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A ARTE NÃO-ERÓTICA DE MORRISSEAU É fundamental entender que a narrativa visual de Morrisseau busca uma espiritualidade distante do conceito de igreja ou Deus. A cultura anishinaabe conta que dois seres energéticos sem gênero saíram do Grande Lago para ensinar e isso nos revela que a concepção binária é vista de outra forma, uma vez que, se todos somos energia, gênero é um conceito que não importa.
Neste díptico, temos Norval em troca energética com uma mulher e com um homem. Com a mulher, é possivel ver a árvore da vida emergindo do ato; com o homem, Norval se apresenta como xamã, num ritual de transferência de conhecimento.
Essas informações são importantes para abordarmos a arte de Morrisseau pelo viés da sexualidade. A bissexualidade do artista – que é citada tanto como motivo de orgulho quanto de chacota – não existe: se somos energia, não há uma única e rígida orientação sexual, mas um desejo independente de gênero. Morrisseau dizia:
Eu sou tudo, eu sou “experimentosexual”. LGBTQIAPN é igual a E, E de energia. Nesta filosofia, o sexo se torna um ritual essencial de produção de energia. A masturbação se torna treinamento de controle e produção de energia, assim como, o ato sexual consentido é um momento de troca de energia, de conhecimentos, um momento
Nestas três obras, o grande falo é o conduíte da transformação espiritual.