Estrela Matutina - Edição Maio de 2021

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63 s

ano

Série B | Nº 267 | 12.500 exemplares

Boletim Informativo da Diocese de União da Vitória | Maio de 2021

Viva a Mãe de Deus e nossa!

NO COLO DE MARIA CONTEMPLAMOS A EXPRESSÃO DO AFETO E DO AMOR DE DEUS POR NÓS. VIVA MARIA! VIVA AS MÃES!

Confira também Ação Social

Mini TLC faz Campanha para Instituições. Pág. 04

Inclusão

Paróquia de Rio Azul inicia missa para surdos. Pág. 09

1 de Maio o

‘Dia do Trabalhador’ e Desemprego na Pandemia. Pág. 12

Novas Transferências no Clero da Diocese inclui novo pároco da Catedral. Pág. 07


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Estrela Matutina - Editorial - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

O mês de maio é marcante com as comemorações que ele traz, e o Estrela Matutina tem também seu espaço nele completando 63 anos no dia 15. Na coluna ‘Destaque’, ao lado, o (a) leitor (a) encontra um resumo dessa história. Maio se inicia com o ‘Dia do Trabalhador’, ou ‘Dia do Trabalho’, comemoração carregada de sentido e marcada pela luta de Direitos trabalhistas em vista de maior dignidade ao operário (a). As conquistas que temos hoje são frutos de luta, prisões, derramamento de sangue, doação da vida de alguns pela garantia de dignidade aos trabalhadores. O Estrela Matutina resgata um pouco desta história, traz um espelho do desemprego hoje na pandemia e registra a contribuição da Igreja na defesa da Dignidade do Trabalho e do Trabalhador. A Figura de Maria neste mês é outro elemento valorizado pela Igreja. Seu papel na História da Salvação como mulher escolhida por Deus para gerar seu Filho Jesus carrega o ideal de que a mulher como esposa, trabalhadora, mãe, filha de Deus, e como mulher mesmo, quanto mais olhar para a pessoa de Maria, a qual também foi humana como nós, e ter nela a referência de fazer na vida a vontade de Deus, mais feliz e realizada estará em espaços que ocupa na sociedade. As palavras “Eis aqui a serva do Senhor; Faça-se em mim a Tua vontade”, são atitudes de sabedoria de quem espera se realizar deixando Deus agir. Preocupada com a caminhada da sociedade, a Igreja do Brasil, também representada pela CNBB, discutiu no último mês temas relevantes na 58ª Assembleia dos Bispos, que você também encontra nessas páginas, entre eles a importante ação da Campanha da Fraternidade, expressão viva da Igreja na vida cotidiana das pessoas. Serviços de amor e caridade para com o próximo tivemos também em nossa Diocese com ações de ajuda a pessoas necessitadas na Pandemia, com arrecadação de alimentos e material de higiene. Outro importante gesto de inclusão social e eclesial foi o início das missas na linguagem dos sinais que se iniciaram na Paróquia da cidade de Rio Azul. Outros relevantes assuntos, como as últimas Transferências no Clero da Diocese, artigos e reflexões, dispomos aqui para você nesta Edição do 63º Aniversário do Estrela Matutina. Contato: fmslara37@gmail.com

Marcelo S. de Lara Editor-Chefe

Em Destaque Estrela Matutina Uma história de 63 anos Há sessenta e três anos surgia na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de União da Vitória, hoje Catedral da Diocese, um Boletim Informativo, que iria contar e fazer história na Igreja Particular de União da Vitória.

A participação do clero, religiosos, seminaristas, lideranças leigas e outros colaboradores com conteúdo para o Jornal, o torna um instrumento de representatividade da Família Diocesana, sem contar o incentivo sempre valioso por parte dos quatro bispos que até hoje passaram pela Diocese.

Neste mês de maio, especificamente no dia 15, o Estrela Matutina comemora seu aniversário de criação, completando 63 anos. Sua trajetória completa até os sessenta anos narramos nas Edições de maio e junho de 2018, que o (a) leitor (a), fiel, pode acessar nas edições anteriores no Site da Diocese.

Neste ano de 2021 o Estrela Matutina teve nova mudança. As consequências econômicas que a Pandemia do Coronavírus causou fez com que se precisasse reduzir custos. O Jornal que vinha com 16 páginas pas1º Edição , de Maio de 1958 e a edição de Maio de 2021 sou a ser confeccionado com 12 O mês de maio tem um colorido páginas. Também sua versão de nossas reuniões pensemos em dar especial para toda a Igreja, pois nele o nome ao jornal. E como Maria tem impressa não está sendo realizada lembramos a figura de Maria, Serva vários títulos, um deles é Estrela Ma- nos seus 12.500 exemplares, devido Fiel de Deus e colaboradora na Histó- tutina, ou seja, Estrela da Manhã, que a diminuição de público nas celebraria da Salvação. E o Jornal Diocesano traz a ideia de ser Mãe, aquela que nos ções, exigência das autoridades de tem uma relação especial com a figura guia até Jesus e nos guia em nossa saúde para evitar a proliferação da de Maria por duas situações. Primei- caminhada na terra.”, declarou Ulys- Covid-19. ro porque o nome, Estrela Matutina, ses Sebben, em entrevista ao Estrela tem sua inspiração em um dos títulos Matutina, em 2018. Acompanhando o progresso tecnodedicados à Nossa Senhora na Lalógico, o Estrela Matutina também se dainha, ‘Stella Matutina’ (Estrela da Desde 1958, quando de sua 1ª Edi- modernizou, sendo produzido para a Manhã). Em segundo lugar, porque a ção de 15 de maio, o Estrela Matuti- plataforma online. Mesmo sem a ticriação do Jornal se deu por iniciativa na veio em sua trajetória, entre suas ragem impressa, os fiéis, leitores (as) de alguns membros da Congregação publicações e interrupções, (a maior podem acessá-lo no Site da Diocese, Mariana Nossa Senhora do Perpétuo delas por um período de quinze inclusive Edições de alguns anos anSocorro e São José, um grupo de ho- anos), ampliando em sua tiragem, de teriores, além de poderem tê-lo em mens que na época faziam parte da modo especial quando passou a ser seu celular, computador ou tablet, paróquia Sagrado Coração de Jesus um Jornal Diocesano, após a Instala- em arquivo PDF. de União da Vitória, onde auxiliavam ção da Diocese de União da Vitória, Hoje, além do arquivo online das em diversas atividades na igreja. Esta em 06 de março de 1977. Edições, alguns exemplares impresCongregação Mariana foi fundada na paróquia pelos padres Redentoristas Desde o momento da Instalação da sos são enviados às paróquias, e 13 quando vieram em missão para União Diocese, o Estrela começou a chegar encadernações anuais são feitas da Vitória, em 1937, com o padre Vitor à todas as igrejas Matrizes e Comu- para arquivamento histórico na DioCoelho. nidades, as quais hoje ultrapassam cese, na CNBB Regional, Seminário, 400 ao todo. No desafio de sempre e Universidades de União da Vitória. Os dois principais mentores do Jornal manter seus custos de produção, o foram Mário José Mayer, (in memo- Jornal além da valorosa contribuição Neste seu mês de aniversário, parian) e Ulysses Antônio Sebben, hoje dos fiéis quem vem por parte das pa- rabéns ao Estrela Matutina, a seus Diácono Permanente na Diocese, com róquias, sempre contou com a ajuda idealizadores, colaboradores, patro88 anos de idade. “Em uma das reu- dos colaboradores da evangelização, cinadores e a todos os diocesanos niões da Congregação, o senhor Mário que divulgando suas marcas, servi- que fizeram essa história de 63 anos José Mayer e eu, tomamos a inciativa ços e produtos, patrocinam o Estrela ser contada e registrada no Jornal Diocesano. de fazer um boletim da Matriz Sagra- Matutina. do Coração de Jesus. Um dia, em uma

