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Dezembro de 2011

União Desportiva de Felgar

CASERNA DO CIMO DO LUGAR A Fundada em 24 de Julho de 2000

Nº 20

UMA EQUIPA PERSISTENTE

Dezembro de 2011 Director: José Rachado Adjunto: António Gomes Subdirectores: Tiago Rachado, Élia Felício Grafismo: Mário Pinto Propriedade: União Desportiva de Felgar Redacção: Felgar Fundadores: Dinis Teixeira, Olinda Sá, José Rachado - 1994

Actividades da U.D.F. Pág. 3

Onde é que se Sente Mais a Crise Pág. 4

Crónica do Hospital Pág. 5

O Ferro é a Alma da Terra Pág. 6

Sim. Sou Columbófilo Pág. 9

Quem Sabe um Milagre Pág. 10

Farrapos de Memória Pág. 11

Em destaque na reportagem fotográfica as Minas de Ferro e o Vale do Sabor 1


Editorial

Vigésimo Com este são já 20 números. Aproveito este registo para aqui relembrar os jovens que comigo iniciaram este projecto, Olinda Sá e Dinis Teixeira, sempre ajudados pelo sentido de humor, que em tantas tardes nos motivou e entreteu, do Sr. António Sá e que, com a sua paciência, lá nos ia orientando nos dias quentes de Julho e Agosto para a realização dos primeiros números deste que é hoje o jornal porque todos os nossos conterrâneos espalhados pelo mundo esperam a cada 4 meses. Lembro-me que, quando começámos, não tinhamos ao nosso dispor as tecnologias que hoje nos são disponibilizadas. Eram então recortadas letras soltas de jornais para fazer a capa, os títulos de cada página e as imagens que colocávamos. Era tudo muito manual, a escrita era com ajuda de uma máquina de escrever, depois os textos eram também ele recortados e apoiados nos dotes decorativos da Olinda, lá iam sendo colados de modo a embelezar as diferentes páginas do jornal. Tudo feito num espírito de amizade e divertimento, mas com a vontade de criar algo que perdurasse no tempo. Relatos do que era a história da nossa terra, anedotas, desporto e uns anúncios com um pequeno teor malicioso, mas sem querer ofender ninguém e uns jogos de palavras cruzadas e diferenças. Era esta a constituição deste jornal. Nos primeiros números era solicitada uma ajuda de 100$00 para financiar papel e fotocópias, mesmo assim, com tanta aderência dos nossos conterrâneos, rapidamente se esgotava. Hoje com o apoio da União Desportiva de Felgar e do IPJ tudo se torna mais fácil. Também a divulgação via internet permite uma substancial poupança de papel e uma abrangência muito maior de cada número editado. Fui questionado este Verão do porquê de não podermos lançar mais números, passar o jornal a mensal. Sem dúvida uma grande ideia e um desafio bem aliciante, mas que infelizmente não é possível de concretizar, visto a colaboração ser cada vez mais reduzida e não me ser possível agregar um volume suficiente de textos, opiniões e notícias que me motivem a agarrar tal desafio. Ficamo-nos pelo possível, sempre com a ideia

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de que esta publicação é para durar e tentar que seja abraçada já por outra geração. É este o meu repto, de toda a equipa deste jornal e mesmo da Associação proprietária, a União Desportiva de Felgar. Quanto a acontecimentos pouco há a relatar neste período, sendo no entanto que se me levanta uma história curiosa relacionada com as festividades em honra de Nossa Senhora do Amparo este ano. O Domingo, dia principal no qual assenta a razão de ser da festa, ou seja, a parte religiosa. Este ano acordámos com um Domingo cinzento, ventoso e chuvoso que impediu mesmo as arruadas por parte das bandas de música. O facto é que nas horas previstas para as duas procissões, a matinal, às 11:00 e a principal às 17:00, nem uma gota de água caiu, sendo que ao fim da tarde a chuva regressou com uma dimensão tal que os felgarenses mais velhos falam não se lembrar de algo assim em dias de festa há mais de 40 anos. Isto dá que pensar e merece especial destaque mais à frente neste número. Aproveito, como de resto tem sido hábito, para louvar os excelentes trabalhos desenvolvidos neste último ano pelas Comissões de Festas da nossa Freguesia, não vou aqui especificar nenhuma, porque todas as que trabalharam estão de parabéns pela alegria e cor que deram às nossas ruas. A Banda de Música merece todo o nosso apoio e a sua continuidade em tempos difíceis como os que vivemos é de salutar, presenteia-nos em cada actuação com umas melodias que a todos agradam, bem como a manutenção a pulso que tem mantido da escola de música, sempre recheada de pequenos futuros artistas. Desejo a todos umas boas festas e que os sinos de Natal sonorizem mensagens de saúde, esperança e fraternidade para todos. Que o novo ano traga prosperidade, desejo de lutar e mais colaboradores para que este jornal se consiga manter e possa chegar a todos os conterrâneos espalhados pelo mundo. Por: José Rachado


