falsa pode estar hospedada em um site. “Se alguém pe-

gar uma notícia falsa, colocar no portal e replicar, ainda assim vai ser uma notícia falsa”, acentua. A professora alerta ainda para outras armadilhas da internet que não estão ligadas diretamente ao conceito de fake news. É o caso do estelionato praticado por meio de falsas campanhas assistenciais, compartilhadas pela boa-fé das pessoas. “É extremamente importante, antes de publicar qualquer coisa, certificar-se de que a informação é verdadeira. Por mais que o Facebook e outras redes sociais tenham tecnologias, é sempre arriscado”, alerta.


ENGENHARIA SOCIAL No contexto de segurança da informação, engenharia social é um conceito utilizado para definir todo tipo de ataque realizado para enganar alguém visando acessar informação privilegiada. O objetivo é levar vantagem por meio da persuasão, muitas vezes abusando da ingenuidade ou confiança do usuário, para ter acesso autorizado a equipamentos ou dados. “No caso dos ambientes virtuais, há grandes sites capazes de armazenar informações e programas que permitem cruzamento de dados. Assim, as pessoas precisam ser alfabetizadas sobre

o que pode ou não ser feito nas redes sociais”, aponta Maria de Fátima. “Nenhuma das gerações de usuários está preparada. A que não é nativa digital acredita em tudo o que vê. Já os mais jovens participam de toda ação de mídia, mas também não têm a ideia de que seus dados podem ser utilizados por outras pessoas”, compara, em uma analogia com o despreparo, inclusive, de lidar com a viralização de notícias não verdadeiras. “Atenção é indispensável ao navegar pelo ciberespaço”, alerta.

VIRTUAL = REAL O filósofo francês Pierre Lévy é um dos mais notórios pesquisadores sobre tecnologia, mídia digital e contemporaneidade. Entre seus conceitos, considera que virtual não é oposto de real. E vai além: defende que passamos por mudanças profundas, a ponto da comunicação, informação e conhecimento se sobreporem à política e à economia. Para o Judiciário brasileiro, os ambientes virtual e real também não são vistos como opostos. “Embora a internet potencialize o alcance de uma notícia falsa, a lei que se aplica aos fatos reais também se aplica à rede. Quem foi envolvido em uma notícia falsa – seja em um impresso ou no ambiente online – tem o direito de ser reparado pelo erro”, detalha a professora Patrícia Montemezzo, que atua com Direito Digital. A docente explica que as instâncias regionais da Justiça têm visto crescer o número de ações relativas a fake news. Conforme ela, ainda não se pode garantir com exatidão a responsabilidade dos usuários que compartilham informações erradas, por exemplo. “Aquele que apenas compartilha publica também, e pode ser responsabilizado. Mas isso é discutível. É possível penalizar quem compartilha, mas o juiz tende a avaliar caso a caso”, observa. O QUE DIZ A LEI - No Brasil, o Marco Civil da Internet, de 2014, estabelece princípios, garantias, direitos e deveres

para o uso da rede de computadores no Brasil. A legislação determina que os provedores de internet não respondem por conteúdos de terceiros – apenas se, depois de ordem judicial para retirada, não tomarem a providência. A isenção, porém, não vale para conteúdos envolvendo imagens de sexo e nudez, porque, para esses casos, a aplicação digital deve prever um algoritmo capaz de detectar tais conteúdos. Alguns países condenam, inclusive, o site de buscas. Aqui no Brasil, porém, a Justiça definiu que o buscador não tem responsabilidade sobre conteúdos que possam ser encontrados”, informa a professora, apontando porque sites de buscas não podem ser culpabilizados pela disseminação de fake news. Apesar de todos avanços legislativos e também da ampliação do conhecimento dos entes públicos em torno dos crimes digitais, Patrícia não vê como necessária uma lei específica para tratar de situações de internet. “A rede não está fora da realidade para a qual já existem leis. O que falta é bom senso de quem usa a internet. Às vezes, as pessoas utilizam a rede para desabafar e acham que estão revestidas de uma proteção que não existe”, frisa. 11


