| Versão impressa - 250 mil exemplares instagram.com/sebraesp # 302 | junho de 2019
| www.sebraesp.com.br | 0800 570 0800 |
facebook.com/sebraesp
youtube.com/sebraesaopaulo
twitter.com/sebraesp
Frederico Santos, hoje sócio de uma hamburgueria em São José dos Campos, faliu mais de uma vez
VOLTA POR CIMA
Empreendedores que tiveram de recomeçar do zero contam como fazer para o negócio dar certo na segunda – ou na terceira – chance. Pág. 8
Fisioterapeuta descobre no pilates caminho para empreender Pág. 3
Negócios abertos por oportunidade voltam a crescer no País Pág. 4
HR Techs: startups de RH encontram caminho livre para crescer Pág. 6
2 | JORNAL DE NEGÓCIOS EXPEDIENTE Publicação mensal do Sebrae-SP
Oportunidade para ser mais competitivo
Edição impressa
CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: Tirso Meirelles
ACSP, ANPEI, Banco do Brasil, Faesp,
FecomercioSP, Fiesp, Fundação ParqTec, IPT, Desenvolve SP, SEBRAE, Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia, Sindibancos-SP, Superintendência Estadual da Caixa Econômica Federal.
DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor-superintendente: Wilson Poit
TIRSO MEIRELLES, Presidente do Sebrae-SP
Em 2018, um em cada três brasileiros afirmou que sonha em ter negócio próprio e mais da metade não considera “medo de fracassar” impeditivo forte suficiente para iniciar jornada no mundo do empreendedorismo. Esses dados ajudam a explicar o registro de 52 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos envolvidos na criação e consolidação de um empreendimento no ano passado. Esses foram os principais dados da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), pesquisa realizada em 49 países, e que mostra também que 62% dos empreendedores estavam à frente de um negócio que surgiu pela identificação de uma oportunidade.
O outro lado da moeda também apareceu no estudo. Seja por inexperiência ou por falta de conhecimento, a competitividade dos negócios que vêm sendo criados está baixa. Cerca de 70% não têm um diferencial dos concorrentes e apenas 2% qualificam a tecnologia utilizada na gestão e produção como inovadora. Nas próximas páginas desta edição, você vai encontrar exemplos de empreendedores que retratam essa realidade. E também vai conhecer as orientações e novidades do Sebrae-SP para que o sonho não se transforme num pesadelo. Alinhados ao novo perfil do empreendedor brasileiro, vamos atender mais de 1,2 milhão de clientes e realizar cerca de 400 mil atendimentos de alto impacto – aqueles que agregam inovação no
processo, produto ou gestão do empreendimento, e se tornam altamente competitivos e sustentáveis. E continuaremos trabalhando para levar a cultura empreendedora para crianças e jovens, por meio da expansão do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos e da Escola Superior de Empreendedorismo, além de ampliar as ações focadas na simplificação burocrática, com o apoio à inclusão de 400 municípios na Rede Simples, plataforma digital que integra os processos de registro, legalização e baixa de empresas, dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais. É um desafio e tanto, do tamanho da vontade do paulista empreendedor, aquele que sonha, constrói, quebra, aprende, volta a empreender e gera empregos. Boa leitura!
Diretor técnico: Ivan Hussni Diretor de administração
e fi nanças: Guilherme Campos JORNAL DE NEGÓCIOS
Unidade Marketing, Publicidade e Propaganda Institucional
Gerente: Marcus Vinicius Sinval
Coordenadora: Marcelle Carvalho Editores responsáveis e redatores:
Gabriel Jareta (MTB 34769) e Roberto
Capisano Filho (MTB 46219). Assessores de imprensa: Gisele Tamamar, Patricia Gonzalez e Rogério Lagos. Imagens: istockphoto.com. Diagramação:
Daniel Augusto de Resende Neves, Bruna Santos, Gisele Resende Costa e Letícia
Durães. Fotos: Ricardo Yoithi Matsukawa – ME e Carlos Raphael do Valle – ME para o Sebrae-SP. Apoio comercial:
Unidade Relacionamento: (11) 3177-4784 SEBRAE-SP
Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso
São Paulo-SP. CEP: 01504-001 PARA ANUNCIAR
0800 570 0800
Apoio sob medida para empresas e municípios Apoio direcionado de acordo com as características da região e do ramo de negócio
cooperativas, sindicatos patronais, universidades ou até pelas prefeituras.
envolvido. Assim são os Projetos Vocacio-
Por meio de seus Escritórios Regio-
nais, elaborados pelo Sebrae-SP para ofere-
nais, o Sebrae-SP passa de um atendi-
cer atenção diferenciada aos empreendedo-
mento pontual, muitas vezes iniciado
res. Os projetos seguem trilhas de orientação
com a demanda de parceiros, para uma
montadas especialmente para as necessida-
atuação estratégica integrada, voltada ao
des do grupo que será trabalhado.
desenvolvimento local, competitividade e
As vocações regionais expressam ativida-
sinergia com outros produtos e projetos.
des econômicas predominantes nos municí-
No programa, os grupos vocacionais
pios. Podem também significar uma potencia-
são constituídos de, no mínimo, 15 inte-
lidade natural, geográfica ou de investimentos
grantes entre micro e pequenas empresas
nesses territórios.
e pessoas físicas. A iniciativa visa também
O programa procura levar ao poder público
promover a internacionalização das em-
e às pequenas empresas dessas localidades
presas e a criação de um diferencial com-
orientação em gestão, tecnologia, mercado,
petitivo para elas.
crédito, desburocratização, compras públicas,
Até agora, 25 munícipios foram atendi-
educação empreendedora, informações sobre
dos em mais de 40 Projetos Vocacionais,
cadeias produtivas etc.
envolvendo mais de mil clientes e diversos
Na maioria dos casos, os participantes do programa são representados por associações,
parceiros, com receita projetada de mais de R$ 675 mil.
