MAIO 2020 REVISTA LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNG
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THIAGO SOARES
O sucesso do homem na dança
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Luiz Päetow Paródia ‘Pandemic’ Galeria do Rock Leitura na Pandemia Orquestras de Guarulhos ‘Retratos Brasileiros’ Fotografias Realidade Virtual
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
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NESTA EDIÇÃO _3
Imagem do projeto “O Retrato da Realidade Virtual”, do fotógrafo Iran Maciel
FALA, JORNALISTA!
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LITERATURA | LEITURA NA PANDEMIA
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MÚSICA | ORQUESTRAS DE GUARULHOS
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CONSUMO | GALERIA DO ROCK
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INTERNET | PARÓDIAS DE FILMES
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EXPOSIÇÃO | ‘RETRATOS BRASILEIROS’
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ESPECIAL | LUIZ PÄETOW
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CAPA | THIAGO SOARES
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GALERIA | ‘RETRATO DA REALIDADE VIRTUAL’
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4_ FALA, JORNALISTA!
Nem tudo é espinho
Profa. Me. Flávia Delgado
coordenadora dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Fotografia da Universidade Guarulhos (UNG)
A CULTCOM SE orgulha de chegar a mais uma edição com o posicionamento de dar espaço e voz às manifestações artísticas que nem sempre são valorizadas no mainstream, no país que quase sempre reverencia mais os produtos da indústria cultural. A dança, por exemplo, é destaque e ganha expressão em nossa capa, em nossa entrevista com o bailarino Thiago Soares. O carioca nascido em um dos mais tradicionais berços do samba na zona norte do Rio de Janeiro, e levado para a Europa pelos pés (mas no ritmo do balé), repassa a própria trajetória, agora em clima de despedida dos palcos – uma história prestes a ganhar as telonas. Vale cada segundo de leitura. Já faz sete anos do lançamento do filme “Ela” (2013), dirigido por Spinke Jonz, que narra a história de um homem solitário. Ele se apaixona pela voz de um aplicativo. Até hoje, o longa-metragem continua nos fazendo refletir sobre as muitas transformações que as tecnologias promovem em nossas vidas, em especial agora, em que estamos – pela força das circunstâncias
cultcom Universidade Guarulhos MANTENEDOR Ser Educacional REITOR Prof. Dr. Eloi Lago DIRETORA ADJUNTA DOS CURSOS DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS Profa. Dra. Miriam Bevilacqua COORDENADORA DOS CURSOS DE JORNALISMO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA E FOTOGRAFIA Profa. Me. Flávia Delgado
– mais hiperconectados do que nunca. É impossível não associar o enredo ao tema da reportagem sobre o criativo e tão atual ensaio fotográfico, concebido por um dos nossos egressos do curso de Fotografia da UNG. Ele clicou pessoas enquanto usam óculos 3D, imersas e solitárias na realidade virtual. O curso de Fotografia da UNG emplacou também nesta edição mais uma pauta. É a exposição “Retratos Brasileiros”, que há três anos busca envolver alunos de primeiro semestre em uma reflexão prática e teórica em torno dos traços que nos definem enquanto povo, fruto de leituras essenciais aos futuros fotógrafos. Se até 2019 a exposição era física, agora conquistou diferentes telas, por meio da galeria virtual do curso no Instagram @galeriacam_ung, perfil criado para estimular o impulso criativo e apresentar as produções feitas durante a pandemia (e depois dela também, o que prova que nem tudo precisa ser espinhoso neste momento difícil). Delicie-se também com reportagens sobre literatura, teatro e música. c
FOTOGRAFIA Isabelle Peres
FOTO DA CAPA Tendo Santos DATA maio 2020 NÚMERO 08
EDITOR Prof. Esp. Alex Francisco
REVISÃO Prof. Me. Lislei Carrilo
CHEFE DE REPORTAGEM Alfredo Carvalho e Gustavo Ardoni
ANÚNCIOS Prof. Esp. Fábio Martins
Confira todas as edições em issuu.com/jornalismoung
REDAÇÃO Alex Dinarte, Gilvan Alves, Isabela de Paula, Juliana Macedo, Junior Coneglian, Maria Paula Giacomelli, Matheus José, Natália Carvalho, Nathalia Alves, Rafael Sales, Raissa Marques, Thaiza Mikaella e Victor Rossi
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Prof. Esp. Alex Francisco ENDEREÇO UNG Campus Centro Praça Tereza Cristina, 88 CEP: 07115-280, Centro, Guarulhos - SP www.ung.br Instagram @ecos_ung Facebook @UnGECOS
Cultcom é uma produção acadêmica desenvolvida na disciplina de “Tópicos Integradores II” pelos alunos do 5º semestre de Jornalismo da UNG, sob a supervisão do Prof. Esp. Alex Francisco. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem autorização prévia e escrita. Todas as informações e opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores e não refletem a opinião da UNG.
