4ª Edição | junho 2021 - Feira de Emprego e Empreendorismo para a Engenharia Entrevista Especial com Jorge Liça Presidente do Colégio Nacional de Engenharia Eletrotécnica À conversa com Paulo Peixoto Erasmus em Pandemia
Investigando com: Teresa Gomes Luís Cruz Alexandre Correia
Editorial Caros leitores, É com grande orgulho que vos apresentamos a 4ª Edição do Zener, a revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC).
O Zener é uma revista do Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra.
Direção Editorial João Filipe Paginação João Filipe Design Adelino Pais, Alexandre Rodrigues, Martin Estorninho, Matilde Carvalho, Pedro Teixeira e Rodrigo Almeida Redação Adelino Pais, Ana Calhau, Ana Fernandes, André Teixeira, Bruno Daniel, Guilherme Carvalho, João Filipe, Marco Silva, Matilde Carvalho, Pedro Teixeira, Rodrigo Almeida e Ruben Bento Tiragem 150 exemplares Distribuição Gratuita Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Polo II, Pinhal de Marrocos 3030-290 Coimbra
Devido à atual situação pandémica e consequente adiamento de vários eventos, foi para toda a equipa um desafio adicional no agendamento de entrevistas e na elaboração de novo conteúdo. Apresentamos nesta edição um acompanhamento das atividades realizadas pelo anterior e atual mandato deste Núcleo, bem como o trabalho elaborado pelas várias entidades sediadas no nosso departamento. Contamos com uma entrevista externa ao Eng. Jorge Liça, presidente do Colégio Nacional de Engenharia Eletrotécnica da Ordem dos Engenheiros, a quem agradecemos desde já toda a disponibilidade, recetibilidade e cortesia. Ao longo das diferentes páginas desta revista abordamos ainda a separação do nosso Mestrado Integrado em Licenciatura e Mestrado, as novas plataformas da Universidade de Coimbra sobre voluntariado e de ofertas profissionais, UC Transforma e o UC JobTeaser respetivamente, uma visão do que é fazer Erasmus em tempos de pandemia. Uma enorme nota de agradecimento aos três institutos sediados no DEEC, pelo apoio prestado para a continuidade desta revista. A todos os docentes e investigadores que disponibilizaram o seu tempo e cortesia para a realização das entrevistas. Ao Marco Silva na ajuda da redação do artigo sobre o Bot Olympics. Aos elementos da Direção e Pelouro da Comunicação do mandato anterior, pelas entrevistas e trabalho realizado que não foi possível publicar até ao fim do seu mandato, à Ana Margarida Gonçalves e à Ana Calhau, ao André Teixeira, ao Bruno Daniel e ao Guilherme Carvalho. Ao Martin Estorninho um agradecimento especial pela ajuda incansável no design da revista. Agradecemos, sem esquecer, aos elementos da casa, que não fazendo parte do Pelouro da Comunicação e Imagem cooperaram na realização deste projeto, nomeadamente aos coordenadores do Pelouro das Saídas Profissionais, Manuel Meireles e Rodrigo Mendes, aos coordenadores do Pelouro da Pedagogia, Afonso Figueiredo e Débora Seiça, bem como a todo o Executivo deste mandato, Ruben Bento, Ana Fernandes, Miguel Leão e Pedro Teixeira. Desejamos a todos uma excelente leitura! Da vossa equipa do Zener
Mensagem do Presidente do NEEEC/AAC Com a chegada do mês de junho chega também o fim desta jornada que foi o mandato 2020/2021, talvez dos mais desafiantes desde a fundação desta casa. Mesmo com todas as restrições e constantes adversidades à nossa atividade, a resiliência e força de vontade da nossa equipa em representar os nossos colegas e proporcionar-lhes um ano recheado de atividades foi mais forte e vingou. Sabíamos à partida que a sua não realização não seria uma opção. Assim, e de modo a proporcionar aos nossos colegas o tão aguardado momento de contacto com o tecido empresarial, reinventámos a F3E e adaptámos a um regime online. Esta 6ª edição, apesar dos moldes totalmente distintos do que estávamos habituados, não foi por isso menos proveitosa, contanto com mais de 200 participantes e um número recorde de 25 empresas! Uma das bandeiras deste mandato foi a Intervenção Cívica que possibilitou trazer à tona temas fraturantes da nossa sociedade para a nossa comunidade, sensibilizando e consciencializando os nossos colegas para a realidade atual e acima de tudo mobilizando-os para a mudança. Nesta iniciativa foram cobertos temas tão diversos como o racismo, o consumismo, a saúde mental e até a ecologia, por exemplo. Na vertente Recreativa, a aposta este ano foi nos Torneios e-Sports e nas Cyber Mondays onde contámos com mais de 50 participantes em torneios de 10 jogos diferentes, permitindo assim que a nossa comunidade tivesse momentos de descontração e de lazer. Conscientes de termos feito tudo para te representarmos o melhor possível, despedimo-nos desejando um futuro próspero a esta casa e que os seus ideais nunca se desvaneçam. P’la equipa do NEEEC/AAC,
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Índice 5 8 9 10
Bot Olympics 2020
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Entrevista Especial a Jorge Liça, Presidente do Colégio Nacional de Engenharia Eletrotécnica
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À conversa com Paulo Peixoto
23º Aniversário do NEEEC/AAC FAQ’s - Novo Plano de Curso Semana dos Ramos
INESC - Investigando com Teresa Gomes ISR - Investigando com Alexandre Correia IT - Investigando com Luís Cruz Plataformas UC Transforma e UC | Job Teaser F3E 2020 e F3E 2021 Erasmus em Pandemia com Martin Estorninnho
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BOT OLYMPICS Por Marco Silva
O Bot Olympics já vem sendo, há alguns anos, o evento mais marcante e dinamizador de toda a comunidade organizado pelo NEEEC/AAC em conjunto com o Clube de Robótica da Universidade de Coimbra, e neste ano de 2021 não iria ser exceção! No entanto, não estavam reunidas condições de segurança para organizar uma competição que juntaria estudantes de várias idades vindos de todos os pontos do país. Assim, e para que possas matar saudades e começares já a pensar na próxima edição, recordamos-te como foi a última.
A maior competição de robótica esteve de volta ao Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro e à praça central do Alma Shopping, nos dias 15 e 16 de fevereiro, com a realização da sua 6ª Edição.
Na passada edição, o evento manteve as mesmas três provas de competição que no ano anterior, para alunos oriundos do norte ao sul do país. Tendo uma prova dedicada a alunos do 3.º ciclo do Ensino Básico, outra dedicada ao Ensino Secundário e uma terceira dedicada ao Ensino Superior, o Bot Olympics representa um evento único ao reunir no mesmo espaço de competição, alunos de uma larga faixa etária. A principal novidade nesta 6ª Edição, foi a introdução de um dia extra no Alma Shopping, passando assim o evento a decorrer durante 2 dias naquele que é, um dos maiores Centos Comerciais da Cidade de Coimbra. Assim, enquanto que no dia 15 de fevereiro decorriam as provas das três competições no DEEC, no Alma Shopping decorria um programa pioneiro e inovador designado Bot Kids.
Para além da novidade do Bot Kids, este ano foi ainda aprimorado o programa paralelo de todo o evento, com a introdução de visitas à cidade e à Universidade de Coimbra, visitas ao Exploratório Ciência Viva, desafios surpresa, giveaways de bilhetes gerais para a Queima das Fitas e para o Super Bock Super Rock e ainda, a realização de vários Workshops e Palestras Formativas.
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O pontapé de saída foi realizado na zona do buffet da cantina do Polo 2. Um espaço amplo que foi totalmente decorado para receber todos os participantes do evento e convidados, como representantes de empresas patrocinadoras, imprensa e ainda representantes institucionais, como o vice-reitor da Universidade de Coimbra ou o vice-presidente da Camara Municipal de Coimbra. Nesta cerimónia os participantes foram recebidos pelo Coordenador Geral do Bot Olympics, Marco Silva, que proferiu uma palavras de boas vindas antes da revelação de uma das grandes novidades desta edição – a mascote oficial do evento - o Boti. O momento de apresentação do Boti foi, sem dúvida, um dos momentos mais felizes do evento, onde era possível observar na cara de todos os presentes, expressões de felicidade e surpresa.
Assim, no fim da cerimónia de abertura deu-se início às formações iniciais, que assinalavam o começo das 40 horas de programação non-stop para as três provas.
Neste ano, todas as inscrições esgotaram no espaço de um mês após a divulgação da data de abertura das mesmas, perfazendo um total de 140 participantes no DEEC. 6
Desde a sua criação, em 2015, o Bot Olympics já teve mais de 600 participantes, oriundos de mais de 10 distritos e de mais de 30 escolas diferentes. Isto resulta em mais de 150 prémios entregues que só foram possíveis, graças às mais de 70 entidades parceiras que já se associaram ao evento. A sexta edição obteve o maior número de patrocínios da história do evento. Cada prova consistia em diferentes desafios, com diferentes graus de dificuldade. Nas provas pré-universitárias o objetivo era percorrer um labirinto sendo dada primazia à deteção de parede, linhas e cor. Na prova universitária, era necessário que o robô detetasse um fogo numa divisão de uma casa, simulada na arena de competição, e que o apagasse. Todas as provas são regulamentadas e são vários os critérios de análise na pontuação, como o tempo de prova, quantidade de vezes que reiniciam o percurso ou os objetos em que embatem. Os vencedores arrecadaram prémios no valor superior a 3000 euros, desde gerais para o Super Bock Super Rock, RFM Sommi, Queima das Fitas 2020, a vários componentes tecnológicos e vouchers. Na ótica de Marco Silva, os prémios tentaram conciliar a componente lúdica com a componente científica, fomentando o caracter do evento através da promoção das capacidades culturais e das competências digitais. De referir ainda que para além dos prémios de prova, neste ano, foram entregues
prémios durante a realização dos desafios relâmpago no DEEC, sendo estes tecnológicos ou até mesmo um Geral para a Queima das Fitas 2020.
No dia da final da competição, todos os participantes receberam uma medalha de participação de modo a que se recordem deste evento e como recompensa pelo seu esforço. Este ano, foram ainda entregues prémios para as escolas que conseguiram vencer a prova do Ensino Básico e do Ensino Secundário bem como os respetivos troféus de vencedores.