EXPEDIENTE

Editorial

Proprietária Mitra da Diocese de União da Vitória Rua Manoel Estevão, 275 União da Vitória, PR Contato: estrela@dioceseunivitoria.org.br (42) 3522 3595 Diretor Dom Walter Jorge Pinto Editor-Chefe Francisco Marcelo S. de Lara

Redatores Dom Walter Jorge Pinto Dom Walter Michael Ebejer Diác. Alisson M. de Moura Célio Reginaldo Calikoski Gustavo Santana Francisco Marcelo S. de Lara Diagramação e Arte Final Agatha Przybysz

Tiragem 12.500 exemplares Revisão Pe. Abel Zastawny Francisco Marcelo S. de Lara Impressão Gráfica Grafinorte - Apucarana, PR (41) 9 9926 1113 Fundado em 15 de maio de 1958, por Dr. Mário José Mayer e Ulysses Sebben.


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Palavra do Bispo A FORÇA DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO a terra, deveríamos pensar que já é hora de buscar outros modelos, baseados em novos fundamentos. E é justamente aí que a mensagem cristã tem algo a dizer ao mundo, por sua novidade eterna, capaz de oferecer novos horizontes para a humanidade.

Ainda estamos em pleno acontecer da pandemia da Covid-21 no Brasil e é muito importante ter consciência, em meio a tantos sofrimentos, que a vida não tem neste mundo sua plena realização. A ressurreição de Jesus nos convida a olhar adiante, “onde está Cristo sentado à direita do Pai”, lá onde a vida tem seu pleno alvorecer. Crer na ressurreição de Jesus não é, contudo, se alienar da vida presente e se refugiar numa espécie de lenitivo, de calmante que justifique o suportar resignadamente as agruras pelas quais passamos, mas é haurir forças para enfrentar com coragem os combates que a vida nos apresenta, sem se deixar desfalecer, sem perder a esperança de que a vitória de Deus, vitória, portanto da vida, já está delineada. “Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8,37). Se de um lado os cristãos não podem ser alienados do mundo, por outro também não podem ser portadores de más

notícias, de desesperanças, de mensagens apocalípticas de destruição e do fim. O Evangelho de Jesus não é assim, mas ao contrário, é a alegre notícia do amor do Pai, que em seu filho Jesus, nos amou sem limites e de tal modo, que nada “poderá nos separar deste amor” (Rm 8,39). O “Evangelho da alegria” nos garante desde esta vida uma vitória que ninguém poderá arrancar de nossas mãos, a não ser nós mesmos, pela absoluta falta de confiança no Pai de Jesus, cuja alegria é a de que todos sejam salvos (Cf. 1 Tm 2,4).

O “Evangelho da alegria” nos garante desde esta vida uma vitória que ninguém poderá arrancar de nossas mãos, a não ser nós mesmos, pela absoluta falta de confiança no Pai de Jesus, cuja alegria é a de que todos sejam salvos (Cf. 1 Tm 2,4).

É verdade que Jesus falou sobre um fim da história, mas não sobre o fim da vida, sobre a destruição da obra de Deus. Pelo contrário, ao falar do fim, Ele afirma que fará novas todas as coisas (Cf. Ap

21,5) e que, quando virmos o que predisse acontecer, deveríamos levantar a cabeça, pois nossa redenção estaria próxima (Cf. Lc 21,28). É triste quando vemos a humanidade destruindo a natureza, como se fosse preciso fazer isto para haver desenvolvimento econômico; é igualmente triste quando vemos que pouco se faz para concretamente se evitar o aquecimento global. É lamentável que a economia do mundo se baseie em aumento constante do consumismo, como se, sem isto não pudéssemos ter vida satisfatória e suficiente bens para todos. Estas coisas se fundamentam em paradigmas, em modelos equivocados, os quais foram criados mais para justificar o acúmulo de renda da parte de uns poucos do que em vida plena para todos. São mentiras bem contadas que acabam por passar por verdades. Diante de tantos danos que estes modelos estão produzindo para a vida sobre

Por isso, e em vez de ficar espalhando o desespero, os cristãos devem fazer ver aos homens que, estando unidos a Cristo, somos capazes de produzir frutos que permaneçam (Cf. Jo 15, 1,17), frutos bons: da justiça que gera vida, da confiança que traz esperança e coragem para lutar por um futuro de beleza, de amor e de paz; devem testemunhar que a Ressurreição de Jesus não é um conto religioso para religiosos, mas a realidade mais importante que há para a humanidade, pois determina o seu futuro e deve conduzir as pessoas a pensar a vida de hoje em relação à eternidade. Além do mais, que ela traz em si uma força poderosa e real para todo aquele que crê em Cristo, tornando-o portador da graça de Deus para o mundo, da sua presença e da sua mensagem cheia de vida, que alenta, orienta, enche de fé e de esperança acerca da vida. A Ressurreição de Jesus, sempre operante no mundo, leva-nos a crer que o mundo tem futuro, que a vitória de Deus está traçada e fará a vida triunfar, não obstante os sinais de morte.

Dom Walter Jorge Bispo Diocesano


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Mini TLC realiza campanha para Entidades de União da Vitória O Grupo Mini TLC, da cidade de União da Vitória realizou no mês de abril uma

Campanha para arrecadar leite e outros produtos, destinados a algumas Entidades da cidade. A iniciativa foi despertada a pedido de uma das Irmãs Ucranianas responsável pela Casa de Recolhimento, Lar de Nazaré, que cuida de idosos. A campanha segundo Paulo Zanetti, um dos coordenadores do Grupo foi além, visando atender também outras Entidades. “Há cerca de um mês a irmã responsável pelo Lar de Nazaré nos solicitou leite. Aí veio a ideia de realizarmos uma campanha. Iremos levar nesse primeiro momento no Lar de Nazaré, ARES, e Abrigo Santa Clara”, comentou Paulo. Até o fechamento desta edição, o Grupo havia arrecadado 500 litros de leite, várias cestas básicas e produtos de limpeza. O encerramento da primeira fase da arrecadação se deu no dia 24 de abril na Santa Missa. O Grupo ainda vai continuar a Campanha por outros meses. Informações: Paulo Zanetti – Mini TLC

Orando com os Salmos

Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei Salmo 118, 153-176

153 Vede, Senhor, minha miséria, e livrai-me, porque nunca me esqueci de vossa lei! 154 Defendei a minha causa e libertaime! Pela palavra que me destes, daime a vida! 155 Como estão longe de salvar-se os pecadores, pois não procuram, ó Senhor, vossa vontade! 156 É infinita, Senhor Deus, vossa ternura: conforme prometestes, daime a vida! 157 Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! 158 Quando vejo os renegados, sinto nojo, porque foram infiéis à vossa lei.