60 ANOS DE ENFERMAGEM Fotos/acervo Curso de Enfermagem/UCS

INAUGURADO EM 1957 PELA ESCOLA MADRE JUSTINA INÊS, CURSO FOI O PRIMEIRO DE NÍVEL SUPERIOR DA ÁREA DA SAÚDE EM CAXIAS DO SUL E REGIÃO. DEZ ANOS DEPOIS, ESTARIA ENTRE OS CINCO QUE DERAM ORIGEM À UCS CRISTINA BOFF – cbboff@ucs.br A história do curso de Enfermagem se confunde com a própria história da Universidade de Caxias do Sul (que neste ano completou seus 50 anos) e se traduz nos avanços produzidos ao longo de 60 anos no campo do cuidado em saúde por professores, acadêmicos e enfermeiros egressos. Independentemente do con-

texto histórico e das etapas evolutivas por que passou, o curso de Enfermagem sempre teve como objeto central o cuidado humano em diferentes dimensões, em âmbito individual e coletivo. O olhar, a ternura, o toque e a preocupação com o outro se mantêm na formação desses profissionais, após seis décadas de história.

Aula inaugural: ocorrida em 1º de março de 1957, no Hospital Saúde.

PRECURSOR NA ÁREA DA SAÚDE w Inaugurado em 1º de março de 1957, o curso de Enfermagem foi o primeiro de nível superior da área da Saúde ofertado em Caxias do Sul e região, por meio da Escola de Enfermagem Madre Justina Inês, com sede no atual Hospital Saúde, a partir de iniciativa da Sociedade das Damas de Caridade juntamente com a Congregação das Irmãs de São José.

Aula prática: execução de procedimentos técnicos na Escola Madre Justina Inês.

w O nome da instituição foi uma homenagem à religiosa que se destacou na formação de recursos humanos na área da Educação e, posteriormente, da Saúde. Com visão futurista, Madre Justina encaminhava para grandes centros, como São Paulo, outras irmãs para formação acadêmica visando atuar em Caxias do Sul e região. w Entre elas estava a Irmã Rosália Pegoraro (falecida em 2015, aos 90 anos, em Garibaldi), uma das fundadoras da Escola de Enfermagem Madre Justina Inês e do curso de Enfermagem da UCS – onde foi a primeira diretora do então Centro da Saúde e é homenageada com a denominação do Diretório Acadêmico do curso. w As primeiras formandas, que concluíram o curso de três anos em 1959 e realizaram solenidade em 28 de fevereiro de 1960, foram Catarina Fantin, Celeste Morlino Larrion, Eva Neli Kronbauer, Irmã Luiza Cecília, Irmã Maria de Caravaggio e Sandra Maria de Abreu Mendes. Primeira turma: seis formandas em solenidade realizada em 28/02/1960. 12


Acervo Curso de Enfermagem/UCS

MUDANÇA CURRICULAR w Em 1992, ocorreu uma das mais importantes mudanças curriculares da Enfermagem. Um decréscimo gradual de alunos ingressantes no final dos anos 1980 e início dos 1990 culminou na suspensão temporária da oferta do curso. A então pró-reitora de Graduação, Liane Beatriz Moretto Ribeiro, constituiu um grupo para reestruturar os processos de formação. w Segundo a docente da Área de Ciências da Vida e egressa do curso de Enfermagem

Nilva Lúcia Rech Stédile, o processo pode servir de modelo aos demais cursos superiores, tendo resultado na proposição de um novo perfil para o egresso. w A comissão propôs um projeto de curso inovador, marcado por uma forte tendência à formação técnico-científica, humanística e cidadã, estendendo a formação para a rede de serviços de saúde, instituindo o estágio curricular e o trabalho em equipes interdisciplinares.

Estágios nos anos 1980: preparo para atendimento humanizado.

Fotos/Claudia Velho/UCS

INCORPORAÇÃO À UCS w O curso da Escola de Enfermagem Madre Justina Inês foi um dos cinco reunidos na constituição da UCS, em 1967 – os demais foram o da Faculdade de Ciências Econômicas e o da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (fundadas pela Mitra Diocesana); o da Faculdade de Direito (da Associação Cultural e Científica N. Sra. de Fátima) e o da Escola Municipal de Belas Artes (mantida pela Prefeitura). w O ingresso na UCS possibilitou um repensar do curso, tanto na dimensão da infraestrutura como na filosófica. Passou-se a considerar, gradativamente, outros aspectos da formação além do caritativo, e a se aceitar e estimular o ingresso de acadêmicos do sexo masculino. w Outro acréscimo foi a construção de um corpo de conhecimentos científicos próprios da profissão, migrando da atenção puramente hospitalar para a atenção em todos os níveis de assistência.

