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O novo cais vem aí

Intensificam-se as tratativas para o início das obras na orla do Guaíba

Porto Alegre - Ano I Nº 03 - Maio de 2012

Alvo de estudos e promessas no decorrer dos anos e de variadas gestões no executivo municipal, tudo indica que o novo Cais da Mauá deverá sair do papel nos próximos meses.

Páginas 03

IVO GONÇALVES/PMPA

Parceria pela revitalização Em prol de um Centro Histórico renovado, Prefeitura e Federasul unem forças e traçam metas e planos para o futuro. DIVULGAÇÃO

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ANO I - Nº 03 Maio de 2012

w w w. j or na l r ua dapraia.blogspot.com

LIVRARIA DO GLOBO

Verdadeiro patrimônio da cidade, cujo prédio foi tombado pelos órgãos competentes, a livraria está imortalizada em memorial inaugurado pela Renner

Eternizada na memória da cidade

DIVULGAÇÃO

Página Central


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EDITORIAL

RICARDO STRICHER/PMPA

ABERTURA

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ever de todos e benefício coletivo, a limpeza urbana é um dos principais pontos de prevenção de tragédias, seja em tempos de chuva, seja na prevenção de doenças. Cada um precisa fazer a sua parte, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana(DMLU) e a Secretaria Municipal da Saúde são responsáveis por manter o todo e garantir que a população não venha a ter dissabores com qualquer que seja o sinistro. É preciso manter as ruas limpas, as galerias desentupidas e os bueiros desobstruídos. Esse serviço preventivo evita, em alguns casos, esse tipos de transtorno que percebemos no dia-a-dia de nossa cidade. Alguns pontos de alagamento da cidade e de lixo exposto são antigos e, em alguns deles, os problemas até mesmo já haviam sido sanados. Mas em muitos deles, os bueiros estão entupidos e as galerias obstruídas. Não se quer aqui

imputar culpas ou descobrir culpados, mas sim chamar a atenção para o fato de que, haja o que houver, é da prefeitura a responsabilidade de executar, cobrar execução, autuar, determinar e multar. E a nós, moradores e contribuintes, cabe aquela velha lição, que muitos, infelizmente, ainda se recusam a colocar em prática: o cuidado e a vigília. Não só por causa do período de chuvas, mas também trata-se de uma ameaça constante e para combatê-la é preciso a união de esforços e ações que devem ser rotineiras. Só que enquanto parte da população mantém quintais e casas limpas; colocam o lixo para ser coletado no dia correto; não jogam lixo ou entulho em terrenos baldios ou mesmo nas ruas, outros fazem exatamente o contrário. Aí, sofremos as consequências. Galerias entupidas, focos e mais focos de mosquitos, ratos transmissores de doenças e, assim, passamos a

Viva o Centro a Pé

DIVULGAÇÃO

Limpeza urbana é vital

coexistir com os mais variados tipos de moléstias. Não sabemos até que ponto as chuvas poderão ser tão somente benéficas para o sistema ambiental urbano, ou até que ponto podem ameaçar a vida humana. Mas, hoje, nada é tão importante quanto intensificar os serviços de preven-

As caminhadas do Viva o Centro a Pé são realizadas duas vezes por mês, sempre aos sábados, orientadas por professores especialistas em história ou arquitetura. A iniciativa é da Secretaria do Planejamento Municipal (SPM), da Cultura (SMC), Turismo (SMTUR), do Programa Viva o Centro, e do Gabinete da Primeira Dama, com apoio da EPTC. As inscrições

ção, não só como uma tarefa dos governos, mas também como uma responsabilidade social de cada um de nós para com nossas famílias: manter nossa cidade limpa e prevenida de um grande caos social. Dámaso Macmillan Diretor Executivo

devem ser feitas pelo e-mail vivaocentroape@gmail. com. Para participar é necessário doar alimentos não perecíveis, que serão encaminhados a instituições do Município. Outra opção é a doação de ração para cães e gatos, que será destinada aos animais, por meio da Seda (Secretaria Especial dos Direitos Animais). Existem caixas para o recolhimento no ponto de saída das caminhadas (informações pelo telefone 3333.1873).

Gerência Comercial: Fontoura F.: 51 3343.7643 - Cel: 51 8156.9995 Fotografia: Gilmar Bitencourt www.gbfotos.com.br - F.: 51 3340.065 - Cel: 51 9210.6197 Rua dos Andradas, 1560 - 6º andar - Galeria Malcon Centro Histórico - CEP: 90020-012 - Porto Alegre - RS

Colaboradores desta edição: Adeli Sell, Guinter Lühring, Potiguara Pereira Jr. e Rogério de Almeida

www.jornalruadapraia.blogspot.com

O jornal Rua da Praia é um veículo de comunicação de grande circulação, que enfoca o cotidiano e os aspectos mais destacados do bairro Centro Histórico da Capital gaúcha e de suas cercanias. O periódico traz, em suas páginas, os assuntos mais variados, passando por cultura, gastronomia, história, curiosidades e contempla todo o tipo de informação indispensável para cada um dos públicos que reside, trabalha ou transita nesta nobre e tradicional região da cidade de Porto Alegre.

Fone: 51 3433.7640

Direção Executiva: Dámaso Macmillan Edição, Design Gráfico e Criação Publicitária: José Francisco Alves – Cel: 51 9941.5777 Consultor Editorial: Voltencir Fleck DRT/RS - 10.010 Conselho editorial: Dámaso Macmillan e José Francisco Alves

Os artigos e anúncios são de responsabilidade exclusiva de seus autores e agências. Portanto, não representam a opinião do jornal Rua da Praia. A reprodução do conteúdo da edição é expressamente proibida sem consulta prévia à editoria.


