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2.1 Valores e representações sociais sobre a velhice e o envelhecimento Os valores e as representações socialmente partilhados pelos Desajustamento grupos sociais de uma comunidade resultam dos processos de dos valores socialização e contribuem para a formação da identidade coletiva e representações (Daniel et al., 2015). Trata-se de constructos simbólicos produzidos em relação num determinado contexto de sociabilização e que têm uma enorme à realidade influência na moldagem das atitudes e comportamentos individuais social e nas expectativas em relação ao papel social dos outros. Esta influência é muito evidente nas expectativas que se criam em relação aos papéis sociais das pessoas mais velhas que se aproximam e/ou atingem a idade da reforma. A tradicional divisão do ciclo de vida numa série de estádios baseados na idade cronológica e nos papéis sociais que lhes estão associados — idade para estudar, idade para trabalhar e idade para se reformar — está envolta num conjunto de valores e representações sociais que, na maior parte das vezes, pelo seu desajustamento à realidade biopsicossocial, tem sido criticada e contestada. De facto, a “velhice” surge como uma categoria social muito associada à adoção de papéis sociais residuais e desvalorizados face aos papéis sociais desempenhados ao longo da vida (Fernandes, 1997). Esta perceção sobre o significado simbólico de “velhice” acaba muitas vezes por não ter correspondência com a realidade, pois uma parte significativa das pessoas em idade de reforma desempenha importantes papéis sociais em diferentes contextos sociofamiliares e ocupacionais. Contudo, esta desvalorização dos papéis sociais associada ao avanço da idade não deixará de se constituir como um fator desmobilizador de uma maior participação social e envolvimento nas questões públicas e de contribuir para a diminuição da autoestima e autoconceito das pessoas mais velhas (Fernandes, 2001). Os valores e as representações sociais sobre a velhice e o envelhecimento surgem assim associados a uma discriminação etária que contribui para a perpetuação de estereótipos, preconceitos e outras manifestações idadistas (Marques, 2011). A cristalização de atitudes e práticas negativas em relação às pessoas mais velhas revela-se como um dos principais obstáculos à transição para paradigmas assentes nos princípios do envelhecimento ativo e na valorização da longevidade como uma grande conquista civilizacional dos nossos tempos.

Deste modo, a reconfiguração dos valores e representações que valorizem

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Referencial GovInt para a Promoção do Envelhecimento na Comunidade  

Esta publicação é uma edição da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e resulta do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho dedicado às P...

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