07_ANO2_OUTUBRO_2015
QUEM FAZ A COMUNICAÇÃO Entrevista com a jornalista Luciana Barreto sobre carreira e questão racial
POEMAS Oliveira Silveira Giovane Sobrevivente
Arquivo Pessoal
Alguns meses se passaram. A primavera
EDITORIAL
chegou. E florida e bela como ela é chegou mais uma edição da nossa revista eletrônica Acho Digno. A nossa pausa serviu para fazer novas reflexões, analisar o mercado, estruturar estratégias de ações para a nossa vida, não digo sobrevivência, pois não iremos fazer isto. A revista deixou de ser um sonho e hoje é uma realidade compartilhada com diversas pessoas, principalmente com vocês leitores. Ela é o nosso projeto de vida que para seguir em frente precisa da ajuda de todas e todos. Sejam mandando sugestão de pauta, seja elaborando as matérias na redação (home office), por enquanto, ou divulgando entre os conhecidos o trabalho. Ela é nossa e irá viver por muitos anos, no seu devido tempo novas publicações chegarão, prometo que não iremos demorar tanto para lançar o próximo número, mas não garanto que será mensal, como era a nossa proposta inicial.
a revista eletrônica Acho Digno. Ufa, quase não respiro só de pensar.
Muitas pessoas nos perguntaram o motivo da interrupção, se havia acabado, e acredito ser importante explicar aqui o que de fato ocorreu e poder contar com o apoio de cada um/uma é poder dar um passo adiante. Sem recursos financeiros, trabalhamos de forma colaborativa com parcerias e troca de serviço, além de que a produção de uma revista leva tempo, discussões e mais discussões, buscar fontes, entrevistas, elaboração de matérias, diagramação, revisão e por aí vai. No mundo do corre corre, quase esquecemos de respirar, o individuo faz mil e uma coisa em 24 horas e ainda se dedica
Enfim, explicado as questões vamos para o nosso número 7, um número da sorte. Nessa publicação teremos uma matéria sobre as cores dos batons com modelos masculinos ilustrando e dando um outro visual para o tema proposto. A jornalista Luciana Barreto foi a nossa convidada da edição para falar um pouco da sua carreira, para mostrar quem faz a comunicação. Ainda teremos duas cantoras expondo os seus trabalhos e muitas outras deliciosas informações ao folhar cada página. Então, BOA LEITURA!!!
Contato www.achodignoarevista.blogspot.com.br achodignorevista@gmail.com
EXPEDIENTE CONSELHO EDITORIAL: Camila de Moraes e Elisia Santos l REPORTAGEM E TEXTOS: Ana Cristina Pereira, Camila de Moraes e Naiara Leite l FOTÓGRAFOS Leo Ornelas e Natasha Montier l COLUNISTAS: Carlos Átila e Elisia Santos l PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO: Camila de Moraes l REVISÃO: Hugo Mansur e Vera Lopes
#NossaEquipe #N煤mero7
Natash a Mon Fot贸gr tier afa ra a Perei n i t s i r Ana C sta Jornali
Hugo Mansur Revisor
Naiara Leite Jornalista
Leo Ornelas Fot贸grafo
Vera Lopes Revisora
Elisia Santos Opini茫o /Dica de Beleza Camila de Moraes Editora Chefe
Arquivo Pessoal
OPINIÃO À minha boneca de louça Recentemente fui convidada para ministrar uma palestra
na Biblioteca Pública Thales de Azevedo sobre a interferência da estética na vida de cada pessoa, aparentemente seria uma palestra como todas as outras, de formação e para incitar os jovens sobre a estética negra e o racismo neste universo. Contudo, ao termino, com os aplausos e os abraços calorosos, uma garota de 15 anos, linda, linda, que parecia uma boneca de louça de tão bela, pretinha igualzinha a mim, com cabelos crespos cacheados, bem curtos, começa a chorar. Pedi para que se sentasse, e então ela começa a relatar a sua vida e contar seu sofrimento para manter os cabelos crespos contra a opinião de amigos, família, escola, como resistir? Não aguento a dor das lágrimas do racismo. Falei para ela resistir, e a incentivei a procurar pessoas que pensam da mesma forma que ela, para procurar grupos que valorizam a imagem e estética negra, entrar nas redes sociais e fazer amizades com quem realmente pode somar. Ela muita séria com os olhos marejados pergunta: - Você sempre foi assim? Determinada? Eu pergunto a vocês leitoras e leitores: fomos sempre assim? Por quantas dores tivemos que passar? Quantas críticas escutamos por conta da nossa estética? Assumir o cabelo crespo é tranquilo? Respondo muito certeira:
- Não tive opção! E começo a chorar e pensar em todos os caminhos que tive que percorrer e percorro para chegar a ministrar palestras sobre empoderamento de uma mulher negra crespa. Algumas das pessoas que estavam ali podem ter saído sem compreender o que eu estava falando, mas consegui afetar uma e está fará a diferença daqui para frente. Está edição dedico a você, boneca de louça, que me fez chorar e ter certeza de nós podemos fazer a diferença. Elisia Santos
SUMÁRIO
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Batons
Nessa matéria sobre esse cosmético convidamos modelos homens para dar outro olhar
13 Música da Terra
A MC Priscilla Feniks comenta sobre carreira e rap feminino
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Projeto Yalodês
Amplia o direto das jovens negras por meio da comunicação
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Dicas Salão
Rosas Negras dá dicas sobre como cuidar de cabelos curtos
Quem Faz a Comunicação Entrevista com a jornalista Luciana Barreto sobre carreira e questão racial
DICA DE LIVRO
Identidade negra é tema do livro de poemas Gramática da Ira, de Nelson Maca Por Ana Cristina Pereira
Escrito ao longo de uma década, o livro foi lançado no dia 14 de maio, em Salvador, para reforçar a intenção do projeto. A data tem ganhado força na militância negra como desconstrução do dia da abolição. Chamado de “o dia seguinte”, aponta para a falta de um projeto governamental de inserção negra na sociedade pós-escravidão.
