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RTI Agosto 2026

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B ANDA LAR GA EM EVOLUÇÃO. PR OVE DOR ES E M TR AN SFOR MAÇÃO. Escaneie e acesse o site

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DESTAQUES Ano 27 - Nº- 315 Agosto de 2026

Como a IA está transformando as redes Wi-Fi A evolução das redes Wi-Fi deixou de depender apenas do aumento da velocidade de transmissão. Com ambientes cada vez mais dinâmicos e um número crescente de dispositivos conectados, a IA - Inteligência Artificial passou a desempenhar papel central na otimização das redes sem fio. REDES SEM FIO

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Convergência e consolidação redesenham o mercado de provedores Pressão competitiva, novos compradores, reforma tributária e convergência de serviços devem transformar o mercado brasileiro de banda larga entre 2026 e 2027. Para especialistas, o desafio dos provedores deixa de ser apenas vender conectividade e passa a ser a ampliação de receitas e a ocupação de nichos ainda pouco explorados. ESPECIAL

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Capa: Vanessa Cristina

Guia de provedores de Internet

da Silva Foto: Shutterstock

Apesar do movimento de fusões e aquisições de empresas, o número de provedores de Internet continua elevado no Brasil. O levantamento traz informações atuais dessas empresas, como cobertura geográfica, número de assinantes, tecnologias de acesso e serviços de valor agregado oferecidos. SERVIÇO

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SOC e SIEM: visibilidade, correlação e resposta na rede do provedor A operação de um provedor de Internet depende de disponibilidade, desempenho, rastreabilidade e segurança. Em redes regionais, a infraestrutura é o próprio serviço entregue ao assinante. Incidentes cibernéticos podem impactar diretamente a experiência do cliente e a continuidade operacional. O artigo discute a aplicação de SOC e SIEM nesse contexto. SEGURANÇA

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NR-35 e o treinamento presencial: um novo desafio para os provedores A atualização da NR-35 marca um novo momento para a gestão da segurança em atividades realizadas em altura. Com a mudança, treinamentos previstos na norma deverão ser realizados exclusivamente na modalidade presencial, reforçando a necessidade de desenvolver competências práticas indispensáveis para trabalhadores expostos ao risco de queda. SEGURANÇA DO TRABALHO

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SEÇÕES Editorial

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Informações

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Segurança

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Interface

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Em Rede

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Produtos

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Publicações

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Índice de anunciantes

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ISP em Foco

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As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas por RTI, podendo mesmo ser contrárias a estas.


ESPECIAL 25 ANOS Institucional · Aniversário · 25 Anos Inforbarra

25 anos de Inforbarra: uma história que todo empresário de telecom também é capaz de contar

De uma carteira de 50 clientes em Barra do Choça (BA) a mais de 60 mil km de fibra óp ca em 22 estados — a trajetória de James Meyer e da empresa que recusou a dependência das grandes operadoras e virou parceira delas

Por José Amorim - Jornalista DRT/BA 2431 - joseamorim lho@gmail.com

Sete marcos, 25 anos: como uma revenda de informática em Barra do Choça se tornou um dos maiores backbones independentes do país.

H

á 25 anos, a Inforbarra não passava de uma pequena revenda de material de informática em Barra do Choça, no sudoeste da Bahia. A virada para provedor de internet via rádio, em 2005, começou no varejo, atendendo diretamente o consumidor nal com apenas 50 clientes. “A loso a da empresa sempre foi a mesma: levar conectividade onde não tem, ou melhorar onde existe precariedade”, resume James Meyer — o princípio que guiaria a transformação de um pequeno provedor baiano num dos maiores backbones independentes do país. A PORTA FECHADA DE UMA GANDE OPERADORA No início dos anos 2000, a única operadora que atendia a região era uma grande tele nacional — e ela enxergava a Inforbarra como concorrente, não como cliente. “Eu batia na porta da operadora e pedia um circuito. Eles só vendiam de 2 Megas, no máximo. Ficamos mais de um ano esperando”, relembra James. O crédito bancário também não ajudava: o mercado de provedores regionais ainda era desconhecido demais para os bancos. “Todos os provedores

tiveram que crescer com recurso próprio”, avalia o CEO. A saída foi sair do interior: construir enlaces de rádio digital de centenas de quilômetros até operadoras maiores — o embrião de um backbone que, anos depois, ganharia relevância em escala nacional.

A filosofia da empresa sempre foi a mesma: levar conec vidade onde não tem, ou melhorar onde existe precariedade. James Meyer COMERCIALIZAÇÃO DE LINK DEDICADO E A CHEGADA DA INFOVIA A virada de escala aconteceu quando a Inforbarra passou a fazer parcerias estratégicas com grandes operadoras nacionais, construindo trechos de rede em regiões de baixo interesse comercial delas em troca de capacidade de bra nas rotas de interesse da empresa. “Chegou um ponto em que o Nordeste estava mais conectado na bra do que o Sudeste”, resume James. Esse mesmo espírito de parceria deu origem à Infovia

Digital, projeto que nasceu da sociedade entre James Meyer e Luís Cláudio Pereira — à frente da Northwave — para expandir a atuação da Inforbarra rumo ao Norte do país. DO RÁDIO À FIBRA: OBSTÁCULOS QUE VIRARAM ENGENHARIA A transição da rede de rádio digital para a bra óptica trouxe desa os além de dinheiro. Fabricantes recusavam-se a vender bra para "um provedor", categoria que sequer constava em seus por tfólios — a solução foi ir pessoalmente a São Paulo negociar direto. Em campo, faltava solução pronta para a geogra a do interior — Caatinga, zonas orestais, áreas montanhosas: cabos sob encomenda, ferragens inexistentes no mercado e vãos de mais de 500 metros entre postes exigiram soluções de engenharia inéditas. "As operadoras diziam que não tinha como fazer essa rede. A gente foi atrás de resolver mesmo assim", resume James. TECNOLOGIA, LATÊNCIA E ATUALIZAÇÃO CONTÍNUA Parte do diferencial da Inforbarra está na tecnologia empregada: rotas em


Mapa de presença nacional: rede própria e parcerias estratégicas da Inforbarra em 22 estados brasileiros. infraestrutura OPGW — bra instalada em linhas de transmissão de energia — e equipamentos DWDM de última geração, garantindo rotas mais diretas e estáveis. A empresa também mantém conexões diretas (PNIs) com os maiores provedores de conteúdo do mundo, como Google, Amazon, Meta, ByteDance (dona do TikTok) e Globo — hoje, mais de 80% do tráfego de trânsito IP já chega por essas rotas diretas, sem intermediários. Com atualização tecnológica constante de roteadores e switches, a Inforbarra atinge as menores latências do mercado para os principais centros de conteúdo, como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. O LADO HUMANO DO BACKBONE A Inforbarra também mantém uma frente social pouco divulgada, com projetos educacionais em parceria com escolas públicas em diferentes cidades onde atua: a cada turma, seleciona os alunos que mais se destacam, oferece vivência prática nos

departamentos da empresa e, historicamente, contrata a maioria deles. “Eu queria mostrar para esses jovens que existe uma perspectiva futura”, conta James. A ação soma-se a doações de cestas básicas, roupas e apoio à construção de moradia para famílias em

Hoje a Inforbarra é, ao mesmo tempo, cliente, fornecedora e parceira das grandes teles. Danilo Alves vulnerabilidade — além de investimento em usinas solares para equilibrar consumo e geração própria. PARCERIAS, NÃO APEGO AO DINHEIRO Sobre o que explica o crescimento, James aponta dois princípios: parcerias e desapego ao capital parado. “Empresa que foca no dinheiro guardado não escala. A Inforbarra sempre focou no projeto — a lucratividade

veio como consequência”, a rma, citando parcerias com elétricas, operadoras, estados e outros provedores regionais — inclusive concorrentes que se tornaram aliados. UM BACKBONE NACIONAL COM RAIZ NO INTERIOR Hoje, a rede soma mais de 60 mil km de bra óptica e presença em 22 estados, cobrindo praticamente todo o Nordeste e a totalidade do Sudeste — um backbone de relevância nacional. A operação conta com um NOC (Centro de Operações de Rede) próprio, que atende com excelência clientes de grande porte dos setores público, nanceiro e energético. "Hoje a Inforbarra é, ao mesmo tempo, cliente, fornecedora e parceira das grandes teles", explica Danilo Alves, Diretor de Engenharia e Operações de Redes. Mais de 600 colaboradores diretos sustentam a operação, gerando emprego e renda, movimentando cadeias locais de prestadores de serviço e impulsionando a infraestrutura digital das regiões onde atua.

Em 25 anos, a Inforbarra deixou de ser uma revenda de informática numa cidade pouco conhecida no mapa para se tornar sinônimo de conectividade em boa parte do país — sem nunca deixar de ser, no fundo, a história de superação de quem começou de baixo. “O que me motiva é a satisfação de ver que aquilo que a gente planta, a gente colhe”, resume Meyer. É esse, talvez, o verdadeiro backbone da Inforbarra: não o de bra óptica, mas o de propósito.


EDITORIAL

ARANDA

EDITORA

TÉCNICA

CULTURAL

LTDA.

Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves, e José Rubens Alves de Souza (in memoriam) REDAÇÃO: Diretor Diretor: José Rubens Alves de Souza (in memoriam) Jornalista responsável: Sandra Mogami (MTB 21.780) Repórter: Fábio Laudonio (MTB 59.526)

urante muitos anos, o mercado brasileiro de banda larga fixa foi impulsionado pela rápida expansão das redes de fibra óptica e pela conquista de novos clientes. Esse movimento transformou os provedores regionais em protagonistas da conectividade nacional, ampliando a competição e levando Internet de qualidade a localidades antes pouco atendidas. Agora, o setor entra em uma nova etapa. Crescer continua sendo importante, mas já não basta ampliar a cobertura ou conquistar assinantes. O desafio passa a ser aumentar a rentabilidade, diversificar receitas e oferecer serviços capazes de gerar mais valor para clientes residenciais e corporativos. Soluções como computação em nuvem, redes gerenciadas, inteligência artificial e cibersegurança passam a integrar a estratégia de empresas que buscam se diferenciar em um ambiente cada vez mais competitivo. Nesta edição, a RTI dedica sua reportagem especial ao futuro dos provedores de Internet. A partir da análise de especialistas e da visão da Abrint - Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, mostramos como fatores como consolidação do mercado, convergência de tecnologias, novas exigências regulatórias e a busca por eficiência operacional estão redesenhando o setor. Também discutimos as oportunidades que surgem em segmentos como o mercado corporativo e os serviços digitais de maior valor agregado. Essa transformação também exige uma nova postura das empresas. O sucesso dos provedores nos próximos anos dependerá cada vez mais da capacidade de integrar novas tecnologias aos seus processos e ampliar o portfólio. A inteligência artificial, por exemplo, tende a ganhar espaço em atividades como atendimento ao cliente, gestão das redes, manutenção preditiva e automação operacional, enquanto a oferta de soluções voltadas ao mercado corporativo desponta como uma das principais frentes para elevar a competitividade e a fidelização. Complementando esse panorama, publicamos mais uma edição do tradicional Guia de provedores de Internet, que reúne informações atualizadas fornecidas pelas próprias empresas sobre cobertura geográfica, número de assinantes, tecnologias de acesso e serviços oferecidos. O levantamento traz uma visão abrangente da diversidade e da evolução do mercado brasileiro, servindo como uma importante ferramenta de consulta para integradores, fabricantes, operadores e usuários do setor.

SECRETÁRIAS DE REDAÇÃO E PESQUISAS: Milena Venceslau e Sabrina Emilly dos Anjos Costa PUBLICIDADE NACIONAL: comercial: Élcio S. Cavalcanti Gerente comercial Contatos: Rodrigo Lima (rodrigo.lima@arandaeditora.com.br) Fábio Oddone (fabio.oddone@arandaeditora.com.br) REPRESENTANTES: Paraná e Santa Catarina: Romildo Batista Cel.: (41) 99728-3060 – romildo@arandaeditora.com.br Rio de Janeiro e Interior de São Paulo: Guilherme Carvalho Tel. (11) 98149-8896 – guilherme.carvalho@arandaeditora.com.br Rio Grande do Sul: Maria José da Silva Tel.: (11) 2157-0291 – Cel.: (11) 98179-9661 – maria.jose@arandaeditora.com.br INTERNATIONAL ADVERTISING SALES REPRESENTATIVES China: Mr. Weng Jie – Zhejiang International Adv. Group – 2-601 Huandong Gongyu, Hangzhou Zhejiang 310004, China Tel.: +86 571 8515-0937 – jweng@foxmail.com Germany: IMP InterMediaPro e K. – Mr. Sven Anacker – Starenstrasse 94 46D – 42389 Wuppertal Tel.: +49 202 373294 11, sa@intermediapro.de Italy: QUAINI Pubblicità – Ms. Graziella Quaini Via Meloria 7 – 20148 Milan Tel: +39 2 39216180 – grquaini@tin.it Japan: Echo Japan Corporation – Mr. Ted Asoshina Grande Maison Room 303, 2-2, Kudan-kita 1-chome, Chiyoda-ku, Tokyo 102-0073, Japan Tel: +81-(0)3-3263-5065 – e-mail: aso@echo-japan.co.jp Korea: JES Media International – Mr. Young-Seoh Chinn 2nd Fl., ANA Building, 257-1 Myeongil-Dong, Gangdong-gu Seoul 134-070 Tel: +82 2 481-3411 – jesmedia@unitel.co.kr Spain: GENERAL DE EDICIONES – Mr. Eugenio A. Feijoo C/Juan de Olia, 11-13, 2a. Planta 28020 Madri Tel: +34 91 572-0750 – gee@gee.es Switzerland Switzerland: Mr. Rico Dormann, Media Consultant Marketing Moosstrasse 7, CH-8803 Rüschlikon Tel: + 41 1 720-8550 – beatrice.bernhard@rdormann.ch Taiwan: WORLDWIDE S Services Co. Ltd. – Mr. Robert Yu 11F-B, No 540, Sec. 1, Wen Hsin Road, Taichung Tel: +886 4 2325-1784 – global@acw.com.tw UK: Robert G Horsfield International Publishers – Mr. Edward J. Kania Daisy Bank, Chinley, Hig Peaks, Derbyshire SK23 6DA Tel.: (+44 1663) 750-242, Cel.: (+44 7974) 168188 – ekania@btinternet.com USA USA: Ms. Fabiana Rezak - 2911 Joyce Lane, Merryck, NY 11566 USA Tel.: +(1) 516 476-5568 – arandausa@optonline.net ADMINISTRAÇÃO: Diretor administrativo: Edgard Laureano da Cunha Jr. CIRCULAÇÃO: São Paulo: Clayton Santos Delfino - tel. (11) 3824-5300 e 3824-5250 ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Vanessa Cristina da Silva e Talita Silva PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Estúdio AP SERVIÇOS: Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A. Distribuição: ACF - Ribeiro de Lima

ISSN 1808-3544 RTI - Redes, Telecom e Instalações, revista brasileira de infraestrutura e tecnologias de comunicação, é uma publicação da Aranda Editora Técnica Cultural Ltda. Redação, Publicidade, Administração, Circulação e Correspondência: Alameda Olga, 315 - 01155-900 - São Paulo - SP - Brasil. Tel.: + 55 (11) 3824-5300 e 3824-5250 inforti@arandanet.com.br – www.arandanet.com.br A revista RTI - Redes, Telecom e Instalações é enviada a 12.000 profissionais das áreas de telecomunicações; redes locais, informática e comunicação de dados; instalações; TV por assinatura; áudio e vídeo; segurança (CFTV e alarmes); automação predial e residencial; e sistemas de energia, aterramento e proteção elétrica.


