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Nº 12 ANO 06 JAN-MAR 2008 Informação Trimestral de Cabinda

CABINDA em tempo de Paz


EDITORIAL

CABINDA passos firmes rumo ao desenvolvimento

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aros Cidadãos O desenvolvimento económico e social da província de Cabinda tem conhecido nos últimos anos progressos muito substanciais e que são dignos de grande realce. Senão vejamos:

A nível da sua macroeconomia, atendo-nos aos dados anuais fornecidos pela Delegação Provincial de Finanças e relativos à projecção das receitas locais no desenvolvimento da

economia (refira-se neste caso sem contar com as receitas provenientes do sector petrolífero) expressos em USD, apurou-se que em 2002 esse progresso registava 18,4%. Em 2003, deixou de ser negativo passando desta feita para 7,7%. Já em 2004, o progresso registado foi de 87,1%. Em 2005, a mesma subiu para 143,2%, atingindo no ano passado a fasquia recorde dos 179,4%. Daí o facto de hoje Cabinda ser tida como uma das Províncias, depois de Luanda, que mais receitas contribui para o Orçamento Geral do Estado, sem contar com as receitas provenientes do sector petrolífero. O “canteiro de obras” que despoletou na província logo após a aprovação do programa especial, emanado na sequência do Programa de Desenvolvimento Económico e Social (PDES) está em curso: o surgimento de inaugurações de grande vulto como a nova aerogare do Aeroporto de Cabinda, a Escola Comandante Dangereux, o Posto de Saúde de Povo Grande – obras estas que tiveram o privilégio de serem inauguradas por Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Angola. A inauguração do novo Seminário Católico de Cabinda, a Escola do Ensino Médio de Cabassango – obras inauguradas pelo Exmo. Senhor Primeiro-ministro. A nova estrada Bichekete–Massabi, a abertura ao público do estabelecimento comercial Nosso Super, o inaugurado Complexo Residencial de Cabassango, a inauguração da Escola e Residência de Professores de Penecáta – obras estas também de raiz erguidas em pleno coração do Maiombe, dentro das então chamadas zonas libertadas pelo MPLA durante a guerrilha contra o colonialismo português (zona B), a Escola e Residência para Professores no Buco-Zau, as Escolas de Zala de Baixo, no Belize, a resselagem e colocação da sinalização semafórica nas principais ruas de Cabinda, a entrega de ambulâncias e colocação de médicos em todos os Municípios e na maioria das Comunas, a resselagem das vias Cacongo/Buco-Zau, Belize e Cabinda/Tando-Zinze. Por outro lado, também há a adicionar o melhoramento dos sistemas de abastecimento de água potável nos Municípios e Comunas, a realização periódica das feiras agro-pecuárias na cidade de Cabinda, onde os feirantes constituídos por humildes camponeses provenientes do Yema ao Miconje e de Massabi ao Zenze do Lucula com custos zero na transportação dos seus produtos, põem-nos à venda no maior centro de consumo local. A comercialização do café, os programas Nossa Aldeia e Nova Imagem, que são caracterizados pela venda de chapas de zinco a preços Janeiro-Março 2008 3


EDITORIAL

subsidiados às populações do meio rural, e a distribuição de petróleo iluminante – actividades estas geridas pelas próprias autoridades tradicionais locais. A distribuição gratuita, em todas as escolas do 1º nível do ensino existentes nas áreas urbanas e rurais, da merenda escolar diária, a bata escolar confeccionada por alfaiates locais contratados pelo Governo Local com duas mudas/ano, o kit escolar comportando mochila e material didáctico e livros necessários à aprendizagem das crianças. De referir ainda em acréscimo a todo este grande manancial de acções, a declaração pública confirmada pelo mais alto mandatário da Nação Angolana, o Presidente José Eduardo dos Santos, a 10 de Agosto do ano passado no Estádio do Tafe, de que Cabinda está sem crianças fora do sistema normal de ensino, são de facto acções que, entre muitas outras, aliás, cuja menção total seria demasiado fastidioso para esta minha crónica, que indica com clareza a consigna; Caros Cidadãos; Como se pode depreender também, todo este progresso evidencia a justeza das medidas de política de desenvolvimento da acção governativa da Província, que vem adoptando ao longo destes anos de labuta, em prol do bem-estar da nossa generosa população cabindense. Numa palavra, podemos hoje bradar bem alto sem medo de errar dizendo forte e em bom som de que: Cabinda Caminha a Passos Firmes Rumo ao Desenvolvimento! Junte-se a nós e participe nas ingentes tarefas da Reconstrução Nacional!

SIALANU BU BOTE

José Aníbal Lopes Rocha

4 Janeiro-Março 2008


SUMÁRIO

ficha técnica 8 GOVERNO QUER ATENUAR EFEITOS DA DESCONTINUIDADE TERRITORIAL 10 MEMORANDO DE ENTENDIMENTO PODERÁ ESTAR APLICADO ANTES DAS ELEIÇÕES 11 POLÍCIA GARANTE SEGURANÇA NO PERÍODO ELEITORAL 13 EMPREENDIMENTOS SOCIAIS MERECERAM PRIORIDADE EM 2007 15 JUVENTUDE ACORRE AOS CENTROS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 16 COMANDO DA POLÍCIA COM NOVOS EFECTIVOS E MEIOS 18 CABINDA E BAIXO CONGO COOPERAM NO COMBATE À IMIGRAÇÃO ILEGAL 20 DIRECTOR DO GEPE, BONIFÁCIO DO ESPÍRITO SANTO, REVELA: 219 MILHÕES DE DÓLARES PARA 112 PROJECTOS DE INVESTIMENTOS PROPRIEDADE Governo da Província de Cabinda DIRECTOR Pedro Sia Paulina EDITOR

PÚBLICOS EM 2008 25 MAIS DE 5 MILHÕES DE DÓLARES FALSOS APREENDIDOS 26 CAMPANHA AGRÍCOLA 2007/2008 EM MARCHA 28 MÚSICOS DE CABINDA SERÃO FORMADOS NA RDC

Abel Taty

29 CANTOR PAIFUIDI PREPARA SEGUNDO CD SUB EDITORES Alberto Coelho, Vuvu Matualunda

30 GRUPO “NGOIO MÁQUINAS DE MERENGUE” VENCE CARNAVAL 2008

e António Kifueto REDACTORES Maria Amélia, Lino Wilson,

31 MOMENTOS QUE A CLAQUE DE CABINDA VIVEU NO CAN DO GHANA 41 DADOS DEMOGRÁFICOS E GEOGRÁFICOS DA PROVÍNCIA DE CABINDA

João de Deus, António Piçarra (Executive Center) FOTOGRAFIA Gabinete de Comunicação e Imagem do GPC SECRETÁRIA DE REDACÇÃO Catarina Tendequele GRAFISMO IONA, Comunicação & Marketing

