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Edição 4 - Ano 1 - Outubro 2013 Edição 4 – Ano 1 – Outubro 2013

revista

R$ 12

Fala ndo de gente...

sp

R$ 12

REVISTA GIRO SP | 1


é uma publicação mensal da Comander Editora Diretora Geral: Erika Pedrosa Diretor Administrativo Financeiro Asael Prando Departamento Jurídico Erico Olivieri Jornalista Responsável Yone Shinzato MTB 49976 Jornalistas Felipe Ribeiro Natália Prieto Ronnie Arata Coordenação Camila Ferreira Denis Le Senechal Klimiuc Felipe Ribeiro Departamento de arte Aline Inforsato Yone Shinzato Projeto Gráfico e Marketing Comander Assessoria e Marketing Colaboradores Carolina Cordeiro, Christiane Alves, Leandro Sampaio (SP Turis) Fotos Ana Carolina Fernandes, Carlos Nader, Cybele Lisboa, Ed Morais, José Cordeiro, Marcio Baraldi, Paulo Madjarof, Valter Campanato, Victor Miguel Administração, redação e publicidade Rua Jacirendi, 395 Tatuapé – São Paulo – SP CEP: 03080­‑000 Tels.: 011 2023 0400 / 011 2685 1765 www.revistagirosp.com.br Canais de comunicação

Focamos no que São Paulo tem de melhor: Gente Toda edição é especial, inédita, pois a Giro SP escreve para você, leitor, que é gente como a gente, independente de cor, raça, idade, credo, orientação sexual, política, religião e outros, porque somos todos iguais. Todos nós temos uma participação neste mundo, representamos uma sociedade, cada um de nós tem uma profissão, uma função. Rico ou pobre, dependemos sempre de alguém. Não existe empresa se não houver empregado, não existe patrão se não houver funcionário, não existe artista se não houver o apreciador da arte e assim por diante. No entanto, existe um profissional o qual ninguém fica sem seus serviços e, nos dia de hoje, é considerado Herói: o “Professor”! Nosso Mestre. Dentro da diversidade que transita entre as culturas em nossa cidade, abordaremos a situação dos professores que levam conhecimento ainda que teórico para formar gente de sucesso que faz e que serve, além da influência nordestina que foi essencial para a construção de São Paulo. Acolhedora de todos os portos, não hesitou em transformar­‑se nos braços que envolvem outros costumes. Seja por necessidade ou objetivos de gente que faz acontecer, seja pela perseverança daqueles que agarram a oportunidade e se tornam inspiração. São Paulo é feita e construída por gente, gente de fé e coragem, gente que faz de seus objetivos nosso conforto, que nos serve, que cozinha, gente que saboreia, nos faz rir, nos ensina, constrói, que cria, que controla, que escreve e que lê, que canta, que encanta, que nos dá coragem, que nos fazem felizes e outras que nos fazem tristes, mas o maior patrimônio do mundo são as pessoas, que fazem e se eternizam pelas suas obras. Só existem produtos e serviços, porque são feitos e executados, porque há demanda. A Giro SP fala sobre você, sua profissão, sua arte, música, comida, beleza, ensino, porque falamos de pessoas, falamos de sucesso, fazemos de você e da sua história a nossa história! A história da gente! Erika Pedrosa

A Revista GIRO SP não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios, por eventuais mudanças em datas de programação e pelas ofertas veiculadas, sendo de responsabilidade dos anunciantes. As opiniões emitidas nas matérias são de responsabilidade de seus autores. Ninguém está autorizado a fazer cobrança de anúncios em nome da Revista GIRO SP ou em nome de qualquer outra empresa do grupo.


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ÍNDICE

ARTE, CULTURA E LAZER 30 Quadrinhos engajados e cheios de atitude 34 A Desvalorização do Professor e sua luta pela educação 48 Projeto poesia todo dia: 365 poesias e o fim do anonimato 50 Um Giro de pau de arara em Sampa 60 Motociclistas de final de Semana 62 Feirinha da Liberdade: um caldeirão cultural à paulistana com toque oriental 76 Woody Allen – Uma carreira de neuroses e genialidades

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FIQUE POR DENTRO 08 30 programas imperdíveis em SP 10 Sala São Paulo

NEGÓCIOS 13 1º Passo: ambiente de marketing – macro e micro

Estreias de outubro Preconceito ou saúde? Gordinhos no trabalho Ode ao corpo humano – Fisiculturismo Ondas de superação Reny Ryan: Confissões de uma depiladora brasileira nos EUA A sensualidade histórica do batom Internet: Do “boom” dos blogs à “Bigbrotherização” da vida cotidiana

CRONICAMENTE PAULISTA 57 O que os escritores têm com o café?


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50 74 Monsters of Rock KIDS 19 Entrvista com as crianças: O futuro 84 “Mem de Sá, 100” 92 Expomusic não é Teodoro Sampaio do Brasil está em nossas crianças 94 Comédia com Tudo é garantia de 26 Aparelhos eletrônicos: presentes riso até para o mais sisudo ou distrações? dos espectadores 44 Por que e quando procurar um psicólogo para o seu filho? NA NOITE COMIDA E BEBIDA 58 Passeio noturno ao Parque Zoológico 16 Doce! Doce! Doce! de São Paulo ACONTECE EM SP 14 Elvis in Concert 28 Shopping Anália Franco apresenta: Evita Perón – Figura, mulher e mito 36 A arte de se mover por obstáculos 68 S.O.S. bandas independentes

AONDE VOCÊ QUER IR HOJE? 98 Roteiro de passeios


FIQUE POR DENTRO

Texto Divulgação/SP Turis

30 SP programas IMPERDÍVEIS em

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Mercado Municipal

Mosteiro de São Bento

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Terraço Itália

Grandes museus da cidade

Bares e baladas

Parque do Ibirapuera

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Cantinas do Bixiga

Oscar Freire e Shopping Iguatemi

Restaurante Skye do Hotel Unique

Jockey Club

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Autódromo de Interlagos

Estádio do Pacaembu

Mega livrarias

Exposições da cidade

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Página 10

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Sala São Paulo

Torre do Banespa

Musical da Broadway

25 de Março, Brás e Bom Retiro

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Padarias 24 horas

Avenida Paulista

Museu da Língua Portuguesa e Pinacoteca

Zoológico e Jardim Botânico

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Spas com ofurô e massagem relaxante

Feiras: Liberdade e Praça Benedito Calixto

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Cafeterias internacionais

Centro Histórico

Centro de convenções paulistano

Quadra de escola de samba

Pico do Jaraguá

Pizzarias

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FIQUE POR DENTRO

3 Assistir a um concerto na

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Texto Leandro Sampaio/SP Turis Fotos José Cordeiro

Sala São Paulo

Construída com estrutura de concreto e alvenaria de tijolos no estilo Luis XVI, com esculturas e minuciosos detalhes, a Júlio Prestes seria a estação inicial da Estrada de Ferro Sorocabana, a principal veia de transporte de café em São Paulo. Ocupando área total de 25 mil m², seu projeto arquitetônico, de autoria de Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves, chegou a ser premiado no III° Congresso Panamericano de Arquitetos, de 1927. Em 1930, foram entregues ao público a ala das plataformas e o concourse. Em seguida houve nova paralisação decorrente dos reflexos trazidos pela Revolução de 1932 e, dois anos depois, inaugurou­‑se a estação, já com o nome de Estação Júlio Prestes. O fim da era de ouro do café, somado à degradação da região central de São Paulo e do transporte ferroviário no Brasil, levaram a estação ao esquecimento, aos maus tratos e, mais tarde, ao semiabandono. Subdividido em três, parte de seu prédio abrigou, durante o regime militar (vigente no Brasil entre os anos de 1964 e 1983), o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), um órgão governamental que, como diz o nome, mantinha a ordem política e social do estado de São Paulo (na prática, cuidava da repressão de opositores ao regime). Outra parte do edifício seguiu destinada ao transporte, sendo utilizada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o que ocorre ainda nos dias de hoje. Em 1990 surgiu a proposta de se recuperar a estação e transformar parte de seu belo edifício 10 | REVISTA GIRO SP


na sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Sala São Paulo, hoje considerada a melhor sala de concertos da América Latina. Para elevar a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) a um padrão de qualidade internacional, a orquestra precisaria de uma sede própria, com a infraestrutura necessária para o funcionamento de uma gran-

de orquestra. Depois de uma longa pesquisa para decidir qual seria o local mais apropriado para a construção da sala, um acaso fez com que o grande hall da Estação Júlio Prestes fosse escolhido. O espaço apontou similaridade entre a volumetria, a geometria e as proporções encontradas em reconhecidos espaços de concertos mundiais, como a do

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FIQUE POR DENTRO

Boston Symphony Hall, nos Estados Unidos, e a de Musikreinsaal, em Viena. Nasce ali a casa definitiva da Osesp. No dia 9 de julho de 1999, sob a regência do maestro carioca John Neschling, a Osesp apresenta a peça inaugural Sinfonia nº 2, Ressureição, de Gustav Mahler (1860­‑1911). Diante de uma plateia de convidados embevecidos, entre eles Fernando Henrique Cardoso, a Sala São Paulo inaugura também o momento de ressurreição de toda a região do bairro da Luz. Dezoito meses de obras que aliaram centenas de operários, técnicos especializados, procedimentos artesanais de longa tradição e as mais modernas tecnologias transformaram a área central da estação (um enorme hall em forma de caixa de sapatos, com pé direito de 24m) em uma das mais belas, modernas e completas salas de concerto do mundo: 12 | REVISTA GIRO SP

➢➢

Na próxima edição, confira a Torre do Banespa

A Sala São Paulo. A coexistência com uma estação ferroviária requereu uma laje flutuante. Inaugurada em 1999, ela ainda possui um forro móvel (motorizado, composto por diversos blocos independentes), que permite à acústica do local uma adaptação a diversos tipos de música a serem executados. É possível testemunhar a beleza do prédio em dias de concertos ou por visitas previamente agendadas.

Serviço: Sala São Paulo Endereço: Praça Júlio Prestes, s/n, Luz – Centro (Metrô Luz) Tel.: (11) 3367­‑9500 E­‑mail: salasaopaulo@osesp.art.br Site: salasaopaulo.art.br Horário: Bilheteria – segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 16h30; e domingo, das 15h às 17h


NEGÓCIOS

Texto Denis Le Senechal Klimiuc

Como elaborar um bom Plano de

Marketing

em 10 passos Para conhecer o mercado de consumo, é necessário estudar dois ambientes de Marketing, o Microambiente e o Macroambiente, pois, a partir do conhecimento de cada um, será mais fácil visualizar seu negócio – haverá base necessária para prosseguir com um Plano de Marketing bem estabelecido. Microambiente: Foco inicial dos estudos: ­ primeira análise que deve ser feita; ­C onhecimento do ambiente de inserção da empresa; 4 P´s ­Produto: o que será inserido no mercado; ­Praça: onde será inserido

1º Passo ambiente de marketing – macro e micro

­Preço: qual será o preço praticado ­Promoção: como será a divulgação Também deverão ser avaliados aspectos como fornecedores, intermediários, clientes, concorrentes e o próprio situação pela qual o país passa, assim como possíveis público­‑alvo. estímulos que influenciem a organização e seu produto/ Macroambiente: ­Não há formas de modificar serviço Sociocultural: define os o macroambiente, mas sim costumes e cultura, que pode adaptar­‑se a ele ser fator decisivo, por exemEstudo PEST Político: avalia a legislação e plo, quando há diferenças de situação relacional do país com acordo com a região Tecnológico: pode interferir o restante do mundo, além de avaliar internamente sua influ- em processos de produção e ência sobre o produto/serviço até mesmo comunicação, refletindo, em consequência, no a ser comercializado; Econômico: são reflexo da produto/serviço oferecido. REVISTA GIRO SP | 13


ACONTECE EM SP Texto Divulgação Fotos Paulo Madjarof

IN CONCERT Uma superprodução. Assim pode ser definido o show “Elvis Presley in Concert”, o surpreendente espetáculo que reúne no palco uma banda completa, que tem em sua composição vários músicos e cantores que trabalharam com Elvis originalmente, e projeções remasterizadas em telões de alta definição das principais apresentações do cantor. O espetáculo dá ao público a sensação de estar realmente participando de um show do cantor. O sucesso é tanto que “Elvis Presley in Concert” já entrou para o Livro dos Recordes Guiness como a maior turnê já realizada no mundo todo de um artista não vivo. 14 | REVISTA GIRO SP

O show tem como base uma coleção de alguns dos melhores concertos do cantor que existem em filmes e vídeos, que tiveram todo o som da filmagem excluídos, com exceção da voz de Elvis – que foi totalmente remasterizada. As imagens são projetadas em telões de led gigantes. No palco, uma orquestra de 16 artistas, que inclui vários músicos originais de Elvis, apresenta­ ‑se ao vivo. Toda a música ouvida na produção do concerto é ao vivo, exceto a voz de Elvis. A sensação é mágica. Para o público é como estar em um show real do artista. Os vídeos utilizados no show são extraídos principalmente

do material filmado para o especial de TV conhecido como “Elvis 68 Comeback Special” (de 1968) e para os concertos “Elvis, That’s the Way It Is”, (de 1970), “Elvis on Tour” (de 1972) e do histórico especial de televisão “Elvis: Aloha from Hawaii” (de 1973), além do especial de TV conhecido como “Elvis 68 Comeback Special” (de 1968). Este último contém algumas das melhores performances do cantor em sua carreira. Outro critério principal para a seleção dessas imagens é que elas foram originalmente gravadas no sistema multi­‑track. Assim, os produtores são capazes de deixar de fora todo o som da


filmagem, isolando somente a voz do cantor. A energia e os principais hits de Elvis, cantados pelo público como se o próprio ocupasse o palco, poderão ser vistos agora em oito shows em sete capitais, de norte a sul do país: a nova turnê nacional começa em outubro e, em São Paulo, acontecerão dois show, em 25 e 26/10, no Ginásio do Ibirapuera. Entre os músicos que se apresentam estão vários ex companheiros de palco de Elvis, como o guitarrista James Burton, considerado um dos melhores do mundo pela revista Rolling Stone, e que também faz parte do Rock and Roll Hall of Fame desde 2001. Outro é o baterista Ronnie Tutt, que tocou com Elvis em 1969 até sua morte. O pianista Glen D. Hardin participou de todos os três filmes cujas imagens foram selecionadas para o “Elvis in Concert”. Norbert Putnam participou como baixista da maioria das gravações dos discos de Elvis, enquanto Joe Guercio era o diretor musical das apresentações do cantor. Estelle Brown foi integrante do grupo Sweet Inspirations e participou de todas as últimas turnês e shows do cantor com backing­‑vocal. Joe Moscheo e Terry Blackwood são dois dos integrantes originais dos Imperials, o quarteto gospel que

fez vocal de apoio nas apresentações ao vivo e sessões de gravação de Elvis Presley, nos anos de 1969 a 1971. “Elvis in Concert” foi lançado em 16 de agosto de 1997, marcando a ocasião do vigésimo aniversário da morte de Elvis, apresentado no Coliseu do Centro­‑Sul, em Memphis, Tennessee, com ingressos esgotados. O show apresentava um grande encontro de muitos dos instrumentistas e vocalistas que haviam trabalhado no palco e no estúdio de gravação com Elvis ao longo dos anos. Esta produção se tornou o protótipo para “Elvis – The Concert”, uma produção de menor escala que viajou extensivamente desde o início de 1998, sendo, em 2006, reintitulada “Elvis Presley in Concert”.

Dias: 25 e 26 de outubro (sexta­‑feira e sábado) Hora: 21h Local: Ginásio do Ibirapuera Endereço: Rua Manoel da Nóbrega, 1361 – Ibirapuera Abertura dos portões: 19h30 Classificação etária: 12 anos Vendas online: ingressorapido.com.br Informações e compra: 4003 1212

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COMIDA E BEBIDA Texto Felipe Ribeiro Fotos Divulgação

Passe por algumas das melhores docerias da cidade de maneira diferente e descontraída com o Sweet Flavor Tour, uma nova modalidade de turismo que surge em São Paulo 16 | REVISTA GIRO SP

Não é de conhecimento de todos mas vale um registro interessante antes de começarmos a falar da novidade que promete adoçar a vida do paulistano. São Paulo conta com nada mais, nada menos, do que 12 mil restaurantes, onde o morador ou turista pode experimentar pratos e culinárias de mais de 52 países. Mesmo sendo uma metrópole mundialmente conhecida e respeitada, as atrações da cidade não são os grandes prédios e monumentos milenares, tampouco ostentamos uma paisagem natural de que possamos nos invejar. Com essa visão e ciência, dois empresários decidiram unir a paixão pela gastronomia, uma de nossas maiores bandeiras turísticas, para criar a empresa Savor São Paulo, que oferece, desde sua criação o passeio gastronômico Sweet Flavor Tour. Ao adquirir o ingresso, que custa módicos R$ 46, o turista pode experimentar doces iguarias em estabelecimentos renomados da região dos Jardins. Por ser um projeto ainda no início, as opções e locais ainda estão concentrados, mas a ideia, segundo os organizadores, é de expandir os roteiros.


“Temos como grande missão oferecer uma oferta de serviços a um preço justo para os padrões paulistanos. As visitas duram cerca de três horas e as porções podem chegar a até 15 doces no total. É muito vantajoso”, explica Eduardo Stefanini, um dos idealizadores. A Savor São Paulo conta com nove parceiros para o tour doce. O passeio, no entanto, permite que seis delas sejam visitadas, sempre a pé, um dos trunfos do tour.

“Queremos mostrar para as pessoas que São Paulo pode ser explorada a pé e que isso pode ser muito divertido. No final das contas, vendemos experiências e entretenimento com o que há de melhor na cidade”, revela Stefanini. E não para por aí. A Savor São Paulo prepara o Gourmet Flavor, um tour nos mesmos moldes do Sweet, mas ao invés de doces, os pratos típicos de diversos lugares do mundo serão experimentados. Por enquanto, quatro

estabelecimentos estão escalados para o passeio. Em cada casa, será degustada uma receita do país em que o restaurante baseia sua culinária. A degustação é acompanhada por uma bebida, que varia entre suco, cerveja e vinho.

