Page 1

P OS AN R TA - N S E M G E SI D M FI

CARDIFF O RENASCER DO PAÍS DE GALES

AO

A

VOLTA AO MUNDO

EM ALTA: CUBA, ÁUSTRIA, EUA E ITÁLIA COM NOVIDADES

N .º 2 8 5 | J U L H O 2 0 1 8 | M E N S A L | A N O 24

Havai

60 BOAS RAZÕES

PARA IR À ILHA DE MAUI, VIVER COMO OS HABITANTES LOCAIS E OPTAR POR UM ESTILO DE VIDA MAIS SAUDÁVEL. SOL, NATUREZA E PAZ NUM DOS ÚLTIMOS PARAÍSOS NA TERRA.

ESPANHA – ALEMANHA – EUA – PAÍS DE GALES N.º 285 JULHO 2018 VM_Capa_ER ok.indd 1

Berlim

ARTE E ARQUITETURA, HISTÓRIA DE UMA RENOVAÇÃO

Segóvia

MUITO MAIS DO QUE LEITÃO, A UMA HORA DE MADRID

MENSAL, ANO 24, N.º 285, JUL. 2018 €5,00

22-06-2018 17:57:20


2_3_PUB.indd 2

22-06-2018 16:14:37


2_3_PUB.indd 3

22-06-2018 16:14:37


PORTA DE EMBARQUE N.º 285 | JULHO 2018 | MENSAL | ANO 24

AGENDA O que vai acontecer pelo mundo em julho na página 22.

38

Segóvia

LUÍS MAIO

Leitão, história e património a 60 km de Madrid.

14

26

Um agente secreto na Áustria, volta a Cuba em caiaque, novos espaços em Nova Iorque e um palácio de sonho.

Industrial, fácil de descobrir, cultural e boémia. Assim é o País de Gales, terra de dois idiomas.

Em Alta

Cardiff

4

VM285_04_05_Porta de Embarque_ER ok.indd 4

50

Havai

Fomos a Maui e trouxemos 60 sugestões de atividades para descobrir a ilha de forma saudável.

68

Berlim

Aquela que é apelidada de capital cultural da Europa deixa-nos sempre surpresos. Mais uma boa razão para a visitar.

82

90

O que é que Leiria tem? É isso que lhe mostramos neste mês através do olhar da revista Evasões.

Ruben Ferreira e Vanessa Cabral, uma história de amor e paixão pela natureza pela Ásia.

Evasões

Viajantes

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 16:38:03


VM285_04_05_Porta de Embarque_ER ok.indd 5

22-06-2018 16:16:47


diário de bordo

Neste mês connosco

Rótulos de viagem

ESTA REVISTA NÃO É PARA CHATOS Viajantes, turistas, profissionais, amadores, de curta ou longa distância, com ou sem experiência, de carteira cheia ou remediados. Aqui há lugar para todos, menos para quem pensa que sabe tudo.

H

Ricardo Santos Editor

Fotógrafo

Em 2001 decidiu partir sozinho para uma viagem à volta do mundo durante um ano, na bagagem as pranchas de surf e uma máquina fotográfica. Apanhou­‑lhe o gosto e nunca mais parou de contar as histórias com que se cruza, como este pacato edifício berlinense. Nasceu em Lisboa mas diz­‑se homem com vários lugares dentro de si.

diferença. Não estou a falar dos indí‑ genas da Amazónia, mas apenas de quem faz parte de um grupo e não consegue ver o encanto de estar à par‑ te dele. É assim com montanhistas ou esquiadores, ornitólogos ou historia‑ dores, adeptos de futebol ou da espre‑ guiçadeira à beira do mar – e isto não é um ataque a qualquer um deles, são apenas exemplos. Há opiniões para todos os gostos e vai faltando a capa‑ cidade de aceitar a diferença. Não tenho de ter as botas X para fazer uma caminhada nem conhecer as pistas dos Alpes para gostar do in‑ verno. Também não tenho de me des‑ lumbrar com a existência de cinquen‑ ta espécies de pássaros numa floresta para perceber a sua grandiosidade. Às vezes, só quero estar ali. Não me apetece ter lido toda a informação duas semanas antes de lá chegar. Não gos‑ to de rótulos de viajante ou de turista. Nem guerras de palavras entre os adeptos do tudo-incluído e os fanáti‑ cos do couch surfing. Há momentos para tudo na vida.

Rita Machado Jornalista

HAWAII TOURISM AUTHORITY (HTA)/HEATHER GOODMAN

ricardo.santos@globalmediagroup.pt

á quem mantenha uma contagem dos países e ter‑ ritórios visitados – ­ e há quem nem pense nisso quando cruza a fronteira. Há quem conte as escalas em aeropor‑ tos como marcas na coronha – ­ e há quem não precise de recorrer à menti‑ ra. Há quem pense ter a última palavra sobre um destino – e há quem goste de escutar os outros para saber mais. É complicado este mundo das via‑ gens, em que muitas vezes o ego e o desejo de brilhar toldam a visão e os relatos sobre determinado destino. Muitas vezes há países que estão na moda e não se percebe porquê. E outros que não entram nas listas de preferên‑ cias porque não têm boa imprensa ou defensores à altura. Criam­‑se tendên‑ cias a grande velocidade e crucificam­ ‑se cidades e países só porque sim. É a desvantagem de vivermos num planeta tão grande: há sempre outro local para explorar. Por enquanto... Nesta coisa das viagens, há também tribos e a sua dificuldade em aceitar a

João Nauman

6

VM285_6_7_Editorial_ER ok.indd 6

Gosta tanto de comer como de fazer desporto, e nas suas viagens aproveita para praticar ambos, ouvir histórias e absorver locais sem pressas. Curiosa, gosta sobretudo de descobrir. Depois de vinte anos em revistas femininas e consultoria de comunicação, é uma livre freelancer. Em Maui esteve seis semanas. No primeiro dia sentiu­ ‑se uma local. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 16:18:00


Descubra o seu

PARAÍSO ESCONDIDO no Extremo Oriente

De passeios de cortar a respiração e templos antigos, a praias de areia branca e retiros de spa. Escolha entre 23 destinos no Extremo Oriente em emirates.pt Bali Banguecoque Cantão Cebu Clark Hanói Ho Chi Minh Hong Kong

VM285_6_7_Editorial_ER ok.indd 7

Jacarta Kuala Lumpur Manila Osaka Phnom Penh Pequim Phuket Rangum

Seul Singapura Taipé Tóquio Xangai Yinchuan Zhengzhou

22-06-2018 16:18:00


ALEXANDRA, ÁFRICA DO SUL

Parabéns! A 18 DE JULHO, NELSON MANDELA FARIA 100 ANOS. EM 2018, A ÁFRICA DO SUL E O MUNDO CELEBRAM A VIDA E O EXEMPLO DO ÚLTIMO GRANDE ESTADISTA E HERÓI DO SÉCULO XX, VENCEDOR DO PRÉMIO NOBEL DA PAZ EM 1993. NA TOWNSHIP DE ALEXANDRA, OS MAIS NOVOS NÃO SE ESQUECEM DE MADIBA E DOS SEUS VALORES. FOTOGRAFIA GETTY IMAGES

VM285_08_09_BilhetePostal_ER ok.indd 8

22-06-2018 16:42:09


VM285_08_09_BilhetePostal_ER ok.indd 9

22-06-2018 16:42:10


ULAN BATOR,MONGÓLIA

Os três jogos TODOS OS ANOS, EM JULHO, DECORRE O FESTIVAL DOS TRÊS JOGOS DO HOMEM, NA MONGÓLIA. INCLUEM LUTA, EQUITAÇÃO E TIRO COM ARCO. NOS ÚLTIMOS ANOS, AS MULHERES TAMBÉM COMEÇARAM A PARTICIPAR, COM EXCEÇÃO DAS PROVAS DE LUTA. EM 2010, ESTE EVENTO PASSOU A FAZER PARTE DA LISTA DE PATRIMÓNIO CULTURAL ELABORADA PELA UNESCO. FOTOGRAFIA GETTY IMAGES

VM285_08_09_BilhetePostal_ER ok.indd 10

22-06-2018 16:42:10


VM285_08_09_BilhetePostal_ER ok.indd 11

22-06-2018 16:42:11


Passageiro Frequente

Uma crónica de

José Luís Peixoto

SANDAGA

E

is o grande mercado. É como se a cidade cresces‑ se a partir dele, como se existisse apenas para justificá‑lo. As ruas de Dakar são os longos braços do mercado Sandaga. Aqui começam todos os cheiros, todos os estímulos dos sentidos. Este movimento é constante e permanente, é impará‑ vel, é uma fonte. Passam crianças a empurrar um carro de madeira carregado de bidões de água, as crianças rodeiam o carro com as suas vozes e os seus corpos. Quem irá beber desta água? A tarde começa, o sol queima as cores e, mesmo assim, levo os olhos cheios, estas cores começam aos poucos a existir dentro de mim. Há rapazes a caminhar ao meu lado, falam para mim, insistem, qu’est ce que vous cherchez? O que procuro?, quem me dera saber. O meu sorriso é suficiente para os in‑ centivar a acompanhar‑me du‑ rante quilómetros. Se olho para algum objeto, perguntam‑me quanto quero pagar por ele. À sombra, debaixo de bar‑ racas de cartão, homens cosem à máquina, são descargas de metralhadora estas máquinas de costura, gastas pelos anos, gas‑ tas por terem atravessado o mundo e várias vidas até chegarem aqui. No outro lado da rua, há mulheres muito sérias, diante de espelhos, a receberem extensões de cabelo postiço, longas ma‑ deixas. À sua volta, há perucas assentes em modelos de cana, cabeças exemplares moldadas por ripas de canas arqueadas, salão de beleza no alcatrão. No outro lado da estrada, há mulheres deitadas entre montes de legumes garridos, vegetais muito verdes. Esperam fregueses

que chegarão se assim tiver de ser, insha’Allah. Nessa mesma sombra, há uma mulher que parou para conversar, pousou o al‑ guidar diante dos pés, não porque pese, mas para descansar de equilibrá‑lo na cabeça. É um alguidar de plástico com pequenos galhos para limpar os dentes. Há de vários tipos e tamanhos, são da mesma árvore do galho que passa na boca de um homem de fato e gravata. No sentido contrário, passa também um carro de mão, empurrado por outro homem, roupas a desfazer‑se, também com um desses galhos de madeira entre os dentes, vai carregado de caixotes por abrir, forrados por fita‑cola grossa, ainda com o endereço de quem o enviou, Paris, e de quem o recebeu, Dakar, escritos por marcadores grossos. Não paro de caminhar, passo também por lixo, pequenos ou grandes montes de lixo, o chei‑ ro nauseabundo de alguma coi‑ sa a apodrecer. E, à distância, uma longa estrada, corpos a ca‑ minhar entre trânsito sem inter‑ rupções, talvez a levarem cai‑ xotes à cabeça, trouxas à cabeça, bebés presos às costas com um pano. Corpos entre táxis amare‑ los, lata amolgada ou trabalhada por alguém com um martelo, autocolantes com o rosto dos imames. E o mercado sempre dos dois lados da estrada, uma imensa su‑ perfície de toldos, abrigo de vendedores que vivem junto às suas bancas, que passam os dias inteiros em Sandaga, que leem o Co‑ rão até decorá‑lo, que estendem um pequeno tapete para rezar várias vezes por dia. Neste momento, também eu sou um destes corpos, indistinto do movimento do mercado e da cidade. Neste momento, também eu sou Sandaga.

No outro lado da rua, há mulheres muito sérias, diante de espelhos, a receberem extensões de cabelo postiço, longas madeixas.

12

VM285_12_PassageiroFrequente_ER.indd 12

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 10:48:31


O N D E T U D O S E V Ê

O NOVO CANAL DIGITAL DE VÍDEO PARA QUEM QUER INFORMAÇÃO, ENTRETENIMENTO, O MUNDO COMO UM TODO.

DESCARREGUE GRÁTIS A APP

W W W. V D I G I TA L . P T 13_PUN.indd 13

22-06-2018 15:54:02


{ TEXTOS DE JOÃO FERREIRA OLIVEIRA JOAO.F.OLIVEIRA@GLOBALMEDIAGROUP.PT}

E M A LT A Dicas para o corpo e a mente com viagens que se faz uma vez na vida ou recorrendo a pacotes low-cost. E teremos sempre novidades para que a boa vida seja uma realidade.

BOA VIDA

Descobrir James Bond 007 Elements é o nome de uma experiência que promete desvendar muitos dos segredos de James Bond. Em Sölden, na Áustria.

14

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 14

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:24:36


ONL Y IN CIN EMA

SPECTRE É O 24.º FILME DA SAGA JAMES BOND E FOI REALIZADO POR SAM MENDES. DANIEL CRAIG INTERPRETA O PAPEL DO AGENTE SECRETO BRITÂNICO. CHRISTOPH WALTZ, MONICA BELLUCCI E RALPH FIENNES FAZEM PARTE DO ELENCO.

E

nquanto não chega o novo filme da saga James Bond - está programado para o final de 2019, terá Danny Boyle como realizador e, mais uma vez, Daniel Craig como protagonista - vive-se dos rendimentos de Spectre, lançado em 2015. Algumas das cenas foram rodadas em Sölden, na Áustria, a cerca de três mil metros de altitude, nas montanhas de Gaislachkogl. VOLTA AO MUNDO

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 15

S

MAS ONL Y IN CINE

SPECTRE © 2015 DANJAQ, LLC AND UNITED LLC, METRO-G ARTISTS CORPORA OLDWYNTION. SPECTRE MAYER STUDIOS INC., COLUMBI , IMAGE003.PNG A PICTURES AND RELATED INDUSTRIES, INC. JAMES BOND SPECTRE TRADEMARKS , ARE TRADEMAIMAGE003.PNG AND RKS OF DANJAQ, RELATED JAMES LLC. ALL RIGHTS BOND TRADEMA RKS © 1962-201 RESERVED.

5 DANJAQ,

Lembram-se? O melhor é rever, afinal quem é que nunca viu e reviu os filmes do mais famoso agente de Sua Majestade por uma, duas, três vezes? É na estância austríaca que, este verão, estreará a instalação 007 Elements. A data exata de abertura é segredo, mas promete ser uma experiência imersiva, interativa e educativa, com uma série de galerias multimédia que mostram como se

© TRADEMARKS JAMES BOND RESERVED. AND RELATED RIGHTS IMAGE003.PNGRKS OF DANJAQ, LLC. ALL ES, INC. SPECTRE, RKS ARE TRADEMA BOND TRADEMA A PICTURES INDUSTRI INC., COLUMBI 3.PNG AND RELATED JAMES MAYER STUDIOS IMAGE00 METRO-GOLDWYN-TION. SPECTRE, © DANJAQ, LLC, SPECTRE 2015 AND UNITED ARTISTS CORPORA LLC 1962-2015 DANJAQ,

As gôndolas de Gaislach-kogl são uma das imagens de marca da região. E do filme Spectre.

faz um super-herói. James Bond é um super-herói. A direção criativa está a cargo de Neal Callow, diretor de arte de Spectre, Casino Royale ou Skyfall. Criaram um edifício de raiz com 1,300 m2 e vista deslumbrante para as montanhas do Tirol. Um daqueles sítios onde Bond gosta de se esconder. Pode ser que apareça por lá. >> soelden.com/007-elements 15

22-06-2018 15:24:46


CORPO E MENTE

Descobrir Cuba de caiaque. E a pé Cuba é muito mais do que Havana, Varadero ou Cayo Coco. Uma ilha gigante repleta de tesouros naturais para explorar por mar e por terra.

Havana Varadero Cayo Coco

A partir de 2500 dólares por pessoa. Tudo incluído menos voos até Cuba.

16

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 16

F

icar preso a uma imagem. A expressão adequa-se na perfeição a Cuba. O país de Fidel – já não é o país de Fidel, se é que alguma vez foi –, de Havana, do rum, das praias de sonho, uma espécie de resort socialista onde gente de todos os credos políticos gosta de estender a toalha, vai muito para além disto. Em tamanho e diversidade. Afinal falamos da maior ilha do Caribe, a décima sétima maior do mundo, com 110 861 km2, à frente da Islândia ou Irlanda. Um país maior que Portugal. Tem oito marinas internacionais, 40 centros de mergulho, 200 baías, 600 quilómetros de praias, 850 de barreiras de coral e um sem-número de tesouros naturais. Como o Parque Nacional Ciénaga de Zapata, por exemplo, a maior zona húmida das Antilhas. É precisamente por este outro país que a empresa Cuba Unbound propõe que se faça uma travessia de caiaque. E a pé. Uma viagem de oito dias por vários rios e praias, vales e montanhas menos conhecidas do país que junta história, comida, cultura e uma série de outras atividades, além do caiaque e das caminhadas. Snorkeling, por exemplo. E não, não é preciso ser-se nenhum desportista encartado. Aliás, as crianças (adolescentes?) serão bem recebidas, desde que tenham 12 ou mais anos. A aventura começa e acaba em Havana. >> cubaunbound.com VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:24:47


PUB

NOVA IORQUE NÃO PARA DE SURPREENDER

Acaba de abrir um novo parque de lazer na zona de Williamsburg, em Brooklyn. Mas não é um parque qualquer.

P

layground. É assim que os norte-americanos se referem ao Domino Park, inaugurado em junho. Recreio, parque infantil, área de lazer são algumas das traduções possíveis, mas dificilmente se encontrará palavra tão completa para definir este novo espaço – Uma área de 2,5 hectares pensada para famílias, mas que não deixa os adultos impacientes, a contar os minutos para irem explorar a Big Apple. Bem pelo contrário. Vale pela comida – tem uma boutique taqueria, com tacos que – garantem eles – não se encontram em mais lado nenhum – ou pela vista para rio Hudson, Empire State Building, One World Trade Center e ponte Williamsburg. Mas também pela própria arquitetura. O mais

Fica no bairro de Williamsburg, em Brooklyn – na 15 River St.. Para lá chegar: seguir a Linha L (do metro) ou o NYC Ferry, com paragem em North Williamsburg.

certo é que se transforme numa das novas moradas obrigatórias na cidade. O nome é herdado de uma antiga fábrica do açúcar, Domino, entretanto recuperada e parte integrante do projeto. Os mais novos podem divertir-se em três áreas distintas: Sugarcane Cabin, Sweetwater Silo e Sugar Cube Centrifuge. Um parque infantil cheio de estilo com túneis, escorregas e chão de madeira reutilizada (da antiga fábrica) para que ninguém se magoe, é a solução perfeita para quando as crianças disserem que não há nada para fazer. Como se isso fosse possível em Nova Iorque.

VOLTA AO MUNDO

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 17

22-06-2018 16:22:16


SHOPPING 1

Latitid 115 euros (latitid.com/loja/biquinis)

2 3

Mar salgado

Bohemian 99,99 euros (bohemianswimwear.com)

NOTA FATOS DE BANHOS FEITOS EM PORTUGAL QUE PRIMAM PELO DESIGN E PELA QUALIDADE DOS TECIDOS

As férias estão aí e é tempo de se preparar para a praia com sugestões de fatos de banho de design original feitos em Portugal. Quer seja por cá ou num destino tropical, leve na mala o que é «nosso».

D

A L T

P R O D U Ç ÃO E S E L E Ç ÃO R U T E C R U Z FOTO G R AF IAS F E R NAN D O MARQ U E S

0

4

Oiôba 79 euros (oioba.com)

A Volta ao Mundo agradece a colaboração para esta produção do Horto do Campo Grande

0

5

6

Caia reversível 110 euros (caiabeachwear.com/pt) 18

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 18

1. Hopiness 92 euros (hopiness.pt) 2. Cantê 110 euros (cantelisboa.com) 3. Ros 110 euros (rosbeachwear.com) 4. Ros 105 euros (rosbeachwear.com) 5. Cru 120 euros (cruswimwear.com) 6. Cantê 110 euros (cantelisboa.com)

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:24:51

1

2


Vamos ao fim da rua, vamos ao fim do mundo

vamos à PRAIA consigo DE 1 DE JUlHO A 26 DE AGOSTO

A TSF ANIMA AS PRAIAS DE PORTUGAL COM RITMOS LATINOS, FITNESS, RUNNING E MUITO MAIS. TODOS OS DOMINGOS NUMA PRAIA PERTO DE SI.

01 JULHO

Praia Grande | Sintra

05 AGOSTO

Praia Canide Norte | Vila Nova de Gaia

08 JULHO

Alvito da Beira | Proença-a-Nova

12 AGOSTO

Praia de Quião | Póvoa de Varzim

15 JULHO

Praia de Almograve | Odemira

19 AGOSTO

Praia Grande - Ferragudo | Lagoa

29 JULHO

Praia Norte | Viana do Castelo

26 AGOSTO

Praia Fluvial da Barragem de Santa Luzia | Pampilhosa da Serra

VOLTA AO MUNDO

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 19

APOIO:

tudo o que se passa passa na tsf. 19 22-06-2018 15:24:52


UMA VEZ NA VIDA

Como, mesa e roupa lavada A luxuosa Villa Sola Cabiatti, junto ao lago de Como, está agora disponível para alugar. O sonho de uma noite de verão.