INFORMAÇÕES

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pós mais de uma década marcada pela expansão acelerada da fibra óptica, o mercado brasileiro de telecomunicações entra em uma nova fase. Se antes o desafio era construir redes e conquistar assinantes, agora a prioridade passou a ser rentabilizar a infraestrutura instalada. Esse movimento tem levado provedores de Internet a buscar novas fontes de receita, especialmente no segmento corporativo, e impulsionado a transformação de empresas tradicionalmente ligadas às telecomunicações em fornecedoras de soluções mais amplas de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A Connectoway tem acompanhado de perto essa tendência do mercado. Com 26 anos de existência, a empresa nasceu com forte presença no setor de telecomunicações, mas vem ampliando gradualmente sua atuação para áreas como infraestrutura crítica, data centers, energia, automação, segurança, conectividade corporativa e cidades inteligentes. Sediada em Recife, PE, a companhia mantém operação também em São Paulo e conta com centros de distribuição em Cabo de Santo Agostinho, PE, Cariacica, ES, e Itapoá, SC, que somam mais de 6 mil m² de área de armazenagem e permitem atendimento em todo o território nacional. Atualmente, a Connectoway atua por meio de quatro unidades de negócios — Telecom, Enterprise, Distribuição e Energia Solar — e trabalha com fabricantes globais como Huawei, Dahua e APC by Schneider Electric. A Huawei ocupa posição estratégica no portfólio da empresa, abrangendo soluções para redes ópticas, IP, Wi-Fi, LTE privado, data centers, edge data centers e sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). Já a Dahua fortalece a atuação em videomonitoramento inteligente, segurança eletrônica e aplicações de smart cities, enquanto a APC by Schneider Electric complementa a

oferta de infraestrutura crítica para ambientes de TI. Segundo William Taylor, sócio e head de Marketing da companhia, a evolução acompanhou a própria transformação do mercado, que vive hoje um terceiro ciclo. “O primeiro foi marcado pela construção das redes. O segundo pela expansão acelerada da base de assinantes. Agora entramos em um terceiro ciclo, focado na monetização da infraestrutura construída ao longo da última década”, afirma. Nesse contexto, ganha força o conceito de transição de Telco para TechCo. A ideia é que os provedores deixem de enxergar suas redes apenas como um meio de fornecer acesso à Internet e passem a utilizá-las como plataforma para entrega de serviços digitais de maior valor agregado. A Connectoway tem direcionado sua estratégia justamente para apoiar essa transformação. Além das tradicionais soluções de redes ópticas GPON, XGSPON, DWDM, IP, Wi-Fi, FWA e LTE, a empresa passou a atuar em projetos de infraestrutura crítica, conectividade corporativa, automação e transformação digital. Seu modelo de negócios combina distribuição de tecnologia, engenharia, capacitação, suporte técnico e desenvolvimento de mercado. O foco crescente no segmento Enterprise reflete a percepção de que as maiores oportunidades estão fora do mercado residencial. Entre os setores atendidos pela companhia estão energia elétrica, mineração, logística, agronegócio, indústria, portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Nessas áreas, ganham espaço tecnologias como LTE Privado, redes

ópticas industriais, backbone IP, FTTM - Fiber To The Machine, videomonitoramento com inteligência artificial, automação e conectividade para ambientes de missão crítica. Outra frente estratégica é o mercado de data centers. A companhia ampliou seu portfólio para incluir soluções de infraestrutura modular, edge data centers e plataformas voltadas à transformação digital. “Além dos grandes projetos hyperscale, enxergamos uma oportunidade muito relevante para edge e infraestruturas regionais”, afirma. A Connectoway também aposta no segmento de energia, especialmente em soluções de armazenamento por baterias (BESS – Battery Energy Storage System). Na avaliação da empresa, o avanço das fontes renováveis e a necessidade de maior estabilidade dos sistemas elétricos devem impulsionar a demanda por esse tipo de tecnologia tanto em ambientes corporativos quanto em infraestruturas críticas. Para atender a esse conjunto de oportunidades, a companhia reforçou sua estrutura de engenharia, pré e pósvenda, treinamentos e serviços especializados. Segundo o executivo, o diferencial está justamente em atuar além da simples distribuição de equipamentos. “Atuamos no desenho da solução, na capacitação do parceiro, no suporte técnico, na implantação e no desenvolvimento de novos mercados”, afirma. A expectativa da empresa é que os próximos anos sejam marcados pela convergência entre conectividade, energia, processamento de dados e inteligência artificial. Nesse cenário, a rentabilização das redes já construídas e a expansão para serviços corporativos deverão definir o ritmo de crescimento dos provedores e, ao mesmo tempo, abrir espaço para empresas capazes de integrar diferentes tecnologias em uma única proposta de valor. “É nessa convergência que estará o próximo ciclo de desenvolvimento do setor”, conclui William Taylor. Connectoway – Tel. (81) 99487-4998 Site: https://connectoway.com.br/


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transformação digital impulsionada pela IA - Inteligência Artificial abre espaço para uma nova etapa da infraestrutura de telecomunicações no Brasil. Um estudo encomendado pela Associação NEO aponta que, dos cerca de 100 mil pontos de presença (POPs) existentes nas redes de operadoras e provedores brasileiros, aproximadamente 4280 têm potencial para serem convertidos em edge data centers regionais, ampliando a capacidade nacional de processamento de dados e reduzindo a dependência de estruturas concentradas nos grandes centros urbanos.

Segundo o levantamento, a adaptação desses POPs demandaria investimentos da ordem de R$ 2,14 bilhões em Capex, incluindo infraestrutura, equipamentos e licenças. A proposta é criar uma camada distribuída de processamento capaz de complementar os grandes data centers hyperscale e atender às crescentes demandas de aplicações de IA, computação de borda e serviços de baixa latência. Para a Associação NEO, o Brasil reúne condições favoráveis para ocupar posição estratégica na economia digital. O país possui uma das maiores redes de fibra óptica do mundo, presença crescente de pontos de troca de tráfego (IX.br), 15 cabos submarinos em operação e uma matriz elétrica majoritariamente renovável. Além disso, a descentralização da conectividade promovida pelos provedores regionais criou uma infraestrutura distribuída que pode servir de base para a expansão dos data centers de borda.

“O Brasil tem todos os elementos para se transformar numa grande potência de dados”, afirma Rodrigo Schuch, presidente-executivo da Associação NEO. Segundo ele, os edge data centers não competem com os hyperscales, mas atuam de forma complementar, aproximando o processamento das aplicações dos usuários e contribuindo para reduzir latência e aumentar a resiliência da infraestrutura digital. O avanço da IA reforça a necessidade de descentralização do processamento. Estudos internacionais indicam que aplicações de inteligência artificial exigirão infraestrutura computacional posicionada a distâncias cada vez menores dos usuários finais, de no máximo 100 km. Nesse cenário, os POPs já existentes poderiam ser aproveitados por contarem com características básicas necessárias para operação de data centers, como conectividade, energia e sistemas de climatização. Para viabilizar a transformação dos POPs em edge data centers, a NEO defende uma política de Estado voltada ao setor, combinando incentivos tributários, ampliação do uso dos recursos do Fust - Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações e estímulos à contratação de infraestrutura nacional de processamento de dados. Além da agenda relacionada à infraestrutura digital, a associação vem ampliando sua atuação em temas regulatórios e de mercado. Um dos principais focos é o combate à informalidade e à atuação de provedores clandestinos e facções criminosas que operam ou controlam redes de telecomunicações em determinadas regiões do país. Nesse contexto, a NEO firmou recentemente um convênio de cooperação técnica com a Feninfra para apoiar o cumprimento das obrigações previstas na regulamentação da Anatel. Pelo acordo, a associação passará a auxiliar seus associados na coleta, armazenamento e análise preliminar de informações exigidas pelo órgão regulador, utilizando inclusive ferramentas de inteligência artificial. A iniciativa busca

fortalecer a conformidade regulatória e combater práticas consideradas de concorrência desleal. Outra frente prioritária é a questão do compartilhamento de postes. A entidade defende a adoção de um preço-teto nacional para ocupação da infraestrutura, estimado em R$ 5,44 por ponto de fixação, além de medidas para ampliar a capacidade de compartilhamento e acelerar a regularização das redes instaladas. Fundada em 1999 por operadores independentes e regionais, a Associação NEO reúne atualmente cerca de 150 empresas associadas, presentes em mais de 5 mil municípios brasileiros e responsáveis pela conexão de mais de 15 milhões de clientes. Associação NEO – Tel. (11) 2506-6599 Site: https://associacaoneo.com.br/

intensificação da fiscalização promovida pela Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações após a publicação do Plano de Combate à Concorrência Desleal no Mercado de Banda Larga Fixa, em 2025, alterou a rotina de milhares de provedores de Internet em todo o país. Hoje a conformidade regulatória envolve um conjunto permanente de obrigações administrativas, técnicas e cadastrais cujo descumprimento pode resultar em notificações, processos administrativos e outras penalidades. Nesse contexto, cresce a procura por empresas especializadas em assessoria regulatória, capazes de acompanhar as mudanças promovidas pela Anatel, orientar os provedores e garantir o cumprimento das exigências dentro dos prazos estabelecidos. Fundada em 2018, em Canoas, RS, a JFREIRE Engenharia e Assessoria atua justamente nesse segmento, oferecendo serviços voltados à regularização de provedores, além de projetos de engenharia para redes FTTH e compartilhamento de postes. A


INFORMAÇÕES empresa atende clientes em diversas regiões do país e afirma que o maior desafio atualmente é evitar que pequenos e médios provedores deixem de cumprir obrigações por desconhecimento ou falta de acompanhamento das mudanças regulatórias. “O nosso papel é ser os olhos do provedor nessa questão regulatória. Recebemos as notificações, avisamos o provedor, auxiliamos na regularização e acompanhamos todas as atualizações da Anatel”, afirma Jonatan Freire, engenheiro de Telecomunicações e fundador da empresa. Segundo ele, a atuação da Anatel tornou-se significativamente mais rigorosa após a implementação do Plano de Combate à Concorrência Desleal. A iniciativa marcou uma nova fase da fiscalização, voltada tanto ao combate de operadores clandestinos quanto ao acompanhamento do cumprimento das obrigações por empresas já autorizadas. “A Anatel começou a cobrar muito mais as irregularidades relacionadas à falta de envio da documentação exigida e ao descumprimento dos prazos. Muitos provedores sequer respondem às notificações da Agência”, observa. Um dos pontos destacados pela empresa é que possuir a autorização SCM não significa, por si só, que o provedor

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esteja plenamente regular perante a Agência. Além da outorga, os prestadores devem cumprir diversas obrigações periódicas, entre elas o envio de coletas de dados operacionais e econômico-financeiros, atualização cadastral, regularização de estações, atendimento às regras de compartilhamento de postes, acompanhamento de notificações e outras exigências previstas na regulamentação. Para Jonatan Freire, muitos provedores ainda acreditam que a obtenção da autorização encerra suas responsabilidades regulatórias. “A outorga SCM é apenas o

primeiro passo. Depois dela existe uma rotina permanente de obrigações que precisa ser acompanhada. Muitas empresas acabam deixando de cumprir alguma exigência simplesmente porque desconhecem as mudanças regulatórias ou não conseguem acompanhar todos os prazos”, explica. Como parte dessa estratégia, a empresa desenvolveu internamente o Regula+, plataforma destinada a facilitar o relacionamento entre os provedores e a assessoria regulatória. Segundo a JFREIRE, o sistema permite que os provedores exportem automaticamente informações de seus ERPs, que são consolidadas no formato exigido pela Anatel para posterior envio à agência. A plataforma também centraliza documentos, recibos de protocolos, notificações, histórico das obrigações cumpridas e demais registros relacionados à atuação regulatória. “O Regula+ foi desenvolvido para trazer transparência ao processo. O cliente consegue acompanhar tudo o que foi feito, visualizar protocolos, documentos enviados, notificações e defesas apresentadas. Toda a comunicação fica registrada”, afirma Freire. O sistema já é compatível com os principais ERPs utilizados pelos provedores brasileiros, reduzindo o trabalho manual necessário para preparação das informações regulatórias.


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Além da tecnologia, a empresa destaca que a assessoria regulatória depende de acompanhamento contínuo das mudanças promovidas pela Anatel e da comunicação permanente com os clientes. Segundo Freire, a atuação envolve desde o recebimento e análise de notificações até a orientação sobre novas obrigações, acompanhamento de prazos, envio de relatórios obrigatórios, recolhimento de contribuições setoriais e suporte durante eventuais processos administrativos. Na avaliação do executivo, manter a conformidade regulatória deixou de ser apenas uma obrigação legal para tornar-se um componente importante da gestão dos provedores. “Mais do que evitar penalidades, estar regular permite que a empresa concentre seus esforços no crescimento do negócio, sabendo que sua relação com a Anatel está sendo acompanhada continuamente”, conclui. JFREIRE – Tel. (51) 98957-7191 Site: https://www.jfreireengenharia.com.br/

nspirada no conceito dos super apps asiáticos, consolidado por plataformas como o WeChat, da China, a brasileira Stations Cloud desenvolveu uma solução white label voltada inicialmente aos provedores de Internet. A proposta é reunir em um único aplicativo serviços relacionados à conectividade, atendimento, consumo e benefícios, permitindo que os provedores ampliem o relacionamento com seus assinantes e criem novas oportunidades de receita. Fundada em 2023, em Belo Horizonte, MG, a empresa passou o primeiro ano dedicada exclusivamente ao desenvolvimento da plataforma. Segundo o fundador e CEO da

Stations Cloud, Gitano Gama, a estratégia nasceu da percepção de que os usuários preferem concentrar suas atividades digitais em poucas aplicações e resolver todos os problemas em uma única ferramenta. Atualmente, a empresa atende mais de 300 provedores de Internet, que continuam sendo sua principal vertical de crescimento. Ao mesmo tempo, a participação de outros segmentos, como seguradoras, saúde, recursos humanos e clubes esportivos, vem aumentando. De acordo com a companhia, a Stations dobrou de tamanho em 2025 e registrou novo crescimento de aproximadamente 100% no primeiro semestre deste ano. O aplicativo reúne funcionalidades tradicionalmente dispersas em diferentes plataformas. Além do acesso a faturas, notificações, upgrade de planos e suporte ao assinante, o SuperApp


INFORMAÇÕES incorpora SVAs - Serviços de Valor Agregado e outros módulos que podem ser utilizados sem a necessidade de instalar novos aplicativos. “O assinante deixa de ser visto apenas como um cliente de Internet e passa a ser tratado como um consumidor, que pode acessar tudo aquilo a que tem direito dentro de um único ambiente”, explica Gama. A plataforma já possui integração com mais de dez ERPs do mercado, incluindo os principais utilizados pelo setor. Segundo a empresa, qualquer alteração realizada no ERP é refletida automaticamente no aplicativo do assinante. A solução também suporta recursos de TR-069, permitindo ao usuário executar funções como alterar senha do Wi-Fi, reiniciar o modem, visualizar dispositivos conectados e bloquear equipamentos, reduzindo chamadas ao suporte técnico. “Quando o usuário consegue resolver esses problemas sozinho, o provedor reduz custos operacionais e melhora a experiência do cliente”, afirma o executivo. O modelo de negócio inclui um valor de setup fixo e mensalidades baseadas no número de usuários ativos, com custos adicionais para módulos específicos. Hoje o SuperApp conta com 27 módulos, entre eles telemedicina, cashback, vale-presente, cinema, abastecimento de combustíveis, compra de botijão de gás, telefonia móvel (MVNO) e marketplace. Os módulos podem ser habilitados conforme a estratégia comercial de cada provedor e também integrar parceiros já utilizados pela empresa, desde que haja compatibilidade por API. Com equipe própria de desenvolvimento, a Stations lança novos módulos, em média, a cada 45 dias. Entre os próximos lançamentos estão uma banca digital de revistas e um shopping virtual com cerca de 120 mil produtos. A plataforma também incorpora recursos baseados em inteligência artificial para previsão de churn, segmentação de clientes, recomendações personalizadas e automação de campanhas. Segundo a empresa, os modelos analisam o comportamento dos usuários para identificar oportunidades de retenção e ofertas mais aderentes ao perfil de cada assinante. A solução inclui ainda dashboards em tempo real, campanhas automatizadas e integração com notificações push e WhatsApp.

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Recentemente, a Stations Cloud foi selecionada para integrar o programa NVIDIA Inception, iniciativa global de apoio a startups que desenvolvem soluções baseadas em inteligência artificial, machine learning e computação acelerada. Segundo Gama, a participação permitirá acesso a recursos técnicos, treinamentos especializados e conexões com parceiros do ecossistema da fabricante. Stations – Tel. (31) 99511-1375 n Site: https://stations.cloud/

ColmeIA, especializada em automação de atendimento digital baseada em inteligência artificial, está ampliando sua estratégia de crescimento para o mercado de provedores de Internet. Após consolidar presença em instituições financeiras e outros segmentos, a empresa pretende expandir sua atuação entre operadoras de telecomunicações, tendo a V.tal entre os clientes já atendidos. Fundada em 2019, a companhia desenvolveu uma plataforma própria de IA conversacional com arquitetura modular e tecnologia de linguagem natural proprietária. Segundo Rafael Mazzoli, gerente da ColmeIA, a proposta é reduzir significativamente o tempo de implantação dos projetos. “O tempo médio de implementação é de apenas três dias, enquanto outras soluções muitas vezes levam meses”, afirma. Hoje, o principal mercado da startup é o financeiro, com clientes como Bradesco, Digio e Mercantil. A empresa também atua nos setores de educação, saúde, varejo, ecommerce e clubes de assinatura. No segmento de telecomunicações, a participação no evento da Abrint em maio marcou o início de um movimento para fortalecer sua presença junto aos provedores. Segundo Mazzoli, a estratégia da empresa diferencia-se por priorizar a geração de receita por meio dos canais digitais. “Hoje nosso foco é aproximadamente 70% em vendas e 30% em serviços. Queremos transformar o WhatsApp em uma máquina de vendas para as empresas.”

Para os provedores, a plataforma permite automatizar desde comunicações operacionais até ações comerciais. Entre as aplicações estão notificações de indisponibilidade da rede, confirmação e reagendamento de visitas técnicas, avisos de chegada do técnico, nutrição de leads captados em canais digitais e campanhas de upsell para clientes da base. “Se o provedor identifica uma instabilidade em determinada região, a plataforma pode comunicar automaticamente todos os clientes afetados. Também automatizamos toda a jornada de instalação e o relacionamento comercial, desde a captação do lead até ofertas de novos planos”, explica o executivo. A solução também pode ser integrada aos sistemas utilizados pelas operadoras por meio de APIs. “Se o ERP disponibilizar APIs, não é nenhum desafio. Hoje os bancos já possuem mais de 180 APIs integradas conosco”, afirma Mazzoli. Segundo a empresa, o índice de resolutividade é próximo de 93%, percentual significativamente superior ao observado em soluções tradicionais de mercado. Um dos casos citados é o do banco Mercantil, que realiza vendas por WhatsApp e utiliza a IA para automatizar o atendimento aos clientes. Atualmente na versão 5.0, a plataforma reúne módulos para criação de fluxos conversacionais, atendimento omnichannel, campanhas de marketing, CRM, agentes inteligentes, atendimento por voz e pagamentos digitais. A empresa informa possuir mais de 110 clientes corporativos e PMEs e ter processado mais de 10 milhões de atendimentos apenas no primeiro semestre de 2025. ColmeIA – Site: https://colmeia.cx/


INFORMAÇÕES

expansão dos data centers voltados à IA - Inteligência Artificial está elevando a densidade de potência dos racks e exigindo projetos de climatização capazes de dissipar cargas térmicas muito superiores às das gerações anteriores de

instalações. Nesse cenário, a qualidade do projeto de refrigeração torna-se um fator decisivo para garantir a eficiência energética, a disponibilidade dos sistemas e a confiabilidade das operações. A ERGO Engenharia, com sede em São Paulo, desenvolve projetos de sistemas de climatização e retrofit. Com 40 anos de mercado, a empresa foi criada com o objetivo de suprir uma lacuna existente no mercado de ar-condicionado. “Na época, predominavam companhias focadas em instalação, e não em engenharia propriamente dita”, lembra Riccardo Diomelli, presidente da ERGO Engenharia. O foco foi então direcionado para setores nos quais a climatização é crítica para a continuidade das operações, como as indústrias farmacêutica, aeroportos e de telecomunicações, com destaque para os data centers. “São aplicações que demandam controle rigoroso de temperatura, umidade, pressão e qualidade do ar”, afirma Diomelli. O portfólio da ERGO Engenharia inclui serviços de concepção de projetos, dimensionamento de sistemas, seleção de equipamentos, gerenciamento de obras, instalação e comissionamento. Para data centers, são desenvolvidas soluções que asseguram a estabilidade térmica dos equipamentos, o controle do fluxo de ar, a eficiência energética e a segurança operacional, reduzindo os riscos de paradas.