istockphoto.com
Novidades
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 3
Entrevista do mês
Em forma com pilates
Rafael Juliano conta como conseguiu largar seu emprego de atendente para montar a rede Voll Pilates Roberto Capisano Filho
R
afael Juliano viu na fisioterapia a possibilidade de unir suas paixões: esporte e medicina. A ideia era trabalhar com reabilitação e prevenção de lesões. Assim que se formou, abriu um consultório em Campinas, onde trabalhava de manhã. À tarde, continuava no seu emprego como atendente de telemarketing, atividade que já exercia havia cinco anos. Segundo Juliano, como o retorno financeiro da fisioterapia não era bom, seguiu a sugestão de um amigo e fez um curso de pilates em 2008. Deu certo. Os clientes terminavam o tratamento de fisioterapia e começavam o pilates. O negócio evoluiu e se transformou na rede Voll Pilates, que capacita profissionais na área e hoje atua em mais de cem cidades brasileiras, oito países e faturou R$ 13 milhões em 2018. Juliano conversou com o Jornal de Negócios sobre sua trajetória. Por que decidiu cursar fisioterapia? Gostava muito de esportes, quase fui jogador profissional de futsal e gostava muito de medicina. Entendi que a fisioterapia poderia pegar um pouco dos dois – reabilitação, prevenção e ajuda na cura das lesões e você pode trabalhar no esporte. Permite atuar em conjunto com ortopedia, traumatologia e com fisioterapia do esporte, que foram as especializações que fiz depois. Como e por que começou com o pilates? Abri um consultório de fisioterapia assim que me formei. Clinicava das 7h às 13h30 e, à tarde, trabalhava como atendente de telemarketing, ocupação que, na época, já exercia havia cinco anos. A fisio convencional não estava dando muito certo financeiramente. O repasse dos planos de saúde é pouco e os clientes particulares tendem a abandonar assim que são reabilitados. Em 2008, um amigo instrutor de pilates sugeriu que eu tentasse
Rafael Juliano, da Voll Pilates Group: “Faço para os outros o que gostaria que fizessem para mim”
Divulgação
essa modalidade. Resolvi fazer um curso. Foi a saída para o meu negócio, pois os clientes acabavam a fisio e começavam o pilates. Quando vi, eu só estava trabalhando com pilates e não mais com a fisio convencional. Foi meteórico. Foi só colocar uma placa dizendo que tinha pilates que em um mês dobrei o número de pacientes. Resolvi mergulhar no pilates e fiz vários cursos para entender a fundo do assunto. Quando começou a pensar em empreender? Sempre tive uma veia empreendedora forte. Comecei a empreender primeiro com meu consultório e depois com pilates em 2008. O primeiro desafio foi encontrar cursos em Campinas; só havia em São Paulo e Rio. Por que não fazer um curso em Campinas? Comecei a me especializar e abri o primeiro curso de pilates na cidade, no meu estúdio. Consegui fechar quatro ou cinco turmas seguidas. Na sexta,
começaram a chegar alunos de outras cidades. Na sétima, chegaram alunos de outros Estados. Descobri que o problema de não haver curso de pilates na minha cidade se repetia em outras. Um ano depois passei a abrir turmas de cursos de pilates em Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. Na primeira turma de Porto Alegre conheci meu sócio, Henrique Volf. E a partir daí comecei o projeto de expansão da Voll, que na época se chamava Espaço Vida Pilates. A Voll foi criada em 2013. Fomos para vários lugares do Brasil oferecendo esse ensino. Hoje temos mais de cem professores ministrando cursos, mais de 40 mil instrutores formados, mais de cem estúdios parceiros e realizamos cursos em 120 cidades. Que dica você daria para quem quer começar um negócio com pouco dinheiro? Quando comecei, fiz um empréstimo de R$ 5 mil, pois não tinha
dinheiro e meu salário era perto de R$ 800. Mais do que a questão financeira, o empreendedor precisa trabalhar com as ferramentas que tiver e não esperar o perfeito. Existem coisas que não elevam seus custos e podem ajudar a fazer o seu empreendimento crescer, gerando valor e aumentando a chance de sucesso. Quando comecei, era somente eu fazendo tudo. Quando chegava um cliente eu dava total atenção. Recebia a inscrição e em até cinco minutos enviava um e-mail, SMS e ainda fazia uma ligação de boas-vindas, tirando dúvidas e fechando o negócio. No dia seguinte, enviava um novo SMS agradecendo. No dia do curso, fazia questão de entregar uma mensagem personalizada para cada um. Outra dica é procurar todos os meios gratuitos antes de ir para os pagos. Por exemplo: antes de anunciar no Google, você pode gratuitamente falar do seu produto no Facebook, comunidades, grupos de WhatsApp, fazer stories no Instagram etc. Enxugue absolutamente todos os custos desnecessários e gaste o mínimo possível. Demorei mais de três anos para fazer retirada de lucros, pois minha preocupação era o crescimento. Como foi seu aprendizado para ser gestor de empresa? Foi duro e continua sendo. Tive a sorte de ter trabalhado em uma telecom bem no período da privatização e isso me trouxe um pouco de bagagem para ter senso de urgência, mudança e organização, que pude aplicar na Voll Pilates. Meu outro escape foi a minha esposa, que vem da área de administração e me ajudou muito a organizar a empresa da maneira correta. Mas quando decidi parar de atuar como fisioterapeuta para ser gestor, minha premissa foi fazer para os outros aquilo que eu gostaria que fosse feito para mim, isso me ajudou, pois diariamente eu pensava em conduzir o negócio da melhor forma para meus clientes, parceiros e colaboradores.
4 | JORNAL DE NEGÓCIOS
A oportunidade
Taxa que aponta essa motivação para início de empresa caiu entre
Michele e Emerson Fontanarosa deixaram os empregos para se dedicar 100% ao negócio
E
Gisele Tamamar
merson Araujo Fontanarosa sempre teve o sonho de ser chefe de bar. Começou na área como barman e alcançou o cargo tão desejado. Mas não hesitou em pedir as contas quando viu a oportunidade de fazer a empresa New Ice Ball crescer. No início, a produção de gelo artesanal era voltada para apenas um cliente. Hoje, são 53 clientes, em média por mês, e uma produção de 25 a 30 mil unidades por semana. O empresário faz parte de um grupo de pessoas que optou pela abertura do próprio negócio porque encontrou uma oportunidade de mercado. Esse perfil de empreendedor registrou uma queda entre 2014 e 2015, quando a taxa de empreendedorismo por oportunidade caiu
de 70,6% para 56,5%. Mas em 2016 voltou a se recuperar e encerrou 2018 em 61,8%, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). O movimento da taxa de empreendedorismo por oportunidade é inversamente proporcional à taxa de empreendedorismo por necessidade, quando a abertura do negócio é motivada pela falta de alternativa de ocupação e renda. O consultor do Sebrae-SP Pedro Gonçalves pontua que, quando a taxa de desemprego cresce, há uma tendência de aumento do empreendedorismo por necessidade, como ocorreu durante a crise econômica. “Isso acontece porque fica mais difícil encontrar uma ocupação no mercado de trabalho. Assim, ter um empreendimento passa a ser
considerada uma opção de ocupação e renda”, explica. Diante desse cenário, a recuperação da taxa de empreendedorismo por oportunidade é vista como positiva. “Em geral, espera-se que a pessoa que entende que está atendendo a uma oportunidade de mercado identificou alguma demanda não atendida ou um mercado em crescimento, ou, ainda, procurou conhecer o perfil do cliente que pretende satisfazer. Outro ponto a ser observado é que o empreendedor cuja motivação foi a falta de ocupação e renda tenderia a trocar mais facilmente seu empreendimento por algum tipo de ocupação, por exemplo, um emprego, quando a atividade econômica melhora”, explica Gonçalves. Michele, mulher de Emerson
Fontanarosa, também deixou o emprego em contabilidade para ajudar na empresa. São dela as criações dos sabores dos gelos de maracujá, açaí e manga, por exemplo. E os planos são de crescimento. “Hoje nossa produção é artesanal, mas vamos importar uma máquina para fazer as esferas de gelo translúcidas”, conta Fontanarosa. Outro casal que empreendeu por oportunidade é Danielle e Isaac da Mota, de São José do Rio Preto. Isaac acreditou tanto no negócio que deixou o emprego de representante comercial e vendeu o carro para investir R$ 7,5 mil na compra do equipamento e da bicicleta para montar a Sorveteriana Gourmet, especializada no sorvete tailandês ou sorvete na chapa, servido em rolinhos. As primeiras vendas foram feitas
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 5
faz o negócio
2014 e 2015, mas voltou a se recuperar e fechou 2018 em 61,8% para amigos e eventos de uma igreja e hoje ele está instalado no Quintal Food Park, espaço gastronômico dedicado a food trucks. O negócio segue prosperando e Isaac já comprou uma nova bike para atuar em eventos. “O sorvete encanta. As pessoas acompanham o processo de produção na chapa do início ao fim. Quando assisti aos vídeos sobre esse sorvete, enxerguei uma oportunidade”, conta o empresário.