Comentário do Salmo 118, 153-176

166

Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.

Encerramos aqui o Salmo 118, o qual viemos por várias edições fazendo sua meditação; fazendo dele nossa Oração.

167 Obedeço fielmente às vossas ordens, e as estimo ardentemente mais que tudo. 168 Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós. 169 Que o meu grito, ó Senhor, chegue até vós; fazei-me sábio como vós o prometestes! 170 Que a minha prece chegue até à vossa face;conforme prometestes, libertai-me! 171 Que prorrompam os meus lábios em canções, pois me fizestes conhecer vossa vontade! 172 Que minha língua cante alegre a vossa lei, porque justos são os vossos mandamentos!

Em suas angústias e alegrias, ainda que distantes de nós na época, os Salmos revelam muito de nossos diálogos com Deus, porque brota da própria condição humana, e condição de crentes em Deus.

159 Quanto eu amo, ó Senhor, vossos preceitos! Vossa bondade reanime a minha vida! 160 173 Vossa palavra é fundada na Estendei a vossa mão para ajudarverdade,os vossos justos julgamentos me, pois escolhi sempre seguir vossos são eternos. preceitos! 161 174 Os poderosos me perseguem sem Desejo a vossa salvação motivo; meu coração, porém, só teme ardentemente e encontro em vossa a vossa lei. lei minhas delícias! 162 Tanto me alegro com as palavras 175 que dissestes, quanto alguém ao Possa eu viver e para sempre vos encontrar grande tesouro. louvar; e que me ajudem, ó Senhor, vossos conselhos! 163 176 Eu odeio e detesto a falsidade, Se eu me perder como uma ovelha, porém amo vossas leis e andamentos! procurai-me, porque nunca esqueci 164 Eu vos louvo sete vezes cada vossos preceitos! dia, porque justos são os vossos julgamentos. Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo 165 Os que amam vossa lei têm grande Como era no princípio, agora e paz, e não há nada que os faça sempre. Amém! tropeçar.

Contudo, os autores destas orações, destes textos nos fortalecem na Oração pela sua fidelidade na relação com Deus, ainda que O questionando, como nós também fazemos. Deus nos entende, entende o que sentimos e entende até nossas indignações. Sendo um Pai amoroso e misericordioso para conosco, olha e nos dá aquilo que precisamos, e nem sempre o que desejamos. Nossa relação com Deus não deve se dar pelo cumprimento de Leis. Estas servem como guia para nós,

mas é o amor a Deus quem nos dará a liberdade de seguirmos suas leis. Para nós cristãos, Cristo é a nossa Lei. N’Ele está o modelo perfeito do cumprimento da vontade de Deus. A lei que no AT era guia para se chegar à Deus e conhecer sua vontade, agora no NT se faz referência no prórpio Jesus. Neste último trecho do Salmo 118, o Salmista revela uma piedade profunda, sem formalismos, mas deixa transparecer sua alma sincera no diálogo com Deus. Tenhamos como esses autores um coração aberto e sincero, seguindo os preceitos do Senhor e confiando que Ele nos guia pelos melhores caminhos, mesmo em meio às dores. Marcelo S. de Lara PASCOM


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Igreja celebra ‘Dia Mundial das Catequese Comunicações’ CATEQUESE DE ADULTOS

No dia 16 de maio, Solenidade da Ascenção do Senhor, a Igreja celebra o 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Todo ano, o Papa lança uma Mensagem no 24 de janeiro, Memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e comunicadores, em menção ao Dia Mundial, celebrado sempre no Domingo da Ascenção. O tema da Mensagem deste ano é “Vem e verás” (Jo 1, 46) – Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são. Em um dos trechos da Mensagem, o Papa Francisco disse que é preciso que a comunicação não saia somente das redações, mas que se gaste a sola do sapato indo ao encontro das pessoas, ainda que utilização dos meios eletrônicos sejam importantes. “Todos os instrumentos são importantes, e aquele grande comunicador que se chamava

DATA 09 12 16 16 25 27 28

Paulo de Tarso ter-se-ia certamente servido do e-mail e das mensagens eletrônicas; mas foram a sua fé, esperança e caridade que imp re s s i o n a r a m os contemporâneos que o ouviram pregar e tiveram a sorte de passar algum tempo com ele, de o ver durante uma assembleia ou numa conversa pessoal”, comunicou Francisco.

Iniciação à Vida Cristã a Jesus mestre, aprofundando no mistério de sua Pessoa, seu exemplo e sua doutrina; 4 – A celebração da vida na liturgia e na prática dos sacramentos;

PASCOM DIOCESANA Aumentando o número de membros na Pastoral da Comunicação (Pascom) na Diocese, os pasconeiros e pasconeiras vêm se esforçando para que a comunicação do Evangelho aconteça de modo mais eficiente e transformador nas paróquias e comunidades. Iniciativas de implantação da Pascom nas paróquias e formações pelo Regional Sul 2 vêm acontecendo, como se deram nos dias 24, e 29 de abril deste ano.

ANIVERSARIANTES DE MAIO Pe. Evaldo Przywitowski Karpinski, Nascimento; Pe. Evaldo Przywitowski Karpinski, Ordenação; Pe. Fabiano Bulkovski, Ordenação; Pe. Mauro Sérgio Portela dos Santos, Ordenação; Pe. Franciszek Adamczyk, Ordenação Pe. Emerson Gonçalves de Toledo, Ordenação; Pe. Abel Zastawny, Nascimento;

A sociedade está em constante mudança. E na religião não é diferente, também temos muitas mudanças. O que não muda é o essencial dentro da religião: Jesus Cristo. Essas mudanças exigem de uma paróquia, para a formação cristã, a Iniciação à Vida Cristã. O Documento de Aparecida em seu número 302 nos diz que devemos encarar esse desafio na formação com decisão, coragem e criatividade... O Documento de Aparecida diz ainda: “A paróquia precisa ser o lugar onde se assegura a iniciação cristã e terá como tarefa irrenunciável: iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente evangelizados; iniciar os não batizados que, havendo escutado o querigma, querem abraçar a fé (DAp, nº 308). A Iniciação Cristã abrange cinco elementos (cf. DAp. Nº 295)

5 – O compromisso com a comunidade missionária. É urgente a elaboração de uma proposta de iniciação Cristã. Esta proposta precisa iniciar pelo querigma que guiado pela Palavra de Deus vai permitir um encontro pessoal com Jesus Cristo, levando a conversão, a pertença a uma comunidade de fé, a prática dos sacramentos e ao serviço e missão (cf. DAp, nº 304). Precisamos ter em mente também, que a Iniciação à Vida Cristã não é uma tarefa somente da catequese, ela precisa ser assumida por todas as Pastorais, Setores e Movimentos da paróquia, como diz o Documento de Aparecida em seu número 309: “Assumir esta iniciação cristã exige não só uma renovação da catequese, mas também uma reestruturação de toda a vida pastoral da paróquia. ” Temos muitos cristãos, em nossas comunidades, que não participam na Eucaristia dominical, não recebem com regularidade os sacramentos e não se inserem ativamente na comunidade de fé. Por esse motivo se faz necessário uma reestruturação pastoral da paróquia visando a Iniciação à Vida Cristã, principalmente com os adultos.

