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Você pode fazê-lo! Pode andar sobre cimento e asfalto, mas a terra oontlnua viva por baixo dos seus pés, esperando pacientemente uma greta na tf]oleira, um raio de luz que nela penetre, uma semente levada pelo vento que se converta em erva fresca. Você é terra, nós somos terra, e a natureza encarregar-se-á de fechar o ciclo, aproveitando a matéria que agora nos dá forma para a ceder, quem sabe se a uma bonita planta aromática de outro tempo. Saboreie todo o trajeto de vida que ela lhe ofereceu. Mastigue bem o presente e alimente o futuro, o seu e o de todos. Vivemos todos aqui debaixo do mesmo teto! Cuide dos valores, das emoções, da vontade de viver e de todas essas coisas que, felizmente, não têm preço. A sua horta é uma delas. Com este livro pretendo abrir-lhe uma porta, oferecer-lhe uma oportunidade. Nada de lições nem de doutrinas. É livre e tem o dever de se mostrar, de criar novos projetos que tenham a sua essência gravada. Vim para lhe contar as minhas experiências e, principalmente, para lhe recordar o valor imenso das pequenas mudanças. Há anos que investigo e semeio, que vivo ao ritmo da horta, mas recordo a primeira vez como se fosse ontem. Todos passámos por uma primeira vez. Porém, a produção biológica é fácil e divertida e, uma vez que comece, nada nem ninguém o irá deter. Esqueça a imagem bucólica do camponês eremita! Até há pouco tempo, as grandes metrópoles estavam cheias de hortas muito férteis! Pode fazer uma horta aí onde estiver. Na cidade, numa aldeia ou no campo. Num apartamento, numa casa com jardim ou num casario perdido. Que floresçam alimentos por toda a parte! Deixe-se levar e faça tudo o melhor que puder, com paciência e bom humor. Siga o seu instinto. Haverá sementes que não germinam, ventanias e granizo inoportunos, mas terá sempre um sorriso nos lábios, desses que geram uma sã inveja. Um sorriso de boa saúde. Ojardim comestível que vai criar fornecerá os melhores alimentos que alguma vez tenha sonhado e contribuirá também com nutrientes e conhecimento para os tempos que estão para vir. Tempo para valorizar quem é e até onde quer ir. Tempo de mudanças. Tempo para regressar à terra e reencontrar as nossas raizes.


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9 Você pode fazê-lo!

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Que possibilidades de rega temos? Do regador clássico ao gota a gota automático, para procurar a eficiência e o conforto.

i3 U m pequeno gesto, um a grande revolução 61

A fertilidade da terra

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Pon ha um a horta n a sua v id a

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O calendário da horta em Portugal

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Mapas e anotações para conhecer os períodos de semeadura, transplante e colheita de cada planta.

Trabalhar com a Lua: o poder das influências cósmicas chega a todo o lado, até às alfaces!

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O acolchoamento: muito mais do que uma camada protetora e nutritiva

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A rotação: o equilíbrio de que as suas hortaliças necessitam

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A associação de produções: à procura da relação perfeita, seja um par, trio ou orgia de plantas

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E, por fim, ter bons amigos debaixo da terra!

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Terras, ferramentas e fertilizantes

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Zona 1. Uma horta perto do mar

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Zona 2. Caminhando rumo ao

pré-litoral, mas ainda com vista para o mar 2H

Zona 3. O inverno teimoso do interior

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Zona 4. Lá onde a altitude e a latitude permitem geadas tardias

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Zona 5. E, por fim, os arquipélagos

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Desenho e planificação da horta

Cinco passos imprescindíveis para desfrutar de uma terra sã, fértil e equilibrada em nutrientes.

Se adubar bem a terra, vai precisar de poucas ferramentas!

Começa a parte mais divertida do jardim comestível: imaginar e criar o nosso pequeno paraíso.

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Uma vida autossuficiente John Seymour e os seus artefactos: reutilizemos um antigo barril de vinho como jardineira para morangos.

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O que posso p lan tar? Um jardim de hortaliças Apresento-lhe algumas das espécies hortícolas que pode fazer crescer no seu jardim comestível. JL.

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Abóbora/Aipo/Alcachofra/Alface/ Alho /Alho-ftancês/ Batata/ Beringela /Brócolos/ Canónigos/ Cebola/ Cenoura/ Couve/ Couve-flor/ Curgete/Ervilha/Espargo/ Espinafre /Fava/ Feijão/ Melancia/ Melão /Morango/ Pepino/ Pimento/ Rabanete/Tomate

133 A semeadura e o transplante Um processo mágico e delicado: da semente às primeiras folhas.

138 O sexo das plantas Contemple a apaixonante vida sexual dos seus pepinos e junte-se à festa!

144 Ervas boas ou más: eis a questão As tarefas mínimas de manutenção do jardim comestível. Corriola/Escorcioneir a

148 Soluções ecológicas para prevenir pragas e doenças das plantas Insetos, fungos e outros elementos que o podem infernizar, e alguns conselhos para os despistar.

154 Ervas aromáticas, flores e outras plantas úteis Plantas que curam outras plantas, flores que se comem, espécies medicinais... O complemento indiscutível para a sua horta.

Alecrim/ Amor-perfeito/ Borragem/ Calêndula/ Capuchinha, Erva-cidreira/Hortelã/Lavanda/ Malva/Maxyericâo/Româ/ Salva/ Tomilho/ Tulipa

176 A colheita

Colher os frutos da esperança e da constância.

185 Fechando círculos

186 Tesouro de sementes Como guardar as sementes para semear mais tarde e para novas temporadas.

191 A compostagem Recicle os seus resíduos orgânicos e consiga o melhor alimento para a horta.

197 D u a s g a lin h a s p a r a s e r fe liz 203 Devolva à terra o que é da terra E deixe que o ciclo feliz volte a começar!

205 A horta em família! Um espaço para aprender e partilhar com os mais pequenos da casa.

210 Guia prático de moradas e recursos úteis


A produção biológica já não é uma opção, é uma necessidade. Se quiser obter alimentos saudáveis e conseguir que o seu jardim seja um oásis de fertilidade, deve respeitar o ambiente, a terra e todos os organismos benéficos que nela vivem.

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incrível ver como uma ação simples com milhares de anos de história, as hortas de autoconsumo, se está a posicionar como um dos pilares básicos da sociedade pós-capitalista que começamos a construir. Gosto muito que seja assim e, acima de tudo, tranquiliza-me, porque nos faz saber que a vida, apesar de fazermos tudo o que é possível por complicá-la, é muito mais simples do que parece. Comer o que cultiva com as suas mãos tem sido desde sempre um desafio revolucionário para o ser humano. Contudo, agora a abordagem é diferente! As hortas tradicionais, que antes eram um espaço de trabalho quase forçado, perfilam-se hoje como um espaço de ócio, um campo de aprendizagem para desfrutar e saborear a essência da vida, enquanto nos oferecem alimentos saudáveis. A horta, tal como a entendo, é um espaço criativo que nos ensina a ser pacientes, a trabalhar com serenidade e constância, a tratar todos os elementos do nosso ambiente com a sensibilidade que merecem.

São os pequenos gestos individuais que dão forma à realidade de todos. Se acredita que outro mundo é possível, comece por si próprio e crie uma horta. Pode plantar uma alface ou 50, não interessa. O que conta é a intenção!

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Contemple a harmonia do ciclo feliz! A terra nutre as suas plantas, que, bem ouidadas, lhe ofereoem os seus frutos, folhas, flores e raízes. Quando você e os seus tiverem comido os manjares que ela oferece, os restos orgânicos passarão a satisfazer as necessidades nutritivas de duas galinhas encantadoras. As galinhas, agradecidas, porão os melhores ovos biológicos do mundo. A partir daqu com os resíduos orgânicos do galinheiro e toda a matéria vegetal que tive (folhas secas, ramos e restos de poda, ervas espontâneas, relva cortada., já pode elaborar um magnífico composto caseiro que lhe servirá para adubar a terra. Finalmente, esta terra regenerada e fértil estará pronta para acolher novas plantas que crescerão sãs e fortes. Um ciclo favorávo que gira sem nunca parar! A sustentabilidade em estado puro, em sua ca

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Voltar à natureza não significa abandonar as cidades para regressar ao campo. Pelo contrário! Há que reaproveitar os espaços em desuso. Um a varanda, uma janela, uma parcela de terreno abandonada, uma açoteia, um parque público, um jardim... Porquê semear relva onde podemos fazer crescer abóboras e feijões? Atualmente, fala-se dos alimentos biológicos como se fossem produtos especiais, produzidos de uma maneira diferente e carregados de propriedades virtuosas. São-no realmenteP Provavelmente, se a agricultura convencional não tivesse entrado numa espiral tóxica, cheia de elementos nocivos para a saúde e substâncias químicas sintéticas, virando costas aos processos biológicos que acontecem pelo meio, hoje não poderíamos definir o conceito “biológico”. Se não nos tivéssemos deixado seduzir, durante o século xx, por herbicidas, inseticidas e fertilizantes enganosos, criados por multinacionais envenenadas, talvez nunca tivessem existido sábios como Masanobu Fukuoka ou Rudolf Steiner, pais da agricultura natural e da biodinâmica, respetivamente - ambos os métodos são considerados variantes da produção biológica. Ou talvez sim, mas não ,(’r'am transcendido. O que lhes tento explicar é que há io ooo anos que cultivamos alimentos, e que durante os primeiros 9900 dedicámo-nos à produção biológica, sem o saber nem querer. Era a única maneira de cultivar que os nossos antepassados conheciam. Foi nos últimos 100 anos, com o uso e abuso de produtos químicos, que tivemos de criar um nome, uma denominação especial para poder reconhecer os alimentos saudáveis c diferenciá-los dos que não o são tanto. Mas parece que nos bastaram 100 anos de enganos e falsidade, e a produção biológica, respeitadora do meio ambiente e sustentável, está a espalhar-se como uma mancha de azeite.

Os benefícios da horta salpicam todo o seu ambiente e vão para lá dos alimentos nutritivos que lhe oferece. O trabalho que faz, a gente que o rodeia, as ideias que passeiam pela sua cabeça, a natureza que respira... De uma ação pessoal nasce um benefício global!

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O livro que tem nas mãos está estruturado em quatro blocos e pretende oferecer-lhe as diretrizes e os conselhos básicos para que possa arrancar com êxito o projeto da sua horta. Uma horta a que podemos chamar, pan sermos mais precisos, “jardim comestível”. Gosto desta denominação! Ac que se ajusta mais à realidade, já que não vamos plantar apenas hortaliç também flores comestíveis, ervas aromáticas e plantas úteis de todo o tif partilharão o espaço com tomates, ervilhas e alfaces. Este é o primeiro bloco, umas páginas de boas-vindas que resumem a essência do livro. Estou certo de que encontrará um bom lugar para começar a produzir! Ponha a imaginação ao serviço dos neurônios, insph -se, olhe para tudo com uma nova perspetiva e deixe que as ideias fluam Entre recantos e possibilidades, que não falte nada! Quanto tiver a mentí bem aberta, só fica a faltar o desejo e a vontade de dar o primeiro passo: desenhar e adequar o espaço. \i•/ ; ' i ...

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A felicidade autêntica chega quando passa a aceitar os contratempos; a aceitar que nem todos os anos serão bons para o tomate, e que de vez em quando vai cair granizo que lhe dará cabo da colheita; a conviver com a força da natureza, respeitá-la e ter uma mente flexível para se adaptar a qualquer situação. Esta é a grande aprendizagem que a horta lhe proporciona. Um dos mitos que oiço com frequência e quero destruir agora mesmo é aquele que diz que “uma horta dá muito trabalho”. Uma horta requer uma certa constância e um bom planeamento, tal como explicarei, mas nada mais. Sublinho-o desde o princípio porque, se tiver uma casa de fim de semana com jardim, ainda que não viva nela de uma forma permanente, não tem desculpa para recusar a minha proposta. Se se organizar bem, quando chegar a casa na sexta-feira à noite, terá um prato de verdura fresca à sua espera. Neste sentido, tenho de confessar-lhe que aquilo que mais gosto na horta é de passear por ela. É a primeira coisa que faço ao levantar-me de manhã. Há sempre alguma coisa para colher, cheirar ou bisbilhotar. Trabalho? Sim, claro, meia hora de vez em quando para arrancar quatro ervas daninhas inoportunas, fazer uma revisão geral para comprovar que está tudo em ordem e pouco mais. O resto é contemplação.

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O calendário da horta em Portugal Mapas e anotações para conhecer os períodos de semeadura, transplante e colheita de cada planta. planificação da horta pode variar significativamente em função do lugar ou da localidade onde pretende instalá-la. O frio que se faz sentir nas terras altas, durante fevereiro, pouco tem a ver com a suavidade térmica que se vive no Sul durante o mesmo período do ano. Ordeno o território em quatro grandes áreas, da mais quente à mais fria, enumerando os distritos que partilham das mesmas características climatéricas; esta delimitação geográfica não é muito rigorosa, dado que o mesmo distrito pode revelar diferentes características, pelo que o melhor é fazer a sua própria avaliação considerando as condições descritas. Tenha em conta que as aldeias e cidades do litoral são as que permitem desfrutar de ciclos de produção mais longos, ainda que deva pensar também que uma alface depende de muitos outros fatores, para além da temperatura. Contudo, temos de nos situar no mapa e adaptar a nossa porção de paraíso às possibilidades que nos oferece o clima da zona. Este é um capítulo importante da sua aventura hortícola e será também um guia que o ajudará a programar as principais produções.

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Para ser ainda mais preciso, procure vizinhos horticultores, generosos e experimentados, que queiram partilhar conhecimentos, teorias, êxitos e fracassos. Fará um pouco de coscuvilheiro, o que é sempre divertido, receberá informação útil e próxima, e com uma dose de sorte terá feito um novo amigo. E ainda lhe direi mais! Se dispuser de mais tempo livre, vá espreitando sempre que possa as previsões meteorológicas. Entre o nascimento de um tomateiro e a colheita dos seus frutos passam uns quatro ou cinco meses, em qualquer lugar, mas a disposição no calendário varia em função das particularidades climáticas de cada zona.

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Zona 1 'U m a horta perto do mar

Situaiho-nos nüma extensa, embora estreita, área do território que compreende os setores costeiros, penetrando em terras interiores em toda a zona do Sul. São espaços de invernos suaves, ambientes marítimos, húmidos e abafados. ():. ciclos de produção em toda a franja especificada são longos, devido à bonança térmica e à elevada média anual de dias com sol. Na varanda, no lerraço, na açoteia, no pátio ou no jardim, só nos falta o sonho e a vontade paia saborear verdadeiras saladas de quilómetro zero. Situando a horta no lugar mais adequado e proporcionando-lhe água com regularidade durante os meses de verão, menos chuvosos do que no resto do ano, seremos a inveja sã da vizinhança. i >is l ii l(is: faixa costeira de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria; Lisboa; Santarém; Setúbal; Beja; Faro.

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Zona Z Caminhando rumo ao pré-litoral, mas ainda com vista para o m ar

Nestas zonas, encontramos um clima temperado, ainda que com claras influências continentais que lhe conferem um carácter de extremos: calor seco e contundente no verão e frio marcado no inverno. E durante o inverno, nalguns setores, nevoeiro persistente que pode limitar o desenvolvimento de diversas plantas da horta. Desde os primeiros dias de novembro, os termómetros podem descer abaixo dos zero graus, e o risco de geadas mantém-se ativo até meados do mês de abril, f: necessário que tenha isso em conta no momento de fazer a programação de semeaduras e transplantes das hortaliças de verão. I)istritos: zona interior de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria; Viseu; Santarém; Castelo Branco; Portalegre; Évora; Beja.

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Zona 3 0 inverno teimoso do interior

Avançámos rumo ao interior, a mais um passo de distância do azul dos mares e oceanos. Aqui é preciso começar a ser cauteloso durante a época mais fria do ano. De finais de novembro até meados de fevereiro, pode ser sur preendido por algumas geadas bastante ligeiras, embora às vezes persistentes, que encurtam um pouco o ciclo de produção de algumas plantas. 1 in linhas gerais, falamos de uma faixa ainda relativamente próxima das águas marítimas, pelo que conta com uma certa suavidade térmica, minimizando com isso as oscilações do termómetro. I>isl i iIos Vila Real; Viseu; Coimbra; Castelo Branco.

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Zona 4 Lá onde a altitude e a latitude perm item geadas tardias No terço norte do território, quando nos situamos pelos 600 ou 700 m de altitude acima do nível do mar, o período de produção de uma boa parte das plantas do nosso jardim comestível é bastante encurtado. Convém saber que são poucos os horticultores profissionais que desenvolvem o seu trabalho nestas cotas, excetuando casos locais, porque os riscos de sofrer uma geada lardia inoportuna ou um inverno rigoroso já são elevados. Mas esta realidade não assusta nem afeta o horticultor familiar, que dá prioridade à diversidade de culturas e à experimentação, deixando para segundo plano a produção e o rendimento económico. Por isso, se semear variedades autóctones que estejam adaptadas ao bioclima da sua área, os resultados serão muito satisfatórios. Aqui, convém transplantar tanto as hortaliças de verão como o tomate, os pimentos ou as beringelas para a horta de exterior a partir do primeiro dia de maio. I)istritos: Guarda; Bragança.

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Zona 8 E, por fim, os arquipélagos

Os períodos de cultivo nestas ilhas atlânticas são mais longos que os da zona i, devido aos seus invernos suaves e verões temperados, para além da elevada média anual de dias de sol, que também contribui para a vida saudável da flora. São zonas conhecidas pela intensa e frequente precipitação (exceto no verão), o que nos permite ser um pouco mais “relaxados” com a rega durante muitos meses do ano, exceto entre junho e agosto, quando teremos de fornecer à terra toda a humidade necessária. Hortaliças como os tomates ou os pimentos, que quando cultivados ao ar livre podem começar a ser colhidos desde finais de março, poderão ser consumidas durante todo o ano, se reforçarmos um pouco as condições com uma estufa; a ausência de geadas fará com que o cultivo protegido no inverno seja generoso e interessante de considerar.

t evidente que, tratando-se de espaços de origem vulcânica, apresentam uma topografia de carácter montanhoso que permite a existência de particularidades notáveis dentro de uma mesma ilha. Assim, por exemplo, na ilha da Madeira existe uma cordilheira que divide o território em duas vertentes, a norte e a sul, que, em conjunto com as diferentes altitudes, exposição solar e ventos dominantes em cada setor, originam um conjunto de microclimas que têm pouco em comum entre si; na vertente norte, contamos com uma média anual de mais de 140 dias nublados, a< ima dos 600 m. Fatores como este terão de ser considerados na altura da planificação do cultivo, adaptando as margens que o calendário nos dá à realidade do lugar. Açores

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Desenho e planificação da horta Começa a parte mais divertida do jardim comestível: imaginai1 e criar o nosso pequeno paraíso.

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e fizermos bem o nosso trabalho e conseguirmos criar uma horta prática, inspiradora e funcional, teremos dado um passo de gigante, e já teremos conquistado uma das quatro chaves do êxito hortícola. Por isso só nos faltará conseguir uma terra ou substrato férteis, dar às plantas a água de que necessitam e esperar que o tempo acompanhe e seja um bom ano para o tomate. Quatro apoios básicos, três dos quais são da nossa responsabilidade e um deles, o último, está a cargo da natureza. Com a convergência de todos eles, o resto dos trabalhos da pequena horta são apenas detalhes e complementos que nos conduzirão à colheita. A luz direta ou, mais bem dito, a falta de luz direta, é o único elemento que nos pode impedir a implantação de uma horta em casa. Para poder garantir a boa vida das hortaliças, precisamos de um mínimo de cinco horas de luz solar direta, durante os meses de verão. A partir daí, e como regra geral, quantas mais horas de luz, melhor. Por outro lado, o espaço não nos deve preocupar. Em varandas, janelas e terraços, podemos pôr desde recipientes que aproveitam o espaço de uma parede para criar uma horta vertical, até vasos, jardineiras e todo o tipo de recipientes capazes de armazenar um bom volume de substrato. Em pátios, açoteias, jardins e parcelas de terreno, recomendo que cultive diretamente no solo, em canteiros férteis bem organizados. E as mil possibilidades iniciais aumentam com a combinação de vários elementos. Quer viva num pequeno apartamento de uma grande cidade, quer tenha decidido instalar-se numa casa em pleno campo, não há desculpas válidas. As alfaces e os rabanetes esperam por si!

A s cidades e as aldeias, com muitas construções que favorecem os lugares à sombra, podem dificultar a disponibilidade de luz direta; aproveitar as açoteias para o cultivo é uma das muitas soluções possíveis.

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a horta, nem tudo são >mates e alfaces ! Plante todo tipo de hortaliças, flores, 'vas aromáticas e, se tiver ipaço suficiente, algum . ’busto ou árvore de fruto ■lará um jardim de sensações' ipetacular. Pense que as )rtaliças de flor também nós -, erecem bonitas imagens, too as alcachofras da tografia. Em casa, muitas ’, >zes me faço de distraído e 'Ixo algumas na planta, sem oolher, para que acabem de abrir e possam mostrar os us característicos tons oleta. flor dura muitos dias >espetacular!


Pelo contrário, se vivemos num espaço aberto, seja uma casa de campo ou um chalé com jardim num lote, custará pouco a encontrar um bom lugar para instalar a horta. Procure a luz e acertará! A importância da luz direta

Chegou a hora de procurar a melhor localização para a sua horta. Embora ainda não tenhamos falado disso, tem de pensar que, se quiser criar uma pequena selva com uma vasta quantidade e diversidade de espécies, a rega manual com regador converter-se-á num quebra-cabeças, em vez de ser um prazer. Por isso, em primeiro lugar, procure escolher um espaço que disponha de uma torneira próxima que torne possível a instalação de rega automática num futuro próximo ou, pelo menos, que haja um ponto de água perto para instalar a torneira quando fizer falta. Dito isto, e deixando a questão da rega para mais adiante, ocupemo-nos da luz. Traga à memória as aulas de Ciências na escola e recordar-se-á de abordar a fotossíntese. Ora bem, a fotossíntese permite que os vegetais produzam oxigénio e matéria orgânica, mas, para que este mecanismo funcione, é necessário que haja luz direta. Poderíamos dizer que a luz é a energia que faz crescer as plantas e, por isso, quanto mais luz chegar à sua horta mais possibilidades terá de obter uma colheita generosa. No entanto, tudo tem um limite, e uma jardineira situada numa açoteia de uma cidade, em pleno verão e com sol direto todo o dia, sofrerá stresse, a menos que reduzamos o impacto do astro rei através de sombra e regas constantes. Os terraços, janelas e varandas orientadas a sul, este e oeste permitem uma entrada suficiente de luz solar, desde que nenhum edifício lhes faça sombra. Nos casos mais complicados, como as orientações a norte, pode tentar a sorte na açoteia e contemplar a possibilidade de se juntar a alguns vizinhos, buscar espaços e encontrar soluções; criar um jardim comestível comunitário pode ser uma boa opção. Seja como for, tente conseguir um lugar que receba, no mínimo, cinco ou seis horas de luz direta durante os meses de verão. Se for um privilegiado e tiver por onde J escolher, instale a sua horta no local mais soalheiro que tiver à sua disposição.

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O melhor lugar para cultivar uma planta é diretamente no solo. No entanto, nem todos dispõem de espaço suficiente, e o cultivo em recipientes ou contentores oferece muitas possibilidades. Deve adequar o espaço com lecipientes ou contentores que correspondam às medidas do jardim que vai criar e, ao mesmo tempo, adaptar as medidas das hortaliças às dos recipientes onde terão de viver. O volume de uma planta aproxima-se hastante ao das suas raízes. Assim, ----uma planta grande, como a aboboreira, necessita de uma jardineira grande, e uma planta pequena, como o manjericão, pode viver perfeitamente num vaso de dimensões reduzidas. Seja qual for a estrutura escolhida, deve procurar que o seu desenho facilite o aproveitamento da luz disponível e não origine sombras sobre o Iet ieno de jogo das suas escarolas. De qualquer maneira, tente sempre que ns recipientes sejam o maior possível, porque incrementará a variedade de culturas. Plantas grandes, como a aboboreira, a beringela, o melão e a melancia precisam de viver em contentores com uma capacidade mínima de entre 35 e 601 de substrato. .

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+ in fo Quando trabalhamos com recipientes e não diretamente no solo, chamamos “substrato” à terra que pomos para levar a cabo as culturas. Ao contrário do solo, o substrato deve conter, em proporção, muito mais matéria orgânica do que a terra de um campo ou de um bosque. No solo, as plantas procuram a vida, mas num recipiente limitado não o podem fazer e, por isso, somos nós que as alimentamos com quantidades substanciais de composto. o<x>o<xxx>o<x>o<xx>c>o<xxx>o<x>oo<c><>

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Adapta a hortaliça ao recipiente. Uma alface cabe num vaso com o seu mesmo volume, que Ê de uns 21. Um tomateiro precisarå de um vaso muito maior, com uns 20 1de volume.

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Construa o seu recipiente de cultivo... Toda a estrutura que permita armazenar substrato e que, uma vez cheia, ihe ofereça uma superfície apta para a vida das plantas será um bom recipiente. Se quisermos construí-lo nós próprios e gastar pouco dinheiro, podemos reutilizar paletes e caixas de madeira, que forramos na parte Interior com uma malha geotêxtil, permeável, com o objetivo de melhorar u retenção de água e o substrato. A malha é a mesma que se usa para limitar aPariÇâo de erva não desejada nos parques e jardins, e pode ser comprada mn qualquer estabelecimento que venda produtos de jardinagem. Ou mais láoll ainda: recorte um garrafão de plástico de 5 1de água mineral, pela l'ai'l,(l Ina^s larga. Faça-lhe quatro furinhos na parte inferior para que possa I Utrar a água excedente, encha-o de substrato e pla.nt.fi uma alface!