IDEIA NA FACULDADE
A ideia de criar uma plataforma para conectar profissionais e fornecedores de áudio e vídeo surgiu durante a faculdade de cinema. As amigas Jade Goldfreind e Isadora Lemes enxergaram uma série de dificuldades na produção audiovisual que eram comuns não só no meio acadêmico, mas no mercado profissional. Segundo Jade, a plataforma online VAV consegue solucionar diversos problemas e gargalos do setor por meio de uma integração de informações e contatos com um banco de dados de obras, projetos e profissionais disponíveis. “A plataforma traz o empreendedorismo para dentro do ambiente artístico”, destaca Jane. O projeto saiu do papel com a entrada do sócio da área de tecnologia, Guilherme Sampaio, e hoje conta com 5 mil usuários inscritos. Já a jornada empreendedora de Andréa Guedes começou quando sua amiga Vânia Neto desfez a so-
ciedade e resolveu vender o estoque de bolsas, acessórios e organizadores. “Ia ajudar a vender os produtos, a anunciar nas redes sociais. Mas, quando conversamos, ela precisava de espaço para guardar as coisas e eu tinha esse espaço. Eu conhecia a parte financeira e ela, o negócio. Resolvemos nos juntar e criar a Vaan Acessórios”, conta.
Danielle e Isaac da Mota já investiram na segunda bike da Sorveteriana Gourmet
A empresa comercializa mochilas, lancheiras, bolsas e tem como produtos principais as colmeias e organizadores, vendidos principalmente para personal organizers. “É um nicho de mercado e estamos desenvolvendo outros produtos, como uma bolsa triangular para elas levarem os cabides para os clientes”, afirma Andréa. A experiência com finanças foi adquirida durante os seus 15 anos de atuação no setor bancário. “Eu sempre quis empreender, só não tinha escolhido a coisa certa. Fui em feiras de franquias, mas tinha receio de investir um valor tão grande e ficar presa a uma marca. Resolvi sair do banco, priorizar meus filhos, minha saúde. Tive a oportunidade de trabalhar como gerente financeira de um escritório, mas não era aquilo que queria. A satisfação pessoal é mais importante do que o lado financeiro. Todo mundo precisa de dinheiro, mas a vida, em geral, está mais equilibrada e o benefício é maior que o valor recebido”, afirma Andréa.
CURSOS PARA AJUDAR QUEM PRETENDE ABRIR UM NEGÓCIO
Começar Bem - Transforme sua ideia em modelo de negócios: ajuda a estruturar as ideias em um modelo visual e prático.
Começar Bem - Plano de Negócios: auxilia na construção da ferramenta valiosa para começar um novo negócio de forma planejada e estruturada. Informações: solucoes.sebraesp.com.br ou 0800-570-0800
Começar Bem - Formalização: oficina sobre o passo a passo para formalizar sua empresa, quais são os direitos e obrigações.
6 | JORNAL DE NEGÓCIOS
CONTRATA-SE
As chamadas HR Techs, startups do setor de recursos humanos, encontram
Guilherme Dias, cofundador da Gupy: setor de RH é um oceano de oportunidades
Gabriel Jareta
A
tecnologia está presente em quase todas as operações de uma empresa nos dias de hoje – do sistema de controle de estoque às postagens nas redes sociais para anunciar promoções e novidades. Apesar disso, a gestão de pessoas, um dos pontos críticos de qualquer organização, ainda é um espaço carente de soluções tecnológicas para auxiliar seus processos – ou, quando elas estão disponíveis, não conseguem ter penetração nas organizações. De olho nas oportunidades dessa área, empreendedores brasileiros estão investindo na criação de HR Techs, startups voltadas para área de recursos huma-
nos (em inglês, human resources, de onde vem a sigla HR). São empresas que oferecem programas para analisar centenas de currículos com uso da inteligência artificial, plataformas para gestão de benefícios, softwares para gestão comportamental, aplicativos para oferta de vagas temporárias e uma série de outras ferramentas tecnológicas voltadas para aumentar a eficiência desses processos. Um estudo publicado em abril do ano passado pela aceleradora Liga Ventures, e que analisou 8.434 startups brasileiras, aponta que 122 dessas empresas estão voltadas para soluções na área de RH. O estudou também identificou que essas startups
podem ser divididas em 11 grupos de atuação dentro do setor (veja no quadro ao lado). Uma dessas empresas inovadoras é a Gupy, fundada em 2015, que oferece uma plataforma para digitalizar todo o processo de recrutamento e seleção. Com uso de inteligência artificial e machine learning (aprendizado de máquina), os processos passam a “compreender” cada vez mais o padrão de contratação das empresas, aumentando a chance de acerto e reduzindo o tempo de todo o processo. “As grandes empresas, quando divulgam suas vagas, conseguem atrair um número grande de candidatos. Dessa forma, o maior desa-
fio é na identificação daqueles mais alinhados”, afirma Guilherme Dias, CMO e cofundador da Gupy. “Há oportunidades em todos os setores do ciclo de vida dos funcionários. Um ponto de atenção está no recrutamento e seleção. Uma vez que esse processo é o que alimenta todos os outros, aumentar a assertividade nas contratações pode evitar gastos em todos os outros momentos da jornada do funcionário”, completa.
NA PELE
A Gupy nasceu da experiência de uma dos sócios, Mariana Dias, como funcionária de uma gigante de bebidas do país, que viveu na pele os desafios de gerenciar um
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 7
INOVAÇÃO
caminho aberto para crescimento no Brasil – inclusive para os pequenos negócios grande volume de candidatos para as vagas oferecidas pela empresa. Desde o princípio, a ideia era utilizar a inteligência artificial para identificar os melhores candidatos para as vagas – o que os softwares de recrutamento não ofereciam até então. Hoje, a startup atende principalmente empresas de grande porte e recebeu diversos aportes de capital para expansão. Para Guilherme, o mercado de RH é um “oceano de oportunidades” para quem quer empreender. “O setor de RH cuida do ativo mais importante de qualquer empresa, que são as pessoas. E as oportunidades de otimização são infinitas, desde o recrutamento e seleção, onboarding, treinamentos e performance, por exemplo”, diz. Mesmo assim, ele aponta o contraste de uma área com tanto potencial ainda ser pouco familiarizada com o uso de tecnologia. “Estamos no momento da transformação digital do setor e as empresas que conseguirem unir uma cultura de inovação com as ferramentas e tecnologias que auxiliam na maximização dos resultados, certamente terão um maior diferencial competitivo”, afirma. O presidente da Associação Brasileira de RH em São Paulo (ABRH-SP), Guilherme Cavalieri, acredita que o setor de HR Techs tem um potencial “gigantesco”. “Esse mercado ainda está em processo de amadurecimento. Ainda há muito desconhecimento, principalmente por parte das pequenas e médias empresas”, afirma. Por isso, também, um dos objetivos da associação atualmente é capacitar o profissional de RH a ser um protagonista dentro das empresas – em outras palavras, o gestor de pessoas precisa ter um comportamento empreendedor. Na opinião de Cavalieri, ao contrário do que se possa imaginar, a revolução digital dentro do RH vai abrir caminho para “humanizar” os processos. “Os dados e a tecnologia, se bem aplicados, chegam até o indivíduo. Com o avanço da tecnolo-
gia, temos programas muito mais assertivos, com foco na humanização e na individualização. A tecnologia também facilita um ciclo todo de recrutamento e seleção para chegar a dois três finalistas para uma vaga. Isso libera tempo para que as entrevistas sejam feitas com mais qualidade”, ressalta.
