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Grande Consumo N.º 50-2018

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A º50/201 n.

“Supersize Me”

TEXTO Carina Rodrigues FOTOS Shutterstock

10 cadeias de supermercados são responsáveis pela comercialização de quase 50% dos alimentos vendidos na União Europeia. Apenas 50 indústrias garantem metade das vendas de alimentos no mundo, só quatro empresas produzem 60% dos alimentos para crianças e 80% do mercado de chá é controlado por três operadores. Uma monopolização alimentar para a qual a Friends of The Earth Europe alerta, por acarretar riscos em termos de sustentabilidade futura.

O “Agrifood Atlas” proporciona dados sobre a concentração da produção alimentar e as suas consequências em termos de emprego, condições laborais, produção no futuro ou a capacidade de escolha dos consumidores. O estudo foi feito em colaboração com a Fundação Rosa Luxemburgo e a Fundação Heinrich Boll e a sua apresentação coincidiu com a decisão da Comissão Europeia sobre a autorização da fusão entre a Monsanto e a Bayer. De facto, das 12 maiores fusões assinaladas nos últimos dois anos, cinco envolveram empresas do sector agroalimentar. Os negócios entre a Bayer e a Monsanto, a Kraft e a Heinz ou a Dow e a DuPont são apenas a ponta do icebergue. Um outro estudo da responsabilidade do lobby agrícola italiano Coldiretti, apresentado no Fórum Internacional de Agricultura e Alimentação, após a aquisição da Whole Foods Market pela Amazon, a que a Google respondeu com uma aliança com a Walmart, líder mundial em distribuição de alimentos, vem confirmar esta situação. Um pe-

queno número de multinacionais controla a cadeia de abastecimento alimentar global, das sementes aos pesticidas, passando pela transformação industrial e distribuição comercial, prática que, de acordo com o Coldiretti, coloca a liberdade de escolha por parte do consumidor em risco, assim como os standards de segurança alimentar. A associação adverte que 1,4 mil milhões de agricultores estão “nas mãos de poucos grandes grupos multinacionais, que ditam as regras do mercado e, também, controlam a compra e marketing de produtos agrícolas e alimentares”. A montante, o estudo nota que, após as fusões da Dow com a Dupont, da Bayer com a Monsanto e da ChemChina com a Syngenta, três empresas podem passar a controlar mais de 70% dos produtos fitossanitários para a agricultura e mais de 60% das sementes a nível global. Uma situação sem precedentes que desencadeou as preocupações da própria Comissão Europeia, que decidiu abrir uma investigação aprofundada sobre a operação para verificar se a fusão entre a


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