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COMIDA E BEBIDA

Pub Crawl São Paulo foi o precursor do projeto Para os mais boêmios e agitados, a pedida é o tour por bares e baladas que deu origem aos projetos do Savor São Paulo. O Pub Crawl São Paulo é um serviço muito parecido com o gastronômico, mas os quitutes e doces maravilhosos dão lugar a cervejas, vinhos, bebidas e muita diversão. O tour funciona da seguinte maneira: os crawlers (participantes do passeio) se reúnem em uma casa preparada pela organização, chamado de “meeting point”. Lá, durante uma hora, podem consumir bebidas e petiscos à vontade. Passada essa recepção, eles são levados a dois bares, geralmente na regiões da Augusta e Vila Madalena e, por fim, a uma das principais baladas da cidade, com tratamento VIP. O percurso é feito

Serviço: Savor São Paulo – Sweet Flavor Tour Data: todas as sextas (Turma única) e sábados (Turma A e Turma B) Horário do tour: • Sextas­‑feiras: 14h00 • Sábados: TURMA A às 13h30 e TURMA B às 14h00. Solicitamos aos participantes que cheguem no Ponto de Encontro 15 minutos antes do horário marcado. O tour começará pontualmente no horário marcado. Duração do tour: aproximadamente 3 horas Total de locais visitados: 6 docerias Valor: R$40,00 + taxa de conveniência do site ingresso.com. Os ingressos poderão ser adquiridos no dia do evento NO LOCAL DO TOUR SOMENTE SE houver vagas. Número de vagas: 15 Ponto de encontro: Verificar no ingresso. 18 | REVISTA GIRO SP

sempre a pé e a interação é a marca registrada do passeio, já que é frequentado por paulistanos, brasileiros de diversos estados e gringos do mundo todo.

Preços Os dias de Pub Crawl são Terça, Quinta, Sexta e Sábado. Na terça­‑feira, os valores são R$30 para homem e R$ 20 para mulher, com o roteiro “Augusta Free Pass” Na quinta, o roteiro se repete, mas o valor aumenta em R$ 10 para cada gênero. As estrelas do tour, porém, são sexta e sábado, onde o crawler conhecerá o que a Vila Madalena tem de melhor em bares e baladas. Os valores são R$60 para homens e R$40 para mulheres..


KIDS

Texto Erika Pedrosa

Entrevista com as Crianças: O futuro do Brasil está em nossas crianças Com depoimentos espontâneos, a criançada fala sobre futuro, sonhos e sucesso A Giro SP conversou com seis crianças e, para este mês, no qual é comemorado o seu dia, garantimos que os depoimentos surpreendem até o mais sábio de nós! A experiência de tão pouca idade, além de nos brindar com as nostálgicas formas de brincadeiras e o que mais gostam de fazer, nos disseram o que esperam do mundo em mensagens emocionantes. Cheios de atitude, a criançada soltou o verbo sobre o que pensam em relação à cultura e à escola, além de como realizarão seus so-

nhos e o que pensam a respeito de família, motivo pelo qual o final de ano é tão representativo para elas – a união familiar é essencial para sua felicidade. Então, através de fatores determinantes para quem, mesmo com pouca idade, sabe o que é o sucesso e já estabelece metas para alcançá-lo. Sinta-se à vontade para voltar no tempo e rememorar a sinceridade e espontaneidade com a qual esses novos formadores de opinião lidam com suas vidas de maneira tão natural!

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KIDS

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos? Eletrônicos.

Passeios que gosta Praia e campo.

Esporte preferido. Pratica algum? Natação. Sim, a pratico.

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por que?

Giulia Idade

Artes e Educação Fisica são as minhas preferidas, porque as aulas são bem divertidas e sempre tem coisas legais para fazer. Mas a que não gosto muito é Matemática, porque a aula é meio complicada!

10 anos.

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como?

Série escolar

Sim, pessoalmente e pela internet, quase todos os dias!

Sexta série do ensino fundamental.

Hobby Viajar.

Brincadeiras que gosta

Pega-pega, detetive e jogos online.

Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Maquiagem e moda.

O que quer ser quando crescer? Veterinária ou bióloga.

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Comida preferida?

Hambúrguer com fritas.

Palavras da entrevistada sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Oi! Tudo bem, galera? Esse mês tem a nossa data preferida, o dia das crianças! E desejo a todas as crianças do mundo que sejam felizes sempre! Para as criancinhas que não têm pai ou mãe e estão no orfanato, desejo do fundo do meu coração que consigam arrumar uma família e sejam felizes nesse dia tão especial! Só isso! Beijos e feliz dia das crianças!


Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Internet.

O que quer ser quando crescer? Jogador de futebol.

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos?

Eletrônicos, como videogames e tablets.

Passeios que gosta

Passeios ao ar livre, em parques.

Esporte preferido. Pratica algum?

Gosto de futebol e pratico esse esporte.

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por que? A que mais gosto é inglês e a que menos gosto é português, porque a professora é chata.

Bryan Idade

10 anos.

Série escolar

Quinta série do ensino fundamental.

Hobby

Jogar futebol.

Brincadeiras que gosta

Brincar de pega-pega, jogar banco imobiliário e andar de bicicleta.

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como? Sim, mas somente aos finais de semana, quando encontro a galera toda.

Comida preferida? Macarrão e pizza.

Palavras do entrevistado sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Para o mundo, gostaria que houvesse menos violência contra o ser humano, mais compreensão com os idosos e dedicação às crianças, para um futuro melhor.

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KIDS

O que quer ser quando crescer?

Ainda não sei, mas minha mãe quer que eu seja médico. Mas não gosto de sangue!

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos? Eletrônicos.

Passeios que gosta

Ir para parques aquáticos ou de diversão.

Esporte preferido. Pratica algum? Sim, futebol.

João Victor Idade

10 anos.

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por que? Eu gosto mais de Matemática e não gosto de Geografia e História, pois acho que são chatas.

Quinta série do Ensino Fundamental.

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como?

Hobby

Sim, através do Facebook e, às vezes, por telefone.

Série escolar

Jogar futebol e videogame.

Brincadeiras que gosta Futebol.

Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Futebol.

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Comida preferida?

Bolo de chocolate com brigadeiro.

Palavras do entrevistado sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Gostaria que não existissem mais assaltos e que ninguém mais passasse fome.


O que quer ser quando crescer? Médica ou professora.

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos? Eletrônicos, como tablets.

Passeios que gosta

Ir a shoppings e parques.

Esporte preferido. Pratica algum? Vôlei, futebol e basquete.

Laisa

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por quê?

Idade

Que gosto é ciência, pois ela ensina sobre o corpo humano, e a que eu menos gosto é matemática, porque exige muitos cálculos.

Série escolar

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como?

10 anos.

Quinta série do Ensino Fundamental.

Hobby

Viajar com meus pais e minha irmãzinha e ir a parques.

Brincadeiras que gosta

Pega-pega, andar de bicicleta e pular corda.

Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Sobre brincadeiras e falar do que assisto. Um assunto que gosto muito também é falar de culinária e de música.

Sim, através de telefone e Facebook, praticamente todos os dias.

Comida preferida?

Lasanha, pizza e McDonalds.

Palavras do entrevistado sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Sou uma criança feliz e realizada, tenho uma família maravilhosa e o desejo de ver o mundo melhor, sem guerra e sem crianças passando fome e com moradias para todos. Hoje, o que mais vejo são crianças no farol pedindo dinheiro. Desejo a todas um feliz dia das crianças e que o desejo de todas se realizem.

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KIDS

O que quer ser quando crescer? Zoóloga.

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos? Brinquedos.

Passeios que gosta

Ir em parques e em cinemas.

Esporte preferido. Pratica algum?

Meu esporte preferido é balé, mas pratico também, além de balé, jazz e natação.

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por que? A que mais gosto é Ciências, porque quero ser zoóloga. A que menos gosto é Matemática, porque tem que fazer muitos cálculos.

Lorenza Idade

11 anos.

Série escolar

Sexta série do Ensino Fundamental.

Hobby

Ir ao cinema.

Brincadeiras que gosta

Brincar de casinha e de boneca.

Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Balé. 24 | REVISTA GIRO SP

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como? Sim, todos os dias, através de visitas, telefonemas ou por redes sociais.

Comida preferida? Lasanha.

Palavras do entrevistado sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Eu gostaria de falar para as pessoas que não maltratem nem os animais, nem as plantas, porque eles também são seres vivos. E também que as pessoas acreditem mais em Deus. Porque tem muita gente por ai, nas ruas, usando drogas e pensam que Deus não é ninguém, mas ele salvará todos de qualquer coisa e tirará eles daquele buraco.


Gosta mais de conversar sobre qual assunto? Sobre brincar.

O que quer ser quando crescer? Piloto de cavalo e de moto.

Prefere ganhar brinquedos ou eletrônicos? Eletrônicos.

Passeios que gosta

Ir aos shoppings, parques e praias.

Esporte preferido. Pratica algum? Adoro e pratico natação.

Matéria que mais gosta? E a que menos gosta? Por que?

Lucas Idade

7 anos.

Série escolar

Segunda série do ensino fundamental.

Hobby

Brincar de carrinho e assistir desenhos e filmes.

Brincadeiras que gosta

Videogame, mexer no tablet e brincar de esconde-esconde.

Educação Física e Informática são as que mais gosto. E as que menos gosto são Matemática, Português, Ciências, apostilas, provas e lição de casa, porque é muito chato.

Mantém contato diário com os colegas fora da escola? Como? Não, só na escola.

Comida preferida?

Lasanha, arroz com feijão e salsicha e “miojo”.

Palavras do entrevistado sobre algo que gostaria de falar para as pessoas. Que meu pai e minha mãe parem de brigar.

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KIDS

Texto Natália Prieto

Aparelhos eletrônicos: eletrônicos: pr p Aparelhos Com a chegada do Dia das Crianças, muitos pais começam a pensar sobre o presente ideal para dar aos filhos. Entre tantos pedidos, os aparelhos eletrônicos ganham cada vez mais espaço nas prateleiras e no gosto da criançada. O uso desses itens, no entanto, provoca uma série de discussões e debates acerca dos problemas em um eventual excesso por parte das crianças, que geralmente não se preocupam muito com isso. É normal que o avanço da tecnologia desperte nos jovens a curiosidade e a vontade, mas os pais devem estar atentos ao horário, situação e frequência com que os pequenos interagem com os aparelhos. A imensa oferta de produtos no mercado, como tablets, celulares, games e computadores, atraem a atenção da garotada e os profissionais da saúde e comportamento logo

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alertam os pais sobre os prejuízos da falta de controle sobre as tecnologias. De acordo com Thalita Tomé, psicopedagoga e máster franqueada da rede Ensina Mais, a tecnologia pode ser uma excelente aliada ao desenvolvimento da criança se utilizada de maneira correta. “Cabe aos pais impor limites para o uso de celulares e computadores. As ferramentas tecnológicas proporcionam a interação entre pessoas e a disseminação de conhecimento, mas isso não significa que os pequenos devem estar imersos nesse universo digital o tempo todo”, comenta. A inclusão digital proporcionada pelo uso dessas ferramentas é um dos grandes atrativos não só para as crianças, mas adultos também. Por isso o cuidado dos pais deve ser redobrado e o exemplo deve partir dentro da


presentes ou distrações? distrações? resentes ou própria casa. “Não adianta nada os pais cobrarem atenção e interação da criança se na primeira oportunidade correm para o celular ou computador”, reforça a psicopedagoga. Ainda de acordo com a profissional, é perfeitamente saudável que esses novos “brinquedos” dividam a atenção com bonecas e carrinhos, e todo caso deve ser avaliado individualmente levando em consideração questões como merecimento, maturidade e idade da criança. Thalita ressalta que antes de dizer “sim” ou “não” para o desejo de seu filho, é necessário conversar com ele, entender suas vontades e deixar claras quais são as regras a serem respeitadas. “Não há nenhum problema em dar um novo game em vez de comprar bonecos de su-

per heróis, por exemplo, pois a preocupação com os prejuízos do excesso da tecnologia não deve ser o fator determinante para uma decisão. Seu filho pode aprender muito com essas novas possibilidades e explorar ainda mais seu potencial pessoal e intelectual. O melhor remédio para evitar que problemas maiores afetem o comportamento da criança sempre foi, e sempre será, um bom, direto e contínuo diálogo dentro de casa”.

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ACONTECE EM SP

Um acervo de fotografia e interpretações de joias e vestidos de um dos maiores ícones de elegância do século 20, a argentina Evita Perón, compõem a exposição internacional “Evita: figura, mulher e mito”, trazida com exclusividade para o Brasil pela Multiplan. A mostra será exibida no Shopping Anália Franco, de 28 de setembro a 15 de outubro, marcando o início da temporada de lançamentos das coleções Primavera Verão. 28 | REVISTA GIRO SP

Texto e Fotos Divulgação

A exposição, que já percorreu países como Estados Unidos, Rússia e China, é composta por mais de 100 réplicas de joias de Evita produzidas em prata e pedras preciosas, com fotos da líder política usando os valiosos acessórios originais. A mostra traz também miniaturas de interpretações de vestidos usados pela ícone argentina em momentos marcantes de sua vida, que tanto serviram de inspiração para os mais consagrados estilistas da época.

O acervo foi produzido pelo designer argentino Marcelo Toledo, conhecido por seu trabalho para grandes estilistas como Christian Dior e Ralph Lauren, além de clientes como a rainha Elizabeth, da Inglaterra, a cantora Madonna e Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. A exposição fica em cartaz, no Shopping Anália Franco, entre os dias 28 de setembro e 15 de outubro, e, em 2014, será atração no MorumbiShopping, em São


Inédita em São Paulo, a mostra reúne fotografias e peças inspiradas em joias e vestidos de um dos maiores ícones de elegância do século XX

Paulo, e RibeirãoShopping, no interior do Estado. Sobre Evita Maria Eva Duarte de Peron, conhecida como Evita, nasceu na Argentina em 1919, foi atriz e primeira­ ‑dama da Argentina. Em 1944, conheceu Juan Domingo Perón, então vice­ ‑presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra. No ano seguinte, Perón foi preso e Evita, então apenas Eva Duarte, organizou comícios populares que forçaram as autoridades a libertá­‑lo. Pouco depois se

casou com Perón, que se elegeu presidente em 1946. Evita era famosa por sua elegância e carisma, conquistando o apoio da população pobre ao peronismo. Sua carreira politica meteórica fez de Evita uma das mulheres mais importantes e poderosas do mundo.

Ela faleceu aos 33 anos, em 1952, de câncer de útero. Serviço: Exposição “Evita: Figura, mu‑ lher e mito” Período: de 28/09 a 15/10/2013 Local: Piso Lírio Preço: gratuito Endereço: Av. Regente Feijó, 1.739 – Tatuapé – São Paulo Horário: de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h

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ARTE, CULTURA E LAZER

Texto Yone Shinzato Fotos Divulgação/Marcio Baraldi

Marcio Baraldi praticamente nasceu desenhando. Sua paixão pelo mundo dos cartuns começou cedo e, aos cinco anos, já inventava os próprios personagens e histórias. Fã declarado do bom e velho rock, o estilo musical sempre esteve presente em seu repertório criativo. O chargista iniciou sua carreira ainda adolescente na imprensa alternativa em jornais do ABC. Desde então, ele construiu uma sólida carreira de mais de 20 anos dando vida a per-

sonagens como os roqueiros Roko­‑Loko e Adrina­‑Lina para a revista Brigade, o rapper negro, morador da periferia e dançarino de break Rap Dez para a publicação Viração, entre muitos outros, também socialmente engajados. Baraldi, formado em artes plásticas, é cartunista das antigas: prefere o bom e velho papel para desenhar, faz tudo na raça, embora tenha se rendido à tecnologia digital para colorir suas charges e tratar imagens. E dá um recado: não adianta querer parecer “descolado” e “high tech”, dominando os softwares gráficos, se você não tiver criatividade e estilo próprio. Em uma descontraída entrevista concedida à Revista GIRO SP, ele fala mais sobre os desafios da profissão no Brasil, curiosidades sobre sua trajetória artística e sua rotina nonstop. Confira! GIRO SP: Conte­‑nos um pouco de sua trajetória. O dom veio desde a infância ou foi sendo desenvolvido aos poucos? Teve influência de algum familiar? Quais são suas grandes referências no mundo dos quadrinhos? Marcio Baraldi: Todo cartunista que se preza já nasce desenhando e comigo não foi diferente. Com uns cinco anos, eu já criava meus próprios personagens e histórias e pedia para minha mãe escrever os balões. Quando tinha essa idade, fiquei hipnotizado pelos gibis e as histórias. Tanto que quando entrei na escola, com seis anos, já lia perfeitamente graças aos

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quadrinhos. Adorava Turma da Mônica, Pererê (do Ziraldo), Disney, Hanna Barbera etc. Enfim, lia qualquer gibi que caísse em minhas mãos. Depois descobri os super­ ‑heróis e parei de ler os in-

fantis. Com uns dez anos já me achava grande, um adulto (risos). Como eu tinha vocação pra desenhar, fui me arriscando no mercado de trabalho e achando meu caminho. Aos 14 anos já estava na profissão. Comecei no Sindicato dos Químicos do ABC, como chargista nos jornais de lá. Sou do ABC paulista, filho de metalúrgicos, neto de imigrantes italianos, ou seja, meu perfil tinha tudo a ver com a imprensa sindical. Identifiquei­ ‑me tanto que construí uma sólida carreira e nela estou até hoje. Na minha família ninguém mais tinha vocação ou

trabalhava com arte, eu fui a ovelha negra! (risos). GIRO SP: Qual a relação da sua arte com o rock? Seus gostos pessoais estão diretamente ligados a ela? Pode­‑se dizer que seu cotidiano inspira muito sua criação? E quais suas bandas favoritas? Marcio Baraldi: Bom, acho que já nasci roqueiro também (risos). Porque, desde criança, estilos como samba e MPB não me interessavam nem um pouco, mas quando eu ouvia uma guitarra e um ritmo agitado, pirava. Era um moleque muito turbulento e precisava de uma trilha sonora igualmente turbulenta. A primeira banda que me fez entender o que era rock foi o Queen, quando eu tinha uns dez anos de idade. Depois veio o Kiss e, em seguida, o punk rock e o hard/metal. Mas também gosto de pop de atitude como Blondie ou Police e das raízes do rock, nos anos 50 e 60. Acho que é obrigatório ouvir Doors, Beatles e Elvis Presley, por exemplo. O meu trabalho de chargista baseia­‑se muito nas notícias do dia a adia; tudo que estiver acontecendo o cartunista joga no liquidificador, coloca um humor, uma crítica pessoal e mistura tudo numa charge ou

quadrinho. Acho essa profissão muito bacana porque a gente compartilha nossas ideias, emoções, nossa visão de mundo com as pessoas em geral. E é muito legal quando alguém que você nem conhece diz que gostou ou se identificou com um quadrinho seu. É uma profissão humanista. GIRO SP: Você criou vários personagens como o Roko­‑Loko, Rap Dez,Tattoo Zinho,Vapt e Vupt e Euriko e Ritalinda. O interesse por esse viés, abordando temas socialmente engajados, sempre foi seu forte? Marcio Baraldi: Acho que isso está no meu sangue, pois

nunca me considerei um cara realmente feliz. Sou mais satisfeito por fora que por dentro. Desde moleque sempre REVISTA GIRO SP | 31