(Grupo Executive Center) EDIÇÃO E EXECUÇÃO GRÁFICA ESPECIAL Executive Center TIRAGEM 5 000 exemplares REGISTO MCS 294/3/01

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POLÍTICA

Governo quer atenuar efeitos

da descontinuidade territorial O governador de Cabinda, José Aníbal Rocha, deu a conhecer que o seu governo está a trabalhar afincadamente no sentido de atenuar as consequências negativas da descontinuidade territorial da província, com vista a fortalecer a proximidade económica e social com o resto do território nacional. Texto: Alberto Coelho

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alando na cerimónia de cumprimentos de fim de ano, Aníbal Rocha disse ainda que o seu executivo vai apostar nos recursos produtivos endógenos e reforçar a plataforma industrial de cooperação e articulação de estratégias sectoriais. A normalização da circulação de pessoas e bens, o reassentamento das populações, o equilíbrio das redes de equipamentos sociais e uma mais eficaz gestão dos servi-

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ços, virada para a actividade produtiva e restabelecimento das trocas comerciais inter-provinciais e transfronteiriças, vão merecer igualmente a atenção do governo provincial. Neste contexto, de acordo com o

governador, uma das prioridades será a reabertura da rede de estradas e o desenvolvimento dos serviços de transporte de pessoas e bens, visando a reanimação da economia local e a consequente normalização e melhoria das condições de vida das comunidades. Na sua opinião, essas acções reflectir-se-ão “de forma positiva no


POLÍTICA

processo de desenvolvimento económico e social da província e na diminuição efectiva dos efeitos negativos da insularidade do território da província de Cabinda”. “Iremos desenvolver acções atinentes a um apoio institucional mais efectivo ao empresariado local, criar mais postos de trabalho, dar uma atenção mais cuidada ao desenvolvimento do desporto escolar e federativo, garantir uma protecção e segurança mais efectiva dos cidadãos”, afirmou o governador. Aníbal Rocha anunciou também que o governo provincial dará “uma atenção cuidada à Policia Nacional, não só com a aquisição de equipamentos e outros meios de funcionamento, como também na construção de novas esquadras policiais em toda a província, com particular atenção para a sua capital”. De acordo com o governante, as próximas eleições legislativas, marcadas para Setembro, afiguram-se como “a mais importante e destacável de entre as demais tarefas” agendadas para 2008, “já que nos compete dar todo o apoio logístico e material (…) para o êxito deste nobre trabalho cívico e patriótico”. A implementação do novo estatuto orgânico e os regulamentos de funcionamento das administrações municipais e comunais, à luz do Estatuto Especial para Cabinda, será também outra das tarefas de elevada importância a ser desenvolvida pelo governo de Cabinda no presente ano.

tado de desenvolvimento. Nesta visita, segundo Aníbal Rocha, o PR orientou aos governos central e local na prossecução das tarefas mais importantes visando a melhoria do bem-estar das populações. “A forma apoteótica, o carinho espontâneo evidenciado e expresso por milhares de pessoas durante a visita do PR (…) exteriorizou o alto e elevado sentido patriótico e de cidadania que cativa a população de Cabinda, no reconhecimento das qualidades de liderança e de eminente estadista que patenteia a pessoa do Senhor Presidente da República”, referiu Aníbal Rocha. Disse que a actividade do governo de Cabinda em 2007 pautou-se pelo reforço da integração económica e comercial com o resto do país, potenciando as complementaridades interprovinciais, deu-se prioridade ao desenvolvimento económico e produtivo, criando emprego e melhorando os rendimentos da população, bem como deu-se resolução às dificuldades

no abastecimento de água e energia. Segundo o governador José Aníbal Rocha, o Estatuto Especial concedido à província, no quadro do Memorando de Entendimento, permitiu uma viragem marcante na sua governação, uma vez que Cabinda aumentou os seus recursos financeiros, permitindo assim que a população beneficie de novos projectos de elevado impacto social. Com o aumento dos recursos financeiros, foi aprovado, no início de 2007, um programa de investimentos especial para Cabinda, que abarca um total de 119 projectos orçados em 27 biliões e 663 milhões e 163, 365 Kwanzas. ■

FACTOS MAIS RELEVANTES DE 2007 Entre os factos mais notáveis ocorridos em 2007 na vida política da província, o governador Aníbal Rocha destacou a visita do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a Cabinda, no mês de Agosto, que permitiu ao mais alto mandatário da Nação tomar contacto directo com a realidade local e analisar o seu es-

O governador Aníbal Rocha Janeiro-Março 2008 9


POLÍTICA

Memorando de entendimento

poderá estar aplicado antes das eleições O Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) prossegue as negociações com o Governo Central, no sentido de a aplicação do Memorando de Entendimento para Paz em Cabinda estar concluída antes das eleições legislativas de Setembro próximo, afirmou o seu presidente, António Bento Bembe, durante uma conferência de imprensa em Luanda. Texto: Abel Tati e Filipe Massanga

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político exprimiu a sua satisfação pelo grau de implementação dos pontos consignados no referido Memorando, tendo salientado o facto de já ter terminado o processo de integração dos membros do FCD no Governo e noutros sectores da vida socio-económica, assim como o enquadramento dos militares e polícias nas respectivas unidades. “Os membros seleccionados e indicados para o Governo estão em pleno exercício das suas funções, os diplomatas estão a ser colocados e encaminhados para as respectivas missões diplomáticas, enquanto que outros foram nomeados e empossados para diversas empresas públicas”, deu a conhecer Bento Bembe. De acordo com o líder do FCD, o repatriamento de refugiados e a reinserção dos desmobilizados figuram como os principais desafios que ainda restam 10 Janeiro-Março 2008

por aplicar do Memorando de Entendimento. Assim, Bento Bembe sublinhou que a Comissão Conjunta vai continuar a trabalhar “muito afincadamente” até a conclusão do referido Memorando.

