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A REVISTA SEMANAL D´A UNIÃO

www.auniao.com

CULTO AO ESPÍRITO SANTO JORNALISTAS E POLÍTICOS À BULHA PÁG. 4

edição 34.757 · 28 de maio de 2012 · preço capa 1,00 € (iva incluído)


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Área Clínica Análises Clinicas Anestesiologia Cardiologia Cirurgia Geral

Médicos Laboratório Dr. Adelino Noronha Dr. Pedro Carreiro Dr. Vergílio Schneider Dr. Rui Bettencourt

Cirurgia Vascular

Dr. Fernando Oliveira

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Dr. António Nunes

Clínica Geral

Medicina Dentária

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Gastroenterologia

Ginecologia/Obstetícia

Medicina Interna Medicina do Trabalho Nefrologia Neurocirurgia Neurologia Neuropediatria Nutricionismo Otorrinolaringologia Pediatria

Dr. Domingos Cunha Dr.ª Ana Fanha Dr.ª Joana Ribeiro Dr.ª Rita Carvalho Dr. Rui Soares Dr.ª Lurdes Matos Dr.ª Isabel Sousa Dr. José Renato Pereira Dr.ª Paula Neves Drª Paula Bettencourt Drª Helena Lima DrªAna Fonseca Dr. Lúcio Borges Dr. Miguel Santos Dr.ª Cristiane Couto Dr. Eduardo Pacheco Dr. Cidálio Cruz Dr. Rui Mota Dr. Fernando Fagundes Dr.ª Andreia Aguiar Dr. João Martins Dr. Rocha Lourenço Dr.ª Paula Gonçalves

Doenças de Crianças

Dr.ª Patrícia Galo

Pneumologia

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Podologia

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Psicologia

Dr.ª Susana Alves Dr.ª Teresa Vaz Dr.ª Dora Dias

Psiquiatria

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Imagiologia (TAC/ECOGRAFIA/Ressonância Magnética) Neuroradiologia (TAC/Ressonância Magnética)

Dr.ª Ana Ribeiro Dr. Miguel Lima Dr. Jorge Brito Dr.ª Rosa Cruz

Reumatologia

Dr. Luis Mauricio

Terapia da Fala

Dr.ª Ana Nunes Dr.ª Ivania Pires

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Dr. Fragoso Rebimbas


EDITORIAL / SUMÁRIO

A amizade à distância TEXTO / Marco de Bettencourt Gomes | director@auniao.com

A ausência marca profundamenteENTRETENIMENTO a nossa história. Os / OPINIÃO que já partiram. Os que ainda não chegaram. Os desencontros entre os que estão. Vivemos com um pai silencioso e com irmãos adormecidos. Esta é a nossa condição. Aqui há que descobrir o nosso próprio espaço. Não se achar o dono de si mesmo ou das coisas. Não se iludir de ter recursos próprios suficientes para garantir o bom CARTOON sucesso dos empreendimentos. Não pôr o mundo todo e arredores a girar à volta do próprio umbigo. Nas intrigas, na vaidade, na mesquinhez, na inveja, na tristeza, no medo, no escrúpulo, na soberba, na presunção, na auto-suficiência, no exibicionismo, na rivalidade, na vingança, no interesse próprio, na ganância, no lucro, na posse, no egocentrismo, aí falta o espírito. Descentrar-se de si mesmo. Fazer-se dependente, totalmente dependente do absoluto. O encontro é um lugar humano. A relação é um espaço de identidade. O bem comum, a alegria, a privação, o serviço, a generosidade, o entendimento, a escuta, a persistência, a ONLINE arte, a QUESTIONÁRIO discrição. Aí está o espírito. A rotina alternar-se com a festa. A ritualização celebrar a condição efémera da vida. O ser recorrer ao religioso para dizer em palavras e gestos quem é e fazê-lo com os seus pares. É a dimensão de comunidade. Pôr de parte a melhor carne, o melhor vinho, a melhor roupa, e sacrificar o melhor, com custo mas com alegria. Gastar o que faz falta ao quotidiano e abandonar-se a Título Aqui esse gesto sagrado de partilha. Não consta que tenha vindo a faltar quando a partilha foi total.

“Citação e/ou frase aqui

A MAÇONARIA INFLUENCIA A POLÍTICA PORTUGUESA? SUMÁRIO

AS MAIS VIST

SIM as estações do espírito

NÃO

notícias à nossa maneira

05

o império do amor e da partilha

06

excentricidades

07

saber saborear sabores simples

22

Título Aqui

11

as alegrias do vício

o silêncio dos inocentes

i am a fan of knäppa

23 25

28

pórtico

13

solas p´as descalças

29

voos com garantias

14

baths

30

giulietta masina

15

o congresso do espírito santo

31

IKEA KNÄPPA DIG

NA..CAPA...

I am a fan of

CULTO AO ESPÍRITO SANTO / pág. 16

KNAPPA

“A mensagem social transmitida pelo Culto do Espírito Santo continua noLourenço anonimato do TEXTO / oculta Frederica «popular»” – quem o defende é Antonieta Costa. Possivelmente a utilidade é nenhuma. Já a originalidade é tanta, que À revista “U”, a estudiosa terceirense acredita isso vai ser, concerteza, um sucesso de vendas. que a prática deste culto – que tem hoje, SegunA ideia partiu dos ateliers de design da IKEA: somaram câmara fot da-feira do Espírito Santo, um dos seus pontos ca digital a ecologia, revestiram-na de cartão, adicionaram-lhe 2 pil altos – retira a utopia das estruturas sociais, ese pronto, ficou incrivelmente gira. Tem um capacidade de armazena tando este particularmente assente no conceito para 40 fotografias com resolução de 2.3MP, não tem ecrã de préda igualdade. zação, mas oferece-nos um pequeno buraco no papelão para espre depois basta termos uma entrada USB no computador, um cabo e pro 28 maio 2012 / 03 podemos publicar as fotos nas redes sociais. Por enquanto ainda não está à venda. Foi lançada em Milão em Abril do, tendo sido incluída no kit de imprensa de um evento e distribuíd


REVISÃO

JORNALISTAS E POLÍTICOS À BULHA José contente “em pleno directo, interrompeu de forma abrupta a intervenção da jornalista”. O PSD/Açores requereu a audição parlamentar do secretário regional dos Equipamentos, José Contente, na sequência da denúncia feita pelo conselho de redacção da RTP/Açores, que o acusou de interferência no trabalho de uma equipa de reportagem. “A requerida audição tem por objecto a denúncia feita pelo conselho de redacção da RTP/Açores, que acusa o referido membro do Governo de procurar condicionar e de interferir abusivamente no trabalho da equipa de reportagem que fez a cobertura dos estragos provocados pelo mau tempo na zona da Bretanha, em S. Miguel, a 11 de Maio”, refere o documento enviado ao presidente da Assembleia Legislativa dos Açores. O conselho de redacção da RTP/Açores (TV), num comunicado emitido a 18 de Maio e depois enviado ao Sindicato dos Jornalistas, acusou José Contente de “tentar persuadir a equipa de reportagem a não enviar para Lisboa um bloco de imagens em bruto que incluíam um depoimento da presidente da Câmara de Ponta Delgada”, Berta Cabral, e de “procurar impor a sua presença em directo no Telejornal da RTP/Açores, depois de gorada uma intervenção no Telejornal da RTP 1, que não se realizou por Lisboa se ter desinteressado desse directo”. Segundo o comunicado, José Contente “em pleno directo, interrompeu de forma abrupta a intervenção da jornalista, agarrando-a pelo braço que segurava o

microfone e falando de forma intempestiva para o mesmo sem sequer aparecer na imagem”. Na resposta, José Contente considerou as acusações “injustificadas”, recordou que esteve no local várias horas e prestou declarações a vários órgãos de comunicação social e assegurou que a jornalista da RTP/Açores lhe propôs, depois de ter sido cancelado o directo na RTP 1, que “fizesse uma declaração para sair no Telejornal do dia seguinte, o que veio a acontecer”. “São falsas as acusações do condicionamento do directo da RTP/Açores, até porque, num cenário de acidentes iminentes, como foi o caso da queda da Estrada Regional no Pilar da Bretanha, entendeu-se dar informação ao público na hora, pelo perigo real da circulação automóvel”, acrescentou José Contente. O presidente do Governo dos Açores, Carlos César, também se pronunciou sobre este caso, considerando que “os jornalistas têm de compreender que são uma classe profissional como qualquer outra, que é sujeita a críticas, tal como tem o poder de criticar os outros”. Para Carlos César, o conselho de redacção “devia ter a humildade de reconhecer que também na RTP/Açores há jornalistas que não têm qualidade e que também na RTP/Açores há jornalistas que não são isentos”. LIMA TAMBÉM NA MIRA No comunicado enviado ao Sindicato dos