MERCADO MADURO
Fora dos processos internos das empresas, também é possível encontrar oportunidades para empreender na área de RH. O engenheiro de softwares Mórris Litvak partiu de uma experiência pessoal para identificar um nicho de mercado a ser explorado. Aos 80 anos, a avó dele sofreu uma queda e precisou parar de trabalhar. “Ela era uma pessoa superativa, mas quando parou de trabalhar a saúde decaiu”, conta. Na mesma época em que a avó veio a falecer, em 2012, Mórris também fazia trabalho voluntário em um lar para idosos. Essa conjunção de fatores o levou a entrar nesse universo e criar, em 2015, a MaturiJobs, uma ferramenta que conecta profissionais com mais de 50 anos em busca de emprego e empresas com vagas abertas. A empresa começou com recursos próprios, e está captando investimentos-anjo. “Em 2015, quando estourou a crise econômica, havia muita gente com 50 a 60 anos que não conseguia mais arrumar emprego, porque, além da crise, havia a questão da idade. E isso antes de eles se aposentarem”, diz. Hoje, há 90 mil pessoas cadastradas – 70% deles têm curso superior. Mesmo assim, o número de vagas cadastradas ainda é pequeno em relação à oferta. Por isso, o empreendedor lançou também o MaturiServices, um banco de profissionais freelancers acima de 50 anos, e está investindo em cursos de autoconhecimento e empreendedorismo para o público mais velho. Na opinião do empreendedor, a área de recursos humanos é estratégica para as empresas, mas por
muito tempo permaneceu alheia à inovação. “A tecnologia está trazendo mais inteligência e agilidade para o RH, mas boa parte das empresas ainda não está sabendo lidar com isso, principalmente no recrutamento e seleção”, afirma. A maioria das empresas que utiliza a plataforma é pequena e média, que, segundo Mórris, tem mais flexibilidade para testar novidades.
ESCALA MENOR
Apesar disso, o mundo das HR Techs ainda parece distante do dia a dia dos pequenos negócios – alguns dos motivos podem ser o custo das soluções ou mesmo falha no marketing das startups, que não conseguem atingir esse perfil de público. “As pequenas empresas precisam de serviços de RH, mas não têm a informação de como consegui-los”, afirma a consultora do Sebrae-SP Esmeralda Queiroz Cruz. Para ela, uma das causas é que, geralmente, o crescimento dos pequenos negó-
cios acontece organicamente – as contratações, por exemplo, costumam ocorrer na esteira de um aumento de demanda, sem planejamento prévio. “Quem está começando a empreender nesse setor pode pensar em soluções acessíveis em termos de custo, afinal, são milhões de MPEs. E investir muito em comunicação e marketing para esse público. A necessidade existe, mas é preciso saber se a conta vai fechar em uma escala menor”, aponta Esmeralda. Sites de bancos de currículos e mesmo a rede social LinkedIn, que aponta adequação de currículo à vaga, são os mais utilizados pelos pequenos negócios. Mesmo assim, a inovação tecnológica não é capaz de substituir o planejamento bem-feito. “O empresário precisa saber muito bem o perfil de quem ele quer contratar, porque, mesmo que a ferramenta funcione muito bem, vai acabar contratando errado”, conclui.
11 CATEGORIAS Segmentos de atuação das HR Techs identificadas pelo estudo da aceleradora Liga Ventures :: Avaliação e Acompanhamento de Performance :: Engajamento de Colaboradores :: Entrevistas :: Gestão de Benefícios :: LMS, Cursos, Treinamentos e Learning :: Plataforma de vagas :: People Analytics (Análise de pessoas e perfis) :: Ponto, Operações, Folha e GED :: Recrutamento e Seleção :: Saúde Ocupacional e Bem-Estar :: Temporários / Freelancers
8 | JORNAL DE NEGÓCIOS
Aprendendo
Empreendedores que quebram, se reerguem e montam
Hoje sócio de uma hamburgueria, Frederico Santos começou a empreender aos 16 anos e teve de recomeçar mais de uma vez
Diego Braga Norte
F
rederico Santos, o Fred, começou a empreender ainda adolescente, aos 16 anos, em 2005. Vendia prataria (pingentes, colares e pulseiras) e roupas para colegas de escola em São José dos Campos. Não tinha experiência nenhuma, apenas um caderninho em que anotava suas compras e vendas. O negócio prosperou e ele chegou a ter quatro vendedoras, uma delas sua irmã. “No começo deu tudo certo, mas como era tudo na confiança não investi em estrutura, em nada. Elas vendiam, retiravam suas comissões e me passavam o resto. Um dia, uma sumiu, outras duas não me pagaram”. Só a irmã honrou seu compromisso.
Mais tarde, aos 19, começou a trabalhar em um banco. “Minha mente começou a abrir, passei a ter contato direto com empresários e gerentes”, conta. Com o salário e sua atividade paralela de vendedor conseguiu juntar R$ 30 mil – valor expressivo para um jovem iniciante. Porém, um problema financeiro de seus pais fez com que o imóvel que eles moravam corresse risco de ir à leilão. Precisando de R$ 100 mil para evitar que isso acontecesse, ele ajudou com sua economia e outro amigo com o restante. “Fiquei abalado, tive que começar do zero de novo.” Fred decidiu apostar em seus dotes como vendedor e foi até para Miami comprar roupas para revender, mas acabou por desistir da ati-
vidade comercial. Começou, então, a organizar festas de música eletrônica. Produziu nove eventos, mas o negócio de festas é sazonal e foi ficando caro, principalmente para pagar os DJs estrelados que ganhavam seus cachês independentemente da quantidade de público. “Com custos altos para arcar, acabei falindo de novo, dessa vez em condições financeiras negativas”. Fred tinha 25 anos e, segundo suas palavras, “só sobrou a energia e a vontade”. De acordo com o consultor do Sebrae-SP Rafael Souza, o caso de Fred é frequente na vida empreendedora. “Pesquisas indicam que muitos empresários de sucesso falham três vezes antes de acertarem. Mas é preciso força de vontade e
inteligência emocional para saber se reerguer”, diz. A pesquisa Causa Mortis, realizada pelo Sebrae em 2014, identificou os fatores para a derrocada de um empreendimento. A falta de capital de giro é o principal fator para o fechamento de uma empresa. Em português claro, o dinheiro acaba, mas as contas para pagar continuam. Souza chama a atenção para os motivos que conduzem à falta de dinheiro em caixa: falhas no planejamento e na gestão – geralmente originadas na má formação técnica e inexperiência dos empreendedores. “O comportamento empreendedor define boa parte do sucesso ou fracasso de uma empresa. Os que dão a volta por cima têm
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 9
com os erros
novos negócios geralmente escolhem ver o ‘copo meio cheio’ o espírito empreendedor aflorado, são otimistas e realizadores, sempre veem o copo meio cheio”, analisa o consultor – coincidentemente, é esse o perfil de Fred.
NOVO COMEÇO
O nome “sujo” no Serasa e a ausência de capital para investir não desanimou Fred. Com um sócio, decidiu abrir uma hamburgueria artesanal, bem ao estilo das casas que já vinham crescendo em São Paulo, mas que ainda não existiam no interior. Conseguiram um empréstimo com a mãe de Diego Melão, o sócio. Foram R$ 20 mil reais. “Como ninguém era do ramo, e o capital era baixo e emprestado, não podíamos mais errar. Buscamos o Sebrae e fizemos o Empretec e alguns cursos na área da alimentação”. O Empre-
tec, segundo Fred, ensinou-o a ver seu negócio com mais frieza e objetividade, auxiliando-o na tomada de decisões mais precisas. Depois de se prepararem melhor, Fred e Melão abriram a The Burger com mesas de plástico, equipamentos de segunda mão e nenhum luxo. “Montamos em um terreno do meu sócio justamente para economizar com o aluguel”, conta Fred. Como São José ainda não tinha uma hamburgueria na linha artesanal e autoral, o negócio engrenou. Fred conta que as mídias sociais ajudaram a difundir os produtos e a identidade da empresa. Hoje seu estabelecimento tem uma clientela fiel, um nome consolidado e equipamentos importados da mesma marca utilizada por grandes redes. “Temos uma auten-
ticidade e originalidade que são nossas”, explica. Enquanto Fred trabalha com a gestão do negócio, que envolve finanças, compras e contatos com fornecedores, Melão fez cursos e se aprofundou no mundo das carnes e hambúrgueres; trabalha na cozinha, seleciona matérias-primas e cria receitas. A hamburgueria se expandiu e já conta com uma cozinha de preparação e delivery em outro endereço, mas Fred não está satisfeito e pretende crescer mais ainda. “Primeiro, quero transformar o espaço de delivery em uma distribuidora de nossos produtos e outros alimentos. Mais à frente, pretendo fazer cursos de franquia para realmente expandir” Apesar dos sentimentos negativos e da perda financeira que ficam após o fechamento, quase meta-
de dos empresários que fecham as portas (45%) voltam a empreender como autônomos ou donos de outras empresas, revela a pesquisa Causa Mortis. “Quebrar é também uma oportunidade de aprendizado. Mas tem que ter a sobriedade e a humildade para compreender os erros. Depois, a chance de cometê-los de novo é praticamente nula”, avalia o consultor Rafael Souza. A humildade, segundo ele, é muito importante no perfil empreendedor, pois evita que o empresário tenha uma postura míope diante do seu próprio negócio e do mercado. “Muitos acham que o problema nunca é com eles, mas é a área de atuação, a crise econômica, os consumidores. Essa postura é equivocada”, ressalta.
RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS Imagine um empreendedor que começou aos 11 anos, abriu uma empresa, cresceu, contratou o próprio pai para a empresa, quebrou, recomeçou, montou uma indústria, agência de propaganda, prestadora de serviços, foi franqueado, representante comercial, vendeu sua indústria, tentou descansar, não conseguiu e começou tudo de novo. Muito resumidamente, essa é a trajetória de Felipe Sousa. Para ele, cair, sentir a queda e levantar sempre fez parte de sua trajetória empreendedora. Quando Felipe tinha 11 anos, seu pai trabalhava com comunicação visual, pintando muros e outdoors. O menino viu então a oportunidade de revender tintas texturizadas de um dos fornecedores do pai. A revenda deu tão certo que ele formalizou o negócio e montou sua primeira empresa. Alguns anos depois, ele con-
tratou seu pai, que passou a cuidar da gestão do negócio enquanto Felipe cuidava das vendas e da estratégia. Juntos chegaram a ter quatro lojas físicas. Mas veio o primeiro baque. “Meu pai teve problemas com bebida e eu acabei brigando com ele. Desmanchamos a parceria e perdi tudo.” Ainda menor de idade e sem muito dinheiro para investir, ele retomou seus contatos no setor para abrir uma pequena indústria de tintas texturizadas e massa corrida. Nessa época ele também foi representante comercial e revendedor de concreto estampado para pavimentação, além de ter montado uma franquia, que fracassou. Já o negócio industrial prosperou a ponto de suas tintas ganharem reconhecimento como produtos sustentáveis. Para alavancar suas vendas para pequenos lojistas, Felipe abriu uma agência de propaganda especializada no setor. “Montei a agência para atuar junto com a fábrica e oferecer serviços
para os pequenos revendedores. Eu garantia aos lojistas que, com meus produtos, o faturamento ia crescer. E isso acontecia. Montei também uma empresa para aplicação do produto”, conta ele. Em 2016, ele recebeu uma proposta de uma grande indústria química e vendeu sua empresa. Sua intenção era parar por um tempo, ter um ano sabático, e voltar para abrir um bar temático. Seu descanso durou cinco meses. “Não consegui ficar parado, montei uma startup.” Sua empresa, uma plataforma on-line de cotação e contratação de serviços e produtos para obras, participou da incubadora da Escola de Negócios e também do Startup SP, programa de desenvolvimento de startups digitais – ambas iniciativas do Sebrae-SP. Os diferenciais da Simplifica Obra são seu sistema de validação de fornecedores, garantia de até R$ 350 mil para eventuais falhas nas obras e processos auditados.
Hoje, a empresa tem sete funcionários fixos e outros oito representantes comerciais autônomos. Atende grandes administradoras de condomínio, escolas e hospitais. Sua meta é arrojada: fechar 300 contratos com empresas até o final de 2019, além dos serviços para pessoas físicas. E Felipe tem apenas 26 anos. “Nessa idade, é difícil ter alguém com tanta experiência e vivência no empreendedorismo como ele”, diz Marcus Vinicius de Oliveira Leite, consultor do Centro Nacional de Referência em Empreendedorismo, Tecnologia e Economia Criativa do Sebrae-SP. “No Brasil, critica-se muito o fracasso e valoriza-se só o sucesso. Quem não se abalar com as críticas, aprender com erros e se preparar, como o Felipe fez, consegue seguir em frente mais forte ainda”, finaliza.
10 | JORNAL DE NEGÓCIOS
Pôquer para empreender
Jogo de cartas é usado para desenvolver competências em gestão de empresas Letícia Castello Nunes
Q
uando David Costa, aluno de Administração da Escola Superior de Empreendedorismo Sebrae-SP (ESE), soube que iria jogar pôquer como forma de aprendizado de empreendedorismo, duvidou da metodologia. Mas, logo nas primeiras aulas da disciplina Estratégias em Jogo, ministrada pelo professor Fernando Ruiz, sua opinião mudou. “É incrível ver as correlações das estratégias utilizadas durante o jogo com o mundo de negócios. Por exemplo, aprendi a decidir de forma empática, considerando a reação de um concorrente conforme minha tomada de decisão. E também quais variáveis observar para formular minhas estratégias”, conta. A ideia de usar o pôquer para ensinar competências empreendedoras surgiu há cerca de três anos, quando Ruiz, doutor em Administração, consultor de empresas e jogador recreativo regular de pôquer, percebeu como sua formação em gestão era um diferencial para o bom desempenho nos torneios de que participava. Antes, a metodologia de ensino era utilizada apenas em módulos curtos de cursos de extensão e cursos de pós-graduação em outras instituições de ensino superior. Porém, na graduação da ESE, a ideia de Ruiz foi instituída como disciplina. O pôquer foi escolhido como principal assunto de estudo das aulas porque as estratégias, as dinâmicas e as competências utilizadas no jogo são muito semelhantes (e, algumas vezes, as mesmas) que empreendedores de sucesso utilizam na gestão de seus negócios. Aprender com os erros, saber lidar com perdas, resiliência, paciência, controle de impulsividade são apenas alguns exemplos de competências que um jogador de pôquer e um empreendedor de sucesso compartilham. Mas, a lista não para por aí. Segundo o professor, o bom jogador de pôquer tem de desenvolver
e praticar diversas competências semelhantes às de um bom gestor de negócios. A principal delas é a tomada de decisões. “Tipicamente, um jogador profissional de pôquer toma cerca de cem decisões por hora de partida. E, em sua maioria, essas decisões são tomadas sob pressão, com informações complexas e incompletas. Elas devem ser as mais rápidas, racionais e calculadas possível. Nada muito diferente do dia a dia de um empreendedor, que frequentemente é obrigado a fazer escolhas que impactam o futuro do negócio, sem muito tempo para pensar e levando em consideração muitos fatores do negócio”, diz.
produto, antes de testar, validar, redirecionar e acertar, as chances de a empresa acabar antes mesmo de começar são enormes. O pôquer não é um jogo de negociação. Mas ajuda o empreendedor a desenvolver essa habilidade. “Para ter um bom desempenho em uma partida de pôquer, além da tomada de decisões estratégias, a leitura de pessoas – dos adversários – também é fundamental”, diz Ruiz. Saber “ler” os sinais que um fornecedor dá durante uma negociação, os sinais do sócio durante uma reunião ou os sinais de um investidor que tem o primeiro contato com sua ideia de negócios pode ser decisivo
na condução positiva da conversa. Para Caio Pereira, também aluno da graduação da ESE e jogador recreativo de pôquer, aprender a utilizar as estratégias do jogo fora da mesa é uma experiência única. “Além da oportunidade de jogar pôquer com meus colegas e, assim, diminuir o preconceito com esse jogo antes considerado ‘de azar’, é maravilhoso aprender por meio de uma prática que gosto muito como analisar cenários e testar a aderência de ideias de negócios no mercado. Com certeza usarei esses aprendizados no momento de abrir minha empresa, quem sabe, antes mesmo de me formar na ESE”, diz.
