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LO A D N ESCÂ ITÁRIO: IC L EA B R U T P N E E S O I G B N I M I S I S A RT E V K C SHOC RNÔ-CHI S E O E O P GONÇALV O PEDR PÁG. 5

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A N Ú N C I O S PÁG. 13

CONCEITO E PRODUÇÃO DA SEDUÇÃO

MODA AOS OLHOS DA FERNANDA LEIPÁG. 11 FARIAS

JULIANA GOMES

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CIRCU LUIZA

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Conceito e produção da sedução Juliana Gomes A semana de Têxtil e Moda da USP, que foi cancelada devido à greve por questões ambientais (vulgo texto do estudante Matheus Milanelli pág. 13), contaria com grandes nomes da indústria. Desfiles, workshops, palestras. Dentre os convidados encontrava-se Marie Romeu, sócia e gestora da Fruit de la Passion, que nos recebeu para uma entrevista na produção da marca. O que mais gostamos de ouvir foi sobre empreendedorismo. Como uma empresa de pequeno porte, que produz entre 30 a 35 mil peças por mês consegue arrecadar o mesmo de uma empresa de médio porte? Quando dizemos pequeno estamos comparando com grandes marcas. A gestora soltou alguns números informais: segundo ela, a Hope vende entre 800 mil a 1 milhão de peças por mês e uma grande surpresa foi a AVON que pode vender facilmente 300 mil peças ao mês com seus catálogos. Uma estratégia de mercado, difundida amplamente entre empreendedores e estudantes de administração, é a Estratégia do Oceano Azul, do livro homônimo. Simplificadamente, trata-se de criar produtos para um não-público, abrindo um mar de novas possibilidades. Em meados dos anos 90, com os olhos ainda no movimento grunge e na casualidade que veio como consequência do over dos anos 80, quem procuraria privilegiar uma mulher madura, provavelmente resgatando sua sexualidade? “Esse gosto pela lingerie começa quando você passa a ter relacionamentos mais sérios, ou ainda, está no segundo marido e quer mudar tudo! (...) No começo a Fruit tinha [no business plan] a ideia de uma lingerie sexy, mas depois percebemos que tinha que ser sensual e sofisticado”- disse Marie. Essa aparente pequena mudança nos objetivos da empresa pode relacionar-se com o “fator fixação”, um ponto explorado no livro “O ponto de virada”. Nesta outra figurinha fácil em estantes de executivos, além de se discutir tendências mercadológicas como se fossem epidemias, com direito a pessoas “virais” e “contaminadas”, o fator fixação faz com que uma mensagem contagiante torne-se inesquecível. Segundo o autor, “existem alterações relativamente simples na apresentação e na estruturação das informações que causam uma grande diferença na intensidade de seu impacto”.


A experiente estilista Cecília Bourdon trabalhou em várias marcas antes de abrir a sua. Estava presente na renovação da marca Valisère com a icônica campanha publicitária “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, vencedora de diversos prêmios publicitários (disponível em: http://vimeo.com/42630424). Marie também teve experiência na área de Gestão em uma empresa em Fortaleza. A partir daí as duas irmãs resolveram abrir uma consultoria que desenvolveu-se na Fruit de la Passion. Após a estilista da marca fazer alguns cursos na Esmod, uma escola de moda francesa presente em 15 países hoje, inclusive no Brasil, na cidade de São Paulo, como parte do SENAC desde 1994. Além desse novo mercado formado, a empresa ainda foi a primeira no Brasil a usar o Supplex® que veio para concorrer com a Lycra®. “Isso foi logo no começo. Eles procuraram a gente querendo saber se gostaríamos de lançar”, contou Marie. Com a vantagem de fibras sintéticas, durabilidade e a elasticidade, a texturização a ar acaba conferindo um toque próximo ao do algodão. Uma opção incrível para underwear, que antes era utilizada apenas para artigos esportivos. Um ano antes de incluir o Supplex®, o jeans ganhou uma coleção só dele. Incômodo? “Não sei se era absolutamente confortável, mas era bem bonito...” - comentou Marie. Em contraste com as inovações no conceito da marca, a produção é bem conservadora. No andar de baixo cortadores e no de cima costureiras, revisores e empacotadores. A fábrica funciona apenas sob encomendas. Nada de pronta-entrega. As costureiras são bem capacitadas e executam o trabalho já no ritmo da empresa. Produzir no interior seria bem mais barato, mas não vale a pena correr o risco de perder a qualidade estabelecida dos produtos. A produção em células, onde cada sequência de máquinas produz um único produto que sai pronto ao final do processo. Perguntamos sobre a produção no exterior, como a China. E apesar da qualidade de produção hoje ser muito boa, o tempo no transporte do produto é problemático além de ser mais usual para grandes quantidades. Há um consenso geral que produtividade reflete a competitividade de uma empresa no mercado. No entanto, a gestora se diz satisfeita com o atual tamanho da produção e nos contou como foi o momento mais complicado da empresa: a transição que tiveram em um determinado ano em que dobraram a produção. “Foi complicado controlar o fluxo de caixa”. 19 anos depois, Marie diz que usa suas lingeries “(...)todos os dias. Sempre gostei de lingeries mais elaboradas e sofisticadas desde cedo, mesmo antes de ter a fábrica. Sou daquelas apaixonadas por lingerie.”