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REVISÃO

Jornalistas, o Conselho de Redacção refere também uma situação ocorrida com o líder regional do CDS-PP, Artur Lima, que acusa de ter “caluniado de forma desabrida e vergonhosa os profissionais da RTP/Açores, sugerindo que não eram isentos e que estavam ao serviço de alguns partidos”. A situação ocorreu na Assembleia Legislativa Regional quando se discutia a situação na RTP/Açores e Artur Lima terá acusado os jornalistas da RTP/Açores que cobriam os trabalhos de falta de isenção por não terem dado voz a uma intervenção de um deputado do CDS-PP. O Conselho de Redacção recorda que “é impossível relatar tudo o que se passa no parlamento”, salientando que os jornalistas de serviço “deram prioridade ao que consideraram mais importante”, nomeadamente a uma conferência de imprensa conjunta do PSD com o CDS-PP. Na resposta, o CDS-PP acusou o Conselho de Redacção da RTP/Açores de “atentado à liberdade de expressão”, considerando que o comunicado divulgado por este órgão é uma “tentativa clara de intimidar e silenciar um deputado regional”. “O CDS-PP reafirma todas as críticas que fez à RTP/Açores e a alguns dos seus jornalistas, até porque a prosa utilizada no comunicado do desconhecido Conselho de Redacção é bem a prova da falta de rigor, ética e deontologia de alguns dos seus jornalistas e, consequentemente, a prova do mau jornalismo que temos vindo a denunciar”, refere um comunicado assinado por Artur Lima, líder regional do CDS-PP nos Açores.

O presidente do Governo dos Açores, Carlos César, também se pronunciou sobre este caso, considerando que “os jornalistas têm de compreender que são uma classe profissional como qualquer outra, que é sujeita a críticas, tal como tem o poder de criticar os outros”.

NOTÍCIAS À NOSSA MANEIRA TEXTO / João Rocha / jrocha@auniao.com

TAMBÉM NA POLÍTICA SABER COMUNICAR É UMA ARTE

O jornalismo é uma das profissões onde a margem para o condicionamento (pressão, tentativa de influenciar ou interferir se preferirem) parece não ter limites. Em bom rigor, todos nós queremos a notícia “à nossa maneira”. Quando a comunicação social se cruza com os apetites políticos, é quase impossível a não existência de conflitos. Também na política saber comunicar é uma arte e nada melhor do que tentar passar a mensagem o mais “imaculada” possível. Para isso servem as assessorias de imprensa, a nível partidário, e o Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GACS), a nível governativo. Os meios humanos e técnicos nas redacções, por norma, são escassos e muitas vezes o objectivo da notícia “simpática” acaba por ser conseguido – basta referenciar as inúmeras alegadas notas de esclarecimento do GACS lindas integralmente no Telejornal. Compete ao jornalista lidar com a situação (pressão a valer terá um desempregado obrigado a sustentar a família) e, contra mim escrevo, saber viver harmoniosamente com as críticas sabendo de antemão que há vozes impedidas de chegar ao céu…

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OPINIÃO

O IMPÉRIO DO AMOR E DA PARTILHA TEXTO / Carmo Rodeia

Esta é a segunda feira mais açoriana de todas. Não por ser o dia dos Açores mas por ser a segunda feira de Pentecostes, durante a qual vivemos esse Império maior de Amor e de Partilha, que se renova todos os anos em honra da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, onde quer que esteja um açoriano. Se há traço identitário do povo dos Açores é justamente este: o Divino Espírito Santo marca os rostos e as crenças dos açorianos. Dos que vivem nas ilhas ou dos que, noutras partes do mundo, vivem este dia como se fosse o mais importante do ano inteiro. Trazido pelos colonos povoadores, o culto enraizou-se a partir de Angra e difundiu-se, contagiando a generalidade da população. E, até os primeiros emigrantes açorianos, que partiram para o sul do Brasil no século XVIII, não se esqueceram de levar na bagagem uma prática que, ainda hoje, se celebra em toda a comunidade de Florianópolis com a coroação e o banquete, aberto a todos sem excepção, independentemente da sua condição social e política. É este sentido de partilha e de igualitarismo que importa realçar. Sobretudo, nos dias de hoje! Vivemos tempos difíceis. À crise de valores acrescenta-se agora uma crise económica que leva, cada vez mais, à criação de desigualdades e de exclusão social, sem olhar ao género, à profissão ou à condição social. São tempos de trevas que exigem de todos nós um comportamento diferente e, sobretudo, daqueles que tendo poder de decisão, devem cuidar da coisa pública de forma mais altruísta. A crise é um tempo de estagnação, durante o qual podem existir oportunidades, que só serão reais se quem decidir tiver a Sabedoria e o Conselho certos. No Espírito Santo que hoje assinalamos, na expressão que a Igreja lhe confere como “Aquele que dá a vida”, renovamos a Esperança da chegada de um tempo novo, no qual todos os homens serão irmãos e onde o Espírito Santo será a fonte de todo o Saber e de toda a Ordem que, com os seus sete dons, guiará todas as pessoas.

CEGARAM COMO A AVESTRUZ TEXTO / Tomaz Dentinho

Há dias assisti a uma comunicação sobre a evolução dos países de leste depois da queda do Muro de Berlim. Os gráficos do comportamento do produto per-capita daqueles países a partir de 1990 são impressionantes e demonstram que aqueles que primeiro reestruturaram as suas economias, e porventura mais perderam no ano da mudança, são também aqueles que não só mais cresceram depois mas também os que têm sido menos afectados pelas crises recentes. Muitas instituições públicas em Portugal estão neste dilema. Por um lado conseguem manter-se durante algum tempo

sem se reestruturarem porque o Governo vai ajudando com a redução dos salários. Por outro lado, embora tenham a noção clara que não conseguem sair da crise sem se reestruturarem, não têm coragem de o fazer na ilusão dependente de que alguém os irá socorrer. A administração regional, as câmaras municipais, as universidades, os institutos, as associações e clubes dependentes dos dinheiros públicos, os departamentos, os hospitais, as escolas, tudo parece estar nesta postura de avestruz que não augura nada de bom. Os mais dinâmicos emigram, tentam exportar ou criam novas instituições já que as chefias daquelas onde se enquadram não assumem a sua responsabilidade. É pena que não aprendam com os bons exemplos de alguns países de leste. Na verdade, muitas dessas instituições já teriam recuperado os custos dessa renovação se já tivessem sido reestruturadas há um ano. Preferem a catástrofe em vez da mudança, o colapso em vez da crise que fomenta oportunidades. Cegaram como a avestruz!

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FERRAMENTAS

EXCENTRICIDADES TEXTO / Paulo Brasil Pereira

Em tudo excelente, menos para a carteira!

Outro dia de conversa, uma leitora desta crónica fez-me um reparo: “Só falas de coisas caras, não és amigo dos pobres”. Então cara leitora, aqui vai uma página à sua medida. Muitas vezes sonhamos com uma casa, uma mesa de jogos com o tradicional snooker ou matraquilhos, etc. Mas com a tecnologia a fazer parte do nosso dia-adia, e com os ordenados a aumentarem dia após dia, que tal despender mais de 16.000€ por um simulador de pilotagem virtual? Coisa de crianças, né? O SIMTECHPRO MOTION faz qualquer adulto tornar-se num puto. Este simulador proporciona-lhe todas as derrapagens extremas e balanços de um carro de rali em qualquer circuito mundial (ou

um criado por si). O seu corpo sofrerá todas as inércias, mudanças de força G, Grip, subviragens e sobreviragens como se um F1 estivesse nas suas mãos. Três ecrãs estão à sua frente para proporcionar uma melhor sensação de condução… e se preferir, podem ser a 3D. A estrutura feita em alumínio anodizado irá transmitir-lhe a segurança dos “santos antónios” e a tecnologia irá receber a informação telemétrica do jogo para que em tempo real sinta os movimentos no banco do simulador, banco este que pode ser à sua escolha, desde um F1, WRC, ou até daquele Bugatti que viu uma vez na garagem do vizinho… Está à espera de quê? Diga lá que não ficava bem lá em casa!

