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Observatório 34 – PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas

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REVISTA OBSERVATÓRIO ITAÚ CULTURAL #34

PIB DA ECONOMIA DA CULTURA

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Participação cultural digital como elemento de produção TRILCE NAVARRETE

INTRODUÇÃO No que diz respeito à questão de quais indicadores podem ser considerados essenciais para medir a contribuição e/ou os impactos da cultura na economia de um país, o primeiro passo é definir o escopo da “cultura”. Este texto se concentrará no patrimônio digital, que se refere ao conteúdo digital nato e digitalizado produzido por instituições patrimoniais, incluindo bibliotecas, arquivos, museus e sítios arqueológicos.

O patrimônio digital pode incluir uma representação do objeto, como uma foto ou modelo 3D, mas também pode incluir informações adicionais sobre o objeto, sua história, sua gestão, processos técnicos ou documentação associada. Considerar o patrimônio digital a partir dessa abordagem holística facilitaria a compreensão da contribuição do setor cultural além dos usos relacionados ao patrimônio. Não há consenso internacional sobre o que constitui o patrimônio digital ou sobre a melhor forma de prestação de contas sobre ele. Alguns esforços têm sido feitos considerando a contribuição do patrimônio digital para a economia com base nos resultados e nas despesas. Na Europa, o projeto Enumerate fez um levantamento de dados estatísticos sobre a digitalização do patrimônio cultural, com o intuito de embasar decisões estratégicas sobre investimentos na área. No entanto, foram reportados dados em porcentagem em vez de números absolutos, gerando desafios metodológicos1. Houve também as estatísticas experimentais do Eurostat2 sobre a popularidade de patrimônios culturais. Para esse cálculo, o estudo fez um levantamento do número de visitantes das páginas da Wikipédia sobre mil Patrimônios Mundiais da Unesco, que se concentraram apenas na página sobre o site, mas negligenciaram as páginas que reutilizam o conteúdo desses mesmos sites ou instituições administradoras3. Uma alternativa é considerar a contri- As instituições patrimoniais estão cada vez buição do patrimônio digital com base mais optando por publicar seus dados com na renda gerada por sua digitalização. licenças abertas para estimular a reutilização Esse tipo de cálculo, no entanto, ainda a fim de gerar valor de um investimento não está disponível. Ainda não existe um geralmente subsidiado. Spotify do patrimônio digital. As instituições patrimoniais estão cada vez mais optando por publicar seus dados com licenças abertas para estimular a reutilização a fim de gerar valor de um investimento geralmente subsidiado. Em vez de renda, uma medida de reutilização poderia servir para indicar o valor do patrimônio digital disponível. Medir o valor com base no uso implica risco de simplificar a escolha do consumidor com base na facilidade de acesso ou popularidade. No entanto, o uso é uma métrica que vale a pena explorar, particularmente quando ligado à criação de novos produtos e serviços.


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