Escândalo publicitário: a simbiose entre a shockvertising e o pornô-chic Pedro Gonçalves Escandaloso, controverso, agressivo, lúbrico e bizarro são alguns dos vários adjetivos, não obstante, empregados como mecanismos de impacto em campanhas publicitárias. Tido como absoluto tabu, o sexo sempre foi visto como um exercício indecente. No entanto, é no final da década de 1990 que voga, na indústria da moda, o pornô-chic. A expressão narra uma tendência emergente, na qual elementos típicos do universo sexual e fetichista (1) são traduzidos para as passarelas, fotografias e editoriais de moda. Essa série de conotações chocantes (e, por que não, traumáticas) compõe um segmento conhecido como shockvertising. Para Jeff Dargent, pesquisador em comunicação e escrita, a shockvertising pode ser definida como “a utilização de tudo que a sociedade rejeita ou condena para tornar as mensagens publicitárias perceptíveis: violência, sexo, droga, morte, racismo, zoofilia, etc. O objetivo é chocar para chamar atenção do público que vai reencontrar seu sangue frio ao passar à ação e consumir, evidentemente, o produto alvo da campanha”. Por conseguinte, torna-se evidente a relação simbiótica entre a estética pornô-chic e os mecanismos da shockvertising. À medida que redijo essas linhas, inspirado pelas panóplias sadomasoquistas da moda, não deixo de memorar polêmicas campanhas contemporâneas que utilizaram tais recursos, como a grife de lingerie Agent Provocateur para sua coleção de 2011, denominada Soiree (2). Produzida em forma de vídeo e batizada de Fleurs Du Mal (uma bem sucedida analogia ao eterno Baudelaire (3)), a publicidade apresenta-nos uma sucessão de modelos assustadoras, ao mesmo tempo belas e com altíssimo teor sexual, de uma forma, no mínimo, subitânea. 1 De forma muito sintética, em psicanálise o fetichismo pode ser traduzido como o “modo de resolução de um determinado problema” suscitado em virtude da descoberta da diferença entre os sexos na infância. A descoberta, nas mulheres, da ausência de falo desencadeia nos homens o temor de perder tal membro. Esse temor, conhecido como angústia de castração, pode fomentar a reação psíquica conhecida como fetichismo. “Um ato eficaz, sempre pronto, excitante e agradável, que dá o autocontrole” (Freud, 1927) sobre tais angústias e esse trauma. “É essa condensação que é o fetiche, ato que ocasiona uma excitação sexual com um objeto em particular” (Navarri, 2010). 2 Disponível em http://vimeo.com/31076691. 3 Conhecido com um marco da poesia moderna e simbolista, o poeta francês Charles Baudelaire publica, em 1857, o livro La Fleurs Du Mal. Motivos como amor, erotismo, morte, decadência, exílio e queda são explorados ao longo da obra, que traz uma série de poemas. “Neste livro atroz, pus todo o meu pensamento, todo o meu coração, toda a minha religião (travestida), todo o meu ódio”, explica o próprio autor em uma carta sobre a obra.