A edição de 2020 reduziu a sua pegada ecológica, ecológica, tendo diminuído o uso de plásticos e feito algumas demonstrações de choque para sensibilizar as pessoas para a temática dos resíduos eletrónicos. Foi realizada durante os dias do evento uma campanha de recolha de resíduos eletrónicos através da colocação de ecopontos, destinados à recolha de aparelhos antigos, de modo a que estes recebessem o melhor tratamento possível. Para além disto, a organização possibilitou ainda aos participantes uma exposição durante os dias de prova no DEEC, por parte de um colégio oriundo do Brasil – Colégio Visão, sobre robótica sustentável, onde
todos os componentes da exposição eram feitos de equipamentos eletrónicos reutilizados. O Bot Kids foi um evento aberto ao público, pensado para
todas as crianças onde não era necessária pré-inscrição. A introdução deste programa paralelo foi um completo êxito na sua primeira edição. Consistiu num dia repleto de desafios e demonstrações didáticas abertas a todos, onde foi possível observar um clima de diversão durante todo do dia. Neste dia as crianças tiveram oportunidade de competir numa prova em contrarrelógio, que consistia numa corrida com um robot comandado por telemóvel dentro de uma pista montada no Alma Shopping. Para além disto, tiveram ainda a oportunidade de ter aulas de programação infantil, assistir a demonstrações didáticas com materiais reciclados, por parte do Colégio Visão, bem como a oportunidade de brincar com K’nex e com o Exploratório Ciência Viva de Coimbra. Este evento foi congratulado com a distinção do Selo Portugal INCoDe 2030, 2030, que representa uma iniciativa do Governo Português para distinguir eventos com elevada importância no reforço das competências digitais em Portugal, o que confere bastante notoriedade e importância ao Bot Olympics na sociedade atual. No final do evento, Marco Silva garante que o balanço é extremamente positivo e salienta que devido ao investimento feito e ao aumento do programa paralelo, através da introdução de um dia extra no Alma Shopping, foi possível alcançar números extremamente importantes,, garantindo a divulgação do evento no importantes canal de televisão pública RTP e na rádio Antena 3, 3, o que projetou o evento a nível nacional. Ainda assim refere que a execução deste evento deve ser minuciosa, pois são muitos os detalhes a considerar e que qualquer decisão menos ponderada, tem a capacidade de prejudicar a qualidade de futuras edições.
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23º ANIVERSÁRIO DO NEEEC 31 DE MARÇO DE 2021 POR MATILDE CARVALHO
O Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e Computadores da Associação Académica de Coimbra celebrou no passado dia 31 de Março o seu 23º aniversário. Este, foi fundado em 1998, e desde então tem trabalhado em prol dos estudantes do DEEC, ao organizar eventos, promover mudanças no departamento, conceder uma forma de comunicação entre os estudantes e o corpo docente, entre outros. Os seus eventos mais marcantes são a Feira de Emprego e Empreendedorismo para a Engenharia, a Semana dos Ramos, o ENE3 e o Bot Olympics. No que toca ao aniversário, o NEEEC costuma celebrálo com a sua equipa juntamente com os estudantes do DEEC, fazendo uma pequena festa nos jardins do departamento. Todavia, os estudantes não deixaram
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passar a data em vão e, mesmo com a pandemia da COVID-19, celebraram remotamente pela plataforma Discord fazendo uma noite de convívio e jogos, não se esquecendo, claro, de cantar os “Parabéns”. São ocasiões como esta que relembram aos nossos membros de que apesar das adversidades que se tenham atravessado ao longo dos anos, tendo sido este último ano uma “experiência” inédita, o NEEEC é uma casa construída pelos estudantes e para os estudantes. Com esta coragem e força de trabalho, sabemos que o Núcleo continuará a prosperar, sempre com o bem dos estudantes em mente, deixando sempre a marca nos que por aqui passam. Viva o NEEEC/AAC!
FAQ’S SOBRE A TRANSIÇÃO DE PLANO DE CURSO POR RODRIGO ALMEIDA Em primeiro lugar, para os estudantes que atualmente frequentam o Mestrado Integrado (MI) podem permanecer no mesmo até limite definido pela legislação. Porém, devem ter informação clara das implicações dessa decisão, nomeadamente o facto de virem a obter um diploma de um curso extinto e a consequente dificuldade de validação do mesmo no contexto europeu e internacional. Uma vez que para estes mestrados integrados não há renovação da acreditação pela A3ES é impreterível a sua conclusão no limite temporal definido, após o qual a transição para os novos ciclos de estudos é obrigatória, mas sem as vantagens do período de transição. No período de transição definido pela UC, até 2023/2024, se mudar para os novos ciclos de estudos não será necessário candidatar-se ao mestrado. Nos anos subsequentes a este período de transição, será necessário submeter-se ao processo de candidatura, de acordo com os prazos definidos, seriação/vagas e demais condições associadas ao mestrado. Além disso, ao transitar para a nova licenciatura inicia-se novamente a contagem para efeitos de prescrição, o que não ocorre para estudantes que se mantiverem no MI. A principal vantagem de optar pela transição está relacionada com o facto dos estudantes virem a obter o grau e diploma na nova licenciatura ou no novo mestrado, que são ciclos de estudos devidamente reconhecidos, a nível nacional e internacional, para o futuro, enquanto o MI será um ciclo em extinção a partir de 2021/2022. O acesso direto ao mestrado para os estudantes do MI que optem por transitar para os novos ciclos de estudo, abrange aqueles que concluam a licenciatura e pretendam aceder ao mestrado no período de transição até 2023/2024. Um estudante que não conclui a nova
licenciatura até 2022/2023 vai poder inscrever-se, no ano letivo seguinte, na licenciatura (a fim de a concluir) e em unidades curriculares (uc) avulsas do mestrado. Supondo, nas condições anteriores, que o estudante conclui a licenciatura no 1.º semestre, pode solicitar a inscrição no mestrado para o 2.º semestre do mesmo ano letivo, sendolhe creditadas as unidades curriculares avulsas já realizadas. A Faculdade tem que abrir a edição de todas as unidades curriculares necessárias para a concretização da transição, o que inclui as uc utilizadas para a inscrição dos estudantes que permanecerem no MI, e que, sempre que possível, vão frequentar as correspondentes unidades na nova licenciatura ou mestrado. As edições de uc do MI não devem abrir para candidatura à frequência como uc isolada. Portanto, para os atuais estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores que optem por permanecer em regime mestrado integrado terão de frequentar unidades curriculares equivalentes às que estão incluídas no que será o novo plano de estudos. De acordo que, para as unidades curriculares onde há equivalência com o novo plano de estudos, os alunos inscrevem-se nas unidades curriculares no mestrado integrado e frequentam-nas no novo ciclo de estudos. Por outro lado, para as unidades curriculares onde não há equivalência direta, os alunos poderão inscrever-se em unidades curriculares do novo ciclo de estudos na modalidade de formação adicional, isto é, sem encargos financeiros. No final do ano letivo, estas unidades curriculares serão imediatamente creditadas nas unidades do mestrado integrado. Em suma, para os que optarem por transitar para o novo ciclo de estudos ser-lhes-á aplicado o novo plano de transição para a nova licenciatura ou mestrado. 9
SEMANA DOS
RAMOS Evento criado e organizado pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrtécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC) desde 2012. Tem como principal objetivo expor aos estudantes da área de Ciências e Tecnologia diversos pontos de vista em relação aos diferentes ramos do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores através de um debate entre vários elementos: empresas, professores, alunos e ex-alunos, todos relacionados com a especialização a discutir. Como tal, acreditamos que o mesmo é ideal para as empresas darem a conhecer o seu trabalho e mostrar aos estudantes o que estes podem esperar ao entrar no mercado de trabalho.
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Cada sessão foi iniciada com a apresentação das cadeiras obrigatórias e opcionais que teriam em cada Ramo no ano letivo 2021/2022, notando a existência de uma boa e diversificada oferta formativa para os alunos do DEEC, possibilitando uma maior personalização na especialização de cada aluno. Dada a situação pandémica atual, a Semana dos Ramos realizou-se de uma forma virtual através do Zoom e com transmissão em direto pela página de Facebook da Semana dos Ramos.
No primeiro dia, dia 3 de maio, dedicado ao Ramo de Energia, contámos com a presença do Eng. Amaral da empresa WEG, o professor Humberto Jorge e o aluno Pedro Guerreiro para uma discussão sobre pontos como o futuro das energias, as energias renováveis e geração de energia.
O Ramo de Computadores, no dia 4 de maio, contou com a presença do professor Paulo Peixoto, o aluno Rui Nunes e o ex-aluno Bruno Abade para conversar sobre inteligência artificial e desenvolvimento de software. Para além desta sessão tivemos ainda um workshop dado pela Speak & Lead acerca de Comunicação em Ciência, tendo como objetivo dotar os participantes de capacidades de comunicação para que possam transmitir de forma eficaz o conteúdo dos seus projetos científicos à comunidade.
abordados temas como a fibra ótica, a transmissão e proteção de dados.
A sessão sobre o Ramo de Robótica teve, no dia 6 de maio, a participação do Professor Jorge Batista e o ex-aluno Miguel Antunes para nos esclarecer mais sobre a inteligência artificial e visão de computador. Para último dia desta semana, dia 7 de maio, guardamos uma sessão de esclarecimento de dúvidas focadas no novo Plano de Curso, as mudanças e vantagens do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (MEEC), e sobre a nova Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (LEEC).
No dia 5 estivemos a conversar com o professor Marco Gomes, o ex-aluno Pedro Bento, o aluno de doutoramento Filipe Conceição e o Eng. Pedro Carvalho da Altice Labs sobre o Ramo de Telecomunicações, onde foram
Por Adelino Pais
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ENTREVISTA ESPECIAL
JORGE LIÇA
JOÃO FILIPE E ADELINO PAIS
POR
“Temos de estar sempre atentos para saber o que é importante na vida!” Considera que, durante a sua infância, a vivência com O que o motivou a enveredar um percurso outras culturas influenciou a sua maneira de ser? O profissional no ramo de Energia? que lhe trouxe de diferente? “Eu acho que influenciou bastante. Nasci na Beira Alta, mais propriamente no concelho de Vila Nova de Foz Côa e fui muito jovem para África, onde cresci e fiz a minha escolaridade, quer nas escolas básicas quer no liceu. Comecei o meu primeiro ano de faculdade, ainda Moçambique era um território sob administração portuguesa, caracterizado por uma população de várias etnias e origens. São africanos a maioria, mas tem muitas pessoas com origem na Índia, na China, em Portugal e em países árabes do Norte de África. Portanto foi toda uma infância enriquecida com várias culturas, religiões, hábitos e gastronomia, e foi nesse “caldo” de culturas que cresci. Até regressar a Portugal, foram dezoito anos imerso naquele ambiente multicultural, que considero que foram os melhores alicerces da minha juventude, dando-me capacidade para perceber, embora, fosse ainda jovem, as filosofias, o modo de ver as religiões, os credos, os hábitos. Foi, de facto, bastante positiva essa fase da minha vida.”