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A escolha de chillers e demais equipamentos de climatização é feita conforme os requisitos técnicos de cada projeto, sem vínculo com fabricantes específicos. A premissa também se aplica aos trabalhos de retrofit, nos quais a ERGO Engenharia realiza um diagnóstico da instalação, avaliando equipamentos, desempenho, consumo de energia e condições de operação. Esse levantamento auxilia no desenvolvimento de um plano técnico que pode envolver desde a substituição de equipamentos obsoletos até a otimização integral do sistema, incluindo automação, controles e ajustes operacionais. Segundo Diomelli, os principais segmentos que demandam projetos de retrofit no Brasil são indústrias, edifícios comerciais e hotéis cujos sistemas já ultrapassaram sua vida útil, geralmente acima de 20 anos, e operam com baixa eficiência ou alto custo de manutenção. O executivo ressalta que a procura por retrofit em data centers ainda é pouco comum, uma vez que a maioria das instalações no país são relativamente recentes. ERGO Engenharia - Tel. (11) 2363-5800 Site: https://ergoengenharia.com.br/

O melhor do Bits Investimento - O BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 10,18 milhões para a ALGcompany desenvolver e viabilizar a produção, em escala industrial, de uma nova geração de data centers modulares nacionais em Caxias do Sul, RS. Segundo o banco, a proposta mira infraestrutura de alto desempenho, eficiência energética e integração digital. A arquitetura modular, afirma o banco, pode reduzir em até 50% o tempo de implantação de data centers de diferentes portes, além de diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros e facilitar a instalação em várias regiões do país, inclusive em áreas remotas ou de difícil acesso. Site: https:/ /abrir.link/TfDdd.


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Data centers - A rápida expansão dos data centers impulsionados por IA - Inteligência Artificial nas Américas poderá esbarrar em limitações da infraestrutura elétrica nos próximos anos, alerta a Wärtsilä, fabricante finlandesa de soluções para geração de energia. Segundo a empresa, o ritmo de construção dessas instalações está superando a capacidade de expansão dos sistemas de transmissão e geração, criando um cenário classificado como “speed to powerless”. A avaliação faz parte do estudo Beyond the Grid: Building the Power System for AI in the Americas, que analisa a situação dos Estados Unidos, Brasil, México, Chile e Argentina com base em dados de instituições como o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, a IEA - Agência Internacional de Energia e órgãos nacionais de planejamento energético. Entre os fatores apontados como gargalos estão longas filas para conexão à rede elétrica, restrições de transmissão, atrasos na entrega de equipamentos e processos de licenciamento. Site: https://abrir.link/uNPgb. 5G - Criado para impulsionar uma nova geração de redes móveis abertas e desagregadas no país, o Programa OpenRAN@Brasil concluiu sua segunda fase com a entrega do protótipo funcional da Unidade de Rádio Aberta (O-RU). Considerada um dos componentes centrais do modelo Open RAN e responsável pela transmissão e processamento de sinais em redes móveis abertas, a O-RU alcançou desempenho superior ao esperado, com taxas de transmissão acima de 1,5 Gbit/s. O programa do MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é coordenado pela RNP - Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e executado em parceria com o CPQD - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, o Instituto Eldorado e o Inatel - Instituto Nacional de Telecomunicações. Site: https://abrir.link/ltWgf. Infraestrutura - A conectividade no Brasil avançou em 2025. É o que revela a Análise dos Resultados do IBC - Índice Brasileiro de Conectividade, publicada pela Anatel. O estudo mostra que a média nacional do indicador passou de 52,4 para 55,3 pontos, um crescimento de 2,9 pontos em relação ao ano anterior. Além disso, 82,8% dos municípios brasileiros registraram evolução nos níveis de conectividade. Entre os componentes da análise do IBC, o principal destaque foi a expansão da cobertura móvel. Mais de 92% dos municípios apresentaram melhora nesse indicador, demonstrando que a ampliação da disponibilidade dos serviços continua avançando em praticamente todo o território nacional. O estudo completo pode ser acessado no site: https://abrir.link/Ntbsg. O melhor do Bits traz um resumo das principais notícias sobre o mercado publicadas no RTI in Bits, boletim semanal enviado por e-mail para os leitores de RTI . Mais notícias podem ser encontradas no site: https:// www.arandanet.com.br/revista/rti/noticias.


REDES SEM FIO

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Como a IA está transformando as redes Wi-Fi Luiz Puppin, Head de Treinamentos da Made4IT

Q A evolução das redes Wi-Fi deixou de depender apenas do aumento da velocidade de transmissão. Com ambientes cada vez mais dinâmicos e um número crescente de dispositivos conectados, a IA Inteligência Artificial passou a desempenhar papel central na otimização das redes sem fio, tornando a conexão mais estável, eficiente e adaptada às necessidades dos usuários.

uem trabalha com redes Wi-Fi provavelmente já viveu esta situação. Uma empresa inaugura um novo escritório, realiza um bom projeto de cobertura, instala os pontos de acesso, faz toda a configuração e entrega uma rede funcionando perfeitamente. Algumas semanas depois começam as reclamações. Em determinados horários a conexão fica lenta, as videoconferências passam a apresentar instabilidade e alguns usuários reclamam que a rede “cai” quando caminham pelo escritório. Na maioria das vezes, ao contrário do que possa parecer, o problema não está na configuração da rede, e sim no ambiente. Os pontos de acesso continuam instalados exatamente nos mesmos lugares, os canais de frequência não mudaram e a potência de transmissão continua igual. O que mudou foi o que está ao redor deles. Novos colaboradores chegaram, dezenas de dispositivos IoT – Internet das Coisas passaram a fazer parte da rede, salas foram reorganizadas e aplicações baseadas em IA - Inteligência Artificial começaram a consumir muito mais largura de banda do que alguns meses antes. Um dos principais desafios das redes Wi-Fi está na natureza

dinâmica do ambiente de propagação. Ao contrário de uma rede cabeada, em que o meio físico permanece praticamente estável, o ambiente de uma rede sem fio sofre alterações contínuas. Pessoas circulam, portas são abertas e fechadas, móveis são reposicionados, equipamentos são ligados ou desligados e centenas de dispositivos entram e saem da rede ao longo do dia. Cada uma dessas mudanças modifica as condições de propagação do sinal e a ocupação do espectro de radiofrequência, influenciando diretamente o desempenho da comunicação. Historicamente, os administradores de rede precisavam ajustar manualmente parâmetros como canais, potência de transmissão e políticas de roaming. Com a evolução das redes WiFi, esses ajustes passaram a ser executados por mecanismos automáticos de otimização, reduzindo a necessidade de intervenção humana. No entanto, esses mecanismos eram predominantemente reativos: respondiam às alterações do ambiente à medida que elas ocorriam, sem capacidade de correlacionar suas causas ou antecipar mudanças nas condições da rede. É aqui que a IA começa a transformar as redes Wi-Fi.


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Quando a automação já não é suficiente Durante muitos anos, a administração de redes Wi-Fi foi fortemente baseada em intervenções manuais. Diante de relatos de lentidão, instabilidade ou degradação do desempenho, era necessário recorrer a ferramentas de análise para verificar a ocupação dos canais, medir a intensidade dos sinais e ajustar manualmente parâmetros de um ou mais pontos de acesso. Em redes de grande porte, esse processo podia consumir horas ou até dias, especialmente quando as alterações exigiam sucessivas medições e reconfigurações até a obtenção do resultado esperado. Com o crescimento das redes sem fio, esse modelo rapidamente passou a apresentar limitações. Em ambientes com centenas de pontos de acesso distribuídos por múltiplos edifícios, alterações na infraestrutura física, na densidade de usuários ou na quantidade de dispositivos conectados podem exigir a revisão do planejamento de radiofrequência. Em redes dessa dimensão, a realização desses ajustes de forma manual deixa de ser uma alternativa operacionalmente viável. Como resposta ao aumento da complexidade das redes Wi-Fi, os fabricantes passaram a incorporar mecanismos de automação para otimização contínua dos recursos de radiofrequência. Entre esses mecanismos, o RRM - Radio Resource Management passou a desempenhar papel central ao realizar, de forma automática, funções como seleção dinâmica de canais menos congestionados, controle de potência de transmissão dos pontos de acesso e mitigação de interferências entre células adjacentes. Na prática, a automação funcionava como o piloto automático de um carro. Ela executava as tarefas corretamente, mas não compreendia o contexto das decisões. Havia, porém, uma limitação importante: o piloto automático não entendia o motivo das mudanças. Apenas seguia regras previamente estabelecidas.

Se um canal apresentasse muita interferência, a regra determinava a troca para outro. Se um ponto de acesso estivesse sobrecarregado, parte dos clientes era direcionada para outro equipamento próximo. Se dois pontos de acesso transmitissem com potência excessiva, ambos reduziam automaticamente o valor para diminuir a interferência. Esses mecanismos continuam amplamente utilizados nas redes Wi-Fi atuais e desempenham papel importante

expressiva, aplicações com requisitos bastante distintos passaram a compartilhar a mesma infraestrutura e o comportamento dos usuários tornou-se significativamente mais dinâmico. Uma videoconferência em alta definição, por exemplo, impõe requisitos diferentes daqueles de um sensor IoT que transmite apenas alguns bytes por minuto, embora ambos compartilhem a mesma infraestrutura sem fio. Foi então que surgiu uma pergunta inevitável: em vez de apenas reagir aos problemas, seria possível fazer a própria rede aprender com aquilo que acontece todos os dias? Essa mudança de perspectiva marcou o início de uma nova geração de redes WiFi. A automação continuou existindo, mas passou a ser alimentada por modelos capazes de analisar milhões de informações coletadas pelos pontos de acesso, identificar padrões de comportamento e tomar decisões cada vez mais próximas daquelas que um engenheiro experiente tomaria ao analisar a rede. É essa diferença que separa uma rede automatizada de uma rede apoiada por IA.

Como a IA aprende com a rede

Fig. 1 – Como a IA aprende com a rede

na otimização operacional. Entretanto, sua principal limitação é o caráter reativo. O sistema identifica uma determinada condição e executa uma ação previamente definida, com base em regras de operação estabelecidas. Trata-se de uma lógica baseada em eventos e em políticas predefinidas, sem capacidade de inferir tendências ou antecipar alterações nas condições da rede. Durante muitos anos, essa abordagem atendeu satisfatoriamente às necessidades das redes Wi-Fi. Entretanto, a evolução dessas infraestruturas trouxe novos desafios. O número de dispositivos conectados aumentou de forma

Depois de compreender a diferença entre automação e IA, surge uma pergunta: de onde vem toda essa inteligência? A resposta é simples. Antes de tomar qualquer decisão, a rede precisa conhecer o ambiente onde está operando. Imagine um médico tentando fazer um diagnóstico sem conversar com o paciente, sem medir a pressão arterial, sem solicitar exames e sem conhecer seu histórico clínico. As chances de acertar seriam muito pequenas. Com uma rede Wi-Fi acontece exatamente a mesma coisa. Nenhum algoritmo consegue tomar boas decisões sem informações suficientes sobre o que está acontecendo. É por esse motivo que os pontos de acesso modernos deixaram de ser apenas equipamentos responsáveis por transmitir e receber sinais de rádio. E


REDES SEM FIO passaram a funcionar também como sensores distribuídos pela rede, coletando continuamente milhares de informações sobre o ambiente (figura 1). Essas informações recebem o nome de telemetria. Enquanto as ferramentas tradicionais consultavam periodicamente os equipamentos para verificar alguns indicadores, a telemetria permite que os próprios dispositivos enviem informações continuamente para a plataforma de gerenciamento. Em vez de identificar um problema minutos após sua ocorrência, a rede acompanha seu comportamento praticamente em tempo real. Os pontos de acesso conseguem identificar quantos dispositivos estão conectados, quais aplicações consomem mais recursos, quanto tempo cada estação permanece associada, quantas retransmissões ocorrem, o nível de interferência em cada canal, a ocupação do tempo de rádio, dificuldades de roaming e até equipamentos que costumam gerar problemas de compatibilidade. Agora imagine isso multiplicado por centenas de pontos de acesso espalhados por um campus universitário, um aeroporto ou um shopping center. Em poucos minutos, a plataforma recebe milhões de amostras descrevendo como aquela rede está se comportando. Nenhum administrador conseguiria analisar esse volume de informações manualmente, e é nesse ponto que entra a IA. Existe uma diferença importante entre coletar dados e compreender o que eles significam. Um ponto de acesso pode informar que existem 50 dispositivos conectados, que a utilização do canal chegou a 80% ou que ocorreram centenas de retransmissões na última hora. Isoladamente, esses números dizem muito pouco. A IA surge para correlacionar essas informações, identificar relações e transformá-las em conhecimento útil para a tomada de decisão. Em vez de analisar um único indicador, ela correlaciona milhares de eventos distintos. Um aumento na utilização de um canal pode estar relacionado ao início de uma reunião híbrida. Um crescimento na taxa de

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retransmissões pode indicar uma nova fonte de interferência. Um número elevado de mudanças de pontos de acesso pode revelar uma configuração inadequada de roaming ou até mesmo uma alteração na circulação das pessoas. Nenhuma dessas conclusões nasce de uma única medição, mas da combinação de diversos indicadores coletados ao longo do tempo. Esse talvez seja o maior diferencial em relação às soluções tradicionais de gerenciamento. Antes, a rede respondia a um evento específico. Agora consegue reconhecer padrões de comportamento. Na prática, isso significa que dois problemas aparentemente iguais podem receber tratamentos completamente

Fig. 2 – Diferenças entre as redes tradicional e com IA

diferentes. Uma queda no desempenho pode ser consequência do excesso de usuários, da interferência de uma rede vizinha, de um ponto de acesso sobrecarregado, da utilização de padrões legados por um cliente ou, simplesmente, de uma mudança no perfil de utilização daquele ambiente. Embora o sintoma seja o mesmo, as causas podem ser completamente diferentes. É exatamente essa capacidade de correlacionar informações que permite à IA tomar decisões muito mais próximas daquelas que um engenheiro experiente tomaria ao analisar a rede.

Onde a IA atua nas redes Wi-Fi Depois de entender como a IA aprende com a rede, fica mais fácil compreender onde ela faz diferença. Ao contrário do que muitos imaginam, ela não está concentrada em uma única funcionalidade ou equipamento. Na prática, participa de dezenas de pequenas decisões tomadas continuamente e que, em conjunto, determinam a qualidade da experiência do usuário. Muitas dessas decisões passariam despercebidas se precisassem ser tomadas manualmente. Outras exigiriam horas de análise por um administrador experiente. A IA consegue executá-las em poucos segundos, repetindo o processo conforme o ambiente muda. Imagine um edifício comercial onde centenas de empresas compartilham o mesmo espaço. Ao longo do dia, novos roteadores são ligados, equipamentos são desligados, salas passam a receber reuniões e diferentes aplicações começam a disputar o mesmo espectro de rádio. Um canal livre às oito horas da manhã pode estar congestionado apenas uma hora depois. Os mecanismos tradicionais já alteravam automaticamente os canais quando identificavam interferências. A diferença é que a IA avalia um conjunto muito maior de informações antes de tomar uma decisão. Em vez de analisar apenas a ocupação do canal, considera o histórico do ambiente, a quantidade de clientes conectados, o perfil das aplicações e até o impacto da mudança nas estações já associadas. Outro exemplo é o balanceamento de clientes entre pontos de acesso. Quem trabalha com redes Wi-Fi sabe que nem sempre um dispositivo se conecta ao ponto de acesso que oferece a melhor experiência. Muitas vezes, ele permanece associado ao primeiro equipamento encontrado, mesmo quando existe outro próximo com sinal semelhante e carga significativamente menor. Essa situação é comum em auditórios, aeroportos, centros de convenções e ambientes corporativos. Basta que


REDES SEM FIO muitas pessoas entrem por uma mesma porta para que dezenas de dispositivos escolham exatamente o mesmo ponto de acesso, enquanto outros permanecem praticamente ociosos. Em vez de simplesmente aceitar essa distribuição, as plataformas atuais identificam esse desequilíbrio e orientam parte dos dispositivos a migrarem para outros pontos de acesso. O resultado é uma utilização mais uniforme da infraestrutura, reduzindo congestionamentos sem que o usuário perceba qualquer ajuste. A IA também vem sendo aplicada para melhorar um dos momentos mais delicados de qualquer rede sem fio: o roaming. Em um hospital, por exemplo, um profissional pode caminhar por diversos corredores com um tablet conectado a uma aplicação crítica. Durante o deslocamento, o equipamento precisa trocar diversas vezes de pontos de acesso sem interromper a comunicação. Se a troca ocorre cedo demais, o dispositivo abandona um sinal que ainda era adequado. Caso demore muito, a conexão pode sofrer perda de desempenho ou até interrupções momentâneas. Com base no comportamento observado em milhares de transições anteriores, a IA identifica padrões que ajudam a otimizar esses momentos, reduzindo falhas de roaming e tornando a mobilidade praticamente imperceptível para o usuário. Outro campo onde essa tecnologia vem ganhando espaço é a identificação automática de problemas. Tradicionalmente, quando um usuário reclamava de lentidão, iniciava-se uma longa investigação. Era preciso verificar potência de sinal, utilização dos canais, retransmissões, consumo de banda, autenticação, DHCP, DNS e diversos outros parâmetros até encontrar a origem do problema. Hoje, muitas plataformas correlacionam automaticamente esses indicadores e sugerem a causa mais provável da falha. Em vez de apenas informar que existe um problema, apresentam hipóteses consistentes sobre sua origem, reduzindo o tempo necessário para diagnóstico. Talvez o aspecto mais interessante seja que nenhuma dessas decisões depende de um único parâmetro. A IA correlaciona milhares

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de informações coletadas continuamente pelos pontos de acesso. É essa capacidade de encontrar relações entre eventos aparentemente independentes que permite à rede tomar decisões cada vez mais precisas. Em nenhum dos exemplos apresentados a IA substitui o administrador da rede. Ela continua dependendo de um bom projeto, de equipamentos corretamente instalados e de políticas bem definidas. O que muda é a velocidade com que interpreta o ambiente e responde às mudanças do cotidiano. É justamente essa capacidade de adaptação contínua que aproxima as redes Wi-Fi do conceito de redes autônomas, capazes de aprender com sua própria operação e ajustar seu comportamento com pouca ou nenhuma intervenção humana.

