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reparacaoautomotiva.com.br

EDIÇÃO 106 Julho de 2017 EDITORA

A REVISTA QUE MUDA COM O REPARADOR MODERNO

REPARADORES EM DEFESA DO

PLANETA

Respeitar o meio ambiente deixou de ser apenas um modismo para se tornar uma questão de sobrevivência da humanidade. Muitos empresários da reparação começam a aderir à causa e descobrem que a ecologia pode fazer muito bem aos negócios.

BURACOS E ELÉTRICA

Nossas ruas e estradas estão criando defeitos complicados

OUTROS CAMINHOS

Conheça algumas suspensões que ousaram ser diferentes

RETÍFICA DE DISCOS

O processo ainda compensa ou é melhor fazer a troca?

E MUITO MAIS: LANÇAMENTOS - TENDÊNCIAS - NEGÓCIOS - DICAS - HISTÓRIAS - INOVAÇÕES

FUTURO ESFÉRICO

Os pneus estão passando por uma grande revolução


SUMÁRIO

EDIÇÃO 106 JULHO 2017

reparacaoautomotiva.com.br reparacaoautomotivaoficial

10

04 ENTREVISTA

Parceria e suporte técnico

06 INDICADORES

Análise dos emplacamentos

08 GESTÃO

O tempo é um bem valioso

10 PERFIL

Uma trajetória de sucesso

12 SUSTENTABILIDADE Compromisso com o futuro

16 MOTOR

Superaquecimento no Ka

20 TRANSMISSÃO Falhas no Jeep Renegade

22 SUSPENSÃO

Franceses estão melhores

16

20

32

24 FREIOS

O passe ainda compensa?

26 ELÉTRICA

O problema dos buracos

28 HISTÓRIA

A evolução da suspensão

30 FUTURO

Os pneus se reinventam

32 MESTRES

Um exemplo catarinense

DIRETORIA Diretor Comercial Edio Ferreira Nelson

Envie releases com os lançamentos de sua empresa ou notícias que mereçam ser divulgadas: jornalismo@znews.com.br

REDAÇÃO Editor-Chefe Silvio Rocha (MTB 30.375) Redatores Karin Fuchs Simone Kühl Revisor Geuid Dib Jardim

Anuncie na revista Reparação Automotiva ou em nosso site. Comunique-se com o setor automotivo e aumente o poder de sua marca: comercial@znews.com.br

ARTE Designers Ezequiel Leão Jheimisson Sampaio Marcos Bravo Foto de Capa William Zotesso

FALE COM A GENTE Nosso Endereço Rua Acarapé, 355 04139-090 - São Paulo - SP (11) 3585-0626

COMERCIAL Consultores de Vendas Richard Faria richard@znews.com.br Nilson Nardi nilson@znews.com.br Adalberto Franco adalberto@znews.com.br Wanderley Klinger wanderley@znews.com.br MARKETING E CIRCULAÇÃO Coordenadora Tatiane Nunes administrativo@znews.com.br Consultor de Negócios Jeison Lima jeison@znews.com.br

APOIO E PARCERIA

ANUNCIARAM nesta edição

Receba a Reparação Automotiva, cadastre-se e mantenha-se atualizado sobre as últimas novidades e informações do setor automotivo. ADMINISTRATIVO Coordenadora Financeira Luciene Alves administrativo@znews.com.br Atendimento ao Leitor contato@znews.com.br Os anúncios aqui publicados são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores.

MÍDIA DADOS 2017

A revista Reparação Automotiva é uma publicação da ZNews Editora e Marketing, de circulação dirigida aos profissionais do segmento automotivo para contribuir com o desenvolvimento do setor.

Autonor 25 Bosch 09 Corteco 23 Dana 18/19 Fras-Le 11 Fremax 27 FTE 31 Hella 07 King Tony 15

Motorcraft 02/35 Radnaq 33 Ranalle 13 Raven 29 Reparação 05 Sindirepa 34 Urba e Brosol 17 Zen 21 ZF-TRW 36


ENTREVISTA

RAVEN

O MELHOR PARA OS REPARADORES

RELACIONAMENTO E PARCERIA DE SUCESSO por Silvio Rocha | foto Divulgação

Há mais de 45 anos no mercado, os produtos da Raven Ferramentas Especiais estão presentes em praticamente todas as oficinas do Brasil, e junto com a marca King Tony, que integrou em seu portfólio há dezenove anos, sendo responsável por sua representação no país, a empresa é hoje referência em soluções para o reparador no quesito ferramentas e equipamentos.

T

udo começou com o desenvolvimento de uma ferramenta para a troca do diferencial do Fusca. E de lá para cá o mercado evoluiu muito, e a gama de ferramentas também, mas o compromisso da Raven com o reparador continuou o mesmo. A empresa se mantém atenta às tendências e inovações do mercado para oferecer os melhores ferramentais e equipamentos e baseia seus desenvolvimen04 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA


tos de acordo com as necessidades e exigências do reparador, tudo para facilitar ainda mais o seu dia a dia. Segundo Silvio Ratão, sócio-administrador da Raven Ferramentas Especiais, para fornecer suporte e apoio aos profissionais, a empresa distribui trimestralmente suas revistas, a Raven News e a King Tony Magazine, que contam com conteúdos técnicos e informativos, além de lançamentos e ações da marca; a empresa também possui uma linha direta com o reparador para orientá-lo na gestão de aquisição de ferramentas para sua oficina ajudando no layout e organização; e um site repleto de informações sobre os seus produtos: www.ravenferramentas.com.br. Reparação Automotiva – Com as novas tendências do mercado e as inovações nos veículos, quais as principais soluções e novidades em tecnologias nos equipamentos e ferramentas? Silvio Ratão – Nossa grande inovação neste ano foi o osciloscópio, que acabou de ser lançado. Essa ferramenta é de grande necessidade do reparador. O produto inclusive estará integrado ao Scanner 3, tornando assim muito mais fácil e simples seu manuseio. Em uma única ferramenta o profissional poderá contar com as duas soluções.