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CIÊNCIA / OPINIÃO

CONHEÇA O SEU CABELO

CABELO: PERGUNTAS ESTE PRODUTO É BOM PARA O CABELO? Sou confrontado todos os dias com esta pergunta. A verdade é que tal panaceia universal não existe. Se nos disserem que tal produto é bom para a dor de barriga desconfiamos, já que a forma de tratar dependerá da causa que provoca a dor. Relativamente ao cabelo o mesmo acontece. Importa primeiro se há ou não doença e, no caso de haver, obter um diagnóstico preciso para poder prescrever o melhor tratamento. Assim, por exemplo, preparados de vitaminas e oligo-elementos só melhorarão quem tenha carência dos mesmos. Minoxidil em loção ou finasteride em comprimidos só melhorarão quem tenha alopécia androgenética. Irritantes e corticoesteróides, quem tenha alopécia areata. Antibióticos, quem tenha foliculite decalvante; e assim em diante. Portanto, o produto bom para o cabelo não existe. O CABELO CAI MESMO NO OUTONO? Desde há algum tempo sabe-se que cerca de 70% das pessoas têm queda sazonal, que provavelmente é homóloga à muda de pêlo de outros mamíferos e que é mediada pelas alterações endócrinas que a expo-

TEXTO / Rui Oliveira Soares*

sição à luz provoca. O fenómeno chama-se deflúvio telógeno e corresponde a um aumento do número de cabelos que estão na fase final do ciclo capilar. Também pode ser provocado por outros estímulos como doença, cirurgia, medicamento, pósparto ou até por estarmos mais preocupados. LAVAR MUITAS VEZES FAZ MAL AO CABELO? E PRODUTOS? E FAZER TRANÇAS? E A SECAGEM? Lavar mais vezes o cabelo não faz cair mais cabelo. Trabalhos que comparam, na mesma pessoa, o número de cabelos que caem lavando três vezes por dia e uma vez por semana concluem não haver diferença no número de cabelos perdidos. Também o uso de gel ou amaciadores não aumenta a queda de cabelo. Extensões e tranças, se determinarem tracção significativa, podem aumentar a queda. O uso de secadores normalmente não é prejudicial, excepto se o cabelo não for previamente limpo com a toalha. Secar com secador cabelo muito molhado parte pontes dissulfito, o que altera a resistência e plasticidade do cabelo. *Dermatologista Colaboração: Clínica Médica da Praia da Vitória

TERRA À VISTA TEXTO / Rui Sousa

Desde que me mudei para Leiria que a minha ilha Terceira me parece maior, pelo menos maior do que era quando lá vivi. Por estes lados muito se queixam as gentes dos chamados problemas da interioridade, do abandono das regiões do nosso Portugal profundo em detrimento de um litoral rico e desenvolvido. Os novos partem da aldeia para estudar na cidade e por lá ficam. Voltam nos feriados e até 28 maio 2012 / 08


MONTRA / OPINIÃO

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isso, os feriados, estão em vias de extinção... O interior vê-se reduzido a uma massa humana envelhecida e cada vez mais isolada no mapa. Mais valia mudar o nome de Trásos-montes para Trás-os-velhos... A Leiria em que vivo é povoada por muito poucos leirienses de gema. Por aqui encontra-se gente dos quatro cantos do país sem contar com as várias nacionalidades estrangeiras que aqui assentaram arraiais. Uma manta de retalhos humana que cada vez mais desliza para o litoral deixando tudo o resto

im dit, veniendae molorpo a descoberto, ao simaximod frio. ressund igendis non conessitpor reperae Tendo nascido e vivido tancuptatur? Siminte voluptur? Poreium tos anos numa ilha sei muito bem am, quas mi, voluptus, porrorenise o que sente o interiorasprofundo, pra dolut quam, quia derum, natibuspergunto-me se nós, açorianos, não to illa nonecea cusdam alignimporro seremos vítimas de uma espécie de que ex etum utmarítima, lam lam aut interioridade tipolaborias Beirapedignimenis excea volorro ma derBaixa rodeada de mar por todos os natquam aut molesequata dis repuda lados. sam resera voleceriae magnimpos O que é certo é que o id único interior sum sincit quas alitemod et ipsundi-e que interessa, o mais importante tium explabo. Ebit fugit, sitiaeum eicim valioso, é o interior de cada de dem simus eicit qui aut aut expelit as nós, e este, esteja eu onde estiver, et porio. Offictur? Illauta quatur sa ea há-de sempre cheirar alquiátra lendam Aniatur aut modi cuptat a hortuenses...

28janeiro maio 2012 21 2012//09 09


CIÊNCIA

Jerónimo Francisco COMPOSITOR COM EXTENSA de Lima TEXTO / Luís C. F. Henriques * FOTO / Mike Maciel

O compositor português Jerónimo Francisco de Lima nasceu em Lisboa, a 30 de Setembro de 1743, vindo a morrer na mesma cidade, a 19 de Fevereiro de 1822. Terá, muito provavelmente, entrado como moço de coro para o Seminário da Patriarcal da sua cidade natal pois em 1761 (contava 18 anos de idade) viaja, junto com João de Sousa Carvalho (1745-1800), para Itália a fim de estudar no Conservatorio di S. Onofrio a Capuana, em Nápoles. Esta cidade era um dos grandes centros italianos e Europeus de prática operática tendo por lá passado nomes como David Perez (17111778), Niccolò Piccini (1728-1800), Domenico Cimarosa (1749-1801) e Giovanni Paisiello (1740-1816), colega de Lima e Carvalho no Conservatório. Regressa a Portugal em 1767, assumindo o posto de organista e mestre de música no Seminário da Patriarcal. Esse mesmo ano marca a sua entrada para a Irmandade de Santa Cecília (condição obrigatória para os músicos a exercer a profissão em Portugal), ocorrida a 15 de Dezembro. Para além destes postos também ocupava o

PRODUÇÃO MUSICAL SACRA, CUJA CÓPIA DE UM TRABALHO SEU PODE SER ENCONTRADA NO ARQUIVO CAPITULAR DA SÉ DE ANGRA

posto de cantor, tendo possivelmente ocupado o cargo de mestre de capela da Patriarcal. Da sua produção musical para os teatros régios da Ajuda, Salvaterra e Queluz de destacam-se, entre drammi, serenatas e cantatas, Lo spirito di contradizione (1772), Gli Orti Esperide (1779), Enea in Tracia (1781), Teseo (1783), La vera costanza (1785), Le nozze d’Ercole e d’Ebe (1785) e o Templo da Gloria (1802) entre outras obras. É bastante extensa a sua produção musical sacra, abrangendo praticamente quase todos os géneros, entre salmos, motetes, missas, etc. Destes destacam-se um Magnificat a 4 vozes e um Dixit Dominus a 8 vozes, do qual existe uma cópia no Arquivo Capitular da Sé de Angra (MM 10) existindo também um motete, O Lingua Benedicta (MM 11), obra de clara influência napolitana. * www.luiscfhenriques.com

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MESA

Saber Saborear Sabores Simples TEXTO / Joaquim Neves

Olhou para mim desafiadoramente, enquanto batia ritmicamente com os dedos na mesa.

Sabores Do Chef

«Acolhedor de tons terra e verde-escuro seco, elegante, certa privacidade de olhares de quem passa na rua oferecida por vimes junto às janelas, original, cozinha aberta em aquário, restaurante sugerido, comentado, bem avaliado.» Expressões que me acompanhavam na visita ao Sabores do Chefe. Se a comida é boa ou má, geralmente meus amigos escusam-se de me sugestionar. Também não critico de forma mal intencionada. Nem de ânimo leve digo o que não me agrada. Fui jantar sozinho. Aborrecido, pedi à minha imaginação que convidasse alguém para me fazer companhia. Fiquei surpreso com a visita: Sharon Stone. - Trouxeste aquele modelinho bege que tanto gosto, já não o vestias há muito tempo? Perguntei sorrindo meio irónico. Sentou-se, respondendo à provocação puxando por um cigarro e intencionalmente não cruzando as pernas. - Não podes fumar – disse. Sorrindo só olhou para mim. – Que é que estás a comer? – perguntou-me para desviar a conversa que acabaria sempre em pedir mais um copo de whisky com bastante gelo. – Uns folhados de queijo de cabra com doce de maracujá. Dei-lhe a provar. – Gosto do doce – sem mais mergulhou a ponta do dedo no meu prato e voltou a provar. – Sim está mesmo bom, quanto ao folhado… precisa de mais atenção, está demasiado seco, precisa de ser mais pincelado talvez,

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MESA

ou fazer a massa na casa? Olhei para ela, não suporto americanos metidos a tentar denegrir seja o que for no meu país. – Sim – respondi com o ar mais natural do mundo. – A vaca quando chegou ao talho sucumbiu de susto devido à idade? Perguntou-me sarcástica. – Porquê que não vais meter mais gelo no whisky? – perguntei. Respondeu-me – Para quê, queres conservar o “filet” para futuras pesquisas? Ou chamas a isso “filet mignon”? E essa cama de pão, empapada, vais-me dizer que não houve tempo de selar o pão, e esse queijo meio derretido que tipo é? Já meio irritado, sentimento que ela consegue sempre arrancar-me, principalmente quando estou num restaurante com ela e começa a ligar aos detalhes, pedi a sobremesa. Dei-lhe a provar um dos suspiros em molho de limão. – Isto deve ser uma piada não? Olhou para mim desafiadoramente, enquanto batia ritmicamente com os dedos na mesa. – Porquê? Perguntei desentendido. – Porque nunca vi suspiros, colados por em creme de limão um ao outro e chamarem isso de sobremesa – respondeu-me oferecendo-me um sorriso sarcástico, atrás de uma leve irritação que quase a levou a cruzar as pernas. - Isso só pode ser porque vocês lá nas américas têm a mania que tudo é só pavlov e merengue italiano e nem distinguem uma cenoura de um pepino se não vier descrito numa embalagem – afirmei provocando. – Eu dou-te um “pav” com “love” à italiana. Eu distingo, e se queres saber mais eu até te explico onde… Pedi à minha imaginação que pedisse a conta. Que veio na realidade. Tirei umas fotos e fui-me embora. Apetecia-me um whisky sem gelo. Nota: Sabores do Chefe, Praia da Vitória.