ARTE, CULTURA E LAZER

me incomodei com a pobreza e injustiças de qualquer espécie. Quando criança achava que podia consertar o mundo, mas hoje sei que não posso. O que está a meu alcance é tentar contribuir com meu trabalho para que as pessoas reflitam um pouco, questionem o que é certo ou errado nesse planeta. A grande maioria está controlada pela grande mídia; ela nos diz o que se devemos beber, comer, vestir, no que devemos acreditar. Nós deveríamos ser todos vegetarianos para libertar os animais dessa escravidão e genocídio diário

do qual são vítimas. Deveríamos nos alimentar melhor, não usar drogas, álcool ou 32 | REVISTA GIRO SP

cigarros. Não deveríamos ser escravos do dinheiro. Deveríamos todos ter mais educação e consciência política e social. Deveríamos ser mais espiritualizados, mais evoluídos. Mas infelizmente ainda estamos muito longe disso tudo. Eu trabalho na imprensa alternativa a vida inteira e acredito que nosso trabalho é fazer as pessoas questionarem que sociedade é essa que acabamos criando. GIRO SP: Como é ser cartunista no Brasil? A profissão é devidamente valorizada? Marcio Baraldi: Ser artista ou atleta no Brasil sempre foi difícil. Conheço muitos caras que não conseguem viver só disso e precisam trabalhar em outras coisas ao mesmo tempo. Vivo exclusivamente disso desde a adolescência, mas em compensação trabalho como um escravo (risos). É uma profissão pela qual se você não for apaixonado, tende a abandoná­‑la. Sempre tive isso muito claro em minha mente, que nasci pra fazer isso. E lutei muito para me estabelecer, para ser eu mesmo e fazer o que sempre quis e gostei. Hoje não tenho do que me queixar, sinto­‑me

realizado, cumprindo minha missão com paixão e razão. Essa encarnação eu tirei pra

ser cartunista, quem sabe na próxima eu nasça rico e não precise passar por isso de novo! (risos) GIRO SP: Conte­‑nos um pouco como é o seu processo criativo. Que tipo de material costuma utilizar para trabalhar? Prefere o bom e velho papel ou já está bem adaptado às mesas digitalizadoras e aos programas de ilustração digital? Marcio Baraldi: Continuo desenhando no bom e velho papel e não gostaria de parar com isso nunca, pois é o maior prazer da minha vida. Rabiscar um papel é um te-


são, só quem faz isso sabe como é bom(risos). Vejo artistas por aí desenhando direto no computador, mas para mim o traço de todo mundo fica igual, você não sabe mais quem é quem. Prefiro não me preocupar em parecer moderninho e ser eu mesmo. Sempre tive traço, humor e estilo muito característicos e não gostaria de perder tudo isso só para parecer “moderno”, “descolado” ou “high tech”. Eu uso o Photoshop para colorir e dar um tratamento à imagem, mas quero desenhar com meu traço, não com o do computador. Numa sociedade cada vez mais padronizada e descaracterizada,

vou me permitir ter personalidade própria. GIRO SP: Costuma acompanhar a arte digital/ilustração digital atual? Tem algo a dizer para quem deseja se tornar ilustrador profissional? Marcio Baraldi: Vejo coisas interessantes por aí, mas acho que o grande desafio desses artistas digitais é conseguir ter personalidade, diferenciar­‑se do mar de profissionais idênticos que existe. O que eu diria pra um artista iniciante é exatamente isso: não se preocupe apenas com a técnica, mas com a personalidade do seu trabalho. Não deixe a primeira matar a segunda. É preciso, acima de tudo, ser verdadeiro.

Seu trabalho é sua impressão digital, sua marca única nesse planeta. GIRO SP: E o Baraldi fora desse fantástico mundo das HQs? Como é sua rotina, seu dia a dia? Marcio Baraldi: Trabalho, trabalho e mais trabalho! Estou produzindo um documentário sobre o Quadrinho Brasileiro, então, quando não estou desenhando, estou gravando entrevistas com autores, editando, separando e tratando imagens etc. Também entrevisto muitos músicos para revistas de rock. Enfim, é uma vida bastante perigosa, não tentem fazer em casa! (risos).

*Saiba mais sobre o cartunista em: marciobaraldi.com.br REVISTA GIRO SP | 33


ARTE, CULTURA E LAZER

Texto Natália Prieto

Com média salarial avaliada em R$1.500, os professores de São Paulo hoje enfrentam dificuldades que vão além das baixas perspectivas de crescimento na carreira.

Problemas como drogas, violência, baixo investimento na escola, materiais precários, poucos recursos e desinteresse de pais e alunos são cada vez mais frequentes dentro das salas de aula de todo país. Como reflexo dessa situação, profissionais cada vez mais desmotivados abandonam seus empregos em busca de maior qualidade de vida ou simplesmente abdicam das escolas com medo, revolta ou tristeza. Ao final dos cursos de formação de docentes muitos alunos preferem arriscar­‑se em concursos públicos a encarar a rede de ensino, mas há aqueles que vão na contramão dessa corrente e ainda lutam por uma educação melhor e mais digna. Gilvanete Santos, educadora do Ensino Fundamental I da Escola Estadual Professora Hermínia Lopes Lobo, em Santo André, escolheu a educação 34 | REVISTA GIRO SP

de base justamente para atuar na formação dos estudantes e, dessa forma, ajudar a mudar a situação nas salas de aula. “Acredito que a educação é o futuro de qualquer país, de qualquer sociedade, pois do contrário não somos capazes de instruir cidadãos pensantes e transformadores. Somente com um ensino de qualidade conseguiremos lidar com problemas como falta de moradia, desemprego, pobreza e desigualdade social”, afirma a educadora. Ainda de acordo com Gilvanete, o fator decisivo para afastar os profissionais das escolas são os problemas de relacionamento entre pais e alunos. “A falta de educação em casa reflete diretamente dentro das salas, pois se as crianças não aprendem a respeitar os próprios pais não conseguirão entender e obedecer aos limites fora do ambiente familiar”.


Longe de ser valorizada em terras nacionais, a profissão de educador ocupou a 53ª posição no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2009 – realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o reconhecimento do mercado e o respeito que estes profissionais recebem e exercem em seu país. Há mais de um ano tramitando no Congresso Nacional, o futuro Plano Nacional de Educação (PNE) tem como um de seus objetivos a valorização do magistério, mas nem ações como esta ou como a Lei do Piso, instituída em 2008 e que garante aos profissionais a proteção de uma regulamentação nacional, foram capazes de melhorar o índice de satisfação ou permanência nas escolas. Longe de se concretizarem ou se tornarem decisivas para efetivas mudanças, ações como

essas alimentam as esperanças daqueles que ainda lutam pelo romantismo da profissão e batalham diariamente para fazer a diferença no mundo e na vida de milhões de pessoas. A professora finaliza ressaltando que mesmo com todos esses obstáculos as batalhas por melhorias devem ser constantes e enfáticas. “Ainda sonhamos com o reconhecimento de governos e da simples gratidão de nossos alunos, pois enfrentamos todos os dias uma guerra para conseguir entrar em sala, ensinar o conteúdo e fazer com que alunos aprendam e se desenvolvam por meio da educação. Isso é muito triste e desolador, mas enquanto houver docentes empenhados e comprometidos com o futuro de nossos jovens, e pessoas que brigam e reconhecem o poder de nosso papel, ainda haverá esperança para uma mudança positiva e uma sociedade mais justa para todos”. REVISTA GIRO SP | 35


ACONTECE EM SP Texto Denis Le Senechal Klimiuc

A arte de se

mover por

obstáculos Em São Paulo, é comum encontrarmos alguém que possua alguma restrição física sofrer pelas ruas, calçadas e degraus paulistanos. Com seu tamanho desproporcional à sua ergonomia, a cidade oferece, ainda, poucos acessos adaptados aos cadeirantes ou outros indivíduos que necessitem de rampas, sinalizações e outros adereços que os inclua em uma vida social comum, como lhes é de direito. Ao caminhar em São Paulo podemos nos deparar com inúmeras irregularidades e peculiaridades de nossas calçadas, a começar por bura36 | REVISTA GIRO SP

cos em extremidades onde deveriam haver rampas, ou até mesmo jardins com proporções maiores do que as necessárias. Esses problemas evitam um fluxo mais natural - e maior - de cadeirantes, que muitas vezes se veem obrigados a desviar pela rua. A falta de padrão entre as passagens também é um obstáculo a ser superado por essas pessoas. Qualquer acidente causado por essas descaracterizações pode ser irreversível. Assim é a vida das dezenas de milhares de deficientes que vivem e passam por São Paulo. Para melhor compre-

ender a situação deles, devemos esclarecer o que é a deficiência: é perda de alguma estrutura que comande função anatômica, psicológica ou fisiológica. A palavra encontra significado, enquanto representante de característica do ser humano, à limitação aparente de determinada parte biológica. A própria Organização Mundial de Saúde encara as deficiências como atributo falho dos seres humanos, que lhe confere determinadas limitações, como físicas (braços, pernas, mãos), motoras (audição, visão) ou mentais. Tais deficiências acarretam em


uma incapacidade, que é qualquer restrição ou falta de habilidade que seja resultante dela, para realizar uma atividade sem grandes entraves ou dificuldades. Em consequência, uma incapacidade gera uma desvantagem, limitando sua participação em um papel que seria considerado rotineiro para um indivíduo, como a dificuldade de locomoção em calçadas, para os cadeirantes, ou piso tátil – que facilita o uso de bengalas em calçadas, para deficientes visuais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de brasileiros com algum tipo de deficiência, de acordo com grupos de idade, estão, em sua maioria, em pessoas com 65 anos ou mais, representados por 67,7% dos entrevistados; em segundo lugar, estão cidadãos na faixa etária entre 15

e 64 anos, representados por 24,9%; e crianças e adolescentes entre zero e 14 anos, ocupam o terceiro lugar da pesquisa (7,5%). Dentre tantos empecilhos encontrados, é admirável, então, reparar em pessoas que seguem suas vidas, mesmo encaixadas no grupo citado, por se permitirem viver de maneira normal – independente do preconceito formado sobre suas capacidades. Pois dificilmente encontraremos determinações maiores do que daqueles que insistem em estudar, trabalhar e ter suas famílias, como todo cidadão tem o direito a fazer. Por isso, a Giro SP homenageia o cidadão paulistano deficiente por sua bravura, força de vontade, perseverança e garra – adjetivos os quais se tornam corriqueiros diante da batalha diária enfrentada por eles.

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ACONTECE EM SP

Como se divertir

São Paulo

em

Desproporcional entre estrutura física e oferta de arte, cultura e lazer, a cidade de São Paulo oferece diversas opções de atividades disponíveis com acessibilidade. Dentre tantas, destacamos uma em cada região da capital paulista. MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo – Região Sul O Museu de Arte Moderna de São Paulo foi fundado em 1948 e, até hoje, mantém programação anual de exposições voltadas àqueles que desejam conhecer o alcance da arte sobre um público que deseja interagir com atividades culturais, cursos, oficinas e visitas, além de contar com 65 mil títulos disponíveis em sua biblioteca. Sua preparação para o público deficiente é eficaz, pois abrange desde intérpretes de Libras, eventuais legendas em closed caption, altura de suas instalações acessíveis 38 | REVISTA GIRO SP

a cadeirantes, acervo em Braille, percurso tátil até materiais com audiodescrição. SESC Itaquera – Região Leste O SESC Itaquera possui imensa área verde para recreação, abrangendo longos gramados, brinquedos inventivos, quadras poliesportivas, restaurante, piscinas com preparação para crianças e tobogãs e locais preparados para o preparo de churrasco. Inaugurado em 1992, ainda conta com salas de exposições e convenções e praça de eventos. Para o público deficiente, oferece profissionais com formação em Libras, recursos de vídeos para


surdos, banheiros adaptados para cadeirantes, sinalização visual em Braille e ampliada, além de eventuais materiais com audiodescrição e profissionais capacitados para lidar com diversas ferramentas acessíveis. Biblioteca São Paulo – Região Norte Anexada ao Parque da Juventude, a Biblioteca São Paulo foi inaugurada em 2010 com um acervo digital com cerca de 90 mil títulos, dispostos em diversos computadores disponíveis ao visitante. Com uma arquitetura funcional, tal biblioteca oferece centenas de livros e DVDs para quem quiser ler ou assistir, separados em categorias de acordo com autor e gênero, respectivamente. Além disso, conta com “puffs” para quem quiser relaxar à leitura de um bom livro. Para deficientes visuais, a Biblioteca São Paulo disponibiliza materiais nos formatos DAYSY e LIDA, além de recursos acessíveis através de softwares. Sua estrutura é toda preparada para cadeirantes, além de contar com colaboradores capacitados para orientar esse público.

Sala São Paulo – Região Central Com 1484 lugares e 22 camarotes, a Sala São Paulo faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes que, inaugurada com a estrada de ferro na época em que a capital paulista era destino do resultado das fazendas de café, passou a ser considerado ponto primordial a todos que apreciam boa música – em especial, a clássica. Reformada em 1999, a atual sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) é uma das salas de concerto mais modernas e equipadas do mundo. Por sua vez, o público deficiente possui disponibilização de intérprete em Libras, entrada acessível e 2 banheiros adaptados, elevador com dispositivo sonoro para andares e sinalização em Braille.

Memorial da América Latina – Região Oeste Em uma área de 84.480 m², o Memorial da América Latina foi inaugurado em 1989, com a função de difundir manifestações artísticas latino­‑americanas, com intuito, também, de integrar ações sociais, políticas e econômicas em um único bloco cultural. Com isso, o sociólogo Darcy Ribeiro, junto a Oscar Niemeyer, projetou e organizou o espaço para conter o maior aproveitamento possível entre a arquitetura exuberante do mestre e a funcionalidade proposta pela ideia. Contém toda a preparação para deficientes, desde rampas até material audiovisual preparado para todos os públicos, além de 6 lugares reservados para cadeirantes nos auditórios. REVISTA GIRO SP | 39


FIQUE POR DENTRO

Texto Denis Le Senechal Klimiuc

Estreias de

OUTUBRO 04/10 De: Cody Cameron e Kris Pearn. Com vozes de: Bill Hader, Anna Faris, Neil Patrick Harris, James Caan e Terry Crews.

Tá Chovendo Hambúrguer 2 (Cloudy With a Chance of Meatballs 2)

Depois do sucesso do primeiro longa, “Tá Chovendo Hambúrguer 2” retoma a história de Flint quando, após ter de deixar sua cidade natal em decorrência da mudança que sua máquina causou – transformando todo o local em comidas gigantescas – partindo em fuga quando percebe que, além do tamanho, suas comidas criaram vida! Agora a nova empreitada é a tentativa do protagonista em salvar a todos de suas próprias criações.

11/10 De: Mikael Hafstrom. Com: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jim Caviezel, Amy Ryan, Vincent D’Onofrio, Vinnie Jones, Sam Neill e Curtis ’50 Cent’ Jackson.

Rota de Fuga (Escape Plan)

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Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se unem e transformam “Rota de Fuga” em um acelerado thriller, no qual ambos aproveitam suas longas carreiras em filmes de ação para despontar em um filme para o fã de ambos! A história abrange a autoridade de Ray Breslin (Stallone) em segurança e, após sofrer um golpe, vai parar em uma prisão de segurança máxima criada por ele mesmo.


De: Woody Allen. Com: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Louis C.K., Sally Hawkins, Peter Sarsgaard e Michael Stuhlbarg. O novo filme de Woody Allen, que lança uma obra anualmente, é a trajetória da epifania de Jasmine, uma mulher rica que perde sua fortuna e é obrigada a viver com sua irmã, em São Francisco. O problema é que a adaptação da protagonista pode ser mais difícil do que ela pensava, passando por diversas agruras em relação às suas convicções e conceitos. O diretor, que se acostumou a mudar de ares desde “Match Point” (2005), explora a psique humana em outras regiões, passando por Londres, Barcelona, Paris, Roma e, agora, São Francisco.

Blue Jasmine (mesmo título)

De: Alfonso Cuarón. Com: George Clooney e Sandra Bullock. Alfonso Cuarón ganhou destaque no cinema após dirigir o polêmico “E Sua Mãe Também”, mas o orçamento só foi liberado para ele após o sucesso de crítica e público de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, o que gerou uma obra­‑prima, em 2006, “Filhos da Esperança”. Agora, com confiança, dinheiro e expectativas, Cuarón se arrisca na ficção científica e, pelo trailer cujo resultado é o arrepio em nossas espinhas e a história, mantida distante de nossa curiosidade, culminando com a presença de George Clooney e Sandra Bullock como apenas a cereja em cima de um apetitoso e elaborado bolo.

Gravidade

(Gravity)

18/10 De: Heitor Dhalia. Com: Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Sophie Charlotte, Wagner Moura e Matheus Nachtergaele. Heitor Dhalia se mostrou versátil e seguro em suas obras: o sucesso de crítica em “Nina” (2004), o peculiar “O Cheiro do Ralo” (2007), a mistura de nacionalidades em “À Deriva” (2009), o fracasso hollywoodiano de “12 Horas” (2012) e, agora, “Serra Pelada”, contando a história de Juliano e Joaquim, paulistas que se encantam com as possibilidades financeiras, geradas pela descoberta da Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, no Pará. Mas a ambição de ambos transformará suas vidas e gerará conflitos maiores do que esperavam, mudando a história da dupla tanto quanto mudou a história do país.

Serra Pelada (Nacional)

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FIQUE POR DENTRO

25/10 De: Bill Condon. Com: Benedict Cumberbatch, Daniel Brühl, Laura Linney e Stanley Tucci.

O Quinto Poder (The Fifth Estate)

“Deuses e Monstros”, “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”, “Dreamgirls” e os dois últimos filmes da saga “Crepúsculo” – a filmografia de Bill Condon é tão variada quanto o resultado final de cada obra. Entre erros e acertos, o diretor parece prestes a acertar novamente com “O Quinto Poder”, inspirado na influência assustadora do WikiLeaks – e a relação entre seus fundadores Daniel Domscheit­‑Berg e Julian Assange, além do confronto com o governo dos Estados Unidos e a disseminação de tantas informações confidenciais. Mas o que tem chamado a atenção é a interpretação de Benedict Cumberbatch, vivendo Assange, cuja carreira tem se mostrado versátil diante de sua competência cada vez mais notável. De: Ridley Scott. Com: Brad Pitt, Michael Fassbender, Javier Bardem, Cameron Diaz, Penélope Cruz, Dean Norris, John Leguizamo, Goran Visnjic, Bruno Ganz e Rosie Perez.

O Conselheiro do Crime (The Counselor)

O veterano Ridley Scott une um elenco invejável – Brad Pitt, Michael Fassbender, Javier Bardem, Cameron Diaz, Penélope Cruz, John Leguizamo, Bruno Ganz – para contar a história de um advogado que se envolve com o tráfico de drogas, mas se envolve em diversas minúcias para se livrar dos problemas que a vida lhe trouxera. Além da direção do consagrado diretor, o roteiro é do escritor renomado Cormac McCarthy, dono de obras como “Onde os Velhos Não Têm Vez” e “A Estrada”.

