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pessoas idosas. Alguns dos constrangimentos identificados passam pela baixa escolaridade média das pessoas idosas, a vergonha, a falta de hábito, receio. No entanto, “as novas pessoas idosas” terão novas necessidades e novos padrões culturais e sociais diferentes, mais exigentes onde o acesso à informação tem um papel importante. É fundamental desenvolver atividades que permitam ouvir as pessoas – dar-lhes voz - e ativar a sua participação na sociedade. A participação é um processo que vai para além da auscultação, uma vez que o fim último é produzir mudança social. O mesmo se aplica à delineação de políticas públicas dirigidas a este segmento da população. A criação de “Conselhos Consultivos” onde as pessoas idosas pudessem participar e apresentar propostas de resolução de problemas, poderá ser uma solução. A Participação tem vários níveis, e, provavelmente, numa primeira etapa, é mais fácil construir processos de ativação da participação ao nível micro, nas instituições, nas associações, nas autarquias, nos centros de saúde, entre outros. Para começar este processo é essencial que os profissionais saibam gerir processos de participação, que os respeitem e que os concluam com a devolução dos contributos e com a clarificação das decisões tomadas. Combate aos estereótipos Qualquer iniciativa que vise uma resposta integrada à questão do isolamento na velhice não pode deixar de integrar a sociedade no seu todo. Os meios de comunicação devem ser utilizados, tal como tem vindo a acontecer, para divulgar os casos de abandono e grave isolamento em que se encontram algumas pessoas, procurando sensibilizar a população para a necessidade de atuar neste domínio. Os meios de comunicação têm também um papel central na promoção de um maior sentido de comunidade e de solidariedade entre os indivíduos e diferentes grupos etários através da exposição e divulgação dos casos positivos de práticas desta natureza. Há uma imagem negativa sobre o envelhecimento na sociedade. O conceito está ligado a preconceitos e estereótipos que urge combater. Há que trabalhar a imagem das pessoas idosas na sociedade, promovendo a transmissão de uma imagem positiva desta população. A sociedade vê muitas vezes as pessoas idosas como inúteis, um peso social e ligadas ao passado. É necessário alterar estas imagens, erradicando-as e substituindo-as por imagens mais positivas e reais sobre o papel importante que as pessoas idosas têm na sociedade aos mais diversos níveis. A escola e os meios de comunicação podem e devem ter um papel ativo na desconstrução dos estereótipos e representações sociais ligados ao envelhecimento. A educação tem um papel fundamental no combate aos estereótipos e ao estigma idade presente nas sociedades contemporâneas. A escola é por inerência o local de excelência para a transmissão de conhecimentos e de promoção da cidadania. Quando se debate a questão da solidão dos mais velhos é imprescindível, também, ter em conta o seu ponto de vista. A solidão é uma vivência subjetiva e intersubjetiva. Quando estar só ou viver só é uma escolha, a solidão não dever ser entendida como vivência negativa. A sociedade está fragmentada e segregada do ponto de vista etário que dá origem à criação de estereótipos das várias gerações, particularmente estigmatizantes no caso dos mais velhos. Os 134

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Governação integrada: a experiência internacional e os desafios para Portugal  

Atas da conferências Internacional GovInt 15 a 16 de outubro de 2016

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