Malcolm X, Stuart Hall, Ralph Ellison, Lima Barreto, Luís Gama, Abdias do Nascimento ... Estes e outros pensadores da negritude permeiam a Gramática da Ira, primeiro livro do poeta, professor e militante Nelson Maca (49), que reúne um conjunto de poemas que dialogam com esta tradição literária e atualizam o debate sobre o conflito racial brasileiro. Com prefácio assinado pelo escritor e ativista cubano Carlos Moore, a Gramática da Ira traz 56 poemas, que, segundo Maca, de maneira geral procuram refletir seu trajeto desde a inocência alienada até a tomada de consciência e respectivo posicionamento com relação às questões raciais. Textos como Calma Rapaz, Moleke de Engenho, Instinto de Negridade e Malcolm Disse, alguns deles já bem conhecidos, principalmente pelos frequentadores do Sarau Bem Black, recital poético-musical idealizado e coordenado pelo autor há quase seis anos. A partir da ideia central de como o racismo se estrutura na nossa sociedade e interfere na subjetividade negra, Maca vai traçando sua teia poética. “Procuro inserir a minha voz, ou seja, a voz de meu poema, no grande debate em torno da negritude, principalmente em seus desdobramentos do século XX”, reforça. Um dos mecanismos que utiliza para isso são as muitas citações, dentro e fora dos poemas. “O que busco
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é um diálogo, de forma que meus poemas sejam apenas uma das vozes no conjunto das reflexões que o livro traz”, completa. Cada uma das nove partes do livro é aberta com uma referência direta a um desses pensadores, estabelecendo o eixo temático daquele bloco de poemas. Por exemplo, o capítulo Matança – com textos sobre religiosidade - traz a citação da Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi: “A verdadeira guerra santa é aquela que destrói o que precisa ser destruído, a fim de construir o que precisa ser construído”. Mas as falas e citações também estão diluídas dentro dos poemas, o que, reflete Maca, pode levar alguns a acusá-lo de plágio. “Isso variará de acordo com cada leitor e sua visão estética e filosófica da poesia”, diz, que trata desta questão diretamente no último texto do livro, o Manual do Usuário da Gramática da Ira – que por sua vez é uma “reescritura interessada” do Manual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella. Adepto do conceito e estudioso da Literatura Negra, Nelson Maca diz que procura sempre imprimir negritude em seus poemas: na temática, na escolha do vocabulário e no ritmo. “Me interessa profundamente até aonde vai e como se dá o diálogo entre ética e estética na poética da negritude, na escrita literária e em sua reflexão crítica”, diz.
Michel Nôvol
O livro Gramática da Ira (173 páginas), que tem projeto gráfico do designer Welon Santos, o Penga, é o primeiro do selo Blackitude. O trabalho é comercializado na campanha TRANSE, através da qual as pessoas poderão adquiri-lo no valor de R$30,00 (trinta reais), mais postagem
Jovens negras do Projeto Yalodês apresentam mostra fotográfica em homenagem às rainhas africanas
Para homenagear as mulheres negras e sua matriz ancestral as jovens do Projeto “Yalodês: ampliando os direitos das Jovens Negras através da Comunicação”, com sede em Salvador, realizam um ensaio fotográfico e pousam como modelos para a mostra fotográfica “A Beleza das Yalodês”, em referência ao dia 25 de maio, data em que se comemora o dia da África. Por Naiara Leite
O ensaio fotográfico é fruto das oficinas de fotografia realizadas pelo projeto Yalodês, que atenderá em suas formações, até o final do ano, 30 jovens negras, de 15 a 19 anos, todas em situação de acolhimento. Para homenagear o Dia da África e a luta das mulheres negras africanas, as alunas do curso atuaram como fotógrafas e modelos durante uma produção fotográfica sob a orientação dos fotógrafos André Frutuôso e Ismael Silva. O resultado deste trabalho resultará na exposição fotográfica “A Beleza das Yalodês”, que será lançada no final do ano na capital baiana. O material a ser exposto retrata e ressalta a beleza, a garra, o empoderamento, a capacidade e a força das jovens negras com altivez, postura e sofisticação. Considerado um projeto inovador na Bahia, Yalodês foi lançando no início deste ano pelo Programa de Comunicação do Odara – Instituto da Mulher Negra, como piloto, e desde então é desenvolvido com o apoio do Fundo Baobá em parceria com a ACOPAMEC (Associação das Comunidades
Elaine de Queiroz Paroquiais de Mata Escura e Calabetão ), com o intuito de fortalecer o debate e as práticas de democratização da comunicação para as mulheres e jovens negras no estado, ampliar a leitura crítica da mídia, a formação política e o empoderamento com base no acesso as ferramentas de comunicação e novas tecnologias.