Dezembro de 2011

União Desportiva de Felgar Fundada em 24 de Julho de 2000

As actividades da União Desportiva de Felgar Aqui estamos mais uma vez para relatar o que de desportivo se tem passado na nossa querida aldeia desde a ultima edição. Vamos então falar da primeira parte desportiva que se refere aos dias que antecedem a festa da Nossa Senhora do Amparo, em que a UDF realiza torneios de paintball, futsal e jogos tradicionais. Este ano o torneio de futsal contou com uma participação reduzida, levando assim, a que a estrutura até agora usada tivesse de ser alterada. Até agora as equipas participantes eram dispostas em grupos onde se apuravam as 2 primeiras classificadas de cada. Este ano teve que se optar por um mini campeonato, onde as equipas se defrontavam umas contra outras e ganharia a equipa que ao fim de todos os jogos tivesse mais pontos. Jogando neste esquema todas as equipas deram o máximo para ficar em primeiro lugar mas a sorte sorriu à equipa do Café Zip, que se sagrou campeã em igualdade pontual com a equipa “Os Mitras” mas que tem vantagem em diferença de golos, já que no confronto directo entre estas duas equipas o resultado foi um empate a 3 bolas num jogo emotivo de princípio a fim e com grande espetáculo futebolístico, deliciando assim os ainda presentes no recinto já que o jogo foi um pouco tarde. Passemos então ao assunto principal e actividade em que a UDF mais se dedica; o campeonato e taça AFB. Este ano devido a vários factores ficou decidido que a equipa seria constituída pelos mais assíduos do

ano passado , mais alguns reforços de nova temporada e com o regresso de alguns atletas á competição. A equipa e então formada por: Mário Raimundo, António Gomes, Sérgio Gomes, Jorge Abrunhosa, Luís Rodrigues, Tiago Pontes, Tiago Teixeira, Carlos Rainho, Aristides, Mikel, Luís Paulo, Jorge, André. Recentemente a equipa viu-se privada de um dos seus jogadores; Luis Rodrigues que se transferiu para os juniores do Santo Cristo. Deram-se então inicio aos treinos e a respectiva pré-época sendo esta mais prolongada pois foram menos equipas a inscrever-se este ano e com a subida do Sporting de Moncorvo (campeão) e Santo Cristo (proposta para preencher vaga) à 3ª divisão nacional o rol de equipas ficou muito mais reduzido passando de 11 para 8 tendo ,por isso o campeonato inicio um pouco mais tarde. No que à nossa equipa diz respeito, teve um arranque negativo na prova pois perdeu os jogos todos até ao momento sendo 2 desses jogos a 1ª eliminatória da taça. Aqui

realizado com apenas 6 jogadores onde se fez sentir o cansaço com um resultado tao dilatado. No campeonato os resultados continuam negativos mas com números relativamente baixos, excepto no jogo frente ao Águias FC em Vimioso onde a equipa foi novamente jogar com 6 jogadores e privada dos seus dois guarda-redes. O resultado foram uns expressivos 14-0 tendo o guarda-redes sido um jogador de campo, sem treino nem técnica como os jogadores dessa posição, que mesmo dando o seu melhor não conseguiu evitar esta pesada derrota. Aqui ficaram as principais actividades da UDF desde a última edição. Agora uma pausa no campeonato para as festividades natalícias e passagem de ano. Despeço-me deixando a mensagem de um Santo Natal e um Prospero Ano Novo a todos os Felgarense espalhados pelo mundo e a todos no geral. Até a próxima edição que espero que seja repleta de vitórias para a UDF.

foi afastada pela equipa dos Pioneiros de Bragança; 1-6 em casa e 14-1 fora com este ultimo a ser