Q

uem é que nunca sonhou dormir num palácio? Nem toda a gente, é verdade, até porque as construções mais antigas são, muitas vezes, tão belas e impressionantes quão frias e desoladoras. A não ser que seja um charmoso palácio italiano – uma villa, para sermos exactos – reconvertida e transformada numa moderna casa de férias. Tudo aqui é luxo, arquitetura, charme, história. Já para

20

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 20

não falar da paisagem e da localização, entre as montanhas e o lago de Como. Construída no século xvi está repleta de grandes salões, frescos, quadros e tapetes de museu – até a cama de Napoleão e da sua mulher cá está. Veio parar à posse da família durante a II Guerra Mundial. Não se pode dormir nessa cama, mas todos os outros quartos (seis no total) deste tesouro renascentista – esteve fechado ao público durante

décadas – podem agora ser alugados durante o mínimo de três noites. Preço pelas três noites? São 17 mil euros por quarto. Não há almoços grátis, é verdade, se bem que aqui está incluído um jantar de boas-vindas preparado pelo chef da casa, pequeno-almoço com vista para o lago e refeições privadas, se for esse o desejo. E ainda a possibilidade de recorrer à piscina, spa e aos serviços de luxo do Grand Hotel

Tremezzo, mesmo ali ao lado. É sua gestão da villa. O sítio perfeito para o mundialmente conhecido dolce fare niente. A Villa Sola Cabiati tem também um museu repleto de mobiliário e quadros originais. Pode ser visitado com um membro da família Sola Cabiati. >> grandhoteltremezzo.com/en/ villa-sola

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:24:55


PUB

NOVIDADES

C A N A D Á ROTA DO LESTE

DESDE

7 noites | APA Partidas de Lisboa aos domingos até 21 out.’18

1 . 967 por pessoa em duplo

Visitando: Toronto, Niágara, Mil Ilhas, Ottawa, Québec e Montreal Inclui: voos + transfers + hotéis categoria Turística + visitas com guia local em espanhol ou bilingue (de acordo com o número de participantes) + taxas de aeroporto, segurança e combustível (€ 324) + Seguro Multiviagens com PVFM. Notas: o preço publicado é válido para as partidas de Lisboa de 1 jul. a 21 out.’18. Para outras partidas, hotéis ou regimes, por favor, consulte-nos.

FABULOSO CANADÁ

DESDE

7 noites | APA Partidas de Lisboa aos sábados até 29 set.’18

2 . 085 por pessoa em duplo

Visitando: Montreal, Québec, Tremblant; Ottawa, Mil Ilhas e Toronto

Q U E E N M A RY 2 É , FINALMENTE, UM HOTEL

Inclui: voos + transfers + hotéis categoria Turística e Primeira + visitas com guia local em espanhol ou bilingue (de acordo com o número de participantes) + taxas de aeroporto, segurança e combustível (€ 324) + Seguro Multiviagens com PVFM. Notas: o preço publicado é válido para as partidas de Lisboa a 7 e 14 jul. + 18 ago. a 29 set.’18. Para outras partidas, hotéis ou regimes, por favor, consulte-nos.

Comum a todos os programas: Exclui despesa de reserva de € 29 por processo (e não por pessoa). Taxas sujeitas a alterações. Sujeito a disponibilidade. Preço por pessoa em duplo. Nota: Para partidas do Porto, Faro, Madeira ou Açores, por favor, consulte-nos. Nota Importante: Os preços publicados são por pessoa em ocupação dupla e de caráter meramente indicativo. Refletem a disponibilidade e tarifas existentes à data da sua publicação.

O MÍTICO NAVIO ESTÁ NO DUBAI APÓS 24 VOLTAS AO MUNDO.

C

omeçou a navegar a 2 de maio de 1969. Durante 39 anos fez mais de 1400 viagens (incluindo 25 circum-navegações), transportou mais de 2,5 milhões de passageiros (entre eles Nelson Mandela, David Bowie, a própria rainha de Inglaterra) e navegou mais de seis milhões de milhas náuticas, até que se reformou numa doca no Dubai. Agora o Queen Mary 2 está de volta, como hotel. Há vários anos que já estava programada a abertura, mas a crise adiou a festa. O respeito dos velhos tempos mantém-se, mas com o toque de modernidade e grandiloquência que os responsáveis e empresários deste país do Médio Oriente tanto gostam. Três decks no total, 224 quartos (que mantêm o design e o mobiliário de época), 13 restaurantes (não deixa de ser curioso, até porque o quarto número 13 raramente existe nos navios, para não dar azar) pubs, casino, spa, ginásio, piscina e avenidas para passear à noite. É como fazer um cruzeiro, mas sem sair do navio da doca. A partir de 150 dólares por noite. >> qe2.com NA SUA LOJA ABREU | ABREU DIRETO 707 20 1840

VOLTA AO MUNDO

AGÊNCIAS DE VIAGENS

ABREU.PT | WWW.ABREUEXPRESS.COM VIAGENS ABREU, S.A • CAPITAL SOCIAL € 7.500.000 • SEDE: PRAÇA DA TRINDADE, 142, 4º • 4000-539 PORTO • RNAVT 1702 OPERADOR • CONS. REG. COM. DO PORTO Nº 15809 • NIF 500 297 177 • 2018

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 21

A sua marca de confiança

22-06-2018 15:24:56


AG E N DA VERBIERE FESTIVAL N APOLEON THE STRETAGIST FRANÇA 01

ATÉ 22 DE JUNHO

SUÍÇA

DE 19 DE JULHO A 5 DE AGOSTO

Eis uma excelente opção para todos aqueles que quiserem fugir do verão, das multidões e dos festivais ao pé da praia. Tem lugar na estância de Verbier, na

Suíça. Música clássica num cenário alpino com cerca de 60 concertos ao longo de 17 dias.

Verão não é só festivais. O museu das Forças Armadas, em Paris (Musée de l’Armée), tem patente até 22 de julho uma exposição sobre Louis-Napoléon Bonaparte. Napoleão. O objetivo passar por analisar a sua capacidade militar ímpar, tentando entrar na sua mente (militar) através dos vários textos da época, mas também mapas, símbolos ou fotografias, MUSEE-ARMEE.FR

VERBIERFESTIVAL.COM

OTOK OBONJAN CROÁCIA

DE 24 DE JUNHO A2 DE SETEMBRO

MIDI FESTIVAL FRANÇA

DE 20 A 22 DE JULHO

Nem todos os festivais gostam de ter nomes famosos no cartaz. O Midi Festival - realiza-se na cidade medieval de Hyères, no sul de França, a dois passos do mar prefere dar palco a bandas menos conhecidas, fora do mainstream. Este ano terá nomes como Au Revoir Simone, Erol Alkan ou Connan Mockasin. MIDI-FESTIVAL.COM

22

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 22

Da Croácia já quase toda a gente ouvir falar das suas centenas de ilhas, muitas delas minúsculas, tantas paradisíacas. Uma delas é Otok Obonjan, onde se realiza um festival tão alternativo quanto descontraído. Música, cinema, workshops, gastronomia, há um pouco de tudo, num ambiente indie com preocupações ecológicas. Há quem acampe por lá as seis semanas do evento. OBONJAN-ISLAND.COM

LUCCA MUSIC FESTIVAL ITÁLIA 02

DE 23 DE JUNHO A 27 DE JULHO

Por falar em Napoleão. O Lucca Music Festival tem lugar na pequena cidade de Luca (Toscana) sendo que os concertos realizam--se na histórica Piazza Napoleone. Roger Waters, Ringo Star, Queens of the Stone Age ou Gorillaz são alguns dos nomes deste ano. Se não for pela música é a desculpa perfeita para visitar uma das regiões mais belas de Itália. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:24:59


NOVIDADES Redação: Rua Tomás da Fonseca, Torre E, 8.º piso, 1600­‑209 Lisboa. Tel.: (+351) 213 187 500 Estatuto editorial disponível em: www.voltaaomundo.pt Depósito Legal n.º 67 247 / 94. Registado na ERC sob o n.º 118 462 DIRETORA Catarina Carvalho

DIRETOR DE ARTE Rui Leitão

EDITOR Ricardo Santos

EDITOR MULTIMÉDIA Filipe Garcia PRODUTORA Cláudia Carvalho DESIGN Ana Faleiro, Carla Oliveira, Miguel Vieira,

Rute Cruz e Telma Nunes FOTOGRAFIA Fernando Marques

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Bárbara Cruz, João Ferreira Oliveira, João

Mestre, João Nauman, José Luís Jorge, José Luís Peixoto, Leonídio Paulo Ferreira, Luís Maio, Rita Machado (texto), Mário Ribeiro, (fotografia), Lília Gomes (design) Helena Ferreira e Rita Bento (copy desk). ASSISTENTE EDITORIAL Madalena Marques Pinto

COPY DESK Elsa Rocha, coordenadora, e Ângela Pereira

DIREÇÃO DE QUALIDADE Diogo Gonçalves , diretor, Nuno Espada (coordenador)

e Pedro Nunes.

O MAIOR SALTO DO PLANETA Já se pode saltar desde a maior ponte de vidro do mundo.

José Gonçalves e Juvenal Carvalho

DIREÇÃO DE CIRCULAÇÃO Nuno Ramos, diretor, Raul Tavares, diretor adjunto

Paula Guerreiro e Martinho Ferreira

A MAIOR PONTE DE VIDRO SUSPENSA DO MUNDO, LOCALIZADA NA CHINA (ZHANGJIAJIE GRAND CANYON GLASS BRIDGE), TEM 430 METROS DE COMPRIMENTO E 300 DE ALTURA. E VOLTA A SER NOTÍCIA: INAUGUROU A PLATAFORMA ONDE É POSSÍVEL FAZER BUNGEE JUMPING. ESTÁ 260 METROS ACIMA DO SOLO, BEM MAIS DO QUE A DE MACAU (QUE ATÉ AGORA DETINHA O RECORD, COM 233 METROS). OS RESPONSÁVEIS GARANTEM QUE ESTA SERÁ UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA PORQUE, ALÉM DA ADRENALINA, OS PARTICIPANTES PODERÃO VER AS PAISAGENS DE ZHANGJIAJIE COM OUTROS OLHOS. PARTINDO DO PRINCÍPIO DE QUE ALGUÉM TEM CORAGEM DE ABRIR OS OLHOS NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS...

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO António José Carvalho, diretor

(ajose@globalmediagroup.pt), Jaime Mota, João Pires,

MARKETING E COMUNICAÇÃO Ana Heleno, diretora DIRETOR-GERAL COMERCIAL Luís Ferreira DIREÇÃO COMERCIAL Paulo Pereira da Silva,

 Sandra Morgado (Dir. Comercial Sul),

Vítor Cunha (Dir. Comercial Norte)

PUBLICIDADE (Sul) Elsa Madeira (Gestora Conta)

PUBLICIDADE (Norte) Fernanda Ally (Diretora Conta)

Sofia Silva (Gestora Conta)

Assinaturas: Atendimento ao assinante: Dias úteis, das 7h00 às 18h00. Tel.: 707 200 508. Custo das chamadas da rede fixa 0,10 Eur/minuto e da rede móvel 0,25 Eur/minuto, sendo ambas taxadas ao segundo após o 1.º minuto. Valores sujeitos a IVA. E­‑mail: apoiocliente@noticiasdirect.pt

Impressão e acabamento: Lisgráfica, S.A. – Estrada Consiglieri Pedroso, Casal de Santa Leopoldina, 2745­‑553 Barcarena. Embalagem, circulação e distribuição porta a porta: Notícias Direct – Tel.: 219 249 988. Distribuição em Portugal: Vasp.

Propriedade da GLOBAL NOTÍCIAS ­‑ MEDIA GROUP, S.A. Sede: Rua Gonçalo Cristóvão, 195­‑219, 4049­‑011 Porto Tel.: (+351) 222 096 100 Fax: (+351) 222 096 200 Filial: Rua Tomás da Fonseca, Torre E, 3.º piso, 1600­‑209 Lisboa Tel.: (+351) 213 187 500 Fax: (+351) 213 187 501

>> Zhangjiajie fica na Província de Hunan e é considerada uma das cidades mais belas do país. chinahighlights.com/zhangjiajie/attraction/ zhangjiajie-glass-bridge VOLTA AO MUNDO

VM285_14_23_EmAlta_HF.indd 23

Matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Almada. Capital social: 28.571.441,25 euros. NIPC: 502535369 Detentores com mais de 5% do capital social: KNJ Global Holdings Limited, ­‑ 30% CONTROLINVESTE MEDIA, SGPS, S.A. – 19,25,5%; José Pedro Carvalho Reis Soeiro ­‑ 19,25%, BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS, S.A. – 10,5%; NOVO BANCO, S.A. – 10,5%; GRANDES NOTÍCIAS, LDA. – 10,5% Conselho de Administração: Daniel Proença de Carvalho (Presidente do Conselho de Administração), Vítor Ribeiro (Presidente da Comissão Executiva), Kevin Ho, José Carlos Lourenço, Teresa da Graça, Rolando Oliveira, Jorge Carreira, Paulo Rego e Philipe Yip

INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUAISQUER MEIOS. TIRAGEM DESTE NÚMERO: 12.500

22-06-2018 16:22:50


MALA DIPLOMÁTICA TESOUROS DA POLÓNIA VISTOS PELO EMBAIXADOR EM PORTUGAL JACEK JUNOSZA KISIELEWSKI POR LEONÍDIO PAULO FERREIRA

Bisonte-europeu salvou-se

24

VM285_024_MalaDiplomatica_ER ok.indd 24

recuperação», acrescenta o em­ baixador, com formação em biologia, ecologia e zoologia, nascido em 1952 em Poznań e que se doutorou na Universida­ de Adam Mickiewicz. «A minha paixão principal é a fotografia da natureza. Gos­ to de fotografar todos os ele­ mentos da natureza, sejam animais ou plantas. E tenho­‑o feito com grande prazer aqui em Portugal desde que cheguei há dois anos», diz Jacek Ju­ nosza Kisielewski, que tal como os seus dois recentes anteces­ sores na embaixada polaca em Lisboa fala português. «Antes de entrar para a carreira diplo­ mática, trabalhei dezassete anos como investigador e pro­ fessor. Aprendi português no Brasil como professor visitante

O bisonte-europeu de Białowieża é espécie protegida.

CARLOS MANUEL MARTINS/GI

J

acek Junosza Kisielew­ ski mostra com orgulho a máquina fotográfica com que costuma ir para o campo, em Portugal como na sua Polónia, fotografar plantas e animais, e diz que os dois países são excelentes para quem, como ele, é um apaixo­ nado por registar o que de mais belo há na natureza. Embaixa­ dor em Portugal desde setem­ bro de 2016, este biólogo de formação escolheu como te­ souro nacional a abordar nesta conversa os 23 parques nacio­ nais polacos, com localizações desde o mar Báltico, no norte, até às montanhas Tatra, no sul. «Temos um grande programa de preservação da natureza, parques nacionais com uma grande variedade, que são vi­ sitados pelos polacos e também por muitos estrangeiros», real­ ça o diplomata. Um dos animais que fazem parte da paisagem polaca, des­ taca Jacek Junosza Kisielewski, é a cegonha-branca. «Sei que é muito emblemática em Portu­ gal. Pois na Polónia também é. Temos cerca de 52 mil casais, a maior população do mundo. E há também a cegonha-preta, uma ave muito bonita, que mora nas florestas e é muito selva­ gem, mantendo a distância do homem. Temos entre 1500 e 2300 casais, mas na minha in­ fância chegaram a ser apenas quinhentos. Houve uma grande

Jacek Junosza Kisielewski é biólogo de formação e adora fotografar a natureza.

na Universidade de São Paulo em 1984­‑1985 e como pesqui­ sador trabalhei não só em São Paulo mas também no Mato Grosso do Sul e na Amazónia. Mais tarde voltei ao Brasil como embaixador e continuei a pra­ ticar o meu português. E agora tenho esta oportunidade em Portugal», explica o diploma­ ta em bom português. Falamos ainda dos ursos e dos lobos, que têm importantes populações na Polónia, mas Ja­ cek Junosza Kisielewski desta­ ca o bisonte-europeu, pois o seu país tem estado muito envolvi­ do na preservação dessa espécie. «Depois da Primeira Guerra Mundial o bisonte-europeu es­ teve perto da extinção. A popu­ lação mundial era de 54 animais e foi estabelecido um grande programa de recuperação. Cien­ tistas polacos e de outros países escolheram 12 exemplares para reconstituírem a população sel­ vagem e no início deste milénio já havia três mil no mundo. A recuperação foi um sucesso muito graças às florestas natu­ rais da Polónia. Hoje temos 1400 bisontes, a vasta maioria no es­ tado selvagem», comenta o biólogo, que sublinha que ape­ sar dos quarenta milhões de habitantes a grande área terri­ torial do seu país  (a Polónia é o sexto maior país da União Eu­ ropeia) permite muitos espaços ainda sem ocupação humana e isso ajuda a natureza. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:27:50

*CAMPANHA LIMITADA AO STOCK EXISTENTE

GRAÇAS ÀS FLORESTAS POLACAS

A

*C JA

AS RE EX CH


ASSINE A VOLTA AO MUNDO E DESFRUTE DE UMA NOITE INESQUECÍVEL NUM HOTEL DE CHARME NO CENTRO HISTÓRICO DE LISBOA

ASSINE 1 ANO POR APENAS

€48 €60

RECEBA

grátis *CAMPANHA LIMITADA AO STOCK EXISTENTE

VOUCHER HOTÉIS HERITAGE LISBOA*

HOTEL BRITANIA

HOTEL LISBOA PLAZA

AS JANELAS VERDES

HERITAGE AVENIDA LIBERDADE

SOLAR DO CASTELO

ASSINE JÁ 707 200 508 ASSINE JÁ 707 200 508 ASSINE JÁ 707 200 508 *CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO VOUCHER: VÁLIDO PARA 1 NOITE, 2 PESSOAS, EM QUARTO DUPLO, REGIME DE ALOJAMENTO E PEQUENO-ALMOÇO, NUM DOS HOTÉIS HERITAGE LISBOA: AS JANELAS VERDES, HERITAGE AVENIDA LIBERDADE, HOTEL BRITANIA, HOTEL LISBOA PLAZA OU SOLAR DO CASTELO. SUJEITO A DISPONIBILIDADE. VÁLIDO ATÉ 15 DE DEZEMBRO DE 2019. ASSINE A VOLTA AO MUNDO ANUAL, NA VERSÃO PAPEL E DIGITAL, PELO VALOR DE € 48 E RECEBA GRÁTIS UM VOUCHER DOS HOTÉIS HERITAGE LISBOA. VALOR DA ASSINATURA NÃO REEMBOLSÁVEL. CAMPANHA VÁLIDA PARA PORTUGAL CONTINENTAL E ILHAS ATÉ 31 DE JULHO DE 2018. NÃO ACUMULÁVEL COM OUTRAS CAMPANHAS EM VIGOR E LIMITADA AO STOCK EXISTENTE. PARA MAIS INFORMAÇÕES: HTTP://ASSINATURASPAPEL.QUIOSQUEGM.PT |APOIOCLIENTE@NOTICIASDIRECT.PT | 707 200 508. DIAS ÚTEIS DAS 7H00 ÀS 18H00. CUSTO DAS CHAMADAS DA REDE FIXA 0,10 EUR/MINUTO E DA REDE MÓVEL 0,25 EUR/MINUTO, SENDO AMBAS TAXADAS AO SEGUNDO APÓS O 1º MINUTO. VALORES SUJEITOS A IVA.