A GRADUAÇÃO HOJE w Em 50 anos integrado à UCS, o curso de Enfermagem contabiliza 1.925 profissionais formados. Seus egressos têm intensa adesão à profissão – mais de 90% continuam atuando na área, na região, em diferentes Estados e no exterior. Muitos também foram ou ainda são docentes do curso. Atualmente, há 171 estudantes de Enfermagem. w “O grande mérito do curso de Enfermagem da Universidade de Caxias do Sul é não ter medo de introduzir as mudanças necessárias à qualificação dos processos de formação, em cada momento histórico”, considera a atual coordenadora, Isabel de Melo.

HOMENAGENS ÀS CONTRIBUIÇÕES COM A TRAJETÓRIA DO CURSO Dois eventos celebraram a trajetória dos 60 anos do curso de Enfermagem. No dia 26 de outubro foi realizada uma bênção na Capela Ecumênica do campus-sede, com o Frei Jaime Bettega, reunindo alunos, egressos, professores e ex-professores e representantes de entidades

ligadas ao curso (das Damas do Pio Sodalício e das Irmãs São José) e do Hospital Geral. No dia 8 de novembro, no Salão de Atos da Reitoria, uma cerimônia homenageou pessoas e instituições que contribuíram com a trajetória do curso:

w Instituições: Sociedade Caritativo-Literária São José; Damas do Pio Sodalício; Hospital Virvi Ramos; Hospital Saúde; Hospital Pompéia e Hospital Geral. w Alunos: Marly Ignez Missaglia, representando as ex-alunas da Escola Madre Justina Inês e como primeira ex-aluna a tornar-se professora do curso; William Mannerick Francisco, representando egressos, atuais estudantes e o Diretório Acadêmico. w Ex-chefes de Departamento e coordenadores de curso: Anileda Luiza Basso, Suzete Marchetto Claus, Nilva Lucia Rech Stédile, Maria Tereza Ugarte, Ana Cristina de Araújo Vianna, Marta Vaccari Batista, Elizabeth Boss, Suzana Boeira, Tanara Leonardelli Michielin, Isabel de Melo, Roseana Maria Medeiros e Júlia Flores. Benção com Frei Jaime Bettega: reconhecimento à abnegação profissional. 13


FUNDADORES PARA SEMPRE PRAÇA JUNTO AO CENTRO CÍVICO TERÁ BUSTOS EM HOMENAGEM AOS LÍDERES DA CRIAÇÃO DA UCS EM 1967: O BISPO DOM BENEDITO ZORZI, O PREFEITO HERMES JOÃO WEBBER E O MÉDICO VIRVI RAMOS GABRIELA ZANESI – gzanesi@ucs.br e revestidas em bronze, as imagens foram esculpidas pelo artista plástico uruguaio Luis Mario Cladera e fundidas pelo artista e fundidor Jamil Fraga. Além do aspecto histórico, a praça se constitui em um espaço de integração e convivência comunitária. A CASA AMARELA A Praça dos Fundadores ficará ao lado da Casa Amarela, que passa a contar com área interna de exposição e acesso interativo multimídia voltado ao resgate da história da Universidade. O imóvel vai abrigar, ainda, o setor administrativo da Escola de Lideranças – projeto da UCS para a conexão entre diferentes áreas do conhecimento, visando à formação de líderes nas diversas áreas da sociedade. Com a revitalização, a casa permanecerá aberta também para a acolhida de professores, de visitantes, e como

espaço de reuniões e convivência. A Casa Amarela foi um dos primeiros imóveis da antiga Estação Experimental de Viticultura e Enologia do Estado, tendo sido residência de seus diretores. O terreno e as construções existentes foram repassados pelo governador Euclides Triches, em 1974, para a ampliação do campus da UCS. A instituição já funcionava, desde 1970, junto à Estação Experimental, na antiga sede do Colégio Sacre Coeur de Marie, cujo prédio (atual Bloco A) fora adquirido pela então Associação Universidade de Caxias do Sul. Desde aquela época, a Casa Amarela serviu como sede do Coro da UCS, das formações em instrumentos do curso Fundamental de Educação Artística, da creche universitária, do ambulatório do campus e da Cooperativa Sicredi, e funcionou como anexo da Casa do Professor Visitante. Reprodução/Setor de Projetos Civis/UCS

