HANDEBOL OS BASTIDORES DO INÉDITO TÍTULO MUNDIAL FEMININO
POR QUE NÃO FAZ SENTIDO, EM UM PAÍS COMO O BRASIL, SURGIR UM GÊNIO DA GINÁSTICA COMO ARTHUR ZANETTI
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TUDO AO
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O MUNDO AO REDOR DO ESTÁDIO QUE VAI ABRIR A COPA DE 2014
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ITAQUERÃO
Arthur Zanetti, campeão mundial e olímpico nas argolas
O SENHOR DA AREIA JAMAIS HOUVE VÔLEI DE PRAIA EM OLIMPÍADAS SEM EMANUEL. AOS 40 ANOS, O VETERANO SE REINVENTA, TROCA DE DUPLA E CAMINHA PARA SE TORNAR, EM 2016, O MAIOR ATLETA DA HISTÓRIA DESSE ESPORTE
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BEBÊ BAD BOY CABELO BLACK POWER, CORPO TATUADO E CARA DE MAU: QUEM É LUCAS BEBÊ, O BRASILEIRO DE 2,12 METROS DE ALTURA QUE (SIM, A GENTE APOSTA) VAI BRILHAR NA NBA
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"TERIA MORRIDO FELIZ"
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MAYA GABEIRA, A SURFISTA CARIOCA QUE TODOS AMAM, QUASE MORREU OUTRO DIA, MAS NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA O RISCO DE PEGAR ONDA GIGANTE:
VENDA PROIBIDA – EXEMPLAR DE DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E PARTE INTEGRANTE DA REVISTA ISTOÉ • www.istoe2016.com.br JANEIRO/FEVEREIRO 2014 Edição 21 | Ano 5
O MAIOR CALDO
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365 dias de rio Em tempos de Instagram, o espírito de uma cidade pode ser compilado na internet? Sacar o celular, apontar, disparar, aplicar um filtro e publicar: em um minuto, um registro único, que nunca mais se repetirá, fica eternizado no mundo digital. Agora multiplique esse gesto por milhões. A mágica acontece. Partindo desse ato tão cotidiano, e cada vez mais banal, o livro "@Rio365" reuniu imagens compartilhadas no Instagram para criar um retrato coletivo do Rio de Janeiro. Com uma foto por dia, 365 no total, selecionadas entre cerca de 100 mil, o projeto virou o primeiro documentário de uma cidade produzido via rede social de imagens. Confira alguns dos melhores cliques, divididos por temas, nesta e na próxima página.
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expediente editor e diretor reSPonSÁvel doMingo alzugaray editora Cátia alzugaray PreSidente-executivo CaCo alzugaray diretor editorial Carlos José Marques diretor editorial-adjunto luiz Fernando sá diretor de redação aMauri segalla editor luCas Bessel editor de arte pedro Matallo editor-executivo de fotografia Cesar itiBerê editor de fotografia JuCa rodrigues colaBoradoreS
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TexTo: ana Carolina nunes, adalBerto leister, Bruna Borelli, Cleyton santos, danielle sanCHes, deMétrio VeCCHioli, Mariana BarBoza, Mariana Bastos, natália Martino natHalia zieMKieWiCz, raCHel Costa, rodrigo riBeiro, siMone aVellar, toM Cardoso e yan BoeCHat FoTo: adriano MaCHado, daryan dornelles, luana FisCHer, MarCelo Correa produção: Cintia sanCHez rePórtereS fotogrÁficoS: João Castellano, Masao goto Filho, pedro dias e rafael Hupsel gerente: Maria amélia scarcello SecretÁria: terezinha scarparo aSSiStente: Cláudio Monteiro auxiliar: lucio Fasan
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ricardo van steen (colaborou Bruno pugens) lourdes Maria a. rivera, Mario garrone Jr., neuza oliveira de paula, regina Caetano e tamiris prystaj gerente induStrial: Fernando rodrigues
diretor: gregorio França seCretária assistente: yezenia palma gerente: renan Balieiro Coordenador de proCessos gráFiCos: Marcelo Buzzo analista: luiz Massa assistente: daniel asselta auxiliar: indianara andrade Coordenadoras de logístiCa e distriBuição de assinaturas: Karina pereira e regina Maria analista Jr.: denys Ferreira auxiliar: Cesar William operações lapa: paulo Henrique paulino gerente: luciano sinhorini coordenadoreS: Jorge Burgatti e ricardo augusto santos conSultoraS de MerchandiSing: alessandra silva e talita souza primo aSSiStenteS: Fábio rodrigo, ricardo souza e gislaine aparecida peixoto coordenadora: Vanessa Mira coordenadora-aSSiStente: regina Maria aSSiStenteS: denys Ferreira, Karina pereira e ricardo souza diretor de vendaS PeSSoaiS: Wanderlei quirino gerente adMiniStrativa de vendaS: rosana paal gerente de aSSinaturaS: pablo pizzutiello gerente de ProjetoS eSPeciaiS:
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diretor: rui Miguel gerenteS: debora Huzian e Wanderley Klinger redator: Marcelo almeida diretor de arte: thiago parejo aSSiStenteS de Marketing: andreia silva e thaisa ribeiro diretor nacional: José Bello souza Francisco diretor de PuBlicidade: Maurício arbex SecretÁria da diretoria de PuBlicidade: regina oliveira gerenteS-executivoS: eduardo
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istoé 2016
A oitAvA potênciA? Desde que o Rio foi escolhido como sede dos Jogos de 2016, há pouco mais de quatro anos, o esporte brasileiro passou a receber uma enxurrada de recursos públicos e privados. Muita gente achou que, com mais dinheiro, os atletas nacionais escalariam posições no quadro de medalhas já nos Jogos de Londres, em 2012. Isso não aconteceu e a empolgação exagerada foi substituída por críticas igualmente excessivas. A análise bipolar ofuscou o que realmente está em curso: a qualidade olímpica brasileira vem aumentando, mas não no ritmo que os apressados imaginavam. É assim que a coisa funciona. No esporte, nenhuma transformação se dá da noite para o dia. É preciso disposição para plantar, tempo para maturar e, quem sabe, um dia colher. O balanço da performance brasileira em 2013 confirma essa impressão. O País teve um ano ótimo no esporte, mas isso não significa que virou potência capaz de rivalizar com os gigantes. Nos campeonatos mundiais, em provas que também fazem parte do calendário olímpico, os brasileiros faturaram 27 medalhas, das quais oito de ouro. Um ranking feito a partir desses resultados colocaria o Brasil como a oitava nação de melhor performance em 2013. Quer dizer que somos a oitava potência esportiva do planeta? Não é bem assim. Campeonatos mundiais estão numa escala ligeiramente inferior à dos Jogos Olímpicos e reúnem atletas menos qualificados do que a maior competição esportiva do planeta. Ou seja: o Brasil começou a caminhar, mas é preciso acelerar. Amauri Segalla, diretor de redação asegalla@istoe.com.br
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DEMétRiO VECChiOLi
O são-roquense Demétrio Vecchioli é jornalista formado pela Casper Líbero em 2007. Acredita que a diversidade do esporte olímpico propicia histórias muito mais saborosas do que a cobertura tradicional do futebol. Há um ano, mantém o blog Olimpílulas, especializado em esporte olímpico brasileiro e na preparação para os Jogos do Rio. Nesta edição da 2016, foi responsável por produzir o guia da Olimpíada de Inverno de Sochi, que acontece em fevereiro, na Rússia
DAniELLE SAnChES
Paulistana com larga experiência em reportagens de comportamento, Danielle foi a responsável, nesta edição, por contar a história da seleção feminina de handebol, que conquistou o campeonato mundial no fim do ano passado. Para isso, obteve acesso exclusivo ao time no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, logo após o retorno da Sérvia. Colaboradora frequente da 2016, ela também assina as seções Performance, sobre os eventos esportivos de 2014, e Concentração, com um guia cultural completo sobre o nadador Michael Phelps
YAn BOEChAt
Yan é um jornalista e fotógrafo carioca radicado em São Paulo há mais de 15 anos. Na década e meia em que vive na cidade, aprendeu a gostar de cachorroquente com purê de batatas e a aceitar a ideia de que é possível alguém torcer genuinamente para algum outro time que não o Flamengo. Para fotografar o entorno do Itaquerão, sua missão nesta revista, Boechat optou por utilizar o velho filme fotográfico. Apaixonado por fotografia analógica, ele visitou a região com diferentes máquinas, todas com mais de 30 anos de idade
LuAnA FiSChER
PEDRO DiAS
Nascido e criado em São Paulo, Pedro Dias é um prodígio atrás das lentes. Começou como assistente de fotografia, trabalhou com profissionais da publicidade e da moda e, hoje, é colaborador assíduo das publicações da Editora Três. Também atua como assistente de fotografia para produções do cinema, arte que, segundo suas palavras, "é um vício". Nesta revista, foi responsável pelas inusitadas fotos do ginasta Arthur Zanetti de cabeça para baixo, ilustrando a inversão da lógica do esporte brasileiro
Brasileira residente na Espanha, Luana adotou a fotografia em suas mais diversas facetas. Enquanto ainda vivia em São Paulo, registrou o cotidiano do Minhocão e fez uma exposição gratuita no próprio viaduto. Já no Exterior, entre outras iniciativas, expôs o projeto “Cuerpos de Adobe”, desenvolvido com o fotógrafo Dani Merino e o diretor Alberto del Valle, em que retratou a busca de cada um pelo espaço vital e a dificuldade de consegui-lo nas grandes cidades. Nesta revista, fez um retrato poderoso do jogador de basquete Lucas Bebê em plena Madri
COLABORADORES
DARYAn DORnELLES
Este carioca de alma inspirada é especialista em retratos, ao mesmo tempo um dos tipos mais simples e mais difíceis de fotografia. Daryan já fez mais de 100 capas de discos e tem mais de 300 imagens publicadas no Brasil e no Exterior. Amante de música, fotografou, ao longo de sua carreira, personalidades como Chico Buarque, Ed Motta e Milton Nascimento. Nesta edição da 2016, foi responsável pelo retrato de Paulinho da Viola, nosso entrevistado
MARCELO CORREA
Marcelo Correa é carioca da gema. Nascido em 1972, transformou a cidade dos Jogos de 2016 em seu contínuo pano de fundo para histórias e personagens. Em 2012, foi finalista do Prêmio Conrado Wessel com o projeto “Até um outro amanhecer”, que retrata as diversas faces do Carnaval na Cidade Maravilhosa. Nesta edição da 2016, fotografou de forma sensível e bem-humorada a surfista de ondas gigantes Maya Gabeira, que compareceu ao estúdio de muleta e pé imobilizado
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15 Editorial 16 ColaboradorEs
SeçõeS
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Clique OlímpiCO O Rio de Janeiro em fotos publicadas nas redes sociais
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AqueCimentO Um guia completo para você aproveitar o melhor da Olimpíada de Inverno, que acontece em fevereiro
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entrevistA: pAulinhO dA viOlA O sambista, símbolo da vida carioca, garante que não vive do passado (“é o passado que vive de mim”) e fala sobre Copa do Mundo: “O Brasil não se preparou da melhor forma” perfOrmAnCe Os grandes acontecimentos esportivos de 2014 e o que você deve fazer para participar deles COnCentrAçãO Nos dez anos do primeiro ouro de Michael Phelps, uma seleção de livros, documentários e até games sobre o maior atleta olímpico da história pAinel Esquenta a discussão sobre o futuro do técnico argentino Rubén Magnano à frente da seleção brasileira de basquete páginA dOurAdA Quem foi Cláudio Kano, o maior mesatenista da história do Brasil
RePORTAGeNS
32 O inversOr de prObAbilidAdes
Como o ginasta Arthur Zanetti superou a falta de estrutura e a ausência de tradição para se tornar o principal atleta do Brasil na atualidade
40 mãOs de OurO
O caminho de preparação mental e intercâmbio estrangeiro que deu ao handebol feminino brasileiro um inédito título mundial
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Além dO itAquerãO Um retrato da vida ao redor do estádio que sediará a abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo
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águA A limpO O que precisa ser feito para que a Lagoa Rodrigo de Freitas, palco de provas de remo e canoagem em 2016, vire apenas motivo de orgulho
46 senhOr dAs AreiAs
O veterano Emanuel dá uma nova guinada na carreira, troca de dupla no vôlei de praia e diz estar pronto para buscar mais um ouro na Olimpíada de 2016
56 vidA e quAse mOrte de mAyA
O que faz com que Maya Gabeira não tema as ondas gigantes, mesmo depois de quase sucumbir a elas
64 bebê CresCeu
Como é a vida de Lucas Bebê, o novo brasileiro da NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos
70 A reCeitA dA bOlinhA
O que o investimento direcionado e a contratação de técnicos estrangeiros têm a ver com os resultados históricos do tênis de mesa brasileiro em 2013
74 nO ritmO de tOledO
Conheça o projeto de ginástica rítmica que mobiliza uma cidade inteira no interior do Paraná e traz resultados dentro e fora do esporte
índiCe Foto: pedro dias
FRIO IMPERDÍVEL UM GUIA COM ATLETAS, EQUIPES E MODALIDADES QUE VOCÊ NÃO PODE DEIXAR DE ACOMPANHAR NA OLIMPÍADA DE INVERNO DE SOCHI Os Jogos Olímpicos de Inverno, que neste ano acontecem em Sochi, na Rússia, entre os dias 7 e 23 de fevereiro, são uma boa oportunidade para os brasileiros conhecerem esportistas e modalidades que normalmente não têm espaço em nossa tevê. Dá até para torcer pelas cores verde e amarela. Confira.
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ISTOÉ 2016
BOBSLED O bobsled ganhou popularidade do lado de cá do Trópico de Câncer graças ao filme "Jamaica Abaixo de Zero" (Cool Runnings), que conta a história do time jamaicano que conseguiu se classificar para Calgary-1988. Os jogos de Sochi devem marcar o retorno da equipe, no trenó para dois. Além de Estados Unidos e Canadá, a América tem direito a levar um trenó a mais em cada prova. Na disputa por equipes de quatro pessoas, o Brasil é que deverá ter um time pela terceira vez na história dos Jogos, repetindo o que conseguiu em 2002 e 2006 – nem tentou ir a Vancouver. Enquanto os países tropicais cumprirão papel de coadjuvante, Alemanha e Estados Unidos devem travar disputa acirrada pelo ouro, com a Rússia como azarão. Os alemães vinham de seis ouros nas últimas quatro Olimpíadas, mas perderam dos Estados Unidos no trenó de quatro em Vancouver. Agora, terão que mostrar força na primeira vez sem André Lange, maior piloto de todos os tempos.
MARIT BJORGEN (Noruega) Esqui Cross Country Aos 33 anos, Marit Bjorgen tem tudo para sair de Sochi como o grande nome da Olimpíada de Inverno. Praticante de esqui cross country, o atletismo na neve, a norueguesa ganhou três medalhas de ouro em Vancouver-2010 (foram cinco no total) e tem tudo para repetir o feito de ser a melhor atleta individualmente dos Jogos. Caso suba ao pódio nas cinco provas que promete disputar, se tornará a maior medalhista da história dos Jogos de Inverno, igualando-se ao compatriota Bjorn Daehlie, com 12 medalhas. Em Vancouver, Marit venceu três disputas e ainda conseguiu um segundo e um terceiro lugares. Nos dois últimos Mundiais, ganhou quatro ouros e uma prata em cada um. Marit tem na polonesa Justyna Kowalczyk a sua grande rival. Na temporada prévia aos Jogos de Vancouver, a Agência Mundial Antidoping a autorizou a usar um medicamento proibido para poder tratar a asma. Para a polonesa, Marit competiu em Vancouver dopada. Em 2011, a substância deixou de ser proibida.
NORUEGA NO BIATLO
CURLING
A maior zebra dos Jogos de Sochi será se a Noruega não abocanhar nenhuma medalha de ouro no biatlo, modalidade que intercala corrida e tiro. No último Mundial da modalidade, em 2013, os noruegueses conseguiram nada menos do que oito medalhas de ouro em 11 possíveis. Vale ficar de olho principalmente em Tora Berger, que ganhou quatro de ouro e duas de prata em seis medalhas possíveis no Mundial. Ainda venceu a Copa do Mundo em todas as quatro modalidades individuais. Em Sochi, vai atrás do melhor desempenho feminino numa única edição de Jogos de Inverno. Com cinco ouros, algo absolutamente viável, será a melhor da história entre homens e mulheres. No masculino, o domínio é de Emil Hegle Svendsen, também da Noruega. No Mundial, ele faturou quatro medalhas de ouro e uma de bronze. O desempenho da dupla será determinante para a definição do quadro de medalhas. A Noruega pode chegar a 12 medalhas de ouro, provavelmente para liderar, brigando com Alemanha e Estados Unidos.
Poucos sabem, mas o curling não é um esporte tão coletivo quanto se imagina. Tanto é que a modalidade das pedras no gelo e das vassouras não tem seleções nacionais. Em Sochi, vale ficar de olho em Eve Muirhead, capitã do Dunkeld Curling Club, clube de uma cidadezinha no interior da Escócia. Campeã nacional, ela tem a vaga britânica nos Jogos de Inverno e convoca suas companheiras. Aos 23 anos, Eve é tetracampeã mundial júnior e foi prata em Vancouver. No ano passado, levou a Escócia ao título mundial adulto, vencendo a poderosa Suécia na decisão. Foi apenas o segundo título das escocesas, que chegam a Sochi como favoritas ao ouro, representando a Grã-Bretanha. Entre os homens, a Suécia de Niklas Edin vai tentar fazer frente ao atual bicampeão olímpico Canadá, liderado por Brad Jacobs.
AQUECIMENTO
FUAHEA SAMI (Tonga) Luge Poucos atletas devem atrair tanta atenção nos Jogos de Sochi quanto Fuahea Sami. Mas pode chamá-lo também de Bruno Banani. O problema é, ao se preferir este nome, confundir com uma polêmica marca de cuecas. Sami era um soldado do Exército e jogador de rúgbi em Tonga, país de pouco mais de 100 mil habitantes na Oceania, quando se inscreveu numa seletiva para ir treinar luge na Alemanha. Ali, aprendeu a descer um tobogã de gelo deitado de costas em trenó que atinge 140km/h. Quando conseguiu a vaga para Sochi, já tinha no seu passaporte o nome Bruno Banani. O COI reclamou, criticou a estratégia de marketing de guerrilha da marca alemã, mas disse que nada podia fazer. Banani, que treina com a fortíssima seleção alemã, será o primeiro atleta de Tonga numa Olimpíada de Inverno.
HUBERTUS RUDOLPH VON FÜRSTENBERG-VON HOHENLOHE-LANGENBURG (México) Esqui Alpino Nem tente guardar este nome: Hubertus Rudolph von Fürstenbergvon Hohenlohe-Langenburg. Mas a história deste príncipe mexicano é das mais saborosas de Sochi. A começar pela idade. Hubertus, que irá competir pela sexta edição no esqui alpino, terá 55 anos na Olimpíada e se tornará o segundo mais velho competidor na história dos Jogos de Inverno. Sua primeira participação foi em 1984. Nem sequer um resumo da vida de Hubertus caberia nestas páginas. Em síntese, ele é filho de um espanhol com uma italiana e descendente de uma dinastia que ocupou o trono alemão – por isso o título real de príncipe. Mora em Liechtenstein, é talentoso fotógrafo e se arrisca como cantor pop (usando o codinome Andy Himalaya) . Vai três semanas por ano ao México, país no qual nasceu porque seu pai queria ter um filho mexicano. Ali, fundou sozinho uma federação nacional de esqui, à qual representa.
TEEMU SELÄNNE (Finlândia) Hóquei no Gelo Só a partir de 1998 é que atletas da NHL, a liga norte-americana/ canadense de hóquei no gelo, passaram a ser aceitos nas Olimpíadas de Inverno. Nesses 16 anos, muita coisa mudou, mas Teemu Selänne continua lá, firme e forte, liderando a seleção finlandesa. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, Selänne vai para sua sexta edição de Jogos de Inverno, torneio do qual é o maior artilheiro de todos os tempos. Atualmente no Anaheim Ducks, é, aos 43 anos, o mais velho jogador em atividade na NHL. Em Sochi, vai atrás da quarta medalha olímpica da carreira por um país que tem no hóquei no gelo seu esporte nacional. A disputa pelo ouro, porém, promete ser novamente entre Canadá e EUA, respectivamente campeão e vice em Vancouver. Campeã mundial, a Suécia também briga por medalhas.
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ISABEL CLARK (BRASIL) - SNOWBOARD
Se existe alguma possibilidade de um atleta de país tropical ganhar uma medalha em Sochi, ela recai sobre Isabel Clark. A carioca vai pela terceira vez a uma Olimpíada de Inverno entre as melhores do mundo no snowboard cross após ser nona colocada em Turim e 19ª em Vancouver. Nesta temporada, obteve um nono lugar em uma etapa de Copa do Mundo e sonha em avançar entre as 16 mais rápidas da fase de classificação em Sochi. Depois, tudo pode acontecer. As baterias têm quatro atletas e as duas mais rápidas avançam. Acidentes que envolvem as primeiras e permitem a ultrapassagem das que vêm atrás, porém, não são raros. Quais as dificuldades de ser uma atleta de um país sem tradição na neve? Tem a questão do staff. O ideal é a gente ter mais de um treinador, porque como a pista é grande o treinador não vê. Mas nesta temporada a gente está com um atleta da Eslovênia e divide os custos do treinador dele. Eu estou com o Ivan Fuencalida, que é chileno. Por que a carreira de um atleta de neve no Brasil é tão curta? E o que fez você quebrar esse paradigma? As pessoas param por opção porque querem fazer outra coisa, querem ter uma família e trabalhar. Mas quem continua tem espaço, principalmente na minha modalidade, que é de velocidade, em que a experiência conta bastante. Dei aulas em estação de esqui de 1998 a 2004, e progressivamente fui ficando mais profissional. Cada vez mais vou sentindo os benefícios do profissionalismo.
Você está com 37 anos. Sochi é a sua última Olimpíada? Não quero fechar totalmente as portas. Sempre acho que está muito longe, mas quatro anos passam muito rápido e quando você vê está na próxima Olimpíada. Tem varias coisas que gostaria de fazer. Ainda não tenho absolutamente claro. Falta apoio para você no Brasil? Se fosse para ficar reclamando, eu ia achar um monte de coisa para reclamar, mas tenho que agradecer o apoio, porque se for comparar com Chile e Argentina, o apoio é bem melhor aqui do que lá. No Brasil, o problema do patrocínio é que não tem comércio. Não vende prancha, não vende roupa de neve. Poderia até vender, porque tem muita gente que viaja, mas não vale a pena comprar nada aqui, é o dobro do preço.
ISADORA WILLIAMS (BRASIL) – PATINAÇÃO ARTÍSTICA Ela apenas arranha o português. Tem o vocabulário pequeno, mas faz questão de conceder entrevistas na língua do país que vai representar nos Jogos de Sochi. Aos 17 anos, mas com jeitinho de 13, Isadora Williams será a primeira brasileira a competir na patinação – palavra que ela tem muita dificuldade de pronunciar – artística. Filha de uma brasileira, ela nasceu nos EUA, terra do pai. Escolheu o Brasil, diz ela, desde cedo. Mas só no ano passado ganhou apoio da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. Foi 25ª colocada no Mundial e ficou a uma colocação da vaga em Sochi, que depois conquistou no Pré-Olímpico. Quando você percebeu que dava para ir a Sochi? Em 2009, antes dos Jogos de Vancouver. Mas sempre tive o sonho de representar o Brasil.