VM285_024_MalaDiplomatica_ER ok.indd 25

22-06-2018 15:27:51


26

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 26

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:06


CIDADE REINVENTADA Cultura, carvão e história forjaram uma cidade que não é óbvia. Descubra connosco a capital do País de Gales. TEXTO DE JOSÉ LUÍS JORGE

VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 27

27

22-06-2018 15:14:08


ROBERT FALCON SCOTT, EXPLORADOR BRITÂNICO, TEM DIREITO A HOMENAGEM EM FORMA DE ESTÁTUA NAS RUAS DE CARDIFF (À DIREITA). 28

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 28

JOSÉ LUÍS JORGE

ROBKHOO

ALEX TOBIAS

P

rimeira consta‑ tação: estamos numa cidade bilingue. Placas toponímicas, anúncios de toda a espécie, programas de espetáculos, tudo escrito em duas línguas. Tanto pode ser em inglês, em primeiro lugar, como em galês, em segundo, como o inverso. É assim em Cardiff, é assim em todo o País de Gales. Segunda constata‑ ção: na comunicação entre as pessoas, o inglês vence sem dificuldade. Apesar de possuir o estatuto de língua oficial, e inteira liberdade, o galês tem pouco peso em Cardiff, ainda que vigoroso nas regiões mais remotas do país. (Por curiosidade: em língua galesa Cardiff é Caer‑ dydd e Gales é Cymru.) Heráclito dizia que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio; logo – apli‑ cando o mesmo raciocínio

aos lugares –, não podemos regressar duas vezes à mes‑ ma cidade. A experiência ensinou­‑me que esta ideia está absolutamente correta. Portanto, não é a primeira vez que estou em Cardiff, de facto, a segunda, mas para lá do espaço geográfico e do corpo urbano, que no es‑ sencial se mantêm, tudo o mais vai acontecer de forma diferente. A Cardiff daquela viagem inaugural teve um sol pregui‑ çoso (ainda assim uma sorte) e apresentou­ ‑se festiva. À chegada, fui engolido por uma multidão de adeptos de râguebi, uns equipavam de azul e branco, outros de ver‑ melho e amarelo. Em ufano coletivo, enchiam de cânti‑ cos as ruas do centro, com‑ petindo no apoio às suas equipas. Considerado nada menos do que «símbolo da identidade galesa e uma ex‑ pressão da consciência nacio‑ nal», eu, que pouco sei acer‑ ca de râguebi, de uma coisa fiquei certo: o País de Gales reúne multidões. Em termos de efervescência não encon‑ trei nada de semelhante,

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:09


mas o Stadiwm Principality/ Principality Stadium (que nasceu como Mileniwm ou Millenium) continua lá, no coração da cidade. É a casa dos Dragões – o dragão é um símbolo nacional galês –, a seleção galesa de râguebi. O estádio também acomoda jogos de futebol e grandes concer‑ tos. Inaugurado em 1999, recebeu o jogo da final do Mundial de râguebi. Ainda que o marketing da empresa que o gere tente convencer que uma visita ao gigante – capacidade para 74 500 es‑ petadores, 56 mil toneladas de betão e aço, quarenta mil metros quadros cobertos – é algo de inesquecível, creio que esse sentimento só se alcançará nos dias de mul‑ tidão, quando se sente o ba‑ ter acelerado dos corações. Ainda assim aproximei­‑me, mas não fui bem­‑sucedido: por motivos imprevistos, o estádio encontrava­‑se fecha‑ do a visitas, informaram­‑me na receção. Apesar da origem roma‑ na, Cardiff é uma cidade dos nossos dias. Foi a exploração dos filões de ferro e de carvão em Gales do Sul, a partir do final do século xviii, e a pos‑ terior Revolução Industrial que lhe deram força, a ponto

À direita, o conjunto escultórico em The Hayes, o eixo comercial da cidade. Na página ao lado, o Pierhead (antiga sede da administração do porto de Cardiff) e a vida de pub. VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 29

29

22-06-2018 15:14:11


SHUTTERSTOCK

30

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 30

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:13


VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 31

CARDIFF APRESENTA, em termos gerais, o cunho das cidades planeadas de raiz, uso racional do espaço, quarteirões geométricos, e até o material de construção usado foi em boa mediada o mesmo: pedra creme de Portland, o que lhe confere grande unidade cromática. Refiro­‑me ao designado cen‑ tro cívico, aglomerado de edi‑

JOSÉ LUÍS JORGE

de a tornar capital do País de Gales, em 1955. Aliás, a importância económica do carvão era de tal grandeza que levou à criação, em finais de Oitocentos, da Coal and Shipping Exchange, espécie de bolsa frequentada por to‑ dos aqueles que gravitavam à volta do negócio das minas. Pode dizer­‑se que o preço do carvão nos mercados mundiais era estipulado ali. O edifício onde funciona‑ va ainda existe, grandioso, próximo das antigas docas, agora como Exchange Ho‑ tel, destino frequente para prédios citadinos com valor simbólico e arquitetónico. Apesar de toda a riqueza que as minas proporcionaram por mais de um século, fazendo fortunas, a vida dos mineiros galeses nunca foi solar. Independentemente daquilo que tenha signifi‑ cado para os diferentes ato‑ res que se movimentavam naquele cenário que, à épo‑ ca, representava o progres‑ so, traduzido em chaminés lançando constantemente colunas de fumo negro, bar‑ cos com pesadas cargas de minério zarpando do por‑ to — à semelhança dos pe‑ troleiros dos nossos dias –, parte significativa de Cardiff é fruto desse período sulfu‑ roso. Até mesmo o castelo é resultado do boom mineiro. Sim, o castelo assenta em fundações romanas, in‑ corpora torres normandas, mas, acima de tudo, é uma

fantasia neogótica do sécu‑ lo xix. O projeto tem autoria do arquiteto William Burges, descrito como alguém com «uma imaginação desen‑ freada» e com «propensão para o consumo de ópio», e foi suportado pela imensa fortuna do terceiro marquês de Bute. Numa sala estamos na Idade Média, noutra num palácio árabe e na seguin‑ te em algo diferente. Luxo e requinte por todo o lado. É sempre difícil avaliar uma obra com estas caraterísticas: fantasiosa, eclética, extrava‑ gante, triunfal. Assim, não lhe faltam nem admiradores nem maledicentes.

fícios públicos grandiosos, e às galerias comerciais da mesma época, Castle Arcade, Royal Arcade, Morgan Arcade, quintessência da arquitetura do vidro e do ferro, anteces‑ soras dos recentes centros comerciais vizinhos. O que mais agrada é verificar que estruturas do século xix vi‑ vem tranquilamente com negócios do século xxi. O Museu Nacional de Cardiff é peça central deste conjunto monumental. Da

ALÉM DO RÂGUEBI, QUE MOVE MULTIDÕES, ESTA É TAMBÉM UMA CIDADE DE CULTURA COM EXPOSIÇÕES E CONCERTOS AO LONGO DO ANO.

JOSÉ LUÍS JORGE

À esquerda, a zona ribeirinha, com dois dos seus símbolos: Pierhead e o Canolfan Mileniwm Cymru. À direita, a catedral de Llandaff e, em baixo, o Museu Nacional de Cardiff, com a sua grande coleção de pintura europeia.

31

22-06-2018 16:24:04


mesma maneira que Cardi‑ ff é, muitas vezes, uma ca‑ pital subestimada, também o Museu Nacional é larga‑ mente desconhecido. Isso traz uma (pelo menos) van‑ tagem: os visitantes dispõem de espaço – é natural encontrarmo­‑nos diante de uma obra de grande reputa‑ ção sem ninguém a fazer­ ‑nos sombra. Escultura, pintura, cerâmica, com‑ põem um mosaico muito amplo de opções artísticas, abrangendo um arco tem‑ 32

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 32

poral alargado (além disso, há todo um piso dedicado à história natural do País de Gales, explicada através da associação de peças reais e do uso de multimédia). Den‑ tro destas salas, quando se enunciam as obras­‑primas, sem pestanejar a escolha recai sobre um impressio‑ nista francês. Tal conduz­ ‑nos a Gwendoline Davies (1882­‑1951) e Margaret Da‑ vies (1884­‑1963), duas irmãs ricas e independentes, ati‑ vistas sociais e filantropas.

As irmãs Davies envolveram­ ‑se em iniciativas culturais, serviram na Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial, viajaram e adqui‑ riram peças de arte, princi‑ palmente impressionistas. As suas aquisições, feitas ao longo dos anos, resultaram «numa das mais importan‑ tes coleções particulares de arte na Grã­‑Bretanha», que acabaram por doar ao mu‑ seu, 260 itens no total. Foi este ato de generosidade que fez do Museu Nacional de

O CASTELO ASSENTA EM FUNDAÇÕES ROMANAS, POSSUI TORRES NORMANDAS, MAS, ACIMA DE TUDO, É UMA FANTASIA NEOGÓTICA DO SÉCULO XIX.

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:17


Cardiff um grande museu, com estatuto internacional. Em geral, o visitante passa de sala em sala, por vezes é surpreendido por algo, demora­‑se então um pouco mais, comenta, se ti‑ ver a companhia de alguém, mas ao avistar La Parisienne, o mais certo é sentar­‑se por algum tempo no banco corrido defronte da tela de grande dimensão, total‑ mente ocupada pelo retrato de uma mulher de corpo inteiro, envergando um vestido complexo, todo ele azul, um azul que magnetiza VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 33

AS CIDADES VIVEM muito do andamento da economia. Enquanto o carvão fez mover o mundo, Cardiff prosperou, mas à medida que as minas foram fechando e a impor‑ tância do carvão perdeu

JOSÉ LUÍS JORGE

Em cima, o espaço comercial Royal Arcade. Em baixo, a Assembleia Legislativa do País de Gales. WOJTE

o olhar. A pintura, de Pierre­‑ ­‑Auguste Renoir, é de 1874. Na sala ao lado, a mesma atenção a Le Baiser. Mas pe‑ rante a escultura de Augus‑ te Rodin – cópia de bronze do original de mármore – o mais certo é o visitante fazer círculos, experimentando diferentes pontos de vista, de modo a apreender o máximo do ardente e vigoroso am‑ plexo que atrai dois corpos. John Goscombe e Jacob Epstein são dois grandes da escultura também represen‑ tados no museu. Todavia, quanto a Epstein, a sua grande obra, em Cardiff, encontra­‑se na catedral de Llandaff. Havia lido que causara polémica, não por si, mas pela razão de se tratar de uma escultura veiculando uma linguagem contemporânea inserida num espaço medieval. Curioso de descobrir as razões da contes‑ tação, pus­‑me ao caminho. Encontrei um Cristo monu‑ mental, longilíneo, minima‑ lista, braços meio abertos em sinal de boas­‑vindas. Erguido sobre um duplo arco de be‑ tão, como que levita entre as altas paredes medievais, era o que dava vida ao espaço, pareceu­‑me. Isso e um coro, que àquela hora ensaiava.

ISVANI

SHUTTERSTOCK

ESCULTURA E PINTURA SÃO DUAS ARTES BEM REPRESENTADAS EM CARDIFF. NOS MUSEUS E NAS RUAS.

33

22-06-2018 15:14:19


34

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 34

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:21


GETTYIMAGES

VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 35

força. Lentamente, as docas soçobraram; a exportação de carvão terminou por com‑ pleto em 1964. O aproximar do novo milénio trouxe um novo élan a Cardiff. Progra‑ mas de renovação urbana, desenvolvimento de novas atividades económicas, en‑ genharia arrojada, arquitetura vanguardista, multiplicação de obras de arte em espaço público, tudo contribuiu. «Capital de alto crescimen‑ to – Cardiff é das cidade que mais crescem no Reino Unido», afirma uma publi‑ cação da responsabilidade do Cardiff Council. A avaliar pelas gruas levantadas, é bem capaz de ser verdade. É em redor da baía que melhor se observa o libertar desta energia. O porto, ago‑ ra significativamente mais modesto, afastou­‑se e as an‑ tigas docas, propriedade dos marqueses de Bute (daí ser conhecido por Butetown, ou também por Tiger Bay, devi‑ do à reputação canalha que se lhe colou durante a época vitoriana), deram lugar a um novo skyline. Para começar, foi neces‑ sário ultrapassar um obstáculo da natureza. Aqui, a amplitu‑ de das marés pode atingir 15 metros. «Só há um lugar no mundo, fica no Canadá, onde a força das marés é superior à nossa», explica­‑me Leo‑ nard, um galês que encontrei, regressava eu da Barrage. O dique da baía de Cardiff, a Bar‑ rage, foi a peça que desenca‑ deou a metamorfose da área. A natureza violenta das marés condicionava a navegação e, na baixa­‑mar, deixava a des‑ coberto um extenso lodaçal. Isso impeliu a construção de comportas na boca da baía, tornando­‑a um gran‑ de lago com a ajuda dos rios Taff e Ely, que aí desaguam. O fecho aconteceu em 1999.

NA BAÍA DE CARDIFF VAI PODER VER ALGUNS DOS EDIFÍCIOS ICÓNICOS DA CIDADE, COMO O SENEDD, O PIERHEAD OU O CANOLFAN MILENIWM CYMRU Leonard diz­‑me também que faz parte da equipa que está a preparar a receção da Volvo Ocean Race. Vindos de Newport, do outro lado do Atlântico, os garbosos veleiros da mais empolgante regata do planeta farão pela primei‑ ra vez escala em Cardiff. A cidade está empenhada nos preparativos. Mas convém esclarecer: a baía viveu outros dias de prestígio. Daqui, no dia 15 de junho de 1910, zarpou o Terra Nova, que conduziu a Expe‑ dição Antártida Britânica ao oceano Austral, comandada por Robert Falcon Scott (pelo caminho, o Terra Nova fez numerosas escalas, incluindo a ilha da Madeira). E lá está a estátua do explorador, talvez seja mais adequado falar em conjunto escultórico, pois para lá de Scott surgem os rostos dos companheiros que, tal como ele, foram ví‑ timas da tragédia.

35

22-06-2018 15:14:23


36

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 36

JOSÉ LUÍS JORGE

um luso­‑ moçambicano, barman no bar e restauran‑ te El Puerto. Assim faço um looping ­‑ a escrita autoriza­ ‑nos isso ‑­ e recuo de modo a mostrar em panorâmica o perfil da baía. Nem tudo o que se apresenta construído, é novo. Demos um sentido cronológico às coisas. Do an‑ tigo porto ficou o Pierhead, a igreja norueguesa e o já men‑ cionado Coal and Shipping Exchange, todos convertidos a usos muito diversos. A igre‑ ja norueguesa, com paredes brancas como a neve e es‑ quadria rigorosa, foi transfor‑ mada em centro cultural. Já o Pierhead, símbolo do robusto sucesso do porto de Cardiff,

JOSÉ LUÍS JORGE

A CULTURA GALESA É MOTIVO DE ORGULHO PARA OS HABITANTES DE CARDIFF.

Em cima, os ciclistas em redor da baía, os peões na High Street, via pedonal que se encontra decorada com bandeiras nacionais. À esquerda, a diversidade étnica do porto de Cardiff representada num conjunto escultórico.

PRED HUGHES

A estátua é um monu‑ mento a uma derrota e isso torna­‑o singular ou, mais do que isso, relevante. Scott, na companhia de quatro expe‑ dicionários, alcançou o Polo Sul, mas o explorador no‑ rueguês Roald Amundsen antecipara­‑se quatro sema‑ nas. Além disso, no regres‑ so ao Terra Nova, o grupo soçobrou, não havendo so‑ breviventes. As vitórias têm força própria, afirmam­‑se in‑ dependentemente da forma como foram conseguidas. Já as derrotas – especialmente as grandes derrotas – exigem explicações. No caso do capi‑ tão Scott, o seu feito, as suas qualidades e incapacidades, as decisões que tomou, têm sido matéria de controvérsia. Helen diz­‑me: «Fui eu que assentei os azulejos.» O monumento está reves‑ tido por inteiro com azulejo branco, uma alusão ao gelo da Antártida, a par do frio, o grande inimigo de Scott e dos seus companheiros. «O meu marido é o autor da escul‑ tura», continua. Portanto, referia­‑se ao artista Jonathan Williams. Esta conversa, que se prolongou, faz supor que havia marcado encontro com Helen, mas não. Numa ca‑ sualidade quase prodigiosa, apanho­‑a a aplicar betume em pequeníssimas fissuras entre os azulejos. «Estamos próximos do mar, o que cau‑ sa um grande desgaste neste tipo de objeto. Muito bem se tem portado; encontra­‑se aqui desde 2003 e é a primei‑ ra vez que lhe tocamos.» Antes deste momento – cumpria o terceiro e o último dia de Cardiff –, andarilhara muito, fotografara, sentara­ ‑me em esplanadas, visitara alguns espaços, conversara sempre que a oportunidade surgira. Uma dessas conver‑ sas teve como interlocutor

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:14:23


GUIA CARDIFF RICHIE WISBEY

VOLTAAOMUNDO.PT

CARDIFF

antiga sede da companhia que o administrava, está sob a res‑ ponsabilidade da Assembleia Nacional do País de Gales. É um edifício eclético, reves‑ tido com placas de terracota, quente tonalidade entre o la‑ ranja e o castanho, o que faz que nos lembremos dele mais pela cor do que pela sua forma ligeiramente bizarra. Do tempo atual, muitos ca‑ fés, restaurantes, bares, lojas e blocos de apartamentos de perfil mais ou menos auda‑ ciosos, uns construídos, outros em construção – a componen‑ te imobiliária parece insepará‑ vel destes projetos. Mas foram as grandes obras públicas que mais contribu‑ íram para a transformação deste lugar desleixado em lugar na moda, ou, mais do que isso, em lugar amado. Esta reconversão lembra outra, o Parque das Nações, em Lis‑ boa. Identitárias, representam tanto a nova Cardiff como a nação galesa. Escolho duas: Senedd e Canolfan Mileniwm Cymru – ­ Assembleia Nacional e o Centro Millennium.

VOLTA AO MUNDO

VM265_026_037_Cardiff_FINAL_RB ok.indd 37

Mais importante por aquilo que significa do que pela sua forma, o Senedd é um edifício pouco imagi‑ nativo. Lembra uma grande caixa transparente coberta por uma placa lisa que a par‑ tir de certo ponto se projeta no vazio em forma de pala. Uma onda, uma concha, o casco invertido de um barco, seja o que for que a sua forma sugira, o Canolfan Mileniwm Cymru é brilhante, majes‑ toso e simples. Chapas de aço revestidas com óxido de cobre formam uma couraça que envolve a linha da cúpula e boa parte da fachada onde deslizam grandes letras em caixa alta compondo versos da poeta Gwyneth Lewis, nas línguas galesa e inglesa. Dizem o seguinte: «Nestas pedras horizontes cantam». No interior, nas sa‑ las deste centro cultural, expressam­‑se artistas locais e vindos de fora. O Canolfan Mileniwm Cymru é a casa de oito instituições, que dão vida às «aspirações cultu‑ rais da nação». Congrega dois desígnios: abertura ao mundo e defesa da cultura galesa. É disso, sem mais, que se trata.

DOCUMENTOS: PASSAPORTE OU CARTÃO DE CIDADÃO MOEDA: LIBRA ESTERLINA. UMA LIBRA – 1,1387 EUROS IDIOMA: GALÊS E INGLÊS

IR

De Portugal para Gales existe ligação aérea direta apenas entre Faro e Cardiff. Optar por voar para o aeroporto de Bristol, permite voos diretos de Lisboa, Porto e Faro. Cardiff dista cerca de 70 quilómetros de Bristol. Ao longo do dia numerosos comboios, assim como autocarros, ligam as duas cidades.

VISITAR: MUSEU NACIONAL DE CARDIFF Cathays Park, Cardif MUSEUM.WALES/CARDIFF

PIERHEAD Pierhead Street, Cardiff Bay PIERHEAD.ORG

SENEDD / NATIONAL ASSEMBLY FOR WALES Link Road, Cardiff Bay

CASTELO Castle Street, Cardiff

ASSEMBLY.WALES/EN/VISITING/

CARDIFFCASTLE.COM

SENEDD

STADIWM PRINCIPALITY / PRINCIPALITY STADIUM Westgate Street, Cardiff

CANOLFAN MILENIWM CYMRU / WALES MILLENIUM CENTRE Bute Pl, Cardiff Bay

PRINCIPALITYSTADIUM.WALES

WMC.ORG.UK

CATEDRAL DE LLANDAFF Cathedral Cl, Cardiff llandaffcathedral.org.uk e

37

22-06-2018 15:14:24


Segóvia ATRAÇÕES E DELÍCIAS DA ESPANHA PROFUNDA

38

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 38

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 12:56:55


Castelos, palácios e igrejas disseminados fazem parte desta paisagem de ecrãs largos e de beleza agreste e despojada. A província de Segóvia não congelou à entrada da idade industrial e poucas regiões da Península Ibérica mantêm o património e as tradições medievais em tão glorioso estado de conservação.   TEXTO E FOTOGRAFIA DE LUÍS MAIO

VOLTA AO MUNDO

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 39

39

22-06-2018 12:56:56


P

Pequena cidade de província (pouco mais de 50 mil habitantes), Segóvia já foi grande, ou melhor, desempenhou um papel crucial na história peninsular. Daí um acervo patrimonial notável, sobretudo concentrado no seu centro histórico, que mais parece um museu da Idade Média a céu aberto. Na conjugação do que noutros lados é já irreconciliável – esse estatuto de atração turística de reputação internacional e uma certa autenticidade mais comum em vilas do interior – reside em boa parte o fascínio da cidade plantada no limite norte da serra de Guadarrama. É um destino clássico para uma escapadela de fim de semana para quem vive em Madrid, cada vez mais acessível desde que lá faz escala o TGV. Mas as aldeias e as vilas históricas, os parques e os inúmeros destinos de natureza da província homónima aconselham vivamente levar ou alugar um carro.

À esquerda, a Casa dos Bicos, construída no século xv. Ao lado, a Igreja de San Martin, edifício do século xii.

40

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 40

O aqueduto de Segóvia (em cima) foi declarado Património da Humanidade em 1985. Tem pouco mais de 800 metros de comprimento.