Por: António Gomes

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Crónica Desportiva

Onde é que se sente mais a crise O Campo como resposta aos desafios! Quando há uns dias vi uma reportagem televisiva passada na Horta da Vilariça, onde o entrevistador perguntava a um homem se este sentia a crise, a sua resposta pronta, com a autoridade conferida pelos seus respeitáveis setenta e muitos de que “só quem não quer fazer nenhum é que passa fome”, lembrou-me outra reportagem que relatava uma numerosa comunidade búlgara em Carrazeda de Ansiães (a capital Sófia fica a 3.300km!) que por ali permanece desde a apanha da maçã até à apanha da azeitona, voltando depois para casa, mas que retorna ano após ano e cada vez mais numerosa. Ao mesmo tempo, cada vez que se assiste a um noticiário, entram-nos pela casa adentro reportagens de dificuldades, de desemprego, de famílias falidas à procura de ajuda e tantos outros desafios que temos para enfrentar. Quero que fique claro que de nenhuma forma pretendo criticar quem procura o sustento fora do seu país ou fazer juízos de valor sobre quem precisa de ajuda. Mas estranho que havendo tantas pessoas a passar por dificuldades, haja em simultâneo tão grande falta de mão-de-obra no campo e tão vastos terrenos por cultivar, sendo preciso virem pessoas de tão longe para fazer aquilo que afinal nós já não queremos fazer. Na minha concepção de imigração, os imigrantes vêm ocupar um espaço que por natureza não é possível de preencher por falta de pessoas disponíveis e não de pessoas indisponíveis. Na minha concepção de combate à necessidade, entra também o conceito de auto-sustento e não apenas o do assistencialismo. Calculo que a vida no campo seja dura e que obedeça a códigos de funcionamento próprios, determinados em particular pela natureza, tive sorte aquilo que fizeram por mim poupa-me a isso, mas quando é preciso meter a mão na massa não me atrapalho. A dignidade que advém da obtenção do sustento, como paga do sacrífico e do suor, deveria ser valorizada por todos e por cada um. Os exemplos que tenho ao longo dos anos de ver uma “hortinha” a ser levada como forma de complemento ao rendimento do trabalho numa fábrica, praticada por

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pessoas que deixaram o campo em procura de uma vida melhor, mas que não abandonaram uma atitude perante a vida onde a sabedoria do passado lhes dizia que a verdadeira riqueza se extrai da Terra, transmite-me sensibilidade para este tema. Para além de mais, isto fazia-os sentirem-se tão orgulhosos porque percebiam o que isso representava a nível de conquista pessoal! Contudo, nas últimas décadas assistimos em Portugal, não só ao abandono dos campos, como também à ostracização desse modo de vida, procurando encerrar à força um capítulo da nossa história, à procura de um ideal de modernidade. Mas se durante muito tempo o abandono dos campos se fazia através da passagem para a indústria, hoje em dia os campos já nem sequer são abandonados, pois das fábricas passou-se para os serviços. Porém como nem todos os empregos nos serviços são especializados e de valor acrescentado, onde se podem auferir bons rendimentos, o que se assiste é também à sua ocupação por imigrantes, talvez por falta de qualificações. Ou então, quando as dificuldades batem à porta há lugar ao desemprego. E quando a resposta poderia ser o regresso ao campo, o que se vê é a permanência das pessoas nas cidades, deixando lugares abertos no campo a serem preenchidos por imigrantes. É claro que há pessoas que mudam de vida, mas fico com a impressão que se tratam de casos isolados, aproveitando conjunturas vantajosas e não uma verdadeira alteração de estratégias estruturadas. Está na hora de Portugal e dos portugueses verem o campo como uma alternativa para os desafios que enfrentam, não basta dizer que há falta de trabalho, mas ao mesmo tempo estar indisponível para ocupar um lugar que os permitiria ultrapassar. Contudo, as pessoas sozinhas não vão conseguir fazer tudo sozinhas. O Estado tem de perceber estas especificidades e ajudar a criar as condições para o efeito, as quais não se devem confundir com assistência social. O que quero dizer, utilizando uma metáfora antiga, é que se deve entregar a cana-de-pesca e não o peixe. Por: Nuno Cardoso