O Projeto - Pretende criar a possibilidade de acesso, manuseio e apropriação de novas tecnologias para as jovens negras, que as coloque em conexão com as novas tecnologias, visando o seu empoderamento econômico, social e político, no sentido de romper com o quadro de iniquidade a que estão submetidas, possibilitando a formação de jovens multiplicadoras na área da comunicação.
Carolina Senna
Eleonor Lima
Liz Nunes
Juliene Marques
O trabalho realizado durante as oficinas tem utilizado a metodologia da Educomunicação, para estimular a percepção sobre o papel da mídia na produção de mensagens que constroem um imaginário estigmatizado e preconceituoso sobre as jovens atendidas ao longo de 12 meses de formação. As jovens atendidas por meio deste Projeto estão sendo
Marilia Gabriela
capacitadas através de oficinas pedagógicas, diálogos sobre comunicação com lideranças negras e suas organizações para se apropriar das novas tecnologias e suas ferramentas de comunicação. Na grade de atividades também é oferecido uma formação em raça, gênero, direitos humanos, cidadania e leitura crítica da mídia.
A VERDADE
O choque é cultural e a poesia é sincera. Que denuncia racismo pobreza e miséria. Iemanjá controla o mar. Xangô não baixou seu machado. Exù nunca foi diabo. Zumbi foi consagrado nos quilombo de palmares. Continente Africano o berço da humanidade. Que pariu Malcolm X Luther King e Marcus Garvey. Mulher negra instrumento principal na luta do povo ancestral. Dandara, Akotirene, Luiza Mahin, Clementina de Jesus e Creuza mulheres guerreira que nunca baixarão a cabeça. Na escola me negarão toda a verdade. Dizendo que o ocidente era o centro da verdade. Eu sempre controlado para dizer amém.
Gleice Campelo
Railane Vitorio
As participantes do curso têm acesso às disciplinas práticas como: produção de texto, fotografia, produção para audiovisual, filmagem e edição de vídeo e ferramentas de web, além de visitas em redação de jornais, estúdios de tevê, rádio e salas de cinema
PAUSA PARA POESIA
Mas contra sua lei eu me rebelei. Apaguei da minha cabeça toda sua história Agora para todos eu conto nossa história Falo do Egito onde surgiu a ciência Falo de Zumbi o herói da resistência Falo de Mandela, da África do Sul, falo do Ilê que vem lá do Curuzu Os brancos estão tramando todo dia contra nós Comprando nossos irmãos, jogando contra nós Dizendo que racismo é pura ficção Apontando mulher negra no programa de Faustão Não quero exceção eu quero regras Eu quero a mulher negra dirigindo as novelas Respeitando as crianças e as famílias Porque o programa da tv 100%
racista Ataca o candomblé e se esconde atrás da Bíblia Candomblé religião que cultiva a natureza Xangô é o orixá que guia minha cabeça Na defesa de Exú eu vou me rebelar Titanic foi pro mar, mas não falou com Iemanjá Afundou! Arquivo Pessoal
Giovane Sobrevivente é militante do movimento negro, ator, diretor de teatro, poeta, cineasta e produtor da Coisa Forte Produções. Tel . OI 71 8808 4234 / TIM 71 9176 1914
QUEM FAZ A COMUNICAÇÃO
Ao poder escrever para a revista eletrônica Acho Digno tenho o imenso prazer de poder fazer aquilo que gosto, entrevistar pessoas interessante, conhecer outros olhares e multiplicar esses conhecimentos. Cada dia é um aprendizado.
