Mandela a celebração dos 100 anos do nascimento do humanista sul-africano
8 Radar
Panorama economia, banca, Finanças, Infra-estruturas, Investimento, País, agenda
14 Macro
ENQUADRAMENTO
14 MPME elas regressam às bases para fazer crescer os seus negócios
18 Casamento como uma instituição antiga se tornou um (grande) negócio novo
26 Nação
BANCA DigiTAl
26 A banca no bolso como o sistema financeiro está a tentar encontrar soluções inovadoras para chegar a toda a população
34 Na voz de... Teotónio comiche, o presidente da associação Moçambicana de bancos
38 ProvÍncIa
g aza o que tem e o que falta à província que vive na ‘sombra’ da capital
42 Mercado e FInanças
Outlook como o fim da tempestade económica não anuncia ainda a chegada do bom tempo
46 EMPresas
PME Moz good Trade a história de uma empresa que quer fazer o bem. Porque o que é nacional, pode e deve mesmo ser o melhor
48 MegaFone
Marketing o que está a acontecer no mundo das marcas em Moçambique e lá por fora
50 fIgura do MÊs
CPlP
Murade Murargy, traça um retrato do país, à luz de quem andou pelo mundo
52 socIedade
Hulene seis meses depois da tragédia, na maior lixeira do país continua tudo na mesma
58 lÁ Fora
Tendências a 4ª revolução industrial dá a vez aos robôs. como vão ‘ocupar’ o nosso lugar na sociedade?
65 ócio
66 Escape Jardim dos aloés, um b&b de charme e aconchego
68 gourmet em viagem pelo botânica, o jardim das delícias
69 Adega um novo olhar sobre velhos whiskies 70 Agenda Música,livros, filmes 71 Arte europa e África, o passado e o presente 72 Ao volante a audi aposta nos ‘autónomos’
Da banca digital às plataformas móveis; uma via aberta à inclusão
Iacumba Ali Aiuba
a necessidade da bancarização do país até às zonas mais recônditas do território nacional coloca ao Banco de Moçambique, entidade responsável pela preservação do valor da moeda nacional e promoção de um sector financeiro sólido e inclusivo, a necessidade premente de estimular o mercado para que os serviços financeiros se estendam ao Moçambique real. E combinando assim a evolução e modernização da banca com as plataformas móveis, que começam a ganhar dinâmica no mercado rural.
A este nível, as estratégias desenvolvidas em África traduzem-se em resultados encorajadores que vão levando cada vez mais a população rural a sentir-se parte do sistema financeiro quebrando, desta feita, o tabu de que o banco é para as elites.
Nao obstante este dinamismo que se assinala nas zonas rurais, é necessário não perder de vista que o programa de inclusão financeira só terá sucesso se houver esforços conjugados de outros sectores que concorrem para a extensão e desenvolvimento destes serviços, apostando em formas alternativas, inovadoras e económicas de circulação monetária e de pagamento de contas.
As políticas do Banco de Moçambique não serão, de per si, suficientes para os vários operadores efectivos e potenciais se sentirem estimulados a desenvolver ou implementar sistemas ou projectos quando encontram entraves de vária ordem para a sua materialização. É necessário que, por exemplo, os sectores das Tecnologias e Sistemas de Informação, das Comunicações, o órgão legislador, a Justiça, a Educação e o Desenvolvimento Rural façam parte de um programa nacional verdadeiramente global.
O desenvolmento de plataformas informáticas que tornam o serviço financeiro fácil, cómodo e célere, acarreta riscos associados a tentativas de fraudes, pelo que a legislação e o sistema de justiça devem acautelar medidas e penalizações para desencorajar tais actos.
É perspectivando o presente à luz do futuro, que a E&M disponibiliza informação relevante como esta, aos estimados leitores, todos os meses, como um instrumento de tomada de decisão pois ‘quem lê sabe mais’.
GRUPO EXECUTIVE Ana Filipa Amaro EDITOR EXECUTIVO Pedro Cativelos JORnAlIsTAs Celso Chambisso; Hermenegildo Langa; Cristina Freire, Elmano Madaíl; Rui Trindade PAGInAÇÃO José Mundundo FOTOGRAFIA Jay Garrido; Vasco Célio PRODUÇÃO Iona - Comunicação e Marketing, Lda (Grupo Executive) PUBlICIDADE DEPARTAmEnTO COmERCIAl Ana Antunes (Moçambique) ana.antunes@executive-mozambique. com; iona@iona.pt/contacto@iona.pt (Portugal) ADmInIsTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBlICIDADE Executive Moçambique; Rua do Telégrafo, nº 109 – Sala 6, Bairro Polana Cimento, Maputo – Moçambique; Tel.: +258 21 485 652; Tlm.: +258 84 311 9150; geral@executive-mozambique.com DElEGAÇÃO Em lIsBOA Rua Filipe Folque, nº 10 J – 2º drtº,1050-113 Lisboa; Tel.:+351 213 813 566; Fax: +351 213 813 569; iona@iona.pt ImPREssÃO E ACABAmEnTO Minerva Print - Maputo - Moçambique TIRAGEm 4 500 exemplares númERO DE REGIsTO 01/GABINFO-DEPC/2018
observação
Joanesburgo, África do sul
A lutA continuA ...
Completa-se no próximo dia 18 de Julho o centenário do nascimento de Nelson Mandela. Cem anos que valem mais do que mil palavras na vida de milhões de pessoas na África do Sul e em todo o mundo.
Apesar de tudo, num país que enfrenta dificuldades em honrar o legado de Mandela na política, na economia e na sociedade, as comemorações da sua vida estendem-se ao longo de todo o 2018. É uma boa altura para visitar alguns dos locais mais significativos associados à vida do homem que lutou contra o apartheid, como a Ilha de Robben ou a sua casa no Soweto. Mas, mais do que isso, é o momento ideal para revisitar a parte da sua obra que ainda não se vê com os olhos. Mas que tem as cores do arco-íris. A tal ‘Rainbow Nation’ que só ele parecia ver durante tantos anos e o lugar da utopia sempre possível, onde todos somos um só.
fotogRAfIA DR
RADAR
ECONOMIA
Taxas de juro. O Banco de Moçambique (BM) reduziu a taxa MIMO (introduzida em Abril do ano passado como indexante único para a definição das taxas de juro a ser utilizado pela banca) em 75 pontos base, para 15,75%. De Abril de 2017 até agora, esta foi sofrendo quedas graduais (de 21,75% para os actuais 15,75%) com o objectivo de “criar condições para baixar as taxas de juro nos empréstimos”. O BM decidiu ainda reduzir também a taxa da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 50 pontos base para 12% e manteve a taxa da FPC em 18% assim como os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos
em moeda nacional em 14%.
Do lado das empresas, a Confederação das Associações Económicas (CTA) mostra, ainda assim, “preocupação” com a morosidade na redução das taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais, que baixaram apenas 300 pontos base (contra os 600 que foram cortados há precisamente um ano) na taxa de juro de política monetário.
Luís Magaço, responsável pelo pelouro de política financeira da CTA, dizia, em Maputo “haver uma atitude positiva por parte do BM que tem vindo a reduzir a taxa de referência do mercado”; mas criticava “uma reacção mais lenta por parte dos bancos comerciais no sentido da redução das taxas que praticam aos seus clientes.”
Crescimento. A economia nacional expandiu 3,2% nos primeiros três meses deste ano, em comparação com igual período do ano passado, revelam dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados no início do passado mês de Junho.
Recorde-se que o Executivo tinha previsto um crescimen-
to de 5,3% para este ano, percentual que o ministro das Finanças, Adriano Maleiane, admitiu entretanto rever em baixa para um valor próximo dos 3% (mais de acordo com as previsões do FMI, do Banco Mundial e dos principais observadores externos da economia nacional) devido “a uma redução das estimativas da produção de carvão na mina da Vale, em Tete, que reduziu a expectativa de produção em 2018, para 15 milhões de toneladas de carvão, devido a constrangimentos operacionais.
Contas públicas. Moçambique regista, uma vez mais, um agravamento do défice das contas públicas nos primeiros três meses do presente ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, o défice foi, ainda assim, minimizado pelo financiamento interno líquido ao Estado no montante de 4 343 milhões de meticais, (equivalente a 46% do défice), e através de fundos de ajuda externa destinados a projectos de investimento.
pAÍs
Exploração de madeira. Moçambique e China anunciaram a assinatura de um memorando conjunto que permite maior controlo da informação sobre os volumes de madeira exportados para a China, grande destino da madeira contrabandeada, um mercado responsável por um prejuízo para o Estado (económico, tributário e ambiental), que ronda, de acordo com uma estimativa do ministério da Economia e Finanças, os 1 000 milhões de dólares nos últimos 10 anos.
O documento prevê um “crescente intercâmbio” para exploração, transporte, comercialização e exportação de madeira.
IMObIlIárIO juNtA-sE EM MAputO, NA MAIOr CONfErêNCIA
Mercado. A Mozambique Real Estate – Investment Summit, que decorreu em Maputo, no final de Junho, reuniu os principais agentes do sector, imobiliário em Moçambique. Numa apresentação feita durante a Conferência Ronaldo Toledo, director da Banca de Investimentos do Standard Bank, abordou a capacidade do banco no financiamento a projectos imobiliários em Moçambique e o “enorme desafio que se coloca ao sector”. Enquanto isso, Miguel Alves, Administrador Executivo do BCI, assume o abrandamento
dO sECtOr
do acesso ao financiamento no ramo imobiliário por considerar ser esta “uma área onde se tem vindo a assistir, nos últimos anos, à volatilidade dos preços, sobretudo das vendas dos imóveis devido ao abrandamento económico.”
Do lado dos principais agentes do sector, o debate focou-se nos desafios e oportunidades, sendo de destacar uma tendência de crescimento da procura no segmento imobiliário dos escritórios, sendo que a quebra de preços no ramo residencial já terá , por esta altura, estagnado.
Transporte aéreo. Os resultados operacionais da Aeroportos de Moçambique reflectem um crescimento (ainda que ligeiro) face a 2016, “apesar da desaceleração do crescimento económico que reduziu a procura por transporte aéreo”, revelou a empresa, em reunião de balanço de contas. Assim, o volume de negócios, chegou à casa dos 2 807 milhões de meticais, (mais 2%) . De acordo com o Presidente de Conselho de Administração da empresa, Emanuel Chaves, “foi preciso que os Aeroportos se reorganizassem para enfrentar a crise.”
Para 2018, a Aeroportos de Moçambique prevê “um incremento da procura por transporte aéreo justificado, principalmente, pela retoma da economia e entrada de novas companhias no mercado doméstico.”
CPLP. Foi lançado um anuário de estudantes moçambicanos em Portugal. Permitir a ligação entre a academia e as instituições da lusofonia, tornando-se “uma oportunidade para que as empresas consigam aceder a uma listagem de diversos estudantes formados nas várias áreas em Portugal”, é o objectivo do anuário lançado pela Câmara de Comércio Portugal-Moçambique (CCPM).
A recolha engloba mais de 200 estudantes a frequentar cursos superiores em Portugal. Para a embaixada de Portugal em Moçambique, “o anuário vai permitir uma aproximação dos estudantes que estão em busca de emprego e os empregadores.”
NEGÓCIOs
Gás natural. A produção de LNG da exploração da área 1 do Rovuma, continua a ser vendida nos mercados externos. Soube-se agora que será exportado também para o Japão e Grã-Bretanha, à luz de um recente acordo conjunto assinado pela petrolífera norte-americana Anadarko com as companhias japonesa Tokyo Gas e britânica Centrica. “O acordo de compra conjunta prevê o fornecimento de 2,6 milhões de toneladas por ano a partir do início da produção (em 2023) e até ao ano de 2040”, refere a Anadarko em comunicado que refere ainda o “enorme peso na meta definida para a Decisão Final de Investimento”, cujo anúncio está previsto para os próximos oito a 12 meses.
Rovuma. Um grupo alargado de empresários da província de Cabo Delgado voltou a manifestar, em reunião da CTA naquela província, a preocupação com a “falta de estratégia e de comunicação” sobre os passos a seguir para investir na exploração das oportunidades que serão criadas com a exploração de gás na Bacia do Rovuma a partir de 2023. Assif Osman, do Conselho Empresarial da CTA em Cabo Delgado, assume que o empresariado local “ainda não está preparado para tirar benefícios dos mega-projectos”, porque o que vai acontecer, prossegue, “é novo para a realidade do empresariado nacional.”
IMplEMENtANdO O sIstEMA dE QuAlIdAdE COMO fACtOr dE VAlOrIZAÇÃO dA prOduÇÃO NACIONAl
Em geral, nas práticas de comercialização de produtos agrícolas em Moçambique, não há diferenciação do preço pela qualidade. Este facto contribui a longo-prazo para um desincentivo à produção, pois aquando da colocação do produto no mercado por parte do agricultor, este vê o seu esforço subvalorizado.
Do lado da procura, o produto que chega ao mercado no início da campanha de comercialização apresenta níveis elevados de humidade, infestação (iniciada no campo e não tratada), e defeitos vários, o que contribui sobremaneira para a rejeição no momento do processamento, por não cumprir com padrões mínimos, resultando em elevadas perdas financeiras.
A BMM, bem ciente desta realidade prejudicial tanto para o lado da oferta como da procura, tem vindo a implementar, com recurso aos Complexos de Silos, um sistema de gestão de qualidade para cereais, oleoginosas e leguminosas, através do beneficiamento que inclui: limpeza (processo que reduz as impurezas advindas
do manuseamento do produto desde a colheita até aos silos e armazéns), secagem (processo que reduz a humidade dos grãos, passando para seco, estado que permite armazenamento seguro por longo período sem que ocorra desenvolvimento de fungos que libertam toxinas nocivas aos seres vivos); classificação do produto (com base nos padrões mínimos) e armazenamento seguro (inspecções regulares, actualizações do estado do produto, tratamentos preventivos e curativos) até ao momento da transacção. Assim os produtores, com os recibos de armazém ficam a conhecer a qualidade real do produto, o valor da mercadoria com base no preço do mercado e têm maior poder de negociação face aos compradores. Estes, podem também desta forma encontrar volumes agregados, em quantidade e qualidade especificados por lotes, o que beneficia a transacção, que ocorre num ambiente competitivo e que induz à produção com qualidade e maior valorização comercial do produto.
OPINIÃO
IFRS 16 Locações: As grandes mudanças que se avizinham para Janeiro de 2019
Paulo Lopes • Managing Partner na RSM Moçambique
as recentes alterações na contabilização de locações de acordo com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) entrarão em vigor em Janeiro de 2019 e deverão ter um impacto significativo em várias empresas. A IFRS 16 introduz novas directrizes e requisitos - a importância dessas mudanças será sentida em diversas áreas-chave nos relatórios financeiros, incluindo o capital circulante, níveis de dívida e resultados da empresa. Antes da IFRS 16, as locações operacionais eram reportadas fora do balanço, enquanto as locações financeiras eram reflectidas dentro do mesmo. No interesse da transparência, a IFRS 16 elimina essas distinções e agora reconhece tudo sob o mesmo modelo.
As empresas que actualmente arrendam activos sob uma locação operacional serão obrigadas a reconhecer um passivo de arrendamento e um activo de direito de uso correspondente no balanço, que será então amortizado na demonstração de resultados. As entidades devem estar cientes de que essa alteração provavelmente resultará no seguinte: Uma parte da despesa corrente de locação operacional será vista como um custo de financiamento e não como uma despesa de locação; surgirá na demonstração de resultados, um custo superior no início da locação; o valor do EBITDA, que muitas empresas usam como indicador para a avaliação do negócio, aumentará, devido à remoção de uma parte da despesa de arrendamento e substituição por depreciação e despesas de juros. Identificar e separar os componentes de leasing dos componentes de não leasing de um contrato poderá ser um exercício complexo que irá exigir mais informação a disponibilizar pelo locador, e/ou o uso de um preço base independente para a referida repartição (“stand alone selling price”). No activo, a empresa passa a conhecer o direito de uso do activo (“right-of-use” ou “ROU”) e no passivo reconhece-se a responsabilidade subjacente que não é mais que o valor presente dos pagamentos do leasing, os quais incluem as considerações fixas, opções, penalidades, valores residuais entre outros. O reconhecimento do ROU trará dificuldades acrescidas, nomeadamente, o cálculo da respectiva duração do contrato, quer
seja por não existir prazo definido, quer seja por existirem opções de renovação que deverão ser avaliadas aquando da sua realização. Acresce ainda a determinação do valor do aluguer dependente do tratamento que será dado às considerações variáveis e/ou não mensuráveis, como são exemplo as existentes nos contratos de aluguer de lojas e/ou espaços comerciais. O registo do ROU irá alterar a leitura e interpretação de rácios e a forma como avaliamos a performance nos dias de hoje, nomeadamente e a título de exemplo, por via do aumento do reconhecimento de passivos, aumento de gastos com depreciações e gastos financeiros por oposição a um decréscimo de gastos operacionais com rendas. Então, o que deve ser feito para se preparar para esta nova norma contabilística?
Em primeiro lugar, desenvolva um plano de projecto para ajudar na implementação do processo. A transição para a IFRS 16 representará uma quantidade significativa de trabalho e um plano de projecto vai permitir conseguir gerir esse trabalho extra de maneira eficiente. É vital entender quais são seus contratos de locação actuais e conhecer a pool de locações.
Se tem actualmente uma base de dados de todos os seus contratos de arrendamento, isso será um óptimo começo e posicionar-se-á à frente de muitas empresas nesse processo. Depois, será preciso examinar um conjunto de amostras dos contratos de locação e fazer uma análise mais profunda, agrupando-os. As áreas mais complexas de uma locação e que requerem uma análise adicional para fins contabilísticos são as opções de renovação e os pagamentos variáveis.
Depois de avaliar as questões contabilísticas dos contratos de locação actuais, é o momento de integrar essas informações nos seus relatórios financeiros. As mudanças associadas à IFRS 16 são um processo contínuo que afectará os resultados mensalmente. Garanta uma transição suave porque este processo de implementação poderá ser, por vezes, complexo. Por experiência, as locações nem sempre estão estruturadas da mesma forma. Quanto mais cedo a sua empresa começar, melhor. Reúna as informações necessárias e comece a analisar os seus contratos de locação para determinar quais contêm complexidades.
Antes da IFRS 16, as locações operacionais eram reportadas fora do balanço, enquanto as locações financeiras eram reflectidas dentro do mesmo. A IFRS 16 elimina essas distinções
MPME dE volta à sala dE aula
Lançada há pouco mais de três meses pelo Banco Único, a Academia PME+ desenvolve técnicas de formação direccionadas para as dificuldades da gestão do ponto de vista de quem é pequeno, mas quer crescer no mercado
regra geral, as micro, pequenas e médias empresas (mpme) nacionais associam as suas principais dificuldades à complexidade de acesso ao mercado financeiro, da burocracia na obtenção de crédito bancário às elevadas taxas de juro, que rondam os 30%.
No entanto, se a componente financeira não deve ser negligenciada, a verdade é que se analisarmos o tecido das MPME nacionais com maior pormenor concluímos que quase 90% não encontram no capital (ou na dificuldade de acesso a ele) a principal falha na sua tentativa de prosperar. “O desafio está no melhoramento do ambiente de negócios. E dada a complexidade e o carácter de inter-sectorialidade em que tocam, todas instituições do Estado têm de cooperar na preparação de um bom clima para PME, porque os desafios são múltiplos e
complexos tem de se priorizar bem. Não se pode fazer tudo e è mais importante fazer poucas coisas importantes em vez de querer resolver todos problemas ao mesmo tempo. Será importante seguir a ‘Estratégia PME’ e focar bem, alinhando os programas dos doadores com os objectivos das empresas. Não faz sentido fazer algo, só porque há fundos ou financiamento”, pode ler-se no estudo desenvolvido pelo IPEME, ‘PME em Moçambique, situação e desafios’. Assim, o próprio financiamento bancário fluiria melhor se este segmento empresarial tivesse uma preparação mais adequada a todos os níveis, que se resume nas boas práticas de gestão de negócios, um problema estrutural que tem afectado o pleno desenvolvimento deste tipo de empresas. Foi a pensar nas dificuldades não-finananiZ T a vares, d.g.de empresadegesTã o d e i m sievó
“Depois do módulo de liderança, a nossa organização tentou redefinir a definição da visão, missão e objectivos que agora passa a estar mais clara. O módulo da gestão é mais técnico e permitiu adquirir competências de gestão”.
“Adquiri práticas que, embora aplicasse antes, não tinha base técnica para as sustentar. Quanto à gestão, há conceitos e indicadores a que não dávamos a devida atenção, mas hoje sinto-me capaz de olhar melhor para o nosso negócio” ám r i o p eresTrelo,gesTor deempresa de c o
ceiras (e não são poucas), que o Banco Único resolveu investir numa Academia vocacionada para a formação de gestores de MPME, completamente orientada para os resultados. Assim, firmou uma parceria com a conceituada academia portuguesa de formação de empresários em gestão de negócios, a Nova School of Business & Economics (Nova SBE) uma referência a este nível na Europa, que cede alguns dos seus professores à Academia PME+.
