52
National Institute of General Medical Sciences Casa das Ciências
Meiose: Sexo, Hereditariedade, e Sobrevivência ESPERMATOZÓIDE SOLTEIRO PROCURA ÓVULO PARA PARTILHAR A VIDA NA FASE DE ZIGOTO E ALÉM Tem que ter 23 cromossomas (nem mais, nem menos), mas não se preocupe se eles andarem um pouco misturados ultimamente. Os meus também andam um tanto assim, e quem sabe, ainda um dia vamos agradecer por isso. Por favor responda o mais rápido possível. Não durarei muito sem si!
Quase todos os organismos multicelulares se reproduzem sexuadamente através da fusão de um espermatozóide com um óvulo. A célula resultante – o zigoto ou ovo – como quase todas as células no teu corpo, possui um contingente completo de 23 pares de cromossomas. Mas, o que se passará com as células originais, o espermatozóide e o óvulo? Se um e outro também contivessem 23 pares de cromossomas, a sua união resultaria num zigoto com 46 pares de cromossomas, o dobro do número habitual. Teoricamente, esta célula iria dar origem a um indivíduo adulto com 46 pares de cromossomas por célula (em vez dos habituais 23 pares). Gerações subsequentes teriam ainda mais cromossomas por célula. Dada a extensão da história da humanidade, podes imaginar quantos cromossomas as nossas células teriam agora. Claramente, isto não é o que realmente acontece. Mesmo os primeiros biólogos perceberam desde logo que tinha que haver uma maneira de reduzir para metade o número de cromossomas nos óvulos e nos espermatozóides.
Segredos do Fuso Se a mitose fosse um espectáculo, então os cromossomas seriam os actores, e a distribuição dos actores em dois grupos iguais, antes de cair o pano, seria o enredo. Mas estes actores desempenham um papel extraordinariamente passivo. Um encenador, chamado fuso mitótico é quem os move de um lado para o outro no palco celular. O fuso mitótico – uma estrutura em forma de bola de rugby, formada por fibras de microtúbulos e proteínas associadas – forma-se no início da mitose entre extremos opostos – ou pólos – da célula. Os cromossomas (em azul) ligam-se às fibras do fuso mitótico (verde) no início da mitose. O fuso é então capaz de mover os cromossomas através das várias fases da mitose. O modo como o fuso move os cromossomas tem cativado a atenção dos cientistas desde há décadas, mas mesmo assim a resposta tem permanecido esquiva.
Conly Rieder, um biólogo do Wadsworth Center, Albany, Nova Iorque, está a investigar esta desafiante questão. Alguns cientistas acreditam que certos motores moleculares actuam como autocarros celulares, movendo os cromossomas ao longo das fibras. Outros, incluindo Rieder, preferem a ideia de que os microtúbulos encurtam numa extremidade e crescem na outra, de modo a ligarem-se aos, ou desligarem-se dos, cromossomas. Outros cientistas acreditam ainda que a resposta poderá residir numa síntese de ambas as visões. As aplicações potenciais deste trabalho de detective molecular são valiosas. Quando o fuso comete erros, os cromossomas podem acabar por ir parar ao lugar errado. Em consequência, as células acabarão por ter um número anormal de cromossomas. Problemas muito sérios podem advir