No universo das revistas, foi sob direção de Carine Roitfeld (2001 a 2011) que a Vogue Paris tornou-se prógona neste cosmo imagético, trazendo para seus editoriais de moda a união entre a shockvertising e a estética pornô-chic. A proposta predominou e ganhou precursores: em 2009, a Purple Magazine publicou um editorial (4), assinado pela fotógrafa Paola Kudacki, trazendo em suas páginas modelos que combinavam poses típicas do sexo entre lésbicas com elementos das práticas de BDSM (5). Podemos nos perguntar o porquê de tais mecanismos funcionarem ou de que maneira eles afetam o consumidor; a forma como se dá o retorno financeiro, já que tais imagens causam, muitas vezes, espanto, aversão e até mesmo repulsa. Gilles Lugrin, em seu artigo “Entre uma superoferta homossexual e glam trash, a polêmica em torno do pornô-chic”, explica-nos que “a publicidade deve ser audaciosa e, ao envolver fortemente o destinatário, a shockvertising deve garantir a notabilidade e o aumento da taxa de memorização de maneira substancial”. Diante dos fatos, resta-me apenas explicitar o seguinte parecer: possuímos, de uma maneira ou outra, um lado masoquista. Seja sucumbindo às tentações imagéticas das campanhas publicitárias ou, de forma menos desinencial, exercendo atividades típicas do universo BDSM. Resta-nos refletir sobre até que ponto o sadismo das agências de publicidade e dos editores de moda devem ser refletidos nas campanhas, explorando esse complexo mecanismo de sensações (em suma negligenciados, mas latentes) para mercadejar seus produtos...

4 Disponível em http://www.trendhunter.com/trends/aggressive-sapphic-editorials-purple-magazine. 5 Acrónimo para a expressão "Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo", um grupo de padrões de comportamento sexual humano.


CiRcULa! Luiza Fabiani Medeiros

GRaFiTe

dO

cORPO

Evelyn Queiróz tem 24 anos e desenha. Dona do Negahamburguer, série de ilustrações e intervenções urbanas, seu objetivo é subverter padrões, escancarar seus pensamentos, propor uma reflexão. Personagens que se assumem gordas, assimétricas, disformes, peludas, e acima de tudo reais, são um contraponto ao mundo anti-séptico e cruel que habitamos: mulher não pode se exibir se for gorda. Não pode usar roupa justa se tiver curvas ou dobrinhas. Não pode ter cheiro, não pode ter pelo, não pode comer o quanto quiser.

Questões relacionadas à alimentação, aceitação corporal e padrões de beleza são discutidos por Negahamburguer e, por que não, estritamente relacionados à lingerie. Segundo o estudo “Percepção de Conforto em Lingerie: Um Estudo de Grupos Focais”, de Marina Giongo, Carolina Souza e Júlio Souza, a lingerie é uma das poucas peças de vestuário que, por carregar um status de feminilidade e sensualidade, pode possuir um prestígio suficiente que compense um possível desconforto causado por peças ergonomicamente mal-projetadas ou até não projetadas para características extremas de diferentes corpos. Ou seja, a gente usa mesmo incomodando e marcando nosso corpo.


As personagens de Negahamburguer estão, em sua maioria, nuas. E todas as curvas e as sombras são evidenciadas, veneradas. Os seios não lutam contra a gravidade, não se sustentam com pedaços de espuma, arame e elástico. Seus cabelos são longos, curtos, lisos, enrolados, crespos, azuis. Elas são lindas e mesmo lindas estão com a mesma expressão triste no rosto. A gente já sabe o porquê disso.

