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A pesquisa de Juliane Lima abre na Zineô um novo momento: a divulgação de iniciações científicas. Em um trabalho que segue as tendências mundiais na área de novos materiais com a reutilização de resíduos, a pesquisa conseguiu apoio do CNPQ e da FAPESP. O Brasil obteve o título de maior produtor de cana na safra 2011/2012 com a produção de 624 milhões de toneladas de cana, gerando 208 milhões de toneladas de resíduo: o bagaço. Este material já é utilizado hoje para a geração de energia das próprias usinas, mas com a abundante quantidade, diversos artigos vem sendo produzidos para a criação de novos usos. A sintetização do acetato de celulose, à partir do bagaço, confere facilidade na obtenção de filmes porosos. Estes são utilizados em purificações e filtrações em áreas diversas como a médica e alimentícia. A partir destas características o trabalho se desenvolveu com a incorporação de quitosana A quitosana é uma substância obtida a partir do exoesqueletos de crustáceos. Já foi citada na Zineô de novembro de 2013, quando a pesquisa era voltada para a produção de fibras. É um material cada vez mais pesquisado e utilizado desde 2002, quando foi usado na guerra do Iraque por suas propriedades bactericidas, fungicidas e cicatrizantes.


Com tantos atributos na área médica, a quitosana possui ainda outros atributos biológicos como o efeito coagulante, efeito analgésico e propriedade imunomoduladora. Além de auxiliar nos tratamentos de osteoartrite, redução de peso e regulação dos níveis de colesterol. Com todos estes atributos, através de diversos experimentos laboratoriais, constatou-se que a incorporação de quitosana em uma membrana de acetato de celulose aumentou sua capacidade de absorção, o que poderia ser de bom uso em diversos momentos na área médica. A pesquisa de Juliane Lima dentro do grupo de pesquisa deixa claro, cada vez mais, o valor e a importância da iniciação científica durante a graduação.

Com a herança deixada pelo antigo reitor, João Grandino Rodas, que gastou por volta de um terço das reservas da USP (http://bit.ly/1djTC0z), o novo reitor da Universidade de São Paulo está cortando gastos às custas dos Núcleos de Apoio à Pesquisa. A esperança que resta à melhor universidade da América Latina agora é que pesquisas relevantes, como esta divulgada, se mantenham vivas graças à agências como a Capes, CNPQ e FAPESP. 


LIMA, J.A., BRITES, M.M., COSTA, S.A., COSTA, S.M. Estudo das condições de preparo de membranas de acetato de celulose e quitosana.


Eiko Ishioka: a opulência da imperatriz do horror Antes de Eiko Ishioka trazer 
 seu estranho 
 pedro gonçalves esplendor gótico 
 para o "Drácula de 
 Bram Stroker", de 
 Francis Ford Copolla 
 (1992), as imagens do 
 Conde nas telas do 
 cinema estavam congeladas
 no tempo, assim como o 
 próprio vampiro. Nas mãos 
 da visionária designer de 
 figurinos e diretora de 
 arte, Drácula tornou-se uma 
 sensual e exótica criatura, 
 longe de clichês, conferindo aos 
 esforços da designer um Oscar. No 
 ano passado, Ishioka, que faleceu 
 em Janeiro de 2012, recebeu uma 
 honrosa nominação pelo fantasioso 
 trabalho com seu grande amigo e 
 colaborador Tarsem, em "Sigh's 
 Mirror Mirror".

"Eiko é a imperatriz do horror", disse Débora Nadoolman Landis, historiadora e fundadora/diretora do The David C. Copley Center for Costume Design at UCLA. "Era sempre sobre opulência, sempre tão elegante e refinada, como a noiva vampira em Drácula com aquele incrível laço, ornado em babados ao redor do seu rosto". Para Landis, seu extenso trabalho como designer de figurinos, incluindo o figurino do famoso clipe "Thriller", de Michael Jackson, e o de "Os caçadores da Arca Perdida", colocam-a na posição de trendsetter, formadora de opiniões.