Um marco físico da celebração do cinquentenário da UCS será inaugurado em 15 de dezembro: a Praça dos Fundadores, no campus-sede, é um memorial em honra aos responsáveis pela mobilização comunitária que, em 1967, resultou na criação da Universidade de Caxias do Sul: o bispo diocesano Dom Benedito Zorzi, o prefeito Hermes João Webber e o médico Virvi Ramos, que presidia a então Associação Cultural e Científica Nossa Senhora de Fátima. Em comum, além de liderarem as instituições mantenedoras dos cinco cursos superiores existentes na cidade, eles carregavam a crença de que a união em torno de uma universidade era indispensável ao desenvolvimento regional. A partir de uma requalificação paisagística, os bustos dos fundadores serão colocados na área externa, ao lado do Centro Cívico. Produzidas em ferro fundido

Preservação histórica: projeto prevê área de convivência externa e tecnologia interativa na Casa Amarela. 14


OS HOMENAGEADOS Acervo IMHC/UCS

DOM BENEDITO ZORZI Nascido no Travessão Paredes, em Nova Pádua, em 1908, o segundo bispo da Diocese de Caxias do Sul assumiu em 1953, dois anos após o falecimento de Dom José Barea. Dedicou sua vida pastoral a iniciativas religiosas, assistenciais e educacionais, atuando no município entre 1952 e 1983, e foi um dos principais incentivadores da criação da UCS, ainda quando a cidade contava apenas com as faculdades isoladas de Enfermagem e Belas Artes. Já em 1956 Dom Benedito defendia a ideia de uma ‘Universidade Comunitária do Nordeste do Rio Grande do Sul’. Sua influência na área educacional revela-se na criação da Faculdade de Ciências Econômicas, no mesmo ano, e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, mantidas pela Mitra Diocesana (que também assumiria a gestão do curso de Enfermagem da Escola Madre Justina Inês, às vésperas da criação da UCS, oficializada em 1967). O religioso faleceu em 1988, aos 80 anos. Arq.Hist.Municipal/UCS

HERMES JOÃO WEBBER Caxiense nascido em 1915, Hermes João Webber iniciou sua vida pública na Prefeitura de Caxias do Sul, onde passou por cargos como de escriturário de Diretoria da Fazenda; chefe da Seção de Obras e Urbanismo; subprefeito do 1º Distrito; diretor de Obras, Viação e Saneamento; e de Estradas de Rodagem. No Departamento de Obras, também atuou como secretário. Vice-prefeito na gestão de Euclides Triches, a partir de 1952, completou o mandato do titular (que se retirou para assumir a Secretaria de Obras Públicas do Estado) em 1954 e 1955. Como prefeito eleito, ficou à frente do Executivo de 1964 a 1968. Em sua administração, inaugurou obras como o viaduto da Avenida Júlio de Castilhos (próximo ao Senac), o Mercado Público Municipal, deu início à construção do Sistema Maestra e implantou o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Samae). Foi também o primeiro presidente Codeca e curador do Ministério da Educação. Criada em 1949 pela Prefeitura Municipal, a Faculdade de Belas Artes foi a primeira de Ensino Superior no município, sendo incorporada à UCS em 1967. Webber faleceu em 1983, aos 68 anos. VIRVI RAMOS Acervo IMHC/UCS Natural de São Marcos quando ainda distrito de São Francisco de Paula, Virvi Ramos nasceu em 1917. Formou-se em Medicina em Porto Alegre, retornou a Caxias do Sul em 1943 e dedicou-se a clinicar. O sonho de garantir um atendimento médico mais humano o levou ao projeto de criação do Hospital Fátima, concretizado em 1957. Conhecido por muito tempo como o ‘Hospital do Virvi’, o local hoje leva o nome de seu idealizador. Em 1956, nascia a Sociedade Hospitalar N. Sra. de Fátima, que, além de gerir o hospital, manteria dois cursos superiores que seriam agregados àqueles que dariam origem à UCS. Tornou-se a primeira sociedade hospitalar a criar uma Faculdade de Direito, em 1959 – uma das cinco que dariam origem à UCS. No ano de 1967, Virvi Ramos, já primeiro reitor da UCS (cargo que exerceu até outubro de 1972), ajudou a criar o curso de Medicina, do qual também foi professor. O médico faleceu aos 90 anos, em 2007.