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INFRAESTRUTURA

O BAIRRO

FOTOS: DIVULGAÇÃO/PMPA

Projeto prevê interação entre Cais Mauá e Centro Histórico

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ma proposta inicial de projeto para interação das novas atividades do Cais Mauá com a área do Centro Histórico foi apresentada no dia sete de maio, por Fermin Vázques, do escritório b720, responsável pelo projeto do Cais, ao coordenador do projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, no Gabinete de Planejamento estratégico (GPE) da prefeitura. A ideia é potencializar a região, fazendo com que a nova área, mais comercial e de lazer, seja integrada ao corredor cultural e de edifícios e espaços públicos e históricos, que constitui a região central da cidade. “Avaliamos essa faixa, que

Proposta reúne ciclovia, roteiro do bonde histórico e áreas só para pedestres

vai do Cais Mauá até a rua dos Andradas e avenida Voluntários da Pátria, com o objetivo de complementar as atividades, aproveitar o fluxo de pessoas que o novo espaço atrairá, criando espaços para interação e melhorando a permeabilidade visual entre a cidade e o Guaíba”, explica Vázques. O projeto proposto para dinamização do Centro Histórico prevê intervenções nas ruas Sete de Setembro, Travessa Araújo Ribeiro, Sepúlveda e Voluntários da Pátria, com a valorização dos quarteirões adjacentes, implantação de ruas para pedestres e canteiros centrais com deques e mobiliário urbano - fazendo a conexão com as áreas de praças e

Entenda o projeto do Cais Mauá

O governo do Rio Grande do Sul liberou oficialmente em 23 de novembro de 2011 o início das obras do Cais Mauá, em Porto Alegre. A construção, orçada em R$ 560 milhões, deve revitalizar o antigo cais, restabelecendo a relação entre o rio Guaíba e a cidade e criando um novo ícone urbano. O projeto tem a assinatura do escritório espanhol b720 e do brasileiro Jaime Lerner. O empreendimento terá o modelo de concessão de 25 anos para a empresa Cais Mauá Brasil S.A. O projeto é baseado em três setores: armazéns, gasômetro e docas. Neles, serão instalados novos bares, restaurantes, teatros e lojas. A primeira fase, que terá suas obras iniciadas em 2012, prevê melhoria dos armazéns, acessos, estacionamento, iluminação,

Fermin Vázques apresentou sugestões para conexão da parte cultural com o Cais

recreação do Cais, recuperação de fachadas, nova arborização, trilho para roteiro do bonde histórico, recomposição da pavimentação, de acordo com a projetada para a área do Cais, estacionamentos subterrâneos e ciclovias. A passagem do traçado do Metrô e dos BRTs (Sistemas Organizados de Transporte Coletivo Urbano) pela região central liberará vias impactadas pelo tráfego pesado, possibilitando projetos de reurbanização e valorização de áreas comerciais hoje deterioradas. Segundo Bohrer, é interessante que o projeto do Cais Mauá não se constitua numa ilha e que interaja com o restante da área central, o que trará benefícios

para todo o Centro. “Há convicção, tanto da prefeitura como dos arquitetos do escritório, da importância e do potencial dessa interação para ambos os projetos”, observa Bohrer, salientando que “é natural pensar que o público local e os turistas que forem atraídos pelo aporte de lazer e comercial do novo Cais também tenham interesse em complementar a visitação aos locais culturais e históricos do Centro”. Essa primeira proposta de interação dos espaços foi feita com base na análise conjunta dos projetos para o estabelecimento da conectividade e será avaliada pela equipe do Viva o Centro e demais setores envolvidos.

comércio, restaurantes, bares e, pelo menos, dois museus. No setor de armazéns, as estruturas de 1920 serão reformadas para se tornarem espaços públicos. Além disso, a borda junto ao rio será redesenhada, com a utilização de plataformas flutuantes. Para o setor do Gasômetro, será construído um novo edifício de forma irregular, que segue o desenho da borda atual do local. Já no setor das docas serão construídos um palácio de congressos, escritórios, locais comerciais e um hotel em forma de vários edifícios de grande altura. De acordo com os arquitetos, os edifícios seguem a configuração angulada das docas. Nas duas pontas do cais, haverá grandes espaços de estacionamentos, que são muito escassos na região. Desse modo, valoriza-se também a circulação a pé pelos 2,5 km do cais.


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RUMO AO FUTURO

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conjunto de projetos que a prefeitura desenvolve para revitalizar o Centro Histórico será reforçado por meio de nova parceria firmada com a Federasul e entidades da Capital. Foram definidas oito ações para qualificar a infraestrutura dos espaços públicos, com metas definidas até abril de 2013. O trabalho foi apresentado em reunião oficial na tarde de 26 de abril. Iluminação especial, recuperação de fachadas e calçadas, adoção de praças, qualificação da coleta seletiva e estratégias para o Mercado Público estão entre os projetos a serem desenvolvidos conjuntamente pelos órgãos públicos e pelas entidades. A parceria integra o projeto Viva o Centro, criado em 2005 pela prefeitura, e o Dez Ações, da Federasul. Também participam da

CRISTINE ROCHOL/PMPA

iniciativa CDL, Sindilojas, Sindpoa, Ufrgs, Fecomércio e Senac. “As entidades podem contribuir nesse processo, porque queremos uma Porto Alegre melhor”, afirmou o presidente da Federasul, Paulo Dornelles Cairoli. O território de atuação está focado nas áreas no entorno das praças XV, da Alfândega e Otávio Rocha, na rua Sete de Setembro e na avenida Otávio Rocha. As ações somam-se a projetos já em andamento no município, como o Minha Calçada, Porto Alegre + Luz, qualificação da sinalização turística no Centro Histórico e as revitalizações da Praça da Alfândega e da Praça XV. Entre as diversas melhorias práticas para os cidadãos e turistas, o coordenador do projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, destacou a criação de seis pontos de bilhetagem do Linha Turismo, para faciltiar o acesso dos usuários ao passeio, que agora conta com parada no Centro Histórico. O desenvolvimento das etapas será acompanhado periodicamente pelos comitês gestor e executivo e pelo grupo de trabalho responsável pelo planejamento e execução das ações.