Menos teoria, mais prática e transformação Da teoria à prática, o resultado alcançado nesta parceria já dá resultados. Em apenas um mês (já com dois dos cinco módulos lecionados), os formandos – na sua maioria gestores das cerca de 25 empresas de diferentes ramos de actividade que participam dos cursos – reportam à E&M algumas mudanças importantes na própria visão estratégica dos seus negócios. Para Mário Perestrelo, gestor de uma empresa de importação e distribuição de materiais de construção, o módulo de liderança permitiu “entender melhor” o seu papel como líder da empresa na gestão operacional com os seus funcionários. Hoje, domina as técnicas de recrutamento e selecção do pessoal com o perfil mais adequado ao seu modelo de negócio e ficou a conhecer novas técnicas de gestão do desempenho dos trabalhadores. Mudaram, igualmente, os valores estratégicos de gestão, definidos por Edson Luís para a empresa de que é gestor financeiro (uma gráfica). O empresário assume ter adquirido “melhores critérios
MEnos MPME...
Cerca de 98,7% das empresas existentes são MPME, mas número caiu 17,8% em apenas dois anos devido à quebra de crescimento. Pelo lado positivo, pode falar-se de um efeito de fortalecimento do tecido empresarial, agora mais profissionalizado
para definir a visão, missão e objectivos da empresa.” Apercebendo-se que não usou as técnicas apropriadas para os valores actualmente em uso, admite agora que os vai “mudar”, prometendo dar continuidade à formação que recebeu, “estendendo-a” aos seus colaboradores. Zina Tavares, directora-geral de uma empresa de gestão de imóveis assume mesmo uma nova visão sobre o seu próprio negócio: “Sempre geri a minha equipa de forma muito intuitiva e buscando sempre o que chamamos de bom-senso. Com a formação, percebi que existe suporte teórico para isso, o que me dá segurança para continuar a desenvolver outras técnicas.” Relativamente ao segundo módulo, o da ‘gestão financeira’
98,7%
É o peso das MpMe no conjunto de todas as eMpresas nacionais. dessas, quase 73% são Micro-eMpresas, sendo responsáveis por 42% do total dos postos de trabalho existentes na econoMia forMal
,um dos que mais obstrui, ou facilita, o acesso ao crédito bancário. Aqui os três ‘alunos’ também parecem ter-se saído bem. “Este módulo, permitiu uma análise muito centrada em três pontos: balanço, demonstração de resultados e fluxos de caixa. São elementos que funcionam como o espelho que nos faz perceber onde estamos, de onde viemos e para onde estamos a seguir em termos de gestão da empresa”, explicou Edson. Mário Perestrelo complementa: “Agora estamos a falar de rácios de solvabilidade e de liquidez, o que nos permite, enquanto gestores, olhar para nossa empresa e saber como é que os eventuais parceiros olham para ela, sobretudo os bancos, que são actores extremamente importantes na alavancagem e crescimento das empresas no mercado”. Depois dos dois módulos realizados em Julho, seguiu-se o módulo “Estratégia de Marketing”, nos dias 19, 20 e 21 de Junho. Para completar este ciclo de formação serão realizados ainda dois módulos: o do “Planeamento”, agendado para os dias 16, 17 e 18 de Julho, e o módulo “Simulador de Gestão”, nos dias 28, 29 e 30 de Agosto. À E&M, a direcção de marketing e comunicação do Banco Único revela um crescente interesse de muitos empresários e empresas nacionais em participar nas sessões de formação da Academia PME+. No entanto, esta não foi a primeira iniciativa do banco com o objectivo de proporcionar instrumentos de formação às MPME. Desde Setembro de 2015, um programa diário de televisão, (também designado por PME+),
... E coM Pouco PEso no PIB, sE oLhArMos Aos vIzInhos
Peso das MPME (face às grandes empresas) no PIB caiu 2,5% no último ano por via da desaceleração do crescimento, afastando Moçambique da média da SADC
Em % de contribuição para o PIB
74%
26%
Contribuição para o PIB em Moçambique
34%
Contribuição para o PIB na SADC
É a quebra do número de MPME existentes no mercado, em apenas dois anos
FaQ: PErguntas E rEsPostas sobrE as MPME nacionais
Qual é a sua estrutura?
Na sua maioria são empresas do ramo de comércio ou de serviços. Pouquíssimas da área da transformação. Não há estatísticas sobre o peso das empresas em diferentes sectores de actividade, mas não há dúvidas que existe uma grande concentração nas áreas menos velozes da transformação da economia. São geralmente lavandarias, empresas de catering, pequenas gráficas, comércio a grosso de produtos alimentares (importados). Mas há uma tendência de entrarem na agro-indústria, (processamento de frutas, vegetais e produção piscícola).
Em que ramos de actividade estão concentradas as MPME?
Sendo o segmento maioritário do conjunto das empresas do país (98,7%), há variações nos últimos anos. Em 2015, a pirâmide era de base larga, com 73% constituído por micro-empresas. Já em 2017 houve uma transição de micro para pequenas, o que significa que a dimensão das micro reduziu para 40% e as médias aumentaram para 53%.
O IPEME interpreta o fenómeno como resultado dos diferentes programas de apoio prestado por vários actores, que além do IPEME contemplam a Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME) e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Elas sentiram a crise?
A resposta é um claro sim. Dados do IPEME indicam que em 2015 haviam cerca 56 mil empresas registadas. No entranto, com o abrandamento da ecionomia, muitas não resistiram e encerraram actividade e muitas outras reorientaram a sua actuação no mercado, levando a uma nova redução, para perto de 46 mil empresas que estavam em actividade no final de 2017.
Ainda devido ao abrandamento económico, a contribuição das MPME para a criação de riqueza nacional, caiu de 28,5% em 2015 para 26% no final do ano passado.
de apenas cinco minutos, propõe-se a ajudar a solucionar dificuldades concretas das PME nacionais. “O programa apresenta temas sobre boas práticas de gestão de uma forma simples e pragmática para que qualquer gestor perceba e consiga assimilar como pode aplicar os conhecimentos ali adquiridos na sua actividade do dia-a-dia.”
dar prática às boas práticas
Começando pelas mais usadas, nos últimos anos, as más práticas de gestão empresarial são um problema endémico, e há vários programas já desenvolvidos e em vigor para o resolver. Claire ZImba, director-geral do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), desconfia que a ineficácia (até
pela fraca contribuição para o PIB face aos vizinhos regionais) se justifique “pelos modelos de formação importados, que ignoram a realidade das MPME moçambicanas”, habitualmente muito pouco trabalhados na área estratégica, comercial ou na abordagem à prestação de serviços, devido ao estágio muito precário do desenvolvimento do seu capital humano, financeiro, e infra-estrutural. É por isso que iniciativas como esta lançada pelo banco Único merecem o elogio de Claire Zimba, director-geral do IPEME, instituição do Estado que tem levado a cabo inúmeras iniciativas de apoio a este segmento empresarial há vários anos. Zimba defende que muitos dos problemas das MPME não estão relacionados com a falta de financiamento, mas “com
o facto de a geração empresarial moçambicana ser ainda demasiado jovem e padecer de uma cultura empresarial bastante incipiente. ”O que tem acontecido em Moçambique é que os temas são tratados de forma muito teórica e alto nível técnico, dificultando o empresário de os implementar na prática”, complementa a direcção de comunicação do Banco Único, numa nota enviada à E&M.
E é a partir desta constatação que a academia toma como ponto de partida a realidade das MPME. Ou seja, no fim de cada módulo, os formandos deverão sair com ideias claras sobre o que devem fazer nas suas empresas. No módulo de liderança, a que a E&M assistiu, o professor orientou a formação depois de se informar sobre os desafios reais de cada empresa participante na formação. Partindo dos desafios que as PME revelaram que foram fornecidas e aplicados na sala de aulas, as ferramentas direccionadas à resolução dos problemas concretos e específicos das suas empresas. Após saírem da sala de aula, no final do dia da formação, os empresários Ivan trabalho para casa, e terão de aplicar nas suas empresas o que aprenderam, tendo a incumbência de apresentar os resultados das transformações que irão operar, tendo como base o que apreenderam e nos exercícios realizados durante a formação. Do lado de quem forma empresários, há já muitos anos, Fernando Cardoso, um experiente professor da Nova SBE e que lecionou o módulo de Gestão Financeira constata que as dificuldades que notou nos empresários moçambicanos que atenderam à sua aula “são próprias da conjuntura do mercado que está relacionada à situação económica do país (sub-desenvolvimento e abrandamento económico)”. No entanto, ele defende que a transformação passa mesmo pela sala de aulas. “Sem dúvida. Mudar o cenário exige modelos de formação das MPME baseados nisto mesmo, na transferência de conhecimentos, tecnologias e experiências de empresas de outros contextos e realidades. É este o caminho ideal para que Moçambique alcance no futuro o lugar que todos acham que o país pode ocupar.” Por isso, aponta como “excelente” a parceria entre o Banco Único e a Nova SBE para ajudar a fazer crescer as MPME que querem, em breve, ganhar novas siglas, e crescer no mercado,.
claire zimba, do IPEME
TExTO Celso Chambisso fOTOgrAfIA Jay Garrido
casamento é o negócio perfeito. sim, mas para quem?
A E&M analisa um mercado peculiar mas, ainda assim, muito lucrativo. A verdade é que existe hoje em Moçambique uma verdadeira indústria que transformou o conceito tradicional de festa familiar, em algo novo e caro. Muito caro
o casamento virou negócio. e rentável porque os clientes (noivos) tudo fazem (investem) para ter uma festa de sonho que requer uma ginástica financeira de... pesadelo! Caso para perguntar, quanto vale a felicidade?
Vale muito dinheiro, aparentemente, na perspectiva de corresponder às expectativas dos convidados com um menu de muitos pratos, um bolo com degraus desmedidos, um vestido de noiva com folhos a mais, a decoração do espaço com demasiadas flores, passando pelo copo de água com convidados em excesso. E tudo o que a cerimónia implica, do DJ à banda, acabando na própria gravação para memória futura de todos os momentos do dia.
gás em cabo Delgado, carvão em tete e uma mina no registo civil Claro que há exagero aqui. Mas, também há negócio, e não é tão pequeno assim. Se olharmos à tendência global, descobrimos um texto da BBC, de 2017, que fala de uma startup que se chama Maid of Social. Fundada em Nova Iorque por duas ex-editoras da revista de casamento The Knot, a empresa apresenta-se a uma clientela que não pára de crescer, como a “sua equipa de RP para o dia do casamento”. Os preços variam, entre 500 dólares pelo pacote para criar hashtags, um post no Instagram e dicas para aumentar o potencial de viralização de um casamento e os milhares de dólares pelo ‘pacote de 5 estrelas, que inclui influenciadores digitais com muitos seguidores, e em que os noivos até têm direito a uma equipa no local, uma estratégia de media própria para qualquer marca que tenha estado envolvida na cerimónia, bem como actualizações no Instagram e Snapchat ao minuto.
Claro que, este é um outro mundo. E em Moçambique, o mercado ainda não chegou a esta ‘loucura’. Mas a verdade, é que para lá caminha, e a organização de casamentos tende a ser uma nova mina de ouro onde, um cada vez maior núme-
ro de agentes acorre, para garimpar e obter o seu quinhão.
A sociologia tenta assim explicar o que a economia começa a impulsionar. Ou vice-versa. A verdade é que o casamento é um momento que deve ficar marcado nas páginas douradas da história de qualquer jovem casal. Ou pelo menos, é uma verdade que dá jeito a quem se casa, e a quem tem um negócio que vive dos casamentos, e surge como uma óptima justificação que alguém terá um dia inventado para que o dinheiro gasto na festa possa ser visto como investimento. Pelo menos, até ao dia do divórcio (outro nicho de mercado em ascensão, que mereceria um artigo por si só).
Voltando aos casamentos, nota-se que as empresas e os fornecedores trabalham já de forma bastante profissional: têm objectivos claros, cumprem um plano de negócios, investem em busca de retorno, organizam-se em função do lucro e geram postos de trabalho. E com a oferta a aumentar até já apostam na diferenciação dos serviços e produtos.
metade dos casamentos acontece em maputo De acordo com o levantamento que a E&M fez junto da Direcção Nacional dos Serviços de Notariado e Registo Civil, durante o ano foram realizados no país, 15 540 casamentos (um aumento face aos contra 13 890 do ano anterior). E foi na cidade de Maputo que se registou o maior número, fixando-se em 7 601 face aos 7 205 do ano transacto. Continuando a olhar para eles, percebemos ainda que os ventos da crise financeira não tiveram qualquer peso no número de casamentos realizados.
O indicador é perfilhado pela generalidade dos provedores de serviços para casamentos, contactados pela E&M, que consideram que este foi um sector para o qual a crise não foi convidada.
Para Clementina Maheme, directora da Expo Noivos, o mercado de casamentos “é uma actividade que vem crescendo, e ‘puxando’ maior número de agentes e empresas dada a sua capacidade de gerar lucros em tempos de crise, o que é algo que não acontecerá muito noutros sectores de actividade. E os números do incremento de matrimónios acabam por mostrar isso, transformando os casamentos num importante impulsionador e dinamizador de muitas PME moçambicanas,” diz. Depois, há de facto a tal tendência de, para além do número de matrimónios aumentar, se registar uma maior apetência das
CAdA vEz MAiS CASAMEntOS
O número de matrimónios evoluiu de forma significativa no país. A cidade de Maputo é responsável pela realização de quase metade dos casamentos em todo o país.
em milhares de meticais
prEçOS diSpArArAM
Orçamento para a realização de um casamento quintuplicou devido a novas tendências em copiar as modas ocidentais em milhares de meticais
pessoas em contrair matrimónio sem medir esforços, nem olhar a gastos. “Fazendo uma comparação de 2011 para 2018, notamos que tem havido uma demanda cada vez maior, com grande apetência pelo luxo”, explica. Com isso, “o mercado evoluiu porque os clientes também exigem mais dos provedores de serviços de casamentos, no sentido de fornecerem melhores serviços, e acabam também por aumentar os preços, seguindo esta dinâmica do mercado”. Se há seis anos era possível organizar uma festa de casamento com bons serviços, aluguer do espaço, decoração e de viaturas, para além de todo o menu de catering, por um valor médio de 200 mil meticais, agora os preços praticamente que duplicaram, de acordo com uma consulta ao mercado, de acordo com um pacote básico completo com tudo incluído para um casamento (ver infografia página seguinte).
7 601 matrimónios
Apesar do preço, mais de metade dos casamentos acontecem em Maputo
fonte agentes do sector à e&M
O casamento parece ter virado moda, quase como um acto de exibição pública, mais do que para celebrar a união entre duas pessoas.
É por isso que o número de casamentos está a aumentar, mas talvez seja também por essa mesma razão, que se registam cada vez mais divórcios. Só no último ano, eles aumentaram 400%
E a procura cresce, ainda assim, por causa de casamentos como o de um casal russo que, detém o recorde de o mais caro a nível mundial. O casamento de Said e Khadija aconteceu há três meses, e, de acordo com relatos da imprensa internacional, custou, nada mais nada menos, que 1 000 milhões de dólares, 59,3 mil milhões de meticais, 8% do PIB de Moçambique. A cerimónia contou com a presença de perto de 600 convidados que, quando se instalaram no hotel que os recebeu tinham à sua espera uma pequena lembrança, ou seja, a oferta dos noivos, um porta-jóias feito de ouro e esmalte.
Claro que relatos como este (e tantos outros, como acontece com os casamentos reais, por exemplo), que nos chegam via redes sociais, influenciam a forma de estar as expectativas de muitos jovens casais que hoje preferem fugir à cerimónia de união tradicional e familiar, e “copiar” os modelos que vêm do exterior. Alinhando na mesma ideia, Latifa Mangaze, gestora da Folha Verde uma empresa especializada em serviços para eventos (com grande incidência nos casamentos, por serem os mais frequentes), considera que “neste momento os pacotes para serviços de casamento tendem a crescer ao nível da oferta e do valor, mas que tudo depende dos serviços prestados pelos provedores, que têm directamente a ver com o que os noivos pretendem”, assinala. “Mas, há bolsos para todos os eventos e a verdade é que assistimos a uma tendência de crescimento do segmento de luxo”, revela.
QuAntO CuStA CASAr?
Numa sonsagem ao mercado, fazemos as contas do casamento em meticais
aluguer De salão
300 000
convites e outros
80 000
fotografia e víDeo
50 000
Bolo De casamento
50 000
Jóias e Beleza
30 000
serviços De catering
300 000
80 000
vestiDo De noiva música & DJ´s
teriais que na sua maioria são importados”. A gestora vê, ainda assim, este como um negócio do qual não se pode queixar. “A procura tem sido muito boa e o negócio tem vindo a crescer de forma satisfatória nos últimos anos”, adianta.
fato De noivo
50 000 30 000
30 000 1 000 000 De meticais
fonte Agentes do sector à e&M factura
Se olharmos, uma vez mais, para algumas páginas de revistas sociais, descobrimos que o vestido mais caro no mundo custa 1,2 milhão de dólares, cerca de 71,2 milhões de meticais, e é da autoria da designer de luxo Reem Acra e da lendária marca de jóias Tiffany’s. O vestido conta com 165 quilates de diamantes e 61 quilates de pedras preciosas. Claro que é uma peça conceptual, desenhada para constar dos rankings, e angariar publicidade para a marca que a concebeu. No entanto, denota uma tendência global. E que se nota mesmo aqui, em Moçambique. De acordo com Ivete Mapita, gestora comercial na Loja Dream Dress Noivas, há já um número assinalável de vestidos de noiva “que chegam a custar entre 80 mil e 200 mil meticais, dependendo dos detalhes pretendidos pelo cliente”. Apesar desta escalada de preços, Ivete não deixa de assinalar o aumento exponencial do número de vendas de vestidos de noiva, que observou nos últimos anos, sem contar com os acessórios que acompanham a indumentária da noiva. E para a gestora não foram só os preços a crescer, foram também as vendas a aumentar: “Tem sido frequente a venda de dez a 14 vestidos num só mês”, releva. No entanto, para quem pense que pode enriquecer depressa a vender vestidos de noiva, ela confessa que os ganhos não são assim tão elevados como se possa pensar, “porque estamos a falar de ma-
um mercado em inovação
A verdade é que pode parecer estranho invocar o termo inovação numa das mais ancestrais celebrações da história da humanidade. Talvez dito assim, nem o seja tanto. Recentemente, um programador sul-africano, Robert Matsaneng, desenvolveu uma aplicação para calcular o ‘lobolo’, ou o dote de casamento da noiva. È apenas um exemplo de uma realidade antiga à procura de mudança. Mas de facto, ela é algo a que se assiste nas cerimónias de hoje em dia, o que faz com que os preços disparem equiparando-se ao orçamento de dois ou três anos para uma família de média renda. “O desafio passa por todos os provedores de serviços estarem mais atentos ao que tem acontecido nas cerimónias de casamentos noutros países e não se limitarem àquilo que já sabem fazer, porque o conceito de casamento mudou e nos últimos anos assistimos a pedidos por parte dos clientes que pedem cada vez mais criatividade e alta qualidade aos provedores de serviços, o que vai dos carros alugados, aos bouquets de flores, passando pelo vestido, pelo catering, pela escolha
influências de fora: todo o conceito de casamento mudou
e decoração do espaço, até aos presentes para os noivos. Estamos atentos a estas novas tendências que vêm da moda ocidental, e a ideia é sempre querer fazer o melhor para não ficar desprovido de mercado, até porque há cada vez mais concorrência”, explica Clementina Maheme, da Exponoivos.
E claro que, depois de tanto tempo (e meticais) dedicado a criar a memória perfeita, os serviços de fotografia e filmagem são também essenciais hoje em dia, para perpetuar o momento, e mostrar aos amigos nas redes sociais. Haverão hoje dezenas de empresas e individuais a oferecer este serviço. E pela investigação da E&M, elas não têm mãos a medir, chegando a ter de fazer a cobertura fotográfica de três e quatro casamentos por semana, e com preços que variam entre os 25 mil e os 50 mil meticais, de acordo com o tipo de filmagem que os noivos pretendam. No entanto, esta é uma pequena despesa para quem tenha a capacidade financeira (hoje há já quem contraia crédito
15 540
Foi o número de casamentos registados em moçambique em 2017, um crescimento de 11,8% Face ao ano anterior, demonstrando que os maus tempos económicos não signiFicam menos vontade em contrair união. porventura, até ajudam a impulsionar essa realidade
bancário para o efeito) para um casamento de sonho. Recorrendo aos dados avançados pela Expo Noivos, os gastos que pesam mais na factura são o aluguer do espaço e o serviço de catering (de acordo com o número de convidados e com a ementa escolhida) e o bolo que não pode ficar atrás na aparência e no tamanho. Depois vêm as indumentárias, o vestido da noiva e o fato do noivo. E há ainda o aluguer de automóveis, a música e a animação da festa, os honorários dos organizadores de eventos, dos decoradores e os convites.