A IA não faz milagres Depois de conhecer todas essas aplicações, é fácil concluir que a IA resolverá qualquer problema em uma rede Wi-Fi. Mas essa conclusão estaria errada. A IA consegue analisar uma quantidade muito grande de informações e tomar decisões muito mais rapidamente do que uma pessoa. Entretanto, continua dependendo da qualidade dos dados que recebe e das condições da infraestrutura em que está instalada. Um exemplo é o GPS, um equipamento capaz de calcular a melhor rota, desviar de congestionamentos e estimar o horário de chegada. Mas, se o mapa estiver desatualizado ou a posição do veículo estiver incorreta, o resultado também será ruim. Com as redes Wi-Fi acontece exatamente a mesma coisa. Se os pontos de acesso estiverem mal posicionados, não houver cobertura suficiente ou existir excesso de interferência, a IA não conseguirá compensar essas limitações. Ela pode reduzir seus impactos, mas não eliminar problemas causados por um projeto inadequado. O mesmo vale para a coleta de informações. Quanto maior a qualidade da telemetria disponível, melhores serão as decisões tomadas pela plataforma. Uma rede que monitora apenas a intensidade do

sinal possui uma visão limitada do ambiente. Já uma plataforma que acompanha utilização do canal, retransmissões, roaming, latência, consumo das aplicações e histórico de comportamento consegue compreender muito melhor o que está acontecendo. Outro ponto importante é que a IA aprende observando padrões. Isso significa que ela precisa de tempo para conhecer o comportamento da rede. Por isso, muitas soluções atuais conseguem prever problemas antes mesmo de alguém abrir um chamado. Se um ponto de acesso apresenta aumento gradual no número de retransmissões, crescimento na utilização do canal ou falhas frequentes na associação de clientes, esses sinais podem indicar uma degradação em andamento. Em vez de apenas informar que a rede está lenta, a plataforma alerta que determinado equipamento ou área apresenta um comportamento diferente do habitual e merece atenção. Mesmo assim, a decisão final ainda é do administrador da rede. A IA auxilia o profissional, reduz o tempo gasto com tarefas repetitivas e acelera o diagnóstico de problemas. O conhecimento técnico, porém, continua indispensável para interpretar situações mais complexas, definir políticas de operação e decidir quando uma intervenção física, como a instalação de novos pontos de acesso ou se a realização de um novo levantamento do local é realmente necessária (figura 2). Talvez essa seja a melhor forma de enxergar a IA nas redes Wi-Fi. Ela não substitui a experiência do engenheiro ou do administrador de redes, e sim atua como um assistente que acompanha continuamente a rede, identifica padrões que passariam despercebidos e apresenta recomendações com base nos dados coletados.

Conclusão Por muito tempo, a evolução das redes Wi-Fi foi avaliada quase que exclusivamente pelo aumento da velocidade. Cada nova geração era


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apresentada com taxas de transmissão mais elevadas, canais mais largos e modulações mais eficientes. Esses avanços foram importantes, mas deixaram de ser o único fator determinante para a qualidade de uma rede sem fio. Hoje, o verdadeiro desafio não está apenas em transmitir mais dados, mas em administrar um ambiente cada vez mais complexo. A quantidade de dispositivos conectados cresce continuamente, aplicações com requisitos distintos compartilham o mesmo espectro e as condições de rádio mudam a todo instante. Nesse contexto, simplesmente aumentar a largura de banda já não é suficiente para resolver todos os problemas. É nesse cenário que a IA começa a assumir um papel de destaque. Em vez de depender exclusivamente da experiência do administrador para

identificar problemas e realizar ajustes, a própria rede passa a coletar informações, reconhecer padrões de funcionamento e adaptar seu comportamento às mudanças do ambiente. Isso não significa que as redes Wi-Fi passaram a operar sozinhas, nem que o conhecimento técnico deixou de ser necessário. Quanto mais inteligentes se tornam as ferramentas de gerenciamento, maior é a necessidade de profissionais capazes de interpretar suas recomendações, validar suas decisões e planejar arquiteturas cada vez mais eficientes. Talvez a maior mudança não esteja nos pontos de acesso, mas na forma como passamos a enxergar as redes sem fio. Elas deixam de ser uma infraestrutura passiva, responsável apenas pelo transporte de pacotes, e passam a atuar como plataformas capazes de monitorar continuamente o ambiente, aprender com sua própria operação e auxiliar na tomada de decisões.

Nos próximos anos, provavelmente deixaremos de avaliar uma rede Wi-Fi apenas por sua velocidade ou cobertura. Passaremos a considerar também sua capacidade de compreender o ambiente, antecipar problemas e adaptar seu funcionamento automaticamente. Talvez essa seja a maior transformação das redes sem fio desde o surgimento do próprio Wi-Fi. Esse movimento ainda está no início. Tecnologias como Wi-Fi Sensing, gêmeos digitais, redes autônomas e os recursos previstos para as próximas gerações do padrão IEEE mostram que o futuro do Wi-Fi será definido menos pela velocidade de transmissão e mais pela capacidade de compreender o ambiente em que está inserido. Se no passado o foco era a velocidade da rede, o futuro talvez priorize o quanto ela é capaz de aprender.


ESPECIAL

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Convergência e consolidação redesenham o mercado de provedores Sandra Mogami, da Redação da RTI

D Pressão competitiva, novos compradores, reforma tributária e convergência de serviços devem transformar o mercado brasileiro de banda larga entre 2026 e 2027. Para especialistas, o desafio dos provedores deixa de ser apenas vender conectividade e passa a ser a ampliação de receitas e a ocupação de nichos ainda pouco explorados.

epois de uma década marcada pela expansão acelerada da fibra óptica, o mercado brasileiro de banda larga entra em uma nova fase. Se até poucos anos atrás o desafio dos provedores regionais era conquistar território, agora a prioridade passa a ser preservar margens, ampliar a rentabilidade e encontrar diferenciais em um ambiente de competição cada vez mais intensa. José Felipe Ruppenthal, da Telco Na avaliação de José Felipe Advisors: é preciso identificar Ruppenthal, CEO da Telco Advisors, demandas negligenciadas pelo a tendência dominante para 2026 e mercado 2027 será a consolidação do setor, que deu origem à Nio, ilustram uma impulsionada tanto pelos tradicionais mudança estrutural no setor, enquanto grupos quanto pelas grandes Vivo, Claro e outros grupos continuam operadoras nacionais, que passaram prospectando a atuar de forma provedores médios mais agressiva na para reforçar suas aquisição de posições. provedores regionais. A avaliação é “O papel da semelhante à da consolidação está cada Abrint - Associação vez mais forte. O que Brasileira de mudou é que agora Provedores de temos novos Internet e interlocutores fazendo Telecomunicações. compras no mercado, Para o presidente da que são as grandes entidade, Breno Vale, operadoras”, afirma Breno Vale, da Abrint: o o crescimento do Ruppenthal. Segundo provedor precisa evoluir setor continua ele, movimentos como da venda de velocidade possível, mas deixa de a aquisição da Desktop para a entrega de uma estar baseado apenas pela Claro e a aquisição experiência completa de na expansão da rede. da Oi Fibra pela V.tal, conectividade


ESPECIAL

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satélite, além de serviços digitais, como plataformas de streaming. A Abrint também avalia que fibra óptica, redes móveis, rádio e satélites tendem a atuar de forma complementar, permitindo aos provedores ampliar sua atuação sem depender de uma única tecnologia. Segundo Ruppenthal, o mercado brasileiro ainda apresenta amplo Fig. 1 – Domicílios em que havia utilização da Internet, por situação do domicílio (%). Fonte: espaço para crescimento IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de nesse modelo. Apenas Pesquisas por Amostra de Domicílios, Pesquisa 23% dos consumidores Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) possuem banda larga fixa Contínua 2025 e móvel contratadas da mesma operadora, percentual muito “O crescimento continuará, mas inferior ao observado em mercados dependerá menos da simples expansão mais maduros. Da mesma forma, da cobertura e mais da capacidade de somente cerca de 20% dos usuários ganhar eficiência, inovar e se adaptar a contratam serviços de streaming por um ambiente tecnológico e regulatório meio da operadora. “Existe um em constante transformação”, afirma. enorme espaço para capturar receitas Ao mesmo tempo, o universo de que hoje estão distribuídas entre empresas disponíveis para aquisição diferentes empresas”, afirma. vem diminuindo. Os principais ativos Esse movimento também explica o já foram incorporados, tornando o crescimento do número de provedores processo mais complexo e que se transformam em operadoras aumentando a disputa pelos móveis virtuais (MVNOs) e firmam provedores remanescentes. Na base parcerias com empresas de satélite de da pirâmide, o movimento também baixa órbita (LEO), como Starlink e, ocorre, com pequenos provedores futuramente, Amazon Kuiper. A buscando fusões regionais para ganhar escala, reduzir custos e aumentar sua competitividade. Esse cenário se soma a uma pressão inédita sobre preços. Se até 2025 grandes operadoras mantinham estratégias comerciais relativamente conservadoras, em 2026 passaram a disputar clientes diretamente com os provedores. “Hoje elas estão iguais ou até mais agressivas que os provedores regionais e têm capacidade financeira para sustentar essas campanhas”, observa Ruppenthal. Diante desse ambiente, apenas vender acesso à Internet deixa de ser Fig. 2 – Tipos de acessos utilizados pelos domicílios com Internet (%). suficiente. Para o executivo, a principal Fonte: Pesquisa Nacional por oportunidade está na convergência de Amostra de Domicílios (PNAD) serviços, reunindo em uma única Contínua 2025 – Tecnologia da operadora diferentes meios de Informação e Comunicação (TIC). acesso, com fibra, telefonia móvel e Publicada em 02/07/2026


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conectividade deixa de depender de uma única tecnologia e passa a combinar diferentes meios de acesso conforme a necessidade do cliente. Nesse contexto, a Starlink surge como um dos principais exemplos de oportunidade identificada antes dos concorrentes. Embora tenha conquistado inicialmente áreas sem cobertura terrestre, a empresa vem ampliando sua presença em ambientes urbanos e no mercado corporativo. Entre março de 2025 e março de 2026, respondeu por aproximadamente 11% de todo o crescimento da banda larga brasileira, alcançando cerca de 791 mil assinantes no país. “O espaço que a Starlink ocupa hoje não surgiu do nada. Ele já existia. Apenas não estava sendo tratado como prioridade”, diz Ruppenthal. Ou seja, a principal lição não está na tecnologia utilizada, mas na capacidade de identificar demandas negligenciadas pelo mercado. Para o executivo, o setor caminha para uma transformação semelhante à vivida por mercados mais maduros. A expansão territorial perde importância e dá lugar à capacidade de gerar valor sobre a base instalada. “O desafio deixa de ser simplesmente oferecer conectividade. Passa a ser entender melhor o comportamento do cliente, integrar serviços e criar novas fontes de receita”, afirma. Na sua avaliação, o mercado que emergirá em 2027 terá menos pulverização, empresas mais eficientes e modelos de negócio muito mais orientados à convergência e à experiência do usuário. Para Breno Vale, o provedor de sucesso nos próximos anos será aquele que conseguir combinar gestão profissional, diversificação de serviços, eficiência operacional e proximidade com o cliente.

O próximo desafio dos provedores Esse movimento também dialoga com a avaliação de José Felipe Ruppenthal de que o crescimento dos provedores dependerá cada vez mais da capacidade de explorar nichos pouco atendidos e ampliar a oferta de serviços além da conectividade tradicional.


ESPECIAL

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Nesse cenário, a entidade humana sobre os avalia que aumentar o processos. “A inteligência tíquete médio deixou de artificial será mais eficiente significar apenas vender quando estiver integrada planos de maior velocidade. aos sistemas operacionais e A estratégia passa por aos processos da empresa, ampliar o portfólio de e não quando for tratada soluções, com serviços apenas como uma como Wi-Fi gerenciado, ferramenta isolada de segurança digital, proteção atendimento”, afirma de dispositivos, backup, Breno Vale. telefonia, entretenimento e A redução do churn suporte especializado, além também aparece entre as de ofertas voltadas ao prioridades do setor. Para segmento empresarial. “O a entidade, os melhores provedor precisa evoluir da resultados têm sido venda de velocidade para a obtidos por empresas que entrega de uma experiência monitoram completa de conectividade”, continuamente resume Vale. indicadores de qualidade, O crescimento dos identificam Fig. 3 – Distribuição dos domicílios em que não havia provedores dependerá preventivamente falhas na utilização da Internet, por motivo de não utilização (%). cada vez mais da rede e utilizam dados para Fonte: IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de exploração de nichos antecipar problemas antes Pesquisas por Amostra de Domicílios, Pesquisa Nacional pouco atendidos e da que eles resultem em por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025 ampliação da oferta de cancelamentos. O desempenho das redes, manutenção serviços além da conectividade atendimento local continua sendo um preditiva, automação do atendimento e tradicional. Nesse contexto, o diferencial importante, mas precisa apoio à tomada de decisão. O objetivo mercado corporativo desponta como ser combinado com canais digitais, é reduzir custos, aumentar a um dos segmentos mais promissores. respostas rápidas e processos mais produtividade e melhorar a qualidade Muitos provedores já possuem eficientes para atender às expectativas do serviço, mantendo a supervisão infraestrutura instalada e dos consumidores. relacionamento consolidado No campo regulatório, a com empresas, mas ainda Abrint considera que o exploram apenas parte compartilhamento de desse potencial. Além da postes permanece como oferta de links dedicados, um dos principais desafios cresce a demanda por para os provedores. serviços gerenciados de Embora reconheça conectividade, computação avanços nas discussões em nuvem, data center, sobre o novo marco cibersegurança, IoT e regulatório, a entidade soluções voltadas à defende regras que continuidade dos negócios. garantam segurança Pequenas e médias jurídica, isonomia entre os empresas, hospitais, escolas, agentes e preços indústrias e órgãos públicos previsíveis para a ampliam a procura por esse ocupação da tipo de suporte, criando infraestrutura. Também novas oportunidades de manifesta preocupação diversificação para os com o aumento das provedores regionais. exigências regulatórias e Fig. 4 – Empresas com outorga SCM – Serviço de A inteligência artificial dos custos associados a Comunicação Multimídia em 2026. Dados de julho de 2026 também começa a ganhar certificações e obrigações contemplam as outorgas realizadas até 23 de julho de espaço nas operações dos que podem afetar 2026. O levantamento considera apenas CNPJs únicos, provedores, com aplicações principalmente as desconsiderando eventuais duplicidades de outorgas por em monitoramento do empresas de menor porte. empresas. Fonte: Anatel


27 – RTI – AGO 2026

Em síntese, se a última década foi marcada pela expansão da fibra óptica e pela conquista de novos mercados, os próximos anos tendem a ser definidos pela capacidade dos provedores de transformar conectividade em uma plataforma de serviços, fidelização e geração de valor. Em um ambiente mais competitivo, a combinação entre eficiência operacional, inovação tecnológica e proximidade com o cliente deverá ser o principal diferencial para sustentar o crescimento do setor. Para os próximos anos, a expectativa da associação é de um mercado cada vez mais profissional e competitivo, no qual o diferencial deixará de ser apenas a capacidade de expandir a cobertura. “O crescimento continuará, mas dependerá menos da simples expansão da cobertura e mais da capacidade de ganhar eficiência, inovar e se adaptar a um ambiente tecnológico e regulatório em constante transformação”, conclui Breno Vale.

IBGE/PNAD Contínua A Internet era utilizada em 95% dos domicílios particulares permanentes (76 milhões) do país em 2025, um aumento de 1,3 p.p. ou 2,7 milhões de domicílios em relação a 2024. Nas áreas rurais, esse crescimento tem sido mais acelerado e contribui para uma considerável redução da diferença em relação às áreas urbanas, saindo de 41,5 p.p. de diferença em 2016 (35% versus 76,5%) para 7,8 p.p. em 2025 (88% versus 95,8%). Os dados são da PNAD Contínua, divulgada no início de julho pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (figuras 1 e 2). Nos 4 milhões de domicílios em que não havia utilização da Internet, os três motivos que mais se destacaram foram (figura 3): nenhum morador sabia usar a Internet (36,5%), serviço de acesso à Internet era caro (25,9%) e falta de necessidade em acessar a Internet (25,2%). Na área rural, além dos três motivos mais alegados, destacou-se a falta de disponibilidade do serviço de acesso à Internet na área do domicílio, que representou 8,9% (12,1% em 2024) dos domicílios em que não havia utilização da Internet em área rural, em contraste com somente 0,4% em área urbana. Nos domicílios em que havia utilização da Internet, o percentual dos que usavam banda larga móvel passou de 84,2% para 85,9%, entre 2024 e 2025. Já o percentual dos domicílios que utilizavam a banda larga fixa aumentou de 88,9% para 89,2% nesse mesmo período. Em 2025, 33,4 milhões de domicílios possuíam acesso a serviço pago de streaming de vídeo, aumento de 1,5 milhão em comparação a 2024. O percentual de domicílios com televisão e acesso a esse serviço subiu de 43,4% (2024) para 44,4% (2025). Dos domicílios com serviço de streaming, 9% não tinham acesso à TV aberta ou por assinatura, percentual de 6,1% em 2023 e de 8,2% em 2024.