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 12:56:59


DO AQUEDUTO ROMANO À ARTE DOS ESGRAFITOS

Alcandorada num penhasco rochoso recortado pela confluência de dois rios, à beira da serrania que divide o centro da península em dois, Segóvia nasceu e cresceu com perfil de encruzilhada e de lugar fronteiriço. Uma importância estratégica já consagrada pelos romanos, que na segunda metade do século i construíram o famoso aqueduto de 167 arcos de pedra, erguido até 29 metros de altura, em oitocentos metros de comprimento, sem cimento nenhum. Emblema familiar da cidade, hoje ainda causa espanto e emoções fortes. O Aqueduto foi construído para servir a cidadela, que deu lugar ao Alcázar com a Reconquista. Majestoso palácio fortificado, artigo genuíno ou versão original dos castelo de fadas – diz-se ter inspirado o da Branca de Neve de Walt Disney–, o Alcázar de Segóvia vale por si mesmo, mas também pelo que dá a ver do alto dos oitenta metros de altura (152 degraus em escada de caracol) a que se encontra o terraço da sua Torre de Menagem. De um lado, as colinas áridas da Meseta Central, do outro a cidade antiga, emoldurada por mais de três quilómetros de grossas muralhas, das quais se desprende um impressionante skyline de dezena e meia VOLTA AO MUNDO

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 41

Segóvia faz parte da comunidade de Castela e Leão. Tem 52 mil habitantes e a região é povoada há 60 mil anos. de torres românicas. São muitas e bonitas, em especial a da Igreja de Santo Estêvão, que atinge 56 metros de altura e é a maior torre românica de toda a península. A torre de Santo Estêvão é alta, mas não tão alta quanto a torre da Catedral de Santa Maria, que atinge os 88 metros – embora chegassem a ser 108, antes de um incêndio que lhe roubou o título de templo mais alto de Espanha. As vistas lá de cima são impressionantes, mas a arquitetura e o recheio não lhe ficam atrás, incluindo três portas, 19 capelas e dois órgãos. Santa Maria já não é românica, mas gótica tardia, como bem demonstram os seus pináculos, contrafortes e, sobretudo, a sua incrível profusão ornamental. Gótica é também a vizinha Casa dos Bicos, parecida à homónima lisboeta na fachada de 671 pedras cortadas com pontas de diamante, que começou

por ser um palácio e agora acolhe a Escola Superior de Design. Além de igrejas e palácios, o que mais impressiona em Segóvia são as fachadas cobertas com Esgrafitos. Chama-se assim à técnica ornamental que consiste em cobrir fachadas com duas camadas de cores sobrepostas, para depois fazer incisões até à mais profunda e jogar com as duas. Há seiscentos modelos de Esgrafitos recenseados em Segóvia, a maior parte com motivos geométricos seriados de inspiração mudéjar. São especialmente exuberantes nas fachadas em torno da catedral, bairro primeiro desenvolvido para dar teto aos cónegos de Santa Maria. É hoje de novo a zona mais pitorescas e vibrante da cidade, cenário recorrente de numa dúzia de festivais que Segóvia organiza anualmente sob temas que vão da música à literatura, passando pelo design alternativo. 41

22-06-2018 12:57:01


Em baixo, os jardins do Palácio Real da Granja de São Ildefonso. Inspirado em Versalhes, data do século xviii.

Na página ao lado, os jardins do palácio. Estendem-se por mais de seiscentos hectares.

VERSAILLES AO LADO DE MADRID

Entrever Versailles nos bosques de uma serra espanhola, por sinal não muito longe de Madrid, é certamente uma raridade com o seu quê de extravagância. Tão ou mais surpreendente ainda para quem chega de fora é La Granja de San Ildefonso ser um destino ultrapopular, porventura mais concorrido do que a própria cidade de Segóvia (doze quilómetros) no capítulo do turismo interno e sobretudo de famílias. Rebobinando: Filipe V, Duque de Anjou e primeiro monarca da dinastia Bourbon, chegou para tomar posse em Madrid, mas acabou dececionado com os domínios reais da capital espanhola, que tinham pouco ou nada que ver com o fausto e a fantasia a que se habituara na Versailles projetada pelo seu avô, o Rei Sol. Não demorou, portanto, a adquirir o Real Sitio de San Ildefonso nas faldas da serra de Guadarrama, para construir um novo palácio e jardins à moda francesa. Os trabalhos arrancaram em 1721, em boa parte reciclando materiais de Valsaín, o antigo palácio de caça dos Reis Católicos a três quilómetros dali (ainda hoje arruinado), vindo o conjunto a ser completado pela viúva de Filipe V e beneficiado pela subsequente dinastia bourbónica. Claro que La Granja não é bem Versalhes, ou melhor, é uma Versalhes em pequena escala. Mesmo assim os jardins ocupam para cima de 146 hectares, um paraíso verde rigorosamente humanizado, que é como 42

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 42

O Palácio Real tem jardins, fontes e a bênção de Filipe V de Espanha, que o mandou construir. quem diz desenhado a régua e esquadro, organizado em torno de 26 fontes monumentais decoradas com figuras inspiradas na mitologia grega. Os jogos de água conservam a canalização e os mecanismos originais, o que é notável, mas dependem da água que vai sendo armazenada no grande lago, o que quer dizer que hoje não funcionam em boa parte do ano. As esculturas e os dourados, que já foram símbolo de sofisticação, agora denotam uma certa pátina kitsch, mas as crianças divertem-se na mesma com as figuras fantásticas e sobretudo com os intricados labirintos, que conferem a este parque o encanto de uma Disneylândia pré-industrial. La Granja é o destino perfeito para levar o farnel e passar o dia ao ar livre, em qualquer caso é o tipo de local onde é mais fácil entrar do que sair. Para quem tiver outros

planos, se quiser nomeadamente explorar a aldeia que cresceu em redor do palácio, integrando mansões, igrejas e cavalariças, será melhor deixar os jardins para mais tarde. Uma visita imperdível é a da Fábrica Real de Vidros, um complexo de edifícios grandiosos, na maior parte de matriz neoclássica, que ocupam uma área de 25 mil metros quadrados. Cabe destacar as colossais naves dos fornos e as infindáveis salas de exposições, onde se pode testemunhar a história da produção do vidro desde o período barroco até aos nossos dias, tanto na vertente técnica como na estética. A fábrica continua a funcionar no segmento de peças de design e luxo, dispondo de uma loja ultratentadora, mas também de divertidas e instrutivas sessões de demonstração da produção de vidro soprado. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 12:57:04


43

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 43

22-06-2018 12:57:05


Sepulveda tem pouco mais de mil habitantes. No terceiro domingo de julho acontece aqui a Festa dos Forais, o grande acontecimento da terra.

44

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 44

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 16:29:45


À esquerda, a porta do castelo de Pedraza e um dos pratos servidos no Parador de La Granja (a onze quilómetros de Segovia), a favada.

VOLTA AO MUNDO

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 45

Ao lado, o parque natural de Hoces del Río Duratón, um afluente do rio Douro. Foi criado em 1989 e estende-se por cerca de cinco mil hectares.

45

22-06-2018 12:57:12


A Igreja de Santo Estêvão, em Cuellar, combina três estilos principais: mudéjar, românico e barroco.

46

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 46

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 12:57:12


TERRAS DE CASTELOS E PINHEIROS

A serra de Guadarrama é rematada a norte pelos grandes espaços da meseta, extensas planuras secas e agrestes, em boa parte cobertas por bosques de pinheiros. O género de paisagem onde se circula durante quilómetros sem cruzar vivalma, até que lá ao fundo se avista uma torre de castelo ou de igreja – como se na província de Segóvia a história tivesse parado algures em finais da Idade Média. Não parou, claro, mas a verdade é que o apogeu desta tradicional zona fronteiriça começa com a repovoação sequente à Reconquista, no século xi, e atinge um pico com o apogeu da produção de lã nos séculos xvi e xvii. Depois não se passa grande coisa, fazendo que muitas terras praticamente entrem em estado de hibernação até à entrada da idade do turismo. Resulta assim numa experiência insólita, quase alucinante, chegar a Coca (cinquenta quilómetros a noroeste de Segóvia) e descobrir no meio de nada um portentoso castelo decorado por torreões triunfais e ameias caprichosas, completamente cercado por um fosso de mais de vinte metros VOLTA AO MUNDO

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 47

O castelo de Coca, século xv, é um dos melhores exemplos da fusão de estilos da arquitetura em Espanha. de profundidade. Parece o cenário de uma saga de aventuras de capa e espada, mas o castelo de Coca serviu mesmo de morada, ou melhor, de palácio fortaleza à poderosa família castelhana dos Fonseca, que o mandou construir em finais do século xvi empregando árabes «convertidos», especializados em trabalhar o ladrilho. O resultado é uma espécie de apoteose da fusão dos estilos mudéjar e gótico, aplicada à arquitetura militar. Nas imediações há mais meia dúzia de ruínas fascinantes, incluindo a imperdível torre da igreja (entretanto desaparecida) de São Nicolau. Com os seus arcos cegos desenhados até meio e depois abertos na metade superior, é a verdadeira quintessência do românico segoviano.

Outro castelo prodigioso é o de Cuéllar (35 quilómetros a oriente de Coca), que começou por ser uma fortaleza mandado construir pelos duques de Albuquerque, em meados do século xiii, sobre outro fortim árabe, do qual só se conserva a porta sul. Foi depois ciclicamente reconstruído e ampliado, com especial destaque para o elegante palácio de fatura renascentista, mas o recheio perdeu-se, ou melhor, é hoje um museu em Nova Iorque. A compensação é que, além ou aos pés do castelo, Cuéllar conserva uma profusa herança arquitetónica e artística, incluindo uma dúzia de esplêndidas igrejas mudéjares do século xii. É mais do que o suficiente para preencher um fim de semana, sobretudo 47

22-06-2018 12:57:14


É em Sepúlveda que se localiza o centro de interpretação do Parque Natural de Hoces del Río Duratón.

para quem quiser aproveitar os bons ares e a pacatez desta cidade de província de dez mil habitantes, a segunda maior da província de Segóvia. Pedraza (38 quilómetros a nordeste de Segóvia) já teve 15 mil habitantes, mas agora conta menos de cem. A míngua demográfica não a impede, antes pelo contrário, de ser uma das terriolas mais amadas de Espanha. Um dos picos de afluência é o Concerto das Velas (atuação de orquestras clássicas + 35 mil velas), no primeiro fim de semana de julho, quando já se registaram para cima de 13 mil visitantes. A lotação esgotou e muita gente teve mesmo de ficar à porta no verão passado, porque a vila são quatro ruas que ligam o castelo à única porta de entrada e saída. A exiguidade e o notável trabalho de reconstrução, onde não mora o plástico nem 48

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 48

Até ao fim do verão não perca as festas da Virgem da Fuencisla (25 de setembro), patrona de Segóvia. há modernices à vista nas fachadas (algumas das quais são isso mesmo, só fachadas), contribuem para o sucesso e a reputação de parque medieval de que Pedraza aufere. Sepúlveda (26 quilómetros a norte de Pedraza) conta com uma localização geoestratégica e uma história de repovoação muito semelhante. Tem as suas cintilações patrimoniais, incluindo o antigo ayuntamiento da Plaza Mayor que combina muralhas árabes, balcões renascentistas e

uma fachada barroca. Não terá o pitoresco medieval de Pedraza, mas em contrapartida Sepúlveda conta com outros atrativos nas vizinhanças, em especial o ultrapopular Parque Patural de Hoces Del Río Duratón. São espetaculares os desfiladeiros que recortam o rio, serpenteando numa paisagem de uma beleza agreste e selvagem, muito rochosa e escassamente povoada de cedros, sobre as quais paira quase sempre o voo hipnótico dos abutres. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 12:57:16


FICAR

PALACIO SAN FACUNDO Palácio do século xvi convertido em hotel moderno, no centro histó-rico. Quartos duplos de 80 a 90 euros. PLAZA SAN FACUNDO, 4, SEGÓVIA TEL.: +34 921463061 HOTELPALACIOSANFACUNDO.COM

PARADOR DE LA GRANJA Central, simpático, com pátios acolhedores e excelente cozinha. Duplos desde 70 euros. PUERTA DE LA REINA, 3, LA GRANJA TEL.:+34 921010750 E PARADOR.ES

SEGÓVIA

VOLTAAOMUNDO.PT

HOTEL DE LA VILLA Três estrelas rústico, simples e correto, com preços algo inflacionados certamente devido à excelente localização em Pedraza. Duplos desde os 100 euros. CALLE CALZADA, 5, PEDRAZA TEL.: +34 921 50 86 51

VADO DEL DURATÓN Hotel com ambiente de pensão, salão de clube de férias, jogos de tabuleiro e biscoitos gratuitos. Duplos desde 59 euros.

EL FOGÓN SEFARDÍ Segóvia tem uma rica herança judaica e este restaurante faz-lhe justiça em termos de receitas gastronómicas. CALLE DE LA JUDERÍA VIEJA, 17, SEGÓVIA TEL:  +34 921 466 250

                                                 EL SOPORTAL Especialidades locais, cozinha caseira e saborosa, excelente vista sobre a praça principal de Pedraza. PLAZA MAYOR, 7, PEDRAZA TEL.: +34 921 509826

EL FOGÓN DEL AZOGUE Restaurante de fraca decoração e nenhumas vistas, mas grande cozinha tradicional,  esmerada e generosa. CALLE DE SAN MILLÁN, 6, SEPÚLVEDA TEL.: + 34 690 20 27 72

COMPRAR

SAN JUSTO Y PASTOR, SEPÚLVEDA

REAL FÁBRICA DE CRISTALES DE LA GRANJA Além de museu, a fábrica de vidro de La Granja tem loja com um nível de excelência equiparável à sua «prima» da Marinha Grande.

TEL.: +34 921 540813

TEL.: +34 921010700 E REALFABRICADECRISTALES.ES

COMER E BEBER

MOEDA: EURO FUSO HORÁRIO: GMT+1 HORA IDIOMA: CASTELHANO

IR

A linha de alta velocidade liga Madrid (Chamartin) e Valladolid com paragem em Segóvia. São 35 minutos de trajeto e cerca de 25 euros por pessoa. Já a linha regional demora cerca de duas horas e os bilhetes ficam nos oito euros (enfe.com). Também há autocarros regulares que partem em Madrid do terminal de Moncloa e os bilhetes custam um pouco menos de oito euros (www.lasepulvedana.es). De carro, o mais rápido é apanhar a AP-6 + AP-61 (cerca de 97 quilómetros, uma hora e dez minutos), embora seja mais mais bonito e agradável para quem tiver tempo seguir pela estrada que atravessa as montanhas (CL-601) em direção a La Granja (78 quilómetros e cerca de uma hora e 45). De Lisboa são seis horas de automóvel, menos uma se sair do Porto.

VM285_38_49_Segovia_AP.indd 49

VILLENA Ocupa o antigo Convento dos Capuchinhos e tem uma estrela Michelin, a única na cidade. O mérito vai para o jovem chef Rubén Arnanz e a sua cozinha artesanal com produtos da estação. Menu de degustação a 60 euros. PLAZUELA DE LOS CAPUCHINOS, 2, SEGÓVIA TEL.: 34 921 46 17 42     

MESON DE CANDIDO Instituição familiar, especializada nos clássicos da cozinha de Segóvia. Melhor lugar para comer leitão com vista para o aqueduto.

OLIVIA THE SHOP Loja de sabões, velas e produtos de cosmética artesanais, para já exclusiva de Segóvia. PLAZA DOCTOR LAGUNA, 2, SEGÓVIA TEL.: +34 921463068

DIABLO COJUELO Além de loja gourmet, tem espaços de degustação de vinhos e tapas. CALLE JUAN BRAVO, 23, SEGÓVIA TEL.: + 34 921 462671 E DIABLOCOJUELO.COM

LA PENA E EL CASTILLO Duas pastelarias especializadas nas rosquillas de castrillo e outras especialidades da doçaria de Sepúlveda. PLAZA DE ESPAÑA, SEPÚLVEDA

MAIS INFORMAÇÕES

PLAZA DEL AZOGUEJO, 5, SEGÓVIA

SEGOVIATURISMO.ES

TEL. +34 921425911

DIPSEGOVIA.ES

MESONCANDIDO.ES

22-06-2018 13:04:10


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

60

EXPERIÊNCIAS EM MAUI Fomos à ilha do Havai onde se pode sempre encontrar o sol. Fizemos de tudo um pouco para descobrir as melhores experiências que Maui pode permitir. E nunca faltou o aloha, apalavrausadacomosaudaçãoemqualquerhoradodia,mas que significa também viver em comunhão com a natureza. T E X TO D E R I TA MACHAD O | FOTO G R AF IAS D E HAWAI I TO U R ISM AU T H O R I T Y ( H TA )

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 50

22-06-2018 14:52:21


DANA EDMUNDS HEATHER GOODMAN

TOR JOHNSON DANA EDMUNDS

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 51

22-06-2018 14:52:26


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

02 Encontrar o sol

Dizem que em Maui é «sempre possível encontrar o sol» e pudemos confirmá­‑lo em várias ocasiões. Acordávamos com chuva, frio e trovões na North Shore e de repente íamos até Kihei e estava calor e sol para passar todo o dia a fazer praia. Uma aplicação móvel dedicada ao tempo vai ser aliada. Em caso de dúvida, suba até Pukalani ou Kula – de onde se consegue ver ambos os lados da ilha – ­ e escolha para onde ir.

03 Vestir­‑se como TOR JOHNSON

os habitantes

01

Praticar aloha

Estivemos seis semanas em Maui. Do dia-a-dia de quem lá reside às atrações mais turísticas, escolhemos o que de melhor a ilha tem para oferecer. Pegue num mapa e viva simplesmente sem grandes ansiedades o que de melhor há para absorver. Dias de caminhadas, vulcão acima, passeios à beira­‑mar, refeições a olhar para arco­‑íris duplos, paisagens de cortar a respiração, tudo deve ser apreciado sem grandes preocupações, mas com alguma moderação, pois os havaianos são reservados e os americanos têm regras que é preciso respeitar. Aloha é a forma

52

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 52

de saudação e resume a postura que devemos ter na ilha: respeito pela tradição e pela natureza. Os nativos da ilha são ciosos desta gema no meio do Pacífico e não toleram turistas que atiram lixo para o chão ou que querem interferir com a flora ou a fauna. Um exemplo: as tartarugas são espécies protegidas pela lei estatal e federal e não só não lhes pode tocar como tem de manter uma distância que não as perturbe de nenhum modo. Multas podem ser aplicadas se não respeitar a lei e os locais podem ficar zangados e gritar consigo se se aproximar de mais.

Maui tem uma caraterística engraçada. Toda a gente se veste mais ou menos da mesma maneira desportiva. Homens: T-shirt, calções e chinelos, se forem jantar uma camisa, por vezes havaiana. Mulheres: calças ou vestidos soltos com biquíni, leggings com tops, havaianas, cabelo solto e com ar de ter acabado de sair do mar. Um anel ou brinco original terminam o kit – para elas e eventualmente para eles. Aqui, como em todo o lado, as classes existem e o poder socioeconómico tem escalas, mas numa primeira mirada para a maneira como as pessoas estão vestidas nada se nota, pois parecem todos da mesma trupe. De facto esta não é uma ilha onde a forma como alguém se veste indique de imediato o saldo na conta bancária, pois estrelas de cinema e bilionários usam roupa esburacada e rastas no cabelo exatamente como o anónimo sentado ao seu lado na praia. Comem as mesmas coisas e bebem a mesma cerveja nos mesmos locais.

04

Explorar o Maui Arts and Cultural Center

Várias exposições, concertos, atividades culturais e passeios nos jardins, para aproveitar um dia sem praia. Há também noites de cinema ao ar livre e festas de entrada grátis. Em Kahului. mauiarts.org.

05 Conhecer os grãos de cafés locais em Maui Coffee Roasters

Colheitas dos produtores locais, como o famoso café Kona, e misturas entre vários grãos produzidos nas ilhas, podem ser saborea­das aqui. O estado do Havai é o único do continente americano que produz café. Pode comprar e mandar moer na altura ao seu gosto e na loja há vários apetrechos para fazer o café perfeito durante a sua estada. Um café fica entre quatro e seis euros numa loja, por isso se, dos três diários recomendados, beber o primeiro em casa sempre poupa alguns dólares. Em Kahului. mauicoffee.com

06

A Saigon Café, o asiático preferido dos locais

O cartão diz «a restaurant with(out) a sign» e encontrá­‑lo seria difícil não fosse o Google Maps ajudar­‑nos. O dono é divertido e os empregados andam a mil. A comida vietnamita, bifes e opções vegetarianas valem a pena, dada a relação qualidade/preço apelativa. Em Kahului. asaigoncafe.com VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:28


DANA EDMUNDS TOR JOHNSON

07

Caminhadas, surf, boa comida, paisagens de sonho e respeito pelas tradições. É assim o Havai.

TOR JOHNSON

Nos dias de vento, ir à praia dos kitesurfistas

VOLTA AO MUNDO

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 53

Parece contraditório, mas não é e vamos já explicar porquê. Passando o porto, não se assuste com a paisagem de contentores e siga até à praia Waiehu – há parques verdejantes e até duches. Chegando à praia, de frente para o mar, caminhe tudo até à esquerda até passar um posto de controlo de nadadores­‑­ ‑salvadores situado uns metros acima da encosta. A praia faz uma curva que protege do vento – de todas as direções exceto quando ele vem de noroeste. Não só pode tomar excelentes banhos na baía, como a vista de todos os kites no ar torna a paisagem excecional. Em Kahului.