Foram definidas oito ações para qualificar a infraestrutura dos espaços públicos

Ações propostas até abril de 2013

1 - Plano Estratégico do Mercado Público / Smic + Fecomércio + Senac 2 - Recuperação de Calçadas e Fachadas / Gabinete de Articulação Institucional + Secretaria de Governança + Sindilojas 3 - Qualificação da Coleta Seletiva do Lixo / DMLU + Sindilojas 4 - Adoção e Qualificação Paisagística de Praças e Vias / Sec. Meio Ambiente + Fecomércio 5 - Iluminação Especial de Praças, Vias, Prédios e Lojas / Sec. Cultura + CDL 6 - Qualificação da Informação Turística / Sec. Turismo + Sindpoa 7 - Plano de Comunicação do Centro Histórico / Comunicação Social + Ufrgs 8 - Apoio Institucional a Projetos Estruturantes / Gab. Planejamento Estratégico + Federasul

Novas placas indicam atrativos turísticos Instalação da Última Placa de Sinalização Viária Turística do Centro Histórico, no Largo João Amorim de Albuquerque, próximo ao Palácio da Justiça e da Praça da Matriz

LUCIANO LANES/PMPA

O BAIRRO

Nova parceria planeja a revitalização do bairro

Motoristas que circulam no Centro Histórico de Porto Alegre, no circuito formado pela Usina do Gasômetro, Mercado Público, Cais do Porto, Praça da Matriz, Praça da Alfândega e Santa Casa, contam, a partir de 4 de abril, com 60 placas aéreas que facilitam seu deslocamento em direção a um conjunto de atrativos turísticos da região. Para suprir essa carência histórica da cidade, a Secretaria Municipal do Turismo (SMTUR) investiu R$ 384.682,77. Os recursos foram captados junto ao Ministério do Turismo e incluem a contrapartida de 8% do município.

A sinalização orienta os motoristas a partir das avenidas Castelo Branco e Farrapos, principais entradas da cidade, seguindo também pela avenida Mauá, rua da Conceição e avenida Loureiro da Silva. O conjunto de placas começou a ser instalado em 24 de janeiro, na avenida Borges de Medeiros, ao lado do Mercado Público. Entre os pontos turísticos sinalizados estão Catedral Metropolitana, o Cais do Porto, Paço Municipal e a Fonte Talavera, Ponte de Pedra, Mercado Público, as praças da Alfândega e da Matriz, além do Hospital de Pronto Socorro.


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NOVA OPÇÃO

Sesc Centro Histórico surge como alternativa ao público

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Sistema Fecomércio-RS promoveu, em fevereiro deste ano, a inauguração do Sesc Centro Histórico. A nova unidade operacional fica localizada na Rua Vigário José Inácio, 718. O investimento foi de R$ 6 milhões numa área de 1.470 m2. O espaço oferece restaurante, academia de ginástica e área de convivência equipada com sala multimeios – acesso à internet e espaço para leitura. A estrutura será atende exclusivamente aos comerciários e comerciantes, extensivo aos seus familiares. O evento de inauguração, realizado no dia 29 de fevereiro, foi voltado a convidados e o atendimento ao público iniciou-se na manhã do dia 1º de março. O horário de funcionamento é de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 21h, e aos sábados, das 9h às 16h. Além da academia e do restaurante, que oferece almoço completo, com suco e sobremesa por apenas R$ 5,00 – para comerciários, os trabalhadores e empresários do setor terciário poderão adquirir na unidade os pacotes oferecidos por meio do programa Turismo Social, assim como solicitar a confecção do Cartão Sesc/ Senac. Para fazer a matrícula no Sesc na categoria de Comerciário, basta apresentar RG, CPF, carteira de trabalho, contracheque e comprovante de residência - de água, luz ou telefone fixo. Já para os empresários do comércio, além da documentação de identificação e residência, basta apresentar o contrato social do seu estabelecimento comercial. Não são cobradas taxas de adesão ou mensalidade.

A unidade Sesc Centro Histórico foi criada com objetivo de ampliar os serviços disponibilizados aos trabalhadores e empresários do comércio de bens, serviços e turismo, bem como seus familiares. Atualmente, somente em Porto Alegre, mais de 420 mil pessoas trabalham no setor terciário. Enquadram-se como comerciários, assim como comerciantes, aqueles que atuam no comércio atacadista, supermercados, farmácias, casas lotéricas, hotéis, restaurantes, ensino particular (colégios, autoescolas e faculdades), bibliotecas, museus, cinemas e teatros privados, academias, clubes recreativos, empresas jornalísticas, empresas de produções artísticas e produção em geral, e de hospitais, laboratórios e clínicas.

DIVULGAÇÃO

Ao completar seus 240 anos, Porto Alegre foi presenteada pelo Sistema Fecomércio-RS com mais uma unidade do Sesc.

Nova opção de lazer e de convivência para os trabalhadores da área do comércio e da prestação de serviços em Porto Alegre

Estrutura do Sesc Centro Histórico: Academia de ginástica e musculação

Funcionamento: segunda a sexta - das 07h às 21h / sábado 09h às 16h.

Restaurante

Almoço com suco e sobremesa – R$5,00. Funcionamento: segunda a sexta - das 11h às 15h / sábado 11h às 14h.

Área de convivência

Sala Multimeios com acesso à internet e espaço para leitura - consulta local de revistas e jornais. Funcionamento: segunda a sexta - das 08h às 20h / sábado 09h30 às 14h.

Fecomércio-RS

A Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) é uma entidade sindical de grau superior que integra o Sistema Confederativo de Representação Sindical do Comércio (Sicomércio), a que se refere o artigo 8º, inciso IV da Constituição Federal. Foi constituída para fins de estudo, coordenação, proteção e representação legal das categorias econômicas inseridas no plano da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que são: 1º Grupo – Comércio Atacadista, 2º Grupo – Comércio Varejista, 3º Grupo – Agentes Autônomos do Comércio, 4º Grupo – Comércio Armazenador e 5º Grupo – Turismo e Hospitalidade. Até 1998, o Rio Grande do Sul contava com cinco federações do comércio e de serviços, que atuavam de forma distinta. Até que em 12 de de-

zembro de 2000 houve uma fusão, em que foi originada a atual Fecomércio-RS, com sede e foro em Porto Alegre e base territorial em todo o Estado. A comemoração do aniversário da entidade é feita em 03 de agosto, sendo considerado 1945 o seu ano de surgimento, data em que a antiga Federação Varejista (pré-fusão) foi fundada.

Atuação

A Fecomércio-RS possui hoje 112 sindicatos filiados e representa mais de 580 mil empresas, geradoras de aproximadamente 1,3 milhão de empregos formais. Com o surgimento de uma entidade única, foi criado o Sistema Fecomércio-RS, reunindo os braços operacionais dos setores de comércio e serviços, Sesc/RS e Senac-RS. O Sistema Fecomércio-RS conta também com o Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep) e com o Centro do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RS (Ccergs).


