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FOTOS: SO JOÃO BATISTA / IAE

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rês minutos e trinta e quatro segundos. Esse foi o tempo de duração do voo do foguete VS-30 que definitivamente incluiu o Brasil ao seleto grupo de nações detentoras de tecnologia própria de propulsão de foguetes com combustível líquido. Pela primeira vez, o País utilizou para impulsionar um foguete uma combinação de oxigênio líquido, semelhante ao utilizado em aplicações hospitalares, e etanol, o mesmo usado para abastecer veículos. A chamada Operação Raposa ocorreu no dia 1° de setembro, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. “Neste primeiro voo do Estágio Propulsivo Líquido verificou-se o bom funcionamento do motor L5 durante os 90 segundos previstos”, afirmou o Coronel Aviador Avandelino Santana Júnior, coordenador geral da Operação. Até hoje, conforme explica o Coronel Santana Júnior, o Brasil só havia produzido propulsores sólidos. “O principal ganho com a utilização desse par de propelentes é o desempenho muito melhor do motor”, ressalta. “Com isso nós temos capacidade de levar experimentos mais pesados e a altitudes maiores”, complementa o militar. O VS-30 lançado em Alcântara tem 10,84 metros de altura e 1,8 tonelada de peso. O desenvolvimento do motor L5 e do estágio propulsivo é resultado de anos de estudo no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), ligado ao Comando da Aeronáutica. De forma inédita, o projeto foi concebido em parceria com a indústria nacional. O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), subordinado ao DCTA, desenvolveu o motor L5 e a empresa Orbital Engenharia ficou responsável pelo conjunto de tanques, reservatórios, válvulas e toda a eletrônica embarcada, assim como os transmissores de telemetria que enviaram os dados para as equipes de solo.

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Out/Nov/Dez 2014

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AEROVISÃO Nº 242 Out/Nov/Dez - 2014  

Operacional

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