RA – Como a Raven se atualiza e prepara seus desenvolvimentos para os veículos que estão entrando no mercado? SR – Ao surgir um novo veículo na frota nacional, é padrão a Raven estudá-lo e entender quais são as necessidades de reparação do modelo, desenvolvendo assim uma série de ferramentas especiais para facilitar a troca dos componentes. Além disto, buscamos identificar quais são as exigências do reparador. Tudo isto contribui para o desenvolvimento de uma nova ferramenta. RA – Comente a participação da Raven nesta última Automec. SR – Para nós a Automec foi muito importante, sentimos o público muito ansioso por novas tendências e produtos. Acredito que conseguimos atender bem os nossos clientes e mostrar nossos lançamentos. A Automec é um termômetro, onde é possível identificar as expectativas dos mecânicos, suas opiniões e ideias a respeito de ferramentas que facilitem seu dia, com isso levamos seus questionamentos para a nossa equipe de engenharia analisar e, em seguida, geramos os produtos. Esse feed-back deles é fundamental para nós, pois transformamos seus pedidos em realidade.

RA – Como a empresa enxerga o atual cenário do Brasil e quais os resultados do primeiro semestre? SR – Podemos perceber que o mercado ainda está receoso no quesito investimentos, mas pudemos sentir uma melhora nesses primeiros meses em relação aos resultados desse mesmo período no ano passado. Independentemente de como está o momento, a Raven não para, e o reparador também. Temos visto que os profissionais estão sempre se atualizando para se manterem firmes no mercado. RA – Destaque a importância do relacionamento com o reparador e discorra sobre os próximos investimentos e ações para esses profissionais neste ano. SR – Os reparadores são a nossa motivação. Eles norteiam nossos caminhos. Ao sair um carro novo, além de estudarmos o modelo, buscamos ouvir os profissionais para entender melhor suas necessidades, pois é para eles que produzimos. Por isso, valorizamos muito o relacionamento próximo com esse público. Vamos ampliar nossas ações e melhorar ainda mais nossos canais de comunicação. E também nos meses de outubro e novembro traremos novidades aos nossos amigos profissionais.

A REVISTA QUE SE ORGULHA DE PÔR A MÃO NA GRAXA

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REPARAÇÃO AUTOMOTIVA | 05


INDICADORES

AUDATEC por Sérgio Duque | tabela Audatec

EMPLACAMENTOS 2017 BONS RESULTADOS SÓ A PARTIR DE AGOSTO

O

Segundo as entidades de classe, até final do primeiro semestre não se espera recuperação em números de vendas e emplacamentos

nível do emprego no país continua provocando efeitos negativos no resultado de vendas de vários setores da atividade econômica. Em junho, segundo divulgação do Ministério do Trabalho, 14 milhões de trabalhadores continuaram sem carteira assinada, embora um pequeno número de vagas tenha sido aberto no mês. As expectativas para o ano da Fenabrave e da Anfavea continuam a apontar para leve evolução no número total de emplacamento, mas não se percebe muita confiança por parte dos dirigentes dessas entidades, quando são chamados a comentar sobre o que esperam para os meses futuros. 06 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Antônio Megale, presidente da Anfavea, explicando o bom desempenho ainda em maio, comentou: “Ainda precisamos aguardar o desempenho dos próximos meses, mas a sinalização é de que estamos consolidando a estabilidade. Se as reformas forem aprovadas, o próximo passo é voltar a crescer”. As previsões apontam que os emplacamentos deverão crescer 3% em 2017, o que representará 2,7 milhões de novos veículos. RAZÕES – Alguns fatores que influenciam o desempenho do setor foram alvo da atenção de consultorias especializadas: a demanda de crédito pelo consumidor (que subiu 7,9% em maio, em

relação ao mesmo mês de 2016), a redução da taxa de juros, que amplia o número de interessados em compra a prazo (que é o caso de veículos novos), e a expectativa de demanda do consumidor, que vem reagindo nos últimos meses. Entre os segmentos da frota, os carros mantêm saldo positivo no emplacamento, ainda que tímido. LEVES – Alguns modelos tiveram um aumento expressivo no volume de vendas em 2017, tendo o Renault Sandero liderado esta lista, com 45% de volume superior, seguido pelo Ford Ka, com 33% de evolução. Enquanto isso, o Onix da GM dispara como o mais vendido, liderando há dois anos consecutivos.


COMERCIAIS LEVES – Continua com desempenho geral apenas razoável, enquanto a venda de caminhões e ônibus mantém-se em compasso de espera. Explica-se: para transportar a safra recorde, estimava-se investimentos na renovação da frota de caminhões. No entanto, o que está acontecendo é a reparação da frota e, portanto, o aftermarket é que está se beneficiando. Nem a redução da taxa de juros tem contribuído para reverter a tendência de investimentos no segmento. MOTOS – O desempenho continua a esbarrar na questão da falta de crédito dos potenciais compradores, diferentemente do segmento de máquinas agrícolas, em que espera-se reação a partir de agosto.