A verdade, é que o mercado dos casamentos está a mudar. E com mais casamentos, chegam também mais baptizados, e mais divórcios (cerca de 400% mais, face ao ano anterior). Novos clientes, sejam eles noivos, divorciados, ou recém-nascidos, que garantem mais negócio. ‘Se houver objecções, que se levantem agora’.
textO Pedro Cativelos & Hermenegildo langa
Números em conta
IDE caIu 25% só no ano passaDo. Mas não foI só EM MoçaMbIquE
os fluxos de investimento directo estrangeiro (IDE) têm vindo a cair ano após ano desde 2013. Moçambique era então um dos principais destinos de investimento em todo o continente africano, impulsionado à época pelos processos de sondagem de gás natural em Cabo Delgado, e a grande distância, pelo sector imobiliário. No entanto, esta é uma realidade que não se torna evidente apenas no contexto da economia nacional, como também em toda a África (especialmente os países exportadores de commodities), em que só no ano passado, o volume de IDE registou uma quebra de 21%, para um total de 42 mil milhões de dólares, um mínimo dos últimos dez anos.
Estes dados são revelados no ‘Relatório sobre Investimentos Mundiais em 2018’,
lançado no início de Junho pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). “Os fracos preços do petróleo e os efeitos prejudiciais remanescentes do colapso das commodities assistiram a uma contracção dos fluxos, especialmente nas maiores economias exportadoras de commodities”, lê-se no relatório. Ainda assim, e apesar da quebra, a região África Oriental é a que mais cresce no continente africano. Tendo recebido 7,6 mil milhões de IDE em 2017 (mesmo assim um declínio de 3% em relação a 2016), olhando para Moçambique a entrada de investimento externo quedou-se pelos 2,3 mil milhões de dólares. Os restantes “clientes”, foram a Etiópia (3,6 mil milhões, e uma quebra de 10%), e o Quénia, que até demonstra uma tendência de crescimento,
ToP 5 de quem maiS inveSTe noS PaíSeS em deSenvolvimenTo
Moçambique e Etiópia são, na região, os maiores clientes do maior investidor externo, a China, que quase triplicou volume de investimento em seis anos
Em milhares de milhões de dólares
000 000 000 de dólares
Grande parte do investimento da China em África, acontece nos países menos desenvolvidos, mas com mais potencial de crescimento
a única na região, com um aumento de 672 milhões de dólares, explicados pelos “fluxos de entrada nos sectores de tecnologia da informação e comunicação.”
Outra das zonas que caiu, e não foi pouco, foi a da África Austral, com o IDE a cair 66%, para um bolo total de 3,8 mil milhões de dólares, com a maior quebra a ser registada na África do Sul (menos 41%, quedando-se nos 1,3 mil milhões, devido ao baixo desempenho do sector de commodities e à incerteza política).
No entanto, em 2017, o cenário pode mudar com o “início da recuperação dos preços das commodities, bem como os avanços na cooperação inter-regional através da assinatura do acordo da Área de Livre Comércio Continental Africana que poderiam encorajar maiores fluxos de IDE em 2018.”
Apesar de uma quebra de 3% (para a qual a África do Sul contribuiu fortemente) a região é ainda atractiva ÁFriCa auSTral Cai, maS ainda é a que aTrai maiS inveSTimenTo
Em milhares de milhões de dólares
Central 5,7
Austral e Oriental 11,4
fontE UnCtAD - Relatório sobre Investimentos Mundiais em 2018 44%
Quebra de IDE na África do Sul, devido à queda nos preços das principais commodities e à instabilidade política
Tailândia
Coreia do Sul Hong Kong França
2,2 2017
mil milhões de dólares
Volume de IDE tem vindo a cair, ano após ano. Será 2018 diferente?
ide não Tem Parado de Cair…
Em 2013 Moçambique chegou a ser o maior destino de IDE em África com 6,1 mil milhões de dólares
Em milhões de dólares
-25,9%
Moçambique perdeu um quarto do investimento externo em 2017
…aPeSar de CreSCimenTo na úlTima déCada e meia
O grande boom, começou naturalmente após as descobertas de gás natural na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado
Em milhões de dólares
38 000 000 000 de dólares
Volume acumulado de IDE que entrou em Moçambique desde 2000, e que equivale a quase três vezes o valor do PIB, se considerarmos que o actual anda um pouco acima dos 13 mil milhões de dólares
o ToP 10 doS maioreS deSTinoS de inveSTimenTo exTerno em Todo o mundo
Estados Unidos conseguem ser, ao mesmo tempo, o maior receptor de IDE, e o maior investidor externo em todo o mundo
Em
unidoS
OPINIÃO
Paz, Educação, Trabalho, Felicidade e Bem-Estar
Professor Narciso Matos • Reitor da Universidade Politécnica e membro do Conselho Editorial da E&M
felicidade e bem-estar são talvez a principal aspiração da maioria das pessoas. Na sua expressão mais elementar, felicidade e bem-estar querem dizer paz e segurança, viver sem temer pela vida das pessoas que se ama, assim como, sem temer perder o fruto do esforço e do trabalho. Felicidade e bem-estar querem dizer, no segundo nível, poder educar-se, e aos dependentes, para poder ousar aspirar, arregaçar as mangas, trabalhar e alcançar o justo resultado do talento e esforço individuais.
Felicidade e bem-estar querem dizer, no terceiro nível, pertencer a um meio que estimula a produção de riqueza material e espiritual através de trabalho digno e estimulante. Vivemos num período em que estas aspirações elementares, mas fundamentais e alicerce para tudo o mais, são obscurecidas no turbilhão das prioridades, das mensagens e das modas. As iniciativas pela Paz têm à frente de todos o Chefe de Estado, cujas acções vão, por vezes, para além do que convencionalmente se pensaria possível e politicamente correcto. Estimulam a acção de um segmento crescente da sociedade, desde congregações religiosas, formações políticas, organizações da sociedade civil, líderes de opinião e cidadãos comuns. Os dispositivos legais, a paz das armas, que persiste desde a extensão ilimitada das tréguas, vai-se seguindo e consolidando com os entendimentos sobre descentralização e a sua consagração legal pela Assembleia da República.
Há pois, razões para esperança. Não se devem, contudo, minimizar ou ignorar as atrocidades que, mais recentemente, negam a paz, a segurança, a tranquilidade e a vida aos concidadãos de algumas regiões de Cabo Delgado. Nem outras formas de violência que, aqui e ali, ocorrem ainda com uma frequência que nega a Paz.
Debate-se o Sistema Nacional da Educação - SNE, procurando identificar as alavancas para assegurar que a expansão do acesso seja acompanhada pela garantia da adequação e eleva-
ção da qualidade. É desejável que as reflexões e recomendações que se fizeram no recente seminário sobre as línguas nacionais sejam levadas em conta e enriqueçam o SNE. Ao nosso ritmo e tempo, vamos assumindo que língua é cultura e ferramenta do pensamento e da aprendizagem. Que pensa, apreende e se exprime melhor, incluindo em segundas e terceiras línguas, quem o faz primeiro bem na sua língua materna, seja ela português ou uma das mais de duas dezenas de línguas nacionais bantu. Vamos assumindo que a negligência e marginalização das línguas nacionais é, na verdade, mais cara, e conducente à maiores perdas, incluindo por desperdício escolar, do que o investimento necessário para dar às línguas nacionais o lugar e estatuto devidos e insubstituíveis.
No debate do SNE deseja-se que se analisem e tracem caminhos para harmonizar e alinhar o sistema com as prioridades e necessidades do desenvolvimento e produção da riqueza e bem-estar dos cidadãos. Que se vejam e se tracem os caminhos para corrigir as desproporções de acesso e sucesso escolar nos subsistemas de ensino primário, ensino secundário, ensino médio, ensino técnico-profissional e ensino superior.
No ensino primário deseja-se uma reflexão profunda e recomendações sobre a adequação do ensino às condições naturais e ao potencial de trabalho e desenvolvimento de cada região. Que se ensine sobre a terra e produção agrícola e florestal, e sobre a preservação do ambiente, às crianças habitantes de uma região eminentemente agrícola. Se ensine sobre riqueza animal, habitat, convivência e protecção de riqueza e diversidade biológica, às crianças de uma região com potencial para produção animal ou turismo cinegético. E se ensine sobre pesca, navegação e riqueza marinha, às crianças de regiões costeiras ou à volta de lagos. Deseja-se, na essência, que ao fim do ensino primário a criança, ou já então jovem adolescente, tenha conhecimentos e atitudes úteis e adequados ao meio, que a habilitem a trabalhar e contribuir para melhorar a sua qualidade
Há pois, razões para esperança. Não se devem, contudo, minimizar ou ignorar as atrocidades que, mais recentemente, negam a paz, a segurança, a tranquilidade e a vida aos concidadãos de algumas regiões de Cabo Delgado. Nem outras formas de violência que ocorrem
de vida, da sua família e sua comunidade. E deseja-se que se resolvam as enormes perdas escolares na transição do ensino primário para o ensino secundário.
No ensino médio, deseja-se especialmente que se privilegie o ensino técnico e profissional. Que se aprofunde a reforma e o alinhamento da aprendizagem das profissões às necessidades imediatas e ao potencial de crescimento do mercado de trabalho. Deseja-se a formação de profissionais de nível médio com conhecimentos e competências específicas e certificadas, fácil e imediatamente empregáveis, por exemplo, na agricultura, na construção civil, na indústria, no turismo e restauração, na mineração. Ou capazes de trabalhar por conta própria. No ensino superior, deseja-se qualidade e adequação crescentes às prioridades de desenvolvimento. Deseja-se a produção, para além da reprodução, de conhecimentos, que só podem resultar do investimento na pesquisa e disseminação da ciência que, por sua vez, só pode resultar do crescimento da oferta e da qualidade de cursos de especialização, mestrados e doutoramentos. É por isso oportuno o debate sobre o SNE. Vai ser melhor sucedido, se for abrangente e começar por considerar as grandes determinantes do sistema.
Se postular que nenhum sistema, de modo isolado, pode contribuir e fazer crescer um sistema educacional que educa os cidadãos para a felicidade e bem-estar.
Decorre a consulta pública e o debate sobre a Lei do Trabalho, na esfera da revisão e aprovação recentes da política de trabalho e segurança social. O processo é oportuno e é desejável
que resulte na maior valorização do saber fazer, das capacidades demonstradas, da aprendizagem contínua e consequente aumento da produção e produtividade. Que a primazia possa ser inequivocamente dada aos conhecimentos, experiência e desempenho, deles fazendo depender a remuneração, prémios e progresso profissional. Que a compensação dependa cada vez menos de diplomas e certificados, sobretudo quando estes sejam “irrelevantes” para as funções desempenhadas. É desejável que se encontre o equilíbrio entre a justa protecção da saúde e segurança social do trabalhador, o salário justo, e a flexibilidade necessária para o empregador estimular, premiar e reter os melhores, e libertar-se dos desajustados da filosofia e planos da instituição. Deseja-se ainda que resultem estímulos para uma ligação e cooperação mais estreitas entre o mundo do trabalho e o sistema educacional, especialmente a formação técnica e profissional e a formação e investigação que correspondem e respondem às necessidades do aumento da produção, produtividade e competitividade. Deseja-se que a Lei do Trabalho estimule o trabalho, o emprego e a produção, para que aumente a capacidade de satisfazer as necessidades internas do país e aumentar as exportações, levando ao equilíbrio da balança de pagamentos e ao aumento da arrecadação de receitas fiscais resultantes do trabalho justo, formal e digno. A Paz e estabilidade social, a elevação contínua dos conhecimentos e capacidades dos cidadãos, o aumento da produção, produtividade e competitividade, são prioridades e roteiro certo para o bem-estar social e felicidade dos moçambicanos.
“É por isso oportuno o debate sobre o SNE. Vai ser melhor sucedido, se for abrangente”
A bAncA no bolso
Como a evolução da tecnologia, e especialmente do telemóvel, ajudou a alterar o paradigma da banca comercial que aposta cada vez mais na mobilidade, na dinâmica e na aproximação ao cliente final, por forma a conseguir completar o grande salto da inclusão financeira. Mas, apesar dos avanços, prevalecem desafios. O mais importante de todos é perceber como o dinheiro real e o digital podem trabalhar juntos, para chegarem a todos os moçambicanos
bancarização é um termo que os dicionários de língua portuguesa ainda não reconhecem. É uma expressão em “economês” que, recentemente, ganhou espaço um pouco por toda a parte. A expansão do acesso a serviços e produtos financeiros foi definida, a nível global, como uma das metas do desenvolvimento sustentável. E não foi por acaso. O acesso ao sistema financeiro representa a entrada num admirável mundo novo, da economia aberta e dos mercanismos do mundo do século XXI, do acesso ao financiamento, aos instrumentos de poupança e ao desenvolvimento social. Olhando para Moçambique, havia (e ainda há) que inverter um cenário: muito poucos moçambicanos tinham, no início da década, acesso aos serviços financeiros. Dados de 2013, indicam que essa percentagem era de apenas 20%, metade da média dos países da África Austral que se situava nos 40%. Hoje, ela andará nos 31,2%, ainda longe do ideal.
A necessidade de mudança, com especificidades inerentes ao próprio território,
31,2%
ApenAs pouco mAis de um terço dA populAção AdultA , cercA de 4,9 milhões de moçAmbicAnos, tem Algum tipo de Acesso Aos serviços finAnceiros nAcionAis. o objectivo é chegAr Aos 70%, Até 2022
levou a que, até há poucos anos, bancarizar colocasse a ênfase na expansão física das instituições bancárias sendo que se assistiu a uma ‘corrida’ dos principais bancos para abrir novas agências no meio rural, numa estratégia incentivada pelo Banco Central. Assim, o número de agências era, até há pouco tempo, um factor diferenciador entre eles. Ainda hoje o é, de resto. Mas, num curto espaço de tempo, esta lógica tem vindo a sofrer evoluções, e parece querer dar lugar aos ventos de uma nova era que, se calhar, nem é tão nova assim. O tempo em que, por via da crescente utilização de tecnologia (ao nível do desenvolvimento das telecomunicações e da melhoria das redes móveis, com um impacto brutal em África) surgiram as Instituições de Moeda Electrónica (IME) que vieram percorrer os últimos quilómetros que ainda separavam o balcão físico e os milhões de clientes finais, até então excluídos. Estes serviços financeiros de moeda digital, dos quais o maior exemplo em África
Nação
será o mPesa, ganharam espaço no mercado e muitos houve que os olhassem enquanto concorrência à banca comercial. No entanto, serão todavia mais complementares do que outra coisa (assim como o E-mola, ou o Mkesh). E a realidade comprova-o. Dados recentes do Banco de Moçambique (BM), indicam que o número de utilizadores de IME em Moçambique já ultrapassa o número de contas activas existentes nos serviços e agências bancárias: há assim 7 milhões de subscritores de serviços financeiros das três instituições de moeda electrónica que funcionam através de redes de telefonia móvel (Vodacom, Mcel e Movitel) face aos 4,9 milhões de contas bancárias. Ainda assim, e apesar do crescimento exponencial das IME, há que registar os progressos feitos pela banca comercial, o que permitiu ampliar a cobertura do acesso aos serviços financeiros para os actuais 31,2% da população adulta nacional (cerca de 15,5 milhões de pessoas) em apenas cinco anos (quando era de apenas 20%, em 2013).
Quénia, o padrão da aposta moçambicana
Estatísticas reveladas pelo BM, num evento que decorreu em Junho passado, precisamente sobre bancarização, pelo
O sisteMa finanCeirO
Bancos comerciais; micro; cooperativas de crédito e três operadoras de moeda electrónica
ex-governador da instituição, Ernesto Gove, indicam que a percentagem de população adulta com acesso a serviços financeiros móveis cresceu de 40% em 2016, para 44% no ano passado.
Ou seja, a chamada banca móvel não está a ‘tirar’ clientes dos bancos. Até porque, são cada vez mais os serviços complementares, entre a banca e as IME (os maiores bancos nacionais têm protocolos com todas elas), sendo que, por outro lado, se estas permitem transacções de forma fácil e prática, grande parte do dinheiro acaba por ser levantado na rede de ATM que tem vindo a crescer exponencialmente, fruto do investimento, e da estratégica da banca comercial.
Ainda assim, Moçambique permanece longe de uma cobertura satisfatória da totalidade da população.
7 milhões
de moçambicanos já fazem transacções em moeda electrónica
O Banco Central e os principais bancos no mercado sempre lideraram os esforços para alargar a cobertura, enquadrada pela ‘Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016-2022’, que estabelecia metas específicas neste domínio.
E a utilização de novas tecnologias, a tal digitalização da banca de que cada vez mais se vem falando, não podia ter chegado em melhor altura, para todos.
fonte Banco de Moçambique
OperadOras MOeda
novos caminhos: banca comercial e banca móvel estreitam parcerias para chegar a cada vez moçambicanos
Do lado do BM, o regulador do mercado, em Abril deste ano, o Governador Rogério Zandamela manteve conversações com o governador do Banco Central do Quénia, Patrick Njoroge, no sentido de colher experiências sobre o rápido avanço que aquele país alcançou nos esforços pela inclusão financeira. O Quénia é, como se sabe, um exemplo mundial na expansão dos serviços financeiros digitais através do mPesa (já tem mais de 30 milhões de clientes em África), o que permitiu expandir a inclusão financeira a 90% da população, uma das mais elevadas taxas de cobertura em todo o mundo. À luz deste contacto, dois técnicos moçambicanos foram ao Quénia em meados de Junho passado, estando agendadas outras deslocações de quadros moçambicanos para a aquisição da experiência estratégica daquele país. E neste momento, Moçambique dispõe de vários técnicos de um grupo multidisciplinar coordenado pelo Banco de Moçambique. É este o grupo que tem por missão recolher as boas práticas do Quénia. A meta é que dentro de cinco anos haja resultados visíveis, e o país possa estar mais perto de ter cerca de 70% da população abrangida por algum tipo de serviço financeiro.
o cheque... posto em cheque
Será a primeira vítima da ‘digitalização do sistema bancário’ nos últimos anos, com o foco mais evidente na expansão de caixas electrónicas (ATM e POS), mas também na própria oferta de serviços mobile da banca comercial. A verdade é que os cheques vão, indelevelmente, ficar em vias de extinção. E são os dados do Banco de Moçambique que ilustram esta realidade, sendo que o quase ancestral método de pagamento está gradualmente a ser substituído pelas transferências electrónicas interbancárias: em 2010, o rácio de transacções monetárias indicava que 73% delas eram feitas através de cheques, enquanto 27% seguiam por via electrónica. Dando um salto no tempo, até 2017, a utilização de cheques caiu agora para 51%, ao passo que as transferências electrónicas interbancárias cresceram para 49% do total. Esta mudança estrutural ilustra, de resto, uma mudança conceptual da banca, principalmente a comercial, a partir de finais da década passada, estando a atribuir cada vez maior relevância à digitalização dos seus serviços e estratégias. Por isso, hoje já quase tudo o que se faz no balcão de um banco, é possível realizar com o telemóvel, em tempo real, sem a
aCessO à MOeda eleCtróniCa supera COntas banCárias ...
Em 2016 mudou o paradigma e passaram a existir mais moçambicanos a utilizar serviços e produtos financeiros por telemóvel do que com conta bancária
em % da população adulta
... Mas estas taMbéM registaM CresCiMentO
O número de pessoas com conta nos bancos comerciais cresceu mais de sete vezes e os subscritores de serviços financeiros digitais aumentou mais de 16 vezes. atenta, a banca aposta agora na melhoraria dos seus serviços digitais para aproveitar a ‘onda’ que as iME começaram há alguns anos em milhares
Contas bancárias Contas em moeda electrónica
subscritores de serviços financeiros digitais aumentaram exponencialmente
pesquisa da fundação bill gates sobre impacto da expansão dos serviços financeiros digitais nos países emergentes revela que podem gerar 3,7 biliões de dólares e criar 95 milhões de empregos
burocracia das agências e com a máxima segurança e conforto.
o foco mudou
Do lado da banca comercial, o desafio da tecnologia foi aceite e se, por um lado, não se assume a possibilidade de colocar um travão à expansão física das suas redes, é visível uma canalização dos investimentos para o crescimento digital.
Os serviços financeiros digitais mudaram por completo a abordagem estratégica dos bancos, e cada uma das 19 instituições do mercado puxa para si o protagonismo na oferta de serviços modernos e personalizados.