ESTRATÉGIA
Outra importante habilidade compartilhada entre jogadores de pôquer e empreendedores é a tática. Estudos mostram que a sorte corresponde a menos de 20% do bom desempenho em um jogo do pôquer. Os outros 80% são as escolhas táticas dele. “Algumas variáveis envolvem sorte. Como as cartas sorteadas para a sua mão naquela rodada de jogo. Mas, o mais importante é a estratégia. O mesmo se aplica à vida do empreendedor. Você pode escolher um nicho de mercado que terá um grande crescimento nos próximos anos ou dar sorte de encontrar um investidor aberto a ouvir sua ideia e interessado em sua proposta de negócio, mas se não tiver a estratégia certa para fazer a empresa crescer ou vender a ideia para o investidor, o negócio não vai para frente”, ressalta Ruiz. A permanência de um jogador de pôquer em uma partida, assim como a sobrevivência de uma nova empresa no mercado, depende da habilidade de administrar os recursos. Segundo Ruiz, uma vez que o jogador aposta todas as fichas nas primeiras jogadas, a chance que ele tem de se manter até o final do jogo diminuem muito. E aqui está a analogia com o empreendedorismo: se o empreendedor aposta todos os seus investimentos em uma primeira versão do
SOBRE A ESE A ESE oferece para os alunos acesso a práticas de vanguarda para que eles desenvolvam habilidades empreendedoras. A instituição tem nota máxima de avaliação do MEC e todos os professores são mestres ou doutores. Seu projeto pedagógico foi inspirado em referências mundiais de educação empreendedora. A instituição tem os seguintes cursos: graduação em Administração e MBAs em Estratégias de Crescimento para Pequenos Negócios e em Empreendedorismo de Alto Impacto e Inovação Aplicada aos Negócios. Para saber mais sobre a ESE, acesse: www.ese.edu.br.
O professor da ESE Fernando Ruiz e seus alunos
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 11
Volta por cima RODERIC KEN MIYOSHI, Consultor do Sebrae-SP
Marketing ou finanças? É comum parte dos empreendedores ter uma visão do negócio ou voltada para finanças ou para marketing. Normalmente, o empresário financeiro concentra os esforços na redução de custos. Para ele, a solução e o sucesso do negócio estão em gastar menos do que ganha. Isso não está errado, mas, é uma visão míope, porque não considera expansão de mercado, atração de novos clientes e fidelização, o que leva à perda de mercado para os concorrentes. Nesse caso, a pequena empresa adota uma estratégia de custos que, basicamente, se resume em reduzir os gastos fixos, pois normalmente não tem poder de barganha com fornecedores. Já o gestor voltado ao marketing busca bons relacionamentos e divulgar a empresa, uma vez que, para ele, o cliente é a alma do negócio. Também não está errado, mas assim como no perfil anterior, é uma visão limitada, uma vez que não considera prazos, caixa, resultados financeiros, podendo levar a empresa a se descapitalizar e comprometer seu lucro. Para ambos os perfis de empreendedor melhorarem a gestão, é necessário considerar uma série de pontos.
Nas finanças, é fundamental saber formular preço, determinar o capital de giro, acompanhar os resultados, conhecer o ciclo financeiro, fazer projeções financeiras considerando investimentos em marketing, levantar o ponto de equilíbrio e estabelecer metas. No marketing, é importante entender quem é o público-alvo, saber identificar suas necessidades, os canais de comunicação mais acessados por ele, quanto pode comprometer do seu orçamento e os horários em que compra. Além disso, é preciso conhecer os concorrentes e as ferramentas de marketing que podem ser utilizadas. A ideia não é que o empresário se torne um especialista nas duas áreas, mas que entenda as consequências de optar. É importante ter conhecimento para equalizar resultados financeiros e de mercado. Além disso, o fato de ter consciência desses aspectos não traz a obrigatoriedade de ser o executor. No entanto, o empreendedor deve compreender o que é uma boa execução para saber cobrar, interpretar as informações e tomar decisões assertivas.
O Sebrae Responde é um serviço para tirar dúvidas de empreendedores sobre a abertura de novos negócios e questões relacionadas à gestão de empresas já em atividade.
Falir é um choque enorme, não há dúvida, e por mais que possa ser difícil enfrentar essa situação, é necessário ter em mente que não é o fim da linha. Não faltam exemplos de empresários consagrados que passaram por essa experiência negativa e deram a volta por cima. Suas trajetórias servem de incentivo para recomeçar. Walt Disney, antes de construir seu império de entretenimento, estava falido e endividado, pois sua produtora, Laugh-O-Gram, não vingou. A situação só mudou para valer quando ele criou o camundongo Mortimer, mais tarde batizado de Mickey. A partir do personagem, nascido em 1928, seus negócios engrenaram e o que veio em seguida todos nós conhecemos. A Apple é outro caso de reviravolta. A empresa fundada por Steve Jobs esteve muito perto do fundo do poço após ele ser “demitido” do próprio negócio em 1985. Os anos de fracasso só se encerraram em 1997 com o retorno de Jobs e toda sua genialidade criativa. Richard Branson, do Virgin Group, já esteve à frente de mais de 250 empresas que vão da música à aviação, passando por vestuário e até viagem espacial. Nessa caminhada, há acertos e erros. Seu revés mais notável foi
a Virgin Drinks, que lançou em 1994 a Virgin Cola, refrigerante concorrente da Coca-Cola. A empresa durou até 2007 e é reconhecida por Branson como seu grande fiasco. O que se pode tirar de lição desses casos? A persistência, uma das características do empreendedor de sucesso, está presente. Mesmo diante de derrotas, eles não desistiram. É bom frisar que persistir não é teimar, porque se faz com base em um projeto viável e não em insistência infundada. Temos ainda outro aspecto importante: iniciativa. Eles colocaram em prática suas ideias ao visualizar oportunidades e não se reprimiram por tentar algo novo, diferente. Ganhar ou perder é do jogo. O empreendedor não pode se deixar abater por um mau resultado. O importante é perceber onde falhou, aprender com os erros, procurar aperfeiçoamento e começar de novo. O Sebrae-SP está sempre disponível para dar todo o apoio necessário para o empreendedor se recuperar, colocar seus projetos nos trilhos e prosperar. Dessa forma, teremos empreendimentos mais fortes e economia em crescimento.
Sebrae-SP
Acompanhe o Sebrae-SP no ambiente digital, em www.sebraesp.com.br, e nas redes sociais: facebook.com/sebraesp flickr.com/sebraesp soundcloud.com/sebraesp youtube.com/sebraesaopaulo
twitter.com/sebraesp instagram.com/sebraesp issuu.com/sebraesp
FALE COM A REDAÇÃO imprensa@sebraesp.com.br
12 | JORNAL DE NEGÓCIOS
o sebrae-sp não se responsabiliza pelas informações disponibilizadas neste espaço publicitário. o anunciante assume responsabilidade total por sua publicidade.
CONSULTORIA
TECNOLOGIA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO E REFORMAS 2 IRMÃOS: Contato pelos tels.: (11) 5523-4109 e (11) 99201-9708 www.empreiteiradoisirmaos.com.br – Sr. Domingos.
QUER AUMENTAR A COMPETITIVIDADE DA SUA EMPRESA POR MEIO DA INOVAÇÃO?