As datas de estreia podem ser alteradas de acordo com o cronograma das distribuidoras

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revista

GIRO

sp

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KIDS

Texto Erika Pedrosa

Por que e quando procurar um psicólogo para o seu filho? É uma pergunta que muitos pais se fazem. Hoje em dia é bem comum os pais trabalharem fora e deixarem seus filhos aos cuidados de uma escola integral, de empregados, ou familiares, como avós e tios. Diante deste cenário, sempre ausentes na maior parte da vida do filho, estes pais perdem momentos preciosos de seu crescimento. Em consequência disso, para suprir tal ausência, acabam permitindo atitudes as quais seriam reprovadas se houvessem os limites necessários. O relacionamento familiar torna­‑se estafante, pois não há contato suficiente com os filhos, impedindo uma aproximação para evitar que problemas que englobam a família, como a chegada de um novo irmão, o processo de divórcio, a ausência de um dos pais ou até mesmo de ambos, além de luto e perdas, quer sejam materiais ou emocionais, tornem­‑se motivos para traumas e outras consequências psicológicas.

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Com a preocupação latente dos problemas que atingem uma geração, entrevistamos Ana Carolina Monteiro Grasso, psicóloga pós­‑graduanda em Psicoterapia Junguiana, especializada em lidar com crianças e adolescentes. Giro SP: Por que procurar um psicólogo? Ana Carolina: São diversos os motivos. Qualquer sintoma que esteja causando sofrimento na criança e na sua família é motivo para procurar um psicólogo. Não é necessário um diagnóstico médico para procurar um psicólogo. Basta reconhecer o problema e estar disposto a realizar esse tratamento. Giro SP: Quando e como identificar o problema para procurar um psicólogo? Ana Carolina: Procurar um psicólogo para seu filho é necessário em diversas situações que podem causar grande sofrimento na criança como sintomas recorrentes de tristeza, depressão, ansiedade, obsessão compulsiva, isolamento, angústia, nervosismo,

agressividade, impulsividade. Medos, fobias e crises de pânico também são fatores preocupantes, além de problemas mais graves, como a suspeita de que o filho tem Autismo ou Síndrome de Aspeger. Giro SP: Como é feito o diagnóstico? Ana Carolina: Após conhecer os pais e a criança, o psicólogo faz um diagnóstico e verifica se a demanda do paciente é somente de atendimento psicológico ou de outra ordem, como psiquiátrica, neurológica, fonoaudiológica, pedagógica, entre outras especialidades. Eventualmente pode encaminhar um ou ambos os pais para psicoterapia individual ou até mesmo familiar. Se a demanda for psicológica, o profissional estabelece a frequência que a criança comparecerá à terapia, podendo variar de uma a três vezes na semana. Caso seja necessário o envolvimento de outro profissional, o


psicólogo procura realizar seu trabalho mantendo contato com aquele. Apesar das sessões serem realizadas apenas com a criança, a psicoterapia infantil se constrói em uma articulação entre criança, família e em alguns casos com a escola e médicos. Giro SP: Como funciona o tratamento? Ana Carolina: A terapia da criança funciona da seguinte maneira: as primeiras entrevistas são realizadas somente com os pais. Nesse momento, os pais são questionados sobre os motivos pelos quais procuram o psicólogo para o filho. O histórico da criança, desde a gravidez, até o período atual é de extrema importância para o trabalho posterior do psicólogo, pois o profissional necessita colher informações detalhadas sobre a vida dessa criança, sobre sua rotina, lugares que frequenta, o que gosta de fazer, hobbies, brincadeiras preferidas, etc. Giro SP: Os pais participam das seções? Ana Carolina: No período de terapia, são realizados encontros periódicos com os pais. Esse trabalho em conjunto é de extrema importância, pois muitas vezes o sintoma que a criança vem apresentando é reflexo de conflitos familiares, que muitas vezes podem ser inconscientes, ou seja, os pais não conseguem enxergá­ ‑los e precisam da ajuda de um profissional. Giro SP: Como o Psicólogo consegue descobrir o que as crianças pensam ou sentem? Ana Carolina: Durante as sessões de psicoterapia, o psicólogo utiliza recursos diferenciados para o atendimento da criança, como brinquedos, jogos ou desenhos. É através desses materiais que o psicólogo consegue entrar no mundo da criança e entender

suas questões mais profundas, conscientes, pré­‑conscientes e inconscientes, podendo assim analisar e fazer interpretações pertinentes para que a criança elabore a sua questão. Giro SP: Baixo rendimento escolar pode ser um problema psicológico? Ana Carolina: Existem problemas psicológicos que se refletem na escola, como dificuldade de aprendizagem, déficit de atenção, adaptação em uma nova escola ou mesmo uma mudança de sala de aula, bem como quando a criança está sofrendo ou provocando o Bullying. Outra possibilidade é quando a criança apresenta uma dificuldade em aceitar limites ou regras, impostos pelos professores ou pelos pais, recusando­‑se a fazer deveres de casa, enfrenta, desafia e discute com os pais e/ou professores frequentemente. Giro SP: Qual o tempo médio do tratamento? Ana Carolina: O tratamento é a médio ou longo prazo. Tudo depende da demanda da criança e a disponibilidade da família em auxiliar nesse processo. Na próxima edição, a Dra. Ana Carolina Monteiro Grasso nos falará sobre Autismo, com detalhes sobre a condição e explicações sobre características, sintomas e tratamento de como conviver com isso. Se você é pai, mãe ou tem interesse em saber mais sobre os assuntos abordados por ela, escreva para a Giro SP! Ana Carolina Monteiro Grasso CRP 06/108458 Psicóloga graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Pós Graduanda em Psicoterapia Junguiana

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FIQUE POR DENTRO

Texto Denis Le Senechal Klimiuc

Preconceito

Gordinhos n Uma empresa americana notificou seus funcionários de que levariam multas de 50 dólares mensais quando se recusassem a conceder o peso, índice de massa corporal e nível de glicose no sangue. A medida tomou proporções internacionais e, no Brasil, refletiu com a realidade dos trabalhadores locais, cuja irresponsabilidade alimentar também pode ser refletida em seus corpos – ou não. Com isso, empresas de todo o mundo sentem­‑se responsáveis pela saúde de seus colaboradores, desde que eles não estejam negligenciando a si mesmos. Mas a proporção que o assunto tomou gerou polêmica e, assim, se espalhou com ainda mais facilidade. Empresas de todo o mundo criticam funcionários que estão acima do peso por proporcionarem a ela maiores custos em relação à saúde, além de ter sido provado, através de estudo científico, que funcionários que estejam acima do peso custam mais às empresas justamente por utilizarem com maior recor46 | REVISTA GIRO SP

rência seus planos de saúde. Mas, independente de custos abordados por departamentos financeiros e de recursos humanos mundo afora, o que chama a atenção do indicativo de que a saúde dos funcionários é pauta constante em discussões sobre o desenvolvimento corporativo é que, acima de quaisquer pontos voltados à profissão de um indivíduo, as pessoas necessitam de atenção ao comportamento diante de sua alimentação e hábitos relacionados a atividades físicas – e isso indica que grande parte da população, seja dos Estados Unidos ou do Brasil, está acima do peso. Na terra tupiniquim, aliás, outro apontamento indicou que 51% dos brasileiros estão com sobrepeso, o que é preocupante, tendo em vista que, diante da visão de outras nações, o Brasil ainda é considerado um país subdesenvolvido e, por isso, o contraste gritante em sua desigualdade é ainda mais alarmante. Enquanto parte da população passa fome, outra parte – e não necessariamen-


o ou saúde?

no trabalho te a parte rica – enfrenta problemas alimentares. Tal distorção levanta, ainda, uma discussão sobre a fragilidade dos hábitos alimentares dos brasileiros. Por um lado, milhões passam suas vidas correndo atrás de compromissos enquanto se alimentam, quando podem, de lanches que não adicionam em nada à necessidade diária de ingestão de vitaminas, proteínas e até mesmo carboidrato na medida certa; por outro lado, parte da população busca alimentação básica e, com isso, não se condiciona a proporcionar a si mesma os alimentos indicados para sobreviver com saúde – claro que sua responsabilidade sobre a própria alimentação é limitada a partir do momento em que não há oportunidade para tal. Nessa argumentação, então, torna­‑se difícil equiparar os hábitos alimentares dos brasileiros com o dos norte­ ‑americanos. Por questões de saúde, é fácil igualarmos as necessidades de alimentos corretos, mas a realidade polí-

tica e econômica de nosso país dá consequências diferentes até mesmo à vida dos profissionais que, em meio a transportes públicos cheios, lanches rápidos e ausência de casa por mais horas do que a medicina recomenda – e, em igual recomendação, menos horas de descanso do que o devido – a prática de preconceito diante do sobrepeso de colaboradores é tão irrisória quanto a necessidade subliminar de alteração dos hábitos alimentares. Dentro das possibilidades de cada país, há as possibilidades de cada um. E a realidade brasileira só é possível àqueles que com ela estão acostumados. Se as empresas insistirem em avaliar suas equipes de acordo com os tais hábitos, é esclarecedor para elas o fato de que o ambiente sociocultural brasileiro se difere justamente por sua população só aderir a hábitos alimentares e físicos escassos por não conseguirem adequar sua saúde à vida profissional. E a adaptação a novos hábitos, aqui, é passível de ambos os lados. REVISTA GIRO SP | 47


ARTE, CULTURA E LAZER

Texto Ronnie Arata Fotos Divulgação

Projeto Poesia Todo Dia:

365 poesias e o fim do anonimato

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ia 20 de outubro é o dia do poeta, mas, com o livro colaborativo, produzido através do concurso cultural “Poesia Todo Dia”, temos mais um motivo para apreciar a 6ª arte durante um ano inteiro. O livro será lançado no dia 4 de outubro, às 15h, na APAE de SÃO PAULO, que fica na Rua Loefgreen, nº 2109.

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Rodrigo: O concurso colaborativo “Poesia todo Dia” surgiu com o objetivo de ajudar muitos poetas a realizarem o sonho de ter suas poesias publicadas em uma obra impressa, ainda que não possuam poesias suficientes para compor um livro próprio, ou que não Giro SP: O que é o concur- tenham recursos para lançar so cultural “Poesia Todo Dia” e um livro próprio devido ao custo elevado de investimento. como surgiu a ideia? O nosso projeto baseia­‑se na construção coletiva e colaborativa de um livro de poesias que será publicado e vendido nas lojas da AlphaGraphics, no site do projeto: poesiatododia. com.br; e no agBook: agbook. com.br. A participação foi livre, tanto para os mais de 1000 poetas que já fazem parte do agBook como para os demais autores, inclusive para escritores com pseudônimos. Os direitos autorais serão 100% destinados para a APAE de SÃO PAULO Aproveitamos a coincidência no mesmo mês para falar com Rodrigo Abreu, sócio­‑presidente da AlphaGraphics – e responsável pelo projeto, sobre essa ideia e o lançamento da obra impressa.


que, inclusive, será o local de lançamento do livro, com a participação das crianças atendidas pela instituição. Giro SP: O que é um livro colaborativo? Quantas pessoas participaram do concurso? Rodrigo: O livro colaborativo pode agregar textos de diversos autores, que se unem em torno de um mesmo estilo, ou tema, para contribuir com a composição de uma obra literária. Ao longo do concurso “Poesia todo Dia” contamos com a participação de mais de 520 poetas e recebemos mais de 1.100 poesias enviadas por autores independentes de todo o Brasil. Giro SP: A seleção das poesias foi difícil? Rodrigo: A seleção exigiu análise cuidadosa das poesias, mas acreditamos que chegamos a um resultado incrível. As 365 poesias selecionadas, uma para cada dia do ano, passeiam pelos mais diversos temas e questionamentos e com certeza serão capazes de, em algum momento, emocionar todos os leitores. Giro SP: Depois de ter o livro publicado, quais serão os próximos passos do projeto?

Rodrigo: O livro será lançado no dia 4 de outubro, às 15h, na APAE de SÃO PAULO (Rua Loefgreen, 2109 – Auditório). Neste evento de lançamento, as crianças atendidas pela instituição nos ajudarão com o manuseio das obras. A partir desse dia, o livro já poderá ser comprado em unidades AlphaGraphics, no site Poesia Todo Dia (poesiatododia.com.br) e no agBook (agbook. com.br) e seus direitos autorais serão revertidos à APAE de SÃO PAULO. Aliás, já estamos pensando na segunda edição para 2014. Giro SP: Dizem que de médico, músico e louco, todo mundo tem um pouco... e de poeta, na sua opinião? Rodrigo: Com certeza, dentro do seu próprio estilo ou jeito de se expressar. Ao publicar o livro, a poesia fica eternizada e disponibilizada a todos. Com o concurso Poesia Todo Dia, acreditamos que a poesia contemporânea brasileira continua ativa e criativa. REVISTA GIRO SP | 49


ARTE, CULTURA E LAZER

Texto Felipe Ribeiro e Natรกlia Prieto

Um giro de pau de arara em Sampa

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Foto Valter Campanato

Conheça um pouco da história da migração nordestina para São Paulo e seu relacionamento com a cidade REVISTA GIRO SP | 51


ARTE, CULTURA E LAZER O fluxo migratório brasileiro teve início no começo do século passado. Habitantes do norte e nordeste, muito em função da situação econômica precária da região, que sofre com as secas e a falta de emprego, saíram de suas casas em busca de melhores condições de vida nos estados do centro­‑sul do Brasil, mais especificamente nos do sudeste. São Paulo, em franca ascensão devido ao auge das plantações de café e da industrialização, era o destino preferido desses migrantes. Hoje, com quase cem anos após o início desse êxodo, a principal cidade do País colhe os frutos desse processo, que foi de fundamental importância para o seu desen-

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volvimento e construção, mesmo que o seu cidadão tradicional, muitas vezes, não reconheça tal feito. Fato é que, juntamente com os europeus e japoneses, os nordestinos são alguns dos grandes responsáveis pela nossa cidade ser o que é: Majestosa. O início Em estatística feita em 1959 pelo Governo do Estado de São Paulo, constatou­‑se que o processo migratório para São Paulo começou em 1901. Naquele primeiro ano, o registro de migração doméstica apontou 1.434 pessoas. No mesmo período, o número de estrangeiros aportados em São Paulo foi de 70.348 pessoas. Foi, então, em


1923 que teve início a intensificação do fluxo de migrantes para São Paulo, com, 12 anos depois, no governo Armando Salles de Oliveira, que os nordestinos tiveram um maior destaque. Inicialmente, a mão de obra barata era o que mais

seduzia o governo paulista para atrair os nordestinos que, por sua vez, viam em São Paulo a chance de suas vidas, sonhando com uma vida mais digna, com mais condições de trabalho e moradia, além, é claro, de alimentação.

O destino, no entanto, eram as cidades interioranas, que concentravam, na época, as lavouras de café. O fluxo mudou de maneira mais drástica no início da década de 50, no período pós­‑guerra. Incentivada pela política de industrialização e pela Lei 2/3, que estabelecia uma cota mínima de trabalhadores nacionais, a migração nordestina se tornou essencialmente urbana. Ela forneceu a mão de obra necessária ao desenvolvimento urbano e industrial de São Paulo constituindo uma massa de trabalhadores de reserva, o que possibilitou manter a despesa com a mão de obra em níveis baixos. Outro fator determinante foi a conclusão da Estrada

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ARTE, CULTURA E LAZER

Rio­‑Bahia em 1949, o que veio facilitar bastante essa migração. Foi por esta rodovia que surgiu o “pau­‑de­ ‑arara”, transporte de migrantes feito por caminhões de carga, precariamente adaptados para o transporte de seres humanos. Os migrantes se espalharam por todo o estado, mas a região metropolitana de São Paulo se apresentou como a mais importante área de atração populacional, tendo as migrações contribuído com 56,6% do crescimento da população local no período 1960 – 1970. Estilo de vida adaptado à metrópole Em uma cidade com tamanhas misturas de etnias, origens e hábitos, fica difícil distinguir e unificar o comportamento e as influências que o povo de São Paulo absorve. No entanto, quando falamos dos nordestinos, a coisa muda de figura. Quem é que não conhece um “Paraíba” ou um “Baiano” no seu bairro? Ou quem nunca tomou uma cervejinha gelada no bar do “Ceará”? O povo nordestino trouxe para a cidade não só a sua mão de obra e força de vontade, mas também hábitos que ajudaram a formar o nos54 | REVISTA GIRO SP

so cotidiano e transformá­‑lo em algo, digamos, até, mais agradável, já que a vida em uma metrópole como São Paulo muitas vezes nos consome. Aquela famosa cochilada após o almoço, comer banana junto ao arroz e feijão, dormir na rede... Enfim, pequenas coisas que adotamos no nosso dia­a­dia e que foram trazidas pra cá junto com esses migrantes. Desde a literatura, fortemente incorporada e difundida em São Paulo, até a culinária e entretenimento, o paulista aprendeu ao longo deste período, mesmo que de forma inconsciente, a propagar e absorver costumes típicos nordestinos que hoje estão espalhados pelos quatro cantos da cidade. Nomes

como João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Graciliano Ramos e Manuel Bandeira são apenas algumas personalidades que não só nos abriram os olhos sobre os encantos e dificuldades dos nordestinos, mas ajudaram a escrever a história de São Paulo. A música, como o forró, maracatu, axé e o baião também se fazem presentes em bares, restaurantes e baladas de diferentes regiões, agradando tanto o público mais simples quanto o mais elitista. As decorações de estabelecimentos e detalhes de roupas, confeccionados artesanalmente com rendas e palha, deixam nos locais e nas pessoas o toque nordestino tão acolhedor e caprichoso.


Em cada esquina de São Paulo é possível encontrar um pedacinho do Nordeste. Seja na mão de obra dos intermináveis arranha­ ‑céus da cidade ou na simplicidade de lojistas, comerciantes e pessoas que prosperaram na capital, os traços marcantes desse povo se espalham pela nossa cultura por meio da música, danças, filme, de trejeitos, da moda e gastronomia, enriquecendo ainda mais nossa história.

que nada se relaciona com as características e os costumes do povo nordestino. Mesmo assim, muitos não se abatem e continuam sua caminhada por aqui. Vendo obstáculos e ganhando cada vez mais espaço e respeito, os nordestinos ajudam a fazer São Paulo um lugar melhor e cada vez mais ativo e pulsante. Na cidade onde ninguém dorme muitas histórias já se cruza-

Preconceito, dificuldades e superação Tachados e estereotipados injustamente, muitos nordestinos sofrem na pele com o preconceito de algumas pessoas. Em busca de uma vida melhor na capital, eles contribuem efetivamente para o crescimento da cidade e seu funcionamento ininterrupto. A ida de migrantes, e imigrantes, para as grandes cidades acarreta problemas como superlotação, desemprego e falta de moradia e assistência básica, origem infundada de todos os preconceitos, visto que tais situações decorrem da falta de investimento público, uma vez REVISTA GIRO SP | 55


ARTE, CULTURA E LAZER

ram, mas com certeza a contribuição nor- exóticos, nem sempre palatáveis sob o exidestina foi além disso, pois ela foi, acima de gente gosto paulistano. Hoje, na região metropolitana, é possível entudo, parte fundamental de sua construção contrar restaurantes típicos com facilidade, e manutenção. para todos os bolsos e gostos. Contudo, é nas populares “Casas do Norte” que se pode proCulinária irresistível Nem o mais conservador dos paulistanos é var, quem sabe, o verdadeiro sabor nordestino. Os pratos mais comuns pedidos pelos paucapaz de resistir às delícias da cozinha nordestina. Sempre com muita fartura e pratos listanos são as moquecas, bacalhau à baiana, que arrebatam até o maior dos estômagos, feijão de corda, carne de sol, entre outros. Os essa culinária reúne características próprias, doces também são lembrados, como o doce com ingredientes muitas vezes encontrados de abóbora, o quindim e a sempre popular e apenas na região Nordeste, e com sabores prática cocada.

