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Sandra Nalli, fundadora da Escola do Mecânico: da desconfiança inicial para uma franquia com 22 unidades
AGORA É COM ELAS Mulheres empreendedoras inovam em atividades consideradas ‘masculinas’, como mecânica de automóveis e manutenção de computadores. Pág. 8
As churrasqueiras artesanais que conquistaram os famosos Pág. 3
O que fazer quando o MEI precisa mudar de categoria Pág. 4
‘Marido de aluguel’ ganha espaço como opção de renda Pág. 6
2 | JORNAL DE NEGÓCIOS EXPEDIENTE
Brasil no pelotão intermediário PAULO SKAF, Presidente do Sebrae‑SP
A mais recente pesquisa Doing Business – Fazendo Negócios, do Banco Mundial, mostrou que o Brasil é o 109º país com maior facilidade de fazer negócios. O estudo analisa leis e regulações que dificultam ou facilitam a vida das empresas em 190 países. Aqui, o destaque foi a aprovação de quatro reformas estruturais que melhoraram o ambiente de negócios, ajudando a atrair investimentos, a criar empregos e a aumentar a competitividade do setor produtivo. A Redesimples, sistema online integrado de abertura e registro de empresas, foi um dos pilares dessa arrancada de 16 posições na comparação com o ano anterior. Formalizar uma empresa na cidade de São Paulo leva agora 20 dias (eram 82).
O estudo também aponta os gargalos que ainda atrapalham o crescimento dessas empresas, como o tempo gasto exclusivamente para pagar tributos – incríveis 1.958 horas, ou 81,5 dias, além da alta carga tributária (37% PIB). Nesse quesito, estamos em penúltimo lugar no ranking, na frente apenas da Venezuela. Reduzir a burocracia e a carga tributária são pontos fundamentais para garantir musculatura aos pequenos negócios, principais geradores de emprego e ocupação. Esse foi um dos desafios que moveram minha atual gestão à frente da presidência do Sebrae-SP, além da inserção dos pequenos negócios no mundo 4.0. Após quatro anos de intenso trabalho, acredito que ajudamos o Brasil a fazer parte do dever de casa, ao defender a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Gastos Públicos, a reforma trabalhista, a ampliação de limite do Simples e ao bloquear tentativas de aumento de impostos.
Publicação mensal do Sebrae-SP Edição impressa CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: Paulo Skaf ACSP, ANPEI, Banco do Brasil, Faesp, FecomercioSP, Fiesp, Fundação ParqTec, IPT, Desenvolve SP, SEBRAE, Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
No apoio ao empreendedor, nossa marca foi a expansão. Quase triplicamos a rede física de atendimento, aumentamos a malha de orientação e capacitação remota, hoje responsável por 50% do total de atendimentos da entidade. Realizamos ainda mais de 7 milhões de atendimentos e quase 1 milhão de diagnósticos de gestão nesse período. De olho no empreendedor do futuro, autorizei a mais forte ampliação do programa de educação empreendedora, com atividades chegando a mais de 160 mil crianças e jovens de 6 a 14 anos; a criação da Escola Superior de Empreendedorismo do Sebrae-SP; e do Centro Nacional de Referência em Empreendedorismo, Tecnologia e Economia Criativa. Agora é avançar, investindo ainda mais na inovação, na simplificação burocrática e tributária. Vamos tornar o Brasil um lugar ainda melhor para fazer negócios e levá-lo ao pelotão de elite do ranking mundial Doing Business.
Ciência e Tecnologia, Sindibancos-SP, Superintendência Estadual da Caixa Econômica Federal. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor-superintendente interino e diretor técnico: Ivan Hussni Diretor de adm. e finanças: Pedro Jehá JORNAL DE NEGÓCIOS Unidade Inteligência de Mercado Gerente interina: Marcelle Carvalho. Editores responsáveis e redatores: Gabriel Jareta (MTB 34769) e Roberto Capisano Filho (MTB 46219). Assessores de imprensa: Gisele Tamamar e Rogério Lagos. Estagiário: Wallace Leray. Imagens: istockphoto.com. Diagramação: Marcelo Costa Barros e Letícia Durães. Fotos: Ricardo Yoithi Matsukawa – ME e Carlos Raphael do Valle – ME para o Sebrae-SP. Apoio comercial: Unidade Comercial Giulliano Antonelli (gerente). SEBRAE-SP Rua Vergueiro, 1.117, Paraíso São Paulo-SP. CEP: 01504-001 ESCRITÓRIOS REGIONAIS SEBRAE-SP Alto Tietê Araçatuba Araraquara Baixada Santista Barretos
Novidades
Bauru
Programa de desenvolvimento de lideranças chega a 550 municípios
Capital Norte
Botucatu Campinas Capital Centro Capital Leste I Capital Leste II Capital Oeste Capital Sul
Estimular a criação de um ambiente favo- nados ao LIDER em 19 Estados. Por meio do doeste de Minas Gerais, que abriga três conjunrável aos pequenos negócios para o desenvol- programa, as lideranças locais são identificadas tos de riquezas naturais: a Serra da Canastra; a vimento regional sustentável. Esse é o objetivo e convidadas a debater questões relativas às Bacia do Médio Rio Grande e o Lago de Furnas. do Programa de Desenvolvimento de Lideran- particularidades e potencialidades da região, Apesar das condições geográficas privilegiaças (LIDER), uma metodologia de mobilização, elegendo prioridades que passam a compor a das, até pouco mais de três anos atrás o desenqualificação e integração de lideranças que o estruturação e formulação de um plano voltado volvimento era estagnado na região. Em abril Sebrae vem implementando, há dez anos, em ao desenvolvimento sustentável da região. vários Estados e hoje abrange 550 municípios.
de 2015, o programa começou a ser implanta-
“Com a plataforma, os envolvidos no progra- do na região. Os resultados estão nas áreas do
Atualmente, essas lideranças regionais já so- ma podem compartilhar projetos, estratégias, agronegócio, turismo, educação e tecnologia.
