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Cultivar Máquinas 226 - Maio 2022

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C

Cultivar

Cultivar Máquinas • Edição Nº 226 • Ano XX - Maio 2022 • ISSN - 1676-0158

Índice

Destaques

04 Rodando por aí 05 Mundo Máquinas Lançamentos e destaques da Agrishow 2022

10 Pulverização

Efeitos positivos da aplicação a taxas baixas

14 Agricultura de Precisão Vantagens da adoção do tráfego controlado em lavouras de cana

20 Tratores

Como realizar a manutenção adequada da parte elétrica de tratores

24 Capa - Test Drive

Confira o Test Drive com o pulverizador Leeb 5.280 VL da Horsch

24

34 Pulverizadores

Aplicação localizada de defensivos ganha impulso com novas tecnologias

38 Manutenção

Charles Echer

Nossa capa

Como identificar desgastes prematuros em mancais e rolamentos

40 Pulverização

Seleção correta de bicos e adição de adjuvantes garantem mais eficiência na pulverização

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Cassiane Fonseca • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia

www.revistacultivar.com.br

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó José Geraldo Caetano

• Coordenação Circulação Simone Lopes

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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contatos@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Orion e John Deere celebram parceria Foi anunciada, no final de abril, durante a Agrishow, a parceria da empresa Orion Tecnologia e Sistemas Agrícolas Ltda com a John Deere para o fornecimento dos equipamentos de aplicação de produtos líquidos no sulco de plantio. A parceria insere alguns modelos específicos dos equipamentos da Orion no GreenSystem, que é a marca da John Deere que reúne máquinas e implementos produzidos por empresas parceiras e comercializados por esse grande player do agro. Por meio dessa parceria, a Orion passa a produzir e fornecer os equipamentos FA 1500, FA 2000 e FA 3000 para as plantadeiras DB 40, DB 50 e DB 90, com vistas a aumentar esse portfólio. De acordo com o CEO do Grupo

Orion, Ricardo Rodrigues da Cunha, a parceria é o resultado de um longo tempo de trabalho em prol de tecnologias que visam aumentar a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade das lavouras através do processo de aplicação de produtos biológicos no sulco: “Essa parceria em muito contribuirá para maior capilaridade de nossas tec-

AFS Connect, da Case IH A Case IH levou para a Agrishow 2022 produtos inteligentes e conectados para o trabalho nas lavouras. Tratores, plataformas e o sistema de gestão integrada AFS Connect estiveram entre os destaques. O trator Magnum AFS Connect e a plataforma de milho da Case IH despontam entre os principais produtos destacados. "O Magnum AFS Connect conta com tecnologia de autonomia Case IH, uma tecnologia que já chegou ao Brasil e que acreditamos que nos próximos dez anos teremos 30% da frota global com essa tecnologia embarcada", contou o diretor de Marketing de Produto da Case IH para a América Latina, Rodrigo Alandia.

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nologias e ações no mercado brasileiro e, brevemente, em outros”, afirma Ricardo. Em 2020 a Orion já tinha firmado uma parceria com a Biotrop, uma empresa fabricante de produtos biológicos, que se mantém firme e crescente. “Unir-se a bons parceiros nos permite crescer de forma mais robusta”, conclui Ricardo.

Cinco lançamentos gigantes da Kuhn A Kuhn do Brasil levou para a Agrishow 2022 cinco lançamentos de grandes máquinas, voltadas para regiões como Centro-Oeste brasileiro e Matopiba. A novidade inclui distribuidor de fertilizantes, plantadora, pulverizador, escarificador e uma carreta graneleira. A marca mostrou aos visitantes seu distribuidor de fertilizantes autopropelido Accura HD 7.5. Também apresentou a plantadora Prime HD, de 61 linhas. Outro lançamento foi o pulverizador autopropelido Stronger HD, com barra de 50 metros em fibra de carbono. Um escarificador com opções de 33 e 35 hastes e uma carreta graneleira com capacidade de 50 mil litros também integraram as novidades apresentadas pela Kuhn.


Valtra lança pulverizadores Série R

MUNDO MÁQUINAS

Mahindra lança tratores estreitos A Mahindra participou da Agrishow 2022 com lançamentos em tratores estreitos, voltados para o trabalho em cultivos de café, laranja e maçã. Equipados com tecnologia e até cabines projetadas para não danificar as árvores dos pomares, os veículos são ofertados para o trabalho em fruticultura e em pequenas propriedades. Um dos modelos é o 6675 F, com cabine especialmente desenvolvida para aplicação na fruticultura. "O 6675 F é um trator realmente revolucionário. Além de ser estreito, possui cabine de-

senvolvida para aplicação na fruticultura. Ou seja, uma cabine projetada para não danificar os ramos e as árvores. Foi feito todo um projeto pensado especialmente para esse segmento", ressaltou o diretor-geral da Mahindra, Jak Torretta Júnior. Já o 6075 E, nacionalizado, pode ser adquirido via Pronaf, o que facilita a compra pelos produtores. Outra opção é o 5050, de 50 cavalos, com 12 velocidades à frente e à ré, dotado de reversão mecânica, bem adaptado ao segmento de pequenas propriedades.

A Valtra mostrou, na Agrishow 2022, a nova série R de pulverizadores, com os modelos R 530 e R 535, equipados com sistema de aplicação focado em sustentabilidade e maior qualidade na pulverização. O novo sistema de pulverização Liquidlogic e a opção de barra de 36 metros estão entre os trunfos da montadora nesse segmento. “A nova Série R veio para retomar a posição que nós temos no mercado, que é de liderança em pulverização. Nós temos o novo sistema Liquidlogic, extremamente apto para fornecer sustentabilidade, qualidade de aplicação, recirculação e controle de aplicação. Estamos oferecendo 36 sessões, praticamente uma aplicação bico a bico. Além de nova cabine, mais versátil e mais confortável, com uma interface muito mais amigável”, ressaltou o diretor de Marketing Fendt Valtra, Fábio Dotto. A marca também destacou novidades em telemetria com o Valtra Connect. Em tratores, levou a quarta geração BM, com os modelos 115 e 135, equipados com motor AGCO Power 4.9.

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Fendt expõe trator Vario 1050 A Fendt levou para a Agrishow 2022 o trator Fendt Vario 1050, da Série 1000, com 517 cavalos. Desenvolvido na Alemanha, o veículo está adaptado para atender globalmente às necessidades do mercado mundial. "Nós buscamos informações de todos os mercados e produtores globais para que conseguíssemos produzir uma máquina que pudesse atender grande parte da necessidade dos produtores brasileiros, da América do Norte ou até da Austrália", contou o embaixador da Fendt para a América do Sul, Felix Glas. Com transmissão CVT, o Fendt Vario 1050 é equipado com motor de 12,4 litros. "Sua tecnologia permite comunicação inteligente entre a transmissão e o motor, o que possibilita otimizar o desempenho", ressaltou Glas.

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A máquina possui suspensão no eixo dianteiro para trabalhar independentemente de ângulo ou operação. Seu motor foi especialmente projetado para permitir torque máximo a partir de 1.100 rotações. "Nós temos um motor especial desenhado para esse conceito, que já tem torque máximo de 1.100 rotações. Isso significa que trabalhamos e desenhamos toda força e desempenho do trator com uma faixa de rotação entre 1.100 e 1.500 rotações para manter o desempenho em diferentes aplicações", explicou. Outra funcionalidade da máquina está presente no sistema de autolimpeza do filtro do ar. Assim, durante a operação o trator faz o trabalho sem a necessidade de o operador parar a máquina para fazer a limpeza.

Jacto lança colhedoras de café KPR 3000 A Jacto levou para a Agrishow 2022 o lançamento das colhedoras de café KPR 3000, versão tracionada, e K 3000 automotriz. Equipadas com novo recolhedor Jacto, conseguem trabalhar mais próximas ao solo e colher em lavouras mais novas. Os recolhedores ainda possuem mais lâminas, permitindo minimizar perdas na colheita. “Essas máquinas são mais compactas, mais leves, com alta capacidade de manobra, podendo colher em terrenos inclinados até 30%. Elas também são equipadas com o novo recolhedor mais próximo do solo, que permite colher em lavouras novas que têm os ramos mais perto do chão, além de possuírem mais lâminas, que fazem um fechamento melhor à medida que o tronco do cafeeiro passa pela máquina, permitindo minimizar a perda de café", destacou o gerente de Negócios Colhedoras de Café da Jacto, Paulo Girão. Intuitivas e de fácil operação, as novas colhedoras possuem todos os comandos à disposição do operador, seja na cabine do trator ou da máquina, através de um display touchscreen e de um joystick multifunções, assim não é necessário que o operador desça do seu posto de operação para fazer regulagens na máquina.


Pulverizadores MF500R com estação meteorológica A Massey Ferguson levou para a edição 2022 da Agrishow lançamentos em pulverização, com a linha MF 500R, disponível nas versões de três mil litros e 3,5 mil litros. Os novos pulverizadores da Massey oferecem opções de barra que vão de 30m a 36m. Com vasta tecnologia embarcada, o cliente pode optar inclusive pelo pacote que inclui uma estação meteorológica para orientar horários e dias de aplicações dos produtos. O sistema de pulverização Liquidlogic também está entre os diferenciais. Em tratores, a Massey Ferguson apresentou os compactos 3300, com potência de 55cv a 80cv, e a linha MF 3400, com veículos plataformados e cabinados. Outro produto disponível no estande foi a enfardadeira de fardos cilíndricos RD 4160 V Protect. A colhedora axial MF 9595

para médias propriedades, equipada com plataforma Draper de 25 pés, exclusividade da marca, também foi lançada. "Foi a primeira vez que lançamos produtos em todas a linhas que a Massey Ferguson comercializa no Brasil. Lançamos dois modelos de tratores compactos, uma linha voltada para culturas mais baixas (3300) e outra para culturas adensadas (MF 3400). A enfardadeira de fardos cilíndricos RD 4160 V Protect que já vem com a parte de embalamento do fardo. A colhedora axial MF 9595 para médias propriedades, indicada para faixa de clientes de mil hectares abaixo, uma máquina de alta capacidade produtiva, flexibilidade pelo tamanho da plataforma, mas também muita qualidade de grãos", explicou o diretor de Marketing da Massey Ferguson, Eduardo Nunes.

Plataforma Winflex Draper da Miac A Miac apresentou durante a Agrishow 2022, sua plataforma Winflex Draper, para o corte e enleiramento do feijão. As opções de medidas são de 20 pés e de 33 pés, para atender ao perfil de cada produtor. Dotada de sistema de alimentação composto por molinete, conta com dedos retráteis e esteira de borracha. “A plataforma foi desenvolvida junto à nossa engenharia nas mais diversas condições de feijão das principais regiões produtoras. A barra de corte da nossa plataforma é cada vez mais rente ao solo, é independente da esteira da máquina, sustentada por braços móveis. Dessa forma, consegue oferecer maior flexibilidade que permite o acompanhamento do

microrrelevo do solo, cortando o feijão mais rente ao solo, o que ajuda a aumentar a rentabilidade dos produtores", ressaltou o gerente comercial da Miac, Flávio Balaban.

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Tatu Marchesan apresenta inovações no sistema Sigma A Tatu Marchesan levou para a Agrishow 2022 novidades em distribuição de sementes e de adubos, através de dois sistemas com tecnologias que permitem ganhos em lubrificação, desempenho, precisão e praticidade. O novo sistema de distribuição de sementes Sigma passa a contar com um sistema simples, mecânico, que demanda baixa potência, mas que entrega boa precisão na distribuição das sementes. "O sistema de distribuição Sigma ganhou um up. Agora ele passa a ter uma transmissão enclausurada, ou seja, a coroa e o pinhão rolamentado estão encapsulados dentro de um dispositivo cheio de graxa para que a lubrificação seja permanente. O dispo-

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sitivo está incorporado dentro do sistema, diminuindo a altura do condutor ou da saída da semente em relação ao posicionamento do solo, depositando semente por semente, com precisão no tempo e na distribuição. Com essa evolução, é possível um resultado de plantio com mais eficiência", explicou o coordenador de Marketing de Produto da Tatu Marchesan, Carlos Rogério de Morais. Para o adubo, a marca destacou o sistema Alpha, que tem como premissas a praticidade e a eficiência na distribuição. Sendo a desmontagem e remontagem do conjunto mais simples e prática, com eficiência de distribuição e fluxo igual em todas as posições.