Leia com muita atenção o capítulo em que falo da fertilidade da terra, porque na produção em vasos, jardineiras ou qualquer outro tipo de recipiente aquilo que faz crescer as plantas saudáveis e fortes é a aplicação de um bom substrato, e não tanto as características do próprio recipiente. Se optar por comprar recipientes, saiba que atualmente há muitos produtos no mercado que satisfazem um extenso leque de necessidades, dos vasos e jardineiras de todas as medidas às clássicas mesas de cultivo que a empresa Tarpuna começou a comercializar há anos, passando pelas cómodas hidrojardineiras que mantêm o substrato sempre húmido, os chamados bacsacs de geotêxtil, o sistema minimalista e ligeiro de horta Leopoldo ou as estruturas de plástico modulares que lhe permitem fazer uma horta-jardim vertical aproveitando uma parede. Há um sem-fim de possibilidades à sua escolha, que deve ser feita em função do espaço disponível, do seu orçamento e das suas preferências pessoais. Avalie o seu canto, imagine como quer que seja e pense que também existem algumas plantas que podem crescer em condições de sombra, apesar da importância da luz que expliquei antes.

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Distribua as plantas em função da luz de que necessitam. Pense que uma boa parte delas se adapta bem à sombra! Muita luz... Alho, manjericão, alcachofra, beringela, brócolos, curgete, abóbora, calêndula, capuchinha, cebola seca, cebola tenra e calçot, espargo, lavanda, morango, funcho, feijão, manjerona, melão, pepino, salsa, pimento, alecrim, salva, melancia, tomate e cenoura.

Sombra parcial... Brócolos, calêndula, canónigos, capuchinha, cebola tenra, chicória, framboesa, morango, ervilha, fava, milho, menta, orégão, batata, salsa, alho-francês, beterraba e cenoura. Sombra... Acelga, aipo, borragem, canónigos, cebolinho, couve, couve-flor, espinafre, morango, fava, alface, nabo, rabanete e rúcula.

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O material com que é fabricado o recipiente de cultivo ou a jardineira não é determinante. Pode ser de madeira, cerâmica, vários tipos de plástico, aço galvanizado... Se viver numa zona com temperaturas extremas, muito fria no inverno e muito quente no verão, ou se quiser cultivar em recipientes pequenos, os materiais mais adequados são a madeira e a cerâmicas, devido ao isolamento térmico que proporcionam às raízes da planta. De qualquer maneira, um dos fatores mais importantes para manter a boa saúde da planta é procurar a drenagem ótima do recipiente, e deixar assim escorrer o excesso de água e evitar a asfixia das raízes, que é causada pelo excesso de humidade.

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O ambiente em que vive não condiciona o tipo d«* horta ou jardim que pode desenhar. Se morar num ambiente urbano <• quiser fazer uma horta com um certo aspecto rural, fantástico. E se estiver instalado num ambiente rural e pretender criar uma horta com mentalidade urbana, força! Este último é o meu caso. Queria uma horta biológica e cheia de vida, mas visualizava-a bem organizada, acessível, sem ervas adventícias, prático, com tarefas simplificadas, como se fosse mais um quarto da minha casa... Queria muita coisa, mas só sabia por onde começar. Num dia de sol de fevereiro, enquanto colhia cogumelos no monte, um bom amigo fez-me ver a luz. Acabei por fazer um jardim de hortaliças recorrendo ao método dos canteiros férteis, seguindo os conselhos do meu amigo PeraTantiná. Após vários anos de experimentação, devo reconhecer que este método nó traz vantagens. Em que se baseia? Primeiro, desenhe um esboço do seu terreno e calcule quantos canteiros cabem e que medidas devem tei O comprimento não interessa, podem ter 2 m ou 20 m. A largura, de aproximadamente 1,2 m, é que é determinante, porque no interior do perímetro a terra nao podr n<m pisada e, portanto, cada nm lrlin deve ser acessível a pnrtii dim No solo ou num recipiente? caminhos que o contornam I nIh Se for possível, se tiver espaço rede de caminhos, quo é lixa, |><.. 1. suficiente - no mínimo 50 a 60 ma ser feita com a base <la .................. . horizontais dedicados ao jardim telhas de palha. Eu agi...... mr a comestível - e pretender conseguir palha e ainda não a deixei, .)rg.l.... boas colheitas, suficientes para cobrir a 100%! De qualquer maneiia, o consumo familiar, recomendo-lhe a fazê-los na obra - em pedra ou produção no solo através dos canteiros cerâmica - é uma boa opção, ainda férteis. 0 cultivo em recipientes é mais mais limpa. A partir daí, tem apenas complicado nalguns aspectos, porque as plantas não estão no seu meio de alimentar a terra com muita natural e, por isso, requerem mais matéria orgânica e promovei o eieln cuidados. Nos recipientes, a perda de favorável da fertilidade, que nutrientes, os possíveis desequilíbrios encontrará explicado mais adiante entre a raiz e a parte aérea da planta, as oscilações térmicas acentuadas ou o limitado volume do substrato são fatores que exigem um certo cuidado e uma boa programação das tarefas.

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Se cultivar no solo, o método dos canteiros férteis sim plifica^ planificação das culturas e as tarefas de manutenção da horta-jardim e, além disso, converte-se num regenerador constante e natural de vida para o solo. Alguns horticultores praticam um método semelhante, o dos canteiros profundos, com o qual partilha uma boa parte dos procedimentos.


llm;i horta em canteiros no solo, ou então no telhado! Num momento de extrema lu< idcz, o meu amigo Pera decidiu que queria uma cobertura verde no telhado da sua rasa, num sítio onde a maioria põe telhas. O primeiro passo para ter uma cobertura vegetal é procurar uma boa impermeabilização e várias condutas de ilienagem, para que o escoamento da água não afete a habitação que está por baixo com infiltrações e humidades. É como se quiséssemos construir uma piscina na açoteia, como há tantas, mas em vez de água a enchêssemos de terra para nela podermos plantar. Cerca de dois palmos de espessura, uns 50 cm no máximo, bastarão para fazer uma horta.

t. incrível a capacidade de isolamento que a cobertura vegetal proporciona. Ao fim e ao cabo, é como viver debaixo da terra, numa caverna; e se as cavernas se destacam por alguma coisa, é por estarem quase todo o ano à mesma temperatura. Estas duas perspetivas da horta, situada no planalto catalão de Moyanés, dão-lhe uma ideia de como pode ser divertido colher couves-debruxelas com o mundo a seus pés.


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Aproveitar o telhado para fazer uma horta em canteiros férteis tem duas vantagens: a produção de alimentos e o isolamento térmico da habitação. A grossura de dois palmos de terra que repousa na cobertura mantém o calor no interior da casa durante o inverno, e proporciona um ambiente fresco no verão.


ação aparentemente simples e fácil, como pegar no regador e dar água às plantas da horta, converte-se num momento de diálogo, de plena consciência do ambiente e de nós mesmos.

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Sem dúvida que uma das aprendizagrnN quç .1 Ih m I ii biológica nos proporciona é a possibilidade de melliorar n iiohmii cupncidade de observação, se estivermos atentos as manifestações das espécies que nela vivem. Não é nenhum segredo que a natureza nos ensina a olhar para o ambiente com profundidade e, se estivermos recetivos, consegue despertar a nossa empatia. Uma empatia que agradecerá no seu ritmo de trabalho diário, de vida familiar e de espaço pessoal, uma vez que lhe permitirá enfrentar com serenidade possíveis conflitos e tensões. Convém regar as plantas, se vir que há falta de humidade no solo, ou reorganizar o desenho do espaço, se vir que os ventos dominantes na sua localidade as prejudicam. Procurar soluções imaginativas e estar atento, com constância, são manifestas virtudes dos bons jardineiros e horticultores. Notas sobre o cultivo em hidrojardineiras

Uma hidrojardineira não é mais do que um recipiente com um depósito de água na parte inferior, que proporciona uma humidade constante ao substrato por capilaridade e permite esquecer a rega durante dias, semanas, ou quase para sempre, se o depósito estiver ligado a uma torneira, e uma válvula de boia mantiver o nível nos limites, como no autoclismo. A partir daí, pode ser pequena ou grande, mais ou menos sofisticada, pode comprá-la ou construí-la você mesmo. Muito bem, deve ter presente que é uma boa opção para a produção de hortaliças, mas nefasta para as plantas aromáticas. As ervas mediterrâneas, como o alecrim ou a lavanda, preferem substratos bastante pobres, e precisam de períodos de seca para gerar mais essências e potenciar sabores e aromas. <xxxxxxxxx

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O universo das árvores de fruto Se dispuser de espaço, não pense duas vezes e plante alguma árvore de fruto. Recomendo-lhe energicamente que plante árvores adaptadas ao bioclima da sua zona. Neste sentido, no guia prático no final tio livro encontrará o contacto de dois viveiros que dispõem de variedades autóctones que convém preservar e promover.

Se quiser cultivá-las em recipientes e não diretamente no solo, tenha em conta que apenas algumas espécies o toleram. Árvores de fruto recomendadas para o cultivo em recipientes: cítricas (só nas zonas 1 e 2), romãzeira, oliveira, figueira, marmeleiro, pessegueiro, cerejeira damasqueiro, caquizeiro e ameixeira.

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Em varandas e outros espaços muito pequeno» onde apenas caibam vasos e recipientes de pouco volume, optaremos por plantas que se adaptem a eles. O tomate-cereja, neste caso de uma variedade rasteira, e frutos amarelos que possam prescindir de tutores são uma magnífica possibilidade. Na imagem abaixo, pode ver a composição de uma jardineira cheia de morangueiros, um vaso com lavanda e outro recipiente com salsa. I la muitas outras hortaliças e ervas aromáticas que podem crescer bem em vasos de dimensões reduzidas: canónigos, alface, espinafre, manjericão, ( oontros, calêndula, alho ou rabanete são uma pequena amostra de tudo o que poderá cultivar com êxito. Insisto: não interessa o espaço que tem! hasta um pouco de imaginação, um bom substrato de cultivo e muita vontade de saborear a experiência.

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Uma vida autossuficiente John Seymour e os seus artefactos: reutilizemos um antigo barril do vinho como jardineira para morangos.

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ualquer desculpa é boa para homenagear a figura de um londrino pioneiro, mestre dos mestres, que há mais de meio século conseguiu explicar conceitos tão atuais como o ambientalismo, a sustentabilidade, a reciclagem ou a agricultura biológica, através de todo o tipo de projetos de divulgação. Sonhador incansável, viajante, ativista, escritor, locutor, criador de gado, agricultor... O seu toque humorístico na hora de relatar vivências denunciava-o. Pessoalmente, quando estou preocupado com alguma coisa, seja qual for o motivo, leio algum dos seus escritos publicados e automaticamente recupero a calma e a esperança. Num dos seus valiosos livros aparece o artefacto que hoje lhe proponho recriar. Não se trata de nada extraordinário, mas é justamente a simplicidade de base que dá valor ao barril convertido em jardineira. Pense que os morangos precisam de um bom alimento para funcionar! Não poupe no substrato e enriqueça-o com muito composto, se quiser saborear a doçura dos frutos no final da primavera.

John Seymour (1914-2004). Autor de estilo inconfundível, que se destacou pelo seu livro The Self-Sufficient Gardener, de 1978.

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ConvĂŠm que os morangos fiquem pendurados no recipiente de cultivo e nĂŁo toquem no substrato.


John Seymour foi uma personagem-chave da autossuficiência, um movimento social com uma longa história que prega a total autonomia pessoal e coletiva, desvinculando-se de qualquer apoio externo. Apesar da utopia do conceito, demasiado genérico para ser tangível, podemos aproximar-nos dele criando uma horta em casa para o autoconsumo, se possível hem carregada de morangos. A jardineira para morangos criada por Seymour tem a vantagem de ser de madeira grossa; mantém o substrato bem isolado e as raízes das plantas ficam protegidas das oscilações térmicas. Além disso, num pátio, te 11s ç<><ui jardim converte-se num elemento rústico, decorativo e funcional. Encontrar um velho barril de vinho é fácil e tem um custo muito baixo, em comparação com qualquer outro recipiente de cultivo que possa ter .1 mesma utilidade. Para o adequar, precisa de um berbequim com duas brocas, uma com 7 a 8 mm de diâmetro e outra com uns 40 mm, um pouco de cascalho e i m d e malha de arame galvanizado. Retira a tampa superior do barril e faz cinco ou seis furos de drenagem na parte inferior, com o berbequim e a broca pequena. Em seguida, faz uns 14 a 16 furos bem repartidos por toda a superfície lateral, com a broca de maior diâmetro; serão os orifícios onde vai plantar os morangos. Faz um tubo com a malha e coloca-o centrado no interior do barril: uma vez cheio de cascalho, ajudá-lo-á a distribuir bem a rega por todos os cantos do recipiente. Também convém depositar uma camada de cascalho na base interior para melhorar a drenagem. Depois de o fazer, encha-o com um bom substrato, à medida que vai pondo as plantas; na parte superior ainda pode plantar mais quatro pés.

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Que possibilidades de rega temos? Do regador clássico ao gota a gota automático, para procurar a eficiência e o conforto. disponibilidade de água para os vegetais da sua horta é um dos pontos essenciais que complementam o desenho funcional e a planificação do espaço. A terra ou o substrato são os motores das plantas, mas a água e o combustível que faz funcionar esse motor. Se a chuva não quiser fazer o trabalho, deve ser você a fazê-lo! Nas zonas onde o genuíno clima mediterrâneo faz das suas e nos oferece verões muito secos, a rega é fundamental para a sobrevivência da nossa pequena selva tropical.

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Embora a imagem de um regador nos evoque um mundo idílico que nos leva de volta à infância, o certo é que, dependendo da quantidade e das dimensões das plantas que necessitam de rega, a tarefa manual pode converter-se numa travessia pelo mais inóspito dos desertos: dura, longa e monótona. O regador é uma opção para os espaços mais pequenos com vasos e para os momentos de inspiração bucólica e familiar. As mangueiras tornam as coisas mais fáceis, mas também requerem a nossa presença. Se pretendemos ir uns dias de férias ou o trabalho não nos permite dedicar à horta todo o tempo que gostaríamos, mas queremos que as hortaliças sigam o seu ciclo, a rega automática é a solução. Dos vários sistemas existentes, o de gota a gota através de um tubo perfurado é uma das opções mas eficientes e eficazes, tanto nos cultivos em recipientes como no solo em canteiros. Em casos pontuais, pode contemplar-se a possibilidade de instalar aspersores ou de fazer uso das chamadas “mangueiras porosas”. Pequenas torneiras que permitem otimizar o sistema.

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Plante ervas aromáticas, como a lavanda ou o alecrim, que não precisam de muita água, porque estão adaptadas ao nosso bioclima.

<>tt piogrumadores facilitam ti roga e proporcionam a h u m id ad e constante à terra ou ao substrato.

f As plantas precisam de água para poder respirar e absorver os nutrientes, e tanto a falta como o excesso desta molécula no substrato podem gerar problemas. A rega converte-se na chave do cultivo em recipientes de muitas hortas urbanas, pois quanto mais pequena for a jardineira onde cultivamos mais frequentemente teremos de lhe proporcionar humidade. Por outro lado, à medida que aumenta o volume do recipiente, a humidade mantém-se durante mais horas ou dias, desde que a ação solar seja pouco notória. Ao regar, devemos ser observadores e curiosos, e arranhar a terra com o dedo para verificar se a humidade se aprofunda; as regas superficiais não são favoráveis. Durante o verão, há que evitar as horas mais quentes do dia e regar logo pela manhã ou ao cair da noite, quando a terra ou o substrato não estejam demasiado quentes. De qualquer maneira, o mais importante para gerir bem a rega é seguir com atenção as previsões meteorológicas, todos os dias, e ter bom olho para ser proativo. Se for chover amanhã, não regue hoje.

A técnica do acolchoaxnento, além de melhorar a terra ou o substrato, reduz notavelmente a evaporação. Desta forma conseguimos espaçar as regas durante o verão, ainda que não seja tão eficaz em recipientes como no solo. N a fotografia pode ver um canteiro fértil com cultura de batatas, acolchoado com folhas de^faia.

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A fertilidade da terra Cinco passos imprescindíveis para desfrutar de uma terra sã, fértil e equilibrada em nutrientes.

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ual é o ciclo favorável da fertilidade? Para que tenha uma ideia clara sobre isto, visualize por um momento a imagem de um bosque. Como bom horticultor que vai ser, o ciclo que deverá escolher baseia-se na imitação à escala doméstica dos processos naturais que têm lugar num bosque, onde as folhas e parte dos frutos que caem das árvores e dos arbustos se integram na terra sob a forma de matéria orgânica. Esta mesma matéria, por sua vez, humidifica e converte-se em alimento e foco de atração para os vermes da terra e outros animais, que libertam nutriente:; através dos seus excrementos, e mantêm a estabilidade e a boa estrutura da camada superficial. Nunca se esqueça de que a terra fértil é apenas isso, uma camada fina e superficial de matéria, mas tão valiosa que deve considerá-la sagrada. Ao fim e ao cabo, a vida no nosso planeta é possível graças a ela. Tal como dizia o sábio filósofo Rudolf Steiner, “uma terra saudável produz alimentos saudáveis, e os alimentos saudáveis, por sua vez, mentes saudáveis”. Nuances e visões à parte, o que deve procurar é dar alimento ao substrato de cultivo, e não às plantas cultivadas. As plantas terão tudo o que necessitam para crescer saudáveis e fortes, se antes você tiver feito bem o trabalho. O que distingue o bosque do seu jardim comestível é que, em casa, seja em vaso, jardineira ou qualquer outro meio de cultivo, pode intervir e, portanto, melhorar a qualidade da terra. Isto é evidente quando se trata de recipientes, uma vez que é você quem cria a mistura de componentes que formam o substrato. No entanto, se cultivar diretamente no solo, em canteiros, deve saber que até os terrenos mais duros, compactos e pobres podem converter-se num oásis de vida permanente. A terra do seu terreno será, finalmente, como você quiser que seja, e os cinco passos que se seguem são as diretrizes essenciais que lhe posso oferecer depois de ter experimentado mil teorias na horta de minha casa. Adapte-os como puder e quiser, mas integre-os, quer viva numa cidade ou num ambiente rural. Alguns dos passos, como a rotação ou o acolchoamento, não têm muito sentido se cultivar em recipientes, mas se o fizer no solo não salte nenhum, uma vez que todos são imprescindíveis.

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Trabalhar com a Lua: o poder das influências cósmicas chega a todo o lado, até às alfaces! Quando comecei o meu projeto de horta, estava aberto e recetivo a qualquer ideia, desde que fosse respeitadora do meio ambiente. Para quê ter preconceitos, se ainda não tinha posto em prática nenhuma teoria? Por sorte, as minhas aventuras botânicas noutros terrenos, como o dos cogumelos, ajudaram-me na hora de juntar as peças e relacionar conceitos. Qualquer pessoa que tenha dedicado parte da sua vida a observar a natureza sabe que os astros modulam todo o tipo de energias e radiações, que acabam por se repercutir subtilmente em todos e cada um dos seres vivos que habitam o planeta. Não é necessário ter fé nas grandes teorias astronómicas; basta observar e tomar nota.

Pod«m ooinoidlr as luas descendente e orescente? Claro I Costumamos confundir a lua ascendente com a crescente, e a lua descendente com a minguante, mas trata-se de dois fenómenos que não têm nada a ver um com o outro. A Lua cresce no período compreendido entre a lua nova e a lua cheia, e faz aumentar progressivamente a vitalidade das plantas; é minguante entre a lua cheia e a nova do ciclo seguinte, e então diminui a vitalidade mas faz aumentar as propriedades nutritivas e de frutificação. Este ciclo tem uma duração aproximada de 29 dias e meio, e é o mais evidente à vista desarmada. Por outro lado, o movimento ascendente e descendente tem a ver com a posição da Lua no céu, mais alta ou mais baixa, durante os pouco mais de 27 dias que dura o processo, chamado “revolução sideral lunar”. A lua descendente faz com que a atividade das plantas se concentre mais na parte subterrânea, as raízes; ao passo que a lua ascendente, pelo contrário, concentra energias na parte aérea, da superfície de cultivo para cima.

Deve evitar que as constelações e os signos do zodíaco, as revoluções lunares, os apogeus e perigeus, e os aspectos planetários lhe compliquem a vida. Com o tempo comprovei que trabalhar com a Lua é apenas um dos muitos parâmetros que o bom jardineiro deve seguir. Se a melhor noite para plantar cebolas coincidir com um jantar com o seu par, confie em mim, vá jantar! As cebolas compreenderão que só as plante amanhã.

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Para semear, transplantar, podar e acrescentar composto ou acolchoamentos no solo: Lua descendente e crescente ao mesmo tempo (períodos secos), ou lua descendente e minguante ao mesmo tempo (períodos húmidos). Nas zona» costeiras, os períodos secos costumam coincidir com o inverno e o verão, e os períodos húmidos são habituais durante a primavera e o outono. Polo contrário, nalgumas zonas montanhosas, o verão é bastante húmido. Para aplicar tratamentos preventivos e ecológicos nas plantas: Se for possível, leve a cabo esta tarefa durante a manhã, faça coincidir a lua ascendente com a minguante e evite, se possível, os signos de fogo (Carneiro, Leão; Sagitário). Dias em que não convém trabalhar a terra, semear nem colher: Coincidem com os nós ou o perigeu, e a experiência pessoal fez-me ver que as supostas influências negativas e as perturbações que se lhes atribuem são certas. Se colher uma batata, vai-se logo estropiar, e se semear ervilhas vã custar a germinar. Para a imensa maioria dos mortais, conhecer todos estes parâmetros cósmicos é quase uma utopia. Mas acalme-se e ponha-se confortável, porque há todo o tipo de sábios no mundo, e alguns deles decidiram pavimentar-lhe o caminho para o céu. Pode encomendar em qualquer livraria online o Calendrier Lunaire, de Michel Gros, ou o The Biodynamic Sowlng and Planting Calendar que Maria Thun publica há meio século. Em Portugal, temos também o muito popular Borda d’Água. De hoje em diante serão os calendários anuais que marcarão a sua agenda ecológica diária! \ . ,

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folka.ge.irvi são ctuas boas opçoes para a co le k o a r e proteger a terra, -


O acolchoamento: muito mais do que uma camada protetora e nutritiva É aqui que se torna mais evidente o plágio descarado que fazemos da natureza. Naquele bosque imaginário que tem em mente, as árvores e os arbustos perdem folhas e frutos que, uma vez no solo, acabam por se transformar em húmus e vida regenerada. Infelizmente, a sua pequena horta não é exatamente um bosque, e torna-se necessária a intervenção humana para simular o efeito desejado. Ao fim e ao cabo, acolchoar não é mais do que cobrir a superfície de cultivo com uma camada de matéria, normalmente orgânica, com uns io a 12 cm de grossura. Pode usar palha, folhas secas (tendo em conta que as folhas de faia, pinho e outras coníferas acidificam o substrato), ramos e restos de poda bem desfiados, relva cortada, aparas de casca de árvore... Olhe à sua volta e utilize o que tiver ao seu alcance. No meu caso, uma vez que vivo rodeado de campos de trigo e azinheiras, uso palha e folhas que colho à volta da casa. Se viver ooooooooooooooooooooooooooooooooooooo000000 num ambiente urbano, faça-se amigo de um jardineiro para que lhe ofereça Três exceções que confirmam a regra relva cortada, ou aplique uma 1. Nas semeaduras diretas, as camada fina de composto com uns sementes precisam da terra despida 2 cm de grossura. e bem exposta à luz. Nestes casou, tm O trabalho que poupa com o acolchoamento Facilitar-lhe o trabalho é a sua principal vantagem. Oferece nutrientes e sombra à terra que protege, e limita a germinação de ervas espontâneas, a evaporação de água e o impacto da radiação solar direta sobre o substrato. Melhora a estrutura do solo, evita que se compacte e, se procurarmos repor o acolchoamento com constância, conseguiremos um substrato esponjoso que lhe poupará trabalho. Ele faz com que os pequenos organismos que degradam a matéria orgânica e produzem nutrientes, especialmente bactérias e vermes, possam instalar-se na terra e contribuam para a boa saúde do ciclo favorável da fertilidade.

quiser acolchoar, terá de fazê-lo quando as plantas tiverem alcançado uns quantos centímetros de altura.

2. Em zonas de chuvas fracas e escassas, se não se dispuser de um bom sistema de rega, as poucas precipitações que caem apenas humedecem o acolchoado orgânico, sem chegar a penetrar no substrato. Se for 0 seu caso, tente acolchoá-lo com pedras com uns 25 a 35 cm de diâmetro. Proporcionam humidade e sombra à terra que protegem. 3 . Nas zonas montanhosas mais frias e húmidas, convém que a radiação solar possa aquecer a terra de cultivo. Prescindiremos do acolchoamento, sobretudo no que se refere às culturas de verão de origem tropical, como o tomate ou os pimentos.