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O QUE AS AGÊNCIAS YOUNG & RUBICAM | JWT | DPZ&T RÁI | FULLJAZZ | TV1 | WUNDERMAN RAPP | GREY | EUGÊNIO MOHALLEM TÊM EM COMUM? TODAS CONTRATARAM ALUNOS DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA DA UNG. FAÇA PARTE DO CLUBE DE PUBLICITÁRIOS VENCEDORES! FAÇA UNG!
6_ LITERATURA
Mais tempo para ler Companhia por horas, os livros ganham destaque nesta quarentena, que dá oportunidade para ler novidades, clássicos e obras com quase (ou mais) de mil páginas _POR VICTOR ROSSI
ALÉM DO CUIDADO maior com a higiene, evitar aglomerações e ficar em casa, a nova rotina de algumas pessoas incluem hábitos como ler um bom livro. A prática ajuda a aproveitar melhor o tempo ocioso, além de ser um meio de aprendizagem. “O livro é um dos mais importantes meios de construção de uma sociedade, desenvolve o vocabulário e simplifica a escrita”, diz a professora de língua portuguesa e literatura Luciene Cena. Desde de estabelecer a maneira de ler até definir os gêneros preferidos, os leitores, de alguma maneira, são estimulados a começar. A atriz e produtora cultural Nina Adlin, 32 anos, lembra como a leitura entrou na vida dela. “Via a biblioteca da minha escola às moscas. Ia para falar com o bibliotecário e me perguntava por que ninguém estava lá. Foi quando comecei a frequentar o lugar”, conta. Nina é adpeta da leitura de obras extensas, aquelas com mais de 700 páginas e que requerem maior atenção, além de exigir mais tempo. “Estabeleço
parar em determinado capitulo, se não leio o livro todo”, comenta a atriz. Com a quarentena, quem lê livros com essa quantidade de páginas teve de dividir o tempo de leitura. “Estabeleço um capitulo por dia, independente de quantas páginas tiver, eu leio”, comenta Luiza Oliveira, 20 anos, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Guarulhos (UNG). “Quando estou gostando do livro, eu leio um capitulo e depois não vejo a hora de ler mais, mas um é a meta”, completa. Concluir uma leitura tão extensa não é uma tarefa fácil, mas a quarentena pode ajudar. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, os dados de 2016 revelam que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano. Um baixo índice que, para a professora de língua portuguesa Andressa Oliveira, também é impulsionado pela falta de aulas nas escolas. “A dificuldade está no número de aulas de língua portuguesa disponibilizadas para o ensino médio, que é uma média de cinco aulas semanais”, comenta. c MAIO 2020
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Para ler durante o isolamento 1. “It - A Coisa”, de Stephan King No livro, um grupo de crianças investiga o desaparecimento de vários jovens na cidade 2 . “Depois de Auschwitz”, de Eva Schloss O livro aborda a biografia da irmã de Anne Frank (1929-1945) 3. “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas O clássico conta a história de Edmond, que deseja vingança após passar anos em uma ilha deserta 4. “O Senhor do Anéis”, de J.R.R Tolken Em uma terra fantástica, um hobbit recebe do tio um anel mágico e maligno que tem que ser destruído 5. “Tudo Sobre Arte”, de Stephen Farthing e Richard Cork O livro faz um panorama da evolução artística e os importantes estilos
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Fotos Divulgação
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8_ MÚSICA
Clássicos reinventados Orquestras de Guarulhos mantém programação de concertos pela internet durante o isolamento social e levam música clássica à população _POR THAIZA MIKAELLA
COM O ISOLAMENTO devido ao coronavírus, as orquestas de Guarulhos, na Grande São Paulo, adiaram atividades e adotaram a internet como estretégia para aproximar o público da música clássica. “Estamos procurando caminhos, mas o contato físico faz falta”, afirma o maestro Emiliano Patarra, das orquestras Jovem Municipal de Guarulhos e Gru Sinfônica. Assim, o conjuntdo de músicos aderiu à ideia de apresentações online. “Nossa arte só se estabelece quando oferecemos conteúdo para quem está interessado em ouvir, apreciar e desfrutar”, comenta Patarra. “Estamos oferecendo entrevistas, conteúdos didáticos e apresentações diversas para manter contato com o público”, complementa. Mesmo com todos os recursos que a internet proporciona, as orquestras têm se adaptado com a novidades e maneiras de oferecer conteúdo clássico no ambiente virtual. Mesmo com a continuidade dos trabalhos nas plataformas online, há uma distinção entre se apresentar