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Sobremesas acabadinhas de fazer

Receita

Agnolotti: faça você mesmo

Ingredientes: 500g de farinha de trigo. 3 gemas. 1 ovo. 1 pitada de sal.1 chávena (chá) de água morna. Recheio: 500g de pernil de vitelo desossado. 500g de lombo suíno. 200g de queijo parmesão ralado. 1 maço de espinafre cozido, espremido e picado. 2 ovos. 1 cebola fatiada em rodelas. 1 cálice de vinho tinto. 3 colheres (sopa) de azeite. 1 ramo pequeno de alecrim. Noz moscada. 1 litro de caldo de legumes. Sal e pimenta do reino a gosto Modo de preparo Recheio: Refogue as carnes no azeite com o alecrim e a cebola, tempere com sal, adicione o vinho e deixe o álcool evaporar. Junte 3 conchas do caldo e cozinhe com a panela tapada por cerca de 2 horas, até as carnes amaciarem (se necessário, acrescente mais caldo). Passe as carnes pelo moedor ou processador e misture com o espinafre, o parmesão, os ovos e pimenta e noz moscada a gosto. Ajuste o sal e reserve. Massa: Forme um vulcão com a farinha, cave um buraco no centro e adicione as gemas, o ovo, o sal e a água aos poucos, enquanto trabalha a massa, até ficar lisa. Com o rolo da massa, estique até obter uma folha bem fina de massa (cerca de 3mm) e corte-a em tiras compridas com cerca de 8cm de largura. Distribua pequenas porções de recheio no meio da tira, mantenha espaço entre elas, e dobre-as ao meio, cobrindo o recheio. Com um cortador dentado ou carretilha, corte os agnolotti, destaque-os e belisque as pontas com firmeza para fechar bem. Cozinhe em água a ferver abundante com sal até que subam à superfície e escorra. Sirva-os em seguida.


PALAVRAS

PÓRTICO TEXTO / Ângela Almeida

Jurámos tudo os salgueiros que acendem o silêncio, A voz do canto serpenteado no vento, as manhãs do rosto, a sede dos lábios, o murmúrio da pele surda. Dissemos querer tudo: a gestação do sonho, a viagem breve dos olhos, o chilrear livre das praias, a vertigem lúcida nos oceanos, o beijo da vaga na nossa certeza. Plantámos árvores e perpetuámos a nossa vontade de ver

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as folhas alegres e seguras nos ramos que amamos. Nunca teremos, ante o sorriso contemplativo, o envelhecimento das raízes. Doer-nos-ia mais isso que a secura das marés. Contemplaremos sempre os salgueiros, acreditando que a ironia da felicidade nunca poderá cegar a palavra que prometemos. Eternamente.


CONSUMO/OPINIÃO

VOOS COM GARANTIAS TEXTO / ACRA / Angra do Heroísmo

As recusas de embarque, o cancelamento ou atraso de voos aéreos causam sempre grandes transtornos e aborrecimentos aos consumidores. Cabe às companhias aéreas minorar ou resolver as consequênciasdestassituações, suportando os custos inerentes. Tal só não acontecerá se a companhia provar que tudo fez para

evitar o problema o u este ocorra por u m chamado motivo de força maior, como uma tempestade, por exemplo. Os atrasos estão claramente definidos na legislação: - Duas horas ou mais em voos até 1500 km; - Três horas ou mais em voos intracomunitários com mais de 1500 km, ou outros voos entre 1500 e 3500 km; - Quatro ou mais horas para voos de maior distância. Perante os atrasos, são obrigações da companhia aérea: - Oferecer aos passageiros refeições e bebidas tendo em consideração o tempo de espera, duas chamadas telefónicas, mensagens via fax ou correio electrónico; - Quando a partida só ocorra nos dias seguintes ao previsto oferecer alojamento em hotel e transporte entre o aeroporto e o local de alojamento. Quando o atraso for de pelo menos quatro horas, pode decidir não viajar tendo direito, no prazo de sete dias, ao reembolso do preço do bilhete e a um voo de regresso ao ponto de partida caso já tenha efectuado parte da viagem. O reembolso terá de ser dado ou para a parte da viagem não efectuada, ou para a viagem total (incluindo a já realizada) se o voo já não se justificar em relação ao plano inicial de viagem.

VIAGENS Ao cerne das coisas IV

DESCOBRIR PORTUGAL TEXTO / Antonieta Costa *

Cromeleque dos Almendres

Embora possa parecer pedantismo reaccionário, a verdade é que, depois do fundamentalismo histórico que grassou em Portugal durante a ditadura (e não só), onde tudo o que havia para descobrir já o tinha sido feito, falar em outros povos habitantes do território nacional (para além dos já admitidos e enquadrados num buraquinho da história), foi sempre considerado crime de lesa pátria. Posteriormente chegou a altura de aceitar os romanos, a quem se julga dever grande parte do legado histórico português, segundo rezam os cânones. Mas para trás desses 200 anos antes de Cristo é como se não houvesse mais nada… os Celtas, por exemplo, que agora têm a validar a sua estada na península os resultados de uma importante investigação genética, eram anteriormente considerados quase como inexistentes na península (para além de assunto tabu). Porém esses também poderão em breve ceder o lugar de “primeiros habitantes” a alguém que é dono de uma antiguidade assustadora: os Neandertais! Com efeito, os Cónios, uma população que vivia numa zona do Sul, Algarve e Alentejo, terá tido essa origem! Viajar pelo país pode agora significar quase uma viagem no tempo, de tal modo o território português está a abrirse às emoções dessas novas descobertas. Marcando uma identidade tão múltipla e rica que pode aumentar o conceito de “Portugal” até ao infinito, viajar para dentro torna-se uma exigência étnica. * Historiadora

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OPINIÃO

GIULIETTA MASINA TEXTO / Pe. Teodoro Medeiros

A resposta é simples: Giulietta Masina. Porquê? Porque é muito difícil não gostar de uma atriz que fez de Jesus Cristo em todos os seus filmes. Bem, pelo menos aqueles que eu “vi”. Por, digamos, inerência de cargo, a esposa de Fellini estava ligada ao melhor realizador que já existiu. Mas não falemos do marido. Comecemos por “La Strada” (há aqui qualquer coisa que não funciona em português): o neorrealismo no seu melhor (mil perdões DeSica!) e o filme que corresponde ao evangelho de Marcos. Esclarecendo: a teologia sobre a Paixão não está ainda tão desenvolvida como nos outros. Segundo esclarecimento: não me parece que Fellini tenha pensado neste paralelismo. Mas é por isso que a arte vale a pena. Voltando ao filme: Giulietta surge grande, majestosa porque o seu papel é de uma criança vendida pela própria mãe a um saltimbanco. A pureza absoluta e o auto-sacrifício são oferecidos sobre o altar da maldade. O papel redentor é desempenhado até às últimas consequências. O filme, leve e alegre, conhece um final triste e drástico. A figura redentora é destruída pelo mesmo fogo que antes não a consumia: não em vão, mas sem uma ressurreição plenamente assumida ou pentecostes. Marcos também é poderoso sem esses elementos. “As noites de Cabíria” referem-se à vida da prostituta mais angelical que o mundo já conheceu. Não pretendo ser original ao comparar uma tal figura a Cristo, alguém se encarregou de as colocar no Reino dos Céus em primeiro lugar. Retrato da inocência mais absoluta, ingenuidade autêntica e paradoxos semelhantes aos dos Evangelhos. Aqui é Mateus: a elaboração mais esquemática de uma teologia estabelecida: a redentora

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regressa majestosa do seu ato de abnegação (como Jesus que morre de forma triunfal apenas neste Evangelho). “Julieta dos Espíritos”: a ousadia de pôr uma protagonista a fazer de si própria? Uma mistura de ficção e realidade? Julieta é casada e desconfia que o marido lhe é infiel: tenta descobrir a verdade, tenta emanciparse, tenta saber estar neste mundo e vencer mas acaba por rejeitar esses métodos e voltar ao papel de esposa submissa. As feministas devem achar o filme abominável mas uma identidade é uma identidade. É em Lucas que o filho pródigo rompe com tudo o que é aceitável; é também exclusivo desse evangelista o “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Aquele que encarna o verdadeiro mundo parece não ter a dignidade de si mesmo. Está espezinhado, mas não era isso mesmo que ele queria? Se Sandra Milo foi mesmo amante de Fedú, então sim, aquele personagem messiânico era, de facto, ela mesma. Fellini recebeu um Óscar pela sua carreira em 1993. Durante o seu discurso de agradecimento teve de dizer o inesquecível: “-Giulietta, please stop crying!” que pode ser revisto nessa bíblia de memórias chamada youtube. Ele morreu em 1994 e ela faleceu 5 meses depois. Tem o significado que lhe queiras dar. Há quem ache que a sétima arte é para entreter: por isso mesmo é que temos grandes filmes que ninguém vê e coisas sem alma que geram milhões. Falta pathos, falta realidade: não há silêncios de transformação interior... nem sequer há sofrimento porque o herói pode tudo. São bons filmes, concordo. Mas não são cinema.