08 Conhecer a história

da cana­‑de­‑açúcar

A plantação de cana de açúcar na ilha foi durante mais de cem anos a principal atividade e ainda hoje milhares de hectares dominam a paisagem, apesar do grande decréscimo desde os anos 1960, quando o turismo começou a tornar­‑se o principal negócio da ilha, e do fecho de grandes plantações nos anos 1990. Beber o açucarado sumo sugar cane é memória em muitos dos habitantes e pode ainda encontrá­‑lo às vezes à venda em vendedores ambulantes. A visita ao Alexander & Baldwin Sugar Museum com as suas seis salas de exposições deixa bem claro o protagonismo da cana e do açúcar na vida local. Ao lado, a antiga fábrica parece saída de um cenário de um filme, com o seu ar decrépito e grandes árvores que nos cumprimentam à entrada. Preços: adultos, seis euros; crianças, euro e meio. sugarmuseum.com 53

22-06-2018 14:52:30


DANA EDMUNDS

60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

Para nós portugueses, ver o Sol a nascer do lado do mar é sempre inusitado, mas nesta ilha isso acontece, e muitas vezes os tons laranja e rosa atingem as nuvens como verdadeiras pinturas vivas. De caminho, leve um café e um bagel com queijo-creme e salmão (nada mais típico) e tome o pequeno­‑almoço com uma vista espetacular. Alguns locais onde o pode fazer: Koki Beach Park; Secret Cove ou Makena; Oneloa Beach; Hana Beach Park e Kamaole Beach Park. Veja qual o mais perto de onde está alojado e confirme a hora do nascer do Sol.

10

Comer numa rulote

Aquilo que em Portugal é uma opção para notívagos na casa dos 20 anos, em Maui é quase um estilo de vida. Nas rulotes de comida encontra opções das mais junk food às mais saudáveis, de comida americana a tailandesa, de smoothies a mexicano. Basta ter atenção, estão por todo o lado. A regra é a mesma em todo o mundo: quanto mais gente na fila, melhor a comida.

54

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 54

Várias espécies marítimas, algumas que só se encontram na ilha, e a relação do povo com elas e o mar é o que pode ficar a conhecer numa visita ao Maui Ocean Center. É perfeito para saber um pouco mais sobre os corais, mais de quarenta espécies deles – quem diria que existem tantas. Junho é o mês do tubarão e é dado um destaque especial a esta espécie e à sua influência na cultura havaiana. mauioceancenter.com

12

Velejar com as baleias

Há várias excursões de barco em diferentes zonas de Maui, algumas mais turísticas do que outras. O ideal é escolher uma embarcação menos exuberante e com menos pessoas. Pode sair um pouco mais caro por pessoa, mas a experiência será mais genuína. Em determinadas zonas, pode ver as baleias a saltar fora de água e até mesmo a nadar par a par com o barco. hawaiioceanproject.com pacificwhale.org/cruises

DANA EDMUNDS

09 11 Esperar pelo nascer do Sol Visitar o oceanário

13

Mergulhar nas piscinas Olivine

As opiniões dividem­‑se sobre se vale a pena ir ao lado mais oeste da ilha pela estrada Kahekili. Depende muito dos dias que ficar na ilha e se gosta de estradas estreitas e com muitas curvas. Se o fizer, não deixe de parar nestas piscinas naturais. Antes de se aventurar nelas, observe bem o mar e as condições da maré, pode ser arriscado entrar. Se estiver tudo calmo, mantenha­‑se mais do lado de terra. Na zona de West Maui.

14

Parar o carro e ver o arco­‑íris

Numa ilha que tem tanto de sol como de aguaceiros, é normal ver muitos arco­s‑íris. Mas para os observar sem risco de acidentes – muitos dos que se dão na estrada é porque turistas conduzem a olhar para o lado – pare o carro. Se tiver sorte, consegue ver as duas pontas do arco­‑íris e, mais sorte ainda, ver um duplo: ou seja, dois arcos­‑íris um ao lado do outro. Em seis semanas vimos este fenómeno três vezes. VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:31


16

Carrinhas de comida, fenómenos da natureza e vida animal.

15 Usar protetores solares amigos do ambiente e dos corais

Sabia que os químicos do seu protetor solar podem afetar a qualidade do oceano? Nunca reparou que depois de o aplicar, quando mergulha, fica uma película de gordura brilhante à superfície da água? Pois agora imagine isso vezes 2,4 milhões de turistas (mais de 80 por cento chegam do continente americano) que visitam Maui num ano. Assustador, não é? Mas claro que em Maui – o paraíso do orgânico e do eco sustentável – já há soluções, como a marca Solkine, que não tem partículas de zinco, as tais que são absorvidas pelos organismos vivos causando danos irreparáveis aos ecossistemas, corais, ovos de tartaruga, peixe e à nossa pele. solkine.com VOLTA AO MUNDO

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 55

Há várias espalhadas pela zona norte da ilha, ao longo da route 360, a estrada estatal que se segue à Highway 36, onde as milhas regressam à contagem zero. Afinal Maui é tropical, as mudanças de elevação comuns e as chuvas abundantes, o que faz que estas estejam frequentemente com caudal para serem visíveis. Algumas podem ver­‑se da estrada. Para outras terá de caminhar alguns metros: Twin Falls (milha 2), Lower Puohokamoa Falls (milha 10), Upper Puohokamoa Falls (milha 11), Haipua’ena Falls (milha 11,5), Punalau Falls (milha 13, caminhando pouco mais de 1 km para o interior) são algumas que poderá visitar.

17 Comer muita fruta

Star fruit (fruta estrela ou carambola), moutain apple (espécie de maçã), rambutan (umas bolas de belo vermelho que se descascam para encontrar lá dentro um fruto branco gelatinoso), calamansi (espécie de lima com a qual se fazem cocktails e bebidas sem álcool) são algumas das mais originais. Nas mais comuns não deixe de provar bananas (há muitas variedades diferentes e até uma que se coze para fazer pratos), mangas (deliciosas), papaias (superdoces), ananases (dos maiores aos mais pequenos), abacates (muito densos e intensos), maracujás (que aqui se chamam lilikoi) e tantas fruta local que é difícil não deixar o seu índice glicémico subir. No entanto, os frutos são uma excelente opção nutritiva e energética e podem substituir uma refeição. Pode comprá­‑los nos vendedores de rua ou nos supermercados.

TOR JOHNSON

TOR JOHNSON

Descobrir cascatas

18 Ver as ondas e os

surfistas em Hoo’kipa

Aqui surfa­‑se estejam as ondas grandes, médias ou até pequenas – mais as crianças. Ao final do dia, na praia protegida pelo recife, há também uma grande afluência de tartarugas, tantas que parecem um «parque de estacionamento» de carapaças em hora de ponta. Em North Shore.

19

Comer uma sanduíche da Baked on Maui

Não deixe de ir a esta padaria­ ‑bistrô na zona de Pauwela Cannery. Serve pequenas refeições, como french toasts, omeletas, waffles e sanduíches ótimas. Se for apenas beber um café ou um chá, acompanhe­‑o de um bolo à fatia. Há imensas opções deliciosas, se olhar para a vitrina de frios não vai resistir. Tudo em opção para comer no local ou levar. Das 06h30 às 17h00. facebook.com/ bakedforbreakfast

20

Comprar barras energéticas

Só porque há imensas variedades e marcas, e tantas ­– mas tantas ­– opções gluten free, sem açúcar e proteicas, que tem mesmo de se apetrechar com elas para as caminhadas, praia ou treinos. Também são uma excelente opção para trazer de volta no avião e evitar comida requentada e cheia de sal.

21

Entre em piscinas sagradas

Tem de conduzir até Kipahulu, zona de montanhas mágicas. A melhor maneira, depois de ir até Hana, é ficar a dormir uma noite e no dia seguinte regressar pela costa sul até esta zona, porque a estrada até lá é outra aventura – com mais quedas de água e vistas espetaculares. Também pode ir por Kihei, Wailea e Makena fazer toda a costa sul. Mas a gema são mesmo as Seven Sacred Pools, uma série de cascatas e piscinas consecutivas, que não são sete nem sagradas, mas valem a pena a deslocação. Verifique o tempo, se chover muito poderão estar fechadas. Em Ohe’o Gulch. 55

22-06-2018 14:52:33


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

Maui é a segunda maior ilha do Havai. Tem cerca de 155 mil habitantes e recebe perto de três milhões de visitantes por ano.

56

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 56

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:34


VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 57

57

TOR JOHNSON

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:35


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

Maui é terra de gelados sem leite, sushi de sonho e viagens de carro.

24 Fazer a Road to Hana

TOR JOHNSON

Este é um programa de um dia inteiro e para o fazer precisa de gostar de conduzir e sobretudo não stressar no trânsito. Saia cedo, com o depósito cheio, um café na mão e água no carro. Como dizem os locais, a experiência é o próprio caminho. Vai ter vistas inesperadas, parar e falar com vendedores, comprar fruta ou pão de banana, provar café com sabores e descobrir as cascatas. A ideia é aproveitar a paisagem natural, ir parando aqui e ali, e ter a sua própria vivência – há zonas onde tem de andar a vinte à hora. Esteja atento às plantas que contêm as sementes Job’s Tears, contas com as quais poderá fazer pulseiras de recordação.

22 23 Fazer praia com os locais Tentar resistir Perto da cidade de Paia, está The Cove em Baldwin Beach. Vá ao lado direito da cabana do nadador­‑salvador (sim, é mesmo daquelas amarelas como víamos no Bay Watch e eles usam calções vermelhos). O estacionamento é fácil e a população é um misto divertido de turistas e hippies. Não se admire, toda a gente se cumprimenta e é usual fazer small talk, perguntar como está e se é de fora, etc. Ninguém se está a meter consigo, é apenas a forma local de ser acolhedor. Em Paia. 58

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 58

aos Paia Gelato

Boas notícias para quem adora gelados e é intolerante à lactose. Nesta casa mais de metade dos sabores são feitos sem leite. Usam­‑se coco e outros ingredientes. Mas claro, têm açúcar e engordam na mesma, por isso evite comê­‑los todos os dias. Só que com tantos sabores e tão deliciosos é difícil resistir – se tivéssemos de recomendar seriam os das frutas locais, o de coco e o de chocolate amargo. paiagelato.com Em Paia.

25 Enturmar­‑se no Paia Bay Coffee and Bar

Beber café é praticamente uma instituição nos EUA e em Maui a exceção não é regra. Ambiente cool, onde surfistas, artistas e turistas se cruzam sem inibições, e café orgânico em todas as opções que imaginar: expresso, duplo, americano, cappuccino, latte, com leite de vaca ou amêndoa. Pequeno­‑ ­‑almoço com croissants sempre a saírem quentes, bagels ou omeletas, também recomendado. Em Paia. paiabaycoffee.com

26

Comer japonês no balcão do Charlie’s

Informam­‑nos que o chef veio de um luxuoso hotel para abrir aqui o seu espaço. Ao balcão sentam­‑se apenas 12 pessoas, que escolhem da lista ou deixam ao critério de quem sabe o que hão de comer de sashimi, sushi e outras opções asiáticas. Tudo muito fresco e preço aceitável – sem álcool, cerca de 25 euros por pessoa. No Charlie’s Restaurant & Saloon, que é uma instituição da cidade e um all american pub, há happy hour e pode comer deliciosos e nutritivos pequenos­‑almoços americanos – nestes, só paga o primeiro café, o refill é grátis. Há também muitos concertos, veja a agenda no link abaixo. Em Paia. charleysmaui.com/ enhancedCalendar.cfm

27 Comprar uma peça em prata

Do artesão local Patrick Fricke (mauigreensmith.com), feita à mão e muito original. Brincos, pulseiras, colares.Na vila estão à venda na loja Holliday & Co mas às vezes também o encontra a ele próprio na feirinha pop up – não é muito claro em que dias decorre, obtivemos respostas díspares, é, mais ou menos, quando se juntam e aparecem... Em Makawao. holidayandcomaui.com makawaomarketplace.com VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:37


HEATHER GOODMAN

VOLTA AO MUNDO

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 59

59

22-06-2018 14:52:39


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

28

A happy hour no terraço do Café des Amis

A especialidade são os crepes, salgados (presunto, gruyère, espinafres) ou doces (açúcar de cana e lima, maple syrup e nozes-pecã e natas) – com opções sem glúten. Há também wraps, caril e o emblemático prato de camarões com coco e arroz, assim como sumos e smoothies. Muitos vão à happy hour, beber uma marguerita ou outro álcool de eleição, pois está tudo com 50 por cento de desconto. O pátio forrado a bambu, onde por vezes há música ao vivo, é excelente para um final de tarde, comer e beber qualquer coisa e terminar o dia cedo. Em Paia. cdamaui.com

29 Ir ao supermercado

30 32 Comer um pão de canela Reponha energias

Sim, é um supermercado mas não pare de ler. Para além de comida pré­‑feita que pode escolher e pesar a seu gosto, há também sumos e smoothies feitos na hora. No país do take away, comprar o almoço ou o jantar é simplesmente «obrigatório». Aqui encontra de tudo o que uma loja orgânica pode oferecer, mas vezes dez. Desde as manteigas vegetais a snacks proteicos e barras nutritivas, sem falar nas infinitas opções de nachos e batatas fritas – também pode comprar molhos para estes a peso. A fruta e os vegetais são todos orgânicos e não pode deixar Maui sem experimentar a tarte de ruibarbo ou de nozes-pecã (feitas aqui e expostas nos tabuleiros mesmo à saída das caixas). Em Paia. manafoodsmaui.com

Na rua central de Makawao, encontra todos os tipos de café, chás e bolos, alguns deles da Sugar Shop em Lahaina. Não deixe de experimentar um cinnamon bun (espécie de pão de leite coberto com creme e canela) ou uma tarte (provámos a de manga ainda morna). Há opções sem glúten e sem açúcar, assim como leites vegetais. SIP Me tem também mais uma loja em Paia, mas esta tem mais alma. sipmemaui.com

Mana Foods

60

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 60

na SIP Me

31 Ouvir música

na Third Friday’s

Todas as terceiras sexta­‑feiras do mês, música ao vivo e comida saem à rua em Makawao. Das 17h30 às 20h30. mauifridays.com

Antes de regressar de Hana, que tal ir comer um prato tailandês maravilhoso? Na rulote Ae’s Thai Kitchen Thai Food pode fazê­ ‑lo. Está bem perto da loja de conveniência Hasegawa General Store, onde pode comprar mais água para o caminho.

33

Provar piza americana

A massa é feita com farinha orgânica, sal kosher e fermento natural. As pizas são depois cozidas num forno a lenha e os ingredientes são orgânicos e misturados «com amor». O grande balcão de FlatBread Company é ideal se quiser ir sozinho, pois há sempre outros na mesma situação e a conversa flui. Aberto do almoço ao jantar. Em Paia. flatbreadcompany.com/maui/

34

Comprar «buracos» de donuts

Sim, leu bem. No número 3674 da Baldwin Avenue fica a T. Komoda Store and Bakery onde pode comprar vários tipos de pães, donuts e apenas os buracos destes – cobertos com açúcar glacé ou canela e açúcar.

35

Fazer compras de artigos de rodeo

Makawao é a zona mais posh da ilha e aqui encontra de tudo, de biquínis a camisas inspiradas no estilo americano e até botas de cowboy. Parece estranho que num lugar tropical existam rodeos mas estes são tradicionais na ilha e se estiver a decorrer algum durante a sua estada pode tentar ir ver. Em Makawao. makawaorodeo.net VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:39


Música, pães de canela, rodeos, ondas que engolem e tacos.

36 Caminhar

37 Provar um taco de peixe

A conhecida onda Jaws é uma das mais famosas do mundo e só se vê poucas vezes por ano, normalmente entre janeiro e fevereiro. Quando é dado o alerta, surfistas de todo o mundo embalam as gigantes pranchas e começam a aterrar na ilha para a surfar – imagine o fenómeno Nazaré mas em dimensão maior e tropical. A única questão é que para ver esta onda tem de percorrer durante 45 minutos um acidentado caminho de terra. A zona costeira onde acontece é em frente ao bar Jaws, entre as milhas 13 e 14 da Hana High­ way, e poderá encontrar por lá várias pessoas que fazem o transporte até ao spot, se pagar, claro. Não se preocupe, quando a onda «sobe» toda a gente vai lá parar, por isso não há como falhar. Se se perder, o amontoado de carros vai indicar­‑lhe onde estacionar. Vá cedo, bem cedo, pelas seis da manhã, e aproveite o dia – leve comida e água (e traga o lixo de volta). Em North Shore.

No principal cruzamento de Paia, entre a Hana Highway e Baldwin Avenue, uma esquina chama a atenção com a sua fila até à porta. A culpa é dos tacos de peixe, feitos de tortillas recheadas de peixe local grelhado na chapa, temperado apenas com sal e pimenta, e depois coberto de molho de tomate e alface. Surfistas esfomeados juntam­‑se depois de um dia nas ondas, turistas e habitantes locais também. Evite as horas de ponta. Outras localizações em Kihei e Lahaina. Em Paia. paiafishmarket.com

VOLTA AO MUNDO

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 61

no Paia Fish Market

38

Provar uma omeleta de corações de alcachofra no Casanova

Sente­‑se nos bancos ao balcão enquanto aguarda o seu pedido. Observe o tráfego de pessoas e viaturas no cruzamento mais movimento da vila. Poderá ver coisas tão díspares como yoguis a passearam os seus tapetes ou crianças a cavalo a caminho de algum rodeo. Em Makawao.

DANA EDMUNDS

até à famosa Peahi

39

40

se tornou uma referência, com o serviço irrepreensível e a comida saudável e deliciosa, baseada em produtos locais. Do menu para jantar destacamos o wrap de feta, sésamo e mel, a pasta de marisco, e a moussaka de carne. Com água e sobremesa, cerca de 35 euros/pessoa. Em Haiku. thegreekovenmaui.com

Uma quinta de agroturismo, onde se produzem mais de trinta variedades de queijo de cabra. Há três tours interativos disponíveis, que podem incluir alimentar e ordenhar as cabras e provas de queijos, ou até um churrasco. Fica em Kula, na base do vulcão Haleakala. surfinggoatdairy.com

Jantar no The Greek Oven Provar queijos Abriu há poucos meses mas já na Surfing Goat Dairy

61

22-06-2018 14:52:41


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

41 Treinar crossfit no país

Exercícios ao ar livre, yoga, alimentos biológicos e muita saúde.

onde ele nasceu

Se gosta de desporto, esta é uma experiência que tem de ter. Inscreva­‑se numa aula drop in (cerca de 17 euros) e cumpra o work out of the day (wod, para os cromos da modalidade). Não se preocupe, todos os níveis são bem-vindos e os exercícios são adaptados à sua condição física. Há várias boxes (assim se chamam os ginásios de crossfit) pela ilha, mas pela originalidade recomendamos a UpCountry Crossfit, no meio de armazéns de uma plantação de ananases – todas as manhãs é publicado o treino do dia. Ambiente divertido e se estiver de férias sozinho é ideal para se sentir integrado rapidamente e receber dicas de habitantes locais – que não significa que sejam nativos, pois Maui é uma ilha para onde imensos americanos do continente vêm morar. crossfitupcountrymaui.com

45

Comer um Breakfast Burrito na Coleen’s

Pode guardar mais para o final da manhã e fazer brunch, pois este burrito é saciante que chegue para umas horas: dentro de uma tortilha de milho encontrará ovos mexidos, molho caseiro, batatas, queijo cheddar, pimentos verdes e sour cream, por cerca de 7,5 euros. Pode ainda adicionar bacon por mais um euro. Há muitas mais opções e a partir do almoço outros pratos, vinho a copo e cocktails. Em Haiku. colleensinhaiku.com

42 Comprar vegetais

43 44 Mergulhe em praias de Praticar yoga

Aos sábados das 07h00 às 11h00 da manhã, pode comprar vegetais e fruta orgânica, frutos secos, cocos, para além de uma variedade de produtos confecionados de forma sustentável por pequenos produtores locais, como pão, bolachas, kombucha, sumos naturais, etc. No centro de Kalamalu, ao pé de Longs Drugs em Pukalani. Vá cedo, ou perde os melhores produtos. E sobretudo a «fauna» que aqui se cruza: uma mistura de donas de casa abastadas com hippies de rastas. upcountryfarmersmarket.com

Chegando a Hana, tem de visitar estas três praias, e mergulhar em todas para ter sorte: Wai’anapanapa Beach (Black Sand Beach – de terra preta), Kaihalulu Beach (Red Sand Beach – de terra vermelha) e por fim descansar de tanta condução em Hamoa Beach. Aqui, ainda antes de descer pelas escadas de acesso à praia, as ondas parecem grandes e a água castanha, mas uma vez lá dentro é bastante fácil de mergulhar e afinal a água é muito transparente. O que acontece é que a onda levanta a areia e, ao longe, dá a sensação de a água ser castanha.