1 – Conhecimento e vivência da Palavra de Deus, culminando no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo (querigma); 2 – Ser um cristão convertido, atualizando a redenção de Cristo no Batismo e na Reconciliação; 3 – Ser discípulo no amor e seguimento

Célio R. Calikoski Coordenador da Pastoral Catequética


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Um mês do falecimento do padre Silvano: Uma História e uma Rua em homenagem No dia 24 de abril, recordou-se um mês da morte do padre Silvano Surmacz, falecido vítima da Covid-19, após internado na UTI do Hospital Angelina Caron, em Campinha Grande do Sul, região Metropolitana de Curitiba.

Pe. Silvano, com seu Opala, na frente da Matriz São Mateus, em São Mateus do Sul (Foto: Arquivo)

Muito conhecido em diversas lugares sua morte gerou grande repercussão nas Redes Sociais.

A iniciativa do padre em prestar assistência religiosa ou apoio quando passava por algum acidente era também conhecida. Foi uma delas que chegou até nossa Redação dias após sua morte, e que aqui contamos. A HISTÓRIA No dia 09 de setembro de 2015, dois rapazes, Diógenes Ferreira Miyata e Jorge Oliveira, se dirigiam de Curitiba à cidade de Palmas, à trabalho. Passando pelo trecho que liga São Mateus do Sul à União da Vitória sofreram um acidente. Após o carro ser atingido no parabrisa por uma banda de recapagem do pneu de um caminhão que vinha em sentido contrário, o motorista Jorge perdeu a consciência com o impacto do objeto que danificou o parabrisa e atingiu sua face. No susto, invocando a proteção de Nossa Senhora, Diógenes, que estava no banco do passageiro, tentou parar o carro sem saber o que fazer, quando o veículo por si mesmo foi parando após ter passado por uma pequena ponte e subindo em um barranco.

Diógenes Ferreira Miyata. (Foto: arquivo pessoal)

Uns cinco minutos depois, relatou Diógenes, parou uma moto e um carro onde estava o padre Silvano Surmacz, o qual buscou acalmar os jovens indo logo em seguida atrás de socorro. “O padre Silvano tentou falar com o Jorge, e pediu que eu não deixasse ele dormir que ele iria atrás de ajuda, mas meu amigo estava desacordado já. Uns 20 minutos depois veio uma ambulância, que não estava à serviço, mas estava em uma oficina. Carregamos meu amigo nela e fomos às pressas para o Hospital de União da Vitória”, relatou ele.

Após saber pela equipe médica do risco de vida do amigo, Diógenes ficou nervoso pensando imediatamente em ligar para os familiares do colega. (Na época, Jorge teve um impacto forte no queixo que afetou também a coluna. Passou 15 dias na UTI e foi transferido para Curitiba. Teve sequelas no cérebro prejudicando sua memória, impossibilitando de lembrar de algumas passagens de sua vida, inclusive dos filhos). “E quando eu estava pensando no que fazer chegou o padre Silvano. Vendo que eu estava nervoso, me levou primeiro para um café em um local perto ao hospital, perguntou de minha vida um pouco e depois me disse – Agora que você está mais calmo pode ligar para os familiares -. Depois que retornei para Curitiba nunca mais o vi, mas a fisionomia do padre Silvano ficou muito marcante para mim. Ele inclusive me passou seu contato e disse que o que precisasse enquanto estava no Hospital era só ligar para ele”, relatou Diógenes. Jorge Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)

Participante de um Grupo de WhatsApp, chamado ‘Confraria Santo Tomás de Aquino’, da cidade de Americana – SP, onde trabalhou e morou por um tempo, na semana em que o padre estava internado no Angelina Caron, Diógenes viu uma postagem de seu amigo André Santiago pedindo orações para o padre Silvano. Não lembrando no momento de quem era o padre, no dia 24 de março seu amigo fez outra postagem comunicando no Grupo a morte do padre Silvano, quando então Diógenes resolveu buscar na internet quem seria, tendo então a surpresa de que o padre era aquele que tinha dado todo apoio a ele e a seu amigo Jorge no dia do acidente. “De curiosidade procurei no Google, e quando vi a foto levei um susto. Voltou muita coisa em minha cabeça. Havia me esquecido do nome dele, mas da fisionomia e de tudo o que aconteceu nunca me esqueci. Ele me passou a impressão de uma pessoa de Deus; serena; atenciosa; amiga mesmo, se importando com o outro. Levei um choque porque realmente é uma pena perder um sacerdote como este no momento em que a Igreja tanto precisa de sacerdotes que cuidem de seu rebanho. É muito triste mesmo”, testemunhou Diógenes. Terminando seu relato, o Diógenes externou seu sentimento aos fiéis, amigos e familiares que perderam a presença física do padre, mas que o guardam com carinho e com fé no coração. “O que eu posso dizer é desejar meus sentimentos a todos os paroquianos, à família e amigos. Ele foi uma pessoa que marcou minha vida naquele dia. Foi inesquecível. Para o resto da vida não vou esquecer o que aconteceu”, finalizou ele. Hoje, Jorge de Oliveira, a vítima mais grave do acidente está bem, mora em Curitiba com a esposa e dois filhos. UMA RUA EM HOMENAGEM No dia 13 de abril, vereadores de São Mateus do Sul apresentaram na 9ª Sessão da Câmara o Projeto de Lei de número 007/2021, que nominaria a Rua do Mathe, localizada em frente a igreja Matriz São Mateus, na qual o padre Silvano serviu por quase 10 anos (uma Praça Pública localizada na avenida Ozy Mendonça de Lima, entre as ruas Rua do Mathe Pe. Silvano Surmacz, em São Mateus do Sul Paulino Vaz da Silva e 21 de Setembro), como Rua do Mathe Padre Silvano Surmacz. Colocado em votação, o Projeto foi aprovado de forma unânime pelos vereadores. Na Justificativa do seu voto, o vereador Jorge Wallace Manfroni se pronunciou dizendo:“Esta é uma singela homenagem póstuma a um ser humano que foi formidável, solícito e atencioso, tratando todos de forma igualitária. Este Projeto é uma homenagem de São Mateus do Sul ao saudoso padre Silvano, denominando a Rua do Mathe, como, Rua do Mathe Padre Silvano Surmacz”, disse o vereador. O Projeto foi novamente apresentado em Pauta na 10ª Sessão, no dia 20 de abril, para uma 2ª votação, na qual novamente, de modo unânime, os nove vereadores aprovaram: Jorge Wallace Manfroni; Jackson F. S. Machado de Lima; Juliano Orlowski de Oliveira; Jeciel Franco; Osvaldo Kotryk (Parafuso); Ireneu Macuco; Omar Picheth Neto; Valter Przywitowski; e Enéas Jeferson Melnisk. Encaminhado o Projeto para o Executivo, no dia 22 de abril, a senhora prefeita de São Mateus do Sul, Fernanda Garcia Sardanha, sancionou o Projeto, que passou a vigorar como Lei de nº 2.988 de 22 de abril de 2021, que dispõe sobre a Denominação da Praça Pública localizada na Av. Ozy Mendonça de Lima entre as Ruas Paulino Vaz da Silva e 21 de Setembro no município de São Mateus do Sul – PR, denominando a Praça como: “Rua do Mathe Pe. Silvano Surmacz”.