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RECANTO

O BAIRRO

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história da Livraria do Globo, em mais de um século de existência, foi assinalada pela prodigalidade na produção de bens culturais, além de suas funções específicas junto ao mercado livreiro. Entre outras iniciativas de grande valor, fundou uma excelente casa editora que levou seu nome, Editora Globo. A empresa publicou, durante largos anos, o Almanaque do Globo, a revista de circulação interna Preto & Branco, os textos traduzidos de A Novela, a revista com formato de bolso Mistério Magazine, a Tricots de Paris para o público feminino, a popular Revista do Globo e outra inteiramente literária, a Província de São Pedro. Fundou, ainda, a primeira agência organizada de publicidade no Rio Grande do Sul, a Clarim Empresa de Publicidade Ltda. A livraria foi criada na capital em dezembro de 1883 por Laudelino Pinheiro de Barcellos e Saturnino Alves Pinto. Os sócios alugaram uma pequena loja à Rua da Praia nº 268, com apenas duas portas e uma vitrine. Nos fundos foram instaladas uma oficina com uma caixa de tipos, duas máquinas de impressão e um oficial tipógrafo. A livraria funcionava de segunda-feira a sábado, das 6h30 às 22h. Com o sucesso dos negócios o prédio foi reformado e passou a prestar serviços de encadernação e pautação. Ofereciam-se serviços de gráfica e, em 1909, instalou-se um linotipo e se tornou a principal gráfica de Porto Alegre. Em 1915 surgiu o Almanaque do Globo, primeira grande publicação da editora. Laudelino faleceu em 1917, deixando a empresa para seus herdeiros e José Bertaso, que era seu sócio na época. Com o passar dos anos, a loja da Rua da Praia tornou-se ponto de encontro de intelectuais, poetas, políticos e profissionais liberais. Em 1917, durante a gestão de José Bertaso, foi aberta a primeira filial, em Santa Maria, centro ferroviário do Rio Grande do Sul. Borges de Medeiros, então presidente do estado, sugeriu a criação de uma revista do Sul, nascendo assim a Revista do Globo. Já em 1924, foi construído, no local dos primitivos prédios, em Porto Alegre, o edifício atual. Na década de 1930 ganhou carta-patente para operar como

DIVULGAÇÃO

Livraria do Globo: gravada na memória de Porto Alegre

Sinal de um tempo saudoso, a arquitetura do prédio guarda a aura de evolução e do respeito às origens na cidade

casa bancária. Anos mais tarde, Leonel Brizola, então governador do estado, confiaria à Globo a impressão das letras do Tesouro do Estado, conhecidas como “brizoletas”. Com a transferência de Henrique Bertaso, filho mais velho de José, para a editora, a Globo começou a explorar novos filões, como romances policiais e obras do escritor inglês Somerset Maugham. Em 1938 a editora lançou Olhai os lírios do campo, sucesso nacional de Érico Veríssimo. Ainda nessa época, foi traduzida a obra de Proust. Nos anos 40 a editora viveu seu auge e tinha filiais em três cidades gaúchas, além de escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1948 transformou-se em Sociedade Anônima, e em 1956 a empresa dividiu-se em Livraria do Globo e Editora Globo. Nos anos 70, o capital foi aberto, mas os herdeiros continuaram como sócios majoritários. Em 1986, a Editora Globo deixou de ser gaúcha, pois foi vendida para as Organizações Globo, do Rio, junto

com um valioso acervo de 2.830 títulos. A livraria prosseguiu atendendendo na Andradas até 2007, quando encerrou suas atividades no local, passando à rua José Montaury. Ainda assim, o prédio da Livraria do Globo prosseguiu altivo, como lembrança do que já representou e como um dos pontos de referência mais indicados do Centro Histórico de Porto Alegre.

Patrimônio histórico

O prédio da antiga Livraria do Globo foi tombado recentemente pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc), da Secretaria Municipal da Cultura, consolidando-se definitivamente como um elo da nossa sociedade com suas origens e sua evolução. Entre os elementos destacados, na sua reforma, está uma escultura, em ferro, de mulher e de um menino com o globo terrestre, e a inscrição encomendada em latim “Urbi et orbi”, que significa “à cidade e ao mundo”, localizada no ponto mais alto do prédio. O nome “Livraria do Globo”, em le-

tras de bronze sobre uma placa em mármore carrara italiano, caracterizado por elementos neoclássicos, igualmente foi restaurada. Uma curiosidade: a expressão “Urbi et orbi” era o lema de Laudelino Pinheiro de Barcellos.

O edificador

O projeto da Livraria do Globo foi concebido, em 1924, por Armando Boni (Castelfranco Emilia, 1886 - 1946), um engenheiro italiano radicado em Porto Alegre. Nascido em uma comuna da região da Emília-Romanha, na província de Módena, Armando Boni estudou nas universidades de Bolonha e de Parma. Foi casado com Giuditta Lupi Boni, com quem teve cinco filhos brasileiros. Em 1910, Boni chegou a Porto Alegre e também lecionou na então Escola de Engenharia de Porto Alegre, hoje Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele foi o primeiro engenheiro a se dedicar à utilização de concreto armado na cidade.


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Saiba mais sobre tombamento

O tombamento é o ato de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade, levando em conta sua função social. Um bem cultural é “tombado” quando passa a figurar na relação de bens culturais que tiveram sua importância histórica, artística ou cultural reconhecida por algum órgão que tem essa atribuição. O tombamento é efetivado por meio de ato administrativo, cuja competência no Brasil é atribuída pelo Decreto Nº. 25, de 30 de Novembro de 1937, ao poder executivo. Pode ocorrer em nível federal, feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ou ainda na esfera estadual ou municipal. Resumindo, tombamento é o ato ou efeito de “restirngir” um bem que geralmente é público e que possui importância histórica e cultural para a sociedade atual e futura. O nome tombamento advém da Torre do Tombo, o arquivo público português, onde eram guar-

Por Rogério de Almeida Fones: ( 51 ) 3225.5302 / 9357.1867 Site: www.rogeriodealmeida.blogspot.com

dados e conservados documentos importantes. O instituto do tombamento coloca sob a tutela pública os bens móveis e imóveis, públicos ou privados que, por suas características históricas, artísticas, estéticas, arquitetônicas, arqueológicas, ou documental e ambiental, integram-se ao patrimônio cultural de uma localidade – nação, estado e município. Por meio do tombamento é concedido ao bem cultural um atributo para que nele se garanta a continuidade da memória. O tombamento não retira a propriedade do imóvel e nem implica seu congelamento, permitindo transações comerciais e eventuais modificações, previamente autorizadas e acompanhadas, além de auxílio técnico do órgão competente. O processo é o conjunto de documentos que constitui a fundamentação teórica que justifica o tombamento. Deve seguir metodologia básica de pesquisa e análise do bem cultural a ser protegido (monumentos, sítios e bens móveis), contendo as informações necessárias à identificação, conhecimento, localização e valorização do bem no seu contexto.