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Se cultivar em vasos, jardineiras ou qualquer outro tipo de recipiente, as rotações de c u ltu ras não são viáveis e apenas poderá fazer uso das associações favoráveis que explico nas páginas seguintes. # V

A rotação: o equilíbrio de que as suas hortaliças necessitam Sc cultivar diretamente no solo, em canteiros, as rotações são o sistema ideal para 111■ ini(' r o equilíbrio dos nutrientes e limitar a aparição de ervas adventícias ■ - l» uilãneas, além de evitar possíveis pragas de insetos, já que, se não se repetir uma ciillum num mesmo espaço enquanto não tiverem passado vários anos, esses .munais não se podem estabelecer com conforto, de maneira que vão para outro lado c não causam grandes inconvenientes. Teoricamente, numa rotação perfeita, deveria tcnlar não cultivar sucessivamente plantas que pertençam à mesma família botânica, mas numa horta familiar isto pode converter-se numa odisseia, uma vez que existem muitas famílias e é difícil encontrar a combinação mais adequada. Desde as solanáceas (tomate, pimento, beringela, batata) até às umbelíferas (cenoura, aipo, cherovia), passando pelas cucurbitáceas (abóbora, curgete, pepino, melão, melancia), pelas liliáceas (alho, cebola, alho-francês, espargo), pelas crucíferas (couve, couve-flor, brócolos, nabo, rabanete), pelas compostas (alface, escarola, alcachofra), pelas leguminosas (fava, ervilha, feijão) ou pelas quenopodiáceas (espinafre, acelga, beterraba). Demasiado complicado para tomá-lo possível! I m c asa decidimos simplificar para não enlouquecer. Fizemos uma rotação de quatro anos, baseando-nos mais nas necessidades nutritivas das plantas do que em qualquer ou Iro parâmetro. Até ao momento tem funcionado; toda a gente vive em paz e harmonia. Nós, as plantas e os animaizinhos que vêm comer. Se no lugar de quatro canteiros tiver oito, dedique dois a cada grupo de plantas, e se tiver i6, quatro a cada um. O mais importante é considerar quatro grupos de base, já que o ciclo é quadrienal.

Ano 1

Canteiro 1 Muito exigentes

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Pouco exigentes

E x ig ê n c ia m é d ia

C u ltu ra s m e lh o ra d o ra s

Po u co e x ig e n te s

E x ig ê n c ia m é d ia

Canteiro Z Culturas melhoradoras Muito exigentes Canteiro 3 Exigência média

Culturas melhoradoras Muito exigentes

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Canteiro 4

Exigência média

Multo exigentes

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Pouco exigentes

C u ltu ra s m e lh o ra d o ra s


Aqui tem uma classificação das plantas do seu jardim comestível, segundo as suas necessidades de fertilizante. Adapte a rotação das culturas ao seu espaço, segundo esta proposta; comece o ciclo oferecendo grandes quantidades de composto ao primeiro grupo e, sobretudo, não se preocupe demasiado, porque se for um bom ano para o tomate, comerá tomate!

grupo plantas que, pelo facto do serem plurianuais (morango, alcachofra, espargo, ervas aromáticas como o alecrim, a lavanda ou a salva...), não se podom incluir na rotação anual.

Hortaliças muito exigentes em nutrientes: tomate, pimento, beringela, batata, melão, melancia, abóbora, curgete, pepino, milho.

Culturas mellioradoras que oferecem nitrogénio ao substrato: todas as leguminosas, quer sejam favas, ervilhas, feijão verde, feijão, lentilhas, grão, amendoins e soja. Também pertencem a este grupo outras culturas de fertilizante verde, como o trevo, o confrei, o centeio ou a alfafa.

Hortaliças de exigência média: acelga, espinafre, cherovia, beterraba, aipo, couve, couve-flor, brócolos. Também pertencem a este

Hortaliças pouco exigentes: alho, cebola, alho-francês, rabanete, canónigos, cenoura, nabo, alface, escarola.

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A associação de produções: à procura da relação perfeita, seja um par, trio ou orgia de plantas Na sua horta biológica, as plantas que cultiva vivem em contínua interação entre elas por uma razão evidente: a proximidade. Num espaço de dimensões limitadas, pode agrupar facilmente mais de 40 ou 50 espécies com necessidades e características variadas, e a convivência nem sempre é fácil. Há plantas que se ajudam quando estão em contacto, outras que vivem em concorrência direta e se picjudicam mutuamente, e outras que se mostram indiferentes. Nos melhores casos, a associação de produções e a combinação de hortaliças e ervas aromáticas Ina mitem afastar alguns insetos indesejados, criando um ambiente confuso de chciios e cores que não os favorece. Este seria o caso da cebola, que é capaz de icpclii a mosca da cenoura, ou o do manjericão, que evita a proliferação do pulgão nos lomateiros e nos pimenteiros. I)uas ou mais plantas também podem agradecer a companhia mútua, pela simples questão do aproveitamento de recursos, quer sejam nutrientes, luz ou água. Este seria o caso do famoso trio formado pelo milho, feijão e abóbora. No caso das hortaliças de folha grande, como a couve ou a couve-flor, podemos aproveitar o espaço próximo para plantar favas, ervilhas ou feijões; as leguminosas oferecerão o nitrogénio de que as suas companheiras necessitam para produzir folhas saudáveis e enérgicas. Por outro lado, quando juntamos plantas de diferentes dimensões, temos de ter em conta os seus ciclos de crescimento para otimizar o espaço: plantas de ciclo curto, como o rabanete, a rúcula, o nabo ou a alface podem npmveitar os espaços livres deixados pelas plantas de ciclo longo (tomate, couve, brócolos, fava...), durante as primeiras etapas do seu crescimento. Se tivermos em conta que, em função da zona, da variedade da planta cultivada ou do tipo de substrato podem existir variações, recomendo-lhe a experimentação como método .1 seguir. Proponho-lhe também algumas das combinações com sucesso que pude tentar na horta da minha casa...

Em geral, quando se faz uma horta em recipientes, as plantas incompatíveis que não convém cultivar juntas ~ são as que pertencem à mesma botânica. Há também algumas associações desfavoráveis que convém ter presente: o alho-francês não convive bem com nenhuma leguminosa, a batata detesta partilhar o espaço vital com o pepino ou o tomate, e o feijão não quer cebolas nem alhos ao seu redor. ^ r 08

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Em casa, costumamos plantar feijão, milho e abóbora no mesmo canteiro. Os bons agricultores aproveitaram esta famosa simbiose, desde há séculos, para beneficiar as culturas. O feijão fornece nitrogénio à terra, o milho serve de tutor ao feijão, e as abóboras revestem o solo e mantêm a humidade do substrato graças à sombra que proporcionam. Se não tivermos espaço suficiente, plantamos curgetes.

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Uma amizade para toda a vida! Oh vermes da terra, humildes minhocas que a agricultura mecanizada e convencional desprezou durante décadas, são os verdadeiros jardineiros acolchoam es° ondldos na camada inferior do substrato, debaixo do ucolchoamento e dos primeiros centímetros férteis. Se cuidar deles P£porclonando-lhes matéria orgânica e humidade, poup^-m e 1 L e f a a P0UC0 gratas como lavrar ou usar máquinas pesadas. Para tratar da er Pa como ela m«rece, não deve nunca ará-la nem removê-la demasiado muito menos esmiuçd-la até extremos Imprevisto” 0 ^ 7 ^ d“ ’

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E, por Am, ter bons amigos debaixo da terra! O último passo para sermos fiéis ao nosso modelo de natureza é deixar que todos os processos favoráveis que levámos a cabo no terreno se vão integrando sem intervenção humana. Chegado a este ponto, já não é você quem vai continuar a trabalhar. Deve pensar que num pedaço de terra fértil vivem milhões de microrganismos, sejam fungos ou bactérias, e também um bom bando de macrorganismos, como os vermes da terra, os ácaros, os colêmbolos ou os nemátodos. Os vermes da terra são os mais conhecidos, mas todos contribuem para a regeneração e a restauração da vida, e para o equilíbr io do solo. Na verdade, o popular húmus de minhoca que se vende em sacos nas lojas não é mais do que um monte de excrementos nutritivos do veimr em questão: neste caso trata-se de excrementos de minhoca da temi americana, e não autóctone, mas para o caso é indiferente. Por isso, se )â tiver vermes no solo do seu jardim, vai poupar uma despesa. I.embro llir que em vasos ou jardineiras, as regras do jogo são diferentes pelo uinplrn facto de o substrato ser limitado e os nutrientes se irem esgotando, neste caso, é você quem deve reequilibrar o meio de cultivo, aplicando o lininus ou o composto necessário. Para que não existam interferências no processo, nem se maltratem e s s e s seres musculosos, deve procurar que a terra onde cultiva seja uma e s p é c ie de santuário. Não tem de a lavrar, nem pisar - aqui está mais uma virtude dos canteiros férteis -, nem revolver. Deve manter-se intacta a ordem das camadas, e é totalmente proibido o uso do motocultivador e de outros aparelhos mecânicos agressivos. Se ao iniciar o seu projeto de horta lhe parecer que a terra está demasiado argilosa, ou demasiado compacta, não se preocupe! Cubra-a toda com um ou dois palmos de matéria orgânica, regue-a de vez em quando e espere pacientemente. Alguns meses mais tarde, quando tudo se tiver integrado, o seu substrato terá ganhado muitos pontos e, mais importante ainda, terá uma textura mais esponjosa!

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Terras, ferramentas e fertilizantes Se adubar bem a terra, vai precisar de poucas ferramentas! s ferramentas que mais vão trabalhar na horta biológica são as suas mãos. Que sensação tão reconfortante e telúrica é apalpar a terra e <li'M li regar as más vibrações para se tornar a ligar com a essência da vida! Nno estou a brincar, nem pretendo situar-me num plano bucólico e 11.11!•icendental. As coisas são como são. Tocar na terra com as mãos ou eslnielá-la com suavidade são das ações mais relaxantes e, ao mesmo tempo, revigorantes que pode vir a experimentar, em corpo e alma. É o clímax da simplicidade que o jardim comestível lhe oferece. É um tema relativo às origens, ancestral, que faz parte da condição humana. No caso de uma pequena horta de cidade em recipientes, com as mãos, uma pá e um pequeno ancinho, umas luvas simples e umas tesouras de podar, terá um bom sortido de ferramentas. Bom, e mais uma coisa, um pincel! Sabe para que vai precisar dele? Para polinizar manualmente algumas hortaliças. Mas já lhe contarei isto no capítulo em que vai descobrir o sexo das plantas. càida tipo de terra tem virtudes e carências, sobretudo se contemplarmos as suas capacidades para o cultivo de hortaliças, e é preciso melhorá-la paia fomentar ao máximo a fertilidade. No contexto da natureza selvagem, polo contrário, todas as terras são únicas e maravilhosas, sejam mais ou monos minerais, tenham mais ou menos conteúdo orgânico, e muitas vozes acolhem plantas e organismos adaptados às suas características. Na horta biológica, pelo contrário, o húmus tem de ser uma parte indispensável da sua composição, e se faltar, deve incentivá-lo.

Se fizermos a horta em vasos, jardineiras ou outros recipientes, usaremos sempre um bom substrato de cultivo, seja qual for a hortaliça que cultivarmos, com uma proporção elevada de composto e outros elementos orgânicos.

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Terra argilosa: substrato calcário ' muito compacto... “para melhorar as suas propriedades, deve acrescentar cascalho de granito decomposto e muita matéria /A orgânica. Terra da sua hort d eve ser um substrato equilibrado que contenha elemenb orgânicos e minerais. A


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Deve ter em conta que nem todos os fertilizantes orgânicos são iguais. Para começar, convém saber que se dividem em dois grandes grupos... Resíduos orgânicos frescos, não oompostados: deitam maus cheiros porque nào acabaram de se (logradar. Quando os aplicamos no nutJHtrato de cultivo, libertam os nutrientes muito rapidamente e, portanto, o seu efeito é benéfico a curto prazo. Além disso, nem todas as plantas os toleram, e só são propícias para as culturas muito exigentes em nutrientes, como as solanáceas (tomate, pimento,

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beringela, batata), as cucurbitáceas (abóbora, curgete, melão, melancia, pepino) ou o milho. Resíduos orgânicos maduros, compostados: cheiram sempre bem, já que o processo de fermentação está completo. Podem ser restos de alimentos ou do jardim, qualquer tipo de estrume (galinha, cavalo, vaca, ovelha...) ou húmus de minhoca, que ao fim e ao cabo nãn deixa de ser estrume. É o fertilizante mais recomendado como base nutritiva equilibrada para o substrato. O seu efeito é duradouro e geram vida, além de melhorar a estrutura e a retenção de água.


Vai precisar de canas ou outro tipo de tutores, como as redes sintéticas de cor verde que se vendem nos centros de jardinagem, para empar pepinos e algumas variedades de tomate, ervilha e feijão. Pense nisso!

Além das ferramentas citadas, se pretender remover grandes quantidades de matéria, convém ter um empilhador e também um cesto para se entreter a arrancar ervas adventícias espontâneas ou fazer pequenos transvases do substrato e composto. Já que falamos de composto, pense no compostoi! Encontrará vários tipos e medidas, e também pode construir um poi si Se tiver espaço suficiente, um compostor com i m3de volume (i m de laigwin x i m de comprimento x i m de altura) facilita a dinâmica do procev:», iiimla que possa conseguir compostar até num caixote. Se tiver espaço paia In ..... compostor de i m ‘, qniilio <•••!••« •n <••1 <x><>o<><><><x><x><x><x>o<x><><><x>^^ madeira servirão de puirdes bnsr para começar a desenha lo. I O melhor substrato para cultivar qualquer maneira, maia ailiaiili' dmr i em vasos e jardineiras algumas diretrizes sol nr a A opção mais recomendada para que compostagem. Por agoia nau pentir as suas hortaliças cresçam saudáveis nisto, pegue no plantadoi ecom n r e fortes, na sua varanda ou no seu a semear as suas primeiras seipnitrs terraço, é fazer uma mistura com uns 25% de composto, se possivel elaborado em casa, uns 70% de fibra de coco ou casca de pinheiro compostada, e uns 5% de elemento mineral, com preferência pelo cascalho de granito decomposto, muito usado na jardinagem. Nas lojas especializadas, encontrará substratos preparados para o cultivo de hortaliças. Se comprar, náo se fie demasiado e acrescente um pouco de composto para evitar carências nutritivas. Em qualquer caso, a textura esponjosa e o bom cheiro, semelhante ao da terra de bosque humidificada, devem ser duas propriedades do substrato definitivo.

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0 que poggQM «■ p la n t a r ? 1 0 que quiser! Hortaliças, ervas aromáticas medicinais, flores comestíveis... Uma viagem 7lã| | semeadura à colheita, com tudo o que procl.Ma| |d e saber para saborear este processo mágico] Sobretudo, sempre que for possível, procnrr 1 cultivar variedades locais. Estará a fazer um I favor ao seu território e, por arrasto, à, natureza I


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Um jardim de hortaliças Apresento-lhe algumas das espécies hortícolas que pode fazer crescer no seu jardim comestível. Com um catálogo de possibilidades muito extenso e centenas de variedades disponíveis, convém que pense muito bem em como fazer a seleção, tendo em conta as suas preferências, o espaço disponível e a planificação do calendário de semeaduras e colheitas. Deve tentar conseguir uma produção de alimentos variada e escalonada que lhe permita consumir produtos frescos durante todo o ano, se o clima da sua zona o permitir, claro está. Caso contrário, trata-se de otimizar ao máximo o período de cultivo e consumir hortaliças que se conservem bem na despensa durante as semanas em que a horta não dê frutos, como poi exemplo, cebola seca, abóbora, batatas, melões ou tomate de pendm .u Conheço muitos horticultores que relacionam a horta com o veiao, <• ivh > é um grande erro, porque durante o inverno, em boa parte das zonas climáticas, podemos desfrutar de suculentos brócolos, couves, couve. Ilm, alhos-franceses, alhos tenros, canónigos, espinafres... Talvez essa associação mental errada provenha do desconhecimento, ou dos desejos viscerais de plantar quando chega a primavera, muito mais evidentes do que em qualquer outra época do ano. No entanto, o pequeno esforço da constância é muito gratificante, porque as tarefas de manutenção do jardim comestível são mínimas durante os meses mais frios do ano, e a horta converte-se numa despensa ao ar livre, que se mantém estável devido à paragem biológica de inverno. Só tem de fazer os deveres a tempo para dar às plantas as semanas de bonança de que necessitam para se desenvolverem, seja a produzir folhas, flores, frutos ou raízes. Por exemplo, se quiser brócolos bem formados em janeiro, procure plantá-los entre agosto e setembro; se fizer a semeadura desde a semente, ainda tem de antecipar mais e começar o processo de cultivo entre maio e junho. Nesta fase, na qual vai decidir o que vai plantar, uma boa planificação vai poupá-lo a muitas dores de cabeça. Pegue em papel e lápis, e faça uma lista do que quer plantar, tendo em conta o que lhe tenho contado e o que vou explicar nas próximas páginas. Se quiser manter-se fiel à sustentabilidade, aposte forte na variedade, e não tanto na quantidade. 81


As abóboras conservam-se frescas ao longo de todo o inverno, num lugar fresco da oasa. Existem em muitas variedades, mas as de tamanho pequeno, como a abóbora-menina da fotografia, são perfeitas para armazenar, já que gastamos uma abóbora em cada refeição.


Abóbora Nome científico: Cucurbita maxim a / moschat

Conhecida nalguns lugares como abóbora de inverno, inclui diferentes espécies e variedades que têm em comum a época de colheita, o outono, sendo uma cultura indispensável se quisermos saborear o seu creme nutritivo ou a deliciosa abóbora no forno nos meses frios do ano, e aproveitar também o seu poder antioxidante e vitamínico. Se a cultivar num terreno ou jardim, aproveite uma das bordas, onde encontrará o espaço de que a abóbora necessita para crescer com conforto. Se quiser cultivá-la em recipientes, faça-o em jardineiras ou mesas de cultivo que tenham, no mínimo, uns 70 ou 801 de bom substrato. Cada aboboreira costuma produzir entre uma e uma dúzia de abóboras, sobretudo em função do tamanho dos seus frutos; quanto mais pequenos forem, maior a quantidade que produz. Com exigências semelhantes às da curgete, do melão ou da melancia, requer uma terra fértil com grande disponibilidade de nutrientes, muita água e luz abundante, em especial durante as primeiras semanas do ciclo de cultivo. Convém aproveitar a sua associação favorável com o feijão, que lhe fornece parte do nitrogénio que a sua grande massa foliar consome, ainda que também possamos limitá-la um pouco através de podas periódicas dos brotos secundários, depois de os primeiros frutos terem rebentado. A semeadura da semente pode fazer-se diretamente no lugar definitivo onde queremos que cresça, com uma separação entre plantas de aproximadamente 1 m.

As aboboreiras precisam de muito espaço para se estenderem ou de tutores para trepar.

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Aipo Nome científico: Apium graveolens

I>;i mesma família que a cenoura, o aipo oigânico é um anticancerígeno potente, i iro em vitamina C e ácido fólico, que converte as saladas de outono-inverno mima iguaria celestial. Ao consumi-lo em caldo ou creme, por exemplo, perde uma boa parte do seu poder vitamínico, embora conserve os minerais e os óleos essenciais. Pessoalmente, recomendo que o consuma em saladas e sem branquear. Talvez saiba que é uma das verduras que tradicionalmente se protege uns dias da luz solar para as branquear, mas o verde da clorofila é tão nutritivo e saudável que convém não o desaproveitar. Precisa de uma terra muito húmida para poder crescer energicamente, agradece as temperaturas frescas, resiste às geadas quando já está crescido e o outono é a melhor época para o seu desenvolvimento. Pode lançar a semente, tendo em conta que todas as plantas desta família, as umbelíferas, germinam lentamente. Ao cabo de uns dois meses já terá a muda preparada para ser transplantada para o lugar definitivo. Tenha picsente que, para o consumo familiar, bastam quatro ou cinco aipos plantados a uns dois palmos de distância entre si. Em casa, ao contrário dos cultivos comerciais, pode ir colhendo folhas de aipo à medida que precise; assim permite que a planta vá produzindo durante toda a temporada.

Se v ir que o arbusto dá flores prematuras, corte os talos florais e deixe que continue a criar folhas novas, como se nada se tivesse passado. Para manter o pulgão afastado, plante aipos perto das alfaces e dos alhos-franceses.

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Alcachofra Nom e científico: Cynara scolymus

A alcachofra é uma planta perene, de cultivo plurianual, que, bem cuidada e com um pouco de sorte, lhe pode oferecer as suas preciosas flores durante seis ou sete anos, ainda que os cultivos comerciais apenas lhe alonguem a vida até aos três, porque a partir desse momento a sua produção vai diminuindo progressivamente. Estreitamente relacionada com o cardo, é uma planta vigorosa que precisa de bastante espaço no solo, caso seja cultivada em jardim, ou de recipientes com um grande volume do substrato, como, por exemplo, as paletes recicladas ou as caixas Combox. Convém que a separação entre as plantas seja de uns 6o cm, e podemos fazer a reprodução através da semente - é recomendável plantar mudas de viveiro, onde pode encontrá-las em bandejas apropriadas para a germinação - ou por divisão de plantas adultas. Esta segunda opção vai sei a que levará a cabo a partir do segundo ano de cultivo, para replantar alguns rebentos ou estacas que terão nascido da planta velha, e deixar um par no seu lugar. Cada rebento dá uma alcachofra principal e depois aparecem algumas laterais, cada vez mais pequenas. Para manter uma boa produção, faça uma nova introdução de composto a partir da terceira alcachofra. Colhida no momento ideal, quando é pequena e tenra, a alcachofra pode ser consumida praticamente inteira. À medida que a flor se torna maior, as folhas vão endurecendo, até ao ponto em que a única parte comestível passa a ser a base e o coração, logo antes de se abrir numa magnífica explosão de tons de violeta. Em qualquer caso, se quiser comer boas alcachofras, colha-as bastante jovens, cortando o talo uns 2 ou 3 cm abaixo.

Nas zonas 1 e 2, as alcachofras tomam conta da horta durante os meses de inverno e primavera, mas à medida que nos deslocamos para as terras do interior e de montanha, mais frias, o seu ciclo produtivo fica compreendido entre a primavera e o verão.


Alface Nom e científico: Lactuca sativa '

Nas zonas mais frias do país podemos ter alfaces frescas todo o ano. De cultivo fácil, tanto se pode plantar diretamente no solo como em recipientes. Quando planificar a sua horta, se for para consumo familiar, deve ser prudente e não plantar mais do que uma dúzia de alfaces de uma vez só. O que procuramos com a alface é uma colheita escalonada, e isso significa, por exemplo, plantar io ou 12 de três em três semanas, e não 50 no mesmo dia. Existem tantas variedades de forma, tamanho, A endívia (Chicorium endiuíu) <• cor e sabor, que uma vida inteira não chegaria da mesma família da alfiu para prová-las todas. Em minha casa, as que mas não suPorl11 nri temperaturas elevudiri tem mais exito são a maravilha-das-quatro-estações, a lisa, a folha de carvalho, a romana e a trocadero, mas é uma questão totalmente subjetiva. Recomendo-lhe que plante tantas variedades quanto possa e que as escolha em função do resultado obtido e das suas preferências pessoais. No caso da endívia, que para muitos não deixa de ser uma alface de montanha, ainda que de outra espécie, as suas folhas alimentam-nos até ao final do outono e durante o inverno, altura em que as alfaces têm dificultades para crescer nos territórios mais frios. Tirando a sua pouca resistência ao calor, o resto dos parâmetros de cultivo são os mesmos da alface.

Se tiver pouco espaço e quiser plantar alfaces em vasos, pode ir colhendo as folhas maiores, sem ser preciso cortar a alface inteira, fazer uma colheita escalonada e proèurar que a planta continue a brotar e a produzir. .

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Nome científico:

Não deixe de plantar alhos! É uma das iguarias da sua horta biológica que possui mais propriedades medicinais: reduz o colesterol mau, é •mlicancerígeno, reforça o sistema imunitário... Uma vasta lista de virtudes (l,l(' convém incluir na sua dieta diária. Os dentes de alho semeiam-se com duas finalidades. A primeira, e mais rápida, é consumir os alhos tenros, deliciosos, antes que o bolbo comece a engordar. A segunda é deixar completar o processo de formação do bolbo, com a correspondente divisão em dentes, e colhê-lo seco para o guardar e usar como alimento ou condimento. Existem dois grupos de alhos, os brancos e os roxos, com diversas variedades em cada grupo. Todos seguem o mesmo processo, mas os brancos são melhores para guardar, uma vez que se conservam durante mais tempo, e os roxos para serem consumidos tenros. I. uma planta gratificante, pouco exigente em água e nutrientes. Se a cultivarmos com a intenção de consumir os alhos tenros, podemos semear os dentes muito juntos para aproveitar melhor o espaço. Por outro lado, com a chegada do calor, logo antes de colher os bolbos para secar, é Irequente a aparição do talo floral. Se isto lhe acontecer, corte-o mas não o deito fora! O talo que dá a flor é delicioso e vale a pena levá-lo para a cozinha!


Alho-francês Nom e científico:

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Pertence à família das liliáceas, como o alho e a cebola. Protege de doenças cardiovasculares, e dá corpo a sopas e cremes tão delicados e saborosos como a porrusalda ou a vichyssoise. Desenvolve-se muito melhor nas zonas e períodos frios e húmidos, escapando ao calor do verão em todos os âmbitos de influência mediterrânea e continental marcada. Na zona 4, concentrada nos lugares montanhosos mais frescos, podemos considerá-lo uma cultura de verão, mas no resto das zonas recomendo que aproveite o outono e o inverno se quiser tirar o máximo proveito. Em minha casa plantamos uma vez por ano e a colheita estende-se escalonadamente durante vários meses. Fazemos a semeadura em qualquet vaso ou canto de terra, por volta de abril ou maio, e ao cabo de dois meses e meio tratamos de transplantar os pequenos alhos-franceses para a sua localização definitiva, que habitualmente é um dos canteiros destinados às culturas de outono-inverno. Transplantamos entre 150 e 200 alhos-franceses, suficientes para abastecer um agregado familiar de três ou quatro pessoas durante um ano, e começamos a colher a partir de outubro ou novembro, conforme evoluírem as chuvas e as temperaturas. O alho-francês, depois de ter crescido, resiste a todas as geadas da época fria e mantém-se intacto, de modo que a terra da horta se converte numa verdadeira despensa ao ar livre. Vamos recolhendo os alhos-franceses até ao mês de março, altura em que arrancamos os que sobram para evitar que se espiguem com a primavera, congelando-os em pedaços, por cozinhar, para continuar a apreciá-los durante o verão. Além disso, com um bom acolchoamento poupa a tarefa de os calçar, porque dispõem de profundidade suficiente para o branqueamento da parte mais tenra. Mas não deite fora as folhas verdes e duras! Aproveite-as como condimento para caldos e sopas, por exemplo.