online de integração profissional, em que po- tes e, com isso, mobilizar recursos e impulsionar dem compartilhar experiências, conteúdos e o desenvolvimento da região”, afirma o presidenreforçar o engajamento. O Sebrae desenvolve 39 projetos relacio-
te do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. Um exemplo do trabalho está na região Su-
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públicos, empresários, representantes de enti- cipar de transmissões ao vivo; realizar enquetes civil. Esses líderes contam com uma plataforma zar a interação e integração entre os participan-
Grande ABC Guaratinguetá Guarulhos Jundiaí Marília Osasco Ourinhos Piracicaba Presidente Prudente Ribeirão Preto São Carlos São João da Boa Vista
mam mais de 1,3 mil pessoas entre gestores artigos, fotos, vídeos e outros conteúdos; partidades de classe e de organizações da sociedade online, entre outras ações. Tudo para potenciali-
Franca
São José do Rio Preto São José dos Campos Sorocaba Sudoeste Paulista Vale do Ribeira Votuporanga ENTRE EM CONTATO: 0800 570 0800
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Entrevista do mês
O churrasqueiro das estrelas Marcelo Fernandes de Melo, da FM Parrillas, uniu paixão pelo churrasco e oportunidade de mercado Luiz Otávio Paro
A
Marcelo Fernandes de Melo, da FM Parrillas: churrasqueiras artesanais atraíram chefs famosos
paixonado por churrasco desde a infância, Marcelo Fernandes de Melo decidiu levar sua paixão a sério. Há seis anos, criou em Barretos, sua cidade natal, a FM Parrillas, empresa especializada na produção de churrasqueiras artesanais personalizadas e acessórios para churrasco. Com o sucesso das primeiras vendas, feitas para amigos, Melo resolveu comprar uma serralheria e investir na produção. Atualmente, ele tem como seus clientes uma lista de famosos, como atores, duplas sertanejas e chefs de cozinha renomados – além de participar de programas de televisão – e já exporta para diversos países. Na entrevista a seguir, Melo conta como foi o processo de começar a empreender até se tornar uma referência no mercado. Como surgiu a ideia de criar uma empresa que fabricasse churrasqueiras personalizadas? Eu sou formado em administração de empresas, tinha um bom emprego, mas percebi que não era aquilo que eu gostava. Eu sempre gostei muito de fazer churrasco, desde criança. Certa vez fui a uma churrascaria na Argentina, experimentei cortes diferentes de carne e adorei. Percebi que era uma área que me atraía muito. Quando um amigo comprou uma casa, eu desenhei e fiz uma churrasqueira para ele com o auxílio de um serralheiro, que era muito experiente e fazia tudo com muita arte e técnica. E outros três amigos gostaram tanto do produto que eu pensei: por que não começar a fabricar churrasqueiras? E foi aí que tudo começou. Comprei uma serralheria em Barretos, minha cidade natal, e comecei a produzir e desenhar os produtos seguindo as técnicas que o serralheiro havia me passado. Quais os modelos de churrasqueira que a FM Parrillas produz?
Os equipamentos do reality show “BBQ Brasil”, do SBT, são todos da FM Parrillas, e o estúdio gourmet do programa “Mais Você”, da Ana Maria Braga, também conta com uma churrasqueira nossa. Com o seu negócio, você também se tornou uma pessoa conhecida em eventos e festivais de churrasco, certo?
Temos diversos modelos, desde as tradicionais até modelos mais sofisticados, como as retrôs, as portáteis, as de bancada e o nosso modelo mais diferenciado, que é a Smoker, um defumador de dois metros de largura. O nosso grande diferencial é que personalizamos cada produto para os clientes e colocamos as iniciais do nome das pessoas e a numeração de cada churrasqueira. Quantas churrasqueiras são vendidas por mês? E quais os valores? Em média, vendemos 30 churrasqueiras por mês para todo o Brasil. O preço de um produto pode variar bastante conforme o tamanho, formato e utilidade, mas vai de R$ 4 mil em uma churrasqueira mais simples até R$ 40 mil em uma mais sofisticada. Você já pensa em exportar os produtos? Sim, recentemente nós já começamos a exportar nossos produtos para países como Estados Unidos, Canadá, Espanha, Itália e Suíça. O
próximo passo é a Austrália. Atualmente, quais os principais canais para divulgação e vendas dos seus produtos? Nossa maior divulgação é feita hoje pelo Instagram (@fmparrillas) e também pelo “boca a boca” dos clientes. Em relação às vendas, 90% de tudo que comercializamos hoje é feito pelo WhatsApp. Entre seus clientes há muitos famosos. Como eles chegaram até você? Hoje na nossa cartela de clientes temos celebridades aqui no Brasil, como cantores, atores e chefs de cozinha. Eles nos conheceram principalmente pelo Instagram e pela minha participação em programas de TV com quadros de culinária. Você poderia citar alguns? Tenho como cliente os chefs de cozinha Dario Cecchini, Erick Jacquin e Felipe Bronze, os atores Bruno Gagliasso e André Marques, o Bruno, da dupla Bruno & Marrone, o Léo, da dupla Victor & Léo, Cesar Menotti e Fabiano, entre outros.
Sim. Junto com o crescimento da FM Parrillas, também comecei a ser convidado para participar de grandes eventos e festivais de churrasco em todo o Brasil. Muitos famosos também nos convidam para fazer churrascos particulares, como fiz para os cantores Jorge Aragão e Seu Jorge e para o apresentador Luciano Huck. Recentemente, participei do programa “Tempero de Família”, apresentado pelo Rodrigo Hilbert, no canal GNT. Lá ensinamos a melhor maneira de como se fazer uma picanha no espeto. Você fez algum curso para abrir o negócio? Mesmo antes de abrir a empresa eu sempre fiz cursos em diversas áreas. Mas, o mais importante até agora, foi o Empretec, do Sebrae. Ele foi o gatilho que eu precisava para começar os meus negócios. O curso mexeu com o meu espírito empreendedor, me fez pensar e começar a tomar ações e atitudes para criar coragem e abrir o negócio. Quais as dicas que você pode dar para quem quer abrir um negócio? Em primeiro lugar, ela deve identificar o que gosta de fazer para fazer bem feito. Assim, ela vai conseguir trabalhar de uma forma leve, suave e com garra de vencer. É preciso ter paixão pelo negócio. A segunda dica é se preparar. Fazer cursos, estudar o mercado e ter um planejamento completo, que começa antes de abrir a empresa.