Negahamburguer também possui o Projeto Beleza Real, que mostra, através de intervenções urbanas como graffiti, lambelambes e stickers, as histórias reais de quem já sofreu algum tipo de preconceito por culpa do padrão de beleza imposto. A maioria de seu trabalho pode ser encontrado grafitado em bairros da Zona Sul de São Paulo, como Grajaú, Embu das Artes e Campo Limpo ou visto no www.negahamburguer.blogspot.com.br. O manifesto também conta com frases que defendem o empoderamento feminino de forma leve e até bem humorada, parecido com as ilustrações do tumblr Fuck Yeah Subversive Kawaii, conhecido por reunir gifs, desenhos, fotos de pontos-cruz e até bijuterias com uma criativa temática feminista. Vai lá! http:// fuckyeahsubversivekawaii.tumblr.com

A loja King Cap SP no bairro da Vila Madalena pode servir de laboratório para quem se interessa por arte de rua. Responsável por reunir materiais para graffiti, roupas e obras de artistas urbanos, ela é a primeira loja-galeria que quer atrair d e s d e g r a fi t e i r o s a t é estudantes, já que seus produtos, que sempre foram associados ao vandalismo, foram incorporados pelas artes plásticas.

viSiTe!

King Cap SP rua Fidalga, 23 de seg. a sáb. das 10 às 20h tel (11) 3569-7940


Mariana Rossetto

Oferta: lingerie no mercado Com a chegada dos supermercados estrangeiros no Brasil, uma nova modalidade foi apresentada a população. Lojas enormes que vendem de tudo, inclusive mantimentos. Apesar da diversidade de produtos, o setor de vestuário se manteve por um bom tempo sob os olhares desconfiados dos brasileiros e, dentro dele, quem mais sofreu foi a lingerie: mercado que se modificou e promete conquistar ainda mais clientes neste segmento. O contexto vem mudando e cada vez mais consumidores, principalmente mulheres, têm procurado supermercados para adquirir itens extra da lista de compras. O aumento na procura por lingeries faz parte de uma mudança de hábitos. Esse costume é comum em países como Estados Unidos por conta de outro fator; os modelos da grade de tamanhos são divididos de melhor forma, facilitando com que a peça seja adquirida sem que provada pelo usuário. Por se tratar de moda íntima, algumas mulheres não se sentem à vontade em realizar esse tipo de compra em supermercado, mas ao oferecer provadores e um ambiente que favoreça a escolha, esta realidade muda. Em virtude da divergência de medidas, há três anos vêm sendo desenvolvida uma adequação aos diferentes tipos de corpos. A moda íntima tem consolidado sua importância no guarda-roupa brasileiro. Por conta disso o IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), instituto de pesquisa com experiência no setor têxtil, realizou o 1º Levantamento Estatístico sobre o “Comportamento de Compra do Consumidor de Roupas Íntimas no Brasil”.

Este estudo foi realizado pelo Núcleo de Inteligência de Mercado do IEMI que fez uma análise das preferências, necessidades e motivações presentes no momento da compra de moda íntima. A pesquisa abrangeu as tendências das coleções de Outono/Inverno e Primavera/Verão nos nove meses antecedentes a elas. Foram entrevistadas pessoas de ambos os sexos, com no mínimo 15 anos, de todas as classes sociais e regiões do país. Foram 1100 consumidores opinando sobre a moda íntima feminina e masculina. A imagem de conforto e praticidade possui maior visibilidade dentre todos os demais aspectos para ambos os sexos. A roupa íntima feminina primeiramente deve ter o conforto (38,3%) e praticidade (14,6%) para suas ações do cotidiano. Mas estas peças além de protegerem o corpo também precisam ser sensuais (13,9%) e românticas (6,8%). Quando questionada a opinião de homens e mulheres em relação à lingerie feminina, o conforto ainda é priorizado, mas a sensualidade têm 22,2% de importância dos homens contra 13,9% das mulheres. O aspecto romantismo também se difere. Para as mulheres, 6,8% do público diz ser importante e 17,3% dos homens. Relacionado à roupa íntima masculina, novamente o item conforto é o mais importante para homens e mulheres, com 38,7% total; e praticidade (14,2% do total). As peças além da proteção precisam ser jovens (10,3%), atuais (10,1%) e sexy (8,3%).