FACÇÃO DE CORTE DE ROUPAS FERRAZ: Empresa com experiência em todo tipo de tecido. Certificação ABVTEX. Atendemos magazines - Ferraz: (11) 2982-4383 e 9-9847-6682
® S U A
M A R C A
E M
B O A S
M Ã O S
PROTEJA SUA MARCA E GANHE GRATUITAMENTE O PEDIDO DE DIREITO AUTORAL DO SEU LOGOTIPO!
E� vitalıćio, nã o precisa renovar.
®
INSCREVA-SE NO PROGRAMA ALI E RECEBA UM AGENTE LOCAL DE INOVAÇÃO EM SUA EMPRESA!
Tem garantia e exclusividade mundial.
Tel: (11) 2537-5912 / (11) 98484-8274
www.mfmarcasepatentes.com.br
AGORA, O SEBRAE-SP TEM E-COMMERCE. FAÇA UMA VISITA E COLOQUE A GENTE NO CARRINHO. SUA EMPRESA VAI ADORAR. ACESSE JÁ E FAÇA SUA INSCRIÇÃO
solucoes.sebraesp.com.br
O Programa ALI* transforma os pequenos negócios por meio da inovação, aplicando uma metodologia que se ajusta às empresas que precisam criar, implementar e gerir a inovação.
CONDIÇÕES ESPECIAIS PARA MEI E ME
Para tornar a comunicação mais acessível ao cliente com deficiência auditiva, o Sebrae-SP disponibiliza o serviço de intérprete de Libras em seus eventos presenciais. A solicitação do serviço deverá ser comunicada no ato da inscrição e com antecedência de 5 (cinco) dias úteis à data de realização do evento. O cliente ou seu representante poderá se inscrever pessoalmente nos Escritórios Regionais, pelo portal do Sebrae-SP ou pelo 0800 570 0800.
• Programa gratuito destinado a microempresas e empresas de pequeno porte; • Acompanhamento customizado; • Realização de 10 encontros na empresa em até 9 meses; • Aplicação de ferramentas de inovação.
PARTICIPE!
PREENCHA O FORMULÁRIO DE INTERESSE NO SITE ABAIXO E AGUARDE NOSSO CONTATO.
www.ali.sebraesp.com.br
*Programa ALI requer conhecimento avançado em gestão.
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 13
AGENDA
ELOGIE. SUGIRA. CRITIQUE. RECLAME. Queremos ouvi-lo: 0800 570 0800 ouvidoria@sebraesp.com.br
FEIRAS DE NEGÓCIOS
EVENTOS DO SEBRAE-SP
15ª FEIRA DE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, SUPLEMENTOS,
CAPITAL
PRODUTOS NATURAIS E SAÚDE – NATURAL TECH
NA MEDIDA GESTÃO FINANCEIRA
Quando: 5 a 8/6
Quando: 3, 5, 7, 12 e 14/6 das 18h às 22h
Onde: Anhembi
Onde: ER Leste II Rua Victório Santin, 57 - Itaquera
Avenida Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo Informações: naturaltech.com.br
FISPAL FOOD SERVICE Quando: 11 a 14/6
Valor: 4 parcelas de R$ 65 NA MEDIDA MARKETING Quando: 10 a 13/6, das 18h30 às 22h30
Onde: Expo Center Norte
Onde: ER Capital Sul Av. Adolfo Pinheiro, 712 - Santo Amaro
José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo
Valor: R$ 240
Informações: fispalfoodservice.com.br
ER VALE DO RIBEIRA
PUERI EXPO
EMPREENDA
Quando: 13 a 16/6
Quando: 24 a 28/6
Onde: Expo Center Norte - Pavilhão Vermelho
Onde: Regis Hotel Rua São Francisco de Xavier, 70 - Centro, Registro
Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo
Valor: R$ 840
Informações: pueriexpo.com.br
ER JUNDIAÍ
REATECH - FEIRA INTERNACIONAL DE TECNOLOGIAS EM
PALESTRA DE APRESENTAÇÃO DO EMPRETEC
REABILITAÇÃO, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Quando: 25/6, às 19h
Quando: 13 a 16/6
Onde: Sebrae Aqui Bragança Paulista Rua Coronel Teófilo Leme, 1240, Centro, 1º Piso do Mercado Municipal
Onde: São Paulo Expo Informações: reatechbrasil.com.br
Valor: gratuito Telefone para inscrição: (11) 4033-4785 A entrevista do Empretec ocorrerá na semana de 15 a 19/7
ABF FRANCHISING EXPO 2019
ER BARRETOS
Quando: 26 a 29/6
NA MEDIDA GESTÃO DE PESSOAS E EQUIPES
Onde: Expo Center Norte - Pavilhão Branco
Quando: 4, 5, 6, 11, 12, 13/6, às 19h
Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo
Onde: Posto de Atendimento do Sebrae Aqui Bebedouro Praça Abílio Manoel, 124 - Centro, Bebedouro
Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo
Informações: abfexpo.com.br
ISC BRASIL - FEIRA E CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE SEGURANÇA 2019 Quando: 25 a 27/6 Onde: Expo Center Norte
Valor: R$ 280
ER PRESIDENTE PRUDENTE OFICINA DE ATENDIMENTO AO CLIENTE Quando: 13/6
Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme, São Paulo
Onde: Escritório Regional Sebrae-SP Presidente Prudente Rua Major Felício Tarabay 408, Centro
Informações: iscbrasil.com.br
Valor: R$ 80
14 | JORNAL DE NEGÓCIOS
TEC &
LIVROS Do empreendedorismo ao “Empresadorismo” (Alta Books)
Mentes Brilhantes (Universo dos Livros) Sabemos que todo mundo reconhece aqueles que inovam, criam ou provocam situações que, de alguma forma, chamam a atenção. Então, faz sentido afirmar que o segredo do sucesso pode ser resumido em ser criativo. No livro de Alberto Dell’Isola, o leitor entrará em contato com técnicas profissionais para desenvolver toda a capacidade do cérebro e impressionar com novas ideias. Eliminar bloqueios, lidar com a rejeição, aprender a fazer um brainstorming eficaz, construir mapas mentais, elaborar projetos vencedores, aumentar sua produtividade em reuniões, impressionar seu chefe, criar apresentações profissionais, e muito mais.
10% Empreendedor (HSM) Quem não quer correr atrás de seus sonhos, ser o próprio chefe e fazer o que ama? Muitas pessoas querem isso, mas a verdade é que empreendedorismo geralmente é um caminho árduo, sem horários regulares, sem segurança e com baixa remuneração. E se houvesse um jeito de ter a estabilidade de um emprego fixo e a excitação de uma startup? Todos os benefícios do empreendedorismo sem suas armadilhas? Em 10% Empreendedor, Patrick McGinnis mostra a você como, ao investir apenas 10% de seu tempo e recursos, você pode se tornar um empreendedor sem abrir mão do salário regular.
MARKETPLACE É O PRINCIPAL CANAL DE VENDAS DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE Usar canais de venda na internet deixou de ser tendência e tornou-se necessidade. A 4ª edição da Pesquisa Nacional de Varejo Online, realizada pelo Sebrae em parceria com E-Commerce Brasil, Lojas Integradas (VTEX) e B2W, mostrou que os empresários que atuam no e-commerce pretendem ampliar suas vendas em marketplaces até 2021. Atualmente, os shoppings virtuais já são considerados a principal plataforma de e-commerce utilizada por microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, alcançando a preferência de 52% das empresas pesquisadas. A pesquisa revelou que 30% das empresas consultadas trabalham apenas com e-commerce, 22% atuam com loja física e e-commerce e apenas 12% dos empreendimentos possuem apenas loja física. A pesquisa também apontou as principais dificuldades que os pequenos negócios enfrentam na rotina de gestão do e-commerce. A carga tributária é considerada um dos principais empecilhos para os pequenos negócios (43%), seguida pela logística (42%) e marketing e concorrência/showrooming empatam em terceiro lugar (30%). O levantamento detectou ainda que 46% dos pequenos negócios online apresentam lucro.
