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JORNAL VALE DO AÇO z DOMINGO, 2 de outubro de 2011

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ESPECIAL DENGUE

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ESPECIALISTA ALERTA

PRÓXIMA TEMPORADA DE DENGUE PODE SER MAIS PREOCUPANTE Mesmo com a visível redução no número de casos em comparação com 2010, aumento de complicações e de pessoas com o tipo hemorrágico da doença deve aumentar em decorrência das infestações anteriores REPÓRTER DA REDAÇÃO - Um dos principais problemas dos períodos de chuvas, que começa junto à primavera, é o retorno do elevado número de casos de dengue. Infelizmente, nos últimos anos esta tem sido uma triste realidade. Só até o mês de setembro, antes do retorno do período de chuvas, o número de casos de dengue no Vale do Aço já se aproximava das estatísticas do ano passado. Mas, para Juniel Scarabelli, Referência Técnica no Controle de Endemias da Superintendência Regional de Saúde em Coronel Fabriciano, o principal alerta não deve estar sobre o número de casos clássicos da doença e sim para o aumento do número de casos de dengue com Febre Hemorrágica e outras complicações da doença, conseqüências das infecções secundárias em pessoas que tiveram o vírus em outras ocasiões. "Não devemos nos preocupar tanto hoje com a quantidade de casos clássicos. Mais alarmante ainda é o aumento no número de casos graves, de internações, com maior risco de morte", afirmou. Segundo Juniel, que é referência estadual em combate a

endemias, envolvido com programas de ação e prevenção há mais de vinte anos, o aumento no número de casos da doença com complicações chama a atenção para um novo quadro. "Tínhamos milhares de casos da dengue clássica, e apenas um ou dois de dengue hemorrágica. O que estamos vendo hoje é a grande possibilidade de uma redução no número de casos da dengue clássica, seguido de um aumento da gravidade. A situação atual é que, quando começam a explodir as notificações da forma clássica do vírus, seguem-se as internações relacionadas aos casos mais agudos. Isto é uma conseqüência das epidemias anteriores. A pessoa contrai o vírus e ele evolui para uma forma mais grave devido às infecções secundárias. As autoridades, neste momento, não devem ter seus olhos voltados apenas para a redução do número de casos, e sim para a gravidade dos mesmos", declarou Juniel. RECORDE DE CASOS EM 2010 Em Minas Gerais, o número de casos da doença vem aumentando nos últimos anos, alcançando números recordes nos anos de 2009 e 2010. De acordo com estatísticas divulgadas pela Secretaria de Estado VINÍCIUS FERREIRA

SEGUNDO JUNIEL SCARABELLI, as autoridades devem estar mais atentas para a gravidade dos casos e não apenas a quantidade, nesta nova temporada chuvosa

de Saúde de Minas Gerais, no ano de 2003 foram registrados 23.914 casos, com queda no número de confirmações nos dois anos seguintes; 20.460 e 20.293, respectivamente. Em 2006, o número de casos dobrou, chegando a 41. 373. Em 2007 foram 44.175 casos confirmados, antecipando o período de maior 'problema' causado pela doença, que se deu a partir do ano de 2008. Os 79.524 casos de dengue registrados no ano de 2008 e os 83.708 casos de 2009 foram, mesmo elevados, muito inferiores às estatísticas coletadas ao final de 2010, quando o estado teve impressionantes 261.915 casos.

LAIRTO MARTINS FOTOS: DIVULGAÇÃO

Vinícius Ferreira

Fabriciano já registrou 1.162 casos este ano Se você mora em Coronel Fabriciano e mantém algum meio de proliferação para o Aedes Aegypti, poderá ser multado pela prefeitura, de acordo com a Lei nº 3.462. Esta medida, junto com a criação do Disque-Dengue, da realização de cursos de capacitação dos agentes, além de outras ações permanentes podem ser apontadas como fatores relacionados à redução dos casos entre os anos de 2009 e 2010. "Em 2009, a cidade de Coronel Fabriciano teve, confirmados, 3.384 casos de dengue. Em 2010, foram 1.498 casos. Até o dia 28 de setembro de 2011, a secretaria municipal de Saúde já registra 1.162 casos da doença", pontuou a administração por meio de nota. A mesma nota informou também que não há caso de dengue hemorrágica comprovado laboratorialmente na cidade. Assim como Ipatinga, os números da doença no ano de 2011 estão muito próximos dos de 2010, sendo que a primavera começou no último dia 23, e os índices pluviométricos na região irão aumentar nos três meses restantes.