Stara lança semeadora Guapita A Stara mostrou, na Agrishow 2022, sua nova semeadora para cultivos de inverno, Guapita, nas versões de 27 e 33 linhas de espaçamento de 17cm. A máquina tem como diferenciais pacote tecnológico com controle via celular, facilidade de transporte e distribuição precisa de sementes. "A distribuição da máquina é pneumática, por pressão de ar positiva, o que garante uniformidade na semeadura. A Guapita ainda conta com sistema de abertura e fechamento que faz com que a máquina fique reduzida a 3,20m de largura para transporte", ressaltou o coordenador de Marketing da Stara, Thomas Liska. O pacote tecnológico oferece duas formas de controle, sendo a primeira por meio do controlador Topper da Stara. A outra grande novidade é o opcional de controle via celular. Nesse caso, a máquina virá com o aparelho smartphone de fábrica, que permite realizar toda a calibração, regulagem de semeadura e de fertilizantes, abertura e fechamento, através de simples toques na tela do celular.


LS lança trator Plus 80 para citros A LS Tractor participa da Agrishow 2022 com soluções pensadas para auxiliar o trabalho dos produtores de citros. Dentro da oferta de produtos da marca, um dos destaques ficou por conta do trator Plus 80, com foco em citricultura. Entre as características desse modelo de trator está a transmissão de 12 velocidades à frente e 12 à ré, com super-redutor, que permite operar em velocidade reduzida, muito importante para o trabalho em pomares de citros. O modelo oferece, ainda, opcional de transmissão Power Shuttle com 24 velocidades. O gerente de Marketing e vendas da empresa, Astor Kilpp, explica que os tratores LS possuem diferenciais tecnológicos como as transmissões de 32 velocidades nos modelos menores e de 40 velocidades nos modelos acima de 80cv. Todos contam com super-redutor (Creeper) e sistema de reversão Synchro Shuttle ou Power Shuttle. Com esta tecnologia de transmissão os tratores LS oferecem a velocidade exata para execução de cada tarefa no campo. A reversão facilita nas manobras, principalmente em espaços reduzidos

e em atividades em que o trator precisa fazer constantes inversões de sentido. O pacote tecnológico da LS Tractor proporciona redução do consumo de combustível, como já testado e aprovado no campo por diversos clientes.

Civemasa lança colhedora de cana inteira A Civemasa mostrou, na Agrishow 2022, sua nova colhedora de cana inteira. Trata-se de um implemento simples, que pode ser acoplado a um trator já existente na propriedade, uma alternativa tanto ao corte manual como ao investimento para a aquisição de uma colhedora autopropelida. "Trate-se de um implemento e por isso contém um pacote de vantagens e qualificações. Um deles é a simplicidade. Ou seja, é um implemento que vai acoplado ao trator, assim,

o produtor não precisa comprar uma máquina já com motorização embarcada, podendo utilizar um trator que já possui na propriedade acoplando a CCI 1500 nesse trator", explicou o Marketing de Produto da Civemasa, Alexandre Luiz Ferreira. A colhedora de cana inteira CCI 1500 da Civemasa é destinada a cortar e distribuir a cana lateralmente. O implemento conta com dois modelos, a CCI 1500 ST, que permite distribuir cana lateralmente a 2,5 metros, e a CCI 1500 EL, dotada de extensor para distribuir a cana a 5,5 metros. "Outra facilidade já pensando na operação é a possibilidade da máquina cortar a cana e distribuir lateralmente com um custo muito baixo se comparado a outras metodologias que se usa atualmente, como manual ou mecanizado com colhedora adaptada, que gera alto custo de manutenção. Com a CCI 1500 é possível reduzir o custo final entre 40% e 45%", ressaltou Alexandre.

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PULVERIZADORES

Menos é mais A utilização de taxas baixas na aplicação de defensivos em parreirais reduz a deriva e aumenta a qualidade da pulverização em vinhedos

A

pulverização é uma atividade fundamental na viticultura, recebendo grande atenção por parte dos agricultores em vários aspectos, em especial na escolha de produtos. Entretanto, em algumas vezes é executada sem a devida preocupação com a regulagem e a calibração dos pulverizadores. Na Serra gaúcha as pulverizações são realizadas com taxas de aplicação excessivas (volume de calda em L/ha), que reduzem a qualidade do manejo fitossanitário. Sendo que essas taxas são normalmente obtidas com gotas maiores, a pulverização pode ter sua penetração reduzida, que é a chegada das gotas em partes encobertas do dossel. Grande parte dessas gotas maiores também é impedida de ser retida em muitas superfícies foliares, devido ao maior peso. Por isso, a pulverização com taxa alta cau-

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sa escorrimento para estratos inferiores do dossel e para o solo, carregando consigo o princípio ativo. A taxa baixa tem forte potencial de maximizar a penetração, aumentar a retenção da calda e evitar o escorrimento, além de reduzir a deriva e o impacto ambiental. A utilização da taxa baixa tem maior potencial quando ocorre a calibração de vento do pulverizador, outro manejo técnico negligenciado pelos agricultores. Um dos fatores que colaboram para isso é que há poucas opções de ajuste, geralmente uma ou duas opções de intensidade de vento. Há um desconhecimento do produtor de que calibrar a intensidade do vento melhora a cobertura. Visando comparar a taxa baixa e a taxa convencional de aplicação, testes de campo foram realizados e tam-

bém tiveram objetivo de avaliar a qualidade da pulverização, as perdas por deriva e a eficácia de controle de doenças em um vinhedo, sendo avaliadas as faces inferior e superior das folhas, além da cobertura nas flores da videira. Para avaliar a qualidade da pulverização foi utilizado o cartão hidrossensível, permitindo visualizar os impactos das gotas nos alvos e comparar com os referenciais. A meta pode ser definida entre 40 e 100 gotas/cm2. Para a avaliação dos cartões foi utilizado o método do Índice de Impactos (Aimi et al., 2018). Essa metodologia permite que sejam identificados cartões com falta de produto, ideais, com excesso de gotas ou, ainda, com escorrimento. Os cartões também podem ser utilizados a campo em tempo real, para regulagem dos pulveriza-


Charles Echer

ambas as configurações, identificadas como original e experimental, encontra-se detalhada na Tabela 3. O pulverizador hidropneumático utilizado foi da marca Acefibras, com volume do tanque de 270L, com turbina axial de 680mm e acoplamento montado a um trator marca Landini, modelo Mistral 45. A velocidade de trabalho do conjunto foi de 4,88km/h com ambas as configurações.

As avaliações de perdas por deriva e os experimentos de cobertura de pulverização ocorreram durante o estágio vegetativo 15 da videira (alongamento da inflorescência/flores agrupadas), enquanto as avaliações do consumo de fungicidas e a eficiência no controle de míldio, antracnose e escoriose compreenderam os estágios 15 a 17 de desenvolvimento da videira. Os resultados demonstraram que

Tabela 1 – Índice de Impactos para cartões hidrossensíveis Cartão hidrossensível

Densidade de gotas referenciais Densidade menor que 40 gotas.cm-² Densidade de 40 gotas.cm-² Densidade de 70 gotas.cm-² Densidade de

dores dos vinhedos, para ajudar a definir os melhores critérios. Sua característica principal é ter cartões de referência, pelos quais se realiza uma avaliação comparativa dos cartões aplicados, atribuindo-lhes índices numéricos de qualidade de pulverização (Tabela 1 e Tabela 2). Os testes compreenderam avaliação das perdas por deriva, cobertura de pulverização em folhas e flores, consumo de fungicidas e eficiência no controle de míldio (Plasmopara viticola), antracnose (Elsinoe ampelina) e escoriose (Phomopsis viticola). O vinhedo, da cultivar Isabel, foi separado em duas glebas, para a comparação da utilização taxa baixa com manejo do vento e da taxa alta sem o redutor de vento, que foi representada pela condição original de utilização do pulverizador na propriedade. A descrição de

100 gotas.cm-² Densidade excessiva, maior que 100 gotas.cm-², sem escorrimento Densidade excessiva, com sobreposição de gotas (escorrimento)

Tabela 2 – Descrição dos scores do Índice de Impactos Índice de Impactos

Intervalo

Cobertura de pulverização

Densidade de gotas (D - gotas.cm-²)

1

1 a 1,99

Baixa

D < 40

2

2 a 2,99

Regular

40 > D > 70

3

3 a 3,99

Ideal

71 > D > 100

4

4 a 4,99

Excesso

D > 100

5

5

Escorrimento

Sobreposição de gotas expressiva

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11 33


Tabela 3 - Regulagens e calibrações do pulverizador para as configurações experimental e original Pontas de pulverização

Redutor de vento

Taxa de aplicação (L/ha)

Marca

Modelo

Vazão (L/min)

Pressão (lbf.pol-2)

Experimental*

Albuz

ATR Lilás

0,299

50

Com

119,6~120

Original**

Magnojet

MGA 025

1,061

50

Sem

424,3~424

Configuração

*Taxa baixa. **Taxa alta, condição original do pulverizador.

Tabela 4 - Velocidades de vento da turbina (km/h) com e sem redutor Configuração

Posição da trajetória da corrente de ar E1

E2

E3

C

D1

D2

D3

Média

Com Redutor

74,3

64,3

57,0

50,1

54,4

46,1

50,1

55,6

Sem Redutor

86,2

77,4

74,3

72,7

74,8

73,8

73,6

76,1

as perdas de pulverização por deriva foram elevadas na configuração taxa alta, tendo as gotas atingido seis metros acima e dois metros aos lados das fileiras tratadas. Somando-se a área do plano vertical percorrido pelos jatos até sua altura máxima, foram contabilizados 60m². A corrente de ar de transporte das gotas, que deveria conduzi-las até a passagem do dossel, devido a sua intensi-

Cobertura com taxa baixa (acima) e aplicação com taxa convencional (abaixo)

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dade excessiva, suspendia as gotas nessa altura, muito superior à meta. Foi possível observar que o jato, após cessar a energia de transporte do pulverizador, passava a ser carreado pelos movimentos da atmosfera, os quais em maior parte tinham fluxo ascendente devido às condições no momento do experimento (exoderiva), e outra parte retornava para a parte superior do dossel, podendo

Papéis hidrossensíveis mostram as coberturas em diferentes pontos da planta

contribuir para o escorrimento (endoderiva). Para permitir a execução da taxa baixa, foi desenvolvido um redutor de vento. Foram testados modelos diferentes, até que fosse obtida intensidade para transporte de gotas com o mínimo de passagem além do dossel. Obteve-se um redutor que permitia a passagem das gotas aproximadamente 50cm acima e aos lados da fileira tratada, totalizando um plano vertical de 6m². Além de reduzir a velocidade do vento, o redutor não causou distúrbios na proporcionalidade do ar ao redor da turbina, de acordo com as medições de velocidade de vento demonstradas na Tabela 4. O uso do redutor proporcionou velocidade média do vento de 55,6km/h e sem redutor de 76,1km/h. Os resultados do Índice de Impactos nas folhas da videira es-