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Poderia alimentar-se apenas de batatas e teria uma boa saúde, mas convém saber que as partes emergentes da planta, como as folhas, o talo, as flores... são tóxicas! A ingestão da solanina que ela contém é muito perigosa e pode provocar a morte. A planta da batata tem, portanto, algumas surpreendentes particularidades.


Batata Nom e científico: Solanum tuberosum

É uma das iguarias mais antigas, nutritivas e valiosas que o ser humano utiliza como base da sua alimentação desde tempos imemoriais. Proveniente da América do Sul, é uma cultura imprescindível se tiver espaço suficiente, só dispensável em varandas e terraços muito pequenos. É muito mais fácil produzir batatas diretamente no solo, em canteiros férteis, mas também admitem recipientes. Esta segunda opção é muito interessante para os jiudins mais pequenos, e requer um recipiente profundo, como por exemplo um bidão ou uma palete de fruta reaproveitada. Deposita-se uma camada rmn uns 30 cm de bom substrato e planta-se a semente. À medida que vai crescendo e gerando folhas, vamos acrescentando progressivnmento mais substrato, forçando a planta a crescer verticalmente e a criar raízes btmi profundas. Quando a massa vegetal secar, esvaziamos o conteúdo e lemnn uma a surpresa: a partir de duas ou três batatas iniciais obteremos uns I..... quilos. Em matéria de batata, ao falar da semente referimo-nos aos exemplitirs d< batata que deixamos germinar para serem usados como semente, Ou sejn, não se trata de uma reprodução sexual, mas de uma muda da própria planta que gera uma nova. Na verdade, as bal atas não são raízes, mas sim a parte gioss.i d<1 talo subterrâneo! O método mais simplificado de cultivo no solo consiste em plantá-las em trincheiras debaixo de uma camada com uns 10 cm de composto ou estrume, mais um acolchoamento de palha na superfície, tal como pode ver na fotografia. Quando tiver de escolher variedades, descobrirá um incrível muni li > de formas, cores, sabores e texturas de

A verdura da planta da batata nu etapa de crescimento, quando ainda não formou os tubérculos

9:


Pouco antes de o fruto crescer, poderá contemplar a sua bonita flor de tons violeta.

Nome científico: Solanum melongena

Amante do sol e do calor, chegou à Península com os árabes durante a Idade Média, proveniente do continente asiático. Desde então, converteu-se numa das culturas mediterrâneas por excelência. Ainda que não se trate de uma hortaliça com grandes propriedades nutritivas, o seu sabor característico tornou-a merecedora de um lugar privilegiado nas cozinhas dos países onde se cultiva: desde a musaka grega ao ratatouille francês, passando pela escalivada catalã ou o tombet das Baleares. Diferentes nomes para se referir a pratos muito semelhantes, nos quais a beringela é a protagonista. Precisa de terra muito fértil, húmida e carregada de nutrientes, e no cultivo em recipientes é preciso ser generoso com o composto. Se formos podando a planta à medida que cresce, favorecemos a formação e o crescimento dos seus frutos. Para colher as beringelas, é preciso cortá-las com as tesouras de podar, sem esperar que tenham crescido e amadurecido ao máximo, evitando assim que amarguem e tenham demasiadas sementes. Nos períodos chuvosos e ambientes muito húmidos, a planta pode ser afetada por fungos que estragam folhas e frutos; nesse caso, o extrato fermentado de cavalinha ou o leite podem ajudar-nos a salvar a colheita. Habitualmente, trata-se de uma cultura anual, de verão, ainda que em zonas sem risco de geadas de inverno se possa cultivar como arbusto plurianual, fazendo uma poda geral no inverno com a esperança de que volte a brotar na primavera. No território peninsular, inclusivamente no litoral, é difícil que essa opção prospere, mas deve ser tida em conta se a plantarmos num lugar protegido do frio.

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Existem diferentes variedades de beringela, em função do tamanho, l a cor dos frutos - que podem ser pretos, brancos ou com riscas violeta - e da forma - alongada ou arredondada. Pela doçura da sua carne e pela textura de mel, recomendo-lhe a beringela branca, cultivada na região catalã de Bages desde a antiguidade e que tem vindo hoje a ser fortemente redescoberta.


Brócolos Nom e científico: Brassica oleracea var. italica

Confesso que os brócolos são uma das minhas plantas preferidas, na horta e na cozinha. Primos direitos da couve-flor, são mais rústicos e sofridos no que se refere ao cultivo, mas extremamente delicados e saborosos no prato. Em minha casa, durante o inverno, não são raras as geadas em tomo dos -io °C, e os brócolos da horta resistem estoicamente ao frio intenso. Além disso, a característica que os distingue mais marcadamente da couve-flor é uma grande virtude: depois de cortada a flor principal, a central, voltam a brotar pequenas flores laterais entre o talo e as folhas da planta, que nos oferecem uma colheita escalonada, estendida por vários meses até a primavera ja In entrado com a sua suavidade térmica, momento em que a flor se abre num fabuloso espetáculo cromático de tons amarelos, que limita, nesta fase, a mu i qualidade gastronómica. Portanto, trata-se de uma cultura de outono invei i n>, que podemos estender até ao início da primavera, mas que não é de mnd< i algum apreciadora das temperaturas altas. Ricos em vitaminas B5, B9, C e K, convertem-se também num potente anticancerígeno, que não pode faltar no seu pedacinho de paraíso, ainda que em espaços reduzidos seja necessário dar-lhes um recipiente grande, com ;<>I ou mais de volume de substrato, e talvez tenhamos de nos conformar com menos plantas do que as desejadas. Mas se tiver uma horta com medidas razoáveis e quiser desfrutar do inverno no prato, considere a possibilidade quase necessidade - de incluir uma vintena de brócolos por temporada, que chegarão para abastecer uma unidade familiar e até lhe proporcionarão um pequeno excedente para oferecer nos jantares da quadra natalícia.

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O meu pequeno conselho... 0 transplante realiza-se durante 0 verão, justamente quando também nos dedicamos a colocar no terreno a muda de couves-flor e couves, com uma separação entre plantas de uns

40 cm. Se pretender comprar a muda, pergunte duas vezes e insista se for necessário, porque ainda há muitos horticultores, amadores e profissionais, que confundem os brócolos com a couve-flor verde. o<x><xx>x><x><x><x><x><x><><>^^

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Canónigos

O seu nome remete-nos para os mosteiros, onde os canónigos nunca deixaram de ser cultivados. Há séculos, quando os humanos ainda não tinham sido capazes de conseguir alfaces resistentes ao frio, os canónigos ou erva dos canónigos eram considerados as alfaces de inverno. De origem selvagem, caíram no esquecimento durante mais de um século, e há poucas décadas a cozinha europeia reincorporou-os no receituário populai É uma planta rústica e pequena, pouco apreciadora do calor. Talvez pela sua fragilidade e pelo escasso rendimento económico, tendo em conta o seu tamanho e o seu peso, não é cultivada em grande escala. Mas na sua casa não pode faltar! A semente planta-se diretamente no solo ou cm qualquer recipiente, até num pequeno vaso de i ou 2 1 de volume, na segunda metade do verão ou no princípio do outono, e vai-se colhendo c limpando escalonadamente ao longo de todo o inverno, até à chegada do calor primaveril, que favorece a planta espigada - faz flor - e, portanto, o fim do ciclo. Pode fazer um cultivo associado com couve, alho-francos ou alface, aproveitando os espaços livres deixados por essas espécies de maior tamanho. Manifesta mais ou menos as mesmas exigências que a alface ou Saladas de inverno o espinafre, e gosta de uma Os canónigos são um bom recurso para terra bem rica em húmus, desfrutai1de folhas verdes e frescas com boa drenagem mas durante os meses frios do ano, humidade constante. combinadas em saladas com espinafres tenros e escarola. Se fizer a horta nas zonas 1 e 2, também disporá de alfaces, mas no interior e nas zonas montanhosas não terá tanta sorte. Os canónigos são uma fonte importante de vitaminas A (betacaroteno), B9 (ácido fólico) e C, além de serem diuréticos e purificantes.


Cebola Nom e científico: Allium cepa

Em primeiro lugar, é preciso perceber o que é a cebola seca e a cebola tenra. Todas as cebolas são tenras e secas nalguma altura do seu cultivo, ainda que falemos de cebolas secas quando cultivamos variedades especialmente pensadas para guardar durante vários meses depois da colheita. Em minha casa, por exemplo, cultivamos as cebolas valencianas como cebolas secas - ver fotografia grande - e temo-las guardadas na despens;i paia ir consumindo aos poucos durante o outono e inverno. A cebola é uma das culturas de âmbito mediterrâneo mais antigas, u m a pI a 111a

da família das liliáceas com numerosas propriedades nutritivas o medicinar,, é antissética, diurética, rica em glícidos, fibra e vitaminas... Pode encoiiliai sementes e mudas de variedades que se colhem no verão, outras que se colhem no outono, umas com o bolbo vermelho, como a cebola de Figueies, e outras com o bolbo branco, amarelo ou roxo. É preciso procurar as variedades que melhor se adaptem à sua zona e estabelecer um calendário anual para poder ter sempre cebolas na horta e na despensa. Se fizer a semeadura com sementes, calcule que terá de esperar três ou quatro meses até ser a altura de fazer o transplante definitivo. Quando as transplantar, deixe um espaço de cerca de io cm entre cebolas, e a uma profundidade quase superficial de apenas i cm. < xX xX ><X x X><X><XXXXXXXXXXXXXX>0<>Q<X><XXX><XXXXX><X><X><X><X><XXX><X><X><XXX><X^

Que nunca faltem cebolas! São imprescindíveis na cozinha de qualquer família que se pretenda alimentar com uma dieta saudável. Se quiser ter cebolas durante todo o ano, plante a variedade babosa no outono para a colher em março. Em março, plante outras cebolas,

como a roxa comprida - ou vigatana -, que poderá consumir durante o verão. Em maio, plante a cebola valenciana ou de outra variedade boa para guardar, de modo a ser colhida no final de agosto e armazenada durante o outono e inverno. ooooooooooooooooooooooo^

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Aqui pode ver a cebola tenra por excelência, o calçot Neste caso, volta a plantar-se no final do verão uma cebola seca de variedade branca tardia de Lérida, que neste segundo ciclo vital nos oferecerá entre quatro e oito rebentos doces que estarão prontos a ser consumidos entre os meses de janeiro e março. Portanto, se quiser produzir calçots tem duas opções: semear esta variedade concreta de cebola branca no primeiro ano, para obter os bolbos, ou comprar diretamente os bolbos; esta segunda opção é a mais utilizada pela maioria dos horticultores. Por outro lado, o calçot recebe este nome porque tradicionalmente é calçado com terra para se conseguir rebentos compridos, mas eu nunca o calcei e garanto-lhe que comemos uns rebentos esplêndidos. Com o acolchoamento e uma terra fértil suficientemente esponjosa, enterram-se os bolbos a uma profundidade de uns 20 cm; demoram bastantes dias até mostrar a cabeça, mas acabam por brotar energicamente, e assim poupamos a tarefa de os calçar e, ao mesmo tempo, mantemos as camadas do solo intactas.

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As sementesde cenoura demoram umas duas semanas a germinar, e como precisam de terra despida, sem acolc^pamento, aparecem muitas vezes ervas inoportunas entre as culturas. Não se preocupe! Quando distinguir bem quais são as cenouras e quais não são, faça uma seleção manual e elimine as plantas indesejadal.

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0 grande valor das cenouras, para além do seu excelente sabor, é o seu elevado conteúdo de caroteno, que o nosso organismo transforma em vitamina A. Apenas 100 g de cenoura oferecem-nos, em média, as necessidades diárias desta vitamina, essencial para o bom funcionamento da pele e da pigmentação dos olhos. Se quiser saboreá-las cruas em saladas, recomendo-lhe que as apanhe bem verdes e pequenas. Se forem maiores e preferir comê-las cozinhadas, prepare-as ao vapor durante não mais do que quatro ou cinco minutos. Se as cozer demasiado em água, perderão uma boa parte do seu potencial nutritivo.


Cenoura Nom e científico: Daucus carota

É a rainha das raízes comestíveis do jardim. Doces e suculentas, as variedades de cor laranja que mais conhecemos atualmente foram introduzidas no território peninsular pelos árabes, há coisa de 900 anos. Semeiam-se diretamente, porque não toleram o transplante, a partir de fevereiro nas zonas quentes, embora encontremos variedades adaptadas a cada período do ano. Resistem às geadas moderadas, desde que a raiz esteja bem formada, de maneira que a melhor despensa de inverno paia a cenoura costuma ser a própria terra da horta; assim, podemos consumi-las à medida que precisarmos. Da semeadura à colheita, costumam decorrer dois ou três meses, em função da variedade r do tamanho desejado. Se vir que as plantas crescem muito juntas r nau lem espaço suficiente para desenvolver corretamente as raízes, faça cliireiinri e aproveite as pequenas cenouras que retirar para as suas saladas Convém não aplicar muito composto. Se 0 usar, verifique se está bem maduro, de modo a evitar que as cenouras rachem e percam um pouco do seu sabor e textura. Como o resto das hortaliças de raiz, as suas necessidades nutritivas resumem-se ao fósforo e ao potássio, pelo que a aplicação de cinzas residuais de fogões, lareiras e caldeiras de biomassa converte-se num bom adubo, desde que tenhamos queimado madeira pura, sem aditivos. As diferentes variedades de cenoura distinguem-se pela forma, pelo tamanho e pela cor da raiz. Convém escolher em função das suas preferências climáticas e adaptá-las ao período anual mais favorável para conseguir colheitas variadas e constantes. Com um bom planeamento, terá cenouras frescas nos 12 meses do ano. Os possíveis ataques da mosca da cenoura, com larvas que perfuram as raízes, são facilmente controláveis se fizermos uma associação de cultivo com cebolas ou alhos-franceses, que têm um notável e benéfico efeito repelente sobre o inseto em questão.

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Couve Nom e científico: Brassica oleracea

Embora possa ser cultivada durante grande parte do ano, escolhendo as variedades mais adequadas para cada época, recomendo-lhe que a trate como uma cultura de outono-inverno. Apetece mais comê-la, resiste às geadas moderadas e permite-lhe complementar um período com possibilidades mais limitadas que o verão. Além disso, nos meses de dezembro e janeiro, afetada pelo frio intenso, é deliciosa. Na horta da minha casa aproveitamos o espaço e a terra melhorada deixada pelas leguminosas (feijões, ervilhas, favas...), a partir de julho e agosto, paia plantá-las juntamente com outros membros da família, como a couve flui e os brócolos. Entre o transplante e a colheita costumam decorrer mais de dois ou lies meses, sendo plantas que gostam de grandes doses de húmus e de nutrientes. Existem de vários tipos! Desde as mais comuns, como a:; couves-de-milão e os repolhos, até às variedades mais chamativas, como a couve-lombarda, ou às muito saborosas, como a catalã paperina (ver íolo) ou a coração-de-boi, sem esquecer as pequenas couves-de-bruxelas ou as forrageiras, estas últimas sem coração. Para os mais impacientes, scomendo as couves de sete semanas, que, como o seu nome indica, são as mais precoces. Cultivada já na antiguidade por egípcios e romanos, bons conhecedores do _seu pito valor nutritivo, é um alimento extraordinário que não pode faltar na sua pequena horta. Rica em vitaminas, fósforo, cálcio, potássio e fibra, convém aproveitar também as suas folhas verdes, e não apenas os corações, porque é onde concentra as suas melhores propriedades.

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TJouve^nor Nome científico: Brassica oleracea var. botrytis

A couve-flor está relacionada com os brócolos, com os quais apresenta gm nde semelhança. A planta é composta por uma massa branca, verde ou violeta, segundo a '— — . varic'dade cultivada, rodeada de lolhas verdes grossas. Trata-se de couves selecionadas para que desenvolvam essas grandes massas florais, que são as partes que consumimos habitualmente. Além da variação de cor, dão-se também variações de formas e medidas. A mais interessante do ponto de vista gastronómico e morfológico talvez seja o romanesco, que, como pode ver na fotografia da página ao lado, tem umà linda flor em forma de espiral logarítmica, de geometria fractal. Os primeiros romanescos que plantámos em minha casa, há alguns anos, seduziram-nos, e desde então acompanham-nos todos os invernos. Além disso, ao contrário das restantes couves-flor, resistem bem às geadas e têm um sabor tão delicado que até se podem comer cruas, em saladas. Ao contrário dos brócolos, depois de a couve-flor ter feito a inflorescência principal e de a termos colhido, podemos cortar tudo o que fica e dá-lo às galinhas ou pô-lo no compostor, já que a produção terá acabado. Para o resto das características do cultivo, pode aplicar à couve-flor tudo o que expliquei a propósito dos brócolos.

Durante o outono e a primavera, as couves-flor, os brócolos e todo o tipo de couves podem acabar devorados pelas lagartas da borboleta da couve, incansáveis e vorazes desfolhadoras. Se esta borboleta branca aterrar na sua horta, aplique B a c illu s th u r in g e n sis e A n a c y c lu s p y reth ru m nas folhas de 15 em 15 dias, tal como explico no capítulo das “Soluções ecológicas”. 106


Curgete Nome científico: Cucurbita pepo

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\ I('iiha calma! É uma cultura fácil e generosa, com diversas variedades que se diferenciam pela cor da pele dos frutos, mas é preciso ser sensato e não cultivar mais do que duas ou três plantas. Terá curgetes para a família inteira e ainda lhe sobrarão para oferecer. Se tiver um pequeno excedente de colheita, pode cortar a curgete em pedacinhos para a congelar crua e consumi-la durante todo o ano, ou então cortar em rodelas finas para as desidratar e guardá-las em potes. Irmã da abóbora, partilha com ela exigências nutritivas e técnicas de cultivo, até ao ponto de nalguns lugares lhe chamarem abóbora de verão. Ao contrário da abóbora, deve-se colher a curgete o mais tenra possível, a fim de evitar o excesso de sementes, conseguir frutos saborosos e promover a produção da planta; se permitirmos que as curgetes cresçam demasiado (mais de 25 a 30 cm), a planta enfraquece e deixa de produzir. Dia sim, dia não, vou colher curgetes, e é incrível ver e comprovar a rapidez do crescimento dos seus frutos. A produção é constante e escalonada, durante quatro ou cinco meses, até que o ambiente húmido do outono faça com que toda a planta seja afetada por fungos, concretamente pelo oídio, facilmente visível pelo aparecimento de manchas esbranquiçadas nas folhas, o que põe um ponto final ao seu ciclo de vida.

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Flores que se comem!

Pois é: as flores da curgete - e também as da abóbora - são uma iguaria deliciosa, nutritiva e divertida, e consomem-se cruas, panadas, recheadas ou de qualquer outra maneira imaginável. Estamos diante de uma planta que produz flores masculinas e femininas (as femininas são as que dão fruto, as masculinas as que costumamos colher para consumo). No entanto, convém deixar alguma flor na planta para que possa polinizar, porque caso contrário ficaremos sem curgetes. Em minha casa, para evitar estes conflitos, deixamos em paz as flores masculinas e colhemos as curgetes muito cedo, quando ainda são pequenas e têm a flor pegada. Desta maneira, garantimos um bom fruto e uma boa flor ao mesmo tempo.

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Ervilha Nom e científico: Pisum sativum

Há mais de 9000 anos que os europeus cultivam boas ervilhas, e continuamos a considerá-las um dos alimentos vegetais mais apreciados do ponto de vista nutritivo e gastronómico. Fonte importante de proteínas e vitaminas A, B e C, algumas das suas qualidades são o controlo dos níveis de açúcar no sangue e a diminuição do colesterol, além de um alto poder antioxidante. Se tenras são deliciosas, secas são ótimas para ter de reserva na despensa. Convém cozê-las a vapor, escaldá-las durante um par de minutos, ou então consumi-las cruas ou salteadas. Em qualquer caso, evite os longos tempos de cozedura, pois destroem boa parte das suas valiosas vitaminas. O seu cultivo melhora a estrutura da terra ao enriquecê-la com nitrngi mn, como acontece com o resto das leguminosas. As variedades de ervilhas classificam-se em dois grandes grupos. Tal como os feijões, podemos semear as rasteiras, práticas e muito produtivas, ou optarmos pelas trepadeiras, que requerem algum tipo de tutor, malha ou estrutura para se desenvolverem favoravelmente. Recomendo-lhe efusivamente as ervilhas -miúdas, uma variedade de ervilha de sabor muito fino e textura melada que se consome com a vagem inteira, sem debulhar, como se fosse feijão verde. Se fizer cultivo em recipientes, escolha ervilhas rasteiras, de outra forma converterá a varanda ou o terraço numa espécie de selva impenetrável. A semeadura faz-se diretamente por semente no lugar definitivo, enterrando cinco ou seis em buracos separados uns 35 ou 40 cm entre si. É uma cultura de final de primavera, por isso não costuma precisar de rega muito constante. Um excesso de humidade antes da germinação pode fazer com que as sementes enterradas apodreçam facilmente.


Espargo Nome científico: Asparagus officinalis

Uma das minhas plantas preferidas! Os espargos começam a dar o ar da sua graça nos meses de primavera, momento em que agradecemos os primeiros manjares suculentos depois de termos devorado os brócolos e as couves invernais. Os espargos são deliciosos e fáceis de cultivar, porque emergem de repente da terra, quando uma pessoa já quase se tinha esquecido de que os tinha plantado. Mas há que ter em conta que precisam de algum espaço e não toleram o cultivo em recipientes. Por isso, são uma cultura adequada para jardins ou pátios com disponibilidade de terra, e convertem-se num recurso muito válido para aproveitar as margens de um terreno. É importante ter em mente que, no sítio onde os plantar, não poderá fazer mais nada durante os 15 ou 20 anos que dura o seu ciclo de produção. É, assim, uma planta plurianual que requer uma localização bem pensada e definitiva. Uma vez escolhido o lugar e feita a plantação, apenas tem de acrescentar composto e acolchoamento à medida que a terra os vá consumindo e, sobretudo, desfrutar dos espargos! A título de curiosidade, digo-lhe que há plantas de espargo masculinas e femininas; as masculinas costumam produzir rebentos mais grossos porque acumulam a força nas raízes, e as femininas dão rebentos mais finos porque dedicam mais energia à produção da semente. Não se preocupa: plante o que lhe venderem e logo verá o que sai; ao fim e ao cabo não é determinante porque todos os espargos são igualmente bons, sejam grossos ou finos. Destaco também que quando falamos em comprar a planta do espargo, na verdade estamos a referir-nos à sua parte subterrânea em estado de repouso, durante o inverno. Far-se-á entender melhor nos viveiros se pedir garras de espargos, em vez de coroas, rizomas ou outras palavras técnicas. Há quem branqueie os rebentos, calçando-os com terra à medida que vão crescendo mas, como todos os branqueamentos de hortaliças, é pouco recomendado do ponto de vista nutritivo. Convém saborear os espargos verdes bem frescos e tenros, e manter a terra húmida durante o período produtivo. Assim, a partir do verão podemos suprimir as regas para favorecer o período de repouso, e no outono cortar a dois dedos da terra a folhagem seca que ainda tenha.

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A maneira malB antiga, e também a mais prática, de preparar o terreno para os espargos consiste em escavar uma vala com uns 30 cm de fundo e 40 cm de largura; o comprimento será em função do espaço disponível e das plantas que cultivarmos, pode ser S m (se quisermos plantar três ou quatro) ou 20 m (se pretendermos aproveitar uma margem do jardim e conseguir boas colheitas). Depois de feita a vala, depositamos uma camada bem fina de composto maduro e, por cima, perfeltamenti i estendidas, as coroas subterráiuiuM da planta. A seguir cobrimo-la toda com outra camada de composto maduro, desta vez com uns SO cm, e acabamos de encher a vala com algum tipo de acolchoamento (relva cortada, palha, folhas caídas de azinheira...). A partir daqui, são um ou dois anos de paciência até desfrutar dos espargos primaveris I

Pode semear sementes de espargo ou comprar as plantas num viveiro de confiança, em fevereiro ou março, que é quando convém transplantar. Pessoalmente, recomendo-lhe a segunda opção.


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Espinafre Nom e científico: Spinacea oleracea

Embora possa cultivá-la durante todo o ano, é preferível semear no outono e na primavera. Na zona 4, convém fazer uma boa previsão e semeá-lo, o mais tardar, no final de setembro ou princípios de outubro, para lhe dar tempo de germinar e se desenvolver; depois de a planta ter largado algumas folhas, já não se incomoda com o frio do inverno e mantém-se em ótimas condições até ao início da primavera. Na verdade, encontramos diversas variedades que se adaptam tanto ao frio como ao calor, ainda que as temperaturas elevadas não sejam o ponto forte do espinafre. Além de ser uma cultura que se dá bem em terrenos férteis, adapta se perfeitamente a qualquer tipo de recipientes. Semeia-se diretamente com semente no lugar definitivo e, por isso, é preciso retirar um pouco de acolchoamento para permitir a chegada da luz solar à terra, o que iacilitam a sua germinação. É uma espécie rústica, de exigência de nutrientes média, mas é preciso ter cuidado para que a terra ou o substrato de cultivo náo seque muito. Isso provocaria um florescimento prematuro da planta, o que não nos interessa nada; com a flor espigada, a folha perde rapidamente textura e sabor. Embora nos mercados costumemos ver a planta do espinafre inteira, pela raiz, em minha casa fazemos de outra maneira: vamos colhendo folhas à medida que vamos precisando. Para que a planta produza durante várias semanas, temos de cortar regularmente as folhas exteriores; se forem tenras, podemos pô-las nas saladas. É a melhor maneira de aproveitar o seu potencial vitamínico e antioxidante. De qualquer maneira, a ideia de que 0 espinafre é rico em ferro é um mito e uma confusão... Se quiser ser como o Popeye, recomendo-lhe antes as proteínas dos feijões e das favas do que as dos espinafres.