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ESPÍRITO SANTO DA IGUALDAD


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De facto, basta observar a atitude transmitida pelo Culto do Espírito Santo (E.S.), para se perceber a presença de uma mensagem oposta ao senso comum, no que se refere aos fundamentos da ordem social baseada na “Igualdade”. De modo subliminar e pouco aparatoso, mas tão nuclear que nunca desapareceu da sua prática, mesmo tendo de arrostar com as proibições e condenações da Igreja oficial ao longo dos séculos, esta mensagem contém um valor transcendente ainda não assimilado (no sentido de aceite) quer pela Igreja oficial, quer pela restante sociedade. De tão revolucionária que é, dá a impressão de passar despercebida mesmo dos próprios proponentes: o povo. No caso particular ou religioso, trata-se da atribuição ao homem comum (num sistema rotativo) da gestão filosófica, prática religiosa e destinos do Culto. Este já é em si próprio um passo desmedido, considerando o historial que documenta o contacto do ser humano com o plano metafísico, sempre pontuado por uma mediação de pessoas que o grupo distingue como “diferentes” das demais, destinadas quer por vocação, por dotes espirituais ou por preparação especial, a essa tarefa.

TEXTO / Antonieta Costa* FOTOS / João Costa

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DESTAQUE

Trata-se de uma posição generalizada a todos os tempos e culturas. Ponderando tal passado histórico, a substituição desse modelo pelo das Irmandades do Espírito Santo, onde é o homem comum a assumir esse papel, pode ser considerado como uma revolução na história religiosa da humanidade. A proposta de con-

ponha ao funcionamento da “mão invisível” (Economia, Adam Smith, 1776/1981), aqui personalizada pelo valor “Igualdade”, com o qual cada Irmandade se compromete (por estatuto), o Culto reafirma na prática a exactidão do princípio da capacidade organizativa, existente em todos os organismos.

RITUAIS REVELAM O COLECTIVO

cessão da dignidade de interlocutor com a Divindade, entregue ao homem comum é, de facto, uma originalidade no contexto religioso. ORDEM SOCIAL Mas olhando ao contexto social, ou ao conteúdo mais geral implícito neste modelo, verifica-se que ele se baseia num princípio que, afinal, já está presente na natureza a todos os níveis, assim como nas sociedades: o de que a responsabilidade pela “ordem social” não só pode, como deve ser partilhada e gerida por todos os membros do grupo. Está na mestria desta prática exercida pelo Culto do E.S. ao longo de séculos a comprovação da exequibilidade do modelo. Ter a Igualdade Social como suporte de um paradigma que se opõem ao hierarquizado, estabelecido pelo senso comum, não é em si uma novidade, visto já ter sido abordado em diferentes períodos históricos, por idealistas e filósofos, ganhando a definição de “utopia”, ou de ideal não concretizável, devido ao insucesso das várias tentativas (e.g. o Comunismo). No entanto, a novidade que o Culto do Espírito Santo apresenta, através da sua prática multissecular, é a de que o valor Igualdade Social pode funcionar como modelo organizativo de uma sociedade, a exemplo do que se observa a outros níveis de organização. Ao exibir um padrão de comportamento ordenado, compatível com o princípio geral de auto regulação de toda a matéria (Química, Prigogine e Stengers, 1984) e, aparentemente, impedir que o “interesse próprio” se sobre-

DINÂMICAS DO COLECTIVO Por outro lado, as experiências realizadas ao longo de cerca de dez anos, sob a orientação de Serge Moscovici (Psicologia Social, 1970s), testemunharam que a ordem social é construída através da interacção entre os vários grupos componentes da sociedade, com a influência a circular entre os indivíduos em todos os sentidos, no horizontal tanto quanto no vertical, não havendo dominância de nenhum deles. Desta constatação, que vem contradizer o senso comum e mesmo estudos anteriores, sobressai o facto de que, no processo social, ou seja, na construção da sua realidade, todos os membros de cada grupo, tanto as maiorias e seus líderes como as minorias, actuam na definição da realidade em que vivem (embora dê a ilusão de que são os “chefes” a conduzir as massas). A conjugação destas várias informações permite uma leitura do princípio defendido e revalidado pelo Culto (Igualdade Social), como fa-

O BODO COMUNITÁRIO

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zendo parte do processo “normal” de construção social da realidade e de crescimento social do ser humano, na sequência da evolução do estado animal (onde a dominância do mais forte, ou mais apto, era regra) para o espiritual, o qual lhe permite atingir a ordem social a partir da negociação de ideias e dinâmicas do colectivo. A LINHA DO FUTURO O sucesso da actuação auto reguladora observada no Culto, durante um tão vasto período de tempo, pode dever-se à aplicação deste princípio. Mas a compulsiva fixação da restante sociedade na inevitabilidade de um “líder” impede que a compreensão deste facto (de que é o circuito de influências de uns sobre os outros que regula o sistema) siga o seu curso normal. Nesta “cegueira cultural” estará parte da responsabilidade pela estagnação em que se encontra o processo evolutivo da humanidade, com consequências de desagregação das suas escalas de valores. As vantagens que a nova proposta poderia trazer ao reformular das sociedades humanas, uma vez libertas da distorção da realidade ou da oposição ao seu funcionamento “normal”, são inimagináveis. Embora a acção do Culto possa vir a ser reconhecida como experiência notável, a sua transposição para o meio social poderá nunca acontecer. A humanidade poderá nunca conseguir a compreensão dos princípios que regem a sua ordem, e perder assim essa oportunidade de evoluir. Porém, a mera existência da prática do Culto do Espírito Santo, testemunhando a capacidade estruturadora do ideal “igualdade social”, mesmo que este nunca transite para o social, marca a excelência do modelo e indica a linha de futuro. Moscovici, Serge; Psychologie des minorités actives, University Presses of France, 1979. Prigogine, Ilya; Stengers, Isabelle. Order out of Chaos: Man’s new dialogue with nature. Flamingo. 1984. Smith, Adam; Riqueza das Nações. Lisboa: Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1776, 1981.

* CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória», Faculdade de Letras da Universidade do Porto. *Este artigo versa parte da temática a ser discutida no V CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE AS FESTAS DO DIVINO ESPIRITO SANTO, a ter lugar na Ilha Terceira, de 31 de Maio a 3 de Junho de 2012.

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Revista U Rua da Rosa, 19 9700-144 Angra do Heroísmo tel. 295 216 222 / fax. 295 214 030 Email u@auniao.com Director Marco Bettencourt Gomes Editora Humberta Augusto Redacção João Rocha, Humberta Augusto, Renato Gonçalves, Sónia Bettencourt Design gráfico Frederica Lourenço Paginação Ildeberto Brito

Colaboradores desta edição Adriana Ávila, Ângela Almeida, Antonieta Costa, António Lima, Carmo Rodeia, Elvino Vieira, Frederica Lourenço, Gabriela Silva, Hélder Fonseca Mendes, Joaquim Neves, José Júlio Rocha, Lino Borges, Luís Brum, Luís C. F. Henriques, Mike Maciel, Paulo Brasil Pereira, Rildo Calado, Rui Oliveira Soares, Rui Sousa, Teodoro Medeiros e Tomaz Dentinho. Contribuinte nº 512 066 981 nº registo 100438 Assinatura mensal: 9,00€ Preço avulso: 1€ (IVA incluído) Tiragem desta edição 1600 exemplares Média referente ao mês anterior: 1600 exemplares

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ENSAIO

AS ESTAÇÕES DO DO ESPÍRITO TEXTO / Hélder Fonseca Mendes FOTO / Luís Brum

A Casa No capítulo II do livro dos Actos dos Apóstolos, quando se narra a experiência do Espírito Santo, no Pentecostes, entre os vários lugares referidos, o primeiro é curiosamente a casa, só depois vem a cidade, onde se cruzam todos os povos. Assim vemos que a experiência do Espírito começa num sujeito pessoal, numa atitude de fé, que se manifesta simbólica e materialmente. Deste sujeito passa à sua casa, entendendo-se casa por linhagem, e daqui alarga-se aos parentes e vizinhos. Então, o Espírito Santo acontece na casa daquela família, que, em princípio, é ou será parte de uma irmandade do Espírito Santo, juntamente com outras famílias da comunidade. O principal do fenómeno, o menos mediático, acontece na casa: um quarto, um trono, um altar, os símbolos do Espírito Santo, a oração, o convívio alegre e fraterno, as esmolas, o jantar, como «função» imputada ao imperador. Tudo isto é possível fazer-se por iniciativa pessoal e familiar sem grande interferência da irmandade (império), e sem qualquer escândalo para esta, muito menos para a paróquia. A casa, o império e a igreja não são lugares concorrentes do Espírito, mas concêntricos. Sublinho com maior insistência este aspecto, porque parece ser o menos conhecido. Merece respeito e pudor tal como tudo aquilo que é próprio da intimidade. Essa presença e experiência, nas casas, são largas no tempo – sete semanas. O fenómeno é de uma discrição, simplicidade e ubiquidade tais, que escapa a um investigador que não possa respeitar o ritmo de tais batimentos. O Império A segunda estação é o império como lugar e como agregação de irmãos que partilham a mesma fé, o mesmo ideal e a mesma prática, salvaguardando assim o que por si, individualmente, poderiam não assegurar.