FACEBOOK LANÇA FERRAMENTAS VOLTADAS AOS PEQUENOS NEGÓCIOS O Facebook lançou três ferramentas voltadas às pequenas empresas. A partir de agora existe a possibilidade de anúncios automatizados. O recurso torna o processo de criação de campanhas mais fácil e intuitivo, em quatro passos simples, baseados nos objetivos de cada negócio. A outra novidade diz respeito a agendamentos, que dá a opção que prestadores de serviço permitam aos seus clientes marcar e gerenciar horários de atendimento por meio do Facebook e Instagram. Por fim, a ferramenta de edição ajuda a criar vídeos atrativos, em apenas alguns minutos, pelo smartphone. “Cerca de 81% das MPEs que estão no Facebook afirmam que a plataforma as ajuda a alcançar clientes que, de outra forma, seriam difíceis de acessar. Estas novas ferramentas permitem que o empreendedor tenha acesso a recursos de marketing intuitivos e eficientes, que se somam aos nossos esforços para que os pequenos negócios possam criar comunidades ao redor de seus serviços”, diz o vice-presidente do Facebook na América Latina, Patrick Hruby.
istockphoto.com
O livro de Sergio Rodrigues Bio convida o leitor a viajar pelas etapas que caracterizam os empreendimentos de impacto na nossa sociedade, que se tornam empresas de sucesso continuado, discute como essas organizações poderão sobreviver, com elegância, aos desafios e dos desmoronamentos dessas próximas gerações. Ao fazer essa viagem, o leitor deve, ao mesmo tempo em que lê, fazer suas análises para saber como vai conduzir sua vida profissional nos próximos anos turbulentos.
EDIÇÃO 302 | JUNHO DE 2019 | 15
IDEIAS
PERGUNTE A QUEM ENTENDE O que devo levar em conta para escolher a maquininha de pagamento mais adequada ao meu negócio?
WHATSAPP É USADO POR 76% DAS MPES PAULISTAS PARA FALAR COM CLIENTES Cada vez mais donos de micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas têm a tecnologia como aliada aos negócios. Pesquisa do Sebrae, realizada no ano passado, aponta que 76% deles usam o WhatsApp para se comunicar com os clientes. O mesmo levantamento aponta que 87% de micro e pequenas empresas têm acesso à internet. Além disso, WhatsApp e Facebook são as ferramentas mais usadas por elas, não só para divulgar serviços, mas também para estreitar a relação com clientes. O relatório Webshoppers 2019, realizado pela EbitNilesen, mostra que, apesar de 2018 ter sido turbulento devido às eleições, alta do dólar e greve dos caminhoneiros, o comércio eletrônico faturou R$ 53,2 bilhões, 12% a mais do que em 2017, e 58 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma compra online no ano passado.
istockphoto.com
FINANCIAMENTO COLETIVO NA TELA Capital C é um documentário norte-americano de 2015 sobre três sujeitos em busca de dinheiro para impulsionar seus negócios por meio do financiamento coletivo, o chamado crowdfunding. Em um período de três anos, o filme segue a empreitada deles para realizar seus sonhos e mudarem de vida em meio a Divulgação desafios e armadilhas desse tipo de estratégia para levantar recursos na era digital. O curioso é que a produção também foi bancada por meio de crowdfunding.
Divulgação
Eduardo Quevedo, presidente da Verifone no Brasil, responde:
Existem fatores essenciais que devem ser levados como critérios para a escolha da maquininha mais adequada. O primeiro passo é pesquisar se o aparelho fornece a flexibilidade de comunicação necessária e a garantia do recebimento de cartões das principais bandeiras presentes no mercado. O mesmo vale para a oferta de serviços financeiros. É importante observar se essa oferta é consistente para a antecipação do crédito a um custo bem competitivo, além dos custos por transação a preços adequados. Outro quesito básico para escolher o melhor aparelho para o seu negócio é verificar se a maquininha realiza as transações de pagamento de forma ágil, para que o serviço não corra o risco de ser interrompido justamente no momento da transação. Hoje, além de aparelhos mais ágeis, já existem diversas tecnologias disponíveis para incorporar outros serviços nas maquininhas, que ajudam a melhorar a experiência do consumidor. Também estão disponíveis no mercado novos aparelhos que permitem comprar e instalar aplicativos, gerenciar melhor seus negócios e se conectar com os consumidores de novas maneiras. Por fim, para assegurar que todos esses serviços funcionem de forma integral, o lojista deve verificar se o contrato de manutenção garante a troca do terminal, disponibilização de backups e pesquisar se o atendimento remoto funciona em tempo adequado.
Tem alguma dúvida sobre como a tecnologia pode ajudar o seu negócio? Pergunte a quem entende! Mande um e-mail para imprensa@sebraesp.com.br.
16 | JORNAL DE NEGÓCIOS
Caçadora de escorpiões Ana Prada, da Scorpion Combat, conta como surgiu a empresa de combate à praga
Ana Prada começou o negócio depois de encontrar um escorpião em casa
Julia Sansoni*
“S
ou formada em administração de empresas e trabalhei durante 30 anos na área administrativa. Assim que me mudei para São José dos Campos, na primeira semana na cidade, minha filha encontrou um escorpião no quarto dela. Fiquei muito assustada, porque ouvi várias notícias de que havia uma quantidade muito grande de escorpiões em São José. Comecei a procurar quem combatesse o bicho para contratar para o condomínio onde eu morava. Descobrimos que não havia nenhuma empresa que realizasse o serviço. Montei um grupo voluntário no condomínio para fazermos o trabalho. Foi quando surgiu a ideia e falei: ‘já que não existe uma empresa que
faça, então está na hora de existir!’ Quando iniciei, pensava em fazer uma coisa só para o meu bairro, para o meu condomínio. O investimento para montar o negócio não foi alto, já que precisa só de algumas ferramentas. O investimento maior é humano. Comecei sozinha, não tinha funcionários fixos, então contratava autônomos, porque a demanda de trabalho era muito pequena. De repente, foi tomando uma proporção que eu não esperava. Naquele momento, maio de 2017, me tornei Microempreendedora Individual (MEI) e procurei o Sebrae-SP, que me auxiliou na formalização. Em setembro daquele ano, fiz o Super MEI, que me ajudou muito. Hoje eu tenho oito funcionários registrados. Capturamos, em mé-
dia, 500 a 800 escorpiões por mês. Muitos entregamos ao Centro de Controle de Zoonoses de São José, que tem parceria com o Instituto Butantã, para a produção de soro. Nosso principal diferencial é que fazemos o combate mecânico. O escorpião é muito resistente à química, porque é um aracnídeo, e o inseticida não o mata. Somos a única empresa no Brasil com licenciamento e autorização para a captura de escorpião e a única que tem Cnae (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) específico para a captura do bicho. Em janeiro deste ano, percebemos que não dava para permanecer no MEI; tínhamos de nos desenquadrar e migrar para microempresa.
A população de escorpiões tem crescido muito, então temos muitos para capturar ainda. Além disso, não existe outra empresa que faça esse serviço e, mesmo que surja, não terá nosso pioneirismo, experiência e expertise. Temos certeza de que vamos crescer muito Brasil afora. O apoio é muito importante, pois estamos muito sozinhos quando começamos um negócio. Essa solidão, às vezes, faz a gente desistir. E o Sebrae-SP dá apoio, a parceria que uma pessoa próxima não consegue dar porque não tem a visão que precisamos no momento. O apoio do Sebrae-SP é fundamental para qualquer empreendedor.” *Estagiária sob supervisão dos editores