“Desde jovem a engenharia estava nos meus objetivos, até porque vivia num país que estava em construção, onde era preciso fazer de tudo e, por isso, a engenharia sempre esteve presente. Na altura de me inscrever na Universidade, hesitei entre Engenharia Eletrotécnica, Civil ou Mecânica. Não tinha assim uma vocação bem definida, só sabia que tinha de ser engenharia! Optei pela Eletrotécnica e, aí sim, claramente tinha preferência pelo ramo de energia elétrica. Aliás, havia um projeto que se falava muito em Portugal: a Barragem de Cahora Bassa. Era uma hidroelétrica que estava a ser construída em Moçambique, um dos maiores empreendimentos, na altura, à responsabilidade dos portugueses e com a colaboração das grandes empresas eletrotécnicas mundiais. O facto de ser um empreendimento muito falado pela comunicação social, acabou por influenciar a escolha do ramo de Energia.”
Visto que tem uma carreira de sucesso, pode falar-nos um pouco mais sobre ela? “Quando voltei de Moçambique, fui para o Porto e foi lá que realizei o meu curso, tendo concluído o mesmo em 1979. No entanto, fiquei na Universidade mais um ano enquanto assistente convidado. Na altura, ainda só tinham passado cinco anos do 25 de abril de 1974, estávamos num período conturbado, pós-revolucionário, e o país estava a despertar para a indústria e a economia. De alguma forma, estava a refazer os seus circuitos económicos. Foi então que abriram uns concursos para a EDP, candidatei-me e fui admitido na designada Rede de Transporte da EDP, para a área de projeto, construção e exploração da rede de transporte. Nesse tempo, a EDP era uma empresa pública e única no setor elétrico, que tinha a produção, o transporte e a distribuição, atualmente já não é assim. A componente do transporte constitui a REN (Redes Energéticas Nacionais), que se autonomizou desse conjunto empresarial e a EDP tornou-se privada e foi separada em vários setores: EDP Produção, EDP Distribuição e, mais tarde, em EDP Comercial e EDP Renováveis. A minha vida profissional manteve-se na componente da rede de transporte, ligada ao projeto e construção de subestações e linha de muito alta tensão, de 400 kV, 220 kV e 150
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kV, abaixo destas são redes que pertencem a concessionárias da EDP. O setor evoluiu e continuei na parte de redes de transporte, onde realizei toda a minha carreira. Em paralelo, fui assistente convidado no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), lecionava cadeiras ligadas à eletrónica de potência e máquinas elétricas, em bacharelatos. Durou pouco tempo, porque a minha vida profissional na REN ficou mais absorvente. Em suma, a minha vida profissional começou por ser académica transitando depois à área de projetos e construção. Quando entrei no período final de carreira, interessei-me pelas autarquias, sendo, neste momento, autarca (embora na oposição!).”
Vemos agora um desenvolvimento de uma sociedade que sofre as consequências de má gestão dos recursos naturais. Qual é a sua opinião? No mundo da engenharia fala-se de possíveis soluções? “A introdução da energia renovável em 2000 já levou isso
Qual considera o ponto mais alto da sua carreira em conta. Em questões de sustentabilidade a longo prazo, alterações climáticas e aquecimento global, a Europa tem e porquê? “Um grande desafio que enfrentei foi nos anos 2000 com a chegada das renováveis, na medida em que era necessário preparar o país para toda a instalação da produção renovável e a sua interligação com Espanha, que também estava em crescimento nesta área. Na altura, criou-se o chamado mercado ibérico de eletricidade. Era necessário reforçar a rede de transporte em todo o território, de maneira a ter capacidade de absorção para toda a produção renovável, sobretudo a que estava espalhada, nas zonas mais interiores do país, em zonas montanhosas onde há mais potencial eólico nas interligações com Espanha, a zona fronteiriça que ficava mais longe dos grandes centros de carga e nas zonas litorais, assim como onde se tinham as redes mais desenvolvidas e mais robustas, visto que havia maior consumo. Era preciso revolucionar este paradigma, fortalecer as redes nas zonas onde a produção renovável ia aparecer e reforçar a rede nas zonas de fronteira para ligar a Espanha. Tinha de se aumentar o número de pontos de interligação, uma vez que os existentes eram fracos visto que os mercados eram fechados. Apostando no reforço das interligações apareceu um grande desafio, transformar a rede de transporte, passando a ter um investimento dez vezes superior. Em números, passamos de um investimento na ordem dos 25 milhões de euros para um de 200 milhões, tendo até chegado aos 400 milhões por ano. Este desafio fez com que as equipas dentro da empresa tivessem de responder de outra maneira, tal como as outras empresas do mercado, os instaladores, os fabricantes e toda a gente envolta na construção. Teve de se multiplicar o trabalho. Foi um esforço coletivo que proporcionou que, ao fim de dez anos, se obtivesse uma rede praticamente duplicada. Resumidamente, em dez anos fez-se o equivalente aos cinquenta anos anteriores. E este sim, foi o grande desafio que vencemos coletivamente.”
liderado todas as iniciativas a nível mundial. Há vinte anos, quando iniciámos a produção renovável a partir das eólicas, em Portugal, já se tinha esse objetivo, portanto foi um passo dado no sentido correto. Atualmente, vive-se um desafio equivalente, mas mais vocacionado para a energia solar. Isto é, não estão a aparecer na escala que a eólica apareceu, mas numa escala também desafiadora e com novos projetos de produção solar. Quer uma, quer outra têm como alinhamento a satisfação da política global da União Europeia, que é o famoso pacote Energia e Clima, constituído por diretivas e leis para direcionar os países europeus no sentido da sustentabilidade. Continuamos no bom caminho. No entanto, há alguma polémica em algumas áreas, como é exemplo a estratégia do hidrogénio. Esta é, de facto, polémica, porque é um novo desafio, mas não há unanimidade de opiniões. Exemplificando, como é que conseguimos aproveitar a abundância de recursos renováveis da Península Ibérica, se temos excesso de produção eólica e/ou solar? Uma solução seria exportar para França. Outra, é exportar num produto intermediário, que pode ser o hidrogénio. Só que esta tecnologia não está ainda muito desenvolvida para que seja uma boa aposta económica, os preços são questionáveis. Assim, esta polémica vai durar alguns anos. Vamos fazer o nosso caminho e vamos observando se é ou não uma boa solução, porque se por irracional do ponto de vista económico, é um custo supérfluo que alguém tem de pagar. É preciso saber se esse valor deve ou não ser pago por esse alguém, nomeadamente o contribuinte. Por isso, a estratégia do hidrogénio é uma discussão que está no início, e que passará ainda os próximos cinco a seis anos a ser debatida.”
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Devido à intensidade da sua carreira, quão foi difícil conciliá-la com a vida pessoal? “Não foi difícil, mas tive a colaboração da família. A minha mulher e os meus filhos habituaram-se a que às vezes o pai tinha de chegar mais tarde a casa, já depois de terem jantado. Outros dias não, dependia da época do ano e como em qualquer atividade, assim como os estudantes, há períodos em que há mais trabalho, outros em que há menos. Passa um pouco por todas as profissões, há momentos em que, efetivamente, sacrificamos um pouco a vida familiar, mas temos de estar atentos para saber conciliar. Não é só o trabalho e a família, são os amigos, atividades de lazer, artísticas, culturais, que a pessoa tem de equilibrar, mas isso, é viver.”
Gostaria de deixar uma mensagem para os futuros Engenheiros do DEEC/UC?
Sabemos que aprecia muito a cultura, que impacto cultural prevê neste momento atípico que vivemos? “Na realidade, estamos a viver algumas tragédias, quer na área económica, atividades que não se podem desenvolver porque não há clientela, quer nas outras componentes da vida, nomeadamente a vertente cultural. Tudo quanto é espetáculo de teatro, mesmo o cinema, concertos musicais, aqueles espetáculos mais tradicionais, por exemplo, festivais que havia nas pequenas cidades e vilas do nosso país deixaram de se fazer e é, de facto, uma tragédia em termos de sustentabilidade das pessoas que trabalham nessa área. Recordo-me que no segundo semestre de 2020, conseguia ir a concertos organizados pela Gulbenkian, mas era das poucas coisas que havia. Isto porque montaram uma máquina de controlo de pessoas, de tal maneira feroz, que só podíamos entrar em função do lugar que íamos ocupar e por determinadas baias, sentávamo-nos cadeira sim, cadeira não, máscara obrigatória, não se podia falar e à saída era uma fila de cada vez. Este tipo de condicionantes na maior parte dos espetáculos não é possível organizar, porque não é sustentável. Só é possível se alguém suportar os custos excessivos que acarreta, por isso, ou são altamente subsidiados, ou não se fazem, que foi o que aconteceu na sua maioria. Tenho esperanças que a taxa de contágios diminua com as vacinas nos próximos meses e que se volte a uma situação em que se possa viver mais normalmente.”