ÁLBUM TRAZ RESGATE HISTÓRICO O fechamento das comemorações do cinquentenário da UCS na 4ª edição do Natal em Família também marca o lançamento de uma obra criada especialmente para registrar a história da instituição: o álbum UCS: 50 Anos de uma Universidade Comunitária. A publicação é resultado de uma construção coletiva que reúne a narrativa de diferentes eventos a partir da memória de professores, egressos e de outros sujeitos do processo histórico-institucional dos primeiros 50 anos da UCS. Em 370 páginas, o livro é composto por seis capítulos temáticos, organizados em subtemas – o que possibilita a apreciação do conteúdo de forma não sequencial –, e conta com cerca de 300 imagens do acervo da Universidade. As fotos mostram aconteci-

mentos marcantes da trajetória institucional, o trabalho de professores e funcionários, a vida estudantil, a evolução estrutural do campus-sede e dos campi da região, além de ações comunitárias e de envolvimento com a sociedade. Os capítulos discorrem sobre o surgimento e a trajetória da organização, a graduação, a pesquisa, os estudantes e a extensão universitária, sendo complementados por dados atualizados sobre a instituição, um quadro cronológico resumido e as listas de presidentes da Fundação Universidade de Caxias do Sul e de reitores da UCS. Organizado por uma subcomissão integrante da comissão das comemorações dos 50 anos, o álbum foi editado pela Educs, com tiragem de mil exemplares.

A PUBLICAÇÃO w Organizadores: chefe de Gabinete da UCS, professor Gelson Leonardo Rech; em parceria com os professores Anthony Beux Tessari, diretor do Instituto Memória Histórica e Cultural, e Eliana Rela, coordenadora do Mestrado Profissional em História, e com o coordenador da Editora da UCS (Educs), Renato Henrichs w Editora: Educs w Páginas: 370 w Como adquirir: na loja UCStore, lozalizada na Galeria Universitária do campus-sede 15


Fotos Claudia Velho/UCS

GINCANA PROMOVE INTEGRAÇÃO E SOLIDARIEDADE Uma grande experiência de integração que culminou em demonstração de solidariedade. Assim se caracterizou a 1ª Gincana Universitária UCS, principal atividade voltada aos estudantes em comemoração aos 50 anos da Universidade. A competição contou com mais de 700 alunos participantes e mobilizou muitos mais indiretamente durante os 15 dias de preparação e execução das tarefas, além de envolver diretamente professores, funcionários e o Gabinete da Reitoria. As 34 provas reuniram ações educativas e recreativas, testando as habilidades dos participantes em Artes, História, Biologia, Engenharia, ciência e tecnologia, práticas desportivas e em outras áreas do conhecimento. As atividades ocorreram em duas etapas: os 17 primeiros desafios aconteceram nos oito campi da UCS na região, enquanto a segunda metade das provas concentrou as 21 equipes no campussede, no dia 30 de setembro. A descontração e o aprendizado foram complementados pela prática de responsabilidade social, com a arrecadação de 23 mil unidades de fraldas destinadas às crianças atendidas no Hospital Geral (o que supre a demanda por oito meses), e de 1,7 tonelada de ração para cães e gatos, repassada a cuidadores de animais por meio da ONG Engenharia Solidária. As coletas resultaram de um dos desafios propostos pela gincana. A vitória ficou com os ‘Matemágicos’, e o segundo lugar com a equipe ‘Engenhosos’, ambas formadas por estudantes da Área de Exatas e Engenharias. Em terceiro ficaram os ‘Ratões do Banhado’, do curso de Ciências Biológicas. As três primeiras colocadas receberam premiação de R$ 1,2 mil; R$ 1 mil e R$ 800 respectivamente. Na solenidade de premiação, o reitor Evaldo Kuiava exaltou a adesão dos estudantes. “Essa é uma prova de que vocês têm espírito comunitário, coletivo, que são valores fundamentais em uma sociedade hoje tão individualista”, celebrou, observando ainda que a competição sadia transforma a lógica pedagógica, pela satisfação e envolvimento gerados pelo aprendizado lúdico, proativo e criativo. 16

1º lugar: ‘Matemágicos’, reunindo alunos dos cursos de Engenharia.

2º lugar: ‘Engenhosos’, também formada por estudantes das Ciências Exatas e Engenharias.

