Depoimento Dona Cely Canetti

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EM RESPOSTA AO E-MAIL ENVIADO, Dona Cely Canetti ExAluna do Aldridge:

- Eu entrei para o Aldridge em 1940, no antigo admissão, que era o preparatório para o ginásio. Fui recebida pelo Sr. Felix, um idoso bedel (era assim que se chamavam os inspetores de disciplina) Meu irmão Luiz Osório de Brito Aghina (que se tornou um importante engenheiro nuclear conhecido mais fora do Brasil do que na sua terra) era 2 anos mais moço que eu e fomos os dois apavorados, saindo de um coleginho pequeno na Urca para aquele eeennnooorrnnmmee prédio na Praia de Botafogo, onde hoje é a Fundação Getúlio Vargas. Eram 2 prédios, um bem antigo, com escadarias de Ferro, um pátio muito grande onde ficávamos em forma, esperando a subida para as salas de aula. No outro prédio, mais moderno, subíamos em escadas de mármore. O chão era de cerâmica vermelha São Caetano e no último andar um grande salão para o recreio das meninas. O dos meninos era no térreo. Nós almoçávamos lá e como bom diretor inglês, Mr. Aldridge, cuja esposa era francesa, Mme. Elvira Bherta Duchen, o almoço era todo falado em inglês e francês, Até as orações antes das refeições eram, uma semana em inglês e outra em francês. Eu me lembro que uma das filhas do Mr. Aldridge se chamava Violeta e dava aulas de taquigrafia. Era um dos poucos colégios mistos, por isso meu pai nos colocou lá, eu e meu irmão. Você perguntou por alunos que se destacaram ou eram de famílias conhecidas. Fui colega do Daniel Klabin, da Suzana Basbaum (cujo pai era dono das Lojas Brasileiras, na época muito importante) da Joy Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, filha do general José Pessoa, amigo pessoal do Getulio. No tempo que os oficiais do Exército eram dignos e probos, este general foi o presidente da Comissão que estudou o lugar no Brasil para uma nova capital, muito antes de o Juscelino colocar em execução. e se recusou a comprar um só terreno lá. Também foi quem construiu a AMAN. Os Landau, os Aguinaga, os filhos do Getulio, lembro de um deles (não estava mais no colégio) que morreu, muito moço, de um acidente e o colégio colocou luto, todos da família Caneca, cujo chefe era um grande investidor em Imóveis, fazendo a incorporação (era assim que se chamava o lançamento de Imóveis) do Edifício Imperator, no posto 6, uma enormidade na época. Alda Caneca ou sua irmã Aida, não me recordo, se casou depois com o médico fundador do Procardíaco. Os Mayrink Veiga, cujo aluno, Antônio (Tony) hoje é casado com a Carmem Mayrink Veiga. Sua irmã, (não me recordo o nome) era minha colega, se mudou para OS E.U.A. E me contaram que teve um filho que morreu no Vietnam. Sua prima, Lila Boscoli, também minha colega, se casou, anos depois com o Vinicius de Morais. Fomos também colega da Vanja Orico, filha do escritor, Oswaldo Orico, muito inteligente e, mais tarde se tornou atriz e cantora ( Mulher Rendeira). O Aldridge era o colégio escolhido pelos judeus, sempre preocupados com a educação de seus filhos. Eu me lembro dos Herzog, OS Lissovsky, Ernesto Erlanger. Os irmãos da Joy Pessoa, Brigadeiro José Pessoa Filho, piloto do Presidente Geiser, e que fez uma bela carreira na Aeronáutica e sua irmã Elizabeth, que é casada com Rogério Marinho, irmão do Roberto Marinho. Falando hoje com a Joy, ela me disse que alguns foram ministros ou se sobressaíram em muitas áreas. Lembro-me de um colega, Eduardo Rabelo de Sá e Silva que se tornou um químico conhecido, Cesare Giorgi, já falecido, engenheiro.


Botei minha cabeça para funcionar, pois já tenho 80 anos, para me lembrar dos nomes dos meus professores e me lembrei, do Prof. Maia, de matemática, Antônio Gurgel Valente, de latim, Aristeu Carneiro, de Historia, Monsieu Villié, de francês (ele não tinha um braço, perdido na guerra) Mrs. Carney, de inglês, David Peres, de latim, Alexandrina, de português, acho que todos já falecidos. Mr. Aldridge era inglês, igualzinho ao Príncipe Philips, marido da rainha Elizabeth, Ele fechou o colégio quando o Getúlio fez uma lei em que proibia os donos de colégio serem estrangeiros. Ele se ofendeu justamente porque os filhos do Getúlio tinham estudado lá. Os professores ficaram desesperados e a maioria se transferiu para o Andrews, que, mais esperto, colocou o professor Flecha Ribeiro como diretor. A mesma coisa fez o Anglo Americano e o Benett. Nosso uniforme era saia azul marinho e blusa amarela. como debruns em azul marinho Como ficávamos importantes marchando no Dia DA Raça. Coisa inventada pelo Getúlio, imitando Hitler. E o coral do Villa Lobos, com todos os colégios! Bem, já contei muita coisa Tenho fotos, mas como não tenho scanner vou mandar mais tarde. Uma curiosidade. Anos mais tarde, meu marido, Eli de Castro Canetti, já falecido, estudou economia na Fundação Getúlio Vargas no mesmo local onde eu havia feito o ginásio Outra curiosidade que me lembrei agora. Havia, no escritório de Mr. Aldridge um dispositivo onde ele ouvia tudo o que se passava nas salas de aula, e quando a bagunça estava grande nós ouvíamos uma voz, vinda de um auto falante, que achávamos cavernosa, dizendo SILENCE, PLEASE. E ficávamos quietinhos. Que diferença de hoje!!!!

DEPOIMENTO DE CELY CANETTI E ALUNA DO COLÉGIO ALDRIDGE Nota: Mr. Aldridge a quem a dona Cely identifica é o Walter Leonard Aldidge filho do Mr. Alfred Robinson Aldridge, fundador do colégio aqui em São Gonçalo. Dona Cely tem hoje 84 anos, entrou no Aldridge em1940, formou-se em 1944, com 15 anos de idade foi a última turma porque logo depois o colégio fechou as portas devido a um decreto presidencial de nacionalização do ensino no Brasil. O prédio foi vendido para a Fundação Getúlio Vargas.E 1945.