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Crónica do Hospital Não sei se sabem, mas o mundo vai acabar no dia 21 Dezembro de 2012. Esta notícia é fresquíssima, e anda a ser comunicada há apenas 10 ou 11 anos (mais ou menos desde que supostamente o mundo teria acabado da última vez). Não sei se sou só eu, mas parece-me que se por alguma razão esotérica o mundo tivesse que acabar, já se tinha ido embora, mais ou menos desde a altura que entrámos em crise (ou seja, desde sempre). Acho que nem o mundo suporta a ideia de coexistir connosco no mesmo sítio. Bom, mas supostamente desta vez (a terceira desde que começámos a contar o tempo) é que é. Até os coitados dos Maias previram que nesse dia fatídico íamos todos prestar contas para outro lado (e não era com o Vítor Gaspar). Mas na verdade, devemos dar ouvidos a uns indivíduos que se deixaram conquistar pelos espanhóis? Ainda por cima, mais grave ainda, quando eles eram uns largos milhares e os espanhóis apenas duas centenas? Eu, por via das dúvidas, vou vivendo as coisinhas todas, porque nunca se sabe. Se não me finar nesse dia, posso sempre sofrer um acidente na Autoestrada, porque travei a fundo por causa de um radar da GNR, ou ainda, ir de urgência para o hospital e falecer na sala de espera porque o Ministério da Saúde cortou no financiamento. De qualquer das formas, parece-me triste que com uma coisa tão grave para acontecer, a malta ande aí preocupada com o financiamento do Estado, a troika, cortes nos salários e subsídios, e devermos dinheiro à Europa (mais especificamente aos Alemães). Eu pessoalmente acho chocante. Acho que devíamos

aproveitar o que resta do dinheiro que recebemos nas últimas décadas do século XX, e fazer uma grande festa à escala Nacional, já que na altura as festas foram só em casa de meia dúzia de pessoas. Podia-se convidar a Angela Merkel, e acenar-lhe com um bocado de caviar no nariz. Ou ainda (esta ideia é que é brilhante), convidar a malta da Casa dos Segredos para falar, e a malta rir-se um bocado antes do dia fatídico. Pessoalmente, acho que quem ainda vai sair a perder desta história toda é a malta que vive do Rendimento Mínimo há uns anos, e nunca trabalharam. Todos os dias deles têm sido de festa, e agora vão ter de deixar essa vida? É triste. Os outros olha, nunca viram as festas, e também não é agora que as vão ver. Provavelmente quando chegar a altura de prestar contas, ainda lhes vêm com a história do “dá a outra face”. Mas no fundo, e vendo bem as coisas, planear um evento desses tão perto do Natal não é um pouco incómodo? Eu por acaso até já tinha agendado ir nesse dia fazer as compras de Natal, e agora nada. Bem, tinha planeado isso, se não criarem um imposto novo sobre as compras efectuadas em Dezembro (tipo, com IVA a 33%, ou com portagem à saída e entrada das lojas, com os pórticos montados, e o registo do chip do cartão do cidadão). Por via das dúvidas, acho que vou aproveitar este Natal, e fazer já as compras para o Natal do ano que vem. Nunca se sabe, mas das duas uma – ou o mundo acaba, ou o Governo acaba comigo. Por: Nuno de Sousa

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Reportagem FotogrĂĄfica

O Ferro ĂŠ a Alma da Terra

Fotografias de diversos autores

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Palavras para quê?

Fotografias de António Teixeira

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Sim. Sou Columbófilo Boa tarde, mais uma vez vos escrevo para dar a conhecer as últimas deste tão belo desporto, Columbófilia. Dia 11 de Dezembro, realizou-se a entrega de prêmios da Federação Paulista de Columbofilia, na linda chácara do nosso amigo Daniel, como já havia acontecido no ano passado.

Obs. O Pai do 632222/08 o 5587210/07, foi Anilha de Ouro do campeonato de Filhotes de 2008 da Sociedade Columbófila A Rolinha. A avó Miuxa 010 ganhadora de três anilhas de ouro no ano de 2009. A tia 632204/08 foi pomba ÁS e ganhadora de 2 anilhas de Ouro e uma de Prata em 2010.

Eis os Feitos do meu Pombal Nossa Senhora do Amparo: Campeão da Sociedade Columbófila A Rolinha de 2011 Campeão do Campeonato Paulistano de 2011 4.º colocado no Campeonato Paulista de 2011 Campeão de Pombos designados do Campeonato Paulista de 2011 Campeão de Pombos designados do Campeonato Paulistano de 2011 Pombo 632222/08 neto da Miuxa 010 anilha de Ouro do campeonato da Sociedade Columbófila A Rolinha. Pombo 632222/08 neto da Miuxa 010 anilha de Prata do campeonato Paulista Pombo 632222/08 neto da Miuxa 010 anilha de Prata do campeonato Paulistano. Vice-campeão do Campeonato de eliminatória do Campeonato Paulistano.