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Fava Nome científico: Vicia faba

Com mais de 3000 anos de cultivo mediterrâneo, esta fonte de proteínas vegetais por excelência é uma das plantas q ue têm a capacidade de melhorar as pmpriedades da terra onde se desenvolvem. Como o resto das leguminosas, lixa o nitrogénio do ambiente através de uns pequenos nódulos que forma nas raízes, e por isso não convém arrancar a planta depois de terminado o ciclo produtivo, mas sim cortá-la pela base e deixar que a raiz se integre na terra. Semeia-se diretamente no lugar definitivo e enterram-se de uma só vez duas ou três sementes a uns 3 cm de profundidade e com um espaço de separação de 30 a 35 cm entre si. Por outro lado, não é preciso preocupar-se com o acolchoamento, porque todas as leguminosas o atravessam sem dificuldade. Nos climas quentes podem colher-se favas desde o mês de fevereiro, mas no interior e em zonas montanhosas os frutos chegam entre abril e junho; as favas são por excelência um dos alimentos da horta primaveril. As diversas variedades de favas que pode cultivar classificam-se segundo o tamanho que a planta atinge e a duração do seu ciclo vital. Sabendo isso, experimente e selecione as que se adaptem melhor às suas necessidades. No entanto, todas elas são atacadas pelo pulgão preto; neste sentido, a única coisa que tem de fazer é manter o inseto afastado com a aplicação de Anacycluspyrethrume um pouco de sabão potássico, e, se a planta já tiver a flor rebentada, eliminar os rebentos infetados.

Uma forma divertida de saborear as favas é escaldá-las durante meio minuto, debulhadas e com um pequeno corte nas pontas. Lavamo-las com água fria e já temos uma nutritiva tapa de aperitivo. O corte serve para que, ao pressioná-las, saia a parte tenra do interior, que é a mais saborosa.

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Feijão

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Nom e científico: Phaseolus vulgaris

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icioso, o feijão é fonte de vitaminas e sais minerais.

Tal como acontece com as favas, as ervilhas, a soja e o resto das leguminosas, o feijão tem a capacidade de aproveitar o nitrogénio atmosférico como nutriente, graças à bactéria Rhizobium. Portanto, é uma cultura de verão melhoradora da terra, muito adequada para anteceder as couves, as couves-flor e os brócolos de outono e inverno. Semeia-se diretamente na sua localização definitiva, com três ou quatro sementes por buraco, situadas a uma distância de uns 35 ou 40 cm. Prefere os terrenos esponjosos, bem drenados e ricos em húmus, o que não será um problema para a sua horta, uma vez que, se tiver seguido os meus conselhos, essa terra boa constituirá toda a sua área de cultivo. Se procuia obter uma produção equilibrada para o consumo familiar, recomendo-lhe que faça semeaduras escalonadas todos os meses. Nós, tendo em conta que a nossa horta está na zona 4, semeamos os feijões a 15 de maio, 15 de junho e 15 de julho. É apenas uma referência, porque na zona 1 pode semear as primeiras a partir de março. Podemos escolher entre um monte de variedades que se costumam classificar em dois grandes grupos: 0 feijão-trepador, de produção escalonada e generosa, e o rasteiro. A partir daqui, existem mil formas e cores, desde feijões de secção redonda até aos de tipo plano, como o feijão verde, de vários tamanhos. Também pode escolher entre variedades de cor verde, amarela, branca, com listras roxas..., cada uma com o seu sabor e textura particular. Se, em vez de colher os feijões quando estão verdes, deixarmos que acabem de engordar e desidratar na própria planta, podemos saboreá-los secos durante todo o ano, aproveitando o seu alto conteúdo de proteínas.

A s variedades rasteiras não precisam de tutores e têm ciclos de cultivo mais curtos. São os feijões mais recomendados para espaços pequenos e recipientes, embora em canteiros também sejam mais cómodos e práticos.

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Melancia Nome científico: Citrullus lanatus

Com o regresso da primavera, um sonho recorrente ataca-me noite após noite. As mordidelas nas doces e suculentas melancias que amadurecerão la para julho e agosto começam a passear pela minha mente, de uma maneira totalmente inconsciente. É o início do calor, que desperta a minha imaginativa, mas visceral necessidade de frescura no corpo e no paladar. Que prazer colher uma boa melancia, abri-la e devorá-la à vontade, depois de ter estado um bocado a trabalhar na horta de verão! O último a chegar nem sequer a provará. As diversas variedades de melancia que podemos plantar distinguem-se pela forma do fruto, oval ou redondo, a cor da casca e da polpa, e o tamanho que possa alcançar. Muitas vezes, quando vamos buscar mudas a um viveiro, um mercado ou uma loja, oferecem-nos plantas de melancia enxertadas com um pé de abóbora, para assim se obter frutos de peso e medida um bocado exagerados, mas igualmente saborosos, se a terra que as acolher for rica e equilibrada em nutrientes. Também se foram popularizando as melancias sem sementes - na verdade, com pequenas sementes enfraquecidas - que produzem pólen estéril e precisam de uma variedade convencional fértil nas proximidades para produzir fruto. Kecomendo-lhe que abandone o requinte e as invenções de última hora, e que se centre nas variedades tradicionais; pense que as sementes de melancia são ricas em vitamina E e ajudam a regular o trânsito intestinal. Se viver numa zona de verões bastante curtos e frescos, acima dos 800 ou 900 m de altitude, prefira as variedades que produzem frutos de dimensões modestas, porque, caso contrário, as melancias não amadurecerão a tempo. É evidente que isto se pode aplicar a qualquer outro fruto, quer seja de uma cucurbitácea ou de outras famílias botânicas. Quanto mais pequeno for o fruto, mais rapidamente consegue amadurecer.

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<x><>0<><><><>o<>c><><x>o<><x><><><^^ Segredos de família... A melancia é prima direita do melão, da abóbora e da curgete, e partilha com eles as necessidades nutritivas e climatéricas, bem como os procedimentos de cultivo. Ocupa muito espaço e a separação entre plantas deve chegar aos 80 ou 90 cm. Em hortas muito pequenas e em recipientes, talvez deva contentar-se com uma ou duas plantas, que serão suficientes para saborear três ou quatro frutos biológicos imponentes e saudáveis. Numa horta maior, aproveite qualquer margem ou recanto com sol e deixe que se estendam à vontade.

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mm Nome científico: Cucumis melo

Outra cucurbitácea suculenta de cultura de verão. Ricos em açúcares e vitamina C, os melões podem semear-se por semente diretamente no lugar definitivo, ou então através de uma muda, que deverá ser transplantada ao fim de aproximadamente um mês. Gostam de terrenos ricos em húmus e temperaturas que oscilem entre os io °C e os 30 °C, que permitam o bom desenvolvimento da planta e o máximo amadurecimento dos seus frutos. Se não dispusermos de muito espaço, podemos tutorá-los, mas devemos construir uma estrutura firme que resista ao peso dos melões. Para os cultivar em recipientes, devemos ter muito volume de substrato, calculando uns 25 ou 301 por planta, com um espaço de separação entre exemplares de 70 cm. De carácter muito voraz, como todos os membros da sua família, o melão aceita que o composto ou o estrume que o alimenta ainda esteja fresco, embora, se for maduro, a planta cresça mais saudável e forte, mantendo afastadas possíveis pragas, como os pulgões ou a mosca branca.

O momento da colheita

Convém apanhar os melões no momento ideal de amadurecimento, caso contrário são um pouco indigestos. Claro que reconhecer à primeira vista o estado de amadurecimento de um melão ou de uma melancia não é tarefa fácil. Habitualmente, um dos indicadores mais fiáveis é esperar que rachem um pouco na zona próxima ao talo, momento em que se desprendem facilmente da planta. Conheço algumas pessoas experientes a quem basta o cheiro. Também há quem se dedique a dar-lhes golpezinhos e ouvir; se parecerem ocos, significa que já estão maduros. 118

Há variedades de melão de diferentes formas e tamanhos. Os pequenos e arredondados, de tipo Cantaloup ou francês, têm ciclos mais acelerados e são muito recomendados para a zona 4, com verões mais curtos e temperaturas menos elevadas. Nas restantes zonas desenvolvem-se bem os ovais, quer tenham a pele verde, como os pele de sapo, muito conhecidos, ou a pele amarela, como os melões canários. Todos eles, se se cultivarem em seco, ou seja, com pouca rega, conservar-se-ão três ou quatro meses na despensa.


Morango Nom e científico: Fragaria sp.

Há quem não faça distinção entre plantas e fale de morangos em todos os casos. Para sermos precisos, convém ter claro que uma coisa é o morango pequeno, fruto da Fragaria vesca, seja selvagem ou cultivado, e outra são os Morangos na horta du morangos da Fragaria x ananassa e outras minha cunu, acolchoados com palhii variedades semelhantes, uma planta mais robusta e produtiva, de origem americana. Pode cultivar os dois tipos, embora atualmente o segundo se tenha imposto. Também é iviln que pode encontrar morangos pequenos nos bosques húmidos e na beiin dos caminhos de boa parte do nosso país; ao passo que, pelo contrário, pode saborear os morangos maiores se os cultivar, já que não enconti amou a planta em estado selvagem. Colher os seus morangos, frescos e vitamínicos, é uma das experiências mais gratificantes que a horta lhe proporciona. Este é um cultivo divertido que se pode fazer tanto no solo como em qualquer tipo de recipientes. Em vasos e jardineiras, como pode ver na fotografia, os frutos ficam pendurados e nunca tocam no substrato de cultivo, uma vantagem notável uma vez que o contacto direto com a humidade da terra os estraga com frequência. Caso cultive diretamente no solo, recomendo-lhe um bom acolchoamento com palha ou folhas secas de pinheiro, que manterá os frutos secos e a terra húmida durante mais tempo. São espécies muito exigentes em nutrientes e matéria orgânica, preferem os terrenos ácidos e têm um ciclo de cultivo recomendado de três anos. A partir daí, a planta produz muito pouca fruta e convém substituí-la. Quando as plantar pela primeira vez, será mais prático ir ao viveiro no inverno e comprar algumas mudas; deste modo saberá que todos os pés são do primeiro ano. A partir daqui, pode multiplicá-las e obter novas plantas ano após ano. Os morangos são espécies que “caminham”, isto é, que se multiplicam criando novos rebentos laterais, chamados estolhos, que não são mais do que plantas novas prontas a criar raízes. Tenha à mão vasos pequenos, cheios de bom substrato, e plante os escolhos sem os cortar da planta-mãe; depois de terem enraizado, ao cabo de cinco ou seis semanas, corte a ligação e transplante-os para o lugar definitivo, e assim sucessivamente. Deste mddo, tgrá sempre plantas a produzir sem ter necessidade de as comprar. • ií ' ‘

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mm Nome científico: Cucumis sativus

Como acontece com a curgete, está diante de uma cucurbitácea muito produtiva que exige sensatez ao planificar o seu cultivo, se não quiser ficar larto dos seus frutos. Por isso, calcule apenas duas ou três plantas para satisfazer o consumo familiar. Quando comecei a cultivar pepinos, deixei que as plantas se espaçassem livremente pelo solo, mas, além de ocuparem muito espaço, via-se claramente que o contacto direto e constante com a humidade favorecia um fungo, o oídio. Assim, convém pôr tutores nos pepinos para que estejam bem ventilados e não invadam mais espaço do que o necessário. Pode encontrar sementes e mudas de diversas variedades de pepino: grande ou pequeno, alongado ou arredondado, verde ou amarelo... Prove e escolha a que se adapte melhor à sua zona e às suas preferências culinárias. A separação entre plantas pode ser de uns 50 ou 60 cm, e é preciso ter em conta que consomem muita água. Não deixe os seus frutos crescerem muito antes de os apanhar, porque ficam amargos e com muitas sementes. (iontém muita vitamina C, como a maioria das plantas da sua horta, o bastante potássio, mas não se destaca por ter um alto valor nutritivo. Mas nos dias quentes de verão é uma alegria refrescante que complementa gaspachos e saladas como nenhum outro. Também pode fazer tsatsiki, uma especialidade grega que combina pepino ralado e iogurte com umas gotas de vinagre e azeite, para formar um dos molhos mais leves, saudáveis e suculentos da gastronomia mediterrânea.


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Pimento N om e científico: Capsicum annum

Da mesma família que a batata e o tomate, os pimentos aterraram no nosso país provenientes de O sabor doce e refrescante do zonas semitropicais da América. pimento amarelo é excelente para as saladas de verão. Pode plantar muitíssimas variedades. Desde os clássicos pimentos para assar, que se apanham muito vermelhos, quando já estão muito maduros e são carnudos e doces, até aos pequenos e picantes, passando pelos pimentos italianos, muito adequados para fritar e guardai no congelador, os pimentos amarelos, os habaneros, os Califórnia, os piquillo... As variedades são quase infinitas e a classificação difícil. Por isso, tal como recomendámos para as outras plantas, experimente e saboreie muitos tipos diferentes, e escolha em função dos seus gostos pessoais o do clima da sua zona. Sempre que possa, procure sementes ou mudas de variedades locais adaptadas ao território, que darão sempre resultados ma is satisfatórios, não tanto ao nível da produção, mas quanto à resistência face a possíveis pragas e doenças. Precisa de terras férteis e bem ventiladas, carregadas de nutrientes, e gosta de doses grandes de composto, entre 3 e 4 kg por metro quadrado que mais tarde nos servirão para cultivos posteriores na rotação quadrienal. Como solução ecológica preventiva, podemos intercalar algumas plantas de manjericão que repelem pulgões e outros insetos indesejados. O modo de cultivo segue os mesmos passos que no caso das beringelas e do tomate; semeia-se a partir de fevereiro-março, transplanta-se para o lugar definitivo dois meses mais tarde e começa-se a colher os primeiros frutos a partir de junho-julho.

Quando se trata de planificar o cultivo, tenha em conta que são necessários espaços com muita luz e temperaturas elevadas para se obter uma grande e saborosa produção.

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Rabanete Nom e científico: Raphanus sativus

Não há desculpas válidas para recuar no cultivo de rabanetes! Qualquer pessoa encontrará um cantinho ideal que os possa acolher gentilmente, quer seja no jardim, num pequeno espaço entre culturas ou num vaso numa varanda. É um cultivo muito gratificante, entre a semeadura e a colheita passam apenas cinco ou seis semanas. Pode escolher entre os conhecidos rabanetes vermelhos, como os da fotografia, por vezes com manchas ou listras brancas, ou os impressionantes e alongados rabanetes de Maiorca.Tãmbém há variedades de origem japonesa de cor negra e muitas outras formas próximas, todas elas com propriedades digestiva e vitamínicas, e carregadas daquele matiz picante que complementa tão bem as saladas. As folhas da planta, embora poucas pessoas as consumam, são também excelentes em saladas, tortilhas e salteados de verduras. Não assimilam bem as grandes concentrações de composto, que provocam deformações e gretas no tubérculo, além de um sabor excessivamente picante. Assim, é uma cultura residual e basta aproveitar os nutrientes deixados pelas culturas anteriores. Como se trata de uma semente pequena, a semeadura deve ser superficial e em solo despido, sem acolchoamento; pode fazer-se durante todo o ano, exceto nas zonas de maior altitude, onde não convém semeá-lo durante a época mais fria porque não conseguiremos fazer com que germine. <XXXXXXXX>CxXXXXXXXXXXX><X><XXXXXXXXXXXXXXXXX><>C><XX><X><XXXXXXX>C><XXX><XXXXXX><><XXXXX><><X><X><X>OOO0000

Um par ideal! Plante-os perto das alfaces, porque são duas culturas simples que têm a virtude de se favorecerem mutuamente. Convém vigiá-los durante as primeiras etapas do crescimento para evitar que as lesmas e os caracóis matem a sua futura colheita. Se isso acontecer, ponha

perto um copo cheio de cerveja para desviar a sua atenção e fazê-los cair na armadilha; o cheiro vai atraí-los e fazê-los cair no interior. Lesmas e caracóis também detestam a cinza, que atua como repelente e adubo ao mesmo tempo; se tiver fogão ou lareira, aproveite o resíduo espalhando-o à volta das hortaliças. »00<>ÇKX>Ck50‘c><X><CXXX><^<>0 0 <>Ó0 0 0 0 <

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N om e científico: Lycopersicum esculentum

São a obsessão de muitos agricultores amadores, que se deixam levar pela paixão i' acabam por plantar 200 tomateiros em vez dos 20 ou 30 de que verdadeiramente piecisam. Por vários motivos, o cultivo e o consumo de tomate faz intrinsecamente I,i,rl(! da nossa cultura. Embora a planta seja de origem tropical, há mais de dois séculos que mantemos um vínculo especial com ela e cultivamo-la sem tréguas nem repouso. Não vamos falar do cultivo forçado em estufas de variedades indignas, que ( liamos para ter exemplares reluzentes durante todo o ano. Isso é outra questão e, desta vez, prefiro ignorar a realidade e manter-me à margem desta batalha perdida. 0 que lhe proponho aqui é recuperar o tomate verdadeiro, que amadurece 1 mnquilamente na planta quando os dias ficam maiores e o calor aumenta bastante. Vá por mim, se descobrir a combinação perfeita de variedades, saboreará 0 tomate <xxxx>*<>«<»<>o<><><><x><^^ durante todo o ano. Há muitos tipos de tomate para a Semeie-os por semente ou compre salada. Em minha casa, depois de 11 muda, mas não os transplante para ter experimentado dúzias de a horta enquanto na sua zona houver variedades, as que nos dão 0 risco de geadas. Como bom membro o melhor resultado de cultivo e fazem mais sucesso entre os da família das solanáceas, precisa de comensais são 0 tomate pera, grandes doses de alimento para crescer, 0 tomate “dos Andes”, o cor-de-rosa quer seja matéria orgânica fresca ou e o rosa gigante. Os quatro são madura, e prefere os terrenos esponjosos variedades locais que se cultivam e bem húmidos. Em minha casa no nosso território há muitos anos, destinamos um espaço melhor e convém fomentar o seu consumo às variedades de pendurar, que se porque são uma delícia. Nada de conservam facilmente (não tomates híbridos de pele dura! necessariamente penduradas); uma boa Existem tomates deliciosos ao seu maneira de ter armazenado este tomate alcance... cultive-os em sua casa é em caixinhas de cartão ou madeiras, pana que lhe mostrem todos os das de fruta, tentando não as carregar seus encantos. demasiado para os manter bem arejados. <>^<>OC>00000<X><X><X><><X><X><X><XXXXXXXXXX><XXX><XX>

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O senso comum e o bom planeamento sfto a chave desta cultura. Plante tomate para a salada, só o necessário. Faça uma boa plantação de tomate de pendurar, porque aguenta muitos meses na despensa, e depois dedique um espaço ao tomate pera rasteiro, magnífico para todo o tipo de conservas.


Podar tomateiros é uma das tarefas da horta no verão, se não optarmos pelas variedades rasteiras, que não precisam de atenção nem de manutenção, Iiiando a rega e uma boa terra, claro está. Se for preguiçoso por natureza e não quiser estar demasiado preocupado com os tomateiros, não pense duas vezes r escolha as culturas rasteiras. No entanto, é preciso tutorar a maioria dos tomateiros, seja com canas, cabos, iedes ou qualquer outra estrutura que os possa manter numa posição vertical, e por isso convém podá-los se quisermos obter bons frutos e evitar que as plantas acabem por formar uma massa espessa de folhagem inacessível e mal ventilada. Como se poda um tomateiro? É muito fácil! Entre o talo principal e os vários andares de folhas e frutos que se vão formando, aparecem rebentos secundários, chamados rebentos axiais, que convém eliminar quando são pequenos e estão verdes. Estes rebentos acabariam por formar novos tomateiros, a planta cresceria de uma maneira desmesurada e daria muitos frutos, mas demasiado pequenos e com dificuldades para alcançar o amadurecimento. Esta tarefa, se for feita com constância - uma vez em cada io ou 12 dias -, é simples e compensadora. Pelo contrário, se nos esquecermos de a levar a cabo, teremos assegurada a visão de uma selva tropical em casa. Não lhe recomendo... Seja constante e não deixe de podar!

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^sêm eãdurS^^^ransplaní^^^^^^^^™ Um processo mágico e delicado: da semente às primeiras folhas.

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m função do tipo de semente e da planta que quiser cultivar, deverá seguir dois procedimentos diferentes: semear diretamente a semente na horta ou fazer um cultivo por muda em pequenos recipientes, para depois transplantar para a sua localização definitiva quando as plantas já tiverem uma certa presença. Nestas páginas conto-lhe qual das duas opções é melhor para cada hortaliça, flor e erva aromática. No caso do procedimento direto, pode usar sementes próprias, ou então sementes compradas numa loja, é indiferente, mas é importante que a profundidade da semeadura seja o dobro do diâmetro da semente. Por isso, sementes minúsculas como as da cenoura deverão situar-se bastante mais próximo da superfície do que outras maiores, como as da abóbora ou do milho. Dependendo da planta cultivada, também se pode semear em linhas, espalham-se sementes uniformemente, ou então fazem-se pequenos buracos com o plantador, com uma determinada distância entre eles. Esto último seria o caso das hortaliças e das sementes de tamanho considerável, como a fava, a ervilha, o feijão, a abóbora, a batata ou o alho, dos quais se devem semear três ou quatro sementes por buraco no momento certo do calendário. O segundo processo, o da muda, é um pouco mais difícil. Fazer a muda em casa é uma coisa que entusiasma e dá gosto, porque lhe permite viver na primeira pessoa o ciclo vital completo da planta, mas também requer paciência e constância. Na verdade, precisamente por este motivo, há muitos profissionais de viveiros que se dedicam exclusivamente a fazer mudas e muitos horticultores que vão aos viveiros para as comprar. Não nos enganemos, é mais cómodo e prático! Por exemplo, muita gente compra a muda de tomate e pimento, crescida e bonita, porque permite saltar um processo que demora uns dois meses. Pelo contrário, fazer uma muda caseira de certos produtos hortícolas como as cebolas, os alhos-franceses, as alfaces, as melancias ou os melões é mais simples e acessível, seja porque são espécies que não precisam de muitos cuidados, como no caso das cebolas e dos alhos-franceses, ou porque são mudas de crescimento rápido, como a melancia e o melão, que podem estar prontos e preparados para o transplante em apenas três ou quatro semanas. 13:


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^ !>0<><>,X><><><X><X><^ ^ Quanto tempo decorre entre a semeadura e a colheita? 1la, plantas de crescimento muito rápido, mas também há colheitas que se azem esPerar- Em qualquer dos casos, é um exercício de paciência muito enriquecedor que nos recorda que cada história precisa do seu processo de amadurecimento. Os períodos de algumas hortaliças são os seguintes: Entre 4 e 8 semanas: alfaces, rabanetes e nabos. Entre 10 e 14 semanas: ervilhas, feijões, beringelas e couves. Entre 18 e 22 semanas: tomates, batatas, favas e couves-flor Entre 24 e 36 semanas: cebolas, alhos-franceses, couves-de-bruxelas e brócolos.

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A vantagem de ter uma pequena estufa

Encontramos no mercado estufas domésticas para varandas e para jardins, de todos os tamanhos, formas e materiais imagináveis. Também pode construí-la você mesmo. Ao fim e ao cabo, em termos gerais não é mais do que um habitáculo que permite a entrada da luz solar. Agora, o que é que ganha com a instalação de uma estufa em casa? Pode preparar a muda com mais garantias de sucesso, permite-lhe resguardar alguma planta plurianual sensível ao frio durante o inverno e, se for suficientemente espaçosa, pode fazer com que culturas como o tomate ou o pimento adiantem duas ou três semanas. Pode até conseguir cultivar durante todo o ano espécies resistentes, como a alface, mesmo vivendo numa zona montanhosa. Contudo, o que eu mais gosto na estufa é de me sentar um bocado numa cadeira, sobretudo em janeiro ou fevereiro: enquanto lá fora faz um frio de rachar, cá dentro uma pessoa está bem quentinha. Fazer a muda: no exterior ou num lugar protegido?

Quando preparar a sua própria muda, deve tratar da rega e garantir que o substrato de cultivo mantém uma humidade constante. Pense que estamos a trabalhar com sementes que devem germinar e pequenas plantas que ainda são fracas e precisam de cuidados. Além disso, os recipientes para fazer mudas são pequenos e a pouca terra que têm pode ficar seca em menos de um instante. A meio da primavera, quando as temperaturas são relativamente suaves, pode preparar a muda no exterior, quer seja no jardim, varanda ou terraço. No entanto, com as hortaliças de crescimento muito lento deve antecipar a tarefa e não se distrair no calendário, se quiser chegar a tempo e fazer o transplante na época correta. No caso do tomate, do pimento ou da beringela, por exemplo, isso significa começa a semear no inverno, e só o poderá fazer num lugar protegido do frio, porque no exterior as temperaturas ainda estão demasiado baixas para permitir a germinação da semente e o correto desenvolvimento das plantas. Claro que não é necessário que o lugar protegido seja obrigatoriamente uma estufa. Pode procurar um recanto luminoso no interior da casa, ou então as chamadas camas quentes, estufas com dois ou três palmos de altura, no máximo, e com aproximadamente i m2, com um teto de plástico ou de vidro que permite pôr e tirar, e sobretudo ventilar, as bandejas de cultivo que temos no seu interior.