OS 10 VEÍCULOS MAIS VENDIDOS - ACUMULADO ATÉ JUNHO DE 2017 PERÍODO

MONTADORA

MODELO

2017

2016

GM

EMPLACAMENTO

VARIACÃO

2017

2016

%

ONIX

83.320

68.556

21,54%

HYUNDAI

HB20

50.430

55.903

-9,79%

FORD

KA

45.840

34.447

32,95%

RENAULT

SANDERO

38.300

26.416

44,98%

VOLKSWAGEN

GOL

37.700

32.494

16,02%

GM

PRISMA

31.000

31.165

-0,53

TOYOTA

COROLLA

29.000

31.894

-9,07%

FIAT

STRADA

24.600

28.913

-14,92%

10°

HONDA

HR-V

23.700

30.884

-23,26%

10°

-

FIAT

TORO

23.600

S/REF

S/REF

Fontes: Audatec e Fenabrave


GESTÃO

TEMPO por Karin Fuchs | foto Divulgação

ORGANIZE O SEU TEMPO E APRENDA A TER AUTODISCIPLINA

O melhor aproveitamento é uma das principais ferramentas para a eficiência no trabalho, harmonia familiar e o bem-estar mental dministre seu tempo para usá-lo da forma que for melhor para você. Ande mais e corra menos. Quem corre muito não aproveita a vida e não consegue organizar seu tempo de forma inteligente. As palavras de Christian Barbosa, CEO da TriadPS e o maior especialista no Brasil em administração de tempo e produtividade, ilustram a importância da autodisciplina.

TRABALHO – Barbosa diz que um erro muito comum é levar trabalho para casa. “Os momentos de descanso precisam ser respeitados. Se você ficar pensando em trabalho o tempo todo, ele nunca vai acabar, sempre vai aparecer alguma tarefa nova, e você não vive. Fazer pausas e reservar momentos para lazer ajudam a espairecer e nos tornam mais produtivos”, destaca.

“Às vezes, a melhor forma de saber se somos ou não capazes de fazer alguma coisa é tentando. Se você é sedentário, por exemplo, reconhece a importância de fazer exercícios físicos e quer encaixar essa atividade em um período do seu dia, precisa saber qual é o melhor horário para isso e definir quantas vezes por semana irá se exercitar”, explica.

Segundo ele, a gestão do tempo é um passo a passo. “Primeiramente, pare para pensar em quais tarefas consomem o seu tempo e registre-as. Eu sempre aconselho as pessoas a reservarem 15 minutos do domingo para, em uma agenda ou aplicativo, anotar todos os compromissos da semana”, orienta.

08 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Outro passo importante é eliminar hábitos improdutivos. “Excesso de redes sociais e mania de deixar tudo para a última hora contribuem muito para que a gente fique sobrecarregado e com a sensação de que está sempre correndo. Há tempo para tudo, e cabe a você determinar esse tempo”, diz. AUTODISCIPLINA – É o controle emocional necessário para fazer o que precisa ser feito da maneira correta. “Como, por exemplo, se você decide que vai fazer um intervalo de 20 minutos para leitura toda noite e no primeiro dia de tédio sente dificuldade e joga o plano para o alto, faltou autodisciplina. A autodisciplina é a capacidade de superar obstáculos e manter o foco na atividade principal”, ensina.


PERFIL

AMAZONAS por Simone Kühl | fotos Divulgação

ATALIBA MECÂNICA REFERÊNCIA EM SERVIÇOS AUTOMOTIVOS

E

Um pequeno negócio que se transformou em uma grande oficina, com estrutura completa, alta tecnologia e profissionais motivados

m uma pequena estrutura alugada, onde cabiam apenas três carros, a Ataliba Mecânica Técnica, de Manaus (AM), começou seus trabalhos há mais de duas décadas. No início todos os serviços eram realizados pelo fundador, Ataliba Raimundo Batista da Silva, com a ajuda de um profissional e de sua esposa para as áreas administrativa, financeira e de compras. Com a crescente demanda de serviços, a oficina adquiriu um terreno no qual construiu uma modesta estrutura coberta para suprir as necessidades do momento. E com os clientes aumentando foi preciso comprar alguns lotes vizinhos. Diante das oportunidades, o reparador também diversificou os serviços. 10 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Foi assim que a oficina mecânica passou a contar com uma completa estrutura de funilaria e pintura. E, em 2009, a Ataliba expandiu fisicamente. Hoje tem mais de 4 mil m² construídos e 45 empregos diretos. “Além de uma estrutura completa, nossa equipe está em constante atualização com os modernos sistemas de diagnósticos e reparo de marcas nacionais e importadas. Oferecemos serviços de mecânica, funilaria, pintura, eletroeletrônico, alinhamento e balanceamento”, informa. CAPACITAÇÃO – A oficina participa das principais feiras do setor e mantém contato com seus parceiros comerciais para a atualização constante de todos os colaboradores.

Além disto, dispõe de um centro de treinamento utilizado com este propósito. Outra fonte de conhecimento é a participação de fóruns e grupos de reparadores para a troca de informações e experiências. A Ataliba tem realizado investimentos na área de pós-venda por meio de pesquisas de satisfação e recuperação de clientes, além de agregar mais serviços e produtos com seus fornecedores e parceiros. “Toda essa perspectiva vem em função dos investimentos realizados em nossa infraestrutura predial e de comunicação. Apesar de todas as incertezas da economia, esperamos um crescimento no faturamento ao redor de 20% neste ano sobre 2016”, conclui o reparador Ataliba da Silva.


