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ENS - Carta Mensal 496 - Março 2016

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acervo literário do Pe. Caffarel

A MISERICÓRDIA NO CASAL O lema do Jubileu que o Papa Francisco nos propõe é “Misericordiosos como o Pai”. Vimos, na Carta Mensal de novembro passado, alguns pensamentos do Padre Caffarel a respeito da nossa vivência cristã desta misericórdia em relação ao “irmão que encontramos nos caminhos da vida”. Mas Henri Caffarel também nos ensina como vivenciar a misericórdia na perspectiva da vida conjugal. Ou como seguir a Cristo que nos diz: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36) na nossa relação mulher-marido. No capítulo “Vocação do Amor” do livro O Amor e a Graça, Padre Caffarel começa por definir o que é o amor conjugal cristão: “É o engajamento de duas pessoas que se dão uma à outra totalmente, exclusivamente, definitivamente. Um impulso que jorra do mais profundo da alma, atravessa o ser fazendo-o vibrar por inteiro e vai ao encontro do ser amado atravessando seu envoltório de carne. Esse fervor vibrante não permanece sempre igual: conhecerá momentos de declínio sem que, por isso, o amor fique abalado”. E acrescenta: “O amor cristão é autenticamente humano; ao mesmo tempo, ele é sobrenatural: a Caridade, o amor que desce do coração de Deus, o trabalha por dentro como poderosa seiva e leva o amor a produzir frutos de santidade”. Este é o papel da graça de Deus. “...a graça, que trabalha incansavel24

mente, cria e volta a criar sempre [o amor], renova a cada dia sua juventude e utiliza com habilidade suprema as alegrias e as aflições, os esforços e as próprias faltas [do casal] para tornar o amor mais alegre e mais forte. A comunidade conjugal é sólida, porque a graça é uma poderosa operária da união. Ela cria essa união, ela a conserta, ela a consolida dia após dia”. Ou seja, nascida do coração misericordioso do Pai, a graça vai transformando o casal, para que, como o Pai, sejam misericordiosos um com o outro, entendam as limitações do outro, possam conviver na paz apesar de suas diferenças. E Padre Caffarel prossegue: “A fonte desta graça é o sacramento do matrimônio. [...]. Por que será que tão poucos cristãos casados pensam em agradecer ao Senhor por este dom maravilhoso?” A certeza deste dom de Deus deve levar os esposos cristãos a um otimismo inabalável: “As dificuldades e as tentações não podem fazê-los temer por seu amor e pelo futuro dele. Sabem que duvidar do amor seria duvidar da graça. A esperança não pode faltar àqueles que aprenderam que Cristo deu sua vida por amor do Amor.” Uma das maneiras de a misericórdia se manifestar no seio do casal é o perdão. Expressão suprema de amor, o perdão é um meio de crescimento da espiritualidade em geral e da conjugal em particular. No capítulo “O Amor mais forte que o mal”, do livro Nas Encruzilhadas do Amor1, CM 496


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