3º lugar: equipe ‘Ratões do Banhado’, composta por turmas de Ciências Bilógicas.


UCS CONCEDE QUATRO TÍTULOS DOUTOR HONORIS CAUSA PROFESSORES COM PROJEÇÃO INTERNACIONAL FORAM HOMENAGEADOS PELA CONTRIBUIÇÃO À CIÊNCIA E À CULTURA Fotos Claudia Velho/UCS

Nuccio Ordine: filósofo é um dos maiores pesquisadores da Renascença.

Domenico De Masi: defesa do ócio criativo e da partilha de recursos e valores.

Miguel Armando Garrido: cultura de paz, tolerância e coexistência pacífica.

O Conselho Universitário (Consuni) da UCS aprovou a concessão de quatro títulos Doutor Honoris Causa no ano de celebração do cinquentenário da instituição. Mais nobre e de mais alto grau que uma universidade pode conceder, a outorga homenageia personalidades que tenham contribuído de modo eminente para o progresso das ciências, letras ou artes ou prestado relevantes serviços à cultura. A primeira entrega ocorreu em 5 de setembro, para o filósofo italiano Diamante Nuccio Ordine. Docente na Universidade da Calábria, Itália, e pesquisador do Centro de Estudos da Renascença Italiana da Universidade de Harvard, atua como professor convidado em instituições dos EUA e da Europa. É reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes pesquisadores da obra do filósofo renascentista Giordano Bruno, sobre o qual dirige, no Brasil, em parceria com o professor Luiz Carlos Bombassaro, a edição das obras italianas publicadas pela EDUCS. No dia 26 do mesmo mês, o agraciado foi outro italiano, o sociólogo Domenico De Masi, criador do conceito do ‘ócio criativo’, pelo qual propõe que os resultados da produção humana permitam maior partilha de recursos, princípios e valores e mais disponibilidade de tempo livre, formando contexto para que a criatividade gere novos conhecimentos e riquezas. Professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza, de Roma, dedica-se a estudar as transformações contemporâneas do mundo do trabalho a partir do avanço tecnológico (leia mais sobre o pensamento de De Masi nas páginas 5 a 7 desta edição). O terceiro título Doutor Honoris Causa do ano foi conferido ao professor argentino Miguel Armando Garrido no dia 16 de novembro. Docente de Direito

da Faculdade Regional Resistência, da Argentina, atua com resolução e mediação de conflitos em diversas instâncias do meio acadêmico e na esfera pública. Como diretor do Centro de Investigação para a Paz da mesma faculdade, elabora e executa programas para o desenvolvimento da tolerância e da coexistência pacífica, visando diminuir os obstáculos e as ameaças à paz. Foi secretáriogeral (1989-1991) e assessor geral (2007-2012) de Governo da Província de Chaco, e mediador público do Poder Judiciário da mesma unidade federativa argentina (1995-2007). A última comenda será entregue no dia 14 de dezembro, ao matemático francês JeanClaude Régnier. Atualmente, é professor titular e pesquisador da Universidade de Lyon, França; professor visitante na UCS; orientador de doutorado na Universidade de Sherbrooke, Canadá; pesquisador na Unicamp (SP); colaborador da PUC-SP e da Universidade de Tomsk, Rússia; professor da Universidade Federal de Pernambuco e do Centro Universitário de Santa Maria (RS). Possui experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino, atuando nos temas: novas tecnologias educativas; ambiente virtual de trabalho; ensino e aprendizagem da estatística e da matemática; e autonomia, autoavaliação e autocorreção. Com as quatro concessões, a UCS totaliza nove títulos Doutor Honoris Causa conferidos em seus 50 anos de história. Os anteriores foram para o ministro da Educação do Brasil em 20/12/1967, Tarso Dutra; o linguista e professor italiano, Emílio Peruzzo Agnesin (08/10/1975); o ex-governador do RS, Euclides Triches (21/03/1975); o ministro da Educação da Argentina em 24/10/99, Manoel Guillermo Garcia Solá; e para o então presidente do Uruguai, Jorge Batlle Ibáñez, em 13/05/2003. 17