Empresa inaugura Memorial para recuperação histórica da Livraria do Globo. A Lojas Renner inaugurou em Porto Alegre, no dia 26 de março, sua 21ª loja no estado do Rio Grande do Sul, totalizando 165 operações no país. Com investimento de R$ 10 milhões, o novo espaço na Rua dos Andradas conta com 3,2 mil m² de área total e está gerando 70 empregos diretos. A loja abriu suas portas com a revoada de 5 mil balões e ofertas exclusivas de inauguração. Na ocasião, data do aniversário de 240 anos de Porto Alegre, também foi entregue à sociedade gaúcha o Memorial Livraria do Globo, um resgate histórico-cultural de um endereço-sede de empreendimentos que influenciaram a

educação, a literatura e a comunicação nacional. “Lançar o plano de expansão de 2012, no Centro Histórico da capital gaúcha, é mais um marco para a companhia, que tem sua trajetória intrinsecamente ligada à cidade. Durante a nossa história, o desenvolvimento das pessoas sempre pautou nossas práticas e é um dos valores da Renner, por isso, é com muita satisfação que erguemos este espaço em memória a um local que abrigou a história cultural da cidade e incentivou o progresso intelectual do Brasil”, afirma o diretor presidente da Renner, José Galló. Entre os objetos presentes no acervo estão: máquina de calcular da Royal (fábrica inglesa de máquinas distribuídas com exclusividade pela Globo), máquina de escrever da Royal, matriz litográfica, matriz metálica para impressão de selos, quadros com matrizes metálicas, matriz tipográfica, fotografias de época e livro dos 50 anos da Globo. Uma operação do Café do Porto tam-

bém funciona junto ao Memorial para o conforto dos clientes.

Sobre a Lojas Renner

A Renner é a segunda maior rede de lojas de departamentos de vestuário no Brasil, com uma trajetória de pioneirismo e expansão. A Companhia traz o título de primeira corporação do país com 100% das ações negociadas em bolsa, e está listada no Novo Mercado. A Companhia foi pioneira em implantar no país, em 2002, o conceito de Estilos de Vida no desenvolvimento de suas coleções e na organização de suas lojas. A exposição coordenada de roupas, calçados e acessórios, sob marcas que refletem diferentes atitudes, interesses e personalidades, facilita a escolha dos clientes, pois permite que eles identifiquem claramente o conjunto de peças que melhor reflete seu jeito de ser e de viver, otimizando o tempo de compras. Hoje a Renner conta com 165 lojas, espalhadas nas cinco regiões do país.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Renner lança sua nova loja na Andradas

A inauguração da loja foi um sucesso, com boa presença de público e forte repercussão

O Memorial Livraria do Globo promove o resgate de uma época dourada no bairro


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AGENDE-SE

‘Mulheres Pessegueiro’ na CCMQ DIVULGAÇÃO

Montada por Patsy Cecato, a peça encerra a Trilogia das Flores

O texto de Patsy Cecato foi contemplado pelo Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística da Funarte. Para produzir o texto, Patsy entrevistou várias pensionistas do exército para compor a estrutura moral e psicológica das personagens e realizou várias leituras

dramáticas para estudar as reações e ouvir as opiniões do público. O texto completa a Trilogia das Flores, com Violeta e Margarida e Hotel Rosa-Flor – todos de temática feminina que falam dos laços que unem e fortalecem as mulheres.

Data: 25 de maio a 24 de junho Horário: sextas e sábados – 21h; domingos – 20h Local: Teatro Bruno Kiefer (6° andar) Ingressos no local, em dia de sessão: R$ 25,00 - meia-entrada para estudantes, idosos, Clube ZH e militares.

Visita guiada disponível no CCCEV e no Museu da Eletricidade do RS IMAGENS: DIVULGAÇÃO

CULTURA

C

om texto e direção de Patsy Cecato, Mulheres Pessegueiro faz temporada no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), de 25 de maio a 24 de junho, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h. Uma história que se equilibra entre o drama e a comédia, e mantém o espectador preso aos destinos das personagens. No elenco, Lourdes Kauffmann, Laura Medina, Áurea Baptista e Catharina Conte. Mulheres Pessegueiro é a história de quatro mulheres de uma mesma família que vivem das pensões do Exército deixadas pelos coronéis Virgílio e Getúlio Pessegueiro. Dona Ione Pessegueiro, viúva de Virgílio, sustenta a filha separada, Maria Lucia, que não consegue enfrentar o mercado de trabalho, e a neta, Manuela, que não vê sentido em fazer uma faculdade convencional. E ainda ampara uma sobrinha, Betinha, que se mantém solteira por medo de perder a pensão do pai, coronel Getúlio.

O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) realiza visitas guiadas com grupos interessados. Para participar basta agendar dia e horário escolhendo entre as seguintes modalidades:

Geral e histórica

São percorridos os 6 andares do Centro Cultural, com informações sobre a história do prédio - que data de 1928 -, chamando-se atenção para aspectos arquitetônicos e de patrimônio de sua construção, passando por todas as salas de atividades - de exposição, oficinas, museu da eletricidade, teatro, biblioteca -, mas sem detalhamento de cada uma da expo-

sições e do Museu da Eletricidade do RS (MERGS). A duração média da visita é de 1h15min;

À determinada exposição

Visita detalhada e monitorada à determinada exposição que esteja acontecendo no momento - consultar em cccev.com.br -, com breve passagem sobre a história do prédio. A duração é de 40 a 50 minutos, dependendo da(s) exposição(ões) escolhidas;

Ao Museu da Eletricidade

Visita ao MERGS - localizado no

2º andar do CCCEV. Passagem pelo acervo do Museu com ênfase na trajetória da iluminação pública; pelo Museu Interativo, com possibilidade de compreensão dos princípios da energia através de experimentos que propõem a interatividade; filme sobre energia, de acordo com a faixa etária. Duração média de 1h15min. O quê: Visitas Guiadas; Quem: CCCEV e MERGS Quando: de terça a sábado – manhã e tarde; Onde: no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo - Rua dos Andradas, 1223 - Centro Histórico; Quanto: Gratuito.