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Quando o MEI
Até setembro de 2018, mais de 30 mil Microempreendedores Individuais
Em menos de um ano de atuação como MEI, o empresário Fernando Daud migrou para microempresa
Gisele Tamamar
A
facilidade de formalização, a redução e a simplificação no recolhimento de impostos são alguns dos fatores que atraem os iniciantes na vida à frente do próprio negócio para modalidade de Microempreendedor Individual (MEI). Não é à toa que eles já somam mais de 7,5 milhões de profissionais e lideram o número de abertura de empresas no País. Mas, com um faturamento limitado a R$ 81 mil por ano, o MEI que consegue prosperar precisa migrar para a condição de microempresa caso ultrapasse esse valor. Embora a transição possa ser feita sem maiores problemas, o empreendedor deve ficar atento a prazos e limites. Em 2018, até setembro, foram registradas 28.037 transições de MEI para microempresa, o equivalente a 84,5% do total de registros de todo o ano passado, quando 33.187 MEIs foram desenquadrados. A consultora do Sebrae-SP Ana Luiza Santana conta que os MEIs costumam ter medo de ultrapassar o faturamento, sem se dar conta que isso é um fator
positivo. “Isso significa que sua empresa está dando certo, crescendo. O MEI é apenas o início, uma espécie de incentivo, para o começo que costuma ser difícil para a maioria com poucos recursos”, afirma. Segundo a consultora, a passagem para microempresa costuma causar muitas dúvidas porque grande parte dos empreendedores desconhece o momento em que o desenquadramento deve ser feito. Isso porque, caso o faturamento ultrapasse até 20% do limite, o empresário segue com os pagamentos como MEI até o fim do ano e somente em janeiro deve pagar a diferença sobre o valor ultrapassado e pagar os tributos como microempresa. Caso ele ultrapasse os 20%, o desenquadramento é realizado no mesmo ano e o empresário precisa recorrer a um contador e já pagar os impostos como microempresa. Foi o que ocorreu com a Olho do Drone, empresa de São José do Rio Preto, que começou como MEI e migrou para microempresa em menos de um ano após a formalização. Depois de atuar como piloto
de motocross, Fernando Daud, de 34 anos, começou a trabalhar na área de design gráfico com confecção de imagens em 3D na área de arquitetura e construção. Diante da necessidade do uso de uma ferramenta para fazer fotos e inserir as imagens, ele enxergou uma oportunidade de oferecer o serviço com drones próprios. “Começou mais para eu suprir a minha necessidade e logo evoluí de um equipamento básico para um mais profissional”, afirma. A escolha por começar como MEI se deu pelo baixo custo e pela simplicidade da abertura. “Como tudo era muito novo, eu não tinha essa convicção que a ideia ia dar tão certo. Todos os dias fazia novos contatos, visitava clientes, corri muito atrás disso. Logo no primeiro ano já estouramos o faturamento”, lembra Daud, que acionou um contador para fazer a transição para microempresa. O empresário segue com planos de crescimento. A expectativa é fechar 2018 com uma alta de 20% no faturamento e atingir 30% em
2019. “É difícil mensurar o mercado, a concorrência aumentou e os valores caíram. Mas tem muito aventureiro que não dura muito no mercado”, avalia Daud.
ATENÇÃO
“A migração é simples, porém, o empresário precisa prestar atenção e fazer o acompanhamento do seu faturamento por conta do prazo para comunicação do desenquadramento e das providências que deve adotar a partir daí”, destaca Ana Luiza, do Sebrae-SP. Apesar da recomendação, 38,8% dos MEIs não fazem o registro das receitas, segundo pesquisa do Sebrae. Já 47% responderam que controlam a entrada de dinheiro no negócio em um caderno e 16,5% em um computador. O consultor do Sebrae-SP Wagner Viana Pereira reforça a importância do MEI fazer a gestão financeira do negócio. “O MEI precisa ter uma ideia dos custos para formar preço, saber se o negócio está sendo viável. Ele não pode crescer sem controle. Ele precisa se preparar para virar microempresa por-
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vai além
pediram migração para microempresa em busca de voos mais altos Istockphoto.com
que vai enfrentar uma complexidade maior”, diz Pereira. Além do faturamento anual acima do limite permitido, outros motivos podem levar o MEI a fazer a migração, como a contratação de mais de um empregado, o fato de o salário do empregado ultrapassar o limite legal, o exercício de uma atividade vedada ao MEI, ou simplesmente a opção de mudança sem declaração de motivo.
COMO FUNCIONA A TRANSIÇÃO Ao estourar o limite de R$ 81 mil por ano, o MEI passará à condição de microempresa. Veja o que fazer: Se ultrapassar até 20% de R$ 81 mil (até R$ 97,2 mil) O empreendedor deverá recolher os DAS na condição de MEI até o mês de dezembro e, também, recolher um DAS complementar pelo excesso de faturamento no vencimento estipulado para o pagamento dos tributos abrangidos no Supersimples relativos ao mês de janeiro do ano-calendário subsequente. A regra geral é no dia 20 de fevereiro, sendo que esse DAS será gerado quando a Declaração Anual do MEI (DASN-Simei) for transmitida. A partir do mês de janeiro, o empresário passa a recolher os impostos pelo sistema Supersimples
como microempresa, com percentuais iniciais de 4%, 4,5% ou 6% sobre o faturamento do mês, conforme as atividades econômicas exercidas (comércio, indústria e/ou serviços). Se ultrapassar mais de 20% de R$ 81 mil (mais que R$ 97,2 mil) Se o faturamento for superior a R$ 97,2 mil, o MEI passa à condição de microempresa (até R$ 360 mil) ou empresa de pequeno porte (R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões), retroativo ao mês de janeiro ou ao mês da inscrição (formalização), caso o excesso da receita bruta tenha ocorrido durante o próprio ano-calendário da inscrição. Nesse caso, passa a recolher os tributos devidos pelo sistema
Supersimples, com percentuais iniciais de 4%, 4,5% ou 6% sobre o faturamento, conforme as atividades econômicas exercidas (comércio, indústria e/ou serviços). No caso de início de atividade, deverá ser observado o limite proporcional: (R$ 81 mil/12) multiplicados pelo número de meses compreendido entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro. ● O MEI também pode pedir o desenquadramento por opção em qualquer momento. E ainda poderá ocorrer o desenquadramento automático caso ocorra alguma alteração de dados no CNPJ que implique em alteração para natureza jurídica distinta de empresário
individual, inclusão de atividade econômica não permitida ao MEI e abertura de filial. Como solicitar No caso do desenquadramento por faturamento, o MEI deverá solicitar, obrigatoriamente, o desenquadramento como MEI no Portal do Simples Nacional, no site da Receita Federal. O procedimento é o mesmo para o procedimento voluntário. O MEI deverá gerar um código de acesso, conforme instruções disponíveis no Portal. Após digitar o código de acesso, o contribuinte deverá selecionar o motivo e a data em que ocorreu o fato motivador do desenquadramento.