Procuramos ter uma editoria chamada “Quem Faz a Comunicação”, porque sentimos a necessidade de ter espelhos para seguirmos em frente sem esmorecer. Nessa edição de número 7 entrevistamos a jornalista carioca Luciana Barreto, editora executiva e apresentadora do telejornal Repórter Brasil, na TV Brasil. Nosso bate papo foi sobre carreia, a representação do individuo negro na televisão, a imagem passada para as crianças e
#LucianaBarreto
como é construída essa identidade positiva do ser negro. Há um termo utilizado atualmente que é #RepresentatividadeImportaSim, e como Luciana Barreto comentou: “dar entrevista é como fazer uma terapia”. É porque estamos falando de nós, pelo que passamos, pelo o que os nossos antepassados viveram para que pudéssemos chegar até aqui e como enfrentamos obstáculos insidiosos no acesso profissional em nossas carreiras. No artigo “Toda jornalista negra é ponta-de-lança” de Aline Ramos, percebemos, realmente que, ao falarmos e colocarmos para fora as nossas questões, o quanto essa terapia é produtiva, pois como ela diz: “Há um rio escondido em
toda jornalista negra das lágrimas que não chorou”. Porém, sentada em frente ao computador as lágrimas ainda escorrem ao rosto, pois também lembro do meu processo de graduação, quando na faculdade o professor me dizia que não poderia ser apresentadora de um telejornal com rastafári, no máximo uma correspondente, pois tinha uma imagem que cansava no vídeo. Cansava para quem? Para este país racista em que vivemos? Então, sigamos com a nossa terapia, ops, com a nossa matéria com Luciana Barreto, que ao ser comunicada da nossa intenção de entrevistá-la foi muito solicita. Abriu um espaço na sua agenda para nos receber. Juntamente com a fotógrafa Natasha Montier, passamos uma manhã no seu local
Fotos: Natasha Montier
de trabalho, acompanhando a sua rotina, indo de um lado para o outro, pois essa mulher não pára, grava off, verifica a informação correta da notícia, faz maquiagem, cuida dos cachos como se fosse a sua coroa, recebe alunos de faculdade que estão visitando o estúdio, além de acompanhar toda a gravação do telejornal. Após, tudo isso e mais um pouco, sentamos para conversar ainda mais.
#RepresentatividadeImportaSim A jornalista, com ampla experiência em televisão, confessa que nem sempre foi assim. No início tinha muitas dificuldades com as câmeras, pela questão de não ter referencial, não achava que poderia ocupar aquele espaço. “Eu sempre me neguei a trabalhar em televisão, talvez, agora sempre que dou uma entrevista ficou repensando nisso, a entrevista é uma terapia (risos). Talvez essa televisão que não me mostrava, que não me
fazia ter uma identificação, que me trazia tanta inquietude, talvez essa televisão tenha contribuído com essa recusa de querer trabalhar nela. Então sempre me recusei, o meu sonho era trabalhar com jornal impresso”, afirma. Porém, o destino fez com que tivéssemos, “para a nossa alegria”, essa jornalista na bancada de um telejornal. Luciana Barreto, nos relata que nunca passava nas provas para trabalhar em jornal impresso,
mas sempre passava nos processo seletivos para televisão, mesmo ambos sendo parecidos. Confessa que na faculdade tinha pavor das aulas de telejornalismo. “Eu tinha um preconceito muito grande, mas na verdade esse preconceito já vinha da minha recusa de não identificação e da minha questão de estima da mulher negra, porque eu não tinha essa identidade construída e era um problema muito grande, que a televisão tinha imposto a mim e continua
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Comunicação atualmente – “Eu acho que a comunicação hoje está passando por uma revolução se você prestar atenção. A chegada das mídias sociais, principalmente para a gente do jornalismo revolucionou a comunicação. Então hoje, todas as mídias sociais, os blogs, revistas eletrônicas, hoje o Brasil esta num crescente, num fervor muito positivo. Eu também posso falar agora, inclusive eu rebato, você fala e eu rebato. O nome disso é democracia. É por aí. Isso incomoda muito. Eu acho que a gente vai num avanço muito positivo com as redes sociais”, finaliza.
impondo ao brasileiro, que é o padrão de beleza que não existe. Então, eu me achava fora desse padrão de beleza. Eu não me vi ali naquele momento trabalhando em televisão”. Luciana Barreto afirma que, sua carreira é uma questão de inquietação social, a inquietação que a criança negra traz que passa pela televisão, o não reconhecimento e a não identificação. “A TV Brasileira é perversa, principalmente
Tempo de Estudante – Nascida em uma comunidade que tem muita pobreza, Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, Luciana Barreto comenta que escolheu o jornalismo de imediato. Nessa localidade se engajava em movimentos sociais e isso uniu com aquela inquietude pessoal que já existia desde criança. “Aquela inquietude da infância,
com a criança, porque lhe diz que esse papel não lhe cabe. Então, ela vai podando, ceivando sonho de milhões de brasileiros que não tem aquele perfil, que não esta no jornalismo, que não esta no comercial de propaganda, que não estão nas novelas, que não estão em lugar nenhum. Ter uma televisão colorida no Brasil, ter uma televisão que reflete o que é o Brasil, é, primeiro ponto: Construir uma identidade positiva do que é o brasileiro, tanto para indi-
viduo negro quanto para o branco. Segundo ponto: É ter uma atenção ao jornalismo, um olhar diferenciado devido a sua vivência”.
das desigualdades e aí eu achava que o jornalismo era uma maneira de denunciar, como é denunciar as desigualdades, as injustiças e de trazer esclarecimentos para todas as questões”.
vestibular para negros e carentes. Nesse projeto começou a estudar muito para entrar na universidade. No mesmo período passou para quatro universidades do Rio e optou por duas, em uma particular fez jornalismo e na pública cursou história, sem concluir o segundo curso por conta das demandas da vida.