Você pensa em morar no Brasil? Sim, muito. Mas acho difícil ter um ringue grande para treinar. Quero inspirar outras garotas. Quero fazer parte do projeto da patinação.
A sua casa é brasileira? Eu vivo em dois mundos. Na minha casa tem dois tipos de comida, dois estilos de música. Mas eu também quero aprender a falar português agora.
A gente vai ouvir música brasileira em Sochi? Infelizmente não, apesar de eu gostar muito de Marisa Monte e Jorge Ben. A patinação exige músicas sem letra e num outro ritmo. Mas, na exibição de gala (dia 22, depois da competição), vou me apresentar ao som de “Mas que Nada”.
Você tem metas para Sochi? São 30 meninas no programa curto e 24 que se apresentam no programa longo. Eu quero estar entre essas 24. Como é a sua rotina de treinos? Treino quatro horas por dia durante a semana e faço duas horas no sábado. Treino num clube, o Ashburn Ice House. Também faço academia e ioga.
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AQUECIMENTO
AS DISCREPÂNCIAS DA LEI AGNELO/ PIVA
Dinheiro recebido da Lei Piva
VÔLEI
Quantas medalhas de ouro o esporte distribui em 2016
Dinheiro recebido da Lei Piva
Quantas medalhas de ouro o esporte distribui em 2016
DESPORTOS AQUÁTICOS
Dinheiro recebido da Lei Piva
ATLETISMO
Quantas medalhas de ouro o esporte distribui em 2016
A Lei Agnelo/Piva é um dos principais mecanismos de financiamento do esporte olímpico e paraolímpico brasileiro. Ela estabelece que 2% do valor arrecadado pelas loterias federais seja destinado às modalidades que participam dos Jogos. O objetivo final, portanto, é ganhar medalhas. Há, no entanto, um problema: se for feito um paralelo entre quanto cada modalidade receberá em 2014 (a porcentagem do total da verba destinada às confederações) e quanto esse esporte representa em termos de medalha (porcentagem do total de 301 ouros que serão distribuídos em 2016), a discrepância fica evidente. Esportes que dão muitas medalhas recebem pouca verba, enquanto outros que dão poucas medalhas ganham muito dinheiro. Atletismo e desportos aquáticos, por exemplo, são as confederações mais prejudicadas na distribuição do montante. Já o vôlei, um dos esportes mais bem resolvidos financeiramente, é o mais privilegiado. Compare.
DIVISÃO DE VERBAS É DESPROPORCIONAL EM RELAÇÃO AO TOTAL DE MEDALHAS DE OURO QUE SERÃO DISTRIBUÍDAS EM 2016
CONFEDERAÇÃO
VALOR RECEBIDO DO GOVERNO EM 2014 (EM REAIS)
PROPORÇÃO DO VALOR TOTAL PAGO
QUANTOS OUROS O ESPORTE DISTRIBUIRÁ EM 2016
PROPORÇÃO EM RELAÇÃO AO TOTAL DE OUROS EM 2016
Atletismo Desportos aquáticos Judô Vela Vôlei Basquete Ginástica Handebol Hipismo Boxe Canoagem Ciclismo Tênis de mesa Triatlo Tiro esportivo Remo Tênis Lutas associadas Pentatlo moderno Badminton Esgrima Golfe Hóquei sobre a grama Levantamento de peso Rúgbi Tae kwon do Tiro com arco Desportos na neve Desportos no gelo Futebol Total
3.900.000 3.900.000 3.900.000 3.900.000 3.900.000 3.700.000 3.700.000 3.700.000 3.700.000 2.900.000 2.900.000 2.900.000 2.900.000 2.800.000 2.600.000 2.500.000 2.500.000 2.000.000 1.900.000 1.800.000 1.700.000 1.700.000 1.700.000 1.700.000 1.700.000 1.700.000 1.700.000 1.600.000 1.600.000 0 77.100.000
5,06% 5,06% 5,06% 5,06% 5,06% 4,80% 4,80% 4,80% 4,80% 3,76% 3,76% 3,76% 3,76% 3,63% 3,37% 3,24% 3,24% 2,59% 2,46% 2,33% 2,20% 2,20% 2,20% 2,20% 2,20% 2,20% 2,20% 2,08% 2,08% 0,00% 100%
47 46 14 11 4 2 18 2 6 11 16 18 4 2 15 14 4 15 2 5 10 2 2 15 2 8 4 0 0 2 301
16% 15% 5% 4% 1% 1% 6% 1% 2% 4% 5% 6% 1% 1% 5% 5% 1% 5% 1% 2% 3% 1% 1% 5% 1% 3% 1% 0% 0% 1% 100%
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STEPHEN URQUHART, PRESIDENTE MUNDIAL DA OMEGA, GRIFE SUÍÇA DE RELÓGIOS, NÃO É ESPORTISTA. ELE BEM QUE TENTA. JOGA GOLFE E ESQUIA NAS SUAS HORAS VAGAS. “QUE NÃO SÃO MUITAS”, DISSE O EXECUTIVO À 2016, EM SUA BREVE PASSAGEM PELO BRASIL. AS VISITAS AO PAÍS TÊM SIDO CADA VEZ MAIS FREQUENTES. RESPONSÁVEL POR CRONOMETRAR RECORDES ESPORTIVOS NAS OLIMPÍADAS DESDE 1932, A OMEGA TAMBÉM ESTARÁ PRESENTE NO RIO DE JANEIRO, EM 2016.
DONA DO TEMPO
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O QUE A GRIFE SUÍÇA DE RELÓGIOS OMEGA, QUE CRONOMETRA RECORDES ESPORTIVOS NAS OLIMPÍADAS DESDE 1932, PREPARA PARA OS JOGOS DO RIO DE JANEIRO
O QUE DIZ O COB Segundo o superintendente-executivo de Esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire, o objetivo da lei das loterias não é apenas ganhar medalhas. “Quando ela foi criada, foi feita para promover o desenvolvimento do esporte brasileiro”, afirma o dirigente. O COB é obrigado a repassar 10% da arrecadação ao esporte escolar e 5% às competições universitárias. Sobre a pequena fatia destinada a esportes que trazem muitas medalhas, como atletismo e natação, Freire diz que a conta não é tão simples. “Nossas metas nessas confederações são três ou quatro medalhas em cada uma delas”,
afirma. “Não adianta eu considerar o que não é factível.” Outros esportes valorizados na Olimpíada e que não contam com muita verba são tiro esportivo, remo, lutas e levantamento de peso. As quatro confederações, juntas, recebem pouco mais de 11% da verba da Lei Piva, mas são responsáveis por mais de 20% das medalhas olímpicas. Segundo o COB, o critério não pode ser apenas esse. “É necessário olhar a cultura esportiva de cada país”, diz Freire. “A gente tem que fazer um formato que considere os resultados passados e olhe para os que foram obtidos em categorias inferiores, com expectativa de medalhas futuras.”
Uma das novidades no cronograma do executivo é a escolha de um embaixador brasileiro para os caríssimos relógios da marca. Hoje, atores como George Clooney e Nicole Kidman, esportistas como o nadador Michael Phelps e o golfista Rory McIlroy e até o astronauta Buzz Aldrin estão no time da empresa. Ainda não há consenso sobre quem representará a marca por aqui, mas o nadador Cesar Cielo e o velejador Robert Scheidt estão entre os favoritos. O Brasil deve receber também um modelo de relógio em homenagem aos Jogos Olímpicos. Em Londres-2012, a Omega lançou o Seamaster Co-Axial London 2012, por US$ 6,8 mil, uma edição limitada a 1.948 peças em tributo à volta da competição à capital britânica após 64 anos. Para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, a marca desenvolveu o Seamaster Planet Ocean, que custa US$ 6,5 mil. O modelo brasileiro, em projeto atualmente, deve ser mostrado ao público apenas no início de 2015. A empresa ainda não fala sobre as inovações tecnológicas que serão apresentadas em 2016. Ano a ano, os avanços permitiram que a medição de tempo pulasse de um único técnico que manuseava 30 cronômetros, em 1932, para 450 profissionais dedicados à tarefa – além de 800 voluntários especialmente treinados – com 420 toneladas de equipamento, em 2012. Os sistemas já são capazes de medir um centésimo de milésimo de segundo, ou seja, seis dígitos. A tarefa da Omega nos Jogos Olímpicos não se resume à cronometragem. Ela é responsável pela exibição das informações dentro do estádio, além das legendas das emissoras de televisão, transmissão e registro dos resultados. Em Londres, o que mais chamou a atenção foram as armas eletrônicas usadas no atletismo. O antigo equipamento disparava um som de largada que era ouvido com milissegundos de atraso pelos corredores que estavam nas raias mais distantes. Pode parecer insignificante à primeira vista, mas cada milésimo faz diferença quando o assunto é recorde mundial. A arma eletrônica, ou e-gun, criada pelo time de tecnologia da Omega acaba com esse problema. Ela ativa alto-falantes estrategicamente colocados atrás de cada esportista, o que assegura que eles escutem o disparo ao mesmo tempo. A natação também recebeu novidades na última edição da Olimpíada, como luzes de LED colocadas no bloco de largada que identificam imediatamente os três primeiros colocados ao público. Muito além de um simples relógio, portanto.
entrevista paulinho da viola IMPACTO "É claro que, do ponto de vista comercial, Copa e Olimpíada trazem dividendos para o País, mas poderia ser melhor"
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istoé 2016
“ O Bras il nãO se prepa rOu da m elhOr fOrma para a COpa” ii v
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por tom cardoso fotos daryan dornelles
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O samba mudou e Paulinho da Viola ficou. Não que seja um saudosista (“eu não vivo do passado, é o passado que vive em mim”)
ou que corra o risco de ficar datado. Se o samba já não é mais o mesmo, o problema é do samba – e não de Paulinho. Aos 71 anos, continua no mesmo ritmo: compõe sem pressa (não grava um disco de inéditas desde 1996) e aproveita o tempo livre para mexer na coleção de carros antigos, praticar marcenaria e jogar bilhar com amigos. É verdade que o time de coração, o Vasco, tem dado mais tristezas que alegrias, mas nem assim critica os desmandos administrativos dos dirigentes cruzmaltinos. Paulinho tem preguiça de polêmica. “Não falo mal nem do Flamengo”, diz. Apesar do estilo conciliador, a entrevista que segue não está morna (pelo menos é o que acha o autor deste texto e, esperamos, os leitores também). Pelo contrário. Paulinho contou histórias saborosas, como o dia em que sua mesa de bilhar foi alugada para os integrantes dos Rolling Stones, e o ataque de timidez diante de três ídolos do futebol. Amante dos esportes e carioca de alma e coração, falou sobre a Copa e os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E, olha só, foi crítico como poucas vezes se viu: “O Brasil não se preparou da melhor forma para a Copa.” E o Vasco, o seu time de coração, caiu para a segunda divisão... A culpa não é do Roberto (Dinamite, atual presidente do clube). Essa bagunça acontece há muito tempo. Mas não quero ficar aqui falando mal das pessoas. Não é do meu temperamento. Vamos mudar de assunto. Falar do Vasco, no atual momento, não é uma boa. Eu não falo mal nem do Flamengo.
entrevista paulinho da viola
Quais são as suas primeiras lembranças do futebol? Muita gente me pergunta sobre o Maracanaço (termo usado em referência à vitória do Uruguai contra o Brasil na final da Copa do Mundo de 1950). Engraçado, eu tinha 7 para 8 anos, mas não lembro de absolutamente nada. Sei que o meu pai e minha mãe foram à final, mas se perderam no meio da multidão. Minha mãe dizia que era tanta gente que ela viu o jogo com um olho só.
Você deve ter boas lembranças dos grandes times do Vasco que ganharam tudo nas décadas de 40 e 50. Claro! A TV Tupi passou a transmitir os jogos direto do Maracanã e a gente ia até a casa da Tia Nata, ali em Botafogo, para assistir. Não tinha tevê em casa. Ninguém tinha. Aquele time do Vasco eu nunca mais esqueço: Barbosa, Augusto e Rafanelli; Eli, Danilo e Jorge; Djalma, Friaça, Maneca, Ipojucan e Chico.
E ainda tinha o grande Ademir de Menezes, o “Queixada”... Grande Ademir. Aliás, passei um vexame quando fui apresentado a ele, ao Nilton Santos e ao Zizinho, após um show no Teatro Clara Nunes, no Rio.
Quando foi isso? Em 1982. O camarim ficava ao lado do palco e no fim do show eu recebia amigos e alguns fãs. As pessoas subiam, formavam uma fila para falar comigo. Eu nem tomava banho. Ficava ali, conversava um pouco e depois ia embora. Foi assim durante toda a temporada. Uma noite, depois do show, estava exausto e fui até o lado do palco trocar a camisa para receber as pessoas. Quando volto, dou de cara com o trio: Nilton Santos, Zizinho e Ademir. Eu já conhecia o Nilton Santos de jogar pelada. Mas o Zizinho e o Ademir, não – e eram dois dos meus grandes ídolos do futebol. Fiquei completamente sem ação. Foi constrangedor. Fiquei parado, durante um bom tempo, sem dizer absolutamente nada. Até que reuni forças para falar uma frase, olhando para o Ademir.
"NEM lEMBRO QUAl FOI O ANO EM QUE SUBI O MORRO PElA úlTIMA VEZ. antes havia viOlênCia, mas nãO na prOpOrçãO que existe hOje" mudou. Agora, com a Olimpíada, o Rio passa por uma revitalização. Como vê essa nova fase da cidade?
Qual frase? “Você já foi meu botão.”
A última vez que subi o morro foi a convite do (produtor) Fernando Faro, para acompanhar uma gravação do Carlos Cachaça (1900-1999), na Mangueira. Faz muito tempo, nem me lembro qual era o ano. Depois nunca mais. Eu, um portelense fanático, sempre fui com tranquilidade à Mangueira. Sempre fui muito bem recebido. Fui a muitas festas e nunca vi ninguém armado com fuzis. Havia violência, tráfico, mas não na proporção que existe hoje.
Vamos fazer uma grande Copa do Mundo? O Rio vai fazer bonito nos Jogos Olímpicos de 2016? É claro que, do
E agora, com as Unidades de Polícia Pacificadora, não pretende voltar a subir o morro? Em qual festa eu vou? Não
ponto de vista comercial, Copa do Mundo e Olimpíada trazem dividendos para o País. Mas acho que não nos preparamos da melhor forma.
tem mais a feijoada da Dona Vicentina, nem da Tia Surica. Não tenho mais disposição nem curiosidade.
Você viveu uma fase dourada do Rio, uma época em que se podia subir o morro com certa tranquilidade. Com a explosão da violência nos últimos anos, tudo
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istoé 2016
Você continua mantendo a mesma rotina depois dos 70 anos? A paixão pela marcenaria, pelos carros usados, os jogos de bilhar... Até uns 60 e poucos anos as coisas chegam e você não percebe. Aí, beirando os 70, tudo começa a aparecer. Há alguns anos, senti uma forte dor na coluna. Fui ao médico, tirei uma radiografia e fui intimado a começar a fazer ginástica. Fiz um pouco e logo depois abandonei. Paguei, claro, um preço alto por isso. Voltei ao médico e fui novamente convencido a retomar os exercícios, sobretudo a musculação. Nas aulas
encontrei uma senhora, muito animada, que disse que, a partir daquele dia, eu sentiria algo muito diferente.
E sentiu? Não senti absolutamente nada. Parei de fazer. Mas dificilmente fico parado. Continuo com a marcenaria, cuido dos carros antigos, mas sei que tenho as minhas limitações. Já não posso levantar peso. Mas sinuca eu jogo exatamente do mesmo jeito que jogava quando era jovem. Jogo relativamente bem. O Toquinho (músico) joga muito. Mas ele não tem a mesa em que os Rolling Stones jogaram. Eu tenho. Que história é essa? Sempre fui apaixonado por sinuca. Em meados dos anos 2000, decidi comprar a mesa dos sonhos de qualquer jogador: uma Tujaque Majestic, de origem britânica, uma mesa maravilhosa. Na época, estava meio de mudança e decidi deixá-la estocada na loja do Claudinho, que é um dos caras que mais entendem de material de bilhar no Rio. Era um risco deixar uma mesa daquela qualidade num lugar inapropriado. Passou um bom tempo, eu ainda naquele processo de mudança, de reforma da casa nova, quando me liga o Claudinho: "Paulinho, aluguei sua mesa". Mas pode deixar que os clientes são de confiança. São ingleses. Cinco ilustres ingleses.
Eram os Rolling Stones? Sim, eram. Eles estavam hospedados no Copacabana Palace para aquele show no Rio (em 2006) e pediram que fosse colocada uma Tujaque Majestic na suíte do Keith Richards. A produção ligou para a loja do Claudinho, que não tinha nenhuma mesa à disposição. Só a minha. Ele não teve dúvida e alugou a minha. Mas a mesa voltou inteira e até hoje eu tiro onda dos meus amigos: ‘Nessa mesa não joga qualquer um.’
O jornalista e produtor Nelsinho Motta declarou, recentemente, que os sambistas vivem se queixando da falta de incentivo ao samba, mas que o gênero nunca foi tão gravado pelas novas gerações de músicos. Pode até ser. Mas houve uma mudança radical de conceito, uma perda de certas coisas que, para mim, eram fundamentais. E olha que não sou saudosista, não sou contra a mudança. Mas o samba se distanciou demais de suas tradições. Veja o exemplo dos desfiles de escolas de samba.
Não acompanha mais os desfiles da Portela? Por divergências estéticas, fiquei muito tempo afastado da Portela, mas acabei voltando. Compare os desfiles dos anos 50 com os de agora. E não falo apenas em mudanças nas fantasias, nos enredos carnavalescos, no surgimento de novas tecnologias, que são transformações que sempre ocorreram. Eu falo da mudança que atinge o principal elemento da festa, que é o samba, que passou a ser tocado de uma forma muito acelerada. E por que a batida se tornou acelerada? Porque as escolas têm muita gente e precisam cumprir os horários
estabelecidos pelas emissoras de televisão. Antes, as pessoas andavam no desfile. Hoje elas correm. E o samba foi junto – a síncope é outra. É mais próxima de uma cavalaria. É uma questão de escolha. Não tenho mais o mesmo entusiasmo.
Há quem sustente a tese de que um de seus principais sambas, “Argumento” (“Tá legal/ Eu aceito o argumento/ Mas não me altere o samba tanto assim”), é uma resposta ao Benito di Paula, que, na época, fazia sucesso com os chamados “sambas latinizados”, que estavam bem distantes da tradição do gênero. Não passa de uma lenda ou você quis mesmo provocá-lo? Isso foi horrível. É lenda pura. Quem me conhece sabe que eu jamais faria um samba para incomodar alguém, para atacar uma pessoa, muito menos um artista.
Você sempre se manteve distante das polêmicas e, talvez por isso, tenha preferido não falar mais sobre o histórico show, em 1995, quando dividiu o palco, na praia de Copacabana, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque e Milton Nascimento, numa homenagem a Tom Jobim (dias após o tributo vazou a notícia de que Paulinho havia sido o único dos seis artistas a receber um cachê substancialmente menor pela apresentação. O pagamento acabou suspenso pelo Ministério Público e a relação de Paulinho com os outros músicos jamais foi a mesma). Não chegou a hora de falar? Eu dei entrevista na época, que foi editada de forma sensacionalista por um jornal do Rio. Nunca houve um esclarecimento maior sobre o episódio. Eu confesso que, na época, não entendi nada – e continuo não entendendo. Mas não tenho vontade de remexer nessa história. Minha relação com eles nunca mais foi a mesma. A gente se encontra e tal, mas não é mais a mesma coisa.
Caetano, Gil, Chico e Milton agora estiveram juntos no grupo Procure Saber, que é contra as biografias não autorizadas. Qual é sua posição sobre o tema? Não tem que proibir nada. Os biógrafos precisam de liberdade para levantar fatos importantes da vida de seus biografados. E não é porque não é autorizada que os escritores vão atrás de fofoca. Os nossos biógrafos são sérios, saberão usar o bom senso. Já estão escrevendo a minha biografia.
Quem? O meu cunhado. Ele é biógrafo? É jornalista. Mas não tem jeito. Sei que vão chamar a biografia de chapa-branca mesmo.