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‘Marido de aluguel’
Número de MEIs do setor de reparos domésticos no Estado aumenta
Após trabalhar no exterior com reparos domésticos, Itamar Reveriego decidiu abrir uma empresa no Brasil
Marcelle Carvalho
C
om o desemprego atingindo cerca de 13 milhões de brasileiros, muita gente decidiu fazer dessa situação ruim uma oportunidade para gerar renda com uma atividade que vem ganhando espaço: o marido de aluguel. Só no Estado de São Paulo, o número de profissionais que se formalizaram como Microempreendedores Individuais (MEIs) no setor de reparos domésticos cresceu 22% nos últimos dois anos. Na Capital esse crescimento foi de 13,1%. Em números absolutos, são cerca de 185 mil MEIs paulistas em atividades de reparos domésticos, categoria associada aos maridos de aluguel – 39 mil apenas na Capital. Para quem não conhece a ex-
pressão, o marido de aluguel é aquele profissional “faz tudo”, que executa pequenas reformas, serviços elétricos e hidráulicos, pintura, aplicação de gesso, instalação e manutenção de eletrodomésticos, entre outras diversas atividades. Esse tipo de oferta se tornou mais popular nas grandes cidades, onde há um número maior de pessoas que moram sozinhas e não sabem – ou não têm tempo de – executar esses pequenos serviços. O empreendedor Itamar Reveriego é um bom exemplo de quem está aproveitando esse momento por reunir várias dessas habilidades. Formado em administração de empresas, ele teve uma experiência de 17 anos à frente de um restaurante. Quando o estabelecimento fechou, Reveriego seguiu para o
mundo: morou nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Portugal, sempre trabalhando em serviços de reparos, jardinagem e pintura, entre outros. Percebeu que lá fora essa profissão de prestação de serviço era muito bem aceita e, ao voltar para o Brasil, há dois anos, decidiu apostar na atividade de marido de aluguel. “O mercado de trabalho tradicional no Brasil está muito difícil, e quando tem vaga o salário é muito baixo. Por isso tive a ideia de apostar nessa atividade que vem me mantendo há tantos anos por onde passei. Percebi que o mundo inteiro precisa desse tipo de serviço e montei a empresa”, diz. Depois de passar por alguns cursos no Sebrae, entre eles o Super MEI, Reveriego decidiu se formalizar como MEI e assim nasceu, há três meses, a Aloha Serviços.
“Antes eu fazia esses pequenos reparos de maneira bem informal, não vivia disso. Agora resolvi investir mesmo e está dando muito certo. O que faz crescer esse nosso trabalho é a divulgação, por isso já fiz cartão de visita e perfis da empresa no Facebook e Instagram. Ofereço de tudo: desde serviços de jardinagem, pintura, até instalação de prateleiras e troca de chuveiro”, completa. O mercado de prestação de serviços costuma ser escolhido por muita gente que decide dar o primeiro passo no empreendedorismo por exigir, na maioria das vezes, um baixo custo de investimento e menos tempo de preparação para iniciar a empresa. Mas quem decide apostar nesse segmento tão concorrido também precisa ter em mente a importância da qualificação para
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cresce como negócio
22% nos últimos dois anos; divulgação e bom atendimento são fundamentais se destacar. “Quanto mais qualificados esses profissionais são, maior a chance de ter sucesso. E para isso é preciso encarar o negócio como uma empresa. Ter padrão de atendimento, controle de qualidade, emitir nota fiscal, entre outros cuidados”, destaca Felipe dos Anjos Chiconato, consultor do Sebrae-SP.
Coloque a mão na massa Veja as dicas do consultor do Sebrae-SP Felipe dos Anjos Chiconato para quem pretende empreender na área de serviços de reparos domésticos:
BOM ATENDIMENTO
Capacite-se e procure se atualizar constantemente, pois o mercado está sempre em evolução.
Segmente a região, perfil de cliente e no tipo de serviços que pretende se especializar. Dessa maneira é mais fácil tornar-se referência e atrair clientes.
Sempre peça indicações a seus clientes e também peça que eles o indiquem a outros amigos.
Procure ter cartões de visita sempre a mão. Se possível, faça um blog ou um canal no YouTube para gerar conteúdo sobre os serviços e para que os clientes possam observar o seu conhecimento.
Não misture o dinheiro da empresa com o dinheiro do empresário, estabeleça um salário para você e busque aumentar o resultado da empresa, para que ela financie o próprio crescimento.
Evite improvisar no serviço e dar “jeitinhos” que possam a vir a comprometer o seu nome e da sua empresa no mercado.
Fotografe os seus trabalhos, pegue depoimentos de clientes e monte o seu portfólio de serviços para servir de referência para novos clientes.
A relação de confiança é muito importante neste mercado, então procure trabalhar de forma a inspirar confiança desde o primeiro contato, principalmente mostrando profissionalismo.
Passe um orçamento de forma profissional, por meio de um documento, contendo descrição dos serviços a serem realizados, prazo de execução, valores e validade da proposta, de preferência por e-mail ou impresso. Não diga: “Ah! Isso é difícil, vou cobrar x”.
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O serviço de reparos domésticos também foi a alternativa encontrada pelo administrador de empresas Ruston Santos Souza para voltar ao mercado de trabalho aos 48 anos de idade após o desligamento do banco onde trabalhava. Com uma grande experiência no sistema bancário, tendo ocupado até cargos de gerência, ele viu o desemprego e a dificuldade de recolocação baterem à sua porta. A alternativa para obter renda foi fazer de um antigo hobby a sua nova profissão. Como já tinha o costume de ser o faz tudo de casa e dos amigos, decidiu trabalhar por conta própria como marido de aluguel e oferecer seus conhecimentos de manutenção, instalação de equipamentos e pintura. Para Souza, o preparo que adquiriu em suas atividades anteriores foi decisivo para se destacar nesse mercado e se diferenciar dos concorrentes. “Trabalho com todo tipo de pequenos consertos, hidráulica, elétrica, marcenaria, sou o quebra-galho que resolve o problema. O mercado tem muita concorrência, mas também tem muita gente despreparada, que não tem conhecimento nem ferramentas suficientes para atender bem”, diz. O empreendedor conta que sua agenda está sempre ocupada principalmente graças ao bom atendimento que procura oferecer. “Conquistei isso com uma abordagem certeira, um jeito cuidadoso de entrar na casa da pessoa de forma discreta e entregar um serviço com qualidade e transparência”, completa.