A motivação de compra também é um tema presente no estudo. Em relação à roupa íntima feminina, substituir uma peça antiga é o principal motivo (31,6%) para mulheres. A vontade de “me presentear e me sentir bonita” vem em seguida (22,9%). A motivação principal dos consumidores de roupa íntima masculina também é substituir uma peça antiga. A primeira parte do estudo pode determinar que tipo de produto pode ser oferecido nessas redes de supermercado, produtos que ambos os sexos consideram básicos, prezando o conforto, peças para o dia-a-dia. Em uma segunda parte, o comportamento de compra de roupa íntima é visto com variáveis que compõem hábitos, como características pessoais, renda, classe e grupo social para um padrão de consumo. O comprador de roupa íntima feminina pode ser traçado em sua maioria do sexo feminino, jovem, na faixa etária entre 25 e 34 anos; 48% dessas consumidoras estão no ensino médio e 29,9% no ensino superior. Sua maior concentração (57,1%) está nas classes econômicas B2/C, cuja renda familiar situa-se entre R $ 2.041 e R$ 7.650 mensais, com gasto do consumidor de R$ 93,20 na última compra. O comprador de roupa intima masculina também estão na faixa etária entre 25 e 34 anos. 53,4% deles estão no ensino médio e 20,5% no ensino superior. Com sua maior concentração (59,8%), também nas classes econômicas B2/C. Esse grupo ainda tem a característica de não ser fidelizado, ou seja, que não tem uma frequência regular na mesma loja. Com gasto médio na última compra de R$ 115,85.

Deste bloco de informações que geram o posicionamento do mercado, a informação que melhor abrange o contexto dos supermercados é a dos locais de compra das lingeries, mais de 78% dos consumidores de roupas íntimas femininas realizaram suas compras em lojas físicas, 48% em lojas multimarcas e 33% em lojas de departamentos; enquanto os consumidores de roupa íntima masculina 90%, 51% e 28%, respectivamente. O gasto médio na última compra foi de R$ 115,85. Pode-se verificar que falta muito para que as vendas em supermercados sejam compatíveis com as de outros estabelecimentos, porém a quantidade de consumidores não é baixa. Talvez nunca possamos entender quais aspectos psicológicos geram o bloqueio na hora da compra em um ambiente convencional para tais itens, mas posso confessar que fiz a experiência e não me decepcionei com a compra. O aspecto estético me agradou e me motivou a comprar juntamente com a necessidade de substituir algo de muito uso, apesar da qualidade e conforto não se equipararem tanto às lojas com venda exclusiva destes itens. Tenho certeza que esse setor ainda será bem aproveitado com a realização de analises pontuais e espero que, como tantas outras ideias pré-concebidas na moda, essa seja derrubada porque cada dia mais esse mercado é diluído, misturado e reinventado para fazer parte de nossas vidas da melhor forma.


MODA AOS OLHOS DA LEI Fernanda Farias Em 22 de agosto deste ano, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria em seu caderno “Folha Ilustrada”, que apesar de curta, causou grande polêmica entre admiradores, amantes e profissionais da área de moda. A matéria escrita por Pedro Diniz informava – quase que em alto e bom som, e de forma bastante crítica – que a Lei Rouanet, pela primeira vez, foi aberta e aprovada para o campo da moda, através de projetos dos estilistas Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga. A notícia em si não foi a causa de grande espanto, mas sim o valor monetário aprovado para os três projetos: mais de 2 milhões de reais para cada um, que leigamente foi visto como um ato de “roubo” aos cofres públicos por marcas de luxo. O fato de dois projetos terem como foco as cidades Paris e Nova York também causou confusão, criando o questionamento de que isto seria uma barreira à democratização e acessibilidade dos projetos.

Antes e acima de tudo, a Lei Rouanet deve ser entendida. Trata-se de uma lei de incentivo a cultura, coordenada pelo Ministério da Cultura, que aprova orçamentos destinado à projetos com cunho cultural de larga abrangência e democratização, que são captados mais tardes para empresas privadas. Isto significa que, o governo dá aval para que empresas privadas soneguem impostos com montante dos orçamentos já aprovados, e em troca o dinheiro vai integralmente para os projetos culturais. É comum entendermos cultura por artes plásticas, música, culinária, festivais, mas e a moda? A moda por essência é reflexo de uma cultura, construída e traduzida dentro de uma cultura. Não importa se o desfile é em Paris, Nova York ou São Paulo, não importa se o público-alvo é o europeu, o americano ou o japonês, se o estilista tem naturalidade brasileira, inegavelmente a cultura brasileira é impressa em suas criações. Existem sim adaptações e traduções de linguagem através de recortes, modelagens e traços, mas isto não passa de questões mercadológicas.


