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6. Quais características suas te levaram a ser editora?

4. E Costanza? Quando eu vi, já era responsável pela moda na Folha e foi aí que chamei a Costanza para trabalhar comigo. Um dia recebi uma ligação dela. Perguntei: “Costanza, você me pedindo emprego?”. E ela disse que queria escrever para a Folha. Eu falei: “claro, é obvio que você vai escrever aqui”. Consuelo: “Eu lembro que na época que ela escrevia para a Folha, se tranvaca no quarto e ninguém podia entrar. Olhei quietinha e ela tinha colocado um cristal na cabeça para ver se as energias ajudavam ela com o texto, rsrs”.

Eu sou uma pessoa muito curiosa e insistente. Não consigo fazer nada pela metade. Eu comecei a aprender sobre a moda com os entrevistados que eu admirava. Lia muitas revistas e livros. Eu gosto do novo. Até hoje estudo muito. A moda não para. Há momentos que estressa, porque você não consegue não querer saber.

“Olhei quietinha e ela tinha colocado um cristal na cabeça para ver se as energias ajudavam ela com o texto, rsrs” Consuelo Blocker

7. Continue sobre a trajetória... Fui morar em Londres quando meu marido foi correspondente da Folha. Eu cobria as semanas de moda de lá. Quando voltei, fui para o Jornal da Tar-

de, do Estadão. Depois, a Harpers Bazaar ia lançar no Brasil e então fui dirigir a revista. Acabou não dando certo, mas já haviamos contratado, montado redação. Depois, eu e um time composto por Paulo Martinez, Dulce Pickersgill, João Carrascoza, Leda Gorgone lançamos o primeiro jornal diário do São Paulo Fashion Week, que era o Boletim da Moda. De lá continuei escrevendo para o Estadão, às vezes três vezes por semana. Mas, a moda era pura efervescência nos anos 90. Em 2000, fui convidada para o GNT Fashion. Fiz por 18 anos. Para mim a TV foi um desafio porque sou tímida. Foi maravilhoso!

7. E o blog? Meu marido falava para eu fazer. Mas, eu pensava: “mais um trabalho”. Daí, um dia ele me deu um pronto. Eu falei “Que presente de grego”. Mas, me entusiasmei. Hoje, depois de 10 anos, eu e minha equipe trabalhamos nele.

5. E quem quer trabalhar com moda? Acredito que quem quer entrar na área, especialmente na comunicação, é preciso estudar. E, apesar de ainda ter uma imagem relacionada à futilidade, que vem mudando, a moda conecta muitos assuntos. Você tem que ter uma cultura geral muito ampla para entender a moda. Olhar para arte, música, esporte, mundo e refugiados. Para você entender o momento da moda e qual a relevância daquilo.

8. Para fechar, nos conte sobre seu livro. “O Biquini Made in Brazil” demorou 13 anos para ser feito. Acho que foram quatro ou cinco versões antes da original. Tem versão em português e inglês. Eu tenho lua em virgem, os detalhes me seguram. Tive o prazer de lançá-lo também em Paris, capital da moda, uma das grandes realizações da minha vida.

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Z Magazine - edição 140 - maio 2018  
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