Aos 18 anos, abandonou o trabalho - trabalhava desde os 15 anos – e entrou em um projeto de pré
Ainda explica que em seu jornal há uma discussão muito saudável porque há olhares de diversos jornalistas, olhares diferentes. No seu trabalho existe uma preocupação muito grande com as questões raciais, questões de desigualdades econômicas e sociais, de direitos humanos, minorias, mortes das
mulheres, genocídio do jovem negro, valorização da cultura negra, e revela que todas essas questões são impressas no jornal.
médico, o jornalista, o padeiro, o pedreiro. Temos que ocupar os espaços e levar sempre essa mensagem dos direitos humanos”, conclui.
“Eu amo o que eu faço. Então é muito prazeroso. Eu tenho um espaço na mão que poucas pessoas têm. Tem gente que tem espaço, mas não podem falar livremente. Eu tenho espaço e posso falar. Posso trazer uma mensagem positiva. Então, caiu na minha mão e eu não vou me recusar a estar nesse espaço, é o mínimo que tenho que fazer. Aliás, eu acho que todo mundo deveria fazer isso em cada profissão, seja o
A revista Acho Digno agradece a parceria com a fotógrafa Natasha Montier, que de imediato aceitou o convite para ir entrevista a jornalista no seu local de trabalho no Rio de Janeiro, e pode fazer registros belos desse momento único. E, também agradecemos muito a nossa entrevistada, Luciana Barreto, por compartilhar um pouco da sua história e servir de inspiração para mais pessoas
O rap na voz feminina da MC Priscilla Feniks
Gaúcha, atualmente vive em São Paulo, ressalta que em suas músicas retrata a visão de uma mulher sobre as ruas, periferias e favelas dessas cidades, incluindo Rio de Janeiro, onde viveu alguns anos. A cena é o rap, o movimento é o Hip Hop e a MC é
Priscilla Feniks. As vozes femininas no mundo atual do rap nacional têm chegado cada vez com mais força. Com letras fortes, falando de racismo, sexismo, machismo, sentimentos e amor. As “minas” ocupam o seu devido espaço em cima do palco com microfone na mão. O que a MC Priscilla Feniks faz com maestria há 14 anos. Como um auto retrato, essas mulheres traduzem sentimentos de muitas que se sentem representadas ao
ouvir e sentir suas músicas. O protesto conscientiza a população ecom essa informação elas fazem uso dessa poderosa ferramenta. Feniks teve a sua primeira imersão na cultura hip hop por meio do elemento da dança e somente após dois anos virou MC, confessa que demorou bastante para conseguir gravar ou realizar alguma apresentação artística profissional. Esses ensinamentos da vida pessoal estão todos impressos na sua arte. Seu rap é repleto por inúmeras histórias refletindo as realidades das cidades por onde passou. Porém toda a sua base de construção dentro
Fotos: Ricardo Carvalho
estúdios, ou a locais de ensaios, equipamentos de dj´s, casas noturnas ou muros, porque a noite e a rua não eram para a mulher se aventurar”, desabafa.
da cultura hip hop está na região Sul. “Foi o lugar onde nasci e renasci, e também onde surgiu a minha ‘inclinação’ em aliar o rap com a articulação nos movimentos sociais e políticos (não partidários). Essa vivência nos movimentos que constituíram a minha forma de fazer rap e são o meu embasamento de evolução e conteúdo. Em Porto Alegre, tive a honra de conhecer e ser ‘iniciada’ por mulheres maravilhosas, como a B. Girl Cris, a grafiteira Little e a MC Flor do Guetto. Já conhecia o rap, já conhecia os bailes, mas essas pessoas que fortaleceram para que eu pudesse entender a cultura hip hop e sua essência. Com MC Flor do Guetto, Denise das Anastácias e outras meninas, iniciamos a Fenix Cultural que foi nossa porta de protagonização enquanto hip hop feminino. Cada uma tinha uma história que se fortalecia com essa união de saberes e ações”, revela. Mulheres no Rap - Para a MC não existe superioridade em relação à qualidade, profissionalismo, ou ainda conteúdo em relação aos produzidos por homens, porém afirma que o processo de produção artística da mulher possui diferenciações, tais como: tempo, pois a mulher é artista, mãe, filha, esposa, articuladora e uma profissional que precisa trabalhar na rua e em casa. “São muitas tarefas, então o processo de criação é diferente. Além disso, por muitos anos, e até hoje é assim, apesar de grandes mudanças positivas, muitas mulheres não tinham acesso às produções musicais de qualidade, ou acesso a grandes