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“A primeira mensagem é congratular-vos pela boa escolha: na engenharia estão bem, porque é, de facto, de engenheiros que este país precisa. É necessário criar riqueza e, como sabem, houve alguns desequilíbrios macroeconómicos que sujeitaram o país a um nível de desequilíbrio financeiro muito grande, dívidas, défice, etc. Por isso, a forma de gerar riqueza é investir e produzir nos diversos setores, primário, secundário e terciário, e os engenheiros exercem a sua atividade em todos. Desde a agricultura, minas, produção ligada a natureza, passando às industriais, produção de produtos, máquinas, equipamentos, estradas, edifícios até aos serviços, consultoria, ensino, os engenheiros estão em todos os setores. Tenho um amigo que era professor e dizia que se fosse empresário, só contratava engenheiros, para qualquer atividade, porque são capazes de tudo. E apesar de alguma ironia, ele tinha razão, os engenheiros são os indivíduos que se adaptam a qualquer tipo de desafio, porque está não só na sua personalidade, como na sua formação. Por isso, a primeira coisa que vos digo, parabéns! Segundo, Eletrotécnia foi uma boa escolha, está incluída em todas as engenharias. Isto é, se olharem para as outras engenharias, pouco fazem sem os eletrotécnicos, quer nas comunicações, nos computadores, na robótica, na química… Os eletrotécnicos estão em todo o lado e, portanto, fizeram uma boa aposta. Agora, que vão ter um país onde vão ter de trabalhar bastante, vão. Porque o país precisa de toda a gente, sobretudo os mais novos, para tentar criar riqueza e de alguma maneira desenvolver-se e recuperar algum atraso que temos de outros países, quer da Europa, quer dos EUA ou da Ásia. Toda a Europa precisa de fazer esse esforço de engenharia e Portugal ainda mais, o país precisa da vossa ajuda para recuperar.”
À conversa com
Paulo Peixoto Por André Teixeira Sobre o Seu percurso académico. O que lhe fez optar por Engenharia Eletrotécnica? “Bom, escolhi Engenharia Eletrotécnica porque era uma área em que eu já tinha algum interesse. Nos anos 80, quando tinha catorze, quinze anos eu já gostava de eletrónica, sobretudo de eletrónica digital. Até já era capaz de projetar pequenos sistemas digitais. Um dia, quando ainda nem se falava de computadores pessoais, li num artigo de uma revista de electrónica digital que uma empresa inglesa chamada Sinclair tinha lançado o seu primeiro computador a um preço bastante acessível. Tratava-se do ZX-81. Era um bocado rudimentar, tinha muito pouca memória (1KB), que para os padrões atuais é uma coisa ridícula, não é!? (risos). Eu lembro-me que fiquei tão entusiasmado com aquilo que nesse mesmo verão fui trabalhar a apanhar maçãs numa quinta de pessoas conhecidas para ganhar dinheiro para comprar esse computador. Foi aí a minha introdução aos computadores e rapidamente percebi que esta era uma área com futuro. Depois fui estudar para a escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra. Apesar de frequentar a via regular de ensino, a escola oferecia na altura uma área de especialização em eletrónica o que acabou por reforçar o meu gosto pela área. Ainda tive uma indecisão no ano em que me candidatei à universidade. Esse foi o primeiro ano em que funcionou o curso de Engenharia Informática (também no DEEC) e eu ainda hesitei sobre se essa seria a melhor opção, mas felizmente acabei por escolher Engenharia Eletrotécnica.”
Quais foram os seus maiores desafios como estudante? “Eu acho que os maiores desafios que tive de enfrentar como estudante tiveram muito a ver com as condições do DEEC naquela época e que estavam relacionados com a própria evolução da informática. Estamos a falar numa altura, só para terem uma ideia, em que os alunos do primeiro ano não tinham acesso a um computador. As cadeiras de programação eram apenas no quarto ano e eram dadas apenas em papel e lápis. Uma coisa que para os padrões atuais seria um bocado ridícula e absurda. Lembro-me sempre disto, com um sorriso nos lábios, quanto os alunos atuais se queixam de falta de condições. Recordo-me que, eu e mais um
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grupo de colegas, tínhamos bastante interesse por computadores, até porque a maior parte de nós já tinha um em casa. Por isso, sempre que podíamos esgueirávamo-nos pelo meio da confusão e tínhamos acesso ao computador. O único computador que tínhamos disponível era um ENER-1000 que tinha sido desenvolvido aqui no DEEC, na altura por pessoas que mais tarde viriam a dar origem ao departamento de informática, mas era um computador para um universo de mil e poucos alunos. Em termos de recursos as coisas eram assim, as dificuldades eram muitas, mesmo em termos de instalações. Mas isso nunca nos limitou e aprendemos na mesma. Eu consegui terminar o curso em cinco anos. Obviamente como em tudo na vida, há professores que gostámos mais e professores que gostámos menos, disciplinas que eu não gostei e disciplinas que gostei. Isso é o normal, depende da sensibilidade das pessoas, depende do nosso gosto pessoal, mas no global acho que, dadas as circunstâncias, as coisas correram bem. Depois as condições gradualmente foram melhorando. Lembro-me que quando já estava a acabar o curso, já havia mais acesso a meios informáticos. Num período de cinco anos, notou-se claramente uma mudança. Por exemplo, quando fiz o projecto final de licenciatura, curiosamente com o professor Luís Cruz aqui também do DEEC, o objetivo era colocarmos a funcionar um dos primeiros processadores digitais de sinal de 32 bits. Recordo-me que na altura esse processador custava muito dinheiro. Estamos a falar numa época que apesar de todos estes desafios, era excitante a nível tecnológico e dava oportunidades interessantes aos estudantes.”
E como investigador?
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“Curiosamente aquilo que me fez vir para o curso foi o hardware e o fascínio por pôr as coisas a funcionar. A minha ideia era vir a trabalhar na área do hardware, desenhar circuitos digitais, mas depois das dificuldades que senti ao desenvolver esse tal projeto de licenciatura, eu disse para mim mesmo: ‘Não, hardware é muito complicado se calhar está na altura de experimentar o software’. Enveredei então pelo software e depois recebi um convite para integrar um projecto de investigação na área de visão de computador. Fiz primeiro o mestrado e depois o doutoramento aqui no DEEC, orientado pelo professor Hélder Araújo. Depois comecei o meu percurso normal como investigador, sempre com a visão de computadores como pivot. Atualmente continuo a investigar nessa área. É uma área que apresenta muitos desafios. Curiosamente nestes 20 e poucos anos, evoluiu bastante, mas
ainda temos muitos problemas para resolver. Em certo sentido a percepção artificial funciona um pouco como bottleneck da autonomia dos sistemas inteligentes. Os nossos dispositivos poderiam ter uma autonomia maior se fossem capazes de compreender melhor o mundo à sua volta. É uma área que tem de crescer para que possamos ter sistemas inteligentes capazes de interagir connosco de forma autónoma, para melhorar a nossa qualidade de vida.”
Quais foram as sua motivações e inspirações para ultrapassar esses desafios? “O aliciante da engenharia, principalmente da engenharia de conceção, é permitir a criação de novas soluções, novos sistemas, novas tecnologias. Os desafios do dia-a-dia são sempre diferentes. As coisas não são monótonas e na investigação, essa é a parte que mais me seduz. Ter sempre novos desafios pela frente. Acaba por ser uma aventura nova em cada dia. Outro aspeto interessante é estarmos permanentemente em contacto com tecnologia de ponta, o que nos permite perceber o que se passa no mundo da tecnologia e identificar novas áreas do conhecimento e novas tendências, muito tempo antes do resto da sociedade as perceber. Isso é fascinante. As coisas no início, quando comecei a investigar, não eram tão fáceis. Quando queríamos ler um artigo qualquer tínhamos de escrever uma carta para o autor do artigo e eles mandavam-no pelo correio umas semanas mais tarde. Poucos anos depois as coisas mudaram radicalmente. A génese da internet permitiu que a ciência se multiplicasse mais rapidamente, exatamente pela facilidade de partilha da informação entre investigadores.”
Neste momento vejo que investiga na área da visão de computador aplicada aos sistemas de transportes inteligentes, à interação homem-máquina e à robótica assistiva. O que o motivou? “As coisas foram acontecendo naturalmente. Uma pessoa vai vendo os desafios e as dificuldades que vão surgindo e depois vai escolhendo, dependendo do nosso gosto e interesse pessoal. No meu caso, escolhi as áreas de investigação que têm a ver com a perceção artificial. Por exemplo, nos veículos autónomos, como é que o veículo, para ter uma certa autonomia, consegue perceber o meio ambiente que está a volta dele? Fizemos algum
trabalho interessante nesta área, nomeadamente na detecção de pedestres. Tivemos inclusive um aluno de doutoramento que coorientei em parceria com o professor Urbano Nunes, que ganhou um primeiro prémio num concurso internacional patrocinado pela Daimler Chrysler, um construtor automóvel americano. Na altura, o trabalho foi considerado como a melhor solução a utilizar uma aproximação biológica ao problema da detecção de pedestres. Entretanto a tecnologia evoluiu e hoje existem soluções mais eficazes utilizando sobretudo técnicas de aprendizagem profunda, o famoso Deep Learning. No ano passado outro aluno de doutoramento com um trabalho na mesma área ganhou o prémio de melhor tese em robótica em Portugal, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Robótica. A experiência adquirida nesta área levou-me a explorar outra área interessante e desafiadora ao mesmo tempo, a área da robótica assistiva. Como criar dispositivos robóticos autónomos capazes de ajudar pessoas com algum tipo de dificuldade, nomeadamente dificuldades motoras. Mais uma vez o meu foco foi na parte relacionada com a percepção artificial. Desenvolvemos no ISR, um andarilho inteligente que tem a percepção de como é que a pessoa se está a mover e adapta a sua marcha em função do equilíbrio da pessoa para impedir quedas, etc. Isto levou ao meu envolvimento em outros projetos na área de monitorização da marcha, da reabilitação inteligente, ou seja, ter sistemas que permitem motivar a pessoa a fazer exercícios de reabilitação, mas simultaneamente avaliar o seu desempenho de forma automática, utilizando algoritmos de aprendizagem. Pretendese avaliar se o utilizador está a fazer bem ou não os exercícios, sugerir o que a pessoa tem de fazer para corrigir, etc. Esta é uma área muito interessante em termos de potencial de aplicação, porque infelizmente a nossa sociedade está a envelhecer e não vai haver mão de obra humana suficiente para tomar conta de toda a gente. Ou seja, terá de haver forçosamente dispositivos que permitam de forma autónoma ajudar as pessoas. Pelo impacto social, esta é a área a que mais me tenho dedicado nos últimos tempos.”
terem em casa um fisioterapeuta, neste caso, automático, que possa monitorizar e incentivar a pessoa a fazer os exercícios de reabilitação. Que permita dar dicas, avaliar se o paciente está a fazer bem ou não, avaliar também o seu desenvolvimento ao longo do tempo e em caso de alguma situação anormal contactar o fisioterapeuta através da emissão de um sinal de alerta. Esta é uma área interessante, a telemedicina. Precisamente por causa dos condicionalismos e pela falta de mão de obra especializada. Num futuro próximo, esta evolução, vai permitir descentralizar a prestação de cuidados de saúde e ajudar pessoas em situações menos favorecidas em termos de disponibilidade de serviços, como por exemplo no interior do país. Por essa razão, neste momento, estou a dar início a uma série projetos nessa área da telemedicina. Comecei com a telerreabilitação e agora estamos a alargar também a outras áreas.”