capa
o ____i m p melHor Do mUNDo Superada a desconfiança dos chineses sobre o ouro olímpico conquistado em londres, Zanetti surfa na fase boa: "Atualmente posso dizer que sou o melhor no que faço e essa sensação é muito boa" 32
istoé 2016
provável EM UM país sEM tradição Na GiNÁstiCa E CoM GraVEs proBLEMas dE
EstrUtUra, o CaMpEão oLíMpiCo dEsafia a LóGiCa do EsportE E iNVErtE o Eixo do faVoritisMo para o BrasiL
por Mariana Queiroz BarBoza fotos pedro dias/ag. istoé
ZANetti
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É hora do almoço no centro de ginástica da Sociedade Esportiva, Recreativa e Cultural (Serc/Santa Maria), em São Cae-
tano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. Apesar da temperatura que se aproxima dos 40 graus dentro do ginásio coberto por amianto, os sete garotos com idade entre 13 e 17 anos que se reúnem no canto direito não conseguem ficar parados. Os corpos definidos e miúdos se esticam, entrelaçam, pulam e se escondem debaixo de bancos com não mais de 40 centímetros de altura. Aos poucos, eles se multiplicam e recebem a companhia de garotas uniformizadas com collants azuis com detalhes vermelhos e brancos (as cores da bandeira da cidade) e cabelos obedientes à forma que o gel molhado condiciona para trás. Aos garotos, cabe o privilégio de treinar sem camisa, vestindo apenas uma bermuda azul. A professora Isabela Galvão reúne 11 meninas pequenas no centro do solo para começar o treino do dia, enquanto um ginasta aparentemente rebelde – alheio ao azul da regra, veste uma regata amarela e uma bermuda preta – começa a se alongar na frente delas. Quando ele senta sobre os calcanhares, o som que se espalha por um alto-falante ecoa um tema infantil, sucesso nos anos 90 com a novela “Chiquititas”. O refrão “Mexe, mexe, mexe com as mãos/ Pequeninas/ Mexe, mexe, mexe com os pés/ Pequeninas” é a trilha sonora do treino de Arthur Zanetti, 23 anos, primeiro campeão olímpico brasileiro e campeão mundial nas argolas. Contra todas as probabilidades, a crônica falta de estrutura e recursos e a ausência de tradição da ginástica artística masculina no Brasil, Zanetti se tornou um gigante do esporte nacional. Enquanto Zanetti testa os limites de sua concentração no alongamento sobre um solo desgastado pelo tempo, rindo da ironia daquela situação, os garotos maiores passam de um lado ao outro com as mãos apoiadas no chão e as pernas para cima. A professora pede que as meninas deem um passo para trás. “Mexe, mexe/ De ponta a ponta/ Esta é a dança/ Do remexe”. A música começa pela segunda vez. Zanetti deixa o solo e amarra um elástico na grade que o separa dos aparelhos de musculação. O ginasta, que é chamado apenas de “ele” pelas mães que, privadas de ver os treinos dos filhos, se reúnem numa sala ao lado, se estica de frente e de costas. “A porta faz blam!/ A chuva faz plim!/ O vento faz shhh!/ Eu te amo, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá”. A música começa pela terceira vez. Nesse dia, o treino é solitário. Marcos Goto, seu técnico há 15 anos, está viajando por México e Chile para acompanhar outros dois atletas da seleção: Francisco Barreto e Henrique Medina. Nessas ocasiões, os dois mantêm contato diário e Goto envia o treino do dia seguinte por e-mail. As Chiquititas cantam pela quarta vez. “Para um atleta de alto nível, esse clima não é o ideal”, afirma o técnico. “Os ginastas iniciantes e profissionais não deveriam treinar todos juntos como ocorre hoje.” No intervalo para o ensaio da coreografia que será apresentada dali a uma semana em uma festa na Associação de Ginástica di Thiene (Agith), mantida pelos pais dos 260 alunos com apoio da prefeitura municipal, as meninas se revezam entre corrigir a posição da colega do lado, dar estrela e plantar bananeira. Uma 34
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100% _DE APROvEITAMENTO AS CoNqUiStAS De ZANetti NAS ArgolAS em 2013 competição: onde:
CopA Do mUNDo De DoHA CAtAr________quando: mArço
competição: onde:
CopA Do mUNDo De ANADiA portUgAl________________quando: JUNHo
competição: onde:
UNiverSíADe De KAZã rúSSiA________quando: JUlHo
competição: onde:
JogoS regioNAiS BArUeri (Sp) ________quando: JUlHo
competição: onde:
CAmpeoNAto BrASileiro vitóriA (eS)________quando: AgoSto
competição: mUNDiAl DA ANtUérpiA onde: BélgiCA________quando: oUtUBro competição: onde:
memoriAl ArtUro geNDer SUíçA________________quando: oUtUBro
competição: onde:
CopA toyotA JApão________quando: DeZemBro
iNveNCível No ano passado, o ginasta ganhou todas as competições que disputou e inventou um elemento novo, que entrará no código de pontuação da Fig com seu nome. Apresentado pela primeira vez em portugal, o elemento recebeu nota máxima
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observa sentada segurando os joelhos, provavelmente cansada de tudo aquilo. A rotina de treinos evolui progressivamente da base ao profissional até que, no fim, os atletas só têm os domingos para descansar. “Não existe medo nesta dança/ E nem dá vontade de parar”. É a quinta vez que começa o mexe-mexe e, na impossibilidade de se fechar no silêncio, Zanetti tira a camisa e inicia uma sequência de abdominais. A música é repetida pela sexta, sétima, oitava vez. Finalmente, ele sobe para sua especialidade. Nas argolas, ninguém bate Zanetti. “Atualmente, eu posso dizer que sou o melhor do mundo e essa sensação é muito boa”, diz. O campeão olímpico treina um elemento novo, que espera a confirmação da Federação Internacional de Ginástica (FIG) para entrar para o código de pontuação com o nome “Zanetti”. Classificado com o valor F, a nota máxima, o movimento começa com o atleta em posição paralela ao chão, abaixo das argolas. Depois de dois segundos, ele sobe na mesma posição até ficar acima das argolas por mais dois segundos. A força exigida para completar a série deixa seu rosto, pescoço e ombros muito vermelhos. Apresentado pela primeira vez em junho de 2013, na Copa do Mundo de Anadia, Portugal, o elemento ajudou Zanetti a ganhar a medalha de ouro na competição. Além do campeão olímpico, Daiane dos Santos, Diego Hypólito e Sérgio Sasaki também batizaram movimentos da ginástica. Não que o atleta precise disso. Ele diz que não tem mais nada a provar. Desde que trouxe o ouro olímpico no pescoço e tatuado no abdômen, não ficou fora do pódio em nenhuma competição. “Aumentou a responsabilidade do Arthur, mas isso é entre mim e ele, não com a mídia ou o público”, diz Goto. “Ele não deve satisfação a ninguém.” O tom agressivo tem destinatário conhecido. Huang Yubin, técnico do chinês Chen Yibing, questionou a vitória de Zanetti em Londres e
classificou a noite de 6 de agosto de 2012 como uma data “obscura na história da ginástica”. “Roubaram o ouro de Chen Yibing!”, disse a uma agência de notícias da China. “Fica um gosto amargo para ele, porque, para mim, o gosto da vitória está muito doce”, diz Zanetti ao recordar a polêmica. Mas, que fique claro, ele diz que não guarda “nenhum rancor”. No ginásio com três argolas, três barras paralelas, dois cavalos com alças, um solo, quatro traves, uma barra assimétrica e uma barra física, a maioria dos aparelhos é oficial, mas velha, como expõem a tintura descascada das traves e a espuma aparente dos colchões. Depois da conquista em Londres, o ginásio recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) 22 equipamentos de ginástica e oito aparelhos de musculação, e do Ministério do Esporte a promessa da construção de um novo centro de treinamento em São Caetano do Sul. A expectativa do governo federal é investir R$ 8 milhões no projeto e entregá-lo antes da Olimpíada do Rio, em 2016, embora as obras ainda não tenham começado. “Eu consigo resultados apesar da pouca estrutura que tenho”, diz Zanetti. “Se tivesse uma estrutura igual à dos estrangeiros, esses resultados poderiam ter vindo antes e com outros ginastas.” Entre fevereiro e março, chegarão um novo aparelho de solo chamado "Moscou", uma trave de equilíbrio, uma barra assimétrica e uma prancha de salto com colchões. A doação de R$ 300 mil veio de uma campanha da marca de desodorantes Rexona, para a qual Zanetti cedeu sua imagem para levantar dinheiro em prol da Agith. Dois terços do valor foram só para pagar o novo solo importado. O próximo passo, segundo Goto, o manda-chuva do local, é negociar com a prefeitura a climatização do ginásio. Perto da estrutura das seleções de outros países, a formação de um campeão como Arthur Zanetti desafia a lógica. “Não conheço o treino dos outros, só sei que o Arthur ganha deles”,
reCompeNSA As mãos cobertas por grossas camadas de pele calejada comandam os treinos cinco vezes por semana em um ginásio de São Caetano do Sul. Depois de uma campanha publicitária estrelada por Zanetti, o local espera receber r$ 300 mil
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diz o técnico. Para a psicóloga Maria Cristina Nunes, que integra a equipe multidisciplinar que acompanha o atleta, Zanetti tem o perfil de uma pessoa vencedora e um apoio familiar que em outras culturas não tem o mesmo peso. “Talvez, para os brasileiros, o carinho e a cumplicidade da família sejam o grande diferencial”, afirma. Desde 2005, a psicóloga realiza um treinamento mental em Zanetti e outros ginastas para trabalhar os medos de cada um com técnicas de auto-hipnose e controle de pensamento negativo. A caminho do terceiro ano da faculdade de educação física na Universidade de São Caetano do Sul, o atleta mantém a rotina de tomar banho e jantar na casa da avó Neide Thomazzo após os treinos e antes das aulas. “Às vezes, não dá tempo nem de respirar, ele janta correndo”, diz vara montar um calendário de competições para 2014. O foco principal está no Mundial da China, em outubro. Goto até ouve as preferências de Zanetti, mas quem decide aonde ir é o técnico, de acordo com seus objetivos no ano. “Eu não negocio com atleta, não.” Como um primogênito, o campeão mundial desconta a cobrança nos colegas mais novos. Não pensa duas vezes antes de distribuir lições de moral para quem faz corpo mole. “Fico nervoso mesmo, porque é sofrido, tem que deixar de fazer um monte de coisa, mas eles já têm hoje uma estrutura muito melhor do que eu tive”, afirma. Retribuir a ajuda que recebeu quando chegou ao clube, aos 7 anos de idade, e deixar um legado para a nova geração são seu principal objetivo fora do ginásio. “Minha carreira deve ir até uns 30 anos”, diz, enquanto acena para uma menininha que deixa o ensaio das Chiquititas. “Depois quero ter algum projeto no esporte, não sei se como treinador, político, quero ajudar de alguma maneira.” Antes da Olimpíada de Londres, ele tinha o patrocínio de Sadia e Caixa. Depois, uniram-se a elas Adidas e Furnas, e, em dezembro, começou a receber R$ 15 mil por mês do governo federal pelo projeto Bolsa Pódio Atleta. Ele pensa em investir o dinheiro extra em aplicações conservadoras para viver bem depois da aposentadoria. Os riscos Zanetti deixa para correr entre duas argolas presas no teto.
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NetiNHo DA vovó estudante de educação física, Zanetti caminha para o terceiro ano de uma rotina que começa no ginásio e passa pela casa da avó Neide antes das aulas. No cardápio, comida caseira leve é acompanhada de sumplementos como BCAA
"eU CoNSigo reSUltADoS ApeSAr DA poUCA eStrUtUrA qUe teNHo”, DiZ ZANetti. “Se tiveSSe UmA eStrUtUrA igUAl à DoS eStrANgeiroS, eSSeS reSUltADoS poDeriAm ter viNDo ANteS e Com oUtroS giNAStAS”
produção: Cintia Sanchez Agradecimentos: Aramis (www.aramis.com.br)
HANDEBOL
BOMBARdEiO duda (à esquerda), eleita a melhor jogadora do Mundial, e Fernanda (à direita) preparam arremesso durante a final contra a Sérvia, em Belgrado. Abaixo, deonise abusa da raça para vencer a marcação adversária
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PLANEJAMENTO, PREPARAÇÃO MENTAL E INTERCÂMBIO NO EXTERIOR LEVARAM A SELEÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE HANDEBOL A UM INÉDITO E SURPREENDENTE TÍTULO MUNDIAL CONTRA A SÉRVIA
POR DANIELLE SANCHES
HANDEBOL CELEBRAÇÃO Babi, melhor goleira do Campeonato Mundial, abraça a central Ana Paula após a conquista do título. Brasileiras venceram o desdém da imprensa europeia
O sOl mal havia subidO no horizonte e o desembarque internacional do Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Guarulhos, na Grande São Paulo, já estava lotado. Era véspera de Natal. Em poucos minutos, a seleção feminina de handebol desembarcaria, dois dias depois da vitória contra a Sérvia que havia dado o título inédito do Campeonato Mundial ao Brasil. O reencontro com a família e os amigos estava prestes a ser abalado pelo frenesi de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, que se acotovelavam e trocavam ofensas por uma foto, uma declaração, uma imagem das atletas vencedoras. Logo atrás, um grupo de adolescentes tentava furar o paredão da imprensa. Com o desatino típico da idade, elas gritavam e choravam, camisas da seleção e celulares em riste. Ao lado delas, dois “torcedores profissionais” – que, poucos minutos antes, recémchegados da França, nem sabiam que o Brasil tinha vencido o campeonato – pulavam com uma bandeira em punho. Festa merecida. “Tudo o que importava era ouvir o nosso hino no pódio e depois comemorar”, diz a ponteira Alexandra Priscila do Nascimento, eleita a melhor jogadora do mundo em 2012. Para ela, a epítome de um trabalho de anos estava ali, naquele saguão. Era o resultado muito real de um projeto que nada tinha de acidental. Também ponteira, Mariana Costa, a caçula, logo surgiu pela porta. A jovem de 21 anos correu para abraçar os pais, que a esperavam com um pandeiro na mão. “Ela adora tocar”, afirma o avô José Caetano da Costa. A mãe, Eliana, não aguentava mais esperar a saída do time, que deu uma parada básica no free shop. “Não dormi de noite, esperando ela chegar”, falou Eliana, que sofre com a distância – Mariana joga na Dinamarca e voltaria para lá antes mesmo do Réveillon. Cabelos arrumados, maquiagem nos olhos, unhas feitas e perfume de grife não faltaram para o time, que experimentou raros minutos de fama. Com a equipe inteira no saguão, instaurou-se
O téCniCO MORtEn ACEntuOu A idEntidAdE dO tiME, diRECiOnAndO A PAixÃO EM quadra para criar um estilo de jogo ágil, forte e “raçudo”
o corre-corre: câmeras, microfones, celulares, gravadores, canetas e blocos de anotação funcionavam sem parar enquanto as meninas, sorridentes, traziam na ponta da língua o discurso bem ensaiado. “Sempre confiamos que éramos capazes e conseguimos”, diz a capitã Fabiana Diniz, a Dara. “Esse título levou anos para ser alcançado”, afirma a goleira Babi. Fotos posadas, declarações feitas, era hora de se retirarem para uma sala reservada. Com acesso exclusivo ao espaço, a 2016 conferiu todo o clima de festa das atletas. Visivelmente aliviadas, elas estavam eufóricas, falavam alto e brincavam o tempo todo umas com as outras. Para a pivô Dani Piedade, a conquista teve um gosto especial: em outubro de 2012, Dani sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) pouco antes de entrar em quadra, na Eslôvenia, onde mora. Totalmente recuperada, correu lado a lado com as companheiras de equipe pelo mundial. “O objetivo sempre foi o ouro”, afirma. Objetivo que também tinha um gosto de vingança. Ao longo da competição, o desdém à seleção brasileira, considerada nada mais do que uma zebra por muitos na Europa, foi frequente. “Ouvimos muita coisa de que não gostamos”, diz Babi, eleita a melhor goleira do mundial. “Calar os críticos e vencer na frente da torcida adversária teve um sabor especial.” Duda, eleita a melhor jogadora da competição, concorda: “Alguns comentários machucam, mas passa.” A tão aguardada medalha brasileira veio de uma final tensa, disputada contra a Sérvia na casa do adversário. O time, um gigante do handebol na Europa, já havia sofrido uma derrota difícil de engolir para o Brasil, ainda na primeira fase. Derrota menosprezada pela imprensa local e considerada um simples escorregão. No dia 22 de dezembro, cerca de 20 mil pessoas lotaram a arena Kombamk, em Belgrado, confiando na figura da pivô Dragana Cvijic – carinhosamente chamada de “Mamute” pelo time – para dar uma lição nas brasileiras. Desde o início, a partida seguiu gol a gol, com o empate alcançado pelos dois times o tempo todo, expulsões em ambos os lados e muito nervosismo. Aos poucos, ficou claro que a equipe brasileira era superior: as goleiras Babi e Mayssa protagonizaram defesas impossí-
veis, enquanto as ponteiras Fernanda e Alexandra, acompanhadas das centrais Ana Paula e Deborah Nunes, tornaram a vida das sérvias um inferno com contra-ataques cada vez mais rápidos. “É claro que surgiu dúvida, estávamos nervosas”, diz Alexandra. “Mas, nessa hora, olhar para a sua companheira de equipe e ver que você não está sozinha é o que dá força para continuar firme.” Com a vitória brasileira por apenas dois gols de diferença (22 a 20), um pesado e ensurdecedor silêncio tomou conta da arena sérvia. Era possível sentir o “Maracanaço” às avessas. Indiferentes, as campeãs choravam, se abraçavam e pulavam pela quadra. Para ambas as seleções, era inacreditável estar ali. A final mundial foi a primeira das atletas e também do técnico dinamarquês Morten Soubak. Para chegar lá, a equipe passou por um intenso preparo físico e, principalmente, mental. “A Ale [Alessandra Dutra, psicóloga do time] fez todo mundo acreditar que essa medalha era possível”, diz a ponteira Alexandra. Uma das armas foi levar a equipe, vestida com uniformes oficiais, para dentro da arena dias antes da grande final. Alessandra fez as atletas caminharem por toda a quadra, olhar os assentos vazios, visualizar a torcida adversária destilando sua raiva. “Ela queria que ficássemos firmes diante deles”, relembra Duda. “A verdade é que era preciso fazer as meninas terem gana, vontade de agredir e guerrear”, disse a psicóloga à 2016. Do seu lado, Morten acentuou a identidade do time, direcionando a paixão em quadra – uma característica sempre presente, mas até então mal aproveitada – para criar um estilo de jogo ágil, forte e “raçudo”. Misturou isso à técnica e experiência europeias, adquiridas com a vivência das jogadoras no Exterior, e criou um time sincronizado, consistente em cada apresentação, capaz de virar o jogo contra seleções de peso como Dinamarca, Japão, China e a própria Sérvia. “Ele conseguiu tirar o melhor de nós, cobrando como os europeus cobram, mas sem nunca apagar o nosso estilo pessoal”, explica Dara. Morten tem a voz forte, fala pouco e é muito objetivo. “Os planos continuam os mesmos de antes da competição”, diz, impassível. “Treinos, ritmo e foco na medalha
HANDEBOL
CAMinHO PARA O tÍtuLO AS VITÓRIAS QUE RENDERAM A INÉDITA CONQUISTA DO CAMPEONATO MUNDIAL À SELEÇÃO FEMININA, ATUALMENTE 22ª COLOCADA NO RANKING INTERNACIONAL PRIMEIRA FASE _argélia 41ª no ranking mundial brasil 36 x 20 argélia _China 20ª no ranking mundial brasil 34 x 21 China _sérvia 7ª no ranking mundial brasil 25 x 23 sérvia _Japão 13ª no ranking mundial brasil 24 x 20 Japão _dinamarca 6ª no ranking mundial brasil 23 x 18 dinamarca OITAVAS DE FINAL: _holanda 17ª no ranking mundial brasil 29 x 23 holanda QUARTAS DE FINAL _hungria 3ª no ranking mundial brasil 33 x 31 hungria SEMIFINAL _Dinamarca 6ª no ranking mundial brasil 27 x 21 dinamarca FINAL _Sérvia 7ª no ranking mundial brasil 22 x 20 sérvia
olímpica.” Mas a objetividade some quando ele tenta descrever a si mesmo como técnico. Nesse momento, o líder acostumado a dar ordens para a equipe de 16 mulheres fica incrivelmente sem jeito. “Acredito que sou motivador”, é tudo que consegue dizer, desconfortável com a pergunta. Antes do jogo decisivo, abusou dessa característica. No vestiário, entregou imitações de medalhas às atletas. “Está aqui a prata de vocês. Acabou. A gente vai jogar aqui, mas não quer dizer nada. A gente vai ficar com a prata e está bom”. Em seguida, tirou do bolso uma cópia da medalha de ouro. “Esta aqui é da Sérvia. Tá bom para vocês?”. Não estava bom. Após a conquista, emocionado, surpreendeu a todos e perdeu a compostura – e os óculos – ao desabar no chão da arena. “A final foi como tinha que ser: tensa, curiosa e vitoriosa”, afirma. O trabalho que culminou no sucesso da equipe feminina em 2013 começou muito antes, em 2001, quando a Confederação Brasileira de Handebol (CBH) chamou para ser consultor-técnico o espanhol Juan Oliver Coronado. Quatro anos depois, no Mundial realizado em São Petersburgo, na Rússia, a seleção feminina conseguiu um celebrado sétimo lugar na competição. A troca de conhecimentos continuou e as relações com confederações estrangeiras se estreitaram, principalmente com a Dinamarca (onde Karoline de Souza e Mariana Costa jogam hoje). Em 2009, Morten, que já atuava no Brasil treinando o clube Pinheiros, foi convidado pela confederação a assumir o time feminino. O objetivo era claro: trazer títulos para casa e acender os holofotes sobre o esporte para conquistar mais investimentos.
Em 2011, no Mundial realizado no Brasil, elas bateram na trave ao ceder uma derrota para a Espanha ainda nas quartas de final. Em Londres-2012, viram o sonho olímpico acabar com a derrota para a Noruega, também nas quartas. “Era para ter acontecido em 2011, jogamos tão bem como nesta final”, diz Manoel Luiz de Oliveira, presidente da CBH. “Com esse nível de jogo, sabíamos que era uma questão de tempo até a medalha chegar.” O handebol é contemplado pelo Plano Brasil Medalhas 2016, uma série de investimentos do governo federal para tentar levar o País às primeiras posições na Olimpíada do Rio. Com um orçamento anual de R$ 23 milhões, a CBH traz técnicos e atletas de países como Romênia, Ucrânia, Espanha e Dinamarca para dar cursos, além de manter as esportistas em constante aperfeiçoamento e pagar o salário do treinador (este com a ajuda do Comitê Olímpico Brasileiro). A confederação possui ainda um convênio com o clube austríaco Hypo Nö, dirigido por Morten, que tem oito brasileiras em seu plantel. Seis delas estavam na histórica final. O investimento do governo vai culminar em outro projeto: a criação, em 2014, do Centro Nacional de Desenvolvimento, uma espécie de base de treinamento do handebol no Brasil. Aliado a esse cenário, o título mundial dá esperança aos dirigentes. “Temos certeza de que essa medalha vai nos trazer ainda mais possibilidades e fortalecer o handebol no País”, afirma o presidente da CBH. O próximo projeto, já em andamento, é o lançamento de uma liga nacional com 12 clubes. Esse é considerado um dos principais pontos para incentivar o esporte por aqui. Hoje, os campeonatos
MARCAS dA BAtALHA Alexandra, melhor jogadora do mundo em 2012, grita de dor durante a partida final, enquanto a central deborah busca espaço entre as sérvias, que jogaram em casa, diante de 20 mil torcedores 44
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nacionais são incipientes e passam longe de refletir a popularidade do esporte nas escolas. É por isso que a maioria das atletas da seleção joga e vive longe de casa. Do Exterior, chegam elogios ao time brasileiro. “Não foi uma surpresa para nós”, afirma Morten Stig Christensen, secretário-geral da Dansk Handbold Forbund, a federação dinamarquesa de handebol. “Temos brasileiras jogando e treinando aqui, sabemos da qualidade do técnico e pudemos notar que havia algo de grande acontecendo no handebol brasileiro nos últimos anos”, disse. “Brilhante” foi o termo mais usado por ele para descrever o estilo das jogadoras, levado ao extremo durante a final contra a Sérvia. “As brasileiras são fortes, atléticas e muito rápidas”, diz. “Mas o que mais chama a atenção é que elas jogam com paixão, com o coração, e transformam essa energia em uma grande luta”, afirma o ex-jogador, que acredita em mais resultados positivos para o handebol brasileiro, com destaque para a Olimpíada de 2016. Para Dara, a capitã do time, o trabalho será especial. A atleta, que jogou 25 minutos da final com o dedo indicador esquerdo luxado, confirmou que pretende encerrar a carreira após a competição olímpica. Para ela, será o fim do ciclo. “Mas espero que seja o início para uma próxima geração”, diz.