FEBRE HEMORRÁGICA Confirmando a preocupação de Juniel, o ano de 2010 foi também o ano com o maior número de incidências de óbitos por Febre Hemorrágica de dengue. O estado teve 159 casos confirmados, e 36 mortes. Nos anos anteriores, 2009, 2008 e 2007, o número de mortes foi de 11, 6 e 4 pessoas, respectivamente. Outra causa de um alto número de óbitos registrada no ano de 2010, de acordo com a secretaria, foram complicações relacionadas à dengue, que vitimaram 69 mineiros, de um total de 1.153 casos confirmados.

Ipatinga tem 2.060 casos computados até setembro A cidade de Ipatinga tem, por força de Lei, um Programa Municipal de Combate à Dengue (Lei nº 2545/2009). Mas, mesmo com o programa, os Agentes de Controle de Endemias (ACE) afirmam que encontram grande dificuldade em acessar o interior de alguns terrenos e residências para realizar vistorias e ações preventivas. Os cuidados são mais do que necessários. Em 2009, Ipatinga teve um dos maiores índices de casos confirmados de dengue, com 3.739 notificações. Dentre estes casos, a cidade contabilizou no mesmo ano um óbito, além de 34 notificações da doença com

complicações ou febre hemorrágica. Em 2010 foram 2.114 ipatinguenses que apresentaram a doença, sem nenhum óbito confirmado. Entre os casos de complicações e da dengue com Febre Hemorrágica, o município registrou 102 casos. Até o mês de setembro deste ano, a cidade já contabiliza 2.060 notificações. Nos próximos três meses, com o aumento das chuvas e o histórico do município, estes números tendem a aumentar. Ipatinga está entre os municípios com o maior número de casos de dengue neste ano. As 20 primeiras cidades desta seleção representam 55%

dos casos do Estado. No 'seleto' grupo estão também as cidades de Timóteo e Coronel Fabriciano. SISTEMA DE MONITORAMENTO Um ano após a implantação do Sistema de Monitoramento Inteligente da Dengue (MI), desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ipatinga colhe bons frutos. O sistema que permite planejar e mapear ações de combate à dengue terá continuidade no município. As 511 armadilhas para capturar o vetor estão distribuídas em todos os bairros e são monitoradas semanalmente.

TANTO EM IPATINGA quanto em Timóteo e Coronel Fabriciano o trabalho de combate à dengue não parou no período de estiagem, e as administrações continuam elaborando programas de combate

LIRAA A Secretaria Municipal de Saúde de Fabriciano divulgou também números relacionados ao LiraA (Levantamento de Índice Rápido de Infestação do Aedes Aegypti ) em 2011. Segundo as informações, o último LiraA foi realizado em março e fechou em 3,6%. O próximo será realizado em outubro, juntamente com o começo das chuvas. Em janeiro deste ano, o LiraA foi de 5%. O levantamento, que teve seu maior índice na cidade em janeiro de 2007, alcançando um índice de 10,4%, tem três aferições: em janeiro, em março e em outubro.

PARA O SECRETÁRIO de Saúde de Timóteo, Fabiano Moreira, o SUS Fala pode ser uma grande ferramenta no combate ao mosquito

PMT aposta no SUS-Fala para conter avanço do mosquito A cidade de Timóteo registra, até 30 de setembor, 860 casos de dengue clássica em 2011, além de ser a única da região a registrar óbitos relacionados à dengue hemorrágica. São dois óbitos confirmados, e um caso que ainda permanece em investigação. Para reduzir ainda mais o número de casos, a Secretaria Municipal de Saúde aposta em uma ferramenta moderna e inovadora no estado, o SUS-Fala. Segundo o Secretário de Saúde Fabiano Moreira, o novo sistema poderá ser determinante para um maior êxito das campanhas de conscientização, possibilitando um acesso direto e rápido às áreas de risco. "A nossa expectativa é de reduzir e este é o foco do nosso trabalho. Estamos foca-

lizando ações para que a cidade não sofra tanto com casos de dengue como nos anos anteriores, e um programa que será bem útil para alcançar este objetivo é o SUS Fala. Quando observarmos que determinado bairro, ruas ou quadras tenha um índice de infestação grande, realizaremos ligações para aquelas ruas, para aquelas casas que estão na área de foco. O SUS Fala nos auxilia a atingir de forma imediata e eficiente uma parcela da população, ou até toda a população cadastrada nos postos de saúde", explicou Fabiano. Os dados das notificações da doença na cidade, nos anos de 2010 e 2009, não foram apresentados pela secretaria até o fechamento desta edição.


Próxima temporada de dengue pode ser mais preocupante