Se aceitamos as roupas europeias no Brasil com tanto orgulho e pompa, porque não exportar nossas roupas e ficarmos orgulhosos por ver um inglês, um indiano ou um alemão as usando? Não seria isso um fomento à cultura, não só dentro do território brasileiro, mas fora dele? O foco de todas as críticas foi Pedro Lourenço, que apresenta suas coleções desde os 7 anos de idade, e especificamente em Paris desde 2010, quando tinha apenas 19 anos. Todo país tem seu personagem de glamour, seja na música, artes plásticas ou na própria moda. Estes personagens representam o país nacionalmente e internacionalmente, sendo quase que instrumentos de marketing, mas carregando sempre, e intrinsecamente, a cultura de seu berço. O que faz Christian Dior ser tão admirado, visto como exemplo a ser seguido e um designer de nossa família não ser tão digno? As grandes maisons também têm incentivos governamentais para serem o que são, movimentam milhões na economia mundial, causando uma miscelâneas cultural para os que tem seus desejos captados pelas belíssimas criações e indo para museus ao redor do mundo. O projeto de Pedro é essencialmente destinado, através de seu conceito, à tecnologia têxtil e desenvolvimento acadêmico. O desfile será divulgado em formato digital em 1º de outubro, e será aberto para qualquer pessoa através da plataforma digital da assessoria KCD e do site da marca. A coleção inspirada em Carmen Miranda, sob o viés do vestir e despir característico da mulher brasileira, apresenta tecidos criados exclusivamente pelo estilista, fabricados em parceria com tecelagens francesas e italianas que detém tecnologia não existente no Brasil. O objetivo é doar os 32 looks para instituições brasileiras com o cunho de pesquisas tecnológicas para o desenvolvimento têxtil no país. Palestras serão ministradas pelo estilista em faculdades que oferecem curso de moda, aproximando os futuros profissionais da área com os diferenciais contidos no projeto, como modelagem, tecnologia têxtil, conceito traduzido para a roupa e mercado consumidor. A ideia é que o projeto eleve e incentive toda a área têxtil do país, que atualmente carece de atenção e ainda não é vista como grande potencial nacional.


NOTA DE ESCLARECIMENTO MATHEUS MILANELLI

Após vagas informações em relação a motivação da atual paralisação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH USP Leste), aliadas à informações deturpadas veiculadas pela mídia, torna-se de extrema importância o esclarecimento das reais reivindicações feitas pelo comando de greve, bem como os atuais problemas da universidade. Embora o movimento possua extensa proporção (tendo a democracia como pauta muito importante em

Em virtude, foi realizada com urgência uma assembleia dos docentes no dia 10/09, tendo como decisão o início de uma greve por questões de saúde pública, mais tarde seguida por assembleia dos estudantes, determinando apoio ao que fora deliberado pelos professores.

suas exigências) discutirei com maior enfoque a questão ambiental, uma vez que

No dia 11/09, data marcada para ocorrer a

esta vem sendo pouco comentada e divulgada pela mídia massifica de forma

congregação aberta, a então direção da universidade

equívoca.

tentou, através de manobra, fazer com que a CG não

No dia 28 de agosto foi organizado pelos estudantes um ato no prédio da

tivesse caráter deliberativo. Entretanto, seus membros,

biblioteca, local onde ocorria uma reunião da congregação (CG), reivindicando que

buscando manter o que outrora fora combinado, decidiram

esta fosse aberta a todos os estudantes, exigindo que o então diretor Jorge Boueri

que tudo que fosse discutido naquele dia seria votado

assinasse uma carta feita em assembleia estudantil que discutia e propunha ações

pelas três categorias presentes (alunos, professores e

para inumeros problemas da universidade, dentre eles a questão ambiental e a

funcionários), tendo as três mesmo peso na decisão, e que

democracia. Entre os docentes membros da CG, decidiu-se por unanimidade que

os resultados fossem outorgados na próxima congregação

esta séria marcada para o dia 11/09, sendo aberta e de caráter deliberativo.

fechada.