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Desejo a todos um Santo Natal, e que o significado do Natal se cumpra. Renascimento de uma vida nova em cada um de nós e sempre com a presença de Cristo presente em nossas vidas.

Miuxa

Grande abraço a todos Por: Serafim Camilo


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Quem sabe um Milagre Depois de escrever artigos sobre a história do Santuário de Nossa Senhora do Amparo e a Associação da Mordomia do Santuário de Nossa Senhora do Amparo de Felgar, achei neste número importante redigir um texto relativo ao que sucedeu nas comemorações festivas deste ano. Como sempre as festividades em honra de Nossa Senhora do Amparo começam a ser preparadas com quase um ano de antecedência. Os mordomos desde cedo contactam conjuntos, artistas, bandas filarmónicas, grupos tradicionais (bombos, cavaquinhos, concertinas, ranchos e pauliteiros) e claro o pároco local. Com isto visam obter a melhor qualidade com os menores custos, de modo a garantir a manutenção de uma festa o melhor possível quer em qualidade quer em quantidade, dando a habitual grandiosidade ao evento, enchendo de orgulho todos os que nela se revêm. Tudo é pensado ao pormenor, nada pode falhar, porque muitos são os olhos postos numa festa de 4 dias que leva quase um ano a preparar. Muitos são os comentários feitos, muitas são as pressões nos dias que antecedem o evento, mas o que importa no fim é que a festa mantenha os níveis de sucesso ímpares em todo o concelho. Mas o sucesso de uma festa não depende só dos seus eventos pagãos. A componente religiosa é e

será sempre o alicerce de tudo o que envolve, a cada ano, as festividades, em honra de N. Sra. do Amparo. É a fé que encaminha os felgarenses presentes e ausentes. É a fé que faz com que a cada ano os ausentes façam um esforço suplementar para poderem vir, no penúltimo Domingo de Agosto, prestar uma homenagem a Nossa Senhora do Amparo. É a fé o motivo do reencontro massivo de felgarenses nesta época do ano. Quando o cristão e o pagão estão devidamente coordenados, há que equacionar as questões climatéricas. A cada ano paira a incerteza de como vai estar o tempo, se as noites serão frias ou quentes, calmas ou ventosas, se a chuva vem ou não. Nos últimos anos verificou-se que na semana da festa a chuva presenteia os nossos agricultores. Este facto leva a que as actividades da União Desportiva de Felgar acabem por ser postas em causa, sobretudo a maratona, que por mais que uma vez contou com chuva em pelo menos um dos dias de realização. As noites ventosas de Sexta-feira têm também, nos últimos anos, afastado os que querem vir escutar as saborosas melodias que o já tradicional encontro de bandas nos presenteia. Sempre, claro está, com a nossa querida Banda de Música a ser o factor comum a todos eles. Este ano nada disso aconteceu, a semana que antecedeu a festa foi

perfeita, muito calor de dia, muito calor de noite, tudo levando a indicar que a festa este ano ia ter as melhores condições climatéricas de que me lembro. Eis que chega a Sexta-feira, o primeiro dia de festa, uma manhã e tarde bem agradável que certamente levaria muita gente ao Santuário nessa noite. As bandas de música chegam ao Cimo do Lugar. Este ano o encontro contava, para além da nossa banda, com as bandas de Lamas e de Alfândega da Fé, todas elas bem apetrechadas de elementos, o que prometia um bom espectáculo. Com uma noite fantástica as pessoas prenderam-se e de que maneira ao encanto das melodias trazidas pelas bandas. Uma noite em que tudo correu bem e que acabou com um concorrido e divertido Karaoke, prometendo muito para o que aí vinha. No Sábado a alvorada matinal com o grupo de bombos de Vale da Porca, despertou os felgarenses para mais um dia quente de festa. De tarde o grupo de cavaquinhos e os Pauliteiros animaram os que se deslocaram à Praça. A tarde de Sábado na Praça permite a que muitos, que com dificuldades de locomoção, não se podem deslocar ao santuário, sintam um pouco o prazer das festividades. A noite, de novo calorosa, trazia-nos a actuação do Padre Victor que encheu por completo o Santuário numa hora de espectáculo inesquecível. Seguiram-