SERVIÇO

28 – RTI – AGO 2026

Guia de provedores de Internet O levantamento a seguir traz um panorama com informações atuais dos provedores de Internet no Brasil, como cobertura geográfica, número de assinantes (residenciais, comerciais e rurais), tecnologias de acesso, oferta de serviços digitais prestados e SVAs oferecidos. Cobertura e serviços

Empresa

Estados em que a empresa atua

Telefone

E-mail para atendimento ao cliente

3k Conect

(11) 3135-1490

faleconosco@3kconectfibra.com.br

SP

Alfa

(11) 3983-0314

contato@internetalfa.com.br

SP

Allrede

0800 033 0307

allredetelecom@gmail.com

DF, GO, MG e MT

Aloo

(82) 2123-3500

marketing@alootelecom.com.br

CE, RN, AL, BA, PB, PE,

Serviços prestados

SVAs oferecidos

Abaixo de 5.000 Entre 5.000 e 10.000 Entre 10.000 e 50.000 Acima de 50.000 Rádio (wireless) Fibra Coaxial/HFC UTP ADSL Satélite Internet Data center, co-location, nuvem Hospedagem de página VoIP/Telefonia IP IP fixo Link redundante Videomonitoramento (CFTV) Rede móvel Celular (MVNO) IPTV/Plataforma de OTT E-mail próprio SD-WAN para empresas Streaming de vídeo Cursos e treinamentos Telemedicina/teleconsulta Cibersegurança Livros/revistas/música Outros

Total de Tecnologias de assinantes acesso (residenciais, comerciais e rurais)

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PI, SE, ES, RJ, SP, DF, MT e RO Amnet

(18) 3608-7838

merloata@gmail.com

SP

API

(81) 99522-4802 n

israel@apitel.com.br

PE

Avança Serviços

(22) 99922-8887 n

comercial@avanca.com.br

RJ, ES, MG e SP

BIG Informática

(47) 99112-0555 n

antoniocarlos@biginf.com.br

SC

(31) 2535-4002

roliveira@blfibra.com.br

MG SP, BA, SC e TO

BL Fibra Brasil Wifi

(19) 3090-3322

contato@brasilwifi.com.br

Brasul

(53) 99962-8421 n

consultor.brasulnet@gmail.com

RS

Certto

(45) 4020-3335

michell.antunes@certto.com.br

PR

Città

0800 248 5000

atendimento@cittatelecom.com.br

RJ e SP

Conectar

(62) 2020-9004

Connecta

(91) 3343-3929

comercial@connectanet.com.br

PA

Creral

(54) 3520-5200

contato@creral.com.br

RS

Delta Ativa

(47) 3562-1254

contato@deltaativa.com.br

SC

Edge

(61) 98256-6008 n

contato@edgetelecom.com.br

DF e GO

EH Solução

(31) 99873-9334 n

endryl@netvale.psi.br

MG

EliteNet

(73) 99122-1828 n

fadsonr@gmail.com

BA

Fastnet

(79) 3045-4880

fastnet@gastnettelecom.com

SE

FDKnet

(43) 3525-7111

atendimento@fdk.com.br

PR

Ferreira Net

(87) 99192-9552 n

ferreiranettelecom@gmail.com

PE e CE

Fiber4u

(11) 3164-1747

contato@fiber4u.com.br

SP

G3

0800 186 6000

cairo.goncalves@g3pi.com.br

PI e MA MS

GO

G3 Global

(67) 99933-1999 n

robson@g3global.com.br

Geranet

(47) 98432-0337 n

geranetinternet@gmail.com

SC

Grupo Vesc

(81) 3497-7250

contato@grupovesc.com.br

PE

HNA Conecta

(85) 98896-0685 n

horacio.aquino@hnaconecta.com.br

CE

(32) 3696-2801

contato@imicro.com.br

MG

Imicro Infobit Fibra

(42) 99124-2422 n

atendimento@infobit.net.br

PR

Innova

0800 123 9141

contato@innovainternet.com.br

SP

Inter Canal

(16) 3252-8733

ti@intercanal.com.br

SP

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SERVIÇO

30 – RTI – AGO 2026

Cobertura e serviços

Empresa

Telefone

E-mail para atendimento ao cliente

Estados em que a empresa atua

Interliga

(48) 99613-7020 n

joel.h.montovani@gmail.com

SC

Internet 5.8

0800 646 0058

corporativo@internet58.com.br

RO

Internet10

(24) 99270-6532

comercial@internet10.net.br

RJ

Interone

(49) 99904-0067 n

comercial@interone.com.br

SC

Isptec

(83) 99185-0470 n

rodrigo@isptec.com.br

PB, PE e CE

Linhares Online

(27) 2103-8100

juliano@linharesonline.com.br

ES

Luxfibra

(11) 4653-4446

ayr@luxfibra.net.br

SP

Macrologic

(12) 98296-6350 n

diretoria@macrologic.com.br

SP

Mais Internet

(48) 3771-0402

contato@maisinternet.net.br

SC

Majob Link

(51) 98599-8599 n

majoblinkinternet@gmail.com

RS

Maxnet

0800 286 3838

contato@maxnet.com.br

MG

Mell

0800 038 9004

supervisoramkt@microtell.com.br

MG

Mitas

(67) 99919-9944 n

mitasinternet@gmail.com

MS

Multi Sistem

(47) 99732-3629 n

ramon@multisistem.net.br

SC

NET Compartilhe

(27) 98843-5589 n

clodoaldo.belo@hotmail.com

ES

NetPower

(12) 99765-3974 n

suporte@netpower.com.br

SP

Netserv

(11) 99636-8074 n

cristiane@netserv.com.br

SP

Netsv

(54) 98418-3580 n

atendimento@netsv.com.br

RS

NEW System

(47) 99249-7173 n

newsysteminternet@newsysteminternet.com

SC

NOG

(64) 3634-1664

contato@nogtelecom.com.br

GO

Oestecom

(49) 3324-7036

atendimento@oestecom.com.br

RS, SC, PR e RJ

Open

(61) 3631-0999

sac@formosa.net.br

GO, MG e SE

Oraclon Fibra

(62) 99129-2599 n

jair@oraclon.com.br

GO

PKM

(92) 99104-7895 n

pbportilho@hotmail.com

AM

(14) 3812-5100

falecom@prata.net.br

SP

Prata Net

Serviços prestados

SVAs oferecidos

Abaixo de 5.000 Entre 5.000 e 10.000 Entre 10.000 e 50.000 Acima de 50.000 Rádio (wireless) Fibra Coaxial/HFC UTP ADSL Satélite Internet Data center, co-location, nuvem Hospedagem de página VoIP/Telefonia IP IP fixo Link redundante Videomonitoramento (CFTV) Rede móvel Celular (MVNO) IPTV/Plataforma de OTT E-mail próprio SD-WAN para empresas Streaming de vídeo Cursos e treinamentos Telemedicina/teleconsulta Cibersegurança Livros/revistas/música Outros

Total de Tecnologias de assinantes acesso (residenciais, comerciais e rurais)

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31 – RTI – AGO 2026

Cobertura e serviços

Empresa

Estados em que a empresa atua

Telefone

E-mail para atendimento ao cliente

(21) 99743-2878 n

financeiro@igbweb.com.br

RJ

(49) 3349-0140

rmirati@hotmail.com

SC

Saga Fibra

(94) 98421-2368 n

sagafibrainternet@gmail.com

PA

Soranet

(44) 99746-7940 n

contato@soranet.com.br

PR

Sothis

0800 020 1337

contato@sothis.com.br

SP

Suppernet

(11) 4018-6161

sac@suppernet.com.br

SP

Rabelo Flores RM

Tecnoserver

(32) 3225-9955

contato@redeinternet.com.br

MG

Twister

(37) 99869-2001 n

twister@twister.com.br

MG

Virtual

(32) 99995-3454 n

comercial@virtualtelecom.com.br

MG, SP e RJ

ZipBlue

(35) 3321-6367

atendimento@zipblue.com.br

MG

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SVAs oferecidos

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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 3546 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Redes, Telecom e Instalações , agosto de 2026. Este e muitos outros Guias de RTI estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/rti e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.

Serviços prestados

Abaixo de 5.000 Entre 5.000 e 10.000 Entre 10.000 e 50.000 Acima de 50.000 Rádio (wireless) Fibra Coaxial/HFC UTP ADSL Satélite Internet Data center, co-location, nuvem Hospedagem de página VoIP/Telefonia IP IP fixo Link redundante Videomonitoramento (CFTV) Rede móvel Celular (MVNO) IPTV/Plataforma de OTT E-mail próprio SD-WAN para empresas Streaming de vídeo Cursos e treinamentos Telemedicina/teleconsulta Cibersegurança Livros/revistas/música Outros

Total de Tecnologias de assinantes acesso (residenciais, comerciais e rurais)

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O Nordeste confirmou sua força na energia solar.

Dois dias que movimentaram o setor e geraram resultados. A Intersolar Brasil Nordeste 2026 encerrou sua sexta edição em Fortaleza reunindo mais de 5 mil participantes, empresas, especialistas e lideranças do setor em dois dias de negócios, conteúdo técnico e conexões estratégicas. A edição consolidou o evento como uma das principais plataformas do setor de energias renováveis no país, com debates sobre energia solar, hidrogênio verde, armazenamento, data centers, segurança elétrica e os novos caminhos da economia digital no Nordeste. Com mais de 60 empresas expositoras em 7.500 m², a feira reforçou o protagonismo da região e abriu caminho para a próxima edição.

A Intersolar Brasil Nordeste 2026 foi um sucesso e a de 2027 já está marcada.

+5 MIL PARTICIPANTES

+60 EXPOSITORES

+7.500 m² DE FEIRA E NEGÓCIOS


CENTRO DE EVENTOS DO CEARÁ, FORTALEZA, BRASIL

2027

Apoiando os negócios de energia solar e hidrogênio verde no Nordeste Boosting Solar & Green Hydrogen Business in Brazil’s Northeast

Em 2027, essa energia volta a se encontrar em Fortaleza. . ADICIONAR AO CALENDÁRIO.

www.intersolar-brasil.com


SEGURANÇA

34 – RTI – AGO 2026

SOC e SIEM: visibilidade, correlação e resposta na rede do provedor Prof. José Maurício dos Santos Pinheiro, do UBM – Centro Universitário de Barra Mansa e do SEST/SENAT

A operação de um provedor de Internet depende de disponibilidade, desempenho, rastreabilidade e segurança. Em redes regionais, a infraestrutura é o próprio serviço entregue ao assinante. Incidentes cibernéticos podem impactar diretamente a experiência do cliente e a continuidade operacional. O artigo discute a aplicação de SOC e SIEM nesse contexto, destacando casos de uso, desafios de implantação, arquitetura operacional e estratégias operacionais para elevar a maturidade de segurança em redes de telecomunicações.

A

segurança cibernética em provedores de Internet possui características próprias. Embora muitos conceitos sejam comuns a outros ambientes corporativos, a realidade operacional de um provedor apresenta particularidades como grande volume de tráfego, múltiplos pontos de presença, redes de acesso heterogêneas, interconexões com outros sistemas autônomos (AS), exposição permanente à Internet, dependência de roteamento BGP, necessidade de baixa latência, atendimento a milhares ou milhões de sessões simultâneas de usuários e obrigação de manter registros técnicos com integridade e disponibilidade. No Brasil, essa discussão ganha relevância adicional diante do Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações, aprovado pela Resolução Anatel nº 740/2020, posteriormente alterado pela Resolução nº 767/2024, que reforça a necessidade de resiliência, gestão de riscos e tratamento coordenado de incidentes em redes e serviços de telecomunicações. Em ambientes corporativos tradicionais, a rede costuma ser o meio pelo qual os processos de negócio trafegam. Já em um

provedor regional, porém, a rede é o próprio produto. Qualquer falha de segurança, indisponibilidade, degradação de desempenho ou instabilidade de roteamento pode ser percebida imediatamente pelo assinante e refletir em chamados, cancelamentos, impacto reputacional e risco regulatório. Nesse cenário, o SOC - Security Operations Center e o SIEM Security Information and Event Management deixam de atuar apenas como ferramentas de monitoramento e passam a compor a estratégia operacional do provedor. Nele, sua adoção está diretamente ligada à continuidade do serviço, à proteção da infraestrutura crítica, à rastreabilidade dos eventos, à capacidade de resposta e à governança técnica da rede. A pergunta central não é apenas se o provedor foi atacado, e sim se ele possui visibilidade suficiente para perceber, correlacionar e responder a eventos anômalos antes que eles se transformem em incidentes de grande impacto.

A superfície da exposição de um provedor regional A infraestrutura de um provedor de Internet combina camadas distintas de rede, serviços e


35 – RTI – AGO 2026

Fig. 1 - Em incidentes de DDoS, a resposta depende da atuação coordenada entre NOC, SOC, engenharia, atendimento e gestão. Fonte: autor (imagem gerada por IA)

sistemas de apoio. Em uma visão simplificada, podem estar presentes roteadores de borda e agregação, switches de distribuição, OLTs, BRAS/BNG, servidores de autenticação, plataformas Radius, sistemas de provisionamento, CGNAT, DNS recursivo, caches, links de trânsito IP, IXPs, sessões BGP, sistemas de gerenciamento, plataformas de atendimento, ERPs, CRMs e ambientes de monitoramento. Essa diversidade cria uma superfície de exposição ampla. Um ataque ou erro de configuração pode ocorrer na borda da rede, nos planos de controle ou de gerenciamento, em serviços auxiliares ou em sistemas administrativos. Além disso, a própria rede do provedor pode ser utilizada como origem, meio de propagação ou alvo de tráfego malicioso. Entre os riscos mais relevantes para o provedor estão ataques de DDoS - Distributed Denial of Service, sequestro ou vazamento de rotas BGP, abuso de serviços DNS, exploração de equipamentos de borda, uso indevido de credenciais administrativas, comprometimento de sistemas de provisionamento, falhas em plataformas de autenticação, exposição indevida de interfaces de gerenciamento, abuso de assinantes infectados por botnets e inconsistências em registros de conexão. O NIST - National Institute of Standards and Technology

destaca que incidentes envolvendo anomalias no plano de controle BGP, como sequestro de prefixos e vazamento de rotas, podem resultar em negação de serviço, desvios indesejados de tráfego e degradação de desempenho, efeitos especialmente críticos para operadores de redes IP. O desafio, portanto, não está apenas em bloquear ataques, mas em perceber padrões. Muitos incidentes não começam como uma falha evidente. Eles surgem como sinais dispersos: aumento incomum de tráfego, alteração súbita no perfil de pacotes, mudança de origem de sessões administrativas, instabilidade de rotas, crescimento anormal de consultas DNS, falhas repetidas de autenticação, alteração em tabelas de NAT ou comportamento divergente em determinado POP. Sem correlação, esses sinais podem ser tratados como eventos operacionais isolados. Com correlação, podem revelar uma ameaça em andamento.

SIEM aplicado à realidade de provedores O SIEM é a camada responsável por coletar, normalizar, correlacionar e analisar eventos de segurança provenientes de múltiplas fontes. A gestão de logs,

conforme orienta o NIST SP 800-92, envolve coleta, armazenamento, análise, correlação, retenção e descarte adequado dos registros, compondo uma infraestrutura essencial para auditoria, investigação e resposta a incidentes. Em um provedor, sua função deve ser pensada para além dos logs tradicionais de servidores e firewalls corporativos. O SIEM precisa dialogar com a própria lógica da rede de telecomunicações. As fontes de dados relevantes podem incluir logs de roteadores de borda, eventos de BGP, registros de firewalls, NetFlow, sFlow ou IPFIX, alertas de IDS/IPS, eventos de DNS e EDR, logs de Radius, autenticação administrativa, sistemas de AAA, eventos de CGNAT e backup, registros de VPNs, logs de servidores Linux e Windows, alertas de plataformas anti-DDoS, logs de sistemas de gerenciamento, alterações em configurações de rede, registros de acesso a plataformas de atendimento e eventos de ambientes em nuvem. O valor do SIEM está em cruzar essas informações. Uma falha de autenticação administrativa pode ser irrelevante se observada isoladamente. Mas, quando ocorre junto com acesso a partir de origem incomum, alteração de configuração em equipamento de borda e mudança no comportamento de tráfego, o evento passa a ter outro significado. Da mesma forma, um aumento de tráfego pode ser apenas reflexo de demanda legítima. Porém, se estiver associado a pacotes com origem falsificada, crescimento anormal de fluxos UDP - User Datagram Protocol, saturação de determinado enlace e reclamações concentradas em uma região, pode indicar ataque de negação de serviço ou abuso de infraestrutura. Para um provedor, o SIEM deve ser orientado a casos de uso. Não basta coletar tudo. É necessário definir quais riscos precisam ser monitorados e quais correlações realmente fazem sentido para a operação.