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CENTRO EM CRÔNICA Por Potiguara Jr.*

potiguara.junior@gmail.com

Balança, mas não cai DIVULGAÇÃO

ALFONSO ABRAAHAM/PMPA

OPINIÃO

Uma reflexão que se faz necessária: por que, antes de seguir a Miami, não conhecer todos os recantos de nosso próprio rincão?

DIVULGAÇÃO

Por um turismo que inclua e não exclua

Por Adeli Sell*

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s governantes, desgraçadamente, não pensam e nem agem como um setor destacado e diferenciado da sociedade. Seguem o rumo fácil das coisas. Governantes devem ser os que se destacam. Precisam ter ousadia e atitude para mudar o caminho natural do atraso. E em se tratando de Turismo, as coisas são ainda piores. Há quase que uma ausência de inovação neste segmento e quando se “inova” é para o rumo errado. Nossos gestores geralmente seguem o

Algumas atrações locais

Antiga Confeitaria Rocco; Antigo Cine Imperial; Antigo Hotel Nacional; Arquivo Público; Biblioteca Pública do Estado; Catedral Metropolitana; Casa de Cultura Mário Quintana; Usina do Gasômetro;

senso comum do povo: optam por destinos como Miami e Orlando ou países do Velho Mundo. Estão em feiras nos Estados Unidos e na Europa, com estandes e espaços caros, e deixam de frequentar feiras no Continente Sul Americano. Chegou a hora de mudar o foco. Temos que redirecionar nossas forças para os países do Mercosul em primeiro lugar, indo ao encontro dos potenciais turistas, trazendo-os a visitar nosso Rio Grande do Sul. Mas temos que ficar atentos, por que se não criarmos as condições para recebe-los teremos uma contracampanha na volta dos turistas a seus países. Temos que ter roteiros articulados com os outros Estados do Sul. Como não aproveitar o potencial do Salto do Yacumã se já foi provado pelas Cataratas do Iguaçu que a natureza é um grande atrativo? Como não aproveitar o potencial da área vinícola da Serra? Mesmo que os nossos vizinhos também sejam produtores de vinho, a nossa gastronomia pode ser o diferencial de atração. Neste

momento em que conquistamos o vôo direto da TAP, teríamos mais condições de vôos diretos com as cidades do Mercosul. E Porto Alegre? Aqui temos uma diversidade de coisas boas para se ver, curtir e fazer, mas não sabemos “nos vender”. Não podemos aceitar o rótulo de que Porto Alegre é apenas uma cidade de “passagem”. Aqui temos cultura, gastronomia, área rural, passeios pelo Centro Histórico, pelo Guaíba, mas infelizmente tudo isto sem qualquer conexão. Como vamos atrair? É preciso ter outra visão. Uma visão moderna e avançada. E moderna e avançada pode ser cuidar de coisas simples, banais e/ou cuidar do que está bem próximo de nós. Por esta razão, proponho uma visão continental do turismo, para garantir um turismo real que inclua e não exclua.

Chalé da Praça XV; Escadaria João Manoel; Esquina Democrática; Galeria Chaves; Igreja Nossa Senhora das Dores; Memorial do RS; Mercado Público Central; Museu de Artes do RGS - Margs; Paço dos Açorianos - PMPA;

Palácio Piratini; Ponte de Pedra; Praça da Alfândega e entorno; Pinacoteca Ruben Berta; Santander Cultural; Solar Conde de Porto Alegre; Solar dos Câmara ; Teatro São Pedro; Viaduto Otávio Rocha.

*Vereador do município de Porto Alegre www.adelisell.com.br

Cada condomínio tem suas peculiaridades. Todos são diferentes uns dos outros, mas no fundo, de um modo geral, é quase tudo a mesma coisa. Pode ser de qualquer classe, sempre tem as mesmas coisas, gente de todo tipo. Cachorro, gato, passarinho, vizinho chato, vizinho legal, vizinho que cumprimenta, vizinho que não, uns que brigam, outros que sorriem, uns que zelam, outros que quebram. Não importa a classe, volta e meia pinta uma gritaria, uma briguinha, ciumeira, inveja, fofoca... Afinal, a chinelagem não faz diferença, não discrimina, nem segrega. Comporta e aceita todas as classes, cores e credos. A maior constante é a indiferença, mas amizades e inimizades podem nascer. Nos detalhes, nas bobagens do dia a dia. Qualquer coisinha pode ser o diferencial para a aproximação ou o distanciamento natural. A camiseta do teu time estendida no varal do outro já lhe confere um ponto a mais na avaliação. Se gosta de cachorro e não deixa ele latir nem se aliviar na grama do condomínio, se ajuda a carregar as compras ou cede a vaga no estacionamento, se espera com o elevador ou segura a porta para o outro passar. Na outra mão vêm os que buzinam no estacionamento, os que conversam próximo à tua janela domingo de manhã, os que deixam a latinha de cerveja no corredor, aquela vizinha que sacode o tapete na janela do andar alto... Enfim, os que não têm consideração pelos “desconhecidos”. Coisas insignificantes que vão se somando e formando o conceito de um em relação ao outro. No meio destas diferenças todas existem hábitos que unem todos - ou a maioria. Alguns programas de TV ecoam pelos corredores e mais ainda no fosso de luz. Sobre isso, há uma curiosidade. Não sei se todos sabem, mas existe uma diferença no tempo da transmissão entre as operadoras de TV por assinatura e a TV aberta. O tal delay. Isso me proporciona, por exemplo, quando estou na cozinha, ouvir o insuportável Bial repetir três vezes a mesma bobagem. Por outro lado, quando perco a fala de algum personagem da novela, basta correr ali e esperar ser falada de novo na TV de algum vizinho. Como ia dizendo, não existe nada perfeito, muito menos um condomínio. Seja pequeno ou grande, rico ou pobre, sempre teremos que lidar de alguma forma com suas mazelas. E sempre poderemos aproveitar suas benesses. Resta-nos viver da melhor forma possível, convivendo com estas pessoas e seus problemas, assim como elas conosco. De uma forma geral, procuro estar bem com todos, mesmo com os colorados. Conheço todos os cachorros do condomínio, geralmente antes de conhecer seus donos, ou donas. Os gatos são mais arredios, assim como alguns vizinhos, mas aí a gente deixa pra lá. Como me disse um vendedor esses dias, “não vamos gastar vela com defunto ruim”. Particularmente, prefiro pensar de outra forma: tudo a seu tempo. Amanhã tudo pode mudar. Aqui é a minha casa, uma extensão dela. Eu curto, eu cuido... Aquele abraço! *Profissional de TI, Blogueiro e Cronista Blog Beleza Pura - http://potijr.blogspot.com