no mercado de UpCountry Farmers

62

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 62

areia preta e vermelha

Numa ilha onde as escolas e os professores de yoga podem encontrar-se em quase todas as esquinas, convém saber por onde começar. Na House of Yoga and Zen o ambiente é internacional e para aqui vêm pessoas de todo o mundo praticar o sistema de Ashtanga Yoga. A professora Nancy Gilgoff é uma das mais avançadas do mundo e foi das primeiras mulheres ocidentais a ir para Mysore, na Índia, aprender este tipo de yoga. Marque a aula antes de aparecer neste espaço todo de madeira, situa­ do numa quinta de produção orgânica de tomates. ashtangamaui.com

46 Levar um poke para a praia

É prato local, composto por uma taça de arroz, sobre a qual é colocado peixe (branco, atum ou salmão) marinado em vários molhos (da simples soja a elaboradas combinações com vegetais e picantes). Pode comprá­‑lo por 5 a 10 euros a dose. Dos que experimentámos recomendamos o do supermercado FoodLand (em Pukalani), o do Hanzawas (Kaupakalua Rd. em Haiku) ou o do Tamura’s (em Kahului ou Lahaina) foodland.com/stores/ foodland­‑pukalanihanzawas. restaurantwebexperts.com tamurasfinewine.com VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:43


VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 63

DUSTIN LEFEVRE

KAWIKA SINGSON

63

22-06-2018 14:52:47

DANA EDMUNDS

DANA EDMUNDS

BLAKE BRONSTAD


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

47 Respirar no meio

As caminhadas na natureza fazem parte da descoberta de Maui. Vá preparando o físico antes de lá ir.

de plantas no The Secret Garden

48

Beber uma kombucha no Maui Kombucha

É feita de uma cultura simbiótica com imensos benefícios (tem probióticos, amino­ácidos, enzimas e vitaminas do complexo B). No fundo é um organismo vivo que parece uma panqueca gelatinosa que misturada com água e açúcar fermenta e produz uma bebida com mínima percentagem de álcool e algum gás natural (idealmente, algumas têm gaseificação artificial). Os sabores são depois adicionados. Pense em curcuma, limão, frutos vermelhos, etc. Este Raw Vegan café serve também açaí e várias saladas e smoothies. Em Haiku. mauikombucha.com

49 Fazer o seu próprio ramo de lavanda

Alii Kula Lavender Farm é uma quinta de produção de lavan64

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 64

TOR JOHNSON

«Onde beleza, paz e amor crescem», avisa o cartaz deste san­ tuá­rio aberto a todas as religiões e jardim botânico de entrada livre, no qual pode observar várias espécies vegetais e sua reprodução. Tem dois labirintos para caminhar e muito para descobrir. Para além de todas as espécies vivas, há estátuas, budas e, na loja à saída, tem livros, roupa, produtos naturais e óleos essenciais. Ao fim de semana há workshops gratuitos e nalguns dias de lua cheia organizam­‑se caminhadas até ao rio à meia­‑noite. sacredgardenmaui.com

da, ou melhor, lavandas, dada a quantidade de diferentes espécies que aqui se encontram. Pode escolher entre cinco percursos diferentes para fazer a pé. Depois de um passeio pelos jardins, no qual pode apanhar alguns pés e construir o seu próprio ramo de lavanda, sente­‑se a beber um chá ou uma limonada com lavanda e visite a loja com produtos biológicos alimentares (exemplo, mistura de scones de lavanda) e de higiene (óleos essenciais e cuidados de rosto e corpo). aklmaui.acom

50

Ter uma experiência gastronómica ímpar

Dizem que Mama’s Fisherhouse é um dos melhores restaurantes

de Maui e a refeição não desilude. Dos peixes mais frescos às carnes mais suculentas, vá com bastante fome pois as entradas são óptimas e não vai querer desprezá­‑las. Se estiver demasiado satisfeito para a sobremesa, pode sempre trazê­‑la para casa (embrulham tudo direitinho num saco que mais parece de uma loja de griffe) e comer mais tarde – ­ as tartes de chocolate e de coco são imperdíveis. Sem vinho, cerca de 150 euros por entrada, prato, café e bebida sem álcool e gorjeta.

51

Fazer um trilho à cratera do vulcão de Haleakala

Maui é uma ilha vulcânica e a cratera de Haleakala – que

significa casa do sol em havaiano – uma das paisagens mais inesperadas do mundo. Parece algo lunar caído no meio do Pacífico. O impacto visual é grande e a sensação é quase espiritual, quando começamos a descer por um dos trilhos e nos apercebemos de que as distâncias não são o que parecem. Neste parque nacional, fizemos o Halemau’u Trail e lá em baixo poderá encontrar a cabana Holua, a 2115 metros de altitude, onde se pode dormir (há que marcar com mais de dois meses de antecedência), e a zona onde se pode acampar. Quase como que num filme, as distâncias enganam e o que parece perto nem sempre está. Há trilhos de 1,8 km a 16,6 km, basta escolher o mais adapVOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:48


52

Beber um café num parque de estacionamento

A ilha tem coisas inesperadas, como um excelente café servido numa rulote no meio do parque de estacionamento de uma escola. Basta entrar na Haleakala Waldorf e vê imediatamente onde fica a Gipsy Maui, com o famoso bulletproof ­– com óleo de coco, manteiga ghee, canela e açúcar de coco, por cerca de cinco euros ­–, chá, smothies e petiscos servidos com leites orgânicos. Beba­‑os apreciando a vista ou leve­‑os consigo à boa maneira americana. Em UpCountry.

53

VOLTA AO MUNDO

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 65

54

Venerar o pôr do Sol em Wailea ou Kihei

MAX WANGER

tado à sua condição física e vontade. Não se deixe enganar pelas aparências climatérias – ­ um dia de sol pode esconder uma cratera cheia de chuva, ou vice­‑versa, mas isso faz parte da aventura do vulcão. Se dormir, quem sabe não vê um dos nasceres do sol mais espetaculares da sua vida. Leve roupa em camadas e um impermeável, já que pode fazer bastante frio e chuva devido à altitude. No dia em que fomos desceu até aos oito graus apesar de na ilha estarem cerca de 25. Não esqueça as botas de trilho, o piso pode ser bem desafiante. nps.gov/hale/index.htm mauiguidebook.com/camping/ haleakala­‑crater/

A vila é pitoresca e merece bem a deslocação até lá – isto partindo do princípio que aceitou a nossa sugestão e ficou na zona norte da ilha. Na estrada aproveite para ver o lado oposto das montanhas Pu’u Kukui Sumit. Às vezes consegue ver­‑se um arco­‑íris entre os picos. Em Lahaina, é deambular, entrar e sair de lojas e aproveitar o grande Outlet.

TOR JOHNSON

Passear por Lahaina e ir ao Outlet

Sugerimos a praia mesmo em frente ao hotel Four Seasons. É calmo, tem o apoio de café do resort (se lhe acabar a água pode enchê­‑la grátis discretamente) e, depois de uns banhos no mar, pode até tomar duche e trocar de roupa antes de ver o pôr­do­Sol. Qualquer zona de Kihei ou Wailea poderá oferecer uma vista brutal do sol a entrar no oceano. 65

22-06-2018 14:52:49


60 EXPERIÊNCIAS EM MAUI

55

Fazer topless

Os Estados Unidos são bastante conservadores e mal chegámos avisaram­‑nos: não se pode fumar na praia, não se pode fazer topless. Numa ilha em que fumar erva parece um passatempo local e comer em todo o lado outro, para nós, europeus, algumas das regras parecem­‑nos excessivas. Ainda assim, nada como em Roma ser romano e cumprir. Se está habituada e quer fazer topless saiba que pode fazê­‑lo na Little Beach em Makena, South Maui, na Secret Beach, em Paia, e na Red Sand Beach, em Hana

Topless, regras, navegar e optar pelo alojamento local. Dicas para poupar em Maui.

56 58 Boiar no «lago» salgado Fugir dos resorts Depois de andar pela cidade, nada como um mergulho em Baby Beach, sobretudo se tiver crianças, pois os recifes fecharam o mar e criaram uma espécie de um grande lago onde é superseguro tomar banho e sobretudo boiar durante horas.

57

TOR JOHNSON

Comer um hambúrguer em alface

66

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 66

Sim, é possível comer junk food saudável e logo a seguir à aula de crossfit – nesta modalidade recomendam que comamos carne acompanhada de vegetais, por isso não queremos entrar em incumprimento. Na direção sul da ilha, em Pukalani, encontra o Pharmacy Health Bar, com estas e outras opções saudáveis. Esta é uma das zonas de onde consegue ver para que lado da ilha está sol.

de West Maui

E ao invés apreciar Ka’anapali Beach, assim como a Black Rock, que a divide em dois. Toda esta zona tem um caminho pavimentado que demora cerca de uma hora a fazer e que pode deixar mais para o final do dia.

59

Descobrir o Pacífico em caiaque ou de paddle

É a proposta de uma pequena companhia, de nome Hang­ Loose Maui Ocean Adventures cujo dono foi nadador­‑salvador. A ideia é perder o medo e aventurar­‑se mar adento, mas sempre em segurança com o equipamento adequado – e, claro, sem perder a terra de vista. Em Makena ou Olowalu. hangloosemauiocean adventures.com

60

Trazer conchas da praia mas deixar as pedras de lava

Atenção, apanhar e trazer de volta maravilhosas conchas da praia, das mais pequenas às médias, é permitido, mas não quer fazer o mesmo com corais – que são protegidos – e sobretudo com pedacinhos de lava – que podem estar na forma de areia preta. Diz a maldição de Pele que, se as tirarmos da ilha, os espíritos irrequietos que as acompanharam nos trazem má sorte, até que as devolvamos a Maui. Por isso todos os anos turistas regressam para devolver à natureza o que lhe pertence. INSTAGRAM @Simply_Maui_APP @Hawaiimagazine @road2hana

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 14:52:51


GUIA MAUI

ALOJAMENTO E REFEIÇÕES

A vida em Maui pode ser cara, sobretudo no que diz respeito às refeições em restaurante e ao alojamento. Mas com tempo e espírito de aventura consegue manter­‑se dentro de um orçamento aceitável. Evite ficar em resorts de 5 estrelas, que esses são semelhantes em todo o mundo. Por outro lado, com tanto para fazer no hotel, pouco sairá para explorar a ilha. É melhor ficar em pequenos bed&breakfast, procurar quartos ou pequenos apartamentos em regime de aluguer temporário (airbnb. com). Compre comida em supermercados (vem tudo embalado e pronto a comer, e a maior parte das vezes em embalagens «amigas do ambiente»). Guarde algum dinheiro para um ou outro jantar especial, mas pode divertir­‑se a comer a ver o pôr do­Sol ou numa carrinha de comida. Gorjeta de no mínimo 10% é a base, pode aumentar até 20% se gostar do serviço.

VOLTAAOMUNDO.PT

DOCUMENTOS: PASSAPORTE. VISTO: PARA ENTRAR NOS EUA TEM DE SE CANDIDATAR AO ESTA, NO MÍNIMO 72 HORAS ANTES DA PARTIDA: MAIS EM ESTA.US/PORTUGUES.HTML MOEDA: DÓLAR €1 = $1,23 ($=USD) FUSO HORÁRIO: GMT ­‑ 11 HORAS IDIOMA: INGLÊS

IR

A viagem até aterrar em Kahului (OGG), o aeroporto de Maui, é longa. Pelo menos três voos, dependendo da ligação, pela Europa ou por várias cidades dos EUA, ou ambas. Em sites de pesquisa de voos pode fazer a pesquisa e depois compre diretamente nas companhias aéreas cada um dos voos. Conseguimos «poupar» cerca de €200 a viajar na ida por Nova Iorque e, no regresso, por Toronto. Na gestão dos seus voos esteja atento ao tempo de ligação. Entrar na fronteira dos EUA pode demorar umas 2­‑3 horas, por isso entre o voo em que aterra no continente americano e o seguinte estime umas cinco horas. Entre companhias pode ter de trocar de terminal, o ideal é ter pelo menos 2­‑3 horas entre cada voo depois. A partir de €1200 por pessoa.

VM285_50_67_Havai_ER ok.indd 67

TOR JOHNSON

VOLTA AO MUNDO

NA ESTRADA

A ilha é servida por boas estradas circundantes que tornam fácil o acesso à maior partes dos locais, com exceção do norte de West Maui e da Hana Highway, nas quais tem mesmo de andar nalguns trechos a 10 km/hora e dar passagem em zonas em que só passa um carro. Outra confusão é a medida em milhas, tome nota para referência: 1 milha equivale a 1,6 km. 10 milhas = 16,09 km 20 milhas = 32,16 km 30 milhas = 48,28 km Respeite os limites de velocidade, sobretudo nas zonas habitacionais. Se ouvir sirenes de ambulâncias ou polícia, a regra é encostar à berma e parar para dar passagem.

CARRO

Visitar Maui sem alugar carro é praticamente impossível, apesar de pedir boleia ser permitido em todo o estado. No aeroporto tem várias companhias de aluguer, mas é importante que faça a reserva antes de lá chegar, sobretudo se for na época alta (dezembro a fevereiro). Nós optámos por alugar um carro usado, mais em conta, e com o benefício de parecermos habitantes da ilha, dado que não é tão evidente que se trata de uma viatura de aluguer. Investigue em mauibudgetcars.com

MAPAS

A ilha não é fértil em locais com wi-fi. Alguns cafés ou restaurantes têm, mas nem sempre se conseguem a tempo de mudar de estrada. O roaming é caro – se não aderir a nenhum plano antes de ir ­‑, por isso use aplicações que se baseiam no GPS, como Maps do iPhone, Maps.me, ou Google Maps. Quando estiver num local com wi-fi descarregue o mapa de Maui que depois fica ativo mesmo off­line.

ESSENCIAIS

1 Repelente de insetos natural – use óleo essencial de citronela pura ou compre na farmácia do Mana um local, pois os europeus nem sempre repelem estes mosquitos. 2 Óleo essencial de Tea Tree – para pôr nas picadas de mosquitos e outros insetos. 3 Óculos de sol e chapéu. 4 Protetor solar amigo do oceano e do ambiente. 5 Usar a sua própria garrafa de água e chávena de café – usámos as da chillysbottles. com e adorámos. 67

22-06-2018 14:52:52


BERLIM REGRESSO À ESCOLA

Um antigo colégio feminino judeu e hospital militar transformado em atração com galerias de arte, museus, restaurantes e bar. Onde é que isto é possível? Em Berlim, pois claro, terra e cidade da reabilitação urbana com estilo e muito bom-gosto. TEXTO E FOTOGRAFIADE JOÃO NAUMAN

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 68

22-06-2018 15:01:23


As lojas de design e galerias de arte da Auguststrasse tornam­‑na um chamariz para gente criativa de todos os quadrantes, como Jasmine e Kirsten, duas visitantes de Nova Iorque. À esquerda, a galeria Michael Fuchs.

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 69

22-06-2018 17:23:54


A

uguststrasse situa­‑se em pleno coração do Mitte, o mais central e famoso dos bairros berlinenses. A rua é formada por edifícios baixos e linhas modernas que assentam que nem uma luva a famílias endinheira‑ das. Há galerias de arte, restaurantes com estrelas Michelin, lojas de designer e cafés exímios na arte de bem servir, e as suas gentes estão tão bem aprumadas que se confundem com uma passagem de modelos. Comparado com Neukolln e Kreuzberg, outros bairros de artistas, o seu nível de higiene e decadência pode muito bem ser considerado um paraíso, só mesma a vista sobre a torre da televisão parece indicar que se trata da mesma cidade. É por tudo isso inesperado admirar o Jüdische Mädchenschule em plena Augusts‑ trasse e saber nele quase duzentos anos de história. Mas Berlim e os berlinenses são exímios na arte de reabilitação urbana e, com isto, da sua memória coletiva. Veja­ ‑se, por exemplo, os casos do complexo do jornal Der Tagesspiegel transformado em galerias de arte, ou o Zentrum am Zoo, um 70

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 70

conjunto de edifícios datados do pós­‑guerra convertido no Bikini Berlin, centro comer‑ cial onde residem mais de vinte marcas de design emergentes. Este belíssimo exemplar está de pé há quase dois séculos. Inaugurado em 1835 como escola exclusivamente dedicada a meninas judaicas, foi só um século mais tarde que ad‑ quiriu a sua arquitetura atual. O exercício de expansão esteve a cargo do arquiteto Alexan‑ der Beer, também ele de origem judaica, que lhe atribuiu traços mais próximos da escola da nova objetividade arquitetónica do que da linha estética da Bauhaus, o movimento mais popular dessa época. Por ser considerada como uma excelente escola de artes e línguas, foi um dos pri‑ meiros alvos quando, em 1933, o nacionalsocialismo de Adolf Hitler chegou ao poder. A troca de liderança trouxe também a re‑ dução da metade da população das catorze salas de aula, diminuindo ainda mais à medida que os anos de guerra progredi‑ ram. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial e seguindo a lei que encerrava todas as escolas judaicas na Alemanha, foi reconvertida num hospital militar até ao cessar­‑fogo final.

O trabalho de reconversão deste edifício de 1835 manteve a fachada e grande parte do interior da escola.

À direita, em cima, o chef Arne Anker, do restaurante Pauly Saal. Em baixo, à esquerda, o Museu Frieder Burda. À direita, a Camera Works.

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:01:28


VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 71

22-06-2018 15:01:31


72

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 72

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:01:34


À equerda, o Salon Berlin, que nasceu como «sucursal» do Museu Baden Baden. Até ao fim de agosto está lá a exposição de David Lachapelle.

Na época do pós­‑guerra, mantendo­‑se a zona como território soviético, o edifício regressou à sua função inaugural, isto por volta da década de 1950, agora como esco‑ la secundária Bertold Brecht. Mas nem o «santo» literato ajudou e a popularidade jamais regressaria aos níveis anteriormente atingidos. Ultrapassou a decadência do Blo‑ co de Leste, viu emergir a nova Alemanha, mas isso não a impediu de ser abandonada no final dos anos 1990 até ter sido utilizada para a Bienal de Berlim em 2006. Após o retorno à comunidade judaica, três anos mais tarde, o Jüdische Mädenschule foi finalmente renovado e revitalizado como espaço cultural em 2012. Embora sem abalar a sua solidez,os anos de desuso danificaram os seus interiores, pelo que a obra de renovação impunha sen‑ sibilidade. E pode falar­‑se de uma operação com muito sucesso. O trabalho do ateliê de arquitetura Grüntuch Ernst em conjunto com o promotor Michael Fuchs – que aqui abriu a sua galeria, manteve a fachada e praticamente todas as divisões. Também muito do design de interior acabou por sobreviver, casos dos azulejos na entrada e da iluminação da sala de aula. Ficou, assim, para o futuro, renovado com projetos de arte e gastronomia, sem esquecer as camadas da história da cidade. Jüdische Mädchenschule AUGUSTSTRASSE 11­‑13 MAEDCHENSCHULE.ORG

VOLTA AO MUNDO

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 73

A juventude do Mogg & Melzer contrasta com o formalismo da escola. A irreverência não belisca a oferta gastronómica. 73

22-06-2018 15:01:37


Ao todo são centenas de metros quadrados dedicados à arte. O edifício renasceu em 2012 e reuniu três projetos que se unem pela qualidade.

74

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 74

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:01:40


As propostas expositivas mudam a cada mês. Existem sempre novas razões para uma visita.

A Camera Works dedica­ ‑se às artes fotográficas, a galeria Michael Fuchs às artes plásticas e o Salon Berlin é uma mistura de ambos.

ARTE O edifício contém três espaços dedicados à arte contemporânea. A Camera Work é uma galeria que ocupa todos os quatrocentos metros quadrados do primeiro piso e replica a fórmula da galeria­‑mãe inaugurada em 1977 no bairro de Charlottenburg: exposi‑ ções de ícones da história da fotografia mas também de nomes contemporâneos que têm expandido esta forma de expressão. O terceiro piso, por sua vez, é preenchido pela Galeria Michael Fuchs e pelo Museum Frieder Burda, a mais recente aquisição do Maedchenschule. Ambos se dedicam­a arte contemporânea embora de forma diferente. Enquanto a galeria segue o modelo tradi‑ cional, com apresentações regulares dos artistas que representa – ­ casos dos famosos Douglas Gordon e Frank Stella–‑, o Museu funciona como showcase da coleção de arte contemporânea residente em Baden Baden. VOLTA AO MUNDO

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 75

Camera Work CAMERAWORK.DE TERÇA A SEXTA 10H00-18H00, SÁBADO 11H00-18H00

Galerie Michael Fuchs MICHAELFUCHSGALERIE.COM TERÇA A SEXTA 10H00-18H00, SÁBADO 11H00-18H00

Museum Frieder Burda MUSEUM­‑FRIEDER­‑BURDA.DE/DE/SALON­‑BERLIN QUINTA A SÁBADO 12H00-18H00

75

22-06-2018 15:01:42


O Museu Kennedy oferece uma viagem ao coração da América e dos americanos, em particular ao tempo de JFK.