À E&M, Jorge Octávio, administrador do Millennium bim, explica que “o peso dos canais digitais tem vindo a ganhar uma relevância cada vez maior nos serviços que presta”. E revela que mais de 40% dos clientes do banco “já utilizam activamente os serviços digitais, o que se nota nos mais de 7 milhões de transacções
realizadas mensalmente. Para ter uma ideia da ordem de grandeza, 9 em cada 10 recargas de serviços diversos que fornecemos aos clientes já são compradas através dos canais digitais”, revela. Já o BCI reporta igualmente um “impacto muito positivo da digitalização que se nota pelo volume de transacções, bem como pela adesão dos clientes a estes canais que tem crescido de forma expressiva”. A estratégia do BCI (bem como dos cinco principais bancos nacionais) assentou ao longo dos anos no crescimento da rede de balcões, caixas ATM e terminais de POS por todo o país, que acabaram também eles por beneficiar muitos clientes fora do sistema, nomeadamente os que utilizam os serviços de carteira móvel (mPesa, Mkesh e E-mola).
Também ligado aos serviços de operadoras móveis, o Standard Bank tem hoje, garante à E&M, entre 88% e 91% do seu core business directamente ligado à oferta de produtos e serviços digitais,
Com conta de moeda electrónica
Nação
tendo vindo a apostar também em inovação, facto que se nota na abertura de uma incubadora de startup com o objectivo de criar e optimizar novos serviços (com enfoque nos financeiros digitais) que possam ser capitalizados na estratégia de expansão do banco. Já o Moza tem, também, visto “aumentar substancialmente” o número de transacções realizadas em canais digitais. Nos últimos dois anos, o crescimento terá sido de cerca de 70%, prevendo encerrar 2018 com mais de 2,3 milhões de transacções efectuadas nos canais digitais - Internet Banking, Mobile Banking e USSD (Moza Já). Se a estas acrescentar os quiosques e as transacções previstas no Moza D’Agente (agentes do banco junto dos mercados informais) pode alcançar os 3 milhões de transacções através de canais digitais, ultrapassando em muito o número de transacções efectuadas nas agências (pouco acima de um milhão). “Naturalmente que em volume (valor das transacções), as realizadas nas agências, pela sua tipologia, ainda ultrapassam as realizadas pelos canais digitais, mas mesmo essa situação tenderá a inverter-se, em minha opinião, nos próximos anos, fruto da massificação da utilização destes canais”, assume João Figueiredo, presidente do conselho de administração do banco Moza à E&M. Já no Banco Único, uma das novidades que demonstram a apetência por novas soluções digitais enquando factor diferenciador, é a recentemente apresentada SocialApp, um novo aplicativo que promete “revolucionar a forma como as pessoas gerem o seu dinheiro.” Ela vai permitir ao cliente a criação da sua própria rede social bancária através de um Smartphone, e assim fazer com que a gestão de dinheiro entre pessoas próximas deixe de ser um problema. Passa assim a ser possível, pedir e emprestar dinheiro, dividir contas ou fazer “xitique” (grupos de poupança e crédito rotativo) com a sua rede de amigos e familiares. A este nível, também o Barclays Bank Moçambique se tem mostrado cada vez mais activo, tendo assinado recentemente um protocolo com a Movitel para a facilitação de transacções (à imagem de todos os outros bancos que mantêm protocolos com as principais IME) e aposta ainda numa rede de ‘balcões do futuro’, nos quais a tecnologia está bem presente. “Não podemos deixar de embarcar neste caminho que se abre para a banca em Moçambique. O potencial do país é enorme, tanto como os desafios que se
FInTEcH Têm ImpAcTo “dEcIsIvo” nA EconomIA
São inúmeros os estudos que mostram como a expansão das finanças digitais é impactante no crescimento económico. O Banco Mundial, por exemplo, realça o papel das “Fintech (startups que se dedicam a criar soluções financeiras digitais) para a inclusão financeira” e incentiva os governos de países em desenvolvimento a “apostar no investimento em infra-estruturas que favoreçam a inclusão financeira (fibra óptica, electrificação do país, telecomunicações)”. investimentos sim, mas com um retorno no desenvolvimento económico “uma vez que quando a taxa de inclusão financeira aumenta, associada à elevada literacia financeira, o PiB per capita cresce e o alívio às taxas de pobreza torna-se visível, revela a experiência
de certos países que investiram muito em literacia financeira e nas Fintech. nesse sentido, o Banco de Moçambique lançou recentemente a sua própria Fintech, juntando-se à Financial Sector Deepening Moçambique (FSD Moz) para criar a incubadora Sandbox, uma plataforma que vai ajudar no a promover a criação de novos serviços financeiros.
atM Mais dO que dupliCaraM
aumento reflecte aposta da banca comercial no quadro da estratégia de bancarização da economia em unidades
nos colocam, enquanto sector financeiro. A ideia do Barclays é abraçar esta tendência e apostar na proximidade com o cliente, expandindo a rede, criando novas formas e serviços através de meios digitais, e procurando ganhos de eficiência e dinâmica essenciais no contexto do mercado nacional”, explica Rui Barros, CEO do Barclays Bank, à E&M.
Ritmo de crescimento mostra que a banca está cada vez mais perto
eM rápida expansãO
Em 2017 existem seis vezes mais aparelhos do que em 2010
4 731 27 851
o caminho para acelerar a inclusão Para o ex-governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, a digitalização é o caminho para “minimizar os problemas do défice de infra-estruturas que dificultam a expansão física das agências bancárias.” Gove explica ainda que, ao contrário das condições necessárias para a expansão de bancos, “as condições impostas pela digitalização para que existam serviços financeiros são relativamente acessíveis”. Elas estão agrupadas em pelo menos três dimensões: a plataforma tecnológica, que permite que um cliente use um dispositivo para fazer ou receber pagamentos ou transferências electronicamente; canais digitais, isto é, disponibilidade de Internet, telemóvel, caixas electrónicos, entre outros; agentes que fazem a repercussão dos serviços gerados pelas plataformas que utilizam os canais digitais. “Andando hoje pelo país há quiosques e outras entidades que funcionam como
fonte Banco de Moçambique pOs
Nação
agentes mPesa, Mkesh ou E-mola que permitem transferências rápidas entre os utilizadores. E é essa compra de dinheiro electrónico que amplia a possibilidade de fazer pagamentos, realizar poupanças e transferências, muitas vezes em interligação com a própria banca comercial que trabalha com estas IME”, sublinha. Nesse sentido, antes mesmo de trazer para Moçambique a bem-sucedida experiência queniana, o Banco de Moçambique já criou a sua própria FinTech, uma plataforma que vai ajudar a promover a criação de serviços financeiros sofisticados e adequados às exigências de um mercado onde a resolução dos desafios, passa inevitavelmente por novas soluções adequadas às circunstâncias (territoriais, estruturais, e sociológicas) do país. Se já não há qualquer dúvida que a digitalização é bem-vinda, é na ‘interoperabilidade’ que reside a força motriz da inclusão financeira, e é aqui que está outro dos maiores desafios. É que actualmente não é possível transferir dinheiro de telemóvel para telemóvel entre usuários dos serviços prestados por provedores diferentes. Isto é, essas transacções ocorrem apenas entre subscritores de mPesa para mPesa, de Mkesh para Mkesh e E-mola para E-mola. O problema é que ela não é fácil de se estabelecer. Depende da abertura dos provedores de serviços mediante a avaliação das vantagens e desvantagens, e dos mecanismos de compensação pela partilha de infra-estruturas entre operadores distintos. Para tratar desta questão, a equipa multidisciplinar que trabalha na promoção da inclusão financeira está já a estudar o modelo mais apropriado à realidade moçambicana, entre vários que já são prática em diferentes partes do mundo. Está também em avaliação o tipo de incentivos que se devem dar aos provedores de serviços, para evitar que hajam barreiras à entrada de operadores concorrentes, encorajando os que detêm melhores infra-estruturas a partilhá-las. Jerry Mobs, CEO da Vodacom (detentora do mPesa) em Moçambique, dizia isso mesmo à E&M, antevendo “um futuro em que banca comercial e banca móvel são parceiras e não concorrentes num caminho comum para fazer chegar os serviços financeiros a cada vez mais pessoas.”
O Banco Central assume ser da sua “competência”, enquanto regulador, “reflectir e encontrar a melhor forma de ampliar os passos para chegar à tal ‘interoperabilidade’, que no entanto, os operadores do mercado já têm vindo a colocar
Os serviÇOs digitais de alguns dOs MaiOres banCOs
Millennium bim
Disponibiliza serviços de internet banking e o serviço Millennium izi, uma solução própria de banca móvel. também criou uma rede de mais de 300 agentes bancários “Jájá”, à escala nacional, responsável por fornecer um conjunto de serviços financeiros para pessoas em zonas rurais e áreas suburbanas.
standard bank
O destaque vai para o QUiQ, que funciona com base no código USSD. também disponibiliza o netPlus que dá a possibilidade de abertura de uma segunda conta bancária online; o netPlus app permite a autenticação do utilizador através de impressão digital; e os Quiosques digitais que permitem o pagamento de serviços diversos.
barclays bank bCi MOZa
lançou o serviço “Barclays Móvel”, que permite efectuar consultas, movimentos e transferência de fundos para contas de outros bancos. trata-se de um serviço para o qual não é necessário fazer download ou instalar nenhuma app, baseado no código USSD. aposta ainda em tecnologia de ponta nos ‘balcões do futuro’.
Em 2005 disponibilizou o primeiro serviço através de telemóvel – o SMS banking. Em 2011 lançou o canal USSD #124 que permite fazer a gestão de conta, sem custos adicionais. Em 2012, inaugurou um serviço que permite a clientes transferir dinheiro para usuários sem conta, utilizando apenas um número telemóvel.
tem disponíveis produtos de poupança a partir de 100 meticais e de microcrédito a partir de 5 000 meticais, e alguns podem ser activados a partir do telemóvel (crédito Já). Oferece também soluções de Mobile Banking e USSD (Moza Já). lançou o “Banco do Merkado” que levou as agências bancárias até aos mercados informais.
Mpesa CresCe seM parar …
Subscritores do serviço já representam quase metade do número de clientes de todos os serviços de iME em Moçambique
em milhares de utilizadores
… O que se nOta nO CresCiMentO das transaCÇões …
Em apenas dois anos (de 2015 a 2017), o número de transacções realizadas aumentou 12,6 vezes
em milhões
2015 2016 2017
… e nO auMentO expOnenCial dOs valOres transaCCiOnadOs
Volume de meticais que circula nas operações de transferências, depósitos e levantamentos aumentou dez vezes em dois anos
em milhares de milhões de meticais
em prática, aos mais variados níveis. Ajudados também por uma mudança estrutural ao nível da rede, promovida pelo Banco Central que criou o SIMO (Sociedade Inter-Bancária de Moçambique), que começou a operar em 2015, servindo para facilitar a ‘interoperabilidade’ entre as instituições (realização de transacções inter-bancárias pelos clientes de qualquer banco, sem custos adicionais).
segurança e protecção de dados
2015 2016 2017 fonte mPesa
No entanto, no meio de todo este turbilhão de inovações, as que já existem e as que que se esperam para os próximos anos, há alguns riscos a ter em conta. A protecção de dados e o processo de identificação dos clientes serão os principais. Nesse sentido, o Banco Central deverá emitir, em breve, novas regras de identificação que não apenas por via do Bilhete de Identidade que deverão passar a incluir novos elementos de segurança, como as impressões digitais e o reconhecimento de voz para aceder a contas por via electrónica e assim poder efectuar transacções. “O departamento de licenciamento e regulação já está a trabalhar para que, brvemente, saia o aviso que autoriza a banca a utilizar outros instrumentos para flexibilizar a identificação dos seus clientes”, assegura à E&M o Governador Rogério Zandamela. Também decorrem trabalhos, ainda na
sua fase inicial, para discutir mudanças na área de protecção de dados, uma questão que é absolutamente crucial, sendo que este processo está ainda em análise, assegura à nossa reportagem: “É preciso ainda definir o modelo a adoptar.”
o papel do Governo Rogério Zandamela dá a entender que o Governo não tem participado de forma satisfatória no processo de digitalização, daí que seja preciso, em sua opinião, “reflectir e dialogar mais sobre o seu (do Executivo) papel nesta caminhada”, assinala. Compete ao Governo legislar no sentido de dotar o mercado de uma cada vez maior flexibilidade, especialmente por via da constante inovação tecnológica que impõe mudanças mais aceleradas do que a velocidade da aprovação dos regulamentos. “O Governo é parte interessada no processo, visto que alguns dos seus objectivos encontram resposta na própria digitalização.” Dos novos caminhos que se esperam para a banca, parece sobrar apenas um: crescer com os instrumentos disponíveis, sem deixar de investir na construção de alternativas. E o sector parece comprometido em fazê-lo, para se desenvolver com o país.
tExtO Celso Chambisso FOtOgRaFia istoCk Photos
exemplo africano: no Malaui, bancos encontram soluções inovadoras. em Moçambique, também já acontece
Na voz de...
Há muito por fazer no capítulo da literacia financeira
teotónio comicHe Presidente da Associação Moçambicana de Bancos
a associação moçambicana de bancos (amb), tem a missão de promover o progresso técnico, económico e social da actividade bancária dos seus membros, com “uma visão profunda sobre as transformações impostas pela digitalização no sistema financeiro nacional.” teotónio comiche, administrador do millennium bim e presidente da amb, tem procurado coordenar os esforços que os 18 bancos do mercado estão a realizar com vista à expansão dos produtos e serviços financeiros modernos, não deixando de atribuir às instituições de moeda electrónica “o mérito da rápida expansão da cobertura dos serviços financeiros”.
Numa entrevista exclusiva à e&m, comiche, diz que “nem tudo está a favor dos avanços que se necessitam”, apontando à “necessidade” de mudanças estruturais. e até dá exemplos concretos: um de contornos mais operacionais, que passa por “acabar com o excesso de burocracia para a abertura de contas bancárias”, e um outro mais estrutural, que passa por “incrementar” o nível de literacia financeira, ressalvando “os esforços” do Banco de moçambique (bm) e dos bancos comerciais neste sentido.
No último aNo, mais de um milhão de pessoas passaram a ter acesso aos serviços fiNaNceiros e a perceNtagem de distritos cobertos passou de 55% para 70%. foram abertas mais de 19 mil coNtas baNcárias e movimeNtados mais de 107 milhões de meticais
Moçambique vive uma era em que as contas bancárias passaram a ser inferiores ao número de subscritores de serviços financeiros móveis. O que nos diz essa tendência? temos que dar o mérito às instituições de moeda electrónica (ime) por esse feito. eles encontraram o modelo de negócio apropriado, estabeleceram a operação, o suporte ao nível de marketing e comunicação e ainda uma vasta rede de agentes que resultou na aceitação dos moçambicanos por esta solução que permite que cada vez mais pessoas possa ter acesso aos serviços financeiros. O resultado está à vista, pois números publicados recentemente apontam para mais de 7 milhões de contas de moeda electrónica contra os cerca de 5 milhões de contas bancárias. devo dizer que as ime, como o mpesa, Mkesh e mais recentemente o eMola, são parceiras do sistema financeiro, pois desde a primeira hora que os associados da AMB, os bancos, estiveram disponíveis para apoiar estas iniciativas. este apoio evidenciou-se, por exemplo, ao permitir que os agentes destes operadores usassem os seus balcões para depositarem dinheiro para a gestão de liquidez dos agentes. adicionalmente, foi com o apoio dos
Na voz de...
bancos que os operadores integraram a rede de atms, na altura rede ponto 24, hoje simorede e permitiram que os clientes dos operadores de moeda electrónica possam fazer levantamentos na rede de atms.
O surgimento das Instituições de Moeda Electrónica veio revolucionar a utilização de serviços financeiros tornando-os mais acessívels. Estão criadas todas as condições para que se estabeleça uma relação de complementaridade entre banca e IME? eu diria que o aparecimento destas instituições veio revolucionar o acesso aos serviços financeiros pois passa a constituir um canal alternativo, mas complementar, à banca tradicional. repare que os operadores suportam a sua operação na rede de balcões dos bancos para permitir gerir a liquidez dos agentes. adicionalmente e mais uma vez como havia indicado, os clientes das ime podem levantar dinheiro nos atms dos bancos. Isto só foi possível porque há um entendimento claro da complementaridade destas instituições e acima de tudo pela necessidade de servir cada vez mais clientes e permitir uma maior inclusão financeira. E para reforçar esta ideia é já possível fazer transferências entre contas de bancos e IME e vice-versa (a título de exemplo os acordos entre o mpesa e o Standard Bank ou ainda o Mpesa e o BCI).
Embora ainda não esteja disponível para todos os bancos acreditamos que é um processo que irá continuar a desenvolver-se naturalmente permitindo aumentar a interoperabilidade.
A literacia financeira é uma condição apontada por várias entidades, incluindo o BM como incontornável para acelerar a inclusão financeira. Mas as iniciativas para dotar os potenciais con-
17
“Em
Em
um
ano,
abriram
17
agências
17 distritos do país. dEsta forma, mais dE um milhão dE pEssoas passaram a tEr acEsso aos sErviços financEiros”
sumidores de conhecimento parecem sempre pouco efectivas, concorda?
A educação financeira é um dos pilares fundamentais para o aumento da inclusão financeira e esta actividade tem sido continuamente desenvolvida pelos bancos. uma das iniciativas que podemos destacar é a celebração do mês da poupança em que todos os bancos participam conjuntamente com o bm em iniciativas de educação financeira num vasto número de escolas de todo o país onde são explicadas as funcionalidades dos produtos bancários, os benefícios das poupanças, por exemplo. por outro lado, cada banco tem desenvolvido iniciativas individuais de literacia financeira. Reconhecemos, no entanto, que ainda há muito por fazer e temos, por isso mesmo, participado activamente no comité Nacional de inclusão financeira para promover acções conjuntas a este nível.
Há sempre questões de ordem legal a serem colocadas em debate. Ou seja, um entendimento geral de que a regulamentação é mais lenta que a dinâmica dos serviços digitais. Concorda? É verdade que a evolução de tecnologia é sempre mais rápida que a regulação. Considero isso natural pois só é possível regular depois de se desenvolver a tecnologia. muitos exemplos podem ser dados, pois a regulação é feita para resolver ou regular as funcionalidades que essas tecnologias trazem ao funcionamento das sociedades. No caso dos serviços financeiros digitais, esse factor ainda é mais evidente, pois a velocidade com que se colocam novos produtos e serviços no mercado, é muito superior à nossa capacidade de regular. Não acreditamos que tal cenário venha a mudar pois está previsto que o investimento em fintechs continue a crescer e o resultado será ainda mais inovação. e julgamos que este é um factor positivo para o consumidor e para o desenvolvimento do sistema, resultando numa maior inclusão financeira. Este desígnio nacional tem sido continuamente abraçado pela banca em moçambique. de tal modo que os bancos têm introduzido estes canais no mercado. desde atms, pos e cartões bancários, passando pelo internet Banking e, naturalmente, o telemóvel, em que já era possível, em 2005, realizar operações bancárias por sms, sendo que hoje esta tecnologia está já disponível em ussd (tecnologia interativa, baseada em menus, suportada por quase todos os telemóveis mesmo sem ligação à internet). a regulação teve uma abordagem posi-
DInheiro mais perto: nos últimos anos, a banca tem apostado em fazer aumentar número de ATM no país
a baNca tradicioNal já iNterage com as iNstituições de moeda electróNica. No futuro, essa iNtegração será cada vez maior
tiva sobre o tema e foi sempre ajustando e permitindo aos bancos lançarem novos produtos e serviços com suporte tecnológico.
Isso pressupõe desafios...
Há que manter esse equilíbrio entre a regulação e a inovação. por isso vemos com bastante satisfação a iniciativa do banco central e da financial sector deepening moçambique (fsdmoç) com o lançamento da incubadora sandbox que irá permitir que se testem novos serviços financeiros em ambiente controlado. esta iniciativa ilustra a preocupação do bm como regulador tem em se ajustar às condições que o mercado exige.
As zonas rurais são, por definição, menos privilegiadas no acesso aos serviços financeiros. De que forma é que o sistema financeiro pode incentivar a celeridade das iniciativas de expansão da rede bancária? desde a primeira hora, o presidente da república, filipe Nyusi, lançou o programa
“Um Distrito, Um Banco” a 9 de Agosto de 2016, em inhambane, e que visa cobrir todos os distritos com um balcão até 2019. assim, em cerca de um ano, depois do seu lançamento, foram abertas 17 novas agências em 17 distritos, ou seja, mais de um balcão aberto por mês. Desta forma, mais de um milhão de pessoas passaram a ter acesso aos serviços financeiros e a percentagem de distritos cobertos passou de 55% para 70%. foram abertas mais de 19 400 contas bancárias e movimentados mais de 107 milhões de meticais. consideramos esta iniciativa um pilar para a bancarização e um forte incentivo para os bancos. e outras há, como a implementação de redes de agentes bancários e a expansão da rede de atm,
Que instrumentos está hoje a banca a mobilizar para que, no futuro, Moçambique seja também um exemplo de inclusão financeira ?