PELO MundO ONDE ATUAM AS JOGADORAS DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE HANDEBOL
GOLEIRAS _bárbara arenhart (babi) HYPO NÖ, ÁUSTRIA _mayssa Pessoa HK DÍNAMO VOLGOGRAD, RÚSSIA ARMADORAS _amanda Claudino de andrade SUPERGASBRAS/UNC/CONCÓRDIA-SC, BRASIL _deonise Fachinello Cavaleiro HYPO NÖ, ÁUSTRIA _Eduarda amorim (duda) GYORI AUDI ETO, HUNGRIA _Karoline helena de souza TEAM TVIS HOLSTEBRO, DINAMARCA CENTRAIS _ana Paula Rodrigues belo HYPO NÖ, ÁUSTRIA _deborah hannah Pontes Nunes METODISTA/SÃO BERNARDO-SP, BRASIL _mayara Fier de moura HYPO NÖ, ÁUSTRIA PONTEIRAS _alexandra Priscila do Nascimento HYPO NÖ, ÁUSTRIA _Fernanda França da silva HYPO NÖ, ÁUSTRIA _samyra Pereira da silva Rocha MIOS BIGANOS HANDBALL, FRANÇA _mariana Costa TEAM VENDYSSEL, DINAMARCA PIVÔS _daniela de Oliveira Piedade ROKOMETNI KLUB KRIM, ESLOVÊNIA _Elaine Gomes barbosa FORÇA ATLÉTICA-GO, BRASIL _Fabiana Carvalho diniz (dara) HYPO NÖ, ÁUSTRIA
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g u e r r e i r o d a
a r e i a
NUNCA HOUVE VÔLEI DE PRAIA EM OLIMPÍADAS SEM A PARTICIPAÇÃO DE EMANUEL. AOS 40 ANOS, O MAIOR VENCEDOR DA HISTÓRIA DESSE ESPORTE NÃO QUER SABER DE APOSENTADORIA E FAZ PLANOS PARA CONQUISTAR MAIS UMA MEDALHA DE OURO EM 2016
por SimonE aVEllar fotos PEdro diaS/aG. iStoÉ
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ISTOÉ 2016
EM FRENTE Emanuel nas dunas da Joaquina, em Florian贸polis (SC). O veterano do v么lei de praia, que acaba de mudar de parceiro, n茫o tem planos de se aposentar antes de 2016
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EmanuEl FErnando SchEFFEr rEgo caminhou Em um dESErto durantE muitoS anoS. Seu esporte, o vôlei de praia, passou quase uma década sem ter regras totalmente definidas, com pouquíssimos atletas praticantes e nenhuma divulgação. Em 1990, quando o brasileiro tinha 17 anos, o jogo era apenas uma modalidade de exibição. Não havia referências, ídolos ou perspectivas. Hoje, Emanuel é o maior atleta do vôlei de praia no País e o maior vencedor da história do esporte no mundo. São 150 vitórias oficiais – contra 148 do americano Karch Kiraly –, incluindo dez títulos do Circuito Mundial, oito do Circuito Brasileiro, três campeonatos mundiais, uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze. Desde que a categoria se tornou olímpica, em Atlanta-1996, Emanuel esteve em todos os Jogos. Aos 40 anos, com a pele marcada pelo sol e pelo sal, o magricelo curitibano de apelido “Espeto” se tornou ele próprio uma referência. Sem bancar o falso modesto, Emanuel diz que sua meta, desde garoto, sempre foi ser o melhor jogador do mundo. Por isso, o recorde de vitórias quebrado em novembro foi tão importante. “Ainda menino, eu sonhei com uma coisa e, aos 40 anos, consegui realizar”, diz. “Foi muito tempo, mas valeu a pena.” Ótimo, mas ser o maior vencedor significa ser o melhor do mundo? “Essa é uma pergunta para quem ler a revista”, disfarça. “O leitor vai responder isso para mim.” Então, leitor, antes de dar seu voto, saiba que a carreira desse veterano das quadras acaba de sofrer uma reviravolta. A parceria de três anos com Alison Cerutti terminou na última etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2013/2014, em São José (SC), no fim do ano passado. Os planos para o futuro são ambiciosos: ao lado do novo companheiro, Pedro Solberg, Emanuel pretende disputar os
Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, quando terá 43 anos. “Rever a carreira é importante, mas, se eu ficar pensando muito no passado, é como se eu parasse de jogar”, diz. “Não quero isso, ainda tenho muita coisa para fazer.” Para a maioria dos atletas, chegar aos 40 anos competindo em alto nível, acumulando vitórias e batendo recordes é algo quase impossível. Começam a faltar força e energia e as lesões se repetem. Mas não no caso desse paranaense. “Agradeço pelo
DNA que tenho, porque ele me ajudou muito nesses anos de carreira”, diz. “Nunca tive problema de coluna, de joelho, de ombro. Hoje, na verdade, me sinto muito mais forte do que antigamente.” A generosidade do organismo de Emanuel é recompensada pela dedicação espartana do jogador ao condicionamento físico. Há três anos, ele faz treinamentos específicos para – desculpe, cara – “alguém da sua idade”. Nessa dura estrada, é acompanhado pelo fisiologista Paulo Figueiredo, ex-médico do Flamengo. “O Paulo montou um programa com treinos mais curtos e de muita intensidade, mais focados em força e resistência”, diz o atleta. Ele também é orientado pelo nutricionista João Olinto, médico da seleção brasileira de vôlei. “Tento manter uma disciplina rigorosa pensando que meu corpo é a minha empresa”, afirma. “O meu objetivo é fazer com que a minha empresa dure o maior tempo possível, da melhor forma.” Emanuel treina de segunda a sexta-feira, rigorosamente. Durante duas horas, pela manhã, na praia,
ELEMENTO NATURAL Emanuel passou três anos dividindo quadras e areia antes de apostar de vez no vôlei de praia. Hoje, ninguém tem mais vitórias do que ele nesse esporte
exercita a parte técnica e tática. À tarde, trabalha o físico. Normalmente, fica uma hora e meia na academia e, depois, faz mais 40 minutos de exercícios na areia. “Quem quer ser bemsucedido nos esportes tem que trabalhar mais que os outros”, diz o jogador, eleito o atleta da década de 1990 pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Com o fim da parceria com Alison, que rendeu à dupla 21 títulos em três anos, o veterano passa a jogar ao lado de Solberg, que se tornou o mais jovem campeão do Circuito Mundial, em 2008, aos 22 anos. O atleta, filho da ex-jogadora Isabel, também acumula os títulos do Circuito Brasileiro 2012/2013 e das etapas da Holanda e do Brasil do Circuito Mundial 2013. “Emanuel é o maior jogador de todos os tempos”, afirma Solberg. “Estar ao lado de alguém com uma história como a dele é especial demais para mim.” Enquanto Solberg comemora, o ex-parceiro lamenta o fim da dupla. A separação foi motivada pelo desejo de Alison de voltar para perto da família, em Vitória (ES). Nos últimos nove anos, ele havia fixado residência no Rio de Janeiro, onde Emanuel mora há quatro anos. “Está sendo difícil demais para mi m”, confessa Alison. “Temos um carinho muito grande um pelo outro, dentro e fora da quadra, mas é duro ficar longe da família.” Emanuel já está acostumado com as despedidas. Em duas décadas de carreira, ele teve como parceiros Clésio, Aloízio, André Gomes, Kent Steffes, Zé Marco, Loiola, Tande, Ricardo e Alison. “Quando você faz uma parceria, vê de perto as qualidades e os defeitos”, diz Emanuel. Segundo o jogador, a cumplicidade profissional acaba se tornando amizade. “Lógico que em competição fica difícil manter a amizade com velhos parceiros, pois existe a rivalidade”, diz. “Mas, quando acabam os torneios, a gente se aproxima de novo.” Uma das parcerias mais bem-sucedidas de Emanuel, com Ricardo Alex Santos – que rendeu medalhas de ouro para o Brasil na Olimpíada de 2004 e nos Jogos Pan Americanos de 2007 –, durou quase oito anos e terminou no final de 2009 por causa de divergências quanto ao local de base da dupla. Os dois treinavam em João Pessoa (PB), onde Ricardo é radicado. Em 2008, Emanuel se casou com a ex-jogadora Leila Barros, medalhista olímpica, e se mudou para o Rio de Janeiro. Durante dois anos, ele
viveu no avião, entre a capital carioca e João Pessoa. Não deu certo. O rompimento, segundo o atleta, foi inevitável. Apesar de não serem mais tão próximos, os dois mantêm até hoje uma relação de respeito e admiração. “Formamos um time que conquistou o máximo de vitórias possível”, afirma Ricardo. “O Emanuel é um jogador muito determinado, um verdadeiro profissional, que faz de tudo para seus objetivos darem certo.” Torcedor fanático do Atlético Paranaense, Emanuel bem que tentou jogar futebol quando criança, mas seu biótipo alto e magro não colaborou. A paixão pelo vôlei nasceu aos 11 anos de idade, durante a Olimpíada de 1984, em Los Angeles. Ele estava nos Estados Unidos, em uma viagem de férias com a família, e assistiu ao vivo à final entre os brasileiros e os donos da casa. A geração de prata, responsável pela primeira medalha olímpica do vôlei nacional, conquistou o jovem. “Aquela medalha me marcou muito”, diz. “Foi ali que decidi ser jogador de vôlei.” Impulsionado pela emoção dos Jogos Olímpicos, Emanuel se inscreveu em uma escolinha em Curitiba. As aulas eram sempre das 9h às 10h, mas o moleque magrelo chegava ao clube às 7h porque pegava carona com o pai, que precisava sair cedo para trabalhar. “Dos 11 aos 15 anos, eu jogava vôlei o tempo inteiro”, diz. “Em casa, na garagem, no portão. Bati muita bola mesmo.” Aos 17 anos, Emanuel começou a jogar profissionalmente nas quadras pelo clube Curitibano, como levantador. Nos fins de semana, quando ia para o litoral do Paraná, fazia dupla com o colega Clésio nas areias. Em certo dia do verão de 1990, os dois venceram um torneio local que valia vaga para o campeonato brasileiro, no Rio de Janeiro. Foi nessa época que a dupla ganhou o apelido de Graveto e Espeto. No torneio nacional, ficaram com o décimo lugar. “A gente nunca tinha jogado sério assim”, diz o hoje recordista. “Para mim, foi espetacular.” Emanuel gostou do resultado e seguiu jogando nas quadras e na areia até 1993. Então, fez uma profecia: em breve, o vôlei de praia se tornaria um esporte olímpico. E optou definitivamente pela areia. O curitibano conta que considerava
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sua altura, 1,90 m, insuficiente para a quadra. Via na praia sua única chance de se tornar um atleta de altíssimo nível. Acertou em cheio. Três anos depois, a modalidade estrearia em Atlanta. Apesar de todo esforço individual do veterano atleta, o Brasil, com seus oito mil quilômetros de costas, conseguiu apenas dois ouros olímpicos no esporte: um em 1996, com a dupla Jacqueline Silva e Sandra Pires, e outro em 2004, com Emanuel e Ricardo. Em compensação, o País tem o maior número geral de medalhas no esporte: 11, contra 9 dos Estados Unidos. Além do ouro, Emanuel ganhou o bronze, em 2008, também ao lado de Ricardo, e a prata, em 2012, com Alison. “Todos nós do vôlei de praia somos movidos pelas Olimpíadas”, afirma. “Mas, fora isso, o Brasil domina o circuito mundial. Se for ver, de todos os mundiais que já aconteceram, o Brasil ganhou quase 80%.” Emanuel aposta que, em 2016, os resultados serão melhores nos Jogos Olímpicos. Além do fator casa, ele prevê que a criação da seleção brasileira de vôlei de praia, no ano passado, trará dividendos. Agora, existe uma comissão técnica fixa masculina e outra feminina e os atletas são avaliados individualmente. Assim, o treinador
pode escolher apenas um determinado jogador em vez de a dupla já formada. Antes, eram as duplas mais bem colocadas no circuito mundial que tinham direito à vaga nos Jogos Olímpicos. “A tendência é que os atletas melhorem o seu desenvolvimento pessoal”, diz Emanuel. “Para 2016, pode ter a certeza de que teremos os melhores jogadores nas suas funções.” Tudo certo para o veterano brilhar nas areias de Copacabana, então? Calma lá. A técnica da seleção masculina de vôlei de praia, Letícia Pessoa, é só elogios para o veterano, mas não confirma a participação dele nos Jogos. “Quando comecei a treiná-lo, ele já era um campeão, e tudo que falei ele tentou escutar e colocar em ação”, afirma. “Hoje, ele estaria em totais condições de ir à Olimpíada, mas, daqui a três anos, não sei dizer.” Fora das quadras, Emanuel é um sujeito pacato. Gosta de aproveitar ao máximo o pouco tempo livre com a mulher e os filhos. Ele é pai de Mateus, 16 anos – que também joga vôlei de praia e mora em Maceió (AL) –, e de Lukas, 3 anos, fruto de seu casamento com Leila. Atualmente, nem mesmo a distância do filho mais velho e da mulher, que vive em Brasília (DF) com o pequeno herdeiro (confira reportagem nas páginas a seguir), serve de pretexto para uma possível aposentadoria. De olho na Olimpíada, ele não pretende tomar nenhuma decisão sobre o assunto nos próximos três anos. Para garantir o futuro próximo, iniciou a faculdade de marketing e vai cursar, em 2014, o quarto semestre. Também faz cursos de gestão dentro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), preside a Comissão de Atletas do comitê e integra a Agência Mundial Antidoping (Wada). “Minha intenção é usar toda essa experiência nas quadras para desenvolver talentos e criar projetos”, diz. Assim, mesmo quando o corpo não aguentar mais, Emanuel continuará sendo uma figura única na história do esporte nacional.
HOMEM OLÍMPICO O paranaense Emanuel foi à sua primeira Olimpíada em 1996, mas a medalha só viria em 2004. E foi logo de ouro
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LeiLa de v o L t a às o r i g ens A MUSA dO vôLEI NACIONAL RETORNA PARA O LUgAR dE ONdE gUARdA AS MELHORES E PIORES LEMbRANçAS
FAMÍLIA Leila e o filho Lukas, de 3 anos, fruto do casamento com o jogador de vôlei de praia Emanuel
por natália martino fotos adriano machado
“não chora, mãE, o quE acontEcEu?”, pergunta o pequeno Lukas, 3 anos, enquanto escala o colo da exjogadora de vôlei Leila Barros para enxugar as lágrimas. É a lembrança da morte da mãe, há 13 anos, que tira o sorriso do rosto de Leila. Fora das quadras onde se consagrou, a então atleta teve embates duros – lutou contra o câncer da mãe, o alcoolismo do pai, as dificuldades financeiras da infância e o estigma de musa, que insistia em tentar suplantar o talento para o esporte. Hoje, aos 42 anos, de volta a Brasília, sua terra natal – mais precisamente, à cidade-satélite de Taguatinga –, Leila encara todas essas lembranças com a mesma emoção da época de jogadora e estabelece para si um novo desafio: tornar competitivo o Brasília Vôlei. A equipe foi montada por ela e antigos companheiros de profissão em uma tentativa de tornar a capital federal, que desde 2005 não contava com um time na Superliga feminina, um dos polos da modalidade no País. Ao atravessar as ruas que fizeram parte da sua rotina nos primeiros anos de vida, Leila observa as mudanças na região. O tempo não levou embora, porém, um pequeno bar de uma das esquinas. “Era aqui que o meu pai bebia”, conta. Seu Francisco carregou durante toda a vida o alcoolismo. Quando a fama da ex-jogadora atingiu seu ápice, era ela a procurada pelas pessoas com quem o pai
contraía dívidas de jogo e bebidas. “Muitas vezes eu nem sabia se ele realmente devia aquele dinheiro ou se a pessoa estava apenas se aproveitando da situação”, lembra-se Leila. O vício foi levado até as últimas consequências e o pai de Leila morreu de cirrose, em 2011. Nos momentos mais díficeis, era o irmão, Marcelo, dez anos mais jovem, quem dava suporte. Para ele, o pior golpe foi a doença da mãe. “Tínhamos que dividir a atenção cuidando dos dois ao mesmo tempo”, diz. A descoberta do câncer de dona Francisca, no fim da década de 1990, foi uma notícia avassaladora para Leila. Anos antes, em 1988, quando a então aspirante a atleta deixou Brasília em direção a Belo Horizonte para, pela primeira vez, fazer parte de um time profissional, a mãe a apoiou, a despeito da negativa do severo marido, Francisco. Esse é apenas um dos episódios que revelam a importância da mãe na vida de Leila. “Ela foi meu grande exemplo”, diz. Durante os dez anos em que a família lutou contra a doença, Leila fez tudo que esteve ao seu alcance, até buscar, no Exterior, remédios supostamente milagrosos que alguém indicava. Dona Francisca não resistiu e morreu em 2003, quando a filha participava de uma competição de vôlei de praia na Alemanha. “No mesmo dia, sonhei que minha mãe tinha vindo até mim para me pedir para ficar em paz.”
De dentro do carro, estacionado em frente à casa onde foi criada, a ex-jogadora se lembra da alegria que sentia ao ver a mãe saindo pelo portão para recebê-la sempre que voltava de uma temporada de jogos. “Agora que moro em Brasília, passo aqui todos os dias a caminho dos treinos e observo esse lugar tão cheio de lembranças”, diz. A casa escondida atrás de um portão branco foi, segundo Leila, um investimento de toda a vida dos pais, concluído apenas com os primeiros salários que o vôlei deu. “Eles achavam muito importante deixar pelo menos uma casa para mim e para o meu irmão”, diz a exjogadora. “Talvez por isso seja tão difícil vender isso aqui. Acho que nunca faremos isso.” Ali Leila viveu até embarcar, aos 17 anos, para a vida itinerante de atleta. Leila não consegue falar sobre a carreira sem citar, com imenso carinho, a freira Stella Matutino. Mais do que ajudar Leila a conquistar uma bolsa de estudos, a Irmã Stella foi, como a própria atleta define, seu anjo da guarda. “Ela não tinha dinheiro nem para pagar a passagem de Taguatinga até o Plano Piloto para treinar”, conta a Irmã, que conseguiu um quarto no alojamento da escola para que a futura atleta não precisasse ir para casa depois das aulas e voltar mais tarde para jogar vôlei. Era da cozinha destinada às freiras que vinha, também, o almoço de Leila. Quando fala da ex-jogadora, a Irmã
AO ATRAvESSAR AS RUAS qUE FIzERAM PARTE dOS SEUS PRIMEIROS ANOS dE vIdA, LEILA ObSERvA AS MUdANçAS NA REgIãO. O TEMPO NãO LEvOU EMbORA, PORéM, UM PEqUENO bAR dE UMA dAS ESqUINAS. “era aqui que o meu pai bebia”, diz
se emociona, resgata fotos do período em que conviviam diariamente. Entre elas, um cartão-postal, o primeiro deles, enviado por Leila depois que ela seguiu seu caminho de atleta profissional. “Ela nunca deixou de ser grata, até hoje se lembra sempre de mim.” Humildade é uma das faces mais marcantes da atleta que conquistou legiões de fãs. Para Bernardinho, treinador da seleção feminina de vôlei na década de 1990, o momento que define Leila é o jogo da final do Grand Prix de 1996 contra Cuba, vencido pelo Brasil. “Quando a partida acabou, ela se ajoelhou e chorou muito”, diz o treinador. “Mas a Leila chorava quando perdia, chorava quando ganhava”, brinca o treinador. Bernardinho revela que o que mais arrancava lágrimas dela era a eterna saudade de casa, principalmente da mãe. A relação tão próxima com a família foi um dos pontos-chaves para conquistar, há 9 anos, o atual marido, o jogador de vôlei de praia Emanuel. “Ela gosta de contar pra todo mundo que deu em cima de mim descaradamente, e é verdade”, diverte-se Emanuel. Na época, recémdivorciado, ele não queria investir em um novo relacionamento, mas em três meses Leila se mostrou muito mais do que a jogadora cheia de raça e a mulher- musa. “Me apaixonei pelos seus valores, pela sua capacidade de estar sempre disponível para as pessoas que amava”, conta. Quando percebeu tudo isso, ele disse para a mãe que tinha encontrado o amor da sua vida. Diante da fama, ambos precisam lidar com o assédio e, nesse quesito, eles concordam: Leila é a que mais se incomoda. Ciumenta assumida, a ex-jogadora conta que já foi até o banheiro feminino de um restaurante atrás de uma mulher que ela acreditava estar flertando com o marido. A ele também não faltam, claro, motivos para cenas de ciúme. Os olhos puxados, o sorriso largo, tudo que transformou Leila em musa continua lá. “Às vezes eu fazia um jogo maravilhoso e, no final, as pessoas falavam da minha aparência”, diz Leila. “Mas eu sempre quis ser reconhecida apenas como jogadora.” Para chamar
menos a atenção, Leila radicalizou: cortou os cabelos curtos. Não funcionou – o efeito foi inverso, já que ressaltou os traços exóticos de seu rosto. Nas Filipinas, a atleta tinha status de estrela de cinema, como lembra o então técnico Bernardinho. “Era só eu tirá-la do time para ser vaiado”, diz. Certa vez, a equipe chegou ao hotel naquele país e, para Leila, havia sido reservada a suíte presidencial. Bernardinho, claro, não permitiu que ela gozasse do privilégio. “Lembro que, aos poucos, Leila começou a se soltar, a se esconder menos e a se colocar com mais confiança”, conta a ex- companheira de equipe Ana Moser. Em 2004, Leila se rendeu: acabou tirando fotos sensuais para uma revista masculina. Enquanto isso, a carreira como atleta deslanchava. Os times nos quais ela permaneceu mais tempo foram o Minas e o Flamengo. Leila só se arrepende de não ter aceitado as várias ofertas para jogar em outros países, especialmente a Itália. Ela diz não ter ido por causa do primeiro casamento, com o ex-nadador Luís Gustavo Milani, e dos cuidados de que a mãe, já doente, precisava. Na seleção brasileira, Leila fez parte da geração que mudou os rumos da modalidade. Até o início da década de 1990, a seleção nunca tinha conquistado títulos internacionais importantes. De lá para cá, foram quatro medalhas olímpicas e nove Grand Prix. “Nós mudamos completamente a forma de treinar”, diz. “Aumentamos as horas de treino e a carga dos exercícios musculares. Funcionou.” O auge esportivo se deu em 2000, quando foi eleita pelo Comitê Olímpico Brasileiro a atleta do ano. Logo depois, cansada da rotina pesada de treinos e viagens, enveredou pelos caminhos do vôlei de praia, que oferecia mais flexibilidade de horários. Jogou na modalidade por alguns anos, mas acabou voltando às quadras, para encerrar a carreira pouco tempo depois. O caminho a ser seguido era uma incógnita, mas logo ela recebeu um convite para ser comentarista da Rede Globo. Foi assim que Leila se estabeleceu no Rio, onde morava com Emanuel em um
apartamento de quase 160 metros em área nobre da cidade. Ao mesmo tempo, tocava, com a ex-companheira de equipe Ricarda, um projeto social em Brasília, o Instituto Amigos do Vôlei. O trabalho consiste em promover a iniciação no esporte em vários núcleos espalhados pelo Distrito Federal, que atendem atualmente mais de três mil crianças. No início de 2013, percebendo que a iniciativa vinha perdendo patrocinadores, Leila decidiu dar outra guidada. Voltou a morar em Brasília. Os momentos mais difíceis foram aqueles em que o filho a ignorava, culpando-a por tê-lo afastado do pai. “Quando voltávamos de uma visita ao Emanuel, já no aeroporto o Lukas começava a gritar”, diz Leila. Foram necessários três meses para que ele se habituasse à nova rotina, tempo para que Leila também se engajasse em um novo projeto: o Brasília Vôlei. Dividir-se entre a maternidade, a promoção de um trabalho social e a direção de um time profissional parece ainda não ser suficiente para Leila. Recentemente, a jogadora começou a cursar ciências sociais. “Quero saber tudo sobre políticas públicas nesse setor”, diz. Leila garante que o atual momento é o que sempre almejou. “Vivia com muito conforto no Rio, era quase uma patricinha, mas não era aquilo que eu queria. Meu sonho sempre foi trabalhar com projetos sociais”, afirma. No pequeno apartamento em que vive com o filho, em Águas Claras, cidade-satélite vizinha de Taguatinga, ela guarda apenas as duas medalhas olímpicas de bronze (Atlanta-1996 e Sydney-2000). São para levar às palestras motivacionais no Instituto Amigos do Vôlei e nas escolas. “É para mostrar para eles que nada é impossível.”