No futuro, vê alguma mudança em relação ao seu trabalho? “Isso é uma boa pergunta. (risos) Em termos de investigação, nunca se sabe o que o futuro nos reserva. A realidade é muito dinâmica e a evolução do conhecimento é cada vez mais rápida. Por isso é difícil fazer previsões. As vezes questiono-me como teria sido se tivesse optado por uma carreira tradicional de engenharia, numa empresa que tivesse vocação para criar ou desenvolver novas tecnologias. Mas para ser sincero, nesta fase da vida será complicado isso acontecer. Não quer dizer que alterações não possam acontecer, mas acho complicado. Devo confessar também uma coisa, eu gosto de dar aulas, não é um fardo para mim. Gosto sobretudo quando os alunos reagem aquilo que nós estamos a transmitir e manifestam um espírito crítico. E uma coisa que me dá prazer é reencontrar ex-alunos passados dez, quinze, vinte anos e eles virem ter comigo e reconhecerem-me. Às vezes eu já não os reconheço, porque é mais difícil para nós professores porque lidamos com muitas gerações de alunos. E é gratificante para mim, quando eu lhes pergunto como eles estão, e ouvir que são pessoas realizados profissionalmente. Isto dá-me um certo contentamento, saber que contribuí numa ínfima parte para que isso pudesse ter acontecido.”
Deseja acrescentar alguma coisa a esta entrevista?
Neste momento quais são as parcerias e colaborações que tem? “Tenho tido algumas parcerias interessantes. Sempre que possível e a oportunidade existe procuro ter uma ligação com a indústria e com instituições de suporte social, sobretudo na área da robótica assistiva. Tivemos por exemplo uma parceria com o hospital Rovisco Pais, na Tocha, um centro de reabilitação física. Tenho um projecto submetido com uma empresa de Coimbra tendo em vista o desenvolvimento de uma estação autónoma de reabilitação, ou seja, uma estação que permita às pessoas
“Sim, se me for permitido deixar uma mensagem aos nossos estudantes, ela seria que às vezes nós estamos tão focados na nossa realidade que nos esquecemos de ver uma realidade mais macro do que acontece no nosso departamento. Temos excelentes centros de investigação, com trabalho reconhecido internacionalmente. Temos ex-alunos que têm carreiras profissionais de sucesso, espalhados por esse mundo fora, o que atesta a qualidade da nossa formação. Alguns deles ocupam posições chave em algumas das empresas mais bem-sucedidas do planeta. E é muito bom termos conhecimento disso! Muitas vezes temos uma ideia, se calhar um bocado portuguesa, um bocado fatalista, de que somos pequenos. Mas não somos. Somos tão bons ou melhores que os outros, e na minha perspetiva os portugueses até têm uma vantagem competitiva em relação à maior parte dos habitantes do resto da Europa. Para além das competências técnicas desenvolvidas, e não tenho dúvida que as que adquiriram aqui no departamento são boas, temos uma componente humana e social muito forte! Somos pessoas bastante sociáveis, sem receio de enfrentar novos desafios, o que faz com que as probabilidades de sucesso sejam substancialmente maiores.”
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O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) é um Instituto de pesquisa e desenvolvimento afiliado à Universidade de Coimbra (UC), ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) e o Politécnico Instituto de Leiria (IPL), sem fins lucrativos. Existe praticamente desde 1986, mas em 2002 começou o seu trabalho de forma independente. A missão principal do INESC Coimbra é a realização de atividades de investigação científica, desenvolvimento tecnológico, transferência e integração de conhecimento, tendo por base disciplinas das Ciências de Engenharia e das Ciências de Gestão / Investigação Operacional, visando contribuir para a melhoria do desempenho global de empresas e instituições e para o progresso do conhecimento.
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Nas páginas seguintes, é aprofundado um projeto de investigação do INESC Coimbra
Investigando com
Teresa Gomes
Por Ana Fernandes e André Teixeira
Projeto COST Action RECODIS O que é uma COST Action? Desde 1971 que a COST financia atividades de colaboração transnacional num sistema de redes de investigadores com livre acesso e bottomup, em todos os domínios científicos e tecnológicos. Estas redes, denominadas COST Actions, possibilitam avanços no desenvolvimento do conhecimento científico, contribuindo para o fortalecimento da Europa como líder em I&DT. Através da sua política inclusiva e dando especial relevância aos jovens investigadores, a COST constitui um meio único para que os investigadores, de uma forma livre, aberta e em conjunto, desenvolvam as suas ideias e iniciativas.
Sobre o RECODIS A COST Action RECODIS foi uma candidatura liderada por Jacek Rak (Professor na Gdansk University of Technology, Polónia), em que Teresa Gomes colaborou como um dos oito Participating as Secondary Proposer. Este projeto, com o título Resilient communication services protecting end-user applications from disaster-based failures, teve início em 1 de março de 2016 e terminou no final de fevereiro de 2020. Tem os seguintes objetivos: • Propor soluções que tornem as redes mais resilientes a disrupções causadas por desastres naturais ou resultantes de ação humana, intencional ou não; • Introduzir um conjunto de técnicas de comunicação resiliente, bem como recomendações sobre como instalar/atualizar topologias de redes de comunicação para as tornar robustas a interrupções e que possam ser aplicadas na prática por operadores de equipamentos de rede e fornecedores de redes; • Conseguir a disseminação dos resultados e a transferência de conhecimento para operadores de rede, fornecedores de equipamentos de rede e reguladores.
Quais são os benefícios gerais esperados com este projeto? •
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O aumento da colaboração transnacional num sistema de redes de investigadores: no caso dos investigadores do INESC Coimbra tal traduziu-se em várias Short Term Scientific Missions o que deu lugar a um intercâmbio de conhecimentos; A participação em Conferências Científicas em que os investigadores tiveram financiamento COST para apresentar diversos trabalhos desenvolvidos; A disseminação dos resultados obtidos foi feita através de numerosas apresentações em conferências internacionais, com a publicação de 15 artigos em atas e de 6 artigos em revistas internacionais, em coautoria de investigadores do INESC Coimbra e/ou DEEC; Foi feito um esforço de transferência de conhecimento para a indústria através de uma ação de formação dirigida principalmente a operadores de rede, fornecedores de equipamentos de rede e reguladores; O principal resultado deste projeto foi a elaboração dum livro, com o resultado da investigação desenvolvida ao longo da ação, Guide to Disaster-Resilient Communication Networks.
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Que melhorias ao nível do hardware e do software vão ser implementadas? O trabalho desenvolvido é vasto, mas podemos destacar alguns trabalhos que envolvem investigadores do INESC Coimbra. Atualmente, as redes de comunicação são fulcrais para garantir o correto funcionamento de diversas estruturas (ex. smart grids) e o adequado suporte para diversas atividades (ex. transações financeiras). Assim, é necessário garantir adequados níveis de disponibilidade dos elementos da rede para todas as solicitações que são feitas às redes de comunicação. Esta questão adquire especial importância nas situações de desastres, já que quer as populações quer as organizações de socorro dependem fortemente das comunicações, como aliás a pandemia da COVID-19 tem demonstrado. A modelação dos desastres naturais pode ser feita tendo em consideração a existência de falhas correlacionadas. Em termos de preparação para desastres, há várias estratégias que podem ser consideradas: • Definição duma subestrutura de alta disponibilidade na rede que deve ser utilizada pelo tráfego crítico e/ou que precisa de maiores garantias de fiabilidade; • Para cada par origem-destino de solicitações à rede pode definir-se um par de caminhos (caminho ativo e caminho de proteção) disjuntos nos SRLG (i.e. cujos arcos pertençam a SRLGs distintos) – ver figura 1a – e/ou um par de caminhos D-geodiversos (i.e. caminhos cujos elementos intermédios estão geograficamente afastados de uma distância D, o que permite evitar, tanto quanto possível, que ambos os caminhos atravessem a(s) zona(s) de elevado risco de desastre) – ver figura 1b. Foi proposta uma formulação que determina pares de caminhos D-geodiversos maximamente disjuntos nos SRLGs. Em seguida é feita uma análise comparativa do custo desta solução com outras menos robustas. • Seleção dos arcos que devem formar uma subestrutura de alta disponibilidade na rede, de modo a garantir o nível de disponibilidade e de separação geográfica (D-geodiversidade) desejados entre os caminhos de um par que interligam nós da rede.
(a) Exemplo de SRLG (Shared Risk Link (b) Exemplo de pares de caminhos Group): considera-se que os arcos 1 e 2 geograficamente diversos: o têm um risco comum de falha, dado que caminho ativo (a laranja) deve estão na mesma conduta durante parte ter como alternativa (caminho do seu comprimento. Assim, fazem parte de proteção) o caminho a violeta do mesmo grupo em termos de risco de para garantir que em caso de falhas. desastres os caminhos do par são suficientemente distantes.
Foi concebida uma estratégia que permite obter a ligação mais curta (árvore de Steiner Euclidiana) que interliga diferentes nós de uma rede, minimizando os troços que atravessam regiões mais propensas a sismos (ver figura 2).
Figura 2: Representação dos nós da rede COST 266 na presença de obstáculos suaves representando regiões mais propensas a sismos. A verde estão representadas regiões de peso 1.5, a laranja regiões de peso 3 e a vermelho regiões de peso 5, correspondentes a regiões com um número crescente de ocorrências de sismos.