Eu diria que ao nível de inclusão financeira, moçambique tem tido o desenvolvimento adequado à sua dimensão
económica e à sua realidade social, especialmente nos últimos anos em que se registou um crescimento acentuado da rede bancária e do número de clientes. Não quero com isto dizer que não haja ainda trabalho para fazer. Ninguém pode dizer isso e, no nosso caso, há muito ainda por fazer.
Em que aspectos?
um dos que consideramos importantes é a revisão da regulação das condições para a abertura de contas. veja que, para se abrir uma conta numa ime, basta ter 16 anos e um documento de identificação, enquanto que numa instituição bancária, é preciso ter pelo menos 21 anos, um documento oficial e um comprovativo de residência. É importante poder rever estas condições e posso adiantar que temos estado a trabalhar activamente com o bm nesse sentido.
texto Celso Chambisso fotografia Jay Garrido
Gaza, a província que parou no tempo, corre contra o relóGio
O projecto das areias pesadas de Chibuto, orçado em 1,2 mil milhões de dólares, é aguardado quase como um ‘salva-vidas’ económico para uma província que, durante quase três décadas, não viu chegar grandes investimentos. Mas, do presente ao futuro, a distância é grande e muito parece ainda estar por fazer, do turismo à agricultura
epicentro da luta de libertação nacional, e uma província com reconhecido potencial agrícola, turístico e de recursos naturais, Gaza é no entanto pobre no que diz respeito ao desenvolvimento económico porque não consegue transformar o potencial em riqueza (o que se nota nos índices de pobreza muito elevados em torno dos 37% segundo dados do Banco Mundial).
E assim é, há já largas décadas, numa região que parece condenada a poucos investimentos, públicos ou privados. Há quem diga que falta capacidade humana e técnica para fazer de Gaza um pólo
de desenvolvimento, através do melhor aproveitamento das potencialidades locais, com enfoque para os recursos naturais, e será por isso que o sector empresarial local considera “essencial” um plano estratégico para a sua exploração sustentável. Para isso, “tem de haver uma estratégia muito forte que possa tirar aquela província do abismo”, e dar-lhe vida própria, crescendo em paralelo com a capital, Maputo.
Se, nos anos 60, 70 e 80, devido ao seu enorme potencial agrícola alimentado pelo regadio de Chókwè, no norte da província era considerada ‘o celeiro de Mo-
capital Xai-Xai
área 75 709 km² população 1.446.654 região Sul província gaza
çambique’ devido à produção de arroz, tomate e hortícolas que produzia para alimentar o país inteiro, agora apenas consome, na sua maioria importações.
E até o arroz que, outrora, era o principal produto da província é hoje importado maioritariamente da Tailândia.
De acordo com a directora provincial da Indústria e Comércio de Gaza, Lúcia Humbane, “os recursos são vários e as oportunidades também, mas falta investimento, pelo que as pessoas só precisam de apostar na província. Os pontos fortes da economia da província de Gaza advêm, em grande escala, dos recursos naturais que detemos e da nossa localização geográfica. Temos recursos invejáveis, terra arável, madeira, pedra, argila, areias pesadas, sem deixar de lado a nossa larga costa, com pouco mais de 150 quilómetros de extensão”, considera Humbane.
Depois, há a riqueza potencial, gerada pelo rio Limpopo, “cujas características da água e do seu caudal são favoráveis para a produção agrícola e piscícola”, complementa.
Fraco desempenho da actividade agrícola De acordo com os dados avançados pelo sector da Indústria e Comércio do governo provincial, Gaza tem hoje duas grandes zonas de regadio, a do Baixo Limpopo, (com claro potencial para dinamização agrícola) com uma área de 27,2 mil hectares hectares, e o de Chókwè, com 23 mil. Porém, esse potencial é ainda subaproveitado. O que se nota na composição da estrutura económica da província, que tem como base a agricultura, com uma comparticipação de cerca de 89% da produção global, mas na qual predomina uma agricultura de subsistência. Ciente dos enormes desafios do sector, Lúcia Humbane assume que este recurso, tal como os restantes, “não é explorado” na sua máxima força, havendo ainda um largo caminho por trilhar. “Notamos a insuficiência de infra-estruturas nos regadios, o fraco uso de tecnologia e os reduzidos níveis de investimento público e privado por entre os vários constrangimentos que o sector agrícola em Gaza atravessa, agravado ainda pelos constantes choques climáticos, como é o caso das secas e cheias. A modalidade em que a agricultura é praticada pelo sector familiar e em pequenos talhões de forma desordenada e dispersa, coloca naturalmente em causa os níveis de rendimento”, aponta.
Assim, e olhando aos dados do Governo provincial de Gaza, de uma área poten-
AgriCulturA é A ACtividAde que predOMinA
Gaza é mais um exemplo da fraca diversificação da economia no país. a agricultura (na sua maioria de subsistência) é responsável por 89% dos rendimentos da província
AgriCulturA
89%
agricultura é o ramo de actividade que mais contribui para a economia
cial de 1 494 milhões de hectares para a prática da agricultura, apenas estão em aproveitamento cerca de 53,5% da área disponível.
À E&M, o Governo provincial acrescenta que, “do valor total da produção agrícola, 92% destina-se à subsistência das famílias rurais, 5% vai para a indústria e 3% para exportação”, acrescentando que “destes produtos constam a castanha de caju, o arroz, hortícolas diversas, mandioca e carne, devido ao elevado número do efectivos de gado bovino.”
A descontinuidade entre a cadeia de produção e os centros de comercialização é outro dos entraves ao melhor aproveitamento de uma cadeia produtiva baseada no potencial da província. “Há elementos de quebra no meio de todo o processo. Temos feito esforços, enquanto Governo provincial, para minimizar o impacto negativo deste factor, estabelecendo ligações de mercado com grandes superfícies e indústrias de outras províncias, especialmente Maputo e Inhambane”, assinala a directora provincial da Indústria e Comércio.
Mas não é apenas na agricultura que a província de Gaza possui enorme potencial, já que o turismo e os recursos minerais são também outros sectores a ter em conta. Mas tudo passa pela criação das tais cadeias de valor que não passam sem as vias de acesso e as plataformas logísticas ainda, e por enquanto, inexistentes.
Agricultura de subsistência: sector alimenta a quase totalidade economia local da província de gaza
Em percentagem do PIB da Província fontE InE
província
“Temos a apontar nesse sentido: a insuficiência de infra-estruturas, sobretudo a falta das vias de acesso que ligam as zonas de produção aos mercados; de um aeroporto que flexibilizaria a logística de exportação, essencial ao desenvolvimento da economia, que está concentrada em poucos sectores, embora haja um vasto leque de opções como o turismo, a indústria transformadora e os recursos minerais”, explica.
investimento precisa-se Paulino Hamela, presidente do Conselho Empresarial de Gaza (CEP-Gaza), considera haver uma ruptura entre o Governo e o sector empresarial, “minando” de certa forma a entrada de investimentos de grande vulto na região. E, há um outro senão, para além das falhas de que se fala habitualmente, e que tem a ver com “a falta de promoção das potencialidades de que a província dispõe, para além do velho problema da burocracia para entrada de qualquer investimento, que leva “a que o ambiente de negócios seja ainda considerado pouco atractivo a quem quer investir aqui”, assinala. O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrícola 2011-2020 (PEDSA)
“Ainda
há muito por explorar, pois os recursos ainda não são potenciados na sua máxima força. Assim, pode dizer-se que gaza continua ainda longe do seu potencial”.
preconiza “a criação de cadeias de valor viradas para o agro-negócio, com destaque para as culturas de arroz e horticulturas”. No entanto, se olharmos aos números da produção anual de hortícolas e de arroz, percebemos que, devido à falta de uma rede de logística, “cerca de 40% se tem perdido por falta de mercado para colocação”, um factor que ganha ainda maior ponderação negativa, pelos baixos índices de rendimento da grande maioria das culturas praticadas. “Há que incrementar cada vez mais o processo de agro-processamento para reduzir o nível de perdas que se tem verificado em cada época, abrindo espaço para a mecanização agrícola”, diz-nos Lúcia Humbane.
a costa é rica
No entanto, a contribuição do turismo para a economia da província de Gaza, é ainda pobre (apenas 7%). Mesmo com o potencial que todos lhe reconhecem,
de ser um lugar de turismo com os padrões necessários para atingir um nível internacional, mas que padece de alguns dos males que enfermam o crescimento e desenvolvimento dos outros sectores de actividade: carece de melhores infra-estruturas, organização, diversificação, promoção e investimento. No entanto, há alguns bons sinais, como o incremento de receita verificado no último ano, na época alta, que chegou aos 250 milhões de meticais, face aos 190 milhões de meticais arrecadados em 2016
Uma realidade, ainda assim muito distante ao nível dos números, do que aquela região poderia fazer prever.
Fabricar o futuro, a partir do presente
O sector industrial é outro ponto que se encontra em letargia. De acordo com o Governo de Gaza, a rede industrial da província é constituída essencialmente por micro-indústrias, sobretudo nas áreas de carpintaria, processamento de
de costas para a costa: gaza ainda não conseguiu capitalizar potencial do sector do turismo para a economia local
cereais, panificadoras, serralharias e alfaiatarias (um segmento que ganhou estofo movido pela obrigatoriedade do uso de uniforme escola).
Mas, a grande mola económica da província deverá mesmo ser, a breve trecho, o crescimento das extractivas. Para Castro Elias, director provincial de Recursos Minerais e Energia ir-se-á assistir “a uma grande mudança de cenário, com a iminente entrada em funcionamento da pedreira em Massangena e com a exploração das areias pesadas de Chibuto” que, a juntar-se à exploração dos jazigos de diamantes (recentemente descobertos) no distrito de Massangena e Chicualacuala formam o conjunto dos projectos que podem alavancar o moral (e a economia) local nos próximos anos. Avaliado em 1,2 mil milhões de dólares, o investimento (com origem na China) no projecto das areias pesadas de Chibuto, a 60 quilómetros do Chokwé é o que mais promete impulsionar a economia de toda a região interior da província. Porque é ali que está situado
1,2
mil milhões de dólares
O InvestImentO PRevIstO PARA
A UnIDADe De exPlORAçãO
DAs AReIAs PesADAs DO ChIbUtO, O mAIOR JAZIGO mUnDIAl
De IlmenIte, RUtílIO e ZIRCãO, UsADOs nA InDústRIA metAlúRGICA , De COsmétICOs, PAPel e PlástICO e nA
AeROnáUtICA; DARá , esPeRA-se , Um nOvO FÔleGO eCOnÓmICO
À PROvínCIA De GAZA PARA
DesenvOlveR tUDO O RestO
o maior jazigo mundial de ilmenite, rutílio e zircão, com as pesquisas a apontarem para um total de 2 660 milhões de toneladas de matéria-prima depositada, numa área de concessão de 10,5 mil hectares, e será ali que vai ser instalada uma unidade que vai albergar três mil trabalhadores, e que terá uma capacidade instalada para processar 100 mil toneladas de areias pesadas por dia, “a partir do segundo semestre deste ano”, garante Castro Elias.
No entanto, o projecto poderá ser condicionado pela falta de um corredor logístico que possa assegurar o escoamento dos minerais a preços competitivos (o Porto de Maputo é o mais próximo, e dista a cerca de 270 quilómetros da mina), uma situação que tem sido ‘levantada’ pelo Governo de Gaza, que assegura à E&M, “estar em curso a definição de um projecto que possa resolver esse problema.” texto Hermenegildo langa fotoGrafia d r
mercado e finanças
O piOr já passOu? sim, mas O melhOr já chegOu? ainda nãO
Na apresentação do Economic Briefing anual do Standard Bank, Fausio Mussá, economista-chefe do banco conclui que a economia nacional “continua a dar passos firmes para ultrapassar um conjunto de desafios”. No entanto, também confirma o que já se desconfiava: o crescimento vai continuar tímido até 2020
ilustração
o pior já passou? Se o pior for a quebra abrupta do crescimento do PIB para menos de metade da média de 7% dos primeiros cinco anos desta década, um aperto do garrote fiscal (especialmente sobre as contas das empresas), uma redução drástica do investimento público, uma diminuição abrupta do investimento externo e uma erosão acentuada do metical face ao dólar, então sim, o pior já passou. No entanto, o melhor ainda não chegou.
Mas, parece começar a dar os tais “passos firmes” em direcção a algum lugar, que ainda só se vê meio desfocado no horizonte temporal mas que, parece agora, ter as coordenadas certas para contor-
3,5%
ExpEctativa dE crEscimEnto até ao final do ano é optimista, facE à projEcção do fmi Economia nacional tErá o ano dE mEnor crEscimEnto da década, mas 2019 trará boas notícias
nar os desafios criados pelo contexto dos três últimos anos, no sentido de restaurar a estabilidade macroeconómica e a esperança num verdadeiro florescimento económico.
E se há indicadores que demonstram que esse progresso foi notório, como os números da conta corrente que evidenciam uma tendência de equilíbrio (deficit caiu, em dois anos, cerca de 60% para 2,4 mil milhões de dólares no ano passado), com efeitos na estabilidade cambial (71,2 meticais por dólar, há um ano, para 59,3 nesta altura) e na drástica descida da inflação (de 23,7% para 5,6% em 2017) que se observa desde meados do ano passado, outros há que tradu-
zem ainda um certo torpor económico. Como o carro a diesel que esteve muito tempo parado e que demora… e demora, a arrancar. O exemplo mais claro dessa realidade é o crescimento tímido do PIB, que desacelerou para 3,5% no ano passado, prevendo-se que fique nos 3% este ano (ou nos 3,5% se tomarmos em conta a previsão do Standard Bank).
A este nível, aliás, o veículo de transporte colectivo (económico) onde todos estamos em viagem, só vai mesmo arrancar (crescer) a partir do próximo ano, sendo que só se espera que acelere a partir de 2020 (crescimento acima de 5%). E a velocidade cruzeiro (crescimento acima de 9%), essa só iremos atingir em 2023 (ano do início da exploração de LNG da área 4 da Bacia do Rovuma), e só lá chegaremos com o combustível certo e com o depósito cheio. De gás natural, no caso. Para já, e olhando aos primeiros meses do ano, 2018 não tem sido péssimo, mas também não tem enchido as medidas. O que não será novidade para ninguém. Por um lado, antevêem-se razões concretas para acreditar numa melhoria. Mas elas ainda não se fazem sentir nas expectativas de empresários, nos balanços mensais das empresas, nem no bolso dos consumidores. E tudo porque a actividade económica deste primeiro semestre apresenta níveis de crescimento bastante reduzidos, na casa dos 3,2%, face aos 3,7% do mesmo período do ano transacto.
“melhorias são evidentes, mas é preciso mais” Na sessão de apresentação do Economic Briefing anual do Standard Bank Moçambique, conduzida pelo economista-chefe do banco sul-africano, Fáusio Mussá (um dos mais ‘escutados’ economistas nacionais da nova geração), foram lançadas as perspectivas económicas para o segundo semestre do ano e para o início do próximo, e destacados dois cenários de enquadramento de toda a análise: um mais imediato e um outro de médio prazo. Assim, anotou os riscos elevados do lado fiscal que se colocam no presente, e as perspectivas de crescimento económico ainda lento, até ao arranque das exportações de LNG, cujos efeitos só se sentirão, a sério, em 2022 e 2023. Começando no presente, uma nota alusiva às taxas de juro. “Esperávamos que o Banco Central cortasse as taxas de juro, no mínimo, ao mesmo ritmo que vimos desde Dezembro, na casa dos 150 pontos base. Obviamente que este último corte (na sessão de Junho do Comité de Políti-
PIB: Só vAI DISPArAr EM 2023
Crescimento será abaixo dos 4% até
Economia só aquece em 2023
PIB PEr CAPItA: vAI tEr DE CrESCEr Até 2023
milhares de meticais
EXPOrtAÇõES: BOM
AguENtA rItMO DE CrESCIMENtO
Em milhões de dólares; em 2017
Valores apontados em datas a partir de 2018 correspondem a previsões fontE Standard Bank
“Esperávamos que o Banco Central cortasse as taxas de juro, no mínimo, ao mesmo ritmo que vimos desde Dezembro, na casa dos 150 pontos base. A questão que se coloca é: será que se espera que haja uma aceleração da inflação acima dos níveis previstos, o que está a fazer o BM tomar aquele nível de decisões?”
ca Monetária do BM) foi metade disso (75 pontos base, fixando-se em 15,75%) e a questão que se coloca é: será que se espera que haja uma aceleração da inflação acima dos níveis previstos, o que está a fazer o BM tomar aquele nível de decisões? Em nossa opinião, poderá apontar para uma ideia de que os riscos fiscais permaneçam elevados. Considerando que houve uma melhoria na balança de pagamentos, haveria espaço para cortes das taxas de juro mais agressivos do que os que foram anunciados”, reiterou. O economista complementa, de resto, que se se assistisse ao corte das taxas seguindo o ritmo seguido no último ano e meio, “poderíamos chegar, até ao final do ano, a uma taxa de juro MIMO perto dos 10%, pois há espaço para isso”, sendo a aplicação de taxas de juro atractivas “um factor importante para evitar o cenário ‘crowding-out’ ao sector privado”, o que provoca uma canalização excessiva da economia para o sector público. Para o economista-chefe do Standard Bank, com o alto nível das taxas de juro que ainda se verifica no mercado bancário, a maior parte do crédito para a economia é canalizado para o sector público, quando num cenário em que as taxas de juro seriam mais baixas “haveria apetência por parte do privado em financiar a sua actividade o que iria estimular a recuperação económica.” Na verdade, continua, “taxas de juro baixas abrem espaço para que o sector privado tenha dinheiro para si e para estimular a recuperação económica de uma forma mais veloz.”
E Mussá entende que, olhando para o tecido empresarial e vários sectores da economia, “não há dúvidas de que há necessidade de estimular algum crescimento da procura agregada neste momento”, e neste sentido, o acesso ao crédito, “é essencial”.
curva decrescente já se inverteu Lançando depois um olhar para o futuro, Mussá sustenta que, antes da exploração do gás natural na Bacia do Rovuma, as perspectivas apontam para que o PIB cresça a um ritmo bastante abaixo dos níveis históricos recentes, anotando ainda a quebra que o PIB per capita, sofreu no ano passado. É um dado preocupante que o PIB per capita tenha descido, em 2017, para perto de 400 dólares por habitante, quase metade do nível de há três anos, antes da queda dos preços das matérias-primas, da divulgação de dívidas de empresas públicas com garantia
mercado e finanças
... há MENOS DESPESA E rECEItA ...
Bom desempenho na conta corrente, e corte na despesa influenciam
Ano em curso é o mais ‘conservador’ da década ao nível de ambas
Aumento do investimento público três anos depois, é a boa notícia
16 mil milhões de dólares
Dìvida total caiu percentualmente este ano, mas continua em níveis preocupantes
do Estado que foram ocultadas dos doadores internacionais e das instituições nacionais, da depreciação do metical, e do Censo geral levado a cabo pelo INE e que revelava um aumento da população para 28,7 milhões de pessoas. Ou seja, menos riqueza nacional a dividir por mais população fazia encolher o valor do PIB per capita para abaixo dos 400 dólares, e colocava Moçambique na cauda dos países com menores rendimentos por cidadão em todo o mundo. Claro que o crescimento deste indicador acompanhará o aumento do PIB do país, o que também se fará sentir apenas no ínicio da próxima década.