“A PAZ É UM FACTO…” O presidente do FCD desvalorizou todas as informações segundo as quais a guerrilha prossegue no território de Cabinda, acusando os seus autores de estarem a praticar “mera propaganda”. A seu ver, os que se opõem ao Memorando de Entendimento “pretendem fabricar factos para ganharem nome, sobretudo numa altura

António Bento Bembe

em que se aproximam as eleições”. “A paz em Cabinda é um facto, é uma realidade”, afirmou o político, que acredita que “os que ainda estão cépticos, mais cedo ou mais tarde se juntarão a nós na luta pela dignificação de todos os angolanos e pelo desenvolvimento do país”. Por outro lado, confirmou que está em curso o processo de transformação do FCD em partido político, cuja implementação será eficaz “tão logo sejam concluídas as tarefas contidas no Memorando de Entendimento. Segundo explicou, “todos os trâmites para a legalização do FCD em partido político decorrem sem quaisquer embaraços, e na devida altura serão conhecidos definitivamente o seu novo nome, a bandeira e os símbolos”. No âmbito do Memorando de Entendimento para a Paz em Cabinda, assinado a 1 de Agosto de 2006 no Namibe, o líder do FCD ocupa no Governo central o cargo de ministro Sem Pasta, um lugar com o qual ele diz estar “muito regozijado”, pelo facto de poder exprimir ideias “que podem contribuir para o desenvolvimento do país e, concomitantemente, de Cabinda”. ■


POLÍTICA

Polícia garante segurança

no período eleitoral

O comandante da Polícia Nacional em Cabinda, Comissário António Pedro Kandela, assegurou a esta revista que a sua corporação está a criar as condições indispensáveis para que as eleições legislativas, previstas para Setembro próximo, sejam realizadas na província num clima de total segurança. Texto: Alberto Coelho

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egundo aquele oficial superior, o pleito eleitoral de Setembro representa “uma grande responsabilidade para o Ministério do Interior e em particular para a Polícia Nacional”, facto que levou o comando provincial a formar novos efectivos, que vão procurar garantir um processo eleitoral sem sobressaltos em Cabinda. De acordo com António Kandela, a colocação de unidades de base da Polícia mais próximas das zonas residenciais será uma das medidas a adoptar, no sentido de garantir maior segurança aquando das eleições. “Vamos participar com todos os meios, e temos um programa vasto de educação moral e cívica dos nossos efectivos”, assegurou. Adiantou que serão realizados workshops e seminários sobre a

Novos efectivos da Polícia

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POLÍTICA

necessidade do desarmamento da população civil, além de outras acções que têm a ver com o reforço de mais efectivos nas unidades da Polícia de Guarda-Fronteira ao nível da província, para garantir a inviolabilidade do território. “Tudo isto é para garantir uma segurança condigna na altura das eleições”, explicou.

Polícia quer garantir segurança nas eleições

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CRIMINALIDADE DIMINUI O comandante Kandela referiu que “os índices de criminalidade na província de Cabinda baixaram consideravelmente, mercê de um grande empenho dos diversos órgãos da Polícia e da colaboração da população”. Segundo ele, até Agosto do ano passado Cabinda tinha um regis-

to de 30 a 40 crimes por semana, um número que baixou para menos de 15 crimes. “Os níveis baixaram bastante e comparando os dados de Janeiro e Fevereiro deste ano, os indicativos mostram-nos que estão a baixar, sobretudo aqueles crimes que maior sossego tiram à população – os homicídios”, afirmou. De acordo com o comissário, a diminuição é fruto de operações policiais e acções de patrulhamento nos períodos diurno e nocturno, assim como da colaboração da população. No entanto, o comandante da Polícia reconhece que ainda não está feito o suficiente para debelar a criminalidade na província, pois “ainda há algumas áreas cinzentas onde vamos continuar a trabalhar para que dia-a-dia se melhore os índices de criminalidade”. A seu ver, “Cabinda tem condições favoráveis para ser uma das províncias mais seguras do país e nós vamos trabalhar para isso.” ■


SOCIEDADE

Empreendimentos sociais

mereceram prioridade em 2007 A construção de vários empreendimentos sociais, sobretudo ligados à educação e à saúde, a criação de novos empregos e a resolução dos problemas de abastecimento de água e energia eléctrica constituíram as prioridades do governo de Cabinda em 2007, no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta de Bens e Serviços Básicos à População. Texto: Alberto Coelho

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egundo o governador José Aníbal Rocha, o Estatuto Especial concedido à província, no quadro do Memorando de Entendimento, permitiu uma viragem marcante na sua governação, uma vez que Cabinda viu aumentados os seus recursos financeiros, permitindo assim que a população benefi-

ciasse de projectos de elevado impacto social. Com o aumento dos recursos financeiros, foi aprovado, no início de 2007, um programa de investimentos especial para Cabinda, que abarcou um total de 119 projectos orçados em 27 biliões e 663 milhões e 163, 365 Kwanzas. Nesta conformidade, de acordo

com o governante, a nível da educação e ensino, com um total de 11 acções, foram realizadas actividades de relevante importância, que têm a ver com a construção e reparação de novas salas de aulas, o que determinou que Cabinda hoje não tenha crianças fora do sistema de ensino a nível de base. No ensino médio, referiu, foram Janeiro-Março 2008 13


SOCIEDADE

Novos empreendimentos sociais em Cabinda

igualmente criadas novas salas de aulas nos municípios de Cabinda e Cacongo, o que permitiu atenuar as grandes dificuldades que se viviam neste domínio a nível da província. Aníbal Rocha regozijou-se com o 14 Janeiro-Março 2008

facto de Cabinda possuir escolas do I, II e III níveis em todas as comunas, e estabelecimentos de ensino médio em todos os municípios, perspectivando para 2008 o ensino superior no município de Buco-Zau e a conclusão

da construção do campus universitário, iniciado em Agosto de 2007. No capítulo da saúde, o governo conseguiu colocar médicos em todos os municípios e na maioria das comunas, bem como inaugurou novas unidades hospitalares nos municípios de Cabinda e Buco-Zau, decorrendo, neste momento, a conclusão das obras de construção dos hospitais central de Cabinda, regional de Alzira da Fonseca e municipal de Buco-Zau. “Com os esforços e recursos locais, contratamos equipas médicas de Cuba e da Coreia para preencherem as necessidades técnicas dos nossos principais hospitais e postos de saúde existentes na província com unidades moveis de ambulância, para além do envio ao exterior de 10 quadros para formação em pós-graduação”, ressaltou o governador Aníbal Rocha. Quanto ao abastecimento de energia eléctrica e água potável, foram executados vários projectos, tais como a recuperação e ampliação dos sistemas de produção de água em várias localidades da província, bem como a remodelação das linhas de transporte de electricidade da central térmica de Malongo para a cidade de Cabinda. Em relação à questão da livre circulação de pessoas e bens, dispensou-se uma atenção especial na recuperação das principais vias de comunicação terrestres, com especial destaque para a via BichéqueteMassábi e Cacongo-Buco-Zau-Belize, tendo-se já iniciado a construção dos troços Cabinda-Tando Zinze e Pove-Dinge. Para o combate à pobreza, para além do apoio que o governo está a conceder ao sector campesino, foi igualmente relançado em Cabinda o programa da pesca continental, com a entregue de 11 canoas e artefactos de pesca à comunidade de pescadores das aldeias de Chinfuca, Mpali, Beira-Nova, Tuba, Cácata, Ceva I e II, Tando Macuco e Pangamongo. ■


SOCIEDADE

Juventude acorre aos Centros de Formação Profissional O Governo da Província de Cabinda tem estado a trabalhar em colaboração com o Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social (MAPESS) na construção de vários Centros de Formação Profissional, para dotar os jovens de conhecimentos em todos os ramos do saber profissional. Texto: Filipe Massanga

