Issuu on Google+

Reintegracionissmo ling stico: identidade e futuro para o galego Reintegracioni

A tendência arredista ou independentista foi, com efeito, exemplo naqueles anos de coerência monolíngüe nos usos lingüísticos, reclamando a criaçom de umha escola nacional em galego, exercendo a crítica pola inconseqüência de alguns dirigentes nacionalistas de prática bilingüista e levando ao papel a assunçom prática do reintegracionismo, 60 anos antes da proposta padronizadora da AGAL. A tiragem da publicaçom independentista mais importante da época chegou a atingir os 2.000 exemplares, sendo metade distribuídos na Galiza. Contodo, e apesar dos avanços desta geraçom em relaçom ao uso praticamente exclusivo do nosso idioma na sua produçom escrita e oral, o reintegracionismo continua a ser sobretodo um objectivo sem concreçom prática na maioria dos casos, fora da reproduçom de textos de autoria portuguesa nas publicaçons galeguistas ou da introduçom de traços ortográficos mais ou menos etimologistas, em autores como Joám Vicente Biqueira, Vicente Risco ou Evaristo Correa Calderón, entre outros. Era umha evidência, no entanto, o avanço que estava a verificar-se em direcçom à reintegraçom prática, da qual temos testemunhos tam significativos como Algunhas normas pra a unificazón do idioma galego, publicadas polo Seminário de Estudos Galegos em 1933, de vocaçom filoreintegracionista, propondo um “achegamento ao português nos valdeiros que há que encher no nosso idioma”. O Partido Galeguista assumiu o espírito e as prescriçons dessas normas do SEG, instituiçom relacionada desde os seus inícios, em 1923, com a intelectualidade portuguesa, incluído o filólogo e firme defensor da nossa unidade lingüística Manuel Rodrigues Lapa (1897-1989). Por outra parte, o reconhecimento atingido pola Geraçom NÓS galega no mundo intelectual português da época fica patente na nomeaçom da Castelao e Risco como membros da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa em 1933. Castelao deu

diferentes conferências no Porto e Lisboa, mantendo estreitas ligaçons com intelectuais lusos como Teixeira de Pascoaes e o já referido Manuel Rodrigues Lapa. Este, junto a Mário Saa e Mário Cardozo, percorrêrom também diferentes pontos da Galiza em viagem de estudos e com a intelectualidade e o mundo político galeguista a exercerem de anfitrions. A troca de experiências, a publicaçom em revistas de ambas margens do Minho, as viagens… eram constantes entre galegos e portugueses, materializando a vontade confederal explicitada desde polo menos a publicaçom do manifesto-programa de Lugo, em 1918, e reflectindo a intençom de constituir um campo cultural comum à faixa atlántica da Península, alheio ao hegemonismo espanhol. De resto, as ideias científicas existentes nos estudos romanísticos afirmavam já nessa altura a identidade lingüística galego-portuguesa, incluídas as mais reconhecidas figuras filológicas portuguesa (Carolinha Michaelis de Vasconcelos, 1851-1925) e galegoespanhola (Ramón Menéndez Pidal, 1869-1968). Inclusive foi reconhecida a identidade lingüística em posiçons políticas nom propriamente nacionalistas galegas, como aconteceu no caso do político ponte-vedrês Manuel Portela Valadares, que chegou a presidir durante uns meses a II República espanhola e mantivo boa relaçom com políticos nacionalistas como Castelao. Favorável a certo reconhecimento para a Galiza e o seu idioma, no número 20 da revista Nós, de 1925, publica um artigo escrito com traços gráficos reintegracionistas como a substituiçom do enhe polo ene agá ou o uso de gês e jotas consoante critérios etimológicos. Poderíamos referir textos com grafias histórico-etimológicas e/ou atitudes semelhantes às apontadas em figuras como Vitoriano Taibo (Compostela, 1885-1966), membro da RAG, colaborador de A Nosa Terra, A Fouce, O Tio Marcos d’a Portela e Nós; o antropólogo e escritor Florentino Lopes Cuevilhas (Ourense, 18861958); o jornalista e poeta Roberto Branco Torres (Cúntis, 1891-1936), fusilado polos fascistas a seguir ao golpe; Luís Pena Novo (Vilalva, 1893-

DOSSIER CENTRAL

Joám Vicente Biqueira (Madrid, 1886-1924) Filósofo, psicólogo e partidário das ideias socialistas; inspirador das Irmandades da Fala, pedagogo e defensor da galeguizaçom do ensino, Joám Vicente Biqueira foi um dos mais decididos partidários da unificaçom ortográfica galego-portuguesa. Apesar da sua morte sendo ainda novo, deixou reflectidos os seus pensamentos avançados em relaçom à galeguizaçom do ensino com critério claramente reintegracionista.

1967), impulsionador da Irmandade da Fala da Corunha, político e economista; Jaime Quintanilha (Ferrol, 19891936), político e escritor assassinado e desaparecido em 1936 polos golpistas às ordens de Franco; Fermim Bouça Vrei (1901-1973), polígrafo ponteareám represaliado polo franquismo devido ao seu compromisso nacionalista, membro fundador do Seminário de Estudos Galegos em 1923 e da Real Academia Galega a partir de 1941; o poeta, jornalista e político viguês Joám Carvalheira (1902-1937) fusilado polos golpistas espanhóis; o poeta, romancista e dramaturgo ferrolano Nicolau Garcia Pereira (1900-1934); o prosista rianjeiro Rafael Dieste (Rianjo, 18991981), o político e reconhecido erudito Ramom Outeiro Pedraio (Trasalva, 1888-1976), que chegou a dizer que o nosso nacionalismo histórico “nada fijo pola Galiza que nom fosse pensando em Portugal”; ou o prosista e poeta de Baralha Evaristo Correa Calderom (1899-1986), um dos poucos que aplicárom a nossa ortografia antes da Guerra Civil.

Afonso Daniel Ro

(Rianjo, 18

No seu livro Ensaios e Poesias, afirma que “O português é um filho do galego, e entre os dous nom há mais, capitalmente, que diferenças fonéticas que nom som tam grandes quiçá como as que existem entre o andaluz e o castelhano. Se nós empregarmos a ortografia histórica galaico-portuguesa, teremos salvo a dificuldade que separa as duas línguas e daremos ao galego um carácter mais universal, fazendo-o acessível ao maior número de homens”. Opina ainda que “foi um mal da literatura galega isolar-se mediante a sua ortografia”, pois considera o galego “umha forma do português (como o andaluz do castelhano)”, e portanto “tem que se escrever pois como o português”. Enfaticamente, acrescenta que “Viver no seu seio é viver no mundo; é viver sendo nós mesmos!”.

20

As abundantes referências de Castelao, um dos principais teóricos do nosso nacionalismo, à necessária unidade lingüística galego-portuguesa, espelham a importáncia das ideias reintegracionistas no movimento nucleado polo Partido Galeguista, Galeguista do qual era principal dirigente. Alude para argumentar a sua defesa da unidade à citaçom de autoridade, referindo como já no século XVIII o Padre Feijó “demonstrou que a língua galega nom é distinta da portuguesa, por serem pouquíssimas as vozes em que discrepam”. A contundência da afirmaçom reintegracionista, presente sobretodo no Sempre em Galiza,, sintetiza-se quando afirma que “o galego é um idioma extenso e útil, porque –com pequenas variantes– fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas”. Reconhece também, numha carta ao historiador Sánchez Albornoz, que o seu desejo é “que o galego se achegue e confunda com o português, de


Reintegracionismo lingüístico