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É devido a esta necessidade de reconhecimento político-institucional local que as autoridades territoriais, municipais ou de freguesia, enquanto centros de poder democraticamente legitimados, tendem a assumir a liderança deste nível de coordenação. Pois, para além de coordenarem o processo de definição das prioridades e estratégias políticas, têm a responsabilidade de desenvolver os mecanismos adequados para a integração das políticas intersetoriais e a participação dos atores locais – organizações e cidadãos –, bem como o desenvolvimento de modelos de financiamento público integrado que facilitem e fomentem este tipo de governação. O tipo de governação integrada proposta neste manual alinha, assim, numa perspetiva em que autoridades locais (democraticamente eleitas) tendem a centrar o seu papel na coordenação das políticas territoriais integradas e agir como mediadores, reguladores e financiadores dos processos colaborativos integrados desenvolvidos pelos atores locais no contexto das redes interorganizacionais, dando um importante contributo para a sua sustentabilidade (Chamusca, 2013). A coordenação dos atores locais opera a nível meso e tem como foco de integração os atores organizacionais locais envolvidos nas criação de redes interorganizacionais de abordagem às dimensõeschave de promoção do envelhecimento na comunidade, visando a co-construção e/ou redesenho e implementação de processos colaborativos integrados.

Nível meso: integração dos atores locais na construção de redes inter-organizacionais

Os mecanismos de integração associados à coordenação dos atores locais estão muito relacionados com os processos de negociação associados à partilha de objetivos, de recursos entre as organizações envolvidas nos processos colaborativos e nos planos de sustentabilidade das redes interorganizacionais. Dada a complexidade das negociações a desenvolver, deverá ser garantida uma liderança sénior, com caraterísticas de “boundary spanner” (Williams, 2012), capaz de mobilizar os atores organizacionais11, resolvendo os conflitos de interesse e desequilíbrios de poder e de recursos. Também deverá ser capaz de identificar as condições e fatores de diálogo e negociação que permitam o desenvolvimento de compromissos partilhados e a construção da confiança relacional básica para a implementação dos processos colaborativos, recorrendo, sempre que necessário, aos instrumentos funcionais e normativos de salvaguarda institucional.

(11) A gestão e coordenação das redes interorganizacionais será mais facilitada quanto maior for a motivação e vontade dos atores organizacionais em trabalharem juntos, partilharem recursos, articularem a visão e os objetivos da rede, e assentarem o seu relacionamento em salvaguardas institucionais que confiram consistência aos processos colaborativos.

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Referencial GovInt para a Promoção do Envelhecimento na Comunidade  

Esta publicação é uma edição da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e resulta do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho dedicado às P...

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