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CAPA

MEIO AMBIENTE por Karin Fuchs | fotos William Zotesso

OFICINA SUSTENTÁVEL UM DIFERENCIAL CADA VEZ MAIS VALORIZADO

C

Em todo o mundo, a consciência ambiental ganha cada vez mais adeptos e a legislação está muito severa. Os reparadores precisam se preparar

ada vez mais se fala em sustentabilidade no mundo atual, e nas oficinas não seria diferente, até porque elas têm que estar de acordo com a legislação ambiental. E mais do que respeitarem as normas, muitas ainda não se atentaram a que algumas ações geram economia e, portanto, mais rentabilidade, e os seus clientes percebem estas ações, o que gera valor para a oficina. Segundo o estudo do Sebrae-SP, “Como tornar sua oficina sustentável”, são três pilares para alcançar este objetivo: meio ambiente, economia e sociedade. Nesta matéria, 12 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

José Paulo Albanez, coordenador Estadual de Reparação Veicular e Comércio de Autopeças da entidade, comenta cada um dos pilares, e empresários da reparação contam como os colocam em prática. Primeiramente, diz o consultor, “a oficina tem que estar de acordo com a legislação municipal, que varia de cidade para cidade em relação ao nível de exigência”, esclarece, defendendo que “a falta de uma legislação específica para o setor da reparação automotiva gera uma insegurança e não incentiva o empresário a investir de forma satisfatória na sustentabilidade da oficina mecânica”.

Para ele, é um erro o empresário achar que investir em sustentabilidade não agrega valor. “Ao contrário, o consumidor está ciente das questões ambientais. O público feminino se atenta à organização e limpeza da oficina, bem como se os funcionários estão uniformizados”, explica. CONTAMINANTES – Numa oficina, qualquer material contaminado tem que ser descartado da forma correta. “Como o óleo, a bateria, as embalagens e as peças precisam ter uma área adequada de destinação, o que significa também organização”, afirma o consultor.


O que se traduz também em dinheiro para a oficina. “Tudo isso pode ser vendido para empresas de reciclagem, como as embalagens e o óleo que será reprocessado. Inclusive, o óleo pode ser adquirido em tambor, o que é mais rentável para a oficina”, sugere. ECONOMIA – Na MotorFast, em São Paulo, Alberto Martinucci Jr. conta que “todo o óleo retirado é descartado em um recipiente próprio, de 200 litros, e é vendido para uma empresa de reprocessamento, e também o óleo que sobra nas embalagens segue o mesmo destino, após 24 horas em uma pingadeira”, especifica. Igualmente têm descarte correto os filtros de ar, de óleo e de combustível. E para a lavagem de peças existe na oficina uma caixa de decantação que separa a água do lodo (sujeira e óleo). “A cada seis meses é feita a

O reaproveitamento do óleo lubrificante é um dos primeiros cuidados a serem tomados

limpeza desta caixa, e uma empresa especializada recolhe esse lodo que tem como destino a incineração”, conta Martinucci, entre outras ações. Para gerar economia para as oficinas, Albanez cita o uso de te-

lhas transparentes, a adoção de uma caixa de captação de água da chuva para a lavagem da oficina e de banheiros, por exemplo, a substituição de equipamentos antigos e cuidados com as ferramentas.


CAPA

MEIO AMBIENTE

Outra dica é alugar os uniformes. “A empresa que aluga lava os uniformes e separa a graxa. Isso é sustentabilidade para a oficina, pois evita que a sujeira vá para a rede de esgoto”, comenta o consultor. PESSOAS – Com uma equipe de oito colaboradores, a proprietária da oficina Meu Mecânico, localizada em Brasília (DF), Agda Oliver, destaca a importância das pessoas nesse processo. “Eu sempre digo nas reuniões que só conseguiremos crescer e se diferenciar se tivermos treinamento e motivação. Sempre motivo a equipe a participar de cursos, palestras e treinamentos. Atualmente, as questões ambientais estão entre as nossas prioridades”, afirma. Segundo ela, “quando se tem conhecimento e informação, você conquista a credibilidade dos clientes e tem vontade de aprender cada vez mais. Além disso, se eu ficar com receio de treinar a minha equipe, eu nunca poderei me ausentar, e a oficina não pode parar. É preciso ter pessoas que não se acomodem, tem que ter metas e alcançá-las, e ter novos objetivos”, orienta. EXEMPLO – Diretor Técnico da Nipo Brasileiro, localizada em São Paulo (SP), Eduardo de Oliveira Neves conta que eles seguem à risca tudo o que é preciso para atender à legislação ambiental no que se refere ao descarte de resíduos líquidos e sólidos, incluindo, ainda, uma máquina para a limpeza das peças. “Nós já não utilizávamos mais querosene para limpar as peças e, agora, nós temos uma máquina que com um produto biodegradável realiza esta tarefa”, informa, acrescentando que na oficina há duas preocupações: com o meio ambiente e com a saúde dos funcionários. 14 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

As novas máquinas de lavar peças usam soluções que limpam melhor e não poluem

“Nós temos todo o cuidado para trabalhar de forma correta, pensando também na saúde da equipe”, diz. E para que ela também fique motivada e bem treinada. “Somos em 22 pessoas e sempre estamos atentos aos treinamentos disponíveis, sejam em parceria com o Sindirepa ou com os fabricantes de autopeças e equipamentos. E pela internet igualmente conseguimos muitas outras informações”, cita, complementando o quanto o ambiente influencia. “A oficina é bem-organizada, temos vestiário, cozinha e o funcionário valoriza isso. Quando você dá uma estrutura, um ambiente de trabalho limpo e claro, as pessoas se acostumam. Já aconteceu de um funcionário ir embora e voltar, por ele não ter se adaptado em outra oficina pela falta de organização”, afirma. Na parte de economia Neves cita a utilização de telhas transparentes, “só acendemos as luzes no final do dia, o que gera uma grande economia”, revela, e a captação da água da chuva. “Nós temos três tanques de 5 mil litros, o que também gera uma grande economia na conta de água”, acrescenta.