SEGURANÇA

36 – RTI – AGO 2026

prefixos, mudanças abruptas de caminho e inconsistências de roteamento precisam ser acompanhadas. No provedor, incidentes de roteamento podem causar indisponibilidade, degradação de desempenho, desvio de tráfego ou perda de conectividade para determinados destinos. As recomendações do RFC 7454 tratam de medidas operacionais para proteção de sessões BGP e controle do fluxo de informações de roteamento, incluindo filtragem de prefixos, controle de anúncios, maxFig. 2 - Uma arquitetura eficiente integra coleta, correlação, análise e resposta para prefix filtering e proteção do transformar eventos em ação coordenada e segurança operacional. Fonte: autor plano de controle. (imagem gerada por IA) A proteção contra DDoS também deve ocupar posição observadas com rigor. Acesso fora Casos de uso para SIEM central. O SIEM pode correlacionar de horário, origem incomum, no provedor regional de alertas de ferramentas anti-DDoS, múltiplas falhas de autenticação, uso Internet fluxos de rede, utilização de enlaces, de credenciais genéricas e comportamento de protocolos, comandos sensíveis devem gerar Um dos primeiros casos de uso é origem e destino de tráfego, alertas de alta prioridade. o monitoramento de acessos reclamações de clientes e eventos Outro caso de uso relevante é a privilegiados. Contas administrativas de borda. Essa visão integrada detecção de anomalias de em roteadores, switches, OLTs, auxilia na distinção entre pico roteamento. Eventos relacionados a servidores de autenticação, legítimo, falha de capacidade e sessões BGP, anúncios inesperados, plataformas de CGNAT e sistemas ataque coordenado. Nesse ponto, queda de vizinhanças, alterações de de gerenciamento devem ser


37 – RTI – AGO 2026

práticas de filtragem de origem, como as descritas no BCP 38/RFC 2827, continuam relevantes para reduzir o uso de endereços IP falsificados em ataques de negação de serviço. O DNS recursivo é outro ponto sensível. Consultas anômalas, crescimento repentino de domínios suspeitos, abuso de resolvedores, consultas repetitivas e padrões associados a malware podem indicar comprometimento de assinantes, botnets ou uso indevido da infraestrutura. Embora o DNS seja frequentemente tratado como serviço de apoio, em um provedor de Internet ele integra diretamente a experiência do assinante e pode servir como fonte relevante de telemetria para identificação de campanhas maliciosas, falhas de configuração e comportamentos automatizados. No caso do CGNAT, a atenção deve recair sobre integridade, disponibilidade e rastreabilidade dos registros. Falhas de registro, inconsistências de horário, perda de logs, indisponibilidade de ar mazenamento e divergências entre sessão, IP público, porta e assinante podem gerar riscos técnicos e jurídicos. No contexto brasileiro, essa preocupação se relaciona diretamente ao Marco Civil da Internet, que distingue provedores de conexão e provedores de aplicações de Internet, atribuindo-lhes obrigações distintas quanto à guarda de registros. Para provedores regionais de Internet, interessa especialmente a obrigação legal de guarda dos registros de conexão, aplicável aos provedores de conexão à Internet nos ter mos da Lei nº 12.965/2014. Também é recomendável monitorar alterações em configurações de equipamentos. Mudanças em ACLs, filtros, políticas BGP, comunidades, SNMP, NTP, usuários administrativos, rotas estáticas, regras de firewall e políticas de acesso devem ser registradas, correlacionadas e revisadas.

SOC para o provedor O SOC é a estrutura responsável por transformar alertas em decisão. O NIST SP 800-61 Rev. 2 descreve a resposta a incidentes como uma capacidade organizacional que exige preparação, detecção, análise, contenção, erradicação, recuperação e aprendizado pósincidente. No provedor regional de Internet, essa estrutura precisa estar fortemente integrada à operação de rede. A separação rígida entre segurança e engenharia pode reduzir a efetividade da resposta, especialmente em incidentes que envolvem roteamento, enlaces, tráfego volumétrico, autenticação de assinantes ou plataformas críticas de telecomunicações. Um SOC para provedor deve compreender a topologia da rede, os POPs – Pontos de Presença, os enlaces de trânsito, as conexões com


SEGURANÇA IXPs, os sistemas autônomos vizinhos, os equipamentos críticos, os segmentos de gerenciamento, os sistemas de autenticação e os serviços de suporte. Sem esse entendimento, os alertas tendem a ser analisados de forma genérica, perdendo contexto técnico. A resposta a um incidente em um provedor pode exigir ações coordenadas, como aplicação de filtros temporários, ajuste de políticas de roteamento, acionamento de upstreams, mitigação anti-DDoS, isolamento de sistemas comprometidos, bloqueio de

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NOC e SOC: duas visões complementares O NOC responde a perguntas como: o enlace está ativo? O POP está operacional? Há perda de pacotes? O consumo de banda ultrapassou o previsto? O servidor está respondendo? O serviço está disponível? Já o SOC responde a questionamentos diferentes: esse tráfego é legítimo? Essa alteração de configuração foi autorizada? Esse acesso administrativo faz sentido? Essa queda de sessão BGP é falha operacional ou indício de ataque? Esse volume de consultas DNS é

Fig. 3 - As três fases de SOC e SIEM no provedor regional de Internet. Fonte: autor (imagem gerada por IA)

credenciais, validação de alterações de configuração, comunicação com equipes de NOC, atualização de status para atendimento e preservação de evidências. Por isso, o SOC não deve ser visto como substituto do NOC. O NOC observa disponibilidade, desempenho e continuidade operacional. Já o SOC observa risco, ameaça, comportamento anômalo e evidência de comprometimento. Em provedores maduros, essas duas estruturas trabalham de forma integrada. O monitoramento clássico observa sintomas e métricas isoladas, enquanto o monitoramento inteligente correlaciona eventos, interpreta contexto e antecipa impactos operacionais.

esperado? Esse padrão de autenticação indica tentativa de força bruta? Esse comportamento pode comprometer a rastreabilidade dos registros? A operação do provedor regional precisa das duas visões. Disponibilidade sem segurança pode manter um serviço aparentemente funcional, mas vulnerável. Segurança sem compreensão operacional pode gerar respostas desproporcionais, afetando a experiência do assinante. A maturidade está na integração. Em um incidente de DDoS, por exemplo, o NOC identifica saturação, perda de pacotes ou degradação regional. O SOC analisa origem, padrão, protocolo, alvo, recorrência e possível motivação. A engenharia de

redes aplica mitigação, ajusta rotas ou aciona parceiros. O atendimento comunica impactos. A gestão decide prioridades. O incidente só é bem conduzido quando essas áreas compartilham informação confiável (figura 1).

Arquitetura de referência Uma arquitetura prática de SOC e SIEM para um provedor de Internet deve considerar quatro camadas: coleta, correlação, análise e resposta (figura 2). • Na camada de coleta, o provedor deve definir fontes prioritárias de eventos. Isso inclui equipamentos de rede, sistemas de autenticação, CGNAT, DNS, firewalls, servidores, plataformas de virtualização, sistemas de gestão, ferramentas anti-DDoS e ambientes de nuvem. A coleta deve observar sincronização de tempo, padronização de formatos, retenção adequada e integridade dos registros, pois a utilidade probatória e operacional dos logs depende da qualidade, consistência e preservação dos dados coletados. • Na camada de correlação, o SIEM deve relacionar eventos de diferentes origens. Essa camada precisa ser orientada por casos de uso, evitando que a ferramenta se transforme em simples repositório de logs. Correlações associadas a acessos privilegiados, roteamento, DDoS, DNS, CGNAT, alterações de configuração e comportamento de sistemas críticos devem ser priorizadas. • Na camada de análise, o SOC classifica alertas, valida contexto, reduz falsos positivos e define criticidade. Essa etapa exige conhecimento técnico da infraestrutura e proximidade com a equipe de rede. • Na camada de resposta, devem existir procedimentos claros. Cada tipo de incidente precisa ter responsáveis, critérios de escalonamento, ações permitidas, formas de comunicação, requisitos de documentação e orientações para preservação de evidências.


SEGURANÇA

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Tab. I - Indicadores de maturidade para o provedor regional Indicador Tempo médio de detecção (MTTD) Tempo médio de resposta (MTTR) Alertas por criticidade Taxa de falsos positivos Incidentes por categoria Cobertura de ativos críticos Disponibilidade da coleta de logs Eventos correlacionados por fonte Reincidência de incidentes Retenção de registros Anomalias de roteamento/BGP Eventos de CGNAT e DNS Ataques volumétricos mitigados POPs com maior recorrência de eventos Tempo de acionamento de fornecedores/upstreams

Essa arquitetura não precisa nascer completa. Pode evoluir por fases, começando por ativos críticos e casos de uso de maior impacto.

Indicadores de maturidade A implantação de SOC e SIEM no provedor de Internet deve ser acompanhada por indicadores. Sem métricas, a segurança permanece subjetiva. Entre os indicadores úteis estão tempo médio de detecção e resposta, número de alertas por criticidade, taxa de falsos positivos, incidentes por categoria, eventos correlacionados por fonte, disponibilidade da coleta de logs, cobertura de ativos críticos, reincidência de incidentes e tempo de retenção de registros. Para provedores, também podem ser avaliados indicadores específicos, como incidentes relacionados a BGP, tentativas de acesso administrativo não autorizado, eventos envolvendo CGNAT, anomalias DNS, ataques volumétricos mitigados, POPs com maior recorrência de eventos, origem de tráfego abusivo e tempo de acionamento de fornecedores ou upstreams. A tabela I apresenta indicadores úteis para acompanhar a maturidade da operação de SOC e SIEM em provedores regionais de Internet, combinando métricas gerais de segurança com indicadores

Finalidade no contexto do provedor regional Avalia a capacidade de identificar incidentes ou anomalias com rapidez. Mede a agilidade na contenção, mitigação e tratamento dos eventos. Apoia a priorização dos eventos conforme impacto e severidade. Indica a qualidade das regras de correlação e da triagem do SOC. Permite identificar padrões recorrentes, como DDoS, BGP, DNS, CGNAT ou acessos indevidos. Mede o percentual de elementos essenciais monitorados pelo SIEM/SOC. Verifica a continuidade e confiabilidade da coleta de eventos. Avalia a efetividade da integração entre sistemas, rede, segurança e serviços. Indica falhas de correção definitiva ou necessidade de revisão de controles. Apoia auditoria, investigação, rastreabilidade e conformidade legal/regulatória. Monitora alterações suspeitas em sessões, anúncios, prefixos e caminhos de tráfego. Avalia riscos associados à rastreabilidade, abuso de infraestrutura e degradação de serviços. Mede a capacidade de resposta a DDoS e eventos de saturação de rede. Ajuda a priorizar melhorias em pontos de presença mais críticos. Mede a eficiência da coordenação externa em incidentes que dependem de terceiros.

específicos da realidade dos provedores. Esses indicadores ajudam a demonstrar valor para a gestão e permitem justificar investimentos, revisar processos e priorizar melhorias.

Desafios de implantação Um dos principais desafios para o provedor regional é o volume de dados. Redes de provedores produzem grande quantidade de logs e fluxos. Coletar tudo sem critério pode elevar custos, aumentar ruído e dificultar a análise. Por isso, a implantação deve começar por fontes críticas e casos de uso bem definidos. Outro desafio é a integração entre ferramentas. Muitos provedores utilizam equipamentos de diferentes fabricantes, sistemas legados, plataformas próprias e soluções de monitoramento já existentes. O SIEM precisa dialogar com essa realidade heterogênea. A qualidade dos logs também é um ponto sensível. Eventos sem horário confiável, identificação clara de origem, padronização ou contexto reduzem a utilidade da correlação. Sincronização por NTP, padronização de nomenclaturas, inventário atualizado e documentação de topologia são fundamentos técnicos indispensáveis. Em redes assistidas por IA, esse ponto torna-se ainda mais crítico: sem dados

confiáveis, os modelos analíticos produzem inferências frágeis, aumentam falsos positivos e reduzem a capacidade de resposta preditiva. Há ainda o desafio de equipe. Segurança para provedores regionais exige profissionais capazes de compreender tanto cibersegurança quanto redes IP. Um alerta de BGP, DNS, CGNAT ou DDoS não pode ser analisado apenas com visão genérica de TI. Ele exige conhecimento de telecomunicações, roteamento, tráfego e operação. Por fim, existe o desafio da priorização. Provedores de pequeno e médio porte nem sempre conseguem implantar um SOC interno completo. Nesses casos, serviços gerenciados de segurança podem ser alternativa viável, desde que o fornecedor compreenda a realidade de telecomunicações e não trate o provedor regional como uma empresa corporativa comum.

Caminho progressivo Uma estratégia realista pode começar com um inventário de ativos críticos, revisão de acessos administrativos, centralização de logs essenciais, sincronização de tempo, definição de retenção, integração de eventos de firewall, Radius, DNS, CGNAT e roteadores de borda, além da criação de alertas iniciais para acessos privilegiados e alterações de


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configuração. Para provedores que operam BGP, também é recomendável incorporar práticas de filtragem, validação de origem de rotas por RPKI/ROV (Resource Public Key Infrastructure/Route Origin Validation), controle de anúncios, proteção de sessões e mecanismos de coordenação com outros operadores, conforme boas práticas descritas nos RFC 7454 e 6811 e no MANRS Mutually Agreed Norms for Routing Security. Em uma segunda fase, o provedor pode incorporar fluxos de rede, eventos anti-DDoS, correlações de BGP, monitoramento de DNS, análise de comportamento e integração com sistemas de chamados. Nessa etapa, o SIEM começa a produzir inteligência operacional mais próxima da realidade do provedor regional de Internet. Em uma terceira fase, a organização pode estruturar processos formais de SOC, com plantão, runbooks (roteiros operacionais padronizados para tratamento de eventos e incidentes), matriz de criticidade, procedimentos de escalonamento, simulações de incidentes, métricas de desempenho e integração entre segurança, NOC, engenharia, atendimento e gestão. A figura 3 resume as três fases para a operação formal de SOC e SIEM no provedor regional de Internet. Uma jornada progressiva para ampliar visibilidade, correlação e resposta operacional. A evolução pode ocorrer internamente com apoio de consultorias ou por meio de MSSP - Managed Security Service Provider especializado. O ponto essencial é não esperar pela estrutura ideal para começar. A maturidade em segurança é construída por etapas, com foco nos riscos mais relevantes para a operação.

Conclusão A operação de um provedor regional de Internet exige visibilidade, controle, rastreabilidade, resposta e capacidade de aprendizado. Em um ambiente no qual a rede é o próprio serviço, incidentes de segurança podem afetar diretamente a continuidade da operação e a confiança do assinante. Nesse contexto, SOC e SIEM não são apenas ferramentas corporativas adaptadas ao setor de telecomunicações. São componentes de uma estratégia de resiliência operacional. O SIEM permite enxergar e correlacionar eventos dispersos. O SOC transforma esses eventos em análise, decisão e resposta. Para provedores de Internet, a pergunta não é apenas se há ataques em andamento, e sim se a organização possui condições técnicas e operacionais de perceber, interpretar e responder ao que acontece em sua rede. Em segurança, operar sem visibilidade é depender da sorte. E, para um provedor regional de Internet, depender da sorte significa colocar em risco não apenas sistemas internos, mas a própria confiança que sustenta o serviço prestado.


SEGURANÇA DO TRABALHO

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NR-35 e o treinamento presencial: um novo desafio para os provedores Deusomir Junior, Engenheiro de Segurança do Trabalho e CEO da DJR Consultoria

A recente atualização da NR-35 marca um novo momento para a gestão da segurança em atividades realizadas em altura. Com a mudança, treinamentos previstos na norma deverão ser realizados exclusivamente na modalidade presencial, reforçando a necessidade de desenvolver competências práticas indispensáveis para trabalhadores expostos ao risco de queda. O artigo mostra o impacto no cotidiano dos provedores e sugere medidas para adequação.

da NR-35 – A atualização Trabalhos em Altura

ocorre em um momento de preocupação crescente com a segurança ocupacional no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, entre 2016 e 2025, foram registrados 6,4 milhões de acidentes de trabalho, resultando em 27.486 óbitos, mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que expressa o impacto permanente das incapacidades provocadas pelos acidentes. Somente em 2025, o país contabilizou 806.011 acidentes de trabalho e 3644 mortes, o maior número da série histórica analisada. Embora as ocorrências envolvendo altura representem apenas uma parcela desse universo, elas figuram entre os eventos de maior gravidade,

frequentemente associados a lesões incapacitantes permanentes e fatalidades. No setor de telecomunicações, onde técnicos realizam diariamente atividades em postes, torres, telhados e fachadas, a exposição ao risco de queda faz parte da rotina operacional, tornando a qualificação prática um elemento essencial para a prevenção.


SEGURANÇA DO TRABALHO

Outro dado que chama atenção é que o Brasil registrou, em média, 83,6 acidentes de trabalho por hora, segundo levantamento baseado no AEAT - Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, demonstrando que a prevenção continua sendo um dos maiores desafios para empresas e órgãos fiscalizadores. Nesse contexto, a exigência de treinamentos presenciais prevista na nova redação da NR-35 deve ser compreendida não apenas como uma alteração regulatória, mas como uma resposta técnica à necessidade de desenvolver competências práticas capazes de reduzir a ocorrência de acidentes graves e fatais em atividades de alto risco.

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A nova redação da NR-35 reforça que a aprendizagem deve ocorrer em ambiente controlado, permitindo ao instrutor avaliar, na prática, habilidades como inspeção e ajuste correto dos EPIs Equipamentos de Proteção Individual, utilização adequada dos sistemas de ancoragem, deslocamento seguro em estruturas elevadas, posicionamento durante a execução das atividades,

Mais do que uma mudança na forma de treinamento Nos últimos anos, muitas organizações recorreram à educação a distância como alternativa para reduzir custos, otimizar deslocamentos e acelerar a capacitação de equipes distribuídas em diferentes localidades. Essa estratégia foi amplamente adotada, principalmente após a expansão das plataformas digitais de ensino. Entretanto, o Ministério do Trabalho e Emprego entendeu que, para atividades de alto risco como o trabalho em altura, a transmissão do conhecimento teórico não é suficiente para garantir a competência necessária dos trabalhadores.

técnicas de resgate e resposta a emergências, e identificação de condições inseguras antes do início dos trabalhos. São competências que dificilmente podem ser avaliadas com a mesma eficácia em um treinamento totalmente remoto. Impacto no setor de telecomunicações Para provedores de Internet, operadoras e empresas prestadoras de serviços em telecomunicações, a atualização exige um planejamento imediato. As equipes responsáveis pela implantação e manutenção de

redes de fibra óptica, instalação de equipamentos, lançamento de cabos, manutenção de CTOs - Caixas de Terminação Óptica, atendimento em postes compartilhados e acesso a torres realizam atividades enquadradas como trabalho em altura praticamente todos os dias. Isso significa que a conformidade com a NR-35 deixa de depender apenas da existência de certificados e passa a exigir uma efetiva comprovação da capacitação dos profissionais. Além disso, empresas com grande quantidade de colaboradores distribuídos por diferentes municípios precisarão reorganizar cronogramas, infraestrutura e logística para atender às novas exigências sem comprometer a continuidade operacional. Período de transição deve ser utilizado como estratégia A norma prevê um período de adaptação até 16 de julho de 2027, permitindo que as empresas regularizem treinamentos anteriormente realizados em modalidades não presenciais. O prazo, entretanto, não deve ser interpretado como motivo para postergar a adequação. Empresas que iniciarem o planejamento apenas próximo ao encerramento do período de transição poderão enfrentar dificuldades relacionadas à disponibilidade de instrutores, centros de treinamento, agenda das equipes e custos operacionais.