TRAbALHO guerreira na quadra, Leila agora é dirigente do brasília vôlei. desde 2005 a cidade não tinha uma equipe na Superliga
VIDA CARIOCA
Si n i x tr o , br ó de r
Depois De ser engoliDa por uma onDa gigante e quase morrer no mar, a carioca maya gabeira só pensa em fazer uma coisa Da viDa: surfar caDa vez mais por nathália ziemkiewicz foto marcelo corrêa
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RECUPERAÇÃO Maya, já no Rio, um mês depois do acidente: única sequela foi um osso do tornozelo fraturado
Cardigan e Biquini: Salinas Cordão: Boho Ourivesaria
VIDA CARIOCA
Vinte o oito de outubro, sete da manhã, praia de Nazaré, Portugal. Maya está sobre a prancha, conectada
ao jet ski por uma corda que segura nas mãos. O experiente surfista Carlos Burle acelera. É o sinal de que vem onda gigante. Ela observa a formação daquele mar “sinixtro, bróder” e decide não largar o cabo de segurança. Significa que amarelou. Burle tenta, sem sucesso, impulsioná-la para outra formação. Maya admite o medo: “Não dá pra você me colocar numa onda menor?”, grita para o líder da equipe que se preparou meses e viajou para quebrar recordes. “Não, você não veio aqui pra pegar onda pequena”. Desafiada, Maya espera a força da natureza para fazer a sua parte. Vê um paredão de água se erguer – 20 metros, a altura de um prédio de seis andares. Então solta a corda. A velocidade com que desliza faz Maya decolar por um instante, mas ela consegue aterrissar. Durante 20 segundos, desce riscando o mar, deixando um rastro da coragem questionada pouco antes.
até que a crista da onda, feito uma boca espumando raiva, engole maya. uma porrada de 144 toneladas. Água, breu, “levanta pra respirar”, outro caldo, “cadê o colete salva-vidas?”, dor no tornozelo, “sem desespero”, mais água, muita água, “vou desmaiar”, barulho de vento, burle, treinamento de apneia, “minha família, onde está agora?”, água, água, água, “seis minutos sem oxigênio causam dano cerebral”, caldo e mais um e outro e outro, “fica calma”, apagão. maya boia inconsciente, burle salta do jet ski e a arrasta para a areia. “Sai, sai, sai!”, urra para os curiosos. burle sabe que precisa começar a massagem cardíaca, embora nunca tenha feito isso. um, dois, três. ela está morta? De novo, um, dois, três. maya ressuscita vomitando água salgada. tenta puxar o ar e sente uma pressão intensa no peito. um respiro nunca lhe pareceu tarefa tão hercúlea. na ambulância, a caminho da uti, ela quer saber se alguém conseguiu tirar uma foto enquanto pegava a onda. À imprensa, declarou que “teria morrido feliz”.
POR UM FIO A surfista perde a consciência depois de ser engolida por uma onda de 20 metros: "Eu teria morrido feliz" Foto: Miguel Barreira/AP Photo
VIDA CARIOCA
Duas semanas após o acidente, Maya está deitada no sofá com uma bota ortopédica apoiada sobre almofadas. Aos 26 anos, não parece abatida nem se lamenta. Desde que recebeu alta do hospital português sem nenhuma sequela além de um osso do tornozelo fraturado, ela embarcou para o Rio de Janeiro e se instalou no apartamento da irmã Tami, no bairro da Lagoa. Quis ficar perto da família durante a reabilitação, em vez de voltar para Los Angeles, onde mora num quarto alugado. Por aqui, também não tem mordomia e se vira sozinha. Ela acabou de chegar da fisioterapia e telefona para um delivery de açaí. Cozinhar o almoço, de muletas, não é uma alternativa. “Ih, babou”, disse ao descobrir que a entrega na região estava com problemas. “Babou” é uma das muitas gírias de Maya, essa carioca de sotaque arrastado que corre o mundo atrás de swell (séries de ondas enormes) para fazer tow-in (surfe rebocado por jet ski ou helicóptero). Aos 14 anos, inventou de surfar por puro tédio. Na época, o namorado “dropava” altas ondas e ela se via obrigada a assistir da areia, ao lado de outras meninas. Como ele não tinha paciência para ensinar, Maya se matriculou na escolinha do Arpoador. Não foi um talento nato: demorou quase um mês para ficar em pé na prancha. “Ninguém achava que eu tinha jeito pra coisa”, diz. Mas o episódio já revelava a determinação dela. Naquele crowd (ponto lotado de surfistas), Maya começou a entender o mar. Entre as lições básicas de sobrevivência, aprendeu a ler de onde vem a correnteza, qual a direção do vento, como entrar e sair de uma onda. Das aulas de jazz e sapateado na infância, pegou emprestadas habilidades como elasticidade e timing. Logo incorporou o novo estilo de vida e passou a sair pelas ruas de Copacabana como fazia a turma que pegava onda –
descalça e com a prancha debaixo do braço. O deputado federal Fernando Gabeira insistia para que a filha botasse chinelos. “Eu não queria que ela pegasse alguma doença ou se machucasse, mas ela era muito moleca”, afirma ele, sem prever que as calçadas seriam o menor dos perigos. “Fora isso, não era uma adolescente de dar muito trabalho.” Foi uma fase delicada na vida da família, rachada ao meio após a separação de Gabeira e da estilista Yamê Reis. Maya decidiu morar com o pai, o que abalou profundamente a relação com a mãe. “Deixei que ela seguisse o caminho dela, mas foi um dos piores momentos da minha vida”, diz Yamê. As duas retomaram o vínculo de verdade quase cinco anos mais tarde, quando a garota já era uma atleta internacionalmente reconhecida. Filha de intelectuais não esportistas, Maya frustrou as expectativas por um diploma universitário. Antes de concluir o ensino médio, já se destacava nas competições e delineava a carreira – viriam muitos títulos e pioneirismos, como ser a primeira mulher a surfar no Alasca. O primeiro encontro com ondas gigantes aconteceu numa temporada de estudos na Austrália, período em que juntava as economias como garçonete para surfar na Indonésia, a poucas horas de voo dali. Aos 17 anos, despachou a prancha para o Havaí, onde fixou residência até os 22. Não que tivesse avisado os pais. Ela simplesmente foi ficando. Com o coração apertado, a mãe desconfiou que Maya não voltaria quando conquistou patrocínio da Red Bull e alugou uma casa por lá. Desde então, segue uma rotina disciplinadíssima – mais por cobranças internas do que por externas. Nunca teve um treinador para exigir que durma cedo, esteja na praia antes do sol, cuide da alimentação e do corpo. Maya é suficientemente focada
e autocrítica. “Não se trata de perder uma prova pra alguém”, diz. “Se eu não estiver 100%, posso pagar com a vida.” Não basta ser um bom surfista para encarar um volume de água monstruoso. A prática requer equipamento específico, preparo físico, coragem quase insana, disposição para enfrentar o medo e os próprios limites. Jovem-linda-loira, Maya abdica de festas badaladas ou bares com amigos para encarar uma pesada carga de treinamento. Em dias de tempo bom, além da musculação, pode ficar seis horas no mar. A saudade daqueles que ama foi saciada com o Skype e outras ferramentas tecnológicas. Mesmo sob uma pressão e uma solidão dessas, ela não encara tudo isso como trabalho. Surfa por lazer, adrenalina, superação. Como dependem das condições meteorológicas, surfistas profissionais são ciganos por natureza. Gostam de rabiscar mapas, experimentar geografias, desbravar praias intocadas. Trocam de paradeiro conforme a estação do ano. Maya já trazia vasta experiência com mudanças no currículo. Aos 3 anos de idade, transferiu-se com a família para a Alemanha. É que Gabeira, então jornalista de um grande veículo, fora deslocado para cobrir a queda do Muro de Berlim. O retorno ao Brasil, um ano depois, fez com que a menina parasse no consultório de uma fonoaudióloga. “Fiquei gaga, tinha sido alfabetizada em alemão”, conta. Cresceu no Rio de Janeiro, mas foram tantos os endereços que não tem lembrança afetiva de nenhum bairro. Um dia perguntou à mãe se não dava para comprar uma “casa voadora”: em vez de encaixotar tudo, bastaria mover o lar inteiro para um novo CEP. Porque a vida tem dessas ironias, agora ela é que não quer raízes. Abandonou o isolamento do Havaí pela populosa Los Angeles, nos Estados Unidos, único país
do mundo em que seu pai não pode pisar por questões diplomáticas – durante a ditadura militar, o político participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. Mas a cidade hollywoodiana apresentou à Maya o ator australiano Jesse Spencer, dos seriados “House” e “Chicago Fire”. Nos dois anos e meio de namoro, a atleta foi fotografada ao lado do galã nos eventos de tapete vermelho. Tentaram morar juntos, mas foi um desencontro só. Com agendas repletas de viagens profissionais, o casal se via um fim de semana por mês – terminaram semanas antes do acidente em Nazaré. Candidatos não parecem faltar, mas Maya deve assustar como assustam ondas gigantes. É independente, livre, corajosa. “Acho que os caras têm medo de passar uma cantada”, palpita o amigo e surfista Pedro Scooby. De shortinho e camiseta, Maya é uma mulher despojadamente segura de sua beleza. Está chateada porque viajou dos Estados Unidos para Portugal com bagagem para três dias de inverno e sem estojo de maquiagem. De repente, se viu no calor do Rio munida apenas de pó e rímel. “Tive que ligar para os meus patrocinadores e pedir pra me mandarem roupas e tênis”, conta, achando graça do infortúnio. “Pena que não tenho o apoio de uma empresa de cosméticos.” Ela caça um táxi e segue para uma clínica em Botafogo, onde tem um exame de raio X marcado. No caminho, comenta que seu carro ainda está no estacionamento do aeroporto americano e sua alta médica depende da capacidade de dirigir – não de surfar. O doutor coloca a chapa na contraluz e Maya dispara: “E aí, calcificou?” O médico rebate a ansiedade da paciente: “Não, né?!” Seria um milagre. Dava para enxergar nos olhos dela a esperança de ter poderes extraordinários.
f i lha d e in te le ctua i S nã o e Sporti Sta S, m aya fruStrou aS e xpe cta ti va S p or um d i ploma uni ve rSi tá ri o. an te S de con clui r o en Si n o mé d i o, j á Se d e Sta ca va como Surfi Sta . c om o tempo, v ieram tí tulos e pi onei ri smos, c omo ser a p r i mei ra mulher a surfar no alasca
Com o celular de que não desgruda um segundo, Maya tira uma foto da chapa e a envia para o personal e fisioterapeuta Leandro Peçanha. De segunda a segunda, duas horas e meia por dia, ele é responsável por recuperar a lesão e lidar com a impaciência da atleta. “Não é hora de descanso, agora é que a gente dá o maior gás”, diz Maya, cujo cronograma de expectativas considera que, em algumas semanas, estará surfando ondas gigantes. Peçanha não se incomoda com a pressão e reinventa as atividades na academia ou piscina para atender à demanda dela por desafios. Nesses seis anos de parceria, ele já fez várias temporadas no Havaí preparando-a para suportar as missões no mar. “São treinos de exaustão, que levam o corpo ao limite para que se habitue a situações de extrema dificuldade”, afirma Peçanha. “Garanto que, sem isso, ela não teria sobrevivido em Nazaré.” Em 2011, outro acidente também marcou a trajetória de Maya. Ela estava atrás de um swell na costa do Taiti, na vila de Teahupoo, conhecida como a “praia dos crânios quebrados” por causa da rasa bancada de corais. Caiu, levou muitas ondas na cabeça e alguns arranhões, mas conseguiu controlar a respiração até ser resgatada. Depois do susto, ganhou da Red Bull um curso de sobrevivência com especialistas e mergulhadores. Nele aprimorou a capacidade de controlar o pânico e segurar o fôlego ao máximo – hoje, ela consegue ficar quase quatro minutos debaixo d’água. Maya aposta que o treino de apneia, no qual o organismo se acostuma com o déficit de oxigênio, a salvou em outubro passado. “Ela está psicologicamente preparada até para morrer, a gente é que não está”, diz a mãe Yamê. “Não faço drama na frente dela: engulo em seco e vou para um cantinho chorar.” Apesar da angústia e de encontrar a filha cerca de quatro vezes por ano,
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VIDA CARIOCA
20 metroS
por que eSSa on da n ão chegou à ol i mpí ada? Gabriel Medina, o Maior noMe do Surfe braSileiro, é um dos defensores do projeto surf 2016. o grupo argumenta que o esporte é praticado por 35 milhões de pessoas no mundo, movimenta cerca de r$ 9 bilhões no brasil e, portanto, merece participar dos Jogos do rio de Janeiro. mas, pelos critérios do comitê olímpico internacional (coi), o surfe é uma modalidade “totalmente nova” que deve se sujeitar a uma análise bem mais complexa - incluindo o potencial da audiência televisiva. em primeiro lugar, a associação internacional de surfe precisaria se associar ao coi e esperar uma aprovação para que o esporte seja “demonstrado” em 2016, sem concorrer a medalhas – para só depois brigar por uma vaga permanente. isso porque, embora seja mais popular que algumas modalidades olímpicas, o surfe só consegue entrar se alguma sair. e são os líderes de cada esporte do comitê que votam a
chão
decisão. em outras palavras, há um forte conflito de interesses.
OndA POSItIvA na página à esquerda, um paredão de água de 20 metros na praia de nazaré, em Portugal, no mesmo dia do acidente de Maya. Acima, a pequena Maya com o pai, Fernando Gabeira, e, já adulta, com o mentor Carlos Burle. toda vez que sai da água, ela telefona para avisar a família que está tudo bem
p a r a m a ya , q uanto ma i S pe rto d a morte , ma i S v i v o a g ent e Se Sente . "com certeza fui salva po r u m a fo r ça maior. s e voltei e vi vi , não foi À toa" Yamê e Gabeira nunca pediram a Maya que largasse o surfe de ondas gigantes. Sabem que ela é feliz assim. Quando viaja para um swell, conta o pai, a primeira coisa que ela faz ao sair da água é telefonar para avisar que está bem. O problema são os locais afastados, de difícil comunicação. “Se fico sem informações, aí a expectativa é grande”, diz Gabeira, que sempre recebe dela os vídeos das ondas surfadas, mas entende pouco do esporte. A despeito da resignação, Yamê sugeriu com jeitinho para a surfista recém-desembarcada no país: “Talvez você devesse fazer aquele mochilão pela Europa quando estiver recuperada...”. Ouviu de volta: “Mãe, não vejo a hora de treinar”. Não custava tentar, né? Por sorte, a primogênita Tami escolheu a psicologia e ajuda a apaziguar os corações. Por ora, o que mais aflige Maya são as críticas. Há quem diga que é apenas bastante dedicada, não talentosa. Um exemplo foi o depoimento do surfista
havaiano Laird Hamilton à CNN, dias depois do acidente em Nazaré. Hamilton disse que ela não tinha habilidade necessária para estar naquele tipo de onda e depositou a culpa em Carlos Burle: “Ambos têm sorte por ela não ter se afogado”. Quando questionado sobre essa reponsabilidade e o fardo que carregaria caso Maya tivesse morrido, Burle é cauteloso. “Claro que senti o peso, mas o piloto do jet ski funciona como uma ferramenta para o atleta. Ninguém larga a corda se não quiser”, afirma. Aos 46 anos, Burle é conhecido nos bastidores pelo espírito de aventureiro insano e pela frieza das emoções. “Além disso, alguém precisa ter coragem para botá-la nas ondas mais ousadas e fazê-la crescer.” No mesmo dia do resgate de Maya, Burle voltou para o mar e surfou um paredão de 35 metros – o feito está sendo avaliado como recorde histórico. Maya não quer perder as memórias dessa trágica experiência. Por que é doida? Não, só porque não quer perder a
vida. Vira e mexe, ela assiste às imagens do acidente divulgadas na mídia. Gosta de reconstruir passo a passo, inclusive para pensar em melhorias que eliminem cada vez mais os riscos aos atletas. Acredita que o medo a faz esperta como atleta e desperta como ser humano. De fato, não dá para subestimar a natureza e os azares cotidianos. E o segredo da adrenalina está justamente nisso, segundo a própria: quanto mais perto da morte, mais vivo a gente se sente. “Com certeza, fui salva por uma força maior”, diz Maya, com sua fé sem rótulos. “Se voltei e vivi, não foi à toa.”
istoé 2016 Foto: Miguel Barreira/AP Photo | Arq. pessoal/reprodução
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basquete
FuTurO PrOMIssOr Lucas em Madri: os americanos querem que ele ganhe massa muscular
bebê cresceu Como é a vida na Espanha dE LuCas BEBê, o pivô BrasiLEiro dE 21 anos E 2,12 m dE aLtura quE tEvE sua CaBELEira BLaCk powEr EsCoLhida para Estampar o vídEo promoCionaL dE sEu timE E quE agora Está a Caminho da nBa
por Rachel costa retrato luana FischeR/ag. istoé
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AboletAdo nA poltronA do pequeno apartamento em Madri, na Espanha, Lucas Nogueira, o Bebê, parece apenas um garoto descolado, com o corpo cheio de tatuagens, o vasto cabelo black power e o sorriso sempre fácil. Nem de longe lembra o gigante de 2,12 m de altura e 2,30 m de envergadura, ágil nas quadras, apesar do tamanho, e mal-encarado como um pivô de basquete deve ser. Lucas Bebê – é assim que as pessoas se referem a ele – joga no madrilenho Asefa Estudiantes, mas seu futuro está do outro lado do oceano. No último draft da NBA, o vestibular da liga profissional americana, ele foi o 16º entre 60 escolhidos. Terminou selecionado pelo Atlanta Hawks, mas a equipe achou melhor mantê-lo na Espanha, para ganhar massa muscular. Aos 21 anos, Lucas tem mesmo todo o tempo do mundo. É sem dúvida a maior promessa do basquete brasileiro, e seu desenvolvimento pode ser vital para as pretensões do Brasil nos Jogos do Rio, em 2016. “Mas agora estou pensando num passo de cada vez”, diz Lucas. “Primeiro jogar bem na Espanha para depois ver no que dá.” Apesar de muito jovem, Lucas já conquistou admiradores. “Ele é um jogador de muita qualidade, que consegue aliar força e velocidade mesmo sendo um pivô muito alto”, diz Anderson Varejão, que conheceu o potencial de Lucas durante o preparatório da seleção brasileira para o Campeonato Mundial e que já tem uma carreira consolidada na NBA. Lucas recebeu a reportagem da 2016 em uma tarde ensoladora de Madri. Seu apartamento, alugado pelo Asefa Estudiantes, fica em um canto tranquilo da cidade, distante das efervescentes vilas de bares próximas à Gran Via, que fazem a fama festeira da capital espanhola. Dali, é possível ir caminhando até o clube, onde Lucas passa a maior parte do dia. Durante o campeonato, a vida do jogador obedece ao esquema casa-trabalho-trabalho-casa, com
algumas pausas para visitar amigos (a maior parte deles, brasileiros). Quando é período de treino intenso, não dá para jogar videogame e curtir a mesa de DJ, fetiches tecnológicos recém-adquiridos. A rotina é puxada e tende a ser ainda mais intensa neste ano. De tempos em tempos, Lucas recebe a visita de agentes do Atlanta Hawks, que acompanham sua evolução física e técnica. Tudo para que o brasileiro chegue voando à NBA. Além dessas preocupações, o atleta quer reforçar o inglês, que não é lá sua especialidade. “Minha inspiração é o Joel Santana”, brinca, aludindo às famosas e desajeitadas entrevistas em inglês do técnico brasileiro de futebol. Por ora, sua missão é nas terras de Miguel de Cervantes. No último campeonato, o seu primeiro jogado integralmente no time principal dos Estudiantes, Lucas entrou para a seleta lista de revelações do torneio. Então com 20 anos, foi o mais jovem jogador a concorrer ao prêmio. No time, Lucas tornou-se ídolo. Sua cabeleira black power foi escolhida para estampar o vídeo psicodélico da propaganda do Estudiantes (ou “Estu”, que é como grita a torcida) para esta temporada. Carinhas coloridas do ídolo enchem a tela sob gritos de “Estu sí”. Nas ruas madrilenhas, Lucas não raro é interpelado por fãs para tirar fotos ou dar autógrafos. Tudo isso seria inimaginável há cinco anos, quando Lucas dava seus primeiros e inesperados passos no basquete. Na infância e adolescência, o menino de São Gonçalo gostava mesmo era de jogar futebol. “Mas aí comecei a ficar grande demais.” Num único ano, cresceu 16 centímetros. Tentaram colocá-lo na posição de goleiro, mas, grande demais, não conseguia mergulhar para fazer as defesas. “Quando desisti do futebol, achei que não ia jogar mais nada”, diz. “Mas um cara que eu conhecia de vista me parou na rua e perguntou se eu queria jogar basquete.”
TaLenTO: O pivô brasileiro disputa uma partida amistosa pelo atlanta Hawks, time da nba que o selecionou: ágil e agressivo ao mesmo tempo
Foi assim, de forma ocasional e tardia (ele já tinha seus 14 para 15 anos), que Lucas trocou os gramados pelas quadras de basquete. E embalado apenas por uma razão: o tamanho. “Às vezes eu assistia aos jogos da NBA , e só isso”, diz. “Quando comecei a prestar mais atenção no jogo, virei fã do Kobe Bryant. Passei a imitar tudo o que ele fazia na quadra.” Lucas admira tanto o astro americano que deu o nome de Kobe para seu cão labrador – o cachorro mora hoje no Rio, porque ficou grande demais para o apartamento em Madri. Do ínicio no Central, um pequeno time fluminense, até a ida para a Espanha, segunda maior liga mundial, tudo aconteceu muito rápido. O responsável pela virada na vida do garoto de São Gonçalo é Arlem Lima, que ainda hoje atua como seu empresário no Brasil. “A primeira vez que vi o Lucas jogando foi em 2007”, diz Lima. “A força física e a agressividade nas jogadas chamaram a atenção. Naquela época eu já falava, sem medo de errar, que ele jogaria na NBA.” Empolgado com o achado, o empresário logo acionou um parceiro na Espanha, que não demorou para encontrar um interessado em Lucas. E lá foi ele para a Europa, do alto de seus 16 anos recém-completos. Na Espanha, encontrou apoio em colegas que também haviam abandonado seus países para jogar basquete. O britânico Daniel Clark, o uruguaio Jayson Granger e o venezuelano Germán Gabriel se aproximaram do pivô brasileiro, que não demorou para se adaptar à vida madrilenha. Lucas confessa sentir falta da praia e da comida brasileira (que sua mãe cuida de cozinhar sempre que o visita), mas não reclama das oportunidades que os espanhóis ofereceram. Desde o começo de 2013, Lucas é cidadão espanhol. Ele
basquete
exibe com orgulho o passaporte bordô da comunidade europeia, mas garante que não passa pela cabeça trocar a seleção brasileira pela espanhola. “De jeito nenhum”, diz. “Tenho muito orgulho de defender o Brasil.” Quando o assunto é seleção, Lucas usa a cautela para responder às perguntas. Econômico nas palavras, mas firme nas opiniões, o rapaz mostra a maturidade adquirida pela exposição desde cedo nas quadras. Ele foi um dos alvos do técnico Rubén Magnano após a desastrosa performance da equipe na Copa América de agosto do ano passado, quando a seleção perdeu quatro partidas seguidas – e para adversários sem expressão. Depois do vexame, Magnano declarou que a culpa era dos jogadores que haviam pedido dispensa. Um deles, Lucas, que àquela altura estava participando do draft nos Estados Unidos. “As pessoas têm direito de opinar, mas acho que os jogadores que pediram dispensa tinham seus motivos”, diz o pivô brasileiro. “Tenho cinco anos de seleção brasileira, sendo um ano e meio na adulta, e nunca tinha feito isso. Eu não pediria dispensa por um motivo tolo.” A seriedade para tratar de assuntos polêmicos é deixada de lado quando o assunto é o visual. Além do talento para o basquete, não dá para negar que Lucas chama a atenção pelo cabelo e pelas tatuagens. Na passagem pelos Estados Unidos, durante o draft, sua foto com o boné do Boston Celtics equilibrado sobre o topo da farta cabeleira ganhou destaque nos noticiários. Fez lembrar uma outra famosa cabeleireira brasileira nas quadras da NBA, a de Anderson Varejão, que também passou pelo basquete espanhol. Na coletiva de imprensa, o gigante brasileiro fez questão de frisar que o black power faz parte da sua identidade
e que dispensa a indicação de barbeiros – sugerida por um dos jornalistas. A única vez em que teve de cortar os caracóis foi em um trote na seleção brasileira adulta, em sua primeira convocação, em 2010. “Fiquei bem frustrado, mas cabelo cresce de novo.” As tatuagens são um vício. “Quando eu fico triste, quero fazer tattoos”, diz. A próxima já está escolhida: uma imagem de um leão fundida com o rosto de Jesus (a mesma que usa no perfil do Twitter). Agora só falta coragem e tempo para transferir o desenho “grande e bem louco”, como ele define, para o peito. A religião, tema que se repete em vários desenhos que cobrem o corpo, é herdada dos pais. Crescido em família evangélica, Bebê não vai mais à igreja, mas mantém a fé. Além da inspiração religiosa, família e música também servem de temas. O nome da mãe divide espaço com o símbolo da banda americana Red Hot Chili Peppers. O importante é que os desenhos tenham algum significado. “Tirando a expressão ‘game over' nos dedos, que é um pouco sem sentido”, diz o pivô. “Fiz em um dia em que estava meio triste, mas não me arrependo.” Escolha paradoxal. Para o jovem Lucas, o jogo está apenas começando.