Outro problema da taxa convencional é a deriva de produtos


tão dispostos na Tabela 5. A redução da taxa de aplicação não manteve a qualidade da cobertura em relação aos melhores cartões observados na taxa alta, com a vantagem de reter a pulverização no dossel. O índice de impactos médio do experimento de deposição nas folhas da videira foi de 2,65, sendo 2,43 para taxa baixa e 2,88 para taxa alta. Dentre os cartões analisados na taxa baixa não ocorreu nenhum score 5 (índice de impactos que caracteriza escorrimento). Já na taxa alta, notas 5 foram atribuídas a diversos cartões. No experimento de avaliação da cobertura em flores não houve contraste entre as configurações e na taxa baixa não foram observados índices de escorrimento. Já na taxa alta foi observado escorrimento em 50% das amostras. A configuração experimental com a taxa baixa e o redutor apresentou melhor qualidade de pulverização, com excelente cobertura, enquanto reduziu o escorrimento (Tabela 6). Quanto à utilização de fungicidas, na configuração experimental foi adotado aumento da concentração dos fungicidas visando maior eficácia, pois cada gota passa a possuir maior carga de ingrediente ativo. Nessa configuração houve acréscimo de 49,83% na concentração de fungicidas na calda. Considerando a massa (g) e o volume (mL) de fungicidas utilizados, a concentração a cada litro de calda aplicado foi de 3,73 na configuração experimental e 1,86 na configuração original. O consumo de fungicidas por hectare, considerando-se o somatório de kg e L, na configuração experimental foi de 2,92 unidades, enquanto que na original foi de 5,08. Para o período, a configuração experimental proporcionou 42,42% de redução no consumo total de fungicidas em relação ao mane-

Tabela 5 – Índice de impactos em função da taxa de aplicação e face da folha Tratamento

Índice de impactos

0,6304

2,43

ns*

2,88

0,7782

2,90

ns

2,40

Configuração Taxa Baixa Taxa Alta Face da folha Superior Inferior

Configuração x Face da folha Interação Média geral

0,6304 ns

0,6304 ns

2,65

2,65

Tabela 6 – Índice de impactos de gotas nas flores da videira Tratamento Taxa Baixa Taxa Alta

Teste F

Índice de Impactos 2,83

0,4716 ns*

3,50 3,17

Média geral *ns não significativo ao nível de 5% de probabilidade. Fotos Rogério Aimi

No centro da foto, detalhe da aplicação com taxa baixa, gerando pouca deriva

Teste F

jo que o produtor utiliza originalmente no vinhedo. As inovações testadas foram eficazes no manejo sustentável da videira, demonstrando a importância de adotar melhores regulagens e calibrações dos pulverizadores, destacando-se o tipo e vazão da ponta de pulverização, a pressão correta e a velocidade do vento necessária em cada estágio .M vegetativo da cultura.

Rogério Aimi e Otávio Dias da Costa Machado, IFRS/BG Gabriel Henrique Fontana e Bruno Rui Costella, IFRS/BG e Cooperativa Vinícola Garibaldi

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Kléber Pereira Lanças

AGRICULTURA DE PRECISÃO

No lugar correto O aumento do tamanho e do peso dos conjuntos mecanizados afeta a estrutura física dos solos e a produtividade das culturas. O tráfego controlado pode ser uma boa alternativa para manter a maior distância das máquinas em relação à planta, fora da área de absorção de água e nutrientes e de expansão radicular

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culturas, já que os bulbos de dissipação de cargas no solo possuem característica de alongamento vertical e lateral, indo sentido das linhas de cultivo. Esses pneus, por serem mais largos, transitam naturalmente mais próximos da linha da cultura, o que aumenta o risco de pisoteio e a interferência na região do solo em que ocorre o desenvolvimento radicular das plantas: zona radicular (ZR) (Figura 1A). Os pneus mais estreitos (Figura 1B) oferecem menor área de contato com o solo, o que incrementa a pressão sobre este. Nesses rodados a dissipação de cargas em subsolo ocorre em profundidade, com bulbos alongados no sentido do subsolo, trazendo algumas vantagens agronômicas, como a menor interferência na zona de desenvolvimento radicular e maior compactação na linha de trânsito, o que é favorável à redução do consumo de combustível, devido à menor patinagem do pneu. O tráfego controlado pode ser definido como o controle de trânsito das máquinas em faixas específicas na lavoura, de forma que os rodados permaneçam na maior distância em relação à planta, ou seja, fora da área de absorção de água e nutrientes e de expansão radicular. A cultura da cana-de-açúcar é, particu-

larmente, propícia à implantação do tráfego controlado e da sua canteirização, em função da distância entre plantas, que cada dia mais e por mais agricultores vem sendo adotado o espaçamento de 1,5m. A Figura 2 mostra as linhas de tráfego e da cultura e as distâncias do pneu à planta em função da sua largura. Para a implantação do tráfego controlado em grande escala é necessário que sejam instalados nas máquinas sistemas de direcionamento automático e sistemas de comunicação e localização via satélite, além de uma série de ajustes nas bitolas para propiciar o trânsito nas áreas centrais das entre linhas das lavouras. Normalmente manter as máquinas afastadas das culturas vegetais é um grande desafio, pois os sistemas modernos de direcionamento ainda apresentam imperfeições nos atuadores de direção das máquinas, isso sem contar com a instabilidade dos sinais de posicionamento via satélite. No começo da utilização do tráfego controlado pelos agricultores pioneiros, foram necessárias adaptações para o ajuste da bitola das máquinas, feitas nas próprias unidades produtivas, em seus setores de mecanização ou em oficinas da região da usina. No entanto, a dimensão da produção canavieira no cenário brasileiro

Charles Echer

D

esde os primórdios da agricultura o homem se preocupa em prevenir e combater o adensamento e a compactação do solo. O adensamento é um fenômeno de maior escala temporal e ocorre na reacomodação ou rearranjo das partículas do solo causado pelos agentes do intemperismo, chuvas, ventos, entre outros. A compactação, no entanto, é um processo exclusivamente causado pela ação humana, de maneira direta ou indiretamente, através da intensificação do uso do solo, para produção de alimento, através do tráfego animal e de máquinas. O aumento do tamanho e do peso dos conjuntos mecanizados, que entram em contato com o solo, afeta diretamente a sua estrutura física, principalmente pela redução dos poros, diminuindo o crescimento radicular das culturas. O problema da compactação do solo se torna mais acentuado em culturas que apresentam ciclo de desenvolvimento semiperene, como a cana-de-açúcar, pois, nestes casos, os efeitos da desestruturação do solo perduram por diversas safras, afetando as suas produtividades e longevidades. Muitos são os fatores que afetam a compactação e a sua intensidade nos solos. O modelo construtivo do rodado, como os pneus agrícolas, a estrutura interna construtiva, o número e disposição de lonas, a capacidade de deformação e a área de contato, é fator que influencia a capacidade de tração das máquinas e o impacto destas no solo ao longo do tempo. Pneus mais largos e de baixa pressão interna foram introduzidos no setor canavieiro com o intuito principal de aumentar a área de contato com o solo e reduzir a compactação, porém, novas tecnologias construtivas, com modelos mais estreitos, estão em expansão devido, principalmente, à aplicação no tráfego controlado das máquinas nas lavouras. Os pneus mais largos e com baixa pressão de inflação aplicam menores pressões no solo, no entanto, quando no caso do tráfego controlado, essas pressões dissipam-se no sentido da zona radicular das

O tráfego controlado pode ser definido como o controle de trânsito das máquinas em faixas específicas na lavoura

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e mundial impulsionou as principais empresas fabricantes de máquinas a desenvolverem soluções específicas para a cultura da cana-de-açúcar e, atualmente, são oferecidas diversas soluções para a implantação do tráfego controlado. Uma barreira importante a ser superada no quesito tráfego controlado é o direcionamento independente das máquinas rebocadas, como, por exemplo, os transbordos de cana-de-açúcar. Em áreas com declividade acentuada, que geram tráfego em curvas, o piloto automático corrige o caminho percorrido pelos tratores, mantendo-os na rota correta (centro das entre linhas das plantas), ocorrendo o mesmo com máquinas que possuem os sensores e atuadores de acionamento no seu sistema de direção. No entanto, as máquinas rebocadas saem da rota programada e podem transitar sobre as linhas de cultivo, causando impactos negativos no solo do canteiro e na lavoura. Nos casos de aplicação de sistemas de direcionamento e piloto automático no conjunto trator/transbordo sem o correto controle, é importante manter a utilização de pneus com baixa pressão interna e maior área de contato, visto que, em

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Figura 2 - Linhas de tráfego e da cana-de-açúcar com distâncias do pneu à planta em função da sua largura

caso de falhas, o impacto na lavoura será atenuado. Se for comparado com outras culturas agrícolas, a cana-de-açúcar é uma das que mais exigem trânsito de máquinas, fato que se torna crítico, devido à compactação cumulativa ao longo dos diversos anos, nos ciclos de corte e rebrota na mesma área agrícola, sem preparo de solo anual (Figura 3). Durante a operação de corte, colheita e transbordo mecanizado é que ocorrem os maiores impactos no solo nas áreas cultivadas com cana-de-açúcar, sendo que, de todas as máquinas aplicadas, o veículo de transbordo é o que apresenta maior pressão no solo. Estima-se que ocorram mais de 20 passagens de rodados sobre o mesmo local do solo em cada ciclo de colheita, considerando o trânsito da colhedora e dos veículos de transporte e carregamento. A operação de transbordamento com veículos especiais e conjuntos trator-transbordo ocorre (ou ocorria) pela impossibilidade de trânsito de caminhões de transporte dentro da lavoura, já que esses veículos apresentam bitolas inadequadas, alto raio de giro e construção de rodados

para uso rodoviário. No entanto, novas tecnologias vêm sendo aplicadas para a utilização de caminhões na operação de carga e transporte nas lavouras, com roCharles Echer

Figura 1 - Dissipação de cargas no solo por pneus com maior largura e menor pressão de inflação interna (A) e pneu mais estreito com maior pressão de inflação (B)


dados e bitolas adaptadas, em substituição ao conjunto trator/transbordo, mas essa aplicação ainda necessita de mais estudos no que concerne ao impacto do tráfego na estrutura física dos solos. Os transbordos atuais apresentam grande capacidade de carga e, com isso, suas dimensões aumentaram sensivelmente, principalmente o seu comprimento apresentando distância entre os eixos grandes, o que provoca pisoteio na planta, mesmo com tráfego controlado, pois o transbordo nem sempre acompanha a linha de tráfego do trator, principalmente nas curvas. Novas soluções de direcionamento do transbordo utilizando eixos esterçáveis e/ou GPS “escravo” estão sendo propostas para minimizar esse problema. A expansão do período de tradicional colheita, que ocorria sempre nos períodos secos, entre maio e outubro no Sudeste, para períodos mais chuvosos, como abril a dezembro em algumas regiões, fez com que as máquinas transitassem na área agrícola em condições inadequadas de umidade do solo, impactando ainda mais negativamente a sua estrutura. Infelizmente, esse processo também

ocorre em outras culturas agronômicas, já que no período das chuvas são necessários manejos intensivos de adubação, aplicação de defensivos e tratos culturais diversos, quando se conduzem cinco culturas em dois anos. A compactação crítica de um solo é dependente do grau de preparo deste, em função de sua granulometria, teor de água e textura, de forma que as primeiras passadas da máquina sobre a área produtiva em condições inadequadas causam severos impactos ao solo. Tal fato ressalta a importância do controle de tráfego, de forma a evitar a primeira passada das máquinas muito próxima das linhas da cultura. Estudos demonstram que após uma máquina pesada transitar sobre uma área agrícola em condições de alta umidade, o solo atinge cerca de 80% da sua compactação máxima. O novo cenário de produção da cana-de-açúcar deve contar com uma reengenharia para a sistematização e o preparo de solo, com vistas ao correto alinhamento de plantio da cultura, com o mínimo de terraços para propiciar a conservação do solo e da água, além de estruturar