Para finalizar, o diretor diz o quanto essas ações refletem na percepção dos clientes. “Eles reparam na organização e isso é um diferencial. Porém, primeiramente, o mais importante para eles é se o seu carro ficou bom. Isso sempre será o primordial”, conclui. SOCIEDADE – O consultor José Albanez também destaca que a sociedade estará cada vez mais cobrando atitudes sustentáveis das empresas e dos governos. “Principalmente as novas gerações, que têm muita preocupação com os aspectos ambientais, uma maior conscientização sobre as mudanças ambientais. Para ele, o desafio é unir os três pilares (meio ambiente, economia e sociedade). “Ao mesmo tempo, este é o caminho para obter uma melhor qualificação da empresa, atendendo à legislação ambiental, evitando multas e autuações, com uma conduta sustentável que reflete em economia e redução de despesas, maior eficiência, produtividade e rentabilidade. Assim, a empresa passa a ser uma referência no segmento em que atua”, conclui.


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NA OFICINA

MOTOR por Silvio Rocha | foto Divulgação

NOVO KA 3 CILINDROS COM PROBLEMA DE SUPERAQUECIMENTO

H

Com experiência e vontade de ajudar os colegas de profissão, reparador paulistano conta os desdobramentos desse caso

á 40 anos na reparação, Alex William Castilho (conhecido como Tito), da Oficina Mecânica Tito & Tuta, da zona leste da cidade de São Paulo, revela que com sua experiência já conseguiu ajudar muitos colegas no dia a dia. E um desses casos aconteceu com o Novo Ford Ka, de 3 cilindros, com o quadro inicial de superaquecimento do motor. A saber, as vendas do Novo Ka, desenvolvido no centro de design da Ford, em Camaçari-BA, começaram no segundo semestre de 2014. Para este modelo, a montadora preparou o propulsor flex sem tanquinho de partida a frio, construído com bloco de ferro e cabeçote de alumínio 1.0L TiVCT de três cilindros, 12 válvulas e comando variável na admissão e escape.

16 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Ele conta que o veículo veio à oficina por indicação de um colega, que não conseguia chegar ao diagnóstico correto. “Como eu tinha na minha oficina um automóvel nas mesmas condições, foi fácil. “O primeiro e único teste foi ver a coloração do líquido do reservatório de arrefecimento. E de cara vi que algo estava errado”. PROCEDIMENTO – O passo seguinte, conforme o reparador, foi ver se o aditivo que estava no reservatório de arrefecimento era o indicado pela fabricante. “Vi que não era o sintético, indicado pela montadora. Mas mesmo assim fiz uma série de testes e identifiquei que quando o veículo chegava a uma certa rotação acontecia um superaquecimento do motor”, diz.

Feito isso, Tito explica que realizou a sangria de todo o líquido e, em seguida, fez a substituição do produto por um novo à base de monoetilenoglicol e dentro das especificações corretas. “Substituo o aditivo de arrefecimento dos meus clientes sempre que possível”. Ele completa que, nesse caso do Ka, alguns reparadores chegaram a trocar válvulas e bombas sem necessidade. ARREFECIMENTO – Os motores são refrigerados em grande parte pelo líquido de arrefecimento, que pode até ser água pura, mas há vantagens quando usamos os aditivos. A água congela ao redor de 0 oC e ferve por volta de 100 oC. Com os aditivos, a temperatura de congelamento fica mais baixa e o ponto de ebulição mais alto.


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18 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA


NA OFICINA

TRANSMISSÃO por Silvio Rocha | fotos Divulgação

JEEP RENEGADE COM FALHAS NA TRANSMISSÃO

Problemas no software deixam o câmbio automático instável e a solução é realizar a atualização do software na concessionária ecentemente, a Jeep comemorou o emplacamento da unidade número 100.000 do Renegade, após exatos dois anos do início da produção. Contudo, algumas falhas no software do câmbio automático têm causado problemas aos proprietários, tanto nas caixas de nove marchas no modelo com motor 2.0 diesel quanto nas de seis marchas atreladas ao 1.8 flex. Segundo Alexandre Gomes Teixeira, diretor Técnico da Clínica dos Automáticos, a transmissão automática do Renegade 9HP-45 é de nove marchas à frente e uma à ré e traz 20 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

muitos benefícios ao consumidor. “A ideia de ter nove marchas e conseguir adequar a curva de torque do motor traz muitas vantagens, como diminuir o índice de poluentes e, consequentemente, o consumo de combustível, e oferecer conforto para os ocupantes do veículo”, pontua. O problema de falhas na transmissão, segundo o reparador, não tem sido uma exclusividade dos carros da Jeep. Outras marcas estão registrando as mesmas reclamações, como a Land Rover. Para resolver essa questão, é preciso do suporte da montadora.