Ishioka re-interpretou o bizarro, colidindo mundos de fantasia, inserindo seu perigoso erotismo em "The Cell" (2000), ela criou belíssima profundidade para representar Jennifer Lopez como prisioneira na mente do serial killer Carl Stargher: "eu dei a ela um simples vestido, uma grande peruca preta e vermelha e um bizarro colar pesado de plástico. Jennifer perguntou-me se eu poderia fazer o colar mais confortável, e eu disse, 'não, você deve ser torturada'". Em uma carreira não apenas limitada a filmes, mas também incluindo trabalhos de publicidade para a loja de departamento japonesa Parco, além de colaborações com Grace Jones e Björk, Ishioka fez das trevas algo admirável, misteriosamente iluminada por seu poético vocabulário, voluptuosas e carnais silhuetas vermelhas, além das constantes influências de insetos, répteis e dragões. "Eiko deixou para trás um enorme legado", diz Landis. "Seu trabalho e suas ilustrações são artefatos artísticos que se justificam por si só. Ela proporcionou a designers e diretores permissão para expandirem suas imaginações. Ela se apoderou da linguagem teatral utilizando-a em filmes. No futuro, acredito que designers serão capazes de apontar ao vestido-armadura do Dracula e dizerem: 'nós podemos ir tão longe...'".


O The Met’s Costume Institute, prestigioso departamento dedicado a moda do Metropolitan Museum of Art , em Nova York é um local de exposições de moda lendárias graças a revolucionária gestão de Diana Vreeland, e tornou-se The Anna Wintour Costume Center. A motivação é muito simples: Wintour conseguiu muito dinheiro para investimento no departamento. Portanto algumas pessoas julgaram, nada mais justo que se passassem as salas a Vreeland, se preferível a Anna, todo ano madrinha de mostras de moda muito visitadas, imperdíveis pela internacionalidade, repleta de celebridades, cultura e marketing. Uma pesquisadora francesa, Véronique Pillet, com blog no site do Le Monde, cunhou o termo “artketing” 
 fusão entre arte e marketing, para explicar como a arte conhecida hoje saiu das Operas para resultar 
 num elemento-chave da galáxia composta de negócios e entretenimento que redefine continuamente 
 as novas trajetórias de gosto e de negócios. O Sheik do Qatar (que comprou Valentino entre outras coisas) é, segundo a 
 revista Fortune, o primeiro lugar na lista das pessoas mais influentes para a 
 arte contemporânea.Ele é responsável pelo novo Museu Mathaf Arab de 
 Arte Moderna, em Doha, exposições chefe de Damien Hirst e 
 Francesco Vezzoli, e promove prêmios para jovens curadores e 
 adquire a qualquer preço obras de arte. A moda é, no entanto, que informa - e continua a fazê-lo 
 - os novos cidadãos do mundo , nas palavras do filósofo 
 Gilles Lipovetsky , indivíduos sem viés , móveis, 
 com UMA personalidade e gostos em evolução contínua aberto. A 
 moda tem uma força 
 específica própria porque,


como continuamente regenera-se - assim caoticamente - e deste modo age em primeiro lugar no imaginário interceptando-os e construindo-os. É uma disciplina da contemporaneidade, que tem uma linguagem fascinante e compreensível expressa a complexidade da modernidade , com o qual compartilha a raiz . Não é de admirar que as exposições de moda, como as organizadas pela V&A em Londres, ou do Costume Institute, em Nova York que se tornam eventos blockbusters, podendo atrair um extraordinário número de visitantes, o "público em geral", que não é feito apenas por especialistas moda , vítima da moda ou insiders. A exposição do V & A, em 2013 dedicada a David Bowie era um sucesso clamoroso, emblemática em sua capacidade de explicar através da metamorfose de camaleão do cantor, curto-circuito entre a música, imagem em movimento, performance e design de moda. A exposição "Savage Beauty: Alexander McQueen” no Met em 2011 registrou mais de 650 mil entradas. A exposição foi dedicada ao “gênio de uma geração", pressionado pelo mesmo sistema que era um símbolo . Mas a moda em sua capacidade única para modular, torna-se uma ferramenta para pensar menos mainstream. Este é o caso 
 do trabalho que ele está fazendo Olivier Saillard no Palais Galliera, em Paris: não só exposições 
 que celebram ou releem os designers de alta-costura parisienses, mas também eventos como a
 performance de Tilda Swinton e incursões nos arquivos do museu, para refletir sobre a 
 atualidade do passado e para reinventar o contemporâneo através da linguagem 
 caleidoscópica da moda. No exterior, se fazem grandes exposições que dão visibilidade 
 ao museu, levando os ganhos e promoção de moda, principalmente a de seu 
 próprio país. No Brasil, no entanto, a moda entra no museu com grande 
 dificuldade e de uma forma esporádica. Considerada frívola, deve sempre 
 encontrar alguma justificativa para os nossos 
 ministros da cultura em 
 seus projetos não levam 
 em conta a Moda.