O contexto bom e o contexto mau
Ainda assim, e num resumo final da apresentação, Mussá assinala que a análise conduzida indica que “o país continua a dar passos firmes para a recuperação da economia.” Mas, complementa que “a manutenção da estabilidade macroeconómica requer uma aceleração das reformas estruturais, nomeadamente no sistema judiciário, ambiente de negócios, sector bancário e financeiro, fiscal e nas empresas públicas”, refere, não deixando de assinalar a importância da “manutenção do crescimento do sector exportador, particularmente o mineiro, incluindo as empresas que têm conseguido manter um nível considerável de negócios, investindo capitais próprios.” Assim, após um período de tensão militar
Dólares por ano o pib pEr capita é hojE , Em moçambiquE , um dos mais baixos (o sEgundo) Em todo o mundo, o quE rEflEctE um conjunto E rEalidadEs quE mErEcEm sEr analisadas. no Entanto, prEvê-sE um crEscimEnto dEstE indicador nos próximos cinco anos, acompanhando a curva dE crEscimEnto da Economia nacional
que se prolongou ao longo de meses, o ambiente pacífico regressou a Moçambique desde a trégua de Dezembro. Na sequência disso, a recente aprovação de uma mudança na Lei Constitucional para permitir a descentralização do poder Executivo, “contribui muito para aumentar a confiança na manutenção da paz”, o que obviamente é um indicador social, mas com forte impacto no desenvolvimento económico. São os episódios positivos que, no entanto, são contrabalançados, e de que maneira, pelo processo em curso referente às lacunas de informação sobre o relatório da Kroll e os problemas de responsabilização das mesmas, num processo que decorre sob a alçada da PGR, mas que, tendo por base os indicadores do relatório do Standard podem considerar-se como estando, ainda assim, “a ser abordados de forma satisfatória, e poderemos ver a incerteza a dar espaço a um crescimento da confiança”. Mas, o grande ponto de interrogação actual do país é assinalado a tons vermelhos pelos actos de terrorismo a que se tem assistido na província de Cabo Delgado desde Outubro passado, e que terão consequências ainda imprevisíveis que, de acordo com o Standard Bank, “requerem uma análise mais profunda, que será feita a seu tempo”.
tExto Pedro Cativelos
fotogrAfiA Jay Garrido
Juros Salários Inv. público
O que é naciOnal (e natural) é bOm
A Mozambique Good Trade é uma empresa de distribuição de produtos 100% nacionais, naturais e orgânicos que ganha espaço num nicho de mercado em franco crescimento. Em Moçambique e um pouco por toda a parte
um negócio com bom fundo. foi esta a ideia que levou Diogo Lucas, então um jovem gestor com uma carreira promissora na área da banca de investimentos a um dia decidir mudar de vida e apostar no seu próprio futuro, investindo no futuro do país.
Nasceu desta forma a Mozambique Good Trade, há exactamente um ano, em Julho de 2017. “Na área em que trabalhava, passaram por mim alguns casos de empresas nacionais em busca de financiamento. E sempre notei que havia um elo que faltava nesta dinâmica. Senti que existia aqui, potencialmente, um nicho de mercado que não estava devidamente preenchido, ou seja, uma empresa dedicada à distribuição, comercialização e exportação de produtos moçambicanos que já existem e têm qualidade.”
Assim, óleo e farinha de coco de Inhambane, tortilhas de milho frescas da Zambézia, arroz integral produzido em Gaza, ou chá preto colhido no Gurué, são apresentados enquanto produtos premium, porque ‘sofreram’ pelo caminho um trabalho de construção de marca ao nível do design, da qualidade da embalagem e da estratégia comercial de introdução no mercado. E chegam por isso, a lugares onde antes não chegavam, preenchendo-se assim o tal elo que faltava para que se tornasse real uma cadeia de valor de que tanto se fala (e cuja falta tanto se nota em muitos produtos e serviços nacionais). E com benefícios para todos, do produtor ao consumidor final. É esse, pois, um dos fundamentos de uma empresa que procura sempre soluções.
“Temos neste momento um portefólio de 13 produtos. Alguns deles, chegam-nos já acabados e prontos a serem encaminhados para o retalho. No entanto,
há outros que são trabalhados por nós. O objectivo é ter uma linha de produtos nacionais direccionados ao mercado de produtos naturais e biológicos, orientados para um target que opta por um estilo de vida saudável, activo, social e responsável, ocupando um segmento que está a crescer exponencialmente em todo o mundo”, explica o gestor. E é ai que se torna real o que o nome da marca prenuncia. “Procurámos construir um mercado que não existia, ligando o produtor local e o mercado nacional e internacional. O espírito, ou o core do negócio, está na criação de uma cadeia de valor em que pretendemos incutir princípios como a colocação de preços justos nos produtos, preocupações ambientais e normas de sustentabilidade das produções, passando pela formação de pessoas, porque apoiamos os nossos fornecedores e produtores desenvolvendo relações de benefício mútuo.” No futuro, a ideia passa por também criar um mecanismo de investimento que possa reverter para que os produtores possam investir nos seus negócios. “O grande mercado para este tipo de produtos é o de exportação e para que isso possa ser uma realidade lucrativa, é preciso aumentar a produção, ter máquinas, pessoas, logística de distribuição e certificação de cada um dos produtos, algo que os mercados europeu, e sul-africano exigem. No entanto, o nosso objectivo é que dentro de dois anos a maior parte da nossa facturação já provenha da exportação. Há muitos desafios, mas o potencial é tão grande como os nossos objectivos.”
BemPresa MoZaMBiQUe gooD traDe FundaÇÃo 2017 número de ParCeiros 12 Pontos de venda 25
PorteFolio 13 produtos
a Moz good trade comercializa produtos naturais moçambicanos, como chá, mel, flor de sal, compotas e achares, arroz integral e frutas desidratadas
texto Pedro Cativelos
fotografia Jay Garrido
cErVEja cUca assina acordo dE EXpansão para moçamBiqUE
Inserido no plano de expansão da marca de cerveja angolana CUCA, o grupo Castel assinou um memorando de entendimento com a empresa moçambicana Moz Bebidas. o objectivo “é permitir a expansão e internacionalização da cerveja CUCA, a mais consumida em Angola, para o mercado moçambicano” anuncia a empresa, em comunicado.
o grupo Castel Angola, assinala ainda a entrada da CUCA no mercado moçambicano enquanto “um momento histórico”, subscrito em Luanda, Angola, pelos directores-gerais das duas empresas, Philippe frederic e Severin Tchogna, e que prevê a importação de nove a dez contentores até ao final do presente ano.
nEsTlé rEEsTrUTUra nEgócios E faz dE África a prioridadE
A gigante mundial, líder no segmento de alimentos e bebidas nutritivas, anunciou em Junho que irá reestruturar seus negócios na África Subsaariana.
Assim, irá fechar a sede regional no Quénia, com o objectivo de continuar com “o caminho de crescimento saudável” no continente, concentrando as operações na África do Sul. o anúncio da reestruturação das operações, acontece na sequência da apresentação dos resultados trimestrais do grupo, em que foi anunciado um crescimento de facturação na casa do um dígito, na região da África subsaariana.
Vodacom E mozdEVz
aliam-sE pEla massificação das Tic
Empresa de comunicações móveis tem apostado cada vez mais nas novas tecnologias
criar uma plataforma tecnológica que permita o desenvolvimento de conectividade entre estudantes e profissionais das áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) direccionada ao sector corporativo, é o objectivo do acordo assinado pela Vodacom e a Associação Moçambicana de Desenvolvedores de Softwares e Aplicações (MozDevz).
Assim, o acordo irá permitir a criação de condições de funcionamento da nova plataforma, bem como a abertura de um espaço para que os colaboradores da Vodacom passem a ser ‘mentores’ dos membros da MozDevz. Por outro lado, a iniciativa vai, igualmente, permitir a realização de “maratonas de programação, onde passarão a ser premiados os melhores hackthons”, assinala a telefónica em comunicado. Para os mentores, o memorando insere-se ainda na promoção da utilização das TIC’s como uma “ferramenta de integração, para o desenvolvimento do país, através do espírito de trabalho e partilha de conhecimento, tornando Moçambique numa referência regional de produção de soluções tecnológicas.”
‘BiscaTE’ da UX, prEmiado por Uso dE TEcnologia inclUsiVa
A distinção, atribuída pelo financial Times, destacou o serviço de procura de trabalho informal ‘Biscate’. Desenvolvido pela startup moçambicana Ux Information Technologies, esta angariou assim mais uma condecoração justificada pelo “destaque na utilização de tecnologias inclusivas que permitem unificar trabalhadores do sector informal e os seus clientes.” Durante o evento da fT/IfC Transformational Business Awards, que aconteceu em Londres, a plataforma Biscate sagrou-se assim, vencedora na categoria “realização em Desenvolvimento Sustentável”, num universo de 189 inscrições, provenientes de 278 organizações de mais de 126 países de todo o mundo.
A distinção ao banco liderado por João figueiredo desde 2016, foi anunciada na International Banker, publicação especializada no sector financeiro, em resultado “do posicionamento no mercado financeiro e da forte capacidade de inovação em que a instituição bancária tem vindo a apostar.”
A MozDevz é uma organização vocacionada para a ampliação e maximização das TIC’s no país. Já a Vodacom é a uma operadora de telefonia móvel existente no país há cerca de 15 anos, sendo líder de segmento, com pouco mais de seis milhões de utilizadores, especialmente nos grandes centros urbanos.
esta é a segunda vez que o Moza surge premiado, tendo a primeira acontecido há três meses quando foi eleito pelo Banker Africa na categoria de “Most Improved Bank”. A International Banker é uma publicação internacional dirigida aos profissionais da área financeira.
TexTo HErmEnEgildo langa foTogrAfIA Jay garrido
moza Banco ElEiTo “mElhor Banco inoVador do país”
a educação é a base, for M ar é funda M ental
Murade Murargy Ex-Secretário Executivo da CPLP
murade murargy será, porventura, o diplomata com mais tempo de carreira na história de Moçambique.
Mas, apesar de ter andado pelo mundo ao longo das últimas quatro décadas, foi sempre alguém atento às grandes questões nacionais e ao desenvolvimento económico do país. À E&M, ele fala do que viu antes de partir e do que antevê, agora mais de perto, para o futuro do país nas vuas diversas dimensões, da sociedade à economia.
Como olha para a sua extensa carreira diplomática?
Comecei em 1976, como assessor jurídico do Presidente Chissano, então ministro dos Negócios Estrangeiros. Passados dez anos fui colocado em França como embaixador, onde estive 11 anos. Desenvolvi com os franceses uma intensa cooperação económica, e nessa altura muitas empresas francesas vieram para Moçambique. Elegi sempre na minha carreira diplomática a área da diplomacia económica, por considerar que estava aí, grande parte do futuro.
Que marca gostaria de ter deixado na CPLP?
Quando o Presidente Guebuza me chamou para a CPLP, primeiro em 2012 e depois em
2014, apanhei um susto pela dimensão do desafio. Mas percebi que havia ali um grande potencial e que não podíamos perder a oportunidade que se nos abria. Tentei sempre incitar os estados membros a encetarem um novo caminho. Na cimeira de Timor foi decidido que deveríamos recriar a CPLP para os próximos 20 anos. Terminei o meu mandato em 2016 com a aprovação de uma nova estratégica que aponta para os caminhos essenciais dessa transformação na saúde, educação, agricultura e cooperação económica e empresarial.
Como vê agora o país?
Moçambique tem um grande potencial. Numa visão macro, vemos que há muito que já está a acontecer. Não nos podemos esquecer que o mundo mudou e as grandes transformações também afectaram a nossa sociedade. Somos um país em desenvolvimento com carência de recursos, não apenas humanos mas, também financeiros e tecnológicos.
O que é que para si fundamental implementar desde já?
O desenvolvimento de um país depende de todos, porque os desafios que se colocam a cada um de nós são enormes. Se continuarmos a não apostar nas pessoas como motor de desen-
cNasceu em gaza, em Maio de 1946. Licenciado em Direito pela faculdade de Direito de Lisboa e com especialização em relações internacionais. tem uma carreira de 40 anos de percurso diplomático que atingiram o seu topo, quando foi nomeado secretário-executivo da CPLP, em 2012. cplp
volvimento, naquelas que são capazes de transformar a natureza e os recursos que têm, em beneficio do país, ficaremos eternamente na dependência. A educação é a base e formar é fundamental. Temos de identificar os melhores quadros e enviá-los para as grandes universidades e depois saber integrá-los no nosso tecido socio-económico.
Quais são o sectores mais importantes para esse tal de-
senvolvimento que vem preconizando nas suas várias intervenções?
O principal é a agricultura. É fundamental mesmo. O turismo também. Antigamente dizíamos que o turismo é o nosso petróleo. Hoje, acrescentaria a logística, porque somos o país do qual todos os países do hinterland dependem mas, para isso é preciso que estes serviços sejam eficientes, porque se não forem, procuram-se alternativas. Estamos numa economia de competição, se oferecemos qualidade e celeridade, todos vêm para cá.
Como idealiza o Moçambique das próximas décadas?
Para termos melhores condições para todos, é preciso dar passos de gigante. Primeiro, temos que pensar na necessidade de nos entendermos, e ter a noção de que todos os moçambicanos têm de pensar primeiro no país. Temos de travar a saída das populações para as cidades, mas para que permaneçam nos campos é preciso dar-lhes condições. Para que tenham escola, saúde e também saneamento básico, isto porque o desenvolvimento está no campo e não na cidade.
texto Cristina Freire fotografia D.r.
curriculim vitae
Quase dois anos depois de ter deixado a liderança da CPLP, Murade Murargy, o mais antigo diplomata moçambicano, perfilha de uma visão global do país. Para o presente e para o futuro
MoçaMbicano pelo Mundo
ViVer, morrer e sobreViVer na terra das coisas mortas
Seis meses depois da tragédia em que morreram 17 pessoas, soterradas numa montanha de lixo, a E&M regressou ao Hulene para ver o que mudou. E lançar um olhar sobre o lixo, questionando o que fazer com ele. Da reciclagem ainda residual, aos novos aterros sanitários projectados para a capital do país
o desperdício de muitos garante a sobrevivência de alguns. Na lixeira de Hulene, que acolhe as sobras geradas pelos bairros da Cidade de Maputo, mais de mil pessoas dedicam-se, todos os dias, a recolher o que houver de aproveitável –papel, plástico e metal – para reciclar. O lixo garante-lhes renda. Embora demasiado escassa, talvez, para os riscos que correm. E escassa é também a parte do lixo que resgatam. Mais escasso ainda é o lixo que Moçambique consegue reciclar. Apesar do potencial do negócio, falta-lhe uma indústria capaz de o fazer Maputo é uma cidade suja, maculada pela incúria dos que ali habitam e trabalham, deixando nas ruas o lixo da sua passagem. No Verão, com os canais de escoamento entulhados pelo cúmulo dos dias, a Baixa, por exemplo, fica inundada pelas águas impedidas de correr para o mar. E já foi muito pior. No início deste milénio, por exemplo, havia pirâmides de lixo, com altura apreciável e cheiro proporcional, instaladas nos separadores centrais de algumas das avenidas da cidade.
Hoje, já não. O Município implantou, entretanto, um sistema de recolha que articula duas soluções, cada qual adaptada à natureza da vizinhança a que respeita. “A Cidade de Maputo tem um sistema de gestão de resíduos que consiste na divisão em duas grandes áreas – a área urbana (Maputo Cimento) e a suburbana (Maputo Caniço)”, diz João Mucavele. O Director Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Salubridade explica como é que se procurou resolver o problema: “Tal como em qualquer cidade da Europa, a recolha do lixo na área de Maputo Cimento foi adjudicada a uma empresa de capitais moçambicanos e portugueses, a Ecolife”, cuja logística e processo envolve “700 contentores de 1100 litros espalhados pela cidade, com a recolha a fazer-se até duas vezes por dia, embora a principal seja feita no horário nocturno”.
Mas este sistema não tem condições para se desenvolver em outras áreas, muito mais vastas e densas do que a cimentada, de Maputo. Condicionantes
estruturais que obrigaram a encontrar soluções mais criativas. E inclusivas. “Na zona suburbana (Caniço) há, muitas vezes, o problema do acesso de camiões”, reconhece Mucavele. Por isso, “a estratégia é diferente: sendo composta por 44 bairros, cada um tem uma micro-empresa que faz a recolha do lixo”. Tais micro-empresas, contratadas pelo Conselho Municipal após concurso público e pagas pela taxa inclusa na factura do consumo de energia emitida pela Electricidade de Moçambique (EDM), “são formadas por elementos do próprio bairro”, diz Mucavele. Trata-se de um expediente que, para lá de resolver o problema do acesso, também “é uma maneira de o Conselho Municipal estar mais perto dos munícipes, da população.” Gente activa que, na impossibilidade do recurso a veículos motorizados no rendilhado anárquico das ruas estreitas, “usa os txovas – carros de mão –, que vão de casa em casa tirar o lixo para depositá-lo num dos 180 contentores, de 12 metros cúbicos, espalhados pela zona suburbana”.
o fim... do fim da linha: dentro de meses, esta será apenas uma (má) imagem do passado, quando abrir o novo aterro da cidade de Maputo
Depois, os camiões de uma outra empresa, a Enviro Service, levam-nos para o Hulene, a lixeira a céu aberto nas proximidades do Aeroporto Internacional de Maputo, que acolhe desde 1972 todos os desperdícios produzidos pela capital do país e pelos seus pouco mais de 1,1 milhões de habitantes. Gente que, segundo a contabilidade da Direcção Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Salubridade de Maputo, produz diariamente entre 1200 a 1400 toneladas de carga fétida que, depois de descarregada na lixeira, acrescentará altura à montanha de desperdícios. Preciosos, no entanto, para milhares de pessoas que deles dependem.
Fazer vida das coisas mortas Bairro do Hulene. Por entre o fedor azedo da mixórdia em fermentação, escalando a montanha de lixo que recobre uma área de 20 hectares, uma pequena multidão coberta de andrajos e fuligem, tão incrustada que é já segunda pele, evolui entre máquinas pesadas e os fumos permanentes da combustão. Gente que garimpa o sustento no que os outros rejeitaram. Vistos à distância, os recolectores de Hulene, que o Conselho Municipal de Maputo estima em cerca de um
“Moçambique não tem fábricas de vidro, papel ou metal para reciclar em quantidade, pelo que sai mais barato comprar as embalagens fora do país e trazê-las para cá”
ProDução DE lixo não Pára DE Subir
Aumento da população e do consumo alimentam o crescimento da produção de resíduos em milhares de toneladas
É a quantidade de lixo que diariamente aterra na lixeira do Hulene
milhar, evocam um exército de espectros garantindo a vida difícil num campo cheio de coisas mortas. E, por vezes, também mortais. “Tem ferro com ferrugem, tem garrafa partida, tem ratazana, tem mosquito, tem fumo, tem doença...”, enumera Luís Adriano. São os perigos que espreitam o quotidiano de todos os recolectores de Hulene. Não obstante, como ele, regressam todos e todos os dias, porque “não tem como ficar em casa. Há filhos para criar – três, mais a mulher – e não posso dar-lhes fome”, refere o pragmático Adriano, catador de 32 anos, natural e residente ali mesmo, no sopé do monte repelente. Como ele, são pelo menos 550 famílias em convivência estreita com a precaridade do lixo empilhado, cuja armadilha se revelou fatal para 17 pessoas quando as chuvadas de Fevereiro provocaram uma derrocada sobre as casas rudimentares. Adriano voltou. Os vizinhos também. Porque “não há como”. Foi, precisamente, a falta de alternativa que levou Ernesto Carlos Nbila a Hulene,
fonte Município de Maputo
onde cata o lixo há meia década, depois de um emprego fugaz. “A vida trouxe-me aqui. E a fome”, confessa o homem, tão seco de carnes que o colete reflector lhe resvala pelo corpo. “Faço dois turnos, dia e noite. Por isso, uso o colete”, justifica, referindo o período nocturno em que é aconselhável assinalar a presença aos maquinistas de camiões e retroescavadoras em manobras.
Aos 29 anos, Ernesto, provindo da Manhiça, não vislumbra outra ocupação: “Dependendo da sorte, posso ganhar até 500 meticais num dia”, assegura, orgulhoso do seu esforço. O apuro laboral vê-se ali, nos ajuntamentos de mulheres que têm o lixo à sua guarda, acondicionado em grandes sacos e dividido por categorias: latas, papelão, plástico e o que houver que seja transaccionável. Quando cheios, são elas que os transportam à cabeça até à empresa de reciclagem que fica ao lado, a Recicla, e que lhes compra os materiais. Para triturar, fundir e dar nova vida aos dejectos.