presencialmente e com o público na internet. “Gosto muito da interação com a plateia. É uma das coisas que me dá muito prazer em trabalhar em Guarulhos, porque os expectadores são muito próximos e interativos”, relembra o maestro Patarra. Leonardo Vittori, 30 anos, comenta que por diversas vezes frequentou os concertos da cidade, e acredita que as apresentações das orquestras nas redes sociais pode fortalecer o gênero da música erudita, além de alcançar novos públicos. “Presencialmente, há uma interação humana, então a emoção é potencializada. Já no ambiente virtual, a apresentação é emocionante, mas com um tom saudoso”, comenta. Com a atuação das orquestras nas redes sociais, o público poderá ter acesso a uma programação diversificada, mas agora pensada no mecanismo digital. Está em produção uma série de apresentações, onde serão reunidos apenas quatro ou cinco integrantes dos conjuntos. Com a reunião dos músicos, as devidas precauções serão tomadas, MAIO 2020
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Foto Carla Maio / PMG
A Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos, comandada pelo maestro Emiliano Patarra
para que não haja contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19). “Todos podem esperar a apresentação de obras consagradas e inéditas, música sinfônica e popular, como é a característica da música que a gente costuma desenvolver”, adianta Patarra. A Secretaria da Cultura tem acompanhado a opinião do público, as visualizações do conteúdo e o volume dos comentários. “O diálogo acaba sendo mais direto. Essa é a vantagem do online”, reconhece o secretário municipal de Cultura, Vitor Souza. Toda a programação digital das orquestras, incluindo a série “Orquestra em Casa” e o “Papo de Plateia Live”, projeto com convidados para dialogar sobre questões do universo da música clássica, continuarão disponíveis nas redes sociais. “Queremos estar próximos das pessoas, partilhar tanto na forma digital, quanto presencialmente nossa paixão artística e musical para desfrutar disso junto com as pessoas”, acrescenta o maestro Patarra. c
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Outras orquestras para assistir sem sair de casa Sala São Paulo (Osesp) Maestro Thierry Fischer www.youtube.com/videososesp Orquestra Petrobrás Sinfônica Maestro Isaac Karabtchevsky www.youtube.com/OPESinf Filarmônica de Berlim Maestro Kirill Petrenko www.youtube.com/BerlinPhil Metropolitan Opera de Nova York Maestro James Levine www.youtube.com/MetropolitanOpera London Symphony Orchestra Maestro Vladimir Jurowski www.youtube.com/Lso
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Aqui não é só rock, bebê Inaugurada nos anos 1960 como prédio de comércio têxtil, Galeria do Rock abriga diversos estilos e tribos em um só lugar _POR GILVAN ALVES _FOTOS ISABELLE PERES
NO CORAÇÃO DE São Paulo, a Galeria do Rock mistura culturas e tribos, diferente do que era no início nos anos 1960, quando era dedicada apenas ao ramo têxtil. Hoje, o local é ponto turístico e de comércio na capital. As lojas de rock e black music começaram a dar um novo ar aos corredores do prédio nos anos 1990, na mesma época em que o edifício passou a conviver com a violência e o tráfico de drogas. Esse cenário afastou o público e só diminuiu quando Antônio de Souza Neto, o Toninho da Galeria, passou a administrar o complexo de lojas. Foi quando as exigências da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros foram atendidas e o prédio foi legalizado. Ao continuar as atividades com mais limpeza, segurança, espaço formal e funcionários preparados, o empreendimento recebeu de volta o público e culturas além do rock, como hip hop, k-pop e reggae. Com novas tribos convivendo no mesmo espaço, lojas tradicionais tiveram que se reinventar. A Nostalgia, há 31
anos na Galeria, trabalha com sambarock, blues e black music, e precisou “seguir o padrão”. “Agora trabalho com o gênero rock também. Ofereço o que as pessoas procuram quando vêm aqui, porque só com a black o negócio não ia andar”, diz o dono, Alexandre Lino. Outra cultura que tem levado um público diferente para a Galeria é a do cosplay, que teve seu início nos anos 1970, nos Estados Unidos, e consiste nas pessoas se fantasiarem de personagens que estão em animes, HQs, videogames e mangás. Sem envolver a venda de discos e sim peças para fantasias, as lojas para os cosplayers encontram dificuldades para se manter no local. É o caso da Koala-Pop. “Abrimos para atender o público cosplay mesmo. Decidimos abrir aqui porque vimos que tem bastante movimento e procura também”, comenta a vendedora Carla Caroline. “Dezembro é o mês de maior venda. Os meses de janeiro e fevereiro são fracos, e é quando passamos a vender moletons”, complementa. MAIO 2020