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Entre outras Transferências, igreja Catedral recebe novo pároco No dia 09 de abril, Dom Walter Jorge, bispo da Diocese de União da Vitória, anunciou novas Transferências e Nomeações no Clero da Diocese, entre elas do novo pároco da igreja Sagrado Coração de Jesus, de União da Vitória, Catedral, que estava atéentão sem pároco, após a morte do padre Silvano Surmacz no dia 24 de março, vítima da Covid-19, aos 54 anos. As novas transferências e nomeações contemplam quatro paróquias da Diocese, com a mudanças de alguns padres e diáconos. Como novo pároco da igreja Catedral, Dom Walter Jorge nomeou o padre Sidnei José Reitz, até então pároco na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São Mateus do Sul, onde estava desde 2016.

Agradecendo à comunidade do Perpétuo Socorro pelos anos que lá passou, desejou que continuem firmes na fé. “Obrigado à comunidade do Perpétuo Socorro. Continuem fortes na fé e entusiasmados pelo Evangelho”, concluiu o padre. Padre Sidnei assume a paróquia da Catedral, onde trabalhará junto com o padre Aquiles Ramos Berton, Vigário Paroquial, tendo também a presença do Seminarista Diego Ronaldo Nakalski, em Estágio Pastoral. OUTRAS TRANSFERÊNCIAS E NOMEAÇÕES Na Paróquia do Perpétuo Socorro No mesmo comunicado oficial, foram transferidos o padre Iomar Otto, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, e o padre Mário Glaab, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Transferido para a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São Mateus do Sul, padre Iomar tem a data de Posse marcada para o dia 09 de maio, na Pe. Iomar Otto missa das 8h30. Padre Iomar trabalhará junto com um vigário paroquial que será o atual Diácono José Damião, que tem a data de sua ordenação sacerdotal marcada para o dia 29 de maio, na matriz São Mateus, onde está atuando no momento. Diác. José Damião

Pe. Sidnei recebendo os aplausos da comunidade após receber as chaves da igreja e do sacrário (Foto: Agatha Przybysz)

Na Paróquia Nossa Senhora de Fátima

Assessor da Pastoral Presbiteral e da Catequese na Diocese, padre Sidnei tem 41 anos de idade e 17 anos de sacerdócio, dos quais 13 anos atuou na Equipe Formativa do Seminário Diocesano como Reitor. Com mestrado em Eclesiologia, é também professor no Seminário.

Para conduzir os trabalhos na paróquia Nossa Senhora de Fátima, em União da Vitória, com a transferência do padre Iomar, o padre Mário Fernando Glaab, também Vigário Geral da Diocese, será empossado como novo pároco. Sua Posse está marcada também para o dia 09 de maio, na missa das 19h. Padre Mário estava até então desde fevereiro deste ano na paróquia do Perpétuo Socorro.

Presidida por Dom Walter Jorge, bispo diocesano, a posse se deu no dia 24 de abril, na missa das 19h, com transmissão pelas Redes Sociais e pela Rádio Educadora Uniguaçu. Ao final da celebração, em suas palavras, padre Sidnei recordou os sentimentos ainda de pesar pela morte do padre Silvano e disse que assume a Paróquia com o coração aberto a todos, com a missão de restaurar não só a estrutura física da igreja, mas também revigorar o espírito de fé dos fiéis. “Para todos nós o falecimento do padre Silvano foi muito triste. Ele foi um pastor alegre, amoroso, próximo das pessoas. Ser chamado por Deus não tem como dizer não. A vocação não é nossa, é de Deus. Meu coração está aberto, acolho a todos da comunidade aqui da Catedral. Nós temos restauração por fazer, mas temos além disso que retocar tantas coisas na vida das pessoas. Também esta igreja precisa talvez ser fortalecida ainda mais”, disse o novo pároco.

A vinda do Diác. Damião para a paróquia do Perpétuo Socorro se dará após a sua ordenação sacerdotal.

Pe. Mário Glaab

Na Paróquia São Mateus Outra nomeação foi a do Diácono Alisson Marlon de Moura. Ordenado Diácono em Paula Freitas, no dia 20 de fevereiro, Alisson Marlon servirá na paróquia São Mateus, em São Mateus do Sul, a partir de junho deste ano, após a mudança do Damião para a Perpétuo Socorro.

Diác. Alisson Marlon


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Estrela Matutina - Caderno 2 - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

Santo do Mês

São João Nepomuceno compromisso de confessor, mesmo sabendo que isso o levaria ao martírio. Durante a noite foi amarrado e jogado da ponte no rio Moldávia, onde morreu afogado. Muitos milagres realizaram-se através de seu corpo, que foi encontrado e sepultado. Quando exumado para a canonização sua língua estava milagrosamente incorrupta.

Por volta de 1345 na cidade de Nepomuk na Boêmia, atual República Checa, nasceu João Nepomuceno. De família humilde, nutriu uma rica devoção para com a Virgem Maria e possuía uma rica capacidade intelectual. Estudou teologia em Praga e também se especializou em Direito Canônico. Depois de ordenado sacerdote destacou-se como pregador. Captava a atenção de pobres e ricos, a quem sempre dava atenção e cuidado pastoral. Devido a sua boa fama, até os membros da corte o quiseram como confessor e diretor espiritual. Isso se aplicava à rainha, mas não ao rei Venceslau, que não era um homem muito virtuoso. Ele suspeitava que a rainha o estava traindo. Por causa dessas suspeitas sem fundamento o rei tomou uma atitude inesperada: exigiu do padre confessor que revelasse os pecados que a rainha lhe tinha dito em confissão. Obviamente João Nepomuceno se recusou a violar o sigilo da Confissão. Ao se ver contrariado o rei mandou tortura-lo achando que estava certo em suas falsas suspeitas de traição. Revestido de fortaleza o sacerdote manteve-se calado e fiel a Deus e ao

O grande orador que soube manter-se fielmente calado para cumprir seu ofício de confessor teve a língua intacta para demonstrar a sacralidade do sacramento da confissão e a importância do sigilo, tanto que São João Nepomuceno, mártir da confissão, preferiu a morte dolorosa para não trair seu dever e compromisso. Que através do exemplo deste santo possamos nos manter fiéis aos compromissos que já assumimos ou que possamos assumir. Também convém procurar fazer bom uso da nossa língua, evitando palavras vãs e de maldição, trazendo nos lábios palavras de benção e de edificação. Pelo exemplo deste santo também procuremos servir antes a Deus do que ao mundo. ORAÇÃO Oh! Glorioso e invicto mártir São João Nepomuceno, comunicai-nos uma centelha das virtudes e da viva fé que preservastes, da coragem com que enfrentastes as iníquas pretensões humanas sabendo guardar na humildade e no silêncio o segredo da confissão. Concedei-nos por seu exemplo e intercessão, a graça do bom uso de nossa língua e de sermos testemunhas da fé que professamos. Amém.