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Vida longa aos resíduos!

O facto de reutilizar qualquer objeto com a flimlidade de ampliar a sua vida útil é sempre uma ação proveitosa de grande valor. O caso das embalagens de plástico de iogurte tornou-se num clássico; são ideais para preparar a muda de muitas espécies. Neste caso, na fotografia, repiquei umas alfaces e deixei-as crescer mais um par de semanas nas embalagens de iogurte antes de as levar para a horta.

O que significa repicar uma planta?

A ação de repicar deve ser feita em algumas culturas de semente pequena, e é apenas um transplante provisório. Semeia-se conjuntamente um punhado de sementes de alface, por exemplo, num recipiente com um palmo de diâmetro, como um tupperware. Passados poucos dias, quando já tiverem nascido duas folhinhas, repicam-se, isto é, retiram-se com todo o cuidado daquele recipiente e transplantam se, uma a uma, para a embalagem de iogurte ou para a bandeja compartimentada para a muda; assim, deixam de estar muito comprimidas e passam a ter um espaço vital suficiente. É um processo importante, porque a taxa de germinação aumenta, quando ao início as sementes pequenas estão muito juntas. Parece que trabalhamos o dobro, mas na realidade é a maneira mais fácil de proceder.

Semeadura direta ou muda? Utilizar mudas permite ter espaço livre na horta até que se faça o transplante definitivo e, nalguns casos, pode até antecipar um pouco o ciclo de cultivo, mas há espécies que não toleram bem ser transplantadas. Por isso, devido a vários fatores, recomendo-lhe: Semeadura direta no lugar de cultivo: alho, rabanete, cenoura, fava, ervilha, feijão, canónigos, capuchinha, cebola tenra (usamos o bolbo seco como semente), batata (usamos o tubérculo como semente), espinafre, milho e abóbora. Fazer muda e transplantar posteriormente: beringela, manjericão, aipo, pimento, tomate, cebola tenra, couve, couve-flor, brócolos, alho-francês, melão, melancia, pepino, curgete, morango, alface e escarola.

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exo Contemple a apaixonante vida sexual dos seus pepinos e junte-se à festa! N;i horta, a atividade sexual das suas plantas é incessante. Lembre-se de que, para elas, o objetivo é a reprodução! Evidentemente que para nós, humanos, também é uma prioridade existencial, embora com a diferença da consciência que nos faz decidir. Pois bem, a inteligência das plantas é incrível, cheia de mecanismos silenciosos que passam despercebidos à vista desarmada e, precisamente por isso, acho que não se questionam sobre quantas criaturas - no seu caso, sementes férteis - devem trazer ao inundo. Quantas mais, melhor. Os vegetais evoluíram no sentido da especialização, ao ponto de hoje em dia mostrarem vários mecanismos de reprodução sexual. Qual é a finalidade? Favorecer a sua variabilidade genética e perpetuar a espécie. Não duvide que nós, humanos, nos extinguiremos muito antes dos vegetais, isso é evidente!

Uma pincelada nas flores femininas e nas masculinas

Abóboras, curgetes, melões, melancias e pepinos, todos eles pertencentes à família das cucurbitáceas, são plantas monoicas unissexuais, o que quer dizer que um mesmo exemplar produz dois tipos de flores: as masculinas c as femininas. No pepino da fotografia pode ver, à esquerda, uma flor masculina e, mais à direita, uma flor feminina, com um pequeno fruto com apenas três ou quatro dias de vida. Assim, para que se produza a fecundação, deve haver na planta, em simultâneo, flores de ambos os sexos. Para evitar que não tenha flores masculinas disponíveis, ponha no mínimo duas plantas na horta. Não é necessário, mas é recomendável. Dir-lhe-ei mais... se tiver a paciência de sair para a horta, de vez em quando, com um pequeno pincel, introduzi-lo na flor masculina para recolher um pouco de pólen fértil e esfregar no ovário da flor feminina, faça-o! Garante a polinização, que traduzida em efeitos práticos significa assegurar-lhe os frutos. Esta é, sobretudo, uma tarefa para as hortas situadas em ambientes urbanos, porque a presença de insetos polinizadores pode ser escassa, e um empurrãozinho será sempre de agradecer.

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Preciso de mais do que um a planta para ter frutos?

Nalguns casos, as flores masculinas e as femininas não estão na mesma planta. Quando isto acontece, estamos perante uma espécie dioica, ou seja, espécies com pés masculinos e femininos. É o caso do espargo, do pistácio ou do quivi. Se alguma vez quiser plantar alguma destas pequenas árvores, o pistácio ou o quivi, e o for comprar a um centro de jardinagem, verá que as vendem sempre aos pares. Tem de levar menino e menina se quiser vir a comer os seus frutos; caso contrário, a fecundação será impossível. Bem, exceto num caso: se você comprar um exemplar masculino e o seu vizinho tivesse plantado um feminino, ou o contrário. No caso do espargo, se comprarmos a planta - como acontece habitualmente - isso não nos afeta, mas se quisermos obter sementes férteis dos espargos que plantarmos, deveríamos tentar adquirir plantas dos dois sexos. As plantas hermafroditas ganham o concurso

De qualquer maneira, considere que a maioria dos vegetais são bissexuais ou hermafroditas, o que significa o mesmo, e isso quer dizer que as flores que geram já têm incorporadas as funções de macho e de fêmea ao mesmo tempo. Dois em um! Tomates, pimentos, beringelas, ervilhas, favas... quando observar as suas flores, pense que se despacham sozinhas. Claro que, com a ajuda de insetos polinizadores, as produções são sempre mais elevadas, e o mesmo método das pinceladas, se viver na cidade, pode fazer engrossar a sua colheita.

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A reprodução por estaca Uma boa forma de reprodução assexuada e vegetativa é a criação de novas plantas por multiplicação a partir de estacas de uma planta-mãe. Através deste procedimento, muito útil para ervas aromáticas e arbustos, conseguiremos clonar um indivíduo que nos interesse, seja porque o seu vigor e energia o merecem, ou porque, simplesmente, gostamos da sua planta-mãe e decidimos ter mais. É a maneira mais apropriada para o .alecrim, a lavanda ou a salva, mas pode aplicar-se a técnica com muitas outras espécies. Apresento-lhe algumas das diretrizes a seguir: • Prepare um bom substrato para as plantar. Uma boa mistura é cascalho de granito decomposto e uns 25 % de composto maduro de textura muito fina. Convém que o substrato tenha uma boa drenagem e seja bastante pobre em nutrientes. • A melhor época para fazer a estaquia. A primavera e o outono são bons momentos. Para as aromáticas lenhosas, como o alecrim ou a salva, o outono costuma ser mais eficaz. • Escolher o dia. 0 melhor é apanhar as estacas nos dias frescos e húmidos e guardá-los no frigorífico, em sacos de plástico, até que o lunário lhe Indique o início da lua descendente; plante-as então no substrato. • Tamanho da estaca. Entre 5 e 15 cm de comprimento, em função do tamanho da planta-mãe: se for uma planta pequena, comprimento menor, e se for uma planta grande, a estaca será mais longa. • Pequenos detalhes. Convém deixar apenas as folhas mais novas do rebento, as do extremo superior; eliminamos o resto para evitar perdas de humidade desnecessárias. Durante o processo de enraizamento, é preciso situar a estaca num lugar com sombra e protegido da ação do vento e do frio, com um nível de humidade constante. • O transplante. O bom enraizamento da estaca não se consegue até ter passado um par de meses. Se virmos indícios de crescimento, significa que está tudo bem. A partir daí, ao chegar a primavera ou o outono, tem o caminho livre para transplantar a nova plantinha para o seu lugar definitivo, com toda a terra do recipiente onde se aloja bem húmida, para que se possa ir adaptando sem se enervar.


Outro caso curioso é o dos tomateiros, por exemplo. Podemos converter os rebentos axiais que vamos podando, situados entre o talo principal e os vários andares de folha e flor que vai gerando, em novos tomateiros idênticos ao original. No entanto, devemos plantá-los rapidamente no solo e manter constantes os seus níveis de temperatura e de humidade. Também levamos a cabo a reprodução assexuada nas batatas, plantando os seus tubérculos, ou nos alhos e nas tulipas, dividindo os seus bolbos para conseguir novas colheitas.


Ervas boas ou más: eis a questão As tarefas mínimas de manutenção do jardim comestível. s ervas que nascem na pequena horta sem o nosso consentimento, as adventícias, são uma dor de cabeça para muitos jardineiros e agricultores. Muita gente chama-lhes ervas más, mas não o são. De qualquer forma, com um bom acolchoamento permanente e uma terra equilibrada e bem nutrida, limitará notoriamente a sua aparição. Ao fim e a0 cabo, um trabalho bem feito acaba sempre por ser recompensado. Atenção que estou a falar de limitá-las, e não de evitá-las! Isso seria uma utopia, porque, por natureza, qualquer pedaço de terra acaba por ser colonizado progressivamente por vegetais: primeiro as ervas, depois os arbustos e, por fim, as árvores. Não se esqueça! Algumas pessoas agarram-se de forma doentia aos herbicidas, sem compreender que a sua obsessão, a médio e longo prazo, será sempre inútil; além disso, esquecem que a nossa função é trabalhar com a terra e para a terra, e não contra ela. Devemos observar a natureza, aprender a lê-la e fazer o exercício empático de aceitá-la.

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I)(' qualquer maneira, é certo que determinadas ervas podem prejudicar visivelmente as culturas, sobretudo pelo seu carácter invasivo e vigoroso, i.stou, basicamente, a falar da corriola (Convolvulus arvensis), da junça {(.yperus rotundus) e da grama (Cynodon dactylorí)\ esta última, embora seja medicinal, é a mais incómoda. Seja como for, não custa nada dedicar um tempo a controlar essas plantas espontâneas. Só precisa das mãos e de uma grande vontade de descontrair, porque certamente que tarefas simples como esta descarregam tensões e são muito mais criativas do que pode parecer à primeira vista. Tocar na terra é, sem dúvida, uma ação reconfortante e meditativa que faz sair o melhor de cada um. Além de arrancar um punhado de ervas daninhas, deve supervisionar a disponibilidade de água das plantas e manter um bom controlo das regas, sobretudo durante o verão e depois de terem soprado ventos secos.


íiscorcionoiru N om e científico: Reichardia picroides

Corriola Nom e científico: Convolvulus arvensis

Erva oportunista e de revestimento, de raízes profundas e potentes, que aparece em qualquer pedaço de terra, seja uma horta, um campo de sequeiro, um ervaçal ou um recanto esquecido. Encontramo-la em todo o lado! Convém eliminá-la da área onde cultiva, para que não retire nutrientes às suas plantas, mas se pretender perdê-la de vista, tem de arrancá-la por completo e em profundidade, pela raiz; neste sentido, se a terra estiver demasiado compacta, pode ajudar com a pá. Injustamente menosprezadas e esquecidas, as suas flores, em forma de funil, são comestíveis. Comem-se cruas em saladas ou outros pratos frios, e têm um sabor muito característico que lembra a pimenta, ligeiramente picante. É preciso colher as flores em pleno dia, porque ao anoitecer fecham-se e não voltam a mostrar-se até à manhã seguinte.

Há umas décadas, na época dos meus avé muitas pessoas conheciam a escorcioneir ou reichárdia-dos-picos. Na verdade, fazi; parte das saladas, juntamente com a beldroega, a chicória e outras ervas humildes. Humildes sim, mas muito nutritivas! A escorcioneira é rica em vitaminas A e C, e as suas folhas comem verdes, antes da planta dar flor. É um pouco amarga, mas dá um toque de autenticidade às saladas, sobretudo se forem acompanhadas de vinagrete:; d oce É outra dessas espécies que entram mi :ii horta, sem aviso prévio e sem autor izaça mas vale a pena saber reconhece la. Ao contrário da corriola, a sua presença nuo representa uma séria ameaça, emboia ■ preciso ir eliminando-a para limitar a sui presença. Não tenha pena dela, porque quando se distrair voltará de visita.


pragas e doenças das plantas Insetos, fungos e outros elementos que o podem infernizar, e alguns conselhos para os despistar. melhor prevenção para evitar complicações nas suas culturas é a que for feita com antecedência. Cumprir as rotações, fazer uso das associações favoráveis de plantas, respeitar a terra e os organismos que nela vivem, fomentar a semeadura e a diversidade de cultivos e ainda privilegiar a qualidade face à quantidade e às monoculturas... Todos estes fatores são essenciais para garantir o máximo equilíbrio da sua pequena horta, e normalmente chegam para manter a sua boa saúde.

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No entanto, por vezes surgem alguns contratempos, e é sempre bom ter recursos para o caso de ter de atuar. Para detetar um possível problema, devemos ser observadores e ir controlando a cor, o crescimento e o aspecto geral de cada planta. No caso dos insetos, dos ácaros e de outros animais, potenciais responsáveis por pragas, a tarefa é simples porque se encontra face a face com o indivíduo. Se se trata de doenças causadas por fungos, digamos, em vez de ver o microrganismo em questão, o que observará em primeiro lugar será a sintomatologia da sua ação (folhas manchadas, partes da massa vegetal secas e estragadas). Seja como for, a observação dá sempre pistas e permite remediar. No entanto, geialmente não é preciso aplicar nenhum produto, por mais inócuo e ecológico que seja, salvo em caso de necessidade. As plantas também sabem defender-se sozinhas e devemos procurar que o façam. De qualquer forma, falar de pragas numa horta saudável e diversa é um atrevimento excessivo, e é preciso ter algum bom senso e serenidade para não cair em exageros. Se alguns arbustos de favas tiverem pulgões, elimine as partes tenras do talo, que é onde se instalam sempre, e aja como se nada se tivesse passado. Se vir algum caracol distraído, deixe que coma quatro folhas calmamente; e se uma toupeira tiver comido uma pequena parte dos alhos-franceses que tinha plantado, não deixe que isso lhe tire o sono. Deve haver uma certa margem para que todos possamos conviver em paz e harmonia. Limite-se a estar atento, atuando apenas em casos extremos. É evidente que, se as lagartas da borboleta da couve quiserem deixá-lo sem colheita, deverá tomar alguma medida drástica...

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............. Ajoaninhaéo melhor insetici a moeu

A sua melhor amiga!

e. obviamente, de pulgões pana se alimentar.

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biológica! Incansável de g^guns ácaros, convém


A s belas lagartas da borboleta da couve são vorazes desfolhadoras. Quando vir borboletas brancas a voar por cima das couves, das couves-flor e dos brócolos, vá observando as plantas e atue se for necessário. Os tratamentos ecológicos com B a c illu s th u r in g e n sis são infalíveis.


Sobre pulgões e escaravelhos

Temos aqui dois bichos com tendência para aparecer na horta. Se não parecem uma grande ameaça, não é preciso sofrer, mas muitas vezes çlescontrolam-se e é preciso atuar. No caso dos pulgões, muito presentes nas favas, sobretudo, e também em espécies como a curgete, a abóbora, as roseiras ou algumas árvores de fruto, é bastante eficaz a aplicação de sabão de potassa, muito diluído em água e aplicado diretamente nas folhas; além de combater os pulgões, também atua sobre insetos que sugam a seiva, como as cochonilhas. O escaravelho da batata, embora pouco presente nas hortas biológicas carregadas de biodiversidade, pode converter-se numa limitação em relação ao cultivo desse tubérculo. Se tiver o azar de receber a sua visita, não tenha comiseração e atue, sobretudo se desejar comer batatas assadas na brasa quando chegar o inverno. Neste caso, a aplicação de extrato de tanaceto (um extrato vegetal das flores de Tanacetum cinerarifolium, com uma potente ação inseticida, mas permitido na agricultura orgânica) vai ajudar, paralisando o sistema nervoso do inseto. Serve também para combater pulgões e lagartas, e em vez de o comprar, pode equacionar a possibilidade de semear a planta e tê-la à disposição a baixo custo.

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Sabao potasslco

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^ va.li.osa urticja^ Uréica.

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Dias de humidade: chegam os fungos!

Durante os períodos chuvosos, em dias do nevoeiro e humidades persistentes, ou depois de uma chuva de granizo que tenha causado estragos nas culturas, chegam muitas vezes os fungos, o míldio e o oídio. Tradicionalmente tem-se usado o sulfato de cobre para combatê-los, na forma da chamada calda bordalesa, e também o enxofre, mas, precisamente por serem fungicidas potentes, também prejudicam as benéficas micorrizas da terra, além de causarem danos às minhocas. Nada disso! Para os fungos, use leite gordo! Dilui-se em água em 10% (i 1 de leite, io 1 de água) e borrifam-se as culturas. Além de combater os fungos, é um excelente adubo foliar protetor e estimulante. Outro preparado incrivelmente eficaz é o extrato fermentado de cavalinha; para o preparai, deve seguir o mesmo procedimento que no extrato fermentado de urtiga, mas variando as proporções de quantidade e volume (400 g de planta fresca por cada 10 1 de água). Além disso, a sílica que contém favorece o crescimento das plantas.

AÇA EXTRATO t>£ O R T IG A 1 .

uw, preparado dlnamUador e > rtlflLX , pode usar uma

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alturas, dlLuído em agua em ara baixar a sua potencta oncentrada. , Apanhe 1 Wg de urtigas frescas por c £ a lo l de água, e ponha-o numa cuba. * Durante uma semana, ^ veies por dia, cow a cuba fechada, embora nao hermeticamente, porque b a * i e respirer. 0 U g^ resolico .U , guando estiver pronto, dectara u cU^lvo wuito . Coe-o beo, e guerie-o eo. gerrefes ou recipientes hermetlcos. Conserva-se durante um ano em lugar seco e fresco._______

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Plantas que curam outras plantas, flores que se comem, espécies medicinais... O complemento indiscutível para a sua horta! roponho-lhe um conjunto de plantas, mas saiba que existem muitas mais. Das rosas, aproveitam-se as pétalas pelo seu efeito anti-inflamatório e sedativo; das violetas, os talos e as folhas... Pode chegar a plantar uma infinidade de ervas e flores que complementarão a sua dieta diária, desde saladas e infusões, com cores e sabores surpreendentes. É claro que nem todas as flores se podem comer, e existem plantas tóxicas que muitas vezes fazem parte da jardinagem doméstica, como as hortênsias, a arruda, os narcisos ou as poinsétias. Por outro lado, se em vez de semear por semente quiser comprar plantas um pouco crescidas, assegure-se de que sejam de cultura biológica, sem pesticidas. Três conselhos: apanhe as flores da sua horta nas horas centrais do dia, evite fazê-lo em períodos muito húmidos e seja cuidadoso se alguém da família sofrer de asma ou de algum tipo de alergia ao pólen.

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No caso concreto das flores, lembre-se de que para os gregos, chineses e japoneses já eram um alimento apreciado. O seu conteúdo de óleos essenciais é uma fonte benéfica para a saúde, que se soma aos inúmeros minerais, vitaminas e aminoácidos que nos oferecem. Por outro lado, as ervas aromáticas, além de serem aproveitadas para a gastronomia, são medicina orgânica para a horta, e atuam como protetoras e estimulantes das hortaliças a sua volta. Em última análise, a mensagem que lhe transmito é que, quando esteja a escolher plantas ornamentais, baseie a escolha no seu grau de utilidade. Uma recomendação! Dê uma olhada à proposta de Dolça Revolució (www. dolcarevolucio.cat, um site em catalão, castelhano e inglês): as pessoas envolvidas nesta associação trabalham, incansavelmente, para divulgar e reivindicar o potencial medicinal que nos oferece a natureza. Valiosos conhecimentos, experiências positivas e uma lista de contactos, caso queira alguma planta de espécies como a esteva, as kalanchoe medicinais, a artemísia ou a perila. A esteva (Stevia rebaudiana) é a planta doce que dá nome à associação, e a Kalanchoe pinnata, para citar uma, usa-se para combater cancros, tumores e outras doenças. Pode cultivá-las em vasos ou dentro de sua casa, e tê-las à sua disposição permanentemente. Descubra o seu imenso valor e semeie saúde!

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Nome científico: Rosmarinus officinalis

0 ginseng mediterrâneo das mil propriedades! É assim que é conhecido pelos litoterapeutas e gosto de apresentá-lo desta maneira. Famoso como estimulante, o alecrim é um tónico muscular de primeira ordem, perfeito para recarregarmos as baterias quando fazemos algum tipo de atividade 1 isica. Gosto de mastigá-lo quando saio a passear pelo bosque, e não sei se é Iiela minha forte convicção, pelo seu potencial tonificante ou por ambas, mas acredite que sinto um equilíbrio e um saudável ímpeto verdadeiramente incríveis em todo o meu organismo. Além disso, tal como acontece com o tomilho, a infusão das suas flores é ideal para limpar e curar feridas. A sua resistência e adaptabilidade fazem com que possa viver bem em qualquer tipo de terra, até nas mais pobres e secas. Neste sentido, parece-se muito com a lavanda e, na verdade, em estado selvagem, partilham frequentemente o habitat. O alecrim prefere terrenos calcários, e convém não lhe proporcionar humidade durante o período de floração. Em qualquer caso, gosta de passar sede, e as regas constantes não lhe farão bem nenhum. Quase me atrevo a dizer-lhe que, se o cultivar diretamente no solo e no exterior, não o terá de regar. Em recipientes é diferente, porque o pouco volume de terra faz com que a aridez seja excessiva, e nestes casos agtadecerá sempre um pouco de água. Para ter alecrim em casa, tem duas opções. Pode ir a um centro de jardinagem e comprar uma planta pequena, já bem enraizada, ou reproduzi-la você mesmo por estacas, escolhendo uma planta-mãe selvagem que o seduza durante os seus passeios pela floresta. Lembre-se de que o outono é a melhor época para a estaquia, e após o inverno, quando já estejam enraizadas, transplante os novos exemplares para o seu lugar definitivo.

Planta mediterrânea por excelência, o alecrim será um dos esteios da sua pequena horta, tanto pelas suas virtudes aromáticas e medicinais, como pela descarada facilidade que o seu cultivo pressupõe. 166


consumi-lo com moaeraçao a em pequenas quantidades, porque é muito forte e um consumo abusivo poderá trazer-lhe problemas. Floa, excelente em sopas e cremes do verduras, pratos de carne, invenções com cogumelos ou po.ro marinar ou macerar; faz corn quo tudo seja mais digestivo e energético. As flores cruas sao magníficas para complementa i' ^gelados, pastéis e ratafia. Deixo que a sua energia mais pura do corpo e alma aos seus pratos!


Amor-perfeito Nom e científico: Viola tricolor

Há amores-perfeitos plantados em todo o lado, e são bem conhecidos pela maioria das pessoas, mas nem toda a gente sabe que se podem comer. Na verdade, consomem-se se não tiverem pesticidas, coisa que não sucede com a maioria dos que se veem nos parques e nas ruas de aldeias e cidades. Assim, é necessário que sejam de cultura biológica, como todas as outras flores comestíveis. É uma boa opção para os espaços pequenos, onde só podemos ter recipientes, e é preciso semear a sua semente no final do verão, quando começar a refrescar e as noites ficarem maiores. Entre todas as que germinarem, faça uma clareira, procurando que o espaço de separação entre plantas seja de uns 15 cm. Esta planta gosta das terras frescas e húmidas, e dá flores desde o início do outono até meados da primavera, altura em que convém guardar um bom punhado de sementes para as temporadas seguintes e deixar espaço livre para o cultivo de alguma espécie de verão. Depurativo, diurético e um suave laxante, convém consumi-lo moderadamente mas com convicção, porque o seu elevado conteúdo de vitamina E confere-lhe um notável poder antioxidante. A infusão das folhas, aplicada por contacto externo nas zonas afetadas, é ideal para combater problemas de pele, como eczemas, acne, psoríase ou comichão.

O sabor das flores do amor-perfeito oscila entre o doce e o agridoce, e combinadas com queijos secos de aromas potentes são uma autêntica delicia. A cor das pétalas, mistura de amarelo, preto, violeta, azul, púrpura e castanho, consoante cada exemplar, dá um toque de sãudávé^originalidade às saladas. ' ■ :A ' v -. . 159


x jo ir a g e m Nome científico: Borago officinalis

l.sta bonita planta cultiva-se em muitos lugares da Península como qualquer verdura, com a vantagem de que, além da parte verde, também produz umas flores violetas deliciosas, em forma de pequena estrela, que têm a virtude de atrair abelhas e outros insetos muito necessários para a horta pela sua tarefa polinizadora.

Os talos e as folhas comem-se cozidos, como qualquer outra verdura, ou em sopas, panadas, salteadas... Pode juntar as flores inteiras ou cruas às saladas. Todas as partes da planta, quando estão frescas, têm um sabor agradável e refrescante semelhante ao do pepino. Com um alto teor de sais minerais, apresenta-senos com talos e folhas carregados de vitamina C, mas também cheios de uns pelos ásperos um pouco incómodos ao tato; convém usar luvas para colher a planta, e um esfregão de cozinha para eliminar os pelos antes de a consumir. De cultivo anual e carácter resignado, pouco exigente, procure-lhe antes de mais um recanto com bastante sol e faça a semeadura por sementes durante o inverno. Quando acabar o verão, após o seu ciclo vital e logo antes da sua morte, reúna as sementes e guarde-as num lugar escuro e fresco para tornar a cultivar a planta passados uns meses.