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Também sem discos, a loja K.O Animes faz parte do ramo de bonecos colecionáveis e de camisetas de animes. “Tem meses que são melhores, outros piores. Período de férias é muito bom, porque a Galeria é um ponto cultural de São Paulo. Os visitantes trazem os filhos e acabam comprando”, comenta o vendedor Alisson Menezes. A Galeria do Rock abriga mais de 200 lojas, com um fluxo aproximado de 500 mil pessoas por mês, o que gera mais de mil empregos e renda média bruta de quase R$ 9 milhões por mês. Pandemia Segundo reportagem publicada pelo jornal Agora São Paulo, a quarentena devido a pandemia de coronavírus (Covid-19), decretada pelo governo do estado em 24 de março, fez diminuir as vendas da Galeria. Até o fim de abril, 30 lojas fecharam as portas em definitivo e cerca de 400 funcionários foram demitidos. Antes da pandemia, o local recebia 15 mil pessoas por dia. c
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1. Loja Nostalgia, que vende discos de samba-rock, blues, black music e, agora, rock 2. Loja Koala-Pop, que investe em acessórios para cosplay e também moletons temáticos 3. Fachada da Galeria do Rock, no centro da capital paulista
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Foto Reprodução
Paródia dos clássicos Henrique Acquaviva agita a web com sátiras ao momento político do país e diz que lançará “Gabinete do Amor” _POR ALEX DINARTE
Brasil em meio à pandemia é comparado ao Titanic, na sátira “Pandemic”
AS PARÓDIAS EM vídeo criadas por um brasileiro estão movimentando as redes sociais. Baseadas em campeões de bilheteria, como “O Rei Leão” (1994), “Titanic” (1997) e “O Diabo Veste Prada” (2006), a edição de imagens elaborada pelo mestre em cinema Henrique Acquaviva, 35 anos, apresentam sátira e reflexão sobre o momento conturbado da política nacional. Com o apoio de dubladores que abraçaram a ideia, as imitações dos clássicos ganharam os títulos de “O Mito Leão”, “Pandemic” e “O Diabo Veste Farda”. A primeira criação de Acquaviva foi “Pandemic”. As versões dublada e legendada foram vistas cerca de 1,6 milhão de vezes só no Twitter. Segundo o cineasta, a ideia surgiu após assistir a outra sátira em vídeo, o “Já faz 84 anos”, no canal da Ale Morais no YouTube, que usa a fala de uma personagem de Titanic para “trollar” a demora do pagamento do auxílio emergencial pelo Governo.
De acordo com o criador, o fato de ser fã incondicional do filme dirigido pelo canadense James Cameron ajudou muito na inspiração, mas o insight surgiu de modo espontâneo. “Estava pronto para dormir, quando comecei a associar os personagens na cabeça, então levantei e passei a noite editando para não perder a ideia”, conta. “Fiz uma versão de 5 minutos, postei no Facebook e ‘viralizou’ naturalmente. Depois me sugeriram publicar no Twitter e como lá teria que ser mais curto, reduzi e publiquei”, acrescenta Acquaviva. Dali em diante, a repercussão veio de diferentes personalidades dos cenários político e artístico brasileiros. “Em poucas horas, comecei a ver o vídeo repostado em canais como Sensacionalista, Mídia Ninja, a atriz Fernanda Paes Leme, a apresentadora Astrid Fontenelle, o cineasta Pablo Villaça. Recebi até mensagem do deputado Tulio Gadelha (PDT-PE)”, MAIO 2020
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Fotos Reprodução
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2 1. Ex-ministro Sergio Moro é comparado a Simba, na paródia “O Mito Leão” 2. Personagem de Anne Hathaway faz alusão à Regina Duarte, no vídeo “O Diabo Veste Farda”
relata o criador. Segundo ele, a participação do time de dubladores foi fundamental para o sucesso da paródia. “As dublagens foram feitas sem sair de casa, cada ator gravou do jeito que deu e funcionou porque são muito bons”, ressalta. Ainda de acordo com Acquaviva o elenco, que tem entre as dubladoras a atriz Ângela Dip, trabalha de maneira voluntária. “Todos fizeram de graça, não estamos ganhando nada com isso, é pela causa democrática”, explica. Ainda de acordo com Acquaviva, a repercussão negativa foi menor do que ele esperava. “Os poucos que criticaram foram bem agressivos, mas nada fora do esperado, pois tenho uma paciência enorme de rebater com argumentos e fatos”, comenta. Segundo o cineasta, um dos que poderiam ofendê-lo nas redes era um amigo que votou no presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas o eleitor se arrependeu e virou inspiração