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se 2 conjuntos a abrilhantar a noite quente até de madrugada. Tudo corria de feição, noites apelativas, espectáculos acima das expectativas, muita gente e muita alegria. Até que a manhã de Domingo nasce cinzenta com umas gotas de água. A Banda de Música do Felgar estava no Cimo do Lugar à espera de receber a banda visitante, Paço de Sousa, as primeiras gotas ameaçam estragar as arruadas matinais. As bandas cumprimentam-se, o céu acalma e permite que ambas arranquem, uma para o Povo, outra para o Bairro. Mas eis que a meio as nuvens decidem descarregar parte do seu peso e vemos ambas as bandas a procurar abrigo, encurtando o circuito. Chegadas à Praça e não havendo perspectivas de melhoria do tempo a Mordomia tomou a difícil decisão de cancelar a primeira procissão do dia, marcada para as 11 horas e que levaria a imagem de Nossa Senhora do Amparo desde o Santuário à Igreja. O objectivo era proteger a imagem e o arranjo do andor, de modo a que na procissão da tarde tudo estivesse perfeito. Mas eis que, após mobilização de uma carrinha tapada e sem nada o fazer prever, a chuva pára, precisamente às 11 horas. Mas como a banda estava já desmobilizada e os meios de transporte mobilizados a imagem acabou por ser transportada de forma mais segura. A missa decorre a partir do meio-dia, também sem chuva. Acabada a manhã com as actividades religiosas, eis que a

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chuva regressa, impedindo a realização do concerto a meio da tarde por parte da banda forasteira. Aproximava-se a hora da procissão da Igreja ao Santuário, passando pelas ruas Nova e Direita, evento principal da festa, momento porque todos os felgarenses, sobretudo emigrados, esperam a cada ano. A chuva não queria ir embora e estávamos já a menos de 1 hora da procissão. É então que, por volta das 16:20 a chuva decide acalmar e a esperança da realização da procissão volta a pairar por entre todos, sobretudo mordomos. E foi mesmo, a procissão começou com um ligeiro atraso mas decorreu sem qualquer gota de água vinda do céu. Iniciou-se com céu nublado, um nublado cada vez menos pesado, terminando com o sol a espreitar precisamente no momento que a imagem de Nossa Senhora do Amparo entra na capela. Imagem recolhida e eis que as nuvens voltam a querer encobrir o céu. Era tempo de concluir a procissão levando as restantes imagens para os seus devidos locais. Imagens recolhidas, inexplicavelmente, a chuva regressa, desta vez com uma intensidade inimaginável para a época do ano. A destruição foi total, o fogo-de-artifício, preparado para ser lançado, ficou quase por completo destruído. Os aparelhos eléctricos dos conjuntos que animariam a noite sofreram graves prejuízos. Os relatos vindos de todo o país descreviam situações de prejuízos incalculáveis, havendo

mesmo uma morte no concelho de Celorico de Basto. A noite acabava cedo, sem música, sem foguetes, mas com a satisfação de que o importante tinha sido realizado. A procissão não sofreu nada e muitas foram as pessoas que a viram passar. Na Segunda-feira a animação voltou, com o calor. A missa dos emigrantes voltou a colorir o Santuário e a mostrar a fé dos felgarenses espalhados por todo o mundo. O Sr. Padre João fez questão de benzer todas as viaturas, dentro e fora do recinto e as buzinadelas do adeus a Nossa Senhora do Amparo acompanharam-na até ao seu regresso à capela. A noite de Segunda-feira mais animada dos últimos anos, exteriorizando o desejo de que cada felgarense tinha dentro de si e que não conseguiu libertar na noite anterior. E foram assim as festividades em honra de Nossa Senhora do Amparo 2011, marcadas pela animação habitual, mas que ficarão para a história com o episódio que aqui relato. Milagre ou coincidência? Feitiço ou obra do acaso? Para mim foi milagre, a chuva não parou naqueles momentos por acaso, o Sol não espreitou precisamente na entrada da imagem de Nossa Senhora do Amparo por coincidência. Cada um é livre de pensar o que quiser, mas certo é que quem esteve presente vai relembrar por muitos anos precisamente o que eu aqui escrevi.