As redes SDN (Software-Defined Networking) são um novo paradigma de redes de comunicações. Nas redes tradicionais, cada nó da rede (switch ou router) tem embebido em si as mesmas funções de encaminhamento e funções de gestão e decisão. Desta forma, o plano de dados (encaminhamento) e o plano de controlo (gestão), estão embebidos nos nós. Nas redes SDN, os nós da rede (switches) passam a ter apenas funções de encaminhamento e, portanto, os nós constituem o plano de dados. O plano de controlo é constituído por um conjunto de controladores (servers) que gerem a rede e o plano de dados. Estas diferenças estão ilustradas na figura 3. Foram desenvolvidos modelos para garantir a colocação dos controladores de modo a satisfazer restrições de atraso e de disponibilidade. A necessidade crescente de flexibilidade e automatização das redes elétricas inteligentes, para serem capazes de responder de forma eficaz e em tempo útil a falhas e desastres, a variações imprevistas de procura e/ou de geração, e para serem capazes de gerir adequadamente um número cada vez maior de recursos controláveis ligados à rede, torna os sistemas de energia elétrica cada vez mais dependentes das comunicações. As Phasor Measurement Units (PMUs) obtêm dados que permitem saber em detalhe e em tempo útil o estado de uma rede de energia, e até antecipar alguns problemas mais cedo do que os métodos tradicionais de medição. Tendo determinado o número mínimo de PMUs que permitem ficar com uma visão global da rede, procurou-se influenciar a sua localização de forma a que a rede de comunicações associada fosse mais robusta a falhas.
Figura 1(a) e 1(b): Ilustrando a disjunção nos SRLG e a separação geográfica Foi proposta e desenvolvida uma metodologia, designada eFRA DIR – Enhanced Framework for Disaster Resilience – que combina planeamento de redes, modelação de falhas (de dois tipos – falhas independentes aleatórias e falhas regionais para modelar desastres) e encaminhamento resiliente.
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Figura 3: Representação dos planos de dados e de controlo numa rede tradicional e numa rede SDN.
ÁREAS DE INTERVENÇÃO Perceção Visual Robótica Médica Robots de Busca e Resgate Sistemas de Energia Inteligentes Perceção e Reconhecimento Artificial Inteligência Computacional e Controlo Robótica Móvel com Caraterísticas Humanoides
O Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) é uma instituição privada portuguesa sem fins lucrativos. Fundada em 1992, com o objetivo de criar uma equipa de investigação multidisciplinar de topo, capaz de realizar investigação de ponta em várias áreas importantes da ciência e da tecnologia, com especial ênfase em sistemas e robótica. O ISR desenvolveu também fortes ligações com a indústria, tanto com empresas nacionais e internacionais existentes, como na criação de spin-offs.
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Investigando com
Alexandre Matias Por Bruno Daniel
Smart Microgrid desenvolvida por investigadores da UC
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Fale-nos da rede inteligente que está a implementar.
Quais os benefícios do uso da microrrede?
“No ISR estamos a implementar uma microrrede, que é um projeto piloto. Primeiro estamos a ver como implementar a nossa microrrede que é para depois, quando a rede já estiver totalmente concretizada, vermos de que modo a podemos usar para criar vários serviços ligados aos utilizadores. Neste momento ainda estamos na fase de implementação. Este projeto faz parte da minha tese de doutoramento e no fundo a microrrede (microgrid) é uma evolução das redes elétricas em que, devido ao elevado controlo e comunicação que hoje em dia conseguimos ter devido ao Internet of Things (IoT), vai permitir uma maior flexibilidade e controlo das cargas elétricas de uma rede que está seccionada em microrredes. No DEEC estamos a fazer uma rede que está restrita a todo o departamento. O objetivo é dar alguma independência ao edifício da rede elétrica nacional. Esta microrrede vai permitir gerir todas as fontes de energia que o departamento tem (painéis fotovoltaicos e futuramente o vehicle to grid interaction (v2g), ou seja, as baterias dos carros elétricos) sendo que isso traz imensos benefícios a nível de custos, como por exemplo no aproveitamento da produção renovável que o departamento tem. Uma microrrede tem 2 “atores” principais que são a rede (que é considerada como uma fonte de energia infinita) e as fontes de produção interna que é onde podemos produzir eletricidade e gerir recursos. A microrrede gera e monitoriza estes recursos todos ao mesmo tempo e toma decisões com o objetivo de beneficiar o utilizador com base nas suas necessidades. Por exemplo, há algum tempo o departamento ficou sem eletricidade durante umas horas e se a microrrede estivesse implementada teria sido possível trabalhar 2 ou 3 horas de forma totalmente independente da rede elétrica.”
“O benefício principal acaba por ser a independência da rede elétrica nacional que depois se transforma noutros benefícios mais indiretos. Por exemplo, o departamento atualmente tem um problema que é: à hora de almoço a produção fotovoltaica excede o consumo e, uma vez que essa energia não consegue ser consumida em vez de ser inserida na rede (atualmente já não é vantajoso) os inversores simplesmente fecham havendo um corte da produção fotovoltaica. A microrrede vai pôr a comunicar o sistema de armazenamento que temos instalado nas caves do ISR com a produção fotovoltaica para que haja uma coordenação e, em vez de se cortar a produção, esta energia possa ser armazenada nas baterias. É preciso haver esta coordenação e comunicação dos sistemas para que se consiga prever o consumo de carga e a produção fotovoltaica. Outro benefício é a interconexão dos vários “atores” a outro “ator” que nós chamamos de controlo de carga (load control). Atualmente temos dispositivos que se ligam às tomadas e que funcionam como interruptor automático. A opção mais simples é aplicar aos sistemas de ventilação/climatização que, no inverno, é possível programar o ar-condicionado para que este aqueça previamente uma sala de aulas para que às 8h da manhã, quando o estudante chegar à sala, esta já esteja na temperatura ideal de conforto. A microrrede permitirá fazer isto aproveitando uma hora de tarifário muito mais barata que o tarifário de ponta. Ou seja, conseguimos mover carga de um período de ponta onde é mais caro e transladar a carga para um período mais barato. Este conceito de transição de cargas é também aplicado ao nível das baterias. Outra utilidade, que esperamos realizar num projeto piloto com a EDP, é a criação
de uma microrrede mais concisa, não ao nível de um edifício, mas ao nível de uma aldeia. Muitas aldeias ficaram isoladas com os incêndios em Portugal e o conceito de microrrede pode ser aplicado a uma aldeia conferindo-lhe uma ligeira independência (durante 6 a 8 horas) da rede elétrica nacional que podem ser fulcrais para salvar vidas. Além disso a microrrede permite também aplicar outro conceito importante, o da prioritização das cargas. Novamente pegando no exemplo da aldeia, as cargas dos bombeiros, polícia, etc… são mais prioritárias que as residenciais e assim é possível controlar, caso haja produção fotovoltaica, para alimentar apenas as cargas prioritárias e com a ajuda de baterias estender o fornecimento de energia para além das horas de exposição solar. No fundo a microrrede garante que não há isolamento da aldeia face à rede elétrica nacional permitindo comunicar com todos os intervenientes e fazer toda uma gestão outrora impossível sem o uso desta tecnologia.”
Porque é que este conceito da microrrede é única em Portugal? “Nós no ISR não somos os únicos a trabalhar com microrredes, uma vez que o conceito já existe há alguns anos, mas em Portugal somos os únicos que têm o conceito de v2g, que permite o carregamento bidirecional dos carros elétricos. Apesar de existirem outros laboratórios que já tem energy stored systems, nós temos isso ligado tanto ao fotovoltaico como v2g, e estamos mais equipados, tendo todos os “atores” que permitem fazer uma microrrede. Digamos que somos os primeiros a pôr em prática toda a teoria que já tinha sido desenvolvida anteriormente nos manuais, pappers, etc.”
Esquema da microrrede no DEEC Esta rede tem muitos benefícios para o DEEC. Poderá também ser implementada noutro tipo de edifícios? “Uma microrrede poderá ser uma coisa tão pequena como uma casa doméstica. Por exemplo, numa habitação com produção fotovoltaica que tenha baterias, o utilizador poderá também definir cargas prioritárias (i.e.: fogão, frigorífico, ar condicionado...) e quando houver um corte na energia elétrica, a nossa microrrede através do seu sistema de controlo possa dizer que a produção fotovoltaica e a energia armazenada nas baterias, sejam usadas nessa carga prioritária, garantindo assim uma extensão de, por exemplo, 12 horas nessas cargas mais necessárias. Em alguns casos poderá ser suficiente para que o utilizador não sinta tanto o corte de energia da rede elétrica nacional. No fundo este conceito pode ser aplicado a todos os sistemas elétricos que tenham produção e armazenamento.”