para a segunda criação, “O Mito Leão”. “Foi uma atitude louvável pois errar todos erramos, o problema é não assumir e insistir no erro”, realça. A paródia da animação “O Rei Leão” coloca o chefe do executivo como Scar, vilão do desenho da Disney, e relaciona o momento político do Brasil com cenários de um passado recente. Já o terceiro vídeo do cineasta, o “O Diabo Veste Farda”, faz um compilado dos últimos desmandos do Governo Federal, aproveita trechos da famigerada reunião ministerial divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e satiriza a passagem da atriz Regina Duarte pela secretaria de Cultura. Com o número de seguidores triplicado nas redes, o cineasta acredita que a missão está sendo bem executada. “Estou montando o ‘Gabinete do Amor’ em oposição ao Gabinete do Ódio que se dedica a espalhar difamação e prejudicar opositores”, complementa. c
14_ EXPOSIÇÃO
A cara do Brasil Exposição inédita da galeria CAM, ‘Retratos Brasileiros’ reúne traços de diversas culturas presentes no país _POR JUNIOR CONEGLIAN
Retrato de José de Campos, 91 anos, produzido por Guilherme Tiotonio
OS ALUNOS DO CURSO de Fotografia da Universidade de Guarulhos (UNG) se empenharam em mais uma exposição inédita, a “Retratos Brasileiros”, que apresenta imagens de pessoas anônimas, onde a peculiaridade e os diversos traços culturais são capitados de forma sensível. A mostra está disponível na Galeria CAM, no instagram.com/ galeriacam_ung. Diante de brasileiros cuja identidade reúne aspectos de diversas culturas, os estudantes foram além do clique e conheceram a história de vida dos fotografados, passo fundamental para que o retrato ganhasse vida. “Minha inspiração para retratar foi o próprio senhor José de Campos [91 anos], que me contou sua história de vida”, conta o fotógrafo Guilherme Tiotonio, 22 anos. “Um dos pontos que mais quis enaltecer na imagem era a idade dele, que está representada em suas mãos calejadas, já que ele trabalhou com construção por muitos anos”, complementa. Para Tiotonio, a fotografia, ofício
que escolheu para expressar sua mensagem, traz experiências únicas. “A fotografia proporciona congelar e guardar tudo o que acho interessante, desde uma pessoa a um objeto. Isso me fascina”, conta ele, que colaborou como ilustrador da seção “Olhares”, na edição 2 da Cultcom em 2017, disponível em issuu.com/jornalismoung. A partir ângulos variados e com um trabalho de iluminação específico para cada personagem, os alunos, que tiveram a orientação dos professores Maria Aparecida Ruiz e Daniel Herrera, retrataram em detalhes os traços culturais, em busca da mistura do que é ser brasileiro, e desenvolveram um olhar apurado para chegar a uma fotografia intimista, que carrega a representatividade em sua essência. “A diversidade de traços do povo brasileiro poderia ser representada até mesmo por um autorretrato, porém o exercício de olhar o outro é fundamental para o reconhecimento”, comenda o professor Herrera. c MAIO 2020
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Foto Felipe Mendoza
Foto Andressa Penteado
Foto Gabriel Arizati
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Foto Thaís Silveira
Foto Rodolfo Rodrigues
Foto Lavínia Cristina
Foto Caroline Fernandes
Foto Karen Alinne
16_ EXPOSIÇÃO
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18_ ESPECIAL
LUIZ PÄETOW
O teatro possui por excelência esse risco do ao vivo Ator e diretor produzirá única peça escrita por Antunes Filho e reflete sobre as mudanças na arte pós-pandemia _POR ISABELA DE PAULA
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ESPECIAL _19
UM PERÍODO DE luto, uma caixa de papelão. Lembranças de uma época que ficou marcada. O ator e diretor de teatro Luiz Päetow, até o ano 2000, fazia parte do grupo Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), criado pelo diretor Antunes Filho (1929-2019). Desde a saída, o artista guardou os roteiros de peças e o material dos cursos de dramaturgia que lecionou no espaço e não mexeu mais. Após a morte de Filho, em maio de 2019, Päetow passou dois meses vivendo o luto. Um dia, ao acordar de um sonho, teve uma sensação de nostalgia e dever, uma voz lhe dizia para abrir a caixa de papelão em que estavam as memórias da época do teatro. Foi então que o artista resolveu tirá-la do armário. Entre todos os roteiros e anotações de cena, Päetow encontrou em um caderno um texto escrito por Antunes, modo que se refere ao diretor. A obra encontrada tinha como base uma das cenas escritas pelo ator nos anos que ainda fazia parte da CPT: a história de um filho que mata o próprio pai. Depois de ter criado a cena, ele entregou o que escreveu ao diretor. “Duas semanas depois, ele falou: ‘estou escrevendo uma peça em cima disso’. Ele me confidenciou, pediu sigilo”, lembra. O texto encontrado é “$odoma & Gomorra”, única peça escrita por Antunes Filho, que aborda relações hu- > O ator Luiz Päetow na peça “Prêt-A-Porter” (1998)