Gustavo Santana Seminário Diocesano 1º ano de Teologia

Liturgia

O Espírito Santo na Liturgia Vivemos a Páscoa de Jesus e nos aproximamos da Solenidade de Pentecostes, dia em que a Igreja nasce pela efusão do Espírito Santo. Temos a necessidade de redescobrir a presença e a ação do Espírito Santo em nossa vida. Sua presença na Igreja se mostra nos Sacramentos, nos carismas, pela oração e pela piedade popular; especialmente, na vida dos cristãos, alimentada pela Liturgia e nutrida pela Palavra de Deus. Em preparação para Pentecostes, dispomos algumas reflexões sobre o Espírito Santo e a Liturgia. O DIA DE PENTECOSTES Jesus prometeu a vinda do Espírito Santo, promessa que se realizou no dia da Páscoa e, de maneira mais marcante, no dia de Pentecostes. Ele foi derramado sobre os discípulos reunidos no mesmo lugar (At 2,1), esperando todos “unânimes na oração” (At 1,14). Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar o tempo messiânico. Os que creram nessa pregação e foram batizados receberam o dom do Espírito. Ele ensina a Igreja e lembra de tudo o que Jesus disse (Jo 14,26) e, vai também formar a vida de oração. ACOLHER JESUS A graça do Espírito Santo desperta a fé em nós, a conversão e a abertura à vontade do Pai. Por isso, quando saímos de casa para ir à Santa Missa, por exemplo, é o próprio Espírito Santo quem nos inspira a ir. Esta abertura de coração ao Espírito é a chave para receber graça por graça em cada celebração, a colhermos os frutos da fé oferecidos a nós pelo Senhor. É o Espírito Santo quem possibilita toda celebração litúrgica. MEMÓRIA VIVA DA IGREJA Na Liturgia, o Espírito Santo é quem manifesta Jesus e sua obra de Salvação. Ele é a memória viva da Igreja (Jo 14,26); vivifica toda celebração e gera frutos para nossa vida. Ele nos convida acolher a Palavra, a crer e a se converter. No começo da celebração, o padre saúda a assembleia desejando a

presença do Senhor e a assembleia responde: ‘Ele está no meio de nós’. O Espírito do Senhor está presente no padre para ele agir na pessoa de Cristo e em nome da Igreja. Ele também está presente em nós, para que vivamos nosso Batismo. PRESENÇA REAL A Liturgia Eucarística recorda e torna presente a paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. (“Fazei isto em memória de mim!”- Lc 22,19). A obra da Salvação “daquele tempo” e a “história de hoje” se tornam uma só realidade. O mistério pascal é celebrado, não repetido. O que se repetem são as celebrações. E em cada uma delas o Espírito Santo torna presente Jesus, o mistério da fé!” NA COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO A missão do Espírito Santo em toda ação litúrgica, de modo especial na Santa Missa, é a comunhão com o Pai e o Filho e dos cristãos entre si (1Jo 1,3-7). “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo” (2Cor 13-13) devem permanecer sempre conosco, para que produza frutos em nossa vida, não somente na hora da celebração, mas, em nosso dia a dia”. REFLETINDO O Espírito Santo é Deus juntamente com o Pai e o Filho. Na Liturgia, Deus Pai é adorado como a fonte da bênção, nos abençoando em Jesus, o qual nos dá o Espírito. Deus Filho se faz presente em Corpo e Sangue pelo Espírito Santo, que torna a Igreja sinal e instrumento de Salvação. Deus Espírito Santo nos prepara para o encontro com Jesus, recorda e torna presente a obra da Salvação, e nos faz viver em comunhão. Que neste Pentecostes, o Espírito Santo seja a Luz e a Força de nosso coração, para vivermos sempre a nossa fé. Referências: - Bíblia Pastoral. - Catecismo da Igreja Católica.

Diác. Alisson M. de Moura Par. São Joaquim e Sant’Ana


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Estrela Matutina - Caderno 1 - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

Paróquia de Rio Azul inicia celebrações para surdos Simone Aparecida Migon atua como intérprete da rede Estadual de Ensino do Paraná ajudando muitos alunos e também amigos surdos. Além de seu trabalho como profissional, participante como fiél leiga da paróquia Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Rio Azul, Simone teve a iniciativa de ajudar em sua comunidade para que as pessoas surdas pudessem melhor particparem das celebrações. E foi em uma conversa com uma de suas vizinhas que tal ideia chegou ao conhecimento dos padres que prontamente a atenderam, dando início à algumas celebrações na matriz contando com intérprete da Língua dos Sinais. “Como sou intérprete da rede Estadual de Ensino do Paraná, tenho alunos e muitos amigos surdos, e sempre tive vontade de interpretar as celebrações. Um dia, quando fui levar a Capelinha na casa da minha vizinha, Aparecida, comentei com ela e com sua filha Luciana sobre as pessoas surdas e falei da vontade de interpretar as celebra-

ções buscando ver com o padre a possibilidade. Então, a Luciana me ajudou expondo a ideia para o pároco padre Mateus Lau, que prontamente veio conversar comigo, aceitando a proposta”, conta, contente, a intérprete. Com todas as medidas de preven2ª celebração com tradução em Libras, em 28.03.2021. Agachada, ção contra o CoSimone, e sua amiga Gislaine (camiseta preta). Ao fundo Pe. Matheus e vid-19, a primeira alguns fiéis participantes. celebração com a tradução em libras aconteceu no dia 28 de fevereiro, e a segunda celebração, no dia 28 de março, que contou também com fiéis da cidade vizinha de Irati, pertencente à Diocese de Ponta Grossa. Simone ainda teve a ajuda de uma amiga e colega de trabalho, Gislaine Fernandes Stopassoli que trouxe os surdos, ajudando-os na interpretação. “Estamos gratos e muito felizes pela participação das pessoas surdas nas missas. Agradecemos aos padres Mateus e padre Sathish pela oportunidade que nos ofereceram e pela bela acolhida que estão dando aos surdos, podendo eles melhor participarem das missas”, partilhou Simone. As celebrações interpretadas ocorrem sempre no 4º domingo de cada mês, na missa das 19h, na Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, em Rio Azul.

1ª celebração com tradução em Libras, em 28..02.2021. Agachada, Simone. Ao fundo Pe. Sathich e alguns fiéis participantes.

Informações: Par. Sagrado Coração de Jesus - Rio Azul - PR

Série: Comentário Seletivo nº01 Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” do Vaticano II - Continuação MUDANÇAS CULTURAIS E RELIGIOSAS Subpar: 6/213-217 – Tais mudanças e forças econômicas e culturais introduziram profundas mudanças nas comunidades tradicionais (tribos, aldeias, etc.), ainda com o fator das migrações espontâneas ou obrigatórias.

lização. Tal processo necessariamente resulta no melhoramento da personalização dos cidadãos. Para os tais que não se aproximaram, assumindo as mudanças com prudência, tudo julgado conforme o ensinamento dos Evangelhos, trilhando as diretrizes da Igreja, tais transformações culturais podem gerar transtornos.