Parte significativa da exposição faz­‑se através de imagens e memorabilia, como a caneta e o diário do presidente assassinado em Dallas.

MUSEU KENNEDY Na primeira década deste século uma enor‑ me exposição dedicada à antiga American First Family correu o planeta, tendo vindo a estabelecer­‑se por definitivo no segundo piso do Mädchenschule. As galerias do Mu‑ seu servem assim para perpetuar esse legado e fazem-no com exposições regulares dedi‑ cadas à família como a temas relacionados, como a recente mostra de imagens sobre a presidência de Barack Obama, em sala até ao início de março. THEKENNEDYS.DE TERÇA A SEXTA 10H00-18H00, SÁBADO 11H00-18H00

76

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 76

22-06-2018 15:01:45


VOLTA AO MUNDO

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 77

77

22-06-2018 15:01:47


O salão do restaurante Pauly Saal é o antigo ginásio da escola. É elegante e familiar graças à inspiração do chef Arne Baker.

O menu é dedicado, quase em exclusivo, à tradição gastronómica alemã. É um dos poucos estrelados Michelin em Berlim.

RESTAURANTES Os dois espaços gastronómicos são uma amostra da boa gestão conceptual do edi‑ fício e prova de como lado a lado podem conviver ideias tão díspares mas simul‑ taneamente concordantes. O restaurante Mogg & Melzer traz a informalidade dos deli nova­‑iorquinos. Inspirado pela história deste lugar, propõe uma carta em que a estrela são pratos judaicos como sopa matzo ball, pastrami e shakshuka, embora também sirva pratos vegetarianos, saladas e o seu badalado cheesecake. Por sua vez, o Pauly Saal propõe refeições num ambiente mais sofisticado e elegante, inspirado na Berlim do antigamente, com cadeiras de veludo, toalhas de mesa de linho branco, madeira e um curioso míssil da Segunda Guerra Mundial. Da sua cozinha saem invenções do jovem chef Arne Anker, cujo interesse por velhas receitas alemãs com produtos frescos, regionais e da estação lhe valeu recentemente a estrela Michelin. 78

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 78

Pauly Saal PAULYSAAL.COM TERÇA A SÁBADO 12H00-14H00 E 18H00-21H30 BAR ABERTO ATÉ ÀS 02H30 RESERVA OBRIGATÓRIA PREÇO MÉDIO S/ VINHO: 100 EUROS

Mogg MOGGMOGG.COM DIARIAMENTE 11H00-22H00, FIM­DE­SEMANA 10H00-22H00 PREÇO MÉDIO: 15 EUROS

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:01:50


O restaurante Mogg não tem pretensões, o que assenta na perfeição a este edifício imaculado.

VOLTA AO MUNDO

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 79

Esta espécie de cantina para jovens oferece comida simples, sempre com muito sabor. Recomenda­ ‑se sopa matzo ball ou o pastrami. 79

22-06-2018 15:01:53


O Clarchens Bauhaus é um salão de baile de 1913 que soube manter a aura do passado.

O que mais impressiona é a vivência, com concertos e noites de dança todas as semanas.

Para além de um belo passeio, os cerca de oitocentos metros de rua oferecem muitos momentos de descoberta. No nº 28, por exemplo, reside a Do You Read Me? (doyou‑ readme.de), a loja de revistas mais famosa da cidade, dedicada a publicações que fa‑ zem do papel impresso um objeto de culto. Duas portas ao lado, no nº 24, encontra­‑se o Clarchens Ballhaus (ballhaus.de), um dance hall com mais de cem anos de existência. É também nesta rua que a famosa marca dinamarquesa de decoração Hay (hayberlin. de) decidiu abriu a sua loja em Berlim – nº 77­‑78. Da mão-cheia de galerias pro‑ pomos no nº 69 a KW (kw­‑berlin.de), um espaço de pesquisa e reflexão da arte con‑ temporânea, com exposições regulares. Finalmente, uma última paragem no nº 52 e na Von und zu Tisch (vonundzutisch.com), loja com produtos gourmet germânicos.

GETTY IMAGES

AUGUSTSTRASSE

80

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 80

22-06-2018 15:01:54


VOLTA AO MUNDO

VM285_68_81_REP Berlim_ER ok.indd 81

81

22-06-2018 15:01:56


FIM DE SEMANA EM PORTUGAL APOIADO POR REVISTA EVASÕES *

Entre a recuperação e o progresso. É a isso que se assiste em Leiria. O centro histórico tem cada vez mais motivos de interesse e já se pensa no futuro. Está na hora de um grande evento. T E X TO PAU L A S O F I A LU I Z FOTO G R A F I A R I C A R D O G R AÇ A / G I

A CIDADE QUE QUER SER CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA

82

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 82

VOLTA AO MUNDO

21-06-2018 19:36:40


P

assear nas ruas estreitas onde a arquitetura de Ernesto Korrodi alberga agora mais comerciantes do que mo‑ radores, onde os bares, restau‑ rantes e lojas tomaram conta do cenário. Leiria já não é a noite do Terreiro (Largo Cândido dos Reis) de que os estudantes do Politéc‑ nico tomaram conta nos anos 1990. É a cidade que quer ser Capital Europeia da Cultura em 2027, e por isso vai ensaiando em todas as áreas, com a precio‑ sa ajuda dos que a fazem viver, to­dos os dias. «Somos a cidade mais bem posi­cio­nada do país, geograficamente. Mas Leiria ain‑ da depende muito da iniciativa privada.» Quem fala assim é Vasco Ferreira, peça importante nesse puzzle do centro histórico, que a partir da Praça Rodrigues Lobo tem criado um leque de alternativas para quem gosta de VOLTA AO MUNDO

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 83

boa comida, ou tão­‑só de apre‑ ciar a vista para o castelo, e acompanhar um momento de lazer com um bom copo de vinho ou cerveja artesanal. Vasco e o sócio, Sabino Carvalho, com­ plementam­‑se bem. A socieda‑ de já vinha do tempo dos pais, na área do têxtil, e quando os filhos acabaram os cursos, juntaram­‑se os dois à esquina

daquele edifício. «A nossa ideia sempre foi valorizar a cidade, contribuir com projetos que tra‑ gam valor acrescentado», con‑ ta Vasco.

A hora do Mata Bicho

O Castelo de Leiria é a imagem de marca da cidade. Em cima, visto desde o centro. A Praça Rodrigues Lobo é um dos pontos de encontro da cidade. E o polvo à lagareiro do restaurante Mata Bicho é um chamariz para clientes.

Começou pelo Chico Lobo, se­ guiu­‑se o Lobo Mau, mas é no Mata Bicho – Real Taverna que conta esta história, num capítulo 83

21-06-2018 19:36:44


que começou em 2011. É hora de jantar e cheira a petingas em molho de escabeche na mesa do lado. Os petiscos colaram­‑se à imagem da casa, há quem não prescinda deles ao final do dia, na esplanada que mora ali du‑ rante o ano inteiro, fintando o inverno. Mas há um rol de espe‑ cialidades naquela Taverna, para saborear ao jantar: arroz de ga‑ roupa, polvo à lagareiro, cata‑ plana do mar, pastéis de baca‑

lhau com arroz de tomate. Depois há o forno a lenha, sempre pron‑ to a fazer estalar a piza caseira. Entre a ampla sala do edifício Zúquete (que até ao século xix foi o Palácio dos Marqueses de Vila Real) e a esplanada da praça, há capacidade para servir oitenta pessoas. «Metade dos nossos clientes são t­ uris­tas», conta Vas‑ co, que não raras vezes encami‑ nha uns e outros para outras experiências, no vizinho Chico

Lobo. «Ali temos uma cozinha mais inovadora, de gastropub, com risotos, massas e hambúr‑ gueres arrojados», descreve o empresário que anda com a ideia de brindar a praça com sets mu‑ sicais, festas after­‑work, mal o verão se anuncie.

Tostas de morcela? Ora Eça…

Atravessar o centro histórico de Leiria não é apenas uma viagem

no tempo, antes uma experiên‑ cia intercultural. Há a comida indiana que leva seguidores até à Rua Gago Coutinho, paralela à Rua da Misericórdia, onde a an‑ tiga igreja deu lugar ao Centro de Diálogo Intercultural, junto à Casa dos Pintores, retratada por inúmeros artistas. Ali por perto há as tascas mais ou menos an‑ tigas como o Porto Artur, onde a Alzira e o Abel adivinham o gosto de quem os procura; ou o

Cocktails, música e arte é o que vai encontrar no Apartado 28 (em cima). Em baixo, Susana e Luís, os rostos do Espaço Eça. À esquerda, o Museu de Leiria.

84

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 84

VOLTA AO MUNDO

21-06-2018 19:36:47


FICAR A CAMINHO DA PRAIA O verde do pinhal envolve o Villas da Fonte – Leisure & Nature, a 15 quilómetros de Leiria e a dez minutos da praia do Pedrógão. Emília Pinto começou por construir «umas casinhas de madeira», mas uma amiga ligada ao turismo incentivou-a a avançar para o hotel. «Este é um espaço sobretudo para famílias e casais, um lugar de tranquilidade», conta Emília. Desde 2014 já acrescentou ao projeto restaurante e bar, além dos dez bungalows (com

capacidade para seis pessoas) e cinco quartos. A decoração é inspirada no mar. Cá fora há bicicletas à espera de quem queira aventurar-se. Quem prefere ficar tem hidromassagem, piscinas (interior e exterior) e um jogo de xadrez gigante, no jardim. Aroeira, Monte Redondo. Web: villasdafonte.pt Quarto duplo a partir de 60 euros por noite (inclui pequeno-almoço)

Em cima, o Villas da Fonte - Leisure & Nature, uma das opções que propomos para este roteiro na região de Leiria. Entre a cidade, o pinhal e a praia, num ambiente descontraído.

bar marroquino Nekob, ideal para apreciadores de chá. Fica‑ ram gravadas naquela zona as marcas da comuna judaica de‑ dicada em tempos à tipografia e ao comércio, e que hoje convi‑ vem bem com as primeiras lojas alternativas (A Garagem Est.1990 e a Tucha), dedicadas ao punk e ao gótico. Estamos na cidade onde a associação Fade In criou o festival Entremuralhas, pron‑ to a saltar para fora do castelo no próximo agosto. Qualquer dessas artérias vai desaguar na Rua Direita (o nome certo é Barão de Viamonte), que VOLTA AO MUNDO

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 85

desce até à Sé. É ali que Susana Ventura e Luís Ferreira abrem todos os dias a porta do Espaço Eça, dedicado ao escritor, que celebrizou toda aquela zona da cidade no ­romance O Crime do Padre Amaro. Há quatro anos, o casal resolveu escrever a própria história nesta aventura. «Pen‑ sámos numa cafetaria dedicada ao Eça, com uma biblioteca em que fosse possível ler a obra dele, um espaço para alimentar a alma mas também o corpo», conta Luís. E isso faz­‑se com tostas de alheira, sardinha ou morcela de arroz, produto regional, acom‑

O centro histórico de Leiria é hoje uma viagem pela gastronomia internacional. A cada canto, um petisco diferente.

panhadas de sumos naturais, vinho a copo ou cerveja artesa‑ nal. Depois há os bolos caseiros que Susana faz todos os dias. No tempo que lhe sobra, dedica­‑se à marca de artesanato que criou, há anos, no mesmo centro his‑ tórico de que é devota.

Destino: Apartado 28

«A Rua Direita é torta, os sinos estão fora da Sé, o rio corre ao contrário – em Leiria tudo assim é.» O ditado antigo corre pela his‑ tória desde há muitas gerações, numa terra que fez dessas fra‑ quezas forças. Passando o Largo 85

21-06-2018 19:36:49


do Gato Preto, tão pitoresco, como se o destino f­ osse a Aveni‑ da Heróis de Angola, há um des‑ vio obrigatório desde há alguns meses: o Apartado 28. Dois ami‑ gos sonharam o espaço durante anos, fizeram uma pausa nos outros negócios (ele designer de sapatos, ela decoradora de inte‑ riores) e lançaram­‑se na recu‑ peração de um edifício. «Mais do que um café», pode ler­‑se na parede do fundo do bar, de fren‑ te para o palco por onde passam músicos de jazz, soul, rock ou punk, ao fim de semana. No an‑ dar de cima, há quatro salas cui‑ dadosamente decoradas e pre‑ paradas para reuniões, a que se junta sempre uma exposição temporária de um artista convi‑ dado, e uma ou outra marca de roupa, sapatos ou acessórios. Até final de maio, é Helena Cadete quem ocupa o espaço.

Da literatura à animação noturna, Leiria tem muito por onde escolher. Dê-lhe tempo e espaço.

«Sempre quisemos que o bar fosse uma oficina de cultura, ao serviço dos diversos criadores», conta Humberto, enquanto sa‑ boreia um Selo Verde, o cocktail mais pedido da carta. É uma mistura de xarope de maçã com sumo de limão e vodca, uma explosão de cor e sabor. O Apar‑ tado 28 é fiel depositário de um brunch todos os dias, com crois‑ sants, éclairs e outros bolos a fazer lembrar Paris, onde os dois amigos se conheceram.

Livros, memórias e uma cafetaria em Arquivo

Regressando ao centro pela Ave‑ nida Combatentes da Grande Guerra, há tesouros guardados na Arquivo – Bens Culturais. À primeira vista pode parecer ­apenas uma livraria, mas quan‑ do passamos a porta número 53 percebe­‑se a diferença. Os livros

fazem sempre companhia às exposições, aos debates, ao clu‑ be de fotografia, clube de leitu‑ ra, tudo enquadrado numa agenda cultural que chega a to‑ das as idades, com programas que pensam no público desde a infância à terceira idade. Alexandra Vieira herdou dos pais a livraria (fundada em 1980), mas em 2000 quis fazê­‑la cres‑ cer. Mudou­‑a para outra casa, onde houvesse espaço para a cafetaria, por exemplo. «Os ar‑ quitetos acompanharam na per‑ feição o que se desejava para aquele espaço já por si tão boni‑ to, cheio de luz», conta, ela que acedeu ao pedido do pai (entre‑ tanto falecido), José Ribeiro Viei‑ ra, um homem cuja marca ficou na cidade através de outros ca‑ nais, como o Jornal de Leiria. Alexandra deixou a sociologia engavetada e, com a ajuda de

O atum braseado do restaurante Ao Largo é uma das apostas do chef José Capão (à esquerda). À direita, o Espaço Eça.

Susana Reis é uma das dinamizadoras da Arquivo, a livraria que se transformou em casa de cultura (em baixo).

86

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 86

VOLTA AO MUNDO

21-06-2018 19:36:51


A Rua Direita (Barão de Viamonte) pode ser o ponto de partida para descobrir a cidade que quer ser Capital Europeia da Cultura daqui a nove anos.

João Nazário (atual diretor do jornal) e do braço direito que é Susana Reis, tem levado a bom porto essa ideia de tornar a Ar‑ quivo uma verdadeira casa de cultura, em todas as dimensões. A mais recente aposta são as vi‑ sitas dançadas às exposições, com a bailarina Inesa M ­ arkava. «A a­ genda não para e as ideias também não», sublinha Susana. Só nos primeiros meses do ano já por ali passaram Sobrinho Si‑ mões, Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares, António Barreto. Antó‑ nio Lobo Antunes foi lá várias vezes. Saramago não foi ao edi‑ fício, mas juntou­‑se à Arquivo numa Feira do Livro da cidade.

Ao Largo da comida e amigos

Quando o Sol se põe, é Ao Lar‑ go que Leiria se junta, num mis‑ to de «comida e amigos», como fica claro no lema deste restau‑ rante que privilegia a cozinha «mais tradicional, de confor‑ to». À mesa chega parte dessa comida bem portuguesa e tra‑ VOLTA AO MUNDO

VM285_82_87_Evasoes_ER.indd 87

dicional, inspirada em vários cantos do país. «A comida são pessoas, lugares e memórias», sublinha Sofia Xavier, que jun‑ tamente com o irmão Miguel e a cunhada Joana Areia e o ami‑ go Arlindo Cid formam o quar‑ teto que aqui «atua» de terça a domingo, com a preciosa ajuda de mais quatro pessoas. São também essas pessoas que fazem a diferença no atendi‑ mento, tão notada por quem aqui entra, seja para saborear o atum bra­seado, a alheira com ovo de codorniz e grelos, a morcela de arroz com pimento ou outro qual‑ quer petisco. «Todos os dias há uma carta nova», conta Sofia Xavier, que há um ano deixou a paginação do Diá­rio de Notícias para se dedicar a este sonho an‑ tigo. «Sempre quis ter uma tas‑ ca», sorri. A noite já se pôs no coração de Leiria. Na rua pedonal, brincam os mais novos, enquan‑ to os mais velhos se deliciam com o melhor da vida, prometido no slogan do Ao Largo: comida e amigos, nem mais.

COMER

MATA BICHO – REAL TAVERNA

Das 10h30 às 00h00; quinta a sábado, até às 02h00. Não encerra Preço médio: 25 euros

PÇ. RODRIGUES LOBO, 3 TEL.: 244821723 WEB: MATABICHO.COM

CHICO-LOBO

ESPAÇO EÇA

Das 11h00 às 20h00. Encerra ao domingo

RUA BARÃO DE

BOMBARDA, 12

­VIAMONTE, 10 A

TEL.: 244825757

TEL.: 244091950

WEB: FACEBOOK.COM/

WEB: FACEBOOK.COM/

GARAGEMEST.1990

ESPACOECA

RESTAURANTE PORTO ARTUR

Das 09h00 às 00h00; quinta a sábado, até às 02h00. Encerra ao domingo. Preço médio: 15 euros

Das 08h30 às 00h00. Encerra ao domingo. Preço médio: 7 euros

PRAÇA RODRIGUES

COMPRAR

LOBO TEL.: 244821723 WEB: CHICOLOBO.PT

AO LARGO

Encerra à segunda. Preço médio: 15 euros

A GARAGEM EST.1990

Das 09h00 às 19h00. Encerra ao domingo Petiscos a partir de 3,50 euros

RUA RODRIGUES CORDEIRO, 21 TEL.: 244823270

RUA MIGUEL

SAIR

APARTADO 28

Das 15h00 às 02h00; sexta e sábado, até às 03h00. Encerra ao domingo e à segunda. RUA ALMEIDA GARRET, 8

ARQUIVO – BENS CULTURAIS

WEB: APARTADO28.

AVENIDA COMBA-

Das 10h00 às 20h00. Encerra ao domingo

COM

NEKOB – MAROC CAFÉ

RUA DR. CORREIA

TENTES DA GRANDE

MATEUS, 36

GUERRA, 53

Das 20h30 às 02h00. Não encerra.

TEL.: 911555323

TEL.: 244822225

TEL.: 918668084

WEB: FACEBOOK.COM/

WEB: FACEBOOK.COM/

WEB: FACEBOOK.COM/

AOLARGOLEIRIA

LIVRARIA.ARQUIVO

NEKOBMAROCCAFE

87

21-06-2018 19:36:52


Feiras Novas:

“o maior congresso ao vivo da cultura em Portugal” Chegado o mês de setembro a Ponte de Lima é tempo de rumar às Feiras Novas. A cena repete-se há 192 anos e continua a renovar-se sem perder o que de mais autêntico tem.