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Calendula Nom e científico: Calendula officinalis/arvensis

Uma das minhas flores comestíveis preferidas! A calêndula é uma planta próspera, que cresce em qualquer recanto. Até a terra mais seca e mais pobre em nutrientes a acolherá gentilmente; se a plantar num substrato demasiado rico em nitrogénio, dar-lhe-á muitas folhas e poucas flores. Considera-se uma cultura anual, mas resiste bem às geadas até aos -3 °C ou -4 °C, e propaga -se espontaneamente sem trégua nem repouso, pelo que poderemos te la muitas vezes sem necessidade de nos preocuparmos demasiado, depois de ter passado o primeiro ano de cultivo. Grande amiga dos bons jardineiros, é a máxima expressão da simplicidade, com a sua forma inala de ser vistosa. Acima de tudo, aproveitamos as suas flores, de tons variados entre o amarelo pálido e o laranja brilhante. A planta forma um arbusto com uns dois palmos de altura, muito ramificado; e as florzinhas fecham ao entardecer e abrem-se energicamente no início da manhã, se o dia amanhecer esplêndido. Se vir que se mantêm um pouco adormecidas, estão a dizer-lhe que o dia também o será, seja pela presença de nuvens, pela chuva ou tempo instável. Esta planta é tão mágica que o restaurante' da cozinheira Iolanda Bustos, em Girona, boa divulgadora da cozinha com flores e todo o tipo de plantas, tem o seu nome: La Calêndula, em honra ao seu elevado valor gastronómico e emocional. \

A s pétalas da flor da calêndula juntam-se cruas às saladas, quer sejam de follias ou de cuscuz ou legumes. Também pode fazer uma tortilha deliciosa! Por outro lado a pomada feita de calêndula - flores e folhas cera e azeite é um dos melhores tratamentos para a pele, seja para curar eczemas, feridas, queimaduras, picadas de mosquito ou de alforreca... é a flor que mais lhe convéní! uY \ , ;:/.1 ,* ' í\':. \'\ 4: -

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N om e científico: T ropaeolum m a ju s

Chegou do Peru há 500 anos e, atraídos pela sua exuberância, os amantes da jardinagem adotaram-na sem pestanejar. Atualmente, além das aplicações ornamentais e gastronómicas, usa-se na cosmética para a elaboração de fórmulas estimulantes para o cabelo. Podem ser rasteiras ou trepadeiras; em minha casa costumamos plantar as rasteiras, porque o seu crescimento é limitado, aproximadamente um palmo de altura, o que faz com que sejam adequadas para preencher os pequenos espaços livres entre culturas ou recantos desaproveitados. Se a quiser plantar em vasos ou jardineiras, também convém que escolha a variedade rasteira. Não resiste às geadas e, por isso, embora se possa comportar como plurianual nas zonas quentes, em boa parte do território devemos cultivá-la como anual, fazer a semeadura a partir de fevereiro, se viver perto do litoral, ou até abril em lugares com altitude e zonas frias. A cor das flores varia muito numa mesma laranjas e roxas. São deliciosas em saladas e ricas em vitamina C, com um sabor muito característico que lembra a pimenta, e as suas folhas têm um gosto e umas propriedades semelhantes. Vale a pena aproveitar as suas virtudes saudáveis! A semente é um antibiótico natural e toda a planta promove o fortalecimento dos vasos sanguíneos e a manutenção de dentes e gengivas bem saudáveis.

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planta; surgem amarelas,

Uma planta repelente A capuchinha limita a presença de pulgões, lagartas, cochonilhas, formigas e ratos. Plante-a perto de batatas, tomates ou leguminosas, sejam favas, ervilhas ou feijões. Se tiver alguma árvore de fruto, a sua presença nas proximidades também lhe será benéfica. Está a ver, além de bonita é protetora! Destine-lhe lugares com muito sol, porque a falta de luz fará diminuir a sua capacidade de florescimento.

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Erva-cidreira Nom e científico: Melissa officinalis

Também chamada melissa, é uma espécie vivaz que se comporta de um modo semelhante à menta: espalha-se e ocupa todo o espaço que lhe é permitido, através de um potente sistema de raízes que pode até chegar a ser um problema se não se lhe puser limites. Precisamente por este motivo, recomendo-lhe que cultive esta planta em recipientes, quer sejam vasos, jardineiras ou qualquer outro reaproveitado ou reciclado. O mais importante é que, se assim fizer, poderá deixar de se preocupar com ela e só vai precisar de eliminar a parte aérea, a folhagem, enquanto durar o inverno, para promover um ressurgimento lá para a primavera. Quando esfregamos os arbustos, chega-nos a potência aromática cítrica que caracteriza esta planta. As flores atraem as abelhas e fomentam as tarefas de polinização no conjunto da horta. As suas folhas frescas dão um toque muito refrescante às saladas e aos molhos P Pm infiicãn c 5rt nma boa bebida, digestiva e relaxante. A er' er da. r

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Hortelã Nom e científico

Há que distinguir entre a M en th a

piperita,

intensa e penetrante, e a hortelã-

-pimenta, que se refere à M en th a sativa. Neste caso, a da fotografia é a hortelã-pimenta, de folhas um pouco mais largas do que a piperita, de aroma agradável e, além disso, muito digestiva. No caso da infusão de chá verde, por exemplo, combina muito melhor a hortelã-pimenta do que a piperita,

mas ambas têm as suas próprias virtudes, e por isso recomendo-

-lhe que tenha as duas espécies. As hortelãs, todas elas refrescantes, gostam de terrenos húmidos, ricos em matéria orgânica e com muito sol, embora possam crescer bastante bem em ü'4 ’ ' * recantos com sombra. f^ H Sm K

Reproduzem-se com uma enorme facilidade

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em invasoras se dispuserem de muita água e não se lhes limitar o

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Lavanda Nom e científico: L avandula angustifolia

Nem que seja apenas para contemplar e cheirar as suas espigas florais no final da primavera e durante todo o verão, já vale a pena tê-la bem próxima. Também denominada de alfazema, rica em aromas o óleos essenciais, a lavanda prefere os terrenos pobres e pouco nutritivos, mas bem drenados, com regas ocasionais e não muito generosas, sobretudo na época de florescimento. Gosta muito de sol! Considere que é uma espécie do clara vocação mediterrânea, muito bem adaptada à falta de humidade dos nossos verões. Se viver num lugar muito frio, com invernos longos, escolha o sítio com mais sol que tiver. Magnífica para separar espaços e criar ambientes de relaxamento, adapta-se bem ao cultivo em recipientes, seja em pequenos vasos ou em jardineiras com muito volume de substrato. Neste caso, o volume do recipiente determinará o tamanho da planta. A reprodução por sementes é difícil; recomendo que compre um exemplar de viveiro e que, em qualquer caso, vá criando novas plantas a partir de estacas. As suas flores, de tons azulados e sabor ligeiramente picante, podem ser adicionadas com moderação aos nom es e saladas. Depois de secas e esmigalhadas, sã o um condimento magnífico para fazer gelados, arrozes ou pratos de carne e peixe. Além disso, a lavanda é um bom repelente de mosquitos e pulgões, e uma grande amiga de insetos polinizadores.

Se quiser que a floração seja mais longa e o arbusto seja compacto, depois de as primeiras flores murcharem pode as espigas principais uns 10 ou 15 cm; desta maneira, favorecerá uma segunda floração e conseguirá engrossar uma planta lenhosa que, por natureza, costuma ser deselegante. 160


Malva Nom e científico: Malva sylvestris

„ H . Humilde e cosmopolita, a malva é uma planta que aparece em qualquer pedaço de terra, sem pedir autorização. É uma dessas abundantes, oportunistas e pioneiras plantas às quais se aplica o infeliz epíteto de ervas _ daninhas. É mais uma demonstração do egoísmo humano: às vezes parece que os únicos vegetais que merecem a nossa aprovação são aquulcr. que decidimos cultivar, mesmo sabendo que provêm sempre de variedade:; selvagens. Somos muito estúpidos! Por sorte, a malva não se deixou convencer pela nossa má influência e continuou a ser ela mesma, rebelde e fiel ao seu carácter. Numa horta urbana em recipientes, se quiser ter malvas recomendo-lhe que colha alguma na beira de um caminho, no campo ou em qualquer pedaço de terra, e a transplante em sua casa. Já se tiver um pedacinho de terra no jardim, como lhe dizia, basta ir buscá-la e não arrancá-la, porque estou certo de que já a tem plantada, talvez sem o saber. Aproveitamos os seus frutos, folhas e flores, muito boas para saladas, molhos ou sopas. Aparece e desenvolve-se entre a primavera e o verão, e é preciso colher as flores de dia, porque à noite estão fechadas. É uma planta com infinitas propriedades, entre as quais se destacam as de fixar o cálcio no organismo, combater resfriados e melhorar o funcionamento intestinal.

Egípcios, gregos e romanos já consumiam as folhas de m alva como verdura. E o nome inglês da planta, c h e e s e flo w e r - flor de queijo -, faz referência ao delicioso sabor amanteigado dos seus frutos, redondos e achatados, que aparecem logo a seguir à floração.

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Ă&#x2030; muito sensĂ­vel ao frio! Recomendo-lhe que semeie as sementes num lugar protegido, a partir de fevereiro, e que faça o transplante definitivo quando tiver desaparecido o risco de geadas. . Ji

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Manjericão N om e científico: Ocimum basilicum

Imprescindível e bem conhecido pelos bons jardineiros e horticultores ecológicos, o manjericão é uma planta que convém plantar perto de tomates, pimentos e beringelas, porque os protege de insetos indesejados, como os pulgões, e, ao mesmo tempo, incrementa a produção de bons frutos. Graças ao seu efeito repelente, se esfregar a pele com as suas folhas também ficará protegido, neste caso da incómoda picada dos mosquitos. Pertence à família botânica das labiadas, tal como o alecrim, a salva, a menta e muitas outras ervas aromáticas. As labiadas destacam-se pelo seu alto conteúdo de aromas essenciais e porque as suas flores facilitam a tarefa de polinização que é feita pelos insetos. Há variedades de manjericão de folha larga e grande, de folha pequena e até uma muito reluzente com folhas roxas (Ocimum basilicum purpurascens). O manjericão prefere terras esponjosas e ricas em matéria orgânica, mas é suficientemente resignado para se poder adaptar a quase qualquer situação. Espécie de climas e épocas quentes, é preciso proporcionar-lhe a humidade necessária para manter as suas essências bem concentradas Tem muitas aplicações na cozinha! Pode juntar as suas folhas frescas e aromáticas às saladas, molhos, cremes ou pratos de massa. Antes da chegada do frio, colha toda a planta e deixe-a uns dias num lugar com sombra e bem ventilado para que se desidrate. Uma vez seca, esmigalhe-a e guarde-a em potes de vidro bem fechados, para tê-la todo o ano à disposição, em forma de condimento, ou então para fazer infusões e aproveitar as suas propriedades digestivas, anti—inflamatórias e afrodisíacas.

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Roma Nom e científico: Púnica granatum

Se tiver de escolher uma árvore de fruto, lendo em conta vários fatores como a beleza, a quantidade e a qualidade dos frutos, ou a resistência e adaptabilidade, decida-se por uma romãzeira. É uma das árvores de fruto mais antigas que se cultiva e dá umas flores grandes, vermelhas e formosas, que parecem vir de um paraíso perdido. Assim, apresento-lhe uma arvorezinha de ramos com espinhos e folhas duras e brilhantes, que lhe daia nutritivas romãs quando chegar o outono, momento ideal do seu amadurecimento. Com os mil grãos que se escondem no seu fruto faz-se o xarope de romã, mas são igualmente excelentes em saladas. E sozinhas, consumidas no início da manhã, são um excelente depurativo. Claro que a opção de pôr árvores de fruto na sua vida depende diretamente do espaço disponível. Falei-lhe da romãzeira, mas em terraços e jardins não muito grandes pode até pôr uma videira que dê parras e lhe proporcione uma sombra fresca, ou então outras espécies prósperas, como a figueira, a cerejeira, a laranjeira, o limoeiro, o caquizeiro ou o marmeleiro. As possibilidades são infinitas! Pense, imagine, reinvente a distribuição do espaço, plante e coma a fruta mais fresca e saudável do mundo!

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Plante árvores de fruto de raiz nua! Pode encontrar durante todo o ano árvores de fruto, romãzeiras ou de qualquer outro tipo, em centros de jardinagem, viveiros, feiras e mercados, mas no inverno costumam ser de raiz nua. Muitas vezes têm as raízes dentro de um saco de malha para manter um pouco a humidade, havendo até produtores que as vendem com a raiz completamente nua; nestes casos, falamos de árvores com um ou dois anos de vida, e são as que melhor se vão adaptar à sua casa, porque ainda são muito jovens, ainda não viram o mundo e, por isso, o seu processo de adaptação é mais fácil. Talvez demorem um pouco a produzir o fruto, mas além de haratas são um bom investimento a médio e longo prazo. Pelo contrário, as árvores de fruto quo vêm em vaso têm por vezes três, quatro ou mais anos de vida, despertam o interesse porque algumas já dão fruta, mas são mais caras e podem apresentar alguns problemas nas raízes e dificuldades para se adaptarem


Salva Nom e científico: Salvia officinalis

Plante-a perto do alecrim e do tomilho, porque elas (avorecem-se e potenciam-se mutuamente, mas não a junte com as hortaliças ou árvores de fruto, porque as suas raízes geram substâncias químicas que podem ser prejudiciais. Ainda assim, é uma das csi relas do cantinho terapêutico da pequena horta, que beneficia o conjunto graças ao seu poder de atração sobre as joaninhas, amigas e convidadas úteis que ajudam a manter afastados os pulgões e as lagartas. Faça uma poda rigorosa

A salva é uma dessas plantas que se descontrolam se não lhes arranjarmos uma boa sessão anual de cabeleireiro. Após a época de floração, pelo outono, ou até durante o inverno, dê-lhe a forma que lhe parecer oportuna e, sobretudo, limite o seu crescimento. Tal como acontece com a lavanda, pode vir a formar arbustos gigantescos, e sem uma poda periódica vai adquirindo um aspecto lenhoso, um pouco selvagem, talvez em excesso, condicionado pela sua tendência para dar folhas novas para os lados e para cima, deixando a parte central da planta seca, vazia e sem vida. Lembre-se de que as plantas da sua horta estão à sua responsabilidade e é você quem decide por elas. Se as quiser pequenas, faça com que o sejam, e se lhe interessarem formas mais arredondadas e harmónicas, deve ajudá-las com as suas intervenções.

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Viva a estaca! Como o resto das plantas aromáticas lenhosas da sua horta, o melhor que pode fazer é reproduzi-la por estacas. Por isso, no primeiro ano compre apenas um bom exemplar num centro de jardinagem de confiança e, se quiser mais, espere pacientemente a chegada do outono e aí dedique-se a cortar uns talos e a plantar as estacas em vasos pequenos, uma a uma; depois espere uns três meses e terá novas salvas prontas a transplantar. Durante as primeiras três ou quatro semanas após a operação, deve procurar manter uma humidade constante no recipiente que as acolher.


Tomilho Nom e científico: Thymus vu lgaris

Pode colhê-lo durante todo o ano, mas o seu potencial gastronómico e medicinal aumenta durante as semanas em que floresce, habitualmente entre abril e junho, consoante o clima de cada zona. Também conhecido por timo, é outra das plantas aromáticas imprescindíveis que servem de condimento e também são medicinais. Este pequeno arbusto, que apenas cresce um palmo acima do solo, é uma espécie vivaz que, quando bom situada e enraizada, pode viver muitos anos no mesmo lugar, sem necessidade de adubo nem rega. Adaptada à vida rústica, só admite um pouco de composto muito maduro e, se lhe for dado a escolher, prefere as terras argilosas aos terrenos mais leves e esponjosos. Nos centros de jardinagem e nos viveiros, encontrará dois tipos: o tomilho autêntico e uma variedade de jardim, menos lenhosa, que solta aromas cítricos e dá umas pequenas folhinhas verdes e amarelas. Escolha a que preferir ou plante os dois tipos, mas saiba que o autêntico, que é da mesma espécie do selvagem, tem muitas virtudes medicinais e adapta-se melhor à aridez. O tomilho é muito benéfico para as hortaliças, graças ao seu efeito repelente de pulgões e borboletas da couve. Na cozinha costuma ser aproveitado como condimento, tanto as folhas como as flores. A infusão é digestiva e tem muitas propriedades, tanto serve para desinfetar e curar feridas como para a dor de barriga. A água de tomilho também é o melhor colutório para limpar os olhos e tratar as aftas da boca.

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Tulipa Nome científico: Tulipa spp.

É sempre divertido plantar bolbos e ir vendo como crescem. A flor não dura mais do que duas ou três semanas, mas não interessa, nem tudo tem de durar eternamente! Pelo contrário, é uma boa maneira de aprender a desfrutar o momento, contemplá-la enquanto dura, porque a sua existência é curta e convém que seja intensa. Há muitíssimas variedades de tulipa, com formas, cores e comportamento:; variados. Algumas são precoces, outras são de floração tardia, e outras eslan a meio caminho entre os dois extremos. Gostam de luz, mas precisam de temperaturas baixas para florescer energicamente. Por este motivo, os melhores meses para enterrar os bolbos são novembro e dezembro. As primeiras flores chegam no início de março, se forem variedades precoces, e até maio se forem tardias. Se combinarmos vários tipos poderemos conseguir uma floração escalonada durante mais de dois meses Mas é preciso escolher bem os bolbos e fazer um bom planeamento. No princípio do verão, quando chega o seu período de descanso, convém arrancá-las pela raiz. Verá que o bolbo inicial se dividiu em bolbos mais pequenos; escolha os maiores e volte a plantá-los quando vier de novo o outono. Para que estes voltem a engordar e cresçam saudáveis e fortes, convém uma boa aplicação de composto maduro e um bom acolchoamento orgânico, protetor e nutritivo ao mesmo tempo.

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Sabia que...? Os bolbos e as pétalas das tulipas são comestíveis, desde que provenham de agricultura biológica, para garantir que estão livres de pesticidas. Mas não vá a correr à florista da esquina comprar um ramo de tulipas para o pequeno-almoço, porque provavelmente estarão carregadas de produtos tóxicos. As pétalas cruas dão um toque de cor às saladas, e as flores inteiras são ótimas recheadas com batata cozida, atum e cebola tenra, tudo triturado.

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Colher os frutos da esperança e da constância. Neste momento é importante continuar a trabalhar com os ritmos que a Lua nos impõe e, por isso, folhear o calendário biodinâmico de cabeceira para verificar que o dia não é catastrófico para as colheitas. Claro que não estou a falar de apanhar dois tomates para o almoço, nem uns brócolos para o jantar, porque vão ser consumidos de imediato, bem frescos, e por isso não terão tempo para se estragar. Mas quando fizermos colheitas generosas de hortaliças ou de plantas em geral, que pretendamos conservar em bom estado durante meses, como no caso das abóboras, dos tomates de pendurar ou das batatas, este fator será determinante. Se for o caso, tentaremos sempre colher as espécies de raiz ou subterrâneas na lua descendente, e as de fruto, flor ou folha, que são aquelas que se desenvolvem da superfície para cima, na lua ascendente. Também é essencial saber distinguir qual é o melhor momento para apanhar a fruta e as hortaliças em função do seu estado de amadurecimento. E isso, confesso que aprenderá, nalguns casos, à base do erro, como acontece com as melancias e os melões, que se prestam a confusão porque às vezes têm exteriormente todo o aspecto de ter amadurecido, e ao abri-los descobre que estão muito verdes. Se quiser guardar uma boa semente de qualquer fruto, terá de deixá-lo no arbusto até que alcance o seu ponto máximo de amadurecimento e desenvolvimento, mas para o consumo, este extremo será excessivo. Por exemplo, no caso das curgetes, das beringelas e dos pepinos, tem de os colher quando ainda não estão maduros, sem se preocupar se são demasiado pequenos, porque é a etapa na qual as suas propriedades organolépticas são ideais. E com as leguminosas, como a ervilha ou o feijão, acontece o mesmo; se colher as vagens antes de maduras, estimula a sua produção. Considere também que as espécies de folha, como o espinafre, a alface ou os canónigos, devem ser consumidas antes de florescer; depois de espigadas, as folhas amargam. Nestes casos, o determinante não é o tamanho final que a alface tenha alcançado, mas sim as propriedades saudáveis que traz e o seu sabor delicioso. Pode ter cultivado uma alface com meio palmo, mas que não quer crescer mais e, no entanto, uma vez no prato, é muito melhor do que os exemplares reluzentes do supermercado.

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As colheitas escalonadas e os excedentes

Quando penso em excedentes, vêm-me muitas coisas à cabeça, mas nenhuma delas me remete para as colheitas generosas da horta. Muitas vezes, quem não planta vê 20 kg de cebolas e automaticamente visualiza um excedente, mas na realidade não o é, porque são 20 kg de cebolas que lhe hão de durar uns três ou quatro meses. Falo por mim, porque há uns anos, quando ainda não tinha descoberto o sabor do tomate, se me tivessem oferecido tantas cebolas juntas ter-me-ia posto a chorar, com toda a razão! O jardim comestível modifica por completo a sua perceção da realidade e faz com que se aproxime do valor da temporalidade. Fá-lo amar a despensa e o que a natureza lhe oferece em cada momento. É evidente que está condicionado pelos ciclos de cultivo de cada planta, e isso acaba por marcar também a sua dieta e a maneira de entender a alimentação. Além disso, com um bom planeamento, terá sempre alimentos frescos disponíveis, seja porque estão guardados num cantinho fresco da casa, como acontece com as cebolas secas, as abóboras e o tomate de pendurar, ou porque estão na horta. E isso é igual, quer viva perto do mar ou no cimo da montanha. Com uma disponibilidade escalonada de alimentos, as únicas conservas que nunca devem faltar são os molhos e as compotas. Os primeiros servem-lhe para dar uma explosão instantânea de vida aos pratos de arroz e pasta improvisados à última hora. As segundas resolvem pequenos-almoços e lanches de inverno, e dão-lhe a energia suplementar que o frio tira. Por isso, na época das colheitas de verão, tenha à mão um bom conjunto de potes de vidro com tampas que façam bem o vácuo, e dedique um fim de semana a fazer experiências culinárias.


Um tesouro de mil gostos e cores! Experimente adicionar ao molho de tomate, alóm da oebola, um pouco de curgete e cenoura; fica mais suave e a acidez do tomate desaparece. Se a colheita de beringelas e pimentos tiver sido suficientemente generosa, faça uns potes de refogado. Quanto às compotas, dê rédea solta à imaginação! Pode fazê-las de cebola tenra, de tomate, de curgete... A compota de melão e melancia, por exemplo, é deliciosa!


Os frutos da sua colheita contêm a energia que lhes tiver dado durante o ciclo de crescimento. Se tiver tratado das plantas com esperança e empatia, os seus frutos serão deliciosos!

Um sorriso vitamínico Tal como lhe fui contando em outras partes do livro, os melhores alimentos do mundo são aqueles que pode cultivar com as suas próprias mãos. Estão impregnados da energia, da motivação e da esperança que o inovem, uma condição que se torna tão ou mais nutritiva do que as inúmeras vitaminas que contêm, e não são poucas! Também acredito firmemente que cada planta está desenhada para ser consumida num determinado momento. Se não, como é possível que a altura em que mais apetece tomate seja precisamente aquela em que ele amadurece na sua zona? Em minha casa, colhemos os primeiros tomates para salada em julho, e, realmente, até chegar esse dia, não sentimos a sua falta. Talvez seja uma dinâmica adquirida, ou talvez seja assim por algum motivo, o certo é que a horta dá-lhe a oportunidade de o experimentar. E essa sensação tão terrena, a de viver o momento e não pensar naquilo que virá, é uma mensagem que lhe é transmitida não só pelas plantas que cultiva, mas também por toda a matéria viva do seu pequeno paraíso. I)a mesma forma que o tomate para salada está feito para ser devorado com a máxima frescura e rapidez, os tomates de pendurar, como os que a Mariona está a saborear e que são da variedade mala cara, concretamente, estão preparados para manter intactas as suas propriedades nutritivas durante muitos meses. No caso dos tomates de pendurar, que se colhem em agosto, por exemplo, deve considerar que podem conservar a frescura até pelo menos o mês de maio do ano seguinte. Isso são nove meses! E por muito que o seu nome o diga, não é necessário guardá-los pendurados. Na maioria dos apartamentos e das casas, é muito mais prático encontrar um canto fresco e empilhar algumas caixas, das que se usam nas frutarias, do que se dar ao desafio de pôr cordas para os ter pendurados no teto; a única coisa que deve procurar é fazer camadas de um ou dois andares de tomate em cada caixa e evitar que fiquem demasiado apertados, para assim permitir a circulação do ar.

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Tesouro de sementes Como guardar as sementes para semear mais tarde e para novas temporadas. á centenas e milhares de anos que nós, os humanos, fomos selecionando e reproduzindo vegetais para o nosso consumo e subsistência, sem tréguas, com o objetivo de ir aumentando o catálogo de variedades disponíveis e conseguir a melhor adaptação ao meio e às necessidades do momento. Com toda a certeza, as sementes são o património mais valioso que temos. E a avareza dos poderosos, que anseiam controlar as pessoas humildes desde que os humanos são humanos, é boa conhecedora desta realidade. No último século, grandes empresas com intenções obscuras conduziram-nos a um delicado panorama, no qual se procurou reduzir o extenso catálogo de variedades antigas e tradicionais, com o objetivo de conseguir o monopólio e a estandardização.Tomateiros híbridos que dão mais frutos mas produzem sementes estéreis, milho geneticamente modificado... Por sorte, toda esta perversão não se conseguiu enraizar no mundo das hortas familiares de autoconsumo, e muitos pequenos agricultores continuam a semear sementes dos seus tetravôs. Em todo o caso, o mercado é variado, há de tudo, e muitas associações trabalham incansavelmente para manter e recuperar este património.