"Os jOgadOres que PedIraM dIsPensa da seLeçãO TInHaM seus MOTIvOs. eu nãO PedIrIa dIsPensa POr uM MOTIvO TOLO", dIz Lucas, que PedIu aFasTaMenTO POrque esTava FazendO TesTes na nba
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Perfil nome: lucas riva Amarante nogueira apelido: bebê Idade: 21 anos Peso: 105 kg altura: 2,12 m nascimento: São Gonçalo, rJ Posição em que joga: pivô equipe atual: Asefa estudiantes, de Madri (eSp) equipes nas quais jogou: Central (rJ) Principais títulos: Vice-campeão da Copa América pela seleção brasileira (2010)
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A horA dA fArtur
banquete Familiares e amigos de Caroline Kumahara e Cazuo Matsumoto almoçam enquanto os atletas "treinam": mesatenistas conseguiram vitórias sobre atletas top 10 do mundo em 2013
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A receitA do tênis de mesA brAsileiro: investimentos em AltA e pArceriAs com técnicos estrAngeiros de pontA. o resultAdo: vitóriAs contrA os melhores do mundo e sonho de medAlhA em 2016 por Cleyton SantoS e Danielle SanCheS fotos joão CaStellano/ag. iStoé
tênis de mesa
Quando analisa os acontecimentos do ano passado, a equipe brasileira de tênis de mesa mal acredita no que vê. Ninguém sonhava, no início de 2013, que o País terminaria o ano com resultados tão expressivos como duas vitórias contra atletas top 10 do mundo, um título em etapa do Circuito Mundial e uma qualificação para disputar o ITTF World Tour Grand Finals, torneio que reuniu os melhores atletas da temporada em Dubai. Nos olhos puxados de Caroline Kumahara e Cazuo Matsumoto, os dois ícones dessa bem-sucedida jornada, há uma alegria disciplinada e contida, porém indisfarçável. “Foi o maior resultado da minha carreira”, diz Carol, enquanto fala sobre a vitória, em março, contra a japonesa Kasumi Ishikawa, nona colocada no ranking internacional. A história de sucesso começou exatamente um ano atrás, quando Matsumoto conquistou o título do Aberto da Espanha, etapa do Circuito Mundial promovida pela Federação Internacional de Tênis de Mesa. Foi a primeira vez que um atleta da América Latina obteve tal façanha. Dois meses depois, a boa fase do time nacional se confirmou. O Brasil, classificado como representante latino-americano para o World Team Classic, espécie de campeonato Mundial por equipes que aconteceu em Guangzhou, na China, enfrentava seu primeiro grande teste na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. O que era para ser um massacre das potências estrangeiras acabou virando uma disputa de respeito. Entre as mulheres, o País não avançou à final, mas a vitória de Carol sobre Kasumi mostrou que a distância para as equipes europeias e asiáticas não é mais tão grande. O time masculino fez uma campanha que impressionou até os adversários mais experientes: vendeu caro a derrota para a Alemanha por 3 a 2, despachou a Suécia pelo mesmo placar e avançou para as quartas de final. A equipe foi eliminada pelo Japão por 3 a 1, mas viu Matsumoto arrasar o número 9 do mundo, Jun Mizutani. A atuação de gala do mesatenista de 28 anos rendeu comparações com um dos maiores ícones do esporte brasileiro, Cláudio Kano, morto em um acidente de moto em 1996. “Os dois realmente têm estilo de jogo parecido”, afirma Hugo Hoyama, técnico da seleção feminina e grande parceiro de Cláudio. “Como o Cláudio, o Cazuo tem boa defesa e ótimo saque.” O capítulo do World Team Classic traduz a notável evolução do tênis de mesa no Brasil. Os quatro melhores atletas da América Latina são brasileiros. No último Campeonato SulAmericano, o País ganhou 13 medalhas de ouro em 14 disputadas. Os resultados positivos surpreenderam até mesmo Alaor Azevedo, presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). “Fico impressionado como esses atletas cresceram em tão pouco tempo”, afirma. “Em breve teremos uma seleção de destaque no ranking mundial.” Há cinco anos, tais conquistas seriam impensáveis. A falta de financiamento, aliada à baixa audiência e à falta de estrutura do esporte no País, impedia que os atletas desenvolvessem seu potencial. “Hoje, o cenário está ótimo”, afirma Matsumoto. “Quando eu comecei,
o tão SonhaDo eStilo ChinêS De jogar é apenaS um entre outroS. “BuSquem Sua própria iDentiDaDe” virou mantra noS DiaS De treinamento
só conseguia viajar para fora do País com ajuda da federação internacional (ITTF) e sem técnico, pois era muito caro”, afirma o atleta. Com o Brasil na rota da Olimpíada, a situação mudou. “Temos mais recursos do governo, viajamos mais para competições internacionais e treinamos com equipes mais fortes”, diz. “Isso nos dá experiência e faz crescer.” Em 2009, o investimento no tênis de mesa girava em torno de R$ 2 milhões por ano. “Agora, temos R$ 10 milhões para atletas olímpicos e paraolímpicos”, diz o presidente da CBTM. Além do pagamento de esportistas, preparadores físicos, psicólogos e fisioterapeutas, o dinheiro banca o aluguel de dois quartos em um centro multiesportivo em Paris, para onde os atletas viajam para treinar com a seleção francesa. A rota internacional ainda inclui temporadas na Alemanha e na China. A sede da seleção brasileira, em São Caetano do Sul, ganhou oito novas mesas (diferentes superfícies fazem a velocidade da bolinha mudar). Para 2016, o time masculino sonha alto: quer o bronze por equipes. Já as meninas planejam estar entre as oito melhores no ranking mundial. “Sabemos que, nos Jogos Pan-Americanos de Vancouver, em 2015, teremos uma participação muito melhor”, diz o presidente da CBTM. “Se os incentivos continuarem mesmo depois de 2016, certamente seremos potência mundial para os Jogos de 2020.” O tênis de mesa optou por investir pesado em qualificação. Em 2011, o País estreitou os laços com a França, que tem uma das melhores seleções do mundo, e trouxe o treinador
a bolada da bolinha as cifras do tênis de mesa brasileiro
R$ 10 milhões
é o valor que a Confederação brasileira de tênis de Mesa (CbtM) espera ter em mãos para 2014
R$ 6,5 milhões
serão destinados aos atletas olímpicos e R$ 3,5 milhões seguirão para os paraolímpicos
1.000 euRos poR dia é o que cobra o técnico francês Jean-Réné Mounier para treinar a equipe brasileira
200 mil
euros por ano é o que custa para manter um atleta do tênis de mesa de alto rendimento
R$ 800 mil
foram gastos com novas mesas no centro de treinamento da seleção brasileira, em São Caetano do Sul (SP)
FoMe de ReSultadoS Cazuo e Caroline representam duas gerações de um dos times mais vitoriosos do brasil
Michel Gadal. Foi ele quem transformou Jean-Philippe Gatien em medalhista olímpico em Barcelona-1992 (prata no individual e bronze nas duplas) e campeão mundial em 1993. Gadal tratou de deixar claro aos atletas: o tão sonhado estilo chinês de jogar é apenas um entre outros. “Busquem sua própria identidade” virou mantra nos dias de treinamento. Da França veio também Jean-Réné Mounier, técnico que assumiu a equipe masculina. “Temos um acordo em que os franceses passam seu conhecimento aos nossos técnicos, fazendo com que os profissionais brasileiros cresçam”, afirma Azevedo. Outro reforço importante veio de dentro de casa: Hugo Hoyama assumiu o posto de técnico da equipe feminina após os Jogos de Londres. Com seis Olimpíadas no currículo e 15 medalhas em Jogos Pan-Americanos, o atleta assume a estranheza inicial de trabalhar com as mulheres. “Realmente, o trabalho com as meninas é diferente”, diz. “Mas acho ótimo ver que temos mais mulheres interessadas no esporte.” A elite de atletas hoje é formada por Matsumoto, Caroline, Hugo Calderano (que está entre os dez melhores do mundo no sub-19), Bruna Takahashi (campeã individual latino-americana sub-13), Jéssica Yamada e a chinesa naturalizada brasileira Lin Gui. Essa é a geração que liderará o Brasil na dificílima missão olímpica. Desde a introdução do tênis de mesa nos Jogos, em Seul-1988, a China reina absoluta no esporte: foram 24 medalhas de ouro em 28 disputadas, um aproveitamento de 85%. A última medalha de ouro de um atleta não chinês foi em Atenas-2004 – e, mesmo assim, os asiáticos venceram, com o sul-coreano Ryu-Seung Min. Assustador? Não para o motivado presidente da CBTM. “Um bom desempenho no Rio não é impossível”, diz Azevedo.
Produção: Cintia Sanchez
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ginástica rítmica
as DanÇarinas DE tOLEDO COMO UMA CIDADE AGRÍCOLA DO INTERIOR DO PARANÁ VIROU REFERÊNCIA NACIONAL NA GINÁSTICA RÍTMICA E TRANSFORMOU A VIDA DE DEZENAS DE MENINAS
POR lucas Bessel FOTOS frederic jean/aG. istoÉ ENVIADOS ESPECIAIS A TOLEDO (PR)
vestiário é camarim atletas da ginástica rítmica se preparam para treino no ginásio do sesi de toledo (Pr). ritual diário das meninas inclui prender os cabelos e fazer uma maquiagem impecável
ginástica rítmica
Uma poeira vermelha, persistente e impossível de lavar encarde as ruas de Toledo, no oeste do Paraná. Resultado de milhões de anos de decomposição da rocha basáltica, ela é a fundação econômica dessa região do Brasil. Extremamente fértil, a chamada terra roxa – tradução equivocada da expressão italiana terra rossa, literalmente “terra vermelha” – é o sonho dos agricultores e o pesadelo das lavadeiras. Por isso, convém tirar o calçado sempre que se entra em algum local acarpetado. Uma a uma, de segunda a sexta-feira, 60 meninas repetem esse ritual no ginásio do Sesi de Toledo. Tênis e chinelos Havaianas, todos muito pequenos, são abandonados em fila e dão lugar a delicadas proteções de tecido fino, semelhantes a sapatilhas, que cobrem os dedos e parte da planta dos pés. São elas 76
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que suportam o castigo que vem a seguir. Na ginástica rítmica, esporte-símbolo da cidade paranaense, nenhuma outra parte do corpo é tão maltratada quanto os pés. “Ah, não, não quero mostrar, é muito feio”, diz Simone Luiz, 21 anos de idade, 14 de esporte, enquanto puxa para trás o pé direito, num movimento elástico aparentemente impossível, mas comum entre as ginastas. O que a garota, tetracampeã brasileira por equipes, reluta em exibir são os calos, joanetes e unhas arrebentadas pelas oito horas de treinamento diário no carpete. A vaidade, ferida como o membro inferior, parece exagerada, mas essa impressão não passa de um truque do cérebro. Quem não está acostumado à aparência de criança das atletas, mesmo daquelas que já passaram dos 20 anos de idade, se espanta com a transformação
que ocorre quando elas vestem o collant e aplicam a maquiagem. “As outras meninas acham que nós somos metidas”, diz Angélica Kvieczynski, 22 anos, a estrela local, ganhadora de três bronzes e uma prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011. “Mas esse jeito empinado de andar e essa elasticidade vêm da ginástica, não tem como mudar”, afirma, enquanto graciosamente se dobra para baixo, sem flexionar os joelhos, para pegar uma bola no chão. Sob um sol de 33 graus Celsius, enormes exaustores ajudam a manter a temperatura dentro do ginásio, dedicado exclusivamente à ginástica rítmica, em níveis mais aceitáveis. A estrutura, dividida em três partes para treinamentos simultâneos, só funciona por causa de uma parceria entre Sadia (marca hoje controlada
beleza e tortura as sessões de alongamento (à esquerda) causam aflição em quem não conhece a elasticidade das atletas da ginástica rítmica, mas são essenciais para o bom desempenho das meninas. À direita, angélica Kvieczynski, 22 anos, ganhadora de quatro medalhas nos Jogos Panamericanos de Guadalajara, em 2011, e grande estrela da modalidade
o investimento privado de r$ 500 mil por ano e a parceria com a prefeitura e o sesi ajudam a manter um projeto que, direta ou indiretamente, envolve cerca de 1,3 mil pessoas
pelo grupo BRF), Sesi e prefeitura. Ali dentro está a elite desse esporte no País. “Esta é a casa da ginástica rítmica, é aqui que tudo acontece”, diz, solenemente, a coordenadora técnica Anita Klemann, 47 anos, que também é treinadora da seleção brasileira individual. Não deixa de ser uma pequena façanha que tudo ali funcione. O patrocínio da marca de alimentos – de cerca de R$ 500 mil por ano – parece ínfimo diante do tamanho do projeto. A prefeitura arca com os salários de dois professores, incluindo Anita, e com as contas do ginásio, enquanto o Sesi cede o local de treinamento e paga os demais treinadores das categorias de base. A administração municipal também banca as taxas de federações e confederações e as viagens dentro do Estado. “A gente tem que fazer milagre com o dinheiro, mas no fim acaba dando
certo”, diz a gestora Vilma Rohde, responsável por esticar ao máximo os curtos recursos repassados à Associação Toledana de Ginástica Rítmica (ATGR). Se os recursos financeiros são apertados, os recursos humanos ajudam a compensar. A estimativa da ATGR é que 1% da população de Toledo esteja envolvida de alguma forma com a ginástica rítmica. São cerca de 1,3 mil pessoas, entre atletas, professores, funcionários, parentes e voluntários. Morgana Gmach, 19 anos, é uma de três irmãs com histórico de conquistas. Bicampeã brasileira de conjuntos e campeã individual geral na Copa Sul-Americana de 2011, ela tem as memórias mais antigas ligadas ao esporte. “Eu já rolava por este chão aos 2 anos de idade”, diz a jovem. Em uma família humilde, sustentar três meninas na
ginástica rítmica não é fácil, mesmo com o apoio do clube. Um collant profissional pode custar mais de R$ 1,2 mil e cada ginasta precisa de quatro deles (um por aparelho). Na casa dos Gmach, a solução encontrada para reduzir as despesas foi colocar mãos à obra. É o pai das atletas, o torneiro mecânico Sergio Gmach, 52 anos, quem borda e costura as lantejoulas e os paetês nos uniformes. “Em época de competição, ele borda até as 2 da manhã”, diz Morgana. “Meu pai chega em casa cansado, toma um banho, come alguma coisa e já começa a passar a agulha.” O envolvimento da comunidade de Toledo com a ginástica rítmica tem tudo a ver com a importância da Sadia para a economia local, dependente do agronegócio. Foi em 1996 que a empresa criou uma escolinha para filhas
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ginástica rítmica
A DAN Ç A D O E S PO RTE > NA GINÁSTICA RÍTMICA INDIVIDUAL, CADA ATLETA REALIZA QUATRO COREOGRAFIAS DISTINTAS (UMA POR APARELHO), SEMPRE ACOMPANHADAS POR MÚSICA. > OS MOVIMENTOS SÃO INFORMADOS COM ANTECEDÊNCIA AOS ÁRBITROS, QUE DEFINEM UMA NOTA DE DIFICULDADE E DESCONTAM PONTOS POR ERROS. > CADA APRESENTAÇÃO DURA ENTRE 1M15S E 1M30S.
CO NHEÇA OS APARE LH O S : ARCO
BOLA
M AÇA S
F I TA
Possui entre 80 e 90 cm de diâmetro. É feito de plástico e pesa pelo menos 300 g. Uma coreografia com arco deve envolver rotações nas mãos ou no corpo, arremessos, balanços e rolamentos, entre outros
Feita de borracha ou outro material sintético elástico. Tem de 18 a 20 cm de diâmetro e peso mínimo de 400 g. Na apresentação, pode ser jogada, rolada ou quicada. A atleta deve usar ambas as mãos e mostrar fluidez constante nos movimentos
Têm entre 40 e 50 cm de comprimento e pesam pelo menos 150 g cada uma. Normalmente, são feitas de plástico moldado ao redor de um eixo rígido. Em sua rotina, a ginasta deve usar as peças para formar o maior número possível de figuras assimétricas
O mais plástico dos aparelhos também é um dos que mais causam problemas para as ginastas. A fita, que tem 6 m de comprimento e é feita de cetim, é leve e pode ser deslocada pela menor rajada de vento. É usada para criar desenhos no ar, como serpentinas e espirais
*a corda, quinto aparelho da ginástica rítmica, não é utilizada nas categorias principais, apenas nas iniciantes
estrutura e amizade: depois das sessões de treinamento, as atletas da Gr encaram, não sem muitas caretas, a banheira de água gelada, que auxilia na recuperação muscular e ajuda a prevenir lesões. Nos momentos de descontração, as jovens testam maquiagens e inventam truques de beleza. Na página ao lado, simone luiz, de 21 anos (14 dos quais dedicados à ginástica), demonstra habilidade com a fita
de funcionários e meninas da cidade. As atividades, desde cedo coordenadas pela técnica Anita, cresceram e ganharam patrocínio de fato em 2000. Desde então, o projeto tem um embaixador: Pedro Antonio Furlan, conhecido como dr. Pedrinho, 80 anos. Ex-diretor jurídico da Sadia, tio do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan, dr. Pedrinho é uma celebridade em Toledo. Tratado com reverência por políticos e comerciantes, entra no gabinete do prefeito Beto Lunitti (PMDB) sem muita cerimônia e imediatamente se põe a falar sobre os títulos conquistados pelas meninas. Sabe de cor o nome da maioria delas e ganha de todas beijinhos na bochecha. “Prefeito, diga aqui para nosso amigo jornalista como é importante para a cidade este projeto da ginástica rítmica”, pede. Do outro lado da mesinha de vidro – onde repousam uma cópia da Constituição Federal, um exemplar da lei orgânica do município e uma “Bíblia” aberta em provérbios –, Lunitti observa e concorda. “Há um sentimento de comunidade em torno da GR”, afirma o político, enquanto dr. Pedrinho, de aparelho no ouvido, se inclina para escutar. “A verdade é que, aqui, todos se sentem na obrigação de proteger esse esporte
porque ele faz parte da identidade da cidade. É motivo de orgulho para nós.” É praticamente certo que saia de Toledo a representante brasileira da ginástica artística individual nos Jogos Olímpicos de 2016. Como país-sede, o Brasil já tem vaga garantida, mas Angélica Kvieczynski, Simone Luiz e Bruna Morais, todas atletas locais, deverão decidir no Mundial de 2015 quem terá a honra de disputar a Olimpíada. Essa predominância da cidade atraiu a atenção de outros países sul-americanos. O local recebe atletas de lugares como Bolívia, Colômbia e Equador. Também é a casa de Milagros Pinni, ginasta da seleção argentina que resolveu se basear no Paraná por causa da boa estrutura oferecida na região. São pouquíssimos os lugares que conseguem, por exemplo, aliar os treinos com aulas de balé, essenciais para o alto desempenho nessa modalidade. “O exercício está na Olimpíada porque foi classificado como desporto, mas é arte”, defende o professor e coreógrafo Joenir Milan, que, apesar dos 50 anos de idade, é um dos melhores amigos de todas as ginastas. Foi esse tipo de suporte que convenceu os pais de Giovanna Oliveira, 15 anos, a enviar a filha para o Paraná. Donos de uma empresa de contabilidade em Mauá (SP), eles mobilizaram os avós da menina, que se mudaram para Toledo junto com
a jovem, e apostaram no esporte como caminho para o futuro da filha. “Fiquei encantada quando vi as meninas no Campeonato Brasileiro de 2010”, conta Giovanna. “Desde então, sabia que era aqui que eu deveria treinar.” A responsabilidade de ter nas mãos o futuro de crianças e adolescentes não é subestimada pela treinadora Anita. No centro de treinamentos do Sesi, enquanto observa as piruetas de Simone e Angélica diante da câmera do fotógrafo da 2016, distribui ordens para outras professoras que cuidam das categorias de base. “Isto aqui”, diz, “vai muito além de um título ou uma medalha.” Não são raros os casos de meninas que chegam ao ginásio vindas de lares despedaçados por vício ou violência. “É uma história que se repete, infelizmente”, afirma a técnica, ela própria uma vítima. Aos 8 anos, no limite da fome e da miséria, precisava defender a mãe de um pai alcoólatra. “A GR me deu tudo, e eu me sinto na obrigação de retribuir de alguma forma”, diz Anita, que trabalhou como boia-fria e faxineira antes de descobrir o atletismo e, mais tarde, a ginástica rítmica. Hoje, ela é a única brasileira reconhecida como expert pela federação internacional da modalidade. Prova de que um pouquinho de dinheiro e muito apoio da comunidade podem fazer a diferença no esporte e na vida.
copa do mundo
de itaquera a itaquerรฃo O encOntrO de um flamenguista cOm O gigante que sediarรก a cOpa dO mundO
texto e fotos yan boechat
foco Garoto brinca diante do estรกdio: itaquera agora estรก no centro do mundo
copa do mundo
sÍmbolo desde que começou a ser construído, o itaquerão se transformou em um local de peregrinação para corintianos e torcedores em geral. a estrutura de quase 200 mil metros quadrados passa agora a fazer parte da rotina das mais de 100 mil pessoas que embarcam na estação corinthiansitaquera do metrô todos os dias em direção ao centro de são Paulo
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“Itaquera é longe”. Não importa muito onde você está em São Paulo. Se no fundão da zona sul, no centro ou mesmo no quase vizinho Tatuapé, a resposta será quase sempre a mesma sobre a distância que separa você do mais famoso distrito da zona leste de São Paulo. No imaginário paulistano, Itaquera está nos confins dessa cidade de 11 milhões de habitantes. Pouco importa se apenas 20 quilômetros a separam o do marco zero da cidade, a Praça da Sé. Importa menos ainda que diversos outros bairros da cidade fiquem ainda mais distantes. Itaquera é sempre longe. Tem sido sempre assim. Adoniram Barbosa, talvez o maior cronista da São Paulo operária, formada por imigrantes e emigrantes de toda parte, parecia considerar o bairro tão distante que quando se referia a ele o colocava lado a lado com cidades da Grande São Paulo. Em seu samba “Coríntia (Meu Amor É o Timão)”, ele canta na última estrofe: “Belém, Vila Maria e Mooca E São Paulo extensão Mogi, Guarulhos, Itaquera Tudo vibra coringão É o coríntia de nóis tudo É Paulista é campeão” Tudo isso, no entanto, há de mudar. Itaquera, agora, se prepara para deixar de ser periferia, ainda que por pouco tempo. Exatamente às 17 horas do dia 12 de junho, uma quinta-feira que, respeitadas as médias históricas dos últimos 30 anos, terá céu aberto e uma temperatura média de 18 graus, cerca de um bilhão de pessoas mundo afora estarão de olhos grudados em Itaquera. Será ali, exatamente ao lado da estação de trem fundada em 1875 que fomentou a urbanização de antigas fazendas da região, que Brasil e
Croácia darão início à Copa do Mundo do Brasil. Itaquera, finalmente, deixará sua condição periférica para se tornar centro do mundo. Ao menos, do mundo do futebol. Apesar de a Fifa insistir em chamá-lo de Arena São Paulo, será por conta do Itaquerão, o estádio que está sendo construído pelo Corinthians no coração do bairro com um generoso apoio financeiro do governo da capital paulista, que Itaquera, enfim, ficará mundialmente famosa. Com quase 200 mil metros quadrados de área construída, capacidade para 68 mil pessoas, bares, restaurantes, lojas e muito mármore e granito, o Itaquerão receberá seis jogos da Copa (além da abertura, sediará uma disputa de semifinal). Mesmo com o acidente que destruiu parte de sua cobertura em dezembro, matando dois operários, a construtora do estádio, a Odebrecht, promete dar as obras por encerradas em abril. Construído em uma pequena elevação ao lado da rua Doutor Luís Aires, uma das principais ligações do bairro com o centro, o Itaquerão é quase um oásis arquitetônico na aridez estilística da região. As linhas modernas, o revestimento de alta qualidade que cobre toda a parte externa do estádio, as arquibancadas quase verticais e os gastos de mais de R$ 1 bilhão em sua construção são um contraste brutal com os conjuntos habitacionais e as casas simples que compõem o cenário dessa área empobrecida de São Paulo. Itaquera não é exatamente um bairro. É, na verdade, um distrito que compõe uma série de regiões com nomes distintos – uma delas, especificamente, se chama Itaquera. Oficialmente, a cidade de São Paulo não tem bairros, apenas distritos. O de Itaquera tem 500 mil habitantes e é composto majoritariamente por famílias de classe média baixa. De acordo com dados do último censo, o de 2010, 72% dos 155 mil domicílios do distrito vivem com até cinco salários mínimos.