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Muito além da conformidade legal É importante destacar que a atualização da NR-35 não deve ser analisada apenas sob o aspecto regulatório. O setor de telecomunicações figura entre aqueles com maior exposição ao risco de queda, seja em atividades realizadas em postes urbanos, torres, edificações ou estruturas industriais. Grande parte dos acidentes graves registrados nessas atividades está relacionada a fatores como falhas operacionais, uso incorreto de EPIs, ausência de inspeções, improvisações e deficiência na capacitação presencial. Sob essa perspectiva, a exigência do treinamento presencial representa um avanço importante na prevenção de acidentes. Quando bem conduzido, o treinamento proporciona ao trabalhador simulações de situações reais e desenvolvimento de habilidades que dificilmente seriam adquiridas exclusivamente por meio de videoaulas ou avaliações on-line. Como os provedores devem se preparar? Independentemente do porte da empresa, algumas ações tornam-se prioritárias: • Revisar todos os certificados vigentes de NR-35. • Identificar treinamentos realizados totalmente ou parcialmente em EaD. • Elaborar um cronograma de regularização dentro do prazo legal. • Revisar procedimentos de trabalho em altura e PTs Permissões de Trabalho.

• Atualizar análises de risco e planos de resgate. • Reforçar inspeções periódicas de EPIs e sistemas de proteção contra quedas. • Integrar as exigências da NR-35 ao PGR - Programa de Gerenciamento de Riscos e às rotinas de SST – Saúde e Segurança do Trabalho. Essa abordagem reduz riscos de autuações, fortalece a cultura de segurança e melhora a confiabilidade das operações em campo. Conclusão A nova exigência representa, sem dúvida, um desafio logístico para muitas empresas. No entanto, também oferece uma oportunidade para elevar o padrão da capacitação profissional no setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, no qual qualidade, continuidade do serviço e responsabilidade corporativa caminham lado a lado, investir em treinamento operacional não deve ser visto apenas como uma obrigação legal, mas também como parte da estratégia de gestão. Empresas que incorporarem essa visão estarão mais preparadas para reduzir acidentes, preservar vidas, minimizar passivos trabalhistas e aumentar a confiabilidade de suas operações. Mais do que atender a uma norma, a atualização da NR-35 reforça um princípio que nunca deveria sair do topo das prioridades: nenhuma atividade em altura pode ser considerada segura sem que o trabalhador esteja efetivamente preparado para executá-la.


SEGURANÇA

Marcelo Bezerra

A caixa de Pandora? Conta o mito grego que Zeus, como resposta ao ato de Prometeu de roubar e entregar à humanidade o segredo do fogo, criou Pandora, a primeira mulher moldada pelos deuses. Ela, porém, carregava consigo uma armadilha: uma caixa que continha todos os males do mundo. Zeus sabia que, cedo ou tarde, movida pela curiosidade, Pandora a abriria, libertando seus males em um processo irreversível. Avançamos para o século XXI e o ser humano desenvolveu uma tecnologia capaz de transformar profundamente a sociedade: a IA Inteligência Artificial baseada em modelos LLM - Large Language Models e, a partir dela, os assistentes e agentes de IA. Pode-se dizer que a caixa já foi aberta. Para o bem e para o mal, o avanço da IA é um processo sem volta, cabendo agora à própria humanidade compreender e buscar controlar aquilo que criou. A tarefa, contudo, será árdua. Para quem não acompanhou as notícias, no último dia 16 de julho, a Hugging Face, plataforma colaborativa voltada ao desenvolvimento de aplicações de IA, anunciou ter sido alvo de um agente de IA desconhecido. Na semana seguinte, a OpenAI revelou que o “agente desconhecido” era um de seus modelos avançados, utilizado em testes de segurança cibernética para identificação e exploração de vulnerabilidades. Segundo a empresa, o modelo saiu do ambiente previsto para os testes ao executar as tarefas para as quais havia sido desenvolvido.

Felizmente, o episódio vem sendo documentado de forma transparente. A Hugging Face publicou o relatório de sua investigação, segundo o qual o software da OpenAI executou, entre os dias 9 e 13 de julho, cerca de 17.600 ações em uma velocidade muito superior à capacidade humana. A empresa também compartilhou os dados com a CSA - Cloud Security Alliance, que divulgou sua própria análise sobre o caso. Mais do que reconstituir a sequência das ações, esses relatórios permitem compreender o comportamento do agente de IA durante a operação. Segundo a análise da Hugging Face, o agente não realizou a invasão por necessitar de uma ferramenta específica, mas porque identificou que obter um código já existente seria mais eficiente do que desenvolvê-lo por conta própria. No decorrer da operação, conforme posteriormente revelado pela OpenAI, o agente também interagiu com outros “serviços disponíveis ao público”, sem que a empresa informasse quais eram. Esse comportamento sugere que o agente identificou a plataforma da Hugging Face como a fonte com maior probabilidade de conter a informação ou o código necessário para cumprir sua tarefa. Esse comportamento já foi observado diversas vezes, tanto em ambientes de pesquisa quanto em aplicações empresariais: a perda de contexto durante a execução de uma tarefa. Por diferentes razões, um agente pode interromper a atividade que está realizando para se concentrar em outra não prevista originalmente, como se esquecesse seu objetivo inicial. Segundo os relatórios sobre o incidente, o agente

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apresentou sinais ainda mais evidentes desse comportamento, repetindo tarefas já concluídas, produzindo alucinações ao executar ações e comandos sem sentido e cometendo erros que um operador humano dificilmente cometeria. Como destacaram os especialistas da CSA: “Os agentes seguiram rotas ineficientes e exibiram comportamentos desajeitados que nenhum humano escolheria”. Por outro lado, o mesmo agente foi capaz de encontrar caminhos alternativos e contornar obstáculos a uma velocidade impressionante, testando simultaneamente milhares de possibilidades. “Essa é a realidade dos agentes autônomos impulsionados por modelos de ponta: eles são persistentes, por vezes geram um volume enorme de tráfego e tentam todos os caminhos possíveis para alcançar seu objetivo, o que pode facilmente sobrecarregar as defesas tradicionais”, observou Ritesh Patel, executivo de Segurança (CSO) da Hugging Face. As lições desse episódio são inúmeras. Não há motivo para pânico, até porque essa seria uma reação improdutiva. Tampouco a adoção de IA pelas empresas deverá desacelerar. O que causa preocupação é constatar que, passados mais de 30 anos de evolução da tecnologia da informação, continuamos repetindo o mesmo erro: deixar a segurança para uma etapa posterior, quando sistemas baseados em tecnologias inovadoras já estão em operação. Não se trata de um exagero. Um exemplo foi apresentado por Praveen Neppalli Naga, CTO - Chief Technology Officer do Uber. Segundo o executivo, a empresa adotou amplamente agentes de IA alcançando mais de 50 mil sessões


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diárias. Como afirmou: “Funcionários de toda a empresa utilizam agentes que leem código, executam comandos, acionam ferramentas internas, analisam dados e operam em sistemas reais”. Em seguida, o próprio executivo expõe o desafio enfrentado: “Essa escala nos forçou a enfrentar uma questão importante: como proteger agentes quando as suas ferramentas de segurança sequer conseguem vê-los?”, completa. O caso evidencia que a rápida incorporação de agentes de IA pode ocorrer antes que os mecanismos de proteção acompanhem essa transformação. Somente posteriormente o Uber implementou um sistema específico para monitorar esses agentes. Os resultados demonstraram a dimensão do problema: foram identificadas centenas de exposições de credenciais, tentativas de extração de dados de estações de trabalho e ataques de prompt injection.

Não deixa de chamar a atenção o fato de o ataque atribuído ao agente da OpenAI ter ocorrido pouco tempo após a sua concorrente, Anthropic, lançar seu modelo mais avançado, Mythos, e ter se alavancado como líder no uso de IA para segurança cibernética, inclusive lançando o projeto Glasswing, desenvolvido em parceria com alguns dos principais desenvolvedores de software do mundo. A principal lição desse episódio é que a adoção de agentes de IA nas empresas deve ocorrer em paralelo à implantação de um programa de segurança específico para esse ambiente. Repetir o modelo tradicional de implementar primeiro e tratar da proteção depois significa reproduzir um erro que a indústria da tecnologia já comete há décadas. Infelizmente, tudo indica que essa não será a prática predominante. Não foram poucos os especialistas e fornecedores de IA que atribuíram o episódio a um erro humano, como se o fato de um agente decidir executar uma ação não prevista, por meio de um ataque cibernético, fosse apenas uma

consequência operacional aceitável. O aspecto mais preocupante, entretanto, não foi o ataque em si, mas o fato de o agente ter decidido atacar outro sistema para cumprir o objetivo que lhe havia sido atribuído. O episódio também evidencia que as empresas precisam se preparar para um novo cenário: o de ataques persistentes e automatizados, como definiu o executivo da Hugging Face. Trata-se de ataques que poderão não ser detectados nem contidos pelos atuais mecanismos de segurança, concebidos para enfrentar invasores humanos e suas ferramentas, e não agentes de IA capazes de operar de forma autônoma e em larga escala.

Marcelo Bezerra é especialista em segurança da informação, escritor e palestrante internacional. Atua há mais de 30 anos na área, com experiência em diferentes áreas de segurança cibernética. No momento, ocupa o cargo de Gerente Sênior de Engenharia de Segurança na Proofpoint. Email: marcelo.alonso.bezerra@gmail.com.


INTERFACE

Paulo Marin

O que é uma fibra

óptica de núcleo oco (hollow-core optical fiber), como funciona e quais são suas principais características? Essa tecnologia deve se tornar o novo padrão em transmissão por cabos ópticos? Uma fibra óptica de núcleo oco é um tipo de fibra que guia a luz através de um núcleo central oco, ao contrário do núcleo sólido de vidro ou plástico usado nas fibras ópticas convencionais. O conceito, entretanto, é bastante antigo e intuitivo em termos de velocidade de propagação da luz por um determinado meio, embora as fibras ópticas de núcleo oco sejam uma realidade comercial recente. Há muito tempo, as fibras ópticas vêm sendo construídas com um núcleo sólido, em sua grande maioria de vidro, para guiar a luz e atualmente constituem o backbone das telecomunicações em nível mundial. No entanto, o vidro impõe uma limitação física natural à propagação da luz, pois ela se propaga por ele a velocidades aproximadamente 30% inferiores em relação à propagação pelo ar.

Fibras ópticas convencionais versus de núcleo oco Em uma fibra de vidro padrão, a velocidade de propagação de grupo é de aproximadamente 2 x 108 m/s, cerca de 67% da velocidade de propagação da luz no vácuo, o que Esta seção se propõe a analisar tópicos de cabeamento estruturado, incluindo normas, produtos, aspectos de projeto e execução. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI , e-mail: inforti@arandanet.com.br.

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resulta em uma latência de cerca de 5 µs/km. A proposta das fibras de núcleo oco é obter uma velocidade de propagação próxima à velocidade da luz no vácuo, ou seja, 3 x 108 m/s ou praticamente isto, o que tende a reduzir a latência em torno de 30% a 35%, ou seja, para níveis em torno de 3,5 µs/km. Além do ganho em velocidade, as fibras de núcleo oco reduzem de forma importante a interação com o vidro, buscando eliminar efeitos não lineares como os diversos espalhamentos que ocorrem nas fibras com núcleo de vidro. Essas fibras também suportam um espectro óptico mais amplo de baixa perda que pode se estender desde a faixa visível até cerca de 2100 nm e podem, inclusive,

bandgap, porém, em vez de uma estrutura óptica bidimensional, elas usam uma estrutura radial unidimensional. O revestimento consiste em camadas concêntricas de materiais alternados de alto e baixo índice de refração, formando um espelho cilíndrico de classificação Bragg. • Reflexão não ressonante – É uma abordagem alternativa que emprega capilares de parede fina de sílica ao redor de um núcleo oco. Esse novo projeto de fibra óptica utiliza um núcleo central preenchido por ar ou vácuo, cercado por um revestimento estruturado com mecanismos de descontinuidade/rejeição de banda óptica (bandgap), estrutura Bragg, reflexão não ressonante, etc., para

Fig. 1 – Exemplos de fibras ópticas convencional (a) e de núcleo oco (b)

alcançar menor atenuação em relação às fibras convencionais monomodo, evitando o limite de espalhamento de Rayleigh do vidro. De qualquer forma, o desempenho desse novo tipo de fibra depende de sua estrutura e tipo, a saber: • Mecanismo de separação ou diferença de banda óptica (bandgap) - Rejeita a propagação de luz em determinados comprimentos de onda. Nessas fibras, o revestimento é projetado como um cristal óptico bidimensional, como uma rede de furos de ar em sílica, enquanto o núcleo oco atua como uma falha mecânica nessa estrutura. • Fibras de classificação Bragg - São uma variação do mecanismo de

confinar e transmitir luz. A figura 1 mostra exemplos de estruturas de fibras ópticas convencionais e de núcleo oco. Em termos de propagação da luz, nas fibras ópticas convencionais, a luz é guiada através de um núcleo sólido feito de vidro ou plástico por reflexão interna total (o vidro, ou sílica, é o material utilizado em fibras ópticas para telecomunicações e redes). Em fibras ópticas convencionais, a luz se propaga por meio do material do núcleo, o que leva à atenuação devido à absorção e espalhamento. No caso de uma fibra de núcleo oco, a luz é guiada através de um núcleo e trafega principalmente pelo ar ou vácuo, o que reduz


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INTERFACE significativamente a atenuação por apresentar menores perdas por absorção e espalhamento em comparação com materiais sólidos.

Benefícios das fibras de núcleo oco Os principais benefícios das fibras de núcleo oco são: • Atenuação reduzida - Essas fibras apresentam atenuação muito menor que as de núcleo sólido, uma vez que a maior parte da luz se propaga pelo ar ou pelo vácuo dentro do núcleo, e não pelo material sólido da fibra. Tanto o ar quanto o vácuo causam menor absorção e espalhamento em relação à sílica, portanto há menos perda de sinal e os dados podem ser transmitidos a distâncias mais longas. • Latência mais baixa - A latência é o tempo que os pulsos levam para se propagar entre um transmissor e um receptor em um sistema de comunicação óptica. Como a luz se propaga mais rapidamente pelo ar (ou vácuo), as fibras de núcleo oco reduzem o tempo de propagação dos pulsos de sinal (dados). Isso leva a uma latência menor, um fator importante para aplicações críticas em velocidade, como negociação de alta frequência, para citar um exemplo. • Operação com potência mais alta Fibras de núcleo oco podem suportar níveis mais elevados de potência luminosa em relação às fibras de núcleo sólido porque luz de alta potência em núcleos sólidos pode desencadear efeitos não lineares e danificar o material. Em fibras de núcleo oco, a luz interage menos com o material da fibra, reduzindo esses riscos. Como resultado, são adequadas para uso com laser de alta potência. • Redução de efeitos não lineares Fibras de núcleo oco apresentam melhor desempenho por reduzirem efeitos ópticos não lineares como falhas de modulação de fase, espalhamentos diversos, etc. que

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frequentemente prejudicam os sistemas de transmissão óptica de potência mais elevada. Nessas fibras, os efeitos ópticos não lineares são muito reduzidos, o que ajuda a oferecer maior qualidade de sinal e estabilidade para aplicações em telecomunicações, sensoriamento de precisão, entre outras. • Dispersão mais baixa - A dispersão de fase, que é o espalhamento do pulso no tempo ao longo de sua propagação por meio do canal óptico, limita o desempenho do sistema de comunicação em fibras ópticas com núcleo sólido. Fibras de núcleo oco têm menor dispersão, pois controlam melhor como a luz se propaga pelo meio. Isso reduz o espalhamento dos pulsos e ajuda a preservar a qualidade do sinal em distâncias mais longas.

Limitações e desafios As fibras de núcleo oco ainda são mais caras que as fibras tipo monomodo, têm processos de fabricação mais complexos e apresentam um menor rendimento de produção. Com o aumento da demanda, essas fibras tendem a se tornar competitivas no mercado. As fibras de núcleo oco podem ser mais frágeis e mais sensíveis a dobras e esmagamentos. Portanto, as construções dos cabos devem empregar proteção para raios de curvatura muito fechados e pressão excessiva, especialmente durante a instalação. A conexão de fibras de núcleo oco às fibras padrão, com núcleo sólido, é delicada e representa um desafio importante. A interface ar/vidro reflete entre 4% e 5% da luz, causando perdas que tendem a degradar o desempenho do sistema de transmissão.

Conclusão Apesar dos desafios aqui mencionados, as fibras de núcleo oco têm um enorme potencial de

desenvolvimento e uma grande variedade de aplicações em telecomunicações, equipamentos médicos, sistemas de comunicação que operam com laser de alta potência, sensoriamento, data centers, entre outras. Em nosso mercado, ou seja, sistemas de telecomunicações e redes, a aplicação potencial mais relevante é, certamente, na infraestrutura de data centers. A redução da latência é fundamental para a melhoria de desempenho de vários processos, inclusive das plataformas e ferramentas de IA - Inteligência Artificial que ditam as regras para os projetos de data centers de alto desempenho. Nesse quesito, as fibras de núcleo oco são imbatíveis. Por outro lado, essas fibras não devem substituir as fibras ópticas convencionais (pelo menos não há essa expectativa no horizonte) construídas com núcleo de material sólido na grande maioria das aplicações mesmo nas telecomunicações, Internet e data centers convencionais, ou seja, aqueles que não são da modalidade hyperscale. Os tipos de construção que mencionei, que podem não ser os únicos empregados nas fibras de núcleo oco, estão bastante consolidados e reconhecidos pelos players do mercado. Não se trata de tecnologias proprietárias, embora ainda haja muito a ser trabalhado no âmbito da normalização técnica. Tratase, certamente, de um setor em franco desenvolvimento.