Luiza Fabiani Medeiros

CiRcULa!

De acordo com o International Council of Museums, um museu é uma instituição aberta ao público que preserva, pesquisa e promove determinada herança natural e/ou cultural da humanidade. A moda, segundo Erika Palomino, é um “sistema que acompanha o vestuário e o tempo, algo que integra o uso de roupas a um contexto político, social, sociológico”. Moda é passageira, efêmera, inspira-se em si mesma e em suas recriações. Museu é permanente, sólido, concreto e marcante. Moda e museu, em suas definições, são antagônicos, mas poucos símbolos carregam tanta história sobre uma época quanto seu vestuário. Museus brasileiros como o MASP, Museu Carmem Miranda, Museu Histórico Nacional e Museu Paulista possuem um significativo acervo

de indumentária indumentária brasileira. brasileira. Dois Dois de m uu ss ee uu ss d ee d d ii cc aa m m -- ss ee m d especificamente àà moda, moda, oo Museu Museu especificamente do Traje Traje ee do do Têxtil Têxtil da da Bahia Bahia ee oo do Museu de de Hábitos Hábitos ee Costumes Costumes da da Museu Fundação Cultural Cultural de de Blumenal. Blumenal. Fundação No âmbito âmbito internacional, internacional, pelo pelo No menos três três instituições instituições destacamdestacammenos se por por seu seu acervo acervo ee por por suas suas se p oo ss ii çç õõ ee ss :: A A nn nn aa W W ii nn tt oo uu rr ee xx p C oo ss tt uu m m ee C C ee nn tt ee rr (( aa nn tt ii g g oo C Metropolitan Museum Museum of of Art) Art) em em Metropolitan Nova York, York, Victoria Victoria and and Albert Albert Nova Museum em em Londres Londres ee Musée Musée de de Museum la Mode Mode et et du du Textile, Textile, em em Paris. Paris. la

dA rOuPa 
 De VoLtA 


aO MuSeU


A aproximação da arte com a moda vai muito além da necessidade de preservar e estudar uma época através de suas indumentárias. A parceria de grandes marcas com artista contemporâneos é uma estratégia para valorizar mais o produto oferecido ao consumidor, que busca exclusividade e reconhecimento. Casos mais recentes como a parceria da Louis Vuitton com Yayoi Kusama e Takashi Murakami, e mais antigos, como o combo surrealista de Elsa Schiaparelli e Salvador Dalí (parceria que serve de fonte para muitas recriações atuais) são exemplos de ligações bem sucedidas. Um diferente caminho parece estar sendo traçado neste exato momento. Oskar Metsavaht, estilista da Osklen, está, junto à sua equipe, desenvolvendo seis looks que darão origem a uma coleção completa no Instituto Inhotim, o maior museu à céu aberto do mundo. O Inhotim é uma iniciativa de Bernardo Paz, empresário siderúrgico brasileiro com uma extensa coleção pessoal de arte contemporânea, que cedeu os 97 hectares de sua fazenda em Brumadinho, Minas Gerais, para abrigar inúmeras galerias e obras expostas ao ar livre.


Com a característica de querer aproximar a arte contemporânea do público geral, Inhotim é um daqueles lugares que enchem os olhos. A relação da arte e da natureza é acentuada aqui, com grandes pavilhões situados no meio da mata e distantes do centro do Instituto, um fator que convida o espectador a conhecer a botânica local de perto. Dentre as inúmeras galerias e obras, destaco os pavilhões da Adriana Varejão, com seus azulejos e vísceras, Tunga e sua alquimia, Doug Aitken e o som da Terra, Matthew Barney e o conflito de Ogum e Ossanha, Valeska Soares e sua fantasia. Dentre as obras, aponto os grandes quadrados de Hélio Oiticica, o jardim de Narciso de Yayoi Kusama, o caleidoscópio gigante de Olafur Eliasson e a piscina surrealista de Jorge Macchi. Não estranho a admiração de Oskar a este que considero o meu lugar preferido no mundo. A instalação de uma pequena estufa dentro do museu iniciou o processo criativo da c o l e ç ã o , d e v i d a m e n t e re g i s t r a d o p o r fotógrafos e cinegrafistas, material que dará origem a um filme da coleção de 2015. A indicação da Circula! deste mês não é em São Paulo, mas vale cada quilômetro de distância da capital, dessa que eu prometo que vai ser uma viagem que vai transformar sua vida.

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Zineô l Março 2014