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CRONICAMENTE PAULISTA Texto Ronnie Arata

O que os escritores têm com o

Cheguei à populosa Rodoviária do Tietê às 19h de uma sexta feira. Estava a passeio para uma cidade no interior de SP. Ao chegar na fila da cabine para comprar a passagem, fui surpreendido pela lotação dos três próximos ônibus. Fiquei sabendo, instantes depois, ouvindo as conversas alheias na fila, que um rodeio estava para acontecer em uma cidade vizinha ao meu destino. Sem ter muito o que fazer, comprei a passagem para as 21h e decidi comer algo enquanto esperava.

Eu estava sentado, calmo... quieto! Sozinho, tinha tempo para observar ao redor... e observei. Vi muitas pessoas também na espera, algumas lendo livros, outras lendo revistas, mas, logo a mesa ao lado, um senhor, com... eu diria.. seus respeitáveis 70 aniversários, que segurava uma caneta tinteiro na mão e observava sua xícara de café há um bom tempo, me chamou mais a atenção. Ele estava sentado, calmo… quieto! Sozinho, ele também tinha tempo, mas não observava ao redor. Ao contrário, buscava palavras dentro de si e rabiscava um guardanapo que, na normalidade, seria usado para a higiene e não para rascunhos. O mais interessante não foi a caneta velha, ou o café que esfriava. Na verdade, a combinação de todo aquele ambiente me fez lembrar como café e poesia formam uma

boa dupla. De uma maneira tão deliciosamente estranha, muitas vezes, temos essa sensação, mas não conseguimos explicar. Chega até a beirar o clichê. É como gostar de dormir com chuva... Depois de muitas tentativas e versos falhos, ele esvaziou a xícara, deu a típica torcida no nariz, de quem toma café frio e não gosta, se levantou e foi embora lamentando: “de dia não consigo escrever nada! Mas o café do Café Donuts daqui, me agrada muito!”. Cada escritor tem sua mania, cada poesia tem o seu sentido e cada café tem o seu aroma. Mas, não é de hoje, esses três elementos têm algo em comum! Não têm? Faltavam alguns minutos para as 20h ainda. O que mais poderia me distrair ali? Pedi um café também!

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NA NOITE

lássico passeio de todo cidadão paulistano, o Parque Zoológico de São Paulo é considerado como uma das principais atrações da cidade que, reunindo dezenas de espécies de animais de todos os tipos, tornou­‑se parte da cultura de todo indivíduo que passou pelo ensino fundamental na cidade e redondezas. Sua importância é concomitante, então, à história de muita gente que, graças ao zoológico, tem muita história pra contar. Porém, poucas pessoas conhecem uma atração que o Parque Zoológico oferece há dez anos: o Passeio Noturno. Nele, é possível conhecer melhor várias espécies de animais de hábitos crepusculares e noturnos, que muitas vezes encontram­‑se menos ativas durante o dia. No mesmo passeio, ainda é possível desfrutar de outras atrações, voltadas ao estudo das atividades desenvolvidas pelos animais que costumam estar bastan58 | REVISTA GIRO SP

Texto Divulgação Fotos [1] Carlos Nader [2] Cybele Lisboa

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te despertos à noite, como hipopótamos, tamanduás­ ‑bandeira, onças, leões e tigres, todos podendo ser alimentados pela equipe do “Programa de Enriquecimento Comportamental Animal”, que tem como objetivo estimular os animais cativos a desenvolverem comportamentos mais naturais e explorarem melhor seus recintos. Apesar de grande parte da população ainda desconhecer o Passeio Noturno, a programação para o segundo semestre de 2013 já está esgotada! O interessado em realizar essa inesquecível visita, deve ficar atento ao calendário com novas datas para 2014, quando houver divulgação no site do Parque Zoológico de São Paulo – zoologico.com.br.

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ARTE, CULTURA E LAZER Texto Denis Le Senechal Klimiuc Fotos Divulgação

MOTOCICLISTAS de final de semana

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A extensão de São Paulo impõe limites imaginários àqueles que ousam se sobrepor à sua magnitude. Devido ao dia a dia corrido, muitos paulistanos exigem de si mesmos atitudes que os retirem de um transe autoimposto de estresse e problemas respiratórios e gastroesofágicos para se entenderem com a natureza, o esporte, o vento batendo em suas cabeças. Em alguns casos, o vento é levado a sério. E, assim, a autoestrada se torna o quintal daqueles que anseiam por uma válvula de escape ambulante, alucinógena em relação aos sentidos de estabilidade – estagnação. Esses, senhoras e senhores, são os motociclistas de final de semana. Executivos, professores, publicitários, mecânicos ou trabalhadores voluntários. Não há distinção entre motociclistas que ousam desbravar as estradas do interior paulista em busca de autoconhecimento e reflexões em prol de pensamentos leves. A diferença está apenas em cada motocicleta utilizada, pois sua função – acompanhar seu dono em momentos de solitário esboço de novas possibilidades – não está embasada em alternativas fáceis de serem aceitas: a correria da vida em São Pau-

lo não permite momentos mais do que breves de entretenimento. Por isso, o cuidado com a preciosa de duas rodas é gigantesco, contrapondo a atenção minuciosa aos pequenos detalhes que cada viagem exige. Porém, as rodovias paulistas sofrem com a quantidade quase absurda de acidentes com motociclistas, minando um campo com o qual supostamente era possível casar a rotina da cidade com a tranquilidade desejada de um final de semana. Será falta de sinalização? Abuso por parte de motociclistas? Automóveis que não respeitam as leis de trânsito? Sim, sim e sim. Mas é injustificável culpar apenas um dos fatores e livrar­‑se do “mea culpa”. O preço de uma consciência, limpa ou suja, não paga uma vida. É necessário, portanto, estar atento aos locais que se pretende frequentar, realmente respeitar as leis de trânsito (10 km/h a mais fazem diferença!) e desfrutar do que o roteiro inicialmente propunha: relaxar paralelamente ao que a cinza São Paulo oferece. Absorver o verde e visualizar, como único ponto cinzento, o asfalto a ser comido por uma motocicleta em busca de aventura. REVISTA GIRO SP | 61


ARTE, CULTURA E LAZER

Texto e fotos Yone Shinzato

Feirinha da Liberdade Um caldeirão cultural à paulistana com toque oriental

De segunda a sexta, é destino para os que trabalham e estudam na região. Aos finais de semana, transforma­‑se em opção de lazer àqueles que buscam variedade gastronômica, admirar a decoração tipicamente oriental ou só fazer compras inusitadas. Antes reduto de japoneses e descendentes, o bairro da Liberdade reflete hoje o caldeirão cultural que é São Paulo. Praticamente na frente da estação de metrô, a tradicional “Feirinha da Liberdade”, como é mais conhecida, não poderia ser diferente. Funcionando há mais de 30 anos aos sábados e domingos, atrai visitantes de todos os cantos e idades. Famílias inteiras, turistas, fotógrafos, curiosos e fãs de anime (os famosos desenhos japoneses) disputam espaço entre as inúmeras barracas de comida e artesanato e, independente da temperatura que faça, o local está sempre abarrotado. Na parte gastronômica há de tudo um pouco: culinária chinesa, japonesa e brasileira. 62 | REVISTA GIRO SP

No entanto, os carros­‑chefes são, sem dúvida, o yakissoba, o tempurá e o guioza (uma espécie de pastel que pode ser recheado com carne suína, bovina ou de verduras variadas). Para quem não é muito fã de comida oriental, é só dar mais uma vasculhada que logo encontrará outras iguarias como, por exemplo, pastéis, espetos, doces, entre outras variedades. Após comer bem, se sentir sede, não se aflija: haverá sempre por perto uma barraca amigável servindo refrigerantes, cervejas

e sucos. Caso tenha reservado um dinheirinho extra, você pode se deliciar com um frozen yogurt logo ali na frente, a poucos metros da feirinha. O artesanato também é uma atração à parte com exposição de produtos como réplicas de peças do Egito, China, Japão e Índia, quebra­ ‑cabeças em metal e madeira, brincos, móbiles de parede e mesa, enfeites (origami e mesa), luminárias, trabalhos em pedra, rótulos diversos das décadas de 1920 a 1960, entre muitos outros.


Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, que fica entre as estações São Joaquim e Liberdade do metrô, e cuja programação cultural é sempre movimentada e interessante (mais informações abaixo). Serviço Feirinha da Liberdade (funciona aos sábados e domingos) Praça Da Liberdade, S/N – Liberdade – São Paulo (em frente à Estação Liberdade do metrô) Tel.: (11) 3208­‑5090

Caso seu interesse por artesanato não seja tão grande, o bairro da Liberdade oferece ainda inúmeros estabelecimentos como mercados com produtos típicos orientais, pequenos shoppings que vendem toda sorte de bugigangas e roupas e livrarias japonesas e chinesas. Por a feirinha estar sempre cheia, principalmente aos domingos, procure ir cedo e com tempo. Use roupas e calçados confortáveis porque você passará algumas horas em pé, pois, mesmo para comer, não há lugares para se sentar, a não ser que prefira se arriscar em algum dos restaurantes próximos à região. Dê preferência ao uso do transporte público, pois o acesso à região de carro, nos

finais de semana, costuma ser difícil. Como o passeio é ao ar livre, caso chova e não queira perder a viagem, arrisque­ ‑se a dar uma passada no

Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social R. São Joaquim, 381 – Liberdade São Paulo, 01508­‑900 Tel.: (11) 3208­‑1755 Consulte a programação em: bunkyo.bunkyonet.org.br

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FIQUE POR DENTRO

Texto Denis Le Senechal Klimuc Fotos Victor Miguel

Ode ao Corpo Humano

Acompanhamos, em diversos momentos de nossas vidas, pessoas cuja estrutura corporal ultrapassou diversas barreiras físicas normais e se tornou a forma exaltada da capacidade humana em criar e cultivar músculos. Em muitos momentos, não compreendemos a necessidade, mas admiramos, às vezes inconscientemente, a perseverança de indivíduos que buscam se manter sempre musculosos. Poucas pessoas imaginam que, no primeiro concurso reconhecido de fisiculturismo, cujo título foi “O Físico mais Fabuloso do Mundo”, em 1901, em Londres, um dos jurados foi o lendário Arthur Conan Doyle (“Sherlock Holmes”). Desde então, diversas localidades promoveram seus eventos, culminando em uma unificação que resultou, por exemplo, na vitória de Schwarzenegger por sete vezes – superexpondo a prática de maneira midiática. Difícil compreender o que não conhecemos, mas mais difícil ainda é a aceitação do que tememos como consequência do que é diferente. Justamente por isso, a Giro SP homenageia os fisiculturistas brasileiros que se mantêm em constante destaque. Em entrevista com Victor Bortoletto, de Piracicaba, vencedor do Campeonato Paulista e 5º lugar no Campeonato Brasileiro, a revista explica como é a vida desse atleta. 64 | REVISTA GIRO SP

Giro SP: Como surgiu o interesse por fisiculturismo? Victor Bortoletto: O interesse pelo Fisiculturismo, na verdade, foi uma consequência da admiração que eu tinha pelos ídolos da minha infância. Sempre fui fã de HQs como do Hulk, Thor, Conan... E cresci vendo os filmes de ação do Arnold Schwarzenegger. O que todos eles


tinham em comum era o físico muito bem desenvolvido e o meu ídolo do cinema por acaso tinha sido Mr. Olympia sete vezes (a copa do mundo do bodybuilding). O interesse pela cultura física partiu daí! A prática esportiva sempre esteve presente na minha vida; fui jogador de futebol e sempre levei o treinamento físico muito a sério! Acredito que seguir como atleta de fisiculturismo surgiu em meio a tudo isso.

para o esporte que praticava na época, que era o futebol. Então me matriculei numa academia voltada para o fisiculturismo com alguns atletas e, a partir disso, comecei a pegar gosto pela prática competitiva da musculação (fisiculturismo/bodybuilding). E a primeira iniciativa após encerrar minha curta carreira no esporte foi me informar mais sobre o que era necessário para melhorar meu físico e um dia ter condições de competir.

academia voltada para o esporte nunca tive incentivo de ninguém e mantinha a vontade de competir dentro de mim – tendo isso em vista fiz tudo que podia para aprimorar meu conhecimento (até me forçou aprender outro idioma já que as melhores informações vinham de publicações norte­ ‑americanas e europeias, onde o esporte já estava em um nível muito mais avançado), além de poder aplicar a metodologia necessária nos Giro SP: Qual foi a primeira Giro SP: Como foram os pri- aspectos que envolvem o iniciativa que teve para seguir meiros esforços? desenvolvimento físico. essa prática? Victor Bortoletto: Creio Victor Bortoletto: Comecei a treinar musculação aos 13 que meu maior esforço foi Giro SP: Você pensou em anos de idade, como forma buscar informação de quali- desistir em algum momento? de aprimorar minha condição dade. Apesar de estar numa Se sim, o que o fez continuar? Victor Bortoletto: Pensei em desistir em vários momentos. O esporte amador não dá O que é fisiculturismo? uma condição para sobreviÉ simples: hipertrofia dos músculos que, após forçados ver do mesmo, ainda mais um constante e especificamente, são construídos com a finaesporte que você depende lidade de expor o corpo humano como cultivo possibilitado não somente de duas horas de saúde que ultrapassa os limites preestabelecidos como de treino por dia – refeições alimentação e exercícios regulares. É a superação de limiprecisamente programadas e tes, como alcance em perseverança e força de vontade. com frequência tomam muito A Federação Internacional de Fisiculturismo indica que, tempo e dinheiro. Mas acredipara participar do concurso mundial, é necessário seguir to que todo atleta passa por um treino extremamente intenso, com foco na resistênisso. Eu tive que me adaptar cia a pesos; uma alimentação adequada deve ser seguipara ter uma profissão ao da à risca – há o costume de cinco refeições diárias; e mesmo tempo em que conum descanso de oito horas, para recuperação (e cresciduzia minhas atividades como mento) dos músculos. atleta. Ainda hoje faço isso. REVISTA GIRO SP | 65


FIQUE POR DENTRO

Victor Bortoletto: Não exisNão é fácil, mas é necessário e eu amo muito o esporte, pois te um “resultado final” no fifaço isso com prazer, apesar siculturismo. Estamos a cada dia tentando nos aprimorar, das dificuldades. a cada competição trabalhaGiro SP: E quanto tempo le- mos meses para apresenvou para chegar ao resultado tar uma forma melhor que a anterior, acredito que essa é final?

a beleza do esporte e o que nos faz seguir em frente. Giro SP: Como são os treinos? Victor Bortoletto: Existe uma periodização que visa às competições. As sessões de treino duram cerca de uma a duas horas dependendo do grupo muscular que está sendo trabalhado, eu treino com uma frequência de quatro a cinco vezes durante a semana, no inicio dessa preparação, e de sete a oito vezes na fase final. E essa preparação dura cerca de 20 semanas e termina geralmente na semana de competição quando atinjo o auge da minha forma. Giro SP: O que sua família e amigos pensam sobre você ser um fisiculturista? Victor Bortoletto: A minha família, apesar de não estar muito acostumada com o esporte, sempre me apoiou; meus amigos são na maioria envolvidos também com o esporte e também me apoiam. Giro SP: Como as pessoas te tratam em locais públicos, como shoppings ou filas de bancos?

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Victor Bortoletto: Tratam­ ‑me muito bem (risos)! Algumas pessoas não estão acostumadas a ver uma pessoa com uma condição corporal que eu apresento (115 kg com baixo percentual de gordura) e se assustam, às vezes; existe também o preconceito, como existe para qualquer pessoa diferente do padrão socialmente aceito. Mas que

de forma alguma me atrapa- nha academia – meu grande lha, a não ser quando entro amigo Celso Reis. num ônibus ou numa poltrona Giro SP: Como é a rotina? menor – aí sim eu tenho difiVictor Bortoletto: Acordar, se culdades (risos). manter positivo, fazer as reGiro SP: Quem te inspirou? feições na quantidade certa e Victor Bortoletto: Arnold na hora certa, treinar, dormir... Schwarzenegger, na minha Mas é lógico que poucos vivem infância; vários atletas mais do esporte, e tem rotina de tarde me inspiraram, sendo trabalho e estudos em meio a que um deles treinava na mi- tudo isso.

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ACONTECE EM SP

Texto Ronnie Arata Fotos Arquivo pessoal

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O título desta matéria teve que sofrer alteração depois das conversas que aconteceram com as bandas Régio Primata, Buffalo Machine e Black Tekila. Poderíamos chamá­‑las de bandas “de garagem”, no entanto, a imagem de uma banda de garagem sempre será daquelas em que três pessoas, ou mais, se unem na casa de alguém para, simplesmente, ligar os instrumentos e “deixar o som rolar”. Sem desmerecer ninguém, na verdade, podemos considerar que, se há uma maneira de uma banda começar, e todas têm que começar de um jeito, a garagem provavelmente é a mais divertida delas. No entanto, usamos a palavra “independentes”, que não se resume apenas a não ter contratos assinados com gravadora e produtoras, mas a independência, aqui, representa a forma de não ficar na espera por uma chance única de ouro para continuar a compor, se apresentar e, principalmente, se divertir. Em cenários não muito diferentes, Régio Primata, Buffalo Machine e Black Tekila, nos contaram como é a vida de banda deles e a rotina que se cria para manter uma meta. Há quem considere isso apenas um hobby, mas, do outro lado, tem gente que leva a coisa muito mais a sério. É muito difícil buscarmos voluntariamente por músicas novas; de modo geral, somos conduzidos pelo o que as rádios nos transmitem, o que não é pecado nenhum! Porém, podemos aproveitar a oportunidade em que há amigos compondo, tocando e se apresentando em casas de show com preços acessíveis, o que pode ser um ótimo programa. Portanto, é viável lembrarmos que muitas grandes bandas começaram em garagens e em barezinhos e, hoje, talvez não fossem tão reconhecidas sem o apoio dos amigos no início. REVISTA GIRO SP | 69


ACONTECE EM SP REgio Primata

Depois de um tempo sem se apresentar, a banda Régio Primata planeja voltar a fazer shows em 2014, antes conhecida como “Winchester”, a banda decidiu atualizar o nome junto com a nova fase que está por vir. A saída de alguns integrantes dificultou a continuidade plena da banda, mas isso não foi motivo para congelar as atividades completamente. William Estrela e André Vieira seguiram, então, com gravações feitas em casa. Posteriormente, essas gravações serviriam tanto para a gravação no estúdio, quanto para guiar os novos integrantes, Felipe e Pedro Marcenari, vindos de outra banda já conhecida por William e André. Em 2009, Felipe e Pedro, haviam tocado em um mesmo dia e local que a Winchester. Uma banda foi com a cara da outra e os contatos voltaram recentemente. William convidou os dois e formou a composição atual. Ainda antes da volta das apresentações, a ideia é investir na gravação em estúdio das músicas próprias. Uma brincadeira que começa em R$6.000,00, segundo eles.