“Nós, reparadores independentes, precisamos da rede de concessionárias para realizar a atualização desse software”, explica. Teixeira orienta que os carros que trazem essa transmissão devem ser redirecionados para as concessionárias para a realização de um recall. “Este defeito é um problema que deve ser resolvido na garantia”, afirma. Ainda conforme rápida pesquisa na internet, relatos dão conta de que essa atualização realizada pelas concessionárias não têm resolvido por completo essas falhas.


NA PRÁTICA – Proprietário de um Renegade desde julho de 2016, o empresário Fabrício Homem de Melo conta que passou por uma situação em que a transmissão falhou. “Um mês após a compra, estava passeando com a minha esposa no sul de Minas, atravessamos ruas de pedras e andamos a 20 km devido a um evento na cidade. Parei por um instante sem desligar o carro para pedir informação e deixei apenas em ponto neutro; quando fui engatar a ‘D’ e acelerar, o veículo simplesmente não andava”. Ele relembra que chegou a colocar em ponto neutro novamente, desligar e ligar, e em certo momento o carro até chegou a andar por 2 km, mas não passava da terceira marcha. “Uma luz vermelha acendeu no painel. Parei e liguei no 0800 e eles me orientaram a

realizar alguns procedimentos, contudo nada aconteceu e eles me indicaram chamar um guincho. Após, eu e minha mulher lemos o manual e vimos que havia um procedimento a ser feito, e andando aos poucos conseguimos chegar até nossa pousada em Caxambu”. Melo destaca que ficou chateado com o ocorrido pelo fato de o carro ter 3.000 km rodados. “Voltei à concessionária Jeep Colorado, em Taubaté (SP), onde tinha feito a compra. No dia seguinte fui informado de que o problema era no módulo do câmbio. Depois de três dias, me mandaram um carro reserva até o meu ficar pronto, o que levou uns 15 dias. Apesar de todos os dissabores, fui bem atendido e depois desse episódio meu automóvel já está com 21.000 km rodados e não deu mais problemas”.


NA OFICINA

SUSPENSÃO por Silvio Rocha | foto Divulgação

CARROS FRANCESES E AS SUSPENSÕES PROBLEMÁTICAS

N

Durante anos, esses modelos ficaram conhecidos nas oficinas pelos defeitos frequentes. Mas as novas gerações estão mais bem adaptadas

ão é de hoje que ouvimos dos reparadores que a suspensão dos veículos franceses (Renault, Peugeot e Citroën), apesar do tempo em que estão no Brasil, ainda não é considerada suficientemente forte para aguentar as nossas ruas, avenidas e rodovias. Para isso, conversamos com Alberto Martinucci, proprietário da Motor Fast, oficina localizada na zonal Sul da capital paulista, especializada em veículos franceses. Ele conta que “muito dessa imagem se dá por conta desses modelos terem uma suspensão mais macia, que sofre mais com o nosso piso”.

22 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Ainda segundo o especialista, “das três montadoras, a Renault é quem tem mostrado uma melhor evolução, haja vista o Sandero, que atualmente figura no ranking dos dez veículos mais vendidos do país e conta com boa avaliação por parte dos seus donos. Sobre a Peugeot e a Citroën, a suspensão dianteira já apresenta uma durabilidade maior com bandeja, batente e amortecedores mais resistentes”, diz. REPAROS – O experiente Martinucci afirma que, no início das importações, “não eram raras as vezes em que esses veículos chegavam à

sua oficina com a suspensão em frangalhos, com amortecedores, buchas, bandejas e bieletas estouradas. Hoje, felizmente, as montadoras estão cada vez mais investindo em tecnologia, levando em conta a precariedade das ruas e estradas do Brasil”. Ele lembra que, quando começou a consertar veículos franceses, em 1997, o cenário era outro. “As pessoas evitavam comprar porque as peças eram caras e você acabava caindo em concessionária, e o valor da manutenção também era alto. Esses carros evoluíram e é possível encontrar peças a um custo bastante competitivo”.


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NA OFICINA

FREIOS por Silvio Rocha | foto Divulgação

DISCOS E TAMBORES DAR UM PASSE OU INSTALAR TUDO NOVO?

A retífica costuma dividir opiniões entre os reparadores, mas pode ser feita em certos casos, após a avaliação das condições dos componentes

F

undamental para a segurança dos veículos, as peças do sistema de freios devem ser verificadas regularmente e substituídas sempre que necessário. Contudo, para tornar o procedimento mais barato, muitas vezes pode ser dado um passe nos discos e tambores de freios. Mas, como cada modelo e tipo de disco ou tambor possui uma especificação, quando a medida estiver abaixo da espessura mínima não é recomendável fazer esse trabalho, conforme explica Carlos Eduardo Martins, da Mecânica Martins, de Santo André (SP). “Aqui na mecânica nós terceirizamos esse serviço. No entanto, aconselhamos a instalação sempre de uma peça nova”, orienta. 24 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

Para Stefan Sket, da Auto Center Shop Tire, de São Paulo (SP), o passe não é incentivado em sua oficina. “Aconselhamos a troca, pois o custo e o tempo de fazer esse reparo não compensam”, ressalta. Segundo o profissional, esse procedimento é somente indicado nos casos de os componentes serem difíceis de encontrar no mercado, terem um preço muito elevado ou quando é verificada apenas uma necessidade de limpeza nos discos ou tambores. “Aconselhamos também esse tipo de serviço nos tambores quando o item estiver com rebarba e atrito, mas se houver muitas cavidades, não recomendamos. O melhor ainda é a troca dos componentes”, afirma.