Por: José Rachado


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Farrapos de Memória FOGUETEIROS, LOUCEIROS, TECEDEIRAS O Felgar estava na minha agenda por várias razões, uma delas pessoal: é de lá, e lá tem a mãe, o meu camarada de redacção Afonso Praça. Como primeiro contacto que este havia-me indicado o chefe da estação dos correios, um homem amável e bemdisposto, excelente cicerone – o sr. Guimarães. Quando o procurei, entretinha-se a colar selos numa série de cartas de gente da aldeia para a parentela emigrada. Do sr. Guimarães vieram-me indicações concretas sobre a terra e os habitantes. O Felgar, uma das aldeias mais importantes do concelho, está em mutação como praticamente todas elas: a variante chama-se «emigração». Constroem-se casas, recebese dinheiro, aplica-se este num sem-número de investimentos (não apenas as casas). Velhos ofícios vão morrendo: se passou a era dos ferreiros, famosos muito quilómetro em redor, o mesmo destino parece vir a ser o dos louceiros e das tecedeiras. Porque já não há quem queira agenciar a vida sentada ao tear ou diante da roda, na perspectiva de ocupações mais pingues. Tecedeiras são actualmente três ou quatro, e nenhuma jovem. Louceiro resta um. Até os fogueteiros lançam mão de outros trabalhos. O mais conhecido criou de raiz uma fábrica de pimentite (colorau) … O Felgar, onde existem dois cafés, está a mudar. Para melhor? É essa a opinião de residentes, diferente a de moncorvenses cépticos. Rica do ponto de vista agrícola, a aldeia tem neste momento, uma fonte de rendimento mais notória: as remessas da emigração. Se um dia as minas de hematite rearrancarem no Carvalhal, a dois ou três quilómetros do Felgar, o ritmo de vida dos felgarenses poderá vir a ser diverso. In TORRE DE MONCORVO , Março de 1974 a 2009. De Fernando Assis Pacheco ,Leonel Brito, Rogério Rodrigues. Edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

21.09.1942 – Carta da direcção da Casa do Povo do Felgar para o administrador de Moncorvo: - Comunico a Vª Exª de que o Presidente da Assembleia Geral desta Casa do povo, Snr Acácio da Cruz Bento, em vez de ocupar o seu lugar e defender os interesses desta Casa do povo, faz propaganda subversiva, aconselhando os sócios contribuintes a que não paguem… 04.11.1767 – António Rodrigues, da freguesia de Felgar requer ao juiz de fora de Moncorvo que mande registar a Carta de Exame de Carpinteiro, pois foi examinado e aprovado pelo juiz do dito ofício. Este longo documento é interessante pois apresenta uma tabela de preços extremamente minuciosa que começa assim: - Não levarão os carpinteiros (…) pelas arcas que fizerem, sem fechadura, a saber, de castanho, por alqueire 80 réis; de pinho 50 réis, sendo arcas bem feitas e boas madeiras e sem rebolo e bem pregadas, o que examinarão os compradores. Por uma masseira de castanho, ordinária, para amassar um saco de paão… 10.10.1804 – Por a trovoada ter levado a Barca de Silhades, a câmara de Moncorvo deliberou mandar fazer uma nova, adjudicando a obra ao carpinteiro Francisco Teixeira Lúcio por 51.500

réis. 05.09.1772 – Os moradores do Felgar obtêm autorização para fazer uma feira no dia de S. Lourenço, 10 de Agosto a qual solicitaram por requerimento a Sua Majestade “por conta de venderem a seda, que há numerosa naquele lugar”. Nesta data se registou também na câmara de Moncorvo “ a carta de examinação e taxa de mestre pedreiro a Pedro António, assistente nesta vila”

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Passatempos

Palavras Cruzadas (Os nossos Santos)

Horizontais: 1- O Padroeiro do Felgar; 2- A mãe da obediência; 3Mártir católico e um dos sete primeiros diáconos; 4- O centro da nossa devoção; 5- Que apareceu aos pastorinhos.

Verticais: 1- Soldado que em 283 d.C. quis afirmar o coração dos cristãos; 2- Santo nascido em lisboa que começou como frade agostiniano; 3- Protector da igreja católica, padroeiro dos

S U D O K U

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trabalhadores; 4- A padroeira do Carvalhal; 5- Padroeira de Portugal; 6- Aparição em França por volta do ano 1858, presenciada por Bernardete.

Caserna20  

Jornal do Felgar

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