Exemplo de lavoura sem planejamento do trânsito de máquinas, com sinais de rastros em diferentes sentidos, sem critérios definidos

a logística para que a cultura vegetal receba a menor interferência dos rodados das máquinas no seu desenvolvimento. É sabido que a presença da cobertura vegetal sobre o solo atenua o impacto dos rodados em subsuperfície, portanto, uma estratégia válida para minimizar a compactação é manter a cobertura permanentemente no solo, que se contrapõe à utilização do palhiço para a produção de energia. A sistematização, quando realizada de forma racional, pode reduzir o impacto das máquinas no solo, já que a linha da cultura é preservada e o entorno das raízes, com pelo menos 50% do volume do solo sem a interferência do trânsito de máquinas. Diversos trabalhos de pesquisa vêm sendo conduzidos para quantificar o impacto dos rodados no solo durante a operação de colheita, e muitos esforços estão sendo realizados para que as máquinas transitem longe das soqueiras de cana-de-açúcar durante as operações agrícolas, principalmente na operação de colheita, em que são utilizados veículos de grande peso e alto impacto no solo. Reduz-se o impacto dos rodados agrícolas na zona radicular da cana-de-açúcar quando se consegue manter um “afastamento seguro” das linhas da cultura e também procurar entrar na lavoura com máquinas em condições ideais de umidade. O afastamento mínimo dos rodados até a linha da cultura, considerado ideal por pesquisadores, é de, no mínimo, 0,25m e, quando respeitada essa distância, associada com o tráfego de máquinas em condições corretas de umidade no solo, o impacto sobre o desenvolvimento da cultura passa a ser bem menor. Uma das maneiras de se identificar e caracterizar as camadas compactadas do solo no campo, com rapidez e baixo custo, é determinar a resistência mecânica à penetração de um cone padronizado no solo, utilizando os penetrômetros, que pode ser correlacionada com a resistência imposta ao sistema radicular das plantas por densidade. Os penetrômetros são instrumentos de avaliação indireta do estado de compactação do solo e sofrem influência principalmente do teor de água

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Figura 3 - Resumo das principais operações mecanizadas em cada fase produtiva da cana-de-açúcar

no solo, que está diretamente relacionado com o seu estado de compactação. A diminuição do teor de água propicia o au-

mento da intensidade de atritos entre as partículas, este fenômeno é influenciado diretamente pela textura do solo. Desta

Características básicas de um sistema de controle de tráfego em máquinas agrícolas na colheita de cana-de-açúcar

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forma, os resultados apresentados pelo penetrômetro mecânico são afetados em suas leituras pelo efeito lubrificante que a água confere ao sistema solo. A equipe da Nempa Tech, da Universidade Estadual de São Paulo, Unesp/Botucatu, realizou um estudo para avaliar os impactos no solo, causados por diferentes passagens de um trator agrícola sobre o mesmo local de uma lavoura recém-implantada. Em uma área de Latossolo Vermelho Amarelo recém-preparada em sistema convencional, com aplicação de uma aração e duas gradagens, foi verificada a resistência à penetração do solo (com o uso de um penetrômetro eletromecânico) em zero, uma, cinco e dez passagens do trator sobre o mesmo local da lavoura. O trator utilizado, do tipo 4x2 TDA, possuía 80cv de potência no motor, com massa total de 4.225kg, distribuída na proporção de 65% sobre o eixo traseiro e 35% sobre o eixo dianteiro. Os rodados eram do tipo diagonal, sendo os traseiros 18.430 e dianteiros 14.9-24.


A Figura 4 apresenta os resultados de resistência à penetração do solo em função das diferentes passagens do trator. Estudos relacionando a física de solos e a capacidade de crescimento e desenvolvimento radicular das culturas afirmam que valores de resistência à penetração do solo superiores a 2MPa tornam o crescimento radicular e a absorção de nutrientes mais restritivos pela maioria das culturas vegetais. Na cana-de-açúcar, em função de um sistema radicular mais agressivo, esse valor pode chegar próximo de 3MPa. Assim, valores de resistência à penetração obtidos pelos penetrômetros podem ser corretamente interpretados e comparados com os valores de resistência encontrados pelas raízes ao longo do seu crescimento. Os resultados dessa pesquisa permitiram concluir que, em apenas uma passagem do trator sobre o solo recém-preparado, a resistência à penetração deste aumentou consideravelmente, atingindo valores críticos. No entanto, após cinco passagens não foi possível observar diferença significativa no incremento de resistência à penetração do solo, mostrando que o solo já estava no seu limite crítico de compactação. Desta forma, se for realizado um paralelo com a situação prática de campo, pode-se afirmar que não é permitido “errar” no tráfego e direcionamento das máquinas, sob a pena de se levar o solo para condições físicas inadequadas de suporte ao crescimento e desenvolvimento das culturas. Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas com vistas à redução da compactação do solo e minimização do tráfego das máquinas, sendo a mais recente delas a que realiza as diversas atividades culturais através de uma plataforma ou pórtico de grande largura, que suporta os diversos equipamentos utilizados desde o plantio até a colheita. Trata-se de um conceito antigo que está sendo pesquisado atualmente na aplicação atual devido ao avanço dos sistemas de direcionamento, robótica e agricultura digital. Essa máquina, em função de sua grande largura operacional, apresenta redução de até 60% na compactação do solo, em função princi-

Autores reforçam os benefícios do tráfego controlado em lavouras

palmente da redução de tráfego na lavoura e da aplicação de rodados de esteira. Ainda restam algumas dúvidas sobre a real aplicação, os custos e os benefícios destes novos sistemas, no entanto, o foco na mitigação da compactação do solo é “realidade” e representa uma das grandes barreiras da agricultura moderna. Além da não compactação do solo nas linhas das culturas, o tráfego controlado permite maior compactação na linha de tráfego, utilizando pneus mais estreitos com alta pressão de inflação interna, reduzindo o consumo de combustível e aumentando a capacidade de tração das máquinas, já que reduz o recalque dos pneus no solo e a resistência ao rolamento, melhorando a interação rodado-solo. Com isso, os custos operacionais das máquinas diminuem em função da menor patinagem dos pneus e, portanto, proporciona maiores velocidades e capacidades de

campo dos conjuntos motomecanizados. Muitos benefícios operacionais, energéticos e de sustentabilidade podem ser obtidos com a implantação do tráfego controlado e da canteirização da cultura, porém, seu custo de implantação e condução é bastante elevado, sendo necessária uma avaliação criteriosa antes da .M sua adoção. Equipe Nempa Tech Kléber Pereira Lanças, Unesp/Botucatu Aldir Carpes Marques, Ufla/Lavras/MG Michel Moura e André Campos Melo, Unesp/Botucatu/SP Fellippe Aaron Damasceno, Nempa Tech Daniel Roveri Balestrim, Gabriel Paleari Cassini e Danilo Pompermaier de Melo, Unesp/Botucatu

Figura 4 - Resistência à penetração para zero, uma, cinco e dez passagens do trator no solo após o preparo convencional

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TRATORES

Em ordem

Fazer a manutenção preventiva do sistema eletroeletrônico em máquinas agrícolas, apesar de não ser tarefa fácil, é de fundamental importância para o correto funcionamento dos sistemas que estão cada vez mais integrados

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ara o mecânico de manutenção, a eletricidade é sempre algo muito estranho, pois a mecânica é visual e palpável, já a eletricidade exige um conhecimento de algo que parece mais subjetivo, pois os elétrons dos circuitos elétricos não podem ser visualizados. É o conhecimento abstrato e isso é difícil de ser assimilado pelo mecânico. Mas a realidade da tecnologia atual exige que o mecânico também domine tal conhecimento, pois sem domínio dos conceitos básicos de eletricidade é impossível realizar serviços de manutenção no maquinário. São exigidos conhecimentos não apenas sobre elétrica, mas também de eletrônica e computação. Assim, a manutenção de máquinas requer do técnico de manutenção capacidade para realizar tais serviços. Então, abordaremos alguns deles, especialmente do sistema elétrico, sempre voltado para a manutenção preventiva. Mesmo no maquinário mais antigo, a eletricidade já se fazia presente nas luzes e sinalização e no sistema de partida do motor, utilização que ainda está presente no maquinário, junto com toda a tecnologia eletroeletrônica atual. O sistema de partida, que está presente em todos os maquinários providos de motor de combustão, também é onde deve ser o início da manutenção preventiva dos componentes e conjuntos eletroeletrônicos. A eletricidade fornecida para o sistema é da bateria. Aí temos os primeiros itens de manutenção, verificação das condições do componente quanto a vazamentos da solução eletrolítica, se não apresenta dilatação das placas e da carcaça, conexões dos bornes e terminais quanto à presença de correção ou de uma substância

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Fotos José Fernando Schlosser

Na manutenção elétrica, tudo começa pela bateria, que é responsável por grande parte de todo o funcionamento dos componentes do trator

danosa identificada como zinabre. Os serviços que devem ser executados na bateria necessitam de cuidados especiais, pois há riscos de faíscas, combustão violenta e contato com substância ácida. Portanto, para realizar a verificação, os profissionais precisam estar preparados e utilizando EPI adequado. Tais serviços envolvem limpeza e descontaminação ou, se for o caso, substituição dos bornes e terminais de conexões; verificação do nível do eletrólito, item que hoje não é mais necessário em alguns tipos de baterias, que são blindadas; e por fim os testes de verificação de carga e tensão elétrica da bateria. Após a bateria, segue-se na sequência a verificação dos cabos elétricos de maior espessura, que ligam os terminais negativo e positivo no chassi e no motor de partida, respectivamente. Também devem ser verificadas as condições de aperto e fixação corretos e quanto à presença de zinabre. Com o multímetro é preciso realizar os testes de continuidade e tensão nos pontos de fixação. O próximo item a ser inspecionado e testado é o motor de partida. Seguindo na sequência do circuito elétrico, o cabo elétrico da bateria deve ser conectado no terminal do relé (automático de partida), que requer manutenção quanto ao estado de conservação e presença de zinabre. Sempre que for detectada a oxidação por zinabre, o serviço que deve ser feito é afrouxar a conexão e fazer a remoção do material. Atualmente, existe um produto em forma de spray que pode ser jateado junto ao local e remove rapidamente o zinabre. Portanto, começamos pela limpeza dos terminais e conexões. Na sequência, é necessário realizar o teste do relé, que, por ser um componente eletromecânico, deve ser verificado quanto à presença de folga junto ao eixo que desliza por dentro de uma luva, onde

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Fotos José Fernando Schlosser

Conectores merecem uma atenção especial para garantir que zinabres ou sujeiras impeçam o funcionamento correto

há a presença do campo magnético da bobina do relé. Nos motores mais modernos esse relé é blindado e, portanto, sua manutenção é a substituição do componente, mas ainda há muitos motores em funcionamento que utilizam o relé e que permitem a sua desmontagem e eventual verificação do desgaste, com possibilidade de troca apenas do eixo interno, ou ainda apenas lubrificação. Lubrificar os componentes que estão sujeitos ao controle de campos magnéticos requer cuidados especiais sobre o lubrificante a ser usado, para que não haja interferências eletromagnéticas. Nesse caso, o mais recomendado são lubrificantes à base de vaselina ou silicone, sendo que é possível encontrar esses produtos também na forma de spray. É importante destacar, ainda, que quando não é feita a devida manutenção nesse relé auxiliar de partida e a folga aumenta, esse eixo móvel interno poderá desalinhar e, no momento do acionamento, travar desalinhado, não acionando o motor