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facto foi revelado pelo chefe do Executivo provincial, Aníbal Rocha, aquando da abertura do 1º Acampamento da Juventude em Tempo de Paz, promovido pelo Conselho Provincial da Juventude em alusão ao 32º aniversário da independência nacional, que teve lugar na Comuna do Necuto (município de Buco-Zau). De acordo com Aníbal Rocha, os

centros de formação já em funcionamento “têm ajudado muitos jovens a ir ao encontro do seu primeiro emprego”, após terem frequentado diversos cursos profissionais, como electricidade, construção civil, mecânica de frio e informática. O governador provincial realçou o facto de grande parte desses estudantes serem requisitados por diversas empresas “muito antes de terminarem a sua formação”, pro-

metendo que o Executivo provincial vai continuar a ajudar os jovens a contribuírem no processo de reconstrução em curso no país. Segundo Aníbal Rocha, neste momento estão na posse do Governo de Cabinda mais de 60 projectos elaborados por jovens, no quadro do programa denominado “Crédito Jovem”, os quais já estão a merecer o devido tratamento pelos governantes locais. ■ Janeiro-Março 2008 15


SOCIEDADE

Comando da Polícia

com novos efectivos e meios O 32º aniversário da Polícia Nacional, celebrado a 28 de Fevereiro, foi a ocasião escolhida pelo Comando Provincial de Cabinda para pôr em funcionamento uma Companhia Operacional de Patrulhamento Auto, no quadro do reforço das acções de combate à criminalidade e manutenção da ordem pública. Texto: Alberto Coelho

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SOCIEDADE

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Comando Provincial procedeu igualmente ao lançamento de uma Brigada Moto, no sentido de patrulhar as localidades de difícil acesso às viaturas da Polícia, assim como de uma Brigada Policial Escolar, para assegurar o patrulhamento nos recintos escolares e salvaguardá-los dos actos de vandalismo que ponham em causa a segurança dos alunos. De realçar que, no âmbito das tarefas a executar em 2008, a Polícia em Cabinda definiu como prioridade a melhoria dos serviços de ordem pública, visando proporcionar maior segurança à população, o combate à imigração ilegal através do fortalecimento do controlo das fronteiras com as Repúblicas do Congo, o melhoramento das condições na cadeia do Yabi e da actuação dos serviços de bombeiros. O Comando Provincial da Polícia não se esqueceu também da intensificação das acções de educação mo-

ral e cívica dos seus efectivos, “para que a sua actuação seja fundada nos preceitos da ética e da moral pública, com o fito de diminuir o índice de corrupção e actos de insubordinação dos seus agentes”.

DESMANTELADOS GRUPOS DE MARGINAIS Entretanto, a Polícia deu a conhecer que no ano passado, em Cabinda, foram desmanteladas 23 redes de marginais que praticavam diversos crimes, o que resultou na detenção de 31 dos seus integrantes. O desmantelamento foi fruto da intensificação da presença policial na via pública, o que permitiu reduzir os crimes violentos praticados sobretudo na calada da noite. No ano passado, a operatividade da Polícia foi considerada como tendo sido da ordem dos 85 por cento, com mais de mil crimes devidamente esclarecidos e remetidos à Justiça, de acordo com fontes policiais. No âmbito da regularização do trânsito, a instituição registou 532 acidentes de viação no ano passado (mais 87 em relação a 2006), com o município de Cabinda a somar 450 acidentes, Cacongo 67 e Buco-Zau 10, que causaram 34 mortos, 303 feridos e danos materiais avaliados em 335 mil Kwanzas. No mesmo período, foram recolhidos e repatriados 4 mil e 771 cidadãos estrangeiros ilegais, na sua maioria da República Democrática do Congo, no quadro das operações “Progresso, Sossego e Kulungungo”. ■ Janeiro-Março 2008 17


SOCIEDADE

Cabinda e Baixo Congo cooperam no combate à imigração ilegal

As Polícias de Investigação Criminal de Cabinda e do Baixo Congo (República Democrática do Congo) estão em vias de criar um mecanismo legal de cooperação, no sentido de impedir a imigração ilegal de cidadãos congoleses, que em território cabindense se envolvem em graves actos de criminalidade. 18 Janeiro-Março 2008


SOCIEDADE

Texto: Alberto Coelho e João Nunes

O

s primeiros passos para a criação desse mecanismo foram dados num primeiro encontro entre as duas instituições, realizado recentemente na cidade de Cabinda, durante o qual ambas as partes concordaram na necessidade urgente de se efectuarem trocas recíprocas de informações, ultrapassando a ausência de um acordo de justiça sobre a matéria. Durante os trabalhos, que decorreram num ambiente considerado “cordial e de franca camaradagem”, as duas partes assumiram o compromisso de honrarem escrupulosamente com os entendimentos alcançados, tendo a comitiva congolesa manifestado a intenção de tudo fazer para estancar a imigração ilegal de cidadãos da RDC para a província de Cabinda. Os dois lados chegaram também a acordo quanto à criação de formas destinadas a desencorajar o cultivo e tráfico de droga (liamba)

Director dos Serviços de Migração e Estrangeiros

ao longo da fronteira comum, enquanto que a delegação congolesa defendeu que os cidadãos do seu país em situação migratória ilegal, no acto do seu repatriamento sejam entregues à Polícia congolesa e não às autoridades migratórias, conforme vinha acontecendo. Durante o encontro, o director provincial da Investigação Criminal, primeiro superintendente Luís Paulo Camanda, transmitiu ao seu homólogo do Baixo Congo, Emanuel Diakeno, a preocupação do Governo de Cabinda pela presença de grande número de imigrantes ilegais congoleses no enclave, assim como o seu envolvimento em crimes de natureza diversa, com destaque para assaltos à mão armada.