Perto dali, Milagrosa de baptismo, mulher de Hulene e mãe precoce de sete crianças cujo marido se limitou a engendrar, após refoçilar nos despojos alheios que uma retroescavadora trouxe à superfície, descansa as costas antes de partir com a carga imensa. A safra do dia não deu sustento: “Tenho muitas garrafas de plástico, mas só pagam 5 meticais por quilo”, diz algo desalentada, sacudin-
do uma barata da perna fina. “O plástico dá pouco: se for de embalagem (película transparente, de boa espessura e densidade), pagam 7 meticais por quilo; se for de bacia, já pagam 10”. No saco transbordante, Milagrosa não tem de um nem de outro. Há-de dar para o pão, todavia. Para algo mais, chegará a carga deixada por Raimundo aos cuidados da irmã. A primeira saca do dia, que mais haverá até que a noite sobrevenha porque Ricardo, vestindo uma camisola encardida do Barcelona, com 13 anos é já o campeão dos recolectores de Hulene. Em treino quotidiano desde os 10. “De manhã, vou à Escola do Povo”, garante –embora ninguém acredite, dado o tempo que por ali passa a remexer na porcaria –, explicando como a matemática o tornou selectivo: “Só apanho latas, que são mais pesadas e dão mais por quilo: 40 meticais se vender aqui mas, se for lá (à Recicla) pagam 50”.
reciclagem de vidas
Para a Recicla, converge a maioria dos resgates da lixeira; mas, não raro, vêm compradores que fazem as transacções ali mesmo, no recinto. “Alguns são artistas, que vêm comprar ferro para fazer máscaras, mas a maioria são chineses. Esses, compram tudo, mas pagam pouco”, queixa-se Maria, mãe solteira de olhos irrequietos, varrendo o chão em busca de algo que lhe aumente
o pecúlio. Onde nada vê, descobre Adriano uma mina: computadores. Exultante, retira-lhes a placa verde de circuitos integrados, incrédulo ainda por terem escapado à cobiça da concorrência. Não só a local, mas outra pior, desleal: “Os próprios condutores dos camiões já põem para o lado o que tem valor”, alega Adriano. Não obstante os ganhos potenciais – não só ambientais, mas também financeiros –, a reciclagem é ainda insignificante em Moçambique, como admite João Mucavele. “Temos 20 ecopontos e estimamos em 50 toneladas por dia o material que vai para reciclagem”, afirma. “Está muito longe do desejável, mas Moçambique não tem fábricas de vidro, papel ou metal para reciclar em quantidade, pelo que sai mais barato comprar as embalagens fora do país e trazê-las para cá”, lamenta o Director Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. No entanto, há alguns mecanismos para inverter a situação. Começou com o Decreto n.º 16/2015, no qual o saco de plástico deixou de ser gratuito para o consumidor, levando à sua diminuição nas ruas da cidade; e, mais recente, a publicação do Decreto nº 79/2017, que aprova o Regulamento sobre a Responsabilidade Alargada do Produtor e Importador de Embalagens (RAP). “Com a introdução do RAP, que diz que quem produz e compra embalagens é responsável pelo seu tratamento, a pessoa já pondera nas consequências”, diz Mucavele. E há outras medidas já em curso. E que implicam o encerramento da lixeira de Hulene. “Está em construção um aterro intermunicipal de Mathlemele, no município da Matola”, indica Mucavele, explicando que terá cerca de 100 hectares para acolher os resíduos da grande Maputo, “prevendo-se que possa reciclar, por dia, cerca de 200 toneladas de resíduos”. O projecto está orçado em mais de 60 milhões de dólares, e, segundo Mucavele, fica concluído em 2019. Nessa altura, as lixeiras de Hulene e de Malhampsene, ambas em estado de saturação, fecham portas. Deixando os catadores que por ali andam aos milhares, sem meio de sustento. Mas eles são gente pragmática. “Se o lixo sair daqui, vamos atrás”, garante Adriano. “Não sabemos fazer mais nada e ninguém nos quer em lado nenhum. Mas temos de comer”. Nem que seja lixo. Reciclado.
Elmano madaíl
OPINIÃO
Transformação digital como uma realidade incontornável na banca
vivemos hoje num mundo com forte pendor digital e as novas tecnologias de informação e comunicação ganharam espaço, mudando a nossa visão do mundo, os mercados e a forma como vivemos e trabalhamos.
A nova era é marcada por uma revolução onde internet, smartphones, redes sociais, internet das coisas, blockchain, inteligência artificial, entre outras, assumem um papel primordial na vida das pessoas, no funcionamento das instituições e no desenvolvimento económico e social das Nações. Nessa esteira, a banca não é nem pode ser uma excepção, pelo contrário, ela lidera uma transformação digital sem precedentes, dominada por uma geração de clientes que exigem novas experiências na sua relação com os produtos e serviços oferecidos pelos bancos.
Esta nova e inovadora onda trouxe à banca uma realidade peculiar que veio para ficar e os bancos – no seu formato tradicional – não têm como não operar mudanças profundas para sobreviver, competir com vantagem e assegurar a sua plena integração no mundo digital.
Entende-se por banca digital o fornecimento, distribuição e venda de serviços financeiros através de canais digitais, explorando tecnologias para conhecer melhor os clientes e antecipar as suas necessidades de forma rápida e adequada, através de multicanais e com automação de serviços e tem as seguintes características principais: (i) processo não presencial de acesso aos serviços (ii) acesso a canais electrónicos para contratações de produtos, e; (iii) resolução de problemas por múltiplos canais online. No relacionamento entre os bancos e os seus clientes, os canais de acesso aos serviços bancários representam um grande diferencial e com a transformação digital os clientes que agora são activos consumidores digitais, mudaram os seus hábitos e referências. De acordo com uma Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (2018), no Brasil o volume médio de transacções por conta caiu 53,7% no Internet Banking, enquanto no Mobile Banking cresceu 436%. No caso de Moçambique, observa-se um comportamento semelhante nas preferências dos consumidores pelo canal Mobile
Banking e esta evidência é registada nas estatísticas do Banco de Moçambique (2017) para a banca electrónica, que regista uma quantidade de subscritores no Mobile cinco vezes superior à do Internet Banking. Por outro lado, o surgimento de novas tendências não deve ser negligenciado, e as FinTech são um exemplo disso. A mais recente pesquisa sobre a banca, Global Banking Outlook (2018), conduzida pela EY, refere que a adopção de provedores FinTech para transferência de dinheiro e serviços de pagamento aumentou de 18% em 2015 para 50% em 2017. Este crescimento revela que as FinTech são actores estratégicos no sector bancário e estão a provocar mudanças profundas no sistema financeiro. O The Economist (2018) destaca que na China o sistema de pagamento Alipay, baseado em smartphone, espalhou-se rapidamente para o exterior e, no Quénia, o M-PESA, com cerca de 30 milhões de contas móveis e mais de 148 mil agentes, tornou-se o sistema de transferência mais popular. Esse cenário já é uma realidade em Moçambique, onde o M-Pesa, M-Kesh e o E-Mola já se afirmaram no contexto das finanças digitais no País.
A questão da banca digital não é um assunto isolado e muito menos um fenómeno passageiro. Para assegurar o sucesso deste processo é necessário definir um conjunto de acções e opções, com destaque para o desenho de estratégias integradas de transformação digital, adequação dos cursos secundários e universitários à nova realidade digital, promoção de programas de educação financeira, introdução de reformas legais para acomodar as mudanças nos mercados e canalização de maior investimento para o desenvolvimento do capital humano. Garantir maior abrangência, impacto e sustentabilidade do sistema financeiro moçambicano vai exigir transformações profundas na forma de conceber a nova banca e transformá-la para responder às novas exigências do mercado.
A bancarização da economia e a extensão dos serviços financeiros para as áreas rurais e para os clientes de baixa e média renda, vai exigir uma banca inclusiva e de proximidade, e isso só pode ser sinónimo de banca digital em Moçambique.
A questão da banca digital não é um assunto isolado e muito menos um fenómeno passageiro. E para assegurar o sucesso deste processo é necessário definir um conjunto de acções
Salim Cripton Valá • PCA da Bolsa de Valores de Moçambique
Quarta rEVOLuÇÃO INDuStrIaL,
Ou QuaNDO OS rOBÔS CHEGaM a ÁFrICa
O que se espera da evolução a que se assiste por todo o mundo, num continente com desafios muito próprios, da forma como eles vão ser superados, ao salto evolucional que se antevê nas sociedades e economias africanas
em novembro do ano passado, a empresa canadiana Lucara Diamond Corporation viu a cotação das suas acções em Bolsa subirem quase 70% depois de ter anunciado a descoberta de três diamantes de tamanho e qualidade excepcional numa das suas minas no Botwsana. O dado mais interessante, no entanto, é que estes diamantes, do tamanho de uma bola de ténis, foram extraídos por robôs capazes de operar a uma profundidade que os humanos não conseguem de forma alguma alcançar.
O que importa sublinhar é que este não é um caso isolado no que toca ao sector da mineração no Botswana. Os robôs estão progressivamente a ocupar o lugar dos humanos e a colocar as organizações representativas dos trabalhadores sem saber como lidar com este tipo de situação. Dimpho Nyambe, líder sindical no Botswana, reconhecia, recentemente, que “os sindicatos adquiriram, ao longo dos anos, uma capacidade negocial que sempre esteve ligada a questões como salários, horários de trabalho”.
Porém, acrescenta, “estão totalmente impreparados para saber como agir face a este novo contexto de robotização industrial”.
Num país em que, segundo algumas estimativas, o nível de desemprego entre a população jovem já atinge os 18,4%, o impacto social pode vir a ser devastador. Mesmo na África do Sul, uma nação que, ao contrário do Botswana e de outros países africanos, tem sabido diversificar a sua economia, começam a surgir indicadores que apontam para a
emergência de situações semelhantes. Num artigo escrito por Ross Harvey, do South African Institute of International Affairs, o investigador refere que a robotização “pode vir a ameaçar quase meio milhão de postos de trabalho” no sector da mineração naquele país nos próximos anos, sendo que esse é um dos sectores em que assenta grande parte da economia sul-africana.
E este número poderá ainda aumentar exponencialmente caso se verifique, como muitos estudos antecipam, uma progressiva utilização de “veículos autónomos” no sector dos transportes. Estes veículos, que utilizam as mais avançadas tecnologias no domínio da Inteligência Artificial, dispensam condutores humanos e parecem antecipar uma subida das taxas de desemprego para muitos milhares de sul-africanos.
Custos e benefícios
À medida que os custos envolvidos nos processos de automação se vão tornando mais atractivos, a substituição da mão-de-obra humana por robôs será inevitável.
No estudo “Digitalisation and the Future of Manufacturing in Africa”, realizado pelo Overseas Development Institute (Reino Unido), estima-se, por exemplo, que no final da década de 2030, num país como a Etiópia, os custos da automação em diversos sectores industriais será mais barato do que o emprego de mão-de-obra humana.
Ainda segundo Harvey, um outro sector industrial que na África do Sul poderá também em breve vir a confrontar-se com a questão da automação é o sector têxtil. Ao longo dos últimos anos, muitas empresas sul-africanas optaram por deslocalizar a sua produção para vários países asiáticos onde a mão-de-obra é mais barata.
E um eventual “regresso” destes empregos parece agora, no entanto, uma possibilidade cada vez mais remota, pois o advento de sistemas robotizados capazes de substituir toda a mão-de-obra humana é algo que já não pertence ao domínio da ficção.
to ainda seja elevado, a previsão é que dentro de poucos anos venha a ser uma opção atractiva.
Rajiv Kumar, economista e fundador da Pahle India Foundation, não tem dúvidas de que a Robótica e a Inteligência Artificial “vão constituir uma revolução industrial muito mais disruptiva do que qualquer outra anterior – a da máquina a vapor, da electricidade ou mesmo a dos computadores – porque já não se trata apenas de substituír rotinas mas funções mentais e intelectuais complexas”.
Uma empresa norte-americana, a SoftWear Automation, especializada na área da Inteligência Artificial e da Robótica, tem vindo a desenvolver um processo, designado “Sewbot”, que tem como objectivo automatizar toda a produção têxtil. Em países como a Índia, o Paquistão e o Bangladesh esta tecnologia já começou a ser implementada e, embora o seu cus11
milhões de empregos
É o número de postos de trabalho formais que terão de ser criados em África. no entanto, parte significativa do mercado de trabalho estarÁ nas “mãos” de robôs e “sistemas inteligentes”, o que apresenta desafios complexos
Na sua perspectiva, esta “mudança de paradigma irá ter um impacto brutal” não só nos países do Sudoeste Asiático como na África subsaariana.
Num estudo feito pelo McKinsey Global Institute – “A Future That Works: Automation, Employment, and Productivity” – os autores analisaram detalhadamente a estrutura produtiva de 46 países que representam 80% da mão-de-obra global no sector industrial, tendo observado que quase 50% das actividades levadas a cabo na economia global serão potencialmente objecto de automação num futuro próximo. No que toca ao continente africano, os autores consideram que os países em que este potencial de automação é maior são: Quénia (51,9%), Marrocos (50,5%), Egipto (48,7%), Nigéria (45,7%) e África do Sul (41%).
Efeitos locais de uma tendência global Mas vários outros relatórios recentes reforçam esta perspectiva, tornando claro, se dúvidas houvesse, que a chamada “4ª Revolução Industrial” –alimentada por tecnologias como a Inteligência Artificial e a Robótica, e pelo desenvolvimento da “Internet das coisas” (“Internet of Things”) que permitirá interligar, de forma “inteligente”, todo o tipo de produtos e objectos – é um processo em pleno desenvolvimento, cujo impacto é não só já hoje significativo
Fábrica textil da SoftWear: depois de deslocalizar para a China, as fábricas regressaram, mas com robôs
Lá fora
mas tenderá, ao longo das próximas duas décadas, a ter efeitos sistémicos a nível gobal.
Um estudo da Price Waterhouse Coopers (PWC) indicava que, por exemplo, nos Estados Unidos, 38% dos empregos actualmente existentes serão substituídos por máquinas em 2030.
Num outro estudo, da Universidade de Oxford, também relativo ao impacto da 4ª Revolução Industrial nos Estados Unidos, e no qual é feita uma análise a mais de 700 tipos de profissões actualmente existentes (tanto no sector industrial como no dos serviços), a conclusão é que, ao longo das próximas duas décadas, a taxa de automação poderá chegar aos 47%.
Ainda mais recentemente, num estudo da OCDE envolvendo uma análise a 32 países desenvolvidos, esta organização internacional constata que 14% dos empregos nestes 32 países são altamente vulneráveis, tendo pelo menos 70% grandes hipóteses de automação. Outros 32% também correm risco, com uma probabilidade entre 50% a 70%. Com as actuais taxas de emprego, isso irá colocar 210 milhões de empregos
EmpREgO 66%
O BanCO mUndial pREvê qUE dOiS tERçOS dOS EmpREgOS aCtUalmEntE ExiStEntES nOS paíSES Em dESEnvOlvimEntO SEjam, na pRóxima déCada, ‘OCUpadOS’ pOR ROBôS
em risco nos países estudados, o que se constituirá, porventura, como a maior mudança social (em apenas uma década) de que há memória na história das sociedades modernas.
O impacto onde ele é preciso. Será? No entanto, como já foi referido, o impacto da 4ª Revolução Industrial poderá ser ainda mais significativo nos chamados países em desenvolvimento.
De acordo com as estimativas do estudo “Digital Dividends”, realizado pelo Banco
Mundial, dois terços dos empregos actualmente existentes nestes países estão em risco de ser automatizados.
Em economias como a chinesa, este processo já está em marcha e faz-se notar por toda a parte.
Notícias recentes davam conta, por exemplo, que uma fábrica em Xangai, produtora de componentes electrónicas, já substituíu dois terços da sua mão-de-obra por ‘funcionários robotizados’ e prevê que o processo de automação atinja os 90% das operações dentro em breve.
Uma outra unidade fabril, que produz componentes electrónicas para a Apple, despediu recentemente 60 mil trabalhadores de uma das suas plantas no âmbito de um processo de robotozição integral da produção.
Importa sublinhar que estes não se tratam de casos isolados. Pelo contrário, inserem-se num plano estratégico que tem como objectivo tornar a China líder mundial no sector da Inteligência Artificial e das tecnologias que serão o motor do novo paradigma industrial. Refira-se a este propósito que, de acordo com algumas estimativas, a China deve-
Robôs agrícolas: utilização de ‘ajuda’ robotizada em estufas dos Estados Unidos já é uma realidade para muitos produtores
rá ultrapssar, em 2018, os Estados Unidos e a Alemanha, no que toca ao número de robôs industriais em funcionamento. Tendo em atenção que a China emprega cerca de 100 milhões de pessoas no sector industrial, existem legítimos receios de que este “salto tecnológico” possa vir a ter consequências sociais dramáticas (e imprevisíveis).
Desindustrialização prematura
Para Dani Rodrik, da Universidade de Harvard (EUA) e autor de um estudo de referência intitulado “Premature Deindustrialization” (2015), o continente africano perdeu a oportunidade histórica para, tal como a China fez no final do século passado, aproveitar os avanços tecnológicos no sentido de se industrializar, “saltando” as etapas que marcaram a evolução das sociedades desenvolvidas. Não tendo aproveitado o facto de ter uma mão-de-obra barata e uma população jovem semi-qualificada para diversificar as suas economias, fazendo da indústria e dos serviços um “motor” do crescimento, o continente vê-se agora confrontado, por via dos avanços tecnológicos que marcam a 4ª Revolução Industrial, com uma “desindustrialização prematura”.
Tendo em atenção as expectativas em termos de crescimento populacional em África – um relatório recente das Nações Unidas indica que o maior crescimento populacional até 2050 se irá verificar precisamente no continente –e o acelerado processo de urbanização em curso, todos os indicadores apontam para a emergência de uma situação social potencialmente explosiva, fruto de uma equação binária, bastante simples: muito mais gente para muito menos postos de trabalho, algo que só pode gerar um resultado que não pode, à distância de poucos anos, ser tomado como imprevisível ou inesperado, de todo. Até porque os avisos estão todos aí. Devido à sua mão-de-obra jovem e em rápido crescimento as 54 nações africanas precisariam de criar as condições para o surgimento de mais de 11 milhões de empregos na economia formal. No entanto, a demora que a criação dessas condições implica é confrontada com o espaço crescente que a robotização está a ganhar no mundo industrial, fruto da rápida e imparável evolução tecnológica. E começa a tornar-se inevitável pensar que ganhará mesmo a corrida, chegando (e ficando) para ocupar o seu lugar
África tem condições para desenvolver um sector industrial relevante mas este terá de ter uma configuração totalmente distinta do modelo anterior pois terá de ser capaz, entre outros aspectos, de saber desenvolver produtos ‘complexos’
num mercado de trabalho que se prevê que possa cair nas “mãos” de robôs e “sistemas inteligentes”.
E há inúmeros estudos que falam sobre esse admirável, ou nem tanto assim, mundo novo. Como “Industries Without Smokestacks: Industrialization in Africa Reconsidered” (“Indústrias sem Chaminés: Repensar a Industrialização de África”), da Brookings Institution e do Instituto de Investigação Internacional para o Desenvolvimento Económico, da Universidade das Nações Unidas (UNU-WIDER), ou as reflexões World Economic Forum, de Davos, e do Prémio Nobel Joseph E. Stiglitz, unânimes em considerar que a resposta à “desindustrialização prematura” não pode passar pela “recuperação” dos modelos que marcaram o período pós-independências.
A 4ª Revolução Industrial é estruturalmente diferente das suas antecessoras. Assenta numa interligação entre o mundo físico, digital e biológico. Não se limita apenas à Inteligência Artificial e à Robótica mas envolve muitas áreas científicas e tecnológicas em pleno desenvolvimento – como a nanotecnologia, a biotecnologia, a computação quântica, as energias alternativas ou os novos materiais – que vão configurar um tipo de sociedade em que as fronteiras entre o mundo natural e o artificial serão cada vez mais ténues e inter-permutáveis e em que a definição do “humano” e o conceito tradicional de “trabalho” será reequacionado.
Mas, acima de tudo, a 4ª Revolução Industrial implicará, um “pensamento sistémico”, capaz de responder à complexidade e interconectividade permanente de todos os sistemas.
Como refere o estudo da PWC – “The Industrial Internet of Things” –, África tem condições para desenvolver um sector industrial relevante mas este terá de ter uma configuração totalmente distinta do modelo anterior pois terá de ser capaz, entre outros aspectos, de saber desenvolver produtos “complexos”, com alto valor acrescentado em termos de incorporação de “conhecimento”.