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de partida. Quando o operador possui alguma informação, logo percebe, pois ao acionar a chave de partida, se ouve apenas um estalo forte - chamado no Sul de “laçaço” -, que é o aviso que o automático de partida está com o núcleo desalinhado. Uma leve pancada na carcaça do relé costuma ser o suficiente para liberar o eixo desalinhado. É evidente que tal procedimento é completamente inadequado, e embora ainda seja usado, não possui nenhuma recomendação técnica. A tal “pancada no burrinho” já ocasionou, muitas vezes, a quebra do componente. O recomendado é a manutenção e o reparo da peça com desgaste, conforme anteriormente descrito. Ao observarmos com um pouco mais de atenção um trator ou qualquer outro implemento agrícola atual, logo iremos perceber a presença de vários fios e conectores elétricos, e muitos fios em forma de cablagem, mais conhecidos como “chicote” elétrico, que estão interligados e conectados a vários componentes. Ao compararmos com um trator mais antigo, a diferença é saliente. O primeiro aprendizado é a cautela e leveza no manuseio de conectores e componentes eletrônicos, pois são frágeis e rompem com alguma facilidade. Claro que estamos comparando com componentes mais resistentes, como é o caso dos componentes mecânicos, que nor-

malmente são de ligas metálicas e mais robustos. Nos primórdios e com os primeiros lançamentos de veículos com eletrônica embarcada, houve a recomendação para que os técnicos em eletrônica realizassem treinamentos de injeção eletrônica e assim fossem preparados para executar os serviços de manutenção. O aprendizado do sistema de injeção eletrônica era muito fácil para quem já dominava a eletrônica, porém a execução dos serviços envolvia também tarefas junto a componentes mecânicos. Aí se apresentou um problema sério, o técnico de eletrônica não possuía as mínimas condições de lidar com ferramentas e componentes mecânicos, e o aprendizado para tal seria praticamente impossível. Então, mudou-se o foco, o mecânico passaria a ter um aprendizado básico de eletrônica e posteriormente faria o treinamento específico. Porém, ainda hoje há muitos desencontros, temos a nova profissão da mecatrônica, mas com baixos índices de aproveitamento. Na prática, o que acontece são os profissionais de mecânica adquirindo conhecimentos básicos de eletrônica e assim executando os serviços de manutenção, claro, isso com algumas dificuldades. Saber utilizar os aparelhos de diagnósticos e o multímetro na execução dos serviços é a grande vantagem a ser destacada, e o mecânico logo percebe que os serviços de pesquisa e detecção dos problemas ficam mais fáceis. Aquela ação que envolvia tempo para detectar onde poderia se encontrar a pane no funcionamento, agora ganhou um aliado de confiança, qual seja o equipamento de diagnóstico. Tanto na manutenção preventiva como na corretiva, a identificação da falha agora está mais fácil. Claro, se fazem necessários alguns procedimentos de confrontação das informações apresentadas pelo equipamento, daí a importância do conhecimento mecânico, para não se cometer um erro de interpretação. Em muitos casos, em que o mecânico apenas observou o resultado apontado no equipamento de diagnóstico e realizou a substituição de um determinado sensor, indicado com possível falha, sem realizar uma busca mais acurada no conjunto mecânico ou sistema onde o


sensor está inserido, o problema ou falha voltou a se apresentar. Então faltou uma interpretação do funcionamento de todo o conjunto mecânico do sistema onde o componente eletrônico estava inserido. Por exemplo, o operador informa que a luz de advertência de superaquecimento do motor em certos momentos acende ou fica piscando; o mecânico conecta o equipamento de diagnóstico e esse acusa falha no sensor de temperatura do líquido de arrefecimento. É preciso substituir o sensor!? E o líquido de arrefecimento, está correto? Aí está a diferença entre conhecer o sistema e os conjuntos mecânicos e seus funcionamentos. Assim, o técnico de manutenção irá primeiramente verificar todo o sistema de arrefecimento do motor, pois pode ser o líquido inadequado ou qualquer outro componente ou, até mesmo, a polia ou correia de acionamento da bomba d’água. O equipamento de diagnóstico e os componentes eletrônicos são aliados primordiais, mas o conhecimento e os serviços são de características mecânicas. E o que é um componente eletrônico? De forma simplificada, é um “semicondutor” de eletricidade. Qual seja um componente com capacidade de, em determinada condição, deixar ou não passar a corrente elétrica ou, ainda, fazer variar a corrente elétrica de acordo com alguma condição. Por exemplo, um componente que altera alguma de suas características conforme altera a temperatura onde ele se encontra pode ser utilizado como um sensor de temperatura e enviar um sinal elétrico variável para uma central de controle. Simples, rápido e eficiente, desde que funcione. Eis a eletrônica. Aí entra a manutenção. Também é de fundamental importância conferir o estado de conservação de todos os conectores, pois podem apresentar trincas ou ressecamento, o que pode alterar os valores do sinal elétrico. Numa breve síntese podemos afirmar que a eletrônica é uma realidade estabelecida definitivamente no maquinário, sendo possível entender seu funcionamento da seguinte maneira. O componente central de todo um sistema ele-

trônico é a unidade de controle, que nada mais é do que um microprocessador de dado, sendo que para tal necessita ser abastecido de informações que são enviadas pelos diversos sensores.A partir do programa instalado na unidade de controle, essa processa as informações e envia para os diversos pontos a serem controlados. Esses componentes são identificados como atuadores e deverão modificar ou alterar alguns funcionamentos do sistema onde estão inseridos. Esses atuadores são componentes eletromecânicos, eletro-hidráulicos, ou eletropneumáticos. Então, os sensores enviam sinais, a unidade central processa as informações e os atuadores entram em ação. Componentes eletrônicos e mecânicos convivem lado a lado hoje nas oficinas de reparação automotiva e de máquinas, bem como junto ao ferramental mecânico estão o multímetro e os equipamentos de diagnósticos. Há que se fazer um destaque para a grande diversidade de sistemas eletrônicos atualmente utilizados pelos fabricantes de máquinas e veículos, pois tal fato desencadeou também uma diversidade de sistemas e equipamentos de diagnósticos, o que acarreta custos elevados para a aquisição desses equipamentos. Em várias situações já se tentou uniformizar tais sistemas e criar um padrão de diagnósticos, mas até o momento ainda não se chegou a um consenso, pois envolve tecnologias específicas de fabricantes e não lhes é interessante tal padronização. Inclusive houve tentativa por par-

te da ISO, mas não foi possível. É um verdadeiro paradoxo, pois o que era para simplificar, leva em muitos casos a dificultar os serviços e encarece os custos de manutenção. Outro aspecto que também contribui para encarecer e dificultar as operações das máquinas e implementos é a diversidade de sistemas de controle e monitoramentos empregados e oferecidos aos usuários, pois cada fabricante tem o seu sistema. O produtor rural ou o administrador do maquinário defronta-se com situações inacreditáveis de adquirir um implemento e ainda ter que instalar um programa adicional, com novos monitores e adaptadores para que possa ser integrado ao que já possui no trator. Há caso de a cabine do trator apresentar-se como uma sala de informática, tantos são os monitores e cabos conectados, uma verdadeira poluição de TI que acarreta, em muitos casos, em dificuldades operacionais para o tratorista. Claro, já existem empresas de TI que estão buscando soluções para agrupar todos os sistemas em um único módulo central e conectado a apenas um monitor, porém os custos ainda são elevados. Com o advento da IoT no agro, talvez haja uma aceleração e um menor custo. A tecnologia está aí para nos oferecer novos recursos e facilidades. O mecânico que trate de .M acostumar-se em lidar com eles.

Joel Sebastião Alves, Instrutor de Operação e Manutenção de Máquinas e Implementos Agrícolas e Rodoviários

Comparativo de iluminação de um trator com faróis halógenos e LED

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CAPA

Leeb 5.280 VL Inovador e cheio de tecnologias, o Leeb 5.280 VL da Horsch é um pulverizador autopropelido que certamente vai impactar positivamente o mercado brasileiro, com soluções inéditas na aplicação de defensivos

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m mais um teste de campo com máquinas agrícolas, a equipe da Cultivar Máquinas e do Laboratório de Agrotecnologia da UFSM foi até a cidade de Pinhão, no estado do Paraná, para testar o pulverizador Horsch, modelo Leeb 5.280 VL. Este pulverizador foi apresentado ao mercado brasileiro em abril deste ano, durante a Tecnoshow de Rio Verde, em Goiás, mas já estava no campo desde novembro de 2021, quando entrou em comercialização, com a venda de uma primeira máquina a um cliente da marca. Este equipamento foi lançado na Alemanha em 2020, sendo um dos produtos de maior destaque. Por enquanto, o pulverizador que está sendo vendido no Brasil vem montado integralmente da

Aponte a câmera do seu celular e assista ao vídeo do test drive

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Alemanha, no entanto, a partir do ano que vem também serão construídas máquinas nacionais, já com código Finame. Segundo a equipe da Horsch, que estava nos apoiando no teste, um primeiro protótipo do equipamento nacional já está sendo preparado e ficará pronto ainda este ano. O procedimento de validação da Horsch, tanto para as máquinas importadas como para as que são construídas aqui no País, é bastante rígido e inclui provas de campo. Os interessados nessa máquina puderam vê-la em exposição, além da Tecnoshow, na AgroBrasília e na Bahia Farm Show, que foram as recentes feiras em que a Horsch

participou. O pulverizador que testamos estava na fazenda, onde estivemos para realizar o teste, desde dezembro do ano passado e já foi intensamente utilizado nesta safra. Atualmente, a marca já conta com algumas unidades comercializadas em operação no Brasil, com previsão de chegada de outras unidades.

O TESTE COM O LEEB

O modelo que testamos recebeu esta designação Leeb 5.280 VL por ter


cinco mil litros no depósito e 280cv de potência do motor. O VL é abreviação de Variable Large, que indica a possibilidade de variação de largura da máquina. O motor que equipa o pulverizador Leeb é da marca FPT, modelo N67, de seis cilindros, volume total de 6,7 litros e 280cv de potência máxima, com turbocompressor e injeção eletrônica de combustível. Nota-se uma diferença em relação aos demais pulverizadores, em que o arrefecimento do calor do motor tem fluxo vertical, ou seja, a ventilação é para cima, evitando o aquecimento de outras partes da máquina. O acesso ao filtro de ar e ao reservatório de óleo hidráulico se dá facilmente pelo deslocamento do operador através de uma plataforma que circunda e dá acesso ao tanque, logo atrás da cabine. A marca, em sua estratégia de comercialização, optou por não utilizar redes de revendedores e sim de concessionários, onde obrigatoriamente ha-

verá à disposição dos clientes o serviço de, pelo menos, um consultor técnico e outro comercial em cada concessionária. Esta atitude tem o intuito de manter a qualidade de atendimento ao cliente, com garantia de peças de reposição e mão-de-obra, já que todas as equipes da rede de concessionárias recebem treinamento direcionado e constante.

VEÍCULO

Um pulverizador autopropelido é um veículo de aplicação de produtos líquidos, a velocidades consideravelmente altas para a atividade agrícola e dotado de sistemas de pressurização, formação e deposição localizada de gotas sobre os diferentes alvos. O Horsch Leeb utiliza um chassi inteiriço, denominado ComfortDriveFlex, com longarinas e travessas formando uma estrutura em forma de “H”. O projeto previu uma distribuição de peso 50%/50% entre a parte dianteira e traseira do veículo, em trabalho. Para isso, a engenharia do fabricante optou por individualizar a barra de aplicação, utilizando uma estrutura em forma de paralelogramo, que transfere peso para trás, e a cabine teve de ser colocada em uma posição avançada à frente, equilibrando o conjunto no sentido longitudinal. Também, com o sentido de distribuição de

O Leeb possui chassi inteiriço em "H" e motores de roda independentes Fotos Charles Echer

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O vão livre entre o pulverizador e o solo pode ser regulado entre 1,60m e 2m de altura, com o equipamento em movimento ou parado

Todos os comandos do sistema de pulverização ficam localizados no lado esquerdo da máquina, com acesso facilitado

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peso e equilíbrio da máquina, foram montados, neste pulverizador, dois pares de pneus do tipo radial na medida 380/105-R54, que são de maior diâmetro do que usualmente se aplica neste tipo de máquina. Os pneus de grande diâmetro ampliam a superfície de contato no sentido do comprimento, sendo bastante favorável para a tração até mesmo em condições de relevo variadas encontradas no Brasil, além de diminuir a compactação do solo. A transmissão do movimento, partindo do motor às rodas, é feita por uma Transmissão Hidrostática Continuamente Variável. Utiliza uma bomba hidráulica, com motores individuais em cada roda. Em cada uma das rodas há um sensor indutivo, que mede instantaneamente a rotação e indica ao sistema uma possível perda de aderência da roda com o solo, fazendo com que a vazão seja direcionada para outra roda, diminuindo patinamento e garantindo dirigibilidade, segurança e precisão na condução. Portanto, o circuito hidráulico não é cruzado nem em linha, pois cada roda tem seu sensor e seu motor hidráulico com movimento independente. Uma característica deste veículo é que há uma prevalência do eixo traseiro em relação ao dianteiro, pois os motores de roda traseiros têm maior capacidade que os dianteiros, por causa da transferência de carga durante subidas de rampas. Em altas velocidades de deslocamento, próximas aos 30km/h, só os motores hidráulicos de roda dianteiros são utilizados. A transmissão proporciona velocidades de até 35km/h em operação e 50km/h em deslocamento. Há uma total integração entre o motor e a transmissão. Como a manutenção da velocidade de des-