A busca de empregos ocasionada pela industrialização mudou radicalmente a concepção e os modelos de vida nas cidades com sua concepção de vida urbana, ao ponto de tal mentalidade alcançar e transformar o antigo estilo de vida nas aldeias e noutras cidadezinhas do interior; tudo acelerado pelo advento do vasto sistema de comunicação oral, visual ou escrita, praticamente instantânea, presente, ao alcance das multidões.

Esse processo de mudanças econômicas e culturais deve distinguir entre as nações que já se instalaram há algum tempo na modernidade e outras ainda arraigadas a sua história e costumes antigos. Há a necessidade de uma adequação prudente, também pelas diversas Igrejas locais, ao realizarem sua adaptação às novas condições, sem dúvida guardando o devido respeito prudencial pelas suas sãs e comprovadas tradições.

Tal presença instantânea de fotos e notícias, que chegam aos ouvintes, praticamente onde e quando eles se ligarem aos fatos, vizinhos ou longínquos, diz a G.S., provoca “inúmeras reações em cadeia” (6/215). Tudo concorre para a multiplicação das relações com outras pessoas, exigindo sempre maior socia-

Subpar: 7/218-220 – Frequentemente, tais mudanças de valores perturbam os fiéis, especialmente os jovens, agora mais conscientes de seu próprio valor social, desejosos de participar nele, destarte aumentando as dificuldades para seus educadores. De fato, certos costumes legados dos antepassados

parecem não mais apropriados para os problemas atuais. Tais condições refletem e influenciam a prática religiosa de hoje: a) a fé precisa de melhor formação para afastar quaisquer concepções mágicas nela introduzidas, b) e tornar-se mais pessoal, sentida e operosa. Tal confronto com novas situações pode, infelizmente, servir para afastá-los da prática religiosa. Tudo isso introduziu um gravíssimo elemento social; as dúvidas, os afastamentos, chegando com facilidade à rejeição da prática religiosa, ou à própria fé, ainda a não acreditar mais em Deus. O que era raro, tornou-se mais frequente, formando-se em todos os setores da vida, um novo humanismo científico e ateu, penetrando todos os setores das artes e das ciências, perturbando ou eliminando a fé de muitos.

costumes e juízos. Bem aqui, no subpar: 8/222, o texto conciliar expressa em termos exatos os conflitos psicológicos e morais que tais mudanças podem produzir no indivíduo ou nas comunidades; o desequilíbrio entre a inteligência especulativa e a prática; a incapacidade do pensamento teórico-especulativo de absorver e assimilar todas as informações, e reduzir tudo a uma síntese operacional. Também criam-se dificuldades para formar avaliações morais adequadas e atitudes especulativas místicas para uma vida de profunda espiritualidade. O texto conciliar aborda ligeiramente as dificuldades que tais mudanças produzem no seio das famílias e os conflitos das gerações.

OS DESEQUILÍBRIOS DO MUNDO MODERNO Subpar: 8/221-223 – Não é de se admirar que tal evolução rápida dos pensamentos e costumes cria desordem e incapacidade de absorver ordenadamente a variedade de coisas, situações,

Dom Walter Michael Ebejer, O.P. Bispo Emérito de União da Vitória


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Estrela Matutina - Estrelinha - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

BEM VINDOS AMIGOS DO ESPAÇO ESTRELINHA! NO DIA DAS MÃES OFEREÇA UMA FLOR À SUA MÃE SEGUINDO O EXEMPLO DE JESUS QUE TANTO AMOU MARIA, SUA MÃE. SE VOCÊ NÃO MORA COM A SUA, OFEREÇA ÀQUELA PESSOA MAIS PRÓXIMA E QUERIDA DA SUA VIDA.

QUE TAL FAZER UMA DECLARAÇÃO DE AMOR A ELA E MOSTRAR O QUANTO VOCÊ A AMA? ENFEITE O CARTÃO ABAIXO E USE SUA CRIATIVIDADE.


Estrela Matutina - Notícias - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

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Alguns pontos sobre a 58ª Assembleia dos Bispos do Brasil Reunidos pela primeira vez de forma online, devido a Pandemia da Covid -19, mais de 300 bispos de todo o Brasil realizaram de 12 a 16 de março a 58º Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, que teve como Tema central o Pilar da Palavra proposto pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023). Mesmo sem a possibilidade de votação de um documento, foi debatido o tema “Casa da Palavra – Animação bíblica da vida e da pastoral nas comunidades eclesiais missionárias”.

bispos com outra carta, lida em um vídeo por ele gravado. Para Dom Walter Jorge, bispo da Diocese de União da Vitória, que também participou da Assembleia, foi uma alegria receber a mensagem do Papa que encorajou todos os bispos a levarem adiante a missão. “Tivemos a grata alegria de receber essa mensagem do Papa Francisco, respondendo a nossa carta, que foi escrita, anteriormente, em assembleia. Como nos sentimos encorajados pela palavra desse pastor que Deus deu à nossa Igreja, esse pastor que tem dado alento, sobretudo, em meio a essa crise gerada pela pandemia. Esse homem é um homem de Deus e nos alegrou muito, acalentou nosso coração, nos deu ânimo de seguir em frente”, declarou Dom Walter Jorge. Sobre a Mensagem dos Bispos ao Povo de Deus, no final da Assembleia Ao final da Assembleia, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou sua Mensagem ao Povo de Deus, da qual referimos aqui alguns trechos. No texto, os bispos afirmam que diante da atual situação pela qual passa o Brasil, sobretudo em tempos de pandemia, não podem se calar quando a vida é “ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”. Os bispos asseguram que são pastores e que têm a missão de cuidar. “Nosso coração sofre com a restrita participação do Povo de Deus nos templos. Contudo, a sacralidade da vida humana exige de nós sensatez e responsabilidade”, disseram.

Dom Walter Jorge participando, de sua casa, da 58º Assembleia Geral dos Bispos do Brasil

Entre diversos temas abordados pelo Episcopado, a proposta do Ano Vocacional para 2023 foi aprovada por unanimidade. Na ocasião, serão comemorados os 40 anos do primeiro ano temático dedicado à reflexão, oração e promoção das vocações no país, que se deu em 1983. Outro tema abordado foi o Fundo Nacional da Solidariedade, arrecadado pela Coleta Nacional da Solidariedade durante a Campanha da Fraternidade deste ano, o qual os bispos decidiram que o montante arrecadado terá como destino o combate à pobreza. Em pauta também esteve a Campanha da Fraternidade de 2022, a qual trazendo o tema “Fraternidade e Educação” e como lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26), terá como intuito promover o diálogo sobre a realidade educativa no Brasil, à luz da fé cristã.

Capa do vídeo de avaliação de Dom Walter sobre a 58º Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, disponível nas redes oficiais da Diocese

Na mensagem, os bispos reiteraram que no atual momento precisam continuar a observar as medidas sanitárias que dizem respeito às celebrações presenciais. Reconheceram agradecidos que as famílias têm sido espaço privilegiado da vivência da fé e da solidariedade. “Elas têm encontrado nas iniciativas de nossas comunidades, através de subsídios e celebrações online, a possibilidade de vivenciarem intensamente a Igreja doméstica. Unidos na oração e no cuidado pela vida, superaremos esse momento”. Os bispos afirmaram que os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado” e que o momento exige competência e lucidez. “São inaceitáveis discursos e atitudes que negam a realidade da pandemia, desprezam as medidas sanitárias e ameaçam o Estado Democrático de Direito”, afirmaram eles.