“Minhas letras falam dos ensinamentos pessoais, tudo o que vivenciei na rua ou que tenha aprendido nos movimentos sociais que circundam as ideologias da Cultura Hip Hop” Feniks comenta que para os homens também era difícil, só que quando os estúdios caseiros e as produções independentes começaram a ficar mais fortes, mais uma vez a mulher ficou de fora desse processo de construção. “As barreiras fizeram com que as mulheres tivessem mais dificuldades em concluir suas produções, e muitas dessas barreiras colocadas pelos homens da cultura hip hop, pois a mulher precisava depender deles para ter uma boa instrumental, por exemplo. Muitos festivais realizados por homens, e que tinha uma infinidade de grupos todos masculinos. Algumas mulheres participavam desses espaços, mas percebia que precisariam repercutir o machismo, nunca mulheres empoderadas e protagonistas a ponto de questionar a ação de um homem. A mídia direcionada ao hip hop também é voltada ao universo masculino, pouquíssimas mulheres conseguem ter espaço nesse tipo de mídia, na maioria, apenas pagando mesmo. Mas estamos virando o jogo uma vez que percebemos que, se as portas não se abrem, construímos nossos castelos”, finaliza Feniks. Quando questionada sobre a união das mulheres no movimento Hip Hop, Feniks diz que há coletivos que se organizam e comenta sobre o trabalho desenvolvido pela Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop (FNMH2) que busca aglutinar e unir essas mulheres e suas ações de forma a fortalecer o empoderamento e o seu protagonismo. É uma rede internacional articulada para fortalecer o hip hop feminino e para abrir novos espaços garantindo uma equidade de gênero CD R$10,00 *O CD pode ser adquirido nos shows ou em eventos promovidos pela FNMH2. As músicas também estão disponíveis na internet para download gratuito. www.palcomp3.com/priscillafeniks www.facebook.com/priscillafeniks
O poder dos lábios coloridos
Sabe aquele cosmético usado para dar cor aos lábios? Bom, essa é a nossa pauta de hoje. As cores dos batons! Qual será que combina mais com a pele negra? Qual a tendência das próximas estações? Para responder essas questões conversamos com quatro maquiadoras, entre elas uma gaúcha, duas cariocas e uma baiana, que ainda deram dicas valiosas. Pensa que acabou por aí? Nada disso, como gostamos de ter outros olhares, convidamos para ilustrar essa matéria alguns modelos homens, Ivan Girafa, Leno Sacramento e Silvio Reis, para dar aquele ar sofisticado com muito glamour. Todos foram clicados pela lente e sensibilidade do fotógrafo Leo Ornelas.
realça a boca e existem diversos modelos, marcas e cores. O nome, que vem do francês bâton, significa bastão, é um cosmético muito utilizado, principalmente pelo público feminino, que ao sair de casa normalmente usa e carrega em sua bolsa.
O batom pode dizer muito sobre a personalidade de alguém e cada cor pode expressar algo, também pode estar relacionado ao auto descobrimento. Com preferências e atitudes, pessoas que usam batons de cores fortes contagiam não apenas seus lábios, mas o meio com qual se relacionam e transborda personalidade. As cores dos lábios imprimem significados. Recentemente a marca de cosméticos Cover Girl em parceria com a Universidade de Harvard, realizaram a pesquisa para descobrir como as cores do batom mudam a forma como as pessoas vêem as outras. A pesquisa constatou que quem usa o batom quatro ou mais vezes por semana tem um nível de confiança elevado em relação a quem não utiliza o produto com tanta frequência. Segundo a maquiadora gaúcha Fernanda Ferreira (foto da esquerda), a tendência para essa estação de primavera e para o verão 2016 aposta nas cores nos tons nude e rosados que são mais
Fotos: Leo Ornelas
Com brilho ou sem brilho, o batom
leves. “Os batons matte (opaco, sem brilho) serão guardados para a próxima estação e darão lugar a esses tons em forma de batons cremosos e também os efeitos molhados como gloss que darão mais frescor à maquiagem. Para o verão teremos também os tons de laranja que, particularmente eu adoro para as negras, além dos rosas um pouco mais fechados que são sugestões para nós”
DICAS Para a maquiadora carioca Elizabete Pinto (foto à esquerda) a aposta é na cor de batom vermelho que acredita ficar bem na pele negra em geral. Só faz uma ressalva, “Cores terrosas não fica muito bom, pois envelhece um pouco”.
A maquiadora baiana Elisia Santos (foto à direita) diz: “Para pele negra clara, sugiro a cor lilás, mas antes coloca uma base para o batom não sair e fica cinco minutos sem comer nada. Cuidado com os cantos, pois cores fortes deixa visível se passar o batom errado”.
A maquiadora carioca Raphaela Galiza (foto acima) assume que gosta dessa tendência, “Indico os tons mais fechados para lábios mais grossos e lábios mais finos mais abertos. Para pele negra um bordo, vinho, margenta e uva”.