A festa do Espírito Santo começa no coração humilde de um crente, enchelhe a casa de alegria, e passa para o império no terreiro. Faz-se na Igreja, lugar de comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Desce à cidade, ensaiando um novo modo de vida, a que se pode chamar, na globalidade da dinâmica, Império do Espírito Santo. O império (em sentido terceirense, não mariense), por um lado, é quase um lugar paralelo à casa familiar onde a festa acontece, por outro, é o fontanário, a casa do Espírito Santo (em sentido florentino ou corvino) ou da irmandade para onde tudo converge. É como um ciclo concêntrico. A articulação entre casa e império é muito diversificada. Há casos em que o império é que faz a festa, independentemente das casas dos irmãos. Outros, em que a festa é assumida nas casas particulares, sendo o império um suporte quanto à custódia das insígnias e à realização dos festejos de carácter público mais alargado. A figura do imperador não trata directamente do império, mas da casa,

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ENSAIO

onde acontece a experiência religiosa, de reconhecimento agradecido por algo de extraordinário acontecido. O imperador nasce em casa, sendo reconhecido no império. Ao império cabe-lhe ter um mordomo, no verdadeiro sentido etimológico do termo, aquele que é mais responsável pelo cuidado da casa comum do Espírito Santo e dos irmãos, ou então um procurador, tal irmão mandatado e reconhecido por todos os membros da Irmandade para a representar por tempo determinado. O imperador brota da casa espontaneamente, por sortes (pelouro) ou por voto próprio (promessa). O mordomo ou procurador são lugares de governo da irmandade que não interferem no quadro familiar, totalmente autónomo da gestão do império. Ao império cabe-lhe organizar em cada semana do tempo pascal ou mesmo durante todo o ano a distribuição da coroa, assegurando-se de que os irmãos garantam a prática do culto do Espírito Santo, sejam como zeladores e ou simples irmãos de pelouro.

Império do Outeiro, em Angra, séc. XVII

A Igreja Apesar do Espírito Santo não ter dono, é como o vento, diz o evangelho de João, é de relação pessoal directa, é dos irmãos, é da Igreja. O Espírito Santo é Deus, a Quem (e em Quem) se reza tal como ao Pai e ao Filho. No dizer de São Cipriano, autor do século III, no Tratado sobre a Oração Dominical: «o sacrifício mais agradável a Deus é a nossa paz e concórdia fraterna e um povo cuja união seja um reflexo da unidade que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo». Quer dizer que se o Império é obra do Espírito Santo, a Igreja não pode ser obra de outro autor (cf. Act. 5, 39). Foi precisamente por se desejar, desde o século XI na Europa, com os monges (de Joaquim de Fiori) e, depois, os franciscanos (nos Açores, a partir do século XV), uma Igreja mais

espiritual, santa, evangélica e fraterna, que apareceu o Império do Espírito Santo. Império do Espírito Santo e Igreja não se podem dar mal na substância. A Igreja será melhor quanto mais Império do Espírito Santo for. O Império do Espírito Santo será mais Igreja quanto mais se sentir povo de Deus chamado à santidade e à justiça todos os dias. O Império do Espírito Santo aparece para que a Igreja seja mais perfeita, e espiritual, menos mundana e carnal. Neste sentido é que o Império do Espírito Santo é sempre uma provocação saudável à Igreja toda, pois ela está chamada à pobreza e à inocência, como à partilha e à abundância, à alegria e à festa, como à santidade e à justiça, frutos do Espírito Santo. Eis a alma e o autor do culto popular.

O império é obra do Espírito Santo

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FOTÓGRAFO

AS ALEGRIAS DO VÍCIO TEXTO / António Lima FOTO / Lino Borges

“A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor” - Margaret Mead Alguns momentos de fraqueza que alimentam a alma, libertando-a de um mundo sólido de apatia cinzenta. Sempre, o êxtase em celebrar com toda a impunidade a alegria inebriante de um paraíso artificial. Às vezes, moléstia quando afecta de forma evidente a nossa capacidade de autodeterminação. Para todos, benesse imerecida no combate à apatia de todos os dias, muitas mais são as perspectivas que afectam a noção do vício termo que surgiu como uma nova construção

no século XIX. Actualmente, o valor dos meios químicos de prazer cresceu significativamente, a par da sua influência económica, social e cultural, sem precedentes, sendo que desde sempre existiu uma demanda pelo prazer químico. Mas só com o advento de uma revolução técnico cientifica essa noção passou a ser rotulada de “a doença do vício”, com todos os seus estereótipos do viciado como exemplo da degeneração física e mental. Reconhecer a sua influência possibilitou à ciência a obtenção de novos dados sobre a consciência, memória e imaginação da mente humana, as quais permitiram melhorar a identificação e o reconhecimento de patologias de sofrimento individual. O vício permeia vastos domínios da subjectividade, uma ampla prospecção do mundo contemporâneo, e torna-se fácil reconhecer as formas impróprias na sua promoção e divulgação pelos diversos agentes económicos, modificando de forma algo casual e imperceptível a nossa liberdade.

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OPINIÃO

O SILÊNCIO DOS INOCENTES TEXTO / Pe. José Júlio Rocha

A história é verdadeira, embora alguns pormenores já tenham passado para a banda de lá do esquecimento. No dia da primeira comunhão daquele ano, já longe, por toda a paróquia, não se falou de outra coisa. Um sobressalto íntimo, uma espécie de tristeza colectiva e solidária percorreu muitos habitantes daquela terra. Nesse dia, os mais blasfemos deverão ter pensado que Deus, em vez de ter descansado no sétimo dia, deveria ter rematado algumas arestas respeitantes à misericórdia, tais como nunca deixar que os filhos morressem antes dos pais ou que os pais morressem durante infância dos filhos. João é o nome fictício de uma criança a quem a mãe tinha morrido, assim, de repente, uns meses antes da sua primeira comunhão. Julgo que aos seis ou sete anos uma criança não apreende a dimensão fatal da morte e acomoda-se mais suportavelmente à ideia de que a mãe foi ter com Jesus. Mas o João chorava muito na escola, pelos intervalos adentro, nos cantos escondidos e nas casas de banho, um chorar baixinho e rouco, como a sua voz, envergonhado e de um tal desamparo que só as pedras não notavam. Falava imensas vezes da mãe e perguntava se o céu era muito alto. O João sabia que, no dia da sua primeira comunhão, ia receber Jesus. A igreja, como sempre por essas ocasiões, cheia como um ovo. Os cânticos do grupo coral a solenizar a missa e o sermão quase eterno do padre a demorar, como muitas vezes, a cerimónia. A celebração continuou, bem ensaiada, os meninos engravatados ou com “papillon”, como se usava, as meninas brancas como anjinhos. Os pais, solenes e comovidos. No abraço da paz, o sacerdote convidou as crianças, que eram muitas, a dar um beijinho aos pais. Aconteceu, então, o inevitável. Muitos presentes viram o João sair do seu lugar e descer o corredor central, a olhar para um lado e para o outro, como se estivesse à procura de alguém. Há quem afirme que o viu chegar até ao guarda vento. Quem jure até que o ouviu chamar pela sua mãe, mas isto podem ser coisas que as pessoas acrescentam depois do facto. O certo é que todos perceberam tudo, quando viram uma senhora bondosa e comovida trazê-lo para cima, pelo corredor central, com as mãos sobre os ombrozinhos do miúdo, a segredar-lhe algum conforto aos ouvidos. O João vinha com as mãos a tapar o rosto, que se via muito vermelho, a chorar: de mágoa, de desilusão, de desgosto, ou simplesmente de vergonha por aquilo que, impulsivamente, tinha feito, ainda hoje não sei. Sei que chorou. E as lágrimas inocentes de uma criança são, como escrevia Dostoiévski, matéria mais que suficiente para levantar um porquê a Deus. Agora à distância de mais de 35 anos, julgo que, para o João, o Jesus que ele ia receber, e que lhe ficara com a mãe, talvez a pudesse trazer de visita no dia em que vinha ter com ele. Nunca lhe perguntei nada sobre o que se passou naquele dia. Nutri sempre por esse acontecimento um respeito sagrado, mítico, até porque, por mais voltas que desse à cabeça, não concebia nada mais doloroso do que perder a mãe. Agora, já na casa dos quarenta, olho para esse acontecimento com imensa ternura e um picozinho de comoção. Quando somos crianças e nos ensinam coisas sérias, acreditamos em tudo. Quando há coisas que não compreendemos, procuramos sempre a solução mais simples. Lembro-me de um velho rádio, um majestoso Nordmende, anos 50, que meu pai acendia para ouvir as notícias ou os relatos de futebol. E de olhar lá para dentro, através dos buraquinhos de platex da parte de trás, para ver se as pessoas estavam lá dentro. Estou tentado, da próxima vez que encontrar o João, a perguntar-lhe se viu a sua mãe entre as pessoas da igreja. É essa a única resposta que me interessa. 28 maio 2012 / 25