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EVANDRO OLIVEIRA/PMPA

CADA LUGAR, UMA HISTÓRIA

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Viaduto Otávio Rocha as zonas leste, sul e central de Porto Alegre, até então isoladas pelo chamado “morrinho”. Contudo, sua construção só foi decidida em 1926. O viaduto é uma imponente estrutura de concreto armado, com três vãos. No centro, ao nível da avenida, existem dois pórticos transversais com dois grandes nichos, onde há grupos escultóricos criados por Al-

fred Adloff. Em ambos os lados da avenida Borges foram levantadas amplas escadarias de acesso até o nível do viaduto, sustentadas por grandes arcadas, debaixo das quais existe uma série de pequenos estabelecimentos comerciais e instalações sanitárias. Os parapeitos das rampas e do viaduto são decorados com uma bela balaustrada.

Um homem de muitos predicados Otávio Francisco da Rocha (Pelotas, c. 1877 — Porto Alegre, 27 de fevereiro de 1928) foi um militar, engenheiro, educador, político e jornalista brasileiro, prefeito de Porto Alegre de 1924 a 1928. Realizou seus estudos iniciais em Pelotas e secundários no ginásio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo. Ao completar seus estudos ingressou no exército, em 1891, buscando a carreira de engenheiro militar, sendo diplomado, em 1901, pela Escola Militar da Praia Vermelha. De volta ao Rio Grande do Sul, fez estágio na estrada de ferro Rio Grande-Bagé, servindo na guarnição de Rio Grande até 1903. Depois passou à Escola Preparatória e Tática de Rio Pardo e em 1905 à Escola Militar de Porto Alegre, onde permaneceu até 1909, quando foi eleito deputado estadual. Enquanto depudato, foi redator do jornal A Federação, membro do Partido Republicano Riograndense e também professor de geometria e aritmética no

Colégio Júlio de Castilhos. Depois eleito deputado federal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu pouco tempo, retornando ao Rio Grande do Sul e ao exército, em 1914, onde permaneceu até 1918, quando eleito novamente deputado federal. Reeleito em 1921 apoiou a candidatura oposicionista de Nilo Peçanha à presidência. De volta a Porto Alegre foi indicado para sucessão de José Montaury na prefeitura da capital gaúcha. Nessa época, a população da cidade já chegava a 190 mil pessoas e ele elegeu-se com apenas oito mil votos. Assumiu a prefeitura (intendência) com a determinação de reformar a cidade, transformando-a em uma “nova Paris”. No projeto estavam previstas as construções de avenidas largas, bulevares e rótulas e, para colocá-lo em prática, especialmente na área central, Otávio Rocha mandou derrubar dezenas de casarões e cortiços, que simbolizavam pobreza e atraso.

Além disso, providenciou água tratada à população e ampliou a iluminação pública. Esta série de reformas fizeram com que Otávio Rocha ficasse conhecido como o “reformador” da cidade de Porto Alegre. Tais reformas, no entanto, endividaram a capital e novos impostos foram criados em 1925: sobre as profissões, os divertimentos, o comércio e a indústria, a caridade, a conservação de ruas e estradas, taxas sobre os serviços de coleta de lixo e aferição de pesos e medidas. Em 1927, três mil automóveis já circulavam em Porto Alegre, número inferior apenas ao da frota de São Paulo. Otávio Rocha morreu durante seu mandato, em 1928, devido a complicações de uma úlcera gástrica. Porto Alegre homenageou seu ex-prefeito com uma praça e uma avenida que levam seu nome, avenida esta construída como parte de seu projeto inicial de reformas. Alberto Bins, então vice-prefeito, foi seu sucessor.

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MARCO

Viaduto Otávio Rocha é uma importante obra de engenharia civil de Porto Alegre. Está localizado no Centro Histórico, servindo como leito da Rua Duque de Caxias quando cruza por cima da Avenida Borges de Medeiros.Sua origem remonta a 1914, quando o primeiro plano diretor da cidade previu a abertura de uma rua para ligar

Além do viaduto, Otávio Rocha ainda dá nome a uma avenida e a uma praça no bairro

Casado com Inácia Brochado da Rocha, deixou como descendência, entre seus sete filhos, três que se destacaram na política gaúcha e nacional: Antônio Brochado da Rocha, prefeito de Porto Alegre entre 1943 e 1945; Francisco de Paula Brochado da Rocha, primeiro-ministro do Brasil em 1962 e José Diogo Brochado da Rocha.


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COMPORTAMENTO

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Integrando as Emoções

Podemos comparar nossas emoções a animais, que embora pareçam selvagens, sempre podem ser domesticados

Por Guinter Lühring*

SAÚDE

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onta a lenda, que um grande mestre confinou-se no deserto para meditar por um período de 40 dias. Ao chegar, desenhou no chão um circulo grande, e dentro deste, outro circulo, no qual fez uma cruz dividindo-o em quatro quadrantes, e sentou-se no quadrante que ficava de frente para o sol nascente. Passados dez dias, o mestre vê surgir do lado de fora do circulo um leão. A fera o ameaçava, rugindo ferozmente, mostrando toda sua ira do lado de fora do circulo. Após algum tempo o mestre convida o leão a entrar no circulo dizendo: entra criatura de Deus, há espaço o suficiente aqui para nós! O leão entrou e sentou-se no quadrante que ficava de frente para o mestre. A fera permanecia inquieta, mas dominada em seu estado de fúria, pois fora acolhida. Evidentemente, referimo-nos a uma parábola, que traz idéias em metáforas. Não haveria muitas condições de se negociar com um leão no deserto! Esta parte da parábola conta sobre a descoberta da própria ira do mestre. Ele reconheceu, pela imagem do leão, sua própria raiva. Podemos nos perguntar: um mestre sentindo raiva? Como pode? Sim! O mestre também possuía a ira. Entretanto, a consciência de sua raiva permitiu que esta