Para conhecer: palcomp3.com/regioprimata facebook.com/regioprmata

Já se apresentaram: Blackmore Rock Bar – blackmore.com.br CervejAzul Music Club – cervejazul.com Manifesto Bar – manifestobar.com.br Tribe House

Componentes: William Estrela – Vocal André Vieira – Guitarra e Backing Pedro Marcenari – Baixo Felipe Marcenari – Bateria

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Black Tekila

A banda Black Tekila tem um repertório bas- Para conhecer: tante singular para um vocal feminino. Apesar blacktekila.com de contar com músicas de Janis Joplin, Alanis facebook.com/bandablacktekila Morissette e Tina Turner, Leila Silva ainda traz Já se apresentaram: para a sua voz Iron Maiden, Metallica, Black Emporio Music Bar Sabbath e AC/DC. Komb Bar Composta também pelos integrantes Daniel Topic Rock bar Lopes, Nadson Gonçalves e Caio Zappa, o novo Kazebre – okazebre.com Pompeus Rock Bar – pompeusrockbar.com.br baterista, Black Tekila tem a proposta de tocar Chopperia Lolla Palooza – novolollapalooza.com.br/ os clássicos do rock como podemos perceber Castelo do Rock na panorâmica do repertório. E a primeira gravação da banda comprova isso, o vídeo, que Componentes: Leila Silva – Vocal pode ser conferido no site blacktekila.com, dá Daniel Lopes – Guitarra uma nova cor para a música Separate Ways, Nadson Gonçalves – Baixo Caio Zappa – Bateria da banda americana Journey. Sobre os gastos, a banda disse que, no momento, prefere investir em equipamentos, pois preza pela qualidade de som, tanto nos ensaios quanto nas apresentações. Ainda antes da Leila entrar para a formação, a banda chegou a tocar em locais como o Kazebre, Chopperia Lolla Palooza e Castelo Rock Bar.

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ACONTECE EM SP

Buffalo Machine

De todos os gêneros e subgêneros que a música cria ao longo do tempo, a banda Buffalo Machine se destaca em um dos estilos pouco conhecido, Stoner Rock! Escute as músicas compostas pela banda e você não só entenderá este gênero, como também aprenderá a “brindar no inferno”. “Drink in Hell” é o nome da primeira música e reflete bem o clima divertido da banda, porém, apesar das brincadeiras, o som é pra valer. “...naquela noite tocavam as bandas Black Drawing Chalks / Hellbenders / Grindhouse Hotel, o som era cru e dançante com uma mistura de Blues, Grunge e Hard Rock, eis o que despertou nos meninos a vontade de fazer algo daquele tipo, a dose injetada foi tão estrondosa que na semana seguinte já nascia a primeira música autoral da banda.” Há quase um ano juntos, a banda já se apresentou bastante pela região do ABC, mas segundo eles, atualmente, estão “arrumando a casa”.

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Como os vizinhos do André começaram a reclamar demais, os ensaios passaram a acontecer em um estúdio da namorada do Felipe, que também tem uma banda, chamada Maldiva. Para conhecer: buffalomachine.wix.com/buffalomachine facebook.com/banda.buffalo

Já se apresentaram: Central Rock Bar – centralrockbar.com Cidadão do Mundo – facebook.com/coletivocidadaodomundo Dynamite Rock Bar – dynamite.com.br/pub Formigueiro Isis Bar – isisbar.com.br Newz Club – facebook.com/newzclub

Componentes: André Roddsan – Guitarra e Vocal Felipe Paravani – Guitarra e Vocal Lucas Bueno – Baixo e Vocal Bruno Prado – Bateria


FIQUE POR DENTRO

Texto Felipe Ribeiro Foto Arquivo Pessoal

Ondas de Superação

Após sofrer um AVC e ter sua carreira comprometida, o locutor Marcos Andrade recebe ajuda de um grupo de radialistas para retomar seus trabalhos, numa clara demonstração de garra e superação

A cidade de São Paulo é capaz de nos reservar histórias únicas e tocantes em diversos setores de atividade. Fui pego de surpresa, é verdade, com a notícia de que um radialista estava passando por dificuldades após ter sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) e que um grupo de radialistas e comunicadores decidiu ajudá­ ‑lo. No papel de jornalista e, no caso da Giro SP, de veículo de comunicação, nosso dever e obrigação é o de transmitir ao público a realidade, sempre com um tom de positividade, ainda mais com esse episódio. A vida de Marcos Andrade, conhecido como Super Luxo, renderia, sem sombra de dúvidas, um belo livro recheado de superação e risadas, mesmo com o problema que o afligira há alguns anos. Ele nos confidencia seus planos em curto prazo para voltar a ter a vida de antes e retomar, aos pou-

cos, a carreira. Suas dificuldades motoras ainda o impedem de voltar ao Rádio, mas, com ajuda de seus colegas e amigos, um estúdio doméstico será montado para que, ao menos, sua voz possa ser escutada em outros trabalhos. “Graças a ajuda dos meus grandes amigos vou poder voltar a trabalhar. Não como antes, por enquanto, mas pelo menos vou recuperar um pouco da normalidade, pagar as contas”, comenta Andrade, com seu vozeirão aveludado e marcado por trabalhos em algumas das maiores emissoras de São Paulo, como Antena 1, Transamérica, Globo FM, Eldorado, América, Capital, Alpha FM e TV HBO Brasil. A festa organizada para angariar fundos para ajudar na reestruturação de sua vida e carreira aconteceu no Bar Biroska, conhecido reduto de radialistas e o ambiente propício para o ressurgimento de um dos mitos do microfone paulista. Profissionais das rádios onde Andrade passou foram os responsáveis por todo o processo de produção e promoção do evento “Noite da

Amizade – Amigos do Rádio”. O Super Luxo fez questão de lembrar­‑se de seu início e deu dicas para quem está prestes a iniciar uma nova carreira, sobretudo com locução. Para ele, o recomeço traz lembranças da época em que morava em Ribeirão Preto, sua cidade natal, e deu os primeiros passos rumo ao sucesso. “Comecei na Rádio Diário, depois passei pela Cultura até chegar à Transamérica. Dali, minha carreira decolou”, relembra. “Eu ‘meti as caras’ para atingir o meu objetivo e creio que essa deve ser a postura de quem quer ingressar nessa área”, completa. A história e vida da Marcos Andrade é uma clara demonstração de que podemos sempre tentar de novo, mesmo com adversidades que parecem intermináveis. A cidade de São Paulo, pujante e generosa com seus trabalhadores, proporciona o recomeço a muitas almas que precisam, a cada dia, de um novo horizonte em suas vidas. Pela garra e luz mostradas pelo Super Luxo, creio que não vamos demorar para ouvir sua bela voz novamente pelas ondas do rádio. REVISTA GIRO SP | 73


ACONTECE EM SP

Texto Divulgação Fotos Divulgação

s r e t s Mon k c o R f o Nos dias 19 e 20 de outubro, São Paulo volta a sediar o maior festival de rock em “estado puro” que já existiu: o mítico Monsters of Rock está de volta, em sua quinta edição brasileira, 15 anos após sua última passagem pelo país. Considerado um dos principais festivais de música de todo o mundo, o Monsters of Rock foi criado na Inglaterra em 1980 e se consagrou por não fazer concessões: ao contrário da grande maioria dos outros eventos do gênero realizados em todo o planeta, o Monsters só inclui em seu line­‑up bandas de hard rock e heavy metal. Na Inglaterra, o festival aconteceu até 1996, tendo uma nova edição em 2006. No restante do mundo, as últimas versões aconteceram em 74 | REVISTA GIRO SP

2008, no Chile e na Espanha. No Brasil, onde teve quatro edições memoráveis, lembradas até hoje por milhares de fãs, o Monsters sempre foi um dos festivais mais esperados e pedidos pelo público, nunca esquecido mesmo após um hiato de 15 anos. Em outubro, finalmente um sonho se realizará para os milhares de fãs brasileiros do gênero, quando a capital paulista for dominada pelo mais puro rock and roll. A quinta edição brasileira do Monsters of Rock – mais uma realização da XYZ LIVE – acontece na Arena Anhembi, com a previsão de receber um público de 40 mil pessoas em cada dia. No dia 19 se apresentam Slipknot, Korn, Limp Bizkit, Killswitch Engage, Hatebreed, Goji-


ra e Hellyeah; no dia 20 é a vez do Aerosmith, Whitesnake, Ratt, Buckcherry, Queensrÿche (featuring Geoff Tate plus guests), Dokken, Dr Sin e Doctor Pheabes. Além do grande line­‑up confirmado, o festival contará com Eddie Trunk como Mestre de Cerimônia desta edição. O historiador e apresentador norte­‑americano do conceituado The Metal Show, do canal VH1, irá apresentar todas as bandas. Trunk é um expert em música – mais especificamente em heavy metal e hard rock ­‑, rádio, bandas, cantores e personalidades do rock, além de ser considerado pela mídia mundial um dos mais conceituados críticos de música da atualidade. Em

2011, ele lançou o livro “Eddie Trunk’s Essential Hard Rock and Heavy Metal” onde ele lista suas bandas e CDs favoritos, os bastidores de várias bandas, além de vários contos do rock e as figuras mais icônicas do metal. SERVIÇO Monsters of Rock Dias: 19 e 20 de outubro (sábado e domingo) Local: Arena Anhembi Endereço: Av. Olavo Fontoura, s/n Horário do show: 19/10, às 13h; 20/10, às 13h30 Classificação etária: 16 anos Vendas: livepass.com.br Tel: 4003 1527 Bilheteria no Estádio do Morumbi, 10h às 18h, de segunda a domingo REVISTA GIRO SP | 75


ARTE, CULTURA E LAZER

Famoso por caracterizar a cidade de Nova York como uma de suas personagens mais famosas, Woody Allen concretizou, ao longo de mais de 50 anos e 40 filmes, uma carreira brilhante, podendo ser considerado o Diretor/ Roteirista com maior quantidade de personagens neuróticos da história do cinema.

Texto Denis Le Senechal Klimiuc

Desde o final da década de 50, Allen costuma nos brindar com suas teorias psicóticas a respeito de relacionamentos neuróticos. É um dom que ele trata com ironia refinada, através de personagens carentes de atenção ou de outro afeto que o leve a buscar constantemente por supri­‑lo em largas escalas de neuroses, além de debates que incluam sua relação filosófica com a psicanálise e a intelectualidade burguesa de seu país. Allen trata assim a todos os humanos, assim como a sua Nova York. O relacionamento do diretor com tal cidade é tão marcan-

te quanto seus longos diálogos expositivos, o que faz com que sempre tratemos a cidade, assim como seus personagens, como uma figura baseada em pura ironia. Suas obras se embasam, sempre, em filosóficas referências e detalhes escondidos em insinuações que, à primeira vista, parecem frívolas, mas o diretor geralmente não desperdiça diálogos e sim os utiliza para autossatisfazer sua necessidade de nos colocar dentro de sua cabeça, o que significa atingirmos um nível quase surreal de neurose. Sim, ele provoca, mas sua leveza e comicidade

Uma carreira de neuroses e genialidades

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são referenciadas de tal maneira que, quando ousa desafiar nossas mentes, é com um corte brusco que nos entrega sua obra e deixa para nós um gosto por vezes amargo, por vezes agridoce. Adepto de longas parcerias com atrizes, ele também ficou famoso por sua coleção de musas inspiradoras, com as quais realizou filmes repetidamente. Dentre elas, as mais escaladas foram Mia Farrow, Diane Keaton e Scarlett Johansson. Enquanto com algumas delas ele criou barreiras até mesmo pessoais, com outras apenas estabeleceu parcerias limitadas; enquanto passou a se envolver com a filha adotiva de uma, com outra criou uma carreira despertada para tantos trabalhos quanto fotos vazadas na internet. Se na década de setenta, com o início de sua consagração como diretor e roteirista, ele se diversificou em obras como “Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar”, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” e “Manhattan”, foi na década seguinte que seu nome se tornou sinônimo de reconhecimento mundial – além de notoriamente um escritor preocupado com a psique em

situações corriqueiras – com “Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão”, “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Hannah e Suas Irmãs” e “Crimes e Pecados”. É visível que a diversidade em sua filmografia se revela como grande ponto atrativo de Woody Allen, pois sua ascensão como realizador encontrou, na década de 90, temas ainda inéditos para ele, o que proporcionou algumas outras realizações memoráveis, como “Tiros na Broadway”, “Todos Dizem Eu Te Amo”, “Desconstruindo Harry” e “Poucas e Boas”. Com isso, o cineasta encerraria uma longa carreira de incursão na mente do espectador tal como o inversamente proporcional é válido. Até aquele ponto de sua carreira, ele denotou grande capacidade criativa e direção segura, apesar de simples, sem escapar de uma elegância contumaz. E, então, os anos 2000 chegaram... Iniciando o novo milênio com alguns tropeços, como “O Escorpião de Jade”, “Dirigindo no Escuro” e “Igual a Tudo na Vida”, a genialidade de Allen foi posta em jogo, com ataques à sua fonte de criatividade que possivelmente secara, mesmo com o grande e interessante acerto “Melinda e Melinda”. Mas Woody preci-

sou deixar sua querida Nova York e partir para os ares europeus, onde rodou, em 2005, “Match Point” – e a posição de obra­‑prima desse trabalho deixou os agressores do diretor de boca aberta, mas sem palavras detratoras. A partir da metade da primeira década dos anos 2000, então, Allen tornou­ ‑se reconhecidamente gênio, mestre do cinema, mas que eventualmente tropeça e, por se tratar de um cineasta que lança um filme por ano, sua competência deixou de ser questionada. Hoje, Woody Allen ainda conta com “Vicky Cristina Barcelona”, “Tudo Pode Dar Certo” e “Meia Noite em Paris” como outros três representantes de sua inquestionável habilidade como roteirista e contador de histórias. Neste ano, será lançado seu novo trabalho em meados de outubro, “Blue Jasmine”, no qual ele escolheu Cate Blanchett como protagonista de sua nova empreitada por outra cidade (desta vez será São Francisco). E assim, Allen Stewart Konisberg, no alto de seus 77 anos (completará 78 em 1º de dezembro), sucede a si mesmo constantemente como o cineasta mais inventivo em atividade. REVISTA GIRO SP | 77


FIQUE POR DENTRO

Texto Erika Pedrosa Fotos Arquivo Pessoal

Confissões de uma depiladora brasileira nos EUA A hist��ria de vida de uma pessoa pode indicar diversas estradas para tantos outros indivíduos. Às vezes, somos guiados por exemplos, cuja estrutura nos fortalecem por possuírem resiliência, termo bastante atual, para estruturarem suas vidas e se reestruturarem quando necessário. A vitória de nossos modelos inspiradores nos garante esperança, o que facilita a condução de nossos problemas a fim de nos prepararmos para longas batalhas na estrada chamada vida. Com uma história recheada de altos e baixos, a brasileira Reny Ryan soube lidar com tantos percalços, aproveitando­‑os para escalar em sua vida rumo ao sucesso. Em uma entrevista especialíssima à Revista Giro SP, ela nos conta como deixou de sofrer abusos por parte de um ex­‑marido até se tornar a depiladora pioneira nos Estados Unidos, apresentando a anônimos e celebridades as vantagens da renomada “Brazilian Bikini”. 78 | REVISTA GIRO SP

Giro SP: Como começou essa virada em sua vida? Reny Ryan: Eu saí do Brasil e fui para a Califórnia com Cr$ 1,200 no bolso, sem falar uma palavra em inglês, com meu coração cheio de esperança, estava decidida a vencer. O dia 27 de Julho de 1984 marcou um momento decisivo em minha vida: Geraldine Ferraro derrubava barreiras sendo a primeira mulher a candidatar­‑se ao cargo de vice-presidente dos EUA, a emoção dos jogos Olímpicos eclodia e eu e meu filho aterrissávamos na tão sonhada America, “terra da oportunidade”, lugar o qual eu, ate então, só conhecia através dos filmes de Hollywood. Giro SP: Conte­‑nos sobre as mudanças ocorridas, os sacrifícios tomados. Como se tornou essa mulher que serve de exemplo para tantas outras? Reny Ryan: Aos 18 anos engravidei de meu primeiro namorado no Brasil. Casamos­‑nos e nos


mudamos para longe de minha família. Meu novo lar era pequeno e muito simples e após alguns meses morando nela fiquei sabendo pelos vizinhos que minha casinha havia sido, ate então, um galinheiro – literalmente falando. Abuso verbal nas mãos do meu marido logo se tornou físico e por três longos anos sofri uma existência miserável, amedrontada por seu vício, sua infidelidade e sua fúria. Infelizmente a cultura brasileira “autoriza” o homem a trair e a maltratar e ainda se sentir orgulhoso de tudo, ao passo que a mulher é forçada a ser submissa e estar sempre pronta para servi­‑lo. Indiferente ao que ditava a cultura brasileira, me recusei a aceitar um papel de esposa submissa e, cansada da violência diária, encarei meu marido e pedi o divórcio. Com seu ego machucado ele se tornou ainda mais violento, porém, diante da firmeza de minha decisão não lhe restou outra opção senão conceder­‑me a separação.

de finalmente poder escapar dele superou a dor e tristeza de deixar meu Brasil, minha família e meus amigos para trás. Claro que muitas vezes senti­ ‑me sozinha, cansada e com medo, mas ao mesmo tempo sentia­‑me superpoderosa e tal sentimento compelia­‑me a seguir em frente. Giro SP: Como foi passar por abusos em sua própria casa? E como se sentiu ao visualizar uma vida completamente diferente? Reny Ryan: Somente aqueles que já sofreram abuso físico, emocional e psicológico – em casa ou no trabalho – sabem que nesse processo o que nos permite sair de situações di-

fíceis é o reconhecimento de que todos nós somos seres humanos e merecemos respeito. Eu estava pronta para assumir minha vida e decidida a enfrentar qualquer obstáculo. Acima de tudo, eu estava feliz por finalmente estar em paz comigo mesma e orgulhosa pela minha habilidade de cuidar do meu filho e de assumir minha própria vida. Como sobrevivente, sinto que a vida é um privilégio e devemos vivê­‑la totalmente. Após chegar aos EUA fiz o que todo imigrante faz para viver uma vida decente e honesta: fui babá, faxineira, motorista, jardineira e cozinheira. Tudo o que eu mais queria era paz de espírito e um lugar seguro para mim e meu filho.