PASSE – Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP, avalia que esse procedimento é válido, desde que não afete a segurança. “O disco de freio suporta apenas um passe, mas os tambores de freio podem suportar mais de um passe, dependendo das condições do componente, mas é preciso estar atento às medidas. Em algumas situações o melhor sempre é comprar um novo, levando em consideração o tempo e custo para fazer o reparo e o valor da peça nova”, ratifica. Antes de fazer o passe, é preciso verificar qual é a medida-padrão especificada pela montadora. Esses dados podem ser encontrados em retíficas, concessionárias e varejos especializados em freios.


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NA OFICINA

ELÉTRICA por Leandro Marco - Instrutor Senai Uberaba / MG| foto Divulgação

A ELÉTRICA E O PISO O MOTIVO DE FALHAS BEM COMPLICADAS Por causa dos buracos, muitos veículos passam a apresentar problemas elétricos sérios, principalmente por mau contato

A

parte elétrica dos automóveis merece um cuidado especial, pois as panes sempre pegam todos de surpresa. Aliás, muitos destes inconvenientes surgem devido à má qualidade das nossas ruas e rodovias, repletas de buracos. ILUMINAÇÃO – As lâmpadas são os principais itens deste sistema. Possuem um filamento de tungstênio, aquela “molinha” que pode ser vista através do bulbo. As vibrações causadas pelos buracos fazem com que elas se rompam. Outra falha que é causada por buracos e afeta os princípios de funcionamento da eletricidade automotiva é a resistividade. Se o chicote não estiver com a manutenção em dia, pode haver afrouxamento das conexões em suas instalações. Uma delas é o terminal de aterramento, fundamental para o sistema. 26 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

INJEÇÃO – Como o circuito de gerenciamento da injeção eletrônica é ligado por fios, um conector mal fixado ou um chicote que não está preso pelas presilhas, por exemplo, pode se soltar e causar uma pane no veículo. Ainda: a oxidação por umidade ou mau contato dos terminais pode ocasionar leitura errada dos sensores e um comando ineficiente nos atuadores do sistema; uma vez que todos os sinais emitidos são elétricos, quaisquer falhas em conexões do conjunto da injeção podem acarretar perda de aceleração, veículo não entra em funcionamento, leitura errada de parâmetros do mapa de injeção. Uma dica é, a cada revisão, limpar as conexões com produtos “limpa-contatos”, verificar as vedações e medir a alimentação elétrica com tensão de bateria.

Como todos os circuitos elétricos são ligados por conectores, o ideal é fazer uma inspeção detalhada a cada revisão efetuada nos veículos dos clientes. Muita atenção às travas de segurança, responsáveis por deixar tudo bem conectado. FREIOS – O sistema de freios ABS, obrigatório em todos os carros novos, é um dos componentes que podem apresentar falhas graves devido aos buracos, já que seu chicote elétrico é preso à carroceria em vários pontos ligados aos sensores das rodas. Com os trancos sofridos pela suspensão, muitas vezes as ligações dos sensores são rompidas ou aparece um mau contato. A luz no painel geralmente acende e os freios passam a funcionar no modo de emergência, perdendo a ação principal do sistema, que é evitar o bloqueio das rodas nas frenagens.


HISTÓRIA

SUSPENSÕES por Silvio Rocha | foto Divulgação

PENSAR DIFERENTE PARA UMA MAIOR SEGURANÇA E CONFORTO Ao longo da história do automóvel, alguns fabricantes procuraram desenvolver suspensões diferentes de tudo o que havia na época

O

sistema de suspensão dos carros passou por diversas evoluções tecnológicas ao longo das décadas. Algumas inovações ficaram famosas e se tornaram um padrão mundial. Outras, apesar de terem um desempenho superior, acabaram abandonadas devido aos custos e maior complexidade. INDEPENDENTE – A marca italiana fundada por Vincenzo Lancia e Claudio Fogolin teve um grande papel em duas inovações consagradas: o monobloco e a suspensão dianteira independente, que surgiram com o Lancia Lambda, lançado em 1922. O veículo foi o primeiro a unir, em um só conjunto, os antigos chassis e carroceria, o que permitiu criar um modelo bem mais baixo. Na época, o automóvel estabeleceu um novo padrão de estabilidade. 28 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

HIDROPNEUMÁTICA – A suspensão hidropneumática da Citroën foi outro grande avanço no setor em 1955, quando foi lançada no modelo DS. Desenvolvido pelo engenheiro Paul Mèges, o sistema consiste em um circuito hidráulico com óleo mineral e nitrogênio pressurizado. No lugar das molas e amortecedores, o que se tem são as chamadas esferas acumuladoras, contendo gás e fluido. Hoje, o sistema está sendo abandonado pela Citroën. O fim dessa suspensão, de acordo com a montadora, se justifica pela constante evolução dos princípios de construção convencionais, que, ao associar tecnologias mais atuais aos amortecedores, molas helicoidais e braços, conseguem resultados tão eficientes e seguros quanto o complexo e caro sistema hidropneumático.

Apesar de esse tipo de suspensão estar deixando os carros comuns, conceitos parecidos seguem fortes em marcas de luxo, como a Mercedes-Benz e a Rolls-Royce, inclusive com gerenciamento eletrônico. ATIVA – Projetada para amortecer o carro nas oscilações da pista e deixá-lo em uma altura igual, independentemente se estivesse em uma freada ou em uma reta, a suspensão ativa também auxiliava em diferentes estágios de uma corrida, caso o veículo estivesse com pouco combustível ou com o tanque cheio, o que influenciava no peso e altura do carro. Esse sistema foi bastante trabalhado no final dos anos 1980, sobretudo pela antiga equipe Lotus. No início dos anos 1990 atingiu seu auge na Fórmula 1, com as imbatíveis Williams de 1992 e 1993.


