Vale dizer que estamos falando exclusivamente da nudez masculina. O autor chega a citar que os gregos comparavam batalhas com guerreiros vestidos à batalhas com mulheres, autenticando o patriarcado da época e transformando a vestimenta num símbolo de oposição de gênero. Havia também questões com a cor da pele, já que os gregos eram bronzeados pela constante exposição de seus corpos nus ao sol. Um cidadão grego de pele branca era sinal de vergonha e os inimigos eram despidos para que todos pudessem ver seus corpos sem contato com o sol e, assim, serem considerados preguiçosos. Além de ser um agente de cultura e essencialmente plural, o corpo é uma poderosa forma simbólica em que as hierarquias e as especificidades de uma cultura são inscritas e reforçadas através de sua linguagem. Ele constitui o “pólo simbólico” que organiza, articula e interpreta, para além das simples evidências “físicas”, a vida cotidiana dos indivíduos e das coletividades. Assim sendo, o corpo é também um lugar de exercício do controle social. Já que o defendemos como construção social, o inserimos numa historicidade, o que implica dizer que ele não é o mesmo segundo os diferentes tempos de indivíduos, grupos e sociedades. Esse entendimento do corpo como construção social é talvez a grande mensagem desta resenha (e talvez de todo livro!). Estereótipos e pressões estéticas não são exclusivas da contemporaneidade: são fundamentos civilizatórios no Ocidente. Mesmo que o autor complete dizendo que “o corpo revela ainda as relações de identidade e alteridade, porque ele é o que nos permite encontrar os outros, manifestando nossa natureza relacional pela afirmação da individualidade”, fica mais do que óbvio que a sociedade manipula o corpo como forma de expressão coletiva e defesa da ordem social vigente. Na Grécia Antiga o desnudamento era um ato comunicacional de ética, virilidade e democracia; hoje, a nudez é vista como o oposto: antiética, proibida, louca, prisional. 8=D
O discóbolo (lançador de disco) é uma estátua do escultor grego Míron, de cerca de 455 a.C., que representa um atleta momentos antes de lançar um disco. É considerada a estátua de desportista em ação mais famosa do mundo. Ao lado, uma cópia reduzida em bronze da Gliptoteca de Munique.
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