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As mulheres
Em atividades dominadas por homens, como mecânica de automóveis
Camila CEG (à dir.), da TechYou, com a sócia Caroline Almeida: equipe de manutenção de computadores 100% feminina
Rogério Lagos
A
té pouco tempo atrás era comum escutar no mercado de trabalho que certas profissões eram apenas para homens. Isso acontecia porque as mulheres eram consideradas “frágeis” para exercer muitas funções na sociedade. Embora ainda haja um longo caminho pela frente, hoje em dia muitas mulheres vêm obtendo sucesso no desafio de provar que não são menos capazes do que os homens e que contam com estratégias e habilidades diferentes para realizar uma mesma tarefa. Camila Gonçalves, ou “Camila CEG”, como é conhecida por seus clientes, é um exemplo desses novos tempos. Mesmo formada em letras, sua grande paixão é montar e consertar computadores. Em 2015,
ao levar seu computador para manutenção em uma assistência técnica na Rua Santa Ifigênia, endereço tradicional no centro de São Paulo para esse tipo de serviço, achou o orçamento caro e brincou com o proprietário do espaço que teria de trabalhar no local para conseguir pagar. Ele concordou, Camila gostou da ideia e lá aperfeiçoou suas técnicas até 2017. “Eu já tinha noção, pois mexia muito nas máquinas. Mas essa experiência foi fundamental para eu abrir uma empresa própria”, conta a empreendedora, que, com a sócia Caroline Almeida, transformou o hobby em um negócio em potencial dando vida à TechYou, empresa especializada em assistência técnica de informática e consultoria de tecnologia.
Quem também atua em um mercado comumente tido “para homens” é Sandra Nalli, fundadora da Escola do Mecânico, que começou em Campinas por meio de um projeto social e hoje é uma franquia com 22 unidades em operação. A empreendedora, formada em administração, conta que iniciou sua carreira como menor aprendiz em um centro automotivo, aos 14 anos. Passou por vários setores da empresa até se capacitar para se tornar líder da oficina, aos 22 anos. Paralelamente a essa função, Sandra ministrava palestras como voluntária para jovens infratores da Fundação Casa contando sua história, falando sobre mercado de trabalho e motivação. Foi quando percebeu que muitos ali tinham potencial para crescer e se propôs a ensiná-los
mecânica, uma vez que já tinha uma boa bagagem técnica sobre o assunto. Ela alugou uma sala com recursos próprios no centro de Campinas, pediu para um amigo grafitar “Escola do Mecânico” na parede e assim nasceu o projeto social, que rapidamente chamou a atenção de pessoas de fora interessadas em pagar pelo curso. “Busquei o Sebrae-SP para me ajudar, fiz um curso de plano de negócios e formalizei a empresa em março de 2011”, conta. Mas o dia a dia destas empreendedoras não era fácil, tanto pelos desafios do empreendedorismo quanto pela questão cultural enraizada em seus negócios. Camila e Sandra encontraram dificuldades em seus caminhos que um homem provavelmente não enfrentaria. “Eu não podia ir muito arrumada
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pedem passagem
e manutenção de computadores, elas conseguem empreender e inovar trabalhar porque sofria assédio. Fora que quando um cliente chegava com um computador para arrumar geralmente me questionava se era eu mesma que ia mexer, se eu era filha ou irmã do dono”, relembra Camila. O mesmo acontecia com Sandra quando tinha de analisar o barulho no carro dos clientes e pedia a chave para dirigir o veículo. “Ser mulher, jovem e baixinha era praticamente uma agressão, chocava muitos homens que se recusavam a confiar seus carros em minhas mãos”, conta. Os números mostram como é o cenário que essas empreendedoras precisam desbravar. Levando em conta apenas os Microempreendedores Individuais (MEIs), existem mais de 69 mil empresas de reparação automotiva no Estado de São Paulo – e apenas 13% delas estão em nome de mulheres. Já em relação a manutenção de computadores, dos 37,6 mil MEIs existentes, pouco mais de 14% pertencem a mulheres. Tanto Camila quanto Sandra sabem que a capacitação contínua é fundamental para que os negócios deem certo. Para elas, mulheres em “ambientes masculinos”, mais ainda. Para que a TechYou siga em crescimento, Camila está em um curso avançado de reparo de placas, expandindo seu conhecimento para o mundo dos smartphones e ainda realizou o curso Empreenda no Sebrae-SP, para melhorar a gestão do seu negócio. “Passei a ter outras ideias e vivências que não tinha. Hoje consigo otimizar muitos processos e enxergar além, pensando em expansão e a importância de ter mais pessoas trabalhando comigo, o que antes era inimaginável”, explica Camila. Sandra, por sua vez, participou do programa ALI (Agentes Locais de Inovação) e conseguiu implantar em seu negócio muitos processos importantes para o dia a dia. “Desenvolvi um portal para franqueados com atualizações instantâneas. Hoje enxergamos gráficos com
informações de qualquer unidade com uma padronização correta para uma gestão eficaz”. O sucesso de Sandra foi tanto que em 2015 venceu o Prêmio Mulher de Negócios, oferecido pelo Sebrae.
EXPANSÃO
A TechYou foca os seus serviços em mulheres, pois entende que o diferencial da empresa, por ter uma equipe exclusivamente feminina, é proporcionar uma experiência de atendimento em que as mulheres se sintam mais à vontade. Atualmente, são cerca de 20 clientes por mês que utilizam os serviços da empresa, mas em um futuro próximo esse número deve crescer consideravelmente. “Hoje tenho uma outra atividade no período da manhã, o que não me permite atender a toda a demanda. Mas em breve vou focar 100% na empresa, o que deve praticamente dobrar a nossa clientela mensal”, explica Camila, que pretende ainda expandir suas aulas de tecnologia para idosos, hoje em parceria com uma instituição de ensino. Já a Escola do Mecânico surfa na onda do mercado. Sandra acredita que o setor de reparação automotiva deve crescer, e já está de olho em tendências dos próximos anos para seguir expandindo a marca que, até 2019, chegará a 50 unidades em todo o Brasil. “Os carros híbridos e elétricos já são uma realidade. Ainda é uma quantidade inexpressiva em relação à frota total, mas temos certeza de que não haverá mecânicos especializados. Portanto, vamos lançar um curso focado para esse tipo de veículo”, projeta a empreendedora que, mesmo vendo o seu negócio crescer aproximadamente 300% ao ano, segue tendo sua motivação na questão social. “Não há nada melhor do que trabalhar com prazer e significado, poder construir uma empresa que resolve um problema da sociedade, visando empregabilidade e renda”, diz.