“ALTAMENTE PERIGOSOS” Já em entrevista ao Jornal de Angola, Luís Paulo Camanda reiterou que grupos de congoleses praticam em solo cabindense, à mão armada, sobretudo crimes de roubo, ofensas corporais, tráfico e consumo de drogas, falsificação de documentos e de moeda estrangeira (dólar). Segundo Luís Camanda, alguns cidadãos da RDC comandam mesmo grupos de marginais considerados altamente perigosos, que assaltam à mão armada casas de pacatos cidadãos nacionais. Sem precisar o número de estrangeiros detidos na província de Cabinda, o oficial superior da Polícia referiu que os mesmos encontramse a cumprir penas no país, por falta de um acordo de extradição entre Angola e RDC, em particular entre Cabinda e a região do Baixo Congo. Entretanto, os Serviços de Emigração e Estrangeiros expulsaram de Cabinda, entre finais do ano passado e inícios deste ano, um total de 3 mil e 91 estrangeiros ilegais, entre os quais 2.824 cidadãos da RDC, 260 do Congo Brazzaville e dois camaroneses. Vidal Manuel Coutinho “Vilela”, director provincial dos Serviços de Migração e Estrangeiros disse à Ngonje que a detecção dos estrangeiros ilegais foi, de certo modo, graças a denúncias da população, apesar de alguns cidadãos nacionais insistirem em dar acolhimento a estrangeiros ilegais. ■ Janeiro-Março 2008 19


ENTREVISTA

Director do GEPE, Bonifácio do Espírito Santo, revela:

219 milhões de dólares para 112 projectos de investimentos públicos em 2008 Terminada a guerra, os angolanos arregaçaram as mangas para reconstruir o país dilacerado por um conflito que impediu, de certo modo, o desenvolvimento de Angola e o bem-estar das populações. Estamos na fase de Reconstrução Nacional. Cabinda, a província mais ao norte do país, não está alheia à situação e acompanha também a “passada”, para que dentro do Programa de Investimentos Públicos possa proporcionar aos seus habitantes melhores condições de vida e catapultar a região, rica em petróleo e madeira, no desenvolvimento que merece dentro do contexto nacional. Para sabermos dos esforços que o Governo local está a empreender para melhorar o nível de vida das populações, a revista Ngonje entrevistou o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Governo de Cabinda, Bonifácio do Espírito Santo. O director do GEPE falou de tudo um pouco sobre os projectos em curso e lamentou, por outro lado, o atraso que se verifica na conclusão de algumas obras de extrema importância para a vida da população. Eis a entrevista. 20 Janeiro-Março 2008


ENTREVISTA

Construção de novas casas sociais

Texto: Alberto Coelho

N

gonje – Sr. director, qual é o orçamento atribuído a Cabinda para o presente ano? Bonifácio do Espírito Santo – Para este ano, Cabinda tem um orçamento de 272 milhões, 467 mil e 488 dólares. Deste valor, 219 milhões de dólares estão destinados a investimentos públicos, que correspondem a 112 projectos para 2008. Ngonje – Quais são os projectos relevantes consignados no Programa de Investimentos Públicos para este ano? BES – Temos vários projectos. Posso aqui destacar a construção do edifício da Identificação, a reabilitação do edifício do Sinfo, o apetrechamento em equipamentos do laboratório de criminalística, a construção das escolas do Lombo-Lombo e Gika, a reabilitação do hospital Al-

zira da Fonseca e do Hospital Central de Cabinda, a conclusão do Centro de Saúde de Ganda Cango, a aquisição e instalação de equipamentos médicos no hospital provincial e nos centros de saúde em construção, a construção do hospital infecto-contagioso, a construção e apetrechamento do mercado de São Pedro, a construção de 250 casas sociais e outras 100 casas sociais para os membros do Governo, a elaboração do Plano Director da vila de Lândana e da cidade de Cabinda, a construção de um pavilhão gimno-desportivo. Temos ainda outros projectos, como o plantio de um palmar, a instalação de uma unidade de processamento de óleo de palma e uma fábrica de sabão e sabonete. Como disse, são no total 112 projectos. Ngonje – Que projectos existem no capítulo produtivo?

BES – A província precisa de se desenvolver e para tal necessita de investimentos. Assim, o Governo tomou a iniciativa de fazer alguns investimentos, como por exemplo a nível da cerâmica de Sassa-zau. Essa cerâmica estava em escombros, porque foi abandonada e nem chegou a ser rentabilizada. O Governo provincial achou por bem reabilitála, com fundos de uma organização portuguesa e também com fundos do Governo local. Possivelmente essa cerâmica poderá ainda este ano entrar em funcionamento. Também adquirimos uma fábrica de pequenas dimensões para confeccionar sabão e sabonetes, e já pagamos a primeira trancha para a aquisição de silos de cimento e de silos de farinha de trigo. São unidades de processamento que irão dar outra dinâmica à província, porquanto vai ocupar mão-de-obra, mas há ouJaneiro-Março 2008 21


ENTREVISTA

tros projectos como o plantio de dendém para sustentar a fábrica de sabão e sabonete. Ngonje – Em relação à rede viária, o que lhe apraz comentar? BES – Temos um grande projecto que é a rua das Forças Armadas, uma actividade de âmbito nacional a cargo do Ministério das Obras Públicas. Embora lentamente, vai tendo os seus avanços, porque há vários constrangimentos nessa obra. A reparação da estrada Cabassango/ Zenze Lucula é igualmente uma obra de âmbito

nacional, a cargo da empresa Tecnovia e financiada pelo grupo Escom. Ngonje – No âmbito do PIP (Programa de Investimentos Públicos), não há nada que se refere ao complexo Pau-Rosa? BES – O Governo já fez o adiantamento para o início desta obra, que esteve sempre sob tutela do Ministério da Indústria. Mas o Governo provincial achou por bem liderar essa obra, no plano do Programa Especial para a Província de Cabinda. Já foram dados alguns pas-

sos e estamos agora a acertar a parte final do projecto, para que o mesmo possa arrancar, isto no que diz respeito às obras de construção civil e depois o equipamento será adquirido. Quanto ao projecto do Pólo Industrial do Fútila, é também da responsabilidade do Governo central. Mas, há uma parte que o Governo provincial teve de assumir e já pagou o valor destinado à terraplanagem do local. É da nossa responsabilidade garantirmos a água e a luz. As infra-estruturas básicas serão da responsabilidade do núcleo criado para implementar o projecto do Parque Industrial do Fútila. Ngonje – Há morosidade na conclusão de algumas obras? BES – Muito recentemente esteve cá em Cabinda o ministro acompanhante do Conselho de Ministros para a província, Roberto Leal Monteiro (Ngongo), e devo dizer que, tanto ele como o senhor governador Aníbal Rocha ficaram muito desapontados com o desempenho dos empreiteiros. Eu não sei o que se está a passar, mas a verdade é que nós não devemos absolutamente nada a esses empreiteiros, que estão com um comportamento muito esquisito. Há obras que temos que entregar, há compromissos que temos com a população e os empreiteiros não concluem a tempo as obras a si adjudicadas. Apresentam muitos argumentos. Às vezes dizem que há falta de cimento, o que não se justifica, também apresentam desculpas de mãode-obra expatriada. Isto não justifica o pouco trabalho que realizam.

Muito recentemente esteve cá em Cabinda o ministro

acompanhante do Conselho de Ministros para a província, Roberto Leal Monteiro (Ngongo) e devo dizer que, tanto ele como o senhor governador Aníbal Rocha ficaram muito desapontados com o desempenho

dos empreiteiros 22 Janeiro-Março 2008

Ngonje – Isto não tem a ver com a incapacidade dessas empresas em executarem as obras a si adjudicadas? BES – É tudo isso. Temos empresas que dizem que podem fazer e demos o adiantamento, mas não realizam. Há qualquer coisa que temos que fazer.