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simPlicidade lar de 500 mil pessoas, itaquera é uma região de classe média baixa de são Paulo, em que crianças ainda brincam nas ruas e os vizinhos se conhecem pelo nome, pouco acostumada com a riqueza e a suntuosidade do estádio que será seu símbolo
Novo, controverso e ainda sem tradição, o Itaquerão, no entanto, já é motivo de orgulho para os moradores do seu entorno. Aos domingos, pais levam os filhos para visitá-lo, famílias inteiras vão passar a tarde em volta dele, para conhecer de perto o que, a partir de agora, será o símbolo de Itaquera. Poucos sabem que o Itaquerão, distante mais de 400 quilômetros do Rio de Janeiro, tem, de certa forma, uma ligação direta com o Maracanã. Os dois estão localizados exatamente ao lado de duas importantes estações que um dia fizeram parte da Estrada de Ferro Central do Brasil, a ferrovia brasileira construída durante o reinado de dom Pedro II e que, por muitas e muitas décadas, foi a principal ligação entre as duas maiores cidades brasileiras.
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linda de mor re r
Palco de duas modalidades nos Jogos de 2016 e cartão-Postal do rio, a lagoa rodrigo de Freitas ainda não conseguiu limPar suas águas nem acabar com a mortandade de Peixes. o que é Possível Fazer?
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beleza e caos lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, em momentos distintos: acima e abaixo, o pôr do sol que encanta turistas e moradores; à esquerda, funcionários da prefeitura recolhem toneladas de peixes mortos pela falta de oxigênio na água
Fotos: chritophe simon/aFP | Paulo Fridman/sambaPhoto
por AnA CArolinA nunes
sustentabilidade
A LAgoA RodRigo de FReitAs deixou de herança para Ipanema não só um lugar ideal para a prática de esportes, mas também o nome do bairro que se tornaria conhecido – e até reverenciado – mundo afora. Ipanema, em tupi, quer dizer “lagoa fedorenta”. Isso revela como é antigo o problema que a Lagoa, um dos cartõespostais e ponto turístico do Rio de Janeiro, enfrenta até hoje: o cheiro podre e a alta mortandade de peixes. Nos Jogos Olímpicos de 2016, o local será palco das provas de remo e canoagem de velocidade. A má notícia é que as preocupações com um possível vexame internacional diante das cenas de atletas competindo entre animais mortos são muito reais. O subsecretário do Meio Ambiente do Rio, Altamirando Moraes, diz que o problema tem uma única razão de ser: em época de maré cheia, os peixes vêm do mar para a Lagoa pelo canal que liga os dois ambientes, no chamado Jardim de Alá. Os animais que não pegam o caminho de volta fazem sua desova por lá mesmo, provocando a superpopulação de peixes, que, somada à alta temperatura comum no início do ano, leva à morte de milhares de indivíduos por falta de oxigênio. Seria, portanto, um processo natural. Mas nem todos concordam com essa tese. É o caso do professor de engenharia costeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Cesar Colonna Rosman. Ele diz que o problema da lagoa é basicamente matemático. Ou seja, enquanto o depósito de material orgânico for maior que sua retirada, não haverá solução. A maior preocupação em relação à Lagoa, diz Rosman, não tem a ver com lixo ou esgoto, como nos malfadados rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo. O problema real é a poluição orgânica. “A água até tem características balneáveis, não é perigosa para o contato humano nem para a prática de esporte, mas é poluída
pelo excesso de nutrientes e fitoplâncton, e isso também não é saudável”, diz o pesquisador. A causa dessa poluição é o acúmulo de biomassa que fica represada na Lagoa. Esse material vem dos rios que descem os morros ao redor do bairro. Ou seja: as águas que “lavam” as encostas carregam folhas, galhos e terra para a baixada, como numa grande poça ou um “piscinão”. A esse caldo misturam-se água salgada e material orgânico vindos do mar pelo canal do Jardim de Alá. Todos esses ingredientes se acumulam no fundo e produzem gases metano e sulfídrico, causadores do cheiro ruim que exala da Lagoa nos dias mais quentes. A solução, na teoria, é muito simples: melhorar a troca de água entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar. Dois projetos com o mesmo objetivo, mas de execução distinta e sem prazo de aplicação definido, são discutidos no momento. O primeiro, desenvolvido pela UFRJ em 1992, propõe que a ligação seja feita ampliando o canal do Jardim de Alá em largura, profundidade e comprimento. Com isso, as praias de Ipanema e Leblon ficariam literalmente divididas pelo canal, que seria navegável. O outro plano prevê fazer a ligação por dutos enterrados. Essa opção, além de não dividir a orla das praias, amplia a faixa de areia disponível, já que barraria o processo de assoreamento que ocorre atualmente no local. Ambos os projetos solucionariam também o problema de alagamento das vias marginais em época de fortes chuvas. “Um trabalho pequeno foi feito em parceria com a EBX (empresa de Eike Batista), agora é preciso concretizar o projeto definitivo”, diz Rosman, referindo-se ao projeto Lagoa Limpa, que retirou o lixo do local, limpou as galerias pluviais e dragou o fundo. Altamirando Moraes, da Secretaria do Meio Ambiente, afirma que a Lagoa não recebe esgoto. Pelo menos não
oficialmente. Segundo ele, a prefeitura e a Fundação Rio-Águas fazem o saneamento dos três rios que lá deságuam: Macacos, Rainha e Cabeças. “A balneabilidade da Lagoa está no mesmo nível das praias”, diz. Diariamente, a Secretaria do Meio Ambiente publica boletins sobre a qualidade da água, que podem ser acompanhados online pela população. Quem vai pessoalmente ao cartão-postal carioca recebe as informações na forma de bandeiras coloridas. Os dados são coletados a cada 30 minutos por sondas instaladas nas ilhas Piraquê e Caiçaras e em um ponto central do espelho d’água. Tudo isso, no entanto, é apenas um paliativo enquanto não se aplica a solução definitiva, algo que dificilmente acontecerá antes da Olimpíada. “A Lagoa está preparada para receber os Jogos Olímpicos de 2016”, diz Moraes. Campeã mundial em 2011, a remadora Fabiana Beltrame treina todo dia na Lagoa Rodrigo de Freitas e teme que as provas olímpicas sejam acompanhadas de sujeira e peixes mortos. A cena tétrica aconteceu em março do ano passado, durante a seletiva nacional da modalidade. Segundo Fabiana, a situação é ainda mais triste diante da beleza do lugar. “A Lagoa é maravilhosa e as provas poderão ser vistas de vários locais ao redor, até mesmo por quem não comprar ingresso”, diz.
Foto: cássio Vasconcellos
meRgulho na lagoa a lagoa Rodrigo de Freitas é regulamentada como uma Área de Proteção Permanente (aPP) pela lei orgânica do município do Rio de Janeiro. o espelho d’água é tombado como bem cultural desde os anos 1990.
PRoFundidade média: 2,8 m
PeRímetRo: 7,8 km
ÁRea do esPelho d’Água: 2,2 km²
Volume de Água: 6.200.000 m³
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CONCENTRAÇÃO Cultura e esporte juntos
O M U N D O D E P H E L P S AS OBRAS QUE RETRATAM A VIDA E AS CONQUISTAS DE MICHAEL PHELPS, O MAIOR GANHADOR DE MEDALHAS OLÍMPICAS DA HISTÓRIA por Danielle Sanches
Michael Fred Phelps II deveria ter sido um americano comum. Nascido em 1985, filho de uma professora e de um policial, sofreu bullying na escola por ser absolutamente desengonçado e desatento. Mas, aos 10 anos, a natação entrou em sua vida para aliviar o caos social e consumir a energia acumulada. O que nem ele nem seus pais sonhavam é que, 20 anos depois, Phelps seria nada menos que uma lenda: 22 medalhas, sendo 18 delas de ouro, o tornaram o maior vencedor das Olímpiadas em todos os tempos. Mesmo aposentado, ainda detém recordes nos 100 m e nos 200 m borboleta, bem como nos 400 m medley. Essa história começou dez anos atrás, nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, quando Phelps assombrou o mundo ao arrasar todos os adversários. Levou para casa seis medalhas de ouro e duas de bronze. Não à toa, o americano é uma mina de inspiração para inúmeros produtos culturais, de livros a videogames. Confira a seguir.
SEM LIMITES – A INCANSÁVEL BUSCA PELO PRAZER DE VENCER Alan Abrahamson e Michael Phelps - R$ 29,90 www.martinsfontespaulista.com.br
BEIJING 2008 – MICHAEL PHELPS INSIDE STORY R$ 99 www.livrariacultura.com.br
Publicado logo após a Olímpiada de Pequim (2008), o livro traz as impressões de Phelps a respeito de sua carreira nas piscinas, sua preparação e o sonho de levar a natação a um novo patamar dentro dos Estados Unidos. O nadador ainda fala de forma franca a respeito de sua prisão por dirigir alcoolizado, em 2004, e sobre o doping na natação. Os temas espinhosos, no entanto, não ofuscam a narrativa do livro, focada em sua força de vontade. Essa característica o levou a ignorar os professores, que diziam que ele nunca teria sucesso, e o esgotamento físico e mental das competições esportivas de alto nível.
Foi na Olímpiada de 2008 que Michael Phelps quebrou o recorde mundial ao abocanhar o maior número de medalhas de ouro (oito) em uma única edição dos Jogos. Por isso, o ano é considerado pelos fãs como o ponto alto de sua carreira. A competição é o pano de fundo deste documentário, que mostra a jornada nada fácil de Phelps até se tornar a lenda que é hoje. O DVD inclui bastidores da estada do atleta na China: a equipe americana, as direções do técnico, Bob Bowman, e a preparação para as provas – incluindo entrevistas com Phelps logo depois das vitórias e insights a respeito do que passava pela sua cabeça enquanto estava na água.
MICHAEL PHELPS PUSH THE LIMIT
UNFILTERED
BENEATH THE SURFACE: MY STORY
Xbox 360 - R$ 79,90 www.magazineluiza.com.br
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Pare para pensar: quantos jogos que simulam natação você conhece? Essa é a grande sacada deste game, que estimula os movimentos do esporte utilizando o sensor de gestos da Microsoft, o Kinect. Embora com algumas limitações de personalização e sem opção de encarar adversários online, o jogo diverte bastante. Uma vez dentro do game, é possível participar de competições de estilos diferentes em baterias pré-determinadas. Elogiado pelas paisagens e pelo realismo da movimentação debaixo d’água, ele se vende em grande parte graças ao sucesso do nadador americano.
Produzido em 2005, este documentário mostra os bastidores da vida de Michael Phelps e de seu colega e adversário Ian Crocker durante os treinos para o Campeonato Mundial de 2005. Phelps já era famoso depois de Atenas-2004, mas não sabia muito bem como lidar com a repentina fama. O filme mostra uma faceta menos heroica de Phelps, que acorda de mau humor, come cereais pela manhã como qualquer jovem (ele tinha 20 anos na época) e não gosta de ter seus limites testados pelo técnico Bob Bowman – uma das cenas, aliás, mostra os dois em uma séria discussão. Entre as passagens mais emocionantes está o depoimento sobre a relação conturbada com o pai, Fred Phelps, que se separou da mãe do nadador quando ele tinha 7 anos. Embora ainda mantenham contato, fica claro que o atleta guarda ressentimentos. "Ele pode dizer o que quiser, mas se você não tenta (participar da vida dos filhos), você não tenta", disse Phelps na época do lançamento do filme.
Lançado em 2012, o livro de memórias de Phelps apresenta o atleta falando abertamente sobre sua trajetória. A narrativa passa pela batalha contra o Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), o trauma depois do divórcio dos pais, a vida em Baltimore, onde nasceu e foi criado, a preparação psicológica e mental antes das competições e os desafios de estar sempre à luz dos holofotes. Escrita com a ajuda dos jornalistas esportivos Brian Cazaneuve e Bob Costas, a autobriografia revive os melhores momentos de Phelps: a glória de ser o mais jovem atleta do mundo a quebrar um recorde mundial, em 2001, a consagração em Pequim-2008 e o recorde de vencedor absoluto em Londres-2012.
ISTOÉ 2016
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PERFORMANCE Consumo inspirado pelo esporte
P A R A N Ã O P E R D E R E M
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DE FEVEREIRO SUPER BOWL XLVIII, EM NEW JERSEY, ESTADOS UNIDOS Informações: www.nynjsuperbowl.com/news. Ingressos a partir de US$ 2,3 mil.
O mais famoso evento de futebol americano será realizado com mais emoção em 2014. Tudo porque a aguardada partida, que conclui o campeonato nacional da NFL, será a primeira a ser organizada simultaneamente por dois Estados americanos (New Jersey e New York). Detalhe um: o estádio, que fica em East Rutherford (NJ), não possui cobertura. Detalhe dois: nesta época do ano, são esperados neve, ventos gelados e até tempestades de inverno na região. Não à toa, o jogo já ganhou o apelido de “Ice Bowl”. Com ou sem gelo, o evento é diversão garantida e terá como artista do show do intervalo – uma tradição americana – o cantor pop Bruno Mars.
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OLIMPÍADA DE INVERNO EM SOCHI, NA RÚSSIA Informações: www.sochi2014.com. Ingressos para a cerimônia de abertura custam a partir de US$ 183; as provas de patinação no gelo custam a partir de US$ 46.
As incríveis manobras de snowboard, skeleton, esqui e patinação no gelo são atrações aguardadas nos Jogos de Inverno, que, neste ano, serão realizados pela primeira vez na Rússia. Sochi, a cidade-sede, já foi o lugar escolhido pelo ditador Joseph Stalin para suas férias de verão, mas é mais conhecida atualmente por sua famosa filha: a tenista Maria Sharapova. Mas nem tudo é festa na terra da vodca: denúncias de corrupção, obras atrasadas e a polêmica política interna russa esquentaram os debates pré-jogos. Atritos à parte, fique de olho na jovem Isadora Williams. Aos 17 anos, filha de mãe brasileira e pai americano, ela conquistou uma classificação inédita para o Brasil na patinação artística no gelo.
24 DE MAIO
FINAL DA UEFA CHAMPIONS LEAGUE
Informações: www.uefa.com. As vendas começam em março de 2014, com preços ainda a definir.
Lisboa vai receber sua primeira final do mais importante torneio continental de futebol desde 1967, quando testemunhou a vitória do Celtic FC sobre a Inter de Milão por 2 a 1, no Estádio Nacional. Desta vez, a sede do embate derradeiro da Champions League será o Estádio do Sport de Lisboa, casa do Benfica e conhecido também como “Estádio da Luz”. Ainda é cedo para especular, mas sabe-se que os torcedores do Benfica estão ávidos por uma classificação que leve o time a batalhar pela taça em casa. O caminho promete ser árduo: potências como o atual campeão Bayern de Munique, além de Chelsea, Barcelona, Milan e Manchester United, também lutam pelo cobiçado título.
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DE JUNHO
DE JUNHO
DE JULHO
DE JUNHO
DE JULHO
RABOBANK HOCKEY WORLD CUP, HAIA, HOLANDA
COPA DO MUNDO DE FUTEBOL 2014
TORNEIO DE TÊNIS WIMBLEDON 2014, INGLATERRA
Informações: www.rabobankhockeyworldcup2014.com. Ingressos entre US$ 30 e US$ 103.
Informações: www.fifa.com. Os preços variam de R$ 30 a R$ 1.980. Restam poucas opções.
Informações: www.wimbledon.com. Os ingressos custam entre US$ 62 e US$ 242.
Atenção, fãs do esporte no gelo: um dos mais rápidos e violentos esportes coletivos terá seu grande evento realizado na Holanda em 2014. Quinze seleções de hóquei irão se encontrar em Haia para lutar pelo título mundial. Além do time anfitrião, já estão confirmados no torneio Canadá, Estados Unidos, Coreia do Sul, Bélgica, Inglaterra, Nova Zelândia, Índia, Argentina e azarões como Gana. Embora tenham uma das melhores ligas do mundo, os EUA amargam o 28º lugar no raking mundial da International Hockey Federation, perdendo o favoritismo para a Alemanha, primeira colocada na lista.
Você já deve ter notado que não se fala em outra coisa no Brasil (e no mundo). O maior evento do futebol mundial vai acontecer em terras verde-amarelas e, apesar das reclamações e de vários narizes torcidos para o tal “padrão Fifa”, é inegável o clima de excitação que está no ar. O desafio, agora, é planejar-se para não perder as melhores partidas em um País de dimensões continentais. Brasil e Croácia abrem a competição no Itaquerão, em São Paulo. Já Fortaleza recebe a nossa Seleção contra o México, uma tradicional pedra no nosso sapato, no dia 17 de junho. Mas não se engane: há futebol além da camisa canarinho. Parte do grupo da morte, Inglaterra e Itália fazem um clássico em Manaus no dia 14 de junho. A polêmica, claro, já começou: o técnico inglês, Roy Hodgson, havia dito que preferiria ficar longe do Amazonas por causa da umidade.
O escocês Andy Murray levou o Reino Unido ao delírio em 2013, ao quebrar a amarga tradição de 77 anos sem vitórias britânicas no campeonato, com uma vitória em cima do sérvio Novak Djokovic. Repetir a façanha, no entanto, pode ser um desafio para Murray, que passou por uma complicada cirurgia nas costas logo depois de levantar a taça e terá que se esforçar em dobro para ficar no topo. Seus principais adversários, além de Djoko, serão os suíços Roger Federer e Stanilas Wawrinka, que mostraram força e atitude nos últimos campeonatos, e o espanhol Rafael Nadal, que teve em 2013 um dos melhores anos de sua carreira.
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DE JULHO
DE AGOSTO
VOLTA DA FRANÇA
JOGOS DO COMMONWEALTH, GLASGOW, ESCÓCIA
Informações: www.letour.fr. A corrida pode ser vista de vários pontos na rota; eventos especiais, como jantares de gala e hotéis, devem ser pagos à parte.
Informações: www.glasgow2014.com. Os ingressos custam a partir de US$ 17, mas integrantes dos países participantes têm prioridade na compra.
Desprestigiada depois que seu maior ídolo, Lance Armstrong, manchou a imagem do ciclismo mundial com seu esquema de doping, a Tour de France se mantém viva e mostra que tão importante quanto seus atletas é o seu percurso. Multicultural, a edição de 2014 começa em Leeds, na Inglaterra, e passará por cidades na Bélgica, Espanha e França antes da grande chegada, na Champs-Elysées, em Paris. Para quem ama o esporte e não dispensa uma boa viagem, é o programa perfeito, já que mostra paisagens pitorescas e muita ação vinda dos atletas. Bradley Wiggins, primeiro britânico a vencer o tour, promete voltar depois que uma lesão o tirou da edição de 2013. Mas ele terá que enfrentar o conterrâneo e colega de equipe Christopher Froome, que venceu a prova no ano passado.
A cinzenta e industrial Glasgow, na Escócia, foi escolhida para receber a vigésima edição dos Jogos do Commonwealth. Realizados desde 1930, eles reúnem seleções de países que fazem parte do Commonwealth – a maioria deles, excolônias britânicas –, como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica e África do Sul. País de Gales, Irlanda do Norte, Escócia e Inglaterra representam os conquistadores. Na agenda, esportes como hóquei, badminton e até bocha. Para os escoceses, aliás, este será um importante teste, já que a nação pretende levar sua própria equipe para o Brasil na Olímpiada de 2016, se conseguir aprovar a independência em um plebiscito. Mas a sensação mesmo promete ser a prova dos 100 m raso, já que o jamaicano Usain Bolt, o homem mais rápido do mundo, deve estar presente para fazer a alegria dos fãs.
DE NOVEMBRO
DP WORLD TOUR CHAMPIONSHIP, JUMEIRAH GOLF STATES, DUBAI Informações: www.europeantour.com. Valores e categorias de ingressos ainda serão divulgados.
Engana-se quem só vê dunas e sol escaldante no deserto. Com apenas cinco anos de existência, o Campeonato Mundial de Golfe em Dubai prendeu o fôlego de muitos espectadores na edição de 2012. A final, realizada entre o sul-africano Justin Rose e o irlandês Rory McIlroy, deixou todos boquiabertos – Rose, campeão do US Open daquele ano, foi derrotado por McIlroy nas cinco tacadas finais. Em 2013, foi a vez de o sueco Henrik Stenson levar para casa o prêmio de US$ 1,5 milhão pelo primeiro lugar. Em 2014, o evento irá reunir os 60 melhores jogadores do mundo, disputando US$ 8 milhões em prêmios.
94 ISTOÉ 2016
>ATLETISMO
>ESGRIMA
>HANDEBOL
Um dos eventos mais importantes do calendário esportivo brasileiro, o Troféu Brasil de Atletismo vai mudar de data em 2014. As competições serão realizadas entre 9 e 12 de outubro, e não no mês de junho, como tradicionalmente acontece. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) decidiu mudar a programação para fugir da concorrência com a Copa do Mundo (o que, diga-se, foi uma decisão sensata). O local das provas permanece o mesmo: o Estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, em São Paulo. Estima-se que a edição 2014 do Troféu Brasil conte com a participação recorde de 800 atletas.