Fotos Claudia Velho/UCS

UCS AQUARIUM Com instalações remodeladas e ampliadas, o UCS Aquarium foi reaberto para visitação gratuita da comunidade. Composto por 14 novos aquários, um específico para a ictiofauna regional (peixes dos rios do Rio Grande do Sul), e um aquário marinho, somando 45 mil litros de água, o conjunto conta com 101

espécies entre peixes, equinodermos, crustáceos e plantas aquáticas. O espaço científico-acadêmico também exibe painéis didáticos, dioramas e materiais informativos para a sensibilização ambiental, mostrando a importância dos seres vivos para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Localizado no Museu de Ciências Naturais (Bloco N do campus-sede), o UCS Aquarium fica aberto de terça a sexta-feira, das 8h às 13h30min, e aos sábados e domingos, das 13h30min às 17h. Visitações de turmas de escolas ou de grandes grupos necessitam de agendamento e têm acompanhamento de monitores.

Contatos podem ser feitos pelo telefone 54.3218.2142 ou pelo email mucsucs@gmail.com 18


ARTIGO UCS 50 ANOS – ORIGENS:

Claudia Velho/UCS

A FACULDADE DE DIREITO DE CAXIAS DO SUL CRIADO EM 1º DE MARÇO DE 1959, SOB A LIDERANÇA DO DR. VIRVI RAMOS, CURSO TEVE PRIMEIRA TURMA FORMADA EM 5 DE MARÇO DE 1965, COM 61 ALUNOS Foi sob a liderança do médico Virvi Ramos, primeiro reitor da UCS, o qual mobilizou amigos, políticos e intercedeu perante a comunidade, que Caxias do Sul pode ter a sua Faculdade de Direito. Criada em 1º de janeiro de 1959, a Faculdade de Direito de Caxias do Sul teve sua autorização por meio do Decreto nº 47.435, de 16 de dezembro de 1959. A mantenedora da Faculdade foi a Sociedade Hospitalar Nossa Senhora de Fátima, cujo presidente era o Dr. Virvi Ramos. Em 4 de março de 1960, um dia antes da aula inaugural da Faculdade de Filosofia, em sessão solene, foi instalada a Faculdade de Direito de Caxias do Sul. A Aula Inaugural teve como local o Centro da Indústria Fabril, no Edifício Zatti. Na ocasião, o primeiro diretor da Faculdade, professor Ary Zatti Oliva, discorreu sobre os objetivos e a importância da instituição. Discursaram, entre outros, o professor da cátedra de Ciências Políticas, advogado e vereador Pedro Jorge Simon, e o deputado federal Tarso Dutra.

A Faculdade de Direito oferecia, a partir de então, um dos mais qualificados cursos de Direito do Estado do Rio Grande do Sul, graças à escolha dos professores, sendo, a grande maioria, provenientes da Capital do Estado, e, outros, juristas e advogados destacados da cidade de Caxias do Sul. O curso funcionou no centro da cidade, na Rua Sinimbu, entre as ruas Do Guia Lopes e Andrade Neves. Nesta história, que dignifica o Ensino Superior do Brasil, é oportuno recordar a formatura da primeira turma de Direito, em 5 de março de 1965, quando comemoraram os 61 novos advogados que entravam para o mercado de trabalho. Dos 75 alunos que conseguiram aprovação no concurso Vestibular, sete eram mulheres, e cinco delas estavam entre os que completaram o curso de cinco anos de formação em Bacharelado em Direito. As comemorações se iniciaram com uma missa em agradecimento por toda a caminhada trilhada durante os cinco anos de faculdade.

PROF. AMBRÓSIO LUIZ BONALUME* Presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul

Após o ato religioso, ocorreu a colação de grau, nos amplos salões do Cinema Teatro Ópera. A cerimônia solene de formatura teve como paraninfo Virvi Ramos, também professor de Medicina Legal, e o cortejo conduzido ao som da Marcha Triunfal da ópera Aida, de Verdi. Os alunos, no dia seguinte, deram seguimento às comemorações com um baile no Recreio da Juventude, animado pelo grupo musical Amigos do Tango. A Faculdade de Direito, em 1967, passou a integrar a Universidade de Caxias do Sul. Numa trajetória de mais de 50 anos, o curso de Direito formou milhares de estudantes que ocupam cargos e postos de destaque na sociedade regional, nacional e internacional.

* Atual presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul, o professor Ambrósio Luiz Bonalume é egresso do curso de Direito da UCS, no qual ingressou em 1969 e concluiu em 1973.

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Universidade de Caxias do Sul Caixa Postal 1313 95020-972 - Caxias do Sul - RS


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