Foto Arquivo Pessoal
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“Quando você vai ao teatro, vai a um lugar fora de tudo, que não tem a iluminação solar, vai para um mundo que só acontece ali”
Dedicatória de Antunes Filho deixa texto inédito como herança para Luiz Päetow
manas e o contexto bíblico de um castigo divino, a confusão e o desentendimento. Päetow cria um paralelo entre a obra e a realidade. “Hoje vivemos com uma sensação de fim do mundo, a arte e a sociedade estão se desestruturando. Voltamos todos ao ponto zero. Ninguém sabe mais de nada hoje em dia. Em quem acreditar? No seu pai e mãe ou no jornal ou na notícia que saiu na internet?”, comenta o ator. Mesmo fazendo a releitura da obra, o artista ainda sentia que faltava algo, que os diálogos poderiam ser melhorados a ponto de se tornarem mais naturais e era preciso fazer adaptações. Com a dedicatória “Päetow, só você consegue encenar essa peça”, escrita por Filho, o ator sabia que aquela obra era para ele, não só por ter base em sua cena, mas entendia que só ele poderia encenar e dar vida ao texto. “O espírito dele [Filho]
está por trás, mas os diálogos não estão prontos. Ele sabe que eu sou rigoroso, sou muito sério. A minha vida é o teatro, sou obcecado por isso desde criança. Ele me deu essa responsabilidade, e eu fiz esse trabalho da adaptação”, conta. Ainda sobre a raridade da peça, o ator se vê pressionado para que a única obra teatral escrita por Filho ganhe os palcos. “Ele nunca conseguiu isso [apresentar uma peça de autoria própria], ele mesmo falava. A cada peça que estreava, ele falava ‘agora que estou conseguindo’, mas nunca chegou a concretizar o ideal que ele tinha. Tem esse combustível a mais, essa responsabilidade a mais nessa encenação”, confessa o ator. Com as adaptações necessárias, Päetow afirma que mantém a essência do que é a obra de Filho e prioriza trabalhar ressaltando algo legitimo, de pura essência da obra. MAIO 2020
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ESPECIAL _21
O ator e diretor Luiz Päetow em cena no teatro
Na visão do ator, para usufruir do teatro a pessoa tem que estar fora do tempo-espaço: se você está na rua, está ao ar livre vendo se está de noite; se está chovendo, você está dentro do tempo e do espaço. “Quando você vai ao teatro, vai a um lugar fora de tudo, que não tem a iluminação solar, vai para um mundo que só acontece ali, e quando acaba [o espetáculo], volta ao mundo real. Que outra arte tem isso?”, analisa. Segundo o ator e diretor, a crise causada pela pandemia de coronavírus (Covid-19) fará com que o ser humano comece a olhar para o valor de cada coisa que faz parte da nossa sociedade e, assim, ter uma nova maneira de enxergar o que é o teatro. “[O teatro] será revalorizado nessa potência ancestral, e não vai mais aceitar ser usado como uma ferramenta de fazer ficção. Hoje só pensam em como fazer essa indústria
continuar”, comenta Päetow. Diferente das ações feitas por atores nas formas de live em plataformas digitais, o ator acredita que dessa forma o teatro deixe de ser teatro, se tornando apenas uma performance. “O imprescindível no teatro é o ao vivo, é estar ‘cara a cara’. Ninguém sabe o que pode acontecer. O teatro possui por excelência esse risco do ao vivo, e é isso que o torna tão poderoso”, afirma. Para esse espetáculo, que será dirigido por Päetow, foram escalados cerca de dezessete atores, entre eles Matheus Natchtergaele, Grace Passô, Cacá Carvalho, Fabiana Gugli, Christian Malheiros e Marcella Maia. O ator e diretor ressalta que os atores aceitaram o convite para compor o elenco não apenas por serem próximos dele, mas por saberem e acreditarem na seriedade do trabalho e da peça. c
Foto Tendo Santos
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THIAGO SOARES: LEVEZA E FELICIDADE QUE VEM DA DANÇA Bailarino conta detalhes da trajetória ao mais alto posto da companhia Royal Ballet e a despedida para investir em projetos independentes _POR NATÁLIA CARVALHO
Foto Divulgação
24_ CAPA
O bailarino Thiago Soares em um solo, durante um espetáculo do Royal Ballet