Sistema de Monitorização e Controlo em tempo real
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O Instituto de Telecomunicações (IT) é uma organização privada sem fins lucrativos, composta por nove institutos espalhados pelo país. Tem como principais funções, criar e estender o conhecimento científico na área de telecomunicações. Está estruturado em torno de três polos: Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra e Instituto Superior Técnico de Lisboa. Em Coimbra, mais concretamente no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, possui 5 laboratórios devidamente equipados, destinados à pesquisa e educação: • • • • •
ÁREAS DE INTERVENÇÃO Comunicação sem Fios Comunicação Ótica Redes e Multimédia Ciências Básicas e Tecnologias de Suporte
Propagação e Antenas Comunicação de Imagem Comunicações Óticas Sistemas de Energia Processamento de Sinal
O IT promove ativamente um nível avançado de investigação científica através de uma “Política de Qualidade” publicada em 2011, presente no site da instituição. Anualmente, o IT, estima uma produção científica de aproximadamente 40 livros e capítulos, mais de 350 artigos em revistas científicas internacionais, mais de 450 artigos em conferências internacionais e mais de 10 patentes registadas. 24
Investigando com
Luís Cruz
Por Guilherme Carvalho
Projeto linha de investigação de compressão de nuvem de pontos Fale-nos um pouco da sua investigação. “Resume-se a métodos para compressão de informação visual, atualmente com ênfase na compressão de nuvens de pontos. Nuvens de pontos são essencialmente informação que define a posição de pontos no espaço, possivelmente acompanhada de atributos dos pontos. Esse tipo de dados é usado em, por exemplo, esquemas de representação de informação visual para uso em sistemas de realidade virtual e realidade aumentada. O formato é muito flexível na conversão para outros formatos, mas tem um problema, os dados são muito volumosos. Outra aplicação de nuvens de pontos é em sistemas de condução autónoma onde um dos sensores principais, LIDAR, usa raios laser para fazer um scan do que está à sua volta. O resultado são nuvens de pontos (3D) que contém milhões de pontos. A posição de cada ponto é caracterizada por 3 números em virgula flutuante, em muitos casos também se regista a refletividade para cada ponto. Em casos mais complexos pode ser associada à nuvem a informação de uma imagem fotográfica de modo a ter o conhecimento da cor do ponto. A título de exemplo, assumindo que é usado um byte para representar cada coordenada e três bytes para a informação RGB, necessitamos 6 bytes para caracterizar um ponto. Se tivermos uma nuvem estática com 1.5 milhões de pontos ela ocupará cerca de 9MB. Se for uma situação de movimento, com sequências de nuvens de pontos, a coisa complica-se ainda mais. É, pois, fundamental ter métodos eficientes de compressão, quer para armazenamento quer para transmissão deste tipo de informação. ”
Como são comprimidos os dados? Quais são os princípios? “Existem vários princípios de compressão. Uma das soluções é a divisão em octrees. Com o conhecimento das coordenadas mínimas e máximas da nuvem podemos criar uma bounding box tridimensional. Através da divisão de cada dimensão na sua metade, obtemos a caixa dividida em octantes. Em cada octante verifica-se a existência de uma quantidade pequena de pontos contidos, se for verificada, ignora-se esse octante, se o número de pontos for superior a um limiar, realiza-se o mesmo processo de divisão, obtendo suboctantes. Podemos representar este processo de divisão por uma árvore, em que cada ramo pode ou não ser dividido, e em que os ramos não divididos resultam em folhas. A divisão de um nó em oito octantes pode ser representada pelos oito bits de um byte. A árvore que define a divisão da nuvem pode então ser representada por um conjunto de bytes. Quando chega a suboctantes que já não são divisíveis (folhas da árvore), pode-se calcular o ponto médio ou mediano que resulta nesse octante. Perdendo informação obviamente, mas podendo assim reconstruir uma nuvem de pontos aproximada da original. Há outras formas de representar a informação (pontos) dos octantes terminais, de modo a obter uma representação mais aproximada da real, como por exemplo calcular o vetor de diferenças associado a cada ponto em função do ponto médio e representar esses vetores explicitamente. Outro princípio de codificação de nuvens de pontos baseia--se em projeções. Dada uma nuvem de pontos com atributo de cor, pode-se projetar essa nuvem sobre as faces de um cubo que a envolvam. Durante a projeção 25
os pontos da nuvem são projetados apenas na face do cubo cuja normal é mais semelhante à normal do ponto, obtendo-se uma representação da nuvem toda à custa das seis projeções. Isto funciona bem, se a nuvem for convexa e se não incluir formas muito complexas. Com imagens projetadas digitalmente em uma imagem de alta resolução, obtém-se uma representação muito boa da nuvem. Adicionando a informação de distância, retratada por um mapa de distâncias representado por imagens em tons de cinzento em que cada pixel codifica informação de profundidade, obtemos 6 pares de imagens que podem ser comprimidas, por exemplo, com o codificador JPEG normal. O método funciona muito bem, aproveitando a eficiência dos métodos atuas para comprimir imagens 2D. Outro princípio que é utilizado, mas é matematicamente mais complexo, baseia-se na representação de nuvens de pontos por grafos. Os pontos em geral representam amostras de superfícies de objetos, existindo relações de vizinhança naturais entre os pontos. Se se determinar que um ponto A corresponde a pontos que no objeto eram vizinhos de um ponto B e do ponto C, posso criar um grafo que representa essas relações. Depois de representar matricialmente esse grafo, usam-se várias técnicas que derivam da álgebra linear, para representar essas matrizes da forma mais eficiente possível. Concretamente, há uma série de transformadas que podem operar sobre os grafos, obtendo uma representação mais económica da nuvem original. Estas são as 3 grandes categorias de métodos de compressão de nuvens de pontos. Por questões de simplicidade operacional, octrees e projeções são as mais utilizadas. O processamento de grafos é em geral complexo e as transformadas suportadas em grafos não são uma exceção. O método baseado em projeções é o mais eficiente, um ponto codificado é expresso por 0.5 bits, enquanto que o codificador baseado em octrees, requer da ordem de 1 a 2 bits para representar um ponto.”
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A codificação e a decodificação são processos comparáveis? “São as duas faces da moeda que é a compressão. Um é o inverso da outra, mas em algumas aplicações os requisitos são diferentes. Por vezes temos situações que a codificação é complexa, mas é importante que a descodificação seja muito simples. No exemplo de utilização de tecnologia para aplicações de videoconferência, num ambiente com vários participantes em que se quer representar cada estúdio e os participantes por nuvens de pontos, o processo de construção da nuvem pode ser executado por sistemas multicâmara, em que o mecanismo de compressão ao ser feito no estúdio, não tem grandes limitações energéticas ou poder computacional, portanto usar um método de compressão mais eficiente e complexo. No entanto, ao querer que a largura de banda seja baixa e que a reconstituição da nuvem de pontos seja feita, por exemplo, num dispositivo móvel, o objetivo já passa por uma codificação de alta eficiência e uma descodificação de baixa complexidade. Nesse caso poderíamos ir por um método baseado em projeções, que a codificação é complexa, mas a descodificação é bastante simples. Em situações inversas, se o objetivo for uma codificação simplificada, por exemplo, num sensor LIDAR contido num veículo automóvel, já é oportuno utilizar métodos baseados em Octrees, pois neste caso a codificação é muito simples. O lado negativo é que a codificação é pouco eficiente. Em termos de complexidade dos equipamentos a utilizar, a implementação do algoritmo e os requisitos em termos de plataforma computacional, as soluções baseadas em projeções também são mais complexas.”
UC Transforma
UC | JOB TEASER
A Universidade de Coimbra apresentou, no dia 17 de novembro de 2020 (Dia Internacional do Estudante) o projeto pioneiro de ofertas de voluntariado e iniciativas de inovação social, UC Transforma. Integrada no Movimento Transforma Portugal (criado no âmbito de uma parceria entre o Movimento Transforma Brasil, a Fórum Estudante e a Universidade de Coimbra), a UC Transforma tem como objetivo aproximar projetos e voluntários, inspirar e promover mudanças sociais através de trabalho voluntário. A sessão de apresentação, realizada na Sala do Senado da Reitoria da UC, contou com a presença do Reitor da UC, Prof. Dr. Amílcar Falcão, da Vice-Reitora da UC para os Assuntos Académicos e Serviços de Ação Social, Prof. Dra. Cristina Albuquerque, do Presidente da Fórum Estudante, Rui Marques, do Presidente do Transforma Brasil, Fábio Silva, do Presidente da Associação Académica de Coimbra na altura em funções, Daniel Azenha, do Presidente da Portugal Inovação Social, Filipe Almeida, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do XXII Governo Constitucional de Portugal, Manuel Heitor, e ainda com uma mensagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
A plataforma UC | JOB TEASER é um espaço multifacetado que pretende auxiliar os estudantes e diplomados da Universidade de Coimbra na gestão da sua carreira, oferecendo alguns mecanismos que visam potenciar uma maior empregabilidade.
Esta plataforma possui já projetos de várias organizações como o Fundo Solidário NEXT, a Pint of Science Portugal, a Khan Academy, a Associação Académica de Coimbra e a Universidade de Coimbra. Capaz de desenvolver habilidades pessoais como trabalho em equipa, empatia e liderança, a UC Transforma é o primeiro barómetro de trabalho social universitário na Europa, contabilizando publicamente o número de horas de trabalho voluntário. Para além disso, as suas ações contam com currículos e certificações sociais para os seus participantes.
Esta plataforma foi criada este ano, pela Universidade de Coimbra, e funciona como um Portal de Emprego, dando acesso a eventos de carreira exclusivos, tais como webinars, sessões de recrutamento, apresentações de empresas, pitchs, cursos online, workshops e feiras de emprego. Para além disso, oferece diversos recursos digitais, tais como podcasts, vídeos e apresentações, permitindo ainda o acesso a contactos diretos com os serviços de Recursos Humanos de diversas empresas. Futuramente terá ainda o recurso de aconselhamento de carreira. É através desta plataforma que os estudantes e diplomados podem interagir com as empresas recrutadoras. É ainda possível definir um critério de pesquisa no perfil pessoal para encontrar as ofertas mais adequadas, sendo muitas dessas propostas exclusivas da nossa universidade. Permite também descobrir mais sobre as empresas a que os alunos se pretendem candidatar através do perfil de cada uma, que contém vídeos, descrições do trabalho e detalhes das políticas de recrutamento. A UC | JOB TEASER está disponível em www.ucoimbra.jobteaser.com
Por Matilde Carvalho
Para se inscreverem neste programa inovador basta fazer o registo em www.transforma.uc.pt
Por Pedro Teixeira
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EDIÇÃO 2020
A Feira de Emprego e Empreendedorismo para a Engenharia (F3E) regressou para a sua 5ª edição! O evento, organizado pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (NEEEC/AAC), foi exclusivamente online e decorreu nos dias 12, 13, 14 e 15 de outubro de 2020.
No primeiro dia, os participantes obtiveram as bases que os impulsionarão para o mercado de trabalho no Workshop de CV e LinkedIn. O segundo dia foi dedicado à adaptação aos novos tempos de pandemia através do Workshop “Mercado em tempos de pandemia”, ajudando os estudantes a marcarem a sua posição no mercado de trabalho, mostrando que a sua capacidade não se reduz apenas a decorar o que está num livro. No terceiro dia, através da página do Facebook do evento (facebook. com/f3e.neeec), foi transmitida a sessão “À conversa com Gonçalo Quadros”, Chairman e Co-Fundador da Critical Software e um dos nomes mais inspiradores da comunidade de Engenharia Eletrotécnica Conimbricense. Por fim, no quarto e último dia, os estudantes foram preparados para o contacto direto com as empresas com o Workshop “Como fazer uma entrevista de trabalho?”. Todos os workshops foram patrocinados pela Spark Agency.