O sistema de direcionamento do Leeb é feito nos eixos dianteiro e traseiro, garantindo um menor raio de giro, que facilita a reentrada nos finais de linha e menor índice de amassamento

locamento é prioritária em um pulverizador, pois varia a dose aplicada, o sistema de gerenciamento controla a rotação do motor, que não trabalha com rotação fixa, ajustando-a à velocidade de deslocamento que se deseja. Durante o trabalho de campo, verifica-se que o motor vai constantemente variando a rotação e a velocidade de deslocamento permanece constante, mesmo que o veículo esteja subindo ou descendo no terreno ou que haja um obstáculo a transpor, como um terraço, por exemplo. Logo, o comando multifunção tem o papel de contro-

lar a velocidade do equipamento, e não a rotação do motor diretamente. O gerenciamento automático de rotação do motor garante um menor consumo de combustível e menor desgaste de componentes, bem como protege o equipamento de eventuais erros de operação, como acionar a bomba com rotação elevada. Com uma variação bastante precisa, de 5cm em 5cm, o projeto contempla a regulagem da bitola entre 2,60m e 3,50m, tanto para a redução desta medida para o transporte como para o

ajuste a uma configuração de outras máquinas, para o tráfego controlado. É muito simples de ajustar de dentro da própria cabine, deslocando o veículo a uma velocidade reduzida. Não há trava e após o procedimento o serviço já pode ser iniciado. Essa modificação utiliza pistões hidráulicos colocados internamente dentro dos semieixos. O sistema está combinado com uma suspensão pneumática, onde existem amortecedores e molas pneumáticas, tipo bolsas de duplo fole, e duas hastes que guiam o curso. Além da regulagem da bitola, nesta máquina é possível

No painel principal do sistema de pulverização é possível, de forma ergonômica e simplificada, selecionar todas as funções. O tanque de produtos pode ser abastecido com água pela lateral, com sistema de moto bomba, ao lado dos demais comandos, ou pela frente, onde o próprio pulverizador tem um sistema que puxa a água pra dentro do tanque

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ajustar o vão livre entre 1,60m e 2m entre a superfície do solo e o equipamento. Dois cilindros hidráulicos em cada conjunto de suspensão faz este ajuste. Tudo isso possibilita a operação em diferentes culturas, adequando-se facilmente aos diferentes espaçamentos e à altura de plantas. O pulverizador trabalha com um circuito hidráulico em que são montadas duas bombas de pistões axiais, a primeira serve ao sistema de pulverização e resfriadores e a segunda abastece todos os componentes que usam óleo dinâmico como cilindros, comandos etc. No lado direito da máquina temos acesso a tudo que rodeia o motor. O depósito e o local de abastecimento de combustível Diesel, bem como o acesso a filtros de óleo ao alcance das mãos e de fácil visualização, facilitando a manutenção. Encaixado no depósito temos um local que serve de caixa de ferramentas, com porta.

CIRCUITO DE PULVERIZAÇÃO

O depósito de calda ou de água é de polietileno, com capacidade para cinco mil litros, e está montado em posição central do veículo, sendo bastante favorável para a manutenção da distribuição de peso, pois à medida que esvazia o volume, não desequilibra o peso e sua distribuição, como é o caso dos equipamentos que têm depósitos frontais ou traseiros. Para homogeneizar a calda, foram colocados sete agitadores, no fundo do depósito e acionados pelo retorno da bomba, sendo dois na parte frontal do depósito, um na saída do produto, dois na parte central e dois na parte de trás do depósito. O circuito de pulverização se inicia com a bomba do pulverizador, marca Hypro, tipo centrífuga, com vazão de até 1.177 litros por minuto, que recebe o fluido do depósito e gera pressão ao sistema, passando por duas válvulas: a primeira seletora de três vias, pode ser colocada em três posições,

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Fotos Charles Echer

sendo a primeira fechada, a segunda recebendo líquido do sistema principal e a terceira posição é a que faz movimentar o sistema de água limpa, que possui dois reservatórios, um de cada lado do pulverizador, totalizando 550 litros. Além de ser obrigatório por lei, este sistema é muito importante para várias funções durante a aplicação de produtos líquidos nas atividades agrícolas. Também há um reservatório de 15 litros exclusivo para lavagem das mãos e higienização do operador. Na primeira válvula, uma vez selecionada a opção de uso da água do depósito principal, entra em ação uma segunda válvula, que aí possui cinco vias, que são: 1) o fluxo direcionado para a aplicação com agitação; 2) o fluxo direcionado apenas para a agitação; 3) o fluxo direcionado para o misturador de produto com a água do depósito; 4) o fluxo direcionado para descarga e ou transferência; 5)

O sistema de bicos é inovador. A seleção de bicos é feita diretamente de dentro da cabine e a barra possui também bicos auxiliares distribuídos entre os bicos principais, que proporcionam um espaçamento de 25cm entre bicos para aplicações específicas

limpeza do filtro e chuveiros de alta pressão dentro do tanque. Para a proteção de todo o sistema de pulverização e seus componentes, a engenharia de fábrica contemplou três filtros de proteção contra a passagem de impurezas, iniciando por um filtro de malha 20 colocado antes da bomba e mais dois de malha 80 na linha pós-bomba. Todas as operações externas, relacionadas à pulverização, estão do lado esquerdo da máquina, incluindo o aces-

so à bomba e aos filtros. Os comandos de preparação de calda, abastecimento de produto, limpeza e higienização e pré-regulagens para operação estão reunidos em um só lugar, em uma espécie de painel. Possibilitando, assim, maior ergonomia, simplicidade e agilidade na operação.

BARRA

Como informamos antes, a barra de pulverização está individualizada do veículo, presa a ele por meio de um quadro

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Fotos Charles Echer

central, que se liga ao chassi do pulverizador por meio de um paralelogramo, que levanta e abaixa a barra sem alterar a posição vertical e em consequência sem mudar a direção do jato. O quadro central pode ser regulado a uma distância do solo de 0,30m a 2,70m, podendo servir à aplicação em cultivos em estágios diferentes de crescimento e produ-

Sensores na barra de pulverização garantem que ela permaneça sempre nivelada ao solo

tos químicos de diferentes natureza e finalidade. Inovador e muito interessante é o ponto de ligação da barra com o quadro

A escada de acesso à cabine e à parte superior da máquina recolhe e estende automaticamente

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central, que é único. Isso significa que apenas um ponto une a barra ao restante do equipamento, fazendo com que ela tenha liberdade para oscilar e adequar-se aos movimentos necessários para se manter na horizontal. Um sensor denominado giroscópio detecta a oscilação e, comunicando-se com os demais sensores de altura da barra, garante que ela permaneça sempre nivelada com o solo. Este sistema de estabilização, denominado BoomControl, é de propriedade industrial da Horsch. O sistema possui também um par de cilindros hidráulicos, que atuam separadamente para estabilizar a barra, e seis sensores ultrassônicos, três de cada lado do equipamento, além de dois tirantes que mantêm a barra estável. Acumuladores hidráulicos foram colocados no centro do quadro, para amortecer as vibrações decorrentes do deslocamento do veículo no terreno agrícola, geral-


mente irregular. Um ponto alto que pudemos comprovar no teste de campo foi o sistema de seleção automática de bicos, denominado AutoSelect, que trabalha com três bicos de pulverização. Esse sistema, que foi premiado como inovação na edição 2017 no Salão Internacional de Máquinas Agrícolas, em Paris, faz a seleção automática de bicos conforme a velocidade de trabalho, proporcionando mais qualidade na uniformidade de aplicação. A altura da barra porta-bicos se ajusta automaticamente ao tipo de bico utilizado e em função de seu perfil de distribuição. Ativando todos os bicos (bicos ativos a 25cm sobre a barra) ou fechando os alternados (bicos ativos a 50cm), se pode modificar a altura de pulverização, evitando a deriva e aumentando a eficiência. Assim, conforme se necessite incrementar a vazão, que atua com modulação por largura de pulso, a eletrôni-

ca do pulverizador vai liberando bicos por meio de um controle pneumático, podendo, de acordo com a necessidade, aplicar com uma distância entre bicos de 25cm a 50cm, sendo os primeiros denominados auxiliares e os que estão a 50cm, denominados principais. Para o Brasil, há disponibilidade de um único comprimento de barra de 36 metros, dividida em seis seções, três de cada lado. No sistema de corte de vazão nos bicos, a barra está dividida em 42 seções, interrompendo a vazão, quando do sobrepasse, a cada dois bicos na parte central da barra e a cada bico nas extremidades da barra. A última seção é totalmente fabricada em alumínio e possui um dispositivo antichoque com obstáculos, que evita danos à barra. Em todo o comprimento da barra há um defletor aerodinâmico por trás da saída do bico, que tem a função de evitar a de-

Com painel bastante limpo e dois monitores que centralizam todas as informações da máquina e do sistema de pulverização, o Leeb possui uma cabine com excelente espaço interno e ampla visão

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Fotos Charles Echer

dro central, nota-se, para o fechamento da primeira seção, a existência de cilindros hidráulicos de dupla ação, um de cada lado da estrutura, divididos em duas partes, sendo a primeira para o fechamento das barras e a outra para o amortecimento da vibração da barra, atuando em conjunto com os acumuladores pneumáticos, um de 70bar de pressão no centro e outros dois de 35bar cada.

CABINE

O Leeb 5.280 VL comercializado no Brasil possui barras de pulverização de 36 metros de largura

riva, que geralmente acontece pela ação do vento relativo, na saída do jato. O fechamento da barra é muito rápido, podendo ser feito em menos de um

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minuto, primeiro subindo a barra e depois fechando-a para frente, até que ela se encaixe no suporte colocado à frente do depósito principal. No qua-

A cabine do pulverizador Horsch Leeb é da marca CLAAS, tem 3,5m3 de espaço interno e uma área envidraçada de 7m2. Ao entrar se notam a qualidade e a amplitude deste espaço. A entrada, pelo lado esquerdo, é feita com o auxílio de uma escada giratória, acionada a partir do posto do operador. Um banco do operador premium, dotado de regulagem de posição, tanto de altura como aproximação do assento, verifica automaticamente a presença do operador e mede a pressão que deve trabalhar o banco, avisando e interrompendo o funcionamento do equipamento, sempre que o operador levantar do assento. A coluna da direção é ajustável tanto na posição de altura (sentido vertical) como de aproximação, na horizontal. No lado direto está colocado um console, com comando multifuncional, com memorização de até duas velocidades configuráveis, um painel multifunção e os comandos, além de dois monitores. O primeiro é veicular, totalmente configurável, que informa de maneira bastante completa o funcionamento do veículo como um todo. Também à direita do posto do operador há um monitor de pulverização que é standard, da marca Trimble, mas se o cliente informar no momento da aquisição pode utilizar monitor de outra marca, sem problemas de adaptação e conflitos.Destaca-se também a presença de uma câmera de ré e condicionador de ar digital.


ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

Esta máquina impressiona, além da qualidade construtiva, pelo tamanho. O peso em vazio é de 13 toneladas e pode chegar a 20 toneladas na condição de trabalho, com todos os depósitos cheios. O transporte de um grande equipamento como este geralmente é uma dificuldade. No entanto, um dos diferenciais deste modelo, mesmo com todo o seu tamanho, é que o projeto permite passar da configuração de trabalho para o transporte de forma simples e rápida. No carregamento ou mesmo no deslocamento pode chegar a um comprimento de 11,7 metros, altura de 3,9 metros e largura de 3,20 metros.