“APENAS EU, MEUS pés e minha vontade de voar”. É com esse desejo que Thiago Soares, 38 anos, ocupa o cargo de primeiro bailarino convidado do aclamado Royal Ballet, em Londres. Nascido em Vila Isabel, subúrbio carioca, ele cruzou fronteiras para brilhar nos palcos do Brasil e do mundo. “A dança apareceu na minha vida meio que me chamando”, lembra. Ao executar com maestria os elaborados passos de balé, Soares faz parecer que o estilo sempre esteve presente em sua vida. O primeiro contato com a dança aconteceu pelo street dance, ritmo de origem estadunidense que se desenvolveu durante a crise econômica, onde dançarinos e artistas desempregados passaram a se apresentar nas ruas. “Eu fazia dança meio de brincadeira quando, na época, estavam procurando pessoas que queriam estudar balé no Centro de Dança Rio, no Méier”, lembra. Ao se apresentar, Soares despertou os olhares dos professores, que viram no rapaz a possibilidade de um futuro brilhante nos palcos de grandes
companhias de dança. Então, ele foi apresentado ao balé clássico, onde ingressou com “um ligeiro preconceito”, uma vez que a realidade em que vivia e o estilo de dança que adotava eram bem diferentes daquele para o qual seu talento havia sido descoberto. “Cresci em um bairro de samba, numa família heteronormativa. A gente tinha aqueles pensamentos latinos, de macho, de jogar bola. Então, o balé não era normal”. Após passar por uma fase difícil com a separação dos pais, Soares aproveitou a oportunidade e enxergou na dança clássica uma chance de vida. Apaixonou-se por cuidar do corpo, por dedicar-se a fazer os passos e, então, as motivações e a possibilidade de viver da dança viraram realidade. Em 2001, o baliarino participou de um concurso que o permitiu ingressar no Royal Ballet. Com 20 anos, assinou o primeiro contrato com a companhia e caminhou em direção a uma carreira que prometia ser admirável. Dedicado, o bailarino viu a profissionalização na dança decolar de maneira rápida. No corpo de um dos balés mais aclamados MAIO 2020
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CAPA _25
“Cresci em um bairro de samba, numa família heteronormativa. A gente tinha aqueles pensamentos latinos, de macho. O balé não era normal”
de todos os tempos, ele dividia os aplausos com os parceiros. Mas, em pouco tempo, teve talento para chegar aos tão sonhados solos. De solista, tornou-se o primeiro bailarino, o primeiro brasileiro a ocupar este posto, que é o mais alto a ser ocupado dentro de uma companhia, e passou a executar os principais papéis nos repertórios. Conhecido em palcos por todo o mundo, aos 34 anos, Soares sofreu uma grave lesão no joelho e que colocou a carreira em risco. Chegou a pensar em parar de dançar, uma vez que, na idade em que estava, no mundo do balé, talvez fosse o momento de “começar a pensar na vida”. Mas não desistiu. Foram meses de exercícios e cuidados, um ano de reabilitação, e ele pôde seguir a trajetória na dança em segurança.
Foto Tendo Santos
Raízes Nessa entrevista à Cultcom, passeando pelo passado, o bailarino Thiago Soares relembra com leveza um episódio curioso. “Já atuava no Royal Ballet, mas estava meio travado, não estava indo para o lugar que eu queria que fosse”. >
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Foi quando o bailarino recebeu o conselho de uma antiga mentora, sugerindo que fizesse uma cirurgia plástica no nariz por uma questão de estética, pois com o “nariz africano” não seria possível que ele interpretasse os principais papéis nos repertórios clássicos, como os de aristocratas e reis. O bailarino chegou a visitar um médico cirurgião e, há cinco dias do procedimento, teve um despertar. Após uma conversa com a mãe, entendeu que não era isso que o levaria a outros patamares na dança. “Não sou contra cirurgia plástica, mas nenhum tipo de nariz, raça, cor ou orientação sexual vai limitar o talento de uma pessoa”. E veja como a vida é: passados dois anos da tal sugestão, Soares era o príncipe de todos os balés, e chegou a enviar um DVD para a mentora. “Em nenhum momento interpretei a sugestão como algo grosseiro, pois compreendi que esse posicionamento vem de padrões impostos há muito tempo. Graças a Deus, o mundo está mudando”, comenta Soares. Após 18 anos no Royal Ballet, ele assumiu o posto de primeiro bailarino convidado há dois anos e já prepara a despedida da companhia para se envolver em projetos independentes. “É bom deixar a festa enquanto ela ainda está boa. Isso quer dizer que eu não estou parado num lugar só. Eu não fico com o corpo de balé de uma companhia determinada. É o famoso freelancer”, explica ele, que “pendura as sapatilhas”, mas não descansará. Soares pretende explorar novos estilos de dança, ainda atuará em papéis clássicos, mas se dedicará também a coreografias mais modernas. “O balé é doloroso, minucioso, específico e difícil. Mas é incrível, mágico, realiza seus
