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Conhecer para proteger: reconhecendo a violência infantil

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Violência autoinfligida ou condutas autodestrutivas Antes de conceituar essa forma de violência, entendemos ser importante discutir alguns aspectos relativos ao desenvolvimento deste tempo da vida que denominamos de adolescência, uma vez que esta etapa do desenvolvimento tem sido marcada pelo aumento das condutas autodestrutivas. É possível dizer que a adolescência é a etapa do desenvolvimento e da maturação humana compreendida entre a infância e a idade adulta. Esse tempo da vida é marcado por intensas transformações nos campos fisiológico e psicossocial, estando fortemente influenciado pelas interações do adolescente com os seus contextos sociais e ambientais, fato que denota a singularidade de cada adolescente e, consequentemente, a heterogeneidade dessa etapa do ciclo de vida, impossibilitando o estabelecimento de um padrão de comportamento ou desenvolvimento comum e universal a todos. Ressaltamos ainda que as singularidades sociais, históricas e culturais também dificultam o estabelecimento de um marcador temporal rígido para o início ou final da adolescência. No Brasil, para fins legais, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, a adolescência vai dos 12 anos aos 17 anos, 11meses e 29 dias. Os adolescentes estão expostos a transformações advindas da grande carga de hormônios sexuais que, além de operar transformações bioquímicas e físicas, podem ocasionar o aumento da ansiedade e do estresse. Neste tempo da existência humana contemporânea, são frequentes os comportamentos de risco, como o tabagismo, consumo de álcool e/ou drogas, início das atividades sexuais muitas vezes não protegidas, porém, destacamos que esses comportamentos devem ser observados de perto e analisados em termos de frequência, intensidade e continuidade. Embora correr alguns riscos faça parte das experiências próprias da adolescência, importa considerar a possibilidade da fixação do jovem a um padrão de consequências negativas que afetará o seu desenvolvimento. É dentro desse contexto que desejamos abordar a violência autoinfligida ou as condutas autoagressivas que neste documento iremos caracterizar como um conjunto de comportamentos com resultado não fatal, em que o indivíduo deliberadamente atua com intenção de causar lesões ao próprio corpo, como 54


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Conhecer para proteger: reconhecendo a violência infantil by Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal - Issuu