Cores Vermelho – demonstra uma personalidade mais ousada e confiantes.
Laranja – um ser mais criativo e aventureiro.
Vinho – amantes da elegância, sofisticadas e modernas.
Rosa – pessoas divertidas, surpreenden-
tes e que conversam um ar doce e inocente.
Roxo – pessoas independentes. Nude– uma pessoa acolhedora e solidária.
Fotos: Reprodução da Internet
#IventandoModa O cantor Magary Lord abriu as portas do seu Casarão No mês de outubro, o “Casarão do Lord” foi inaugurado no Pelourinho. O centro multicultural terá além de música boa, gastronomia e cursos para moradores da região.
Localizado no Centro Histórico da capital baiana, o antigo Bar Sankofa, agora tem novo dono, o cantor e compositor Magary Lord. O seu novo projeto será o local das artes, danças, encontros, gastronomia, cultura e educação. A intenção é que ocorram durante o dia os cursos e à noite shows de música. O centro multicultural, de três andares, articula uma rede de quatro empreendimentos, são eles: Inventando Moda, uma iniciativa de inclusão social para crianças e adolescentes em situação de risco que terão gratuitamente aulas de inglês, teatro, dança, percussão e canto; Zero Sete Astral, um espaço para eventos culturais e corporativos e show bar; Esquenta – Boteco Bistrô, um local gastronômico com menu assinado pelo chef Leot Rammos; e o Magary Social Club, um clube de vantagens, personalizado para apoiadores e freqüentadores do Casarão do Lord que garante acesso diferenciado aos eventos, além de uma cartela de produtos culturais especializados.
Essa mistura de bar, show, centro cultural, já deu para perceber, com a sua inauguração que ocorreu no último dia 10 com casa cheia, que será algo novo na área e que chegou para ficar. Um local com diversos atrativos e agradável para encontrar os amigos. A revista Acho Digno deseja vida longa para o Casarão do Lord
Crédito: Fernanda Pinheiro
A voz e o talento de Savannah Lima Com carreira solo, a cantora, compositora e
atriz Savannah Lima, a cada dia vem deixando sua marca no cenário musical. Em seu repertório apresenta releituras modernas de clássicos da MPB e aposta bastante nas melodias do samba funk e samba soul, além de canções autorais. No entanto, nem sempre foi assim. Savannah, em entrevista para a revista Acho Digno, confessa que no início de sua carreira, aos 15 anos quando começou a cantar profissionalmente, escutava mais músicas internacionais. “Tive a oportunidade de começar a conhecer mais sobre música afro quando entrei na Banda Didá - banda feminina de percussão de Salvador - que me ajudou muito a ter novas referências. Isso enriqueceu hoje o meu gosto musical, aumentei o leque de ídolos e principalmente de estilos de músicas”, afirma. Dona de uma voz singular e forte, Savannah surpreende aos amantes da boa música com um repertório diversificado. Recentemente lançou o show “Oferendas” fundamentado nas bases da música sagrada dos Orixás onde apresenta influências percussivas nas batidas sagradas trazendo em sua estrutura vocal a suavidade do estilo Ijexá – gênero de matriz africana presente nos afoxés.
Comenta que já teve maravilhosas experiências e algumas ruins que lhe ensinaram muito. Já dividiu o palco com diversos artistas como Margareth Menezes, Mariene de Castro, Carlinhos Brown, Paula Lima, entre outros. “Quando subo ao palco, canto, me envolvo com o público e com tudo que a música me traz e leva de mim, nada de ruim fica. Só o que é lindo! Para a minha música levo a auto estima, o incentivo dos amigos, minha própria convicção do que quero pra minha vida. Isso me dá força para seguir”, ressalta. Carreira no Teatro –Savannah Lima nunca deixou de brincar. Na infância suas brincadeiras favoritas eram de dança, teatro e música. “Conforme foi crescendo o interesse foi aumentando”, finaliza. Na vida de atriz começou recentemente, em 2014, quando foi aprovada na audição da Oficina de Performance Negra do Bando de Teatro Olodum. Gostou tanto de exercer outra habilidade em cima do palco que logo em
Crédito: Sophia Morais
seguida participou de outra audição, também com êxito, para fazer parte do elenco do espetáculo Sortilégio II – Mistério Negro de Zumbi Redivivo, texto de Abdias Nascimento e direção de Ângelo Flávio.