ENTREVISTA

Ngonje – O que o Governo está a fazer para contornar a situação? BES – Temos mecanismos que podemos accionar. Nós temos os tribunais e as garantias bancárias, portanto não estamos esquecidos dessas questões. Há reuniões que estão a ser realizadas e a Direcção das Obras Públicas ficou com a incumbência de chamar essas empreiteiras e fazer alguns actos de compromisso. A partir daí vamos accionar os mecanismos que temos. Ngonje – Quantas e quais as obras que estão nessas condições? BES – Cerca de dez obras. A obra no exterior do aeroporto é uma delas. Temos o arruamento do troço Cabinda/Yema, temos o problema do troço Cabinda/Lândana. Os arruamentos aqui na cidade de Cabinda já deveriam ter terminado, mas ainda não aconteceu. Temos também as obras de construção da Igreja Católica no Buco-Zau, que já deveriam ter terminado, assim co-

mo a reabilitação do edifício do Sinfo. Mas há outras obras que já deveriam ter terminado, mas ainda não terminaram. Ngonje – As obras do hospital Alzira da Fonseca também já se arrastam há vários anos… BES – A primeira fase deste projecto está pronta. Os técnicos da saúde acharam por bem que o hospital seria mais vantajoso à população se tivesse outras valências. Foi assim que se definiu uma segunda fase, que já iniciou. É possível que em Junho possamos abrir a primeira parte e, quando terminarmos a segunda, teremos as valências todas. Neste momento, já temos parte dos equipamentos e acho que até Junho estaremos em condições de inaugurar a primeira fase do projecto Alzira da Fonseca. Ngonje – Até finais deste ano, quais os projectos têm garantias de conclusão? BES – Temos alguns projectos que poderemos terminar. Falo concretamente do mercado de São

Pedro, do hospital infecto-contagioso, do pavilhão gimno-desportivo que está a ser erguido no Mbaca (Povo Grande), da estrada das Forças Armadas (embora com alguns problemas mas ela tem de terminar), os largos da cidade de Cabinda, a primeira fase do hospital Alzira da Fonseca. Temos obras no Buco-Zau que também serão entregues, como escolas e casas sociais e, no Belize, é possível que a minihídrica esteja pronta. Temos também as estações de tratamento de água de Buco-Zau e Belize… Enfim, há um leque de obras a serem entregues este ano. Ngonje – Como vão os projectos de investimentos públicos a nível dos municípios? BES – Não foge muito ao que acontece aqui na cidade de Cabinda, porque os empreiteiros são mais ou menos os mesmos. Há a destacar a estrada Buco-Zau/Belize, a cargo da empresa Emcica, que continua a decorrer normalmente e talvez no fim deste ano nos seja entregue. É Janeiro-Março 2008 23


ENTREVISTA

uma obra de grande envergadura. No Buco-Zau temos a igreja, que também deve ser entregue este ano e, a nível do Cacongo, temos a estação de tratamento de água do Loango Pequeno. Ngonje – Como estão os projectos ao nível da energia e águas? BES – Estamos a instalar postos de transformação de energia eléctrica no centro da cidade e nos bairros periféricos, para que o cidadão tenha luz com qualidade. É um projecto de média e baixa tensão, orçado em cerca de 7 milhões de dólares, e pensamos terminar este trabalho dentro de dois meses. A nível da água, temos a reabilitação da estação e tratamento de Belize, BucoZau e Luáli. Temos ainda um grande projecto denominado “Programa de Águas para Todos”, que a província também teve o privilégio de assumir. É um programa que vai dar água a muita gente e, para tal, vamos aproveitar as capacidades das águas subterrâneas da província. Estamos a desenvolver este projecto com algumas em-

Bonifácio do Espírito Santo

24 Janeiro-Março 2008

presas locais. Devo sublinhar que este é um projecto nacional. Ngonje – Fora aqueles 10 projectos em atraso, está satisfeito com o nível de execução das obras na província? BES – Eu acho que poderia ser feito mais, a julgar pelos esforços que os governantes da província têm empreendido, no sentido de que as verbas estejam disponíveis a tempo para pagar as empreitadas. Os empreiteiros deveriam fazer um pouco mais. Ngonje – Com a execução dos 112 projectos consignados no Programa de Investimentos Públicos, quais são as mais-valias que poderão trazer para o melhoramento do nível de vida das populações e no desenvolvimento da província? BES – Vão dar uma melhor qualidade de vida e, como são projectos integrados, irão beneficiar uma boa parte da população a nível da educação, saúde, água e energia e mesmo das acessibilidades. Não só os projectos que

estão ligados ao Governo, mas também aqueles ligados ao FAS (Fundo de Apoio Social), ao bónus de petróleo e outras acções, como o Fundo Lwini. Portanto, todos estes projectos integrados irão beneficiar a província, mudar o comportamento de algumas pessoas e melhorar a vida das nossas populações. Ngonje – Neste momento quais são as maiores preocupações do Governo? BES – Temos um grande problema, que é o fornecimento de energia eléctrica. Essa responsabilidade foi passada para o Governo central e há coisa de 6 meses tem se registado uma certa irregularidade no seu fornecimento. Penso que há qualquer coisa que não vai bem, devem ser problemas relacionados com finanças. A empresa encarregue de pagar essa fatia não está a cumprir e a outra empresa produtora está a retaliar, porque há compromissos de ambas as partes, no caso do refrescamento das máquinas e na sua manutenção. Essa situação toda é que provoca os apagões que se verificam nos últimos tempos. Ngonje – Sr. director, se alguma questão importante nos escapou pode acrescentar o que quiser a esta entrevista. BES – É só para dizer que os municípios da província hoje têm as suas verbas próprias e que o investimento total previsto para a província de Cabinda, incluindo a administração central, o governo provincial e as administrações municipais, anda à volta dos 452 milhões e 104 mil e 376 dólares, equivalentes a 175 projectos. Isto contando com os projectos geridos pela Sonangol, pelo FAS… Agradecia que fossem também falar com essas pessoas, para terem uma noção global do trabalho que está a ser realizado aqui na província de Cabinda. ■


ECONOMIA

Mais de 5 milhões de dólares falsos apreendidos A Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) de Cabinda apreendeu, no decurso do ano passado, uma quantia de cinco milhões e 200 mil dólares falsos, na sequência de várias operações efectuadas em alguns bairros da capital da província.