TESTE

O teste de campo do pulverizador Horsch Leeb foi realizado na Fazenda Santa Bárbara, localidade de Boa Cria, Município de Pinhão, no estado do Paraná, distante 77km da cidade de Guarapuava. Na propriedade do senhor Eduardo Reinhofer se produz aproximadamente 2.500 hectares de soja e milho no verão e cevada e trigo no inverno. Todas as áreas são manejadas em sistema de plantio direto, com uso de plantas de cobertura no inverno, principalmente o nabo forrageiro, a aveia e o centeio. Uma paisagem muito bonita demonstra áreas de produção mescladas com áreas de preservação permanente e reserva legal. O nosso teste foi feito em uma área coberta por nabo forrageiro, já em estágio de floração e com porte médio de 80 a 90 centímetros. Em função do estágio da cultura de cobertura escolhemos uma velocidade de aproximadamente 10km/h, com um volume de aplicação de 80 litros por hectare. Tivemos o apoio do operador de máquinas Leandro Mendes, que está há alguns anos nesta função na fazenda, mas que tem larga experiência com outras marcas. Desde a chegada do equipamento, menos de um ano, ele só tem elogios para o desempenho do pulverizador, destacando principalmente o conforto e a economia de combustível. Ele nos contou que recentemente fez uma aplicação em 500 hectares com apenas 256 litros de combustível, o que é muito menos do que se gastava com o equipamento anterior, e que o conforto e a facilidade do uso do piloto automático lhe permitiram trabalhar em uma jornada extensiva e excepcional, sem sentir cansaço. Mesmo com o deslocamento para áreas descontínuas foi possível manter a média de 14km/h e chegar a uma capacidade operacional de

47ha/h. Fomos auxiliados com toda a logística e informação da máquina, pelo engenheiro agrônomo João Vitor Dombroski, que é especialista em Produto da Horsch, e pelo engenheiro eletricista Leon Rocha, que tem a função de especialista Suporte ao Produto, além do engenheiro agrônomo Samuel Barros, que é especialista Marketing de Produto da marca. Depois de muitas horas em contato com a máquina e em trabalho de campo, vários destaques podemos fazer. Em primeiro lugar, a qualidade industrial do produto, que é notável e sobe, sem dúvida, o grau de exigência dos demais produtos do mercado. Muitos componentes em aço inox, principalmente em pontos de desgaste por oxidação, chicotes elétricos e de tubulação de líquidos bem protegidos e colocados estrategicamente para evitar movimentação e rupturas. Também notam-se alguns requintes tecnológicos, como o jato de água limpa que é pulverizado sobre os focos de luzes de iluminação da barra, que servem para limpeza. Também o sistema de direcionamento pelas quatro rodas, que esterçam de maneira conjugada, mas que pode haver o bloqueio das rodas no eixo traseiro. Com um equipamento tão complexo e inovador, o fabricante disponibiliza treinamento aos operadores dos seus clientes através de uma entrega técnica, que é formada por duas partes. A primeira, em que é fornecida uma completa explicação do abastecimento, transporte, funcionamento geral, resolução de problemas e limpeza do equipamento e a segunda parte, em que é feito o acompanhamento de uma aplicação no campo. Após este treinamento a equipe de suporte fica à disposição e esclarece dúvidas tanto a distância como de forma presencial. O manual de instruções do equipamento é bastante completo e está disponível no centro de downloads da página web da Horsch, em formato eletrônico, com 309 páginas, contendo informações de segurança, operação e regulagem e para a ma.M nutenção preventiva e corretiva do equipamento.

José Fernando Schlosser, Natã Balssan Moura e Junior Osmari, Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas da UFSM

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PULVERIZADORES

Precisão D cirúrgica A aplicação localizada de defensivos ganha novo impulso, com novas tecnologias que permitem economizar produtos e garantir o controle não só de plantas daninhas, mas também de pragas e doenças

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esde que se começou a falar em Agricultura de Precisão na década de 1990 iniciaram-se estudos para o uso da técnica de Aplicação Localizada de Defensivos agrícolas. Mas naquele momento, a técnica não deslanchou, e quase ninguém adotava em larga escala, a não ser em pequenos nichos do segmento agrícola, como na catação na cana-de-açúcar. Sua aplicação no segmento de cereais somente ocorria dentro dos limites dos experimentos acadêmicos. Mas esse cenário mudou, e as técnicas de uso da aplicação localizada de defensivos ganha novo impulso na atualidade. Mas o que mudou de lá para cá? A Aplicação “Localizada” de Defensivos surgiu como uma técnica de aplicação de herbicidas de forma variável espacialmente no talhão, seja por dose variável (L/ha) ou somente a localiza-


Fotos Fábio H. R. Baio

Plantas daninhas em diferentes estádios fenológicos, ocorrendo em reboleiras ou não

ção da abertura e fechamento dos bicos (sistemas on/off). O termo “localizado” remete ao fato da necessidade da localização do “alvo” da aplicação, que no início do uso da técnica se referia às plantas daninhas. Esse processo de “localização” do alvo pode ser realizado por duas vertentes tecnológicas: por uma etapa anterior à aplicação em si, e que se denomina etapa do mapeamento; ou o alvo pode ser localizado “em tempo real” no mesmo momento da aplicação, pelo uso de sensores que o identifica em campo. Portanto, o segmento de máquinas já estava pronto para suprir a demanda por essa tecnologia, as máquinas pulverizadoras já existiam. Todavia, havia uma pedra no meio do caminho, para a disseminação em maior amplitude do uso dessa tecnologia lá no início dos anos 2000, principalmente no segmento de cereais. Havia um problema agronômico ainda não superado. A etapa de mapeamento das plantas daninhas nunca foi uma tarefa corriqueira. Estudos de mapeamento desses alvos por uso de pontos amostrais demostraram-se ineficazes para grandes áreas. Tentou-se até mapear o banco de sementes, mas ainda a dinâmica populacional é muito particular de cada espécie. Sabia-se então que o uso das tecnologias de sensoriamento remoto era a grande chave para

transpor essa barreira. Contudo, naquele momento não se tinha disponível à grande população imagens de satélites de elevada resolução espacial, e muito menos existiam drones sendo usados em maior escala na agricultura, como hoje. Já no segmento de cana, e mais tarde no segmento florestal, a tecnologia de aplicação localizada de herbicidas foi bem aceita, principalmente pelo uso da técnica de aplicação localizada em tempo real por sensores, em substituição considerável da mão de obra na operação de catação de plantas daninhas (capina mecânica localizada ou pulverização com costal). Kits de sensores de aplicação localizada foram instalados aos montes em quadriciclos para esse tipo de operação.

Houve uma mudança tecnológica relativamente recente que desviou a atenção do mercado agrícola novamente para a utilização da aplicação localizada de defensivos. O cenário mudou, e estamos utilizando cada vez mais esse tipo de equipamento, principalmente agricultores que já convivem com a agricultura de precisão. Em meados dos anos 2000 tivemos a liberação para comercialização de Organismos Geneticamente Modificados. Talvez esse tenha sido o principal ponto de alavancagem de uso da tecnologia de aplicação localizada. Com a adoção imediata pelos agricultores aos materiais geneticamente modificados, houve uma grande pressão para o surgimento de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas. Concomitan-

Sensores espectrais instalados na barra para o controle de abertura das pontas por válvulas PWM

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Fotos Divulgação

Sensores identificam área foliar verde e indicam o local da aplicação do herbicida, que é feita em tempo real

temente a esse fato (resistência de plantas daninhas), no início da década de 2010 a agricultura passou a utilizar drones. Esses equipamentos inicialmente eram usados para mapeamentos aéreos, e mais recentemente (2020) na operação de pulverização. Esse cenário, principalmente da resistência de plantas daninhas, despertou a necessidade da aplicação localizada de herbicidas para contribuir na redução dos custos de produção. O mercado de máquinas desse segmento se aqueceu novamente. Várias empresas iniciaram o desenvolvimento, e muitas o aprimoramento, de equipamentos para aplicação em tempo real. E na vertente da aplicação localizada pelo mapeamento do alvo, a conjuntura da maior utilização dos drones em mapeamentos também auxiliou na facilitação da obtenção dos mapas de plantas daninhas em larga escala, e era o que estava faltando para ser utilizado por grandes empresas agrícolas. Startups nesse nicho do mercado estão se popularizando. Essa tecnologia evoluiu rapidamente nesses últimos anos. Alguns desses sistemas passaram a utilizar Inteligência Artificial (IA) computacional, que auxilia na identificação das espécies de plantas daninhas. A identificação das espécies permite atualmente, já comercialmente, a separação do que é cultura e do que é planta daninha (seja em sistemas embarcados ou pelo processo de mapeamento em etapa prévia à aplicação). Estamos a um passo de ver esses sistemas “separando” espécies diferentes de plantas daninhas, possibilitando a variação da “dose” do herbicida, seja pela variação da taxa de aplicação ou pelo uso de sistemas de injeção direta de defensivos. Em alguns pulverizadores para aplicação localizada em tempo real, a IA opera em tempo real na máquina, podendo decidir onde e quanto aplicar. Outra tecnologia que contribuiu no desenvolvimento

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desses sistemas, e que vem se tornando cada vez mais popular nos controladores eletrônicos de pulverização, são as chamadas válvulas PWM (válvulas eletro-hidráulicas instaladas nos bicos dos pulverizadores e que “modulam/variam” o tempo de abertura e fechamento do fluxo hidráulico da calda). Essa tecnologia facilitou o controle da abertura dos bicos pulverizadores, e é capaz de variar a taxa de aplicação, pela variação da vazão associada ao tempo em que o bico permanece aberto, e sem variar o tamanho de gota, pois não altera na prática a pressão. Há sistemas que necessitam de um sensor por bico na barra do pulverizador, outros são instalados nas barras em Mapa de índice foliar em determinada área, que mostra os pontos de aplicação localizada de herbicidas


faixas maiores. Os sensores podem ser do tipo espectral ou multiespectral (mais de uma banda espectral). As bandas espectrais são faixas do espectro eletromagnético que refletem luz das plantas, sendo essa energia luminosa mensurada pelo sensor. Na grande maioria dos casos, os sensores utilizados na pulverização agrícola são ativos, ou seja, possuem sua própria fonte de luminosidade para esse trabalho, assim, podem trabalhar de noite. Há diversas bandas espectrais usadas pelos sensores atuais, variando entre os mais simples que leem somente o verde (qualquer verde, incluindo tinta), outros que leem o infravermelho, ou o vermelho, e os mais sofisticados multiespectrais que calculam índices de vegetação, como o NDVI. Relatos de agricultores na região dos Chapadões/Cerrado reportam uma economia entre 67% e 82% de redução do uso de herbicida específico para plantas resistentes. Essa economia, dependendo da infestação e da escala de plantio, paga o investimento no sistema de aplicação localizada em menos de duas safras. O uso do equipamento não está atrelado somente ao controle de plantas daninhas resistentes. Em um experimento agrícola recente realizado na mesma região citada (Zanin et al., 2022), os autores avaliam e demonstram que essa tec-

Trimble

Sensores responsáveis pela identificação das plantas daninhas

nologia também pode ser aplicada para a redução de outros defensivos nas culturas da soja e do milho, além do herbicida. A ideia parte do princípio em que nos estádios iniciais do ciclo de cultivo, essas culturas não recobrem totalmente o campo, havendo então a possibilidade da pulverização somente nas folhas das plantas e não diretamente no solo, desperdiçando insumo e elevando o custo de produção. A Figura 1 ilustra

a redução percentual de defensivos agrícolas no cultivo de soja e milho pelo uso de um sistema de aplicação localizada em tempo real. Enquanto nas aplicações de dessecação das plantas daninhas obviamente foram aplicados somente herbicidas, nas aplicações em pós-emergência das culturas (1ª aplicação na soja e 1ª a 4ª aplicações no milho) foram também aplicados fungicidas e/ou inseticidas. Observou-se que na cultura da soja, a variabilidade na redução do uso de defensivos foi de 12% a 96%, e no milho cultivado em espaçamento de 0,9m essa variabilidade foi de 17% a 85%. A maior ou menor redução no uso de defensivos também pode estar associada à arquitetura da planta cultivada, pois em maior espaçamento entre linhas, demora mais para o fechamento completo das entre linhas. Mais investigações são necessárias para determinar até que ponto esses resultados podem ser expandidos para outras culturas, variedades e outros tipos de aplicações. Mas, certamente, é factível o uso dessa tecnologia em outras aplica.M ções, além de herbicidas somente.