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Quando começar a horta, deve pensar em tudo isto e decidir se prefere ir comprando sementes à medida que precisar delas ou fazer o esforço de conservar as próprias. Pessoalmente, a experiência impele-me a dizer que há que optar pelo meio-termo, guardar algumas próprias sempre que possível, mas sem que isto se torne uma fonte de preocupação, pois muitas vezes apetece mexer nos saquinhos de sementes das lojas e comprar algum. Não se trata de modo algum de reprimir essa vontade, mas de se divertir e fazer o que lhe apetece sem nenhum tipo de pressão. Por outro lado, também tem a opção de trocar sementes com outras pessoas que tenham horta, um recurso barato e proveitoso, sobretudo se for complementado com uma boa conversa hortícola.

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ONTjE <jrÜART>AR, AS SEMENT er* frascos de vidro


Curgetes com forma de abóbora

e tomate» únicos!

Quando reproduzimos uma planta desde a iaiz, as variações genéticas costumam ser um facto habitual, dado que se trata de um tipo de reprodução sexual. Por exemplo, se plantámos num canteiro cinco tipos de tomates diferentes e depois guardámos as sementes de alguns dos frutos obtidos, é possível que, quando (izermos novamente a semeadura, na temporada seguinte nos nasça um tomateiro que misture características das anteriores. Isso também acontece muito com as cucurbitáceas, como as melancias, os melões, as abóboras, etc. f. por este motivo que é recomendável - caso queira produzir uma planta com a única finalidade de obter uma semente que seja fiel ao seu património genético situá-la afastada alguns metros dos outros membros da sua família. No entanto, em espaços pequenos pode ser difícil seguir estes procedimentos. De qualquer maneira, o facto de se hibridar duas variedades não tem de ser necessariamente um problema. Talvez saia um indivíduo estranho, pouco aproveitável, ou talvez tenhamos criado, sem saber, uma nova variedade de tomate que valerá a pena conservar para o futuro. Se não tentar, nunca o saberá!

As sementes nao duram para sempre! Conservar e guardar sementes é uma ação louvável de grande valor prático e simbólico, mas depois de o ter feito deve ter em conta que é preciso ir gastando essas sementes antes que percam a sua capacidade para germinar. O tempo passa e nós somos especialistas em ai u mu lar coisas que depressa esquecemos. Calcule que, em média, a sua viabilidade dura uns cinco ou seis CONSERVAÇÃO “DE SEMENTES anos , mas depende de cada espécie. Por EM QUATRO “PASSOS: exemplo, não convém guardar mais do • As sementes têm de estar que dois anos as sementes de alhosbem secas, fianceses, cebolas ou leguminosas, • E preciso guardá-las num como o feijão e a ervilha; por outro lado, recipiente kermético. as da alface podem conservar-se • Convém escolker um espaço durante sete ou oito anos. As sementes fresco; pode ser, embora nao das abóboras, das curgetes, dos pepinos necessariamente, o e do resto das cucurbitáceas podem frigorífico, durar uns io anos se estiverem bem • T>eve escrever no recipiente armazenadas.

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a data, a espécie e a origem das sementes.

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Como é que se recolhem as sementes? Sementes de leguminosas: deixa-se crescer na vagem os feijões, as ervilhas, as favas e outros membros da família. Quando estiverem bem secas, colhem-se as vagens e debulham-se, procurando que fiquem bem limpas. Sementes de frutos: os frutos aquosos, como os tomates, os pimentos, as curgetes ou os pepinos, devem amadurecer na planta e, depois de colhidos, ser desidratados num lugar com sol. Quando tudo estiver consumido e seco recolhemos as sementes. Não é preciso lavá-las; se ficarem pedacinhos de polpa desidratada, não faz mal. Sementes pequenas de espécies que dão flor: tanto para as alfaces e as escarolas, como para as cebolas, o alho-francês, as cenouras, os rabanetes, as couves e as couve-flor, entre outras, escolheremos as melhores plantas e deixaremos que deem flor e acabem de amadurecer. Depois cortaremos a flor, já seca, e agitaremos dentro de um pote ou de um saco; as pequenas sementes cairão no interior.

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A compostagem Recicle os seus resíduos orgânicos e consiga o melhor alimento para a horta. finalidade é esta: aproveitar toda a matéria orgânica que gera em sua casa. De alguma maneira, deve tentar devolver à terra a energia que consumiu para poder produzir os alimentos que o satisfizeram. Penso que é uma troca justa e necessária.

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Fruto de um processo de decomposição e transformação, levado a cabo por uma infinidade de microrganismos, surge o composto, um produto rico e equilibrado em nutrientes que é a melhor garantia para manter a fertilidade do solo em condições ideais. É, assim, claro que não é você quem faz o composto, mas sim uma quantidade de bactérias, fungos, minhocas e outros convidados que vão chegando ao monte de matéria para oferecer o seu contributo. O seu trabalho, neste sentido, é proporcionar o espaço e as condições ideais para que a festa comece e esperar uns meses. De certa maneira, ao fazermos composto estamos a imitar os processos de regeneração da natureza, mas de uma forma acelerada e controlada. Em qualquer caso, o produto final solta um cheiro agradável que lembra a terra húmida de um bosque. Se terminar o processo com êxito, fantástico, e se não o conseguir, não se preocupe! Sobra sempre a opção de comprar o composto. Mas se tiver tentado, embora a cor não seja negra, nem a textura fina, nem o cheiro bastante agradável, espalhe-o pela terra. Não duvide que, mais cedo ou mais tarde, ela vai absorvê-lo todo.


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Num a horta no solo, convém espalhar o composto e deixá-lo na superfície, sem remover. Pelo contrário, se fizer a horta em recipientes é importante que o misture com o substrato de cultivo para conseguir uma mistura homogénea. \fT


O estrume maduro utilizado pelos camponmvi qur têm gado equivale ao seu composto caseiro. Qualquer horticultor, uma vez que não tem ovelhas nem cavalos, deve seguir outros caminhos e aproveitar o que tem ao seu alcance. Mas se colocar o seu galinheiro móvel em contacto direto com o solo, num dos canteiros da sua horta, estará a fazer uma compostagem direta. Neste caso, são as duas galinhas felizes que completam o processo e deixam a terra preparada, bem nutrida, para que plante nela o que quiser. Vá mudando o galinheiro de lugar passadas algumas semanas. Em quatro dias terá tudo adubado! Além disso, convém amontoar o resto dos resíduos orgânicos para fazer composto. Uma coisa não impede a outra! 000<X >0<X X X X ><X >0Q <X X X

As quatro chaves da compostagem. 0 êxito do processo depende da combinação de vários fatores e elementos. Lembre-se dos quatro parâmetros seguintes e faça todos os possíveis para os cumprir. Ar: Os microrganismos que fazem o trabalho são aeróbicos, precisam de oxigénio para respirar. Isso consegue-se remexendo e dando voltas à pilha ou, no caso dos recipientes, procurando que tenham suficientes orifícios de ventilação. Os resíduos estruturantes, como os ramos triturados, também ajudam.

Agua: A humidade é o motor de arranque do processo. Nem muita nem pouca, a razoável. Regra geral, as humidades favoráveis situam-se por volta dos 40 ou 50%. Isso significa que a matéria deve estar húmida, mas sem que chegue a gotejar. Volume: Quanto mais volume de matéria tivermos, melhor. Se

acumularmos uns 500 1no mínimo, a temperatura do conjunto começo, n subir e atinge valores superiores a,<>s 60 °C, que são necessários para eliminar insetos incómodos, agenton patogênicos, maus cheiros, sementes e ervas inoportunas. Em compostores pequenos, este o o ponto mais difícil de conseguir; o que não significa que o composto resultante não seja viável. Talvez não seja tão bom, mas não deixa de ser composto! De qualquer maneira, se este inconveniente nos limita, podemos utilizar vermicompostores, recipientes com minhocas vermelhas que comem resíduos, excretam nutrientes e seguem um processo mais simples. Equilíbrio entre resíduos: Deve incorporar em partes iguais a matéria orgânica fresca, rica em nitrogénio, e a matéria orgânica seca, rica em carbono. Explico em maior detalhe na página seguinte.

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Escolher o compostor: dúvidas e esclarecimentos Um compostor não é mais do que um espaço ou recipiente ventilado onde deixa os resíduos orgânicos para que se transformem, com a ajuda da uma. mllnidade de microrganismos, no produto mais nutritivo que existe para a tu>rta. Mo mercado vai encontrá-los de muitos tamanhos, formas e inn,foniais, mas também pode construí-lo você mesmo; procure que as I «ides tenham aberturas para que o composto respire. Se tiver espaço no Jardim, duas opções de baixo custo são: fazer o composto numa pilha de pelo monos 1 ms de volume, que é a medida de referência para que tudo funcione, ou pegar em quatro tábuas de madeira e fabricar um recipiente oi >m quatro paredes laterais. A principal dificuldade que os compostores l xiquenos têm é que o escasso volume de matéria dificulta o êxito do Imocesso e não faz aumentar a temperatura no seu interior; é um facto importante para que saia um produto são e saudável para a terra. Nas hortas em varanda ou terraço, pequenas e de cultivo em recipientes, a melhor opção será a compostagem com minhocas ou vermicompostagem. O melhor lugar para o colocar Se puder escolher, quanto mais à sombra o puser, melhor. Entre outras razões, porque evitará que o sol e o calor do verão sequem excessivamente a matéria e os organismos que ali vivem. Se o tiver junto a uma parede ou a uma cerca, assegurará que fica um pouco protegido do vento forte e seco ou do frio intenso, o que será uma ajuda para o bom funcionamento do processo. <XXX><XKXX><X>C>C>0<XXX><C>0<XXXXXXX>

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Com que resíduos fazemos o composto?

A opção da vermicompostagem Outra maneira de compostar os seus resíduos orgânicos é aproveitar a fome voraz das minliocas vermelhas da Califórnia, que se usam precisamente para este fim. Elas comem sem trégua e você aproveita o apreciado húmus de verme que geram. Quando fizer a horta diretamente no solo, em canteiros férteis, já tem o húmus de verme graças às minhocas que lá vivem, mas quando a horta se faz em recipientes não temos vermes no substrato, e nestes casos é muito valiosa a entrada do rico e concentrado vermicomposto. Além disso, os vermicompostores são bastante pequenos e podem colocar-se numa garagem, por exemplo, se não tiver muito espaço exterior.

Praticamente todos os resíduos orgânicos são dignos de compostagem, mas convém tentar manter um equilíbrio, em partçs iguais, entre os que são ricos em nitrogénio e os que são ricos em carbono. Os resíduos nitrogenados são os que se decompõem com mais rapidez, muitas vezes contêm bastante água e é possível que cheirem mal ao princípio, no início do processo, quando ainda são frescos; é o caso dos excrementos de galinheiro, a relva cortada do jardim, os restos de verdura e fruta da casa, as ervas inoportunas que arrancámos da horta Por outro lado, os elementos ricos em carbono decompõem-se mais lentamenlr, dão estrutura à pilha e facilitam a sua ventilação; considere que o processo que tem lugar no compostor é de tipo aeróbico, ou seja, que precisa da colaboração do oxigénio para se completar. Neste segundo grupo estão as folhas secas, o papel e o cartão, os ramos resultantes da poda, a palha, a serradura, etc.

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- NÃo üünte : a o COMfOSTO..._____ • C a s c a s cie fra b o s secos. e “plaw tas ívw asoras, c o m o a grarw x e a c o r r lo U .. rvço5_ e í q ü ^ s A « : ---»reste. .sca.5 d e cifcrtEvõB___ [ d eitar, c ^ e seja™


Para quê comprar ovos quando pode ter um pequeno íheiro móvel? No jardim, no páüo on no terraço. Ter duas galinhas felizes em casa é um investimento, e não apenas pelos ovos que lhe proporcionam dia após dia, mas também pela cooperação que oferecem. No caso de uma horta urbana em recipientes, ajudam-no a enriquecer os resíduos orgânicos que depor; servii ao para fazer o composto. E se fizer a horta no solo, adubarão os canteiros em quatro dias e não terá de fazer absolutamente nada. Sem dúvida, comem de tudo e são autónomas. Vá por mim, quando se habituar não saberá viver sem elas, e claro que elas não saberão viver sem si. Serão mais dois membros da família! Talvez para alguns possa parecer uma ousadia, mas não podemos esquecer que há poucas décadas, nas açoteias e nos pátios interiores de cidades como Madrid e Barcelona, quase toda a gente as tinha, e não apenas duas, mas muitas mais. De qualquer maneira, é importante que sejam duas para evitar que lhe saiam ovos pelas orelhas. Sobretudo, nada de galos! Se tiver um galo num ambiente urbano, o mínimo que lhe pode acontecer é que o vizinho do lado o denuncie por ser perturbador. E ainda que viva numa casa de campo, duas galinhas não chegam, nem de longe, para satisfazer as desmesuradas necessidades sexuais do galo; ficariam stressadas. Não complique! Duas galinhas poedeiras são uma coisa fácil, prática e barata.


Duas galinhas poedeiras, a um ovo por galinha e por dia, são 14 ovos por semana; o suficiente para o consumo familiar. É importante entender o conceito do galinheiro móvel. Baseia-se num habitáculo pequeno, do tamanho necessário para que as galinhas vivam bem, calculando que cada galinha 1 precisa de i m2de espaço vital. Portanto, o galinheiro deve ter uma parte exterior com 2 m2e uma pequena parte protegida, que é o lugar onde as galinhas porão os ovos. Uma boa medida total, bastante padrão, são 2,4 m de comprimento poi i m de largura; cabe num pátio ou num terraço e também se adapta aos cantcims férteis de uma horta no solo. Tem de ter duas portas de acesso ao interior, uma para tirar os ovos e outra na parte exterior da malha. Como complemento, faz falta um bebedouro e um comedouro. É simples de construir, mas se preferir pode comprá-lo já feito, porque são cada vez mais fáceis de encontrar.

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Quando as galinhas começarem a pôr, deve ter em conta que todos os dias terá um par de ovos. Também não é completamente matemático, porque, em períodos ou zonas frias, no inverno, baixam o ritmo e podem passar vários dias sem produzir.

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A graça de complementar a horta com iih gulmhuw é que todos os talos, folhas, frutos estragados e outros restos orgímicos que nao aproveite serão quase suficientes para as alimentar. Elas estão entre si e o composto, e não são muito esquisitas com a comida: são malucas por tudo o que sobra da cozinha e do jardim comestível. De qualquer maneira, para que não sofram défices nutritivos, convém ter um saco de ração biológica para poedeiras e assim assegura-se de que dispõem de uma dose alimentar rica e equilibrada. Procure abastecer-se em lojas que trabalhem com rações biológicas, saudáveis e fiáveis. Por outro lado, se com a comida fresca que lhes dá estão bem servidas, pode tentar acrescentar apenas milho, mas iecomendo-lhe a ração, que no fundo não é mais do que uma mistura de cereais desfeitos. Que não lhes falte a água! Tal como nos acontece a nós, uma coisa é não comer e outra muito diferente é não beber água. A água é vital para que tudo funcione e, se ficarem um ou dois dias com o bebedouro seco, deixam automaticamente de produzir ovos. Têm de passar por alguns dias de normalidade tecuperada para que voltem a estar à altura da tarefa. Para lá destes detalhes, o resto é ir recolhendo os ovos. O único trabalho num terraço é varrer o que deixam e geram e deitá-lo no compostor. No entanto, se l ivermos o galinheiro em cima de um pedaço de terra ou num dos ( anteiros de cultivo, não é preciso fazer nada, apenas ir trocando de lugar de vez em quando.

Se vai pôr o galinheiro num terraço, açoteia ou pátio pavimentados, convém que tenha um tabuleiro na base para que o chão não se suje e seja fácil retirar os resíduos orgânicos para os deitar no compostor.

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Notas sobre raça» e variedades A maioria das galinhas quo se encontram nos mercados e lojas sào as chamadas galinhas americanas ou híbridas. São as melhores poedeiras que existem, uma vez que foram selecionadas especialmente com esta finalidade. Em toda a região peninsular, no entanto, temos raças autóctones de galinhas que também trabalham a bom ritmo. É o caso da galinha de Penedés, da galinha de Prat ouída bonita galinha ampurdanesa, que põe uns ovos de casca escura muito característicos.


Devolva à terra o que é da terra E deixe que o ciclo feliz volte a começar!

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abe qual é a compostagem dos preguiçosos? Deixar os restos orgânicos diretamente no solo da horta e esperar que a natureza faça o resto. É fascinante observar como é capaz de integrar e digerir os resíduos para gerar novamente fertilidade. Engole tudo! Dois palmos de estrume, pinhas, folhas de couve e couve-flor... É o clímax da facilidade e da simplicidade; a alma e o motor da vida. Por exemplo, na fotografia está a ver um canteiro de minha casa, adubado com um pouco de composto acompanhado poi uns bons punhados de folhas de aipo e alface que não estavam boas para a cozinha. Então, se é assim tão fácil, porque é que nos entretemos a preparar o composto? Certamente que qualquer folha tenra que deixar cair no solo acabará por apodrecer, e logo aparecerão as minhocas das camadas inferiores para comer o que ficar e fazer composto de uma maneira automática, mas isso não é tudo. Primeiro, a folha é decomposta por bactérias. Depois, estes microrganismos, a fim de alcançarem o seu objetivo, devem absorver parte do nitrogénio disponível no solo. Aqui está o ponto crítico que complica um pouco a situação, porque o nitrogénio que de alguma maneira é desperdiçado durante o processo é o que as suas hortaliças precisam para crescer. Não é nada grave, porque a bactéria, depois de ter feito o trabalho de decomposição, devolve-o à terra, mas entretanto tivemos um período de carência de nitrogénio que pode prejudicar as plantas. Isso faz com que a compostagem, tal como a entendemos, seja mais benéfica a curto prazo. De qualquer forma, a longo prazo tanto faz, porque a terra acaba sempre por recuperar o que tinha perdido. Basta esperar.

Os mecanismos que a natureza emprega para se regenerar são úteis e complexos; não pretenda entendê-los todos. Deixe que a terra faça o seu trabalho e não se preocupe. Ser sábio, não se esqueça, é aprender a viver na ignorância universal.

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A horta em família! Um espaço para aprender e partilhar com os mais pequenos da casa.

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e nós, os mais velhos, beneficiamos com a experiência da horta, imagine quantos estímulos positivos retiram dela os pequeninos! É preciso aproveitar a primeira etapa da vida para estabelecer potentes vínculos com a natureza e forjar a empatia e a sensibilidade para com o ambiente, o que exige a implicação dos adultos. É vital - quase me atrevo a dizer que é imprescindível - que se lhes ofereça a oportunidade de brincar com a terra, de esmagar apaixonadamente um tomate para descobrir o seu sumo e as suas sementes, de saborear às escondidas uma flor de capuchinha. Quase não é preciso ensinar-lhes nada, apenas deixar que façam das suas, que remexam o solo e as plantas, que brinquem com o que mais precisam: o contacto com a terra e os seus elementos. Dependemos da natureza, e não apenas para nos abastecermos. Precisamos dela para poder escolher os caminhos e atalhos da vida, para nos alimentarmos da serenidade que nos faz desfrutar o momento, para não nos perdermos no mundo absurdo e complexo dos pensamentos, e manter viva a essência do que somos: mais uma peça de uma preciosa engrenagem. É necessário compreendê-lo, e quanto antes, melhor. Esta experiência, além de nos proporcionar alimentos ecológicos, sãos e nutritivos, livres de pesticidas e de petróleo, permite às crianças decifrar a sua mensagem. É importante proporcionar aos mais pequenos um espaço adequado. Um recanto onde se sintam à vontade. É como se quiséssemos deixá-los na zona de brincadeira de um parque, só que aqui, em vez de areia, há terra fértil. Se fizer a horta em recipientes na varanda, escolha uma jardineira ou uma mesa de cultivo à sua medida. Se a fizer no solo, em canteiros, deixe-lhes 2 ou 3 m! para que se apropriem deles. É evidente que convidá-los a plantar 200 cebolas não é a melhor opção. É preciso começar com uma cebola e deixar que a horta cresça com eles, progressivamente. Talvez quando forem mais velhos decidam que o seu caminho não passa por semear pimentos, mas não faz mal, porque já terão aprendido tudo o que necessitavam. Deixe-me dizer-lhe também que, se a experiência for gratificante para eles, é muito provável que durante a vida adulta lhe deem continuidade.

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Reduza, reaproveite e recicle! A horta e o melhor pretexto para começar a agir com consciência ecológica or exemplo para fazer as semeaduras de mudas pode utilizar caixas de ovos de cartao; cada compartimento deve alojar uma planta, e depois de fazer o seu transplante, como a embalagem é orgânica, pode enterrá-la; em poucos dias a humidade acabara por eliminá-la. Isto é brincar. Deixar que a imaginaçao o conduza a bom porto e desperte a criatividade de toda a família.


Esta é a herança mais valiosa que pode deixar aos seus filhos. Nada de casas nem de dinheiro, simplesmente o conhecimento e os momentos vividos na horta. Haverá quem pense que, ao fim e ao cabo, é pouca coisa, mas engana-se. Será a experiência mais proveitosa da sua infância, ajudálo-á a encarar o presente e oferecer-lhe-á ilusões criativas para o futuro. Vai precisar delas, porque vivemos imersos numa profunda mudança de rumo e agora, mais do que nunca, é necessária a consciência de ter os pés na terra e recuperar os valores perdidos. Sim, plantar quatro alfaces proporciona-nos isso, além de nutrientes e diversão. E o mais importante é que estamos a falar de um pequeno gesto ao alcance de qualquer pessoa. Sacuda a preguiça e comece a andar. Não sei se alguma vez veremos um mundo melhor, mais justo, menos egoísta, e também não acho que isso nos deva preocupar. Apenas sei que, como sociedade, há demasiado tempo que falamos e pensamos, mas não agimos. Proponho-lhe que abandone a queixa e que a troque por tomates com sabor a tomate. Uma aventura que toda a família vai saborear e sentir como sua. Uma revolução silenciosa em favor da felicidade.

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Outros livros que não pode perder...

GROS, Michel. Lunario: calendário lunar para el huerto y el jardín ecológicos, y para tu salud. Ed. Artús Porta. É editado todos os anos; a partir do mês de novembro já encontrará o do ano seguinte. É um complemento imprescindível. (Ed. original: Calendrier Lunaire, Chene-Bernard, Calendrier Lunaire Diffusions) FUKUOKA, Masanobu. Larevolución de una brizna de paja. Ed. GEA Publicaciones. Está disponível em PDF em www.permacultura-montsant.org. (Ed. inglesa: The One Straiu Reuolution, Londres, Rodale Books, 1978) SEYMOUR, John. El horticultor autosuficiente. Ed. Blume. Foram editadas muitas versões, mas todas têm o mesmo conteúdo. Um clássico! (Edição mais recente e atualizada: The New Complete Book of Self-Sufficiency, Londres, Dorling-Kindersley, 2009) BUENO, Mariano. Cómo hacer un buen compost. Ed. La Fertilidad de la Tierra. Depois da primeira edição de 2003, foram impressas mais algumas. O recomendado autor aprofunda o conceito de compostagem, e fá-lo de uma maneira fácil e didática. IOLANDA BUSTOS. La mejor cocina conflores, plantas yfrutos silvestres. Salsa Books. Magnífico para quem ainda não conhecer todo o potencial das plantas na cozinha.

Outros endereços de Internet recomendados...

José Antonio é um especialista em dar novos usos às humildes madeiras das paletes, e sabe transmiti-lo. Barato e magnífico! www.palets-con-vida.blogspot.com

Mesmo estando em Portugal, inspire-se nas hortas que se escondem em Barcelona - desde a impressionante horta de Joan Carulla, situada num edifício próximo da praça Maragall, até às hortas comunitárias e municipais espalhadas por aqui e ali. www.huertosurbanosbarcelona.wordpress.com

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BAH! O coletivo madril.nho "Bojo «1 Asfalto está la Huerta’ não precisa de apresentações. O seu nome já diz tudo! www.bah.ourproject.org

www.greenguerillas.org A associação Slow Food, criada há mais de duas décadas para contrariar as misérias da comida de plástico e da vida acelerada, espalha-se por todo o mundo sem tréguas. Na Península Ibérica tem delegações nas principais cidades, províncias e regiões territoriais. A sua enérgica tarefa de divulgação não tem preço. www.slowfood.es

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O nosso amigo Pablo Durá, a partir de Vali de Gallinera em Alicante, abre-se ao mundo com uma aventura na Internet cheia de experiences e propostas. Destacam-se, entre muitas outras secções, os galinheiros artesanais moveis à venda e para aluguer. www.lavidaenelcampo.com

Se quiser contactar o autor, faça-o através do seu blogue:

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blogs.descobrir.cat/elsecretmesbenguardat Se quiser estar atualizado, torne-se amigo e siga a página de Un hort per ser feliç no Facebook!

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Quer tra n sfo rm a r a sua casa num autêntico ja rd im comestível? Não importa onde viva ou quanto espaço tenha: alfaces na varanda, tomates no terraço, abóboras em vasos e morangos no pátio das traseiras, onde haja um pouco de espaço, luz - e vontade! -, pode haver uma horta. Hoje em dia, são amplamente reconhecidas as propriedades e os benefícios da horticultura, e multiplicam-se à nossa volta as hortas urbanas, familiares, coletivas e escolares. O cultivo ecológico de alimentos está a espalhar-se como... um pé de hortelã! Afinal, ter uma horta representa a possibilidade de contemplar os ritmos da natureza, de relaxar, de se divertir e ainda por cima comer alimentos mais saudáveis, frescos... e baratos!

E você, já começou a semear a sua felicidade? Uma Horta para Ser Feliz é um livro muito prático e acessível que lhe permitirá começar a fazê-lo. Quer nunca tenha mexido em terra fresca quer seja já um “jardineiro de fim de semana” , este livro está recheado de bons conselhos, dicas úteis e toda a informação de que vai precisar para obter a melhor comida que alguma vez provou - a cultivada POR SI!

Uma horta para ser feliz  

Uma horta para ser feliz de Marc Estevez Casabosch

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