Texto: Alberto Coelho

S

eis grupos de falsificadores de moeda estrangeira, denominados Luconga, Capita Penge, Leon Comini, Aserne Oxdrix, Cabuaibobó e Tchassa Tchassa, foram desmantelados pela instituição. Esses grupos estavam implantados nos bairros 1º de Maio, Cabassango, 4 de Fevereiro, Gika e Povo Grande. Vinte integrantes desses grupos, entre os quais 16 cidadãos da RDC e quatro nacionais, encontram-se detidos, indiciados por crime de falsificação de moeda estrangeira, que é sancionado com pena que vai de 4 a 8 anos de prisão, podendo a mesma ser agravada para 12 anos de prisão. O grupo Tchassa Tchassa, integrado por quatro falsificadores, foi o grupo a quem a Investigação Criminal apreendeu o maior volume de dinheiro falsificado, no valor de três milhões e 200 mil dólares. O objectivo seria o de introduzir ilicitamente o dinheiro falso no mercado informal e mesmo na rede bancária. Segundo o director provincial da Investigação Criminal (DPIC), superintendente Luís Paulo Camanda, a

introdução do dinheiro falso na rede bancária local e no mercado informal seria feita de forma faseada, com a cumplicidade de alguns funcionários desonestos. Posteriormente, os falsários fariam levantamentos em dinheiro legal. Em relação à forma como o dinheiro falso é passado para o mercado informal, o intendente Oliveira da Silva, director adjunto da DPIC, explicou: “primeiro eles seleccionam a vítima, depois criam uma equipa para convencê-la a fazer um negócio de que resultaria em grandes benefícios, recebendo (a vítima) uma percentagem de 30%. Portanto, o inocente entregaria dinheiro verdadeiro, mas receberia

em troca dinheiro falso. Os impostores desaparecem para nunca mais serem vistos”. De acordo com o intendente Oliveira da Silva, “grande parte do dinheiro falso que entra na província de Cabinda é proveniente da RDC, onde se encontram células bem estruturadas de falsificadores”. Assim sendo, assegurou que a Polícia está a fazer o possível para desmantelar essas redes de falsificadores de moeda estrangeira. ■ Janeiro-Março 2008 25


ECONOMIA

Campanha agrícola 2007/2008 em marcha A campanha agrícola 2007/2008 em Cabinda, aberta oficialmente no passado mês de Outubro, prossegue com entusiasmo em toda a província, envolvendo mais de 38 mil famílias camponesas e com a previsão de produzir, no total, pelo menos 48 mil e 592 toneladas de produtos diversos.

26 Janeiro-Março 2008


ECONOMIA

A província é rica em produtos agrícolas

Texto: Filipe Massanga

A

actual campanha agrícola foi oficialmente declarada aberta pelo vicegovernador para o sector privado, Macário Lembe, numa cerimónia que teve lugar na povoação de Chimongo, município de Cacongo, a 46 quilómetros a norte da cidade de Cabinda. Segundo o director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente, Alector Araújo, foi distribuída aos camponeses uma quantidade suficiente de sementes, adubos e instrumentos agrícolas, no sentido de incrementar a produção de alimentos em relação à anterior campanha. Por seu lado, o director provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Manuel Gomes, também disse que a presente campanha tem como prioridade o aumento do cultivo dos produtos que constituem a dieta básica da população, tais como a banana, mandioca, amendoim, feijão macunde, milho e batata-doce. Em declarações à agência noticiosa Angop, o director do IDA apontou como principais dificuldades dos pequenos agricultores, a falta de meios para a transformação

da mandioca e de condições de conservação dos produtos colhidos. De realçar que a anterior campanha (2006/2007), envolveu 38 mil famílias, tendo rendido um total de 37 mil e 498 toneladas de culturas diversas, entre as quais duas mil e 832 toneladas de amendoim, mil e 269 toneladas de milho e duas mil e 111 toneladas de feijão macunde. Saliente-se que, além dos produ-

tos agrícolas perspectivados para esta campanha, a província de Cabinda também produz café, cacau e madeira, encontrando-se esta última no Maiombe, a segunda maior floresta do mundo, depois da Amazónia, no Brasil. O solo de Cabinda também possui petróleo, que contribui com cerca de 60% para o Orçamento Geral do Estado de Angola, diamantes e magnésio. ■


CULTURA

Músicos de Cabinda

serão formados na RDC Músicos da província de Cabinda serão formados na vizinha República Democrática do Congo (RDC), a partir deste ano, ao abrigo de um protocolo em negociação entre o Governo provincial e o cantor congolês Tabu Ley Rochereau, revelou à revista Ngonje Samuel Teca (Teddy Muana Teca), um dos lendários da música local.

O

custo da aplicação do protocolo está avaliado em cerca de 300 mil dólares americanos, sendo destinado a superar os músicos locais em noções básicas da arte musical, como instrumentalização, dança, canto, composição, deontologia e ética do artista musical. Segundo Teddy Muana Teca, que é coordenador adjunto do projecto (o coordenador é o chefe do Departamento da Cultura, Francisco Ngó), uma comissão de peritos esteve em Outubro do ano passado na capital congolesa, Kinshasa, onde manteve contactos com Tabu Ley para a superação e capacitação de artistas de Cabinda no seu centro de formação. Ele assegurou que as negociações estão em fase avançada, devendo o primeiro grupo de 17 artistas partir para Kinshasa durante o ano corrente, para um curso de seis meses. Na sua opinião, “o projecto é bem-vin28 Janeiro-Março 2008

do, na medida em que se regista um grande défice em Cabinda a nível de noções básicas da música”. A seu ver, "há jovens com talento e vontade de fazer música, mas muitos deles por não saberem tocar nenhum instrumento musical, nem ter pelo menos formação básica da música, fazem do play back a única forma de actuação pública, socorrendo-se do sintetizador ou piano", lamentou. Segundo aquele veterano da música de Cabinda, "quem se limita exclusivamente ao play back tem dificuldades de encarar o público num espec-


CULTURA

táculo ao vivo, acompanhado por uma orquestra recheado de instrumentos". Sustentou que a base da música africana assenta no manejo de instrumentos como o batuque, ngoje, quissange, reco reco, marimba, gimpungi, os quais combinados com a viola, harmónica, saxofone, flauta, trombone, piano, entre outros de origem não africana, “constituem a música popular moderna do continente negro”. Para Teddy Muana Teca, a escolha de Tabu Ley para a formação dos artistas de Cabinda “é acertada, atendendo à dimensão do conceituado cantor congolês, que é o artífice de grandes nomes do music hall africano, como Sam Manguana, Papa Wemba, Mbilia Bela, entre outros”. ■

O músico Teddy Muana Teca

Cantor Paifuidi

prepara segundo CD O cantor Alberto Inácio, de nome artístico Paifuidi, prepara desde Janeiro a sua segunda obra discográfica, a intitular-se "Minha Santa e Virgem Mulher", com dez faixas musicais cantadas em português e fiote, nos estilos semba, kizomba e kintuene.