Fábio H. R. Baio, Alex R. A. Zanin, Danilo C. Neves e Paulo E. Teodoro, UFMS

Figura 1 - Resultados da aplicação localizada em duas Fazendas/GO, em uma área total de 3.600ha, cultivando soja (A) safra e milho (B) segunda safra entre 2018 e 2019, e pelo uso do equipamento Weed-It®

.M

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MANUTENÇÃO Fotos Divulgação

Sinais de desgaste Alguns sinais são alertas para falhas em mancais de rolamentos. Por isso, é necessário saber interpretá-los para realizar intervenções necessárias antes que outros componentes sejam prejudicados

A

s falhas em mancais de rolamento acontecem em quatro estágios. Durante o primeiro estágio, ou ponto inicial de detecção, utilizando-se a análise de vibrações, os sinais aparecerão em faixas de frequência por volta de 250KHz - 350KHz. No segundo estágio, um sinal na faixa de 500Hz – 2.000Hz (sua frequência natural) começará a surgir. No começo do terceiro

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estágio, as harmônicas da frequência fundamental começarão a ser bastante aparentes e defeitos nas pistas do mancal de rolamento são, agora, óbvios e serão visíveis na análise de vibrações do sinal de ruído. Neste estágio, haverá uma significativa elevação da temperatura de operação do mancal de rolamento. Durante o quarto estágio, o nível de vibrações se elevará bastante. A frequência

fundamental e as harmônicas começarão a diminuir e a intensidade de ruídos ultrassônicos aleatórios será incrementada. A temperatura de operação se elevará vertiginosamente à medida que o mancal sofre autodegeneração. Ocorrerão, portanto, sinais de advertência anteriores à falha de um mancal de rolamento. A questão real é sabermos como detectar, com antecedência, uma falha antes que ela venha a se tornar catastrófica. As tecnologias mais populares para detecção precoce de avarias em mancais de rolamento são: análise de vibrações, análise do óleo lubrificante em uso, monitoramento por ultrassom e inspeção por termografia. Pode-se, por meio destas ferramentas, comparar o estado atual a dados históricos e avaliar, com precisão, a vida remanescente do mancal de rolamento. Análise de vibrações e de óleos lubrificantes em uso é considerada a melhor forma de predizer falhas em mancais de rolamento, mas nem sempre é a que apresenta o melhor em termos de custo e benefício. Fabricantes de equipamentos originais


(OEMs) de mancais de rolamento, há longa data, têm estudado a relação entre a vida de mancais de rolamento e suas temperaturas de operação, desenvolvendo, inclusive, fórmulas matemáticas para se avaliar as temperaturas seguras de operação e fica bastante claro que uma vez que o mancal de rolamento passa a operar fora da faixa ideal de temperatura de trabalho, a sua vida útil diminuirá de forma acelerada. A cada 15°C, acima dos 70°C, de elevação da temperatura de operação em um óleo lubrificante de mancal de rolamento, a sua vida útil cairá à metade. Em face do anteriormente exposto, por que, então, a inspeção por termografia não é o método de manutenção preditiva mais utilizado em monitoramento da vida útil de mancais de rolamento? Fato é que o monitoramento da temperatura de operação de mancais de rolamento nem sempre é considerado algo confiável em face da quantidade relativamente numerosa de variáveis que contribuem para a geração de calor. Temperatura ambiente, atrito, variação de velocidade, carga de trabalho e tempo de serviço influenciam a temperatura de operação de mancais de rolamento e serão medidos, indistintamente, pela inspeção por termografia. O atrito é a variável que mais deve preocupar ao se tentar predizer falhas em mancais de rolamento. Porém, como se pode separar o atrito das outras variáveis? Se for possível levar-se em consideração, com precisão, todas as variáveis que provocam a elevação da temperatura de operação em mancais de rolamento, esta forma de monitoramento poderá ser um ótimo indicador de falha iminente. O método mais barato e mais fácil para se realizar avaliações pontuais de falhas em mancais de rolamento é utilizar um termômetro infravermelho sem contato, tendo o cuidado, no entanto, de levar em consideração todas as prováveis variáveis que podem provocar a elevação da temperatura de operação. Em resumo, podemos dizer que o uso combinado das várias técnicas de manutenção preditiva é o mais indicado como forma de se detectar, antecipadamente, indícios de falhas em mancais de rolamento, visto que cada técnica tem as suas fortalezas e debilidades. Peculiaridades de uma das técnicas complementarão as demais e o conjunto de procedimentos utilizados, juntamente com a experiência prática dos técnicos de manutenção, poderá evitar avarias catastró.M ficas e indisponibilidade de maquinário. Marcos Lobo, Qu4ttuor Consultoria

Falha em mancal de rolamento, identificada por elevação da temperatura

Monitoramento por ultrassom e inspeção por termografia

FTP

Detecção de falhas em mancais de rolamento utilizando análise de vibrações

Análise de vibrações e de óleos lubrificantes em uso

Medição de temperatura a distância com termômetro infravermelho

Equipamentos originais são sempre os mais indicados na hora da substituição

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PULVERIZAÇÃO

Efeito dominó

Associar adequadamente a seleção correta da ponta de pulverização, da pressão de trabalho, incrementada pela adição de um adjuvante, permitirá atender ao conceito da tecnologia de aplicação, com a colocação correta dos produtos no alvo, na quantidade necessária, de forma econômica e com o mínimo de contaminação

D

Spraytec

urante o processo evolutivo das plantas, diversos mecanismos de sobrevivência e agressividade foram desenvolvidos para permitir a sobrevivência das espécies, tais como a resistência às adversidades bióticas e abióticas no ambiente, o desenvolvimento de estruturas de reserva de energia, a alta produção e ampla dispersão de sementes, a dormência e germinação escalonada das sementes, a produção de substâncias atrati-

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vas para sinergistas ou tóxicas para antagonistas, entre outros. Os danos causados pelas plantas daninhas nas culturas agrícolas se dão pela competição por recursos como nutrientes, luz, água e o espaço onde se encontram, comprometendo então seu desempenho agronômico, além de dificultarem operações mecanizadas de tratos culturais e de colheita. Devido a isso, para obter as produtivi-

dades esperadas nos cultivos, faz-se necessário proceder ao controle das plantas daninhas, que envolve diversas técnicas, que incluem controle mecânico, cultural, biológico e químico. Diversos fatores afetam a eficácia do controle no campo, incluindo a identificação e quantificação do alvo, e as características de solo e de clima. A consideração destes fatores permitirá a tomada de decisão adequada, sendo o ponto de partida fundamental para


A adição de adjuvantes pode ser uma solução para determinadas condições de aplicação

o início do tratamento fitossanitário. A tomada de decisão deve considerar, segundo o conceito reinante no Brasil, definido pelo professor Tomomassa Matuo, aposentado pela Unesp de Jaboticabal/SP, a colocação correta de produto fitossanitário no alvo, com a quantidade necessária, quando e se for necessário, de forma econômica e com o mínimo de contaminação. É interessante nas aplicações de produtos fitossanitários que ocorra homogeneidade das gotas pulverizadas. No entanto, a formação de gotas por energia hidráulica não resulta em tal uniformidade, comprometendo a deposição das gotas e consequentemente a cobertura adequada dos alvos. Desse modo, a seleção criteriosa das pontas de pulverização, bem como as condições de aplicação, é importante para que não sejam produzidas gotas muito finas ou muito grossas, evitando, assim, perdas por deriva causadas pelo vento ou escorrimento por conta do excesso. Faz-se necessário conhecer as características que cada ponta proporciona, visando a correta escolha e, assim, garantir aplicações mais eficientes e seguras para o meio ambiente. A seleção da pressão de trabalho também é fundamental para obter o melhor resultado da aplicação. Selecionar a ponta certa e trabalhar com a pressão errada condena a primeira, prejudicando significativamente o resultado da aplicação. Tais características podem e devem ser encontradas nos catálogos dos fabricantes, geralmente disponíveis para consulta, diretamente com os representantes comerciais, ou em literaturas básicas e em trabalhos de pesquisa. Outra forma de auxiliar e potencializar a eficácia das aplicações de produtos fitossanitários é o uso de adjuvantes, que tem sido frequente. Os adjuvantes são substâncias ou compostos sem propriedades fitossanitárias que, quando adicionadas à calda, podem atuar como espalhantes, adesivos, antiespumantes, acidificantes, quelatizantes, espessantes e redutores de deriva, facilitando a aplicação, ou a interação dos produtos com os alvos, aumentando a eficiência e diminuindo perdas. Entretanto, a escolha e o uso equivocado dos adjuvantes po-

dem afetar negativamente as propriedades físico-químicas da calda e comprometer o resultado da aplicação e a eficácia dos produtos, além de significar, a priori, desperdício de recursos. Por outro lado, se bem utilizados, os adjuvantes podem propiciar a compatibilidade e estabilidade das formulações, efeitos na tensão superficial, a formação, transporte, deposição e o espalhamento das gotas sobre as superfícies tratadas, que podem ser mais uniformes e menos suscetíveis à deriva. Em conjunto, essas alterações podem colaborar para a eficácia do tratamento realizado. O uso de adjuvanFotos Rafael Cardoso

Valtra

Charles Echer

Infestação de plantas daninhas em diferentes níveis e estágios

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Fotos Rafael Cardoso

Seleção de pontas e pressão de trabalho são fundamentais para garantir a qualidade na aplicação

tes, quando utilizados de forma correta, pode, também, auxiliar no manejo de variáveis climatológicas e operacionais, a fim de controlar ou minimizar os problemas relacionados a tais variáveis. No caso da aplicação de herbicidas, em específico, os adjuvantes podem auxiliar na eficácia do controle de plantas daninhas através da alteração do pH e do aumento da disponibilidade de íons ativos a serem absorvidos pelas plantas daninhas e homogeneização efetiva da mistura dos produtos na calda. Podem, ainda, ajudar no controle de daninhas pelo aumento da

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cobertura de pulverização sobre a folha do alvo, resultando em melhora da eficácia. O uso dos adjuvantes, quando bem-posicionados, colaborou com diversos aspectos citados, desde a melhor interação dos produtos no tanque dos pulverizadores até o melhor espalhamento de gotas para a promoção do efeito desejado e controle do alvo. Assim, associar adequadamente a seleção correta da ponta de pulverização e da pressão de trabalho, incrementada pela adição criteriosa de um adjuvante, permitirá atender ao conceito da tecnologia de aplicação, com a colocação correta dos produtos no alvo, na quantidade necessária, de forma econômica e com o mínimo de contaminação. Esta atitude é responsável tanto do ponto de vista da utilização dos recursos disponíveis para o tratamento fitossanitário, sem desperdício e com respeito aos investimentos dos produtores rurais, quanto da segurança de cultivos vizinhos e do meio ambiente. Atender a estes requisitos com profissionais habilitados e conhecedores das aplicações se alinha à agricultura sustentável, alicerçadas integralmente pelas boas práticas agrícolas. Como resultado esperado, meio ambiente equilibrado, campo limpo e boas colheitas. Sigam, portanto, com competência e consciên.M cia e sucesso em suas aplicações. Rafael Alexandre Jiacometi Cardoso, Ana Beatriz Dilena Spadoni, Pedro Henrique Urach Ferreira Marcelo da Costa Ferreira, Unesp/FCAV


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Cultivar Máquinas 226 - Maio 2022 by Grupo Cultivar - Issuu