FUTURO

PNEUS por Silvio Rocha | foto Divulgação

ESQUEÇA O MACACO PNEUS AUTOMOTIVOS SE REINVENTAM

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Além dos novos modelos capazes de rodar furados, outras inovações prometem revolucionar o futuro

ode não parecer, mas os pneus são alguns dos acessórios automotivos que passaram por importantes mudanças nas últimas décadas. E na busca por oferecer as melhores opções em pneus as fabricantes têm apresentado novas possibilidades aos consumidores. RUN FLAT – Os pneus com essa tecnologia contêm reforços estruturais nos flancos, ombros e talões (a lateral e o aro de fixação na roda). Quando está totalmente sem ar em seu interior, o peso do veículo fica apoiado nesta camada reforçada. Com isso é possível rodar em segurança sem que ocorra o detalonamento. Mas é preciso 30 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

que o veículo seja todo preparado para usar esses pneus e conte com sensores de pressão nas rodas, pois o motorista pode não perceber que os pneus estão sem ar. AIRLESS – A tecnologia Airless (sem ar) promete uma vida útil até três vezes maior. O pneu não necessita ser inflado, não fura e dispensa manutenção, pois possui um conjunto de raios colados a uma banda de rodagem feita de borracha. Em caso de desgaste, a banda de rodagem, concebida para ter a mesma vida útil do veículo, deverá apenas ser recapada. A ideia das fabricantes é que ela substitua os atuais

pneus em carros de passeio e motocicletas, além de máquinas de construção e veículos militares. SPHERICAL – Ainda como um conceito, o pneu em formato de esfera tem como uma das características principais o fato de poder se mover em todas as direções, alterando de uma maneira radical a dirigibilidade e a manobrabilidade do veículo. Com essa tecnologia, o ato de estacionar paralelamente, por exemplo, deixa de ser uma manobra impossível. Apesar de ainda ser um “sonho distante”, a Goodyear afirma que a tecnologia está sendo pesquisada e pode chegar aos carros do futuro.


MESTRES DA REPARAÇÃO

CARLOS SANDRIN por Simone Kühl | fotos Vinicius Aguiar

ORGULHOSO DAS VITÓRIAS E COM OS OLHOS SEMPRE VOLTADOS AO FUTURO

H

Garra e determinação conduziram cada conquista do reparador, há 44 anos trabalhando com qualidade e muita honestidade

oje com 64 anos e diretor da Auto Mecânica Samar, localizada na cidade catarinense de Chapecó, Carlos Sandrin conta que sua história como reparador começou há 44 anos em uma autorizada Volkswagen, onde atuou como consultor técnico, de 1973 a 1984. Depois, o profissional passou a trabalhar com o seu sogro e o cunhado, por quase seis anos, na venda de máquinas agrícolas. No entanto, em meados de 1989, a crise na agricultura resultou na diminuição das vendas, impulsionando assim o profissional a abrir seu próprio negócio juntamente com um colega, compa32 | REPARAÇÃO AUTOMOTIVA

nheiro de trabalho na Volkswagen. “Com isso, nasceu a Auto Mecânica Samar Ltda. “A princípio começamos a trabalhar em um imóvel alugado e com carga horária que excedia em muito o normal. Precisávamos sair do aluguel, e a única forma para conseguir isso era trabalhar ainda mais”, enfatiza. Com a máxima dedicação dos sócios, logo foi adquirido um terreno e iniciada a construção da sede própria da oficina. “Garra e determinação nunca nos faltaram, e o nosso objetivo sempre foi oferecer aos clientes um ambiente melhor e um serviço de qualidade e confiança”, pontua. “Nosso grande desafio

nessa caminhada também foi nossa meta, que era conquistar sempre mais clientes e buscar pelo conhecimento através de cursos de especialização e compra de máquinas e softwares atualizados”, completa. PAIXÕES – No trabalho e na vida, os carros sempre despertaram a paixão do profissional, especialmente os antigos. “Como meu primeiro Fusca, um 1600 de dupla carburação, ano 1975; outro 1200 1966; mais o Baja 1.8 com 130 HP de 1985; um Monza SL/E, também 1985, a álcool; e um Omega CD 1993. Além da gaiola para refrescar a cuca nas trilhas”, relembra.


PARCERIA – Sandrin ressalta que o convite da Associação Comercial e Industrial de Chapecó para integrar o Núcleo das Automecânicas da cidade e, consequentemente, a entidade estadual marcou sua vida. “Isso nos garantiu ainda mais a excelência nos serviços prestados e o aprimoramento de nossos conhecimentos, aliados ao companheirismo e muitas parcerias”. FUTURO – Ainda firme em seu trabalho, Sandrin reforça que pretende continuar na profissão até quando Deus permitir. Com isso, ele cita uma frase de Abraham Lincoln que inspira sua vida: “No final, não são os anos da vida que contam, mas a vida que há nos anos”, aponta. “O trabalho engrandece e nos encoraja a continuar, nos dá sentido à vida”, completa.

Carlos com sua equipe nos trabalhos da oficina e na hora do lazer transmitindo a paixão ao neto


Revista Reparação Automotiva - 106  
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