Isto implicará, porém, como nota Klaus S Schwab, do World Economic Forum, que os governos do continente tenham a percepção que esta poderá ser a derradeira oportunidade para uma efectiva “mudança de paradigma” em África.
texto Rui TRindade fotografia isTock
OPINIÃO
Pequenas realizações que podem levar a grandes transformações
Celso Chambisso • Jornalista da Revista Economia & Mercado
a 5 de março deste ano, entraram em vigor as novas tarifas de transporte público de passageiros nas cidades de Maputo e Matola. Para distâncias inferiores ou iguais a 10 quilómetros, a tarifa de transporte passou de 7 meticais para 10 meticais. Para distâncias superiores, mas inferiores a 20 quilómetros, a tarifa de transporte aumentou de 9 para 12 meticais. A revisão reanimou os transportadores, que durante dez anos viram os custos operacionais aumentarem significativamente, sobretudo nos últimos dois anos, induzidos pela depreciação do metical em relação ao dólar e consequente subida dos custos de importação de acessórios dos veículos e sua manutenção; subida acentuada do nível geral das tarifas; e aumento do preço de combustíveis ocasionado pela suspensão do subsídio. É perceptível que a medida não seja considerada de todo satisfatória para os transportadores, que continuam a enfrentar custos elevados (chegaram a apontar como ideal o aumento mínimo de 30 meticais por viagem), mas era de se esperar que o alívio às suas contas pudesse ter algum impacto na redução da dificuldade de acesso aos transportes. Mas nada mudou. Não falo de soluções estruturais, que normalmente levam tempo e demandam avultados recursos para serem realizadas, mas de mentalidade e sentido de oportunismo dos transportadores. Hoje, três meses depois da revisão, os transportadores continuam a encurtar as suas rotas. Nos terminais, os utentes dos serviços não têm escolha. Ou atravessam para a outra margem da mesma via e pagam o preço de uma viagem inteira só para dar a volta com o carro ou sujeitam-se à incerteza de chegar a tempo ao destino (local de trabalho, escola, hospital, etc., pelas manhãs, e no regresso à casa, à noite). Na realidade, as pessoas pagam o dobro do preço por uma viagem. A este adiciona-se um custo difícil de quantificar em termos monetários: utentes do transporte público permanecem horas a fio nas paragens até conseguirem uma vaga em carros sobrelotados e seguem viagem em condições desumanas, sem fa-
lar na vergonha conhecida por “My love” – camioneta de caixa aberta que se oficializou como alternativa ao défice de transporte em Moçambique –, vergonha essa que hoje ninguém votaria pela sua interdição, dada a importância que assume com o crescente défice, já que o número de residentes da área metropolitana, que compreende as cidades de Maputo e Matola, distritos de Boane e Marracuene, duplicou, passando de pouco mais de 2 milhões em 2007 para cerca de 4 milhões em 2017, de acordo com o Censo Geral da População. Mas os investimentos na área dos transportes estiveram aquém desta subida. A meu ver, e sem entrar em questões estruturais do problema dos transportes urbanos (investimentos em sistemas intermodais, ampliação ou não da frota de transportes, construção e/ou descongestionamento de estradas, etc.), o primeiro passo está ao alcance das autoridades municipais (a quem compete a gestão dos transportes urbanos): uma fiscalização rigorosa e permanente do comportamento dos transportadores face ao encurtamento de rotas. Não se trata de uma experiência nova. Funcionou em 2008 aquando do penúltimo ajuste da tarifa, e vem mostrando eficiência sempre que as autoridades são chamadas a pôr ordem nos terminais, e funcionou em Março, quando o preço do “chapa” (como é popularmente designado o transporte privado de passageiros) aumentou pela última vez. Até porque há uma prática que poderia ajudar: os utentes organizam-se em filas nos terminais, de tal maneira que, sem o oportunismo, os ‘chapeiros’ teriam a possibilidade de transportar gente de forma mais fácil e rápida, com benefícios para todos. Infelizmente, na prática não é assim. E enquanto for possível ganhar o dobro de forma injusta, o transportador não hesitará em ser manhoso. Cabe às autoridades atribuir a esta questão a mesma relevância que atribui ao cumprimento das normas da Postura Municipal, a qual penaliza com esforçada dedicação, por exemplo, ao arrancar os bens de comerciantes informais dos passeios de toda a cidade.
Parece-nos que a Polícia Municipal dedica excessivo controlo à (ir)regularidade do trânsito, dos documentos e condições dos veículos e dos motoristas, e faz esforço zero no combate aos encurtamentos de rota, algo que urge em ser alterado o quanto antes
ócio
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O Jardim dos Aloés é, sem dúvida, um dos melhores Bed&Breakfast (B&B) da Ilha de Moçambique.
e68
Uma viagem pelas dimensões do (bom) gosto que encontramos no Botânica, em Maputo
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As tendências que saíram do “Annual Spirits Tasting”, e como os Whiskies já não são apenas considerados pela idade.
(neg)ócio s.m. do latim negação do ócio
Jardim dos aloés
noites
sugeRidas: 4
PReço Médio: 7.000 MZn
Rua Presidente Kaunda, Ilha de Moçambique.
+258 84 213 1488 dos aloés
Um B&B de charme e aconchego
antes de mais é acolhedor, muito acolhedor. O Jardim dos Aloés é, sem dúvida, um dos melhores Bed&Breakfast (B&B) da Ilha de Moçambique. Mas é também um exemplo do que significa amar a terra com paixão pelo trabalho: todos aqueles – não apenas os ilhéus – que acreditam no acolhimento como valor deveriam dirigir a Judite e a Bruno Musti o seu mais sicero “obrigado”.
Judite e Bruno decidiram instalar-se na Ilha e fazer dela a sua casa há cerca de cinco anos. E assim fizeram reviver um antigo edifício, com amor pela arquitectura e pela decoração.
As cores dos três quartos do Jardim dos Aloés são deslumbrantes. Verde, cor-de-rosa antigo, azul e amarelo, com a
etécnica do almagre, são fruto da perícia dos pedreiros da Ilha de Moçambique. O mobiliário (todo restaurado por Judite) é original da região, fruto das incursões nos mercados pelo Oceano Índico. Os lençóis e as mantas são de algodão e seda. Mas, é à mesa do pequeno-almoço que se vive intensamente toda a devoção à beleza que nos faz perdermo-nos pela gama de sabores apresentada. Das compotas de flores de aloé – que provêm do jardim, tal como o nome deste lugar –, amora, papaia, manga, tudo confeccionado pelas sábias mãos deste casal que se divide entre a cozinha e a amável conversa com os hóspedes. Bolos e pão, compotas e chás, são a deliciosa valia que sai
da imaginação deste casal. O Jardim dos Aloés é também um centro de formação em ponto pequeno para o pessoal que aqui trabalha e um laboratório votado à valorização dos produtos locais e à cultura gastronómica da Ilha. Judite organiza e confecciona jantares de sonho, onde não falta a matapa de siri-siri e canapés de xima com tchassa (ostras do Índico). Mas só por encomenda.
Guardanapos de linho, talheres antigos, copos de cristal e chávenas de porcelana. Tudo antigo, tudo recuperado, tudo original. À mesa, de manhã, os hóspedes dos três quartos partilham as guloseimas e as conversas. Tão bonito e aconchegante que não se dá pelo tempo passar. A Ilha, fora do portão, fica à nossa espera…
TexTO Paola Rolletta
fOTOgrAfIA MauRo Pinto
o ‘Jardim dos aloés’ não é apenas Um B&B, mas tamBém o resUltado de saBedoria antiga, fantasia apUrada e de mUito, mUito amor
roteiro
CoMo iR
A LAM voa de Maputo para Nampula e/ou Nacala (a partir de 19.000 MZN ida e volta). em Nampula e/ou Nacala, aluga-se um carro e segue-se para a ilha por estrada, cerca de 175 Km (aluguer do carro cerca de 3.500 MZN).
o que faZeR
O roteiro de barco à vela Himalu III nas águas transparentes do Oceano Índico, ou então o roteiro histórico da Ilha de Moçambique.
onde CoMeR
Não deixe de degustar um jantar da Judite, uma ementa da gastronomia local revisitada. Preço: 3.000 MZN, por pessoa.
saBemos hoJe qUe o “gosto” não se resUme oU decorre apenas do paladar. e o BotÂnica é Um exemplo de excelência dessa realidade
restaUrante BotÂnica
Rua Kibiriti Diwane, nº 148 Maputo
+258 84 558 4558
no livro “a fisiologia do gosto”, publicada no século XIX por Brillat-Savarin, um dos mais famosos epicuristas e gastrónomos franceses de todos os tempos, o autor considera que o “gosto” se concentra exclusivamente nas papilas gustativas. Descreve mesmo a língua como se fosse um mapa. Segundo ele, o doce situava-se na sua ponta, o salgado nas laterais, o ácido no meio e, finalmente, o amargo na zona mais funda, escorregando pelo abismo da garganta.
Hoje, sabemos que o “gosto” não se resume ou decorre apenas do paladar. A ciência contemporânea, como podemos ler nas obras de Hervé This, explica-nos como os sentidos intervêem enquanto instrumentos de apropriação das qualidades dos alimentos e influenciam a sua degustação: cor, aroma, textura, temperatura desempenham um papel fundamental e até mesmo o tacto e a audição (quando
g
Bot nica : o Jardim das delÍcias
se trata, por exemplo, de um alimento “crocante”) participam na construção do “gosto”. Estamos, portanto, perante uma noção complexa, elaborada a partir de uma experiência multi-sensorial à qual não podemos deixar de acrescentar ainda a componente da “fruição estética”.
Serve esta introdução para explicar porque o “Botânica” é um dos raros espaços em Maputo onde é possível ter esta experiência gastronómica total, isto é, onde a degustação apela, simultaneamente, a todos os sentidos e eleva a fruição ao patamar
da transcendência incomum. Talvez não seja por acaso que Susana Macropulos – que juntamente com Bibi Kan fundou o “Botânica” e é “alma” da sua cozinha – nos diz, a dado momento, que o ponto de partida do projecto foi, de alguma forma, o jardim, que define como um “espaço zen” que predispõe, portanto, e desde logo, a que a degustação nos transporte a um estado de transcendência e nos afaste da
“funcional rotina” alimentar. É uma referência que nos faz lembrar, o documentário ‘How to Cook Your Life’ no qual o chef Edward Brown explica o segredo da sua arte considerando que, “na verdade, são os alimentos que nos cozinham”. No “Botânica” sugerimos: como entradas, os cogumelos recheados (com espinafre e queijo de cabra) e as courgettes panadas com cerveja acompanhadas com Tzatziki; nos pratos principais, o Souvlaki (apa grega com tiras de frango, tomate, cebola e paprika) e o Paper Steak (fatias de picanha com rúcula, ananás, parmesão e sésamo).
TexTO Rui tRindade fOTOgrAfIA Jay gaRRido
País reino Unido Região escócia aRoMa ameixas maduras, frutas cítricas e caramelo cremoso saboR laranja cristalizada, abacaxi e chocolate doce teoR alCoóliCo 40% the dalmore valoUr
mercado está a deixar de lado a idade como principal critério de avaliação para se focar no saBor e “personalidade”
o dalmore valoUr
sem idade declarada e os whiskies
o evento “annual spirits tasting” organizado, em Londres, pela International Wine & Spirit Competition (IWSC) é sempre um bom indicador das tendências emergentes. A última edição - que teve um número recorde de participantes, vindos de todo o mundo, e premiou cerca de 200 bebidas destiladas – não foi excepção e permitiu confirmar algumas das tendências do mercado. Referimos cinco das mais relevantes. Em primeiro lugar, a clara ascenção dos destilados asiáticos: do indiano feni, ao chinês baiju, feito a partir dos grãos fermentados do sorgo, o Oriente começa a dar cartas a nível global. O próprio IWSC instituíu um troféu especial para os baijus, que foi vencido este ano pelo Yushan Taiwan Kaoliang Liquor. Com aromas subtis de lavanda e pinheiro e sabor delicado de bambu cozido e pickles, o júri considerou-o “um sabor único no mundo”. Em segundo lugar, uma redescoberta do armagnac. Os especialistas consideraram que se está a verificar uma revalorização dos destilados franceses. Em terceiro lugar, e de modo algo surpreendente, um reconhe-
cimento do mescal. Apesar das vendas serem ainda reduzidas (se comparadas com a tequila) este destilado mexicano atrai cada vez mais consumidores devido à sua “autenticidade”. Uma outra tendência, é febre do gin, que continua no mercado. Em 2017, candidataram-se aos prémios do IWSC aproximadamente 400 rótulos de gin de 35 países diferentes. E a previsão é de que o mercado continue a ser inundado por “projectos” cada vez mais exóticos. Por fim, outra tendência em clara ascensão é a dos whiskies sem idade declarada. De acordo com um especialista do IWSC, o mercado está claramente a deixar de lado a idade como principal critério de avaliação para se focar no sabor e “personalidade” (os chamados NSA - No Age Statement) procurando enfatizar a “qualidade da madeira do barril” ou “os segredos do destilador”. No “Annual Spirits Tasting” de 2017 o vencedor nesta categoria foi o Dalmore Valour, que aqui deixamos como sugestão deste mês.
TexTO Rui tRindade
the macallan rare cask Black glenmorangie milsean
País Reino Unido
Região Escócia
teoR alCoóliCo 48%
aRoMa Adocicado com Mel, Frutas Vermelhas e Canela. Discretamente Defumado
saboR Mel, Frutas em Calda, Uvas Passas, Pimenta do Reino. Final Longo, Apimentado e Defumado
País Reino Unido
Região Escócia
teoR alCoóliCo 46%
aRoMa Frutado e Doce com Laranja e Sorvete de Limão
saboR Quente e Picante de Início
Sobressaindo Depois Fruta Doce, Sorvete de Limão, Coco e Gengibre
aBerloUr a’BUnadh
País Reino Unido
País Escócia
teoR alCoóliCo 60,5%
aRoMa Profundo. Especiarias. Alguns Citrinos, Fortes Notas de Xerez saboR Encorpado, Quente e Cremoso. Frutos Silvestres, Bastante Doce, com influência de Laranja e Chocolate Preto
País Japão
teoR alCoóliCo 43%
aRoMa Notas de Rosa, Lichia, Sugestão de Alecrim, Madeira e Sândalo
saboR Casca de Laranja Confitada e Chocolate Branco. Final Longo e Subtil com Indícios de Mizunara (Carvalho Japonês)
hiBiki Japanese harmony
• em destaque
“Being A PhotogRAPheR in AfRicA: the ten YeARs of AfRique in visu” cooRdenAção: JeAnne meRcieR e BAPtiste de ville d’ AvRAY Éditions clementine de lA fÉRonnièRe
Lançada em 2006 no Mali, por iniciativa de Jeanne Mercier e Baptiste de Ville d’ Avray, a “Afrique in Visu” é uma plataforma que tem como objectivo estimular redes colaborativas em torno da fotografia em África. Para festejar os seus dez anos de existência, a “Afrique in Visu” concebeu um livro – “Being a Photographer in Africa: The Ten Years of Afrique in Visu” –um repositório do que de melhor foi publicado e é complementado por uma série de ensaios escritos por diversas personalidades ligadas ao mundo da fotografia. Trata-se de um livro visualmente poderoso e que, tendo em atenção a escassez da reflexão sobre as questões substantivas que se colocam ao exercício da fotografia em África, permite aos leitores obter uma perspectiva erudita e sobre as diversas problemáticas abordadas.
“A Revolução do AlgoRitmo mestRe” PedRo domingos editoRA mAnuscRito
Depois de Bill gates e eric Schmidt (google) terem considerado o livro “A revolução do Algoritmo Mestre”, do português Pedro Domingos, uma obra de referência no que toca à análise que faz sobre o impacto da tecnologia da Inteligência Artificial (IA) no futuro das sociedades, foi a vez do presidente chinês xi Jinping se lhe referir recentemente como sendo um dos livros “mais importantes que leu em anos recentes.” No seu livro, Pedro Domingos descreve os impactos que os algoritmos já usados por empresas como a Amazon, o google e o facebook estão a ter no mundo.
e explica como a pesquisa no sentido de conceber um “algoritmo-mestre” pode implicar mudanças “sísmicas” na forma de funcionar das sociedades e na forma como são integrados na sociedade.
(Re)lemBRAR - mYsteRY of foReign AffAiRs exPosição colectivA inteRnAcionAl
cuRAdoRiA: AndReAs WegneR
Camões - Centro Cultural Português em Maputo Patente até 27 de Julho De segunda a sexta das 11h00 às 18h00 entrada Livre
mÚsica
conceRto “ePARAkA” de deltino gueRReiRo convidAdos: steWARt sukumA e AzAgAiA
Centro Cultural Franco-Moçambicano
Palco do Jardim
Dia: 6 de Julho
Hora: 20h30
conceRto “m’vulA” (AngolA)
Centro Cultural
Franco-Moçambicano
Sala grande
Dia: 12 de Julho
Hora: 19h
mARRABentA - velhA guARdA dillon dJindJi
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 13 de Julho
Hora: 18h
A festA do PReto gRuPo teAtRAl mintsu
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 11 de Julho
Hora: 18h
memóRiAs PóstumAs de Bás cuBAs centRo de RecRiAção ARtísticA
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 18 de Julho
Hora: 18h “enviAdo esPeciAl” ReAlizAção de nAlini de sousA
Centro Cultural Franco-Moçambicano
Auditório
Dia: 9 de Julho
Hora: 19h
kongoloti sessions documentáRio lusofoniA , A (R)evolução
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 6 de Julho
Hora: 18h
teRtúliA liteRáRiA os PRocessos de Poesis ou As quARto cAtegoRiAs PoÉticAs em knoPfli
convidAdo: AmÉRico PAcule modeRAdoR: JosÉ dos RemÉdios
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 19 de Julho
Hora: 19h
eUropa e áfrica:
o passado e o presente
o ponto de partida da exposição ‘Internacional Mystery of Foreign Affairs’ é uma reflexão sobre a o que foi a experiência de vida de vinte mil trabalhadores moçambicanos que trabalharam e moraram na República Democrática Alemã.
Contudo, o projecto almeja também, de forma mais abrangente, contribuir para uma reflexão sobre as relações entre Europa e África, no passado e no presente.
A primeira parte da exposição decorreu em vários lugares da cidade de Schwerin, na Alemanha, entre Setembro e Novembro de 2017, com a participação de artistas de Moçambique, Angola, África do Sul e Alemanha.
Nesta exposição, as obras de artistas como Dito Tembe, Iris Buchholz Chocolate e Katrin
Michel abordam a temática das relações de intercâmbio da República Democrática da Alemanha com trabalhadores moçambicanos, conhecidos como Madgermans. Por seu turno, as obras de artistas como Matias Ntundo ou Gemuce proporcionam uma revisitação do passado colonial, enquanto os trabalhos de Edson Chagas e Zanele Muholi representam a presença e a questão de estereótipos e atribuições culturais no mundo actual.
A segunda parte da exposição decorre em dois espaços da cidade de Maputo, no Camões – Centro Cultural Português e na Fortaleza de Maputo, e estará patente entre 14 de Junho e 27 de Julho de 2018. Em Maputo, a exposição passa a incluir dois trabalhos sobre a Namíbia: ‘Towards
Memory’, de Katrin Winkler, um projecto de vídeo e pesquisa que surgiu de uma colaboração com mulheres da Namíbia que foram enviadas em crianças para a RDA, em 1979, aquando da luta da libertação e anti-apartheid no seu país. O segundo trabalho, intitulado ‘Namibia Today’, de Laura Horelli, recorda a edição do jornal ‘Namibia Today’ impresso na então RDA.
Em Maputo, são ainda apresentadas obras de Jorge Dias, Maimuna Adam, Gemuce, Dito Tembe, Luís Santos, Matias Ntundo, Iris Buchholz Chocolate, Edson Chagas e Katrin Michel.
Através de diferentes meios, da instalação à pintura, passando pela escultura e vídeo, a exposição pretende contribuir para um complexo trabalho de evocação de uma memória sobre um passado comum, bem como para uma reflexão sobre as relações actuais entre o continente africano e a Europa.
(re) lemBrar mystery of foreign affairs
Camões - Centro Cultural Português em Maputo/ Fortaleza de Maputo
TexTO Rui tRindade fOTOgrAfIA Jay gaRRido
Motor Híbrido
W12 6,0 litros e versão
diesel 4,0 litros de 435cv potência 435cv (diesel) e híbrido 460 cv
vaUdi aposta forte nos veÍcUlos aUtónomos
durante a edição de 2017 da ces (consumer electronic show), a maior feira mundial ligada à electrónica de consumo que se realiza anualmente em Las Vegas, nos EUA, a Audi anunciou que iria lançar dentro de meses um “veículo autónomo” (de nível 3) e que prevê colocar no mercado em 2020, em conjunto com a empresa norte-americana de tecnologia Nvidia, um veículo “totalmente autónomo” (nível 4).
O carro escolhido pela Audi pertence à próxima geração do A8 e, a confirmar-se, será o primeiro veículo do mundo a chegar ao mercado com uma autonomia de nível 3, ou seja, não será, na verdade, “totalmente autónomo”, mas será o primeiro a subir um novo patamar de autonomia.
De acordo com a classificação estabelecida pela Society of Automotive Engineers (SAE), os carros com um nível de autonomia 3 são aqueles que podem acelerar, desacelerar,
manobrar e ultrapassar outros carros sem intervenção humana. Eles são capazes de tomar decisões e permitem que o motorista tire as mãos do volante e os pés dos pedais em situações específicas.
O modelo que a Audi irá lançar no mercado pode autoconduzir-se a uma velocidade de 60km/h, lidar com situações adversas e dará ao condutor 10 segundos para poder retomar o controlo em caso de necessidade.
De forma muito abreviada, a classificacação da SAE considera que o nível de autonomia 0 é aquele em que o carro depende totalmente do condutor.
O nível 1 inclui aqueles veículos que já estão equipados com
alguns tipos de câmaras e sensores. O nível 2, no qual se enquadram muitos veículos já hoje disponíveis no mercado, pressupõe a existência de sistemas avançados de assistência ao condutor.
Acima do nível 3 , há ainda o nível 4, em que o veículo é capaz de se autoconduzir com segurança, “mesmo se um humano não responder a uma solicitação para intervir”. A tecnologia já existe e está a ser testada mas o problema maior é que para poderem circular será necessário um grande investimento na adaptação das actuais infra-estruturas urbanas. Finalmente, os veículos do nível 5 serão aqueles que dispensarão por completo o condutor. Bastará indicar ao carro o seu destino pretendido e ele levá-lo-á.