DIFERENCIAL
Para o gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, Nilcio Freitas, as mulheres têm mais sensibilidade nos negócios, porém ao mesmo tempo são mais calculistas e seguras. “Elas são muito objetivas. Isso fica ainda mais evidente quando notamos que 92% das mulheres que trabalham por conta própria conciliam também afazeres domésticos. Elas empreendem e tomam conta da família”, comenta. E quando os negócios envolvem setores e profissões comumente exercidos por homens, o foco das mulheres aumenta. “O desafio se torna maior, mas ao mesmo tempo elas encaram como uma forma de mostrar que elas podem. Essas mulheres ganham mercado logo quando começam a empreender pois os clientes notam diferenciais como compromisso, capricho de pesquisar aquilo que vai entregar. Não que os homens não os tenham, mas nas mulheres ficam muito mais evidentes”, explica.
PARA CONQUISTAR O MERCADO Três dicas valiosas para mulheres que querem empreender em áreas dominadas por homens, pelo gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, Nilcio Freitas: - Use a aparente adversidade como um diferencial. Não enxergue a situação como uma barreira, mas sim como uma oportunidade; - Elenque quais competências você tem que iriam convencer alguém a contratar seus serviços ou comprar seus produtos; -Não desista no primeiro não. Muitas empreendedoras em potencial acabam desistindo por ceder aos preconceitos
Sandra Nalli, mecânica de automóveis: “Muitos homens se recusavam a confiar o carro em minhas mãos”
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Capacitação faz a diferença
Participação da equipe em cursos e treinamentos traz bons resultados para a empresa
Alguém que trabalha na empresa participou de curso ou treinamento? (nos últimos 12 meses1)
Denis Bueno (à esq.) e o irmão Elvis, da Pepper Drinks: participação em cursos é uma constante na empresa
15,0%
18,6%
66,4%
Sim Não Não sabe Roberto Capisano Filho
E
m agosto deste ano Denis Bueno, o irmão e sócio, Elvis, e três funcionários concluíram um curso de vendas de oito semanas. A participação em capacitações é rotina para proprietários e colaboradores da Pepper Drinks, empresa que presta serviço de bar e bartenders para eventos. Os frutos da busca por qualificação estão no dia a dia do negócio. “Antes do curso, a nossa conversão imediata de clientes, ou seja, de fechamento de contratos, era de 50%; depois chegou a 86%”, afirma Denis Bueno. Porém, a empresa faz parte de uma minoria: segundo levantamento do Sebrae-SP, apenas 18,6% das micro e pequenas empresas (MPEs) tiveram alguém da equipe envolvido em cursos e treinamentos nos últimos 12 meses, ante 66,4% que não adotaram esse tipo de iniciativa no mesmo período. Já entre as MPEs envolvidas em atividades dessa natureza, 98,6% afirmaram que a participação foi útil para o empreendimento, revela a sondagem do Sebrae-SP. Bueno conta que ele e o irmão costumam fazer os cursos alter-
nadamente e, quando alguém da equipe não participa, eles repassam o conteúdo para todos. Eles já fizeram diversos cursos do Sebrae-SP, entre os quais um de planejamento estratégico, que também trouxe bons resultados. Segundo Bueno, a capacitação permitiu mapear os gastos e concluir que o melhor era trocar fornecedores, reduzindo em R$ 2 mil o valor mensal desembolsado com frutas. Conforme o levantamento, entre os donos de MPEs que classificaram a capacitação como útil, 34,8% consideraram que houve melhora na qualidade de produtos e serviços da empresa; 28,6% entenderam que ocorreu aprimoramento no atendimento; 18% afirmaram que os processos de trabalho foram aperfeiçoados e para 11,3% o desempenho da equipe teve avanços. Dos que relataram não ter participado de cursos e treinamentos nos últimos 12 meses, os principais motivos alegados foram não haver necessidade (47,6%), falta de tempo (18%) e falta de recursos da empresa (12,7%). Para a sondagem, o Sebrae-SP ouviu 1,7 mil MPEs da indústria, comércio e serviços. As MPEs fo-
ram definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões. Foram consideradas as respostas de proprietários, gerentes das empresas e familiares dos proprietários com atividades na empresa.
Fonte: SEBRAE-SP/ Seade. 1 Entre setembro de 2017 e agosto de 2018.
A participação nesses cursos foi útil para a empresa?1 (para empresas onde houve participação em cursos)
0,2% 1,2%
LEITURA
Na Pepper Drinks existe ainda outra prática voltada à qualificação: por iniciativa dos sócios, há cerca de três anos, foi montada na empresa uma biblioteca para os funcionários. Conforme eles avançam na leitura, ganham pontos que contam para uma eventual promoção. “Como eu já li todos os livros da biblioteca, tenho como saber se os colaboradores leram também”, explica Bueno. Segundo ele, há obras disponíveis dos mais variados tipos, não se restringindo a títulos técnicos ou ligados apenas ao negócio. O empresário ressalta que a leitura ajuda na cultura geral dos empregados e no aprimoramento do modo como se expressam e se comunicam.
98,6%
Sim Não Não sabe Fonte: SEBRAE-SP/ Seade. 1 Cursos realizados entre setembro de 2017 e agosto de 2018.
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Expectativas
KLEBER RICARDO GUERCHE, consultor do Sebrae-SP
Qual é o sinal para reestruturar a empresa? Quando a empresa começa a perder lucro devido à redução da margem de contribuição dos produtos já é um sinal forte de que a estrutura do negócio tem de ser reavaliada. Alguns empresários só começam a se preocupar quando percebem uma queda constante em seu faturamento, que é outro grande indicador. Quando suas vendas ficam por um grande período sem crescimento, é certo que se nada for feito, em seguida virá a queda do faturamento, que pode começar tímida e se agravar. Indicadores como faturamento, margem de contribuição dos produtos e lucro, aliados à análise de mercado, observando atentamente os concorrentes, são essenciais para que uma empresa se mantenha atualizada e competitiva. Identificar o momento de reestruturar seu negócio, até mesmo modificando seu modelo completamente, deveria vir antes dos problemas começarem a acontecer, mas nem sempre é assim.