PARTIDAS

NO MEU CAIS TEXTO / Gabriela Silva* FOTO / Elvino Vieira

No meu cais há muitos destroços! Dele, parti inúmeras vezes à procura de mim, das verdades que imaginei, de pessoas sofridas dentro da alma sôfrega da minha adolescência e mais tarde, na idade madura, das minhas asas partidas pela deceção. Partir é encher-se de coragem para mudar. De alguns lugares, a partida física é difícil mas quando se tem um objetivo, quando o sonho é maior que o medo, nada nos detém. Em pequena, ouvia falar de partida como uma fatalidade. O emigrante das ilhas que partia a salto, em baleeiras que demoravam semanas para aportar ao El Dorado, os baleeiros que partiam à procura dos cetáceos que alimen-

tavam famílias e que, muitas vezes, não voltavam nunca mais. E tinha medo. Às vezes, deslocava-me à “vigia” de onde se avistavam as baleias e aquele imenso mar, mesmo ali á minha frente, parecia-me uma imensa provocação. Ao medo e à aventura! Mas nos dias de vapor, chegavam à ilha pessoas, que cheiravam a mundos estranhos, homens sorridentes, com grandes pastas, que mostravam coisas novas. Eram arautos do progresso, mensageiros de novidades. Os barcos de carga, transportavam do navio ao cais, algumas coisas que fariam a diferença para nós, nas semanas seguintes: açúcar ao quilo, farinha, tudo ao quilo, pesado a rigor e embrulhado em papel pardo que se guardava, dobrado religiosamente, para reutilizar. Algumas vezes, vinham emigrantes! Traziam navalhas de falquejar, águias de oiro cintilante e anéis grandes no dedo “mindinho”. Contavam histórias fantásticas de enormes “buldingues”, fartura, trabalho bem pago, vida mais fácil e salários a tempo certo. Eram vozes que convidavam subtilmente a partir, a arriscar! E toda a gente tinha sonhos e suores frios quando pensava em deixar a pequena terra onde nascemos, à procura de futuro em terreno tão incerto como este passa-palavra de quem chega a uma terra pe-

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Se a felicidade tivesse morada, já teria sido encontrada, estou certa. Mas não pensei nisso. E continuei à procura Partir, nas asas de uma “ganhoa” ou num barco de pesca

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4 11 18 25 — S — 5 12 19 26 — T — 6 13 20 27 — Q — 7 14 21 28 — Q — 8 15 22 29 — S 1 9 16 23 30 — S 2 D 3 10 17 24 31 —

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os quais salvaguardaram,

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foram disponibilizadas

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Designação

referentes às Danças

Contribuinte n.º Quant.

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3 10 17 24 31 4 11 18 25 — F 12 19 26 — 6 13 20 27 — 7 14 21 28 — 8 15 22 29 — 9 16 23 30 —

FEVEREIRO

7 14 S — 8 15 T 1 9 16 Q 2 Q 3 10 17 S 4 11 18 S 5 12 19 D 6 13 20 S — T — Q — Q — S — S — D F S T Q Q S S D

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MAIO

9 16 23 30 2 3 10 17 24 31 4 11 18 25 — 5 12 19 26 — 6 13 20 27 — 7 14 21 28 — 8 15 22 29 —

AGOSTO

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7 14 21 28 S — 8 15 22 29 T F 9 16 23 30 Q 2 Q 3 10 17 24 — S 4 11 18 25 — S 5 12 19 26 — D 6 13 20 27 —

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7 14 S — T 1 E 15 9 16 Q 2 Q 3 10 17 S 4 11 18 S 5 12 19 D 6 13 20

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No novo hospital Título Aqui SALA DE CULTO SEM QUEIXAS

OPINION ARTICLE HEADLINE COVERAGE

ci piscit verro quibus repre magnat magnam sunt dis nam quo dolorum quature scitium quatesto mos alicti rendiae similibere, cus, simusant, sae cum as sam ipiende rfernam se pro eicatibea quosa nonsed evendamet maximpo reicabo ritibusci sequostia nobitae ctoribu sciaeca boratquatem arum re repudit voluptate sus quiasi apereri onsent aliquatem illiquis est, sam qui demporporpor as dolectis aut quisque molupti assincti sit, ut labo. Bis derchil ilitam sit ped mi, officab ipsant est veleseq uodiamus es ilibus, ommoluptatur aci andam et alit TEXTO / Frederica Lourenço IKEA KNÄPPA DIGITAL CAMERA aut volorep ellendaero dolore mod et Corat res et pore, siminis et debitas ulparum incias molorro to blaboria I am a fan dolorem of imporrundis denihil iundis simoluptate nostion sectene vent vid explacias am, seque dolupta tem- undam ium qui quide consed quisqui quaspellandi debis a non eatur, im sequatus magnien imint, que re quo lam reped ut aliquo omnit aut quae- moditate volore laut asitatus, quiaTEXTO / Frederica Lourenço cea voles aut occus ut quatem diation temos que venet restia quia corunt. poratem excearumquid queésequaere Ciendio con rehenis ipsuntque ullupta si Possivelmente a utilidade nenhuma. Já a originalidade é tanta, só por nonseque niet explitio blabo. Bo. Nam,denet dolore nos assitatqui rerrovi diisso vai ser, concerteza, um sucesso vendas. te sant exerit remodit volore nimod cidunt, rectiumque rem que A ideia partiu dos ateliers de design da IKEA:quatur somaram câmara fotográfimagnatat adi quorevestiram-na commolecturdenetur? eicae voluptiore ca digital aanit ecologia, cartão,Acerum adicionaram-lhe 2 pilhas miAA aut ium non pedignam invelenim vonihillabo. Vitatus, omnihicitate nihilit e pronto, ficou incrivelmente gira. Tem um capacidade de armazenamento luptat. Hillabor alibea com con repremquid ut etnão volor quam essunti para 40 fotografias resolução dequi 2.3MP, temaudae ecrã de pré-visualiendes sande dunt eaturibusdam aut ossum, omnim hic totat. Uga. Itatem zação, mas oferece-nos um pequeno buraco no papelão para espreitar. E rest rernam eatem dolo tem.um Lesciam evelectur depois bastaquid termos umasunditasped entrada USB alibus no computador, cabo e pronto, já que mi, odion por as arciae Itati- sociais. sanihiciae pos porum, si temporr ovipodemos publicar fotosmaio. nas redes bus, si odit ist,ainda quae não ditatem nes Foi dunt iatqui utenis nis et voPor enquanto está nos à venda. lançada em Milão emvolupiene Abril passadignatur, quaepro dustibus eatem lupta denduci llaces sinum, occus aut do, tendo sido incluída no kit de imprensa de um evento e distribuída pelos quis auta aliatiatum volorerum, volendi blaborem fugiaecupici jornalistas presentes. net Agora, está na fase de enamoramento com o público, consed que rere occuptature experou melhor, do público por ela.