Crédito: Alda Souza
ARTIGO Noções Afirmativas Por Carlos Átila
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Lei: 10.639/2003 é uma ação afirmativa que obriga as instituições educacionais brasileiras a trabalharem com conteúdos voltados para o ensino da História e Cultura Africana e Afrodescendente. As ações afirmativas existem em um contexto secular de perenidade e resistência do racismo, este fenômeno permite a negação total do outro a partir da pele. O Brasil contemporâneo, por ser um país hierarquizado nas bases da escravidão racial, adotou as ações afirmativas como medida reparatória de suas desigualdades internas. Entendo ser um incomodo para uns que a filosofia da Consciência Negra seja uma categoria útil para pensar o Brasil do século XXI, “logo, um pensamento que emergiu na época do Apartheid, na África do Sul!”, se espantam alguns. Todavia, a abordagem dessa filosofia seria irrelevante numa sociedade igualitária, sem preconceito racial e exploração, afirmou Steve Biko (1946-1977) no livro, Eu escrevo o que eu quero, no qual considerou que as hierarquias são uma questão deliberada dos homens e não possuem origem divina. Durante a escolha dos temas ligados à história e cultura dos africanos, devemos estar sempre atentos ao fato de que, cientificamente, a África é considerada o Berço da Humanidade. Foi ali que os primeiros pensamentos humanos surgiram e dali os humanos migraram para povoar todos os continentes do planeta. Em Para quando a África? , Joseph Ki-Zerbo (1922-2006) reclamou que esquecemos isso com muita facilidade. Os jornais e as novelas falariam desse tema com frequência se o berço fosse Nova York.
Para melhor compreender os problemas contemporâneos, acho digno discutir a filosofia da consciência negra, a África como berço da humanidade, esta como uma espécie diversa e indivisível. Finalmente, não perder de vista as declarações, em 2007, de James Watson, ganhador do prêmio Nobel de Medicina (1962), por ter descoberto a estrutura do DNA, apontando os africanos como menos inteligentes que outros povos, uma verdadeira falácia contrária às demonstrações da biologia genética atual, baseadas no próprio DNA, que considera a humanidade como uma espécie única. ----------------------------
BIKO, STEVE. Eu escrevo o que eu quero. São Paulo: Editora Ática, 1990. KI-ZERBO, Joseph. Para quando a África? Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
*Historiador e mestrando em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia
DICA DO SALÃO ROSAS NEGRAS Cabelo curtinho e com cheirinho de amor! E quando tudo muda e você decide raspar a cabeça? Cortar tudo, deixando o vento passar pelo seu couro cabeludo ... O que fazer? A primeira coisa: pense bem antes, porque é caminho sem volta e tenha certeza do quão empoderada você é!
Não esqueça que o cabelo é só moldura do rosto, a beleza está na face. O cabelo enfeita, delimita. Formata o rosto, mas o poder das mulheres, a sedução, sensualidade e feminilidade está no conjunto.
Fotos: Reprodução da Internet
Ser careca obriga você a ser mais feminina do que nunca essa é a hora para usar e abusar das makes, acessórios, looks, cores e saber que será destaque. Existe uma personalidade fortíssima por trás de quem opta por raspar a cabeça, existe aquela vontade de mudança ou simplesmente porque gosta de atrair olhares e ser linda!
3°Enxugue bem a cabeça, mesmo com pouco cabelo, há risco de fungos ou caspa, por isso, raspou, mas o cuidado continuam!
As dicas de hoje são: 1°. Não raspe a cabeça com barbeador, mas de navalha e é importante a hidratação anterior no couro cabeludo, antes de passar a lâmina, e todo cuidado é pouco para deixar a sua cabeça limpa.
2° Lave o couro cabeludo constantemente, tna primeiro semana com shampoo, depois de duas semanas com condicionador, na quarta semana já pode começar a usar o leavin-in, pode abusar de perfumes no couro, preferencialmente sem álcool.
Seja feliz e muito beijo na careca.
Por Elisia Santos
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Arquivo Pessoal
Poesia
Treze de Maio *Oliveira Silveira (in memória) Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão Liberdade de asas quebradas como ........ este verso. Liberdade asa sem corpo: sufoca no ar, se afoga no mar. Treze de maio – já dia 14 o Y da encruzilhada: seguir banzar voltar? Treze de maio – já dia 14 a resposta gritante: pedir servir calar. Os brancos não fizeram mais que meia obrigação O que fomos de adubo
o que fomos de sola o que fomos de burros cargueiros o que fomos de resto o que fomos de pasto senzala porão e chiqueiro nem com pergaminho nem pena de ninho nem cofre de couro nem com lei de ouro. O que fomos de seiva .......................de base ..................... de Atlas o que fomos de vida ........................e luz chama negra em treva branca .......................quem sabe só com isto: que o que temos nós lutamos para sobreviver e também somos esta pátria em nós ela está plantada nela crispamos raízes
de enxerto mas sentimos e mutuamente arraigamos ....quem sabe só com isto: que ela é nossa também, sem favor, e sem pedir respiramos seu ar ....a largos narizes livres bebemos à vontade de suas fontes ... a grossas beiçadas fartas tapamos-destapamos horizontes ....com a persiana graúda das pálpebras escutamos seu baita coração ....com nosso ouvido musical e com nossa mão gigante batucamos no seu mapa ....quem sabe nem com isso e então vamos rasgar a máscara do treze para arrancar a dívida real com nossas próprias mãos. (In: Banzo - Saudade Negra)