Renovar a empresa é questão de sobrevivência do negócio. O mundo está mudando em uma velocidade muito grande e a renovação e inovação devem ser tratadas com carinho especial. A estagnação de uma empresa faz com que ela diminua de tamanho e desapareça. Ficar de olho nas tendências é vital para a continuação e sucesso do negócio. Nem sempre o empreendimento necessita de uma grande reestruturação. Muitas vezes a empresa só precisa de uma roupagem nova, se mostrar mais moderna, oferecer mais para o seu cliente, levando a ele soluções. O que ajuda a identificar a real necessidade é o conhecimento que o gestor tem de sua empresa, uma visão real do seu posicionamento de mercado, seus pontos fortes e fracos, percebendo as oportunidades e ameaças para seu negócio, além de uma gestão profissional agregada de uma estrutura organizacional enxuta e eficiente.
O Sebrae Responde é um serviço para tirar dúvidas de empreendedores sobre a abertura de novos negócios e questões relacionadas à gestão de empresas já em atividade.
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O ano de 2019 chegará cercado de expectativas. O Brasil ainda sente os efeitos da recessão que abalou a economia nos últimos tempos e derrubou os indicadores dos mais diversos setores. Apesar desse cenário, os sinais são de que podemos esperar avanços e o ano que vem tem tudo para ser melhor do que foi 2018. Por exemplo, as micro e pequenas empresas (MPEs), um dos motores do País, têm registrado aumento no faturamento nos meses mais recentes e assim devem continuar. Outros indícios positivos se mostram ainda este ano e estão ligados ao Natal. De acordo com estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a previsão é que a data movimente R$ 34,5 bilhões em vendas no País, elevação de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O cálculo anterior era de alta de 2,3%. Quanto à contratação de trabalhadores temporários, a estimativa também melhorou e foi de 72,7 mil para 76,5 mil vagas no período. A CNC prevê que as vendas de Natal vão se concentrar principalmente nos segmentos de hiper e supermercados, lojas de roupas e artigos de uso pessoal e doméstico. Para 2019 não há perspectiva de grande pressão inflacionaria, favorecendo a permanência da taxa básica de juros, a Selic, em torno dos 6,5%
ao ano. Esse conjunto de fatores beneficia o consumo das famílias, principal mercado dos pequenos negócios. Como a economia caminha com base em expectativas, a possibilidade de uma conjuntura mais próspera se transforma em combustível para fazer a roda girar. Ou seja, com horizonte favorável, aumentam investimentos, o ambiente para negócios fica benéfico, surgem mais postos de trabalho, o consumo se eleva e o Brasil passa a operar em um círculo virtuoso. Por sua vez, as MPEs devem estar preparadas para, após esse longo período de “estiagem”, embarcar na retomada. Cabe ao empreendedor ficar atento e perceber as oportunidades, se capacitar para colocar em prática uma gestão eficiente e planejada para obter bons resultados. O Sebrae-SP, como sempre, será aquele parceiro com as portas abertas para dar todo o apoio para o empreendedor se qualificar e superar os desafios da sua empresa.
IVAN HUSSNI, diretor-superintendente interino do Sebrae-SP
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CAMPINAS NA MEDIDA – GESTÃO FINANCEIRA Quando: 10, 11, 12, 17 e 18/12 Onde: Escritório Regional Sebrae-SP Campinas Av. Imperatriz Leopoldina, 272 - Vila Nova – Campinas Valor: R$ 260
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TEC &
LIVROS A Ciência do Sucesso (CDG Editora) O livro reúne uma série de artigos inéditos de um dos maiores influenciadores de líderes e empreendedores no mundo. Napoleon Hill investigou minuciosamente como o sucesso se materializa e desvendou sua fórmula. A obra traz artigos de Hill e também reportagens. Entre eles, o relato de um encontro com o grande inventor Thomas Edison, uma das personalidades analisadas por Hill em sua extensa pesquisa para chegar à fórmula do sucesso. Precursor da teoria do desenvolvimento pessoal, Hill foi conselheiro dos presidentes norte-americanos Woodrow Wilson e Franklin Delano Roosevelt. O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil (Editora Gente) A obra de Susanne Andrade ensina aos empreendedores como identificar o seu propósito, investir em sua inteligência emocional, assumir o protagonismo, ousar e ter atitude, construir um ambiente colaborativo, liderar de maneira humanizada, flexibilizar, inovar e dar adeus ao medo de errar; encantar seus clientes. O livro também mostra ferramentas do Modelo Ágil Comportamental (MAC), método que Susanne desenvolveu em sua empresa, a A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, focando no aperfeiçoamento das habilidades não técnicas – como colaboração, empatia, comunicação, liderança servidora, inteligência emocional, flexibilidade, entre outras.
Empreendedoras de Alta Perfomance (Editora Leader) O livro traz exemplos de grandes mulheres que os leitores terão a oportunidade de conhecer. São executivas e empresárias bemsucedidas, confiantes, determinadas, persistentes e apaixonadas pelo que fazem. A ideia é mostrar trajetórias diferentes que podem motivar e transformar em ação a vontade de futuras empresárias.
DUPLICATA ELETRÔNICA DEVE FACILITAR ACESSO DE PEQUENAS EMPRESAS A ESSE FINANCIAMENTO Aprovada pelo Senado no final de outubro, a duplicata eletrônica pode ajudar a injetar dinheiro no mercado por facilitar o acesso de pequenas empresas a esse tipo de financiamento. A proposta define a criação de um registro nacional de duplicatas em que as informações do documento serão registradas em um sistema eletrônico. Entidades autorizadas pelo Banco Central Istockphoto.com serão responsáveis pela guarda desses títulos, controle dos documentos, formalização de provas de pagamento e transferência de titulares. Dessa forma, haverá mais segurança e agilidade nas transações, permitindo aumento da oferta e redução do custo de crédito aos empreendedores. Além disso, reduz-se a possibilidade de fraude com a emissão de duplicatas frias (títulos falsos que não correspondem a uma dívida real e podem ser levados a protesto sem o conhecimento do suposto devedor), e a eliminação do registro de dados incorretos sobre valores e devedores. Hoje a checagem da duplicata é feita manualmente, gerando custos. A duplicata em papel continuará sendo emitida por conta de locais onde há dificuldade de acesso a recursos de internet. A duplicata é um título emitido na hora da fatura que o vendedor transfere a titularidade ao banco para receber antecipadamente o valor do documento. Em troca, o banco paga o montante com desconto, passa a ser credor e assume o risco de calote.
