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GRANDE PORTO

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entrevista • josé manuel ribeiro

14 de Junho de 2013

“Não preciso de 20 anos para colocar Valongo no mapa” José Manuel Ribeiro

Candidato do PS à Câmara de Valongo

Quer mudar Valongo , que diz estar em fim de ciclo. Quer uma “política de verdade” e não uma “política de faz de conta”, de promessas, de “falta de transparência” que diz estar instalada com a governação do PSD na autarquia João Queiroz

joao.queiroz@grandeportoonline.com

Ivo Pereira (fotos)

M (...) Essa será uma das primeiras medidas: reduzir o número de chefes na autarquia, porque vai permitir libertar recursos financeiros para reforçar as respostas sociais da Câmara (...) A estrutura de comando da autarquia foi construída para manter pessoas ligadas à família e ao partido em cargos de chefia”

udar Valongo” é o slogan da sua candidatura. O que é que o próximo presidente da Câmara vai poder mudar num concelho falido, que tem um plano de saneamento financeiro para cumprir e que é um dos 74 municípios já resgatados pelo Governo para pagarem as suas dívidas? O slogan tem a ver com o fim de um ciclo. Chegam-me constantemente de dentro da Câmara mensagens de que neste momento quem a lidera tem que mandar e não pedir. Esse é o maior sinal de fim de ciclo. O que está em causa nestas eleições é avaliar esse ciclo e a partir delas abre-se um novo. Valongo precisa de uma política de verdade, é preciso acabar com a política do faz de conta, de promessas e mais promessas. Temos consciência de que vamos ter muitas dificuldades, porque conhecemos o quadro em que o concelho vive. Ainda assim, com uma pesada dívida e com a necessidade de recorrer ao PAEL (Programa de Apoio à Economia Local) para a pagar, estou convencido de

que vamos ser capazes de voltar a dar esperança à população deste concelho e, com a pequena a margem que teremos, concentrarmos os nossos esforços na resolução dos problemas do seu dia-a-dia, de forma a aumentar a qualidade de vida das pessoas. E isso é possível. Como? Em primeiro lugar, começando por pôr ordem na Câmara. A actual gestão alterou, neste mandato, a estrutura de chefias, tal como foi imposto pela lei, mas mesmo assim ela continua a ser muito pesada. E essa será uma das primeiras medidas: reduzir o número de chefes na autarquia, porque vai permitir libertar recursos financeiros para reforçar as respostas sociais da Câmara e ter capacidade de resolver os pequenos problemas da população. A estrutura de comando da autarquia não foi construída com racionalidade, mas para manter pessoas ligadas à família e ao partido em cargos de chefia. É suficiente?

Não. Temos, por exemplo, que tomar medidas para revitalizar o comércio, que está moribundo, fruto de erros graves da autarquia que retirou a feira do centro e mandaram-na para o apeadeiro do Susão. Mas antes disso, quero criar um conselho consultivo municipal, não remunerado, constituído pelos antigos autarcas de todos os partidos e dirigentes associativos, empresários, professores e estudantes, para permitir um diálogo permanente no concelho, de forma a encontrar soluções para os problemas. O que se pode fazer num concelho com poucos recursos? Criar uma aliança com todos. Concorda com o actual presidente da autarquia, que depois do hardware, é preciso agora tratar do software do concelho? O presidente da Câmara de Valongo não deve ter memória, porque já cá anda desde 93. O problema é mais complexo: há mesmo falta de hardware e de software. Basta olhar para os concelhos à volta. Em Valongo, há falta de equipamentos desportivos, mas a Câmara está a fechá-los: sem dar qualquer explicação, foram encerradas de supetão duas piscinas, a de Sobrado e de Campo, duas freguesias vão agora ser agregadas. A Câmara habituou os cidadãos a funcionar por serviços mínimos. E as pessoas não querem isso, querem voltar a ter esperança. E a função de um presidente de Câmara é dar esperança às pessoas.

“Valongo perdeu credibilidade” Promete pôr a Câmara em ordem assim que conhecer o seu estado real. Não conhece?

Ninguém conhece. Ninguém pode levar a sério uma câmara que esconde documentos. Aqui instalou-se uma prática reiterada de esconder a informação, porque o PSD Valongo não acredita nas pessoas. Em 20 anos, aqui nunca entenderam como importante fazer um orçamento participativo, tendo abertura para receber dos cidadãos ideias para os investimentos no concelho. A revisão do PDM [Plano Director Municipal] é um exemplo paradigmático. Arrasta-se há 13 anos… E alguém leva a sério uma câmara que anda há 13 anos a rever o PDM? É um quadro de instabilidade, que serve alguns interesses. E essa é uma grande diferença entre a nossa candidatura e a do PSD: é que nós estamos aqui para servir o interesse público. Ao nível do urbanismo, criou-se um ambiente de autêntico faroeste, em que tudo foi possível e isso descredibiliza. Aliás, o CDS-PP, que é parceiro de governação desde

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