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07 28 maio 2012 / 28


CULTURA

SOLAS P’AS DESCALÇAS Elementos Fundada em 2006 em S.Vicente Ferreira, em S. Miguel, a cooperativa cultural Descalças tem actuado no âmbito da criação e produção artística, principalmente nas

COOPERATIVA áreas musical, teatral, cinematográfica e literária, sendo responsável pela Casa Descalça a funcionar em Ponta delgada. Neste espaço, para além de produções culturais

SEIS ANOS DE VIDA regulares desenvolvem oficinas de formação e promovem a edição de livros e música. Após seis anos de actividade a cooperativa vive numa situação financeira difícil que põe em causa a continuidade do projecto tendo realizado a 18 de Maio, uma festa de angariação de fundos. Siga a sua actividade em http://descalcas.blogspot.pt/

ANGRA património Angra do Heroísmo, Cidade Património Mundial, farse-á representar nos próximos dias 30 de Maio a 1 de Junho no Colóquio intitulado “Desafios e Oportunidades na Conservação e Gestão do Património Urbano”, em Bruges, na Bélgica. Organizado pela cidade de Bruges e pelo Governo da Flandres, o referido evento reflectirá sobre a problemática da conciliação desenvolvimento e preservação do Património Mundial. O Colóquio compreenderá quatro Workshops, “Desafios e questões relacionados com arquitectura contemporânea & Desenvolvimento Urbano para as Cidades Património Mundial”, “Desafios económicos e questões para as Cidades Património Mundial”, “Desafios e questões relacionados com gestão e monitorização a longo prazo para as Cidades Património Mundial” e “Património Mundial, responsabilidade partilhada”. Angra do Heroísmo será oradora neste último workshop intitulado “Património Mundial, responsabilidade partilhada”, sendo que a apresentação incidirá sobre a recuperação do centro histórico após o sismo de 1980. 28 maio 2012 / 29

de pintura Moderna TEXTO / António Lima *

A atenção não deve ser monopolizada pelo realismo natural na apresentação do tema central na pintura, o risco de desvirtuar o potencial de acesso a diversas realidades e interpretações pelo simples naturalismo empobrece a experiência do estético. Assim sendo, para ajudar o leitor a ter outra segurança e deleite na “leitura” de uma obra contemporânea de arte vou apresentar uma pequena lista de elementos centrais e sempre presentes na realidade criativa actual, fruto de séculos de evolução continua. Representacional – toda a arte visual é representational, é entre realidade e representação que nasce a arte, o artista deve recriar. Composição – a urgência de estruturar o espaço da pintura é primária, determinante para a aparência do trabalho. O elemento estrutural apesar da sua indispensabilidade não se mantém sozinho necessitando de dialogar com as restantes categorias. Expressão – o balanço entre visão externa e interna dá primazia decisiva á visão interna. O mundo filtrado pela sensibilidade única e pessoal, compreensão da original observação do artista. Decoração – o compromisso pela solução elegante, nas mãos de um artista talentoso a decoração torna-se parte de um variado e complexo reportório criativo, que em criadores inaptos pode tender para um ornamentalismo vazio no mínimo podendo ser aceite como design. Fantasia – estabelecida no lado oposto á razão, um mundo onde a lógica se dissolve numa ordem extra-racional e intuitiva. A habilidade do pintor em pensar é reforçada pela capacidade em sonhar, a fantasia vai enriquecer o vocabulário artístico e aprofundar o significado da sua arte. * Artista plástico.


CULTURA

Baths TEXTO / Adriana Ávila

Will Wiesenfeld. Oriundo da Califórnia, desde criança que a música faz parte do seu contexto, aos quatro anos aprendeu a tocar piano, 20 anos mais tarde adopta o pseudónimo de Baths eis senão quando lança o seu primeiro e até agora único álbum, intitulado Cerulean, lançado 2010 pela editora independente Anticon. Este trabalho foi gravado durante dois meses a partir do seu quarto. Segundo as críticas, nomes como Björk e Flying Lotus, fazem parte do leque de influências para Will. A discografia de Baths incluí também um EP de 7” The Nothing, lançado no ano anterior pela mesma editora.

THE NOTHING Com um som um pouco fora do comum, Wiesenfeld utiliza alguns samples de voz e de qualquer som quotidiano que lhe pareça pertinente criando uma composição agradável, para os fãs. Sem dúvida, uma música para bater o pé, agora que se aproxima o Verão.

Festa/Serralves Serralves, no Porto, abre mais uma vez as suas portas nos dias 2 e 3 de Junho para o festival Serralves em Festa, o maior acontecimento de expressão artística em Portugal, com música, performance, dança contemporânea, improvisação, teatro, cinema, circo, fotografia, vídeo, visitas orientadas, exposições e outras actividades.

FADA SOLIDÁRIA Para assinalar o Dia Mundial da Criança, o Centro Cultural de Angra do Heroísmo recebe, no dia 1 de Junho, pelas 10h30, a peça “ A Fada Solidária”. Uma organização da Biblioteca Pública, esta peça infantil é apresentada pelo Grupo de Teatro Galáxia com autoria e encenação de Flávia Medeiros. O espectáculo tem a participação de Ana de Sá, Ana Clara Ávila, Camila Silveira, César Pimentel, Daniela Medeiros, Íris Pedro, Madalena Oliveira, Mafalda Oliveira, Maria Araújo, Maria Domingues e Rita Sales.

60 ANOS de selos

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O Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo (NFAH) celebra o seu 60º aniversário com uma sessão solene no dia 12 de Junho e a inauguração de uma mostra comemorativa no dia 10. A sessão solene terá lugar a partir das 18h30 na sede da Associação de Bombeiros Voluntário de Angra do Heroísmo. Do programa consta a apresentação do novo logótipo do NFAH, o lançamento de selo e carimbo comemorativos e ainda a palestra “ Açores, uma agradável tentação filatélica” por Luís Fernandes. A exposição está patente até 8 de Julho.


OPINIÃO / AGENDA OPINIÃO / AGENDA

CCTV TEXTO / Rildo Calado

Está pronto um dos edifícios mais fabulosos que tive a oportunidade “sentir”: a sede da China Central Television (CCTV). O edifício idealizado para comportar vários escritórios, estúdios, salas de produção e transmissão, é o maior projecto do gabinete OMA, com 473 000m². A construção teve início em 2004, tendo sofrido atrasos e imprevistos durante os 8 anos da sua construção. Apresenta-se como um elemento escultórico de linhas puras que desafia as regras da gravidade de forma progressiva, à medida que se eleva do chão. Com uma aparência espelhada rasgada por linhas que se cruzam (que começam e acabam sem aviso) e que criam um padrão que se assemelha às pistas de um circuito impresso de um chip. O projecto foi o selecionado num concurso internacional entre dez propostas. Rem Koolhaas e Ole Scheeren foram os nomes que representaram a equipa de arquitectos do OMA com o desejo que o edifício fosse um símbolo de mudança. www.oma.eu

HEADLINE HERE ESPIRITO SANTO Lores aut quidebis dis nitatem et que pel ime nossequam, officae cesecto etum rae quibus acesto A ilha Terceira acolhe, de 31 de Maio a 3 de quaspiet faccum iligenimi, sam et, quidebitis antia Junho, a quinta edição do Congresso Internacional do Culto do Divino Espírito Santo.

TITLE HERE CONGRESSO dolorestibus consequate int entus quo Trata-se de um endoluptiatus dolo earum contro organizado rem arum volora vita pela direcção rearum reictissi utatae. gional das ComuEt aborero cone etur, nidades que concuptatem que comgrega as vertentes moluptas quiae et, veteórica e prática de liqui accusam facculp uma tradição religiosa dos Açores

TITLE HERE INTERNACIONAL ariorum vel il es volor simus, core quistib eribus

voluptis earum vendae cum exerum arum quiant. presente inclusive nas comunidades de emiEhendit, sinto verovitio. Ut est, ut incid quas inullor grantes radicados em diferentes pontos do estiusa picaboremque nonsed quibearum que est, mundo. Estados Unidos da América, Canadá, quiasped eos auditem poreptas doloriti omnimpoBermuda, Havai, Brasil, Uruguai, Portugal riate invellaut expediciis quias mos sam alite quid Continental e Açores estarão representados quas ella Lit et qui debis magnates dolupta erfe no evento que decorrerá de 31 de Maio a 3 de Junho.

07 maio 2012 / 31 28 maio 2012 / 31

Xeratem quost autemos dipsam ut imagnam, offic totatur? Quiditam alia iducidentia sitias millupis et omnim ex enis as eost Dia 1 de Junho eosaper ibeaquo celebra-se o Dia ma del ipis dolor ad Mundial da Crianeument, con corça e o Relvão em ectatiam dolorese Angra do Heropratiant quam que ísmo irá receber, volo molorro ex et das 10h00 até às vit qui ditessun14h00, um conjundi unte ella nate to de actividades nobitatem quis pensadas para os quossimodia quis mais pequenos. delisci psapedi Uma organização beritem ilit quis inda Câmara Munivenis consequ uncipal em parceria dignam aut most, com o Serviço Recum fugition eium gional de Proteceratur res ipsamus ção Civil, está preeatum etur sapitat vista uma tenda iaecaep udaeraencantada animex, tiatur aditatis noum parque pula bitib usante qui as pula animex, jogos rersperae latis ex tradicionais, actiexerae. Ipicipitium vidades de orienque et, quatur res tação, entre outras supresas.


revista U 11  

edicao da revista U, n11 de 28/MAI/2012, suplemento semanal à 2feira, do jornal A União

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