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ARMANDO PIRES NETO

ar e a temperatura de orvalho iguais, o que leva a umidade relativa do ar a 100%, adicionado ao vento calmo, ou de intensidade baixa, e ao aumento ou manutenção da pressão atmosférica”, explica o especialista em meteorologia. De acordo com o militar, os aeroportos de Guarulhos, Curitiba, Porto Alegre e Galeão são os mais afetados. O sistema ILS entra em operação justamente nesses momentos, quando ocorre redução de teto e de visibilidade. O Brasil possui um total de 43 equipamentos ILS instalados, sendo 38 com performance de categoria um e cinco na categoria dois. Estão em implantação três de categoria três, em Guarulhos, Galeão e Curitiba. “Do ponto de vista técnico, o equipamento ILS é o mesmo para todas as categorias. O que muda são os ajustes dos níveis de precisão, os equipamentos complementares e a adaptação da infraestrutura do aeroporto”, detalha. No Brasil, quatro aeroportos operam a categoria dois do ILS, sendo dois equipamentos em Guarulhos (SP), e os demais no Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), Afonso Pena, em Curitiba (PR), e Salgado Filho, em Porto Alegre (RS). O equipamento é usado para reduzir os limites mínimos de visibilidade horizontal e vertical para pousos em situações em que há condições meteorológicas adversas, como nevoeiros ou até uma chuva forte. No caso de Porto Alegre, os fortes nevoeiros dos meses de maio a agosto reduzem tanto a visibilidade que, do chão, não é possível ver muito além de 100 metros. Quando isto ocorre, nem o ILS CAT II seria suficiente. Mas não basta o aeroporto estar com os equipamentos homologados em operação. Para pousar com os auxílios é necessário que a aeronave esteja certificada e que os pilotos estejam habilitados nas respectivas categorias. “Todos têm que estar adequados às normas para operar com segurança ”, explica o comandante do DTCEA de Porto Alegre.

Além dos equipamentos, pilotos também precisar estar certificados para o sistema ILS Quando instalar O estudo para a viabilidade técnica de instalação do sistema ILS leva pelo menos um ano e é realizado por um time de especialistas que trabalham no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Basicamente, há três critérios de avaliação: relevância do aeródromo em termos de movimento de tráfegos, meteorologia e períodos de fechamento. Na escala de precisão, o ILS é um dos equipamentos mais avançados. Antes dele, o aeroporto pode contar com auxílios com grau de precisão menor, como o NDB (Non-Directional Beacon) ou VOR (VHF Omni Directional Radio Range). Outro item de avaliação é conhecer como são os índices de ventos e chuva. O DECEA possui um banco de dados climatológicos que permite efetuar levantamentos por períodos de até 50 anos em todas as regiões do país. Os dados estatísticos permitem analisar o período em que o aeroporto ficou fechado no último ano. A partir disso, são feitas as projeções do número de horas de fechamento ou não do aeroporto de acordo com a disponi-

bilidade de instrumentos. Também é importante saber se o aeroporto recebe voos regulares e se as aeronaves e os pilotos possuem certificação, explica o especialista em comunicações, Tenente Mário Marques Pereira. Com 20 anos de experiência em voos de inspeção e análise de dados, o militar detalha que os equipamentos são instalados na cabeceira da pista mais usada do aeroporto. Em Guarulhos, por exemplo, as quatro cabeceiras possuem o sistema. Além da segurança de operação em momentos de meteorologia adversa, o sistema permite agilizar o fluxo de tráfego aéreo. “O controlador consegue diminuir a distância entre as aeronaves”, afirma. Como funciona Numa explicação simplificada, o sistema funciona da seguinte forma: ao redor da pista estão instalados três equipamentos principais que, ao cruzar dados, conseguem “guiar” a aeronave para o pouso. Os sinais de rádio são emitidos à aeronave, equipada com instrumento de bordo correspondente, proporcionando orientação segura de alinhamento e ângulo de descida. Aerovisão

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AEROVISÃO Nº 242 Out/Nov/Dez - 2014  

Operacional

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