Giro SP: E o que fez após o divórcio? Como soube lidar com a situação? Reny Ryan: Divorciada e saboreando o gosto da liberdade vendi tudo que tinha, agarrei meu filho e fui para longe da fúria de meu ex­‑marido. Mudei­ ‑me para a Califórnia. A alegria REVISTA GIRO SP | 79


FIQUE POR DENTRO Giro SP: E como fez para se adaptar a essa nova vida? Como foi o começo? Reny Ryan: Em 1985 conheci meu atual marido, que é o amor da minha vida, e em 1988 nos casamos e tive mais dois filhos. Resolvi então tentar algo novo para mim mesma e resolvi começar meu próprio negócio. No final dos anos 80, atraída pelo aparecimento dos spas e sabendo o quanto me sinto bem lidando com o público, resolvi me matricular numa escola de estética. Fazer amigos e ajudar as pessoas a se sentirem bem era algo que eu tinha certeza que sei fazer. Voltar à escola após tantos anos longe dos bancos escolares foi algo maravilhoso e senti que tinha tomado a decisão certa. Mas meu momento de glória chegou quando durante uma das classes, ao assistir um vídeo antigo sobre depilação. Após o término, mencionei à professora que eu, por ser brasileira e devido ao fato de que aprendi a depilar muito jovem, desenvolvi minha própria técnica. Intrigada, ela pediu que eu demonstrasse à classe e, quando acabei ela jogou o vídeo fora e passei a ser sua assistente. Hoje, passados quase 13 anos, ainda ensino 80 | REVISTA GIRO SP

as alunas sobre como fazer nosso estilo de depilação: o “Brazilian Bikini” – não só em minha antiga escola como também em outros spas. Após passar no exame do estado da Califórnia e conseguir minha licença, abri meu próprio salão. Dentro de um ano, a depilação ultrapassou todos os outros serviços oferecidos. Eu me tornei “Reny, the Brazilian Bikini Waxer” um título dado quando meus amigos e clientes se deram conta de como fico feliz em depilar de 10 a 15 clientes por dia e notam minha paixão pelo meu trabalho. Muito antes das celebridades começarem a falar sobre o “Brazilian” eu já tinha oferecido às minhas clientes, as quais

pouco a pouco iam perdendo a inibição, e aproveitando a sensação macia em suas partes íntimas. Minha clientela aumentou gradativamente – jovens, idosos, heterossexuais, homossexuais, enfim, pessoas de todas as idades e classes sociais. Giro SP: Após a explosão inicial, como soube lidar com tanto sucesso? Como seus clientes reagiam quando viam a diferença causada pela Brazilian Bikini? Reny Ryan: Atribuo meu sucesso a todos os meus clientes, os quais me recomendam a todos os seus amigos e familiares sempre dizendo como eles se sentem à vontade comigo e como confiam


no meu trabalho. Claro que essa característica se deve por minha cultura brasileira, onde aprendemos a respeitar nosso corpo e a nos sentirmos confortáveis com tudo que diz respeito ao mesmo. Para quem nunca se aventurou, o “Brazilian Bikini” é muito mais do que uma simples remoção de pelos das partes pubianas. Em minha clínica de estética, tenho a chance de ver a transformação em cada cliente quando, após a sessão, eles se admiram no espelho, sorrindo por terem vencido uma barreira cultural. Muitos deles confessam que nunca imaginaram como tinham negligenciado seus próprios corpos e, ao notar suas partes íntimas limpas, resolvem melhorar outras partes também. Muitos se matriculam em uma academia ou resolvem participar de

maratonas para perder peso enquanto outras confessam se sentirem mais sensuais. E, para quem pensa que o “Brazilian Bikini” e só para jovens, sinto desapontá­‑lo. De acordo com minhas clientes mais maduras, o sexo se torna mais prazeroso na meia idade e vejo com satisfação tal clientela aumentando dia após dia. O “Brazilian” não só aumenta a autoestima, mas também a estima sexual de qualquer um. Giro SP: Após o reconhecimento e estabelecimento no mercado norte­‑americano de beleza e saúde, como se sente ao ter sido pioneira em algo que faz parte cada vez mais de nossas rotinas? Reny Ryan: Consequentemente, hoje, devido à transformação em minha vida pessoal e profissional, vejo depilação como um espelho. Uma vez depiladas, minhas clientes admiram­ ‑se no espelho e veem alguém bonita e digna. Algumas encontram algo que as mesmas não sabiam existir ou que se recusavam a ver. No final, todas são unânimes em afirmar que este simples e rápido tratamento de beleza

REVISTA GIRO SP | 81


FIQUE POR DENTRO

faz com que se sintam felizes com si mesmas. Em outras palavras posso dizer que o “Brazilian Bikini” oferece um efeito positivo e certamente terapêutico. Atualmente depilo uma média de 1.500 clientes por ano e amo cada minuto que passo com eles. Há um tempo, algumas de minhas clientes sugeriram que eu começasse a escrever algumas das situações engraçadíssimas que acontecem durante a sessão, quando todos estão nus e em posições constrangedoras. Por algum tempo resisti, mas finalmente comecei a fazê­‑lo e em 2008 “Confessions of a Brazilian Bikini Waxer” foi lançado. O livro conta histórias sobre a primeira visita de tímidas clientes, mari82 | REVISTA GIRO SP

dos que insistem que tal gasto faça parte da “manutenção mensal obrigatória” e também conta como esse tratamento de beleza, que antes pertencia aos ricos e famosos e a indústria pornográfica, hoje em dia faz parte do cotidiano de homens e mulheres em todo lugar. O mais importante de tudo: é um livro que celebra a nós mesmos, nossas vidas e nossas conquistas! Giro SP: Você olha para seu passado e sente que tudo valeu a pena? Reny Ryan: Às vezes, quando estou no trabalho, penso no meu passado e relembro com carinho quando juntamente com minhas irmãs fazíamos a maior meleca nos

depilando. Penso em minha triste existência com meu marido e a energia quase sobre­‑humana que precisei para sair do Brasil, recomeçar minha vida e saborear o resultado daquele passo corajoso. Hoje, passados quase 30 anos após minha chegada aos EUA, olho para trás e penso naquela jovem audaciosa que resolveu mudar seu próprio destino e que hoje se sente orgulhosa, feliz e abençoada. Por todos esses anos, no dia 27 de julho, me olho no espelho e digo: “Olá, poderosa! Parabéns por mais um ano!” – e jogo um beijo para aquela mulher cheia de vida olhando para mim.


FIQUE POR DENTRO

Texto Carolina Cordeiro

batombatom

A sensualidade do A sensualidade histórica histórica do Na Grécia, no século II, havia uma lei que impedia que as mulheres usassem batom antes do casamento. Na Espanha do século VI, só usavam batom mulheres das classes mais nobres. Em 1921, o batom ganhou o formato atual de estojo, e começou a ser comercializado em Paris. Miss Pearl Pugsley, nos EUA, aos 17 anos, foi notícia ao ter que retornar para casa, vinda do colégio, por utilizar batom. Em um giro por sua história, pode­‑se notar que o batom se tornou objeto do

desejo e sucesso – foi tamanha a curiosidade que, em 1930, os batons dominaram o mercado americano e daí se espalharam­pelo mundo afora. Há quem diga que o seu formato em bastão foi baseado na sexualidade feminina: foi baseado na forma do membro masculino para aumentar a sexualidade feminina e estimular as vendas com o formato inovador dando mais prazer em fazer uso do mesmo toda vez que pressiona o bastão para fora tocando­‑o em seus lábios.

Que o batom vermelho sempre foi um tabu entre algumas mulheres é fato. Mesmo na época da maravilhosa Marylin Monroe, ele era, e continua sendo para mulheres que sabem se impor e encaram o estilo pesado da cor. Muitas não acertam por medo, ou nem mesmo arriscam, mas, para aquelas que gostam desse estilo o batom vermelho dá o ar de poder. Este item possui estilo “menina” até o famoso “femme fatale”. Tenha o poder começando pelos seus lábios. Arrisque!

Aí vão algumas dicas: 1. Se seus lábios estiverem ressecados, faça uma esfoliação leve e os hidrate com balms ou mesmo manteiga de cacau. 2. Contorne com lápis retrátil cremoso, espalhe com um pincel para a parte inferior dos lábios até preenchê­‑los. 3. Aplique a Bala do Batom diretamente na boca até preenchê­‑la com a cor. 4. Passe uma camada de pó fácil nos lábios (Isso ajuda a segurar a cor por mais tempo) Pronto! Você está preparada para qualquer evento. A minha dica para quem quer se arriscar com o batom vermelho e fazer uma pele perfeita é usar bastante máscara para cílios, essa dupla é a que mais combina com o batom! E outra: para dar um ar mais sexy finalize com um gloss incolor! REVISTA GIRO SP | 83


ACONTECE EM SP

Texto Divulgação Fotos Ana Carolina Fernandes

Exposição da fotógrafa Ana Carolina Fernandes, inaugura dia 1º de outubro na DOC Galeria Entre os dias 1º e 31 de outubro, São Paulo recebe a exposição individual da fotógrafa Ana Carolina Fernandes. O ensaio, intitulado Mem de Sá, 100 é composto por 17 fotos e estará exposto na DOC Galeria, na Vila Madalena. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra é fruto

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do trabalho que a artista desenvolveu nos últimos dois anos, convivendo com a comunidade de travestis do centro do Rio de Janeiro. Ana Carolina sempre trabalhou como fotojornalista e há cerca de quatro anos resolveu contar histórias mais longas, como documentarista. O primeiro contato com o casarão Mem de Sá, 100 (nome da exposição) aconteceu em 2003, quando conheceu a travesti Luana Muniz, também conhecida como “A Rainha da Lapa”. Luana é a dona do casarão e aluga quartos para outros travestis morarem e, eventualmente, fazerem programas, já que todas trabalham se prostituindo. Em março de 2011, a fotógrafa começou a frequentar o lugar. “Cheguei ao casarão sem nenhum julgamento ou moralismo. Muito pelo contrário, tinha simpatia pelos travestis. Só comecei a


fotografar depois que elas começaram a ter total confiança em mim, o que ocorreu muito rápido e logo depois veio a cumplicidade. Sempre foi um trabalho feito com muita verdade e isso ficava muito claro,” conta Ana Carolina. “Muito mais do que dar voz a um grupo de pessoas que vivem na exclusão e à margem da sociedade, eu queria dar um corpo e mostrar a beleza delas”, complementa. Sobre Ana Carolina Fernandes É formada em Fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Fotojornalista desde os 19 anos, quando entrou no jornal O Globo, Ana Carolina Fernandes (1963) já passou pelas redações do Jornal do Brasil, Agência Estado e Folha de S. Paulo, onde ganhou dois

prêmios Folha, em 2000 e 2002. Na década de 90, dedicou-se ao teatro e cinema, documentando festivais internacionais de teatro e fazendo stills de filmes, curtas, documentário e vídeo clipes. Atualmente desenvolve ensaios pessoais e fotografa quase que diariamente as praias do Rio de Janeiro. É colaboradora de vários jornais e revistas. Serviço: Exposição:“Mem de Sá, 100” Abertura: 1º de outubro, a partir das 19h00 Período: 1º a 30 de outubro de 2013 Visitação: de segunda à sexta das 11h às 13h e das 14h às 19h, sábado das 11h às 14h Onde: DOC Galeria Endereço: Rua Aspicuelta, 662, Vila Madalena, SP. Quanto: Gratuito Classificação: livre

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FIQUE POR DENTRO

Texto Yone Shinzato Fotos Divulgação/Alexandre Inagaki

Quem nunca compartilhou uma foto no Instagram, marcou um encontro com os amigos pelo Whatsapp, deu aquela checada nas redes sociais ou email logo pela manhã? Com a popularização dos smartphones e da internet móvel, estar conectado se tornou hábito muito comum entre os brasileiros. Além disso, o acesso à informação é muito mais facilitado, pois o internauta tem a seu alcance a uma infinidade de fontes: sites de notícias, blogs especializados, podcasts etc. No entanto, nos primórdios da World Wide Web, não era bem assim que funcionava. O uso da internet não era tão democratizado, pois poucos tinham computadores, a velocidade 86 | REVISTA GIRO SP

da conexão deixava a desejar e a quantidade de boas páginas ainda era escassa. Nesta edição, a GIRO SP preparou uma entrevista especial com Alexandre Inagaki, jornalista, blogueiro do Pensar Enlouquece, Pense Nisso e consultor de comunicação em mídias digitais. Ele vai nos contar sobre sua carreira e desenvolvimento profissional, que estão diretamente ligados a essa transformação da internet: do “boom” dos blogs, no início dos anos 2000, à “bigbrotherização” da vida cotidiana, exposta nas redes sociais. GIRO SP: Você começou a escrever numa época (1999 a 2001) em que a internet engatinhava no Brasil. Conte­ ‑nos um pouco a respeito do

Spamzine. Era um grupo de amigos? Que tipo de textos costumava escrever? Alexandre Inagaki: Era um fanzine eletrônico, cujos arquivos podem ser encontrados em pensarenlouquece. com/spamzine, inspirado no CardosOnline (qualquer.org/ col), que era enviado por e­‑mail, todo domingo, para pessoas cadastradas no site. Cada edição continha quatro ou cinco textos, entre crônicas, poemas e contos, mais algumas seções fixas, como Virunduns (mostrando exemplos de músicas cantadas de forma errada por aí, tais como “Scubidu dos sete mares” ou “Alagados, tristão, favela do Avaré”), Papo­‑Aranha (em que os leitores se apresentavam e enviavam textos


à procura de uma namorada ou namorado) e Navegar Impreciso (com dicas de links). O e­‑zine foi criado por mim e pelo Ricardo Sabbag, jornalista residente em Curitiba. Mas toda semana convidávamos amigos para colaborarem com o SpamZine. Durante os quase três anos em que circulou, foram distribuídas 93 edições com textos de mais de uma centena de colaboradores. Dentre eles, diversos autores que depois se tornaram escritores de sucesso ou roteiristas, como Cecilia Giannetti, João Paulo Cuenca, Fabio Danesi Rossi, Márvio dos Anjos, Paula Pimenta e Indigo Girl. Foi uma época bacana, mas aos poucos o senso coletivo dos e­‑zines foi sendo trocado pela urgência dos blogs, mais simples e práticos de serem atualizados. Escrevia textos de tudo quanto é tipo: poemas, crônicas, contos. GIRO SP: Em que ano precisamente começou a escrever o Pensar Enlouquece? Como surgiu a ideia de criar o blog? Quais temas costuma tratar? Alexandre Inagaki: O Pensar Enlouquece entrou no ar em agosto de 2002, mas não foi minha primeira experiência com blogs. Antes, fui um dos autores do blog coletivo “Logopeia” (fimdamente.org/logopeia), criado em 2000, e o SpamZine também tinha um.

Mas a transição dos e­‑zines para blogs foi natural. Afinal, enquanto o trabalho de selecionar textos enviados por dezenas de pessoas, fazer a formatação de uma edição e mandá­‑la para os mais de 3.000 assinantes dava um trabalho e tanto, criar um blog era algo que não demandava mais do que 15 minutos. Publicar textos na internet tornou­‑se uma tarefa simples, você já não precisava entender de HTML ou outras ferramentas de programação para postar alguma coisa e, já em questão de minutos, receber comentários de leitores. Outra coisa bacana de se ter um blog é a liberdade editorial. Não tenho deadline definido, não tenho limitação de caracteres e nem pautas pré­‑definidas. Além disso, os posts não passam antes por um editor, e tenho o controle total sobre o texto final. Graças a essa liberdade, escrevo sobre qualquer assunto que me dê na telha no Pensar Enlouquece; posso falar sobre cinema, política, Guarani Futebol Clube, rock argentino, a vida sexual das minhocas da República Dominicana, a Vida, o Universo e tudo mais.

cial”, já que, em uma entrevista, você afirma ter trabalhado, ao mesmo tempo, como freelancer? Alexandre Inagaki: Na época em que a World Wide Web surgiu, eu trabalhava como caixa no banco Nossa Caixa, num posto do Poupatempo, das 7 às 13 horas. Portanto, eu tinha tempo livre para me dedicar a atividades que me motivavam, e a WWW não poderia ter surgido em melhor hora. Além dos projetos que tocava na web, escrevia matérias para o Correio Braziliense e a revista do Instituto Itaú Cultural. GIRO SP: Como foi a transição de trabalhar como funcio-

GIRO SP: Você é jornalista de formação, no entanto, por seis anos, trabalhou como bancário. Como conciliou sua formação e a “profissão ofiREVISTA GIRO SP | 87


FIQUE POR DENTRO nário público e, depois, com mídias sociais e o blog? As coisas foram surgindo aos poucos? Alexandre Inagaki: Quando e­‑zines e blogs surgiram no Brasil, era utópico imaginar que aqueles projetos descompromissados um dia poderiam render dinheiro. Mas, ao longo dos anos, foi surgindo um mercado para publicidade online, e graças a isso fui chamado, em 2006, para trabalhar em uma agência digital chamada Riot. Topei: larguei o meu emprego de caixa e passei a trabalhar full time com internet, desenvolvendo projetos de blogs corporativos e divulgando campanhas publicitárias por meio de contratação de publieditoriais em blogs e ações de PR 2.0. Essa oportunidade surgiu graças às atividades online às quais me dedica-

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va nas horas vagas. O dono da Riot, Pedro Ivo Resende, foi um dos muitos autores que convidei para colaborar no SpamZine. Desde aquela época ele acompanhava meus projetos na web, sabia que eu tinha contato com os principais blogueiros da época e conhecia a qualidade dos meus textos, e por isso me chamou para trabalhar com ele.

tão de projetos online ligados a publicidade, ações de relacionamento com stakeholders, gestão de perfis corporativos em mídias sociais e desenvolvimento de projetos editoriais. Atendo empresas como Sony Pictures Brasil, Bradesco, O Boticário e Coca­‑Cola, além de agências publicitárias como W3Haus, W/McCann, DPZ e VirtualNet. Sou curador de eventos de cultura digital como youPIX Festival e Curitiba Social Media, e ministro palestras e workshops sobre comunicação digital. Graças ao meu histórico com internet, trabalho atualmente em home­ ‑office, fazendo meus horários e, mais importante, com o que eu gosto.