Paulo Marin é engenheiro eletricista, doutor em interferência eletromagnética aplicada à infraestrutura de TI e telecomunicações e mestre em propagação de sinais. Marin é membro sênior do IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, consultor, palestrante, coordenador da ABNT/Cobei e autor de livros técnicos.


EM REDE

Camila Nogueira, CEO da Agência Uaauge

De provedor a marca: o novo jogo competitivo no mercado de telecom O mercado de provedores de Internet ainda carrega um desafio estrutural: a comoditização. Velocidade, preço e cobertura se tornaram variáveis cada vez mais similares entre os players, criando um cenário em que a decisão do cliente, muitas vezes, se resume ao menor valor. E é exatamente aí que começa o problema. A guerra de preço, embora pareça uma estratégia de crescimento no curto prazo, enfraquece a sustentabilidade do negócio. Margens comprimidas limitam investimento, reduzem a capacidade de inovação e colocam o provedor em um ciclo perigoso: quanto mais barato, mais difícil se diferenciar. Nesse contexto, crescer deixa de ser uma construção estratégica e passa a ser uma disputa por sobrevivência. Mas o mercado está mudando, e rápido. Se antes a velocidade era o principal argumento de venda, hoje ela se tornou o mínimo esperado. O cliente já parte do princípio de que a Internet precisa funcionar bem, ou seja, entregar conexão de qualidade não é mais diferencial, é obrigação. Nesse cenário, a experiência ganha protagonismo. A verdade é simples: o cliente só percebe o serviço quando algo dá errado. E é justamente nesse momento que se constrói, ou destrói, a relação. Atendimento ágil, comunicação clara, proximidade e resolução eficiente deixaram de ser “extras” e passaram a ser fatores decisivos de retenção. Esta seção aborda aspectos tecnológicos das comunicações corporativas, em especial redes locais, mas incluindo também redes de acesso e WANs. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI, e-mail: inforti@arandanet.com.br.

Provedores que entendem isso deixam de operar apenas como empresas técnicas e passam a atuar como marcas que se relacionam. Criam jornadas mais humanas, investem em pontos de contato e constroem uma percepção que vai além da entrega do serviço. Em telecom, experiência não significa encantar o cliente o tempo todo, mas estar presente da forma certa, especialmente nos momentos críticos. O posicionamento se torna um diferencial estratégico. Muitos provedores são tecnicamente excelentes, possuem estrutura robusta e entregam um serviço competitivo. Mas continuam invisíveis como marca. Não ocupam espaço na mente do cliente, não constroem autoridade no território onde atuam e, por isso, acabam sendo facilmente substituídos. Posicionamento não é sobre estética, é sobre percepção. É a forma como o mercado enxerga a empresa, o que ela representa e por que ela deve ser escolhida, mesmo quando não é a mais barata. Provedores que trabalham seu posicionamento deixam de disputar por preço e passam a disputar valor. Isso envolve clareza de mensagem, consistência de comunicação e presença ativa no mercado. É necessário sair do discurso técnico e construir uma narrativa que se conecte com o cliente, com a comunidade e com o território em que está inserido. E lembrem-se: autoridade não se compra, se constrói. Outro aspecto que ganha relevância nesse cenário é a fidelização. Conquistar novos clientes continua sendo importante, mas preservar a base existente tornou-se um dos principais indicadores da saúde do negócio. Empresas que investem em relacionamento contínuo, comunicação transparente e ofertas que agregam valor conseguem reduzir o churn, aumentar o tempo de permanência dos assinantes e fortalecer o vínculo com a marca. É nesse contexto que o branding se consolida como um dos pilares

52 – RTI – AGO 2026

estratégicos do crescimento. Mais do que estética, ele representa direção: define como a empresa quer ser percebida, reconhecida e lembrada pelo mercado. Não se trata apenas de um logotipo ou identidade visual, mas da construção intencional de percepção. É ele que define como a empresa é lembrada, como se comunica e como sustenta sua proposta de valor ao longo do tempo. Em um mercado em que os serviços são cada vez mais semelhantes, é a marca que diferencia, que cria conexão e que reduz a dependência de preço. Provedores que investem em branding fortalecem sua presença regional, constroem reconhecimento e ocupam um espaço claro na mente do cliente. E quando isso acontece, a escolha deixa de ser racional e passa a ser relacional. Ela nasce da repetição de uma mensagem coerente, da entrega consistente e da capacidade de se posicionar como referência. Os provedores que assumem esse papel deixam de ser apenas fornecedores de Internet e passam a ser reconhecidos como líderes regionais. O futuro dos provedores não será definido por quem entrega mais “mega”, mas por quem constrói mais valor. Por quem entende que marca não é um detalhe, mas um ativo estratégico. E, principalmente, por quem consegue transformar serviço em experiência e presença em autoridade. No fim, a pergunta deixa de ser “quanto custa?” e passa a ser “por que escolher você?”. E essa resposta, cada vez mais, não está na velocidade, está na marca. Por isso afirmo: uma marca bem posicionada é o melhor plano que a sua empresa pode ter.

Camila Nogueira é CEO da Agência Uaauge, jornalista e especialista em branding para o mercado de telecomunicações. Lidera projetos de posicionamento estratégico para provedores de Internet, ajudando empresas a fortalecer suas marcas, ampliar sua presença no mercado e impulsionar o crescimento dos negócios.


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PRODUTOS

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Roteador SD-WAN O roteador corporativo

AR3000, da Aligera, reúne recursos de roteamento, segurança, VPN, balanceamento de links, monitoramento e SD-WAN em um único equipamento. Desenvolvido com hardware industrial e engenharia nacional, o produto oferece throughput de até 3,4 Gbit/s,

balanceamento inteligente de links, failover automático, suporte às VPNs WireGuard e OpenVPN, firewall stateful e provisionamento automático. A solução dispensa licenciamento para a utilização de todos os seus recursos. Site: https://aligera.com.br.

UPS A Eaton disponibilizou

o UPS trifásico 9395XR, desenvolvido para aplicações em data centers e outros ambientes críticos de TI. Compatível com baterias de íons de lítio, o equipamento oferece eficiência energética de até 99% com sistema ESS - Energy Saver System e até 97% em modo dupla conversão. O modelo

suporta potência de até 1,5 MW em área ocupada de 1,44 m² e conta com módulos hot-swappable de 125 kW, além de protocolos de comunicação como SNMP, Modbus TCP/IP e BACnet IP para monitoramento e gerenciamento da infraestrutura energética. Site: www.eaton.com.br.

Sistema de resfriamento

Cabos de potência para data centers

CPEs 4G

A Vertiv apresentou o

A Neocable comercializa o

uma nova linha de CPEs 4G voltada a aplicações de acesso LTE. Desenvolvida para diferentes cenários de conectividade, a família é compatível com as principais frequências utilizadas no Brasil, suportando redes públicas e privadas. O primeiro modelo da linha, VK-233, utiliza tecnologia

Vertiv CoolLoop Trim Cooler, sistema de resfriamento por free cooling desenvolvido para data centers de alta densidade voltados a aplicações de IA Inteligência Artificial. O equipamento oferece capacidade de resfriamento entre 850 e 2600 kW, podendo atingir 3000 kW em configurações com refrigeração a ar. Compatível com arquiteturas de

resfriamento líquido, a solução utiliza tecnologia inverter nos compressores e bombas e foi projetada para reduzir o consumo energético em operações com alta demanda térmica. Site: www.vertiv.com.

Switches industriais A ALE International, que atua sob a marca Alcatel-Lucent, ampliou seu portfólio de switches industriais com a família OmniSwitch 6575.

Desenvolvida para aplicações de missão crítica, a linha é indicada para operação em subestações inteligentes, sistemas ferroviários, infraestrutura viária, IIoT - Internet Industrial das Coisas e redes privadas 5G, incorporando recursos de temporização e sincronização. Site: www.al-enterprise.com/pt-br.

cabo flexível de potência Neoflex Atox, desenvolvido para alimentação e distribuição de energia em baixa tensão (0,6/1 kVca).

Com raio de curvatura reduzido, a solução facilita a instalação em eletrodutos, bandejas, leitos e passagens subterrâneas. O produto suporta sobrecargas de até 130°C e curtos-circuitos de 250°C. Segundo a fabricante, o condutor de alumínio reduz os esforços mecânicos sobre os suportes, permitindo vãos maiores. Site: https://neocable.com.br/.

IA on-premises A Positivo Tecnologia, por

meio da Positivo Servers & Solutions, unidade especializada em servidores de dados e de IA Inteligência Artificial, storages e infraestrutura de

TI, anunciou o lançamento da Positivo IA Box, solução integrada de IA on-premises entregue no modelo HaaS Hardware as a Service. O produto é um ecossistema turnkey que integra hardware, software e serviços em uma infraestrutura de IA para empresas, com suporte a modelos como Llama, Gemma e DeepSeek. Site: www.positivoempresas.com.br.

A Venko Networks lançou

LTE Cat. 4, com velocidade de download de até 150 Mbit/s, e apresenta Wi-Fi de 2,4 GHz integrado, uma porta Gigabit Ethernet e antenas externas fixas. Site: www.venkonetworks.com.

Criptografia pós-quântica O SAFECore Edge, da

Sitehop, oferece criptografia pós-quântica reforçada por hardware na borda da rede. Com dimensões de 37 mm x 116 mm x 68 mm, a solução pesa

310 g e consome menos de 10 W, alimentado por USB-C de 5 V ou 24 V. Oferece criptografia full duplex de 1 Gbit/s com até 10 conexões IPsec simultâneas e latência até 1000 vezes menor do que soluções exclusivamente de software. Site: www.sitehop.com.


Inscrições abertas!


PUBLICAÇÕES

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livro Na Saga das Telecomunicações e na Amazônia, de Juarez Martinho Quadros do Nascimento, reúne memórias do autor acumuladas ao longo de mais de cinco décadas de atuação no setor. Ex-ministro das Comunicações e ex-presidente da Anatel, o autor descreve fatos que hoje parecem distantes, como a necessidade de enfrentar longas filas e recorrer ao autofinanciamento para obter uma linha telefônica, a dependência de telefonistas para completar ligações interurbanas e uma época em que dispositivos móveis e a Internet ainda não existiam. A obra reúne relatos pessoais e institucionais que documentam a evolução das telecomunicações no Brasil e destacam o papel estratégico da Amazônia nesse processo. Pontes Editores (https://abrir.link/UkOde), 125 páginas.

NTT Data divulgou o relatório Inteligência sobre Ameaças Cibernéticas, que mostra a mudança no perfil dos ataques. Se antes as invasões eram rápidas e ruidosas, agora elas se tornaram operações discretas, persistentes e com objetivos

estratégicos de longo prazo. Essa nova forma de ataque já gera um impacto econômico global estimado em US$ 10,5 trilhões por ano. O estudo, que analisa o cenário do segundo semestre de 2025, revela que a IA - Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de defesa e passou a ser utilizada como aceleradora de ofensivas. Em 2025, quase metade dos ataques (47%) contou com o apoio de IA, praticamente o dobro do registrado no ano anterior. Além disso, o tempo médio para uma violação caiu para apenas 29 minutos, tornando os ataques 65% mais rápidos. Com 66 páginas, o estudo completo pode ser acessado pelo link: https://abrir.link/mujHX.

livro Mulheres na Cibersegurança – Edição Poder de uma História – Volume I reúne histórias de mulheres que atuam na cibersegurança, destacando trajetórias nas áreas de segurança da informação, proteção de dados, governança, privacidade, gestão de riscos, resposta a incidentes, inteligência cibernética e segurança em nuvem. A obra integra a Série Mulheres, projeto da Editora Leader dedicado à valorização de mulheres que

transformam suas áreas de atuação, e evidencia o protagonismo feminino em uma área essencial para a proteção de dados, sistemas e pessoas. Idealizado por Andréia Roma e coordenado por Márcia Bolesina, com prefácios de Graça Sermoud e Tânia Cosentino, o volume reúne relatos que demonstram o impacto da liderança feminina na segurança digital. Editora Leader (https://abrir.link/uVFHO), 234 páginas.

m Inteligência Artificial na Prática: Ferramentas e Ética para o Futuro, a autora Marta Roberta Pinheiro Garcia Teles explora os fundamentos, as aplicações em diversas áreas, os desafios éticos e as perspectivas para o futuro da IA - Inteligência Artificial. Com exemplos reais e sugestões de atividades, a obra tem como objetivo preparar o leitor para utilizar a tecnologia com propósito, segurança e confiança. Editora Senac (https://abrir.link/Mwjlg), 208 páginas.

Índice de anunciantes Abrint ........................ 55

Fibracem ..................... 24

ISP Conecta ............... 57

Novemp ..................... 45

Slim Pack ................... 11

Apronet ...................... 51

Forte Telecom ............. 41

ITTV ........................... 23

Olé TV .......................... 7

SMH Sistemas .... 4ª capa

Brady .......................... 47

Fujikura ...................... 13

Made4IT ..................... 10

Recomex .................... 36

TGL Telecom .............. 31

Clemar ....................... 25

Futurecom .................. 49

Megatron ................... 21

Seitec ......................... 14

Vero ........................... 29

Connectoway ...... 15 e 27

Inforbarra ............... 4 e 5

Nexusguard ................ 37

Shoreline ............. 3ª capa

WDC Networks .... 2ª capa

FiberShare .................. 30

Intelbras ..................... 19

NIC.br ........................ 43

Sitehop ...................... 39


ISP EM FOCO

Breno Vale, Diretor-Presidente da Abrint

O consenso sobre

segurança do trabalho existe. O debate agora é outro

Segurança do trabalho não deveria ser um tema de divergência no setor de telecomunicações. Afinal, os profissionais que atuam na construção e na manutenção de redes conhecem bem os riscos inerentes às atividades desempenhadas diariamente em postes, em altura, nas proximidades de redes elétricas e em outros ambientes que exigem capacitação técnica permanente. Os provedores de Internet convivem com essa realidade há muitos anos e sabem que investir em treinamento, equipamentos de proteção, procedimentos operacionais e qualificação profissional não é apenas uma obrigação legal, mas também uma responsabilidade para com seus colaboradores e um fator essencial para a sustentabilidade do próprio negócio. Por isso, é importante deixar claro que a discussão que hoje mobiliza parte do setor não diz respeito à necessidade de cumprir as normas de segurança do trabalho. Esse compromisso é inquestionável. Diante desse contexto, a questão central passa a ser a forma como a Anatel estruturou o mecanismo de comprovação dessas obrigações no âmbito da Resolução nº 777/2025. O objetivo da Agência foi reforçar a observância de normas já existentes, especialmente diante da preocupação com a precarização das relações de trabalho e seus impactos sobre a segurança dos profissionais e a concorrência no setor. Trata-se Esta seção aborda aspectos técnicos, regulatórios e comerciais do mercado de provedores de Internet. Os artigos são escritos por profissionais do setor e não necessariamente refletem a opinião da RTI .

de um objetivo legítimo e que merece reconhecimento. Empresas que deixam de investir em segurança, treinamento ou regularidade trabalhista não apenas colocam vidas em risco, mas também criam desequilíbrios competitivos em relação àquelas que cumprem rigorosamente suas obrigações. Nesse ponto, não há discordância. A reflexão proposta pela Abrint está em outro aspecto. O modelo adotado para a verificação documental passou a prever a possibilidade de que essa atividade seja realizada por entidade sindical patronal designada pela Anatel, responsável pela emissão de um atestado de conformidade documental. Trata-se de uma inovação regulatória que desperta questionamentos. Não em razão de qualquer contrariedade do setor à fiscalização ou à comprovação documental, mas porque toda mudança dessa natureza merece amplo debate sobre sua implementação, seus efeitos práticos e a forma como será aplicada às milhares de empresas que compõem o ecossistema brasileiro de provedores de Internet. Nesse sentido, é importante destacar que a maior parte dessas empresas já mantém programas de gerenciamento de riscos, controle médico ocupacional, treinamentos obrigatórios, registros de entrega de EPIs – Equipamentos de Proteção Individual, documentação trabalhista e demais exigências previstas nas Normas Regulamentadoras. Em outras palavras, a preocupação não está na documentação em si, mas no mecanismo adotado para sua comprovação, uma vez que o cumprimento dessas exigências já faz parte da rotina das empresas comprometidas com a segurança de seus trabalhadores. Portanto, o debate não se concentra na necessidade de assegurar a conformidade, mas no mecanismo criado para demonstrá-la perante o regulador. Por essa razão, a

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discussão foi levada ao Poder Judiciário. Nesse ambiente, observaram-se decisões judiciais divergentes ao longo do processo, evidenciando que o tema está longe de representar uma controvérsia simples ou pacificada. Pelo contrário, trata-se de uma questão institucional relevante, que envolve o aperfeiçoamento dos instrumentos regulatórios e a busca pelo modelo mais adequado para o setor. Independentemente do desfecho judicial, talvez a principal contribuição desse debate seja evidenciar a necessidade de construir mecanismos regulatórios capazes de conciliar três fatores igualmente importantes: proteger a vida e a segurança dos trabalhadores, combater a informalidade e oferecer proteção jurídica às empresas que atuam de forma responsável. Esses objetivos não competem entre si, mas se complementam. Dessa forma, a Abrint continuará a defender uma regulação que fortaleça a segurança do trabalho, incentive boas práticas empresariais e preserve um ambiente regulatório transparente, previsível e construído por meio do diálogo contínuo entre o regulador e o setor. Uma vez que não há controvérsias quanto ao objetivo quando o assunto é segurança, o que merece reflexão contínua é a definição dos meios mais adequados para alcançá-la.

Breno Vale é diretor-presidente e conselheiro da Abrint. Também foi sócio-fundador da Plug Telecom em Minas Gerais. Desde 2019, preside o Conselho Consultivo da Federação de Associações de Provedores da América Latina e do Caribe (LAC-ISP). Exerce liderança ativa na interlocução junto à Anatel, ao Congresso Nacional e a organismos internacionais como a UIT - União Internacional de Telecomunicações, ICANN – Internet Corporation for Assigned Names and Numbers e LACNIC – Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e Caribe.


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