Eleita pelo Comitê Olímpico Brasileiro a melhor atleta da esgrima brasileira em 2013, a gaúcha Gabriela Cecchini, de apenas 16 anos, terá que se desdobrar em 2014 para repetir a performance notável do ano passado. Confira os feitos de Gabriela em 2013:
Fazer comparações com o time feminino é covardia (afinal, elas conquistaram o título mundial), mas a seleção masculina de handebol também tem avançado um pouco. No início de janeiro, no primeiro torneio do ano, o Brasil ficou em segundo lugar em um campeonato realizado na Espanha. Detalhe: os brasileiros venceram a Suécia, vice-campeã olímpica, e foram derrotados apenas pela Espanha, campeã mundial no ano passado.
NOVAS DATAS PARA O TROFÉU BRASIL
>BADMINTON
UM SALTO DE MIL POSIÇÕES
Os brasileiros Alex Tjong e Hugo Arthuso conseguiram uma façanha extraordinária em 2013. Em janeiro do ano passado, eles ocupavam a posição de número 1.109 no ranking mundial de duplas. Em dezembro, de acordo com a mais recente lista divulgada pela Federação Internacional, os dois estavam no 58º lugar. Além deles, a dupla formada por Luiz dos Santos e Leonardo Alkimin também teve ascensão meteórica: pulou da 869ª para a 94ª posição.
>BASQUETE
MAGNANO DEVE FICAR?
O futuro do técnico argentino Rubén Magnano continua a dominar os bastidores do basquete nacional. Há alguns dias, foi a vez de Amaury Passos, bicampeão mundial em 1959 e 1963 e lenda do esporte brasileiro, se pronunciar. Ao contrário do que pensa Oscar Schmidt, Amaury acha que Magnano deve seguir no comando da seleção masculina. “Pelo amor de Deus, o Magnano tem que ficar”, disse. “Ele é a melhor opção que temos.” Amigos do argentino dizem que ele está mordido depois dos fiascos em 2013. Magnano não só quer permanecer no Brasil como acha que vai calar a boca de muita gente nos Jogos de 2016.
>BOXE
ESQUIVA ESTREIA COMO PROFISSIONAL
No próximo dia 1º de fevereiro, os amantes do boxe terão uma boa e uma má notícia. A boa é que Esquiva Falcão, medalha de prata na Olimpíada de Londres, enfim entrará em ação depois de um longo recesso. A má é que, no final da luta, ele estará oficialmente fora dos Jogos do Rio. O motivo: Esquiva terá estreado no boxe profissional, o que o impede de ser um atleta olímpico. A luta será realizada em Laredo, no Texas.
>CANOAGEM
UM PORTUGUÊS NO COMANDO DA SELEÇÃO
Está nas mãos de um português a missão de fazer o Brasil ganhar uma medalha na canoagem em 2016. Em dezembro, a Confederação Brasileira anunciou a contratação de Rui Fernandes, técnico da dupla de Portugal que faturou uma medalha de prata nos Jogos de Londres-2012, na categoria K2 1000 metros. Além de comandar a seleção adulta, Fernandes vai orientar o time júnior. Fotos: Christian Gaul
O ANO ESPETACULAR DE GABRIELA
> EM FEvEREIRO, foi medalha de ouro no florete, no Campeonato Pan-Americano Cadete de Porto Rico
> EM ABRIL, conquistou o bronze no florete individual, na categoria cadete do Campeonato Mundial da Croácia
> EM SETEMBRO, foi ouro na primeira edição dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, em Lima, no Peru
>CICLISMO
VELÓDROMO AINDA NÃO SAIU DO PAPEL
A Empresa Olímpica Municipal, órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro que coordena a execução dos projetos relacionados aos Jogos de 2016, definiu o primeiro semestre de 2014 como data limite para o início das obras do velódromo carioca. O local que receberá as provas de ciclismo será erguido no terreno do antigo Autódromo Nelson Piquet, ao custo de R$ 137 milhões. Terá cinco mil lugares permanentes e mais 800 assentos provisórios. O plano dos gestores da Rio 2016 é que o velódromo se torne, depois da Olimpíada, o principal centro de treinamento de ciclismo da América Latina.
>FUTEBOL
ITAQUERÃO NA OLIMPÍADA?
É certo que a cidade de São Paulo vai receber partidas de futebol da Olimpíada de 2016. A dúvida diz respeito ao estádio que será escolhido. O Morumbi, do São Paulo, surgiu como favorito, mas diante da demora do início das reformas está praticamente descartado. A disputa principal se dá agora entre os novos estádios do Corinthians e do Palmeiras. Tudo indica que o corintiano Itaquerão também vencerá essa disputa, a exemplo do que aconteceu na Copa do Mundo.
>GINÁSTICA
A VEZ DA NOVA GERAÇÃO
Enquanto as veteranas Jade Barbosa e Daniele Hypolito apresentam mais dúvidas do que certezas a respeito de seu futuro na ginástica, a carioca Rebeca Andrade, 14 anos, demonstra a força da nova geração. Depois de se tornar campeã do Troféu Brasil quando tinha apenas 13 anos – vencendo inclusive Jade e Daniele –, Rebeca, que é atleta do Flamengo, conquistou em dezembro do ano passado o primeiro lugar na prova de salto dos Jogos Mundiais Escolares, a Gymnasiade, em Brasília. Ela também foi bronze no individual geral.
SELEÇÃO MASCULINA VENCE VICE-CAMPEÃ OLÍMPICA
>HIPISMO
A META OUSADA DE LUÍZA ALMEIDA
Tricampeã brasileira de adestramento, a paulistana Luíza Almeida, 22 anos, estabeleceu uma meta ousada para 2014: ficar entre as dez primeiras colocadas na sétima edição dos Jogos Equestres Mundiais, que serão disputados na Normandia entre 24 de agosto e 7 de setembro. Para Luíza, a competição servirá como termômetro de suas chances de brigar por medalhas na Olimpíada do Rio. Nos Jogos de Londres-2012, Luíza ficou com a 47ª colocação.
>HÓQUEI SOBRE A GRAMA
UM ARGENTINO PARA A SELEÇÃO
Não tem jeito. Se o Brasil não tem tradição no esporte, a saída é contratar especialistas no assunto. A exemplo do que fizeram outras confederações, a de hóquei sobre a grama requisitou um estrangeiro para coordenar as seleções masculina e feminina. O escolhido foi o argentino Pablo Lombi, medalha de ouro com o time masculino de seu país no Pan-Americano de Guadalajara, em 2011, e décimo colocado nos Jogos de Londres-2012. Lombi já tem um desafio em vista: preparar os brasileiros para os Jogos Sul-Americanos do Chile, entre 6 e 16 de março.
>JUDÔ
AS 700 CRIANÇAS DE SARAH MENEZES
A campeã olímpica Sarah Menezes nunca escondeu a paixão por sua terra natal, o Piauí. Desde que se tornou a principal judoca do País, Sarah recebeu convites para trocar Teresina, onde treina, pelos grandes centros. Recusou todos. Uma das alegações era a vontade de ajudar crianças pobres da capital piauiense. Isso agora está virando realidade. No fim do ano passado, Sarah inaugurou o primeiro núcleo de judô do Projeto Superação, idealizado por ela, na periferia de Teresina. A proposta é oferecer iniciação esportiva para crianças em situação social de risco. O projeto deve atender 700 crianças.
>LUTAS
UM CENTRO PARA FORMAR TALENTOS
você mora em São Paulo, tem entre 12 e 17 anos e sonha ter contato com um esporte olímpico pouco conhecido? Se sim, vale a pena conhecer o Centro de Desenvolvimento da Luta Olímpica, inaugurado no fim do ano passado em Pirituba, na periferia de São Paulo. A ideia do lugar é atrair jovens de baixa renda e, quem sabe, transformá-los em atletas de alto rendimento. O Centro é o primeiro núcleo oficial para a formação de talentos da Confederação Brasileira de Lutas Associadas.
painel
Todos os esportes olímpicos
>NADO SINCRONIZADO AS PRINCIPAIS PROVAS DE 2014
>LEVANTAMENTO DE PESO
CADA VEZ MAIS PERTO DOS MELHORES
Saiu o calendário do nado sincronizado em 2014. Chama a atenção o fato de o local das disputas do campeonato brasileiro ainda não ter sido definido, assim como a cidade que sediará o torneio pan-americano. Confira:
A julgar pela evolução do paulista Fernando Saraiva Reis, o Brasil pode sonhar com uma inédita medalha do levantamento de peso nos Jogos do Rio. Aos 23 anos, Reis já é um dos principais atletas do mundo na categoria acima de 105 kg. Confira o salto de seus resultados: ANO 2010 2011 2012 2013
COMPETIçãO
EvENTO CAMPEONATO SUL-AMERICANO TRAINING CAMPING SELEçãO ADULTA COPA DO MUNDO CAMPEONATO BRASILEIRO CAMPEONATO PAN-AMERICANO CAMPEONATO MUNDIAL JÚNIOR
COLOCAçãO
MUNDIAL DE ANTáLIA (TURQUIA) MUNDIAL DE PARIS OLIMPÍADA DE LONDRES MUNDIAL DE BRESLávIA (POLôNIA)
>REMO
Os últimos anos não foram fáceis para o velocista carioca Bruno Fratus. Ele bateu na trave no Mundial de Xangai, em 2011, quando foi quinto na prova dos 50 metros livre, e na Olimpíada de Londres, em 2012, quando perdeu o bronze para Cesar Cielo por dois centésimos. Em 2013, teve que fazer uma cirurgia no ombro direto, que o afastou do Mundial de Barcelona. Agora, Fratus quer vida nova. No início de janeiro, embarcou para Auburn, nos Estados Unidos, onde será treinado pelo americano Brett Hawke, um dos responsáveis pelo ouro de Cielo em Pequim-2008.
Com duas participações olímpicas no currículo (Atlanta-1996 e Sydney-2000), a ex-atleta sul-africana Colleen Orsmond foi designada pela Federação Internacional de Remo para acompanhar os preparativos da Lagoa Rodrigo de Freitas para os Jogos de 2016. Seu papel será cuidar da área esportiva e garantir que o local obedeça aos parâmetros definidos pela entidade que regulamenta o remo mundial. Cerca de 550 remadores devem participar da Olimpíada.
A HORA DE DEIXAR O QUASE PARA TRÁS
>PENTATLO MODERNO
YANE LIDERA, MAS É PRESSIONADA Como era de esperar, Yane Marques, bronze em Londres-2012, encerrou a temporada como líder do ranking brasileiro. O interessante é que a distância para Priscila Oliveira, a segunda colocada, não é tão grande assim. Observe as cinco primeiras colocadas do ranking nacional: Nome PoNtos
5358 5158 4830 4314 3970
>POLO AQUÁTICO
FELIPE PERRONE QUER SER REPATRIADO
13 A 17 DE MARçO 1 A 20 DE MAIO 28 A 31 DE AGOSTO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO
LOCAL SANTIAGO (CHILE) RIO CANADá A DEFINIR A DEFINIR FINLÂNDIA
26º 17º 12º 7º
>NATAÇÃO
1º YANE MARQUES 2º PRISCILA OLIvEIRA 3º LARISSA LELLYS 4º AMANDA TURUTE 5º SIMONE LIMA
DATA
Aos 17 anos, o carioca Felipe Perrone deixou o Brasil para jogar polo aquático na Europa. Fixou-se na Espanha e fez tanto sucesso por lá que acabou se naturalizando espanhol. Com a nova nacionalidade, foi quinto colocado nos Jogos de Londres-2012 e apontado como um dos principais destaques desse esporte na Olimpíada. Agora, aos 27 anos, Perrone quer fazer o caminho inverso. Contratado pelo Fluminense, já declarou que quer ser repatriado. O motivo é defender o Brasil na Rio-2016.
SUL-AFRICANA VAI MONITORAR RAIA OLÍMPICA
>SALTOS ORNAMENTAIS
A SOBREVIDA DO PARQUE JÚLIO DELAMARE
As incertezas sobre a reinauguração do Parque Aquático Julio Delamare, no Rio, afetaram as seleções adultas de saltos ornamentais. Em 2013, os brasileiros passaram boa parte do ano treinando na China, mas o que era para ser um salto de qualidade acabou se tornando uma decepção. O País levou apenas um atleta, Cesar Castro, para o Mundial de Barcelona, e ele não passou das semifinais. Com a reabertura do Julio Delamare, que sobreviveu às investidas imobiliárias, espera-se que o cenário mude.
>TAE KWON DO
ANDERSON SILVA DÁ ADEUS À RIO 2016
Se havia alguma esperança que a estrela do UFC Anderson Silva disputasse as lutas de tae kwon do nos Jogos do Rio, ela foi apagada depois da fratura na perna esquerda sofrida na tentativa de golpe contra o americano Chris Weidman. O próprio Anderson havia declarado, antes do acidente, que precisaria de dois anos de treinamento exclusivo para se preparar para a Olimpíada. Com a contusão, que vai obrigá-lo a ficar parado por pelo menos oito meses, é impossível cumprir esse prazo.
>TIRO
CUBANO PARA A SELEÇÃO
No dia 15 de janeiro, a equipe brasileira do skeet, modalidade de tiro em que o competidor tem que acertar um alvo em movimento, contou com uma novidade: o cubano Daniel Hernandez, contratado para preparar o time brasileiro para a Olimpíada de 2016. Com 40 anos de experiência na área, Hernandez estava trabalhando no Peru e de lá trouxe um resultado expressivo: tornou Nicolas Espinosa, de 19 anos, vicecampeão mundial júnior e único atleta sul-americano do skeet a disputar os Jogos de Londres-2012.
>TIRO COM ARCO
MAIS RECURSOS DA LEI AGNELO/PIVA
No fim do ano passado, o Comitê Olímpico Brasileiro divulgou os valores reajustados dos repasses dos recursos da Lei Agnelo/Piva para as confederações olímpicas. O tiro com arco receberá em 2014 R$ 1,7 milhão, ante R$ 1,5 milhão em 2013. Com o acréscimo, o tiro passará a receber mais do que as confederações de desportos na neve e de desportos no gelo (que recebiam R$ 1,5 milhão e passarão a receber R$ 1,6 milhão), agora lanterninhas isoladas na captação de recursos.
>TRIATLO
COLUCCI TEVE ANO PARA COMEMORAR
Líder do ranking brasileiro de triatlo, Reinaldo Colucci, 28 anos, teve em 2013 um dos melhores anos da carreira. Das 13 competições que disputou, venceu seis (incluindo uma etapa da Copa do Mundo, na Colômbia) e subiu ao pódio outras duas vezes. Colucci também conseguiu, ao chegar em nono lugar, o melhor resultado de um brasileiro na prova final do Mundial de Triatlo, realizada em setembro, em Londres. Ele atribui os bons resultados à melhora de seu nível de corrida.
>VELA POR 2016, INGLESES DISPUTAM PROVAS NO BRASIL
Se depender da preparação dos principais rivais, não vai ser fácil a vida dos velejadores brasileiros nos Jogos de 2016. No início de janeiro, a Inglaterra enviou 15 velejadores, de cinco das dez classes olímpicas, para disputar a Copa Brasil de vela, realizada em Niterói. A ideia da equipe inglesa é participar do maior número possível de competições no Brasil, especialmente no Rio. Os britânicos contam até com meteorologista contratado para estudar as correntes e os ventos que sopram na Baía de Guanabara, local destinado para as regatas na Olimpíada.
>VÔLEI BETIM DE NOVO SERÁ SEDE DO MUNDIAL DE CLUBES
A Federação Internacional de vôlei confirmou que a cidade de Betim, na Grande Belo Horizonte, sediará mais uma vez o Mundial de Clubes de vôlei masculino (a mesma Betim sediou, em outubro do ano passado, o torneio vencido pelo Cruzeiro). Desta vez a competição será disputada entre os dias 6 e 11 de maio, no ginásio Divino Braga. O Mundial vai contar com os clubes campeões da áfrica, ásia, Europa e América do Sul, além de um representante das Américas do Norte e Central e Caribe e uma equipe convidada. vencedor da última edição, o Cruzeiro também está confirmado no torneio.
>TÊNIS NO RANKING POR IDADE, O BRASIL VAI BEM
>RÚGBI
O Brasil encerrou 2013 sem nenhum atleta entre os 100 melhores do mundo. Entre as mulheres, só Teliana Pereira está nessa lista. A pouco mais de dois anos da Olimpíada de 2016, o cenário precisa mudar rapidamente. As esperanças continuam depositadas em Thiago Monteiro, 19 anos, e Beatriz Haddad, 17, que figuram entre os 300 melhores do mundo. A boa notícia é que, nos dois casos, só há outros dois tenistas mais jovens à frente deles no ranking.
Onze Estados brasileiros possuem clubes para a prática do rúbgi. Ainda é pouco, mas o número aumenta a cada ano.
>VÔLEI DE PRAIA FORTALEZA RECEBE GRAND SLAM
CADA VEZ MAIS LUGARES PARA JOGAR
CLUBE
SITE
Bandeirantes Rugby Club (SP)
bandrugby.com.br
Tornados, Indaiatuba Rugby Clube (SP)
indaiarugby.com.br
Ilhabela RC (SP)
ilhabelarugbyclub.blogspot
Pasteur Athlétique Club (SP)
pacrugby.com.br
Poli USP Rugby (SP)
rugbypoli.com
Rio Branco Rugby
(SP)
Fortaleza conquistou uma importante vitória sobre São Paulo. A cidade nordestina foi indicada pela Federação Internacional de vôlei para sediar, entre 13 e 18 de maio, uma das dez etapas do Grand Slam 2014. Em 2013, o evento foi realizado na capital paulista. A principal novidade do calendário, porém, será a disputa de um torneio chamado Grand Slam Final, entre 15 e 19 de outubro, ainda sem sede definida.
rbrc.com.br
SPAC (SP)
spacrugby.com.br
São José Rugby (SP)
saojoserugby.com.br
SB Templários (SP)
sbtemplariosrugby.webs.com
Winner Rugby (SP)
winnerrugby.com
Niterói Rugby (RJ)
niteroirugby.com.br
Guanabara Rugby (RJ)
guanabararugby.com.br
Rio Rugby FC (RJ)
riorugby.com.br
Desterro Rugby (SC)
desterrorugby.com.br
Curitiba Unibrasil/CRC (PR)
curitibarugby.com
Farrapos Rugby Clube (RS)
farraposrugby.com.br
Charrua Rugby Clube (RS)
charruarugby.com
San Diego Rugby Club (RS)
sandiegorugby.com
Campo Grande RC (MS)
rugbyms.com.br
Cuiabá RC (MT)
cuiabarugby.com.br
Belo Horizonte Rugby Clube (MG)
bhrugby.com.br
Goiânia RC (GO)
goianiarugby.com
Bahia RS (BA)
-
Brasília Rugby (DF)
brasiliarugby.com.br
TÊNIS DE MESA O CALENDÁRIO NACIONAL
Depois de um 2013 espetacular, o tênis de mesa brasileiro começa o ano com o desafio de evoluir ainda mais. Acompanhe a seguir o calendário nacional completo de provas em 2014. Data 20 a 23/3 10 a 13/4 22 a 25/5 5 a 8/6 17 a 20/7 14 a 17/8 11 a 14/9 16 a 19/9 25 a 28/9 30 a 2/11
eVeNto Copa Brasil Centro Norte Nordeste I Copa Brasil Sul Sudeste I 45º Campeonato Brasileiro (Equipes e Duplas) Copa Brasil Sul Sudeste II Copa Brasil Centro Norte Nordeste II Copa Brasil Sul Sudeste III Aberto do Brasil Aberto de Jovens do Brasil Copa Brasil Centro Norte Nordeste III 46º Campeonato Brasileiro (Individual)
LoCaL Manaus/AM Jaraguá do Sul/SC Fortaleza/CE Maringá/PR Maceió/AL vitória/ES Santos/SP Santos/SP Aracaju/SE Caldas Novas/GO
PÁGINA DOURADA Conquistas que entraram para a história
ELE INVENTOU O TÊNIS DE MESA NO BRASIL Pioneiro do esporte no País, Cláudio Kano brilhou imensamente até morrer um dia antes de embarcar para a Olimpíada de Atlanta
CLÁUDIO MITSUHIRO KANO NASCE EM SÃO PAULO, NO DIA 18 DE DEZEMBRO DE 1965, E DÁ AS PRIMEIRAS RAQUETADAS COM A MÃE AOS 7 ANOS. PEQUENO DEMAIS, ELA O COLOCA EM PÉ NUMA CADEIRA PARA QUE ELE CONSIGA JOGAR.
KANO FAZ 10 ANOS E OS PAIS JÁ NÃO GANHAM MAIS DELE NO TÊNIS DE MESA. O GAROTO É BOM TAMBÉM NO JUDÔ, MAS PREFERE O ESPORTE DAS BOLINHAS. LOGO O CLUBE DA COLÔNIA JAPONESA DEIXA DE SER SUFICIENTE PARA O TALENTO DE KANO. ELE VAI TREINAR NA HEBRAICA E DEPOIS NO SÃO BERNARDO.
ESTREIA EM JOGOS PANAMERICANOS EM CARACAS, EM 1983, DE FORMA AVASSALADORA. GANHA DUAS MEDALHAS DE OURO E UMA DE BRONZE.
NO FINAL DA DÉCADA DE 80, VAI MORAR NA SUÉCIA. FICA QUATRO TEMPORADAS POR LÁ E SE TORNA CAMPEÃO SUECO DE TÊNIS DE MESA.
NA CARREIRA, FATURA 12 MEDALHAS PAN-AMERICANAS, RECORDE QUE ANOS DEPOIS SERIA SUPERADO POR SEU MAIOR RIVAL, HUGO HOYAMA.
É O AUGE DA CARREIRA. EM 1989, TERMINA O MUNDIAL EM SEXTO LUGAR, ATÉ HOJE O MELHOR RESULTADO DE UM MESA-TENISTA BRASILEIRO.
NA DÉCADA DE 90, ABRE COM O PAI UMA EMPRESA DE IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS.
NA DÉCADA DE 70, OS TÉCNICOS BRASILEIROS NÃO CONHECEM OS MÉTODOS DE TREINAMENTO. ELES COMPRAM REVISTAS ESTRANGEIRAS ESPECIALIZADAS EM TÊNIS DE MESA E PENDURAM NAS PAREDES FOTOS DOS MOVIMENTOS DO JOGO PARA KANO COPIAR.
EM 1996, UM DIA ANTES DE EMBARCAR PARA OS JOGOS DE ATLANTA (ELE HAVIA DISPUTADO OUTRAS DUAS OLIMPÍADAS, SEUL-1988 E BARCELONA-1992), PEGA SUA MOTO E VAI FAZER UMA ENTREGA DE BOLINHAS DE TÊNIS DE MESA IMPORTADAS.
AOS 15 ANOS, KANO PARTE PARA O JAPÃO, ONDE ESTÃO OS MELHORES DO MUNDO. DEMORA UM ANO PARA ELE APRENDER A FALAR JAPONÊS FLUENTEMENTE.
NO CAMINHO, SOFRE UM ACIDENTE EM UMA MOVIMENTADA AVENIDA DE SÃO PAULO. MORRE NO DIA 1 o DE JULHO DE 1996, AOS 30 ANOS.
AOS 16, VOLTA AO BRASIL. É OUTRA PESSOA – E OUTRO ATLETA. MAIS ALTO, MAIS FORTE, DONO DE GOLPES POTENTES. KANO FICA IMBATÍVEL EM SOLO BRASILEIRO.
ATÉ HOJE, OS PAIS JOGAM TODOS DIAS NA ANTIGA MESA DE CLÁUDIO KANO. DIZEM QUE É PARA HOMENAGEAR O FILHO E QUE FARÃO ISSO ATÉ O FIM.
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