S1 – Está no Jornal da Tarde, o poema despedida de Gonçalves Dias. Que se diz: S2 – “Louco, aflito, a saciar-me D’agravar minha ferida, Tomou-me tédio da vida, Passos da morte senti; Mas quase no passo extremo, No último arcar da esp’rança, Tu me vieste à lembrança: Quis viver mais e vivi!” S3 – “Vivi; pois Deus me guardava Para este lugar e hora! Depois de tanto, senhora, Ver-te e falar-te outra vez; Rever-me em teu rosto amigo, Pensar em quanto hei perdido, E este pranto dolorido Deixar correr a teus pés.” Voz de Jornaleiro – RUAS DE SÃO LUÍS, MAL ASSOMBRADAS EM NOITES DE MULASEM-CABEÇA.(a repetir-se em ecos) 154
Mãe de Ana Amélia – ( entrando, vestida de vermelho, véus ao vento, chama a atenção seu ser fantasmagórico. E lê do Jornal da Tarde) “Mas que tens? Não me conheces? De mim afastas teu rosto? Pois tanto pôde o desgosto Transformar o rosto meu? Sei a aflição quanto pode, Sei quanto ela desfigura, E eu não vivi na ventura... Olha-me bem, que sou eu!” S1 – Então, Senhora?! Mãe de Ana Amélia – Ah! Eu vim celebrar! A partida do poeta! Ele escreve bem, Romântico, porém trágico! Este poema Traduz o drama, o conflito do querer, não Obter e, na desilusão, partir-se Que vá! (Sai, acenando adeuses). S1 – Parece-se uma chama de fogueira em noite De São João... Ou... Se vem do labirinto Subterrâneo onde dorme a cobra grande... Cobra rua que se estreita, de medo...