Texto: Vuvu Matualunda

O

s trabalhos de preparação de base decorrem em Luanda, com o patrocínio do Governo da província de Cabinda, estando as fases seguintes (de masterização, mistura e edição) calendarizadas para a capital portuguesa, Lisboa. A

obra contará com a participação de Beto Bungo, Caló Pascoal, DJ Mania e Nelo Paim. O cantor disse à esta revista que “se tudo correr como previsto, o disco estará à disposição do público em Junho ou Julho deste ano”, vindo juntar-se à sua primeira obra,

datada de 2006, intitulada "Kutu matu", composta por 11 faixas musicais cantadas em português e fiote. De 34 anos de idade, Paifuidi começou a cantar em 1990 no grupo coral "Nossa Senhora da Misericórdia", da Igreja Católica de Cabinda. ■ Janeiro-Março 2008 29


CULTURA

Grupo “Ngoio Máquinas de Merengue”

Vence Carnaval 2008

Texto: Vuvu Matualunda

O

grupo carnavalesco "Ngoio Máquinas de Merengue", do bairro Amílcar Cabral, sagrou-se vencedor do desfile central provincial do Carnaval 2008, na classe de adultos, realizado no passado dia 05 Fevereiro, no largo do 1º de Maio da cidade de Cabinda, com 199 pontos. As posições seguintes foram ocupadas pelos grupos "8 de Janeiro”, de Lândana" (Município de Cacongo), com 191 pontos, e "Mbuilo Diambo", do Buco zau, com 182 pontos. O primeiro Classificado teve como prémio, o equivalente em kwanzas a 13 mil dólares, o segundo a 10 mil e o terceiro a sete mil dólares. O troféu de Rainha do Carnaval coube a Olga Tabita, do grupo “Ngoio Máquinas de

30 Janeiro-Março 2008

Merengue”, que recebeu como prémio o equivalente a três mil dólares. O Júri, liderado pelo director da Escola de Formação de Professores de Cabinda, José Alfredo Bassanza, teve como critérios de avaliação para os grupos carnavalescos a coreografia apresentada, o enredo, a capacidade de mobilização, a teatralização e a indumentária. Para a avaliação da rainha contou a sua beleza, o colorido da fantasia, assim como a coreografia da corte. Apesar da chuva que se registou desde as primeiras horas desse dia, o desfile contou com a participação de 18 grupos Carnavalescos provenientes dos quatro municípios da província, na presença do vice-governador para a área técnica, João dos Santos Mesquita, do administrador municipal de Cabinda, Francisco Tando, e dos directores de gabinete das administrações municipais e comunais do governo provincial.

CARNAVAL INFANTIL Na classe infantil, o grupo "Mayeye ba nkaka ba tu bikila", do bairro Lombolombo, foi o vencedor da presente edição do Carnaval, ao totalizar 140 pontos. Na segunda e terceira posições classificaramse "Os Típicos" e "Boavista", com 121 e 136 pontos, respectivamente. Para melhor rainha do Carnaval infantil, o corpo do jurado, presidido pelo director provincial do Instituto Nacional de Criança (INAC), Alberto Fundi, elegeu Lurdes dos Santos, de 10 anos de idade, do grupo carnavalesco “Boavista”. Quanto a prémios, o primeiro grupo classificado recebeu o equivalente em Kwanzas a 7 mil 500 dólares, o segundo 5 mil, o terceiro 3 mil e a rainha 2 mil dólares, num desfile no qual participaram 16 grupos infantis. ■


REPORTAGEM

Momentos que a claque de Cabinda viveu

Can do Ghana Fotos: João Nunes Baiúa


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


REPORTAGEM


DADOS GEOGRÁFICOS E DEMOGRÁFICOS

Dados demográficos e geográficos da província

de Cabinda LIMITAÇÃO GEOGRÁFICA Cabinda é uma parcela do Território Nacional, situado na Costa Atlântica africana, com cerca de 7.283 Km2, tendo como fronteiras terrestres, a Norte com a República do Congo (Brazzaville), numa extensão de 196 Km, a Nordeste, Leste e Sul com a República do Congo Democrático, com 153 e 100 Km respectivamente, e a Oeste com o Oceano Atlântico com 103 Km. A população ronda os 264.230 habitantes (dados de 2006), distribuído em 4 Municípios: Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize, com 12 Comunas. Os quadros que se seguem são elucidativos, e demonstram, em pormenores, os elementos essenciais.

MUNICÍPIOS N/O

MUNICÍPIOS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03 04

CABINDA CACONGO BUCO-ZAU BELIZE

85.091 11.957 17.499 6.790

96.819 16.310 22.390 7.374

181.910 28.267 39.889 14.164

TOTAL

121.337

142.893

264.230

COMUNAS MUNICÍPIO DE CABINDA N/O

COMUNAS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03

SEDE MALEMBO TANDO-ZINZE

76.066 1.900 7.125

85.162 3.640 8.017

161.228 5.540 15.142

MUNICÍPIO DE CACONGO N/O

COMUNAS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03

SEDE MASSABI DINGE

7.522 2.114 2.321

8.062 2.061 6.187

15.584 4.175 8.508

Janeiro-Março 2008 41


DADOS GEOGRÁFICOS E DEMOGRÁFICOS

MUNICÍPIO DE BUCO-ZAU N/O

COMUNAS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03

SEDE INHUCA NECUTO

12.776 404 4.319

16.555 467 5.368

29.331 871 9.687

MUNICÍPIO DE BELIZE N/O

COMUNAS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03

SEDE LUALI MICONJE

4.212 872 1.650

4.596 928 1.906

8.808 1.800 3.556

SUB-TOTAL

REGEDORIAS MUNICÍPIO DE CABINDA N/O

REGEDORIAS

HOMENS

MULHERES

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11

REGEDORIA DO NTÓ COTRA LIAMBO CAIO LITORAL SUBANTANDO CHIADEDE MALEMBO BUMELAMBUTO CÁCATA TCHINSUÁ ZENZE DO LUCULA

2.675 63.694 4.080 3.496 2.121 660 1.240 1.519 3.136 1.369 1.101

2.358 72.310 4.522 3.415 2.557 1.142 2.498 1.984 3.620 1.070 1.343

5.033 136.004 8.602 6.911 4.678 1.802 3.738 3.503 6.756 2.439 2.444

TOTAL GERAL

85.091

96.819

181.910

MUNICÍPIO DE CACONGO N/O

REGEDORIAS

HOMENS

MULHERES

SUB-TOTAL

01 02 03 04 05 06 07

DINGE VELHO CUMBO LIAMBO MASSABI MABEMBE TANDO PALA TENDA CHINFUCA

1.109 1.212 2.114 1.052 1.552 4.528 390

4.726 1.461 2.061 1.208 1.705 4.578 571

5.835 2.673 4.175 2.260 3.257 9.106 961

TOTAL GERAL

11.957

16.310

28.267

42 Janeiro-Março 2008


Edição nº12  

Programa Mensal Sobre a Província de Cabinda