Alguns bispos do Brasil participando online da reunião

Durante a Assembleia, os bispos também enviaram uma Carta ao Papa Francisco partilhando a realidade eclesial da Igreja do Brasil e também alguns contextos da realidade social. Ainda nos dias da Assembleia, o Santo Padre respondeu aos

Fizeram, ainda, um forte apelo à unidade das Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil: “Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: “o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos! ”, conclui um dos trechos da Carta. A Mensagem dos Bispos na íntegra está disponível nos portais de notícia da Diocese de União da Vitória, da CNBB Nacional e dos Regionais da CNBB.


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Estrela Matutina - Artigo - Maio de 2021 www.dioceseunivitoria.org.br

1º de Maio: ‘Dia do Trabalhador’ Uma luta constante por Direitos e Dignidade A HISTÓRIA DA DATA O mês de maio tem seu início com uma importante data, ‘O Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador’, celebrado em diversos países ocidentais desde fim do século 19. A data foi escolhida em razão de uma onda de manifestações e conflitos de uma greve geral no dia 1º de maio de 1886, em Chicago (EUA). No dia 04 de maio, em uma manifestação na praça Haymarket, uma bomba explodiu matando sete pessoas e ferindo policiais e manifestantes. A explosão provocou o revide dos policias com tiros sobre os manifestantes e outras dezenas de pessoas morOs quatro anarquistas de Chicago condenados à execução como reram. Esse conjunto de evenresponsáveis pela explosão da bomba em 04 de maio de 1886 tos, desencadeados a partir de 1º de maio, tornou-se símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas nas décadas seguintes em várias partes do mundo. No Brasil, a menção ao dia 1º de maio começou na década de 1890, na República já instituída e com um acentuado desenvolvimento da indústria brasileira. Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais. Em 1924, o presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão vinda de várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Na época do Estado Novo varguista, a data era deliberadamente usada para eventos de autopromoção do governo, com festas para os trabalhadores e discursos demagógicos. As greves e protestos foram formas de os trabalhadores reivindicarem direitos, cobrar melhores situações de trabalho e condições econômicas desde o início da Revolução Industrial que se iniciou na Inglaterra no século 18. A formação da classe operária demandou uma série de necessidades que nem sempre era efetivamente cumprida pela burguesia industrial, daí a criação de Associações, e organizações como Sindicatos, como órgãos representativos dos direitos da classe operária. O DESEMPREGO NA PANDEMIA

(IBGE), do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), ambos da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT). O acesso à Pesquisa completa está no portal: https://bit.ly/3gKLrzf. A IGREJA ROGA PELOS TRABALHADORES Desde 1955 a Igreja dedica o dia 1º de maio à comemoração da Festa Litúrgica de São José Operário, instituída pelo Papa Pio XII. Carpinteiro que foi segundo a Tradição, São José é colocado também pela Igreja como padroeiro dos trabalhadores. Em 1891 o Papa Leão XIII já citava a figura de São José na encíclica Rerum Novarum, primeiro Documento do corpo da Doutrina Social da Igreja, no trecho sobre “Dignidade do Trabalho”: “Filho de Deus e Deus, Imagem ilustrativa de São José e seu filho Jesus na carpintaria. Ele mesmo, quis passar aos olhos do mundo por filho dum artesão; que chegou até a consumir uma grande parte da Sua vida em trabalho mercenário: «Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria? » (Mc 6,3). Também em 14 de setembro de 1981, o Papa João Paulo II escreveu a Encíclica Laborem Exercens, para celebrar o 90º da Rerum Novarum. A Laborem Exercens traz uma síntese do pensamento da Igreja sobre a dignidade do trabalho. Nele o Papa faz uma advertência: “reconhecer que o erro do primitivo capitalismo pode repetir-se onde quer que o homem seja tratado, de alguma forma, da mesma maneira que todo o conjunto dos meios materiais de produção, como um instrumento e não segundo a verdadeira dignidade do seu trabalho — ou seja, como sujeito e autor e, por isso mesmo, como verdadeira finalidade de todo o processo de produção”.

Em fevereiro deste ano, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligada ao Governo Federal, divulgou uma pesquisa analisando o Comportamento do mercado de trabalho brasileiro em duas recessões: análise do período 2015-2017 e da pandemia de Covid-19.

No 9º ponto da reflexão, o papa ainda afirma: “A intenção fundamental e primordial de Deus quanto ao homem, que Ele ‘criou [...], não foi retratada nem cancelada, mesmo quando o homem, depois de ter infringido a aliança original com Deus, ouviu estas palavras: ‘Comerás o pão com o suor da tua fronte’. Tais palavras referem-se àquela fadiga, por vezes pesada, que a partir de então passou a acompanhar o trabalho humano; no entanto, elas não mudam o fato de o mesmo trabalho ser a via pela qual o homem chegará a realizar o ‘domínio’ que lhe é próprio no mundo visível, ‘submetendo’ a terra”.

A pesquisa desenvolvida pelos autores: Carlos Henrique Corseuil, Maíra Franca, Gabriela Padilha, Lauro Ramos e Felipe Russo constatou que a queda na taxa de ocupação da população brasileira praticamente dobrou ao se comparar os impactos no mercado de trabalho das duas crises econômicas mais recentes – a retração em 2015, que gerou uma perda acumulada de três pontos percentuais, e o choque decorrente da pandemia de Covid-19 em março de 2020, quando ocorreu uma redução drástica e superior a seis pontos percentuais. A taxa de ocupação no país caiu de 53,5% no quarto trimestre de 2019 para 47,1% no segundo trimestre de 2020, uma queda abrupta por conta dos efeitos da pandemia e das medidas emergenciais, que impactaram fortemente a atividade econômica. Corseuil destacou que, sob recessão, as pessoas ficam represadas no desemprego e sem oportunidade de trabalho, o que ficou evidente no aumento da parcela de desempregados em um trimestre e que continuam nessa situação no trimestre seguinte. Essa parcela era de 38% entre o primeiro e segundo trimestre de 2015 e passou para 48% entre o primeiro e segundo trimestre de 2017. Já em 2020, essa parcela passou de 47% para 60% em um espaço de tempo bem mais curto. “As contratações caíram vertiginosamente”, pontuou o pesquisador. Para a análise comparativa, os pesquisadores do Ipea recorreram a vários indicadores de trabalho, construídos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

E aprofunda: “E, no entanto, com toda esta fadiga — e talvez, num certo sentido, por causa dela — o trabalho é um bem do homem. E mais, é não só um bem ‘útil’ ou de que se pode usufruir, mas é um bem ‘digno’, ou seja, que corresponde à dignidade do homem, um bem que exprime esta dignidade e que a aumenta”. Encíclica Laborem Exercens - do Papa João Paulo II

Que São José Operário, neste ano também dedicado a ele pelo Papa Francisco, interceda pelas necessidades de todos os trabalhadores, para que a busca pela dignidade esteja sempre em primeiro plano. Fontes: Site ipea: bit.ly/3xwGW1h Site Brasil Escola: bit.ly/2R6LpqC Site CNBB: bit.ly/3nsbRam


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