Após o retorno do feriado da semana da pátria (primeira semana de setembro), a comunidade universitária foi surpreendida por placas indicando contaminação em áreas do campus. Aparentemente a implantação destas, juntamente com a interdição da terra, teriam sido realizadas pela CETESB, uma vez que a USP ainda não teria cumprido exigências ambientais previstas para 2012. Ao longo das reuniões seguintes ninguém assumiu a responsabilidade pela implantação das placas. E, no que se deve ao solo, além do metano presente na terra, que já era de conhecimento desde a construção da EACH, em 2011 o campus recebeu ilegalmente terra de origem desconhecida, possivelmente contaminada, durante o mandato de Jorge Boueri e seu vice Edson Leite.


Entre as discussões ocorridas, foi votada e aprovada por unanimidade a proposta de demissão da então direção da EACH, por entenderem que os responsáveis pelo problema ambiental não iriam resolver tal situação sob essa gestão. No entanto, posteriormente, o reitor da universidade anunciou que ele seria o único que teria poder para tomar esta decisão. Dias depois, o diretor Jorge Boueri pediu afastamento alegando problemas de saúde, assumindo o vice Edson Leite, diretor que não é reconhecido pelos estudantes, professores e funcionários. Em seguida, foram realizadas inúmeras assembleias buscando descobrir os reais problemas ambientais encontrados no solo. Neste processo, foram encontrados laudos que confirmavam a contaminação da terra colocada em 2011, onde eram encontradas variadas substâncias químicas,

entre elas

substâncias cancerígenas e outras representando risco de mutação e infertilidade. Nas reuniões em que estavam presentes representantes do órgão responsável pelo espaço físico da USP, estes apresentavam discursos contraditórios e vagos, não dando respostas claras sobre solo contaminado, e ainda declarando que as substâncias não apresentavam riscos a saúde, porém sem apresentar documentos que comprovassem o que afirmavam, fugindo constantemente do assunto da terra, mantendo suas argumentações com foco no metano, e tendo seu discurso refutado por laudos já realizados. A reitoria e a direção se mostraram muito omissas ao longo dos acontecimentos, não fornecendo respostas da questão ambiental na universidade. Neste contexto, no dia 02/10, os estudantes ocuparam a direção da EACH e se mantém lá, mesmo com a justiça determinando reintegração de posse como manobra para pressionar e conseguir um posicionamento de Edson Leite.

Desde o início da greve, o curso de Têxtil e Moda vem organizando assembleias convocadas por seus representantes discentes para esclarecimentos dos alunos do que vem acontecendo na universidade, bem como para deliberar o posicionamento do curso em relação às decisões que vem sendo tomadas na paralisação. Semanalmente vem sendo decidido que o fator determinante para o apoio do curso a greve é apenas devido a questão ambiental, mesmo compreendendo que a questão política não está diverge desta. Por fim decidiu-se na última assembleia, realizada em 11/10, apoio a ocupação da direção, além de propostas de ações para chamar atenção ao problema de risco a saúde pública que o campus oferece aos frequentadores. Em relação aos docentes, a maioria se mantém em greve, determinando que alunos e professores

se

manterão assim até a questão ambiental obter um encaminhamento, um plano de resolução.


A N Ú N C I O S

Circuito de Moda e Arte VIII Mostra Cinema de Adiamento Moda e Ciclo de da Semana de Debates Têxtil e Moda 16 de Outubro a USP para março 03 de Novembro. Local: Cinema de 2014. CCBB SP + sobre: quarta a bit.ly/19N1v9W domingo Vaga + infos: de bit.ly/GQkB4q

estágio SPFW para monitor de backstage. maior de idade, estudante de moda, Publicidade ou jornalismo +em: on.fb.me/1cSYJmG

Vaga de estágio na Editora Globo Até 31 de Outubro + infos: http://glo.bo/1gIIl8i


Zineô l Outubro 2013  
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