sonhos e muda a vida das pessoas que fazem e que o assistem”, complementa. Atualmente, devido à pandemia de coronavírus (Covid-19), o inquieto artista leva a arte da dança para o ambiente online, onde interage com o público. “Quando a gente se deparou de estarmos presos em casa, eu comecei a trocar com o público e fiz uma aula live, comecei a dividir mais o meu conteúdo”, comenta. “As artes, desde filmes a espetáculos de dança, estão dominando a atenção de todos nesse momento. E eu acho fundamental pra todo mundo se dedicar as artes: ser espectador, interagir, fazer alguma aula, se nutrir de modo balanceado do que vai assistir”, complementa o bailarino. Balé nas telas Além de poder contemplar Soares nos palcos, em breve ele estará nas telas. O filme “Coreografia da Vida” está em produção e contará a jornada trilhada pelo bailarino desde a saída do subúrbio do Rio de Janeiro, o contato com o balé, até os grandes palcos da Europa. Para o bailarino, o andamento da produção do filme virou um processo terapêutico. “É profundo, começo a viajar na minha própria história, volto no passado, visito coisas tristes e incríveis, e descubro coisas sobre mim, coisas que gosto ou não”, comenta. O bailarino teve que abrir a intimidade para que os produtores e o ator Matheus Braga pudessem captar e absorver de forma sensível e respeitosa a essência do bailarino. “Tenho deixado muito pro time criativo essa adaptação pro cinema. Eu não impus ‘tem que ter tal coisa’. Tem algumas que eu não imaginava que estariam no filme, porque eu não contei pra eles. Acho que tem que ser autêntico”, conta. c MAIO 2020
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“O balé é doloroso, minucioso, específico e difícil. Mas é incrível, mágico, realiza seus sonhos e muda a vida das pessoas que fazem e que o assistem”
Foto Tendo Soares
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Onde está a realidade? Fotografo Iran Maciel provoca reflexões ao colocar pessoas com óculos 3D imersas entre a realidade e o mundo virtual _POR MATHEUS JOSÉ _FOTOS IRAN MACIEL
Com o óculos 3D, o fotógrafo Iran Maciel entra no clima do projeto
O FOTÓGRAFO IRAN Maciel, 30 anos, levou a reflexão sobre os limites entre o real e o virual para o trabalho de conclusão do curso de Fotografia na Universidade de Guarulhos (UNG). No projeto “O Retrato da Realidade Virtual” ele produziu imagens em ambientes diferentes e que mostram o cotidiano de pessoas fazendo uso da tecnologia. Além da reflexão, Maciel mostra como muitos estão dependentes da tecnologia, representada nas imagens pelo óculos 3D. “Talvez as pessoas não possam mais se enxergar através da visão, seja somente pelas mãos”, provoca. Na série de imagens, o fotógrafo também mostra como as crianças estão deixando os brinquedos de lado e trocando-os pelos objetos eletrônicos. “A tecnologia deixa as crianças mais ativas. Quando estão com o celular, os olhos ficam paralisados. No futuro, o celular não estará mais na mão, mas nos olhos”. Já na imagem da mulher que parece estar em um relacionamento virtual, o fotógrafo provoca uma série de
interpretações, como estar vendo uma pessoa do outro lado, conversando com alguém que nunca viu pessoalmente, e querendo entender qual a realidade dessa pessoa. “Pode estar maquiada, mascarada, ou ser alguém de má índole. Ela também está em perigo, sozinho ali na praça, sem observar o que há ao seu redor”, comenta Maciel. Para o fotógrafo, a primeira imagem que fez para a série é a mais instigante. Trata-se do retrato de um rapaz com óculos 3D, produzida durante um evento de anime. Com pessoas borradas ao redor do personagem, ele teve a ideia de representar a divisão entre os dois mundos. “Nesse momento, ele estava no ambiente dele, estava no tempo do mundo virtual, enquanto que no mundo real, o tempo está caminhando e ele não percebe isso”, conta Maciel, que acredita na fotografia não apenas uma imagem incompreensível. “É preciso fazer a leitura do que a fotografia representa, tentar identificar o que o fotógrafo está passando”, finaliza. c MAIO 2020
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Fotos Iran Maciel
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