GIRO SP: Atualmente você dá consultoria para agências de publicidade e grandes empresas na parte de geração de conteúdo para blogs e gestão de mídias sociais? Pode falar mais um pouco a respeito do seu trabalho? Alexandre Inagaki: Além de atualizar o Pensar EnlouqueGIRO SP: As pessoas esce, presto consultorias de criação, planejamento e ges- tão cada vez mais conecta-


das em seus smartphones, tablets, notebooks, e toda sorte de aparatos digitais. Há um despejo constante de informações nas redes sociais, criando nos internautas uma necessidade de se manterem atualizados o tempo todo. Como você encara essa tendência, esse exagero? Alexandre Inagaki: Há uma ansiedade cada vez mais onipresente em pessoas que ficam o tempo todo conectadas, viciadas em consumir notícias, bisbilhotar redes sociais, compartilhar experiências pessoais e receber “likes”, “RTs” e compartilhamentos de seus conteúdos. O fato é que toda essa avalanche de informações disponibilizada constantemente pela internet faz com que seja fomentado o DDA que há em todos nós. Como dizia aquela música do Kid Abelha, “tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim”. Mas creio que toda essa ansiedade também reflete o fato de que os avanços tecnológicos estão sendo disruptivos demais e estão chegando numa velocidade na qual a gente mal tem tempo de assimilá­‑las; simplesmente engolimos informações sem mastigá­‑las e digeri­‑las direito. Ainda es-

tamos aprendendo a nos adaptar nesta época fast­ ‑forward, um dia espero que a gente consiga chegar a um equilíbrio entre o 8 e o 80. GIRO SP: Além da necessidade de se manterem informadas, as pessoas passam a se expor com mais frequência, emitir opiniões, suas vidas pessoais e profissionais. Até que ponto isso pode atrapalhá­‑las ou favorecê­‑las? Alexandre Inagaki: Opiniões todos sempre tiveram de sobra, a grande diferença é que se antes palpitavam sobre assuntos que mal entendem em mesas de bar ou conversas com vizinhos, agora deixam comentários em notícias de portais e tweets, lugares nos quais eventuais disparates tornam­‑se encontráveis com

uma busca no Google. E como essas opiniões agora têm um registro por escrito que é facilmente localizável, a repercussão, junto com suas eventuais consequências, torna­‑se muito maior do que antes. Dois exemplos do que digo: o processo sofrido pela estudante de direito Mayara Petruso, por ter expressado em um post no Twitter ofensas a nordestinos e a demissão do estilista John Galliano da Dior, por causa de comentários antissemitas que ficaram registrados em um vídeo veiculado na web. É o tipo de consequência sofrida por pessoas que, provavelmente, já tinham opiniões racistas, mas que não sairiam da esfera particular caso seus pontos de vista não tivessem sido externados ao mundo através da internet. REVISTA GIRO SP | 89


FIQUE POR DENTRO

Por outro lado, a web, com seu aspecto de democratização da comunicação, também trouxe essa pluralização de formadores de opinião. Se antes você precisava ter uma coluna num jornal, revista ou TV para poder externar suas opiniões a milhares de pessoas, agora você tem a oportunidade de se tornar o Roberto Marinho de si mesmo criando seu próprio veículo de comunicação, na forma de blog, vlog, fanpage ou e­‑zine. Pessoas que forem capazes de emitir opiniões bem articuladas, com bons argumentos e carisma, destacam­‑se e ganham novas oportuni90 | REVISTA GIRO SP

dades profissionais graças a prias vidas, por meio de fotos “selfies” no Instagram, este admirável mundo novo. postagens confessionais em GIRO SP: Em canais como blogs e mídias sociais, vídeos o Youtube, é muito grande a de webcam que são comparproliferação de webcelebri- tilhados com o mundo todo. dades, canais de humor, ví- E isso ocorre, dentre outros deos de crianças ou animais motivos, porque as noções “fofinhos” que acabam se de privacidade são cada vez tornando grandes hits com mais tênues e a sociedade dimilhões de visualizações. gital recompensa aqueles que Expor­‑se acaba se tornan- se expõem com mais follodo, às vezes, um fetiche, uma wers no Twitter e Instagram, necessidade, ou algo des- “likes” no Facebook, audiência proposital que, com o tempo, maior em blogs e vlogs. Além acaba tomando grandes pro- disso, há aquela vontade de porções? compartilhar momentos feAlexandre Inagaki: Vivemos lizes ou especiais vida afora. tempos em que as pessoas Que atire o primeiro iPhone bigbrotherizam suas pró- aquele que nunca bateu uma


foto no meio de um show ou de uma viagem bacana com o objetivo de postá­‑la na internet para dividir aquele momento com os amigos e causar uma invejinha básica. No fim, toda essa história narcisista faz parte da natureza humana desde que Narciso descobriu que achava feio o que não é espelho. E a internet acaba sendo uma espécie de megafone da vida offline, amplificando a visibilidade de comportamentos que a humanidade sempre teve. GIRO SP: Além da superexposição, as redes sociais também democratizaram o compartilhamento da informação. Que cuidados os internautas devem ter ao compartilhar posts/notícias/informações? Você já viu algum caso em que uma notícia equivocada foi amplamente divulgada, sem a fonte ser devidamente checada, inclusive pela mídia tradicional? Alexandre Inagaki: Não se deve aceitar balas nem comprar de olhos fechados informações que foram postadas por estranhos. Antes de ficar retuitando e compartilhando qualquer coisa que você clicou por aí, é imprescindível fazer uma apuração básica a fim de checar se aquela informação é factível. Notícias equivocadas sempre foram veiculadas pela mí-

dia tradicional, não vejo grandes novidades nisso. Muito antes da internet, uma revista como a Veja já dedicou espaço em suas páginas à criação de um “boimate”, por ter caído numa pegadinha de 1o de abril da revista New Scientist. Por isso, não imputo somente às redes sociais casos recentes como a história de que o Grêmio teria contratado um jogador fictício chamado Enrico Cabrito. Erros de apuração no jornalismo não são novidade. GIRO SP: Apesar de vivermos numa “sociedade de excessos”, as pessoas sabem quando chega o momento de se desplugar, ou seja, voltar à vida offline para ver o que ocorre ao seu redor, ir passear com o cachorro, dar uma volta no quarteirão e fazer as atividades usuais? Encurtando, elas estão sabendo separar a vida online da offline? Alexandre Inagaki: Como escrevi antes, a gente ainda está tendo que aprender a lidar com tantos avanços tecnológicos, é como se tivéssemos saído do ensino fundamental diretamente para o primeiro ano de MBA. Por isso, certamente haverá pessoas que exagerarão na dose. Mas, se uma pessoa conseguir passear com o cachorro, atualizar seu perfil no Facebook e combinar uma balada com amigos usando o Whatsapp ao mes-

mo tempo, sem deixar de recolher as fezes do seu animal de estimação e sem ser atropelado por aí, não vejo porque ela não possa fazer coisas habituais do cotidiano sem estar conectada. GIRO SP: Para finalizar, o Inagaki online sabe a hora certa de se desplugar do mundo virtual ou é do tipo que se mantém 24h conectado? Alexandre Inagaki: Sou daquelas pessoas que vivem quase o tempo todo conectadas. No meu caso, até tenho um bom álibi: eu trabalho com internet e preciso obrigatoriamente ser heavy user e early adopter de todas as novidades tecnológicas que pipocam por aí. Mas posso afirmar que consigo apreciar a vida, viajar bastante e conciliar internet com namoro e vida social.

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ACONTECE EM SP

Texto e Fotos Ronnie Arata

Um dos objetivos da Giro SP é indicar bons lugares para que nossos leitores possam visitar e curtir. Porém, outra atividade muito importante para o aspecto profissional, é mantê­‑los informados sobre feiras, eventos e congressos, que acontecem em São Paulo, nos principais centros de exposições. A Expomusic, no entanto, é uma das feiras em que é possível unir as duas coisas: negócios e diversão. Para isso, o evento reserva um período apenas para os profissionais do ramo. Normalmente, como aconteceu este ano, os dois primeiros dias, 18 e 19, foram os escolhidos. Já na sexta seguinte, dia 20, até o domingo, 22, foram três dias de muitos acordes, riffs de guitarra e apresentações de novos artistas, entusiastas e visitantes – além, é claro, de muita gente famosa como Kiko Loureiro, guitarrista da banda Angra, e a banda Tihuana e o virtuoso guitarrista e compositor Pepeu Gomes. Obviamente, os dois primeiros dias foram menos agitados, mas, se você visitar a feira 92 | REVISTA GIRO SP

quando ela abre para o público geral, corre sérios riscos de se perder em meio a tantas pessoas, principalmente, grupos de jovens de cabelo comprido e camisetas de diversas bandas. Ao passear entre os estandes de marcas menores e das grandes conhecidas também, é perceptível que o público, na maioria, é como dizem por ai, “do rock”. Isso, porém, não nos impede de descobrir algumas particularidades. Entre quilômetros e quilômetros de guitarras e baterias de variados modelos e marcas, vi duas


cenas que mais me chamaram atenção. Na primeira delas, um dos músicos tocava uma viola amplificada, com um som bastante nordestino, muito bem tocado! Em outra, vi uma dupla que tocava, sem parar, músicas populares, como Palpite, de Vanessa Rangel, de um jeito bastante singular. O cantor estava equipado de violão elétrico, com cordas de nylon, e o outro acompanhava com uma bateria compacta. Também não faltaram samplers e pick­‑ups para batidas eletrônicas, instrumentos para as crianças, tampouco os acessórios: encordoamentos, correias personalizadas, pedestais de microfone, canhões de luz, amplificadores, line arrays e muito mais. Visitar uma feira desse porte para ver apenas o que já é visto em qualquer loja de rua é aproveitar pouco. Gastar R$20,00 para fazer

o mesmo que visitar a Teodoro Sampaio em um dia normal não condiz com o espírito do evento. Não estou dizendo que não é válido passar tempo admirando os infinitos modelos de guitarras Les Paul ou os violões Tagima e Martin. Eu mesmo devo ter perdido bons minutos olhando as guitarras brilhantes da Phoenix. Mas este mercado é tão grande, e tem tantas variantes da música juntas, que, por estar ali, merecem mais da atenção do visitante do que apenas uma batida de olho. REVISTA GIRO SP | 93


ACONTECE EM SP

Texto Yone Shinzato Fotos Ed Morais

Comédia Com Tudo é garantia de riso até para o mais sisudo dos espectadores 94 | REVISTA GIRO SP


Em cartaz desde agosto, a peça faz fusão entre teatro de revista, stand­‑up comedy e circo

A maioria dos paulistanos tem a rotina atarefada com muitos compromissos ao longo do dia e pouco tempo de lazer que, geralmente, é relegado aos fins de semana. Assistir a uma boa peça e dar muita risada pode ser uma ótima maneira de desestressar e, de quebra, deixar de lado, nem que por uns instantes, os problemas do dia a dia. A Comédia Com Tudo, que está em cartaz desde 3 de agosto no Teatro Ruth Escobar, na Sala Miriam Muniz, foi concebida exatamente para tirar as pessoas desse cotidiano estafante. “Já faço uma peça que tem mais ou menos a mesma linguagem. Na época do teatro de revista, entre um ato e outro, entrava um cômico para entreter a plateia enquanto eles montavam os cenários. Esses cômicos eram de canto, dança e mágica, enfim, nós adaptamos esses quadros antigos e demos uma nova roupagem a eles”, diz Mineirinho de Maceió, ator, dançarino, coreógrafo e diretor do espetáculo. A fusão entre o emergente stand-up com o teatro de revista e circo para criar a peça

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ACONTECE EM SP deu tão certo que, desde sua estreia, tem apresentações lotadas e um público que, ao final, sai satisfeito e com um largo sorriso no rosto. A sintonia de Mineirinho com Marcelo di Morais e Tadeu Pinheiro é perceptível pela reação da plateia que interage e corresponde aos atores. “Apesar de termos um roteiro prévio, também buscamos muito o improviso, de acordo com a reação das pessoas. Para mim, o stand­‑up é tranquilo, mas o que o Mineirinho quis fazer comigo (risos)... raramente uso bermuda, e ele vai e me coloca vestido de He­‑Man!”, completa di Morais. “Enquanto estivermos nos divertindo, pretendemos manter a peça em cartaz. Só não fazemos aquilo que não nos diverte e não nos traz satisfação, apesar dos erros que cometemos. Até assim, tudo acaba se tornando engraçado”, finaliza Mineirinho. Se depender do público, muitas gargalhadas continuarão por vir.

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AONDE VOCÊ QUER IR HOJE? Shows ADRIANA CALCANHOTTO Local: HSBC Brasil End.: R. Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio Data: 11/10 Horário: 22h Ingressos: de R$40 a R$240 Bilheteria: seg – sáb, das 12h às 22h. Dom e feriados: das 12 às 20h. Telefone: 4003 1212 hsbcbrasil.com.br / ingressorapido.com.br ZIZI POSSI Local: HSBC Brasil End.: R. Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio Data: 15/10 Horário: 21h30 Ingressos: de R$50 a R$120 Bilheteria: seg – sáb, das 12h às 22h. Dom e feriados: das 12 às 20h. Telefone: 4003 1212 hsbcbrasil.com.br / ingressorapido.com.br FREJAT Local: HSBC Brasil End.: R. Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio Data: 25/10 Horário: 22h Ingressos: de R$50 a R$240 Bilheteria: seg – sáb, das 12h às 22h. Dom e feriados: das 12 às 20h. Telefone: 4003 1212 hsbcbrasil.com.br / ingressorapido.com.br MARIA BETHÂNIA Local: HSBC Brasil End.: R. Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio Datas: 01/11, às 22h, e 03/11, às 20h Bilheteria: seg – sáb, das 12h às 22h. Dom e feriados: das 12 às 20h. Telefone: 4003 1212 hsbcbrasil.com.br / ingressorapido.com.br Teatro OS HOMENS SÃO DE MARTE É PRA LÁ QUE EU VOU Local: HSBC Brasil Dia: 13/10 Horário: 20h End.: R. Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio Bilheteria: seg – sáb, das 12h às 22h. Dom e feriados: das 12 às 20h. 98 | REVISTA GIRO SP

Telefone: 4003 1212 hsbcbrasil.com.br / ingressorapido.com.br RISO NERVOSO – AS OLÍVIAS EM 5 HISTÓRIAS NEURÓTICAS Teatro Viradalata End.: Rua Apinajés, 1387 – Sumaré – São Paulo – SP Bilheteria: Ter: 17h às 22h; Sáb: 14h às 22h; Dom: 9h às 19h Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia) Telefone: (11) 3868­‑2535 O REI LEÃO, DA DISNEY Teatro Renault End.: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista Sessões: qua – sex, às 21h; sáb, às 16h30 e 21h; dom, às 14h e 18h30. Ingressos: De R$ 50 a R$ 280 Bilheteria: das 12h às 20h (em dias de espetáculo, funciona até o início da apresentação) Ingressos online: premier.ticketsforfun.com.br/ ALL YOU NEED IS LOVE – AO VIVO NA INGLATERRA Teatro Bradesco (Bourbon Shopping São Paulo) End.: Rua Turiassú, 2100, 3º piso, Pompéia Data: 24 de outubro, quinta­‑feira Horário: 21h Preço: de R$50 a R$160 Duração: 120 min Classificação: Livre teatrobradesco.com.br Ingresso Rápido: 4003­‑1212 PROJETO TERÇA INSANA Teatro Itália End.: Av. Ipiranga, 344 – Centro Temporada por tempo indeterminado Ingressos: R$ 80,00 / R$ 40,00 meia Bilheteria:terça a domingo – das 15h ás 21h Duração: 70 minutos Classificação: 14 anos 278 lugares www.teatroitalia.com.br Ingressos online: compreingressos.com PROCURANDO FIRME! (KIDS) Teatro Cacilda Becker End.: Rua Tito, 295, Lapa - São Paulo Data: 19/10 a 24/11. Sáb. e dom Horário: 16h Ingressos: R$ 10 Duração: 50 minutos Classificação: Livre Telefone 3864-4513.


SE CHOVE, NÃO MOLHA! (KIDS) Teatro Alfredo Mesquita. End.: Av. Santos Dumont, 1.770, Santana – São Paulo Data: 19/10 a 24/11. Sáb. e dom Horário: 16h Ingresso: R$ 10 Duração: 60 minutos Classificação: +5 anos. Telefone: 2221-3657.

Exposições FUSÕES Local: Centro da Cultura Judaica. End.: Rua Oscar Freire, 2500 − Sumaré − São Paulo. Data: até 9 de fevereiro de 2014. Horário: de terça a domingo, das 12h às 19h. Entrada gratuita Telefone: (11) 3065­‑4333. www.culturajudaica.org.br

Parques Projeto Fishing – O Design em Local Público Parque Burle­‑Marx, São Paulo – SP Data: 27/10 Horário: das 10h às16h Entrada gratuita

MUSEU ANCHIETA (KIDS) End.: Praça Pateo do Collegio, 2 – Centro – São Paulo Horário: Ter. a dom., das 9h às 17h. Ingresso: R$ 5 (inteira), R$ 2,50 para estudantes, R$ 1 para alunos de escola pública; Gratuito para crianças de até sete anos e idosos acima de 60 anos. Para visitas monitoradas é preciso agendar de seg a sex, das 13h às 17h. Tel.: (11) 3105­‑6898. pateocollegio.com.br

Fronteiras incertas: arte e fotografia no acervo do MAC USP Local: MAC USP Nova Sede End.: Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 Abertura: 28 de setembro, a partir das 11 horas Entrada gratuita Telefone: 11 2648.0254 mac.usp.br Comida e Bebida Restaurante Coco Bambu – JK Av. Antonio Joaquim de Moura Andrade, 737, Itaim Bibi Telefone: 11 3051­‑5255 Capacidade do local: 550 lugares Horário: seg à qua: 11h as 15h / 18h as 0h; qui: 11:30h as 15h / 17:30h as 01h; sex, sáb e feriados: 11:30 h as 02 h (sem intervalo). dom. das 11:30 as 0h (sem intervalo) restaurantecocobambu.com.br. UNI RESTAURANTE Av. Paulista, 1578, subsolo do MASP Telefone: 11 3253­‑2829. Capacidade: 160 lugares. Horário: seg a sex, das 11:30h às 15h; sáb e dom, das 12h­às 16h. Feriados das 12h às 16h. CANTINA NELLO’S R. Antonio Bicudo, 97, Pinheiros Telefone: 3082­‑4365 / 7874­‑1651 Capacidade: 150 lugares Horário: Ter. a Qui.: 12 às 15h e 19 às 0h. Sex: 12 às 15h e 19 à 01h. Sáb: 12 às 16h e 19 à 01h, Dom: 12 às 17h e 19 às 23h. Delivery: Ter. a Sex.: 12 às 15h e 19 às 23h. Sáb. e Dom.: 12h às 16h e 19h às 23h nellos.com.br

Oficinas O MAR ESTÁ PRA PEIXE (KIDS) Biblioteca Pública Mário Schenberg Rua Catão, 611, Lapa, Zona Oeste. Data: 30/10 Horário: 14h Entrada Gratuita Coord.: Mad Science. Telefone: 3672-0456 Música O NOME DELE É… PEIXONAUTA (KIDS) Auditório Ibirapuera – plateia externa (atrás do Auditório) End.: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, (portão 3), Ibirapuera Data: 12/10 Horário: 11h Entrada gratuita (não é necessário retirar ingresso) Duração: 90 min Tel. 3629-1075. ORQUESTRA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO (KIDS) Theatro Municipal de São Paulo. End.: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro. Duração: 90 min Data: 12/10 Horário: 17h Ingresso: R$ 10 a R$ 40 Telefone. 3397-0300 / 3397-0327 (bilheteria)

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