A

viagem não demora mais de uma hora desde o Porto ou de Vigo: Pela A3, A27, Via Rápida IC28 ou Via Rápida IC1. Esta é rápida, simples e confortável. E na confluência de todas estas vias está o nosso “el dorado”: consideradas “o maior congresso ao vivo da cultura em Portugal”, as Feiras Novas são já uma referência nacional, que atrai todos os anos centenas de milhares de visitantes. E de 5 a 10 de setembro, o desafio é o de redescobrir uma rota do século XIX, já que datava de 5 de maio de 1826, quando Pedro IV autorizou as gentes de Ponte de Lima a instituir três dias de feira consecutivos, como forma de assinalar as

88_89_PUB.indd 88

festas em honra de Nossa Senhora das Dores, padroeira da vila. Nestes dias, Ponte de Lima vive a duas velocidades. A agitação das noites, mergulhadas num mar de gente, contrasta com o bulício do dia. É certo que qualquer altura do ano é boa para visitar Ponte de Lima, mas as Feiras Novas mostram o que há de melhor em Portugal: as rusgas, as concertinas, os cantares ao desafio, o folclore, a gastronomia, o fogo de artifício, os concursos pecuários, as corridas de garranos, os cortejos etnográfico e histórico, as bandas de música, gigantones e cabeçudos, assim como a procissão, são uma experiência a viver com todos os sentidos. Este ano, são muitas as novidades e a Associação

Concelhia das Feiras Novas levanta a ponta do véu: o rio Lima estará em destaque no espetáculo de abertura oficial da Romaria; e o dia das raças autóctones e o concurso pecuário serão todos dos anos, a partir de agora, dedicados a uma espécie nativa à região – a Galinha Portuguesa será a espécie de 2018. É tanta a agitação em torno da Romaria, que por meio de App, as Feiras Novas estão agora nos dedos do mundo, contando já com uma vasta rede de utilizadores. Ponte de Lima não se deixou ficar para a história, nem nela se radicou. Atualmente é um dos principais destinos turísticos do Norte do país, pela sua vivacidade cultural e artística. São dezenas

22-06-2018 16:12:34


os festivais, feiras e certames de projeção nacional e internacional que têm lugar durante todo o ano na vila. Se na primavera há a apresentação das bandas filarmónicas, no verão os mais conceituados artistas de pop ou rock desconcertam-nos nos seus concertos. Se no outono há festivais de folclore, no inverno, Ponte de Lima recebe espetáculos de bailado clássico. Este dinamismo, porém, não se cinge às estações do ano. Orgulhosa da sua identidade, a vila mais antiga de Portugal preserva as tradições, já que à animação alia uma vertente de exposição da história à das potencialidades turísticas do concelho, através da rede museológica constituída pelo Museu do Brinquedo Português, o Museu dos

88_89_PUB.indd 89

Terceiros, o Museu do Vinho Verde, e o Museu Militar, entre outros. Para além deste esforço de conjugação da antiguidade e modernismo, Ponte de Lima usufrui do património ambiental notável, e encaixada numa moldura de serras e vales, sempre soube aproveitar os seus recursos naturais. A preocupação de preservação desta herança natural conduziu à reserva de espaços como a Área Protegida da Lagoa de Bertiandos, e permitiu a construção de jardins em vários pontos da vila, os “Jardins do Arnado”, “Ecovias”, e o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, considerado “Festival do Ano” pelo Garden Tourism Awards, entre muitos outros, cuja área perfaz cerca de

50 hectares, perfeitos para desfrutar de um passeio junto ao rio Lima, onde todos são convidados à prática de atividades náuticas. Ponte de Lima não era Ponte de Lima, nem Feiras Novas eram Feiras Novas, se a todos não fossem dirigidas as maravilhas gastronómicas liminanas, desde o bacalhau de cebolada ao Arroz de Sarrabulho. Tudo regado com o vinho verde de excelência que a região oferece. A qualidade e potencial desta região foram reconhecidas pela mão da rainha D. Teresa, e 893 anos depois a vila continua a valorizar o título que lhe foi dado... terra rica da humanidade. Cultura, turismo, e investimento em alta, Ponte de Lima recomenda-se.

22-06-2018 16:12:34


VIAJANTES EXTRAORDINÁRIOS

RUBEN FERREIRA E VANESSA CABRAL

TROCAR A CIDADE PELA COMUNHÃO COM A NATUREZA Ruben e Vanessa conheceram­‑se na faculdade. A dois, cedo se desencantaram com as rotinas e os vícios do mercado laboral. Partiram juntos sem rota traçada em busca do autêntico, genuíno e natural.

A Envie as suas histórias para: viajantes@voltaaomundo.com.pt 90

VM285_90_93_ViajantesExtraordinarios_ER.indd 90

TEXTO DE BÁRBARA CRUZ

relação de Ruben Ferreira e Va­ nessa Cabral, ambos de 26 anos, começou ao contrário: primei­ ro moraram juntos e só depois começaram a namorar. Co­ nheceram­‑se em Évora, quan­ do eram universitários. Ela, açoriana, estudava Psicomotri­ cidade e procurava um quarto para arrendar. «Acabou por bater à porta certa» da casa onde já morava Ruben, estu­ dante de Engenharia e natural de Torres Vedras. As viagens a dois começaram ainda em Portugal e Ruben, ha­ bituado a acampar país fora com a família desde criança, tinha uma «missão secreta»: deslum­ brar Vanessa com o continente para a convencer a não regressar a Santa Cruz das Flores. Vanessa não resistiu ao apelo, afinal já viajava «desde a barriga da mãe. Na ilha das Flores não existe hospital, apenas centro de

saúde, e a maioria dos bebés nas­ cem noutra ilha», explica. «Com alguns dias de vida já estava a fazer a minha primeira viagem de avião.» Terminada a faculdade, aca­ baram por se instalar os dois em Lisboa, em 2016. Ruben conse­ guiu emprego num banco, a tra­ balhar com mercados financei­ ros, e Vanessa navegava o mar turbulento dos estágios e traba­ lhos precários. Até que ela perdeu o emprego e passou a partilhar da falta de motivação do namo­ rado, que saíra da faculdade «cheio de sonhos e vontade de mudar o mundo» para encontrar um trabalho em que todos os dias eram iguais. «De certo modo, foi a frustração profissional que trouxe a necessidade de mudan­ ça», reflete Vanessa. Entretanto, Ruben decidira fazer um curso de permacultu­ ra, «a ciência que agrega co­

nhecimento ancestral e tecno­ logia atual e utiliza­‑os para criar ambientes sustentáveis, olhan­ do para a natureza como uma aliada, um livro de instruções», esclarece. «Apesar de o que aprendi ter sido incrivelmente interessante, o melhor que tirei daqueles 17 dias foi ter percebi­ do que era possível viver assim, voltei a acreditar num estilo de vida em comunidade a trabalhar com a natureza», frisa Ruben. «Isso agitou­‑me muito, senti o meu cérebro vivo outra vez.» Durante o curso, ouviu falar num projeto no Quénia que aceitava voluntários e contou à namorada, que só lhe pergun­ tou: «Vais ou vamos?» Mas não foi África o destino final, porque a comunidade no Quénia exigia pagamento avultado e era di­ nheiro que não tinham. Em outubro de 2017, saíram de Lis­ boa mas com bilhete de ida para VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 16:54:17


O casal andou por Tailândia, Camboja, Laos, Vietname e Malásia

VM285_90_93_ViajantesExtraordinarios_ER.indd 91

22-06-2018 16:54:20


ENTRE A PERMACULTURA E O CONTACTO DIRETO COM AS POPULAÇÕES, RUBEN E VANESSA VIAJARAM DE CORPO E ALMA.

a Tailândia, depois de Vanessa perguntar a Ruben qual era, afinal, o seu destino de sonho. Procuraram uma quinta para fazer voluntariado, encontra­ ram Sahainan – ­ no meio da flo­ resta tailandesa, com casas de bambu ­– e foram aceites. Do Sudeste Asiático esperavam par­ tir em direção à Austrália, onde arranjariam trabalho e rendi­ mentos suficientes para seguir 92

VM285_90_93_ViajantesExtraordinarios_ER.indd 92

à conquista do mundo sem rota definida. A preparação para a primei­ ra grande viagem de ambos pediu esforço e criatividade. Porque os recursos eram limi­ tados, precisaram de angariar dinheiro a todo o custo: faziam bolos para Ruben vender no trabalho que ia deixar, Vanessa arranjou emprego fora da área profissional e cortaram em to­

dos os extras. No verão antes de partirem foram para Torres Vedras trabalhar na apanha da pera. Já na Ásia, continuaram alerta para as questões orça­ mentais: chegaram com cerca de quatro mil euros e empenharam­‑se em não ultra­ passar um orçamento diário de dez euros para os dois, o que lhes permitiria viajar durante pelo menos um ano.

«Nos primeiros meses éramos viajantes inexperientes e gastá­ vamos mais do que era suposto», admitem. «Queríamos experi­ mentar tudo.» Mas depressa perceberam que, se quisessem chegar à Austrália com dinheiro, alguma coisa teria de mudar. Quando deixaram a primeira quinta onde estiveram na Tai­ lândia começaram a usar a boleia como meio de deslocação. «Fi­ zemos todo o Laos, Viet­name, Camboja e sul da Tailândia à bo­ leia», revelam. Repetiram a ex­ periência na Ma­lásia, o quinto país onde procuraram projetos de permacultura para se integra­ rem na comunidade e viverem em comunhão com a natureza. Foram sem planos e aceitan­ do o que vinha de braços abertos. «Passas a acreditar que tudo é possível», garantem. Tinham a Austrália como objetivo e esta­ vam na Malásia com um olho em Timor­‑Leste, mas em maio de 2018 foram obrigados a inter­ romper a viagem só de ida por­ que Vanessa ficou doente e pre­ cisou de cuidados que exigiram o regresso a Portugal. Ainda as­ sim, não perderam a motivação e já estão a planear, para setem­ bro, uma viagem de bicicleta à Holanda, para trabalhar na quin­ ta de uma amiga. «O que isto nos trouxe foi um novo horizon­ VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 16:54:22


A gastronomia foi uma das descobertas ao longo dos meses de viagem.

A integração nas culturas locais foi um dos objetivos. E totalmente alcançado.

te de possibilidades», dizem, sedentos da vida na estrada: as peripécias que recordam da em­ preitada asiática são tantas que podiam «escrever um livro». Logo na Tailândia, por exem­ plo, foram convidados a assistir ao parto da dona da quinta de Sahainan, que escolheu dar à luz numa banheira de água quente. Ruben preferiu não ver, mas entrou no compartimento logo a seguir e garante que se emocionou. No Laos, o condu­ tor de um carro luxuoso que lhes ofereceu boleia ficou horroriza­ do com a perspetiva de irem passar a noite numa tenda, co­ mo faziam a maioria das vezes, e convidou­‑os para dormir sem

pagar no hotel de que era pro­ prietário. Só as aventuras à bo­ leia dariam para um capítulo no livro desta viagem, se o chegas­ sem a escrever: na Malásia, pe­ diam transporte com uma placa a indicar o destino quando pas­ sou uma carrinha funerária, que fez Vanessa largar um «esta é que não, obrigada». Mas, mi­ nutos depois, o condutor da carrinha surge junto deles, dizendo­‑lhes que ia para o mes­ mo sítio e prontificando­‑se para os levar. «Estávamos a viajar com um caixão. Claro que o Ru­ ben perguntou logo se tinha alguém lá dentro. Disseram que não, mas também não temos como saber», concluem a rir. 93

VM285_90_93_ViajantesExtraordinarios_ER.indd 93

22-06-2018 16:54:25


94_95_PUB.indd 94

22-06-2018 16:13:31


94_95_PUB.indd 95

22-06-2018 16:13:31


GRÉMIO GEOGRÁPHICO

MUNDOS IMAGINÁRIOS, BIZARRIAS GEOGRÁFICAS E OUTRAS CURIOSIDADES DE BOLSO. Por João Mestre joao.mestre@globalmediagroup.pt

LUPA GEOGRÁPHICA

CANOAS, LANÇAS, COQUEIROS: ESTÃO AÍ OS MICROJOGOS YAP (E.F. MICRONÉSIA) 9°32’46”N 138°09’54”E

ATLAS IMAGINÁRIO

PEPPERLAND

A viagem é longa e cheia de perigos. Mas visitar este mundo psicadélico, de cores berrantes, submarinos voadores e gente que respira música, é toda uma trip – não recomendada a indispostos crónicos.

A

«

beleza está nos olhos de quem a vê.» pirâmide de pedra em cujo topo está estacionado O provérbio é inglês e não traz um submarino amarelo. O mesmo submarino propriamente uma revelação profunda. amarelo que trouxe os músicos fundadores até Porém, à boleia desse fator de Pepperland – e que, durante a resistência à ocusubjetividade vem uma nuance que pação dos Blue Meanies, transportou os Beatles importa não descartar: o momento. Aquilo que hoje desde Liverpool até este paraíso sobrenatural. A partir do relato dessa viagem, sabe-se que o é belo, amanhã pode ficar feio – e o que é feio pode recuperar o encanto. Quem tiver visitado Pepperland caminho entre a cidade inglesa e Pepperland é durante o domínio dos Blue Meanies atribulado e cheio de perigos sur­ (traduzindo, os Maldosos Azuis) têreais. Envolve a travessia do Mar do -la-á achado cinzentona e desproTempo, na qual o viajante se arvida de alegria, mas isso não passou risca a desaparecer caso avance de um tempo fugaz na história desou recue demasiado nos anos, te país de gente feliz. seguida da do Mar dos Monstros – habitado por criaturas que paPepperland fica em chão firme recem saídas de uma bad trip –, e seco, ainda que oitenta mil léguas e de um enorme vazio chamado abaixo do mar. É uma terra de paz, de alegria, de colorido psicadélico: Mar do Nada. Se a dada altura coas árvores são às riscas, os pássaros meçar a cheirar a pimenta, é sinal exibem tonalidades exuberantes, de que a Pepperland está próxima, os arcos-íris ocorrem com frequênmas fala ainda cruzar o Mar dos cia, pelas colinas e pelas planícies YELLOW Buracos e o Mar Verde. Sim, a viahá grandes esculturas em forma de SUBMARINE gem é longa e cheia de provações, palavras de sentido positivo, como Pepperland é o palco da narrativa mas isso logo se esquece, mal se «amor», «saber», «sim». Todos de O Submarino Amarelo, obra assenta pé nesta terra de felicidaos habitantes são amantes de múseminal do cinema de animação, de e canções à solta. Para a evensica, e os coretos são um dos mar­ com realização de George tualidade de uma nova invasão de cos arquitetónicos mais visíveis, Dunning e banda sonora dos Blue Meanies, bastará o viajante ou não tivesse o país sido fundado, Beatles. A 8 de julho, para ir avisado, e levar na ponta da há quatro partituras e 32 compasassinalar o 50.º aniversário da sua língua um bom repertório de cansos, pelo sargento Pepper e a sua estreia, o filme regressa às salas ções alegres e de amor, que os banda, os Lonely Hearts. A par de EUA, Canadá, Reino Unido Maldosos Azuis se porão de imedesses concorridos palcos ao ar e Irlanda (lista completa em diato em fuga. Nunca o provérbio livre, um outro ex-líbris de Pepperyellowsubmarine.film), fez tanto sentido: quem canta seus land salta à vista, uma imensa restaurado à mão para 4K. males espanta.

Terminam uns jogos, logo começam outros: no dia da fi­nal do Mundial de Futebol, ar­rancam os Jo­gos da Micronésia. O es­tado de Yap, um dos qua­tro Estados Federados da Micronésia, é o anfitrião deste evento que junta, em treze modalidades, atletas representantes dos dez territórios da região – ilhas Marshall, Nauru, Kiribati, Palau, Marianas do Norte, Guam e os quatro federados Kosrae, Chuuk, Pohnpei e Yap. Em prova estarão modalidades como atle­tismo e voleibol, a par de outras menos triviais, como pesca submarina ou canoagem em canoas va’a. Depois, há uma maravilha idiossincrática chamada micro all around, uma espécie de pentatlo micronésio que merecia cobertura em direto no Eurosport. Há provas de corrida e natação, mergulho e recolha de objetos em profundidade e tiro ao alvo com lanças. Os eventos mais curiosos envolvem cocos: os homens têm de trepar coqueiros e descas­ car cocos em contrarreló­ gio, e as mulheres, também sob tempo cronometrado, têm de pelar e ralar o duro fruto. Em 2014, Pohnpei dominou o pódio, mas tinha o fator casa a seu favor. Vejamos o que acontece agora. (Eurosport, por favor?)

96

VM285_96_97_Gremio AP.indd 96

22-06-2018 12:06:26


PARA O ESQUECIMENTO E MAIS ALÉM

E AGORA...

PÍTEAS DE MASSALIA GEÓGRAFO, ASTRÓNOMO, NAVEGADOR, EXPLORADOR (século iv a.C.)

A

ousadia de passar do ­sítio de onde se pensava que nin­guém regressaria ga­ran­­ tiu-lhes lugar no panteão dos grandes exploradores. A Bartolomeu Dias por mostrar que havia caminho para lá do ca­ bo da Boa Esperança, a Maga­ lhães porque a sua viagem deu a derradeira prova de a Ter­ra ser redonda. Pois, ­Píteas foi mais longe: atreveu--se a cru­zar o ponto onde o seu mun­do t­ erminava e navegou até onde o mar o deixou. De ca­­minho, fez medições que aca­bariam por criar conheci­ men­to científico. Tudo isto, note-se, 18 séculos antes da Era dos Descobrimentos. Pouco se sabe sobre Píteas. E es­se pouco só chegou aos dias de hoje por historiadores da Antiguidade que o citaram, já que o seu relato, «Sobre os aceanos», se perdeu. Píteas era cidadão de M ­ assália (Marselha), cidade de comércio. Não seria homem de posses, porém é descrito co­mo hábil

navegador e dono de uma curiosida­de extraordinária. Algures en­tre 330 e 320 a.C., partiu pa­ra explorar o nor­te, terras que forneciam e­ stanho, âmbar e outras ri­que­zas transacionadas no Mediterrâneo. Passado o estreito de Gibraltar, dobrou o cabo de São Vicente e rumou a norte, ao lon­go das costas ibérica e gau­ ­lesa. Cruzou o canal da Man­ ­cha, contornou a Grã-Breta-

nha e atingiu as Órcades. Daí prosseguiu, seis dias a velejar, até voltar a ver t­erra. Chamou-lhe Thule, e ainda hoje se debate que ­local seria, com a maioria das apostas a recair

sobre a Islândia – 1200 anos antes dos vikings. Tentou ir mais lon­ge, mas de­parou-se com um «mar sóli­do», um sí­tio «onde não há pro­pria­ men­te terra, água e ar co­mo ele­mentos separados, mas uma aglomeração de todos eles». Píteas ­atin­gi­ra o Círcu­ lo Polar, tornando-se, sem o saber, o pri­meiro explorador do Árti­co. Foi também o primeiro me­di­terrâni­co a ver o sol da meia-noite, um dado a juntar ao trabalho de medi­ ção de latitudes, à dis­cussão so­­bre a influência da lua nas marés e às descrições dos po­ vos que encontrou. «Sobre os oceanos», mais do que relato de 12 mil quiló­me­tros de viagem, ganhou contornos de tratado científi­co. Mesmo não tendo sobrevivido, a sua obra abriu cami­nho para os estudiosos e ex­ploradores que lhe sucede­ram. Dias e Magalhães incluídos.

5

VIAGENS AO CENTRO DA TERRA 1 A MAIOR ESCAVAÇÃO A CÉU ABERTO A mina de cobre de Bingham Canyon, no Utah (EUA), é um anfiteatro de rocha de quatro quilómetros de diâmetro que se afunda 1200 metros abaixo do chão. Todas juntas, as estradas no seu interior estendem-se por 800 quilómetros.

2 A GRUTA MAIS FUNDA A exploração ainda não terminou, mas, até agora, o ponto mais fundo da Gruta de Voronya, na Geórgia, situa-se a 2175 metros de profundidade.

3 O TÚNEL MAIS FUNDO O túnel ferroviário de Gotthard, Suíça, entre Erstfeld e Bodio, é o mais longo do mundo, 57 quilómetros de comprimento, e o mais fundo – 2300 metros no ponto máximo.

4 O MUNDO É UM ESTRANHO LUGAR

O MUSEU DO FALHANÇO

VOLTA AO MUNDO

VM285_96_97_Gremio AP.indd 97

SOPHIE LINDBERG

Uma Bic para senhoras, Coca-Cola com sabor a café, refeições ultracongeladas da Colgate, uma máscara de beleza que dá choques elétricos. Se é uma má ideia, provavelmente estará em exposição neste museu que abriu há um ano, em Helsimburgo. O Museum of Failure nasceu, pela mão do psicólogo organizacional Samuel West, com o propósito de home-

HELSIMBURGO, SUÉCIA -

nagear os grandes fiascos da in­ dústria de consumo. «Para mostrar que a inovação exige falhanço», diz o fundador. Com a tónica no fator inovação: não basta falhar, é imperativo tê-lo feito na busca de algo novo ou arrojado. O museu está a ser um sucesso: tem uma filial na Califórnia e uma exposição itinerante em Toronto até setembro.

A MINA MAIS FUNDA A mina de ouro de Mponeng, África do Sul, tem a galeria mais funda 4,02 quilómetros abaixo da superfície. Para lá chegar há o maior elevador do mundo. São 90 minutos de caminho.

5 O FURO MAIS PROFUNDO A Perfuração de Kola, na Rússia, resulta de um projeto de investigação científica, abandonado em 1992 devido às elevadas temperaturas registadas. Tem 23 centímetros de diâmetro e desce até aos 12,3 quilómetros (o equivalente a 144 por cento do tamanho do Evereste). 97

22-06-2018 12:06:27


ÚLTIMA CHAMADA

OZNOR

NO PRÓXIMO MÊS vamos inovar com uma viagem muito especial a África. Prepare-se!

98

VM285_98_UltimaChamada_ER OK.indd 98

VOLTA AO MUNDO

22-06-2018 15:46:54


Sempre Quente Sempre Graças ao seu extraordinário clima, à Quente amabilidade do seu povo, à sua enorme

diversidade deextraordinário atrações turísticas Graças ao seu clima,e à atividades e ao magnífico serviço amabilidade do seu povo, à sua enorme prestado pelos seus profissionais. Um diversidade de atrações turísticas e destino no qual pode vivenciar atividades e ao magnífico serviço extraordinárias experiências ao longo de prestado pelos seus profissionais. Um todo o ano. destino no qual pode vivenciar #VisitCostadelSol extraordinárias experiências ao longo de todo o ano. VM285_98_UltimaChamada_ER OK.indd 99

22-06-2018 15:46:54


VM285_98_UltimaChamada_ER OK.indd 100

22-06-2018 15:46:54

Volta Ao Mundo - Julho 2018  
Volta Ao Mundo - Julho 2018