Artigo
Abordagem ESG e a Gestão dos Sistemas de Medição no O&G: Práticas para um Futuro Sustentável
Carlos Eduardo Ribeiro de Barros Barateiro, D. Sc. Universidade Estácio de Sá
Faesa Ornellas, especialista em gestão estratégica de sustentabilidade pela PUC
Introdução Ao longo das várias décadas do desenvolvimento da indústria do óleo e o gás (O&G), as questões ambientais, sociais e de governança tomaram diferentes posições, dentro das escalas de priorização das atividades da indústria. Porém, nos últimos anos, o assunto tem estado no foco das organizações, e é esperado que essa tendência cresça, com o amadurecimento do mercado (INTERNATIONAL ENERGY AGENCY, 2021). O termo ESG (de Environmental, Social, and Governance) surgiu em 2004, em uma publicação denominada Who Cares Wins (“quem se importa ganha”), resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que buscava critérios e recomendações para a inclusão de questões ambientais, sociais e de governança no mercado financeiro. Esse relatório entregava Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco para que as empresas contribuíssem mais para a sociedade em termos de sustentabilidade (GLOBAL COMPACT, 2004). Em 2015, a ONU propôs a Agenda 2030, um plano ambicioso que compreende 17 ODS, com o intuito de promover a prosperidade social e econômica, de maneira contínua e sustentável. Com a integração dos ODS aos objetivos corporativos, há o estabelecimento de metas, métricas de desempenho, reformulação de vários processos de negócios, e relatórios anuais de desempenho, que 50
Petro & Química
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Claudio Makarovsky Universidade Federal Fluminense
precisam ser repassados para os investidores. Dessa forma, o alinhamento com os ODS pode contribuir para o fornecimento de informações e padrões consistentes das estratégias ESG (ONU, 2015). Particularmente para as indústrias do O&G, esse alinhamento é essencial porque empresas que ignoram o ESG podem ter desvantagens competitivas com a concorrência, impactos na sua imagem e lucratividade (OIKONOMOU et al., 2012; SASSEN et al., 2016; CHOLLET and SANDWIDI, 2018). Além disso, com o apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias e práticas, é possível ter-se economia de custos, redução de resíduos e queimas de processos, maior atratividade de investidores, e monetizar a mitigação do carbono (SHAKIL, 2020). O grande desafio das operadoras e concessionários, no entanto, é definir um conjunto de práticas operacionais, para atingir os objetivos corporativos e, por consequência, os ODS previstos. Muitas vezes, o que se observa é um conjunto extremamente genérico de “práticas recomendadas” como promoção de gestão de resíduos, minimização de riscos no trabalho, estabelecimento de programas de conscientização, treinamento e benefícios aos colaboradores, incentivar a diversidade e inclusão, trabalhar no clima e na cultura organizacional. Para os gestores das indústrias do O&G, essas “práticas” são bem conhecidas, até muito antes do estabelecimento dos ODS propostos pela ONU. E os grandes desafios na realidade