fosse dominada. A raiva é uma emoção nobre como qualquer outra. É a emoção responsável pelo limite. Uma pessoa que não sente raiva não consegue colocar limite em situações abusivas e se deixa maltratar pelos outros. Por outro lado, uma pessoa movida pela raiva afasta de si os demais e os fere com suas atitudes, pois torna-se intolerante, rude, áspera em suas relações interpessoais. Sentir raiva não é o problema. O problema é o que fazemos com ela! O mestre seguiu sua meditação e mais dez dias se passaram, até que percebeu do lado de fora do circulo um bode, daqueles com pelos longos e um só chifre, idolatrado em algumas culturas. O animal estava inquieto, fitando-lhe com atenção enquanto movimentava-se de forma exuberante. O mestre contemplou-o por algum tempo e também o convidou para entrar no círculo, da mesma forma que havia feito com o leão. Entre criatura de Deus! Há espaço para nós dentro deste círculo! O animal entrou, ocupando o quadrante à sua direita. O bode representava a luxúria existente no mestre. E após reconhecer que a possuía, e onde se manifestava em sua vida, estava pronto para integrá-la. A luxúria também faz parte da condição humana e, como tal, fundamental para que se possa viver plenamente. A luxúria é a permissão para agraciar a si pelas pró-

prias vitórias. É gratificar-se por um trabalho bem feito, a recompensa pelo esforço. Uma pessoa sem o mínimo de luxúria acaba por perder o interesse pela vida, pelo trabalho e, por conseguinte, seu brilho. No entanto, a pessoa que vive para a luxúria torna-se fútil e egoísta, desconsiderando a real importância da vida. Trabalha exclusivamente pelo ganho, perdendo a noção do objetivo maior: o próximo! Passaram-se mais dez dias até que o mestre percebeu uma serpente do lado de fora do circulo, e apesar do convite com muito amor para se integrar, a víbora mostrava-se relutante. Após algum tempo acabou por entrar no círculo, ocupando o quadrante à esquerda do mestre. A serpente representava os medos, os quais naquele momento estavam sendo acolhidos e compreendidos. Os medos também exercem importante função em nossa vida. O medo é uma emoção de preservação. Precisamos dele para que tenhamos precaução com nossos atos e prudência. Uma pessoa sem medo não sobrevive, porém, uma com muito medo não vive! É fundamental reconhecermos nossos medos para que possamos enfrentá-los. Só assim podemos enfrentar a vida e as adversidades, que na maioria das vezes são imposições próprias. O medo nos impede de ir em frente com nossos planos e sonhos, e, por

conseguinte causa a estagnação. O mestre acreditava que o círculo estava completo, pois cada um dos quadrantes estava ocupado. Passados mais 10 dias ele percebeu, sentado à sua sombra, um touro branco enorme. Surpreso, pensou: como pude passar aqui quarenta dias meditando sem perceber este animal ao meu lado? E concluiu: este deve ser meu maior problema! O touro branco simbolizava a soberba. A crença absoluta nas próprias convicções e idéias. A soberba afasta-nos das outras pessoas, pois desconsideramos suas necessidades e opiniões, privilegiando nossas próprias necessidades. Este talvez seja um dos grandes males da humanidade. O apego às próprias idéias e necessidades, sem fazer o esforço de compreender o outro. Esta não é uma prática terapêutica apenas, mas um exercício de cidadania, humanidade, humildade e amor. O touro branco, o maior problema, foi o último a ser percebido, pois estava na sombra do mestre. As outras pessoas mostram-nos, através de suas atitudes, nossa sombra. O que não gostamos nas atitudes dos outros? Bem, talvez isto seja algo a ser percebido em nossa própria sombra! *Mestre em Psicologia CRP 07/13670 gluhring@hotmail.com


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Bluegrass genuíno em plena Praça da Alfândega

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Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense (CBPA) é referência no cenário regional por sua proposta de trabalho bastante peculiar: são apresentações de bluegrass, uma forma de música norte-americana de raiz - influenciada pela cultura de imigrantes escoceses, irlandeses e afro-americanos - em que utilizam um único microfone, revezando o instrumento ou voz principal à frente do grupo. Exatamente como em 1940, durante a formatação desse estilo musical. Encaminhando-se para o quarto ano de existência, seu disco de estreia foi indicado ao Prêmio Açorianos de Música 2010 como melhor disco do ano, na categoria blues/jazz (apesar do gênero do grupo ser bluegrass). Além disso, as aparições do CBPA acontecem principalmente

nas ruas - em tradicionais feiras de antiguidades e no Centro Histórico da cidade - e costumam ter um aspeto de oficina, já que o grupo compartilha o conhecimento da história da música bluegrass com o público. Basta dar uma passada pela Praça da Alfândega em qualquer fim de semana sem chuva e a chance de se deparar com o conjunto é enorme. Um dos ilustres componentes do grupo é o multi-instrumentista Márcio Petracco, que fez parte das bandas TNT, The Bluesmakers, Cowboys Espirituais e Trem 27, além de participar dos Locomotores e do supergrupo Tenente Cascavel, que se trata da união de duas das maiores bandas de rock gaúcho da história, TNT e Os Cascavelletes. Com a TNT, participou, ainda nos anos 80, da coletânea Rock

Acima, o pessoal do CBPA fazendo o que mais gosta. E aqui, Márcio Petracco no palco, com sua guitarra em punho

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POR AÍ

NAFOLKLORE.WORDPRESS.COM

CALÇADAS DA FAMA

Grande do Sul, que lançou nacionalmente bandas como Garotos da Rua e Engenheiros do Hawaii, projetando o rock gaúcho como uma referência no Brasil inteiro. Os integrantes da CBPA, Heine Wentz (violino e voz), Márcio Petracco (mandolin e voz), Ricardo

Sabadini (violão e voz) e Pedro Marini (contrabaixo e voz) estudam a faceta mais pura dessa espécie de música e a levam às pessoas na forma de canções instrumentais e temas à cappella. Mais detalhes podem ser obtidos no site www.conjuntobluegrass.com.


Rua da Praia # 03