A forma como os estudantes se apresentam às empresas é a primeira barreira a quebrar antes de estes atingirem os seus objetivos. Em período de pandemia e tendo em consideração as barreiras colocadas à organização deste evento, que envolve anualmente centenas de estudantes de engenharia, o núcleo não quis deixar de dar uma oportunidade aos recém-graduados que, terminando o curso num período excecional, depararam-se com menos oportunidades de emprego do que os seus colegas. Como tal, neste ano a F3E teve como grande objetivo a aposta na formação dos alunos. A organização acredita que apesar de neste ano não ter tido oportunidade de realizar a feira presencialmente e de contar com as muitas empresas que tem vindo a juntar-se ao evento de ano para ano, puderam garantir que os alunos teriam a melhor formação ingressando assim no mundo do trabalho o mais rápido possível.
POR ANA CALHAU
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EDIÇÃO 2021
Apesar do ano atípico devido à situação pandémica em que nos encontramos, o NEEEC/AAC não deixou que o ano passasse sem uma edição da F3E com a presença de empresas e as suas tradicionais bancas. Como tal, a 6ª edição da F3E ocorreu a 24 e 25 de maio, de novo online, mas desta vez na plataforma Hopin, onde cada empresa pôde ter o seu stand, replicando o formato presencial da F3E. Assim, os participantes puderam percorrer as empresas que mais despertavam o seu interesse, para desenvolver diálogos e criar contactos com as empresas. Ao longo da feira foram realizadas sessões de recrutamento, em que os alunos, dentro de um leque de empresas, escolheram as que eram mais direcionadas para a sua formação, sendo então marcada uma entrevista com estas, o que permitiu o contacto por parte destas empresas para ofertas futuras. A feira contou ainda com um workshop ministrado pela Speak & Lead, com a finalidade de melhorar as capacidades de Public Speaking dos participantes. Além deste, houve também um workshop de CV, LinkedIn e Formas de Destacar o Perfil, dado pelos Seekers, que procurou ajudar os estudantes a destacar-se positivamente com um CV e página de LinkedIn atrativos, de forma a serem reconhecidos no mundo empresarial. Este evento contou ainda com um workshop de Simulação de Entrevistas, oferecido pela Outsystems. Por fim, esta edição da F3E contou também com variadas palestras. No primeiro dia do evento, a EU Careers realizou uma sessão de esclarecimento acerca das oportunidades de carreira na União Europeia,
tanto a nível de estágios como de emprego. Ainda no dia 24 de maio, a Ordem dos Engenheiros falou acerca dos desafios do setor e da Indústria 4.0. Já no segundo dia, os alunos de doutoramento Óscar Ferraz e Andreia Pereira tiveram o agrado de realizar uma sessão com o objetivo de dar a conhecer e desmitificar o que realmente é o doutoramento, mostrando que é possível seguir uma carreira de investigação sem ter obrigatoriamente que ingressar no mercado de trabalho. A feira contou ainda com um giveaway para os seus participantes, onde foram sorteados um Raspberry Pi, um smartwatch, uma camisola personalizada da AAC/ OAF e também uma experiência Odisseias, oferecida pela Adentis. Assim sendo, com um número record de 24 empresas presentes, acredita-se que a 6ª edição da F3E permitirá que alguns estudantes possam ingressar num mundo empresarial com os contactos diretos das empresas que compareceram nessas edições, bem como com novas competências adquiridas nas palestras e workshops.
POR ANA FERNANDES E RODRIGO ALMEIDA
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Erasmus em Pandemia Entrevista a Martin Estorninho
O que te levou a querer ir de Erasmus? “Vou dividir a pergunta em duas dimensões, a pessoal e a mais académica e profissional. Em termos pessoais desde que entrei no primeiro ano sempre tive a ideia de ir de Erasmus porque sempre obtive um feedback muito positivo de outras pessoas e mesmo já tendo viajando um pouco soube que iria ser uma experiência que me iria abrir bastantes horizontes, pois na minha opinião é quando viajamos que conseguimos relativizar um bocado o nosso estilo de vida, é na interação com outras culturas que conseguimos aperceber e compreender outros pontos de vista, valorizando as coisas que temos e acima de tudo estar a viver sozinho num ambiente completamente estranho é uma excelente maneira de nos desenvolvermos muito pois saímos da nossa zona de conforto. Crescemos e amadurecemos enquanto pessoas. Em termos académicos sempre tive intenção de ir para a Alemanha pois uma das sua bandeiras é o desenvolvimento tecnológico. Um país muito avançado nesse sentido e no nosso curso nunca duvidei que iria ser uma experiência que me ia trazer mais valias para me formar academicamente. Sendo essa uma das principais razões para a minha escolha.”
Quais as razões que te fizeram escolher Alemanha e a RWTH Aachen? “Sendo a Alemanha um país superdesenvolvido e tendo uma das indústrias mais competitivas do mercado mundial em termos tecnológicos, desde cedo soube que a ida para uma universidade técnica alemã no nosso curso, me ira dar oportunidades que de certa forma não iria ter aqui, não quero com isto dizer que aqui não as tivesse oportunidades. Para além disso tenho também ligações familiares com a Alemanha pois parte da minha família é alemã pelo que sempre quis desvendar um pouco como seria viver sozinho na Alemanha e o que é sentir ser alemão.“
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Como foi ultrapassar a barreira linguística? Tinhas algum conhecimento do alemão? Se sim, utilizaste mais o alemão ou o inglês? “Grupos de Erasmus acabam sempre por se formar e acabamos sempre por recorrer mais ao inglês para comunicar porque é uma língua simples e toda a gente se consegue expressar com muita facilidade, por isso a barreira linguística fica ultrapassada a partir do momento em que uma pessoa saiba inglês. Sempre tive interesse em aprender a língua e ter ido viver para lá foi uma forma de impulsionar essa aprendizagem e amadurecê-la um pouco mais. Confesso que não foi tanto com gostaria, e aí a COVID-19 limitou um bocado esse aspeto, mas tudo o que é conversas de dia a dia como ir às compras, pedir um café, pedir coisas num supermercado e esse tipo de conversas já estava bastante desenvolvido. As pessoas costumam fugir um pouco do alemão, mas acho que aprender os básicos para viver qualquer pessoa consegue.”
Quais as maiores dificuldades que a COVID-19 trouxe Não sei se foste sozinho, como foi para conhecer no planeamento da viagem e no alojamento? Em pessoas novas? Ir com colegas fazeria com que a que medida isso afetou a tua experiência na cidade experiência melhorasse? de acolhimento? “Lá está a COVID-19, obrigou-me de certa forma a redescobrir e a reinventar um bocado o que é viajar e fazer Erasmus, lá está como nós humanos e estudantes de engenharia também nos adaptamos a situações novas, de maneira que tentei fazer ao máximo. Apesar desta situação pandémica me ter limitado, por exemplo no encerramento de museus, restaurantes e bares, em suma, tudo o que um estudante pode querer eventualmente visitar ou conhecer. Apesar de tudo isso tudo tentei adaptar-me ao máximo realizando, dentro do que me foi possível, todos os tipos de experiências que um estudante vai normalmente à procura ao ir de Erasmus, como passear e conhecer outras pessoas, nem que seja na rua de uma forma limitada. Sinto que me limitou nas aulas, gostava de ter tido mais aulas presenciais, só tive algumas, para conhecer os professores, a faculdade e os colegas, apesar de ter conseguido conhecê-los por outros meios. Apesar de isto tudo, sinto que valeu a pena e não me arrependo nada de ter ido na altura em questão.”
Qual a tua opinião sobre os professores e colegas da universidade de acolhimento? Estes ajudaram-te na integração? “Para a universidade em específico que fui, a RWTH Aachen, em termos de integração senti-me muito integrado, é uma universidade muito internacional não tive qualquer tipo de problemas. A comunidade portuguesa de Erasmus nesta universidade era bastante grande, conheci uma dezena de portugueses. A nível de professores, funciona de forma diferente da nossa universidade. Os estudantes de doutoramento são basicamente professores auxiliares e o professor responsável só está encarregue de dar aulas, realizar o exame, corrigí-lo e pouco mais, em termos de dúvidas temos de as tirar com os estudantes de doutoramento afiliados com essa cadeira.”
“Fizeram muitas vezes essa questão e antes de ter ido diziam que era louco por ir sozinho, mas lá está foi um período de descoberta para mim, nunca estive a viver tão longe de casa por um grande período de tempo. Sinto que de certa forma, apesar de adorar todos os meus amigos e gostar de ter levado comigo alguns, ter ido sozinho foi uma maneira de me libertar realmente de tudo e de olhar para uma experiência nova de uma forma completamente livre de tudo e todos, de qualquer tipo de ideias premeditadas e de ideias que não eram minhas, ou seja, encarei a experiência com eu quis e à minha maneira. Foi uma maneira excelente de eu escolher o meu caminho e fazer as coisas em Erasmus que quis fazer, o que deu para me descobrir de uma forma mais aprofundada, especialmente com a idade que tenho foi um período perfeito para ter ido, e descobrir o que é viver sozinho, num país diferente e sem qualquer tipo de pessoa conhecida por perto. Não me arrependo em nada ter ido sozinho e os amigos fizeram se lá rapidamente.”
Queres deixar algum reparo final? “Em relação à experiência de Erasmus, acho que qualquer estudante a deveria experienciar, se gostam de viajar, de experiências novas, de sair da vossa zona de conforto e pensam que isso vos pode trazer mais valias com pessoas, que na minha opinião traz. Hoje em dia é uma coisa cada vez mais valorizada dentro das empresas, que tenhamos esse espírito de descoberta e de enfrentar situações adversas. Nesse sentido recomendo a experiência a qualquer estudante. Da minha experiência nesta universidade em específico, em termos técnicos e de opção de escolha de cadeiras, para um estudante de Engenharia Eletrotécnica, temos à nossa disposição uma panóplia de tópicos que te possam interessar, e estando numa universidade diferente com outro tipo de infraestruturas, como por exemplo em Coimbra somos fortes na parte de máquinas mas não temos nenhum laboratório de alta-tensão, o que lá tem e podemos estudar os fenómenos interessantes que ocorrem, mas isto falando num caso mais específico de Engenharia Eletrotécnica. Falando só dessa universidade acho que é muito boa para o nosso curso e recomendo a qualquer um ir de Erasmus para lá. Gostei muito da experiência, não me arrependo mesmo nada de ter ido nesta altura de pandemia, foi brutal e por mim ainda lá estava.”
Por João Filipe
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Fotografia Vencedora do Concurso de Fotografia do NEEEC/AAC Pedro Teixeira - “Em Coimbra sou feliz“
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