ANÚNCIOS ABUSIVOS SERÃO BARRADOS NO CHROME O browser Chrome 71 do Google vai apertar a vigilância contra anúncios abusivos a partir deste mês. A nova versão do navegador bloqueará todos as peças dos sites que exibam esses conteúdos publicitários. Como exemplo, o Google cita anúncios que incluem botões com comando diferente do prometido quando clicados pelos usuários – como um botão de play que inicia um download indesejado ou um botão de fechamento que abre outras janelas. Divulgação Os responsáveis pelos sites poderão usar o serviço Abusive Experiences Report, do Google Search Console, para verificar se suas páginas se enquadram nas experiências consideradas abusivas. Os donos dos sites terão um prazo de 30 dias para corrigir os problemas antes do bloqueio pelo Chrome.
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IDEIAS
PERGUNTE A QUEM ENTENDE “Na era dos smartphones, como a pequena empresa pode usar esse recurso para conquistar seu cliente?” Danielle Denys, gerente de marketing do Grupo Acerte Franchising
MERCADO DE SERVIÇOS POR ASSINATURA CRESCE 167% EM QUATRO ANOS
conflitos entre valores pessoais e negócios desse excêntrico
Tem alguma dúvida sobre como a tecnologia pode ajudar o seu
americano que morreu em 2015 aos 80 anos.
negócio? Pergunte a quem entende! Mande um e-mail para
O mercado de serviços por assinatura cresceu 167% desde 2014 no Brasil, de acordo com a Abcom, associação das empresas de comércio eletrônico. Eram 300 negócios desse tipo há quatro anos e hoje são 800. Atualmente, o segmento movimenta R$ 1 bilhão no País. O sucesso dos Istockphoto.com clubes de assinantes se deve à praticidade e economia de tempo. Segundo especialistas, para a empresa prosperar nesse mercado é necessário oferecer uma experiência de atendimento de qualidade e itens bem escolhidos para seu público-alvo.
VALORES PESSOAIS E NEGÓCIOS O documentário Burt’s Buzz, de 2013, retrata a vida de Burt Shavitz, fundador da marca americana de produtos de cuidados pessoais Burt’s Bees. Dono de um estilo de vida singular, Shavitz, que além de porta-voz da empresa, também foi fotógrafo e apicultor, e ficou marcado por ter sido um sujeito fiel às suas raízes humildes, apesar do status de celebridade que
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atingiu. O filme mostra os
Com a mudança acelerada de todas as frentes de relacionamento entre marca e consumidor, mais do que nunca, é hora de estar onde o seu cliente está. O pequeno empreendedor precisa, antes de tudo, compreender que faz parte deste universo e que precisa estar conectado e usar as ferramentas a favor do seu negócio. Porém, todo conteúdo deve ser relevante. Não existe uma receita padrão, tudo é experimentação, análise e monitoramento. A regra é planejar em curto prazo, agir, medir e otimizar. Só encanta o cliente quem o conhece, se antecipa e entrega. Isso é ser relevante na “guerra de informações digitais”. Para isso, lembre-se de responder a algumas perguntas. Qual o propósito de sua empresa, produto ou serviço na vida das pessoas? Esses itens precisam ser relevantes; é algo mandatório. De que forma você faz a entrega para encantar seus clientes? Organize-se e tenha prioridades. Fique atento: você entrega o que promete? Você se encantaria com sua marca? Por quê? Coloque-se no lugar do cliente, de verdade, sem egos. Tudo isso está no universo online de sua marca? É acessível pelo celular? O momento é de mobile first, ou seja, primeiro pensar na navegação do usuário por meio do celular e depois dos computadores. As redes sociais criaram novas frentes de relacionamento e é preciso estar pronto para o atendimento. Atualmente, há diversos cursos de capacitação digital, alguns gratuitos. Caso o negócio seja 100% digital, a experiência online precisa cumprir ainda mais a entrega positiva, pois não há fatores complementares. O segredo para pequenas empresas é aproveitar a proximidade com os clientes, pela proporção do negócio em si, para enriquecer ainda mais as relações humanas e abrir com qualidade o canal de relacionamento. Saiba ouvir seu cliente: ele é o principal ativo do negócio.
imprensa@sebraesp.com.br.
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Ideias compartilhadas
Veronique Forat é uma das fundadoras da Morar.com.vc, plataforma para quem quer dividir moradia Veronique Forat (à esq.) e Marta Monteiro criaram uma startup de compartilhamento de casa
Wallace Leray*
“T
udo começou em abril de 2016, quando eu e a Marta nos conhecemos em um curso para pessoas acima dos 60 anos que tinham desejo de empreender. Eu já estava cansada de trabalhar com marketing e comunicação, e ela também não estava mais com vontade de continuar na sua área, de mercado imobiliário. Com a bagagem de cada uma, decidimos iniciar nosso negócio em março de 2017. Fizemos um questionário perguntando para as pessoas em geral se elas tinham interesse em morar com outras pessoas que combinassem com elas. Recebemos 1,2 mil respostas apenas nos primeiros dez
dias. Prestamos o serviço gratuitamente por um ano, e hoje cobramos o valor de R$ 30. Estamos na nona versão da plataforma desde quando foi aberta pela primeira vez. O nosso formulário contém perguntas que vão desde opiniões políticas até orientação sexual e de gênero. Nós conhecemos o programa Startup SP do Sebrae-SP por meio de um e-mail. A gente arriscou se inscrever e, felizmente, fomos aprovadas. Os encontros começaram em agosto e vão até o final de 2018. Antes de participar do projeto, não sabíamos muito bem por onde ir, fazíamos tudo ao mesmo tempo e foi no curso que aprendemos que tudo precisa ser feito passo a passo.
A maioria dos participantes é de homens e jovens, então geralmente somos vistas como as “estranhas” – e isso acabou nos tornando o centro das atenções. Com essa experiência, estamos aprendendo muito, principalmente com os mais jovens que vêm conversar com a gente.
lhamento não é algo tão aceito pelas pessoas no país, mas de algum tempo para cá, essa cultura vem mudando e hoje já vemos muitas pessoas interessadas. Erramos muito até aqui; com 20 anos eu achava que sabia tudo, mas percebo que eu não sabia de nada. O diferencial da nossa empresa é A dica que deixamos é: se arrisque, a procura por semelhanças entre as erre bastante, mas erre rápido, pois pessoas que desejam morar com alsão com erros que aprendemos e guém ou ceder o seu espaço. O sermoldamos o negócio. Nós deseviço pode ser para um dia ou para uma longa temporada. Não existe jamos expandir nosso empreenlimite para idade, o nosso cliente dimento para o mundo, virar um negócio internacional e faremos o mais velho tem 89 anos. possível para conseguir isso.” A maior dificuldade da empresa foi ser aceita no mercado. Comparti*Estagiário sob supervisão dos editores